Pergunta bíblica sobre o Génesis


P: No Génesis, como sabemos que o Génesis deve fazer parte da Bíblia?

R: Entre outras razões, porque Jesus e tantos outros na Bíblia autentificaram o Antigo Testamento e se referiram ao Génesis como Escritura. Consulte Mateus 19:4 e Marcos 10:4-9 para ver dois exemplos em que Jesus cita o Livro do Génesis como Escritura.


P: No Génesis, quem foi o primeiro a responder a perguntas sobre o Génesis?

R: Tanto quanto sei, a primeira pessoa a escrever respostas a perguntas sobre o Génesis foi Filo, um judeu helenístico de Alexandria, que viveu aproximadamente entre 20 a.C. e 50 d.C. Hoje dispomos de uma tradução arménia da sua obra. Ele escreveu uma obra em três partes, intitulada «Perguntas e Respostas sobre o Génesis». Conservámos as suas respostas a 244 perguntas de Génesis 1 a 17, de acordo com o ponto de vista de um judeu piedoso que foi fortemente influenciado pela filosofia platónica grega. Pode encontrar esta obra em «The Works of Philo: Complete and Unabridged» — nova versão atualizada, traduzida por C.D. Yonge, Hendrickson Publishers, 1993, quarta impressão de 1997.


P: Em Génesis 1, uma vez que algumas coisas têm de ser verdadeiras, como 1 = 1 e 1 + 1 = 2, terá Deus criado a matemática e os números? De que outra forma poderia Ele criá-los?

R: Deus criou tudo; no entanto, uma tautologia — que é algo que, por definição, é verdadeiro, tal como as coisas vermelhas são de cor vermelha — não é uma «coisa». Podemos especular que Deus criou todas as «coisas» na matemática que não sejam tautologias.


P: No Génesis 1, uma vez que Deus criou tudo, terá Ele criado as trevas, o mal e os buracos no solo? Se Ele criou o mal, não parece ser um Deus perfeitamente bom. Se não, então quem quer que o tenha feito parece ser também um criador.

R: Deus criou todas as coisas. A escuridão não é uma coisa, mas sim uma ausência ou redução de luz. O mal não é uma coisa, mas sim a ausência ou a distorção do bem. Os buracos, as trevas e o mal não foram criados diretamente por Deus, mas surgiram como tautologias, ou «subprodutos existenciais» da matéria, da luz e do bem. Da mesma forma, uma sombra não é uma coisa independente, dotada de matéria, energia ou espírito. No entanto, as plantas podem morrer nas sombras. Assim, as sombras têm uma «existência parasitária», mas continuam a existir realmente.


P: Em Génesis 1, uma vez que Deus criou tudo bom, por que razão ocorrem tornados, pragas e outros desastres?

R: Originalmente, tudo era bom. No entanto, Romanos 8:20-22 revela que, desde a Queda, a terra também foi «sujeita à futilidade». O mundo inteiro está sob o domínio do maligno (1 João 5:19), e o príncipe deste mundo é Satanás, de acordo com João 12:31; 14:30.


P: Em Génesis 1, qual é o argumento cosmológico?

R: Em primeiro lugar, eis uma forma simples, embora logicamente imprecisa, de o formular.

Não se pode obter algo do nada. Toda a coisa criada teve de ser criada. Mesmo a(s) primeira(s) coisa(s) criada(s) teve(ram) de ser criada(s) por algo ou alguém que já existia. Portanto, algo ou alguém teve de ser incriado e eterno.

Eis uma formulação mais rigorosa; as definições são da minha autoria.

Partimos do princípio de que todos possuem conhecimentos suficientes para ter uma definição adequada de lógica, contradição e não-contradição, evento, processo, «em», objeto, coleção, tempo, sequência, matéria, energia, espírito, causa, ser afetado por e afetar.

A existência real é aqui definida como o facto de estar neste universo, de ter a capacidade de ser afetado por algo neste universo ou de ter a capacidade de afetar algo neste universo. Esta seria uma definição demasiado restrita de «existência», uma vez que não tem em conta ideias, padrões e outras coisas. Assim, chamemos a isto «existência real» e restrinjamos a nossa discussão aqui à existência real.

Por «coisa real» entende-se aqui um objeto ou conjunto de matéria, energia, espírito ou combinação destes que possua existência real. As verdades lógicas, as contradições lógicas e as provas matemáticas não são consideradas coisas neste contexto.

A existência parasitária, a título de nota à parte, é definida como a existência real de coisas que não são coisas reais. Os vazios, a escuridão, a escassez, a incorreção e o mal não são matéria, energia nem espírito; no entanto, tal como uma sombra pode matar plantas que precisam de sol, ou a falta de alimento pode matar uma pessoa, as sombras e a falta de alimento têm existência real sem serem coisas reais.

O universo é aqui definido como um conjunto de coisas reais que existem efetivamente. Note-se que, nesta definição específica, o universo é autónomo e Deus (partindo do princípio de que Deus existe, é espírito e pode influenciar as coisas) está no universo.

Nada é aqui definido como algo que nunca existe efetivamente ou que não tem existência efetiva num determinado momento. Por outras palavras, antes de ser criada [ou depois de ser destruída], uma coisa real não se encontra no universo, não influencia o universo e não é influenciada pelo universo.

Uma causa é definida como tendo existência real, uma vez que afeta outras coisas no universo que têm existência real. Uma causa é, por definição, uma coisa real se puder possuir matéria, energia, espírito ou uma combinação dos elementos acima referidos.

A criação é aqui definida como o evento ou processo de produzir uma nova coisa real. A criação distingue-se da «modificação», que não requer necessariamente qualquer causa exterior à própria coisa. A criação de uma nova coisa real pode incluir a modificação ou a destruição de uma coisa real pré-existente, mas não tem de o fazer. No entanto, consulte o ponto seguinte.

Algo não pode surgir do nada. Toda a coisa real criada requer uma causa para a sua criação. Por outras palavras, nada pode ser criado a menos que alguma(s) coisa(s) ou ser(es) a tenha(m) criado. Algo não pode ser criado sem qualquer causa.

Algo não pode criar-se a si próprio. Nada pode criar-se a si próprio. Embora as coisas reais possam, por vezes, alterar-se a si próprias ou destruir-se a si próprias, nada pode ser a sua própria causa de criação.

Uma causa primeira. Embora as coisas reais criadas possam criar outras coisas reais criadas, em última análise, teve de haver uma causa primeira. Por outras palavras, numa sequência de causas, pelo menos uma causa teve de existir antes de todas as outras causas que requerem uma causa.

Não criado. Uma vez que pelo menos uma causa tem de não ter causa anterior, e toda a criação requer uma causa, pelo menos uma coisa ou ser com existência real é não criado e existia desde a eternidade passada, porque não teve criação.

Resumo: Toda a coisa real que existe teve, ou um momento específico ou um período de tempo em que existiu pela primeira vez, ou então não teve. Se não teve, é eterna e não criada. Se teve, então alguma coisa real foi a causa da sua existência.

Limitações: Este argumento não prova que a causa primeira seja um ser vivo, nem que exista apenas uma causa não criada, nem se ainda existem causas não criadas. Prova simplesmente que existiu, pelo menos, uma coisa de existência real (pessoal ou impessoal) que existiu eternamente sem ter sido criada.

Um dos primeiros autores a compreender claramente o argumento cosmológico e a referir-se a Deus como a causa primeira foi Filo, o Judeu, que viveu em Alexandria, no Egito, entre 15/20 a.C. e 50 d.C. R.C. Sproul e Norm Geisler dispõem de muitos materiais de qualidade sobre o argumento cosmológico.


P: O argumento de que «a complexidade do mundo indica que deve haver um criador» parece válido, até ser levado à sua conclusão lógica. E quanto à complexidade de Deus? Se um ser complexo requer um criador, então Deus deve requerer um criador ainda maior, e assim sucessivamente. Onde é que isto termina? O argumento acaba numa «regressão infinita», e não há resposta para isso. Haverá?
R: Antes de responder a este argumento, permitam-me primeiro aprofundar «o problema». Para além da complexidade, trata-se também de uma questão relacionada com uma forma defeituosa do argumento cosmológico. Se tudo tem uma causa, então também Deus deve ter uma causa. Mas, evidentemente, Deus não necessita de uma causa para a Sua criação, se for eterno e não criado.

Uma vez que algo deve ter um fim, ou então não ter fim, existem apenas duas respostas possíveis:

a) não há fim para a regressão para trás

b) há um fim para a regressão para trás, uma primeira causa sem causa.

Se a) não houvesse fim para a regressão para trás, então nem tudo teria uma causa, porque a própria regressão, em última instância, não teria causa. Portanto, de qualquer forma, existe alguém/algo que não tem causa.

Se b), houver um fim para a regressão para trás, então deve haver uma causa primeira, de complexidade indeterminada. É claro que, nesse caso, isso significa que Deus não é um ser causado, um produto de qualquer criação.

Pergunto-me, no entanto, se Deus não consideraria todo este argumento demasiado simplista, uma vez que pensamos nas causas em termos de tempo. Se Deus existe tanto fora do tempo como dentro dele, e se o tempo também é uma criação de Deus, então falar sobre como era o tempo antes de Deus existir é um oxímoro.


P: Em Génesis 1, terá Deus criado outros seres e mundos?

R: Ele criou, sem dúvida, outros seres: anjos e demónios. Quanto à criação de outros mundos com seres neles, a Bíblia não nos diz tudo o que desejamos saber, apenas o que precisamos de saber — e temos de nos certificar de que, pelo menos, lemos isso. Deus poderia ter criado outros universos, e talvez seja isso que o Céu e o Inferno representam.


P: Em Génesis 1, por que razão Deus criou Adão e Eva, uma vez que sabia de antemão que eles Lhe desobedeceriam?

R: Apesar de Deus saber de antemão que eles iriam pecar, Deus revela-nos várias razões pelas quais criou os seres humanos.

Para a Sua glória: Deus criou os Seus filhos para a Sua glória. Isaías 43:7; 61:3.

Pessoas para amar: Deus ama-nos profundamente. Salmo 145:9, 17; 1 João 3:1.

Para serem Seus filhos: 1 João 3:1-2; Gálatas 3:28, Romanos 8:15-17

Para habitar em nós: 1 João 4:12-16; Romanos 8:9-11

Deus deseja que ninguém pereça. Ezequiel 18:23, 32; 33:11; 2 Pedro 3:9. No entanto, Deus não se arrepende de ter criado aqueles que, tendo a oportunidade, escolhem livremente rejeitá-Lo. Deus sabia de antemão que eles pecariam e, mesmo assim, optou por não interferir na sua escolha nem por «descriá-los».

Talvez parte da razão pela qual Deus escolheu criar seres à Sua imagem seja semelhante à razão pela qual os pais optam por ter filhos. Sim, os filhos serão dispendiosos, com fraldas e alimentação, e sim, os filhos causarão sofrimento com as suas doenças, mágoas e desobediência, mas, apesar de tudo isso, o amor faz com que valha a pena.


P: Em Génesis 1:1, Deus criou porque precisava de criar?

R: A Bíblia não oferece qualquer fundamento para esta especulação. Deus não tem necessidades, no sentido de que Ele seria prejudicado ou deixaria de existir se não criasse algo. Por outro lado, o desejo de Deus era criar, e Deus realizou o Seu desejo numa escala grandiosa e maravilhosa.


P: Em Génesis 1:1, houve mais criações após o Génesis?

R: As Escrituras não se pronunciam sobre o assunto, e Deus é livre para fazer o que desejar. Se Deus criou outras criaturas, estas poderiam ser como os anjos, como Adão e Eva antes da Queda, como nós, como demónios, como animais ou algo completamente diferente.


P: Em Génesis 1:2, se o Espírito de Deus se movia sobre as águas, isso significa que o Espírito Santo não é um ser vivo e inteligente, mas sim uma força ativa, como afirmam as Testemunhas de Jeová?

R: Não. O facto de o Espírito Santo não ter um corpo físico e poder mover-se sobre as águas não contradiz o facto de as Escrituras mostrarem que o Espírito Santo é um ser vivo dotado de personalidade.

O que se segue é uma repetição da discussão sobre 1 João 5:6-8.

Uma testemunha pode ser tanto um ser vivo como um objeto inanimado. Um erro das Testemunhas de Jeová consiste em que, uma vez que o Espírito Santo possui muitos atributos que um ser humano não possui, por isso (por uma espécie de raciocínio forçado) o Espírito Santo não pode ter personalidade. 1 João 5:6-8 mostra que existem três testemunhas do facto de que Jesus tinha um corpo físico. O sangue refere-se à Sua crucificação, e o Espírito é um testemunho interior para os cristãos. A água refere-se quer ao batismo de Jesus por João, quer, possivelmente, à água que envolve um bebé no momento do nascimento.

Seguem-se vários factos que a Bíblia nos ensina sobre a personalidade do Espírito Santo.

Parakletos (o Consolador, aquele que está ao nosso lado). João 14:16, 26; João 15:26

Pode conhecer os pensamentos mais íntimos de Deus. 1 Coríntios 2:10-11

Fala connosco. Atos 13:2, Hebreus 3:7

Lembra-nos. João 14:26

Como um pai, para que não sejamos órfãos («orphanos» em grego). João 14:18

Guia-nos. João 16:13

Ensina-nos. João 14:26; 1 Coríntios 2:13

Vive em nós. 1 Coríntios 3:16, 2 Timóteo 1:14, Romanos 8:9,11, Efésios 2:22

Nos nossos corações. 2 Coríntios 1:22, Gálatas 4:6

Intercede por nós (os objetos inanimados não rezam nem intercedem). Romanos 8:26-27

Pode ser insultado. Hebreus 10:29

Testemunha de Cristo. João 15:26

Possui uma mente. Romanos 8:27

Pode ser entristecido. Isaías 63:10, Efésios 4:30

Toma decisões. 1 Coríntios 12:11

Possui amor. Romanos 15:30

Pode considerar que as coisas são boas. Atos 15:28

Explora as coisas profundas de Deus. 1 Coríntios 2:9-10

Gemem (e, portanto, preocupam-se) por nós. Romanos 8:26


P: Em Génesis 1:10, como é que Deus pôde criar a terra, uma vez que a terra já tinha sido criada em Génesis 1:1?

R: A palavra hebraica (eres) é a mesma em ambos os casos. Tal como em português, (eres) pode significar o mundo sob o céu, e pode significar solo ou terra firme. Assim, Deus criou o planeta em Génesis 1:1 e a terra firme em Génesis 1:10. Ver Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia, pp. 65-66.


P: Em Génesis 1 e Génesis 2, por que razão parecem existir dois relatos da criação?

R: Observe o que é criado em cada relato. Génesis 1 trata da criação dos céus e da terra, e Génesis 2 trata da criação dos seres humanos no Jardim do Éden.


P: Em Génesis 1 e noutros passagens, por que razão Deus é chamado Elohim, enquanto noutros passagens, como em Génesis 2, Deus é chamado Yahweh?

R: Deus tem um grande número de nomes e títulos na Bíblia. Parece que o nome Yahweh se centra na relação pessoal de Deus connosco, em contraste com o nome Elohim, que enfatiza os Seus aspetos imparciais e transcendentais. Génesis 1 não menciona os nomes de Adão, Eva nem de quaisquer animais, enquanto Génesis 2 os menciona. Este contraste é tão evidente que teve de ser deliberado.

Era comum nas culturas antigas ter mais do que um nome para o mesmo deus. Eis alguns exemplos:

Osíris – Wennefer, Khent-amentius, Neb-abdu

Bel – Enlil, Nunamnir

Sin – Nanna

El – Latpan

Baal – Larpan


P: Em Génesis 1, terá Deus criado a Terra em seis dias literais de 24 horas?

R: Independentemente de considerarem que a Terra é antiga ou recente, todos os cristãos devem responder «sim» a esta pergunta.

Em vez de seis dias, o Todo-Poderoso poderia tê-la criado em seis segundos, se assim o quisesse. A questão não é como Deus teve de criar, mas como as Escrituras e a natureza revelam que Ele escolheu criar.

Como nota à parte, as Escrituras não especificam a duração de um dia de Deus no Génesis 1. Deuteronómio 9:1 mostra que um «dia» pode indicar um período de tempo superior a 24 horas, tal como era entendido no «dia» de Moisés. O Salmo 90:4 e 2 Pedro 3:8 indicam que os dias de Deus podem ser muito longos.


P: Em Génesis 1, as semelhanças entre este relato e os relatos babilónicos da criação provam que ambos têm uma origem humana comum?

R: Os relatos babilónicos são semelhantes em muitos pormenores físicos, mas quase diametralmente opostos em termos de causa. Ao contrário de Marduk, que luta contra o caos do dragão Tiamat, Deus comanda o que acontece. Se houver alguma verdade na cultura não bíblica, isso não deveria ser uma surpresa. Além disso, o estilo de Génesis 1 parece ser um contraste deliberado com os conceitos pagãos.


P: Em Génesis 1:26 e 3:22, por que razão é utilizada a palavra «nós» para se referir ao Único Deus Verdadeiro?

R: Existem duas respostas possíveis.

1. O «nós» refere-se ao Único Deus verdadeiro, mas o plural é o sentido adequado para uma conversa entre a Trindade.

2. O «nós real» era utilizado por reis e deuses para se referirem a uma única pessoa. Como exemplo disso na religião do Islão, do Médio Oriente, o Alcorão muçulmano utiliza «nós» quando Alá se refere a si próprio. Muçulmanos e não muçulmanos podem concordar que o uso do «nós real» no Alcorão não sugere que Maomé tenha ensinado que Alá fosse constituído por múltiplos deuses.

No entanto, Filo, o judeu (15/20 a.C. a 50 d.C.), interpretou isto não como o «nós» real, mas sim como se Deus recorresse a assistentes, em *Sobre a Criação*, capítulo 24, n.º 75, p. 11.


P: Significa Génesis 1:26 que devemos ser educados para adquirir as perfeições divinas e sermos o foco das bênçãos divinas, tal como ensinam os bahá’ís em «Algumas Perguntas Respondidas», p. 8, 9?

R: Não, porque Génesis 1:27 diz que Deus fez o que Ele disse em Génesis 1:26. Quando Adão e Eva foram criados, eram perfeitamente isentos de pecado antes da queda e não precisavam de educação. Embora continuemos a ser à imagem de Deus, Génesis 1:26-28 refere-se ao que Deus já tinha realizado.


P: Gênesis 1:26 significa que as pessoas são elas próprias «pequenos deuses», como afirmam Kenneth Hagin e alguns professores da «palavra de fé»?

R: Não. A palavra em Génesis é «semelhantes», não «são». Até mesmo os professores da «palavra de fé» concordariam que criaturas como nós nunca deveriam ser adoradas. Aos corpos de Adão e Eva foi concedida uma imortalidade que poderia ser perdida, uma justiça que poderia ser arruinada e um amor perfeito por Deus que poderia ser deitado fora como um pedaço de fruta podre.


P: Em Génesis 1:26-27, tratava-se de uma conversa entre os membros da Trindade ou entre seres criados, tais como os anjos?

R: Embora os anjos também possam ter ouvido estas palavras, tratava-se de uma conversa entre a Trindade. A nossa criação não foi obra dos anjos, mas de Deus na Trindade. O primeiro escritor cristão de que se sabe ter observado que não podiam ser anjos foi Justino Mártir (que escreveu por volta de 138-165 d.C.) no seu *Diálogo com Trifão, o Judeu*, capítulo 62, p. 228.


P: Em Génesis 1:26-27, uma vez que Deus criou os seres humanos superiores aos anjos, poderia Deus, posteriormente, criar seres superiores aos seres humanos?

R: As Escrituras não se pronunciam sobre o assunto, e Deus é livre para fazer o que Lhe aprouver. No entanto, as Escrituras afirmam que os crentes são «filhos de Deus» e que iremos «reinar com Cristo» e estar «assentados com Cristo» (Efésios 2:6). É difícil que uma criatura finita seja muito superior a isso.


P: Em Génesis 1:26, será que Adão era um «super-homem» com capacidades um milhão de vezes superiores às nossas, tal como Watchman Nee ensinou em *O Poder Latente da Alma* (1933, p. 15)?

R: As Escrituras nunca ensinaram esta estranha especulação. Também nunca ensinaram que Adão já fosse semelhante a Deus na aparência exterior, como Watchman Nee ensinou no mesmo livro, na página 18. Infelizmente, as pessoas tentam frequentemente acrescentar os seus próprios ensinamentos ao que Deus realmente disse.


P: Em Génesis 1:26, se fomos criados à imagem de Deus, isso não prova que Deus (ou, pelo menos, o Pai) tem um corpo físico humano? (Os mórmons referem isto.)

R: A maioria concordaria que o Espírito Santo não possui um corpo físico e que Jesus não possuía um corpo físico naquela altura. Se «nós» se referir a uma discussão com o Pai, o Filho e o Espírito, então a imagem não pode referir-se a um mero corpo físico. A propósito, Génesis 9:6 mostra que, desde a Queda, ainda possuímos a imagem de Deus.


P: Em Génesis 1:27, as pessoas continuam a ser criadas à imagem de Deus desde a Queda?

R: Sim. Génesis 9:6, após o dilúvio, mostra que, apesar de estarmos marcados pelo pecado, continuamos a ter a imagem de Deus.


P: Em Génesis 1:28, uma vez que o homem devia encher a terra e subjugá-la, isso deu permissão para que o homem destruísse o ambiente?

R: De modo algum! Nunca ouvimos falar de um cristão ou judeu que lesse a Bíblia com essa interpretação. Esta nova interpretação, apresentada pela primeira vez em 1967 [ver a referência de Kaiser no final], só parece fazer sentido se ler-se parte de Génesis 1 e se definir «subjugar» como «destruir», em vez de «governar com sabedoria». Na verdade, a Bíblia diz seis coisas importantes sobre cuidar da terra e dos animais.

1. Eram «arrendatários» de uma terra que, na verdade, pertencia a Deus

1a. Assim, a terra não podia ser vendida de forma permanente (Levítico 25:23)

1b. Todas as coisas pertencem a Deus (Salmo 24:1)

2. Deus julgará aqueles que profanam a terra em geral

2a. Isaías 24:5 diz que a terra foi profanada pelo seu povo.

2b. Zacarias lamentou a destruição de florestas imponentes e pastagens férteis. Mais ainda, lamentou a calamidade espiritual da qual estas calamidades naturais são alegorias. (Zacarias 11:1-3)

3. Deus condena a profanação física da terra

3a. Deus destruirá aqueles que destroem a terra. (Apocalipse 11:18).

3b. Deus julgará as «ovelhas» que não só comem o que precisam, mas também pisam o resto do pasto. Não só bebem água límpida, como também turvam o resto da água com os seus pés (Ezequiel 34:17-22).

3c. Números 5:3 refere-se a não profanar o acampamento, no contexto das doenças infecciosas.

3d. Mesmo em tempo de guerra, não se devem cortar as árvores de fruto que tornam a terra produtiva (Deuteronómio 20:19-20). Uma oliveira pode viver mais de 1 000 anos.

4. Deus condena a profanação da terra com o mal

4a. Números 35:33-34 ordena-nos: «não contaminem a terra», no contexto do homicídio.

4b. Não profane a terra com idolatria (Jeremias 16:18).

4c. Jeremias 32:34 menciona pessoas que profanam o vale de Tofete com sacrifícios de crianças.

4d. Em Ezequiel 7:22, os ímpios profanarão o lugar precioso de Deus.

5. A Lei de Deus inclui uma gestão sensata dos recursos

5a. Adão foi colocado «no Jardim do Éden para o cultivar e guardá-lo» (Génesis 2:15).

5b. Não plantar dois tipos de culturas juntos (Deuteronómio 22:9). Em vez disso, a rotação de culturas reduz as pragas de insetos.

5c. Deixar a terra repousar a cada sétimo ano e durante o Jubileu (Levítico 25:3-7, 11-12, 18).

5d. Deus julgaria Israel por infringir esta regra (Levítico 26:34-35).

6. Animais: pertencem a Deus, foram criados para o nosso uso, mas devemos tratá-los com bondade

6a. Os animais pertencem a Deus (Salmo 50:10) e Ele cuida deles (Salmo 36:6; 104:11,14; 147:8-9).

6b. Comer carne é permitido e, em alguns casos, é ordenado (Génesis 9:2-5; Atos 10:13).

6c. Jesus era sem pecado (Hebreus 4:15; 7:26; 1 Pedro 2:22; 1 João 3:5). Ele comeu peixe (Lucas 24:42-43) e, sendo um bom judeu, comeu carne, tal como era ordenado durante a Páscoa (Êxodo 12:8-10).

6d. Não há problema em usar couro, tal como João Batista usava um cinto de couro em Marcos 1:6.

6e. A caça é permitida (Levítico 17:13).

6f. Matar animais para sacrifício era até mesmo ordenado (Êxodo – Deuteronómio).

6g. Devemos ser bondosos para com os animais (Provérbios 12:10).


P: Em Génesis 1:28, embora a Bíblia não diga explicitamente que devemos desperdiçar a dádiva de Deus que é o nosso ambiente, será que o cristianismo ensina implicitamente que podemos destruir o ambiente?

R: Não. Não se pode atribuir a culpa pelos problemas ecológicos causados pela ganância e pela sobrepopulação ao cristianismo, tal como não se pode atribuir a culpa a animistas em África, hindus na Índia, ateus na China e muçulmanos na Indonésia e no Médio Oriente. Existem problemas ecológicos em todos os continentes, tal como existem pessoas dispostas a sacrificar o ambiente em prol do ganho pessoal em todos os continentes. Para uma análise do que a Bíblia efetivamente diz sobre o ambiente, consulte a resposta anterior.


P: Em Génesis 1:29, foi concedida a Adão e Eva toda a planta que produz sementes, ou não podiam comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, como diz Génesis 2:17?

R: Embora não saibamos se a árvore do conhecimento do bem e do mal tinha sementes ou não, isso não é relevante neste contexto. Seja como for, o significado era que podiam comer de todas as plantas que dão sementes, com exceção da árvore do conhecimento do bem e do mal.


P: Em Génesis 1:29, se todas as plantas podiam ser consumidas pelas pessoas, como é que a Bíblia é lógica e razoável, uma vez que existem plantas e sementes venenosas que não podemos comer? (Esta questão foi levantada por um muçulmano)

R: No Alcorão, a Sura 5:46-48 afirma que Jesus confirmou a Torá e os Evangelhos. Trata-se de uma acusação muito grave por parte de um muçulmano, sugerir que Jesus confirmou algo que estava errado e que não provinha de Deus. Mas, para responder à objeção, independentemente de se ter entendido como «todas as plantas» ou «todas as ervas e grãos», Deus disse isto a Adão antes da queda, antes de a terra ter sido amaldiçoada. A natureza mudou radicalmente quando Adão e Eva pecaram. Antes da queda, Deus concedeu o domínio sobre a terra a Adão e Eva, mas quando pecaram ao seguirem a sugestão da serpente, Satanás tornou-se o príncipe (embora não o rei) deste mundo. No entanto, a queda levanta uma questão interessante: se os muçulmanos afirmam hoje que os profetas são imaculados, e se Adão e Eva pecaram e trouxeram toda a maldição sobre nós quando pecaram, por que razão dizem os muçulmanos que Adão era um profeta?


P: Em Génesis 2:2-3, por que razão Deus descansou da obra no sétimo dia?

R: «Descansar», neste contexto, significa cessar a obra da criação. Deus não se cansa (Isaías 40:28). As Escrituras nunca afirmam que Deus precisasse de descansar, mas sim que Ele escolheu fazê-lo.


P: Em Génesis 2:2, o conceito do sábado terá origem babilónica e terá sido adicionado posteriormente à tradição judaica?

R: Duas respostas, uma para os cristãos e outra para os não cristãos.

1. (para os cristãos): Se partir do princípio de que Jesus era enviado por Deus, tal como comprovado pela sua ressurreição, e tendo em conta que Jesus aceitou a exatidão original e a fiabilidade preservada do Antigo Testamento, e que se pode provar que as referências ao sábado em Génesis e Jeremias foram escritas antes de Jesus, não se tratou de uma invenção babilónica, e não há mais nada a acrescentar.

2. (para não-cristãos): Os babilónios chamavam ao 15.º dia do mês «sappatu». É claro que se trata apenas de um dia por mês, e não de quatro. Na p. 19, Asimov teve a perspicácia de notar que o sábado parecia ter pouca importância para os israelitas na época pré-exílica e grande importância na época pós-exílica. No entanto, postular que os judeus babilónios e os judeus do período pós-exílico foram universalmente «enganados» a ponto de a) acreditarem que o seu exílio se devia à desobediência a um mandamento que não constava das suas Escrituras, e b) que este tenha sido acrescentado em 59 passagens (35 das quais na Torá) sem que ninguém tivesse reparado no novo conceito, não é credível. A propósito, nem todos os judeus foram para a Babilónia. Jeremias regista que alguns foram, em vez disso, para o Egito. Foram os descendentes desses judeus que traduziram o Antigo Testamento para grego, e a tradução grega da Septuaginta também contém os versículos relativos ao sábado.

Qualquer especulação sobre erros na Bíblia pode parecer totalmente credível para alguém que considerasse muito importante demonstrar que havia erros na Bíblia e que não era necessário segui-la. No entanto, até mesmo Isaac Asimov reconheceu, pelo menos, a fragilidade desta teoria, não a mencionando como mais do que uma tentação.


P: Em Génesis 2:4, 5:1, 6:9, 10:1, 11:10, 11:27, 25:12, 25:19, 36:1, 36:9 e 37:2, Números 3:1; Rute 4:18, a palavra hebraica (Toledot) dá início a uma secção ou conclui uma secção?

R: Ou se refere sempre ao início, ou se refere sempre ao fim, ou, por vezes, pode significar qualquer uma das duas coisas.

Ambíguo: Eis alguns «tole dots» que podem ser interpretados de ambas as formas: Génesis 2:4; 5:1; 36:9; 37:2.

Início: Eis alguns «tole dots» que, pelo contexto, devem situar-se no início: Génesis 6:9; 10:1; 11:10; 11:27; 25:12; 25:19; 36:1; Números 3:1. Filo, o Judeu (15/20 a.C.–50 d.C.), refere-se a Génesis 2:4 como «resumindo o seu [de Moisés] relato da criação do mundo» em «Sobre a Criação» 44:129, p. 18.

Conclusão: Não existe um único «toledot» que se possa provar pertencer ao final de uma secção. Por conseguinte, as secções ambíguas são provavelmente «toledots» no início.

A prova mais conclusiva de que o «ponto tole» se encontra no início de uma secção é Génesis 25:19, que afirma tratar-se do relato de Isaac. A secção imediatamente seguinte fala dos filhos de Isaac. A secção imediatamente anterior fala de Ismael e não tem absolutamente nada a ver com Isaac.


P: Em Génesis 2:5-7, Deus criou as plantas depois do homem, ou antes do homem, como dizem Génesis 1:12,26? (Esta pergunta foi feita por um ateu chamado Capella.)

R: Há três pontos a considerar na resposta.

1. Primeiro as plantas: Génesis 1 afirma claramente que as plantas foram criadas na Terra antes do homem. Estas, evidentemente, incluiriam os antepassados de todas as plantas modernas.

2. Mundo vs. Jardim: Génesis 1 é o relato da criação dos céus e da terra, enquanto Génesis 2 é o relato da criação do Jardim do Éden.

3. Culturas após o homem: Génesis 2 mostra que os arbustos do campo surgiram após o homem, pelo menos no Jardim do Éden. Em ambas as ocorrências, é utilizada a palavra hebraica para «campo», saday, em vez de se referir apenas às plantas.

Como nota à parte, o «Dicionário Wycliffe de Arqueologia Bíblica», na página 23, refere que em Beersheba foram encontrados grãos calcinados de trigo, cevada, lentilhas e uvas datados de 4000 a.C.


P: Em Génesis 2:5-7, quais são os cereais que utilizamos hoje, bem como os que eram utilizados no passado?

R: As pessoas costumam pensar nos cereais apenas como as três maiores culturas alimentares: trigo, arroz e milho, mas, na verdade, seria possível fazer três refeições por dia durante uma semana e consumir um cereal diferente em cada refeição.

Milho: Os arqueólogos indicam-nos que o milho foi domesticado no Novo Mundo por volta de 5000 a.C. Não existia milho na Europa, no Médio Oriente, em África ou na Ásia antes de Colombo. O milho provém de um cereal chamado teosinte. O teosinte tinha cerca de 50 grãos pouco compactos, e a espiga media menos de uma polegada de comprimento. Em contrapartida, o milho atual possui entre 500 e 1 000 grãos bem compactos em cada espiga. Como os grãos estão bem compactos, o milho atual é incapaz de crescer em estado selvagem sem a ajuda do homem.

Trigo: A arqueologia descobriu antepassados do trigo no Médio Oriente, no Iraque, por volta de 7 000 a.C. É denominado «emmer» e perde as suas sementes quando o vento sopra. Atualmente, existem milhares de variedades de trigo. O kamut (= khorasan, = trigo do Rei Tut) é provavelmente um tipo de trigo duro. A título de nota adicional, há quem considere a diferença de 2 000 anos entre o início do cultivo do trigo e do milho como uma das duas razões (sendo os cavalos a outra razão) pelas quais, quando os espanhóis chegaram à América, a cultura indígena se encontrava 1 000 a 2 000 anos atrasada em relação à cultura europeia.

O arroz foi o recém-chegado entre os três cereais principais. Foi domesticado por volta de 3500 a.C.

O emmer (=trigo emmer, =faro) foi encontrado em sítios pré-cerâmicos no Médio Oriente já entre 9800 e 8800 a.C. O emmer domesticado é diferente do emmer selvagem, mas tem origem neste último. Posteriormente, o emmer espalhou-se pela Europa e pela Índia.

A espelta tem uma origem algo misteriosa. Era cultivada no Império Romano, na Grã-Bretanha e na Ásia, antes do cultivo do trigo. Pode tratar-se de um híbrido entre o emmer e o trigo, ou entre o emmer e a erva-cabra selvagem (Aegilops tauschii), ou ainda pode ter tido duas origens. Alguns pensam que a espelta teve o seu início por volta de 6000 a.C.

O sorgo provém de uma gramínea africana. Assemelha-se um pouco ao milho na aparência. O sorgo é uma das oito principais culturas de cereais cultivadas atualmente; é utilizado hoje em dia para alimentação animal, mas é também, provavelmente, a quinta maior cultura destinada ao consumo humano.

A cevada foi provavelmente cultivada pela primeira vez por volta de 8 000 a.C. na região de Israel/Jordânia. Espalhou-se para leste até aos Himalaias.

Presume-se que o centeio tenha surgido na região do Monte Ararat e do Lago Van, no leste da Turquia, pouco depois da domesticação do trigo. Cresce em locais onde o trigo e a cevada não prosperam.

A aveia é um cereal sobre o qual pouco sabemos, exceto que foram encontrados vestígios numa tumba egípcia em 2 000 a.C., e que provavelmente teve origem na Ásia Menor.

O trigo sarraceno (Fagopyrum esculentum) foi cultivado pela primeira vez nas províncias de Yunnan e Sichuan, na China, por volta do ano 1000 d.C. Não apresenta um rendimento elevado, mas amadurece rapidamente e adapta-se bem a climas áridos e frios. Existem, pelo menos, 14 variedades.

A erva de Palmer (= erva-nipa, = Distichlis palmeri) era cultivada apenas no Deserto de Sonora, no oeste do México e no oeste dos Estados Unidos. Constituía a principal fonte de alimento da tribo Cocopah. É de certa forma semelhante ao trigo, com a diferença de que consegue crescer em condições áridas e é capaz de absorver água do mar e excretar o sal.

Os milhos-miúdos constituem um conjunto de, pelo menos, 13 gramíneas comestíveis de sementes pequenas, que se adaptam bem ao cultivo em condições áridas. Milhos-miúdos como o milho-vassoura foram também o cereal principal na China e na Coreia nos tempos mais remotos. Algumas variedades de milho-miúdo são o milho-miúdo-de-cortiça, o milho-miúdo-de-vassoura, o milho-miúdo-de-ponta-castanha, o milho-miúdo-de-dedo, o fonio, o milho-miúdo-de-rabo-de-raposa, o milho-miúdo-japonês, as lágrimas de Jó, o milho-miúdo-kodo, o milho-miúdo-pequeno, o milho-miúdo-pérola, o milho-miúdo-proso e o teff. Consulte http://en.wikipedia.org/wiki/Millet para obter mais informações.

A batata não é um cereal, mas é atualmente a quarta maior cultura alimentar. Acredita-se que o seu cultivo tenha tido início por volta de 6 000 a.C. no Peru e na Bolívia, na região do Lago Titicaca.

Outras culturas não cerealíferas são os feijões, as leguminosas, a soja, o amendoim, a mandioca, a batata-doce, as ervilhas, a fruta-pão, os cocos, as bananas, as bananas-da-terra e o taro. A semente de kesari era cultivada na Índia, mas tem efeitos paralisantes a longo prazo.


P: Em Génesis 2:7, Deus criou a matéria, ou limitou-Se a «organizá-la», como muitos mórmons ensinam, ou a matéria não foi criada porque não é algo real, tal como ensinam a Ciência Cristã e alguns grupos religiosos orientais?

R: Não. O facto de Deus ser todo-poderoso significa que Deus pode fazer tudo, e o facto de Deus ser o Criador significa que Deus criou tudo. Deus criou o universo «ex nihilo», o que significa a partir do nada. Assim, para ser preciso, Deus não só criou as «coisas de matéria e energia», como criou a própria matéria e a própria energia.


P: Em Génesis 2:7,19, Deus criou o homem antes dos animais, ou depois dos animais, como diz Génesis 1:24,27? (Esta pergunta foi feita por um ateu (Capella)).

R: Há três pontos a considerar na resposta.

Na Terra, Deus criou o homem depois dos animais, tal como diz Génesis 1:24,27.

No Jardim do Éden, Deus teve de ter criado o homem antes de lhe mostrar os animais.

Mesmo no Jardim, os animais podem ter estado lá antes do homem. Génesis 2:19 refere-se aos animais que já tinham sido criados até àquele momento. Isso não significa que os animais só tenham sido criados nessa altura.


P: Será que Génesis 2:7 prova que as pessoas não têm uma alma imortal, como afirmam as Testemunhas de Jeová?

R: Não. A palavra hebraica aqui utilizada, «nephesh», significa «alma» em alguns contextos e «vida» noutros, como é o caso deste. Como poderiam os crentes debaixo do altar, em Apocalipse 6:9-10, estar debaixo do altar se não tivessem existência após a morte?


P: Em Génesis 2:10-14, onde estão os rios que jorravam do Jardim do Éden?

R: Em primeiro lugar, o Jardim do Éden não existe hoje na Terra. Não sabemos onde ficava o rio Pishon, e os rios Tigre e Eufrates situam-se na Turquia, na Síria e no Iraque. Costuma-se considerar que o Gihon é o rio Nilo, que corria da região de Cuxe, a sul do Egito. No entanto, poderia ter sido um rio mais pequeno com origem em «Cuxe» (Kashshu), no oeste de Elam, que fica muito próximo do Tigre e do Eufrates. Os cassitas (em grego: Kossaeanos) eram originários dessa região.


P: Em Génesis 2:15, por que razão Deus disse que «tu» (singular) podes comer de qualquer fruto do jardim, exceto que «vós» (plural) não deveis comer da árvore do conhecimento do bem e do mal?

R: Qualquer um deles podia escolher uma árvore específica; não tinham de comer a mesma coisa. No entanto, a nenhum dos dois era permitido comer do fruto daquela árvore. A forma plural acrescenta ênfase; esta ordem não se dirigia apenas a Adão, mas a todos.

Filo, o judeu (15/20 a.C. a 50 d.C.), foi o primeiro a responder a esta questão em «Perguntas e Respostas sobre o Génesis», I, p. 794.


P: Em Génesis 2:16, por que razão Deus criou Adão, sabendo que ele iria cair?

R: Deus pode fazer tudo, mas uma impossibilidade lógica não existe. Deus não pode criar um ser que opte pela obediência amorosa a Deus, se esse ser não for capaz de escolher obedecer a Deus. Ser capaz de escolher obedecer a Deus significa ser capaz de escolher desobedecer a Deus.


P: Uma vez que Génesis 2:17 diz: «No dia em que dele comeres, certamente morrerás», como é que Adão e Eva morreram «naquele dia»?

R: Espiritualmente e judicialmente. Há três pontos a considerar na resposta.

A morte espiritual ocorreu nesse dia.

Judicialmente, nesse dia foram proferidas contra eles sentenças tanto de morte eterna como de morte física. Em *Hard Sayings of the Bible*, pp. 91-92, Walter Kaiser, Jr. demonstra que a expressão idiomática hebraica significa a certeza da sua morte, e não a iminência da morte.

Para outro exemplo do uso desta expressão idiomática, consulte 1 Reis 2:37, onde Salomão dirigiu uma advertência semelhante a Simei no dia em que este partiu de Jerusalém.

A primeira pessoa de que temos conhecimento que deu uma resposta a esta questão foi Filo, o Judeu (15/20 a.C. a 50 d.C.), em «Perguntas e Respostas sobre o Génesis», I, p. 794, e em «Interpretação Alegórica», I, 33 (105), pp. 46-47, onde menciona a morte da alma.

Um segundo escritor antigo, que deu uma resposta diferente, é Irineu, em «Contra as Heresias», livro 5, cap. 23 (182-188 d.C.), pp. 551-552. Uma vez que Irineu observa que um dia junto do Senhor equivale a 1 000 anos, interpreta isto como um dos dias de Deus e considera significativo o facto de Génesis 5:5 referir que Adão morreu aos 930 anos, o que é inferior a 1 000 anos.


P: Em Génesis 2:18, por que razão se diz que o homem estava sozinho, uma vez que o homem estava tanto com Deus como com os animais?

R: Adão tinha, de facto, domínio sobre os animais e adorava a Deus, mas não tinha mais ninguém como ele. Estava sozinho no sentido de não ter ninguém com quem se relacionasse de forma horizontal, em pé de igualdade.


P: Gênesis 2:18-22 demonstra que as mulheres foram criadas como uma ideia tardia, tal como afirma a página 164 de *Born Again Skeptic*?

R: Não, mostra exatamente o contrário. Deus dedicou bastante tempo — com Adão a ter de dar nome aos animais e tudo o mais — para demonstrar a Adão a sua necessidade de uma companheira. A maioria das coisas em Génesis 1 e 2 foi simplesmente criada com pouca explicação. No entanto, Deus primeiro «preparou o cenário» e explicou o propósito dela como colaboradora de Adão antes de criar Eva.


P: Gênesis 2:18 demonstra que as mulheres são inferiores aos homens, uma vez que Eva foi criada de forma diferente de Adão?

R: Não, não mostra. Seis pontos a considerar na resposta.

1. Ser diferente não prova que se seja desigual. Pessoas diferentes falam línguas diferentes, mas isso não significa que cada língua seja inferior ou superior a outra. Como disse um cristão, Eva não foi criada a partir do pé de Adão para estar abaixo dele, nem a partir da sua cabeça para estar acima dele, mas a partir do seu lado para estar com ele.

2. «Ajudante» não significa «inferior». Alguns poderão pensar que Eva era inferior a Adão porque era uma «ajudante» em Génesis 2:18. No entanto, Deus é o nosso ajudante (a mesma palavra hebraica) no Salmo 70:5 e isso não significa que Deus seja inferior a nós! Assim, traduzir o hebraico como «companheira» é bastante impreciso. Uma tradução mais adequada é «Farei um poder [ou força] correspondente ao homem», de acordo com o estudo detalhado de Walter Kaiser sobre o hebraico em *Hard Sayings of the Bible*, pp. 92-94. Assim, a mulher deve ser uma «parceira de pleno direito» e não apenas uma assistente.

3. Génesis 1:27 mostra que ambos são à imagem de Deus. Não foi apenas Adão que foi criado à imagem de Deus, mas tanto o homem como a mulher são à imagem de Deus. A propósito, estar à «imagem de Deus» não significa, de forma alguma, que Deus se limite a ter dois pés, duas mãos, um estômago, etc. Pelo contrário, tal como uma imagem bidimensional é um esboço imperfeito de um objeto real tridimensional, o caráter do Deus infinito e o nosso ser finito apresentam algumas semelhanças.

4. Iguais em natureza, valor, importância, etc. Na Bíblia, Gálatas 3:28 diz: «Não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus.» (BSB)

5. No entanto, diferentes no que diz respeito ao papel: Efésios 5:22-24 mostra que as esposas devem submeter-se aos seus maridos, pois os maridos são a cabeça da esposa. Os maridos devem amar as suas esposas como Cristo amou a igreja, conforme Efésios 5:25-26. Paulo afirmou que as mulheres não deviam ensinar os homens nem exercer autoridade sobre eles, em 1 Timóteo 2:12.

6. Como é que isto se traduz na prática?

6.1 Débora foi uma juíza piedosa de Israel em Juízes 4-5. Com base nisto, não há qualquer dificuldade em votar numa mulher para presidente ou primeiro-ministro.

6.2 Elas podiam herdar bens, incluindo terras, conforme Números 36:8 e Jó 42:15.

6.3 Para uma descrição mais pormenorizada de como uma esposa deve ser uma parceira de pleno direito do seu marido, leia Provérbios 31:10-31. Entre outras coisas, diz-se ali:

Ela trabalha com as suas mãos (Provérbios 31:13, 22) e colhe os frutos desse trabalho em Provérbios 31:24, 31.

Ela faz as compras de alimentos (Provérbios 31:14) e cozinha. Provérbios 31:15

Ela gere outras pessoas. Provérbios 31:15

Ela própria decide comprar um imóvel em Provérbios 31:16.

Ela planta uma vinha. Provérbios 31:16 (Note-se que uma família não possui uma vinha inteira apenas para consumo pessoal; tratava-se de uma fonte de lucro.)

Ela é fisicamente forte. Provérbios 31:17

Ela também faz comércio, não apenas por necessidade, mas para obter lucro. Provérbios 31:18

É ela própria que dá esmola aos pobres. (Para tal, tinha de ter controlo sobre o dinheiro.) Provérbios 31:20

Ela gere a casa. Provérbios 31:21

Ela é sábia e ensina sabedoria. Provérbios 31:26

Em resumo: as mulheres não são inferiores aos homens em natureza, valor ou importância. Têm, sim, um papel diferente do dos homens, como qualquer futura mãe lhe poderá confirmar.

Consulte também o Manual de Hoje para Resolver Dificuldades Bíblicas, pp. 191-193, para saber mais sobre como a mulher foi criada «à semelhança» do homem e igual a ele.


P: Em Génesis 2:19, por que razão Adão precisou de ver todos os animais ali?

R: Deus concedeu a Adão domínio sobre todos os animais em Génesis 1:26, e Deus queria ver que nomes Adão daria aos animais em Génesis 2:19.

Para além disso, poderá ter havido uma razão mais subtil. Antes de criar Eva, Deus reconheceu a importância de preencher o que faltava a Adão, mas Adão não o fez. Assim, Adão pôde aprender três coisas sobre os animais que eram relevantes para a sua situação atual.

Família:

a) Mostrar a Adão que todos os animais superiores tinham macho e fêmea revelou como Deus os criou completos e capazes de propagar a sua espécie.

b) Adão podia olhar para todas as criaturas e ver que não havia nenhuma como ele.

c) Adão pôde perceber que também precisava de outra pessoa para o tornar completo.

A propósito, ensinar às crianças como as plantas se reproduzem e como os animais se reproduzem é uma boa forma de lhes explicar como Deus determinou a forma como as crianças são concebidas.

Comunidade:

a) Até os cães e os veados têm comunidades nas quais vivem.

b) Adão percebeu que não tinha ninguém como ele na comunidade com quem partilhar a sua vida, e que as pessoas precisam da companhia de outras pessoas.

Liderança:

a) Uma vez que Deus concedeu a Adão o domínio sobre a terra, Adão precisaria de conhecer os animais que se encontravam na terra.

b) Uma vez que Adão detinha o domínio, Deus honrou-o, permitindo-lhe dar nome aos animais. Filo, o judeu, referiu isto em «Obras de Filo», p. 882.


P: Em Génesis 2:19-3:19, que evidências existem nos primeiros escritos mórmons de que os mórmons acreditavam na doutrina absurda de que Adão era Deus?

R: Aqui estão as citações do «Journal of Discourses» mórmon, seguidas de doze outros escritos como prova.

a. «Journal of Discourses», vol. 1, p. 50. (Sermão de Brigham Young) «Ouçam agora, ó habitantes da Terra, judeus e gentios, santos e pecadores! Quando o nosso pai Adão entrou no jardim do Éden, fê-lo com um corpo celestial e trouxe consigo Eva, uma das suas esposas. Ele ajudou a criar e a organizar este mundo. Ele é Miguel, o Arcanjo, o Ancião dos Dias! Sobre quem homens santos escreveram e falaram Ele é o nosso Pai e o nosso Deus, e o único Deus com quem temos de lidar. Todos os homens na Terra, quer se professem cristãos quer não, devem ouvir isto e, mais cedo ou mais tarde, virão a sabê-lo.» (o itálico e as maiúsculas pequenas constam do original)

b. Journal of Discourses, vol. 1, p. 51. (mesmo sermão) «Jesus, o nosso irmão mais velho, foi gerado na carne pelo mesmo Ser que se encontrava no Jardim do Éden e que é o nosso Pai Celestial.»

Note-se que os mórmons costumam responder que se trata de um erro de impressão. É interessante notar que os volumes do grande pregador cristão Charles H. Spurgeon foram publicados aproximadamente na mesma época, e não havia erros de impressão nas obras de Spurgeon que afirmassem que algum ser criado fosse Deus. Seguem-se provas corroborantes de que o profeta mórmon realmente disse isto.

1. Diário de Wilford Woodruff, data de 19/02/1854. (Consulte a Biblioteca da BYU)

2. Deseret Evening News, 14 de junho de 1873

3. Deseret Evening News, 18 de junho de 1873

4. Diário de Hosea Stout: Na Fronteira, vol. 2, p. 438.

5. The Millennial Star, vol. 16, p. 543.

6. The Millennial Star, vol. 15, pp. 769-770. Um ano e meio depois disto.

7. Diário de John Nuttall, vol. 1, pp. 18-21.

8. Diário de Abraham H. Cannon, vol. 11, p. 39 (lecionou durante 50 anos)

9. «Hinos Sagrados e Canções Espirituais para a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias», 1856, p. 375

10. «Mulheres do Mundo Mórmon», p. 179

11. «Journal of Discourses», vol. 4, p. 1 (o Presidente Heber C. Kimball está a discursar em 29/06/1856)

«… e também sei que, se não formos um com o irmão Brigham, o nosso líder, não somos um com Cristo. Sim, sei disso, e os meus sentimentos estão e sempre estiveram com o irmão Brigham. Aprendi por experiência própria que existe apenas um Deus que pertence a este povo, e Ele é o Deus que pertence a esta terra , o primeiro homem. Esse primeiro homem enviou o seu próprio Filho para redimir o mundo, para redimir os seus irmãos.»

12. Por fim, um livro muito posterior:

A Posição de Adão nas Escrituras e na Teologia SUD: «A identificação de Adão com Deus, o Pai, pelo Presidente Brigham Young é um facto irrefutável.» p. 58


P: Em Génesis 2:20, como poderia Adão dar nome a todos os animais, a menos que o fruto proibido fosse um computador Apple Macintosh?

R: Alguém brincou uma vez que, se Adão teve de dar nome a todas as espécies de animais (incluindo 1,5 milhões de insetos e bichos) em 24 horas no sexto dia, não é de admirar que confundamos o fruto proibido com uma Apple, discos rígidos e tudo o mais!

Por outro lado, Paul S. Taylor observou corretamente que a frase «deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais do campo», em Génesis 2:20, não significa necessariamente nomear todas as espécies da Terra. Poderia tratar-se simplesmente de nomear os géneros e as famílias de animais nas imediações de Adão.

Para quem gosta de curiosidades, existem cerca de 26 000 espécies vivas de animais terrestres vertebrados e aves, e 9 500 espécies fósseis conhecidas na Terra. (Das espécies fósseis, quase metade eram répteis e 1 000 eram aves).

Existem cerca de 5 600 géneros vivos de animais terrestres, incluindo 1 900 géneros de aves. Existem cerca de 6 500 géneros de animais terrestres fósseis conhecidos, incluindo quase 1 000 géneros de aves e 1 500 géneros de répteis.


P: Em Génesis 2:21-23, Adão era simultaneamente homem e mulher antes da criação de Eva?

R: Nada nas Escrituras sugere isso. Génesis 3:16 afirma que o marido será a cabeça da mulher. Uma vez que isto ocorreu após a queda, o grau de «masculinidade» de Adão antes de Eva não tem qualquer relevância. No entanto, no que diz respeito à autoridade da Igreja em geral, Paulo considera significativo o facto de Adão ter sido formado antes de Eva, em 1 Timóteo 2:13. O argumento de Paulo seria enganador se Adão fosse simultaneamente homem e mulher.


P: Em Génesis 2:21-23, o relato da formação de Eva a partir de uma costela foi retirado do poema sumério de Dilmun?

R: Não. Primeiro, algumas informações contextuais; depois, a resposta; e, por fim, duas lições que podemos retirar da resposta sobre a forma como Deus inspirou a Bíblia.

B1. Samuel Noah Kramer, na obra *The Sumerians* (Universidade de Chicago, 1963), refere que a palavra suméria para «costela», *ti*, também significa «dar vida», e que, no poema de Dilmun, Nin-ti era a «senhora da costela», bem como a «senhora que dá vida», que curou a costela doente do deus Enki.

B2. Trata-se de um trocadilho em sumério, mas não em hebraico, o que torna esta semelhança bastante marcante.

B3. Com exceção da «senhora que curou a costela» em comparação com «Eva, que foi criada da costela de Adão» no Génesis, não existem outras semelhanças entre as duas histórias. Consulte *The Sumerians*, pp. 148-149, ou *Hard Sayings of the Bible*, pp. 94-95, para conhecer a narrativa suméria.

B4. As tabuinhas do poema de Dilmun datam de 2400 a.C. ou mais tarde. Seja como for, são ainda anteriores a Abraão, que partiu de Ur antes de 2050 a.C.

B5. Esta história pode ter sido bem conhecida nos tempos antigos.

A resposta tem quatro pontos.

A1. Este é apenas um de vários exemplos de relatos semelhantes de acontecimentos mencionados no Génesis. Outro exemplo são as mais de 200 histórias de um dilúvio mundial pertencentes a vários povos de todo o mundo.

A2. O jogo de palavras sobre a costela pode indicar que outras culturas antigas preservaram, pelo menos de forma incompleta, algum conhecimento sobre a criação da humanidade.

A3. Mais do que isso, outras partes de Génesis 1 parecem ter sido escritas de forma deliberada para contrastar com os relatos sumérios, acádios e outros. Os outros relatos apresentam deuses em conflito; em Génesis, o Deus Único cria com serenidade. Outros relatos apresentam o herói a lutar contra o caos. Génesis apresenta Deus a pairar sobre o «abismo/águas», e a comandar e ordenar.

A4. Algumas semelhanças de pormenores entre o Génesis e o poema de Dilmun, bem como outras obras antigas, podem apontar para um conhecimento comum de alguns acontecimentos. No entanto, é insustentável afirmar que um foi copiado do outro, não só porque os pormenores comuns são poucos, mas porque quase não existem semelhanças no significado subjacente a esses pormenores.

Lições a retirar da resposta:

L1. O Génesis não foi escrito no vácuo. Deus não se limita a revelar-nos a verdade; Ele revela a verdade intemporal, mas de uma forma prática, relevante para o tempo e a cultura. Uma razão (mas não a principal) pela qual o Génesis pode ter sido dado por Deus foi para corrigir as visões erradas que as pessoas tinham sobre a origem do homem, ao mesmo tempo que reconhecia algumas das coisas corretas que tinham sobrevivido.

L2. Deus utiliza a cultura. Deus utiliza até mesmo as ações más das pessoas para a Sua glória (Génesis 50:20). Como podemos sequer tentar impedir que Deus utilize também a cultura, tal como Ele deseja? Moisés era um homem culto e, talvez, tenha lido esta história; Deus utilizou a leitura de Moisés para lhe mostrar o que era verdade e o que não era.

L3. Acima de tudo, não interprete a frase «as Escrituras são infalíveis» no sentido de que a Bíblia teve de ser ditada mecanicamente. 2 Pedro 1:21 afirma que a profecia consistia em homens que falavam movidos pelo Espírito Santo. Assim, quando diferentes partes da Bíblia refletem obviamente diferentes estilos humanos de escrita, isso não exclui a autoria divina. Demonstra apenas que Deus utilizou os estilos de escrita de várias pessoas conforme Lhe pareceu adequado.


P: Em Génesis 2:22, quem é Lilith nesta altura?

R: O nome Lilith nunca é mencionado na Bíblia. Havia uma fábula na Idade Média sobre uma mulher chamada Lilith que teria sido a primeira esposa de Adão. Ela recusou-se a submeter-se a Adão, e Deus criou então Eva. Lilith, segundo o mito, foi transformada num demónio que mata recém-nascidos.

Lilith era também uma vampira na mitologia suméria, de acordo com o livro «The Sumerians», pp. 198, 258. A obra «Civilizations of the Ancient Near East», p. 1890, refere que os solteiros que morriam tornavam-se uma classe especial de demónios chamados Lilu (masculino) e Lilitu (feminino). Estes pediam aos vivos que se casassem com eles, prometendo-lhes riqueza, mas se a pessoa viva consentisse, morria prematuramente.

Nenhum dos manuscritos bíblicos, sejam eles judaicos ou cristãos, contém mais qualquer referência a Lilith do que ao Pato Donald.


P: Em Génesis 2:22, como é que Deus pôde criar Eva a partir de uma costela?

R: Da forma que Deus Todo-Poderoso quisesse. Se Deus tivesse de usar uma costela, e se o senhor pensar que Deus teve de retirar a costela inteira, então suponho que possa concluir que Eva estaria a contar todas as costelas de Adão todas as manhãs!

A sério, Deus pode não ter utilizado toda a costela; uma célula poderia ter sido suficiente.

O livro «735 Perguntas Bíblicas Desconcertantes Respondidas», p. 23, acrescenta que, se Deus a tivesse criado a partir de barro, poder-se-ia argumentar que as mulheres são intrinsecamente diferentes (e talvez inferiores aos homens). No entanto, uma vez que Eva foi criada a partir de uma costela, ela tinha a mesma identidade igualitária que o homem.


P: Em Génesis 2:22-23, os homens deveriam ter uma costela a menos do que as mulheres?

R: Não. Se um homem tiver um braço amputado, os seus filhos e netos que nascerem posteriormente não nascerão todos sem um braço. Da mesma forma, se retirar algumas células da costela de uma pessoa, tanto os pais como os seus filhos continuarão a ter o mesmo número de costelas.

Tertuliano, que escreveu entre 198 e 220 d.C., interpreta isto como Deus «ter pedido emprestada uma costela» na sua obra «Exortação à Castidade», cap. 5, p. 53. Acrescenta ainda que Deus poderia ter pedido emprestadas mais costelas para ter mais esposas, mas optou por não o fazer, como exemplo de que a monogamia era a norma e não a poligamia.


P: Em Génesis 2:25, o homem e a mulher foram originalmente criados nus, e era suposto usarem roupa?

R: Sim, foram criados nus e não sentiam vergonha. No entanto, após a Queda, Deus vestiu-os, e temos usado roupa desde então.


P: Em Génesis 3:1-24, uma vez que Deus criou os seres humanos para que fossem, em última análise, superiores aos anjos, terá isso sido um fator que levou Satanás a optar pela queda?

R: As Escrituras não se pronunciam sobre o assunto, mas é certamente uma possibilidade.


P: Em Génesis 3:1-24, Adão e Eva tinham a pele branca, negra, morena, amarela ou vermelha?

R: A Bíblia não se pronuncia de forma alguma sobre este assunto. Uma vez que Adão e Eva foram os antepassados de todos nós, isso não tem importância. Todos nós somos, em igual medida, descendentes de Adão e Eva. Talvez Deus tenha optado especificamente por não se pronunciar, para que ninguém pudesse alegar que Deus indicava que alguma raça estava mais próxima ou mais distante de Adão e Eva.


P: Em Génesis 3, por que razão Deus permitiu que Adão e Eva fossem tentados?

R: A Bíblia não o diz. No entanto, podemos especular que Deus não queria apenas pessoas que O amassem, mas pessoas a quem fosse dada uma alternativa e que, mesmo assim, optassem por amar a Deus.


P: Em Génesis 3, se Eva introduziu o pecado original, como é que Satanás cometeu o pecado do orgulho contra Deus? Estarei a deixar escapar alguma coisa aqui?

R: Satanás pecou e caiu antes de Adão e Eva. Mas o pecado de Eva e Adão introduziu uma natureza pecaminosa na raça humana.


P: Em Génesis 3, tenho uma questão para a qual não consegui encontrar resposta. Na Bíblia está escrito que Deus criou o Homem. Deus diz ao Homem para não comer o fruto proibido — o fruto da árvore do conhecimento — pois esse fruto abrir-lhe-á os olhos para que se torne consciente do certo e do errado, do bem e do mal. O Homem come o fruto proibido e é transformado. O homem percebe agora que estar nu é errado. Como pode ser pecado o homem desobedecer a Deus, se, no momento em que comeu o fruto proibido, não tinha conhecimento do certo ou do errado?

R: Terei todo o prazer em responder à sua pergunta. Permita-me começar a resposta à sua pergunta fazendo uma pergunta: desde a queda, como é que uma pessoa sabe o que é certo e errado? Sabemos diretamente, através de tudo o que Deus nos revelou sobre o que é certo e errado, e todos têm uma ideia aproximada graças à consciência que têm dentro de si. (É claro que uma pessoa pode entorpecer a sua consciência.)

Após a queda, tanto Adão como Eva possuíam uma consciência, um sentimento de culpa por terem agido mal ao desobedecer, e tanto eles como os seus descendentes passaram a ter uma natureza pecaminosa. Os efeitos da queda foram profundos.

Antes da queda, não tinham nada disso, nem conhecimento do certo e do errado. A sua natureza era boa e tudo o que fizessem seria certo — quase. Não tinham mandamentos com os quais se preocuparem em desobedecer, exceto um: não comerem do fruto da árvore proibida do conhecimento do bem e do mal. A sua escolha, comer ou não, não era uma questão de certo ou errado, porque não sabiam o que isso significava. Em vez disso, a sua escolha residia simplesmente em obedecer a Deus ou não.

Hoje em dia, por vezes, as pessoas podem ter ideias estranhas sobre o que é certo e errado, como, por exemplo, pais muçulmanos que consideram correto matar as suas filhas por acreditarem que estas trouxeram vergonha à família, nomeadamente ao fazerem coisas como casar com alguém que o pai não aprovava. Até mesmo os cristãos, por vezes, podem ficar demasiado presos à questão de «será que a Bíblia permite isto?». Mais importante do que perguntar «isto é certo ou errado» é «Deus quer que eu faça isto?» ou «isto agrada a Deus?». A resposta será, na verdade, a mesma que «isto é certo ou errado», mas o objetivo não deve ser fazer as coisas apenas para aliviar a nossa consciência, ou seguir um conjunto de regras, mas sim para agradar a Deus.

Assim, a resposta sucinta à sua pergunta é que Adão e Eva não pecaram ao escolherem o mal em vez do bem, pois não sabiam o que era o mal e o bem. Pecaram por conhecerem a simples ordem que Deus lhes tinha dado e por terem escolhido desobedecer a Deus.


P: Em Génesis 3, terá sido este um teste injusto, uma vez que Adão e Eva ainda não possuíam o conhecimento do bem e do mal, como afirma um ateu (Capella)?

R: Não. Será um teste injusto dizer a alguém para não consumir drogas ilegais, como a cocaína, até que tenha tido primeiro a oportunidade de as consumir? Claro que não. Da mesma forma, não foi injusto que eles recebessem a proibição sem terem experimentado o mal e a culpa. Embora se possa argumentar que eles não sabiam tudo sobre o bem e o mal naquele momento, sabiam que o seu Criador lhes ordenara que não comessem daquela árvore, e esse conhecimento, por si só, era suficiente para tornar este um teste justo.

Hoje em dia, não conhecemos todas as razões pelas quais Deus nos proíbe de fazer algo, mas se Deus nos ordenou que não o fizéssemos, sabemos tudo o que precisamos de saber para obedecer a Deus.


P: Em Génesis 3, o que havia de errado, exatamente, em comer do fruto daquela árvore?

R: Não era o facto de um fruto específico ser mau; talvez pudessem ter comido do fruto mais tarde. Como escreveu Teófilo, bispo de Antioquia (168-181/188 d.C.), na sua carta «Teófilo a Autólico», livro 2, cap. 25, p. 104: «Pois não era a árvore, como alguns pensam, mas a desobediência, que continha a morte.» Padres Ante-Nicenos, vol. 2, p. 104. Alguns também interpretam a frase «ser como Deus, conhecendo o bem e o mal» como o desejo de se apropriarem da prerrogativa de Deus de definir o bem e o mal.


P: Em Génesis 3, este teste foi semelhante a pais que colocassem uma bateria de 40 000 volts na sala de estar e dissessem ao seu bebé para não lhe tocar?

R: Não, o perigo residia na sua desobediência, não na árvore. Há quatro pontos a considerar na resposta.

1. Ao contrário de uma bateria perigosa, não era a árvore que era mortal. Foi a desobediência a Deus que foi mortal e que os levou a morrer espiritualmente naquele dia e, mais tarde, fisicamente.

2. Adão e Eva não eram bebés. Tinham capacidade de raciocínio tal como os adultos, estavam plenamente conscientes do que estavam a fazer e das consequências que Deus lhes tinha anunciado.

3. Adão e Eva tinham todas as suas necessidades satisfeitas e não tinham qualquer forma de desobedecer a Deus, a não ser comendo do fruto da árvore. Quer gostemos ou não, Deus concede às pessoas a escolha de O servir ou não. Alguns poderão pensar: «Deus não devia ter feito isso; Deus devia ter-nos feito a todos robôs incapazes de desobedecer.» Independentemente do que as pessoas pensem, Deus pode fazer o que Lhe apraz, e Deus escolheu conceder a todos o livre arbítrio para Lhe desobedecer e para viver com as consequências da sua obediência ou desobediência.

4. O fruto poderia ter sido comido, mais cedo ou mais tarde. Teófilo, bispo de Antioquia (168-181/188 d.C.), ensinou que, se Adão e Eva não tivessem pecado, teriam amadurecido, tornado-se perfeitos e ascendido ao céu na posse da imortalidade. A humanidade possuía uma natureza intermédia, nem totalmente mortal, nem totalmente imortal; ou então o Paraíso situava-se entre a Terra e o céu. Teófilo a Autólico, livro 2, cap. 22, p. 24, p. 104


P: Em Génesis 3, devemos orgulhar-nos de que Eva tenha comido a maçã, como afirma Laura Schlesinger?

R: Não. A Dra. Laura tem razão em muitas coisas, mas, neste caso, está errada. Eis o que ela afirmou na revista «Modern Maturity», de setembro-outubro de 1999, p. 67.

«Tenho muito orgulho por ela ter comido o fruto da árvore do conhecimento. Porque, se não o tivesse feito, ainda seríamos animais no Jardim. Deus não colocou aquela árvore ali apenas para dar sombra. Tornámo-nos humanos com esse passo.»

Em primeiro lugar, a árvore não era apenas a árvore do conhecimento, mas a árvore do conhecimento do bem e do mal. Schlesinger tem razão ao afirmar que as pessoas já não eram as mesmas. Todos os homicídios, guerras, opressões e irresponsabilidades morais cometidos pelos seres humanos ocorreram depois disso. No entanto, as pessoas continuam a ser humanas no Céu, onde já não pecarão. Não é impossível ser plenamente humano e não pecador, tal como Adão e Eva eram antes de comerem o fruto, e tal como Jesus Cristo é.

Mais adiante na entrevista, quando a Dra. Laura afirmou que Adão estava errado ao tentar culpar Eva, Schlesinger estava correto, pois Génesis 3:6 diz que Adão estava com Eva quando ela comeu.


P: Em Génesis 3, o fruto da árvore era uma metáfora para uma união sexual espiritual ilícita entre Eva e Satanás, tal como o Reverendo Moon, da Igreja da Unificação (Moonies), ensina no «Princípio Divino» (5.ª ed., 1977), pp. 75-79?

R: Não havia qualquer metáfora sexual associada à árvore, ao fruto ou a Satanás. Se o reverendo Moon estivesse certo, então:

O que eram todas as outras árvores que eram permitidas?

Eva ignorou Satanás quando comeu o fruto da árvore

Em Génesis 3:13, Eva, ao tentar atribuir toda a culpa à serpente, limitou-se a dizer que a serpente a enganou. Ela nunca disse que a serpente lhe tivesse feito alguma coisa.

Ver também a pergunta anterior.


P: Em Génesis 3, existem outras culturas que tenham uma história semelhante sobre os primeiros seres humanos, num jardim, a comer um fruto proibido?

R: Sim. Aqui estão, pelo menos, três casos.

O povo S’gaw Karen, do leste da Birmânia: o Deus todo-poderoso e onisciente chamado Y’wa criou tudo. Ele criou duas pessoas, um homem chamado Thanai e uma mulher chamada Eeu, e colocou-os num jardim com sete tipos de árvores de fruto. Havia, no entanto, um tipo que não podiam comer. O maléfico Mu-kaw-lee enganou as duas pessoas, dizendo-lhes que teriam poderes milagrosos e ascenderiam ao Céu. Mu-kaw-lee persuadiu-as a comer o fruto da árvore da provação. Elas comeram e ficaram sujeitas à doença, ao envelhecimento e à morte.

Don Richardson explora a possibilidade de que isto possa ter provindo de influências nestorianas ou católicas romanas, e conclui que não foi esse o caso, pois Richardson não encontrou qualquer conceito de encarnação ou de um redentor que morresse pelo homem e ressuscitasse dos mortos.

Os Santal, do nordeste da Índia: acreditavam em «Thakur Jiu» (Thakur = genuíno, Jiu = Deus), que criou o primeiro casal, um homem chamado Haram e uma mulher chamada Ayo, e os colocou em Hihiri Pipiri, a oeste da Índia. O maléfico Lita tentou-os a fazer cerveja de arroz e a derramar parte dela no chão como oferenda a Satanás. Eles assim o fizeram e embriagaram-se com o resto da cerveja. Quando acordaram, perceberam que estavam nus e sentiram vergonha. Mais tarde, tiveram sete filhos e sete filhas. Os seus descendentes corromperam-se, pelo que Thakur Jiu escondeu um «casal sagrado» no Monte Harata (= Ararat?) e destruiu os restantes num dilúvio. Por fim, os seus antepassados viajaram (para leste) de floresta em floresta, até chegarem a altas montanhas, que lhes bloqueavam o caminho. Por fim, conseguiram atravessá-las (talvez na Passagem de Khyber) e chegaram à sua terra natal, perto de Calcutá.

Sumérios: Os sumérios acreditavam que provinham de um Paraíso a que chamavam Dilmun. No entanto, não existem muitas outras semelhanças com o Jardim do Éden. Dilmun era um lugar onde se encontravam todos os deuses, bem como Ziusudra, um humano que tinha alcançado a imortalidade. O poema de Dilmun data de cerca de 2400 a.C.


P: Em Génesis 3, uma vez que Adão e Eva eram perfeitos, como é que seres perfeitos podem fazer coisas imperfeitas, tais como pecar?

R: Independentemente da forma como se defina «perfeito», a Bíblia nunca afirma que Adão e Eva fossem perfeitos. Também nunca afirma que fossem incapazes de pecar. Pelo contrário, a Bíblia apenas mostra que eram muito bons e que estavam «sem pecado», no sentido de que ainda não tinham pecado. Continuavam, no entanto, capazes de exercer o livre arbítrio e de fazer uma escolha relativamente ao pecado.

Clemente de Alexandria, na obra *Stromata* (193-202 d.C.), livro 6, cap. 12, p. 502, foi um dos primeiros a responder a esta questão. Ele afirmou, entre outras coisas, que o homem «não era perfeito na sua criação, mas estava preparado para receber a virtude. … Ora, uma aptidão é um movimento em direção à virtude, não a própria virtude. Todos, portanto, como eu disse, estão naturalmente constituídos para a aquisição da virtude.»


P: Em Génesis 3, uma vez que um Deus perfeito apenas cria seres perfeitos, como é que Adão e Eva puderam pecar?

R: Há cinco pontos a considerar na resposta.

Tertuliano respondeu a esta questão já em 207/208 d.C., na obra «Cinco Livros Contra Marcião», livro 2, capítulos 5-9. A extensa resposta de Tertuliano pode ser resumida nas suas próprias palavras: «Por isso, era adequado que [o homem], a imagem e semelhança de Deus, fosse formado com livre arbítrio e domínio de si mesmo; para que precisamente isto — nomeadamente, a liberdade de vontade e o autocontrolo — pudesse ser considerado como a imagem e semelhança de Deus nele.» Por outras palavras, era adequado que um Deus perfeito criasse criaturas à Sua imagem, dotadas de livre arbítrio.

Teófilo, bispo de Antioquia (168-181/188 d.C.), respondeu a uma questão relacionada — se Adão e Eva eram mortais ou imortais —, demonstrando que se encontravam num processo e eram capazes de seguir qualquer um dos caminhos. (Teófilo a Autólico, livro 2, cap. 27, p. 105)

Não são robôs: Gostaria que um Deus perfeito se limitasse a criar robôs e fosse incapaz de criar pessoas dotadas de livre arbítrio? Deus não cria impossibilidades lógicas e, para que Deus criasse pessoas que escolhessem livremente amá-Lo e obedecer-Lhe, Deus também as criou capazes de não O amar e não Lhe obedecer. A Bíblia nunca afirma que Adão e Eva eram «perfeitos» no sentido de nunca poderem pecar. Em vez disso, a Bíblia diz que eram «muito bons» e «sem pecado», na medida em que ainda não tinham pecado.

A perfeição de Deus: Entre a humanidade e os demónios, a Bíblia deixa perfeitamente claro que a perfeição de Deus não O impede de criar seres com a capacidade de Lhe desobedecer.

De quem é essa definição? Se a definição de alguém de um Deus perfeito for a de um Deus incapaz de criar pessoas com escolhas morais, então recai sobre essa pessoa o ónus da prova de encontrar pelo menos um versículo que sustente essa opinião. Caso contrário, essa definição não se coaduna com o Deus da Bíblia. A questão fundamental aqui é:

a) deve tentar impor a sua definição de «perfeição de Deus» ao Deus da Bíblia, ou

b) deve deixar que Deus fale por Si mesmo na Bíblia sobre como Ele é perfeito e como escolheu criar?

Quanto à razão pela qual Deus optou por «dar-se ao trabalho» de criar Adão e Eva, sabendo que eles iriam pecar, consulte a discussão sobre Génesis 1.


P: Em Génesis 3:1 e 2 Coríntios 11:3, por que razão Adão e Eva foram tentados por Satanás na forma de uma serpente, em vez de outra coisa, como um leão ou um coelhinho?

R: As Escrituras não o dizem, mas podemos especular. Os animais de grande porte poderiam ser intimidantes e colocar as pessoas em guarda. Os animais minúsculos poderiam ser ignorados por serem considerados insignificantes. Uma serpente poderia sugerir que a «astúcia» é aceitável. Para que muitos na sociedade cometam pecado em massa, é necessário que muitas pessoas sejam primeiro persuadidas de que o pecado não é errado.

Algumas pessoas encaram a serpente como uma analogia da inteligência desprovida de consciência. A cobra é impressionante pela forma como espera astutamente e se aproxima furtivamente da sua presa. Mateus 10:16 diz que devemos ser astutos como as cobras e inocentes como as pombas.


P: Em Génesis 3:1, como é que um animal sem inteligência e mudo, como uma serpente, conseguiu tentar Adão e Eva?

R: Esta não era uma serpente comum. Satanás assumiu a forma de uma serpente, e Satanás era capaz de falar e é extremamente inteligente. Satanás também é chamado de serpente em Apocalipse 12:9, 14, 15 e Apocalipse 20:2. Existem duas formas possíveis pelas quais Satanás poderia ter sido uma serpente, e a interpretação mais simples sugere que ambas são verdadeiras.

Transformação física: Ou Satanás transformou-se a si próprio, ou foi transformado na forma física de uma cobra capaz de falar.

Possessão: É possível que Satanás tenha entrado num animal já existente e falado através dele.

Independentemente de a serpente que Eva viu ter sido o próprio Satanás ou apenas uma cobra comum, Satanás «falou por intermédio» desta forma para sugerir a abordagem astuta e insidiosa de uma cobra.


P: Em Génesis 3:1-16, que lições gerais podemos retirar sobre o pecado a partir deste exemplo?

R: Podemos aprender muitas coisas, mas eis apenas algumas delas.

1. O pecado traz a morte. Adão e Eva nunca teriam morrido, mas encaminharam-se para a morte no dia em que pecaram.

2. O pecado tem consequências mesmo após o perdão. Deus perdoou-os, mas eles continuariam a morrer, e não recuperaram o dom da árvore da vida. (pelo menos não até Apocalipse 2:7; 22:2,14).

3. As Escrituras não mencionam se eles chegaram a ver a morte antes de Deus matar alguns animais para os vestir com peles. O pecado não podia ser coberto por um ramo de folhas que voltariam a crescer no ano seguinte. Só podia ser coberto pelo sangue de um animal que morresse.

4. Podiam comer de quase todas as árvores do jardim, mas consideraram Deus mesquinho por lhes negar aquela única árvore. Após a queda, Deus mostrou-Se misericordioso ao perdoá-los e ao vesti-los com peles de animais, mas enfrentariam dificuldades, pois a terra passaria a ser mesquinha para com eles.

5. Até mesmo as consequências do seu pecado foram uma misericórdia de Deus. Haddon Robinson refere que a dor finca a bandeira da realidade na fortaleza do coração rebelde.

6. Mesmo após o pecado, Deus continua a ter um plano redentor. Mesmo depois de cometermos erros graves, a promessa de Romanos 8:28 continua a ser verdadeira. Mesmo neste capítulo sombrio, Deus tinha uma promessa em Génesis 3:15.


P: Em Génesis 3:1,14, uma vez que a serpente foi amaldiçoada a rastejar sobre o ventre, isso significa que as cobras costumavam ter pernas?

R: Não. Embora alguns anfíbios (sirenas) tenham patas dianteiras mas não traseiras, não é isso que se pretende aqui. Embora as Escrituras não sejam específicas, Satanás foi amaldiçoado com meios de locomoção reduzidos e degradantes. Satanás assumiu a forma de uma humilde cobra, e Deus castigou-o com uma maldição segundo a qual parte dos atributos da cobra permaneceria com Satanás.

Quando as pessoas pecam, a necessidade de perdão pelo ato externo é apenas parte do problema. A natureza do pecado é frequentemente tal que parte do pecado se apega aos nossos corações por dentro, e precisamos tanto de purificação como de perdão.


P: Em Génesis 3:1, 14-15, a serpente tinha pernas antes da maldição ou não?

R: Existem duas visões principais.

Sim: É possível que esta «serpente» em particular no jardim se assemelhasse a um lagarto-monitor, que mantém o ventre afastado do chão, e que Deus tenha transformado essa criatura para que perdesse todos os vestígios de pernas. Não poderia ter passado simplesmente de uma postura «semelhante à de um lagarto-monitor» para um rastejar semelhante ao de um crocodilo, de barriga para baixo, porque o uso da palavra comum «serpente» implicaria a ausência de pernas. A Nelson Study Bible, na página 10, afirma: «O texto… sugere que, antes disso, a serpente tinha outra forma corporal.»

Não: O «New International Bible Commentary», na p. 117, defende que «A punição da cobra (v. 14) não deve ser entendida como significando que, em algum momento, ela tivesse tido pernas. Pelo contrário, o que outrora parecera natural e belo seria agora uma lembrança perpétua do que ela outrora fizera.» O «Expositor’s Bible Commentary», vol. 1, p. 55, afirma: «Esta maldição não sugere necessariamente que a serpente anteriormente andasse com pés e pernas, tal como os outros animais terrestres. A questão reside antes no facto de que, para o resto da sua vida, em resultado da maldição, quando a serpente rastejar sobre o ventre, como as serpentes fazem, ela “comerá pó”.» A ênfase reside no facto de a cobra «comer pó», uma expressão que noutros contextos tem o significado de «derrota total» (cf. Isaías 65:25; Miqueias 7:17).»

Seja como for, o que importa é que a cobra, que era tão astuta («arum» em Génesis 3:1), está agora amaldiçoada («arur» em Génesis 3:14). A palavra «amaldiçoada» é utilizada em relação à cobra e à terra, mas não ao homem nem à mulher.


P: Em Génesis 3:3-24, por que razão Adão e Eva foram punidos mais severamente do que muitas pessoas hoje em dia?

R: Deus não os castigou simplesmente pelo facto de terem colhido o fruto; afinal, podiam colher o fruto de outras árvores. Deus castigou-os por, apesar de não possuírem uma natureza caída, terem desobedecido a Deus.

A severidade do seu castigo parece razoável quando consideramos que Deus castiga com base no que as pessoas sabem e no que eram capazes de fazer. Ao contrário das pessoas de hoje, eles estavam na presença direta de Deus e, mesmo assim, não confiaram que Deus sabia o que era melhor para eles. Ao contrário das pessoas de hoje, eles não tinham uma natureza pecaminosa, que os estaria sempre a puxar para o pecado.


P: Em Génesis 3:3-6, Adão e Eva comeram uma maçã?

R: As Escrituras nunca dizem que comeram uma maçã. Tratava-se de um fruto proibido, o fruto do conhecimento do bem e do mal, que, presumivelmente, não se encontra hoje na Terra.

Alguns pensam que a confusão entre o fruto proibido e a maçã, na Idade Média, ocorreu porque a palavra latina para «mal» é «malum» e a palavra latina para «macieira» é «malus». Independentemente de como esta ideia tenha surgido, não existe qualquer fundamento bíblico para o cerne desta ideia, por mais que se analise a questão. ;-)


P: Em Génesis 3:5-22, será que Adão simboliza o espírito celestial, Eva simboliza a alma terrena e a serpente simboliza o apego ao mundo humano, tal como ensinam os bahá’ís em «Algumas Perguntas Respondidas», p. 123?

R: Não. Há séculos que as pessoas tentam atribuir significados espirituais contrários ao sentido literal do Génesis. Adão é, sem dúvida, um ser humano do sexo masculino e Eva, do sexo feminino; e acrescentar esta interpretação injustificada transforma os homens em «espíritos celestiais» superiores e as mulheres em «almas terrenas». Em vez disso, a verdade é que homens e mulheres têm igual e o mesmo valor aos olhos de Deus (Gálatas 3:28).


P: Em Génesis 3:5, 22, se Adão e Eva se tornariam «como deuses» caso comessem o fruto, isso significa que existe mais do que um Deus, tal como ensinam os mórmons?

R: Só depois desse momento é que adquiririam o conhecimento do bem e do mal. Génesis 3:5 diz «como Deus». «Deuses», com «s», aparece apenas na KJV; em hebraico, é «Elohim», um nome para Deus. Assim, Génesis 3:5 não prova qualquer pluralidade efetiva.


P: Em Génesis 3:5, 22, as pessoas poderiam saber tudo, tal como Deus?

R: Não. Satanás nem sequer deu a entender que seriam como Deus em todos os aspetos (adoração, Onipotência, Trindade, etc.). Em vez disso, Satanás prometeu que seriam como Deus no sentido de que conheceriam tanto o bem como o mal. É claro que, antes de comerem o fruto, só conheciam o bem. Depois de comerem o fruto, passaram a conhecer tanto o bem como o mal. Assim, de uma forma que Adão e Eva viriam a lamentar profundamente, a serpente estava correta. Consulte «Hard Sayings of the Bible», pp. 95-96, para uma resposta semelhante.

Existem outras cinco passagens que mencionam o conhecimento do bem e do mal: Deuteronómio 1:39; 2 Samuel 14:17; 19:35; 1 Reis 3:9; e Isaías 7:15. Estas mostram que é Deus quem determina o que é o bem e o mal, e talvez Satanás lhes estivesse a prometer uma «declaração de liberdade», na qual eles próprios decidiriam o que era o bem e o mal. Esta «declaração de independência» acabou, na verdade, por prendê-los na condenação. Consulte «735 Baffling Bible Questions Answered», pp. 24-25, para mais informações sobre esta perspetiva.

Satanás faz uma promessa semelhante nos dias de hoje. Em muitas vertentes do hinduísmo, o objetivo não é ter uma relação com Deus, nem ser «bom». Pelo contrário, o objetivo é ser «experiente», experimentando tanto o bem como o mal. Por vezes, as pessoas ficam surpreendidas ao depararem-se com um guru hindu que é desonesto e engana alguém. Pode ser que o guru não esteja a ser inconsistente com a sua religião. Para alguns, o objetivo é o domínio tanto do bem como do mal.


P: Em Génesis 3:6, por que razão Eva foi castigada por procurar sabedoria ao comer o fruto, uma vez que se considera que adquirir sabedoria é sempre bom?

R: Buscar sabedoria não é bom por si só. Buscar sabedoria junto de Deus é bom, mas a sabedoria obtida através da desobediência não é boa. Os cristãos, em geral, não aprenderam nem experimentaram todas as diferentes variedades do mal, nem desejam fazê-lo.

Como escreveu Teófilo, bispo de Antioquia (168-181/188 d.C.), na sua carta «A Autólico», livro 2, capítulo 25, p. 104: «Pois não foi a árvore, como alguns pensam, mas sim a desobediência, que continha a morte. Pois não havia nada mais no fruto senão apenas o conhecimento; mas o conhecimento é bom quando se usa com discrição. Adão, porém, sendo ainda uma criança, não estava, por essa razão, apto a receber o conhecimento de forma digna.» Pais Ante-Nicenos, vol. 2, p. 104.


P: Em Génesis 3:6, em que medida as tentações de Satanás a Eva são semelhantes às tentações de Satanás a Jesus em Mateus 4:1-11 e Lucas 4:1-13?

R: Embora não sejam idênticas, Satanás recorre frequentemente a táticas semelhantes, e isso deve-se provavelmente ao facto de estas não terem deixado de funcionar.

Eva viu que o fruto proibido era

1. Bom para comer [apetite físico],

2. Agradável à vista [beleza, concupiscência dos olhos],

3. Desejável para adquirir sabedoria [os olhos seriam abertos e, tal como Deus, conheceriam o bem e o mal] [poder divino após seguir a ordem de Satanás].

Jesus, que estava em jejum, foi tentado com

1. Pedras que se transformavam em pão [apetite físico],

2. Lançar-se da ala do templo [exibicionismo],

3. Autoridade sobre todos os reinos da terra [poder divino sob o comando de Satanás].

1 João 2:16 menciona três tipos de pecados no mundo: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.


P: Em Génesis 3:8, uma vez que Deus está em todo o lado (Salmo 139), como é que Adão pôde afastar-se da presença de Deus?

R: O facto de a presença de Deus estar em todo o lado não impede que Deus tenha uma presença direta e localizada para se relacionar connosco. Tal como se refere na página 36 de *When Critics Ask*, existem muitos outros exemplos de Deus a manifestar-se em determinados locais através de diferentes coisas. Entre estes contam-se os três visitantes de Abrão (Génesis 18:1-33), a sarça ardente (Êxodo 3:2-22), uma nuvem densa (Êxodo 19:9), no Monte Sinai (Êxodo 19:11-12), sobre a Arca da Aliança (1 Reis 8:11-13), ao abandonar o templo (Ezequiel 10:3-18) e a vinda de Jesus à Terra.


P: Em Génesis 3:8, uma vez que Deus está em todo o lado, como é que Adão e Eva puderam ouvir Deus a caminhar no jardim?

R: Deus está em todo o lado e pode fazer tudo; «tudo» inclui também ter uma presença localizada. Poderia tratar-se de Deus na Trindade, mas os primeiros cristãos, como Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.), na sua «Carta a Autólico», livro 2, capítulo 22, p. 103, afirmam que se tratava de Jesus Cristo. Os teólogos designam as aparições de Cristo anteriores ao Seu nascimento virginal como «cristofanias».


P: Em Génesis 3:9,11, uma vez que Deus sabe tudo, por que razão teve Ele de perguntar onde estava Adão e o que ele tinha feito?

R: Deus sabe, de facto, tudo. Tal como um pai que lida com os filhos, Deus faz, por vezes, perguntas cujas respostas já conhece, a fim de dar às pessoas a oportunidade de se confessarem perante Ele.

Naquela altura, Deus fez-lhes quatro perguntas:

1. Onde está?

2. Quem vos disse isso (onde é que aprenderam isso)?

3. Comeste (desobedeceste)?

4. O que é que fizeram?

As perguntas de Deus conduziram-nos gentilmente ao arrependimento. Deus perdoou-os de todo o coração, mas eles ainda assim sofreram as consequências e não recuperaram o dom da árvore da vida.

Hoje, Deus faz às pessoas as mesmas quatro perguntas!

1. Onde está? As pessoas que vivem no pecado muitas vezes não sabem onde estão, apesar de tanto Deus como as pessoas à sua volta poderem ver como estão a tornar a sua própria vida miserável. «Pois outrora também nós éramos insensatos, desobedientes, extraviados e escravos de toda a espécie de desejos e prazeres — vivendo na malícia e na inveja, sendo odiados e odiando-nos uns aos outros. Mas quando se manifestou a bondade de Deus, nosso Salvador, e o Seu amor pela humanidade...» (Tito 3:3-4a BSB).

2. Quem vos disse isso (onde é que aprenderam isso)? Hoje em dia, as pessoas acreditam frequentemente em demasiadas falsidades, em vez da verdade que vem de Deus. «Temo, porém, que, tal como Eva foi enganada pela astúcia da serpente, as vossas mentes possam ser desviadas da vossa devoção simples e pura a Cristo. Pois, se alguém vier e proclamar um Jesus diferente daquele que nós proclamámos, ou se receberem um espírito diferente daquele que receberam, ou um evangelho diferente daquele que aceitaram, vocês toleram isso com muita facilidade.» (2 Coríntios 11:3-4 BSB)

3. Já comeram (desobedeceram)? Quer se trate de uma fonte de conhecimento proibido (e muitas vezes enganador), de experiências proibidas ou de um coração voltado para coisas menores, o Espírito Santo pergunta: «Estão a desobedecer?»

4. O que é que fez? As tragédias autoinfligidas (tanto morais como físicas) não acontecem normalmente de forma repentina, como um balão a rebentar, mas têm como fundamento o pecado acumulado ao longo do tempo, tal como um balão com uma fuga lenta. Tiago 1:15 diz que, depois de o desejo ter concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, quando está plenamente desenvolvido, dá à luz a morte. Embora uma pessoa culpada não tenha desculpa, olhe para trás e veja que escolhas e atitudes de coração conduziram a esta catástrofe.

Os primeiros escritores cristãos também viam as perguntas de Deus como uma forma de lhes revelar a sua própria situação e de os chamar ao arrependimento.

Teófilo (bispo de Antioquia, 168-181/188 d.C.), na sua «Carta a Autólico», livro 2, cap. 26, p. 105, foi o primeiro a abordar esta questão. Ele afirmou: «E quanto ao facto de Deus ter chamado e dito: “Onde estás, Adão?”, Deus fez isso não como se ignorasse o que se passava, mas, sendo longânimo, concedeu-lhe uma oportunidade de arrependimento e confissão.»

Tertuliano, na sua obra «Cinco Livros Contra Marcião» (207/208 d.C.), responde a esta questão da seguinte forma: «… Deus não estava incerto quanto à prática do pecado, nem ignorava o paradeiro de Adão. Era certamente adequado convocar o infrator, que se escondia da consciência do seu pecado, e trazê-lo à presença do seu Senhor, não apenas chamando-o pelo nome, mas com um golpe certeiro contra o pecado que ele tinha, naquele momento, cometido. Pois a pergunta não deve ser lida num tom meramente interrogativo: «Onde estás, Adão?», mas com uma voz impressionante e sincera, e com um ar de imputação. «Ó Adão, onde estás?» — o que equivale a insinuar: já não estás aqui, estás na perdição — de modo que a voz é a expressão de Alguém que, ao mesmo tempo, repreende e se entristece.» (Cinco Livros Contra Marcião, livro 2, cap. 26, p. 317). Tertuliano também responde a esta pergunta (de forma mais sucinta) em Contra Praxeas (c. 213 d.C.), cap. 16, p. 612.

Adamantio (c. 300 d.C.) afirma que Deus não perguntou a Adão «porque quisesse indagar, mas sim para lhe [a Adão] recordar algo». «Diálogo sobre a Verdadeira Fé», primeira parte, estrofe 17, p. 61.

Atanásio (331 d.C.) também respondeu que Deus perguntou sabendo a resposta. Acrescenta ainda que, se alguém pensar que Deus ignora a resposta quando faz a pergunta, já faz parte dos maniqueístas. «Quatro Discursos Contra os Arianos», Discurso 3, cap. 28.50, p. 421


P: Em Génesis 3:14-15, o Senhor Deus amaldiçoou a serpente dizendo: «Pó comerás todos os dias da tua vida.» Tenho dificuldade em conciliar isto com as evidências zoológicas de que as cobras são carnívoras e se alimentam de rãs, aves, etc. Não estou a tentar dizer que Deus está errado; acredito que Ele é infalível, mas poderia explicar-me o que este versículo significa realmente? Trata-se aqui de uma metáfora?

R: Vejamos primeiro as cobras e, em seguida, a metáfora. Ao contrário dos vermes, as cobras são carnívoras e não se alimentam de poeira. No entanto, a maioria das cobras rasteja pelo chão; a sua alimentação resume-se ao que cai na poeira, e não conseguem evitar ingerir alguma sujidade juntamente com a comida. Não se trata apenas da sua alimentação, mas toda a vida da cobra é humilde, rodeada pelo que é sujo e insignificante. O substantivo hebraico aqui utilizado, «nacash», é uma palavra comum para designar a cobra, derivada do verbo que significa «sibilar» ou «sussurrar». Tem conotações de magia sussurrada. Assim, a palavra realça o sussurro da cobra, e o Génesis realça o pó, pelo que a imagem aqui apresentada é: «uma vez sussurrador de terra, sussurrador de terra para sempre».

A Nova Bíblia de Estudo de Genebra, p. 13, afirma que o pó pode significar «humilhação abjeta». A Bíblia de Estudo NIV, p. 10, afirma que o pó também pode ser o símbolo da morte.

Ora, a serpente que tentou Adão e Eva não era uma cobra comum; era o próprio Satanás. Existem duas opções: ou Satanás apareceu na forma de uma cobra, ou utilizou o corpo de uma cobra já existente. Embora Génesis 3:14-15 possa referir-se a todas as cobras, ou a um anfíbio/lagarto/cobra e a todos os seus descendentes, também pode referir-se a Satanás estar, de alguma forma, preso a essa aparência física, uma vez que a utilizou naquela ocasião.

A ênfase mais importante em Génesis 3:14-15 é o julgamento contra Satanás. Tal como a cobra rasteja de forma humilde e desonrosa, alimentando-se apenas do que é sujo, Satanás, que escolheu assumir a forma de uma cobra, também nunca escapará a rastejar no pó, tendo perdido a sua antiga posição elevada no céu.

As pessoas que virem a cobra a rastejar e a comer pó poderão ter isso como uma lembrança da queda.

Durante o período do Milénio, em Isaías 65:25, o lobo, o cordeiro e outros animais serão transformados e abençoados, mas a serpente continuará a «comer pó». Embora ninguém cause dano e não haja carnívoros no monte santo de Deus, a serpente continuará a «comer pó». Apocalipse 20:1-10 diz-nos que os crentes reinarão com Cristo na Terra durante 1 000 anos, mas, no final desses 1 000 anos, Satanás continuará a sair e a «sussurrar», incitando as nações contra Deus.


P: Gênesis 3:15 significa que a Virgem Maria seria imaculada, como afirmam alguns católicos?

R: Não, por duas razões.

Aqui, o versículo refere-se a Eva, não a Maria. É claro que Eva não era imaculada, mas isso não constitui qualquer problema, uma vez que este versículo nunca afirmou que ela fosse imaculada.

A semente, ou seja, Jesus, é o foco deste versículo. Nada aqui, nem em qualquer outra parte da Bíblia, afirma que a mãe de Jesus seria imaculada. Além disso, não existe qualquer registo nas quase 4 200 páginas de escritos cristãos pré-nicenos preservados que afirme que Maria fosse imaculada.


P: Em Génesis 3:15, quem são exatamente os descendentes de Satanás?

R: Em João 8:41,44, Jesus indica que são aqueles que O rejeitam.


P: Em Génesis 3:15, 23-24, o que há de irónico nas palavras aqui utilizadas?

R: Trata-se de um jogo de palavras. Adão foi colocado no jardim para adorar (le’obdah) e obedecer (lesomrah), mas, após a queda, teria de trabalhar (la’abod) e seria impedido (lismor) de aceder ao caminho da árvore da vida.

Por vezes, as mesmas circunstâncias podem ser uma bênção para nós, ou uma maldição, dependendo da nossa obediência a Deus.


P: Deverá Génesis 3:16 ser traduzido como «Uma armadilha aumentou a vossa dor e os vossos suspiros» ou como a tradução tradicional «Multiplicarei grandemente»?

R: As consoantes hebraicas são quase as mesmas em ambos os casos. As vogais são muito diferentes, mas os sinais vocálicos só foram adicionados muitos anos depois de Cristo. A única diferença nas consoantes é que faltam duas consoantes na tradução tradicional. Ou as consoantes em falta constituíram um erro tipográfico, ou então a outra tradução está correta.

Se a outra tradução («armadilha») estiver correta, então Satanás seria a armadilha. Seja como for, ter filhos não é mau, e fazia originalmente parte da vontade de Deus para eles (Génesis 1:28), e a Queda não alterou isso.


P: Deve Génesis 3:16 ser interpretado no sentido de que a mulher foi amaldiçoada com um desejo [sexual] avassalador pelo seu marido? Ou a palavra deveria ser «desviar/controlar» em vez de «desejo»?

R: Embora a palavra em si possa significar ambas as coisas, o contexto indica «virar», «controlar» ou «dominar». Das 120 vezes em que as palavras inglesas «desire»/«desiring»/«desirous» são utilizadas no Antigo Testamento, esta palavra hebraica específica para «desejo», teshuqah (Strong 8669), é utilizada apenas três vezes: Génesis 3:16; Génesis 4:7 e Cântico dos Cânticos 7:10. Cântico dos Cânticos 7:10 refere-se ao desejo de alguém pela sua amada, e em Génesis 4:7 Deus adverte Caim de que o pecado o deseja possuir.

Segundo Walter Kaiser, os escritores da Igreja primitiva Clemente de Roma (96-98 d.C.), Irineu (182-188 d.C.), Tertuliano (198-220 d.C.), Orígenes (225-254 d.C.), Epifânio, Jerónimo e Filo, o Judeu, interpretaram esta passagem como «desviar-se», e não estavam familiarizados com a interpretação de «desejo». Assim, a passagem significa que as mulheres se afastariam da confiança em Deus para confiarem, em vez disso, nos seus maridos. Kaiser refere que Katherine C. Bushnell descobriu que a primeira utilização do termo «desejo» nesta passagem foi feita por um monge dominicano italiano chamado Pagnino. Embora a Bíblia de Wycliffe tenha sido traduzida antes disso, infelizmente, todas as outras Bíblias em inglês, desde a versão de Coverdale até à de Rei Jaime, passaram a traduzir isto como «desejo».

Cinco razões indicam que significa «virar-se», «controlar» ou «dominar», em oposição ao desejo sexual:

1. A simetria entre «desejo pelo seu marido» e «ele dominará sobre si».

2. A proximidade do mesmo significado em Génesis 4:7

3. Se significasse desejo sexual, por que razão não se faz menção também ao desejo dos homens pelas mulheres?

4. Novo Testamento: as esposas devem submeter-se aos maridos e os maridos devem amar as suas esposas como Cristo amou a Igreja, em Efésios 5:22-33. 1 Timóteo 2:11-14 refere mesmo que as mulheres não devem ensinar nem exercer autoridade sobre os homens, devido ao facto de Eva ter sido a que foi enganada.

5. Malfeitos ao longo da história: os homens também têm, frequentemente, dominado as mulheres de formas exploradoras e impróprias. Quando um imperador sumério ou chinês morria, as suas esposas eram, por vezes, mortas juntamente com ele. Antes da chegada dos britânicos, quando um homem hindu morria, a sua esposa era normalmente queimada viva no seu funeral (prática denominada «suttee»). Os gregos não consideravam as mulheres muito superiores aos árabes e aos muçulmanos: quando a alguém é dada uma mulher, uma serva ou gado, deve-se agarrar-lhe a testa e rezar a Alá. Ibn-i-Majah, vol. 3, n.º 1918, p. 157. De acordo com a Sharia (lei) muçulmana, o testemunho de uma mulher equivale a metade do de um homem, «devido à deficiência da mente da mulher». (Bukhari, vol. 3, livro 48, cap. 12, n.º 826, p. 502)


P: Em Génesis 3:16, a mulher teria grande dor ao dar à luz, ou ter filhos era uma bênção, como diz Génesis 1:28?

R: Ambas as afirmações são verdadeiras. Há três pontos a considerar na resposta.

Antes da Queda de Adão e Eva, ter filhos teria sido uma bênção, sem dor física ou emocional.

Após a Queda, Génesis 3:16 afirma que haveria dor física. Além disso, haveria a dor que os filhos trariam devido ao seu pecado. O livro «735 Baffling Bible Questions Answered», p. 25, afirma que é muito provável que a dor se refira a todo o processo de criar os filhos até à idade adulta. A dor que Eva sentiu ao dar à luz Caim e Abel deve ter sido pequena em comparação com a dor de descobrir que Caim assassinou Abel.

Como nota à parte, os animais geralmente não sentem tanta dor ao dar à luz, devido ao tamanho da cabeça do recém-nascido em relação à pélvis da mãe.

No entanto, a bênção não é totalmente anulada. Os filhos continuam a ser uma bênção do Senhor (Salmo 127:3-5).


P: Em Génesis 3:16, por que razão tudo foi atribuído a Eva? (Um muçulmano afirmou isto.)

R: Nem tudo foi atribuído a Eva. Embora Eva tenha comido primeiro e tenha sido castigada, Adão também foi castigado. Ele teve de trabalhar arduamente para extrair da terra o que antes se obtinha com facilidade.

Na teologia bíblica, não há qualquer indício de que Eva tenha sido tornada «mais estúpida». No entanto, uma vez que o muçulmano levantou esta questão, o teólogo e historiador muçulmano al-Tabari afirmou que Eva era, originalmente, inteligente, mas que Alá a tornou (mas não a Adão) estúpida após a queda de Adão e Eva. al-Tabari, vol. 1, p. 280, 281. Além disso, Maomé afirmou nos hadiths que a urina de um bebé do sexo masculino é mais limpa do que a de uma menina. Ibn-i-Majah, vol. 1, n.º 522, 525, 526, p. 284, 285, 286. A razão é a seguinte: «Ele (o Profeta) disse: “Na verdade, Alá, o Exaltado, criou Adão e Eva (Hawwa’) foi criada a partir de uma das suas pequenas costelas. Assim, a urina de um rapaz passou a ser de água e barro, e a urina de uma rapariga passou a ser de carne e sangue.”» Note-se que isto não se deve a nada relacionado com a Queda, mas sim à própria criação de Eva.


P: Em Génesis 3:20, tendo em conta as diferenças entre as pessoas, como é que todas as raças poderiam provir de Adão e Eva?

R: Génesis 3:20 afirma que Eva seria a mãe de todos os viventes. A altura, o cabelo e a cor da pele são pequenas diferenças, não só nas pessoas, mas também em cães, gatos e cavalos. Geneticamente, todas as pessoas são muito semelhantes. Um estudo genético de 67 raças de cães, publicado na edição de junho de 1997 da revista *Science*, indica que os cães também tinham uma origem comum.

Outros versículos que confirmam que todos descendem de Adão e Eva são Mateus 19:4-5; Romanos 5:12-19; e 1 Timóteo 2:13-14.


P: Em Génesis 3:20, se Adão e Eva não tivessem pecado, teriam ainda assim tido filhos? (foi a minha esposa que perguntou isto)

R: Sim. Não sabemos a idade física de Adão e Eva quando pecaram; podiam ser crianças, adolescentes ou adultos. O facto de não terem tido filhos antes da Queda não significa que Deus os tenha criado incapazes de ter filhos, a menos que pecassem.

Duas passagens bíblicas diferentes provam que eles poderiam ter tido filhos, independentemente da Queda.

Em Génesis 1:28, antes da Queda, Deus ordenou-lhes que fossem fecundos e se multiplicassem. A menos que Deus se estivesse a referir à matemática, Ele ordenou-lhes que tivessem filhos.

Em Génesis 3:16, Eva foi amaldiçoada com um aumento da dor no parto. Ela foi amaldiçoada com um aumento da dor ou da aflição no parto, não com o próprio ato de dar à luz.


P: Em Génesis 3:21, por que razão Deus vestiu Adão e Eva com peles de animais?

R: As Escrituras não o dizem explicitamente, mas podemos ver este primeiro sacrifício de animais como um símbolo de que Deus utilizaria o sacrifício de um ser vivo como cobertura para o nosso pecado.


P: Em Génesis 3:21, por que razão Deus «precisou» do pó da terra para criar Adão e de uma costela para criar Eva?

R: A Bíblia diz que Deus escolheu utilizar esses elementos, mas nunca afirma que Deus fosse obrigado a utilizar o pó da terra e células de uma costela. Deus pode utilizar o que Lhe aprouver.


P: Em Génesis 3:22, por que razão Deus impediu Adão e Eva de continuarem a comer da árvore da vida?

R: Há três aspetos a considerar aqui.

Disciplina: Isto serviria para mostrar a Adão e Eva, e a nós, a gravidade de desobedecer a Deus.

Punição judicial: Deus prometeu-lhes que, no dia em que comessem do fruto proibido, morreriam. Morreram espiritualmente nesse dia, e o acesso à árvore da vida foi-lhes retirado para que morressem fisicamente.

Misericórdia e bênção: Se ainda pudessem comer da árvore da vida, carregariam para sempre consigo a culpa e a maldição do seu pecado. Assim, ter-lhes sido permitido morrer e recomeçar tudo de novo, culminando na vinda de Cristo e na salvação para todos, foi um ato de misericórdia. Novaciano abordou esta questão no seu Tratado sobre a Trindade, cap. 1, p. 612.


P: Em Génesis 4:3-6, por que razão Deus rejeitou a oferta de Caim?

R: Embora talvez Abel tenha oferecido o seu melhor e Caim não, não há qualquer indicação disso no Génesis.

Hebreus 11:4 afirma que Abel ofereceu com fé. Para além de Caim ter demonstrado uma atitude negativa (como as suas ações subsequentes revelaram), também é possível que Deus desejasse ofertas de sangue, e não vegetais, como um prenúncio da morte de Cristo.

Isto pode constituir um contraste entre a adoração genuína de Abel e a adoração formalista de Caim. As ofertas de Abel das «melhores porções» dos «primogénitos» eram as partes mais selecionadas dos primogénitos. Caim limitou-se a trazer «algumas» hortaliças, não os primeiros frutos.


P: Em Génesis 4:7, o pronome deve ser traduzido como «isso», referindo-se à tentação de pecar, ou como «ele», referindo-se a Abel?

R: Considero que deve ser «isso». A palavra hebraica está na terceira pessoa do singular, o que, por si só, pode significar «ele», «ela» ou «isso». Quanto a saber se significa «ele» ou «isso», é necessário analisar o contexto.

Se significasse «ele» (ou seja, Abel), este seria o único ponto em que se diria que o irmão mais velho teria potencialmente «domínio» sobre o irmão mais novo. Nos tempos do Antigo Testamento, o primogénito recebia normalmente uma porção dupla, mas isso não é domínio. Na verdade, se significasse «ele», poder-se-ia argumentar que ou Deus disse a Caim para matar (ter domínio?) sobre o seu irmão, ou então que Caim, ao fazer o oposto do que Deus aconselhou, tinha domínio sobre Abel.
Se significasse «aquilo», então Deus estaria a falar com Caim sobre resistir ao que se agazapa (como um animal) à porta, ou seja, à tentação de pecar. Só ouvi esta interpretação, nunca a outra.

Fiquei curioso em saber o que os Padres da Igreja pré-nicena ensinavam sobre este versículo. O único escritor pré-niceno a abordar este tema foi Irineu (182-188 d.C.) em «Contra as Heresias», livro 3, cap. 23.4, p. 456, e livro 4, cap. 18.3, p. 485. Irineu, um escritor grego, aparentemente utilizou a Septuaginta. Embora tenha discutido Génesis 4:7 sem o citar, a sua análise demonstra que o interpretou, obviamente, como «ele». A opinião de Irineu é que Caim não queria dividir as coisas de forma equitativa com o seu irmão, mas sim dominar-no.

A minha opinião é que se trata de «isso», porque Deus está a dizer a Caim que este deve ter domínio sobre «isso/ele». Irineu interpretou completamente de forma errada o sentido deste versículo. É Caim que deve ter domínio sobre a tentação de pecar, e não Abel.


P: Em Génesis 4:10, como é que o sangue de Abel poderia clamar?

R: Trata-se de uma metáfora da injustiça cometida contra Abel e da culpa de Caim. Interpretar a Bíblia literalmente significa lê-la tal como os autores a conceberam. Não reconhecer as metáforas e alegorias na Bíblia é o que se denomina uma interpretação hiperliteral da Bíblia. Consulte a Introdução para uma discussão mais aprofundada sobre a interpretação hiperliteral versus a interpretação da Bíblia tal como foi concebida e tal como Jesus a interpretou.


P: Em Génesis 4:12, por que razão Caim não foi executado por homicídio? (foi a minha esposa que me perguntou isto)

R: A pena capital foi ordenada no Antigo Testamento, não só nos Dez Mandamentos, mas logo após o dilúvio, em Génesis 9:5-6, e em Deuteronómio 13:10,11. No entanto, todas estas passagens são posteriores à época de Caim e Abel. Além disso, Deus conhece todas as circunstâncias, e o próprio Deus não está sujeito às Suas leis que nos dizem respeito.

Na altura, não foi comunicada a Caim qualquer lei que previssesse a execução por homicídio, e Deus lidou com ele expulsando-o da terra.


P: Em Génesis 4:12, a profecia revelou-se não cumprida, uma vez que Caim construiu uma cidade em Génesis 4:17?

R: Não, esta não é uma profecia comprovadamente não cumprida por duas razões.

Física: Génesis 4:12 diz simplesmente que Caim seria um errante inquieto; não diz quando ele erraria, durante quanto tempo seria um errante, nem se seria sempre um errante. Sabemos pouco sobre a vida de Caim depois disso. Génesis 4:17 diz que Caim estava a construir uma cidade e deu-lhe o nome do seu filho Enoque. Talvez Caim estivesse a tentar construir uma cidade em desafio à profecia de Deus e, depois disso, tenha sido expulso e tenha vagueado.

Aspecto espiritual: Caim era considerado da linhagem «amaldiçoada», e não há provas de que alguma vez tenha voltado a seguir a Deus. Assim, esta profecia poderá ter-se referido tanto à condição espiritual de Caim como à sua condição física.


P: Em Génesis 4:13, por que razão Caim pensou que quem quer que o encontrasse iria querer matá-lo?

R: É muito interessante que a Bíblia nunca diga que Deus ou alguém tenha dito isto a Caim. Em relação a muitos erros morais, incluindo o homicídio, as pessoas têm uma consciência interior que lhes diz que isso é errado. Caim talvez tenha raciocinado que, se matasse um semelhante, que fora criado à imagem de Deus, seria justo que ele próprio fosse morto em retaliação. Em Génesis 4:15, Deus pareceu confirmar este raciocínio, e foi por isso que Deus tomou um cuidado especial, colocando uma marca em Caim, para que os outros soubessem que não deviam fazer o mesmo.


P: Em Génesis 4:13-16, qual foi a marca que Deus colocou em Caim?

R: As Escrituras não o dizem, exceto que se tratava de algo que os outros reconheceriam. No entanto, isso não fazia parte da maldição de Caim. Pelo contrário, foi uma graça de Deus ao dar a Caim uma marca para que os outros soubessem que não deviam matá-lo.


P: Em Génesis 4:13, havia mais alguém na Terra além de Adão, Eva e Caim?

R: Isto refere-se não só a possíveis filhas das quais Caim escolheu a sua esposa, mas também a pessoas nascidas após o homicídio. Embora todas as pessoas descendam de Adão e Eva (Génesis 3:20; Atos 17:26; Romanos 5:14-15), Adão e Eva tiveram outros filhos e filhas, de acordo com Génesis 5:4.


P: Em Génesis 4:16-22, onde é que os filhos de Adão e Eva encontraram as suas esposas? O incesto não é proibido?

R: Génesis 5:4 afirma que Adão e Eva tiveram outros filhos e filhas. O incesto não era proibido naquela época: se os nossos genes estivessem isentos de anomalias genéticas, o incesto não manifestaria nenhuma das mais de 2 000 doenças genéticas humanas que hoje se manifestam.

Como nota histórica, Agostinho de Hipona respondeu a esta questão basicamente da mesma forma em «A Cidade de Deus», livro 15, capítulo 16, p. 297 (413-426 d.C.).


P: Em Génesis 4:16-17, como é que Caim encontrou a sua esposa na terra de Nod?

R: Há dois pontos a considerar na resposta.

1. Mesmo partindo do princípio de que Caim tenha realmente encontrado a sua esposa na terra de Nod, ela continuaria a ser descendente de Adão e Eva, uma vez que todas as pessoas descendem de Adão (Atos 17:26) e Eva foi a mãe de todos os viventes (Génesis 3:20).

2. A Bíblia nunca afirma que Caim conheceu a sua esposa em Nod. É perfeitamente possível que Caim já fosse casado e que a sua esposa tenha viajado com ele até Nod.


P: Em Génesis 4:17-24, trata-se da genealogia de Adão, ou será que Génesis 4:25-5:32 constitui a genealogia de Adão? (Um liberal levantou esta questão como um duplo relato, apontando para a autoria múltipla do Génesis)

R: Génesis 4:17-24 é a genealogia de Caim, sem qualquer menção a Sete. Imediatamente a seguir, Génesis 4:25-5:32 apresenta a genealogia de Sete, sem qualquer menção a Caim. Não há aqui qualquer sobreposição ou duplicação.

Caso isto não esteja claro, poderá consultar um segundo exemplo. 1 Crónicas 5:1-10 apresenta a genealogia de Rubem, um dos filhos de Jacó. Imediatamente a seguir, 1 Crónicas 5:11-22 apresenta a genealogia de Gade, outro filho de Jacó.


P: Em Génesis 4:22, como é que os metais puderam ser utilizados tão cedo?

R: Foram encontrados vestígios de bronze na Tailândia – 4500 a.C., na antiga Jugoslávia – 4000 a.C., na Grécia – 3000 a.C. e na Anatólia – antes de 3000 a.C. Os egípcios utilizavam ferro proveniente de meteoritos para fabricar ornamentos e punhais antes de 3000 a.C. Além disso, na cidade de Eshnunna, perto da Babilónia, os arqueólogos encontraram uma lâmina de ferro datada de 2700 a.C.


P: Em Génesis 4:22, o nome «Tubal-Caim» está relacionado com a região de «Tubal», na Turquia moderna, tal como afirma o Guia da Bíblia de Asimov, na página 33?

R: Embora não seja possível provar nem uma coisa nem outra, provavelmente não está relacionado. Tubal era também o nome de um filho de Jafé, e o povo de Tubal estava provavelmente relacionado com ele. O povo de «Tubal» foi mencionado em registos assírios durante o reinado de Salmanasar III (859-824 a.C.) e de Sargão, por volta de 732 a.C.


P: Em Génesis 4:23-24, por que razão o homem feriu Lameque?

R: Existem três hipóteses sobre esse homem:

Um justiciero pensou que estava a fazer o que era certo ao tentar matar os descendentes de Caim. No entanto, Deus indicou especificamente que ninguém deveria vingar-se de Caim em Génesis 4:15, pelo que se deduz que também não se deveria vingar dos seus filhos.

Uma desculpa para um ladrão que tentava roubar os bens de Lameque era o facto de este ser descendente de Caim.

Não era relevante de quem Laméque era descendente; o homem estava simplesmente a tentar roubar e/ou matar Laméque.

No entanto, as Escrituras não atribuem qualquer importância ao motivo pelo qual este homem em particular estava a tentar ferir Lameque. O objetivo de Génesis 4:23-24 era demonstrar que, após o primeiro homicídio, Caim e os seus descendentes viviam em hostilidade para com os outros.


P: Em Génesis 4:23-24, qual era a ascendência do homem que feriu Lameque, e quando nasceu Sete?

R: As Escrituras não o referem, pelo que existem três possibilidades igualmente prováveis.

Abel teve filhos antes de ser assassinado.

Sete era o seu antepassado. Nada indica que Génesis 4:23-24 tenha ocorrido cronologicamente antes de Génesis 4:25-26.

Caim era o antepassado do jovem.


P: Em Génesis 5:1-32, será que os anos poderiam ser, na verdade, meses?

R: Não. Se assim fosse, então Enoque teria apenas 65 meses (cerca de 5 anos e meio) quando se tornou pai de Matusalém! Consulte «1001 Perguntas Bíblicas Respondidas», p. 323, para obter essencialmente a mesma resposta.


P: Em Génesis 5:1-32, o Livro do Génesis pressupõe que todos falavam hebraico antes de Abraão?

R: Não, muito pelo contrário. Génesis 11, ao relatar a história da Torre de Babel, afirma que, após o dilúvio, diferentes povos falavam línguas mutuamente ininteligíveis. Antes da Torre de Babel, não há qualquer indício de que o hebraico fosse a língua falada pelas pessoas. O próprio Abraão provavelmente não falava hebraico. Ele era natural de Ur, uma cidade suméria. O hebraico contém alguns empréstimos lexicais sumérios que chegaram através do acádio.

Os linguistas seculares acreditam que a maioria das línguas ocidentais, incluindo o sânscrito na Índia, teve uma origem comum por volta de 4000 a.C.


P: Em Génesis 5:3-29, o que significam todos estes nomes em hebraico?

R: Aqui estão os significados, com base na etimologia (origens das palavras) retirada da Concordância de Strong e, em alguns casos, no significado indicado pelo próprio Génesis.

Adão — homem. A Concordância de Strong indica que significa «ruivo» ou «homem». Génesis 2:23 indica que Adão = homem.

Sete — colocar/colocado/designado/substituído. Génesis 4:25 diz que Eva lhe deu o nome de Sete porque Deus designou outro no lugar de Abel.

Enos – mortal. A Bíblia de Estudo NIV, p. 13, afirma que o nome, tal como «Adão», significa «homem».

Cainã/Kenan — fixo (como um ninho ou habitação)

Mahalaleel — Louvor a Deus, Louvado seja Deus.

Jared — uma descendência

Enoque — Iniciado, dedicado, formado

Matusalém — homem do dardo

Lameque - de uma raiz não utilizada de significado incerto

Noé – quer «descanso», quer «conforto»

Irad — fugitivo

Cão - quente

Sem — nome?

Jafé – expansão. Segundo os gregos pré-cristãos, Japeto era o seu antepassado.

Um ponto que podemos aprender com Japetos é que a etimologia ou o significado por trás de cada nome não é necessariamente significativo.

Um segundo ponto que podemos aprender com Sete e Noé é que o significado por trás de alguns nomes é significativo.


P: Em Génesis 5:21-27, existe alguma razão para que Matusalém tenha sido o ser humano mais velho da Bíblia?

R: Talvez. O dilúvio ocorreu no ano em que Matusalém faleceu. Talvez isto tenha sido um sinal da misericórdia de Deus ao adiar o dilúvio, concedendo-lhe uma vida longa.


P: Em Génesis 5:24, por que razão Deus levou Enoque, um homem piedoso?

R: Talvez pela mesma razão pela qual levamos belas flores para a nossa casa. Enoque não morreu necessariamente; Deus simplesmente levou Enoque consigo para o céu, à semelhança do que aconteceu com Elias em 2 Reis 2:11-12. Outra ilustração seria a de que, tal como bons amigos, Enoque e Deus foram dar um passeio; estava a ficar tarde e Deus disse: «Visto que estás mais perto da minha casa do que da tua, porque não vens agora à minha casa?» No entanto, Deus faz com que a maioria dos Seus servos morra para ir para o céu. Isto não é indiferença insensível, mas o Salmo 116:15 diz: «Preciosa aos olhos de Jeová é a morte dos Seus santos.» (Tradução Literal de Green)


P: Em Génesis 6, por que razão existem semelhanças entre o dilúvio de Noé e outros relatos?

R: É natural que sejam semelhantes, caso tenham registado um acontecimento comum. O relato babilónico é semelhante nos pormenores, mas muito diferente nas razões apresentadas. De acordo com este relato, os deuses destruíram a humanidade porque esta fazia demasiado barulho, mas mais tarde arrependeram-se disso e reuniram-se avidamente em torno dos sacrifícios de «Noé».

Uma semelhança curiosa é que a Bíblia diz que os três filhos de Noé eram Cam, Sem e Jafé. Os Institutos Arianos de Manu afirmam que Satyavrata sobreviveu ao dilúvio com três filhos: Jyapeta, Sharma e C’harma. O escritor grego Aristófanes regista a tradição grega segundo a qual Japetos (Iapetus, o Titã) era o antepassado dos gregos. Tudo isto constitui evidência corroborativa de um acontecimento comum.


P: Gênesis 6:3 significa que o Espírito de Deus pode abandonar alguém e nunca mais regressar?

R: Não. Génesis 6:3 afirma que o espírito concedido por Deus abandonará o corpo físico de uma pessoa após 120 anos.


P: Gênesis 6:3 significa que, a partir de então, a esperança de vida do homem seria de apenas 120 anos, ou que haveria um período de 120 anos de graça antes do dilúvio?

R: Pode ser de ambas as formas, porque não há provas contra nenhuma das duas visões. Qualquer uma delas pode estar correta, de acordo com a «The NIV Study Bible», p. 14, e o «New International Bible Commentary», p. 120. O «Expositor’s Bible Commentary», vol. 2, p. 77, defende que se trata da esperança de vida do homem. Afirma que a visão de que se tratava do tempo até ao dilúvio foi ensinada por Lutero, Calvino e pela «Scofield Bible». A «New Geneva Study Bible», p. 18, menciona ambas as visões, mas defende que se trata dos anos até ao dilúvio.


P: Em Génesis 6:3, Deus estabeleceu a nossa esperança de vida em 120 anos, ou apenas 70 a 80 anos, como diz o Salmo 90:10?

R: Há coisas que são difíceis de compreender até percebermos que Deus é livre para estabelecer regras diferentes em momentos diferentes. A esperança média de vida das pessoas mudou. Deus estabeleceu a esperança média de vida em 120 anos imediatamente antes do dilúvio. Muito mais tarde, o Salmo 90:10 mostra que esta foi encurtada. Ali diz-se que um homem vive até aos 70 anos, ou até aos 80, se tiver forças para tal. Um gráfico das esperanças de vida apresentadas no Génesis apresenta uma curva exponencial descendente.

Os cientistas não têm a certeza de todos os mecanismos do envelhecimento: os micróbios não envelhecem. Embora a desmetilação do ADN possa ser um mecanismo, o mecanismo dominante parece ser o encurtamento das cadeias de ADN. Sempre que o ADN numa célula de um animal se divide, algumas das extremidades são encurtadas. Ora, existe material estranho nessas extremidades, e os micróbios possuem uma enzima, a telomerase, que restaura as extremidades. No entanto, a telomerase não parece restaurar as extremidades do ADN nos animais.


P: Em Génesis 6:3, como é que isto se concilia com a afirmação dos paleontólogos de que as pessoas antigas tinham vidas mais curtas?

R: Existem algumas falhas nesta afirmação específica do cientificismo que se faz passar por ciência.

1. Repare que nunca mencionam a base sobre a qual afirmam que as pessoas tinham esperanças de vida mais curtas.

2. Não apresentam qualquer evidência de que disponham de uma amostra estatisticamente válida e imparcial. Por exemplo, um hipotético paleontólogo do futuro, daqui a séculos, poderia desenterrar os resíduos de algumas clínicas de aborto e «provar» que a nossa esperança de vida média era inferior a um ano. Esta «prova» seria, também, estatisticamente tendenciosa.

3. As estimativas de esperança de vida devem indicar se incluem ou excluem a mortalidade infantil. Por exemplo, na década de 1970, a esperança de vida em muitos países da África Central era inferior a 30 anos. No entanto, se fosse a esse país, continuaria a ver muitas pessoas idosas. Se existisse um país hipotético, onde todas as crianças pequenas vivessem até aos 60 anos, mas dois terços de todos os bebés morressem, a esperança de vida média seria de apenas 20 anos.


P: Em Génesis 6:3, uma vez que Deus nunca poderia tornar-se carne, como é que Jesus pôde vir à Terra? (Esta pergunta foi feita por um ateu)

R: Génesis 6:3 não diz nada disso. Diz simplesmente que os homens são, de facto, carne. Ora, é verdade que Deus é Espírito e que Jesus se esvaziou de si mesmo para vir à Terra na carne, mas o próprio Génesis 6:3 não confirma nem nega nada sobre Deus vir na carne.


P: Em Génesis 6:2, 4-5, quem eram os Nefilim ou «Filhos de Deus»?

R: Os Nefilim, que significa «os caídos», eram também chamados de «filhos de Deus» e eis algumas teorias sobre o motivo pelo qual as pessoas lhes davam esse nome.

A linhagem piedosa de Sete, ou crentes que pecaram ao casarem-se com incrédulos descendentes de Caim. Esta visão remonta a Júlio Africano, que escreveu entre 232 e 245 d.C., em «Ante-Nicene Fathers», volume 6, fragmento 2, p. 131.

«Reis poderosos» é a interpretação do Targum aramaico.

Outra raça, como os neandertais, os denisovanos ou, possivelmente, o Homo erectus.

Tecnologicamente avançados: Um cético considera que os israelitas lhes chamavam gigantes devido às suas muralhas altas e às suas armas tecnologicamente avançadas.

Filhos de mulheres e de homens possuídos por demónios.

A crença de que alguns seres demoníacos podiam cruzar-se era partilhada pelos judeus Filo, Josefo (<100 d.C.) e pelo autor de 1 Enoque (capítulo 6). Entre os cristãos que ensinavam isto contavam-se a Segunda Apologia de Justino Mártir, cap. 5, p. 190; «Sobre o Véu das Virgens», de Tertuliano, cap. 7, p. 32 (198-220 d.C.), As «Instruções de Comodiano» (c. 240 d.C.), capítulo 3, p. 203, e Ambrósio de Milão (c. 378 d.C.). Agostinho de Hipona, na «Cidade de Deus» (413-426 d.C.), livro 15, capítulo 23, pp. 303-304, reconhece que os primeiros cristãos defendiam esta visão, mas salienta que Génesis 6:3 contraria esta visão, porque Deus afirma que o Seu Espírito não contenderá para sempre com o homem, o que não faria sentido se fossem apenas demónios a fazer estas coisas.

Talvez esta tenha sido uma tentativa de Satanás para alterar o nosso património genético. No entanto, se os demónios pudessem cruzar-se entre si, como poderia Jesus expiar parcialmente por seres que eram metade homens, metade demónios?


P: Em Génesis 6:6, de que forma Deus se arrepende?

R: A palavra também pode ser traduzida por «entrou em pesar». Deus expressa as Suas emoções à medida que os acontecimentos ocorrem. Jeremias 18:8 aborda este assunto em pormenor. Consulte também a discussão sobre Génesis 20:3,6 para mais informações.


P: Em Génesis 6:9, em que sentido Noé era perfeito na sua geração?

R: Não há qualquer indicação de que «perfeito», neste contexto, signifique perfeição sem pecado. Pelo contrário, a palavra hebraica significa «conformidade com a norma», e a ideia original pode muito bem ter sido a de ser reto. A mesma palavra, com marcações vocálicas diferentes, é utilizada em Levítico 19:15 para «julgar o seu próximo com justiça».


P: Em Génesis 6:12, uma vez que todos tinham corrompido os seus caminhos, como é que Noé podia ser irrepreensível em Génesis 6:9 e Génesis 7:1?

R: O contexto mostra claramente que «todos» significa com exceção de Noé e da sua família. Note-se que o pai de Noé, Lameque, também morreu no ano do dilúvio.


P: Em Génesis 6:13 e 7:1, como é que Noé sabia que Deus lhe estava a falar, uma vez que nunca viu Deus?

R: Muitas vezes, as pessoas que têm uma relação de longa data com Deus sabem quando Deus lhes está a falar. Consulte 1 Reis 19:11-13 para ver outro exemplo.

O único aviso que as pessoas tinham sobre o dilúvio era Noé, o homem que construiu uma arca no deserto. Na perspetiva de Noé, ele seria ou o maior herói ou o maior tolo que a sua geração alguma vez tivesse visto. Não seria nada entre os dois extremos. Essa é a natureza da grande fé em Deus. (Sermão de Bill Counts, 5/11/2005)


P: Em Génesis 6:14, como é que Noé conseguiu construir uma arca tão grande?

R: Teve 100 anos para a construir com os seus três filhos e, possivelmente, alguns ajudantes contratados. A arca tinha cerca de 450 pés de comprimento, 75 pés de largura e 45 pés de altura. Isto equivale a 1 518 750 pés cúbicos, se fosse uma caixa retangular exata. Ao longo de 100 anos, poderiam construir 45/100 = menos de meio pé de altura por ano. Um compartimento com 10 pés por 15 pés por 6 2/3 pés tem 1 000 pés cúbicos. O navio Queen Elizabeth 2 tem 963 pés (294 m) de comprimento, 105,3 pés (32,09 m) de largura e 171,3 pés (52,5 m) de altura. Assim, a arca era mais pequena do que o Queen Elizabeth 2, exceto que a arca não tinha uma quilha profunda.


P: Em Génesis 6:14, qual era o comprimento de alguns outros barcos antigos?

R: Na Antiguidade, foi encontrado na Grã-Bretanha um barco romano com 100 pés de comprimento; mais tarde, os navios vikings também eram longos, sendo o mais longo conhecido o navio de Roskilde, com 115 pés. Na era dos descobrimentos, os navios de linha podiam ter 200 pés de comprimento e, mais tarde, os clipperes tinham normalmente entre 150 e 250 pés de comprimento. O clipper mais comprido, chamado «Great Republic», media 302 pés de comprimento. Embora existissem alguns clippers de metal na Europa, a maioria era de madeira, com reforços metálicos na estrutura e na quilha interna.

É claro que não dispunham de 100 anos para construir esses barcos. Além disso, embora a maioria dos barcos seja construída em carvalho devido à sua resistência, outras madeiras, como a teca, o ébano, o blackheart brasileiro e o cocobolo (na América do Sul), são muito mais resistentes. A arca não foi construída em carvalho, mas sim em madeira de gopher. Não sabemos ao certo o que é a madeira de gopher; existem duas teorias. Uma é que se tratava de uma madeira muito dura (talvez ainda existente hoje com um nome diferente ou talvez extinta atualmente). Uma segunda teoria é que a madeira de gopher consistia numa forma mecânica de prensar a madeira para a endurecer, de modo a que resistisse melhor. Por fim, o facto de ter sido construída em madeira de gopher não significa que não tivesse outras peças, tais como, por exemplo, pregos de metal, reforços, etc. Génesis 4:22 mostra que já existiam ferramentas de bronze e ferro (provavelmente de origem meteorítica) muito antes de Noé.


P: Em Génesis 6:14, como sabemos que um côvado equivale a 17,5 polegadas?

R: Quando o rei Ezequias mandou construir o túnel de Siloé, por volta de 700 a.C., os seus trabalhadores gravaram uma inscrição indicando que tinha 1 200 côvados de comprimento. Dividindo o comprimento em polegadas por 1 200 côvados, obtém-se cerca de 17,5 polegadas por côvado. É claro que um côvado na época de Moisés poderia ter sido um pouco maior ou menor. Isso tornaria a arca um pouco maior ou menor.


P: Em Génesis 6:14, como é que a arca conseguiu sobreviver ao dilúvio de Noé?

R: Existem, pelo menos, três razões.

A madeira de gofer pode ter sido uma espécie de madeira resistente, mas também pode ter sido madeira especialmente tratada. A madeira pesada é uma boa escolha, porque possui flexibilidade. Génesis 4:22 mostra que já existiam bronze e ferro antes de Noé.

A forma era ideal para águas turbulentas (1 por 1,67 por 10).

Deus poderia, evidentemente, também proteger a arca de forma sobrenatural, conforme necessário.


P: Em Génesis 6:19, Noé deveria levar dois de cada criatura, ou sete pares de cada animal puro, como diz Génesis 7:2? Mas será que apenas um par de cada entrou, conforme Génesis 7:8-9?

R: Todas as afirmações são verdadeiras; Génesis 6:19 não menciona especificamente os animais puros. Noé devia levar dois de cada espécie e, além disso, devia levar sete dos animais puros. Génesis 6:19 diz «dois»; não diz «não mais do que dois». Os animais adicionais destinavam-se a servir de alimento e a serem oferecidos em sacrifício, conforme Génesis 8:20. Isto não é tanto uma imprecisão da parte da Bíblia, mas sim um exemplo da forma como Deus nos ensina. Deus assegura-se de que compreendemos o conceito geral de «dois para repovoar» e, em seguida, acrescenta um segundo conceito: «sete adicionais para sacrifício». É semelhante ao que acontece com os alunos que aprendem aritmética. Primeiro, aprendem a subtrair um número menor de um número maior. Só mais tarde aprendem sobre os números negativos e que é possível subtrair um número maior de um número menor.

Génesis 7:8-9 não diz exatamente «um par de cada espécie de animal». Diz «dois a dois», o que incluiria tanto o único par de animais impuros como todos os pares dos animais puros.


P: Será que Génesis 6:19-20 provém de uma fonte «sacerdotal» por volta de 450 a.C., e Génesis 7:2-3 provém de uma fonte «yahwista» por volta de 850 a.C.?

R: Não há provas de que alguma vez tenham sido duas histórias distintas, exceto pela sua ocorrência repetida. No entanto, a repetição é uma técnica literária para reforçar um ponto. Naquela época, talvez não tivessem o ditado moderno: «Diga-lhes o que lhes vai dizer, diga-lhes e, depois, diga-lhes o que lhes disse», mas estavam definitivamente cientes da eficácia da repetição, como demonstra até mesmo uma breve análise dos Salmos ou dos Provérbios.

É difícil para os liberais afirmar que a história do dilúvio de Noé data de 850 a.C. ou de 450 a.C., uma vez que o épico sumério de Gilgamesh contém alguns detalhes idênticos sobre um dilúvio mundial e foi escrito antes de 2500 a.C. (Uma cópia babilónica da Tabuela 11 da epopeia de 12 tabuelas encontrava-se no palácio de Assurbanipal, em Nínive.)

Para ser justo, porém, a teoria liberal JEPD, segundo a qual o dilúvio de Noé teve duas origens, data do século XIX, antes de a Epopeia de Gilgamesh ser conhecida pelo mundo moderno. A única razão pela qual esta questão é abordada neste trabalho é o facto de ainda haver um certo número de «cristãos» liberais que acreditam na teoria JEPD.


P: Será que Génesis 7:1-24 lança calúnias sobre o caráter de Deus e o Seu conceito de justiça? Deus destruiu toda a humanidade porque se «arrependeu» de a ter criado. Em essência, Deus admitiu ter cometido um erro e, para corrigir esse erro, assume o papel de juiz, júri e carrasco, aniquilando toda a humanidade à maneira de «Robo-Cop», sem julgamento, cometendo assim um genocídio. Não tenho dúvidas de que existia o mal, mas quão maligna é uma criança de um ano ou um feto por nascer?
R: De modo algum, embora isso possa abalar as conceções «suaves» que algumas pessoas têm de Deus. Todas as pessoas que alguma vez viveram, se não se encontram agora na Terra, já morreram (com apenas duas exceções). A questão não é que tenham morrido, mas sim quando morreram e se lhes foi permitido ter descendentes. Deus sentiu a emoção do luto ao ver como era o mundo no tempo de Noé. Goste-se ou não, Deus é um juiz. É também um júri e, sim, um carrasco. Deus tem o direito — e exerce-o — de determinar quando e como as pessoas morrem.


P: Em Génesis 7:1, será que as outras pessoas «não tiveram oportunidade» de se arrepender, como afirmam os ateus?

R: Não, um século é tempo mais do que suficiente para o arrependimento. Ao verem a arca a ser construída, podiam ouvir Noé, um «pregador da justiça» (2 Pedro 2:5). A construção da arca demorou 100 anos, e mais de cem anos é tempo mais do que suficiente para terem a oportunidade de se voltarem para Deus. Talvez esta seja uma das razões pelas quais 1 Pedro 3:20 diz que Deus esperou pacientemente enquanto a arca estava a ser construída.


P: Em Génesis 7:2, como é que Noé sabia quais os animais puros que devia levar, uma vez que ainda não existia a lei do Antigo Testamento?

R: Noé não dispunha das escrituras do Antigo Testamento; em vez disso, era o próprio Deus que falava com ele. Embora não saibamos exatamente o quanto Deus ensinou a Noé sobre o que viria a constar na Lei Mosaica, Deus certamente conhecia-Se a Si próprio e era capaz de comunicar a Noé quais os animais de que este deveria levar sete.

Nesta conversa a sós com Noé, não sabemos se Deus utilizou ou não a definição idêntica de «puro» que consta na Lei Mosaica. Seja como for, foi dito a Noé quais os animais que deveria levar.

Há uma lição para nós nesta questão. Sempre que Deus nos diz para fazer algo, normalmente não conhecemos todos os pormenores sobre tudo. Podemos adiar a tarefa ou podemos simplesmente obedecer ao que sabemos e confiar que Deus nos corrigirá, se necessário, enquanto estamos a obedecer. Se esperarmos até conhecermos primeiro todos os pormenores, provavelmente nunca obedeceremos.


P: Em Génesis 7:2, Noé deveria levar sete pares de animais puros, ou apenas dois pares de animais puros, como afirma o crítico bíblico Bart Ehrman (em *Jesus, Interrupted*, p. 10), alegando que Génesis 7:9-10 assim o indica?

R: Ehrman pode ter confundido as suas notas neste ponto. Génesis 7:2 refere sete pares de animais puros e um par de animais impuros. Génesis 7:8-10 diz: «E entraram com Noé na arca, machos e fêmeas dos animais puros e dos animais impuros, das aves e de tudo o que rasteja sobre a terra, (9) dois a dois, tal como Deus tinha ordenado a Noé. (10) E, ao fim de sete dias, as águas do dilúvio surgiram sobre a terra.» (Tradução Literal de Green)

Génesis 7:9-10 nada diz sobre o número de animais. Génesis 7:8-9 diz que os animais (plural) entraram «dois a dois», ou seja, em pares (plural). Havia vários pares, um por cada espécie de animais impuros. Havia também vários pares de animais puros. Em Génesis 7:8 não havia motivo para ser mais específico quanto ao número de pares, pois seis versículos antes já nos tinha sido indicado quantos pares eram.


P: Em Génesis 7:4 – 8:12, o que há de invulgar na estrutura literária deste texto?

R: Trata-se de um quiasmo, comum na literatura hebraica antiga, em que cada afirmação (exceto, por vezes, a do meio) tem uma afirmação simétrica que lhe serve de espelho. Eis a estrutura:

7:4 — 7 dias para aguardar o dilúvio

7:10 — — 7 dias de espera pelo dilúvio

7:17a — — — 40 dias de dilúvio

7:24 - - - - 150 dias de subida das águas

8:3 - - - - 150 dias de recuo das águas

8:6 - - - 40 dias de espera

8:10 - - 7 dias de espera

8:12 - 7 dias de espera

Além disso, Génesis 7:21-23a constitui um quiasmo dentro deste quiasmo.

- Toda a carne pereceu

- - As aves

- - - animais domésticos e animais selvagens

- - - - insetos

- - - - - Seres humanos

- - - - - - tudo o que se encontrava em terra firme

- - - - - - todos os seres vivos que habitam a superfície da terra

- - - - - Seres humanos

- - - - Animais

- - - Plantas trepadeiras

- - as aves do céu,

- foram exterminadas.


P: Em Génesis 7:12, 24, o dilúvio durou 40 dias ou 150?

R: Génesis 7:12 diz que choveu do céu durante 40 dias, mas as águas inundaram a terra durante um total de 150 dias. Consulte «When Critics Ask», p. 42, e «Chronological and Background Charts of the Old Testament», p. 36.


P: Em Génesis 8, por que razão a Bíblia parece ensinar que a humanidade remonta apenas a cerca de 6 000 anos?

R: De acordo com os métodos de datação radioativa, os humanos anatomicamente modernos, a quem muitos chamam de homem de Cro-Magnon, surgiram pela primeira vez entre 350 000 e 300 000 anos atrás.

No entanto, independentemente de quando Deus criou o homem, as genealogias em Génesis permitem lacunas indeterminadas, uma vez que a palavra «filho» também significa «descendente» e a palavra «pai» também significa «antepassado». Isaías 51:2 afirma que Abraão é o pai dos judeus, e os judeus disseram a Jesus que Abraão era o seu pai em João 8:39.

A título de nota à margem, podemos afirmar com certeza que o mundo foi criado em seis dias, mas quanto tempo dura um dos dias de Deus? 2 Pedro 3:8 diz que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. O Salmo 90:4 afirma que mil anos aos olhos de Deus são como um dia ou uma vigília durante a noite. Irineu, na obra «Contra as Heresias», livro 5, cap. 23.2 (182-188 d.C.), pp. 551-552, interpreta um dos dias do Senhor em Génesis como 1 000 anos.


P: Em Génesis 8:1 e Êxodo 6:5, como poderia Deus «lembrar-se», a menos que primeiro tivesse esquecido?

R: Deus é onisciente. Embora Noé pudesse ter-se sentido esquecido, trata-se apenas de uma expressão que indica que Deus não se esqueceu de Noé. Quando nos lembramos de alguém no seu aniversário ou data comemorativa, isso não significa que nos esqueçamos dessa pessoa durante o resto do ano. Consulte *When Critics Ask*, p. 43, para obter uma resposta semelhante.


P: Em Génesis 8:11, qual é o significado da folha de oliveira?

R: Presume-se que a folha tenha brotado após o dilúvio, e as oliveiras não crescem em altitudes elevadas. A oliveira é frequentemente um símbolo do povo de Deus.


P: Em Génesis 8:15, todas as raças descendem de Noé?

R: Pelo lado paterno, sim; pelo lado materno, não. A esposa de Noé, os seus três filhos e as respetivas esposas também estavam na arca. As diferenças não são assim tão grandes, tendo em conta que, em casamentos mistos, dois irmãos podem ter a pele muito clara e muito escura.


P: Em Génesis 8:15-21, quais são os paralelos com Génesis 12:1-7?

R: Existem, pelo menos, sete paralelos entre a chamada de Noé por Deus e a chamada de Abrão por Deus.

Deus diz-lhe Génesis 8:15 Génesis 12:1

Saia da arca/do país Génesis 8:16 Génesis 12:1

Assim, [ele] partiu Génesis 8:18 Génesis 12:4

Depois, [ele] construiu um altar Génesis 8:20 Génesis 12:7

Deus abençoou-o (Génesis 9:1; Génesis 12:2)

Multiplique-se/torne-se uma grande nação (Génesis 9:1; Génesis 12:2)

Estabelecer uma aliança / Deus concede-lhes a terra Gén 9:9 Gén 12:7


P: Em Génesis 8:21-22, as águas voltarão a cobrir toda a terra?

R: Não, porque Isaías 54:9 nos lembra que isso não acontecerá. Este é mais um argumento contra a hipótese de um dilúvio local, pois Deus disse que nunca mais haveria outro dilúvio que cobrisse a terra. Se o dilúvio de Noé tivesse sido apenas um dilúvio local, então teriam ocorrido outros terríveis dilúvios locais.


P: Em Génesis 8:21, Deus voltará a destruir toda a vida, ou será que tudo será destruído em 2 Pedro 3:7,10?

R: Génesis 8:21 diz que Deus prometeu não destruir toda a vida «...como fiz», e Génesis 8:22 acrescenta «...enquanto a terra perdurar». Deus destruirá a terra com fogo, poupando os crentes.


P: Em Génesis 8:22, por que razão ainda temos fomes?

R: Génesis 8:22 diz que a colheita e a sementeira não cessarão. Embora tenha havido muitas fomes, nunca houve uma fome mundial e permanente.


P: Em Génesis 9, como é que todos os animais puderam regressar ao mesmo local de onde vieram?

R: Os cristãos discordam quanto à data em que o dilúvio ocorreu: entre 2600 e 3000 a.C., por volta de 7000 a.C., por volta de 14 000 a.C. ou há quase um milhão de anos. Aqueles que acreditam que o dilúvio ocorreu entre 2600 e 3000 a.C. consideram que a arqueologia e os métodos radioativos estão confusos, pelo que não haveria dados que permitissem determinar se os animais regressaram ao mesmo local de onde vieram ou não.

No entanto, se o dilúvio ocorreu há cerca de 14 000 anos, nem todos os animais permaneceram no mesmo local. Uma ponte terrestre ligava a América à Ásia. Posteriormente, os mamutes e os cavalos extinguiram-se nas Américas.

No entanto, independentemente de quando o dilúvio ocorreu, todos os cristãos concordam que Deus tem o poder de influenciar os animais a irem para onde Ele deseja.


P: Em Génesis 9:3, as pessoas podem comer carne ou apenas vegetais?

R: Génesis 1:29 afirma que Adão podia comer frutos e vegetais. Após o dilúvio, Génesis 9:3 afirma que agora podemos comer carne. Consulte a discussão sobre Génesis 1:28 para mais informações.


P: Em Génesis 9:4 e em Atos 15:28-29, é proibido hoje em dia comer sangue?

R: Alguns dizem que não, porque Cristo substituiu a lei e, em Atos 10:11-16, todos os «alimentos» foram declarados puros.

Outros dizem que sim, porque esta proibição foi estabelecida antes da Lei Mosaica, em Génesis 9:4. Em Atos 15:20, 28-29, a igreja apostólica primitiva acreditava e ensinava que os cristãos deviam abster-se de sangue. É claro que quantidades minúsculas de sangue são aceitáveis, pois aos judeus era permitido comer caça que eles próprios caçavam e esvaziavam [rapidamente] no campo, conforme Levítico 17:13.


P: Em Génesis 9:4, Levítico 7:26-27, Levítico 17:11-12 e Deuteronómio 12:16, 23-25, a proibição de comer sangue significa que as pessoas nunca devem receber transfusões de sangue, tal como ensinam as Testemunhas de Jeová?

R: Não. Não devemos ser canibais, mas os transplantes de órgãos são permitidos. Da mesma forma, foi dito às pessoas para não comerem sangue, mas as transfusões de sangue são permitidas.

Conforme salientado na obra «As Testemunhas de Jeová Respondem Versículo a Versículo», pp. 22-23, nem mesmo a organização das Testemunhas de Jeová, a Torre de Vigia, proibiu as transfusões de sangue até 1944. Em 1967, proibiram também os transplantes de órgãos (revista «A Torre de Vigia», 15/12/67, pp. 702-704). Posteriormente, mudaram de opinião e passaram a autorizá-los em 1980 (revista «A Torre de Vigia», 15/03/1980, p. 31). Além disso, não permitiram a vacinação entre 1931 e 1952.


P: Génesis 9:6 proíbe a execução de criminosos nos dias de hoje?

R: De modo algum. Génesis 9:6 proíbe o homicídio e ordena a execução como castigo para os homicidas. Recorde-se que o Génesis foi um dos livros de Moisés e que, desde o Êxodo até ao Deuteronómio, vários crimes eram punidos com a execução. Consulte também a próxima pergunta.


P: Génesis 9:6 refere-se à pena capital?

R: Refere-se, sem dúvida, à pena capital. Significa execução e não a mera morte física que ocorre tanto para quem não comete homicídio como para quem o comete.


P: Em Génesis 9:12-13, o arco-íris, como sinal da aliança de Deus, indica que não havia arco-íris antes do dilúvio?

R: Isso está implícito, mas não o prova. Como afirma o *Manual Atual para Resolver Dificuldades Bíblicas*, pp. 220-221, o facto de Deus utilizar um sinal não prova automaticamente que este não existisse anteriormente. Por exemplo, o rito da circuncisão era praticado antes de Abraão por outros povos, incluindo os egípcios e os etíopes (Heródoto, na sua *História*, livro 2, cap. 104, p. 69). Os egípcios praticavam-no, de acordo com a «Epístola de Barnabé» (c. 70-130 d.C.), cap. 9, p. 142: «Sim, também os egípcios praticam a circuncisão.»


P: Em Génesis 9:20-21, como é que um homem piedoso como Noé se pôde embriagar?

R: Em primeiro lugar, a Bíblia não esconde o facto de que o povo de Deus também peca. Em segundo lugar, com a pressão atmosférica mais baixa no cume de uma montanha após o dilúvio, é mais fácil embriagar-se.


P: Em Génesis 9:20-21, por que razão consta na Bíblia esta história triste de Noé a embriagar-se?

R: A Bíblia não só nos mostra por que razão é importante fazer o que é certo, como também fornece exemplos reais das consequências de agir mal. Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.) responde a isto de forma muito clara. «A embriaguez de Noé foi registada por escrito, para que, com a descrição clara e escrita da sua transgressão perante nós, possamos proteger-nos com todas as nossas forças contra a embriaguez.» O Livro do Instrutor, vol. 2, cap. 2, p. 246.


P: Em Génesis 9:21-25, será que o Génesis era uma versão simplificada de uma história original em que Cam castrou Noé para o impedir de ter mais filhos, à semelhança do mito grego de Cronos a castrar o seu pai Urano, tal como sugeriu um ateu (Capella)?

R: Não, não há aqui qualquer indício de castração. Quanto à cultura grega, tenha em conta que a única cultura grega existente na época de Moisés era a dos primeiros gregos micénicos. Muito do que sabemos sobre a mitologia grega data de depois dessa época. A título de referência, a Guerra de Tróia de Homero ocorreu por volta de 1200 a.C., cerca de 250 anos após o Êxodo.

Por conseguinte, provavelmente não houve aqui qualquer influência. Se alguém ainda insistir que houve influência, a história posterior terá de ter sido influenciada pela anterior, e a história grega em questão terá provavelmente surgido depois de Moisés.


P: Em Génesis 9:22, o que havia de errado em Cam ter visto o seu pai nu?

R: Os filhos não devem divulgar abertamente as falhas dos seus pais, e a atitude de Cam, em Génesis 9:22, foi desrespeitosa. Cam soube que o seu próprio filho seria motivo de vergonha para ele. A atitude de Cam foi zombeteira, segundo Metódio (270-311/312 d.C.) em «O Banquete das Dez Virgens», Discurso 10, cap. 2, p. 348, e Justino (c. 138-165 d.C.) em «Diálogo com Trifão», cap. 139, p. 269.


P: Em Génesis 9:22-23, o que deve fazer se se sentir envergonhado pelos seus pais?

R: Em primeiro lugar, compreenda por que razão se sente envergonhado. Os seus pais estão realmente a fazer algo moralmente errado, trata-se de uma situação em que está apenas a ser exigente, ou algo intermédio? Deve honrar os seus pais (Êxodo 20:12; Efésios 6:2), mas, mesmo assim, não deve tolerar o pecado. Deve obedecer aos seus pais no Senhor (Efésios 6:1). Isso significa obedecer-lhes, mas quando eles ordenarem algo contrário a Deus, deve obedecer a Deus em primeiro lugar.


P: Em Génesis 9:22-23, o que deve fazer se os seus filhos se sentirem envergonhados por si?

R: Existem, pelo menos, quatro formas pelas quais eles podem sentir-se envergonhados:

1) devido a uma posição moral que o senhor assume e que é correta,

2) devido a algo relacionado com o estilo, preferências pessoais ou outro assunto moralmente neutro que seja adequado,

3) devido a algo que cometeu de errado,

4) devido a algo que, em si, não estava errado, mas que foi indelicado ou desrespeitoso para com os sentimentos deles.

No que diz respeito à primeira razão, pode simplesmente explicar por que razão está a assumir essa posição. Quanto à segunda razão, não deve permitir que o que é bom seja considerado mau (Romanos 14:16), mas, por amor, pode fazer concessões (Romanos 14:14-15).


P: Em Génesis 9:22-23, por que razão os filhos, por vezes, não honram os seus pais?

R: Há uma antiga história chinesa sobre um viajante que viu um homem a transportar o seu pai idoso num carrinho de mão, com o seu filho pequeno a caminhar atrás. O viajante perguntou ao homem o que este estava a fazer, e ele respondeu que, uma vez que o seu pai já não conseguia cuidar de si próprio e era um fardo para a família, ia atirá-lo ao rio para o afogar. O viajante ficou perturbado com aquilo e não sabia o que dizer para dissuadir o homem desse ato maléfico. Por fim, limitou-se a dizer: «Não se esqueça de trazer o carrinho de mão de volta!» Por outras palavras, ao fazer isso ao pai, está a ensinar o próprio filho a fazer-lhe o mesmo.

Quando os filhos não honram os pais, isso pode dever-se a uma de, pelo menos, cinco razões.

a) Não vêem necessidade de obedecer a Deus, que nos ordena que honremos os nossos pais (Êxodo 20:12; Efésios 6:2).

b) Enquanto filhos, não querem obedecer aos seus pais no Senhor, tal como lhes é pedido em Efésios 6:1.

c) Podem tê-los honrado anteriormente, porque pensavam que os pais lhes poderiam ajudar. Já não vêem os pais como capazes de os ajudar materialmente, pelo que não vêem razão para os honrar. Isto pode acontecer com os filhos quando partem para a universidade, ou com adultos que não vêem qualquer perspetiva de riqueza proveniente dos pais.

d) São ingratos pelos sacrifícios que os pais fizeram por eles enquanto cresciam.

e) Podem optar por ignorar a autoridade em geral.

O carrinho de mão estará sempre lá. Quando os seus filhos ou outras pessoas decidirem como vão lidar com a sua relação consigo, irão lembrar-se do que fez com o carrinho de mão e das relações em que poderá já não ser o principal beneficiário.


P: Em Génesis 9:22-23, como devemos reagir ao pecado nos outros?

R: Em todos os casos, não devemos dar a impressão de que toleramos o pecado, mas podemos continuar a amar o pecador. Não devemos colocar-nos numa situação em que nós próprios sejamos tentados. Além disso, há uma diferença consoante o pecador seja o seu filho, o seu pai ou a sua mãe, uma pessoa mais velha do que o senhor, um cristão ou um não crente.

Se o nosso irmão pecar contra nós, então, de acordo com Mateus 18:15-17, devemos primeiro tentar falar com ele em particular e, se isso funcionar, o assunto fica resolvido. Mas, se ele não quiser ouvir, devemos voltar a falar com ele, levando consigo uma ou duas outras pessoas. Se isso não funcionar, devemos comunicar o caso à igreja. Se isso também não funcionar, então ele deve ser expulso da igreja.

Não dêem crédito a uma acusação contra anciãos, a menos que seja apresentada por duas ou três testemunhas (1 Timóteo 5:19).

O castigo corporal (palmadas) pode ser aplicado aos vossos filhos, mas não a outras pessoas (Provérbios 22:15; Hebreus 12:7-11).

Não repreenda um homem mais velho com severidade (1 Timóteo 5:1).


P: Em Génesis 9:25, por que razão foi Canaã amaldiçoado e não Cam?

R: Ham tomou conhecimento de que os seus descendentes seriam um exemplo das consequências do pecado. O «Expositor’s Bible Commentary», volume 2, p. 97, afirma que a forma hebraica do verbo é imperfeita e não jusiva, «pelo que o sentido é mais provavelmente o de uma previsão (“Ele será”) do que o de uma maldição (“Que ele seja”)». Assim, as palavras de Noé antecipam um tema central das narrativas seguintes — a separação da descendência escolhida da descendência dos cananeus.» O livro «735 Baffling Bible Questions Answered», p. 32, afirma o mesmo.

Consulte o «Diálogo com Trifão», de Justino Mártir [c. 138-165 d.C.], capítulo 139, pp. 268-269, para uma análise mais aprofundada.


P: Em Génesis 9:25-26, qual foi a maldição de Canaã?

R: O Génesis diz apenas: «Ele será servo dos servos dos seus irmãos.» Note-se que a maldição não recai sobre Cam, mas sobre Canaã. Nenhum manuscrito grego ou hebraico afirma que se tratava de Cam; apenas uma tradução árabe o afirma. (De acordo com *A Origem da Bíblia*, p. 307, a primeira versão árabe do Pentateuco foi traduzida por Saadya Gaon, que viveu entre 892 e 942 d.C.)

Tal como Cam envergonhou o seu pai, Noé, assim Canaã e os seus descendentes envergonhariam Cam, o seu pai. Consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 116-118, para uma resposta mais pormenorizada.


P: Em Génesis 10, quem são estes 68 povos e 16 cidades?

R: Trata-se do documento etnográfico mais antigo que conservámos, de acordo com o livro «735 Baffling Bible Questions Answered», p. 32. Os estudiosos acreditam poder identificar 51 dos 68 povos e os arqueólogos encontraram 11 das 16 cidades. Sodoma e Gomorra foram tão completamente destruídas que nunca foram encontradas. No entanto, as tabuinhas de Ebla, escritas entre 2400 e 2250 a.C., mencionam as cidades de Si-da-mu (Sodoma) e I-ma-ar (Gomorra). Além disso, o «Dicionário Wycliffe de Arqueologia Bíblica», p. 124, refere que foi encontrado um santuário chamado Bab edh-Dhra, a sul do Mar Morto. Este foi datado entre 2800 e 1800 a.C.

Eis os povos conhecidos ou presumidos.

Jafé — os gregos afirmavam que o seu antepassado era Japetos

|->Gomer — Gimirra/Cimerianos assírios/gregos

| |->Asquenaz — As-gu-za-a/assírio = citas

| |->Rifate — ? terá vivido na Rússia?

| |->Togarma — Ou a cidade de Tegarama na

| Ásia Menor, os antepassados dos arménios,

| ou ambos.

|->Magog - Citas? segundo Josefo

|->Madai - medos

|->Javã - Gregos jónicos

| |->Elishah — eólios? segundo Josefo

| |->Társis — cidade na Ásia Menor ou, em alternativa, em Espanha

| |->Kittim — Chipre

| |->Dodanim/Rodanim - Ilha de Rodes

|->Tubal — povo dos Tabali na Capadócia

|->Meshech — Mushki/assírios, originalmente entre

| a Cilícia e o Mar Cáspio

|->Tiras — possivelmente os Thrusa (=Tw-r’w-s3), que invadiram o Egito em 1250 a.C.

Cão - Nenhuma tribo, apenas descendentes

|->Cush — sudaneses (Cush na antiguidade)

| |->Sebá - Norte da Etiópia. O nome do

| | local provavelmente provém de colonos sabeus

| | que chegaram mais tarde.

| |->Havila - Ou perto do rio Indo, no

| | Paquistão, ou então perto de Sheba e Hadramaut

| |->Sabtah - ? provavelmente viviam a norte de Sheba

| |->Raamá — Provavelmente os rhammanitas no sudoeste

| | | Arábia (Estrabão 16.4.24)

| | |->Sheba - Sheba, no extremo sudoeste da

| | | Península Arábica

| | |->Dedã - a noroeste do Golfo Pérsico.

| | Mencionada pelos caldeus e pelos assírios

| |->Sabteca - ? sem outras referências conhecidas

|->Mizraim - Egito

| |->Luditas - ? sem outras referências

| |->Anamitas - ? conhecidos apenas em 1 Crónicas 1:11

| |->Lehabitas — Os Rbw/Libu eram uma tribo hostil

| | a oeste do Egito

| |->Naftuítas — ? sem outras referências

| |->Patruítas — Patros situava-se no sul do Egito

| |->Casluhitas — os filisteus provêm destes

| |->Caftoritas — Creta / Ilhas do Mar Egeu

| | (Acádio/Mari/Ugarit/Egito)

|->Put — Líbia, de acordo com registos babilónicos e persas.

|->Canaã — cananeus

| |->Sidão — cidade fenícia

| |->Hittitas — viviam a norte de Jerusalém

| |->Jebuseus — viviam em Jerusalém

| |->Amoritas — viviam em Canaã. Amurru em

| | acádio significa «ocidental»

| |->Girgashitas — viviam em Canaã, provavelmente os

| | quirquitas/assírios

| |->Hivitas — viviam perto de Tiro, Sidão e Siquém. Salomão recorreu a eles para a construção do templo

| |->Arquitas — Porto de ‘Arqah, no norte da Síria

| |->Sinitas — porto cananeu de Siannu, no norte

| |->Arvaditas — Cidade de Arvad, no norte da Fenícia

| |->Zemaritas — Cidade cananeia de Simura, a 6

| | milhas a sul de Arvad

| |->Hamateus — Uma das mais antigas cidades sírias

Sem - provavelmente Sumér

|->Elam — elamitas, cuja capital era Susa

|->Assur — Primeira capital assíria

|->Arfaxad — ? Ptolomeu mencionou a região de Arrapachitis entre os lagos Van e Urmia

| |->Selá - Não se conhece nenhuma tribo, apenas descendentes

| | |->Éber — Não se conhece nenhuma tribo, apenas descendentes

| | |->Peleg — Não se conhece nenhuma tribo, apenas descendentes

| | |->Joktã — muitas tribos árabes, ou então os

| | | tribo da Arábia do Sul de Qahtan (al-Tabari

| | | vol. 6, p. xxii; vol. 20, p. xv)

| | | |->Almodad — possivelmente? uma tribo árabe do sul

| | | |->Sheleph — uma tribo iemenita do sul da Arábia

| | | |->Hazarmaveth — Hadrumaut, na Arábia

| | | |->Jerah — presumivelmente uma tribo árabe?

| | | |->Hadoram — ? sem outras referências

| | | |->Uzal — ? sem outras referências.

| | | | No entanto, Uzal/Auzal era uma antiga

| | | | nome de Sa’na, no Iémen.

| | | |->Diklah — significa «palmeiral». Será

| | | | ter-se-ão talvez estabelecido em Wadi Sirhan,

| | | | a cerca de 250 milhas a sudeste do Mar Morto.

| | | |->Obal — desconhecido fora de 1 Crónicas 1:22

| | | |->Abimael — ? não é conhecido noutro contexto

| | | |->Sheba — sabéus no sul da Arábia

| | | |->Ofir — possivelmente na Somália ou no sudoeste

| | | | Arábia. Josefo e Jerónimo consideravam

| | | | que se tratava da Índia.

| | | |->Havila — Provavelmente a Arábia central

| | | |->Jobab - ? sem outras referências

|->Lud — Ou os lídios, ou então a terra de

| Lubdi, entre o curso superior do Tigre e do Eufrates

|->Aram — os arameus da Síria

|->Uz — Tribo dos Ausitai? que vivia a oeste do Eufrates

|->Hul - ? sem outras referências

|->Gether - ? sem outras referências

|->Mash/Meshech - ? Ou o deserto sírio-árabe de Mash, conhecido pelos assírios, ou o Monte Masius, no Líbano; ou então Meshech era uma mistura de duas origens ancestrais


P: Em Génesis 10, por que razão os indianos e os chineses não são mencionados na tabela das nações?

R: Primeiro, o que não é a resposta, e depois a resposta.

O que não é a resposta: Embora os sinitas sejam mencionados, estes provavelmente não são chineses, mas sim originários do porto cananeu de Siannu, no norte da Síria. Josefo e Jerónimo consideravam que Ofir era a Índia, mas é mais provável que se trate de África.

A resposta: Todos descendiam de Adão, pois todos estavam amaldiçoados com a natureza de Adão. O Génesis não pretende enumerar todos os povos e, das centenas de povos existentes, o Génesis menciona apenas as nações que alguns israelitas poderiam reconhecer.


P: Em Génesis 10, são mencionados os sumérios da Mesopotâmia?

R: Sim, provavelmente são, sob o nome de «Sem». O nome da terra de Sumer era frequentemente pronunciado sem o «r», e «Sum» poderia facilmente tornar-se «Sem». Para obter apoio académico a esta tese, consulte *The Sumerians*, de Samuel Noah Kramer, pp. 297-298. Kramer cita também o *American Journal of Semitic Languages*, vol. 58 [1941], pp. 20-26.


P: Em Génesis 10:2, quem era o povo de Gomer?

R: Tratava-se do povo chamado «Gimirra» pelos assírios e «Cimerianos» pelos gregos. Gomer vivia na Ucrânia e no sul da Rússia.


P: Em Génesis 10:2, por que razão são mencionados os medos (Madai), uma vez que este povo não era referido em mais nenhum outro local até 836 a.C., no texto de Salmanasar III?

R: O texto de Salmanasar III é posterior à época de Moisés, em 1407 a.C., mas o silêncio nos escritos antigos que se conservaram não prova a inexistência. Os assírios apenas registavam quando lutavam e negociavam com os medos pela aquisição de cavalos. De acordo com a obra «Persia and the Bible», p. 35, «I.M. Diakonoff acredita que a chegada das tribos indo-iranianas ao planalto iraniano ocorreu na primeira metade do segundo milénio a.C. [2000-1500 a.C.]. No entanto, as evidências arqueológicas mais antigas da chegada desses recém-chegados parecem datar do início da segunda metade do segundo milénio a.C. [1500-1300 a.C.]».

Em contraste com isto, o poderoso povo dos Minni é mencionado em Jeremias 51:27. No entanto, os Minni remontam apenas a 1200 a.C., e não são mencionados no Génesis, uma vez que este foi escrito anteriormente.

Em resumo, a arqueologia corrobora a existência dos medos na época de Moisés.


P: Em Génesis 10:2, quem era o povo de Javã?

R: Trata-se dos gregos jônios que viviam nas ilhas e na Ásia Menor. Em hebraico, a designação era «yawan», que é equiparada ao grego «iaones» ou «iawones» na «Ilíada» de Homero 8.685, e a «yamanu» nas inscrições de Sargão II e Dario I. Os jônios são mencionados no Egito desde a época de Ramsés II (c. 1300 a.C.). Isaías 66:19 e Ezequiel referem-se a eles, e a tradução da Septuaginta traduz isto como «Hellas».


P: Em Génesis 10:2, quem era o povo de Tubal?

R: Eram chamados de Tabal (ou Tabali) pelos assírios e viviam na atual Turquia, na região da Capadócia. O historiador grego Heródoto conhecia-os como os Tibarenoi. São mencionados em Ezequiel 27:13; 38:2-3; 39:1 e Isaías 66:19.

O rei assírio Salmanasar III (859-824 a.C.) recebeu tributo dos vinte e quatro reis de Tubal. Os assírios destronaram o rei de Tubal em 732 a.C. Sargão menciona que recipientes de metais preciosos provinham de Tubal. Sargão também reprimiu uma revolta de Tubal, dos Mushki (Meshech) e de Ararat.


P: Em Génesis 10:2, quem era o povo de Meshech?

R: Os assírios referiram-se a eles pela primeira vez como os «Mus-ka-a-ia», indicando que possuíam um exército de 20 000 homens na época de Tiglate-Pileser I (c. 1100 a.C.). São igualmente mencionados no reinado de Salmanasar III (859-824 a.C.). Originalmente, viviam entre a Cilícia e o Mar Cáspio, mas na época de Sargão II (722-705 a.C.) viviam na região da Frígia, na atual Turquia. Heródoto 3:94 refere-os como os «Moschoi», que constituíam uma das 19 satrapias de Dario. São também equiparados aos frígios.


P: Em Génesis 10:2, quem era o povo dos Tiras?

R: Não sabemos muito sobre os Tiras. Embora Josefo afirme que os trácios descendiam deles, hoje em dia pensa-se que eram os Tursenich/Tirsenianos, que eram piratas. Os egípcios mencionam um povo chamado «Thrusa» (Tw-rw-s3) que invadiu o Egito por volta de 1250 a.C. O livro apócrifo dos Jubileus afirma que os Tiras viviam em quatro ilhas.


P: Em Génesis 10:3, onde ficava Togarma?

R: Togarmá situava-se a cerca de 70 milhas (113 km) a oeste da cidade de Malatya, na Ásia Menor. Os hititas chamavam-lhe Tegarama. Os assírios chamavam-na de Tilgarimanu e conquistaram-na em 695 a.C. Os gregos chamavam-na de Gauraena. Os arménios afirmam descender de Haik, um filho de Torgom, pelo que poderão ser descendentes de Togarma.


P: Em Génesis 10:5, 20, 31, uma vez que existiam línguas diferentes, por que razão toda a terra falava uma única língua em Génesis 11:1?

R: Génesis 10 é uma visão geral, e Génesis 11 fala de um acontecimento específico no âmbito de Génesis 10. Génesis 10:5 diz: «destes...», e 10:18: «Mais tarde...». Estas expressões sugerem que Génesis 10 descreve a forma como os descendentes se espalharam posteriormente. Génesis 11:1 refere-se ao acontecimento da torre de Babel, que ocorreu antes da dispersão dos povos.

Um interessante fragmento de tabuinha de argila encontrado na Babilónia refere-se a um templo que ofendeu os deuses. Estes destruíram-no numa única noite e dispersaram o povo, atribuindo-lhes línguas estranhas.


P: Em Génesis 10:6,13 e 1 Crónicas 1:8,11, por que razão o Egito não é mencionado entre estas nações? (Um cristão intrigado com esta questão)

R: É mencionado; a palavra hebraica para «Egito» é «Mizraim».


P: Em Génesis 10:8-12, os feitos de Nimrod foram uma fusão dos feitos de Lugal-Zaggasi, Sargão de Agade, Hamurabi e Salmanasar I, tal como afirma o «Guia de Asimov para a Bíblia» (p. 52)?

R: Não. Embora não saibamos muito sobre estes antigos reis sumérios, para além das dezenas de milhares de tabuinhas sumérias que foram preservadas, as semelhanças entre esses conquistadores e Nimrod são remotas. A Bíblia limita-se a mencionar que Nimrod era um poderoso caçador perante o Senhor, que a carreira de Nimrod teve início em quatro cidades em Sinar (Suméria) e que, mais tarde, ele se dirigiu para a Assíria e ali construiu quatro cidades próximas umas das outras, que mais tarde se tornaram muito influentes. A Bíblia não diz mais nada sobre Nimrod, pelo que é difícil fazer uma comparação. Nimrod não poderia ter sido Hamurabi, porque Hamurabi (1803/1793-1760/1750 a.C.) viveu muito depois de Abraão. Nimrod poderá, de facto, ser uma referência bíblica a Sargão, mas sabemos muito pouco tanto sobre Sargão como sobre Nimrod para o afirmar.


P: Em Génesis 10:9, Nimrod era um bom caçador «perante o Senhor», ou um predador ímpio «em desafio ao Senhor»?

R: Provavelmente, a melhor tradução da palavra hebraica «paniym» neste contexto é «perante». Tal como a palavra inglesa «before», «paniym» é utilizada em muitos contextos. Por exemplo, um líder poderia estar perante a congregação em Josué 20:6,9; Israel foi derrotado perante os filisteus em 1 Samuel 4:2; e Israel fugiu perante os filisteus em 1 Samuel 4:17.

Neste caso, «paniym» significa provavelmente uma descrição ímpia, como em «lutar perante». O nome Nimrod está relacionado com a palavra hebraica «marad», que significa «rebelar-se» ou «nós vamos rebelar-nos». Após a torre de Babel, Nimrod construiu a cidade de Babilónia em desafio ao Senhor.

O facto de Nimrod ser um «caçador poderoso perante o Senhor» constitui uma conotação negativa e ímpia para Nimrod.


P: Em Génesis 10:9, a que grupo étnico pertencia exatamente Nimrod/Nimrud?

R: Existem três possibilidades.

A Assíria é chamada de terra de Nimrud em Miqueias 5:6, a cidade de Calá também é chamada de Nimrud e a cidade babilónica de Borsipa também é chamada de Birs Nimrud.

Descendente dos cassitas de Quis, que viveram na Mesopotâmia e governaram a Babilónia por volta de 3200 a.C., e Génesis 10:8 afirma que Cus foi o pai de Nimrod. Nin-Maradda é um nome não semítico de uma cidade a sudoeste de Quis, de acordo com o Dicionário Bíblico de Unger, p. 794. Esta interpretação é também compatível com a primeira.

Os ubaidianos foram os primeiros habitantes não semitas (cerca de 3800-3500 a.C.) da Suméria e da Mesopotâmia, anteriores aos sumérios que vieram do sul. Génesis 10:8-10 indica que Nimrod esteve primeiro na Babilónia e, em seguida, dirigiu-se para norte, para a Assíria. Sabemos muito pouco sobre os ubaidianos, mas, dada a sua ligação a Cam, poderão ter estado relacionados com o povo de Harappa, na Índia, de pele mais escura. Consulte o Dicionário Bíblico Wycliffe, pp. 1207-1208, para mais informações sobre esta interpretação.


P: Em Génesis 10:14, de onde teve origem o termo «Palestina»?

R: Não sabemos ao certo, mas parece provável que tenha vindo da terra da Filístia.

Heródoto, o historiador grego (c. 484 – c. 425 a.C.): «Os próprios fenícios e os sírios da Palestina confessam que aprenderam o costume dos egípcios; e os sírios... dizem que o adotaram recentemente dos colquianos. Ora, estas são as únicas nações que praticam a circuncisão, e é evidente que todas elas imitam os egípcios neste aspeto.» A História, Livro 2 (Euterpe), cap. 104, p. 69

Aristóteles, o filósofo grego (384-322 a.C.) Mais uma vez, se, tal como se conta, existe um lago na Palestina, de tal forma que, se se amarrar um homem ou um animal e o atirar para lá, este flutua e não se afunda, isso confirmaria o que afirmámos. Dizem que este lago é tão amargo e salgado que nele não vivem peixes e que, se se molharem roupas nele e se as sacudirem, estas ficam limpas. Meteorologia II.3

Filo de Alexandria (20 a.C. a 50 d.C.) escreve: «Além disso, a Palestina e a Síria também não carecem de sabedoria e virtude exemplares», *Every Good Man is Free*, cap. XII (75), p. 689

O geógrafo romano Estrabão (23 d.C.) aborda o Êxodo dos judeus do Egito para a Palestina, sobre o qual ouviu falar de judeus em Alexandria.

Josefo (c. 100 d.C.): «quanto ao que aconteceu aos judeus, tanto no Egito como na Síria e na Palestina, e ao que sofremos às mãos dos assírios e dos babilónios...» *Antiguidades dos Judeus*, livro 20, cap. 11, p. 426

Além disso, dez escritores cristãos pré-nicenos (todos posteriores a 135 d.C.) referem-se à Palestina. São eles: Justino Mártir, Teófilo de Cesareia (no título da carta), Clemente de Alexandria, Tertuliano, Hipólito, Orígenes, Júlio Africano, Dionísio de Alexandria, Gregório Taumaturgo e Pâmfilo.

Quando o imperador romano Adriano reprimiu a segunda revolta de Bar Kochba, entre 132 e 135 d.C., expulsou os judeus da terra e renomeou o território como Síria-Palestina (Chris J. Seeman, «Judeia», *Dicionário do Contexto do Novo Testamento* [Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2000], p. 624).


P: Em Génesis 10:22 e Génesis 22:21, terá Aram supostamente nascido duas vezes, como afirma o cético «Asimov’s Guide to the Bible», p. 88?

R: Não, mas há duas respostas possíveis:

Várias pessoas: Não havia apenas duas, mas sim três pessoas na Bíblia chamadas Aram.

1. Génesis 10:22 afirma que Aram da Síria era descendente de Sem. (Em hebraico, a palavra para «filho» é a mesma que a de «descendente», tal como a palavra para «pai» é a mesma que a de «ancestral».)

2. Génesis 22:21 menciona Aram, que descendia de Kemuel (sobrinho de Abraão), que era descendente de Naor, que era descendente de Terá, que era descendente de Sem.

3. Muito mais tarde, em 1 Crónicas 7:34, surge um Aram, filho de Shamer, da tribo de Aser.

O «Wycliffe Bible Dictionary», p. 122, e o «The New International Dictionary of the Bible», p. 74, também mencionam três pessoas.

Um único indivíduo: Note-se que os dois Aram mencionados em Génesis 10:22 e 22:21 são ambos descendentes de Sem. Assim, poderiam, de facto, ser um único indivíduo, sendo que a Tabela das Nações menciona Sem como antepassado de Aram.


P: Em Génesis 11, será que os homens tinham uma conceção tão «baixa» do céu que tentaram construir a Torre de Babel até lá?

R: Esta não era a visão de Moisés, mas sim do povo que construía a torre. Génesis 11 regista, sem aprovação, algumas das ideias insensatas dos homens. É claro que o que é uma ideia insensata para as massas pode ser astuto para os sacerdotes, a fim de garantir que o povo lhes tivesse reverência.

A Bíblia de Estudo NIV, p. 23, enumera outras pirâmides/zigurates que os arqueólogos descobriram com títulos pretensiosos semelhantes.

Larsa: Casa da Ligação entre o Céu e a Terra

Borsippa: Casa dos Sete Guias do Céu e da Terra

Assur: Casa da Montanha do Universo

Babilónia: Casa da Plataforma-Fundação do Céu e da Terra

O texto babilónico «Enuma Elish», VI, linhas 55-64, afirma que a Babilónia foi construída pelos deuses no céu como uma cidade celestial. «Babili» significa «o portão de Deus».


P: Em Génesis 11, em que consistia o pecado de construir a Torre de Babel?

R: Não foi a construção de um edifício, mas sim a motivação arrogante de (tolamente) pensarem que poderiam ascender ao Céu por conta própria. No cerne de grande parte da idolatria está a crença de que as pessoas devem ser religiosas da forma que quiserem, «à sua maneira», em vez de procurarem o Único Deus Verdadeiro. A reação de Deus não parece ser de castigo, mas sim de os impedir de cometerem mais maldades. Os pais sensatos não querem que os seus filhos ignorem totalmente a lei e os seus próprios mandamentos, e Deus também não quer que as pessoas, que Ele criou, façam o mesmo.


P: Em Génesis 11, o que sabemos sobre a língua suméria?

R: O sumério era escrito em cuneiforme e não é uma língua indo-europeia. Apresenta algumas semelhanças com o turco, o húngaro e algumas línguas das montanhas do Cáucaso. Atualmente, os estudiosos conseguem ler o sumério e sabem como as palavras eram pronunciadas. O sumério não possuía os sons f, i, j, th, ch suave, v, w nem o trema. Possuíam um «ng» (tal como o cantonês e o vietnamita) e não apresentavam flexões no final das palavras, como a maioria das línguas indo-europeias. Havia também vários dialetos sumérios. Tal como existiram versões antigas do inglês e do chinês, houve quatro períodos da língua suméria: arcaico, clássico, novo e pós-sumério. Abraão viveu numa época em que se falava o «sumério novo».

O hebraico possui alguns empréstimos sumérios que chegaram através do acádio. Tal como o sumério, o hebraico não possuía o som «j».


P: O Génesis 11 estava fora de sequência?

R: Não, nada indica que estivesse fora de sequência. Pense nisso. Se toda a humanidade tivesse sido exterminada, com exceção de oito pessoas ligadas por laços de sangue ou de casamento, é muito provável que todas falassem a mesma língua. No entanto, a certa altura, as pessoas começariam a falar línguas diferentes, e isso aconteceria mais ou menos na altura em que ficassem geograficamente isoladas. Como nota interessante, os linguistas não religiosos acreditam poder remeter todas as línguas indo-europeias (desde as línguas celtas ao alemão, passando pelo grego e até ao sânscrito) a uma origem comum, que, segundo eles, era falada na Ucrânia por volta de 4000 a.C.


P: Em Génesis 11:1-9, por que razão existia uma única língua antes de Babel, uma vez que Génesis 10:5, 20 e 31 afirma que surgiram muitas línguas após o dilúvio?

R: Ambas as afirmações são verdadeiras, porque Génesis 10 relata como as tribos se propagaram tanto antes como depois de Babel. Há três pontos a considerar na resposta.

Génesis 10:5 afirma que está a relatar como os povos do mar «se separaram para os seus territórios». Esta dispersão ocorreu após a Torre de Babel.

Génesis 10:20 afirma igualmente que se refere aos territórios dos filhos de Cão, e a mudança dos hamitas para os seus territórios teria ocorrido após a torre de Babel.

Génesis 10:31 é quase idêntico a Génesis 10:20, exceto que se refere aos filhos de Sem.


P: Em Génesis 11:5 e Génesis 18:21, uma vez que Deus está em todo o lado, como é que «o SENHOR desceu para ver a cidade...»?

R: Trata-se de uma expressão para transmitir que Deus prestou especial atenção à cidade.


P: Em Génesis 11:7, tanto quanto sabemos, as crenças antigas eram sempre politeístas, tendo o monoteísmo surgido posteriormente, tal como afirma o cético «Guia de Asimov para a Bíblia», na página 18?

R: Não. Tanto quanto sabemos pela história, a religião chinesa primitiva era monoteísta, tal como algumas outras culturas do sudeste asiático. O nome chinês primitivo para este Deus monoteísta era Shang-di, que é utilizado para designar Deus nas Bíblias chinesas atuais.


P: Em Génesis 11:7-9, a confusão das línguas na Torre de Babel foi inspirada na história grega das Aloadas?

R: Orígenes (230-254 d.C.) investigou esta questão na obra «Orígenes contra Celso», livro 4, capítulo 21, p. 505, e concluiu que tal não poderia ser o caso porque:

a) Não lhe era conhecido (nem a nós) nenhum grego que tivesse ouvido falar disso antes de Homero.

b) Homero viveu séculos depois de Moisés.

A propósito, existem datas contraditórias sobre a época em que Homero viveu. O historiador grego antigo Aristarco afirma que foi em 1044 a.C., as fontes de Filóstrato indicam 1159 a.C., e a obra pseudo-Heródoto, «A Vida de Homero», situa-a em 1102 a.C. Em contraste com isso, o historiador Teopompo afirmou que Homero viveu até 685 a.C. Heródoto afirma que não foi antes de cerca de 730 a.C. O Êxodo ocorreu por volta de 1447 a.C.

Teófilo a Autólico (168-181/188 d.C.), livro 3, cap. 20, p. 117, também salienta que «está provado que Moisés e os seus seguidores viveram 900 ou mesmo 1000 anos antes da Guerra de Tróia». No entanto, a Guerra de Tróia ocorreu, na realidade, cerca de 250 anos depois, e não 900 a 1000 anos depois.

Conclusão: Ou os gregos retiraram a história dos hebreus anteriores, ou os gregos retiraram a história de algum outro lugar fora da Grécia, ou os relatos gregos e bíblicos baseiam-se no mesmo acontecimento.


P: Em Génesis 11:9, será que a origem do nome «Babel» a partir da palavra hebraica balal, que significa «misturado, confuso ou confundido», é falsa, uma vez que, em babilónico, Bab-ilu significa «porta de Deus», como afirma o cético Guia de Asimov para a Bíblia, na página 55?

R: Não. Asimov parte do princípio de que Babel se situa no local da cidade da Babilónia. A Bíblia não afirma que os babilónios ou os sumérios tenham dito que tal se devia ao facto de as línguas estarem misturadas, confusas ou desorientadas. Pelo contrário, Génesis afirma que, independentemente de onde Babel se situasse, as pessoas que vieram depois (incluindo os hebreus que leram Génesis) poderiam chamá-la de Babel porque as línguas estavam confusas naquele local.


P: Em Génesis 11:10, que idade tinha Sem quando ocorreu o dilúvio?

R: Eis o que se pode observar nas Escrituras e, em seguida, a conclusão:

Génesis 11:10 diz que Sem tinha 100 anos dois anos após o dilúvio.

Génesis 5:32 diz que Cam, Sem e Jafé nasceram quando Noé tinha 500 anos.

Génesis 7:6 afirma que Noé tinha 600 anos quando o dilúvio se abateu sobre a terra.

Nada nas Escrituras indica que Cam, Sem e Jafé fossem trigémeos. Génesis 5:32 referia-se a um número redondo; os três nasceram, provavelmente um de cada vez, quando Noé tinha aproximadamente 500 a 600 anos de idade.


P: Em Génesis 11:18-24, existe algum registo extra-bíblico de Reu, Serug e Naor?

R: Ninguém pode esperar que tenhamos um registo independente de cada indivíduo. No entanto, neste caso, provavelmente temos um registo independente. As crónicas assírias registam aldeias na atual Síria com os nomes de Paligg, Reu, Sarugi e Nakhur. Os registos de Mari também mencionam Nakhur.


P: Em Génesis 11:27 e Génesis 17:5, qual é a origem dos nomes «Abram» e «Abraão»?

R: A origem do nome é incerta. Trata-se de um nome semítico ocidental e provavelmente significa «o pai é exaltado» ou «pai exaltado». Em tabuinhas preservadas da cidade de Mari (2800-1760 a.C.) encontram-se os nomes de Noé, Abrão, Labão e Jacó. O nome «Abraão» significa «pai de multidões» ou «pai de uma multidão».


P: Em Génesis 11:27 e 17:5, de que forma os nomes, apelidos e títulos influenciam subtilmente as pessoas?

R: Estes podem ter, pelo menos, oito efeitos:

Informam e dão uma primeira impressão a um estranho sobre a função ou a importância de uma pessoa. Numa empresa em que trabalhei, a maioria das pessoas, e todos aqueles que tinham uma experiência razoável, tinham o título de «vice-presidente».

Convencem as pessoas de que é capaz de desempenhar a função. Por que razão contrataria alguém com um mestrado para desempenhar uma função, quando poderia ter um doutoramento? De todos os conquistadores da história, é interessante que «Guilherme, o Conquistador» tenha sido um dos muito poucos a receber essa alcunha. Embora tenha conquistado a Inglaterra, a Escócia e, mais tarde, a Irlanda, houve inúmeras ocasiões em que foi uma questão de vida ou morte saber se o seu exército venceria ou seria aniquilado.

Lembre a si próprio e aos outros exatamente quem somos.

Esclareça aos outros que já nos conhecem qual é, exatamente, a nossa identidade principal.

Ocultar aos outros exatamente o que estamos a fazer. Pense num «conselheiro» da Planned Parenthood, ou nos tribunais de saúde hereditária e na Lei da Saúde Conjugal dos nazis.

Menosprezar os outros pronunciando mal o seu nome ou atribuindo-lhes uma alcunha depreciativa. Maria, a Sanguinária, ou Maria I (1516–1558), era filha de Henrique VIII e rainha católica de Inglaterra. Depois de alguns protestantes terem tentado assassiná-la, ela mandou queimar 280 protestantes na fogueira e tentou matar ou exilar mais. Após a sua morte por doença, a maioria dos católicos em Inglaterra foi exilada ou morta.

Seja motivo de piada, tal como o amigo de Robin Hood, «Little John», ou o jogador de futebol americano dos Chicago Bears, «Refrigerator Perry». (Derrubá-lo era como derrubar um frigorífico). O cantor de música country Johnny Cash tinha uma balada interessante intitulada «A Boy Named Sue».

Valorize os outros aos olhos deles próprios ou dos outros. Pense em Alexandre, o Grande, Alfredo, o Grande, Otão, o Grande, Solimão, o Magnífico, ou Ivan, o Grande (chamado pelos seus inimigos de Ivan, o Terrível). Por outro lado, pode-se realçar a sua ferocidade. Os romenos procuraram persuadir os muçulmanos a não tentarem invadir a Roménia, porque o seu rei se chamava Vlad, o Empalador. Houve também o governante turco Selim, o Sombrio, que massacrou muitos «alauítas».

Por vezes, uma mãe chinesa pode dar ao seu último filho a alcunha de «duo duo», que significa «mais». Isto pode significar uma bênção adicional, ou pode significar um fardo extra involuntário e indesejado.


P: Génesis 11:27 ensina que Abrão, Naor e Harã nasceram numa ordem específica?

R: Embora algumas pessoas pensem, erradamente, que uma lista na Bíblia implica sempre quem nasceu primeiro, isso não é verdade. Por exemplo, em 1 Crónicas 3:15, Zedequias é mencionado como o terceiro filho de Josias, e Salum/Joacaz como o quarto. No entanto, quando Jeoacaz se tornou rei em 609 a.C., tinha 23 anos, e Zedequias tinha apenas dez anos. Outro exemplo: Cam é mencionado antes de Jafé, mas Génesis 9:24 mostra que Cam era mais novo. Assim, se a Bíblia apresenta uma lista sem indicar que os nomes estão por ordem, não devemos tentar atribuir à Bíblia o que nela não está escrito.

Neste caso específico, uma vez que Abrão tinha 75 anos quando partiu de Harã após a morte de Terá (Génesis 12:4), e Terá morreu com 205 anos (Génesis 11:32), Abrão não era o filho que nasceu quando Terá tinha 70 anos. Abrão só nasceu quando Terá tinha, pelo menos, 130 anos.


P: Em Génesis 11:28, Abrão era da cidade de Ur, ou era da cidade de Harã, conforme Génesis 24:4?

R: Abrão era originário de Ur dos caldeus, no sul da Mesopotâmia, mas antes de chegar a Canaã, Abrão e os seus familiares estabeleceram-se primeiro na cidade de Harã, na atual Síria.


P: Por que razão Génesis 11:28 menciona Ur dos caldeus, uma vez que Ur era uma cidade suméria?

R: Isto dá-nos uma pista sobre a época em que este texto foi escrito. Os caldeus e os sumérios do Iraque tinham-se assimilado na época de Moisés, e Moisés referiu-se à terra do atual Iraque tal como era conhecida na sua época. Além disso, os documentos de Ebla mencionam uma cidade chamada Uru, que se situava em Padã-Arã (atual Síria). Assim, para garantir que não houvesse qualquer erro, em vez de se referir simplesmente a «Ur», mencionou-se «Ur dos caldeus».


P: Em Génesis 11:28, será que Abraão terá partido de outra cidade chamada Ur?

R: Não. Havia uma cidade perto de Harã chamada Ur/Urfa (a atual Edessa), uma cidade hitita chamada Ura no nordeste da Anatólia/Arménia e um porto hitita também chamado Ura, perto de Tarso. No entanto, estas cidades são mencionadas pela primeira vez 500 anos após Abraão.


P: Em Génesis 11:28, o que sabemos sobre a cidade mesopotâmica de Ur, para além do que consta na Bíblia?

R: Sabemos muito sobre Ur, graças a escavações extensivas. A cidade era provavelmente a maior do mundo naquela época, com uma população estimada em 180 000, 200 000 ou 300 000 habitantes. Tinha uma forma oval, e o montículo media 3 000 pés de comprimento por 800 pés de largura. Possuía um zigurate de três níveis, a 70 pés acima da planície. As muralhas tinham trinta pés de altura. Era uma cidade rica, com obras de arte espetaculares. O povo de Ur era relativamente sofisticado, com um texto matemático que abordava raízes cúbicas.

Geografia: Ur tinha o rio Eufrates de um lado e canais dos outros lados. O solo era ligeiramente alcalino, mas excelente para o cultivo de trigo e cevada com irrigação. Havia cerca de 50 espécies de peixes nos rios Tigre e Eufrates. Não havia árvores nas proximidades, pelo que importavam madeira de uma distância de 400 milhas.

Civilização: Cerca de 40% de todos os cereais eram utilizados para fabricar cerveja. Foi descoberto um jogo de tabuleiro. Possuíam casas de tijolos de barro de um e dois andares e ruas não pavimentadas. Frequentemente, encontrava-se um túmulo familiar por baixo da casa.

Literatura: A primeira escrita suméria data de cerca de 3 200 a.C., 1 200 anos antes de Abraão. Foram recuperadas 100 000 tabuinhas em Ur, Umma, Lagash, Puzrish-Dagan e Nippur.

Ciência: Foi encontrada uma tabuinha matemática com raízes cúbicas. Não possuíam um sistema decimal, mas utilizavam, em vez disso, 1, 10, 60, 600, 3 600, 36 000, etc. Um vestígio disso é o facto de dividirmos os círculos em 360 graus. O seu calendário tinha 360 dias e praticavam astrologia. O zigurate principal estava muito bem construído.

Templos: O zigurate principal era dedicado ao deus da Lua (não à deusa), chamado Nanna/Nannar em sumério e Sin em acádio/semítico. O zigurate principal tinha três níveis. O nível mais baixo, com 210 por 140 por 20 pés, foi construído por Ur-Nammu e Dungi. Ur-Nammu viveu por volta da época de Abraão. Nabonido (c. 560 a.C.) construiu o segundo nível, e um pequeno edifício constituía o terceiro nível. Havia templos dedicados a E-num-mah, a Nirgal/Ningal (esposa de Nanna) e o santuário de Nannar.

História: A Primeira Dinastia de Ur (2600-2500 a.C.) teve reis chamados Mesanepada e Aanepada. Os gutianos conquistaram Ur e governaram-na de 2150 a 2070 a.C., até que Ur-Nammu os expulsou e deu início à Terceira Dinastia de Ur. O povo de Ur saqueou Susa, a capital elamita, cerca de 50 anos mais tarde. Abraão partiu de Ur antes de 2000 a.C., altura em que Ur poderia parecer um dos locais mais seguros para se viver. Em 2004 a.C. (alguns dizem que em 1950 a.C.), os elamitas saquearam Ur, e a cidade de Ur nunca mais recuperou a sua proeminência anterior. Assim, se Abraão tivesse desobedecido a Deus e permanecido em Ur, provavelmente ele ou os seus descendentes teriam sido reduzidos à escravidão ou mortos.


P: Em Génesis 11:31, será que Abrão partiu para Canaã a partir de Ur, ou de Harã, como diz Génesis 12:5?

R: Génesis 12 não refere que Abrão se encontrava em Harã quando Deus o chamou. Não há qualquer menção de que Génesis 11:31 seja cronologicamente anterior a Génesis 12. Muitas biografias modernas seguem uma ordem estritamente cronológica, mas não há qualquer exigência de que assim seja, e, frequentemente, o Antigo Testamento e os Evangelhos não seguiam uma ordem estritamente cronológica. Só podemos ter a certeza de que se pretendia seguir uma ordem cronológica quando o autor afirma que se trata de uma ordem cronológica. Génesis 24:4 não diz, em hebraico, «terra do meu local de nascimento», mas sim «o meu país», referindo-se ao local onde Abrão viveu durante algum tempo e onde os seus parentes mais próximos ainda residiam.


P: Em Génesis 12:1, 28:10-15; 32:22-32, por que razão Deus escolheu os judeus em vez dos chineses ou de qualquer outro povo?

R: Em primeiro lugar, Deus tem o direito de escolher quem Lhe aprouver. Aqui, Deus não escolheu um povo, mas sim um homem: Abraão. Posteriormente, a aliança e a descendência foram atribuídas a Isaac em Génesis 17:21 e 21:12. Mais tarde, Jacó foi escolhido em Génesis 28:10-15. Abraão estava disposto a abandonar a sua cultura e a sua cidade (Ur), que era provavelmente a maior cidade (com uma população entre 100 000 e 180 000 habitantes) e a mais civilizada da Terra naquela época. Muitas pessoas têm algum desejo de fazer o que é certo, mas poucos homens abastados estariam dispostos a sacrificar os seus laços com a sua cultura e religião para seguir a Deus acima de tudo, mesmo para um lugar que não conhecia (Hebreus 11:8).

Hoje, Romanos 10:12 e Gálatas 3:28 ensinam que, para Deus, não há diferença entre os crentes judeus e os não judeus.


P: Em Génesis 12:1, existe alguma evidência, fora da Bíblia, de que o verdadeiro Deus Se tenha revelado a mais alguém na época de Abraão, ou antes?

R: Sim. Primeiro, dois factos contextuais da Bíblia e, em seguida, a resposta.

B1. Em Génesis 14:18-20, Melquisedeque era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, a quem chamava El Elyon. No entanto, não consideraremos Melquisedeque, uma vez que é apenas mencionado na Bíblia, e Melquisedeque poderia ter sido uma manifestação pré-encarnada de Cristo.

B2. Em Génesis 24:50, os parentes de Abrão na Síria (entre os arameus) acreditavam no Senhor.

A resposta:

A1. Os textos ugaríticos (da cultura que existia na atual Síria e no Líbano) também mencionam um Deus pessoal chamado «El» e utilizavam a expressão «El Elyon» para designar o Deus Altíssimo, tal como Melquisedeque fazia. Infelizmente, na cultura ugarítica, o sincretismo estava presente e, eventualmente, passaram a adorar «El» apenas como um deus entre muitos.

A2. Na China, antes da chegada do budismo logo após Cristo e antes do confucionismo e do taoísmo, algumas centenas de anos antes de Cristo, adoravam-se vários ídolos. No entanto, antes disso, adoravam-se um Deus Supremo, a quem chamavam Shang-di. As primeiras referências escritas a Shang-di na China datam de 2600 a.C., ou seja, cerca de 400 a 500 anos antes de Abraão! Infelizmente, durante a dinastia Zhou, por volta de 1000 a.C., decidiram que ninguém era digno de adorar Shang-di, exceto o Imperador, e a adoração a Shang-di entre as massas extinguiu-se. Há alguns séculos, os cristãos na China discordaram profundamente sobre se a Bíblia chinesa deveria utilizar sempre o termo genérico para divindade, «Shen», ou também utilizar a palavra antiga «Shang-di». A última opção prevaleceu, e as Bíblias chinesas utilizam tanto «Shang-di» como «Shen».

O Imperador chinês adorava Shang-di sacrificando um touro num altar de mármore branco durante o «Sacrifício da Fronteira», que foi registado por Confúcio no Shu Jing (Livro da História), onde referiu que o Imperador Shun (2256-2205 a.C.) o praticava. Esta tradição cessou em 1911 d.C. Eis parte do que era dito durante o sacrifício:

«No início dos tempos, reinava o grande caos, sem forma e nas trevas. Os cinco elementos [planetas] ainda não tinham começado a girar, nem o sol e a lua a brilhar. Vós, ó Soberano Espiritual, separastes primeiro as partes mais densas das mais puras. Criastes o céu. Criastes a terra. Criastes o homem. Todas as coisas, com o seu poder de reprodução, adquiriram a sua existência.» Para mais informações sobre Shang-di, consulte um artigo de Ethel Nelson na revista Creation ex Nihilo, vol. 20, n.º 3, junho-agosto de 1998, pp. 50-53.

Os coreanos têm uma tradição antiga semelhante sobre um Shang-di, a quem chamam Hananim. Uma antiga tradição coreana de Tan-gun dizia que Hananim tinha um filho que desejava viver entre as pessoas. Pode ler mais sobre Shang-di, Hananim e outras revelações antigas que aparentemente se referiam ao verdadeiro Deus no livro *Eternity in Their Hearts*.


P: Em Génesis 12:1-3, 7, de que forma Deus cumpriu as Suas promessas a Abraão?

R: Deus cumpriu-as incondicionalmente, independentemente do que Abraão fez.

Deus fez de Abraão uma grande nação. Na verdade, Abraão foi o antepassado tanto dos israelitas como de muitos dos árabes. (Génesis 12:2)

Deus abençoaria Abraão. Abraão viveu e morreu como um homem muito rico, além de ter tido muitos descendentes. (Génesis 12:2)

Deus engrandeceu o nome de Abraão. O seu nome é tido em grande consideração onde quer que se encontrem cristãos, judeus e muçulmanos. (Génesis 12:2)

Deus abençoará aqueles que abençoarem Abraão e amaldiçoará aqueles que o amaldiçoarem. Os países que acolheram os judeus receberam uma grande bênção, e aqueles que os amaldiçoaram, como a Alemanha nazi, sofreram imenso. (Génesis 12:3)

Os descendentes de Abraão têm possuído a terra da Palestina. (Génesis 12:7)


P: Em Génesis 12:1-5, estará Deus a falar com Abrão, ou trata-se de uma repetição do que Deus disse a Abrão em Génesis 12:4b-9?

R: Não se trata de uma repetição. Em Génesis 12:1-4a, Deus ordenou a Abrão que fizesse algo, sem referir se Abrão o fez ou não. Génesis 12:4b-9 indica-nos que Abrão fez o que Deus lhe disse, com a diferença de que Abrão levou também Ló.


P: Em Génesis 12, terá Abraão escrito o que os mórmons consideram uma escritura, denominada «O Livro de Abraão»?

R: Não. Primeiro, alguns antecedentes sobre o «Livro de Abraão» mórmon e a importância da fraude; em seguida, a prova de que se trata de uma fraude. Este material foi retirado de textos anteriormente escritos sobre o mormonismo.

Contexto:

O «Livro de Abraão» mórmon faz parte da Escritura mórmon «A Pérola de Grande Valor». Constitui a base da doutrina mórmon anti-negros, que impediu os negros de alguma vez acederem ao sacerdócio mórmon. A doutrina anti-negros foi alterada (pelo deus mórmon?) em 1978.

O «Livro de Abraão» mórmon foi escrito a partir de pergaminhos egípcios antigos que Joseph Smith obteve em julho de 1835, os quais, segundo ele, continham os escritos de Abraão e de José. Ele não conhecia o egípcio antigo, língua que poucos sabiam ler naquela época. Proclamou que Deus o inspirou divinamente a traduzir alguns desses pergaminhos para inglês, e foi assim que o «Livro de Abraão» mórmon surgiu.

Estes pergaminhos egípcios foram outrora considerados perdidos e destruídos, mas onze deles foram encontrados no Museu Metropolitano de Nova Iorque e entregues à Igreja Mórmon em 1967.

Importância da fraude:

Dizia-se que o Livro de Mórmon tinha sido traduzido da mesma língua que o Livro de Abraão. Se Joseph Smith não conseguiu traduzir um, então também não traduziu o outro, e nenhuma das suas escrituras é digna de confiança. Além disso, se o pergaminho for uma escritura pagã dedicada a um deus idólatra, Joseph Smith seria um profeta, vidente e revelador do seu guia, o ídolo do pergaminho.

Eis o que Joseph Smith afirmou sobre a tradução: «Uma tradução de alguns registos antigos, que chegaram às nossas mãos vindos das catacumbas do Egito. — Os escritos de Abraão, redigidos pela sua própria mão, em papiro.» Pérola de Grande Valor, p. 29.

Prova da fraude:

Existem três formas de sabermos que estes são os pergaminhos egípcios que Joseph Smith tentou traduzir.

1. Três dos quatro manuscritos originais do Livro de Abraão, escritos à mão, apresentavam hieróglifos egípcios na margem. Dos cerca de oitenta hieróglifos egípcios presentes no pergaminho, 20, 13 e 10 hieróglifos foram transcritos nos manuscritos n.º 1, n.º 2 e n.º 3, respetivamente. Nos casos em que existiam lacunas no pergaminho, foram adicionados 7, 6 e 6 hieróglifos restaurados, respetivamente, nos três manuscritos. A partir disto, podemos ter a certeza de que este pergaminho egípcio foi aquele que Joseph utilizou.

2. Joseph inventou uma gramática da língua egípcia. O livro encadernado de trinta e quatro páginas, intitulado «Alfabeto e Gramática Egípcios», ainda se encontra na posse da Igreja. Este livro de língua ilustra muitos dos hieróglifos egípcios do pergaminho. No «Alfabeto e Gramática Egípcios» encontra-se uma «tradução» para inglês muito semelhante à do Livro de Abraão. Alguns consideram este facto como um dos mais prejudiciais contra a inspiração que Joseph alegava ter.

3. As imagens no início tanto do pergaminho egípcio como do «Livro de Abraão» de Smith são idênticas. A única diferença reside num ponto esboçado a lápis na imagem egípcia que foi preenchido na imagem mórmon. Não só as imagens foram copiadas na íntegra, como também as legendas nas imagens n.º 2 e n.º 3, referentes aos ídolos egípcios, foram copiadas para a escritura mórmon.

A tradução real:

Smith pensava que estava a traduzir estes hieróglifos. Leia a tradução real do Dr. Klaus Baer na página seguinte. (Dialogue: A Journal of Mormon Thought: Outono de 1968, p. 119-120.)

«Osíris será transportado para a Grande Piscina de Khons — e da mesma forma Osíris Hor, justificado, nascido de Tikhebyt, justificada — depois de os seus braços terem sido colocados sobre o seu coração e de a Autorização de Respiração (que [Ísis] fez e que tem inscrições no interior e no exterior) ter sido envolvida em linho real e colocada sob o seu braço esquerdo, perto do coração; o resto das ligaduras da sua múmia deve ser enrolado por cima dela. O homem para quem este livro foi copiado respirará para sempre, tal como fazem os bas dos deuses.» (Os bas são almas.) Na p. 111, o Dr. Baer afirmou: «Joseph Smith pensava que o seu papiro continha o Livro de Abraão.»

Smith traduziu milhares de palavras em inglês a partir destes hieróglifos. Joseph afirmou que se tratava dos escritos de Abraão e da palavra do seu deus. Na realidade, tratava-se de uma variante do Livro dos Mortos — um livro mágico egípcio pagão repleto de deuses e deusas pagãos, frequentemente enterrado com múmias.

O Dr. Richard Parker, da Universidade de Brown, numa carta pessoal dirigida a Marvin Cowen, datada de 9 de janeiro de 1968, afirmou: «5. Tive oportunidade de ver o Alfabeto e Gramática Egípcios de Joseph Smith. A interpretação dos símbolos que se alegam ser egípcios não tem qualquer semelhança com o significado que lhes é atribuído pelos egiptólogos.»

Há cinquenta anos, o Dr. A.B. Mercer afirmou: «Qualquer aluno meu que demonstrasse uma ignorância tão absoluta sobre o egípcio como a de Smith não poderia, de forma alguma, esperar obter mais do que zero num exame de egiptologia.» (Improvement Era, vol. 16, p. 615.) Isto continua a ser verdade hoje em dia.

O Dr. John A. Wilson afirmou: «... no que me diz respeito, vejo fragmentos de dois ou, possivelmente, três papiros diferentes e cada um deles assemelha-se a um tradicional Livro dos Mortos.» (carta de 5 de janeiro de 1968.)

Detalhes das imagens

Vejamos agora as três imagens do Livro de Abraão e as legendas que as acompanham, retiradas de um dos pergaminhos e do volume 3 da revista Times and Seasons.

A escrita e as imagens retratam cenas fúnebres típicas do Egito, com ídolos egípcios. Joseph ensinou que estas imagens representavam Abraão e o Deus Verdadeiro.

Fac-símile n.º 1:

Hor, o Filho Justo do detentor dos mesmos títulos.

Fac-símile n.º 2

Conceda que a alma de Osíris Sheshonk possa viver

Eu (Min) sou um touro em acasalamento sem igual.

Que este túmulo nunca seja profanado.

Facsímile n.º 3

Ó deuses de . . ., deuses das Cavernas, deuses do sul, do norte, do oeste e do leste, concedam bem-estar a Osíris Hor, o justificado

Conclusão:

O deus de Smith enganou-o. A tradução de Joseph Smith não tem qualquer valor. Se procura o Senhor, caro mórmon, peço-lhe que abandone a Igreja Mórmon, rejeite a farsa de Joseph e entregue a sua vida ao Deus Altíssimo por meio de Jesus Cristo, o Seu Filho.


P: Em Génesis 12:4, como é que Abrão podia ter 75 anos quando partiu da cidade de Harã após a morte de Terá? Em Génesis 11:26, uma vez que Terá tinha 70 anos quando teve os seus três filhos, Atos 7:4 diz que Abrão partiu de Harã após a morte de Terá, e Terá morreu aos 205 anos (Génesis 11:32), então os seus três filhos teriam 135 anos.

R: A menos que Abrão, Naor e Harã fossem trigémeos (o que é improvável), Génesis 11:26 refere-se ao facto de Terá ter 70 anos quando começou a ter filhos. Abrão só nasceu quando Terá tinha, pelo menos, 130 anos.


P: Em Génesis 12:8, os arqueólogos descobriram a cidade de Ai?

R: Não. Não encontraram vestígios de uma pequena cidade que, segundo se diz, teria sido totalmente destruída.


P: Em Génesis 12:10-19, existe alguma evidência extra-bíblica de que pessoas de Canaã ou de outras partes do Médio Oriente tenham vindo para o Egito?

R: Sim, há. Uma pintura tumular em Beni Hasan, no Egito, retrata «asiáticos». A tumba 3, de Khnumhotep, mostra 37 semitas a chegar ao Egito para o comércio. Tinham cabelo preto, barbas pontiagudas, mantos compridos, arcos e varas de arremesso. O «Dicionário Wycliffe de Arqueologia Bíblica», p. 139, indica que esta pintura data de 1892 a.C.

Sabe-se que o alfabeto foi utilizado pela primeira vez pelos semitas no Egito em 1800 a.C. ou antes, a norte de Luxor. (Ver BAR, janeiro/fevereiro de 2000, p. 12)

Os camelos representados nas pinturas murais do templo de Hatshepsut, perto de Tebas, também remontam à época de Abraão.


P: Em Génesis 12:10-19, foi Abraão que disse que a sua esposa era sua irmã no Egito, ou foi Isaac que o fez em Gerar, em Génesis 26:2-11? (Um cristão liberal levantou esta questão como um duplo relato, demonstrando que vários autores escreveram o Génesis.)

R: Não se trata de uma duplicação; são dois acontecimentos distintos. Isaac provavelmente teve esta má ideia ao seguir o exemplo do seu pai.


P: Em Génesis 12:10-20 e Génesis 20:1-18, Deus tolerou a mentira de Abrão?

R: Não. A Bíblia registou com honestidade, mas nunca aprovou a mentira de Abrão devido à sua falta de fé na proteção de Deus. Mesmo os grandes homens de Deus pecam, pelo que não devemos desanimar quando pecamos.

Deus abençoou Abraão devido à sua fé, não porque ele fosse isento de pecado, mas apesar do seu pecado.

Apenas Deus é perfeito. O nosso objetivo é esforçar-nos por alcançar a perfeição, que só atingiremos no Céu. Consulte a discussão sobre Génesis 19:30-36.


P: Em Génesis 12:16, que outras provas temos da existência de camelos no Médio Oriente, fora do Egito, durante este período?

R: Temos, pelo menos, quatro indícios:

1. Um texto sumério diz: «Ó Dummuzi, dá-me leite de camelo — o leite do camelo é doce, a nata do camelo é doce» (Oppenheim, A. (1960) Dicionário Assírio de Chicago, vol. 7)

2. Uma placa em Tell Asmar, no Iraque, datada de 2500-2000 a.C., mostra um cavaleiro montado num camelo dromedário (Dostal, W. (1959) «The Development of Bedouin Life in Arabia Seen from Archaeological Material.» Em A. Abdalla et al., Studies in the History of Arabia, vol. 1, p. 16, 13)

3. Um selo da Síria, datado do século XVIII a.C., mostra duas pessoas a montar um camelo bactriano (Porada, E. (1977) «A cylinder Seal with a Camel in the Walters Art Gallery». Journal of the Walters Art Gallery 36).

4. Uma lista síria do século XVIII a.C. menciona «uma [medida] como forragem para o camelo» (Wiseman, D. (1950) «Ration Lists from Alalakh VII». Journal of Cuneiform Studies 13).

Ver Stephen Caesar, «Ciência, Estudos Académicos e Escrituras — Camelos domesticados no Génesis», em Christian News, 6 de agosto de 2001, p. 17.


P: Em Génesis 13:1-18, foi Ló quem escolheu onde Abraão iria viver, ou foi Deus quem concedeu a Abraão a Terra Prometida para viver?

R: Ambas as coisas. A «concorrência» é a doutrina segundo a qual Deus utiliza acontecimentos e pessoas, mesmo pessoas equivocadas e más, para realizar a Sua vontade e cumprir as Suas promessas. Abrão (Abraão) permitiu que Ló escolhesse entre o lado oriental ou ocidental do Jordão, e Ló escolheu o lado oriental. Embora Deus tenha feito com que Abrão se mudasse para aquela região, Deus também planeou especificamente que Abrão ficasse com o lado ocidental do rio Jordão. Deus utilizou a escolha de Ló para realizar a Sua vontade.


P: Em Génesis 13:1-18, o que deve fazer quando existe um desacordo entre duas pessoas, ou duas partes, e não vê qualquer esperança de resolver o desacordo?

R: É bom, em primeiro lugar, trabalhar em conjunto para tentar resolver o desacordo. Uma coisa que ajuda é tentar olhar para a situação da perspetiva da outra pessoa. Depois, tente ajudá-la a ver a situação da sua perspetiva. Mostre-lhe qual é a sua melhor alternativa caso não cheguem a um acordo. Pergunte-lhe o que faria se estivesse no seu lugar. Por vezes, tal como «passar a linha pela agulha», há uma forma de encontrar um meio-termo e dar a cada parte a maior parte do que deseja.

Por vezes, não há compromisso nem resolução possíveis. Por vezes, a separação é a melhor opção, e basta separar-se como amigos. Quando se separarem, façam-no nos melhores termos possíveis, com perdão, se necessário. Embora Abraão e Ló não tivessem qualquer desacordo entre si, não havia pastagem suficiente numa única área para os seus rebanhos combinados. Por isso, tiveram de se separar; não havia outra solução.

É claro que a reconciliação é melhor do que a separação. Mas, para que a reconciliação resulte, ambas as partes, e não apenas uma, têm de estar dispostas a reconciliar-se.


P: Em Génesis 13:8 e 29:15, em que sentido estes homens eram irmãos?

R: Em Génesis 13:8, Abrão chama a Ló de irmão, enquanto em Génesis 29:15, Labão chama a Jacó de irmão. A Bíblia regista que Abrão e Labão estavam a expressar tanto os seus laços de afeto como o seu parentesco de sangue, mas não eram, de facto, irmãos.

O cético «Asimov’s Guide to the Bible», pp. 819-820, não vê qualquer problema nisto, mas acrescenta que, nestes casos, é normalmente fornecido material genealógico suficiente para que possamos conhecer a relação exata. Este não é o caso dos irmãos de Jesus, pelo que provavelmente eram meio-irmãos biológicos.


P: Em Génesis 13:12, será que Ló armou a sua tenda perto de Sodoma, ou será que Ló vivia em Sodoma, conforme Génesis 14:12?

R: É muito provável que ambas as afirmações sejam verdadeiras, em momentos diferentes. Ser nómada significava que se podia deslocar-se facilmente. Lot tinha certamente a sua tenda longe de Sodoma antes de se separar do grupo de Abrão. Posteriormente, teve-a certamente perto de Sodoma e, mais tarde, na área circundante controlada por Sodoma (a grande Sodoma). Depois, viveu em Sodoma (seja numa tenda, seja numa casa). Mais tarde, em Génesis 19:3, Lot tinha uma casa em Sodoma.


P: Em Génesis 14:1-2, quem são estes reis?

R: Isto ocorreu por volta de 2000 a.C., pelo que não é surpreendente que não consigamos identificar alguns destes governantes. No entanto, Elam era uma grande potência, tendo conquistado a cidade de Ur, de Abrão, por volta de 2004 a.C. «Shinar» é a palavra que tanto o Antigo Testamento como os egípcios utilizavam para designar a Babilónia. Chederlaomer assemelha-se a «kudur» (palavra elamita para «servo») e a «Lagamar» (uma deusa elamita). Cheder (= Kudur) era a primeira parte do nome de muitos reis elamitas. Tidal parece estar relacionado com o nome hitita Tudhaliya, e houve pelo menos cinco reis hititas posteriores chamados Tudhaliya. As cidades de Si-da-mu (Sodoma) e I-ma-ar (Gomorra) são mencionadas nas tabuinhas de Ebla, datadas de 2400-2250 a.C. Não dispomos de registos relativos a Arioch de Ellasar, mas existem provas históricas independentes da existência de um rei Ariochu de Larsa, uma importante cidade suméria. Além disso, a obra «History of Israel», na página 61, refere que Arriyuk(ki) ou Arriwuk(ki) é conhecido tanto em Mari como em Nuzi como um nome hurrita.

De acordo com John Warwick Montgomery, na obra «Evidence for Faith», p. 157, antigamente identificava-se Amrafel com Hamurabi, mas tal identificação está incorreta. Ele afirma ainda que se prefere «Arioch» a «Ariochu», uma vez que «Arioch» era um nome comum daquela época. Era um nome hurrita, bem como o nome de um rei de Mari (cerca de 1750 a.C.), e aparece nas tabuinhas da cidade de Nuzi (1500 a.C.). Uma vez que se tratava de um nome comum, qualquer número de reis de quaisquer províncias menores, desconhecidas do mundo moderno, poderia tê-lo tido.

Em resumo, estes nomes estranhos foram utilizados apenas durante este curto período de tempo. É altamente improvável que alguém tivesse escrito estes nomes, a menos que tivesse um conhecimento preciso da história desta época.


P: Em Génesis 14:1-2, como é que poderia haver «confederações» de reis em conflito?

R: Haveria muito poucas confederações de reis antes da queda da poderosa cidade-estado de Ur, em 2004 a.C. Haveria muito poucas confederações após a ascensão de Hamurabi da Antiga Babilónia, por volta de 1700 a.C. No entanto, entre o momento em que os elamitas destruíram Ur, em 2004 a.C., e o momento em que os elamitas invadiram a Babilónia, em 1725 a.C., Montgomery observa que as confederações eram comuns.

Ninguém, na época de Moisés, tentaria inventar uma história que soasse credível sobre confederações de reis, uma vez que predominavam impérios monolíticos. O facto de alguém mencionar confederações como estas demonstra que possuía um conhecimento preciso daquele período histórico. De acordo com o livro «Evidence for Faith», pp. 157-164, uma carta encontrada em Mari menciona coligações de dez, quinze e vinte reis. Além disso, conhecem-se pelo menos outras cinco confederações.


P: Em Génesis 14:1-17, existe alguma evidência extra-bíblica relativa a Sodoma, Gomorra e às outras cidades?

R: Sim. Não existiam quaisquer até que os arqueólogos descobriram as tabuinhas de Ebla. Estas mencionam si-dam-mu (Sodoma) e sa-ba-i-im (Zeboiim). (Júlio Africano [200-245 d.C.] chama-lhe Seboim.) I-ma-er é provavelmente Gomorra.


P: Em Génesis 14:5, o que significa «Asterote-Karnaim»?

R: Existem duas possibilidades.

1. Poderá significar «Astarté dos dois chifres», uma vez que esta deusa era representada com dois chifres em Gezer e em Bet-Sã.

2. É mais provável que signifique a cidade de Ashteroth, que fica perto de Karnaim, para a distinguir de outras cidades que receberam o nome da deusa.


P: Em Génesis 14:5-6, 36:20 e Deuteronómio 2:12,22, quem são os horitas?

R: Os horitas eram originários da atual Arménia. Foram mencionados pela primeira vez na época de Sargão de Akkad, no século XXIV a.C.


P: Em Génesis 14:14, como é que Abrão e os seus aliados, apenas 318 homens, conseguiram derrotar um exército invasor formado por uma aliança de quatro grandes reis?

R: Génesis 14:15 sugere que não se tratou de uma batalha campal. Provavelmente foi um ataque noturno surpresa, levado a cabo por tropas a cavalo contra um exército desprevenido. Haveria poucos cavalos no deserto, e poucas pessoas a leste do Egito possuíam camelos, com exceção de Abraão. Assim, um ataque relâmpago por tropas a cavalo seria totalmente inesperado vindo do deserto. Em segundo lugar, Abraão estava aliado a outros três chefes, e a participação destes nos despojos demonstrou que também fizeram parte do ataque. É claro que Deus também pode ter ajudado.


P: Em Génesis 14:14, como se compara o ataque de Abrão a outros ataques surpresa da história?

R: O exército aparentemente recuou de Dan para Damasco, a cerca de 40 milhas (64 km) de distância, pelo que o exército de Abrão saiu vitorioso «no campo de batalha». Analisemos os ataques surpresa, os ataques contra exércitos maiores e, por fim, vejamos a situação da perspetiva dos inimigos. Alguns destes números provêm da Enciclopédia Britânica.

Primeiro, analisaremos os ataques surpresa.

Na Batalha de San Jacinto, em 1836, Sam Houston e 743 soldados inexperientes lançaram um ataque durante o dia contra 1 800 soldados mexicanos e saíram vitoriosos.

Na Batalha de Trenton, Washington atravessou o rio Delaware durante a noite, surpreendendo os mercenários de Hesse e capturando 1 000 deles.

Na Floresta de Teutoburgo, Arminio, o germânico, matou 14 000 soldados romanos experientes numa batalha de surpresa.

Vejamos agora as vitórias contra todas as probabilidades.

Na Batalha de Maratona, em 490 a.C., 10 000 gregos derrotaram 20 000 persas.

Em Canas, em 216 a.C., 56 000 cartagineses (com uma cavalaria utilizada de forma eficaz) derrotaram 86 000 romanos.

Em al-Qadissiyat, em 636/7 d.C., 30 000 muçulmanos derrotaram 120 000 persas.

Em Farsalo, em 48 a.C., Júlio César e 20 000 soldados derrotaram Pompeu e 45 000 soldados.

Em Dorylaeum, em 1097, 70 000 cruzados derrotaram 250 000 muçulmanos, matando cerca de 30 000 deles. (Os cruzados possuíam armaduras, mas, por outro lado, os soldados de Abraão poderiam ter usado armaduras enquanto o exército invasor as tinha retirado.)

Alexandre, o Grande, contra os persas; Júlio César contra os gauleses e os helvécios; Belisário, Napoleão e outros também derrotaram forças muito superiores, embora em maior escala. Não dispomos dos números relativos a estes exércitos, exceto que Júlio César contava apenas com 10 000 homens quando invadiu a Grã-Bretanha.

A perspetiva dos inimigos: suponha que é um soldado elamita, escolhido para fazer parte de um grupo de elite que partirá numa missão para longe, com o objetivo de punir Sodoma. Sabe que há um grande número de inimigos mesmo à porta da sua tenda, mas são cativos; desarmados e bem guardados. A meio da noite, é acordado por tropas a cavalo de um novo inimigo desconhecido que irrompe e mata os seus camaradas. Não só estão a fazer isso, como, se afugentarem os seus animais ou libertarem e armarem os prisioneiros, estará condenado. Faz o que é sensato e foge na direção oposta ao ataque, reagrupando-se mais tarde com os seus camaradas.

É claro que, para além de todos estes fatores, Deus provavelmente ajudou as tropas de Abrão a causar pânico e a derrotar o inimigo. Para um exemplo ainda mais marcante de Deus a ajudar num ataque surpresa bem-sucedido, consulte a batalha de Gideão contra os midianitas em Juízes 7:6-25.


P: Em Génesis 14:17-20, o que há de interessante nesta estrutura?

R: Génesis 14:17-20 apresenta uma tentação de vitória e um encontro com dois reis. Isto é apresentado como um quiasmo, que é um recurso poético comum na língua hebraica.

O rei de Sodoma 14:17

- O rei de Salém encontrou-se com Abraão 14:18

- - O rei de Salém abençoou Abraão 14:19-20

O rei de Sodoma ofereceu a Abraão o saque 14:21

Talvez tivesse sido mais fácil para Abraão rejeitar a oferta do rei de Sodoma após a bênção de Melquisedeque.


P: Em Génesis 14:18-19, como é que Melquisedeque, presumivelmente um cananeu amaldiçoado, pôde estar em posição de abençoar Abraão?

R: Melquisedeque é uma figura misteriosa na Bíblia. Algumas pessoas consideraram que Melquisedeque era uma manifestação pré-encarnada de Cristo. Outros afirmam que Melquisedeque era um homem piedoso (talvez cananeu, talvez não) que era simplesmente um tipo de Cristo. Mesmo que Melquisedeque fosse um cananeu, Deus não está limitado a ensinar e santificar pessoas de qualquer nacionalidade.

Como nota à parte, a seita judaica de Qumran atribuía grande importância a Melquisedeque como um libertador celestial, que proclamaria a salvação de Deus.


P: Em Génesis 14:18, que idade tem a cidade de Jerusalém?

R: Pensamos que tenha sido fundada por volta de 3000 a.C. As primeiras crónicas egípcias referem-se à cidade como «Urusalim», o que sugere que a parte «salem» de Jerusalém remonta, pelo menos, tão longe quanto a parte «Jebus».


P: Génesis 14:18 ensina um «sacerdócio de Melquisedeque» composto por pessoas, tal como ensinam os mórmons?

R: Não. Génesis 14 menciona apenas um indivíduo chamado Melquisedeque. Hebreus 7:23-24 afirma que este Melquisedeque era um tipo de Jesus. Nada na Bíblia sugere que precisemos hoje de mais sacerdotes além de Jesus.


P: Em Génesis 15, o que é exatamente uma aliança e em que medida a aliança entre Deus e Abraão era invulgar?

R: Uma aliança é um acordo mútuo entre partes; as partes podem ser iguais, como num acordo comercial, ou pode ser entre um rei supremo e um vassalo de menor posição. Para além de ser uma aliança entre o homem e Deus, esta aliança era invulgar porque constituía uma promessa unilateral de Deus; Abraão não teve de fazer nada.


P: Em Génesis 15, Deus fez uma aliança com Abrão aqui, ou em Génesis 17, após o nascimento de Ismael? (Um cristão liberal levantou esta questão como prova de que vários autores escreveram o Génesis.)

R: Tanto a aliança original em Génesis 15 como a confirmação posterior em Génesis 17 são verdadeiras. Talvez décadas mais tarde, em Génesis 15, Deus tenha feito uma aliança formal com Abrão, acompanhada de um sacrifício, e lhe tenha prometido um filho. Em Génesis 17:2, após o nascimento de Ismael, Deus confirmou a Sua aliança com Abrão, sendo o rito da circuncisão o sinal dessa confirmação. A confirmação da aliança foi essencial neste caso, pois Deus precisava de corrigir o raciocínio de Abrão. Abrão pensava, erradamente, que as promessas da aliança se cumpririam por meio de Ismael.

Como segundo exemplo de confirmação de uma aliança, depois de Deus ter permitido que os israelitas fossem derrotados em Ai, estes confirmaram a aliança que tinham feito no Monte Ebal, em Josué 8:30-35.

Por vezes, um cristão, que já fez uma aliança com Deus, também deve reservar um momento para confirmar a sua aliança.

É interessante comparar o facto de Deus ter feito uma aliança com Abraão e a ter confirmado mesmo antes do nascimento de Isaac. Mais tarde, Deus fez a promessa de enviar o Messias e confirmou-a com João Batista mesmo antes do início do ministério público de Jesus.


P: Em Génesis 15:2, o que há de invulgar no nome de Eliézer?

R: Talvez nada, mas o «The Expositor’s Bible Commentary», volume 2, pp. 131-132, afirma que «dificilmente poderia ser uma coincidência» que o valor das letras do nome de Eliézer em hebraico seja 318, o mesmo número de guerreiros que Abraão tinha em Génesis 14:14.


P: Em Génesis 15:2, era comum designar um herdeiro que não fosse da sua linhagem?

R: Não sabemos até que ponto era comum, mas as tabuinhas de Nuzi referem que, em Ur, um casal podia adotar um filho que os ajudasse na velhice e, em troca, esse filho tornar-se-ia herdeiro.


P: Em Génesis 15:10, terá Abraão agido incorretamente ao não cortar as aves ao meio, tal como ensina o falso mestre cristão, o Rev. Moon, no «Princípio Divino», 5.ª ed., 1977, p. 269, 507?

R: Não. Os sacerdotes nunca deviam cortar as aves ao meio, conforme Levítico 1:17 e 5:9.


P: Em Génesis 15:13, os israelitas estiveram no Egito durante 430 anos ou foram oprimidos durante 400 anos?

R: Ambas as afirmações são verdadeiras. Consulte a discussão sobre Atos 7:6 para saber como os israelitas viveram no Egito durante 30 anos antes de serem escravizados durante 400 anos.


P: Em Génesis 15:16, como é que os israelitas puderam ser escravizados durante apenas quatro gerações, uma vez que, segundo Génesis 15:13, foram escravizados durante 400 anos?

R: Em Génesis 15:13,16, foi dito a Abraão — que provavelmente entendia uma geração como 100 anos —: 400 anos, 4 gerações. Moisés, por exemplo, viveu até aos 120 anos.


P: Em Génesis 15:16, o Êxodo ocorreu na quarta geração ou na sexta, como sugerem 1 Crónicas 2:1-9 e Mateus 1:3-4?

R: Há dois pontos a considerar na resposta.

1. Tudo depende de quanto tempo se considera uma geração. Abraão e Sara tiveram Isaac quando tinham 100 e 90 anos. Deus estava a falar com Abraão nesta passagem.

2. Hipoteticamente, não haveria qualquer erro mesmo que a Bíblia tivesse indicado qualquer outro número, desde que a mesma passagem tivesse definido adequadamente o que constitui uma geração. Na verdade, as «quatro gerações» em Génesis 15:16 são definidas como o período de escravidão de exatamente «400 anos», conforme indicado em Génesis 15:13.


P: Em Génesis 15:17 e Génesis 19:23, por que razão a Bíblia afirma que o sol «se põe» e «nasce»?

R: Dir-lhe-ei depois do pôr-do-sol. A sério, tal como utilizamos expressões idiomáticas e gíria comuns para nos expressarmos, a Bíblia também utiliza expressões idiomáticas hebraicas e gregas.


P: Em Génesis 15:18, o que é o «rio do Egito»?

R: Provavelmente não se trata do rio Nilo, mas sim de um pequeno curso de água chamado Wadi el-Arish, situado na parte oriental da Península do Sinai. Pode tratar-se tanto do Wadi el-Arish como do braço oriental do rio Nilo.


P: Em Génesis 15:18, uma vez que Deus concedeu aos descendentes de Abrão toda a terra até ao rio Eufrates, por que razão não receberam essa terra?

R: Os reinos de David e Salomão estendiam-se, de facto, até ao Eufrates. Além disso, poderão vir a possuir essa terra no futuro Milénio.


P: Em Génesis 16:1, uma vez que Abraão e Sarai não tinham filhos, como é que Abraão pôde ter mais filhos depois de Isaac? (esta pergunta foi feita por um muçulmano)

R: Génesis 16:1 mostra que era Sarai, e não Abraão, quem era estéril. Abraão teve mais filhos (com a sua esposa Quetura), mas Sarai não.


P: Em Génesis 16:1-4, Abraão cometeu adultério com Hagar? (esta questão foi levantada por um muçulmano)

R: Não, Ismael não foi fruto de adultério; não era ilegítimo. Há quatro pontos a considerar na resposta.

As concubinas eram legais: a poligamia era permitida no Antigo Testamento, e Sara deu Hagar a Abraão como concubina. Assim, o que Abraão fez era «legal» de acordo tanto com o que Deus lhe tinha revelado como com a posterior Lei de Moisés, bem como com a legislação mesopotâmica da época.

Exemplos semelhantes: Além disso, isto não é tão invulgar como pode parecer a alguns leitores modernos. Exemplos semelhantes de uma serva a substituir uma esposa estéril encontram-se nas leis do Código de Hamurabi, nas Tábuas de Nuzi, nas Tábuas de Alalakh e nas Tábuas de Mari. No entanto, se algo é simultaneamente uma prática comum e «legal», isso não significa necessariamente que agrade a Deus. Génesis 16:4-5 mostra que Sara logo se arrependeu da sua ação.

Hagar orgulhava-se do seu estatuto: Hagar não tinha qualquer objeção a tornar-se esposa de Abrão. Na verdade, Hagar mais tarde provocou Sarai (Génesis 16:4,5). No Antigo Testamento, embora casar com uma cativa fosse aceitável, em nenhum lugar o sexo fora do casamento era justificado como algo que não fosse imoralidade perversa.

Em contrapartida, os muçulmanos estão autorizados a obrigar as suas cativas a ter relações sexuais com eles, mesmo que não sejam casados com elas. Consulte Bukhari, vol. 3, livro 46, cap. 13, n.º 717, 718, p. 431-432, p. 432; vol. 9, livro 93, cap. 18, n.º 506, p. 372; Sahih Muslim 2:3371-3374; Abu Dawud, vol. 2, n.º 2150, 2167, para mais informações.

Em conclusão, Deus é santo, Abraão não era adúltero e os cristãos têm um padrão de santidade mais elevado do que aquele que Maomé exigia dos seus companheiros nos Hadiths.


P: Em Génesis 16:1-4, de que formas conhece, ou através da história, que os crentes fizeram concessões?

R: Quando Constantino se tornou imperador, parecia que a era dourada do cristianismo na Terra tinha começado.

Abraão a referir-se a Sara como sua irmã por duas vezes (Génesis 12:11-20; 20:1-2)

A bela túnica babilónica de Acã, 200 siclos de prata e uma barra de ouro (Josué 7:20-23)

Cristo a Pedro: «Afasta-te de mim, Satanás» (Mateus 16:23)

Judas por 30 moedas de prata. Talvez para forçar Jesus a agir também. (Mateus 26:14-16)

Ananias e Safira venderam o campo e alegaram ter entregue todo o dinheiro. (Atos 5:1-11)

Demas, porque amava este mundo (2 Timóteo 4:10)

Martinho Lutero e os judeus

A «normalidade» da escravatura na América. Um terço dos sulistas eram escravos. A Proclamação de Emancipação libertou cerca de 3 milhões de escravos.

Parte da igreja na Alemanha e na China continental cedeu por medo

Missionários da C5: Trindade

Em Génesis 25:1, o casamento com Quetura. Os seus filhos, os midianitas, vieram a ser mais tarde um espinho no lado dos israelitas. Quando Abraão morreu, Isaac e Ismael enterraram-no, mas os outros filhos nem sequer compareceram.

A nível nacional

Em geral, as pessoas parecem ser mais hábeis a seguir ordens do que a questionar se essas ordens devem ser seguidas.

Nativos americanos: Quebra dos tratados com os Sioux quando foi descoberto ouro nas Black Hills em 1874, com os Nez Perce e outros.

Os Nez Perce, em violação do Tratado de Walla Walla de 1855, que concedia à tribo 7,5 milhões de acres nas suas terras ancestrais e o direito de caçar e pescar nas terras cedidas ao governo. No entanto, mais tarde foi encontrado ouro e os colonos brancos fundaram ilegalmente a cidade de Lewiston nas terras dos Nez Perce. Guerra dos Nez Perce, junho-outubro de 1877

Não ter tomado qualquer medida relativamente aos 1,5 milhões de mortos no genocídio arménio, que teve início a 5 de junho de 1915. Em 1939, Hitler utilizou essa desculpa para dar início ao extermínio dos judeus.

Aborto: Quantos abortos ocorreram desde 1970 nos EUA? A resposta correta é que não sabemos, uma vez que alguns estados não comunicaram os dados. Mas, de 1970 a 2012, foram mais de 44 milhões. Isso corresponde a cerca de 1/5 a ¼ de todas as gravidezes. No Canadá, de 2007 a 2014, foram 720 mil. Na Europa, corresponde a cerca de 1/3 das gravidezes. Na Ásia, o número também é elevado.


P: Em Génesis 16:1-4, que lições podemos retirar do facto de outros cristãos terem cedido?

R: O compromisso deve-se frequentemente a algum fator motivador. Pode ser a segurança, a ganância financeira ou outros motivos errados. Também podemos comprometer-nos e desagradar a Deus por motivos aparentemente bons, tais como o desejo de conquistar mais pessoas para a nossa mensagem.


P: Em Génesis 16:1-4, como se manifesta o compromisso pecaminoso na vida de um cristão?

R: Os compromissos podem ser tanto fatais como subtis. Enquanto um sapo lançado numa panela de água a ferver tem sensatez suficiente para saltar imediatamente para fora, um sapo lançado em água morna, que é gradualmente levada à ebulição, permanecerá ali até morrer cozido.

As tentações de compromisso são como sujidade ou areia que entra na sua vida, e são inevitáveis. Mas o que faz com essa areia? Deixa-a contaminar-se ou permite que se transforme numa pérola e faça parte de um tesouro eterno? Quando tiver a tentação de fazer um compromisso, regozije-se! A sua vitória sobre isso é uma oportunidade de agradar ao Senhor e receber recompensas no céu.


P: Em Génesis 16:1-4, a palavra «compromisso» em si não é negativa; por vezes, o compromisso é aceitável. Qual é a diferença entre um bom compromisso e um mau compromisso?

R: Nem todos os caminhos mais fáceis são maus. O compromisso consiste, muitas vezes, em concordar com coisas, ou em fazer coisas de uma forma que normalmente não desejaria fazer, a fim de obter a cooperação de outra pessoa. Em questões não morais, nas relações e, muitas vezes, no trabalho, o compromisso é algo bom e necessário. Na igreja, o compromisso pode ser positivo em questões que não são nem bíblicas nem antibíblicas, tais como o tipo de música a utilizar. No entanto, quando o compromisso envolve, explicitamente, fazer coisas que desagradam a Deus, negando a nossa fé, é preferível perder a negociação, a venda, a relação ou o emprego do que ceder. Mas o compromisso também pode envolver, implicitamente, fazer coisas que desagradam a Deus. E quanto a oferecer voluntariamente o seu tempo, dinheiro ou competências para ajudar uma organização de caridade que financia a Planned Parenthood? A Planned Parenthood é uma grande prestadora de serviços de aborto.


P: Em Génesis 16:1-4, quais são as forças nas nossas vidas hoje que nos levam a fazer concessões de forma negativa?

R: Existem muitas influências.

Meios de comunicação: Internet, televisão, cinema, jornais, etc. Quantos de vós sabiam que o Facebook tem praticado alguma censura a informações conservadoras? Se utilizam a AOL, quantos de vós sabem que a AOL tenta dar destaque a tudo o que é negativo sobre o cristianismo ou os pastores cristãos?

Leis: O Congresso não aprovará nenhuma lei relativa ao estabelecimento de uma religião.

Tribunais: Deverá ser permitido a uma empresa cervejeira despedir um motorista, caso as crenças religiosas deste, de religião muçulmana, o impeçam de distribuir álcool? Deverá um tribunal, em 2015, decidir contra um casal cristão proprietário de uma padaria no Oregon e obrigá-los a pagar mais de 136 000 dólares, pelo facto de se recusarem a fazer um bolo para um casamento homossexual?

Trabalho: Em alguns empregos, existe pressão para mentir e ser desonesto. Um gestor cristão que conheço foi levado a um clube de striptease pelo seu chefe. Por vezes, há festas quase obrigatórias onde há muito álcool, e uma pessoa pode sentir-se pressionada a beber ou a tomar um shot.

Por vezes, os amigos: Conheci um cristão em Dublin, na Irlanda, que foi alcoólico durante a maior parte da sua vida. Depois de se tornar cristão, sabia que não devia embriagar-se, mas era-lhe difícil abandonar os seus velhos hábitos, porque os seus amigos pediam-lhe constantemente para ir ao pub com eles. Acabou por resolver o problema deixando de levar dinheiro consigo. Quando os seus amigos lhe pediam, ele dizia que podia ir, mas que teriam de pagar, pois não tinha dinheiro consigo. Após uma ou duas vezes, deixaram de lhe pedir.

Por vezes, a família: no Norte de África, um adolescente muçulmano tornou-se cristão, pelo que a sua mãe colocou veneno para ratos na sua comida. Por vezes, um cônjuge pede o divórcio porque o outro se tornou cristão ou deixou de frequentar o seu grupo religioso. No Utah, Sandra Tanner referiu que havia homens mórmons com quem conversou que afirmavam saber que o mormonismo não era verdadeiro, mas que não podiam abandonar publicamente o mormonismo, porque as suas esposas lhes pediriam o divórcio e levariam os filhos consigo. Conheço pessoalmente um casal não religioso que se casou há muitos anos e, quando o marido se tornou cristão, a esposa recusou-se a ter relações íntimas com ele durante um ano inteiro, a menos que ele deixasse de ser cristão. Por fim, a situação foi resolvida quando ela se tornou cristã. Por vezes, é mais subtil, como planear sempre ir ao lago ou realizar outras atividades nas manhãs de domingo.


P: Em Génesis 16:1-8, uma vez que Hagar era escrava, a união sexual de Abraão com ela constituiu uma violação forçada, tal como alguns muçulmanos são autorizados pela sua religião a praticar? (Ver Hadiths de Bukhari, vol. 3, livro 46, cap. 13, n.º 717, 718, p. 431-432)

R: Génesis 16:3 diz que Hagar se tornou esposa de Abrão, e ela aparentemente não se opôs. Na verdade, Hagar orgulhava-se da sua gravidez e zombava de Sarai (Génesis 16:4, 5). No Antigo Testamento, embora fosse permitido casar com uma cativa, em nenhum lugar o sexo fora do casamento era justificado como algo que não fosse imoralidade perversa.


P: Em Génesis 16:3; 17:20; 21:13, o facto de Hagar ser a mãe de Ismael refere-se a Maomé?

R: Hagar, a concubina de Abraão, e o seu filho Ismael são mencionados na Bíblia. Existe, no entanto, alguma incerteza quanto ao facto de ‘Adnan (antepassado de Maomé) descender de Ismael. O notável historiador muçulmano al-Tabari, no vol. 6, p. 37, afirma: «Os genealogistas não divergem quanto à descendência do nosso Profeta Maomé até Ma’add b. ‘Adnan, … divergem quanto ao que se segue a isso.» No entanto, em última análise, trata-se de uma manobra de diversão, pois o facto de Ismael constar da Bíblia não demonstra que Maomé seja enviado por Deus.


P: Em Génesis 17:1; 28:3; 35:11; 43:14; 48:3; Êxodo 6:3, o que significa exatamente o nome de Deus «El Shaddai»?

R: El-Shaddai é um nome de Deus que significa, na sua acepção mais literal, El «Deus» Shaddai «Todo-Poderoso», de acordo com o Dicionário Bíblico de Unger, pp. 1000-1001, o Novo Dicionário NIV da Bíblia, pp. 309-310, e o Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 695. Este nome era um dos principais nomes de Deus que Abraão, Isaac e Jacó conheciam. Mesmo que lhes tivesse sido ensinado o nome «pessoal» de Deus, Yahweh, o próprio Deus não Se revelou a eles como Yahweh, tal como fez a Moisés, de acordo com Êxodo 6:2,3.

Os nomes de Deus aplicam-se a Jesus enquanto membro da Santíssima Trindade, mas nada sugere que «El Shaddai» se aplique a Jesus mais do que ao Pai ou ao Espírito Santo.

A palavra hebraica «el» era utilizada de forma muito semelhante à forma como hoje usamos a palavra inglesa «God/god». Referimo-nos ao Único e Todo-Poderoso Criador como Deus, referimo-nos a um ídolo como um «deus», etc. A palavra «Shaddai» (Todo-Poderoso) sem «el» é utilizada em Génesis 49:25; Números 24:4,16; Rute 1:20,21; 31 vezes em Jó 5:17-40:2; e Salmos 68:14; 91:1.

Alguns críticos liberais afirmam que «El-Shaddai» deriva de um termo pagão que significa «deus da montanha», mas não há provas de que a Bíblia tenha esse significado.

El Shaddai é utilizado no Génesis, dirigindo-se a Abraão em 17:1; a Jacó em 28:3; 35:11; 43:14; 48:3; e a Moisés em Êxodo 6:3.

Nomes semelhantes para Deus incluem El Elyon, «Deus Altíssimo», utilizado por Melquisedeque (Génesis 14:18; Números 24:16; Deuteronómio 32:8; 2 Samuel 22:14; Salmo 9:2; Isaías 14:14; Lamentações 3:35,38), El Hai, «Deus Vivo», em Josué 3:10, ou simplesmente El, «Deus», em muitos passagens.


P: Em Génesis 17:3, o que significa que Deus é Todo-Poderoso? Deus pode optar por não fazer certas coisas, mas quais são as quatro coisas que Deus não pode fazer?

R: Deus poderia ter-nos criado a todos como meros robôs, se assim o quisesse. No entanto, Deus quis criar seres dotados de livre arbítrio para escolherem amá-Lo ou não. Isto significa que pessoas como Josué podiam optar por «servir ao SENHOR» (Josué 24:15). Pessoas como os fariseus podiam rejeitar o desígnio de Deus para si próprias, tal como «rejeitaram o desígnio de Deus para si próprias» (Lucas 7:30). Alguns podiam «apegar-se a ídolos sem valor» e «abandonar a Sua devoção amorosa» (Jonas 2:8).

Eis quatro coisas que Deus Todo-Poderoso não pode fazer.

Mentir (Hebreus 6:18)

Ser tentado pelo mal (Tiago 1:13)

Renegar-Se a Si próprio (2 Timóteo 2:13)

Jurar por alguém maior do que Ele próprio (Hebreus 6:13)


P: Em Génesis 17:5, qual é o significado da mudança do nome de Abrão para Abraão?

R: A origem do nome Abrão é incerta. Trata-se de um nome semítico ocidental e provavelmente significa «o pai é exaltado» ou «pai exaltado». O nome «Abraão» significa «pai de multidões» ou «pai de uma multidão».

Isto poderia ser considerado «uma piada que se tornou realidade». Enquanto «Abram» significa «pai» — um nome irónico para um homem sem filhos —, o nome «Abraão» leva realmente a palma, significando «pai de uma multidão». Como se lê na página 39 do livro *735 Baffling Bible Questions Answered*: «Quase podemos ouvir as risadinhas quando o sem-filhos Abram anunciou aos seus muitos pastores e às suas famílias que, a partir de então, passaria a chamar-se Abraão.» Ter filhos era especialmente importante na sociedade antiga; no entanto, é fácil perceber como a fé de Abraão — que não tinha filhos — em Deus o tornaria um alvo fácil de ridículo. Contudo, Deus cumpriu a Sua promessa, e Abraão, no céu, poderia sorrir perante a brincadeira que Deus fez para realizar o desejo sincero de Abraão.


P: Em Génesis 17:5, até que ponto acha que Deus leva a sério o nome pelo qual somos chamados e o nome que damos às pessoas?

R: Atrever-me-ia a dizer que Deus leva os nomes que damos a nós próprios, ou que damos aos outros, mais a sério do que a maioria das pessoas.

Génesis 35:10 – A Jacó foi dado um novo nome: Israel.

Em Isaías 62:2, Deus promete um novo nome ao Seu povo.

Lucas 1:13, 60-63. Deus queria realmente que João Batista se chamasse João.

Lucas 1:31 – O anjo disse a Maria para dar ao seu filho o nome de Jesus. O nome de Jesus/Josué já estava presente em Zacarias 3:8-9.

Mateus 5:22, ao chamar as pessoas de «cabeças ocas», «mentes limitadas» ou «cabeças vazias»

Mateus 12:35-37: seremos julgados por cada palavra ociosa que proferirmos

Apocalipse 3:12: aos membros da igreja de Filadélfia será dado um novo nome.


P: Em Génesis 17:5, há uma canção cristã com a letra «Diga-me, mais uma vez, quem sou em Ti». Por que precisamos de lembranças de quem somos?

R: Não é porque perdemos completamente a noção de quem somos. Pelo contrário, a nossa identidade principal, como filhos de Deus, pode ser ofuscada por todas as outras identidades secundárias que assumimos. Podemos ser cônjuges, pais, filhos, amigos, colegas de trabalho, consumidores, fãs e mil outras coisas. Estas não são necessariamente más. Mas, como crentes, somos, antes de mais nada, filhos de Deus. É importante não esquecer isso, identificar as coisas que tendem a fazer-nos esquecer isso e mitigar os seus efeitos.


P: Em Génesis 17:12, por que razão Deus ordenou a circuncisão precisamente no oitavo dia?

R: As Escrituras não o dizem. No entanto, os recém-nascidos não têm sangue que coagule tão bem como o dos adultos. Depois de se alimentarem e ingerirem vitamina K, o seu sangue apresenta mais protrombina, que é utilizada na coagulação. Nos bebés a quem não são administradas injeções de vitamina K, os níveis de protrombina atingem o pico no oitavo dia. Por isso, este era o dia ideal para realizar a circuncisão.

Como nota à parte, o «Wycliffe Bible Dictionary», na página 354, refere que os egípcios praticavam a circuncisão masculina; uma ilustração mostra-a a ser realizada num rapaz de 13 anos. Afirma-se que a maioria dos povos semitas aparentemente praticava a circuncisão. Mais tarde, os etíopes também praticaram a circuncisão. Os árabes, que descendem de Ismael, também praticavam a circuncisão antes do Islão. A circuncisão não era praticada pelos filisteus, babilónios, assírios e, mais tarde, pelos edomitas.


P: Em Génesis 17:12, que outros povos praticavam a circuncisão?

R: O historiador grego Heródoto, no seu livro «História», livro 2, capítulo 104, p. 69, afirma que apenas os egípcios, os etíopes e os colquianos praticavam a circuncisão. Ele defende que os colquianos emigraram do Egito. Afirmou ainda que alguns fenícios e sírios praticavam esta prática, alegando que a tinham aprendido com os egípcios.

O escritor antigo Bardesan/Bardesanes (154-224-232 d.C.) afirma que o povo da província romana da Arábia praticava a circuncisão, mas que os romanos os obrigaram a cessar essa prática quando a conquistaram. Esta informação consta do «Livro das Leis de Diversos Países», p. 730. Após a queda de Jerusalém em 70 d.C., foi construído um templo dedicado a Júpiter no local, em 130 d.C., pelo imperador romano Adriano, que também proibiu os judeus de praticarem a circuncisão.


P: Em Génesis 17:17 e Génesis 18:12, será que Abraão e Sara se riram de descrença, ou será que Sara se riu de alegria em Génesis 21:6?

R: Ambos os versículos são complementares. Abraão e Sara riram-se com descrença antes de Isaac ter sido concebido. Por vezes, quando uma pessoa deseja verdadeiramente algo e alguém se oferece para lho dar, a natureza humana pode levá-la a duvidar e a rir-se da situação, a fim de se proteger da desilusão.

No entanto, Sara voltou a rir de alegria quando Isaac nasceu.


P: Em Génesis 17:17 e Génesis 18:12-15, por que razão Deus repreendeu Sara por ter rido e não Abraão?

R: Rir de surpresa na primeira vez que se toma conhecimento de algo é diferente de rir com ceticismo nas ocasiões subsequentes, depois de já ter sido informado. A palavra hebraica para «rir», sahaq, significa ambas as coisas.


P: Em Génesis 17:19, o filho da promessa de Abrão foi chamado Isaac aqui, ou em Génesis 21:3?

R: Antes do nascimento de Isaac, Deus disse que ele deveria ser chamado Isaac em Génesis 17:19. Este versículo não especifica se lhe deram esse nome ou não. Após o nascimento de Isaac, Génesis 21:3 indica-nos que lhe deram o nome de Isaac. É semelhante ao anjo Gabriel ter dito a Maria para dar ao seu filho o nome de Jesus e, após o seu nascimento, terem obedecido ao que o anjo disse.


P: Em Génesis 17:27, por que razão Abraão circuncidou todos os homens nascidos na sua casa, fossem eles escravos ou livres?

R: Abraão não estava interessado apenas em que a sua própria descendência fizesse parte da família da aliança de Deus na terra, mas sim todos os que faziam parte da sua casa. Isto significaria que os seus descendentes também fariam parte do povo da aliança de Deus.

Filo, o judeu (15/20 a.C. a 50 d.C.), deu basicamente a mesma resposta em «Perguntas e Respostas sobre o Génesis», III (62), p. 863.


P: Em Génesis 18:1-10, considera que Abraão foi hospitaleiro porque reconheceu que Deus o estava a visitar, ou porque era, de um modo geral, hospitaleiro?

R: Não vemos o momento exato em que Abraão percebeu que estes não eram visitantes comuns, exceto que foi antes dos versículos 13 e 14. Hebreus 13:2 pode indicar que, inicialmente, Abraão não se apercebeu disso. Em geral, devemos ser hospitaleiros, como diz 1 Pedro 4:9.


P: Em Génesis 18:1-10, que riscos implicaria para Abraão ser hospitaleiro?

R: Abraão era extremamente rico, pelo que talvez fosse mais seguro não permitir que estranhos pudessem espiar o seu acampamento, com o número de guardas e a localização dos objetos de valor. Inicialmente, talvez fosse mais seguro que um servo de Abraão falasse com eles, em vez de arriscar uma emboscada. Por fim, talvez fosse mais seguro ir até ao local onde eles se encontravam, em vez de os deixar virem até si. No entanto, Abraão aparentemente não pensou em nada disso. Abraão era um homem hospitaleiro.

No entanto, Romanos 12:13; Hebreus 13:2; 1 Pedro 4:9; e 1 Timóteo 5:10 ordenam-nos que sejamos hospitaleiros para com os estranhos. O mais seguro talvez seja nunca ser hospitaleiro, mas, nesse caso, temos de escolher entre o que parece ser o mais seguro e a obediência aos mandamentos de Deus.


P: Em Génesis 18, o que foram as cristofanias e as teofanias no Antigo Testamento?

R: Cristofania é um termo que descreve uma aparição de Cristo na Terra, antes do Seu nascimento de Maria. Uma teofania é uma aparição de Deus, seja o Pai, o Filho, o Espírito Santo ou a Trindade. Uma vez que há quem discorde quanto à distinção entre cristofania e teofania, e por vezes não é claro se um anjo é uma aparição de Cristo ou apenas um anjo, eis uma lista de possíveis teofanias do Antigo Testamento.

No Jardim do Éden, antes da Queda. (Génesis 1:29-3:24)

Possivelmente Melquisedeque (Génesis 14:18-20)

Conversa com Hagar, que viu o anjo (Génesis 16:8-14)

Os três visitantes de Abraão (Génesis 18:1-33)

Deus a aparecer a Abrão (Génesis 17:1-2)

Provavelmente não a escada de Jacó, uma vez que se tratou apenas de um sonho (Génesis 28:12-15)

Provavelmente não foi a luta de Jacó com o anjo (Génesis 32:30)

A aparição de Deus a Jacó em Betel (Génesis 35:9-15)

Moisés e a sarça ardente (Êxodo 3:2-22)

A nuvem densa (Êxodo 19:9)

No Monte Sinai (Êxodo 19:11-12; 24:9,10)

Moisés a ver as costas de Deus (Êxodo 33:19-20)

Josué e o Comandante do exército do Senhor (Josué 5:13-15)

Gideão a ver um anjo (Juízes 6:11-24)

O anjo que apareceu à mãe de Sansão (Juízes 13:3-5)

A nuvem sobre a Arca da Aliança (1 Reis 8:11-13)

Elias na fenda da rocha (1 Reis 19:9-18)

A saída do Templo (Ezequiel 10:3-18) e Isaías 6 provavelmente não se incluem, uma vez que se tratava de visões.

Um ponto fundamental é que, em alguns destes casos, como o de Josué e do comandante, o ser humano não se apercebeu, à primeira vista, de que se tratava de Deus.


P: Génesis 18 e 19 têm duas partes distintas: 18:1-19 e 18:20-19:33. Quais são as duas coisas que, por um lado, ligam e, por outro, contrastam estas duas partes?

R: Trata-se de duas visitas; na primeira, um casal piedoso desejava ter um filho, mas não conseguia. Na segunda, as pessoas pretendiam cometer violação homossexual. Na primeira, Abraão demonstrou grande hospitalidade; na segunda, os habitantes da cidade revelaram-se mortalmente inóspitos, e Ló mostrou-se hospitaleiro de uma forma estranha e desesperada.


P: Em Génesis 18:2, uma vez que Abraão se curvou perante reis, será que isto corrobora a prática católica e ortodoxa de se curvar perante imagens?

R: Não, a veneração de imagens não é bíblica, porque, de acordo com o Segundo Mandamento, não devemos ter imagens esculpidas para adoração. No entanto, independentemente da crença de cada um sobre a veneração de imagens, este versículo não pode ser utilizado para justificar a adoração de imagens. Ao contrário das imagens,

1. Abraão curvou-se para demonstrar respeito a uma pessoa real.

2. Abraão estava a demonstrar respeito por um rei pagão; não houve veneração nem qualquer tipo de honra religiosa.

3. Abraão não rezou a estes reis. Também não rezou a Deus por intermédio destes reis, tal como os ortodoxos afirmam rezar a Deus por intermédio das imagens.

Um leitor afirmou que, no cristianismo ortodoxo, a veneração não difere do respeito. No entanto, isso não é verdade, porque os ortodoxos orientais rezam a (ou, mais precisamente, por intermédio de) imagens dirigidas a Deus e a vários santos. No entanto, não pegariam na sua esposa, filho, pais ou outra pessoa que respeitem, colocá-los-iam à sua frente e rezariam a eles.


P: Em Génesis 18:2, quando devemos curvar-nos e quando devemos recusar-nos a curvar-nos?

R: Não devemos curvar-nos perante quaisquer imagens religiosas; isto inclui imagens hindus, estátuas ou arranjos de mesa durante o festival de Divali. Curvar-se para demonstrar respeito a alguém, como os japoneses costumam fazer, é aceitável.


P: Em Génesis 18:6, Deus é dono do gado em mil colinas e, se Deus estivesse de alguma forma com fome, não precisaria de o dizer a ninguém (Salmo 50:10-12). Se Deus quisesse comer alguma coisa, certamente não precisaria que Sara e Abraão pusessem à prova as suas habilidades culinárias e de serviço. Por que razão acha que Deus se «rebaixou» a pedir-lhes que O servissem?

R: Deus queria interagir com eles. É um pouco como um pai e o seu filho de oito anos a construírem juntos uma cerca. O pai precisa do menino? Não poderia o pai fazê-lo mais depressa sem que o menino estivesse sequer presente? A cerca não ficaria melhor sem a «contribuição» do menino? Estas perguntas não vão ao cerne da questão; o que importa é que pai e filho construam algo juntos, como uma equipa. O pai compreende isso. Por vezes, a criança pode perceber isso, outras vezes não.

É claro que, como seres humanos, as coisas nem sempre correm conforme os nossos planos. Certa vez, quando uma das minhas filhas estava no 4.º ano, disse-me que queria fazer um projeto de artes comigo. Achei que era uma excelente ideia, por isso fizemos juntos uma «coruja» de saco de papel, tal como ela queria. Achei que o resultado final tinha ficado razoável, mas quando terminámos, ela chorou e perguntou por que razão não tinha nascido com a senhora do outro lado da rua, que era professora de arte. Por vezes, também podemos estragar o momento com Deus, chorando porque algo não correspondeu às nossas expectativas ou não foi tão impressionante como queríamos que fosse.


P: Em Génesis 18:16-33, o que foi que tornou Sodoma e Gomorra não apenas más, mas tão más que Deus iria destruí-las?

R: Primeiro, o que não é a resposta, e depois três respostas, todas elas possivelmente significativas.

Embora não houvesse um testemunho substancial de Deus nessas cidades, também não havia testemunho de Deus em muitas outras cidades, pelo que isso, por si só, não foi a razão.

a) Os cananeus, em geral, praticavam o sacrifício de crianças e a prostituição religiosa. Génesis 18:32 diz que não havia sequer dez justos na cidade.

b) Mas o povo de Sodoma e Gomorra também praticava atos homossexuais, e a sua homossexualidade desenfreada era detestável aos olhos de Deus.

c) Queriam violar homossexualmente os anjos que se apresentaram como homens. No entanto, Deus já tinha decidido destruir a cidade antes da chegada dos anjos. Contudo, a sua atitude geral de inospitalidade para com os visitantes dar-lhes-ia a ousadia de quererem tentar violá-los.


P: Em Génesis 18:16-33, como é que se conseguiu dissuadir Deus de destruir Sodoma e Gomorra? (O crítico bíblico Bart Ehrman afirma que Marcião abordou esta questão em *Lost Christianities*, p. 196)

R: Três pontos a considerar na resposta.

1. Deus não foi dissuadido de destruir Sodoma e Gomorra; Ele destruiu-as.

2. Deus não precisou que Abraão intercedesse, tal como não adquire conhecimento através das nossas orações.

3. Em vez disso, Deus interage connosco de formas que compreendemos. Embora, por vezes, a vontade revelada de Deus mude quando nós mudamos, mesmo neste caso, Génesis 18:16-33 não dá qualquer indicação de que Deus tenha alterado o que pretendia fazer em resultado da conversa com Abraão. Por vezes, Deus condescende em dar-nos a conhecer o que estava a pensar e porquê.


P: Em Génesis 18:10, 14 e Génesis 21:1, 2, isto ensina que Deus engravidou Sara, tal como afirma a página 217 de «Born Again Skeptic»?

R: Não. O ateu não compreendeu que Deus não regressava para engravidar Sara, mas sim que Deus regressou depois de o filho ter nascido. Deus limitou-Se a dizer três coisas sobre o filho de Sara.

1. Deus voltaria a visitá-los no ano seguinte, tal como diz Génesis 18:10,14.

2. Deus cumpriria a Sua promessa de que Sara teria um filho, tal como diz Génesis 21:1.

3. Mais importante ainda, o filho seria descendente de Abraão (Génesis 17:15, 17). Para ser preciso, o filho provinha do próprio corpo de Abraão, tal como diz Génesis 15:4.


P: Em Génesis 18:27, por que razão Abraão afirma especificamente que é apenas pó e cinzas?

R: Abraão, o experiente negociador e diplomata, percebe que está a fazer um pedido muito ousado a Deus. Abraão quer, em primeiro lugar, reconhecer que não é nada perante Deus e que não tem qualquer direito de obrigar Deus a fazer nada, antes de pedir a Deus que altere o que Ele revelou.


P: Em Génesis 19, o pecado de Sodoma e Gomorra foi realmente a falta de hospitalidade, como diz Ezequiel 16:49?

R: Isso é apenas parte da história. Alguns homossexuais citam Ezequiel 16:49, mas ignoram Ezequiel 16:50, que diz que «cometeram abominações». Génesis 19:5-7 enfatiza a homossexualidade. Judas 7 também fala daqueles que «se entregaram à imoralidade sexual e perseguiram carne estranha». Génesis 13:13 mostra que a maldade de Sodoma era anterior à chegada de Ló.


P: Em Génesis 19, por que razão alguém como Ló iria viver nesse local?

R: O que é que Ló estava a pensar? Talvez houvesse incentivos económicos para permanecer na cidade. Talvez Ló fosse honrado como um dos cidadãos mais proeminentes da cidade. Talvez toda a sua riqueza tivesse desaparecido, depois de os reis terem capturado o povo de Sodoma.

O que é que Ló não estava a pensar? Não há qualquer indício de que Ló alguma vez tenha feito a pergunta: «Será este um bom ambiente para mim espiritualmente?» Aparentemente, também nunca perguntou: «Será este um bom ambiente para os meus filhos?»


P: Em Génesis 19:1-3, como é que os «três homens» de Génesis 18:2 se tornaram dois anjos/homens em Génesis 19:1, e por que razão pareciam precisar de abrigo?

R: Tratava-se de teofanias, ou seja, aparições de Deus. Deus podia alterar facilmente o número de pessoas visíveis. Dois estranhos poderiam parecer precisar de abrigo. Enquanto Abraão, que já tinha recebido visitas anteriores de Deus, poderia ter percebido rapidamente que os três não eram homens comuns, Ló talvez não tivesse sido capaz de perceber que não se tratava de homens comuns. Não sabemos. Mas eles poderiam ter-se apresentado como homens comuns. Ló poderia simplesmente tê-los ignorado, sabendo que a praça pública daquela cidade era bastante perigosa. Assim que lhe disseram que não precisavam da sua ajuda, Ló poderia ter pensado: «Bem, tentei ajudar, mas se eles querem colocar-se em perigo, não me importo.» Mas Ló não o fez; insistiu em que recebessem a sua proteção contra aquela situação perigosa.

Quem protegeu quem? Ironicamente, à primeira vista parecia que eles só tinham ido à casa de Ló porque este insistiu em protegê-los. Pode ter parecido engraçado aos anjos no céu ver este homem mortal decidir proteger estes anjos. Mas acabou por se verificar que foram os anjos que protegeram Ló e a sua família naquela noite e, em última análise, protegeram toda a família de Ló, com exceção da sua esposa, da morte mais tarde.


P: Em Génesis 19:8, por que razão Ló ofereceu as suas filhas virgens à multidão?

R: As Escrituras não nos revelam os motivos de Ló para esta ação perversa, mas podemos observar três aspetos.

1. Ló encontrava-se numa situação desesperada e talvez tenha entrado em pânico e tomado o assunto nas próprias mãos.

2. Ele sabia que os homens de Sodoma não tinham qualquer interesse nas suas filhas.

3. Ló vivia em Sodoma há muito tempo e provavelmente sabia que esses homens não tinham qualquer interesse nas suas filhas. Ló estava provavelmente a tentar ganhar tempo.

Uma combinação de todos os fatores acima referidos. As filhas já estavam prometidas em casamento e, caso os homens tivessem abusado delas, tanto elas como Ló sabiam que os clãs a que os futuros maridos pertenciam se vingariam desses homens. Se um clã não obtivesse justiça ou retaliação por uma injustiça óbvia que lhe tivesse sido infligida, poderia parecer fraco e os outros clãs não o respeitariam. Assim, em épocas posteriores, um homicídio ou uma violação podiam desencadear uma guerra entre clãs, a menos que os autores fossem entregues para serem punidos ou que o clã da vítima concordasse com o pagamento de uma indemnização por sangue, a ser paga pelo clã infrator.

A Bíblia não justifica a ação de Ló neste caso; limita-se a registá-la. Se a Bíblia fosse meramente «propaganda», seria de esperar que registasse tudo o que fosse positivo e nunca mencionasse nada de negativo. No entanto, a Bíblia não é propaganda, mas sim a verdadeira palavra de Deus, e fala com honestidade sobre a vida das pessoas, com todos os seus defeitos.


P: Em Génesis 19:23-26, os anjos protegeram não só Ló, mas toda a sua família. Assim, se a esposa de Ló foi de facto protegida, então por que razão morreu e se transformou numa estátua de sal?

R: Os anjos protegeram-nos a todos, incluindo a mulher de Ló. Mas a mulher de Ló afastou-se da proteção deles. Ou, para ser mais preciso, ela ficou parada quando deveria ter seguido em frente. Por vezes, quando Deus nos ordena que vamos a algum lugar para fazer algo, pode parecer-nos muito mais seguro simplesmente ficarmos onde estamos. Mas Deus sabe o que é melhor. Um segundo exemplo em que permanecer no local acabou por se revelar perigoso foi o do próprio Abraão. Abraão partiu de Ur, provavelmente uma das maiores cidades de todo o Médio Oriente, e possivelmente do mundo, por volta de 2000 a.C. Por volta de 1950 a.C., os elamitas destruíram toda a cidade, em retaliação pela destruição anterior da capital elamita, Susa, pela cidade de Ur. Desobedecer a Deus e permanecer em Ur teria resultado na morte ou na escravidão de Abraão. É claro que, na altura, Abraão não teria conhecimento disso.


P: Em Génesis 19:24-26, como é que Sodoma e Gomorra foram exatamente destruídas?

R: A Bíblia diz simplesmente que o Senhor fez chover enxofre e fogo, e que a mulher de Ló, que se demorou a sair, se transformou numa estátua de sal. Embora não tenhamos mais pormenores, sabemos que a região é rica em piche (petróleo) e asfalto à superfície. Imagine uma tempestade, vento e relâmpagos que inflamariam o betume. O fogo resultante geraria o seu próprio vento, e toda a área não seria um local onde se quisesse estar. Por outro lado, poderia ter sido principalmente uma erupção vulcânica, algo semelhante a um mini Monte St. Helens no Estado de Washington, em 1980.


P: Em Génesis 19:26, sabemos de outras pessoas, desde então, além da mulher de Ló, que se tenham transformado em «uma estátua de sal»?

R: Fisicamente, pessoas e cães foram mortos instantaneamente e os seus corpos preservados ao ficarem cobertos de cinzas em Pompeia, quando o Monte Vesúvio entrou em erupção. Sem dúvida que isto também aconteceu durante outras erupções de grande magnitude.

Metaforicamente, a mulher de Ló tornou-se insensível devido ao seu amor pela vida que deixara para trás. Muitos, desde então, também se tornaram insensíveis devido ao seu amor pelo mundo. Como exemplos óbvios, o toxicodependente, quando procura uma dose, e o alcoólico, quando procura uma bebida, não estão realmente conscientes das alegrias simples da vida que os rodeiam. O pecado em geral, ou o desejo de qualquer coisa acima de Deus, pode torná-lo menos consciente das coisas boas que Deus nos concedeu. Clemente de Alexandria (que escreveu entre 193 e 217/220 d.C.) foi um dos primeiros a perceber esta aplicação em «Exortação aos Pagãos», cap. 10, p. 201.


P: Em Génesis 19:30-36, por que razão a Bíblia ensina que Ló teve relações sexuais com as suas filhas? Simplesmente não consigo acreditar que isso tenha sido correto.

R: Muito bem, a Bíblia não diz que isso foi correto. O incesto e a fornicação são males, e a Bíblia registou honestamente o que Ló fez.

Em defesa de Ló, Irineu, em «Contra as Heresias», cap. 31 (182-188 d.C.), salienta que a Bíblia mostra que Ló não agiu por luxúria, mas sim porque as suas defesas estavam abatidas após ter bebido em excesso.

Orígenes (225-254 d.C.) afirmou que histórias como a de Ló e as suas filhas constam das Escrituras Sagradas para demonstrar o desejo de verdade dos escritores bíblicos, que não ocultariam sequer aquilo que lhes trazia descrédito. Orígenes, em «Contra Celso», livro 4, capítulo 45, p. 518


P: Em Génesis 20 e Êxodo 23:31, como é que os filisteus podiam estar em Israel na época de Abraão, por volta de 2000 a.C.?

R: Embora tenha ocorrido uma migração em grande escala em 1200 a.C., os primeiros níveis arqueológicos de Asdode já estavam ocupados no longínquo século XVII a.C. (H.F. Vos, *Arqueologia nas Terras Bíblicas*). Alguém vivia naquela terra fértil naquela época, e não há provas históricas que indiquem que não fossem os filisteus. Depois de os egípcios terem derrotado os filisteus em 1190 a.C., estes chegaram em força à Palestina, e faz sentido que se tenham retirado para onde já possuíam cidades.


P: Em Génesis 20:3,6, por que razão Deus disse que Abimeleque era um homem morto, se Abimeleque sobreviveu?

R: Deus não muda (Malaquias 3:6; Tiago 1:17; Hebreus 13:8). No entanto, Ezequiel 33:12-20 mostra que a vontade revelada de Deus para com as pessoas pode mudar quando estas mudam.

Consulte a discussão sobre Êxodo 33:5-6; Deuteronómio 20:17; Jeremias 15:6; Jonas 3-4; Jonas 3:10; e Jonas 4:1-2 para mais informações.


P: Em Génesis 20:3, 8-10, Génesis 26:1, Juízes 8:31 e Juízes 9:1, o que significa «Abimeleque»?

R: «Ab» significa pai e «melech» significa rei ou governante. Significa, portanto, «pai do rei» ou «o pai é rei». Além de ser o nome de dois reis de Gerar e do filho de Gideão, Cyril Aldred, na obra *Akhenaten, Rei do Egito*, p. 186, refere que Abimilki foi um governante de Tiro mencionado nas cartas de Amarna (1400-1370 a.C.).


P: Em Génesis 20:12, por que razão Abrão casou com a sua meia-irmã Sarai?

R: O incesto não era expressamente proibido naquela época. Além disso, Abrão não era necessariamente um crente quando se casou.


P: Em Génesis 21:8-14, Abraão agiu corretamente ao mandar Hagar embora?

R: Normalmente, seria errado Abraão mandar embora Hagar, a mãe do seu filho, e o seu filho adolescente, sozinhos, sem proteção e com pouca água, mesmo que Hagar tivesse zombado de Sara em Génesis 21:9. É por isso que o pedido de Sara angustiou profundamente Abraão em Génesis 21:11. No entanto, neste caso específico, Deus disse a Abraão para prosseguir, e que tudo ficaria bem. O próprio Deus deu água a Hagar e a Ismael (Génesis 21:17-19), e Deus esteve com Ismael à medida que este crescia (Génesis 21:20).

Como nota à parte, «Hagar» era, na verdade, um nome semítico. Havia muitos semitas que viviam na parte norte do Egito.


P: Em Génesis 21:14. Se ler o Antigo Testamento, fica claro que, em Génesis, o filho primogénito (ou seja, o escolhido de Deus, o herdeiro do seu pai) é ISMAEL, e as mentiras interpoladas pelos judeus no Antigo Testamento para o deserdar (porquê? Porque não conseguiam aceitar alguém de fora da sua tribo) tornam-se claramente visíveis quando escreveram que ISMAEL, juntamente com a sua mãe HAGAR, foram banidos para sempre da tribo de ABRAÃO; no entanto, ao prosseguirmos a leitura de Génesis, descobrimos que a verdadeira história é que «ISMAEL morreu na presença de todos os seus irmãos» (família) e, ainda, que «ISAAC» morreu na presença de todos os seus irmãos. Estas afirmações da Bíblia revelam claramente mais uma interpolação judaica, que consiste no facto de terem tido de inventar o incidente do banimento permanente de HAGAR e ISMAEL para que pudessem substituir ISMAEL, que era o original «único filho de ABRAÃO» na altura em que ABRAÃO estava disposto a sacrificar tudo por amor e obediência à vontade de Deus; mostra também que a promessa do salvador da humanidade foi feita através de ISMAEL (filho primogénito) e não de ISAAC (segundo filho). (Isto foi dito por um muçulmano)

R: Em primeiro lugar, alguns muçulmanos podem não estar cientes de que o Alcorão não especifica se o filho que foi oferecido em sacrifício foi Ismael ou Isaac.

A sua afirmação de que Ismael morreu na presença «da sua família» não prova que ele não tenha sido banido. A única referência que a Bíblia faz a este respeito encontra-se em Génesis 25:17b, onde se diz: «Então exalou o último suspiro e morreu, e foi reunido ao seu povo.» Esta era uma forma eufemística comum de dizer que ele morreu. É claro que os seus filhos e sogros poderiam ter estado perto dele. Isto não prova que ele tenha sido sepultado junto dos seus antepassados, pois Abraão também foi «reunido ao seu povo» em Génesis 25:8, e isso não significa que tenha sido sepultado em Ur dos caldeus.

Contrariamente ao que a sua pergunta sugere, nunca se disse que Abraão devia sacrificar o seu filho primogénito. Pelo contrário, Abraão devia sacrificar o seu único filho, porque Ismael já tinha sido mandado embora e Isaac era o único filho da promessa.

Tenho, no entanto, uma pergunta para si: será que o Alcorão pode estar errado?

1. Sura 32:23 «Na verdade, já anteriormente entregámos o Livro a Moisés. Não duvide, pois, de que ele te chegou; e fizemos dele uma orientação para os filhos de Israel.» Assim, concorda que a Torá, tal como foi originalmente revelada, estava correta e provinha do verdadeiro Deus?

2. Sura 5:46 «E, seguindo os passos deles [dos profetas], enviámos Jesus, filho de Maria, para confirmar a Torá que o tinha precedido; enviámos-lhe o Evangelho; nele havia orientação e luz. E a confirmação da Torá que o tinha precedido: uma orientação e uma admoestação para aqueles que temem a Alá». Assim, concorda que a Torá no tempo de Jesus, tal como ele a confirmou, era a verdadeira palavra de Alá?

3. Os Manuscritos do Mar Morto contêm muitas cópias de manuscritos do Antigo Testamento da época de Cristo e anteriores a ela. Três pontos em que considera que a Bíblia está errada são:

3.1. Isaac era o filho da promessa, da aliança. Génesis 17:19, 21

3.2. Ismael e Hagar foram banidos. Génesis 21:8-19

3.3. Abraão a sacrificar Isaac em vez de Ismael — Génesis 22:1-18

Os Manuscritos do Mar Morto referem que Isaac é o filho da promessa. Filo foi um erudito judeu que viveu em Alexandria, no Egito, tendo falecido em 50 d.C. Escreveu um comentário sobre o Génesis, e o seu comentário demonstra que o Génesis, na sua época, era idêntico ao que temos hoje.

Clemente de Roma foi um bispo cristão primitivo, provavelmente o Clemente mencionado por Paulo, que escreveu uma carta aos Coríntios entre os anos 96 e 98 d.C. Ele refere que o filho que Abraão se dispôs a sacrificar era o filho da sua velhice. [No entanto, não menciona explicitamente Isaac].

4. Não pode culpar os cristãos por julgarem as suas acusações contra o Evangelho, tanto da época de Jesus como da de Maomé, com base na Sura 5:47. Esta diz: «Que o Povo do Evangelho julgue segundo o que Alá nele revelou...» Assim, concorda que os cristãos devem julgar segundo o Evangelho, do qual possuímos cópias muito anteriores à época de Maomé? Se não, então o Alcorão está errado?

A Sura 5:48 diz: «A vós (Povo do Livro) enviámos a Escritura na verdade, confirmando a Escritura que a precedeu e guardando-a em segurança: julgai, pois, entre eles segundo o que Alá revelou, e não sigais os seus desejos vãos, desviando-vos da verdade que vos foi revelada...». Se é um muçulmano que discorda destas palavras, então como é que Alá distingue entre as Suas palavras, que permite que os fiéis devotos aprendam apenas de forma corrompida, e as Suas palavras que permanecem incorruptas?

A maioria dos muçulmanos acredita nos hadiths, que são as coleções autorizadas dos ditos e feitos de Maomé, como as mais altas autoridades a seguir ao Alcorão. Das seis principais coleções de hadiths reconhecidas, a de Bukhari é a mais importante. Pensei que gostaria de ler o que ela diz sobre Hajar [Hagar] e Ismael.

Bukhari, vol. 4, livro 55, cap. 9, n.º 583, p. 373: «Abraão levou-a [Hagar] e ao seu filho Ismael, enquanto ela o amamentava, para um local junto à Ka’ba, debaixo de uma árvore no local de Zam-zam, no ponto mais elevado da mesquita. Naqueles dias, não havia ninguém em Meca, nem havia água. Assim, ele fez com que se sentassem ali e colocou junto a eles um saco de couro contendo algumas tâmaras e um pequeno odre com um pouco de água, e partiu de regresso a casa. A mãe de Ismael seguiu-o, dizendo: «Ó Abraão! Para onde vai, deixando-nos neste vale onde não há ninguém cuja companhia possamos desfrutar, nem há nada (de que possamos desfrutar)?» Ela repetiu-lhe isso muitas vezes, mas ele não olhou para trás para ela. Então, ela perguntou-lhe: «Foi Alá que te ordenou que fizesses isso?» Ele respondeu: «Sim». ... (p. 374, mesmo hadith) «O Profeta disse: “Esta é a origem da tradição de as pessoas caminharem entre elas (ou seja, Safá e Marwa). Quando chegou a Marwa (pela última vez), ouviu uma voz e pediu a si própria que se calasse e escutou atentamente. ... Viu um anjo no local de Zam-zam a cavar a terra com o calcanhar (ou com a asa), até que a água jorrou daquele local.» Portanto, a sua opinião não é consistente nem com Bukhari nem com a Bíblia.

O famoso historiador muçulmano al-Tabari (839-923 d.C.) investigou se foi Ismael ou Isaac que esteve prestes a ser sacrificado, e afirmou que foi Isaac, e não Ismael (al-Tabari, vol. 2, p. 68). Ele dedicou uma discussão de dez páginas às autoridades muçulmanas que afirmavam ter sido Isaac e àquelas que afirmavam ter sido Ismael (al-Tabari, vol. 2, p. 82-92), concluindo, no entanto, que se tratava de Isaac.

No entanto, penso que esta questão — qual dos filhos de Abraão era qual — é insignificante quando comparada com a capacidade de responder à pergunta de Provérbios 30:4 e seguintes: «Quem fez surgir todos os confins da terra? Qual é o Seu nome e qual é o nome do Seu Filho? Certamente que o sabe.» (Tradução Literal de Green)


P: Em Génesis 22, por que razão Deus encorajou o sacrifício humano com Abraão e Isaac?

R: Há quatro pontos a considerar na resposta.

1. Abraão já tinha demonstrado que amava a Deus mais do que o seu povo e a sua cultura, mas Deus pôs Abraão à prova para ver se ele amava a Deus mais do que o seu próprio filho querido.

2. Os Dez Mandamentos (não matarás, etc.) só foram dados a Moisés no Monte Sinai.

3. Mesmo neste caso isolado em que Deus inicialmente ordenou o sacrifício, Deus impediu que este fosse levado a cabo. Ninguém morreu.

4. Deus Pai não pediu a Abraão nada que Ele próprio não tivesse feito, ao sacrificar Jesus por nós.

Como Chip Ingram (escreveu a 20/05/2007): «A certa altura, Deus pedir-lhe-á o seu Isaac. Descobrirá o maior poder de Deus quando se render. … A rendição a Deus é o que falta na igreja hoje em dia.»


P: Em Génesis 22:1-18, será que o rapaz que Abraão quase sacrificou poderia ser Ismael, e não Isaac, como afirmam os muçulmanos? Caso contrário, como poderia Isaac ser o «único filho» de Abrão?

R: Foi Isaac quem quase foi sacrificado e não Ismael, por pelo menos cinco razões:

Nem mesmo o Alcorão afirma que se tratava de Ismael: Génesis 22:2 diz que era Isaac. Para os muçulmanos, embora o Alcorão aborde este assunto na Sura 37:99-111, em nenhum ponto de todo o Alcorão se especifica se se tratava de Ismael ou de Isaac.

O único rapaz que Abrão tinha na altura: Ismael tinha 14 anos quando Isaac nasceu, com base em Génesis 17:25 e Génesis 18:10. Hagar e Ismael foram mandados para outro lugar no dia em que Isaac foi desmamado, em Génesis 21:8-10. Abraão foi posto à prova «muito tempo» depois disso, em Génesis 21:34, e um «rapaz» estava sobre o altar, em Génesis 22:12.

Único filho aos olhos de Deus: Deus declarou que seria por meio de Isaac, e não de Ismael, que a descendência de Abraão seria reconhecida, conforme Génesis 21:12. Abraão não tinha Ismael consigo porque Ismael e a sua mãe foram «expulsos», tendo sido mandados embora, de acordo com Génesis 21:10-12.

Único herdeiro neste mundo: Isaac era o único herdeiro, e «único filho» significa também «filho amado». Embora a cultura da época aceitasse a prática de ter concubinas para fins de procriação, a herança e o direito de primogenitura reverteriam para os filhos das esposas legítimas, e não para os filhos das concubinas.

Único filho da promessa: Génesis 21:12 diz: «Através de Isaac, a tua descendência será contada». Abraão teve outros filhos também, mas estes nasceram depois deste.


P: Em Génesis 22:2, em que sentido era Isaac o «único filho» de Abrão?

R: Embora Ismael tivesse nascido primeiro, ele já tinha sido mandado embora nessa altura, e Isaac era o único filho que Abrão ainda tinha consigo. Isaac era o único herdeiro, e «único filho» também pode significar «filho amado». Génesis 21:12 diz: «Através de Isaac será contada a tua descendência». Abraão tinha também outros filhos, mas estes nasceram depois disto. Embora a cultura da época aceitasse a tomada de concubinas para fins de procriação, a herança e o direito de primogenitura reverteriam para os filhos das esposas legítimas, e não para os filhos das concubinas.


P: Em Génesis 22:2, será que o Espírito Santo alguma vez leva as pessoas a desobedecer ao que foi revelado na Bíblia?

R: Não. Há três pontos a considerar na resposta.

1. É claro que Deus não levou Abraão a fazer nada contra as Escrituras reveladas, uma vez que nenhuma Escritura tinha sido escrita no tempo de Abraão.

2. Desde que as Escrituras foram reveladas, Deus não diz a ninguém para fazer coisas contrárias aos Seus mandamentos revelados. Mesmo quando o Espírito Santo levou Jesus para o deserto, onde Jesus foi tentado por Satanás, o Espírito Santo não tentou Jesus nem lhe disse para fazer nada de errado.

3. Deus não deseja que ninguém realize ações contrárias aos Seus desígnios. Mesmo quando Deus ordenou a Abraão que levasse Isaac como sacrifício, Deus não permitiu que Abraão levasse a cabo a morte de Isaac.

Assim, Deus pôde dizer isso a Abraão naquela altura, porque a Lei mosaica ainda não tinha sido escrita. Mas tanto naquela altura como hoje, Deus nunca deseja que alguém chegue ao ponto de sacrificar uma pessoa.


P: Em Génesis 22:12, uma vez que Deus disse «Agora sei que temes a Deus», será que Deus não sabia o que Abrão iria fazer?

R: Claro que Deus sabia, mas a expressão significa que foi nesse preciso momento que Abraão provou o que faria.

Isaac era o que Abraão mais amava na vida. Mas será que Isaac era mais importante do que Deus? Abraão demonstrou que Deus estava em primeiro lugar na sua vida. Tiago 1 afirma que a prova da nossa fé produz perseverança. Mas, embora possamos desejar uma fé que nunca corra riscos, essa não é a fé que Deus fez crescer em Abraão ou noutros. Abraão não teve escolha quanto ao tipo, às circunstâncias ou ao momento da prova da sua fé, e normalmente nós também não temos.


P: Em Génesis 23 e Êxodo 3:8, como é que os hititas podiam estar na Palestina?

R: Os hititas eram um povo de grande expansão, e uma colónia estabeleceu-se nas montanhas da Palestina. Os hititas, de origem indo-europeia, saquearam a Babilónia em 1590 a.C. Outros acreditam que isto se refere aos hatti, um povo não indo-europeu que foi conquistado antes de 2000 a.C. Hatti e Hitti escrevem-se da mesma forma em hebraico.


P: Em Génesis 23:2, por que razão se refere que Quiriate-Arba também é chamada de Hebrom?

R: Existem duas razões possíveis e complementares pelas quais Hebrom é aqui mencionada.

Recorde-se que, embora Abraão tenha vivido por volta de 2000 a.C., o Livro do Génesis foi escrito na época de Moisés, entre 1447 e 1407 a.C., pelo que essa cidade poderia ter sido chamada de Hebrom pelos israelitas e/ou pelos cananeus na época de Moisés. Os espiões israelitas conheciam a geografia de Canaã e talvez tenham utilizado este nome para designar a cidade na época de Moisés.

Seja como for, os israelitas passaram a chamar à cidade apenas Hebron, e não Quiriate-Arba, pouco depois da conquista sob o comando de Josué. Esta simples nota explicativa, indicando que Quiriate-Arba é agora Hebron, poderá ter sido acrescentada pouco tempo depois.


P: Em Génesis 23:2, a negociação é tipicamente um processo de cedências mútuas. Por exemplo, um vendedor pede 300 dólares. O comprador oferece 100 dólares. O vendedor propõe 250 dólares; o comprador oferece 150 dólares. Talvez cheguem a acordo em 200 dólares. Em que medida é isto o oposto de uma negociação normal?

Por que razão Abraão disse: «Sou um estrangeiro e um forasteiro entre vós»?

Génesis 23:5-6 Hititas: «O senhor é um príncipe entre nós. Enterre os seus mortos em qualquer um dos nossos túmulos, gratuitamente.»

Génesis 23:7-9 Abraão, curvando-se: por favor, interceda junto de Efrão para que me permita comprar a caverna na sua propriedade

Génesis 23:10-11 Efrão: Pode ficar com a caverna gratuitamente.

Génesis 23:12-13 Abraão, curvando-se: «Quero pagar pela caverna. Qual é o valor de mercado da propriedade?»

Génesis 23:14-15 Efrão: São 400 siclos

Génesis 23:16 Abraão não discutiu nem negociou, mas limitou-se a concordar em pagar 400 siclos.

Um siclo era, naquela época, uma unidade de peso, tendo-se tornado uma unidade monetária apenas mais tarde.

Em Josué 7:21, Acã roubou 200 siclos de prata. Na época de Abraão, um escravo do sexo masculino valia cerca de 20 siclos. Alguns séculos antes, um escravo valia entre 10 e 15 siclos. Na época de Moisés, cerca de 500 anos mais tarde, um escravo valia 30 siclos. Assim, o preço do campo correspondia a cerca de dez escravos.

A resposta é que, por mais rico que Abraão fosse, ele não se importava com esta pequena quantia de dinheiro. Preocupava-se mais com o facto de eles verem que Abraão pagava o valor de mercado pelo terreno e ficarem mais inclinados a deixar o túmulo intacto. Por vezes, é mais vantajoso não insistir ao máximo na sua vantagem, mas ceder algo à outra parte para criar boa vontade, especialmente quando não pode estar presente para garantir que eles cumpram a sua parte do acordo.


P: Em Génesis 23:2-3, apesar de Abraão ter chorado por Sara, de que forma se mostrou cortês para com os hititas?

R: Abraão honrou-os no seu discurso. Financeiramente, não só não tentou obter o preço mais baixo, como deixou que fossem eles a tomar a iniciativa e a fixar o preço. Por vezes, mesmo com os nossos filhos pequenos, é bom deixá-los tomar a iniciativa.

Em Lucas 14:9-11, Jesus disse que, num banquete, se deve ocupar o lugar mais humilde. Quando organizar um banquete, convide os pobres, os aleijados e outros que não possam retribuir o convite.


P: Em Génesis 23:3-20, Abraão era extremamente bem-sucedido nos negócios. Mas, neste caso, se ele pretendia obter o terreno gratuitamente, ou por um preço muito baixo, não pareceu ser um bom negociador. – Ou será que foi?

R: Um ditado a reter é: «mantenha os olhos no prémio». Por vezes, um bom empresário sabe que o preço mais baixo não é o único objetivo. Quem estaria por perto da terra e do túmulo quando Abraão e a sua família estivessem ausentes? Seria bom não fazer uma negociação dura que deixasse ressentimentos, mas sim deixar boa vontade. Ele sempre quis que os hititas tivessem uma boa recordação dele, para que não profanassem nem dessem outro uso ao túmulo quando ele já não estivesse presente. Em Génesis 25:9-10, Abraão foi sepultado na mesma caverna, ao lado de Sara, tal como Jacó em Génesis 50:12-13. Em Génesis 50:25, José não quis ser sepultado no Egito.


P: Em Génesis 23:5, por que razão os hititas consideravam Abraão um príncipe poderoso entre eles?

R: Abraão era muito rico. Além disso, Abraão tinha, aparentemente, cultivado relações estreitas com eles, e estes consideravam-no não só um amigo, mas também um dos seus.


P: Em Génesis 23:7, os hititas existiram realmente?

R: Os arqueólogos modernos descobriram a existência dos hititas já em 1892. No entanto, alguns estudiosos ainda duvidavam da sua existência mesmo dez anos mais tarde (1902, E.A.W. Budge). Hoje em dia, já foram escritos livros inteiros sobre os hititas.


P: Em Génesis 23:15-16, por que razão Abraão teve de pesar a prata?

R: O siclo era uma unidade de peso e só mais tarde se tornou também uma unidade monetária. Abraão teve de «pesar» a prata porque as moedas só começaram a ser utilizadas por volta de 800 a.C., de acordo com a obra *Can Archaeology Prove the Old Testament?*, p. 27. Da mesma forma, Acã roubou ouro e prata que «pesavam» 50 e 200 siclos. As primeiras moedas conhecidas datam da Lídia, por volta de 700 a.C. O livro refere ainda que a palavra latina «pecunia» (da qual deriva a palavra inglesa «pecuniary», que significa «monetário») provém da palavra latina «pecus», que significa «gado».


P: Em Génesis 23:15-16, como podemos evitar ser «mesquinhos com os cêntimos e desperdiçadores com as libras» nas nossas negociações?

R: Na moeda inglesa, um «pence» ou «penny» é semelhante a um «penny» americano. Uma «libra» vale um pouco mais do que um dólar americano, embora, até recentemente, valesse quase 2 dólares.

Um exemplo de como isto não foi feito ocorreu numa empresa onde trabalhei há alguns anos. Decidiram implementar «benefícios defensivos». O que este termo significava era que, se o senhor fosse casado e o seu cônjuge tivesse um aniversário cujo mês e dia fossem anteriores aos seus no calendário, deixariam de conceder benefícios ao seu cônjuge e aos seus filhos, passando a concedê-los apenas a si. Durante uma reunião de colaboradores, em que a representante dos Recursos Humanos explicava isto sem grande entusiasmo, fiz uma pergunta. Quanto dinheiro é que eles previam que isto iria poupar à empresa? Ela disse que iria poupar muito, cerca de 50 000 dólares por ano. Suponho que ninguém tenha considerado que, mesmo que apenas três ou quatro pessoas por ano deixassem a empresa por causa disto e fossem necessários recrutadores para as substituir, isso já representaria mais de 50 000 dólares.


P: Em Génesis 23:15-16, como demonstramos graça nas nossas relações?

R: Podemos ser rápidos a perdoar, mas sem permitir que as pessoas nos pisem. Amem-nas, não apenas com sentimentalismo, mas expressem esse amor através do carinho e das ações.


P: Em Génesis 24:1; 25:8, por que razão Deus permite que alguns dos Seus filhos sofram com a velhice?

R: No Céu não sofremos com a velhice, e a eternidade de felicidade no Céu fará com que o nosso breve período de provações na Terra pareça insignificante. Consulte a discussão sobre Josué 13:1 para obter a resposta.


P: Em Génesis 24:4, por que razão Abraão insistiria em uma esposa do seu próprio povo?

R: Os cananeus consideravam adequado e religioso sacrificar os seus filhos recém-nascidos no fogo e praticar a prostituição ritual. Os hititas eram diferentes. Eram indo-europeus, uma colónia do Império Hitita na Anatólia (atual Turquia). Não é tão óbvio por que razão Abraão não queria uma nora dos hititas, exceto pelo facto de estes também não acreditarem no Único Deus Verdadeiro.


P: Em Génesis 24:5-8, o que havia de tão errado em Isaac regressar a Aram [Síria] para viver?

R: Nesse caso, tudo o que dizia respeito à promessa de Deus a Abraão — de que este deixasse o seu povo e fosse para a terra prometida — teria sido em vão, uma vez que os descendentes de Abraão teriam abandonado a promessa.


P: Em Génesis 24:5-8, o que haveria de errado em Isaac regressar a Aram apenas para visitar e escolher uma esposa para si próprio?

R: Dados os seus laços familiares e a sua riqueza, os seus parentes provavelmente iriam querer que Isaac ficasse, tal como Labão fez com Jacó, que ficou lá durante catorze anos. É provável que Abraão não quisesse correr o risco de Isaac ser persuadido a regressar e a viver permanentemente no local onde a sua esposa se encontraria.


P: Em Génesis 24:15, qual era a relação entre Isaac e Rebeca?

R: Rebeca era filha do sobrinho de Abraão, o que faria dela a filha do primo de Isaac.

Isaac e Rebeca não poderiam ter desobedecido a Levítico 18, porque este ainda não tinha sido escrito. No entanto, verifica-se que o casamento deles ainda se enquadrava nas diretrizes das futuras regras de Levítico.


P: Em Génesis 25:1, Quetura era uma esposa ou uma concubina?

R: Uma concubina é considerada um tipo de esposa. Génesis 25:1 pode significar tanto «esposa» como «concubina».


P: Em Génesis 25:2, o que aconteceu aos filhos de Quetura com Abraão?

R: Abraão e Ketura tiveram seis filhos conhecidos.

Zimran é possivelmente o antepassado de uma tribo árabe, os Zimri, mencionados em Jeremias 25:25. Atualmente, existe uma cidade chamada Zambran no Mar Vermelho, a oeste de Meca.

Nunca mais se ouviu falar de Jokshan, exceto que ele foi o antepassado de Sabá e de Dedã. Sabá era uma nação situada no extremo sudoeste da Península Arábica. Os dedanitas de Isaías 21:13 eram árabes que provavelmente descendiam tanto de Jokshan como de Cão, através de Cus (Génesis 10:7; 1 Crónicas 1:9). A cidade de Dedã situava-se a 100 milhas (160 km) a sudoeste de Tema, no oásis de el-’Ula, a 175 milhas (280 km) a norte de Medina. Dedã é também mencionada em inscrições proto-árabes sabeias e mineias.

É possível que Medan seja mencionada fora da Bíblia. O «Wycliffe Bible Dictionary», na página 1093, refere que as consoantes «m» e «b» são frequentemente intercambiadas em árabe, pelo que estas podem corresponder à tribo dos Bedana, que o assírio Tiglate-Pileser III conquistou.

Midiã era uma tribo bem conhecida que oprimia os israelitas, conforme relatado em Juízes 8.

Ishbak fundou uma tribo que se estabeleceu no norte da Síria e foi mencionada nos Anais assírios de Salmanasar III (858-824 a.C.).

Shuah era, aparentemente, a tribo de onde provinha Bildad, o shuita, em Jó 2:11.


P: Em Génesis 25:2, se Abraão e Sara eram ambos inférteis, como é que Abraão pôde ter filhos depois de Isaac?

R: Primeiro, o que não é a resposta, e depois a resposta.

O que não é a resposta: era Sara que era estéril, não Abraão. Afinal, Abraão teve um filho, Ismael, com Hagar. Esta é a resposta dada por Agostinho de Hipona na sua obra «A Cidade de Deus», livro 16, cap. 28, p. 327.

A resposta: Sara sempre foi estéril, mas quando Abraão tinha 100 anos, ambos eram naturalmente incapazes de ter filhos, de acordo com Romanos 4:19 e Hebreus 11:12. Assim, depois de Deus ter concedido a Abraão o dom da fertilidade, Deus não lho retirou.


P: Em Génesis 25:6, quantas esposas e concubinas tinha Abraão?

R: Embora isso não tenha grande importância, não sabemos o número exato. Após a morte de Sara, Abraão tomou Quetura como esposa, conforme Génesis 25:1. Hagar era uma das suas concubinas, mas Génesis 25:6 indica que Abraão tinha mais do que uma concubina.


P: Em Génesis 25:8, 17 e Génesis 49:33, de que forma os patriarcas «entregaram o espírito»?

R: Trata-se de uma tradução aproximada da palavra hebraica gâva’, que significa literalmente «expirar» ou «dar o último suspiro». Uma tradução mais precisa seria «expirou o seu último suspiro».


P: Em Génesis 25:8, 17 e Génesis 49:33, Abraão e Jacó foram «reunidos ao seu povo»; então, como poderia haver vida após a morte?

R: Trata-se de uma expressão que significa que a pessoa faleceu, e soa muito melhor do que «bater as botas».


P: Em Génesis 25:13, as referências a Kedar estão relacionadas com Maomé?

R: Génesis 25:13 menciona Kedar, filho de Ismael, mas há dúvidas quanto à ascendência de Maomé em relação a Ismael e Kedar. Independentemente disso, porém, o facto de Génesis 25:13 mencionar doze filhos de Ismael, incluindo Kedar, não diz nada de bom nem de mau sobre eles. Al-Tabari, vol. 6, p. 6, regista três aspetos:

1) Existem divergências entre os genealogistas quanto à ascendência de Maomé após ‘Adnan (p. 37)

2) Muitas genealogias, mas não todas, incluem Maomé… ‘Adnan… Nabt, filho de Qaydhar [Kedar?], filho de Isma’il [Ismael]

3) «Estas diferenças surgem porque se trata de uma ciência antiga, proveniente do povo do Primeiro Livro (o Antigo Testamento).»

Assim, se o historiador muçulmano al-Tabari reconhece que retiraram os nomes genealógicos dos judeus e do Antigo Testamento, não se trata de um testemunho totalmente independente.


P: Em Génesis 25:22-23, a pergunta de Rebeca dizia respeito ao presente e ao futuro próximo, mas a resposta de Deus referia-se a um futuro distante. Por que razão Deus faz isso?

R: Há cinco pontos a considerar na resposta.

1. Aparentemente, Deus pretendia revelar esta verdade profética sobre Jacó e Esaú.

2. Tal como os bons professores humanos, Deus sabe que um ponto será melhor memorizado se for uma resposta à pergunta de um aluno.

3. Independentemente de Deus ter feito com que os bebés se empurrassem apenas para levar Rebeca a fazer a pergunta, o empurrão levou-a, de facto, a fazê-la.

4. Talvez Rebeca não estivesse a pensar a longo prazo nesse momento, mas a sua pergunta era suficientemente aberta para que a revelação de Deus ainda assim respondesse à sua pergunta.

5. Quando pedimos coisas a Deus, devemos fazê-lo de «forma aberta» e não apenas nos nossos termos. Devemos estar preparados para que Deus nos mostre verdades que não esperávamos e pelas quais não pedimos diretamente.


P: Em Génesis 25:31-33, o direito de primogenitura de Jacob foi obtido através de uma compra ou de uma mentira?

R: Ambas as coisas.

1. Jacob «comprou-a» a Esaú por um prato de lentilhas (Génesis 25:29-34).

2. Mais tarde, Jacó enganou Isaac para que este lhe concedesse a bênção da primogenitura, à qual Esaú já tinha decidido renunciar. (Génesis 27:19)

Note-se que Jacó comprou apenas a primogenitura, mas mentiu para obter a bênção.

Independentemente tanto da compra como do engano, Deus escolheu que o Seu povo, os judeus, descendesse de Jacob (Génesis 25:23-34).


P: Em Génesis 26:2, os israelitas deviam descer ao Egito, ou não?

R: A Isaac foi dito para não descer ao Egito em Génesis 26:2. Foi a Jacob, e não a Isaac, que foi dito para lá ir em Génesis 46:3. De forma semelhante, em 2 Samuel 7:5, 12-13, foi dito a David que não era ele, mas sim o seu filho, que iria construir o Templo em Jerusalém. A lição aqui não é que ir para o Egito seja bom ou mau, mas que devemos ir para onde Deus quer que vamos, quando Deus quer que vamos.


P: Em Génesis 26:3-5, Génesis 12:1; Génesis 17:1, 9-14; e Génesis 22:16, Deus abençoou Abraão por causa das obras de Abraão?

R: Não. Tanto para Abraão como para as pessoas em geral, há aqui duas questões distintas: a salvação e as bênçãos.

Salvação: As obras de Abraão não foram importantes, no sentido de que não o levaram ao Céu. As obras de Abraão foram muito importantes por serem a expressão visível da sua fé em Deus e inseparáveis da sua fé em Deus.

Bênçãos: Graças às obras, tanto Abraão como nós recebemos frequentemente bênçãos nesta vida e recompensas na próxima.

Tiago apresenta Abraão como exemplo de alguém que foi justificado pelas obras. Abraão «acreditou em Deus, e isso foi-lhe imputado como justiça» uma ou duas décadas antes de quase ter sacrificado Isaac.

A aliança de Deus tinha tanto um elemento imutável como um elemento condicional. Levítico 26:44-45 mostra que, mesmo que o povo de Deus falhe no que diz respeito ao elemento condicional, o elemento imutável mantém-se.


P: Em Génesis 26:6-7, por que razão é Isaac um modelo a seguir para nós, uma vez que Isaac mentiu nesta ocasião?

R: Não. Consulte a resposta a Génesis 12:10-20.


P: Em Génesis 26:8-9, tratava-se do mesmo Abimeleque de Gerar que aparece em Génesis 20:2-3?

R: Com base no nome, provavelmente não. Abimeleque significa «O pai é rei». Por um lado, há muitos casos em que pai e filho, ou descendentes, têm o mesmo nome. Por outro lado, neste caso trata-se provavelmente de um título, e não de um nome próprio, tal como se refere na obra «735 Baffling Bible Questions Answered», p. 42.

Outros governantes que partilhavam o mesmo nome foram Tobias I, II, III, IV e V, entre 590 e 200 a.C., Sanbalate I, II e III, entre 445 e 330 a.C., Salmanasar I, II e III, Antíoco I, II, III e IV, e Tiglate-Pileser I, II e III.


P: Em Génesis 26:33, foi Abraão quem deu o nome à cidade de Beersheba, ou foi Isaac?

R: Em Génesis 21:31, a cidade já era chamada de Beersheba no tempo de Abraão, devido ao juramento entre Abraão e Abimeleque. Isaac certamente sabia disso, uma vez que viveu em Beersheba com o seu pai, conforme se refere em Génesis 22:19. A fim de recordar a Abimeleque (que era provavelmente o filho do Abimeleque da época de Abraão) a aliança anterior, deu a um novo poço um nome semelhante: «Sibá».


P: Em Génesis 26:34 e Génesis 36:2-3, quem eram as quatro esposas de Esaú?

R: Esposas 1-2: Aos 40 anos, Esaú casou-se com duas hititas, Judite e Basemate, filha de Elom (Génesis 26:34-35).

Ada, filha de Elão, o hitita (Génesis 36:2), é provavelmente outro nome para Basemate.

Esposa 3: Depois de Jacó ter partido, Esaú casou-se com a ismaelita Maalate, irmã de Nabaiote (Génesis 28:8-9)

Basemate, filha de Ismael e irmã de Nabaiote (Génesis 36:3), é provavelmente outro nome para Maalate.

Esposa 4: Esaú casou-se com Oholibama, filha de Aná (Génesis 36:3).

Judite provavelmente não foi mencionada nas genealogias de Génesis 36, porque não teve filhos.


P: Em Génesis 27, por que razão Deus terá supostamente aprovado que Jacó enganasse Isaac e que enganasse Labão em Génesis 31:20?

R: Deus não aprovou as mentiras de Jacó. Em primeiro lugar, a Bíblia regista com precisão e honestidade tanto as coisas más como as coisas boas que as pessoas fizeram. Em segundo lugar, até mesmo o povo de Deus na Bíblia cometeu erros. Como se afirma na obra «735 Perguntas Bíblicas Desconcertantes Respondidas», p. 43: «Deus não abençoou Jacó porque ele mentiu e recorreu ao engano, mas apesar disso.»


P: Em Génesis 27, por que razão era a bênção importante?

R: Normalmente, o primogénito recebia a bênção, o que significava uma parte dupla da herança, além de se tornar o chefe da família. Uma tabuinha de Nuzi, do século XV a.C., relata um litígio entre três irmãos sobre quem se casaria com uma mulher chamada Zululishtar. Um dos irmãos venceu porque conseguiu provar que o seu pai tinha autorizado o casamento no leito de morte.


P: Em Génesis 27:29, qual é o significado literal da palavra hebraica traduzida por «senhor»?

R: A palavra hebraica aqui, gebiyr (pronuncia-se gheb-EER), pode ser traduzida de duas formas: senhor ou herói. No caso de Esaú e dos seus descendentes, tratava-se de um senhor [indesejado]. Nas nossas vidas, se Deus colocou alguém acima de si de quem não gosta, pode optar por tratá-lo como um senhor indesejado ou como um herói.


P: Em Génesis 27:39-40, por que razão Isaac não pôde abençoar Esaú tal como abençoou Jacob?

R: A Bíblia não explica por que razão Isaac acreditava (fosse essa crença correta ou errada) que não podia abençoar ambos. No entanto, de acordo com as tabuinhas daquela época encontradas na cidade de Nuzi, os testamentos feitos no leito de morte eram considerados válidos e irrevogáveis. Consulte também a resposta à próxima pergunta.


P: Em Génesis 27:39-40, por que razão Deus não abençoou Esaú tal como abençoou Jacó?

R: Existem três razões complementares.

1. Romanos 9:10-15 mostra que Deus pode fazer o que Lhe apraz sem nos revelar as Suas razões.

2. Esaú era pagão (sem Deus) (Hebreus 12:16), e Jacó era um enganador; Deus teria sido justo se amaldiçoasse ambos. Em vez disso, ambos receberam bênçãos (Hebreus 11:20).

3. Deus tem o direito de escolher conceder misericórdia e amor especiais apenas a alguns, conforme Lhe parecer adequado — basta perguntar a Paulo.


P: Em Génesis 27:42-44, Jacó foi para a cidade de Harã para fugir de Esaú ou para arranjar uma esposa?

R: Ambas as coisas. Por vezes, há múltiplas razões para fazer uma determinada coisa. Rebeca disse a Jacó para partir a fim de fugir de Esaú em Génesis 27:42-46, mas disse a Isaac que a razão era encontrar uma esposa em Génesis 27:46. A razão de Isaac para enviar Jacó foi para que este encontrasse uma esposa, conforme se vê em Génesis 28:1-6.


P: Em Génesis 27:45, a expressão «ambos» refere-se a Jacob e Isaac ou a Jacob e Esaú?

R: Do ponto de vista linguístico, poderia ser de ambas as formas. No entanto, tratava-se de Isaac e não de Esaú, porque Isaac estava à beira da morte, Esaú mataria Jacó logo a seguir e não havia qualquer ameaça para Esaú. Infelizmente, Rebeca pode ter estado a pensar nos «ambos» aqueles que amava, e não em «dois de entre três».


P: Em Génesis 27:46, as esposas de Esaú eram hititas ou cananeias?

R: Pode alguém ser simultaneamente texano e americano? Os hititas em Canaã eram um dos povos de Canaã.


P: Em Génesis 28, Rebeca e Jacob conseguiram o que queriam?

R: À primeira vista, sim, mas, na realidade, não. Elas queriam que Jacó ficasse com a primogenitura e, por meios errados — mentiras e engano —, conseguiram-na, pelo que foram bem-sucedidas.

No entanto, o filho com a primogenitura costumava ocupar posteriormente um lugar de honra na família; contudo, Jacó teve de fugir para salvar a vida. Rebeca conseguiu ajudar o seu filho preferido; no entanto, nunca mais voltaria a ver Jacó nesta terra. Como salienta o livro «Mulheres na Bíblia», Rebeca teria de viver com o filho a quem tinha feito injustiça pelo resto da sua vida.


P: Em Génesis 28:12, a expressão «sobre ela/ele» é ambígua?

R: Na verdade, não. A expressão «sobre ela» foi interpretada por alguns rabinos como «sobre ele». Por outras palavras, ou os anjos do céu subiam e desciam pela escada, ou então subiam e desciam sobre o próprio Jacob. Isto é mencionado porque Jesus disse, em João 1:51, que Natanael veria os anjos de Deus a subir e a descer sobre o Filho do Homem [Jesus].

A favor de «sobre ela»: a analogia faz sentido, com a escada (ou escadaria) presente e Jacó, no sonho, a ver vários anjos a ocuparem-se das suas tarefas. Metaforicamente, Jesus é a escada pela qual as bênçãos de Deus descem à Terra e a escada pela qual somos levados para o céu.

Contra a interpretação «sobre ele»: será que os anjos estão a pisar Jacó para chegar à escada? Estarão os anjos a subir por cima de Jacó para chegar ao céu? Então, para que serve a escada? Jesus descendia de Jacó, mas é mais semelhante a uma escada do que a Jacó, que frequentemente enganava as pessoas.


P: Em Génesis 29:15-25, por que razão devemos admirar Labão na Bíblia, uma vez que ele enganou e mentiu a Jacob?

R: Quem disse que devemos admirar Labão? Não devemos. Esta pergunta pressupõe que a Bíblia só pode falar do povo de Deus num vácuo, e que não pode mencionar as outras pessoas com quem tiveram de lidar. É claro que a Bíblia fala tanto de pessoas más como de pessoas boas. Além disso, a Bíblia mostra-nos que mesmo as pessoas boas também não eram boas o tempo todo.

Uma analogia poderá ajudar aqui. Alguém poderá dizer: «Não se pode admirar os heróis americanos. Veja-se, por exemplo, John Wilkes Booth, que alvejou Abraham Lincoln.» Bem, podemos ler como John Wilkes Booth desempenhou um papel significativo na história americana, mas ele não era um herói americano.

Labão desempenhou um papel na história de Israel, mas também não era um herói. A analogia com Booth pode parecer um pouco ridícula, uma vez que ninguém admira Booth como herói, mas invocar Labão para criticar pessoas a quem devemos admirar na Bíblia (como, de facto, um ateu fez) também parece deslocado.


P: Em Génesis 29:21-30, quando é que Raquel foi entregue a Jacob?

R: Jacob trabalhou durante sete anos, recebeu Léia, esperou uma semana e, nessa altura, recebeu Raquel em troca da promessa de mais sete anos.


P: Em Génesis 29:28, por que razão Jacó casou com duas irmãs, uma vez que Levítico 18:18 proíbe casar com duas irmãs enquanto ambas estiverem vivas?

R: Levítico 18:18 fazia parte da Lei Mosaica, que foi dada mais de 400 anos depois de Jacó ter casado com as suas esposas. Certamente não se poderia exigir que Jacó obedecesse a uma lei da qual ele não tinha ouvido falar e que Deus ainda não tinha ordenado.


P: Em Génesis 29:31, por que razão Deus não disse simplesmente a Jacob para amar também Léia, em vez de apenas tornar Raquel estéril?

R: Por vezes, as pessoas só conseguem aprender lições da maneira mais difícil. Será que somos diferentes?


P: Em Génesis 30:14-15, o uso de mandrágoras não parece uma superstição?

R: Grande parte da medicina popular não funciona. O facto de Raquel ter permanecido sem filhos durante muito tempo depois disso indica claramente que as mandrágoras não tiveram nada a ver com o facto de Deus ter aberto o ventre de Raquel. Esta passagem mostra que mesmo os crentes podem cometer erros e depositar a sua esperança em curas sem fundamento.


P: Em Génesis 30:27, como é que Labão conseguiu recorrer à adivinhação para descobrir o que se passava com Jacob?

R: Partindo do princípio de que Labão estava a dizer a verdade nesta ocasião, por vezes as pessoas obtêm respostas corretas através da adivinhação. No entanto, mesmo que a adivinhação revelasse toda a verdade, em vez de uma mistura de verdade e erro, os crentes não deveriam seguir o exemplo de Labão, pois Deus ordenou que não se praticasse a adivinhação em Deuteronómio 18:10,14. A propósito, a adivinhação de Labão não lhe proporcionou o resultado que ele desejava em Génesis 31:1-2,9.


P: Em Génesis 30:37-43, o facto de Jacó «fazer com que» as ovelhas e as cabras se tornassem malhadas não soa a superstição?

R: Não há qualquer indício de superstição, apenas noções erradas sobre a genética animal. Deus abençoou Jacó independentemente disso, como o próprio Jacó sabia em Génesis 31:7-13.


P: Em Génesis 31:23 e Génesis 37:25, será que Gileade constitui um anacronismo, uma vez que Números 26:29 afirma que Manassés era o avô de Gileade?

R: De modo algum. Primeiro, uma observação que não é relevante para a resposta, e depois a resposta.

Não faz parte da resposta: Gileade era um nome relativamente comum. Gileade não era apenas um descendente de Manassés (Números 26:29-30 e Josué 17:1), mas um outro Gileade era o pai de Jefté (Juízes 11:1), e um terceiro Gileade era da tribo de Gade (1 Crónicas 5:14).

A resposta é que a palavra «Gileade» indica a época em que o texto foi escrito. Jacó e José não teriam chamado à região «Gileade», mas ninguém afirma que o Livro do Génesis tenha sido escrito na época de Jacó e José. Pelo contrário, o Génesis foi escrito na época de Moisés. As duas tribos e meia da Transjordânia já iam receber as suas terras antes da morte de Moisés.

Um anacronismo ocorre quando um documento que afirma ter sido escrito numa determinada época utiliza palavras ou termos que só seriam utilizados numa época posterior. Não constitui um anacronismo utilizar palavras da época em que o texto foi escrito para descrever um período anterior. Por exemplo, não é um anacronismo quando alguém no século XX afirma que a região de Gileade se situava no país da Jordânia. Jacob, José e Moisés não conheciam o país moderno da Jordânia, mas, afinal, ninguém afirma que o conheciam.


P: Em Génesis 31:32,34, como é que a Bíblia [supostamente] aprova que Raquel tenha roubado ídolos ao seu pai?

R: A Bíblia não aprova o roubo cometido por Raquel. Os deuses domésticos não só tinham conotações religiosas, como a posse dos mesmos também significava o direito de herança, de acordo com tabuletas, escritas por volta da época de Moisés, encontradas na cidade de Nuzi.

O livro «Hard Sayings of the Bible», pp. 130-131, apresenta o texto da tabuinha de Nuzi, mas defende também que o apego religioso de Raquel a estes ídolos pode ter estado envolvido.

Embora alguns possam simpatizar com a atitude rancorosa de Raquel, a Bíblia não a justifica; limita-se a registar o facto. Raquel morreu no parto apenas alguns anos depois de ter levado os ídolos, conforme Génesis 35:17-19, pelo que esses ídolos domésticos certamente não lhe trouxeram qualquer benefício. A Bíblia não é um livro sobre super-heróis perfeitos, mas sobre pessoas muito reais que tinham muitos defeitos — tal como nós.


P: Em Génesis 31:47, uma vez que o Génesis foi escrito numa data precoce, por que razão existem duas palavras aramaicas neste versículo?

R: Isto indica que o aramaico coexistia com o hebraico numa época muito antiga. Lembre-se de que os arameus viviam na Síria, onde vivia Labão. As esposas de Jacob eram originárias daquela região. Em alternativa, estas podem ser palavras comuns no hebraico antigo.


P: Em Génesis 32:1-2; 33, de que forma Deus nos prepara para o conflito?

R: A questão não é apenas a força para o conflito, mas também a perseverança. Podemos ser fortalecidos de, pelo menos, três formas.

1) Precisamos de ser lembrados daquilo em que devemos fixar o nosso olhar, do objetivo que temos pela frente e do amor que nos fortalece para prosseguirmos.

2) Deus pode fortalecer-nos, concedendo-nos novos dons espirituais e aprofundando os dons espirituais que já possuímos. Podemos precisar de aprender novas competências e de praticar capacidades recém-descobertas.

3) Mas, paradoxalmente, em Génesis 32, Deus enfraqueceu Jacó. Ao deslocar-lhe a anca, Jacó ficaria ainda menos capaz de resistir fisicamente a Esaú. Deus precisa de nos ajudar a livrar-nos da bagagem extra de que não precisamos, que nos sobrecarrega, ao servi-Lo. Por vezes, algo não é mau, mas se confiarmos demasiado nisso em vez de confiar em Deus, Ele poderá querer que O sirvamos sem isso.


P: Em Génesis 32:1-6, quais considera que foram os dois objetivos de Jacó ao enviar mensageiros a Esaú?

R: Como Deus lhe enviou mensageiros angelicais, talvez tenha sido assim que Jacó teve a ideia de enviar mensageiros a Esaú. Já se passaram 20 anos desde que Jacó e Esaú se viram pela última vez. Que tipo de acolhimento receberia Jacó? Por um lado, Jacó tinha medo de descobrir, mas, por outro lado, sabia que não queria fugir desta situação e permanecer com Labão para sempre. Repare que Jacó não se refere a Esaú como «o seu irmão», mas sim como «o seu servo».


P: Em Génesis 32:6-7, quais considera que são as duas razões pelas quais Esaú decidiu ir ao encontro de Jacob com 400 homens?

R: Em primeiro lugar, por que razão teria Esaú 400 homens? Esaú era provavelmente bastante rico e talvez precisasse desse exército para combater os horeus que viviam naquela terra.

Nessa altura, talvez Esaú estivesse a vir para cumprir o que havia jurado anteriormente: matar Jacó. Ou talvez Esaú estivesse indeciso quanto ao que iria fazer, mas quisesse guerreiros suficientes para manter todas as suas opções em aberto. Seja como for, Esaú queria deixar claro que era ele quem detinha o controlo. Se a sua intenção era assustar Jacó, conseguiu-o; Jacó ficou paralisado de medo.


P: Em Génesis 32:6-7, no que diz respeito às esposas de Jacob, quais acha que foram as suas primeiras impressões sobre Canaã e sobre Jacob?

R: Lembre-se de que Jacob escapou por pouco aos problemas com Labão. Seria de questionar quão próxima e de confiança era a relação entre Raquel e Labão, tendo em conta que ele deu primeiro Léia a Jacob. Assim, ela poderia sentir-se aliviada por ter alguma distância entre si e Labão. A terra parecia semelhante, exceto pelo facto de haver muitas cidades fortificadas de cananeus com as quais Jacob tinha de conviver.


P: Em Génesis 32:7-23, quais foram as três estratégias que Jacob tentou simultaneamente?

R: Primeiro, Jacob tentou preparar o terreno com presentes generosos para Esaú. Em segundo lugar, Jacob dividiu a sua família em grupos; se um grupo fosse atacado e morto, os outros poderiam dispersar-se e escapar. Por fim, Jacó decidiu partir em último lugar. Jacó sentia-se realmente desesperado nessa altura e percebia que estava por sua conta. Mas, como diz o «Believer’s Bible Commentary», na página 68: «Através de sistemas de segurança humanos, muitas vezes protegemo-nos de uma vida de oração dinâmica. Por que razão nos fazemos este mal?»


P: Em Génesis 32:22-32, Jacó foi renomeado para Israel nesta passagem, ou foi renomeado para Israel em Génesis 35:9-10? (Um cristão liberal mencionou isto como prova de que vários autores escreveram o Génesis.)

R: Génesis 32:22-32 é muito detalhado e relata como Jacó luta com Deus, e Deus o renomeia como Israel. Génesis 35 apresenta um resumo da vida de Jacó, e dois versículos, 35:9-10, mencionam que Jacó foi renomeado, para que possamos situar onde ocorreu a narrativa de Génesis 32. Sim, estes dois versículos são uma repetição, mas isso é útil para a história, não se tratando de uma inclusão inadvertida de algo duas vezes. Hoje em dia, quando as pessoas escrevem, repetem frequentemente na conclusão o que dizem no corpo de um ensaio, mas isso não significa que as diferentes partes do ensaio tenham sido da autoria de vários autores.


P: Em Génesis 32:27-28, por que razão Jacó foi renomeado Israel?

R: Embora a Bíblia não o diga, existem duas possibilidades, e ambas podem ser verdadeiras.

O ato de renomear demonstrou que Deus está no controlo de toda a sua vida, até mesmo do seu nome, e que ele era uma pessoa diferente, com um destino diferente, por causa de Deus. Suponho que, quando chegarmos ao céu, possamos simplesmente perguntar a Abrão, Simão e Saulo de Tarso sobre isto, ou melhor, devo dizer Abraão, Pedro e Paulo.

Os nomes tinham um grande significado naquela época, e «Israel» significa aparentemente «Deus persevera» ou então «Ele persevera com Deus», e está ligado à expressão «você lutou com Deus».


P: Em Génesis 32:24, 27, uma vez que Jacó lutou com um homem, que acabou por ser um anjo ou Deus, será que Deus é um anjo ou um homem?

R: Deus pode manifestar-Se até mesmo como uma sarça ardente, mas isso não faz de Deus uma planta. Embora esteja presente em todo o lado, Deus também pode ter uma presença localizada sob a forma de qualquer coisa que desejar.

Eis o que pensava Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.): «Mais uma vez, quando Ele [Jesus] fala na Sua própria pessoa, confessa-Se como o Instrutor: “Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te tirei da terra do Egito.”… E Ele manifesta-Se de forma muito evidente como o Instrutor de Jacob. Diz-lhe, por isso: ‘Eis que estou contigo, para te guardar em todo o caminho por onde fores; e trarei-te de volta a esta terra; pois não te deixarei até que cumpra o que te disse.’ Diz-se também que ele lutou com Ele. «E Jacó ficou sozinho, e ali lutou com ele um homem (o Instrutor) até de manhã.» Este foi o homem que guiou, trouxe, lutou e ungiu o atleta Jacó contra o mal.» O Instrutor, livro 1, cap. 7, p. 223


P: Em Génesis 32:24-32, Jacó estava a lutar com um anjo literal, ou estava apenas a lutar contra um problema?

R: Nada indica que possamos acrescentar à Escritura que não se tratava de um anjo real.

1. Interpretar a Bíblia literalmente é a única forma honesta de a interpretar

2. Interpretar a Bíblia literalmente não significa impor um literalismo rígido e concreto

3. Interpretar a Bíblia literalmente significa interpretar o livro tal como foi escrito.

Embora os judeus Josefo e Filo tenham interpretado a luta de Jacó como um sonho, os sonhos não deixam as articulações das ancas permanentemente deslocadas.


P: Em Génesis 32:24-30, será que o Alá [Deus] do cristianismo é tão fraco que demora toda a noite a lutar com Jacob, como referiu um muçulmano?

R: Em primeiro lugar, foi o anjo de Deus (a quem Jacó chamou de homem), e não o próprio Deus, que lutou. Jacó disse que viu Deus face a face, mas só encontrou Deus por intermédio do anjo. Independentemente disso, Deus enviou este anjo, que tinha o poder de esmagar Jacó.

Se um pai lutar com o seu filho de dois anos, que tem um carácter forte, e até deixar que o menino ganhe por vezes, isso não faz dele um pai fraco. Da mesma forma, a intenção de Deus era enfrentar a teimosia de Jacob, não destruir Jacob e a sua tenacidade. Deus queria levar Jacob a compreender quem ele era, não matá-lo.

Imagine como seria fantástico se o seu corpo fosse exatamente o mesmo, mas 1 000 vezes mais forte. Poderia destacar-se no desporto, derrubar paredes e correr a uma velocidade extrema. No entanto, sempre que tentasse apanhar uma flor, esmagá-la-ia; sempre que segurasse a mão de uma criança pequena, partir-lhe-ia o braço; e sempre que abraçasse a sua esposa, ela acabaria por ir para o hospital. Talvez, afinal, ter os músculos 1 000 vezes mais fortes não seja assim tão bom.

Deus é todo-poderoso, mas Deus também possui gentileza e delicadeza. Deus é infinitamente mais poderoso do que nós, mas tem maior controlo sobre a Sua própria força do que nós temos sobre a nossa. Sofonias 3:17 dá um exemplo de como o Todo-Poderoso é gentil: «O SENHOR, o vosso Deus, está no meio de vós; Ele é poderoso para salvar. Ele regozijar-se-á por vós com alegria; Ele acalmar-vos-á com o Seu amor; Ele regozijar-se-á por vós com cânticos.»

Em 1 Reis 19:11-13, Deus diz a Elias que ele irá experimentar a presença do Senhor. Não foi no vento forte que se seguiu, nem no terramoto, nem no fogo, mas numa voz mansa e suave.

Resumindo, os cristãos adoram um Deus que é bondoso sem deixar de ser o Todo-Poderoso.


P: Em Génesis 32:30, é possível alguém ver o rosto de Deus, uma vez que Êxodo 33:20 diz que ninguém pode fazê-lo e permanecer vivo?

R: Jacó viu a aparência de um anjo; a princípio, pensou que fosse um homem e, certamente, não viu Deus na Sua glória, face a face.


P: Em Génesis 32:26, por que razão acha que Jacó estava tão empenhado em ser abençoado por Deus?

R: Jacó poderia ter pedido mais riqueza, segurança ou que Esaú se mostrasse benevolente para com ele, mas Jacó não pediu diretamente nada disso. Ele apenas pediu que Deus o abençoasse. Jacó não esperava que Deus lhe permitisse evitar Esaú, mas queria que Deus o abençoasse para que conseguisse sobreviver ao encontro com Esaú.


P: Em Génesis 33 e Génesis 36:7, será que Esaú e Jacó se separaram porque os seus bens eram demasiado numerosos, ou por causa do medo que Jacó tinha de Esaú?

R: Ambas as razões.


P: Em Génesis 33:18-19 e Josué 24:32, foi Jacó quem comprou a terra em Siquém, ou foi Abraão quem a comprou, tal como dizem Atos 7:15-16 e Génesis 23:16-20?

R: Abraão comprou terras em Manre, perto de Hebrom, para Sara, em Génesis 23:16-20, mas não se trata do mesmo local. Quanto às terras compradas em Siquém, há três respostas possíveis.

Jacó e Abraão compraram-na: Tanto Josué 24:32 como Génesis 33:18-19 afirmam que Jacó, neto de Abraão, foi quem comprou a terra perto de Siquém. Independentemente de Abraão ter ou não testemunhado a compra da terra com o dinheiro que deixou a Isaac, pode-se dizer que o clã de Abraão comprou a terra. Ainda hoje, um adolescente, com o consentimento do pai, pode comprar um carro em nome do pai.

Estêvão pode estar enganado: uma vez que Jacó comprou o terreno onde os seus filhos foram sepultados, mas o próprio Jacó foi sepultado em Manre com Abraão, Estêvão pode ter acidentalmente confundido estes dois acontecimentos distintos. Mesmo que Estêvão estivesse enganado, a Bíblia continuaria a ser infalível. A Bíblia limitou-se a registar, de forma infalível, o que Estêvão disse, com erros e tudo.

Reenterrados: Assim que se estabeleceram na terra de forma permanente, decidiram reenterrar Abraão, Sara, Isaac e Rebeca para que ficassem todos juntos.


P: Em Génesis 33:18-19, que mais sabemos sobre a cidade de Siquém?

R: Embora a cidade estivesse em ruínas no tempo de Abraão, a localização da cidade era conhecida. Abraão não comprou a cidade, mas sim terras perto de Siquém.

Estava sempre a ser reconstruída porque se situava numa colina que podia ser fortificada e possuía uma excelente nascente. Siquém foi reconstruída por volta de 1900 a.C., mas o Faraó Senusert III (c. 1880-1840 a.C.) conquistou-a. Siquém foi novamente destruída por volta de 1750 a.C. Foi reconstruída, mas voltou a ser destruída pelos egípcios por volta de 1550 a.C. Foi reconstruída na época das cartas de Amarna (1400-1370 a.C.), que a mencionam como o centro do rei Lab’ayu, que se encontrava em confederação com os invasores «Habiru». Foi reconstruída, mas destruída pelos arameus, pelo rei Menahem de Israel e pelos assírios em 723 a.C.


P: Em Génesis 34:13-17, como é que Deus [supostamente] tolerou que os filhos de Jacob respondessem de forma enganosa a respeito de Diná?

R: Deus não o tolerou, e os dois filhos de Jacó que mataram os habitantes de Siquém foram amaldiçoados por isso.


P: Em Génesis 34:25-30, como é que Simeão e Levi, sozinhos, conseguiram destruir uma cidade inteira?

R: Eles lideraram o ataque, mas tinham outros servos, soldados contratados e/ou parentes sob a sua liderança.


P: Em Génesis 35:1-5, qual foi a sequência de acontecimentos aqui?

R: Eis a ordem.

1. Jacó foi, aparentemente, negligente ao permitir a presença de ídolos estrangeiros no seio do seu grupo nómada.

2. Deus disse a Jacó que queria que ele vivesse em Betel e lhe erguesse um altar.

3. Jacó percebeu, com razão, que, se fossem construir um altar a Deus, não seria adequado ter quaisquer ídolos entre eles.

4. Assim que se dedicaram plenamente ao Senhor, não tinham nada a temer dos povos vizinhos.


P: Em Génesis 35:21, todos os filhos de Jacob nasceram em Migdal Eber, ou nasceram anteriormente, como referem outras passagens do Génesis? (Um cristão liberal levantou esta questão como uma contradição.)

R: Génesis 35:21-26 não afirma que todos os filhos de Jacob nasceram em Migdal Eber, especialmente porque, em Génesis 35:19-20, Raquel, mãe de dois filhos, tinha acabado de falecer antes de se mudarem para lá. Génesis 35:21-26 limita-se a enumerar os filhos, na sequência do relato em que Israel (=Jacob) armou a sua tenda para além de Migdal Eber.


P: Em Génesis 36, por que razão os descendentes de Esaú são enumerados com tanto pormenor?

R: É certo que este não é o capítulo mais importante da Bíblia. Embora os nomes individuais não sejam importantes, aprendemos seis coisas com isto.

1. Isto demonstra a pretensão da Bíblia de precisão histórica e atenção aos pormenores históricos.

2. Os descendentes de Esaú (os edomitas) e os israelitas conheciam-se mutuamente. No livro de Jó, Elifaz era um temanita, descendente de Teman, conforme Génesis 36:11, 15, 42 e 1 Crónicas 1:45. Mais tarde, Jeremias 49:7, 20 utiliza poeticamente «Teman» como sinónimo de «Edom».

3. Os dois povos emparelhados, embora separados, mantinham relações muito amigáveis entre si, pelo menos nesta altura. Mais tarde, Amós 1:9-11 refere-se à «aliança de irmandade» que os edomitas quebraram. Não se tratava de uma aliança formal, mas sim de uma relação informal que remontava ao período descrito em Génesis 33:4-16.

4. Os edomitas basicamente uniram-se aos horeus, que já habitavam a terra, conforme Génesis 36:20-29. Esta união é provavelmente semelhante à que os sichemitas propuseram aos israelitas. Séculos mais tarde, existiu de facto uma poderosa nação do Médio Oriente, chamada Mitanni, ou também conhecida como hurrita, que era uma união de dois povos. O grupo dominante nessa aliança eram os hurritas, que aparentemente eram originários da Índia.

5. Quando Canaã foi entregue aos israelitas, os edomitas ficaram com Edom e o Monte Seir. Deus afirmou que entregou o Monte Seir aos filhos de Esaú, em Deuteronómio 2:5.

6. O número de descendentes de Esaú, aliado à assimilação com os horitas e ao início precoce da sua organização governamental, demonstrou que a nação edomita estava a progredir rapidamente e que poderia vir a tornar-se um poderoso rival no futuro.

Eis as batalhas entre Edom e Israel.

1 Samuel 14:47 Lutaram no tempo de Saul

1 Reis 11:14-22 Os edomitas, sob o comando de Hadade, lutaram no tempo de Salomão

2 Crónicas 20:1-23: os edomitas formaram uma aliança e lutaram no tempo de Josafá

2 Reis 8:21 Os edomitas lutaram no tempo de Jeorão

2 Crónicas 28:17 Os edomitas lutaram no tempo de Acaz

Salmo 137:7; Lamentações 4:21-22; Obadias 10-14 Os edomitas ajudaram os babilónios contra Judá.

Malaquias 1:2-5, por volta de 433 a.C., após o regresso do exílio, os edomitas continuavam a ser inimigos.

Em Ezequiel 25:12-17, após a queda de Jerusalém, os edomitas esperavam nas encruzilhadas para matar e saquear os judeus em fuga.


P: Em Génesis 36:2, Zibeão era uma cidade hivita ou uma cidade horita, tal como se lê em Génesis 36:20?

R: Existem duas possibilidades:

Erro ortográfico: Muitos estudiosos partem do princípio de que se trata de um erro ortográfico no texto massorético, uma vez que, em hebraico, «hivita» é h[i]wwt e «horita» é h[o]rrt. A Septuaginta refere «horitas» em Génesis 34:2 e Josué 9:7.

Dois nomes para um único grupo ou dois grupos que se fundiram: os horitas (hurritas) também se estabeleceram na Palestina, nas áreas onde viviam os heveus, como evidenciado pelos nomes próprios hurritas. Até mesmo o príncipe de Jerusalém, no século XIV a.C., tinha o nome hurrita de Abdi-Hepa.


P: Em Génesis 36:31, a frase «antes de qualquer rei reinar sobre os israelitas» indica que a data de redação remonta ao tempo de Saul ou a uma época posterior?

R: Não. Não só Moisés sabia que haveria um rei sobre Israel (Deuteronómio 17:14-15), como todos os israelitas, desde o tempo de Jacob, sabiam que Israel teria um rei da tribo de Judá, devido à profecia de Jacob em Génesis 49:10.


P: Em Génesis 37:1-11, o que levou José a ter más relações com a sua família? Considera que José estava ciente disso?

R: Houve cinco fatores.

1. Ter delatado os seus irmãos em Génesis 37:2

2. O facto de Jacó amar José mais do que os outros, em Génesis 37:3.

3. O facto de Jacó ter dado a José, mas não aos outros irmãos, uma túnica ornamentada, em Génesis 37:3-4.

4. Não o facto de José ter tido o sonho, mas sim de José ter contado aos seus irmãos o seu sonho sobre os feixes de trigo, em Génesis 37:5-8.

5. José ter contado aos seus irmãos e ao seu pai outro sonho, no qual o sol, a lua e onze estrelas se curvavam perante ele, em Génesis 37:9-11.

José, um rapaz de dezassete anos, parecia totalmente alheio à forma como as outras pessoas interpretariam o que ele dizia. Jacó, que era muito mais velho, aparentemente também nunca pensou na forma como poderia estar a incitar a inveja entre os irmãos. Seria de esperar que Jacó soubesse algo sobre isso. Aparentemente, Jacó aprendeu a «má lição» de ter preferências, mas não a «boa lição» de que ter preferências acarreta consequências negativas.


P: Em Génesis 37:1-11, por que razão, exatamente, os irmãos de José o odiavam?

R: Os irmãos de José provavelmente pensavam que os seus sonhos provavelmente provinham dele próprio. Seria fácil sentir que José era orgulhoso e egocêntrico, porque o seu pai o amava (e à sua mãe, Raquel) mais.


P: Em Génesis 37:1-11, que tipo de atitudes as pessoas têm hoje em dia que criam relações negativas com os outros?

R: Por orgulho, inveja ou malícia, podem ser controladores, presunçosos, caluniadores ou fofoqueiros. Por falta de empatia, podem ser insensíveis. Por insegurança, podem ser traidores. Por vezes, fazem essas coisas deliberadamente; outras vezes, nem sequer têm consciência de que as fazem. Temos, por natureza, corações egocêntricos.

Precisamos de Jesus para amar o nosso próximo como a nós próprios e para continuarmos a amá-lo como a nós próprios.


P: Em Génesis 37:3, 23, 32, existe alguma evidência extra-bíblica de um manto de muitas cores?

R: Sim, embora não se trate do manto propriamente dito de José. Os arqueólogos descobriram que «asiáticos», com mantos de muitas cores, estavam representados nas paredes do túmulo de um nobre egípcio chamado Khnumhotep. Consulte *Pharaohs and Kings: A Biblical Quest*, pp. 332, 360, para ver imagens e obter mais informações.


P: Em Génesis 37:17, existe alguma evidência extra-bíblica de que se fazia as pessoas «desaparecerem» atirando-as para poços?

R: Sim. O livro «Pode a Arqueologia Provar o Antigo Testamento?», na p. 29, refere que foi encontrada uma cisterna em Dothan (a 13 milhas a norte de Siquém) com vários esqueletos no seu interior. A propósito, os irmãos de José encontravam-se perto de Dothan.


P: Em Génesis 37:17, se perguntasse aos irmãos de José por que razão pretendiam matá-lo, o que diriam eles?

R: José metia-os em apuros (Jacó tinha enviado José para os denunciar). José deu a Jacó um relato negativo (ra’ah) sobre eles, e eles diriam a Jacó que um animal perigoso (ra’ah) tinha devorado José.

Chamavam a José de sonhador.

Interesse próprio, inveja por o pai amar mais José. Se os sonhos fossem de Deus (como acabaram por se revelar), até Deus favorecia mais José.

Siquém ficava a cerca de 50 milhas a norte de Hebrom, onde Jacó se encontrava. Dotã ficava a cerca de 13 milhas a norte daí. Por isso, provavelmente estavam demasiado longe de Jacó para que alguém pudesse contar-lhe o que tinha acontecido.

É irónico que, no início da sua vida, Jacob tenha usado roupas para enganar o seu próprio pai, Isaac, fazendo-o crer que era Esaú. Agora, as roupas seriam usadas para o enganar pelos seus próprios filhos.


P: Em Génesis 37:17, os irmãos de José planeavam matá-lo, ou decidiram vendê-lo a comerciantes midianitas, como diz Génesis 37:28-29?

R: Ambas as afirmações são verdadeiras, porque as pessoas podem alterar os seus planos. Originalmente, planeavam matar José, exceto que Ruben planeava resgatá-lo. No entanto, quando viram os comerciantes midianitas, perceberam que poderiam ganhar algum dinheiro com José e alteraram os seus planos. Naturalmente, poder-se-ia pensar que José teria o «direito» de ficar amargurado com isto. No entanto, José seguiu a Deus, e os tempos difíceis não o tornaram amargurado, mas sim melhor.


P: Em Génesis 37:25, os mercadores eram ismaelitas ou midianitas, como diz Génesis 37:28?

R: À distância, os irmãos não conseguiam distinguir que povo se aproximava, nem se havia membros de ambos os grupos. No entanto, isso não importava para os irmãos; eles apenas queriam o dinheiro. Tanto a palavra «ismaelita» como a palavra «midianita» podem ser um erro do copista. Ou então, os irmãos pensaram que eram ismaelitas, mas na realidade eram midianitas.


P: Em Génesis 37:28, 20 siclos de prata era um preço adequado para um escravo como José?

R: Sim. De acordo com K.A. Kitchen, em *Ancient Orient and Old Testament Introduction*, pp. 52-53, este era o preço correto por volta de 1800 a.C. Séculos antes, o preço era de 10 a 15 siclos de prata; na época de Moisés, era de 30 siclos de prata; e, mais tarde, tornou-se mais caro. Em Oséias 3:2, um escravo valia cerca de 30 siclos. Consulte a «Biblical Archaeology Review», volume 21, n.º 2, p. 53, para ver um gráfico que mostra a evolução do preço de um escravo ao longo do tempo.


P: Em Génesis 37:28, por que razão Deus não facilitou as coisas a José?

R: Deus poderia ter facilitado muito as coisas para José. Poderia não ter dado aqueles sonhos a José; poderia ter feito com que José salvasse os seus irmãos, para que estes lhe ficassem gratos. Deus utilizou José para salvar a sua família quando houve uma grande fome, mas Deus também poderia ter feito outra coisa para os salvar da fome.

Não sabemos por que razão Deus escolheu os meios que escolheu para realizar a Sua vontade. No entanto, podemos observar que o conforto de José não era o objetivo principal de Deus; Deus utilizou o tempo de José na Terra para realizar coisas na vida de José e dos seus irmãos.


P: Em Génesis 38:1-21, por que razão esta história de Judá e Tamar consta na Bíblia?

R: Numa escala que vai do valor mais baixo (não tão mau) de 1 ao mais alto (pior) de 10, sendo a imoralidade sexual um 10, como classificaria o facto de alguém, intencionalmente, nunca ter a intenção de cumprir uma promessa da qual outra pessoa dependia para o resto da sua vida? — Certamente é mais do que um 1. Há, pelo menos, três lições que podemos retirar disto.

1. Para que não pensemos que Judá e os outros patriarcas eram mais justos do que todos os outros, este e outros relatos levam-nos de volta à realidade de que eles não eram particularmente justos.

2. A Bíblia dá-nos um relato sincero e preciso de como as pessoas viviam naquela época. A Bíblia não embeleza a história delas nem um pouco. Podemos aprender tanto com o que fizeram de errado como com o que fizeram de certo.

3. Isto revela um tipo de pecado que está presente hoje em dia, mas que raramente é discutido: a fuga às responsabilidades. Este é considerado um pecado muito grave aos olhos de Deus, uma vez que Onã foi morto por causa disso. Judá também não agiu de forma responsável para com a sua nora e quebrou a sua própria palavra. Judá não entregou o seu filho em casamento a Tamar, porque temia pela vida do seu filho, pois não confiava na bondade de Deus. Obviamente, Judá não achava que Onã merecesse a morte por se recusar a cumprir a sua responsabilidade.


P: Em Génesis 38:29-30, o que significam Zera/Zara e Peres/Fares?

R: Primeiro, o que significam, e depois duas aplicações. O Strong, os dicionários bíblicos e os comentários concordam todos que Perez/Pharez significa «avanço» ou «brecha». Ele abriu ou rompeu o útero. No entanto, existe uma ligeira diferença de opinião quanto a Zerah/Zarah.

Escarlate: Devido ao fio escarlate atado à sua mão, Zerah pode, portanto, significar «escarlate». Pode também significar «brilho» ou «vermelhidão», segundo alguns estudiosos.

Ascensão: Zerah provém da palavra hebraica Zerah, que significa «ascensão», segundo outros estudiosos.

Uma razão para a diferença de opinião pode ser encontrada na Concordância Exaustiva de Strong (palavra 2226). Esta indica que é idêntica à 2225 «zerach, zeh’-rakh», derivada de 2224; um nascer da luz: — nascer.» A 2224 indica «zarach, zaw-rakh»; um prim. Raiz; propriamente, irradiar (ou emitir raios), ou seja, nascer (como o sol); especificamente, aparecer (como um sintoma de lepra): — surgir, nascer (para cima), assim que se ergue.» Assim, a palavra Zerah tem origem no nascer do sol e pode referir-se ao próprio nascer ou à cor vermelho-escarlate do amanhecer.

A linhagem messiânica em Mateus 1:3 menciona brevemente os nascimentos tanto de Peres como de Zerah. Na Sua primeira vinda, Jesus afirmou que traria divisão em Lucas 12:51. Paulo fala do esplendor da segunda vinda de Cristo em 2 Tessalonicenses 2:8. Assim, os gémeos surgiram na ordem das duas vindas de Cristo. No entanto, por outro lado, João 1:5,9 refere que Jesus era a verdadeira luz que ilumina todo o homem e que Ele veio ao mundo.

Acã, que foi executado em Josué 7, era descendente de Zera. Assim, o facto de uma pessoa ter uma ascendência especial ou piedosa não garante que seja necessariamente justa ou que possa escapar ao julgamento. Diz-se que «Deus não tem netos». Por outras palavras, ou é filho de Deus ou não é. Mas não pode reivindicar uma relação com Deus apenas devido à fé dos seus pais e não à sua própria.


P: Em Génesis 39:7-10, uma vez que os Dez Mandamentos ainda não tinham sido escritos, o que teria de errado em José dormir com a mulher do seu senhor?

R: José não precisava dos Dez Mandamentos para saber que tal ato trairia totalmente a confiança que o seu senhor depositava nele. José também afirmou que isso seria um pecado contra Deus.

Algumas pessoas agem apenas de acordo com a letra da lei. No entanto, não foi assim que José agiu, e não é assim que os cristãos devem agir. Em vez de nos limitarmos a perguntar «será que consigo safar-me com isto?» ou «existe alguma proibição absoluta, em preto e branco, contra isto?», devemos, pelo contrário, perguntar-nos «o que agradaria a Deus».

José já perdeu o seu casaco duas vezes! Mas, como alguém disse uma vez, é melhor perder o casaco e manter o caráter do que perder o caráter e manter o casaco.

Há um conto árabe interessante que ilustra a mentalidade de obedecer apenas à letra da lei. Certa vez, um homem fez um acordo com um génio maléfico. Ambos assinaram um documento, no qual a parte do génio no acordo consistia em proporcionar-lhe a mulher mais bela que ele pudesse imaginar como sua esposa e em não lhe causar qualquer dano. O génio desapareceu e, mais tarde, apareceu uma mulher bela que queria casar-se com ele. Sem o homem saber, a mulher era o próprio génio disfarçado. Uma noite, a «mulher» pediu ao homem para ver o contrato. Quando o homem pegou no contrato, o génio fez com que um pouco de cera da vela cobrisse a palavra «não» na frase «não causar dano ao homem», e o génio matou o homem.

É interessante que, para alguns, um pouco de cera de vela tenha sido tudo o que foi necessário para justificar a invalidação da promessa que ambos fizeram. Hoje em dia, algumas pessoas consideram aceitável e adequado renegar um acordo por razões que dificilmente são mais substanciais. Para os verdadeiros crentes em Deus, não só cumprimos a nossa palavra à letra, como também mantemos a intenção da nossa palavra, e não permitimos que razões frágeis sirvam de desculpa para sermos desonestos.


P: Em Génesis 39:7-20, existem outras histórias semelhantes a esta?

R: Não há nada muito semelhante a isto, mas existe uma história ficcional com uma ligeira semelhança. A ideia de a esposa se desviar quando o marido está ausente não é exclusiva de José. Cerca de 600 anos depois desta época, no século XIII a.C., havia uma história egípcia, intitulada «O Conto de Dois Irmãos», que apresentava algumas semelhanças. Quando o marido se ausentava, a esposa tentava seduzir o irmão dele, que recusava as suas investidas. Quando o marido regressava, a esposa fazia uma falsa acusação contra o irmão dele. Por fim, a verdade veio ao de cima e, no final, a esposa foi executada.


P: Em Génesis 40:15, de que forma foi José levado da terra dos hebreus?

R: Por um lado, José vinha da terra que era a posse prometida e futura dos hebreus israelitas. Por outro lado, tendemos a considerar «hebreu» como sinónimo de «israelita», mas não era esse o caso naquela época. Um hebreu, ou «Apiru», também significava um nómada, e Abrão era chamado de hebreu. Assim, José referia-se quer à sua descendência de Abraão e ao facto de viver na nova terra de Abraão, quer ao facto de ser originário de uma terra de nómadas, ou a ambos.


P: Em Génesis 40:20-22, Mateus 14:6 e Marcos 6:21, será que é errado celebrar aniversários, uma vez que os únicos aniversários [supostamente] mencionados na Bíblia são aqueles em que o Faraó executou o padeiro e Herodes executou João Batista?

R: Não. As Testemunhas de Jeová tentam utilizar um argumento do silêncio para proibir as celebrações de aniversários. Tanto o Faraó como Herodes eram governantes cruéis e arbitrários que também matavam pessoas em dias que não eram de aniversário, mas há duas razões mais fortes pelas quais celebrar um dia especial pelo nascimento de alguém é aceitável.

Jó era um homem piedoso, e os seus filhos «revezavam-se para dar festas nas suas casas» (Jó 1:4). O hebraico diz literalmente que cada um o fazia «no seu dia», e essa expressão significa o aniversário de alguém, como demonstrado pelo facto de Jó ter amaldiçoado «o seu dia» (em hebraico), que a BSB traduz como «o dia do seu nascimento» em Jó 3:1-3.

Além disso, o anjo Gabriel anunciou que muitos se regozijariam com o nascimento de João Batista (Lucas 1:14) e, se os anjos puderam celebrar o nascimento de Jesus em Lucas 2:13-14, também é aceitável que nós celebremos o Seu nascimento.


P: Em Génesis 40:23, como é que o copeiro se esqueceu tão facilmente de José?

R: Na altura, o copeiro estava preocupado com o significado do sonho. Mas depois de ter sido reintegrado, percebeu que não tinha sido José a repor-lhe o cargo e que José já não lhe trazia qualquer benefício, pelo que se concentrou naquilo e naqueles que lhe poderiam trazer benefícios. Esqueceu-se tanto da gratidão que sentia por José como da promessa que lhe tinha feito de se lembrar dele e de o mencionar ao Faraó. Por parte dos seus irmãos, da esposa de Potifar e do copeiro, José foi maltratado, caluniado e esquecido. Mas Deus ainda assim pôde agir, apesar do esquecimento do copeiro; só que isso levaria dois anos inteiros. É interessante que o primogénito de José se chamasse Manassés, o que significa «esquecer», de acordo com o Comentário Evangélico da Bíblia, p. 33. A inveja dos irmãos de José, a difamação por parte da esposa de Potifar e o esquecimento do copeiro foram insignificantes em comparação com o versículo determinante deste capítulo: Génesis 41:32, que afirma que o assunto «foi decretado por Deus».


P: Em Génesis 41:18, por que razão há vacas no rio?

R: Na maioria dos locais, as vacas não permaneceriam no rio. Mas no Egito, as vacas encontram-se frequentemente ali para se refrescarem do calor e para se protegerem um pouco das moscas. No entanto, um escritor teria de ter vivido no Egito para saber isto.


P: Em Génesis 41:32, por que razão o Faraó nomearia um não-egípcio como seu segundo no comando?

R: Embora os reis possam, por vezes, fazer coisas estranhas, neste caso fazia todo o sentido. Se José tentasse rebelar-se, os egípcios não o seguiriam. Está registado que cananeus, tais como Meri-Ra, Ben-Mat-Ana e um semita, Yanhamu, adjunto de Amenhotep III, ocupavam cargos elevados na corte egípcia. (Amenhotep III tornou-se Faraó depois de os israelitas terem saído do Egito.) Em épocas muito posteriores, os otomanos turcos costumavam nomear arménios para altos cargos na corte, sabendo que o povo nunca apoiaria um não-muçulmano que tentasse tomar o poder.


P: Em Génesis 41:45, o nome egípcio de José, Zaphenath-Paneah, era um título ou um nome egípcio?

R: Provavelmente significava «aquele a quem se chama vida» ou algo semelhante. Não há provas de que algum egípcio tivesse um título como este, pelo que provavelmente se tratava de um nome. O Faraó provavelmente queria que José pudesse parecer mais egípcio aos olhos de muitos dos seus oficiais. No entanto, isso não significa que José tenha abandonado o seu nome original. É um pouco como quando as pessoas vêm da China para o Ocidente: muitas vezes também adotam um nome ocidental; e quando as pessoas vão do Ocidente para a China, muitas vezes também adotam um nome chinês.


P: Em Génesis 41:45, existe alguma evidência extra-bíblica do nome egípcio de José, Zaphenath-Paneah?

R: Sim. Embora os estudiosos não conheçam nenhum dos nomes dos vizires do Egito durante os séculos em que viveu José, os arqueólogos descobriram uma ligação.

Zaphenath: O nome egípcio de José em Génesis 41:45 foi provavelmente transmitido até aos nossos dias com as letras «t» e «p» invertidas. Zat-en-aph significa «aquele que é chamado», o que era uma expressão comum. O Papiro Brooklyn 35.1446 apresenta muitos exemplos de asiáticos a quem foram atribuídos nomes egípcios. Muitos destes nomes têm «aquele/aquela que é chamado(a)» como primeira parte.

Paneah: «Pa» ou «Pe» representariam o egípcio Ipi ou Ipu. «anea» é semelhante ao egípcio ankh, que significa «vida», ou ankhu, que significa «está vivo». O livro *Pharaohs and Kings: A Biblical Quest*, p. 350, conclui afirmando que o nome Ipiankhu e as suas variações eram comuns na época de José, mas não eram muito comuns antes ou depois dessa época.


P: Em Génesis 41:45, tendo em conta como Isaac e Jacó encontraram as suas esposas, em que difere a forma como José encontrou a sua esposa? Como é que José lidou com essa situação?

R: O Faraó não era crente, e a esposa de José provavelmente também não o era, pelo menos inicialmente. Não vemos qualquer cuidado por parte de pessoas crentes na escolha de uma esposa para José; mas José conseguiu, mesmo assim, dar-se bem. Tal como Deus concedeu a Adão o governo da terra e uma esposa, o Faraó concedeu a José o governo da terra e uma esposa.

A propósito, Potifar e Potifara provavelmente não são a mesma pessoa. Existe um monumento no Egito chamado «estela de Potifar», que diz: «Potifar, filho de ‘Ank h-Hor». Provavelmente, não se trata de nenhum destes homens; antes, «Potifar» era um nome comum.


P: Em Génesis 41:53-57, de que forma José foi um tipo de Cristo?

R: José sofreu para poder prover o sustento de todo o povo de Deus. Desde o momento em que José foi vendido como escravo até se tornar o segundo no comando, passaram-se cerca de 13 anos. Durante esse tempo, José teve de ser paciente, apesar de não ter recebido qualquer indício externo de que a sua situação alguma vez melhoraria. Pense em quão paciente Deus é connosco!


P: Em Génesis 41:57, o que aconteceu a José acabou por beneficiar José?

R: Neste caso, beneficiou-o de forma secundária, na medida em que ele não se encontrava em Canaã quando a fome se abateu. Mas, essencialmente, não se destinava a beneficiar José; afinal, José poderia simplesmente ter-se mudado para a Síria e vivido sozinho lá, tal como Jacó fez. Não, o benefício principal foi para as 70 pessoas do seu clã. Deus não trouxe esta provação sobre José principalmente para benefício dele, mas para o da sua família.

Por outro lado, José beneficiou-se grandemente de uma forma diferente. Imagine que José tivesse permanecido em Canaã ou na Síria e não tivesse feito nada durante toda a sua vida. Ele poderia ainda assim ter um caráter íntegro, mas não seria considerado um grande herói da fé na Bíblia sem estas experiências que o moldaram, embora essa formação tenha sido, por vezes, dolorosa.


P: Em Génesis 41:57, uma vez que a fome era grave em todo o mundo, por que razão nem todos os lugares do mundo sofreram fome?

R: Esta frase expressa que a fome era grave também para além do Egito.


P: Em Génesis 42:3-4, o que é que a família aprendeu sobre o favoritismo?

R: No caso de Jacob, aparentemente nada. Ele não enviou Benjamim com os outros nesta aventura, porque parecia que amava Benjamim mais do que os outros. Na mente de Jacob, a sua falecida esposa Raquel, o seu filho José (que se pensava estar morto) e Benjamim estavam ligados entre si, e ele não queria perder o último deles. Aparentemente, os outros irmãos eram considerados mais dispensáveis. Esta foi uma forma terrível de ser pai.

No entanto, os irmãos tinham-se sentido mal depois de terem mandado José embora e de terem mantido isso em segredo perante o pai durante todos estes anos. Mas, desde então, dado que Jacob era injusto para com eles e que isso não iria mudar, aprenderam agora a viver com isso.


P: Em Génesis 42:7, por que razão os funcionários egípcios estavam a vender cereais?

R: Sob a liderança de José, o Egito tinha acumulado reservas de alimentos para a grave fome. Ou o governo egípcio tinha retirado aos agricultores mais do que o necessário, ou alguns egípcios teriam menos do que o necessário porque estavam a vender o trigo do povo para obter lucro. Milénios mais tarde, era uma ocorrência demasiado comum que os alimentos fossem exportados para obter um lucro significativo, enquanto os agricultores que os produziam morriam de fome.


P: Em Génesis 42:8, por que razão os irmãos de José não o reconheceram?

R: Nada indica que se tratasse de algo milagroso ou sobrenatural. A última vez que o viram, era um rapaz de 17 anos, indefeso e assustado, com barba; agora, viam um homem rico e poderoso de 30 anos que, se seguisse os costumes egípcios, não teria barba. Mesmo quando as pessoas notam uma semelhança, muitas vezes chegam à conclusão precipitada de que não pode ser a mesma pessoa, se as circunstâncias parecem tornar impossível que se trate da mesma pessoa.


P: Em Génesis 42:6-20, por que razão José tratou os seus irmãos, de quem se tinha afastado, desta forma?

R: Embora a Bíblia não aprove nem critique esta estratégia, esta revelou-se astuta da parte de José. José queria saber qual era a atitude deles em relação ao outro filho da sua mãe e o que tinham aprendido ao longo dos anos. Ele queria ver o que havia nos seus corações antes de lhes abrir o seu coração.

Embora provavelmente ninguém hoje se encontre na mesma situação, o princípio geral de tentar conhecer um pouco o que há no coração de uma pessoa antes de lhe confiar os seus segredos continua a ser válido. Num contexto diferente, Jesus disse para não lançar as suas pérolas aos porcos, em Mateus 7:6.


P: Em Génesis 42:21-23, por que razão se sentiram eles tão atormentados pela culpa nesta ocasião?

R: Tratava-se de um grande segredo que apenas os irmãos conheciam. (Eles não sabiam que José estava diante deles e que conhecia o hebraico.) Imagine ter um segredo a corroê-lo no seu passado, relativo ao que fez a alguém próximo de si e que não lhe podia revelar. Pense em como foi difícil para os irmãos todos estes anos por causa do seu pecado.

Rúben teve a ideia de resgatar José já em Génesis 37:21-22. Rúben não concordou com a venda de José em Génesis 37:29, mas consentiu em pegar na túnica de José e mergulhá-la em sangue. Aqui, Rúben continuava a sentir-se culpado tal como os outros, mas também tinha uma atitude do tipo «eu bem vos disse», culpando-os.


P: Em Génesis 42:25-28, depois de terem sofrido o choque de terem de deixar Simeão para trás na prisão, como acha que se sentiram quando viram o dinheiro de prata de volta no saco?

R: Génesis 42:28b provavelmente subestimou a situação ao dizer: «os seus corações afundaram-se». Sentiam pena de Simeão e do seu pai, e temiam contar a notícia ao seu pai idoso. Mais tarde, Jacó disse que, se Benjamim também se perdesse, «levará os meus cabelos grisalhos para o Seol em tristeza» (Génesis 42:38b).

O plano de Ruben era regressar ao Egito sozinho, apenas com Benjamim e a prata, e tentar resgatar Simeão. Mas Jacó amava Benjamim mais do que a ideia de resgatar Simeão.


P: Em Génesis 42:37, por que razão diria Rúben: «Podem matar os meus dois filhos se eu não o trouxer de volta para vós»?

R: Jacó não tinha qualquer interesse em mandar matar nenhum dos seus netos. Ruben disse isto para causar impacto, na tentativa de persuadir Jacó. Mas é uma relação um tanto estranha, em que Ruben proporia este acordo a Jacó. Parece que, apesar de Jacó não saber a verdade sobre José, não havia muita confiança entre Jacó e os seus filhos. Infelizmente, isso também pode ser verdade em algumas famílias hoje em dia.


P: Em Génesis 43-44, os irmãos estavam a ser postos à prova. Por que razão estavam a ser postos à prova?

R: Vejamos esta situação da perspetiva de José. Um dia, após tantos anos, os irmãos de José aparecem na sua corte a pedir ajuda. Nessa altura, o que sabia José sobre eles e sobre o seu caráter? A única coisa que José sabia, naquele momento, era que se tratava dos mesmos irmãos — que supostamente eram amorosos — que tinham discutido como matá-lo e que depois o venderam como escravo. Ah, e sabiam muito bem como amarrar uma pessoa. Não sabemos se a ideia de vingança lhe passou pela cabeça ou não, mas para outras pessoas isso poderia ter sido perfeitamente natural. O que deveria José fazer?

José não sentiu qualquer prazer em enganar os seus irmãos. Mas José tinha uma decisão séria a tomar; se os seus irmãos não tivessem mudado desde a altura em que o venderam como escravo, então ele não via razão para lhes proporcionar a libertação.

O «Bible Knowledge Commentary: Antigo Testamento», pp. 93-94, afirma: «José, que já tinha sido brilhantemente bem-sucedido em criar tensões durante as duas visitas anteriores, deu agora o seu golpe de mestre. Ele pôs à prova a preocupação deles por Benjamim, a fim de os levar a reconhecer a sua maldade. Se falhassem neste teste, se não tivessem compaixão por este segundo filho de Raquel, então não teriam parte no cumprimento das promessas. Deus poderia recomeçar do zero e fazer de José uma grande nação, caso os outros se revelassem indignos (cf. Êxodo 32:10).»


P: Em Génesis 44, quando devemos pôr os outros à prova? Normalmente, como devemos fazê-lo?

R: Costuma testar os seus irmãos e irmãs desta forma? – Espero que não. Embora não vejamos pessoas piedosas a testar os outros com tanta severidade como José o fez, é necessário fazer perguntas às pessoas e testá-las para a liderança. As pessoas podem aprender quando estão a ser testadas, mas esse não é o ponto principal. O ponto principal é verificar se se pode confiar na pessoa para realizar uma tarefa, ou se se pode confiar nela para ensinar a sã doutrina.

1 Timóteo 3:10 diz: «Além disso, devem primeiro ser postos à prova. Depois, se forem irrepreensíveis, que sirvam como diáconos.» Apocalipse 2:2 fala com aprovação da igreja de Éfeso, dizendo: «Vocês puseram à prova e desmascararam como mentirosos aqueles que falsamente afirmam ser apóstolos.» Em Romanos 16:10, Apeles foi posto à prova e aprovado; no entanto, foi provavelmente Deus quem realizou essa prova.

Por outro lado, se uma pessoa já passou no teste, tentar enganá-la sob o pretexto de um novo teste é errado. Os fariseus agiram mal ao virem testar Jesus, pedindo-Lhe um sinal em Marcos 8:11 e Lucas 11:16.

Eles testaram Jesus com perguntas em Mateus 16:1; 22:35.

Naomi pôs à prova Rute e Orfa em Rute 1:11-15. Não fazia sentido elas irem para Israel, uma terra que nunca tinham visto, apenas porque gostavam de Naomi. Se não seguissem o mesmo Deus, deviam simplesmente ficar onde estavam.

O rei Saul foi posto à prova em 1 Samuel 13:7b-14, mas não é claro se Samuel se atrasou acidentalmente por algumas horas ou se o fez deliberadamente.

Li uma vez que, nos tempos da União Soviética, alguns soldados não fardados e armados irromperam numa celebração religiosa clandestina quando esta estava prestes a começar. Perguntaram quem eram os cristãos e disseram que todos os não cristãos podiam sair. Depois, baixaram as armas e também participaram na celebração; queriam afastar todos os espiões da celebração.


P: Em Génesis 44:2-13, em que medida a taça de prata no saco de Benjamim se assemelha ao facto de Raquel ter roubado os ídolos do seu pai?

R: Os irmãos poderiam conhecer a história de Raquel a roubar os ídolos do seu pai, Labão. Labão e Jacó concordaram que quem fosse encontrado com esses ídolos seria morto. Na altura, não sabiam que tinha sido Raquel a roubá-los. Se Labão e Jacó concordaram com essa punição, que tipo de punição iria o alto funcionário do tribunal do Egito aplicar por roubar algo que lhe era (aparentemente) próximo e que tinha um elevado valor monetário?


P: Em Génesis 44:5, como é que José, um homem piedoso, poderia afirmar que usava adivinhação?

R: Não se diz que José alguma vez tenha usado aquela taça, apenas que disse aos seus irmãos que a usava para adivinhação. De acordo com Génesis 44:15, José aparentemente não estava muito preocupado com a taça. Não devemos recorrer à adivinhação (Deuteronómio 18:10) e devemos evitar até mesmo a aparência do mal (2 Coríntios 8:21; 1 Tessalonicenses 5:22); e mesmo José não era uma pessoa perfeita.

O «Comentário Evangélico sobre a Bíblia», p. 34, refere que a adivinhação pela água era comum no Egito. Observavam as gotas de água e faziam previsões.


P: Em Génesis 45:3, quais são as quatro razões pelas quais os irmãos de José poderiam ter ficado sem palavras?

R: Os irmãos ficaram 1) sem palavras porque estavam em estado de choque, não só por verem José, mas também pela posição que este ocupava; 2) sem palavras porque tinham sido descobertos; e 3) sem palavras ao pensarem no que lhes iria acontecer agora. 4) Tinham dito: «Tens intenção de reinar sobre nós?» (Génesis 37:8). Ora, José governava todo o Egito (Génesis 45:8).


P: Em Génesis 45:5,8; 50:19-20, quem é que José disse que o enviou para o Egito? Porquê?

R: Quantas vezes já ouviu dizer que, quando alguém planeava um homicídio, tudo acabava por correr bem para essa pessoa? Para os irmãos, tudo acabou por correr bem.

José afirmou especificamente que não foram os irmãos, mas sim Deus. José viu que as suas dificuldades e momentos difíceis provinham de Deus, e louvou a Deus por isso, porque agora, e só agora, José viu o resultado.


P: Em Génesis 45:6 e Génesis 47:28, os israelitas tornaram-se escravos enquanto José ainda estava vivo?

R: Sim. Analisando Génesis 37:2; 41:1; 41:29-39; 45:6; 47:28, os israelitas permaneceram no Egito durante 71 dos 110 anos de vida de José. Assim, os hebreus tornaram-se escravos enquanto José ainda estava vivo, pois foram escravos no Egito durante 400 anos e permaneceram no Egito por um total de 430 anos.


P: Em Génesis 45:8 e 50:19, será que Deus escraviza pessoas piedosas? Será que Deus escravizou José, ou os irmãos de José?

R: Este é um exemplo do conceito teológico denominado «concorrência». Deus não só sabia o mal que eles decidiriam fazer livre e voluntariamente se se encontrassem naquela situação, como também permitiu que se encontrassem nessa situação e levassem a cabo a intenção dos seus corações. Além disso, Deus planeou e utilizou o mal deles para fazer surgir o bem. Como diz Romanos 8:28: «...Deus faz com que todas as coisas contribuam para o bem daqueles que O amam...» Todas as coisas incluem até mesmo as coisas más.


P: Em Génesis 45:25-28, quais são as duas razões pelas quais Jacó fica atónito ao saber que José está vivo?

R: Em primeiro lugar, ele pensava saber com certeza que José estava morto; afinal, tinha visto o casaco multicolorido manchado de sangue. Em segundo lugar, ficaria surpreendido, quer agora quer mais tarde, ao descobrir que os seus dez filhos tinham conspirado para o enganar durante mais de vinte anos.


P: Em Génesis 46:3-4, Deus está a falar com Jacó individualmente ou com os seus descendentes?

R: Ambos. Deus está a unir os dois quando diz a Jacob que «vocês» serão transformados numa grande nação. Embora Jacob tenha morrido no Egito, o seu corpo foi trazido de volta à Palestina para ser sepultado. Isto foi um sinal de que «vocês», no plural, sairiam do Egito 430 anos mais tarde.


P: Em Génesis 46:1-6, quais foram as reações de Jacó a esta notícia chocante?

R: Primeiro, concordou em descer ao Egito, tal como os seus filhos sugeriram. Talvez não visse outra opção, dada a fome em Canaã. Mas, antes de partir, Jacó desceu a Beerseba, onde tinham construído um altar e oferecido sacrifícios a Deus, conforme se lê em Génesis 46:1. Beerseba situava-se mais ou menos na mesma direção que o Egito, pelo que o desvio para se dirigir ao altar terá sido apenas breve. Então, nessa noite, Deus concedeu a Jacob uma visão, dizendo-lhe para não ter medo de descer ao Egito, em Génesis 46:3. Isto contrasta com Génesis 26:2, onde Deus disse a Isaac para não descer ao Egito. Depois, Jacob e o seu clã apressaram-se a dirigir-se para o Egito. Mais tarde, Jacob apresentou-se perante o Faraó e abençoou-o, em Génesis 47:7,10.

Curiosamente, diz-se que Jacó seria trazido de volta em Génesis 46:4. É claro que tanto os seus descendentes como o seu corpo foram trazidos do Egito, embora Jacó tenha morrido lá. Mas Deus mencionou que Jacó morreria, pois disse que José colocaria a mão sobre os olhos de Jacó para os fechar pela última vez, em Génesis 46:4.


P: Em Génesis 46:4, por que razão Jacó morreu no Egito, uma vez que Deus prometeu que o tiraria de lá?

R: As pessoas pensavam tanto nos seus descendentes como em si próprias. Os descendentes de Jacob foram retirados do Egito. Além disso, o corpo de Jacob foi retirado do Egito, conforme se lê em Génesis 50:13-14.


P: Em Génesis 46:8-27, existem 12, 13 ou 14 tribos?

R: Havia 12 filhos de Israel (10 + Levi + José)

Havia 12 divisões de combate e tribos com terras (10 + os dois filhos de José, Manassés e Efraim, e não Levi).


P: Em Génesis 46:8-27, gostaria de saber quais foram os 11 filhos que Jacó teve na terra de Israel e quem eram as suas esposas? No livro do Êxodo da Bíblia, confirma-se que 70 pessoas foram para o Egito, incluindo Jacó. Pode enumerá-los para mim?

R: Na verdade, o «Êxodo» é um acontecimento diferente; foi quando saíram do Egito. Mas, para responder à sua pergunta, os onze filhos de Jacob são:
Rubem, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulom, Gade, Aser, Benjamim, Dã e Naftali. É claro que José era filho de Jacó, mas José vivia no Egito, não na terra de Israel.

Os descendentes de Jacó que foram para o Egito estão enumerados em Génesis 46:8-27; no entanto, essa lista não inclui aqueles que não tinham laços biológicos com Jacó. Os filhos e descendentes masculinos de Jacó que viajaram para o Egito naquela altura eram 64 homens. A filha de Jacó, Dina, e a filha de Aser, Será, também foram. Quando se acrescentam mais quatro pessoas — José, os seus dois filhos, Efraim e Manassés, e o próprio Jacó —, o total ascende a 70 pessoas enumeradas. É claro que as esposas e outras pessoas também teriam ido, e a Bíblia não afirma que não foram mais de 70 pessoas, mas apenas que 70 descendentes de Jacó, incluindo o próprio Jacó, partiram.


P: Em Génesis 46:33, existe alguma evidência extra-bíblica de que os pastores eram detestáveis para os egípcios?

R: Não dispomos de qualquer prova direta, mas temos algumas informações.

1. Quando os estrangeiros hicsos governavam o Egito, os egípcios posteriores chamavam aos desprezados governantes estrangeiros «os reis pastores».

2. Durante o tempo de José, os arqueólogos afirmam que um grande grupo de asiáticos vivia no Delta do Nilo. A análise dos restos esqueléticos de ovelhas revelou que, por volta dessa época, os colonos asiáticos introduziram pela primeira vez ovelhas de pêlo comprido na região do Delta do Nilo, no Egito.


P: Em Génesis 47:11, como é que a família de Jacob pôde viver na região de Ramsés, se a cidade de Ramsés ainda não tinha sido construída?

R: Estabeleceram-se na região do Delta do Nilo, onde os escravos hebreus viriam mais tarde a construir a cidade de Ramsés. Embora ainda não fosse conhecida por esse nome quando Jacó ali se estabeleceu, a cidade de Ramsés já tinha sido construída na altura em que Moisés escreveu o Génesis.


P: Em Génesis 47:20-21, como é que Deus pôde aprovar que José escravizasse o povo do Egito ao Faraó?

R: Deus não se pronunciou sobre o assunto, mas permitiu este imposto sobre o rendimento de 20% em Génesis 47:23-26.


P: Em Génesis 47:31, Jacó adorou na cabeceira da sua cama ou apoiado no seu cajado, como diz Hebreus 11:21?

R: Embora seja possível estar numa cama, apoiado num cajado, para se sentar e falar, há uma explicação mais simples. As consoantes para «cama» e «cajado» são as mesmas em hebraico, e o Antigo Testamento foi originalmente escrito apenas com consoantes. O texto massorético inseriu as vogais para formar esta palavra «cama», enquanto a Septuaginta traduziu-a como «bastão». Hebreus 11:21, em grego, refere-se a «bastão».


P: Em Génesis 48:5, qual foi o significado de Jacó ter dito que Manassés e Efraim lhe pertenciam?

R: Aparentemente, na futura divisão da terra, Manassés e Efraim foram considerados na mesma categoria que os filhos diretos de Jacó. Assim, os descendentes de José receberam duas partes de terra, e não uma. Frequentemente, o primogénito recebia uma parte dupla. Embora José não fosse o primogénito cronologicamente, tinha-lhe sido concedido o direito de primogénito.


P: Em Génesis 49 e Deuteronómio 33, como é que estas profecias se cumpriram?

R: Para cada filho, é apresentado um resumo das profecias, seguido do seu cumprimento. Em geral, Génesis 49 contém muitas profecias, enquanto Deuteronómio apresenta apenas algumas alusões ao futuro nas orações de Moisés.

Rúben, embora fosse biologicamente o primogénito, deixaria de se destacar. Rúben estabeleceu-se no lado oriental do rio Jordão e nunca foi uma tribo numerosa. De acordo com a «Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia», p. 103, Moabe subjugou Ruben no século IX (900-800 a.C.), conforme uma inscrição na pedra moabita (850 a.C.). Isto ocorreu após a época de Salomão, entre os reinados de Asa e Joás em Judá.

A tribo de Simeão seria dispersa por Israel. Simeão estabeleceu-se no centro de Judá (Juízes 1:3) e perdeu grande parte da sua identidade tribal à medida que se dispersava por todo o território de Judá.

Leví também seria disperso por Israel. Aos levitas não foi concedida terra, apenas cidades onde pudessem viver por todo o território de Israel. Eles deveriam ser os mestres de Israel. Durante o período do reino dividido, muitos deles mudaram-se para sul, para Judá.

Judá será louvado pelos seus irmãos, a sua mão estará sobre o pescoço dos seus inimigos e os outros filhos se curvarão perante ele. Judá será como um leão. O cetro não se afastará até que venha Siló. Davi e os governantes subsequentes do reino do sul provinham todos da tribo de Judá. Jesus descendia de David, tanto biologicamente, por parte de Maria, como «legalmente», por parte do seu pai adotivo, José. Génesis 49:10-12 são passagens messiânicas, de acordo com o Targum Jonathan, o Targum pseudo-Jonathan, o Targum Onkelos e o Talmude babilónico.

Zebulom viverá junto ao mar e a sua fronteira estender-se-á até Sidão, na Fenícia. Esta profecia relativa à sua localização cumpriu-se.

Issacar estaria num local de descanso agradável e confortável, e seria submetido a trabalhos forçados. Issacar foi subjugado por estrangeiros, juntamente com as outras tribos do norte, sob o domínio dos assírios em 732 a.C.

Dã fará justiça, como uma serpente feroz. Tal como um filhote de leão, ele saltaria de Basã. Dã herdou a região central (longe de Basã), mas quando atacaram violentamente Laís, em Juízes 18, deslocaram-se para norte, perto de Basã.

Gad será atacado, mas retaliará com um contra-ataque. Abençoados são aqueles que ampliam o domínio de Gad. Isto poderá referir-se profeticamente a Jefté, o gadita, que derrotou os amonitas.

Aser teria comida rica e requintada. Aser será forte durante todos os seus dias. Aser enfrentou poucas dificuldades na guerra, embora tenha havido alguma assimilação da cultura fenícia.

Naftali será como uma corça que dá à luz belos filhotes. Naftali herdará terras a sul, até ao lago. Naftali não desempenhou um papel de destaque em muitas guerras e estabeleceu-se junto ao Mar da Galileia.

José será uma videira frutífera, cujos ramos trepam por cima de um muro. Os arqueiros dispararão contra ele, mas o seu arco permanecerá firme. Como um príncipe entre os seus irmãos. José terá abundância. As duas meias-tribos de José, Efraim e Manassés, eram as mais populosas depois de Judá. De facto, Efraim tornou-se mais tarde sinónimo do reino do norte, tal como Judá se tornou sinónimo do reino do sul.

Benjamim seria um lobo voraz. Ehud, o benjamita, foi um juiz que matou Eglon de Moabe. Benjamim, embora fosse uma tribo pequena, lutou ferozmente contra as outras tribos em Juízes 20.


P: Em Génesis 49:3 e Deuteronómio 21:17, o que significa «o início da força de um homem»? Algumas traduções sugerem que se trata do início da capacidade reprodutiva de um homem ou da sua virilidade. O Salmo 127 pode sugerir outra coisa em relação a este termo quando fala dos filhos da juventude de um homem como flechas na aljava de um guerreiro poderoso.

R: Um homem pode ser fértil e nunca ter filhos, embora, sem filhos, não se possa provar que seja fértil. Mas, para sermos rigorosos, existem quatro possibilidades para o seu significado preciso.

a) um bebé, o que também indica que um homem pode vir a ter mais filhos posteriormente.

b) um filho do sexo masculino, que pode sustentar a família quando o homem for velho e lutar pelo país.
c) Trata-se de uma expressão relativa ao direito do filho primogénito.
d) um descendente, o que significa que o homem pode ter uma linhagem duradoura.

Penso que a opção d) é provavelmente a que se tem em vista aqui, porque ter descendência para dar continuidade à linhagem era muito importante naquela cultura. De facto, quando um homem casado morria sem descendência, o seu irmão devia casar-se com a sua esposa e o primeiro filho levaria o nome do irmão falecido.

A opção c) está definitivamente também em causa em Deuteronómio 21:16-17.
Mas penso também que a opção b) está aqui em causa, tal como diz o Salmo 127:4-5.

No entanto, «o princípio...» não é algo que os vários filhos tenham, nem que, juntos, fossem «o princípio». Isto implica que o filho era o princípio da força do homem quando nasceu, o que indicaria que a) estava em causa. Ruben perdeu o direito de primogénito, mas em Génesis 49:3 continuava a ser, biologicamente, o primogénito, «o princípio da minha força».

Portanto, a minha opinião é tudo o que foi exposto acima.


P: Em Génesis 49:3-4, por que razão era adequado que Ruben, que se destacava em honra e poder, deixasse de se destacar? Será que isso aconteceu noutras partes da igreja?

R: Na verdade, trata-se de um trocadilho com a palavra «excel». Isto deve-se ao que Ruben fez em Génesis 35:22 e 1 Crónicas 5:1-2.


P: Em Génesis 49:5-7, como é que Jacó pôde amaldiçoar Levi, uma vez que Moisés mais tarde abençoou Levi em Deuteronómio 33:8-11?

R: Os descendentes de Levi foram dispersos por todo o território de Israel devido a este ato cruel. Os descendentes de Levi foram abençoados ao receberem o privilégio de ensinar Israel. Há aqui uma lição a aprender. Uma maldição, quando a suportamos e seguimos a Deus, pode transformar-se numa bênção.


P: Em Génesis 49:7, quando é que um povo ou uma nação deve sentir fúria e ira cruel?

R: Em Génesis 49:6, chegaram mesmo a aleijar os bois devido à sua fúria: não eram agentes da justiça, eram agentes de uma fúria descontrolada.

A resposta a esta pergunta é: nunca. Devemos ser amorosos. Ter ódio é um sinal de não estar salvo, de acordo com 1 João 4:8,20. «Pois a ira do homem não produz a justiça que Deus deseja», segundo Tiago 1:20.

Simeão e Levi eram os filhos mais velhos a seguir a Rubem. Foram desqualificados exclusivamente devido à sua ira feroz. Da mesma forma, hoje em dia, por vezes, pessoas competentes, experientes e inteligentes não são consideradas para um cargo, ou são despedidas do mesmo, devido ao seu temperamento. Podemos perder imensas coisas boas e boas relações por causa da ira.


P: Em Génesis 49:9, por que razão Judá não foi desqualificado por causa de Tamar, em Génesis 38?

R: Judá é o segundo mais velho, depois de Rubem, Simeão e Levi. Todos os quatro eram filhos de Léia. Judá tentou mandar matar Tamar, mas depois de o seu próprio pecado ter sido descoberto, Judá corrigiu a situação, ou pelo menos tanto quanto pôde, no final.


P: Em Génesis 49:9-11, o que é que esta passagem profetiza exatamente?

R: Siló significa simplesmente «aquele a quem pertence». Os próprios judeus interpretaram Génesis 49:10 como uma profecia messiânica. No Talmude Babilónico, no livro do Sinédrio, capítulo 4, a seguir ao 37, recto, o rabino Rachman afirmou: «Quando os membros do Sinédrio se viram privados do seu direito sobre a vida e a morte, uma consternação geral apoderou-se deles; cobriram as cabeças com cinzas e os corpos com sacos, exclamando: “Ai de nós, pois o cetro se afastou de Judá e o Messias ainda não veio!”»

Num Comentário aos Manuscritos do Mar Morto sobre o Génesis (4Q252 [=4QpGena]), o fragmento 2, ao discutir Génesis 49:10, afirma: «Sempre que Israel reinar, [não] deixará de haver um descendente de David no trono. Pois o cetro do governante é a Aliança da realeza, [e os clãs] de Israel são as divisões, até que venha o Messias da Justiça, o Renovo de David.» Ver *The Dead Sea Scrolls in English*, 4.ª ed., pp. 300-302, que também salienta que este comentário considera os reis judeus hasmoneus como governantes ilegítimos, uma vez que não eram de Judá.

Talmude Babilónico, Sanhedrin 98b, o rabino Johanan escreveu: «O mundo foi criado por causa do Messias; qual é o nome deste Messias? A escola do rabino Shila dizia: “O seu nome é Shiloh, pois está escrito: ‘até que Shiloh venha’.”»

Talmude de Jerusalém, Sanhedrin, fólio 24. «Pouco mais de quarenta anos antes da destruição do Templo, foi retirado aos judeus o poder de proferir sentenças capitais.»

O Targum Onkelos afirma: «A transmissão do domínio não cessará da casa de Judá, nem o escriba dos filhos dos seus filhos, para sempre, até que o Messias venha.»

O Targum Pseudo-Jonathan sobre Génesis 49:11a: «Não cessarão reis e governantes da casa de Judá… até que venha o Rei Messias»

Uma fonte judaica adicional que indica que os judeus compreendiam que se tratava de uma profecia messiânica é o Targum Jonathan sobre Génesis 49:10,11a.

Entre os primeiros cristãos que se referiram a esta profecia messiânica contam-se Irineu de Lyon (c. 160-202 d.C.), Hipólito de Portus (222-235/236 d.C.) e Orígenes (225-253/254 d.C.). Entre os hereges, as Homilias Clementinas dos Ebionitas (-188 d.C. — data incerta) mencionam isto.


P: Uma vez que Génesis 49:10 afirma que o cetro não se afastará até que «Shiloh» venha, como é que isto poderia referir-se ao Messias?

R: As traduções grega e latina referem «aquele a quem pertence». Isto foi interpretado como messianico pelos intérpretes judeus históricos, uma vez que o targum aramaico traduz esta passagem como «Messias». Trata-se também de uma referência messianica de acordo com o Targum de Jonatão e o Pseudo-Targum de Jonatão (= Targum Yerushalmi I, = Targum Ezez). Os judeus perderam o direito à pena de morte por volta do ano 6 d.C. O Talmude babilónico menciona isto no capítulo 4 de Sanhedrin, a seguir a 51b; capítulo 4, a seguir a 37; recto. Ezequiel 21:27 apresenta uma construção paralela à de Génesis 49:10.

Outros considerariam isto como o governante oficial da Palestina. Sob o domínio romano, o rei judeu Arquelau foi destronado e o procurador romano Copônio substituiu-o.

A título de nota à margem, o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 1, p. 224, refere que o Talmude babilónico afirma que o Targum Jonathan foi escrito por Jonathan bin Uzziel, que viveu no século I a.C. e foi o aluno mais proeminente de Hillel.

Num Comentário dos Manuscritos do Mar Morto sobre o Génesis (4Q252 [=4QpGen(a)]), o fragmento 2, ao discutir Génesis 49:10, afirma: «Sempre que Israel reinar, [não] deixará de haver um descendente de David no trono. Pois o cetro do governante é a Aliança da realeza, [e os clãs] de Israel são as divisões, até que venha o Messias da Justiça, o Renovo de David.» A obra «Os Manuscritos do Mar Morto em Inglês», 4.ª ed., pp. 300-302, salienta também que este comentário considera os reis judeus hasmoneus como governantes ilegítimos, uma vez que não eram de Judá.

Josefo, no seu livro «A Guerra dos Judeus» (93-94 d.C.), livro 2, capítulo 8, afirma: «E agora a parte da Judeia que pertencia a Arquelau foi reduzida a uma província, e Copônio, membro da Ordem Equestre romana, foi enviado como procurador, tendo o poder de vida e morte colocado nas suas mãos por César.» Josefo também menciona que o Sinédrio perdeu o poder sobre os casos de pena capital em «Antiguidades dos Judeus» 20.9. (escrito por volta de 93-94 d.C.)

Os próprios judeus interpretaram isto como uma profecia messiânica. No Talmude Babilónico, no livro do Sinédrio, capítulo 4, a seguir ao 37, recto, o rabino Rachman afirmou: «Quando os membros do Sinédrio se viram privados do seu direito sobre a vida e a morte, uma consternação geral apoderou-se deles; cobriram as cabeças com cinzas e os corpos com sacos, exclamando: “Ai de nós, pois o cetro se afastou de Judá e o Messias ainda não veio!”» Isto aconteceu por volta do ano 6 d.C. (Extraído de *Evidence That Demands a Verdict*, vol. 1, p. 169, de Josh McDowell, e de *Jesus Before the Sanhedrin*, de Augustin Lemann, 1886, traduzido por Julius Magath, NL#0239683, Biblioteca do Congresso n.º 15-24973.) Ver também *Pugio Fidei*, de Martini, Raymundus, publicado por De Vosin em 1651, p. 148.

Talmude Babilónico, Sanhedrin 98b: o rabino Johanan escreveu: «O mundo foi criado por causa do Messias; qual é o nome deste Messias? A escola do rabino Shila dizia: “O seu nome é Shiloh, pois está escrito: ‘até que Shiloh venha’.”» p. 147

Talmude: «[30 d.C.] Pouco mais de quarenta anos antes da destruição do Templo, foi retirado aos judeus o poder de proferir sentenças capitais.» Talmude de Jerusalém, Sanhedrin, fólio 24, p. 147

O Targum Onkelos afirma: «A transmissão do domínio não cessará da casa de Judá, nem o escriba dos filhos dos seus filhos, para sempre, até que o Messias venha.» (O Messias: Uma Interpretação Arameia; A Exegese Messiânica do Targum, Samson H. Levy (Cincinnati: Hebrew Union College Jewish Institute of Religion, 1974), p. 2) p. 146

Targum Pseudo-Jonathan sobre Génesis 49:11a: «Não cessarão reis e governantes da casa de Judá… até que venha o Rei Messias», ibid., p. 7

Uma fonte judaica adicional que indica que os judeus compreendiam que se tratava de uma profecia messiânica é o Targum de Jonathan sobre Génesis 49:10,11a. Justino Mártir (que escreveu por volta de 138-165 d.C.) menciona isto como uma referência a Cristo na sua Primeira Apologia, cap. 32.


P: Em Génesis 49:10, o que significa exatamente a palavra hebraica «Shiloh» neste contexto?

R: O texto hebraico original não possuía vogais e, por isso, existe alguma incerteza.

a) Pode ser um nome que se refere a uma pessoa: Shiloh

b) Pode significar «de quem é» ou «que lhe pertence»: siloh / selloh. Esta interpretação é corroborada pela Septuaginta e pela Peshitta siríaca. Ezequiel 21:26-27 está relacionado com isto.

c) Pode significar «tributo a ele» — say loh. Isto seria um paralelo com o versículo seguinte.

d) Pode ser o local de Shiloh.

e) Por fim, existem muitos jogos de palavras na Bíblia, pelo que poderá tratar-se de mais do que uma destas possibilidades.


P: Génesis 49:10 diz, a respeito do cetro real: «até que venha Shiloh». Como é que esta profecia bélica se poderia referir a Jesus?

R: Jesus foi espiritualmente belicoso ao derrotar Satanás na Sua primeira vinda. Além disso, Jesus será belicoso e matará muitos na Sua Segunda Vinda, conforme Apocalipse 19:11-16.


P: Em Génesis 49:10, uma vez que o cetro não se afastaria de Judá até à vinda do Messias, por que razão não houve reis de Judá após o exílio, com exceção dos Macabeus?

R: Génesis 49:10 não garantia que haveria reis independentes. Apenas diz que haveria um governante, e Gedalias e muitos outros exerceram esse cargo como governadores sob o domínio da Babilónia, da Pérsia e de outros governos. Consulte «1001 Perguntas Bíblicas Respondidas», p. 28, para uma resposta diferente, mas complementar.


P: Em Génesis 49:10, uma vez que Judá deveria reinar até à vinda do Messias, por que razão Saul era da tribo de Benjamim?

R: Não havia rei quando esta profecia foi proferida. Saul foi rejeitado como rei, mas assim que Davi (da tribo de Judá) se tornou rei, reconheceu-se que Judá era a linhagem real até à vinda do Messias. Jesus era da tribo de Judá «legalmente», uma vez que José era o Seu pai legal, e biologicamente, uma vez que Maria também era da tribo de Judá.


P: Em Génesis 49:14-15, por que razão Jacó profetizou a escravidão para Issacar, mas Deuteronómio 33:18-19 profetizou bênçãos?

R: Ambas as profecias se cumpriram. Issacar recebeu uma grande bênção na sua terra fértil. No entanto, na época dos assírios, tornaram-se escravos e a sua tribo permaneceu nessa condição. As bênçãos de Deus, quando as tomamos como garantidas, podem levar-nos a tornar-nos preguiçosos e propensos a submeter-nos ao pecado. Consulte Juízes 8:27, 33 para ver outro exemplo triste na história de Gideão.


P: Em Génesis 49:16-17, a que é que isto se poderá referir?

R: Sansão era de Dã. Dã é a tribo mais setentrional desde os tempos de Juízes 18. Dã deveria ter promovido a justiça, mas, em vez disso, promoveu a idolatria, conforme se lê em Juízes 18:30. Jeremias 4:15-16 e 8:16 afirmam que o desastre virá de Dã.

Gileade, Dan e Aser não apoiaram Débora e Baraque em Juízes 5:17.

Em Apocalipse 7:5-8, nenhum dos 144 000 é da tribo de Dan. Alguns pensam que o Anticristo poderá ser um judeu da tribo de Dan.


P: Em Génesis 50:3, por que razão demoraram 40 dias a embalsamar o corpo de Jacob, e não mais nem menos?

R: Não há necessidade de tentar atribuir aqui um significado alegórico, quando a Bíblia apresenta a razão. Génesis 50:3 afirma que 40 dias era o tempo necessário para o embalsamamento. A revista KMT: A Modern Journal of Ancient Egypt, vol. 3, n.º 3, Outono de 1993, p. 7, refere que experiências de mumificação em ratos demonstram que quarenta dias é o tempo necessário para completar a secagem do corpo com sais de natrão. Menciona ainda que quarenta dias continua a ser o período de luto no Egito moderno.


P: Em Génesis 50:13, Jacó foi sepultado na caverna que Abraão comprou perto de Manre, ou alguns dos Patriarcas foram sepultados perto de Siquém, como sugere Atos 7:15-16?

R: Primeiro, três pontos relacionados com a resposta e, em seguida, duas respostas possíveis.

Em primeiro lugar, tratava-se de dois locais distintos, uma vez que a distância entre Mamre e Siquém era de cerca de 45 milhas (72 quilómetros).

Antes do Êxodo, Génesis 50:13 afirma que Jacó foi sepultado perto de Mamre. Génesis 50:24-26 refere que o corpo de José foi embalsamado e guardado num caixão no Egito, com a intenção de que fosse posteriormente sepultado na Terra Prometida.

Após o Êxodo, mais de 477 anos depois, os filhos de Jacó foram sepultados perto de Siquém, tal como refere Atos 7:15-16. Josué 24:32 acrescenta ainda que os ossos de José foram sepultados na região próxima de Siquém.

Eis duas respostas distintas.

«Eles»: Atos 7:15 diz: «E Jacó desceu ao Egito e expirou [ou seja, morreu], ele e os nossos pais.» (Tradução Literal de Green) «Eles», em Atos 7:16, refere-se aos doze filhos de Jacó (os nossos pais) que foram sepultados após o Êxodo, e não a Jacó, que tinha sido sepultado mais de 477 anos antes.

O erro de Estêvão: Se Estêvão tiver «fundido» incorretamente estes dois acontecimentos num só quando falou, então Atos 7:15-16 continua a ser inerrante. Atos 7:15-16 regista de forma inerrante um erro trivial que Estêvão cometeu. Nada indica que Estêvão tivesse de ser inerrante em tudo o que dizia. No entanto, tendo em conta o historial de Estêvão relativamente a outros assuntos em Atos 7, poder-se-ia dar preferência à primeira resposta.

No entanto, mesmo que a segunda resposta seja a correta, há uma lição para nós. Quando os crentes de hoje se encontram no centro da vontade de Deus e falam aos outros como Deus deseja que o façamos, Deus também não prometeu que todas as nossas palavras e doutrinas sejam infalíveis. Mas isso não faz mal. Deus opera em nós apesar dos nossos erros e até mesmo através deles para revelar a Sua verdade.

Independentemente de Estêvão não ter utilizado a precisão moderna nos seus pronomes ou de se ter enganado num pormenor histórico, a mensagem de Deus não reside no facto de Jacó ter sido ou não incluído no «eles» sepultados em Siquém. A mensagem de Deus é que Ele guiou os israelitas numa relação de Aliança com Ele e que os utilizou durante milhares de anos para preparar o cenário para o maior acontecimento de todos os tempos: a vinda do próprio Filho de Deus, Jesus Cristo.


P: Em Génesis 50:16, os irmãos de José mentiram quando disseram que Jacó ordenara a José que não lhes fizesse mal?

R: A Bíblia não diz se Jacó alguma vez ordenou isso explicitamente, pelo que os irmãos podem ter mentido. Por outro lado, é certo que Jacó desejava implicitamente que José não se vingasse dos seus irmãos. Hoje em dia, ouvimos muitas coisas das pessoas sem saber com certeza se a pessoa está a dizer completamente a verdade ou não. Continuamos a precisar de responder com sabedoria, e da forma como Deus gostaria que respondêssemos, mesmo quando não podemos provar ou refutar a veracidade do que é dito.


P: Em Génesis 50:19-20, como podemos fazer as nossas próprias escolhas, uma vez que Deus «pretende» que façamos as escolhas que fazemos?

R: Três pontos simples que explicam esta concomitância.

Deus nunca coage as pessoas a pecar nem as leva a escolher o mal. Deus não tenta ninguém, segundo Tiago 1:13.

Deus conhecia de antemão as suas escolhas e permitiu que as fizessem. Charles Hodge refere-se a este conceito como «decretos permissivos».

Deus utilizou as suas escolhas malignas como parte do Seu plano. De facto, tudo está incluído no plano de Deus, de acordo com Efésios 1:11 e Provérbios 16:4. Louis Berkhof cunhou o termo «concorrência» para este conceito.


P: No Génesis, por que razão a palavra «Elohim» foi mencionada 33 vezes nos primeiros 34 versículos, seguida de «Yahweh-Elohim» 20 vezes em 45 versículos e, posteriormente, de «Yahweh» 10 vezes em 25 versículos (Evidence That Demands a Verdict, volume 2, p. 121)? Será que isto indica a existência de vários autores?

R: Não se tratou de uma coincidência, mas sim de uma forma deliberada de expressar, em primeiro lugar, a natureza universal e transcendente de Deus, seguida dos Seus aspetos mais pessoais. Verificou-se uma situação muito semelhante no Alcorão. A palavra «Alá» predomina nas suras posteriores, de Medina, enquanto «Senhor», e não «Alá», é utilizada principalmente nas suras anteriores, de Meca. Eis a minha contagem nas suras de Medina: 4 (~211x), 9 (~152x), 24 (75x), 33, 48, 49, 57 (33x), 58 (37x), 59 (29x), 60-66. Eis a minha contagem da palavra «Senhor» nas suras de Meca, seguida do número aproximado de vezes em que a palavra «Alá» é utilizada: 15 (3 vezes), 32 (1 vez), 50-53, 54-55 (0 vezes), 56 (2 vezes), 67 (4x), 68 (0x), 75 (0x), 78 (0x), 85-96 (9x), 100-109 (1x), 110-112 (6x), 113-114 (0x).

Da mesma forma, no Livro dos Hebreus, no Novo Testamento, o capítulo 1 nunca utiliza as palavras «Cristo» ou «Jesus», referindo-se a Ele apenas como o «Filho». No entanto, «Jesus» e «Cristo» são utilizados com frequência no resto do Livro dos Hebreus.

Isto não demonstra que o Alcorão tenha tido vários autores, nem que o Livro dos Hebreus tenha tido vários autores, tal como as evidências não demonstram que o Génesis tenha tido vários autores. Pelo contrário, isto demonstra que o uso assimétrico de nomes não era invulgar na literatura do Médio Oriente.


P: No Génesis, quando é que este livro foi escrito?

R: Os primeiros escritos judaicos e cristãos afirmam unanimemente que foi Moisés quem o escreveu. Quer tenha sido o próprio Moisés a empunhar a caneta, quer tenha sido um escriba sob a sua orientação, tal ocorreu ainda no tempo de Moisés.

O liberal Julius Wellhausen afirmou, em 1885, que foram criados durante ou após o exílio babilónico (598-539 a.C.). Hoje em dia, porém, ninguém, nem mesmo os liberais, acredita nisso.

Os liberais de hoje acreditam que foi escrito séculos depois da época de Moisés.


P: No Génesis, como sabemos que o que temos é o que foi escrito originalmente?

R: Como cristãos, confiamos que o Antigo Testamento que Cristo validou é o Antigo Testamento que temos. Aliás, para os muçulmanos, o Alcorão afirma que a Torá foi entregue a Jesus na Sura 5:46. Dispomos de manuscritos antigos da época de Cristo, aos quais a próxima pergunta se refere. No entanto, existe uma linha de evidência adicional. Filo de Alexandria foi um erudito judeu que viveu entre 15/20 a.C. e 50 d.C. Escreveu um comentário sobre o Génesis e respondeu a questões sobre o Antigo Testamento. Escreveu em grego, mas é curioso que as suas citações gregas do Antigo Testamento correspondam mais de perto ao texto masorético hebraico do que à Septuaginta grega. Aprofundou-se em pormenores sobre o significado dos diferentes versículos. Dos 1 533 versículos totais do Génesis, Filo referiu-se a todos ou a partes de 410 deles. Aqui estão os versículos do Génesis a que se referiu.

1:1-2, 4, 26, 27, 31; 2:1-10, 13-25; 3:1-24; 4:1-12, 14, 25-26; 5:1, 3, 23-24, 29, 32; 6:1-12, 14-17; 7:1-2, 4-5, 10-11, 16-17, 19, 21-24; 8:1-18, 20-22; 9:1, 3-8, 10-11, 13, 18, 20-28; 10:1, 6, 8; 11:1-2, 4, 6-8, 10, 29; 12:1-4, 6-7; 13:1, 9; 14:1, 3, 7, 17, 18, 20-24; 15:1-3, 5, 20; 16:1-9, 11-16; 17:1, 6, 8, 10-22, 24, 26, 27, 32; 18:1, 3, 6, 7, 9-11, 15-17, 22, 23, 27, 32, 33; 19:4, 11, 20, 20, 32, 33, 35; 20:7, 12; 21:1-2, 5-7, 11-12, 14, 19-20, 33; 22:1-2, 4, 6, 7, 9, 16, 22, 62-63, 67; 25:5, 8, 11, 17, 21, 23-25, 27, 29, 33; 26:2, 3, 5, 9, 12, 32-33; 27:1, 20, 28, 30, 33, 36, 40-43, 45; 28:1-2, 7, 11-17, 21-22; 29:4, 13, 26, 31, 35; 30:1, 2, 13, 16, 18, 24, 30, 36, 37, 42;

31:3-5, 10-14, 20, 27-28, 33, 35, 43; 32:10, 25, 28-29, 31; 33:5, 11; 34:1, 3; 35:2, 4, 16, 18, 25; 36:12; 37:2-3, 7-9, 12-13, 15, 33, 36; 38:7, 9, 11, 20, 25; 39:1, 3, 7, 21; 40:8-10, 15-17, 20; 41:17, 28, 45, 49; 42:1, 11, 16, 18, 36; 43:9; 45:5, 11, 16, 18, 22, 26, 28; 46:1, 4, 27, 33-34; 47:3, 9, 24; 48:1, 5, 13, 15-16, 22; 49:2, 15-18, 22, 33; 50:7-8, 19, 24

No entanto, existem quatro diferenças nas referências aos versículos que ele apresenta, todas no Génesis.

Versículo

Hebraico massorético

Grego de Filo

Gén. 4:13

O meu crime é maior do que consigo suportar.

O meu crime é demasiado grave para ser perdoado. (3 vezes)

Génesis 5:22

Enoque viveu 65 anos antes de Matusalém e caminhou com Deus durante 300 anos

Enoque viveu 165 anos antes do arrependimento e 200 anos depois disso.

Génesis 6:6

Deus arrependeu-se de ter criado o homem na terra

Deus refletiu com preocupação, por ter criado o homem na terra; e tomou a seguinte decisão.

Génesis 10:9

Ele era um caçador poderoso perante o Senhor

começou a ser um gigante na terra

Como se pode ver pela lista anterior, ele comentou extensivamente os capítulos iniciais do Génesis e foi mais sucinto nos capítulos posteriores. Para quaisquer muçulmanos que estejam a ler isto, em Génesis 22, Filo afirma que foi Isaac, e não Ismael, que foi sacrificado, tal como nas cópias do Génesis do Antigo Testamento de que dispomos hoje.


P: Em Génesis, quais são alguns dos manuscritos mais antigos que ainda existem hoje?

R: Manuscritos do Mar Morto: (antes de Cristo) 20 cópias ou fragmentos, estimados em 15 ou 18 cópias distintas. Estes manuscritos são designados por:

1Q1 — fragmentos de Génesis

2Q1 Génesis

4Q1 Génesis + Êxodo

4Q2 Génesis, idêntico ao texto massorético

4Q3 Génesis 40-41

4Q4 Génesis 1

4Q5 Génesis, semelhante aos textos massorético e samaritano

4Q6 — Parte de Génesis 48

4Q7 fragmentos de Génesis 1 e 2

4Q8a Génesis 2:17-18

4Q8b Parafrase de Génesis 12:4-5

4Q8c Título de um manuscrito do Génesis

(4Q8a, b e c provêm de três manuscritos diferentes)

4Q9 Génesis, semelhante ao texto samaritano

4Q10 Génesis 1-3

4Q11 Génesis 50:26 até Êxodo 36

4Q12 Génesis 26 em letras paleo-hebraicas

6Q1: um fragmento de Génesis 5

8Q1 Dois fragmentos de Génesis 17:12-19 e 18:20-25.

No total, os Manuscritos do Mar Morto preservam os seguintes 265 dos 1 533 versículos do Génesis (17,3 %).

Génesis 1:1-28; 2:1-3, 6-7, 14-19; 3:1-2, 11-14; 4:2-11; 5:13-14; 6:13-21; 8:21; 10:6; 12:4-5; 17:12-19; 18:20-25; 19:27-28; 22:13-15; 23:17-19; 24:22-24; 26:21-28; 27:38-39,42-43; 32:4-5,30,33; 33:1, 18-20; 34:1-3, 5-10, 17-21, 30-31; 35:1, 4-10, 25-29; 36:1-17, 19-27, 35-37, 43; 37:1-2, 5-6, 22-30; 39:11-23; 40:1, 12-13, 18-23; 41:1-11, 15-18, 23-27, 29-44; 42:15-22,38; 43:1-2,5-14; 45:14-22,26-28; 46:7-11?; 47:13-14; 48:1-11,15-17,18-22; 49:1-8; 50:3,26?

Comentário dos Manuscritos do Mar Morto sobre o Génesis, na caverna 4

A Septuaginta é uma tradução grega do Antigo Testamento e dos Apócrifos. O fragmento Rahlfs 814, Génesis 14:12-15, data aproximadamente da segunda metade do século II d.C. (150-200 d.C.)

Uma cópia grega do Génesis, designada por inv. 319, é anterior a 100 d.C.

Na p. 7.2, refere-se que Génesis 1:1-5 na Septuaginta foi escrito na p. 12 (Papiro Amherst 3b). Este data de 264-282 d.C.

O manuscrito de Viena foi escrito no século V ou VI d.C. e conservam-se 24 páginas do Génesis.

Outros manuscritos gregos incluem

O Papiro de Oxirrinco 656 é um manuscrito do século II d.C. que contém Génesis em grego.

O Papiro de Oxirrinco 1007 é um fragmento do século III d.C. O escriba apresentou uma duplicação invulgar da letra «yod» inicial no Tetragrama.

O Papiro Chester Beatty 5 contém Génesis 42:7-19. Data de 350-400 d.C.

O Vaticanus (325-350 d.C.) contém Génesis 46:29-50:26. O Vaticanus contém todo o restante do Antigo Testamento.

O Alexandrinus (c. 450 d.C.) contém todo o Génesis, com exceção de Génesis 14:14-17; 15:1-5, 16-19; 16:6-9, que se encontram mutilados.

Sinaítico (340-350 d.C.) Génesis 21:26-22:17; 22:21-23:16; 23:19-24:20; 24:23-24:46;

Os samaritanos elaboraram a sua própria cópia da Torá no século II a.C., embora as cópias samaritanas mais antigas que se conservam datem da Idade Média.

Manuscritos cristãos primitivos: os papiros de Chester Beatty (séculos II-IV d.C.) contêm o Génesis.

A tradução siríaca da Peshitta do Génesis data do século V d.C.

Uma tradução siríaca da Septuaginta foi realizada pelo Bispo Paulo de Tella (616-617 d.C.), da qual ainda hoje dispomos.


P: Que autores antigos se referiram ao Génesis?

R: Filo, o Judeu (15/20 a.C. a 50 d.C.), refere-se a todos ou a partes de 410 versículos do Génesis. Uma das suas obras que cita extensivamente o Génesis é a «Interpretação Alegórica», I.

29 escritores da Igreja pré-nicena referiram-se ao Génesis.

1 Clemente (96-98 d.C.) cita ou faz referência ao conteúdo de 25 versículos do Génesis. Gn 1,26-28; 2,23; 4,3-8 (Septuaginta); 5,24; 9,6; 12,1-3; 13:14-16; 15:5,6; 18:27; 19:24; 21:22; 22:17; 27:41; 37:6.

Justino Mártir (que escreveu por volta de 138-165 d.C.) cita ou faz referência a Génesis 1:26,28; 2:3; 3:15,22; 6:16; 8:10,12; 9:24-27; 11:5,6; 15:6; 18:1,2,10,13,14,16,17,20-23,33; 19:1,10,16-25,27,28; 21:9-12; 26:4; 28:10-19; 31:10-13; 32:22-30; 35:6-10; 49:5,8-12,18.

Meleto/Melito de Sardes (170-177/180 d.C.) incluiu o Génesis entre os livros do Antigo Testamento na sua carta a Onésimo, na obra *On Pascha*, p. 72. Este facto está registado na *História Eclesiástica* de Eusébio, livro 4, capítulo 26.

Teófilo de Antioquia (168-182/8 d.C.) cita textualmente Génesis 2:8-3:19, num bloco de 37 versículos, na obra «Teófilo a Autólico», livro 2, capítulo 21, pp. 102-103. Cita também Génesis 2:4-5,7 na obra «A Autólico», capítulo 19, p. 102.

Irineu de Lyon (182-188 d.C.) afirma: «Além disso, aprendemos pela própria Escritura» e, logo a seguir, cita Génesis 17:9-11. Irineu, *Contra as Heresias*, livro 4, cap. 26.1, p. 480. Ele cita inúmeras passagens de Génesis.

Teodoto, provavelmente montanista (c. 240 d.C.), cita Génesis 1:1 como proveniente de «Génesis» em «Excertos de Teodoto», cap. 1, p. 43. Cita também Génesis 1:2 no cap. 7, p. 44, Génesis 1:3 no cap. 38, p. 48, e parte de Génesis 1:18 no cap. 56, p. 50.

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.). Ele cita o Livro do Génesis, referindo-se a ele como «Génesis» no Tratado 12, terceiro livro, 20,32, entre outros locais.

Outros escritores da Igreja pré-nicena que citaram Génesis incluem a Epístola de Barnabé, Meleto/Melito de Sardes, Atenágoras, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Hipólito, Orígenes, Novaciano, Arquelau, Alexandre de Alexandria e Metódio.

Após Nicéia

Jerónimo (373-420 d.C.) aborda os livros do Antigo Testamento. Discute especificamente Génesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronómio, a Torá, Jó, Jesus, filho de Nave [Josué], Juízes, Rute, Samuel e Reis (2 livros), os doze profetas, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Ester, Esdras, Neemias, Carta 53, cap. 7-8, p. 99-101.


P: Em Génesis, quão precisas eram as citações de Filo?

R: Eis as citações que Filão utiliza sequencialmente em «Sobre a Criação»:

«No princípio, Deus criou o céu e a terra» … «as trevas cobriam a face do abismo» … «chamou-lhe “dia”». … «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.» … «foram criados homem e mulher» … «este é o livro da criação do céu e da terra, quando ela teve lugar, no dia em que Deus fez o céu e a terra, e toda a erva verde antes de aparecer na terra, e toda a erva do campo antes de brotar.» … «E uma fonte brotou da terra e regava toda a face da terra.» … «Deus criou o homem, tendo tomado barro da terra, e soprou na sua face o fôlego da vida.» … «Deus trouxe todos os animais ao homem, desejando ver que nomes ele daria a cada um.» …
Eis algumas citações que ele utiliza de forma não sequencial em «Interpretação Alegórica», I e numa pequena parte de II.

«E o céu e a terra e todo o seu mundo ficaram completos.» … «E no sexto dia, Deus terminou a obra que tinha feito.» … «Deus completou as suas obras no sexto dia.» … «Fez repousar as coisas que tinha começado.» … «Assim, no sétimo dia, Deus fez repousar de todas as suas obras que tinha feito.» … «E Deus abençoou o sétimo dia e santificou-o.» … «Este é o livro da geração dos céus e da terra, quando foram criados.» … «Nesse dia, Deus criou os céus e a terra, e toda a erva verde do campo, antes de esta ter surgido na terra, e toda a relva do campo antes de ter brotado. Pois Deus não fazia chover sobre a terra, e o homem ainda não existia para cultivar a terra.» … «Mas uma fonte brotou da terra e regava toda a superfície da terra.» … «E Deus criou o homem, tomando um pedaço de barro da terra, e soprou na sua face o fôlego da vida; e o homem tornou-se uma alma viva.» … «E Deus plantou um paraíso no Éden, a leste; e ali colocou o homem que tinha formado.» … «E o homem que tinha formado,» … «Deus colocou no Paraíso.» … «E Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista e boa para alimento, e a árvore da vida fez-a crescer no meio do Paraíso, bem como a árvore do conhecimento do bem e do mal.» … «E um rio sai do Éden para regar o Paraíso. A partir daí, divide-se em quatro braços: o nome de um deles é Feison. É aquele que circunda toda a terra de Evilat. Ali encontra-se a região onde há ouro, e o ouro dessa terra é de boa qualidade. Ali também se encontram o carbúnculo e a safira. E o nome do segundo rio é Gihon; este é aquele que circunda toda a terra da Etiópia. E o terceiro rio é o Tigre. Este é o rio que corre perante os assírios. E o quarto rio é o Eufrates.» … «E o Senhor Deus tomou o homem que tinha criado e colocou-o no Paraíso, para o cultivar e guardá-lo.» … «E o Senhor Deus ordenou a Adão, dizendo: De todas as árvores que há no Paraíso poderás comer à vontade; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; pois no dia em que dela comeres, morrerás.» (II) «E o Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só: façamos para ele um auxílio adequado.” … “E Deus disse: Que a terra produza seres vivos segundo a sua espécie: animais de quatro patas, répteis e animais selvagens.” (Ele prossegue, passando por Abraão).

A comparação das duas secções mostra que Filo não utilizou necessariamente as mesmas palavras ao citar a mesma passagem.


P: No Génesis, quais são algumas das diferenças de tradução entre o hebraico e a Septuaginta grega?

R: Centrando-nos principalmente no capítulo 1, eis algumas das diferenças de tradução nos 1 533 versículos do Génesis. De acordo com o Anchor Bible Dictionary, vol. 5, p. 934, o Pentateuco Samaritano concorda com a Septuaginta contra o texto massorético em 1 900 leituras. Salvo indicação em contrário, a primeira frase provém do texto massorético (MT) e a segunda da Septuaginta (LXX).

Génesis 1:1 «céus» (MT) vs. «céu» (Septuaginta)

Génesis 1:2 «sem forma e vazio» vs. «feio e desabitado» (Septuaginta) vs. «vazio e nada» (Áquila) vs. «em pousio e indistinto» (Símaco) vs. «desolado, sem seres humanos nem animais, e desprovido de qualquer cultivo de plantas e árvores» (Targum de Neófito I [parafraseado]) vs. «vazio e deserta» (Vulgata)

Génesis 1:2 «a superfície do abismo» vs. «o abismo»

Génesis 1:2 «superfície das águas» vs. «água»

Génesis 1:5 «dia» (MT, Septuaginta) vs. «dia» (Manuscrito do Mar Morto 4QGen(g))

Génesis 1:6 «águas» vs. «água» (3 vezes)

Génesis 1:7 «E assim foi» vs. (ausente) (2 palavras hebraicas, 3 palavras gregas)

Génesis 1:8 «céus» vs. «céu»

Génesis 1:9 «assim foi.» vs. «assim foi. E as águas que estavam debaixo do céu reuniram-se nos seus lugares, e surgiu a terra seca.» (17 palavras gregas)

Génesis 1:11-12 «rebentos tenros» vs. «ervas» (duas vezes)

Génesis 1:14 «céus, para separar» vs. «céus, para iluminar a terra, para separar»

Génesis 1:16 «governar» vs. «regular» (duas vezes)

Génesis 1:16 «e estrelas para governar a noite» vs. «regulando a noite, também as estrelas».

Génesis 1:20 «animais que se movem em enxame» vs. «répteis» (reptilia em grego)

(Note-se que, em Génesis 1:20,21, a Tradução Literal de Green refere erroneamente «aves», quando deveria ser «criaturas voadoras», uma vez que a mesma palavra hebraica se refere a morcegos e insetos alados em Levítico 11:19-22 e Deuteronómio 14:18-20.)

Génesis 1:21 «e tudo o que rasteja» vs. «e todo o réptil vivo»

Génesis 1:21-25 «isso» vs. «eles» (em várias ocasiões) (trata-se de uma questão gramatical minuciosa)

Génesis 1:22 «multiplicar-se» vs. «ser multiplicado»

Génesis 1:24 «gado e animais que rastejam» vs. «quadrúpedes e répteis»

Génesis 1:26 «à nossa imagem, segundo a nossa semelhança» vs. «segundo a nossa imagem e semelhança»

Génesis 1:26 «animais selvagens e sobre toda a terra» (MT, Septuaginta) vs. «animais selvagens da terra» (siríaco)

Génesis 1:26 «répteis que rastejam» vs. «répteis que se arrastam»

Génesis 1:27 «à Sua própria imagem; à imagem de Deus» vs. «segundo a imagem de Deus»

Génesis 1:28 «E Deus abençoou-os, e Deus disse-lhes» vs. «E Deus abençoou-os, dizendo»

Génesis 1:30 «todos os seres vivos» vs. «todos os animais selvagens»

Génesis 2:1 «todo o seu exército» vs. «todo o mundo deles»

Génesis 4:8 «Abel» vs. «Abel, vamos para o campo» (Pentateuco Samaritano, Septuaginta, Targum Neophyti I, siríaco; compare com a Vulgata)

Génesis 4:15 «Portanto» (MT, Targums) vs. «Não é assim. Portanto» (Septuaginta, siríaco, Vulgata) (sem alteração no significado)

As tabelas genealógicas em Génesis 5 e 11:10-26 apresentam algumas diferenças no Pentateuco Samaritano (The Anchor Bible Dictionary, vol. 5)

Génesis 5:24 «andou com Deus» (MT) vs. «agradou a Deus» (LXX, Hebreus 11:5b)

Génesis 6:4 «filhos de Deus» (MT, parte da Septuaginta), vs. «anjos de Deus» (parte da Septuaginta) vs. «filhos dos deuses» (tradução de Áquila, o judeu). Ver «A Cidade de Deus» (413-426 d.C.) de Agostinho de Hipona, livro 15, cap. 23, p. 304

Génesis 6:5 «SENHOR» (MT, Targumim) vs. «SENHOR Deus» (Septuaginta) vs. «Deus» (Vulgata)

Génesis 7:22 «sopro do espírito de vida» vs. «sopro de vida» (Septuaginta, Vulgata)

Génesis 9:25 Alguns manuscritos da Septuaginta e do Antigo Testamento árabe indicam que a maldição não se aplicava a «Canaã», mas a «Cam, pai de Canaã».

Génesis 10:4 «Dodanim» (a maioria dos manuscritos massoréticos) vs. «Rodanim» (alguns manuscritos massoréticos, Pentateuco Samaritano, Septuaginta)

Génesis 10:23 «Mash» (TM) vs. «Meshech» (Septuaginta e 1 Crónicas 1:17, texto massorético)

Génesis 11:12 apresenta «Cainan» inserido entre Arfaxad e Selá na Septuaginta, bem como em Lucas 3:36.

Génesis 11:32: Terá morreu aos «205 anos» (TM) vs. «145 anos» (Septuaginta, Pentateuco Samaritano)

Génesis 14:1,9 «Arioch de Ellasar» (manuscritos hebraicos) contra a paráfrase «rei Arioch, rei Ellasar» em Teófilo a Autólico, livro 2, cap. 31, p. 107. A arqueologia suméria descobriu um «Rei Ariochu de Larsa».

Génesis 14:23 «cordão/sandália» (MT) vs. uma palavra desconhecida no Pentateuco Samaritano (diferença de uma letra, muito provavelmente uma corrupção)

Génesis 18:22 «os homens permaneceram de pé perante o Senhor» vs. «o Senhor permaneceu de pé perante Abraão» (antiga tradição dos escribas hebreus)

Génesis 19:17 «ele disse» vs. «eles disseram» (Septuaginta, siríaco, Vulgata)

Génesis 20:13; 31:53; 35:7 «Elohim» vs. «El» (Pentateuco Samaritano). Também em Êxodo 22:8.

Génesis 21:9 «com Isaac» vs. «com o seu filho Isaac» (Septuaginta, Vulgata)

Génesis 22:2 «o seu filho, Isaac, o seu único, a quem ama» vs. «Pegue no seu filho, o amado, a quem tem amado, Isaac»

Génesis 22:13 «Um carneiro atrás [dele]» (a maioria dos textos massoréticos) vs. «Um carneiro» (alguns textos massoréticos, Pentateuco Samaritano, Septuaginta, siríaco)

Génesis 23:1 «anos, os anos da vida de Sara» vs. «anos» (Septuaginta, Vulgata)

Génesis 24:62 «desde que chegou até» vs. «desde» (Targums siríacos)

Génesis 30:36 ausente vs. «que um anjo apareceu a Jacob num sonho, revelando-lhe a sua parte nos rebanhos de Labão» (Pentateuco Samaritano)

Génesis 30:11 «com/na sorte» (MT, Kethib, Septuaginta, Vulgata) vs. «Uma tropa» (Qere, siríaco, Targums) (Qere refere-se a certas palavras aramaicas lidas em voz alta, que diferem das palavras escritas no texto massorético. Kethib (escrito em aramaico) são as palavras escritas do Antigo Testamento hebraico)

Génesis 31:40 «calor abrasador» (TM, Septuaginta) vs. «época da colheita» (Pentateuco Samaritano, obviamente uma corrupção)

Génesis 31:49 «Mizpá» vs. «colunas testemunhais» (Septuaginta) vs. «a coluna de Mizpá» (Pentateuco Samaritano)

Génesis 33:4 «e [ele] beijou-o» (presente, mas assinalado com pontos no texto massorético) vs. ausente (Septuaginta)

Génesis 36:2,14 «filha de» vs. «filho de» [Zibeão/Sebegão] (Pentateuco, siríaco)

Génesis 36:3 «Basemate» (TM, Septuaginta) vs. «Maalate» (Pentateuco Samaritano)

Génesis 36:16 «Korah/Core» (TM e Septuaginta) vs. (ausente) (Pentateuco Samaritano, 1 Crónicas 1:36)

Génesis 36:24 «água» (MT, Vulgata) vs. «fontes termais» (Septuaginta)

Génesis 36:39 «Hadar» (a maioria dos textos massoréticos) vs. «Barad» (Septuaginta) vs. «Hadad» (alguns textos massoréticos, Pentateuco Samaritano, siríaco)

Génesis 37:36 «medanitas» vs. «midianitas» (Septuaginta, Pentateuco Samaritano, Vulgata, siríaco)

Génesis 41:22 «e vi» vs. «adormeci pela segunda vez e vi» (Septuaginta, siríaco, Vulgata)

Génesis 41:48 «alimentos dos sete anos que houve na terra» vs. «alimentos dos sete anos, durante os quais houve abundância na terra» (Septuaginta, Pentateuco Samaritano)

Génesis 41:56 «abriram tudo o que havia neles» vs. «todos os armazéns» (Septuaginta, Vulgata, siríaco)

Génesis 44:4 «Bem?» vs. «Bem? Por que roubaram a minha taça de prata?» (Septuaginta, Vulgata)

Génesis 46:13 «Puah» vs. «Phua» (Septuaginta) vs. «Puvah» (Pentateuco Samaritano, siríaco, 1 Crónicas 7:1)

Génesis 46:13 «Iob» vs. «Jashub» (algumas versões da Septuaginta, Pentateuco Samaritano)

Génesis 46:16 «Zifion» vs. «Zefon» (Septuaginta, Pentateuco Samaritano, Números 26:15)

Génesis 46:20 «ele» vs. «ele, [ou seja] Manassés e Efraim. E nasceram filhos a Manassés, que a concubina síria lhe deu, [ou seja] Maquir. E Maquir gerou Galaade. E os filhos de Efraim, irmão de Manassés: Sutalaam e Taam. E os filhos de Sutalaam: Edom.» (Septuaginta, compare com o Manuscrito do Mar Morto 4QExod(a))

Génesis 46:23 «Hushim» vs. «Hashum»

Génesis 46:27 «no Egito, duas almas. Todas as almas pertencentes à casa de Jacó que entraram no Egito eram setenta.» (MT) vs. «na terra do Egito, eram nove almas; todas as almas da casa de Jacó que vieram com José para o Egito eram setenta e cinco almas.» (Septuaginta)

Génesis 47:21 «ele transferiu-os para as cidades» vs. «ele tornou-os escravos» (Septuaginta, Pentateuco Samaritano)

Génesis 49:4 «profanou-a — ele» vs. «profanou-a — vós» (Septuaginta, siríaco, targums)

Génesis 49:5 «José» vs. «eles»

Génesis 49:7 «a sua ira é amaldiçoada» vs. «a sua ira é bela» (Pentateuco Samaritano)

Génesis 49:20 «de Aser» vs. «Aser» (Septuaginta, Vulgata, siríaco)

Génesis 50:16 «ordenaram a José» vs. «aproximaram-se de José» (Septuaginta, siríaco)

Génesis 50:23 «nos joelhos de José» vs. «nos dias de José» (Pentateuco Samaritano)

A utilização dos termos «Elohim» e «Jeová» apresenta-se de forma diferente na Septuaginta em comparação com o texto massorético. Julius Wellhausen considerou estes aspetos como o ponto mais fraco da sua teoria da hipótese documental.

Bibliografia relativa a esta questão: a tradução hebraica provém da «Literal Translation», de Jay P. Green, e a versão da Septuaginta provém da tradução de Sir Lancelot C.L. Brenton de «The Septuagint: Greek and English». Foram igualmente utilizados o «Expositor’s Bible Commentary», o «Anchor Bible Dictionary» (vol. 5) e as notas de rodapé das Bíblias NASB, NIV, NKJV e NRSV.


por Steven M. Morrison, PhD.