< Pergunta bíblica sobre 1 Coríntios
P: Em 1 Coríntios 1:1, como era a cidade de Corinto?
R: A antiga cidade de Corinto era mais antiga do que Abraão (2000 a.C.); os gregos só começaram a viver lá por volta de 1350 a.C. Os romanos incendiaram Corinto e mataram ou escravizaram toda a sua população em 146 a.C., depois de a província se ter rebelado contra Roma. Um século mais tarde, em 46 a.C., Júlio César refundou a cidade com antigos soldados romanos e libertos. Mas, em pouco mais de um século, na época de Paulo (50 d.C.), Corinto era uma cidade enorme, sendo o centro comercial de toda a região oriental do Mediterrâneo, entre a Sicília e Antioquia. Tinha uma população de cerca de 650 000 pessoas, dois terços das quais eram escravos. Era sede dos Jogos Ístmicos, segundos em importância apenas aos Jogos Olímpicos.
Corinto tinha uma reputação depravada; os gregos tinham uma gíria para designar o facto de se dedicar a uma vida completamente imoral; era, literalmente, «corintianizar» (termo cunhado pela primeira vez por Aristófanes no fragmento 354). Platão utilizou o termo «rapariga de Corinto» para designar uma prostituta na sua obra «A República», 404d. Parte da riqueza de Corinto devia-se ao templo de Afrodite Pandemos, que todas as noites enviava 1 000 prostitutas.
No entanto, no meio de toda esta escuridão e maldade, o evangelho resplandeceu para operar a salvação na igreja de Corinto. Mas nem tudo o que começa bem acaba sempre bem. A igreja local tolerava alguns problemas morais e doutrinários graves. Se alguém disser que queremos ser tal como os primeiros cristãos, a verdade é que não queremos ser exatamente como os coríntios. Mas se algo não vai terminar bem, Deus pode usar uma pessoa como Paulo para remediar e corrigir a situação.
Entre os anos 96 e 98 d.C., Clemente de Roma escreveu uma carta à igreja de Corinto, repreendendo-os, essencialmente, por não cumprirem algumas das instruções que Paulo lhes tinha dado há quase cinquenta anos.
P: Será que 1 Coríntios 1:3 demonstra que Jesus é Deus Pai, como afirmam alguns pentecostais unitaristas?
R: É verdade que a palavra grega aqui (kai) pode significar tanto «e» como «até». Embora o versículo 3 possa ser interpretado de ambas as formas, 1 Coríntios 1:4 mostra uma distinção entre Deus [o Pai] e Jesus. Consulte a discussão sobre Romanos 1:7 para mais informações.
P: Em 1 Coríntios 1:8, como podemos ser «irrepreensíveis»?
R: A palavra grega aqui, anenkletous, significa literalmente «livres de acusação». Não significa «perfeitos sem pecado» ou «nunca ter nada a perdoar», mas sim que, neste momento, devemos viver «livres de acusação».
P: Em 1 Coríntios 1:9, por que razão Deus não chamou todos para a comunhão com Jesus Cristo?
R: Deus oferece, de facto, a salvação a todos os homens (Tito 2:11), pois a todos é ordenado que a obedeçam em 2 Tessalonicenses 1:8, 1 Pedro 4:17 e Atos 2:38. Devemos apresentar a palavra da vida (Filipenses 2:16) a todos. No entanto, Deus escolheu criar pessoas dotadas de livre arbítrio para que rejeitassem o propósito de Deus para si próprias (Lucas 7:30) e sofressem consequências que são da sua própria culpa (Jeremias 17:4).
P: Será que 1 Coríntios 1:10 mostra que os cristãos obedientes não devem estar divididos por terem um pensamento independente, tal como ensinam as Testemunhas de Jeová?
R: Não. Dois exemplos em que Paulo tolera o pensamento independente são Filipenses 3:15 e Romanos 14:1-10. O livro «Jehovah’s Witnesses Answered Verse by Verse», pp. 92-94, salienta que as Testemunhas de Jeová têm a obrigação de «evitar o pensamento independente… questionar o conselho prestado pela organização visível de Deus» e de «lutar contra o pensamento independente» (revista «A Sentinela», 15/01/1983, pp. 22, 27).
No que diz respeito aos mórmons, o profeta mórmon Ezra Taft Benson, quando era apóstolo mórmon, afirmou: «Quando o profeta fala, o pensamento está concluído.»
Mas, no que diz respeito aos cristãos, devemos questionar. Mesmo quando um líder cristão está errado, devemos apontar isso, tal como Paulo fez em Gálatas 2:11-21.
P: Em 1 Coríntios 1:10-13 e 1 Coríntios 3:3-7, uma vez que dois cristãos genuínos têm, cada um, uma relação com Deus, como é que podem estar em desunião um com o outro?
R: Mesmo os cristãos genuínos, que têm uma relação com Deus e com o Espírito Santo a habitar no seu interior, continuam a pecar e continuam a ter uma natureza pecaminosa. Para um exemplo claro disto, leia Atos 15:36-41.
Uma razão para a divisão é subtilmente sugerida em 1 Coríntios 1:1-10. Paulo menciona Cristo dez vezes em dez versículos. O nosso foco está na igreja (que não é perfeita) ou em Cristo (que o é)?
Uma segunda razão para a divisão é ignorar 1 Coríntios 1:2. Um pastor, anciãos, diáconos ou membros comuns podem ficar descontentes quando as coisas não correm como desejam na SUA igreja — só que não é a igreja deles. É a igreja de Deus. Não podemos esquecer isso.
A divisão ocorre frequentemente quando existem dois grupos que pretendem agir de formas diferentes. Um deles pode, eventualmente, separar-se do outro. Não foi esse o caso aqui. Havia vários grupos, e continuavam juntos, embora fossem grupos distintos. Uma igreja pode ter grupos diferentes, e nós, enquanto cristãos, devemos reconhecer em que grupo nos encontramos e construir pontes para alcançar e «fundir-nos» com todos os outros grupos.
No entanto, mesmo apesar das nossas falhas, Deus continua a usar os cristãos de qualquer forma. Mas quando um crente está errado e faz coisas que causam divisão na igreja, voltaria a respeitá-lo? E se se chamassem Pedro ou Tiago? Somos todos pecadores salvos pela graça e, uma vez que o senhor também não está isento de pecado e Cristo o perdoou, deve perdoar os outros.
Para compreender como cristãos com opiniões divergentes podem, ainda assim, conviver, poderá pesquisar sobre a cidade de Rostock, na Alemanha, e sobre os menonitas e puritanos que ali se estabeleceram.
P: Em 1 Coríntios 1:14-16, Paulo não se lembrava com certeza de quantos tinha batizado; será que isto prova que as palavras de Paulo aqui não constituem Escritura?
R: Não. Os católicos apontam por vezes este versículo como refutação de uma visão protestante conservadora da Bíblia, mas, na verdade, este versículo apoia-a.
Uma teoria da inspiração baseada na ditadura mecânica diria que a Bíblia é exclusivamente obra de Deus e que não há qualquer componente humano. Assim, podemos concordar que este versículo refuta explicitamente a teoria da ditadura mecânica.
Uma visão conservadora da Bíblia é apresentada em 2 Pedro 1:21: «Pois nenhuma profecia jamais surgiu da vontade do homem, mas os homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.» Assim, as Escrituras são a Palavra de Deus através dos autores que Ele escolheu. As Escrituras também contêm o componente do autor humano, uma vez que Deus supervisionou o que estes escreveram. Assim, embora as Escrituras sejam isentas de erro nos manuscritos originais, ainda é possível perceber o estilo de Pedro, o estilo de Paulo, o estilo de Lucas, etc.
Um ponto importante é que não devemos dizer: «Vou interpretar as Escrituras da forma “...” porque sou um “...”.» Em vez disso, todos devemos procurar interpretar as Escrituras da forma como elas se apresentam, tal como devem ser interpretadas. Eis o que Pedro escreveu sobre Paulo em 2 Pedro 3:15b-16: «… tal como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu com a sabedoria que Deus lhe concedeu. Ele escreve assim em todas as suas cartas, falando nelas sobre tais assuntos. Algumas partes das suas cartas são difíceis de compreender, as quais as pessoas ignorantes e instáveis distorcem, tal como fazem com o resto das Escrituras, para a sua própria destruição.»
P: Será que 1 Coríntios 1:16 e Atos 16:15 apoiam o batismo de crianças ao referirem o batismo da família de Estéfanas?
R: Não. Toda a família de Estéfanas se converteu em 1 Coríntios 16:15, e as crianças pequenas não podem converter-se. Uma família nem sempre inclui crianças pequenas. No entanto, crianças a partir dos 6 anos podem tomar a decisão de se converter a Cristo, e ouvi falar de um caso em que uma criança de quatro anos compreendia o que se passava e foi batizada como crente. Ouvi isto da própria criança de quatro anos, que agora é um professor adulto da Escola Bíblica de Férias.
Embora os cristãos genuínos discordem quanto ao batismo de crentes versus o batismo de bebés, todos deveriam concordar que as «famílias» em 1 Coríntios 1:16 e Atos 16:15 não provam nem refutam que o batismo de bebés fosse praticado. Veja também a discussão sobre Colossenses 2:11-12.
P: Em 1 Coríntios 1:17, Paulo era contra o batismo com água?
R: Não, Paulo apoiava o batismo, uma vez que batizou Crispo, Gaio e a família de Estéfanas. Paulo queria dizer que, uma vez que alguns coríntios estavam errados ao afirmar que «eram de Paulo», ele estava contente por não ter sido ele quem batizou pessoalmente muitos deles. Na Igreja primitiva, Tertuliano (198-220 d.C.), na obra «De Corona», cap. 3, p. 94, menciona explicitamente a água no batismo com água.
P: Em 1 Coríntios 1:17, não deveríamos praticar o batismo com água, porque este já passou, tal como ensina o erro do ultra-dispensacionalismo?
R: Não. Consulte a resposta à pergunta anterior. Além disso, tanto 1) o conceito de que existiu uma dispensação diferente entre a ressurreição de Cristo em 33 d.C. e 52 d.C., como 2) o conceito de que o batismo já deixou de existir, estavam totalmente ausentes de todos os escritos da Igreja até, no mínimo, meados do século XV. Em vez disso, Tertuliano (198-220 d.C.), em *De Corona*, cap. 3, p. 94, menciona o batismo, explicitamente por imersão na água.
Imagine, por um momento, encontrar um cristão que amasse Jesus como Senhor, mas que praticasse todos os sacrifícios do Antigo Testamento e cumprisse todas as leis alimentares do Antigo Testamento. E se alguém lhe dissesse que isso não é nada de especial? É comum, pois ele simplesmente ainda não tinha recebido a mensagem sobre a nova dispensação. O que diria a isso?
Agora imagine-nos a chegar ao Céu e um anjo a dizer-nos: «Vocês não ficaram a saber da nova dispensação que teve início por volta do ano 100 d.C. Durante quase 1 900 anos, os cristãos pensaram que estavam a viver numa dispensação que, na verdade, durou apenas 100 anos. Isto não é nada de especial e é comum, pois Deus se esqueceu de revelar isso a um único crente, de uma forma que pudessem compreender, durante 1 900 anos.» O que diria a isso?
Consulte a próxima pergunta para saber mais sobre o ultra-dispensacionalismo.
P: Em 1 Coríntios 1:17, o que é o «ultra-dispensacionalismo» e por que razão está errado?
R: Existe uma distinção nítida na prática entre os ultra-dispensacionalistas, por um lado, e os dispensacionalistas e outros cristãos, por outro: os ultra-dispensacionalistas acreditam que o batismo com água não deve ser praticado hoje e, em geral, acreditam que vivemos numa dispensação diferente daquela em que o Novo Testamento foi escrito. Com base no seu panfleto «Deve o batismo com água ser praticado hoje?», eis (espero) o que eles considerariam um resumo justo.
1. Afirmam [corretamente] que a palavra grega «baptisein» é um termo geral que significa purificação
2. [Corretamente] afirmam que o batismo com água na igreja não pode ser comprovado com base no Antigo Testamento ou na obra de João Batista.
3. [Corretamente] acreditam que o Evangelho foi pregado primeiro aos judeus e que a maioria deles o rejeitou.
4. [Incorreto] afirmam que o batismo com água só era válido em Atos, enquanto Jesus ainda estava a ser apresentado a Israel como o seu Messias, tal como em Atos 3:19-21. Ver também Atos 2:16-40, especialmente 22, 36; Atos 3:12-36, especialmente 12, 25, 26; Atos 5:29-32, especialmente 31; Atos 2:37, 38; Atos 3:19.
5. Afirmam [incorretamente] que o batismo não deve ser praticado hoje porque:
5a. As abluções (baptisein em grego) faziam parte da Lei mosaica. (Como nota à parte, os convertidos ao judaísmo eram batizados, antes de Jesus.)
5b. O batismo era praticado antes de a forma como Deus lidava com Israel ter mudado.
5c. O batismo era [supostamente] realizado antes de Deus ter revelado o ensinamento sobre a igreja, por volta do ano 52 d.C. Paulo afirmou: «Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho» (1 Coríntios 1:17).
5d. Hoje, existe «um único batismo» (Ef 4, 5), e esse é o batismo no Espírito Santo.
Existem três formas diferentes de refutar isto, sendo que qualquer uma delas é, por si só, suficiente.
1. Observação das Escrituras: Todos devem concordar que 1 Coríntios 1:13-16 foi escrito na mesma altura que o versículo 17. Estes versículos mostram que os coríntios foram batizados com a mesma certeza com que Cristo morreu por eles e com que Paulo lhes pregou o Evangelho. Uma vez que Paulo batizou Crispo e Gaio, ou Paulo agiu erradamente ao fazê-lo, ou ocorreu um «evento de transição» entre o batismo destes e o facto de Paulo não ter batizado quaisquer outros coríntios, o que é implausível.
1 João 5:7-8, tanto no grego original como nas traduções modernas, menciona o testemunho do Espírito, da água e do sangue. Se o «Espírito» é o Espírito Santo que habita nos crentes e o sangue é o sangue de Jesus, então o que mais pode ser a «água», senão o nosso batismo com água?
1 Pedro 3:21, escrito após o ano 60 d.C., ensina sobre a água do batismo para «vós».
Em Efésios 5:26, uma vez que Cristo purificou a Igreja com água, em que difere isso do batismo com água?
Igualmente importante, o silêncio das Escrituras é ensurdecedor quanto a uma nova dispensação que teria ocorrido precisamente no meio da redação do Novo Testamento.
Em resumo, o que Jesus ordenou, o que os discípulos de Jesus e Paulo fizeram, com a água mencionada por João, deve ser praticado hoje, uma vez que Deus não considerou bom falar na Sua Palavra sobre qualquer nova dispensação que fosse um segredo ocultado ao cristianismo até aos tempos modernos.
2. Interpretação das Escrituras: É surpreendente como tantas divergências do século XX sobre palavras do grego antigo deixam de colocar a questão mais básica: «Como é que os falantes de grego, guiados pelo Espírito Santo, compreenderiam universalmente a sua própria língua?» A Igreja primitiva não interpretou nenhum versículo de forma a que o batismo com água não fosse praticado. Justino Mártir (martirizado em 165 d.C.), na sua Primeira Apologia, dedica um capítulo inteiro (61) ao batismo cristão. Ele também aborda o batismo no seu diálogo com Trifão, o judeu.
A Didaché (c. 60-120 d.C.), cap. 7, p. 379, diz: «batiza em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, em água viva. Mas, se não tiveres água viva, batiza noutra água; e, se não puderes em água fria, em água morna. Mas, se não tiveres nenhuma das duas, derrama água três vezes sobre a cabeça em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.»
Outros cristãos primitivos que abordaram a importância do batismo com água são:
Carta de Inácio aos Esmirnenses, cap. 8, p. 90 (-107/116 d.C.)
Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.)
2.ª Carta de Clemente (120-140 d.C.), vol. 7, cap. 6, p. 519
O Pastor de Hermas (c. 115-155 d.C.), livro 3, similitude 9, p. 49 (implícito).
Irineu, Contra as Heresias (182-188 d.C.), livro 1, cap. 21.1, p. 345.
Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.)
Tertuliano (198-220 d.C.) tem uma obra inteira intitulada «Sobre o Batismo».
Hipólito, bispo de Portus (222-235/6 d.C.), Contra a Heresia de um certo Noeto, cap. 14, p. 228. Ver também Discurso sobre a Santa Teofania, cap. 10, p. 237
Orígenes (c. 227-240 d.C.) «Comentário ao Evangelho de João», livro 1, cap. 25, p. 312. Também em muitos outros passagens.
Novaciano (250/4-256/7 d.C.) «Tratado sobre a Trindade», cap. 10, p. 620
Anónimo, Tratado sobre o Rebatismo (254-257 d.C.), cap. 7, p. 671. Ver também cap. 5, pp. 669-670
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) ensinou que uma pessoa tem de ser batizada na igreja; o batismo realizado por hereges não é considerado «legítimo». Epístolas de Cipriano, Carta 70, p. 377. Também
Carta 71, p. 378
Firmiliano (c. 246-258 d.C.), na sua carta a Cipriano, Carta 74, p. 390
Novatus de Thamaguda, no Sétimo Concílio de Cartago (258 d.C.), p. 566
Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.), Carta 6.1 (a Sisto, Bispo), p. 102
Sínodo de Elvira (306/307 d.C.), nos 21 cânones incontestáveis, refere-se a homens e mulheres batizados sete vezes nos cânones 1, 2, 4, 9 e 10.
Sínodo de Ancira (314 d.C.)
Sínodo de Neocésarea (c. 315 d.C.)
Alexandre de Alexandria (313-326 d.C.)
Melito de Sardes
Pamphilo (309 d.C.) «Uma Exposição dos Capítulos dos Atos dos Apóstolos», O, X, vol. 6, p. 167
A Paixão de Perpétua e Felicidade (c. 201/205 d.C.),
Victorino de Petau (martirizado em 304 d.C.) Comentário ao Apocalipse, a partir do primeiro capítulo (16), p. 346
Metódio (270-311/312 d.C.)
Lactâncio (c. 303-c. 325 d.C.) «As Instituições Divinas», livro 4, cap. 15, p. 115
De acordo com o Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 441, a seita judaica de Qumran também praticava o batismo por imersão.
Para uma visão muito detalhada de como um cristão piedoso de língua grega interpretava 1 Coríntios 1:10-17, consulte a homilia II de João Crisóstomo sobre 1 Coríntios, com 5 páginas e meia.
Em resumo, não se afirma que nenhum destes mestres cristãos pós-bíblicos fosse infalível. No entanto, se a Igreja primitiva praticava universalmente o batismo com água, então, em tom de brincadeira, talvez os ultra-dispensacionalistas precisem de postular outra dispensação em que Deus tenha restabelecido o batismo com água.
3. Aplicação das Escrituras: Uma vez que Jesus nos ordenou que fizéssemos discípulos, os batizássemos e lhes ensinássemos uma «terceira coisa» em Mateus 28:19-20, e nenhum versículo afirma explicitamente que o batismo tenha deixado de existir, a coerência implicaria que a formação de todos os discípulos e o ensino também deixariam de existir.
A «terceira coisa» mencionada em Mateus 28:20 consiste em obedecer a tudo o que Jesus ordenou. Uma vez que Jesus lhes ordenou que batizassem, devemos ter muito cuidado ao pôr de lado um mandamento de Jesus quando nenhum versículo das Escrituras o indica. Por fim, embora se possa tentar argumentar que Mateus 28:19-20 não se aplicava a ninguém, exceto aos onze discípulos, isso é falso, porque em Mateus 28:20 Jesus diz que «eis que estou convosco todos os dias, até ao fim dos tempos».
Em resumo, se a sua teologia o impede de obedecer a Cristo, deve obedecer a Cristo e alterar a sua teologia.
P: Em 1 Coríntios 1:20-21, o que é exatamente a «sabedoria do mundo» sobre a qual Paulo advertiu?
R: Pode ser entendida como qualquer filosofia, psicologia ou visão de mundo que, de forma insensata, tenha em conta apenas este mundo ou se erga a si própria como padrão. Paulo também se referiu ao que é falsamente chamado de conhecimento em 1 Timóteo 6:20.
No entanto, embora Paulo critique a confiança na sabedoria deste mundo, não via qualquer problema em concordar com as verdades que também eram afirmadas pelos filósofos gregos. Como Clemente de Alexandria afirmou na obra *Stromata* (193-202 d.C.), livro 1, capítulo 14, ao discutir Tito 1:12-13: «Vê como, mesmo aos profetas dos gregos, ele [Paulo] atribui algo da verdade e não se envergonha, ao discursar para a edificação de uns e a humilhação de outros, de fazer uso de poemas gregos.»
P: Em 1 Coríntios 1:20-21, tendo em conta o vasto leque do campo do aconselhamento cristão, como distingue entre os cristãos que recorrem ao aconselhamento humanista e aquilo que os conselheiros cristãos deveriam estar a fazer?
R: O facto de o conselheiro ser cristão, ou mesmo de tentar conduzir a pessoa a Cristo, não é suficiente para demonstrar que está a praticar um aconselhamento cristão adequado. Pelo contrário, de acordo com o livro de Robert McGee, *The Search for Significance*, e com uma conversa pessoal que mantive com ele em 13 de junho de 2000, o verdadeiro aconselhamento cristão consiste em perguntar o que Deus pretende realizar nessa situação e, em seguida, ser utilizado para o fazer. Deus é o melhor conselheiro. McGee, fundador dos Centros de Aconselhamento Cristão Rapha, afirma que um fator-chave é que, se a pessoa conseguir começar a interagir com o Deus Vivo, ele constatou que podem ocorrer mudanças dramáticas num espaço de tempo muito curto. A par do aconselhamento, o seu livro reconhece também que os medicamentos têm um papel no tratamento de condições médicas e desequilíbrios químicos.
P: Em 1 Coríntios 1:27-28, por que razão Deus escolheu as coisas loucas deste mundo?
R: 1 Coríntios 1:29-31 responde a esta questão. Ninguém poderá vangloriar-se perante os outros de que se tornou cristão por ser mais inteligente. Ninguém poderá vangloriar-se perante Deus de que compreendeu devido à sua maior inteligência.
Ser «pedante» significa adquirir conhecimento com o único propósito de adquirir conhecimento. Precisamos de nos aproximar mais de Cristo e de O servir e glorificar melhor; não apenas adquirir conhecimento pelo conhecimento em si. Como alguém disse: «Ele não era um judeu amante de sinais nem um grego amante da sabedoria, mas um cristão amante do Salvador.» Embora nem todos os gregos fossem assim, a cultura grega tendia a enfatizar a busca da sabedoria. Embora haja aspetos positivos nisso, ser um fim em si mesmo pode, paradoxalmente, impedir alguém de experimentar a verdade no mistério de Deus. Algumas pessoas podem ter mais tendência para serem pedantes do que outras.
Uma maior inteligência não confere a uma pessoa uma maior oportunidade de ir para o Céu. Em alguns casos, o orgulho intelectual de uma pessoa pode impedi-la de reconhecer que a sua sabedoria é muito pequena em comparação com a de Deus. O cristianismo é fascinante na medida em que é suficientemente simples para que uma criança compreenda todas as coisas importantes, mas tão profundo que a pessoa mais inteligente não pode esperar saber tudo sobre um Deus infinito. Aceitar Jesus implica entregar tudo o que se tem, independentemente do quão sábio se afirme ser.
Da mesma forma, Jesus disse que é difícil para uma pessoa rica chegar a Deus em Mateus 19:24; Marcos 10:25; e Lucas 18:25. Mas 1 Coríntios 1:26 não diz que «nenhum» dos que eram sábios, poderosos ou nobres; diz antes «não muitos». Como uma nobre inglesa abastada observou com humor, ela foi salva pela letra «m».
P: Em 1 Coríntios 2:1-7, ao partilhar o evangelho, qual seria a diferença entre «liderar com a palavra», «liderar com sabedoria» e «liderar apenas com Jesus»? E, no versículo 7, como é que o «mistério» se enquadraria nisso?
R: Talvez se possa resumir perguntando a si mesmo por que razão a pessoa deveria acreditar. Deveria acreditar principalmente devido à minha excelente oratória e ao facto de eu a ter dominado com debate e retórica, ou deveria acreditar porque eu sei tanto e lhe forneci demasiados factos para que não pudesse deixar de acreditar, ou porque Deus está a agir no seu coração e na sua mente? Nos dois primeiros casos, essencialmente, deveria acreditar principalmente por causa de «mim»? A atitude é antibíblica: «se tem de ser, depende de mim». Apenas no último caso «depende de Deus», e eu sou apenas um instrumento, com erros e tudo. A última abordagem é mais libertadora, porque não pensa que a salvação daquela pessoa depende de si; depende de Deus. Mas desaparece a desculpa de que não podemos partilhar porque não falamos bem, ou porque não temos todas as respostas.
No versículo 6, Paulo continua a ver valor no uso da sabedoria, mas mesmo a melhor sabedoria não substitui Deus. No entanto, nenhum de nós sabe tudo; Deus nem sequer revelou todas as coisas que saberemos quando estivermos no céu. Assim, independentemente do quanto uma pessoa saiba, a nossa fé continua a envolver mistério.
P: Em 1 Coríntios 2:3, isto demonstra que Paulo tinha crises epilépticas, como sugere o «Guia de Asimov para a Bíblia», pp. 1047-1048?
R: Não. Asimov baseia-se apenas no facto de Paulo ter dito que tinha «um mensageiro de Satanás para me atormentar» (2 Coríntios 12:7), e a experiência no caminho para Damasco pode ter sido uma crise. O facto de Paulo ter admitido que estava nervoso em 1 Coríntios 2:3 não significa que tivesse crises epilépticas. Na estrada para Damasco, as outras pessoas também viram a luz e ouviram o som, embora não compreendessem a voz. Isso também não significa que todas elas tivessem crises epilépticas. A sugestão de Asimov é, na verdade, «educativa», no sentido de que nos mostra até onde os céticos são capazes de ir, com base nas evidências mais frágeis, para desacreditar os escritores da Bíblia e a própria Bíblia como a Palavra de Deus.
P: Em 1 Coríntios 2:3, não deveria uma pessoa transmitir sempre confiança e certeza ao partilhar o Evangelho?
R: Não necessariamente, como 1 Coríntios 2:3,7 demonstra claramente. Paulo pregava aqui com temor e tremor, e mencionou o mistério da nossa fé. Paulo mostrava-se confiante noutros passos. Mas o efeito duradouro do Evangelho não depende da nossa confiança, eloquência ou inteligência, mas sim de Deus a agir na vida da outra pessoa.
P: Em 1 Coríntios 2:5, qual é a diferença entre uma fé baseada na sabedoria do homem e uma fé baseada no poder de Deus?
R: A fé numa outra pessoa, que se pode ver, parece frequentemente mais fácil do que a fé em Deus, que não se pode ver. A fé só pode atingir a profundidade do objeto da fé. Não ultrapassará a fé numa pessoa, se for apenas nessa pessoa. A fé pode ruir quando se baseia noutra pessoa.
Mas a sua fé no Deus infinito pode crescer cada vez mais. A sua fé não está à beira do fracasso por causa de uma suposta contradição ou de uma pergunta sem resposta. A fé em Deus não diminui nem desaparece quando um mero mortal falha.
P: Em 1 Coríntios 2:6, será que a doutrina da Criação de Deus é incompatível com o conceito de governantes desta era, tal como pensava Rudolf Bultmann?
R: Não. Isso só é incompatível com uma visão simplista da Criação de Deus. Deus é completamente soberano sobre tudo e pode fazer tudo o que quiser. Nada impede Deus de escolher, por um tempo, delegar uma parte da Sua soberania.
P: Em 1 Coríntios 2:8, como é que todos os governantes desta era não compreenderam Cristo, uma vez que Jesus compareceu perante Herodes e Pilatos?
R: Mesmo na época de Paulo, vários governantes romanos já tinham ouvido falar de Cristo e dos cristãos. No entanto, o que Paulo quer dizer é que nenhum deles reconheceu Jesus como quem Ele realmente era. Consulte *When Critics Ask*, p. 449, e *Alleged Discrepancies of the Bible*, de Haley, p. 358, para obter respostas complementares.
P: Em 1 Coríntios 2:9-10, os crentes conhecem as grandes coisas futuras do céu, ou não?
R: Foi-nos falado de algumas das grandes coisas do Céu, mas não nos foi dito tudo, e ainda não as experimentámos. Como diz 1 Coríntios 13:12: «Agora vemos apenas um reflexo obscuro, como num espelho; então veremos face a face. Agora conheço em parte; então conhecerei plenamente, assim como sou plenamente conhecido.»
A título de nota à parte, este versículo era especialmente precioso para os cristãos pré-nicenos; trata-se de um dos versículos que mais citavam. Foi citado 21 vezes por 9 autores antes de 325 d.C.
P: Em 1 Coríntios 2:12-14, por que razão Paulo afirma aqui que o homem natural não pode aceitar as coisas do Espírito de Deus, quando diz em Romanos 1:19-20 que Deus tornou a Sua verdade evidente em todas as pessoas?
R: Romanos 1:19-20 refere-se à revelação geral, e 1 Coríntios 2:14 refere-se ao conhecimento da salvação.
Revelação geral: Romanos 1:19-20 refere-se à verdade da existência do Criador, aos seus atributos invisíveis, ao seu poder eterno e à sua natureza divina. Este conhecimento não é suficiente para a salvação, mas poder-se-ia pensar que seria suficiente para que todos procurassem conhecer este Criador. No entanto, não é esse o caso. Romanos 1:18 e 3:23 mostram que as pessoas suprimem a verdade pela sua impiedade, e Romanos 3:9-20 explica em pormenor como ninguém, por si próprio, procura a Deus. A revelação geral é um primeiro passo: uma pessoa tem de ir além disto para conhecer Deus pessoalmente. No entanto, uma pessoa é condenada se rejeitar a verdade da revelação geral de que dispõe. As pessoas podem agir assim por orgulho, por não estarem dispostas a admitir que estavam erradas ou por confiarem mais noutras coisas.
Romanos 1:19-20 faz parte de um argumento mais amplo que Paulo está a apresentar, segundo o qual todas as pessoas são culpadas de pecado e todas precisamos de um salvador, Jesus.
Conhecimento da salvação: 1 Coríntios 2:14 prossegue a partir daqui e afirma que o homem natural não pode aceitar as coisas de Deus; precisamos de ter o Espírito de Deus. 1 Coríntios 2:14 faz parte de um argumento mais amplo em 1 Coríntios 2 sobre o papel essencial do Espírito na nossa salvação e no nosso crescimento cristão.
P: Em 1 Coríntios 2:12-16, de que forma o facto de termos o Espírito altera aquilo que somos capazes de aprender?
R: Pode alterar as coisas de, pelo menos, cinco formas diferentes.
Autodisciplina: para nos aprofundarmos nas Escrituras e «extrairmos» o ouro e os diamantes que nelas se encontram.
Discernimento: de toda a informação que recebemos, Deus ajuda-nos a discernir o que é verdadeiro e o que não é.
Visão: ver coisas que os nossos olhos físicos não vêem e compreender conceitos que não conseguimos perceber na Terra. Imagine um peixe que conseguisse compreender, em parte, como é viver em terra firme.
Iluminação: Tal como um crítico de pintura cego ou um crítico de música surdo, uma pessoa sem o Espírito tem as suas limitações.
O Espírito concede aos crentes conhecimento e sabedoria (que não são a mesma coisa), bem como discernimento, entre outros dons.
Por vezes, as pessoas não conseguem aprender algo, não por falta de inteligência, mas por falta de informação básica ou, pelo contrário, por excesso de desinformação.
P: Em 1 Coríntios 3:1-2, qual é a diferença entre o ensino cristão do «leite» e o ensino cristão do «alimento sólido»?
R: O leite não só mantém os bebés vivos, como lhes permite crescer e tornarem-se bebés maiores e mais robustos. No entanto, precisam de alimentos mais concentrados e de mais proteínas para crescerem além disso. Carne de vaca, frango, porco ou outras proteínas não devem ser dadas a bebés recém-nascidos; são demasiado difíceis de digerir para eles. Contudo, deve introduzir-se um pouco de carne ou proteína para os bebés mais velhos, a fim de os preparar para a digestão de alimentos mais concentrados.
Da mesma forma, os cristãos recém-convertidos devem estar enraizados na sua salvação, na sua identidade em Cristo e na forma de passar tempo com Deus e a Sua Palavra. Mas não se deve ficar por aí. Eles também precisam do alimento sólido que lhes ensina como a sua vida deve mudar para se tornarem mais semelhantes a Cristo, bem como da compreensão de temas mais complexos, tais como a Trindade, a encarnação e o fim dos tempos.
Quando estudar uma passagem, há quatro perguntas que pode fazer para obter mais desse alimento sólido.
1) O que é que isto nos ensina sobre Deus?
2) O que é que isto nos ensina sobre o povo de Deus?
3) O que é que isto me ensina sobre mim?
4) De que forma gostaria Deus que eu agisse de maneira diferente agora?
(Estas perguntas são retiradas de um sermão de Richard Kerry, de 17 de março de 2019)
P: Em 1 Coríntios 3:1-2, por que razão alguns novos cristãos crescem e outros não?
R: Podem não estar cientes de que devem crescer, ou podem não ver a necessidade de o fazer. Jesus contou a parábola dos quatro tipos de solo em Mateus 13:1-23; Marcos 4:1-20; Lucas 8:4-15. Nela, o objetivo das sementes é crescer e produzir uma colheita. A colheita pode ser 100, 60 ou 30 vezes superior ao que foi semeado. Uma das principais razões pelas quais ainda estamos na Terra é para produzir uma colheita. Em Jeremias 29:11, Deus fala dos planos que tem para nós. Em vez de traçarmos os nossos próprios planos, tentemos cumprir o plano de Deus para nós.
P: Em 1 Coríntios 3:3, qual é a expectativa de Paulo neste contexto?
R: Paulo não se limita a ordenar-lhes que não haja inveja nem disputas entre os cristãos. Pelo contrário, Paulo esperava que fossem cristãos suficientemente maduros para que não houvesse, de todo, disputas nem inveja entre eles.
A inveja é uma das causas fundamentais das disputas, mas continuam a ser duas coisas distintas. A inveja é um sentimento de infelicidade quando se vê outra pessoa a ter sucesso ou a sair-se bem. A inveja está relacionada com o pecado da cobiça, em que se deseja ter o sucesso em vez dessa pessoa. As disputas podem surgir quando se tomam medidas para tentar obter o sucesso para si próprio em vez de para essa pessoa.
Um antídoto para a inveja é perceber que estamos todos na mesma equipa; como irmãos e irmãs em Cristo, devemos ser «apoiantes da nossa família», encorajando-os ao longo do caminho. É difícil sentir inveja do sucesso de alguém quando se está a orar pelo seu sucesso. Um antídoto para as discussões é perceber que a relação de amor com essa pessoa é mais importante do que pequenas questões. Reserve as suas divergências apenas para o que é importante e ceda nas coisas menores.
Mas não podemos esperar que os cristãos sejam perfeitos, nem nos tempos antigos nem nos nossos. Paulo e Barnabé tiveram uma forte discordância sobre levar Marcos na viagem missionária, em Atos 15:37-39.
P: Em 1 Coríntios 3:5, Paulo salienta que os servos de Cristo, incluindo ele próprio e Apolo, não devem ser idolatrados. De que formas podem os cristãos estar errados ao idolatrar os outros hoje em dia?
R: Se a outra pessoa estiver errada em relação a algo, então, se a sua fé assentar nela, incorrerá no mesmo erro, em vez de procurar por si próprio nas Escrituras. Se depositar a sua fé noutra pessoa, seja deliberadamente ou inconscientemente, quando essa pessoa cair, a sua fé poderá abalar-se. Quando partilha com os outros, está a partilhar quão grandioso Deus é, ou a partilhar quão grandiosas essas pessoas são? Mesmo o melhor cristão que conhece fica muito aquém da semelhança com Cristo à qual somos chamados a aspirar nesta vida. Não coloque ninguém que peque ou que não seja perfeito num pedestal, pois todos nós pecamos e somos imperfeitos.
P: Em 1 Coríntios 3:5, de que formas pode evitar que os outros, sejam cristãos ou não, o coloquem num pedestal?
R: Seja aberto e transparente quanto ao facto de não ser perfeito. Certifique-se de que está a indicar o caminho para Cristo, para que eles O escutem, e não a apontar acidentalmente para si próprio. Quando as pessoas disserem coisas que o coloquem num pedestal, conduza-as a olhar para mais alto do que si e para além de si, para Deus.
P: Em 1 Coríntios 3:11, é Jesus o fundamento, ou o fundamento são os apóstolos e profetas, como em Efésios 2:20?
R: Embora a palavra grega para «fundamento», themelion, seja a mesma em ambos os versículos, Efésios 2:20 esclarece os dois sentidos da palavra «fundamento». Os apóstolos e os profetas são a pedra angular, que, por sua vez, assenta na única pedra angular que é Jesus.
Tal como uma casa construída com pilares e vigas assenta em toda a sua fundação de pilares e vigas, mas a casa e as vigas assentam nos pilares, a Igreja assenta no alicerce dos apóstolos e profetas, que assentam na pedra angular que é Jesus
P: Em 1 Coríntios 3:12-15, os cristãos serão julgados?
R: No «Juízo do Grande Trono Branco»: os cristãos genuínos não são julgados; são declarados justos porque estão cobertos pelo sangue de Cristo. Pode ler sobre isto em Apocalipse 20:11-15 e na parábola das ovelhas e dos bodes em Mateus 25:31-46.
Alguns cristãos afirmam que estes dois versículos se referem ao mesmo julgamento, enquanto outros cristãos defendem que se trata de julgamentos distintos. Julgamentos distintos implicariam que os crentes não estejam presentes no Julgamento do Grande Trono Branco, tal como se refere em *The Complete Book of Bible Answers*, pp. 276-277. R.C. Sproul, em *Now That’s a Good Question*, pp. 501-502, afirma que tanto os crentes como os incrédulos comparecerão no Juízo Final. Seja como for, os crentes não têm nada a temer do Juízo do Grande Trono Branco.
No subsequente «Julgamento do Bema»: os cristãos recebem recompensas celestiais pelas obras realizadas com a motivação adequada. Pode ler sobre isto em 1 Coríntios 3:11-15 e 2 Coríntios 5:10. Os cristãos costumam chamar a isto o «Julgamento do Bema», porque, no direito grego, um «bema» (ou, mais propriamente, um banco) era o lugar onde o juiz se sentava.
P: 1 Coríntios 3:13-15 apoia a teoria católica do purgatório?
R: Não. Só parece apoiá-la se alguém confundir
1) A provação das obras versus a purificação dolorosa dos crentes
2) A obra versus o crente que passa pelo fogo
Um católico poderia (corretamente) replicar que a menção, neste versículo, de submeter a obra de um crente ao fogo para provação não exclui também uma provação ardente para um crente com o objetivo de purificação. No entanto, uma vez que este é o único versículo em toda a Bíblia que os católicos utilizam para apoiar o Purgatório (exceto 2 Macabeus 12:46 nos Apócrifos católicos), não existe qualquer outra base para esta invenção extra-bíblica.
Além disso, 2 Pedro 1:11 afirma que receberemos uma «acolhida generosa» no reino eterno, e não uma «acolhida calorosa». Hebreus 10:2, 16-19; 9:14 mostra que é Jesus quem nos purifica.
Talvez, se acreditar no purgatório, este argumento ad hominem dirigido aos católicos possa ser útil para o convencer do ponto de vista oposto.
1. Os católicos têm ensinado que o tempo que uma pessoa falecida passa no Purgatório pode ser reduzido por uma pessoa viva que reze por ela ou faça contribuições financeiras à Igreja. Assim, existem formas de encurtar o tempo que uma pessoa passa a ser purificada pelo fogo do Purgatório.
2. Os católicos ensinam que aqueles que usam uma peça de vestuário específica, chamada escapulário, serão libertados do Purgatório no prazo de uma semana, porque Maria visita o Purgatório uma vez por semana e retira de lá todos os que o usavam. Se todos os seus pecados fossem purificados pelo fogo, não teriam necessidade da ajuda especial de Maria. A ajuda especial de Maria possui poder purificador. Assim, o fogo do Purgatório não é necessário para purificar todos os pecados, se alguém no Céu possui poder purificador em substituição ao fogo.
3. Maria não é a única a possuir capacidade purificadora. Jesus «purifica» todos nós, de acordo com 1 João 1:7, 9; Hebreus 9:14, 22; 10:2, 16-19. Uma vez que Jesus já prometeu isto, tudo o que temos de fazer é confiar no Seu poder purificador. Assim, não é necessário confiar em Maria nem no fogo do Purgatório, se Jesus já prometeu fazer tudo.
P: Em 1 Coríntios 3:16-17, de que forma os cristãos genuínos são o Templo de Deus?
R: Uma leitura superficial parece indicar que o corpo de um crente é um templo de Deus. Embora isso seja verdade, não é isso que este versículo está a dizer. Todos os pronomes são «vocês» no plural («ye» ou «ya’ll») e «templo» está no singular. Assim, tal como o «Believer’s Bible Commentary», p. 1756, salienta, o verdadeiro significado deste versículo é que todos nós, em conjunto, somos o único templo de Deus. Consulte «Hard Sayings of the Bible», pp. 579-581, para uma análise mais aprofundada.
P: Em 1 Coríntios 3:18 e Tiago 1:26, quais são, pelo menos, dez tipos de autoengano, mesmo entre os cristãos?
R: Os cristãos e outras pessoas podem ter ideias erradas sobre algumas coisas, ou então, não tanto erradas, mas sim prioridades erradas.
Ideias erradas
Ideias erradas sobre a verdade: os cristãos não negam as verdades essenciais, tais como o nascimento virginal, a morte de Jesus pelos nossos pecados, a ressurreição física de Jesus dentre os mortos, etc., porque, se o fizessem, não seriam verdadeiros cristãos. Mas os cristãos podem estar errados sobre questões secundárias importantes, tais como o batismo, a Ceia do Senhor, o fim dos tempos, o futurismo/preterismo, os apócrifos, a doutrina de «uma vez salvo, sempre salvo», as abordagens evangelísticas, o dispensacionalismo/teologia da aliança, os judeus no plano de Deus, os dons espirituais, a idade da Terra, o criacionismo/evolução teísta, calvinismo/arminianismo, o conhecimento médio de Deus, inerrância/infalibilidade, chamadas ao altar/avivamentos, o sábado/domingo, ser um soldado, diaconisas, etc.
Os cristãos podem procurar a verdade por razões triviais ou pedantes, em vez de desejarem experimentar mais a presença de Deus e servi-Lo melhor. Deverá desejar saber tudo o que Deus quer que saiba e não desejar saber aquilo que Deus não quer que saiba.
Equívoco sobre a provisão de Deus: Alguns cristãos pensaram que, assim que se convertessem a Cristo, Deus os preservaria de todo o sofrimento. Ou que Deus os tornaria ricos, ou que teriam sempre boa saúde.
Mas não precisamos de nos preocupar com a provisão de Deus para nós. Assim como Deus provê até mesmo para os lírios do campo, Deus cuidará de nós, de acordo com Mateus 6:28-29 e Lucas 12:22-23.
Por vezes, os crentes esquecem-se de que foram purificados dos seus pecados, de acordo com 2 Pedro 1:9. Fomos purificados e, em vez de lutarmos contra o pecado por nossa conta, precisamos de nos lembrar de recorrer ao poder purificador de Deus que Ele nos concedeu através do Seu Espírito Santo.
Enganados pela desilusão: Se amamos a Deus como devemos, obedecendo-Lhe e servindo-O, pensamos que podemos presumir que teremos sucesso e que não haverá desilusões nem problemas. Mas por que razão deveríamos presumir isso, quando nem mesmo foi verdade no caso de Paulo? Paulo tinha uma porta aberta para pregar em Trôade, em 2 Coríntios 2:12-13, mas sentia inquietação na sua mente devido à preocupação com Tito.
Enganados em relação ao mundo: Podem ver o mundo como seu amigo. Em alternativa, podem ver o mundo como algo de que devem afastar-se e fugir. Não devemos abandonar o nosso primeiro amor, tal como Apocalipse 2:4 adverte a igreja de Éfeso.
Enganados quanto a si próprios: Podem ter uma opinião mais elevada de si próprios e do seu trabalho do que deveriam. Podem acreditar que Deus os considera mais especiais do que os outros, porque fazem mais. Em alternativa, podem pensar que o que fazem na terra não tem grande importância. Podem acreditar que Deus não se preocupa com eles. Ou podem acreditar que Deus não gosta muito deles porque não fazem muito que seja visível. Nunca é demasiado importante para ser um servo. E desde que seja maior do que um lírio, nunca é demasiado pequeno para ser especialmente cuidado por Deus.
Por vezes, um cristão que costumava fazer muito por Deus pode «descansar nas suas obras passadas» e pensar que já não precisa de seguir Deus tão de perto, nem de O servir tão bem agora, devido ao que fez no passado. Mas não deveria querer expressar o seu amor por Deus agora?
Enganos em relação aos outros: De todas as formas como uma pessoa pode ser enganada em relação a si própria, pode igualmente ser enganada em relação aos outros. Pode ter uma opinião demasiado elevada de alguém, colocando-o num pedestal. Em alternativa, pode ter uma opinião negativa de outro crente por considerar que este não faz grande coisa. Não devemos preocupar-nos em estar acima dos outros, ou em ser melhores do que os outros; devemos preocupar-nos em agradar ao nosso Senhor.
Enganados em relação ao pecado: As pessoas podem ter a ideia errada de que «o pecado vai melhorar as coisas». A curto prazo, isso pode parecer verdade, mas, a longo prazo, o pecado nunca melhora as coisas. Tudo o que faz é visto por Deus; muitas das coisas que faz são vistas também por anjos e demónios. Certifique-se de que não faz coisas que não quer que sejam vistas. As pessoas podem pensar: «O pecado afeta apenas a mim próprio». No entanto, o pecado pode afetar todos aqueles que têm conhecimento do seu pecado e também outras pessoas.
Prioridades erradas
A obra de Deus: O que tem de fazer que seja mais importante do que servir a Deus? Se negligenciar ou dedicar apenas um pouco do tempo que lhe sobra a servir a Deus, não espere receber mais bênçãos de Deus do que as que receberam em Ageu 1. Deus poderia levá-lo para casa, para o céu, neste preciso momento. Então, porque é que ainda aqui está? Deus tem algumas coisas para que faça.
A sua família: A obra de Deus não se resume a partilhar o evangelho, a ajudar os outros e a fazer coisas. É igualmente importante ser quem se é. É necessário um esforço intencional e deliberado para ser um bom marido, esposa, mãe, pai, filho ou filha, irmã ou irmão, avô ou avó, ou sogro ou sogra. Muitos cristãos, ativos no ministério, arruinaram a sua vida familiar devido à negligência em dedicar tempo a esses relacionamentos. Deseja servir bem a Deus? Não o está a fazer, se também não estiver a fazer isto bem.
Os seus amigos: Nem todo o seu tempo deve ser consumido pelos amigos, mas deve destacar-se como amigo de duas formas. Pode ajudar os seus amigos a serem salvos ou a permanecerem firmes no Senhor. Em segundo lugar, pode ouvir e aprender com amigos piedosos. Pode tornar-se mais forte contra a tentação, incluindo o desânimo, se tiver amigos piedosos com quem partilhar a sua vida. Mas escolha os seus amigos com sabedoria. Os amigos podem arrastá-lo para baixo, tentá-lo e distraí-lo também. É ainda melhor se os seus amigos e o senhor partilharem o ministério da obra de Deus e se eles também forem amigos do seu cônjuge e de outros membros da família.
Distrações do mundo: Pode distrair-se, não apenas com coisas más, mas também com todas as coisas fúteis do mundo. Um autor afirmou que a nossa sociedade está a «entreter-se até à morte». O desporto, a natureza, os filmes, as idas às compras, os jantares fora e as atividades culturais não são maus em si mesmos, mas se ocuparem demasiado do seu tempo, impedindo-o de estabelecer as prioridades certas, então tornam-se errados para si.
Distrações do pecado: As pessoas gastam uma enorme quantidade de tempo na televisão e no entretenimento, na busca por relações românticas, a embriagar-se (bem como na ressaca que se segue) e na ganância. Se pudesse afastar-se da sua família, deixar todos os seus amigos e encontrar-se numa situação em que só pudesse servir a Deus de forma limitada, a troco de duplicar o seu salário durante um ou dois anos, fê-lo-ia? Mais importante ainda, será que Deus gostaria que o fizesse?
Provavelmente existem mais formas de se autoenganar do que esta. Na verdade, é assustador quantas formas existem. Ainda mais assustador é o facto de as pessoas poderem racionalizar cada uma delas como sendo boa ou, pelo menos, «Deus compreende». A única esperança que temos de evitar tudo isto é permanecer perto de Deus em oração, permanecer na Sua Palavra e ouvir os conselhos dos nossos amigos piedosos.
P: Em 1 Coríntios 3:19, por que razão Paulo citou como verdadeira Escritura as palavras de Elifaz em Jó 5:13, uma vez que Deus afirmou que Elifaz não falou corretamente a respeito de Deus em Jó 42:7?
R: Jó 42:7 não afirma que todas as palavras proferidas por Elifaz estavam erradas. Especificamente, Elifaz errou ao presumir que Deus não permitiria que a adversidade se abatesse sobre quem não a merecia. No entanto, seria universalmente compreendido que Elifaz falou corretamente ao afirmar que Deus «apanha os sábios na sua astúcia».
Não se sabe se esse ensinamento foi transmitido pela primeira vez por Elifaz, ou se Elifaz o aprendeu com uma pessoa piedosa que lho ensinou, mas isso é irrelevante. Os pontos-chave são
1. Trata-se de uma verdade sobre Deus.
2. Isto foi escrito nas Escrituras do Antigo Testamento que Jesus, os judeus e a Igreja primitiva reconheciam.
3. Paulo estava simplesmente a dizer que esta é uma verdade escrita nas Escrituras. Paulo tinha razão.
P: Em 1 Coríntios 3:21-22, em que sentido se trata de um «inventário dos bens de um filho de Deus»?
R: Inclui os mestres de que necessitamos, tudo o que precisamos no que diz respeito à nossa vida e até mesmo tudo o que precisamos para «morrer bem» por Deus. Inclui o que precisamos neste momento e o que iremos precisar no futuro. No entanto, não inclui necessariamente tudo aquilo que desejamos.
P: Em 1 Coríntios 4:1, o que há de invulgar na palavra grega para «servo» neste contexto?
R: Existem quatro palavras em grego para «servo»:
doulos (1401) — uma palavra geral para «escravo» ou «servo». É a palavra mais comum utilizada para «servo».
diakonos (1249) — da qual deriva a palavra «diácono»
huperetes / (plural) hyperetas (5257) – derivada da palavra «remar», significa literalmente um escravo de galéia a remar num navio. Pode também significar um mordomo, subordinado, ministro, oficial ou servo. Uma palavra relacionada, hypereteo, significa ser um subordinado.
pais (3816) – uma criança que é escrava ou serva.
Outra palavra, oikonomous (3623), não significa, na verdade, «escravo», mas sim «administrador». Em 1 Coríntios 4:1, Paulo utilizou huperetas para se referir a si próprio e a outros colaboradores. Este é o único local onde Paulo utilizou esta palavra.
P: Em 1 Coríntios 4:1-3, ao contrário de um servo comum, confia-se a um administrador a tarefa de guardar e realizar certas coisas. Qual é a diferença, na nossa vida cristã, entre ser um servo de Cristo e ser um administrador de Cristo?
R: Em geral, os servos devem simplesmente fazer o que lhes é ordenado. São normalmente vigiados, por vezes porque não trabalham com empenho a menos que sejam vigiados, mas outras vezes simplesmente porque precisam sempre de ser vigiados. Os administradores são como José, ou como os três servos da parábola dos talentos. Não são muito supervisionados; na verdade, espera-se que demonstrem iniciativa. Mas, embora não sejam vigiados no que fazem, os seus resultados são analisados de perto. Manteram a confiança que lhes foi depositada? Apropriaram-se de coisas que não lhes pertenciam? Cumpriram, ou tentaram cumprir, o que lhes foi exigido?
Não somos apenas servos de Cristo, mas também administradores de Cristo. Não se trata apenas de termos feito isto ou não termos feito aquilo. Não se trata apenas de termos amado a Deus muito ou pouco. Trata-se também de termos expressado o amor de Deus nas nossas vidas pela forma como cuidámos das crianças, dos familiares idosos e dos subordinados. Que tipo de influência exercemos sobre o nosso cônjuge e os nossos colegas de trabalho?
Se o seu cônjuge crente tiver de receber uma grande recompensa no céu por ter tido de o aturar e seguir Cristo apesar de si, então há aí um verdadeiro problema!
P: Em 1 Coríntios 4:3-5, quais são algumas formas erradas pelas quais os cristãos podem julgar os outros ou julgar antes do tempo determinado?
R: Em 1 Coríntios 12:10, o discernimento de espíritos é um dom espiritual; julgar os outros não o é. Podemos distinguir o que é certo e errado; o que é bíblico, o que é contrário à Bíblia, bem como o que é extra-bíblico (como mascar pastilha elástica ou fazer álgebra). Os cristãos podem expulsar pecadores impenitentes da igreja. Mas não julgar os outros e não julgar as coisas antes do tempo determinado andam, na verdade, de mãos dadas. Será que a pessoa acabará por vir a Cristo? Será que se arrependerá mais tarde? Deus sabe, nós não.
Uma das razões pelas quais não podemos julgar estas coisas é que não temos jeito para isso. Não somos melhores do que se, em Atos 7, tentássemos julgar o que aconteceria a Saulo de Tarso, ou logo após o episódio de Davi e Golias, o que Davi faria mais tarde.
Uma segunda razão é que isso equivale a menosprezar a outra pessoa. Outro crente não é seu servo; é servo de Deus. Deus sabe como julgar as pessoas, e nós não, mas Deus também tem o direito de julgar os outros, e nós não. Será que um incrédulo é um dos eleitos que acabará por ser salvo, ou será que o seu coração nunca se abrirá e ele é um dos réprobos? Não fazemos ideia. Portanto, se chamarmos os incrédulos de réprobos, estamos a afirmar com orgulho que sabemos com certeza o seu destino eterno e se alguma vez se arrependerão ou não.
P: Em 1 Coríntios 4:3, de que forma é que Paulo não se julgou a si próprio?
R: Paulo não se julgou em comparação com os outros, nem tentou adivinhar que tipo de recompensa teria no Céu. Paulo examinou a sua própria vida para se certificar de que não estava, involuntária ou deliberadamente, a falhar no seu empenho em ser semelhante a Cristo.
P: Em 1 Coríntios 4:3, por que razão Paulo não se julgou a si próprio, uma vez que, em 2 Coríntios 13:5, ele afirmou que devemos examinar-nos a nós próprios?
R: Trata-se de palavras gregas diferentes. 1 Coríntios 4:3-4 utiliza «anakritho / anakrinun» (julgar), enquanto 2 Coríntios 13:5 utiliza a palavra grega «peirazete» (Concordância de Strong 3985), que se traduz mais adequadamente por «examinar».
P: 1 Coríntios 4:5 utiliza aqui uma expressão invulgar: «o que está oculto (krypta) nas trevas». Que tipos de coisas, ocultas nas trevas, exigem arrependimento? Qual deve ser o âmbito da confissão pública?
R: Tudo aquilo que não gostaria que Deus, os anjos ou outros crentes vissem, não deve fazer. Antes de pecar, pense em como irá explicar isso quando estiver no céu. O âmbito da confissão pública deve corresponder ao conhecimento do pecado. A confissão do pecado não precisa de ser divulgada àqueles que não tinham conhecimento do mesmo; mas aqueles que estavam a par dele devem saber da confissão e do arrependimento.
Se deseja ser um supercristão, não deve deixar-se afetar pela «noite da krypta».
P: Em 1 Coríntios 4:6; Provérbios 30:6 e Deuteronómio 4:2, o que significa «não ir além do que está escrito»?
R: Trata-se de uma repetição da resposta relativa a Provérbios 30:6.
Não só é insensato como também pecaminosamente perigoso afirmar: «Deus disse isto», quando Deus não o disse. Não há problema em expressar a sua própria opinião ou interpretação, desde que fique claro que não se trata da palavra de Deus. Os judeus tinham o costume de se levantarem quando liam a palavra de Deus e de se sentarem quando a expunham. Dessa forma, as pessoas podiam ver onde terminava a palavra de Deus e onde começava a interpretação humana.
Quando as pessoas acrescentam descaradamente à Palavra de Deus, ou afirmam subtilmente que a sua interpretação humana é a verdade de Deus, as pessoas podem pensar que a Palavra de Deus falhou, caso as palavras humanas se revelem erradas. Isto não significa apenas «não acrescente falsidades ao que Deus escreveu», mas simplesmente «não acrescente nada ao que Deus escreveu». Embora os cristãos discordem sobre muitas teorias (e isso é aceitável), muitas divisões contrárias ao espírito cristão prendem-se com o facto de as pessoas afirmarem que algo é a Palavra de Deus, quando a sua dedução lógica não está, de facto, expressa nas Escrituras. Por exemplo,
1. Quando é que as pessoas devem ser batizadas?
2. Cristo virá antes, durante ou depois da tribulação?
3. De que forma é que o pão e o vinho são o corpo e o sangue de Cristo?
4. Qual é, exatamente, o grau de liberdade de que os seres humanos dispõem?
5. Deus é atemporal, está dentro do tempo ou é ambas as coisas?
Uma vez que alguns cristãos acreditam em cada uma das visões possíveis, é inevitável que alguns cristãos tenham visões corretas sobre estas questões. No entanto, se um cristão pensar que a Bíblia afirma a sua visão sobre isto, então está a equiparar uma visão humana à palavra de Deus. Não é aconselhável fazê-lo, mesmo que a visão humana esteja, de facto, correta.
P: Em 1 Coríntios 4:8-21, Paulo parece estar exasperado com os coríntios, com o seu comportamento, as suas discussões mesquinhas e o seu orgulho. O que devemos fazer quando nos sentimos irritados com outros cristãos?
R: Há cinco coisas.
1. Lembre-se de que, por vezes, Deus também pode estar muito descontente com o nosso comportamento.
2. Não devemos julgar o servo de outrem (Romanos 14:4).
3. Orem por eles e peçam a Deus por paciência e mais amor para si próprios.
4. Deus poderá orientá-lo a falar com eles, seja para repreender, corrigir ou encorajar, mas sempre com amor.
5. O amor pode soar gentil, mas o verdadeiro amor também pode ser intransigentemente severo e rigoroso.
P: Em 1 Coríntios 4:9, qual é o significado de Paulo referir-se aqui a uma procissão?
R: As procissões eram uma parte rara, mas digna de destaque, da vida na Roma antiga. Quando um general romano vencia uma guerra importante, realizava-se uma procissão de vitória em sua honra, que ele próprio conduzia em Roma. Na procissão participavam muitos dos seus prisioneiros, acorrentados. Para dizer de forma mais suave, as experiências de Paulo como apóstolo prepararam-no para se identificar facilmente com prisioneiros como aqueles. Paulo estava a contrastar a sua experiência com a complacência dos coríntios.
P: Em 1 Coríntios 4:10, os cristãos admitem acreditar em Paulo, um autoproclamado tolo?
R: Não acreditamos em Paulo, mas acreditamos em Jesus, que sabia o que estava a fazer quando nomeou Paulo como Seu apóstolo. Paulo não se referia apenas ao facto de a sua sabedoria ser loucura em comparação com a sabedoria de Deus, mas percebeu que a sabedoria de todos era loucura em comparação com a sabedoria de Deus. No entanto, Paulo também afirmou, em 1 Coríntios 2:6-7, que a sua palavra era a sabedoria de Deus, que não era deste mundo.
P: Em 1 Coríntios 4:15, por que razão deveriam os coríntios considerar Paulo o seu pai, uma vez que Jesus disse, em Mateus 23:9, para não chamarem «pai» a nenhum homem?
R: Não deviam, nem o fizeram, chamar Paulo de pai. Paulo está simplesmente a dar um exemplo de como se tornou como pai deles ao apresentá-los ao Evangelho. Da mesma forma, Paulo refere-se aos filipenses como parte da sua coroa em Filipenses 4:1.
P: Em 1 Coríntios 5:1, por que razão Paulo estava a excluir o homem, mas não a mulher? Tratava-se de um duplo padrão?
R: Se ambos fossem membros da igreja, ambos deveriam ter sido expulsos. Embora as Escrituras não se pronuncie sobre a mulher, Paulo pode não ter dito nada a respeito dela porque ela nunca afirmou ser cristã.
O «Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento», p. 514, apresenta uma nota marginal interessante. Um homem que mantivesse relações íntimas com a sua mãe ou com a esposa do seu pai não só infringia a Lei do Antigo Testamento (Levítico 18:8 e Deuteronómio 22:30), como também infringia a Lei Romana (Cícero, «Pro Cluentio» 6:15 e «Instituições de Gaius» 1:63).
O grego indica que não se tratava de uma ação contínua. Não temos a certeza da reação da igreja de Corinto perante este pecado. Talvez fosse orgulho em tolerar o que consideravam erroneamente como «a sua liberdade em Cristo», tal como sugere o «Believer’s Bible Commentary», p. 1759. Ou talvez quisessem ignorar quaisquer problemas como estes que surgissem. Ou talvez não o tolerassem em relação a alguns, mas, no caso de outros — pessoas que contribuíam ou serviam muito —, permitissem que fossem considerados um caso especial. Não sabemos, mas qualquer uma das hipóteses acima constituía um pecado por parte da igreja. A igreja deveria estar de luto e tomar medidas para expulsar o membro que não se arrependeu de ter cometido este pecado. 1 Coríntios 5:9-12 afirma que não devemos julgar aqueles que estão fora da igreja, mas sim expulsar aqueles que, dentro dela, cometem tais atos.
P: Em 1 Coríntios 5:5, o que significa «entregar este homem a Satanás para a destruição da carne»?
R: Quando um cristão ou um não cristão sabe o que é certo e se recusa a seguir, esta oração constitui um «último recurso» para que Deus entregue essa pessoa às aflições físicas infligidas por Satanás, com o objetivo de a disciplinar.
Pode-se observar que, apesar da rebelião aberta de Satanás contra Deus, Deus ainda assim opta por usar Satanás como instrumento da Sua disciplina e castigo. Como afirmou um cristão, Satanás é o servo relutante do Deus Altíssimo.
P: Em 1 Coríntios 5:7, qual era o objetivo de tratar o pecado como fermento?
R: Nos tempos do Antigo Testamento, uma vez por ano, era-lhes ordenado que removessem todo o fermento das suas casas. Deviam limpar os utensílios de panificação. Utilizavam uma lâmpada para procurar qualquer outro fermento. Por fim, oravam: «Ó Deus, expulsei todo o fermento da minha casa e, se houver algum fermento de que eu não tenha conhecimento, com todo o meu coração também o expulso.» Isto ilustra o rigor e a seriedade com que devemos procurar livrar as nossas vidas do pecado. Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1760, para mais informações.
P: Em 1 Coríntios 5:9, trata-se de uma evidência de uma carta anterior aos coríntios?
R: Os estudiosos cristãos conservadores têm três pontos de vista.
1. Carta perdida: Refere-se a uma carta anterior que Deus não considerou necessário preservar como Escritura. Nem tudo o que Paulo escreveu tinha de ser considerado Escritura.
2. Preservada em 2 Coríntios: Refere-se a uma carta anterior, que se encontra preservada como um fragmento em 2 Coríntios, podendo estar incluída em 2 Coríntios 1-9.
3. Não foi escrita nenhuma carta anterior. Paulo utilizou o tempo aoristo em grego, o que poderia referir-se ao que Paulo está a escrever no momento. Um exemplo de Paulo a utilizar o aoristo exatamente desta forma encontra-se em 1 Coríntios 9:15. A favor desta perspetiva está o silêncio total da igreja primitiva quanto a qualquer carta anterior.
P: Em 1 Coríntios 5:9-13, como deve ser aplicada a disciplina eclesiástica?
R: A disciplina eclesiástica é, por vezes, necessária como uma forma de amor severo, aplicada em benefício da igreja, do mundo e da pessoa que pecou. Tal como o «Believer’s Bible Commentary», pp. 1760-1761, salienta, a excomunhão não é um fim em si mesma, mas sim um instrumento. Tem um triplo objetivo. Consiste em alertar o crente pecador de que tal comportamento não é tolerado. Consiste em proteger os outros membros da igreja de uma eventual imitação do seu mau exemplo. Consiste em mostrar ao mundo que não é assim que somos. No entanto, aqueles que são alvo de disciplina, após demonstrarem arrependimento, podem ser reintegrados na igreja.
Se não houver arrependimento por certos pecados, então o membro deve ser excomungado da igreja. Alguns exemplos são o homicídio, a imoralidade sexual, o roubo, a idolatria e outras coisas. Mas a situação é ainda mais grave no caso de um ancião ou diácono. Espera-se que conheçam a verdade e sejam capazes de ensinar, mas também se espera que sejam exemplos. Se não forem um bom exemplo, devem ser afastados da liderança e substituídos por alguém que tenha sido um bom exemplo.
P: Em 1 Coríntios 6:1-8, devem os cristãos processar-se uns aos outros nos tribunais?
R: Não. Os cristãos podem e devem submeter-se à arbitragem vinculativa por parte de outros cristãos, mas os cristãos obedientes não processam uns aos outros em tribunais seculares. Se alguém se questionar como é que a outra parte pode continuar a ser um cristão genuíno e comportar-se dessa forma, isso não constitui desculpa para a processar. Se a outra parte afirmar ser cristã, mas discordar em doutrinas secundárias, tais como o tipo de batismo, a perda da salvação, etc., isso também não constitui desculpa para a processar. No entanto, se a outra parte afirmar ser cristã, mas não reconhecer dogmas essenciais, tais como a obra expiatória de Cristo, a divindade de Cristo, a crucificação e a ressurreição física (conforme 1 Coríntios 15), então não se trata de um cristão genuíno e é admissível processá-la, embora continue a ser preferível chegar a um acordo extrajudicial, se possível.
Todo o Salmo 133 fala de como é bom e agradável para os cristãos viverem juntos em unidade. Quando cristãos genuínos têm um desacordo, ambos devem esforçar-se por resolver esse desacordo para restaurar a alegria da comunhão entre si.
P: Em 1 Coríntios 6:2-3, de que forma os santos (todos os crentes) irão julgar todas as coisas, uma vez que Deus é o juiz?
R: Deus julgará todas as pessoas. No entanto, Deus delegará parte do Seu julgamento sobre as coisas e os anjos aos cristãos no Céu.
P: Em 1 Coríntios 6:9-10, uma vez que estas pessoas não irão para o Céu, como é que alguém pode ir para o Céu?
R: Primeiro, vamos tornar a pergunta mais complexa e, depois, responderemos a ela. Paulo nunca afirmou que esta lista fosse exaustiva; por outras palavras, embora estas coisas possam impedir alguém de ir para o céu, é possível que alguém obedeça a todas estas coisas, mas desobedeça a outras, e, mesmo assim, também não vá para o céu.
A resposta a esta pergunta encontra-se em 1 Coríntios 6:11. Trata-se de uma admissão franca de que alguns deles costumavam praticar essas coisas antes de se converterem a Cristo, mas que Jesus os purificou, santificou e justificou. A obra de Jesus consiste em tornar o impossível possível, em pegar nas pessoas que nunca conseguiriam chegar ao Céu por si próprias (ou seja, todas as pessoas) e levá-las para o Céu com Ele.
P: Em 1 Coríntios 6:9, a visão de Paulo sobre a homossexualidade era apenas a sua opinião?
R: Não. Este era o ensinamento do apóstolo Paulo, e as palavras de Paulo tinham autoridade proveniente de Deus, como demonstram 1 Coríntios 14:37 e Gálatas 1:12.
P: 1 Coríntios 6:9 ensina contra toda a homossexualidade ou apenas contra os «praticantes de atos homossexuais»?
R: Não há qualquer incerteza nem na definição nem na palavra grega que ele utilizou. O que algumas pessoas questionam é o âmbito do versículo.
Definição: Para os gregos, especialmente os espartanos, a homossexualidade era uma prática comum. Alguns chegavam mesmo a criar filhos com o único propósito de os transformar em prostitutas masculinas e femininas. Os gregos distinguiam entre 1) os homens que praticavam com rapazes e 2) os rapazes que eram usados pelos homens. A palavra grega «arsenokoitai» refere-se aos homens.
Âmbito: Alguns afirmam que, uma vez que Paulo utilizou esta palavra grega específica, ele de alguma forma anulou o que Levítico 18:22; 20:13 e Romanos 1:26-27 diziam sobre a homossexualidade em geral. No entanto, a verdade é que Paulo está a utilizar uma palavra específica para recordar aos seus leitores a condenação de toda a prática.
Na Igreja primitiva, não havia qualquer indício de que a proibição não se aplicasse a toda a homossexualidade. Ver Clemente de Alexandria, «O Instrutor» 3:12, e também a discussão sobre Romanos 1:26-27 e Levítico 18:22; 20:13.
P: Em 1 Coríntios 6:13, como pode Deus ressuscitar os nossos corpos, uma vez que Ele os vai destruir?
R: «Destruído» não significa permanentemente incapaz de ressuscitar. Deus ressuscitar-nos-á e dar-nos-á corpos físicos, mesmo aos cristãos que foram mortos e devorados por feras.
P: Em 2 Coríntios 6:14, deve um pastor cristão celebrar uma cerimónia de casamento entre um cristão e um não cristão?
R: O cristão que se casa está a desobedecer à vontade de Deus, pelo que um pastor não o deve fazer. Suponho, no entanto, que casar dois não-cristãos seja aceitável.
R.C. Sproul afirma, a respeito do casamento entre um cristão e um não-cristão: «Como regra geral, não o faço. Não o faço porque estou convencido de que Deus não me permite fazê-lo.» Em geral, os pastores, tal como todos nós, devem ter cuidado para não darem o seu selo de aprovação ao pecado.
P: Em 1 Coríntios 6:20, como devemos mudar, tendo em conta que fomos «comprados por um preço»?
R: A nossa vida já não nos pertence. William Borden, de Yale, era o filho milionário da família Borden, que comercializava o leite Borden. Ele escreveu que, como crentes, «se tomarmos as nossas vidas e fizermos o que quisermos com elas, estamos a apropriar-nos de algo que não nos pertence e, por conseguinte, somos ladrões!», citado do «Believer’s Bible Commentary», p. 1993.
P: Em 1 Coríntios 7:2, todos devem casar-se?
R: O casamento é o estado normal para a raça humana em geral. No entanto, Paulo, quando escreveu este versículo, e outros não deviam casar-se, como demonstra 1 Coríntios 7:7-8, 25-29.
P: Em 1 Coríntios 7:3-5, é aceitável recusar-se a ter relações sexuais com o cônjuge durante um determinado período de tempo?
R: Aqui, uma pessoa casou-se na expectativa de ter intimidade sexual, e o cônjuge decidiu unilateralmente alterar o que ambos tinham acordado. O significado em grego é que uma pessoa não deve abster-se sexualmente do seu cônjuge, exceto com consentimento mútuo, para oração durante um curto período de tempo. Isto independentemente de o cônjuge ser crente ou incrédulo. Assim, utilizar o sexo ou a sua ausência como recompensa (ou castigo) é contrário à Bíblia.
A «História Eclesiástica» de Sozomeno (370/380-425 d.C.), livro 3, cap. 14, p. 293, fala de monges renegados que condenavam o casamento, pessoas que não consumiam alimentos de origem animal. Muitas mulheres foram iludidas por eles e abandonaram os seus maridos, mas, incapazes de permanecer celibatárias, caíram em adultério. Algumas mulheres vestiam-se com roupas masculinas.
P: 1 Coríntios 7:10-16 contradiz Mateus 5:32 e 19:8-9 no que diz respeito ao divórcio?
R: Não. Mateus 5:32 e 19:8-9 abordam a iniciativa de divórcio, independentemente de se tratar de cristãos ou não. 1 Coríntios 7:10-16 afirma que podemos permitir que um cônjuge não crente dê início ao divórcio, se for essa a sua verdadeira vontade.
P: 1 Coríntios 7:10-16 permite o divórcio por abandono do cônjuge?
R: É claro que o divórcio é uma separação bastante definitiva, mas as palavras gregas não referem, na verdade, «divórcio», mas sim «separação» ou «abandonar», pelo que o abandono estaria aqui abrangido, tal como o divórcio. No entanto, uma separação de curta duração ou experimental não constituiria um abandono definitivo e não está aqui incluída. Consulte a «Enciclopédia das Dificuldades Bíblicas», pp. 398-401, para uma discussão mais aprofundada sobre estas questões mais amplas.
P: Em 1 Coríntios 7:10-16 e 1 Coríntios 7:25-29, teria sido possível a Paulo escrever quaisquer opiniões pessoais que não fossem Escritura? Como é que a Igreja primitiva (e nós) saberíamos que não devíamos aceitá-las?
R: Certamente. Houve muitas conversas que não estão registadas nas Escrituras. Além disso, é provável que Paulo tenha escrito uma carta privada aos coríntios antes de 1 Coríntios, como demonstra 1 Coríntios 5:9.
Tertuliano, que escreveu entre 198 e 220 d.C., também menciona que o ensinamento de Paulo aqui era Escritura, mas ele estava a diferenciar entre o que provinha da sua própria autoridade e o que repetia o que Jesus tinha dito. Em «Exortação à Castidade», cap. 3, p. 52
Há quem tente afirmar que se trata apenas da opinião pessoal de Paulo, enquanto os cristãos conservadores sustentam que continua a ser um ensinamento com autoridade. Todos deveriam poder concordar em cinco pontos:
1. Não há nenhum ensinamento nos versículos circundantes de 1 Coríntios 7:8-13 e 7:17 que não possamos extrair de outras partes da Bíblia.
2. 1 Coríntios 7:14-16 é um novo ensinamento que não se encontra em mais nenhum outro local do Novo Testamento, e 1 Coríntios 7:12-13 constitui um prelúdio para o mesmo.
3. Paulo afirma que o Senhor não disse isto diretamente.
4. Paulo afirmou que o que escreveu eram as palavras de Deus em 1 Coríntios 2:13; 14:37. Pedro afirmou que as palavras de Paulo eram Escritura em 2 Pedro 3:15-16.
5. Paulo nunca afirmou que isto não tivesse a autoridade apostólica dos seus outros ensinamentos.
P: Em 1 Coríntios 7:12-13, podem os cristãos divorciar-se dos seus cônjuges não crentes?
R: Os cristãos não devem tomar a iniciativa do divórcio, exceto em caso de infidelidade (Mateus 5:32) ou em casos extremos de vida ou morte do cônjuge ou dos filhos.
No entanto, se um cônjuge não crente der início ao divórcio, os cristãos podem deixá-lo partir, tal como diz 1 Coríntios 7:15: «Deus chamou-vos para viverem em paz» nesta situação. Muitos consideram o abandono equivalente a dar início ao divórcio. O livro «1001 Perguntas Bíblicas Respondidas», p. 247, também explica 1 Coríntios 7:14, 15 e 39.
P: Em 1 Coríntios 7:12-16, se um cônjuge não crente se divorciar de um cristão, este pode casar-se novamente?
R: 1 Coríntios 7:15 afirma que o cristão «não está vinculado» em tais casos. Isto indicaria que o cristão pode casar-se novamente, caso não tenha sido ele a dar início ao divórcio.
O «New International Bible Commentary», p. 1362, e o «Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 518, afirmam que o grego corrobora esta interpretação.
P: Será que 1 Coríntios 7:14 prova, ou pelo menos apoia, o batismo de crianças?
R: Não. Se o facto de as crianças serem «santas» justificasse o seu batismo, então o facto de o cônjuge ser santificado justificaria também o batismo de cônjuges não crentes.
Este versículo significa que Deus continuará a abençoar os filhos dos crentes, mesmo quando um dos cônjuges não for crente. Se uma criança com um dos pais cristão não tivesse sido batizada na infância, devido ao desejo do progenitor não cristão, este versículo continuaria a ser verdadeiro e aplicável a essa criança.
Na Suécia, que foi oficialmente uma nação luterana até 2000, não se realizam cerimónias públicas de batismo infantil. O batismo infantil ignora completamente o sentido da escolha pessoal de uma pessoa em ser batizada.
No entanto, as crianças criadas por um progenitor crente irão (ou, pelo menos, deveriam) ouvir o evangelho, ser educadas na Bíblia e aprender a orar a Deus e a ajudar os outros.
Consulte também a discussão sobre Colossenses 2:11-12 e 1 Coríntios 1:16 para mais informações.
P: Em 1 Coríntios 7:14, uma vez que os filhos de um progenitor crente são santificados, continuam os filhos a ser pecadores?
R: Sim, porque «santificados» não significa «sem pecado». Todos, com exceção de Adão, Eva e Jesus, nasceram com uma natureza pecaminosa. 1 Coríntios 7:14 afirma simplesmente que os filhos de um crente são especialmente protegidos por Deus. Consulte «Dificuldades e Aparentes Contradições da Bíblia», pp. 244-255, para obter uma resposta complementar.
P: Em 1 Coríntios 7:18-19, uma vez que a circuncisão não tem qualquer importância e Gálatas 5:2-3 afirma que não devemos circuncidar-nos, por que razão Paulo circuncidou Timóteo em Atos 16:3?
R: Paulo circuncidou Timóteo porque os judeus daquela região sabiam que o pai de Timóteo era grego. Consulte a discussão sobre Atos 16:3 para obter mais informações.
P: Em 1 Coríntios 7:21-23, estará Paulo a contradizer o que disse em Efésios 6:5-8 sobre a escravatura?
R: Não. Aqui está um resumo do ensinamento de Paulo.
a) Evite tornar-se escravo.
b) Se for escravo e puder conquistar (comprar) a sua liberdade, faça-o. (1 Coríntios 7:21, 23)
c) Até lá, aprenda a contentar-se com a sua situação atual.
Tendo em conta que era difícil para um homem livre e pobre ganhar a vida honestamente nas grandes cidades, e que dois terços dos coríntios eram escravos, 1 Coríntios 7:21-23 é sábio e pragmático.
No Antigo Testamento, as pessoas não deviam ser raptadas e vendidas como escravos (Êxodo 21:16); os escravos não deviam ser maltratados (Êxodo 21:26-27) e os escravos fugitivos não deviam ser devolvidos aos seus senhores (Deuteronómio 23:15-16).
Como nota à parte, o escritor judeu posterior Maimónides afirmou que nenhum escravo podia ser profeta. Mas na igreja, uma vez que não há distinção entre escravo e livre, qualquer pessoa podia ser profeta. Consulte *The Expositor’s Greek Testament*, vol. 2, p. 80, para mais informações sobre este assunto.
Consulte também a discussão sobre Tito 2:9, Filemom 10-15, o «Tony Evans Bible Commentary», p. 1232, e «Hard Sayings of the Bible», pp. 591-593 e pp. 642-644, para mais informações.
P: Em 1 Coríntios 7:25-26, isto refere-se a virgens ou a homens?
R: Refere-se tanto a homens como a mulheres. O mesmo termo, «virgens», é utilizado para designar homens em Apocalipse 14:4. Muitas vezes, na Bíblia, são apresentados exemplos de homens para assuntos que se aplicam a ambos os sexos.
P: Em 1 Coríntios 7:29, os cristãos deveriam ter evitado o casamento há 2 000 anos, porque o tempo é curto?
R: Em retrospetiva, o conselho dado foi sensato, uma vez que uma intensa perseguição teve início no espaço de dez anos. Paulo não nos forneceu todos os pormenores sobre o motivo pelo qual o tempo era curto, limitando-se a mencionar a «crise atual» e grandes mudanças em 1 Coríntios 7:26,31.
Tal como um pai ou uma mãe terrenos, por vezes Deus diz-nos coisas sem nos dar todas as razões ou o contexto. Se formos sábios, obedeceremos a Deus independentemente disso.
Tertuliano, que escreveu entre 198 e 220 d.C. na obra *De Corona*, cap. 13, p. 101, refere que «têm o apóstolo [Paulo] a exortar as pessoas a casarem-se no Senhor».
P: Em 1 Coríntios 7:29-31, a expressão «este mundo, na sua forma atual, está a passar» referia-se à perseguição daquela época ou ao regresso de Cristo?
R: Antes de responder à pergunta, façamos algumas observações sobre o que a passagem está a dizer. Paulo está a dar tanto conselhos como mandamentos, e afirma que o faz devido a uma previsão e a uma observação. Ele está a aconselhar (não a ordenar) as pessoas a não se casarem. Está a dizer aos crentes para não chorarem, não se regozijarem nem se preocuparem com os seus bens (ou seja, para aceitarem estoicamente o que está prestes a acontecer). Ele apresenta duas razões (7:28b): uma previsão de um curto período de tempo e de que haveria aflições na carne, e a observação: (7:31b) «Pois este mundo, na sua forma atual, está [neste momento] a passar.» Quanto ao mundo na sua forma atual (schema em grego) estar a passar, o «Believer’s Bible Commentary», p. 1770, afirma que a última frase foi, na verdade, emprestada do teatro grego, significando a mudança de cena.
Quanto à resposta, os estudiosos cristãos discordam, pois encaixa em ambas as hipóteses.
(resposta provável) Perseguição: Para além das perseguições locais intensas, houve uma perseguição geral intensa nos dez anos seguintes à redação desta carta por Paulo. Assim, haveria tempos muito difíceis para os cristãos, e seria ainda mais difícil para os casados. Não se deixem levar pelo pranto, pois haverá muita perseguição. Não se deixem levar pela alegria, nem pelo apego aos vossos bens, pois as coisas serão muito efémeras. Paulo não disse nada aqui sobre quando o mundo, na sua forma atual, terá desaparecido completamente. Em vez disso, Paulo afirmou que o mundo, na sua forma atual, está em vias de desaparecer. O cristianismo só se tornou uma religião legal e favorecida no Império Romano em 325 d.C., mas o processo foi árduo e doloroso para os seguidores de Cristo. O «New International Bible Commentary», p. 1363, e o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 10, p. 235, defendem a opinião de que Paulo se refere à perseguição durante o seu tempo.
(improvável) O Regresso do Senhor: Esta interpretação defende que Paulo tem em vista o regresso de Cristo. Mais uma vez, Paulo não fez qualquer previsão sobre quando o mundo, na sua forma atual, terá passado, apenas que se encontra agora em processo de passar. Por outras palavras, Paulo não está a dizer quando o despertador irá tocar, mas sim que o relógio continua a avançar. No entanto, uma vez que o relógio continua a avançar, Paulo aconselha-os a dedicarem-se de todo o coração ao Senhor e à Sua obra, e a não se envolverem em coisas mundanas, quer estas causem tristeza, felicidade ou ganho de bens. Ele desaconselha o casamento para que as pessoas se possam dedicar mais à obra do Senhor, porque nunca sabemos quando Cristo regressará. O «Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 519, e o «Believer’s Bible Commentary», p. 1770, defendem a opinião de que se trata do regresso do Senhor. A «NIV Study Bible», p. 1743, refere que há quem defenda esta opinião; no entanto, não a subscreve.
É muito provável que se trate da primeira interpretação, uma vez que este conselho que Paulo dá neste versículo — incluindo o de serem como aqueles que não choram nem se regozijam — se aplicaria tanto àquela época como a outros períodos de perseguição. A segunda interpretação consideraria o conselho de Paulo válido para aquela época e para todos os tempos que se seguiriam, até ao regresso de Cristo.
P: O que significa 1 Coríntios 7:30-31?
R: Estes versículos constituem um conselho muito válido, tanto para o tempo de Paulo como para todas as ocasiões em que os cristãos estejam prestes a enfrentar uma perseguição severa. Mesmo quando os cristãos não estão a ser perseguidos, é sensato «apegar-se apenas de forma superficial» a todas as coisas terrenas, sejam elas a alegria do casamento ou outras felicidades, bens materiais ou até mesmo o luto. Nunca se sabe quando estas coisas podem ser-nos tiradas, nem quanto tempo nos resta. Sabe, porém, que, no curto tempo que aqui estamos, Deus deseja que brilhemos para Ele e cumpramos a Sua vontade.
Não podemos viver como disse o jovem Calvin na banda desenhada «Calvin and Hobbes»: «Deus colocou-me aqui na Terra para realizar certas coisas e, ao ritmo a que as coisas estão a correr, vou viver para sempre!»
P: Em 1 Coríntios 7:31, de que forma «este mundo, na sua forma atual, está a passar»?
R: A vinda de Jesus e a propagação do cristianismo constituíram o acontecimento histórico mais significativo desta época. No entanto, antes de o cristianismo se tornar uma religião legal e favorecida no Império Romano, sob o imperador Constantino, em 324 d.C., os cristãos iriam passar pela grande provação de dez perseguições.
P: Em 1 Coríntios 7:36, quem é o homem aqui referido: o pai ou o noivo e potencial marido?
R: É o noivo. Não é o pai que a dá em casamento, mas sim o noivo que se preocupa com o comportamento impróprio.
Outra interpretação é que a palavra «virgem» não se refere a uma pessoa, mas à virgindade da pessoa. Assim, um homem está preocupado com a sua própria virgindade e com o facto de estar a deixar passar a flor da juventude. O «Believer’s Bible Commentary», p. 1771, defende esta interpretação.
P: Em 1 Coríntios 7:23 e 6:20, qual é o tema comum entre 1 Coríntios 6 e 7?
R: Ambos os versículos enfatizam que devemos viver como se tivéssemos sido «comprados por um preço»: o sangue de Jesus. 1 Coríntios 6:20 diz que, uma vez que fomos comprados por um preço, devemos glorificar a Deus com o nosso corpo. 1 Coríntios 7:23 diz que, uma vez que fomos comprados por um preço, não nos tornemos escravos dos homens.
P: Em 1 Coríntios 8:4, uma vez que «um ídolo não é nada», por que razão a idolatria é tão veementemente condenada em 1 Coríntios 10:20, Êxodo 20:4, Levítico 19:4, 26:1,30?
R: Uma analogia é útil aqui. Um pára-quedas imaginário não é nada, mas confiar num pára-quedas inexistente é algo mortal. Da mesma forma, um ídolo não é nada, mas depositar a sua confiança num ídolo é algo mortal. Deus salienta em muitas passagens que não se pode depositar a sua confiança tanto n’Ele como num ídolo.
P: Em 1 Coríntios 8:4, 7-13, é admissível comer carne oferecida aos ídolos, ou devemos abster-nos, tal como diz Atos 15:28-29?
R: Romanos 14 mostra que pode ser errado ou aceitável, dependendo das circunstâncias.
a) É errado participar num banquete em honra do ídolo. É errado comer carne proveniente desse banquete se o considerar, de alguma forma, como adoração ao ídolo. Romanos 14:23 afirma que tudo o que não provém da fé é pecado.
b) É admissível comer a carne (com uma exceção) se compreender que toda a comida provém de Deus, e não dos ídolos, e que não está a adorar nenhum ídolo.
b2) Uma exceção ocorre se um cristão mais fraco ou um não-cristão considerar que o facto de comer constitui um comprometimento da sua fé. Não devemos fazer com que os outros tropecem, conforme Romanos 14:10, 13, e devemos evitar dar a aparência do mal, conforme 1 Tessalonicenses 5:22 e 2 Coríntios 8:21.
P: Será que 1 Coríntios 8:5 e João 10:35 ensinam que existem muitos deuses?
R: Não. 1 Coríntios 8:5 refere-se a todos os ídolos em que os não-cristãos acreditavam. Existem muitos deuses, mas há apenas Um que é legitimamente chamado de Deus. Devemos adorar «o único Deus» (1 Timóteo 1:17). Consulte também a discussão sobre João 10:35. Tertuliano (198-220 d.C.), na obra «Contra Hermógenes», capítulo 4, «Padres Ante-Nicenos», volume 3, p. 479, foi um dos primeiros a discutir 1 Coríntios 8:5. Ele afirmou que os muitos deuses são deuses apenas no nome, enquanto existe apenas um único Deus verdadeiro. Orígenes (225-253/254 d.C.) também respondeu a esta objeção na obra «Contra Celso», livro 8, capítulo 4, p. 641.
Comeria no templo de um ídolo, contrariando o versículo 10 do mesmo capítulo? É verdade que existem muitos deuses idólatras, mas ensinaria que esses deuses são reais, contrariando o versículo 4? Se não, então não pode utilizar o versículo 5 para falar de múltiplos deuses reais. O versículo 6 afirma que somos diferentes, na medida em que acreditamos apenas num único Deus.
A título de nota à margem, a primeira pessoa a abordar esta questão e a dar essencialmente a mesma resposta foi Irineu, bispo de Lyon, na obra «Contra as Heresias», livro 3, capítulo 6.5, p. 420.
Um mórmon disse uma vez ao meu colega de quarto cristão, Greg, que havia muitos deuses, mas que havia apenas um deus deste mundo, e que ele adorava o deus deste mundo. No entanto, o deus deste mundo é Satanás, de acordo com 2 Coríntios 4:4 e 1 João 5:19. Irineu de Lyon (que viveu entre 120 e 202 d.C. e escreveu entre 182 e 188 d.C.), no Fragmento 46, p. 575, também afirma que o deus deste mundo é Satanás.
P: Será que 1 Coríntios 8:6 ensina que Jesus não é o Deus Todo-Poderoso, como afirmam as Testemunhas de Jeová?
R: Não. Neste versículo, a palavra «Deus» refere-se a Deus Pai, mas as Testemunhas de Jeová teriam de ignorar todos os outros versículos que afirmam que Jesus é Deus, tais como João 20:28-29 e João 8:58. Teriam de negar que existem, pelo menos, dois sentidos da palavra «Deus», contradizendo Hebreus 1:8 e Hebreus 1:9. Teriam de recusar-se a honrar o Filho tal como honram o Pai, contradizendo João 5:23.
As Testemunhas de Jeová tentam fazer uma distinção entre «Deus Todo-Poderoso» (o Pai) e «Deus Poderoso», que, segundo elas, é o Filho. Embora dentro da Trindade exista uma distinção entre os três, uma vez que Deus é Todo-Poderoso, ou existem deuses separados, como as Testemunhas de Jeová estão a sugerir, ou existe apenas um Deus, e Deus é Todo-Poderoso.
P: Em 1 Coríntios 8:6-13, o que devem os cristãos fazer no que diz respeito às celebrações do fim do Ramadão para os muçulmanos, ao Diwali na Índia e a outras festas?
R: Em geral, não participe em qualquer culto religioso. Mas se for convidado para comer, isso pode ou não ser aceitável. Se um novo crente vier a tropeçar na sua fé, então não coma. Se alguém pensar que está a comprometer os seus princípios cristãos, então não coma. Caso contrário, não há problema em aceitar a hospitalidade deles e comer. É claro que também pode convidá-los para as nossas celebrações.
De acordo com uma fonte, o festival indiano do Diwali, o festival das luzes, é tão antigo que ninguém conhece a sua origem, e não é propriamente religioso. De acordo com outra fonte, a razão apresentada para o Diwali num local é totalmente diferente da apresentada noutro. De acordo com uma terceira fonte, trata-se de um festival religioso, que celebra o momento em que o deus Rama, encarnado na Terra, foi autorizado a regressar a casa após ter sido exilado. Por isso, a situação torna-se bastante complicada, a menos que simplesmente não esteja presente nesse dia. Assim, se houver algum tipo de cerimónia, evite-a. Pode comer a comida se for convidado. É claro que não deve comer nada se simplesmente aparecer sem ser convidado.
P: Em 1 Coríntios 8:6-13, devem os cristãos comer carne «halal», ou seja, carne abatida por muçulmanos após invocarem a bênção de Alá sobre a mesma?
R: Nos templos pagãos também rezavam sobre o sacrifício. A oração dirigida a outro deus não tem qualquer efeito sobre a carne, pelo que não há problema em um cristão a comer, a menos que isso possa ferir a consciência de outra pessoa.
P: Em 1 Coríntios 8:11, como é que as nossas ações relativamente à carne oferecida aos ídolos podem levar o nosso irmão cristão a ser «destruído», uma vez que João 10:28 diz que eles nunca perecerão?
R: Embora as palavras gregas sejam as mesmas (apenas com uma terminação diferente) — apoleitai/apoluntai —, o significado é diferente. Os cristãos genuínos discordam quanto à possibilidade de os crentes perderem a sua salvação. Independentemente disso, os crentes podem, infelizmente, perder o seu testemunho e a sua consciência limpa ao comerem alimentos quando acreditam que é errado fazê-lo.
P: Em 1 Coríntios 9:1-2, Paulo era apóstolo apenas para os coríntios ou para todos?
R: O próprio Paulo afirmou que era apóstolo não apenas dos coríntios, mas de todos, em 1 Timóteo 1:1; 2:7; Romanos 1:1; Gálatas 1:1; Efésios 1:1; Colossenses 1:1; 2 Timóteo 1:1; e Tito 1:1.
P: Em 1 Coríntios 9:1-7, alguns questionaram a autoridade de Paulo como apóstolo. Quando os cristãos contestam indevidamente a autoridade de um pastor, ancião ou outro líder cristão nos dias de hoje, o que lhes pode dizer?
R: A Bíblia contém muitos exemplos de pessoas que questionaram indevidamente os seus líderes. Miriam opôs-se ao casamento de Moisés com uma cusita, e Deus feriu-a com lepra em Números 12. Os israelitas murmuraram contra Moisés e Deus ameaçou deserdá-los em Números 14:11-12. Coré e os seus seguidores rebelaram-se contra Moisés e foram engolidos pela terra em Números 16:1-36. O povo desafiou Moisés e Arão a respeito de Corá e surgiu uma praga em Números 16:41-50.
Se um líder fizer algo que deva ser levado ao conhecimento de outros anciãos, então levem o assunto até eles. Mas, para além disso, não devemos fazer comentários maliciosos sobre os nossos líderes.
Se um líder tomar uma má decisão ou cometer um erro, deve falar com ele para que isso seja corrigido, tendo em conta que todos nós já tomámos más decisões ou cometemos erros. Se um líder estiver envolvido numa heresia que leva à perdição das almas, em roubo ou num pecado grave sem arrependimento, deve ser destituído do cargo de líder. Mas, caso contrário, não deve seguir os exemplos da Bíblia e ter de comparecer perante o juízo de Cristo no fim.
P: Em 1 Coríntios 9:5 e Mateus 12:46-47; 13:55-56; Atos 1:14; Gálatas 1:19, Jesus tinha irmãos?
R: Sim, Jesus tinha meio-irmãos.
A maioria dos não-católicos interpreta geralmente o sentido literal destes versículos, ou seja, que Jesus tinha irmãos. Os primeiros cristãos interpretavam-no da mesma forma. Os irmãos de Jesus eram Tiago (o autor da Epístola de Tiago), José, Simão e Judas [Judas] (o autor da Epístola de Judas), de acordo com Mateus 13, 55-56.
A maioria dos católicos interpreta «irmãos» como primos, uma vez que a Igreja Católica ensina que Maria foi sempre virgem.
No entanto, a palavra grega para primo, «suggenes», que foi utilizada em Lucas 1:36 e 1:58, estava à disposição de Paulo e de Mateus para serem utilizadas, mas eles não o fizeram. Uma vez que alguns católicos gostam de recordar às pessoas a importância da tradição cristã, Hipólito (222-235/6 d.C.), na obra «Refutação de Todas as Heresias», capítulo 2, menciona Tiago como irmão de Nosso Senhor.
Outros versículos que mencionam os irmãos de Jesus são Mateus 13:55; Marcos 3:31-32, Lucas 8:19-20 e João 2:12; 7:3, 5, 10.
P: Em 1 Coríntios 9:5, Pedro (Cefas) tinha esposa?
R: Para além de 1 Coríntios 9:5 o afirmar, em Mateus 8:14 e Lucas 4:38-39, Jesus curou a sogra de Pedro da febre. Clemente de Alexandria (Stromata, 193-202 d.C.) e a «História Eclesiástica» de Eusébio (3:30) também ensinam que Pedro era casado e tinha filhos.
De acordo com a «História Eclesiástica» de Eusébio 3:30: «Dizem, portanto, que quando o abençoado Pedro viu a sua própria esposa ser levada para a morte, regozijou-se por causa da sua vocação e do seu regresso a casa, e chamou-a de forma muito encorajadora e reconfortante, dirigindo-se a ela pelo nome e dizendo: “Ó tu, lembra-te do Senhor.” Tal era o casamento dos abençoados e a sua atitude perfeita para com aqueles que lhes eram mais queridos» (Stromata, livro 7, cap. 2)
Jesus curou a sogra de Pedro no início do seu ministério (Mateus 8:14-17; Marcos 1:29-34; Lucas 4:38-39). Assim, é provável que Pedro já fosse casado antes de conhecer Jesus.
P: Em 1 Coríntios 9:12, de que forma pode o Evangelho de Cristo ser impedido?
R: «Evangelho» é simplesmente a «boa nova» sobre Jesus Cristo. A comunicação e a transmissão do Evangelho podem ser impedidas por incrédulos. Também podem ser restringidas por crentes que, por medo de perseguição ou por outras razões, não desejam pregá-lo na íntegra.
É possível comunicar o Evangelho através de quatro pontos simples.
1. Compreender, em parte, quem é Deus, que existe apenas um Deus Trino e que não devemos adorar quaisquer outros supostos deuses.
2. Perceber quem somos, que nascemos com uma natureza pecaminosa e precisamos de purificação e perdão dos nossos pecados. Não podemos chegar ao Céu pelos nossos próprios méritos.
3. Perceber que Jesus Cristo, através da Sua morte na cruz e da Sua ressurreição dos mortos, proporcionou o único caminho para que qualquer pessoa possa ir para o Céu.
4. Perceber que precisamos de invocar Deus, confiar no Senhor e compreender que o sangue de Jesus pagou o preço pelos nossos pecados.
Depois de nascermos de novo como filhos de Deus, sabemos que o Espírito Santo habita dentro de nós, operando em nós para que vivamos de forma a agradar a Deus. Embora continuemos a pecar, Deus está a santificar-nos, para nos tornar mais semelhantes a Cristo. Devemos viver em obediência aos mandamentos de Deus, ser batizados com água e levar uma vida em que amemos a Deus acima de tudo e amemos os outros.
P: Em 1 Coríntios 9:12, 18-19, 22, quando é que não devemos exercer os direitos que nos pertencem?
R: Ninguém seria sensato ao exercer um direito menor sobre um pormenor trivial, se isso significasse abdicar de um direito maior sobre algo importante. Um dos nossos «direitos» mais importantes — ou, na verdade, privilégios — é participar com o Espírito Santo na transmissão da mensagem vivificante do Evangelho aos outros. Devemos estar imediatamente dispostos a abdicar da maioria dos nossos outros direitos, em vez de abdicarmos do nosso privilégio de realizar a obra de Deus.
P: Em 1 Coríntios 9:14, todos os que pregam o Evangelho devem ganhar a vida com o Evangelho?
R: Como mostra 1 Coríntios 9:15, trata-se de um privilégio, não de um mandamento. É perfeitamente aceitável que um cristão piedoso ganhe a vida com o Evangelho, mas não é obrigado a fazê-lo.
P: Em 1 Coríntios 9:16-17, por que razão Paulo teve de pregar o Evangelho, quer a sua pregação fosse «voluntária» ou «não voluntária»?
R: Não deve pensar que deve servir a Deus tanto ou tão pouco quanto desejar. Paulo foi chamado para pregar o Evangelho. Ele desejava pregá-lo com entusiasmo e de forma voluntária. No entanto, ele salientava que, mesmo que não desejasse pregá-lo, sentir-se-ia ainda assim compelido a fazê-lo devido à confiança que Deus lhe tinha confiado. O livro «1001 Perguntas Bíblicas Respondidas», pp. 125-126, salienta que, tal como Paulo, todos os cristãos genuínos têm a obrigação solene de pregar o Evangelho e terão de comparecer perante Deus para prestar contas do que lhes foi confiado. As nossas recompensas eternas no Céu baseiam-se no que fazemos ou deixamos de fazer. Em Ezequiel 3:17-21, o Senhor disse a Ezequiel que este seria responsável pelo sangue de alguém se falhasse no seu dever de sentinela.
P: Em 1 Coríntios 9:19-23, de que formas podemos renunciar aos nossos escrúpulos do passado por causa de Cristo?
R: No caso de Paulo, um judeu devoto não comia carne de porco, camarão ou outros alimentos proibidos no Antigo Testamento. Os fariseus consideravam que não deviam associar-se a não judeus. Tinham também inúmeras outras regras.
Hoje em dia, as pessoas têm «escrúpulos» como, por exemplo, tomar banho todos os dias. E se tivesse de ir para o campo missionário num local remoto onde não pudesse fazer isso? Recusar-se-ia então a ir? Não deve ver alguém do sexo oposto sem roupa, além do seu cônjuge. Mas e se fosse um acidente ou uma emergência médica, e isso fosse inevitável? Afastar-se-ia simplesmente quando fosse necessário ajudar? Existem boas regras que devemos seguir na vida cristã, mas, em última análise, não se trata de regras; trata-se, antes, de fazer o que Deus quer que façamos e de não Lhe desobedecer.
P: Em 1 Coríntios 9:20-23, de que forma é que Paulo é tudo para todos?
R: Paulo não comprometeu a sua pregação nem a prática da verdade. No entanto, em Atos 17 e noutros passos, utilizou diferentes abordagens na pregação do único e verdadeiro Evangelho, e ensinou que devemos adaptar as nossas práticas, em questões não essenciais, por causa dos crentes mais fracos (Romanos 14), e, tanto quanto possível, viver em paz com todos (Romanos 12:18).
P: Em 1 Coríntios 9:20 e 1 Coríntios 10:33, estará Paulo a tentar agradar aos homens, contrariamente ao que diz Gálatas 1:10?
R: Paulo está a tentar ser tudo para todos, a fim de os ganhar para Cristo, mas isso não implica comprometer a verdade.
P: Em 1 Coríntios 9:24, devemos correr para alcançar um objetivo, ou não correr para alcançar um objetivo, tal como diz Romanos 9:16 («não depende da vontade nem do esforço do homem»)?
R: Devemos esforçar-nos como se estivéssemos a alcançar uma meta, e Romanos 9:16 não contradiz isto. Romanos 9:16 lembra-nos que todo o nosso esforço não nos salva; é Deus quem nos salva.
Esforçamo-nos não para sermos salvos, mas para demonstrar o nosso amor e gratidão a Deus, que nos salvou.
P: Em 1 Coríntios 9:24, será que apenas um cristão receberá o prémio?
R: Não, de acordo com 2 Timóteo 4:8. No entanto, tal como um corredor dá o seu melhor para ser o vencedor do primeiro lugar, devemos esforçar-nos com igual diligência para que as nossas vidas sejam uma «vitória do primeiro lugar» para Cristo.
P: Em 1 Coríntios 9:24, por que razão Paulo fala aos coríntios sobre corridas?
R: Talvez porque soubesse que era uma ilustração com a qual eles se poderiam identificar. Os Jogos Ístmicos, realizados perto de Corinto, eram os segundos mais importantes, logo a seguir aos Jogos Olímpicos. Realizavam-se de dois em dois anos. Os atletas passavam por um rigoroso processo de treino de dez meses, e o objetivo era ganhar uma coroa de louros — coroa que, no entanto, murcha rapidamente.
P: Em 1 Coríntios 9:26-27, de que formas é que o nosso corpo nos pode dominar, se não tivermos cuidado?
R: Sempre que sentir que «tem» simplesmente de fazer algo, e isso não for algo que Deus tenha ordenado ou for contrário ao que Deus ordenou, deve perguntar-se se poderá ter um vício. Sente que «tem» de comer muito e de fazer todas as refeições, mesmo que tenha excesso de peso? Sente que «tem» de ver um programa ou um filme? Por vezes, é bom «jejuar», abstendo-se de fazer aquilo que o seu corpo sente que «tem» de fazer.
A palavra para «pregar» aqui, keryxas, é interessante. Refere-se literalmente a um arauto que convoca as pessoas a virem assistir a uma corrida.
P: Em 1 Coríntios 9:27, o que significa a palavra grega para «disciplina»?
R: A palavra grega hupopiazo significa ser espancado até ficar coberto de hematomas. Os coríntios eram atletas dedicados, e o boxe e a luta livre estavam entre os seus principais desportos.
P: Em 1 Coríntios 9:27, havia a possibilidade de Paulo ser «desclassificado»? Se não, o que significa isto?
R: Há quatro pontos a considerar na resposta.
1. Na perspetiva eterna de Deus, Ele sabia com certeza quem perseveraria e teria a vida eterna.
2. Os eleitos que vão para o Céu podem perder as suas recompensas.
3. Da nossa perspetiva terrena, alguns podem parecer salvos, mas acabam por ir para o Inferno.
4. Os cristãos discordam quanto à possibilidade de um cristão genuíno poder ou não perder a sua salvação.
Consulte a discussão sobre Efésios 1:14 e Hebreus 6:4-10 para mais informações.
P: Em 1 Coríntios 10:1-5, o que é que isto nos ensina sobre os dons de Deus?
R: Contrastando esta secção com o final de 1 Coríntios 9, o que os atletas (espirituais e outros) conquistam através da disciplina, os israelitas perderam ao cederem aos seus apetites. 1 Coríntios 10:1-4 salienta que todos, ou seja, cada um dos israelitas, receberam estas bênçãos. No entanto, 1 Coríntios 10:5 afirma que a maioria deles acabou por perecer no deserto. Hoje em dia, as pessoas recebem as bênçãos dos alicerces estabelecidos por mulheres e homens piedosos, mães e pais. No entanto, muitos desperdiçam o que lhes foi dado e aquilo com que cresceram.
P: Em 1 Coríntios 10:8, quem eram as 23 000 pessoas que morreram num único dia?
R: Os cristãos genuínos apresentam quatro interpretações.
1. Êxodo 32:28 menciona um momento no início do Êxodo, quando Arão fez o bezerro de ouro, e 3 000 foram mortos à espada num único dia. Ao mesmo tempo, outros foram mortos por uma praga em Êxodo 32:35. Consulte a «Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia», p. 141, 401; «Quando os Críticos Perguntam», p. 458-459; e o «Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento», p. 526, para mais informações sobre esta resposta.
2. Paulo cometeu um erro numérico ao escrever isto. O livro «Hard Sayings of the Bible», pp. 597-598, apresenta esta interpretação. Isto significaria que a Bíblia não é inerrante (sem qualquer erro), mas seria infalível (sem erros teológicos significativos).
3. Números 25:9 menciona o período no final do Êxodo, em Sitim, quando as mulheres midianitas seduziram os homens israelitas e 24 000 homens foram mortos. Duas formas possíveis de interpretar os números são:
3a) 23 000 refere-se apenas a um dia, e 24 000 é o total
3b) 23 000 refere-se apenas ao povo, e 24 000 ao povo e aos líderes.
Tertuliano afirmou que 24 000 morreram na praga de Midiã, mas não especificou em quantos dias, em «Sobre a Modéstia», cap. 6, p. 79
4. Paulo refere-se àqueles que morreram, e 24 000 é um número arredondado, possivelmente proveniente de uma tradição rabínica.
P: Em 1 Coríntios 10:9, uma vez que Deus não pode ser tentado, de que forma é que os israelitas tentaram Deus neste contexto?
R: A palavra grega aqui utilizada também pode significar «pôr à prova» o Senhor. Consulte a discussão sobre Êxodo 17:2.
P: Em 1 Coríntios 10:10, o que nos diz a Bíblia sobre as más ações que as pessoas cometeram?
R: Uma pessoa sábia consegue aprender com os erros dos outros, antes de os cometer também. A Bíblia quer que sejamos sábios.
P: Em 1 Coríntios 10:13, será que alguma vez enfrentamos uma tentação insuportável?
R: Não. Independentemente do que possamos sentir naquele momento, 1 Coríntios 10:13 é verdade. Com as nossas próprias forças, talvez possamos enfrentar tentações insuportáveis. Mas quando confiamos em Deus, nunca enfrentaremos tentações insuportáveis. Em momentos de tentação, podemos orar a Deus, ler a Bíblia e ligar a outros crentes para orarmos com eles. Se clamarmos a Deus, Ele providenciará sempre uma saída para a tentação.
P: Uma vez que 1 Coríntios 10:14 diz para «fugir da idolatria», os cristãos não deveriam usar cruzes, como afirmam as Testemunhas de Jeová?
R: Não. Consulte a discussão sobre Êxodo 20:4-5 para obter a resposta.
P: Em 1 Coríntios 10:20 e em Deuteronómio 32:16-17, a religião não é sempre algo positivo?
R: Não. Primeiro, o que diz a falsa religião do Rev. Moon, chamada Igreja da Unificação, e depois o que diz a Bíblia.
Princípio Divino, p. 9: «A religião surgiu como o meio para realizar o propósito do bem ao seguir o caminho de Deus... de acordo com a intenção da mente original. A necessidade de diferentes tipos de compreensão levou ao surgimento de várias religiões.»
A Bíblia tem muito a dizer sobre a idolatria devotamente religiosa.
1 Coríntios 10:20 «... os sacrifícios dos pagãos são oferecidos aos demónios, não a Deus...» (Talvez uma referência ao Salmo 106:37)
Jonas 2:8 «Aqueles que se apegam a ídolos sem valor abandonam a Sua devoção amorosa.»
Jeremias 2:5 «... e seguiram ídolos sem valor, e tornaram-se eles próprios sem valor?»
Existem muitos outros versículos contra a idolatria. A questão é que, se quiser seguir o verdadeiro Deus, tem de destruir todos os seus ídolos.
Na Igreja primitiva, eis o entendimento de Orígenes, utilizando a religião dos citas como exemplo: «E embora os citas possam muito bem chamar a Pappaeus o Deus supremo, não daremos o nosso consentimento a isso; admitindo, de facto, que existe uma Divindade Suprema, embora não Lhe atribuamos o nome de Pappaeus como Seu título próprio, mas o consideremos como um nome que agrada ao demónio a quem foi atribuído o deserto da Cítia, com o seu povo e a sua língua. Aquele, porém, que atribuir a Deus o Seu título na língua cita, ou na egípcia, ou em qualquer língua em que tenha sido criado, não será culpado de pecado.» Orígenes, Contra Celso, livro 5, cap. 46, p. 564.
P: Em 1 Coríntios 10:21, 27, não devemos comer o que é sacrificado aos ídolos, como mostram 1 Coríntios 10:21 e Atos 15:29, ou é permitido, como mostram 1 Coríntios 10:27 e 1 Coríntios 8:4, 8?
R: A própria 1.ª Carta aos Coríntios responde a esta questão.
1. Não é permitido se estiver a participar num ato religioso. (1 Coríntios 10:20-21)
2. Uma vez que todos os alimentos provêm de Deus, é admissível comer, desde que tal não viole a vossa consciência. (1 Coríntios 8:4,8; 10:23-27)
3. Não é admissível se isso violar a sua consciência, ou em situações em que isso leve outra pessoa a tropeçar. (1 Coríntios 8:9-13; 10:28-30)
P: 1 Coríntios 11:2-16 indica uma proibição da homossexualidade?
R: Não o afirma explicitamente, mas dá a entender que homens e mulheres não devem assumir papéis opostos. Embora Romanos 1:26-27; Levítico 18:22,24; 20:13 e 1 Coríntios 6:9-10 sejam mais diretos, 1 Coríntios 11:2-16 indica que o uso de vestuário masculino pelas mulheres e de vestuário feminino pelos homens não é o que Deus deseja. Kirk R. MacGregor escreveu um artigo sobre este tema, intitulado «Será que 1 Coríntios 11:2-16 constitui uma proibição da homossexualidade?», publicado na Bibliotheca Sacra, vol. 166 (abril-junho de 2009), pp. 201-216.
P: Em 1 Coríntios 11:3, uma vez que a palavra «Deus» tem dois significados na Bíblia, será verdade que podemos chamar a Jesus de «deus», no sentido de uma pessoa grandiosa e poderosa (1 Coríntios 8:5; João 10:35-36), mas não chamá-lo de «Deus» como o único Deus verdadeiro (Dt 6:4; 1 Cor 8:6; 1 Cor 11:3), tal como afirmam as Testemunhas de Jeová?
R: Existem, pelo menos, quatro significados da palavra «Deus» na Bíblia. O sentido mais amplo refere-se a um ser percebido como poderoso, um chamado «deus», tal como em 1 Coríntios 8:5 e João 10:35. Outro significado é Deus Pai (Colossenses 1:3 e Efésios 1:3). Um terceiro significado é Jesus (e o Espírito Santo), tal como em João 1:1; 20:28-29 e noutros versículos. Outro significado é a Trindade. O próprio Jesus demonstra que é Deus para além do sentido mais amplo, em João 10:36 e João 5:22-23. Se Jesus apenas quisesse dizer que era Deus no sentido de João 10:35, por que razão disse o que está em João 10:36?
O livro «Jehovah’s Witnesses Answered Verse by Verse», pp. 96-97, salienta de forma convincente que, se as Testemunhas de Jeová quisessem que «um só Deus» em 1 Coríntios 8:6 provasse que apenas o Pai — e não Jesus — é Deus, teriam de acreditar que «um só Senhor» no mesmo versículo significa que Jesus é o nosso Senhor e que Deus Pai não o é.
P: Em 1 Coríntios 11:3, de que forma é o homem a cabeça da mulher?
R: Na família, a esposa está sujeita ao marido, de acordo com 1 Pedro 3:1 e Efésios 5:22, 24. Quando não for possível chegar a um acordo, a esposa deve obedecer ao marido, desde que isso não contradiga o que a Bíblia diz.
P: Em 1 Coríntios 11:3, de que forma é Deus a «cabeça» de Cristo?
R: Um filho e um pai humanos são igualmente humanos e têm o mesmo valor aos olhos de Deus; no entanto, o pai e o filho têm papéis diferentes. O pai pode enviar o filho a algum lugar, e o filho deve obedecer ao pai. Da mesma forma, Jesus e o Pai são iguais em natureza e honra, mas também têm papéis diferentes. Foi Jesus quem veio à Terra e obedeceu ao Pai (Hebreus 5:8; Filipenses 2:7-8).
Como nota à parte, ao discutir 1 Coríntios 11:1-3, Ambrósio de Milão (340-397 d.C.), na obra «Sobre a Fé Cristã» 4:3:31, interpretou «Deus» como Deus na Trindade, e não como Deus Pai. No entanto, a interpretação de quase todos os outros discorda de Ambrósio neste ponto. A interpretação de Ambrósio seria difícil de conciliar com Efésios 1:3, 17 e Hebreus 1:9.
P: Em 1 Coríntios 11:3, Mateus 24:36 e Filipenses 2:7-8, Jesus é inferior ao Pai?
R: É claro que Jesus era inferior ao Pai em glória quando se encontrava na Terra. No céu, Ele é igual a Deus Pai em natureza, glória, honra e outros aspetos. Ele é (hoje no céu) inferior ao Pai no que diz respeito à origem (Jesus foi gerado pelo Pai), função e posição. Em termos gerais, Jesus é igual ao Pai da mesma forma que um filho é igual ao seu pai. Jesus é inferior ao Pai, da mesma forma que um filho é inferior ao seu pai. A Bíblia mostra ambos os aspetos, e os crentes honestos não podem fazer menos do que isso. Devemos honrar o Filho tal como honramos o Pai, conforme ordena João 5:22-23.
P: Em 1 Coríntios 11:3, afirmar que Jesus é inferior ao Pai contradiz, de alguma forma, a Trindade?
R: Não. Se compreender mal a Trindade, ou se encontrar outras pessoas que sejam ignorantes, isso não diminui em nada a verdade de Deus. Desde o bispo Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.) até aos dias de hoje, os cristãos têm ensinado continuamente a Trindade. Os cristãos têm ensinado que Jesus era igual em natureza, mas que o Pai é a Sua cabeça.
P: Em 1 Coríntios 11:3-9, trata-se de uma passagem machista?
R: Talvez segundo os padrões do feminismo radical, mas segundo os padrões de Deus, não. Homens e mulheres têm igual valor (Gálatas 3:28), mas têm papéis diferentes, como demonstram 1 Coríntios 11:3-9; 14:34-35 e 1 Timóteo 2:11-15. Consulte a discussão sobre estes versículos para obter mais informações.
A título de nota à parte, na tradição judaica, as mulheres devem ter a cabeça coberta durante o culto, de acordo com 3 Macabeus 4:6; Mishná Ketubot 7:6; e o Talmude Babilónico, Ketubot 72a-b. Na cultura greco-romana, as mulheres devem ter a cabeça coberta, conforme se refere em «Moralia», de Plutarco, 3.232c; 4:267b; Apuleio, em «O Asno de Ouro», 11:10. Também em Ovídio, «A Arte do Amor», 3:135-165. Na cultura grega, uma mulher com a cabeça rapada era considerada uma desgraça, de acordo com «Thesmophoriazusae», de Aristófanes, 837. Consulte «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 529, para mais informações.
P: Em 1 Coríntios 11:5, devem as mulheres usar véus hoje em dia quando rezam?
R: Naquela cultura, deviam, como sinal de respeito e submissão aos seus maridos. Naquela época, as mulheres usavam véus quando rezavam. Os cristãos genuínos discordam quanto à situação atual.
1. Alguns afirmam que isso era verdade devido à sua cultura.
2. Outras mulheres cristãs usam, de facto, coberturas para a cabeça quando estão na igreja
P: Em 1 Coríntios 11:10, por que razão as mulheres devem cobrir-se «por causa dos anjos»?
R: Embora alguns salientem que a palavra grega «angelos» pode significar «mensageiro humano», o contexto indica anjos celestiais e não apenas mensageiros humanos. Existem outras três interpretações:
1. Anjos caídos: tais como os seres mencionados em Génesis 6:2-5. (Tertuliano (200 d.C.), «Sobre o Véu das Virgens» 9 e «Sobre a Oração» 22). Estes seres podem ter sido apenas anjos caídos, ou podem ter sido homens possuídos por demónios. Vestir-se de uma forma que a cultura consideraria imodesta dá aos anjos caídos oportunidades para tentarem os homens.
2. Todos os anjos: «Os anjos eram espectadores da igreja». Em pleno meio da adoração a Deus, que os anjos — bons e maus — observavam, um desrespeito pelo seu papel é extremamente impróprio. Paulo expressa um pensamento semelhante, sobre a presença dos anjos na adoração, em 1 Timóteo 5:21.
3. Ambos: Uma vez que ambas as afirmações anteriores são verdadeiras, Paulo poderá ter tido ambas em mente.
P: Em 1 Coríntios 11:11-12, de que forma o facto de a mulher provir do homem e o homem da mulher se relaciona com o facto de todas as coisas provirem de Deus?
R: Não há propósito para os machos de uma espécie sem as fêmeas da mesma espécie e vice-versa. Em última análise, nada tem propósito sem Deus. Como perguntou metaforicamente um cristão russo: «Se uma estrada não conduz a uma igreja, de que serve?»
P: Em 1 Coríntios 11:13, que tipo de verdades espirituais devemos «julgar por vós próprios» para decidir se as aceitamos ou não?
R: Devemos aceitar sem críticas todas as verdades que as Escrituras afirmam. Devemos examinar e julgar todas as outras supostas verdades, incluindo todas as interpretações das Escrituras. É importante não confundir a nossa interpretação das Escrituras com o que estas ensinam. Provérbios 30:5-6 e 1 Coríntios 4:6 salientam que não devemos acrescentar nada à palavra de Deus. Mesmo na Queda de Eva, tanto Satanás como Eva apresentaram as suas interpretações como se fossem a palavra de Deus.
Em 1 Coríntios 11:13, Paulo convida os leitores a observarem que o que ele aqui escreve está de acordo com as suas perceções. Ele não está a dizer para julgarem a palavra de Deus, nem que, se estas verdades não estiverem de acordo com as suas perceções, devam rejeitá-las.
P: 1 Coríntios 11:14 ensina que os homens não devem ter cabelo comprido e que as mulheres devem ter cabelo comprido?
R: Alguns cristãos afirmam que isso é tão verdadeiro hoje como era naquela época. Outros cristãos afirmam que se tratava de uma questão cultural. Todos os cristãos podem concordar em três pontos.
1) Naquela época, uma vez que uma mulher com a cabeça rapada ganhava a vida de forma imoral, as mulheres cristãs não deviam ter o cabelo muito curto. Isso daria a aparência do mal (2 Coríntios 8:21; 1 Tessalonicenses 5:22).
2) Tanto 1 Coríntios 11:14 como Deuteronómio 22:5 se opõem a que os homens se pareçam com mulheres e as mulheres se pareçam com homens.
3) Se um cristão estiver errado neste ponto, trata-se de um pequeno erro em comparação com a adoração de ídolos ou com o seguimento de um falso Jesus.
Consulte «When Critics Ask», pp. 460-461, para obter uma resposta diferente.
P: Em 1 Coríntios 11:14, se uma igreja tiver uma crença errada quanto ao comprimento do cabelo dos homens e das mulheres, isso prova que essa igreja não é uma igreja de Deus?
R: Antes de responder a essa pergunta, façamos algumas observações. Uma igreja poderia continuar a ser uma verdadeira congregação local da única igreja de Deus se, pelo menos temporariamente:
a) Tolerasse a presença de um membro imoral (1 Coríntios 5:1)
b) Divisão entre os seus membros (1 Coríntios 3:3)
c) Tivesse alguns membros legalistas (Gálatas 2:13)
Para responder à pergunta: se uma igreja pudesse continuar a ser uma verdadeira igreja de Deus com estes problemas, presumivelmente uma igreja poderia continuar a ser uma igreja de Deus mesmo que tivesse uma opinião errada sobre uma questão secundária como o cabelo.
No entanto, se alguém pregar um Evangelho diferente (Gálatas 1:6-9), ou negar a expiação ou a ressurreição (1 Coríntios 15:1-7), a sua fé é inútil. Quanto àqueles que têm a aparência da piedade, mas negam o seu poder, devemos afastar-nos deles, tal como ordena 2 Timóteo 3:5.
P: Em 1 Coríntios 11:19, por que razão Paulo afirmou que tinha de haver «diferenças» entre os coríntios?
R: Esta palavra pode significar heresias, mas, neste contexto, refere-se a facções ou divisões. Estas não eram desejáveis, mas eram inevitáveis entre pessoas que não estavam a dar ouvidos à autoridade de Deus.
P: Em 1 Coríntios 11:20-22, quais são outros exemplos de como a forma se mantém após o propósito original ter sido perdido ou deturpado?
R: Existem muitos exemplos que podem ser verdadeiros para algumas pessoas, mas não para outras. Todas estas coisas podem ser boas, mas, ao mesmo tempo, é preciso ter cuidado para que nenhuma delas se torne um fim em si mesma.
A história e o conhecimento teológicos podem ajudar-nos a aproximar-nos mais do Senhor, dar-nos uma perspetiva e ensinar os outros. Mas podem tornar-se um fim em si mesmos e exigir que os outros aprendam muitas coisas que nada têm a ver com o caráter de Deus, a nossa vida ou a piedade.
A música de adoração no culto destina-se a louvar a Deus. Mas, se não tivermos cuidado, a música pode tornar-se um fim em si mesma, com o objetivo de soar bem aos ouvidos dos outros.
O evangelismo é ordenado pelo nosso Senhor — de certa forma. Mateus 28:19 ordena-nos que vamos e façamos discípulos de todas as nações. Não diz para apresentarmos mais números, nem para conseguirmos mais «convertidos» que não tenham qualquer intenção de fazer de Jesus o Senhor das suas vidas.
A comunhão é importante na vida cristã. No entanto, se a comunhão não for mais do que fazer amigos casuais e conversar, então está a perder a oportunidade de ter relações profundas com outros crentes. Além disso, a comunhão não deve ser a razão principal para se reunir com outros crentes, em detrimento da adoração e do estudo da Palavra de Deus. A comunhão deve ser uma razão, mas uma razão secundária.
A liturgia e a organização no culto da igreja podem ter significado. Mas existe o perigo de que o significado se perca e se torne meramente um ritual.
Até mesmo a oração pode tornar-se uma repetição vã, apenas cumprindo os gestos. A oração é vital para a vida cristã, mas as pessoas podem orar apenas porque sabem que devem fazê-lo, e não por amor ao Senhor.
P: Em 1 Coríntios 11:23-26, estas são as palavras exatas da Última Ceia, ou são as palavras dos Evangelhos — em Mateus 26:21-29; Marcos 14:18-24 e Lucas 22:14-20 — que constituem as palavras exatas?
R: Provavelmente nenhuma delas é uma transcrição completa da Última Ceia; uma paráfrase pode, ainda assim, ser verdadeira. O objetivo de Paulo e dos autores dos Evangelhos ao parafrasearem parte da conversa da Última Ceia é que olhemos para além da memorização mecânica de fórmulas, para percebermos o conteúdo comum.
Um ponto fundamental a não ignorar é que a Ceia do Senhor era uma «ceia» ou refeição. Em várias ocasiões na Igreja Católica Romana, aos leigos (não-sacerdotes) era dada apenas a hóstia, e não o cálice. Por outro lado, 1 Coríntios 11:34 mostra que não se tratava de uma refeição comum, mas de uma refeição especial. Se apenas deseja uma refeição comum, sem esperar pelos outros, então não coma na Ceia do Senhor; fique simplesmente em casa.
P: Em 1 Coríntios 11:24, deveria dizer «partido por vós», ou deveria ser «para vós»?
R: Existem manuscritos gregos com ambas as formas.
A palavra «partido» está ausente:
p46 (Chester Beatty II) 100-150 d.C.
Vaticanus 325-350 d.C.
Sinaiticus [Si] 340-350 d.C. (original)
Ephraemi Rescriptus [C], século V (original)
Alexandrinus, c. 450 d.C.
Atanásio de Alexandria, 326-373 d.C.
A palavra «partido» está presente
Sinaítico [Si] 340-350 d.C. (corrigido)
Ephraemi Rescriptus [C] século V (3.º corretor)
Gótico, 493-555 d.C.
João Crisóstomo, 370-407 d.C.
Lecionário Bizantino
P: Em 1 Coríntios 11:28-29, de que forma o facto de comer e beber a Última Ceia de forma indigna constitui um pecado contra o corpo e o sangue de Nosso Senhor?
R: A forma como abordamos a comemoração do sacrifício de Jesus demonstra o valor que lhe atribuímos. É um pecado extremamente grave menosprezar o que Jesus fez por nós.
P: Em 1 Coríntios 11, 28 e 31, devemos ou não julgar-nos a nós próprios?
R: Há dois pontos a considerar na resposta.
Devemos julgar-nos a nós próprios no sentido de nos avaliarmos e procurarmos viver uma vida mais semelhante à de Cristo. Paulo está a falar a sério quando diz para nos examinarmos a nós próprios em 2 Coríntios 13:5-6. Davi pede a Deus que lhe mostre tudo o que há nele que seja ofensivo, no Salmo 139:24.
Não devemos julgar-nos a nós próprios, no sentido de nos compararmos com os outros, ou de tentarmos determinar como nos apresentaremos perante Deus.
P: Em 1 Coríntios 11:29-31, se as pessoas tomarem a Ceia do Senhor de forma indigna hoje em dia, ficarão doentes e morrerão?
R: Deus pode disciplinar os crentes, tanto naquela época como hoje, da forma que Lhe aprouver. Não é automático que adoeçam, mas nada impede Deus de disciplinar cada crente da forma que Lhe parecer adequada.
P: Em 1 Coríntios 12:3, se alguém afirmar seriamente três vezes que Jesus é o Senhor, será então salvo, como ensinavam alguns na igreja local de Witness Lee?
R: Basta dizer estas ou outras palavras semelhantes para aceitar Jesus uma única vez. No entanto, estas palavras não são uma fórmula mágica. Nenhuma fórmula mágica é suficiente, mesmo que seja proferida com sinceridade. Em última análise, não são as palavras nem as ações que nos salvam, nem mesmo o Evangelho é que salva; é Deus quem salva.
P: Em 1 Coríntios 12:3, será que todos os que dizem «Jesus é o Senhor» o fazem pelo Espírito Santo?
R: Não. Não é a pronúncia de sílabas numa língua que conta, mas o significado dessas palavras. Uma pessoa só pode dizer «Jesus é o Senhor», em qualquer língua, e aceitar verdadeiramente Jesus como seu único Senhor, pelo Espírito Santo.
Este versículo também diz algo sobre as nossas capacidades sem Deus. Sem a ação do Espírito Santo, o homem caído não é capaz de reconhecer genuinamente Jesus como Senhor.
P: Em 1 Coríntios 12:7 e, possivelmente, em Romanos 8:9-11, todos os cristãos têm uma manifestação do Espírito? Por outras palavras, se não tiver uma manifestação, isso significa que não é um verdadeiro cristão?
R: Todo o verdadeiro cristão possui um dos dons enumerados em 1 Coríntios 12:8-31, ou então outros dons que não constam nesta lista. Nada em 1 Coríntios 12 indica que esta lista seja exaustiva. Nem todos estes dons são «espetaculares», como os milagres, a cura e o falar em línguas. Alguns são dons de sabedoria, conhecimento e ajuda. Romanos 12:6-8 menciona outros dons.
P: Em 1 Coríntios 12:7-11, a quem se destinam exatamente os dons espirituais e porquê?
R: 1 Coríntios 12:7 afirma que um dom espiritual NÃO se destina, em primeiro lugar, à pessoa a quem foi concedido; destina-se, sim, ao bem comum. Precisamos dele para ajudar os outros, especialmente outros crentes. Se possui um dom espiritual e não o está a utilizar em benefício do corpo de Cristo, então está a desperdiçar o seu dom espiritual.
Devemos compreender os dons espirituais, e 1 Coríntios 12 ensina três aspetos. Fala da origem dos dons (12:1-11), da diversidade dos dons (12:12-31a) e da importância do amor no exercício dos dons (12:31b-13:13).
P: Em 1 Coríntios 12:7-11, quais são cada um destes dons espirituais?
R: Eis uma breve descrição.
Sabedoria – Aplicar a Palavra de Deus às nossas vidas e às situações atuais
Conhecimento – Não se trata apenas de conhecer factos, mas, sobretudo, de conhecer a Palavra de Deus e, consequentemente, a Sua vontade e os Seus desejos gerais.
Fé – Crença e confiança totais em Deus para que algo, pelo qual oramos, se concretize.
Cura – Cura física e, por vezes, psicológica
Milagres – Outros milagres que glorificam Deus
Profecia – Revelar a vontade específica de Deus para as situações atuais
Discernimento de espíritos – Conhecer a origem dos espíritos, normalmente por trás das pessoas, para as motivar e influenciar. Certa vez, eu estava lá fora à espera de alguém e um estranho aproximou-se e começou a falar comigo. Mas antes de ele ter dito qualquer coisa, uma voz suave e tranquila na minha cabeça disse: «Igreja da Unificação» (do falso Cristo, o Rev. Moon)
Falar em línguas – A capacidade sobrenatural de falar numa língua desconhecida para quem fala.
Interpretação de línguas – Ser capaz de interpretar, numa língua que as pessoas possam compreender, o que alguém que fala em línguas disse.
P: Em 1 Coríntios 12:7-11, serão estes todos os dons espirituais?
R: Não, estes não são todos os dons, uma vez que Efésios 4:11-12 apresenta uma lista de dons com algumas semelhanças e algumas diferenças. Não é como se pudéssemos ter uma lista de dons e afirmar categoricamente: «Deus não pode conceder quaisquer outros.»
P: Em 1 Coríntios 12:12-26, como podem os cristãos com diferentes dons espirituais trabalhar melhor em equipa?
R: Há, pelo menos, três aspetos a ter em conta: sinergias, obstáculos e desenvolvimento.
Sinergias: Não pense que o senhor, ou outros crentes semelhantes a si, têm de fazer tudo sozinhos. Procure oportunidades para utilizar os dons que outros crentes possuem.
Obstáculos: Deixe de se preocupar com o facto de qual dos mortais recebe o mérito; o mérito deve ser atribuído a Deus. Não encare os outros crentes como concorrentes ou como uma ameaça, mas sim como colegas de equipa. Não se orgulhe do seu dom espiritual e não se sinta menos importante por não possuir um dom específico. As nossas diferenças não devem dividir-nos em facções, mas sim unir-nos como colaboradores.
Desenvolvimento: Muitas pessoas querem conhecer os seus próprios dons espirituais e saber como desenvolvê-los e utilizá-los. Isso é bom, mas por que não perguntar também quais são os dons espirituais ou potenciais dons espirituais nos outros, e como pode ser um catalisador para que os desenvolvam e utilizem para o bem da igreja?
P: 1 Coríntios 12:28 indica que devemos ter apóstolos hoje em dia?
R: No que diz respeito aos doze apóstolos, não. Mas existem três significados para a palavra «apóstolo».
1. A palavra grega para apóstolo pode significar «aquele que é enviado». Barnabé era um mensageiro e um apóstolo neste sentido em Atos 4:36 e 14:14. Nos séculos anteriores, em grego, podia referir-se a um almirante da marinha. Embora existam apóstolos hoje em dia, tal como existem carteiros e oficiais da marinha, esse significado de apóstolo não é aquele a que nos referimos aqui.
2. Apocalipse 21:14 afirma que a cidade da Nova Jerusalém terá exatamente doze fundações, e nelas estarão os nomes dos doze «apóstolos do Cordeiro». Uma vez que os doze apóstolos já viveram, não há mais «apóstolos do Cordeiro».
3. Existe um terceiro sentido para a utilização da palavra «apóstolo» no Novo Testamento. Tal como podem existir falsos profetas e falsos mestres, 2 Coríntios 11:13 e Apocalipse 2:2 mostram que podem existir pessoas que se fazem passar por apóstolos. Trata-se de falsos apóstolos, que não foram enviados por Deus.
P: Em 1 Coríntios 12:28-31, quais são algumas das funções que utilizam estes dons espirituais?
R: Segue-se uma breve descrição dos dons aqui enumerados.
Apóstolos – Em grande medida, estes foram aqueles que constituíram o alicerce da igreja, de acordo com Efésios 2:20, muitos dos quais estiveram envolvidos na redação do Novo Testamento. Uma vez que as Escrituras estão concluídas, são completas e suficientes, e já dispomos de toda a verdade essencial de que necessitamos, hoje em dia não temos nem precisamos de apóstolos como estes. No entanto, numa medida menor, existem pessoas que lideram grupos de igrejas.
Profetas – Em sentido principal, estes foram também o alicerce da Igreja, de acordo com Efésios 2:20, muitos dos quais estiveram envolvidos na redação do Antigo Testamento. Uma vez que as Escrituras estão concluídas, a partir da época de João Batista já não precisámos de profetas que redigissem as Escrituras. No entanto, de forma mais limitada, mesmo após João Batista, a igreja tem precisado de profetas, como Ágabo em Atos 21:10-11, para que o povo de Deus pudesse compreender melhor a obra de Deus no seu tempo.
Mestres – Embora a igreja necessite de mestres, Tiago 3:1-2a adverte para que não muitos de nós nos tornemos mestres, pois Deus julgará os mestres com maior rigor. Uma coisa é acreditar numa falsa doutrina, mas outra é ensinar e convencer os outros dessa falsa doutrina.
Milagres – Aqueles que realizam milagres possuem um dos dons de aparência mais «espetacular». Havia uma igreja em Austin que acreditava que todos os dons espirituais tinham cessado. Então, o pastor, muito versado nas Escrituras, foi diagnosticado com cancro terminal. As pessoas oraram por ele e ele foi milagrosamente curado. Então, a igreja alterou a sua perspetiva: afirmaram que todos os dons tinham cessado, exceto o da cura. Não poderiam ter considerado a possibilidade de que ainda pudessem existir outros dons espirituais também?
Cura — Alguns têm o dom sobrenatural de serem instrumentos através dos quais Deus cura as pessoas de doenças físicas. Outros, como médicos e enfermeiros, estudaram arduamente e possuem dons naturais. Quer tenha um dom sobrenatural ou natural para ajudar os outros, deve ajudá-los.
Ajuda – Alguns dispõem de recursos financeiros, tempo, uma casa ou propriedade, ou outros meios que podem ser utilizados para promover o reino de Deus. Mas, com os recursos de que dispomos, temos de ter o cuidado de nos lembrarmos de que «não deixe que fazer coisas boas o impeça de fazer as melhores coisas».
Administração – Também designada por governo, trata-se do dom de governar o povo de Deus. Por um lado, implica identificar os desafios, problemas e ameaças que se colocam ao povo de Deus e dar-lhes resposta. Por outro lado, significa identificar as oportunidades, as pessoas e os locais onde o desenvolvimento pode ocorrer, e mobilizar-se para permitir que as pessoas aproveitem essas oportunidades e abram novas portas. Por fim, implica também formular uma estratégia coerente para orientar a igreja em direções em que esta seja mais capaz de servir e glorificar Deus.
Línguas – Falar em línguas humanas desconhecidas com o objetivo principal de convencer os incrédulos, tal como em 1 Coríntios 14:22. Falar em línguas desconhecidas de povos ou de anjos, com amor, é também glorificar a Deus, conforme 1 Coríntios 13:1. Deus não teria «confundido as coisas» ao fazer com que Paulo sequer mencionasse as línguas dos anjos em 1 Coríntios 13:1, se não existissem línguas dos anjos.
A título de nota à parte, nada em 1 Coríntios 12 indica que esta seja uma lista exaustiva, nem que não possam existir subcategorias dentro destas. Trata-se apenas de exemplos importantes de algumas funções diferentes dentro da igreja, sendo que o essencial reside na forma como todas estas funções devem funcionar em conjunto. Ter uma igreja local em que quase todos os membros possuam apenas uma destas funções não é, de modo algum, o que Deus deseja.
P: Em 1 Coríntios 12:30, todos os verdadeiros cristãos devem falar em línguas, ou não?
R: Tanto os cristãos não-carismáticos como alguns cristãos carismáticos concordam que a maioria dos cristãos não possui o dom de falar em línguas mencionado em 1 Coríntios 12:30, tal como a maioria não é apóstolo nem profeta.
Os cristãos não-carismáticos afirmam que, mesmo no tempo de Paulo, nem todos os cristãos deviam falar em línguas, ponto final.
A maioria dos cristãos carismáticos distingue entre alguns que possuem o dom de falar em línguas publicamente na igreja e o dom de falar em línguas em oração privada. Muitos, mas não todos, afirmam que todos os cristãos deveriam (mas, infelizmente, não o fazem) praticar o dom de falar em línguas em privado. O único apoio bíblico de que todos deveriam falar em línguas (1 Coríntios 14:5) é, na melhor das hipóteses, indireto.
Muitos carismáticos associam o termo «batismo no Espírito Santo» ao falar em línguas e acreditam que esta é uma segunda bênção que os não-carismáticos não possuem. No entanto, o «Believer’s Bible Commentary», na página 1794, afirma categoricamente que é errado ensinar que todos têm o dom das línguas, ou que as línguas são o [único] sinal do batismo no Espírito.
1 Coríntios 14:1,5 diz que Paulo deseja que todos falassem em línguas, mas que, em vez disso, profetizassem. Esta formulação é semelhante à situação em que Eldad e Medad estavam a profetizar em Números 11:27-29, e Josué disse a Moisés para os impedir. Moisés respondeu: «Quem me dera que todo o povo do Senhor fosse profeta.» Isto não significa que todos os israelitas devessem ser profetas.
P: Em 1 Coríntios 12:30, será que, pelo menos alguns cristãos, falam genuinamente em línguas hoje em dia?
R: Os cristãos genuínos discordam quanto a isto.
Carismáticos: acreditam que o dom continua a ser exercido hoje em dia. Como explicou um amigo carismático, os carismáticos podem ser classificados em «carismáticos com C maiúsculo» e «carismáticos com C minúsculo». Os carismáticos com «C» maiúsculo dão tanta ênfase aos dons espirituais como a Cristo. Não costumam querer trabalhar em unidade com os não-carismáticos. Os carismáticos com «C» minúsculo, embora acreditem que os não-carismáticos estão errados nesta doutrina, reconhecem que os cristãos não-carismáticos são usados por Deus de muitas outras formas e desejam trabalhar com eles, porque o Cristo que nos une é maior do que as doutrinas não essenciais que nos dividem.
Pentecostais da Unidade Cultista: além de negarem a Trindade, ensinam que hoje em dia quem não fala em línguas irá para o Inferno.
Anti-carismáticos: ensinam que todo o dom de falar em línguas concedido por Deus cessou há muito tempo, que não se deve permitir o falar em línguas em nenhuma reunião cristã e que 1 Coríntios 14:39 é um versículo do Novo Testamento que deve ser ignorado hoje em dia.
Outros não-carismáticos: divergem quanto à questão de saber se o falar em línguas, ou todos os dons espirituais, já cessaram. Ou acreditam que algumas manifestações de falar em línguas podem ser genuínas, ou acreditam que todo o falar em línguas não é de inspiração divina, mas que ninguém é perfeito e que este é um tipo de erro que pode ser tolerado, e que 1 Coríntios 14:39 não deve ser ignorado hoje em dia.
Atenção: É errado afirmar que todo o falar em línguas hoje em dia é satânico. Os não-carismáticos e muitos carismáticos concordam que, pelo menos algumas tentativas de falar em línguas, não provêm nem de Deus nem de Satanás, mas de alguém que, tolamente, tenta falar em línguas com as suas próprias capacidades naturais.
P: Em 1 Coríntios 13:7-8, por que razão devemos confiar sempre nos outros, uma vez que Miqueias 7:5-6 e Jeremias 9:4-5; 17:5 dizem que não devemos?
R: Devemos confiar nos outros, mas não devemos depositar a nossa confiança nos outros. Mesmo quando confiamos nos outros, há condições a cumprir.
Jeremias 9:4-5 e Miqueias 7:5-6 instruem o profeta, e os crentes que viviam naqueles tempos sombrios, a não confiarem nos seus vizinhos, nem mesmo nos membros da sua própria família.
Jeremias 17:5 afirma que quem deposita a sua confiança no homem (seja em si próprio ou nos outros) em vez de em Deus está amaldiçoado.
1 Coríntios 13:7-8 apresenta-nos o ideal do amor. As palavras gregas «panta pisteuei» significam literalmente «ter fé em tudo». A palavra grega aqui utilizada para «fé» não significa um mero assentimento intelectual, mas sim uma fé salvadora que inclui depositar a nossa confiança ou dependência, para além do assentimento intelectual.
Uma vez que ninguém pensa seriamente que Paulo esteja a defender a crença em falsos profetas e mentiras — nas quais é necessário descrer da palavra de Deus para acreditar —, o que significa «acreditar em tudo»? Esta frase não significa acreditar em todas as pessoas, mas acreditar em toda a verdade. O «Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 535, salienta que as coisas em que devemos acreditar especialmente encontram-se apenas uma ou duas páginas adiante na nossa Bíblia, em 1 Coríntios 15:11.
P: 1 Coríntios 13:9-11 prova que os dons espirituais já passaram?
R: Os três dons mencionados em 1 Coríntios 12:8-10 (conhecimento, profecia e línguas) cessarão quando vier o «perfeito». «Perfeito» pode referir-se a uma coisa, a um estado ou a uma pessoa perfeita. Três possibilidades para esta condição são:
1) A conclusão do Novo Testamento
2) Quando a igreja tiver amadurecido o suficiente
3) Quando Cristo voltar
O «Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 536, é um comentário elaborado pelo corpo docente do Seminário Teológico de Dallas. Este afirma que a interpretação 1) é improvável, uma vez que não se coaduna com 1 Coríntios 13:12. Os autores referem que há muitos argumentos a favor da terceira perspetiva. Zacarias 13:3-6 também afirma que, após a abertura de uma fonte para purificar Jerusalém do pecado e da impureza, o espírito de profecia cessará. Da mesma forma, o «New International Bible Commentary», p. 1377, afirma também: «Sugerir que a perfeição se refere à conclusão do Cânone das Escrituras não encontra qualquer apoio no uso bíblico do termo “perfeito”, nem em qualquer das suas formas cognatas. Tal interpretação existe apenas em virtude da necessidade de explicar a ausência de certos charismata em muitas igrejas hoje em dia.» (itálico no original)
Há quem afirme que, se 1 Coríntios 13:9-11 prova que o falar em línguas já passou, então o conhecimento também já passou e a perfeição já chegou. No entanto, pode não ser o conhecimento que passa, mas sim o dom sobrenatural do conhecimento.
P: Em 1 Coríntios 13:12, utilizavam-se espelhos de bronze ou de vidro naquela época?
R: Os espelhos de hoje são diferentes dos que existiam há 2 000 anos. (Naquela época, também não existiam telescópios nem microscópios.) Os espelhos atuais têm uma camada de prata por trás do vidro, e essa invenção só foi desenvolvida no século XIX. A palavra grega aqui significa «espelho», que poderia ser feito de qualquer material. Muitas traduções referem «espelho», mas, na antiguidade, dispunham apenas de espelhos de vidro ou de bronze altamente polido.
Naquela época, os espelhos eram normalmente feitos de bronze polido, que pode ser muito plano, mas não proporciona uma imagem muito nítida. No entanto, na Ásia Menor, alguns espelhos de luxo eram feitos de vidro de obsidiana, mesmo antes da época de Abraão. Logo após a época de Paulo, o escritor romano Plínio, o Velho, no seu livro «História Natural», menciona a utilização de vidro em espelhos. No entanto, este luxo não era normalmente utilizado pelas pessoas comuns e, mesmo os melhores espelhos de vidro ou de obsidiana da época, não eram planos, mas apresentavam uma imagem distorcida.
P: Em 1 Coríntios 13:13, se alguém tem fé, esperança e amor, por que razão precisa ainda de ler a Bíblia ou de conhecer a doutrina?
R: Fé, esperança e amor não significam fé na fé, esperança em qualquer coisa e amor próprio. Significam fé em Deus, esperança nas promessas de Deus e amor a Deus e aos outros.
Precisamos de saber mais sobre o Deus em quem temos fé, para perceber que a nossa esperança é segura e para O amar mais, bem como amar mais as outras pessoas. Em Efésios 1:17, Paulo escreve para que possam conhecer melhor a Deus, para que possamos conhecer a esperança para a qual Deus nos chamou.
P: Em 1 Coríntios 14, em resumo, o que é que Paulo está a dizer?
R: Paulo disse aos coríntios o seguinte:
1. Ele falava em línguas, e era bom que cada um deles desejasse falar em línguas. (versículos 5a, 18)
2. Cada um deve desejar profetizar mais do que falar em línguas (versículos 1, 5b, 19).
3. O propósito legítimo de falar em línguas (versículos 2, 4a) e de profetizar (versículos 3, 4b).
4. Davam demasiada ênfase ao falar em línguas; em vez disso, deviam dar ênfase aos dons que edificam a igreja (versículos 4-5, 26, 28).
5. A forma correta de praticar o falar em línguas na igreja é de maneira ordenada, no máximo dois ou três, com um intérprete (versículos 6-13, 26-33).
6. Não proíbam o falar em línguas de forma ordenada com um intérprete (versículo 39).
P: Em 1 Coríntios 14:1, 5, 12, devemos «desejar ardentemente» os dons espirituais?
R: Sim. Devemos procurar tudo o que Deus deseja dar-nos de bom. Além disso, se tivermos um dom espiritual, nenhuma passagem bíblica diz que devemos deixar de desejar outros dons. 1 Coríntios 12:31 diz que devemos [sempre] «desejar ardentemente os dons maiores», e 1 Coríntios 14:12 e 1 Pedro 4:10-11 mencionam que devemos procurar destacar-nos nos dons que possuímos. No entanto, não devemos procurar os dons mais do que procuramos a proximidade com Deus. Paulo, ao desejar que todos tivessem dons espirituais, faz eco de Moisés, que disse desejar que todo o povo de Deus profetizasse em Números 11:29.
Existem três advertências relativamente aos dons espirituais. Em primeiro lugar, qualquer coisa além de Deus pode tornar-se um ídolo, mesmo um dom espiritual. Não deseje um dom espiritual mais do que a Deus. Em segundo lugar, não se deixe definir pelos seus dons espirituais. A sua identidade é a de filho de Deus, não os dons espirituais que o Espírito Santo lhe concedeu. Em terceiro lugar, se sabe que o Espírito Santo lhe concedeu um dom espiritual, não deixe que isso o impeça de procurar dons espirituais; o Espírito Santo pode conceder-lhe mais desse dom, ou dons espirituais adicionais, mais tarde.
Consulte a discussão sobre 1 Coríntios 12:30 para saber mais sobre se falar em línguas e a profecia são ou não para os dias de hoje.
P: Em 1 Coríntios 14:1,5, estará Paulo a dizer aos coríntios que devem desejar os dons de falar em línguas e de profecia, ou não?
R: Consulte a discussão sobre 1 Coríntios 14 para obter a resposta.
P: Em 1 Coríntios 14:3-4, como é que devemos, exatamente, edificar os outros?
R: Quando alguém constrói algo, não é tanto o que faz que importa, mas sim o que fica feito. Por exemplo, se alguém construir um muro de tijolos, depois o derrubar, depois o reconstruir e, por fim, o derrubar novamente, no final do dia, terá construído alguma coisa? Edificar os outros não tem tanto a ver com os gestos que realizamos ao ministrar aos outros, mas sim com o que alcançamos (ou tentamos alcançar) nas suas vidas.
P: Em 1 Coríntios 14:21, por que razão Paulo afirmou que esta citação provinha da Lei (Torá), uma vez que, na realidade, provinha de Isaías 28:11-12?
R: Os saduceus e outros só aceitavam os primeiros cinco livros da Bíblia como a Torá, mas os fariseus consideravam todo o Antigo Testamento como Torá.
P: Em 1 Coríntios 14:22-25, de que forma o falar em línguas é um sinal para os incrédulos e a profecia um sinal para os crentes?
R: Três pontos a considerar na resposta.
Um mistério: Falar em línguas (sem intérprete) será um mistério para os incrédulos, levando-os a pensar que é louco, o que é impróprio. (1 Coríntios 14:23)
Prova: Quando um incrédulo ouvir uma profecia adequada e ouvir os segredos do seu coração a serem revelados, verá nisso uma prova de que Deus está entre nós. (1 Coríntios 14:25)
Ambos: Tanto a revelação (profecia) como as línguas tinham, cada uma, o seu lugar adequado na igreja de Corinto. (1 Coríntios 14:26)
P: Em 1 Coríntios 14:23, devem os cristãos alguma vez fazer coisas que levem outras pessoas a pensar que os cristãos são loucos?
R: Sim e não, se bem compreendido.
1. Alguns não crentes consideram os cristãos loucos simplesmente por viverem como cristãos. Isto é inevitável, e os cristãos devem obedecer a Deus sem se preocuparem muito com o que os outros pensam. Jesus e os profetas foram acusados de serem loucos e/ou de serem do diabo.
2. No entanto, não devemos fazer nada com o único propósito de levar as pessoas a pensar que somos loucos, uma vez que isso não edifica. O único exemplo na Bíblia foi feito por David por medo, por desespero, em 1 Samuel 21:13-15.
P: Em 1 Coríntios 14:28, as pessoas devem falar em línguas na igreja sem um intérprete? E quanto a cantar no Espírito?
R: 1 Coríntios 14:28 é claro: não se deve falar em línguas na igreja (pública ou privada) sem um intérprete.
P: Em 1 Coríntios 14:32, uma vez que os espíritos dos profetas estão sob o controlo dos profetas, será que isto prova que o Espírito Santo não é Deus, como afirma um não-trinitário?
R: Não. Primeiro, uma explicação da lógica e, em seguida, a resposta. Uma vez que A) os espíritos dos profetas estão sob o controlo dos profetas e B) Deus não está sob o nosso controlo, segue-se que: o Espírito Santo não é Deus.
Embora A e B sejam verdadeiros, o argumento é inválido: os espíritos das pessoas não são o Espírito Santo.
Não se esqueça do «s»: a palavra «espíritos» está no plural, não no singular, no grego. A lista de variações manuscritas de Aland et al. não apresenta nenhum manuscrito que indique o contrário.
Cada pessoa tem um espírito, uma alma e um corpo, de acordo com 1 Tessalonicenses 5:23. Os «espíritos» em 1 Coríntios 14:32 não são nem o Espírito Santo, nem espíritos «familiares» demoníacos, mas o dom ou espírito de profecia que é concedido pelo Espírito Santo à pessoa. Pode-se consultar a Homilia de João Crisóstomo sobre 1 Coríntios (p. 219) e o The Bible Knowledge Commentary: New Testament, p. 540, para obter mais informações.
No entanto, os «espíritos dos profetas» continuam em comunicação com o Espírito Santo, e Novaciano utilizou erroneamente este versículo ao referir-se ao Espírito Santo, parafraseando-o como «espírito» no singular no Tratado sobre a Trindade, capítulo 29.
P: Em 1 Coríntios 14:33, como é que Deus não é «um Deus da desordem», uma vez que Deus confundiu a língua da humanidade na Torre de Babel, em Génesis 11:7-8?
R: A palavra grega para «desordem» também pode significar «confusão» ou «tumulto». Deus não é o autor da confusão nas igrejas, mas, ocasionalmente, confunde os pensamentos, os planos e as línguas daqueles que se revoltam contra Ele.
P: Uma vez que 1 Coríntios 14:33 afirma que Deus não é um Deus de desordem ou confusão, será que este versículo prova, assim, que a Trindade é falsa, tal como as Testemunhas de Jeová afirmam no seu folheto «Deve Acreditar na Trindade?» (1989), p. 4?
R: Dificilmente. A vinda de Jesus à Terra não podia ser compreendida pelos fariseus, não porque não fossem suficientemente inteligentes, mas porque o Messias que lhes chegava não se enquadrava na sua teologia nem nos seus planos.
As Testemunhas de Jeová afirmam, quase unanimemente, que a Trindade é falsa. Os mórmons também o afirmam, em geral, embora eu tenha conhecido alguns que defendem que a Trindade é verdadeira. No entanto, tanto no caso das Testemunhas de Jeová como dos dois tipos de mórmons, a questão não tem sido tanto a negação da Trindade, mas sim a falta de compreensão do que a Trindade realmente é. Consulte a discussão sobre Mateus 28:19 para um resumo em sete pontos do que Deus revelou na Bíblia sobre a Trindade.
Os aspetos misteriosos do Deus verdadeiro são imensos, como Paulo salienta em 1 Timóteo 3:16. De facto, no mesmo livro de onde as Testemunhas de Jeová retiram este versículo, Paulo, em 1 Coríntios 2:6-16, afirma que as pessoas sem o espírito de Deus não compreenderão a sabedoria de Deus. Embora isso não seja confuso para os verdadeiros crentes que foram instruídos, é possível perceber como as Testemunhas de Jeová poderiam atribuir a sua falta de compreensão a essa confusão.
P: Em 1 Coríntios 14:33 e Romanos 15:33, uma vez que Deus é «um Deus de paz», por que razão é Deus belicoso em Êxodo 15:3 e Isaías 42:13?
R: A título de analogia humana, um país pode desejar apenas a paz, mas travar uma guerra feroz quando ele próprio ou um aliado for atacado. O facto de Deus ser o autor da paz não O impede de ser também belicoso. Jesus é o Príncipe da Paz, mas, no Apocalipse, Jesus virá e, essencialmente, travará uma guerra, massacrando exércitos inteiros.
P: Em 1 Coríntios 14:34-35 e 1 Timóteo 2:11,12, por que razão as mulheres permaneciam em silêncio nas igrejas, uma vez que profetizavam nos tempos do Novo Testamento, conforme se refere em Atos 2:18; 21:9 e 1 Coríntios 11:5?
R: Os cristãos genuínos divergem quanto a esta resposta. Muitos cristãos salientam que a palavra pode significar «conversa fiada». Outros cristãos afirmam que tal se aplicava àquela época e àquela cultura. Outros cristãos acreditam que isto ainda se aplica hoje em dia.
1. Partindo do princípio de que 1 Coríntios 14:34-35 proíbe toda a conversa na igreja, tal passagem refere-se apenas a «nas igrejas». Nenhum versículo proíbe que as mulheres crentes profetizem fora da igreja.
2. Alguns afirmam que a palavra grega em 1 Coríntios 14:34-35 pode referir-se a «conversa fiada» e, embora profetizar, orar e cantar lhes pareça aceitável, a conversa fiada não o é. No entanto, o «Believer’s Bible Commentary», na página 1802, afirma que a palavra não significava «conversa fiada» no grego koiné. «A mesma palavra é utilizada em relação a Deus no versículo 21 deste capítulo e em Hebreus 1:1. Significa falar com autoridade.» As mulheres tanto profetizavam como oravam no culto da igreja, conforme 1 Coríntios 11:5.
Apesar disso, 1 Timóteo 2:11, 12 afirma que as mulheres deviam aprender em silêncio e não ensinar os homens.
P: Em 1 Coríntios 14:38, a palavra deve ser «ignorante» ou «ignorado»?
R: No mínimo, trata-se de um estudo interessante sobre as diferenças entre os manuscritos bíblicos. A diferença em grego consiste em duas letras («ai» vs. «w»). A terceira edição do Novo Testamento grego (ed. por Aland et al.) classifica esta variação manuscrita como «B» — «algum grau de dúvida»
«Ignorado» — encontra-se nos seguintes:
Sinaiticus original [Si] 340-350 d.C.
Alexandrinus [A] c. 450 d.C.
Coptico Bohairico [Boh] e Sahídico [Sah], séculos III/IV
Grego de Orígenes, 225-253/254 d.C.
Sírio posterior, séculos VI-VII
Ignorante — encontra-se no seguinte:
p. 46 (Chester Beatty II), 100-150 d.C.
Sírio antigo, séculos IV-V
Correção no Sinaiticus [Si], 340-350 d.C.
Arménico [Arm] a partir do século V
Correção do Alexandrinus, c. 450 d.C.
Vulgata Latina [Vg], séculos IV e V
Etíope [Eth] a partir de c. 500 d.C.
Tradição bizantina
Resumo: A variante «Ignored» parece ser a mais promissora para aqueles que defendem a tradição original dos manuscritos alexandrinos. A variante «Ignorant» parece ser a mais promissora para aqueles que defendem o manuscrito mais antigo e as famílias de manuscritos latinos e bizantinos. Seja como for, esta variação surgiu cedo, entre 200 e 254 d.C. Por fim, embora esta seja uma das duas ou três variações mais significativas em 1 Coríntios, será que isto realmente importa se a desconhecemos ou, de outra forma, a ignoramos?
P: Em 1 Coríntios 15:1-4, o que dizer de alguns cristãos liberais que afirmam ser cristãos, mas negam que Cristo tenha morrido pelos nossos pecados e que tenha realmente ressuscitado ao terceiro dia?
R: Tal como diz 1 Coríntios 15:1-4, infelizmente, a fé deles é inútil. Lamentavelmente, a menos que mudem, irão para o Inferno quando morrerem. Romanos 3:25, 5:6-10, 1 João 2:2, Hebreus 9:11 – 10:18 e João 1:29 são apenas alguns dos muitos outros versículos que sublinham a centralidade da expiação.
Uma observação interessante é que até mesmo o cético judeu Isaac Asimov, no seu livro *Asimov’s Guide to the Bible*, p. 1023, afirma: «A conversão de Tiago à fé pode ter ocorrido através de uma visão de Jesus ressuscitado.» Pelo menos Paulo, na sua Primeira Epístola aos Coríntios, inclui-o entre as testemunhas da ressurreição:» Se até mesmo um cético como Asimov pode considerar a possibilidade de que as pessoas tenham visto Jesus ressuscitado, ele estava a agir melhor do que alguns cristãos liberais que nem sequer conseguiam considerar essa ideia.
P: Em 1 Coríntios 15:1-4, Jesus não ressuscitou corporalmente porque o seu corpo foi invadido por Satanás, como afirma o Rev. Moon?
R: Primeiro, o que o «Princípio Divino» do Rev. Moon (5.ª ed., 1977) diz efetivamente, e depois a resposta da Bíblia.
Princípio Divino, p. 170: «O homem tem, até agora, alimentado a ideia errada de que o fim da vida física do homem é a morte provocada pela queda. Consequentemente, temos acreditado que a ressurreição dos santos falecidos se realizaria através da restauração dos seus corpos físicos, outrora corrompidos e decompostos, ao seu estado original.»
Princípio Divino, p. 170: «Por conseguinte, “ressurreição” significa os fenómenos que ocorrem no processo de restauração do homem, de acordo com a providência da restauração, do estado de ter caído sob o domínio satânico de volta ao domínio direto de Deus.»
Princípio Divino, p. 289 «Devido à queda do homem, até mesmo o corpo morto do homem foi invadido por Satanás... [Jacó, Moisés] Após a morte de Jesus, também surgiram problemas relativos ao seu corpo (Mateus 28:12-13).»
Princípio Divino, p. 360 «Como bem sabemos pela Bíblia, Jesus, após a ressurreição, não era o mesmo Jesus que tinha vivido com os seus discípulos antes da crucificação. Já não era um homem visível aos olhos físicos... Certa vez, apareceu de repente numa sala fechada...»
Princípio Divino, p. 360-361 «Jesus, a fim de salvar a humanidade, tinha estabelecido o fundamento espiritual da fé..., depois de entregar o seu corpo físico à cruz como sacrifício.»
Princípio Divino, p. 147-148 «Como o povo judeu não acreditou em Jesus e o entregou para ser crucificado, o seu corpo foi invadido por Satanás e ele foi morto. Por conseguinte, mesmo quando os cristãos acreditam em Jesus e se tornam um só corpo com Ele, cujo corpo foi invadido por Satanás, os seus corpos continuam sujeitos à invasão de Satanás.»
O que diz a Bíblia:
Em João 2:19-21, Jesus falou especificamente sobre ressuscitar o Seu corpo. Ou Jesus estava errado, ou o Rev. Moon estava errado.
Filipenses 3:21 fala da grande promessa de que Jesus transformará os nossos corpos para que sejam semelhantes ao Seu corpo glorioso. É difícil imaginar os Unificacionistas (aqueles que seguem o Rev. Moon) a entusiasmarem-se muito com o que Paulo escreveu com alegria.
Em João 20:24-28, ou Jesus enganou Tomé, levando-o a pensar que Jesus tinha um corpo físico, ou então Jesus tinha realmente um corpo físico.
Atos 2:31-32 afirma que o corpo de Jesus não viu a corrupção. Isto sugere fortemente que o corpo de Jesus não foi invadido por Satanás.
Conclusão: Ou Jesus e os apóstolos estavam errados, ou o reverendo Moon deve estar errado.
P: Em 1 Coríntios 15:1-4, 12-16, todo o cristianismo ruiria se, de alguma forma, se pudesse provar que a ressurreição de Jesus não ocorreu?
R: Sim, ruiria. Mas mesmo de acordo com os padrões das regras de prova do sistema jurídico americano, seria possível demonstrar num tribunal que a ressurreição ocorreu para além de qualquer dúvida razoável. Embora não haja espaço para apresentar todos os argumentos a favor da ressurreição, estes dividem-se, em geral, em cinco categorias.
1. A profecia de Deus no Antigo Testamento
2. Relatos de testemunhas oculares
3. Escritos de terceiros, tanto favoráveis como hostis
4. A impossibilidade de encontrar um motivo, meios e explicação adequados para o desaparecimento do corpo
5. O testemunho subsequente dos apóstolos, onze dos doze que sofreram e morreram por Cristo. Se alguém soubesse se se tratava de uma fraude, seriam eles. Ninguém morreria por aquilo que ele próprio acreditava ser uma mentira. Como afirmou um pastor cristão, ou o túmulo está vazio ou a nossa fé está vazia.
P: Em 1 Coríntios 15:1-4, quais são as referências não bíblicas mais antigas ao ensinamento cristão de que o sangue de Cristo nos salvou?
R: A mais antiga encontra-se na Primeira Carta de Clemente, capítulos 21 e 49, escrita entre 96 e 98 d.C.
A segunda referência extra-bíblica é de Inácio (falecido em 107 ou 116 d.C.), que, na sua carta aos Esmirnenses, capítulo 6, afirma que, a menos que se acredite no sangue de Cristo, a pessoa será condenada.
A terceira referência é a Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.), no capítulo 5, entre outros locais.
Depois disto, a sequência torna-se um pouco obscura. Policarpo (110-155 d.C.) referiu-se à expiação na sua breve carta aos Filipenses, no capítulo 1. Ele afirmou: «… Senhor Jesus Cristo, que pelos nossos pecados sofreu até à morte, [mas] a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, tendo desatado as amarras da morte.»
A Epístola a Diogneto (c. 130-200 d.C.) menciona que Deus enviou o Seu próprio Filho como resgate por nós, numa bela troca, no capítulo 9.
Em contraste com isto, grande parte do cristianismo liberal tem sido resumido como um «cristianismo sem sangue».
P: Em 1 Coríntios 15:4, São Paulo afirma que Jesus Cristo «foi sepultado e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras». «Escrituras» refere-se ao Antigo Testamento. Onde é que se menciona no Antigo Testamento que Jesus ressuscitaria dos mortos e, especificamente, ao terceiro dia?
R: O facto de o Messias ser cortado (morto) consta em Daniel 9, 26 e Isaías 53, 8-9, 12. A sua ressurreição é profetizada em Isaías 53, 11 e Salmo 16, 9-10.
P: Em 1 Coríntios 15:5, como é que Jesus apareceu aos «Doze», uma vez que Judas já se tinha afastado?
R: Havia mais de 70 discípulos, mas «os Doze» era um sinónimo do círculo mais próximo, um sinónimo dos discípulos, apesar de Judas não estar presente. Em alternativa, isto poderia referir-se a uma aparição após Matias já ter sido escolhido para substituir Judas em Atos 1:21-26. Uma vez que as pessoas utilizam frequentemente figuras de estilo e aproximações, a primeira explicação é provavelmente a correta.
P: Em 1 Coríntios 15:5-8, por que razão Jesus apareceu apenas aos crentes?
R: Ele não apareceu apenas àqueles que já acreditavam Nele. Tiago, o seu irmão, não acreditava antes da ressurreição. Tomé estava cheio de dúvidas em João 20:24-29 antes de Jesus lhe aparecer. Paulo mal podia ser considerado um crente quando Jesus lhe apareceu no caminho para Damasco, em Atos 9:1-9.
É verdade que todos os que viram Jesus após a sua ressurreição acreditaram n’Ele, mas, afinal, o que seria de esperar?
P: Em 1 Coríntios 15:5-8 e em Atos 10:40, por que razão Jesus apareceu apenas a alguns?
R: 1 Coríntios 15:6 diz que Jesus apareceu a mais de quinhentas pessoas.
P: Em 1 Coríntios 15:6, estará Paulo a escrever que há mais de 500 pessoas que viram Jesus após a sua ressurreição, à semelhança de todos aqueles que hoje afirmam ter visto Elvis após a sua morte?
R: É certo que o facto de Paulo afirmar que 500 pessoas viram Jesus não tem o mesmo peso que 500 testemunhos escritos independentes. No entanto, a afirmação de Paulo de que foram mais de 500 pessoas, combinada com os relatos de Mateus, Marcos, Lucas, João e Pedro (1.ª e 2.ª Epístolas de Pedro), deve acrescentar credibilidade, e não diminui-la.
P: Em 1 Coríntios 15:10, por que razão Paulo se vangloriava, uma vez que uma pessoa não deve vangloriar-se?
R: Tal como Davi nos Salmos, o apóstolo Paulo era livre para nos dizer o que sentia. Quatro pontos:
1. O que Paulo disse era verdade: ele realmente trabalhou mais.
2. Paulo não se vangloriou de si próprio, mas afirmou que não era ele, mas sim a graça de Deus
3. Sim, Paulo pode ter-se vangloriado aqui quando não devia.
4. Não é inconsistente com a inspiração que Paulo, que não era isento de pecado, nos tenha dito isto. A inspiração das Escrituras não consiste em Deus as ter inspirado mecanicamente, ditando-lhes cada consoante e vogal. Pelo contrário, Deus escolheu estes homens e concedeu-lhes as experiências, a sabedoria e a comunicação direta do Seu Espírito em conjunto, para que escrevessem as Escrituras.
P: Em 1 Coríntios 15:12-19, por que razão muitos tendem a negar a ressurreição de Cristo?
R: Existem, pelo menos, quatro razões possíveis.
1) Na cultura grega e romana, embora existisse o conceito de uma alma imortal, não existia o conceito de pessoas ressuscitarem dos mortos.
2) Nunca tinham observado que tal acontecesse na natureza. A única exceção é a crença numa criatura mítica, a fénix, que a cada 1 000 anos se queimava até à morte e depois renascia. Hoje em dia, as pessoas que confiam na ciência como sua fé (o chamado cientificismo) negam que as leis naturais possam ser quebradas. Mas, como disse um pastor, uma vez ultrapassado o milagre de Deus ter criado o universo, o resto é fácil.
3) Ressuscitar dos mortos seria impossível, a menos que se admitisse a existência de milagres de Deus.
4) Do ponto de vista ético, se Jesus ressuscitou dos mortos, isso demonstraria que Jesus estava correto ao afirmar que ressuscitariam dos mortos, e que seria melhor terem cuidado com a forma como vivem a sua vida agora.
P: Em 1 Coríntios 15:12-19, de que forma viveria alguém de maneira diferente, acreditando que Cristo ressuscitou e que nós também ressuscitaremos dos mortos, em comparação com alguém que não acreditasse nisso?
R: Houve uma vez uma mulher que estava a receber aconselhamento de um psicólogo antes de se submeter a uma amputação. O psicólogo ficou surpreendido com a calma com que ela estava a encarar tudo. Por fim, ela perguntou ao psicólogo: «Vai voltar a crescer, certo?»
Tal como a mulher, mas ao contrário, sabemos que os nossos corpos, à medida que se lesionam e envelhecem, irão regenerar-se, só que ficarão melhores do que nunca. A nossa atitude perante a vida, perante as adversidades e perante as relações deve ser totalmente diferente. Mesmo o primeiro milhão de anos que passarmos no céu, com os nossos corpos ressuscitados, é muito mais longo do que o tempo que passamos atualmente «aqui em baixo». Estamos apenas de passagem, a caminho do nosso verdadeiro lar.
P: Em 1 Coríntios 15:18-19, por que razão Paulo e os outros são dignos de piedade se Cristo não ressuscitou?
R: Não foi nada agradável ser apedrejado e deixado à morte, lutar contra feras e, mais tarde, sofrer um naufrágio. Paulo suportou muito nesta vida com o objetivo de ver Deus na próxima. Mas, se não houvesse ressurreição, então tudo isso teria sido em vão.
P: Em 1 Coríntios 15:20, 22, as primícias são Cristo ou alguns crentes?
R: As primícias são Cristo.
P: Em 1 Coríntios 15:20, uma vez que Jesus foi a primícia daqueles que seriam ressuscitados, o que dizer de Lázaro, a quem Jesus ressuscitou dos mortos anteriormente?
R: Há dois aspetos a considerar na resposta.
Cronológico: Lázaro foi ressuscitado com o seu corpo físico normal, que ainda iria morrer. Jesus foi, cronologicamente, a primeira pessoa a ser ressuscitada com um corpo físico glorificado que nunca morreria nem se deterioraria (Atos 13:35-39).
Posicional: Mesmo ignorando a cronologia, «primícias» também significa «o primeiro», e Jesus ocupa a posição de primícias de todos os que serão ressuscitados.
Jesus foi o primeiro a ser ressuscitado com um corpo físico glorificado e é também o mais importante entre aqueles que serão ressuscitados.
P: Em 1 Coríntios 15:22, como é que todos morreram em Adão e como é que todos são vivificados em Cristo?
R: Todos são ressuscitados em Cristo de três formas.
1. Todas as pessoas são ressuscitadas no final do Milénio (Apocalipse 20:5), antes do Juízo do Grande Trono Branco descrito em Apocalipse 20:12-14. É necessário estar vivo para sofrer a segunda morte.
2. A oferta de salvação e justificação é disponibilizada a todos (Romanos 11:32; Tito 2:11; 1 Timóteo 2:4-6; 4:10). Jesus é o sacrifício expiatório pelo mundo inteiro, conforme 1 João 2:2.
3. A todos os que crerem será aplicada a justificação (1 Timóteo 4:10) e viverão para sempre no Céu com Deus.
P: Será que 1 Coríntios 15:22 é falso porque todos os profetas eram sem pecado, tal como ensinam os bahá’ís em «Some Questions Answered», pp. 118-121?
R: 1 Coríntios 15:22 afirma que todos os descendentes de Adão pecaram, o que inclui todos os profetas, exceto Jesus. É um equívoco comum entre os muçulmanos — que os bahá’ís herdaram — que todos os profetas fossem imaculados. No entanto, isto conduz a estranhas contradições. Jonas (o piedoso profeta Yunus para os muçulmanos) fugiu para Társis e foi engolido por um grande peixe. Não houve pecado em fugir? Adão é considerado um profeta pelos muçulmanos; no entanto, se ele não pecou no Jardim do Éden, a vossa definição de pecado não se torna uma expressão sem sentido? A Moisés foi proibido de entrar na Terra Prometida por ter perdido a paciência em Meribá. Uma vez que o Senhor estava irado com Moisés em Deuteronómio 3:26, pode o Senhor estar irado com alguém que nunca pecou?
Há aqui uma lição para todos. Por vezes, os preconceitos distorcidos das pessoas quase as obrigam a deturpar a Bíblia para que esta se adapte aos seus preconceitos.
P: Será que 1 Coríntios 15:23 demonstra que Maria foi levada corporalmente para o Céu, tal como ensinam alguns teólogos católicos?
R: Não. Seria difícil acreditar que algum católico recorresse a 1 Coríntios 15:23 ao falar da alegada assunção de Maria, exceto que o livro *When Cultists Ask*, p. 234, refere que Ludwig Ott mencionou «a possibilidade» de isto se referir a Maria no seu livro *Fundamentals of Catholic Dogma* (editado por James Canon Bastible. Publicado pela Tan Books em 1960, p. 208).
Aparentemente, uma vez que 1 Coríntios 15, 23 afirma que todos vão para o Céu na sua própria ordem, e Cristo foi para o Céu primeiro, isso demonstra, de alguma forma, que Maria foi a segunda.
Uma vez que esta passagem não menciona Maria, é como se disséssemos que
1. Se Maria foi levada corporalmente para o Céu, Maria deve ser os primeiros frutos aqui mencionados.
2. Se Maria fosse os primeiros frutos aqui mencionados, então Maria foi levada corporalmente para o Céu.
Talvez o raciocínio circular do argumento seja a razão pela qual Ott afirmou que isto era apenas uma possibilidade e que não se encontrava qualquer prova bíblica da Assunção de Maria.
Para além do raciocínio circular, um segundo problema com este argumento é que 1 Coríntios 15, 22-25 não está a discutir a assunção, mas sim a ressurreição. Jesus foi o primeiro a ressuscitar com um corpo imortal. Católicos e protestantes concordam que, independentemente do que tenha acontecido a Maria no final da sua vida terrena, ela não ressuscitou. Por fim, mesmo que se estivesse a discutir a assunção corporal ao Céu e não a ressurreição dos mortos, Enoque e Elias foram levados para o Céu antes de Cristo.
A tentativa de utilizar este versículo é reveladora do ponto a que alguns teólogos astutos têm de chegar para defender a assunção corporal de Maria, embora se deva reconhecer a honestidade de Ott por afirmar que não se encontra prova bíblica.
P: Em 1 Coríntios 15:24, o reino de Cristo chegará realmente ao fim e Ele entregará tudo a Deus Pai, ou o reino de Cristo perdurará para sempre, como dizem Lucas 1:33 e Hebreus 1:8?
R: Ambas as afirmações são verdadeiras. O reino de Cristo tem dois aspetos. Jesus é um rei conquistador, que derrota os Seus inimigos, e essa parte chegará ao fim. Jesus é o Príncipe da Paz eterno, e essa parte nunca terminará. Consulte a obra de Haley, *Alleged Discrepancies of the Bible*, pp. 137-138, para mais informações.
P: Em 1 Coríntios 15:25-28, uma vez que todos serão submetidos a Cristo, isso significa que todos irão para o Céu, tal como ensina a heresia do universalismo?
R: Não. Ser submetido a Cristo não significa que se irá para o Céu. Rochas inanimadas e demónios serão submetidos a Cristo, e não irão para o Céu. Consulte a discussão sobre Colossenses 1:20, Romanos 5:19; Romanos 8:29-30 e «When Cultists Ask», pp. 234-235, para mais informações.
P: Em 1 Coríntios 15:29, o batismo pelos mortos significa que as pessoas não têm de acreditar individualmente?
R: Não. Como demonstram as respostas às próximas quatro perguntas, cada pessoa é batizada por si própria, e não batizamos em nome de pessoas falecidas. Consulte «Quando os Críticos Perguntam», pp. 464-465, para obter uma resposta mais pormenorizada.
P: Em 1 Coríntios 15:29, devem os cristãos batizar em nome de pessoas falecidas?
R: Não. Paulo estava a dizer que, se até mesmo esses não-cristãos acreditavam na ressurreição, como comprovado pelo seu batismo pelos mortos, por que razão não podem os senhores acreditar na ressurreição? Um argumento muito semelhante encontra-se em «Teófilo a Autólico» 1:13. (Teófilo foi bispo de Antioquia entre 168 e 181/188 d.C.)
«Então, quanto à vossa negação de que os mortos ressuscitam… acreditam que Hércules, que se imolou, vive; e que Esculápio, que foi atingido por um raio, ressuscitou;…» (Pais Ante-Nicenos, volume 2, p. 92)
Se o batismo pelos mortos é uma das coisas mais importantes que podemos fazer, tal como ensina o mormonismo, então por que razão não nos é ordenado uma única vez nas Escrituras que o façamos? Paulo referiu-se a «outros» (eles) em 1 Coríntios 15:29. Uma seita da época de Paulo na Grécia, chamada cerintiana, batizava pelos mortos, mas nunca ninguém afirmou que os cristãos devessem fazer o mesmo. (A propósito, os cerintianos também ensinavam que Cristo desceu sobre Jesus no Seu batismo e abandonou Jesus na cruz, pelo que apenas o homem Jesus morreu, de acordo com a nota de rodapé da Bíblia de Estudo NIV em 1 João 4:2, p. 1911.)
No âmbito dos Mistérios de Eleusis existia a doutrina das abluções necessárias para a bem-aventurança na vida após a morte (Fragmento 212 de Píndaro, Fragmento 753 de Sófocles). O batismo em nome de outrem era conhecido, conforme o Fragmento 245 de Orfico. Consulte «Hard Sayings of the Bible», pp. 616-618, para mais informações.
É claro que não devemos imitar muitas das práticas dos coríntios, tais como a carnalidade, a imoralidade, o sectarismo, o abuso da Ceia do Senhor e a negação da ressurreição física de Jesus. Se praticar isto hoje, tal como fazem os mórmons, nos levar a pensar que Deus nos exigiu que realizássemos um estudo genealógico intensivo, 1 Timóteo 1:3,4 e Tito 3:9 ordenam ao povo de Deus que não se dedique a genealogias intermináveis.
P: Em 1 Coríntios 15:29-30, devemos praticar o batismo pelos mortos, tal como ensinam os mórmons?
R: Primeiro, alguns factos verdadeiros que não estão diretamente relacionados com a resposta e, em seguida, a resposta.
1. A palavra grega «huper» significa «por causa de», não necessariamente «em nome de».
2. Muitas pessoas tornaram-se cristãs por causa do testemunho de cristãos que já tinham sido martirizados.
3. O batismo, para todos os cristãos, significa que, num certo sentido, somos todos homens mortos, ou seja, mortos para nós próprios e vivos em Cristo (Colossenses 2:11-13)
A resposta: Os pronomes que Paulo utiliza («eles», «eles» e «nós») tornam evidente que Paulo nunca afirmou que ele, nem os seus leitores imediatos, praticavam o batismo pelos mortos. Paulo não ordenou, recomendou, realizou, praticou, nem afirmou que os coríntios praticavam o batismo pelos mortos. Em 1 Coríntios 10:18-22, Paulo menciona que outros ofereciam sacrifícios aos ídolos, mas que nós também não devemos fazê-lo. Não há qualquer exemplo de cristãos a praticarem o batismo pelos mortos em toda a Bíblia, nem na Igreja primitiva. No entanto, alguns hereges religiosos, chamados cerintianos, praticavam o batismo pelos mortos.
Uma vez que não existe qualquer mandamento ou exemplo a este respeito, e que a única prática conhecida era levada a cabo pelos cerintianos, que não eram cristãos, os mórmons encontram-se em terreno bastante instável ao tornarem isto uma parte fundamental da sua religião.
Ao falar com os gregos, Paulo recorreu a escritos de poetas gregos pagãos para reiterar verdades, como em Atos 17:23-29. Judas utilizou afirmações verdadeiras contidas em livros apócrifos para reforçar um argumento junto dos seus ouvintes. Da mesma forma, Jesus utilizou o que se designa por argumento «ad hominem» para provar que provinha de Deus, no debate com os fariseus em João 5:31-34.
O argumento de Paulo em 1 Coríntios 15:29-30 é que, embora muitos gregos não acreditassem e zombassem da ressurreição física (1 Coríntios 15:12; Atos 17:32), ao mesmo tempo os cerintianos, proto-gnósticos, estavam a batizar pelos mortos. Por que razão pensam eles que precisam de realizar este ritual corporal do batismo, se os corpos desapareceram para sempre?
P: Em 1 Coríntios 15:29-30, o que é o batismo pelos mortos?
R: Para além deste versículo, conhecemos apenas dois casos, ambos práticas pagãs. Os mandáios na Mesopotâmia praticavam isto, e os cerintianos (que por acaso se encontravam em Corinto) também o praticavam. Não temos qualquer evidência de que um único cristão praticasse o batismo pelos mortos.
P: Em 1 Coríntios 15:32-33, quem estava Paulo a citar?
R: Existem duas respostas complementares.
1. Em 15:33 («As más companhias corrompem os bons costumes»), Paulo citou o poeta grego Menandro, da sua comédia «Thais». Ver também a discussão sobre Atos 17:16-34.
2. Em 15:32, Paulo citou Isaías 22:13. Tal como Paulo, Isaías não estava a sugerir que seguíssemos este ditado vazio, mas sim a expressar a opinião de pessoas ímpias.
A propósito, Menandro viveu aproximadamente entre 342 e 291 a.C. Isaías profetizou desde antes de 739 a.C. até depois de 682 a.C. É provável que Paulo estivesse familiarizado tanto com Menandro como com Isaías.
P: Em 1 Coríntios 15:36, quando alguém faz uma pergunta insensata, como «como é possível que um Deus Todo-Poderoso…», como responde à objeção dessa pessoa com respeito, mas também demonstra a insensatez da mesma?
R: Se houver alguma possibilidade de se tratar de uma objeção genuína, deve responder-lhe. Deve respeitar a pessoa que faz a pergunta. Mas quando a pergunta contém uma premissa falsa, como, por exemplo, que Deus não é todo-poderoso, deve certificar-se de que aponta a falha na suposição falsa subjacente à pergunta.
P: Em 1 Coríntios 15:37, isto apoia a heresia da reencarnação?
R: Não, pelas seguintes razões:
1. O corpo glorificado é permanente e já não morre.
2. Esta transformação ocorre apenas uma vez.
3. Trata-se de uma mudança no nosso corpo, não de uma mudança do nosso corpo.
Consulte a discussão sobre João 3:3 para mais informações.
P: Em 1 Coríntios 15:38-41, isto apoia de alguma forma o conceito mórmon dos céus celestiais, terrestres e telestiais?
R: Não. Esta analogia mostra simplesmente que, tal como existem diferentes glórias no (único) céu físico, existem diferentes tipos de glória no (único) Céu. O facto de Paulo ter dado três exemplos (sol, lua e estrelas) não significa que existam três céus, tal como o facto de Paulo ter dado quatro exemplos em 1 Coríntios 15:39 (homens, animais, aves e peixes) não significa que existam quatro céus. O Céu não seria o Céu sem a presença de Jesus.
Existem pelo menos três Céus (não nomeados), segundo Paulo em 2 Coríntios 12:2. Paulo visitou o terceiro.
P: Em 1 Coríntios 15:44, o nosso corpo ressuscitado é físico ou espiritual?
R: Paulo apresentou uma analogia entre os israelitas no deserto e a rocha, e essa analogia responde a esta questão. Os israelitas obtiveram água de uma rocha física, mas não de uma mera rocha física. Foi Cristo quem constituiu a força espiritual por trás daquela rocha. Os nossos corpos ressuscitados serão físicos, mas não meros corpos físicos. Através de Cristo, teremos também uma dimensão espiritual adicional.
Justino Mártir (que escreveu por volta de 138-165 d.C.) foi um filósofo grego que se converteu ao cristianismo, ao qual chamava «a verdadeira filosofia». Estava bem ciente dos argumentos gregos que ridicularizavam uma ressurreição física «na carne» e foi um dos primeiros a responder a esses argumentos na obra «Sobre a Ressurreição». Os fragmentos que possuímos desta obra encontram-se traduzidos no volume 1 dos «Pais Ante-Nicenos», pp. 294-299
P: Em 1 Coríntios 15:45, por que razão é que Jesus é o último Adão?
R: Existem paralelos fundamentais entre Adão e Jesus. Herdámos de Adão consequências graves, incluindo uma natureza depravada e pecaminosa que conduz à morte. Todos os que aceitam Jesus como seu Senhor e Salvador recebem uma nova natureza e a vida eterna de Jesus.
P: Em 1 Coríntios 15:45, uma vez que Cristo era um espírito vivificante, isso significa que Ele não possuía também um corpo físico?
R: Não. O corpo de Cristo é espiritual e físico, não apenas espiritual.
P: Em 1 Coríntios 15:50, uma vez que a carne e o sangue não podem entrar no Céu, como é que podemos ressuscitar com corpos físicos?
R: Quem diz que um corpo físico glorificado tem de possuir características terrenas, como carne e sangue? A Bíblia não o afirma. Pelo contrário, 1 Coríntios 15:35-44 diz simplesmente que serão diferentes.
P: Em 1 Coríntios 15:50, uma vez que a carne e o sangue não podem entrar no Céu, como é que Enoque foi levado de tal forma que «não viu a morte», conforme se lê em Hebreus 11:5?
R: Obviamente, Deus Todo-Poderoso tem a capacidade de transformar Enoque para que tenha um corpo glorificado sem que ele prove a morte. Além disso, quando as pessoas vivas forem arrebatadas para o Céu, poderão não provar a morte pela mesma razão.
Em resumo, Deus poderia transformar os corpos de Enoque e dos crentes arrebatados sem que estes provassem a morte, de forma equivalente aos crentes que morrem.
P: Em 1 Coríntios 15:51-52, os termos «vida» e «morte» significam aqui apenas «fé» e «incredulidade», tal como ensinam os bahá’ís em *Bahá’u’lláh e a Nova Era*, p. 270?
R: Não, as Escrituras são consistentes ao afirmar que haverá uma ressurreição física.
Para além de 1 Coríntios 15:51-52, consulte:
Dan 12:2 «E muitos dos que dormem no pó da terra despertarão, uns para a vida eterna, outros para a vergonha e o desprezo eterno.»
Apocalipse 20:5 «Os restantes mortos não voltaram à vida até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição.»
1 Samuel 2:6 «O Senhor dá a morte e dá a vida; Ele faz descer ao Seol e faz subir.»
Salmo 49:15 «Mas Deus resgatará a minha vida do Seol, pois certamente me levará para junto de Si.»
Salmo 22:29: «… todos os que descem ao pó ajoelhar-se-ão perante Ele…»
Salmo 23:6 Depois de falar da sombra da morte no Salmo 23:4, Davi diz: «Habitarei na casa do Senhor para sempre.»
Salmo 49:8-9 «Pois a redenção da sua alma é cara, e nunca o pagamento será suficiente para que ele viva para sempre e não veja a decomposição.»
Salmo 52:8-9 «Confio na devoção amorosa de Deus para todo o sempre. Louvar-Te-ei para sempre… na presença dos Teus santos.»
Isaías 25:7-8 «Nesta montanha, Ele [Deus] aniquilará o véu que envolve todos os povos, o manto que cobre todas as nações; aniquilará a morte para sempre…»
Isaías 53:8-10 Depois de afirmar, nos versículos 8-9, que aquele que sofre por nós será morto e colocado no túmulo de um homem rico, no versículo 10 diz-se ainda que ele verá a sua descendência.
Todos estes versículos são citados da BSB.
P: Em 1 Coríntios 15:52 e 1 Tessalonicenses 4:16-17, o que diz a «última trombeta» sobre a tribulação?
R: Os pré-tribulacionistas afirmam que a última trombeta era uma trombeta especial destinada aos crentes e que não faz parte das sete trombetas do Apocalipse. Outros apontam este versículo como uma das maiores falhas da visão pré-tribulacionista. Afirmam que se trata da sétima trombeta de Apocalipse 11:15.
P: Em 1 Coríntios 15:52-54, como pode Deus ressuscitar o corpo mortal de um crente que foi reduzido a cinzas ou devorado por leões?
R: Deus é Todo-Poderoso e pode fazer tudo. Cientificamente, embora a maioria das nossas células sobreviva (ou se multiplique e sobreviva) ao longo das nossas vidas mortais, a maioria dos átomos que compõem as nossas células são átomos diferentes daqueles que existiam há sete anos. Por isso, para ressuscitarmos dos mortos, não precisamos de ter os mesmos átomos. Da mesma forma, as células são «padrões» de átomos. Mas Deus pode — embora não seja obrigado a fazê-lo — utilizar os mesmos materiais físicos (ou seja, átomos) que se encontram num corpo enterrado. Assim, o facto de o corpo de um cristão ser enterrado ou cremado (seja com ou contra a sua vontade) não tem qualquer efeito sobre o que Deus fará. No entanto, há quem considere o enterro cristão como um testemunho da nossa esperança segura na ressurreição.
P: Em 1 Coríntios 15:54, como e por que razão «o perecível… deve revestir-se do imperecível»?
R: Não nos foi revelado todo este mistério. No entanto, existem algumas ilustrações naturais que podem apontar para parte da resposta.
Quando um arbusto ou uma pequena árvore é infestada por bolor em todas as suas folhas, a única forma de salvar a planta é cortá-la, deixando apenas um toco alto. A parte superior desaparece juntamente com o «pecado» do bolor que a infesta, mas as raízes continuam lá e saudáveis. A planta voltará frequentemente a crescer e, no tempo que demora a brotar novas folhas, o bolor pode ter desaparecido, porque não tinha onde viver.
Se pensava que a quantidade de ADN numa célula está relacionada com o tamanho ou a inteligência de um organismo, poderá ficar muito surpreendido ao saber que a célula de um sapo tem cerca de 20 vezes mais ADN do que a célula de um ser humano. O sapo não só tem de possuir o ADN necessário para funcionar como um girino que respira na água, como também tem de possuir o ADN para todas as transições e para o resultado final: viver como um sapo que respira ar. Os anjos e os demónios podem olhar para nós e pensar que criaturas humildes e frágeis somos. No entanto, poderíamos sempre dizer: «Mas vejam o nosso ADN espiritual, que recebemos do nosso Pai!»
P: Em 1 Coríntios 15:58, o que pode dizer ou fazer quando começa a sentir que o seu trabalho é em vão?
R: Quem me dera que pudéssemos perguntar a Jeremias. Ele teve uma longa carreira, talvez mais de 55 anos, como profeta. Durante a sua vida, enquanto ministrava fielmente e sofria prisão e conspirações contra a sua vida, viu apenas um punhado de pessoas que acreditavam nas suas palavras. No entanto, cerca de 2 600 anos mais tarde, as pessoas são inspiradas pela palavra de Deus que veio por seu intermédio. Dito de outra forma, Jeremias teria sido um péssimo avaliador da influência que a sua vida e obra viriam a ter.
Gálatas 6:9 diz-nos para não desistirmos, sabendo que o nosso trabalho não é em vão, se nele persistirmos.
O nosso objetivo não é sermos considerados influentes, nem mesmo sermos influentes. O nosso objetivo é simplesmente agradar a Deus e fazer o que Ele quer especificamente que façamos, quer pareça grande ou pequeno aos olhos das pessoas. No final, o prazer de ouvir Deus dizer «Muito bem, servo bom e fiel!» vale mais do que todas as riquezas deste mundo passageiro. Mantenha os olhos no prémio final e permaneça próximo de Deus em oração.
P: Em 1 Coríntios 16:18, uma vez que não merecemos nada de bom, de que forma estes homens piedosos merecem reconhecimento?
R: Num sentido absoluto, não merecemos nada de Deus, a não ser justiça (e graças a Deus que Ele nos concede misericórdia).
Num sentido relativo, porém, Deus ordena-nos que prestemos reconhecimento e encorajamento aos líderes piedosos que servem bem a Deus e aos outros.
Em tom de brincadeira, seria difícil para um cristão trabalhar para um chefe cristão que não fizesse esta distinção. O chefe poderia dizer: «De todas as coisas boas que lhe foram concedidas nesta vida, quais é que realmente merece?» O trabalhador poderia responder: «Nenhuma. Tudo é pela graça e misericórdia de Deus.» O chefe poderia responder: «Bem, fico contente por compreender que eu ia dar-lhe um aumento, só que o senhor simplesmente não o merece!»
P: Em 1 Coríntios 16:22, por que razão Paulo amaldiçoa as pessoas que não amam (fileo) o Senhor?
R: Se alguns interpretam isto como se Paulo quisesse que elas fossem para o Inferno, essa não é a vontade de Deus, pois Ezequiel 18:23,32 e 2 Pedro 3:9 mostram que Deus não deseja que ninguém pereça. Há três pontos a considerar na resposta.
1. Independentemente de Paulo nos dizer isto, as pessoas que não amam Jesus estão sob uma maldição.
2. Paulo, e nós, devemos orar para que aqueles que se encontram sob a maldição de não conhecerem Jesus percebam o vazio e que Deus lhes envie quaisquer experiências, mesmo que dolorosas, para lhes mostrar a sua necessidade de Cristo.
3. Paulo, e nós, devemos orar para que aqueles que realizam a obra amaldiçoada de desviar os outros sejam amaldiçoados com o fracasso.
P: Em 1 Coríntios, como sabemos que esta carta foi realmente escrita por Paulo?
R: Não temos qualquer evidência que sugira que Paulo não a tenha escrito. O próprio livro de 1 Coríntios assim o afirma, e a Igreja primitiva nunca questionou este facto. Dezassete escritores pré-nicenos afirmaram que 1 Coríntios era de autoria de Paulo. Clemente de Roma, Policarpo, a Epístola a Diogneto, Irineu de Lyon, o Cânone Muratoriano, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Hipólito, Orígenes, Cipriano de Cartago, Pierius de Alexandria, Adamantio, Victorino de Petau, Metódio, Atanásio de Alexandria, Alexandre de Alexandria e Eusébio de Cesareia.
Partindo do princípio de que Paulo morreu durante o reinado de Nero, a sua morte teria ocorrido por volta do ano 67 d.C.
P: Em 1 Coríntios, como sabemos que as Escrituras de hoje constituem uma preservação fiável do que foi originalmente escrito?
R: Existem, pelo menos, três boas razões.
1. Deus prometeu preservar a Sua palavra em Isaías 55:10-11; Isaías 59:21; Isaías 40:6-8; 1 Pedro 1:24-25; e Mateus 24:35.
2. Evidência da Igreja primitiva. Os escritores da Igreja primitiva, até ao Concílio de Nicéia I (325 d.C.), citaram 1 Coríntios cerca de 755 vezes, sem contar as alusões. Citaram 65% do livro de 1 Coríntios, contando os versículos fracionários como frações. Isso corresponde a 282,6 de um total de 437 versículos.
Eis os escritores pré-nicenos que se referiram a versículos de 1 Coríntios.
1 Clemente (96-98 d.C.) é, essencialmente, uma carta de Clemente, bispo de Roma, na qual este diz aos coríntios que devem praticar o que Paulo lhes ensinou há 50 anos. No capítulo 47, Clemente menciona Apolo e Cefas
Clemente de Roma cita 1 Coríntios 2:9 — 1 Clemente, cap. 34, vol. 1, p. 14; vol. 9, p. 239
Inácio 1 Coríntios 1:20 ¼ Citação da Carta de Inácio aos Efésios, cap. 18, p. 56-57. Segue-se uma paráfrase, mas trata-se de uma referência inequívoca.
Inácio 1 Coríntios 3:16; 6:19 Alusão à Carta de Inácio aos Filadelfianos, cap. 7, p. 84
1 Coríntios 6:19 Alusão «somos templos de Deus» na Carta de Inácio aos Efésios, cap. 15, p. 56
Papias escreve: «Como dizem os presbíteros» e cita 1 Coríntios 15:25, 26, tal como proferido pelo apóstolo. Em seguida, cita 1 Coríntios 15:27, 28, Fragmento 5, vol. 1, p. 154.
1 Cor 6:9, 10b 1½ Citação da Epístola de Policarpo aos Filipenses (110-155 d.C.), cap. 5, p. 34
Epístola a Diogneto (c. 130-200 d.C.)
A Didaché (120-150 d.C.)
O Cânone Muratoriano (170-210 d.C.), ANF, vol. 5, p. 603, menciona as duas cartas de Paulo aos Coríntios, bem como as outras 11 cartas de Paulo.
2 Clemente (120-140 d.C.), cap. 11, p. 254, cita metade de 1 Coríntios 2:9: «O que o ouvido não ouviu, nem o olho viu, nem subiu ao coração do homem.»
Melito de Sardes (170-180 d.C.) refere-se a Lucas e Marcos como o «Evangelho». Menciona 1 Coríntios como sendo do apóstolo. Citação de Hebreus. «Oração sobre a Paixão do Senhor», cap. 9, p. 760-761
Atenágoras, em 177 d.C., afirma: «na linguagem do apóstolo» e, em seguida, cita imediatamente 1 Coríntios 15:54. A Ressurreição dos Mortos, cap. 18, p. 159
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) cita 1 Coríntios 6:12 como sendo de Paulo em «Contra as Heresias», livro 4, cap. 37.4, p. 519
Clemente de Alexandria questionou-se sobre qual seria a sabedoria deste mundo contra a qual Paulo nos advertiu em 1 Coríntios 3:19-21. *Stromata* (193-202 d.C.), livro 1, cap. 11
Tertuliano (198-220 d.C.) cita 1 Coríntios 8:2 e Gálatas 1:7 e 5:7 como sendo do apóstolo, na obra «Sobre a Prescrição Contra os Hereges», cap. 27, p. 256.
Tertuliano (198-220 d.C.) cita 1 Coríntios 15:29 em «Sobre a Ressurreição da Carne», cap. 48, p. 582
Teodoto, provavelmente montanista (c. 240 d.C.), alude a 1 Coríntios 15:49 no cap. 24, p. 46
Hipólito (225-235/6 d.C.) cita parte de 1 Coríntios 2:13 como Escritura em «A Refutação de Todas as Heresias», livro 7, cap. 14, p. 107.
Júlio Africano (232-245 d.C.) cita 1 Coríntios 15:12 e afirma que se trata de uma passagem do apóstolo na *Epístola a Aristides*, cap. 1, p. 125
Orígenes (225-253/254 d.C.) cita 1 Coríntios 1:24 como sendo de Paulo, em *De Principiis*, livro 1, cap. 2.1, p. 246. Cita também 1 Coríntios 14:15 como sendo de Paulo, em *De Principiis*, livro 2, cap. 2, p. 287
Cipriano foi bispo de Cartago desde cerca de 246 até ao seu martírio em 258 d.C. Ele menciona a Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios e, em seguida, cita 1 Coríntios 7:10,11 em «Tratados de Cipriano — Testemunhos», cap. 90, p. 553. Refere-se também a Paulo e à sua Primeira Epístola aos Coríntios no «Tratado 12», segundo livro, cap. 1, p. 516
Gregório Taumaturgo (240-265 d.C.) cita 1 Coríntios 6:13 como sendo do apóstolo na «Epístola Canónica», cap. 1, p. 18.
Pierius de Alexandria (275 d.C.) cita 6 das 22 palavras de 1 Coríntios 7:7 como sendo de Paulo, no «Fragmento 1», p. 157
Adamantio (c. 300 d.C.) cita 1 Coríntios 15:29 em «Diálogo sobre a Verdadeira Fé», quinta parte, capítulo 23, p. 181
Arnóbio, em «Contra os Pagãos» (297-303 d.C.), livro 2, cap. 7, p. 435: «Nunca ressoaram nos vossos ouvidos as palavras bem conhecidas de que a sabedoria do homem é loucura perante Deus?» (1 Coríntios 3:19)
Victorinus, bispo de Petau, na atual Eslovénia (martirizado em 304 d.C.) Menciona o Antigo e o Novo Testamento no seu «Comentário sobre o Apocalipse do Beato João», p. 345. Enumerou as cartas de Paulo como Romanos, Coríntios, Gálatas, Efésios, Tessalonicenses, Filipenses, Colossenses e Timóteo, e cita 1 Timóteo 3:15 no cap. 16, p. 345. Prossegue citando 1 Coríntios 15:53 na p. 346
Metódio (270-311/312 d.C.) cita 1 Coríntios 7:34 como sendo de Paulo. «Banquete das Dez Virgens», discurso 1, cap. 1, p. 311.
Alexandre de Alexandria (313-326 d.C.) cita 1 Coríntios 2:9 como sendo do apóstolo Paulo e Colossenses 1:16,17 como sendo de Paulo, em «Epístolas sobre a Heresia Ariana», Epístola 1, capítulo 5, p. 293
Eusébio de Cesareia (318-325 d.C.) cita na íntegra 1 Coríntios 15:55-56. «Demonstração do Evangelho», livro 4, cap. 11, p. 7
Após Nicéia
Eusébio de Cesareia (318-339/340 d.C.) escreveu comentários completos sobre Lucas e 1 Coríntios. «Padres Nicenos e Pós-Nicenos», Segunda Série, vol. 1, p. 41
Hegemónio (século IV) cita 1 Coríntios 13:8-10 como «Pois, naquela primeira Epístola aos Coríntios, Paulo diz...» (Arquelau está a falar) «Disputa com Manes», cap. 37, p. 211
Zenão (século IV)
Victorinus de Roma (após 363 d.C.)
Atanásio de Alexandria (367 d.C.) enumera os livros do Novo Testamento na Carta Festiva 39, p. 552
Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.) cita 1 Coríntios 3:8 como «aquelas palavras aos coríntios» na obra *Sobre a Trindade*, livro 8, capítulo 5, p. 139
A *Synopsis Scripturae Sacrae* (350-370 d.C. ou século V) menciona as duas cartas de Paulo aos Coríntios como parte do Novo Testamento. Cita 1 Coríntios 1:1-2a.
O cismático Lúcifer de Cagliari (370/371 d.C.)
Marcelo de Anquira (cerca de 374 d.C.)
Basílio da Capadócia (357-378/379 d.C.) cita 1 Coríntios 3:13 como sendo do Apóstolo. Em «Sobre o Espírito», cap. 15.36, p. 22. Afirma também que 1 Coríntios 7:6 é de Paulo. Carta 8, cap. 3, p. 117
Sínodo de Laodicéia (na Frígia) (343-381 d.C.), o cânone 60, p. 159, enumera os livros do Antigo Testamento e do Novo Testamento. O cânone 59, p. 158, afirma que apenas os livros canónicos do Antigo e do Novo Testamento podem ser lidos na igreja.
Ambrosiaster (após 384 d.C.)
Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.)
Ambrósio de Milão (370-390 d.C.)
Apolinário de Laodicéia (c. 390 d.C.)
Paciano de Barcelona (342-379/392 d.C.)
Gregório de Elvira (após 392 d.C.)
Anfilóquio (-397 d.C.) em «Iambi ad Seleucum»
Gregório de Nissa (c. 356-397 d.C.) 1 Coríntios 15:51,52 «o divino Apóstolo… aos Coríntios» Sobre a Criação do Homem, cap. 32.6, p. 412
Dídimo, o Cego (398 d.C.)
Macário/Simeão (século IV ou V)
Maximino (séculos IV/V)
Petiliano (séculos IV/V) refere-se a 1 Coríntios 7:5
Timóteo de Alexandria (séculos IV/V)
Epifânio de Salamina (360-403 d.C.)
Flaviano de Antioquia (404 d.C.)
Gaudêncio (após 406 d.C.)
João Crisóstomo (392-407 d.C.) deve ter apreciado verdadeiramente 1 Coríntios, pois redigiu 44 sermões sobre esta epístola, que ainda hoje conservamos. Ele afirma que 1 Coríntios foi escrito por Paulo e Sósthenes.
Cromácio (falecido em 407 d.C.)
Severiano (após 408 d.C.)
Niceta de Remesiana (366-c. 415 d.C.)
Orosio/Hósio de Braga (414-418 d.C.) cita parte de 1 Coríntios 15:10 como sendo de Paulo. Defesa contra os Pelagianos, cap. 10, p. 127
Jerónimo (373-420 d.C.)
Sozomeno (370/380-425 d.C.) cita 1 Coríntios 11:12 como sendo do apóstolo Paulo. «História Eclesiástica» de Sozomeno, livro 4, cap. 29, p. 324
Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) cita 1 Coríntios 10:17 como sendo do apóstolo Paulo em «A Cidade de Deus», livro 17, cap. 5, p. 345
O semipelagiano João Cassiano (419-430 d.C.) cita um quarto de um versículo de 1 Coríntios 3:16; 4:16 como sendo de Paulo, em «Instituições de João Cassiano», livro 9.3, p. 264
Marco de Eremita (após 430 d.C.)
Cirilo de Alexandria (444 d.C.)
Hesíquio de Jerusalém (-450 d.C.)
*Speculum* (século V)
Teodoreto de Ciro (bispo e historiador) (423-458 d.C.)
Varimadum (445/480 d.C.)
Provas da existência de hereges e de livros espúrios
Marcião refere-se a 1 Coríntios, segundo Tertuliano.
O gnóstico Ptolomeu referiu-se a 1 Coríntios 2:15, segundo Irineu.
O herege Prisciliano (c. 385 d.C.)
O herege donatista Ticónio (após 390 d.C.)
O herege Pelágio (416-418 d.C.)
O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.)
Ainda hoje dispomos de todos estes.
3. Os manuscritos mais antigos de que dispomos de 1 Coríntios revelam que existem pequenas variações entre os manuscritos, mas nenhum erro teologicamente significativo.
p. 11 1 Cor 1,17-23; 2,9-12, 14; 3,1-3, 5-6; 4,3-5,5, 7-8; 6,5-7, 11-18; 7,3-6, 10-14. Século VII. Coincide com o Sinaítico
Século VII – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 14 — 1 Coríntios 1:25-27; 2:6-8; 3:8-10, século V. Texto alexandrino.
Século V? — 1968 — O Texto do Novo Testamento.
p. 15 (= Papiro de Oxirrinco 1009) 1 Cor 7:18-8:4 (final do século III). A obra «O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento» apresenta uma imagem da p. 15 na p. 84. Eis a datação:
Século III - 1968 - O Texto do Novo Testamento.
Século III - 1975 - Terceira Edição de Aland
Século III – 1998 – Quarta Edição Revista de Aland
Final do século III (Philip Comfort e David P. Barrett em «O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento», 1999.)
p. 34 — 1 Cor 16:4-7; 10; 2 Cor 5:18-21; 10:13-14; 11:2, 4, 6-7 (século VII) — texto alexandrino.
Século VII – 1968 – *The Text of the New Testament*.
p. 46 Chester Beatty II, 100-150 d.C. 1 Cor 1:1-9:2; 9:4-14:14; 14:16-15:15; 15:17-16:22 (99% ou 431/437 versículos) e outras partes das cartas de Paulo e da Epístola aos Hebreus. A obra «O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento» apresenta uma fotografia de parte do p46 na p. 192. Indica ainda, nas pp. 197-198, que a qualidade e as marcas estichiométricas revelam que este manuscrito foi redigido por um escriba profissional.
Primeira metade do século III — 1936 — Frederic G. Kenyon, de acordo com *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento*.
Século II, 200 d.C. — 1935 — Ulrich Wilken, de acordo com *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts*.
200 d.C. — 1968 — *The Text of the New Testament*.
81-96 d.C. — 1988 — Young Kyu Kim, de acordo com *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts*.
Por volta de 200 d.C. – 1975 – Aland et al., terceira edição.
Por volta de 200 d.C. – 1998 – Aland et al., quarta edição revista.
Início a meados do século II — 1999 — O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento. Isto baseia-se, em parte, no facto de a caligrafia ser muito semelhante à do Papiro Oxirrinco 8 (final do século I ou início do século II) e à do Papiro Oxirrinco 2337 (final do século I).
p. 61 Romanos 16:23, 25-27; 1 Coríntios 1:1-2, 2-6; 5:1-3, 5-6, 9-13; Filipenses 3:5-9, 12-16; Colossenses 1:3-7, 9-13; 1 Tessalonicenses 1:2-3; Tito 3:1-5, 8-11, 14-15; Filemom 4-7. c. 700 d.C.
c. 700 d.C. – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
Por volta de 700 d.C. – 1975 – Aland et al., terceira edição.
Por volta de 700 d.C. – 1998 – Aland et al., quarta edição revista.
Vaticanus [B] 325-350 d.C.
Sinaiticus [Si] 340-350 d.C.
Copta bohairico [Boh] século III/IV
Copta sahídico [Sah] século III/IV
Gótico [Goth] 493-555 d.C.
Alexandrino [A] c. 450 d.C.
Efraemiano Rescrito [C] século V
Consulte www.BibleQuery.org/1 Corinthians Manuscripts.html para obter mais informações sobre os primeiros manuscritos de 1 Coríntios.