< Pergunta bíblica de John
As questões que se encontram em mais do que um Evangelho são abordadas na secção «Evangelhos» ou, caso contrário, no primeiro Evangelho em que aparecem.
P: No Evangelho de João, quais são alguns dos elementos distintivos deste evangelho?
R: João salienta que Jesus é Deus. Jesus Cristo, Deus e o Filho de Deus, veio e morreu para que as suas ovelhas acreditem e, ao acreditarem, possam ter a luz e a vida através do Filho. Ele utiliza a palavra «acreditar/fé» 89 vezes, o que é mais do que Mateus, Marcos e Lucas juntos. Cristo é a única esperança. Para aqueles que depositam a sua esperança em Cristo, Ele restaura a mulher samaritana, a mulher adúltera, Pedro e outros culpados de pecados ainda mais graves do que estes.
É geralmente aceite que o Evangelho de João foi o último a ser escrito, provavelmente mesmo depois de Clemente de Roma ter escrito, entre os anos 96 e 98 d.C. Em João 20:30, João indica que não registou muitas das coisas que Jesus fez. João provavelmente tinha conhecimento dos outros evangelhos e o seu evangelho dá menos ênfase aos feitos de Jesus, preenchendo as lacunas no que diz respeito aos ensinamentos que não constam nos outros evangelhos. Um versículo-chave é João 20:31, onde está escrito que estas coisas foram escritas para que possamos acreditar.
No que diz respeito às seitas, João 5:23 e João 20:28 destacam-se como bons versículos para utilizar com as Testemunhas de Jeová.
P: Em João, qual é o esboço deste livro?
R: Eis um esboço do Evangelho de João. Os sete sinais foram realizados antes da Semana Santa.
João 1:1-18 Prólogo: O Verbo feito carne
João 1:19-51 O início do ministério: João Batista e os primeiros discípulos
Jo 2-11 O Ministério Público em Sete Sinais
- Jo 2, 1-11 Sinal 1: Primeiro milagre: a transformação da água em vinho em Caná
- Jo 2, 12-25 Primeira purificação do Templo
- Jo 3, 1-21 Nicodemos questiona Jesus
- Jo 3, 22–4, 3 Paralelo com João Batista
- Jo 4, 4-42 A mulher junto ao poço
- Jo 4, 43-54 Sinal 2: Em Caná, a cura do filho do oficial em Cafarnaum
- Jo 5 Festa em Jerusalém
- - Jo 5, 16-47 Sinal 3: Cura do inválido no estanque de Betesda, em Jerusalém 5, 1-15
- - Jesus e o Pai
- Jo 6, 1-14 Sinal 4: A alimentação dos 5 000 junto ao Mar da Galileia
- Jo 6, 15-21 Sinal 5: Caminhar sobre as águas
- Jo 6, 25-71 Declaração 1: «Eu sou o pão da Vida»
- Jo 7-8 Oposição: A Festa dos Tabernáculos em Jerusalém
- - Jo 7, 1-52 A incredulidade dos judeus
- - Jo 7:53-8:11 Perdão: A mulher apanhada em adultério
- - Jo 8:12-59 Declaração 2: «Eu sou a luz do mundo»
- Jo 9 Sinal 6: A cura do homem cego de nascimento em Jerusalém
- Jo 10, 1-21 Declarações 3 e 4: «Eu sou a porta das ovelhas e o Bom Pastor»
- Jo 10:22-39 Debate na Festa da Dedicação
- Jo 10, 40-42 Ministério na Peréia
- Jo 11 Sinal 7: A ressurreição de Lázaro em Betânia. Declaração 5: «Eu sou a ressurreição e a vida»
Jo 12-19 Semana Santa
- Jo 12, 1-11 A unção dos pés de Jesus
- Jo 12, 12-19 A entrada triunfal
- Jo 12:20-36 A vinda dos gregos
- Jo 12, 37-50 A contínua incredulidade dos judeus
- Jo 13-17 Ministério privado
- - Jo 13-14 A Última Ceia
- - - Jo 13 A Última Ceia
- - - Jo 14 Declaração 6: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida»
- - Jo 15-16 Declaração 7: «Eu sou a verdadeira videira»
- - Jo 17 A oração sacerdotal de Jesus
- Jo 18-19 A Paixão
- - Jo 18, 1-12: Jesus traído e preso
- - Jo 18, 13-19, 15: Os julgamentos de Jesus
- - Jo 19, 16-42: Crucificação, morte e sepultamento
Jo 20 O triunfo da ressurreição
Jo 21 Epílogo: A pesca e a refeição
- Pesca milagrosa de 153 peixes 21:1-14
- Pedro reinstaurado 21:15-25
O Evangelho de João é muito semelhante em estilo às Epístolas de João 1, 2 e 3. João não tenta responder timidamente à pergunta: «Quem é Jesus?». Pelo contrário, João é ousado ao proclamar com veemência: «Este é Jesus!» Também nós devemos ser ousados na nossa proclamação do Evangelho.
P: No Evangelho de João, os detalhes da vida de Jesus são bastante diferentes daquilo que os três primeiros evangelhos sinópticos têm em comum, tal como afirma o cético «Guia de Asimov para a Bíblia», na página 952?
R: João apresenta detalhes diferentes, mas estes são compatíveis. É muito provável que o Evangelho de João tenha sido escrito após os três primeiros evangelhos. Ele centrou-se menos nos detalhes históricos — que já tinham sido amplamente abordados nos três primeiros evangelhos — e mais no significado do que Cristo ensinou.
Consulte a secção sobre os evangelhos para uma harmonização completa, em 317 pontos, dos quatro evangelhos.
P: Em Jo 1,1, esta passagem deve ser traduzida como «era divino», «era Deus» ou «era um Deus», como afirmam as Testemunhas de Jeová?
R: Deve ser «era Deus». Aqui está um resumo das evidências linguísticas e de outra natureza.
Não apenas «um» deus: A mesma construção gramatical, theos sem o ho em grego, refere-se a Jeová-Deus em Lucas 20:38. Nem mesmo as Testemunhas de Jeová traduzem as mesmas palavras gregas como «um Deus» em João 1:6, 12, 13, 18.
Embora as Testemunhas de Jeová, entre 1962 e 1983, costumassem citar a tradução de Johannes Greber para apoiar a sua tradução, elas já sabiam, ainda em 1956, que a esposa de Greber atuava como médium para produzir a tradução!
Não apenas divino: se João tivesse pretendido apenas dizer que Jesus era divino, poderia ter utilizado o adjetivo theios. No entanto, João enfatizou que Jesus é, de facto, Deus.
A Palavra era Deus:
Tenha em atenção que existem provas ainda mais sólidas do que os estudos linguísticos modernos para demonstrar que João 1:1 significava que o Verbo era Deus. Existe outra abordagem. E se pudéssemos perguntar aos cristãos que eram falantes nativos do grego do Novo Testamento o que significava João 1:1? Podemos fazê-lo. Consulte a pergunta seguinte para obter as respostas, embora, se for Testemunha de Jeová, provavelmente não venha a gostar da forma como os primeiros cristãos compreendiam a sua própria língua.
P: Em Jo 1:1, quais são alguns outros exemplos de como as Testemunhas de Jeová deturpam as suas escrituras?
R: Eis alguns exemplos.
João 1:1: Acrescentaram «um» em «O Verbo era um deus».
Lucas 23:43 «Em verdade vos digo hoje: estareis comigo no Paraíso.» (Isto deu a entender que Jesus estava a falar no presente, em vez do significado grego de que o ladrão arrependido estaria no Paraíso hoje.)
Atos 10:36: foi adicionada a palavra «outros», colocando-a entre parênteses retos.
Romanos 8:32: Acrescentou-se «outro» sem itálico nem parênteses.
Colossenses 1:16-20: foi adicionada a palavra «outro» quatro vezes.
Filipenses 2:9 acrescentou a palavra «outro» sem itálico nem parênteses.
P: Em João 1:1, o que ensinava a Igreja primitiva sobre este versículo e sobre o Verbo ser Deus?
R: Por vezes, é interessante ouvir o que os estudiosos modernos, 2000 anos depois, dizem que o grego significava. No entanto, o que é mais interessante é a forma como os líderes da Igreja que viveram há 1700-1800 anos, muitos dos quais falavam grego do Novo Testamento desde bebés, compreendiam o que João 1:1 significava na sua própria língua.
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.)
«pois quando transmitimos uma palavra, geramos essa palavra; contudo, não por cisão, de modo a diminuir a palavra [que permanece] em nós quando a transmitimos; e tal como vemos também acontecer no caso de um fogo, que não diminui quando acende [outro], mas permanece o mesmo;... A Palavra da Sabedoria, que é o próprio este Deus gerado pelo Pai de todas as coisas, e Palavra, e Sabedoria, e Poder, e a Glória do Gerador, prestará testemunho a meu favor...» Diálogo com Trifão, cap. 61. Ver também os capítulos 55, 56, 59, 62-64, 66, 74-78.
Teófilo, bispo de Antioquia (168-181/188 d.C.) «Pois a própria Escritura divina ensina-nos que Adão disse ter ouvido a voz. Mas o que mais é esta voz senão o Verbo de Deus, que é também o Seu Filho?» Carta a Autólico, livro 2, cap. 22, p. 103
Irineu de Lyon (182-188 d.C.)
«Mas que Ele [Jesus] é, por si mesmo e por direito próprio, acima de todos os homens que alguma vez viveram, Deus, Senhor e Rei Eterno, e o Verbo Encarnado, proclamado por todos os profetas, pelos apóstolos e pelo próprio Espírito, pode ser visto por todos aqueles que alcançaram, ainda que seja apenas uma pequena parte, da verdade.» (Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 19.2, p. 449).
«Saiba que todo o homem está vazio ou cheio. Pois, se não tem o Espírito Santo, não tem conhecimento do Criador; não recebeu Jesus Cristo, a vida; não conhece o Pai que está nos céus;...» (Irineu, fragmento 26, p. 572)
«Ela [a Igreja] também acredita nestes pontos [da doutrina] como se tivesse uma única alma... Pois as igrejas que foram fundadas na Alemanha não acreditam nem transmitem nada diferente, nem as da Espanha, nem as da Gália, nem as do Oriente, nem as do Egito, nem as da Líbia, nem...» Irineu, Contra as Heresias, livro 1, cap. 10.2, p. 331
Tertuliano (c. 213 d.C.) (latim) «O Verbo, portanto, está sempre no Pai, como Ele diz: “Eu estou no Pai”; e está sempre com Deus, segundo o que está escrito: “E o Verbo estava com Deus”; e nunca está separado do Pai, nem é diferente do Pai, uma vez que “Eu e o Pai somos um”.» Contra Praxeas, capítulo 8, p. 603.
Hipólito (225-235/6 d.C.), após citar parte de João 1, 1: «Se, então, o Verbo estava com Deus e era também Deus, o que daí decorre? Dir-se-ia que Ele fala de dois Deuses? Na verdade, não falarei de dois Deuses, mas de um só; de duas Pessoas, contudo, e de uma terceira economia (disposição), a saber, a graça do Espírito Santo. Pois o Pai é, de facto, Um, mas há duas Pessoas, porque há também o Filho; e depois há o terceiro, o Espírito Santo. O Pai decreta, o Verbo executa e o Filho manifesta-se, por meio de quem se crê no Pai. A economia da harmonia remete para um único Deus; pois Deus é Um. É o Pai quem ordena, o Filho quem obedece e o Espírito Santo quem concede compreensão; o Pai está acima de tudo, o Filho está em tudo e o Espírito Santo está em todos. E não podemos conceber de outra forma um único Deus, senão acreditando verdadeiramente no Pai, no Filho e no Espírito Santo.» Contra a Heresia de Noeto, capítulo 14, p. 228
P: Em Jo 1,1, é verdade que a doutrina de que Jesus era Deus em forma humana só foi finalizada após o ano 300 d.C.?
R: Não. Karen Armstrong afirmou categoricamente isto em *Uma História de Deus*, p. 81, e é espantoso o que alguns livros impressos conseguem afirmar impunemente. Não há cristãos ortodoxos nem arianos que tenham afirmado que Jesus não era Deus, embora os arianos afirmassem que Jesus era uma substância diferente e que Deus existia de uma forma diferente e inferior. Antes de 300 d.C., os cinco escritores da Igreja primitiva citados na pergunta anterior certamente não consideravam que a doutrina de que Jesus era Deus em forma humana precisasse de qualquer finalização. Inácio, que era discípulo do apóstolo João, gostava de dizer que «Jesus é Deus». O apóstolo Tomé não precisou de qualquer concílio quando disse a Jesus em João 20:28: «Meu Senhor e meu Deus!»
Embora seja verdade que os gnósticos eram hereges que tinham visões muito estranhas de Deus, nunca foram aceites como cristãos pelos cristãos ortodoxos. Ainda assim, até eles aceitavam que Jesus era Deus, embora num sentido muito diferente e estranho.
Os arianos constituíam outro grupo herético que foi condenado no Concílio de Nicéia, em 325 d.C. Tinham uma opinião «menor» de Jesus, acreditando que houve um tempo em que Ele não existia e que Jesus era de uma substância diferente da do Pai. No entanto, até eles concordavam que Jesus era Deus; o que se passava era que acreditavam erroneamente que Jesus não era da mesma natureza que o Pai.
Suponho que uma limitação dos credos seja o facto de alguns poderem interpretar erroneamente o seu propósito. A controvérsia nicena sobre o arianismo não versava sobre se Jesus era ou não Deus, mas sim sobre a forma como Jesus era Deus.
P: Em Jo 1,1, como é que o Verbo podia ser simultaneamente Deus e estar com Deus?
R: Da mesma forma que o Filho podia ser simultaneamente Deus e ter um Deus em Hebreus 1:8,9. Para além de se referir a falsos deuses, a palavra «Deus» tem, pelo menos, quatro significados no que diz respeito ao verdadeiro Deus. «Deus» pode significar apenas o Pai, apenas o Filho, apenas o Espírito, ou os três na Trindade.
Eis o que o escritor da Igreja primitiva Hipólito (225-235/6 d.C.) afirmou em *Contra a Heresia de Noeto*, cap. 14, p. 228: «Se, então, o Verbo estava com Deus e era também Deus, o que se segue? Não falarei, de facto, de dois Deuses, mas de um só; de duas Pessoas, contudo, e de uma terceira economia (disposição), a saber, a graça do Espírito Santo. Pois o Pai é, de facto, Um, mas há duas Pessoas, porque há também o Filho; e depois há a terceira, o Espírito Santo.»
P: Em Jo 1, 1, como é que Deus se pôde encarnar como homem?
R: Por um lado, a resposta é simples: Deus Todo-Poderoso pode manifestar-Se como Lhe aprouver. Por outro lado, trata-se de um milagre profundo. Melito de Sardes (170-180 d.C.) refletiu sobre o mistério da encarnação no seu «Discurso sobre a Cruz» (vol. 8), p. 756 «Por estas razões, Ele veio até nós; por estas razões, embora fosse incorpóreo, formou para Si próprio um corpo à nossa semelhança, aparecendo como uma ovelha, mas continuando a ser o Pastor; sendo considerado um servo, mas sem renunciar à Filiação; sendo gerado [no ventre] de Maria, mas revestido da [natureza] do Seu Pai; pisando a terra, mas preenchendo o céu; aparecendo como um infante, mas sem descartar a eternidade da Sua natureza; revestido de um corpo, mas sem circunscrever a simplicidade imaculada da Sua Divindade; considerado pobre, mas sem ser despojado das Suas riquezas; necessitando de sustento na medida em que era homem, mas sem deixar de alimentar o mundo inteiro na medida em que é Deus; assumindo a semelhança de um servo, mas sem prejudicar a semelhança do Seu Pai.»
Justino Mártir, no seu *Diálogo com Trifão, o Judeu*, capítulo 61, p. 227, apresentou a analogia de como o fogo é aceso a partir do fogo. O fogo original não é de forma alguma diminuído.
(Note-se que as citações da Igreja primitiva neste site provêm todas dos Padres Ante-Nicenos e dos Padres Pós-Nicenos I e II.)
P: Em Jo 1,1, tenho tido dificuldade em compreender a natureza teantrópica de Cristo. Será que Jesus era mentalmente plenamente maduro, conhecendo todas as coisas mesmo quando era criança? Apesar de se ter tornado homem, continuava a possuir a mente infinita de Deus? Lucas 2,52 diz: «E Jesus crescia em sabedoria e estatura, e em graça perante Deus e os homens.» Se Jesus não alterou a Sua essência ao encarnar, então por que razão cresceu em conhecimento, sabedoria e graça perante Deus, se já era o Deus infinito?
R: Muitas coisas sobre Deus podem ser compreendidas mais facilmente através da comparação com uma analogia da natureza. No entanto, o mistério da encarnação não tem analogia com nada na natureza.
Embora não possamos saber tudo sobre a encarnação, podemos aprender o que as Escrituras revelaram a esse respeito. Assim, para resumir, há cinco pontos-chave a ter em conta.
1. Jesus é 100% Deus. Ele era 100% Deus antes de nascer, na Terra e agora no céu. (João 1:1; 20:28; Colossenses 1:5-20; Hebreus 1:6, 8, 9)
(É claro que o céu não ficou vazio quando Jesus veio à Terra. No entanto, não incluo isto como um ponto, uma vez que esta inseparabilidade de Deus, juntamente com a distinção entre o Pai, o Filho e o Espírito, são aspetos da Trindade, e não da Encarnação.)
2. Jesus era 100% homem desde o momento em que se encontrava no ventre materno. Era como nós em todos os aspetos, exceto no facto de não ter pecado. (Hebreus 2:14-18; 4:15; 5:1-2)
3. Jesus era apenas uma pessoa. (Não havia dois seres distintos, um Deus-Jesus e um homem-Jesus, como o nestorianismo extremo tende a defender.)
4. Jesus tinha duas naturezas distintas. (A humanidade de Jesus não foi subsumida pela divindade de Jesus. Quando se diz que Jesus sofreu, Ele sofreu realmente. Quando se diz que Jesus foi tentado, Ele foi realmente tentado. Estas coisas são negadas pelas vertentes mais extremas do erro do monofisismo.)
Mas, mesmo que compreenda estas quatro coisas, ainda falta um elemento, que terá de perceber para poder encaixar tudo isto.
5. A maior parte da glória de Jesus estava velada. Jesus esvaziou-Se voluntariamente de muitos dos Seus atributos divinos, de acordo com Filipenses 2:6-7. É por isso que Jesus orou especificamente ao Pai para que Lhe restaurasse a glória que tinha antes do início do mundo, em João 17:5. Assim, para responder à primeira parte da sua pergunta, na Terra Jesus cresceu em sabedoria, estatura e graça, não só como o bebé perfeito, mas também como o menino perfeito, o rapaz perfeito e, por fim, o homem perfeito. Jesus aprendeu a obediência, sofreu e morreu, o que só teria sido possível se tivesse renunciado voluntária e temporariamente a parte do Seu poder.
P: Em Jo 1,1, de que outra forma sabemos que Jesus é Deus?
R: O livro «1001 Perguntas Bíblicas Respondidas», na página 27, afirma que isto é comprovado por sete pontos.
1. Todos os nomes de Deus no Antigo Testamento estão reunidos em Jesus Cristo.
2. Jesus recebeu adoração humana. Ou estava errado ao fazê-lo, ou então estava certo ao fazê-lo.
3. Jesus perdoou pecados contra Deus.
4. Jesus demonstrou o poder de Deus.
5. Jesus demonstrou onisciência (embora talvez não a possuísse na Terra antes da Sua ressurreição).
6. Jesus afirmou a sua onipresença.
7. O Novo Testamento afirma que Jesus é Deus e deve ser honrado como o Pai.
Consulte «Hard Sayings of the Bible», pp. 490-492, para mais informações sobre João 1:1 e a Trindade.
P: Em João 1:1, este conceito de uma palavra eterna foi emprestado da filosofia grega?
R: Não, não há provas disso. O filósofo grego Platão escreveu, de facto, sobre uma «palavra» eterna (logos) antes do Evangelho de João, e Heráclito de Éfeso (c. 500 a.C.) utilizou o termo logos para representar o princípio racional. Filo, o judeu, também utilizou o termo logos. No entanto, não há provas de que João tenha se inspirado nisso.
Em vez de João ter se inspirado na filosofia grega, até mesmo uma pessoa laica poderia argumentar que o conceito de uma Palavra poderosa e viva foi inspirado no pensamento do Antigo Testamento, como em Génesis 1:1 em hebraico.
O Antigo Testamento não foi inspirado no pensamento grego, uma vez que Moisés e os israelitas antecederam toda a literatura grega escrita de que temos conhecimento. Teófilo de Antioquia ( , que escreveu entre 168 e 181/188 d.C.), foi o primeiro a salientar este facto na sua «Carta a Autólico», livro 3, capítulo 30, p. 121
O Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 441, afirma que os Manuscritos do Mar Morto indicam que o Evangelho de João, em vez de ser um documento helenístico do século II, «revela-se, mais claramente do que nunca, como um produto da Palestina do século I, em virtude das suas numerosas semelhanças com os textos de Qumran».
P: Em Jo 1,1, existiu um tempo anterior à existência de Jesus?
R: Não. Os hereges arianos pensavam assim, mas os cristãos ortodoxos afirmavam, de forma praticamente unânime, que Jesus foi gerado pelo Pai antes do início dos tempos. Uma exceção a isto foi o escritor da Igreja primitiva Justino Mártir (c. 138-165 d.C.). No entanto, embora as Testemunhas de Jeová recorram a Justino Mártir para tentar sustentar as suas crenças, o seu recurso é enganador. No seu «Diálogo com Trifão», Justino dedica treze capítulos (55-56, 59, 61-64, 66, 74-78) a provar que Jesus é Deus.
A Bíblia não responde de forma conclusiva a muitas questões sobre como era a situação antes do início dos tempos. Mesmo que o fizesse, será que compreenderíamos as respostas? Tito 1:2 afirma que Deus prometeu a vida eterna «antes do início dos tempos». Todas as coisas foram criadas por meio de Cristo (Colossenses 1:16; João 1:3). Se «todas as coisas» incluem o tempo (uma suposição aqui), então Jesus existia antes de haver tempo.
Consulte «1001 Perguntas Bíblicas Respondidas», pp. 27-28, para mais informações sobre o facto de não ter havido um tempo anterior à existência de Jesus.
P: Em João 1:1, será que Jesus pré-existia apenas na presciência de Deus, tal como ensina a «The Way International»?
R: Não. Todos nós fomos pré-conhecidos por Deus, mas Jesus era diferente de nós, na medida em que pré-existia no Céu desde antes do início dos tempos.
P: Em Jo 1,1, uma vez que o Verbo (Logos) é Deus, isso significa que Deus é impessoal, tal como Mary Baker Eddy, fundadora do culto da Ciência Cristã, ensinou em «Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras», p. 117?
R: Não. O facto de Deus possuir algumas características que nós não temos (infinito, invisível, trino na unidade, etc.) não exclui que Deus tenha também algumas características que nós possuímos, embora muitas vezes em menor grau (capacidade de amar, inteligência, vontade, emoções, etc.). Portanto, só porque o Verbo é Deus, isso não significa que tenhamos de negar os muitos versículos bíblicos que mostram que Deus tem personalidade.
Então, que versículos bíblicos mostram que Deus tem personalidade? A personalidade inclui mente, vontade e emoções. Embora um computador possa armazenar conhecimento sem personalidade, um computador não tem amor, ira e outras emoções, e um computador não tem vontade.
Quando clamamos «Abba» ou «Pai» em Gálatas 4:6; Marcos 14:36; e Romanos 8:15, louvado seja Deus, estamos a clamar a um ser pessoal.
P: Em João 1:2, se todas as coisas foram criadas pela Palavra, isso inclui o tempo, o espaço, a ciência, as leis naturais e a matemática?
R: Provavelmente sim, embora este versículo não tenha sido escrito para provar isso. No entanto, uma verdade lógica, como «a = a», e uma contradição lógica, como «a não é igual a a», não são coisas, e este versículo não se refere a elas.
P: Em Jo 1,4, de que forma é que Jesus é a vida dos homens?
R: Jesus é a vida dos homens de, pelo menos, três formas.
Fisicamente, todas as coisas são sustentadas por Jesus, de acordo com Colossenses 1:17.
Eternamente, é apenas por meio de Jesus que somos salvos, como mostra Atos 4:12.
A vida em Cristo hoje: Jesus confere sentido, alegria e plenitude à vida dos cristãos na Terra hoje.
P: Em João 1:4, terá Jesus completado a Sua missão antes mesmo de ter sido crucificado, tal como Jamal Badawi afirma na tabela 3 da sua Série de Fitas 9?
R: Não. João 1:4 foi, de facto, escrito antes do relato da crucificação de Jesus. No entanto, qualquer pessoa deve perceber que Badawi está aqui a procurar objecções: João 1:4 foi escrito ainda antes do relato do nascimento de Jesus.
P: Em Jo 1,6.19, o João aqui mencionado é o autor deste livro?
R: Não. O João aqui mencionado é João Batista, enquanto o autor é João, o apóstolo, irmão de Tiago.
P: Em Jo 1, 8, houve quem, após a crucificação, pensasse que João Batista era o Messias, tal como afirma o *Guia de Asimov para a Bíblia*, na página 965?
R: Não há provas diretas disso. No entanto, existiu um grupo, conhecido em épocas posteriores, chamado os mandáios, que acreditava nisso. Os mandáios viviam nos pântanos do sul do Iraque, mas não se sabe quando nem onde surgiram.
P: Em Jo 1, 9, de que forma é que Jesus é a verdadeira luz que ilumina todo o homem?
R: De, pelo menos, duas formas.
Para todos: A verdade e a oferta do Evangelho de Jesus Cristo são proclamadas a todos. Jesus é a única verdadeira luz. Alguns optam por viver como filhos da luz, desejando saber o que agrada ao Senhor (Efésios 5:8-10), enquanto outros não o fazem.
Para os crentes: Jesus é a luz da nossa vida. Ele dá-nos alegria, satisfação, sentido e um propósito que fazem com que tudo valha a pena.
P: Em João 1:13, não é a nossa vontade que nos faz nascer de novo?
R: É a graça de Deus. Deus é muito misericordioso, clemente e justo. No entanto, estes factos não devem fazer-nos esquecer que a prerrogativa de nascermos de novo pertence a Deus, e não a nós.
P: Em Jo 1,14, como é que Deus Todo-Poderoso, com Vida Eterna, se pôde tornar um homem mortal que morreu?
R: Uma vez que o Deus Trino é Todo-Poderoso, Deus pode fazer com que uma pessoa distinta de Si mesmo se torne um homem mortal. Quando Jesus estava na Terra, isso não significa que o Céu estivesse vazio. Quando Jesus morreu na cruz, isso não significa que o Pai ou o Espírito Santo tenham morrido.
P: Em Jo 1,14, como é que viram a glória de Jesus, uma vez que Jesus se esvaziou de si mesmo em Fp 2,6-7?
R: A glória de Jesus não é um estado binário. Além disso, Filipenses 2:6-7 diz que Jesus esvaziou-Se a Si mesmo, mas não menciona a glória propriamente dita. Filipenses 2:9 diz que Deus exaltou Jesus ao lugar mais elevado, o que implica uma posição exaltada e «glorificada» de Jesus, mas não qualquer mudança interna.
P: Em João 1:14, como é que a natureza de Deus pôde ser misturada/sintetizada/colocada ao lado da natureza humana de Jesus?
R: Muitas heresias responderam a esta questão de forma incorreta. Cristo não era um Deus que apenas parecia ser um homem (docetistas), um homem e Deus apenas no nome em vez de Deus Todo-Poderoso (ebionitas), um fantasma (gnósticos), um homem no qual Cristo se instalou (Paulo de Samosata), separado/dividido (nestorianos) ou confundido (monofisitas). Provavelmente não existe nenhuma analogia da vida na Terra que seja realmente suficiente como exemplo da natureza divina e da natureza humana de Jesus Cristo. Aqui estão dois erros.
Nestorianismo (duas vontades): Nestório ensinava que Jesus tinha duas vontades distintas: uma divina e outra humana. Embora Nestório estivesse simplesmente em erro, alguns dos seus seguidores posteriores foram ainda mais longe. É quase como se, no Jardim do Getsêmani, a vontade humana e a vontade divina de Jesus tivessem lutado uma contra a outra, e a vontade divina tivesse vencido. Os cerca de 200 bispos presentes no Concílio de Éfeso condenaram o nestorianismo em 431 d.C.
Monofisismo (uma única natureza): O oposto do nestorianismo, o monofisismo afirmava que as duas naturezas se fundiam, como se uma gota de mel da vontade humana caísse no oceano da vontade divina. O monofisismo pode conduzir a alguns cenários desagradáveis. No extremo, Jesus levava uma vida serena, e todas as suas lutas — contra a tentação durante os 40 dias, no Jardim do Getsêmani e na cruz — eram quase uma mera encenação. O monofisismo foi condenado por 250 a 350 bispos no Concílio de Calcedónia, em 451 d.C. Nos tempos modernos, a Igreja Católica e a Igreja Copta (monofisita) restabeleceram as suas relações.
A posição cristã ortodoxa (comum): Após estes dois concílios traumáticos, a posição final foi a seguinte: «Jesus Cristo, o Logos de Deus feito homem, é uma única pessoa em duas naturezas, que existe nesta única Pessoa sem confusão, sem alteração, sem divisão e sem separação.»
A Bíblia fornece as seguintes pistas sobre as naturezas humana e divina de Jesus.
a. Enfatizou que Jesus era o Filho do Homem: Lucas 5:24; 6:5; 6:22; 8:31; 22:22,69; João 12:34; Apocalipse 1:13
b. Ascendência: Lucas 1:32; Romanos 1:3; 9:5; 2 Timóteo 2:8; Hebreus 7:14; Mateus 1:1.
c. Corpo físico: Lucas 24:39; João 4:2; Hebreus 10:5,10; 1 João 1:1; 1 Timóteo 3:16; 2 João 7.
d. Um homem (com humanidade) enquanto esteve na Terra: Atos 2:22, 23; Filipenses 2:7, 8; Hebreus 2:14.
e. Continua a ser homem no Céu: 1 Timóteo 2:5; implícito em Hebreus 13:8.
f. O nosso irmão: Marcos 3:35; Lucas 8:21; Hebreus 2:11, 12, 17
g. Sofreu como os homens: Hebreus 2:9,18; 5:8; Romanos 8:17; 1 Pedro 1:11; 4:13; 5:1.
h. Tentado como nós: Hebreus 2:18; 4:15; Mateus 4:1-10; Marcos 1:13; Lucas 4:1-12.
i. Jesus era um homem em todos os aspetos, exceto que estava isento de pecado: Hebreus 2:17.
P: Em João 1:14, quando Jesus veio à Terra, perdeu a Sua divindade, como afirmou Herbert W. Armstrong?
R: Não. Jesus esvaziou-Se a Si mesmo (Filipenses 2:7) e renunciou temporariamente a grande parte da Sua glória (João 17:5), mas continuou a ser adorado na Terra, antes da Sua crucificação, como Deus pelos Reis Magos (Mateus 2:11-12), pelos discípulos (Mateus 14:33) e pelo cego (João 9:38). Jesus referiu-Se a Si próprio pelo Nome santíssimo de Deus em João 8:58.
P: Em João 1:15, como era Jesus perante o seu parente mais velho, João Batista?
R: Embora João Batista tenha nascido alguns meses antes de Jesus, Jesus existia no Céu desde o princípio. Jesus também era anterior a João Batista em honra, uma vez que Jesus é Deus, o Filho.
P: Em João 1:17, foi Moisés quem deu a Lei, ou foi Deus quem a deu?
R: Ambos. Deus deu a Lei a Moisés para que este a transmitisse ao povo, e foi isso que Moisés fez. Deus é o autor, e Moisés foi o «carteiro» que entregou a carta.
P: Em Jo 1,18, uma vez que nenhum homem viu Deus, como é que Jesus poderia ser Deus, se as pessoas viram Jesus?
R: Quando Jesus veio à Terra, tal como diz Filipenses 2:7, Jesus despojou-Se de grande parte da Sua glória. Jesus orou para que o Pai Lhe devolvesse a glória em João 17:5.
Quando Moisés esteve com Deus, colocou um véu sobre o rosto, conforme se lê em Êxodo 34:33-35; 2 Coríntios 3:13-16. As pessoas continuavam a ver Moisés, mas não a glória que se manifestava no seu rosto depois de ter estado com Deus. Trata-se de um tipo da vinda de Jesus à Terra como Deus, de forma velada.
Consulte «Hard Sayings of the Bible», pp. 492-493, e «When Critics Ask», pp. 403-404, para obter uma resposta complementar.
P: Em João 1:18, uma vez que nenhum homem viu Deus, como é que Jesus pôde ter visto Deus?
R: Jesus não era um ser humano antes de ter sido concebido por Maria; Jesus existia desde a eternidade passada. Assim, curiosamente, João Batista era alguns meses mais velho do que a humanidade de Jesus, mas o próprio Jesus era muito mais velho do que João Batista.
P: Em Jo 1,18, Jesus é o único Filho de Deus, ou podemos nós também ser filhos de Deus, como diz Jo 1,12?
R: Podemos ser filhos de Deus, mas Jesus é o Filho unigénito de Deus. A Bíblia apresenta duas metáforas a nosso respeito: somos adotados na família de Deus e nascemos de novo na família de Deus. Jesus não foi nem adotado nem nasceu de novo. Jesus era Deus, o Filho, desde a eternidade passada, e encarnou-se como homem sem pai biológico.
P: Em Jo 1,21, por que razão João Batista afirmou que não era Elias, uma vez que Jesus afirmou que ele o era em Mt 11,14?
R: Há quatro pontos a considerar na resposta.
1. Malaquias 4:5 afirma que Elias viria antes do grande e terrível dia do Senhor. O próprio Elias (e não João Batista) apareceu na transfiguração e é, quase certamente, uma das duas testemunhas mencionadas em Apocalipse 11:1-12.
2. Se João tivesse simplesmente afirmado que era Elias, teriam interpretado que ele era, literalmente, a mesma pessoa que Elias, e João teria falado incorretamente.
3. João poderia ter explicado que não era o Elias literal, mas que vinha com o papel e o propósito de Elias, tal como era o que Jesus pretendia dizer em Mateus 11:14.
4. No entanto, embora João soubesse que era o precursor do Messias, talvez o próprio João não soubesse que era o cumprimento do Elias que havia de vir. Assim, João pode ter falado apenas com base no que sabia.
P: Em Jo 1:21, terá João Batista estado errado ao afirmar que não era Elias, tal como ensina o herege Rev. Moon no Princípio Divino (5.ª edição, 1977)?
R: Em primeiro lugar, eis o que diz o Rev. Moon, que alegadamente é o Cristo regressado, e, em seguida, a resposta.
«Princípio Divino» do Rev. Moon, p. 161: «... João Batista, que ofendeu Jesus. Como é que João Batista o ofendeu? João falhou em cumprir a sua missão de servir e ministrar a Jesus.»
Refutação: 1. Se João falhou no seu ensinamento, então por que razão, em Mateus 21:32, disse Jesus que as pessoas deviam acreditar em João Batista?
2. João 10:41-42 mostra que o testemunho de João levou muitos a acreditar em Jesus. Devemos ser cautelosos ao condenar um mártir que morreu por Deus como tendo falhado e ofendido a Deus. Quando Jesus diz que aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que [João Batista], refere-se ao facto de que Jesus ainda não tinha aberto o caminho para o céu, e João Batista era, na verdade, o último profeta sob a antiga aliança.
3. Se João Batista fosse realmente a reencarnação de Elias, então, de todas as pessoas, João seria quem melhor o saberia. No entanto, João Batista estava correto ao afirmar que não era Elias ressuscitado dos mortos.
4. João pregou, de facto, no espírito e no poder de Elias, mas Jesus nunca afirmou que João e Elias fossem a mesma pessoa.
João Batista era grande aos olhos do Senhor, conforme se lê em Lucas 1:15, e o Senhor conhece o futuro.
P: Em Jo 1, 29, por que razão Deus exigiu um sacrifício para perdoar os nossos pecados, uma vez que devemos perdoar os outros sem exigir mais do que o arrependimento?
R: Perdoamos os nossos irmãos sem exigir mais do que o arrependimento, porque um pecado contra nós é de natureza diferente de um pecado contra Deus.
P: Em João 1:31,33, como é que João não reconheceu Jesus, uma vez que as suas mães eram primas?
R: A palavra grega aqui utilizada, «oida», significa plenitude de conhecimento. João estava a dizer que, naturalmente, não O conheceria. João acrescentou imediatamente que O conhecia porque Deus lho revelou.
O livro «Quando os Críticos Perguntam», pp. 404-405, salienta que João conhecia Jesus pela sua reputação e, talvez, por conhecimento pessoal, mas foi apenas através do Espírito Santo que Ele conheceu Jesus por manifestação divina.
P: Em Jo 1, 32-33, como é que o Espírito Santo poderia ter uma presença localizada e repousar sobre Jesus na forma de uma pomba?
R: O facto de o Espírito Santo ter, por algum tempo, uma presença localizada especial não O impede, em geral, de estar em qualquer outro lugar que deseje. A título de analogia, embora simplificada em demasia, havia uma série de televisão de ficção científica chamada «Doctor Who». Quando uma das personagens sofreu um acidente com uma máquina de viajar no tempo, passou a ter uma presença localizada em três épocas diferentes ao mesmo tempo. Uma vez que conseguimos conceber isso, por que razão não pode Deus ter múltiplas presenças localizadas, ou mesmo um número infinito delas?
Ver também a discussão sobre Habacuque 3:3.
P: Em João 1:38-39, por que razão Jesus não se queixou quando O chamaram de Rabi (Mestre), uma vez que Jesus disse em Mateus 23:7,8 para que ninguém O chamasse de mestre?
R: Jesus, sendo Deus, o Filho, possui uma autoridade e uma honra que nós não temos. Também não devemos chamar a mais ninguém de nosso Deus, Salvador ou Senhor, e é correto chamar Jesus por todos estes nomes.
P: Em João 1:39, a que horas correspondia a décima hora?
R: Na cultura deles, o dia começava ao nascer do sol, por volta das 6h00. A décima hora era depois das 16h00.
P: Em Jo 1,40, será que os discípulos procuraram um «Jesus mais digno» em João, ao contrário do que aconteceu nos outros três evangelhos — onde foi Jesus quem procurou e escolheu os discípulos —, tal como sugere o cético *Asimov’s Guide to the Bible*, pp. 968-969?
R: Não. Dos doze discípulos, João 1:35-42 menciona apenas dois que deixaram João e seguiram Jesus. Mas, em seguida, menciona que Jesus procurou Filipe, e que Filipe trouxe Natanael.
P: Em Jo 1, 42, terá Jesus chamado Simão de «Cefas / Pedro» pela primeira vez aqui, ou mais tarde, durante o seu ministério em Cafarnaum, tal como em Mt 16, 18?
R: Uma explicação simples é que Jesus o chamou de Pedro aqui, mas foi em Mateus 16:18 que Jesus lhe revelou o significado desse nome.
P: Em Jo 1, 51, quando é que Natanael verá os anjos a subir e a descer sobre Jesus?
R: Embora seja possível que Natanael tenha tido um sonho, é mais provável que ele veja isto no Céu. A imagem que Jesus aqui utiliza faz lembrar a escada de Jacob em Génesis 28:11-13.
No entanto, por que razão estaria Natanael sentado imóvel debaixo de uma figueira? O «Believer’s Bible Commentary», p. 1472, afirma que é provável que Natanael estivesse a estudar a Palavra de Deus ou a meditar sobre a visão de Jacó relativa à escada (ou escadaria).
P: Em Jo 1:51, por que razão Jesus se autodenomina frequentemente o Filho do Homem?
R: Provavelmente pelas seguintes razões
1. Para enfatizar a sua humanidade comum
2. As pessoas podiam concordar com isso, independentemente de O reconhecerem ou não como o Filho de Deus.
3. Jesus ainda não se tinha revelado como o Filho unigénito de Deus.
P: Em Jo 2,1, como eram os jarros?
R: Embora haja alguma discordância quanto à localização da antiga Caná, foram encontrados fragmentos de cerâmica do século I d.C. em dois locais: a atual Caná, entre Nazaré e Cafarnaum, e um segundo local várias milhas a norte. Os fragmentos de cerâmica indicam que os vasos tinham cerca de 12 a 16 polegadas de diâmetro. Consulte o artigo da Associated Press intitulado «Especialistas afirmam ter encontrado a Caná bíblica», publicado no The St. Louis Post Dispatch a 22 de dezembro de 2004.
P: Em Jo 2, 3-10, vejo sempre que Jesus nunca faz as coisas sem um propósito ou ao acaso. Por que razão o primeiro milagre registado é a transformação da água em vinho num casamento? Será que tem a ver com o vinho = o Seu sangue, a purificação cerimonial ou uma nova aliança matrimonial com todos os que acreditam Nele? Estas são questões sobre as quais tenho refletido e pergunto-me até que ponto estou errado; não quero ir além das Escrituras, como é tão comum nos dias de hoje.
R: A sua pergunta é interessante. Se a transformação da água em vinho por Jesus fosse um milagre para simbolizar o Seu sangue, a Sua morte na cruz ou a purificação cerimonial, ninguém naquela altura, após a Sua morte, nem mesmo nos escritos da Igreja primitiva, teria captado essa mensagem. Pelo contrário, penso que este milagre foi realizado devido às circunstâncias, mas nisso podemos ver uma apreciação mais profunda do caráter de Deus e uma aplicação para nós.
Havia uma necessidade humana simples: o vinho da festa tinha acabado. Quando Maria pediu a Jesus que resolvesse esta situação de forma sobrenatural, a resposta inicial de Jesus foi: «A minha hora ainda não chegou.» Por outras palavras, não fazia parte do Seu ministério que Ele precisasse de fazer isso para demonstrar algo. No entanto, havia uma necessidade e pediram-Lhe que o fizesse, pelo que Ele se desviou do que tinha planeado inicialmente e agiu dessa forma. Da mesma forma, quando a mulher com a hemorragia tocou na túnica de Jesus, isso não constava da Sua «lista de tarefas» para aquele dia.
Muitas vezes, Deus encontra-nos ali onde estamos. Como exemplo triste, Deus fez com que Isaías dissesse ao rei Ezequias para pôr tudo em ordem, porque Ezequias iria morrer. O fiel rei Ezequias ficou tão amargurado com isso que Deus cedeu e concedeu-lhe mais 15 anos de vida. No entanto, durante esses quinze anos, nasceu o rei Manassés, talvez um dos reis mais perversos de Judá. Não é que Deus não soubesse, ou que Deus seja inconstante ou tenha mudado de ideias. Pelo contrário, muitas vezes a vontade de Deus que percebemos para nós muda quando a nossa atitude muda (para melhor ou para pior). Quando o Faraó esteve com Sara, a esposa de Abraão, Deus disse ao Faraó num sonho que ele iria morrer, sem quaisquer «se», «e» ou «mas». Mas quando o Faraó afirmou que agiu por ignorância, Deus disse que sabia disso, e foi por isso que O advertiu. O Faraó devolveu a esposa de Abraão a este, e o Faraó não morreu. Da mesma forma, Jonas profetizou que Nínive seria destruída em 40 dias. No entanto, eles arrependeram-se e Nínive não foi destruída.
Quando estamos ocupados com o nosso ministério, os nossos planos e a nossa vida, muitas vezes as pessoas vêm ter connosco com necessidades que são importantes, ou que, por vezes, não o são, mas que elas consideram importantes. Podemos considerar isso como distrações e interrupções, mas também nós devemos ir ao encontro das pessoas ali onde elas se encontram. Jogar à bola, ir ao cinema ou passar algum tempo a «divertir-se» com alguém pode não nos parecer muito importante no que consideramos ser o desígnio de Deus, e, de facto, talvez não o seja. Mas, mesmo assim, pode ser a única coisa que Deus quer que façamos neste preciso momento, se quisermos estar no centro da Sua vontade.
P: Em Jo 2, 3-10, este vinho era alcoólico?
R: Não era como uma bebida forte, mas o vinho daquela época continha álcool. Se deixar sumo de uva repousar num jarro sem refrigeração durante um ano, este acabará por conter álcool. Até mesmo o «vinho novo» era alcoólico em Atos 2:13. No entanto, tal como salienta o livro *Difficulties in the Bible*, pp. 147-149, não se diz que o vinho milagroso fosse inebriante.
O livro infantil *Jesus’ First Miracle*, de Vivian Dede (Concordia, 1990), apresenta um excelente resumo de uma lição retirada deste milagre: «Quando algo é necessário, seja uma nova vida ou vinho, Jesus resolve todos os problemas no Seu próprio tempo.»
P: Em João 2:1-11, tratava-se do próprio casamento de Jesus? E, com base em Lucas 8:3-4, casou-se Jesus com uma ou mais das mulheres que acompanhavam os discípulos, tal como acreditam os mórmons polígamos e algumas outras seitas?
R: Não. Em primeiro lugar, eis as mulheres de quem temos conhecimento que acompanhavam Jesus e os discípulos. De acordo com Lucas 8:3-4, as mulheres que viajavam com Jesus eram Maria Madalena, Joana, esposa de Cuza, Susana e outras. Outras passagens mencionam Salomé (Marcos 15:40), Maria, mãe de Tiago (Marcos 15:40, Lucas 24:10), e Marta, irmã de Maria Madalena.
João 2:2 diz que Jesus foi convidado para o casamento. Um noivo nunca é convidado para o seu próprio casamento.
Não há qualquer fundamento para afirmar que Jesus alguma vez se casou, ou que teve filhos, ou que algum filho tenha nascido sem uma natureza pecaminosa. Embora nenhum versículo diga efetivamente que Jesus nunca se casou, também nenhum versículo afirma que Jesus não voou para Marte. Um argumento baseado no silêncio não prova mais uma coisa do que a outra.
Eis todas as outras passagens anteriores à ressurreição que referem as mulheres:
Joana e Salomé não são mencionadas em mais nenhum outro local.
Marta (juntamente com Maria) só foi mencionada em três passagens anteriores à ressurreição: um jantar (Lucas 10:38-41), a cura do seu irmão Lázaro (João 11:1-45) e um segundo jantar com Lázaro (João 12:1-8).
Uma vez que não há qualquer outra menção, não se poderia ter um argumento muito mais forte a favor de que Jesus se casou com Maria do que a favor de que se casou com a sua irmã Marta. No entanto, Jesus obedeceu à Lei mosaica, e o casamento de um homem com duas irmãs, enquanto ambas estivessem vivas, era proibido em Levítico 18:18. Os mórmons que ensinam isto provavelmente não têm consciência de que estão a ensinar que Jesus alegadamente violou aqui as leis matrimoniais do Antigo Testamento.
P: Em João 2:4, por que razão disse Jesus que a Sua hora ainda não tinha chegado?
R: Jesus estava a dizer à Sua mãe que ainda não tinha chegado o momento de Ele iniciar o Seu ministério de milagres. Mas, apesar de ainda não estar pronto para realizar muitos milagres, realizou este milagre a pedido da Sua mãe.
P: Em João 2:4, por que razão Jesus chamou à Sua mãe «mulher», utilizando a mesma palavra com que se referiu a uma prostituta como «mulher» em João 8:10? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou esta questão.)
R: Deedat parece sugerir que Jesus tinha o mesmo desrespeito pela Sua mãe que tinha pela prostituta. No entanto, isto é o oposto da verdade. Jesus respeitava a Sua mãe e também respeitava a prostituta. Por mais difícil que possa ser para alguns acreditar, Jesus tinha respeito pelos pobres, pelos perdidos e pelos pecadores culpados que precisavam de um salvador.
P: Em Jo 2,15, de que forma é que uma igreja pode necessitar de uma purificação como esta nos dias de hoje?
R: É correto e adequado que os ministros do evangelho ganhem a vida com o evangelho, tal como diz 1 Coríntios 9:13-14. No entanto, o seu motivo não deve ser enriquecer. Aqueles que encaram a igreja principalmente como uma forma de se enriquecerem não devem ser líderes da igreja, nem devem ser seguidos como líderes da igreja. Por um lado, a culpa recai sobre os líderes eclesiásticos ímpios. Por outro lado, a culpa recai sobre aqueles na igreja que continuam a seguir esses líderes eclesiásticos depois de terem tomado conhecimento do que está a acontecer.
P: Em João 2:17, de que formas é que os cristãos perdem o seu temor de Deus e como podem recuperá-lo?
R: Uma característica frequentemente negativa da natureza humana é que «a familiaridade gera desprezo». Por outras palavras, as pessoas tendem a ser ingratas e a tomar como garantidas as coisas boas se as vivenciam constantemente. Na verdade, foi-nos concedido o privilégio de apresentar pedidos ao Senhor Todo-Poderoso do Universo. Embora Deus seja perfeito, Ele condescendeu em vir à Terra e morrer pelos nossos pecados. Para manter o temor de Deus, dedique tempo à oração com Ele, leia a Sua Palavra e reúna-se em comunhão com outros crentes que também tenham o temor de Deus.
P: Em Jo 2,20, por que razão disseram que o templo demorou 46 anos a ser construído, quando tal não aconteceu?
R: Primeiro, duas coisas que não constituem a resposta; depois, a resposta.
Não é a resposta: O segundo templo, cuja construção teve início quando os judeus regressaram à sua terra em 538 a.C., não demorou 46 anos a ser construído, apesar de a construção não ter sido contínua. Foi concluído a 12 de março de 516 a.C., de acordo com Esdras 6:15. Ver também Ageu 1:14-2:3. Isso corresponderia a 23 anos, e não a 46.
Não é a resposta: A Bíblia não diz que o templo demorou 46 anos a ser construído, apenas que os judeus afirmaram que demorou 46 anos a ser construído. Os judeus poderiam estar enganados e a Bíblia poderia estar simplesmente a registar o que eles disseram. Embora isto possa, potencialmente, ser verdade, há uma explicação muito mais simples: os judeus estavam certos.
A resposta: O rei Herodes, o Grande, iniciou a restauração do templo em 19 a.C. e esta só foi concluída em 63 d.C. 19 a.C. mais 46 anos — tendo em conta que o período entre 1 a.C. e 1 d.C. corresponde a um ano — corresponderia a cerca de 27 d.C., tal como refere o «Guia de Asimov para a Bíblia», nas páginas 449 e 977.
P: Em Jo 2,20, por que razão acha que Jesus sequer mencionou o templo neste contexto?
R: Os judeus pediram a Jesus um sinal milagroso. Jesus poderia ter dito que não lhes iria dar um sinal, ou poderia ter referido o milagre da transformação da água em vinho que acabara de realizar. Jesus poderia também ter referido um sinal futuro.
Jesus poderia ter referido diretamente o maior sinal de todos: que ressuscitaria dos mortos. Mas, em vez disso, Jesus mencionou indiretamente a Sua ressurreição ao dizer «destruam este templo…». Por fim, Jesus poderia ter-se referido à Sua ressurreição indiretamente, tal como fez, mas utilizando outra metáfora em vez do templo.
Muitos dos judeus estavam totalmente focados no Templo, e não em Deus. Além disso, provavelmente nem eles próprios se apercebiam disso. Jesus era muito mais importante do que o templo em Jerusalém, pelo que a resposta de Jesus provavelmente foi vista por eles de forma mais negativa do que se Ele tivesse simplesmente utilizado outra metáfora.
Jesus abordou-lhes o tema que eles consideravam mais importante. Jesus estava a dizer que aquilo não era normal; que isso tinha de mudar. Por vezes, podemos estar tão concentrados em algo que é importante que perdemos completamente de vista as coisas que são mais importantes. Como disse um pastor: «Não deixe que fazer coisas boas o impeça de fazer as melhores coisas.»
P: Em João 2, Jesus purificou o templo no início do Seu ministério, ou na última semana, conforme Marcos 11?
R: Houve duas purificações; certamente Jesus não teria purificado o templo uma vez e, depois, quando voltou três anos mais tarde, passado por ali em silêncio. A primeira vez foi acompanhada de sinais e maravilhas, pelo que teria sido difícil prender Jesus sem despertar a indignação do povo. Mesmo na segunda vez, as autoridades não teriam prendido Jesus — a menos que o conseguissem encontrar afastado das multidões, por exemplo, à noite.
Consulte John Warwick Montgomery para obter essencialmente a mesma resposta em «Chronological Contradictions in the Gospels?» (Contradições cronológicas nos Evangelhos?), em www.Christian NewsMo.com, pp. 20-21.
P: Em Jo 3, 1-21, o que aconteceu a Nicodemos?
R: Mais tarde, em João 7:50-51, é referido que Nicodemos repreendeu o Sinédrio por condenar Jesus sem primeiro o ter ouvido. Isto demonstra, por um lado, que Nicodemos fazia parte deste órgão de elite composto por 70 homens e, por outro, que continuava a apoiar Jesus. João 19:39 refere que, após a morte de Jesus, Nicodemos ajudou José de Arimatéia a colocar o corpo de Jesus no sepulcro. Na história da Igreja pré-nicena, o «Diatessaron» de Tatiano, Tertuliano e Orígenes mencionam todos Nicodemos, mas não acrescentam nada além do que consta nos evangelhos. Após Nicéia, Atanásio e João Crisóstomo abordam ambos a figura de Nicodemos, mas não acrescentam nada para além do que os evangelhos já contêm. Nicodemos poderá ter sido um homem mais velho quando conheceu Jesus.
P: Em Jo 3, de que forma Jo 2,1-12 contrasta com Jo 2,13-3,21?
R: Na Galileia, Jesus encontrou pessoas que queriam acreditar e que acreditavam. Em Jerusalém, Jesus encontrou os cambistas que não queriam acreditar. Depois, Jesus encontrou Nicodemos, alguém que queria acreditar, mas que ainda não conseguia compreender. Na Galileia, onde acreditavam, Jesus preservou a cerimónia do casamento e transformou o seu trabalho. Em Jerusalém, Jesus causou perturbação, tanto nas finanças do templo como no ensino rabínico.
P: Em Jo 3,1-18, Nicodemos foi ter com Jesus à noite; ou porque tinha receio de ser visto durante o dia, ou porque não tinha outro momento disponível. De que formas é que estamos demasiado ocupados ou com demasiado receio para nos aproximarmos de Jesus quando devíamos?
R: A maioria dos cristãos interpreta a visita noturna de Nicodemos como resultante do facto de, na sua posição de rabino respeitado, ele não querer ser visto a dirigir-se a Jesus. Alguns sugeriram que talvez houvesse uma razão diferente: Nicodemos estava demasiado ocupado durante o dia. Lembre-se de que ser rabino, embora fosse uma posição honrosa, não era remunerado; por isso, os rabinos também tinham empregos regulares. Mas, seja como for, Nicodemos não veio num horário normal . Por vezes, também não queremos ir ter com Jesus ou fazer a Sua vontade no horário normal, por estarmos demasiado ocupados ou com demasiado medo. Mas, pelo menos, Nicodemos ainda assim foi. E se uma pessoa vem seguir Cristo tarde, ou com receio, pelo menos ainda assim vem.
Em Mateus 21:28-32, Jesus contou uma parábola sobre um pai que pediu aos seus dois filhos que trabalhassem no campo. O primeiro disse que não, mas acabou por o fazer. O segundo disse que sim, mas não foi. Jesus disse que o primeiro cumpriu a vontade do pai. A obediência é melhor quando é imediata, alegre e completa, mas mesmo uma obediência tardia continua a ser melhor do que nenhuma obediência.
Da mesma forma, podemos ter dito a Deus «Estou demasiado ocupado», «Tenho demasiado medo» ou simplesmente «não» ao longo da nossa vida. Isso é triste, e talvez nunca venha a saber o que perdeu. Mas ainda não é tarde demais. Tal como o primeiro filho em Mateus 21:28-32, ainda pode dizer «sim» agora e ir. Deus continuará a aceitar a sua obediência, apesar da sua hesitação ou desobediência passadas.
P: Em João 3:3, o grego diz «nascer de novo» ou «nascer do alto»?
R: A palavra grega anothen pode significar ambas as coisas, de acordo com o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 281, e *Hard Sayings of the Bible*, p. 495.
P: Em Jo 3,1-21, Bart Ehrman refere que, na conversa com Nicodemos, Jesus utiliza um duplo sentido grego (jogo de palavras): «do alto» e «pela segunda vez» seriam diferentes em aramaico. Ehrman não acredita que Jesus pudesse falar grego.
R: Ehrman é americano, e os americanos tendem a ter menos falantes bilingues do que as culturas europeias e outras. Nazaré, onde Jesus foi criado, ficava apenas a 15 a 20 milhas de povos não judeus e de língua grega a oeste, norte ou leste. As moedas da Galileia costumavam ter inscrições em grego. A leste da Galileia encontrava-se uma região a que chamavam «Decápolis», que em grego significa «dez cidades».
Em Atos 9:36, Tabita (em hebraico) era também chamada de Dorcas (em grego), significando ambas «gazela».
Nicodemos deriva de «nike» e «demos». Isto NÃO significa um eleitor não republicano que usa sapatos desportivos! Trata-se, antes, de um nome grego que significa «vencedor do povo». Suponha agora, a título de argumento, que alguém com um nome grego tradicional, ao conversar com alguém de uma pequena região rodeada por três lados por pessoas de língua grega, decidisse conversar em aramaico, ou hebraico, ou mesmo noutra língua que não o grego. Suponha agora que, apesar de ambos terem conhecimentos de grego, acha realmente que não há qualquer possibilidade de dizerem uma única frase ou expressão nessa língua?
Por outro lado, mesmo que o significado original fosse «nascer de novo» em aramaico e não um duplo sentido com «nascer do alto», a passagem continuaria a fazer todo o sentido se não houvesse esse duplo sentido.
P: Em Jo 3,3, estará Jesus a ensinar a reencarnação quando mencionou o nascer de novo?
R: Não. Ele estava a ensinar um «segundo» nascimento, não centenas ou milhares de nascimentos múltiplos. Jesus estava a ensinar um nascimento pelo Espírito, não um nascimento físico. A reencarnação contradiria o facto de o homem morrer apenas uma vez, conforme Hebreus 9:25-28, e não faria sentido para pessoas que são enviadas para o céu ou para o inferno após a sua única morte. Consulte a discussão aprofundada sobre Hebreus 9:25-28 para mais informações.
P: Em João 3:5, será que apenas uma pequena «classe ungida» de 144 000 é nascida de novo e vive para sempre no céu, tal como ensinam as Testemunhas de Jeová (revista A Sentinela, 15 de fevereiro de 1986, p. 14)?
R: Não. Primeiro, o que as Testemunhas de Jeová ensinam e, em seguida, por que razão parte do seu ensinamento é tão perigoso.
As Testemunhas de Jeová ensinam que as Testemunhas de Jeová que não fazem parte dos 144 000 viverão para sempre, mas será no paraíso na Terra, não no céu.
No entanto, Romanos 8:9 diz: «Vós, porém, não sois controlados pela carne, mas pelo Espírito, se o Espírito de Deus habita em vós. E se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse não pertence a Cristo. Mas se Cristo está em vós, o vosso corpo está morto por causa do pecado, mas o vosso espírito está vivo por causa da justiça.». Portanto, se Cristo não está em si, não pertence a Cristo. 1 João 5:12 e 1 Pedro 1:23 contêm ensinamentos semelhantes.
P: Em João 3:3-21, poderia explicar, por favor, a diferença entre criar e recriar, nascer e renascer, ser feito e ser renovado?
R: O prefixo «re-» significa simplesmente «novamente». A sua pergunta tem três aspetos.
Passado: Todos nós, tanto crentes como incrédulos, fomos criados por Deus, à imagem de Deus. Tudo o que existe foi criado por Deus Pai através de Jesus Cristo. Não há nada nem ninguém que não tenha sido criado, exceto que o Pai, o Filho e o Espírito Santo nunca foram criados, mas sempre existiram como Deus na Trindade.
Presente: Mas fomos criados em estado de queda, com uma natureza pecaminosa e fora da redenção de Deus. Precisamos de ser «recriados» ou «nascidos de novo», não do ventre da nossa mãe, mas através do renascimento espiritual pelo Espírito Santo (João 3:3-21). Isto ocorre quando depositamos a nossa fé em Jesus.
Futuro: Quando a humanidade caiu e perdeu o domínio sobre a terra, a própria criação ficou sujeita à corrupção (Romanos 8:20-21). Deus purificará tudo com fogo (2 Pedro 3:10) e criará novos céus e uma nova terra (Apocalipse 21).
P: Em João 3:3-8, o que significa nascer de novo?
R: Billy Graham escreveu um livro inteiro sobre este assunto, intitulado «Como Nascer de Novo». Resumindo, «nascer de novo» é o que Deus faz por si através do Espírito Santo quando deposita a sua fé Nele. Isto significa
1. Acreditar no Único e Verdadeiro Deus, que Ele é o Criador de tudo, e reconhecer a Sua autoridade sobre si. Acreditar que Ele nos revelou a Sua verdade na Sua Palavra, a Bíblia.
2. Confessar que está separado de Deus por causa do pecado e que é incapaz de se reconciliar com Ele. O problema não reside apenas nas ações externas que praticámos ou deixámos de praticar, mas também naquilo que somos no nosso íntimo.
3. Confie no verdadeiro Cristo. Quando era impossível para pecadores como nós nos aproximarmos de Deus, Deus tornou isso possível ao enviar Jesus Cristo à Terra em carne, nascido da Virgem Maria, para viver uma vida sem pecado. Ele morreu na cruz, sendo o Seu corpo e o Seu sangue um sacrifício expiatório pelos nossos pecados. Ele ressuscitou corporalmente ao terceiro dia e ascendeu ao Céu.
4. Clame a Deus. Todos os que invocarem o Senhor serão salvos, e se se arrepender dos seus pecados e pedir a Jesus para ser o Senhor e Salvador da sua vida, será salvo. Ele dar-lhe-á uma nova vida e dará início ao processo de o tornar mais semelhante a Cristo. Depois de morrer, irá para o Céu e estará com Deus para sempre.
P: Em Jo 3, 5, será impossível ir para o Céu a menos que se tenha o Espírito Santo?
R: Não, Jesus não disse propriamente isso. Jesus disse que, a menos que alguém nasça da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
O Reino de Deus e o Céu não são idênticos. O Céu é para onde os crentes vão quando morrem. O Dicionário Bíblico Wycliffe, na página 991, afirma que muitos ensinam que o reino de Deus se refere ao domínio espiritual de Cristo no coração daqueles que são salvos. O Dicionário Internacional da Bíblia, na página 568, afirma que, em geral, a palavra «reino» pode referir-se a: a) o território sobre o qual o rei reina; b) o povo sobre o qual o rei reina; ou c) o próprio reinado. O «Novo Dicionário Internacional da Bíblia» (1962, IVP) afirma que o reino de Deus tem aspetos tanto presentes como futuros. Assim, é evidente que o reino de Deus é mais abrangente do que o Céu, uma vez que inclui aspetos terrenos presentes. O Céu pode ser mais abrangente do que o reino de Deus, pois é possível que os bebés e outras pessoas só entrem no reino de Deus quando chegarem ao Céu.
As crianças não possuem o Espírito Santo, mas é geralmente aceite que nada na Bíblia indica que não possam ir para o Céu.
A maioria dos crentes do Antigo Testamento não possuía o Espírito Santo, mas não lhes foi permanentemente negado o acesso ao Céu.
Não se poderia dizer que nenhum destes grupos vivesse na Terra como parte do reino de Deus (com Cristo a reinar), mas ainda assim podem estar no Céu.
Em resumo, o Espírito é necessário para que alguém na Terra faça parte do reino de Deus. No entanto, «as mãos de Deus não estão atadas» no que diz respeito aos santos do Antigo Testamento, aos bebés, às pessoas com deficiência mental grave e àqueles que não tiveram oportunidade de ouvir o Evangelho.
P: Em Jo 3,5, muito resumidamente, o que é a água aqui?
R: Cinco pontos a considerar na resposta.
1. O grego pode significar «água e Espírito» ou «água, até mesmo o Espírito». Assim, isto poderia significar «água, simbolizando o Espírito»; o Novo Testamento grego de Aland et al. (3.ª edição, 1975) afirma que kai significa «e, também, mas, até mesmo; isto é, nomeadamente»; a tradução expandida de Kenneth S. Wuest também utiliza a palavra «até mesmo».
2. A água que acompanha o nascimento físico é o que alguns, a começar por Agostinho, têm pensado. No entanto, Jesus parece estar a referir-se a apenas um nascimento, não a dois; esta metáfora está ausente no resto da Bíblia e na cultura judaica até àquela época. Não temos conhecimento de quaisquer cristãos primitivos de língua grega que tenham interpretado o versículo desta forma.
3. Outros afirmam que «água» significa a palavra de Deus (com base principalmente em Efésios 5:26). O único mérito desta perspetiva é que evita quaisquer problemas ao afirmar que o batismo com água é essencial. Significa isto que Nicodemos e os fariseus estavam parcialmente renascidos, porque conheciam a palavra de Deus no Antigo Testamento? — Claro que não. Esta interpretação abre também a porta ao erro denominado ultradispensacionalismo, segundo o qual o batismo com água não deve ser praticado hoje em dia. Além disso, não se conhece um único cristão de língua grega que tenha interpretado João 3:5 desta forma, o que implicaria que Jesus repreendesse Nicodemos por não compreender um Novo Testamento que ainda não tinha sido escrito.
4. A aplicação ao batismo é o que os escritores da Igreja primitiva ensinaram unanimemente, embora não fossem excluídos significados complementares. As numerosas bacias de ablução no Templo existiam para que as pessoas pudessem obedecer às regras do Antigo Testamento relativas às abluções. O poderoso ministério de João Batista não tinha sentido? - Apenas nas mentes fechadas de alguns fariseus. Era de esperar que Jesus repreendesse Nicodemos, o mestre, por não ter compreendido o arrependimento, a necessidade de purificação e a purificação interior exigida representada pelo batismo, antes de uma pessoa poder ser aceite como parte do reino de Deus.
5. O reino de Deus não é o Céu, porque inclui aquilo de que os crentes podem fazer parte enquanto vivem na Terra. O batismo com água é uma parte importante da adesão à Igreja de Deus na Terra hoje em dia. No entanto, os bebés, os santos do Antigo Testamento, os com graves deficiências mentais e, possivelmente, outros devem regozijar-se pelo facto de ser Deus quem envia as pessoas para o Céu, e não a água do batismo.
P: Em Jo 3,5, o que é a água aqui referida?
R: Todos concordam que o «espírito» é o Espírito Santo, que está envolvido no novo nascimento, mas os cristãos genuínos têm várias perspetivas sobre a «água». Apresentam-se a seguir alguns factos relevantes para determinar a interpretação correta, seguidos de várias perspetivas sobre a «água», os prós e os contras, e quem defende essas perspetivas.
Factos relevantes:
O grego indica apenas um nascimento, da água e do Espírito, e não dois. A palavra grega para «e», kai, pode significar «e» ou «até mesmo/ou seja». A obra de Wuest, *O Novo Testamento: Uma Tradução Alargada*, afirma: «quem não nascer da água como fonte, nem do Espírito como fonte, não pode entrar no reino de Deus».
Nenhuma imagem da água associada ao nascimento físico foi utilizada pelos judeus até séculos depois de Jesus.
Em Jerusalém, onde falavam, o Templo dispunha de muitos locais para a ablução ritual, chamados mikvás.
João Batista estava a causar bastante agitação nesta altura, com a sua pregação do batismo para o arrependimento.
O batismo era anterior a João Batista, uma vez que os convertidos ao judaísmo eram batizados. Assim, o batismo simbolizava o arrependimento, a purificação e a conversão. De acordo com o «Wycliffe Bible Dictionary», p. 441, a seita judaica de Qumran também praticava o batismo por imersão.
Nicodemos já conhecia toda a Palavra de Deus naquela altura, uma vez que o Novo Testamento ainda não tinha sido escrito.
Todos os fariseus, ao verem as mikvot, deveriam recordar-se dos muitos mandamentos relativos à purificação ritual no Antigo Testamento e da água para a purificação em Ezequiel 36:25-27.
Todos os escritos da Igreja primitiva de que dispomos que mencionam João 3:5, até cerca de 400 d.C., interpretam unanimemente João 3:5 como se referindo à purificação pelo batismo.
Tito 3:5 apresenta uma formulação muito semelhante à de João 3:5, dizendo «banho de renascimento e renovação do/pelo Espírito Santo»
O reino de Deus é aquilo a que Jesus se refere aqui, não o Céu nem a salvação. Consulte a pergunta anterior para uma discussão sobre este assunto.
RESPOSTAS DIVERSAS:
1. Nascimento físico.
Tal como o líquido amniótico do ventre da mãe está associado ao nascimento, o Espírito Santo está associado ao segundo nascimento. Nicodemos questionou-se sobre nascer uma segunda vez no ventre da sua mãe, e Jesus utilizou esta tautologia para conduzir os pensamentos e es de Nicodemos da água materna do primeiro nascimento para a água espiritual/batismal do segundo nascimento.
No entanto, os judeus nunca utilizaram a água como imagem do nascimento até, pelo menos, séculos depois de Jesus. Além disso, isto seria uma tautologia; e dizer a uma pessoa que precisa de nascer como pessoa não é particularmente útil.
Além disso, a gramática grega indica que a água e o espírito não são duas coisas distintas, mas sim uma só, de acordo com a «New Geneva Study Bible», p. 1665, e «Hard Sayings of the Bible», p. 495.
No entanto, não se deve atribuir demasiada importância à gramática grega, pois Jesus provavelmente falou com Nicodemos em aramaico ou hebraico, e não em grego.
Esta interpretação, combinada com a visão sobre o batismo, foi defendida pela primeira vez por Agostinho de Hipona no seu sermão sobre João 2:23-3:5 (c. 400 d.C.). (Agostinho falava latim e afirmou nas suas «Confissões» que não gostava do grego, o que o impediu de aprofundar demasiado o assunto.) A referência ao nascimento físico é também a opinião de Ron Rhodes no livro *Complete Book of Bible Answers*, p. 211, e de Warren Wiersbe na *Nelson’s Quick Reference* (p. 390).
2. A água simboliza a palavra de Deus.
O Salmo 119:9 menciona que um jovem pode manter o seu caminho puro vivendo de acordo com a palavra de Deus (embora aqui não haja qualquer menção à água)
Efésios 5:26 afirma que Cristo purificou a igreja com o banho de água através da/pela/com/na palavra.
Em João 15:3, Jesus diz que estão puros através da palavra que Jesus lhes dirigiu. (embora não haja qualquer menção à água)
Tiago 1:18 afirma que nascemos pela palavra. (sem qualquer menção à água)
1 Pedro 1:23 diz que nascemos de novo, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus. (sem qualquer menção à água)
No entanto, como é que Jesus explicou exatamente a Nicodemos que este deveria «nascer da palavra»? Lembre-se de que Efésios, João 15:3 e 1 Pedro 1:23 não eram relevantes para Nicodemos, uma vez que o Novo Testamento ainda não tinha sido escrito. Nicodemos já conhecia todas as Escrituras de Deus que existiam. Significa isto que Jesus estava a dizer a Nicodemos que ele já estava a meio caminho, porque Nicodemos conhecia o Antigo Testamento? A ideia de que Jesus estava a elogiar Nicodemos pelo seu entendimento está longe do significado deste versículo.
Pelo contrário, Jesus manifestou surpresa pelo facto de Nicodemos, um mestre de Israel, não compreender. Ao contrário dos saduceus, Nicodemos e os fariseus nunca foram acusados de desconhecer a palavra de Deus. Quando Jesus se referiu à água, estava a falar de algo que Nicodemos, enquanto mestre judeu da Lei, já deveria conhecer. O que é que Jesus estava a repreender Nicodemos? Cerca de 200 anos antes de Cristo, os judeus, sob a influência dos fariseus, tinham-se desviado da compreensão da santidade, do amor e da relação espiritual com Deus para um legalismo religioso. Um e a que tivesse estudado o Antigo Testamento deveria saber mais sobre o arrependimento e a purificação associados à lavagem ritual, bem como sobre o importante papel que o Espírito Santo viria a desempenhar, tal como Joel e outros profetas tinham anunciado.
Se é possível interpretar a palavra «água» de forma contrária ao seu significado literal, então por que razão não podem os ultra-dispensacionalistas interpretar as palavras «água» e «batismo» noutras passagens do Novo Testamento de forma contrária aos seus significados literais também? Consulte igualmente a próxima pergunta para uma discussão mais aprofundada sobre este parágrafo.
Esta perspetiva é defendida em *1001 Bible Questions Answered*, pp. 225-226, de James Boice, e no *Believer’s Bible Commentary*, p. 1478 (e p. 1948, relativamente a Efésios 5:26).
3. Purificação exterior através do batismo com água, indicando arrependimento e purificação interiores
Nicodemos estaria familiarizado com a metáfora do batismo com água para a purificação, com base em Ezequiel 36:25-27, na Torá e noutras passagens. Consulte também as perspetivas 3a. e 3b.
No entanto, dificilmente se poderia esperar que Nicodemos compreendesse plenamente o batismo cristão, uma vez que apenas as abluções do Antigo Testamento e o batismo de João tinham sido revelados. Jesus esperava que Nicodemos já fosse capaz de compreender isto. Por isso, afirmar que isto se refere apenas ao batismo cristão não pode estar correto.
No entanto, ao falar de forma a prenunciar a sua morte e a comunhão em João 6:51-56, Jesus não se limitou a prenunciar o batismo cristão; eles já estavam muito familiarizados com o batismo para o arrependimento, graças a João.
Esta interpretação é defendida por:
João Crisóstomo (392-407 d.C.) Homilias sobre São João, Homilia 25, p. 87-90
Gregório de Nazianzo (330-391 d.C.) «Oração sobre o Santo Batismo», cap. 8, p. 362
F.F. Bruce, em «Hard Sayings of the Bible», pp. 495-496
Jamieson, Fausset, Brown
«Harper’s Bible Commentary».
3a. A água simboliza a regeneração batismal.
Os escritores da Igreja primitiva defendiam esta visão.
No entanto, o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 281, refere que esta interpretação contradiz a salvação pela fé apenas, tal como demonstram Efésios 2:8-9 e João 3:16.
Esta visão é defendida por
Justino Mártir (c. 150 d.C.), na Primeira Apologia, capítulo 61, p. 183
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) no fragmento 34, p. 574
Tertuliano (198-220 d.C.) em «Sobre o Batismo», cap. 12
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) na «Epístola 71», capítulo 1, p. 378
Gregório de Nazianzo (330-391 d.C.), «Discurso sobre o Santo Batismo», capítulo 8, p. 362
Basílio da Capadócia (357-379 d.C.), «Sobre o Espírito», 15:35, p. 22
Ambrósio de Milão (378-381 d.C.) «Sobre o Espírito Santo», livro 3, cap. 10, n.ºs 63-64, p. 144
Constituições Apostólicas (375-380 d.C.), livro 6, secção 3, cap. 15, p. 456 (Trata-se de uma obra espúria, que apresenta uma data antiga. Entre outras coisas, defende também o batismo de crianças.)
3b. O batismo com água é um sinal exterior da purificação interior pelo Espírito.
A maioria dos intérpretes que negam o ponto 3 fá-lo exclusivamente com base no facto de o ponto 3a não estar correto, sem examinar a alternativa do ponto 3b. João 3:5 nada faz para mostrar o «mecanismo» de como o batismo com água se relaciona com o reino de Deus, apenas que tal relação existe. O nosso batismo com água não nos salva mais do que o nosso arrependimento, o nosso amor, a nossa fé ou a nossa obediência a Deus nos salvam. No entanto, seria errado negar que todos estes quatro aspetos estão relacionados com o reino de Deus.
A conjunção grega «kai» é a palavra comum para «e», mas também pode significar «até mesmo/ou seja». Assim, embora provavelmente signifique «água e espírito», poderia significar «água, ou seja, o espírito».
Quando João Batista exortou o povo ao arrependimento, ninguém perguntou: «O que é esta coisa nova chamada batismo que o senhor está a praticar?». A razão é que o Templo de Jerusalém estava repleto de mikvot, que eram semelhantes a pias batismais destinadas à purificação dos fiéis. O destinatário imediato aqui era Nicodemos, e Lucas repreende os fariseus em Lucas 7:29-30 por rejeitarem os desígnios de Deus para si próprios ao não se deixarem batizar por João.
No entanto, interpretar João 3:5 desta forma parece quase tornar o batismo (seja o batismo de João ou o batismo cristão) um requisito para a salvação.
No entanto, o batismo de João visava a salvação, não era algo que trouxesse a salvação. Em Atos 2:38, Pedro afirmou que as pessoas tinham de se arrepender e ser batizadas, e que assim receberiam o Espírito Santo. Hebreus 4:2 refere que alguns não foram salvos porque não partilhavam a fé (ou não a combinavam com a fé). Aspetos como o arrependimento, a fé e a obediência, incluindo a obediência no batismo com água, são evidências de que recebemos a salvação, não aquilo que nos salva.
Esta perspetiva é defendida por:
O Comentário Aplicado do Novo Testamento, p. 368
O Comentário de Matthew Henry afirma que «é provável que Cristo tivesse em mente a ordenança do batismo».
4. A água simboliza a conversão.
Os convertidos ao judaísmo passavam por uma cerimónia de batismo. Jesus estava a sugerir que era necessário converter-se para experimentar o novo nascimento. Assim, Jesus estava a dizer «pela conversão e pelo Espírito». Esta perspetiva não impede que se acreditem também noutras perspetivas.
No entanto, embora os convertidos judeus fossem lavados, era mais comum ver judeus a lavarem-se para fins de purificação ritual. Este ponto de vista talvez não seja propriamente falso, mas sim uma visão demasiado restrita do ponto 3.
Esta interpretação é defendida por:
O Comentário Bíblico da IVP: Novo Testamento (1993), p. 270.
5. A água representa o ministério batismal de João Batista, e o Espírito, o ministério de Jesus.
Ninguém naquela época poderia pensar em «batismo» e «coisas novas» na mesma frase sem pensar no ministério de João Batista.
Esta interpretação é defendida por F.B. Meyer em O Evangelho de João, p. 64. O Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento, p. 281, apresenta cinco interpretações, mas recomenda apenas esta como tendo «o mérito da adequação histórica, bem como da aceitabilidade teológica». A Bíblia de Aplicação à Vida apresenta várias interpretações, uma das quais é o arrependimento que o ministério de João Batista simbolizava.
6. A água é uma imagem do derramamento do Espírito nos tempos do Antigo Testamento.
Jesus disse em João 7:38: «Quem crer em mim, como diz a Escritura: “Rios de água viva correrão do seu interior.” Ele falava do Espírito, que aqueles que n’Ele cressem viriam a receber mais tarde. Pois o Espírito ainda não tinha sido dado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.» A Nova Bíblia de Estudo de Genebra, p. 1676, afirma que, embora esta não seja uma citação exata de qualquer passagem do Antigo Testamento, pode ser uma referência geral tanto a Isaías 44:3 como a Ezequiel 36:25-27. Tito 3:5 apresenta uma formulação muito semelhante à de João 3:5, referindo-se à «lavagem da regeneração e renovação do/pelo Espírito Santo». Embora os Atos de os Apóstolos apresentem alguns casos especiais, a norma era que os cristãos fossem batizados com água literal e com o Espírito Santo.
No entanto, na Torá, a água é utilizada para abluções rituais, e não para o derramamento do Espírito. Além disso, o «Believer’s Bible Commentary», na página 1478, salienta que, se a água não representasse mais do que o ministério do Espírito, então o versículo pareceria dizer «a menos que alguém nasça do Espírito e do Espírito», o que seria redundante.
1 João 5:8 fala da água, do Espírito e do sangue. Uma vez que o Espírito e o sangue são diferentes, a água também o é.
Esta perspetiva é defendida pela «New Geneva Study Bible», p. 1665.
A «Companion Bible» afirma que se trata de «água espiritual» e não de água literal. O «IVP Bible Commentary: New Testament» refere que o grego pode ser traduzido como «água e o Espírito, ou água, isto é, o Espírito».
A MINHA CONCLUSÃO:
1. não é particularmente convincente. Só faz sentido se se minimizar a precisão do grego e se considerar que Jesus estava a dizer a Nicodemos que era necessário nascer fisicamente.
2. baseia-se no facto de Jesus repreender Nicodemos por compreender uma passagem das Escrituras que ainda não tinha sido escrita. Para alguns, esta interpretação é imposta pela opinião de que, se «batismo» tiver de significar o erro da regeneração batismal, não pode tratar-se de batismo.
3a. Não é bíblica, uma vez que Atos 10 mostra que as pessoas podiam ser salvas e receber o Espírito Santo antes do batismo com água.
3b, 4 e 5. podem ser todos interligados. Esta visão tem o mérito do significado literal, bem como da compreensão universal da igreja primitiva de língua grega.
6. não tem qualquer mérito, exceto como implicação secundária de 3b, 4 e 5.
Talvez devêssemos concentrar-nos menos no «que isto significaria para mim» e observar «o que isto significaria para Nicodemos e para os primeiros cristãos». A resposta mais provável é uma combinação dos pontos 3b, 4 e 5. Embora as visões 2 e 6 impliquem simbolismo, não seriam reconhecidas por Nicodemos como o seu significado principal, nem foram reconhecidas por nenhum cristão de língua grega conhecido.
O livro *When Critics Ask*, p. 406, também discute algumas destas visões, sem se comprometer com nenhuma em particular.
P: Em Jo 3,5, será verdadeira a «regeneração batismal», ou seja, a crença de que o batismo com água é necessário para a salvação?
R: Não. Os gentios que foram cheios do Espírito Santo e falaram em línguas em Atos 10:44-48, antes de serem batizados com água, provavelmente não pensavam assim. Jesus, aparentemente, também não pensava assim quando falou com o ladrão à sua direita. Poder-se-ia tentar argumentar que o ladrão na cruz ocorreu antes da ressurreição de Jesus, mas, nesse caso, as palavras de Jesus a Nicodemos foram proferidas — e eram verdadeiras — também antes da ressurreição de Jesus. É claro que tudo isto ocorreu antes do Espírito Santo no Pentecostes e da existência do batismo cristão; o batismo de João e as abluções do Antigo Testamento eram tudo o que eles conheciam.
No entanto, se uma interpretação de um versículo torna parte desse versículo totalmente desprovida de significado, então essa interpretação é, sem dúvida, incorreta. Assim, qual é o significado das palavras de Jesus aqui?
A resposta está implícita em Lucas 7:29-30, onde se diz que os fariseus e os especialistas na Lei tinham rejeitado o desígnio de Deus para si próprios. A razão apresentada é que não tinham sido batizados por João. O batismo com água não é nem um ritual sem sentido nem meramente algo opcional, como o ensaio do coro, para demonstrar um amor especial a Deus. Se uma pessoa com pleno conhecimento rejeitar o batismo com água e a verdade que este representa, terá rejeitado Deus. A menos que se arrependa, não irá para o Céu.
P: Em Jo 3,5, se alguém acreditasse no erro da regeneração batismal, seria isso uma heresia que leva à perdição da alma?
R: Não. Esta questão é importante, não para nos ensinar a verdade, mas para nos dar uma perspetiva sobre os tipos de erros que devem ou não ser motivo de divisão. Uma vez que devemos levar a sério o mandamento em Romanos 15:7, segundo o qual devemos aceitar-n amente uns aos outros, tal como Cristo nos aceitou, temos de saber que tipos de erros as pessoas podem ter e continuar a ser cristãos genuínos.
Os primeiros grupos campbellitas ensinavam a regeneração batismal, e a maioria dos grupos da Igreja de Cristo acredita na remissão batismal. Outras denominações protestantes não o fazem. As igrejas católica, ortodoxa e anglicana têm ensinado uma espécie de regeneração batismal, embora muito diferente da praticada pela denominação da Igreja de Cristo. No entanto, se pensava que apenas os hereges não salvos poderiam acreditar na regeneração batismal, então já não deve referir-se a Justino Mártir, Irineu, Tertuliano, Basílio, Gregório de Nazianzo, Ambrósio de Milão, Agostinho, Próspero da Aquitânia, Cipriano e, provavelmente, Atanásio como cristãos. Eis o que eles disseram sobre João 3:5 e o batismo.
Justino Mártir, que escreveu por volta de 138-165 d.C., na sua Primeira Apologia, cap. 61, p. 183: «Então, somos levados por nós para onde há água e somos regenerados da mesma forma que nós próprios fomos regenerados. Pois, em nome de Deus, Pai e Senhor do universo, e do nosso Salvador Jesus Cristo, e do Espírito Santo, recebem então a ablução com água. Pois também Cristo disse: “A menos que nasçam de novo, não entrarão no reino dos céus… E para este [rito] aprendemos dos apóstolos esta razão.”
Irineu, no fragmento 34, p. 574, afirmou: «Não foi por acaso que Naamã, na antiguidade, quando sofria de lepra, foi purificado ao ser batizado, mas [isso serviu] como um sinal para nós. Pois, assim como somos leprosos no pecado, somos purificados, por meio da água sagrada e da invocação do Senhor, das nossas antigas transgressões; sendo espiritualmente regenerados como recém-nascidos, tal como o Senhor declarou: “A menos que um homem nasça de novo pela água e pelo Espírito, não entrará no reino dos céus.”
Tertuliano, em «Sobre o Batismo», cap. 12, pp. 674-675, «Quando, no entanto, se estabelece a prescrição [verdadeira na perspetiva de Tertuliano] de que “sem o batismo, ninguém alcança a salvação” (principalmente com base naquela declaração do Senhor, que diz: “A menos que alguém nasça da água, não tem vida”), surgem imediatamente dúvidas escrupulosas, ou melhor, audaciosas, por parte de alguns, “como é que, de acordo com essa prescrição, a salvação é alcançável pelos apóstolos, os quais — com exceção de Paulo — não encontramos batizados no Senhor? … E agora, na medida do possível, responderei àqueles que afirmam ‘que os apóstolos não foram batizados’.”
Cipriano, na Epístola 71, cap. 1, p. 378: «… a menos que recebam também o batismo da Igreja. Pois só então poderão, finalmente, ser plenamente santificados e tornar-se filhos de Deus, se nascerem de cada sacramento; uma vez que está escrito: “A menos que um homem nasça de novo da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”.» (Ver também a Epístola 72, cap. 22, p. 385)
Gregório de Nanzianzo (330-391 d.C.) na «Oração sobre o Santo Batismo», cap. 8, p. 362, «E uma vez que somos compostos de duas partes — refiro-me ao corpo e à alma —, sendo uma parte visível, a outra invisível, também a purificação é dupla: pela água e pelo Espírito; uma recebida visivelmente no corpo, a outra concorrete com ele invisivelmente e à parte do corpo;… Pois, para resumir em uma única palavra, a virtude do Batismo deve ser entendida como uma aliança com Deus para uma segunda vida e uma conduta mais pura.»
Basílio da Capadócia (357-379 d.C.) Sobre o Espírito, capítulo 15:35, p. 22 «Daí decorre que a resposta à nossa pergunta sobre por que razão a água foi associada ao Espírito é clara: a razão é que, no batismo, foram propostos dois fins; por um lado, a destruição do corpo do pecado, para que nunca mais dê fruto para a morte; por outro lado, a nossa vida segundo o Espírito e o facto de darmos fruto na santidade…»
Atanásio, um dos artífices do Credo de Nicéia, tinha uma visão elevada do batismo, embora não tenha comentado João 3:5 propriamente dito. Ainda não consegui apurar se ele acreditava ou não na regeneração batismal.
João Crisóstomo (392-407 d.C.) não mencionou a regeneração batismal, mas, a título de referência, eis o que afirmou no seu sermão sobre João 3:5. Homilias de João Crisóstomo sobre São João, Homilia 25, cap. 2, vol. 14, p. 89. «Qual é, então, a utilidade da água? Também isto vos direi mais adiante, quando vos revelar o mistério oculto. ... No Batismo cumprem-se as promessas da nossa aliança com Deus: o sepultamento e a morte, a ressurreição e a vida; e tudo isto ocorre de uma só vez.»
Ambrósio de Milão (378-381 d.C.), na obra «Sobre o Espírito Santo», livro 3, cap. 10.64, p. 144, afirmou, a propósito de João 3:5: «Quem é aquele que nasce do Espírito e se torna Espírito, senão aquele que é renovado no Espírito da sua mente? Este é, sem dúvida, aquele que é regenerado pela água e pelo Espírito Santo, uma vez que recebemos a esperança da vida eterna através do lavatório da regeneração… Pois quem é aquele que é batizado com o Espírito Santo senão aquele que nasce de novo pela água e pelo Espírito Santo?»
Ambrósio também acreditava que o batismo possuía poder, na medida em que, para as crianças, o batismo lhes abre as portas do reino dos céus (Sobre Abraão 2:79)
Agostinho de Hipona também acreditava na eficácia do batismo. Acreditava no erro de que os bebés batizados iam para o Céu e os bebés não batizados iam para o Inferno.
Próspero da Aquitânia também acreditava no mesmo erro, a saber, que o batismo com água remove o pecado original e os pecados pessoais anteriores, tanto dos eleitos como dos réprobos. (Resposta aos Gálicos, artigos 2.º e 3.º).
Como nota final, o erro oposto — segundo o qual os cristãos não devem praticar o batismo com água — faz parte do erro denominado «ultra-dispensacionalismo». Para uma discussão mais aprofundada sobre este assunto, consulte as três perguntas relacionadas com 1 Coríntios 1:17.
P: Uma vez que João 3:13 parece indicar que ninguém jamais ascendeu ao céu, o que dizer de Elias e Enoque, etc.? Ou o que dizer de todos os santos do Antigo Testamento? Onde estavam eles, se não no céu? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou esta questão.)
R: Embora Elias tenha sido levado para o céu, ninguém por si próprio ascendeu da Terra ao céu propriamente dito, até que Jesus o fez. Primeiro, observemos o que a Bíblia revela sobre Elias e Enoque e, em seguida, sobre os crentes do Antigo Testamento em geral.
Elias e Enoque: Génesis 5:24 diz que Enoque caminhou com Deus e, depois, Deus levou-o. Não diz precisamente para onde Deus levou Enoque, embora eu tenha a certeza de que Enoque ficou muito contente por estar lá. 2 Reis 2:1, 11 diz que Elias foi levado para o céu. A palavra hebraica para «céu» aqui, shameh (Strong 8064), significa tanto «céu» como «firmamento». Por exemplo, é utilizada para significar «céu» em Génesis 15:5; Génesis 26:4 (onde se encontram as estrelas); Génesis 16:4; 1 Reis 18:45 (de onde vem a chuva). Mas sabemos que Elias deixou este mundo para estar com Deus.
O «Comentário Bíblico do Crente», p. 1479, refere que a Bíblia não diz que Elias e Enoque ascenderam [por seus próprios meios] ao Céu; pelo contrário, foram levados para o céu.
Os crentes antes de Cristo: Todas as pessoas iam para o Seol, que é traduzido como «a sepultura». No entanto, os judeus distinguiam entre duas partes: a prisão e o paraíso. Quando Jesus estava a morrer na cruz, não disse ao ladrão à sua direita: «Hoje estarás comigo no céu». Em vez disso, disse: «Hoje estarás comigo no Paraíso.» Este é o mesmo lugar onde se encontrava Abraão, conforme descrito em Lucas 16:22-26. Quando Jesus ressuscitou dos mortos, o Paraíso ficou vazio, e Jesus conduziu todos eles para o Céu consigo.
Conclusão: Embora Moisés e os crentes do Antigo Testamento estivessem no Paraíso antes da vinda de Jesus, e Elias tenha sido até levado para o céu numa carruagem de fogo, ninguém por si próprio ascendeu da Terra, e ninguém tinha ascendido ao céu propriamente dito até que Jesus o fez.
P: Compare Jo 3, 13 («E ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu, o Filho do Homem...») com 2 Reis 2, 11 («... e Elias subiu ao céu num redemoinho»). Será que Jesus se enganou, uma vez que 2 Reis 2, 11 indica que Elias subiu antes?
R: A ascensão de Jesus ao Céu foi fundamentalmente diferente do turbilhão e das carruagens de Elias em dois aspetos.
1) Um pormenor menor é que a palavra grega em João 3:13 (anabebeken, uma forma de anabaino) significa levantar-se, subir, erguer-se, etc. Jesus ascendeu por Si próprio, enquanto Elias foi levado num redemoinho.
2) Mais importante ainda, os crentes antes da ressurreição de Cristo não foram para o mesmo lugar de que Jesus falava. Quando Jesus estava na cruz, não disse que o ladrão à sua direita veria Jesus hoje no Céu; pelo contrário, disse que o ladrão estaria hoje com Jesus no paraíso. Em Lucas 16, Jesus falou do «seio de Abraão», um lugar de descanso. Em Efésios 4:8, quando Jesus ressuscitou dos mortos, Ele abriu as portas do Céu, para que os santos do Antigo Testamento, vindos do Paraíso, fossem com Ele. Ninguém entrou no Céu sem Jesus ou antes de Jesus.
P: Em João 3:13 e João 6:38,42, a descida de Cristo do céu é apenas um facto espiritual e simbólico, e não um facto material, como ensinam os bahá’ís em «Algumas Perguntas Respondidas», pp. 103-105?
R: Não. ‘Abdu’l-Bahá afirma isto porque João 3:13 e seguintes dizem: «… mas Aquele que desceu do céu, o Filho do Homem que está no céu», na altura em que Jesus estava na Terra. (p. 103).
Em primeiro lugar, esta última frase é uma variação manuscrita que não está presente nos manuscritos mais antigos, embora figure no Lecionário Bizantino posterior. É estranho basear uma doutrina numa única variante.
Em segundo lugar, a natureza divina de Jesus pode continuar a ser considerada tanto no céu como na Terra.
Por fim, e mais importante ainda, mesmo que aceite a variação do manuscrito, no mesmo versículo diz-se que Jesus desceu do Céu. É trivial demonstrar, a partir da Bíblia, que Jesus existia no Céu antes da encarnação, e que esse mesmo Jesus «desceu» é um facto concreto.
P: Em Jo 3,14, de que forma é que a serpente de bronze no deserto se relacionava com Jesus?
R: Em Números 21:4-9, Deus castigou os israelitas pelos seus pecados, fazendo com que fossem mordidos por serpentes venenosas. No entanto, Deus providenciou um meio para a sua cura. Deus instruiu-os a fazerem uma imagem de bronze semelhante às serpentes que os tinham mordido. Quando olhassem para a serpente de bronze, viveriam.
O facto de Deus ter estabelecido esta analogia parece especialmente pertinente neste contexto. Nós sofremos a culpa e as consequências dos nossos pecados. Jesus, que era sem pecado, tomou sobre Si o castigo pelos nossos pecados. Quando olhamos para Jesus, viveremos.
P: Em Jo 3,15; 10,28; 17,3, a palavra grega para «eterno», aionion, significa apenas «até ao fim dos tempos»?
R: Embora esta palavra, nas suas partes literais, signifique «até ao fim dos tempos», significa também «eterno», uma vez que se refere igualmente à glória e ao ser de Deus. Esta é a única palavra de que os gregos dispunham para designar o eterno.
P: Em Jo 3,16, Deus ama as pessoas que não estão salvas, ou odeia-as?
R: Deus ama-as. No entanto, a título de uma analogia rudimentar, quando um bebé está com febre, é contagioso e está prestes a vomitar em cima de si, irá gostar de pegar no seu bebé fofo e adorável no futuro, mas talvez não neste preciso momento.
Deus pode odiar o pecado e, ainda assim, ser compassivo para com todos. No entanto, Deus sabe que os eleitos podem ansiar pela eternidade com Ele, enquanto os não eleitos não podem.
P: Em Jo 3,16, é contraditório que a morte de Cristo seja simultaneamente um sacrifício e um acontecimento cósmico? (Rudolph Bultmann ensinou isto)
R: Não. Imagine por um momento que a uma formiga minúscula fosse subitamente concedido o corpo, parte da inteligência, mas apenas um pouco do conhecimento de um ser humano. Ou a formiga perceberia que existem situações e coisas para além da sua compreensão anterior, ou então veria contradições por todo o lado. Por exemplo, como poderia um besouro comer uma pessoa sem lhe causar dano? E que diferença faz que o «besouro» tenha sido fabricado pela Volkswagen? Como é que os insetos poderiam viver dentro de software informático? — e assim por diante. Se afirma que algo é uma contradição, é claro que tem de ter uma base para justificar por que razão é uma contradição. O que é difícil para Bultmann (ou qualquer outro não crente) demonstrar é que os pressupostos e requisitos que aplicamos na nossa época à vida quotidiana na Terra se aplicam a um Deus intemporal e infinito que preenche os Céus.
Muitas pessoas têm ídolos que são simplesmente estátuas rudimentares. Alguns «teólogos» modernos têm um ídolo mais sofisticado, que vive inteiramente na sua própria mente. Quando as pessoas inventam restrições a Deus, em vez de acreditarem no que Deus revelou sobre Si mesmo na Bíblia, a idolatria é uma descrição adequada do deus que estão a descrever.
P: Em Jo 3,16, Deus ama todas as pessoas do mundo, ou apenas aquelas que irão para o Céu?
R: Os cristãos genuínos discordam quanto a isto. Na minha opinião, esta resposta tem três partes.
A todos: Deus tem amor e alguma misericórdia para com todos, como mostra o Salmo 145:9,13. Por mais maléfica e vil que uma pessoa possa ser, Deus continua a pedir-lhe e a convidá-la a acreditar no Seu Filho, a pedir perdão e purificação pelos seus pecados e a viver em santidade com Deus no Céu. Como servos de Deus, somos mensageiros enviados para transmitir esta mensagem a todos.
Os Eleitos: Deus demonstra um amor especial por alguns que não demonstrou por outros. Isto acontece antes de serem salvos. Alguns exemplos são Jacó e Esaú em Romanos 9:10-12, os eleitos e os reprovados em geral em Romanos 9:22-25, e os dois filhos de Davi e Bate-Seba em 2 Samuel 12:15-25.
Crentes?: Será que Deus ama mais um cristão depois de este ter sido salvo do que antes de ter sido salvo? Nenhuma passagem bíblica indica isso, nem como tal se relacionaria com um Deus atemporal.
P: Em João 3:16, uma vez que Jesus não é um ser criado, como pode Ele ser gerado por Deus? Os muçulmanos negam que Jesus seja gerado por Deus.
R: «Gerado» não significa «criado», pois podemos criar muitas coisas, mas geramos filhos. Muitos muçulmanos têm uma ligeira semelhança na sua crença de que o Alcorão provém de Alá sem ter sido criado por Ele. Antes do início dos tempos, Jesus, que também é chamado de Verbo de Deus, provém de Deus Pai. Assim, de formas diferentes, tanto os cristãos como muitos muçulmanos [não mu’tazilitas] afirmam que o Verbo de Deus provém de Deus, mas não foi criado.
P: Em João 3:16, por que razão as pessoas podem rejeitar Jesus e ir para o Inferno?
R: Jesus afirmou que todos aqueles que O rejeitam irão para o Inferno, em João 3:36. Por que razão Deus nos conferiu esta responsabilidade, ao mesmo tempo que é grandiosa e terrível, de escolher aceitar ou rejeitar Jesus, e de ver o nosso destino eterno determinado em conformidade? A resposta poderá estar relacionada com o valor que Deus nos atribui. Deus criou-nos à Sua imagem, não como robôs. Ele valoriza tanto o nosso livre arbítrio que nos permite escolher o nosso destino e viver com a nossa escolha. Permitiu que Adão e Eva fizessem o mesmo, com as terríveis consequências que isso acarretou para eles e para os seus descendentes. Talvez Deus pudesse ter recuado no tempo e «descriado» Adão e Eva, mas, por quaisquer que fossem as razões, Deus optou por não o fazer e deixou que as escolhas do homem se mantivessem.
P: Em Jo 3,18, nascem realmente todas as pessoas num estado de condenação ou de afastamento?
R: Num estado de afastamento, sim. Num estado de condenação, não necessariamente. Embora Agostinho de Hipona e Próspero da Aquitânia ensinassem que todos os bebés que morrem antes do batismo vão automaticamente para o Inferno, a Bíblia não diz isso, e poucos cristãos hoje em dia acreditam nisso. As pessoas nascem sem o Espírito Santo dentro de si e, sim, todas nascem separadas de Deus. No entanto, nos tempos do Antigo Testamento, Deus podia optar por salvar pessoas que não possuíam o Espírito Santo, e nada impede Deus de salvar bebés hoje em dia.
P: Em Jo 3,17; 8,15; 12,47, Jesus não veio para julgar o mundo, ou irá Ele julgar o mundo de acordo com Jo 5,22,27; 9,39?
R: Ambas as afirmações são verdadeiras.
Na primeira vez, Jesus não veio para julgar o mundo, mas sim como um cordeiro para o salvar, morrendo pelos nossos pecados. No entanto, uma consequência da vinda de Jesus é que aqueles que O rejeitaram serão sujeitos a um julgamento futuro.
Na Segunda Vinda, Jesus virá como um leão para julgar aqueles que O rejeitam. Os crentes estão protegidos pelo sangue de Cristo e não têm nada a temer do Juízo do Grande Trono Branco. No entanto, os incrédulos devem temer profundamente o julgamento de Cristo sobre as suas obras quando Ele voltar.
P: Em Jo 3,18, será isso justiça, o facto de nascermos num estado de afastamento?
R: Deus é justo, mas isso não implica que tenhamos de ter nascido numa determinada condição. Consulte a análise sobre Romanos 9:19-22 e Romanos 11:8,10 para obter a resposta.
P: Em João 3:25-26, por que razão acha que o homem que discutia perguntou a João sobre Jesus?
R: Não vemos qualquer indício de que o judeu tivesse seguido João, Jesus ou tivesse qualquer intenção de querer seguir qualquer um deles. Talvez ele considerasse errado o ensinamento de João e estivesse a tentar apontar o que via como uma contradição entre o ensinamento de João e o de Jesus.
Mas, para além disso, talvez o judeu quisesse semear discórdia entre João e Jesus. Se conseguisse usar o discípulo de João para fazer com que João e Jesus discordassem, ambos ficariam desacreditados, uma vez que João afirmava Jesus e Jesus afirmava João. Hoje em dia, se alguém conseguir que os cristãos se oponham publicamente uns aos outros, isso pode tender a desacreditar ambos aos olhos do mundo. Por isso, nunca menospreze outros cristãos, seja em público ou em privado. Tenha muito cuidado ao criticar outros cristãos, a menos que se trate de cristãos envolvidos em erros ou pecados graves, ou que não sejam realmente cristãos.
P: Em Jo 3, 27-30, por que razão João respondeu daquela forma?
R: Quando é amigo da noiva ou do noivo num casamento, deseja que o casal seja honrado; não que a honra recaia sobre si próprio. A missão de João era dar glória a Deus. Por vezes, isso significava falar com ousadia, o que aumentaria a sua fama. Outras vezes, significava afastar-se para que Jesus pudesse ser seguido. João sentia-se à vontade com ambas as situações.
P: Em Jo 3,27, como podemos aplicar hoje a ideia de que «um homem só pode receber o que lhe é dado do céu»?
R: Esteja satisfeito com as bênçãos, os dons e as competências que Deus escolheu conceder-lhe. Não se sinta insatisfeito com tudo aquilo que Deus não lhe concedeu. Mesmo quando os não crentes têm mais capacidade para ganhar dinheiro, melhor saúde, podem ser mais famosos, etc., esteja contente por Deus lhe ter dado tudo o que precisa.
P: Em Jo 3,32, uma vez que nenhum homem recebeu o testemunho de Cristo, como é que João Batista e outros aceitaram Cristo?
R: O versículo 32 é matizado pelo versículo 33. Nos textos modernos, costuma-se escrever: «Ninguém… Exceto…». Os textos antigos são semelhantes, exceto que o «exceto» por vezes está implícito.
A afirmação de João aqui está relacionada com a afirmação de Jesus em João 6:44, de que ninguém pode vir a Deus, a menos que o Pai o atraia. Sem a ajuda de Deus, as pessoas, deixadas à sua própria sorte, não querem procurar a Deus, como diz Romanos 3:11.
P: Em Jo 3:34, uma vez que Deus é Espírito, como pode Jesus ser o Filho de Deus?
R: Os cristãos NÃO acreditam que Jesus fosse o Filho de Deus num sentido físico ou sexual grosseiro. Pelo contrário, este termo é uma expressão de um significado profundo sobre a forma como Jesus é diferente de todos os seres criados.
P: Em João 3:36, todos aqueles que não rejeitam Cristo irão para o Céu, ou é necessário acreditar efetivamente em Cristo?
R: Há dois pontos a considerar na resposta.
Todos os que rejeitam Jesus «morrerão nos [seus] pecados», segundo Jesus em João 8:24. João 3:36 também é muito claro: aqueles que rejeitam Jesus irão para o Inferno. Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) foi um dos primeiros cristãos que também ensinou de forma semelhante, afirmando que todos os judeus que rejeitam Cristo vão para o Inferno, em «Diálogo com Trifão, o Judeu», capítulo 26.
Nunca se diz que todos os bebés que morrem vão para o Inferno. É claro que os bebés não têm a capacidade de compreensão necessária para aceitar Jesus; portanto, a menos que todos os bebés vão para o Inferno, isto demonstra que Deus não está limitado a agir dentro desta restrição. Consulte também a próxima pergunta.
P: Em Jo 3,36, e quanto àqueles que nunca ouviram falar de Cristo? Será que um Deus justo os condena ao inferno sem qualquer hipótese?
R: Não. Deus é justo e imparcial, bem como misericordioso. Deus afirma que não imputa pecado onde não há lei (Romanos 4:15; 5:12). Sabemos que Deus providenciará uma forma de os julgar de modo justo. Excluindo o Purgatório, o Limbo e algumas posições calvinistas extremas, eis várias especulações sobre as formas que Deus poderá escolher para o fazer.
Deus assegura que todos aqueles que o aceitem o ouçam: as pessoas que rejeitam Deus sofrem uma condenação mais severa, com base num maior conhecimento (ver 2 Pedro 2:21). A única esperança de uma pessoa é ouvir o Evangelho e aceitá-lo antes da morte, mas Deus assegura-se de que todos aqueles que precisam de o ouvir o façam.
Alguns ouvem o Evangelho e aceitam-no após a morte:
Esta visão assenta na interpretação de três passagens bíblicas: 1 Pedro 3:19-20; 1 Pedro 4:5-6 e Efésios 4:8-10. 1 Pedro 3:19-20 afirma que, após a morte de Cristo, Ele pregou aos espíritos na prisão. «Prisão» não é um termo que descreva o local para onde os justos falecidos (como Abraão) foram antes de Cristo. Descreve, antes, o local para onde as almas humanas perdidas foram antes de Cristo ou então onde outras almas (alguns demónios e/ou nefilim) se encontravam antes de Cristo. Em vez de lhes informar simplesmente o que aconteceu na Terra, esta perspetiva afirma que Jesus pregou para que pudessem fazer a mesma escolha que teriam feito na Terra. Isso não significa que haja uma segunda oportunidade após a morte; em vez disso, há uma primeira oportunidade para aqueles que nunca tiveram uma oportunidade.
Alguns ouvem o Evangelho e aceitam-no durante o milénio:
Esta resposta é muito semelhante à perspetiva da salvação pós-morte. Se colocar a pergunta «o que acontece àqueles que nunca ouviram falar» ao lado de «por que razão Deus ressuscitará pessoas que não tomaram uma decisão a seu favor», as duas perguntas parecem responder uma à outra.
Os que procuram podem ser salvos por meio de Cristo:
Será que alguém hoje em dia pode ser salvo tal como Abraão e Jó? Eles procuraram o Criador em vez de uma criatura, perceberam a sua necessidade de perdão, procuraram a misericórdia e a salvação de Deus e obedeceram ao que sabiam. Esta visão não afirma que todos vão para o Céu nem que existem muitos caminhos para Deus. Afirma que, mesmo que se encontre num caminho errado que não conduz a Deus, Deus pode ainda assim honrar a sua sinceridade se estiver verdadeiramente à procura do Deus Verdadeiro e não tiver rejeitado a verdade disponível. Isto não se aplica àqueles que poderiam ter investigado Cristo, mas que nunca optaram por fazê-lo nem consideraram isso suficientemente importante.
Consulte também a discussão sobre João 6:45 para mais informações.
P: Em João 4:1-2, por que razão Jesus não batizou ninguém?
R: As Escrituras não o dizem, mas podemos especular. No contexto de Efésios 2:20, o alicerce não é Jesus, mas os apóstolos e profetas, e Jesus é a pedra angular sobre a qual assenta o alicerce. Se Jesus tivesse batizado muitas pessoas, algumas poderiam pensar que podiam contornar o alicerce. Espiritualmente, os cristãos genuínos estão todos batizados em Cristo. No entanto, a nossa fé assenta no alicerce dos apóstolos e profetas. (É claro que se trata dos apóstolos do Novo Testamento, e não de imitadores modernos sem fundamento.)
P: Em João 4:1-2, será que Jesus alguma vez batizou alguém?
R: As Escrituras não o dizem explicitamente. Temos apenas duas passagens no Novo Testamento em que se refere se Jesus batizou ou não. João 3:22 diz que Jesus e os Seus discípulos estavam no campo e batizavam, sem especificar quem estava a realizar o batismo. João 4:1-2 esclarece que, embora os fariseus tivessem ouvido dizer que Jesus estava a batizar, na verdade eram os discípulos que O seguiam que estavam a realizar o batismo.
Talvez Jesus não tenha batizado pessoalmente ninguém porque não queria que alguém fosse tentado a pensar que era «melhor» na fé por ter sido batizado diretamente por Ele, em vez de por outra pessoa. Esta poderá também ser a mesma razão pela qual Paulo mandava que outros batizassem, em vez de o fazer ele próprio (exceto no caso de Crispo, Gaio e a família de Estéfanas, que Ele próprio batizou). Outros podiam encarregar-se do batismo, mas Paulo devia ocupar-se da pregação (1 Coríntios 1:17).
P: Em Jo 4,4, Jesus teve realmente de passar por Samaria?
R: A Samaria situava-se na rota mais direta entre a Judeia e a Galileia, mas a maioria dos fariseus que se prezassem faria um desvio para contornar aquela região. Jesus não tinha de seguir a rota mais direta, mas escolheu fazê-lo. É claro que, uma vez que iniciou o caminho pela rota mais direta, teve de passar por Samaria.
P: Em Jo 4,4, por que razão a mulher samaritana ficou surpreendida por Cristo ter falado com ela?
R: Os judeus não se relacionavam com os samaritanos, porque estes
1. Acreditavam que o centro de adoração deveria ser o Monte Gerizim, na Samaria, e não Jerusalém.
2. Eram apenas mestiços e não tinham ascendência israelita pura. Uma vez que não eram verdadeiros judeus, os judeus não comiam com eles.
3. Não aceitavam nada do Antigo Testamento, exceto os cinco primeiros livros.
4. Nutriam ressentimento para com os judeus.
Os samaritanos nutriam ressentimento pelos judeus porque
1. Neemias, Esdras e outros os excluíram da participação na construção do muro de Jerusalém e do culto em Jerusalém.
2. Os judeus nutriam ressentimento para com os samaritanos.
P: Em Jo 4,6, uma vez que Jesus se cansou e Deus não se cansa, conforme se lê em Sal 121,4, isso significa que Jesus não era Deus?
R: Não, significa que Jesus renunciou voluntariamente a parte do Seu poder quando veio à Terra, como demonstram Filipenses 2:6-7 e João 17:5. Jesus teve de ser humano como nós em todos os aspetos, de acordo com Hebreus 2:14-17. O Salmo 121:4 foi escrito quando Jesus estava no Céu. Na Terra, Jesus experimentou o cansaço, o sofrimento, aprendeu a obediência e não sabia tudo, como, por exemplo, a data da Sua segunda vinda.
Eis o que afirmou o escritor cristão Hilário (355-367/368 d.C.): «Os atos de Deus estão, portanto, além da compreensão da nossa natureza humana e não se enquadram no nosso processo racional de pensamento, porque a ação de uma eternidade ilimitada exige uma compreensão infinita para avaliar as coisas. Assim, não se trata de uma conclusão da razão, mas de uma limitação de poder quando Deus se fez homem, quando o Imortal morre, quando o Eterno é sepultado. Por outro lado, não depende da nossa maneira de pensar, mas da onipotência, que Ele se manifeste como Deus a partir de um homem, como imortal a partir de alguém que está morto e como eterno a partir de alguém que está sepultado. Por isso, somos revividos por Deus em Cristo através da Sua morte.» (Sobre a Trindade, livro 1, cap. 13, p. 44)
P: Em Jo 4, 9, como é que a mulher junto ao poço soube que Jesus era judeu?
R: A Escritura não o diz, mas há três razões possíveis?
1. Um viajante de passagem por Samaria seria provavelmente um judeu.
2. Aparentemente, as pessoas da Galileia tinham um sotaque característico (Mateus 26:73), que Jesus provavelmente possuía.
3. Talvez pelas suas vestes, embora a passagem bíblica não forneça qualquer indício disso.
P: Em Jo 4,14, uma vez que quem beber da água da vida eterna de Jesus nunca mais terá sede, como é que alguns cristãos não vivem com satisfação, como deveriam?
R: Três pontos a considerar na resposta.
1. Os cristãos podem estar sempre satisfeitos e nunca «ter sede» nesta vida. No entanto, os cristãos que não permanecem em Cristo podem sentir-se insatisfeitos. Como diz um famoso hino cristão: «Oh, que paz tantas vezes perdemos, oh, que dor desnecessária suportamos, tudo porque não levamos tudo a Deus em oração.»
2. Pode-se debater se este versículo inclui uma condição implícita de o cristão optar por permanecer em Cristo ou não.
3. O ponto 2 é irrelevante para a veracidade deste versículo. Independentemente da forma como um cristão permanece em Cristo na Terra, este versículo é incondicionalmente verdadeiro para os crentes no Céu.
P: Em Jo 4,23, o que significa adorar a Deus «em espírito e em verdade»?
R: Jesus estava aqui a contrastar isto tanto com a adoração samaritana como com a adoração do Antigo Testamento.
Adoração samaritana: Os samaritanos descendiam de uma mistura de israelitas e outros povos que viveram na terra após o exílio. A adoração samaritana baseava-se na tradição, incluindo o Monte Samaria como a montanha mais sagrada. Tinham muitos erros, incluindo o de não aceitarem nada do Antigo Testamento, exceto a Torá. A obra anónima Contra Todas as Heresias, cap. 1, p. 649, afirma que Dositeu foi o primeiro a repudiar os profetas.
Culto judaico: Os judeus seguiam os rituais que Deus instituiu no Antigo Testamento, mas também não possuíam o Espírito Santo, que ainda não tinha sido derramado. Embora os judeus possuíssem a verdade do Antigo Testamento, nem mesmo eles possuíam a verdade completa que Cristo veio revelar.
P: Em Jo 4,23, uma vez que devemos adorar Deus Pai, isso significa que não devemos adorar Jesus, como afirmam as Testemunhas de Jeová (revista «A Sentinela», 15 de fevereiro de 1983, p. 18)?
R: Não. O que diria Jesus? Jesus aceitou que Tomé O chamasse de Senhor e Deus em João 20:28. Jesus foi adorado pelos Magos em Mateus 2:11; no entanto, Jesus era um bebé e não tinha escolha quanto a isso. No entanto, já como adulto, Jesus foi adorado pelos discípulos (Mateus 14:33), pelo homem que antes era cego e que se tornou « » (João 9:38), pelas mulheres junto ao sepulcro (Mateus 28:9), pelos anjos (Hebreus 1:6) e pelas hostes celestiais (Apocalipse 5:12)
P: Em João 4:24, uma vez que Deus é Espírito e Jesus é Deus, como é que Jesus poderia realmente ter um corpo físico? Será que Jesus apenas parecia ser um homem, tal como ensinava a heresia primitiva do docetismo?
R: Não. Jesus chorou lágrimas humanas verdadeiras no Jardim do Getsêmani. O sofrimento de Jesus na cruz foi real. O facto de Deus ser Espírito não impede Cristo de se encarnar como homem, tal como o facto de nós sermos de carne e osso não nos impede de usar roupa. Embora não exista nenhuma analogia terrena que se ajuste perfeitamente à encarnação, talvez a analogia de um órgão artificial esteja tão próxima (e tão distante) de uma analogia precisa como o facto de usarmos roupa.
P: Em Jo 4,26, será impossível que Jesus tenha proclamado ser o Messias durante quase três anos sem ser preso (o cético «Guia de Asimov para a Bíblia», p. 968, afirma isso)?
R: Mesmo sem recorrer à proteção de Deus, isso não é de todo impossível. Jesus estava frequentemente rodeado por multidões que Lhe eram favoráveis. Os romanos não se importavam com um Messias, desde que este não desafiasse a estrutura política. Ele realizava milagres e os líderes cautelosos, embora há muito desejassem que Ele desaparecesse, não queriam arriscar-se a alienar o povo. Por fim, era difícil para os líderes judeus em Jerusalém alargarem a sua influência à cosmopolita Galileia.
P: Em Jo 4,34, estará Jesus a dizer que foi alimentado sobrenaturalmente neste local?
R: Provavelmente não. Em vez disso, a sua missão e o seu propósito prendiam-se com o cumprimento da vontade de Deus. Neste caso, conversar com a mulher samaritana pecadora era uma prioridade maior do que a sua fome pela refeição habitual. Estaria disposto a perder uma refeição para cumprir a vontade de Deus?
P: Em Jo 4,44, uma vez que um profeta não tem honra na sua própria terra, o que dizer de Moisés, Ezequiel e Daniel?
R: Nenhum destes três profetas viveu na sua própria terra enquanto exerceu o seu ministério, mas essa não é, na verdade, a questão. Este versículo afirma que os profetas não são universalmente respeitados no local de onde provêm, e Jesus não foi diferente nesse aspeto.
No caso de Jesus, Ele não está a dizer que nem uma única pessoa na região da Galileia O respeitava. (Afinal, os discípulos respeitavam-No.) Em vez disso, a maioria das pessoas tinha dificuldade em acreditar que um homem de aparência comum, da sua própria região, pudesse ser um grande profeta de Deus, muito menos o Messias.
Ainda hoje, não devemos esquecer que Deus utiliza frequentemente cristãos comuns para realizar grandes obras.
P: Em Jo 4,54, de que forma a cura do filho do funcionário constitui o segundo sinal milagroso, uma vez que Jo 2,11 foi o primeiro sinal milagroso — a transformação da água em vinho — e que, em Jo 2,23, em Jerusalém, durante a Páscoa, muitas pessoas viram os sinais milagrosos (no plural)?
R: Primeiro, o que não é a resposta, e depois a fundamentação da resposta.
O que não é a resposta: João não indicou explicitamente que João 2:23 fosse cronológico em relação ao que o precedia e ao que se seguia. Assim, João 2:23 poderia ocorrer depois de João 4:54. No entanto, é muito provável que sejam cronológicos.
A resposta: João 4:54 não diz apenas que este foi o segundo sinal; antes, foi «o segundo sinal que Jesus realizou depois de ter vindo da Judeia para a Galileia». João não poderia ter pretendido que este fosse o segundo sinal em geral, devido a João 4:45: «No entanto, quando Ele chegou, os galileus receberam-No de braços abertos. Tinham visto todas as grandes obras que Ele realizara em Jerusalém durante a festa, pois também lá tinham ido.» (BSB)
O facto de João enumerar os dois primeiros milagres na Galileia torna a situação ainda mais irritante, uma vez que muitos galileus rejeitaram Jesus. Em contraste, até os samaritanos acreditaram em Jesus sem que fosse necessário qualquer milagre. Uma fé assente apenas em milagres não é uma fé completa, mas muitos galileus nem sequer possuíam isso. No entanto, os galileus tentaram mais tarde apedrejar Jesus, mesmo depois de estes milagres terem sido realizados ali. O «Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 735, e o «Believer’s Bible Commentary», pp. 1488, 1489, também afirmam que este é o segundo sinal na Galileia.
João 21:25 afirma que Jesus realizou também muitos outros sinais. No entanto, de todos os sinais milagrosos de Jesus, João optou por mencionar explicitamente apenas sete antes da ressurreição de Jesus:
Jo 2, 1-11 – a transformação da água em vinho, demonstrando que Jesus sacia a nossa sede e tem poder sobre os processos naturais
Jo 4, 46-54 – ressuscitação do filho do oficial, demonstrando que Jesus é o nosso curador, com poder sobre a doença
João 5:1-9 – Jesus cura o paralítico de 38 anos no sábado, demonstrando que Jesus é o Senhor do sábado
João 6:5-13 – A alimentação dos 5 000, demonstrando que Jesus é o pão da vida
João 6:19-21 – Jesus caminha sobre as águas, demonstrando que Jesus é maior do que todos os nossos medos
João 9:1-7 – Jesus cura o homem cego de nascença, para afirmar que Ele veio para que os cegos vejam e os que vêem se tornem cegos (João 9:39)
João 11:1-44 – Jesus ressuscitou Lázaro, demonstrando que Jesus é a ressurreição e a vida
Após a ressurreição, ocorreu a pesca milagrosa em João 21:1-11, demonstrando que Jesus continuava o mesmo e que deviam segui-Lo da mesma forma.
P: Em Jo 5,1, de que festa se tratava?
R: Êxodo 23:14-17 diz que, três vezes por ano, todos os homens judeus deviam ir a uma festa em Jerusalém: as festas da Páscoa, de Pentecostes e dos Tabernáculos. João não especificou de que festa se tratava, talvez porque o próprio João não se lembrasse. Embora possamos especular sobre qual seria a festa, não faz muito sentido fazê-lo. A Bíblia é a palavra de Deus escrita por homens. Deus não tinha qualquer obrigação de fazer com que eles se lembrassem de todos os pormenores, apenas dos pormenores que Ele queria que eles recordassem e transmitissem. Muitas das obras de Jesus e dos acontecimentos-chave da sua vida coincidiram com as festas judaicas, tal como salienta o «Comentário Evangélico sobre a Bíblia», p. 853.
P: Em Jo 5,2, existe alguma evidência arqueológica da Piscina de Betesda em Jerusalém?
R: Sim. Na verdade, tratava-se de duas piscinas gêmeas na parte nordeste da Cidade Velha. Esta zona era chamada «Bezetha», ou «cidade nova», na época de Cristo. Os Manuscritos do Mar Morto mencionam as piscinas, um peregrino cristão descreveu-as em 333 d.C. e os arqueólogos modernos descobriram-nas em 1888.
P: Em Jo 5,4; At 14,12; 2 Ts 2,10; Ap 16,9.11, uma vez que Deus é Todo-Poderoso e os Seus decretos são irresistíveis, como é que as pessoas podem recusar-se a vir a Ele? Ou a oferta não era sincera (não foi concedida graça suficiente para todos), ou então Deus era incapaz ou não estava disposto a garantir que as pessoas aceitassem essa oferta.
R: Deus permite: há um significado imenso nestas duas palavras. Sim, Deus Todo-Poderoso pode certamente fazer com que todos os Seus fantoches executem o seu guião na perfeição e na hora certa. Mas Ele não nos criou como fantoches. Deus pode fazer tudo o que quiser, conforme Lhe parecer adequado. Deus pode controlar tudo, até a Si próprio. Se Deus pode fazer tudo, então Deus pode permitir. Mas mesmo quando Deus permite, nada acontece para além do que Deus permite dentro dos limites que Ele estabeleceu.
P: Em Jo 5,6, por que razão Jesus fez ao homem aquela pergunta tão óbvia?
R: Primeiro, o que não é a resposta, e depois a resposta.
O que não é a resposta: Algumas pessoas com deficiência não querem ficar curadas. Houve casos em colónias de leprosos em que os pais transmitiram deliberadamente a lepra aos seus filhos, para que estes pudessem viver com alimentação e cuidados gratuitos para o resto da vida. No entanto, o homem queria, de facto, ser curado, e Jesus já sabia disso.
A resposta: Embora Jesus já soubesse, Ele queria que o homem o expressasse verbalmente e pedisse. Por vezes, Jesus não nos concede certas coisas se não as pedirmos. Quando o homem pediu publicamente a Jesus que o curasse, Jesus estava a responder ao seu pedido. Não vemos Jesus a curar ninguém que não quisesse ser curado.
Por vezes, precisamos de perguntar aos não crentes coisas básicas como: «Quer ir para o céu?», ou perguntar aos cristãos que se afastaram: «Quer amar e obedecer a Deus?» Precisamos de obter um compromisso da parte deles de que é isso que desejam.
P: Em Jo 5,10, o homem curado estava a violar o sábado, uma vez que estava a obedecer a Jesus ao carregar a sua maca?
R: Não. O homem estava apenas a desobedecer às restrições adicionais impostas pelos fariseus ao sábado. Esta restrição encontra-se na Mishná Shabbath 7:2, de acordo com o «Comentário Evangélico sobre a Bíblia», p. 854. Na verdade, isto é bastante engraçado. Proíbe especificamente mover camas ou mobiliário no sábado. No entanto, diz que mover um doente deitado numa cama é permitido. No entanto, não aborda o caso em que um doente se move por si próprio porque foi milagrosamente curado. É um pouco como se uma empresa de ambulâncias tivesse uma regra que proibisse os doentes paralisados de carregar a sua própria maca. Além disso, o homem estava a carregar a sua esteira, não uma cama. Portanto, basicamente, Deus disse-lhe para pegar na sua esteira, e os fariseus consideraram que Deus [Jesus] estava errado ao infringir as suas regras.
O Antigo Testamento diz que as pessoas não deviam trabalhar no sábado. Nunca disse que alguém não pudesse carregar a sua esteira, e foram os fariseus que interpretaram isso como trabalho. Um segundo milagre é que, se alguém estivesse acamado há 38 anos, mesmo que fosse curado, estaria fisicamente demasiado fraco para andar, muito menos para carregar uma esteira. Ele também teve de fortalecer os seus músculos. Num certo sentido, Jesus não realizou apenas um, mas dois milagres aqui.
«Mas, Jesus, não poderia ter esperado até domingo para fazer isto?» Quase não teria havido oposição se tivesse simplesmente cedido aos fariseus e às suas tradições. Mas o momento da cura foi importante para dar aos fariseus e ao povo uma escolha clara: seguir o Messias ou seguir a sua tradição. Os fariseus perceberam claramente esta escolha: foi por isso que, pela primeira vez, conspiraram para matar Jesus em João 5:18.
Conheci um cristão não judeu que era pago por judeus ortodoxos rigorosos para viver com eles. Aos sábados, acreditavam que não podiam fazer nada que criasse algo. Ligar um interruptor de luz completa um circuito e cria um fluxo de corrente. Assim, entre as suas outras funções, ele tinha de ligar os interruptores de luz por eles aos sábados.
P: Em João 5:14-15, por que razão Jesus lhe disse para deixar de pecar?
R: Embora as Escrituras não especifiquem quais os pecados concretos, há muitos pecados que um inválido não pode cometer, pelo menos até ficar bom. No entanto, o facto de ele ser inválido não se devia a nenhum pecado específico. Contudo, João 5:14-15 não nos dá qualquer indicação de que o homem tenha demonstrado gratidão para com Jesus. Quando Deus faz algo por algumas pessoas hoje em dia, estas não demonstram gratidão. Se esperar que lhe agradeçam sempre que se sacrificar por outra pessoa, ficará desapontado nesta vida.
P: Em João 5:14-15, qual é a diferença entre ter uma fé falsa, uma fé que acredita verdadeiramente em Deus e uma fé salvadora?
R: O homem acreditava verdadeiramente que Deus o tinha curado; afinal, andava por aí. Mas saber que isso é verdade não significa que tenha abandonado a sua vida de pecado e que queira confiar a sua vida a Deus. Se um agnóstico, que é alcoólico, consome drogas, leva uma vida imoral e assalta bancos, chegar a acreditar verdadeiramente que Jesus é real e morreu na cruz pelos nossos pecados, e continuar a ser alcoólico, a consumir drogas, a levar uma vida imoral e a assaltar bancos, será que a sua fé lhe servirá de alguma coisa ou o levará ao céu? Tiago 2:17-20 diz que não.
P: Em João 5:18, quando Jesus chamou a Deus de Seu Pai, de que forma isso significava que Ele Se colocava em pé de igualdade com Deus?
R: No seio de uma família, um pai e um filho têm papéis diferentes, e o filho obedece ao pai, mas ambos são iguais na sua essência. Um bom pai não considera a sua vida mais valiosa do que a dos seus filhos, e vice-versa. Na Trindade, o mesmo se aplica. Deus, o Filho, é subordinado no que diz respeito ao papel, mas não é inferior na sua essência, nos seus títulos ou na sua honra.
Embora Jesus tenha afirmado a Sua igualdade com o Pai, também afirmou que dependia do Pai em João 5:18-19.
P: Em João 5:18, é correto chamarmos a Deus de nosso Pai, uma vez que não somos iguais a Deus?
R: Não, a menos que Deus nos tenha dado permissão. Deus concede-nos, de facto, permissão para O chamarmos de nosso Pai, com reverência. Foi um grande privilégio que Jesus nos concedeu quando iniciou as duas primeiras palavras da Sua oração com «Pai Nosso».
P: Em João 5:19-20, uma vez que Jesus possuía livre arbítrio, por que razão Jesus não podia fazer nada além do que via o Pai fazer?
R: Jesus escolheu obedecer a tudo o que o Pai Lhe mandava fazer. Na Terra, Jesus aprendeu a obediência, segundo Hebreus 5:8. Jesus disse que veio não para agradar a Si mesmo, mas ao Seu Pai, em João 5:30. A propósito, a palavra para «amor» em João 5:20 indica que o Pai nutre um amor fraternal/amor de amigo (phileo) pelo Filho.
O facto de Jesus ter afirmado que foi enviado pelo Pai é um ponto fundamental: Jesus referiu isso 25 vezes no livro de João. Jesus não veio por conta própria, nem fez nada na Terra por conta própria.
P: Em João 5:19-22, de que forma exata é que o Pai fez primeiro tudo o que Jesus fez?
R: Embora Jesus tenha dito que o Pai habitava n’Ele, esse não é o ponto principal que Jesus estava a abordar aqui.
Obviamente, todos compreendiam que o Pai não nasceu na Terra e que o Pai não foi batizado por João Batista. Em vez disso, Jesus está a dizer que só realizaria o tipo de obras que o Seu Pai planeasse para Ele realizar.
P: Em Jo 5,22, é Jesus que nos julga, ou é o Pai?
R: Jesus disse que o Pai Lhe confiou todo o juízo. Isto está em consonância com Atos 4:12, onde se afirma que não há outro nome debaixo do céu pelo qual os homens possam ser salvos.
P: Em João 5:23, como devemos honrar o Filho tal como honramos o Pai que O enviou?
R: Os seguidores de Jesus honram-no das seguintes formas.
1. Adoramos Jesus, tal como os anjos o fazem no Apocalipse e em Hebreus 1:6.
2. Oramos a Jesus, tal como Estêvão fez em Atos 7:59.
3. Chamamos a Jesus de Deus, tal como se diz em Hebreus 1:8,9.
4. Chamamos a Jesus de «meu Deus», tal como Tomé fez em João 20:28.
5. Acreditamos e obedecemos ao que Ele ensinou, bem como ao que os Seus apóstolos ensinaram sobre Deus e sobre Ele próprio.
Seguir estes versículos da Bíblia é um dos aspetos fundamentais que distingue as seitas das Testemunhas de Jeová, «O Caminho» e outras seitas, por um lado, dos cristãos modernos e dos primeiros cristãos, por outro. Eis o que afirmaram os primeiros cristãos.
Hilário (355-367/368 d.C.) comentou sobre João 5:23: «Pois, a menos que as coisas sejam da mesma natureza, nunca lhes é concedida igual honra, e a igualdade de honra não implica uma separação entre aqueles que estão a ser honrados. Mas o mistério do nascimento exige igualdade de honra.» No livro «A Trindade», vol. 9, cap. 23, p. 162
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) afirmou: «Portanto, estas palavras testemunham explicitamente que Ele [Jesus] é atestado por Aquele [o Pai] que estabeleceu estas coisas, como merecedor de ser adorado como Deus e como Cristo.» «Diálogo com Trifão», cap. 63, p. 229
Inácio, Irineu, Tertuliano, Novaciano, Hipólito e outros também se pronunciaram sobre a honra de Jesus ser Deus.
P: Em Jo 5,26, o que significa «ter vida em Si mesmo»?
R: Embora tenhamos vida eterna no Céu, trata-se de uma vida eterna derivada, que foi tanto possibilitada como sustentada por Deus. No entanto, Jesus não possui uma vida eterna derivada, mas sim uma vida eterna intrínseca.
P: Em Jo 5,27, de que forma o facto de ser «Filho do Homem» constitui uma razão para que o Pai conceda a Jesus a autoridade para nos julgar?
R: As Escrituras não o dizem explicitamente, mas sugerem uma resposta. Hebreus 2:14-17 afirma que, uma vez que somos de carne e sangue, Jesus teve de partilhar da nossa humanidade para que a sua morte expiasse os nossos pecados. Jesus teve de ser um de nós para se tornar o nosso Sumo Sacerdote.
P: Em Jo 5,28-29, uma vez que aqueles que praticaram o bem ressuscitarão para viver, isso significa que a salvação pelas obras é verdadeira?
R: Não. Não diz que as boas obras lhes deram a vida. As boas obras dos crentes, por mais limitadas que sejam, são prova de que são filhos de Deus, que viverão para sempre Nele.
P: Em Jo 5,30, como pode Jesus ser Deus se, por Si mesmo, nada podia fazer? Até mesmo a expulsão dos demónios foi feita pelo dedo de Deus, segundo Lc 11,20. (O muçulmano Ahmad Deedat levantou esta questão.)
R: Há três pontos a considerar na resposta.
a) O contexto do versículo é importante. Jesus não disse que nunca poderia fazer nada. Pelo contrário, Jesus não realizaria quaisquer milagres naquela cidade, não por falta de poder de Deus, mas devido à falta de fé daqueles.
b) Quanto à expulsão de demónios pelo dedo de Deus, Jesus é Deus e NÃO age de forma independente nem contra Deus Pai ou o Espírito Santo.
c) Quando Jesus se encarnou na Terra, renunciou voluntária e temporariamente a grande parte do Seu poder e glória e, no Seu estado terreno, confiou especialmente no Pai e no Espírito Santo.
P: Em Jo 5,30, qual é a principal diferença na nossa própria vida entre servir a Deus por causa de algo que nos agrada e quando isso nos agrada, e servir a Deus quando isso não nos agrada?
R: A obediência pode ser inconstante, aleatória e incompleta quando é praticada dependendo de como nos sentimos em relação a fazê-la. Alguns salientam que Deus fará sempre o que é melhor para eles; outros, à semelhança da oração de Jabez em 1 Crónicas 4:9-10, desejam servir a Deus sem sofrimento. Deus pode honrar esse pedido, mas onde estaria a igreja do Novo Testamento se Paulo quisesse servir apenas sem sofrimento? Acha que Paulo suportou aqueles espancamentos e a prisão para se agradar a si próprio? Por isso, é muito melhor quando obedecemos não para nos agradarmos a nós próprios.
Por outro lado, sentimos prazer e alegria provenientes de Deus quando obedecemos. Não foi agradável para Paulo e Silas serem espancados e colocados na prisão de Filipos, mas, por outro lado, Paulo via os seus amados filipenses como a sua alegria e coroa em Filipenses 4:1. Assim, Paulo não sofreu para pregar o evangelho pelo prazer de o fazer, mas, paradoxalmente, acabou por tirar alegria disso no final.
P: Em João 5:31, se Jesus der testemunho de Si mesmo, isso tornaria o Seu testemunho falso?
R: Não, não é isso que Jesus está a dizer aqui. Jesus está a responder à acusação dos fariseus, de que, se Jesus fosse o único a dar testemunho de Si mesmo, num tribunal isso não estabeleceria a Sua autenticidade. O facto de uma única testemunha não ser suficiente consta em Deuteronómio 17:6 e na Mishná Kethuboth 2:9 dos rabinos, de acordo com o «Comentário Evangélico sobre a Bíblia», p. 854.
Jesus apresentou quatro testemunhas: João Batista, os Seus milagres, as Escrituras e Deus Pai. A obra «Quando os Críticos Perguntam», p. 410, salienta que o testemunho de Jesus era, de facto, verdadeiro em si mesmo e a nível pessoal. No entanto, o testemunho de Jesus não era oficial e legalmente suficiente para os judeus.
P: Em Jo 5:33-34, o que há de tão importante no testemunho?
R: De forma negativa, os judeus, aplicando um duplo padrão, alegaram rejeitar Jesus devido à falta de testemunho, apesar de João Batista, dos milagres e das profecias messiânicas das Escrituras. De forma positiva, um dos principais objetivos de Jesus e de nós é sermos um testemunho. De acordo com o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», pp. 291-293, «testemunho» ou «testemunhar» ocorre como substantivo em 60 passagens do Novo Testamento e como verbo em 76 passagens do Novo Testamento. 30 vezes como substantivo e 47 vezes como verbo encontram-se no Evangelho de João, em 1, 2 e 3 João e no Apocalipse.
Devemos ensinar e dar razões para a esperança que temos (1 Pedro 3:15b), e devemos orar e ajudar os outros. Mas não nos esqueçamos de que outra razão fundamental pela qual ainda estamos nesta terra é dar testemunho. Fazemo-lo com as nossas palavras e com as nossas vidas. Um provérbio árabe diz: «O maior crime no deserto é encontrar água e ficar em silêncio». (A citação foi retirada de uma palestra de KayLyn Hopper, de 29 de abril de 2018)
P: Em Jo 5:34, estará Jesus a utilizar um argumento ad hominem, que Ele próprio não aceitou?
R: Não. Primeiro, iremos discutir o que é um argumento ad hominem e, em seguida, o que Jesus disse.
«Ad hominem», em latim, significa «ao homem». Trata-se de um argumento no qual o próprio orador não acredita, mas que menciona para persuadir os ouvintes. Por exemplo, se um político voltar atrás numa promessa, então alguém a quem não importa nada que as promessas sejam quebradas poderá mencionar isso para persuadir as pessoas a quem importa que as promessas sejam cumpridas, a fim de as levar a votar nele. (Presumivelmente, este outro candidato cumpriria melhor as suas promessas, mas isso é apenas uma suposição não expressa)
É interessante que Jesus, que curou no sábado, suscitando oposição quando poderia ter esperado até domingo, se esforce tanto aqui para explicar a sua justificação de formas com as quais eles se possam identificar.
Jesus aceitou plenamente o que João Batista disse. No entanto, Jesus afirmou, basicamente, que estava a utilizar um argumento ad hominem, na medida em que, enquanto os fariseus exigiam múltiplas testemunhas antes de acreditarem que algo era verdade, Jesus não concordava com essa abordagem. Mas, se eles pretendiam utilizar essa abordagem, o testemunho de João Batista corroborava, de facto, o testemunho de Jesus sobre Si mesmo. As palavras de João não «tornavam» o testemunho de Jesus verdadeiro; as suas palavras apenas demonstravam que era verdadeiro.
Hoje em dia, é frequente que esta distinção se perca num tribunal. Um juiz ou um júri pode declarar o arguido «inocente». Na verdade, o veredicto não torna o arguido culpado ou inocente. Este é culpado se tiver cometido o crime, independentemente da correção do veredicto. Nos Estados Unidos, num julgamento criminal, se o júri considerar que o arguido provavelmente cometeu o crime, mas houver dúvida razoável, é-lhe dado a instrução de declarar o arguido «inocente». Isso torna o arguido inocente? — Não.
P: Em Jo 5,37, por que razão Jesus disse aos judeus que estes nunca tinham ouvido a voz de Deus nem visto a Sua forma?
R: É claro que as multidões a quem Jesus se dirigia não tinham ouvido a voz de Deus nem visto a Sua forma. Mas, ao contrário dos profetas do Antigo Testamento, os judeus comuns do Antigo Testamento também não tinham ouvido a voz de Deus nem visto a Sua forma. No entanto, Jesus não se limita aqui a fazer algumas afirmações factualmente verdadeiras. Trata-se de uma repreensão dirigida a eles. Embora nem sequer tivessem vivido o que os profetas viveram no Antigo Testamento, agora o próprio Deus estava diante Dele, e mesmo assim não reconheciam a voz de Deus nem viam a Sua forma.
P: Em Jo 5,39, temos a vida eterna por acreditarmos na Bíblia ou não?
R: Na verdade, não. A vida eterna é concedida por Deus. No entanto, os judeus estavam parcialmente corretos, na medida em que as Escrituras nos mostram o caminho para Deus, para termos a vida eterna. É possível que uma pessoa se preocupe mais com as Escrituras do que com Deus, tal como os fariseus na época de Jesus.
P: Em Jo 5,42-43, qual era o principal problema dos fariseus?
R: O principal problema era que os fariseus não tinham o amor de Deus nos seus corações. Um indício de que o problema residia no seu coração, e não na sua lógica, é o facto de terem um duplo padrão quanto a aceitar ou não Jesus, em comparação com a aceitação de outros, em João 5:43.
Da mesma forma, a igreja de Éfeso foi advertida de que tinha abandonado o seu primeiro amor em Apocalipse 2:4. Se uma pessoa não tem amor por Deus, pode continuar a comportar-se de forma religiosa e a fazer muitas coisas que parecem boas, pelo menos aos olhos do mundo, mas perdeu o que é essencial.
Também em João 5:38, Jesus disse aos fariseus que a Palavra não habitava neles. Isto deve ter sido bastante chocante, uma vez que estes fariseus passavam tanto tempo a estudar as Escrituras. Mas estudar as Escrituras, acreditar nelas e aplicá-las podem ser duas coisas diferentes.
P: Em João 5:43, uma vez que Jesus veio em nome do Seu Pai, isso significa que Jesus tem o mesmo nome que o Pai e, portanto, que Jesus é o Pai?
R: É verdade que partilham vários títulos. No entanto, por acaso tenho o mesmo apelido dos meus pais, mas isso não prova que sejamos todos um único ser humano. O livro «When Cultists Ask», pp. 168-169, refere que alguns pentecostais unitaristas, como Campbell (1975), afirmam efetivamente isso. Se fossem coerentes nesta questão, os pentecostais unitaristas nunca pregariam em nome de Jesus, pois considerariam que fazer qualquer coisa «em nome de Jesus» os tornaria também em Jesus.
P: Em Jo 5,44, de que forma o facto de receber honra dos outros se relaciona com o facto de não acreditar?
R: Jesus não está a dizer que eles não agradam a Deus; Jesus está a dizer algo ainda pior. Eles nem sequer estão a tentar agradar a Deus. E, por mais grave que isto seja, parece ainda pior, tendo em conta o esforço que dedicam a tentar agradar aos homens.
P: Em Jo 5,45-46, de que forma todos os que acreditam em Moisés acreditam em Jesus? Muitos judeus hoje discordariam.
R: Jesus pode ter estado a remeter os ouvintes para Deuteronómio 17:18-19. Se alguém não ouvir a palavra do profeta que há de vir (Jesus), o próprio Deus exigirá contas a essa pessoa. João 5:46 diz algo semelhante.
Moisés era um profeta piedoso. Mas o seu conhecimento da lei e dos ensinamentos de Moisés, aliado ao facto de não seguirem Aquele a quem estes apontavam, seria ainda mais grave para eles no juízo. Leia 2 Pedro 2:20-22 para saber mais sobre um juízo mais severo com maior conhecimento.
O «Expositor’s Bible Commentary», vol. 9, p. 60, apresenta aqui um ponto interessante. Obedecer a Moisés era bom, mas a obediência a Moisés era para eles motivo de orgulho. Ler a Bíblia, ir à igreja, partilhar o evangelho, afastar-se de um e mal e, em geral, obedecer a Deus são todas coisas boas que devemos fazer. Mas tenha cuidado se isso se tornar motivo de orgulho para si.
P: Em Jo 6,5-6, por que razão Jesus fez uma pergunta, uma vez que já sabia a resposta?
R: João 6:6 diz que Jesus fez a pergunta para pôr Filipe à prova. Recorrer ao que hoje se denomina «método socrático» — ou seja, fazer a um discípulo uma pergunta cuja resposta o mestre já conhece — é perfeitamente aceitável. Aparentemente, os discípulos já estavam habituados a isso, tal como quando Pedro respondeu à pergunta de Jesus em João 21:17, dizendo: «Senhor, Tu sabes todas as coisas; Tu sabes que Te amo.» (BSB)
Mais especificamente, Filipe poderia ter respondido referindo-se à tentativa de alimentar as pessoas, à sua própria resposta (a sensação de desesperança em satisfazer naturalmente essa necessidade) ou à fé em que Cristo lhes poderia prover o necessário.
P: Em João 6:5-6, por que razão Jesus perguntou a Filipe em vez de a um dos outros?
R: Embora as Escrituras não o digam com certeza, podem dar uma pista. João 1:44 diz que Filipe, assim como André e Pedro, eram de Betsaida, que ficava nesta região.
P: Em Jo 6,13, uma vez que Jesus conseguia multiplicar a comida com tanta facilidade, por que razão recolher as sobras?
R: A generosidade de Deus que Ele nos concedeu não deve ser desperdiçada. Jesus não estaria sempre com eles, e o pão seria útil para outras pessoas.
Além disso, havia um significado nas doze cestas de peixe e nos cinco pães de cevada. Deus está a sinalizar a união entre gentios e judeus em Cristo. O número doze representa as tribos de Israel, bem como os doze discípulos, e o número cinco representa a graça de Deus para com todas as pessoas, tais como os 5 000 homens, além das mulheres e crianças.
P: Em Jo 6,19, como é que Jesus conseguiu andar sobre as águas?
R: Há três pontos a considerar na resposta.
O Mar da Galileia era muito profundo, pelo que Jesus não estava a fazer qualquer tipo de truque, caminhando sobre pedras.
Jesus era uma pessoa real, de carne e osso, pelo que não se tratava de algum tipo de fantasma sem peso.
Deus, que criou as leis da natureza, pode sobrepor-se a essas leis sempre que assim o desejar. Chamamos a isso um milagre, mas talvez, para Deus, seja apenas um método alternativo de agir.
Uma observação científica
Para compreender este milagre sobrenatural de forma científica, é necessário compreender primeiro por que razão a água consegue suportar qualquer peso, como, por exemplo, um barco a flutuar. Na mecânica estatística, um conjunto é uma distribuição de probabilidade dos estados de um sistema. Na superfície de um líquido, as moléculas de água que se deslocam para cima a velocidades mais elevadas estão continuamente a «saltar» para fora do líquido e a escapar para a atmosfera. Chamamos a isso evaporação. Outras moléculas não o fazem por três razões:
1) A tensão superficial torna as moléculas de água «aderentes» e impede que se libertem,
2) Apenas uma determinada percentagem das moléculas de água que possuem velocidade suficientemente elevada
3) Apenas uma determinada percentagem das moléculas de água de alta velocidade se desloca na direção ascendente.
Podemos alterar o ponto 1) revestindo a superfície com algum material.
Podemos alterar o ponto 2) aumentando a velocidade das moléculas de água: a isso chamamos «aquecer a água».
Não temos o poder de alterar o ponto 3) (a menos que tenhamos um líquido magnético e apliquemos ímanes), e isso, por si só, poderia sustentar qualquer coisa.
Se um super-herói de banda desenhada não tivesse nenhum superpoder, exceto o poder de alterar a probabilidade estatística, poderia fazer quase tudo, incluindo flutuar no ar, atravessar paredes e fazer com que células mortas e desorganizadas voltassem à vida.
P: Em Jo 6,23, o que sabemos sobre a cidade de Tiberíades?
R: Era uma cidade nova na época de Jesus, uma vez que Herodes Antipas a construiu entre os anos 16 e 22 d.C. para servir de capital administrativa. Era uma cidade gentia; o «Guia de Asimov para a Bíblia», pp. 822-823, refere que os judeus a evitavam porque tinha sido construída sobre um cemitério.
No entanto, a Enciclopédia Britânica e o Dicionário Bíblico Wycliffe, na página 1704, referem que, no século II, o editor da Mishná (c. 198-220 d.C.), Judah hak-Kadhosh, era natural daquela região. Além disso, o Talmude foi compilado nesse local por volta de 400 d.C. Entre os rabinos famosos ali sepultados contam-se Maimónides, ‘Akiba (Akiva), Yohanan Ben Zakkai e Eliezer, o Grande.
P: Em Jo 6,27, Jesus disse para não trabalharmos pela comida que se corrompe. De que forma trabalhamos hoje pela comida que se corrompe?
R: Em primeiro lugar, temos de fazer algumas coisas por necessidade, como arranjar comida para comer. Mas Jesus está a dizer que isso não deve ser o propósito nem o foco da nossa vida. Devemos dedicar a nossa energia vital às coisas eternas; e o que é eterno, e está à nossa volta, são as almas das pessoas.
Talvez uma analogia possa ajudar. Se se desloca para o trabalho de manhã, o seu chefe paga-lhe pelo tempo de viagem? Se não se desloca por prazer e o seu chefe não lhe paga, então porque não deixa de se deslocar para o trabalho? A resposta é normalmente «porque tenho de o fazer, se quiser receber o meu salário». A ideia de fazer algo que não é produtivo, mas que é necessário para fazer o que é produtivo, chama-se «atividade acessória». Há muitas coisas que precisamos de fazer nesta vida que são «excise»; na verdade, tantas que podemos, inadvertidamente, cair na mentalidade de que a vida se resume apenas a «excise» e entretenimento. Mas essas coisas são necessárias apenas para nos permitir fazer aquilo que é realmente importante: glorificar Deus, amar os outros, levar as pessoas a Cristo e ajudá-las a crescer em Cristo.
P: Em Jo 6,27b, o que quis Jesus dizer com «o Pai colocou o Seu selo de aprovação»?
R: Jesus era do agrado do Pai, Jesus foi enviado pelo Pai à Terra e Jesus estava, naquele momento, a cumprir a vontade do Pai. O selo de aprovação do Pai era evidente, demonstrado pelos milagres de Jesus. Se alguém quisesse adorar o Pai, não rejeitaria aquele em quem o Pai colocou o Seu selo de aprovação. Jesus referiu repetidamente que desceu do céu em João 6:33, 38, 41, 50 e 58.
Mesmo que já seja crente, deve perguntar-se: a sua vida tem o selo de aprovação de Deus? Está a agradar a Deus com a forma como vive?
P: Em João 6:31-36, 48-51, de que forma é que Jesus é o pão (ou maná) da vida?
R: A palavra para «verdadeiro», como em «pão verdadeiro», é «alethinos», que significa genuíno ou original. Jesus é o pão da vida, pelo menos de duas formas.
Para todos: Jesus sustenta tudo no universo, de acordo com Colossenses 1:17
Para os crentes: É maravilhoso ter vida em Jesus, que nos nutre, protege e preserva, e nos prepara para habitar eternamente com Ele.
Tal como Jesus dá água viva em João 4:15, Jesus é aqui o pão da vida.
P: Em João 6:37, uma vez que todos aqueles que o Pai dá a Jesus vêm a Jesus, e uma vez que alguns não vêm a Jesus, isso significa então que o Pai não lhos deu a Jesus?
R: Sim. O Evangelho da salvação é oferecido sinceramente a todos. No entanto, Hebreus 4:2 afirma que o Evangelho não serve de nada para aqueles que não o combinam com a fé. Lucas 7:30 é um segundo exemplo; consulte a discussão sobre Lucas 7:30 para mais informações.
P: Em João 6:39, Jesus tinha uma vontade distinta da de Deus Pai ou não?
R: Para reformular a pergunta tal como a colocou um aluno do 4.º ano: quantos cérebros tem a Trindade? Exceto pelo facto de Deus não se limitar a células, poder-se-ia dizer que têm os seus próprios cérebros. Jesus tinha uma vontade distinta, como demonstrado pela Sua oração no Jardim do Getsêmani. No entanto, Jesus optou sempre por que a Sua vontade estivesse em consonância com a vontade do Pai, como também indicado pela Sua oração no Jardim do Getsêmani.
P: Em Jo 6,42, será que o nascimento virginal é verdadeiro, uma vez que os judeus afirmaram conhecer José, o pai de Jesus?
R: Isto não nega o nascimento virginal.
Em primeiro lugar, uma vez que José era o marido de Maria, era o pai legal de Jesus aos olhos da lei.
Em segundo lugar, muitos judeus presumiam que José era também o pai biológico de Jesus. Nem todas as suposições que as pessoas fazem são necessariamente verdadeiras.
P: Em Jo 6,43-70, por que razão as pessoas murmuram contra Deus e o que pode dizer para as ajudar?
R: Normalmente, tudo se resume a uma causa principal: Deus não correspondeu às suas expectativas. Jó queixou-se de Deus porque não via o que se passava nos bastidores, nem o desfecho final. Da mesma forma, as pessoas queixam-se porque não sabem o que se passa nos bastidores nem vislumbram o desfecho final.
P: Em Jo 6,43-70, se alguém considerar inaceitável algo sobre Deus, como lhe responderia?
R: Na verdade, Deus não pediu a sua aprovação. Ele é Deus, pelo que pode fazer o que Lhe apraz. Deus está a oferecer-lhe uma forma de desfrutar da vida eterna e, se não quiser isso, então resta apenas a alternativa. Algumas pessoas precisam de ser libertadas das suas noções preconcebidas sobre Deus. Talvez seja por isso que Jesus disse que tínhamos de nos aproximar de Deus como uma criança pequena, em Lucas 18:16-17 e Mateus 19:14.
P: Em João 6:44, 65 e João 6:37, 39, o que significa que ninguém pode vir a Jesus a menos que o Pai o atraia?
R: O grego pode significar «compelir», «atrair» (como em «tirar água») ou «cortejar/persuadir». Consulte *Now That’s a Good Question*, pp. 27-29, para mais informações sobre o grego. Uma vez que a palavra grega tem vários significados, diversos cristãos interpretam este versículo como parte da sua teologia de diversas formas.
Os não-calvinistas moderados afirmam que Jesus atrai todos externamente, e que a oferta de salvação está disponível para todos os indivíduos. Internamente, o Espírito Santo (também chamado Espírito de Cristo) convence o mundo (tanto os eleitos como os réprobos) do pecado. No entanto, todos aqueles que o Pai predestinou são atraídos para o Céu, e aqueles que não são os eleitos não vêm a Deus. Alguns não-calvinistas diriam que a predestinação e a presciência funcionam em conjunto, enquanto outros não-calvinistas afirmariam que a presciência precede a predestinação, uma vez que, nas duas ocasiões em que são mencionadas em conjunto nas Escrituras, a presciência é sempre mencionada em primeiro lugar.
Os calvinistas não negam que o Evangelho deva ser oferecido a todos, mas o Pai atrai apenas os eleitos, e nem o Pai nem o Espírito Santo atuam de forma salvífica em relação aos réprobos, uma vez que Jesus não morreu por eles.
Os hipercalvinistas partilham desta opinião com os calvinistas, exceto no que diz respeito ao facto de ensinarem que o Evangelho pode ser proclamado a todos, mas que é errado oferecê-lo a todos.
Consulte também a próxima pergunta para obter mais informações.
P: Em Jo 6,44.65 e Jo 6,37.39, é o Pai que atrai algumas pessoas, ou é Jesus que atrai todos para Si, como diz Jo 12,32?
R: No grego, diz-se simplesmente que Jesus atrai «todos». Na verdade, não diz que Jesus atrai «todos os homens» ou «todas as pessoas». Existem três pontos de vista.
O Pai atrai cada indivíduo: somos tão pecadores que ninguém pode vir ao Pai, a menos que o Pai o atraia (lhe dê essa capacidade). No entanto, o Pai atrai toda a gente. Quando João 6:37,39 afirma que todos aqueles que o Pai dá a Jesus virão a Ele, o Pai atrai a todos, mas apenas entrega a Jesus aqueles que Ele conheceu de antemão (e, portanto, predestinou) para virem a Jesus. No entanto, esta interpretação viola o sentido claro de João 6:64-65, que indica que o facto de o Pai ter de atrair as pessoas foi uma das razões pelas quais algumas não acreditaram.
Jesus atrai externamente e o Pai escolhe internamente: Jesus atrai tanto os eleitos como os réprobos para Si. Tanto os eleitos como os réprobos tomam a decisão de confiar em Jesus ou não. No entanto, o Pai predestinou os eleitos e, por isso, apenas os eleitos são atraídos pelo Pai.
Entre todos os tipos de pessoas, tanto o Pai como Jesus atraem apenas os eleitos. Não atrair todos os indivíduos é a visão calvinista, defendida na «New Geneva Study Bible», p. 1688.
Consulte também a pergunta anterior para mais informações.
P: Em Jo 6,45, uma vez que todos aqueles a quem Deus ensina vêm a Jesus, isso significa que todos aqueles que nunca ouviram falar de Jesus não tiveram oportunidade de escapar do Inferno?
R: A Bíblia nunca diz isso. Pelo contrário, Hebreus 11 mostra que Abel, Enoque, Noé e muitos outros aparentemente nunca ouviram falar de Jesus (enquanto estavam na Terra), mas presumivelmente foram para o Céu. Há dois outros pontos a considerar na resposta:
2. Os bebés que morrem nunca ouvem falar de Jesus. A Bíblia nunca diz que aqueles que ainda não atingiram a idade da responsabilidade vão para o Inferno.
3. Jesus afirmou, de facto, em João 8:24, que todos aqueles que O rejeitam morrerão nos seus pecados.
Consulte também a discussão sobre João 3:36 para mais informações.
P: Em João 6:50-51, uma vez que quem comer o pão do céu (Jesus) viverá para sempre e não morrerá, por que razão os cristãos continuam a morrer?
R: Há duas formas de entender isto.
1. Os cristãos viverão para sempre no Céu e, assim, alcançaremos um estado em que os nossos corpos glorificados nunca morrerão. Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1505, para mais informações sobre este ponto.
2. Além disso, embora os nossos corpos morram uma vez, a partir do momento em que passamos a crer, os nossos espíritos nunca morrem. O Apocalipse refere-se ao Lago de Fogo como a segunda morte.
A morte física é «apenas um pequeno pormenor» quando comparada com a vida eterna ou com a segunda morte. Este versículo é importante por nos dizer que, uma vez que um crente vai para o Céu, não há receio de que ele ou ela peque e caia.
P: Em Jo 6,51-56, o que é que Jesus realmente quis dizer aqui?
R: Existem, pelo menos, três interpretações.
1. Jesus dá aos crentes alimento espiritual
O «Comentário Bíblico do Crente: Novo Testamento», p. 297, salienta que, uma vez que a Ceia do Senhor só teve lugar um ano mais tarde, isto refere-se ao alimento e à bebida espirituais que Jesus daria aos crentes.
2. Uma ilustração da união espiritual
Jesus estava a falar às multidões, que, naquela altura, nada sabiam sobre a Ceia do Senhor, tal como salienta a «New Geneva Study Bible», p. 1673. A obra «Hard Sayings of the Bible», pp. 498-500, afirma claramente que se trata desta interpretação, sugerindo simultaneamente uma combinação com a terceira interpretação.
3. Para além das duas interpretações anteriores, uma antecipação da Ceia do Senhor
Quando Jesus disse: «… este pão, que darei pela vida do mundo, é a Minha carne», Jesus estava a predizer a Sua morte na cruz. Da mesma forma, Jesus estava a predizer que eles se lembrariam disso na Ceia do Senhor.
Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1505, para mais informações sobre esta interpretação. O livro «Hard Sayings of the Bible», pp. 498-500, sugere esta interpretação juntamente com a anterior, uma vez que João não relata a Última Ceia, e isto constituiria o seu ensinamento equivalente sobre a importância da comunhão.
As questões aqui levantadas são, de certa forma, semelhantes às questões de interpretação relativas à «água e ao Espírito» em João 3:5.
P: Em Jo 6, 52-56, por que razão Jesus não esclareceu a confusão da multidão?
R: Aparentemente, Jesus quis dizer estas palavras desta forma e não demonstrou surpresa pelo facto de alguns se terem afastado nesta altura. Falar a um judeu sobre beber sangue soaria ofensivo para eles. Cada pessoa tinha aqui uma escolha. Podiam confiar em Deus, mas apenas até aos limites do que compreendiam plenamente, ou então podiam confiar em Deus totalmente, sabendo que Deus seria e faria coisas para além da sua compreensão. Como disse um cristão, não devemos sentir-nos ofendidos pelo inexplicável. Uma vez que os fariseus estavam a ouvir as Suas palavras apenas para se oporem a elas, Jesus deu-lhes algo a que se agarrassem.
As Escrituras não apresentam todas as razões pelas quais Jesus falou desta forma, mas eis uma especulação. As pessoas que testemunharam os milagres poderiam acreditar em Jesus, quer quisessem seguir Deus ou não, porque tinham a prova viva mesmo diante dos seus olhos. Jesus também destruiu as esperanças daqueles que viam n’Ele um messias político. Jesus falou desta forma para que aqueles que quisessem segui-Lo, nos Seus termos, compreendessem mais tarde, e para que aqueles que não quisessem segui-Lo tivessem uma desculpa para se afastarem.
P: Em Jo 6,53a, estará Jesus a ensinar que o pão se tornou efetivamente o Seu corpo, tal como ensina a Igreja Católica Romana, designando-o por transubstanciação?
R: Não, porque Jesus (tal como Paulo) recorria frequentemente a metáforas. Por exemplo, somos o corpo de Cristo, mas não nos transformamos fisicamente no corpo de Cristo. Jesus, certa vez, chamou Pedro de Satanás, mas isso não significa que Pedro se tenha transformado em Satanás; antes, Satanás estava a usar as palavras de Pedro para tentar Jesus. Quando Jesus disse que era a videira em João 15:1, terá Jesus-se transformado fisicamente numa videira? Estaria Jesus a segurar o Seu «segundo corpo» nas Suas mãos? — apenas num sentido metafórico. Trata-se de mais do que uma questão trivial, pois a aplicação deste princípio determina se alguém considera que deve adorar o pão e o vinho ou não.
Consulte *When Cultists Ask*, pp. 168-173, e *When Critics Ask*, pp. 412-413, para obter respostas mais detalhadas.
P: Em João 6:60-66, por que razão Jesus parece quase fatalista nesta passagem? — Se vierem, virão. Se não vierem, não virão.
R: Jesus não era fatalista, mas conhecia bem as limitações da palavra. Se alguém nunca quiser confiar a sua vida a Cristo, nunca aceitará aquilo que não possa demonstrar ser verdadeiro ou falso. Se as pessoas não quiserem seguir a verdade, quase sempre conseguirão encontrar alguma desculpa para não o fazer.
P: Em Jo 6,67, por que razão Jesus pôs à prova os doze discípulos, perguntando-lhes se também iriam embora?
R: Jesus sabia que eles não iriam embora, mas fez a pergunta por, pelo menos, duas razões. Queria que tivessem a oportunidade de se afastar; assim, ficaria claro para eles que a sua permanência era uma escolha própria. Em segundo lugar, queria que eles recuassem e tomassem — ou, melhor dizendo, retomassem — essa decisão novamente. Precisavam de «traçar uma linha na areia» e decidir se iriam ou não arriscar tudo com Jesus, nos bons e nos maus momentos. De forma semelhante, Noemi levou Rute a tomar uma decisão em Rute 1:15-18. É claro que, como indica João 6:70, Jesus já conhecia a decisão deles; mas eles ainda tinham de tomar essa decisão.
Quando alguém como Pedro tomou uma decisão errada, ao negar Cristo, Cristo pôde reintegrar Pedro em João 21:15-19. Se teve de tomar uma decisão e falhou, não se afaste de Deus por culpa, mas volte para junto de Deus em busca de perdão.
P: Em João 6:70, uma vez que Jesus escolheu os doze discípulos e Judas era um deles, será que Judas era um dos eleitos escolhidos por Jesus?
R: Não. Tal como os outros homens, Jesus tinha a liberdade de fazer muitas escolhas. A escolha de Jesus de comer um determinado figo não faz desse figo um dos eleitos. Da mesma forma, a escolha dos doze discípulos por parte de Jesus foi diferente da escolha dos eleitos que vão para o Céu.
P: Em Jo 7,5, quem são os «irmãos» de Jesus que não acreditaram n’Ele?
R: Maria era virgem, e José não conheceu Maria quando Jesus nasceu, e José não teve relações com Maria «até que ela desse à luz um filho», segundo Mateus 1:25. Mateus 12:46; 13:55-56; Marcos 6:3-4; João 2:12; Atos 1:14; 1 Coríntios 9:5 também menciona os irmãos de Jesus, e Paulo refere «Tiago, irmão do Senhor», em Gálatas 1:18, 19. O livro «1001 Perguntas Bíblicas Respondidas», pp. 39-40, também salienta o Salmo messiânico 69:7-9, onde se diz: «irmãos… filhos da minha mãe».
Se tivessem fé em Jesus, pareceria-lhes lógico que Jesus revelasse algo naquele momento. No entanto, este versículo afirma que, naquela altura, eles NÃO acreditavam em Jesus, pelo que o seu comentário não deixa margem para dúvidas: «Se realmente te consideras o Messias, mostrá-lo-ias a todos agora.»
P: Em Jo 7,7, o mundo não odiava os discípulos, ou odiava-os em Jo 15,20-21?
R: Há dois pontos a considerar na resposta.
Em João 7:7, os discípulos ainda estavam a aprender, e o mundo ainda não os odiava, porque eles ainda não pregavam de forma consistente a conversão a Jesus. Os judeus e os romanos ainda não tinham chegado ao ponto de querer perseguir os cristãos.
Em João 15:20-21, Jesus profetizou que em breve chegaria o tempo em que o mundo os odiaria por pertencerem a Cristo.
P: Em João 7:8, por que razão disse Jesus que não ia, ou que ainda não ia, à festa?
R: Cinco pontos a considerar na resposta.
1. Alguns manuscritos dizem «não irei». Estes manuscritos incluem o Sinaítico, o Cantabrigiense, o copta boairico, o arménio e o Diatessaron.
2. Outros manuscritos, tais como o Bodmer II (125-175 d.C.), o Bodmer 14,15 (século III) e o Vaticanus, dizem «ainda não».
3. Mesmo que se conhecesse o grego exato, não se pode dar demasiada importância às palavras precisas, uma vez que não se sabe se Jesus estava aqui a falar em grego ou em aramaico.
4. Seja como for, Jesus não estava a fazer uma promessa, mas sim a manifestar as suas intenções, pelo que qualquer uma das versões dos manuscritos é válida.
5. Talvez as variações entre os manuscritos sirvam aos desígnios de Deus. Podem mostrar-nos que não devemos interpretar as palavras das Escrituras com um nível de precisão excessivo.
P: Em Jo 7,8, por que razão disse Jesus aqui que a Sua hora ainda não tinha chegado?
R: Ainda não era o momento de Jesus iniciar o Seu ministério público, que culminaria na Sua morte na cruz pelos nossos pecados.
P: Em Jo 7,10, por que razão Jesus aparentemente mudou de ideias e foi para Jerusalém, depois de ter dito aos seus irmãos que não iria?
R: Jesus não quebrou uma promessa; em vez disso, mudou de ideias quanto ao que pretendia fazer. No entanto, por trás desta resposta simples, há um ponto importante a aprender. Existe uma diferença entre uma expressão de intenção e uma promessa.
O livro «Quando os Críticos Perguntam», p. 414, dá uma resposta diferente. Os irmãos de Jesus queriam que Ele fosse a Jerusalém e «se revelasse abertamente como o Messias». Jesus acabou por ir mais tarde, mas não da forma que os Seus irmãos sugeriram.
P: Em Jo 7,13, por que razão o povo temia os judeus? Eram todos judeus!
R: O povo aqui temia as autoridades judaicas. Muitas vezes faz sentido distinguir as crenças e práticas do povo comum do ensinamento religioso oficial. Além disso, Mateus e Marcos, escritos para um público mais judaico, distinguem entre judeus que são fariseus e saduceus. João, aparentemente escrevendo para um público principalmente gentio [não judeu], normalmente não faz essa distinção, limitando-se a chamá-los de judeus. João apenas menciona os fariseus em João 3:1.
P: Em João 7:17, todos aqueles que optam por fazer a vontade de Deus irão para o Céu? — mesmo hindus, muçulmanos, budistas, etc.
R: Tal como Caim, filho de Adão, aprendeu, Deus não aceita todos os sacrifícios que Lhe são oferecidos. Como mostra 1 Coríntios 10:20, é necessário, no mínimo, oferecer os vossos sacrifícios ao Deus Verdadeiro. Muitas pessoas concentram-se na forma como outras religiões ensinam doutrinas erradas e «confundem a mente das pessoas». Igualmente importante é o facto de elas entorpecerem o desejo das pessoas pelo que é melhor e «confundirem o seu coração».
1. Em algumas religiões, incluindo algumas vertentes do hinduísmo, fazer o bem não é um objetivo. Pelo contrário, o objetivo é experimentar tanto o bem como o mal. Consulte a próxima pergunta para obter provas disso.
2. Em algumas religiões, incluindo o budismo e o hinduísmo, não se deseja viver para sempre no Céu. O objetivo é escapar ao ciclo indesejável de renascimento e alcançar o Nirvana no budismo, ou unir-se à chama eterna no hinduísmo vedântico.
3. Em algumas religiões, a verdade não tem importância. O hinduísmo é conhecido como uma religião em que a «lei da não-contradição» não constitui uma grande preocupação.
P: Em Jo 7,17, o que ensina uma religião falsa, o hinduísmo, sobre fazer o bem?
R: Ensina, pelo menos, duas coisas muito diferentes.
É abençoado fazer o bem. «O bem é uma coisa; o prazeroso é outra. Estas duas coisas, diferentes nos seus fins, levam ambas à ação. Abençoados são aqueles que escolhem o bem; aqueles que escolhem o prazeroso falham o objetivo.» Katha Upanishad, p. 16
Por outro lado…
1. «Saiba que todos os estados do ser — sejam eles de bondade, paixão ou ignorância — se manifestam pela Minha energia. Eu sou, num certo sentido, tudo, mas sou independente. Não estou sujeito aos modos da natureza material, pois estes, pelo contrário, estão dentro de Mim. Iludido pelos três modos [bondade, paixão e ignorância], o mundo inteiro não Me conhece, a Mim que estou acima dos modos e sou inesgotável.» Bhagavad Gita 7.12-13, p. 379-380.
2. «Mesmo que alguém cometa a ação mais abominável, se estiver empenhado no serviço devocional, deve ser considerado santo, pois está devidamente situado na sua determinação.» Bhagavad Gita 9.30, p. 494
3. «Está escrito: “Aquele que conhece a alegria de Brahman, que as palavras não conseguem expressar e a mente não consegue alcançar, está livre do medo. Não se angustia com o pensamento: ‘Por que não fiz o que era certo? Por que fiz o que era errado?’ Aquele que conhece a alegria de Brahman, conhecendo tanto o bem como o mal, transcende ambos.” Taittiriya Upanishad, p. 58.
4. «Os meus filhos matam os seus inimigos e a minha filha é imperatriz, e eu sou completamente vitoriosa. A minha voz é suprema aos ouvidos do meu marido. A oferenda que Indra fez e com a qual se tornou glorioso e supremo, foi isso que eu fiz por vós, ó deuses. Tornei-me verdadeiramente sem esposas rivais. Sem esposas rivais, matadora de esposas rivais, vitoriosa e preeminente, apropriei-me da atração das outras mulheres como se fosse a riqueza de mulheres volúveis.» Esta combinação de adoração e dos primeiros «valores familiares» hindus provém do Rig Veda 10.159.3-5.
P: Em Jo 7,18, estará Jesus a dizer que não há injustiça em todas as pessoas que procuram a glória do Pai?
R: Não, pelo contrário, Jesus está a referir-se indiretamente a Si próprio, dizendo que não há injustiça Nele.
P: Em Jo 7,28, por que razão Jesus pregou no Templo, uma vez que, em Jo 6,10, foi a Jerusalém secretamente para não ser notado?
R: Se Jesus fosse abertamente a título individual, as autoridades poderiam prendê-lo facilmente. No entanto, uma vez lá, enquanto Jesus estivesse no meio de uma multidão numerosa e solidária, não seriam capazes de o prender. Prefeririam esperar até que houvesse o menor número possível de outras pessoas. Jesus e os discípulos passaram a noite fora de Jerusalém, num local onde nunca seriam encontrados — isto é, a menos que fossem traídos.
P: Em Jo 7,38-39, «em que parte das Escrituras se diz: “Rios de água viva fluirão do seu interior”?»
R: A literatura antiga não fazia distinção entre uma citação exata, uma paráfrase de uma frase e uma paráfrase do conceito comum de várias frases. A «New Geneva Study Bible», p. 1676, afirma que, embora não se trate de uma citação exata de qualquer passagem do Antigo Testamento, pode ser uma referência geral tanto a Isaías 44:3 como a Ezequiel 36:25-27.
De acordo com o «Evangelical Commentary on the Bible», p. 857, e o «Believer’s Bible Commentary», p. 1512, os judeus tinham o costume de trazer água da fonte de Gihon/lagoa de Siloé e de a derramar numa bacia de prata junto ao altar dos holocaustos, enquanto se entoavam os Salmos 113-118. No oitavo dia, não faziam isto.
P: Em João 7:38-39, de que forma fluem de Jesus rios de água viva?
R: Tal como a água dá vida, promove o crescimento, purifica e sacia a sede, Jesus concede-nos isso a nível espiritual. Trata-se do Espírito Santo, segundo João 7:39.
P: Em João 7:39, o Espírito Santo já estava no mundo antes de Jesus ter vindo à Terra?
R: Sim, mas de uma forma mais limitada. Nos tempos do Antigo Testamento, o Espírito Santo estava com os profetas, mas o crente comum daquela época não possuía o Espírito Santo.
P: Em João 7:46, o que significa exatamente o grego neste contexto?
R: Em João 7:46, o grego aqui é muito enfático. Embora «Nunca ninguém falou assim...» (NIV) seja uma tradução correta, uma tradução mais precisa é «nunca um homem falou de tal maneira...» (Wuest), «Nunca falou assim um homem» (The Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento, p. 302), ou «Nunca falou nenhum homem desta forma» (The Expositor’s Bible Commentary, vol. 9, p. 88).
P: Em Jo 7:51-52, não tenho a certeza: se tivesse vivido na época de Cristo, teria sido capaz de compreender tudo o que devia fazer? Isso é necessário?
R: Embora possa não ter compreendido tudo por si próprio naquela época, quem diz que hoje conseguimos compreender tudo por nós próprios? É por isso que precisamos de pedir a ajuda de Deus e precisamos da ajuda uns dos outros. Qualquer pessoa, deixada por si só, pode chegar a conclusões tolas e insensatas. Precisamos da ajuda de Deus e uns dos outros para nos prestarmos ajuda e correção.
P: Em Jo 7,52, Jesus era de Belém, na Judeia, ou de Nazaré, na Galileia?
R: Ambas; Jesus nasceu em Belém, na Judéia, e foi criado em Nazaré, na Galileia.
P: Em Jo 7,52, por que razão afirmaram que nunca surgiu um profeta da Galileia, quando Jonas era originário daquela região, de Gate-Hefer, a cerca de três milhas de Nazaré? (O cético «Guia de Asimov para a Bíblia», p. 971, aborda esta questão.)
R: Repare que quem fala são judeus incrédulos. Embora Jonas provavelmente fosse natural de Gate-Hefer, em Nazaré, isso não é certo. A Bíblia não diz «nenhum profeta jamais veio daquela Galiléia». Em vez disso, eles disseram: «nenhum profeta jamais veio da Galiléia». Quem rejeitou Jesus provavelmente estava errado neste ponto.
Por que razão Jesus falou daquela forma? Ele não estava apenas a tentar criar problemas pelo simples prazer de o fazer, e certamente não o estava a fazer apenas para aumentar a sua popularidade. Alguns poderão pensar que Jesus deveria ter respondido de forma mais cordial. Mas, aparentemente, Jesus estava a pressionar as pessoas a tomarem uma decisão, fosse ela qual fosse. Eles alegavam rejeitá-Lo com base nas razões mais frágeis. Se Jesus tivesse simplesmente realizado mais um milagre para que eles vissem, depois de todos os outros milagres, teria isso feito grande diferença? Não. A questão não era a falta de informação ou de credenciais; a questão era levá-los a tomar uma decisão.
P: Em Jo 8,3-4, por que razão os fariseus trouxeram a mulher apanhada em flagrante de adultério a Jesus e não o homem?
R: Essa é uma boa pergunta, especialmente porque Deuteronómio 22:22-24 diz que ambos deviam ser levados. Parece que estavam menos interessados em que fosse feita justiça ao homem do que à mulher. Ou, talvez, não estivessem interessados em justiça de todo, mas apenas em armar uma armadilha a Jesus. A «Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia», p. 372, «Quando os Críticos Perguntam», p. 415, e Josh McDowell (numa palestra) também chamaram a atenção para esta ilegalidade.
P: João 8:3-4 demonstra que Jesus não aceitava a pena capital?
R: Não, mas o processo não foi conduzido de forma adequada, uma vez que o homem não foi igualmente levado. Consulte a pergunta anterior para mais informações.
P: Em Jo 8,3-4, em que parte do Antigo Testamento se ordena que a mulher seja apedrejada até à morte por adultério (um muçulmano levantou esta questão)?
R: A execução por adultério era prescrita em Levítico 20:10 e em Deuteronómio 22:22-24. A forma de execução, o apedrejamento, é indicada em Deuteronómio 22:24 no exemplo de um homem que se deita com uma virgem prometida em casamento a um marido na cidade.
P: Em João 8:6, na história da mulher adúltera, o que escreveu Jesus na areia?
R: Seis pontos a considerar na resposta.
1. A maioria dos manuscritos bíblicos diz «escreveu no chão». Entre estes contam-se o Cantabrigiensis, o Lecionário Bizantino, o copta boairico e outros.
2. No entanto, os manuscritos arménios (dos séculos V e IX) dizem: «escreveu no chão os pecados de cada um deles».
3. Contudo, outros manuscritos e autores não incluem esta parte do Evangelho de João. Entre estes contam-se: o Bodmer 2, o Bodmer 14 e 15, o Sinaítico, o Vaticano, o Alexandrino, o copta sahídico, o gótico e o Diatessaron.
4. Partindo do princípio de que a maioria dos manuscritos está correta, as Escrituras não se pronunciam sobre o que Jesus fez com a vara no chão. A «Enciclopédia das Dificuldades Bíblicas», pp. 371-373, afirma que, fosse o que fosse, isso os convenceu dos seus próprios pecados. Alguns especulam que Jesus estava a escrever os seus pecados, ou os nomes das namoradas de alguns deles.
5. Apenas trouxeram a mulher apanhada em flagrante; nunca trouxeram o homem. Talvez alguns dos homens com quem a mulher tivesse cometido adultério estivessem na multidão.
6. Por outro lado, o livro «Now That’s a Good Question», pp. 586-587, afirma que não só não sabemos, como também não temos a certeza de que Jesus tenha escrito alguma coisa. Ele pode simplesmente ter estado a rabiscar enquanto pensava. No entanto, houve algo que levou todos os homens a retirarem-se abruptamente.
P: Em Jo 8,11, uma vez que Jesus seguia a Lei de Moisés, por que razão não condenou a mulher?
R: Há dois pontos a considerar na resposta.
Jesus não era obrigado a punir a mulher que sabia ser culpada, porque 1) Jesus não era uma autoridade governamental naquele contexto, 2) Jesus era quem tinha dado a lei e 3) o procedimento não era adequado, uma vez que o homem também não tinha sido trazido.
No entanto, Jesus seguiu, de facto, a Lei Mosaica. Tinha de haver um acusador, e não havia acusadores. Além disso, toda a situação era estranha, uma vez que ela tinha sido apanhada em flagrante e, no entanto, não havia nenhum homem presente.
P: Em Jo 8,12, de que forma é que Jesus é a luz do mundo?
R: A luz é indispensável para a nossa vida. Não só atrai as pessoas, como também as impede de tropeçar na escuridão, permite-nos examinar-nos a nós próprios, reconhecer-nos uns aos outros e apreciar a beleza. Mesmo naquela época, as pessoas já sabiam que, sem luz, as plantas de interior não crescem. Jesus é mais importante para nós do que a própria luz física.
P: Em Jo 8, 13-14, por que razão os fariseus alegaram que o facto de Jesus dar testemunho de si próprio significava que o seu testemunho não era válido?
R: Se alguém fizesse uma afirmação sem provas, essa afirmação seria suspeita. Jesus considerou que seria estranho tentar aplicar isso a Si próprio. Afinal, o Pai, de certa forma, testificou a todos sobre Jesus, através das profecias escritas centenas ou mil anos antes e ao fazer com que Jesus realizasse muitos milagres naquela época.
P: Em Jo 8, 14-18, por que razão Jesus respondeu aos fariseus da forma como o fez?
R: Provavelmente existem várias razões.
1. Por fazer parte daquela cultura, Jesus compreendia os preconceitos dos fariseus em geral.
2. Jesus compreendia esses fariseus individualmente.
3. Jesus falava frequentemente de forma figurada por opção (João 16:25, 29).
4. Poderia ser uma atitude misericordiosa não dizer demasiado àqueles que O rejeitaram, como demonstram 2 Pedro 2:21-22 e João 15:22-25.
Além disso, em João 8:17, Jesus disse «a vossa lei», porque a relação de Jesus com a lei era diferente da deles, tal como Jesus diria «o meu Pai» e «o vosso Pai», mas não «o nosso Pai», exceto quando lhes ensinava a Oração do Senhor.
P: Em João 8:17 e João 10:34, Jesus disse «a vossa» lei?
R: Há três pontos a considerar na resposta.
Em João 8:17, o Novo Testamento Grego de Aland (1975) não menciona quaisquer manuscritos gregos que digam «a lei de vós». Dizem «a lei».
Quanto a João 10:34, a maioria dos manuscritos de João 10:34 diz «a lei». Entre eles contam-se: Bodmer II (125-175 d.C.), Bodmer 14 e 15 (início do século III), o Sinaítico, o Vaticano, o Alexandrino, o Lecionário Bizantino, o copta sahídico, o copta boairico, o gótico, o arménio e o de Atanásio
No entanto, alguns manuscritos relativos a João 10:34 dizem «a vossa lei». Entre eles contam-se o Papiro Chester Beatty I (100-150 d.C.), o Sinaítico (corrigido), o Cantabrigiense e os escritores Tertuliano (198-220 d.C.) e Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.).
P: Em Jo 8,18-19, Jesus estava a falar sobre o Seu Pai; então, o que há de errado em perguntar a Jesus onde estava o Seu Pai?
R: Embora Jesus estivesse a falar de Deus Pai no Céu, quem fez a pergunta não estava. Quem fez a pergunta estava a acusar Jesus de ter nascido de forma ilegítima. Não procurava uma resposta de Jesus; apenas queria recordar à multidão as «incertezas» sobre o nascimento de Jesus, a fim de desacreditá-Lo aos olhos da multidão. Mas formulou a pergunta de forma a que não fosse tão óbvio o que pretendia fazer.
P: Em Jo 8,24.58; Jo 13,19; e Jo 18,5.6, para além de «Eu sou», que outros títulos partilham o Pai e Jesus?
R: Aqui está uma lista parcial dos títulos de Deus no Antigo Testamento e dos títulos de Jesus no Novo Testamento.
Referência no Antigo Testamento | Título | Referência no Novo Testamento |
Jó 33:4; Isaías 40:28 | Criador | João 1:3; Colossenses 1:16-17 |
Salmo 106:21; Isaías 45:21-23 | Salvador | João 4:42; Efésios 5:23; Atos 4:12 |
Isaías 7:14; 9:6; 10:21 | Deus | Mateus 1:23; João 1:1; Romanos 9:5; Colossenses 2:9 |
Êxodo 3:14; Dt 32:39 | EU SOU | João 8:24,58; 13:19; 18:5,6 |
Isaías 41:4; 44:6; 48:12 | O Primeiro e o Último | Apocalipse 1:17; 2:8; 22:13 |
Dt 32:4; Salmo 28:1 | Rocha | 1 Coríntios 10:4; Mateus 16:18 |
Salmo 27:1; Miqueias 7:8 | Luz | Lucas 2:32; João 1:9; 8:12 |
Génesis 18:25; Salmo 58:11; Joel 3:12 | Juiz | Apocalipse 14:10; 2 Coríntios 5:10; 2 Timóteo 4:1 |
P: Em João 8:29, como é que o Pai [supostamente] nunca abandonaria Jesus, uma vez que Jesus disse «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?» em Mateus 27:26 e Marcos 15:34?
R: João 8:29 NÃO diz que o Pai nunca abandonaria Jesus. Diz: «não Me deixou sozinho» (ou «não Me deixou sozinho»). O Pai abandonou Jesus na cruz, mas, por outro lado, quando Jesus morreu, disse: «Nas Tuas mãos entrego o Meu Espírito», em Lucas 23:47.
P: Em João 8:31, permanecer na palavra de Jesus é uma condição para ser discípulo de Jesus?
R: É uma evidência, não uma condição prévia. Uma analogia pode ajudar a responder a esta pergunta. Será que respirar é uma condição para se estar vivo? Respirar é uma evidência de que se está vivo. No entanto, embora se possa praticar respiração artificial indefinidamente num cadáver, isso não o trará de volta à vida. Além disso, uma pessoa viva pode suster a respiração durante alguns minutos, mas depois sentirá uma forte necessidade de respirar novamente e fá-lo-á.
De forma semelhante, a obediência contínua à palavra de Jesus é uma evidência de nova vida em Cristo. Um não-cristão pode seguir os mesmos mandamentos, durante algum tempo, mas isso não significa que tenha pedido a Jesus para ser o Senhor e Salvador da sua vida. Um cristão pode optar por não obedecer a Jesus durante algum tempo, mas, se for genuinamente salvo, sentirá uma forte necessidade de regressar a Cristo e fá-lo-á.
P: Em Jo 8,32, o que quis Jesus dizer com «tornar-vos livres»?
R: Jesus liberta-nos de, pelo menos, quatro formas maravilhosas.
Judicialmente: Deus declara que todos os nossos pecados estão «totalmente pagas», graças ao dom da morte de Jesus na cruz
Nesta vida, somos libertados da escravidão do pecado e da compulsão para pecar.
Eternamente, somos libertados da Segunda Morte e viveremos para sempre com Deus, sem medo de cair.
No dia a dia, podemos viver uma vida de esperança, amor e alegria na liberdade de Cristo.
P: Em Jo 8,37, como é possível que não houvesse lugar nos seus corações para a palavra de Jesus?
R: Jesus deu uma descrição muito apropriada. Na sua lógica peculiar, não havia lugar para que o Messias viesse para o meio deles. Não tinham qualquer desejo no coração de ver o Messias. Não tinham qualquer intenção de esperar pelo Messias, nem de O seguir caso Ele viesse e não se conformasse aos seus desejos. Eram incapazes de aprender, não porque não conseguissem compreender, mas porque não queriam compreender; não eram incapazes, mas relutantes.
Jesus não se limitava a criticar as suas conclusões. Pelo contrário, criticava a sua apatia em descobrir o que era verdade.
Hoje em dia, os cristãos que procuram a verdade podem pensar ingenuamente que todos os outros, quer de forma correta quer errada, também a procuram. Muitos têm primeiro de desejar encontrar a verdade, antes que encontrá-la lhes traga qualquer benefício.
P: Em Jo 8,44, por que razão Jesus disse às pessoas que valorizavam a sua ascendência que o seu pai era o diabo?
R: Suponho que tenha sido porque Jesus nunca frequentou um curso sobre «Como Ganhar Amigos e Influenciar Pessoas». O politicamente correto de Jesus é altamente questionável aqui, tal como noutros contextos.
A sério, Jesus estava mais preocupado com elas e com o seu destino eterno do que com o facto de gostarem ou não das Suas palavras.
Hoje em dia, uma das razões pelas quais alguns cristãos (incluindo eu próprio) têm sido culpados de não partilhar o Evangelho tanto quanto deveriam é que valorizavam mais a amizade do que se preocupavam com o amigo.
P: Em Jo 8,47, como é que aqueles que são de Deus ouvem a palavra de Deus?
R: Aqueles que são de Deus ouvem a palavra de Deus em dois sentidos diferentes.
Os crentes já ouviram a palavra de Deus, receberam-na com alegria e confiaram as suas vidas a Deus.
Os eleitos podem ainda não estar salvos. No entanto, o termo «eleitos» significa que serão salvos, mais cedo ou mais tarde.
P: Em Jo 8,48, por que razão tentaram «insultar» Jesus, acusando-O de ser samaritano?
R: Consideravam isso um grande insulto, e Jesus compreenderia claramente o que eles estavam a comunicar sobre o grau de desprezo que nutriam por Ele. No entanto, Jesus não considerou estas palavras um insulto e, aparentemente, nem sequer se deu ao trabalho de responder a isso.
P: Em Jo 8,50, de que forma é o Pai o juiz, uma vez que Jo 5,22 diz que «o Pai não julga ninguém, mas confiou todo o julgamento ao Filho»?
R: Primeiro, o que não é a resposta, e depois a resposta. Existem dois juízos: o juízo do Grande Trono Branco e o juízo do Bema de Cristo para a recompensa dos crentes. Existem palavras gregas diferentes para «juízo», que significam «discernir» e «condenar». No entanto, compreendendo as diferenças de tempo verbal, a palavra grega em ambos os versículos é a mesma: krinei.
A resposta é que, no que diz respeito ao julgamento de todas as pessoas, o Pai é o juiz e a autoridade suprema, mas o Pai não julga nada, a não ser por meio de Jesus. A Bíblia refere-se apenas ao Pai como aquele que nos predestina, mas somos predestinados e salvos por meio de Cristo. João 5:22 não diz meramente que o Pai permite que Jesus julgue algumas pessoas; pelo contrário, o Pai não julga nada além do que confiou a Cristo.
Eis como isto se concretiza em Apocalipse 20:11-15. Aquele que está sentado no grande trono branco é, muito provavelmente, o Pai. Existem dois livros: o livro das obras e o Livro da Vida. O Livro da Vida é o «Livro da Vida do Cordeiro» , de acordo com Apocalipse 21:27. O Pai envia para o Lago de Fogo todos aqueles que não estão inscritos no Livro da Vida do Cordeiro.
P: Em João 8:51, de que forma é que aqueles que guardam as palavras de Jesus nunca verão a morte?
R: Consulte a discussão sobre João 6:50-51 para obter a resposta.
P: Em João 8:57, será que isto significa que Jesus tinha realmente cerca de 50 anos, tal como ensinou Irineu de Lyon (182-188 d.C.)?
R: Não. Irineu foi um grande mestre cristão dos primeiros tempos, mas mesmo os bons mestres cristãos podem cometer erros, e Irineu estava completamente errado neste ponto (Irineu, Contra as Heresias, livro 2, cap. 22.6, p. 392). Foram os fariseus que afirmaram que Jesus tinha menos de 50 anos. Talvez quisessem exagerar a Sua juventude. Quando analisa um versículo da Bíblia, é de importância crucial que identifique quem está a falar.
P: Em Jo 8,58, por que razão estava Jesus a utilizar o Nome Divino neste contexto?
R: Jesus estava a dizer claramente aos judeus que não era apenas um profeta, nem apenas o Messias, mas que Jesus era o próprio Deus. Abraão conhecia este nome, mas foi a Moisés, junto da sarça ardente (Êxodo 3), que o próprio Deus revelou pela primeira vez todo o significado do Seu nome
P: Significa Jo 8,58 que Jesus pré-existia, mas que não era eternamente pré-existente, tal como ensinam as Testemunhas de Jeová (Raciocínio a partir das Escrituras, 1989, p. 418)?
R: Não. João 8:58 afirma que Jesus existia antes de Abraão nascer, mas não especifica há quanto tempo Jesus existia antes do nascimento de Abraão. João 1:1 diz-nos, no entanto: «No princípio era o Verbo…», e nada foi feito senão por meio de Cristo. Quando os Seguidores de Seitas Perguntam, pp. 173-174, refere que este é o mesmo termo utilizado para Deus Pai, e que esse uso não significa de forma alguma que Deus Pai tenha tido um momento em que existiu pela primeira vez.
P: Significa João 8:58 que todos os seres humanos têm a presença de Deus «Eu Sou» dentro de si, tal como ensinam os adeptos da Nova Era Mark e Elizabeth Claire Prophet (Ensinamentos Perdidos de Jesus, p. 87) e Mary Baker Eddy, a fundadora da Ciência Cristã (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 333-334)?
R: Não. Repare no tema do discurso de Jesus e na reação dos judeus. Jesus estava a falar de Si próprio, não de nós. Os judeus reagiram negativamente porque perceberam que Jesus afirmava que Ele próprio era Deus. Ninguém nos Evangelhos, nem qualquer escritor da Igreja primitiva, inventou jamais a ideia de que Jesus estivesse a dizer que o «Eu Sou» se referia a todos os seres humanos.
P: Em Jo 8,59, por que razão Jesus, que é Deus, se escondeu ali?
R: Jesus escondeu-Se porque estavam a tentar apedrejá-Lo. Jesus era Deus, mesmo na Terra, mas, como mostra Filipenses 2,7, Jesus esvaziou-Se voluntariamente e tornou-Se nada quando veio à Terra. Uma pessoa pode estar a cumprir a vontade de Deus e a esconder-Se dos malfeitores.
P: Em Jo 9,1, este homem nasceu cego por causa dos pecados que cometeu antes de reencarnar, tal como ensina a Escola da Unidade do Cristianismo?
R: Se Jesus tivesse dito: «Este homem nasceu cego devido aos pecados que cometeu antes de nascer nesta vida», então a Escola da Unidade do chamado cristianismo teria razão.
No entanto, Jesus não só não disse isto, como também afirmou o contrário. Na verdade, este versículo pode ser utilizado para demonstrar que a reencarnação NÃO foi um fator determinante na cegueira deste homem. Mais concretamente, quando perguntaram a Jesus se este homem ou os seus pais tinham pecado, Jesus respondeu: nenhum dos dois.
P: Em Jo 9,1-3, por que razão, exatamente, este homem nasceu cego?
R: Jesus disse que não foi por causa do seu pecado nem do pecado dos seus pais. As pessoas, em geral, sofrem nesta vida — incluindo com malformações congénitas — porque nascemos como criaturas caídas a viver num mundo caído. No entanto, no caso específico deste homem, a sua cegueira serviria para glorificar a Deus, uma vez que Jesus o curou e os seus olhos seriam um testemunho para que outros pudessem ver a verdade de Jesus.
Em contraste com isto, os rabinos judeus posteriores tinham tudo explicado quanto à razão pela qual as pessoas adoeçiam. A hidropisia significava que a pessoa tinha cometido um pecado sexual; a icterícia era ódio insaciável; a pobreza e a humilhação significavam que tinham cometido o pecado do orgulho; e uma doença do fígado (?) significava calúnia. Em Shabbath 55a, lê-se: «Não há morte sem pecado, nem castigo sem má conduta.»
P: Em Jo 9,4, o que quis Jesus dizer com «está a chegar a noite em que ninguém poderá trabalhar»?
R: A resposta tem dois aspetos.
Em breve, esta fase da obra de Deus, em que Jesus caminhou sobre a terra, chegaria ao fim.
Durante um curto período, entre a crucificação e a Ressurreição, todos ficariam dispersos. Não voltariam a exercer o ministério de forma significativa até ao Pentecostes, 50 dias após a Páscoa.
Mais importante ainda, os judeus demonstravam uma abertura para ouvir o novo ensinamento de Jesus, e essa abertura desapareceria em breve, após os primeiros dias da Igreja primitiva.
Hoje em dia, ainda é necessário ter um sentido de oportunidade no trabalho ministerial. Os países abrem-se ou fecham-se ao Evangelho consoante o regime político no poder. Culturas inteiras tornam-se mais abertas ou fechadas consoante a sua prosperidade, os seus meios de comunicação social e outras influências terrenas (e não apenas terrenas).
P: Em Jo 9,6, por que razão Jesus fez barro com a sua saliva, uma vez que poderia simplesmente ter proferido as palavras?
R: Havia inúmeras formas que Jesus poderia ter utilizado para curar o homem. Talvez Jesus quisesse recorrer a esta forma para sublinhar que, como Palavra de Deus, era Ele quem tinha criado o homem, incluindo os seus olhos, a partir do pó da terra. Tecnicamente, Jesus não restaurou a sua visão, porque ele nunca teve visão, para começar. Uma teoria é que o homem não tinha globos oculares, pelo que Jesus, como Criador, estava a formar os globos oculares. Além disso, as tradições rabínicas proibiam amassar barro no sábado, e Jesus estava a quebrar essa tradição rabínica.
P: Em Jo 9,7, por que razão Jesus o enviou à piscina de Siloé?
R: Jesus poderia tê-lo curado naquele mesmo momento, sem necessidade de ir até à piscina, e Siloé ficava no extremo sudeste da cidade, a alguma distância. O cego, que provavelmente dependia de outras pessoas para tudo na vida, teria de tomar a iniciativa e pedir a alguém que o conduzisse até à piscina. Muitas pessoas em Jerusalém veriam este cego, com lama nos olhos, a caminhar pela cidade para se dirigir a uma piscina a fim de ser curado. Seria uma visão invulgar.
P: Em Jo 9,7, por que razão é significativo que a palavra para a piscina, Siloé, signifique «enviado»?
R: João considerou que era significativo, porque nos chama especialmente a atenção para isso. Num primeiro nível, o homem foi até lá para se lavar porque foi enviado por Jesus. O próprio Jesus era um «enviado», enviado pelo Pai. Como crentes, somos «enviados» por Deus para vários locais e conjuntos de circunstâncias. Nem sempre é para os locais mais agradáveis que Deus nos envia, mas sim para os locais para onde Deus quer que vamos.
Noutro nível, a única piscina de grandes dimensões nas redondezas chamava-se Siloé, e «parece, sem dúvida, uma coincidência invulgar» que houvesse este trocadilho: o homem enviado para a piscina do «enviado»? – exceto que não há coincidências com Deus. Deus pode perscrutar e alterar a história para criar um trocadilho, só que este trocadilho não se destinava a ser humorístico, mas sim a fornecer mais uma pista de que Jesus era quem Ele afirmava ser. Embora Jesus estivesse na história, Ele não foi realmente feito para a história; a história foi feita para Jesus.
P: Em Jo 9, 14-16, por que razão os fariseus afirmaram que Jesus não respeitava o sábado?
R: Há três pontos a considerar na resposta.
Nenhuma lei do Antigo Testamento proibia curar, salvar a vida de um animal ou salvar a vida de uma pessoa no sábado. Nenhuma lei dizia que não se podia demonstrar amor pelos outros e cuidar deles nesse dia. A única proibição era a de trabalhar.
Os fariseus acrescentaram à obra de Deus, afirmando que não se podia fazer muitas coisas (como, por exemplo, que se podia caminhar uma milha, mas não duas) e que não se podia criar coisas. Aparentemente, consideravam a cura como «criação» e, por isso, proibida de acordo com a sua interpretação.
Hoje, tal como naquela época, é muito importante diferenciar entre o que Deus disse e a vossa interpretação do que Deus disse, como mostram 1 Coríntios 4:6 e Provérbios 30:5-6.
P: Em João 9:24, por que razão os fariseus disseram: «Dêem glória a Deus»?
R: Tratava-se de uma exortação solene para que se dissesse a verdade. Josué 7:19 utiliza uma expressão semelhante.
P: Em João 9:26-27, por que razão os fariseus voltaram a perguntar? Como se percebe quando as perguntas de alguém são sinceras?
R: À primeira vista, parecia que eles queriam realmente saber, ou que não tinham ouvido da primeira vez. No entanto, nem mesmo o homem que nasceu cego se deixou enganar; ele sabia que aquilo não passava de uma manobra de diversão. Eles não estavam a perguntar porque queriam conhecer a verdade; estavam a perguntar para encontrar alguma falha ou contradição, quer no testemunho do homem, quer nas ações de Jesus.
Nem todas as perguntas são sinceras; mesmo algumas que são formuladas de forma sincera não o são, mas escondem uma intenção oculta.
Certa vez, estava a conversar com um rapaz que se dizia ateu e que me questionou sobre a predestinação e o livre arbítrio. Depois de conversarmos durante uma hora, perguntei-lhe finalmente: «Se eu lhe pudesse mostrar que Jesus era quem Ele afirmava ser, seguir-Lhe-ia?» Sem qualquer hesitação, ele respondeu: «De maneira nenhuma! Quero viver a minha vida como eu quiser.» Um pensamento passou-me pela cabeça; talvez fosse o Espírito Santo ou talvez fosse apenas eu. Mas o pensamento foi: «Uma hora, simplesmente desperdiçada.» E se eu lhe tivesse feito essa pergunta no início da conversa e, caso esta conversa não tivesse qualquer efeito na sua conversão a Cristo, pudéssemos, em vez disso, falar sobre algo que tivesse?
Quando discutir um assunto com um não crente, deve perguntar, logo no início, se ver essa questão resolvida o levaria a aproximar-se de depositar a sua fé em Cristo ou não. Se ele responder que sim, então continue. E, no final da conversa, se ele perceber que a questão está resolvida, pergunte-lhe o que o impediria de dar o próximo passo e assumir um compromisso com Cristo.
Eles agiam como se quisessem saber a verdade, mas nem sequer afirmavam que alguém que realizava milagres que só podiam ser feitos por meio de Deus pudesse ser de Deus. A resposta do ex-cego resume-se a: «Que vergonha para si!» Por vezes, quando alguém tem o coração endurecido, é isso mesmo que devemos dizer também.
P: Em Jo 9,34, se uma criança ou alguém a quem não respeitássemos nos dissesse para fazer algo, e soubéssemos que era a coisa certa a fazer, deveríamos fazê-lo?
R: Sim, embora os fariseus em João 9:34 não pensassem assim. Mas se quisermos seguir Deus e fazer o que é santo, devemos fazer o que é certo, independentemente de quem nos esteja a dizer. Tiago 4:17 diz: «Quem, pois, sabe o que é certo fazer e não o faz, comete pecado.» Não faz qualquer menção de que isto possa ser ignorado se a pessoa que o informa for uma criança ou qualquer outra pessoa.
P: Em João 9:34, por que razão os fariseus afirmaram que o cego tinha nascido em pecado?
R: Provavelmente não estavam a comentar a sua visão da natureza humana em geral. Em vez disso, pensavam que o facto de o homem ter nascido cego provava que, ao contrário de outras pessoas, ele tinha nascido em pecado. Jesus contradisse este falso ensinamento em João 9:1-3.
O Midrash judaico sobre Deuteronómio 31:14 afirma que uma mulher grávida que peca faz com que o seu filho por nascer peque, de acordo com o New International Bible Commentary, p. 1248, extraído de (cf. N. P. Williams, Ideas of the Fall and Original Sin, 1927, p. 98).
O homem já não podia adorar na sinagoga, porque tinha sido expulso pelos fariseus. Mas não dispor desse local não importava, pois, em vez disso, adorava Jesus.
P: Em Jo 9:27-32, os fariseus estavam, na prática, a impedir Deus de fazer isto. De que forma as pessoas tentam impedir Deus de agir hoje em dia?
R: Fazem-no de muitas formas, embora nem sempre tenham consciência de que é isso que estão a fazer.
Os muçulmanos acreditam que Deus não tem um Filho, mas muitos muçulmanos acreditam que Deus Todo-Poderoso não poderia ter um Filho.
Os Santos dos Últimos Dias (Mórmons) acreditam que o seu deus, o deus deste mundo, se tornou deus ao seguir as leis e as ordenanças. As leis e as ordenanças são, de certa forma, superiores aos seus deuses.
Muitos adventistas do sétimo dia acreditam que Deus não poderia alterar o sábado como dia de descanso.
Alguns calvinistas acreditam que, se Deus concedesse livre arbítrio a qualquer ser, então Deus não seria Deus. Pode ler o ensinamento de R.C. Sproul sobre «uma molécula rebelde» para saber mais sobre este assunto. Eles não consideram — ou não querem considerar — possível que o Deus onisciente possa conceder um grau de liberdade, sabendo com certeza o que seria escolhido, e mesmo que essa liberdade esteja sob a Sua soberania. O Deus todo-poderoso tem o poder de «permitir». Felizmente, muitos calvinistas, como Francis Schaeffer, compreendem isso.
Alguns arminianos acreditam que Deus não poderia predestinar, porque isso não seria «justo». Devem ter em conta que, embora a Bíblia afirme que Deus é justo, nunca diz que Deus é «justo» ou «equitativo» segundo algum padrão humano.
Existem também outros exemplos.
P: Em Jo 9,40, por que razão os fariseus perguntaram se Jesus achava que eles eram cegos?
R: A sua capacidade física de ver não tinha nada a ver com a sua pergunta, nem com a resposta de Jesus. Eles estavam habituados a metáforas e estavam a perguntar a Jesus qual era a Sua opinião sobre eles. Será que Jesus achava que os principais líderes espirituais do povo eram, de facto, espiritualmente cegos?
Na verdade, Jesus não disse «vocês conseguem ver ou não conseguem ver». Ele disse que, se fossem genuinamente insensíveis às coisas espirituais (cegos), não seriam culpados de pecado. Mas, uma vez que afirmavam que conseguiam ver as coisas espirituais — independentemente de realmente o conseguirem ou não —, não eram apenas cegos, mas culpados perante Deus. Os fariseus não eram apenas cegos, mas culpados de cegueira voluntária.
P: Em Jo 10,1-2, o que está Jesus a dizer, em sentido figurado, sobre ladrões e salteadores?
R: Qualquer pessoa, naquela época ou hoje, que diga às pessoas que é o caminho, ou que lhes pode mostrar o caminho, e que não provenha do verdadeiro Deus, é um ladrão e um assaltante. Os ladrões de ovelhas normalmente não vinham e levavam à força cada ovelha, uma a uma. Abriam o portão e tentavam conduzir todo o rebanho. Os ladrões tentam roubar secretamente, e os assaltantes roubam com violência. Seja como for, qualquer pessoa que entrasse no curral das ovelhas escalando o muro tinha más intenções. A forma como se entra é tão importante quanto o facto de se entrar ou não.
Era comum misturarem ovelhas de vários rebanhos no mesmo curral, e não marcavam as ovelhas para identificar a quem pertencia cada uma. Em vez disso, o pastor chamava as ovelhas, e apenas aquelas sob os cuidados desse pastor o acompanhavam.
Ora, não se pode esperar muito das ovelhas, pois não são muito inteligentes, mas sabem, ainda assim, seguir o seu pastor e mais ninguém. O que é surpreendente, porém, é o número de seres humanos que pensam poder seguir Cristo e, ao mesmo tempo, se deixam levar por ladrões e assaltantes.
P: Em Jo 10, 2 e 7, nesta parábola, Jesus é o pastor ou a porta?
R: Ambos. Embora os escritores antigos não se opusessem a misturar metáforas, neste caso ambas fazem parte da mesma metáfora. Um curral de ovelhas, construído com paredes de barro ou pedra, muitas vezes não tinha um portão de madeira. O próprio pastor deitava-se à frente da abertura, servindo de portão.
P: Em Jo 10,8, quem eram os ladrões e salteadores que vieram antes de Jesus?
R: Eram falsos messias e falsos profetas. Os falsos messias, em geral, persuadem as pessoas a depositar a sua confiança neles, em vez de no verdadeiro messias. Os falsos profetas diziam para confiar num falso messias ou num falso deus.
Além disso, estas palavras foram proferidas durante o período do Hanukkah, que comemora a reconsagração do templo sob o comando de Judas Macabeu. Naquela época, havia líderes corruptos de Israel que se venderam aos selêucidas, e, nesta época, havia líderes corruptos — os saduceus — que se venderam aos romanos.
P: Em Jo 10,11, Jesus é o Pastor, ou é o Cordeiro em 1 Cor 5,7 e Jo 1,29-34?
R: Trata-se de figuras de estilo denominadas metáforas, e ambas são adequadas e verdadeiras no que diz respeito a Jesus. Ele é o nosso Pastor, na medida em que nos guia e devemos segui-Lo e obedecer-Lhe. Mas Jesus veio para morrer como o Cordeiro da Páscoa pelos nossos pecados.
P: Em Jo 10,11, Jesus deu a Sua vida pelas Suas ovelhas, ou também pelos Seus inimigos, como indicam Rm 5,6.10 e 2 Pe 2,1?
R: Jesus deu a Sua vida não apenas por aqueles que eram Seus amigos antes da Sua crucificação, mas também pelos Seus inimigos, tais como Saulo de Tarso, que odiava o nome «cristão». Mas Saulo mais tarde arrependeu-se e mudou o seu nome para Paulo. Romanos 5:10 diz-nos que Cristo não morreu pelas pessoas que desejavam a salvação, mas morreu mesmo por aqueles que, inicialmente, não queriam ter nada a ver com a salvação de Cristo, mas que mais tarde se converteram e se arrependeram.
Será que Cristo morreu até mesmo por aqueles que nunca se arrependeriam? Sim, a oferta de salvação de Cristo é para todos, conforme 1 João 2:2. No entanto, a salvação de Cristo «não tem valor para eles, uma vez que não partilharam a fé daqueles que a compreenderam». (Hb 4:2). Não serve de nada para aqueles que «negam o Senhor que os resgatou» (2 Pedro 2:1), que «rejeitaram o desígnio de Deus para si próprios» (Lucas 7:30) e que «se apegam a ídolos sem valor [e] abandonam a Sua devoção amorosa» (Jonas 2:8) (BSB)
Consulte *When Critics Ask*, p. 416, para uma resposta diferente, mas complementar.
P: Em Jo 10:14-33, em que momento as palavras de Jesus teriam constituído blasfémia se tivessem sido proferidas por um homem comum?
R: Embora as Escrituras não o digam, qualquer outra pessoa que proferisse as palavras a partir de João 10:1 seria um falso profeta, caso as dissesse a si própria. Quando Jesus fala das «Suas ovelhas» e da «Sua autoridade», Ele está a afirmar a Sua reivindicação de ser Deus, mesmo antes de João 10:33-42.
P: Em João 10:16, a quem se referem as «outras ovelhas» mencionadas por Jesus?
R: Jesus está a referir-se aos gentios (não judeus). Não se refere apenas às pessoas do Novo Mundo, como ensinam os mórmons. Também não se refere a todos os que acreditam e não fazem parte dos 144 000 das Testemunhas de Jeová, como ensinam as Testemunhas de Jeová. Consulte *O Livro Completo de Respostas Bíblicas*, pp. 57-58, *Quando os Seguidores de Seitas Perguntam*, pp. 175-176, e *As Testemunhas de Jeová Respondidas Versículo a Versículo*, pp. 78-79, para obter respostas mais detalhadas.
P: Em Jo 10:18, de que forma foi concedido a Jesus o poder de entregar a Sua vida e de a retomar?
R: Jesus esvaziou-Se de Si mesmo quando veio à Terra, pelo que não possuía qualquer poder, a não ser aquele que o Pai e o Espírito Lhe concederam. Na Terra, concederam-Lhe o poder de dar a Sua vida (morrer fisicamente) e de voltar à vida.
P: Em Jo 10:23, o que era a Festa da Dedicação, que se celebrava no inverno?
R: Trata-se da mesma festa que a Festa das Luzes, ou Hanukkah, de acordo com o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 310, e o «Believer’s Bible Commentary», p. 1527. O Hanukkah comemorava a rededicação do Templo após este ter sido profanado durante o período em que os Macabeus libertaram Israel. É importante notar que o Hanukkah não é mencionado como uma festa no Antigo Testamento, mas Jesus celebrou-o com outros judeus. Não há problema em celebrar uma festa que não conste na Bíblia.
P: Em Jo 10,26, será que alguns dos judeus não eram ovelhas de Jesus porque não acreditavam, ou será que não acreditavam porque não eram ovelhas de Jesus?
R: Primeiro, um estudo simples das palavras e, em seguida, três pontos de vista.
Estudos lexicais: A palavra grega traduzida por «pois» aqui é gar. A Concordância de Strong atribui-lhe o significado principal de «razão». A Concordância de Strong refere ainda que pode significar «e, como, porque (isso), mas, mesmo, pois, de facto, sem dúvida, visto que, então, portanto, em verdade, o quê, porquê, contudo». O Novo Testamento Grego de Aland afirma que significa: pois, uma vez que, então; de facto, certamente; O quê! Porquê!. Assim, a palavra grega gar tem um leque de significados. Além disso, Jesus pode ter proferido estas palavras em aramaico, e não em grego, pelo que não é possível determinar uma definição com precisão. Seja como for, eis três possibilidades, sendo a terceira a mais provável.
Portanto: Não eram ovelhas de Jesus porque não acreditavam. No entanto, o grego dispõe de palavras muito mais fortes para «portanto», tais como oukoun, que eram frequentemente utilizadas no Novo Testamento, e essas palavras não foram utilizadas aqui.
Por causa de: Acreditaram porque não eram ovelhas de Jesus. Embora a palavra grega seja semelhante ao português «porque» no sentido de que poderia ser interpretada desta forma ou da forma anterior, a estrutura da frase favorece esta interpretação em detrimento da anterior. As pessoas tendem naturalmente a enfatizar o aspeto de que não eram ovelhas de Jesus porque não acreditavam. No entanto, esta passagem bíblica afirma o contrário. A «New Geneva Study Bible», p. 1683, menciona esta interpretação, embora não exclua necessariamente a outra.
Ambas: Afirmar que é uma questão de «ou isto ou aquilo» constitui uma simplificação artificial. É semelhante a perguntar se as pessoas estão vivas porque respiram, ou se respiram porque estão vivas? O «Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 311, refere que isto «é uma simples afirmação da sua conduta. Também nos faz recordar o mistério supremo da eleição de Deus».
P: Em Jo 10, 28-29, o que diz este texto sobre a possibilidade de uma das ovelhas de Jesus perder a sua salvação e ir para o Inferno?
R: Este versículo ensina claramente que Deus garantirá que ninguém, sejam demónios ou seres humanos, possa tirar-nos à força a nossa salvação. Romanos 8:35-36 também afirma que nada pode separar-nos do amor de Deus. O «Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 311, afirma que o grego diz «eles, de facto, nunca perecerão». Refere ainda que a palavra para «arrancar», harpasei, está relacionada com a palavra para «lobo voraz»: harpax. Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1527, para mais informações sobre o facto de a vida eterna não depender do comportamento de uma pessoa.
No entanto, uma pessoa não eleita pode convencer o mundo, e até a si própria, de que é cristã, e mais tarde optar por afastar-se da sua profissão de fé em Cristo.
No entanto, alguns cristãos afirmam que, embora ninguém possa tirar-nos a salvação, os cristãos genuínos podem optar por saltar da mão de Deus por sua própria vontade e ir para o Inferno. Este versículo não confirma nem nega essa perspetiva.
David O’Brien, na obra «Today’s Handbook for Solving Bible Difficulties», pp. 307-310, afirma que um crente nunca pode «perder» a sua salvação, o que significa que nenhum crente pode pecar de forma tão grave que, sem o saber, perca a sua salvação. A nossa permanência na salvação não é mantida pelas obras, tal como a nossa obtenção da salvação também não o é. No entanto, um crente genuíno poderia optar conscientemente por «devolver» a sua salvação a Deus. Nesse caso, seria semelhante àqueles que conheciam a verdade e crucificaram Jesus.
Por outro lado, consulte o livro de Ron Rhodes, *The Complete Book of Bible Answers*, páginas 190-193, para conhecer a perspetiva de que, uma vez que uma pessoa é salva, nada nem ninguém (nem mesmo ela própria) pode separá-la daquilo que Deus prometeu.
P: Em Jo 10, 28-29, qual é a sua opinião sobre a segurança eterna (uma vez salvo, sempre salvo)?
R: Acredito no princípio «uma vez salvo, sempre salvo» por duas razões:
a) Numa perspetiva atemporal, é uma contradição intrínseca que Deus «saiba» que uma pessoa está salva e, depois, descubra que estava errado e que a pessoa é não está salva. Na verdade, isto poderia ser resumido como «uma vez eleito, sempre eleito». (A propósito, não sou calvinista).
b) Numa perspetiva temporal, Deus promete colocar o Seu selo do Espírito Santo sobre nós, garantindo a nossa herança. Ninguém nos pode arrebatar da mão de Deus (João 10:28). Todos os que foram «... justificados serão glorificados» (Romanos 8).
Eis alguns versículos sobre o assunto.
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A salvação é um dom da graça, não conquistada pelas obras. Nenhum mérito da nossa parte pode salvar-nos. Ef 2:8-9; 2 Tim 1:9; Tt 3:5; At 26:20; Rom 3:23-24; 4:5; 6:14-15; 9:32; 11:5-6; Gal 3:2,3,10-14
A verdadeira fé produz frutos, pois a fé sem obras está morta. Tiago 2:14-26; ~1 João 3:17-19
Todos os verdadeiros crentes esforçam-se por obedecer a Deus e por manifestar amor a Deus e ao próximo. 1 Jo 3:14-15
Os crentes podem ter a certeza da sua vida eterna. 1 Jo 4:17; 5:11-19; 3:24; 4:13; Ef 3:12
Deus não só nos salva, como também nos sela e nos preserva. Ef 1:13-14; Judas 24; 1 Tim 1:14
Por outro lado, já vi a doutrina de «uma vez salvo, sempre salvo» ser utilizada de forma errada e desequilibrada. Certa vez, uma senhora contou-me sobre o seu filho universitário, que saiu de casa e foi viver para a Califórnia com a namorada. Ela sabia, no entanto, que ele iria para o Céu de qualquer forma, porque tinha percorrido o corredor central de uma igreja.
A doutrina de que «uma vez salvo, sempre salvo» é verdadeira, mas é também necessário conhecer a «doutrina de equilíbrio» relativa à conversão falsa. Algumas pessoas que não estão salvas serão capazes de enganar os outros, e até a si próprias, levando-as a pensar que estão salvas. Aqui estão alguns versículos sobre esse assunto.
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Devemos examinar-nos a nós próprios, pois os cristãos falsos podem ser enganados. 2 Cor 13:5
Os crentes devem ser diligentes até ao fim, a fim de tornarem a sua esperança segura. Hb 6:11
Algumas pessoas podem ter uma falsa certeza da salvação (Jer 17:10), mesmo que:
• Tenham a aparência da piedade; conheçam as Escrituras. 2 Timóteo 3:5; João 5:39-47
• Acreditem (num sentido intelectual, não salvador), sejam batizados. Atos 8:13,20; Tiago 2:19
• Pelo menos acreditavam que profetizavam em nome de Jesus, expulsavam demónios e realizavam muitos milagres poderosos. Mt 7:21-23; 2 Ts 2:9-10
• Outrora escaparam da corrupção do mundo ao conhecerem o nosso Senhor e Salvador. 2 Pedro 2:17-22
Podemos ter confiança na nossa salvação, podemos SABER que temos a vida eterna (1 João 5). No entanto, temos também a responsabilidade de nos examinarmos a nós próprios e de estarmos em guarda.
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Temos a responsabilidade de vigiar de perto a nossa vida e a nossa doutrina. 2 Tim 1:14; Col 1:23; Prov 22:5
Não seguir a sabedoria deste mundo. Col 2:8-9; Tiago 3:15; 1 Cor 1:17-27; 2:6,8,14; 2 Cor 1:12
Perseverar. Hb 10:23,36; 12:1,12-13; 1 Jo 2:24; 1 Cor 13:7; Rm 5:3-4; Tg 1:3-4,12; 5:11; 2 Pe 1
Embora não seja calvinista (afirmo os aspetos universais da expiação), defendo a perseverança dos santos, que considero ser uma síntese destas duas doutrinas.
a) «Uma vez salvo, sempre salvo»: Deus não permitirá que ninguém deixe de ser salvo
b) Conversão falsa: Todos os verdadeiramente salvos, mesmo que se desviem, regressarão a Deus. Caso contrário, não estavam verdadeiramente salvos.
P: Em Jo 10,30, isto prova que o modalismo é verdadeiro, uma vez que Jesus e o Pai são Um?
R: Não. De acordo tanto com o «Tratado sobre a Trindade» de Novaciano, cap. 27, p. 637, como com a gramática grega, a palavra grega significa «Um» (neutro), e não «Um» (masculino); por isso, são um em caráter e essência, mas não um em pessoa.
P: João 10:30 demonstra que Jesus é Deus?
R: Mostra que Jesus é Deus de uma forma superior à dos seres humanos que eram chamados de deuses.
P: Em Jo 10,30, de que forma o Pai e Jesus são um?
R: As Escrituras revelam muitas formas pelas quais são um.
Primeiro: Eis algumas dessas formas.
1. Partilham títulos comuns
Referência do Antigo Testamento | Título | Referência no Novo Testamento |
Jó 33:4; Isaías 40:28 | Criador | João 1:3; Colossenses 1:16-17 |
Salmo 106:21; Isaías 45:21-23 | Salvador | João 4:42; Efésios 5:23; Atos 4:12 |
Isaías 7:14; 9:6; 10:21 | Deus | Mateus 1:23; João 1:1; Romanos 9:5; Colossenses 2:9 |
Êxodo 3:14; Dt 32:39 | EU SOU | João 8:24,58; 13:19; 18:5,6 |
Isaías 41:4; 44:6; 48:12 | O Primeiro e o Último | Apocalipse 1:17; 2:8; 22:13 |
Dt 32:4; Salmo 28:1 | Rocha | 1 Coríntios 10:4; Mateus 16:18 |
Salmo 27:1; Miqueias 7:8 | Luz | Lucas 2:32; João 1:9; 8:12 |
Génesis 18:25; Salmo 58:11; Joel 3:12 | Juiz | Apocalipse 14:10; 2 Coríntios 5:10; 2 Timóteo 4:1 |
Jesus é chamado de Pai Eterno, o que pode referir-se ao facto de ser a fonte da vida eterna (Isaías 9:6).
Ambrósio de Milão (378-381 d.C.), na sua obra «Sobre o Espírito Santo», livro 1, cap. 13, n.ºs 132-139, escreveu mais sobre a partilha dos nomes divinos. Consulte «Os Padres Nicenos e Pós-Nicenos», 2.ª série, vol. 10, pp. 110-111, para mais informações sobre o que Ambrósio escreveu.
2. Têm a mesma natureza. Filipenses 2:5
3. Têm a mesma honra. João 5:23
4. O Pai e Jesus «possuem» tudo em comum. João 16:15; 17:10.
5. Na Terra, o Pai habitava em Jesus. João 10:38; 14:10-11.
6. Na Terra, Jesus estava no Pai. João 10:38; 14:11
7. Se realmente conhece Jesus, então conhece o Pai e já viu o Pai. João 14:7-9
8. Ninguém chega ao Pai senão por meio de Jesus. João 14:6; 6:45; ~8:24; Atos 3:12
9. Ambos são legitimamente adorados. Hebreus 1:6
10. Ambos são legitimamente chamados de Deus. João 1:1; 20:28, Hebreus 1:8,9
11. A ambos se dirigem orações. Atos 7:7:59-60
12. Tudo no mundo foi criado por meio de ambos. João 1:3, 10; Colossenses 1:16
13. A plenitude da divindade está em Jesus. Colossenses 1:19
14. São um em espírito, amor e propósito. Obedecer verdadeiramente a um é obedecer ao outro. ~João 14:23-24
No entanto, não são iguais em todos os aspetos.
1. São distintos. Jesus não era um ventríloquo. Mateus 3:16; João 8:18.
2. O Pai, Jesus e todos nós partilhamos algumas coisas, como a vida eterna. João 16:13-15
O Pai não possui algumas coisas que partilhamos com Jesus após o Seu nascimento humano. Hebreus 1:6-10; 2:14; 7:3
3. O Pai não se tornou, não evoluiu nem se transformou em Jesus. Hebreus 13:8; 1:9; João 14:10, 24, 26; 15:1; 16:27-28, 32; 17:5
4. Jesus não se tornou, não evoluiu nem se transformou no Pai. Hebreus 13:8; ~Apocalipse 5:13; João 20:17; 14:10, 24, 26; 15:1
5. Jesus foi abandonado no Calvário. Marcos 15:34; Mateus 27:46
6. Por mais próximos que fossem na Terra, Jesus iria, ainda assim, para junto do Pai. João 14:12; Marcos 16:19; João 20:11
Isto foi resumido da seguinte forma: «Unidos sem confusão, … distintos sem separação, indivisíveis e sem graus.» Partes deste texto provêm do Sermão de Atanásio sobre Lucas 10:22, cap. 2, p. 90
O «Comentário Bíblico do Crente», p. 1528, apresenta uma resposta ligeiramente diferente. Embora afirme que são um em todos os seus atributos, indica que, nesta passagem, Jesus se refere ao Pai e a Si próprio como sendo um em poder.
P: Em Jo 10,31, como é que puderam apanhar pedras para apedrejar Jesus, no pórtico de Salomão?
R: O pórtico de Salomão provavelmente não tinha pedras soltas; no entanto, este situava-se junto ao lado leste do templo, que estava na altura a ser reconstruído por Herodes, pelo que haveria pedras em abundância para a construção. Mas isto significa que essas pedras não eram seixos, mas sim pelo menos do tamanho da mão de uma pessoa. O grego aqui significa «transportar», e não apenas «apanhar», de acordo com o The Expositor’s Bible Commentary, vol. 9, pp. 112-113.
P: Em Jo 10,34, os seres humanos também são deuses?
R: Não. Há cinco pontos a considerar na resposta.
Inúmeras pessoas afirmaram falsamente ser deuses.
Nenhum ser humano é o verdadeiro Deus, além de Jesus.
Alguns homens foram designados como «elohim» na Bíblia. Moisés era como Deus (elohim) para o Faraó (Êxodo 7:1), na medida em que se esperava que o Faraó obedecesse à mensagem de Deus transmitida por intermédio de Moisés.
No Salmo 82:6, «elohim» refere-se a meras pessoas. Os cristãos discordam quanto ao facto de o Salmo 82:6 estar a falar de forma irónica, chamando aos homens maus [os chamados] «deuses», ou se está a dizer que os juízes nomeados (elohim) eram corruptos.
Seja como for, os «elohim» do Salmo 82:6 julgam injustamente, caminham nas trevas e morrem como homens.
P: Em Jo 10:34-36, por que razão Jesus fez referência ao Salmo 82:6 neste contexto?
R: Havia outras formas pelas quais Jesus poderia ter construído o seu argumento, mas o «Comentário Evangélico sobre a Bíblia», p. 862, afirma que Jesus, neste contexto, estava a apresentar a sua argumentação tal como um rabino o faria. Trata-se de um argumento «a fortiori», ou seja, que parte do menor para o maior. Jesus estava a utilizar três conceitos das Escrituras como uma «alavanca» para tentar abrir as mentes dos judeus.
Como ponto de apoio (pivô) da alavanca, Jesus baseou-se na compreensão correta que estes tinham de que existia apenas um Deus.
No lado superior da alavanca, Jesus utilizou o conceito de que, nas Escrituras, até mesmo homens ímpios eram chamados de «elohim» no Salmo 82. Ora, há quem considere que o Salmo 82 foi escrito de forma irónica (sarcástica) a respeito destes homens que se erguiam como «deuses», mas que, ainda assim, morrerão no pó. No entanto, outros entendem que os homens que atuavam como juízes recebiam o título de «elohim», porque ocupavam o lugar de Deus, administrando a justiça divina. O Salmo 82 referia-se a juízes corruptos. Quanto ao significado exato de se chamar «Elohim» às pessoas no Antigo Testamento, consulte a pergunta anterior. Independentemente disso, os homens mortais no Salmo 82 eram chamados «elohim», num certo sentido da palavra.
Por outro lado, uma vez que era aceitável que as pessoas lessem este Salmo em voz alta e chamassem a estes homens de «elohim», por mais indignos que fossem, quanto mais adequado é chamar a Jesus de «Elohim», uma vez que Jesus é o Filho unigénito de Deus. Jesus não estava aqui a explicar todos os pormenores da relação entre Ele e o Pai, nem entrou em pormenores sobre como a Trindade é um único Deus (o ponto de apoio), mas três Pessoas. Em vez disso, Jesus está simplesmente a dizer aqui que, se esses homens ímpios eram chamados de «elohim», reflitam que Jesus poderá ser «elohim» num sentido mais elevado.
Um argumento do tipo «quanto mais» é designado por argumento «a fortiori».
P: Em Jo 10,37-38, por que razão diz Jesus para, pelo menos, acreditarem nas Suas obras, se não vão acreditar Nele?
R: Jesus nunca disse que acreditar nas Suas obras fosse suficiente para a salvação. Em Atos 8:13, 18-19, Simão, o Mago, acreditou na veracidade dos milagres, mas não foi salvo.
Pelo contrário, Jesus ficou surpreendido por, tendo visto o que Ele fez, eles nem sequer terem dado o primeiro passo e acreditado na realidade dos milagres. Isso não seria suficiente, mas seria uma ponte para que, talvez mais tarde, acreditassem naquele que realizou os milagres.
P: João 10:37-38 indica que acreditar nas obras de Jesus, e não em Jesus, é suficiente para a salvação?
R: Não. Significa que, se conseguirem pelo menos acreditar nas obras de Jesus e acreditar que estas provêm de Deus, isso constitui um primeiro passo para acreditar em Jesus. Por vezes, é necessário avançar passo a passo.
P: Em Jo 10,40, por que razão Jesus se dirigiu ao local onde João costumava batizar?
R: Jesus retirou-se devido à forte oposição dos fariseus e de outros judeus. Jesus dirigiu-se para lá porque foi ali que o Seu ministério teve início. É claro que as coisas estavam diferentes agora; João Batista tinha sido decapitado e as pessoas também queriam matá-lo. No entanto, os seguidores que se dirigiram a ele podiam recordar o seu compromisso anterior de batismo por João Batista. Por vezes, é bom sentir nostalgia e regressar a um local bem lembrado para recordar aos outros (e a nós próprios) o nosso compromisso e amor anteriores.
P: Em Jo 11, 1-33, por que razão Lázaro não é mencionado nos outros evangelhos, uma vez que se trata de um momento tão culminante no Evangelho de João, como questiona o cético «Guia de Asimov para a Bíblia», p. 984?
R: Antes de responder a esta objeção, vamos torná-la ainda mais «difícil». Por que razão a ressurreição da filha de Jairo consta nos três evangelhos (Mt 9, 18-26; Mc 5, 21-43; Lc 8, 40-56), mas ausente no de João? Por que razão os discípulos e as mulheres adoraram Jesus em Mateus 14, 33 e Mateus 28, 9, mas não nos outros evangelhos? Por que razão os pastores adoraram em Lucas 2, 15-20, mas não nos outros evangelhos? Por que razão o cego adorou Jesus em João 9:38, mas não nos outros evangelhos? Aliás, por que razão ocorreu algum acontecimento em qualquer um dos evangelhos que não tenha sido também registado em cada um dos outros três?
João mostra-nos a resposta em João 21:25: «Há muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem escritas, suponho que o mundo inteiro não teria espaço para os livros que seriam escritos.» Há quatro pontos:
1) João e os autores dos evangelhos foram seletivos ao mostrar-nos o que consideravam serem os aspetos-chave para nos demonstrar quem era Jesus.
2) Um autor pode ter tido acesso a informações que os outros não conheciam. Por exemplo, Lucas parece ter muito mais informações sobre a infância de Jesus. Talvez tenha conversado longamente com Maria.
3) Os autores escreveram para públicos diferentes. Por exemplo, se Jesus morreu às 15h00, o que teria sido a nona hora (Mateus 27:45), uma vez que os judeus começavam o dia por volta das 6h00. Mas teria sido a sexta hora (Lucas 23:44) para os leitores gregos e romanos, para quem o dia começava às 9h00. Em João 20:19, a noite é referida como o dia anterior, tal como os romanos e os gregos fariam, enquanto os judeus considerariam a noite, após o pôr-do-sol, como pertencendo ao dia seguinte.
4) Por fim, pensa-se que João tenha escrito mais tarde do que os outros evangelhos e que, talvez, tenha querido incluir especialmente informações que ainda não tinham sido apresentadas nos outros três.
Consulte também «When Critics Ask», pp. 411-412, para obter essencialmente a mesma resposta a uma questão relacionada, sobre João 6:35.
P: João 11:1-33 indica que Jesus teve relações sexuais com Maria e Marta, tal como ensina a seita «Filhos de Deus» (= «Família do Amor»)?
R: De modo algum! Nada indica que Jesus fosse menos do que puro. O líder da «Família do Amor», Moses David Berg, no livro «Ffer’s Handbook!», p. 4, chegou mesmo a ensinar que, uma vez que Jesus teve de sofrer todas as coisas por nós, contraiu voluntariamente uma doença venérel e de Maria Madalena. Jesus amava Lázaro, assim como Maria e Marta, e o Seu amor era de amizade, não de sexo.
P: Em Jo 11,3, qual foi o fundamento do apelo dirigido a Jesus neste contexto?
R: Maria e Marta não disseram para Ele vir porque Lázaro O ama, nem porque elas O amam. Em vez disso, disseram para Ele vir porque aquele a quem Ele ama está doente. 1 João 4:19 afirma que amamos a Deus porque Ele nos amou primeiro, e não o contrário. Quando oramos a Deus, não Lhe peçamos que atenda ao nosso pedido por causa da nossa justiça, do nosso amor ou das nossas obras. Em vez disso, peçamos-Lhe por causa das Suas promessas e do Seu amor por nós. É claro que Deus ainda pode dizer «não» ao que não for o melhor para nós ou não estiver de acordo com a Sua vontade.
P: Em João 11:4, por que razão disse Jesus que Lázaro não estava doente de morte, uma vez que Lázaro acabou por morrer em João 11:11-14,17?
R: Aqui, Jesus tinha obviamente uma perspetiva diferente da dos discípulos. Deus, em geral, tem uma perspetiva diferente, tanto sobre a morte como sobre o que é possível. Neste caso, Jesus sabia que Lázaro voltaria à vida, e falou daquela forma para enfatizar esse facto. Consulte «When Critics Ask», pp. 417-418, para uma resposta complementar.
P: Em João 11:6, por que razão Jesus demorou a ir ver o seu amigo doente, Lázaro?
R: A resposta definitiva encontra-se em João 11:15. Devido à demora de Jesus, Lázaro morreu, e ressuscitar Lázaro dos mortos seria uma demonstração ainda maior do seu poder.
Será que Jesus, sabendo tudo isto, optou deliberadamente por adiar a visita por esta razão? Ou será que Jesus não escolheu deliberadamente isso, mas adiou a visita até que o Pai O guiasse a ir, e este foi o resultado? As Escrituras não o dizem, e pode ter sido de qualquer uma das formas.
P: Em João 11:9, como é que há doze horas de luz do dia, uma vez que o dia é mais curto no inverno e mais longo no verão?
R: Embora Jesus estivesse aqui a ensinar principalmente sobre o ministério, e não sobre astronomia, foi muito preciso nesta passagem. Independentemente da latitude, há exatamente 12 horas de luz do dia por dia ao longo de um ano inteiro. Por vezes, hoje em dia, estamos tão absorvidos pela agenda hora a hora, ou pela estação do ano em curso, que não conseguimos perceber como as coisas se equilibram ao longo do tempo.
P: João 11:11-14 demonstra que ficamos inconscientes após a morte, uma vez que Lázaro «adormeceu», tal como ensinam as Testemunhas de Jeová em *A Busca da Humanidade por Deus*, p. 128?
R: Não, este eufemismo comum para a morte, que também é utilizado no Antigo Testamento, não deve ser interpretado como se Jesus estivesse a contradizer as Suas próprias palavras sobre a consciência após a morte em Marcos 9:43-48; Lucas 16:22-23; e Apocalipse 19:20, bem como as palavras de Paulo em 2 Coríntios 5:8 e Filipenses 1:23.
P: Em João 11:16, por que razão disse Tomé para irem, para que pudessem morrer com ele?
R: Tomé estava empenhado, mas confuso. Para além da coragem de Tomé, as Escrituras não indicam que outras razões o levaram a fazer esta observação estranha. Eis duas hipóteses.
Desespero: Talvez Tomé pensasse que as autoridades provavelmente encontrariam Jesus e prenderiam os discípulos. Hoje, mesmo no desespero, ainda devemos seguir Jesus, até à morte. Paulo também sentiu desespero em 2 Coríntios 1:8-10.
Falta de fé: Talvez Tomé pensasse que, embora Jesus pudesse fazer milagres, nem mesmo Ele poderia ressuscitar os mortos. Quando Tomé disse: «Vamos também nós, para que possamos morrer com Ele», era óbvio que não tinha qualquer expectativa de que Jesus ressuscitasse Lázaro dos mortos. Hoje, mesmo quando temos dúvidas, devemos ser como o pai do rapaz com convulsões que disse a Jesus: «Eu creio; ajuda a minha incredulidade!», em Marcos 9:24.
P: Em João 11:23-25, o que é que Jesus está a dizer aqui sobre a ressurreição?
R: Afirmar que a ressurreição é apenas um acontecimento é, na verdade, referir-se ao seu significado secundário, mas negligenciar a razão principal subjacente a esse significado. «Jesus é a ressurreição» significa que, tal como Jesus tinha o poder de ressuscitar a Si próprio dentre os mortos, também em Jesus reside o poder para a nossa ressurreição da morte.
P: Em Jo 11,26, por que razão disse Jesus que aqueles que acreditam n’Ele nunca morreriam?
R: Terão a vida eterna, primeiro na Terra e depois no Céu. Jesus não disse que nunca morreriam, mas sim que «viverão, mesmo que morram».
P: Em Jo 11, 33 e 38, por que razão Jesus ficou perturbado?
R: Há quatro pontos a considerar na resposta.
1. Jesus estava visivelmente perturbado, pois João 11:36 mostra que a multidão reparou nisso.
2. João 11:36 também sugere que a multidão presumiu que Jesus estava perturbado devido ao Seu amor por Lázaro e à Sua tristeza pela morte «definitiva» deste.
3. Embora Jesus amasse profundamente Lázaro, as Escrituras não indicam, de facto, a verdadeira razão pela qual Jesus estava visivelmente perturbado.
4. Jesus pode ter ficado perturbado, não por causa da condição física de Lázaro, mas devido à frágil condição espiritual das suas irmãs e de outras pessoas.
P: Em Jo 11:35, como poderíamos ter um Deus tão impotente que chora, assim como tem sede em Jo 19:28? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou esta questão.)
R: Vamos falar primeiro sobre o choro e, depois, sobre a sede. Jesus chorou: Deedat apresenta, de facto, um contraste interessante. Quando alguém abandona o Islão ou desobedece a Alá, nunca se diz que Alá chora, nem demonstra qualquer preocupação a esse respeito, a não ser raiva. Mas Jesus chorou por Jerusalém, chorou por Lázaro. O Salmo 116:15 diz: «Preciosa é, aos olhos do Senhor, a morte dos seus santos». Deedat não referiu em parte alguma que isto se aplicasse a Alá.
Jesus teve sede: Deus no Céu nunca sentiria falta de nada, nem fome nem sede; então, como poderia Deus alguma vez solidarizar-se connosco ou compreender a nossa situação humana? Mas e se Deus Todo-Poderoso, que pode fazer tudo, decidisse tornar-se homem? Jesus não só nos diz para sermos fiéis e perseverantes, como sabe o quão difícil isso por vezes é e compreende o nosso sofrimento. Agora, os muçulmanos diriam que Alá estaria ciente da dor de todos, mas é Jesus, e não Alá, quem compreenderia em primeira mão o que é o nosso sofrimento, porque Ele também sofreu e experimentou a dor por nós.
P: Em Jo 11,42, por que razão Jesus dizia coisas a Deus nas Suas orações que eram em benefício do povo?
R: Em vez de ser insincero, Jesus estava a ser muito franco e honesto. Jesus não estava a dizer: «por favor, ouve-me melhor do que costumas fazer», nem mesmo «por favor, ouve-me», mas sim a agradecer ao Pai que já tinha prometido ouvi-lo. Se Jesus não tivesse dito «Eu sei que me ouves», as pessoas poderiam ter interpretado mal e pensado que Ele estava a pedir a Deus que O ouvisse.
Hoje em dia, há uma diferença entre orar e orar com fé. Como alguém disse uma vez, se alguma vez sentir que uma pequena oração não fará grande mal, provavelmente também não fará grande bem. Não é desrespeitoso «apoiar-se nas promessas de Deus» e orar com a certeza de que Deus cumpre as Suas promessas.
P: Em Jo 11,43, por que razão disse Jesus: «Lázaro, sai»?
R: Deus criou tudo pela Sua palavra. Se Jesus tivesse simplesmente dito «sai», isso poderia causar um verdadeiro problema, pois todos os que tinham morrido voltariam à vida naquele momento. Jesus só diria isso mais tarde. Suponho que Jesus, sendo quem era, tivesse de ter muito cuidado com as Suas palavras.
P: Em Jo 11,44, como é que Lázaro conseguiu sair a andar, uma vez que estava amarrado de pés e mãos?
R: Tal como se refere na página 418 de *When Critics Ask*, os cadáveres eram envoltos em linho, não estavam fortemente amarrados como os corpos dos egípcios. Nada aqui impedia Lázaro de andar.
P: Em Jo 11,46, por que razão alguns foram contar aos fariseus o que Jesus tinha feito?
R: Provavelmente não foi por qualquer amor a Jesus. É possível que estivessem a agir como os «olhos e ouvidos» dos fariseus.
P: Em Jo 11, 46-51, por que razão os fariseus agiram daquela forma?
R: Os fariseus estavam claramente sem saber o que fazer. O seu objetivo era manter a sua posição, não seguir Deus. Queriam ver o apoio público a Jesus ser retirado, mas não conseguiam fazê-lo enquanto Jesus realizava estes milagres.
P: Em Jo 11, 49-52, por que razão Caifás proferiu uma profecia verdadeira, uma vez que rejeitou Jesus?
R: Há quatro pontos a considerar na resposta.
1. Caifás era alguém que rejeitava Jesus e desejava a Sua morte; Caifás era desagradável a Deus.
2. As palavras proferidas por Caifás constituíram uma profecia verdadeira, embora o significado (a expiação de Cristo pelo mundo) não fosse o que Caifás pretendia transmitir.
3. Deus pode usar quem Lhe aprouver para revelar profecias e a verdade; mesmo homens maus que Lhe desagradam.
4. Assim, se alguém profetiza, isso não prova automaticamente que seja uma pessoa piedosa. Duas outras passagens que sustentam esta conclusão são Números 22:32-33 (Balaão) e 1 Samuel 19:18-24 (Saul e os seus homens).
P: Será que João 11:49-52 corrobora a afirmação da Igreja Católica Romana sobre a infalibilidade papal, tal como se afirma nas páginas 179-180 de *When Cultists Ask*, segundo alguns estudiosos católicos?
R: Não, trata-se de uma interpretação bastante forçada, pois como é que uma única afirmação inadvertidamente correta de um líder judeu pode sustentar que todas as cerca de sete a catorze declarações ex cathedra feitas pelos papas os tornam, de alguma forma, infalíveis? Caifás também disse coisas erradas; será que isto prova que os papas dizem coisas erradas?
Mas, para ser justo, convém referir que muitos católicos NÃO tentam forçar a interpretação deste versículo para provar a infalibilidade papal.
P: Jo 12, 1-11 fala dos preparativos para a Paixão de Jesus. O que podemos fazer, nas nossas vidas, para nos prepararmos para sermos mais apaixonados por Jesus hoje?
R: Do lado positivo, podemos passar mais tempo com Deus, meditando nas Suas Escrituras, rezando a Ele e dedicando-Lhe cada dia. Podemos compreender a importância de partilhar o Evangelho com os outros e pô-lo em prática.
Do lado negativo, podemos erradicar das nossas vidas tudo o que tende a entorpecer a nossa paixão por Deus. Quaisquer pecados recorrentes, ou grandes desperdícios de tempo, que nos tornem «demasiado ocupados» com coisas triviais para fazermos as coisas mais importantes que Deus deseja que façamos.
P: Em Jo 12,3, por que razão permitiu Jesus que o perfume caro fosse derramado sobre Ele?
R: Uma vez que Jesus é Deus, Ele é digno de culto e adoração. Jesus aceitou o amor e a reverência que ela Lhe demonstrou e permitiu que os outros vissem e aprendessem com o exemplo dela. Este perfume de nardo era caro; era importado do norte da Índia, de acordo com o «Evangelical Commentary on the Bible», p. 864, e o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 316. Judas disse que poderia ser vendido por trezentos denários, e um trabalhador ganhava um denário por dia.
O «Comentário Evangélico sobre a Bíblia», p. 865, refere que não era invulgar que um anfitrião mandasse um servo lavar os pés dos convidados, mas que o próprio anfitrião não o faria.
Normalmente, a unção seria uma ocasião feliz, mas, neste caso, foi uma ocasião comovente e triste, de acordo com o «Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento», p. 316.
P: Em Jo 12,6, por que razão Jesus permitiu que Judas fosse seu discípulo, uma vez que Judas era um ladrão e um futuro traidor?
R: Depois de se ter tornado discípulo, Judas era um ladrão, segundo João 12:4-6. Deus pode utilizar quaisquer meios que escolher para levar a cabo o Seu plano. A traição de Jesus fazia parte do plano de Deus, tal como demonstram o Salmo 41:9, Atos 2:23, Mateus 26:24, 54, Marcos 14:21, Lucas 22:22 e João 13:18.
A traição de Jesus por parte de Judas foi um ato maligno, mas Deus utilizou esse ato maligno como parte do Seu plano para realizar o bem; neste caso, a morte de Jesus na cruz pelos nossos pecados. Este é um exemplo do que se denomina «concorrência».
P: Em João 12:7, em que medida Maria e Judas eram opostos nesta passagem?
R: Trata-se de um contraste bastante marcante. Maria ofereceu este presente valioso em adoração, enquanto Judas pretendia apropriar-se desse presente valioso para o roubar. Maria ofereceu-o por amor abnegado; Judas era pragmático e «utilitarista».
Hoje em dia, há quem se envolva numa igreja apenas pelo que pode receber, seja materialmente, seja espiritualmente. Outros envolvem-se também pelo que podem dar. Ora, todos nós recebemos da igreja bons ensinamentos, comunhão, amigos, etc., e desejar receber essas coisas é bom. Mas o que está a dar? Não tem de ser necessariamente um cargo na igreja, mas sim: o que está a dar a Deus? Um copo cheio não pode receber mais líquido. Mas à medida que derrama o que recebeu para os outros, Deus pode encher novamente o seu copo com coisas boas e renovadas.
P: Em Jo 12, 9-11, o que é que Lázaro fez de errado (aos olhos dos sacerdotes), para que estes quisessem matá-lo?
R: Voltar à vida era algo sobre o qual Lázaro não tinha qualquer controlo; até os sumos sacerdotes admitiriam que Lázaro não fez nada de errado quando Jesus o ressuscitou. Mas os sumos sacerdotes estavam totalmente indiferentes à equidade e à justiça para com Lázaro; estavam na defensiva, num modo de «preparem-se para a batalha», e fariam tudo o que fosse necessário para alcançar o seu objetivo. Estavam alarmados com o facto de «todo o mundo ter ido atrás dele», em João 12:19 e seguintes. Por vezes, quando as pessoas sentem que se encontram numa situação precária hoje em dia, fazem o mesmo. Na verdade, muitos na multidão viriam a afastar-se de Jesus mais tarde, mas os sumos sacerdotes não sabiam disso.
Havia um cartaz no trabalho que vi na secretária de um gestor. Dizia: «Não estou a dizer que a culpa é sua; estou a dizer que o culpo.» O cartaz era humorístico, mas a mensagem por trás dele não o era; por vezes, uma pessoa só sobrevive num cargo desviando a culpa. Mas, para o fazer de forma eficaz, tem de ser insensível e não se importar com o facto de pessoas inocentes serem magoadas enquanto se protege a si própria.
P: Em Jo 12, 21-22, de entre os muitos detalhes que João não mencionou, por que razão o Espírito Santo teria levado João a mencionar este pequeno pormenor?
R: Em primeiro lugar, este pormenor sobre os gregos não contribui de forma alguma para o desenrolar da narrativa nem para explicar acontecimentos posteriores no evangelho. No entanto, este pequeno pormenor ilustra um enorme contraste. Enquanto os sumos sacerdotes, que conheciam a lei, se mantinham afastados de Jesus e conspiravam para O matar, estes gregos (seja não-judeus, seja, mais provavelmente, judeus de língua grega e judeus convertidos) fizeram um esforço para apresentar um pedido especial para ver Jesus. A liderança judaica rejeitou Jesus, mas os gregos aceitaram-no, como afirma o «Evangelical Commentary on the Bible», p. 865.
Por fim, a mensagem de Jesus na presença deles enfatizou a necessidade de a Sua morte. Talvez eles tivessem sugerido que Jesus pudesse escapar indo para o estrangeiro com eles. O «Comentário Bíblico do Crente», p. 1538, supõe que este possa ter sido o caso.
P: Em Jo 12, 23-24, o que pensa sobre a afirmação de que, para Ele, «a morte é necessária para a colheita»?
R: A morte física de Jesus era necessária para que houvesse uma ressurreição que vencesse a morte. Mas, para nós, por vezes as nossas aspirações, esperanças e sonhos precisam de morrer antes de haver uma colheita frutífera. Por vezes, morrem e são-nos retirados, porque Deus quer que nos concentremos noutras coisas. Por vezes, podem morrer, mas depois Deus ressuscita-os, talvez de uma forma diferente e mais grandiosa. Embora possamos não querer ver morrer algo que nos é querido, devemos lembrar-nos de que Jesus nos disse em João 15:2 e seguintes que Deus poda as coisas na nossa vida. Não devemos fingir surpresa. Devemos louvar a Deus por nos podar, preparando-nos para coisas maiores. Devemos louvar o Senhor pela Sua poda — mesmo quando não nos apetece fazê-lo.
Pratica exercício físico regularmente para cuidar da sua saúde? Se sim, sabe que o exercício, na verdade, desgasta os seus músculos? Quando acaba de fazer exercício, está menos forte do que antes. Mas isso é algo positivo, que não deve ser motivo de luto, porque os seus músculos recuperam com a mesma força ou ainda mais fortes. Não lamentamos a perda muscular resultante do exercício, e também não devemos lamentar a poda de Deus.
Por fim, sabe que Deus não é o único a podar-nos? Devemos podar-nos a nós próprios! Devemos morrer para a nossa natureza pecaminosa, conforme Colossenses 3:3-10, Romanos 6:12-14 e Gálatas 6:14.
P: Em João 12:28-29, por que razão o Pai falou, mas as pessoas não compreenderam?
R: O Pai queria apenas que Jesus compreendesse. Deus Todo-Poderoso é também um comunicador todo-poderoso. Ele pode tornar a Sua mensagem clara para quem Lhe aprouver ouvir, e inaudível ou sem sentido, como um código secreto indecifrável, para aqueles que não devem compreendê-la. Como dizem Apocalipse 2:7, 11, 17, 29; 3:6, 13, 22: «Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz...»
Algumas pessoas estão ansiosas por explicar todas as obras de Deus como meros fenómenos naturais, tal como afirma o «Believer’s Bible Commentary», na página 1538.
P: Em João 12:31 e João 16:11, quem é o príncipe deste mundo?
R: Trata-se de Satanás, a quem Jesus expulsou. Outros versículos que referem que Satanás exerce influência sobre este mundo são 1 João 5:19, Efésios 2:2 e 2 Coríntios 4:4.
P: Em Jo 12,32, de que forma todos são atraídos para Jesus?
R: O grego diz simplesmente «todos». Não especifica nem «todas as pessoas» nem «todos os eleitos», e talvez ambos estivessem em mente.
Todas as pessoas: Após a crucificação e ressurreição de Jesus, o Espírito Santo veio ao mundo para testemunhar a favor de Cristo (João 15:26) e para convencer o mundo no que diz respeito ao pecado, à justiça e ao juízo (João 15:8-11). A oferta do Evangelho é feita de forma sincera e gratuita a todos, pois todos têm a responsabilidade de lhe dar ouvidos (2 Tessalonicenses 1:8).
Todos os que se destinam ao Céu (os eleitos): Todos aqueles que vão para o Céu, mesmo antes de Cristo ter vivido, vão para o Céu por meio de Jesus (João 14:6). Não há outro nome (Atos 14:12) pelo qual possamos ser salvos.
Consulte «1001 Perguntas Bíblicas Respondidas», pp. 36-37, para uma resposta mais pormenorizada.
P: Em Jo 12:34, por que razão as pessoas afirmaram que a Lei dizia que o Messias permaneceria para sempre?
R: Há quatro pontos a considerar na resposta.
1. Tal como afirma o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 318, Daniel 7:13-14 ensina que o Filho do Homem reinará para sempre. No entanto, o livro de Daniel não faz parte da Lei (Torá).
2. João 12:34 não afirma que isto fizesse parte da Lei. Apenas refere que a multidão afirmou que isto fazia parte da Lei. Em João 7:49, os fariseus acusaram a multidão de não saber nada sobre a Lei.
3. No entanto, se a multidão se referisse ao Antigo Testamento ao utilizar a palavra «Lei», então isso estaria correto, embora impreciso.
4. Independentemente da correção do que a multidão disse, João limita-se a registar o que eles disseram.
P: Em Jo 12:35 e seguintes, o que significa «andar nas trevas» e como é que as pessoas fazem isso?
R: Embora estar em pecado signifique estar nas trevas, «andar» (peripateite) nas trevas é, na verdade, mais específico do que isso. Não consegue ver o que deve fazer, não consegue evitar, não consegue distinguir o que é bom do que é perigoso, nem o que é certo do que é errado, e acaba por tropeçar na sua caminhada. Não gostaria de caminhar numa floresta densa à noite, sem luz. Não gostaria de conduzir por uma estrada rural com os faróis desligados. Da mesma forma, pelo menos se estiver na escuridão, poderia ficar quieto, em vez de caminhar e provavelmente piorar a situação. Mas, melhor ainda, perceba a urgência e chegue onde precisa de ir enquanto ainda há luz do dia. Louvado seja Deus pela Luz!
P: Em Jo 12, 37-40, por que razão alguns não acreditaram, mesmo depois de todos estes milagres?
R: Por vezes, as coisas têm uma causa direta, e também uma causa que está na origem da causa direta e, finalmente, uma causa última. É esse o caso aqui.
Causa direta: Não se voltaram para Cristo porque optaram por não O seguir.
Lucas 7:30, Hebreus 4:2, Jeremias 17:4 e outros versículos mostram isso claramente. No entanto, não é esse o ponto central de João 12:37-40.
Causa indireta: Não conseguiam acreditar, pois Deus cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração. Se se tivessem voltado para Cristo, Deus tê-los-ia curado, mas Deus cegou-os para que, na sua cegueira, não chegassem à verdade. Esse é o ponto principal de João 12:37-40 e Isaías 6:10.
Causa última (perspetiva supralapsariana): Por que razão Deus escolheria fazer isto? Uma minoria muito reduzida de cristãos, denominada calvinistas supralapsarianos, afirma que Deus quis decretar que estas pessoas (denominadas «reprobos») iriam para o Inferno, mesmo antes de Deus ter decidido proporcionar um caminho (através de Cristo) para que qualquer pessoa pudesse ir para o Céu. Por outras palavras, através da vontade secreta de Deus — que os calvinistas supralapsarianos afirmam que ninguém pode compreender —, Deus desejou isto. De acordo com uma dissertação de um calvinista (Curt Daniel, p. 69), estima-se que não mais de 5 % dos calvinistas tenham sido supralapsarianos. Segundo Daniel, entre os supralapsarianos encontra-se Theodore Beza. Ele afirma que os hipercalvinistas são aqueles que rejeitam a oferta gratuita do Evangelho a todos. Entre estes contam-se A.W. Pink (p. 88) e John Gill (p. 86, 126). Loraine Boettner, um calvinista de renome, no seu livro *The Reformed Doctrine of Predestination*, p. 129, estima que apenas 1% dos calvinistas sejam supralapsarianos. Na p. 127, Boettner tece críticas contundentes a esta forma de calvinismo: «O supralapsarianismo chega a um extremo tão grande, de um lado, como o universalismo, do outro.»
Causa última (a visão da maioria dos outros calvinistas): Deus só decidiu quem seriam os réprobos depois de ter escolhido Cristo como o caminho da salvação. Para além disso, parecem abster-se de responder a esta questão, limitando-se a afirmar que isto faz parte da vontade secreta e não revelada de Deus.
Causa última (uma visão dominante): A presciência precedeu a eleição de Deus nos dois passagens em que ambas são mencionadas em conjunto na Bíblia. Embora ambas possam andar de mãos dadas, nada impede Deus de eleger quem iria para o Céu e quem iria para o Inferno com base na Sua presciência sobre o que eles viriam a ser, quais as escolhas que fariam e como Deus escolheria agir na vida deles.
P: Em Jo 12, 38-41, por que razão Deus pareceu não querer que muitos acreditassem em Jesus?
R: Na maioria das épocas e culturas, acreditar em Cristo tem sido uma luta «árdua».
João 12:40 afirma que Deus não queria que alguns se convertessem e fossem curados.
João 12:41 dá um exemplo: embora muitos fariseus acreditassem em Jesus, amavam mais o louvor dos homens do que o louvor de Deus.
João 12:47-48 afirma que Deus não aprova aqueles que ouvem as palavras de Cristo (e até nelas acreditam) se não as cumprirem.
Aparentemente, Deus não atribui grande valor à fé daqueles que preferem a aprovação dos homens à aprovação de Deus.
No entanto, João 12:40 e 12:46 também mostram que Deus garantirá que absolutamente ninguém que verdadeiramente acredite em Cristo permaneça nas trevas. Isto não se refere apenas às trevas eternas, mas também às trevas nesta vida, como demonstram 1 João 3:6, 9 e 1 João 4:20.
P: Em João 12:42-43, uma vez que muitos entre os governantes acreditavam em Jesus, por que razão não O seguiram?
R: Há uma diferença entre acreditar meramente a nível intelectual que Ele podia realizar os milagres e confiar a sua vida para O seguir.
P: Em João 13:1-17, o lavamento dos pés deve ser uma cerimónia que praticamos hoje?
R: É bom lavarmos os pés uns aos outros. Pode ser uma forma de demonstrar humildemente que estimamos os outros mais do que a nós próprios. No entanto, nada nas Escrituras indica que deva ser uma cerimónia ou uma instituição, tal como praticam os menonitas « ». Tertuliano (198-220 d.C.), na obra *De Corona*, cap. 8, p. 98, menciona a ocasião em que Cristo lavou os pés dos seus discípulos, mas não refere qualquer cerimónia padronizada.
P: Em Jo 13,3, como é que Jesus se preparou para ir para junto de Deus, uma vez que Jesus era Deus?
R: A palavra «Deus», referindo-se ao Deus Verdadeiro, tem pelo menos quatro significados: Pai, Filho, Espírito Santo e Deus na Trindade. O papel do Pai como Deus de Jesus é, na verdade, um conceito bastante comum nas Escrituras. Dez exemplos são
João 20:17 «Eu [Jesus] vou subir para junto do meu Pai e do vosso Pai, para junto do meu Deus e do vosso Deus.»
Hebreus 1:9 «…por isso, Deus, o vosso Deus, …»
Provavelmente 1 Pedro 1:3 «Bendito seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo!…»
Provavelmente Efésios 1:3 «Bendito seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo,…»
Efésios 1:17 «O Deus do nosso Senhor Jesus Cristo»
Romanos 15:6 «…para que glorifiquem o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo.»
Mateus 27:46, Marcos 15:34 «…Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?»
Provavelmente 2 Coríntios 1:3 «Bendito seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo»
Apocalipse 1:6 «…fez de nós um reino, sacerdotes para o Seu Deus e Pai…»
Provavelmente 1 Coríntios 11:3 «e a cabeça de Cristo é Deus» (No entanto, Ambrósio considerava que Deus, neste contexto, se referia à Trindade, e não ao Pai).
(as citações são da BSB)
Alguns consideram que o Pai continua a desempenhar o papel de Deus de Cristo, mesmo após a ascensão de Cristo. Outros, como o livro *The Complete Book of Bible Answers*, pp. 110-111, consideram que o Pai foi o Deus de Jesus apenas enquanto este esteve na Terra. No entanto, Efésios 1:7 parece refutar essa ideia.
P: Em João 13:4-17, por que razão, exatamente, Jesus lavou os pés dos Seus discípulos?
R: É interessante que Jesus tenha realizado este ato antes de explicar o seu significado em João 13:12-17.
Jesus disse que o fez como um exemplo para nós. Embora a maioria dos cristãos não veja a necessidade de lavar literalmente os pés uns dos outros, todos devemos concordar que devemos servir-nos uns aos outros com a sinceridade, a humildade e o sacrifício que Jesus nos mostrou no Seu exemplo.
P: Em João 13:19, estará Jesus a referir-Se a Si próprio pelo nome divino?
R: Sim. A expressão grega aqui é «ego eimi», e Aland e Green não indicam quaisquer variações manuscritas neste ponto.
P: Em Jo 13:21, por que razão Jesus se sentiu perturbado, uma vez que já sabia que Judas O iria trair?
R: Jesus sabia, a nível intelectual, o que iria acontecer e como tudo se iria desenrolar. No entanto, à medida que o momento se aproximava, sentia-Se emocionalmente perturbado com o que sabia que iria acontecer e com o que teria de suportar.
P: Em Jo 13,34 e 1 Jo 2,7-8, em que medida amar-se uns aos outros constitui um novo mandamento?
R: Não se trata apenas de gostarmos uns dos outros. Jesus ordena-nos que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou. Através da Sua crucificação iminente, Jesus estava finalmente a mostrar o quanto os amava. Em 1 Jo 2, 7-8, João reconhece que amar-se uns aos outros é um mandamento antigo, mas João também quer que reconheçamos que amar-se uns aos outros, como Cristo nos amou, é um mandamento novo. João também salienta que o amor é um mandamento antigo e novo em 2 Jo 5.
P: Em Jo 13, 35, de que forma saberá o mundo que somos discípulos de Cristo pelo facto de nos amarmos uns aos outros?
R: Se alguém estiver à procura de uma razão para NÃO amar outra pessoa, normalmente não precisa de ir muito longe. Como desculpa, pode alegar que não tem muito em comum com essa pessoa, ou que esta tem uma origem cultural diferente, uma raça, idade, género ou religião diferentes, ou ainda que tem opiniões políticas, teológicas ou de denominação diferentes. Essa pessoa cometeu erros devido a um lapso de julgamento ou a outras decisões erradas. Não é uma pessoa perfeita e já pecou. Já o desiludiu em algum momento. Já o irritou em alguma ocasião. É claro que todas essas racionalizações que pode inventar para não amar outra pessoa poderiam ser utilizadas por outros como motivos para não o amarem.
Mas, deixando todo esse «lixo» para trás, Jesus, que, apesar de ser perfeito, nos amou na mesma, a ponto de derramar o Seu sangue pelos nossos pecados, ordena-nos que amemos os outros. Ele não se limita a pedir-nos que amemos os outros, Ele ordena-nos. Com amargura, um espírito que não perdoa ou simplesmente desconfiança, isto pode ser difícil para algumas pessoas. Mas, como cristãos, o mundo verá o contraste quando, como crentes, nos amarmos uns aos outros. Não devemos ser seletivos nesta matéria, nem amar apenas os outros crentes que nos são mais fáceis de amar. Devemos ser completos na nossa obediência e amar até mesmo os outros crentes que nos são mais difíceis de amar. Podem ser-nos mais difíceis de amar devido aos nossos próprios preconceitos, ou podem ser-nos mais difíceis de amar porque eles próprios se tornam mais difíceis de amar. Seja como for, devemos demonstrar o nosso amor às pessoas, especialmente a todos os crentes. O mundo olhará para trás e dirá: «Uau, como é que eles podiam ser assim?» E alguns deles poderão até dizer: «Como é que eu posso ser assim!»
P: Em Jo 13,40, foi Deus quem cegou os incrédulos, ou foi o deus deste século (Satanás), como diz 2 Cor 4,4?
R: Embora tanto Deus como Satanás possam estar a fazer coisas iguais ou semelhantes separadamente, esse provavelmente não é o significado correto neste contexto. Deus utiliza frequentemente Satanás como Seu instrumento. Quando uma pessoa se recusa a seguir a verdade que conhece, Deus pode «endurecer judicialmente» essa pessoa, uma vez que ela perdeu oportunidades de ver mais verdade. Deus pode utilizar Satanás como Sua ferramenta para o fazer.
P: Em João 14:1, por que razão o seu coração fica, por vezes, perturbado e o que pode fazer a esse respeito?
R: A palavra para «vocês» em João 14:1 está no plural, pelo que Jesus se dirigia a todos eles, e estes podem estar perturbados por diferentes razões. Podemos ficar perturbados porque nos foi dito que não somos dignos de confiança para sermos fiéis, tal como Pedro (João 13:38), porque sentimos realmente que não sabemos o que se está a passar, tal como Tomé (João 14:5), porque não vemos Deus [o Pai] naquilo que estamos a fazer, tal como Filipe (João 14:8), ou porque os caminhos de Deus não parecem ser os melhores para divulgar a Sua mensagem, tal como Judas (não o Iscariotes) (João 14:22).
Durante este tempo de provação, em que as circunstâncias podem tender a afastar-nos de Deus, podemos, em vez disso, optar por nos aproximarmos de Deus de qualquer forma, mesmo que tenhamos falhas, confusão ou falta de visão. Como disse o pai da criança possuída por demónios em Marcos 9:24: «Eu creio; ajuda a minha incredulidade!»
P: Em João 14:2, de que forma existem muitas moradas no Céu?
R: Provavelmente existem muitos tipos de mansões no Céu, bem como muitas mansões no Céu.
1. Existem diferentes níveis de recompensas no Céu; pode-se pensar nisso como diferentes tipos de mansões. Basílio (357-379 d.C.) ensinou esta visão, afirmando que havia «diferenças de dignidades». Sobre o Espírito 16.40, p. 25
2. Além disso, há um lugar no Céu para cada pessoa que será salva, sem qualquer superlotação. Embora a oferta de salvação seja feita a todas as pessoas, sem exceção, não haverá mansões vazias no Céu.
P: Em Jo 14,6, será apenas Jesus, e não as Suas palavras, que é o caminho, a verdade e a vida, tal como ensinou o Rev. Moon?
R: Não. Primeiro, eis o que o suposto Messias, o Rev. Moon, afirmou, e depois o que a Bíblia diz em contraposição.
«Princípio Divino» do Rev. Moon, p. 131: «Jesus não disse que a Sua palavra era a verdade, mas que Ele próprio era a verdade, o caminho e a vida (João 14:6). Isto porque as Suas palavras eram apenas um meio de se expressar como a verdade... Podemos compreender que o Novo Testamento foi dado como um manual para o ensino e e da verdade ao povo de há 2 000 anos... Consequentemente, hoje a verdade deve manifestar-se com um padrão mais elevado e com um método científico de expressão, a fim de permitir que os homens modernos e inteligentes a compreendam.»
Refutação: Jesus disse: «O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras nunca passarão.» Lucas 21:22
«Jesus respondeu: “Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra. … Quem não Me ama não guarda as Minhas palavras.”» João 14:23-24
Não pode afirmar que segue e obedece a Jesus e, ao mesmo tempo, rejeitar as Suas palavras.
P: Em João 14:6, de que forma é que Jesus é o caminho, a verdade e a vida?
R: A escolha de palavras de Jesus aqui é fascinante.
Um caminho é a trajetória a seguir até um destino. Não é um «ponto», mas sim uma série de pontos. Devemos encontrar-nos num desses pontos, avançando na direção correta.
A verdade inclui factos corretos e lógica, mas também significa muito mais do que isso. A verdade é aquilo que vive dentro de nós, aquilo que deve caracterizar a nossa vida, aquilo que devemos amar e aquilo que devemos praticar. Uma vida construída sobre uma mentira não é, de modo algum, verdade. As conceções ocidentais de «correção» e «realidade» estão ambas combinadas no conceito bíblico de verdade.
A vida é simultaneamente a nossa experiência de viver, a realidade da nossa existência e aquilo que sustenta a nossa vida. Noutros passagens, a Bíblia utiliza metáforas como a água da vida, e diz-se que a vida de uma criatura está no seu sangue.
P: Em Jo 14,6, pode alguém ir para o Céu sem Jesus?
R: Não. Muitos no Antigo Testamento foram para o Paraíso sem terem ouvido o nome de Jesus. Hoje, nada impede Deus de permitir que crianças que morrem, e que nunca tiveram o Espírito Santo dentro de si, vão para o Céu.
No entanto, ninguém pode chegar ao Pai senão por meio de Jesus, segundo as palavras de Jesus em João 14:6. Obviamente, seria de supor que Jesus estaria em boa posição para saber disso.
Além disso, Atos 4:12 afirma que não há outro nome debaixo do céu dado aos homens pelo qual possamos ser salvos. Filipenses 2:10-11 diz que, no fim, todo o joelho se dobrará e toda a língua confessará que Jesus é o Senhor, para glória de Deus Pai.
P: Em João 14:6, pode alguém que nunca ouviu falar do nome de Jesus ir para o Céu?
R: Os bebés que morrem, as pessoas com deficiência intelectual grave e os crentes do Antigo Testamento nunca ouviram falar de Jesus. No entanto, nada impede Deus de lhes permitir ir para o Céu por meio de Jesus.
P: João 14:6-11 prova que Jesus é Deus Pai, como afirmam os pentecostais unitaristas, tais como David K. Barnard (The Oneness of God: Series in Pentecostal Theology, vol. 1, p. 68)?
R: Não. A afirmação «Ninguém vem ao Pai, senão por meio de Jesus» não faria sentido se dissesse «ninguém vem ao Pai, a não ser que venha ao Pai» ou «por meio do Pai». Jesus disse que Ele e o Pai são Um, mas essa afirmação não especifica de que forma são um; é necessário consultar o resto das Escrituras para compreender isso. São inseparáveis, um na natureza, na glória e na honra. No entanto, o batismo de Jesus, o facto de Jesus ter aprendido a obediência, conforme referido em Hebreus, etc., demonstram que são distintos e diferem em função e posição.
P: João 14:8-9 apoia o panteísmo, uma vez que Jesus disse que está no Pai e que o Pai está n’Ele, como afirmam algumas pessoas nas religiões da Nova Era?
R: Não, porque a Trindade não é panteísmo. O facto de o Pai estar em Jesus não significa que o Pai esteja em tudo, nem mesmo numa pilha de lixo. Em segundo lugar, Deus Pai é um ser, dotado de mente, vontade e emoções, e não o universo impessoal. Consulte «When Cultists Ask», pp. 181-182, para uma resposta mais abrangente.
P: Em Jo 14,9, uma vez que Jesus disse que quem O viu viu o Pai, isso demonstra que o Pai também tem um corpo físico?
R: Não. Pelo contrário, este versículo serve melhor para demonstrar que o Pai não possui um corpo físico. Uma vez que quem viu Jesus viu o Pai (que habita em Jesus), este versículo sugere (embora não prove) que o Pai não teria um corpo físico.
P: Em Jo 14,10-11, de que forma o Pai habitava em Jesus?
R: Talvez de uma forma algo semelhante àquela por que Jesus habita em nós. O Pai, o Filho e o Espírito continuam a ser distintos, mas nada nas Escrituras indica que exista uma separação entre eles. Como salienta Patrício da Irlanda (c. 389-461 d.C.), se os lóbulos de um trevo de três folhas podem ser distintos mas não separados, então a Trindade pode ter três pessoas distintas, mas não separadas.
P: Em Jo 14,12, de que forma é que os cristãos realizam obras maiores do que as que Jesus realizou?
R: As obras maiores que devemos realizar não devem ser entendidas como uma forma de «nos exibirmos», mas sim como obras maiores e mais numerosas em prol do reino. Os cristãos realizaram obras maiores do que as que Jesus tinha realizado até então, de pelo menos quatro formas complementares.
Significado: Enquanto Jesus alimentou 4 000 e 5 000 pessoas, Atos 2:41 regista que, com a pregação dos apóstolos, mais de 3 000 foram salvos. Certamente que levar as pessoas à salvação é mais importante do que apenas alimentá-las durante um dia. É certo que, desde essa altura, os cristãos têm alimentado muito mais do que 5 000 pessoas.
Números: O «Expositor’s Bible Commentary», vol. 9, p. 145, refere que são mencionadas mais pessoas como salvas em Atos 2:41 do que em todo o ministério de Jesus na Terra.
Método: O Espírito Santo não foi derramado sobre todos os povos até ao Pentecostes. A promessa de que fariam coisas maiores está incluída na promessa de Jesus de que o Consolador viria até eles, em João 14:15-18, 25
Área: Embora Jesus nunca tenha saído de uma área geográfica relativamente pequena enquanto esteve na Terra, enviou os seus seguidores não só para a Judeia e Samaria, mas até aos confins da Terra, em Atos 1:8.
P: Em João 14:13-14, por que razão esta afirmação sobre pedir em nome de Jesus [supostamente] não é condicionada?
R: Está qualificada de duas formas.
Explicitamente: Jesus utilizou aqui a palavra «vocês», e estava a dirigir-se diretamente aos discípulos, não a todos aqueles que afirmavam seguir Deus.
Implicitamente: Estamos a orar ao nosso Pai Celestial, e o nosso Pai Celestial sabe o que é melhor para nós ainda mais do que os nossos pais terrenos.
P: Em Jo 14,16, o que significa o termo «Consolador»?
R: Entre outras coisas, a palavra grega «consolador» significava aqui um advogado de defesa, de acordo com a New Geneva Study Bible, p. 1692, e o New International Bible Commentary, p. 1255. Além disso, o grego consegue distinguir entre «outro da mesma espécie» e «outro de uma espécie diferente». O grego aqui utilizado, allon, significa «outro da mesma espécie que Jesus», de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 9, p. 9 e p. 146. Afirma-se também que, em grego, parakletos significava uma pessoa que ajudava ao lado de alguém na qualidade de conselheiro, advogado, intercessor ou mediador.
De acordo com o «Believer’s Bible Commentary», p. 1547, a palavra para «rezar» aqui não significa uma pessoa inferior a pedir um favor a uma pessoa superior. É uma palavra que designa alguém que faz um pedido a um seu igual.
P: Em Jo 14,16, por que razão, exatamente, o mundo não pode aceitar o Espírito Santo, o Espírito da Verdade?
R: Jesus referiu várias razões relacionadas com este assunto.
O mundo é ignorante, tal como Jesus afirmou em João 16:3. Mas, como demonstra Romanos 1:18-19, a ignorância nem sempre é uma ignorância inocente, quando se suprime a verdade.
Alguns no mundo «odeiam» literalmente Jesus, tal como Ele previu em João 15:18, 24.
Alguns são mentirosos, tal como Jesus afirmou em João 8:55. Alguns podem mentir aos outros, mas também podem mentir a si próprios.
Alguns têm «outras coisas a acontecer», porque adoram outros ídolos, quer se trate de outras religiões, dinheiro, álcool, etc. «Aqueles que se apegam a ídolos sem valor abandonam a Sua devoção amorosa» Jonas 2:8 (BSB)
Algumas pessoas não são ovelhas de Deus, tal como Jesus disse em João 10:26.
Não há espaço para a minha palavra, como disse Jesus em João 8:37
Relacionado com o anterior, se alguém não acreditar que Jesus é quem Ele afirma ser, morrerá nos seus pecados, como Jesus disse em João 8:24.
O mundo é hostil ao julgamento do seu materialismo e pecado. Não querem o Espírito Santo, que os convencerá do pecado e da falta de justiça, como disse Jesus em João 12:8-10.
Por fim, ninguém pode vir a Jesus a menos que o Pai o atraia, como Jesus disse em João 6:44.
P: Em João 14:16-17, terá um cristão da Ásia Menor, por volta de 160 d.C., chamado Montanus, afirmado ser a encarnação do Consolador, tal como alega o cético «Guia de Asimov para a Bíblia», na página 988?
R: Asimov deveria ter-se limitado a escrever ficção científica, pois, neste caso, confundiu os factos. Montano afirmou, de facto, ser um profeta, por meio do qual o Consolador (parakletos) falava, mas ninguém (exceto Asimov) afirmou que Montano fosse a encarnação de nada nem de ninguém. Tertuliano foi o membro mais proeminente da «denominação» montanista, e os seus extensos escritos eram considerados ortodoxos e amplamente utilizados pelos cristãos ortodoxos que se seguiram a ele. De facto, Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) costumava dizer: «tragam-me o meu mestre», quando queria que alguém lhe trouxesse os livros de Tertuliano para estudo.
P: Em Jo 14,16, será que o Consolador aqui é a «Ciência Divina», tal como Mary Baker Eddy, fundadora da Ciência Cristã, afirmou em *Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras*, p. 55,271?
R: Não, o Consolador é o Espírito Santo no versículo 26, e é referido como «Ele», não como «isso», como seria o caso da Ciência Divina.
P: Em Jo 14,16-26; 15,26; 16,5-15, foi Maomé profetizado no Novo Testamento como o Paráclito, ou Espírito Santo, tal como alguns muçulmanos afirmam?
R: Não. Se isso fosse verdade, então os muçulmanos acreditariam nestas cinco coisas (o que, geralmente, não acontece).
1. Maomé glorificou Jesus. (João 16:14)
2. Alá enviou Maomé em nome de Jesus. (João 14:26)
3. Maomé também foi enviado por Jesus. (João 16:7)
4. Maomé recebeu a sabedoria de Jesus e revelou-a a nós. (João 16:15)
5. Maomé estava «nos» apóstolos. (João 16:17)
Assim, nenhum muçulmano bem informado acreditaria que estes versículos se referem a Maomé. Estes versículos devem referir-se a outra pessoa, que foi enviada por Deus.
Por outro lado, talvez os muçulmanos devessem glorificar Jesus, se consideram que Maomé o fez, com base nestes versículos. No entanto, um imã disse-me que os muçulmanos devem louvar e glorificar Jesus, embora não O adorem.
A propósito, a palavra «parakletos»/«on» encontra-se em João 14:6 no p. 75 (Bodmer 14/15), datado do final do século II ou, possivelmente, do século III, no p. 66, datado de meados do século II, e no Sinaiticus.
Além disso, Tertuliano ensinou que o Paráclito, o Consolador, estava a atuar nos corações das pessoas na sua época (193 d.C.) em «Sobre a Monogamia», cap. 3, p. 61
Em Hegemónio (século IV), Arquelau, o cristão, também abordou a forma como o Paráclito, em João 14-16, é Deus, o Espírito Santo, na obra «Disputa com Manes», capítulos 34-35, páginas 208-209
P: João 14:18 demonstra que Cristo é Deus Pai, tal como afirmam os pentecostais unitaristas?
R: Os pentecostais unitaristas confundem as ações de Jesus com a identidade de Jesus. O facto de Jesus não nos deixar órfãos não significa que Ele seja o mesmo ser que o Pai. Quando Jesus foi batizado, não estava a enganar nem a confundir as pessoas, nem a encenar um número de ventríloquismo quando o Pai falou do Céu. O Pai não disse: «Este sou Eu, em quem tenho o meu agrado.» Pelo contrário, o Pai disse: «Este é o meu Filho amado, em quem tenho o meu agrado!»
P: Em Jo 14, 22-24, de que forma é que Jesus se revela aos cristãos e não ao mundo?
R: É certo que todos podem saber algo sobre Jesus. No entanto, apenas os cristãos conhecem Jesus pessoalmente, porque Jesus vive nos nossos corações.
P: Em Jo 14, 27, em que medida a paz de Jesus, o Príncipe da Paz, difere da paz do mundo?
R: A paz do mundo é externa e temporária, pois depende de circunstâncias externas. A paz de Jesus é tanto interna como externa, e é duradoura, pois é independente das circunstâncias externas.
De certa forma, tal como alguém prestes a morrer deixa o seu testamento para prover e abençoar os seus filhos, Jesus está a dar a Sua bênção e a promessa de provisão aos Seus filhos.
P: Em Jo 14, 27-28, em que sentido é que o Pai é maior do que Jesus?
R: Na Terra, Jesus esvaziou-Se de Si mesmo e, naturalmente, o Pai era maior do que Jesus naquela altura. No Céu, Jesus tem um papel subordinado ao Pai. O Deus de Jesus é o Pai. Ver 1 Coríntios 11:3; 15:25-28; Mateus 12:18; Efésios 1:3, 17; João 1:33; 14:16, 26, 28; Romanos 8:26-27.
O Pai não é maior do que Jesus em dois aspetos:
Natureza (Filipenses 2:6). (Para mais informações, consulte a obra de Hilário «Sobre a Trindade», 9:2 e 7:27.)
Honra. Ver João 5:18; 5:23; Colossenses 2:9-10; (Isaías 44:6; Apocalipse 1:8 vs. Apocalipse 1:17-18; 22:13)
Como demonstra João 5:18, um pai é igual em natureza ao filho que gera. Caso contrário, o seu pai teria de ser maior do que o senhor, o seu avô maior do que ele, e o seu centésimo antepassado teria de ter sido um super-homem. As pessoas criam coisas, mas apenas «geram» pessoas. Deus criou as coisas, mas apenas «gera» Deus, o seu Filho unigénito. Ambos recebem honra e louvor em Apocalipse 5:9, 12-14.
O livro «Now That’s a Good Question», pp. 43-44, distingue entre a falsidade da «inferioridade» do Filho e o verdadeiro conceito da «subordinação» do Filho. R.C. Sproul acrescenta: «Esta é uma das razões pelas quais a Igreja sempre professou uma doutrina chamada subordinação de Cristo.»
P: Em Jo 15,1, em que medida uma «videira verdadeira» se diferenciaria de uma simples videira?
R: A palavra grega para «verdadeira» aqui não se refere tanto a «verdadeira» versus «falsa», mas sim a «verdadeira» ou «original» versus uma «imitação» ou «cópia».
P: Em Jo 15,1, que outra metáfora relativa à videira existia antes desta?
R: Jesus pode ter proferido estas palavras enquanto se encontrava no cenáculo, ao caminhar do cenáculo para o Monte das Oliveiras, ou então no Monte das Oliveiras, a oeste de Jerusalém. Se passaram pelo templo, a sua fachada exibia uma grande videira dourada com os seus ramos, simbolizando o povo de Israel. Salmo 80:8-16, Ezequiel 17:1-6, Jeremias 12:10-11 e Isaías 5:1-7 comparam o povo de Deus a uma vinha. Deus disse: «Pois a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta do Seu deleite. Ele esperava justiça, mas viu derramamento de sangue; esperava retidão, mas ouviu um clamor de angústia.» (Isaías 5:7)
P: Em João 15:1, qual é a diferença entre ver Jesus como a videira que mantém os ramos unidos e ver os homens como aqueles que mantêm os ramos unidos?
R: Israel era a videira em Jeremias 2:21. Mas Jesus utiliza aqui uma metáfora diferente: é Ele, e não Israel, que é a videira em João 15:1. Se a organização da sua igreja dá mais ênfase aos homens que a mantêm unida do que a Jesus, que é quem a mantém unida, deve questionar-se se está na organização certa.
O que acha desta citação? «Deus está na voz mansa e suave. Em todas estas declarações juramentadas, acusações, tudo isso é obra do diabo — toda a corrupção. Vão lá! Vós, acusadores! Vós, falsos juradores! Que todo o inferno entre em ebulição! Vós, montanhas em chamas, derramem a vossa lava! Pois, no fim, serei eu a sair por cima. Tenho mais motivos para me vangloriar do que qualquer homem alguma vez teve. Sou o único homem que alguma vez conseguiu manter uma igreja inteira unida desde os dias de Adão. Uma grande maioria de todos me tem apoiado. Nem Paulo, nem João, nem Pedro, nem mesmo Jesus alguma vez o conseguiram. Orgulho-me de que nenhum homem jamais tenha realizado uma obra como a minha. Os seguidores de Jesus fugiram Dele; mas os Santos dos Últimos Dias ainda nunca fugiram de mim. Conhecem a minha conduta e as minhas palavras diárias. Encontro-me no seio de um povo virtuoso e bom. Como adoro ouvir os lobos uivar! Quando se livrarem de mim, o diabo também se irá. Nos últimos três anos, tenho um registo de todos os meus atos e procedimentos, pois mantive ao meu serviço constante vários secretários bons, fiéis e eficientes: eles acompanharam-me para todo o lado e registaram cuidadosamente a minha história, tendo anotado o que fiz, onde estive e o que disse; por isso, os meus inimigos não podem acusar-me de nada em relação a qualquer dia, hora ou local, pois tenho testemunho escrito para provar as minhas ações; e os meus inimigos não podem provar nada contra mim.» Joseph Smith, fundador do mormonismo. História da Igreja, vol. 6, p. 408-409
Ou que tal esta citação, que é mais moderada? No *Dictatus Papae* (provavelmente de 1075 d.C.), o Papa Gregório VII afirmou: «A Igreja Romana foi fundada apenas por Deus; apenas o Papa romano pode, com razão, ser chamado de universal; só ele pode usar as insígnias imperiais; apenas os seus pés serão beijados por todos os príncipes; só ele pode destituir os imperadores; ele próprio não pode ser julgado por ninguém; a Igreja Romana nunca errou, nem errará por toda a eternidade.» História Temática do Cristianismo, de Austin, p. 165.
P: Em Jo 15,3, como é que Jesus pôde dizer que estavam todos puros, uma vez que Judas traíra Jesus?
R: Lembre-se de que, nessa altura, Judas já se tinha ido embora e não estava presente quando Jesus falava.
P: Em Jo 15,4, o que significa a palavra «permanecer»?
R: A palavra «permanecer» (meno, em grego) é muito significativa em todos os escritos de João. Aparece 11 vezes em João 15, 40 vezes no Evangelho de João e 27 vezes nas epístolas de João.
Tal como um ramo numa videira, significa apenas uma coisa: viver ligado à videira. Um ramo pode ser totalmente separado ao ser cortado. Ou a vida de um ramo pode não estar ligada à videira, e o ramo morre. É interessante a forma como as árvores perdem as suas folhas no outono. A árvore produz cortiça, que interrompe o fluxo de água e nutrientes para a folha ou o ramo. Sem nutrientes, estes morrem, perdem a sua fixação e caem. As árvores também perdem, por vezes, ramos no verão. Quando o ramo não recebe luz solar, não produz açúcares nem frutos, e a árvore corta-o.
P: Em Jo 15,4, de que forma os cristãos permanecem em Jesus?
R: De várias maneiras.
Confiar Nele para nos guiar passo a passo.
Obedecendo a Jesus, não apenas por dever, mas com uma obediência pronta, completa e alegre, porque sabemos que o caminho de Deus é o melhor caminho.
A oração deve ser uma característica distintiva fundamental das nossas vidas.
Anseio por Jesus, por estar com Ele, e rezo pelo Seu regresso.
P: Em Jo 15,6, o facto de um ramo ser cortado significa que um crente genuíno pode perder a sua salvação?
R: Este versículo afirma que quem não permanecer em Jesus pode ser lançado fora e queimado. Para além disso, existem duas formas de interpretar este versículo.
1. Todos devem concordar que, uma vez que Deus sabe tudo e sabia quem iria para o Céu (os eleitos) antes de qualquer pessoa nascer, alguns irão para o Inferno, mesmo que tenham pertencido à igreja e aparentassem ser cristãos. No entanto, nenhum dos eleitos se perderá, e todos os réprobos perder-se-ão, porque o Deus Onisciente sabia de antemão.
2. Os cristãos genuínos discordam quanto à possibilidade de uma pessoa poder nascer verdadeiramente de novo e, mais tarde, perder a sua salvação ou optar por se afastar da mesma e ir para o Inferno. Consulte a discussão sobre Hebreus 6:4-14 e Efésios 1:14 para mais informações sobre esta questão.
P: Em João 15:8, de que forma os crentes dão fruto em Cristo?
R: Note-se que o ponto importante aqui não é aprender coisas, nem ensinar os outros, nem exercer o ministério; é dar fruto. Os crentes dão fruto em Cristo de, pelo menos, três formas:
Semelhança com Cristo: Internamente, devemos dar o fruto do Espírito, e isso deve demonstrar que estamos no processo de nos tornarmos mais piedosos.
Caridade e contribuições: Devemos ajudar tanto os crentes como os não crentes com o nosso tempo, dinheiro e apoio aos oprimidos.
Conversões e discipulado: Podemos ajudar preparando o solo, semeando a semente do Evangelho e colhendo frutos para levar as pessoas à fé em Jesus Cristo. Podemos também discipular outros cristãos e ajudar a trazer de volta aqueles que se afastaram.
Os resultados não residem no que faz, mas sim no que brota na vida das outras pessoas.
P: Em Jo 15,8, as pessoas são infrutíferas a menos que levem outros a Cristo, como um determinado grupo tem ensinado?
R: Não. Não sabemos se Jeremias levou quase ninguém a Deus durante a sua vida, mas mesmo assim serviu a Deus como um profeta e pregador eficaz. Trata-se de um tipo de evidência de dar fruto, mas nem sequer está listado como um dos frutos do Espírito em Gálatas 5:22-23. Consulte «Quando os membros de seitas perguntam» para obter uma resposta complementar.
P: Em João 15:14-15, devemos continuar a chamar-nos servos de Cristo?
R: Sim. Pedro, que ouviu estas palavras em primeira mão, estaria na melhor posição para compreender o significado das palavras de Jesus. Em 2 Pedro 1:1, Pedro autodenominou-se servo (na verdade, escravo) de Jesus. Em Romanos 1:1, Filipenses 1:1, Tito 1:1 e Tiago 1:1, Paulo e Tiago também se referem a si próprios como escravos de Cristo Jesus.
Independentemente de se interpretar isto como significando que Jesus não chamava os discípulos de «apenas servos» ou de «servos», Jesus está a dizer que não os chama apenas de servos. Jesus não está a abordar a questão de como os filhos de Deus se devem autodenominar.
P: Em João 15:15, de que formas devemos agir como servos de Cristo e de que formas devemos agir como amigos de Cristo?
R: Ser servo de Cristo é bom, e não querer ser servo de Cristo é errado. Mas aqui Jesus está a dizer que há muito mais do que ser meramente um servo de Cristo. Vejamos as coisas da nossa perspetiva e, em seguida, da perspetiva de Deus.
Da nossa perspetiva
Se fôssemos apenas servos, um servo faz o que lhe é mandado; pelo menos quando está a ser observado. Um servo muitas vezes não se empenha no resultado ou no sucesso. Um servo pode ser apenas um servo por um período de tempo e preocupar-se apenas com o que acontece a curto prazo, antes de seguir em frente. Pensar fora da caixa, encontrar uma forma melhor de fazer as coisas, mostrar iniciativa ou inovar não são, normalmente, coisas que os servos fariam.
Ao contrário de um servo, um amigo é como um parceiro ou um membro da família. Faz de boa vontade o que é necessário, mesmo quando não lhe é pedido. Preocupa-se profundamente com o resultado e o sucesso do plano do seu senhor. Não nos preocupamos apenas com o desabrochar das flores, mas com os frutos que perduram em oposição aos que não perduram.
No entanto, tal como um servo, continuamos a ter um senhor. Até mesmo um filho deve obedecer à sua mãe e ao seu pai. Podemos inovar e encontrar melhores formas de fazer as coisas, mas apenas dentro dos limites do que o nosso senhor ordenou. Existem todo o tipo de meios disponíveis para concretizar um plano — violência, intimidação, coação, engano, trapaça, roubo — e nunca devemos recorrer a eles, independentemente das nossas opiniões sobre a eficácia que lhes atribuímos numa determinada situação.
Da perspetiva de Deus
Um servo não precisaria de saber o que se passa, apenas o que lhe é pedido para fazer neste preciso momento. Quanto à forma como deve fazer algo, como deve trabalhar com os outros, tudo isso é tratado pela sua tarefa.
Ao contrário de um servo, Deus quer frequentemente que descubram como realizar algo, em vez de se limitarem a cumprir mecanicamente as tarefas como um servo. Devem demonstrar iniciativa. Deus pode atribuir-lhes tarefas que não conseguem realizar sozinhos, e, mesmo assim, espera que as realizem. Mas, em vez de se tentarem numa tarefa infrutífera, falharem e dizerem a Deus: «Fiz o melhor que pude», Deus quer que trabalhem com outros crentes e, juntos, realizem a tarefa. O que o senhor consegue ou não fazer sozinho, sem utilizar as ferramentas e os colaboradores que Deus lhe concedeu, não é realmente relevante; o que importa é o que o senhor consegue ou não fazer com as ferramentas e os colaboradores que Deus lhe concedeu, no poder do Espírito Santo. Muitas vezes revelamos os nossos planos confidenciais para o futuro aos amigos. Deus também o faz. Queremos conhecer a vontade de Deus para nós, mas devemos também querer conhecer o Seu coração.
No entanto, tal como um servo, ainda há muitas coisas que surgirão no nosso caminho na vida que Deus opta por não nos revelar, ou que ainda não nos revela. Podem existir outras coisas, que já nos aconteceram, sobre as quais ainda não fazemos ideia do motivo pelo qual Deus permitiu que isso acontecesse. Como disse um autor cristão: «não devemos sentir-nos ofendidos pelo inexplicável». Deus não é apenas o nosso amigo, mas o nosso melhor amigo; no entanto, continua a ser o nosso Mestre.
P: Em Jo 15,16, em que sentido não foram eles que escolheram Cristo, mas sim Cristo que os escolheu?
R: Há duas formas de interpretar esta passagem.
O contexto imediato é a ordenação como apóstolos. Cristo poderia ter escolhido qualquer pessoa para ser Seu apóstolo, e foi a eles que Ele escolheu. Ele abençoou-os ao escolhê-los; eles não estavam a fazer nenhum favor a Jesus.
Alguns vêem aqui um contexto geral da eleição de Deus para a salvação.
Independentemente de acreditar que esta passagem em particular tenha este significado pretendido, a Bíblia ensina que Deus nos escolheu antes do início dos tempos. Assim, é óbvio que Deus nos escolheu antes de nós O termos escolhido. Além disso, Romanos 3:11-12 e outras passagens mostram que nem sequer seríamos capazes de escolher Deus se não fosse pela ação de Deus nas nossas vidas.
P: Em João 15:16, o que é o fruto que permanece em comparação com o fruto que não permanece?
R: 1 Coríntios 4:12 esclarece-nos neste ponto. As obras supostamente realizadas para Deus, mas feitas por orgulho, inveja ou outros motivos malignos, Deus não as honrará nem recompensará. Da mesma forma, as ações realizadas, não por motivos ímpios, mas por motivos não piedosos, tais como a riqueza financeira, serão também julgadas de forma adequada.
Existem, pelo menos, três tipos de fruto.
Internal: O caráter tem sido definido como quem o senhor é quando pensa que ninguém está a observar.
Externo: As nossas ações produzem frutos, sejam eles bons ou maus.
Financeiros: As nossas contribuições para a obra de Deus e para os pobres e necessitados são registadas, tal como as de Simão em Atos 10.
Evangelismo e discipulado: Em Filipenses, Paulo afirmou que os próprios filipenses eram a sua alegria e a sua coroa.
Os nossos filhos e aqueles de quem cuidamos na igreja: Incluído no ponto anterior está a forma como educamos os nossos filhos e como os anciãos cuidam daqueles que lhes estão a cargo. Eles são responsáveis pelas suas próprias decisões, mas nós temos uma responsabilidade ao cuidarmos deles.
P: Em João 15:17, qual é a diferença entre ter um amor especial pelos outros crentes e formar um grupinho?
R: Não há problema em ter alguns amigos com quem se tenha uma relação mais próxima do que com outros. E, claro, não devemos ter apenas sentimentos românticos, mas também uma amizade com o nosso cônjuge que seja mais próxima do que outras amizades. Mas quando a sua amizade com um pequeno grupo de amigos é exclusiva e não aceita a presença de pessoas de fora, então isso pode ser uma «amizade que deu para o torto». Por isso, pergunte a si mesmo: «A sua amizade é inclusiva ou exclusiva?» Ora, há alguns não crentes (e até cristãos carnais) de quem deve manter-se afastado, caso continuem a tentá-lo a pecar.
P: Em Jo 15,18, de que forma é que o mundo odiou Jesus?
R: De duas formas:
Pelo nome: as pessoas normalmente não utilizam os nomes de Buda, Confúcio ou Maomé em vão. Parecem utilizar apenas «Deus» e «Jesus» em vão.
Pelo caráter: Alguns rejeitam tudo o que tenha a ver com Cristo. Enquanto alguns sabem muito sobre Cristo e, mesmo assim, rejeitam-No; outros, deliberadamente, não querem saber nada sobre Cristo.
P: Em João 15:22,24, de que forma a vinda de Jesus tornou algumas pessoas mais responsáveis pelos seus pecados?
R: A boa notícia é que Deus não responsabiliza as pessoas pelo que elas não sabem (Romanos 4:15; 5:12). Por outro lado, 2 Pedro 2:22 e outros versículos mostram que as pessoas enfrentam um julgamento mais ou menos severo quando rejeitam a verdade, com base na verdade que conheciam.
P: Em João 15:23, por que razão ninguém pode odiar Jesus sem odiar também o Pai?
R: Como parte da Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são iguais em natureza, propósito e honra, e a nossa obediência, serviço e amor para com Um são os mesmos para com os outros.
P: Em João 16:2, considera que «expulsar-vos da sinagoga» inclui expulsar os cristãos da igreja?
R: Sim, inclui ser expulso da assembleia religiosa. Martinho Lutero, os anabatistas e John Wesley foram todos expulsos das suas igrejas. Muitos cristãos genuínos não são bem-vindos em algumas igrejas liberais.
P: Em Jo 16,2-3, como é que alguém poderia pensar que estava a prestar um serviço a Deus ao matar os discípulos de Jesus?
R: Muitas pessoas têm tido visões muito distorcidas de Deus. Segue-se uma lista parcial das perseguições a cristãos por parte de pessoas religiosas e dos milhares de mortos, quando conhecidos.
Data | Perseguição | Mortos |
50-323 d.C. | 10 perseguições aos primeiros cristãos: Nero, Trajano, Trajano novamente, Adriano, Marco Aurélio/Septímio Severo, Maximino Trácio, Décio/Galo, Valeriano, Aureliano, Diocleciano | 50 mil |
50 e 95/96 | Nerão e Domiciano rotularam os cristãos como «ateus» e mandaram-nos executar por se recusarem a adorar o imperador e os ídolos. População cristã estimada: 500 mil | |
107-117 | O imperador Trajano persegue os cristãos. Respondeu à carta de Plínio, o Jovem. Os cristãos não eram perseguidos, mas mortos caso fossem encontrados. | |
118 e 134 | O imperador Adriano perseguiu cristãos e judeus. Adriano apreciava a cultura grega e perseguiu tanto judeus como cristãos. | |
135 d.C. | Os cristãos em Israel foram perseguidos pelos judeus (não pelos romanos) durante a Revolta de Bar Kochba | |
162/166-180 | O imperador Marco Aurélio, filósofo estoico, perseguiu principalmente na Gália (França). A perseguição terminou com a sua morte. | |
202 | Imperador Séptimo Severo. Um cristão ajudou-o quando este adoeceu, mas não revogou as leis em vigor. População cristã estimada em 2 milhões | |
209 d.C. | Primeiros mártires conhecidos em Inglaterra: Albano, Júlio e Aarão | |
235-238 d.C. | O imperador Maximino Trácio persegue os cristãos. Primeira perseguição a nível do império, mas apenas contra o clero. Cessou quando ele foi assassinado. | |
250-251–253 | Os imperadores Décio e Galo levaram a cabo uma perseguição severa | |
257-260 | O imperador Valeriano persegue os cristãos. A segunda perseguição mais severa. Inicialmente tolerante, mas depois Macriano influenciou-o. | |
270 | O imperador Aureliano mostrou-se tolerante no início. Aureliano faleceu pouco depois de ter decidido perseguir os cristãos. | |
>287-300 | O rei Tiridates III da Arménia perseguiu inicialmente os cristãos, tendo-se depois convertido ao cristianismo por influência de Gregório, o Iluminador | |
284, 303-305 | O imperador Diocleciano levou a cabo a perseguição mais severa contra quem se recusava a realizar sacrifícios. Destruiu igrejas e escrituras. A população cristã era estimada em 5 milhões. | |
315-323 d.C. | Licínio tiraniza os cristãos no Oriente (mas não na Palestina nem no Egito). A perseguição deve-se ao apoio dos cristãos ao seu adversário, Constantino. | |
>287-300 d.C. | O rei Tiridates III da Arménia persegue os cristãos. Acaba por se converter ao cristianismo. | |
315, 325-381 | O rei persa Shapur II persegue os cristãos — os cristãos persas passaram a ser sujeitos a dupla tributação depois de Constantino se ter convertido ao cristianismo. | 1,15 mil apenas na Mesopotâmia |
325 | O persa Shapur II mata toda a população da cidade árabe cristã de Lakhmid, al-Hera, em retaliação a incursões anteriores na Pérsia. | |
361-363 | Juliano, o Apóstata, volta a tornar o paganismo a religião oficial do Império Romano até à sua morte em batalha contra os persas. Demonstra alguma tolerância, mas permite a perseguição | |
325-381 d.C. | Na Pérsia, Shapur II persegue os cristãos | |
361-362 d.C. | Cristãos mortos em Alexandria e Gaza | |
370 d.C. | O imperador romano ariano Valens mata cristãos no Oriente. Valens acaba por ser morto em batalha pelos godos, que também eram arianos | |
369-376 d.C. | O visigodo ariano Athanaric persegue os visigodos cristãos ortodoxos | |
380-402 | Sapor II persegue os cristãos na Pérsia | 8-9 mil |
421-422 d.C. | Guerra Perso-Bizantina após Narseh ter perseguido severamente os cristãos. Os mazdeístas perseguem os cristãos. al-Tabari, vol. 5, p. 102. | |
448-449 d.C. | Arménios e georgianos revoltam-se contra a perseguição zoroastriana persa. Yazdgird II impôs o zoroastrismo, perseguiu os judeus, proibiu o sábado e encerrou todas as escolas judaicas. al-Tabari, vol. 5, p. 107, 109 | Todos os cristãos em Kirkuk |
420-460 d.C. | Muitos cristãos foram mortos na Pérsia e na Arménia, depois de o bispo Abydos ter incendiado um templo zoroastriano | |
c. 472 d.C. | Sharahb’il Yakuf persegue os cristãos na Etiópia. al-Tabari, vol. 5, p. 194, nota de rodapé 487 | |
484 d.C. | O visigodo ariano Hunnerico persegue cristãos em Tipasa, na Argélia | |
499-523 d.C. | Os arianos perseguem os cristãos no Norte de África | |
523-525 d.C. | O judeu Ma'di Karib Ya'fur persegue os cristãos no sudoeste da Arábia até ser derrotado pelos abissínios (etíopes). al-Tabari, vol. 5, p. 195, nota de rodapé 488 | |
525 d.C. | Os cristãos fogem da perseguição dos judeus etíopes | |
540-545 d.C. | O persa Khosro I persegue os nestorianos e saqueia Antioquia | |
527-568 d.C. | Justiniano persegue os monofisitas (coptas) no Egito | |
572 d.C. | Os bizantinos perseguem os monofisitas — al-Tabari, vol. 5, p. 251 | |
589-591 | O califa Hakim persegue cristãos e judeus. Os Magos martirizam Golinduch e outros cristãos persas | |
614/615 | Os persas matam milhares de cristãos em Jerusalém após a terem conquistado. Os judeus, a quem não era permitido entrar em Jerusalém, também mataram muitos cristãos. | |
700 d.C. | Os muçulmanos perseguem os cristãos | |
634– | Conquistas muçulmanas contra os não muçulmanos, desde a Síria até à França e desde a Pérsia até à Índia | |
698-705 | A imperatriz budista Wu Zetian incendiou igrejas e mosteiros nestorianos na China | |
807 d.C. | O califa muçulmano Harun al-Rashid demoliu igrejas | |
840-846 d.C. | O imperador taoísta chinês Wu perseguiu de forma não violenta, mas severa, budistas e nestorianos. Grande parte das terras estava na posse de mosteiros budistas. Os nestorianos nunca mais voltaram a ter a mesma proeminência na China. | |
849/850 d.C. | O califa muçulmano al-Mutawakkil persegue os cristãos. | |
978-1000 d.C. | A rainha judia Judite de Axum persegue os cristãos | |
1000- | Perseguição católica aos valdenses | |
Séculos X a XII | Queima e extermínio de hereges na Europa | |
1004-1012 d.C. | O califa fatímida egípcio Hakim persegue cristãos e judeus. Aterroriza os peregrinos e profana Jerusalém em 1009 | |
1100-1300 | Os mongóis matam a maioria dos cristãos nestorianos | |
1211 d.C. | Em Estrasburgo, os valdenses são queimados | 80 |
1229 d.C. | Concílio de Toulouse, França. Perseguição aos hereges. Proibição do Antigo e do Novo Testamento, com exceção do saltério e do breviário | |
Fevereiro de 1231 | A bula «Excommunicamus» do Papa Gregório IX condenava à prisão perpétua tanto os hereges como aqueles que tivessem conhecimento da sua existência mas não os denunciassem. | |
11 de outubro de 1231 | Bula papal «Ille Humani Generis» contra os hereges | |
1252 d.C. | A bula papal «ad Extirpanda», do Papa Inocêncio IV, aprova a tortura contra os hereges no norte de Itália e, em 1256, em toda a Itália. Posteriormente, esta medida foi confirmada pelos Papas Alexandre IV e Clemente IV. | |
28 de maio de 1252 | A bula papal «Cum Adversus Haereticam» autorizou a tortura e a morte na fogueira para obter confissões de heresia. | |
30 de março de 1252 | Bula papal «Super Extirpatione» do Papa Inocêncio IV | |
1261 | O Papa Urbano IV permitiu que os inquisidores se absolvessem mutuamente dos pecados quando as vítimas morressem sob o seu «interrogatório» | |
1309 d.C. | Veneza foi acusada de heresia por se opor a Clemente V | |
1339 d.C. | Os muçulmanos massacram cristãos em Almaliq | |
1401 d.C. | O muçulmano Tamerlão saqueia Bagdade. Tamerlão massacra milhares de muçulmanos e cristãos | |
1360-1405 d.C. | O muçulmano Tamerlão matou 17 milhões de pessoas, 5% da população mundial. Massacrou hindus, outros muçulmanos e quase exterminou os nestorianos | |
1408 d.C. | Na Inglaterra, é ilegal traduzir ou ler a Bíblia em inglês sem o consentimento do bispo | |
1413 d.C. | Sir John Oldcastle e muitos lollardos rebelam-se contra a perseguição inglesa | |
1415-1416 | Na República Checa, os hussitas revoltam-se | |
1414-1418 | O Concílio de Constança põe fim ao Grande Cisma. Jan Hus é queimado até à morte. | |
17 de março de 1420 | O Papa Martinho V emite uma bula papal para uma cruzada destinada a exterminar os seguidores de Wycliffe, Huss e outros hereges | |
1419-1434 | Guerras Hussitas: os católicos executaram Jan Hus e invadiram a Boémia | |
1419-1434 | Cruzada católica romana contra os hussitas na Hungria | |
1431 d.C. | Os hussitas afugentam um grande exército do Sacro Império Romano | |
1480 d.C. | Inquisição espanhola sob o reinado de Fernando e Isabel | |
1487-1488 | Cruzada católica romana contra os valdenses | |
1498 d.C. | Os portugueses obrigam os nestorianos a converterem-se ao catolicismo na Índia | |
c. 1500 d.C. | Perseguição otomana aos cristãos ortodoxos dos Balcãs | |
1527 d.C. | Felix Manz e outros anabatistas são mortos em Zurique | |
21 de julho de 1542 | A bula papal «Licet ab init» do Papa Paulo II restabeleceu a Inquisição Romana | |
1487-1545- | O Papa Inocêncio VIII ordena uma cruzada para exterminar os valdenses | |
1545 | Católicos romanos e valdenses em Itália | |
1555-60 | Os católicos romanos perseguem os valdenses na Itália | |
1562 | Em Toulouse, os franceses matam os huguenotes protestantes | 4K |
23 de agosto de 1572 | Massacre do Dia de São Bartolomeu. Os católicos franceses matam traiçoeiramente entre 5 mil e 30 mil huguenotes franceses, por insistência da Espanha | |
1576-93 | Em França, católicos romanos e huguenotes protestantes enfrentam-se | |
1618-48 | A Guerra dos Trinta Anos mata um terço dos alemães | 7 milhões |
Século XVII | A Inquisição Espanhola contra judeus, muçulmanos e protestantes | 50 mil |
1629-1669 | Perseguição «Pisar o crucifixo» no Japão | |
1637 | Revolta católica contra a perseguição, esmagada pelo Japão e pela artilharia holandesa | |
1383-1638 | Os otomanos criam o sistema Devsirme, que obriga cada família cristã a entregar um filho para se tornar um soldado janízaro muçulmano | |
1655 | Os católicos matam muitos valdenses em Itália e em França | |
1742 | Os cristãos são perseguidos na China; os jesuítas são obrigados a partir | |
1808 | Napoleão põe fim à Inquisição espanhola | |
1820-41 | Os católicos romanos são perseguidos no Vietname | |
1801-1846 | O catolicismo espalha-se na Coreia, sendo posteriormente perseguido | 2 mil |
1843 e 1846 | Badr Khan, o curdo, massacra 10 mil nestorianos. Os otomanos respondem derrotando os curdos e exilando Badr Khan | 10 mil nestorianos |
1629-1856 | Os xoguns Tokugawa perseguem os cristãos no Japão. Aqueles que se recusaram a pisar imagens de Jesus ou de Maria foram torturados e mortos. | Muitos milhares |
1828-1861 | A rainha Ranavalona I de Madagáscar matou metade da população de Madagáscar (2,5 milhões), especialmente cristãos | |
1866 | Perseguição aos católicos na Coreia | 8 mil |
1885-1887 | O rei homossexual Mwanga II de Buganda mata 45 cristãos católicos e anglicanos, bem como muçulmanos, que se opunham à homossexualidade. Os muçulmanos derrubam-no em 1888. | |
1870-90 | A Guatemala persegue padres católicos; restam apenas 100 | |
1917- | Os comunistas perseguem os cristãos na URSS, na Europa Oriental e na China | |
1956 | Protestantes perseguidos na Colômbia | |
1976 | Católicos assassinados na Guatemala | Milhares |
1990- | Os muçulmanos perseguem severamente os cristãos e os muçulmanos de Darfur, no Sudão | |
2008- | Cristãos perseguidos na província de Odisha/Orissa, no nordeste da Índia |
P: Em João 16:5, por que razão Jesus disse que ninguém perguntou para onde Ele ia, uma vez que Tomé [supostamente] perguntou isso em João 14:5?
R: Na verdade, Tomé NÃO perguntou para onde Jesus ia. Em João 14:5, Tomé apenas pergunta como podem conhecer o caminho, uma vez que afirma (e não pergunta) que não o conhecem. Jesus acabara de dizer que eles conheciam o caminho, e Tomé afirma que ainda não o conhecem.
Fica-se com a impressão de que Jesus estava apenas à espera que alguém perguntasse como conhecer o caminho, para que Ele pudesse revelar esta verdade sobre Si mesmo em João 14:6-7. Nenhum outro mestre judeu afirmou que Ele próprio era o caminho. Jesus não era apenas um mestre da verdade que mostrava o caminho; Ele próprio era o caminho.
Mas depois de Jesus ter revelado isto, e de as pessoas saberem o caminho porque conheciam Jesus, nem Tomé nem mais ninguém pareceu particularmente interessado em perguntar a Jesus para onde Ele iria ou pelo que teria de passar.
P: Em João 16:5, por que razão disse Jesus que ninguém perguntava para onde Ele iria, uma vez que Pedro, na verdade, perguntou isso em João 13:36?
R: Primeiro, duas coisas que não fazem parte da resposta; depois, a resposta.
X Dirigiu-se a todos, exceto a Pedro: Jesus poderia ter feito um gesto aos outros 10 discípulos, excluindo Pedro, e dito: «Porque é que nenhum de vós pergunta para onde vou?» Embora isto seja tecnicamente possível, João era uma testemunha ocular, e as passagens não dão qualquer indício de que Jesus estivesse a distinguir entre a pergunta de Pedro e o facto de os outros não terem perguntado.
X Jesus esqueceu-se de que Pedro tinha perguntado: Embora na Terra Jesus fosse sem pecado, enquanto homem mortal as Escrituras não afirmam que Jesus fosse sempre capaz de se lembrar de todos os pormenores, especialmente sob grande pressão. Embora esta explicação tenha a vantagem da simplicidade, penso que existe uma explicação melhor.
O tempo verbal grego e a sequência do ensinamento de Jesus: Quando Pedro e Tomé fizeram as suas perguntas pela primeira vez, Jesus não lhes podia dar uma resposta completa sem que eles conhecessem primeiro o papel de Jesus como o caminho, a verdade e a vida e sem lhes apresentar o Espírito Santo. Depois disso, Jesus pergunta: «No entanto, nenhum de vós me pergunta (presente) para onde vais?» A Tradução Expandida de Wuest diz: «está a perguntar-me».
O «Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 835, afirma que os discípulos estavam tão absorvidos pela sua própria tristeza pela partida de Jesus que não se lembraram de perguntar para onde Ele iria. O «New International Bible Commentary», p. 1257, afirma que esta pergunta foi feita devido ao seu desânimo, e não por um desejo genuíno de saber para onde Jesus iria.
P: Em Jo 16:8-11, de que forma é que o Consolador convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo?
R: De, pelo menos, duas formas.
Diretamente e internamente, o Espírito Santo convence as pessoas de que devem arrepender-se dos seus pecados e aproximar-se de Deus.
Indiretamente e externamente, o Espírito Santo atua por meio das pessoas para levar outros a Cristo.
P: Em Jo 16,12, por que razão Jesus não lhes revelou tudo o que precisavam de saber?
R: A resposta encontra-se em João 16:13. Deus acabou por lhes revelar tudo o que precisavam de saber, mas eles simplesmente não o compreenderam naquele momento. É por isso que eles, e nós, precisamos do Espírito Santo para nos guiar, dando-nos a orientação de que necessitamos para cada dia.
Há uma bela história que ilustra isto. Era uma vez um rei rico que tinha um filho a quem amava muito. Uma vez por ano, o filho dirigia-se ao pai e pedia a sua mesada para o ano. O rei concedia-lha e não voltava a ver o filho durante um ano inteiro. Além de amar o filho, o rei era também sábio. No ano seguinte, quando o filho voltou, o pai concedeu-lhe a mesada para um dia. Se o filho quisesse a mesada para o dia seguinte, teria de vir falar com o pai. De forma semelhante, se é um crente e, na verdade, não está a receber de Deus aquilo de que necessita, talvez precise de dedicar mais tempo a aproximar-se Dele diariamente em oração.
P: Em João 16:12-13, o Espírito da Verdade aqui é Bahá’u’lláh?
R: Não, o Espírito da Verdade aqui é um espírito, não uma pessoa. É o mesmo Espírito Santo de que Jesus acabara de falar em João 14-16. Não se pode afirmar que, em João 16:12-13, «espírito» se refira a uma pessoa, e que «espírito» se refira ao Espírito Santo ou a outra coisa em João 14:16-18, 25-26; 15:26; 16:5-11; 16:14-15. O Espírito Santo desceu no Pentecostes, não no século XIX, quando a religião bahá’í teve início.
P: Em João 16:13, de que forma o Espírito Santo guia para toda a verdade?
R: Os ocidentais costumam pensar na verdade principalmente em termos de afirmações verdadeiras ou falsas. No entanto, uma pessoa pode estar correta em muitos pontos insignificantes e, ainda assim, estar muito errada nos pontos importantes. Uma pessoa pode ser sincera quando compra e vende e, mesmo assim, estar a servir uma religião que é uma mentira.
A verdade é Jesus, não apenas afirmações doutrinárias verdadeiras. É permanecer no verdadeiro Jesus que nos guiará às verdadeiras afirmações doutrinárias, em vez de a doutrina substituir o Espírito que nos conduz a Cristo. É claro que, no Céu, conheceremos também todas as verdadeiras afirmações doutrinárias.
Todos os cristãos genuínos concordam com o seguinte:
1. Deus é Santo, amoroso, bom, justo, todo-poderoso, onisciente e onipresente.
2. Pecámos e todos precisamos de um Salvador
3. Jesus, pela Sua morte e ressurreição física, é o único meio de salvação.
4. Temos de nos arrepender e acreditar em Jesus.
5. Todos devemos levar uma vida santa.
Muitas outras questões importantes.
Os cristãos genuínos discordam quanto ao seguinte:
O significado exato do batismo e se este deve ser aplicado apenas aos crentes ou também às crianças.
Se é melhor celebrar o culto no sábado ou no domingo.
Se é aceitável trabalhar no sábado ou no domingo.
O significado exato da Ceia do Senhor.
Se os cristãos devem, em alguma circunstância, lutar numa guerra ou mentir para salvar uma vida das mãos de pessoas mal-intencionadas.
O equilíbrio entre a predestinação de Deus e o livre arbítrio humano.
O milénio e o momento do Arrebatamento.
O número correto de livros do Antigo Testamento.
Se os cristãos genuínos podem ou não perder a sua salvação.
Outras questões secundárias e assuntos triviais.
P: Em Jo 16,13, uma vez que o Espírito Santo guia para toda a verdade, como é que tem havido tantas divergências entre cristãos genuínos?
R: Consulte a discussão sobre Efésios 4:4 para obter a resposta.
P: Em Jo 16,20-22, como é que a tristeza dos discípulos se transformaria em alegria?
R: Isto aconteceu de forma dramática após a ressurreição, quando voltaram a ver o amado Jesus. Acontecerá a todos os discípulos de Cristo quando morrermos e formos para estar com Jesus no Céu.
P: Em João 16:23, devemos orar a Jesus por coisas, ou apenas pedir ao Pai?
R: O Pai-Nosso é dirigido ao Pai, e parece que foram feitas mais orações ao Pai do que a Jesus. No entanto, não há problema em apresentar pedidos a Jesus, tal como Estêvão, cheio do Espírito Santo, fez dois pedidos a Jesus em Atos 7:59-60.
P: Será que João 16:24 significa que podemos obter tudo o que quisermos em oração, como sugerem alguns professores do movimento «Palavra e Fé»?
R: Paulo certamente não pensava assim, pois pediu que lhe fosse removido o espinho na carne e isso não aconteceu. Paulo também se dirigiu inicialmente aos Gálatas por causa de uma doença, e provavelmente não desejava estar doente, embora Deus tenha usado a doença de Paulo para o bem. João 16:24 encoraja-nos a pedir, mas isso insere-se no contexto de permanecermos n’Ele. Por isso, peçam tudo aquilo que acham que Deus quer que peçam, mas compreendam pacientemente que Deus, como um pai sábio, dirá «não» tanto às coisas que sabem que Deus não quer que tenham agora, como às coisas que pensam que Deus quer que tenham, mas que Ele sabe melhor do que vocês. Consultem «Quando os Seguidores de Cultos Pedem», pp. 186-187, para uma resposta complementar.
P: Em Jo 16,25, por que razão Jesus falava em parábolas até mesmo aos Seus próprios discípulos?
R: Talvez esta analogia simples ajude a explicar. Imagine um professor que lecionasse uma aula de matemática apenas com exposições teóricas: sem trabalhos de casa nem testes. Sem necessidade de dar feedback, os alunos rapidamente se tornariam complacentes na sua aprendizagem. Além disso, em disciplinas como cálculo, equações diferenciais parciais e análise de elementos finitos, o desafio não reside nas equações a memorizar, mas nos conceitos a compreender e a aplicar. Embora Jesus nunca tenha aplicado testes escritos, apresentava, em vez disso, perguntas, enigmas e parábolas. Era necessário conhecer a Palavra de Deus para se poder sequer esperar compreender parte dela. Além disso, aprender meras palavras também não é suficiente. Precisamos de meditar nas verdades para compreender os conceitos que Deus nos comunicou na Bíblia.
Não devemos sentir-nos desanimados quando algumas partes da Bíblia nos são difíceis de compreender. Quer queiram quer não, Jesus admitiu que, por vezes, falava propositadamente em termos pouco claros. Parece que o processo de aprendizagem das verdades profundas da Bíblia, com a reflexão e o raciocínio que lhe estão associados, é quase tão importante como chegar ao objetivo de aprender as próprias verdades profundas.
P: Em Jo 17, por que razão o conteúdo desta oração é totalmente diferente da oração sobre o cálice que deve passar no Jardim do Getsêmani, em Mt 26, 36-46; Mc 14, 32-43; e Lc 22, 39-47?
R: Porque se tratava de orações diferentes. João 17 ocorreu muito provavelmente no Jardim do Getsêmani, embora possa ter sido um pouco antes. Seja como for, a oração nos evangelhos sinópticos ocorreu definitivamente após a oração sacerdotal de João 17, porque os guardas o prenderam enquanto Ele orava.
P: Em Jo 17,1, o que significa exatamente a frase «chegou a hora»?
R: Significa três coisas diferentes, mas relacionadas.
1) Chegou a hora de Ele concluir o Seu ministério terreno e realizar algo mais importante: derramar o Seu sangue na cruz pelos nossos pecados. Ver João 12:23, 27. Era essa a «hora» em que Jesus iria deixar este mundo, conforme referido em João 13:1.
2) Para que isto acontecesse, a proteção física de Deus seria-Lhe retirada. Ninguém podia tocar nem fazer mal a Jesus antes disso. Porquê? «Porque a Sua hora ainda não tinha chegado» (João 7:30; 8:20). Era impossível, porque o Pai não o permitiria.
3) Por fim, esta seria a «hora» em que as trevas reinam, em Lucas 22:53. Jesus não temia esta hora sombria; Jesus sabia que isto era necessário antes do Seu maior triunfo. É como os soldados de infantaria que recuam lenta e deliberadamente perante o inimigo, antes de a cavalaria armar a armadilha e cercar o inimigo para o aniquilar (como aconteceu ao exército romano em Canae).
P: Em João 17:2, Jesus concede a vida eterna apenas àqueles que o Pai Lhe deu?
R: Sim. Os cristãos concordam que Jesus concede a vida eterna a todos aqueles que o Pai Lhe deu e apenas àqueles que o Pai Lhe deu. Calvinistas e não-calvinistas discordam quanto ao facto de as nossas decisões e a fé que Deus fez crescer em nós terem ou não algum papel na escolha que o Pai faz de quem entregar a Jesus.
P: Em Jo 17,3, uma vez que Jesus disse: «E esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste», como podemos chamar Jesus de Deus?
R: O termo «Deus» tem diferentes utilizações na Bíblia. «Deus» refere-se ao Pai aqui em João 1:1 (primeira ocorrência) e em Hebreus 1:9 (segunda ocorrência). No entanto, isto não pode ser utilizado para provar que Jesus não pode ser chamado de Deus, porque o termo «Deus» se refere a Jesus em João 1:1 (segunda ocorrência) e em Hebreus 1:9 (primeira ocorrência).
Parece-me que há não um, mas dois problemas com o facto de as Testemunhas de Jeová tentarem afirmar que João 17:3 diz que não devemos chamar a Jesus de Deus.
1) As Testemunhas de Jeová não parecem ser coerentes consigo mesmas. Se utilizar a palavra «Deus» para o Pai aqui significasse que Jesus não é Deus, então utilizar «Deus» e «Senhor» — sendo Jesus o Senhor — significaria que o Pai não é Senhor.
1 Tessalonicenses 4:16a menciona que «o próprio Senhor descerá do céu com um comando retumbante, com a voz de um arcanjo e com a trombeta de Deus». Uma vez que Jesus é o Senhor neste contexto, isso não significa que o Pai não seja o Senhor?
Da mesma forma, o livro de David Reed, *Jehovah’s Witnesses Answered Verse by Verse* (p. 82), refere que, se chamar o Pai de Deus de alguma forma excluísse Jesus de ser Deus, então chamar Jesus de nosso «único Senhor» em Judas 4 excluiria o Pai de ser Senhor. Pior ainda para a sua argumentação, o Espírito Santo também é chamado de Senhor em 2 Coríntios 3:17.
«Deus [Pai] e o Senhor Jesus» também é mencionado em Tiago 1:1; 1 Tessalonicenses 1:3; 3:11, 13 e noutros passos.
2) As Testemunhas de Jeová não parecem ser honestas consigo mesmas nesta questão. Se afirmam que «Deus e Jesus» significa que não é correto referir-se a Jesus como Deus, elas próprias referem-se a Jesus como Deus na sua tradução de João 1:1 e Hebreus 1:9. O que as Testemunhas de Jeová deveriam dizer é que Jesus não é Deus neste contexto, tendo em conta o uso da palavra «Deus» neste versículo; e podemos concordar com essa afirmação.
As Testemunhas de Jeová têm de concordar com os cristãos que existem diferentes definições/usos da palavra «Deus» nas Escrituras. Para além de se referir a falsos deuses (1 Coríntios 8:5-6; Génesis 31:30, 33), existem três usos da palavra «Deus» que são verdadeiros.
O Pai. Gálatas 1:1, Efésios 1:2-3, 17, Hebreus 1:9 (2.ª ocorrência), João 17:3, etc.
Jesus. Hebreus 1:9 (1.ª ocorrência); João 1:1, 19; Oséias 1:7; Isaías 7:14; 1 João 5:11, 12 vs. 21; Colossenses 2:9 e Mateus 1:23
O Espírito Santo. Romanos 8:9-16; Lucas 1:35; 1 João 4:12, 13, 15-16; 1 Coríntios 3:16 em comparação com 1 Coríntios 6:19; Atos 5:4.
P: Em João 17:4, por que razão disse Jesus que tinha concluído a Sua obra, antes da crucificação?
R: Na véspera da Sua prisão, Jesus percebeu que, basicamente, já não lhe restava nada a fazer nesta vida. A partir desse momento, tudo lhe seria feito. Talvez Jesus estivesse a pensar o mesmo quando disse a Pedro que este se encontraria numa situação semelhante, em João 21:18-19.
Consulte «1001 Perguntas Bíblicas Respondidas», p. 39, e «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 9, pp. 162-163, para uma resposta diferente, mas complementar.
P: Em João 17:5, uma vez que o próprio Jesus teve de pedir coisas ao Pai, isso significa que Ele era inferior ao Pai?
R: Não. Há três pontos a considerar na resposta.
Na Terra, Jesus esvaziou-Se voluntariamente, como mostra Filipenses 2:7. Ele cansava-Se (João 4:6). Jesus submeteu-Se ao Pai e aprendeu a obediência, como mostra Hebreus 5:7-8.
Em natureza e honra, os dois são iguais, como mostra Filipenses 2:7. Assim como um filho terreno tem a mesma natureza e é igual aos seus pais, Jesus tem a mesma natureza e é igual ao Pai. Jesus possui a plenitude da divindade, de acordo com Colossenses 2:9. Todos devem honrar o Filho tal como honram o Pai, segundo as palavras de Jesus em João 5:23.
Em termos de função e posição, o Pai é preeminente no seio da Trindade. Mesmo após a ressurreição, o Pai mantém a função de Deus em relação a Deus, o Filho, conforme Hebreus 1:8-9 e 1 Coríntios 15:24, 27, 28.
P: Em João 17:9, por que razão Jesus se recusou explicitamente a orar pelo mundo inteiro?
R: Jesus não orou para que acontecesse algo que o Pai tivesse explicitamente afirmado que não iria acontecer. Nem nós devemos fazê-lo. Aqui, Jesus não orou pelo universalismo, ou seja, para que todas as pessoas fossem para o Céu e o Inferno ficasse vazio. A Jeremias também foi dito para não orar pelo povo em Jeremias 7:16, Jeremias 11:14 e Jeremias 14:11.
Tal como Jesus deu a entender em João 17:16, o mundo constitui um sistema próprio, e o Reino de Deus é outro. As pessoas do mundo, muitas vezes, não desejam fazer parte do Reino de Deus nem viver para sempre a adorar Deus.
P: Em João 17:11, 21-22, de que forma os cristãos são um, tal como o Pai e o Filho são um?
R: Há várias formas pelas quais devemos ser um uns com os outros, tal como Jesus e o Pai são um.
Harmonia: Não há discussões nem disputas no seio da Trindade. Embora os cristãos genuínos discordem em muitos assuntos, estamos de acordo quanto aos fundamentos da fé e não devemos discutir nem criar divisões com outros cristãos genuínos.
Unidade de propósito: O Pai e o Filho nunca agem em contradição um com o outro. Se estivermos a cumprir o propósito que Aquele tem para nós, esse é o mesmo propósito que o Pai, o Filho e o Espírito têm para nós.
Amor mútuo: O Pai, o Filho e o Espírito têm um amor completo e perfeito uns pelos outros. Esse é o objetivo do amor que devemos ter uns pelos outros.
Não menosprezar uns aos outros: Não devemos afirmar nem pensar que somos melhores ou mais valiosos do que os outros, como mostram Filipenses 2:3 e 1 Coríntios 10:12.
No entanto, o Pai, o Filho e o Espírito são Um em alguns aspetos em que nós não somos um. Consulte a discussão sobre João 10:30 para saber mais sobre como o Pai e o Filho são um único Deus e também sobre como são seres distintos.
P: Em João 17:11, 14, 21, como devem os cristãos estar no mundo sem serem do mundo?
R: Segue-se uma lista de como devemos estar no mundo, seguida de uma lista parcial de como não devemos ser do mundo.
Voluntariamente no mundo:
Relacionar-se com as pessoas do mundo: Ser tudo para todos, por causa do Evangelho, como disse Paulo em 1 Coríntios 9:19-23.
Submeter-se às autoridades mundanas: Devemos obedecer aos reis e às leis (1 Pedro 2:13-15, 17; Romanos 13:1-5), desde que estas não contradigam Deus, a autoridade suprema. Devemos pagar os nossos impostos (Romanos 13:6-7; Mateus 17:24-27).
Amar as pessoas do mundo, uma vez que Deus as ama (João 3:16).
Tenha esperança pelas pessoas do mundo e deseje que muitas sejam salvas.
Ore pelas pessoas do mundo, pela sua salvação.
Cuide das pessoas do mundo, para satisfazer as suas necessidades físicas e espirituais.
Involuntariamente no mundo: não temos escolha no que se segue.
Origem: Fomos criados por Deus e nascemos de carne neste mundo.
Fisicamente, pertencemos ao mundo. Isso inclui sofrer dor, fome, morte e injustiça nesta vida.
Consequências dos pecados alheios: tal como os bebés por vezes sofrem as consequências do consumo de drogas e álcool por parte das suas mães, todos estamos sujeitos a sofrer pelas ações pecaminosas dos outros. De facto, uma vez que nascemos num mundo pecaminoso, todos sofremos as consequências do pecado de Adão, como demonstra Romanos 5:12-17.
A tentação é comum a todos neste mundo, como diz 1 Coríntios 10:12.
Voluntariamente fora do mundo:
Assumimos um compromisso para com Deus: Deus reúne aqueles que fizeram uma aliança com Ele (Salmo 50:5), o batismo com água (1 Pedro 3:20; Hebreus 10:22), a profissão de fé (Hebreus 10:23) e uma consciência limpa perante Deus (1 Pedro 3:21).
Não amar o mundo: Nem a concupiscência da carne, nem a concupiscência dos olhos, nem a soberba da vida, como diz 1 João 2:15-17.
Não amar como o mundo ama: Não amamos apenas aqueles que nos amam, mas amamos até os nossos inimigos, tal como Jesus ordena (e não se limita a sugerir) em Lucas 7:27-36.
Não ter a mesma motivação: Não temos os mesmos padrões, aspirações, motivação e fonte de força do mundo. Não vivemos simplesmente à mercê das circunstâncias. Como Gene Getz referiu no seu livro sobre Filipenses, a maioria das coisas é feita por uma de três razões: esperança de recompensa, medo de castigo e para ser considerado uma pessoa melhor aos olhos de si próprio e dos outros. Embora a Bíblia nunca critique estes motivos (e nós também não devemos fazê-lo), temos uma motivação superior, que o mundo não consegue compreender: o amor ágape.
Valores diferentes: Temos uma medida diferente de significado, valor e razão de viver. Fomos criados para a glória de Deus (Isaías 43:7; Efésios 1:6).
Não nos unimos a incrédulos no casamento, no namoro, nos negócios e noutras formas, tal como mostra 2 Coríntios 6:14-18. (Se estiver casado com um incrédulo, não procure o divórcio, tal como ordena 1 Coríntios 7:12-15).
Involuntariamente fora do mundo: (Involuntário não significa indesejado, mas sim que não é uma escolha ou opção para os crentes)
Destino: Os eleitos estão destinados ao Céu. Devemos certificar-nos de que não nos tornamos «demasiado confortáveis» aqui, pois este é apenas um lugar temporário para nós. Somos estrangeiros e peregrinos nesta terra (1 Pedro 2:9, 11).
O Espírito Santo que habita em nós: Todos os crentes genuínos têm o Espírito Santo a habitar no seu interior (Romanos 8:9-16).
Filhos de Deus: Embora Deus tenha criado todas as pessoas, nós somos filhos de Deus. As Escrituras consideram que os não crentes não são filhos de Deus (João 1:12-13; Romanos 8:14-16; Efésios 2:3-5; 1 João 3:1-2).
Consulte «Now That’s a Good Question», pp. 249-250, para uma resposta diferente, mas complementar.
P: Em João 17:19, como é que Jesus se pôde santificar, uma vez que já era sem pecado?
R: «Santificar» NÃO significa apenas deixar de pecar. Significa, na verdade, ser separado para Deus, ou ser dedicado a um propósito específico. As muitas (boas) coisas que Jesus fez — ao conversar com as pessoas, curar os doentes, ensinar, etc. — ficariam agora em segundo plano, uma vez que Ele estava dedicado a uma única coisa: preparar-Se para morrer na cruz. À semelhança do que acontecia com um sumo sacerdote do Antigo Testamento, que realizava uma cerimónia para ser separado como tal, Jesus estava prestes a passar por uma cerimónia (embora dolorosa) para se tornar o nosso sumo sacerdote.
Os cristãos são chamados não apenas a não pecar, mas a serem santificados para Cristo. Devemos viver as nossas vidas «santificados» e dedicados a Deus. É claro que isso inclui afastar-nos das coisas pecaminosas, mas, num sentido positivo, significa que devemos ser dedicados, tal como um soldado, um atleta ou um agricultor. Paulo fala mais sobre isto, embora sem utilizar efetivamente a palavra «santificado», em 2 Timóteo 2:3-6. Somos santificados, separados por Deus para viver e realizar boas obras para Ele. Mas temos a responsabilidade de seguir o Espírito Santo e de viver a nossa santificação. Pedro salienta ainda mais a importância de cada um de nós ser santificado (santo) em 1 Pedro 1:13-22. Em 1 Pedro 1:18, Pedro contrasta isso com uma «conduta sem rumo». Ele prossegue falando sobre a igreja ser santificada como um povo em 1 Pedro 2:9-12.
Por vezes, pergunta-se até que ponto a sua vida é relevante para os desígnios de Deus? É claro que não pode avaliar as suas orações, conversas e palavras de encorajamento aos outros segundo padrões mundanos. Mas ainda assim questiona-se? Talvez Deus esteja à espera que se questione sobre isso. Ele espera pacientemente que deseje viver uma vida santificada para melhor expressar o seu amor por Ele e cumprir os Seus desígnios.
P: Em João 17:20-21, quando Jesus orou para que todos fossem um, isso refere-se a uma única organização, tal como a Igreja Católica Romana, a Igreja Ortodoxa, a Igreja Copta, a igreja local e muitas Igrejas de Cristo têm ensinado?
R: Jesus referia-se aos crentes como sendo um em espírito e um em comunhão. Não devemos ser simplesmente «Um», mas sim «um em Cristo» Desde o tempo de Tertuliano, no ano 200 d.C., que existem cristãos em diferentes organizações. Quando algo que se autodenomina a Única e Verdadeira Igreja de Cristo queima crentes na fogueira, como Jan Huss, excomunga crentes como Martinho Lutero, lança cruzadas contra crentes como os valdenses ou massacra uma cidade italiana inteira, os verdadeiros cristãos daquela época deviam fugir, e não estar unidos a essa organização. Consulte «When Cultists Ask», pp. 187-188, para obter uma resposta diferente, mas complementar.
P: Em Jo 18,1, como se pronuncia «Cedron»?
R: Esta palavra também se escreve «Kidron». A Concordância de Cruden indica que o primeiro som é um «s» e que a tónica recai na primeira sílaba.
P: Em Jo 18,2, como é que Jesus ia frequentemente a este local, uma vez que só esteve em Jerusalém nessa semana?
R: Esta não foi a única ocasião em que Jesus e os discípulos estiveram em Jerusalém. Além disso, passavam pelo Getsêmani duas vezes por dia, ao irem e voltarem do Templo. Não havia pousadas nem casas suficientes para alojar todas as pessoas que vinham a Jerusalém durante a semana da Páscoa. No entanto, o tempo estava bom, pelo que a maioria das pessoas simplesmente dormia ao ar livre.
P: Em Jo 18,3, por que razão os soldados trouxeram lanternas?
R: Provavelmente trouxeram lanternas tanto para verem no escuro em geral, como porque pensavam que talvez tivessem de procurar Jesus no jardim durante toda a noite. Trouxeram espadas para prender o príncipe da paz. Note-se que Jesus foi ao seu encontro junto ao portão.
P: Em Jo 18,9, como é que Jesus não perdeu nenhum dos Seus discípulos, uma vez que, em Jo 17,12, Jesus perdeu um (Judas)? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou esta questão.)
R: Depois de Judas se ter afastado para trair Jesus, Jesus, em João 17:12, disse: «Enquanto estive com eles, protegi-os e guardei-os pelo Teu nome, o nome que Me deste. Nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura.» (BSB).
Externamente, uma forma de encarar isto é que nenhum dos doze discípulos (incluindo Judas) foi fisicamente capturado, detido, ferido ou de alguma forma perdido no Jardim do Getsêmani.
No entanto, uma melhor forma de compreender isto é a nível espiritual. Quando os discípulos fugiram, João 18:9 diz: «Isto [a fuga] foi para que se cumprisse a palavra que Ele tinha dito: “Não perdi nenhum daqueles que me deste.”» (BSB) Espiritualmente, Judas estava de facto perdido, mas João 18:9 é matizado pela expressão «daqueles que Me deste». Judas não «se tornou mau» no final; pelo contrário, Judas andava a roubar dinheiro da bolsa ao longo de todo o ministério de Jesus, de acordo com João 12:6.
P: Em João 18:12, quem era o sumo sacerdote?
R: Anás tinha sido sumo sacerdote, entre os anos 6 e 15 d.C. Podia ser intitulado sumo sacerdote, da mesma forma que um antigo presidente dos Estados Unidos continua a ser chamado de presidente. No Antigo Testamento, o cargo de sumo sacerdote era vitalício. No entanto, Anás foi destituído pelo procurador romano da Judeia, Valério Gratus, em 15 d.C. O sumo sacerdote em exercício era Caifás, um dos seus quatro genros.
P: Em Jo 18,12-19,16, o cético Bart Ehrman questiona por que razão Jesus foi açoitado a meio do julgamento, e não após este ter terminado. (Jesus, Interrupted, p. 44)
R: Em primeiro lugar, não houve um, mas sim dois julgamentos: o judaico e o romano. Em segundo lugar, a flagelação ocorreu no momento em que Pilatos pensava que seria o fim do julgamento romano. Depois de Pilatos ter tomado a sua decisão, João 19:6 explica o que Pilatos fez, e João 19:12 explica porquê. Pilatos sabia que os judeus queriam Jesus morto, mas tentava libertá-lo. Ordenou que Jesus fosse açoitado e, em seguida, exibiu-o, ensanguentado, perante a multidão, na esperança de que esta ficasse satisfeita com isso. Mas a multidão insistiu na morte e apresentou um argumento que Pilatos não tinha previsto: Jesus autodenominava-se rei e, se Pilatos libertasse um rei autoproclamado, isso ficaria muito, muito mal para Pilatos. Assim, Pilatos não teve escolha; declarar que Jesus não merecia a morte refletiria negativamente sobre ele, caso chegasse ao conhecimento do imperador Tibério — que era desconfiado — que Pilatos era brando com os traidores de Roma.
No entanto, Ehrman parte do pressuposto errado de que os julgamentos antigos tinham de ser justos ou de seguir os padrões modernos. A título de exemplo, em 738/739 a.C., num julgamento no Iraque, um grupo de homens foi acusado de não ter devolvido dinheiro pertencente a outra pessoa. Foram obrigados a prestar juramento de que não o tinham feito, depois foram açoitados e, por fim, o califa foi informado da sua situação. O veredicto foi que deveriam prestar juramento e, em seguida, ser libertados [como inocentes]. Consulte a «História de al-Tabari», vol. 26, p. 7, para mais informações.
Um segundo exemplo ocorreu em 743/744 d.C., quando o califa al-Walid ordenou à sua guarda que espancasse Khalid, dizendo: «Quero ouvir a voz dele» (ou seja, em agonia). Posteriormente, Khalid foi preso até que Yusuf bin ‘Umar trouxe dinheiro do Iraque para resgatá-lo. Khalid não queria ser vendido, mas não dispunha do dinheiro que Yusuf possuía; por isso, al-Walid ficou com o dinheiro e vendeu Khalid. Yusuf primeiro torturou Khalid, depois açoitou-o e, por fim, matou-o com um instrumento de tortura com pontas afiadas no peito. Tudo isto sem que o califa, ou qualquer outra pessoa, tivesse declarado Khalid culpado de qualquer coisa. Este relato consta de «A História de al-Tabari», vol. 26, pp. 176-177.
Um terceiro exemplo, no mesmo ano: Sulayman puxou com tanta força a longa barba de Yusuf que lhe arrancou alguns fios. Depois disso, Yusuf foi preso no palácio verde. O califa Yazid afirmou que prendeu Yusuf apenas para que este pudesse ser enviado para o Iraque e apresentado às pessoas contra quem tinha cometido injustiças. Isto consta de «A História de al-Tabari», vol. 26, pp. 203-204.
P: Em Jo 18, 13-27, existe alguma dúvida quanto à ordem destes versículos?
R: Na verdade, não. Os versículos encontram-se na ordem atual em 55 textos e famílias de textos. Apenas três fontes apresentam uma ordem diferente.
A ordem é 13, 24, 14-15, 19-23, 16-18, 25b-27 no Siríaco do Sinai (séculos IV-VII). A ordem é 13, 24, 14-23, 24, 25-27 nos escritos de Cirilo (444 d.C.). É 13a, 24, 13b-23, 24-27 no manuscrito 225 (escrito em 1192 d.C.)
P: Em Jo 18,28, por que razão os sacerdotes pensavam que ficariam impuros se entrassem na sala de julgamento de Pilatos?
R: A tradição dos fariseus era de que ficariam impuros não só se comessem com um gentio, mas também se entrassem na casa de um gentio, uma vez que os gentios comiam alimentos impuros e os fariseus consideravam os gentios impuros. Os fariseus pensavam que fazer isso os tornaria impuros durante sete dias.
Esta visão não se limitava aos fariseus. Até Pedro tendia a acreditar nisso, como se vê em Atos 10 e em Gálatas 2:12-15.
No entanto, o Antigo Testamento não continha nenhuma lei contra comer com gentios. A rainha Ester comeu com gentios. Repare como os fariseus estavam muito preocupados com a impureza ritual, como comer com gentios, enquanto tramavam um assassinato.
P: Em João 18:31, uma vez que os judeus não tinham permissão para executar Jesus, por que razão disseram: «segundo essa lei, Ele deve morrer»?
R: Ambas as afirmações estão corretas. Os judeus argumentavam que, de acordo com a Lei judaica do Antigo Testamento, Jesus deveria ser condenado à morte. Mas os romanos tinham-lhes retirado o direito de execução. Por isso, encontraram uma forma de fazer com que os romanos executassem Jesus por eles.
P: Em Jo 18, 31, por que razão o conselho judeu não podia executar Jesus?
R: O poder de execução tinha-lhes sido retirado pelos romanos. Segue-se a documentação histórica.
1. Josefo, no seu livro «Guerras dos Judeus», livro 2, capítulo 8, afirma: «E agora a parte da Judeia que pertencia a Arquelau foi reduzida a uma província, e Capónius/Copónius, membro da ordem dos Equestres romanos, foi enviado como procurador, tendo o poder de vida e morte colocado nas suas mãos por César.» Josefo também menciona que o Sinédrio perdeu o poder sobre os casos de pena capital em «Antiguidades dos Judeus», 20.9. (Escrito por volta de 93-94 d.C.)
2. No Talmude Babilónico, Sanhedrin, Cap. 4, a seguir ao n.º 37, recto. O rabino Rachman disse: «Quando os membros do Sinédrio se viram privados do seu direito sobre a vida e a morte, uma consternação geral apoderou-se deles; cobriram as cabeças com cinzas e os corpos com sacos, exclamando: “Ai de nós, pois o cetro se afastou de Judá e o Messias ainda não veio!”» Isto aconteceu por volta do ano 7 d.C. (Extraído de «Evidence That Demands a Verdict», vol. 1, p. 169, de Josh McDowell, e de «Jesus Before the Sanhedrin», de Augustin Lemann, 1886, traduzido por Julius Magath, NL#0239683, Biblioteca do Congresso n.º 15-24973. Ver também *Pugio Fidei*, de Martini, Raymundus, publicado por De Vosin em 1651. (p. 148)
3. Talmude «Pouco mais de quarenta anos antes da destruição do Templo, foi retirado aos judeus o poder de proferir sentenças capitais.» Talmude de Jerusalém, Sanhedrin, fólio 24. (p. 147)
P: Em Jo 18,36, o Reino de Jesus não era deste mundo porque os judeus rejeitaram Jesus?
R: Pilatos era o governador romano da Judeia (26-36 d.C.), mas nem mesmo ele tinha permissão para se autodenominar rei. Ninguém na Judeia podia ser chamado de rei, exceto o rei Herodes. Atos 2:23 recordava às pessoas que Deus sabia de antemão que Jesus seria entregue para morrer. No entanto, Jesus veio oferecer a toda a nação a oportunidade de fazer parte do Seu reino. A oferta era sincera, e a culpa de a terem rejeitado foi deles, não de Cristo.
Talvez uma analogia ajude. Se 100% de todas as pessoas aceitassem o Deus Verdadeiro, então 100% de todas as pessoas iriam para o Céu; o Inferno estaria vazio. No entanto, Deus sabe que isso não acontecerá. A culpa de perderem a oferta sincera de Deus é da própria pessoa, e não de Deus.
P: Em Jo 18,37, pode alguém pertencer à verdade e não ouvir a voz de Jesus?
R: Em última análise, não. Consegue imaginar alguém a viver no Céu para sempre sem nunca ouvir a voz de Jesus? - Claro que não. Da mesma forma, ao contrário do que diz a lenda católica, não é Pedro o guardião do Céu. Pelo contrário, é Jesus quem é a porta, como mostra João 10, 7 e 9. Tal como Jesus sublinhou em João 10, 1, 3, 8 e 9, todos os que vão para o Céu passam pela Única Porta. Mesmo aqueles que vão para o Céu ao morrerem ainda crianças passam por Jesus.
P: Em João 18, 38, o que quis Pilatos dizer ao perguntar: «O que é a verdade?»
R: Primeiro, uma piada com um ensinamento, e depois a resposta. Certa vez, pediram a um cientista, a um engenheiro e a um advogado desonesto que dissessem o resultado de 1 + 1. O cientista respondeu 2,0; o engenheiro, cerca de 2; e o advogado replicou: «O que é que quer que seja?». Algumas pessoas pensam que a verdade é negociável ou decidida por votação democrática, por um líder ou por um juiz.
A resposta: Embora Pilatos pudesse ter feito esta pergunta de forma ingénua, por nunca ter refletido sobre o assunto, isso é altamente improvável. Ou ele estava a questionar-se sobre qual era a visão de Jesus sobre a verdade, ou então Pilatos estava a fazer uma observação cínica, um pouco à semelhança do advogado desonesto da piada anterior.
Hoje em dia, muitas pessoas têm pouco ou nenhum interesse na verdade. Muitas pensam que ela não lhes diz respeito. Algumas estão tão imersas no pensamento relativo que acreditam que a verdade objetiva não existe. Não é, portanto, surpresa que Pilatos não tenha reconhecido a verdade, quando esta estava mesmo à sua frente.
P: Em Jo 18,38; 19,4,6, Bart Ehrman considera significativo o facto de ser no Evangelho de João que Pilatos declara Jesus inocente em três ocasiões. Ele afirma que, se os romanos declararam Jesus inocente, isso implica que foram os judeus que mataram Cristo. (Jesus, Interrupted, p. 45)
R: O cético Ehrman menciona apenas João, pelo que parece estar a tentar colocar os autores dos evangelhos uns contra os outros, mostrando que foi João quem enfatizou que não foi Pilatos quem declarou Jesus culpado. No entanto, em Lucas, Pilatos também declarou Jesus inocente em três ocasiões, em Lucas 23:4, 14, 22. Mateus também o fez em Mateus 27:24, e Marcos não incluiu essas declarações, apenas implicações. Assim, se Ehrman estivesse a tentar apresentar um quadro equilibrado e preciso, não compreendo por que razão não mencionaria Lucas com a mesma frequência com que mencionou João.
Independentemente disso, seria falso afirmar que João «livrou os romanos da responsabilidade» pela morte de Jesus. João 19:1 diz que Pilatos e os soldados romanos açoitaram Jesus e colocaram-lhe a coroa de espinhos. João 19:23 afirma que foram os soldados (ou seja, os soldados romanos) que crucificaram Jesus. Foram os soldados de Pilatos que estavam prestes a partir as pernas de Jesus, mas que, em vez disso, lhe perfuraram o lado com uma lança, em João 19:33-34.
Por fim, embora tanto os líderes judeus como os romanos tenham estado envolvidos na morte de Jesus, não se esqueça do que é ainda mais significativo. Embora Jesus pudesse ter fugido antes da sua prisão no Jardim do Getsêmani, Jesus escolheu voluntariamente ficar para morrer na cruz pelos nossos pecados. Assim, num sentido mais profundo, foram os nossos pecados — e o facto de Jesus nos amar o suficiente para morrer por eles — que colocaram Jesus naquela cruz.
P: Em Jo 19:1-20:31, Ehrman escreve: «O Evangelho de João culpa “os judeus”, em termos bastante gráficos, por rejeitarem e matarem Jesus (capítulos 19-20); e, numa passagem aterradora, indica efetivamente que os judeus não são filhos de Deus, mas filhos do Diabo (João 8:42-44). É difícil ser salvo se Satanás for o seu pai.» (Jesus, Interrupted, p. 243)
R: Em primeiro lugar, consulte a pergunta anterior para ver um caso em que Ehrman culpa injustamente João. Ao citar erroneamente as Escrituras para tentar jogar a carta do racismo, as polémicas de Ehrman perdem toda a pretensão de imparcialidade. Três pontos na resposta.
1) João 8:42-44 nada diz sobre a capacidade deles de se arrependerem e serem salvos.
2) João 8:42-44a refere-se à sua condição espiritual, não à ascendência biológica. Na verdade, provavelmente quase 100% dos seguidores de Jesus, nesta altura, eram judeus. A ascendência humana de Jesus era a mesma que a deles. Não creio que Ehrman pensasse seriamente que Jesus estivesse a dizer que a herança genética da Sua mãe provinha de Satanás.
3) Jesus não se dirigia a todos os judeus; estava a responder aos judeus que questionavam a sua ascendência. Hoje, se alguém o chamasse (eufemisticamente) de descendente ilegítimo e o senhor respondesse, seria justo dizer que se estava a referir a todos os membros da raça do acusador? Ehrman não é mais justo.
Por fim, é interessante contrastar a afirmação de Ehrman aqui, em *Jesus, Interrupted*, p. 243, com a sua afirmação na mesma obra, p. 72, onde diz que, ao contrário dos outros evangelhos, Jesus «não tem qualquer tipo de julgamento oficial perante o conselho judaico». Embora eu considere que João 18:12-26 indique (embora não prove) um julgamento oficial, a questão é que Ehrman não explica por que razão, por um lado, considera que João é anti-semita e, por outro, por que razão considera que apenas os romanos — e não os judeus — julgaram Jesus no Evangelho de João.
P: Em Jo 19,1, como era uma flagelação romana?
R: Não era algo que se quisesse experimentar em primeira mão. O chicote que utilizavam não se assemelhava a um chicote de vaqueiro ocidental. Em vez disso, era chamado de «gato de nove caudas», porque tinha nove pontas. A cada ponta estava amarrado um pedaço de metal ou de pedra. A pessoa treinada que aplicava os açoites não procurava causar dor, mas sim arrancar o máximo de pele possível. Muitas vezes, o prisioneiro que deveria ser crucificado acabava por não o ser, porque não sobrevivia à flagelação. Normalmente, eram prescritos 40 açoites, mas era aplicado um a menos, ou seja, 39, para demonstrar que eram pessoas bondosas.
P: Em Jo 19,2, como eram os espinhos?
R: Os espinhos provinham de plantas do deserto e tinham frequentemente mais de uma polegada de comprimento.
P: Em Jo 19, 2, por que razão vestiram Jesus com um manto púrpura?
R: O corante púrpura era caro, proveniente do molusco murex que vivia ao longo da costa fenícia. O púrpura era a cor da realeza, e isto seria uma expressão sarcástica das afirmações de Jesus de que era rei.
P: Em Jo 19,8.12, por que razão Pôncio Pilatos estava com medo nesta ocasião?
R: Em primeiro lugar, Pilatos era pagão, e os gregos e romanos tinham lendas sobre deuses que se misturavam com as pessoas e as julgavam com base na forma como eram tratados. No entanto, não sabemos se Pilatos considerava credíveis as afirmações de Jesus ou não.
Pôncio Pilatos tinha objetivos contraditórios. Ele não considerava Jesus culpado e poderia tê-lo libertado. No entanto, se os judeus o acusassem de não ser amigo de César por libertar um rei rebelde, Pilatos não poderia permitir isso. O imperador romano Tibério era frequentemente desconfiado, violento e, naquela altura, estava doente. Se se soubesse que Pilatos tinha libertado um rei rival, isso poderia prejudicar-lhe gravemente a reputação. No entanto, Mateus 27:19 refere que a esposa de Pilatos lhe enviou uma mensagem a dizer que tinha sofrido num sonho por causa de Jesus. Assim, Pilatos tinha motivos mais do que suficientes para agir com cautela. Quem era este homem, detido apenas na noite anterior, que conseguia entrar no sonho da sua esposa?
Em Jo 19, 8-11, Pilatos afirmou que detinha poder, mas, na realidade, era um peão nas mãos dos judeus e de Satanás. Os judeus queriam a morte de Jesus e pretendiam que a culpa recai-se sobre Pilatos, e não sobre eles próprios. Pilatos percebeu isso.
P: Em João 19:10, em que outras ocasiões as pessoas perceberam que não havia nada de errado, mas não tiveram a coragem moral de defender o que era certo?
R: Infelizmente, Pedro fez isso e desviou Barnabé, em Gálatas 2:11-13. É-nos ordenado que não o façamos em Romanos 14:6. Infelizmente, os cristãos do sul dos Estados Unidos fizeram isso durante o período da escravatura na América; a maioria dos sulistas não possuía escravos. Mas mesmo aqueles que não possuíam não se levantaram para dizer: «Explorar estas pessoas como escravos é errado.»
O mundo agiu assim perante o genocídio arménio, que vitimou até 1,5 milhões de pessoas na Turquia, em 1915. O presidente dos EUA, Woodrow Wilson, tentou encorajar o mundo a agir, mas nem o Congresso dos EUA nem o resto do mundo fizeram nada. Mais tarde, Hitler afirmou que ninguém iria dar importância ao Holocausto judeu, porque ninguém tinha dado importância ao genocídio arménio. Mesmo quando o Holocausto judeu estava a ocorrer, antes de Pearl Harbor, muitos nos EUA não se importavam com o Holocausto judeu; apenas queriam evitar entrar em guerra (embora enviassem suprimentos aos Aliados). Só depois de os EUA terem sido atacados em Pearl Harbor é que se espalhou uma expressão sobre os americanos: «Os ianques são fantásticos, quando finalmente aparecem.»
A propósito, sabia que poderá haver até um milhão de escravos no mundo hoje em dia? Encontram-se na Líbia e no Sudão. Haverá alguém a defendê-los?
Infelizmente, é demasiado fácil não defender o que é certo.
P: Em Jo 19,11, há pecados mais graves do que outros?
R: A alguns cristãos é ensinado que todos os pecados são iguais, mas não é isso que as Escrituras ensinam.
Em João 19:11, Jesus disse a Pilatos que aqueles que O entregaram a Pilatos eram «culpados de um pecado maior».
A blasfémia contra o Espírito Santo difere dos outros pecados, pois é imperdoável (Mateus 12:31,32; Marcos 3:28-30; Lucas 12:10-11).
1 João 5:16-17 fala de um pecado que conduz à morte (a blasfémia contra o Espírito Santo) e de outros pecados que não o fazem.
Romanos 1:24-28 refere-se a pessoas ímpias que são entregues a uma depravação cada vez maior.
Ezequiel 8:6, 13 mostra que alguns pecados são mais detestáveis a Deus do que outros.
Em Mateus 23:14, Jesus afirma que os fariseus sofrerão uma condenação mais severa.
Mateus 23:15 afirma que alguns dos discípulos dos fariseus seriam duas vezes mais filhos do inferno do que eles próprios.
Em Lucas 10:12, Jesus disse que, no juízo, será mais tolerável para Sodoma e Gomorra do que para aqueles que rejeitaram Jesus.
Mesmo na crucificação, depois de Jesus ter sido crucificado por instigação dos judeus, estes não quiseram pecar deixando um corpo na cruz durante o sábado. Que hipocrisia!
No entanto, dito isto, todo o pecado é igual num sentido: basta um único pecado para o impedir de ser perfeito e de ir para o Céu, e basta infringir uma única lei para o condenar como transgressor (Tiago 2:8-11)
P: Em João 19:14-15, Pilatos demonstrou desprezo pelos judeus. Por que razão as pessoas, por vezes, demonstram desprezo pelos outros? Há ocasiões em que devemos ou não fazê-lo?
R: Aparentemente, Pilatos queria lembrar aos judeus que estava acima deles e não queria que pensassem que eram respeitados. Por outro lado, Jesus, em João 18:19-23, embora não demonstrasse desprezo, não se submeteu ao interrogatório do Sumo Sacerdote. Jesus não se deu ao trabalho de responder às acusações em Marcos 14:60-61. Não teria feito qualquer diferença.
Embora não devamos demonstrar desprezo pelas pessoas, é-nos ordenado, em Romanos 14:16, que não permitamos que o que é bom seja considerado mau. Jesus poderia ter evitado o confronto ao optar por curar mesmo diante dos fariseus, em Marcos 31-3, em vez de lhe dizer: «Levanta-te diante de todos.» Há momentos em que devemos manter a nossa posição.
P: Em João 19:15, o que sabemos sobre a crucificação?
R: Foram encontrados os restos mortais de um homem numa cruz feita de madeira de oliveira numa caverna a nordeste de Jerusalém, chamada Giv’at ha-Mivtar. Isso revela que o homem foi crucificado virado para a frente, e que um prego foi cravado através do calcanhar direito, o que significa que as suas pernas estavam viradas de lado. Havia ainda uma estaca adicional na cruz que dava algum apoio à anca esquerda. Havia dois pregos nos seus pulsos (não nas mãos), onde seriam fixados. A palavra grega para «mão» inclui o pulso. As pernas foram fraturadas com um único golpe, que fraturou a perna direita e rachou a perna esquerda.
O vinagre era provavelmente um vinho azedo, proveniente do que os soldados romanos tinham à disposição. O vinho azedo seria um adstringente que tenderia a contrair os músculos da garganta, impedindo-o de gritar de dor tão alto.
P: Em Jo 19,15, o que acontece frequentemente quando alguém muda de lealdade?
R: Renunciaram em voz alta à subordinação ao rei de Deus para depositar a sua lealdade em Roma. No entanto, no espaço de 40 anos, iriam rebelar-se contra Roma e os judeus viriam a sofrer grandes perdas de vidas.
Uma videira que cresce de duas formas diferentes é fraca, como mostra a alegoria em Ezequiel 17.
Historicamente, sabia que, a certa altura, a França tinha muitos protestantes? Havia muitos protestantes em França, chamados huguenotes. O rei Carlos IX, um monarca católico que era tolerante para com os protestantes. A fim de tentar manter a paz entre católicos e protestantes, ele arranjou o casamento da sua irmã Margarida com um nobre protestante, Henrique III de Navarra. Quase todos os líderes huguenotes deslocaram-se a Paris (anti-protestante) para celebrar o casamento. No entanto, alguns dias depois, entre 23 e 24 de agosto de 1572, os católicos assassinaram 30 000 huguenotes com a aquiescência do rei, por instigação da sua mãe, Catarina de Médici. Isto aconteceu primeiro em Paris e, posteriormente, alastrou-se por todo o país. O facto de o rei de Espanha se estar a preparar para enviar um grande exército para a França também poderá ter sido um fator determinante. De qualquer forma, Carlos IX faleceu em 1574, vítima de tuberculose.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os Aliados comunicaram aos líderes das Filipinas e do Vietname que os seus países obteriam a independência caso resistissem aos japoneses. Após a guerra, os EUA decidiram manter as Filipinas sob o seu domínio. Seguiu-se uma guerra de guerrilha, e só então os EUA decidiram conceder-lhes a independência. A França, que tinha sido totalmente conquistada pela Alemanha, foi autorizada a manter o Vietname. Vo Nguyen Giap e Ho Chi Minh, que em determinada altura se mostraram favoráveis aos EUA e ao Ocidente, recorreram à Rússia em busca de ajuda para expulsar os franceses entre 1546 e 1954. Se os Aliados tivessem mantido o seu domínio mundial, a Guerra do Vietname talvez nunca tivesse ocorrido.
P: Em Jo 19, 17-18, qual é o significado simbólico de Jesus carregar a sua própria cruz para fora da cidade?
R: Jesus provavelmente carregou a pesada trave transversal, e não a cruz inteira. Da mesma forma, Isaac carregou a lenha para o seu próprio sacrifício em Génesis 22:1-6. Além disso, segundo a Lei mosaica, a oferta pelo pecado devia ser levada para fora do acampamento, conforme Êxodo 29:14 e Hebreus 13:11 e seguintes. Neste caso, aquilo que nos era mais precioso — o sacrifício de Jesus — era o que mais desprezavam os romanos e os judeus.
P: Em João 19:22, por que razão Pilatos não concordou com o pedido dos sacerdotes de não escrever «Rei dos Judeus»?
R: Aparentemente, Pilatos não viu necessidade de ceder ao Sinédrio. Talvez Pilatos quisesse que a inscrição servisse não só para desencorajar os rebeldes, mas também como parte de um «jogo» para insultar as autoridades judaicas.
Pilatos e os sacerdotes não se davam bem. É interessante que a única vez em que trabalharam em harmonia foi apenas por um momento, quando Satanás os utilizou em conjunto para crucificar Cristo.
P: Em Jo 19,23, esta túnica era rara por ser sem costuras?
R: Não, não era raro, mas era mais valioso. O manto interior era normalmente feito de duas peças de tecido e cosidas nas laterais. Na p. 480, menciona-se que, uma vez que a vestimenta de Jesus não tinha costuras, provavelmente era mais valiosa do que a vestimenta simples que parecia ser. Especula-se que possa ter sido oferecida a Jesus por uma das mulheres que apoiavam financeiramente Jesus e os Seus discípulos.
P: João 19:26 implica que também podemos considerar Maria como nossa mãe?
R: Não. Tudo o que a Bíblia ordena a uma pessoa em particular não significa necessariamente que todos devam fazê-lo. A título de exemplo absurdo, quando Deus ordenou a Jeremias que não se casasse, isso não significa que todos os cristãos não devam casar-se.
Jesus confiou a João a tarefa de cuidar de Maria, tal como um bom filho cuida da sua mãe. Não precisamos de cuidar de Maria.
P: Será que João 19:26 atribui a Maria o papel de «Mediadora» (co-mediadora) e «Redentora» (co-redentora), tal como a Igreja Católica Romana a considera?
R: De modo algum. O simples facto de Jesus ter mencionado a Sua mãe, e até ter pedido a João que cuidasse dela, não lhe confere mais do que aquilo que Jesus disse. A Bíblia não diz absolutamente nada sobre Maria ser co-redentora ou co-mediadora. Na verdade, a tradição da Igreja até ao ano 325 d.C. não sabe absolutamente nada sobre estes erros doutrinários inventados recentemente.
Eis as primeiras referências a Maria como Mediadora.
São Bernardo (1090 - 1153): «[Maria é chamada] a porta do céu, porque ninguém pode entrar naquele reino abençoado sem passar por ela.»
São Boaventura (1221 - 1274): «Tal como a lua, que se interpõe entre o sol e a terra, transmite a esta última tudo o que recebe do primeiro, assim também Maria derrama sobre nós, que estamos neste mundo, as graças celestiais que recebe do sol divino da justiça.»
Alberto, o Grande (falecido em 1280): «Ela é a Distribuidora Universal de todos os dons celestiais.»
São Antonino (falecido em 1459): «Todas as graças que alguma vez foram concedidas aos homens vieram todas por intermédio de Maria.» O Santo António (c. 250-350 d.C.) foi uma pessoa diferente, e não existe qualquer escrito que indique que ele tenha proferido algo semelhante.
Afonso Maria de Ligório, canonizado como Santo Afonso em 1839 (1750 d.C.), escreveu um livro intitulado «As Glórias de Maria». Este continua a ser publicado até hoje, sob vários imprimaturs eclesiásticos. Vários capítulos do livro têm como título: «Maria, nosso Auxílio», «Maria, nossa Mediadora», «Maria, nossa Advogada», etc.
1935: O Papa Pio XI atribuiu a Maria o título de Corredentora durante uma transmissão de rádio. 1
21 de novembro de 1964: O Capítulo 8 da Constituição Dogmática da Igreja, aprovado pelo Concílio Vaticano II e «solenemente promulgado por Sua Santidade o Papa Paulo VI», afirma, em parte:
«Com razão, portanto, os Padres consideram Maria não apenas como passivamente envolvida por Deus, mas como cooperando livremente na obra da salvação do homem através da fé e da obediência. Pois, como diz São Irineu de Lyon, ela, sendo obediente, tornou-se a causa da salvação para si própria e para toda a raça humana. Por isso, não são poucos os Padres da Igreja primitiva que, com ele, afirmam de bom grado na sua pregação... ‘a morte por Eva, a vida por Maria’. Esta união da mãe com o filho na obra da salvação manifesta-se desde o momento da concepção virginal de Cristo até à sua morte»
«Levada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, pela sua múltipla intercessão, continua a conceder-nos os dons da salvação eterna. Pela sua caridade maternal, cuida dos irmãos do seu Filho, que ainda percorrem a terra rodeados de perigos e dificuldades, até serem conduzidos à sua morada bem-aventurada. Por isso, a Santíssima Virgem é invocada na Igreja sob os títulos de Advogada, Auxiliadora, Benfeitora e Mediadora.»
Consulte «When Critics Ask», pp. 188-189, para uma resposta complementar.
P: Em Jo 19, 28, como é que poderíamos ter um Deus com sede? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou esta questão.)
R: Adoramos um Deus que compreende pessoalmente a nossa sede e as nossas necessidades. Se Jesus nunca tivesse vindo à Terra, Deus nunca teria experimentado estas coisas. Então, como poderia Deus alguma vez sentir empatia por nós ou compreender a nossa situação humana? Mas e se Deus Todo-Poderoso, que pode fazer tudo, decidisse tornar-se homem? Jesus não só nos diz para sermos fiéis e perseverantes, como sabe o quão difícil isso por vezes é e compreende o nosso sofrimento. Ora, os muçulmanos diriam que Alá estaria ciente da dor de todos, mas é Jesus, e não Alá, quem compreenderia em primeira mão o que é o nosso sofrimento, porque Ele também sofreu e experimentou a dor por nós.
P: Em Jo 19,29, por que razão haveria hissopo por perto?
R: O hissopo era uma planta coberta de musgo que todos deviam usar para aspergir o sangue do cordeiro pascal nas suas portas, conforme Êxodo 12:22. Os sacerdotes também usavam o hissopo para declarar os leprosos puros, em Levítico 14.
P: Em Jo 19,29, como eram as esponjas naquela época?
R: Hoje em dia, as esponjas são frequentemente sintéticas. Naquela época, as esponjas eram extraídas de animais primitivos que crescem no fundo do oceano.
P: Em João 19:30, por que razão Jesus disse aqui: «Está consumado»?
R: A palavra grega aqui, tetelestai, era um termo contabilístico que significava «pago na totalidade». Foram encontrados recibos em papiro com a palavra tetelestai escrita neles, de acordo com o The Bible Knowledge Commentary: New Testament, p. 340. A prova estava concluída e, pela morte de Jesus e pela sua posterior ressurreição, o nosso resgate perante as exigências da justiça ficou assegurado. O clamor de Jesus foi um clamor de triunfo, não de fracasso.
Além disso, a refeição da Páscoa incluía quatro copos. De acordo com a tradição, o segundo copo representava a redenção do anjo da morte. Depois de o beber, o chefe da família dizia «consumado».
P: Em Jo 19,33, era comum partirem as pernas dos criminosos executados?
R: É claro que os ossos eram partidos quando alguém era executado por apedrejamento. Durante a crucificação, tal como esta é descrita, aparentemente não havia nada de inesperado ou invulgar nisso. Os arqueólogos encontraram, em 1968, o esqueleto de um homem que morreu por crucificação, e as suas pernas estavam partidas com um único golpe. Os romanos chamavam a este golpe «crurifragium».
P: Em Jo 19,38, devemos aceitar a existência de «crentes secretos», como era o caso de José de Arimatéia?
R: Existe uma grande diferença entre uma pessoa que se limita a saber que o Evangelho é verdadeiro e uma pessoa que confia a sua vida a Cristo. Aparentemente, havia duas categorias de crentes secretos.
Aqueles que se limitavam a acreditar: Os fariseus em João 12:42-43 sabiam que o ensinamento de Jesus era verdadeiro, mas não seguiram Jesus porque «amavam mais o louvor dos homens do que o louvor de Deus». Outros que se limitavam a acreditar, embora não em segredo, incluem Simão, o Mago, em Atos 8:13, 18-20, e os praticantes da iniquidade em Mateus 7:21-23.
Aqueles que O seguiram: José de Arimatéia não se limitou a acreditar, mas seguiu-O, conforme se lê em João 19:38. Ele não se opôs a Jesus e agiu de acordo com a sua fé. Uma reflexão a ponderar é: quando é que Deus deseja que um crente seja aberto e em que circunstâncias deseja que um crente acredite em segredo? É claro que a mesma pessoa pode ser discreta numa situação e aberta noutra.
P: Em João 20:10-15, os anjos não costumam aparecer com asas e auréolas?
R: Apenas na arte, mas não na Bíblia, com exceção dos serafins e querubins.
P: Em Jo 20, 14-16, por que razão Maria Madalena não reconheceu Jesus?
R: Existem três razões possíveis, e todas elas podem ser verdadeiras.
1. Maria não esperava voltar a ver Jesus nesta vida. Não estava à espera de o reconhecer.
2. Maria «sabia» como Jesus se apresentava agora. Ela tinha visto o seu corpo ferido, pálido pela morte. Quando viu Jesus vivo, aquilo não correspondia de todo às suas expectativas. A título de exemplo, por vezes, quando estou à espera de uma chamada a qualquer momento de um amigo em particular e outro amigo liga, demoro um ou dois segundos a reconhecer a voz dele.
3. Em Lucas 24:16, Cleopas e outro discípulo foram impedidos de reconhecer Jesus. Talvez Maria também tenha sido temporariamente impedida de reconhecer Jesus nesta ocasião.
Hoje em dia, há quem não reconheça que Jesus provém de Deus porque não quer procurar nem encontrar ninguém que venha de Deus. Outros não reconhecem Jesus porque Ele não se enquadra nas suas expectativas pré-concebidas. Por fim, há quem quisesse ver e seguir o verdadeiro Jesus, mas é impedido de o fazer por fatores como o engano de Satanás através da falsa religião, as preocupações deste mundo, o pecado e a perseguição.
P: Em João 20:17, por que razão Jesus disse a Maria para não se agarrar a Ele?
R: A razão imediata que Jesus apresentou foi que Ele ainda não tinha ascendido ao Seu Pai. Mais tarde, em João 20:27, Jesus pediu a Tomé que tocasse no Seu lado e nas Suas mãos. Talvez fosse simplesmente apropriado que o próximo a «abraçar» Jesus fosse o Pai no Céu.
O livro «1001 Perguntas Bíblicas Respondidas», p. 44, indica que, para que Jesus fosse o cumprimento dos sacrifícios do Antigo Testamento, era apropriado que, como
«primícias» de 1 Coríntios 15:20-24, Jesus fosse apresentado a Deus Pai antes de qualquer outra pessoa. Pode ler mais sobre as primícias em Levítico 23:9-14.
P: Em João 20:17, uma vez que Jesus chamou ao Pai «meu Deus», isso prova que Jesus não é Deus?
R: Não. Hebreus 1:9 diz: «…Por isso, Deus, o Teu Deus, ungiu-Te…», onde Jesus é Deus e «o Teu Deus» se refere ao Pai.
A palavra «Deus», quando não se refere a um deus falso, tem pelo menos quatro significados na Bíblia: Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo e Deus na Trindade. Para além de os três seres serem todos um único Deus, o Pai também desempenhava o papel de Deus para Jesus.
Consulte a discussão sobre Mateus 28:19, Efésios 1:3, 17 e, especialmente, João 13:3 para mais informações.
P: Em João 20:19, uma vez que Jesus tinha um corpo físico após a ressurreição, como é que Jesus entrou em salas fechadas?
R: Mesmo antes da Sua morte, Jesus conseguia passar milagrosamente por entre a multidão (Lucas 4:28-30). Até Filipe foi transportado milagrosamente em Atos 8:29-30. Mas agora, Jesus possuía um corpo físico glorificado. Por um lado, Jesus tinha o poder de atravessar portas trancadas. Por outro lado, podia sentar-se e comer peixe. O Seu corpo glorificado não era, de forma alguma, «inferior» ao nosso corpo físico, mas era «superior» ao nosso corpo físico, uma vez que o Seu corpo físico glorificado não sofria dor, decadência nem morte.
P: Em João 20:22, quando Jesus disse «a paz esteja convosco» e os enviou, terão eles recebido o Espírito Santo antes do Pentecostes?
R: Não. Independentemente de o Espírito Santo estar com eles de alguma forma nessa altura, só foram cheios do Espírito Santo no Dia de Pentecostes, em Atos 2.
P: Em Jo 20, 22-23, isto demonstra que os sacerdotes têm o poder de perdoar pecados?
R: Não, a menos que o sacerdote afirme ser um dos doze apóstolos. Antes da redação do Novo Testamento, antes da formação da Igreja e antes de a Igreja ter adquirido sabedoria para discernir as várias seitas, Jesus concedeu a estes homens o poder de perdoar ou não perdoar pecados.
1. Não se diz que este privilégio tenha sido transmitido aos papas ou a quaisquer outros sucessores, e
2. Também não diz que os sacerdotes tenham recebido este privilégio.
3. No entanto, todos os cristãos, sejam ou não membros do clero, podem transmitir a mensagem de que Deus perdoa os nossos pecados.
P: Em Jo 20,23, de que forma é que os discípulos tinham o poder de perdoar ou não perdoar pecados?
R: Há três pontos a considerar na resposta.
Todos os cristãos concordam que Efésios 2,20 afirma que a Igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas. Assim, foi concedido aos apóstolos o direito de declarar um pecado perdoado ou não perdoado. Para além disso, alguns cristãos defendem uma de duas perspetivas adicionais.
Todos os cristãos podem afirmar: Os apóstolos tinham o poder de declarar os pecados perdoados. Não só os apóstolos, mas também a Igreja tem o privilégio de anunciar as condições do céu sobre como uma pessoa pode receber o perdão. Se alguém acredita em Jesus, então um cristão tem o direito de anunciar o seu perdão. Se uma pessoa rejeita o sacrifício de Jesus, então um cristão pode anunciar que essa pessoa não está perdoada.
Apenas aos discípulos foi concedida autoridade especial para declarar os pecados perdoados. Eles exerceram essa autoridade em Atos 5:1-11 (Ananias e Safira), 1 Coríntios 5:3-5, 12-13 e 2 Coríntios 2:4-8 (o homem imoral).
P: Em João 20:23, os Papas ao longo da história tiveram o poder de perdoar pecados?
R: Não, por pelo menos três razões.
1. Tal como alguns teólogos católicos (como o padre Fastiggi) concordam, muitos papas corruptos eram ímpios e acabarão no Inferno. Sendo assim, uma pessoa que está longe de Deus e que não é seguidora de Deus não tem o poder de perdoar ou não perdoar pecados.
2. Não há provas da sucessão papal.
3. Mesmo que houvesse sucessão papal, ou sucessão apostólica, como alguns na Igreja primitiva acreditavam, a cadeia de sucessão foi quebrada. Quando um Papa está envolvido no assassinato do Papa anterior, isso quebra a cadeia. Quando um Papa é deposto contra a sua vontade e, como último ato, excomunga o Papa sucessor, então como poderia uma pessoa excomungada ter o poder de perdoar ou não perdoar pecados e, posteriormente, transmiti-lo aos seus sucessores?
P: Em Jo 20,24, o facto de João se referir ao discípulo como «Tomé Dídimo» — sendo que «Dídimo» significa gémeo — poderá significar que estava a dizer que Tomé tinha duas mentes, ou seja, que era o «Tomé, o incrédulo», tal como sugere o Guia da Bíblia de Asimov na p. 994?
R: Não. Todos reconhecem que «Didimo» significa «gémeo», e nenhum escritor cristão primitivo jamais teve a ideia de que «Didimo» pudesse significar «duvidoso».
P: Em Jo 20, 24-25, tratava-se realmente do mesmo corpo que Jesus tinha na Terra?
R: Sim. Para dar um exemplo simples, uma pessoa pode ser submetida a uma operação e regressar a casa com o mesmo corpo, mas melhorado. Da mesma forma, Jesus tinha o mesmo corpo, com as marcas dos pregos e tudo, mas era um corpo glorificado. Jesus não estava a recorrer a qualquer engano ao aparecer a Tomé, mas foi sincero e disse a verdade quando pediu a Tomé que se certificasse por si próprio, tocando nas feridas.
Hipólito (225-235/6 d.C.), numa «Carta a uma certa rainha (ou princesa)», p. 240, afirma: «Pois Ele [Jesus], tendo ressuscitado e desejando mostrar que o mesmo (corpo) que tinha morrido quando os Seus discípulos estavam em dúvida tinha sido ressuscitado, chamou Tomé até Si e disse: “Estende a mão: toca-Me e vê; pois um espírito não tem ossos nem carne, como vedes que Eu tenho.”»
P: Em Jo 20:25, o que é que isto diz sobre Jesus ter sido pregado numa cruz?
R: As Testemunhas de Jeová afirmam que Jesus foi pregado a uma «estaca de tortura», que, segundo elas, era um poste de madeira sem travessa. Mostram imagens em que apenas um grande prego prende as mãos de Jesus. O grego, e até a própria «Tradução do Novo Mundo» das Testemunhas de Jeová, refere a palavra «pregos» (no plural), pelo que se tratava de mais do que um único pre . Consulte também «Jehovah’s Witnesses Answered Verse by Verse», pp. 82-83, para mais informações.
Estou certo de que os primeiros cristãos saberiam como Jesus morreu, e eis o que disseram.
A Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.), cap. 12, p. 144, afirma que Moisés formou a figura da cruz quando estendeu os braços.
Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.), cap. 9, p. 143: «Pois [a Escritura] diz: “E Abraão circuncidou dez, oito e trezentos homens da sua casa.” Que conhecimento lhe foi, então, transmitido com isto? Aprenda primeiro os dezoito e, depois, os trezentos. Os dez e os oito são assim designados: dez por I e oito por H. Têm [as iniciais do nome de] Jesus. E como a cruz devia expressar a graça [da nossa redenção] pela letra T, ele diz também: «Trezentos». Ele simboliza, portanto, Jesus por duas letras e a cruz por uma.»
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) «E não deveríamos antes associar o estandarte à semelhança de Jesus crucificado, uma vez que também Moisés, com as suas mãos estendidas, juntamente com aquele a quem chamavam Jesus (Josué), alcançou uma vitória para o vosso povo?» Diálogo com Trifão, cap. 112, p. 255. Ver também cap. 111, p. 254
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) «… e aquele cordeiro que, segundo a ordem, devia ser assado na totalidade era um símbolo do sofrimento da cruz que Cristo viria a suportar. Pois o cordeiro, ao ser assado, é assado e disposto na forma de uma cruz. Pois um espeto é cravado de forma a atravessá-lo de baixo até à cabeça [verticalmente], e outro atravessa as costas, ao qual são fixadas as patas do cordeiro [horizontalmente].» Diálogo com Trifão, o judeu, cap. 40, p. 214
Minúcio Félix (210 d.C.) Um homem que adora a Deus com os braços estendidos é um sinal da cruz. O «Octávio» de Minúcio Félix, cap. 29, p. 191
Tertuliano (198-220 d.C.) afirmou que, no tempo de Moisés, o povo teve de escrever um «Tau» (letra grega t) durante a primeira Páscoa para que o anjo da morte os passasse por cima. Eles não o sabiam, mas este era o sinal da cruz de Cristo. «Resposta aos Judeus», cap. 11, p. 167-168
Tertuliano (198-220 d.C.) «A cada passo e movimento para a frente, a cada entrada e saída, quando vestimos as nossas roupas e sapatos, quando tomamos banho, quando nos sentamos à mesa, quando acendemos as lâmpadas, no sofá, no assento, em todas as ações comuns da vida quotidiana, traçamos na testa o sinal.» (A Coroa/De Corona 3.4).
Orígenes (225-254 d.C.) (trecho) «Moisés, de facto, levanta as mãos; não as estende. Jesus, porém, quando foi exaltado na cruz e estava prestes a abraçar toda a terra com os seus braços, diz: “Estendi as minhas mãos a um povo que não acredita e que fala contra mim.” Homilias sobre o Êxodo. Homilia 11, p. 358
Adamantio (c. 300 d.C.) refere que Moisés estendeu os braços, e Cristo fez o mesmo. A sua mão estendida salvou toda a gente. Diálogo sobre a Verdadeira Fé, Primeira Parte, cap. 11, p. 53
Metódio (270-311/312 d.C.): «pois as aves que voam nas alturas formam a figura da cruz ao estenderem as suas asas; e o próprio homem, também, com as mãos estendidas, representa o mesmo.» Três Fragmentos sobre a Paixão de Cristo, fragmento 1, p. 399-400
Victorino de Petau (martirizado em 304 d.C.) «Moisés, prevendo a dureza daquele povo, levantou as mãos no sábado e, assim, figurativamente, fixou-se a uma cruz.» Sobre a Criação do Mundo, p. 342
Atanásio, *Encarnação*, 25:3: «Pois é apenas na cruz que um homem morre com as mãos estendidas. Por isso, convinha que o Senhor também suportasse isto e estendesse as Suas mãos, para que, com uma delas, pudesse atrair o povo antigo e, com a outra, os gentios, unindo ambos em Si mesmo.»
Lactâncio (c. 303-c. 325 d.C.) «Assim, a cruz exaltou-O tanto de facto como simbolicamente, de modo que a Sua majestade e poder se tornaram conhecidos por todos, juntamente com a Sua paixão. Pois, ao estender as Suas mãos na cruz, Ele estendeu claramente os Seus ventos para o Oriente e para o Ocidente…» Epítome das Instituições Divinas, cap. 51, p. 243.
Após 325 d.C.
Hegemónio (século IV) «Ali, Moisés, quando foi atacado, estendeu as mãos e lutou contra Amaleque; e aqui, o Senhor Jesus, … estendeu as Suas mãos na cruz e concedeu-nos a salvação.» Disputa com Manes, cap. 44, p. 220
Existe um grafite pagão do século II que retrata um homem a adorar um burro crucificado com os braços estendidos numa cruz. A inscrição diz: «Alexamenos respeita a Deus», presumindo-se que se trata de uma zombaria a um soldado cristão. (De http://www.jesuswalk.com/christian-symbols/cross)
P: Em Jo 20,28, será que Tomé chamou a Jesus de Deus?
R: Ao contrário do que as Testemunhas de Jeová possam afirmar, Tomé certamente que sim. Repare que o versículo não diz «Tomé disse: “Meu Senhor e meu Deus!”, mas sim «Tomé disse-lhe: “Meu Senhor e meu Deus!”». Repare que o versículo não diz «Ó Senhor», como se Tomé estivesse a olhar para o Céu e a dizer isto. Em vez disso, «Tomé disse-lhe: “Meu Senhor e meu Deus!”». Além disso, Jesus não repreendeu nem corrigiu Tomé por ter dito isto.
O livro «Jehovah’s Witnesses Answered Verse by Verse», p. 84, também salienta que, na sua própria Bíblia «Kingdom Interlinear» (1985), na versão grega, se lê corretamente: «O Senhor de mim e o Deus de mim»
P: Terá João 21:1-25 sido acrescentado posteriormente, tal como sugeriu um muçulmano com base em céticos liberais?
R: Primeiro, o que foi alegado e, em seguida, a resposta. A Wikipédia afirma: «Os estudiosos do Novo Testamento concordam, em grande parte, que não fazia parte do texto original do Evangelho de João» (16/12/2018), citando Ehrman, Bart (13 de fevereiro de 2012). «Debate “O Novo Testamento original está perdido?” (a partir de cerca dos 23:40)». The Ehrman Project. Consultado em 15 de janeiro de 2013
A resposta: Não, não há qualquer evidência disso. O «Expositor’s Bible Commentary», vol. 9, p. 197, afirma: «Não há evidência textual para considerar João 21 como uma adição tardia ao corpo principal do Evangelho. Todos os manuscritos completos de João o contêm.»
Uma evidência sólida, sem evidências contrárias, deveria ser suficiente para determinar se existia nos tempos antigos ou não. Mas, uma vez que dispomos de nove evidências que demonstram que estava presente, e não há evidências contrárias, a questão deveria estar resolvida para quem quer que a questione. (Considero múltiplas menções por um único autor como uma única evidência.)
A p. 66 (os papiros Bodmer II) contém a maior parte do Evangelho de João, incluindo João 21:12,17. Pensava-se que datava de c. 175 d.C., mas agora considera-se que data de c. 125-150 d.C.
p. 109 (= Papiro de Oxirrinco 4448) João 21:18-20; 21:23-35 (século III)
O Vaticanus [B] (325-350 d.C.) e o Sinaiticus [Si] (340-350 d.C.) contêm João 21, bem como os restantes capítulos. O Sinaiticus não incluía originalmente João 21:25, mas este versículo foi adicionado posteriormente, de acordo com o New International Bible Commentary, p. 1263.
Seguem-se manuscritos posteriores: p. 122, o Codex Bezae, o Codex Alexandrinus e p. 59.
O escritor Tatiano (falecido em 172 d.C.), na sua obra *Diatessaron*, uma harmonização dos evangelhos, cita todos os versículos de João 21.
Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.) cita partes de João 21, 4 e 5, referindo-se a «a Escritura celebra-nos» e «no Evangelho», na obra *O Instrutor*, livro 1, cap. 5, p. 212.
Tertuliano (198-220 d.C.) cita João 21:20 (não 13, nem 4, nem 12 palavras) na obra «Prescrição contra os hereges», cap. 22, p. 253.
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) cita João 21:17, quando o Senhor se dirige a Pedro. Tratados de Cipriano, Tratado 1, cap. 4, p. 422. Ele também parafraseia João 21:17, onde Jesus perguntou a Pedro se ele O amava, nas Epístolas de Cipriano, epístola 2, cap. 1, p. 280.
Orígenes (246-248 d.C.) cita as últimas 14/23 palavras de João 21:25 no «Comentário de Orígenes sobre Mateus», livro 14, cap. 11, p. 502.
Orígenes (225-253/254 d.C.) cita as 7 palavras do meio de João 21:18 (não 13, nem 7, nem 9 palavras citadas) como «ouçam as palavras de Jesus». Orígenes, «Contra Celso», livro 2, cap. 45, p. 448
P: Em João 21:5-6, de que forma é que Jesus assumiu o controlo da pesca deles e de que forma é que Jesus assume o controlo da nossa?
R: Eles precisavam de pescar: Pedro tinha uma esposa e, provavelmente, todos precisavam de sustentar as suas famílias. Os seus próprios esforços, como pescadores experientes, não estavam a dar frutos naquele dia. Mas quando deram ouvidos a Jesus, o resultado superou as suas expectativas.
Por vezes, quando pescamos para o evangelho, confiamos mais nas nossas competências do que em Jesus. Precisamos de parar e ouvir Jesus.
P: Em Jo 21,7, em que três aspetos João se destacava e como devemos fazer o mesmo?
R: Em primeiro lugar, João foi o primeiro a reconhecer Jesus. João conhecia bem Jesus e conseguia reconhecer facilmente a Sua voz. A palavra de Jesus aqui, «paidia», pode ser traduzida tanto por «rapazes» ou «crianças» como por «amigos», de acordo com o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 344.
Em segundo lugar, João estava ansioso por se aproximar de Jesus. Uma pessoa pode estudar e saber tudo o que quiser sobre Jesus, mas estará ansiosa por se aproximar de Jesus e permanecer perto Dele?
Em terceiro lugar, João foi o primeiro a saltar: embora tenha sido bom que os outros discípulos tenham ficado e trazido o barco para terra, o impulso de João foi ir imediatamente ter com Jesus.
P: Em Jo 21,11, qual é o significado dos 153 peixes?
R: Em primeiro lugar, isto pode pesar mais de 300 libras, pelo que Pedro era uma pessoa forte, de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 9, p. 200. Há dois pontos a considerar.
De um modo geral, capturaram um grande número de peixes e contaram-nos para verificar exatamente quantos tinham apanhado. Alguns interpretam este número específico e preciso como uma demonstração de que Deus conta cada indivíduo que se aproxima Dele
Mais especificamente, as pessoas que procuram padrões numéricos na Bíblia apontam João 21:11 como uma evidência fundamental. Nesta passagem, existem muitos padrões que resultam no número 153. Consulte as duas perguntas seguintes para obter mais informações. 1 + 2 + 3 + … 17 = 153.
P: Em Jo 21:11, qual é o «código» para a numerologia no Novo Testamento?
R: Uma forma de numerologia é a teomática, e Del Washburn escreveu um livro intitulado *Theomatics II*. Tal como os romanos, os gregos utilizavam letras para representar números. Eis o código utilizado por Washburn. É claro que, se o seu «código» estivesse errado, todas as suas conclusões deixariam de se sustentar.
O «código»: *Theomatics II*, p. 23, atribui os números 1 a 5 às letras gregas consecutivas de alfa a eta. Ao número 6 é atribuída a letra «vau», que existia nos alfabetos gregos antigos, mas não nos posteriores. Aos números 7 a 10 são atribuídas as letras zeta a iota. Aos números 10 a 80, contados de dez em dez, são atribuídas as letras gregas consecutivas , de kappa a pi. Ao número 90 é atribuída a letra grega koppa (escrita como um O com uma linha vertical a tocar na parte inferior do O). A letra koppa fazia parte dos alfabetos gregos antigos, mas não dos posteriores. O número 100 é atribuído à letra «rho». O número 200 é atribuído a ambas as formas da letra sigma. Os números de 300 a 800, contados de 100 em 100, são atribuídos consecutivamente às letras tau a ómega. Existe, evidentemente, uma atribuição diferente para o hebraico, uma vez que o hebraico possui um alfabeto distinto.
(Note-se que, de acordo com a Enciclopédia Britânica, tanto de 1956 como de 1972 (sob a letra «U»), o alfabeto semítico utilizava o «vaw» como sexta letra. Os gregos utilizavam-no como vogal, e era a última letra do seu alfabeto, logo a seguir ao «Tau». Estes gregos fizeram do «digamma» (F) a sua sexta letra. A digamma representava o som «w». Os seguintes alfabetos gregos incluíam o «vaw»: o de Therea (700-600 a.C.), o ático (600 a.C.), o coríntio (600 a.C.), o calcidiano (600 a.C.) e o jónico (403 a.C.). No grego ático, o «vaw» era pronunciado como o «u» com trema do alemão. A letra «vaw» aparece no Novo Testamento como o número 6 em Apocalipse13:18 («666»).
Independentemente da Teomática, a obra *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts*, p. 25 (Philip W. Comfort e David P. Barrett), afirma que não se tratava de qualquer código secreto, mas sim de uma forma padrão como os escribas utilizavam letras para representar números, incluindo números de página e números na Bíblia, tais como os 12 discípulos, os 7 anjos, etc. Apresenta a mesma correspondência que Washburn, exceto pelo caso trivial de designar a sexta letra por «stigma» em vez de «vaw», e de atribuir «sampi» como 900 e «,alpha» como 1000. Estas duas últimas adições são irrelevantes, uma vez que nenhuma palavra na Bíblia utiliza «sampi» ou «,alpha».
O *Anchor Bible Dictionary*, vol. 4, p. 1141, também descreve a forma como os gregos utilizavam letras para representar números. Afirma que não se sabe quando este sistema foi utilizado pela primeira vez, mas que o uso de letras para representar números constava num contrato de casamento em Elefantina, no Egito, em 310 a.C., em moedas do Egito ptolomaico (286-246 a.C.) e num papiro com tabelas de multiplicação do século III a.C. O código efetivo de letras gregas na p. 1141 é o mesmo que o apresentado tanto em «Theomatics II» como em «The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts», com as seguintes exceções. A letra obsoleta utilizada para o 6 é designada por «digamma» e a do 900 por «san». Os milhares até aos dez mil são representados pelas letras alfa a teta, com marcas especiais.
A obra *The Manuscripts of the Greek Bible* (Bruce M. Metzger), pp. 6-10, contém uma secção extensa sobre as letras gregas utilizadas como números. Apresenta o mesmo «código» que Washburn, com as seguintes exceções insignificantes. Afirma que o número 6 era uma letra grega obsoleta denominada «waw» ou «digamma», que «sampi» correspondia a 900 e que «,a», etc., representavam 1 000, etc.
Os Papiros de Chester Beatty (manuscrito p47) no Apocalipse utilizam, por vezes, letras gregas para representar os números, em vez de os escreverem por extenso. (No entanto, escreveu o número 72 por extenso em João 10:1.) É possível ver uma transcrição muito legível em *The Complete Text of the Early New Testament Manuscripts*, p. 336. Esta coincide totalmente com o que Washburn afirma e mostra na sua fotografia. A utilização deste padrão de letras gregas para os números de página ocorreu nos seguintes manuscritos: p. 1, p. 13, p. 23, p. 30, p. 38, p. 39, p. 45, p. 46, p. 66, p. 72, uncial 0189, uncial 0232.
Não dispomos de provas de que os primeiros cristãos tenham tentado ou visto qualquer benefício na utilização da numerologia para analisar cada palavra de uma passagem. É claro que, em tom de brincadeira, também não dispomos de provas de que dispusessem dos computadores e calculadoras necessários para o fazer. No entanto, não só Washburn nunca afirmou que o fizessem nos tempos antigos, como este é, na verdade, também um dos pontos da sua teoria. Se os primeiros cristãos tivessem reconhecido que os totais numéricos das frases podiam seguir um padrão, poderiam ser acusados de alterar as letras para criar padrões. No entanto, uma vez que não temos provas de que alguém tenha reconhecido quaisquer padrões, esses padrões, se de facto forem mais do que uma coincidência, seriam prova de origem e preservação divinas.
No entanto, Bruce Metzger, na obra *The Manuscripts of the Greek Bible*, p. 9, afirma que alguns dos primeiros cristãos utilizavam um tipo de numerologia, denominada gematria, para encontrar significados especiais nos números. Na Carta/Epístola de Barnabé (100 d.C.), utilizaram o número dos homens de Abraão (318) para demonstrar que Cristo estava presente no Génesis. 300 = t, o que lembrava ao autor a cruz, e 18 corresponde às duas primeiras letras do nome grego de Jesus. Agostinho de Hipona estava mesmo ciente deste uso da gematria. Metzger observa que se esqueceram de ter em conta que o grego ainda nem sequer tinha sido inventado na época de Abraão.
Conclusão: Se alguém utilizasse letras gregas para representar números, isso provaria que Washburn está a utilizar a mesma abreviatura numérica que os escribas gregos costumavam usar para escrever números de página e, por vezes, outros números.
P: Em Jo 21,11, o que é «teomática»?
R: A «teomática», defendida por Del Washburn, é uma forma de numerologia bíblica. Enquanto a «gematria» é uma forma de numerologia que procura encontrar significado nos números, a teomática é diferente. Recorre a computadores para transformar palavras em números e, em seguida, procura encontrar significado nos números. A título pessoal, não investiguei a teomática o suficiente para acreditar nela. O meu objetivo aqui não é convencê-lo de nada, mas apenas tentar dar-lhe uma ideia objetiva, utilizando uma passagem que apresenta um dos seus argumentos mais fortes. Antes de analisar as somas dos números, é necessário atribuir números a cada uma das letras gregas. Para conhecer o código utilizado pela teomática, consulte a pergunta anterior.
As alegações da Teomática de Washburn
1. A teomática, sendo um estudo dos números na Bíblia, não é capaz de descobrir quaisquer novas doutrinas.
2. É útil, porque a complexidade numérica demonstra que isto não poderia ser obra de homens, uma vez que estes padrões não poderiam ser facilmente encontrados sem os computadores modernos.
3. É útil para demonstrar o grau de preservação da Palavra de Deus e, em muitos casos, para determinar quais as variações dos manuscritos que estão corretas.
Como tal, é possível ser um cristão conservador e aceitar a teomática ou rejeitá-la.
P: Em Jo 21, 15-17, por que razão Jesus utilizou esta forma de se reconciliar com Pedro?
R: Restabelecer a sua relação foi um momento delicado para Pedro. Jesus poderia ter dito: «Eu sei que me amas, por isso está tudo bem» e, em seguida, ter-se ido embora imediatamente. Mas, desta forma, Jesus levou Pedro a refletir e a reforçar o seu compromisso de amar Jesus acima de tudo.
P: Em Jo 21, 15-17, por que razão Jesus perguntou a Pedro, por três vezes, se o amava?
R: Nas duas primeiras vezes, Jesus perguntou a Pedro se ele O amava, utilizando a palavra «ágape» para designar o amor. Em ambas as ocasiões, Pedro respondeu que amava Jesus com «phileo». Aparentemente, depois de ter negado Jesus, Pedro não se sentia capaz de afirmar que O amava com amor «ágape».
Na terceira vez, Jesus perguntou a Pedro se o amava, utilizando a palavra «phileo». Pedro ficou magoado, perguntando-se se Jesus acreditava que ele O amava de todo.
Em vez de tentar justificar-se, Pedro deixou de tentar quantificar a sinceridade do seu amor e de equilibrá-la com as suas ações insinceras do passado, nomeadamente a negação. Em vez disso, Pedro limitou-se a reconhecer: «Senhor, Tu sabes todas as coisas; Tu sabes que Te amo.»
Jesus sabia todas as coisas, pelo menos após a Sua ressurreição, e estava a perguntar porque queria que Pedro respondesse, não porque não soubesse. Deus tem vindo a fazer perguntas às pessoas, cujas respostas já conhecia, desde o Jardim do Éden.
Deus sabe o quanto O amamos, ainda melhor do que nós próprios sabemos. Em vez de tentarmos dizer a Deus o grau exato da profundidade do nosso amor, reconheçamos simplesmente que Deus sabe e desejemos aproximar-nos mais Dele e amá-Lo mais.
P: João 21:15-19 demonstra que Pedro foi o primeiro Papa, como afirmam alguns católicos romanos?
R: Não, pelo contrário, mostra que Pedro tinha errado ao negar Jesus três vezes, que Jesus estava a reabilitar Pedro e que este tinha responsabilidades como apóstolo. Pedro negou Jesus três vezes, pelo que Jesus perguntou a Pedro se o amava três vezes.
P: De que forma João 21, 18 profetizou a morte de Pedro?
R: Jesus disse que Pedro iria morrer, e a ênfase recaiu tanto sobre a situação anterior à sua morte como sobre a atitude de Pedro. De acordo com a tradição da Igreja, Pedro foi crucificado em Roma. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, a seu pedido, porque não se sentia digno de morrer da mesma forma que Jesus morreu.
A obra «Sobre os Doze Apóstolos» (ANF, vol. 5, pp. 254-255) afirma: «Pedro pregou o Evangelho no Ponto, na Galácia e na Capadócia [todas na Ásia Menor], bem como na Betânia, na Itália e na Ásia, tendo sido posteriormente crucificado por Nero em Roma, com a cabeça virada para baixo, tal como ele próprio desejara sofrer dessa forma.»
P: Em Jo 21,18, como é que todos os apóstolos morreram?
R: A obra «Sobre os Doze Apóstolos» (ANF, vol. 5, pp. 254-255) afirma: «Pedro pregou o Evangelho no Ponto, na Galácia e na Capadócia [todas na Ásia Menor], na Betânia, na Itália e na Ásia, tendo sido posteriormente crucificado por Nero em Roma, com a cabeça virada para baixo, tal como ele próprio desejara sofrer dessa forma.
Andrés pregou aos citas [na Rússia] e aos trácios, e foi crucificado, suspenso numa oliveira em Patras, uma cidade da Acaia [na Grécia]; e ali mesmo foi sepultado.
João, novamente na Ásia, foi banido pelo rei Domiciano para a ilha de Patmos, onde também escreveu o seu Evangelho e teve a visão apocalíptica; e, no tempo de Trajano, adormeceu em Éfeso, onde os seus restos mortais foram procurados, mas não foram encontrados.
Tiago, seu irmão, enquanto pregava na Judeia, foi morto à espada por Herodes, o tetrarca, e foi sepultado nesse local. Eusébio 2:9 refere que foi decapitado.
Filipe pregou na Frígia [na Ásia Menor] e foi crucificado em Hierápolis, com a cabeça virada para baixo, no tempo de Domiciano, tendo sido sepultado nesse local.
Bartolomeu voltou a pregar aos índios, a quem também entregou o Evangelho segundo Mateus, tendo sido crucificado de cabeça para baixo e sepultado em Albanum, uma cidade da Grande Arménia.
E Mateus escreveu o Evangelho na língua hebraica e publicou-o em Jerusalém, tendo adormecido em Hierees, uma cidade da Pártia [Irão]. Papias (95-110 d.C.) também regista que o Evangelho de Mateus foi escrito em hebraico.
E Tomé pregou aos partos, medos, persas, hircanianos, bactrianos e margianos (magos?) [todos no Irão e no Afeganistão, bem como nas antigas repúblicas soviéticas], tendo sido perfurado nos quatro membros do seu corpo com uma lança de pinho em Calamene, cidade da Índia, onde foi sepultado.
E Tiago, filho de Alfeu, ao pregar em Jerusalém, foi apedrejado até à morte pelos judeus e foi sepultado ali, junto ao templo. Josh McDowell afirma que foi crucificado.
Judas, também chamado Lebbaeus, pregou ao povo de Edessa e a toda a Mesopotâmia, adormeceu em Berito e foi sepultado nesse local. Josh McDowell afirma que foi morto por flechas.
Simão, o Zelote, filho de Cleofas, também chamado Judas, tornou-se bispo de Jerusalém após Tiago, o Justo (irmão do Senhor), adormeceu e foi sepultado ali aos 120 anos de idade. Josh McDowell afirma que foi crucificado.
E Matias, que era um dos setenta, foi incluído entre os onze apóstolos, pregou em Jerusalém, adormeceu e foi sepultado ali.
E Paulo ingressou no apostolado um ano após a Assunção de Cristo; e, começando por Jerusalém, avançou até à Ilíria, à Itália e à Espanha, pregando o Evangelho durante trinta e cinco anos. E, no tempo de Nero, foi decapitado em Roma e ali foi sepultado.»
Além disso, segundo a lenda, o apóstolo Tomé visitou o norte da Índia sob o reinado de Gondofares e ali pregou. Gondofares reinou entre cerca de 19 d.C. e 45 d.C.
p. 25»
P: Em Jo 21, 20-23, de que forma é que algumas pessoas hoje em dia se distraem com perguntas desnecessárias?
R: Não há problema em fazer perguntas, mas se não puder fazer todas as suas perguntas, certifique-se de obter primeiro a informação mais importante. Quando um não crente questiona algo sobre a Bíblia, pode começar por lhe perguntar, em resposta: «Se eu respondesse a esta pergunta, isso aproximá-lo-ia da decisão de aceitar Cristo?» Se a resposta for «não», pergunte-lhe então: «O que o aproximaria de aceitar Jesus como seu Senhor e Salvador?»
p. 25»
P: Em Jo 21, 22-23, o que é que Jesus está a dizer aqui sobre João?
R: Na verdade, Jesus está aqui a falar mais sobre Pedro do que sobre João. Jesus está a dizer que Pedro está a ser demasiado intrometido, preocupando-se com a forma como João irá morrer. (Pedro provavelmente pensou que, uma vez que Jesus falara da morte de Pedro, ele queria saber sobre a morte de João.) Jesus está a dizer que, mesmo que João viesse a permanecer vivo até ao regresso de Jesus, isso não é da conta de Pedro.
Tertuliano, que escreveu entre 198 e 220 d.C. na obra «Tratado sobre a Alma», cap. 50, pp. 227-228, afirma que havia uma falsa expectativa de que João permanecesse vivo até à vinda do Senhor.
Na realidade histórica, João teve uma morte natural. Viveu mais tempo do que qualquer um dos outros apóstolos e, de facto, voltou a ver Jesus antes de morrer: numa visão no Apocalipse.
Devemos aceitar com serenidade o facto de que há algumas coisas que Deus não deseja que saibamos neste momento. Por exemplo, ao longo de todo o Novo Testamento, , está presente a ideia de que Cristo pode regressar a qualquer momento, pelo que devemos estar atentos a Ele e ter cuidado com a forma como vivemos. Esta doutrina, denominada «regresso iminente de Cristo», é referida em 1 Tessalonicenses 4:15, onde o próprio Paulo não sabia se Cristo regressaria antes da sua morte ou não.
P: Em Jo 21:24, o que há de interessante no grego aqui?
R: Os manuscritos eram frequentemente escritos em maiúsculas e, em muitos deles, não havia espaços entre as palavras. No entanto, isso raramente causa ambiguidade no significado. Aqui temos uma exceção conhecida. As letras gregas poderiam significar tanto «Nós sabemos» como «Eu sei com certeza». Contudo, os manuscritos gregos que apresentam espaços entre as palavras indicam-no todos como «Nós sabemos». Não há, porém, qualquer diferença significativa entre «Nós sabemos» e «Eu sei com certeza».
P: Em Jo 21,25, por que razão não temos um registo de todas as outras coisas que Jesus fez?
R: Muitos parecem ter já dificuldade suficiente em ler o que está registado sobre Jesus. Mesmo na vida de Jesus, havia muitos factos que não eram importantes, tais como a posição em que dormia, a sua altura, o seu peso, a forma como comia, etc. Pela fé, confiamos que Deus preservou para nós tudo o que precisamos de saber, e devemos ser diligentes na leitura de tudo isso.
P: No Evangelho de João, que provas existem de que foi João quem escreveu o Evangelho de João?
R: A Igreja primitiva aceitou universalmente o Evangelho de João como tendo sido escrito pelo apóstolo João.
A p. 66 (Papyri de Bodmer II) (datada de c. 175 ou c. 125-150 d.C.) contém a maior parte do Evangelho de João. O título que figura na p. 66 de Bodmer é «O Evangelho Segundo João». Pode ver-se uma fotografia do mesmo em *The Text of the Earliest New Testament Greek Manuscripts*, p. 378.
Referências indiretas: Embora Inácio, a Epístola de Barnabé e «A Carta a Diogneto» façam alusão a João, e Justino Mártir cite João afirmando que as palavras eram de Jesus, nenhum deles mencionou João pelo nome.
Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.) foi o primeiro a mencionar que o Evangelho era de João, tanto de acordo com o meu próprio estudo como com o *Believer’s Bible Commentary*, p. 1463. Ele escreve «João diz» e, em seguida, cita João 1:1a em *Teófilo a Autólico*, livro 2, cap. 22, p. 103.
Irineu de Lyon (182-188 d.C.), na obra «Contra as Heresias», livro 3, cap. 16.2, p. 440, menciona o apóstolo João juntamente com os outros autores dos evangelhos. No livro 3, cap. 11.1-2, p. 426, cita João 1:1, 10, 11, 14 como sendo da autoria de João.
Clemente de Alexandria (193-202 d.C.), na obra *Stromata*, livro 2, capítulo 15, p. 361, refere que o Evangelho de João é da autoria do apóstolo João.
Hipólito (225-235/6 d.C.) refere-se a «João no seu Evangelho» e, em seguida, cita João 1:1. Contra a Heresia de Noeto, capítulo 14, p. 228
Cipriano, bispo de Cartago (c. 246-258 d.C.), cita o Evangelho de João como sendo da autoria de João no Tratado 12, terceiro livro, n.ºs 24 e 25, p. 542.
Novaciano, em «Sobre a Trindade», cap. 13, p. 622 (257 d.C.), cita João 1:14, afirmando que se trata de uma obra de João. Apresenta também inúmeras outras citações de João.
O «Comentário Bíblico do Crente», p. 1463, afirma que, até ao século XIX, ninguém rejeitou João como autor do Evangelho de João, com exceção de um culto obscuro denominado «Alogi».
Quanto à fiabilidade do Evangelho de João em geral, consulte as próximas três perguntas.
P: Quando foi escrito o Evangelho de João?
R: Dispomos de um fragmento do Evangelho de João, denominado «manuscrito John Rylands», cuja datação por radiocarbono aponta para o período entre 117 e 138 d.C., pelo que teve de ter sido escrito antes dessa data. O Evangelho de João foi provavelmente escrito entre 70 d.C. e 125 d.C.
Opiniões de vários autores
A «New Geneva Study Bible», na página 1656, afirma que a tradição da Igreja sugere que foi por volta de 90 d.C.
O «Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 267, indica que foi provavelmente entre 85 e 95 d.C. Alguns críticos tentaram atribuir-lhe uma data tão tardia quanto 150 d.C., com base em semelhanças com escritos gnósticos. Outros datam-no de um período tão precoce quanto 45-66 d.C.
O «Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento», p. 268, afirma que os achados arqueológicos corroboram João 4:11; 5:2-3, que estudos lexicais, como o da palavra «synchrontai» em João 4:9, e os Manuscritos do Mar Morto apoiam uma data precoce para o Evangelho de João.
O «New International Dictionary of the Bible», p. 534, afirma que o Evangelho de João foi escrito «em algum momento perto do final do século I d.C.».
O cético «Asimov’s Guide to the Bible», na p. 954, afirma que o quarto evangelho é posterior aos outros, mas que, por volta de 150 d.C., parece já ter sido conhecido e referido por escritores. Talvez 100 d.C. seja uma data provável, embora possa ser ainda um pouco mais tardia.
Provas:
De acordo com o «Wycliffe Bible Dictionary», p. 937, João estava familiarizado com detalhes de Jerusalém anteriores à sua destruição, tais como a Piscina de Betesda (João 5:2) e o pavimento (João 19:13). Utilizou alguma terminologia também utilizada em Qumran Uma harmonização dos Evangelhos, denominada Papiro de Egerton 2, contém João 5 e data de um período não posterior a 150 d.C. (Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1464, para mais informações sobre este assunto.)
Valentín citou o Evangelho de João no seu «Evangelho da Verdade», escrito por volta de 140 d.C.
As catacumbas romanas apresentam pinturas de Cristo como o Bom Pastor e da ressurreição de Lázaro, datadas de cerca de 150 d.C.
P: No Evangelho de João, como sabemos que o que temos hoje é uma preservação fiável do que foi originalmente escrito?
R: Existem, pelo menos, três boas razões.
1. Deus prometeu preservar a Sua palavra em Isaías 55:10-11; Isaías 59:21; Isaías 40:6-8; 1 Pedro 1:24-25; e Mateus 24:35. Admite-se abertamente que, em última análise, isto implica um certo grau de confiança em Deus. Se Deus realmente quisesse comunicar algo, desejaria que isso fosse preservado.
2. As evidências da Igreja primitiva. Aqui estão alguns dos escritores cristãos e não cristãos que se referiram a versículos do Evangelho de João.
Curiosamente, 1 Clemente não contém qualquer passagem que possa ser considerada uma referência ao Evangelho de João. O Evangelho de João foi o último evangelho a ser escrito, e 1 Clemente foi redigido numa época tão precoce (96-98 d.C.), pelo que o Evangelho de João talvez ainda não tivesse chegado a Clemente em Roma.
Inácio (110-117 d.C.) faz alusão a João 3:8. «Pois sabe de onde vem e para onde vai» — Carta de Inácio aos Filadelfianos, cap. 7, p. 83. O «Believer’s Bible Commentary», p. 1463, também afirma que Inácio faz alusão a João.
Os Anciãos (95-117 d.C.) [Papias?] citam metade de João 14:2 como «O Senhor disse»: «por isso o Senhor disse: “Na casa do meu Pai há muitas moradas:”» — fragmento 5, p. 154
Inácio de Antioquia (c. 100-117 d.C.) faz alusão a João 3:8. «Pois sabe de onde vem e para onde vai.» Carta de Inácio aos Filadelfianos, cap. 7, p. 83
«Mathetes a Diogneto» (c. 130-200 d.C.), cap. 6, p. 27, faz alusão a João 17:11, 14, 16. «Os cristãos habitam no mundo, mas não são do mundo.»
A Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.), cap. 6, p. 141, faz alusão a João 1:14: «Ele deveria manifestar-se na carne e habitar entre nós.»
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) cita João 3:5 como sendo de Jesus e parafraseia João 3:14.
O Diatessaron de Tatiano (c. 172 d.C.) cita 828,0 dos 879 versículos do Evangelho de João, ou seja, 94,2%. Isso corresponde a todos os versículos, com exceção de 51,0. O Diatessaron contém João 1:1-5, 1:7-28; 1:29 e seguintes (19/21 palavras); 1:30-40; 1:41a (14/18 palavras); 1:42a (19/22 palavras); 1:43-51; 2:1-11,14; 2:16-22,23 e seguintes (11/24 palavras); 2:24-25; 3:1-36; 4:1-2,3a (3/8 palavras); 4:4-44; 4:45a (10/26 palavras); 4:46-54; 5:1; 5:2m (5, e não 7, 7 palavras); 5:3-47; 6:1m (4, e não 6, 2 palavras); 6:2f (6/14 palavras); 6:3-4; 6:5a (17/23 palavras); 6:6-9; 6:10m (não 7, 7, não 8 palavras); 6:12-18; 6:19m (6, não 14, 2 palavras); 6:21a (7/18 palavras); 6:22a (4/37 palavras); 6:23-71; 7:1-52; 8:12-18; 8:19f (25/26 palavras); 8:20-24; 8:25a (10/17 palavras); 8:26-59; 9:1-41; 10:1-42; 11:1-57; 12:1-11; 12:12 e seguintes (15/17 palavras); 12:13; 12:16-50; 13:1-30; 13:31 e seguintes (12/17 palavras); 13:32-36; 13:37 e seguintes (6/18 palavras); 13:38a (8/21 palavras); 14:1-31; 15:1-27; 16:1-33; 17:1-26; 18:1-2; 18:4-10; 18:11m (4, e não 8, das 11 palavras); 18:12-24; 18:25a (7/24 palavras); 18:26; 18:28f (13/26 palavras); 18:29-37; 18:38a (13/24 palavras); 18:39-40; 19:2a (11/16 palavras); 19:4-17; 19:19-37; 19:38m (não 2, 6, não 4 palavras); 20:2-19; 20:20m (não 10, 4, não 3 palavras); 20:21-31; 21:1-25. As frações indicam o número de palavras gregas citadas em relação ao total de palavras gregas.
Os cristãos de Viena e Lugdunum (177 d.C.) citam João 16:2. ANF, vol. 8, p. 779
Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.) escreve: «João diz» e, em seguida, cita João 1:1a. Teófilo a Autólico, livro 2, cap. 22, p. 103
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) cita João 1:14 como sendo de João. Irineu, Contra as Heresias, livro 1, cap. 8.5, p. 328-329. Irineu cita João 1:6 em Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 11.4, p. 427.
Cânone Muratoriano 1. (c. 190-217 d.C.) «O quarto Evangelho é o de João.»
Clemente de Alexandria (193-202 d.C.) «João escreveu o seu Evangelho.» *Stromata*, livro 5, cap. 12, p. 463
Tertuliano (c. 213 d.C.) cita João 1:14 e afirma que foi escrito por João e que se encontra «no Evangelho de João», em *Contra Praxeas*, cap. 226, p. 622.
Tertuliano (207/208 d.C.) salienta a autoria de Mateus, Marcos, Lucas, João, do Apocalipse e de muitas das Cartas de Paulo em «Cinco Livros Contra Marcião», livro 4, cap. 5, p. 350.
Hipólito (225-235/6 d.C.), ao discutir João 1:1-3, afirma que este evangelho foi escrito pelo bem-aventurado João, na obra «Contra a Heresia de um certo Noeto», n.º 14, p. 228.
Hipólito menciona «João no seu Evangelho» e, em seguida, cita João 1, 1, na obra «Contra a Heresia de um certo Noeto», capítulo 14, p. 228.
Orígenes (c. 225-253/254 d.C.) escreveu um comentário completo sobre o Evangelho de João.
Orígenes (225-254 d.C.) menciona Mateus, Marcos, Lucas e João. Orígenes, «Contra Celso», livro 5, cap. 56, p. 568. Cita também Mateus 18:1 no «Comentário de Orígenes sobre Mateus», livro 13, cap. 14, p. 482.
Orígenes cita João 9:39 na obra «Contra Celso», livro 7, cap. 39, p. 626
Novatiano (250-257 d.C.) afirma que João 1:14 é da autoria de João no «Tratado sobre a Trindade», cap. 13, p. 622
O «Tratado Contra Novaciano», capítulo 2, p. 657 (254-256 d.C.), afirma que João 10:1 é de João, o evangelho.
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) menciona o «Evangelho segundo João» e, em seguida, cita João 3:18, 19 nos «Tratados de Cipriano — Testemunhos», cap. 31, p. 543. Ver também o «Tratado 2», segundo livro, cap. 1, p. 516. Ver também a sua citação de João 15:18-20 como sendo de João nos «Tratados de Cipriano», Tratado 3, cap. 29, p. 542
A «Carta dos Anciãos de Roma a Cipriano» (250-251 d.C.) cita João 10:11,12. Cita também João 16:17. Ambas as passagens foram referidas como «do próprio Senhor», em «Cartas de Cipriano», Carta 2, p. 280.
Firmiliano de Cesareia, numa carta a Cipriano (256 d.C.), cita João 20, 22-23 como «no Evangelho». Carta 74, cap. 16, p. 384
Firmiliano de Cesareia, numa carta a Cipriano (256 d.C.), cita João 17:21. Carta 74, cap. 3, p. 391
Nemesiano de Thubunae, no Sétimo Concílio de Cartago, p. 566 (c. 256 d.C.), cita João 3:5 e, posteriormente, João 3:6.
Libósio de Vaga, no Sétimo Concílio de Cartago, p. 569 (c. 256 d.C.), cita um quarto de João 14:6: «O Senhor diz: “Eu sou a verdade.”»
Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.): «Foi “no fim do sábado”, como diz Mateus; foi “de madrugada, quando ainda estava escuro”, como escreve João; foi “muito cedo pela manhã”, como afirma Lucas; e foi “muito cedo pela manhã, ao nascer do sol”, como nos diz Marcos. Assim, ninguém nos indicou claramente a hora exata em que Ele ressuscitou.» Carta 5 ao bispo Basilides, p. 94. Dionísio de Alexandria aceitava que o Evangelho de João fosse da autoria de «João», mas questionava se teria sido escrito pelo apóstolo ou por outro João.
Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.) cita na íntegra João 20:1 na «Epístola ao Bispo Basilides», cânone 1, p. 95
A Carta de Himeneu (268 d.C.) refere-se a João 1:3-4,18
Adamantio (c. 300 d.C.): «Concordará se eu demonstrar, a partir dos Evangelhos, que estes não são invenções?» … «Foram escritos pelos discípulos de Cristo: João e Mateus; Marcos e Lucas.» «Diálogo sobre a Verdadeira Fé», Primeira Parte, «b 5», p. 41
Adamantio (c. 300 d.C.) cita todo o texto de João 1:17 como sendo de João, o Evangelista. «Diálogo sobre a Verdadeira Fé», quinta parte, cap. 11, p. 160.
Arnóbio (297-303 d.C.) alude a João 8:46: «O que, então, vos constrange, o que vos leva a injuriar, a difamar, a odiar implacavelmente Aquele a quem nenhum homem pode acusar de qualquer crime?» (Arnóbio, Contra os Pagãos, livro 1, cap. 64, p. 432)
Victorinus de Petau (martirizado em 304 d.C.) menciona Jesus como o Verbo de Deus e cita João 1:1, tal como o faz João, o Evangelista, no «Comentário sobre a Criação do Mundo». Victorinus de Petau (martirizado em 304 d.C.) menciona Mateus, Marcos e Lucas no «Comentário sobre o Apocalipse do Beato João», a partir do capítulo 4, n.ºs 7-10, p. 348
Pedro de Alexandria (306, 285-311 d.C.) refere-se ao Evangelho de João. Do Fragmento 5.7, p. 282
Metódio (270-311/312 d.C.) cita João 1, 1-2 em «Extrato da Obra sobre as Coisas Criadas», cap. 6, p. 381
Atanásio (318 d.C.) cita João 3,3.5. «Ele [Jesus] diz Ele próprio nos Evangelhos: “Vim para procurar e salvar o que estava perdido.”» *A Encarnação do Verbo*, cap. 14, p. 43. Antes de Nicéia, Atanásio refere-se a João 1,1 (citação em *Contra os Pagãos*, cap. 42, p. 26) 1,3 (citado como «as palavras de João» em *A Encarnação do Verbo*, cap. 2.6, p. 37); 3,3,5; 9,32,33 (citado em *A Encarnação do Verbo*, cap. 39.6, p. 57); 10:17,18 (alusão em «A Encarnação do Verbo», cap. 22.3, p. 48); 10:37 (citado em «A Encarnação do Verbo», cap. 18.2, p. 46); 12:32 (citado em «A Encarnação do Verbo», cap. 25.4, p. 50); citação do terço central de 14:9 (Contra os Pagãos, cap. 45, p. 28); citação de um quarto de 14:10 (Contra os Pagãos, cap. 47:2, p. 29). Atanásio não faz referência a quaisquer outros versículos do Evangelho de João antes de Nicéia, mas refere-se a muitos outros versículos do mesmo Evangelho após Nicéia.
Lactâncio (c. 303-320/325 d.C.) cita João 1:1-3 como «João também ensinou assim». *Instituições Divinas*, livro 4, cap. 9, p. 107
Alexandre de Alexandria (313-326 d.C.) cita João 1:1-3 e João 1:18 como sendo de João. «Epístolas sobre a Heresia Ariana», cap. 4, p. 292
Alexandre de Alexandria (313-326 d.C.) cita João 5:1 como «o próprio Senhor testemunhou». «Epístolas sobre a Heresia Ariana», cap. 11, p. 295
Consulte a próxima pergunta para saber quais versículos e partes de versículos foram citados e quais não foram.
Após Nicéia
A «História Eclesiástica» de Eusébio (318 d.C.), livro 3, cap. 24, p. 152, discute os quatro evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. «Padres Nicenos e Pós-Nicenos», Segunda Série, vol. 1, p. 152
Juvêncio (329 d.C.) escreveu um poema épico que combinava os quatro evangelhos.
Eustáquio (antes de 337 d.C.)
Afrahat, o Sírio (337-345 d.C.), menciona Lázaro a sair do túmulo e o Senhor a dizer: «Sai». Cita parte de João 11:43, afirmando que foi Jesus quem o disse. «Demonstrações Selecionadas», Demonstração 8, cap. 14, p. 379
Afrahat, o Sírio (337-345 d.C.), cita parte de João 15:15, afirmando que foram as palavras de Jesus. «Demonstrações Selecionadas», Demonstração 1, cap. 8, p. 348
Serapião (após 362 d.C.)
Faustino (século IV)
Josipo (século IV)
Zenão (século IV) refere-se a João 3:13
Hegemónio (meados do século IV d.C.), ao traduzir Arquelao (262-278 d.C.), cita João 8:44, afirmando que essas palavras foram proferidas por Jesus. (Arquelao está a falar) «Disputa com Manes», cap. 31, p. 205
Teodoro de Heracleia (355 d.C.)
Victorinus de Roma (após 363 d.C.) refere-se a João 1:3-4
Atanásio (367 d.C.) enumera os livros do Novo Testamento na Carta Festiva 39, p. 552
Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.) refere-se com autoridade a João, Lucas, Mateus e Marcos. Sobre a Trindade, livro 10, cap. 43, p. 193
A «Synopsis Scripturae Sacrae» (350-370 d.C. ou século V) menciona João como parte do Novo Testamento. Cita na íntegra João 1:1-3.
O cismático Lúcifer de Cagliari (370/371 d.C.) refere-se a João 3:13; 10:8; 14:15, 17, 22
Efraim/Efrém, o Sírio (350-378 d.C.), cita João 11:6 em «Três Homilias», Homilia 1, cap. 11, p. 309
Basílio da Capadócia (357-379 d.C.) cita João 1:1a como sendo de João em «Sobre o Espírito», cap. 6.14, p. 8
O Sínodo de Laodicéia (na Frígia) (343-381 d.C.), no cânone 60, p. 159, enumera os livros do Antigo Testamento e do Novo Testamento. O cânone 59, p. 158, estabelece que apenas os livros canónicos do Antigo e do Novo Testamento podem ser lidos na igreja.
Ambrosiaster (após 384 d.C.)
Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) cita João 1:1 como sendo de João, o Divino, na Palestra 12.1, p. 72
O Cânone de Cheltenham (= Catálogo de Mommsen) (c. 360-370/390 d.C.) refere-se a cada um dos quatro evangelhos.
Ambrósio de Milão (340-390 d.C.)
Apolinário de Laodicéia (c. 390 d.C.)
Fevádio (após 392 d.C.)
Gregório de Nanzianzo (330-391 d.C.)
Paciano de Barcelona (342-379/392 d.C.) menciona dois evangelistas: Mateus e João. Carta 3, cap. 11.1, p. 51
Gregório de Elvira (após 392 d.C.)
Anfilóquio (-397 d.C.) cita João em *Iambi ad Seleucum*
Gregório de Nissa (335-397 d.C.) afirma que João 1:3 é da autoria de João, em Contra Eunómio, livro 2, cap. 7, p. 112
Dídimo, o Cego (398 d.C.) refere-se a João 3:13 e a outras passagens.
Livro Siríaco dos Degraus (=Liber Graduum) (350-400 d.C.)
Asterius de Emesa (c. 400 d.C.)
Catálogo sírio de Santa Catarina (c. 400 d.C.)
Epifânio de Salamina (360-403 d.C.) menciona o Evangelho de João no *Panarion*, secção 3, capítulo 44, p. 342. Ele também faz referência a João 1:42; 2:12; 3:13; 5:1; 8:39, 57; 10:11; 12:32; 13:18; 16:13
Rufino (374-406 d.C.)
Gaudêncio (após 406 d.C.)
João Crisóstomo (392-407 d.C.) redigiu 88 sermões sobre o Evangelho de João. Afirmou que este foi escrito pelo filho de Zebedeu, o «filho do trovão», que detém as chaves do céu.
Cromácio (407 d.C.)
Severiano (após 408 d.C.)
Niceta de Remesiano (366-c. 415 d.C.) refere-se a João 6:64; 10:38; 11:25; 16:27; 20:23
Orosio/Hósio de Braga (414-418 d.C.) alude a Mateus 26:47-50; Marcos 14:43-46; Lucas 22:47-48; e João 18:3-9. Defesa contra os pelagianos, cap. 8, p. 124
Sulpício/Sulpício Severo (aluno de Martinho) (363-420 d.C.)
Sínodo de Cartago (218 bispos) (393-419 d.C.)
Jerónimo (317-420 d.C.) menciona cada um dos quatro evangelhos pelo nome na carta 53.9, p. 101.
Sozomono (370/380-425 d.C.) — «História Eclesiástica» de Sozomono
Agostinho de Hipona (354-430 d.C.) referiu-se aos quatro evangelhos na sua obra intitulada «Harmonia dos Evangelhos».
João Cassiano (419-430 d.C.) afirma que João 1:11 é da autoria do evangelista João, de acordo com os «Sete Livros de João Cassiano», livro 3.7, p. 577
Marco Eremita (após 430 d.C.)
Nonnus (431 d.C.)
Paulino de Nola (431 d.C.)
Paulo de Emesa (após 432 d.C.)
Cirilo de Alexandria (444 d.C.)
O *Speculum* (século V) faz referência a João 13:10 e a outras passagens.
Sócrates de Constantinopla (c. 400-439 d.C.)
Hesíquio de Jerusalém (-450 d.C.) (pronuncia-se HESS-us) refere-se aos quatro evangelhos, incluindo João 1:3-4,13; 3:13; 6:47; 10:8; 11:25; 12:32; 16:23; 17:11,24
Teodoreto de Ciro (bispo e historiador) (423-458 d.C.)
Quodvultdeus (c. 453 d.C.)
Próspero de Tyro, da Aquitânia (426-465 d.C.)
Varimadum (445/480 d.C.) refere-se a João 8:16 e a outras passagens.
Evidências de hereges e livros espúrios
O herege encratita Tatiano (c. 172 d.C.) escreveu uma harmonia dos quatro evangelhos denominada Diatessaron, que significa «através dos quatro». Nela, refere-se a 828,05 versículos do Evangelho de João. Isso corresponde a 94,2% de todo o Evangelho de João.
Constituições Apostólicas (375-380 d.C.)
Os hereges gnósticos Basilides e Valentino, segundo Hipólito
O herege gnóstico Heracleão refere-se a João 1:26; 4:51, segundo Orígenes.
Prisciliano (c. 385 d.C.) refere-se a João 8:25 e a outros versículos.
O herege ariano Eunómio de Cízico (c. 360-c. 394 d.C.) cita partes de João 1:3 como sendo de «o bem-aventurado João», Carta Apologética, cap. 26, p. 71
O herege Pelágio refere-se a João 7:37 e a outras passagens.
O herege maniqueísta Fausto-Milevis (383-400 d.C.) cita João 3:3 como se estivesse no Evangelho — «Resposta de Agostinho a Fausto, o Maniqueísta», livro 24, cap. 1, «Pais Nicenos e Pós-Nicenos», Primeira Série, vol. 4, p. 317
O herege donatista Ticónio (após 390 d.C.) refere-se a João 7:39 e a outras passagens.
O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (428 d.C.)
Ainda hoje dispomos de todos estes textos.
3. Os manuscritos mais antigos que possuímos de João revelam que existem pequenas variações entre os manuscritos, mas nenhum erro teologicamente significativo.
p. 2 João 12:12-15 (século VI)
Século VI – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 5 (= Papiro de Oxirrinco 208, 1781) João 1:23-31, 33-40; 16:14-30; 20:11-17, 19-20, 22-25 (47 versículos), início do século III. A obra «O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento» apresenta uma fotografia do mesmo na p. 62. Indica que o manuscrito é de qualidade normal, exceto pelo facto de o copista ter tendência para omitir pronomes e conjunções desnecessários. Trata-se de um texto ocidental.
Século III – 1968 – O livro «O Texto do Novo Testamento» também inclui João 1:41.
Início do século III – 1999 – «O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento». Mostra que João 1:41 está presente, mas nenhuma das letras é muito nítida.
p. 6 João 10:1-2, 4-7, 9-10; 11:1-8, 45-52 (século IV) Concorda com o Vaticanus.
Século IV – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 22 (= Papiro de Oxirrinco 1228) (c. 250 d.C.) João 15:25-27; 16:1-2, 21-32
Século III - 1968 - O Texto do Novo Testamento.
p. 28 (= Papiro de Oxirrinco 1596) (século III) João 6:6-12, 17-22
Século III – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 36 João 3:14-18, 31-32, 34-35 (texto misto do século VI.
Século VI — 1968 — O Texto do Novo Testamento não contém 3:34-35.
p. 39 (= Papiro de Oxirrinco 1780) João 8:14-22, primeira metade do século III. A obra «O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento» apresenta uma fotografia do mesmo na p. 138. Afirma ainda que a p. 39 é, palavra por palavra, idêntica ao Vaticanus, o que a torna alexandrina.
Século III – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
Primeira metade do século III — Philip Comfort, C.H. Roberts e T.C. Skeat.
Século III — Aland (3.ª edição) e Aland (4.ª edição revista).
p44a João 10:8-14 (séculos VI a VII)
Séculos VI a VII — 1968 — O Texto do Novo Testamento.
p. 44b João 9:3-4; 12:16-18, bem como Mt 17:1-3, 6-7; 18:15-17, 19; 25:8-10 (séculos VI a VII)
Séculos VI a VII – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 45 Chester Beatty I. Grande parte dos quatro evangelhos e dos Atos dos Apóstolos. Inclui João 4:51,54; 5:21,24; 10:7-25; 2 das 16 letras completas de 10:30; 10:31-11:10; 11:18-36,42-57. Foi copiado entre 100 e 150 d.C. (anteriormente considerado do final do século II ou início d e do século III.) A obra *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts* apresenta uma fotografia de uma das suas páginas na p. 146. A obra *A General Introduction to the Bible*, na p. 389, refere que o rolo original tinha cerca de 220 folhas, das quais dispomos de 30: 2 folhas de Mateus, 2 de João, 6 de Marcos, 7 de Lucas e 13 de Atos.
Século III – 1968 – O Texto do Novo Testamento
Século III – 1975 – Aland et al., terceira edição
Século III – 1998 – Aland et al., 4.ª edição revista
Final do século II ou início do século III – 1999 – O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento.
Papiro p52 de John Rylands (fragmento de 2 1/2 por 3 1/2, contendo partes de João 18:31-33) 117-138 d.C. Acredita-se geralmente que outro fragmento, João 18:37-38, seja proveniente do mesmo rolo e é também referido como o Papiro de John Rylands. Esta passagem faz parte do julgamento perante Pilatos, em que Jesus admite ser rei.) Pode ver uma fotografia do papiro de John Rylands no Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 937, no Novo Dicionário Internacional da Bíblia, p. 534, em Manuscritos Gregos da Bíblia, pp. 62-63, e em Uma Introdução Geral à Bíblia, p. 388.
Início do século II – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 55 João 1:31-33, 35-38 (séculos VI a VII)
Séculos VI a VII — 1968 — O Texto do Novo Testamento.
p. 59 João 1:26, 28, 48, 51; 2:15-16; 11:40-52; 12:25, 29, 31, 35; 17:24-26; 18:1-2, 16-17, 22; 21:7, 12-13, 15, 17-20, 23 (século VII)
Século VII – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 60 João 16:29-30,32-17:6; 17:8-9,11-15,18-25; 18:1-2,4-5,7-16,18-20,23-29,31-37,39-40; 19;-3, 5-8, 10-18, 20, 23-26 (século VII) Texto alexandrino.
Século VII – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 63 João 3:14-18; 4:9-10 (c. 500 d.C.)
Século VII – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
c. 500 d.C. – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 66 Papiros de Bodmer II (808,5 versículos: João 1:1-6:11, 6:35b-14:26,29-30; 15:2-26; 16:2-4; 16:6-7; 16:10-20:20; 20:22-23; 20:25-21:9; 21:12,17 (fragmentos de João 19:16) (João 7:53-8:11 nunca estiveram presentes.) (datado de c. 175 ou c. 125-150 d.C.) Dispomos de 104 folhas e fragmentos de outras 40 folhas. Uma fotografia de João 6:58-64 do Papiro Bodmer II encontra-se no *New International Dictionary of the Bible*, p. 1003. A obra *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts* apresenta fotografias da p. 66 nas pp. 368-370. Observa-se que o manuscrito foi escrito por um escriba profissional, com dois corretores a introduzirem correções. A obra «A Arqueologia do Novo Testamento» (Finnegan), na p. 381, mostra que a página 137 está muito fragmentada e contém parte de João 19:16. A propósito, o título atribuído no « » ao Bodmer p. 66 é «O Evangelho Segundo João». Pode ver-se uma fotografia do mesmo em «O Texto dos Manuscritos Gregos Mais Antigos do Novo Testamento», na p. 378.
100-150 d.C. – 1960 – «Fome», segundo *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts*.
c. 200 d.C. – 1968 – «O Texto do Novo Testamento»
200-250 d.C. - 1987 - «Hunter», de acordo com *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts*.
Meados do século II — 1999 — «O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento» refere que este é o texto mais antigo que omite João 7:53-8:11 (o perícopo da adúltera). Esta data baseia-se, em parte, no facto de a caligrafia do Papiro Oxirrinco 1074 do Êxodo, do século II, ser extremamente semelhante.
Papiros p75 Bodmer 14/15 (a maior parte de Lucas e João. João 1:1-11:45; 11:48-57; 12:3-13:1; 13:8-9; 14:8-15; parte de 14:16; 14:17-29; 15:7-8) 175-200 d.C., ou 175-225 d.C. (João 7:53-8:11 nunca fizeram parte do manuscrito.) Originalmente com 144 folhas, conservamos 102 folhas) Muito semelhante ao Vaticanus (A General Introduction to the Bible, p. 390) A obra «O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento» apresenta uma imagem de parte do mesmo na p. 496. Afirma-se que este manuscrito foi escrito por um escriba profissional. Encontra-se uma fotografia de parte do rolo dos papiros Bodmer 14/15 no «Novo Dicionário Internacional da Bíblia», p. 706.
Início do século III – 1968 – O texto do Novo Testamento indica que os versículos são João 1:1-13:1-; 14:8-15:8, com lacunas.
Final do século II (c. 175 d.C.) – 1999 – O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento.
p. 76 João 4:9,12 (século VI)
Século VI – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 80 João 3:34, seguido de interpretação. Meados do século III.
Meados do século III – 1999 – O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento.
p. 90 João 18:36-19:7 (c. 175 d.C.) A obra «O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento» apresenta uma fotografia que mostra parte da p. 90 na p. 610.
Meados a finais do século II — 1999 — O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento.
p. 93 João 13:15-17 (século V)
p. 95 João 5:26-29, 36-38. Século III. A obra «O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento» apresenta uma fotografia do mesmo na p. 620.
Século III — 1999 — O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento.
p. 106 (= Papiro de Oxirrinco 4445) João 1:29-35; 40-46 (século III)
p. 107 (= Papiro de Oxirrinco 4446) João 1:1-2; 11 (século III)
p. 108 (= Papiro de Oxirrinco 4447) João 17:23-24; 18:1-5 (século III)
p. 109 (= Papiro de Oxirrinco 4448) João 21:18-20; 21:23-35 (século III)
0162 (=Papiro de Oxirrinco 847) João 2:11-22. Final do século III ou século IV. A obra «The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts» apresenta uma fotografia do mesmo na p. 632.
Final do século III ou início do século IV (c. 300 d.C.) – 1999 – «O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento».
0217 – Partes de João 12:1 e, possivelmente, outros versículos
Copta boairico [Boh] Séculos III/IV
Copta sahídico [Sah] Séculos III/IV
O Vaticanus [B] (325-350 d.C.) e o Sinaiticus [Si] (340-350 d.C.) contêm todo o Evangelho de João, com exceção de João 7:53-8:11.
O Alexandrinus [A], de cerca de 450 d.C., contém todo o Evangelho de João, com exceção de João 6:50-8:52.
O Códice de Washington (séculos IV/V) preservou todo o Evangelho de João, com exceção de João 14:25-16:7.
Sinaítico-siríaco, séculos IV-VII
T (século V) João 3:13,15; 5:1,3; 6:36,47,52,58 e, provavelmente, outros versículos.
Chester Beatty McAc1390 (provavelmente do século IV), em Dishna (perto de Nag Hamadi), contém João 10:8-18:38 em copta sahídico.
Cambridge, séculos V/VI
Arménio [Arm] do século V
Georgiano [Geo] do século V
Ephraemi Rescriptus [C], do século V
Gótico, 493-555 d.C.
Etíope [Eth] a partir de c. 500 d.C.
Note-se que os manuscritos até ao ano 200 d.C. (p. 45, p. 52, p. 66, p. 75, p. 90) contêm 855 dos 878 versículos do Evangelho de João (97%). Estes incluem os versículos 1:1-7:52; 8:12-14:30; 15:2-26; 16:2-4, 6-7, 10-33; 17:1-20:20; 20:22, 23, 25-31; 21:1-9, 12, 17. (embora não incluam 7:53-8:11).
Se adicionarmos os versículos do Evangelho de João presentes no Diatessaron (c. 172 d.C.) que não constam nos manuscritos até 200 d.C., teríamos mais 16 versículos: João 14:31; 15:1; 15:27; 16:1,5; 16:8-9; 20:21,24; 21:10-11; 21:13-16. Isto abrange todos os versículos do Evangelho de João, com exceção de 12.
Consulte www.BibleQuery.org/John Manuscripts.html para obter mais informações sobre os manuscritos antigos de João.
P: No Evangelho de João, que versículos e partes de versículos foram citados pelos escritores pré-nicenos (antes de 325 d.C.)?
R: Antes de 325 d.C., os escritores da Igreja citaram cerca de 96,7% dos versículos do Evangelho de João. Isso corresponde a 850,22 versículos. Por outras palavras, todos os 879 versículos do Evangelho de João foram citados, com exceção de 28,78 versículos. Os versículos e frações de versículos não citados são: João 1:42 e seguintes (2/22 palavras); 4:3 e seguintes (5/8 palavras); 4:45a (16/26 palavras); 5:2m (não 5, 4 nem 7 palavras); 6:1m (4, não 6, 2 palavras); 6:5 e seguintes (6/23 palavras); 6:10m (7, não 7, 8 palavras); 6:11; 6:19m (não 6, 14, não 2 palavras); 6:20; 6:21a (7/18 palavras); 6:22f (33/37 palavras); 7:53; 8:1-11; 8:19a (1/26 palavras); 8:25f (7/17 palavras); 13:31a (5/17 palavras); 13:38f (13/21 palavras); 18:3; 18:11m (não 4, 5, não 11 palavras); 18:25f (17/24 palavras); 18:27; 18:38 e seguintes (9/24 palavras); 19:1; 19:3; 19:18 e seguintes (12/15 palavras); 19:38m (2, e não 6, 4 palavras); 20:20m (10, e não 4, 3 palavras).
Todos os versículos ou partes de versículos aqui não enumerados foram citados. Consulte www.bibleQuery.org/Bible/BibleCanon/EarlyChristianNTQuotes.xls para mais informações.