< Pergunta bíblica sobre Marcos
As questões que se referem a mais do que um Evangelho são abordadas no primeiro Evangelho em que aparecem ou, caso contrário, encontram-se na secção «Evangelhos».
P: Em Marcos, quais são alguns dos elementos distintivos deste evangelho?
R: Marcos é um evangelho de ação. Marcos utiliza frequentemente a palavra «imediatamente». Enfatiza Cristo como servo. Ele curou, alimentou, expulsou demónios e deu a sua vida em resgate por muitos. Há treze milagres registados em Marcos. Cristo é a esperança para as pessoas simples. Uma passagem fundamental é Marcos 10, 45.
No que diz respeito à linguagem, há quem veja semelhanças entre as palavras de Pedro e de Marcos. Na verdade, Marcos era o intérprete de Pedro. Marcos possui o vocabulário mais simples de todos os evangelhos.
No que diz respeito às semelhanças, cerca de 90% dos versículos de Marcos têm algum paralelo em Mateus.
Quanto às falsas religiões, Marcos 1:9-11, bem como Mateus 3:16-17, são boas passagens para mostrar aos pentecostais da Unidade que o Pai, o Filho e o Espírito não são idênticos nem meramente três «modos» de uma única pessoa.
P: No Evangelho de Marcos, o que sabemos sobre Marcos, a pessoa?
R: Marcos era o intérprete de Pedro e, por isso, o Evangelho de Marcos poderia, de certa forma, ser chamado de «Evangelho de Pedro». No entanto, o próprio Marcos foi provavelmente uma testemunha ocular, e temos razoável certeza disso com base num pormenor que mais ninguém teria reparado. Marcos 14:51 fala do jovem no Jardim do Getsêmani que fugiu nu. Os primeiros cristãos também reconheceram que Marcos era o autor deste evangelho.
Marcos contém um maior número de palavras latinas do que os outros evangelhos, tais como «censo», «denário», «legião» e «pretório». Marcos é um nome latino, enquanto João é um nome hebraico. O «Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 99, refere que foram utilizados termos latinos em vez dos seus equivalentes gregos em Marcos 5:9; 6:27; 12:15, 42; 15:16, 39. Em duas frases, em Marcos 3:6 e 14:65, Marcos utiliza uma construção latina, e não grega, como se o latim fosse a sua língua materna e ele tivesse aprendido grego mais tarde. A forma romana de expressar o tempo é utilizada em Marcos 6:48 e 13:35. As expressões aramaicas são traduzidas para o grego em Marcos 3:17; 5:41; 7:11,34; 9:43; 10:46; 14:36; 15:22,34.
P: Em Marcos, por que razão não havia uma genealogia como a que existe em Mateus e Lucas?
R: Os objetivos de Marcos ao escrever parecem ser um pouco diferentes dos de Mateus e Lucas.
Mateus foi escrito mais para os judeus, que davam importância à genealogia, e Mateus destaca Cristo como rei, sendo a genealogia importante para os reis.
Marcos salienta que Cristo era um servo e dá ênfase às Suas ações e ao Seu ministério.
Lucas enfatizou a humanidade de Jesus e foi, sem dúvida, escrito para um público mais grego. Lucas regista o maior número de parábolas.
João destaca Jesus como Deus e centra-se nos sete sinais que Jesus realizou.
P: Marcos, com o seu uso da expressão «imediatamente», dá a impressão de que o ministério de Jesus durou apenas alguns meses, desde a colheita de espigas durante a colheita em Marcos 2 até à Páscoa no capítulo 11. Jesus, Interrupted, p. 42
R: Li toda a literatura cristã pré-nicena, com exceção de dois livros, e grande parte da literatura gnóstica e ebionita que se conservou, e não encontrei um único escritor pré-niceno — cristão ou gnóstico — que considerasse que Marcos indicasse que o ministério de Jesus durou apenas alguns meses. Os estudiosos devem ter o cuidado de não projetar as suas próprias teorias inovadoras nos escritos antigos. Estou certo de que diferentes pessoas podem encontrar todo o tipo de impressões na Bíblia, se se esforçarem o suficiente.
P: Em Mc 1,2, será que Marcos acrescenta algo a Ml 3,1 neste ponto?
R: Marcos parafraseou Malaquias, imediatamente antes de se referir a Isaías.
No texto massorético, Malaquias 3:1 diz: «Eis que envio o meu mensageiro, e ele preparará o caminho diante de mim…» (Tradução Literal de Green)
Na Septuaginta, Malaquias 3:1 diz: «Eis que envio o meu mensageiro, e ele inspecionará o caminho diante de mim…» (Sir Lancelot C.L. Brenton)
Marcos 1:2 diz: «Eis que envio o meu mensageiro diante da vossa face, que preparará o vosso caminho diante de vós.» (Tradução Literal de Green) Repare-se na adição de «diante da vossa face» e «vosso/vós» em vez de «meu/mim».
Dois pontos a considerar na resposta.
1. Marcos alterou os pronomes, o que não altera o significado neste contexto.
2. Uma vez que «diante de mim» é a última frase, acrescentar «diante da vossa face» para dar ênfase repetitiva também não altera o significado.
P: Marcos 1:2 diz «nos profetas» ou «no profeta Isaías»?
R: Existe aqui uma variante manuscrita.
«Nos profetas» encontra-se nos seguintes manuscritos: Alexandrinus, siríaco, copta boairico, arménio, etíope, Irineu e outros manuscritos. Mais importante ainda, o Lecionário Bizantino diz o mesmo.
«Nos profetas» ou «no profeta Isaías» encontra-se na maioria dos outros manuscritos, incluindo o Sinaítico, o Vaticano, o copta sahídico, o gótico, o Bezae Cantabrigiensis, etc., que mencionam Isaías. No Novo Testamento grego (Aland et al., 3.ª edição), esta variação recebe um grau de incerteza «A», o que significa que «é praticamente certo» que Isaías foi mencionado.
Este é um ponto interessante em que o Textus Receptus se afasta da família de textos bizantinos, embora a KJV e a NKJV sigam o Textus Receptus.
P: Em Mc 1,2, terá Isaías dito tudo isto?
R: Não, trata-se de uma enumeração de três profecias (Êxodo 23:20 (LXX), Malaquias 3:1 (Masorética) e Isaías 40:3 (LXX)). O «Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 102, afirma que isto reflete uma prática comum de citar várias passagens com um tema unificador. Cada profecia combina a expectativa esperançosa de um precursor com uma advertência em caso de desobediência. A isto chama-se uma «cadeia de testemunhos».
P: Em Mc 1:2, quais são as diferenças entre estes versículos do Antigo Testamento no texto massorético e na tradução da Septuaginta (LXX)?
R: Marcos 1:2 é uma cadeia de testemunhos (também designada por «fusão») de três versículos.
Êxodo 23:20, no texto massorético, diz: «Eis que estou prestes a enviar um anjo à vossa frente para vos guardar no caminho e para vos levar ao lugar que preparei.» A tradução da Septuaginta (LXX) diz: «E eis que envio o meu anjo à vossa frente, para que ele vos leve à terra que preparei para vós.»
Malaquias 3:1, no texto massorético, diz: «abram o caminho», enquanto a tradução da Septuaginta (LXX) diz: «inspeçam o caminho»
Isaías 40:3, no texto massorético, diz: «aquele que clama… uma estrada reta no deserto». A tradução da Septuaginta (LXX) diz: «alguém que clama… os caminhos retos».
A tradução hebraica foi retirada da «Literal Translation», de Jay P. Green. A tradução da Septuaginta provém da obra «The Septuagint: Greek and English», de Sir Lancelot C.L. Brenton.
P: Em Mc 1:4, o que é exatamente a remissão dos pecados?
R: A remissão dos pecados é o mesmo que o perdão dos pecados. Antes do tempo de Jesus, os israelitas realizavam repetidas abluções rituais para purificação. Jerusalém possuía muitos «mikvahs», que eram bacias cerimoniais para a ablução. Os judeus também realizavam «batismos» únicos aos gentios convertidos, para purificá-los da sua impureza gentia. O batismo na água é algo que praticamos como sinal da nossa salvação. É também uma garantia de boa consciência perante Deus (1 Pedro 3:21).
Consulte «Hard Sayings of the Bible», pp. 404-406, para uma resposta mais pormenorizada.
P: Em Mc 1:4, 9 e Lc 3:3, uma vez que o batismo se destinava ao perdão/remissão dos pecados, por que razão foi Jesus batizado, se Ele era sem pecado, de acordo com Hebreus 4:15; 2 Coríntios 5:21, João 8:46 e 1 Pedro 1:19?
R: João Batista aparentemente tinha a mesma dúvida em mente quando perguntou a Jesus por que razão Ele estava a ser batizado, em Mateus 3:14. Jesus aludiu à resposta em Mateus 3:15-16. Jesus não disse que Ele próprio foi batizado para o perdão, mas afirmou que foi para «cumprir toda a justiça». Devemos seguir o exemplo de Cristo, e Cristo foi batizado.
P: Em Marcos 1:5, uma vez que toda a terra da Judeia saiu para ver João, isso significa todas as pessoas?
R: Não. Não diz que foi cada pessoa individualmente, mas significa sim que muitas pessoas de todas as partes da Judeia saíram para ver João.
P: Em Mc 1,8, de que forma é que Jesus batiza com o Espírito Santo?
R: Há quatro pontos a considerar na resposta.
1. Quando uma pessoa se arrepende e acredita em Cristo, é regenerada em Cristo e batizada com o Espírito Santo.
2. Então, o Espírito Santo habita nessa pessoa.
3. Todos os cristãos têm o Espírito Santo. (Romanos 8:10, 11, 15)
4. O recebimento do Espírito Santo ocorre antes do batismo com água, como demonstra Atos 10:44-48.
P: Em Marcos 1:10, uma vez que o Espírito Santo desceu do Céu na forma de uma pomba, será que isto demonstra que o Espírito Santo não é uma pessoa, como as Testemunhas de Jeová poderiam pensar?
R: Não. Ter a capacidade de se manifestar como uma pomba não restringe de forma alguma a inteligência, as emoções ou outras características do Espírito Santo. Da mesma forma, no Antigo Testamento, o facto de Deus se ter manifestado como uma sarça ardente não O diminuiu de modo algum.
P: Em Mc 1:12, por que razão o Espírito Santo enviou Jesus para o deserto para ser tentado?
R: As Escrituras não o dizem. Talvez fosse necessário resolver esta questão antes de Jesus poder iniciar o Seu ministério. Se é cristão, existem tentações sobre as quais precisa de sair vitorioso de forma consistente antes de Deus o poder utilizar de uma forma mais significativa?
P: Em Mc 1,14, o «evangelho do reino de Deus» é o mesmo que o «evangelho de Cristo»?
R: Sim, exceto que, nessa altura, Jesus ainda não pregava sobre a Sua morte, ressurreição e Segunda Vinda. Portanto, o que Jesus estava a pregar aqui era uma parte da Sua mensagem definitiva.
P: Em Mc 1,14-15, por que razão Marcos começou pelo ministério na Galileia, omitindo o primeiro ministério na Judeia descrito em João 1,1-4,54?
R: Jesus iniciou o Seu ministério na Galileia. João 1:43-2:12 decorreu na Galileia. João 2:13-4:3 decorreu na Judeia e João 4:4-42 decorreu na Samaria. Marcos não registou essas partes. Embora Marcos não explique o motivo, é possível que não estivesse com Jesus durante o início do ministério e não tenha registado o que Pedro disse a esse respeito.
A título de curiosidade, a Galileia tinha apenas 30 milhas de largura e 60 milhas de comprimento. Para efeitos de comparação, a Galileia é ligeiramente maior do que o estado de Rhode Island (37 milhas de largura por 48 milhas de comprimento) e do Luxemburgo (35 milhas de largura e 57 milhas de comprimento).
P: Em Mc 1,15, como é que o reino de Deus poderia estar próximo?
R: O reino de Deus estava próximo, está aqui em nós e virá.
Estava próximo: Jesus é o rei dos reis e, onde Ele está, pode dizer-se que o reino de Deus está próximo.
Está aqui em nós: O reino de Deus está hoje dentro dos crentes. No entanto, ainda não se manifestou de forma visível na Terra. Quem acredita em Cristo tornou-se cidadão do reino de Deus.
Vai chegar: O reino de Deus não se concretizará visivelmente neste mundo até que o Messias volte e estabeleça o Seu reino na Terra.
P: Em Mc 1,16-18, em que medida ganhar discípulos se assemelha à pesca?
R: Ambas são uma arte. Ambas exigem paciência, habilidade, discernimento, persistência e tranquilidade. Tranquilidade significa colocar-se em segundo plano e a Cristo em primeiro plano.
P: Em Mc 1,16-45, quais são as cinco afirmações de autoridade que Jesus fez em Marcos 1?
R: Eis as cinco formas como Jesus afirmou a Sua autoridade neste contexto.
Mc 1, 16-20: Jesus reivindica autoridade para chamar as pessoas a serem Seus discípulos.
Mc 1, 21-22: Jesus reivindica autoridade no Seu ensinamento.
Mc 1, 23-28: Jesus reivindica autoridade sobre os espíritos impuros.
Mc 1, 29-34: Jesus reivindica autoridade sobre as doenças, tanto a febre como as doenças em geral
Mc 1, 39-45: Jesus reivindica autoridade especificamente sobre a lepra.
P: No Evangelho de Marcos, vemos que Jesus mantém em segredo a Sua messianidade (Mc 1, 24; 1, 34; 5, 43; 8, 30; 9, 9), mas nos outros evangelhos vemos-O, normalmente, a chamar a atenção das pessoas para Si abertamente como Filho de Deus, através das Suas palavras ou dos Seus atos. Porquê?
R: No início do Seu ministério junto dos judeus, Jesus apresentou-Se como alguém que realizava as obras de Deus e, mais tarde, como o Messias, o Filho de Deus. Este sigilo inicial não se verifica apenas em Marcos; também não se encontra qualquer referência a ser o Messias ou o Filho de Deus em Mateus 5:1-11:24. Após a morte de João Batista, vemos Jesus revelar-Se mais abertamente a partir de Mateus 11:27. Em Lucas 6:5, Jesus afirmou que era o Senhor do sábado, mas não foi mais longe até que o Pai realizasse o milagre da transfiguração em Lucas 9. É claro que, na altura em que Jesus perguntou a Simão Pedro quem as pessoas diziam que Ele era, Jesus tornou-Se mais direto.
P: Em Mc 1,24, por que razão os demónios reconheceram Jesus publicamente?
R: As Escrituras não o dizem. Talvez quisessem revelar demasiado cedo o segredo de Jesus ser o Messias, mas essa não é uma razão muito provável. É mais provável que esperassem que, se reconhecessem Jesus, Ele deixasse os demónios em paz, para que estes pudessem permanecer dentro das pessoas. Talvez essa fosse a lógica dos demónios ou, em alternativa, os demónios nem sempre agem necessariamente de forma racional.
P: Em Mc 1, 24-26, havia um demónio ou vários dentro do homem?
R: Pode ser de ambas as formas. Há quatro pontos a considerar na resposta.
1. Quando Marcos 1, 24 utiliza «nós», pode referir-se a vários demónios, a um demónio e ao homem, a múltiplas personalidades no homem ou a um único demónio.
2. Em Marcos 1:25-26, Jesus dirigiu-se ao demónio apenas como um único ser.
3. O demónio poderia ter sido apenas um, mas ter-se apresentado falsamente como muitos.
4. Nada indica que um demónio tenha de ser um indivíduo como um animal. Nada nas Escrituras proíbe que alguns demónios sejam como plantas ou células que se dividem, embora as Escrituras não se pronunciem sobre esta especulação.
P: Em Mc 1,34; 3,11-12; Lc 4,34-35 e Lc 4,41, por que razão Jesus não permitiu que os demónios falassem?
R: Todas estas ocasiões ocorreram no início do ministério de Jesus. Marcos 1:34 diz que foi porque os demónios sabiam quem era Jesus. A um homem curado no início do ministério de Jesus foi ordenado que não contasse a ninguém (Marcos 1:44-45). Quando Pedro confessou que Jesus era o Cristo, Jesus ordenou aos discípulos, naquele momento, que não contassem a ninguém (Mateus 16:20; Marcos 8:30). Assim, a razão provável foi que Jesus ainda não queria que se anunciasse que Ele era o Messias. Ele queria que as pessoas observassem a Sua vida, os Seus ensinamentos e os Seus milagres e tivessem tempo para decidirem por si próprias.
Consulte «Hard Sayings of the Bible», pp. 406-408, para saber mais sobre o motivo pelo qual Jesus queria que isto fosse mantido em segredo nessa altura.
P: Em Mc 1, 37, uma vez que «todos» procuravam Jesus, será que cada pessoa, sem exceção, procurava Jesus?
R: Quase todas as pessoas da região imediata procuravam Jesus por alguma razão. Infelizmente, isso não significa que todos estivessem à procura da salvação em Jesus. Muitos podem simplesmente ter procurado Jesus pela emoção de ver um milagre.
P: Em Mc 1,38, por que razão Jesus não permaneceu num mesmo local por muito tempo?
R: Aparentemente, Jesus não contava com a repetição para atrair as pessoas para Si. Assim que as pessoas tinham informação suficiente para tomar uma decisão a Seu respeito, Jesus dirigia-Se para outras que ainda não O tinham visto.
P: Em Mc 1,40-41, que tipo de dúvida tinha o leproso?
R: O leproso não duvidava que Jesus tivesse o poder de Deus para o curar, mas duvidava que Jesus quisesse curá-lo. Hoje em dia, alguns céticos duvidam do poder de Deus. Outros, porém, duvidam do amor de Deus ou da Sua vontade de cuidar de nós.
Jesus mostrou que se preocupava pessoalmente com aquele homem. De acordo com a lei, quem tocasse num leproso tornava-se impuro. Jesus não se limitou a ordenar a cura do leproso; Jesus tocou-o.
P: Em Mc 1, 40-44, o leproso era bom ou não?
R: O leproso mudou. Ele não era nem totalmente bom nem mau, antes ou depois do milagre, mas mudou após o milagre. Antes do milagre, o leproso aproximou-se humildemente para pedir a Jesus com fé, acreditando no poder de Cristo. No entanto, o leproso parecia ter dúvidas sobre se Jesus o queria curar ou não. Por outro lado, o leproso ofereceu a Jesus uma saída diplomática, caso Jesus não quisesse curá-lo naquele momento. Após este grande milagre, o leproso sentiu vontade de contar a todos. Normalmente, poder-se-ia pensar que isso seria algo positivo. Mas Jesus pediu ao leproso que obedecesse de uma forma simples: não contar a todos sobre este milagre — pelo menos, ainda não. O leproso nem sequer conseguiu obedecer a esta única e simples exigência.
P: Em Mc 1, 44-45, por que razão o homem desobedeceu a Jesus e contou a todos sobre a sua cura?
R: As Escrituras não o dizem, mas hoje podemos ver pessoas que querem as bênçãos e as coisas boas do cristianismo, mas que não têm qualquer noção de obediência ou responsabilidade. Fora do cristianismo, isto pode ser ainda mais comum. Alguns vêem o apelo da Nova Era e de alguns outros movimentos espirituais como a promessa de espiritualidade sem quaisquer obrigações.
Não se tratava de um caso de psicologia inversa; Jesus não queria que o homem contasse isto a outras pessoas prematuramente.
P: Em Mc 2,4, como é que conseguiram descobrir o telhado e baixar o homem?
R: As casas comuns daquela época eram normalmente feitas de colmo, com barro seco e alguma madeira. Bastava-lhes retirar o colmo e escavar o barro seco.
Isto pode ter sido embaraçoso tanto para o paralítico como para os seus amigos, mas provavelmente não estavam a pensar nisso, apenas queriam que o seu amigo fosse curado. Estaria disposto a passar pelo telhado por um amigo?
P: Em Mc 2,7, por que razão os escribas concluíram que Jesus estava a blasfemar ao dizer que os pecados do homem estavam perdoados?
R: Os judeus estavam cientes de que, para que houvesse perdão e restauração, o transgressor tem de pedir perdão àquele a quem prejudicou, e aquele que foi prejudicado tem de concedê-lo. Quando Jesus concedeu o perdão, Ele estava a ocupar o lugar de Deus. O simples facto de «pecar» não seria uma ofensa contra o próprio Jesus — a menos que Jesus fosse Deus.
Em Marcos 2:8-9, embora seja igualmente fácil dizer uma coisa ou outra, é igualmente impossível para um mero ser humano fazer uma coisa ou outra.
P: Em Mc 2,10, teria sido blasfémia Jesus dizer que os seus pecados estavam perdoados, se Jesus não fosse Deus?
R: Neste contexto, sim. No entanto, Jesus proclamou mais tarde o perdão de Deus para aqueles que se arrependem e se voltam para Cristo, e nós podemos proclamar em nome de Deus o que Ele proclamou. Assim, é aceitável que tanto os protestantes como os sacerdotes proclamem que os pecados de uma pessoa estão perdoados, uma vez que não estão a afirmar que possuem esse poder por si próprios, mas sim a proclamar o que Deus disse. Seria certamente uma palavra difícil de aceitar na mente de alguns dos ouvintes de Jesus. Por vezes, porém, Deus dá-nos palavras difíceis, para que as assimilemos e cheguemos a uma compreensão nova e mais profunda de quem Ele é.
P: Em Mc 2,15, Jesus tinha a Sua própria casa?
R: Há três pontos a considerar na resposta.
1. A mãe de Jesus vivia algures, e a «base» de Jesus era em Cafarnaum, pelo que talvez Jesus tivesse uma casa lá.
2. A palavra «dele» aqui refere-se provavelmente a Levi, e não a Jesus, pelo que se trata da casa de Levi, e não da de Jesus.
3. É claro que, num sentido diferente, Jesus, como Deus, é dono de todas as casas do mundo. No entanto, não é esse o significado de «a sua» casa neste contexto.
P: Em Mc 2,17, por que razão disse Jesus que não chamava os justos?
R: Jesus não estava a excluir ninguém, como demonstra Romanos 3:3-10, 23-24, uma vez que ninguém era justo. O que Jesus quis dizer aqui foi que não estava a salvar aqueles que se consideravam tão justos que não precisavam de um salvador.
P: Em Mc 2,18-20, por que razão os discípulos de Jesus não jejuavam?
R: Muitos judeus jejuavam por costume e tradição, não por devoção a Deus, e os discípulos não tinham necessidade de jejuar por essa razão. Os cristãos ainda hoje jejuam, para se concentrarem nas suas orações e como outra forma de expressar o seu pesar ou a sinceridade do seu pedido a Deus.
Numa nota mais leve, pode-se olhar para qualquer cristão que precise de perder alguns quilos e ver uma pessoa com um potencial maravilhoso para expressar as suas orações através do jejum.
Falando a sério, os cristãos também jejuam para se aproximarem de Deus. Jesus não era contra o jejum, mas, uma vez que os discípulos já estavam com Jesus, não precisavam de jejuar para esse fim naquele momento.
P: Em Mc 2,21-22 e Mt 9,16-17, qual é o significado das duas parábolas sobre os panos e os odres?
R: Os fariseus afirmavam que deviam seguir a tradição do jejum naquele momento, enquanto Jesus afirmava que o Evangelho era algo fundamentalmente novo.
Externamente, por vezes, as coisas novas não podem ser remendadas nas coisas antigas, porque estas não as suportam.
Internamente, por vezes, os novos conteúdos não podem ser contidos pelas formas antigas, sem que estas se rompam.
Especificamente no que diz respeito ao Evangelho, não se pode simplesmente sobrepor o que já se sabe sobre o Antigo Testamento; não se trata apenas de uma reformulação do que está no Antigo Testamento, mas de um «mistério» que apenas foi sugerido até à vinda de Cristo.
A propósito, existe alguma incerteza quanto ao facto de o «antigo» nestas duas parábolas se referir ao Antigo Testamento ou ao Antigo Testamento acrescido das tradições dos fariseus. Independentemente das tradições judaicas ou de outras tradições religiosas que uma pessoa possa ter, a Boa Nova não é algo que se possa simplesmente acrescentar a qualquer tradição pré-existente. Por fim, mantenham os vossos corações abertos a Deus; Ele poderá querer mostrar-vos coisas novas que não esperam.
P: Em Mc 2,22, de que forma é que as organizações se tornam como odres velhos e perdem a capacidade de se adaptar a coisas novas?
R: Quando confundem as metas com os objetivos. Embora os objetivos possam, inicialmente, ser adequados à meta, podem tornar-se desatualizados, ou podem surgir objetivos mais importantes. Então, continuam a seguir os objetivos originais por uma questão de tradição ou para cumprir o processo. No entanto, mesmo com objetivos novos e válidos, bons objetivos num bom processo não conseguem abranger todos os casos. Quando as organizações e as pessoas perdem a flexibilidade para se adaptarem e a capacidade de fazer concessões em assuntos que não importam, podem perder a sua utilidade.
P: Em Mc 2, 23-24, o que seria considerado errado ao colher grãos?
R: O Antigo Testamento não diz que houvesse algo de errado nisso. No entanto, os fariseus consideravam qualquer colheita de grãos, por mais pequena que fosse, como ceifa. Uma vez que a ceifa de grãos era um trabalho, proibiam-na no sábado.
P: Em Mc 2,26, isto ocorreu nos dias de Abiatar ou do seu pai, Aimeleque?
R: O cético «Guia de Asimov para a Bíblia», na p. 909, afirma que se trata de um «erro factual», mas está errado neste ponto. Tanto Abiatar como Aimelec estavam vivos nessa altura, embora o pai de Abiatar, Aimelec, tenha sido morto pouco tempo depois. De acordo com a *Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia*, p. 362, a expressão grega aqui utilizada, *epi Abiathar archiereos*, significa simplesmente «no tempo de Abiatar, o sumo sacerdote». Abiatar não só estava vivo nessa altura, como também estava presente quando isto ocorreu. Esta expressão é semelhante a dizer «no tempo de David, o governante de Israel», apesar de David só se ter tornado governante de Israel mais tarde.
Em resumo, foi durante o tempo de Abiatar, que mais tarde se tornou sumo sacerdote. Tal como conclui a obra *When Critics Ask*, p. 370: «foi durante o tempo de Abiatar, mas não durante o seu mandato.»
P: Em Mc 2,27, uma vez que o sábado foi feito para o homem (anthropos em grego), isso significa que toda a humanidade deve guardar o sábado?
R: Não, por três razões.
1) Mesmo que tivesse sido ordenado a toda a humanidade que o guardasse, após a ressurreição de Jesus, o Novo Testamento afirma, em Colossenses 2:16-17, que os sábados (assim como as luas novas e as leis alimentares) já não precisam de ser observados. A Antiga Aliança está agora obsoleta, de acordo com Hebreus 8:13.
2) Mesmo nos tempos do Antigo Testamento, Deus não comunicou a ninguém, a não ser aos judeus, que deviam guardar o sábado. Os sábados, as festas e as luas novas eram uma ordenança perpétua para Israel, de acordo com 2 Crónicas 2:3.
3) Em Marcos 2:27, a palavra «anthropos» é apenas um termo genérico para designar o sexo masculino (ou homem). Contudo, não se deve atribuir demasiada importância ao facto de «anthropos» se referir exclusivamente aos homens, uma vez que as mulheres também deviam guardar o sábado. No entanto, o sábado nunca foi ordenado a ninguém além dos judeus, pois era um sinal exclusivo entre Deus e Israel, de acordo com Êxodo 31:12-13. No céu e atualmente, o descanso sabático de Hebreus 3-4 (que é diário, tanto agora como no futuro) para todos os crentes mencionados em Hebreus é oferecido a todos.
Em geral, nós e os Adventistas do Sétimo Dia podemos concordar (ou, pelo menos, devemos concordar) que:
a) Se fôssemos judeus nos tempos do Antigo Testamento, deveríamos ter guardado o sábado.
b) Mas mesmo que fôssemos judeus nos tempos do Novo Testamento, após a ressurreição de Cristo, deveríamos obedecer a Paulo (assim como aos outros escritores do Novo Testamento e a Jesus).
c) Quando o Novo Testamento altera, revoga ou acrescenta algo ao Antigo Testamento, o Novo Testamento tem prioridade absoluta.
d) Devemos preocupar-nos mais com o que Deus ensinou e ordenou na Bíblia do que com as coisas sobre as quais Deus não se pronunciou.
P: Em Mc 3,6, o que há de tão hipócrita nos fariseus e herodianos (também conhecidos como saduceus) neste contexto?
R: É possível ser «legal» e, ainda assim, ser mau (alguns advogados de defesa criminal sabem disso). Os judeus tinham leis contra o abate de animais no sábado, mas, uma vez que não existia nenhuma lei escrita contra conspirar no sábado para matar o seu Messias, aparentemente consideraram que isso era aceitável. Isto ocorre no início do ministério de Jesus e, mesmo que não aceitassem Jesus como o seu Messias, estavam a conspirar para matar um homem que, na perspetiva deles, não tinha infringido nenhuma lei que merecesse a morte.
Os fariseus tinham corações obstinados, no sentido de que optaram por não se deixar ensinar. Muitas vezes, hoje em dia, as pessoas não se deixam ensinar. Por vezes, não é por escolha, mas outras vezes é.
Uma vez que o rei Herodes tinha executado João Batista, talvez estivessem na esperança de poder persuadir Herodes a fazer o mesmo com Jesus.
P: Em Mc 3,11-12, por que razão Jesus não aceitou o testemunho verdadeiro a seu respeito, quando este provinha de demónios? Existe hoje algum testemunho que Deus não aceite?
R: A resposta envolve alguns pontos.
Os demónios a apropriarem-se da mensagem: quando as pessoas ouviam os demónios a louvarem Jesus, parecia que estes estavam do Seu lado. Depois de Jesus se ter ido embora, as pessoas poderiam continuar dispostas a ouvir esses demónios, porque, afinal, estavam a louvar Jesus. Paulo exorcizou um demónio de uma rapariga em Atos 16:16-19 por uma razão semelhante. Hoje em dia, os líderes de seitas honram frequentemente Jesus verbalmente, mas depois ensinam coisas que demonstram que não acreditam no que Jesus ensinou e ordenou.
Deus conhece o coração: Jesus nunca aceitou o testemunho dos demónios. Quanto às pessoas, 1 Samuel 16:7 diz que as pessoas olham para a aparência exterior, mas Deus olha para o coração. Deus está menos preocupado com os sons que proferimos do que com o nosso coração ao emitir esses sons. Hoje em dia, há quem louve a Deus de forma fingida, mas não com sinceridade.
P: Em Mc 3,14.19, uma vez que Jesus nomeou doze discípulos, como é que um deles, Judas Iscariotes, mais tarde traiu Jesus?
R: Atos 2:23 diz que Jesus foi entregue à morte por meio do propósito determinado e da presciência de Deus. Foi uma escolha de Judas trair Jesus, mas Judas foi colocado numa posição que lhe permitiu exercer essa escolha.
Muitas pessoas podem ter-se sentido traídas por Jesus em João 13:21. Podiam interpretar os seus milagres e afirmações como se Ele tivesse o poder de expulsar os romanos, mas optou por não o fazer. Se pensar que Deus existe para servir os seus propósitos, mais cedo ou mais tarde provavelmente também se sentirá traído por Deus, isto é, até perceber que estamos aqui para servir os Seus propósitos, e não o contrário.
P: Em Mc 3, 14-19, por que razão Jesus quis ter doze discípulos?
R: Não sabemos ao certo, mas podemos identificar, pelo menos, três razões.
Para que pudessem aprender ao estarem de perto com Ele.
Para que Jesus os pudesse enviar a pregar
Para que tivessem o poder de curar os doentes e expulsar demónios.
P: Em Mc 3, 14-19, por que razão acha que Jesus não escolheu nenhum especialista nas Escrituras nem pessoas que já pregassem?
R: Dos doze discípulos, quatro eram pescadores, um era cobrador de impostos e outro era um zelote. Dos restantes seis, nada sabemos. Mas, aos olhos do mundo, todos pareciam ser homens comuns. O que importa não é quem é quando se aproxima de Cristo, mas sim quem Cristo o torna.
P: Em Mc 3,17, de que forma a palavra «boanerges» significa «filhos do trovão»?
R: Recebem esta alcunha devido ao seu temperamento explosivo. A palavra «boanerges» é uma transliteração grega do aramaico «benai regesh», que significa «filhos da ira». No entanto, a relação entre «regesh» e «nerges» não é muito próxima.
P: Em Mc 3,27, o que ou quem são as «possessões» de Satanás neste contexto?
R: Há pessoas presas na escravidão de Satanás. Ninguém gosta que se intrometam naquilo que considera seu, e Satanás também não gosta disso. Mas devemos tomar aquilo que Satanás considera seu e levá-lo a Deus.
P: Em Mc 3,31-35, por que razão Jesus mencionou aqui a sua mãe, os seus irmãos e as suas irmãs?
R: Jesus, sem dúvida, amava e valorizava a Sua família, mas a Sua família não tinha prioridade sobre seguir a Deus e o ministério de Jesus. A Sua família percorreu cerca de 30 milhas desde Nazaré até Cafarnaum para levar Jesus de volta, mas Jesus não tencionava ir com eles. Também devemos ter a atitude correta. Devemos obedecer aos nossos pais no Senhor, mas há momentos em que devemos desobedecer a uma ordem direta dos nossos pais ou ir contra os seus desejos implícitos, se o que eles querem não for a vontade de Deus.
P: Em Mc 3, 31-35, estará Jesus a pecar por não honrar a Sua mãe nesta ocasião?
R: Não, porque não estavam a pedir a Jesus que interrompesse a sua pregação para ir ter com eles naquele momento, e Jesus sabia que Deus Pai queria que Ele pregasse naquele momento. A família de Jesus pensava que Ele estava fora de si em Marcos 3:20-21. Hipoteticamente falando, se a Sua mãe tivesse pedido a Jesus que parasse de pregar de forma definitiva, Jesus teria de desobedecer a esta ordem (hipotética) para obedecer à ordem de Deus.
P: Em Mc 3, 31-35, por que razão José não estava presente?
R: As Escrituras não o dizem. No entanto, a tradição da Igreja afirma que José era muito mais velho do que Maria e pode já ter falecido nessa altura.
P: Em Mc 4, 10-20, por que razão Jesus explicou o significado destas parábolas apenas aos doze discípulos?
R: As Escrituras não explicam por que razão as multidões não ouviram todas as explicações, mas Jesus desejava especialmente que os seus discípulos não interpretassem mal. É claro que qualquer pessoa da multidão que o desejasse podia tornar-se discípulo de Jesus e ser ensinada por Ele e pelos Doze também.
De certa forma, é assim que as coisas também se passam hoje em dia. Todos podem ouvir algo sobre o Evangelho, mas, se quiserem realmente compreender na íntegra, precisam de estudar a Palavra de Deus e aprender com outros cristãos.
Mas mesmo para os crentes pode ser um trabalho árduo, vasculhar as Escrituras para descobrir o significado de Deus. Aparentemente, Deus pretende, por vezes, que nos esforcemos para aprender a Sua verdade; talvez assim nos lembremos melhor dela. Provérbios 25:2 diz: «É glória de Deus encobrir um assunto, e glória dos reis investigá-lo.»
Consulte «Hard Sayings of the Bible», pp. 417-419, para uma resposta diferente, mas complementar.
P: Em Mc 4,11-12, por que razão Jesus obscureceria deliberadamente o evangelho, falando em parábolas, para que as pessoas não compreendessem, se convertessem e fossem perdoadas? Não veio Ele para que todos os homens fossem salvos? (Ahmad Deedat levantou esta questão.)
R: Jesus estava a referir-se a Isaías 6:9,10. Jesus falava em parábolas para ser misericordioso! Eis quatro pontos que constituem a resposta.
1) Deus deseja que todos sejam salvos (2 Pedro 3:9; Ezequiel 17:23).
2) No entanto, alguns optaram por rejeitar a palavra de Deus e há consequências para isso nesta vida. Este tipo de pessoas torna-se insensível ao ouvir, endurecendo os seus corações (Êxodo 8:15, 32; 9:17, 34; Provérbios 28:14; Romanos 1:18-20; Hebreus 3:12-15; Zacarias 7:12).
3) Para as pessoas que rejeitam Deus, é melhor não conhecerem a verdade do que conhecê-la e virarem-lhe as costas, de acordo com 2 Pedro 2:20-22.
4) Uma parábola é adequada porque aqueles que desejam seguir Deus podem ser guiados a compreender o seu significado, e uma parábola não será compreendida por aqueles que não desejam seguir Deus.
Se alguém já rejeitou a verdade que conhece sobre Deus, Deus não é obrigado a conceder-lhe mais verdade.
P: Em Mt 13, 1-23; Mc 4, 14-20 e Lc 8, 5-15, na parábola do semeador, em que medida as pessoas se assemelham aos quatro tipos de solo?
R: Eis alguns exemplos.
1. Há quem, desde o início, nunca se interesse pelo Evangelho. Satanás estava a agir de forma a que o Evangelho não pudesse penetrar no solo duro desde o início. Algumas pessoas opõem-se veementemente ao cristianismo. Outras não, mas, como já ouvi dizer, «irão ao estudo bíblico se não tiverem nada melhor para fazer».
2. Algumas querem aceitar o Evangelho no início, mas afastam-se quando enfrentam dificuldades ou perseguição.
3. Algumas pessoas crescem no Evangelho, mas são sufocadas pelas preocupações desta vida ou pelas tentações da sua sociedade. O materialismo, a exposição à imoralidade e à violência, e o alcoolismo são alguns dos maiores «espinhos» a ter em conta na sociedade ocidental. Se o diabo não conseguir detê-lo com dificuldades, irá sufocá-lo com distrações.
4. Alguns respondem e perseveram. Destes, cada um produz frutos diferentes. Naquela época, um rendimento de 10 para 1 era considerado muito bom, de acordo com o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 118.
P: Em Mc 4,14-20, na parábola, o semeador não foi demasiado descuidado com a semente?
R: Descuidado, não; generoso com a semente, sim. Não existe um «quinto tipo» de solo que tivesse sido frutífero, a não ser que o semeador se tivesse esquecido de semear ali. A verdade é que nenhum solo poderia invocar a desculpa de que «eu teria sido um solo frutífero, mas posso culpar o semeador por não ter lançado semente sobre mim». Poder-se-ia acusar o semeador de ser «demasiado generoso com a semente», dando uma oportunidade a todos os tipos de solo, mesmo que fosse uma causa perdida. No entanto, ninguém pode, com razão, acusar o semeador de ser demasiado mesquinho com a semente.
P: Em Mc 4, 21-25; Mt 5, 14-16; Lc 8, 16-17, como devemos «brilhar» hoje?
R: Depois de nos voltarmos para Cristo, continuamos na terra como testemunhas do amor de Deus que resplandece através de nós, para que as pessoas possam ver Cristo através das nossas palavras, ações e vidas. Somos uma carta de Cristo ao mundo, conforme 2 Coríntios 3:3. Na verdade, podemos ser a única carta que algumas pessoas irão ler. 2 Coríntios 3:7-18 compara a glória que brilha em nós hoje como sendo mais gloriosa do que a glória que brilhou através de Moisés, a tal ponto que ele teve de colocar um véu sobre o rosto. Por isso, essa luz precisa de brilhar a partir de nós, tal como diz 2 Coríntios 4:6. Devemos brilhar como estrelas no céu negro do mundo, tal como diz Filipenses 2:15-16.
P: Em Mc 4, 21-25, quais são algumas coisas, como o cesto, que roubam, escondem ou apagam a luz?
R: Existem dois tipos de «cestas».
Na maioria das vezes, a «cesta» que esconde a luz é aquilo que os próprios crentes escolhem colocar sobre a sua luz. Não querem dizer às pessoas que são cristãos, ou não querem partilhar a sua vida e o que Jesus fez nela. Um pequeno e simples passo para ultrapassar isso é partilhar com outro cristão, e as pessoas podem ouvir isso por acaso.
Por vezes, porém, há uma cesta que nos é imposta pela sociedade, e nós simplesmente aceitamo-la passivamente. Quando o mal é elogiado e as coisas boas, bem como as pessoas boas, são menosprezadas, devemos simplesmente ficar em silêncio? Ou, nos momentos e das formas adequadas, devemos manifestar-nos, defender os oprimidos e ajudar aqueles que precisam de apoio?
P: Em Mc 4,22, que tipo de coisas se manifestarão mais tarde?
R: Cada ação, boa ou má, será revelada no dia do juízo final. Por cada palavra ociosa que proferirmos, teremos de prestar contas, de acordo com Mateus 12:36-37. Deus é um juiz do caráter, e alguém disse uma vez que o caráter é quem a senhora é quando pensa que ninguém está a observar.
P: Em Mc 4,22, Lc 6,38 e outros versículos, o que significa que a medida que usar/dar será a medida que receberá?
R: Todos estes versículos dizem, na essência, «use-o ou perca-o», mas há três aplicações.
Marcos 4:24 salienta que, quanto mais da sabedoria e dos dons de Deus utilizar, mais lhe será dado. Se não utilizar o pouco que tem, até isso lhe será tirado.
Lucas 6:38 é semelhante, mas salienta o que dá aos outros, quer se trate de coisas boas, quer de perdão e misericórdia, tal como menciona Lucas 6:37.
Mateus 18:35; 6:12 ensinam que Deus nos perdoará na medida em que perdoarmos os outros. A medida de misericórdia e perdão que concedemos aos outros revela o que receberemos.
Em resumo: alguns aspetos do julgamento de Deus no fim dos tempos e da bênção durante esta vida são absolutos e constantes para todos. Outros aspetos dependem do conhecimento que cada pessoa possui (Romanos 4:15; 5:13; 2 Pedro 2:21-22, etc.). Alguns aspetos do que uma pessoa recebe dependem do que ela dá aos outros.
P: Em Mc 4,26, qual é o sentido desta parábola?
R: Esta é a única parábola que se encontra exclusivamente no livro de Marcos. Nem a pessoa que semeia, nem o solo que recebe a semente percebem o que está a acontecer enquanto a semente cresce. Apenas vêem o resultado e o benefício.
Certa vez, houve um menino que plantou uma semente de ervilha num copo com terra. Regou-a e expôs-a ao sol, mas a planta de ervilha nunca brotou. Ele não compreendia porquê. Todos os dias, retirava a semente para ver como estava. Por vezes, concentramo-nos demasiado nos resultados que podemos ver imediatamente, e podemos acabar por perder de vista as coisas mais importantes.
P: Em Mc 4,31, por que razão se diz que o grão de mostarda é a menor de todas as sementes, uma vez que existem sementes mais pequenas?
R: As sementes de mostarda são extremamente pequenas; cerca de 725 a 760 delas pesam um grama. No entanto, não são as sementes de plantas mais pequenas que existem no mundo. Eram as sementes mais pequenas que as pessoas semeavam no campo e eram as sementes mais pequenas que as pessoas daquela época conheciam.
P: Em Mc 4,32, por que razão a planta da mostarda é a maior de todas as ervas, uma vez que existem ervas maiores?
R: Jesus não estava a tentar dar aqui uma aula de botânica. Jesus falava para o benefício dos seus ouvintes e utilizava termos que estes pudessem compreender. A planta de mostarda era a maior de todas as plantas que eles reconheciam como ervas.
P: Em Mc 4,33, as aves são boas ou más neste contexto?
R: Embora as aves fossem más em Marcos 4:4, aqui são neutras. Representam pessoas que beneficiam dos ramos da árvore, sem terem feito qualquer esforço para a plantar.
P: Em Mc 4,34, por que razão Jesus ensinava tudo por meio de parábolas?
R: Ao utilizar esta forma específica de ensinar, Jesus podia ensinar aqueles que queriam aprender e manter o ensinamento oculto daqueles que não queriam segui-Lo.
P: Em Mc 4,38, como é que Jesus podia estar a dormir no barco durante uma tempestade?
R: Jesus poderia estar cansado depois de toda a Sua pregação. Além disso, talvez o Pai quisesse especialmente que Jesus estivesse num sono profundo naquele momento, a fim de demonstrar aos discípulos a necessidade de pedirem.
P: Em Mc 4,39, como é que o vento pôde cessar tão repentinamente?
R: O vento resulta de diferenças de pressão entre duas áreas. Embora o vento possa parar repentinamente de forma natural, esta passagem indica que o seu cessar foi um milagre. O termo traduzido para o inglês como «calai-vos» (pephimoso em grego) é traduzido mais precisamente como «sedi amordaçado», tal como em Marcos 1:25. Trata-se de um termo técnico para privar um demónio do seu poder, de acordo com o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 122, e o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 656.
P: Em Mc 4,39, as tempestades eram bastante perigosas, e os pescadores sabiam que corriam um perigo real, se não fosse pela pessoa com quem estavam sentados. Nas tempestades que enfrentamos na vida, como podemos ter a certeza de que estamos «no barco» com Jesus?
R: Há dois aspetos.
Junte-se ao Seu grupo: Em primeiro lugar, certifique-se de que está realmente a seguir Jesus para onde Ele o está a conduzir, e não apenas a pedir a Jesus que o ajude a chegar onde o próprio deseja ir. Quando Deus fecha uma porta, pode esforçar-se por reabri-la e, por vezes, consegue-o. Mas o resultado final não será o sucesso, mas sim o fracasso.
Deixe-O entrar no nosso barco: Em segundo lugar, não se limite a convidar Jesus para a sua vida, mas convide-O para todos os aspetos da sua vida. Existem aspetos da sua vida que ainda não entregou a Deus, mas em vez disso disse a Deus: «Não faz mal, eu trato desta parte sozinho.» Há aspetos da vida em que Deus deseja que o senhor próprio estude diferentes alternativas e aprenda a tomar boas decisões. Mas, tal como os seus filhos por vezes tomam decisões erradas (esperemos que pequenas) e aprendem com os seus erros, o seu Pai celestial pode permitir que o senhor tome decisões erradas e aprenda com elas. No entanto, dê a Deus a oportunidade de falar consigo e, de bom grado, permita que Ele se sobreponha às suas decisões.
P: Em Mc 5,1, onde fica a região dos gadarenos?
R: Trata-se da região junto à cidade de Gerasa, situada a cerca de 35 milhas a sudeste do Mar da Galileia, no atual país da Jordânia. A uma milha a sul da aldeia atual de Khersa encontra-se uma colina íngreme a 40 jardas da margem. A duas milhas de distância encontram-se túmulos em cavernas que, aparentemente, também eram utilizados como habitações.
P: Em Mc 4,39, Jesus lidou de formas muito diferentes com os discípulos que O questionavam e com os demónios e as pessoas que se Lhe opunham. Como devemos lidar com as pessoas que nos questionam ou se nos opõem de diferentes formas?
R: Aqui estão seis passos a ter em conta.
Passo 1: Antes de lidarmos com qualquer outra pessoa, temos primeiro de lidar connosco próprios e com qualquer orgulho que possamos ter. Algumas pessoas pensam que qualquer crítica às suas ações ou decisões é um ataque pessoal. Não compreendem, em tempos de guerra, o conceito de «oposição leal». Algumas pessoas pensam que têm sempre de tomar a decisão correta e, caso não o façam, temem que alguém descubra que cometeram um erro. Certifique-se de que se sente à vontade para permitir que as pessoas vejam que comete erros antes mesmo de tentar lidar com os outros. Por fim, ouça com atenção. Por vezes, a pessoa com quem está a falar está errada e NÃO deve seguir o seu conselho, mas no meio da sua sugestão errada pode haver um grão de verdade que deve, ainda assim, ter em consideração. Seja capaz de identificar isso.
Passo 2: Perceba que nem todas as pessoas com quem fala já seguiram o passo 1. Tente discernir se irão encarar cada crítica como um ataque pessoal. Quando falar, reconheça-as, saliente a ação ou decisão errada que tomaram e o que fazer agora a esse respeito.
Passo 3: Quando as pessoas lhe derem conselhos que sabe que não devem ser seguidos, explique educadamente por que razão não os vai seguir, pelo menos enquanto lhe permitirem falar. Não permita que aquilo que sabe ser bom seja considerado mau, como diz Romanos 14:16.
Passo 4: Quando as pessoas lhe derem conselhos que deve seguir, concorde prontamente, agradeça-lhes por o terem instruído ou ajudado e, em seguida, siga-os. Não há necessidade de discutir sobre o que sabe ser certo, apenas para salvar as aparências. Se a pessoa que faz a boa sugestão for uma criança ou estiver numa posição inferior à sua, isso não importa. Se for um bom conselho, siga-o na mesma.
Passo 5: Quando considerar que o conselho não é particularmente bom nem particularmente mau, esteja disposto a chegar a um compromisso. Se a outra pessoa tiver uma opinião firme sobre o assunto, pondere quanto mal ou dano causaria se simplesmente concordasse com o que, para si, é uma questão sem importância. Isto é especialmente útil no casamento.
Passo 6: Quando a pessoa estiver numa posição superior à sua, como um chefe, um funcionário público ou o seu marido, e a ordem ou o conselho dessa pessoa não for bom, a situação pode tornar-se difícil. Primeiro, tente explicar-lhe as vantagens da outra alternativa. Mas se a pessoa continuar a não lhe dar ouvidos, pode ser porque está enganado, ou porque estaria certo, exceto que desconhece algo que a outra pessoa sabe. Por outro lado, pode ser que esta pessoa esteja a tomar uma decisão imprudente. Depois de a ter alertado, como é (normalmente) o seu dever, por vezes terá de aceitar a situação.
P: Em Mc 5,3-4, como é que este homem possuído por demónios podia ser tão forte a ponto de partir correntes e grilhões?
R: Sabe-se que mesmo pessoas que não estão possuídas por demónios são capazes de realizar grandes proezas de força em situações de stress, de vida ou de morte. Ouvi falar de um alarme relativo a uma explosão iminente numa fábrica de produtos químicos (que, felizmente, não ocorreu), e um operador químico saltou por cima de uma vedação de arame com oito pés de altura. Quando regressou à fábrica, olhou para aquela vedação com espanto, pois quase não acreditava no que tinha feito.
Também ouvi falar de uma mulher que, quando um carro estacionado estava prestes a esmagar o seu filho, levantou um canto do carro.
P: Em Mc 5,6, por que razão um homem possuído por um demónio correu para junto de Jesus para O adorar?
R: Embora as Escrituras não o digam, eis uma especulação. Se o demónio pensou que Jesus vinha atrás dele e que não poderia escapar, talvez quisesse correr primeiro para junto de Jesus para Lhe implorar que o poupasse. O demónio sabia que Jesus se aproximava e, em desespero, prestou homenagem a Jesus, pedindo-Lhe que deixasse de o atormentar, apesar de ser o próprio demónio a atormentar o homem.
Como nota à parte, enquanto a história anterior demonstrava o poder de Jesus sobre a natureza utilizada pelos demónios, esta ilustra diretamente o poder de Jesus sobre os demónios.
P: Em Mc 5,9 e Lc 8,30, por que razão o nome do demónio era «Legião»?
R: Uma legião romana era composta por cerca de 5 000 a 6 000 soldados. Por outras palavras, este homem não tinha um único problema com um demónio, tinha 5 000 ou 6 000 problemas com demónios. Deus não se importa com o número de problemas que temos; o Senhor pode resolvê-los todos.
Pode-se questionar se cada demónio que existe atualmente teve ou não uma existência independente desde o Jardim do Éden. Talvez os demónios se pudessem multiplicar (um pouco como os germes), quer fora, quer no solo fértil de uma pessoa. No entanto, isto é apenas especulação.
P: Em Mc 5,10-14 e Lc 8,32, por que razão parece que Jesus «fez um acordo» com os demónios?
R: Embora Jesus tivesse a liberdade para o fazer, as Escrituras não dizem, de facto, que Ele tenha feito mais do que dar-lhes permissão. Jesus não fez necessariamente nenhum favor aos demónios; os porcos afogaram-se.
P: Em Mc 5,10-14, devem os cristãos, hoje em dia, fazer acordos com demónios?
R: Não há qualquer indício de que o devamos fazer. Não possuímos o conhecimento que Jesus possuía. Tendo em conta que os demónios vêem noutra dimensão além da nossa, podem ser mais inteligentes e não há garantias de que sejam honestos ou dignos de confiança; não parece haver qualquer necessidade imperiosa de sequer falar com qualquer demónio, exceto para lhes ordenar que sejam acorrentados ou que se retirem.
P: Em Mc 5,12 e Lc 8,30-33, por que razão os demónios queriam entrar nos porcos?
R: As Escrituras apenas nos dão um breve vislumbre do pensamento na mente de um demónio. Aparentemente, eles concluíram que entrar nos porcos era preferível a ir para o abismo naquele momento.
As Escrituras não dizem se os demónios provocaram deliberadamente o afogamento dos porcos, se o provocaram acidentalmente, ou se sequer sabiam que os porcos se iriam afogar. Por fim, as Escrituras não dizem se os demónios e Satanás são completamente sensatos ou se, por vezes, são loucos.
P: Em Mc 5,13, o que todos devem saber sobre a possessão demoníaca a partir deste acontecimento?
R: Um dos objetivos dos demónios ao possuírem alguém é destruir os seus hospedeiros, quer se trate de porcos ou de pessoas. As pessoas que afirmaram comunicar com demónios tiveram, frequentemente, vidas mais curtas. Se alguém estiver a brincar com o ocultismo, ou a levá-lo mais a sério, deve perguntar-lhe porquê. Será que introduzem regularmente veneno no seu sangue? Se não querem fazer isso, então por que razão querem conversar com demónios, que os matariam tal como mataram um porco?
P: Em Mc 5,13, por que razão Jesus terá supostamente destruído 2000 porcos para curar um homem? (Ahmad Deedat levantou esta questão.)
R: Há dois pontos a considerar na resposta.
a) Presumo que Deedat concordaria que valemos mais do que muitos porcos. Os seres humanos, quer na Arábia Saudita, na Índia ou no Ocidente, matam muitos animais constantemente para se alimentarem. Estes porcos, criados pelos não-judeus que viviam na margem oriental do Mar da Galileia, eram criados para alimentação, pois, ao contrário das ovelhas ou das vacas leiteiras, não há outro propósito para a criação de porcos.
b) Foram os demónios, e não Jesus, que mataram os porcos. Quando a legião de demónios saiu do homem, entrou nos porcos, o que resultou no afogamento destes.
c) Surpreende-me que Deedat finja simpatia por estes porcos, quando o Alcorão fala de um profeta de Deus, mais sábio do que Moisés, que simplesmente se aproximou de um menino e lhe partiu o pescoço, matando-o. (Não, o menino não ressuscitou nem nada do género depois disso; o menino simplesmente permaneceu morto.) Isto consta na Sura 18:63-82. Nos hadiths, Bukhari, vol. 1, livro 3, n.º 124, p. 92, aprofunda a história de al-Khidr. Abu Dawud, vol. 3, n.º 4688-4690, p. 1319
racionaliza isto afirmando que o menino que al-Khidr matou nasceu infiel. Assim, será que o facto de ser um menino que não acreditava em Deus é motivo suficiente para que lhe partam o pescoço aos olhos de um muçulmano?
P: Em Mc 5,17 e Lc 8,37, por que razão a multidão pediu a Jesus que se fosse embora?
R: Estas pessoas viram claramente a bondade e o poder de Jesus e, ainda assim, pediram-Lhe que se afastasse. Criavam porcos, para os quais não haveria mercado entre o povo de Deus que seguia a Lei de Deus.
Um equívoco comum é pensar que as pessoas têm de mudar por si próprias antes de se aproximarem de Cristo. Não têm, porque não conseguem fazê-lo sozinhas. É Jesus quem as mudará. No entanto, e se elas não quiserem ser mudadas? Nesse caso, não desejarão aproximar-se do verdadeiro Jesus.
Hoje em dia, uma reação comum de pessoas profundamente perversas, ao verem a bondade e o amor puro de Deus, é tentarem afastá-los. Isto é especialmente verdade para aqueles que, espiritualmente, «vendem porcos» nos dias de hoje. Mas estas pessoas eram diferentes; não pareciam ter nada contra Jesus pessoalmente (ao contrário dos escribas e fariseus). Em vez disso, Jesus, por mais interessante e poderoso que fosse, era um hóspede demasiado dispendioso para o seu estilo de vida atual.
P: Em Mc 5, 18-20, por que razão Jesus não permitiu que o homem O acompanhasse?
R: Jesus, sem dúvida, percebeu que o homem, agora livre da possessão, permanecer entre aqueles que o conheciam seria um ministério mais significativo do que um gentio, agora normal, ir ter com judeus que não o conheciam e que já tinham testemunhado os milagres de Jesus.
Hoje em dia, podemos naturalmente ter a tendência de querer exercer os ministérios mais «espetaculares», mas Deus pode ter um propósito maior para nós ao enviar-nos para outro lugar ou ao manter-nos onde estamos. Em vez de perguntar por que razão Deus não o coloca num ministério noutro lugar, deve perguntar-se como pode ser mais eficaz onde se encontra.
P: Em Mc 5, 27-34, quando a mulher com a hemorragia tocou em Jesus, por que razão Jesus perguntou publicamente quem O tinha tocado?
R: Existem duas respostas possíveis.
1. Uma vez que Jesus assumiu algumas qualidades humanas limitantes, tais como não ser onisciente, quando veio à Terra, Jesus não sabia genuinamente quem tinha sido milagrosamente curada ao tocá-Lo.
2. Independentemente de saber quem era, Jesus queria que ela se apresentasse. Havia aqui um assunto por resolver, nomeadamente que Jesus queria falar com ela e declarar que a sua fé a tinha curado, para que ela partisse em paz e fosse libertada do seu sofrimento.
P: Em Mc 5, 30-33, uma vez que Jesus podia saber o que se passava no interior de uma pessoa, por que razão Lhe perguntou?
R: Jesus perguntou por causa dela, não por causa Dele. Ele queria ajudá-la, mas queria que ela o pedisse primeiro.
P: Em Mc 5,35 e Lc 8,49, por que razão disseram para não incomodarem Jesus depois de a filha de Jairo ter morrido?
R: Embora Jesus pudesse curar os doentes, provavelmente pensaram que nem mesmo Jesus poderia ressuscitar os mortos.
P: Em Mc 5,39 e Lc 8,52-53, por que razão Jesus disse que a filha de Jairo não estava morta, mas sim a dormir?
R: Existem duas respostas possíveis.
Coma: Talvez a filha não estivesse realmente morta, mas apenas em coma, à beira da morte. As Escrituras não dizem, de facto, que ela estava morta. Em vez disso, Lucas 8:49 refere que os outros disseram que ela estava morta, Lucas 8:53 diz que «sabiam» que ela estava morta e Lucas 8:55 diz que o seu espírito «voltou». No entanto, a resposta seguinte é mais provável.
Morte: Ela estava, de facto, morta. No entanto, a morte é considerada um estado físico definitivo, e Jesus utilizou a metáfora de que ela estava apenas a dormir, porque sabia que a iria ressuscitar.
P: Em Mc 5,41 e Lc 8,54, por que razão disse Jesus: «Menina, levanta-te»?
R: Se Jesus tivesse dito simplesmente «levanta-te», talvez todos os mortos tivessem ressuscitado. Não seria adequado que Jesus dissesse «levanta-te», que todos os mortos ressuscitassem e que, em seguida, Jesus acrescentasse: «pensando bem...»
P: Em Mc 5,42 e Lc 8,56, por que razão Jesus disse aos pais da menina para não contarem a ninguém sobre este milagre?
R: A questão aqui poderá ser o momento oportuno; talvez Jesus não quisesse que aquele milagre fosse divulgado enquanto Ele estivesse na cidade. As pessoas acabariam certamente por descobrir, mas Jesus não queria que mais pessoas tentassem segui-lo «apenas por ostentação».
P: Em Mc 5,41; 7,34, por que razão Marcos explica expressões aramaicas aos seus leitores?
R: O Evangelho de Marcos foi escrito em grego e, embora muitas pessoas na Palestina falassem ambas as línguas, Marcos previu que muitos dos seus leitores gregos não compreenderiam os termos aramaicos. Em contraste com isto, Papias afirma que o Evangelho de Mateus foi inicialmente redigido em hebraico. No entanto, consulte o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, pp. 11-12, para obter esclarecimentos sobre a ambiguidade desta afirmação.
O cético *Asimov’s Guide to the Bible*, p. 911, apresenta aqui um comentário útil. Asimov afirma que o estilo de Marcos parece mais próximo do aramaico do que o próprio de Mateus. «De facto, parte da imperfeição do grego deste evangelho parece residir no facto de conter numerosas formas de expressão aramaicas, traduzidas literalmente, como se Marcos estivesse a escrever em grego, mas a pensar em aramaico.»
P: Em Mc 5,41, Jesus falou aramaico ou grego?
R: Jesus falava certamente aramaico, como comprovam as Suas expressões aramaicas. No entanto, muitos na Galileia e na Decápolis falavam ambas as línguas, mas sentiam-se mais à vontade com o grego. Uma vez que Jesus era daquela região, é provável que Se dirigisse às pessoas em ambas as línguas.
Apresentam-se aqui algumas expressões específicas em aramaico registadas
A1. «Filhos do trovão» Marcos 3:17
A2. «Menina, digo-te, levanta-te!» Marcos 5:41
A3. «abra-se / abra-se completamente» (ephphatha) Marcos 7:34
A4. «cabeça oca» Mateus 5:22
A5. «Abba, Pai» Marcos 14:36
A6. «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?» Mateus 27:46; Marcos 15:34
A7. «Se ele curaria no sábado, para que pudessem encontrar uma acusação contra ele» (Lucas 6:7) é uma expressão grega com uma gramática peculiar (um infinitivo complementar dependente) que poderá sugerir uma nuance aramaica, de acordo com A Wandering Aramean, pp. 12-13.
Jesus falou hebraico na visão de Paulo em Atos 26:13-15.
Eis quatro indícios de que Jesus também utilizava o grego.
G1. Mateus 16:15-18 (Petros, Petra)
G2. Os nomes Filipe e André eram gregos. O nome Bartimeu é um híbrido aramaico-grego, de acordo com o *Dictionary of Jesus and the Gospels*, p. 316.
G3. Quando Jesus se dirigiu para norte, saindo da Palestina em direção a Tiro, e falou com a mulher siro-fenícia em Marcos 7:24-29, é extremamente provável que ela falasse apenas grego.
G4. Por fim, seria difícil acreditar que, com pelo menos três Evangelhos originalmente escritos em grego, e com Paulo e outros a escreverem cartas em grego, Jesus não conhecesse a língua que até os pescadores da Galileia conheciam.
O cético «Guia de Asimov para a Bíblia», p. 911, também aborda as expressões aramaicas de Jesus.
P: Em Mc 6,1, qual era a «própria terra» de Jesus?
R: Trata-se da região em torno de Nazaré, na Galileia.
P: Em Mc 6,1-6, por que razão muitos na cidade natal de Jesus não acreditavam n’Ele?
R: Alguns acreditavam. No entanto, muitas pessoas tinham dificuldade em aceitar que alguém que outrora fora uma criança, que crescera perto de onde elas próprias cresceram, pudesse ser alguém de grande importância, muito menos o Messias.
P: Em Mc 6,1-6, de que formas é que as pessoas hoje em dia subestimam Jesus, sem O rejeitarem abertamente?
R: Tanto os não crentes como os crentes podem subestimar Jesus.
Os não crentes podem subestimar Jesus por saberem que Ele sempre esteve presente. Quando se cansam da vida que levam, pensam que podem sempre recorrer a Ele. Mas não sabemos quando a nossa vida terminará e, na verdade, não sabemos ao certo se teremos sequer um amanhã.
Os crentes, que já entregaram a sua vida a Cristo, também podem subestimar Jesus. O seu amor pode esfriar, e podem pensar que podem sempre arrepender-se e voltar para Ele. Mas, mais uma vez, na verdade não sabemos ao certo se teremos sequer um amanhã. O melhor momento para nos reconciliarmos com Deus é agora mesmo.
P: Em Mc 6,3, como poderia encorajar as pessoas a não darem Jesus como garantido?
R: Ore por elas e tente levá-las a olhar para Jesus com novos olhos. Refletam sobre o que Ele suportou por nossa causa (Hebreus 12:2-3). Considerem por que razão Jesus quis fazê-lo, tal como se refere a meio de Hebreus 12:2. Por fim, «mantenham os olhos fixos no prémio» e lembrem-se do objetivo de estar com Jesus no Céu para sempre.
P: Em Mc 6,5, o facto de Jesus não poder realizar milagres prova que Ele não é Deus, tal como afirmam as Testemunhas de Jeová em «Raciocínio a partir das Escrituras», p. 150 (1989)?
R: Não. Há dois pontos a considerar na resposta.
Na Terra, Jesus esvaziou-Se voluntariamente, assumindo a forma de um escravo, como diz Filipenses 2:6-7. Jesus experimentou a obediência, o sofrimento e a dor física enquanto esteve na Terra.
Optar por não realizar um milagre é diferente de ser fisicamente incapaz de o fazer. Independentemente do esvaziamento de Jesus, Deus, o Pai, poderia ter optado por fazer com que um milagre acontecesse, mas, dada a falta de fé deles, não o fez.
P: Em Mc 6,5, por que razão Jesus não conseguiu realizar nenhum milagre grandioso na Sua cidade natal?
R: Uma vez que as pessoas, na sua maioria, se recusavam a acreditar num rapaz da sua terra natal, realizar um milagre não aumentaria a sua fé. Isto também poderia ser um ato de misericórdia da parte de Jesus. 2 Pedro 2:21-22 afirma que é melhor alguém não conhecer o caminho da verdade do que conhecê-lo e virar-lhe as costas.
P: Em Mc 6,8-9, por que razão os discípulos não podiam levar bolsa, pão ou moedas de cobre nos cintos?
R: Simplesmente porque o nosso Senhor lhes ordenou que não o fizessem. Podemos supor que Ele queria que dependessem de Deus e dos outros, e não dos seus recursos financeiros.
P: Em Mc 6,10 e Lc 9,4-5, por que razão não deviam ir a várias casas numa mesma cidade?
R: Jesus não o disse, mas podemos identificar várias razões práticas para não irem a várias casas.
1. Havia uma maior probabilidade de as pessoas se sentirem ofendidas, de haver mal-entendidos ou de surgir discórdia entre elas quanto a quem ficaria com os hóspedes.
2. Seria uma distração para as pessoas — para não falar dos discípulos — estarem sempre preocupadas com o local onde ficariam.
P: Em Mc 6,11, se vivesse naquela época e tivesse uma profecia sobre o que Judas Iscariotes iria fazer, deveria acolher Judas na sua casa?
R: Sim, se soubesse que era isso que Jesus queria que fizesse. O fator mais importante a ter em conta em qualquer decisão é: «O que é que Jesus gostaria que fizesse?»
P: Em Mc 6, 14-29, por que razão algumas pessoas, como Herodes neste caso, fazem coisas más que sabem que não querem fazer?
R: Herodes encontrava-se num dilema. Gostava de manter João vivo como prisioneiro. Por outro lado, não queria dar a impressão pública de voltar atrás na sua palavra perante os seus convidados. Herodes matou muitas pessoas enquanto rei, e matar mais uma pessoa provavelmente não lhe parecia assim tão grave.
É honroso manter a palavra dada, mas há quem acredite que é sempre honroso mantê-la acima de tudo. Herodes não queria fazer nada que parecesse desonroso. Jefté pode ter sentido o mesmo quando cometeu o ato maléfico de matar a sua filha para manter a sua palavra.
P: Em Mc 6, 14-29, embora Herodes não tenha realmente rejeitado João Batista, em que medida o facto de Herodes subestimar João Batista difere da forma como outros subestimam Jesus?
R: Herodes tinha uma relação de amor e ódio com João Batista. Ele detestava que João estivesse livre, a criticá-lo e, possivelmente, a causar problemas. Por outro lado, gostava de conversar com João Batista, e Herodes apreciava o facto de poder manter este potencial causador de problemas preso e sob o seu controlo. Gostava de ter João Batista, ou melhor, gostava de ter João Batista exatamente onde pudesse controlá-lo. Hoje em dia, há quem goste de Jesus, goste de aprender sobre Jesus, mas não goste que Jesus imponha exigências à sua vida e queira que estejam sob o controlo de Cristo.
P: Em Mc 6, 17-18, por que razão não era lícito a Herodes Antipas ter a mulher do seu irmão?
R: João conhecia bem o Antigo Testamento. O facto de Herodes ter casado com a mulher do seu irmão enquanto este ainda estava vivo era contrário ao que está escrito em Levítico 18:16; 20:21.
P: Em Mc 6,20, de que forma é que Herodes Antipas temia e respeitava João, uma vez que mais tarde o matou?
R: Dado o empenho de João em abdicar de uma vida confortável para viver no deserto, bem como a sua ousadia em pregar a verdade a qualquer custo, Herodes nutria um respeito genuíno por João. Por maior que fosse o respeito de Herodes, o seu juramento precipitado à filha adotiva e o seu receio de ser considerado alguém que quebrou o juramento foram mais fortes do que o seu respeito e o seu desejo de fazer o que era certo, como demonstra Marcos 6:22-28.
Por mais estranho que pareça, o desejo de algumas pessoas de não quebrar a sua palavra e de parecerem justas é maior do que o seu desejo de serem, de facto, justas.
P: Em Mc 6:21, Mt 14:6-10 e Gn 40:20-22, uma vez que Herodes mandou matar João Batista no seu aniversário e o Faraó mandou matar o chefe dos padeiros no seu aniversário, será que estes versículos sugerem que não devemos celebrar aniversários, tal como afirmam as Testemunhas de Jeová em «Raciocínio a partir das Escrituras», pp. 68-69 (1989)?
R: Não. Foram Herodes e o Faraó que eram maus, não o aniversário. A ocasião em si não era nem boa nem má. O facto de ambas as coisas terem ocorrido em recintos fechados também não implica que nunca devamos estar dentro de casa.
P: Em Mc 6:30-34, por que razão precisavam de descansar, e isso era essencial?
R: Os discípulos estavam tão ocupados que nem sequer tinham tempo para comer. Precisavam de tempo não só para comer, mas também para relaxar e descontrair.
No entanto, a sua necessidade de relaxar estava subordinada às multidões que os seguiam. Uma vez que a relva estava verde, isso significa que o acontecimento ocorreu no final do inverno ou no início da primavera. Este milagre não teria acontecido se os discípulos tivessem seguido o plano e se tivessem limitado a descansar, tal como nos diz o «Believer’s Bible Commentary», p. 1336.
P: Em Mc 6, 30-32, qual é o lugar do descanso na vida cristã?
R: Por vezes, Deus deseja que dediquemos tempo — que, de outra forma, poderia ser utilizado no ministério — para relaxar e aproximarmo-nos Dele.
No entanto, isto não justifica férias luxuosas para os líderes cristãos, como nos recorda o «Believer’s Bible Commentary», pp. 1335-1336.
P: Em Mc 6,38 e Mc 8,5, por que razão, antes de cada uma das duas distribuições de comida, Jesus perguntou quanta comida havia disponível?
R: Em retrospetiva, a quantidade de comida com que Jesus começou não parecia relevante. Jesus poderia ter alimentado todos com uma única migalha, se assim o desejasse. Em vez disso, Jesus queria que eles percebessem que a comida não era suficiente para alimentar todos, que havia mais comida no final do que no início, e que o uso dos números significativos 12 e 7 simplesmente demonstra que as quantidades envolvidas não eram meramente fruto do acaso.
Estes pães eram pequenos; era possível comer vários pães inteiros numa única refeição, de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 763. As aldeias vizinhas de Cafarnaum e Betsaida tinham apenas 2 000 a 3 000 habitantes, de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 675. Assim, teria sido difícil para as aldeias vizinhas alimentar todas aquelas pessoas.
P: Em Mc 6,38, por que razão Jesus ordenou o impossível?
R: Quando Jesus ordenou aos discípulos que alimentassem a multidão, no grego a ênfase recai sobre a palavra «vocês» (plural). Certamente não seria a última vez que Deus ordenaria a alguém que fizesse algo impossível pelo poder humano, mas tudo é possível com o poder de Deus.
P: Em Mc 6,38-44, que lição espiritual nos é dada sobre os pães?
R: A fonte deste milagre foi Jesus, que é o Pão da Vida. Os pães originais, antes de serem abençoados por Deus e antes de serem partidos, não eram suficientes para a necessidade do momento. Mas era tudo o que tinham, e Deus aceitou-os na mesma. Mas, com as bênçãos de Deus, foram partidos. E, com a bênção e o facto de terem sido partidos, não só satisfizeram a necessidade do momento, como até sobraram pedaços. E não só sobraram pedaços, como havia ainda mais do que aquilo com que tinham começado. Deus não alimentou estas pessoas diretamente; em vez disso, Deus deu a comida ao Seu povo, os discípulos, para que eles as alimentassem. Havia mais do que o suficiente para todos, mas não desperdiçaram nada, porque recolheram os restos.
P: Em Mc 6,48, por que razão estava Jesus prestes a passar por eles?
R: Jesus, caminhando sobre as águas, avançava mais depressa do que os discípulos a remar contra o vento. No entanto, Jesus não caminhava em direção ao barco, mas sim para passar por eles, até que estes Lhe clamaram.
Hoje, Jesus e as bênçãos de Deus podem estar a vir na vossa direção, mas vão passar por vós, a menos que clameis a Deus para que Ele venha até vós, e não apenas passe por vós. Vivemos as nossas vidas de forma a não nos afastarmos demasiado de Deus, ou vivemos de modo a querermos estar o mais perto possível Dele?
P: Em Mc 6, 53-56, o que sabemos sobre a região de Genesaré?
R: Ao contrário dos locais remotos anteriores, Genesaré era uma terra muito fértil na margem ocidental do Mar da Galileia e, por isso, bastante populosa, de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 676. Havia várias nascentes minerais na área, e os enfermos deslocavam-se até lá em busca de conforto e esperança.
P: Em Mc 6,53-56, as pessoas poderiam interpretar isto como se Jesus fosse apenas a nossa fonte de sustento. Por que razão Jesus continuou a fazer isto e o que fez para atenuar essa situação?
R: Muitos vinham não principalmente para seguir Jesus, nem mesmo para aprender com os Seus ensinamentos. Vinham pelo que Jesus lhes podia fazer. Jesus queria demonstrar quem Ele era, mas talvez uma das razões pelas quais Jesus seguisse em frente com tanta frequência fosse para que, depois de demonstrar quem Ele era, pudesse afastar aqueles que apenas procuravam comida ou uma cura. No entanto, continuavam a segui-Lo para onde quer que Ele fosse.
Hoje em dia, os líderes da igreja têm de ter cuidado com aqueles que vêm à igreja apenas por uma refeição ou pelo que esta lhes pode proporcionar. A sua motivação poderá, talvez, mudar para melhor mais tarde. Mas os líderes da igreja precisam de encontrar um equilíbrio entre demonstrar amor e evitar serem simplesmente aproveitados.
P: Em Mc 7,2-5, o que seria considerado errado em comer com as mãos sujas?
R: Os fariseus alargaram o conceito do Antigo Testamento de puro e impuro a muitas áreas. Isso não havia problema, mas quando equipararam as suas opiniões à palavra de Deus, foi aí que ocorreu o conflito com Jesus. 1 Coríntios 4:6 e Provérbios 30:5-6 mostram que é errado ir além da palavra de Deus.
Na época de Jesus, tratava-se apenas de tradição oral, mas por volta dos anos 200 a 300 d.C. as diversas tradições foram registadas na Mishná judaica. Não só Jesus, mas também os saduceus rejeitaram a tradição dos fariseus, de acordo com o «New International Bible Commentary», p. 1165.
P: Em Mc 7,6-8, os fariseus teriam ficado bastante surpreendidos com a resposta de Jesus. De que forma os fariseus — e outras pessoas hoje em dia — praticavam a arte do autoengano?
R: O autoengano é algo que as pessoas praticam com demasiada facilidade hoje em dia, e de múltiplas formas. Pode ser involuntário ou intencional; pode consistir em ver coisas que não existem realmente, em não ver coisas que existem e em negar o que se vê realmente. Por vezes, quando as pessoas, inicialmente, enganam os outros — e não a si próprias —, acabam por começar a acreditar naquilo que, inicialmente, sabiam ser uma mentira.
Houve um estudo em que foi pedido aos participantes que assistissem a um vídeo e tentassem contar quantas vezes alguém fazia a bola de basquetebol quicar. O vídeo mostrava uma festa com pessoas a conversar e uma pessoa à frente a driblar uma bola de basquetebol. A certa altura, alguém vestido com um fato de gorila atravessou o meio da festa. Após o vídeo, foi pedido aos participantes que indicassem o seu número e se tinham visto algo invulgar enquanto assistiam ao vídeo. Todos responderam que não. Os seus olhos estavam tão concentrados na bola de basquetebol que nem sequer viram a pessoa vestida com o fato de gorila a atravessar a festa!
Por vezes, o autoengano é mais deliberado. Quando uma pessoa decide o que é verdade com base no que deseja que seja verdade, acaba por ignorar totalmente — ou, pelo menos, minimizar — as evidências em contrário. Num verão, participei numa viagem missionária ao Utah para testemunhar aos mórmons. Cerca de metade dos cristãos do grupo eram ex-mórmons e a outra metade (incluindo eu próprio) não o era. Foi fascinante fazer perguntas aos ex-mórmons sobre a época em que eram mórmons. Uma das perguntas foi: «Como conseguia dormir à noite, com todas essas contradições no mormonismo?» Ele respondeu que, enquanto mórmon, conseguia dormir muito bem. Sim, tinha conhecimento de algumas dessas contradições e sabia que não lhes conseguia dar resposta, mas isso não o incomodava porque pensava que havia alguém na Igreja Mórmon que o pudesse fazer. Enquanto mórmon, acabou por perceber que ninguém conseguia responder a essas contradições e, mais tarde, abandonou a igreja.
Os fariseus sofriam do que se denomina «dissonância cognitiva». Eles «sabiam» que eram os únicos mestres de Israel e que não estavam enganados. Mas ali estava aquele homem, Jesus, que estava a abalar a sua visão do mundo ao ensinar com autoridade e a realizar milagres que só alguém enviado por Deus poderia realizar. Esta grande tensão só poderia ser eliminada se conseguissem expor Jesus como um impostor, percebendo que a sua anterior «certeza» estava errada, ou então eliminando a causa da tensão e mandando matar Jesus.
P: Em Mc 7,7-8, como se sabe se uma regra provém de Deus ou do homem?
R: Se não ler as Escrituras de Deus por si próprio, pode ser muito difícil saber.
Um católico chamado Paulo, que era um cristão genuíno, participava num pequeno grupo de estudo bíblico que eu liderava há um ano. Achei curioso que ele frequentemente abordasse assuntos muito básicos e me perguntasse se estes provinham da Bíblia. (Na maioria das vezes, provinham.) Mais tarde, ele explicou-me por que razão fazia todas aquelas perguntas. Disse que tinha aprendido essas coisas enquanto crescia numa escola católica, e que lá não se fazia distinção entre o que a Igreja Católica ensinava e o que Deus ensinava na Bíblia.
Quando um professor cristão, de qualquer grupo, não consegue distinguir entre a palavra de Deus e os seus ensinamentos que vão além da palavra de Deus, ele eleva a importância dos seus ensinamentos em detrimento dos seus discípulos, que ficam a questionar-se sobre o que Deus realmente disse. Tanto 1 Coríntios 4:6 como Provérbios 30:5-6 advertem todos os cristãos a não acrescentarem nada à palavra de Deus. Talvez esta seja parte da razão para o julgamento mais rigoroso a que os professores estão sujeitos, de acordo com Tiago 3:1-2.
P: Em Mc 7,7-8, não devemos seguir quaisquer regras estabelecidas pelos homens?
R: Certamente que não; como demonstram Romanos 13:1 e 1 Pedro 2:13-18, devemos obedecer às autoridades humanas. Pelo contrário, Marcos 7:10-14 mostra que Jesus se opunha firmemente à desobediência às leis de Deus com o objetivo de cumprir as leis dos homens.
P: Em Mc 7,11, por que razão o «Corban» era mau e de que forma algumas pessoas fazem hoje coisas semelhantes aos seus pais?
R: «Corban» significa que algo era consagrado a Deus, presumivelmente para ser oferecido no Templo. No entanto, isso NÃO significava necessariamente que fosse entregue ao Templo. A pessoa ainda podia utilizá-lo para si própria, de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, pp. 678-679, e o «Believer’s Bible Commentary», p. 1337.
Se alguém doar muito dinheiro a Deus, mas continuar a sustentar a sua família, incluindo os seus pais, isso é aceitável. Mas se alguém deixar de sustentar a sua família, quando poderia fazê-lo, Paulo afirma, em 1 Timóteo 5:8, que essa pessoa é pior do que um incrédulo. Até mesmo a maioria dos incrédulos sustenta a sua própria família.
P: Em Mc 7,15, quando Jesus disse que nada do que entra no homem o pode contaminar, estará Jesus a referir-se a algo que era válido nos tempos do Antigo Testamento, ou a um novo ensinamento?
R: Trata-se de uma repetição de Mateus 15:10-20.
Jesus não invalidou os mandamentos alimentares do Antigo Testamento, mas sim substituiu-os. Há quatro pontos a considerar aqui.
1. Embora Jesus e os Seus discípulos por vezes infringissem as tradições criadas pelo homem dos fariseus, eles próprios viviam em obediência à Lei do Antigo Testamento.
2. Mesmo no âmbito do Antigo Testamento, Deus preocupava-Se com a obediência deles, e a sua alimentação era apenas uma forma — mas não a única — de demonstrarem essa obediência.
3. Depois de a ressurreição de Jesus ter dado início a um novo período, os discípulos não optaram por comer todo o tipo de carne. Um anjo de Deus desceu e instruiu um Pedro relutante a comer, em Atos 10:11-16. Quem era Pedro para contestar um anjo do Céu?
4. Os muçulmanos não deveriam ter qualquer problema com esta resposta, uma vez que Maomé alegadamente fez o mesmo. Ele falou de leis revogadas (embora a revogação seja um conceito um pouco diferente da Nova Aliança estabelecida por Jesus). Além disso, ele demonstrou que os muçulmanos podiam comer carne de camelo, e o Antigo Testamento considera a carne de camelo da mesma forma que a carne de porco (Levítico 11:4, 7, 26; Deuteronómio 14:7, 8).
P: Em Mc 7:18, por que razão ficou Jesus surpreendido com a falta de compreensão deles?
R: Não se tratava das multidões, mas dos próprios discípulos de Jesus, que não compreendiam. Jesus pensava que, a essa altura, eles já teriam percebido que, no Novo Reino, o que importava não era a comida exterior, mas o que estava no interior de uma pessoa.
P: Em Mc 7,18, uma vez que os discípulos não tinham o Espírito Santo até ao Pentecostes, seria de esperar que compreendessem alguma coisa do que Jesus dizia?
R: Por vezes, as pessoas interpretam mal o que o Espírito Santo faz e o que não faz. O Espírito Santo convence o mundo do pecado e ilumina-nos para a verdade, mas as pessoas ainda conseguem perceber alguma verdade mesmo sem o Espírito Santo.
P: Em Mc 7,18-23, de que forma é que Jesus declarou que todos os alimentos eram puros?
R: Primeiro, o que não é a resposta e, depois, a resposta.
Não é a resposta: Muitos alimentos proibidos no Antigo Testamento eram alimentos de animais necrófagos (como porcos e marisco) e carnívoros. Esses alimentos teriam mais doenças e parasitas, se não fossem bem cozinhados, do que os alimentos que podiam comer. Mas isso não é o essencial. O essencial era que Deus lhes deu leis a seguir e que podiam agradar ou desagradar a Deus ao seguirem ou não os Seus mandamentos.
A resposta: Jesus, sendo Deus encarnado, decretou que, a partir de então, todos os alimentos eram declarados puros. Isto foi reiterado a Pedro em Atos 10:11-16. Paulo também se pronunciou sobre isto em Colossenses 2:16. Um ponto fundamental é que Jesus não declarou «tudo» puro; Ele apenas declarou que todos os alimentos que entram no nosso corpo são puros. As coisas más que podem sair do nosso coração nunca foram puras e continuam a não o ser.
P: Em Mc 7,26, por que razão a mulher é chamada de sírio-fenícia?
R: Do ponto de vista administrativo, a Fenícia fazia parte da província romana da Síria. Talvez Marcos tenha utilizado este termo para a distinguir dos líbio-fenícios, que eram originários do Norte de África.
P: Em Mc 7, o que é melhor: tentar viver uma vida limpa e pura ou tentar estar perto de Jesus?
R: Na verdade, queremos ambas as coisas. Mas se um crente estiver a viver uma vida limpa, mas quiser manter-se afastado de Jesus, não se tornará mais semelhante a Cristo. Por outro lado, se um crente estiver em pecado, mas quiser arrepender-se e aproximar-se de Jesus, então tornar-se-á mais puro e semelhante a Cristo.
P: Em Mc 8,10, onde fica Dalmanuta?
R: Fica a sudoeste do Mar da Galileia. Durante muito tempo, os estudiosos não sabiam a localização exata. No entanto, foi encontrada uma caverna a sul da Planície de Gennesaret com o nome «Talmanutha».
P: Em Mc 8,11-12, por que razão Jesus não obedeceu aos fariseus, ou pelo menos não lhes fez a vontade, dando-lhes um sinal do Céu quando lhe pediram?
R: Isto aconteceu pouco depois de Jesus ter alimentado os 4 000. O que é que mais um milagre provaria aqui aos fariseus? Eles não tinham querido sair para ouvir Jesus, mas teriam ouvido falar deste milagre. Note-se que o seu pedido não provinha da fé, mas sim da incredulidade. Os fariseus pareciam partir do princípio de que Jesus tinha de responder a todas as suas perguntas. Mas Jesus não lhes devia nada nem tinha de lhes provar nada. Na verdade, Jesus está a dizer-lhes: «Não verão um sinal a pedido; já viram e ouviram.»
P: Em Mc 8,15, por que razão alguns ensinamentos errados são comparados ao fermento?
R: Basta uma pitada de fermento, o ambiente certo (a massa) e um pouco de tempo para que todo o ambiente se transforme. O politicamente correto é uma tentativa de impedir que o ambiente seja alterado (ou volte ao estado anterior), definindo certas opiniões ou temas como «fora dos limites». Se quiserem aprender sobre Deus, têm de seguir os fariseus. Isso era um dado adquirido que todos compreendiam. Em tempos posteriores, se quiser seguir Deus, tem de seguir tudo o que o sacerdote disser. Embora os cristãos bíblicos tenham sido acusados de terem um «papa de papel» e de seguirem apenas um Livro, na verdade, apenas queremos seguir Deus e as palavras que Ele nos deu. Qualquer figura religiosa meramente humana, mesmo que seja boa, e qualquer credo ou concílio, mesmo que seja bom, continua a não ser substituto de Deus e da Sua palavra.
P: Em Mc 8, 17-21, qual poderá ser o significado destes números?
R: Jesus acabara de os alertar sobre os fariseus e os saduceus, e os discípulos estavam a ignorar o que Ele lhes dizia; estavam concentrados na falta de pão. Assim, Jesus abordou-os no ponto em que se encontravam e naquilo em que estavam concentrados. Ele pergunta-lhes quais eram os números: cinco pães para doze «cestas de almoço» em Israel; sete pães para sete «cestas» entre os gentios. Há duas respostas complementares.
Em geral, Jesus estava a salientar que acabaram por ficar com mais sobras do que aquilo com que começaram. Por isso, não precisam de se preocupar com a possibilidade de Jesus não ser capaz de lhes fornecer pão.
Especificamente, o sete é frequentemente um símbolo de plenitude, ou de plenitude em Deus, na Bíblia. Embora o número doze na Bíblia se refira frequentemente às doze tribos, não é esse o caso aqui. Haveria doze apóstolos, e os apóstolos destinavam-se a todas as nações. O cinco e o 12 eram simplesmente números diferentes do 7 e do 7, e as cestas de almoço e as cestas de provisões eram recipientes de tamanhos diferentes, demonstrando que se tratava de eventos distintos e que Jesus era o provedor da salvação tanto para os judeus como para os gentios.
P: Em Mc 8,22-26, quais são os três tipos de cegueira espiritual?
R: O homem era cego e, mais tarde, ficou parcialmente cego fisicamente, mas os discípulos continuavam parcialmente cegos espiritualmente.
Involuntária: As pessoas podem ser cegas fisicamente, quer tenham nascido assim, como em João 9:1-2, quer tenham ficado totalmente cegas mais tarde, ou ainda sejam parcialmente cegas. Espiritualmente, muitos não crentes estão cegos, na medida em que ignoram a luz e a verdade de Cristo.
Cegueira intencional: Os escarnecedores e os incrédulos obstinados rejeitam Cristo porque se recusam a ver a verdade que já lhes foi revelada. Os fariseus não eram estúpidos; eram hábeis a encontrar objeções e razões para optar por não ver. Tal como uma pessoa sem deficiência não pode estacionar o carro num lugar reservado a pessoas com deficiência e depois colocar uma venda nos olhos, há uma diferença entre a cegueira intencional e a não intencional.
Crentes: Mesmo os crentes, que entregaram as suas vidas a Jesus, podem estar parcialmente cegos para a verdade. Aqui, nem mesmo os discípulos conseguiram ver.
P: Em Mc 8, 23-25, por que razão Jesus pareceu curar o cego por etapas?
R: As Escrituras não o dizem. Talvez o homem tivesse mais do que um problema, ou talvez haja uma lição mais profunda para nós. Tal como a cegueira física do homem foi curada por etapas, por vezes a cegueira espiritual de uma pessoa também é curada por etapas.
Tal como o homem permaneceu parcialmente cego até ao fim, algumas pessoas também podem estar parcialmente cegas espiritualmente. Vêem algumas coisas corretamente e partem do princípio de que vêem tudo corretamente, sem saberem que ainda estão parcialmente cegas. Por exemplo, alguns viam Jesus como um profeta, mas não como o Messias. Hoje em dia, alguns vêem Jesus como Salvador, mas não como Senhor. Alguns vêem Deus como amor, mas não também como justiça e ira.
P: Em Mc 8,24, por que razão o cego curado viu inicialmente as pessoas como árvores a andar?
R: Talvez os nervos ópticos do homem não recebessem a luz com clareza. Podiam existir várias razões para a cegueira, relacionadas com a pupila, a íris, a córnea e o nervo óptico.
Em alternativa, o homem poderia ter tido uma visão perfeita inicialmente, mas o seu cérebro não estava treinado para processar os padrões. Na verdade, os cérebros das pessoas recebem uma imagem invertida do mundo. Os nossos cérebros treinam-se para inverter a imagem. Num filme da Moody Science, foi dado a um homem um par de óculos especiais que invertia a imagem de cabeça para baixo. Depois de os usar durante tempo suficiente, o cérebro do homem adaptou-se na perfeição e ele não teve qualquer problema em andar ou a lidar com a situação — pelo menos até os óculos serem retirados, altura em que o cérebro do homem teve de se retreinar novamente.
Consulte http://www.answersingenesis.org/docs/4146.asp para conhecer alguns exemplos interessantes da atualidade de pessoas que, apesar de enxergarem fisicamente, inicialmente não conseguem reconhecer as coisas.
P: Em Mc 8,26, por que razão Jesus disse ao homem para ir diretamente para casa e não para a aldeia?
R: As Escrituras não o dizem, mas, aparentemente, o homem e a sua família eram de uma cidade diferente ou viviam fora da cidade. No entanto, Jesus foi muito explícito nesta ocasião. Primeiro, Jesus conduziu o cego para fora da cidade, sem ainda o ter curado. Depois, Jesus curou-o por etapas e, por fim, ordenou-lhe especificamente que não regressasse à aldeia.
O «New International Bible Commentary», p. 1166, especula que era mais adequado que o homem contasse primeiro aos seus familiares, em vez de estes ficarem a saber primeiro por outra pessoa. Em alternativa, Jesus não queria que os fariseus da cidade testemunhassem o milagre, uma vez que lhes tinha acabado de dizer, em Marcos 8:11, que não veriam nenhum sinal de Jesus. Ou então, poderiam ter existido outras pessoas que Jesus não queria que testemunhassem o milagre. Por fim, Jesus pode não ter querido que algumas pessoas testemunhassem a cura por etapas.
P: Em Mc 8,38, o cético Bart Ehrman salienta que Jesus não se identifica explicitamente como o Filho do Homem (Jesus, Interrupted, p. 159).
R: Jesus não precisava de o fazer aqui. Ele identificou-Se como o Filho do Homem em Marcos 2:5-12. Jesus disse em Marcos 2:8a-12: «Por que estão a pensar estas coisas nos vossos corações? … O que é mais fácil: dizer a um paralítico: “Os teus pecados estão perdoados”, ou dizer: “Levanta-te, pega na tua maca e anda”? Mas, para que saibam que o Filho do Homem tem autoridade na terra para perdoar pecados...» Ele disse ao paralítico: «Digo-te: levanta-te, pega na tua maca e vai para casa.» E imediatamente o homem levantou-se, pegou na sua maca e saiu à vista de todos. Com isso, todos ficaram espantados e glorificaram a Deus, dizendo: «Nunca vimos nada assim!»» (BSB) Jesus utilizou o termo 81 vezes nos Evangelhos. Por que razão consideraria Ehrman significativo o facto de Jesus não o ter explicitado novamente neste ponto?
P: Em Mc 8,38, o que significa que Jesus se envergonhará daqueles que se envergonharam de Jesus nesta vida?
R: Os exegetas têm duas perspetivas a este respeito.
1. Os crentes eleitos que se envergonham de Jesus sofrerão reprovação quando chegarem ao Céu. Esta é a perspetiva do «Believer’s Bible Commentary», p. 1341. Alguns cristãos acreditam verdadeiramente, mas deixaram-se influenciar demasiado pelo mundo para defenderem Jesus ou partilharem o Evangelho.
2. Os chamados cristãos que se envergonham de Jesus descobrirão que não irão, de todo, para o Céu. O «Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 141-142, e a «NIV Study Bible», p. 1510, defendem esta perspetiva. 2 Timóteo 2:12 também afirma que, se negarmos Cristo Jesus, Ele negar-nos-á. Algumas pessoas recusam-se a aceitar Jesus por várias razões emocionais. Judas, aparentemente, ficou desapontado por Jesus não ir empreender qualquer ação militar naquele momento. Alguns afirmam que as pessoas são tão boas que não precisam de ser salvas, ou que é «demasiado primitivo» dizer que precisamos de um sacrifício por nós. Outros não querem que alguém olhe do Céu para julgar o que fazem.
É claro que ambas as afirmações são provavelmente verdadeiras, porque Jesus não especificou esse «grau de vergonha» neste versículo. É algo grave acreditar em Jesus, negá-Lo e arrepender-se (como fez Pedro), mas é ainda mais grave nunca ter entregue a sua vida a Ele, para começar.
P: Em Mc 9,1-2, por que razão acha que Deus permitiu que a transfiguração acontecesse?
R: Em primeiro lugar, note que, até à morte de Jesus, ninguém sabia disto, exceto os discípulos. Portanto, isto não ajudou mais ninguém, pelo menos não até à morte e ressurreição de Jesus. Embora as Escrituras não digam por que razão isto aconteceu, podemos identificar pelo menos seis razões.
1) Isso iria fortalecer a fé dos discípulos. Os discípulos teriam um vislumbre da glória suprema de Jesus.
2) Seria um encorajamento para o próprio Jesus, antes de ir para a cruz. Talvez Elias e Moisés também tenham dito a Jesus algumas coisas que eram necessárias.
3) Para cumprir a profecia: Malaquias 4:5-6 diz que Elias viria antes do grande dia do Senhor. Embora João Batista estivesse no espírito e no poder de Elias, o próprio Elias apareceu fisicamente na transfiguração.
4) Duas testemunhas, Moisés e Elias, vieram para estar com Jesus, pelo menos por um curto período de tempo. Elias nunca morreu (2 Reis 2:11) e, embora Moisés tenha morrido, o seu corpo nunca foi encontrado (Deuteronómio 34:6). Haverá duas testemunhas imediatamente antes da segunda vinda de Jesus, em Apocalipse 11, e isto poderá ser um prenúncio disso.
5) Para aqueles de nós que vivemos após a ressurreição, isto reforçaria a ideia de que Deus estava no controlo e sabia desde o início o que iria acontecer com a crucificação e a ressurreição.
6) Por fim, cumpriu a profecia que Jesus fez em Marcos 9:1
P: Em Mt 17:1, Mc 9:2 e Lc 9:28-29, em que montanha ocorreu a transfiguração?
R: As Escrituras não especificam, mas eis o que sabemos. Em primeiro lugar, tratava-se de uma montanha alta, e o Monte Tabor situa-se apenas a 1 843 pés acima do nível do mar (cerca de 5 campos de futebol), pelo que não se qualifica como uma montanha alta. Ficava a dez milhas a sudoeste do Mar da Galileia e não perto de Cesareia de Filipe. Além disso, naquela altura, existia uma fortaleza romana no cume do Monte Tabor.
O Monte Hermon, com mais de 9 000 pés de altura, é a montanha mais alta da região e o evento poderia ter ocorrido ali. No entanto, fica bastante distante, a norte das Colinas de Golã, na fronteira entre a Síria e o Líbano. O «Believer’s Bible Commentary», na página 1400, defende esta opinião.
O Monte Meron / Jebel Jermaq, a oeste do Mar da Galileia, tem 3 926/3 962 pés de altura, e W. Liefield sugeriu essa localização.
P: Em Mc 9,7 e seguintes, de todas as coisas que Deus poderia ter dito, apenas esta única frase foi registada. Por que razão acha que isto era tão importante para os discípulos saberem?
R: O cristianismo não se resume, em primeiro lugar, a leis, doutrina ou serviço ministerial. Embora essas coisas estejam presentes, não são o essencial. O essencial também não é a nossa experiência, comunhão ou oração. O que é essencial é amar Jesus. Mas os crentes podem esquecer-se disso. Paulo diz em 2 Coríntios 11:2-3: «Tenho ciúmes de vós com um ciúme piedoso. Pois prometi-vos a um único marido, para vos apresentar como uma virgem pura a Cristo. Temo, porém, que, tal como Eva foi enganada pela astúcia da serpente, as vossas mentes possam ser desviadas da vossa devoção simples e pura a Cristo.»
P: Em Mc 9, 14-16, como resistimos à tentação de permanecer no cume da montanha por demasiado tempo, quando Jesus quer que desçamos?
R: Lembre-se de que não se trata de nós, do nosso conhecimento e da nossa experiência, mas sim de Deus. Deus quer que sirvamos os outros. No juízo do bema, Jesus não nos vai perguntar o quanto aprendemos, nem o que vivemos, mas sim o que fizemos e como vivemos. Uma experiência no cume da montanha é boa para nos ancorar, fazer-nos crescer e revigorar-nos, para a batalha espiritual pelos corações e mentes das pessoas neste mundo. Um treinador de uma equipa tem pouca utilidade para um jogador talentoso que se recusa a competir.
P: Em Mc 9,18, 28-29, o que é que isto nos diz sobre o poder de um cristão sem fé?
R: Nessa altura, os discípulos sabiam mais sobre Deus do que qualquer outro mortal na Terra. Os discípulos tinham encontros pessoais com Jesus todos os dias. Os discípulos (pelo menos todos, exceto um) acreditavam e praticavam aquilo em que acreditavam. Tinham fé, mas não tinham uma fé suficientemente forte para expulsar este demónio.
P: Em Mc 9,18, 28-29, de que forma subestimamos hoje o poder e a sabedoria de Deus?
R: Os não crentes podem dar por garantidas a segurança, a paz, a saúde e a prosperidade como coisas a que se sentem com direito. Até mesmo alguns crentes podem pensar que não passarão por momentos difíceis por serem cristãos. Dar por garantidos os dons de Deus é o oposto da gratidão.
P: Em Mc 9,19, por que razão acha que Jesus disse: «Ó geração incrédula», em vez de «Ó discípulos incrédulos»?
R: Jesus percebeu que a incredulidade dos discípulos era um reflexo da sociedade em que tinham sido criados. Em certa medida, mesmo como crentes, as nossas convicções e a nossa fé são moldadas pela nossa geração, ou seja, pela nossa cultura e sociedade. Como crentes, precisamos de reconhecer isso com humildade e franqueza, e esforçar-nos por transcender e libertar-nos disso.
P: Em Mc 9,24, por que razão o pai proferiu um oxímoro?
R: Um oxímoro é uma figura de estilo que utiliza afirmações ou imagens contraditórias para expressar uma verdade complexa. O pai tinha sentimentos contraditórios no seu íntimo. Ele disse: «Eu creio», porque acreditava verdadeiramente, mas também disse: «ajuda a minha incredulidade», porque sabia que também tinha dúvidas genuínas.
Nós também devemos ser honestos quanto aos nossos sentimentos perante Deus. Deus é suficientemente grande para lidar com as nossas dúvidas e, quando trazemos os nossos sentimentos à luz, confessando-os a Ele, Deus pode mais facilmente cuidar daquilo que Lhe admitimos.
P: Em Mc 9,24, o que acha que Deus faz com uma fé imperfeita, como a que o pai tinha?
R: Deus utilizou a fé do pai do rapaz; uma fé imperfeita, mas honesta e genuína. Isso é melhor do que uma aparência hipócrita e desonesta de fé. Seja honesto quanto à sua fé em Deus, para que Ele a possa fazer crescer, aperfeiçoá-la e remover as impurezas que não lhe pertencem.
P: Em Mc 9,25, na maioria das vezes Jesus limitava-se a ordenar que um espírito maligno saísse, mas, desta vez, por que razão Jesus disse tanto para sair como para não voltar a entrar?
R: Em Lucas 11:24-26, Jesus disse que, quando um espírito maligno sai de uma pessoa, pode tentar regressar acompanhado de outros sete. Por isso, é importante que, quando uma pessoa possuída por demónios for libertada do seu jugo, se volte para Cristo, para que os demónios não regressem com maior força.
P: Em Marcos 9:33, por que razão, neste momento, logo após a grande transfiguração, acha que os discípulos discutiram sobre quem era o maior entre eles?
R: À primeira vista, isto parece ridículo. Logo após lhes ter sido concedido, por graça, o grande privilégio de testemunhar este acontecimento grandioso, em vez de irem proclamar quão grandioso era Jesus, estavam a discutir sobre o quão grandiosos eles próprios eram. Em vez de tudo girar em torno de Jesus e de como poderiam servir para glorificá-Lo, estavam a usar Jesus para que tudo girasse em torno deles.
Este quadro é ridículo. Certamente, se alguém quisesse pintar um quadro idílico e embelezado dos discípulos santos de Jesus, teria certamente omitido este episódio! Isto simplesmente fica mal. Mas depois de terem acreditado em Jesus, de terem testemunhado os milagres e de terem assistido à transfiguração, era assim que eles ainda se comportavam. A paciência de Jesus para com eles é espantosa.
P: Em Mc 9,33, como devemos lidar com um irmão na fé que está a tentar promover a sua própria grandeza?
R: Não guardem rancor para com ele, mas orem por ele, anseando que se arrependa disso. Não devemos descartá-lo como um incrédulo enrustido, ou como um apóstata caído e irrecuperável, tal como Jesus não descartou os discípulos. Deve ser-lhe feito um aviso para o seu próprio bem, e a sua influência para encorajar outros a fazer o mesmo deve ser minimizada.
P: Em Mc 9,34, os discípulos deveriam ter dito a Jesus por que estavam a discutir, ou deveriam ter permanecido em silêncio, como fizeram?
R: Provavelmente mantiveram-se em silêncio por constrangimento ou vergonha. Deus sabe o que pensamos e dizemos, quer o confessemos ou não, mas é melhor dizer-Lhe o que nos vai no coração, mesmo que seja algo podre ou orgulhoso. Dessa forma, Deus pode purificá-lo muito mais rapidamente, se estiver disposto a reconhecê-lo.
P: Em Mc 9,35, o que pensa sobre a frase «a grandeza vem através do serviço»?
R: Não é totalmente verdade. Em primeiro lugar, tem de servir a quem deve. Não servir a sua ambição, nem servir a igreja, mas o seu serviço principal deve ser a Deus. Em segundo lugar, tem de servir com as motivações certas. Mas, tendo em conta estas ressalvas, então isto está bastante correto.
P: Em Mc 9,38-40, por que razão João e os outros discípulos proibiram alguém de expulsar demónios, e quem era esse homem?
R: Primeiro, analisemos a sequência peculiar de acontecimentos aqui. Inicialmente, os discípulos mostraram-se incapazes de expulsar um demónio. Depois, estavam a discutir sobre quem era o maior. Mas, apesar de não terem conseguido expulsar o demónio, proibiram outra pessoa que acreditava em Cristo de expulsar um demónio em nome de Jesus, depois de eles próprios não o terem conseguido.
Uma vez que o homem não fazia parte da sua organização, os discípulos presumiram que Deus não poderia usá-lo. Hoje em dia, por vezes, os crentes cometem o mesmo erro, pensando que outros cristãos genuínos que não fazem parte da sua igreja não são usados por Deus ou são usados apenas de forma menos importante.
P: Em Mc 9,38-40 e noutras passagens, até que ponto o diabo e a sua influência são «reais»? Será que ele coloca pensamentos na sua cabeça?
R: O diabo e os seus demónios são seres reais, com pensamentos e sentimentos. Podem sugerir pensamentos, mas não podem «possuir» os crentes. Embora possam sugerir pensamentos, temos o poder de dizer «não» e seguir em frente. Apesar de serem poderosos — e de o seu poder não dever ser menosprezado —, a nossa proteção sob o sangue de Cristo é ainda mais poderosa. Por exemplo, ouvi falar de um feiticeiro que amaldiçoou um cristão, e a maldição voltou-se contra o próprio feiticeiro. Num exemplo não relacionado, ouvi falar de outro feiticeiro que declarou que um missionário cristão morreria no prazo de 30 dias. No 30.º dia, foi o feiticeiro que morreu.
Como filhos de Cristo, não temos qualquer motivo para negociar com o diabo, provocá-lo ou sequer tentar comunicar com o diabo ou com os demónios.
P: Em Mc 9, 38-40, como lidar com alguém que está a fazer a vontade de Deus, mas não tem a «autorização» das pessoas?
R: Em primeiro lugar, pergunte-se se isso precisa mesmo de ser autorizado pelas pessoas. Se for a vontade de Deus, então talvez não precise. Se considerar que está a causar divisão, certifique-se primeiro de que não são o senhor e o seu grupo que estão a causar divisão. Por outro lado, se estiver a suscitar contenda ou a causar divisão de forma legítima, deve falar com essa pessoa, tentar argumentar com ela e orar para que ambos possam estar de acordo.
P: Em Mc 9,42, o que acha que há de tão grave em levar as criancinhas a pecar?
R: Embora a sociedade daquela época muitas vezes menosprezasse as crianças, Marcos 9:42 afirma que seria melhor para alguém nunca ter nascido do que levar uma criança a pecar. Quando olhar para uma criança pequena, que pode agir de forma tola e que não sabe grande coisa, lembre-se de que Deus se preocupa tanto com elas como com um adulto, e que são igualmente importantes aos olhos de Deus.
O evangelista D.L. Moody disse uma vez a alguém que duas pessoas e meia tinham sido salvas numa reunião. A pessoa perguntou-lhe: «Quer dizer, dois adultos e uma criança?» «Não», respondeu Moody, «duas crianças e um adulto.»
P: Em Mc 9,48, por que razão os vermes não morreriam no Inferno?
R: A metáfora de Jesus não se refere a pequenos animais, mas sim à decomposição e à destruição do Inferno. O livro «When Critics Ask», p. 372, dá uma resposta diferente. Uma vez que diz «o seu verme» e não «o verme», trata-se de uma metáfora do corpo físico de alguém que vai para o Inferno.
P: Em Mc 9,49, o que significa «salgado com fogo»?
R: Existem três interpretações principais sobre a quem este versículo se refere
Os crentes, que passam por sofrimento e purificação
Os perdidos, que vão para o Inferno
Todos aqueles que são postos à prova e julgados. Esta interpretação pode abranger as outras duas.
Em conclusão, os versículos 43-48 falam do Inferno, e o versículo 50 refere-se aos crentes. O versículo 49 é uma transição, e a expressão «todos» refere-se tanto aos perdidos mencionados imediatamente antes, como aos crentes mencionados imediatamente a seguir.
P: Em Mc 9,49-50, de que forma «ser salgado com fogo» se relaciona com «perder o seu sabor»?
R: Os fariseus daquela época defendiam que Israel era o sal entre as nações, com o objetivo de as purificar. O sal era um conservante importante. A expressão «salgado com fogo» significa conservar os alimentos através do fogo, como, por exemplo, secar frutos. Se até o fogo pode ter um efeito conservante, o sal pode perder grande parte do seu efeito conservante se for lixiviado com água ou se for diluído com outras substâncias.
P: Em Mc 10,1-2 e Mt 19,3-9, o que ensina Jesus sobre o divórcio?
R: Antes de responder à pergunta, devemos primeiro compreender o que Jesus ensinou sobre o casamento.
O casamento, em Marcos 10:7 e Génesis 2:24, consiste em dois se tornarem uma só carne. Quando um jovem ou uma jovem está prestes a casar-se, deve compreender que, em consequência disso, será uma pessoa diferente. No mínimo, um estudo realizado nos Estados Unidos revela que os homens casados, em média, vivem um pouco mais do que os que nunca se casaram. Mais importante ainda, o seu cônjuge pode — e provavelmente irá — fazer muito para o aproximar de Deus ou afastá-lo d’Ele. O casamento não consiste apenas em estar apaixonado ou em ter sentimentos, mas sim num compromisso perante Deus e perante os outros. É como se, metaforicamente, já não fossem dois organismos, mas sim apenas um.
Dividir o «organismo» não é natural e não é algo que Deus deseje. Embora seja permitido divorciar-se do cônjuge se este cometer imoralidade sexual, conforme Mateus 19:9, não é necessariamente obrigatório fazê-lo. Paulo ensina que não é permitido divorciar-se de alguém por esta ter ou ter adquirido uma fé diferente, mas, se for o cônjuge a iniciar o divórcio, é permitido aceitá-lo, conforme 1 Coríntios 7:12-15.
E se o cônjuge se tornar toxicodependente? É difícil imaginar alguém a cair nesta situação e ser um cristão genuíno. Mas, independentemente disso, nesta situação difícil, se não estiver disposto a parar, pode denunciá-lo à polícia. Se for um não crente e desejar divorciar-se de si depois disso, então tudo bem.
E se o cônjuge ameaçar com violência contra si ou contra a família? O mais prudente a fazer é separar-se por razões de segurança e, mais uma vez, é difícil imaginar alguém a agir assim e a ser um cristão genuíno. Esta é também uma situação difícil. Por vezes, poderá ser melhor denunciá-lo à polícia.
P: Em Mc 10,1-2, por que razão acha que os fariseus perguntaram a Jesus sobre o divórcio neste contexto?
R: Pode ter sido por uma ou mais de três razões, e nenhuma delas era que o fariseu fosse seguir uma opinião específica por causa do que Jesus dissesse.
1) Verificar se Jesus se aproximava mais da escola de Hillel, que permitia o divórcio, ou da escola de Shammai, que não o permitia, exceto em caso de adultério. Entre os seguidores do famoso rabino judeu Hillel, o divórcio era permitido na Mishná Gittin 1:1-3; 7:2.
2) Verificar se Jesus ensinaria algo diferente do que está no Antigo Testamento, em Deuteronómio 24:1-4 (e Jesus ensinou).
3) Esperar que Jesus se pronunciasse contra o divórcio, o que o levaria a criticar o governante Herodes Antipas e a sua esposa Herodias, que já se tinham divorciado. A esposa não podia dar início ao divórcio ao abrigo da lei judaica, mas podia fazê-lo ao abrigo da lei romana, como Herodias fez. Jesus encontrava-se, na altura, na Peréia, que era governada por Herodes Antipas.
P: Em Mc 10,5, por que razão Deus, por intermédio de Moisés, permitiria certas coisas devido à dureza dos seus corações?
R: Embora Deus não precise de se adaptar a nós e aos nossos corações endurecidos, por vezes Deus opta por fazê-lo. Nos tempos do Antigo Testamento, a maioria dos crentes não tinha o Espírito Santo a habitar neles. Mas nos tempos do Novo Testamento, com o Espírito Santo a habitar em nós e a lei gravada nos nossos corações, temos aqui um padrão mais elevado do que os santos do Antigo Testamento.
P: Em Mc 10,13, por que razão os discípulos repreenderam as pessoas por levarem as suas criancinhas a Jesus?
R: Os discípulos agiram mal ao fazê-lo. Talvez tenham raciocinado erroneamente que, uma vez que as crianças não conseguiam compreender intelectualmente os ensinamentos de Jesus como os adultos, não deviam fazer perder tempo a Jesus. Jesus não se limitou a corrigir, mas repreendeu aqueles que, por sua vez, tinham repreendido os outros indevidamente.
De acordo com o «Believer’s Bible Commentary», p. 1346, George MacDonald afirmou que não acreditava no cristianismo de um homem se nunca se vissem rapazes ou raparigas a brincar à sua porta.
P: Em Mc 10, 13-15, por que razão Jesus quis que as crianças se aproximassem Dele?
R: A única razão que Jesus indicou foi «a estes pertence o reino de Deus». Jesus estava a usar as crianças como uma lição prática, para nos mostrar que todos temos de ter a humildade e a receptividade das crianças para nos aproximarmos de Deus. Não podemos aproximar-nos de Deus com orgulho, mas temos de admitir que, por nós próprios, não somos suficientes. Temos de estar dispostos a admitir que Deus sabe mais do que nós, que precisamos Dele e que estamos dispostos a crescer.
Além disso, sem dúvida que Jesus gostava de crianças e via que o valor da alma de uma criança era o mesmo que o de um adulto. Jesus seria um excelente professor de catequese para crianças!
P: Em Mc 10,18 e Lc 18,19, Jesus não era «bom», uma vez que questionou o homem que O chamava de bom?
R: Jesus é bom em todos os sentidos da palavra. Jesus questiona alguém que O chama de bom, quando esse homem ainda não reconhecia que Jesus era o Messias e parecia usar o termo «bom» com demasiada facilidade.
Da mesma forma, em João 8:7, quando Jesus disse aos acusadores da mulher pecadora: «Quem de vós estiver sem pecado, que atire a primeira pedra», Jesus não atirou nenhuma pedra, mas isso não prova que Jesus tivesse pecado. Jesus estava isento de pecado, de acordo com Hebreus 4:15.
P: Em Mc 10,18 e Lc 18,19, Jesus pergunta: «Por que Me chamais bom? … Ninguém é bom, senão só Deus.» Uma vez que Jesus não estava a negar a Sua própria bondade nem a Sua divindade, o que é que Ele estava a dizer?
R: Jesus está a fazer uma pergunta sucinta que, à primeira vista, parece muito simples: por que razão O chamam de bom? Três pontos simples e, em seguida, alguma discussão.
a) Jesus não afirmou nem negou que fosse bom nesta passagem. (Outras passagens indicam-nos, no entanto, que Ele o era.)
b) Jesus limitou-se a fazer uma pergunta. Ele não afirmou nem negou que fosse Deus neste contexto. (Outros passagens, porém, indicam-nos que Ele o era.)
c) Jesus parecia profundamente interessado no que este homem estava disposto a afirmar e no que ele acreditava.
Passemos agora a esta discussão, e depois veremos o que o senhor afirma e está disposto a acreditar.
Ninguém mais nos evangelhos, fosse crente ou não, foi alguma vez registado a chamar a Jesus de «bom mestre». Estaria o questionador a ser meramente cortês e lisonjeiro, ou — como perguntou Jesus — estaria ele a afirmar mais do que isso?
O que é uma «pessoa boa», aos olhos de um Deus Santo? Será que um cobrador de impostos pecador, que enganou muitos ao longo de toda a sua vida, mas clama para que Deus tenha misericórdia dele, é bom? Não, ele está arrependido do seu mal, mas continuava a ser mau. Por outro lado, seremos nós melhores do que esse cobrador de impostos? Não. Pelos padrões de Deus, chamar «bom» a qualquer mero homem na Terra é uma falsa presunção.
Aliás, o que é o bem? Algo é bom quando as pessoas votam a favor, quando a sociedade o aceita ou quando uma pessoa pensa, na sua própria mente, que é bom, embora as outras pessoas pensem de forma diferente? Não, não temos qualquer padrão de bondade, exceto Deus e aquilo que Ele declara ser bom. Ninguém é, em última análise, bom, exceto Deus.
Tendo em conta tudo isto, afirma o senhor que Jesus era bom?
P: Em Mc 10,18 e Lc 18,19, era Jesus Deus, uma vez que ninguém era bom, a não ser somente Deus?
R: Jesus não disse ao homem, neste contexto, se era ou não Deus. Em vez disso, estava a dizer que o homem estava a usar a palavra «bom» de forma um tanto leviana. Deus é a fonte da bondade, a definição da bondade, e todas as coisas menores a que chamamos de boas são simplesmente sombras da bondade de Deus.
Sabem, cristãos, judeus, muçulmanos e até mesmo os idólatras romanos que matavam cristãos estavam todos a tentar ser bons, pelo menos tal como entendiam o que era o bem. Pode ser um choque para muitos ocidentais, mas nem todas as religiões partilham esta visão de que se deve tentar fazer o bem. No hinduísmo, muitos procuram alcançar a iluminação, a verdadeira compreensão, ao experimentarem tanto o bem como o mal. É por isso que, se um homem religioso hindu desviar fundos ou roubar, alguns poderão ficar chocados com a sua alegada hipocrisia, mas isso pode não ser hipocrisia de todo. Para ele, pode ser que não haja qualquer conflito entre tentar alcançar a iluminação, a consciência cósmica ou o que quer que seja, e o desejo de experimentar o mal. Nem todos os hindus concordariam, no entanto; alguns dariam mais ênfase ao «karma».
P: Em Mc 10,18 e Lc 18,19, como é que as pessoas do passado aplicavam estes versículos?
R: Trata-se de um par de versículos «multifacetados» que têm várias aplicações válidas.
Exemplo para nós
Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.), na obra «Quem é o Homem Rico que Será Salvo?», cap. 4, p. 592, utiliza esta passagem para mostrar que devemos ser bons e dar aos pobres, em vez de confiarmos nas riquezas.
Tertuliano (198-220 d.C.) afirmou que Deus é bom e tem misericórdia e que, da mesma forma, convém que sejamos bons, tenhamos misericórdia dos outros e sejamos pacificadores. («Sobre a Modéstia», cap. 2, p. 75)
Contra o gnosticismo
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) afirma que, uma vez que Jesus se referiu ao Pai como «bom», Ele é verdadeiramente bom. (Irineu, *Contra as Heresias*, livro 1, cap. 20, p. 345)
Hipólito, aluno de Irineu (225-235/6 d.C.), da mesma forma, na obra «Refutação de Todas as Heresias», livro 5, capítulo 2, p. 50, e livro 7, capítulo 20, p. 113, recorre a este argumento para provar que Marcião e o gnosticismo estão errados. Se o Pai que criou as coisas é bom, então todo o gnosticismo e a heresia de Marcião caem por terra.
Os ebionitas reconhecem Jesus como o Filho do Pai, mas limitavam-se a afirmar que Jesus era Deus, por assim dizer. Uma vez que também insistiam em seguir as práticas do Antigo Testamento, pode imaginar-se que se opunham veementemente aos gnósticos, que afirmavam que o Deus do Antigo Testamento era mau ou estava equivocado. Na Homilia Clementina 3 (data incerta), cap. 57, pp. 248-249, também utilizaram este versículo contra aqueles que chamavam ao Deus do Antigo Testamento «maligno». No entanto, na literatura clementina e em todos os escritos ebionitas que se conservaram, nunca utilizaram este versículo para negar que Jesus era Deus.
Contra a idolatria
Orígenes (225-254 d.C.) afirma que, se Cristo se submeteu a Deus Pai, quanto mais o sol se recusaria a que alguém se curvasse e o adorasse. Orígenes acrescenta ainda que devemos orar à Palavra de Deus e, mais ainda, ao Seu Pai. (Contra Celso, livro 5, cap. 15, p. 548)
A Divindade de Cristo
Novatiano (250/254-256/7 d.C.) «Além disso, o próprio Senhor: “Por que me perguntas sobre o que é bom? Só Deus é bom.” … “mas nas mesmas Escrituras também se afirma que Cristo é bom. Não há, portanto, se concluírem corretamente, um único bem, mas sim dois bens. Como é que, então, de acordo com a fé das Escrituras, se diz que há apenas um bem? Mas se eles não consideram que possa, de forma alguma, interferir com a verdade de que há um único Senhor, que Cristo também é Senhor, nem com a verdade de que há um único Mestre, que Paulo também é nosso mestre, nem com a verdade de que há um único bem, que Cristo também é chamado de bom; com base no mesmo raciocínio, que compreendam que, do facto de Deus ser um, não decorre qualquer obstáculo à verdade de que Cristo também é declarado Deus.» (Sobre a Trindade, cap. 30, p. 642-643)
Contra o arianismo
Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.) escreveu que, quando os arianos invocam Isaías 65,16; Marcos 10,18; 1 Timóteo 6,15, isso não deixaria qualquer verdade, bondade ou poder ao Filho.
Gregório de Nissa (382-383 d.C.) escreveu: «É fácil, contudo, demonstrar que nem mesmo a palavra “um” separa o Pai do Filho. … Pois Ele diz: “Eu e o Pai somos um.” [João 10:30] Se, então, o bem é um, e se se contempla um tipo específico de unidade no Pai e no Filho, segue-se que o Verbo, ao atribuir a bondade ao «um», reivindicou, sob o termo «um», o título de «bom» também para Si mesmo, que é um com o Pai e não está separado da unidade da natureza.» Contra Eunómio, livro 11, cap. 2, pp. 232-233, em Padres Nicenos e Pós-Nicenos, Segunda Série, vol. 5.
P: Em Mc 10,19, por que razão Jesus mencionou apenas seis dos Dez Mandamentos?
R: Jesus não estava a ser exaustivo nesta ocasião, mas apenas a dar exemplos. A falta de verbosidade de Jesus neste contexto não constitui uma desculpa para negar o que tanto Jesus como os Seus apóstolos ensinaram noutros passagens.
P: Em Mc 10, 21-22 e Lc 18, 20-23, por que razão Jesus disse ao homem para vender todos os seus bens?
R: Aparentemente, o homem amava a sua riqueza tanto quanto amava a Deus, e Jesus disse-lhe que tinha de fazer algo a esse respeito.
P: Marcos 10:21-22 ensina também que todos devem vender todos os seus bens?
R: Não, porque, tanto quanto sabemos, Jesus não disse a mais ninguém para vender os seus bens. Até o Paulo tinha bens pessoais, como o seu manto, em 2 Timóteo 4:13. Em Atos 5:4, quando Ananias foi punido, diz-se especificamente que não foi punido por ter guardado parte do seu próprio dinheiro, mas sim por ter mentido a Deus e afirmado que não tinha guardado nada do dinheiro. O «Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento», p. 151, afirma essencialmente o mesmo.
No entanto, este versículo continua a ser um desafio para nós hoje em dia. Quando a escolha se resumiu a Cristo ou às riquezas, este homem, que de resto parecia bom, não se mostrou disposto a escolher Cristo em detrimento das riquezas. Se e quando alguém se comportar assim hoje em dia, essa pessoa foi amaldiçoada com demasiado dinheiro. Leia Provérbios 30:7-9 para mais informações.
Quando decidir quanto doar à obra de Deus, o «Believer’s Bible Commentary», p. 1347, ao analisar Marcos 10, fornece uma lista de aspetos que poderá querer ter em conta.
1. Milhares de pessoas morrem diariamente de fome
2. Um grande número de pessoas nunca ouviu as boas novas.
3. O nosso dinheiro pode ser utilizado para ajudar a suprir estas necessidades.
4. Cristo ensina-nos que devemos tornar-nos pobres para que outros se tornem ricos (2 Coríntios 8:9).
5. Uma vez que a nossa vida na Terra é tão curta, quando Jesus vier já será tarde demais.
P: Em Mc 10,23-24, é impossível que as pessoas prósperas se aproximem de Jesus?
R: Há apenas uma resposta, mas esta tem duas partes.
Não. As pessoas que possuem riqueza podem sempre aproximar-se de Deus. Abraão era muito rico, tanto segundo os padrões antigos como os modernos. No entanto, as pessoas ricas têm de estar dispostas, a qualquer momento, a abdicar, por Deus, daquilo que lhes é mais precioso — tal como Abraão fez com o seu filho Isaac.
Sim: Se os seus bens ou a sua riqueza o dominam, e se ama o dinheiro mais do que a Deus, terá de escolher entre um ou outro, e o seu destino eterno depende dessa escolha.
É também curioso que isto surja logo a seguir à parte sobre as criancinhas. O «Believer’s Bible Commentary», na página 1347, observa que «os cristãos que acumulam tesouros na terra geralmente pagam pela sua desobediência nas vidas dos seus filhos».
P: Em Mc 10,29, será que todos aqueles que deixaram tudo para seguir Jesus têm garantidas estas bênçãos, ou não ganham nada se fizerem isso mas não tiverem amor, como diz 1 Cor 13,2?
R: Jesus faz aqui a promessa, mas as condições estão implícitas. Basta seguir e continuar a seguir Jesus. É necessário amar a Deus e aos outros para seguir Jesus, e não se pode amar a Deus se não se amar as outras pessoas.
É curioso que seja apenas aqui, nos evangelhos sinópticos, que Jesus se dirija aos discípulos como «filhos». Isto acontece logo a seguir a Jesus os ter repreendido por não deixarem as crianças aproximarem-se Dele.
P: Podem Marcos 10,29-30 e Lucas 18,29-31 ser interpretados como uma promessa de prosperidade financeira nesta vida?
R: Não. Esta promessa destinava-se aos primeiros cristãos tanto quanto a nós. Não podemos esperar mais garantias de prosperidade financeira do que Paulo, os outros apóstolos e os primeiros cristãos, que eram principalmente escravos e pobres. O livro «When Cultists Ask», pp. 135-136, acrescenta que este versículo não se refere a riquezas, mas sim à família e ao lar.
P: Em Mc 10,30, como é que obtemos todas estas coisas nesta vida?
R: Cada um de nós, individualmente, não possui 100 casas e 100 campos como bens pessoais. Cada um de nós não tem 100 irmãos e irmãs biológicos e 100 mães biológicas como familiares. Pelo contrário, como irmãos e irmãs num único corpo — a igreja —, temos coletivamente todas estas coisas para partilhar uns com os outros, tal como mostra Marcos 3:33-35.
P: Em Mc 10,30, o que há de curioso numa destas recompensas?
R: Podem ser agrupadas em cinco categorias: casas, família, terras, perseguição e vida eterna. A maioria das pessoas não deseja uma destas: a perseguição. Mas precisamos de compreender que a perseguição também é uma recompensa. Os primeiros cristãos compreenderam isso, como demonstra Atos 5:41.
P: Em Mc 10,34, Jesus iria ressuscitar no terceiro dia ou após três dias?
R: Os manuscritos de Marcos apresentam variações.
Após três dias: Sinaítico, Vaticano, Ephraemi Rescriptus, Bezae Cantabrigiensis, copta sahídico, copta boairico
No terceiro dia: Alexandrino, Lecionário Bizantino, Gótico, Arménio, Etíope, Georgiano, Orígenes.
P: Em Mc 10,35-37, foram Tiago e João que se dirigiram a Jesus para lhe pedir que se sentassem à sua direita e à sua esquerda, ou foi a mãe deles, em Mt 20,20?
R: O cético «Asimov’s Guide to the Bible», na página 858, coloca esta questão. A resposta encontra-se no próprio Mateus 20:20, onde se diz que a mãe deles se aproximou «com os seus filhos». Estavam juntos quando o pedido foi feito a Jesus.
Josefo, em *Antiguidades dos Judeus*, livro 6, 11.9, mostra que o lugar à esquerda era o segundo mais importante, a seguir ao lugar à direita, de acordo com *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 152.
P: Em Mc 10,36.51, por que razão as pessoas querem que Jesus faça algumas coisas por elas, mas não outras?
R: Ainda hoje, alguns crentes querem fazer de Jesus o Senhor de parte das suas vidas, mas mantêm o controlo sobre outras partes. Trata-se de uma falta de fé em confiar que, se fizerem de Jesus o Senhor de toda a vossa vida, esta será melhor. Não se pode ter apenas um pouco de Jesus como Senhor.
P: Em Mc 10,38, de que cálice e batismo estava Jesus a falar?
R: O cálice e o batismo não se referiam à Ceia do Senhor nem ao batismo com água (Jesus já tinha sido batizado por João). Em vez disso, Jesus estava a referir-se ao que estas coisas representavam. O sangue de Jesus estava prestes a ser derramado na cruz, o que o cálice simboliza, e Jesus estava prestes a ser sepultado e a ressuscitar, o que o batismo simboliza.
P: Em Mc 10,38-40, uma vez que Jesus lhes disse primeiro o preço a pagar para que o seu pedido fosse concedido e, em seguida, [supostamente] recusou o pedido, por que razão tiveram ainda assim de pagar esse preço?
R: Jesus não recusou o pedido deles, mas disse que não lhe cabia a Ele concedê-lo ou recusá-lo. Em seguida, Jesus disse-lhes o que iriam fazer, mas deixou a concessão desse privilégio a cargo do Pai.
Este é um excelente versículo para demonstrar um ponto sobre a Trindade. Embora o Pai e o Filho sejam inseparavelmente um, este versículo prova que existe uma distinção entre eles, em contraste com o modalismo, tal como o pentecostalismo da Unidade e a igreja local têm ensinado.
P: Em Mc 10,45, a morte de Jesus na cruz foi um resgate por todas as pessoas, ou apenas por algumas e não por outras?
R: Eis o que a Bíblia afirma sobre os aspetos universais e limitados.
Aspectos universais:
Ordenou que todos obedecessem ao Evangelho (Atos 17:30; 2 Tessalonicenses 1:8)
Quem n’Ele crer (João 3:16)
Apareceu a todos (Tito 2:11)
Deus deseja que todos sejam salvos (1 Timóteo 2:4)
Resgate para todos os homens (1 Timóteo 2:6)
Oferecido [de forma honesta e sincera] a todos (Atos 2:38-40, Hebreus 4:2)
Sacrifício expiatório para o mundo inteiro (1 João 2:2)
Jesus atrairá todos os homens para Si (João 12:32)
Aspetos definitivos:
Ninguém pode vir a Jesus, a menos que o Pai o atraia (João 6:65)
Deus pode optar por conceder misericórdia a alguns, como a Jacó, que não concede a outros, como a Esaú, embora continue a ser justo para com todos (Romanos 9:14-18).
O Evangelho não tem valor para aqueles que não o combinam com a fé (Hebreus 4:2).
Os fariseus rejeitaram o desígnio de Deus para si próprios (Lucas 7:30).
Alguns negaram o Senhor que os resgatou (2 Pedro 2:1). A palavra para «Senhor» é «despotes» e é a mesma em Judas 4, onde se refere a Jesus.
Deus não apenas previu que as pessoas aceitariam, mas previu cada indivíduo que aceitaria. Deus escolheu (predestinou) aqueles que aceitariam.
Se pensar bem, todos os cristãos — quer sejam não-calvinistas, quer sejam calvinistas — deveriam concordar que existem aspetos tanto universais como definitivos do resgate. Mas isto não ignora uma diferença fundamental entre calvinistas, arminianos e outros não-calvinistas.
A diferença fundamental entre o calvinismo e o não-calvinismo (incluindo o arminianismo wesleyano, o chamado «calvinismo de 4 pontos» e tudo o que se situa entre ambos) reside em saber se o Deus todo-poderoso, soberano, amoroso e justo escolheu que aqueles que vão para o Inferno fossem:
Não-calvinista: Casos perdidos, em que Deus concedeu livremente a todos o que era necessário para irem para o Céu, mas a salvação de Jesus não conseguiu salvar alguns. Estes perderam-se por culpa própria, devido ao seu livre arbítrio.
Calvinista: Condenação desejada, pois a salvação de Jesus foi eficaz para 100% daqueles a quem se destinava, e Deus escolheu livremente não proporcionar qualquer caminho de salvação aos demais. Nunca houve uma única coisa que os réprobos pudessem fazer, ou quisessem fazer, para alterar o desejo de Deus de que não tivessem qualquer oportunidade de escapar, de acordo com a vontade secreta de Deus.
Não-calvinista: Se a salvação é potencial para todos e ineficaz para alguns, então seria ineficaz porque alguns poderiam rejeitá-la ou porque seria também necessário combiná-la com a fé. Os não-calvinistas afirmam que é exatamente isto que Lucas 7:30 e Hebreus 4:2 dizem. Os calvinistas responderiam que isto faria com que a salvação dependesse, em parte, do homem e tornaria a fé quase uma obra necessária para a salvação. Os não-calvinistas responderiam que o calvinismo confunde a salvação como dom gratuito, que provém de Deus, com a aceitação desse dom gratuito da salvação, que é da responsabilidade do homem. A fé não é uma obra, como demonstra Efésios 2:8-9, e alguns calvinistas não deveriam seguir os católicos ao tentarem equiparar as obras de mérito à «virtude vazia» da fé e ao reconhecimento da nossa impotência perante Deus.
Calvinista: Se a salvação é apenas potencial para alguns e é efetiva para todos aqueles para quem é potencial, então nunca houve qualquer oportunidade para alguns. O incómodo das «causas perdidas» é resolvido, mas à custa da perda do amor e de uma justiça inexplicável. Em 2 Tessalonicenses 1:8, Deus responsabilizaria as pessoas por não obedecerem a um evangelho que Deus nunca lhes deu para que obedecessem. Uma pessoa no Inferno poderia dizer: «Vim para cá porque acreditei que Deus não me amava o suficiente, que Jesus não morreu pelos meus pecados, que Deus, em última análise, quis que eu continuasse a ser um pecador maléfico, e estou aqui porque acreditei na verdade.» Uma pessoa réproba poderia muito bem tentar encontrar a salvação através da última seita da moda, porque a oportunidade de encontrar a salvação e o amor de Deus através dessa seita é tão grande para ela como encontrá-la através do cristianismo.
P: Em Mc 10,51, por que razão Jesus perguntou ao cego o que este queria que Ele fizesse por ele?
R: Jesus quer que Lhe peçamos, mesmo sabendo o que queremos. É claro que, por vezes, o que queremos e o que é melhor nem sempre são a mesma coisa. O cego teve de pedir especificamente a visão, e Jesus concedeu-lhe esse pedido depois de ele o ter feito. Por vezes, Deus espera para conceder os nossos pedidos hoje, até que Lhos peçamos especificamente.
A título de nota, a expressão «Filho de David» também era considerada messiânica nos Salmos de Salomão pré-cristãos.
P: Em Mc 10,51, quando um judeu cego conseguiu ver o que os fariseus com visão não conseguiam, que outros exemplos existem em que um excesso de informação pode cegar alguém para o que é óbvio?
R: É interessante refletir sobre o motivo pelo qual judeus que viam perfeitamente podiam estar cegos quanto ao facto de Jesus ser o Messias, depois de terem testemunhado todos aqueles milagres, enquanto um judeu cego conseguia perceber que Jesus era o Messias. Há outras ocasiões em que o excesso de informação pode tornar alguém cego para o que é óbvio. Mesmo sendo cego, Bartimeu conseguia ainda assim ver mais coisas importantes do que os fariseus.
P: Em Mc 10,52, por que razão foi a fé do homem, e não a fé de Jesus, que o curou?
R: Neste último milagre relatado em Marcos, é interessante que Jesus tenha afirmado especificamente que foi a fé do homem que o curou. Embora Deus não esteja limitado a agir por meio da nossa fé, Ele opta frequentemente por agir por meio dela, como demonstram Efésios 2:8 e Romanos 4:3,16.
P: Em Mc 10,52, por que razão disse Jesus que ele estava «curado», em vez de dizer simplesmente que conseguia ver?
R: Não só os seus olhos e outras partes do corpo funcionavam normalmente, como o homem que antes era cego estava agora espiritualmente completo em Cristo.
P: Em Mc 11, 8-10, por que razão colocaram os seus mantos e ramos de palmeira no chão, à frente do jumento?
R: Este costume era um sinal de grande respeito e admiração. Talvez fosse semelhante à antiga cavalheirice europeia, em que um homem colocava o seu casaco sobre uma poça de lama para que uma dama da realeza pudesse pisar o casaco e atravessar a poça.
P: Em Mc 11,8-10, como lida com pessoas que querem louvar e servir a Deus quando sabe que têm preconceitos muito errados sobre Ele?
R: À primeira vista, parecem estar salvas, mas podem não estar. Podem ainda encontrar-se na fase anterior à obtenção da nova vida em Cristo. Algumas podem rejeitar Jesus assim que perceberem que Ele pode não corresponder às suas suposições a respeito Dele. Deve corrigir gentilmente as suas noções erradas e orar por elas. Não queremos que as pessoas se aproximem de Cristo sob falsos pretextos.
P: Em Mc 11,13, uma vez que ainda não era época de figos, será que Jesus, nos Evangelhos, desconhecia a estação do ano, como afirma Ahmad Deedat?
R: Não, Deedat não compreendeu de todo o que se tratava aqui. A figueira representava Israel, e esta era uma profecia de que a nação representada pela figueira ficaria sem frutos e murcharia espiritualmente.
P: Em Mc 11,13, 23 e 30, uma vez que alguém com fé poderia mover montanhas, por que razão não poderia Jesus fazer com que uma figueira desse frutos?
R: Jesus poderia tê-lo feito, mas optou por não o fazer. Não eram os figos nem as figueiras que preocupavam Jesus; Jesus estava a ensinar os discípulos, neste caso. A figueira era uma representação da nação de Israel, e Jesus amaldiçoou a figueira para mostrar o que lhes aconteceria se, tal como a figueira, não produzissem frutos de fé quando Jesus viesse ter com eles.
P: Em Mc 11,14, como é que algumas pessoas parecem que seriam muito úteis e frutíferas, mas acabam por ser inúteis?
R: A figueira ocupava espaço onde outras figueiras poderiam ter crescido. Os trabalhadores agrícolas cuidavam e cultivavam a figueira. Regavam-na e, talvez, fertilizavam-na, com a expectativa de que a figueira também lhes retribuísse, fornecendo-lhes figos. Algumas pessoas só querem receber e nunca retribuem.
Talvez algumas não consigam retribuir espiritualmente, porque não têm vida espiritual dentro de si. Professavam ser frutíferas, mas, na verdade, não o eram. Havia a promessa de fruto, sem cumprimento.
No entanto, em termos materiais, há pessoas que precisariam da vossa ajuda, mas que são incapazes de alguma vez retribuir ou recompensar o vosso trabalho. Mas devemos amá-las e ajudá-las na mesma.
P: Em Mc 11,15-18 e Lc 19,45-46, por que razão as autoridades judaicas não prenderam imediatamente Jesus, um forasteiro com um chicote?
R: Há quatro pontos a considerar na resposta.
1. As multidões tinham acabado de louvar Jesus como o Messias na Entrada Triunfal, em Mateus 21:1-11, bem como em Mateus 21:15-16; Marcos 11:1-10 e Lucas 19:28-40.
2. Jesus estava a curar milagrosamente as pessoas, e é difícil efetuar uma detenção no meio de uma multidão de pessoas que estão a ser curadas por Ele.
3. Antes disso, a multidão tinha ouvido dizer que Jesus tinha ressuscitado Lázaro dos mortos, segundo João 12:9-11, 17-19.
4. Mais importante ainda, devido às razões anteriores, Marcos 11:18 afirma que, embora os sacerdotes e os mestres procurassem uma forma de matar Jesus, temiam-No porque toda a multidão estava maravilhada com Jesus. Os sacerdotes não queriam um motim, nem a retaliação romana que isso provocaria. Lucas 19:47-48 refere algo semelhante e, em João 12:19, os fariseus lamentavam que, na sua opinião, o mundo inteiro estivesse a seguir Jesus.
P: Em Mc 11,16, por que razão Jesus não permitia que ninguém transportasse quaisquer vasos (panelas ou recipientes) no templo?
R: Jesus não estava a interferir com os sacrifícios legítimos, mas sim com aqueles que transportavam vasos cheios de dinheiro.
P: Em Mc 11,17, de que forma as pessoas no templo agiam como ladrões?
R: De, pelo menos, três formas:
Exploração de preços: Venderem coisas no templo a preços inflacionados.
Institucionalização: os sacerdotes não aceitavam animais com imperfeições, tais como um corte que pudesse ter ocorrido durante a viagem, pelo que as pessoas eram obrigadas a comprar os animais a preços inflacionados.
Roubar a Deus nas ofertas: Os vendedores e os fiéis estavam concentrados nas transações financeiras em vez de adorarem a Deus.
P: Em Mc 11,23, por que razão Jesus mencionou uma fé capaz de mover montanhas?
R: Jesus estava a ensinar que bastava um pouco de fé genuína no poder de Deus, aplicada à oração, para mover montanhas. A fé é como uma semente; pode crescer. Além disso, Jesus disse isto perto de Jerusalém e, nos últimos dias, o Monte das Oliveiras, a meia milha a leste de Jerusalém, será dividido em dois, de acordo com Zacarias 14:4.
P: Em Mc 11,23, Jesus prometeu conceder-nos absolutamente tudo o que pedirmos com fé?
R: Deus concede-nos tudo o que pedirmos, sujeito às seguintes condições:
Uma coisa: Deus não pode conceder uma «coisa» que não seja uma coisa, tal como uma contradição lógica, por exemplo, água que não seja molhada, um objeto móvel que não possa ser movido, etc.
Com fé: Deus não nos concederá o que for pedido com dúvida, conforme Tiago 1:6-7, nem o que for pedido, não por fé, mas para satisfazer as nossas paixões, de acordo com Tiago 4:3. Devemos pedir de acordo com a vontade de Deus, conforme 1 João 5:14. «Com fé» inclui permanecer em Deus e Deus permanecer em nós, conforme João 15:7.
Se perdoarmos: Marcos 11:25 acrescenta a condição. Bons dons: Antes de Marcos 11:23, Jesus ensinou que Deus é um bom pai, que nos dá coisas boas, e não más, conforme Mateus 7:9-11 e Lucas 11:11-13. Assim, por vezes, quando um crente obediente pede com fé, Deus responde «não» ou «espera», como no Livro de Jó; em Filipenses 2:25; em 2 Timóteo 4:20; e em 2 Coríntios 12:8-9.
P: Em Mc 11,25-26, se um cristão genuíno não perdoar, irá para o Inferno?
R: De certa forma, trata-se de uma questão irrelevante, porque um cristão genuíno perdoará. Nenhum verdadeiro cristão se recusaria a perdoar alguém, pois isso demonstraria que nunca tinha escolhido receber o perdão de Deus e, por conseguinte, não seria um verdadeiro cristão. Escusado será dizer que é muito importante perdoar a todos.
P: Em Mc 11, 29-33, por que razão Jesus não respondeu diretamente à pergunta sobre que autoridade Ele possuía?
R: Provavelmente pretendiam armar-Lhe uma armadilha. Se Jesus dissesse que tinha autoridade de Deus para entrar em Jerusalém, expulsar os cambistas e amaldiçoar a figueira, então acusariam Jesus de blasfémia. Se Jesus dissesse que a autoridade provinha dos homens, então não se tratava das autoridades romanas nem das do Templo. Mas Jesus não tinha qualquer obrigação de responder a quaisquer perguntas. Embora, em geral, Jesus respondesse às perguntas da maioria das pessoas, Ele não respondia diretamente às perguntas daqueles que não procuravam a Sua resposta, a não ser para tentar armar-Lhe uma armadilha. Jesus poderia simplesmente ter dito: «Não preciso da vossa autoridade, porque tenho a autoridade do Pai, como comprovam as muitas curas que estou a realizar.» Na verdade, porém, eles já podiam ter percebido isso.
P: Em Mc 11, 29-33, em que circunstâncias não devemos responder à pergunta de alguém, mesmo quando sabemos a resposta?
R: Em suma, quando não querem saber a verdade. Se não conseguiam aceitar o que já sabiam sobre João, então não precisam de ouvir a verdade sobre Jesus, porque, de qualquer forma, recusariam.
Se estiverem a perguntar apenas para nos colocar numa armadilha, devemos ter cuidado com o que dizemos. Se não estiverem a tentar colocar-nos numa armadilha, mas a perguntar por alguma outra razão — em vez de não quererem realmente saber —, não temos de responder. Se alguém lhe fizer alguma pergunta sobre Deus ou a Bíblia, e suspeitar que possa ser uma «manobra de diversão» que serve apenas para desviar a atenção de ter de lidar com a verdade, pode fazer-lhes esta pergunta. Se eu respondesse a esta pergunta de forma a satisfazê-lo, isso aproximá-lo-ia de aceitar Jesus como seu Senhor e Salvador pessoal? Se a resposta for «não», então parabéns, acabou de descobrir uma manobra de diversão. Nesse caso, pode então perguntar: «O que o aproximaria de aceitar Jesus como seu Senhor e Salvador?»
P: Em Mc 12,1-9, qual é o significado desta parábola?
R: Deus concedeu a terra, a Terra Prometida, aos judeus. No entanto, estes não prestaram a Deus a obediência, a adoração exclusiva, os dízimos e os sacrifícios que Ele ordenara. Ele enviou-lhes profetas, que eles maltrataram e mataram. Por fim, Deus enviou o Seu Filho, Jesus, a quem eles acabariam por matar. Existe aqui alguma semelhança com a alegoria da vinha do Senhor em Isaías 5:1-7.
A razão pela qual os lavradores afirmaram que se tornariam os proprietários deveu-se à lei judaica. Se o proprietário e os seus herdeiros fossem mortos, os possuidores da terra seriam os primeiros a herdá-la, de acordo com a Mishná Baba Bathra 3.3 e b Baba Bathra 54a.
P: Em Mc 12,6, por que razão se esperaria que os lavradores respeitassem o filho do proprietário?
R: Eles continuariam a respeitar o filho se
1. Tivessem algum respeito pela autoridade legítima, ou
2. Obedecessem à lei, ou
3. Tivessem a perspicácia para perceber que magoar o filho acarretaria uma retaliação certa, ou
4. Um temor saudável pelos soldados do senhor.
Só matariam o filho se a sua ganância pela vinha os tivesse cegado totalmente para a razão. É surpreendente, mas verdadeiro, que as pessoas possam ter tanta ganância que as suas decisões dão a entender que desejam dinheiro e prazer imediatos ainda mais do que estar vivas no dia seguinte.
Hoje em dia, é curioso ver como algumas pessoas, que de outra forma tomariam a melhor decisão, tomam uma decisão insensata devido à ganância. Na maioria das vezes, nem sequer se apercebem de como a ganância distorceu a sua capacidade de tomada de decisão — até muito mais tarde.
P: Em Mc 12,10 e Lc 20,17, o que é uma pedra angular?
R: Uma pedra angular é a primeira pedra sobre a qual se assenta a fundação.
P: Em Mc 12,10-11 e Lc 20,17-18, por que razão o povo/os construtores rejeitaram a pedra angular?
R: Não tinham respeito pela função nem pela importância da pedra angular. Em última análise, uma pessoa ou deseja fazer parte do mesmo edifício que Cristo está a construir, ou não. Não há meio-termo; não se pode fazer parte do edifício apenas a meio.
P: Em Mc 12, 13-17 e Lc 20, 21-25, Jesus não respondeu diretamente à pergunta sobre o pagamento de impostos?
R: Na verdade, sim. Tentaram enganá-lo perguntando se deviam ou não pagar impostos a César. Se Jesus tivesse dito «não», poderia ser preso pelos romanos por encorajar as pessoas a não pagarem impostos. Se Jesus tivesse dito «sim», as multidões que se ressentiam do domínio romano poderiam não ser tão amigáveis para com Ele.
Este imposto era exigido desde o ano 6 d.C. Uma vez que o imposto romano revertia para o tesouro romano, os zelotes recusavam-se a pagá-lo, pois isso reconhecia o direito romano de governar na Palestina. Os fariseus opunham-se ao seu pagamento, mas acabavam por o fazer na mesma. Os saduceus não tinham qualquer objeção ao seu pagamento. Assim, aqueles que colocaram a pergunta apenas pretendiam ver qual dos grupos Jesus iria alienar.
Jesus respondeu à pergunta, dizendo que devemos dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Jesus não especificou quais as coisas que pertenciam a César (Tibério, na altura), e eles não Lhe perguntaram.
P: Em Mc 12,19; Lc 20,27 e Atos 23,8, resumidamente, o que sabemos sobre os saduceus, também chamados herodianos?
R: Josefo afirma que os saduceus, os fariseus e os essênios eram os três grupos religiosos de Judá. Os saduceus surgiram aparentemente sob o reinado de João Hircano I (135-104 a.C.) e desapareceram quando o Templo foi destruído em 70 d.C. Eram chamados de herodianos no tempo de Jesus porque apoiavam a dinastia de Herodes como reis da Judeia.
Os saduceus negavam a existência de espíritos, anjos e a ressurreição do corpo, de acordo com Atos 23:8. Negavam toda a Mishná, o Talmude e outras tradições dos fariseus. Segundo Josefo, não viam necessidade de observar nada que não estivesse escrito na Torá e, segundo os primeiros escritores da Igreja, negavam todo o Antigo Testamento, exceto a Lei (Torá). No que diz respeito à própria Lei, os fariseus relataram exemplos de como discordavam em questões menores.
P: Em Mc 12,19 e Lc 20,27, quais são todas as evidências bíblicas e extra-bíblicas de que dispomos sobre os saduceus?
R: Aqui está praticamente tudo o que sabemos sobre os saduceus.
1. Os livros de 1 e 2 Macabeus apresentam uma história detalhada das lutas externas e internas durante o período em que os grupos dos fariseus e dos saduceus foram fundados.
2. Josefo refere-se aos saduceus em cinco passagens. As citações foram retiradas de Josefo: Obras Completas.
«Guerras dos Judeus» 2.8.2,14 (2a) (p. 476) «Pois existem três seitas filosóficas entre os judeus. Os seguidores da primeira são os fariseus; da segunda, os saduceus; e a terceira seita, que professa uma disciplina mais severa, é chamada de essênios.» [«Essênios» é a grafia utilizada no livro] (14f) [«Essens» é a grafia utilizada no livro] «Mas os saduceus são aqueles que compõem a segunda ordem, negam totalmente o destino e supõem que Deus não se preocupa com o facto de fazermos ou não o mal; e afirmam que agir bem ou mal é uma escolha dos próprios homens, e que uma ou outra opção pertence a cada um, para que possam agir como lhes aprouver. Eles também rejeitam a crença na imortalidade da alma e nas punições e recompensas no Hades. Além disso, os fariseus são amigáveis uns para com os outros e defendem a concórdia e o respeito pelo bem público. Mas o comportamento dos saduceus uns para com os outros é, em certa medida, selvagem; e a sua convivência com aqueles que pertencem ao seu próprio partido é tão bárbara como se fossem estranhos uns aos outros….” (Mais adiante, em «Antiguidades dos Judeus» 18.1.6, Josefo menciona uma quarta seita, que é semelhante aos fariseus, exceto pelo facto de lutarem pela liberdade. Refere-se aos zelotes.)
Antiguidades dos Judeus 13.5.9 Em contraste com os saduceus, os fariseus tendiam a não ser severos nas punições.
Antiguidades dos Judeus 13.10.6 Esta é, historicamente, a primeira menção aos saduceus, sob o reinado de João Hircano I, que era simultaneamente rei e sumo sacerdote (135-104 a.C.)
Antiguidades dos Judeus 18.1.4 «Mas a doutrina dos saduceus é a seguinte: que as almas morrem com os corpos; nem consideram a observância de nada além do que a lei [Torá?] lhes impõe; pois consideram um ato de virtude discutir com os mestres de filosofia que frequentam; mas esta doutrina é aceite apenas por poucos, embora por aqueles que ainda gozam da maior dignidade; contudo, eles são incapazes de fazer quase nada por si próprios; pois quando se tornam magistrados — como, por vezes, são obrigados a sê-lo contra a sua vontade e à força —, dedicam-se às noções dos fariseus, porque, de outra forma, a multidão não os toleraria.» (Josefo escreveu «Antiguidades dos Judeus» entre 93 e 94 d.C.)
«Antiguidades dos Judeus» 20.227 [9.1] menciona apenas um saduceu que foi sumo sacerdote. O seu nome era Hanan ben Hanan, e exerceu o cargo durante apenas três meses.
3. A Mishná contrasta os ensinamentos dos saduceus com os dos fariseus em, pelo menos, nove passagens. (As primeiras Mishnás foram escritas por volta de 200 d.C.) No entanto, estas são apresentadas da perspetiva dos fariseus, e não dispomos de escritos dos próprios saduceus. Assim, as diferenças decorrem da perspetiva do que era importante para os fariseus — pormenores menores sobre a lei — e não necessariamente do que era mais importante para os saduceus.
Baba Batra 115b — Quando um homem falecia sem filhos vivos, os fariseus afirmavam que apenas uma neta, e não uma filha, poderia herdar, enquanto os saduceus afirmavam que tanto as filhas como as netas poderiam herdar caso não houvesse filhos.
Baba Kamma 84a — Ao aplicar o princípio do «olho por olho», os fariseus aceitavam frequentemente uma compensação monetária em vez disso, ao passo que os saduceus não o faziam.
Megillah Ta’anit 1 — Enquanto os fariseus pretendiam que as oferendas fossem pagas pelo tesouro, os opositores dos fariseus pretendiam que o custo fosse coberto por oferendas voluntárias.
Megillah Ta’anit 4 — Tal como em Baba Kamma 84a.
Makkot 1:5-8 — Os fariseus pretendiam que todas as testemunhas falsas fossem condenadas à morte, enquanto os saduceus só condenavam à morte uma testemunha falsa se o seu testemunho já tivesse causado a execução do falsamente acusado.
Tosefta Parah, capítulo 3, e Parah — Os saduceus não praticavam todas as abluções dos fariseus, mas eram mais rigorosos no que diz respeito à pureza da novilha vermelha.
Tosefta Sanhedrin 6:6 — Os fariseus pretendiam que todas as testemunhas falsas fossem condenadas à morte, enquanto os saduceus só condenariam à morte uma testemunha falsa se o seu testemunho já tivesse causado a execução do falsamente acusado.
Yadaim 4:7 — Os saduceus ensinavam que o proprietário deveria ser responsável pelos danos causados por um escravo, tal como é responsável pelos danos causados pelo seu animal. Os fariseus ensinavam que o escravo deveria ser igualmente responsável, para que um escravo insatisfeito não colocasse o seu senhor em apuros.
Ye rushalmi Yevamot 1:6 — O casamento levirato destinava-se apenas a uma noiva, e não a uma mulher já casada.
4. Uma tradição rabínica (Abot Rabbi Natan 5) afirma que Zadok, um discípulo de Antígono de Soko, fundou o movimento dos saduceus.
5. O Novo Testamento refere-se aos saduceus de passagem.
Mateus 3:7 e seguintes — João Batista viu tanto saduceus como fariseus.
Não em Mateus 15:1 — Alguns fariseus e escribas dirigiram-se a Jesus. Uma vez que estas pessoas estavam preocupadas com o facto de os discípulos de Jesus não lavarem as mãos, é provável que não houvesse saduceus entre elas.
Mateus 16:1-6 — Tanto os fariseus como os saduceus pediram a Jesus um sinal do Céu.
Mateus 16:11-12 — Jesus diz para terem cuidado com os ensinamentos dos saduceus e dos fariseus. Obviamente, ensinavam coisas diferentes porque eram grupos distintos, mas Jesus não aprofundou as crenças de nenhum dos dois grupos neste versículo.
Mateus 22:23-34; Marcos 12:18-27; Lucas 20:27-39 — Os saduceus questionam Jesus sobre a ressurreição. De acordo com o Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 1501, a Mishná em Yerushalmi Yevamot 1:6 mostra que, uma vez que o casamento levirato se aplica apenas aos noivos aos olhos dos saduceus, a mulher só teria sido casada com o sétimo marido.
Atos 4:1-2 — Os fariseus, os sacerdotes e os saduceus uniram-se para se oporem aos apóstolos.
Atos 5:17-18 — Este texto regista que o sumo sacerdote, naquela altura, era um saduceu. (Josefo também afirma que o sumo sacerdote Ananias, o Jovem, era um saduceu.)
Atos 23:6-8 — Os saduceus não acreditavam na ressurreição, nem em anjos, nem em espíritos.
6. Escritos da Igreja Primitiva
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) «Pois escolho seguir não os homens nem as doutrinas dos homens, mas Deus e as doutrinas [transmitidas] por Ele. Pois se se deparou com alguns que se dizem cristãos, mas que não admitem esta [verdade] e se atrevem a blasfemar contra o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó; que afirmam que não há ressurreição dos mortos e que as suas almas, quando morrem, são levadas para o céu; não imaginem que eles são cristãos, assim como ninguém, se o considerasse devidamente, admitiria que os saduceus, ou seitas semelhantes como os genistas, os meristas, galileus, helenistas, fariseus ou batistas, sejam judeus (não me ouçam com impaciência quando vos digo o que penso), mas são [apenas] chamados de judeus e filhos de Abraão, adorando a Deus com os lábios, como o próprio Deus declarou, mas com o coração longe d’Ele. Mas eu e outros, que somos cristãos de mente reta em todos os aspetos, estamos convictos de que haverá uma ressurreição dos mortos e mil anos em Jerusalém, que então será construída, adornada e ampliada, [tal como] declaram os profetas Ezequiel, Isaías e outros.» Diálogo com Trifão, um judeu, cap. 80, p. 239
O *Diatessaron* de Tatiano (c. 172 d.C.), secção 34, p. 96, menciona a ressurreição de todos quando Jesus repreende os saduceus.
Hegesipo (170-180 d.C.) menciona onze grupos de falsos cristãos entre o povo: os de Simão, Cleóbio, Doriteu, Gortéu, Masboteu, Menandro, Marcião, Carpócrates, os valentinianos, os basílideanos e os saturnilianos. (vol. 8, p. 764). Ele menciona as seitas judaicas dos essênios, dos galileus, dos hemerobaptistas, dos masbothaei, dos samaritanos, dos saduceus e dos fariseus em «Sobre a Sua Viagem a Roma» e em «As Seitas Judaicas», vol. 8, p. 765.
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) «Pois o nosso Senhor e Mestre, na resposta que deu aos saduceus, que afirmam que não há ressurreição, e que desonram a Deus e menosprezam a autoridade da lei», Irineu, *Contra as Heresias*, livro 4, cap. 5.2, p. 466-467
Tertuliano (198-220 d.C.), em «Sobre a Ressurreição da Carne», capítulo 2, compara os hereges cristãos que negam a ressurreição física aos saduceus com quem Jesus teve de lutar.
Tertuliano (198-220 d.C.): «Os saduceus, que afirmavam que não havia ressurreição, numa discussão sobre esse assunto, tinham apresentado ao Senhor um caso jurídico relativo a uma certa mulher que, de acordo com a prescrição legal, se tinha casado com sete irmãos que tinham falecido um após o outro.» «Cinco Livros Contra Marcião», livro 4, cap. 38, p. 413. Tertuliano também escreveu noutros locais sobre os saduceus.
Hipólito (222-235/6 d.C.), em «A Refutação de Todas as Heresias», livro 9, capítulo 22, pp. 136-137, dedica um capítulo inteiro aos saduceus. Tal como afirma Josefo, eles afirmam que Deus não se interessa pelas questões terrenas. Negam a ressurreição da carne e afirmam que a alma não continua a existir após a morte. Ele também fornece outros pormenores que se encontram em Josefo. Para além de Josefo, Hipólito refere ainda que eles têm uma presença especialmente forte na Samaria. «No entanto, não dedicam atenção aos profetas, nem a quaisquer outros sábios, exceto à lei de Moisés, relativamente à qual, contudo, não formulam quaisquer interpretações.»
Orígenes (225-254 d.C.) «Os judeus tinham opiniões diferentes, algumas falsas, tais como as que os saduceus defendiam sobre a ressurreição dos mortos — de que estes não ressuscitam — e, no que diz respeito aos anjos, de que estes não existem, mas que as coisas que foram escritas sobre eles deviam ser interpretadas apenas figurativamente, não tendo qualquer realidade factual;» Comentário sobre Mateus, capítulo 20, p. 427. Orígenes afirma também que os samaritanos e os saduceus aceitam apenas os livros de Moisés, na obra «Contra Celso», livro 1. Orígenes escreveu ainda noutros locais sobre os saduceus.
Metódio (270-311/312 d.C.) «Por isso, observe que estas são precisamente as coisas que o Senhor desejava ensinar aos saduceus, que não acreditavam na ressurreição da carne. Pois esta era a opinião dos saduceus. Daí terem inventado a parábola sobre a mulher e os sete irmãos, para que pudessem lançar dúvidas sobre a ressurreição da carne», *Discurso sobre a Ressurreição*, cap. 12, p. 367. Metódio também escreveu noutros locais sobre os saduceus.
Arnóbio (297-303 d.C.) «E que ninguém aqui nos oponha as fábulas judaicas e as da seita dos saduceus, como se também nós atribuíssemos formas à Divindade; pois supõe-se que isso seja ensinado nos seus escritos e afirmado como se fosse com certeza e autoridade.» Arnóbio, *Contra os Pagãos*, livro 3, cap. 12, p. 467
Após Nicéia
Atanásio (326-373 d.C.) «E que significa a Lei para os saduceus, se estes não aceitam os profetas?» Aos Bispos do Egito, cap. 4, p. 224
Epifânio de Salamina (390 d.C.), em «Heresias» 1,14, afirma que o termo «saduceus» provém da palavra hebraica sadiq, que significa «justo». No entanto, o Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 1500, refere que existe um problema em explicar como é que a vogal mudaria de «i» (carot) em «sadiq» para «u» (carot) em «seduqim».
Jerónimo, aparentemente, também afirmou que os saduceus apenas observavam a Torá, de acordo com o *The New International Dictionary of the Bible*, pp. 884-885.
Obras espúrias e heréticas
O livro «Reconhecimentos de Clemente» (c. 211-250 d.C.), livro 2, cap. 54, p. 91 (implícito), opõe-se aos saduceus porque estes negavam a ressurreição dos mortos.
Pseudo-Hipólito: «E, por isso, eles [os judeus] já não têm rei, nem sumo sacerdote, nem profeta, nem sequer escribas, fariseus e saduceus entre si. Ele não diz, contudo, que devam ser exterminados;» Sobre o Salmo 59, p. 202
Consulte a próxima pergunta para uma discussão mais aprofundada sobre este assunto.
P: Em Mc 12,19 e Lc 20,27, os saduceus rejeitaram totalmente todo o Antigo Testamento, exceto a Torá, aceitaram o resto do Antigo Testamento mas com menor autoridade, ou aceitaram tudo tal como os fariseus faziam?
R: Eis as provas. Os escritores da Igreja primitiva — Hipólito, Tertuliano, Orígenes e Jerónimo — afirmaram que os saduceus acreditavam apenas na Torá. No entanto, o *The New International Dictionary of the Bible*, pp. 884-885, afirma que estavam em erro, porque
1) Josefo não faz qualquer menção a isso
2) No Talmude, os saduceus utilizam argumentos de outros livros do Antigo Testamento,
3) Provavelmente não teriam sido admitidos no Sinédrio se não tivessem considerado os outros livros como canónicos.
No entanto, há três pontos que se opõem a esta visão:
1r) Josefo escreveu sobre os saduceus: «…nem consideram a observância de nada além do que a lei impõe…» em «Antiguidades dos Judeus» 18.1.4. (cerca de 93-94 d.C.)
2r) Além disso, mesmo que os saduceus não rejeitassem totalmente o resto do Antigo Testamento, poderiam ter aceitado os restantes livros do Antigo Testamento apenas como tendo menor autoridade. Isto é semelhante à visão de alguns cristãos de que os apócrifos são escritos sagrados que pertencem às Escrituras, mas que têm menor autoridade do que o resto do Antigo Testamento. Talvez os saduceus tenham deixado em aberto a questão de quão autoritários eram os livros que não faziam parte da Torá.
3r) Segundo Josefo, Ananias (o Jovem) era um saduceu que foi nomeado sumo sacerdote pelos romanos. Excluir o sumo sacerdote prejudicaria a autoridade do Sinédrio. Além disso, Josefo escreve em «Antiguidades dos Judeus» 18.1.4 que, quando os saduceus se tornavam magistrados, aderiam ao que os fariseus diziam, pois, de outra forma, as multidões não os suportariam. É análogo ao que acontece hoje em dia, quando muitos pastores «cristãos» liberais, que eles próprios negam que Jesus tenha morrido para expiar os nossos pecados, continuam a celebrar a Ceia do Senhor todos os meses, repetindo as palavras «Este é o meu sangue derramado para o perdão dos pecados», embora afirmem que, pessoalmente, não acreditam nisso, pois, de outra forma, os membros da igreja não os aceitariam como pastores.
De onde é que os escritores da Igreja primitiva obtiveram as suas informações? Uma vez que os saduceus se extinguiram por volta do ano 70 d.C., não as obtiveram dos próprios saduceus. Talvez tenham obtido as informações a partir de muitos escritos antigos de que hoje não dispomos. Por exemplo, Papias, um discípulo do apóstolo João e o primeiro pré-milenista extra-bíblico, escreveu vários volumes que se perderam.
Portanto, embora não haja nada que prove que os escritores da Igreja primitiva estivessem errados, existem argumentos de ambos os lados quanto à questão de saber se os saduceus rejeitaram categoricamente o resto do Antigo Testamento ou se apenas consideravam esses livros como tendo menor autoridade.
P: Em Mc 12,24, por que razão Jesus disse aos saduceus que estes não conheciam as Escrituras nem o poder de Deus?
R: Jesus estava correto tanto num sentido geral como num sentido específico que lhes pôde demonstrar.
Em termos gerais: Os saduceus não acreditavam na vida após a morte nem na ressurreição. De acordo com os escritores da Igreja primitiva, os saduceus não aceitavam o Antigo Testamento como Escritura, exceto os primeiros cinco livros da Lei. Consulte a pergunta anterior para mais informações.
Específico: Como Jesus demonstrou, mesmo aquilo que aceitavam como Escritura (a Torá), não acreditavam realmente que Deus continuasse a ser o Deus de Abraão, Isaac e Jacob.
P: Em Mc 12,34, o que significa «não estar longe do reino de Deus»?
R: Não significa que alguém possa ser parcialmente salvo, nem garantia que aquele homem fosse salvo. Jesus quis dizer que o homem estava muito perto de passar a acreditar em Jesus.
P: Em Mc 12,29-31, de que forma estes mandamentos resumem toda a lei?
R: Centram-se em dois aspetos: demonstrar o amor e a honra supremos a Deus e amar o próximo como a nós próprios. Ao contrário de Jesus, alguns esqueceram-se do primeiro aspeto. Um gentio disse ao famoso rabino judeu Hillel que se converteria ao judaísmo, mas apenas se Hillel lhe ensinasse toda a lei enquanto ele permanecesse em pé sobre um pé. Hillel respondeu: «Não faça ao seu próximo aquilo que odeia que lhe façam a si; isto é toda a lei, o resto é comentário; vá e aprenda», em Ben Shabbath 31a.
P: Em Mc 12,30, quando Jesus se referiu a Dt 6,4, ao falar de amar a Deus, por que razão acrescentou Jesus um quarto aspeto, o da «mente»?
R: Duas respostas complementares.
1. Embora o termo hebraico «alma» implicasse toda a vida de uma pessoa, incluindo a mente, Jesus, que aqui falava aramaico e/ou grego, mencionou explicitamente a mente para captar o significado completo da alma.
2. Além disso, com a vinda de Jesus, os crentes passaram a ter uma compreensão muito mais completa de Deus do que tinham no Antigo Testamento, como demonstram Mateus 13:10-16; Marcos 4:11; e Lucas 8:10. Para mais informações sobre o mistério revelado de Cristo, consulte Efésios 3:4-6,9; 6:19; Colossenses 1:26-27; 2:2; 4:3; Romanos 16:25-26; 1 Pedro 1:10-12. Consulte também a discussão sobre Deuteronómio 6:4.
P: Em Mc 12,30, devemos tentar ignorar a razão para sermos espirituais, como alguns professores da «Palavra da Fé» sugerem?
R: De modo algum. A fé vai além da razão, mas não se opõe a ela. Marcos 12:30 diz que devemos amar a Deus também com toda a nossa mente. A questão aqui é a seguinte: se a Palavra de Deus diz uma coisa e, com a nossa mente, raciocinamos de outra forma, em que devemos acreditar primeiro: na Palavra de Deus ou na nossa própria razão? A razão lógica não é o nosso senhor, nem deve ser descartada como sem valor, mas é um dom a ser utilizado como ferramenta para servir a Deus com amor. Além disso, Deus não se limita a utilizar a nossa razão natural, mas pode transformá-la através da renovação das nossas mentes, conforme 1 Coríntios 2:12. No entanto, esta transformação não é necessariamente automática. Romanos 12:2 exorta-nos a «ser transformados pela renovação da vossa mente». Assim, temos uma responsabilidade por algo que não podemos fazer. Conseguimos o que não podemos fazer por nós próprios pedindo a Deus que atue através de nós, ou seja, tem de orar a Deus para que Ele realize a transformação. Está disposto a agradecer-Lhe pela obra santificadora que Ele já realizou e a pedir-Lhe que o torne mais maleável para que Ele transforme a sua mente, o seu coração, a sua alma e a sua força?
P: Em Mc 12,34, o que há de invulgar no facto de eles não terem feito mais perguntas a Jesus?
R: Marcos 11:28 começa com os sacerdotes, os escribas e os anciãos a perguntarem com que autoridade Jesus fazia estas coisas. A princípio, Jesus recusou-se diretamente a responder à sua pergunta. Depois, através das Suas respostas a outras perguntas e ao fazer-Lhe, por fim, a Sua própria pergunta — à qual eles não conseguiram responder —, mostrou indiretamente que possuía essa autoridade. Nesse momento, eles deixaram de perguntar a Jesus «com que autoridade...» ou qualquer outra pergunta.
P: Em Mc 12,42, o que é que isto nos diz sobre o público de Marcos?
R: O óbolo (lepton em grego) era uma moeda grega, bem conhecida dos gregos. Duas dessas moedas valiam 1/64 de um denário, o salário diário. O facto de Marcos sentir que tem de explicar o que é, e de o fazer recorrendo a uma moeda romana, o quadrans, indica que Marcos escrevia originalmente para um público romano.
P: Em Mc 12,42-44, uma vez que os escribas devoravam as casas das viúvas, por que razão Jesus não impediu a viúva de depositar os seus dois cêntimos?
R: A viúva foi elogiada pela sua generosidade e fé ao fazer a oferta. Os escribas do templo foram repreendidos não só por não darem aos pobres, mas também por lhes tirarem à força. Os mestres da lei não podiam ser remunerados pelos seus serviços, mas podiam aceitar presentes, de acordo com Aboth 1.13 e Bekhoroth 4.6.
P: Em Mc 13,1-2, o que havia de tão impressionante no templo?
R: Tanto o seu tamanho como a sua longevidade, tendo sido reconstruído após ter sido destruído e rededicado após ter sido profanado.
O Templo era uma maravilha arquitetónica; ocupava cerca de um sexto da área total de Jerusalém. Foi construído com grandes pedras brancas incrustadas de ouro. A sua construção demorou muitos anos; só ficou totalmente concluído em 64 d.C. Embora fosse uma estrutura de grandes dimensões, não era tão grande como outras maravilhas antigas, tais como os Jardins Suspensos da Babilónia ou as pirâmides do Egito.
Antíoco Epifânio sacrificou um porco no altar, de acordo com 1 Macabeus 1:41-64 e com o livro 12, capítulo 5.4, de «Antiguidades dos Judeus», de Josefo. Consulte também o livro 5, capítulos 184-226, de «A Guerra Judaica», de Josefo, e o livro 15, capítulos 380-425 (xi), de «Antiguidades dos Judeus», para mais informações.
Os zelotes judeus profanaram o templo em 67-68 d.C.
Em 70 d.C., o general romano Tito ordenou às suas tropas que preservassem o templo, mas estas acabaram por incendiá-lo na mesma.
P: Em Mc 13, 1-2, como podemos saber quando uma organização ou instituição de aspeto imponente é inútil para Deus?
R: Se tiver sido construída com maus propósitos, isso é uma coisa; mas pode ter sido originalmente criada para fins piedosos, tendo esses fins sido posteriormente desviados. Focar-se na aparência impressionante de algo é concentrar-se na coisa errada. Observe os frutos atuais: as pessoas estão a vir a Cristo e a crescer em Cristo por meio dessa obra? Se não, então, independentemente da sua glória passada, já não é impressionante aos olhos de Deus.
P: Em Mc 13, 34-37, por que razão Jesus insistiu tanto para que eles vigiassem?
R: Embora algumas pessoas tenham perdido a primeira vinda, o contexto aqui é um discurso dirigido exclusivamente aos discípulos sobre a Segunda Vinda. Não deviam começar a vigiar num momento específico, porque Jesus acabara de dizer que ninguém saberia a hora. Em vez disso, deviam estar sempre vigilantes. Vigiar, neste contexto, significa manter as suas vidas santas e permanecer próximos de Deus. Significa também permanecer fiéis durante a perseguição. Os cristãos eram rotulados como hereges e açoitados pelos judeus com 39 chicotadas, de acordo com a Mishná Makkoth 3.10-14 (The Bible Knowledge Commentary: New Testament, p. 168).
P: Em Mc 14,4-8, por que razão Jesus preferiu que o ungüento caro fosse derramado sobre Ele em vez de ser dado aos pobres?
R: Jesus ensinou em Marcos 12:29-31 que amar o Senhor, o seu Deus, é o maior mandamento, e amar o próximo como a si mesmo é o segundo maior mandamento, e não o contrário. Os cristãos podiam ajudar os pobres a qualquer momento, mas só podiam servir a Jesus desta forma enquanto Ele estivesse na Terra.
P: Em Mc 14,4-8, alguns consideraram que este sacrifício, equivalente a um ano de salário, era apenas um desperdício de dinheiro. O que diria às pessoas de hoje que consideram um desperdício dedicar anos da sua vida e o seu dinheiro ao Senhor?
R: O nardo era um perfume caro proveniente de uma planta rara da Índia. Normalmente, era guardado num frasco totalmente fechado. O gargalo foi partido e todo o conteúdo foi utilizado.
Quando Judas viu este enorme «desperdício» (na sua opinião), isso pode ter sido o que o levou a dirigir-se aos sacerdotes para trair Jesus. Embora não haja defesa para Judas, podemos, pelo menos, compreender o seu ponto de vista. Pareceria um grande desperdício, se todo o mundo girasse em torno do dinheiro. Esperemos, no entanto, que tenha melhor discernimento do que Judas.
P: Em Mc 14,4-8, de que forma fazer o bem pode, por vezes, impedir-nos de fazer o que é melhor?
R: Fazemos muitas coisas boas, mas não estamos na Terra apenas para fazer coisas boas. Permanecemos na Terra agora para servir e glorificar Deus aqui. Não fazemos apenas quaisquer coisas boas, mas as melhores coisas boas que podemos fazer pelo Senhor.
P: Em Mc 14,21, por que razão teria sido melhor para Judas se ele nunca tivesse nascido?
R: Teria sido melhor para Judas nunca ter existido do que fazer o que fez e receber o castigo justo por isso. O livro «Quando os Seguidores de Cultos Perguntam», pp. 139-140, refere que alguns seguidores de cultos utilizam este versículo para tentar afirmar que o Inferno é comparado ao período pré-natal e que, por isso, o Inferno é a inexistência. No entanto, uma vez que Jesus disse que o castigo de Judas era pior do que nunca ter nascido, o Inferno não é a aniquilação.
P: Em Mc 14,21, não sabemos a razão principal pela qual Judas decidiu trair Jesus. Quando uma pessoa vira as costas a outra, qual é a diferença entre fazê-lo por ganância, inveja ou desilusão?
R: Algumas pessoas traem por ganância; pela vantagem de pensar que podem obter tudo o que for possível. Não tinham nada contra a pessoa que odeiam através da traição. Para elas, a vítima é apenas um objeto a explorar.
Mas, noutros casos, pode ser algo pessoal. Devido à sua desilusão com o que consideram uma situação sem esperança, podem querer trair a pessoa, ou pelo menos obter algum benefício para compensar o tempo perdido por terem acreditado nela.
Quando não conhecemos os motivos de Judas, estes podem ser ambos os acima referidos. Judas era o único membro dos Doze que não era galileu. Nunca fez parte do círculo íntimo de Pedro, Tiago e João.
P: Em Mc 14,24, o que há de interessante na palavra «aliança» neste contexto?
R: A língua grega tem duas palavras diferentes para «aliança».
A palavra grega syntheke significa um acordo negociado entre duas partes.
A palavra grega «diatheke» significa uma proposta feita por apenas uma das partes, que a segunda parte só pode aceitar ou rejeitar. É a segunda palavra que é utilizada aqui.
P: Marcos 14:24 demonstra que Cristo morreu por todas as pessoas?
R: Sim. Até mesmo João Calvino afirma que «muitos» significa «toda a raça humana». Eis o que João Calvino afirmou nos «Comentários de Calvino», vol. 3, pp. 138-139: «Marcos 14:24. Este é o meu sangue. Já alertei, quando se diz que o sangue é derramado (como em Mateus) para a remissão dos pecados, como estas palavras nos remetem para o sacrifício da morte de Cristo, e que negligenciar este pensamento torna impossível qualquer celebração adequada da Ceia. De nenhuma outra forma as almas fiéis podem ficar satisfeitas, se não conseguirem acreditar que Deus está satisfeito com elas. A palavra «muitos» não significa apenas uma parte do mundo, mas toda a raça humana: Ele contrasta «muitos» com «um», como que para dizer que não seria o Redentor de um único homem, mas que enfrentaria a morte para libertar muitos da sua culpa amaldiçoada.» (Itálico na tradução original em inglês.) Note-se que Calvino afirma: «“muitos” não significa apenas uma parte do mundo, mas toda a raça humana:»
P: Em Mc 14,27, de que forma é que os discípulos ficariam ofendidos com Jesus por este não se ter defendido?
R: A sua fé ficaria abalada quando Jesus, com todo o Seu poder, se submetesse voluntariamente à captura, aos maus-tratos e à morte. Esperava-se que um Messias poderoso se defendesse e derrotasse os romanos, e não que se rendesse a eles.
P: Mc 14, 27-31: se um crente tiver pecado gravemente e desonrado Jesus, especialmente perante os outros, como é que ele pode regressar?
R: Um crente que tenha caído no pecado pode arrepender-se e regressar. Deus perdoá-lo-á. Como cristãos, devemos perdoá-lo também, mas ele precisa de compreender que pode levar tempo a reconstruir a confiança. O crente arrependido deve confessar-se a Deus, mas deve também confessar-se àqueles que tinham conhecimento do seu pecado anteriormente. Deve pedir desculpa, reparar o dano, se for o caso, e prometer não voltar a cometer esse pecado. Dependendo da gravidade do pecado, poderá pedir a alguns amigos cristãos que «o acompanhem» e o responsabilizem para que não volte a cair no pecado.
P: Em Mc 14, 42-52, será que isto retrata um Jesus que estava à mercê deles, em contraste com os outros Evangelhos que retratam Jesus como quem está no comando, como afirmam alguns liberais?
R: Bem, diz-se, de facto, que, enquanto Jesus orava, estava em tal angústia que suava gotas de sangue. Ah, espere, isso só consta em Lucas 22:44, não em Marcos. É um pouco «miope» da parte dos críticos liberais afirmarem isto sobre Marcos, uma vez que Mateus 26:36-46 e Lucas 22:40-46 também relatam o que aconteceu a Jesus no Jardim do Getsêmani. João refere frequentemente outros acontecimentos que não constam nos três primeiros evangelhos; parece que João omitiu deliberadamente muitos elementos que os outros três evangelhos já tinham relatado.
Desde os primórdios, os cristãos têm reconhecido que Mateus destacou Jesus como o Rei Prometido, que cumpriu as profecias do Antigo Testamento. Marcos enfatizou Jesus como o servo sofredor e as ações de Jesus. Lucas enfatizou Jesus como homem e foi quem mais escreveu sobre a infância de Jesus. João enfatizou Jesus como Deus e o seu evangelho foi provavelmente escrito partindo do princípio de que o leitor já tinha lido os outros evangelhos.
Por outro lado, Marcos mostra que Jesus também está no controlo. No Jardim do Getsêmani, Jesus sabia o que estava para acontecer e teve a oportunidade de fugir do Jardim. Mas Jesus escolheu deliberadamente abraçar a vontade do Pai, não por estar incerto quanto às consequências, mas sabendo perfeitamente quais seriam essas consequências.
P: Em Mc 14, 51-52, quem era aquele «homem sem máscara», que fugiu sem as suas roupas?
R: Embora as Escrituras não o digam, a tradição afirma que se tratava de João Marcos, o autor do Evangelho de Marcos. O cético «Guia de Asimov para a Bíblia», na página 905, também afirma o mesmo, acrescentando a especulação de que «o evangelista não resistiu a mencionar a sua presença num momento-chave da história de Jesus».
P: Em Mc 14, 53-55, de que forma o Sinédrio violou a lei judaica neste caso?
R: Violaram o seu próprio sistema jurídico pelo menos cinco vezes.
1) Não deviam realizar julgamentos à noite
2) Cabia ao juiz permanecer ao lado do arguido.
3) Não dispunham de duas testemunhas que corroborassem as acusações contra Jesus.
4) Na lei judaica, não se podia ser condenado com base apenas no seu próprio testemunho.
5) Deviam ter esperado 24 horas antes de declarar alguém culpado.
(de um sermão de Tim Hawks na Hill Country Bible Church, em Cedar Park, Texas, a 24 de outubro de 1997)
P: Em Mc 14,62, será que Jesus afirmou efetivamente que era o Messias?
R: Sim. Imagine como se sentiram os sacerdotes obstinados quando Jesus citou Daniel 7:13-14 a respeito de Si mesmo, vindo nas nuvens do Céu. A reação deles, insultando-O e clamando pela Sua morte em Marcos 14:63-65, foi a gota de água na rejeição de Jesus por parte da hierarquia religiosa judaica. Consulte «Hard Sayings of the Bible», pp. 450-451, para uma resposta mais pormenorizada.
P: Em Mc 14,62, uma vez que Jesus estaria sentado à direita de Deus Pai, como poderia Ele estar a vir, o que implica movimento?
R: Há três pontos a considerar na resposta.
Em todos os casos, «estar sentado à direita» não é apenas uma localização física, mas uma posição de honra.
Em diferentes ocasiões, Jesus pode estar sentado, de pé e em movimento.
É claro que é possível estar sentado e, ao mesmo tempo, estar a vir, caso se esteja a cavalgar um cavalo branco, como será o caso de Jesus em Apocalipse 19:11.
P: Em Marcos 14:62, Jesus disse ao sumo sacerdote que este veria o Filho do Homem a vir com as nuvens do céu. Mas se o sumo sacerdote morresse antes do regresso de Jesus, isso invalidaria a resposta de Jesus. Por isso, em Lucas, Jesus diz: «Eu sou, e, a partir de agora, o Filho do Homem estará sentado à direita do poder de Deus» (Lucas 22:69). Jesus, Interrupted, p. 51
R: Primeiro, o que não é a resposta, e depois a resposta.
O que não é a resposta: Por alguma razão, Ehrman não quis referir Mateus 26:64, onde se diz «vós» (plural), ou seja, não apenas o sumo sacerdote. No entanto, trata-se de uma questão irrelevante, uma vez que todos os membros do Sinédrio morreram antes do regresso de Jesus.
A resposta: Ehrman apresenta duas objeções numa só. A primeira objeção é que o sumo sacerdote (e, na verdade, todo o Sinédrio) morreu antes do regresso de Jesus. A resposta a isso é que todo o Sinédrio, incluindo o sumo sacerdote, verá Jesus vir. Apocalipse 1:7 promete que todos os olhos verão Jesus quando Ele regressar, mesmo especificamente aqueles que O traspassaram. Aqueles que morreram rejeitando Jesus não escaparão a um novo encontro com Ele.
A segunda objeção é que o Evangelho de Lucas, escrito depois do de Marcos, parece passar de «você (singular) verá» para afirmar simplesmente que Jesus regressaria. O ponto-chave do seu argumento é enfraquecido por uma variante textual. Clemente de Alexandria (193-202 d.C.) cita Marcos 14:62 com «vocês» (plural) em *Stromata*, livro 6, cap. 52, em *Ante-Nicene Fathers*, vol. 2, p. 574. Sabemos que é Marcos — e não outro Evangelho — que Clemente está a citar, porque ele nos diz explicitamente que se trata de Marcos.
P: Em Mc 14,65, por que razão algumas pessoas pediram a Jesus que profetizasse quem o tinha agredido ali?
R: Os soldados romanos praticavam um jogo cruel com os prisioneiros chamado «três punhos». Três soldados colocavam, cada um, um dos seus punhos debaixo do queixo do prisioneiro. Um dos soldados dava um soco no prisioneiro e deixava-o inconsciente. Quando o prisioneiro recuperava a consciência, perguntavam-lhe qual dos soldados o tinha agredido. Se o prisioneiro adivinhasse mal, o soldado que o tinha agredido ganhava (e a pessoa perdia a aposta). Se o prisioneiro adivinhasse bem, o soldado que o tinha agredido perdia a aposta. Parece que, em todos os casos, o prisioneiro era também o perdedor.
P: Em Mc 14, 66-68, que tipo de amor consegue resistir ao «teste do medo»?
R: Pedro era corajoso e nunca deixou de amar Jesus, mas o seu amor, nesta ocasião, não resistiu ao teste do medo. No entanto, no final da vida de Pedro, este foi crucificado de cabeça para baixo, e o amor de Pedro resistiu, de facto, ao teste do medo.
Até Pedro começar a falar, o seu sotaque galileu não o delatava. A menos que ele fosse o primeiro a falar, a criada deve ter estado, em determinado momento, suficientemente perto de Jesus e de Pedro para conseguir reconhecer Pedro. Pedro pensava que poderia permanecer bastante próximo de Jesus sem ser detetado. Quando percebeu que poderiam descobrir quem ele era, teve então de decidir o que fazer. Por vezes, podemos fazer algo corajoso por Cristo, pensando que provavelmente não sofreremos por causa disso. Mas quando somos descobertos, o que fazemos então?
Pedro, neste momento de tensão, valorizou a sua segurança mais do que qualquer outra coisa, incluindo a negação de Cristo. O que Pedro deveria ter feito era partir rapidamente e, quanto à possibilidade de o apanharem ou não, deixar o resultado nas mãos de Deus.
P: Em Mc 15,1-20, tanto o Sinédrio como os romanos rejeitam Jesus como o Messias, mas por razões muito diferentes. Quais são as diferentes razões pelas quais as pessoas hoje rejeitam Jesus como seu Messias?
R: No tempo de Jesus, muitos pensavam que as afirmações de Jesus eram falsas, porque Ele não correspondia às suas expectativas de um Messias político. Hoje, se Deus nos observasse, alguns pensariam que não haveria fome, sofrimento nem morte. Deus não corresponde às suas expectativas.
Para os romanos, a afirmação de Jesus foi mal interpretada como traição àquilo a que já tinham jurado lealdade. Jesus simplesmente não se enquadrava naquilo que eles tinham escolhido seguir, e não tinham qualquer desejo, nem coragem, para mudar.
Há quem rejeite Jesus por razões intelectuais, mas trata-se de um número reduzido, e ainda menor do que o das pessoas que afirmam rejeitar Jesus por razões intelectuais. É mais comum que as pessoas o rejeitem por razões emocionais, ou então por razões deliberadas, quando percebem o que teriam de abdicar ou mudar para seguir Jesus, e não querem fazê-lo. Por vezes, quando as pessoas levantam objeções intelectuais a tornarem-se cristãs, trata-se realmente de uma razão legítima na sua mente. Outras vezes, é apenas uma cortina de fumo para que não se sintam culpadas por não considerarem as afirmações de Cristo.
Jesus recusou-se a entrar num debate em que a justiça não pudesse ser feita.
P: Em Mc 15,8-11, o que há de irónico no facto de o povo ter escolhido Barrabás em vez de Jesus?
R: Pilatos provavelmente considerou óbvio que escolheriam Jesus em vez de um ladrão conhecido. Os judeus, perante os romanos, acusaram Jesus de liderar uma rebelião, enquanto muitos judeus ficaram desapontados com Jesus por NÃO liderar uma rebelião. Enquanto os judeus e os romanos afirmavam que Jesus tinha de morrer por traição, era Barabás quem, na verdade, tinha cometido traição. Quando o povo rejeitou o seu legítimo rei, Jesus, em favor de um rebelde violento, eles próprios se rebelaram violentamente 40 anos mais tarde, em 70 d.C., e os romanos destruíram Jerusalém.
O documento Papiro Florentino 61.59ff refere que o governador romano do Egito, G. Septimus Vegetus, disse a um prisioneiro acusado chamado Phibion: «Mereceste ser açoitado, mas vou entregar-te ao povo» (citado em Taylor, p. 580).
O nome completo de Barrabás era Jesus bar-Abbas, ou seja, Jesus, filho de Abbas, sendo que Abbas é tanto um nome próprio como o termo para «pai». Ambos se chamavam Jesus. Barrabás, enquanto rebelde, também queria libertar o seu povo, mas por meios humanos e violentos. O pseudo-filho de um pai foi libertado, e o verdadeiro Filho do Pai foi crucificado.
P: Em Mc 15,14, por que razão Marcos parecia tão ansioso por tentar atribuir a culpa aos judeus, como afirmou um liberal?
R: Em primeiro lugar, os arqueólogos descobriram o pátio onde acreditam que a multidão se encontrava, e este não teria capacidade para mais de cerca de 400 pessoas. Assim, a multidão aqui referida não era composta por todos os residentes e visitantes de Jerusalém, mas sim por um subconjunto muito reduzido selecionado pelos sacerdotes.
Judas, os líderes judeus, o povo judeu, os romanos e até mesmo o facto de Jesus não ter fugido — todos tiveram um papel naquilo que era a vontade predeterminada de Deus (Atos 2:23). Aqui está uma lista do papel de cada um. Como pode ver, Marcos não é mais severo para com o povo judeu do que os outros evangelistas.
Judas: Mateus 26:14-16, 49-50; Marcos 14:17-21, 42, 44-45; Lucas 22:3-6, 47-48; João 13:18, 21, 27; 18:2
Os líderes judeus: Mateus 26:57-58; 27:20; Marcos 14:43, 46, 53-65; 15:1, 3, 10-11, 31; Lucas 22:2, 52; 22:66-23:2; João 18:3, 12-14, 19-24, 30
O povo judeu: Mateus 27:20-23,25; Marcos 15:11-15; Lucas 23:18,21,23
Os romanos: Mateus 27:11-31; Marcos 15:15-20; 15:24; Lucas 23:24; João 18:33-19:3; 19:16
Jesus não fugiu: Mateus 26:39-46, 53-54; Marcos 14:35-42; Lucas 22:39-46; João 18:4-11
P: Em Mc 15,17, qual era o significado de vestir Jesus de púrpura?
R: O tecido púrpura era caro, sendo tingido a partir de conchas de murex. No Império Romano, apenas o Imperador e a sua família podiam usar púrpura, embora o Imperador, como favor, pudesse dar as suas roupas velhas a outros. A túnica púrpura era uma zombaria ao facto de Jesus afirmar ser um rei.
P: Em Mc 15,31, Jesus foi ridicularizado por afirmar que salvava os outros, quando não se salvava a si próprio. De que forma é que, por vezes, tem de abdicar de se salvar a si próprio para salvar os outros?
R: Embora não precisemos de correr riscos desnecessários, por vezes temos de agir com risco para garantir a segurança dos outros e para levar a mensagem do Evangelho a outras pessoas. A segurança é importante, mas se valorizarmos a nossa segurança acima de fazer a vontade de Deus, então até a segurança pode tornar-se um ídolo.
P: Em Mc 15,31-32, até que ponto é eficaz a tática de Satanás de fazer com que alguém seja ridicularizado por obedecer a Deus?
R: Dependendo da pessoa, pode ser eficaz. Se uma pessoa valoriza mais o elogio das pessoas do que o elogio de Deus, isso pode detê-la completamente. Pode até racionalizar a situação, pensando: «Se eu mantiver a minha popularidade, as pessoas ouvir-me-ão mais e, consequentemente, darão mais atenção ao meu testemunho.» Mas se uma pessoa valorizar Deus mais do que a popularidade, e a obediência a Deus mais do que a obtenção de resultados para Deus, então estará a glorificar a Deus mais do que se estivesse a tentar realizar uma obra para Deus com as suas próprias forças.
P: Em Mc 15,32, é-nos dito que Jesus foi colocado numa «cruz» para ser crucificado: «Que Cristo, o Rei de Israel, desça agora da cruz, para que possamos ver e acreditar.» E aqueles que foram crucificados com ele insultavam-no.
A palavra para «cruz» aqui, em grego, é stauros, que James Strong definiu como:
(4716) derivado da raiz 2476; uma estaca ou poste (colocado na vertical), ou seja, (especificamente) um poste ou cruz (como instrumento de pena capital); figurativamente, exposição à morte, ou seja, abnegação; por implicação, a expiação de Cristo: — cruz. [1]
No entanto, em I Pedro 2:24, é-nos dito que Jesus foi crucificado na «árvore»:
«Ele próprio levou os nossos pecados no seu próprio corpo sobre a árvore, para que, estando mortos para os pecados, vivamos para a justiça; pelas suas chagas fostes curados.»
A palavra para «árvore» em grego é xulon, e é definida por Strong como:
(3586) derivada de outra forma da raiz de 3582; madeira (como combustível ou material); por implicação, um pau, um bastão, uma árvore ou outro artigo ou substância de madeira: — cajado, toras, árvore, madeira.[2]
O erro aqui é óbvio. A palavra grega stauros significa, sem ambiguidade, uma «cruz». Não há qualquer duplo sentido associado à palavra. Por outro lado, a palavra xulon pode ser traduzida de forma intercambiável como «madeira», «bastão», «árvore», etc., mas no caso de I Pedro 2:24, é traduzida como «árvore». Agora, temos de nos questionar: por que razão teria a palavra xulon sido utilizada, em primeiro lugar, quando existe uma palavra mais definitiva para o efeito, stauros, se o versículo pretendesse realmente referir-se à «cruz»?
É, portanto, óbvio que a palavra xulon é, de facto, utilizada no sentido de «árvore» em I Pedro 2:24 e, por conseguinte, existe uma contradição com Marcos 15:32.
Referências
[1] James Strong, The New Strong’s Exhaustive Concordance of the Bible (Thomas Nelson, 1996)
[2] James Strong, Op. Cit. (Esta pergunta foi feita por um muçulmano)
R: Jesus foi colocado numa cruz de madeira, que provinha de uma árvore. Os romanos, os cartagineses e os persas utilizavam estacas de madeira com travessas, e não árvores vivas. Utilizar duas palavras como sinónimos para a mesma coisa (tais como «staurus» e «xulon») não constitui um problema, tal como não o é utilizar duas palavras para designar Deus no Alcorão.
Pedro afirma que Jesus foi pendurado numa árvore (Atos 5:30; 10:39), mas também afirma que Jesus foi pregado na cruz (Atos 2:23).
Paulo afirma que Jesus foi pendurado numa árvore (Gálatas 3:13; Atos 13:29), mas também menciona a cruz de Cristo em Gálatas 5:11; 6:12,14; 1 Coríntios 1:17,18.
«Árvore» e «cruz» são utilizados como sinónimos; o mesmo autor utiliza ambos os termos. Jesus foi pregado numa árvore; mas não se referia a uma árvore viva.
É claro que o ensinamento islâmico ortodoxo também ensina que a «aparência de Jesus» foi igualmente crucificada. Ora, há uma questão fundamental relativamente a esta crucificação. Ou:
a) Foi realmente Jesus quem foi crucificado, ou
b) «A grande troca»: Alá não só enganou os judeus e os romanos, levando-os a pensar que Jesus foi crucificado quando, na verdade, não foi, como também enganou a própria mãe de Jesus, os discípulos de Jesus e todos os primeiros cristãos, que pregavam Cristo crucificado. Temos escritos de Inácio e Policarpo, discípulos do apóstolo João, e de outros que acreditavam que Jesus foi crucificado e ressuscitou dos mortos. Mesmo como muçulmano, não pode culpar os cristãos por acreditarem que Jesus foi crucificado, se considera que Alá enganou os seus próprios seguidores. «Alá é o maior dos enganadores» (Sura 3:54). Se este Alá enganou os cristãos, e o senhor não vê nisso qualquer problema, então será que este Alá também poderia enganar os muçulmanos?
P: Em Mc 15:42, Ehrman afirma: «Marcos explica-nos o que quer dizer com esta frase: trata-se do Dia da Preparação “para o sábado” (não do Dia da Preparação para a Páscoa judaica).» (itálico no original) Jesus, Interrupted, p. 27
R: Existem duas respostas prováveis, mas diferentes.
O sábado e a Páscoa podem ter coincidido nesse ano: Ehrman não parece considerar que a Páscoa e o sábado coincidam em alguns anos. Existe alguma incerteza quanto às datas exatas daquela época, mas muitos pensam que a Páscoa e um sábado coincidiriam no ano 30 d.C. ou no ano 33 d.C.
Sábados solenes: Todos os sábados eram um sábado, mas nem todos os sábados eram um sábado, como prova Levítico 23:39. Por exemplo, tanto o primeiro como o oitavo dia do sétimo mês deviam ser um «descanso sabático». Havia «dias de repouso» todos os anos, mas, na maioria das vezes, não eram sábados. A Páscoa era o primeiro dia da Festa dos Pães Ázimos, e tanto o primeiro como o sétimo dia da Festa eram «dias de repouso», de acordo com Êxodo 12:16.
João 19:31 resolveria qual das duas respostas era a correta, exceto que poderia ser utilizado para sustentar ambas as respostas. Diz: «… pois aquele sábado era um dia solene». Mas, uma vez que era um dia solene, não era necessário que fosse um sábado.
P: Em Mc 15,44, por que razão Pilatos se surpreendeu ao ver que Jesus já estava morto?
R: Ou Pilatos simplesmente perdeu a noção do tempo, ou muitos homens crucificados resistiam por mais tempo. Jesus tinha sido açoitado e espancado antes de ser crucificado. A título de nota, o açoitamento romano era diferente dos 39 açoites do castigo judaico. O açoitamento romano era feito com chicotes curtos com pontas de metal, presos a um forte bastão de madeira. Podia incapacitar ou mesmo matar uma pessoa. Jesus foi açoitado pelos romanos.
P: Em Mc 16, quais são os paralelos com outras partes dos Evangelhos e dos Atos dos Apóstolos?
R: Eis os paralelos entre Marcos 16 e outros livros da Bíblia
Jesus ressuscitou de madrugada. Mc 16, 2.9; Mt 28, 1; Lc 24, 1; Jo 20, 1
Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana. Mc 16, 2, 9; Mt 28, 1; Lc 24, 1; Jo 20, 1
Sete demónios foram expulsos de Maria Madalena. Mc 16, 9; Lc 8, 2
Maria Madalena / as mulheres dirigiram-se ao sepulcro. Mt 28, 1-8; Mc 16, 9-10; Jo 20, 1; Lc 24, 1-10
Outros não acreditaram, a princípio. Mt 28, 17; Mc 16, 11; Lc 24, 11
Apareceu a dois discípulos. Mc 16, 12; Lc 24, 13-35
Continuavam a não acreditar. Mc 16, 13; Lc 24, 36
Repreendeu os 11 pela sua incredulidade. Mc 16, 14; Lc 24, 38-41
Ordenou que pregassem a todos. Mt 28, 19-20; Mc 16, 15; Lc 24, 47-48
Quem crer e for batizado será salvo; quem não crer será condenado. Mc 16,16; Atos 2,38-39
Sinais. Mc 16,17.20; ao longo de Atos
Expulsar demónios. Mc 16, 17 e em Atos
Falar em novas línguas. Mc 16, 17; ~Atos 2, 2-13
Ser mordido por serpentes sem sofrer danos. Mc 16,17; Lc 10,19; ~Atos 28,3-6
Beber veneno sem sofrer danos. Mc 16, 18 – não há outros
Jesus ascendeu ao Céu em Betânia, na encosta do Monte das Oliveiras. Mc 16,19; Lc 24,51; Atos 1,9-11
Jesus sentou-se à direita de Deus. Mc 16, 19; Atos 7, 56
Eles pregaram por toda a parte. Mc 16, 20; Atos 1, 8
Em conclusão, beber veneno sem sofrer danos é o único ensinamento do final do Evangelho de Marcos que não é ensinado em mais nenhum outro ponto da Bíblia.
P: Em Mc 16,1, por que razão as mulheres levaram especiarias para ungir o corpo de Jesus?
R: Jesus foi rapidamente colocado no sepulcro antes do início do sábado, ao pôr-do-sol. As mulheres trouxeram especiarias para preservar o corpo através do embalsamamento.
P: Em Mc 16,8, uma vez que as mulheres não disseram nada a ninguém, terão elas contado aos discípulos?
R: Embora não tenham dito nada a ninguém no regresso do sepulcro, acabaram por contar a todos, e os discípulos foram os primeiros a quem contaram. Embora o facto de não terem dito nada a ninguém possa significar que só contaram aos discípulos após algum tempo, é mais provável que signifique que contaram apenas aos discípulos e a mais ninguém fora do seu pequeno grupo. Consulte «When Critics Ask», p. 377, para uma resposta complementar.
P: Em Mc 16,12, de que forma é que Jesus apareceu sob outra forma?
R: Isto significa simplesmente que os dois homens não reconheceram Jesus enquanto caminhavam com Ele. Jesus poderia estar a usar roupas diferentes e, certamente, teria um aspeto diferente do que tinha quando estava morto. Jesus ressuscitou fisicamente dos mortos, num corpo físico glorificado. Não se pode legitimamente utilizar este versículo para afirmar que Jesus tinha corpos diferentes, pois o facto de eles não o terem reconhecido não prova a existência de um corpo físico diferente.
P: Em Mc 16,16, Jesus diz: «Quem crer e for batizado será salvo». Em Rm 6,3, Paulo diz: «Todos nós que fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte». Em 1 Pe 3,21, Pedro diz: «A figura correspondente, pela qual também agora o batismo nos salva (não a remoção da imundícia da carne, mas a resposta de uma boa consciência para com Deus), pela ressurreição de Jesus Cristo». Significam estes versículos que o batismo é tão necessário quanto a fé para a salvação? E isso significa que não se trata de uma «ordança voluntária», como dizem os evangélicos, mas de um procedimento obrigatório?
R: A obediência a Jesus não é opcional, mas obrigatória, e Jesus ordenou-nos que fôssemos batizados. Por isso, todos os crentes devem ser batizados com água. No entanto, não é o batismo com água que nos salva, nem sequer é a nossa obediência (por mais imperfeita que seja) que nos salva. É Jesus quem nos salva. Assim, o poder está no sangue de Jesus, não na água. A crença na salvação é mencionada no Novo Testamento 150 vezes sem referência ao batismo. Mas todos devemos ser batizados.
Mas e quanto ao ladrão na cruz? Os romanos certamente não o deixariam descer para ser batizado e, depois, voltá-lo-iam a colocar na cruz. No entanto, Jesus disse-lhe: «Hoje estarás comigo no paraíso.» Além disso, Eusébio relata a história de um soldado romano chamado Basilides que se converteu a Cristo, tendo sido preso e executado. Iria ele para o inferno por ter acreditado em Cristo, mas os romanos não o terem deixado ser batizado, impedindo assim que Deus o salvasse? – claro que não. Assim, Deus é suficientemente capaz e poderoso para salvar as pessoas independentemente do batismo com água. O batismo com água não é essencial para que Deus salve alguém. No entanto, devemos obedecer a Deus e ser batizados.
P: Em Mc 16,16, o que acontece às pessoas que acreditam, mas nunca são batizadas?
R: Embora Marcos 16:16 não o especifique, João 3:36 e uma série de outros versículos afirmam que quem crer será salvo. O ladrão à direita de Jesus acreditou e foi para o Paraíso sem ser batizado; e, antes do ladrão na cruz, tanto os discípulos de Jesus batizavam (Jo 3:26; 4:2) como João Batista batizava para a remissão dos pecados (Mc 1:4; Lc 1:77; Lc 3:3b). Este versículo não o diz explicitamente, mas existem quatro casos.
Acreditam e são batizados: Salvos
Acreditam e ainda não foram batizados: salvos. Este versículo não o diz, mas Atos 10:45-47 mostra pessoas que acreditaram e foram salvas, como evidenciado pelo facto de falarem genuinamente em línguas, antes de serem batizadas com água.
Não crêem e são batizados: não são salvos
Não crêem e não são batizados: não são salvos, exceto no caso de Deus conceder uma graça especial a bebés que morrem, a pessoas com graves deficiências mentais, etc.
Talvez a razão pela qual não se menciona o segundo caso seja o facto de ser vontade de Deus que todos os crentes sejam obedientes a Deus e sejam batizados com água.
Além disso, o contexto deste versículo refere-se, aparentemente, a pessoas que são capazes de acreditar. Os bebés, as pessoas com deficiência mental grave e, talvez, outras que nunca rejeitaram Cristo, mas que nunca acreditaram, não são o tema deste versículo.
Eis um exemplo. Se a minha filha, na cozinha, me pedir troco de um dólar e eu lhe disser: «Dá-me um dólar e uma garrafa de água e eu dou-te o troco.» Se a minha filha me der ambas as coisas, dou-lhe o troco. Se a minha filha não me der um dólar, então não há troco. Mas e se a minha filha me der um dólar, mas não uma garrafa de água? Nesse caso, depende. Se ela disser: «Procurei, mas não consegui encontrar uma garrafa de água», então continuarei a dar-lhe o troco. Mas se ela disser algo desrespeitoso e se recusar a dar-me uma garrafa de água que pode arranjar, então não há troco.
Um membro da Igreja de Cristo deu o exemplo: «Se comer e digerir a sua comida, viverá; se não comer, morrerá.» A digestão da comida está implícita. No entanto, aplicar a Marcos 16:16 este exemplo de uma ação corporal involuntária a um mandamento de Deus ao qual devemos obedecer voluntariamente contradiz a Palavra de Deus, que promete a salvação a todos os que verdadeiramente crêem nos seguintes passos: João 3:16, 18, 36; João 5:24; 6:47; 11:25-26; Atos 10:43-48; Romanos 9:33; Joel 2:32a + Atos 2:21 + Romanos 10:9-10; 10:13; 1 João 5:1, 10-13
Resumo: Se crer, seja batizado. No entanto, o batismo não tem qualquer efeito se não crer.
P: Em Mc 16,16, Jesus diz: «Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado». Portanto, o homem não tem escolha. O homem tem de crer, caso contrário será condenado e castigado. Onde está a liberdade religiosa ou a liberdade de fé do homem? De que forma é que Jesus obriga as pessoas a crer, sob pena de serem condenadas?
R: Ninguém é forçado a acreditar. Mas Deus não concedeu liberdade sem consequências, mas sim liberdade com consequências. Se uma pessoa não quiser acreditar, após a sua morte, Deus colocá-la-á noutro universo, onde terá a liberdade de existir para sempre afastada de Deus. Esse lugar chama-se Lago de Fogo.
Mas concordo que não pareceria uma escolha muito livre se fosse inegavelmente certo para todos que ou obedeceriam a Deus ou iriam para o Lago de Fogo. É aí que a fé entra em cena. Deus deu-nos provas de que a Sua Palavra é verdadeira, mas não nos deu certeza absoluta. Se alguém não quiser acreditar em Deus, há «margem de manobra» suficiente para encontrar razões para duvidar de Deus e não acreditar. É interessante que possamos, inicialmente, rejeitar a crença em Deus e, depois, arrepender-nos, acreditar Nele e ser salvos. Os anjos e os demónios, por outro lado, não têm livre arbítrio exatamente da mesma forma que nós. Não podem negá-lo. E quando um demónio cai, não lhe é concedido o arrependimento. Cristo veio para redimir apenas as pessoas, não os anjos nem os demónios, como diz Hebreus 2:16.
P: Marcos 16:17-18 diz: «E estes sinais acompanharão aqueles que crerem: em meu nome expulsarão demónios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; imporão as mãos sobre os doentes, e estes recuperar-se-ão». E Paulo apresentou uma lista com estas mesmas capacidades como dons do Espírito Santo (1 Coríntios 12:10; 12:8). Significa isto que estes são os sinais da verdadeira fé? Devem todos os crentes possuir estes dons ao longo dos tempos? Por que razão já não vemos estes sinais nos cristãos?
R: O Espírito Santo concedeu a cada cristão um dom espiritual, e diferentes cristãos têm dons diferentes, embora muitos deles não pareçam espetaculares. Tal como os diferentes membros do nosso corpo têm funções diferentes, também nós temos funções diferentes dentro da igreja (1 Coríntios 12:14-27). Nem todos devem falar em línguas (1 Coríntios 12:30), tal como nem todos são apóstolos e profetas (1 Coríntios 12:29).
P: Em Mc 16,18, será que esta menção a pegar em serpentes justifica as pessoas nos Apalaches que pensam que algumas devem manusear cobras durante o culto?
R: Não. Mesmo sem este versículo, a Bíblia mostra que Deus concede aos cristãos a proteção de que necessitam e que Deus realizará milagres — não se limitando apenas à imunidade à picada de cobra — quando houver necessidade. No entanto, mesmo com este versículo, a Bíblia afirma que não devemos pôr Deus à prova, colocando-nos numa situação apenas para nos exibirmos.
Êxodo 17:2-7; Números 14:22; Deuteronómio 6:16; Salmo 78:17-18, 40-41, 56-57; 95:8-9. Aza é a exceção que confirma a regra. Embora Aza estivesse familiarizado com o conceito de pôr Deus à prova e não tencionasse fazê-lo em Isaías 7:12, não se trata de pôr Deus à prova ao responder quando um dos Seus profetas lhe faz uma pergunta.
P: Marcos 16:9-20 foi escrito por Marcos?
R: Os cristãos genuínos discordam quanto à existência original de Marcos 16:9-20.
Evidências externas que apontam para o «sim»
c. 150 d.C. Justino Mártir | A Primeira Apologia de Justino Mártir, cap. 45, p. 178, cita parte de Marcos 16:20 (não 1, 3 nem 11 palavras), acrescentando «de Jerusalém» antes da citação, em grego. |
c. 172 d.C. Diatessaron de Tatiano, secções 53:6a, 8; 53:35b, 37, 39a, 61b; 55:3, 5b, 8-10; 12a, 13b, 16 | Marcos 16:9 (citação completa); 16:10b; 16:11 (citação completa), 12a, 13b, 14f (20/21 palavras citadas), 15f (11/14 palavras citadas), 16-18 (citação completa), 19a (10/19 palavras citadas), 19f (9/19 palavras citadas), 20 (citação completa) |
182-188 d.C. Irineu, *Contra as Heresias*, livro 3, cap. 10.5, p. 426. (Irineu foi discípulo de Policarpo, discípulo de João) | «Além disso, perto do final do seu Evangelho, Marcos diz: “Assim, depois de o Senhor Jesus lhes ter falado, foi levado para o céu e está sentado à direita de Deus;”» (cita na íntegra Marcos 16:19) |
200 d.C. Tertuliano, «Tratado sobre a Alma», cap. 25 | «não de um único, como no caso do próprio demónio de Sócrates; mas de sete espíritos, como no caso de Maria Madalena» (No entanto, este ensinamento específico, de que sete demónios foram expulsos de Maria Madalena, também se encontra em Lucas 8:2.) |
198-220 d.C. Tertuliano, «Sobre a Ressurreição da Carne», cap. 51, p. 584, e também «Contra Praxeas», cap. 2, p. 598; cap. 30, p. 627 | A menção a Jesus sentado à direita do Pai provém de Marcos 16:19, mas também se encontra noutros versículos (Mt 26:64; Mc 14:62; Lc 22:69; At 2:34; Cl 3:1; Hb 1:3, 13; 8:1), pelo que não se trata de uma referência única. Tertuliano não cita frequentemente as Escrituras, mas faz alusão a elas com grande frequência. Assim, Tertuliano não pode ser utilizado como prova de que Marcos 16:19 constava do Evangelho de Marcos, mas também não constitui uma evidência contra tal hipótese. |
198-220 d.C. Tertuliano, *Scorpiace*, cap. 15, p. 648 | «Está escrito: “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.” Mas mesmo agora será justo que ele o ouça, visto que, muito tempo depois, ele derramou estes venenos, que nem mesmo assim prejudicam facilmente nenhum dos fracos, se alguém, na fé, beber, antes de ser ferido, ou mesmo imediatamente depois, este nosso trago.» (alusão um tanto alegórica a beber veneno sem sofrer danos) |
Séculos III/IV. Tradução siríaca curetoniana | |
Afrahat (337 d.C.) «Demonstrações Selecionadas», Demonstração 1, cap. 17, p. 351 | Cita na íntegra Marcos 16:16 e, em seguida, Marcos 16:17-18 |
Constituições Apostólicas, livro 6, secção 3, cap. 15 (partes mais recentes, c. 380 d.C.) | «Pois o Senhor diz: … “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.”» (cita Marcos 16:16) |
Constituições Apostólicas (375-380 d.C.), livro 7, secção 1, cap. 1 (cf. livro 5 e livro 8) | Cita textualmente Marcos 16:17-18, como proferido por Jesus Cristo |
Vítor de Antioquia, c. 425-450 d.C. | |
Nestório (444 d.C.) | |
Cirilo de Alexandria (444 d.C.) aceita como Escritura a citação de Nestório | |
c. 450 d.C. Manuscrito Alexandrino | |
Hesíquio de Jerusalém (após 450 d.C.) | |
Algumas obras em copta boairico dos séculos III-IV | |
Cópta sahídico dos séculos III-IV | |
Século V Evangelhos de Freer | |
400-500 d.C. Manuscrito do Rescriptus de Efraem | |
Synopsis Scripturae Sacrae (360-370 d.C. ou do século V ou VI) | apresenta uma paráfrase de Marcos 16:9-20 |
400-600 d.C. Manuscrito do Codex Bezae | |
~700 d.C., uma extensa família de textos bizantinos | |
Textos bíblicos posteriores (pelo menos 38 textos no total) | siríaco filoxeniano, siríaco harcleano, siríaco palestiniano, etíope, algum georgiano (do século V), eslavo, itálico, Vulgata, copta de Fayum |
A título de informação, os Evangelhos apócrifos de Nicodemos I e II mencionam o falar em novas línguas, serpentes e venenos, mas estes foram provavelmente escritos posteriormente. Note-se que uma fonte afirma que a Primeira Apologia de Justino Mártir, cap. 45 (p. 178), faz referência a Marcos 16, mas tal é incorreto; a Primeira Apologia de Justino não faz referência a Marcos 16.
Evidência interna que aponta para o «sim»: Nenhuma.
Evidências externas que indicam que não
c. 360 d.C. Perguntas de Eusébio a Mariano I
325-350 d.C. Vaticano: existe um espaço em branco nesse local. O Vaticano apresenta apenas espaços em branco entre alguns livros, tais como Malaquias e Mateus.
340-350 d.C. O Sinaítico também apresenta um espaço em branco nesse local, mas possui um espaço em branco entre quase todos os livros.
Note-se que, no Sinaítico e no Vaticano, o Evangelho de Marcos termina com a palavra «pois» (gar em grego). Nunca foi encontrado nenhum outro livro na literatura grega que termine com a palavra «pois». Por outro lado, existem muitos exemplos de frases e parágrafos gregos que terminam com esta palavra.
193-217/220 d.C. Clemente de Alexandria
225-254 d.C. Orígenes
406/407 d.C. Jerónimo, Epístola 120 (A Hedibia)
Pelo menos mais 6 manuscritos antigos
Sírio do Sinai
900-1000 d.C. O manuscrito arménio refere que foi acrescentado por Aristion, a quem Papias faz referência
Alguns georgianos (do século V)
Evidência interna que indica o contrário
Mudança abrupta nos pronomes do versículo 8 para o versículo 9. O sujeito do versículo 8 são as mulheres, enquanto o pronome no versículo 9, «anastas», é masculino. No entanto, também existem outros passagens com mudanças abruptas nos pronomes, tais como «Ele» = José de Arimatéia em Mc 15,46; «ele» = Jesus em Mc 15,47 e «elas» = Maria, Maria e Salomé em Marcos 16,1.
Vocabulário: 1/3 das palavras gregas significativas não são utilizadas ou são utilizadas de forma diferente no resto do Evangelho de Marcos. Existem 166 palavras no total e 101 palavras distintas. Ignorando nomes próprios, «o», etc., existem 75 palavras importantes distintas. 15 delas (incluindo «apistia» (sem fé) e «sklerokardia» (recusa obstinada em acreditar)) são utilizadas noutras passagens de Marcos. Outras 11 são utilizadas num sentido diferente.
Factos secos: parece carecer dos detalhes realistas do resto do Evangelho de Marcos.
Semelhanças entre os Evangelhos: Mateus e Lucas seguem o paralelo de Marcos até ao final do versículo 8.
Evidências externas que indicam que a situação não é clara: Mais de 8 manuscritos antigos não contêm todo o capítulo 16 de Marcos. Entre eles está o p45 (Marcos 12:29 e seguintes foram perdidos)
2386 — falta a página inteira
1420 — falta a página inteira
16 — danificado e sem todo o texto a partir de Marcos 16:6
304 — inclui o texto e um comentário
Um final mais curto do Evangelho de Marcos
Copta bohairico [Boh] do século III/IV
Etíope [Eth] de c. 500 d.C.
Catálogo de manuscritos de Marcos
P45 Papiro 45 (225) ~ danificado
B Vaticanus (325-350) ~ omissão
Sinaítico (340-350) ~ omissão
A Alexandrino (c. 450) ~ inclusão
C Efraemiano (450) ~ inclusão
D Bezae (500?) ~ inclusão
L Regius (750) ~ dupla inclusão
M Campianus (850) ~ inclusão
N Purpureus Petropolitanus (550) ~ danificado
U Nanianus (900) ~ inclusão
W Washington (400) ~ inclusão no Freer Logion
Sangellensis (900) ~ inclusão
Koridethi (800?) ~ inclusão
Petropolitanus (850) ~ danificado/inclusão (faltam 16:18-20)
Rossanensis (550) ~ danificado/inclusão (faltam 16:14-20)
Beratinus (550) ~ danificado
Laurensis (850) ~ dupla inclusão (o exemplar sugere o Final Curto)
Os minúsculos f1 (1, 118, 131, 209, 1582) ~ inclusão com nota ou sigla
As minúsculas f13 (13, 346, 543, 826, 828, 69, 124, 788, 983, 1689) ~ inclusão
28 (século XI?) ~ inclusão
33 (ano 1000) ~ inclusão
157 (1100) ~ inclusão
565 (800) ~ inclusão
579 (1200) dupla inclusão
700 (século XI?) ~ inclusão
892 (950?) ~ inclusão
1071 (século XII) ~ inclusão
1342 (século X) ~ inclusão
1424 (século VIII) ~ inclusão
Extraído de «Marcos 16:9-20, um Estudo das Provas Externas», de Jim Snapp II (2003)
Ensinamentos exclusivos de Marcos 16:9-20
Todas as doutrinas ou conceitos presentes no final mais extenso de Marcos encontram-se noutras partes da Bíblia, com exceção de quatro aspetos:
1. Jesus já tinha expulsado sete demónios de Maria Madalena.
2. Sinais que acompanham aqueles que acreditam:
[quando forçados], podem pegar em serpentes com as mãos em toda a segurança. (Lucas 10:19 diz que poderiam pisar serpentes e escorpiões, o que é semelhante a Marcos 16). Também é dado um exemplo em Atos 28:3-6, em que Paulo foi mordido por uma víbora sem que lhe fosse causado qualquer dano.
3. [quando forçados], podem beber veneno mortal em segurança.
4. Esta é a repreensão mais severa registada que Jesus dirigiu aos discípulos.
Conteúdo ausente: Marcos 14:28 e 16:7 não mencionam uma aparição de Jesus na Galiléia.
Conclusão: Se Marcos 16:9-20 foi erroneamente acrescentado a alguns manuscritos, tal ocorreu antes de 150 d.C. Se foi erroneamente retirado, tal ocorreu antes de 217 d.C.
P: Deve Marcos 16:9-20 ser considerado Escritura, tal como o resto do Evangelho de Marcos?
R: Claro que sim, se tiver sido escrito por Marcos. No entanto, alguns cristãos afirmam que, devido à sua inclusão precoce e à sua aceitação generalizada, continua a ser Escritura, mesmo que tenha sido escrito por um secretário ou por outra pessoa em vez de Marcos. Bruce Metzger aparentemente defendia esta opinião.
P: Em Mc, que provas existem de que Marcos escreveu este livro?
R: A Igreja primitiva reconheceu universalmente que este livro era de Marcos. Papias, um discípulo do apóstolo João, afirmou que era de autoria de Marcos, que seguiu Pedro. O cético «Guia de Asimov para a Bíblia», na página 905, também menciona o que Papias disse.
P: No Evangelho de Marcos, uma vez que Marcos não era apóstolo, por que razão deveria o Evangelho de Marcos constar da Bíblia?
R: Marcos era geralmente reconhecido como o intérprete de Pedro. Eis a evidência.
Papias (95-110 d.C.): «Entre estas, ele [Papias] afirma que haverá um milénio após a ressurreição dos mortos, altura em que o reinado pessoal de Cristo será estabelecido nesta terra. Além disso, transmite, nos seus próprios escritos, outras narrativas fornecidas pelo já mencionado Aristion sobre as palavras do Senhor, bem como as tradições do presbítero João. Para obter informações sobre estes pontos, basta remeter os nossos leitores para os próprios livros; mas agora, aos excertos já apresentados, acrescentaremos, por se tratar de uma questão de importância primordial, uma tradição relativa a Marcos, que escreveu o Evangelho, a qual ele [Papias] transmitiu com as seguintes palavras: E o presbítero disse o seguinte. Marcos, tendo-se tornado o intérprete de Pedro, registou com precisão tudo o que se lembrava. No entanto, não foi numa ordem exata que ele relatou as palavras ou os atos de Cristo. História Eclesiástica de Eusébio 3:39 (vol. 1, p. 154)
Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.): «…Marcos, a quem é atribuído o Evangelho, sendo ele o companheiro de Pedro…» Fragmento de Clemente de Alexandria na «História Eclesiástica» de Eusébio, livro 2, cap. 15.
Tertuliano (198-220 d.C.): «A mesma autoridade das igrejas apostólicas fornecerá provas também para os outros Evangelhos, que possuímos igualmente por meio delas e de acordo com o seu uso — refiro-me aos Evangelhos de João e de Mateus —, enquanto se pode afirmar que o que Marcos publicou é de Pedro, de quem Marcos era intérprete. Pois até mesmo a versão do Evangelho de Lucas é habitualmente atribuída a Paulo. E pode muito bem parecer que as obras que os discípulos publicam pertencem aos seus mestres.» Tertuliano, Contra Marcião, livro 4, capítulo 5, p. 350.
P: Quando foi escrito o Evangelho de Marcos?
R: O prólogo antimarcionita de Marcos também afirma: «Após a morte do próprio Pedro, ele [Marcos] redigiu este mesmo Evangelho…» (retirado de *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 99). Irineu, em «Contra as Heresias», livro 3, cap. 1.1, p. 414 (182-188 d.C.), afirma que Marcos escreveu após «a partida» de Pedro e Paulo, o que corresponderia a pouco depois de c. 64-65 d.C. No entanto, o «The Expositor’s Bible Commentary», volume 8, p. 608, refere que Irineu também escreveu que o Evangelho de Mateus foi escrito enquanto Pedro e Paulo ainda estavam vivos, e estamos quase certos de que isso está incorreto.
No entanto, de acordo com a «História Eclesiástica» de Eusébio, 6:14.5-7, Clemente de Alexandria afirmou que o Evangelho foi escrito enquanto Pedro se encontrava em Roma, por volta de 45-64 d.C. Orígenes também considerava que Pedro ainda estava vivo quando o Evangelho de Marcos foi escrito.
Harnack considerava que o Evangelho de Marcos foi escrito antes de 62 d.C.
O «Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 98, afirma que a datação do Evangelho de Marcos é problemática e que as duas melhores opções são 67-69 d.C. ou 64-68 d.C.
No «New International Bible Commentary», p. 1157, Stephen S. Short afirma que foi por volta de 65 d.C. Na p. 1183, Laurence E. Porter afirma que é evidente que o Evangelho de Marcos foi escrito antes do de Lucas, e que este último poderá ter sido escrito na primeira metade da década de 60.
O «Expositor’s Bible Commentary», volume 8, p. 608, afirma que a melhor estimativa é 65-70 d.C., entre o Grande Incêndio de Roma e a destruição do Templo. José O’Callaghan encontrou um papiro na caverna 7 de Qumran que poderá ser um fragmento do Evangelho de Marcos, datado de cerca de 50 d.C. No entanto, o «Expositor’s Bible Commentary», volume 8, p. 608, afirma que esta hipótese «foi amplamente rejeitada pelos estudiosos do Novo Testamento (cf. EBC 1:420-421, n.º 1). As provas apresentadas por O’Callaghan são demasiado fragmentárias para serem fiáveis.»
A «New Geneva Study Bible», na página 1558, afirma que o Evangelho de Marcos teve de ter sido escrito antes de 70 d.C. No entanto, acrescenta que, se o Evangelho de Lucas e os Atos de os Apóstolos tiverem sido concluídos por volta de 62 d.C., então o Evangelho de Marcos seria ainda anterior a 62 d.C.
A «NIV Study Bible», na p. 1490, afirma que poderá ter sido nos anos 50 ou 60, ou pouco antes da destruição de Jerusalém em 70 d.C.
O «New International Dictionary of the Bible», na página 622, afirma que foi entre 65 e 70 d.C., embora alguns conservadores defendam uma data na década de 50.
O «Dicionário Bíblico Wycliffe», na página 1078, afirma que, embora a maioria dos intérpretes date o Evangelho de Marcos entre 65 e 70 d.C., a data mais provável situa-se entre 67 e 70 d.C.
O «Comentário Bíblico do Crente», na página 1318, afirma que, embora alguns apontem uma data tão precoce quanto a década de 50, uma data entre 57 e 60 d.C. parece bastante provável.
O «Dicionário de Jesus e dos Evangelhos», na página 528, afirma que foi escrito no final da década de 60, por exemplo, entre 68 e 70 d.C.
O cético «Asimov’s Guide to the Bible», na página 903, afirma que o Evangelho de Marcos pode ter sido escrito pouco depois de 64 d.C. Pode não ter sido escrito antes de 66 d.C., mas não pode ter sido muito depois de 70 d.C., baseando o seu argumento no facto de Mateus e Lucas terem utilizado material do Evangelho de Marcos.
P: No Evangelho de Marcos, como sabemos que a Escritura que hoje conhecemos é uma preservação fiável do que foi originalmente escrito?
R: Existem, pelo menos, três boas razões.
1. Deus prometeu preservar a Sua palavra em Isaías 55:10-11; Isaías 59:21; Isaías 40:6-8; 1 Pedro 1:24-25; e Mateus 24:35.
2. As evidências da Igreja primitiva. Muitos escritores referiram-se a Marcos.
1 Clemente, cap. 15, p. 9, cita Mc 7,6, embora esta citação seja também uma referência a Mt 15,8 e Is 29,13.
Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.), cap. 5, p. 139: Marcos 2:17b, que corresponde também a Mateus 9:13b; e Lucas 5:32. (citação parcial)
Papias (95-110 d.C.) refere-se nominalmente aos livros de Marcos, Mateus, à Primeira Epístola de João e à Epístola de Pedro. Fragmento 6 da «História Eclesiástica» de Eusébio, livro 3, cap. 39. Eusébio, ao escrever, questionou a Segunda Epístola de Pedro; por isso, a «Epístola de Pedro» referir-se-ia à Primeira Epístola de Pedro.
Policarpo (c. 150 d.C.) cita metade de um versículo: Marcos 14:38b. Carta de Policarpo aos Filipenses, cap. 7, p. 34-35
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) cita dois versículos de Marcos: 2:17 e 12:25. Em ambos, refere-os como sendo do Salvador.
O herege Tatiano (c. 172 d.C.) escreveu uma harmonia dos quatro evangelhos chamada Diatessaron. Nela, refere-se a 437,5 versículos de Marcos. Isso corresponde a 64,6% de todo o evangelho.
Melito de Sardes (170-180 d.C.) refere-se a Lucas e a Marcos como o «evangelho». Menciona 1 Coríntios como sendo do apóstolo. Citação de Hebreus. Oração sobre a Paixão do Senhor, cap. 9, p. 760-761
O herege gnóstico Ptolomeu (antes de 188 d.C.) refere-se a Marcos 15:34, segundo Irineu
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) cita a totalidade ou parte de 18 versículos de Marcos. Na obra de Irineu «Contra as Heresias», livro 3, capítulo 10.5, p. 425, menciona Marcos, o intérprete e seguidor de Pedro, na sua narrativa do Evangelho, e cita Marcos 1:2a. Nos primeiros doze capítulos de Marcos, as citações ou paráfrases de Irineu são: Marcos 1:1, 2, 24; 3:27; 4:28; 5:31; 9:23; 10:38; 13:32; 14:21b; 16:19.
Irineu faz alusão a Marcos 6:41,44; 9:2; 10:17; 13:33.
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) afirma: «perto do final do seu Evangelho, Marcos diz» e, em seguida, cita Marcos 16:19 na íntegra. Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 10.5, p. 426
Irineu menciona Jesus a conferir o poder de pisar serpentes e escorpiões, o que constitui uma referência a Lucas 10:19, mas também poderia referir-se a Marcos 16:17,18.
O Cânone Muratoriano (c. 170 d.C.) menciona Marcos juntamente com os outros três evangelhos.
Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.) parafraseia Marcos 10:17-31, dizendo: «Estas coisas estão escritas no Evangelho segundo Marcos» — «Quem é o homem rico que será salvo?», cap. 5, p. 592
Tertuliano (198-220 d.C.) salienta a autoria de Mateus, Marcos, Lucas, João, do Apocalipse e de muitas das Cartas de Paulo em «Cinco Livros Contra Marcião», livro 4, cap. 5, p. 350.
Hipólito (225-235/6 d.C.) escreve: «que nem o apóstolo Paulo nem Marcos, aquele do dedo mutilado, anunciaram tais (doutrinas). Pois nenhuma destas (doutrinas) foi escrita no Evangelho segundo Marcos.» *Refutação de Todas as Heresias*, livro 7, capítulo 18, p. 112. Hipólito também cita metade de Marcos 10:38 em *Refutação de Todas as Heresias*, livro 5, capítulo 3, p. 53
Hipólito faz referência a Mateus 19:17; Marcos 10:18 e Lucas 18:19, afirmando que se trata de algo «do Salvador» em «Refutação de Todas as Heresias», livro 5, cap. 2, p. 50.
Commodiano (c. 240 d.C.) alude tanto a Marcos 12:42 como a Lucas 21:2. «Instruções de Commodiano», cap. 72, p. 217
Orígenes (225-253/254 d.C.) cita extensivamente o Evangelho de Marcos. As suas citações incluem Marcos 1:1-2. Escreveu também um comentário completo sobre o Evangelho de Marcos.
Orígenes menciona Mateus, Marcos, Lucas e João. Orígenes, *Contra Celso*, livro 5, cap. 56, p. 568. Cita-se também Mateus 18:1 no *Comentário sobre Mateus* de Orígenes, livro 13, cap. 14, p. 482.
«Tratado sobre o Rebatismo» (c. 250-258 d.C.), cap. 17, p. 677: «Também, segundo Marcos, Ele disse, com o mesmo propósito, aos filhos de Zebedeu». Refere-se igualmente a Marcos 16:8.
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) «Também segundo Marcos: “Todos os pecados e blasfémias serão perdoados aos filhos dos homens; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, mas será culpado de pecado eterno.”» (Marcos 3:28-29) Tratados de Cipriano, Tratado 3, cap. 28, p. 542
Firmiliano de Cesareia a Cipriano (256 d.C.) cita Marcos 13:6 como sendo do «próprio Senhor». (Carta 74, cap. 9, p. 392)
Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.): «Foi “no fim do sábado”, como diz Mateus; foi “de madrugada, quando ainda estava escuro”, como escreve João; foi “muito cedo pela manhã”, como afirma Lucas; e foi “muito cedo pela manhã, ao nascer do sol”, como nos diz Marcos. Assim, ninguém nos indicou claramente a hora exata em que Ele ressuscitou.» Carta 5 ao bispo Basilides, p. 94
Teonas de Alexandria (c. 300 d.C.) faz alusão a Marcos 11:25: «e assim como desejais que Ele vos perdoe as vossas transgressões, perdoai também vós as dos outros»; Carta a Luciano, o Camareiro-mor, cap. 9 (vol. 6), p. 160
Adamantio (c. 300 d.C.) «Concordará se eu demonstrar, a partir dos Evangelhos, que estes não são invenções?» … «Foram os discípulos de Cristo que os escreveram: João e Mateus; Marcos e Lucas.» Diálogo sobre a Verdadeira Fé, Primeira Parte, «b 5», p. 41
Victorinus de Petau (martirizado em 304 d.C.) menciona Mateus, Marcos e Lucas no «Comentário sobre o Apocalipse do Beato João», a partir do capítulo IV, n.ºs 7-10, p. 348
Metódio (270-311/312 d.C.) (citação parcial) cita Marcos 11:9b, que corresponde também ao Salmo 118:26a; Mateus 21:9b; Lucas 19:38a; e João 12:13b. «Em vez das nossas vestes, espalhemos os nossos corações perante Ele. Em salmos e hinos, elevemos a Ele os nossos gritos de ação de graças; e, sem cessar, exclamemos: “Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor”;» Oração sobre os Salmos, cap. 1, p. 394
Atanásio de Alexandria (c. 318 d.C.) cita parte de Marcos 12:29 como «diz o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo» em Contra os Pagãos, cap. 6, p. 7. Cita também Marcos 5:7, que é idêntico a Lucas 4:34, em A Encarnação do Verbo, cap. 32.5, p. 53. Atanásio cita Marcos 13:35, que corresponde a Mateus 24:42, em *A Encarnação do Verbo*, cap. 56.5, p. 66. Embora Atanásio não faça referência a quaisquer outros versículos de Marcos anteriores a 325 d.C., faz referência a muitos outros versículos de Marcos posteriores a 325 d.C.
Lactâncio (c. 303-c. 325 d.C.) alude a Mateus 14; Marcos 6, Lucas 9 e João 6 quando relata o episódio dos cinco pães e dois peixes. «Instituições Divinas», livro 4, cap. 15, p. 115
Lactâncio (c. 303-c. 325 d.C.) faz alusão a Mateus 8, Marcos 4 e Lucas 8 quando fala das «escrituras sagradas» que ensinam que Jesus «compeliu os ventos a obedecerem, os mares a servirem-No, as doenças a afastarem-se e os mortos a submeterem-se». «Instituições Divinas», livro 4, cap. 15, p. 116
Consulte a próxima pergunta para saber quais versículos e partes de versículos foram citados e quais não foram.
Após Nicéia
A «História Eclesiástica» de Eusébio (318 d.C.), livro 3, cap. 24, p. 152, discute os quatro evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. «Pais Nicenos e Pós-Nicenos», Segunda Série, vol. 1, p. 152
Juvêncio (329 d.C.) escreveu um poema épico que combinava os quatro evangelhos.
Hegemónio (c. 350 d.C.), ao escrever sobre Arquelau (262-278 d.C.), cita Marcos 2:9 como tendo sido proferido por Jesus num dos seus discursos em «Disputa com Manes», cap. 42, p. 217
Atanásio de Alexandria (367 d.C.) enumera os livros do Novo Testamento na «Carta Festiva» n.º 39, p. 552
Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.) refere-se com autoridade a João, Lucas, Mateus e Marcos. Em «Sobre a Trindade», livro 10, cap. 43, p. 193
A «Synopsis Scripturae Sacrae» (350-370 d.C. ou século V) menciona Marcos como parte do Novo Testamento. Cita na íntegra Marcos 1:1-2.
Basílio da Capadócia (357-378/379 d.C.) refere-se a Marcos 13:32 como sendo de Jesus, na Carta 8, cap. 7, p. 119
Ambrosiaster (após 384 d.C.)
Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) refere-se a Marcos 1:1,4 como o evangelho na Palestra 3.6, p. 15
Cânone de Cheltenham (= Catálogo de Mommsen) (c. 360-370/390 d.C.) refere-se a cada um dos quatro evangelhos.
Ambrósio de Milão (370-390 d.C.)
Anfilóquio (-397 d.C.) cita Marcos em «Iambi ad Seleucum»
Didimo, o Cego (398 d.C.)
Asterius de Emesa (c. 400 d.C.)
Catálogo sírio de Santa Catarina (c. 400 d.C.)
Severiano (floresceu entre 400 e 408 d.C.)
Epifânio de Salamina (360-403 d.C.) refere-se ao Evangelho de Marcos. O *Panarion*, secção 3, cap. 44, p. 345
Jerónimo (347-420 d.C.) menciona cada um dos quatro evangelhos pelo nome na carta 53.9, p. 101.
João Crisóstomo (martirizado em 406 d.C.) menciona Marcos na Homilia 4, p. 20 (vol. 10)
Cromácio (falecido em 407 d.C.)
Orosio/Hósio de Braga (414-418 d.C.) alude a Mateus 26:47-50; Marcos 14:43-46; Lucas 22:47-48; João 18:3-9. Defesa contra os pelagianos, cap. 8, p. 124
João Cassiano (semipelagiano) (419-430 d.C.) Diz-se que Marcos 9:23 provém do Evangelho, na «Conferência do Abade Paphnutius», cap. 16, p. 327
Agostinho de Hipona (354-430 d.C.)
Marco de Eremita (após 430 d.C.) refere-se a Marcos
Polikrônio de Apameia (floresceu entre 428 e 431) refere-se a Marcos 13:2
Teodoreto de Ciro (bispo e historiador) (423-458 d.C.)
Hesíquio de Jerusalém (-450 d.C.) faz referência aos quatro evangelhos
Speculum (século V)
Proclo (412-485 d.C.) refere-se a Marcos 14:5
Provas da existência de hereges e de livros espúrios
Constituições Apostólicas (375-380 d.C.)
O herege ariano Eunómio de Cízico (c. 360-c. 394 d.C.) alude a Marcos 10:18 («Só Deus é bom») Carta Apologética, cap. 21, p. 61
«O Bazar de Heracleides», de Nestório (451/452 d.C.)
3. Os manuscritos mais antigos que possuímos de Marcos revelam que existem pequenas variações manuscritas e uma variação significativa, mas nenhum erro teologicamente relevante. O final de Marcos constitui a variação manuscrita mais notável em todo o Novo Testamento.
p. 45 Chester Beatty I (os quatro evangelhos e os Atos) (100-150 d.C.) (anteriormente considerado do final do século II ou início do século III d.C.) (Mc 4:36-5:2; 5:16-26; 5:38-6:3; 2 letras de 6:15; 6:16-25, 36-50; 7:3-15; 7:25-8:1; 8:10-26; 8:34-9:8; 4 letras de 9:9; 9:18-31; 11:27-12:1; 12:5-8, 13-19, 24-28 [147 versículos]) A obra *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts* apresenta uma fotografia que mostra parte do p45 na p. 146. Nas pp. 150-151, afirma-se que a cópia era uma paráfrase livre, na qual o autor procura realçar o pensamento de cada frase. A obra «Uma Introdução Geral à Bíblia», na p. 389, refere que se pensa que o rolo original tinha cerca de 220 folhas, das quais possuímos 30. Seis dessas folhas pertencem ao Evangelho de Marcos.
Século III – 1968 – O Texto do Novo Testamento
Século III – 1975 – Aland et al. Terceira Edição
Século III – 1998 – Aland et al., 4.ª edição revista
Final do século II ou início do século III — 1999 — O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento.
p. 84 Mc 2,2-5,8-9; 6,30-31,33-34; 36-37, 39-41; bem como Jo 5,5; 17,3,7-8 (século VI)
p. 88 Mc 2,1-26 (século IV)
O Vaticanus [B] (325-350 d.C.), o Sinaiticus [Si] (340-350 d.C.) e o Alexandrinus [A] (c. 450 d.C.) contêm todo o Evangelho de Marcos.
O Códice de Washington (séculos IV/V) preservou todo o Evangelho de Marcos, com exceção de Marcos 15:13-38.
Na caverna 7 de Qumran, José O’Callaghan encontrou um papiro, datado de 50 d.C., que poderá constituir fragmentos do Evangelho de Marcos. No entanto, o «The Expositor’s Bible Commentary», volume 8, p. 608, afirma que este «foi amplamente rejeitado pelos estudiosos do Novo Testamento (cf. EBC 1:420-421, n.º 1). As provas apresentadas por O’Callaghan são demasiado fragmentárias para serem fiáveis.»
Carsten Thiede afirma que Marcos 6:52-53 se encontra preservado na caverna 7 de Qumran como o pergaminho 7Q5. No entanto, esta afirmação é controversa, uma vez que a maioria dos estudiosos conservadores da Bíblia não a aceita. Embora até os seus críticos admitam que o 7Q5 possa, de facto, corresponder a Marcos 6:52-53, o fragmento é tão difícil de ler que a maioria dos estudiosos afirma não ser possível chegar a uma conclusão definitiva em nenhum dos sentidos.
Copta boairico [Boh] século III/IV
Copta sahídico [Sah] Séculos III/IV
Arménio [Arm] a partir do século V
Georgiano [Geo] a partir do século V
Etíope [Eth] a partir de c. 500 d.C.
Sírio harcleano [Syr H]
Consulte www.BibleQuery.org/Mark Manuscripts.html para obter mais informações sobre os primeiros manuscritos de Marcos.
P: No Evangelho de Marcos, que versículos e partes de versículos foram citados pelos escritores pré-nicenos (antes de 325 d.C.)?
R: Antes de 325 d.C., os escritores da Igreja citaram cerca de 77,3% dos versículos do Evangelho de Marcos. Isso corresponde a 524,38 versículos. Por outras palavras, todos os 678 versículos do Evangelho de Marcos foram citados, com exceção de 153,62 versículos. Os versículos e frações de versículos não citados são: Marcos: 1:4a (8/15 palavras); 1:20 e seguintes (12/19 palavras); 1:22 e seguintes (12/18 palavras); 1:27 e seguintes (21/24 palavras); 1:29a (6/17 palavras); 1:30-32; 1:34; 1:39a (11/15 palavras); 1:40; 2:2f (5/16 palavras); 2:13; 2:15; 2:16m (5, e não 7, de 12 palavras), 2:17a (8/23 palavras); 2:18a (9/31 palavras); 2:23 e seguintes (10/20 palavras); 3:1a (9/14 palavras); 3:6m (não 5, 5, não 5 palavras); 3:13; 3:17-18; 3:19 e seguintes (4/7 palavras); 3:22-23; 3:26a (9/15 palavras); 3:27a (6/26 palavras); 3:32-35 palavras); 4:1m (7 não 6 9 não 11 palavras); 4:2; 4:3a (2/5 palavras); 4:4a (2/3 da citação); 4:5a (2/3 da citação); 4:12m (1, e não 5, de 11 palavras); 5:15a (8/26 palavras); 5:16a (11/18 palavras); 4:21; 4:24a (3/15 palavras); 4:30a (2/14 palavras); 4:34; 5:5f (13/19 palavras); 5:8; 5:10f (1/11 palavras); 5:12; 5:13m (não 3, 10, não 17 palavras); 5:17m (2, e não 4, 3 palavras); 5:18-19; 5:21 e seguintes (5/21 palavras); 5:22; 5:24a (4/12 palavras); 5:31a (13/16 palavras); 5:32; 5:33 e seguintes (3/20 palavras); 5:34a (5/20 palavras); 5:35-36; 5:40m (não 13, 7, não 6 palavras); 5:41m (não 8, 7, não 3 palavras); 6:1a (3/15 palavras); 6:3m (não 5, 6, não 16, 4 palavras); 6:4a (5/25 palavras); 6:7; 6:8a (3/21 palavras); 6:10; 6:11a (3/23 palavras); 6:14a (5/28 palavras); 6:15a (9/15 palavras); 6:17f (2/24 palavras); 6:32; 6:34m (6, e não 11 5 palavras); 6:37-38; 6:41m (8, e não 12 10 palavras); 6:43f (4/10 palavras); 6:44; 6:46-50; 6:51a (11/18 palavras); 6:53; 7:6a (14/29 palavras); 7:10a (2/19 palavras); 7:17f (10/15 palavras); 7:25f (6/19 palavras); 7:26m (8, e não 4, 9 palavras); 7:27a (17/21 palavras); 7:28a (5/18 palavras); 7:29a (8/15 palavras); 7:34m (não 9, 3, não 1 palavras); 8:1; 8:5a (3/10 palavras); 8:7-10; 8:11a (8/17 palavras); 8:31a (5/30 palavras); 8:32m (não 4, 5, não 4 palavras); 9:2a (7/28 palavras); 9:5m (7, não 6, 15 palavras); 9:7a (8/20 palavras); 9:9; 9:14a (5/15 palavras); 9:15a (3/12 palavras); 9:16-17; 9:18f (11/26 palavras); 9:19; 9:22a (17/22 palavras); 9:27f (2/11 palavras); 9:29a (3/14 palavras); 9:31 e seguintes (17/26 palavras); 9:32; 9:34 e seguintes (9/12 palavras); 9:35a (8/19 palavras); 9:38; 9:40-43; 9:45-46; 10:3a (2/8 palavras); 10:5 e seguintes (9/14 palavras); 10:14a (4/22 palavras); 10:29 e seguintes (6/29 palavras); 10:33a (10/25 palavras); 10:45m (5 (não 5) e 1 (não 7) palavras); 10:46a (4/26 palavras); 10:52; 11:7 e seguintes (4/18 palavras); 11:8a (9/16 palavras); 11:17-18; 11:23 e seguintes (15/31 palavras); 12:1a (6/24 palavras); 12:12f (4/20 palavras); 12:13f (4/14 palavras); 12:14a (5/39 palavras); 12:18m (não 3, 7 não 4 palavras); 12:23m (não 3, 2 não 4, 7 palavras); 12:25a (5/16 palavras); 12:26a (6/33 palavras); 12:35a (12/16 palavras); 12:36a (8/27 palavras); 13:1f (13/19 palavras); 13:4f (9/14 palavras); 13:9a (12/23 palavras); 13:10f (2/5 palavras); 13:11as (1/6 citação); 13:12; 13:13f (7/16 palavras); 13:18; 13:27m (não 15 2 nem 3 palavras); 14:5 e seguintes (3/16 palavras); 14:8a (9/16 palavras); 14:10; 14:11m (não 5, 1, não 3, 6 palavras); 14:12 e seguintes (27/36 palavras); 14:13a (9/22 palavras); 14:14a (1/24 palavras); 14:17; 14:18a (8/21 palavras); 14:25-26; 14:27m (5 — e não 5 — 7 palavras); 14:28-29; 14:30a (13/21 palavras); 14:32-34; 14:39f (5/9 palavras); 14:44a (8/18 palavras); 14:45-50; 14:53f (16/20 palavras); 14:54-57; 14:61f (16/23 palavras); 14:63 (7/12 palavras); 14:65m (5, e não 12; 3, e não 3 palavras); 14:66-67; 14:68f (9/20 palavras); 14:69f (5/15 palavras); 14:70a (13/21 palavras); 14:72a (8/18 palavras); 15:1a (12/23 palavras); 15:2f (7/18 palavras); 15:4m (não 6, 4 não 4 palavras); 15:6-7; 15:9a (6/13 palavras); 15:10-12; 15:14 e seguintes (6/15 palavras); 15:15a (6/20 palavras); 15:18a (4/8 palavras); 15:19; 15:20a (14/20 palavras); 15:21m (9, e não 5, 5 palavras); 15:22; 15:24-27; 15:29a (4/21 palavras); 15:33; 15:34m (não 11, 2, e não 13 palavras); 15:36f (8/19 palavras); 15:37-39; 15:40a (7/24 palavras); 15:41a (11/19 palavras); 15:43a (16/27 palavras); 15:45m (não 2, 3, não 5 palavras); 15:46f (18/26 palavras); 15:47f (3/12 palavras); 16:1a (16/20 palavras); 16:5a (3/16 palavras); 16:6a (4/22 palavras); 16:10a (3/10 palavras); 16:12m (não 6, 1, não 5, 2 palavras); 16:13a (5/8 palavras); 16:14a (1/21 palavras); 16:15a (13/24 palavras)
Todos os versículos ou partes de versículos que não constam desta lista foram citados. Consulte www.bibleQuery.org/Bible/BibleCanon/EarlyChristianNTQuotes.xls para mais informações.