< Pergunta bíblica sobre Mateus

As questões comuns tanto a Mateus quanto aos outros evangelhos são discutidas em Mateus ou, caso contrário, encontram-se na seção Evangelhos.

P: Em Mateus, quais são alguns dos elementos distintivos desse evangelho?

R: Mateus enfatiza Cristo, o Rei Prometido, que inaugura o reino de Deus e é o cumprimento da lei. Cristo é a esperança cumprida. De todos os evangelistas, Mateus é aquele que mais demonstra como as profecias do Antigo Testamento se cumprem em Cristo. Cerca de 1/3 de Mateus consiste em pregação, e o evangelho parece organizado em torno de cinco grandes discursos.

No que diz respeito à linguagem, Papias, um discípulo do apóstolo João, afirmou que Mateus foi escrito inicialmente em hebraico/aramaico. Jesus é o “tipo” de Israel, e alguns observam que Mateus utiliza técnicas midráshicas familiares aos judeus daquela época.

Quanto às falsas religiões, Mateus 20,1-16 é uma boa passagem para explicar aos mórmons e às Testemunhas de Jeová o que é a graça. Mateus 18,21-35 também é útil para mostrar aos mórmons que não há como sequer começarmos a retribuir a Jesus por Sua graça com nossas boas obras.

P: Em Mateus, como foram mencionadas algumas das profecias sobre Cristo contidas neste livro?

R: Antes de responder à pergunta, vamos primeiro listar algumas das profecias em questão.

1. Deus chamando os filhos de Israel para fora do Egito (Oséias 11:1; Mateus 2:15)

2. Raquel chorando por seus filhos em Ramá (Jeremias 31:15; Mateus 2:18)

3. Profecia sobre Zebulom e Naftali (Isaías 9:1,2; Mateus 4:15-16)

4. O pagamento de trinta moedas de prata a Zacarias e a entrega dessas moedas ao oleiro (Zacarias 11:12-13; Jeremias 32:6-9; Mateus 27:9-10)

A resposta: Mateus, mais do que os outros Evangelhos, foi escrito para um público judeu que estava familiarizado com o Antigo Testamento e com os métodos midráshicos. O escritor da Igreja primitiva Papias escreveu que Mateus foi originalmente escrito em hebraico, não em grego. Ao se referir às crianças saindo do Egito, a Raquel chorando por seus filhos, etc., Mateus está fazendo algo deliberado aqui. Ele está mostrando como a vida do Messias de Israel se assemelha à vida dos filhos de Israel. Podemos pensar na profecia apenas como detalhes isolados que se concretizam, mas essa é uma visão muito limitada. Mateus mostra que a vida dos filhos de Israel, em geral, era uma profecia sobre Jesus.

Consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 344-345, e *Bible Difficulties and Seeming Contradictions*, p. 168, para obter mais informações.

P: Em Mateus, ao contrário de outros evangelhos, [supostamente] procura-se sempre descrever Jesus como um Senhor quase impassível, que frequentemente esconde Suas emoções, enquanto os demais evangelhos retratam Jesus, o homem, com todas as Suas emoções, reações e, aparentemente, falhas. Por quê?

R: A premissa dessa pergunta está equivocada. Jesus não é “frio como gelo” nem esconde Suas emoções quando lamentava por Jerusalém em Mateus 23:37-38. Isso não é “frio como gelo” de forma alguma. Não vejo nenhum dos evangelhos mostrando quaisquer “falhas” de Jesus. Jesus sentia fome, chorava, sentia emoções e estava em agonia na cruz. No entanto, isso não eram falhas, mas sim o fato de ser humano.

P: Em Mt 1,1-17, qual foi o objetivo da genealogia da linhagem de José remontando até Davi, uma vez que Maria era virgem quando Jesus nasceu?

R: Remontar até Davi era importante para estabelecer o direito de Jesus de ser rei sobre Israel. Embora José não fosse o pai biológico de Jesus, ele era, em todos os sentidos, o pai legal de Jesus. Assim, as promessas feitas a Davi foram cumpridas tanto no sentido legal de pai e filho quanto no sentido biológico, por meio da linhagem de Maria, conforme relatado em Lucas. O livro “Guia de Asimov para a Bíblia”, p. 780, aborda essa questão. Consulte o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 18, e o *Believer’s Bible Commentary*, pp. 1203–1204, para obter mais informações.

P: Em Mt 1,2-17, por que há 27 gerações de Davi a Jesus, enquanto Lc 1,3,23-31 indica 42 gerações?

R: Embora não haja necessariamente o mesmo número exato de gerações na árvore genealógica de José e de Maria, Mateus, sem dúvida, apresenta algumas lacunas. Como “filho” pode significar descendentes do sexo masculino, não há problema algum aqui. Jeconias (Jeoiaquim) reinou por volta de 604 a.C., portanto, houve 14 gerações de Davi a Jeconias em cerca de 400 anos, ou 29 anos por geração. De 604 a.C. a 4 a.C., seria de se esperar 20 gerações e meia, mas Mateus menciona apenas 13, ou seja, 46 anos por geração.

Talvez Mateus não tenha mencionado mais do que 14 gerações após o exílio porque não conhecia os outros nomes e escreveu apenas o que sabia. Alternativamente, ele utilizou três conjuntos de quatorze nomes como um recurso mnemônico.

O “Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 69, nos fala da “coincidência” de que o nome de Davi no texto massorético hebraico (dwd) soma 4 + 6 + 4 = 14.

P: Em Mt 1,3,5,6, por que a menção a quatro mulheres: Tamar, Raabe, Rute e a esposa de Urias (Bate-Sebá)?

R: Em primeiro lugar, no mundo antigo, incluir mulheres na genealogia traçada pela linha masculina era algo altamente incomum. Embora não saibamos a razão exata de Mateus — nem a de Deus —, podemos observar uma série de aspectos.

Famosas: Essas quatro mulheres eram “famosas” no sentido de que eram conhecidas por todos os judeus.

Estrangeiras: Raabe e Rute eram ambas estrangeiras que se uniram ao povo de Deus, o que destaca que Jesus tinha ascendência mista. Bate-Seba era judia; ela era casada com Urias, um hitita.

Vergonhoso: Tamar fingiu ser uma prostituta para seduzir Judá. Raabe era uma ex-prostituta. Bate-Seba e Davi cometeram adultério, e Davi, assassinato. Se Deus pode usar essas pessoas na linhagem legal (de José) e todas, exceto Bate-Seba, na linhagem biológica (de Maria), então Deus pode usar qualquer pessoa, por mais que ela tenha errado gravemente. Por outro lado, Jacó era um enganador, e Manassés foi um rei totalmente perverso, que mais tarde se arrependeu.

Silêncio curioso: Mateus poderia ter mencionado três mulheres ilustres: Sara, Rebeca e Raquel, mas ele as ignora e concentra-se nestas outras.

Consulte o Comentário Evangélico da Bíblia, p. 724; o Novo Testamento Grego do Expositor, vol. 1, p. 63; o Comentário Bíblico do Expositor, vol. 8, p. 66; e o Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento, p. 18, para obter mais informações.

P: Em Mt 1,5, visto que a avó de Davi era Rute, a moabita, como Davi poderia fazer parte da congregação, se Dt 23,3 diz que um moabita não pode entrar na congregação até a décima geração?

R: Primeiro, o que provavelmente não é a resposta; depois, a resposta.

O que provavelmente não é a resposta: mesmo que a presença de Davi na congregação fosse contrária a Deuteronômio 23:3, a Bíblia ainda assim registra que Davi estava com o povo e adorava com eles. As pessoas podiam cometer erros por ignorância. Por exemplo, Josué fez um tratado com os gibeonitas, o que era contrário à Lei de Deus. Uma vez feito isso, porém, Deus queria que eles honrassem o tratado. De fato, Deus, em sua providência, permitiu que cometessem esse erro e, mais tarde, utilizou os gibeonitas.

A resposta: Pode-se argumentar que Davi não desobedeceu a Deuteronômio 23:3 neste caso.

1. As pessoas traçavam sua descendência pela linha paterna, e não pela materna. Assim, é possível (mas não certo) que Deuteronômio 23:3 se destinasse a se aplicar aos ancestrais do sexo masculino.

2. Rute “mudou de povo”. Ela disse a Noemi: “O seu povo será o meu povo, e o seu Deus será o meu Deus”. Embora hoje em dia as pessoas possam mudar de cidadania se tanto elas quanto o povo do novo país concordarem, isso foi ainda mais dramático; Deus permitiu que ela, assim como Raabe, se tornasse uma das escolhidas de Israel.

P: Em Mt 1,8, Jorão era o pai de Uzias, ou era o trisavô em 1 Cr 3,11-12?

R: Na verdade, ambos, desde que se compreenda corretamente como as palavras eram utilizadas. Os judeus entendiam que “pai” também significava “ancestral” (como em Atos 7:19; 1 Reis 15:24; 22:50; 2 Reis 15:38), assim como “filho” também significava “descendente”.

O rei Jorão era o trisavô do rei Uzias. Consulte *Dificuldades e Aparentes Contradições da Bíblia*, p. 58, e *Quando os Críticos Perguntam*, p. 325, para obter mais informações.

P: Em Mt 1,9, por que Uzias era o pai de Jotão, se 2 Reis 15,1-7 e 1 Crônicas 3,12 dizem que Azarias era o pai de Jotão?

R: Uzias era outro nome para Azarias, conforme 2 Reis 15:32, 34 e 2 Crônicas 26:1-23; 27:2; Isaías 1:1; 6:1; 7:1. Muitos reis tinham tanto um nome pessoal quanto um nome real, que adquiriram posteriormente. Mas, tanto para reis quanto para não reis, isso não seria considerado anormal nos casos de: Abrão/Abraão, Sarai/Sara, Jacó/Israel, Ben-Oni/Benjamim, Zafenate-Paneá/José, Oséias/Josué, Gideão/Jerubaal, Amiel/Eliam, Bate-Sebá/Bate-Shua, Azarias/Uzias, Abijão/Abias, Jeoacaz, filho de Josias/Salum, Eliakim/Jeoiaquim, Jeoiaquim/Jeconias/Conias, Zedequias/Matanias, Hananias/Sadraque, Misael/Mesáque, Azarias/Abed-Nego, Daniel/Beltessazar, Simão/Pedro, José/Barnabé e Saulo/Paulo.

Consulte *When Critics Ask*, pp. 325-326, e *Encyclopedia of Bible Difficulties*, pp. 316-317, para obter mais informações.

P: Em Mt 1,11.16, por que a genealogia mostra que Jesus descende de uma linhagem amaldiçoada de Jeconias/Jeoiaquim, conforme afirmam Jr 22,28-30 e Jr 36,30? (Veja também 1 Cr 3,16). Jeconias (Jeoiaquim) e seu pai, Jeoiaquim, foram ambos amaldiçoados pelo próprio Deus, que afirmou que nenhum desses homens teria descendentes no trono de Davi. Como seria possível que Jesus fosse o Messias, destinado a reinar para sempre no trono de Davi, se ele descendesse de qualquer um desses homens?

R: A genealogia de José em Mateus de fato mostra que José descendia de uma linhagem amaldiçoada. Isso seria um problema real se José fosse o pai biológico, pois Jeremias profetizou que Jeoiaquim não teria descendentes no trono. No entanto, a genealogia de Maria em Lucas mostra que Jesus NÃO era descendente biológico de Jeconias e Jeoiaquim, pois os ancestrais de Maria divergiram da linhagem real. Olhando para trás, podemos ver que Davi e Salomão receberam promessas ligeiramente diferentes. Apenas José descendia de Salomão, e tanto José quanto Maria descendiam de Davi.

A propósito, em Mateus 1:16, “de quem” — pelo menos em inglês — parece poder significar de Maria, de José ou de ambos. Mas, em grego, “de quem” é especificamente feminino no singular, o que significa que Jesus era apenas de Maria.

Historicamente, Irineu, bispo de Lyon, na Gália, respondeu a essa objeção à genealogia de José em Mateus na obra *Contra as Heresias*, livro 3, cap. 21.9, pp. 453-454, escrita entre 182 e 188 d.C.

Consulte o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 18, e o *Believer’s Bible Commentary*, p. 1204, para obter mais informações.

P: Em Mt 1,17, tratava-se realmente de 3 × 14 = 42 gerações, ou apenas 41 gerações, como afirmam um ateu (Capello) e o cético *Asimov’s Guide to the Bible*, pp. 777-778?

R: Há três conjuntos de 14 nomes, mas eles não são somáveis, pois a primeira lista vai de Abraão até Davi, inclusive, e a segunda lista vai de Davi até o exílio. Agora, poderíamos ter um problema se Mateus tivesse afirmado que havia 42 gerações, mas Mateus nunca disse que a soma era 42. Presume-se que Mateus tenha mencionado de passagem três conjuntos de 14 nomes como um recurso mnemônico. As pessoas também notaram que as letras do nome Davi somam 14.

O primeiro escritor cristão de que temos conhecimento a ter percebido esses três “intervalos místicos” foi Clemente de Alexandria (193-202 d.C.) em *Stromata*, livro 1, cap. 21, p. 334

Consulte *When Critics Ask*, p. 326, e *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 69, para obter mais informações.

P: Em Mt 1,17, por que tantos nomes foram omitidos?

R: A Escritura não diz, mas muitos nomes foram omitidos. Por exemplo, entre Naassom e Hezrom havia apenas dois nomes, e o intervalo de tempo foi de 400 anos. Parte da razão pode ser simplesmente que Mateus não conhecia os nomes. Mas ele poderia ter obtido mais alguns nomes de 1 Crônicas, se assim o desejasse. Talvez sua intenção não fosse se perder nos detalhes de cada nome, mas incluir nomes suficientes para mostrar que o pai adotivo de Jesus era de fato descendente de Davi e, portanto, Jesus tinha o direito natural de ser rei de Israel. Consulte o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 1, p. 64-65, para obter mais informações.

P: Em Mt 1,17 e Lc 1, por que as duas genealogias divergem após Salomão, mas se unem novamente em Salatiel?

R: O cético *Asimov’s Guide to the Bible*, p. 939, menciona isso. Mateus 1:12 menciona Jeconias (Jeoiaquim), Salatiel e Zorobabel, enquanto Lucas menciona Neri, Salatiel e Zorobabel. A razão direta para essa diferença é apresentada em 1 Crônicas 3:17-19. A linhagem real, que quase sempre passava de pai para filho, passou, em vez disso, de Salatiel para Zorobabel, filho de Pedaías, irmão de Salatiel.

A razão não é explicada, mas presume-se que Salatiél não tivesse filhos, ou pelo menos filhos vivos, quando faleceu. Assim, Salatiél provavelmente adotou o filho de seu irmão. Os estudiosos acreditam que ou Pedaías faleceu e Salatiél adotou Zorobabel como órfão, ou então Salatiél passou a linhagem real para Zorobabel simplesmente porque não tinha filhos.

P: Em Mt 1,18-19, por que José consideraria se divorciar de Maria se eles ainda não fossem casados?

R: José provavelmente raciocinou que haveria vergonha para ele se os outros pensassem que eles tivessem tido relações sexuais antes do casamento, ou vergonha para ambos se José permitisse que Maria se relacionasse com outros homens. Assim, pode-se compreender por que José desejaria romper o noivado.

Mas por que se divorciariam se ainda não estavam casados? Seus costumes eram diferentes dos nossos. Um homem e uma mulher ficavam unidos a partir do noivado, embora não tivessem relações sexuais até depois do casamento. Na cultura deles, um noivado só podia ser oficialmente rompido por meio do divórcio.

O período de espera de um ano serviria para comprovar que a mulher era fiel e não estava grávida de um filho que não fosse de seu marido. Mas quando o anjo apareceu a José, este levou Maria para sua casa imediatamente.

Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1205; o “The Bible Knowledge Commentary: New Testament”, p. 20; e o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 1, pp. 68-69, para obter mais informações.

P: Em Mt 1,18, Maria foi engravidada pelo Espírito Santo, ou Jesus era fruto dos lombos de Davi, conforme Atos 2,30?

R: A Virgem Maria era virgem; a Bíblia diz que o Espírito Santo “cobriu com Sua sombra” Maria, não de forma sexual. José era apenas o pai legal e adotivo de Jesus, não o pai biológico. Mas Jesus era biologicamente descendente de Davi por meio de Maria, já que Lucas 3:23-37 apresenta a genealogia de Maria. Outros versículos que afirmam que Jesus é filho (descendente) de Davi são Mt 12:23; 15:22; 20:30; 21:9,15; Marcos 10:47-48; 12:35; Lucas 18:38-39; 20:41; João 7:42; 2 Timóteo 2:8; Apocalipse 5:5; 22:16.

P: Em Mt 1,20; 2,12; 2,13; 2,19; 2,22; 27,19, por que Mateus menciona sonhos e os outros evangelistas não, conforme observa o *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 795?

R: Mateus menciona apenas quatro ou cinco sonhos:

Três ou quatro durante a infância de Jesus: Mateus 1:20 (tome Maria como sua esposa); 2:12 (não volte para Herodes); 2:13 (vá para o Egito); 2:19 (retorne a Nazaré); 2:22 (não vá para a Judéia). Mateus 2:22 poderia ser um sonho distinto ou o mesmo sonho mencionado em Mateus 2:19.

No julgamento de Jesus, a esposa de Pilatos em Mateus 27:19.

Marcos e João não falam da infância de Cristo, portanto, não seria de se esperar que registrassem esses sonhos. Como Lucas não menciona nada sobre os Magos e (quase) nada sobre José, não seria de se esperar que ele registrasse esses sonhos.

Isso deixa um único caso em Mateus (a esposa de Pilatos) que é um detalhe não registrado nos outros evangelhos.

Com base nisso, não se pode concluir, no entanto, que os outros escritores fossem contra o registro de sonhos. Em Atos 16:9, à noite, Paulo teve uma visão de um homem da Macedônia implorando-lhe que fosse ajudá-los.

P: Mateus 1:23 traduz incorretamente Isaías 7:14 ao usar a palavra “virgem”, como afirma o cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 781?

R: Não. Não só a palavra hebraica pode significar tanto “virgem” quanto “jovem donzela”, como o próprio Asimov, na p. 780, reconheceu que a Septuaginta traduziu essa palavra como parthenos, que significa virgem. É claro que Asimov não acredita em nenhum milagre da Bíblia, portanto, ele não escolheria acreditar que Isaías se referisse a uma virgem.

P: O nome “Emanuel”, em Mateus 1:23, onde ele aparece nos livros dos profetas ou nos livros do Antigo Testamento? Como ele se relaciona com Jesus? E por que não o encontramos no restante dos evangelhos?

R: O título Emanuel consta na profecia messiânica de Isaías 7:14. De todos os evangelistas, Mateus é aquele que mais enfatiza o cumprimento da profecia; portanto, não é surpreendente que ele mencione isso.

Os oito primeiros cristãos a seguir também escreveram sobre Isaías 7:14 como profecia messiânica: Justino Mártir (c. 138-165 d.C.), Irineu de Lyon (182-188 d.C.), Tertuliano (207-220 d.C.), Orígenes (225-253/254 d.C.), Novaciano (250-257/258 d.C.), Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.), Atanásio de Alexandria (c. 318 d.C.) e Lactâncio (c. 303-325 d.C.). Consultewww.biblequery.org/history/churchhistory/WhatEarlyChristianTaughtOnDoctrine.html (ou .docx) para ver as citações.

P: Em Mt 1,23 e Lc 1,26-35, como é que Jesus, nascido de uma virgem, poderia ser descendente de Davi?

R: Três pontos a serem considerados na resposta.

1. Jesus não era o filho biológico de José. Se fosse, Jeremias 29,32 seria uma profecia falsa.

2. Jesus era filho de José aos olhos da lei. Hoje, um homem que se casa com uma mulher que já tem um filho torna-se pai dessa criança aos olhos da lei, embora não seja o pai biológico.

3. Jesus era o filho biológico de Maria, descendente de Davi.

Jesus pertencia à casa de Davi aos olhos da lei por meio de José, e era biologicamente descendente de Davi por meio de Maria.

P: Em Mt 1,23, qual é a importância de Jesus ser “Emanuel”, ou Deus conosco?

R: Esse é um ponto importante deste capítulo, que não é destacado de forma tão proeminente no restante do Evangelho de Mateus. Há dois fatores aqui.

Deus encarnou-se como ser humano. Jesus era Emanuel, “Deus conosco”. De uma forma que ninguém na Terra pode definir plenamente, Deus escolheu rebaixar-Se à Terra e viver como ser humano em toda a sua plenitude (Hebreus 2:6, 14, 17), com um corpo humano real, que tinha necessidades humanas reais (João 19:28) e sentimentos humanos reais (Lucas 22:42). Jesus não apenas parecia ser humano; ao contrário, ele era 100% humano, tão humano quanto você ou eu, exceto que Jesus era sem pecado (Hebreus 4:15). No entanto, na Terra, ao mesmo tempo, Jesus continuava sendo 100% Deus. Jesus podia ser tentado, mas nunca pecaria (Hebreus 4:15, Mateus 4:3-12; Marcos 1:13; Lucas 4:2-13). Como afirma o Comentário Bíblico de Tony Evans, p. 865, Jesus era “a divindade em uma fralda”.

Jesus vive dentro de nós. Jesus é, até mesmo agora, Emanuel, “Deus conosco”. Por meio do Espírito Santo, Cristo vive em nós. Deus não apenas nos diz o que fazer e dizer, mas Filipenses 2:13 afirma que é Deus quem opera em nós. Quando nos convertemos a Cristo, Deus não nos deu um tapinha nas costas e disse: “Bom trabalho até agora, agora vocês estão por conta própria”. Pelo contrário, esse é o início de um relacionamento mais íntimo do que até mesmo o matrimônio, para sempre com o noivo da igreja, Cristo.

P: Em Mt 1,25, visto que Isaías disse que Ele seria chamado de Emanuel, por que lhe deram o nome de Jesus?

R: “Jesus”, em hebraico, é o mesmo que Josué, que significa “o SENHOR salva”. Jesus é um nome apropriado, mas eles (e nós) chamamos Jesus de “Deus conosco”. Um amigo cristão chinês meu estava preocupado com isso. Ele tinha tanto um nome chinês quanto um nome em inglês. Então, eu lhe disse que sua mãe lhe deu o nome chinês, mas que ele é chamado pelo nome em inglês nos Estados Unidos. Não é raro que uma pessoa tenha dois nomes, ou um nome e um título.

P: Em Mt 1,25, Maria teve outros filhos?

R: A última frase deste versículo seria tanto sem sentido quanto enganosa se José e Maria nunca tivessem tido relações íntimas.

Além desse versículo, Mateus 12,46; 13,55-56; Marcos 6,3; João 7,3-5; Atos 1,14; 1 Coríntios 9,5; Gálatas 1,19; e (implícito) Judas 1 também registram que Jesus tinha irmãos. A “História Eclesiástica” de Eusébio (318 d.C.), nos capítulos 2:23 e 3:20, também afirma que os quatro irmãos de Jesus eram Tiago (chamado de o Justo), José (ou José), Judas e Simão.

Uma resposta católica é que José teve filhos de um casamento anterior, mas Maria não. No entanto, não há evidências na história da Igreja de que José tenha sido casado anteriormente, nem de que algum dos irmãos de Jesus não fosse filho de Maria e José. Se Jesus tivesse um meio-irmão mais velho por parte de José, então esse meio-irmão mais velho teria direito ao trono, e não Jesus. Consulte o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 299, para mais informações.

Outra resposta católica é que, nas culturas mediterrâneas, o termo “irmãos” poderia significar primos e parentes próximos de idade semelhante, e não apenas irmãos de sangue. No entanto, aplicar aos israelitas o que pode ser verdade para os italianos posteriores e outros povos é problemático.

Depois da Bíblia, os primeiros escritores cristãos conhecidos a afirmar que Maria teve filhos foram Hegesipo (170-180 d.C.), Orígenes (um mestre peculiar) (225-253/254 d.C.) e Eusébio de Cesareia (318-325 d.C.). Hegesipo nos fornece um detalhe interessante: ele menciona um irmão de Jesus chamado Judas, que “sofreu pela fé em Cristo na época de Domiciano” (Cinco Livros de Comentários sobre os Atos da Igreja, seção 1, p. 764). Eusébio de Cesareia (318-325 d.C.) afirma que os quatro irmãos de Jesus eram Tiago (chamado de Justo), José (ou Josés), Judas e Simão. “História Eclesiástica”, de Eusébio, 2:23; 3:20. Após Nicéia, Helvídio/Helvécio (antes de 383 d.C.) também ensinou isso.

Após a Bíblia, os primeiros escritores cristãos conhecidos a afirmar que Maria sempre foi virgem, ou algo semelhante, foram Hipólito (225-235/236 d.C.), Pedro de Alexandria (306, 285-311 d.C.) e, de forma implícita, Orígenes (um mestre peculiar) (225-253/254 d.C.). Eis o que Orígenes afirma em 246-248 d.C.: “Alguns dizem, baseando-se em uma tradição do Evangelho segundo Pedro, como é intitulado, ou ‘O Livro de Tiago’, que os irmãos de Jesus eram filhos de José de um casamento anterior, com uma mulher com quem ele se casou antes de Maria. Ora, aqueles que afirmam isso desejam preservar a honra de Maria na virgindade até o fim,… E considero coerente com a razão que Jesus tenha sido o primogênito entre os homens da pureza que consiste na castidade, e Maria entre as mulheres; pois não seria piedoso atribuir a qualquer outra pessoa que não a ela o primogênito da virgindade.” Comentário de Orígenes sobre Mateus, livro 10, cap. 17, p. 424

Após Nicéia, Atanásio (331 d.C.), Ambrósio de Milão (340-397 d.C.) e Jerônimo (383 d.C.) ensinaram que Maria sempre foi virgem. No entanto, Ambrósio deixou claro que Jesus não precisava de assistência para mediar entre o homem e Deus, e que Maria não devia ser adorada (Sobre o Espírito Santo, livro 3, cap. 11, n.º 80, 381 d.C.). Ele disse: “E que ninguém desvie isso para a Virgem Maria; Maria era o templo de Deus, não o Deus do templo. E, portanto, somente Aquele que agia em Seu templo deve ser adorado.”

Consulte o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 81, e o *Believer’s Bible Commentary*, p. 1206, para obter mais informações.

P: Em Mt 2,1-4; 9-12, quantos magos havia exatamente?

R: As Escrituras nunca mencionam isso. As pessoas costumam pensar que eram três simplesmente por causa da canção “We Three Kings of Orient Are” e porque havia três presentes, mas poderia ter sido qualquer número de magos. Consulte o “The Tony Evans Bible Commentary”, p. 865; o “Evangelical Commentary on the Bible”, p. 726; o “The New Unger’s Bible Dictionary”, p. 799; e o “The Bible Knowledge Commentary: New Testament”, p. 21, para obter essencialmente a mesma resposta.

A ideia de que havia três reis remonta a Orígenes (225-253/254 d.C.), mas a maioria das outras tradições criadas sobre os Magos surgiu no século VI e posteriormente. As ideias de que seus nomes eram Gaspar, Melchior e Balthasar, ou de que eram da Etiópia, ou de que um era de cada raça, foram todas invenções posteriores. Se fossem “Magos”, uma tribo de sacerdotes zoroastrianos, provavelmente seriam da Pérsia (atual Irã) ou da Mesopotâmia (atual Iraque). No entanto, se “Magos” significasse simplesmente um funcionário religioso, eles poderiam ser de outros lugares também.

Consulte *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 85; *The Expositor’s Greek Testament*, vol. 1, p. 73; e *Matthew 1-7: A Commentary*, de Ulrich Luz, p. 140, para obter mais informações.

P: Em Mt 2,1, quando os Magos chegaram?

R: As Escrituras indicam apenas que foi algum tempo após o nascimento. Jesus nasceu em um estábulo (que poderia ter sido uma caverna). Mas, quando os Magos chegaram, em Mateus 2:11, eles já estavam em uma casa. Mateus usa o termo “criança pequena” (paidion), em vez da palavra “bebê” (brephos). Como Herodes matou todos os meninos de até dois anos de idade em Belém, isso ocorreu antes de Herodes perceber que os Magos não voltariam a procurá-lo. Portanto, pode ter sido meses ou até mesmo cerca de um ano após o nascimento. Consulte *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 20, para obter mais informações.

Como observação adicional, essa prática de levar presentes a um rei não era algo inédito. Quando Nero era imperador de Roma, o rei Tiridates da Armênia foi a Roma em 66 d.C. levando presentes para Nero. Consulte Ulrich Luz, “Mateus 1-7: Um Comentário”, p. 131, para mais informações.

P: Em Mt 2,1-4.9-12, quem eram os magos?

R: Os magos eram homens religiosos do Oriente Médio que praticavam a astrologia. Embora a Bíblia não especifique que houvesse três magos, há três visões sobre quem eram os “magos do Natal”.

Originalmente, assim como os levitas eram uma tribo de sacerdotes entre os israelitas, os magos posteriores eram a tribo de sacerdotes entre os medos, segundo Heródoto. Isso é análogo ao fato de os levitas serem uma tribo de sacerdotes entre os israelitas. Os Magos ofereciam sacrifícios diante de fogueiras, interpretavam sonhos e praticavam astrologia. Embora a palavra em inglês “magician” (mágico) derive de “Magi”, exceto por uma passagem em Heródoto, não há evidências de que eles praticassem magia. Os medos eram politeístas (não zoroastrianos). Quando Daniel 5:11 fala dos Magos, refere-se a esses Magos.

Mais tarde, depois que um mago chamado “falso Bardiya” assumiu o controle do trono persa por sete meses em 522 a.C., o rei Cambises substituiu muitos dos magos medos por magos persas. Os magos persas eram zoroastrianos. Os zoroastrianos acreditavam em seres divinos iguais e opostos: um bom, representado pela luz, e outro mau, representado pelas trevas. Durante e após o século IV a.C., os zoroastrianos acreditavam na ressurreição. Os gregos geralmente afirmavam que os Magos eram zoroastrianos. Clemente de Alexandria acreditava que os Magos que vieram a Belém eram zoroastrianos. O cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 788, menciona apenas esses como os Magos.

Na época de Cristo, os gregos também chamavam de magos os caldeus que praticavam astrologia. Muitos astrólogos viajaram para o oeste a fim de ensinar, incluindo o babilônico Berosso, que lecionou na ilha grega de Cos após 281 a.C. Tácito afirma que os magos praticavam feitiçaria, e Plínio alega que a magia teve início com Zoroastro. O escritor da Igreja primitiva Orígenes, entre suas muitas críticas ao herege Celso, afirmou que Celso não conseguiu distinguir entre os Magos e os caldeus em *Contra Celso*, livro 1, cap. 58, p. 422. O *Novo Dicionário Internacional da Bíblia*, p. 612, menciona esses como os Magos.

Independentemente da origem exata no Oriente Médio dos “Magos do Natal”, os Magos praticavam astrologia. Consulte o *Dicionário Bíblico Wycliffe*, pp. 1067-1068, e especialmente o capítulo sobre os Magos em *A Pérsia e a Bíblia*, pp. 467-491, para obter mais informações.

P: Em Mt 2,2, houve algum outro governante sobre o qual se afirmasse que havia sinais celestiais?

R: Diz-se que um cometa apareceu na época do nascimento de Nero (15 de dezembro de 37 d.C.), segundo Suetônio (de Divinatione 1.47), e do rei Mitrídates do Ponto (135 a.C.). Cometas visíveis a olho nu ocorrem cerca de 2 a 5 vezes por século. O cometa de Halley aparece a cada 75 anos, incluindo em 87 a.C. e em 11 de dezembro de 87 a.C. Consulte Ulrich Luz, Mateus 1-7: Um Comentário, p. 131, e The Expositor’s Bible Commentary, vol. 8, p. 83, para obter mais informações.

P: Em Mt 2,2, quais foram alguns “sinais” celestiais nessa época?

R: Aqui estão alguns fenômenos de origem natural.

O cometa de Halley apareceu em 11 de dezembro a.C. (Lagrange mencionou isso, mas essa data é muito antiga para ser relevante.)

Uma conjunção dos planetas Júpiter (representando a realeza) e Saturno (representando os judeus) ocorreu em julho de 6 a.C. Kepler (antes de 1630 d.C.) foi o primeiro a mencionar isso, embora preferisse a teoria da supernova.

Um cometa ou nova mencionado por astrônomos chineses em 5/4 a.C.

No entanto, o que parecia ser uma estrela precedeu-os e parou sobre a casa em Mateus 2:9-10. Embora o grego pudesse significar apenas a cidade, e não a casa, de acordo com o The Expositor’s Bible Commentary, vol. 8, p. 88, uma conjunção planetária de Júpiter e Saturno, bem como um cometa, não seria capaz de fazer isso. Independentemente de terem ou não percebido inicialmente uma conjunção ou um cometa, quando chegaram à Palestina, um anjo estava usando sobrenaturalmente alguma luz para guiá-los.

Consulte o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 85, e Ulrich Luz, *Mateus 1-7: Um Comentário*, p. 132, para obter mais informações.

P: Em Mt 2,6, por que diz “não pequeno”, já que Mq 5,2 diz “pequeno” no texto massorético e “muito pequeno” na Septuaginta?

R: Os escribas afirmaram isso e, embora possam simplesmente ter se enganado — especialmente se estivessem traduzindo oralmente —, o significado que transmitiram estava correto neste caso. Miquéias 5:2 diz: “Tu, Belém Efrata, sendo a menor entre os milhares de Judá, de ti sairá aquele que será meu, para reinar sobre Israel...” (Tradução Literal de Green) O ponto central de Miquéias 5:2 é que, embora Belém fosse pequena em tamanho, ela se tornaria grande em importância. Portanto, os mestres da lei não estavam equivocados, na medida em que Belém terá grande importância, apesar de seu tamanho reduzido.

Consulte a *Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia*, pp. 318-319, e *Quando os Críticos Perguntam*, p. 327, para obter respostas complementares.

P: Em Mt 2,6, como se pronuncia “magi”?

R: Pronuncia-se “MA-ji”, com ambas as vogais longas, de acordo com o Dicionário Bíblico Wycliffe.

P: Em Mt 2,6, por que diz “governadores/princes”, uma vez que Mq 5,2 diz “milhares” no texto massorético e na Septuaginta?

R: Quatro pontos a serem considerados na resposta.

1) Miquéias 5:2 diz: “Tu, Belém Efrata, sendo a menor entre os milhares de Judá, de ti sairá para mim aquele que será governante em Israel…” (Tradução Literal de Green). O ponto é que, embora Belém fosse pequena em tamanho, ela se tornaria grande em importância.

2) A palavra hebraica para “milhares” (plural) em Miquéias 5:2 é ‘alapim. O equivalente grego é chiliasin. A palavra hebraica para governadores/princes (plural) é ‘allupe. O equivalente grego é hegemosin. Embora as palavras gregas sejam totalmente diferentes, as palavras hebraicas são quase as mesmas, exceto pelas vogais. O Antigo Testamento foi originalmente escrito sem vogais; elas só foram adicionadas por volta de 700 d.C. Isso indica que eles não estavam lendo a partir da Septuaginta grega, mas sim a partir do hebraico, do aramaico ou, possivelmente, de outra tradução grega.

3) Isso foi dito pelos sacerdotes e mestres da lei. Eles poderiam ter cometido um erro, ou poderiam estar citando para Herodes uma tradução grega diferente da Septuaginta. É mais provável, porém, que estivessem traduzindo verbalmente do hebraico para o aramaico ou para o grego à medida que falavam.

4) Na verdade, porém, os sacerdotes e mestres da lei não cometeram um erro ao transmitir o significado: a pequena Belém NÃO é a menos importante para o governante que virá de lá.

Consulte a *Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia*, p. 318-319, o *Comentário Bíblico do Expositor*, vol. 8, p. 88, e o *Testamento Grego do Expositor*, vol. 1, p. 72, para respostas complementares.

P: Em Mt 2,8.12, Deus ordenou que os magos descumprissem a promessa feita a Herodes, uma vez que lhes foi dito para não retornarem a Herodes?

R: Herodes estava preocupado, pois, para começar, ele nunca esteve na linha de sucessão para ser rei. Seu pai era edomita, sua mãe era árabe, e ele era apenas um convertido ao judaísmo. Quando se tornou rei em 40 a.C., foram necessários três anos e a ajuda romana para esmagar as revoltas contra ele. Quando Herodes pediu aos magos que voltassem até ele, aparentemente já tinha um plano para destruir esse rei e tentou envolver os magos em seu plano maligno. Provavelmente não ocorreu a Herodes que, embora estivesse zangado com os magos por tê-lo enganado, ele próprio havia tentado enganá-los primeiro, dizendo que também queria adorar Jesus. A propósito, Belém ficava a apenas 5 milhas (9 km) ao sul-sudeste de Jerusalém. Quanto aos Magos, como diz o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1207: “Ninguém que encontra Cristo com um coração sincero volta pelo mesmo caminho”.

O tempo verbal da pergunta não significa “onde está aquele que eventualmente se tornará o rei dos judeus”, mas sim “onde está aquele que já é o legítimo rei dos judeus”, de acordo com o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 86.

Três pontos a serem considerados na resposta.

1. Mateus 2 nunca diz que os Magos prometeram a Herodes que voltariam.

2. Mateus 2 nunca diz que os Magos disseram a Herodes que pretendiam voltar. Mesmo que o tivessem feito, após o sonho, sua intenção mudou.

3. Mesmo que tivessem prometido a Herodes, uma promessa não deve necessariamente ser cumprida se:

3a) A promessa tiver sido feita sob condições enganosas,

3b) Você prometer algo que seja diretamente contrário à vontade de Deus;

3c) Cumprir a promessa signifique que uma pessoa inocente venha a morrer.

Por exemplo, digamos que um homem lhe peça para ligar para ele quando uma mulher sair de casa, pois ele diz que quer deixar flores na porta dela, e você prometa fazê-lo. Mais tarde, você descobre que o homem assaltou várias casas e pretende assaltar a casa dela. Ao ver a mulher sair de casa, você deveria ligar para o assaltante, porque foi isso que prometeu? Não!

Consulte o “The Bible Knowledge Commentary: New Testament”, pp. 21-22; o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1207; “Mateus 1-7: Um Comentário”, de Ulrich Luz, p. 136; o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 84; e o “The Expositor’s Greek Testament”, vol. 1, p. 69, para obter mais informações.

P: Em Mt 2,11, visto que a astrologia é errada, por que os Magos seguiram a estrela?

R: Primeiro, vamos aprender um pouco sobre os Magos e, em seguida, ver o que isso nos ensina sobre Deus.

Os Magos eram uma tribo de sacerdotes medos, de certa forma semelhantes aos sacerdotes israelitas, que descendiam de Levi. É possível ler mais sobre os Magos no excelente livro *Persia and the Bible*. Sabe-se que os Magos praticavam astrologia.

A profecia de uma estrela que surgiria de Judá remonta a Balaão, em Números 24:17.

A astrologia é contrária à Bíblia: os Magos provavelmente não sabiam que o Antigo Testamento afirma que a astrologia era errada (Lv 19,26; 20,27; Dt 18,11-14; 2 Reis 17,16; 21,3,5; 2 Crônicas 33,3-6). Por outro lado, a estrela não previu a vinda de Cristo, mas a anunciou.

Eis o que o escritor da Igreja primitiva Tertuliano (198-220 d.C.) escreveu sobre os astrólogos em *Sobre a Idolatria*, cap. 9 (vol. 3), p. 66: “O senhor nada sabe, astrólogo, se não sabe que deveria ser cristão. Se o soubesse, deveria ter percebido também que não deveria mais ter nada a ver com essa sua profissão que, por si só, antecipa os momentos decisivos da vida alheia e poderia alertá-lo sobre o próprio perigo que ela representa. Não há parte nem destino para você nesse seu sistema. Não pode almejar o reino dos céus aquele cujo dedo ou varinha abusa do céu.”

Deus nunca disse que Se limitava a usar apenas meios bons para atrair as pessoas a Si. Às vezes, Deus usa meios verdadeiramente perversos, como o exército babilônico (Habacuque 1:6, 13). Deus pode usar doenças, pessoas más e até mesmo pecados não intencionais (como no caso dos Magos) para atrair as pessoas a Si.

O mais estranho de tudo é que Deus já utilizou o pecado deliberado e intencional de crentes para resgatar esses mesmos crentes. O senhor pode ler tudo sobre isso na narrativa de José e seus irmãos, em Gênesis 37 e 50, e especialmente em Gênesis 50:20. Na verdade, Deus pode fazer com que todas as coisas contribuam para o bem (Romanos 8:28) e para os Seus propósitos (Efésios 1:11)

Em conclusão, assim como o fato de Deus ter usado o sequestro de José para os Seus propósitos não justifica o sequestro, o fato de Deus usar a astrologia para os Seus propósitos não justifica a astrologia.

Consulte o livro *O Livro Completo de Respostas Bíblicas*, p. 55; *Expressões Difíceis da Bíblia*, pp. 353-354; *Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia*, pp. 317-318; *Quando os Críticos Perguntam*, pp. 326-327; e *Quando os Seguidores de Seitas Perguntam*, p. 93, para obter respostas complementares.

P: Em Mt 2,11, há algum significado por trás dos presentes?

R: Os presentes valiam muito dinheiro, e isso seria importante para sustentá-los no Egito por dois anos. Mas, além disso, a Bíblia não atribui nenhum significado específico. Alguns especularam que o ouro é apropriado porque representa a realeza. O incenso fazia parte da fórmula do incenso que os sacerdotes usavam. A mirra é uma substância amarga, valiosa na preparação de corpos para o sepultamento. Existem outras visões também. Consulte o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 89, e “Mateus 1-7: Um Comentário”, de Ulrich Luz, p. 138, para obter mais informações.

P: Em Mt 2,15 e Os 11,1, de que forma “do Egito chamei meu filho” é uma profecia sobre Cristo?

R: Oséias 11:1 foi usado inicialmente em relação ao povo israelita. Mateus está utilizando não apenas Oséias 11:1, mas muitos outros versículos do Antigo Testamento para mostrar que a vida de Cristo era paralela à do povo israelita (exceto pelo pecado). Mateus escreve para judeus bem versados no Antigo Testamento e, aparentemente, está empregando o que os estudiosos judeus da época reconheceriam como técnicas midráshicas. Ele utilizava a interpretação midráshica judaica para desvendá-lo significado e a aplicação por trás de cada palavra.

A título de observação, Filo afirma que havia cerca de um milhão de judeus vivendo no Egito em sua época, por volta de 40 d.C.

Consulte o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 22; o *New International Bible Commentary*, p. 1122; e o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, pp. 90, 91–92, para obter mais informações.

P: Em Mt 2,16, há algum outro relato sobre o rei Herodes, o Grande, massacrando crianças em Belém?

R: Belém era uma cidade pequena; isso pode ter envolvido apenas algumas dezenas de bebês mortos, o que era insignificante em comparação com outras execuções pelas quais Herodes era mais conhecido.

Há muitas coisas que não saberíamos que aconteceram, ou como aconteceram, se não fosse por um único registro histórico. Por exemplo, não temos nenhum registro da conquista da Gália pelos romanos, nem de como eles a conquistaram — exceto por uma única fonte: os escritos de Júlio César. Da mesma forma, também não há relatos não cristãos de que Jesus tenha sido crucificado; há apenas menções de passagem de que Cristo foi executado (ou seja, sofreu a pena máxima).

Nesse caso, além da Bíblia, outros escritores que mencionam Herodes, o Grande, massacrando as criancinhas antes do Concílio de Nicéia são:

Justino Mártir, em *Diálogo com Trifão*, cap. 78, p. 238 (c. 138-165 d.C.), menciona que os Magos visitaram Herodes e que Herodes massacrou todas as crianças em Belém.

Irineu de Lyon (182-188 d.C.) afirma que [Deus] “levou aquelas crianças pertencentes à casa de Davi, cuja sorte feliz foi ter nascido naquela época, para que Ele pudesse enviá-las antes para o Seu reino”. Irineu, *Contra as Heresias*, livro 3, cap. 16.4, p. 442

Orígenes (225-254 d.C.) afirma que Herodes matou todas as crianças em Belém e nas regiões vizinhas, na esperança de matar o Rei dos Judeus. Contra Celso, livro 1, cap. 61, p. 423

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) (implícito, sem menção a Herodes) menciona que, no nascimento de Cristo, crianças de até dois anos de idade foram mortas por causa de Cristo. Carta 55, cap. 6, p. 349

Pedro de Alexandria (306.285–311 d.C.) menciona as crianças que Herodes massacrou por causa de Cristo. Epístola Canônica, Cânon 13, p. 277

Após 325 d.C.

Hegemônio (meados do século IV) afirma que, na época de Jesus, Herodes matou “todos os [bebês] do sexo masculino entre os judeus”. A Disputa com Manes, cap. 44, p. 220

Em resumo: “É verdade que Josefo, nosso informante sobre a história judaica, nada diz sobre o massacre dos inocentes; e também é verdade que as passagens nas obras dos historiadores que de fato mencionam esse evento são tão tardias e tão provavelmente derivadas do Evangelho de Mateus que possuem pouco valor. Mas o argumento do silêncio, neste caso, carece totalmente de peso. Sem dúvida, do nosso ponto de vista, o massacre de crianças pequenas seria uma forma particularmente atroz de homicídio, que teria de ser mencionada em qualquer relato detalhado dos acontecimentos da época — até mesmo, talvez, em Chicago! Mas, na Antiguidade, quando a exposição de bebês era uma prática comum — à qual se faz alusão, por exemplo, em um dos papiros não literários, da maneira mais casual possível, como uma característica comum da vida daquela época —1 —, o assassinato de crianças provavelmente não seria visto com nenhum horror especial. Além disso, não devemos exagerar o número de bebês que seriam mortos. Se Belém era uma pequena vila, como provavelmente era, então o número de meninos com menos de dois anos de idade não excederia, talvez, vinte ou trinta. Nas orgias de sangue e crueldade que marcaram os últimos anos do reinado de Herodes, a morte de uma dezena de crianças em uma vila obscura poderia muito bem passar despercebida pelo nosso único historiador. Mas mesmo que Josefo tivesse conhecimento do incidente, e mesmo que o considerasse, por si só, digno de menção, havia, neste caso, uma razão especial para seu silêncio. O incidente envolvia as esperanças messiânicas judaicas; e, sem dúvida, Josefo evitou propositalmente mencionar tais assuntos na história que escreveu para leitores romanos. Não há razão, portanto, para supor que, se o massacre dos inocentes tivesse realmente ocorrido, Josefo necessariamente o teria incluído em sua obra histórica.

Mas é preciso também dizer algo mais concreto. Embora o massacre dos inocentes não seja diretamente atestado pela história secular, ele está em perfeita consonância com o que sabemos sobre o caráter de Herodes em seus anos de declínio. Herodes, o Grande, foi um monarca competente, mas, nos últimos anos de seu reinado, enveredou por uma trajetória de crueldade que chegou à beira da loucura. Suas ações ao mandar executar seus próprios filhos e sua amada esposa, bem como seu plano (interrompido apenas por sua morte) de massacrar todos os cidadãos proeminentes de Jerusalém no teatro, apresentam exatamente essa qualidade de sede de sangue selvagem e infundada que se manifesta no massacre dos inocentes em Belém. Nunca houve uma história que se encaixasse tão perfeitamente no caráter de alguém quanto esta. Em geral, podemos afirmar que a dificuldade encontrada no silêncio da história secular sobre o ato sangrento em Belém não significa absolutamente nada.” J. Greshem Machen, O Nascimento Virginal de Cristo, cap. 10, p. 239

Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1208, e o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 94, para obter mais informações.

P: Em Mt 2,16, além de matar os bebês em Belém, Herodes, o Grande, alguma vez foi cruel com mais alguém?

R: Sim. O *Asimov’s Guide to the Bible*, p. 799, afirma que é difícil acreditar que o massacre de Herodes tenha realmente ocorrido. No entanto, como o suposto século XX, considerado mais civilizado, testemunhou Pol Pot, do Camboja; Idi Amin, de Uganda; Hitler; Stalin e Mao Tse-Tung, não é difícil acreditar que Herodes fosse capaz de tal ato.

Consulte a pergunta anterior para conhecer seis escritores pré-nicenos que escreveram sobre Herodes massacrando as crianças. A propósito, não confunda Herodes (o Grande), que governava quando Jesus nasceu, com Herodes (Antipas), a quem Jesus se dirigiu logo antes de ser crucificado.

O caráter de Herodes, o Grande, era tal que ele matou muitas pessoas nos 36 anos de seu reinado. Herodes executou ou mandou assassinar sua esposa Mariamne e dois maridos de sua irmã Salomé. Herodes mandou afogar seu cunhado no rio Jordão e mandou matar sua sogra, Alexandra. Ele matou Hircano, o último da dinastia hasmoneana. Ele matou muitos fariseus e muitas famílias nobres. Os rabinos judeus Jehuda ben Saripha e Mattathias ben Margoloth foram queimados vivos. Herodes mandou matar seus próprios filhos, Alexandre e Aristóbulo. Ele providenciou a morte de centenas de líderes judeus no dia de sua morte. Como Herodes, assim como a maioria dos judeus, não comia carne de porco, isso levou o imperador romano a comentar ironicamente que preferiria ser a porca de Herodes a ser seu filho. Em grego, a palavra “porca” é huos e a palavra “filho” é huios. Cinco dias antes de Herodes morrer, ele mandou matar seu filho Antipater. (Três filhos mais novos, Arquelau, Herodes Antipas e Filipe, sobreviveram a ele). Não há dúvida de que Herodes possuía a falta de fibra moral necessária para matar as crianças. Considerando todas as outras “notícias” que Herodes gerou, matar crianças em uma pequena cidade pode parecer menos digno de destaque.

Após a morte de Herodes, em 4 a.C., houve uma revolta, e Arquelau enviou tropas a Jerusalém e matou 3.000 pessoas em um único dia. Quando Arquelau e Herodes Antipas foram a Roma, Sabino, um agente do Tesouro Imperial, veio para auditar os impostos. Ele retirou 400 talentos do Tesouro do Templo. Houve uma revolta em 9 d.C., e tropas sírias sob o comando de Quintílio Varo a reprimiram.

O livro 17, capítulo 213 [ix.3], de “Antiguidades dos Judeus”, de Josefo, e “A Bíblia como História”, p. 358, afirmam que houve um eclipse lunar quando Herodes, o Grande, faleceu, o que situaria a data de sua morte em 12/13 de março de 4 a.C.

Consulte o “The Bible Knowledge Commentary: New Testament”, p. 23, e o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 84, para obter mais informações.

P: Em Mt 2,16, os outros reis eram tão maus quanto Herodes?

R: Alguns poderiam dizer que Herodes não era diferente de muitas pessoas hoje em dia; ele não admitia nenhum outro rei além de si mesmo e usaria todos os meios à sua disposição para garantir isso, independentemente de quem mais fosse prejudicado.

Alguns reis eram melhores do que outros, mas alguns eram muito perversos. Por exemplo, o rei partiano Fraates IV assassinou seu pai, Orodes II, em 37 a.C. Os romanos enviaram-lhe uma escrava italiana chamada Musa. Fraates teve um filho com ela, Fraataces (= Fraates V). Musa envenenou seu marido, Fraates IV, em 2 a.C. Em seguida, casou-se com seu próprio filho em 2 d.C. Fraates V foi exilado em 4 d.C. Isso está de acordo com a Enciclopédia Britânica de 1972.

P: Em Mt 2,18, de que forma a profecia de Jeremias sobre Raquel se cumpre em Jesus?

R: Em Gênesis 35:16-19, Raquel morreu ao dar à luz Benjamim. Na época em que Jeremias escreveu essas palavras sobre Raquel, esposa de Jacó, ela já estava morta há mais de 1.000 anos. As palavras de Jeremias não têm dois significados, mas sim um único significado com dois cumprimentos, além de um terceiro cumprimento que remonta ao livro de Gênesis. O que Jeremias quis dizer é que, assim como Raquel ficaria triste com a morte e a escravidão de seus descendentes, seja pelas mãos dos egípcios ou dos babilônios, ela também ficaria triste com a morte de seus descendentes pelas mãos de Herodes. Na época de Jeremias, o profeta repetiu essas palavras para profetizar os mesmos sentimentos de pesar pela perda dos judeus exilados na Babilônia, perto do túmulo de Raquel.

Mateus, da mesma forma, usa as mesmas palavras para expressar a perda causada pela morte dos meninos de Belém, que ficava perto do túmulo de Raquel.

Se um cético tem um problema com o fato de Mateus usar as palavras de Jeremias, ele poderia ter um problema semelhante com o fato de Jeremias usar palavras do Gênesis. O cerne da questão é o seguinte: assim como os judeus na época de Jeremias compreendiam a interpretação de que o cativeiro se relacionaria com a dor de Raquel no Gênesis, os judeus na época de Jesus compreenderiam esse tipo de interpretação midráshica que Mateus utilizou.

Consulte o “The Tony Evans Bible Commentary”, pp. 866-867; o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, pp. 91-92; e o “The Expositor’s Greek Testament”, vol. 1, pp. 75-76, para obter mais informações.

P: Em Mt 2,22, uma vez que os filhos de Herodes, o Grande, reinavam tanto na Judéia quanto na Galiléia, por que José decidiria ir para a Galiléia em vez de para a Judéia?

R: O cético *Asimov’s Guide to the Bible*, p. 800, oferece duas observações úteis a esse respeito.

1. Arquelau, que reinou como rei na Judéia a partir de 4 a.C., pode ter ouvido falar de Jesus, um rei recém-nascido, e estar ansioso para matá-Lo também. Herodes Antipas, que era tetrarca da Galiléia, pode ter tido uma atitude diferente.

2. Asimov destaca que Arquelau era tão hostil que judeus e samaritanos, inimigos entre si, se uniram em seu apelo a Roma para destituir Arquelau. Quando Herodes faleceu, Arquelau havia governado por apenas 10 anos. Por outro lado, Herodes Antipas governou pacificamente na Galiléia por mais de 40 anos.

No entanto, há uma razão muito mais óbvia em Lucas 2:39. José era de Nazaré, não de Belém. José não estava apenas indo para a terra do governante mais brando, mas também simplesmente voltando para o lugar de onde era originário.

P: Em Mateus 2:23, do ponto de vista arqueológico, é verdade que não há evidências de uma cidade chamada Nazaré, como alegou um ateu?

R: Não. O ateu Frank Zindler afirmou isso em um artigo intitulado “Where Jesus Never Walked” (“Onde Jesus Nunca Andou”), de acordo com o livro *The Case for Christ*, p. 102 (p. 137-138 na edição de bolso). O Talmude menciona 63 outras cidades da Galiléia (mas não Nazaré), e Josefo menciona 45 outras cidades na Galiléia (mas não Nazaré). Nazaré é mencionada no início do século IV d.C. e na literatura judaica a partir do século VII d.C., aproximadamente.

No entanto, arqueólogos encontraram vestígios em Nazaré que remontam ao ano 900 d.C. (após o início do reinado de Salomão) e se estendem pelos períodos greco-romano e bizantino. Em 1962, foi encontrada em Cesareia uma inscrição sobre a rotação de sacerdotes. A inscrição preservou: “... Mamliah ... Nazaré ... Akhlah ... Migdal [Magdala]” O livro *The Case of Christ*, p. 103, menciona que, após a destruição de Jerusalém em 70 d.C., arqueólogos encontraram uma lista em aramaico de sacerdotes que foram realocados, e um deles foi registrado como tendo se mudado para Nazaré. Túmulos do século I foram descobertos nos arredores de Nazaré. Por fim, vestígios pré-cristãos foram encontrados em 1955 sob a atual Igreja da Anunciação, em Nazaré.

Nazaré também era menosprezada porque, de acordo com *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 23, Nazaré abrigava a guarnição romana responsável pelas regiões do norte da Galiléia.

Consulte https://www.ministrymagazine.org/archive/1975/12/nazareth-attested-in-caesarea-fragments e o *New International Bible Commentary*, p. 1123, para obter mais informações.

P: Em Mt 2,23, segundo os arqueólogos, qual era exatamente o tamanho de Nazaré?

R: De acordo com *The Case for Christ*, p. 103-104, Nazaré era uma cidade muito insignificante. Tinha cerca de 60 acres, com uma população máxima de aproximadamente 480 habitantes na época em que Jesus nasceu.

P: Em Mt 2,23, onde está profetizado que Jesus seria chamado de nazareno?

R: Primeiramente, apresentaremos a resposta do escritor da Igreja primitiva Tertuliano (que provavelmente está incorreta) e, em seguida, a resposta mais provável.

Lamentações 4:7 (Septuaginta) Tertuliano, em 207 d.C., respondeu a essa questão em sua obra *Contra Marcião*, livro 4, capítulo 7. Enquanto o texto massorético de Lamentações 4:7 diz: “seus príncipes eram mais brancos que a neve”, a Septuaginta diz: “seus nazireus eram mais brancos que a neve”. Tertuliano menciona isso como significando tanto “nazireus” (aqueles que fazem um voto a Deus de se abster de álcool, cadáveres e outras impurezas) quanto “nazarenos”, aqueles que são originários de Nazaré.

Tertuliano disse: “O Cristo do Criador tinha de ser chamado de nazareno, conforme a profecia; por isso, os judeus também nos chamam, exatamente por esse motivo, de nazarenos, em sua honra. Pois somos aqueles sobre os quais está escrito: ‘Seus nazireus eram mais brancos que a neve’”;

O Renovo: O Messias é referido como “o renovo” em Isaías 11:1, Jeremias 23:5, 33:5; e provavelmente em Zacarias 3:8; 6:12. As consoantes da palavra “ramo” são idênticas às de “nazarenos”, e o Antigo Testamento hebraico foi originalmente escrito sem vogais. Além disso, o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 23, menciona que “ramo” transmitia a ideia de um começo insignificante, e a reação dos fariseus mostrou que Nazaré tinha a mesma conotação.

Consulte *When Critics Ask*, p. 328, e *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 97, para obter mais informações.

P: Seria falso afirmar, como diz o cético *Asimov’s Guide to the Bible*, pp. 801-802, que Mateus 2:23, ao afirmar que Jesus era de Nazaré, cumpriu o Antigo Testamento (Isaías 11:1, Zacarias 6:12 e outras passagens)?

R: De forma alguma. Primeiro, eis o que Asimov afirma, e depois a resposta.

O cético *Asimov’s Guide to the Bible*, pp. 801-802, menciona que “Mateus pode ver aqui uma semelhança com ‘nazarenos’”. (Na verdade, as duas palavras são idênticas em hebraico, já que as vogais não eram escritas.) Asimov, p. 802, afirma que “Mateus está, na melhor das hipóteses, fazendo um jogo de palavras, e não se refere a nenhuma profecia real de que o Messias seria um habitante de Nazaré”.

A resposta é que o Antigo Testamento afirma que o Messias seria chamado de “renovo”, sem especificar uma ou mais razões para isso. Mateus 2:22 não impede que Jesus seja também o “renovo” de Deus, a partir do qual Sua igreja cresceria.

P: Em Mt 3,1-4, como as pessoas da época imaginariam o deserto?

R: Era um lugar seco e árido, mas não como o Deserto do Saara. Não era possível cultivar sem irrigação extensiva, mas dava para criar ovelhas e cabras se houvesse locais onde pudessem ser abeberadas. Não era um lugar de conforto e agitação, mas sim um lugar vazio, solitário e tranquilo, afastado da civilização. Os israelitas estavam no deserto enquanto preparavam a próxima geração para entrar na Terra Prometida. Paulo esteve no deserto da Arábia antes de iniciar seu ministério.

Hoje, às vezes, Deus leva os crentes ao deserto. Não é um lugar de emoção, mas de quietude. Pode não ser um local de ministério ativo, embora, no caso de João, tenha sido um local de ministério e, para o povo, um local de arrependimento e dedicação. Pode ser um local de preparação.

Consulte o “Comentário Bíblico de Tony Evans”, p. 867, para obter mais informações.

P: Em Mt 3,4 e Mc 1,6, os gafanhotos que João Batista comeu eram alimentos puros ou impuros?

R: Havia gafanhotos puros e impuros, e os Evangelhos não especificam. No entanto, podemos supor que João, sendo um judeu obediente, comia a variedade pura. Os animais puros incluíam “insetos saltadores” com asas e pernas articuladas, incluindo gafanhotos e locustas, de acordo com Levítico 11:21-22 e Deuteronômio 14:21. Entre os animais impuros estavam os “insetos voadores”, de acordo com Números 11:20,23 e Deuteronômio 14:19. Ainda hoje, pessoas de baixa renda costumam caçar gafanhotos puros, remover as asas e as pernas, fervê-los e comê-los.

Consulte o livro *The Expositor's Greek Testament*, vol. 1, p. 80, para obter mais informações.

P: Em Mt 3,4 e Mc 1,6, João Batista comia insetos chamados gafanhotos, ou isso significa que ele se alimentava da árvore de gafanhoto?

R: Eis o que fontes antigas e modernas dizem sobre a palavra grega para “gafanhotos”: akrides.

Os ebionitas (uma heresia antiga) tentaram fazer de João um vegetariano. Assim, afirmaram que se tratava de bolos de mel, egkrides, em vez de gafanhotos.

Tatiano elaborou um resumo dos quatro evangelhos chamado Diatessaron e mencionou “leite” em vez de “gafanhotos”.

Teófilacto 173 lista uma série de possibilidades, incluindo a planta melagron.

Vários monges chamaram a alfarrobeira de “árvore do pão de São João”, pois acreditavam que se tratava de uma “árvore de gafanhotos”.

Teodoro de Mopsuéstia, talvez em resposta às pessoas que afirmavam que se tratava de outra coisa, afirmou que eram gafanhotos com asas.

O problema com essas interpretações é que, aparentemente, não há manuscritos bíblicos que afirmem que se tratava de outra coisa que não “gafanhotos”. Os primeiros cristãos, como Clemente de Alexandria, escreveram sobre Mateus 3:4 e não viram motivo para considerar os gafanhotos como algo diferente de insetos.

Referências modernas que afirmam que os gafanhotos são insetos incluem a Bíblia de Estudo NIV, p. 1.445; o Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento, p. 104; o Comentário Bíblico do Expositor, vol. 8, p. 102; e o Novo Dicionário Bíblico, p. 744.

As informações sobre as visões alternativas foram extraídas do livro de Ulrich Luz, *Mateus 1-7: Um Comentário* (Augsburg Fortress, 1989) e do *The Expositor's Greek Testament*, vol. 1, p. 80-81.

P: Em Mt 3,4; Mc 9,3 e At 22,20 (KJV), o que significa “raiment” e o que é um “fuller”?

R: “Raiment” significa vestimenta, e um “fuller” é alguém cujo trabalho consiste em lavar roupas.

P: Em Mt 3,6, por que João batizava outras pessoas?

R: Era comum que uma pessoa se batizasse sozinha, em uma bacia especial para esse fim, ao se converter ao judaísmo. Mas esta é a primeira vez que ouvimos falar de alguém batizando outra pessoa. No Antigo Testamento, a aspersão de água para purificação é mencionada em Ezequiel 36:25-27, e o derramamento do Espírito de Deus é mencionado em Ezequiel 39:29 e Joel 2:28.

João disse que batizava para o arrependimento, a fim de levar as pessoas de volta a Deus e preparar o caminho para o Messias. Quando um rei terreno se preparava para visitar uma cidade distante em seu reino, os trabalhadores das estradas saíam meses antes para consertar a estrada. De maneira semelhante, João estava ali para preparar o caminho nos corações das pessoas para quando o Messias viesse.

Consulte o “The Bible Knowledge Commentary: New Testament”, p. 24, e o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 9, p. 286, para obter mais informações.

P: Em Mt 3,7-9, por que João falou de forma tão severa aos fariseus e saduceus?

R: João estava chamando as pessoas ao arrependimento, para que confessassem seus pecados e abandonassem seus antigos hábitos. Embora os fariseus e saduceus tivessem vindo, ele sabia que a maioria deles não vinha com esse propósito. Na pior das hipóteses, eles vinham para investigar um mestre excêntrico e talvez para encontrar um motivo para se livrar dele. Mesmo na melhor das hipóteses, eles buscavam apenas algumas dicas para acrescentar à sua maneira de agir já estabelecida. João não está dizendo que eles precisam apenas ampliar seus conhecimentos; eles precisam se arrepender e abandonar sua dependência de um lugar, de tradições, de suas organizações ou de suas posições dentro dessas organizações. Diante de um incêndio florestal, as cobras tentam fugir; porém, é difícil para elas chegarem longe. É como fugir da ira de Deus sem se arrepender. Mas João não disse que eles não pudessem ficar e ouvir. Se os fariseus e saduceus fossem sinceros em seu desejo de se arrepender, eles também poderiam optar por ser batizados.

Consulte o “The Tony Evans Bible Commentary”, pp. 867-868; o “The Expositor’s Greek Testament”, vol. 1, pp. 82-83; e o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 103, para obter mais informações.

P: Em Mt 3,9, por que João utilizou a expressão “não digam a si mesmos”, e de que maneira algumas pessoas mentem para si mesmas hoje em dia?

R: João está abordando uma mentira, mas quem é que está mentindo? Os demônios podem mentir para nós, e outras pessoas podem mentir para nós, mas, além disso, muitas vezes contamos mentiras a nós mesmos. Continua sendo uma mentira, mesmo que sejamos os únicos a ouvi-la. Podemos mentir ao dizer “esse pecado não é tão grave assim” ou “Deus compreende que eu permaneça aqui”, quando Deus está nos chamando para nos arrependermos e seguirmos em frente. Outras mentiras são “sempre há tempo de sobra” ou “sou basicamente uma boa pessoa, portanto não preciso mudar”.

P: Em Mt 3,9, como Deus poderia fazer surgir filhos de Abraão das pedras, se quisesse?

R: Deus Todo-Poderoso pode fazer qualquer coisa, até mesmo transformar pedras inanimadas em filhos com cópias dos genes de Abraão. Além disso, há um jogo de palavras aqui. Tanto em hebraico quanto em aramaico, a palavra para “pedras” é muito semelhante à palavra para “filhos”.

Consulte o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 103, para obter mais informações.

P: Em Mt 3,10, qual foi o objetivo de João Batista mencionar que o machado já está posto à raiz da árvore?

R: Algumas coisas na vida são irreversíveis, como o corte de uma árvore. Depois de começar, não é possível desfazer o que foi iniciado. Da mesma forma, essa era a última chance deles antes de serem cortados. O tempo deles havia se esgotado.

P: Em Mt 3,11, como a admissão de João de que ele não está apresentando o quadro completo se aplica ao nosso testemunho?

R: João foi um precursor necessário para fazer com que o povo se voltasse para Deus antes da vinda de Jesus. João não queria que as pessoas acreditassem em suas palavras e pensassem que isso era tudo o que precisavam fazer. Não, João era apenas o “aperitivo” e Jesus era o “prato principal”. Mesmo assim, há algumas pessoas na história que ignoraram as palavras de João aqui. Essas pessoas pertencem à religião mandáea, professada pelos árabes dos pântanos no sul do Iraque. Elas acreditam que João Batista era enviado por Deus, mas que Jesus não era.

Hoje, precisamos compartilhar o evangelho com as pessoas a partir do ponto em que elas se encontram. Se elas não acreditam que Deus existe, ou que há apenas um Deus, precisamos nos concentrar nisso. Talvez a partilha de outros pontos — como o fato de que todos somos pecadores, de que Jesus morreu na cruz por nossos pecados e de que precisamos aceitar Jesus como nosso Senhor e Salvador — venha posteriormente. Mas, quando tivermos que adiar a partilha de parte do evangelho, seja por causa do tempo ou da situação espiritual em que a pessoa se encontra, devemos dizer a ela que o que dissemos não é a história completa; há mais por vir.

P: Em Mt 3,11, como é que Jesus batiza os cristãos com o Espírito Santo e com fogo?

R: A mensagem de João nos lembra Joel 2:28-29, que promete o Espírito Santo, e a purificação mencionada em Malaquias 3:2-5. Os crentes são batizados com o Espírito Santo quando passam a crer em Cristo pela primeira vez. Embora a expressão moderna “batismo pelo fogo” signifique uma provação difícil, esse não é o significado aqui, pois é Jesus, e não os perseguidores, quem realiza o batismo, e é com fogo, não pelo fogo.

Existem três interpretações sobre o que significa “fogo”.

(improvável) Um segundo batismo pelo Espírito Santo: há apenas uma preposição, ou seja, diz-se “pelo Espírito Santo e pelo fogo”, e não “pelo Espírito Santo e pelo fogo”. Portanto, isso provavelmente não se refere a um segundo evento.

(improvável) Pentecostes: Os apóstolos tiveram uma chama aparecendo sobre suas cabeças quando pregavam durante o Pentecostes, e essa interpretação significaria que João Batista estava profetizando sobre o Pentecostes. O Tratado sobre o Rebatismo (c. 250–258 d.C.), cap. 2, p. 668, defende essa interpretação. A Bíblia de Estudo NIV, p. 1446, afirma: “Demonstrado de forma dramática no Pentecostes (At 1,5.8; 2,1-13; 11,16), embora aqui ‘fogo’ possa se referir ao julgamento que está por vir (ver v. 12).” Mas é provável que não se refira ao Pentecostes pela mesma razão pela qual não se referiu ao primeiro. O Comentário Bíblico do Crente, p. 1211, acrescenta que isso é improvável porque o fogo é equiparado ao julgamento no versículo seguinte.

(improvável) Obra purificadora do Espírito Santo: A “New Geneva Study Bible”, p. 1508, e o “Evangelical Commentary on the Bible”, p. 727, defendem essa visão. Orígenes (225-254 d.C.) também defendia essa visão em seu “Comentário sobre João”, livro 6, capítulos 16-17, pp. 366-367. No entanto, isso é improvável, pois o joio é queimado com fogo inextinguível em Mateus 3:12. O “Comentário Bíblico do Expositor”, vol. 8, p. 104-105, afirma que essa é a interpretação correta, pois a preposição única em grego indicaria não dois batismos (o Espírito para os crentes e o fogo do julgamento para os incrédulos), mas apenas um batismo (o Espírito e o fogo purificador)

(improvável) O fogo do julgamento para a obra de um cristão foi a interpretação de Basílio da Capadócia (357-378/379 d.C.) em *Sobre o Espírito*, cap. 15.36, p. 22.

Fogo do inferno para indivíduos que rejeitam Jesus: Consulte o *Manual de Hoje para Resolver Dificuldades Bíblicas*, pp. 150-152, para conhecer a interpretação de que isso significa que Jesus batizará os crentes com o Espírito Santo e aqueles que rejeitam Jesus com o fogo do julgamento. João Crisóstomo (falecido em 407 d.C.) ensinou essa visão em “Homilias sobre o Evangelho de Mateus”, Homilia 11, capítulos 6-7, pp. 71-72, enfatizando a continuidade com outras advertências de João sobre o fogo. O “Novo Testamento Grego do Expositor”, vol. 1, p. 84, afirma que João se concentrou em três coisas: água, vento/espírito e fogo. João batizava com água; o Messias batizaria os crentes com o Espírito; e um batismo de fogo destruiria, no julgamento, aqueles que não estivessem envolvidos com a água e o Espírito. Irineu de Lyon (182-188 d.C.) utiliza este versículo para falar do julgamento de Deus sobre os incrédulos em *Contra as Heresias*, livro 4, cap. 4.3, p. 466. Tertuliano (198-220 d.C.) afirma que o batismo com água é para a salvação, e que a fé fingida e fraca é batizada com fogo, para o julgamento (Sobre o Batismo, cap. 10, p. 674).

O fogo do julgamento no fim dos tempos, quando Jesus retornar. O *Comentário Bíblico do Crente*, p. 1211, defende essa visão.

Múltiplos significados: O Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento, p. 25, afirma que isso se refere tanto ao julgamento quanto à purificação dos crentes. Teodoto, provavelmente montanista, p. 124 (c. 240 d.C.), afirma que o fogo é simplesmente o elemento destruidor, que purifica o mal nos crentes e (ele sugere) destrói os demais.

Não especificado: Os autores a seguir citaram este versículo, mas não mencionaram uma visão específica.

Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) em “Diálogo com Trifão, o Judeu”, cap. 49, p. 219

Hipólito (222-234/5 d.C.) em “O Discurso sobre a Santa Teofania”, cap. 3, p. 235

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) em “Os Tratados de Cipriano”, Tratado 12, cap. 1.12, p. 511

Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) analisa este versículo, mas não menciona uma interpretação específica (Harmonia dos Evangelhos, livro 2, cap. 12.26, p. 117).

Consulte a nota de rodapé da NET Bible em Mateus 3:11 para obter mais informações sobre as diferentes interpretações.

P: Em Mt 3,12, como funciona a separação do joio?

R: Quando se colhe o trigo, a maior parte do que se colhe não é comestível. Você tem a semente boa cercada pela casca, que está presa ao talo. Primeiro, ocorre a debulha, em que os bois pisam no trigo para separar as sementes — que são mais densas — de todo o restante. Em seguida, pode-se utilizar um forcado ou uma pá de joeirar, também chamada de leque de joeirar, para lançar a mistura ao ar, de modo que o vento sopre o joio não comestível para longe das sementes comestíveis.

A imagem aqui é que a colheita do trigo rende uma grande quantidade de material, mas apenas uma pequena fração dele é realmente útil. Sim, cortar os talos de trigo é importante e demorado, mas separar o trigo do joio é igualmente importante e demorado. Fazer com que as pessoas tenham uma resposta positiva à mensagem do evangelho é importante, mas isso representa, no máximo, apenas metade do trabalho de fazer discípulos de todas as nações.

Consulte *The Expositor’s Greek Testament*, vol. 1, p. 84; *The Tony Evans Bible Commentary*, p. 868; e *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 105, para obter mais informações.

P: Em Mt 3,14, por que Jesus desejaria ser batizado e por que João tentaria impedi-lo?

R: É claro que Jesus não tinha pecado do qual se arrepender, mas Ele se identificou conosco em todos os aspectos. Assim como seguimos o exemplo de Jesus, Ele foi batizado. Jesus também validou o ministério de João nesse momento.

Mas vamos examinar novamente esses versículos da perspectiva de João. O propósito central da vida de João era pregar o arrependimento e fazer com que as pessoas assumissem publicamente o compromisso de se arrepender e seguir a Deus por meio do batismo nas águas. João estava cheio do Espírito Santo desde o nascimento e sabia que sua compreensão estava correta. Ele sabia que Jesus era o Messias sem pecado. Portanto, João ficou perplexo com o fato de Jesus querer ser batizado.

O ponto de vista de João estava correto, exceto pelo fato de ser excessivamente simplificado. João percebeu que Jesus não precisava se arrepender e achou absurdo que o mero precursor batizasse o próprio Messias. Por si só, os argumentos de João eram válidos. Mas o que João não percebeu foi que, a fim de cumprir toda a justiça, Jesus se identificou conosco em todos os aspectos. Jesus era maior do que João Batista; Jesus não negava isso. Mas Jesus se humilhou e veio para servir; por isso, no versículo 15, o Senhor essencialmente ordenou a João Batista que permitisse que Jesus ocupasse a posição mais humilde ali.

Algo precioso sobre o coração de João é revelado aqui. João, embora não estivesse 100% correto, via a única missão de sua vida em pregar e batizar aqueles que precisavam se arrepender. Batizar Jesus estava fora da percepção que João tinha da obra de sua vida. Então, o que era mais importante para João: servir a Deus cumprindo o que ele via como seu propósito dado por Deus, ou seguir e obedecer ao Senhor onde quer que Ele o levasse? Mesmo que João não tivesse uma compreensão clara de tudo — pelo menos até mais tarde —, ele escolheu a segunda opção. Nós também não devemos apenas seguir a Deus, mas segui-Lo sem pré-condições.

Consulte o “Comentário Bíblico de Tony Evans”, p. 868; o “Testamento Grego do Expositor”, vol. 1, pp. 85-86; o “Comentário Evangélico sobre a Bíblia”, p. 727; o “Comentário Bíblico do Crente”, p. 1212; e o “Comentário Bíblico do Expositor”, vol. 8, pp. 107-108 para obter mais informações.

P: Em Mt 3,16, por que “infelizmente, o pobre Jesus (que a paz esteja com ele) teve de esperar TRINTA ANOS após seu nascimento para receber o dom do ESPÍRITO SANTO em seu batismo pelas mãos de João Batista”, quando o dom do Espírito Santo “é tão acessível que 75.000.000 de ‘RENASCIDOS’ cristãos da América também se vangloriam dessa posse” e, em Lc 1:15, João Batista foi cheio do Espírito Santo desde o nascimento. (O muçulmano Ahmad Deedat levantou essa questão.)

R: Em primeiro lugar, como observação à parte, Maomé esperou QUARENTA anos antes de afirmar que era um profeta. Deedat está confundindo “gratuito” com “barato”, e parece ter se esquecido do ensinamento bíblico sobre a divindade de Cristo. Deedat nunca recebeu o dom do Espírito Santo; por isso, não conhece a diferença entre o dom do Espírito Santo e o Espírito Santo descendo visivelmente sobre Jesus na forma de uma pomba.

De graça, mas não barato: o dom foi muito caro, custou a morte de Jesus. Mas Deus o concede gratuitamente a todos os que crerem em Seu evangelho.

A divindade de Cristo: O “pobre” Jesus não precisou esperar trinta anos; não apenas a graça de Deus repousava sobre Jesus quando criança (Lucas 2:40), mas Jesus é o próprio Deus, e o Pai estava nele. Jesus não precisou ser cheio do Espírito Santo como nós; o Pai e Jesus enviaram o Espírito Santo a nós.

O Espírito Santo descendo sobre Jesus não é o dom do Espírito Santo: Deedat interpreta erroneamente que Jesus foi cheio do Espírito Santo no Seu batismo; não está escrito que Jesus foi cheio do Espírito Santo no Seu batismo. Em vez disso, o Espírito Santo desceu sobre Jesus de forma corporal, visivelmente como uma pomba. Quando os cristãos são cheios do Espírito Santo, o Espírito Santo não desce sobre eles como uma pomba; portanto, trata-se de algo diferente.

Por fim, vamos comparar a experiência de Jesus com a de Maomé.

1. Maomé, sobre quem os hadiths afirmam, como profeta, ter sido submetido a um feitiço maligno.

1a. Labid bin el-Asim, o judeu, lançou um feitiço sobre Maomé. Ibn-i-Majah, vol. 5, n.º 3435, p. 60-61

1b. Maomé foi submetido a um feitiço maligno, de acordo com Sahih Muslim, vol. 3, livro 24, n.º 5428-5429, p. 1192-1193; Sahih Muslim, vol. 2, livro 4, n.º 1888, p. 411. Vide também Bukhari, vol. 8, livro 73, cap. 56, n.º 89, p. 57, e Bukhari, vol. 8, livro 73, cap. 59, n.º 400, p. 266.

2. Maomé temia o tormento da sepultura para si mesmo.

2a. Uma mulher judia disse a Maomé: “Que Alá o proteja do tormento da sepultura.” Depois disso, Maomé rezou pedindo refúgio contra o tormento da sepultura. Sunan Nasa’i, vol. 2, n.º 1479, p. 281-282

2b. “Aisha relatou: O Profeta Sagrado (que a paz esteja com ele) entrou em minha casa quando uma judia estava comigo e ela dizia: ‘Você sabe que será submetido a um julgamento no túmulo?’ O Mensageiro de Alá (que a paz esteja com ele) estremeceu (ao ouvir isso) e disse: ‘São apenas os judeus que serão submetidos a um julgamento.’ Aisha disse: Passaram-se algumas noites e então o Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) disse: ‘Você sabe que me foi revelado: “Você será submetida a um julgamento no túmulo”?’ Aisha disse: ‘Ouvi o Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) buscando refúgio contra o tormento do túmulo depois disso.’” Sahih Muslim, vol. 1, livro 4, n.º 1212, p. 290

2c. Abu Huraira relatou: “Ouvi o Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) buscando refúgio contra o tormento da sepultura após isso (após a revelação).” Sahih Muslim, vol. 1, livro 4, n.º 1213, p. 290

2d. “Ela (‘Ai’isha) disse: ‘Nunca mais o vi (o Profeta) depois disso sem que ele buscasse refúgio contra o tormento da sepultura em oração.’” Sahih Muslim, vol. 1, livro 4, n.º 1214, p. 290

2e. “Masruq relatou este hadith com base no testemunho de ‘A’isha, que disse: ‘Nunca mais ele (o Profeta) fez uma oração depois disso em que eu não o tenha ouvido buscando refúgio contra o tormento da sepultura’.” Sahih Muslim, vol. 1, livro 4, n.º 1215, p. 291

2f. Maomé buscou refúgio contra o tormento da sepultura. Sunan Nasa’i, vol. 2, n.º 2065, p. 535; vol. 2, n.º 2069, p. 537; vol. 2, n.º 2071, p. 538

Ora, um muçulmano pode concordar, discordar ou, mais provavelmente, não estar ciente do que esses hadiths dizem. Independentemente disso, porém, eles não estão concordando nem discordando de mim, pois estou simplesmente relatando o que dizem os hadiths sunitas oficiais.

Em resumo, Jesus enviou o Espírito Santo a nós. Minha esperança é que o(a) senhor(a) se liberte do domínio do mal, se liberte do medo do tormento da sepultura e peça a Deus para receber o Espírito Santo.

P: Em Mt 3,16 e Mc 1,10, quem viu a pomba?

R: Tanto Mateus 3:16 quanto Marcos 3:16 dizem que Jesus viu a pomba, e João 1:32 diz que João Batista também a viu. Esses versículos não especificam quem mais viu a pomba; portanto, a multidão também pode tê-la visto.

P: Muitos dizem que “não há história sobre Jesus sem teologia”. Assim, no episódio do batismo, por exemplo, vemos Jesus sendo batizado, o Espírito, como uma pomba, descendo sobre ele e a Voz Celestial: “Tu és o meu Filho amado, em quem me agrado” (Mc 1,11). Esse episódio talvez não tenha ocorrido exatamente como está escrito nos evangelhos, ou seja, de uma só vez, mas gradualmente, durante a vida, a morte e a ressurreição de Jesus. Assim, o Espírito que desceu sobre Jesus refere-se à era vindoura. Além disso, o céu aberto, a descida do Espírito, a voz do Pai e a presença do Messias ali indicam que os últimos dias começaram a amanhecer e que a salvação está próxima. O que o(a) senhor(a) acha disso? O senhor(a) acha que o batismo de Jesus foi alegórico e simbólico? Por quê? Ou por que não?

R: Em primeiro lugar, nunca ouvi dizer que “não há história sobre Jesus sem teologia”. A pergunta quase soa como se acusasse os evangelistas de serem desonestos e de enganarem as pessoas; acredito que tudo ocorreu exatamente como está escrito nos evangelhos. Acredito que os autores dos evangelhos nos forneceram relatos verdadeiros, com o nível de precisão necessário. Se eles afirmam que Jesus foi batizado por João Batista e que isso aconteceu, então acredito que foram honestos e que isso realmente ocorreu. Contar parábolas é aceitável, mas se alguém apresenta como fato histórico algo que não é verdade, isso é enganoso, não é a verdade.

O questionador não apresentou nenhuma razão para querer duvidar da veracidade dos autores dos evangelhos; portanto, não posso abordar as razões de sua dúvida se nenhuma razão for apresentada.

P: Mateus 3,16-17 corrobora que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três pessoas distintas, como afirmam os mórmons (Talmadge, 1977, p. 39-40)?

R: Não. Isso mostra que eles são distintos, mas não que sejam separados. Em vez de ser contra a Trindade, essa passagem é importante para apoiar uma parte da Trindade: que os três são distintos. Essa passagem, porém, se opõe ao modalismo e ao “pentecostalismo da Unidade”. Consulte When Cultists Ask, pp. 93-95, para obter mais informações.

P: Em Mt 4,2, o que há de tão irônico no ministério de Jesus, conforme relatado em Mateus?

R: Jesus está com fome aqui (Mateus 4:2), mas alimentou outras pessoas (Mateus 14:13-21; 15:29-39).

Jesus ficou cansado (Mateus 8:24), mas oferece descanso aos outros (Mateus 11:28).

Jesus é o Filho do Rei (Mateus 17:24-26), mas paga impostos (Mateus 17:27).

Jesus é acusado de usar o poder do diabo (Mateus 12:24), mas expulsa demônios (Mateus 12:22-23).

Jesus morre como um criminoso e pecador (Mateus 27:37-38), mas nos salva de nossos pecados (Mateus 1:12).

Jesus é vendido por trinta moedas de prata (Mateus 26:15), mas dá a sua vida em resgate por muitos (Mateus 20:28).

Jesus se recusa a transformar pedras em pão (Mateus 4:3-4), mas simbolicamente oferece seu próprio corpo como pão para o seu povo (Mateus 26:26).

Consulte o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 112, para obter mais informações.

P: Em Mt 4,3 e Lc 4,3-4, Jesus estava com fome, e o Pai não O havia alimentado; então, o que haveria de errado em Jesus fazer pão por conta própria?

R: Jesus havia se comprometido a jejuar, e o Pai poderia sustentá-Lo, já que uma pessoa precisa se alimentar a cada 40 dias para viver. Mas Jesus estava com muita fome e poderia usar Seu poder sobrenatural para se alimentar, se assim o desejasse. Contudo, Jesus não iria usar Seu poder sobrenatural nem fazer nada que fosse contrário à vontade de Seu Pai. E o Pai acabou enviando anjos para ministrar a Jesus em Mateus 4:11.

Consulte o “The Tony Evans Bible Commentary”, p. 869, e o “The Expositor’s Greek Testament”, vol. 1, pp. 88-89, para obter mais informações.

P: Em Mt 4,5-6 e Lc 4,9-12, do que se tratava essa tentação?

R: Em primeiro lugar, isso demonstra que Satanás conhece as Escrituras e pode até tentar usá-las em seu benefício para levar as pessoas a caírem. Como Jesus era o Filho de Deus, Ele sabia que estaria protegido caso saltasse. Geograficamente, o Templo ficava sobre o Vale do Cedron, e a diferença de altura entre o ponto mais alto do templo e o fundo do Vale do Cedron seria de cerca de 450 pés.

Essa tentação é interessante, pois não violaria nenhuma lei do Antigo Testamento e, na verdade, contribuiria para convencer as pessoas de que Ele era o Messias. Portanto, em vez de levar a algo ruim, trata-se de um “atalho desaprovado por Deus” para algo bom. É claro que isso também apelaria ao orgulho de Jesus, permitindo-Lhe exibir-Se e aumentar Sua popularidade. Além disso, seria como encurralar Deus, forçando-O a agir para protegê-lo. Sabemos, é claro, que Deus não quer que façamos coisas ruins; “os fins não justificam os meios” ao se usar atalhos para fazer coisas boas. Portanto, se o senhor estiver atrasado para a igreja, deveria dirigir em alta velocidade? Se desejar doar mais dinheiro para o ministério, deveria sonegar impostos e usar esse dinheiro? Como diz o Comentário Bíblico de Tony Evans, p. 869: “Deus não precisa da ajuda de Satanás para levá-lo aonde Ele deseja que o senhor vá.”

Consulte o “Comentário Evangélico sobre a Bíblia”, p. 729, e o “Testamento Grego do Expositor”, vol. 1, pp. 89-90, para obter mais informações.

P: Em Mt 4,8 e Lc 4,6-8, como Satanás pôde oferecer o mundo a Jesus, uma vez que Jesus era Deus e já era dono do mundo, como afirma um ateu (Cappello)?

R: Essa é uma pergunta interessante. Há quatro pontos a serem considerados na resposta.

1. Jesus ainda era Deus, mas voluntariamente se esvaziou de si mesmo quando veio à Terra, como mostram Filipenses 2,7 e João 17,5.

2. Deus de fato “possui” o mundo, como mostra Salmos 24:1. No entanto, quando Jesus se esvaziou de sua glória e veio à Terra, os “seus” não o receberam, como mostra João 1:10-11.

3. Embora Deus tenha mantido o poder supremo, Ele concedeu à humanidade o domínio sobre este mundo, conforme Gênesis 1:28.

4. Embora Deus seja o legítimo proprietário, desde a Queda Satanás recebeu temporariamente um grande grau de controle sobre este mundo, conforme mostra 1 João 5:19. De acordo com 2 Coríntios 4:4, o deus deste século é Satanás. Satanás é o príncipe deste mundo em João 12:31; 14:30; 16:11; Efésios 6:12; e Colossenses 1:13.

5. Por fim, Satanás é o grande enganador; portanto, não se pode basear nenhuma doutrina no que Satanás alegou, e, assim, este versículo não responde à pergunta. Embora Satanás seja o governante do mundo — e, com base nisso, possa-se pensar que ele poderia ter cumprido essa promessa —, Satanás não pode fazer nada além do que Deus permite; portanto, ele talvez não tenha essa liberdade. Mas, como os demônios e a tentação já quebraram tantas promessas feitas às pessoas, não há indício de que Satanás se tornaria “honesto” neste caso e de que o pai da mentira sequer tentaria cumprir o que estava prometendo.

Resumo: Deus detém o direito de propriedade tanto em virtude da Criação passada quanto da Soberania eterna. Jesus renunciou temporariamente à segunda quando veio à Terra. Mas, desde a Queda, Satanás detém o domínio, embora não o controle absoluto deste mundo.

Consulte *The Expositor’s Greek Testament*, vol. 1, p. 90-91, para obter mais informações.

P: Em Mt 4,10 e Mt 12,26, a rebelião de Satanás foi ensinada somente após o exílio dos judeus, como afirma o cético *Asimov’s Guide to the Bible*, p. 779?

R: Não. Isaías 14:12-15, escrito antes do exílio, também fala sobre a rebelião de Lúcifer.

P: Em Mt 4,14-16, Isaías 9,1 e Isaías 9,2 formam um todo, ou Mateus cometeu um erro ao colocá-los juntos?

R: Elas pertencem à mesma seção, pois Isaías 9:1 funciona como uma transição entre ambas as partes.

O cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 816, afirma que Isaías 9:1 pertence à seção anterior e é, na verdade, chamado de Isaías 8:23 nas Bíblias judaicas modernas e na *Nova Bíblia de Jerusalém*. Isaías 8:22 e 9:1 estão relacionados, pois Isaías 8:22 fala de pessoas nas trevas e Isaías 9:1 fala de que não haverá mais trevas.

No entanto, Isaías 8:22 fala de pessoas que serão levadas para as trevas; Isaías 9:1 diz que não haverá mais trevas para Zebulom e Naftali; e Isaías 9:2-7 descreve como o povo que estava nas trevas verá uma grande luz.

É interessante que Asimov esteja tentando afirmar que aqueles que estavam na escuridão, mas que terão essa escuridão dissipada em Isaías 9:1, não se relacionam com aqueles que estavam nas trevas e viram uma grande luz no versículo imediatamente seguinte.

Consulte *When Critics Ask*, p. 329, para obter mais informações.

P: Em Mt 4,15-16, de que forma a profecia sobre Zebulom e Naftali em Isaías 9,1-2 se relaciona com Jesus?

R: Ela se relaciona de duas maneiras.

Infância: Jesus passou a maior parte de sua infância na Galiléia, a oeste do Mar da Galiléia.

Início do ministério: O início do ministério de Jesus ocorreu na Galiléia, principalmente a oeste do Mar da Galiléia. Essa região era a terra ancestral de Zebulom e Naftali.

A palavra grega usada aqui para “raiou”, aneteilen, não significa que a luz brilhou em outro lugar e depois se deslocou para a Galiléia. Pelo contrário, a luz brilhou intensamente ali desde o início. Isso está de acordo com o livro The Expositor’s Bible Commentary, vol. 8, p. 117.

P: Em Mt 4,18-22 e Mc 1,16-20, o que podemos aprender com esses pescadores?

R: Jesus já estava na Galiléia há algum tempo, e eles haviam sido chamados para a salvação anteriormente, em João 1:35-42. Aqui, foram chamados para o serviço. Esses pescadores nunca deixaram de pescar. A diferença é que o que Jesus lhes disse para pescar era diferente. Como diz o “The Tony Evans Bible Commentary”, p. 870: se você não está pescando, então não está seguindo. O senhor pode argumentar que não foi chamado para ser evangelista ou pastor (cuidar dos outros) porque não foi chamado para o ministério em tempo integral. Considere o seguinte: todo cristão é chamado para o ministério em tempo integral, embora não necessariamente para o ministério remunerado em tempo integral. O senhor pode ter sido chamado, em tempo integral, para cuidar de sua mãe ou de sua família, para ministrar aos pobres e às pessoas ao seu redor, para ser um exemplo piedoso e para liderar outros no serviço.

Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1214, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,4, pelo que as pessoas devem lamentar-se aqui?

R: Isso não especifica o luto pelo destino dos perdidos, o luto por uma perda pessoal ou qualquer outro tipo de luto. Independentemente disso, porém, pode referir-se à tristeza por coisas que entristecem o coração de Deus. O escritor cristão A.W. Tozer disse: “Uma descrição bastante precisa da raça humana poderia ser fornecida a alguém que não a conhece, pegando as Bem-aventuranças, virando-as do avesso e dizendo: ‘Aqui está a sua raça humana’.” (The Believer’s Bible Commentary, p. 1216)

Muitas pessoas hoje em dia não têm noção do que é o luto; uma expressão comum, que não é bíblica, é “sem arrependimentos”. Em segundo lugar, este e os seguintes mandamentos de Jesus realmente não tinham lugar algum na justiça farisaica.

Consulte o “The Bible Knowledge Commentary: New Testament”, p. 29, e o “The Tony Evans Bible Commentary”, p. 870, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,5; Mt 11,29; Mt 21,5; 1 Pe 3,4, o que exatamente é mansidão?

R: A mansidão está relacionada à gentileza e a não insistir em fazer as coisas à sua maneira. É estar disposto a servir, e não apenas a ser servido. Jesus era manso.

Mas a mansidão não é fraqueza. Pense em um cavalo selvagem que foi “domado”. O cavalo continua forte e veloz, mas, em vez de simplesmente fazer o que bem entende, ele obedece ao cavaleiro e consente em ser montado. Normalmente, se um lobo ou um felino de grande porte conseguir subir em cima de um cavalo, a menos que o cavalo o sacuda rapidamente, isso significará o fim do cavalo. Mas o cavalo possui tanto a confiança quanto a obediência necessárias para permitir que uma pessoa o monte.

Consulte o “Comentário Bíblico de Tony Evans”, p. 871, e o “Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento”, p. 29, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,6, o que significam “fome” e “sede” neste contexto?

R: O senhor tem apetite, uma paixão, pelo crescimento espiritual? Ou o senhor deixa de crescer, não porque não se alimenta, mas porque alimenta seu estômago com as coisas erradas?

Há algumas maneiras de interpretar isso. Primeiro, refere-se metaforicamente àqueles que têm um forte desejo de justiça — para si mesmos, para os outros, para sua igreja, para sua nação e para o mundo. Segundo, pode referir-se fisicamente àqueles que precisam passar sem comida e água para realizar a obra de Deus. Terceiro, pode referir-se àqueles que jejuam por essas coisas. Jejuar geralmente não significa deixar de beber água; portanto, o primeiro é o significado principal.

Consulte o “The Tony Evans Bible Commentary”, p. 871, ; o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1216, ; o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 134; e o “The Expositor’s Greek Testament”, vol. 1, pp. 98-99, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,7, o que significa “misericórdia” neste versículo?

R: Misericórdia pode significar permitir que alguém escape da punição, mas, neste contexto, significa ajudar aqueles que precisam de ajuda e não podem ajudar a si mesmos. Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1217, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,8; 1 Jo 3,2 e Ap 22,4, como as pessoas puras verão a Deus, uma vez que Êx 33,23 e outros versículos afirmam que nenhum homem pode ver a Deus e viver?

R: Desde a Queda, nenhum homem mortal e pecador pode ver a Deus e viver. No entanto, veremos a Deus face a face no Céu. Enquanto isso, estamos nos esforçando ao máximo para viver uma vida boa e autêntica na Terra. Conforme afirma o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 135: “Os puros de coração verão a Deus — agora com os olhos da fé e, finalmente, no brilho deslumbrante da visão beatífica, em cuja luz nenhum engano pode existir.” Consulte *When Critics Ask*, pp. 403-404, e *The Tony Evans Bible Commentary*, p. 871, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,9, quais são algumas boas maneiras de sermos pacificadores hoje?

R: A paz é necessária entre indivíduos, no trabalho, dentro de um grupo, entre grupos, na política e entre países. Uma das primeiras coisas a fazer é aprender com pessoas piedosas que são pacificadoras. Observe não apenas o que eles dizem, mas o que poderiam ter dito e optaram por não dizer. Lembre às partes o que elas têm em comum e questione-as se suas diferenças são tão grandes a ponto de separá-las. Jesus disse que o mundo saberá que somos Seus pelo nosso amor (João 17,21).

No seio do Corpo de Cristo, temos o mandamento (ativo) de “preservar a unidade do Espírito pelo laço da paz” (Efésios 4:3), ao mesmo tempo em que nos separamos daqueles que vivem em pecado persistente (1 Coríntios 5:13) e rejeitamos quaisquer mestres que ensinem heresia (1 Timóteo 6:5 e 2 Timóteo 3:5).

P: Em Mt 5,13, como os cristãos podem ser sal?

R: O sal é adicionado aos alimentos em pequenas quantidades para cumprir uma de cinco funções. É interessante notar que não somos o recipiente de sal, que dispensa o sal de Cristo. Pelo contrário, nós mesmos somos o sal. Da mesma forma, os cristãos são o sal deste mundo em quatro áreas.

Vida — O sal é essencial para que vivamos. Na cidade de Timbuktu, na África Ocidental, onde o ouro era abundante, uma libra de sal era vendida por uma libra de ouro. Como os cristãos têm a vida de Cristo dentro de si, devem manifestar essa vida a este mundo. Deus usa nossa pregação, nosso amor e nosso serviço para trazer outras pessoas a Ele e lhes dar vida.

Sabor — O sal dá sabor à comida e a torna saborosa. Da mesma forma, somos o aroma de Cristo (2 Coríntios 2:15-16) para aqueles que são salvos. Deus também olha para baixo e se agrada ao ver cristãos neste mundo que O seguem.

Conservante — Quando não há refrigeração, o sal também é importante para conservar os alimentos, inibindo a proliferação de bactérias. Da mesma forma, os cristãos devem ser sal e luz neste mundo, exercendo um efeito conservador ao se oporem ao pecado.

Sacrifício — Em Levítico 2:13, os sacrifícios deviam ser temperados com sal. Nós também devemos viver nossas vidas como um sacrifício para Deus.

Sede – o sal dá sede às pessoas, e é por isso que muitos bares servem comida salgada. Por meio de nossas vidas, devemos também fazer com que as pessoas sintam “sede” de ouvir sobre a esperança que há em nós: Cristo.

Como disse o escritor romano secular Plínio, o Velho (falecido no Monte Vesúvio em 79 d.C.) em História Natural 31.102: “Nada é mais útil do que o sal e a luz do sol.” Muitas vezes, os soldados romanos recebiam seu pagamento mensal em sal. Eles podiam usar o que quisessem e vender facilmente o restante. “Sal” é a palavra para sal em latim, e seu pagamento era chamado de “salarium”, de onde deriva a palavra em inglês “salary”.

Consulte *The Tony Evans Bible Commentary*, p. 872; *Now That’s a Good Question*, p. 248-249; “Hard Sayings of the Bible”, p. 430-431, “The Bible Knowledge Commentary: New Testament”, p. 29, “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 138, “The Expositor’s Greek Testament”, vol. 1, p. 101, “The Evangelical Commentary on the Bible”, p. 729, e “The Believer’s Bible Commentary”, p. 1217-1218, para mais informações.

P: Mateus 5:13 refere-se a pessoas que reconhecem sua divindade em si mesmas e ajudam os outros a reconhecerem sua divindade também, como afirmam alguns adeptos da Nova Era? (Spangler, 1981, p. 80).

R: De forma alguma; o sal não é divindade. Afirmar que poderíamos nos tornar como Deus foi apenas uma das mais antigas mentiras contadas à humanidade, no Jardim do Éden. Fomos criados para amar e servir a Deus para sempre, não para nos tornarmos deuses separados, a serem adorados, nem parte de Deus, a ser adorada.

Essa visão estranha parece esquecer que Jesus era judeu e que o judaísmo era uma religião monoteísta. Consulte a pergunta anterior para saber o que o sal representa e o livro *When Cultists Ask*, pp. 95-96, para obter uma resposta mais detalhada.

P: Em Mt 5,14a, somos nós a luz do mundo, ou é Jesus a luz do mundo, como diz João 9,5?

R: Ambos: Jesus trouxe a luz ao mundo, e nós temos a responsabilidade de ser refletores da luz de Jesus. Paulo fala sobre isso em 2 Coríntios 4:6-7. Jesus disse que Ele era a luz do mundo “enquanto estou no mundo”, em João 9:5. O corpo de Jesus está agora no céu, não neste mundo, mas a presença de Jesus ainda está no mundo por meio do Espírito Santo que habita em nós. O que exatamente a luz faz? Ela não faz nada além de brilhar. Mas, ao brilhar, ela ilumina os outros e indica o caminho. Portanto, seja você mesmo e brilhe. Consulte *When Critics Ask*, p. 329; *The Tony Evans Bible Commentary*, p. 872; *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 29; e *The Believer’s Bible Commentary*, p. 1218, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,15, o que é a luz no candelabro?

R: Somos nós e nosso testemunho de Jesus, a luz do mundo. A menos que haja perseguição, não devemos esconder o fato de que somos cristãos e devemos estar sempre preparados para compartilhar a esperança que há em nós (1 Pedro 3:15). Não devemos guardar a verdade só para nós, mas devemos compartilhá-la com os outros. Mateus 5:15 não diz apenas “deixe sua luz brilhar”, mas “deixe-a brilhar diante dos homens”. Infelizmente, é muito fácil para os crentes encontrarem desculpas para não compartilhar o evangelho. Temos que ter cuidado para não procurar desculpas.

Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1218, e o “The Expositor’s Greek Testament”, vol. 1, p. 103, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,17 e Atos 10,10-16, uma vez que Jesus disse que não aboliria nada da lei, por que os cristãos não seguem as leis alimentares do Antigo Testamento, como supostamente fazem os muçulmanos?

R: Embora nem os cristãos nem os muçulmanos observem as leis alimentares do Antigo Testamento, os cristãos não o fazem porque dão ouvidos a Jesus. Cinco pontos a serem considerados na resposta.

Naquela época, os seguidores de Jesus obedeciam às leis alimentares do Antigo Testamento. Jesus, de fato, disse que nem um jota nem um til passariam até que tudo se cumprisse.

O fato da ressurreição de Jesus mudou fundamentalmente a maneira como Deus lidava com Seus filhos. Um anjo informou a Pedro, apóstolo de Jesus, que Deus havia tornado todos os alimentos puros em Atos 10:9-16. Observe que não diz que esses animais sempre foram puros, mas sim que Deus os havia tornado puros.

Até mesmo os muçulmanos que levantam essa objeção têm de concordar que algumas das leis alimentares do Antigo Testamento não devem ser seguidas. Os muçulmanos consideram que podem comer carne de camelo (e Maomé o fazia), mas Levítico 11:3-8 e Deuteronômio 14:6-8 proíbem o consumo desses animais.

Ouçam o que Jesus diz em Mateus 15:10, 17-20 e Marcos 7:14-15. Jesus afirmou que é o que sai do homem que o torna impuro, e não o que entra. Marcos 7:19 mostra que, com isso, Jesus declarou todos os alimentos puros. Se chamamos Jesus de profeta, devemos ouvir Suas palavras.

Uma voz do céu ordenou a Pedro que comesse em Atos 10:10-16, mostrando-lhe que as leis alimentares estavam em vigor apenas até o sacrifício de Jesus, e não depois. Devemos obedecer à voz do anjo de Deus e do apóstolo de Jesus.

Concluindo, não devemos ignorar o que os profetas de Deus disseram, mas sim ouvi-los.

P: Em Mt 5,17, uma vez que Jesus disse que não aboliria nada da lei, por que os dias festivos judaicos não são mais observados?

R: Quatro pontos a serem considerados na resposta.

1. Os requisitos morais da Lei do Antigo Testamento se aplicam a todas as pessoas e permanecem inalterados.

2. Pode-se dizer que os sacrifícios se destinam a todas as pessoas hoje, em certo sentido, pois Jesus é nosso sumo sacerdote e realizou todos os sacrifícios necessários.

3. Os dias festivos, que se destinavam ao povo judeu e envolviam sacrifícios, não são mais observados por não judeus desde a morte de Cristo.

4. Se um muçulmano levantar essa objeção, pode-se perguntar por que os muçulmanos também não seguem os feriados de Deus no Antigo Testamento, se consideram que os cristãos devem seguir os feriados judaicos do Antigo Testamento.

Consulte “Dificuldades e Aparentes Contradições da Bíblia”, pp. 234-235; “Quando os Sectários Perguntam”, pp. 96-98; e “Quando os Críticos Perguntam”, pp. 329-330, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,18, o que são um jota e um til?

R: Na escrita hebraica, um “jot”, ou “yod”, é a décima e menor letra do alfabeto hebraico. Trata-se basicamente de um ponto com uma pequena linha curva saindo da parte superior e outra pequena linha curva saindo da parte inferior. Um “tittle” é um pequeno traço. Em inglês, um “tittle” é tudo o que distingue um F maiúsculo de um E maiúsculo, e um P de um R. Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1218, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,20, quem são os escribas e fariseus e qual é o nível de justiça que eles possuem?

R: Em Mt 5,20, os escribas geralmente faziam parte do partido dos saduceus, enquanto os fariseus se opunham a eles. Politicamente, os saduceus estavam entre os judeus que defendiam a conciliação com Roma, ao passo que os fariseus se opunham a isso. Os fariseus constituíam um pequeno grupo, de 5.000 a 6.000 pessoas, mas eram muito influentes porque o povo os admirava. Os saduceus geralmente negavam a ressurreição física e afirmavam que apenas os cinco primeiros livros constituíam as Escrituras. Atos 23,8 também afirma que os saduceus negavam a existência dos anjos e dos espíritos. É significativo que Jesus tenha repreendido os saduceus por não conhecerem as Escrituras nem o poder de Deus. Ele nunca repreendeu os fariseus por não conhecerem as Escrituras.

Embora os escribas e fariseus tentassem dar a impressão de serem justos, Jesus não os validava nem afirmava que fossem justos. Jesus não disse que não havia bondade neles, mas sim que não eram suficientemente bons. Em vez disso, Ele afirmou que as pessoas precisavam de mais justiça do que possuíam para entrar no Reino dos Céus. Isso implica três coisas:

a) Os escribas e fariseus não possuíam a justiça necessária para entrar no Reino dos Céus

b) Os seguidores de Jesus deveriam ser mais justos do que eles

c) Na verdade, ninguém possui justiça suficiente, por si só, para entrar no Reino dos Céus. Jesus faz alusão a isso mais detalhadamente nos capítulos 6 e 7. Os discípulos acabaram compreendendo esse ponto em Marcos 10,26-27.

d) Se ninguém é justo o suficiente, não menospreze as pessoas que são pecadoras, pois você também é pecador. Para consternação dos fariseus, Jesus comeu com muitos publicanos e pecadores em Mateus 9:9-12.

Irineu, em sua obra Contra as Heresias (182-188 d.C.), livro 4, cap. 13, p. 477, oferece uma resposta complementar. Aqui está uma paráfrase de seus quatro pontos:

1) Enquanto os escribas e fariseus acreditavam no Pai, devemos acreditar também no Filho.

2) Não devemos apenas dizer, mas também agir; pois os escribas e fariseus diziam, mas não agiam.

3) Não devemos apenas abster-nos das más ações, mas também dos próprios desejos que as motivam.

4) Jesus não nos ensinou coisas que se opunham à lei, mas coisas que a cumpriam. Jesus não destruiu a lei, mas a cumpriu, ampliou e conferiu-lhe maior alcance.

Consulte o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 146-147, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,21, por que as pessoas matam — pessoas, animais, criminosos etc. —, já que Jesus disse para não matar?

R: A Versão King James traduziu isso como “matar”, quando a palavra grega phoneuo pode significar assassinato. Quem faz isso, um phoneus, é um assassino ou homicida, não um carrasco ou açougueiro de animais. Se alguém realmente pensasse que o “não matarás” do Antigo Testamento se referisse a animais e à execução de criminosos, seu equívoco quanto a essa palavra tornaria todo o sistema sacrificial do Antigo Testamento um mistério insondável para essa pessoa.

P: Em Mt 5,22, por que Jesus disse para não chamarmos ninguém de tolo, já que Ele e outros o fizeram em Mt 23,17; Lc 24,25; 1 Cor 15,36; Gl 3,1?

R: Jesus não disse “tolo” ou “insensato”, mas, na verdade, usou uma gíria aramaica que significa “cabeça oca”, semelhante à gíria americana “airhead”. Jesus também chama as pessoas de “tolas”, “guias cegos” (Mateus 23:16) e até mesmo de “ladrões e salteadores” e “víboras”. Jesus escolheu Suas palavras com cuidado e não denegriu as pessoas.

Consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 358-359, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,22, Jesus disse: “QUEM DIZER: ‘Tu, tolo’, estará em perigo do fogo do inferno”. No entanto, o próprio Jesus fez isso repetidamente, como mostram Mt 23,17, Lc 11,40 e Lc 12,20. Ele não deveria estar em perigo do inferno também? Afinal, Ele violou Sua própria lei!

R: Não, por duas razões.

a) Não devemos permitir que outros nos chamem de Senhor, nem que outras pessoas nos adorem, e isso se aplica a Jesus. Portanto, o que Jesus ensinou para nós nem sempre se aplica a Ele. Em um nível mais cotidiano, quando estabeleço uma regra para meu pássaro de estimação, como, por exemplo, que ele só pode comer do comedouro, será que eu também tenho de seguir essa regra?

b) Na verdade, Jesus não disse “tolo” (isso é uma paráfrase); o termo real foi “raca”, que é melhor traduzido como “cabeça oca”. Jesus chamou as pessoas de tolas, no sentido de pessoas tolas em Provérbios, mas não quis dizer que suas cabeças (ou vidas) não valiam nada.

P: Em Mt 5,25-26, por que muitas vezes é tão difícil chegar a um acordo com seu adversário?

R: Muitas vezes, isso significa que uma ou ambas as partes devem admitir sua culpa, ou que estavam erradas; o orgulho das pessoas reluta em fazer isso.

Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1220, para obter mais informações.

P: Mateus 5:26 apoia a doutrina católica romana do purgatório, conforme ensinou o teólogo católico Ludwig Ott?

R: Não, por sete razões.

Nenhuma menção ao que ocorre após a morte: Este versículo não menciona o purgatório nem mesmo nada que ocorra após a morte.

Até mesmo alguns católicos, como o ex-cardeal Ratzinger (Papa Bento XVI), discordariam. Eis o que ele disse: “O purgatório não é algum tipo de campo de concentração supramundano onde se é forçado a sofrer punições de maneira mais ou menos arbitrária. Trata-se, antes, do processo de transformação interiormente necessário, no qual uma pessoa se torna capaz de Cristo, capaz de Deus [ou seja, capaz de plena unidade com Cristo e com Deus] e, assim, capaz de unidade com toda a comunhão dos santos” (livro de Ratzinger, *Escatologia* (1990), p. 230. Parte disso também é citada em *Quando os Seguidores de Seitas Perguntam*, p. 98-99)

Hebreus 10,10-15 ensina duas coisas: 1) Cristo já consumou Sua oferta em Hebreus 10-12, e 2) Cristo nos aperfeiçoou para sempre por meio de Sua oferta em Hebreus 10,13-15. Não digamos a Cristo que Sua oferta não foi boa o suficiente, completa o suficiente, ou que não concluiu a obra que o Livro de Hebreus nos diz que Ele concluiu.

Romanos 8:1 diz: “Portanto, agora não há condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus….” (BSB)

2 Pedro 1:11 afirma que, após a morte, receberemos uma recepção rica ou abundante no Céu. (Não uma recepção calorosa, nem uma recepção ardente com chamas escaldantes.) O Purgatório não seria uma “varanda” muito convidativa para o Céu.

2 Coríntios 5:8 diz: “Estamos, pois, confiantes e preferimos estar ausentes do corpo e em casa com o Senhor.” (BSB) Da mesma forma, Filipenses 1:23 diz que Paulo permanecerá vivo na carne ou “partirá para estar com Cristo”. Estaremos com Deus assim que morrermos, não no purgatório com a promessa do céu adiada.

Os primeiros cristãos, antes do Concílio de Nicéia, nunca ouviram falar do purgatório e, certamente, não viram nada parecido com o purgatório neste versículo. Nos mais de 5.235 escritos que possuímos anteriores ao Concílio de Nicéia, essa interpretação de Mateus 5:26 e a ideia de qualquer tipo de purgação ardente dos crentes após a morte estão totalmente ausentes.

Consulte *When Cultists Ask*, pp. 98-99, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,27-29, qual é o alcance da proibição contra o adultério?

R: Não se trata de algo que apenas uma pessoa casada possa fazer. Pelo contrário, Jesus diz “qualquer pessoa”. Não se trata apenas de cometer o ato; trata-se, inclusive, de olhar com luxúria para alguém, ou para uma foto ou vídeo de alguém, incluindo, mas não se limitando a, pornografia e casas de strip-tease. Consulte “The Tony Evans Bible Commentary”, p. 873, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,29, o inferno é um tormento consciente ou apenas a sepultura?

R: É ambas as coisas. A palavra grega Hades é análoga à palavra hebraica Sheol. Em Mateus 5:29, trata-se obviamente de um lugar para o qual ninguém deseja ir; portanto, o contexto é o “Inferno”, para onde vão aqueles que morrem afastados de Deus.

Lucas 16:22-23 mostra que haverá tormento (basanois em grego) (Lucas 16:23, 28), consciência (Lucas 16:23) e sofrimento nas chamas (Lucas 16:24, 25). Os incrédulos não estão apenas lá; eles também são punidos eternamente nesse lugar. Mateus 25:41,46; Apocalipse 14:9-11; ~19:3; ~22:15

Mateus 13:40-42, 50 afirma que haverá choro e ranger de dentes DENTRO da fornalha ardente. (ekei, “ali” em grego, significa “ali”, “naquele lugar”, e não “ali” no sentido de “é onde ocorrerá”.

2 Tessalonicenses 1 ensina que se trata de destruição eterna; exclusão da presença do Senhor e de seu poder majestoso.

Apocalipse 14:9-11: aqueles que adorarem a besta serão torturados com fogo e enxofre (enxofre em chamas) na presença do Cordeiro e de seus anjos.

Os não crentes têm consciência dolorosa após a morte (Apocalipse 20:10; Lucas 12:5; 13:28; 16; Ezequiel 32:31-32; Mateus 3:12; 5:21; 13:42,50; 22:13; 25:41; Isaías 50:11).

Os não crentes perecerão (Lucas 13:3,5; João 3:16; 2 Tessalonicenses 2:9) e serão destruídos (2 Tessalonicenses 1:9; 2 Pedro 3:16; Mateus 10:28; 1 Coríntios 3:17; Filipenses 1:28; Tiago 4:12; Apocalipse 11:18).

Consulte *Quando os Seguidores de Seitas Perguntam*, pp. 99-100, e *Quando os Críticos Perguntam*, pp. 331-332, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,34, por que Jesus enfatizou os juramentos neste contexto?

R: Os judeus da época de Jesus e posteriormente tinham visões peculiares sobre os juramentos. A Mishná Shebuoth aborda esse assunto. A Mishná Sanhedrin 3.2 e a Mishná Tosefta Nedarim 1 (originalmente de SBK 1:321-336). Os juramentos não eram vinculativos se fossem feitos “pelo céu e pela terra”, “pelo ouro do templo” ou “por Jerusalém”. Porém, eram vinculativos os juramentos feitos “pelo templo” ou “em direção a Jerusalém”. Deuteronômio 6:13 diz que, ao fazer juramentos, deve-se fazê-los em nome de Deus. Mas Jesus está mudando isso aqui. Jesus está dizendo para deixar de fazer juramentos de forma alguma; que o seu “sim” seja “sim” e o seu “não” seja “não”. Os essênios também evitavam fazer juramentos.

A título de observação, muitos gregos também desaprovavam a prática de juramentos. Sófocles, Querilo Épico, Plutarco, Epicteto (evitem-no tanto quanto possível) e Quintiliano eram contra a prática de juramentos. Pitágoras dizia que se devia fazer juramentos apenas raramente, e mais tarde os pitagóricos se recusaram a fazer juramentos. Durante a Idade Média e a Reforma, os valdenses e muitos anabatistas se recusaram a fazer juramentos. Consulte Ulrich Luz, *Mateus 1-7: Um Comentário*, p. 314, 316, 320, para obter mais informações sobre o assunto.

Consulte *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 153-154, e *The Believer’s Bible Commentary*, p. 1222, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,34, não devemos jurar, ou devemos jurar pelo nome de Deus, conforme Dt 10,20?

R: Ao estudar a Bíblia, é importante conhecer o contexto geral; neste caso, o que pertence ao Antigo Testamento e o que pertence ao Novo Testamento. Jesus explicitamente revogou ou alterou cinco mandamentos do Antigo Testamento e uma máxima em Mateus 5:21-48. Aqui está um resumo do que Jesus disse.

Versículos

Antigo Testamento

Mas Jesus disse

Mateus 5:21-26

Não mate

Além disso, não se irrite com seu irmão nem diga “tolo”

Mateus 5:27-30

Não cometam adultério

Além disso, não olhe para uma mulher com desejo em seu coração

Mateus 5:31-32

Ao se divorciar, entregue uma certidão

Por outro lado, não se divorcie, a não ser por infidelidade

Mateus 5:33-37

Não quebre juramentos

Por outro lado, não façam juramentos de forma alguma, mas limitem-se a dizer “sim” ou “não”

Mateus 5:38-42

Olho por olho

Em vez disso, ofereçam a outra face, percorram uma milha a mais, etc.

Mateus 5:43-48

Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo

Em contrapartida, amem até mesmo seus inimigos

A propósito, Tiago 5:12 também ecoa Mateus 5:34, ao afirmar que não devemos fazer juramentos hoje.

Jesus também mostrou que todos os alimentos são agora puros em Marcos 7:19, o que é reiterado em Atos 10:9-16.

P: Em Mt 5:39-40, como os cristãos devem oferecer a outra face?

R: Levar um tapa na face não é apenas doloroso, mas também constitui um insulto. O tratado judaico Mishná Baba Kamma 8:6 aborda esse assunto. No entanto, os cristãos não devem viver de maneira natural, mas sobrenatural. Devemos nos permitir ser vulneráveis (mas sem confiar tolamente nos malfeitores), reconhecendo que podemos confiar em Deus para cuidar de nós e de nossa família. Às vezes, muçulmanos e outras pessoas ridicularizam esse ensinamento de Jesus. Mas, independentemente disso, nós, assim como esse ensinamento, devemos nos destacar em um mundo vingativo e pecaminoso.

Consulte *Now That’s a Good Question*, p. 522-524, e *The Expositor's Bible Commentary*, vol. 8, p. 136, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,39, por que os cristãos resistem ao mal?

R: Nenhum versículo da Bíblia diz que os cristãos não devem resistir a nenhum mal. Pelo contrário, Mateus 5:39 diz especificamente para não resistir a uma pessoa má, que está praticando o mal contra você. Não devemos buscar vingança nem retribuir às pessoas. Devemos resistir ao diabo, conforme Tiago 4:7 e 1 Pedro 5:9. Assim como Jeremias em 7:6 e 22:16, devemos defender os oprimidos. No Antigo Testamento, Provérbios 28:4 diz que os justos “lutam” contra os ímpios que abandonam a lei. Levítico 5:1 afirma que é pecado recusar-se a testemunhar em tribunal sobre um mal que tenhamos presenciado. Devemos nos precaver contra os falsos mestres (1 João 2:26; 3:7; 4:1; 2 João 7-8; Apocalipse 2:16; 2 Pedro 2:2; Atos 20:28-29). Devemos refutar os falsos mestres (1 Timóteo 1:3; Tito 1:9-11; Judas 3). Devemos lutar pela fé (Filipenses 1:27; 4:3).

Consulte o New International Bible Commentary, p. 1127, para obter mais informações.

P: Em Mt 5,42 e Lc 6,29-30, os cristãos devem dar a todos que lhes pedirem?

R: Sim: esse ensinamento não é difícil de entender, mas é desafiador de seguir. Os cristãos devem considerar os outros ainda mais importantes do que a si mesmos (Filipenses 2:3). Devemos amar o próximo como a nós mesmos; portanto, é claro que não devemos dar a alguém algo que possa prejudicá-lo (como drogas), mesmo que essa pessoa peça. Mas, se percebermos que alguém está em necessidade genuína, devemos nos esforçar para que suas necessidades sejam atendidas. Isso vale independentemente de a pessoa necessitada ser um irmão cristão ou não.

Amar o próximo como a si mesmo implica que também é lícito amar a si mesmo. No entanto, muitas pessoas pecam por amar a si mesmas mais do que aos outros, dando menos do que deveriam; outras, por não se amarem o suficiente e darem mais do que deveriam.

Consulte “When Critics Ask”, pp. 332-333, para obter uma resposta complementar.

P: Em Mt 5,43, onde está escrito: “ame o seu próximo e odeie o seu inimigo”?

R: Isso não consta no Antigo Testamento, e Jesus nunca afirmou que constasse. “Ame o seu próximo” está em Levítico 19:18, mas não há nada sobre “odeie o seu inimigo”. Contudo, o povo judeu costumava ouvir isso porque era uma tradição dos escribas, de acordo com a Nova Bíblia de Estudo de Genebra, p. 1.513, bem como com “Quando os Críticos Perguntam”, p. 333, que acrescenta que Jesus não disse que isso estava no Antigo Testamento por uma razão muito boa: simplesmente não estava lá.

Na seita de Qumran, seu “Manual de Disciplina” determinava que os membros deveriam jurar amar os Filhos da Luz (ou seja, a seita de Qumran) e odiar por toda a eternidade os Filhos das Trevas. Consulte “Understanding the Dead Sea Scrolls”, p. 165, para obter mais informações.

O filósofo ateu Friedrich Nietzsche considerava que o amor aos inimigos era fraqueza e desonestidade. Sigmund Freud considerava que o amor aos inimigos “é uma tentativa do superego cultural de transformar a necessidade de agressão em sentimentos de culpa e, assim, combatê-la — uma tentativa que, de fato, foi bem-sucedida, mas que é hostil à felicidade”. Sigmund Freud, “Civilização e seus descontentamentos”, na Edição Padrão das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, vol. 21, p. 57-145. Mao Tse-tung afirmou: “Não podemos amar nossos inimigos, não podemos amar os males sociais, e nosso objetivo é exterminá-los.” Mao Tse-tung: Uma Antologia de Seus Escritos, p. 260. Essas citações foram extraídas de Ulrich Luz, Mateus 1-7: Um Comentário, p. 350, 351. Alguns autores não aceitaram muito bem o ensinamento de Jesus de amar os inimigos.

P: Em Mt 5,48, podemos ser perfeitos?

R: Assim como um diamante brilha de maneira diferente dependendo do ângulo, a Bíblia apresenta quatro facetas dessa questão. As respostas simples para essa ampla pergunta são: Sim, sim, não e sim.

Sim, após a morte: devemos meditar sobre a verdade de que seremos isentos de pecado, perfeitamente santos no Céu. Devemos ansiar por isso, e se você pensar com pesar em deixar para trás alguns de seus pecados, então há algo de errado em sua caminhada espiritual. Após a morte, e somente após a morte, alcançaremos plenamente Mateus 5:48.

Sim, judicialmente: Deus Pai nos declarou perdoados, e a culpa do pecado foi declarada perdoada pela morte de Jesus na cruz. Hebreus 10:14 nos diz especificamente que, na cruz, Jesus “aperfeiçoou” aqueles que estão sendo santificados. Romanos 4:17 nos lembra que nosso Deus chama as coisas que não são, como se fossem. Embora tenhamos pecado contra Deus e sejamos dignos do inferno, se Deus promete nosso perdão e uma vida sem pecado no céu, as promessas de Deus são 100% certas. Em certo sentido, todos os que confiaram em Cristo, em Sua morte e na ressurreição de Seu corpo, foram declarados como tendo alcançado Mateus 5:48.

Ninguém na Terra o é atualmente, mas ainda assim nos esforçamos: não seremos perfeitos e sem pecado na Terra, e quem pensa ter alcançado isso está se enganando, como diz 1 João 1:8. Nem mesmo Paulo era perfeito, conforme Filipenses 3:12. Embora não alcancemos a perfeição sem pecado na Terra, devemos continuar nos esforçando para alcançar essa perfeição e a semelhança com Cristo, sem nos desanimarmos quando falharmos, como ainda acontece com todos os crentes. Portanto, a ordem de Jesus em Mateus 5:48 não foi simplesmente uma promessa futura e uma declaração, mas uma ordem que devemos nos esforçar seriamente para cumprir hoje.

Sim, podemos estar perfeitamente na vontade de Deus: podemos ser um crente “perfeito”, no sentido de estarmos completos e exatamente onde Deus deseja que estejamos. Mas, assim como um bebê “perfeito” não deve permanecer bebê para sempre, a perfeição aqui significa simplesmente: “estamos alcançando o marco em nosso caminho para nos tornarmos mais semelhantes a Cristo nesta vida?”. O termo “perfeito” é usado nesse sentido em 1 João 2:5 e Filipenses 3:15. Portanto, embora devamos nos esforçar para obedecer plenamente a Mateus 5:48 em nossas vidas hoje, e embora inevitavelmente falhemos, ainda assim podemos ter alegria e paz perfeita permanecendo em Deus agora.

Consulte o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 33, para mais informações, e *When Cultists Ask*, pp. 100-101, para uma resposta complementar.

P: Em Mt 6,1-4, devemos praticar boas obras em segredo ou deixar nossa luz brilhar diante dos homens, como diz Mt 5,16?

R: Ambas as coisas. Devemos ser diligentes na prática de boas obras. No entanto, não devem ser nossas próprias obras, mas sim Jesus, aquele que vive em nós, que os outros vejam quando nos observam. Devemos ser refletores de Cristo. Nossa luz deve brilhar, não nós.

É um privilégio que Deus nos tenha escolhido para dar glória, agindo por meio de nós. Consulte “Dificuldades Bíblicas e Aparentes Contradições”, pp. 233-234, para obter mais informações.

P: Em Mt 6,1-4, ao dar a Deus, como os cristãos devem evitar que a mão direita saiba o que a mão esquerda está fazendo?

R: Assim como não devemos dar grande importância às nossas boas obras para com os outros, também não devemos dar grande importância a elas diante de Deus. Não quebre o braço ao se dar tapinhas nas costas com muita força. ;-) Não pense que está fazendo um favor a Deus. Não pense, por engano, que está enriquecendo a Deus — que, de qualquer forma, é dono de tudo —, nem que Deus tem sorte por ter salvado você. Somos salvos não por qualquer mérito nosso, mas porque Deus viu o quanto estávamos desamparados e, em Sua graça, nos amou mesmo assim. Consulte *Now That’s a Good Question*, pp. 581-582, para uma resposta diferente, mas complementar.

P: Em Mt 6,1-4, uma vez que não devemos dar esmolas diante dos homens, por que os cristãos declaram doações de caridade para fins fiscais e por que alguns têm edifícios ou outros monumentos em seu nome?

R: “Diante dos homens” (no plural) significa diante do público; portanto, declarar doações de caridade para fins fiscais é aceitável. No entanto, se alguém doar dinheiro para que um edifício ou monumento seja construído em seu nome, essa pessoa receberá sua recompensa aqui na terra. Contudo, se alguém construir um monumento em nome de outra pessoa, e a primeira pessoa não tiver conhecimento disso ou não tiver feito nada para incentivar que fosse construído em seu nome, então este versículo não se aplica a ela.

P: Em Mt 6,5-6, uma vez que devemos orar em segredo, por que muitos cristãos desejam que haja oração pública nas escolas?

R: A Bíblia apresenta muitos exemplos de oração privada e pessoal. No entanto, também apresenta exemplos de orações em grupo, como em Josué 7:6-9. É possível realizar uma oração coletiva em que apenas uma pessoa esteja falando, como em 1 Reis 8:22-53. Nesses exemplos de oração pública, todos estão envolvidos na oração, estejam falando ou não.

Em Atos 16:25-26, Paulo e Silas estavam orando juntos e cantando em um local onde outras pessoas podiam vê-los. No entanto, por estarem na prisão, não tinham escolha quanto ao local.

Os cristãos podiam ver uns aos outros, orando em conjunto, em Atos 2:42; 12:12; 13:3; 14:23; 20:36, portanto, isso é aceitável.

O que não vemos como aprovado é orar publicamente para se exibir, ou orar publicamente em um local onde parte da multidão não estava participando, talvez por não acreditar em Deus.

Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1224, para obter mais informações.

P: Em Mt 6,5-7, Jesus está condenando toda oração pública?

R: Não, esse versículo não diz isso. Na verdade, Ele está condenando as orações que são feitas apenas para se exibir. Aliás, Jesus orou publicamente em João 11:41-42.

No Antigo Testamento, Salomão fez uma oração muito pública em 1 Reis 8:22. Jesus não é contra a oração pública, mas contra a oração “ostentosa”, ou seja, a oração feita com o intuito de ser visto em público. Consulte When Critics Ask, pp. 333-334, para obter mais informações.

P: Em Mt 6,7, devemos repetir as orações?

R: É aceitável repetir orações, desde que elas tenham significado para você ao orá-las. Se você não estiver orando com significado, então não se dê ao trabalho de orá-las. Dentro da oração ou durante a adoração, a repetição de uma frase é aceitável, como foi feito em alguns Salmos. Consulte “Now That’s a Good Question”, pp. 207-210, e “Today’s Handbook for Solving Bible Difficulties”, pp. 411-412, para obter mais informações.

P: Em Mt 6,7-8, não devemos usar repetições vãs, ou devemos orar continuamente, como exemplificou a viúva em Lc 18,5.7?

R: Orar continuamente não significa necessariamente que você tenha de recorrer à repetição. Você pode expressar coisas diferentes em suas orações quando ora.

Jesus não disse que a repetição era errada, a menos que fosse uma repetição vã ou sem sentido. Alguma repetição é aceitável, desde que seja significativa. Como exemplo, consulte o Salmo 118:1-4. Assim, se um culto na igreja utiliza algumas das mesmas coisas todas as semanas, isso é aceitável, desde que seja significativo. Consulte “Dificuldades Bíblicas e Aparentes Contradições”, pp. 236-237, para obter mais informações.

P: Em Mt 6,7-8, por que muitos cristãos, especialmente aqueles de tradições mais litúrgicas (católicos, episcopais, anglicanos, luteranos etc.), rezam muitas das mesmas coisas repetidamente todos os domingos?

R: Repetir a mesma coisa várias vezes é aceitável se isso tiver significado para eles a cada vez. Jesus não criticou a repetição aqui, mas a repetição vã (sem sentido). Em alguns Salmos, como o Salmo 136, a repetição é utilizada. Jesus nos alertou de que a repetição pode ser sem sentido, mas isso não significa que toda repetição seja sem sentido.

As “Ave-Marias” não são boas orações, pois são dirigidas a Maria, e não a Jesus. Mas mesmo que tivéssemos “orações Ave-Jesus” análogas, elas também não seriam boas, e isso pressuporia que receberíamos bênçãos com base na frequência com que recitamos frases memorizadas.

Consulte Ulrich Luz, Mateus 1-7: Um Comentário, p. 366, para obter mais informações.

P: Em Mt 6,9 e Tg 3,9, o povo judeu costumava chamar Deus de “nosso Pai”?

R: Certamente era comum. Uma famosa obra judaica chamada “As Dezoito Bênçãos”, finalizada por volta de 110 d.C., contém 44 breves orações a Deus, cada uma começando com “Pai nosso, Rei nosso”. Consulte The Expositor’s Greek Testament, vol. 4, p. 453, para mais informações.

P: Em Mt 6,9-13 e Lc 11,1-4, o que Jesus estava ensinando na Oração do Senhor?

R: Aqui está uma breve sinopse.

Pai Nosso: oramos a Deus, o Pai. Jesus é Deus (Hebreus 1:8-9), portanto, orações dirigidas a Jesus também são válidas, como fez Estêvão em Atos 7:59.

Que está nos céus: Embora Deus esteja em todos os lugares ao mesmo tempo, nunca se esqueça de que Deus é transcendente. Seu trono está mais distante de nós do que as estrelas.

Santificado seja o seu nome: Não pensem que Deus é apenas um amigo ou “companheiro”. Lembrem-se de quem é Deus.

Venha a nós o vosso reino: Esse tipo de oração é frequentemente negligenciado hoje em dia. Além do louvor/adoração, da confissão, da ação de graças e da súplica por si mesmo e pelos outros, há a oração para que o Reino de Deus venha em breve. 1 Tessalonicenses 4:18 é apenas um versículo que mostra que devemos ansiar pelo Seu reino. Versículos que mostram que devemos estar vigilantes e à espera do Seu Reino incluem 1 Tessalonicenses 4:18, 2 Pedro 3:13 e 1 Pedro 4:7.

Essa frase não indica uma atitude indiferente. Pelo contrário, com ela expressamos um desejo fervoroso de ver o Reino de Deus vir em breve.

Seja feita a Sua vontade: Devemos orar pela vontade de Deus, e não apenas para satisfazer nossos desejos egoístas (Tiago 4:3). Quando desejamos o que há de melhor para o Reino de Deus, quem achamos que é o mais apto a determinar isso: nós ou Deus?

Na terra como no céu: Não precisamos orar para que a vontade de Deus seja feita no céu, onde não há tentação, mas precisamos orar para que a vontade desejada do Deus Todo-Poderoso seja feita na terra. O céu é o nosso padrão para medir o quanto desejamos que a vontade de Deus seja obedecida.

Dá-nos hoje: Devemos orar para receber nossas necessidades, não apenas nossos desejos. Embora pessoas ricas e ímpias possam obter financeiramente tudo o que precisam e mais ainda sem orar, devemos ignorar isso e orar a Deus por nossas necessidades. (Veja Provérbios 30:7-9.) Aparentemente, não há plano para orarmos por tudo o que precisamos para a semana inteira em um único dia, de modo que possamos deixar de orar nos seis dias seguintes.

Nosso pão de cada dia: Orem diariamente por nossas necessidades, não por nossas ganâncias. Não orem apenas uma vez por todas as necessidades de sua vida, mas orem diariamente. Ausente desta oração está o pedido por nossos desejos e ambições egoístas, como mostra Tiago 4:3. Esta é uma oração pelo que legitimamente precisamos.

Perdoai-nos os nossos pecados: Precisamos de perdão pelas palavras, ações e omissões externas. Além disso, precisamos de perdão pelos nossos pensamentos e de purificação para os nossos desejos pecaminosos no íntimo. Alguns afirmam erroneamente que não devemos orar para que Deus nos perdoe, uma vez que nos tornamos cristãos e já fomos perdoados. Esta oração demonstra o contrário. Tiago 5:16 também mostra a oração por um crente para que seus pecados sejam perdoados (tempo futuro). O perdão dos pecados baseia-se na morte de Cristo na cruz, não em nenhuma de nossas palavras; porém, o perdão tem um aspecto passado, presente e futuro, todos os quais remontam à cruz. De acordo com o New International Bible Commentary, p. 1127, a melhor tradução aqui é “pecados”; referir-se a eles apenas como “transgressões” não é muito preciso.

Assim como perdoamos aqueles que pecam contra nós: o perdão de Deus para com aqueles que se arrependem e se voltam para Ele é completo. É assim que deve ser o nosso perdão para com os outros.

A título de observação, a Oração do Senhor também é citada no *Diatessaron*, de Tatiano, seção 9:32-41, p. 58, e nos escritos cristãos primitivos: *Sobre a Oração*, de Orígenes, cap. 18.1, p. 65, e *A Didaché*, cap. 8, *ANF*, vol. 7, p. 379. A *Didaché* acrescenta que ela deve ser rezada três vezes ao dia.

Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, pp. 1224-1225, e Ulrich Luz, “Mateus 1-7: Um Comentário”, p. 369, para obter mais informações.

P: Em Mt 6,9-13 e Lc 11,2-4, por que devemos orar?

R: A oração não consiste em informar um Deus onisciente, conferir poder ao Todo-Poderoso ou mudar o coração de um Deus muito amoroso. Trata-se, antes, de um mandamento, de um privilégio de conversar com Deus e de uma promessa de que Deus ouvirá nossas orações. A oração é maravilhosa, pois um Deus Todo-Soberano não apenas consentiu, mas foi Ele mesmo quem originou a ideia de permitir que nossas orações “sejam eficazes” (Tiago 5:16) para que Deus mude as coisas.

Consulte o Manual de Hoje para Resolver Dificuldades Bíblicas, pp. 299-302, e o Livro Completo de Respostas Bíblicas, p. 160, para respostas complementares.

P: Em Mt 6,10 e Lc 11,2, o senhor poderia explicar por que há dois “em” e “céu” e “terra” invertidos na KJV, em comparação com “sobre” e “em” no grego e em outras traduções?

R: Mateus 6:10 na KJV diz: “Venha o teu reino. Seja feita a tua vontade na terra, assim como no céu.”

Em Mateus 6:10, não há variantes significativas nos manuscritos, e o grego é exatamente como o senhor mencionou. Em Lucas 11:2, há uma variante nos manuscritos, mas ela também não se assemelha à KJV.

De qualquer forma, o grego diz “no” céu e “na” terra. É assim na NKJV, na NIV, na tradução literal de Green e praticamente em todas as outras versões, exceto na KJV. Não sei por que a KJV traduziu “na” para ambos, embora eu possa especular que, naquela época, “na terra” talvez significasse o mesmo que “na terra hoje”. Não sei por que as palavras foram trocadas; talvez os tradutores da KJV tenham achado que soariam melhor nessa ordem, mas não há justificativa para isso no grego. Embora este seja um caso em que a KJV se mostra menos precisa do que deveria, não se trata realmente de um erro, pois o significado continua claro independentemente disso.

Acredito que a KJV foi uma boa tradução, feita por homens piedosos há mais de 400 anos, mas hoje dispomos de traduções melhores.

P: Em Mt 6,13, por que devemos orar para que Deus não nos deixe cair em tentação, se Tg 1,13 diz que Deus não tenta ninguém?

R: O significado é melhor transmitido pela maneira como muitos britânicos fazem essa oração: “salve-nos na hora da necessidade”. Deus não nos tenta, mas permite que sejamos tentados, assim como Jesus foi, e como Paulo foi tentado a cair no desespero em 2 Coríntios 1. Deus nos prova, mas não permite que sejamos tentados além do que podemos suportar (1 Coríntios 10:13a). Quando somos tentados e achamos que estamos prestes a chegar ao limite do que podemos suportar, podemos orar a Deus, e Ele encontrará uma maneira de nos livrar ou de nos fortalecer. Consulte *When Critics Ask*, p. 334, para obter uma resposta complementar.

P: Em Mt 6,14-15, devemos perdoar as ofensas dos outros ou todos os seus pecados?

R: “Ofensas”, neste contexto, significa “pecados”; portanto, não há diferença.

P: Em Mt 6,16-18, os cristãos devem jejuar?

R: Sim, o jejum é uma forma de os crentes expressarem a intensidade de seus sentimentos para com Deus.

Devemos jejuar para adorar (Atos 13:2-3); para orar pedindo ajuda (Isaías 58:3-9; Atos 14:23; Salmo 35:13; Neemias 1:4; Ester 4:3,16; 1 Reis 21:27; Esdras 8:23) e para o arrependimento individual e coletivo (Neemias 9:1; Daniel 9:3; Joel 1:14; 2:12-15; Jonas 3:5).

Não devemos jejuar por tradição (Zacarias 7:5) ou para nos exibirmos (Mateus 6:16-18).

Fazer dieta para perder peso é aceitável, mas isso não é jejum, uma vez que o objetivo principal é diferente. Comer compulsivamente, alternando com o jejum, não é particularmente saudável nem está de acordo com as Escrituras.

Consulte *Now That’s a Good Question*, pp. 229-230; *New Dictionary of Christian Ethics and Pastoral Theology*, pp. 377-378; e *1001 Bible Questions Answered*, pp. 463-464, para obter mais informações.

P: Em Mt 6,19-21, por que os cristãos possuem dinheiro e outros tesouros na terra?

R: Doar a Deus não é opcional para os crentes (Malaquias 3:10-12). Devemos contribuir para a obra do Senhor (2 Coríntios 8:1-8; 9:6-11; Provérbios 3:9,10; 11:24; 1 Coríntios 16:2; Tito 2:13). É importante que ajudemos os pobres e incentivemos outras pessoas a ajudarem os outros (Provérbios 11:24-25; 14:21; 24:11-12; 28:22; 29:7; 31:9,20; 2 Coríntios 9:6-7).

Um grande número de versículos da Bíblia nos exorta a dar aos pobres e a outras pessoas: Provérbios 11:24-25; 14:21; 19:9-10,17; 21:13; 22:9; 24:11-12; 29:7; 31:9,20; Salmo 41:1; Isaías 58:7-8,10; Jeremias 5:28; 22:16; Mateus 6:2-4; 19:21; Gálatas 2:10; Efésios 4:28; 1 Timóteo 6:18-19; Tiago 1:27; Deuteronômio 15:11; Salmo 68:5; Jó 29:12-13; 1 João 3:17-19; Atos 4:32-35

No entanto, reconheça também que as riquezas podem ser uma bênção de Deus, conforme Provérbios 28:20. Para os cristãos, é apropriado fazer o seguinte.

a) Possuir bens pessoais (2 Timóteo 4:13).

b) Devemos sustentar nossa família (1 Timóteo 5:4,8; Provérbios 31:13-15; Marcos 7:10-13; ~Lucas 15:18-30).

c) Prover para nossos ministros (1 Coríntios 9:4-12; 1 Timóteo 5:18; Gálatas 6:6)

d) Prover o nosso próprio sustento (Tito 3:14).

e) Pagar seus impostos (Mateus 22:17; Romanos 13:7).

f) Fazer reservas para o futuro (Provérbios 6:6-8; 10:5; 31:16; Lucas 15:18-30; Tito 3:14).

g) Deixar uma herança para nossos filhos (Provérbios 13:22; 17:2; 19:14; Salmo 17:14).

h) Devemos cuidar de nossos bens (o que, às vezes, exige dinheiro adicional) (Provérbios 12:10, 11, 27). Devemos conhecer a condição de nossa riqueza, pois ela pode ser perdida por negligência (Provérbios 27:23-24).

No entanto, não é correto agir por ganância ou medo. Se o senhor possui um seguro tão alto a ponto de poder sustentar melhor sua família após a sua morte do que em vida, suas prioridades estão distorcidas. Consulte a discussão sobre Provérbios 3:9 para uma análise mais aprofundada sobre atitudes e usos corretos e incorretos do dinheiro.

P: Mateus 6:22 pode se referir a algum tipo de “terceiro olho” espiritual, como afirmam algumas pessoas da Nova Era?

R: Nenhum cristão primitivo, nem mesmo algum cristão moderno, jamais interpretou essa passagem dessa maneira. Se fosse esse realmente o significado, como alguns afirmam, então Deus teria falhado em se comunicar de forma que qualquer cristão pudesse compreender. Ao interpretar uma passagem, não devemos perguntar: “posso fazer com que ela signifique tal e tal coisa?”, mas sim: “o que Deus pretendia nos comunicar?”. Muitas pessoas fazem o primeiro, pois existem pecados do intelecto, assim como pecados da vontade e do coração. Consulte *Quando os Seguidores de Seitas Perguntam*, p. 101, para obter uma resposta complementar.

P: Em Mt 6,24, o que Mateus está dizendo sobre Deus e o dinheiro?

R: Trata-se aqui de senhores. Deus, como senhor, exige nosso serviço e obediência absolutos. A busca pelo dinheiro também exige serviço absoluto a ele.

Consulte o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, pp. 178-179; o *New International Bible Commentary*, p. 1128; e o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 33, para obter mais informações.

P: Em Mt 6,25-26, por que o senhor acha que Deus nos diz para não nos preocuparmos com a nossa vida?

R: Esses versículos não estão nos dizendo para nunca pensarmos em nossa vida, nem para não fazermos planos, mas para não nos preocuparmos com ela. Na verdade, os pássaros trabalham muito, construindo ninhos, cuidando de seus filhotes etc., mas não se preocupam com isso.

P: Em Mt 6,26, uma vez que Deus cuidar dos pássaros é um exemplo do seu cuidado, que tipo de ajuda podemos esperar de Deus?

R: Este versículo não significa “nunca pensem em”, mas sim “não se preocupem com”. Deus sustenta os pássaros do céu com a participação ativa deles na busca por alimento. Aqui estão cinco pontos a serem considerados na resposta.

1. Nada acontece a não ser o que Deus permite (Jó 1:12; 2:6).

2. Teremos aflições (2 Timóteo 3:12; Tiago 1:2; João 16:33 e seguintes), mas Deus nos fortalecerá e nos consolará em nossas aflições (2 Coríntios 1:4-5).

3. Deus não permite que os crentes sejam tentados além do que podem suportar. (1 Coríntios 10:13)

4. Alguns crentes sofrerão perseguição, e alguns até mesmo a morte. (1 Pedro 1:6)

5. Preciosa aos olhos do Senhor é a morte dos Seus santos (Salmo 116:15). Mesmo que tenhamos uma morte injusta e dolorosa, Deus ainda cuidará de nós no Céu, e nossos sofrimentos atuais não são nada comparados às alegrias do céu (ver 1 Coríntios 2:9)

Consulte o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 179; o “The Tony Evans Bible Commentary”, p. 876; e o “Believer’s Bible Commentary”, pp. 1226–1227, para obter mais informações.

P: Em Mt 6,33, o que Jesus está dizendo aqui?

R: Jesus não está dizendo que eles não tenham buscado também outras coisas boas. Mas Jesus está dizendo para buscarmos primeiro o Reino de Deus. Como afirma o “The Tony Evans Bible Commentary”, p. 867, no beisebol você pode tocar na segunda base, na terceira base e na base final sem ser eliminado, mas se você deixar de passar pela primeira base, não importa; você está fora.

P: Mateus 6:33 ensina que devemos fazer da nossa suposta divindade interior uma prioridade máxima, como afirmam algumas pessoas da Nova Era?

R: Não, não possuímos divindade interior. Fomos criados à imagem de Deus, e os crentes (tanto homens quanto mulheres) são filhos de Deus, mas não possuímos divindade própria. Este versículo não diz nada sobre nossa divindade, nem sobre qualquer outra coisa que nos pertença. Em vez disso, ele nos ensina a buscar o Seu reino e a Sua justiça. Não há outro Deus senão o Único, como qualquer monoteísta judeu lhe diria, e Jesus era judeu e afirmou que havia apenas um Deus verdadeiro, cujas palavras devemos obedecer. Devemos nos submeter às Escrituras, em vez de distorcê-las para que se submetam às nossas opiniões. Consulte “When Cultists Ask”, pp. 101-102, para uma resposta mais detalhada.

P: Em Mt 7,1-2; Lc 6,37; Jo 7,24, como não devemos julgar os outros, uma vez que nos é dito para julgar em Jo 7,24; 1 Cor 5,12 e 1 Cor 6,2-5?

R: A Bíblia aprova o julgamento de ações, mas não o de julgar pessoas. 1 Coríntios 6:5 utiliza uma palavra grega diferente, diakrinai, em relação às outras passagens para “julgar”. Ela se refere a um árbitro cristão que profere sentença sobre uma questão civil entre cristãos.

A palavra grega usada nas outras passagens, krinete, possui um leque de significados. Mateus 7:1-2 e Lucas 6:37 dizem que não devemos julgar os outros (sem menção a não julgar coisas ou ações). Em outras palavras, não devemos julgar o valor das outras pessoas, julgar o quão bons cristãos elas são ou o quão maus pecadores elas são. Deixem que Deus faça isso; não precisamos julgar. Mas, embora devamos remover a trave do nosso próprio olho antes de tentar remover o cisco do olho do nosso irmão, ainda assim devemos tentar remover o cisco do olho do nosso irmão. Há dois aspectos aqui. O primeiro é a hipocrisia de se preocupar mais com o cisco do seu irmão do que com a trave em seu próprio olho. O segundo é que você não consegue enxergar o cisco com clareza suficiente para retirá-lo se tiver uma trave no seu olho. Embora Jesus tenha usado uma hipérbole, ainda é surpreendente, na vida real, como as pessoas conseguem ver uma falha em outra pessoa e, no entanto, serem totalmente cegas à mesma falha em si mesmas.

João 7:24 também usa a palavra krinete, dizendo: “Deixem de julgar pelas aparências externas e comecem a julgar com justiça.” (BSB)

É irresponsável dizer aos outros que Mateus 7:1 ensina a abdicar de todo julgamento, de modo a desobedecer ao restante de Mateus 7. Devemos reconhecer os cães e os porcos (Mateus 7:6) e devemos ser inspetores de frutos, conforme Mateus 7:16-20.

No que diz respeito ao assassinato de outras pessoas, ao Holocausto, a pessoas que mantêm relações sexuais com animais e crianças, etc., algumas pessoas podem argumentar que não devemos impor moralidade ou, em essência, não julgar o que é certo e errado. Não é isso que a Bíblia ensina.

Consulte *Now That’s a Good Question*, p. 163-164, “Manual Atual para Resolver Dificuldades Bíblicas”, pp. 369-371, “Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento”, p. 33, “Novo Comentário Internacional da Bíblia”, p. 1129, “Comentário Bíblico do Crente”, pp. 1227-1228, “Comentário Evangélico sobre a Bíblia”, pp. 730-731, e “Nova Bíblia de Estudo de Genebra”, p. 1515, para respostas complementares.

P: Em Mt 7,1-5, os cristãos não devem julgar, ou devemos julgar, conforme diz 1 Cor 6,2-5?

R: Não devemos julgar outras pessoas, incluindo o seu valor, mas devemos discernir entre ações boas e más, conforme ensina 1 Coríntios 6:2-5. Embora algumas das palavras sejam as mesmas em grego (derivadas de krino), o contexto é diferente.

P: Em Mt 7,6, o que Jesus quis dizer com “não lance suas pérolas aos porcos”?

R: Não ofereça o que é precioso àqueles que não o valorizam e que podem usá-lo para se voltar contra você e atacá-lo. Esse conceito de não lançar pérolas está presente em Provérbios 9:7-9, onde nos é dito que não devemos tentar corrigir um escarnecedor ou um homem ímpio. Jesus não realizou muitos milagres diante de pessoas incrédulas. Além disso, é melhor que uma pessoa não conheça o caminho da verdade do que conhecê-lo e virar as costas para ele, como diz 2 Pedro 2:20-22.

Vamos examinar a ampla gama de interpretações possíveis e, em seguida, restringi-la para determinar a melhor escolha ou as melhores escolhas do significado pretendido.

“Lançar” poderia significar:

C1. “Não lance” pode significar “não force”.

C2. Não insista.

C3. Não se esforce para ensinar.

C4. Tenha muito cuidado para nunca contar.

Aqui, o verbo “lançar” é ativo; portanto, Jesus não quis dizer para esconder suas pérolas, esconder que você é cristão ou não deixar nenhuma pérola no chão. Assim, não se trata do C4.

“Pérolas” poderia significar:

P1. Ensinamento piedoso

P2. A mensagem do evangelho

P3. Qualquer coisa de valor, privilégios especiais ou participação em coisas sagradas. O livro “Hard Sayings of the Bible”, pp. 370-371, defende essa interpretação.

P4. Também poderia significar que, quando a igreja estiver sendo perseguida, não se deve expor outros cristãos, revelando seus nomes a qualquer pessoa.

Jesus ensinava abertamente os ensinamentos morais; portanto, provavelmente não se refere a P1.

“Diante dos porcos” poderia significar:

S1. Aqueles que não dão valor a essas coisas (Hard Sayings of the Bible, p. 370-371).

S2. Aqueles que não estão prontos para aprender (The NIV Study Bible)

S3. Incrédulos que não desejam ativamente aprender.

S4. Incrédulos que se recusam a aprender

S5. Gentios (de acordo com o cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 833-835). No entanto, Mateus menciona não judeus que acreditavam, portanto, isso não se refere aos gentios em geral.

“Porcos” era um termo pejorativo; portanto, é muito provável que os significados pretendidos incluam aqueles que se recusam a aprender.

Portanto, a melhor opção pode ser C1 + C2 + C3, e P2 + P3, e S1 + S2 + S3 + S4.

Consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 370-371, e *Now That’s a Good Question*, pp. 585-586, para respostas complementares.

P: Em Mt 7,7-11, por que as pessoas não recebem tudo o que desejam?

R: Deus é muito mais do que um mero Papai Noel cósmico. As pessoas nem sempre recebem o que desejam por pelo menos cinco razões.

1. As pessoas não pedem (Tiago 4:2)

2. É preciso orar a Deus, e não a outro. (~Deuteronômio 5:6-7)

3. É preciso orar no espírito e no nome de Jesus (Colossenses 3:17; João 14:13-14; 15:16; 16:26).

4. Deus não ouve os ímpios (Provérbios 15:29; 1 Pedro 3:12; Isaías 1:15; Jeremias 11:14; 14:12; Miquéias 3:4).

5. Eles lutam contra o povo de Deus (Salmo 18:41; 1 Samuel 22:16-17; 28:6).

Veja também a resposta à próxima pergunta.

P: Visto que Mt 7,7-8 diz que quem pede recebe e quem busca encontra, por que em Am 8,12 eles buscam a palavra do Senhor e não a encontram?

R: Primeiro, o que não é a resposta e, em seguida, a resposta.

O que não é a resposta: Jesus proferiu essas palavras séculos depois de Amós, e as coisas eram diferentes nos tempos do Novo Testamento do que antes. Além disso, houve um período de silêncio de 400 anos, durante o qual nenhuma escritura foi revelada, logo antes da vinda de Jesus. Por fim, o conhecimento que Jesus nos deu não estava disponível nem mesmo para as pessoas piedosas que viveram antes de Jesus. Mas, embora essas três afirmações sejam todas verdadeiras, elas deixam de lado a verdade atemporal e a advertência que constituem o ponto principal de Amós 8:12-14.

A resposta: há dois níveis de resposta.

Especificamente, Amós 8:12-14 referia-se àqueles (principalmente samaritanos) na terra [de Israel] que buscavam tanto os ídolos do reino do norte quanto a Deus. Enquanto tentassem seguir ambos, não encontrariam a palavra de Deus.

De maneira geral, Amós 8:12-14 é uma advertência para todas as pessoas. Mateus 7:7-8 não significa pedir a qualquer pessoa; significa que é preciso pedir ao Único Deus Verdadeiro. Se o senhor quiser combinar a verdade de Deus com a falsidade dos ídolos e de outras religiões, o senhor passará por uma fome de verdade, e não pela satisfação da verdade. É preciso buscar a Deus com todo o seu coração, e não com parte do seu coração buscando a Deus e parte buscando os ídolos.

P: Em Mt 7,7-11, por que os cristãos nem sempre recebem aquilo pelo que oram a Deus em nome de Jesus?

R: Deus responde a algumas orações com um “sim”, a outras com um “não” e a outras ainda com um “espere”. Quando não há resposta, ou não é a resposta que desejamos, é bom refletir sobre o motivo. Não podemos conhecer todos os casos específicos, mas, em geral, há pelo menos 21 razões relacionadas a nós, às circunstâncias e a Deus.

Nós:

1. Orar ao deus errado, a um ídolo. 1 Reis 18:26-29

2. Os pedidos não devem ser para satisfazer nossas paixões. Tiago 4:3

3. Os pedidos devem ser por coisas boas. Mateus 7:11

4. Não é a vontade de Deus que elas sejam atendidas. Marcos 14:36

5. Temos que esperar. Daniel 10:12-14

6. Nossas orações são simplesmente repetições vãs. Mateus 6:7

7. No entanto, devemos persistir [de forma significativa]. Lucas 11:5-10, 18:1-7

8. Acumulamos pecado em nossos corações (Salmos 66:18-19), fazemos ouvidos moucos aos pobres (Provérbios 21:13) ou somos ímpios (Provérbios 15:29, Isaías 59:1-3). Deus não nos ouve quando optamos por não ouvi-Lo (Zacarias 7:11-14 e implícito em Provérbios 28:9).

9. Precisamos de autocontrole. 1 Pedro 4:7

10. Nós pecamos, por exemplo, com o divórcio. Malaquias 2:13-14

11. Ignoramos Deus e Sua lei. Zacarias 7:13; Provérbios 28:9

12. Ignoramos o clamor dos pobres. Provérbios 21:13

13. Somos indelicados com nossas esposas. 1 Pedro 3:7

14. Deus não os ouvirá se eles também continuarem adorando ídolos. Ezequiel 8:8-18

15. Suas mãos estão manchadas de sangue. Isaías 1:15

16. Deus sabe quais são as provações mais adequadas. 2 Coríntios 12:7-9

17. Deus nos disciplina. 2 Samuel 12:16-18; 22-24

Circunstâncias:

1. No tempo certo, Deus poderá atender à oração, mas agora ainda não é o momento adequado. Habacuque 2:3

2. Pode ser que precisemos mudar de alguma forma, ou que outra pessoa precise mudar. 1 Samuel 1:10-12; Êxodo 2:23-24

Deus:

1. Deus pode estar respondendo à nossa oração com um “não”

2. Deus pode estar permitindo que sejamos postos à prova.

Às vezes, como mostram o livro de Jó e Daniel 10:2-3,12-14, não temos absolutamente nenhuma ideia do que está acontecendo nos bastidores. Mas sabemos que nossa paciência e persistência glorificam a Deus.

P: Em Mt 7,12a, quais são os exemplos da regra de ouro?

R: Observe que aqui não se diz “irmãos” — ou seja, irmãos na fé —, mas vizinhos, tanto crentes quanto não crentes. No mundo dos negócios, trate fornecedores, clientes, colegas de trabalho, supervisores e subordinados da maneira como o senhor gostaria e esperaria ser tratado se a situação fosse inversa. Quanto aos concorrentes, o senhor pode ser um concorrente duro, mas também justo e honrado. Quando uma situação, venda ou transação for concluída, o senhor se sentiria à vontade para dizer à outra parte que é cristão, ou ficaria constrangido e envergonhado ao revelar que é cristão?

A regra de ouro foi apresentada, de forma negativa, por Hillel cem anos antes, por Filo de Alexandria, em Tobias 4:15, e por Confúcio (Legge, Chinese Classics, vol. 1, p. 191 e seguintes).

Consulte o New International Bible Commentary, p. 1129; o Believer’s Bible Commentary, p. 1229; o Evangelical Commentary on the Bible, p. 731; e o The Expositor’s Greek Testament, vol. 1, pp. 131-132, para obter mais informações.

P: Em Mt 7,13-14, por que o senhor acha que a porta que leva à perdição é larga, e a que leva à vida eterna é estreita?

R: As duas portas levam a destinos diferentes. Satanás conduz o mundo por um caminho que, em última análise, é egoísta e destrutivo. Mas Deus tem um caminho diferente, e precisamos escolher se seguiremos a multidão ou a Deus.

Consulte o “The Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento”, p. 34; o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1229; e Ulrich Luz, “Mateus 1-7: Um Comentário”, p. 435, para obter mais informações.

P: Mateus 7:20 nos diz como identificar qual grupo religioso representa a verdadeira religião?

R: Sim e não. Em toda religião há pessoas que afirmam pertencer a ela, mas não seguem o que ela ensina. Há muitos cristãos culturais, muçulmanos culturais, hindus culturais etc. Essa passagem diz que se dirige a indivíduos, especialmente aos falsos mestres. Portanto, esse versículo se aplica aos fundadores de uma seita ou religião. Consulte *When Cultists Ask*, p. 103, para obter uma resposta diferente.

P: Em Mt 7,21-23, como é possível que algumas pessoas se considerem salvas e, ainda assim, vão para o inferno?

R: Existe um conceito importante chamado “conversão falsa”. As pessoas podem não apenas enganar os outros, mas também a si mesmas. Nada aqui indica que elas tivessem ensinamentos heréticos. Mas, se o fruto de sua fé e de sua vida não estiver de acordo com o que o Novo Testamento ensina, então elas devem examinar sua própria fé, como Paulo orienta em 2 Coríntios 13:6. Consulte o Comentário Bíblico de Tony Evans, p. 878; o Novo Comentário Bíblico Internacional, p. 1129; o Comentário Bíblico do Crente, pp. 1229-1230; o Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento, p. 34; e Ulrich Luz, Mateus 1-7: Um Comentário, p. 442, para obter mais informações.

P: Em Mt 7,24-29, como isso se aplica às nossas vidas?

R: Tony Evans dá o exemplo de que tinha uma rachadura na parede que consertou muitas vezes, mas que sempre reaparecia. O problema não era a parede; não, era algo mais sério. O problema estava no alicerce. Se houver uma rachadura em nossa vida, espiritualmente, que continua reaparecendo, talvez não devamos considerar a rachadura como a causa principal. A causa principal pode ser algo errado com o alicerce. Tecnicamente, essa parábola não trata de dois alicerces; trata-se, na verdade, de onde construir o seu alicerce. Consulte o “The Tony Evans Bible Commentary”, p. 878; o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1230; o “The Expositor’s Greek New Testament”, pp. 135-136; e o “The Bible Knowledge Commentary: New Testament”, pp. 34, 36, para obter mais informações.

P: Mateus 7:24-29 mostra que somente aqueles que reconhecem sua suposta “divindade interior” podem resistir às tempestades da vida, como afirmam Spangler e alguns outros adeptos da Nova Era?

R: Não, consulte a resposta sobre Mateus 6:33. Nessa passagem, não há menção à nossa divindade; os adeptos da Nova Era estão interpretando isso na passagem. Em vez disso, a questão é se nossa vida (nossa casa) está construída sobre o alicerce de Deus ou sobre a areia. Consulte *When Cultists Ask*, p. 103, para obter mais informações.

P: Em Mt 8,2, por que o leproso formulou sua pergunta dessa maneira?

R: O leproso tinha dúvidas quanto à capacidade de Jesus de purificá-lo. Ele não tinha certeza da disposição de Jesus em purificá-lo.

A lepra também é uma boa metáfora para o pecado. Tem uma aparência repugnante, se espalha pelo corpo da pessoa, é contagiosa para os outros e era humanamente incurável.

Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1231, para obter mais informações.

P: Em Mt 8,4, por que o leproso deveria oferecer o sacrifício como testemunho aos sacerdotes?

R: Isso serviria como testemunho para mostrar aos sacerdotes que ele havia sido milagrosamente purificado e também seria um testemunho para os sacerdotes de que Jesus ainda cumpria a lei. Provavelmente, muito poucos leprosos procuravam o sacerdote para pedir que fossem examinados, já que estavam curados. O sacerdote, se estivesse atento, poderia investigar quem era esse curador; no entanto, não há menção de que o sacerdote tenha aprofundado a questão. Essa pode ter sido a razão pela qual Jesus “testou o sacerdote”, fazendo com que ele fosse o primeiro a examinar o homem.

Outra razão era que Jesus desejava a reintegração do homem na sociedade, além da cura física. Se o sacerdote tivesse ouvido por terceiros que aquele homem estava “puro”, apesar de não ter se apresentado a ele conforme determinava a Lei mosaica, então, por rancor, o sacerdote poderia ter se recusado a declará-lo puro.

Mais tarde, alguns dos fariseus tornaram-se cristãos, de acordo com Atos 15:5. Apesar de todas as suas muitas falhas, muitos dos fariseus ainda possuíam as virtudes de levar a sério a palavra de Deus e de acreditar no que Deus dizia sobre a ressurreição e a vida após a morte.

Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1231; o “The Expositor’s Greek Testament”, vol. 1, p. 138; e o “The Bible Knowledge Commentary: New Testament”, pp. 36-37, para obter mais informações.

P: Em Mt 8,5-13, o centurião foi pessoalmente até Jesus ou enviou outras pessoas, como diz Lc 7,1-10?

R: Há duas respostas possíveis.

1) O centurião enviou outras pessoas à sua frente e, em seguida, veio ele próprio.

2) Quando o centurião “veio”, isso não significa necessariamente que ele tenha vindo pessoalmente. Por exemplo, quando João 19:1 diz que Pilatos açoitou Jesus, isso não significa que Pilatos o tenha feito com as próprias mãos.

Consulte *Dificuldades e Aparentes Contradições da Bíblia*, pp. 174-175, e *Quando os Críticos Perguntam*, p. 334, para obter mais informações.

P: Em Mt 8,10 e Lc 7,9, por que Jesus se maravilhou com o centurião?

R: Jesus se maravilhou com a comparação que observou. O centurião não era judeu e não havia sido educado na Lei durante toda a sua vida; no entanto, ele demonstrava mais fé do que muitos judeus. O centurião acreditava que Jesus poderia comandar as doenças da mesma forma que comandava seus soldados. Ter fé não se baseia simplesmente no seu ambiente e na sua educação. O centurião pode ter dito que não era digno, seja por causa dos costumes judaicos ou, mais provavelmente, porque reconheceu o poder e a autoridade de Jesus. O centurião pode ter tomado conhecimento da cura anterior em João 4:46-54, e isso lhe deu esperança e coragem para se aproximar de Jesus.

Consulte o “Comentário Evangélico sobre a Bíblia”, pp. 731-732; o “Testamento Grego do Expositor”, vol. 1, p. 139; o “Novo Comentário Internacional sobre a Bíblia”, p. 1130; e o “Comentário Bíblico de Tony Evans”, pp. 878-879, para obter mais informações.

P: Em Mt 8,12, isso se refere a um castigo temporário ou a um castigo eterno?

R: O versículo em si não especifica. No entanto, “choro e ranger de dentes”, em outras passagens, refere-se não apenas à agonia, mas também à honra, ao privilégio e à alegria que se perdem para sempre; portanto, isso provavelmente se refere à punição eterna.

P: Em Mt 8,12; 22,13; 25,30, o inferno é um lugar de trevas, ou um lugar de fogo, como em Ap 20,14; Mc 9,48?

R: Ambos. Primeiro, uma resposta breve; depois, uma resposta mais longa.

Resposta curta: Esse fogo não é um mero fogo terrestre, e Deus poderia criá-lo da maneira que Lhe aprouvesse. Deus está nos descrevendo algo que nunca vimos na Terra e, embora não saibamos quão semelhante ou diferente o fogo terrestre é do fogo do inferno, ele é semelhante o suficiente para que Deus o utilize como uma metáfora descritiva.

Resposta detalhada: Cientificamente, o fogo é brilhante porque emite fótons de luz no espectro visível (do vermelho ao violeta). Ele parece quente porque também irradia fótons de luz em outras partes do espectro, principalmente infravermelho proveniente do fogo, enquanto a luz solar que atravessa a atmosfera contém mais raios ultravioleta. Como o senhor descreveria algo que emitisse principalmente raios X ou raios gama? Isso poderia queimar algo muito mais rapidamente, mas pareceria escuro aos olhos humanos. Deixando os fótons de lado, uma estrela de nêutrons emitiria a maior parte de sua energia na forma de nêutrons — os mesmos que uma bomba atômica libera —, mas seria escura se houvesse poucos fótons. Agora, não sabemos se o Inferno é quente por causa de fótons, nêutrons ou algo totalmente diferente, mas essas observações terrenas simplesmente mostram que há muitas possibilidades de como a escuridão e o fogo do Inferno poderiam ser.

Consulte *Quando os Sectários Perguntam*, p. 104-105, e *Quando os Críticos Perguntam*, p. 335, para outras respostas.

P: Em Mt 8,13, qual é o significado da formulação de Jesus neste trecho?

R: Não há registro de que Jesus tenha dito isso a mais ninguém. O centurião tinha uma fé tão grande que Jesus disse isso e sua filha foi curada.

P: Em Mt 8,14 e 1 Cor 9,5, o fato de Pedro ser casado refuta a prática católica de que os sacerdotes não podem se casar?

R: Falando como protestante, esse versículo em particular não prova nem refuta esse ponto. Pedro era casado antes de se tornar discípulo. Da mesma forma, houve padres episcopais casados no século XX que se converteram ao catolicismo, e a Igreja Católica permitiu que continuassem sendo padres católicos casados e mantivessem seu casamento como antes.

P: Em Mt 8,15, o que há de interessante na cura da febre aqui?

R: Normalmente, quando alguém se recupera de uma febre, fica fraco e precisa de tempo para se restabelecer. Estar doente com febre não era incomum, devido à malária. A sogra de Pedro não precisou de nenhum tempo para se recuperar antes de começar a servir a todos.

Consulte o “The Bible Knowledge Commentary: New Testament”, p. 37; o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1232; o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 204; o “The Expositor’s Greek Testament”, vol. 1, pp. 140–141; e o “New International Bible Commentary”, pp. 1158–1159, para obter mais informações.

P: Em Mt 8,17, Isaías 53,4 refere-se ao sofrimento por nós ou à nossa cura?

R: Isaías 53:4 poderia se referir a ambos.

O Messias será ferido: como mostra Isaías 53:5, essa passagem se refere ao Messias (o Servo Sofredor) sofrendo por nossa causa. Da mesma forma, Isaías 53:6 diz que o Senhor fez recair sobre o servo sofredor a nossa iniquidade.

O povo de Deus será curado. Tanto Isaías 53:5 quanto 53:4 mostram que um benefício do Messias será a nossa cura. Nada em Isaías 53 especifica que se trate apenas de cura espiritual ou cura física. Certamente, Deus usou os exemplos de cura física para apontar, além deles mesmos, para a importância maior da cura espiritual tornada possível por meio da cruz.

Consulte o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 204-206, para uma discussão mais aprofundada.

P: Em Mt 8,20 e em outros trechos, Jesus poderia estar se referindo a alguém além de Si mesmo quando diz: “Filho do Homem”?

R: Não, Marcos 14:41b mostra que Jesus se referia a si mesmo. No Jardim do Getsêmani, logo antes de Sua prisão, Jesus, em Marcos 14:41b, diz: “Vocês ainda estão dormindo e descansando? Já basta! Chegou a hora. Vejam, o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores. Levantem-se, vamos embora. Vejam, o meu traidor está se aproximando!” (BSB). Consulte o livro The Expositor’s Bible Commentary, vol. 8, pp. 209-213, para uma discussão aprofundada sobre o termo “Filho do Homem”.

P: Em Mt 8,20 e em outros trechos, por que Jesus costuma se referir a si mesmo como o Filho do Homem?

R: Três pontos a serem considerados na resposta.

1) Jesus considerava esse termo muito significativo. Jesus utilizou essa expressão 32 vezes em Mateus, 14 vezes em Marcos, 26 vezes em Lucas e 12 vezes em João.

2) Enquanto o título “Filho de Deus” é usado para enfatizar a divindade de Jesus, “Filho do Homem” enfatiza também a plena humanidade de Jesus. Mas, assim como “Filho do Homem” implica a plena humanidade de Jesus, “Filho de Deus” enfatiza a plena divindade de Jesus.

3) Daniel 7:13-14 fala profeticamente do Filho do Homem. Jesus provavelmente queria que eles voltassem e lessem essa passagem. Ela diz: “Na minha visão noturna, continuei observando e vi Alguém semelhante ao Filho do Homem vindo com as nuvens do céu. Ele se aproximou do Ancião de Dias e foi conduzido à Sua presença. E foi-lhe concedido domínio, glória e reinado, para que os povos de todas as nações e línguas O servissem. Seu domínio é um domínio eterno que não passará, e Seu reino é aquele que nunca será destruído.” (BSB)

Consulte a *Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia*, pp. 322-324; *Quando os Críticos Perguntam*, pp. 335-336; *Quando os Seguidores de Seitas Perguntam*, pp. 105-106; e o *Novo Comentário Internacional sobre a Bíblia*, pp. 1130-1131, para respostas mais detalhadas.

P: Em Mt 8,21-22, por que Jesus disse ao homem para deixar que os mortos enterrassem seus próprios mortos?

R: Jesus estava dizendo que havia muitas pessoas espiritualmente mortas ao redor para enterrar os mortos, e que não se deve ficar preso a coisas sem significado eterno. O problema estava no pedido do homem: “Senhor, primeiro deixe-me…”.

Não há indício de que o pai do homem já tivesse falecido. O homem poderia estar dizendo: “Espere até que meu pai idoso falecer, e talvez até que ele receba a herança; só então eu o seguirei”. Portanto, o homem queria seguir Jesus, mas desejava fazê-lo no seu próprio tempo. Jesus recusou seu pedido. Em nítido contraste com isso, quando Mateus, o autor do evangelho, foi convidado a seguir Jesus, ele partiu imediatamente e O seguiu, conforme Mateus 9:9.

Consulte a *Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia*, p. 324; *Quando os Críticos Perguntam*, p. 336; o *Comentário Bíblico do Crente*, pp. 1232–1333; o *Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento*, p. 38; o *Novo Comentário Internacional sobre a Bíblia*, p. 1130; e o *Comentário Bíblico de Tony Evans*, p. 879, para respostas mais detalhadas.

P: Em Mt 8,24-25, como Jesus pôde dormir durante essa grande tempestade?

R: A palavra grega aqui, *seismos*, pode se referir a um terremoto, mas, neste contexto, refere-se a um violento “agitar” do mar. Jesus havia vencido as doenças humanas e também não tinha medo dos elementos da natureza. Há duas possibilidades.

Natural: Jesus estava cansado após Sua pregação e dormia profundamente. Naquela época, não havia microfones nem sistemas de som, de modo que um orador público precisava falar bem alto. Lembre-se também de que Jesus não tinha ansiedade quanto a chegar à outra margem. Se Jesus conseguia dormir normalmente em um pequeno barco, então Ele simplesmente dormia mesmo quando havia ondas mais altas e vento forte.

Sobrenatural: Se a tempestade fosse tão forte que ninguém conseguisse dormir durante ela, então talvez o Pai tenha feito com que Jesus entrasse em um sono muito profundo para testar a fé dos discípulos em que Deus manteria Jesus a salvo.

Consulte o Comentário Bíblico Evangélico, p. 732, e o Testamento Grego do Expositor, vol. 1, p. 143, para obter mais informações.

P: Em Mt 8,24-27, o que podemos aplicar disso às nossas vidas?

R: Todos passam por tempestades, algumas tão graves que poderiam afundar nosso barco. No entanto, a visão de Jesus sobre a tempestade e a nossa visão sobre ela podem ser radicalmente diferentes. Os discípulos eram pescadores e sabiam que pescadores podiam morrer em tempestades como essa. Como diz Matthew Henry, Jesus não os repreendeu por acordá-Lo para pedir ajuda, mas sim por seus medos e falta de fé. Os discípulos não perceberam que não deveriam temer que o barco afundasse, com Jesus nele. Os discípulos tinham fé, mas não possuíam uma fé na qual pudessem confiar. A tempestade era realmente violenta, mas o que deviam fazer era pedir a Jesus que a acalmasse. Podemos enfrentar tempestades em nossa vida que não apenas parecem violentas, mas que realmente o são. Precisamos pedir a Jesus que acalme a tempestade.

Jesus fez duas repreensões aqui: uma ao vento e às ondas, e outra aos discípulos por sua pouca fé. É como se eles não tivessem percebido plenamente, ou realmente se lembrado, de quem estava no barco com eles. Talvez precisemos nos arrepender quando esquecemos quem está no barco de nossa vida conosco. Uma coisa boa sobre as provações em nossa vida é que elas nos levam a uma nova e melhor compreensão de quem é Jesus.

Por fim, quando o vento cessa, a água permanece muito agitada por algum tempo. Mas os discípulos ficaram surpresos porque Mateus 8:26 diz que não apenas o vento, mas também as ondas se acalmaram. Um barco não estaria seguro até que as ondas se acalmassem; por isso, Deus acalmou as ondas também.

Consulte o “The Bible Knowledge Commentary: New Testament”, pp. 38-39; o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 215; o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1233; e o “The Tony Evans Bible Commentary”, p. 880, para obter mais informações.

P: Em Mt 8,28, havia dois homens possuídos por demônios na região dos Gergesenos, ou apenas um, conforme Mc 5,1-4; Lc 8,26-33?

R: Embora possa ter havido dois eventos diferentes, é mais provável que se trate do mesmo evento e que tenha ocorrido um erro de transcrição em Mateus. Papias, discípulo do apóstolo João, escreveu que Mateus redigiu originalmente seu Evangelho em hebraico/aramaico. O livro *When Critics Ask*, p. 337, acrescenta que “se houvesse dois homens, então ambos os relatos estariam corretos, pois existe uma lei matemática muito fundamental... — onde quer que haja dois, há sempre um. Não há exceções!” Teríamos um problema se Marcos e Lucas dissessem que havia apenas um homem, mas a palavra “apenas” não consta no texto.

P: Em Mt 8,28, qual era exatamente a cidade próxima ao homem possuído por demônios?

R: Seria em Gadara ou em Gerasa. A dificuldade reside no fato de que havia três cidades com nomes bastante semelhantes. Além disso, se isso foi transcrito do hebraico, as letras hebraicas para “r” e “d” são muito semelhantes.

Gergesenes (de Gergesa), a atual Khersa, é a cidade mencionada na maioria dos manuscritos. Ela fica na margem oriental do Mar da Galiléia, e as colinas descem abruptamente até o mar.

Gadarenes (de Gadara), a atual Um Qeis, ficava a apenas 5 a 8 milhas a sudeste do Mar da Galiléia, e a “terra dos gadarenos” realmente chegava até o Mar da Galiléia, conforme comprovado pela menção de Josefo a esse fato e por uma moeda de Gadara que exibe um navio. O Vaticanus, o texto do Ephraem Rescriptus e algumas cópias do Diatessaron mencionam essa cidade.

X Os gerasenos (de Gerasa) (atual Jerash) ficam a cerca de 30 milhas do Mar da Galiléia, portanto não se trataria dessa cidade. Esse nome aparece apenas nos manuscritos itálicos, na Vulgata, na margem (não no texto) do siríaco de Harcleia e no copta sahídico.

X Gersa, em Gileade, fica a 20 milhas a leste do rio Jordão

X Gaxarenes não é uma cidade que tenha existido. Esse erro ortográfico óbvio aparece apenas no Siniaticus original, e um escriba posterior o corrigiu no manuscrito Siniaticus para Gergasenes.

Consulte *Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia*, p. 324-326, “Expressões Difíceis da Bíblia”, p. 373; “Quando os Críticos Perguntam”, p. 336-337; “Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento”, p. 122; “O Novo Testamento Grego”, de Aland et al., p. 29; “O Testamento Grego do Expositor”, vol. 1, p. 144-145; e “Comentário Bíblico do Expositor”, vol. 8, p. 219-220, para obter mais informações.

P: Em Mt 8,28-29, o que podemos aprender com isso para nossas vidas?

R: Em primeiro lugar, os túmulos deveriam ser um local tranquilo, sem nada vivo nas proximidades. Mas é no reino dos mortos que os demônios atuam. Os endemoninhados não deveriam estar ali; deveriam viver junto com todas as outras pessoas. Não sabemos por que estavam ali; se foi porque escolheram evitar as pessoas, porque as pessoas os expulsaram, para saquear túmulos, para roubar ou matar quem chegasse, ou por alguma outra razão. Mas seria surpreendente se alguém fosse prestar homenagem ao túmulo de alguém e, de repente, esses dois homens possuídos por demônios aparecessem.

Em nossa vida e na vida das pessoas ao nosso redor, pode haver coisas mortas em nosso passado que não deveriam ser revisadas, trazidas à tona ou mesmo lembradas voluntariamente. Mas, de repente, por qualquer motivo, algo que não deveria mais estar presente acaba aparecendo mesmo assim. Devemos ser firmes e afirmar que isso não pode acontecer; que isso precisa ser expulso, em nome de Jesus. Somos uma nova criação; parte disso significa que o que é antigo e pecaminoso precisa morrer — e permanecer morto.

Consulte o Comentário Bíblico de Tony Evans, p. 880, para obter mais informações.

P: Em Mt 8,29, o que os demônios queriam dizer com “atormentar-nos antes do tempo”?

R: Os demônios sabiam que seriam enviados ao abismo (Judas 6; Apocalipse 20:1-2) e, posteriormente, ao Lago de Fogo (Apocalipse 20:14-15).

P: Em Mt 8,32, por que Jesus atendeu ao pedido dos demônios de entrarem nos porcos?

R: As Escrituras não dizem. Mas parece que não adiantou nada aos demônios entrarem nos porcos, que se afogaram imediatamente. É interessante que os moradores da cidade estivessem mais preocupados com os 2.000 porcos que se afogaram do que com os dois endemoninhados. Eles valorizam mais a perda financeira do que o ganho espiritual. Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1.233; o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 219; e o “Tony Evans Bible Commentary”, p. 880, para obter mais informações.

P: Em Mt 9,1; Mc 6,45 e Jo 6,17, por que Jesus passou um tempo aqui em Cafarnaum, que Lucas chama de “sua própria cidade”?

R: Lembre-se de que o povo de Nazaré (a cerca de 20 milhas de distância) havia tentado matar Jesus em Lucas 4:29-31, e os gergesenos pediram especificamente a Jesus que partisse depois que 2.000 porcos se afogaram; por isso, Jesus fez de Cafarnaum o seu lar. É muito provável que se trate da moderna Tell Hum, a cerca de 2,5 milhas a sudoeste do ponto onde o rio Jordão deságua no Mar da Galiléia, na margem noroeste. Simão Pedro, André e Filipe eram todos originários de Betsaida (João 1:44; 12:21), que ficava bem próxima. Já adultos, trabalhavam na cidade de Cafarnaum, à beira do lago, juntamente com Tiago, João e Mateus (Marcos 1:29). Consulte o Dicionário Bíblico Wycliffe, pp. 66, 226, 310, e o Comentário Bíblico do Crente, p. 1234, para obter mais informações.

P: Em Mt 9,2-6, o que seria considerado errado no fato de Jesus perdoar pecados?

R: As pessoas pecavam contra Deus e, com razão, concluíram que Jesus teria de ser Deus para perdoar pecados contra Deus. Observe que Jesus não disse: “Deus me autorizou ou aprovou para dizer que seus pecados estão perdoados”. Em vez disso, Jesus simplesmente declarou: “seus pecados estão perdoados”. Embora se esperasse que os judeus estivessem aguardando um Messias, eles não esperariam que o próprio Messias perdoasse pecados. Tanto o perdão dos pecados quanto a cura das doenças são mencionados no Salmo 103:3, mas ambos são especificamente tarefas do SENHOR.

Em termos naturais, dizer ao homem “seus pecados estão perdoados” seria tão ridículo quanto ordenar a um aleijado que andasse.

Consulte o New International Bible Commentary, p. 1131; o Evangelical Commentary on the Bible, p. 732; o Believer’s Bible Commentary, p. 1234; e o The Expositor’s Greek Testament, vol. 1, p. 148, para obter mais informações.

P: Em Mt 9,9 (KJV), o que significa “receita da alfândega”?

R: Significa cobrar impostos.

P: Em Mt 9,9-10, qual é o contexto de Mateus e seus amigos?

R: Mateus (que significa “dom de Deus” ou, possivelmente, “fiel”) é a mesma pessoa conhecida como Levi em Marcos. Ambos são nomes hebraicos. Isso ocorreu nos arredores de Cafarnaum, onde havia uma guarnição romana. Um cobrador de impostos naquele local precisaria ser fluente tanto em aramaico quanto em grego, embora o latim também fosse útil. Não sabemos ao certo qual era a língua principal falada no banquete, nem mesmo se o aramaico era falado de forma significativa. De qualquer forma, nenhum fariseu ou judeu que se prezasse seria visto ali, comendo com “pecadores”.

Os coletores de impostos eram desprezados porque cobravam impostos para os ocupantes romanos. Além disso, esperava-se que cobrassem mais do que o governo exigia e ficassem com a diferença. Haveria tantas oportunidades de cobrar ainda mais e tirar proveito dos outros que seria uma tentação difícil de resistir.

Como havia muitos convidados, talvez a casa de Mateus fosse grande, ou o jantar pudesse ter ocorrido em um pátio ao ar livre da casa. Provavelmente, durante o jantar, os convidados foram convidados a se tornarem discípulos também. (Jesus tinha muitos discípulos além do círculo íntimo dos doze.) Como diz o Comentário Bíblico do Crente, p. 1234, a respeito de Mateus: “Ele perdeu um emprego confortável, mas encontrou um destino. Ele perdeu uma boa renda, mas encontrou honra. Ele perdeu uma segurança confortável, mas encontrou uma aventura como nunca havia sonhado.” Imagine se Mateus tivesse dito “não” quando Jesus lhe perguntou. Mateus não teria se tornado apóstolo, não teria escrito o evangelho e, em vez disso, teria simplesmente vivido o resto de seus dias como um homem sem propósito, relativamente abastado, mas desprezado e, mais tarde, esquecido e anônimo.

Consulte o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 39; o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, pp. 223–224; o *The Expositor’s Greek Testament*, vol. 1, pp. 150–151; e o *Evangelical Commentary on the Bible*, p. 733, para obter mais informações.

P: Em Mt 9,12, o que Jesus quis dizer ao afirmar que somente os doentes precisam de médico?

R: Todos estão doentes, mas somente aqueles que percebem que estão doentes procuram um médico. Portanto, em certo sentido, a acusação que lançaram contra Jesus era absolutamente verdadeira. Mas, ao comer com os fariseus — ou com qualquer outra pessoa, aliás —, Jesus também comeria com pecadores! Visto que Jesus acabara de provar que podia perdoar os pecados do paralítico, Ele também podia perdoar os pecados dos publicanos. Se alguém disser que não quer ir à igreja porque ela está cheia de pessoas imperfeitas e pecadoras, diga a essa pessoa que isso não deve impedi-la, pois a igreja sempre tem espaço para mais uma pessoa! Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, pp. 1234–1235, e o “The Expositor’s Greek Testament”, vol. 1, p. 152, para obter mais informações.

P: Em Mt 9,13, por que Jesus mencionou que Deus deseja misericórdia e não sacrifício?

R: Jesus está se referindo a Oséias 6:6. Embora Deus tenha ordenado o sacrifício, bem como a misericórdia, Ele estava mais interessado em que tivéssemos um coração misericordioso do que no sacrifício em si. Assim como na época de Oséias, algumas pessoas religiosas na época de Jesus se importavam menos com os outros e estavam mais preocupadas em conviver com o “tipo certo” de pessoas. Jesus preocupava-se com os publicanos e pecadores perdidos e repreendeu-os por não reconhecerem que todos são pecadores diante de Deus e que não tinham motivo para se considerarem melhores do que outros pecadores. Os escribas e fariseus revelaram o seu coração, pois nunca acusaram Jesus de ser um publicano ou pecador, mas sim de se associar a eles. Consulte *Dificuldades e Aparentes Contradições da Bíblia*, pp. 118-119, e *O Testamento Grego do Expositor*, vol. 1, p. 152, para obter mais informações.

P: Em Mt 9,14, por que os discípulos não jejuavam?

R: Jesus não disse que seus discípulos nunca jejuariam, mas sim que não precisavam jejuar enquanto Jesus ainda estivesse com eles na carne. Para conhecer os propósitos adequados do jejum, consulte a discussão sobre Mateus 6:16-18. Consulte “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 226-227, para obter mais informações.

P: Em Mt 9,16-17 e Mc 2,21-22, qual é o sentido das analogias sobre as vestes e os odres?

R: Mesmo no mundo natural, nem sempre é possível adaptar-se gradualmente a algo novo. Às vezes, é preciso “quebrar o molde”, mudar de paradigma ou ter um novo começo. Jesus estava dizendo aqui que, para aceitar Seu ensinamento, a ruptura era tão radical que é necessário nascer de novo (João 3:5-7) e tornar-se uma nova criação (2 Coríntios 5:16-17). Veja também a discussão sobre Mc 2,21-22.

Infelizmente, nos tempos antigos, as pessoas contra as quais Paulo se manifestou em Gálatas — chamadas de judaizantes — tentavam exatamente isso: misturar a graça e os ensinamentos de Jesus com a lei e os mandamentos do Antigo Testamento. De uma maneira diferente, alguns adventistas do sétimo dia também fazem isso.

Consulte o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 227; o “The Bible Knowledge Commentary: New Testament”, p. 40; o “The Expositor’s Greek Testament”, vol. 1, p. 153; e o “Believer’s Bible Commentary”, pp. 1235-1236, para obter mais informações.

P: Em Mt 9,20, o que há de especial na bainha de uma vestimenta?

R: Provavelmente eram as franjas na borda da vestimenta. Essas franjas poderiam ter sido consideradas uma parte mais sagrada da vestimenta, pois franjas com um fio azul no meio eram exigidas em Números 15:38 e seguintes; Deuteronômio 22:12.

A mulher parecia muito reservada a respeito disso. De acordo com Levítico 15:19-33, seu fluxo contínuo de sangue a tornaria impura; portanto, ela não deveria ter se misturado à multidão em um espaço apertado para chegar até Jesus, para começar.

Consulte o New International Bible Commentary, p. 1131; The Expositor’s Greek Testament, vol. 1, p. 154; e o Evangelical Commentary on the Bible, p. 733, para obter mais informações.

P: Em Mt 9,20-22; Mc 5,27-34 e Lc 8,43-49, por que Jesus chamou publicamente a mulher com o fluxo de sangue?

R: A cura física não foi a razão pela qual Jesus veio à Terra. Jesus estava mais preocupado com a fé da mulher do que apenas com a doença física. Como um pastor comentou com humor sobre esse milagre público: “No fim da nossa corda está a barra do manto de Jesus”.

P: Em Mt 9,20-22 e Mc 5,27-34, a quantidade de fé que temos determina se nossas orações serão atendidas?

R: É um fator. Para orações que estão de acordo com a vontade de Deus, precisamos ter fé ao orar. Tiago 1,6-7 diz que devemos pedir sem duvidar, pois quem tem duas mentes não receberá o que pede. No entanto, se acreditarmos, mas ainda tivermos algumas dúvidas, podemos pedir, ao mesmo tempo em que reconhecemos honestamente nossa descrença, como fez o homem em Marcos 9:24, e Deus atenderá à nossa oração. Também é bom saber que o Espírito Santo intercede por nós em oração, conforme Romanos 8:26-27.

É claro que, mesmo que peçamos algo com mais fé do que qualquer pessoa já tenha pedido antes, e não for da vontade de Deus concedê-lo a nós, então Deus não o fará, conforme mostra Tiago 4:3. Isso faz parte de uma questão mais ampla: quando Deus responde à oração e quando as Escrituras dizem que Ele não o faz. Consulte a discussão sobre Mateus 7:7-11 e o livro “Hard Sayings of the Bible”, pp. 419-421, para obter mais informações.

Consulte a seção “Evangelhos” para perguntas sobre a filha de Jairo.

P: Em Mt 9,23-26, por que havia choradoras profissionais?

R: Lamentadoras remuneradas eram comuns, para que houvesse tempo de atender a todos os convidados do funeral. De acordo com a Mishná Ketubot 4:4, mesmo uma família pobre teria que pagar por dois flautistas e uma lamentadora profissional. Alguns chamam isso de “luto artificial”. A morte é um grande negócio, tanto naquela época quanto hoje. Consulte o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 231, e o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1236, para obter mais informações.

P: Em Mt 9,28-31, por que esses dois cegos, que tinham fé para acreditar em Jesus, não tiveram a obediência necessária para evitar divulgar isso aos outros?

R: Essa é uma questão interessante. Esses cegos “viram” que Jesus era o Filho de Davi, ou seja, o Messias, melhor do que a maioria das pessoas com visão. Esses homens tinham fé para recorrer a Jesus quando não havia outra alternativa. No entanto, embora tenham recorrido a Jesus com fé para as grandes questões, não Lhe obedeceram nessa pequena questão. Talvez tenham pensado que divulgar isso naquele momento seria útil e, com presunção, tenham acreditado saber mais do que o próprio Jesus sobre o que era útil.

Eis a situação interessante, mas triste, de pessoas com discernimento espiritual, que tinham grande fé em Jesus, mas que optaram diretamente por desobedecer a Jesus. Sabedoria e fé não servem de muito sem obediência. Sim, eles recuperaram a visão, mas Jesus não recebeu servos obedientes nessa ocasião.

Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, pp. 1236–1237, e o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, pp. 232–233, para obter mais informações.

P: Em Mt 9,38, devemos orar por mais trabalhadores para a colheita hoje?

R: Sim, essa é uma oração frequentemente negligenciada. Oramos pela colheita, que consiste em que as pessoas venham a Cristo e se tornem Seus discípulos, mas também devemos orar por mais colhedores que Deus possa usar para evangelizar os não-cristãos, pois Jesus diz que os trabalhadores serão poucos, o que significa que serão muito poucos. Às vezes, quando os tempos são difíceis e as condições econômicas são adversas, até mesmo aqueles que pastoreiam e trabalham no campo missionário podem se sentir desanimados e querer desistir. Os obreiros são enviados por Deus, mas devem permanecer na missão até que Deus os chame para outra tarefa. Consulte o Comentário Bíblico do Crente, p. 1237, para obter mais informações.

P: Em Mt 10,1, os discípulos já podiam curar antes disso?

R: Independentemente de terem curado algumas doenças antes disso, aqui Jesus estava lhes concedendo poder sobre todas as doenças. A propósito, Mateus 10:2 é a primeira vez que eles são chamados de apóstolos.

P: Em Mt 10,3 (KJV), quem é “Lebbaeus”?

R: Trata-se da mesma pessoa que Tadeu.

P: Em Mt 10,4 e Mc 3,18, como Simão, o cananeu, poderia ser um dos discípulos de Jesus, já que Simão [supostamente] não era judeu?

R: A KJV e a NKJV dizem “cananeu”, com a NKJV apresentando uma nota de rodapé informando que o texto majoritário é “cananeu”. As primeiras edições da NASB e da NRSV dizem “cananeu”. A BSB e a NASB 2020 dizem “zelote”.

Se Simão não era judeu de forma alguma ou se era parcialmente judeu, isso não é o que importa. Jesus podia chamar discípulos de qualquer nacionalidade. Como observação adicional, muitos das cidades gentias de Tiro e Sidom vieram ver Jesus em Marcos 3:8. Tiro ficava a cerca de 35 milhas do Mar da Galiléia, e Sidom ficava a 25 milhas de Tiro.

A palavra grega “Kananaios” poderia ser uma transliteração do aramaico “qan’an”, que significa “zelote”. Lucas 6:15 e Atos 1:13 o chamam de “Simão, o Zelote”. O “Expositor’s Bible Commentary”, volume 8, pp. 237, 239; o “Asimov’s Guide to the Bible”, p. 840; e o “Expositor’s Greek Testament”, vol. 1, p. 158 afirmam o mesmo. No entanto, isso levanta uma questão interessante. Se um dos discípulos de Jesus costumava ser um zelote e outro, Mateus, um cobrador de impostos, eles teriam posições políticas diametralmente opostas, pelo menos antes de se converterem a Cristo. Consulte o “Evangelical Commentary on the Bible”, p. 734, para mais informações sobre isso.

P: Em Mt 10,4; Mc 3,19; Lc 6,16; Jo 6,71, o que significa “Iscariotes”?

R: O pai de Judas chama-se Simão em João 6:71 e 13:26; portanto, não se trata do nome de seu pai. Existem duas interpretações sobre o significado de “Iscariotes”.

1. Iscariotes poderia significar “homem da adaga”.

2. Poderia significar “homem (ish) de Kerioth”, que era o nome de duas cidades em Judá. Consulte diversas fontes, incluindo a Enciclopédia Arqueológica da Terra Santa, p. 212, e o Comentário Bíblico do Expositor, vol. 8, p. 239, para obter mais informações.

P: Em Mt 10,5-6, por que Jesus ordenou explicitamente a Seus discípulos que não entrassem nas aldeias samaritanas?

R: Tratava-se de uma questão de momento, já que Jesus explicitamente lhes ordenou que fossem à Samaria em Atos 1,8.

Jesus foi enviado primeiro a Israel e, depois, ao resto do mundo. Os apóstolos foram primeiro à Judéia, depois à Samaria e, por fim, até aos confins da terra. Quando Paulo ia a uma nova cidade, ele também seguia o padrão de pregar primeiro na sinagoga. Em muitas situações hoje em dia, pode haver um momento oportuno que Deus deseja que sigamos também.

P: Em Mt 10,5-6, o que dizer da alegação dos muçulmanos ahmadiyya de que pagarão US$ 20.000 a quem encontrar provas de que Jesus veio para todas as pessoas e não apenas para os judeus?

R: A Bíblia, do Antigo Testamento ao Apocalipse, é consistente ao afirmar que Jesus é o Salvador de todas as pessoas, não apenas dos judeus. Imagine por um instante que a mensagem de Jesus não fosse dirigida aos gentios. Nesse caso, o senhor teria dito a todos os cerca de meio milhão de cristãos dos três primeiros séculos após Cristo: “Vocês não devem seguir os ensinamentos de Jesus; Deus quer que voltem a adorar seus ídolos pagãos!” – é claro que não, isso é absurdo! – assim como esta pergunta. Mas vamos examiná-la em detalhes de qualquer maneira.

Por um lado, podemos distinguir entre o ministério de Jesus antes de Sua crucificação, a mensagem de Jesus e Jesus após Sua ressurreição. Mas, nos três casos, Jesus não se dirigia apenas aos judeus. Durante Seu ministério terreno, o próprio Jesus dirigiu-se principalmente (mas não exclusivamente) às “ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mateus 15:24). Ele anunciou Sua salvação, em primeiro lugar, principalmente aos judeus. Mas também:

a) O Antigo Testamento profetizou que Jesus era para todas as pessoas.

b) Jesus dirigiu-se aos samaritanos, que eram meio judeus

c) Jesus era destinado também aos gentios (não judeus); Ele chegou até a viajar para visitar gentios fora de Israel.

d) Jesus disse que Sua mensagem era para todos, não apenas para a nação judaica.

e) Jesus nunca disse que Seu evangelho se limitava aos judeus.

f) Por fim, os apóstolos de Jesus estariam na melhor posição para compreender o que Jesus ensinou.

Eis as evidências.

a) Deus, no Antigo Testamento, disse que o Messias era para todos os povos

Isaías 9:1-7 é uma famosa profecia messiânica. Em Isaías 9:1b, está escrito: “mas, no futuro, Ele honrará a Via do Mar, além do Jordão, a Galiléia das nações”.

Isaías 42:1-9 é uma profecia messiânica. Isaías 42:6 diz: “Eu, o SENHOR, te chamei para um propósito justo, e tomarei a tua mão. Eu o guardarei e o designarei para ser uma aliança para o povo e uma luz para as nações [gentios], a fim de abrir os olhos dos cegos, de tirar os prisioneiros da masmorra e aqueles que estão sentados nas trevas da casa da prisão.”

Isaías 49:1-7 também é messiânico, mas observe especialmente Isaías 49:6: “Ele diz: ‘Não basta que você seja o meu servo, para levantar as tribos de Jacó e restaurar os protegidos de Israel. Também farei de você uma luz para as nações, para levar a minha salvação até os confins da terra.’”

b) Jesus foi até os samaritanos, que eram meio judeus

Em João 4:1-42, Jesus pregou não apenas à mulher junto ao poço, mas também aos outros moradores samaritanos da aldeia. Os samaritanos pediram a Jesus que ficasse com eles, e assim Jesus permaneceu com eles por dois dias. “E muitos outros creram por causa de Sua mensagem. Disseram à mulher: ‘Agora cremos não apenas por causa das tuas palavras; nós mesmos ouvimos e sabemos que este homem é verdadeiramente o Salvador do mundo.’”

Mas Lucas 17:11-18 mostra que os samaritanos ainda eram considerados estrangeiros e não judeus.

c) Jesus viajou até os gentios a leste e ao norte de Israel

Marcos 7:24-30: Jesus viajou para a região de Tiro (ao norte de Israel, na Fenícia) e curou a filha de uma mulher. Ora, essa mulher não era uma judia que vivia fora de Israel. Pelo contrário, o texto afirma explicitamente que ela era grega, de origem siro-fenícia. Visto que se alegava que Jesus era apenas para os judeus — e não apenas principalmente para os judeus —, este único caso já refuta a alegação de que Ele fosse “apenas” para os judeus.

Mateus 8:28-34 Jesus curou os endemoninhados de Gadara. A terra dos gadarenos ficava no lado leste do Mar da Galiléia, na região não judaica, de língua grega e dedicada à criação de porcos, chamada Decápolis. Veja também Marcos 5:1-20 e Lucas 8:26-39. Assim como a mulher siro-fenícia, esses não eram não-judeus que por acaso também estavam presentes. Jesus viajou deliberadamente para fora de Israel a fim de pregar e transmitir Sua mensagem de salvação a esses não-judeus.

Marcos 7:31-37 Jesus realizou publicamente um milagre na Decápolis, que em grego significa “dez cidades”. Era uma região de colonos gregos na atual Síria e Jordânia; nenhuma parte da Decápolis ficava em Israel.

Marcos 8:1-10 Depois de alimentar a multidão de cinco mil pessoas em Israel, Jesus cruzou posteriormente o Mar da Galiléia, rumo ao leste, para o lado dos gentios, e alimentou os quatro mil. Isso também ocorreu na Decápolis, as dez cidades dos colonos gregos.

d) O evangelho de Jesus era para todas as nações

Jesus disse aos Seus discípulos para divulgarem Sua mensagem a “todas as nações”, não apenas à nação judaica.

Lucas 24:45-47 “Então Ele [Jesus] abriu o entendimento deles para que compreendessem as Escrituras. E disse-lhes: ‘É isto o que está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dentre os mortos no terceiro dia, e em Seu nome serão proclamados a todas as nações o arrependimento e o perdão dos pecados, começando por Jerusalém’”. Isso não diz simplesmente “em todas as nações”, mas sim “a todas as nações”.

Mateus 28:18-20 “Então Jesus aproximou-se deles e disse: ‘Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a obedecer a tudo o que vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos.’” Isso não diz apenas “fazam discípulos em todas as nações”, mas sim “fazem discípulos de todas as nações”.

Mateus 8:11-12 Depois que Jesus curou o servo do centurião, disse: “Eu lhes digo que muitos virão do Oriente e do Ocidente para participar do banquete com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus. Mas os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes”. Veja também Lucas 7:1-10 sobre o servo do centurião e Lucas 13:28-30 sobre outros que participarão do banquete. Jesus NÃO está apenas dizendo que judeus virão de outras terras, pois os filhos do reino são os judeus, e os que não são filhos, vindos do Oriente e do Ocidente, também virão.

Marcos 3:7b-8 “…uma grande multidão da Galiléia, da Judéia, de Jerusalém, da Idumeia, da região além do Jordão e dos arredores de Tiro e Sidom. A grande multidão veio até Ele quando ouviu falar das grandes coisas que Ele estava realizando.” Se alguém tentasse argumentar que teriam vindo apenas judeus desses lugares (caso contrário, o argumento de “apenas” não se sustenta), o fato de Jesus ter pregado Sua mensagem à mulher grega siro-fenícia em Tiro refuta tal afirmação.

Lucas 2:32 Quando Jesus era bebê, o profeta Simeão profetizou a respeito de Jesus que ele seria “uma luz, para revelação aos gentios e para glória do Teu povo Israel”. Embora a última parte da frase mostre que Jesus era também para os judeus, a parte sublinhada mostra que Jesus era uma “revelação” para os gentios, e os gentios são não-judeus.

Lucas 3:14 Alguns soldados romanos perguntaram a João Batista o que deveriam fazer, e ele lhes disse. Por que João Batista daria ordens a esses ocupantes não judeus sobre o que fazer se Jesus não fosse para eles?

João 1:4 “Nele [o Verbo] havia vida, e essa vida era a luz dos homens.” João poderia ter usado a palavra “judeus” aqui, mas não o fez; João usou a palavra “homens”.

João 1:9-12 “A verdadeira Luz, que ilumina todo homem, vinha ao mundo. Ele estava no mundo, e, embora o mundo tivesse sido feito por meio Dele, o mundo não O reconheceu. Ele veio para os Seus, e os Seus não O receberam. Mas a todos os que O receberam, aos que creram no Seu nome, Ele concedeu o direito de se tornarem filhos de Deus.”

João 1:29 “No dia seguinte, João viu Jesus vindo em sua direção e disse: ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!’” João poderia ter dito “que tira os pecados dos judeus”, mas disse: “que tira o pecado do mundo”.

João 3:15b-17 “para que todo aquele que nele [o Filho do Homem] crê tenha a vida eterna. Pois Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para salvar o mundo por meio dele.”

e) Jesus mostrou que Seu evangelho não era apenas para os judeus

É preciso compreender que, a princípio, Jesus disse para esperarem em Jerusalém, mas depois disse para saírem para o mundo.

Atos 1:4-5 “E, enquanto estavam reunidos, Ele [Jesus] lhes ordenou: ‘Não saiam de Jerusalém, mas esperem pelo dom que o Pai prometeu, sobre o qual vocês Me ouviram falar. Pois João batizou com água, mas, dentro de poucos dias, vocês serão batizados com o Espírito Santo.’” Mas, em seguida, em Atos 1:8, Jesus disse: “Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra.”

Mateus 25:31-46: Quando Jesus voltar em glória, todas as nações se reunirão diante Dele, e Jesus separará as pessoas em ovelhas e cabras. As ovelhas, metaforicamente, alimentaram, deram de beber, acolheram e vestiram Jesus, enquanto as cabras, metaforicamente, não o fizeram.

Em João 5:22-23, Jesus está falando: “Além disso, o Pai não julga ninguém, mas delegou todo o julgamento ao Filho, para que todos honrem o Filho assim como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou.”

Mateus 21:43: Jesus disse: “Por isso vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será dado a um povo que produza os seus frutos.”

Mateus 12:50: Jesus disse: “Pois quem faz a vontade do meu Pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.” Veja também Marcos 3:34-35. Jesus não disse “os judeus que fazem a vontade do meu Pai”, mas “quem faz a vontade do meu Pai”.

Mateus 16:25 “Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por minha causa, encontrá-la-á.”

João 8:12a “Eu [Jesus] sou a luz do mundo.” Será que Jesus fez uma afirmação falsa ao dizer que era a luz do mundo, se fosse apenas uma luz para os judeus? Não, Jesus não nos enganou!

João 10:16 Jesus disse: “Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. Também preciso trazê-las para cá, e elas ouvirão a minha voz. Assim, haverá um só rebanho e um só pastor.”

João 12:32 “‘E eu [Jesus], quando for levantado da terra, atrairei todos a mim.’ (12:33) Ele disse isso para indicar o tipo de morte que iria sofrer.” Será que Jesus disse então: “Estou brincando! Vou atrair apenas os judeus”? – claro que não.

João 12:46 “Eu [Jesus] vim ao mundo como luz, para que ninguém que acredita em mim permaneça nas trevas.” Quantas vezes Jesus precisa repetir que Sua luz ou Sua mensagem é para todos, antes que comecemos a levar a sério que ela é para todos?

João 14:6 “Jesus respondeu: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim’”. Quantas outras maneiras Deus criou para que as pessoas chegassem até Ele, além de Jesus? A propósito, os cristãos afirmam que as pessoas piedosas que viveram antes de Cristo também foram para o paraíso por meio de Jesus. Embora não soubessem o que sabemos sobre Jesus, elas aguardavam ansiosamente a vinda do Messias, realizando sacrifícios de animais que temporariamente cobriam seus pecados, enquanto nós olhamos para trás, para o Messias, que, por meio de Seu sacrifício, expiou permanentemente nossos pecados.

João 17:20 “Eu [Jesus] não estou orando apenas por eles [os discípulos], mas também por aqueles que acreditarão em Mim por meio da mensagem deles.” Portanto, se um não judeu creu no testemunho dos apóstolos (como todos os cristãos fizeram), então ele está incluído entre aqueles pelos quais Jesus está orando. Embora seja verdade que muitos judeus estavam entre os primeiros cristãos, a partir da época do mártir Estêvão, cada vez mais não judeus também se tornaram cristãos.

João 18:37 Jesus está dizendo: “Todo aquele que pertence à verdade ouve a minha voz.” Ouvir, ou não ouvir, a voz de Jesus, Sua mensagem, Seu evangelho é algo muito sério. Jesus não disse: “Somente os judeus que pertencem à verdade ouvem a minha voz; os gentios que pertencem à verdade não me ouvirão.” Não, Jesus disse que “todo aquele” que pertence à verdade ouve a Sua voz.

f) O que os discípulos de Jesus disseram sobre o Seu ministério

Pedro disse em Atos 4:12: “Em nenhum outro há salvação, pois também não há outro nome debaixo do céu dado aos homens pelo qual devamos ser salvos.” Embora seja verdade que Pedro estivesse falando ao povo judeu, ele lhes disse que não há outro nome 1) debaixo do céu, 2) dado aos homens.

1 João 2:1b-2: “Jesus Cristo, o Justo. Ele mesmo é o sacrifício expiatório pelos nossos pecados, e não apenas pelos nossos, mas também pelos pecados do mundo inteiro.”

Por que o apóstolo João foi para a Ásia Menor, Tomé foi para o leste, provavelmente até a Índia, André foi para a Cítia e outros apóstolos foram para outros lugares, a fim de compartilhar o evangelho com os não judeus? Eles, mais do que ninguém, sabiam a quem Jesus desejava que Sua mensagem fosse pregada, e pregaram a mensagem por todo o mundo.

Conclusão

Não é correto deixar de ler, ou de outra forma ignorar, todos esses versículos, proferidos em momentos diferentes, e considerar apenas um único versículo referido a um período específico. Não se pode usar Mateus 15:24 para afirmar que Jesus, a luz do mundo, era destinado apenas às ovelhas perdidas de Israel naquele momento do ministério de Jesus, da mesma forma que não se pode usar Mateus 16:20: “Então Ele advertiu os discípulos para que não dissessem a ninguém que Ele era o Cristo.” (Cristo significa Messias). Jesus quis dizer que eles não deveriam dizer a ninguém que Ele era o Cristo NAQUELA ÉPOCA, pois mais tarde Ele lhes disse para irem a todo o mundo, e foi isso que eles compreenderam. Da mesma forma, Jesus foi enviado principalmente às ovelhas perdidas de Israel NAQUELA ÉPOCA (antes de sua crucificação), e Ele não apenas foi até alguns gentios naquela ocasião, mas disse aos discípulos para divulgarem Sua mensagem por todo o mundo.

As evidências de que Jesus veio para todas as pessoas são consistentes, cumulativas e contundentes. Por qualquer padrão jurídico (preponderância das provas, além de qualquer dúvida razoável, etc.), o testemunho da Bíblia e da história comprova que Jesus veio para todos os povos. Somente um juiz ou júri tendencioso poderia chegar a uma conclusão contrária.

Todas as citações são da BSB. Consulte *When Critics Ask*, p. 339, para obter mais informações.

P: Em Mt 10,5-6; 15,24-26, Jesus era um racista que veio apenas para os judeus? (O muçulmano Ahmad Deedat afirmou isso.)

R: De forma alguma, como podemos constatar ao ler essas 24 passagens. Mateus 2:1; 3:9-10; 4:15-16; 5:13-16; 8:1-13; 8:18-28; 10:18; 21:43; 24:14; 25:31-46; 28:16-20; Marcos 7:24-30; 7:31-37; 8:1-10 (lado leste do Mar da Galiléia); Lucas 8:22-33; 24:45-47; João 1:9,29; 3:17; 10:16; 12:46; 14:6; 17:20; 18:27; Atos 1:7-8. No entanto, Jesus tinha um senso de oportunidade.

Antes de Sua ressurreição, Jesus anunciou o evangelho primeiro ao povo de Deus, os judeus. Mesmo em Atos 1:8, Jesus deu a ordem de serem Suas testemunhas em Jerusalém, na Judéia e na Samaria, e depois até aos confins da terra. No entanto, antes da morte e ressurreição de Jesus, Ele não apenas ministrou à mulher siro-fenícia em Mateus 15:24-26, mas também ministrou aos samaritanos em João 4:1-42, bem como aos gentios a leste do Mar da Galiléia.

Após Sua ressurreição, em Mateus 28:19-20, Jesus disse: “Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos.” A mensagem foi reenfatizada por Deus em Atos 10.

Como observação adicional, os muçulmanos ahmadiyya também afirmam que Jesus veio apenas para o povo judeu.

Consulte o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 8, p. 244-245, para obter mais informações.

P: Em Mt 10,10; Mc 6,8; Lc 9,3; 22,35-36 e 1 Sm 17,40 (KJV), o que é um “scrip”?

R: Essa expressão da Versão King James significa uma bolsa ou carteira, geralmente contendo dinheiro.

P: Em Mt 10,12 (KJV), o que significa “saudar uma casa”?

R: Essa expressão da Versão King James significa pedir a bênção de Deus sobre a casa e sobre aqueles que nela se encontram.

P: Em Mt 10,13, o que significa que a bênção dos discípulos repousará sobre uma casa ou, caso contrário, retornará a eles?

R: A “casa”, aqui, refere-se àqueles que residem na casa. Eles não deviam se preocupar em “acidentalmente” abençoar alguém que não os recebesse de verdade. A bênção vem de Deus, não de qualquer magia de suas palavras.

P: Em Mt 10,14 e Mc 6,11, por que os discípulos deveriam sacudir a poeira dos pés diante daqueles que não os acolhessem?

R: Isso constituía um testemunho contra eles. Ou seja, as pessoas hostis poderiam reconsiderar sua atitude após testemunhar essa repreensão. Além disso, seria um testemunho a Deus contra aqueles que rejeitavam Sua mensagem.

P: Mateus 10,14 e Marcos 6,11 significam que nunca devemos debater com ninguém, mas simplesmente ir embora?

R: Não, por várias razões: é preciso considerar toda a comissão especial concedida aos doze naquele momento, e ela não diz para irem embora se alguém se opuser a eles. Em vez disso, diz para sacudirem a poeira dos pés como um sinal QUANDO partirem, caso ninguém os receba. Por fim, os apóstolos Pedro e Paulo debateram com outras pessoas, e Apolo, que não era apóstolo, também debateu.

Encomendas especiais nessa ocasião:

Mateus 10:5-20 provavelmente se refere ao mesmo evento que Marcos 6:11, e é preciso examinar as passagens na íntegra, não apenas parte de um versículo. Os doze discípulos não deveriam levar cajado, nem dinheiro, nem permanecer na casa de outrem. Esse não é o padrão para todo o evangelismo posterior. O fato de que eles não deviam permanecer em um único lugar para discutir e debater (ao contrário do que Paulo fez posteriormente no Salão de Tirano, em Atos 19:9-10) é compreensível, pois estavam inicialmente divulgando a mensagem.

Mesmo assim, eles não deviam partir se alguém se opusesse a eles. Em vez disso, deviam permanecer na casa de alguém que os acolhesse. Se ninguém na cidade os acolhesse, então partiriam, sacudindo a poeira dos pés.

Sacudir a poeira QUANDO partirem

O grego aqui, na verdade, não lhes diz para partirem. Em vez disso, diz para sacudirem a poeira dos pés QUANDO partirem. Tanto eles, os futuros cristãos, quanto nós, passaríamos por situações em que, no mesmo lugar, algumas pessoas se oporiam a eles e outras os apoiavam. Em 2 Coríntios 10:3-6, Paulo diz: “Pois, embora vivamos na carne, não lutamos segundo a carne. As armas da nossa batalha não são as armas do mundo. Pelo contrário, elas têm poder divino para derrubar fortalezas. Derrubamos argumentos e toda presunção erguida contra o conhecimento de Deus; e levamos cativo todo pensamento para torná-lo obediente a Cristo.” (BSB)

Jesus discutindo com os outros

Jesus discutiu com os fariseus por meio de perguntas em Mateus 22:41-46 e em outros trechos.

Em seguida, Jesus mudou de tom e utilizou uma repreensão muito severa em Mateus 23:1-37.

Jesus disse aos fariseus que eles poderiam cometer o pecado imperdoável de blasfêmia contra o Espírito Santo em Mateus 12:22-33.

Jesus usou xingamentos! Ele chamou aqueles judeus de “uma geração perversa e adúltera” em Mateus 12:39-41. Ele chamou as pessoas que se opunham a Ele de “filhos do inferno” em Mateus 23:15.

Jesus disse explicitamente aos saduceus que eles estavam errados porque não conheciam as Escrituras nem o poder de Deus, em Mateus 22:29-32.

Pedro, Paulo, Estêvão e Apolo debateram com outras pessoas

Além de Jesus, Paulo estava provando que Jesus era o Cristo em Antioquia, em Atos 9:19-25. Ele enfrentava tanto sucesso quanto oposição. Ele não partiu até que os judeus tentassem matá-lo.

Quando Elimas se opôs a Paulo em Atos 13:8-12, Paulo o repreendeu e não partiu.

Quando houve um tumulto em Éfeso contra Paulo, este quis falar com a multidão em Atos 19:30.

Em Jerusalém, Paulo dirigiu-se à multidão hostil em Atos 22:2-22.

Pedro debateu com os não crentes em Atos, e Paulo debateu com eles com ainda mais frequência. Para que ninguém diga que isso era algo exclusivo dos apóstolos, Apolo não era apóstolo e, mesmo assim, debatia. No entanto, não é correto supor que todos os crentes estejam preparados para debater com outras pessoas.

Os primeiros cristãos pré-nicenos

Os primeiros cristãos pré-nicenos, a quem Deus utilizou para transformar o mundo romano, empregavam amplamente a persuasão e a argumentação em seu testemunho. Isso variava desde um diálogo amigável e prolongado entre Justino Mártir e Trifão, o judeu, até outros, como Aristides, Teófilo de Antioquia, Mathetes a Diogneto e Tertuliano, que detalhavam os supostos atos vergonhosos das divindades greco-romanas, passando por Irineu e Hipólito, que refutavam extensivamente todas as diversas escolas do gnosticismo. Arnóbio recorreu a uma ridicularização muito bem-humorada do paganismo greco-romano. Lactâncio demonstrou por que a filosofia grega estava errada. É possível consultar uma lista em

www.BibleQuery.org/History/ChurchHistory/WhatEarlyChristiansTaughtOnExperienceandPractice.html (ou .docx). Faça a busca a partir de “r1” em letras minúsculas.

Por fim, se o senhor discordar de mim e de outras pessoas que moram na mesma cidade, e ainda assim achar que não deve persuadir ou discutir com quem discorda de si, mas sim deixar a cidade, posso chamar um caminhão de mudança para o senhor, se desejar. ;-)
Falando sério, isso, na verdade, levanta duas boas questões: como Jesus e os primeiros cristãos discutiam com pessoas que discordavam deles, e em que momento devemos parar de discutir e ir embora? As duas perguntas a seguir abordam esses temas.

P: Em Mt 10,14 e Mc 6,11, quando devemos parar de debater com um não cristão e simplesmente ir embora?

R: Há pelo menos três considerações.

Perigo imediato

Se a sua vida, a vida de sua família ou a vida de outros cristãos estiverem em perigo imediato por causa da sua presença, talvez seja o caso de considerar se Deus deseja que você se retire. Paulo fugiu de Antioquia quando tentaram matá-lo, e os cristãos fugiam com frequência quando eram perseguidos. Por um lado, devemos estar dispostos a morrer por Cristo, mas, por outro lado, Deus pode querer que vivamos um pouco mais para compartilhar mais o evangelho, e nossa fuga pode ser o meio escolhido por Deus para nos preservar.

Retorno decrescente versus outras oportunidades

Cheguei a um ponto em que não consigo dedicar todo o tempo que poderia ao testemunho, de forma a alcançar o máximo possível de pessoas que me enviam e-mails, e ainda ter tempo para dormir, estar com minha família e realizar meu trabalho regular. Com algumas pessoas, posso dar apenas respostas rápidas ou recusar algumas oportunidades de ministério, a fim de ter tempo para fazer coisas que considero mais importantes para mim. Certa vez, Paulo foi a uma cidade, e algumas pessoas já haviam aceitado a Cristo. Paulo poderia ter optado por fazer uma boa ação e passar o resto de sua vida naquela única cidade tentando converter todos os demais moradores. Mas, em vez disso, Paulo seguiu para outras cidades. Não deixe que fazer coisas boas o impeça de fazer coisas grandiosas.
Por outro lado, continuei a debater com pessoas de seitas nas quais eu tinha muito pouca esperança de que se arrependessem. Fiz isso porque havia outros não-cristãos ali e eu queria que fossem alertados para não se filiarem.

Se suas discussões ou pregações pudessem ser prejudiciais ou fazer com que as pessoas fechassem os ouvidos

Hesito em mencionar isso porque a maioria das pessoas tem o problema oposto: não ser ousada o suficiente ao pregar o Evangelho. Jesus disse para orarmos por mais obreiros para a colheita, e Paulo, em Filipenses 1:14, ficou contente porque seus sofrimentos encorajaram outros crentes a pregar com mais coragem e sem medo. Além disso, 2 Coríntios 2:15 diz que (se estivermos fazendo as coisas corretamente) exalaremos o aroma da morte para aqueles que estão perecendo. O Evangelho é ofensivo, e se nossas palavras nunca ofendem, não estamos cumprindo nossa missão. No entanto, por mais ofensivo que o Evangelho seja para alguns, não devemos aumentar essa ofensa. Devemos falar a verdade em amor, conforme Efésios 4:15. Especialmente na cultura moderna, podemos falar a verdade de maneira desagradável ou insensível e afastar as pessoas desnecessariamente. Podemos compartilhar o evangelho com tanta frequência para as mesmas pessoas que nossa insistência pode se tornar irritante. Não queremos aumentar a ofensa do evangelho, mas também não queremos diminuir em nada a ofensa do evangelho.

P: Em Mt 10,14-15, 40-42, por que Jesus ensinou que receber uma pessoa justa era tão importante?

R: Receber uma pessoa justa implicava muitas coisas. Não significava apenas acolhê-la, mas também oferecer-lhe ajuda, apoio e, nas décadas seguintes, abrigo contra as autoridades que a perseguiam. Receber uma pessoa justa também implicava aceitar seus ensinamentos e estar disposto a aprender com ela. Além disso, significava proporcionar-lhe uma plataforma para ensinar outras pessoas.

P: Em Mt 10,15, por que será mais tolerável para Sodoma e Gomorra no Dia do Juízo Final do que para aqueles que não acolheram os discípulos em suas casas?

R: As Escrituras não dizem, mas Deus julga as pessoas com base no que elas eram capazes de saber (Romanos 4:15; 5:13). Embora o povo de Sodoma e Gomorra fosse muito ímpio, ele sabia muito pouco sobre Deus. As pessoas que não são tão ímpias, mas sabem muito sobre Deus e, mesmo assim, rejeitam os discípulos de Deus, terão de enfrentar um julgamento severo.

P: Em Mt 10,16, como eles (e nós) devem ser prudentes como as serpentes e simples como as pombas?

R: Muito simplesmente, devemos estar atentos às artimanhas e às possíveis armadilhas que os outros possam preparar, mas nunca devemos nós mesmos arquitetar planos malignos.

P: Em Mt 10,19, como o Espírito Santo dá aos cristãos as palavras a serem ditas quando estão sob perseguição?

R: Quer um cristão esteja sob perseguição em um determinado momento ou não, às vezes o Espírito Santo simplesmente coloca na mente da pessoa as palavras que deve dizer. Em segundo lugar, Deus pode fazer com que você veja ou ouça coisas cotidianas ao seu redor que se relacionem com a mensagem que você deve transmitir. Por exemplo, logo antes de falar aos atenienses, Paulo viu muitos ídolos, além de um altar dedicado a um deus desconhecido. Além disso, somos lembrados da verdade por meio da leitura da Bíblia. Mesmo que um cristão conhecesse perfeitamente todas as histórias e todos os ensinamentos da Bíblia, ainda assim seria importante ler a Bíblia para ser lembrado da verdade.

P: Em Mt 10,19-20, quando o Espírito Santo está dando aos cristãos as palavras a serem ditas, isso significa que, naquele momento, as palavras são inerrantes (sem erro) ou infalíveis (sem erro teológico significativo)?

R: A menos que o Espírito Santo estivesse transmitindo palavras exatas e fosse possível ter certeza de que a pessoa as ouviu sem erro, é possível que um cristão obediente ainda possa falar com erro.

P: Em Mt 10,21-22, 35-36, por que os membros de uma família cristã se levantariam contra um cristão?

R: É lamentável que os familiares de alguém que adora a Deus se levantem contra ele ou ela. Fui informado sobre um menino argelino que se converteu do islamismo ao cristianismo. Quando ele se recusou a retratar-se, sua própria mãe colocou veneno de rato em sua comida.

P: Em Mt 10,23, por que Jesus disse aos cristãos para fugirem da perseguição, já que Deus os está protegendo?

R: Deus pode nos proteger da maneira que desejar, e uma forma de nos proteger é nos dizer quando devemos fugir.
Por um lado, não há vergonha alguma em fugir, como muitos cristãos fizeram depois que Estêvão foi apedrejado em Atos 8:1-8. Por outro lado, há momentos em que Deus não quer que fujamos, mas que permaneçamos firmes e soframos por Ele. Em ocasiões diferentes, tanto Jesus quanto Paulo foram deliberadamente a Jerusalém, sabendo o que os aguardava lá.

P: Em Mt 10,23, a vinda de Jesus nunca se concretizou, já que Ele viria antes que eles percorressem todas as cidades de Israel? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou essa questão.)

R: Não, porque, em sua fuga, eles não passariam por todas as cidades de Israel antes da vinda de Jesus, e eles nunca passaram por todas as cidades de Israel. Esse evento futuro provavelmente ocorrerá durante a tribulação.

P: Em Mt 10,23, o que significa que Jesus virá antes que eles terminem de percorrer todas as cidades de Israel?

R: Primeiro, o que não é a resposta; depois, alguns fatos; e, por fim, a resposta.

O que não é a resposta: Diz-se que Jesus “virá”, portanto não pode se referir à Sua ascensão, quando Jesus partiu. Alguns pensam que se refere ao julgamento vindouro de Jesus sobre a destruição de Jerusalém, mas nada sobre um templo é mencionado aqui.

Alguns fatos: Não temos evidências de que os discípulos tenham sofrido perseguição antes da crucificação de Jesus. Embora a destruição do templo tenha ocorrido em 70 d.C., se Jesus tivesse vindo secretamente e de forma invisível naquela época, ninguém na igreja primitiva teria a menor ideia disso. De fato, após 70 d.C., cerca de 14 cristãos primitivos escreveram sobre o retorno de Cristo como um evento futuro.

Dois pontos na resposta: Primeiro, Jesus não está falando sobre pregar o evangelho em Mateus 10:21-22, mas sobre ir de cidade em cidade para fugir da perseguição. Portanto, fugir da perseguição “dá início ao prazo”, por assim dizer. Naquela época, os cristãos não ficarão sem cidades para onde fugir antes do retorno de Cristo. Isso ocorrerá no futuro, provavelmente durante a tribulação.

Segundo, independentemente de quando isso ocorra, não há evidências de que os apóstolos tenham conseguido percorrer todas as cidades de Israel; portanto, isso ainda não aconteceu.

P: Em Mt 10,23, o evangelho será pregado em todas as cidades, ou não será pregado, conforme Mt 24,14?

R: É importante ler os versículos com atenção para não interpretar erroneamente o que eles dizem. Mateus 24:14 afirma que o evangelho será pregado a todo o mundo como testemunho a todas as nações. Isso não significa que cada indivíduo seja forçado a ouvir; mas, com a TV, o rádio e a internet, o evangelho hoje já foi pregado a quase todo o mundo, exceto, talvez, em algumas áreas tribais isoladas.

Mateus 10:23 não se pronuncia sobre se o evangelho será pregado em todas as cidades de Israel ou não. Em vez disso, trata-se de fugir da perseguição, e um cristão não ficará sem cidades em Israel para onde fugir antes do retorno de Cristo.

P: Em Mt 10,25; Mc 3,22 e Lc 11,15-19, quem é “Beelzebub”?

R: Esse é o nome de um demônio que era conhecido pelos judeus por esse nome. “Beelzebub” deriva de Baal, que significa “Senhor”, e de zebub, que significa “moscas”.

P: Em Mt 10,26, o que significa que nada está oculto que não venha a ser revelado?

R: No fim, tudo será revelado. Especificamente, no Juízo Final, Deus julgará cada ação (Apocalipse 20,13), cada palavra ociosa (Mateus 12,36-37) e conhecerá até mesmo todos os nossos pensamentos (Salmo 139,2.4).

P: Em Mt 10,28, é Deus ou Satanás quem deve ser temido por destruir tanto o corpo quanto a alma no inferno?

R: Essa passagem se refere a Deus.

P: Em Mt 10,28, como os corpos físicos são destruídos no inferno?

R: A palavra grega aqui é Gehenna, que se refere ao inferno, mas essa palavra também se refere a um grande depósito de lixo ao sul de Jerusalém. Independentemente de onde o primeiro corpo de uma pessoa ímpia seja destruído, seu corpo ressuscitado vai para o Lago de Fogo e é destruído porque ela se recusa a aceitar Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador.

P: Em Mt 10,33, se um cristão, em um momento de fraqueza, negasse a Cristo diante dos homens, esse cristão seria negado por Jesus e iria para o inferno?

R: Pedro fez isso, mas foi perdoado. Negar a Cristo e se arrepender não é um pecado imperdoável, pois nenhum pecado é imperdoável, exceto a blasfêmia contra o Espírito Santo (Mateus 12:31,32; Marcos 3:28-30; Lucas 12:10-11).

P: Em Mt 10,34, como é que Jesus, o príncipe da paz, veio não para trazer paz, mas uma espada?

R: Jesus não empunhou uma espada contra ninguém (pelo menos não até Sua segunda vinda), mas famílias se dividiram, e muitos cristãos foram mortos por causa do nome de Jesus. Jesus está dizendo aqui que, embora Ele seja o Príncipe da Paz, não se deve presumir que Ele esteja aqui para trazer paz à Terra ainda, embora Jesus traga paz agora aos corações dos crentes, de acordo com Efésios 2:14-17 e Filipenses 4:6-7.

P: Em Mt 10,37, por que temos que amar a Deus mais do que nossa própria família?

R: Em Marcos 12:29-30, Jesus disse que amar a Deus era o primeiro mandamento. Deus nos criou e nos ama mais do que qualquer outra pessoa, e é a Deus que devemos dedicar nossa lealdade suprema.

P: Em Mt 10,41, como recebemos a recompensa de um profeta ou de uma pessoa justa ao acolher um profeta ou uma pessoa justa?

R: Isso é verdade de pelo menos duas maneiras.

1. Quando uma pessoa os acolhe e recebe sua mensagem, ela pode se converter ao cristianismo e tornar-se também uma pessoa justa.

2. Quando recebemos um cristão em nome de Jesus, isso é um ato justo, e é como se estivéssemos recebendo Jesus, conforme diz Mateus 25,33-40.

P: Em Mt 11,3, por que João perguntou a Jesus se Ele era o Messias prometido, já que ele viu o Espírito descendo sobre Jesus como uma pomba em Jo 1,32?

R: João Batista estava preso na fortaleza de Maquerus, junto ao Mar Morto, de acordo com o livro “Antiguidades dos Judeus”, de Josefo, livro 18, capítulo 119 (v. 2). Talvez João não tivesse ouvido falar dos milagres e do ministério de Jesus. Ou talvez João estivesse se perguntando se Jesus iria libertá-lo sobrenaturalmente da prisão. Há pelo menos quatro possibilidades complementares:

Dúvida: Talvez João estivesse passando por um momento de dúvida nesse momento. O escritor da Igreja primitiva Tertuliano (198-220 d.C.) foi o primeiro a sugerir isso.

Confusão: Talvez João tivesse visto as profecias da primeira vinda se cumprindo e estivesse se perguntando sobre as profecias da Segunda Vinda.

Impaciência: William Hendriksen afirma que “Talvez a dificuldade de João não fosse sua fé, mas sua paciência. João tomou uma decisão muito sábia quando, em vez de guardar para si mesmo sua dificuldade em relação a Jesus, ou de discuti-la com outras pessoas, mas não com a pessoa certa, ele levou isso a Jesus.” (O Evangelho de Mateus, 1973, p. 84)

Insistindo com Jesus: Da mesma forma, talvez João estivesse insistindo com Jesus para que Ele demonstrasse mais poder, ou ambos.

P: Em Mt 11,3-6, por que Jesus simplesmente não disse sim ou não?

R: É fácil afirmar ser o Messias. Outra coisa é comprovar essa afirmação por meio de evidências milagrosas. Jesus estava lembrando tanto a João quanto aos seus ouvintes das evidências que Ele havia apresentado.

P: Em Mt 11,3, já houve momentos em sua vida em que você estava testemunhando e vivendo para Deus, e se sentiu confuso ou decepcionado?

R: João Batista pregava a palavra com ousadia e seguia a Deus fielmente. Por seu esforço perseverante, João acabou passando da liberdade do deserto para a prisão confinada, onde mais tarde seria executado. Mas ele fez isso pelo grande Messias, que faria coisas espetaculares e muito em breve se revelaria em poder — só que isso não parecia estar acontecendo, pelo menos no prazo esperado por João. João Batista estava confuso e só queria ter certeza de que tudo pelo que havia trabalhado e sofrido não tinha sido em vão.

Em vez de repreender João, em particular ou publicamente, por ter alguma dúvida, Jesus enviou alguém a João para lhe dizer que as coisas estavam por vir, e que ele poderia observar os milagres naquele momento, usando a linguagem de Isaías 35:5-6. Em seguida, Ele confirmou publicamente João, apesar de sua dúvida.

João pode ter ficado confuso, mas há momentos em que nós também podemos ficar confusos. Às vezes, a mudança para melhor não ocorre no nosso próprio tempo. Às vezes, pode parecer que tudo o que fizemos foi em vão. Às vezes, como Jó, não temos a menor ideia do porquê de estarmos seguindo a Deus fielmente e, ainda assim, tantas coisas ruins nos aconteçam.

P: Mateus 11:11 e Lucas 7:28 ensinam que João Batista foi para o inferno, como ensina o “Princípio Divino” do Rev. Moon, na página 161?

R: Não. João 10:41-42 mostra que o testemunho de João levou muitos a crer em Jesus. Devemos ser cautelosos ao condenar um mártir que morreu por Deus como tendo falhado e ofendido a Deus. Quando Jesus diz que aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que [João Batista], Ele se refere ao fato de que Jesus ainda não havia aberto o caminho para o céu, e João Batista foi, na verdade, o último profeta sob a antiga aliança. Além disso, se João Batista falhou em seu ensinamento, por que então, em Mateus 21:32, Jesus disse que o povo deveria acreditar em João Batista?

P: Em Mt 11,11 e Lc 7,28, o que significa que aquele que é o menor no Reino dos Céus é maior do que João Batista?

R: Isso não significa que João não fosse salvo ou que fosse uma pessoa má, pois Jesus o elogiou grandemente na primeira parte do versículo e, como precursor escolhido, João ocupava um lugar que ninguém mais na história ocupou. Mas o Reino dos Céus ainda não havia chegado à Terra, de modo que João Batista foi morto antes que pudesse fazer parte dele. Além disso, a percepção espiritual dos crentes seria maior do que a que João Batista possuía.

Há também três pontos de vista adicionais, e todos eles podem ser verdadeiros.

Expressão idiomática hebraica: Essa expressão é muito semelhante a um ditado rabínico de Johanan ben Zakkai, um dos estudiosos mais respeitados do primeiro século, considerado o “menor” dos oitenta discípulos de Hillel; esse ditado não tinha a intenção de diminuir o status de João, mas de elevar o de seus contemporâneos.

Ninguém até Jesus: Nem mesmo João Batista estava ainda no Reino dos Céus. Ninguém estava, até que Jesus abriu o caminho por meio de Sua morte e ressurreição.

Posição relativa no Céu: Lembre-se de que João Batista estava cheio do Espírito Santo desde antes de nascer. Especula-se que talvez os crentes no Céu, que tiveram de ser regenerados após o nascimento, tenham uma posição mais elevada do que aqueles que não precisaram passar por esse processo.

P: Em Mt 11,12-13, de que forma o Reino dos Céus sofreu violência?

R: Desde o momento da prisão de João Batista (e sua posterior execução) até hoje, há e haverá violência contra o Reino dos Céus. Jesus disse isso depois que João Batista, então preso por Herodes, lhe enviou uma mensagem. Muitos consideram que a violência e os homens violentos ou agressivos não são aspectos positivos, mas negativos. No entanto, outros consideram isso um aspecto positivo.

P: Em Mt 11,12-13, desde os tempos do Novo Testamento, de que maneira os homens enérgicos têm promovido, ou tentado promover, o Reino de Deus?

R: Em menos de 50 anos após o Concílio de Nicéia I, os membros da igreja já estavam perseguindo outras pessoas para promover a igreja. Pode ser uma surpresa para alguns cristãos que Satanás e os demônios NÃO estejam dedicando todos os seus esforços à tentativa de destruir a igreja. Por que destruir algo se é possível tomar grande parte disso e usá-lo como ferramenta para seus propósitos malignos? A destruição é apenas uma das táticas de Satanás; a infiltração é outra. Embora a Inquisição Espanhola seja o exemplo mais conhecido, há inúmeras cruzadas e perseguições contra os valdenses, judeus, protestantes e outros.

P: Em Mt 11,14; 17,12; Mc 9,11-13; e Lc 1,17, de que forma João Batista estava no Espírito e no poder de Elias? Ele era Elias reencarnado?

R: Não. Ele veio no espírito e no poder de Elias, mas João não era Elias reencarnado. Na primeira vinda de Jesus, João tinha o propósito e a missão de Elias. É claro que o próprio Elias (não João) apareceu brevemente na transfiguração. Muitos acreditam que Elias será uma das duas testemunhas imediatamente antes da sétima trombeta, em Apocalipse 11:3-12.

O primeiro escritor conhecido por ter abordado esse versículo é Justino Mártir (c. 138–165 d.C.), que observou que o conceito de alguém possuir o espírito de outra pessoa não é exclusivo de Elias e João Batista. Deus prometeu que Josué teria o espírito de Moisés. (Diálogo com Trifão, o Judeu, cap. 49, p. 220). Além disso, Eliseu recebeu uma porção dupla do espírito de Elias em 2 Reis 2:9-10.

João abriu o caminho para Jesus e, em seguida, saiu do caminho para dar lugar a Jesus.

P: Em Mt 11,16-17 e Lc 7,32, em que sentido aquela geração se assemelhava a crianças mimadas na praça?

R: As crianças podem ter dificuldade em ouvir, ter memória curta e, às vezes, ser muito irracionais. Elas podem ter dificuldade em enxergar qualquer perspectiva que não seja a própria. Jesus explica por que disse isso em Lucas 7:33-35. Por um lado, elas criticavam João Batista por não beber vinho nem comer alimentos comuns; por outro, viravam-se e criticavam Jesus por beber vinho e comer alimentos comuns.

Vi uma situação semelhante em Salt Lake City, ao ministrar aos mórmons. Os mórmons perguntavam se eu já havia sido mórmon, e eu respondia “não”. Como nunca fui mórmon, como poderia compreender o que eles ensinavam? Eles faziam a mesma pergunta a cristãos ex-mórmons, e estes respondiam “sim”. Como poderiam ouvir alguém que era apóstata e havia deixado a igreja deles? Aparentemente, não há como fazer com que certas pessoas entendam.

P: Em Mt 11,20, por que Jesus denunciou essas cidades pelo nome?

R: A palavra grega para “denunciar” aqui, oneidizein, significa uma repreensão ou indignação muito forte. Jesus não estava apenas dizendo que, se elas não O aceitassem como o Messias, estariam perdidas. Mas, de forma ainda mais enfática, Jesus está dizendo que, no julgamento final, será melhor para cidades más e perversas como Sodoma e Gomorra do que para essas cidades. O grau de punição leva em conta a oportunidade. Em segundo lugar, Jesus estava indignado porque elas não acreditavam que Ele era de Deus, mesmo depois de Ele ter realizado aqueles milagres em suas cidades.

Como observação adicional, não temos certeza de onde fica Corazim, mas provavelmente era o local da atual Khirbet Kerazeh, que fica a duas milhas a nordeste de Cafarnaum.

P: Em Mt 11,23-24, por que Sodoma estaria disposta a se arrepender neste contexto?

R: Jesus está usando uma hipérbole aqui para dizer que, se o povo de Sodoma tivesse o conhecimento de Deus que os judeus possuíam, não teria sido tão perverso a ponto de ser destruído. Até mesmo os assírios se arrependeram quando Jonas foi até eles, mas parte do povo da Galiléia não se arrependeu, mesmo quando o próprio Deus veio até eles.

P: Em Mt 11,25-26, por que Jesus agradeceu ao Pai por ter ocultado a verdade dos chamados sábios?

R: Não seria estranho se os mais inteligentes e aqueles que tinham condições de pagar por mais educação fossem, apenas por seu conhecimento, mais agradáveis a Deus ou mais próximos do Céu? Não é assim; há igualdade de condições no que diz respeito à inteligência e à educação. Aqueles que estão dispostos a reconhecer diante de Deus a própria impotência estão próximos a Deus, como mostra a parábola do fariseu e do publicano.

P: Em Mt 11,25-26, de que maneiras Deus impede as pessoas de compreenderem Sua sabedoria?

R: As pessoas que eram tão inteligentes a ponto de acharem que podem compreender a vida independentemente de Deus. Ser sábio não é ruim, mas confiar na própria sabedoria em vez de confiar em Deus, sim.

P: Em Mt 11,25-26, devemos, em algum momento, agradecer a Deus por ocultar a verdade?

R: É melhor simplesmente agradecer a Deus pela verdade e pela maneira como Ele a revelou. Jesus está dizendo que as pessoas mais inteligentes não têm vantagem sobre as menos inteligentes na busca pela verdade sobre Deus. A verdade foi ocultada de tal forma que as pessoas não podem encontrá-la por meio de sua própria sabedoria, sem Deus. No entanto, paradoxalmente, aqueles que desejam conhecer a verdade a encontrarão, mesmo que sejam apenas crianças pequenas.

P: Em Mt 11,27, de que maneira todas as coisas são entregues a Jesus?

R: Todas as coisas são entregues a Jesus de várias maneiras. Todos se curvarão diante de Jesus, Jesus julgará as pessoas e Jesus nos salvou.

No entanto, o ponto principal que Jesus está enfatizando aqui não é que Ele seja “um” salvador, mas sim que não há salvação a não ser por meio de Jesus nos salvando. Um adulto moderno, um bebê ou uma pessoa que faleceu em épocas anteriores, antes de conhecer a Cristo, ou vai para o Céu por meio de Jesus, ou não vai de forma alguma.

P: Em Mt 11,27, como é que ninguém conhece o Pai, exceto o Filho e aqueles a quem o Filho revela o Pai?

R: Isso é verdade não apenas de uma, mas de duas maneiras.

Conhecimento: Se Deus assim o quisesse, Ele poderia ter-se ocultado, de modo que não seríamos capazes de saber quase nada sobre Ele. Deus escolheu revelar-Se, parcialmente por meio de Abraão e dos profetas, mas a revelação mais completa de Si mesmo veio por meio de Jesus Cristo, que veio à Terra.

Salvação: Todos os que foram salvos, e todos os que serão salvos, são salvos por meio do Messias, Jesus. Mesmo as pessoas que seguiram o Deus Verdadeiro antes do nascimento de Jesus, e que não conheciam o nome de Jesus, são salvas por meio de Jesus. Atos 4,12 afirma que a salvação não se encontra em nenhum outro lugar. Filipenses 2,9-11 diz que, ao nome de Jesus, todo joelho se dobrará — nos céus, na terra e debaixo da terra — e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor.

P: Em Mt 11,27, por que Jesus diz que ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho decidir revelá-Lo, uma vez que Sl 145,18 afirma que Deus está próximo de todos os que O invocam?

R: O livro “As Nove Perguntas que as Pessoas Fazem sobre o Judaísmo”, pp. 86-87, aborda essa questão. Há três pontos a serem considerados na resposta.

Todos aqueles a quem Jesus escolher: Jesus nunca disse que somente Ele conheceria o Pai. Em vez disso, Jesus disse que somente Ele e aqueles a quem Jesus escolher conhecerão o Pai.

Período de tempo: Jesus não especificou se isso se referia ao futuro, no juízo final, ao presente, ao passado ou a todas essas opções. Essa afirmação é verdadeira no futuro, pois, no fim, todos comparecerão perante Cristo, que é nosso juiz, como mostra João 5:22-23. As palavras de Jesus também eram verdadeiras em Seu tempo, pois Ele disse aos judeus em João 8:24 que, se O rejeitassem, eles de fato morreriam em seus pecados. Isso pode parecer injusto para alguém que pensasse que ir para o céu consistisse meramente em ler as Escrituras e confiar nas palavras, em vez de na obediência. No entanto, Jesus disse em João 14:6 que Ele era o caminho, a verdade e a vida, e que ninguém chegaria ao Pai a não ser por meio Dele. No entanto, em certo sentido, as palavras de Jesus também eram verdadeiras antes mesmo de Sua época. Não apenas Ele esteve com os israelitas no deserto, conforme 1 Coríntios 10:4, mas Sua crucificação e ressurreição — que trouxeram vida a todos os crentes, tanto os que viveram antes quanto depois de Cristo — foram planejadas desde a fundação do mundo, conforme Atos 2:23.

Relação Especial: Dito tudo isso, Jesus e o Espírito Santo têm, de fato, uma relação especial com o Pai que ninguém mais possui.

P: Em Mt 11,28, como é que Jesus nos dá descanso?

R: Podemos aplicar essa verdade às nossas vidas de pelo menos cinco maneiras.

Liberdade do medo: Deus cuidará de nós, e nada nos acontecerá, a não ser o que Deus permitir. 1 Pedro 1:6-9 e 1 Coríntios 2:9 mostram que as glórias do Céu farão com que os sofrimentos que suportamos na terra pareçam insignificantes.

Liberdade da ansiedade e da preocupação: No Sermão da Montanha, Jesus enfatiza especificamente o nosso valor para Deus, bem como o caráter indesejável e inútil da preocupação. Filipenses 4:6-7 diz que não devemos nos ansiar por nada, mas levar nossos pedidos diante de Deus.

Liberdade em relação ao nosso próprio trabalho, objetivos e ambições: Quando nos tornamos cristãos, nosso parâmetro de sucesso é redefinido. O sucesso não consiste apenas em realizar o que Deus deseja que você realize, mas em ser tudo o que Deus deseja que você seja. Não é nada mais do que isso. Não precisamos mais nos preocupar em ser bem-sucedidos aos olhos dos outros, nem em estar à altura dos ideais culturais.

Liberdade da preocupação com o Juízo Final: No Dia do Juízo Final, os cristãos poderão permanecer sem medo. Cristo julgará os cristãos quanto às suas recompensas (ou à perda delas), mas os cristãos podem ter a certeza da salvação e de escapar do Lago de Fogo.

Liberdade eterna: nossa liberdade começa agora mesmo na Terra, de forma limitada. Mas teremos a liberdade como filhos do Rei no Céu, para sempre.

O livro *When Critics Ask*, p. 342, resume bem: “A vida de um crente é ‘fácil’ no sentido de que traz ‘descanso para as vossas almas’ (Mt 11,29), mas é difícil para a ‘carne’, que muitas vezes precisa da mão disciplinadora de Deus para mantê-la na linha. A salvação traz ‘paz com Deus’ (Rm 5,1), mas também traz conflito com o mundo (1 Jo 2,15-17; Gl 5,17).”

P: Em Mt 11,29-30, qual é a diferença entre um jugo e um fardo?

R: Um jugo puxa uma carroça, que carrega um fardo. Um jugo é puxado em conjunto com outros. Um jugo, e o fardo que ele é usado para puxar, pode ser leve ou pesado, e Jesus diz que Seu jugo é leve.

Um agricultor precisa certificar-se de que o jugo esteja bem ajustado, que qualquer acolchoamento esteja no lugar certo, etc. Às vezes, questiona-se se é mais fácil ou mais difícil para um agricultor atrelar bois juntos ou para Deus atrelar cristãos juntos. Se um boi estiver morto ou se recusar a se mover, não adianta ao agricultor colocá-lo no jugo. Se Deus der aos cristãos uma oportunidade ao uni-los no jugo, mas se um cristão se recusar a se mover, porque Deus não atende às suas expectativas, isso não ajuda os outros cristãos aos quais ele está unido. Ou, pior ainda, se o cristão decidir seguir em uma direção diferente daquela que Deus deseja que ele trilhe, então isso pode ser difícil.

Às vezes, os cristãos esperam que, se seguirem e obedecerem a Deus, isso trará o máximo de bênçãos e prosperidade para suas vidas. Deus nunca prometeu isso. Apedrejamentos e espancamentos podem incapacitar uma pessoa, e os espancamentos e apedrejamentos sofridos por Paulo não o abençoaram fisicamente. Paulo provavelmente poderia ter sido mais próspero se tivesse dedicado mais tempo à confecção de tendas e menos tempo a “atividades financeiramente onerosas”, como pregar o evangelho. Se Paulo não podia esperar estar melhor física e financeiramente por seguir a Deus, então nós também não podemos. O objetivo de Deus é manifestar Sua glória na terra, não o nosso maior conforto. A glória de Deus inclui compartilharmos o evangelho, discipularmos outras pessoas e vivermos uma vida digna (Mt 10,37-38; Lc 20,35; Fp 1,27; 2 Ts 1,5.11), mas não necessariamente nosso prazer contínuo. Um boi talvez não saiba nada sobre arar em círculos concêntricos; ele apenas sabe seguir a orientação de seu senhor. Se pudermos abandonar nossas próprias expectativas sobre o que Deus deveria fazer por nós e simplesmente seguir Sua orientação, então será mais fácil para Deus nos colocar no jugo.

P: Mateus 11:29 apoia de alguma forma a ioga, conforme ensinado por Mark e Elizabeth Prophet em *Os Ensinamentos Perdidos de Jesus 3* (1988), p. 273-274?

R: De forma alguma. Jesus diz para tomarem sobre si o meu “jugo”, não a “ioga”. A palavra grega aqui, zugon, significava atrelar bois para trabalhar no campo e tem a conotação de servir a Jesus, não de realizar atividades físicas especiais ou controlar a respiração.

P: Em Mt 11,29-30, como devemos assumir o jugo de Jesus hoje?

R: Submetam-se à vontade de Cristo e entreguem toda a sua vida a Ele; deixem-se treinar por Jesus; sejam mansos e humildes como Jesus.

P: Em Mt 12,1-5, os discípulos de Jesus violaram o sábado judaico ou não?

R: Eles não violaram o sábado da Lei Mosaica nesse caso, embora tenham violado a interpretação que os fariseus faziam dela. Embora Êxodo 34:21 proibisse a colheita no sábado, eles não tinham foice e apenas algumas espigas de trigo. Colher espigas de trigo, sem foice, era permitido por Deuteronômio 23:25.Não há registro de que os discípulos ou Jesus tenham violado a Lei Mosaica enquanto Jesus ministrava na Terra antes de Sua ressurreição. Observe que a discordância não se referia a diferentes interpretações da lei, mas à abordagem fundamental em relação à lei.

É interessante que os próprios judeus não concordavam que colher grãos no sábado fosse errado. “Colher grãos” era um dos trinta e nove tipos de trabalho proibidos na Mishná Shabbath 7.2.9.c, de acordo com suas tradições. No entanto, também concedia exceções para o serviço no templo. A exceção também é concedida quando a vida está em risco na Mishná Yoma 8:6; Mek Êxodo 22:2; 23:13. A Mishná Shabbath 10.2 não trata da colheita casual de grãos. Em um período posterior, a Gemara permite especificamente a colheita de grãos com as mãos; ela apenas proíbe o uso de ferramentas.

P: Em Mt 12,1-8 e Mc 2,27, o que Jesus disse aqui sobre o sábado constitui uma alteração na Lei de Deus, ou Jesus estava explicando como eles deveriam tê-la praticado também nos tempos do Antigo Testamento?

R: Jesus não está fazendo nenhuma alteração aqui. Colher espigas já era especificamente permitido na Lei. Embora a Lei determinasse que as pessoas não pudessem trabalhar no sábado, era permitido colher grãos para comer, desde que não se estivesse colhendo com o intuito de colocá-los em um saco.

Jesus estava ressaltando que é preciso considerar a Lei como um todo, pois a Lei também previa uma disposição especial para os sacerdotes. Além disso, Jesus ressalta que, durante a situação de emergência de Davi, sua sobrevivência e sua fuga de Saul tiveram precedência sobre os pães da proposição. Quanto mais, então, o Messias deveria ter precedência sobre as tradições farisaicas?

Por fim, Jesus disse que algo maior do que o Templo de Deus estava ali. Uma coisa maior do que o Templo de Deus é o próprio Deus.

P: Em Mt 12,3-5 e Mc 2,25-27, por que era permitido tomar os pães da proposição, e como isso se relaciona com a observância do sábado?

R: O princípio fundamental aqui é uma hierarquia de mandamentos, e a obediência máxima deveria ser a Deus, não ao sábado. Apenas os sacerdotes deveriam comer os pães da proposição, e Davi e seus homens estavam em uma missão para Deus; eles se encontravam em uma situação de emergência (fugindo de Saul) e, após discutirem o assunto com o sacerdote, comeram, conforme 1 Samuel 21:3-6.

Para os fariseus, o sábado tornou-se, na verdade, seu ídolo! Não porque o sábado fosse, de alguma forma, ruim, mas porque eles se preocupavam mais com o sábado do que com Deus. Eram homens de regras, mas não homens de Deus.

Irineu (182-188 d.C.) escreveu: “Davi havia sido nomeado sacerdote por Deus, embora Saul o perseguisse. Pois todos os justos possuem o grau sacerdotal. E todos os discípulos do Senhor são sacerdotes, pois não herdam nem terras nem casas. Em vez disso, servem a Deus e ao altar continuamente… Seus discípulos possuíam o sacerdócio do Senhor. Portanto, para eles era lícito, quando estavam com fome, comer as espigas de milho [grãos]”. Irineu, Contra as Heresias, livro 4, cap. 8.3, p. 471

P: Em Mt 12,5, de que maneira os sacerdotes profanavam cada sábado sem incorrer em culpa?

R: A Lei instruía os sacerdotes a fazer o que não era lícito para os demais no sábado — eles deveriam trabalhar. O argumento de Jesus não era que os sacerdotes deveriam deixar de fazer o que Deus lhes ordenara. Pelo contrário, o argumento de Jesus era que, se você considerar as instruções de Deus ignorando o contexto, poderá enfrentar todo tipo de problema. Um legalista é aquele que analisa as leis sem levar em conta o contexto.

Tertuliano (198-220 d.C.), em *Cinco Livros Contra Marcião*, livro 4, capítulo 12, p. 362-363, apresenta uma observação interessante sobre a primazia de obedecer a Deus em comparação com a observância ritualística do sábado. O primeiro exemplo de todo o povo violando o sábado, mas ainda assim obedecendo a Deus, foi quando Deus ordenou que marchassem ao redor de Jericó. Deus ordenou que os israelitas marchassem ao redor de Jericó por oito dias seguidos; eles estavam marchando no sábado. Portanto, este também é um exemplo de como a ordem direta de Deus se sobrepõe ao sábado.

P: Em Mt 12,5, quando Jesus disse: “Ou não leram na Lei que, no sábado, os sacerdotes no templo violam o sábado e, mesmo assim, são inocentes?”, por que isso não foi citado diretamente da Lei?

R: Jesus não afirmou que se tratava de uma citação de nada. Jesus estava fazendo a dedução lógica de que, de acordo com a Lei, os sacerdotes realizavam seu trabalho sacerdotal no sábado e isso ainda era correto e agradável a Deus.

P: Em Mt 12,3-8 e Mc 2,25-28, qual era o objetivo dessas ilustrações?

R: Seguir a Deus não se resume apenas a regras, mas também a prioridades. Seguir a Jesus como seu Senhor é o que significa obediência, não apenas regras, nem mesmo as regras de Deus. Outras passagens mostram que seguir a Deus envolve mais do que regras e prioridades, mas Jesus estava sendo básico aqui. Jesus teve a paciência de dar uma explicação simples aos fariseus hostis, e louvado seja Deus por ser paciente conosco também.

P: Em Mt 12,8 e Mc 2,28, o que significa que o Filho do Homem é também Senhor do sábado?

R: Fomos criados para Deus, não para uma lei nem para o sábado. O mandamento de descansar no sábado foi dado para ajudar o homem, não para prejudicá-lo. Deus é o Senhor de Sua lei.

P: Em Mt 12,8.12, quando — se é que alguma vez — devemos infringir a letra da lei hoje em dia?

R: Ocasionalmente, podem surgir situações em que devemos fazê-lo. Nosso objetivo principal não é obedecer à “lei” ou a “uma” lei. Tampouco é o evangelismo. Nosso objetivo principal é glorificar e agradar a Deus. Isso inclui obedecê-Lo, inclusive ao Seu mandamento de compartilhar o evangelho e muitas outras coisas. Devemos ter cuidado ao infringir o que Deus nos ordenou no Novo Testamento, pois, com muita frequência, isso pode simplesmente se tornar uma desculpa para pecar, escapar da perseguição ou escolher o caminho mais fácil. Mas, dito isso, como Jesus ensinou aqui, há momentos em que a obediência a Deus não significa seguir uma regra. Para dar um exemplo simples: se o senhor tem um amigo sob seus cuidados que está prestes a morrer e o senhor está correndo para levá-lo ao hospital, o senhor deve se certificar de não dirigir acima do limite de velocidade? Se um governo aprovar uma lei segundo a qual o senhor deve denunciar o que seus vizinhos fazem (como na Coreia do Norte) e alguns vizinhos estiverem realizando um estudo bíblico, o senhor deve denunciar isso ao governo?

Por fim, Jesus nos mostra que essa ideia de que Deus deseja algumas coisas mais do que sacrifícios ou outras leis não é um ensinamento novo que Ele deu, mas está implícita no Antigo Testamento, em Oséias 6,6, que Jesus cita em Mateus 12,7.

P: Em Mt 12,10-14 e Mc 3,3-6, o que os fariseus considerariam errado em curar no sábado?

R: Os fariseus considerariam a cura um ato criativo e, portanto, trabalho. No entanto, os próprios judeus do primeiro século discutiram o que era permitido ao cuidar dos doentes na Mishná Eduyoth 2:5 e na Mishná Shabbath 6:3; Mek Êxodo 22:2; 23:13.

P: Em Mt 12,10-14, por que Jesus respondeu aos fariseus dessa maneira?

R: Jesus estava apontando a inconsistência deles. Imagine o humor peculiar da situação. Ali estavam alguns homens, ensinando suas próprias adições à palavra de Deus como se fossem a própria palavra de Deus, dizendo ao próprio Deus que Ele não poderia fazer algo. Visto que o milagre veio de Deus, eles poderiam muito bem dizer a Deus que Ele teria que retirar aquele milagre!

P: Mateus 12:18 é uma referência à Trindade?

R: Sim, uma vez que se compreenda que o Servo é Deus. O Servo é enviado, e o Espírito de Deus é colocado nele.

P: Em Mt 12,31-32; Mc 3,28-30 e Lc 12,10-11, o que é blasfêmia contra o Espírito Santo?

R: Jesus não costumava defender Sua autoridade para agir, mas considerou importante defendê-la nessa ocasião, quando foi acusado de agir por meio de Satanás. O contexto indica que se trata de testemunhar a obra milagrosa direta de Deus, rejeitar o Evangelho e afirmar que tais obras são de Satanás. Normalmente, não há problema em fazer perguntas ou examinar algo com rigor, mas quando se contesta o que é obviamente indiscutível, está-se, na verdade, rejeitando o que se sabe ser verdade.

Não se trata apenas de pedir ao Espírito Santo que saia de sua vida. Conheço uma estudante universitária cristã que pediu a Deus para sair de sua vida. Após cerca de um mês, ela se sentiu tão infeliz que se arrependeu e voltou para Cristo. Se alguém cometesse blasfêmia contra o Espírito Santo, nunca mais desejaria voltar para Cristo.

P: Em Mt 12,31-32; Mc 3,28-30 e Lc 12,10-11, por que a blasfêmia contra o Espírito Santo é muito mais grave do que a blasfêmia contra Jesus?

R: Jesus não disse especificamente. No entanto, se alguém rejeita Jesus, o Espírito pode agir de modo a que essa pessoa mude de ideia e, mais tarde, aceite Jesus. Contudo, se alguém se recusa permanentemente a ter o Espírito Santo em sua vida, e o Espírito Santo respeita esse desejo, essa pessoa nunca se converterá a Cristo nem irá para o Céu.

P: Em Mt 12,31-32, a blasfêmia contra o Espírito Santo significa detestar a luz ao negar as manifestações de Deus (como Bahá’u’lláh), conforme ensinam os bahá’ís em *Algumas Perguntas Respondidas*, p. 127-128?

R: Não, isso é um argumento circular, pois pressupõe que a alegação de que Bahá’u’lláh é a luz prova que Bahá’u’lláh era a luz. No entanto, mesmo no caso de Jesus, observe que, em Mateus 12:32, Ele disse que aqueles que falarem contra Jesus serão perdoados; portanto, falar contra um profeta de Deus NÃO é blasfêmia contra o Espírito Santo.

P: Em Mt 12,32, o fato de não se ser perdoado nesta vida pela blasfêmia contra o Espírito Santo não corrobora, de alguma forma, a crença no purgatório, como afirmou o escritor católico Ludwig Ott?

R: Não, até mesmo a Nova Enciclopédia Católica, vol. 11, p. 1034, afirma: “a doutrina do Purgatório não está explicitamente declarada na Bíblia”. Mateus 12:31-32 não oferece nenhum fundamento para o purgatório por três razões:

1) O ensinamento católico é que o Purgatório purifica o crente dos pecados veniais (menores), não dos pecados mortais (mais graves ou fatais), e a blasfêmia contra o Espírito Santo é considerada um pecado mortal.

2) Jesus não está falando sobre os crentes, mas sobre os escribas e fariseus que O rejeitaram.

3) Esse versículo não diz nada sobre a duração, a gravidade, o tipo ou o local da punição ou purificação; ele não menciona punição ou purificação de forma alguma. Em vez disso, fala sobre não ser perdoado por Deus.

P: Em Mt 12,34, o que Jesus está dizendo sobre certas pessoas?

R: Ele não está apenas dizendo que são uma raça de víboras, ou que estão falando coisas más. Em vez disso, Jesus está descrevendo uma condição do tipo “se... então”. Visto que são uma raça de víboras e são maus, então somente coisas más podem sair deles. Isso se aplica a algumas pessoas hoje em dia. Para alguns, dado o estado de seu coração, eles não são capazes de dizer nada de bom sobre nada, apenas coisas ruins. O mais surpreendente é que, assim como os fariseus, eles próprios geralmente estão cegos quanto ao fato de terem um coração maligno. Não é porque não sejam inteligentes o suficiente para perceber isso, mas porque nunca se propuseram a questionar onde está o seu coração.

Na verdade, não é como se os fariseus não compreendessem. Trata-se, antes, de que eles não queriam compreender. Jesus se interpôs e fez com que seu “grande” projeto parecesse ruim.

É claro que, como crentes, devemos nos certificar de que não agimos da mesma forma. Às vezes, quando alguém usa linguagem imprópria, pode dar a desculpa: “desculpe, isso simplesmente me escapou”. Bem, mas por que isso estava lá dentro, para começar! Precisamos nos certificar de que não temos partes “inquestionáveis” em nosso coração que também sejam más. 2 Coríntios 13:5 diz que devemos examinar a nós mesmos. Mas vamos buscar ajuda! No Salmo 139:23-24, o salmista pediu a Deus que sondasse seu coração e lhe revelasse tudo o que houvesse de perverso nele.

Infelizmente, algumas pessoas não se transformaram, mesmo na presença direta de Jesus. Algumas não mudarão, não importa o que lhes digamos; mas podemos nos voltar para as pessoas que estão dispostas a ouvir.

P: Em Mt 12,38-39 e Mt 16,1-4, quando os fariseus pediram um sinal, Jesus disse que eles teriam apenas o sinal de Jonas, ou não houve sinal algum, como diz Mc 8,11-13?

R: Quatro pontos a serem considerados na resposta.

1. Eles acabavam de ver um sinal; na verdade, estavam pedindo “mais um sinal”. Mas de que adiantaria outro sinal, já que viram Jesus expulsando o demônio e declararam que aquilo era um sinal do inferno? De que adiantaria qualquer sinal se eles simplesmente dissessem que era de Satanás? Lembre-se de que, em Mateus 12,14, eles já haviam começado a conspirar para destruir Jesus.

2. Mateus 12:38-39 foi a primeira exigência de um sinal, e Mateus 16:1-4 e Marcos 8:11-13 foi a segunda exigência de um sinal.

3. Em todos os casos, Jesus disse que eles não veriam nenhum sinal do Céu, ou que veriam apenas o sinal que os ouvintes de Jonas viram.

4. Os ouvintes de Jonas nunca viram nenhum sinal milagroso, apenas o profeta Jonas. Jonas nunca realizou nenhum milagre que tenha sido registrado na Bíblia.

P: Em Mt 12,38-39; Lc 11,30, os versículos sobre o sinal de Jonas seriam inautênticos e provavelmente teriam sido acrescentados no século VII d.C., como afirmam Stendahl, Peake; G. Schmitt, “Das Zeichen Jona”, ZNW [1978] [p. 120-123]?

R: Não. A seção 16:1-4, p. 68, do Diatessaron cita esses versículos, e essa obra foi escrita por volta de 172 d.C. Esses versículos são mencionados por Justino Mártir (138-165 d.C.), Irineu (182-188 d.C.) e Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.). Os manuscritos bíblicos Vaticanus (325-350 d.C.) e Sinaiticus (340-350 d.C.) citam isso.

P: Em Mt 12,39-40, como uma geração pode ser ímpia e adúltera?

R: Jesus não está dizendo que se trata apenas de alguns fariseus e mestres da lei, mas de toda a cultura do povo judeu naquele período específico. As pessoas tendem a seguir sua cultura, e a cultura daquela época não tinha espaço para um Messias.

P: Em Mt 12,45, o que Jesus está ensinando sobre as pessoas e os demônios?

R: Jesus está ensinando dois pontos.

Mais especificamente, quando um demônio é expulso de uma pessoa, se essa pessoa permanecer em um vácuo espiritual, o demônio poderá retornar, acompanhado de outros demônios ainda piores.

Geralmente, as pessoas não permanecem nesse vazio espiritual por muito tempo. Se não forem preenchidas por Deus, os demônios virão e preencherão essas pessoas, sua cultura e sua sociedade.

P: Em Mt 13,1, por que Jesus sentou-se em um barco e falou ao povo?

R: Jesus provavelmente falou de um barco porque, em um dia calmo, o som de Sua voz se propagava bem sobre a água. Este é um dos cinco grandes discursos de Mateus dirigidos às multidões, e seria bom para amplificar o som, de modo que as multidões pudessem ouvi-lo. Não há indício de qualquer significado sutil, apocalíptico ou de outra natureza.

P: Em Mt 13,1-23, o que difere: a semente ou o solo, e como isso se relaciona conosco hoje?

R: A semente (a mensagem do evangelho) era a mesma. Mas o que diferia era a capacidade do solo de, em primeiro lugar, receber a semente e, em seguida, fazê-la crescer. Algumas pessoas não conseguem assimilar a mensagem do evangelho. Outras conseguem assimilar, mas ela não terá um crescimento duradouro nelas. Contudo, o evangelho não é algo que devamos semear seletivamente apenas naquilo que consideramos ser solo fértil. Devemos semeá-lo em todos os lugares, e o solo o receberá, se for capaz. Mas não devemos nos iludir pensando que, se apenas compartilharmos o evangelho com o mundo, todo o mundo se converterá a Cristo. Por fim, essa parábola levaria o leitor a refletir: “Aos olhos de Deus, que tipo de solo sou eu?”

P: Em Mt 13,1-58, o que há de incomum nessas parábolas?

R: David Wenham foi o primeiro estudioso moderno a reconhecer que Mateus 13:3-52 é um quiasmo. No entanto, não se trata de um quiasmo perfeito.

13:1-2 Jesus veio

- 13:3-9 Parábola do semeador, dirigida às multidões

-- 13:10-12 Os discípulos perguntam e Jesus responde

--- 13:10-17 O propósito das parábolas (para os que estão de fora)

----13:18-23 Interpretação da parábola do semeador

-----13:24-33 Mais três parábolas dirigidas às multidões: “O Reino dos Céus é como…” (joio, semente de mostarda, fermento)

digressão

--- 13:34-35 O propósito das parábolas (para os discípulos)

---- 13:36-43 Interpretação da parábola do trigo e do joio

fim da digressão

-----13:44-48 Mais três parábolas dirigidas aos discípulos: “O Reino dos Céus é semelhante a…” (tesouro, pérola, rede)

---- 13:49-50 Explicação

-- 13:51 Jesus pergunta e os discípulos respondem

- 13:52 Parábola do tesouro novo e do antigo

13:53 Jesus partiu

Dentro dessa estrutura, Mateus 13:13-17 também constitui um quiasmo.

P: Em Mt 13,6-7, qual é a diferença entre o caminho, o segundo solo, o solo pedregoso, e o terceiro, o solo espinhoso?

R: O primeiro solo tinha profundidade suficiente e não possuía espinhos que bloqueassem a luz do sol. Mas ele simplesmente não aceitou a semente desde o início. As sementes brotaram nos outros três solos, mas nem sequer tiveram a chance de brotar no primeiro solo.

A semente, tanto no segundo quanto no terceiro solo, brota e parece boa a princípio. Mas as plantas não conseguem desenvolver raízes saudáveis em solo sem profundidade. Quando o tempo está seco, elas não conseguem encontrar água para se sustentar no solo ressecado da superfície. Elas tinham bom acesso ao sol, mas simplesmente não havia profundidade suficiente no solo para que essas plantas continuassem a crescer.

Quanto ao terceiro solo, ele era bom, talvez tão bom quanto o solo fértil. No entanto, havia tantos elementos indesejáveis, como os espinhos, que as plantas foram impedidas de receber a luz do sol. Até mesmo o segundo solo ouviu com alegria, mas não o terceiro solo, sobrecarregado. O terceiro solo tinha profundidade suficiente, mas havia simplesmente muitos outros fatores que bloqueavam seu acesso ao sol. Além disso, enquanto algumas plantas espinhosas podem ser evidentes, outras podem ser sutis. Pode-se não perceber os espinhos imediatamente.

O quarto solo não é especial nem “mágico”. Na verdade, ele não difere das melhores características do segundo e do terceiro solos combinados. Como João Crisóstomo (falecido em 407 d.C.) foi o primeiro a apontar, não existe um único caminho para a destruição; existem múltiplos caminhos para a destruição.

A diferença nos resultados não se deve à semente, mas ao solo. Quão fértil Deus considera o seu coração?

A título de observação, o caminho aqui é uma trilha, como aquelas entre campos, e não uma rodovia.

P: Em Mt 13,10-13, por que Jesus explicou essa parábola aos Seus discípulos e não à multidão?

R: A resposta encontra-se em Mateus 13:14-15. Jesus tinha muitos discípulos (incluindo os 70) e não apenas os doze. Às multidões, naquele momento, foi dada uma amostra do ensinamento de Jesus, de modo a que ficassem ansiosas por saber mais. Jesus foi seletivo nesse caso; Ele deu a explicação apenas aos Seus discípulos. É claro que as pessoas da multidão também podiam optar por se tornar discípulos de Jesus. Além disso, isso cumpriu Isaías 6:9-10.

Mas é errado pensar que o propósito dessas parábolas era “para que todos pudessem compreender mais facilmente a verdade”. Da mesma forma, hoje podemos querer dizer algumas coisas que somente aqueles que desejam conhecer a verdade compreenderão.

P: Em Mt 13,10-11, até que ponto nossa apresentação do evangelho deve conter um elemento de mistério?

R: No Antigo Testamento, um mistério era algo secreto, oculto ou velado que era revelado posteriormente. Jesus não falou sobre mistérios até que a nação judaica O tivesse rejeitado.

Jesus e o Evangelho são coisas que a humanidade jamais teria sido capaz de compreender, a menos que Deus as tivesse revelado a nós. Não devemos dar como certo que Deus poderia ter nos deixado na escuridão, mas Ele escolheu nos iluminar. A Paixão e a história de Deus em geral são dramáticas, e devemos destacar esse drama quando as recontamos.

P: O que significa Mt 13,10-16?

R: Aqueles que não amam a verdade não têm direito à luz da verdade. Na verdade, os “pássaros” podem levar embora a luz que já possuem. Há vários pontos importantes nesta passagem.

13:10 Depois que Jesus contou a parábola do semeador (na verdade, a parábola dos solos) em Mateus 13:1-9, os discípulos se aproximaram e perguntaram por que ele falava em parábolas. A pergunta não se limitava à parábola do semeador, mas ao motivo pelo qual Jesus falava em parábolas em geral.

13:11 A maioria das pessoas não teria nem reteria o conhecimento do reino dos céus.

13:12 Aqueles que possuem o conhecimento cresceriam nesse conhecimento. Aqueles que não o possuem, até mesmo o pouco conhecimento que têm lhes seria tirado.

13:13 Por que Jesus falaria ao povo por meio de parábolas, em vez de explicar tudo como fazia aos seus discípulos? Vejamos 2 Pedro 2:21 e Romanos 4:15; 5:13 para encontrar a resposta. Se alguém optar por não seguir a verdade sobre Deus que possui, quanto menos souber, melhor será para ela no julgamento final.

13:14 mostra que as pessoas, na verdade, ouviriam toda a verdade, mas não a compreenderiam. Isso NÃO significa que seja necessário ser muito inteligente para ser cristão; isso seria contrário a 1 Coríntios 1:26-28. Em vez disso, o problema de compreensão — mesmo entre fariseus inteligentes e altamente instruídos — é que eles não têm espaço para a palavra de Jesus (João 8:37), e a mensagem da cruz é simplesmente loucura para aqueles que são sábios com a sabedoria deste mundo (1 Coríntios 1:18-25). Já vi pessoas inteligentes inventarem desculpas engenhosas e astutas para justificar por que não querem acreditar no que está claramente escrito na Bíblia.

13:15 Isso demonstra um endurecimento do coração do povo. Os cristãos têm debatido se Deus foi responsável pelo endurecimento do coração do Faraó contra Moisés e os israelitas ou se o próprio Faraó foi. A Bíblia afirma que o Faraó endureceu seu próprio coração em oito passagens, e que Deus o endureceu em outras oito. Um dos julgamentos de Deus contra as pessoas que endurecem seus corações é que seus corações se tornam ainda mais endurecidos.

Por fim, a mesma ação de Deus pode ter efeitos opostos em duas pessoas diferentes. Um escritor da Igreja explicou da seguinte maneira: “a cera derretendo e a lama secando pelo mesmo calor; assim, a mesma ação, realizada por intermédio de Moisés, revelou, por um lado, a dureza do Faraó — resultado de sua maldade — e, por outro, a submissão da multidão mista de egípcios que partiu com os hebreus.” Rufino (374-406 d.C.), traduzindo a obra *De Principiis* (225-254 d.C.) de Orígenes, livro 3, cap. 1.11, p. 311.

13:16 A propósito, embora Jesus tivesse 12 discípulos especialmente designados, Ele não tinha apenas 12 discípulos; Ele também contava com um grupo mais amplo de 70, além de outros discípulos. Os discípulos de Jesus foram abençoados tanto pelo privilégio de conhecer essas verdades quanto pelo fato de que não as conquistaram nem mereceram aprendê-las. Deus poderia ter optado por ocultar tudo isso de nós; mas Deus quis nos revelar essas coisas.

13:17 vai além e afirma que até mesmo os profetas piedosos dos tempos do Antigo Testamento desejavam aprender essas coisas, mas Deus ainda não lhes havia ensinado; Deus esperou para revelá-las até a vinda de Jesus.

Às vezes, as pessoas pensam erroneamente que Deus tem a obrigação de se esforçar ao máximo para ensinar a verdade a todos. Na verdade, porém, se alguém rejeita a verdade sobre Deus que já possui, Deus não tem nenhuma obrigação de tentar impor mais verdade a essa pessoa. Na verdade, quanto menos ela souber da verdade, melhor para ela (2 Pedro 2:21). Mas, para aqueles que desejam seguir a verdade, Deus se deleita em nos mostrar cada vez mais.

De que maneira exata as pessoas deixam de ouvir e perdem a verdade? Jesus explica isso em Mateus 13:18-23.

P: Em Mt 13,12, Deus foi injusto ao tirar daqueles que não tinham e dar àqueles que tinham?

R: Deus não foi injusto, mas é preciso considerar a interação entre consequência e propósito subsequente. Há três contrastes a serem considerados: justiça versus igualdade, salários versus dons e suprir necessidades versus conceder recompensas.

Justiça versus igualdade: Deus é justo para com todos, mas não é obrigado a tratar todos de forma idêntica, como ilustra Romanos 9:6-18.

Salários versus dons: Na parábola das minas (Lucas 19:11-27), se o rei deixasse de pagar as coisas boas que devia a alguém, isso seria injusto. Mas quando o senhor investe o dinheiro de seu empregador, o empregador não lhe deve todo esse dinheiro; ele lhe deve apenas seu salário e o que se comprometeu a pagar por contrato. O rei da parábola não devia nenhuma cidade a nenhum de seus servos. Quando concedeu mais cidades àquele que mais havia rendido, isso foi um presente gratuito e generoso, e o rei (e Deus) pode fazer o que bem entender.

Atender às necessidades versus conceder recompensas: O rei cuidou de todos os seus servos antes que qualquer um deles assumisse o comando de alguma cidade. As cidades eram recompensas ou bônus. Deus suprirá abundantemente todas as necessidades no céu para todos os que lá estiverem (1 Coríntios 2:9), mas, além disso, Deus concederá recompensas no céu a alguns, mas não a outros. O senhor pode ler sobre isso em 1 Coríntios 3:8-15.

P: Em Mt 13,15, isso não demonstra uma certa dureza de coração por parte de Deus, ao não amolecer os corações deles e abrir seus olhos?

R: De forma alguma. Deus está dizendo que, se eles se voltassem para Ele, o Senhor certamente os curaria. No entanto, eles são responsáveis por terem o coração endurecido, o que faz com que não se voltem para Deus.

Deus abre os olhos dos cegos, mas normalmente não abre os olhos daqueles que os mantêm firmemente fechados. Deus suaviza o coração das pessoas, mas não tem nenhuma obrigação de suavizar o coração de quem já decidiu endurecê-lo.

P: Em Mt 13,24, em que sentido o reino dos céus se assemelha a essa situação, visto que o céu é perfeito?

R: O reino dos céus não se assemelha ao homem, mas à situação. A resposta a essa pergunta faz parte do argumento principal de Jesus. O reino dos céus não é apenas algo perfeito para onde iremos após a morte. O reino dos céus é algo que também está em nossos corações, como crentes, neste exato momento. No reino dos céus neste mundo, o trigo e o joio crescem lado a lado.

P: Mateus 13,28-30 significa que devemos permitir que os hereges permaneçam na igreja?

R: De forma alguma. Em Mateus 13:38, o “campo” não é a igreja, mas o mundo. Haverá igrejas heréticas, mas devemos excomungar aqueles que professam ensinamentos heréticos ou praticam o mal, a menos e até que se arrependam. Afirmar que devemos permitir a presença de pessoas com doutrina herética, ou com ações ímpias e impenitentes, em nossas igrejas vai contra o ensinamento de Deus em 1 Timóteo 1:3-4; 6:3-5; 2 Timóteo 2:16-17; 3:1-5; 2 João 10 e contra a prática descrita em 1 Coríntios 5:11-13 e Apocalipse 2:20. Infelizmente, Agostinho de Hipona, em “Aos Donatistas”, foi um dos primeiros a confundir a igreja com o mundo. Aqueles que estão pecando (na prática ou no ensino) devem ser repreendidos na presença de todos, de acordo com 1 Timóteo 5:20.

Em resumo, se o senhor interpretar incorretamente algo em uma parábola de uma maneira (a igreja), quando Jesus disse especificamente outra coisa (o mundo), o senhor pode realmente se perder no meio do mato!

P: Em Mt 13,30, a que exatamente Jesus se refere quando fala do joio?

R: Elas eram bem conhecidas pelos ouvintes de Jesus. Existem quatro tipos de joio, e o “joio” aqui é quase certamente uma erva daninha chamada joio barbudo (lolium temulentum), que se parece com trigo quando jovem e, às vezes, as raízes podem estar entrelaçadas, de modo que realmente não é possível arrancar uma planta sem arrancar a outra. Curiosamente, tanto o joio quanto o trigo não conseguem mais crescer bem por propagação espontânea, mas precisam que um agricultor espalhe as sementes. Os rabinos sabiam que se trata de um trigo corrompido e, em alguns lugares, ele é chamado de “trigo falso”; por volta do ano 2000, 10% da colheita de trigo da Etiópia era, na verdade, joio. No entanto, as modernas máquinas de classificação são eficazes na separação das sementes de trigo do joio. O joio é frequentemente infectado por um fungo que, quando as pessoas comem as sementes das plantas infectadas, causa uma sensação de euforia. Consulte https://www.atlasobscura.com/articles/wheats-evil-twin-has-been-intoxicating-humans-for-centuries para obter mais informações.

P: Em Mt 13,30, qual é o significado do joio ser colhido antes do trigo?

R: Na agricultura, faz sentido capinar um campo antes de colhê-lo. O Juízo separa os ímpios do Céu. Não é que sejamos retirados do universo ao qual o joio naturalmente pertence. Pelo contrário, o joio é retirado do universo de Deus, ao qual os filhos de Deus pertencem sobrenaturalmente. Quando os discípulos ouviam, juntamente com a multidão, a parábola do trigo e do joio, pergunto-me o que Judas Iscariotes estaria pensando?

P: Em Mt 13,32 e Mc 4,30-34, em que sentido a semente de mostarda é a menor de todas as sementes?

R: Em primeiro lugar, havia dois tipos de sementes de mostarda na Palestina: a mostarda preta, que as pessoas plantavam, e a mostarda silvestre. Jesus se referia à mostarda preta, pois Ele está falando apenas de sementes que são plantadas, e na Palestina não se plantavam sementes menores do que as de mostarda. Além disso, na obra rabínica judaica M Niddah 5:2 (cf. SBK 1:669), a semente de mostarda era proverbial por sua pequenez.

A semente de mostarda é insignificante em tamanho e é a menor de todas as sementes cultivadas na terra da Palestina. Um arbusto de mostarda preta pode produzir 1.200 sementes. Jesus estava se comunicando com o povo, referindo-se às sementes cultivadas em sua terra.

No entanto, para quem gosta de detalhes, a palavra grega para “menor”, tanto em Mateus 13:32 quanto em Marcos 4:30-34, é microteron, que pode significar “pequeno em tamanho” ou, figurativamente, “dignidade”. A palavra para “semente” em ambas as passagens, spermaton, pode significar aquilo que é semeado. Independentemente de Jesus estar falando aramaico ou grego, Ele ainda assim se referia a sementes que eram semeadas.

P: Em Mt 13,32 e Mc 4,30-34, como uma planta de mostarda pode sustentar um ninho de pássaro?

R: Embora um pássaro possa construir um ninho em um pequeno arbusto se for necessário, essa não é a resposta. Uma semente de mostarda pode crescer até se tornar uma árvore de até dez pés de altura, o que certamente é grande o suficiente para um pássaro construir um ninho. Em outras palavras, o tamanho atual não está relacionado à grandeza futura. Jesus não está enfatizando tanto a grandeza futura do reino quanto seus pequenos começos na Terra.

P: Em Mt 13,33, qual é o significado do fermento neste contexto?

R: Jesus disse que o fermento nesta parábola é bom, pois representa o Reino dos Céus, enquanto em outras parábolas o fermento é ruim. O importante princípio interpretativo a ser aprendido aqui é que não se pode necessariamente tomar o significado de um símbolo em uma parábola e aplicar o mesmo significado a esse símbolo em todas as outras parábolas.

Alguns consideram erroneamente o fermento e os pássaros como algo ruim, o que altera todo o significado da parábola, pois, como símbolo, o fermento é ruim ou mundano em todas as outras passagens da Bíblia. No entanto, alguns veem os pássaros e o fermento como algo maligno, enquanto outros os consideram uma bênção.

O fermento é bom nesta parábola. Não há indicação neste capítulo de que seja ruim, e ela é paralela às outras parábolas deste capítulo.

Uma terceira interpretação é a de que as parábolas da árvore de mostarda e do fermento são muito gerais, e que os pássaros e o fermento são neutros.

Resumo: o reino dos céus é bom, não mau. Mateus 13,33 diz que o fermento representa o reino dos céus; portanto, o fermento nesta parábola é bom. Embora a conclusão não seja tão óbvia no caso dos pássaros, é louvável que a planta de mostarda possa servir de ninho.

P: Em Mt 13,33, nesta parábola, por que a mulher escondeu o fermento em três medidas de farinha?

R: Três pães de farinha de trigo constituem uma refeição completa para uma família. Três medidas (ou “satas”, em grego) equivalem a um “efá” do Antigo Testamento, o que representa uma grande quantidade de massa, cerca de 56 libras ou 23 litros. É a quantidade que Sara preparou para os três visitantes em Gênesis 18:6 e o que Gideão ofereceu ao anjo em Juízes 6:19. Basta uma quantidade muito pequena de fermento para alterar a natureza de toda a massa. A questão é que os próprios judeus sabiam que apenas uma quantidade minúscula de fermento pode fazer crescer até mesmo uma grande quantidade de massa.

P: Em Mt 13,34, como é que Jesus falava apenas por parábolas, visto que em outros trechos, como no Sermão da Montanha, Jesus não utilizou nenhuma parábola?

R: Mateus 13:34 especifica que isso ocorreu quando Jesus falava às multidões. Ao se dirigir aos Seus discípulos, Jesus explicava tudo. Embora as multidões também ouvissem, o Sermão da Montanha foi dirigido aos discípulos. Além disso, Mateus 13:34 refere-se ao ensino de Jesus naquele momento, não necessariamente antes ou depois desse período de Seu ministério.

P: Em Mt 13,38, todos são filhos do Reino?

R: Não. Como este versículo mostra, antes de nos voltarmos para Cristo, não somos filhos do Reino. Efésios 2:3 diz que nós (incluindo Paulo) éramos filhos da ira antes de nos voltarmos para Cristo.

P: Em Mt 13,44, na parábola, por que o homem no campo simplesmente não desenterrou e levou o tesouro em segredo?

R: De acordo com a lei judaica, se alguém desenterrasse um tesouro em um campo, o tesouro pertenceria ao proprietário do campo, segundo Derrett (Law, p. 1-16). É claro que, se o tesouro tivesse sido enterrado pelos proprietários e fosse do conhecimento deles, eles não venderiam o campo por um preço baixo. Mas se o tesouro não fosse deles — como demonstrado pelo fato de não terem conhecimento dele —, então o trabalhador poderia comprar o campo e ficar com o tesouro.

P: Em Mt 13,44, quem é o homem e qual é o tesouro?

R: Primeiro, o que não é a resposta e, em seguida, a resposta:

Não é a resposta: Jesus e os judeus. Alguns escritos dispensacionalistas afirmam que Jesus é o homem, e o tesouro é o remanescente dos judeus no fim dos tempos. No entanto, Jesus não entregou tudo o que possuía (divindade, etc.) nem morreu na cruz apenas pelo remanescente dos judeus. Em segundo lugar, ninguém que ouvisse a parábola a teria interpretado dessa forma; portanto, se esse fosse o verdadeiro significado, nada do verdadeiro significado teria sido comunicado.

A resposta: cada indivíduo e a salvação no Reino dos Céus. Uma pessoa deve estar disposta a abrir mão de tudo o que possui para obter um tesouro tão precioso como o que Jesus está oferecendo. Essas parábolas tratam, todas elas, do Reino dos Céus, de acordo com Mateus 13:52. Comprar o campo é uma decisão que o homem deve tomar; caso contrário, não haverá tesouro para ele.

P: Em Mt 13,45-46, qual é o significado da parábola da pérola?

R: Primeiro, o que não é a resposta; depois, a resposta.

Não é a resposta: Jesus é o mercador e a pérola é a Igreja. No entanto, mais uma vez, será que Jesus “vendeu” tudo, inclusive Sua divindade, pela pérola, e a quem Ele a vendeu?

A resposta: Cada indivíduo que busca a Deus é o comerciante, e a pérola é a salvação. Os estudiosos cristãos geralmente concordam que o trabalhador e o comerciante em ambas as parábolas são a mesma pessoa, e que o tesouro e a pérola são a mesma coisa.

Ambas as parábolas compartilham o mesmo ponto. Jesus disse em Mateus 13,52 que ambas as parábolas tratavam do reino dos céus. No entanto, embora o homem tenha reconhecido o tesouro, esta parábola realmente destaca que o comerciante precisa reconhecer o valor dessa pérola em comparação com outras pérolas e não buscar as outras pérolas, a fim de buscar apenas esta.

P: Em Mt 13,47, qual é o significado da parábola da rede de arrasto?

R: Trata-se de uma rede muito grande, puxada entre dois barcos ou presa à margem e a um barco. É muito semelhante à parábola do trigo e do joio. Todos os peixes fazem parte do mundo, mas, no fim dos tempos, haverá uma separação entre os peixes bons e os maus. O senhor é um peixe bom?

P: Em Mt 13,51, os discípulos estavam certos ao dizer que “sim”, eles compreendiam essas parábolas?

R: Sim e não. Sim, os discípulos compreenderam as parábolas básicas e o simbolismo por trás delas. No entanto, eles não teriam a menor ideia de todas as ramificações históricas do trigo, do joio e do grão de mostarda. Mas estavam corretos ao dizer “sim”, pois compreenderam corretamente o que Jesus pretendia que eles entendessem naquele momento.

P: Em Mt 13,51, há momentos em que você está confiante e certo de que tem uma compreensão básica de algo que Deus está lhe ensinando, mas, posteriormente, descobre que não fazia ideia do que isso implicaria?

R: Um exemplo simples poderia ser o casamento. Você pode achar que sabe com quem vai se casar e que deseja se casar com essa pessoa. No entanto, com o passar dos anos, você descobre que sabia muito, muito pouco sobre ela em comparação com o que sabe agora. Esperamos que suas surpresas tenham sido, em sua maioria, agradáveis.

Da mesma forma, se Deus o chamar para realizar uma obra ministerial para Ele, o senhor pode ter uma compreensão básica do que Ele deseja e querer realizá-la. Mas, à medida que exerce o ministério, o senhor descobre que quase não tinha ideia do que essa obra implicaria, nem mesmo de como ela o transformaria.

P: Em Mt 13,52, por que Jesus mencionou que um escriba possui tesouros novos, além dos antigos?

R: Essa foi uma maneira gentil de dizer que eles ainda deveriam valorizar a verdade anterior que aprenderam, assim como as novas coisas que Jesus disse. “Escribas”, aqui, não se referem a uma classe especial de cristãos. Em vez disso, o termo “escriba” é uma referência positiva a qualquer crente que seja um estudante sério das Escrituras.

P: Em Mt 13,52, de que forma o nosso coração se assemelha a um depósito de tesouros?

R: O depósito aqui (thesauros em grego) é um local onde guardamos memórias, decisões, emoções e valores que consideramos importantes, independentemente de Deus os considerar bons ou importantes.

Fala-se de um verdadeiro depósito de tesouros, não apenas de uma caixa ou baú para guardar um único item no escuro. Um depósito pode conter muitos tesouros, e estes podem ser vistos, não apenas escondidos em uma caixa.

Duas tarefas que um cristão deve realizar são: a) identificar e descartar as coisas em nosso depósito que Deus não deseja que estejam ali; e b) encher nosso depósito com as coisas boas que Deus nos ensina.

P: Em Mt 13,53-58, Jesus não era um profeta, porque “a profecia só pode existir em Israel quando a terra é habitada pela maioria dos judeus do mundo”? Durante a época de Esdras (por volta de 300 a.C.), quando a maioria dos judeus se recusou a se mudar da Babilônia para Israel, a profecia chegou ao fim com a morte dos últimos profetas — Ageu, Zacarias e Malaquias.” (Um judeu levantou essa objeção)

R: Isso está errado por três razões:

1) Não há nenhum versículo na Bíblia que diga isso; essa regra é inventada.

2) Daniel e Ezequiel foram profetas durante o exílio. A maioria dos judeus do mundo não vivia na Palestina naquela época. Na verdade, Daniel e Ezequiel foram profetas que viveram fora de Israel, embora Daniel tenha vivido em Judá na juventude.

3) Não devemos tentar dizer a Deus Todo-Poderoso o que Ele pode ou não fazer!

Ignorando o fato de que muitos judeus viviam na Palestina na época de Cristo (se eram a maioria ou não, eu não sei), isso não importa, pois Deus Todo-Poderoso pode enviar um profeta sempre que quiser.

A Bíblia (tanto o Antigo quanto o Novo Testamento) menciona várias coisas que Deus não faz (mudar de ideia em Números 23:19; 1 Samuel 15:29, etc.), mas há apenas quatro coisas em toda a Bíblia que dizem que Deus NÃO PODE fazer. (No entanto, é preciso consultar o Novo Testamento para ler essas passagens.) Essas quatro coisas são: Deus não pode ser tentado pelo mal (Tiago 1:13), Deus não pode mentir (Hebreus 6:18), Deus não pode jurar por alguém maior do que Ele mesmo (Hebreus 6:13) e Deus não pode renegar a Si mesmo (2 Timóteo 2:13). Fora isso, não vou dizer o que Deus não pode fazer; apenas consultarei a Bíblia para aprender humildemente o que Deus escolheu fazer e o que Ele escolheu não fazer.

P: Em Mt 13,54-58, o ensinamento de Jesus era polarizador; então, quando nosso ensinamento deve ser polarizador?

R: O ensinamento de Jesus parecia dividir as pessoas em dois grupos: aqueles que O seguiam e aqueles que se opunham veementemente a Ele. Não vemos ninguém ouvindo a mensagem de Jesus e dizendo: “não está ruim, é mais ou menos”. Não devemos apenas compartilhar o evangelho e ensinar a verdade de Deus da mesma forma que se ensina matemática ou história antiga. Devemos também ensinar a importância do evangelho para o destino eterno das pessoas e a urgência de não adiar a decisão de crer. Se percebermos que nos tornamos menos populares junto a alguns ao fazermos isso, isso significa apenas que estamos cumprindo nossa missão.

P: Em Mt 13,55, como Jesus poderia ter irmãos e irmãs, já que (segundo a Igreja Católica) Maria sempre foi virgem?

R: Mateus 1:25 responde a isso de forma sucinta: “Mas ele [José] não teve relações com ela [Maria] até que ela desse à luz um Filho. E ele lhe deu o nome de Jesus”. Portanto, Maria era virgem quando Jesus nasceu, mas Maria e José tiveram outros filhos posteriormente.

Os católicos geralmente respondem que, em muitas culturas mediterrâneas, os primos também podem ser chamados de irmãos e irmãs.

No entanto, não há nenhum trecho na Bíblia que ensine que Maria sempre foi virgem. Em contrapartida, há outras passagens em que os irmãos ou irmãs de Jesus são mencionados: João 7,5; Gálatas 1,19; Marcos 3,31; João 2,12; e Atos 1,14. Seria estranho que, se fossem apenas primos, a palavra “primos” não tivesse sido utilizada em pelo menos uma dessas seis passagens.

Como observação histórica, os únicos dois trechos anteriores ao Concílio de Nicéia em que Maria é chamada de sempre virgem são:

Hipólito, bispo de Portus (225-235/6 d.C.), chamou Maria de sempre virgem. Contra Beron e Helix, fragmento 8, p. 234

Pedro de Alexandria (306, 285–311 d.C.): “de Deus, e sempre virgem, e, na verdade, de Maria, a Mãe de Deus”; Fragmento 5.7, p. 282

Maria foi oficialmente declarada “sempre virgem” no Concílio de Constantinopla II (553 d.C.), cap. 2, p. 312. No mesmo ano, o Papa Vigílio afirmou o mesmo em sua carta, p. 322.

P: Em Mt 13,55, o que exatamente fazia um carpinteiro?

R: Os carpinteiros construíam edifícios. Portanto, trabalhavam tanto com pedra quanto com madeira. Naquela época, os romanos estavam construindo uma nova cidade, destinada principalmente aos gentios, chamada Séforis, logo ao norte de Nazaré; assim, haveria muito trabalho para os carpinteiros naquele período. Portanto, quando Jesus falou sobre construir sobre um bom alicerce em Lucas 6,49 e 14,29, Ele talvez tivesse experiência prática com alicerces.

P: Em Mateus 13:55-57, por que um profeta não era honrado em sua cidade natal?

R: Lembre-se de que, da última vez que Jesus falou em Sua cidade natal, eles queriam jogá-Lo de um penhasco. Jesus não estava dando uma ordem ou fazendo uma profecia, mas sim fazendo uma observação. Os profetas não eram muito estimados entre as pessoas com quem cresceram. Para alguém que cresceu no mesmo lugar e passou por muitas das mesmas experiências, pode ser difícil acreditar que Deus possa usar pessoas comuns de uma maneira incomum. Infelizmente, há alguma verdade no ditado de que “a familiaridade gera desprezo”. O escritor grego Píndaro tinha um ditado semelhante sobre a fama que se desvanece no seio da família. (Odas de Píndaro, Ode 12:3)

Um ponto relacionado é que eles pareciam mais preocupados com a fama e a popularidade de um conterrâneo do que em se dar ao trabalho de ouvir o que Jesus realmente tinha a dizer. Uma característica da natureza humana é que é muito fácil para as pessoas em geral, inclusive nós, nos concentrarmos em coisas secundárias ou triviais e perdermos de vista o ponto principal e importante.

P: Em Mt 13,58, de que forma a falta de fé do povo limitou os milagres de Jesus?

R: Este versículo não diz que Deus Todo-Poderoso fosse incapaz de realizar um milagre ali. Em vez disso, Jesus escolheu não realizar nenhum milagre ali devido à falta de fé deles. Não é que Jesus não pudesse realizar milagres; afinal, Jesus andou sobre as águas, ressuscitou Lázaro, ressuscitou dos mortos etc., sem que ninguém acreditasse que Ele faria essas coisas. Pelo contrário, por que Jesus abençoaria as pessoas se elas não tinham desejo algum de serem abençoadas por Ele?

P: Em Mt 14, por que a morte de João Batista está colocada exatamente nesse ponto do Evangelho de Mateus?

R: Embora isso não seja explicitado, e Mateus pudesse ter colocado esse flashback em qualquer lugar, talvez a razão pela qual ele o colocou aqui seja para sugerir por que Jesus desejava se afastar do público naquele momento. Jesus sabia que viriam para matá-Lo, e Ele queria esperar até ter cumprido as outras coisas antes de ser crucificado. Além disso, a partir deste ponto, Mateus e Marcos apresentam a mesma ordem de eventos em ambos os evangelhos.

P: Em Mt 14,3-4, por que exatamente João Batista denunciou Herodes Antipas?

R: Primeiro, o contexto genealógico e, em seguida, a resposta.

Contexto:

Herodes Antipas (= Herodes, o Tetrarca): filho de Herodes, o Grande, e de Malthace, uma de suas dez esposas. Herodes Antipas governou a Galiléia e a Peréia sob o domínio romano de 4 a.C. a 39 d.C. Ele desejava ser chamado de rei, o que o colocou em conflito com o imperador Calígula.

Aretas IV, o nabateu: Herodes Antipas era casado com a filha de Aretas IV, Phasaelis, rei dos árabes nabateus na atual Jordânia. Divorciar-se dela para se casar com Herodias era uma verdadeira armadilha política, mas, pelo menos, ele já vivia com Herodias. Posteriormente, houve conflitos entre Herodes Antipas e o rei Aretas, com Aretas saindo vitorioso até que os romanos intervieram.

Filipe: filho de Herodes, o Grande, e de Mariamne II.

(Filipe vivia em Roma e não deve ser confundido com outro filho de Herodes, o Grande, chamado Filipe, o Tetrarca da Itureia e da Trachonítida, mencionado em Lucas 3:1)

Aristóbulo: filho de Herodes, o Grande, e de Mariamne I.

Herodias: filha de Aristóbulo e de sua esposa Berenice. Ela se divorciou de seu primeiro marido para ficar com Herodes Antipas.

A resposta: Herodes Antipas era meio-tio de Herodias, mas isso era permitido de acordo com Levítico 18:1-17 e 20:12,14. Divorciar-se de uma esposa era permitido nos tempos do Antigo Testamento. O problema era que Levítico 18:16 proíbe especificamente casar-se com a esposa do irmão, e Herodias era a esposa de Filipe, irmão de Herodes Antipas, e Filipe ainda estava vivo.

Conforme afirma o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 670: “Herodias sabia que ‘o único lugar onde sua certidão de casamento poderia ser redigida com segurança era no verso da sentença de morte de João’” (de T.W. Manson, *The Servant Messiah*, p. 40).

Mais tarde, quando os nabateus derrotaram o exército de Herodes em 36 d.C., Josefo escreveu em *Antiguidades dos Judeus*, livro 18, cap. 119.2, que os judeus consideravam isso um castigo de Deus sobre Herodes Antipas.

P: Em Mt 14,6-12, por que esse relato macabro está na Bíblia?

R: Às vezes, as pessoas podem ter uma visão artificialmente otimista da vida na Terra. A vida, por vezes, é terrível quando pessoas más estão no controle. Podemos aprender aqui que mesmo crentes como João Batista podem sofrer consequências injustas nesta vida.

Em segundo lugar, compare a coragem de João Batista ao denunciar o governante com a covardia de Herodes, que não queria nem libertar João nem executá-lo. Herodes parece um pouco com o rei Acabe, que era ao mesmo tempo ímpio e fraco.

Após esse evento, observa-se uma mudança no ministério de Jesus aqui. Jesus concentrou-se em instruir os discípulos para o período após sua morte, e não temos registro de mais nada que Jesus tenha feito para convencer os governantes e o povo judeu de que Ele era o Messias.

P: Em Mt 14,6-12, trazer uma cabeça decepada não estragaria o clima festivo?

R: Alguns acusaram Mateus e Marcos de falsidade por relatarem isso. No entanto, isso é típico da vida sangrenta da realeza. Por exemplo, Cícero opunha-se politicamente a Marco Antônio. Quando a cabeça do orador Cícero foi levada a Fulvia, esposa de Marco Antônio, ela cuspiu nela e perfurou a língua com um alfinete. Um segundo exemplo é quando Alexandre Janeu, que era tanto rei hasmoneu quanto sumo sacerdote, realizou um banquete público com suas concubinas; ele ordenou que 800 rebeldes fossem crucificados, matando primeiro suas esposas e filhos, publicamente.

P: Em Mt 14,15, uma vez que se tratava de um deserto, por que havia grama no versículo 19?

R: Não se tratava de um deserto árido, mas de um local deserto. Além disso, a Palestina tem duas estações: chuvosa e seca, e provavelmente isso ocorreu durante a estação chuvosa. A estação chuvosa não apresentava monções como as do Sudeste Asiático, mas o rio Jordão estava cheio demais para ser atravessado naquela época e haveria muita grama verde em locais que, para nós, pareceriam um deserto durante a estação seca.

Além disso, a palavra grega opsios, traduzida como “tarde”, refere-se a qualquer momento entre o meio da tarde e logo após o pôr do sol.

P: Em Mt 14,24-32, como os cristãos devem enfrentar as tempestades?

R: Esta passagem é instrutiva sobre como enfrentar tempestades e como NÃO enfrentá-las.

1. Não se assustem quando Deus realizar uma obra inesperada (14:25-26).

2. Quando Jesus nos diz para termos coragem, precisamos ter coragem e agir com destemor (14:27-28).

3. Precisamos obedecer a Jesus, sabendo que Ele não é apenas maior do que os perigos ao nosso redor, mas também do que nossos medos, dúvidas e fraquezas (14:29).

4. Olhem para Jesus, não para o vento e as ondas, nem para outros possíveis perigos (14:30). Os perigos não são imaginários, mas olhem para Jesus mesmo assim.

5. Quando cometemos um erro ou temos dúvidas, devemos clamar a Jesus para que nos salve (14:30-32).

6. Depois de estarmos a salvo, não se esqueçam de adorar a Deus (14:33).

P: Em Mt 14,25, a que hora correspondia a quarta vigília da noite?

R: Enquanto os antigos hebreus dividiam a noite em apenas três vigílias, os romanos a dividiam em quatro vigílias, e a quarta vigília seria aproximadamente das 3h às 6h da manhã.

P: Em Mt 14,29-31, por que a fé de Pedro era tão forte e, em seguida, tão fraca?

R: Pedro estava disposto a obedecer por um momento, e sua fé era forte o suficiente naquele momento para acreditar, olhar para Jesus e sair do barco. Mas quando essa fé precisou se manter para continuar caminhando sobre as águas, foi então que surgiu aquela vacilação.

P: Em Mt 15,1-3, Jesus era contra lavar as mãos?

R: Não. Embora Jesus não fosse contra a higiene, Ele se opunha a elevar a lavagem das mãos ao nível de uma cerimônia religiosa. Hoje, outras práticas saudáveis, como uma boa alimentação, ervas e exercícios físicos, são aceitáveis, mas também podem se tornar ídolos se as pessoas adorarem a própria saúde em vez de Deus.

P: Em Mt 15,3-6, de onde se originou a ideia de qorban/corban (em grego, korban)?

R: A própria palavra e o conceito de dedicar algo a Deus são encontrados em Levítico 1:2-3, 2:1, 3:1 e Números 7:12-17. No entanto, os fariseus permitiam que alguém se eximisse da responsabilidade de cuidar de seus pais, dedicando a Deus a ajuda que prestaria a eles.

Os fariseus, nesse caso, tinham prioridades confusas. Permitir que alguém dedicasse coisas a Deus recebia maior prioridade do que fazer o que Deus desejava, o que inclui cuidar dos pais. Isso pode acontecer quando as pessoas se preocupam mais em obedecer a uma tradição do que em obedecer a Deus.

P: Em Mt 15,7, o que exatamente é um hipócrita?

R: Originalmente, esse não era um termo pejorativo. Era um termo grego para designar um ator em uma peça. Todos os atores usavam máscaras e desempenhavam seus papéis em uma comédia, tragédia ou o que quer que o roteiro exigisse naquele momento. Esta é a primeira vez que Jesus chamou os fariseus e os mestres da lei de hipócritas. Jesus usa esse termo de forma pejorativa, dizendo que as pessoas estão colocando uma máscara para aparentar devoção a Deus, mas, interiormente, estão apenas encenando.

P: Em Mt 15,8, por que as pessoas optam por se aproximar de Deus com os lábios, quando seus corações estão distantes d’Ele?

R: As pessoas se voltam para a religião — e, nominalmente, para Deus — por todos os tipos de motivos, e nem todos são os melhores. Algumas vêm em busca do elogio alheio, outras estão nisso pelo dinheiro e outras ainda para encontrar um marido ou uma esposa.

Algumas desejam uma carreira na qual possam ajudar os outros, e esse é seu principal objetivo, e não por terem amor a Deus. Quando esse é o caso, há muitas instituições de caridade excelentes, como a Cruz Vermelha, o Corpo da Paz, a Goodwill ou a UNICEF. Elas deveriam se associar a essas organizações, e não fingir que amam a Deus ao quererem atuar por meio de uma igreja cristã.

Como observação adicional, a Bíblia diz que os cristãos devem ajudar os pobres, os desfavorecidos, os órfãos etc. Isso não significa que devamos doar dinheiro apenas a organizações cristãs. É bom apoiar também organizações comunitárias de caridade não associadas a nenhuma religião.

P: Em Mt 15,9, quando as tradições dos homens são boas e quando são ruins?

R: As tradições transmitem crenças e opiniões do passado para as doutrinas e leis das gerações seguintes. Elas podem ser boas ou ruins, caso ocultem a Palavra de Deus. Há quatro pontos a serem considerados na resposta.

Mau: Se a tradição do passado era errada ou má, então erros e, talvez, pecados estão sendo aprendidos e copiados. A Bíblia fala de tradições pecaminosas, como a “Rainha do Céu”, em Jeremias 44:17-19.

Vãs: Mais comumente, as tradições são simplesmente sem valor (Colossenses 2:16-19). Quando levadas a sério, essas tradições podem diluir a devoção a Deus. A Bíblia fala de tradições vãs e enganosas em Colossenses 2:8 e 1 Timóteo 1:4.

Corban: Mesmo que a opinião ou prática do passado não fosse contrária às Escrituras, as pessoas têm a tendência de equiparar a tradição humana às Escrituras, e o que antes era opinião humana passa a ser, aos olhos das pessoas, “Deus diz”, e a prática humana, talvez muito apropriada para um determinado momento e circunstâncias, torna-se supostamente a “Lei de Deus” para todos os tempos e circunstâncias. A tradição chega até a se sobrepor à palavra de Deus para algumas pessoas, como aquelas que praticavam o “Corban” em Marcos 7:10-13.

Lei de Deus: Devemos seguir o que Deus ordenou, como o batismo nas águas e a Ceia do Senhor. No entanto, não devemos segui-la por se tratar de tradição cristã, mas porque Deus deseja que o façamos. Devemos ter cuidado para não elevar o símbolo acima da realidade. Não devemos apenas seguir regras (Marcos 7:6-7), mas servimos segundo o novo modo do Espírito, e não segundo o antigo modo do código escrito (Romanos 7:6; 2:29; Colossenses 2:14).

P: Em Mt 15,10-20 e Mc 7,15-23, por que Jesus invalidou aqui os mandamentos alimentares do Antigo Testamento?

R: Jesus não invalidou os mandamentos alimentares do Antigo Testamento; Ele os substituiu. Há quatro pontos a serem considerados aqui.

1. Embora Jesus e Seus discípulos às vezes infringissem as tradições criadas pelos homens dos fariseus, eles próprios viviam em obediência à Lei do Antigo Testamento.

2. Mesmo sob o Antigo Testamento, Deus se preocupava com a obediência deles, e a alimentação era apenas uma forma — mas não a única — de demonstrarem essa obediência.

3. Depois que a ressurreição de Jesus deu início a um novo período, os discípulos não optaram por comer todos os tipos de carne. Um anjo de Deus desceu e instruiu Pedro, que se mostrava relutante, a comer, conforme relatado em Atos 10,11-16. Quem era Pedro para contestar um anjo do céu?

4. Os muçulmanos não deveriam ter qualquer problema com esta resposta, já que Maomé supostamente fez a mesma coisa. Ele falou de leis revogadas (embora a revogação seja um conceito um pouco diferente da Nova Aliança por meio de Jesus). Além disso, ele mostrou que os muçulmanos podiam comer carne de camelo, e o Antigo Testamento considera a carne de camelo da mesma forma que a carne de porco (Levítico 11:4, 7, 26; Deuteronômio 14:7, 8).

P: Em Mt 15,11,17-18, como é que apenas o que sai é que contamina?

R: O contexto aqui é apresentado em Mateus 15:20, onde os fariseus estavam preocupados com o fato de comer com as mãos sujas, enquanto Jesus se preocupava com a pureza interior.

Se o senhor estivesse cozinhando algo em um recipiente, e um líquido fosse sendo adicionado e retirado aos poucos, o senhor provaria o líquido que entra ou o que sai para verificar se o interior está na temperatura certa e dentro das especificações? É claro que o senhor deveria provar o líquido que sai. Da mesma forma, Jesus estava dizendo para não se preocupar excessivamente com a alimentação, pois é o que sai de dentro de si que pode contaminar.

P: Em Mt 15,12, não seria estranho que alguns dos fariseus saíssem de Jerusalém para procurar Jesus apenas para perguntar sua opinião sobre higiene pessoal?

R: Não era disso que se tratava. A pergunta era apenas um pretexto para tentar armar uma armadilha para Jesus. A questão não era a higiene pessoal; eles não possuíam uma teoria dos germes como causa das doenças. Tratava-se, na verdade, de suas adições às regras sobre as abluções cerimoniais. Eles viam Jesus como uma ameaça à sua preeminência em dizer às pessoas qual era a vontade de Deus para elas.

P: Em Mt 15,12, por que Jesus não se preocupou em fazer com que os fariseus se sentissem mal?

R: Jesus estava ciente disso, mas estava mais interessado em revelar a verdade do que no que os fariseus pensavam. Mas, além disso, Jesus estava preocupado; Ele queria que eles se sentissem mal. Em Mateus 23, em particular, Jesus os repreendeu veementemente por duas razões distintas. Como ouviram a repreensão, talvez alguns parassem, refletissem sobre as palavras de Jesus e se arrependessem. Em segundo lugar, independentemente do arrependimento dos fariseus, as multidões ouviriam e saberiam que não deviam confiar nos fariseus que rejeitaram Jesus.

P: Em Mt 15,14, por que Deus às vezes permite que cegos sejam guiados por cegos?

R: Como alguém disse, ninguém é tão cego quanto aqueles que se recusam a ver. Deus permite que as pessoas vão aonde querem ir. Uma pergunta melhor seria: por que os cegos permitem, ou até preferem, ser guiados por outros cegos?

P: Em Mt 15,21-29 e Mc 7,24, por que Jesus foi a Tiro e Sidom?

R: À primeira vista, essas cidades não judaicas parecem estar bem fora do caminho de Jesus. Os versículos seguintes mostram que Ele precisava expulsar um demônio (Marcos 7:29) e que muitas pessoas da costa fenícia ouviram Jesus. Tiro ficava na costa, a cerca de 35 milhas (56 km) do Mar da Galiléia, e Sidom também ficava na costa, a 25 milhas (40 km) de Tiro e a 60 milhas (96 km) a noroeste do Mar da Galiléia.

P: Em Mt 15,21-28, quando a “mulher de Canaã” pediu a Jesus que tivesse misericórdia dela, Jesus disse: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel”. Por que encontramos isso apenas em Mateus? E também a ordem de Jesus aos Seus discípulos: “Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entreis em nenhuma cidade dos samaritanos; mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10,5-6)? Essas duas declarações de Jesus são realmente autênticas, embora contradigam Sua mensagem de salvação universal? Ou são uma invenção ou criação das primeiras comunidades eclesiais?

R: Não, não há motivo para duvidar de Deus e pensar que Ele permitiu que Sua palavra fosse “substituída” por invenções ou criações das comunidades da Igreja primitiva. Essas duas coisas, na verdade, se encaixam claramente no ministério de Jesus. Antes de Sua crucificação, foi dada ao povo judeu a oportunidade de aceitar seu Messias e abrir o caminho para todos os gentios. Mesmo no ministério de Paulo, ele ia primeiro à sinagoga judaica e, só depois, aos gentios.

No entanto, se o senhor observar um mapa, verá que a região de Tiro e Sidom fica bem fora do território de Israel. Portanto, Jesus fez um grande desvio para visitar aquela mulher cananeia (ou siro-fenícia). Assim, ao visitar a mulher, Jesus demonstrou que Sua mensagem seria dirigida também aos não judeus.

P: Em Mt 15,21-22 e nos evangelhos em geral, vemos que Jesus promete a salvação a todas as pessoas, sem qualquer diferenciação ou discriminação entre elas, fossem judeus, gentios ou pagãos; mas, em Mateus, percebemos que o foco está nos judeus no que diz respeito à salvação. O que o senhor acha?

R: Observe a cronologia. Há três pontos a serem considerados.

1) Em todos os evangelhos, não apenas em Mateus, antes da crucificação, Jesus pregava principalmente aos judeus, para dar ao povo judeu a oportunidade de aceitar o Messias.

2) Após a ressurreição de Jesus, o evangelho deveria ser pregado a todos os judeus e gentios. A ordem que Jesus deu em Atos 1:8 foi: “Jerusalém, depois toda a Judéia (onde estavam os judeus), depois Samaria (meio-judeus) e, por fim, até os confins da terra”.

3) No entanto, embora os gentios e os samaritanos não fossem os principais grupos a serem alcançados antes da crucificação, Jesus ainda assim compartilhava a mensagem com eles sempre que os encontrava. Por exemplo, não apenas a mulher de Tiro e Sidom (Marcos 7:24-30), mas também o endemoninhado de Gerasa, no lado leste (não judeu, onde se criavam porcos) do Mar da Galiléia, em Marcos 5:1-20. Jesus alimentou 5.000 pessoas no lado judeu (oeste) do Mar da Galiléia, em Mateus 14:13-21; Marcos 6:30-44; Lucas 9:10-17; João 6:8-12; e Jesus realizou uma segunda alimentação de 4.000 pessoas no lado não judeu (leste) do Mar da Galiléia, em Mateus 15:32-38 e Marcos 8:2-9.

Mas agora devemos compartilhar o evangelho com todos, independentemente de serem judeus, árabes, europeus, asiáticos ou qualquer outra pessoa.

P: Em Mt 15,21-22, com a mulher cananeia, Jesus estaria aparentemente dizendo que eles deveriam amar apenas os judeus e aqueles que adoravam a Deus da maneira aprovada? (O muçulmano Ahmad Deedat também levanta essa questão.)

R: Não, isso é difícil de sustentar, já que Jesus fez um grande desvio para ir até a região de Tiro e Sidom.

Jesus foi enviado primeiro às ovelhas perdidas de Israel, mas mais tarde atravessou o Mar da Galiléia (várias vezes). O significado disso é que, principalmente, judeus viviam no lado oeste do Mar da Galiléia, mas gentios, incluindo criadores de porcos pagãos, viviam no lado leste. Mesmo antes disso, porém, os samaritanos não adoravam a Deus da maneira aprovada, e Jesus falou com a mulher samaritana no início de Seu ministério.

P: Em Mt 15,24, Jesus era apenas para os judeus e não para todos?

R: Não. Jesus foi primeiro às ovelhas de Israel, mas Ele também disse que tinha outras ovelhas, que não eram deste rebanho, em João 10:16. Jesus foi para bem longe de Israel, à região de Tiro e Sidom, quando proferiu as palavras de Mateus 15:24, para visitar uma mulher siro-fenícia. Além disso, muitos samaritanos creram em Jesus, conforme João 4:39-42. Mais tarde, Jesus pregou e alimentou esses não judeus na margem oriental do Mar da Galiléia. Posteriormente, Jesus afirmou que atrairia todos os homens a Si mesmo, em João 12:32. A maneira como Jesus inicialmente pregou primeiro aos judeus também foi seguida por Paulo, que geralmente anunciava a Palavra de Deus primeiro aos judeus e depois aos gentios.

P: Em Mateus 15:24-26, Jesus foi racista por comparar a mulher cananeia (siro-fenícia) a cães? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou essa questão)

R: Vamos fazer uma pergunta em troca. Onde estava Jesus quando disse que havia sido enviado apenas às ovelhas perdidas da Casa de Israel? A resposta é que Ele havia deixado Israel e caminhado mais de 30 milhas (em linha reta) por cima ou ao redor das montanhas para chegar a Tiro, que não era e nunca havia sido uma cidade israelita. Jesus foi até lá para conversar, não com uma mulher judia que vivia fora de Israel, mas com uma mulher claramente identificada como gentia. Porém, tendo se esforçado ainda mais (ou, na verdade, percorrido 30 milhas), Jesus queria que ela tivesse certeza de que não estava recebendo algo a que tivesse direito, mas algo por graça. A propósito, a palavra grega para “cão” aqui em Mateus 15:26 tem o significado de “filhote” ou “cachorrinho de colo”, e não de cão selvagem.

P: Em Mt 15,21-29 e Mc 7,27-29, o que exatamente Jesus e a mulher siro-fenícia estavam dizendo?

R: Quatro pontos a serem considerados na resposta.

1. Depois que Jesus viajou até a costa fenícia, a mulher pediu uma coisa a Jesus: que expulsasse o demônio de sua filha. Observe que não havia indícios de que essa mulher de etnia siro-fenícia, chamada de grega, tivesse se convertido ao judaísmo ou mesmo acreditasse no Deus verdadeiro.

2. Depois que Jesus percorreu todo esse caminho, a milhas de distância de Israel, Ele informou-lhe sem rodeios que a mensagem de Deus vinha por meio dos judeus, que deveriam ser curados primeiro (Marcos 7:27). Em outras palavras, Jesus não iria atender ao seu pedido sem que ela se comprometesse a acreditar na mensagem de Deus, tal como foi transmitida aos judeus.

3. Ela humildemente consentiu em se aproximar de Jesus nos termos dele, e não em quaisquer outros termos. Nós também precisamos ter fé na graça de Deus.

4. Embora tanto os gentios quanto os cães não fossem muito bem vistos pelos judeus, Jesus não usou aqui o termo usual para “cão”. Essa palavra é mais bem traduzida como “cachorrinho” ou “filhote”. Os romanos e os gregos, por sua vez, tinham grande consideração pelos cães. Jesus utilizou um “duplo sentido”: a baixa consideração por parte dos judeus, combinada com a alta consideração e o carinho dos gentios, ao compará-la a um animal de estimação carinhoso. No entanto, Jesus deixou claro que Sua mensagem era dirigida, em primeiro lugar, aos judeus. Se Deus abençoou grandemente outra pessoa, e não a nós, devemos, mesmo assim, nos alegrar pelas bênçãos que Deus nos concedeu.

Em resumo, a longa caminhada de Jesus, combinada com Suas palavras secas, ilustra lindamente o paradoxo de que Jesus percorrerá grandes distâncias para chegar até nós, mas temos que nos aproximar Dele sem orgulho, nos termos Dele, e não nos nossos.

P: Em Mt 15,24, essas “ovelhas perdidas de Israel” referem-se às pessoas que supostamente migraram de Israel para a América por volta da época do Exílio, conforme ensinado pelo mórmon Joseph Fielding Smith em *Doctrines of Salvation* (1975), vol. 3, p. 214?

R: Não. Essa interpretação era totalmente desconhecida por judeus e cristãos. Jesus não estava falando de pessoas que estavam geograficamente perdidas, mas daquelas que estavam espiritualmente perdidas. Jesus era um salvador, não um GPS. Jesus disse aos seus discípulos: “Ide antes às ovelhas perdidas de Israel…” (Mateus 10,6-7), e eles cumpriram isso nos dias seguintes percorrendo Israel, sem embarcar em um avião e voar para os Estados Unidos.

P: Em Mt 16,1.4, por que foi errado pedir a Jesus um sinal do céu?

R: Para os discípulos, deve ter parecido estranho que os fariseus e saduceus pedissem um sinal logo após Jesus ter realizado todos esses milagres, muitos deles na presença dos próprios fariseus e saduceus. Aparentemente, eles estavam tentando dizer que todos os sinais e milagres anteriores não eram suficientes, mas que apenas mais um, talvez, pudesse atender aos seus padrões. A palavra grega para “prova” aqui, no sentido de que eles queriam testar Jesus, é a mesma palavra que Mateus 4,1 usa para descrever Satanás tentando Jesus. Os milagres de Jesus já haviam ajudado os coxos, os cegos e os possuídos por demônios, e os fariseus pediram um sinal do céu que não ajudaria ninguém. Jesus se recusou a realizá-lo a pedido deles.

P: Em Mt 16,2-4, o que o ciclo da tarde e da manhã tem a ver com os sinais dos tempos?

R: O ciclo previsível do dia e da noite é uma verdade muito simples que até mesmo as crianças podem observar. Jesus está dizendo que há outros ciclos também, como os sinais de Sua vinda, seguidos pela própria vinda. Jesus virá uma segunda vez, e muitos dos sinais que antecederam a primeira vinda também estarão presentes antes da segunda vinda. Jesus não estava dizendo que os fariseus e saduceus eram cegos nesse contexto, nem que não fossem inteligentes. Na verdade, Ele elogiou a capacidade deles de observar o tempo e juntar as peças para fazer uma previsão meteorológica. Mas essas mesmas pessoas não conseguiam juntar as peças espiritualmente em relação aos sinais dos tempos. Ou não conseguiam, ou talvez simplesmente não quisessem.

P: Em Mt 16,3-4, quais são outras situações em que alguém pode ver todos os fatos e detalhes, mas, ainda assim, permanecer cego quanto ao significado e às conclusões?

R: Um exemplo é o fato de que, diante das frequentes revoltas, do descontentamento da população em geral com os governantes romanos e da insensibilidade dos imperadores, os saduceus e fariseus ainda não tinham ideia de que o fim da Judéia, tal como a conheciam, estava próximo. Em 70 d.C., toda a população de Jerusalém foi morta ou reduzida à escravidão. Quinze anos depois disso, os saduceus estavam extintos.

Outro exemplo é o grande tsunami na costa oeste de Sumatra. Quando as águas do oceano recuaram, muitos animais não compreenderam o que estava acontecendo e fugiram para o interior. Mas alguns turistas, que deveriam ser mais espertos do que os animais, estavam lá fora com câmeras tirando fotos do oceano que recuava.

Durante o furacão de categoria 5 na Flórida, um homem possuía dois carros caros, que, juntos, valiam US$ 500.000. Ele teve uma semana para retirar os carros, mas, em vez disso, simplesmente os deixou na garagem. A garagem foi destruída, os carros capotaram e ficaram destruídos.

Uma pergunta que devemos nos fazer é a seguinte: se outra pessoa estivesse observando nossa vida, talvez 30 anos depois, com o que ela ficaria surpresa ao descobrir que nós podíamos ver todos os sinais, mas não tínhamos a menor ideia do que iria acontecer? Isso pode ser no âmbito físico (alimentação, falta de exercícios), no âmbito relacional (como tratamos nosso cônjuge) ou no âmbito espiritual (como levamos de ânimo leve algumas das responsabilidades que Deus nos deu).

P: Em Mt 16,4, qual foi exatamente o sinal do profeta Jonas?

R: O ponto principal era que não houve nenhum sinal milagroso, exceto o testemunho desse homem piedoso.

P: Em Mt 16,7-11 e Mc 6,52, qual foi o significado dos cinco pães e dos 5.000, e dos sete pães e dos 4.000?

R: Há quatro pontos a serem considerados na resposta.

Jesus é o Pão da Vida. Visto que Ele pôde alimentar tantas pessoas, elas não precisam se preocupar se levaram ou não pães.

De modo geral, Jesus cuidou deles, e eles não deveriam temer que Deus fosse incapaz ou não estivesse disposto a cuidar deles no futuro.

Reensinando a mesma lição, já que Marcos diz que os discípulos não compreenderam o significado da alimentação na primeira vez.

Duas mensagens podem estar presentes aqui: uma de que Deus alimenta os judeus e também de que Deus alimenta os gentios.

Muitas pessoas mais pobres se preocupavam em como conseguiriam comida todos os dias. Se um pescador, que trabalhava seis dias por semana, não pescasse nada em um dia, não teria dinheiro naquele dia. No entanto, mesmo depois de verem Jesus alimentar os 5.000 e, em seguida, os 4.000, eles ainda estavam preocupados em ter comida suficiente. Às vezes, velhos hábitos e padrões, como a escassez ou a dor, ainda pairam em nossa mente, mesmo quando os tempos são diferentes. Isso demonstra uma falta de confiança de que as coisas são diferentes com Jesus e de que Deus pode mudar as coisas. “Pouco é muito se Deus estiver nisso”.

P: Em Mt 16,7-11 e Mc 8,19-20, qual é, segundo Jesus, o significado desses números?

R: Alguns podem ver um significado místico nos cinco pães, nos 5.000 e nos cinco livros da Lei para os judeus na primeira alimentação, e nos 7 pães (um número perfeito) e nos 4.000 (sendo que o 4 representa, talvez, os quatro cantos da terra) na segunda alimentação, destinada principalmente aos gentios.

No entanto, há uma explicação muito mais simples. Com Jesus, um número muito pequeno de pães pode alimentar um número muito grande de pessoas.

P: Em Mt 16,8, por que Jesus disse que eles tinham pouca fé nesse momento?

R: Eles não estavam preocupados com a comida devido às suas limitações de conhecimento, considerando tudo o que viram. Em vez disso, estavam concentrados em seus problemas imediatos e perderam de vista o que Deus é capaz de fazer.

Às vezes, hoje em dia, os cristãos podem ficar ansiosos, não porque não tenham aprendido o suficiente, mas porque estão tão concentrados em seus problemas que perdem o foco em Deus.

P: Em Mt 16,11-12, em que sentido o ensinamento dos fariseus e saduceus se assemelha ao fermento no pão?

R: Pode ser um aditivo muito pequeno, mas ter um grande efeito em todo o pão. Da mesma forma, alguns ensinamentos podem ser um pequeno aditivo, mas ter um grande efeito negativo.

Sem dúvida, os fariseus e os saduceus ensinavam algumas coisas boas; ambos acreditavam em um único Deus e que Ele criou todas as coisas, por exemplo. Mas a parte ruim podia permear tanto seus ensinamentos que Jesus não disse para distinguir entre o bom e o ruim, para aceitar o bom e rejeitar o ruim. Pelo contrário, mesmo o pequeno “fermento” em seus ensinamentos era tal que Jesus disse para se afastar deles por completo.

Os saduceus possuíam alguma verdade, pois aceitavam a Torá. No entanto, quem aprendesse com os saduceus tenderia a duvidar da palavra de Deus, pois os saduceus negavam o restante do Antigo Testamento e, de acordo com Atos 23,8, negavam a ressurreição, os anjos e os espíritos.

P: Mateus 16,11-12 indica uma autoria tardia, já que o escritor não conseguiu distinguir entre os fariseus e os saduceus?

R: Ao contrário do que afirmam alguns críticos liberais, isso não é verdade. Os saduceus desapareceram como grupo dentro de 15 anos após a destruição de Jerusalém pelos romanos, em 70 d.C. Um escritor provavelmente só se referiria aos saduceus se estivesse familiarizado com os eventos anteriores a essa data. Se Mateus nunca tivesse se referido aos saduceus, o fato de não mencioná-los indicaria, na verdade, uma autoria tardia. Embora tenhamos, no máximo, apenas algumas páginas em toda a literatura que descrevem os saduceus, Mateus estaria familiarizado com eles e saberia se eles haviam feito aliança com os fariseus contra Jesus, de forma semelhante ao que ocorreu em épocas muito posteriores, quando romanos e visigodos fizeram aliança contra os hunos, ou católicos e protestantes fizeram aliança contra o exército turco. Mateus também escreve sobre eles em Mateus 3,7; 16,1,6,11,12. Dizer para se ter cuidado com os ensinamentos de dois grupos não significa que o escritor fosse incapaz de distinguir entre os dois grupos. Politicamente, hoje em dia, devemos ter cuidado com os ensinamentos da extrema esquerda e da extrema direita. Mas isso não significa que sejam a mesma coisa.

P: Em Mt 16,13-14 e Mc 8,27-29, por que Jesus quis saber quem os outros diziam que Ele era?

R: Jesus não se preocupou em perguntar quem os fariseus e saduceus achavam que Ele era; não havia sentido nisso. Em vez disso, Jesus perguntou quem as pessoas na multidão achavam que Ele era. O local onde Ele perguntou aos discípulos foi Cesareia de Filipe, uma cidade construída ao norte da Galiléia, na atual Síria, em uma planície diretamente ao sul do Monte Hermom, a cerca de 25 milhas ao norte do Mar da Galiléia e 5 milhas a leste do rio Jordão. Havia duas cidades chamadas Cesareia, e esta ficava no território governado por Herodes Filipe, irmão de Herodes Antipas. Essa Cesareia possuía um templo religioso em homenagem ao falecido imperador romano César Augusto. Se as pessoas daquele lugar honravam Augusto — um homem comum que não realizava milagres — como um deus, o que as pessoas estavam dizendo a respeito de Jesus? Isso é chamado de método socrático de ensino, que consiste em fazer perguntas. Muitas vezes, é útil fazer uma pergunta cuja resposta você já conhece. Isso pode revelar o que o interlocutor pensa e até mesmo ajudá-lo a organizar seus pensamentos. Quando Jesus perguntou “quem vocês dizem que eu sou?”, o “vocês” está no plural, portanto, Jesus estava perguntando a todos os discípulos juntos. No entanto, sabemos apenas que Pedro respondeu.

P: Em Mt 16,16-17, como é que Pedro soube disso apenas pelo Espírito Santo?

R: Aparentemente, Pedro ainda não havia ouvido Jesus afirmar isso explicitamente. Pedro não disse: “Eu acho que…” ou “Eu espero que…”, mas sabia com certeza. Além disso, uma coisa seria alguém dizer essa afirmação a Pedro, e outra seria Pedro acreditar nisso por si mesmo.

P: Em Mt 16,18, em que pontos os católicos romanos e os protestantes podem concordar neste versículo?

R: Há sete pontos sobre os quais católicos e protestantes deveriam ser capazes de chegar a um consenso.

1) Pedro é a rocha sobre a qual a Igreja é edificada. A Igreja certamente está edificada sobre a “rocha” deste apóstolo; afinal, a Igreja está edificada sobre o fundamento de todos os apóstolos e profetas, de acordo com Efésios 2,20a. Pedro é um dos principais fundamentos da Igreja, mas não é o único, pois Apocalipse 21,14 afirma que há doze fundamentos da cidade da Nova Jerusalém, e eles representam os doze apóstolos de Jesus.

2) Não há sucessores de Pedro aqui. Mateus 16:16-18 não menciona nada sobre quaisquer sucessores de Pedro. Na verdade, nenhum versículo bíblico diz nada sobre sucessores de Pedro.

3) Jesus, e não Pedro, é a pedra angular. Pedro não é uma “rocha” mais importante do que o próprio Jesus, a pedra angular, conforme afirma Efésios 2:20b. Assim como uma rocha firmemente colocada sobre outra, o próprio Pedro nos disse que a rocha ou pedra angular é Jesus em Atos 4:10-11 e 1 Pedro 2:6-7, assim como Paulo em 1 Coríntios 10:4. Pedro nunca escreveu que ele próprio era uma “rocha” ou pedra angular, mas Paulo afirmou que todos os apóstolos eram o alicerce em Efésios 2:20, embora Cristo fosse a pedra angular. No entanto, embora Jesus seja a pedra angular, Ele não está se referindo a Si mesmo como a rocha aqui em Mateus 16:16-18.

4) Pedro não era infalível no que dizia ou fazia, nem antes da ressurreição (Mateus 16:22-23) nem depois (Gálatas 2:11-14).

5) No entanto, Pedro falava com autoridade como apóstolo (1 Pedro 1:1 e Atos 1:15-22) e devemos reconhecer seu ensinamento como tal. Assim como os primeiros cristãos, devemos dedicar-nos ao ensino dos apóstolos, conforme Atos 2:42.

6) A Pedro foram entregues as chaves do reino dos céus, do poder de ligar e desligar, em Mateus 16:19. De fato, a todos os apóstolos e à igreja foi concedido o mesmo poder de ligar e desligar, conforme Mateus 18:18.

7) Nenhuma doutrina do cristianismo pode ser mais fundamental do que a confissão que Pedro fez aqui. Se uma pessoa não reconhecer que Jesus é o Messias prometido, o Filho do Deus vivo, e se não reconhecer que Jesus morreu por nossos pecados e ressuscitou dentre os mortos (1 Coríntios 15:1-11), então sua fé é vã e não a levará ao céu.

P: Em Mt 16,18, o que ou quem é a rocha aqui?

R: Muitas pessoas não percebem que Pedro é associado a uma “rocha” não apenas uma, mas duas vezes em Mateus 16. Em Mateus 16:18, Pedro é associado a uma rocha “boa”, uma pedra fundamental. Em Mateus 16:23, Pedro é associado a uma rocha “má” (uma “ofensa” em algumas traduções), mas, literalmente, uma pedra de tropeço. Como Pedro poderia ser ambas as coisas? — trata-se de metáforas. Existem duas visões principais, e ambas podem ser verdadeiras.

A rocha é a confissão de Pedro a respeito de Cristo. Não havia uma, mas duas palavras gregas diferentes para “rocha” neste contexto. Simão foi chamado de Pedro, “rocha”, porque foi ele quem primeiro fez a confissão de que Jesus é o Cristo. Jesus dirigiu-se a Pedro na segunda pessoa do singular (“você”), mas “esta rocha” está na terceira pessoa do singular. Jesus e os discípulos, sendo da Galiléia, provavelmente falavam grego. Independentemente da interpretação de um cristão sobre este versículo específico, 1 João 4:1-3 e 2 João 7-10 mostram que qualquer um que não reconheça que Jesus veio em carne não deve ser aceito nem acolhido. 1 Coríntios 15:1-4 mostra que quem não crê que Jesus morreu por nossos pecados e ressuscitou fisicamente dentre os mortos crê em vão. 1 Coríntios 12:3 ensina que ninguém diz que Jesus é o Senhor, a não ser pelo Espírito Santo. Na prática, a igreja é edificada sobre a confissão de Jesus Cristo.

A rocha é o próprio Pedro. Jesus e os discípulos, sem dúvida, conheciam o aramaico; portanto, Jesus pode ter falado aramaico neste trecho. As duas palavras são diferentes em grego porque uma é feminina e a outra é um nome próprio masculino. No entanto, o aramaico não possui terminações masculinas, femininas e neutras. Além disso, Papias, um discípulo do apóstolo João, afirma que o Evangelho de Mateus foi escrito inicialmente em hebraico [talvez referindo-se ao aramaico] e posteriormente traduzido para o grego. Em aramaico, seria usada a mesma palavra: kepha. Os católicos geralmente defendem que a rocha aqui é Pedro, pois acreditam que isso corrobora a ideia de que a Igreja foi fundada sobre Pedro. Em seguida, acrescentam que Pedro transferiu o cargo de Papa aos seus sucessores. Embora não haja qualquer indício dessa última parte na Bíblia, não há problema algum em que os protestantes também interpretem Pedro como a rocha neste contexto. Independentemente da interpretação que um cristão faça deste versículo, bons alicerces são feitos de rocha, e todos os apóstolos e profetas são o alicerce da Igreja, conforme Efésios 2:20. Na prática, a Igreja é edificada sobre a Bíblia, que é o ensinamento dos apóstolos e profetas.

Visto que Pedro está associado a dois tipos de rochas, um não católico romano perceberia facilmente que ambos os aspectos são verdadeiros e importantes. Pedro é a pedra fundamental da Igreja, e a inovação de que os papas são os sucessores de Pedro tem sido uma pedra de tropeço para os católicos romanos.

P: O que Mateus 16,18 não diz?

R: Há pelo menos oito coisas importantes que NÃO diz.

1. Não diz que a pedra angular sobre a qual a Igreja foi edificada foi Pedro. Se dissesse, isso contradiria o fato de Cristo ser a pedra angular, conforme Efésios 2:20b.

2. Não exclui Pedro, nem os outros apóstolos, de serem a rocha sobre a qual a Igreja é edificada. Se o fizesse, contradiria o fato de a Igreja ser edificada sobre o fundamento (rochas) dos apóstolos e profetas, conforme Efésios 2:20a, e iria contra Apocalipse 21:14.

3. Isso não indica que Pedro tivesse quaisquer sucessores como apóstolo, nem menciona um Papa. De fato, mesmo em Nicéia, havia quatro igrejas principais reconhecidas: Jerusalém, Constantinopla, Roma e Alexandria.

4. Embora afirme que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja, não diz que Satanás não conseguiria introduzir corrupção na Igreja. De fato, o Papa Formoso foi julgado por heresia, após sua morte, pelo papa que o sucedeu, e condenado. Estes papas foram julgados:

a) Os papas Zephirino e Calisto I, acusados de heresia sabeliana

b) Estêvão VI (896-897) e o sínodo do cadáver. Cortaram os dedos do cadáver do Papa Formoso. Ele foi posteriormente assassinado.

c) Celestino V (1294-1296). Quase todos os seus atos oficiais foram anulados por seu sucessor, o implacável Bonifácio VIII. Celestino foi assassinado após renunciar. Bonifácio ordenou uma cruzada contra a família Colonna.

d) Bonifácio VIII (1294-1303) esteve envolvido em muitas guerras. Ele redigiu a bula *Unam Sanctam*. Morreu de “desânimo” logo após sua prisão.

e) Bento XI (1303-1304) revogou a bula papal Unam Sanctam, de 1302, emitida por Bonifácio VIII.

f) Clemente V (1305-1314) julgou Bonifácio VIII por heresia e sodomia.

g) 1328 – O imperador Luís IV da Baviera destitui o papa João XXII por heresia

h) 1328 — Marsílio de Pádua, que mais tarde se tornaria arcebispo de Milão, persegue o clero católico leal a João XXII

5. Isso não garante que a sucessão dos bispos romanos fosse ininterrupta. Um papa pertencia ao partido que assassinou o papa anterior. Se isso não interrompe a sucessão papal, então a sucessão papal não tem sentido.

Os três pontos a seguir são de acordo com o católico romano Karl Keating.

6. A pessoa errada não se tornaria papa. The Francis Feud, p. 82-83. Leia sobre Alexandre VI, Bonifácio VIII, Júlio II, que atacou cidades na Itália, ou Bento IX, que vendeu o cargo de papa.

7. Maus exemplos: homens violentos, perversos, imorais e nepotistas não assumiriam o papado

8. Os papas falharam em apoiar o ensino correto. “Catolicismo e Fundamentalismo”, p. 227

P: Em Mt 16,18, Jesus estava essencialmente dizendo que Pedro foi o primeiro papa, como afirma a Igreja Católica?

R: Isso foi usado pela primeira vez para apoiar a sucessão papal pelo Papa Dâmaso, em 382 d.C. Como escreve Dave Hunt em *A Woman Rides the Beast*, p. 101: “Um dos primeiros exemplos de múltiplos papas surgiu com a eleição simultânea, por facções rivais, dos papas Ursinus e Dâmaso. Os seguidores do primeiro conseguiram, após muita violência, insediá-lo como papa. Mais tarde, após uma batalha sangrenta de três dias, Dámaso, com o apoio do imperador, saiu vitorioso e continuou como vigário de Cristo por 18 anos (366-384). Então, a ‘sucessão apostólica’ por uma ‘linha ininterrupta desde Pedro’ foi imposta pela força armada? Sério?”

No mesmo livro, pp. 135–136, o bispo Joseph Hefele, de Rottenburg, afirma: “‘Mas em todos esses documentos [história e ensinamentos da Igreja] nunca vi a doutrina [da infalibilidade papal proveniente de uma fonte confiável].’… Von Döllinger, uma das grandes autoridades da época em história da Igreja, concordou inteiramente com Hefele. Seu livro (proibido por Roma) alertava sobre a tentativa iminente de Pio IX de impor o dogma da infalibilidade e lembrava aos bispos que se reuniriam para deliberar sobre essa decisão vital: ‘Nenhuma das antigas confissões de fé, nenhum catecismo, nenhum dos escritos patrísticos compostos para a instrução do povo contém uma sílaba sequer sobre o Papa, muito menos qualquer indício de que toda a certeza da fé e da doutrina dependa dele.’”

Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) disse: “Sobre esta rocha, portanto, Ele [Jesus] disse: ‘Sobre esta rocha, que tu confessaste, edificarei a minha Igreja’. Pois a Rocha (petra) é Cristo; e sobre este fundamento o próprio Pedro foi edificado.” Em seguida, Agostinho cita 1 Coríntios 3,11 e afirma que a Igreja, de maneira representativa, está em Pedro, a rocha. (Sobre o Evangelho de João, Tratado 124, cap. 21.5, vol. 7, p. 450.)

P: Em Mt 16,18, de que forma “a rocha” foi o trocadilho mais significativo de toda a história?

R: Alguém afirmou: “Foi o trocadilho mais influente de toda a história.” Em certo sentido, essa observação está correta, pois essas palavras foram utilizadas durante séculos para apoiar os papas.

No entanto, embora todos devam concordar que Jesus pretendia que Pedro e os outros apóstolos tivessem a mais alta autoridade na Terra sobre a Igreja, Jesus nunca disse nada sobre supostos sucessores. Assim, não foram as palavras em si, mas a extensão injustificada delas aos papas que as tornou o trocadilho mais influente de toda a história.

No entanto, se Jesus falava em aramaico, “kephas/cephas” (rocha maciça) não era um nome próprio comum, mas não funciona como trocadilho neste contexto.

A propósito, um leitor sugeriu que o trocadilho poderia ter sido em hebraico e NÃO em grego. Em hebraico, poderia ter sido “pedra” (eben) e “eu edificarei” (ebneh). Por exemplo, George Howard aponta para um tratado hebraico do século XIV escrito por um rabino chamado Shem-Tob Ben Shaprut, cujo texto em hebraico diz: “Tu és uma pedra (eben) e, sobre ti, eu edificarei (ebneh) minha casa de oração”. Consultewww.jerusalemperspective.com/Default.aspx?tabid=27&ArticleID=1859 para obter mais informações.

P: Em Mt 16,18, o nome Pedro foi encontrado em Qumrã, entre os Manuscritos do Mar Morto?

R: Não. Houve um relato em uma tradução de uma transcrição feita por John Allegro no que hoje é chamado de pergaminho 4Q432. No entanto, Martin Abegg, da Trinity Western University, afirma em um e-mail que tal nome não consta no 4Q432.

P: Em Mt 16,18, quais seriam as três coisas complementares que esse versículo poderia significar a respeito das portas do Hades?

R: Há três contextos diferentes aqui e, em todos os três casos, as portas do Hades não prevalecerão contra a igreja.

Na ressurreição, quando Cristo ressuscitou, Ele levou os santos do Antigo Testamento para o céu com Ele, conforme Efésios 4:8-10.

Atualmente, na Terra, as portas do Hades não podem impedir a propagação do reino de Deus.

No Arrebatamento, o povo de Deus será ressuscitado e seus corpos não permanecerão no túmulo.

P: Em Mt 16,19, o que significa esse “amarrar e desamarrar”?

R: Imagine os cristãos de hoje tentando distinguir os membros de seitas dos cristãos equivocados, e os ensinamentos estranhos dos ensinamentos piedosos, se não tivessem o Novo Testamento. Essa era a situação na igreja primitiva. Deus concedeu aos apóstolos a capacidade de discernir e a autoridade para declarar o que era um bom ensinamento. A autoridade para ligar e desligar concedida a Pedro em Mateus 16:19 é concedida a toda a igreja em Mateus 18:18. Algo semelhante a esse “atar e desatar” — o perdão ou a retenção de pecados — é concedido por Jesus a todos os apóstolos em João 20:23. De certa forma, os apóstolos fazem isso hoje, por meio da Escritura, através do Novo Testamento. Mas, antes de termos o Novo Testamento inteiramente registrado por escrito, era muito importante que eles o fizessem diretamente.

Alguns dizem que não se tratava de determinar culpa ou inocência, mas de anunciá-la, assim como Pedro anunciou que Ananias e Safira eram culpados de mentir ao Espírito Santo em Atos 5:1-10.

Outros afirmam que os termos “atar” e “desatar” eram expressões comuns no judaísmo rabínico. Esses termos significavam decidir autorizar ou proibir diversos tipos de atividades.

P: Em Mt 16,19, o que exatamente eram as chaves do Reino dos Céus?

R: Em primeiro lugar, observe que se fala das chaves do Reino dos Céus, e não da igreja. São mencionadas várias chaves, e o Hades é descrito como tendo várias portas. Não há nenhum metal ou objeto físico envolvido aqui. Poderia ser tanto a mensagem do evangelho quanto o fato de Pedro ter aberto a porta do evangelho para os judeus (Atos 2) e, posteriormente, para os gentios em Atos 10, conforme afirma a Bíblia de Estudo NIV, p. 1.466.

Jesus também disse que os escribas e fariseus fechavam o Reino dos Céus na cara das pessoas, em Mateus 23:13. Em Lucas 11:52, os especialistas na lei tiraram a chave do conhecimento.

P: Em Mt 16,19, essas chaves do Reino dos Céus poderiam ser transmitidas?

R: As Escrituras nunca sequer sugerem que quaisquer “chaves” pudessem ser transmitidas, exceto que Jesus as concedeu a todos os apóstolos. No entanto, o fato de Jesus ter dito aos apóstolos, metaforicamente, que eles possuíam as “chaves” não significa que Ele tenha deixado de possuí-las, pois Jesus ainda detém “as chaves da morte e do Hades” em Apocalipse 1:18.

Hipoteticamente falando, mesmo que um dos primeiros papas possuísse essas chaves e pudesse transmiti-las, isso não significaria sucessão papal se a sucessão tivesse sido interrompida. Um papa assumir as chaves após a destituição do papa anterior soa ridículo. Se um papa fosse totalmente imoral, como Alexandre VI (1492-1503 d.C.), isso também interromperia a sucessão papal. É claro que, a partir desse ponto, não se pode transmitir o que nunca se teve.

Quão ruins foram alguns papas? De acordo com a obra *Topical History of Christianity*, de Austin, p. 148,

“Então [após 904] teve início a chamada ‘pornocracia’, durante a qual Teodora e suas duas filhas, Teodora, a Jovem, e Marózia, controlavam virtualmente Roma e a própria Igreja. Prostitutas sedutoras, essas mulheres venderam seus corpos em troca de cargos, títulos e terras, o que lhes conferiu amplo poder. Marózia teve um caso ilícito com o Papa Sérgio III, do qual nasceu um filho que mais tarde se tornou o Papa João XI. Quando Marózia tentou ser coroada imperatriz, seu filho mais novo, Alberico, sequestrou e aprisionou sua mãe, encarcerou seu meio-irmão, o papa, e tornou-se ele próprio imperador. Ele reinou de 932 a 954, exercendo controle absoluto sobre o papado. Após a morte de Alberico, seu filho Otávio foi eleito como Papa João XII e revelou-se o membro mais odioso dessa família depravada.

b. Os Regimes de Otão. Em 962, o perverso João XII coroou o rei alemão Otão I como imperador do Sacro Império Romano. Pensando ter encontrado um aliado na depravação, João logo descobriu que o novo imperador era um homem de caráter e dedicado a restaurar a decência e a honra do papado. Quando Otão convocou um sínodo para discutir a destituição de João, o papa ameaçou todos com a excomunhão, mas eles o destituíram mesmo assim. Três meses depois, João convocou outro sínodo que anulou o que o sínodo de Otão havia decidido. Por isso, Otão decidiu recorrer à força para livrar o papado de seu governante maligno.

... Os quarenta e dois anos seguintes [após 1004] da história papal foram repletos de intensa rivalidade, mediocridade oportunista, impotência espiritual, vício e corrupção. Parecia ter atingido seu ponto mais baixo com a eleição de um menino degenerado de doze anos, o Papa Bento IX (1032-1045), que, após uma vida de devassidão vergonhosa e uma administração errática, vendeu a tiara sagrada (ou seja, o cargo de Papa) ao maior lance. Ele ficou conhecido como Gregório VI (1045-1046)....”

O professor de seminário católico Pacwa e outros católicos têm uma resposta que surpreenderia muitos protestantes. Eles concordam com os protestantes que muitos papas foram homens ímpios e provavelmente foram para o inferno. No entanto, como eram papas, devemos obedecê-los de qualquer maneira.

Se um papa for preso à força e deposto, o novo papa, que lhe é hostil, tem então a autoridade e o direito de sucessão do antigo papa? Os cristãos daquela época deveriam ter temido a ameaça de excomunhão feita por João? Os cristãos deveriam ter apoiado os preparativos de Otto para a guerra contra o papa? Em que circunstâncias alguém que adquire o título de papa é considerado sucessor de São Pedro? Certamente, alguém que foi comparado a Simão em Atos 8,13-25 não deveria ser obedecido se tivesse comprado o cargo de papa???

P: Em Mt 16,20 e Mc 8,30, por que Jesus não quis que os discípulos dissessem aos outros que Ele era o Cristo (ou seja, o Messias) naquele momento?

R: Primeiramente, observe que Jesus nunca lhes disse para mentirem e negarem que Ele era o Messias, mas apenas para não falarem sobre isso. Há pelo menos duas razões possíveis.

1. Nessa fase de Seu ministério, Jesus queria que eles ouvissem Suas palavras antes de decidirem se Ele era ou não o Messias. Às vezes, é melhor permitir que os ouvintes do Evangelho ouçam as próprias palavras de Jesus do que gastar tempo demais “contextualizando” e “adaptando” o Evangelho.

2. Como mostra Mateus 16,21, os discípulos precisavam primeiro ter total clareza sobre quem era Jesus antes de contarem aos outros.

Jesus anunciou isso publicamente por meio da Entrada Triunfal no Domingo de Ramos. É claro que, após a ressurreição, Jesus mais tarde lhes disse para anunciarem ao mundo inteiro, conforme Mateus 28:18-20 e Atos 1:8.

P: Em Mt 16,21 e Mc 8,29, por que a confissão de Pedro foi um importante ponto de inflexão no ministério de Jesus?

R: A partir do momento em que reconheceram que Jesus era o Messias, Jesus começou a ensinar-lhes que precisava ir a Jerusalém para morrer. Eles precisavam acreditar em quem Jesus era antes de poderem compreender por que Jesus precisava morrer por seus pecados.

P: Em Mt 16,21 e Mc 8,31, exatamente nesse momento de Seu ministério, e não antes, por que Jesus começou a dizer-lhes que Ele sofreria e seria rejeitado?

R: Jesus não disse que sofreria e seria morto até que pelo menos um de Seus discípulos reconhecesse e acreditasse que Jesus era o Messias prometido.

P: Em Mt 16,21, por que Jesus esperaria até agora para dizer aos seus discípulos que Ele sofreria, morreria e ressuscitaria dos mortos?

R: Era importante que os discípulos reconhecessem, em primeiro lugar, que Ele era o Messias, o Filho de Deus. Mas, assim que eles perceberam isso, Jesus passou para a etapa seguinte: o Messias teria que sofrer, morrer e ressuscitar. Jesus também pode não ter querido que eles tirassem conclusões precipitadas de que o Messias triunfaria sobre Roma naquele momento. Jesus já havia feito alusão à Sua morte anteriormente (em Mateus 9:15; 10:38; 12:40; João 2:19; 3:14), mas essa foi a primeira vez que Ele declarou isso abertamente.

P: Em Mt 16,21; 17,22; 20,19; Mc 8,31, uma vez que Jesus ressuscitaria após três dias ou no terceiro dia, isso significa que Ele esteve morto por pelo menos 24 × 3 = 72 horas?

R: Não, pois Lucas 24:21 afirma que o dia da ressurreição foi o terceiro dia. Jesus morreu na tarde de sexta-feira e ressuscitou no domingo, por volta do amanhecer. A expressão “após três dias” era uma figura de linguagem hebraica conhecida, significando parte ou a totalidade de três dias. Aqui estão outros cinco exemplos dessa “figura de linguagem dos três dias”.

1. Em Gênesis 42:17, José prendeu seus irmãos por três dias. Mas, no versículo 18, ele libertou nove deles no terceiro dia.

2. Roboão, em 2 Crônicas 10:5, disse ao povo: “Voltem para mim em três dias”. No entanto, em 2 Crônicas 10:12, o povo retornou: “Voltem para mim no terceiro dia”.

3. Em 1 Samuel 30:12, um escravo egípcio doente disse a Davi que não havia comido nada nem bebido água por três dias e três noites. No entanto, uma pessoa não conseguiria sobreviver ao ar livre no deserto sem nenhuma água por 72 horas. Sem dúvida, o escravo se referia a parte desses três dias.

4. Em Ester 4:16, Ester pede que jejuem por ela “por três dias, de dia e de noite”, e que ela faria o mesmo. No entanto, Ester 5:1 diz que “no terceiro dia” Ester ofereceu um banquete; portanto, trata-se de um período equivalente.

5. Ao se referir à morte e ressurreição de Cristo, o próprio Jesus disse em Mateus 12:40: “três dias e três noites”; Marcos 8:31 diz: “ao terceiro dia ele ressuscitará”; Marcos 14:58 diz: “por três dias”; João 2:19 diz: “em três dias”; e Lucas 24:21 diz: “Este terceiro dia chega hoje”.

Em resumo, comprovamos que essa expressão idiomática hebraica pode significar “dentro de três dias”, e que essa expressão era reconhecida desde a época de Roboão até a época de Jesus.

P: Em Mt 16,22-23 e Mc 8,32-33, por que Jesus repreendeu Pedro aqui, dizendo “afasta-te de mim, Satanás”?

R: Pedro tinha em mente as coisas dos homens, não de Deus. Satanás usou Pedro, amigo íntimo de Jesus, para tentá-Lo. No entanto, Jesus reconheceu a tentação pelo que ela realmente era. Jesus não estava dizendo que Pedro estava possuído por demônios ou controlado por Satanás. Em vez disso, Jesus reconheceu que, por trás da sugestão, estava Satanás. Quando Deus deseja que façamos algo por Ele, e nós temos ou pensamos em uma sugestão que aponta para o caminho mais fácil, devemos reconhecer isso pelo que realmente é: uma tentação de Satanás. Mesmo que a pessoa tenha boas intenções e seja um irmão na fé, devemos reconhecer que ela ainda assim pode lhe dar uma sugestão que constitui uma tentação de Satanás. Satanás no deserto e Pedro, neste caso, sugeriram que Jesus poderia assumir a realeza sem o sofrimento. Hoje, se tentarmos fazer de Jesus nosso Rei e Salvador, sem a cruz ou sem a necessidade dela, estaremos minando a mensagem de salvação de Deus.

P: Em Mt 16,22-23 e Mc 8,33, como Pedro pôde ter a ousadia de corrigir e repreender Jesus?

R: Jesus escolheu um discípulo ousado ao escolher Pedro. A ousadia, por si só, não é nem boa nem ruim. A ousadia em seguir a Deus é boa, mas a ousadia de seguir seu próprio caminho geralmente não é.

P: Em Mt 16,22, por que Pedro estava repreendendo Jesus de maneira insensata nesse momento?

R: Pedro achava que Jesus precisava de correção e conselho. Ainda hoje, algumas pessoas podem ter a atitude de que sabem mais do que Deus.

P: Em Mt 16,23 e Mc 8,33, de que maneiras as pessoas hoje podem estar tendo em mente as coisas do homem em vez das coisas de Deus?

R: Podemos substituir a sabedoria de Deus pela sabedoria do homem. Podemos decidir fazer as coisas à nossa maneira quando isso vai contra a maneira de Deus. Podemos esquecer que nossa esperança está em Deus, não em nossa força ou sabedoria. Podemos recorrer aos nossos próprios métodos terrenos. Por fim, podemos estar tão ansiosos para cumprir nossos “deveres” rapidamente que deixamos de desfrutar tanto da presença de Deus e preferimos um tipo de adoração “fast-food” a nos dedicarmos a Deus.

O senhor não disse “sim” a Deus de todo o coração, a menos que também tenha dito “não” a si mesmo.

P: Em Mt 16,24, por que Jesus mencionou a cruz neste contexto, antes de dizer aos Seus discípulos que seria crucificado?

R: Jesus sabia que seria crucificado antes mesmo de dizer isso aos Seus discípulos. Todos eles já sabiam o que era a crucificação, pois os romanos costumavam crucificar rebeldes e ladrões. A crucificação serviria de incentivo para que os demais se mantivessem na linha. Assim como os revolucionários zelotes arriscavam a crucificação por uma causa pequena e terrena, os discípulos deveriam estar dispostos a arriscar a crucificação por uma causa celestial que valia muito mais a pena. No fim, todos os doze apóstolos foram martirizados por causa de sua fé, exceto João, que foi exilado em Patmos e morreu de morte natural.

P: Em Mt 16,27, Jesus virá na glória do Pai ou em Sua própria glória, como diz Jo 1,14?

R: João 1,14 diz que eles viram parte da glória de Jesus. Por exemplo, viram parte dessa glória no Pentecostes. Mateus 16,27 refere-se a um evento num futuro distante, quando Jesus voltar. Em outras palavras, vocês ainda não viram nada!

P: Em Mt 16,27, isso se refere não ao fim da terra, mas à manifestação suprema de Bahá’u’lláh, como ensinam os bahá’ís em *Bahá’u’lláh e a Nova Era*, pp. 268-269?

R: Não, leia o versículo com mais atenção. Ele diz que o Filho do Homem virá na glória de seu Pai com seus anjos e recompensará cada pessoa de acordo com o que ela tiver feito. As pessoas não viram nenhum anjo com Bahá’u’lláh, e Bahá’u’lláh não recompensou nem os fiéis bahá’ís que foram exilados ou morreram, nem os muçulmanos que o perseguiram.

P: Em Mt 16,28 e Mc 9,1, o que Jesus quis dizer ao afirmar que alguns não provariam a morte até que vissem o reino de Deus vir com poder?

R: Primeiro, eis o que a resposta não é; depois, o que ela é.

X1. Não há evidência de que Jesus tenha ensinado que os discípulos permaneceriam vivos por muito tempo. Na verdade, pela história da Igreja, sabemos que 11 dos 12 apóstolos morreram como mártires. Apenas um, João, teve uma morte natural. Ele, no entanto, ainda sofreu o exílio na ilha de Patmos.

X2. NÃO se refere ao Reino milenar descrito em Apocalipse 20:1-6.

X3. Não pode se referir à reencarnação, antes de verem o Filho do Homem vindo em Seu reino. Não só a reencarnação não é verdadeira, como, mesmo que fosse, as pessoas que reencarnassem ainda enfrentariam a morte.

X4: Alguns defendem que se trata da transfiguração, que ocorreu pouco tempo depois. Quando, em 2 Pedro 1:16-18, Pedro fala de terem sido testemunhas oculares de sua majestade, o livro “1001 Perguntas Bíblicas Respondidas”, pp. 299-300, afirma que isso indica que Pedro interpretou o texto dessa maneira.

A resposta: Refere-se ao momento em que Jesus “conquistou” Seu reino por meio da crucificação, conforme comprovado pela ressurreição. Ele entrou em Seu reino após triunfar sobre Satanás. Os cristãos divergem quanto a saber se o dia inicial foi a ressurreição ou o Pentecostes, mas esse é um ponto de menor importância.

Mateus dá ênfase especial ao reino dos céus. O reino dos céus começaria visivelmente pequeno, como um grão de mostarda (Mateus 13:31); assim como o fermento, não seria visível, mas seus efeitos seriam visíveis na massa do mundo (Mateus 13:33); contudo, no final, os anjos removerão do reino dos céus tudo o que causa pecado e todos os que praticam o mal (Mateus 13:41-42). O Reino dos Céus é como um tesouro enterrado que alguém encontra secretamente (Mateus 13:44), mas é extremamente valioso, como um comerciante que vende tudo para comprar uma pérola preciosa (Mateus 13:45-46). Assim, como mostra a parábola da rede em Mateus 13:47-50, o Reino dos Céus é algo nesta vida que contém tanto peixes bons quanto maus, mas também terá seu cumprimento definitivo no fim dos tempos. O Reino de Deus estava dentro de nós (Lc 17:21).

A Pedro, em Mateus 16:19, e posteriormente aos demais apóstolos, foram entregues as chaves do reino.

Na Última Ceia, Jesus disse que não beberia mais do fruto da videira até que o bebesse de novo com eles no Reino do Pai. Mateus 26:29. Jesus comeu e bebeu com os discípulos após Sua ressurreição.

Resumo: Os discípulos, que viveram vidas de duração normal, afirmam que o Reino dos Céus veio à Terra após a ressurreição de Jesus. Embora os judeus pudessem ter esperado um reino militar que derrubasse os romanos, Jesus ensinou que o reino era como um grão de mostarda, fermento ou uma pérola de grande valor. Era pequeno, difícil de perceber a princípio, de grande valor e teria grandes efeitos.

P: Em Mt 17,1-8, por que Jesus foi transfigurado?

R: Embora as Escrituras não o digam, pode ter sido por uma combinação de razões, relacionadas tanto aos discípulos quanto ao próprio Jesus.

1. Para os discípulos, essa revelação foi um sinal para confirmar sua fé, além de encorajar e fortalecer os três discípulos que testemunharam o evento. Talvez fosse bom fortalecer a fé desses três antes da crucificação.

2. Isso destacou os três discípulos como líderes dos demais.

3. O Pai e o Espírito poderiam ter utilizado esse evento para fortalecer Jesus e orientá-lo sobre o que fazer até a crucificação, bem como sobre o que fazer entre o momento da crucificação e a ressurreição.

4. Poderia ser um testemunho de que Jesus havia “sido reconhecido” como o homem perfeito e sem pecado, e que a conversa subsequente tratava de sua crucificação.

Jesus já havia dado muitas provas de Seu poder antes disso. Mas todos esses milagres são o que Jesus fez, ou era capaz de fazer, e não simplesmente quem Ele era. Às vezes, precisamos fazer uma pausa no ministério e em outras atividades para simplesmente passar um tempo a sós com o Senhor, concentrando-nos em quem Ele é.

É claro que Deus não é obrigado a nos explicar as razões de tudo.

P: Em Mt 17,1, a qual montanha Jesus os levou?

R: Provavelmente foi o Monte Meron, com cerca de 3.926/3.963 pés ou 1.204 metros. Provavelmente não foi o Monte Hermon (9.232 pés), que estava coberto de neve e não faria sentido passar a noite ali. Provavelmente eles não foram ao topo do Monte Tabor (1.900 pés, como pensavam Cirilo de Jerusalém e Jerônimo), pois havia um forte romano no seu topo.

O Monte Meron é uma caminhada de cinco a oito horas de dificuldade moderada. Costuma haver um pouco de neve no topo durante o inverno, mas não no restante do ano.

P: Em Mt 17,1-8, a transfiguração foi uma ressurreição ou uma visão?

R: Não foi exatamente nenhuma das duas coisas. Moisés e Elias estavam de fato presentes, pelo menos em espírito, conversando com Jesus. As Escrituras não dizem se eles apareceram com um corpo ou não. Moisés e Elias vieram em uma nuvem resplandecente e, em seguida, partiram. Elias subiu ao céu em um redemoinho (2 Reis 2,1) e, embora Moisés tenha morrido, seu corpo nunca foi encontrado (Deuteronômio 34,6), e o diabo disputou com o arcanjo Miguel a respeito do corpo de Moisés (Judas 9).

P: Em Mt 17,2 e Mc 9,3, por que as vestes de Jesus ficaram tão brancas?

R: As Escrituras não explicam por que as vestes ficaram brancas (ou brilharam intensamente) quando a glória se manifestou. Outros exemplos de vestes brancas na glória são os anjos que apareceram.

P: Em Mt 17,3-4 e Mc 9,4, como Mateus e Marcos sabiam que se tratava de Moisés e Elias?

R: Provavelmente porque Pedro, ou Tiago, e João lhes disseram. Como é que Pedro, Tiago e João saberiam? Ou ouviram Jesus chamá-los pelo nome, ou Jesus lhes contou depois, ou o Pai lhes comunicou diretamente.

P: Em Mt 17,9 e Mc 9,9, por que Jesus especificamente não quis que os discípulos contassem a ninguém sobre a transfiguração até que Ele ressuscitasse dos mortos?

R: Muitos dos judeus rejeitaram Jesus como o Messias; como poderiam eles acreditar na transfiguração? É essencial acreditar que Jesus era o Messias, o Filho de Deus. Não era essencial saber ou acreditar em questões secundárias, como a transfiguração. Se alguém não aceitasse Jesus como o Messias depois de ver os milagres, é improvável que acreditasse por causa de um relato sobre a transfiguração. Depois que Jesus ressuscitou dos mortos, quem já acreditava n’Ele não teria dificuldade em aceitar a transfiguração.

Da mesma forma, quando falamos com outras pessoas sobre Cristo, especialmente na primeira vez, dentre todas as coisas sobre as quais poderíamos falar, certifique-se de dedicar esse tempo precioso a falar sobre o que é mais importante.

Pedro, Tiago e João poderiam ter saído por aí contando a todos sobre a transfiguração, e talvez mais pessoas questionassem sua sanidade do que acreditassem neles. Mas essa evidência de segunda mão não seria muito significativa em comparação com a ressurreição que ocorreria em breve. Às vezes, quando compartilhamos com outras pessoas, não queremos mencionar coisas “ligeiramente convincentes” sobre o cristianismo em vez de coisas “fortemente convincentes”.

P: Em Mt 17,11-13, de que forma João Batista era o Elias que havia de vir?

R: Primeiro, discutiremos Elias e, em seguida, João Batista.

O próprio Elias esteve presente na transfiguração. Em Mateus 17,11, Jesus afirma que a restauração de todas as coisas por Elias é um evento futuro, e que o próprio Elias aparecerá antes da Segunda Vinda de Jesus. Alguns acreditam que Elias seja uma das duas testemunhas mencionadas em Apocalipse 11,3-12.

João Batista veio no Espírito e no poder de Elias, e é a João Batista que Jesus se refere metaforicamente em Mateus 17:12-13.

Em uma peça teatral, alguém pode substituir um ator durante um ensaio, e o próprio ator aparece durante a apresentação.

Conclusão: durante a Primeira Vinda, João Batista assumiu o papel de Elias, mas isso não impede que o próprio Elias apareça antes da Segunda Vinda.

P: Em Mt 17,12 e Mc 9,11-13, como João Batista cumpriu a profecia de Elias? Ele era a reencarnação de Elias?

R: Não, porque a reencarnação é errada, como mostram Hebreus 9:27 e Romanos 9:11. Na primeira vinda de Jesus, João tinha o propósito e a missão de Elias. É claro que o próprio Elias (não João) apareceu brevemente na transfiguração. Muitos pensam que Elias será uma das duas testemunhas imediatamente antes da sétima trombeta, em Apocalipse 11:3-12. Quando Jesus veio (pela primeira vez), não foi por falta de Elias e Moisés que o reino não foi plenamente inaugurado na terra naquela ocasião. Eles estiveram presentes.

P: Em Mt 17,14-16 e Lc 9,37-39, por que os demônios costumam causar dano às pessoas que possuem?

R: Uma razão poderia ser simplesmente o ódio pelas pessoas. Mas uma segunda razão poderia ser semelhante às razões pelas quais pessoas más costumam ferir aqueles que as ajudaram. Para uma explicação lógica — na verdade, cruelmente lógica — disso, o livro depravado de Maquiavel, *O Príncipe*, fala de casos em que um líder mercenário é perigoso enquanto serve a um príncipe e ainda mais perigoso se desertar. Ele escreveu que o mais seguro costuma ser o assassinato, mesmo que a pessoa tenha se mostrado sempre leal no passado! Se alguém se associa ao mal, não deve se surpreender quando o mal lhe for infligido por aqueles a quem estava ajudando.

P: Em Mt 17,15, o termo para epilepsia é, literalmente, “atingido pela lua”. Existe alguma correlação entre crises epilépticas e as fases da lua?

R: Aparentemente, os antigos acreditavam nisso, ao utilizarem esse termo. Nos tempos modernos, não temos certeza, seja de um jeito ou de outro. Um artigo de 2008 publicado na Biblioteca Nacional de Medicina por Sallie Baxendale e Jennifer Fisher, “Moonstruck? O efeito do ciclo lunar nas crises”, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18602495/. Elas estudaram 1.571 crises e encontraram uma correlação entre a escuridão do céu noturno e as crises. O fator determinante foi a iluminação do céu noturno, e não a fase da lua, pois elas ajustaram os dados para levar em conta a cobertura de nuvens. Por outro lado, um artigo de 1999 de C. L. Raison et al., disponível em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10363673/, não encontrou nenhuma correlação. Eles sugeriram que poderia haver uma correlação entre convulsões e a falta de um bom sono noturno. É claro que, se você estivesse dentro de uma casa com cortinas grossas, a iluminação da lua talvez não fizesse diferença.

P: Em Mt 17,15-21; Mc 9,17-18, 28-29 e Lc 9,40, por que os discípulos não conseguiram expulsar esse demônio?

R: Não foi por causa de quem os discípulos eram, nem por qualquer limitação do poder de Deus. Em vez disso, eles consideravam a capacidade de expulsar demônios algo natural naquele momento e não oraram nem jejuaram, talvez por orgulho ou complacência. Hoje, alguns cristãos não obtêm os resultados que deveriam porque não dedicam tempo à oração e ao jejum.

P: Em Mt 17,15-21; Mc 9,17-18, 28-29 e Lc 9,40, devemos impor as mãos ao expulsar um demônio, ou isso é apenas um gesto simbólico?

R: Nossas mãos não são mágicas. Mas, assim como pode nos ajudar na oração o fato de orarmos em várias posições, é adequado e bíblico impor as mãos sobre uma pessoa possuída por demônios. Não é algo obrigatório, de modo que “o demônio não possa ser expulso se não pudermos impor as mãos”.

P: Em Mt 17,15-21, o espírito maligno que foi expulso voltará para atacar a pessoa mais fraca da equipe que está tentando expulsar o demônio?

R: Os demônios não possuem um verdadeiro crente, mas podem oprimir um crente e, dessa forma, atacá-lo por meio de tentações mais intensas, medo, depressão e outras maneiras de desviar seu olhar de Jesus. Portanto, os membros da equipe devem manter uma caminhada íntima com o Senhor.

A propósito, há outro perigo na expulsão de demônios. Se a pessoa de quem o demônio foi expulso não quiser ter Cristo em seu coração, então os demônios podem voltar e até trazer mais consigo. Veja Mateus 12:43-45 e Lucas 11:24-26.

P: Em Mt 17,15-21, algumas igrejas praticam que a família deve levar a pessoa possuída pelo demônio à igreja, e não ir à casa dela. Isso se deve ao fato de ser mais seguro expulsar um demônio na igreja do que na casa de alguém?

R: Acho que tanto a igreja quanto a casa servem. Mas, se possível, eu não faria isso em uma casa que tivesse ídolos (Budas, etc.) ou onde se praticasse astrologia ou adivinhação.

P: Em Mt 17,15-21, se uma mulher não cristã estiver possuída por um espírito maligno e o marido não se opuser inicialmente, mas, após duas ou três visitas, ele mudar de ideia e não receber mais a equipe, nem impedir que ela venha, e a esposa continuar disposta a receber a ajuda, qual deve ser a nossa posição? Ela deve obedecer ao marido?

R: Essa é uma situação difícil. As esposas devem obedecer aos maridos, mas devem obedecer a Deus em primeiro lugar. Assim, se o marido ordenar que a esposa faça algo contrário à Bíblia, ela deve desobedecer ao marido nesse ponto. Ela deve, no entanto, continuar a obedecer em outros aspectos. Contudo, se a esposa deseja que os cristãos venham, não creio que ela esteja possuída por um demônio; ela pode, no entanto, estar sob o ataque de um demônio. A esposa está disposta a visitar a igreja? Se o marido não quiser que a esposa se relacione com os crentes, e Hebreus 10:25 nos ordena que não deixemos de nos reunir, o dever da esposa é obedecer a Deus em primeiro lugar.

P: Em Mt 17,15-21, e se a vítima possuída se ferir ou pular de uma janela durante o tempo de ministração, e o familiar decidir apresentar uma reclamação ou entrar com uma ação judicial contra o líder da equipe ou a equipe, qual é a posição da igreja?

R: Isso pode ser uma possibilidade; as pessoas podem entrar com ações judiciais culpando os outros por praticamente qualquer coisa. Independentemente disso, porém, os membros da igreja devem tomar precauções para garantir a segurança da pessoa envolvida.

P: Em Mt 17,15-21, devemos informar e buscar a aprovação dos pastores antes de visitar uma pessoa possuída por demônios?

R: Recomendo enfaticamente que informem seu pastor ou os anciãos sobre isso. Hebreus 13:17 diz que devemos obedecer àqueles que nos governam, e isso se refere aos pastores/anciãos.

P: Em Mt 17,17, por que e com quem Jesus ficou exasperado?

R: Jesus se referiu a essa “geração” incrédula e perversa, o que poderia significar um grupo de pessoas que viviam naquela época ou um grupo específico, como os judeus. Contudo, independentemente disso, essa repreensão se refere também aos nove discípulos. Os discípulos já haviam recebido o poder de curar, mas, de forma vergonhosa, recuaram e não conseguiram realizar essa cura. Jesus lamentava a falta geral de fé das pessoas daquela cultura, da qual os discípulos faziam parte. “Pouca fé” não se refere a um “pouco” de fé, mas sim à pobreza de fé.

P: Em Mt 17,17, de que maneiras, em sua opinião, Deus poderia estar exasperado hoje com a falta de fé dos crentes?

R: Podem ser de várias maneiras. Às vezes, nossa preocupação e ansiedade podem revelar uma falta de confiança em Deus. Às vezes, os cristãos relutam em cumprir a vontade de Deus se percebem um risco à sua segurança, à segurança de seus entes queridos ou à sua riqueza. Às vezes, os cristãos fazem as coisas apenas “pela metade”, como que para se protegerem, em vez de se dedicarem totalmente. Às vezes, os cristãos querem trabalhar para cumprir a vontade de Deus usando os métodos do mundo, porque, em sua falta de fé, sentem que precisam fazer isso. Às vezes, trata-se de uma mentalidade do tipo “eu consigo lidar com isso sozinho” e da falha em buscar a orientação do Senhor.

P: Em Mt 17,25-27, por que Jesus disse que os filhos estão isentos de impostos, mas mesmo assim Ele pagou impostos?

R: Imagine que você pudesse ver Jesus e fazer-Lhe qualquer pergunta. A pergunta mais urgente em sua mente seria: “O senhor paga o imposto do templo?” Parece quase cômico que se peça ao Criador e Senhor da terra que pague impostos. No entanto, Jesus o fez graciosamente, sem reclamar, a fim de não ofender ninguém. Embora o versículo 24 não especifique o tipo de imposto em questão, o valor — duas dracmas (meio siclo) — referia-se a um imposto anual, cobrado de todos os homens judeus com vinte anos ou mais, tanto em Israel quanto fora dele, destinado ao templo judaico e com vencimento em março, e não a um imposto para o governo romano. Esse era o imposto na época de Jesus, de acordo com Josefo em *Antiguidades dos Judeus*, livro 3, n.º 193-196; livro 18, cap. 312, e a Mishná *Shekalim*. No entanto, o versículo 25, ao se referir aos reis da terra, refere-se definitivamente ao imposto romano.

Além desse exemplo, Romanos 13:6-7 também ordena aos crentes que paguem impostos ao governo, mesmo a um governo tão corrupto quanto o Império Romano.

Algumas pessoas podem interpretar erroneamente as palavras de Jesus como vagas, pois Ele estava dizendo que, hipoteticamente, embora tudo o que devesse ser dado a César devesse ser entregue a ele, na prática nada deveria ser entregue aos romanos. No entanto, se fosse isso que Jesus quisesse dizer, pedir que eles apresentassem um denário seria inútil ou, pior ainda, induzir as pessoas ao erro.

P: Em Mt 17,25-27, os outros discípulos também pagaram o imposto do templo?

R: As Escrituras não dizem. Presume-se que sim; caso contrário, eles estariam isentos se tivessem menos de 20 anos. Muitos dos discípulos viveram por 30 ou 40 anos após a ressurreição de Jesus, então Jesus pode ter escolhido jovens.

P: Em Mt 17,27, por que às vezes ficamos exasperados com os outros, e como devemos reagir quando isso acontece?

R: Alguém que faz algo ruim, quando já esperávamos que o fizesse, geralmente não nos deixa muito irritados. O que pode nos exasperar é quando temos padrões ou expectativas mais elevados em relação a alguém, ou a um grupo de pessoas, e elas nos decepcionam ou nos traem. Antes de perdermos o controle e o juízo, porém, devemos lembrar como, às vezes, podemos exasperar Jesus. Em segundo lugar, devemos lembrar que essas pessoas terão de prestar contas ao seu senhor — e não somos nós o senhor delas, mas Deus. Por fim, será que deveríamos ter estabelecido essas expectativas desde o início? Em vez de simplesmente “reagir” às nossas emoções decorrentes da nossa própria decepção, “responda” de maneira adequada, considerando o que é melhor nessa situação. Se uma resposta claramente não estiver funcionando, talvez seja melhor parar e reagir de outra forma. Por fim, lembre-se de Tiago 1,20: “pois a ira do homem não produz a justiça de Deus”.

P: Em Mateus 18,1-6, quando alguém, especialmente um cristão, está se concentrando em fazer a pergunta errada, como o senhor redireciona essa atenção?

R: Com paciência e tato. A repreensão pode não ser útil nesse caso, pois o raciocínio dessa pessoa pode estar confuso demais para que ela perceba. Nesse caso, não era que a pergunta fosse ilógica ou sem sentido, mas que as prioridades estavam equivocadas. Apenas dizer a alguém que suas prioridades estão equivocadas não é muito útil por si só; você deve dizer a essa pessoa — ou, melhor ainda, mostrar a ela — quais devem ser suas prioridades.

P: Em Mt 18,1-6, o que se deve fazer quando se detecta rivalidade entre os crentes?

R: Há sete passos que podemos seguir.

1) Ore por eles, ou por ambas as partes, para que enxerguem a situação da maneira como Deus a vê e tenham o coração e a coragem de mudar de rumo e seguir a orientação de Deus.

2) Tente compreender a mentalidade deles, por que acham que devem se sentir assim.

3) Observe que Jesus não os condenou por fazerem a pergunta, e você também não deve desprezá-los. Mas, como disse João Crisóstomo (falecido em 407 d.C.): “Não somos capazes de compreender nem mesmo as falhas dos Doze; não perguntamos quem é o maior no Reino dos Céus, mas sim quem é o maior no Reino da Terra: quanto mais rico, mais poderoso”. (Homilias sobre Mateus, homilia 58, NPNF1, p. 360)

4) Certifiquem-se de dar o exemplo e cultivar um coração de servo, considerando os outros mais importantes do que a si mesmos (Filipenses 2:3).

5) Procurem ajudá-los a enxergar sua rivalidade como um pecado que precisam corrigir.

6) Incentive-os a trabalharem juntos.

7) Todos nós devemos ser como crianças (no bom sentido), pois somos todos filhos de Deus.

P: Em Mt 18,5 e Mc 9,35-37, de que forma acolher uma criança em nome de Jesus é semelhante a acolher o próprio Jesus?

R: Jesus estava enfatizando a ausência de distinção entre recebê-Lo calorosamente em carne e osso e receber os outros em nome de Jesus. Nos tempos antigos, um emissário de um rei era tratado com honras reais como representante do rei.

P: Em Mt 18,8 e Mc 9,43.47, devemos cortar nossa mão ou arrancar nosso olho se isso nos levar a pecar?

R: Não, pela simples razão de que nossas mãos e nossos olhos não nos levam a pecar. Jesus está dizendo que o pecado é tão grave que seria melhor tomar uma medida tão drástica quanto perder esses membros do que pecar. É melhor cortar um membro do que morrer de gangrena. De tempos em tempos, todos nós precisamos fazer uma “avaliação realista” de nós mesmos. Perguntemo-nos: nosso relacionamento com Cristo está melhorando, ou estamos nos afastando?

P: Em Mt 18,9 e Mc 9,43-44,48, as referências ao fogo inextinguível comprovam a existência do castigo eterno?

R: Elas sugerem a verdade da punição eterna, mas não a comprovam, pois poderia ser que o fogo fosse eterno, mas as pessoas que sobrevivessem nele não fossem. É claro que, nesse caso, o fogo teria algum outro combustível ou meio de se manter aceso.

P: Em Mt 18,10, Deus Pai tem um rosto?

R: Não. Não se esperaria que Jesus apresentasse aqui um ensinamento detalhado sobre a proximidade e a percepção angelical nas dimensões do Céu. Em vez disso, Jesus simplesmente utilizou uma metáfora para dizer que os anjos que zelam por esses pequeninos têm acesso direto ao Pai. No entanto, nada indica que outros anjos também não tenham acesso direto ao Pai.

P: Em Mt 18,14, uma vez que Deus não deseja que nenhum desses pequeninos pereça, por que as pessoas perecem?

R: Trata-se de duas perguntas em uma: por que os bebês morrem e por que as pessoas vão para o inferno.

Os bebês morrem, assim como todos nós acabaremos por morrer, em consequência de fazermos parte de uma raça caída. Vivemos em um mundo repleto de maldade e injustiça, e Deus colocará tudo em ordem no Dia do Juízo Final.

Bebês e fetos possuem uma natureza pecaminosa, mas o fato de um feto morrer não prova que ele seja culpado de pecado, da mesma forma que a morte de um gatinho não prova que ele fosse culpado de pecado.

As pessoas vão para o inferno, de acordo com 2 Tessalonicenses 1:8, que diz que aqueles que não obedecem ao evangelho do Senhor Jesus Cristo serão condenados; portanto, o evangelho é algo que todos temos a responsabilidade de obedecer. A morte de Jesus na cruz foi suficiente para todos. No entanto, Deus ainda permite que as pessoas que rejeitam o Único Deus Verdadeiro suportem as consequências das escolhas pelas quais foram responsáveis.

P: Mateus 18:15-18 significa que nunca devemos criticar a doutrina de um líder cristão?

R: De forma alguma. Embora Mateus 18:15 se refira ao tratamento de crentes, e não de incrédulos, Mateus 18:15-18 trata do comportamento e não da pregação pública de falsidades ou heresias. Embora seja bom entrar em contato com a pessoa em particular, a fim de tentar convencê-la antes de tornar o assunto público, se a falsidade foi pregada publicamente, então ela precisa ser corrigida publicamente. Se for corrigida pela própria pessoa que proferiu e anteriormente acreditava nas afirmações falsas, tanto melhor. Mas, caso contrário, ela precisa ser corrigida por outra pessoa. No entanto, isso não deve ser feito com espírito de animosidade ou ódio em relação à pessoa que proferiu o erro, mas com amor e com o desejo de mostrar a verdade.

P: Em Mt 18,17, o que significa “tratar como pagão ou publicano”?

R: A palavra “você” aqui está no singular; portanto, significa que o indivíduo deve se afastar da pessoa que está agindo de forma errada. Um pagão ou um cobrador de impostos — presumivelmente ganancioso e desonesto — estavam, obviamente, fora da esfera do Reino de Deus e da igreja. Não dê a ninguém a impressão de que você tem a mesma salvação ou fé que essa pessoa. Mesmo que a pessoa seja, de fato, um crente que cometeu um erro, não sabemos se ela é realmente um santo que pecou ou se, na verdade, nunca foi salva.

P: Em Mt 18,18, o que significam “atar” e “desatar”?

R: “Ligar” significa impedir, restringir ou proibir, e “desligar” significa permitir que se prossiga. Alguns afirmam que “ligar” e “desligar” eram expressões idiomáticas judaicas para indicar que o que é anunciado na terra já havia sido predeterminado de antemão no céu. Esse poder de ligar e desligar foi concedido a todos os apóstolos.

P: Em Mt 18,21-22, como a generosidade de Jesus ao dizer às pessoas que perdoem os outros setenta vezes sete se compara a outros ensinamentos?

R: Os saduceus e muitos rabinos ensinavam que bastava perdoar ao irmão três vezes. No entanto, não é de forma alguma generoso que alguém como Jesus diga a outra pessoa para perdoar. O que foi extremamente generoso foi Jesus nos perdoar, a nós que o pregamos na cruz (Lucas 23:34), e morrer por nossos pecados.

P: Em Mt 18,28-31, quais eram os valores em dinheiro mencionados aqui?

R: Dez mil talentos era uma quantia enorme. Davi doou três mil talentos de ouro e sete mil talentos de prata para construir o templo em Jerusalém. Os príncipes doaram cinco mil talentos de ouro e dez mil talentos de prata, de acordo com 1 Crônicas 29:4,7. Alguns estimaram esse valor em US$ 12 milhões, mas um valor mais preciso talvez seja pouco menos de um bilhão. Em Mateus 18:28, 100 denários correspondiam a cerca de 100 dias de salário de um trabalhador comum ou de um soldado de infantaria. Um escravo realmente bom podia valer um talento, mas a maioria dos escravos valia um décimo de um talento. Também era contra a lei que um homem fosse vendido como escravo por um valor superior à dívida que possuía.

P: Em Mt 18,32-35, Deus alguma vez revoga o perdão ou deixa de perdoar os pecados?

R: Não. A dívida não foi renovada; ao contrário, o perdão não foi aplicado. O senhor perdoou a dívida do servo, mas quando o servo mau agarrou outro servo pelo pescoço para cobrar sua dívida, o senhor ficou indignado com essa injustiça e voltou a aplicar a dívida. Deus perdoou nossos pecados livre e graciosamente, embora não o merecêssemos, mas o fato de o perdão ser aplicado ou não depende de nossa resposta. Hebreus 4:2 diz que o evangelho não foi proveitoso para alguns porque eles não o combinaram com a fé. Romanos 11:29 diz que os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis.

P: Em Mt 18,32-35, essa parábola poderia significar que o senhor enviou o servo mau para a prisão por dívidas posteriores, em vez de reaplicar a dívida anterior?

R: Não, esse não é o ponto, pois a parábola indica que o senhor entregou o servo mau aos carcereiros devido à falta de misericórdia deste.

P: Em Mt 18,35, algumas obras, como perdoar nossos irmãos, são necessárias para a salvação?

R: Nem o perdão aos outros nem qualquer outra obra ajudará uma pessoa a alcançar a salvação. Pelo contrário, se uma pessoa possui a salvação, ela será capaz de perdoar aos outros por tudo o que eles tenham feito. Se experimentamos a grande misericórdia de Deus, perdoar aos outros é algo muito mais fácil para nós.

P: Em Mt 19,3-9; Mc 10,11-12, em que circunstâncias o divórcio é permitido?

R: Nos tempos do Antigo Testamento (Dt 24,1-4, etc.), o divórcio era permitido por quase qualquer motivo, pois o coração das pessoas era endurecido; mas Jesus eliminou esse motivo. O divórcio não é permitido, exceto nas seguintes circunstâncias:

1. O cônjuge não crente deseja se separar (1 Coríntios 7:12-15).

2. É permitido quando um dos cônjuges cometeu adultério (Mateus 5:31-32).

3. Muitos cristãos consideram o divórcio inevitável em caso de abandono, pois um dos cônjuges, na prática, já se “divorciou”.

4. É claro que devemos seguir também o restante da Palavra de Deus, e muitos cristãos consideram justificável o divórcio se a vida de um cônjuge ou de um filho estiver em perigo por causa do outro cônjuge.

Chuck Swindoll, em seu panfleto “Divórcio”, identifica apenas três circunstâncias em que é aceitável que um cristão se case novamente após o divórcio:

4a. Casamento e divórcio anteriores à salvação

4b. Um cônjuge imoral e impenitente

4c. Abandono/divórcio por parte de um não crente

Observe que a morte de um cônjuge não é considerado divórcio, e Romanos 7:3 ensina que o novo casamento é permitido após a morte de um cônjuge.

Esses versículos dizem para não se divorciar, exceto por esses motivos, mas e se você não se divorciar, mas o cônjuge se divorciar de você? Assim como na morte de um cônjuge, nada impede o novo casamento quando foi o cônjuge que pediu o divórcio.

Na época de Jesus, os mestres judeus tinham diversas visões sobre o divórcio. A escola de Hillel afirmava que um homem poderia se divorciar de sua esposa por qualquer motivo, inclusive se ela queimasse a refeição! Josefo seguia Hillel e era divorciado. Mais tarde, o rabino Akiba, da escola de Hillel, afirmou que uma esposa poderia se divorciar do marido por ele “olhar para outras mulheres” mais bonitas (M Gittin 9:10). A escola de Shammai afirmava que um homem não poderia se divorciar de sua esposa por qualquer motivo, exceto por “indecência”. No entanto, se o divórcio ocorresse por um motivo incorreto, de acordo com a escola de Shammai, o novo casamento ainda era permitido (Mishná Eduyoth 4:7-10). Ou, como algumas pessoas dizem hoje: “não dá para desfazer o que já está feito”. O pequeno grupo de Qumran afirmava que o divórcio não era permitido por motivo algum (11QTemple 57:17-19). Os comentaristas judeus não consideravam o caso de uma mulher se divorciar do marido. Talvez essa pergunta tenha sido feita a Jesus para verificar com qual grupo ele concordava e, talvez, para afastar de Jesus os seguidores da outra escola. Uma segunda razão para perguntar a Jesus é que (segundo Josefo) Herodias se divorciou de seu marido, Herodes II, para se casar com Herodes Antipas, e a resposta de Jesus, qualquer que fosse, não o colocaria em boa posição perante as autoridades.

P: Em Mt 19,8-9, o fato de Jesus alterar as leis sobre o divórcio implica que Deus inspirou escrituras com as quais Ele não concordava?

R: Sob a Antiga Aliança, Jesus disse que o divórcio era permitido porque os corações das pessoas eram endurecidos. Isso mostra que Deus permite coisas que Ele não deseja, por um determinado período. No entanto, sob a Nova Aliança, um homem não deve se divorciar de sua esposa, exceto em caso de adultério. Mas não devemos ter corações endurecidos hoje. Devemos nos certificar de que nosso casamento não esteja unido apenas por uma cola barata, mas por um cimento divino.

A título de observação, a palavra “esclerose” deriva da palavra grega para “duro”, “skleros”. A palavra completa é sklerokardian.

P: Em Mt 19,9, por que um homem que se divorcia de sua esposa e se casa com outra comete adultério, uma vez que a poligamia era permitida?

R: Não, a poligamia não é adultério. O ensinamento de Jesus aqui é o mesmo, independentemente de se tratar de monogamia ou poligamia. Há cinco pontos a serem considerados na resposta.

A visão de Deus sobre o divórcio está claramente expressa em Malaquias 2:16: Deus o detesta. Na época da Lei Mosaica, Deus só o permitiu porque os corações das pessoas eram endurecidos, conforme Mateus 19:8. No Novo Testamento, não é permitido divorciar-se do cônjuge, exceto em caso de adultério.

No entanto, se um cônjuge não crente insistir em se divorciar de você, Deus nos ordena que permitamos isso, pois Deus nos chamou para a paz, como diz 1 Coríntios 7:15. Obedecer à ordem de Deus de permitir [relutantemente] que um cônjuge se divorcie de você é, biblicamente, diferente de desobedecer à ordem de Deus ao optar por se divorciar do seu cônjuge.

A visão de Deus sobre a poligamia. Adão e Eva eram um modelo de dois (não múltiplos) se tornando uma só carne (1 Coríntios 6:16). A poligamia era permitida tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. No entanto, no Novo Testamento, ela era mal vista, uma vez que os líderes da igreja não podem ser polígamos.

Mais importante do que o modelo de Deus para o casamento monogâmico é a ordem de Deus sobre o divórcio. Quando missionários cristãos pregam entre povos primitivos, eles dizem aos homens polígamos para não se divorciarem de suas esposas, pois isso privaria as esposas de sustento financeiro; no entanto, eles desencorajam os maridos a se casarem com mais mulheres.

Portanto, foi a escolha de quebrar o voto matrimonial que constituiu a causa do adultério, e não a poligamia. Independentemente de um homem ter mais de uma esposa ou não, se ele, pecaminosamente, optar pelo divórcio — o que Deus detesta —, então Deus não deseja que ele se case novamente.

P: Em Mt 19,9, há algum manuscrito que não contenha a expressão “exceto por causa de fornicação”?

R: Todos os manuscritos registrados por Aland et al. (3ª edição) dizem “exceto por causa de fornicação” ou “se não for por fornicação”, com exceção do manuscrito 1574. O manuscrito 1574 foi escrito no século XIV, pouco antes do fim da Idade Média.

Além disso, Tertuliano, que escreveu entre 198 e 220 d.C., afirmou que o divórcio não é permitido, exceto por causa de fornicação, tanto em *Tertuliano à Sua Esposa*, livro 2, cap. 2, p. 45, quanto em *Sobre a Modéstia*, cap. 16, p. 92. Portanto, essa cláusula não foi uma adição posterior à época de Tertuliano. Não há evidências que levem a duvidar de que a frase estivesse originalmente presente.

P: Em Mt 19,12, isso ensina, resumidamente, que um homem poderia tornar-se eunuco pelo reino de Deus, como afirma um ateu (Capello)?

R: Não. Vamos examinar ambas as possibilidades. Visto que a castração cirúrgica também implicaria celibato, a questão é se esse versículo se refere apenas ao celibato ou, por outro lado, ao celibato por meio da castração. Concorda?

Visto que a castração física vai contra Deuteronômio 23:1, interpretá-la como celibato é muito semelhante a 1 Coríntios 7:2,7, e os primeiros cristãos compreenderam isso universalmente como celibato; devemos, portanto, interpretá-la de forma consistente com o Antigo Testamento, o Novo Testamento e a maneira como os cristãos têm interpretado isso uniformemente. Consulte a próxima pergunta para obter uma resposta mais detalhada.

P: Em Mt 19,12, Jesus afirma: “... e há eunucos que se tornaram eunucos por causa do reino dos céus. Quem puder compreender isso, compreenda.” Aqui temos [supostamente] o endosso de Cristo à autocastração. Pergunto-me quantos homens cristãos provariam sua lealdade a Deus fazendo isso? Curiosamente, esse endosso à castração contradiz Dt 23,1.

R: Isso se refere ao celibato, não à castração. Mas vamos examinar ambas as possibilidades.

Celibato: Jesus se sentia à vontade para usar hipérboles em seus discursos (quer dizer que eu arranquei meu olho e cortei minha mão à toa!), e aparentemente não se preocupava com a possibilidade de que esses judeus, que conheciam a lei, pudessem interpretar mal. Os saduceus e fariseus criticavam Jesus por muitas coisas, mas Jesus não foi criticado por isso, pois a hipérbole foi compreendida.

Castração física: Se este versículo se referisse também à castração física, isso iria contra o Antigo Testamento, em Deuteronômio 23:1, e nada nas Escrituras ou nos escritos da igreja primitiva indica que Jesus tenha ensinado algo contrário à Lei do Antigo Testamento, exceto no que diz respeito à alimentação — onde Ele era menos restritivo — e ao divórcio e ao amor, onde Jesus tinha um padrão mais elevado.

Se Jesus realmente se referisse à castração, não haveria diferença neste versículo entre aqueles que foram tornados eunucos pelos homens e aqueles que escolheram o celibato/castração pelo reino de Deus.

Além disso, esse ensinamento de Jesus é muito semelhante ao ensinamento de Paulo em 1 Coríntios 7:2,7, onde Paulo está claramente falando do celibato (tanto para homens quanto para mulheres) pelo reino de Deus.

Por fim, devemos nos perguntar não como as pessoas, 2.000 anos depois, poderiam interpretar este versículo na cultura moderna, mas como os primeiros cristãos o interpretariam. Justino Mártir, em sua Primeira Apologia, capítulo 14, cita este versículo e fala daqueles que se casaram duas vezes. Embora seja discutível se Justino está se referindo à poligamia, ao novo casamento após o divórcio ou ao novo casamento após a morte de um cônjuge, independentemente disso, Justino está falando de celibato, não de castração. Tertuliano, em *Sobre a Ressurreição da Carne*, capítulo 27, utiliza esse versículo e fala da “beleza resplandecente da carne não casada” (ou seja, o celibato em geral).

Em resumo, aqueles que buscam na Bíblia orientação para suas vidas, quer vivam no século II ou no século XXI, podem compreender o que isso significa.


P: Em Mt 19,14, de que forma o Reino dos Céus pertence às criancinhas?

R: Isso pode ser verdade de várias maneiras.

a) Temos de reconhecer nossa dependência infantil de Deus para sermos salvos. Deus ajuda aqueles que reconhecem perante Ele sua impotência.

b) Deus cuida das crianças que morrem antes da idade da responsabilidade. A Bíblia sugere que elas estão no Céu, embora sem receberem qualquer recompensa.

Tanto os tolos quanto as crianças desconhecem muitas coisas, mas pelo menos as crianças sabem que desconhecem muitas coisas.

A título de observação, levar crianças para serem abençoadas por rabinos e anciãos era comum nos dias de Jesus. Isso também é mencionado como exemplo em Gênesis 48:14; Números 27:18; Atos 6:6; 13:3; Mateus 9:18,20; Marcos 10:16.

P: Em Mt 19,14, o calvinismo, para ser coerente, ensina que todos os que morrem ainda bebês vão para o inferno?

R: Não, essa é uma acusação falsa que já ouvi. Embora Ambrósio de Milão, Agostinho, Próspero da Aquitânia e alguns outros ensinassem que todos os bebês não batizados que morrem vão para o inferno, eles não eram calvinistas, mas a maioria era agostiniana.

Os calvinistas acreditam na visão bíblica de que, em última instância, é Deus quem tem o poder de salvar; não é o batismo, nem nossas obras, nem nossa fé. Deus pode escolher salvar por meio de Cristo da maneira que Ele desejar. Eis o que os próprios calvinistas afirmam.

“Todos aqueles que morrem na infância estão entre os eleitos”, segundo Lorraine Boettner em *The Reformed Doctrine of Predestination*, p. 148, 149. A Segunda Confissão Escocesa (1580 d.C.) afirma: “Abominamos e detestamos o julgamento cruel dele [do papa] contra as crianças que morrem sem o batismo.” C.H. Spurgeon, apelando (incorretamente) para Ezequiel 16:21, acreditava que as crianças que morrem vão para o céu. Outros calvinistas que concordavam com isso incluem Charles Hodge, W.G.T. Shedd e B.B. Warfield. O calvinista Curt Daniel, em sua dissertação *A História e a Teologia do Calvinismo*, pp. 336–339, tem uma seção intitulada “Crianças que morrem são salvas”.

Eis o que o próprio Calvino disse em *Instituições da Religião Cristã*, livro 4, capítulo 16, p. 2:541: “Mas como, perguntam eles, os bebês são regenerados, se não possuem conhecimento nem do bem nem do mal? Respondemos que a obra de Deus, embora esteja além do alcance de nossa compreensão, não é, por isso, nula. Além disso, as crianças que serão salvas (e é certo que algumas são salvas nessa idade) devem, sem dúvida, ter sido previamente regeneradas pelo Senhor. Pois, se trazem consigo a corrupção inata desde o ventre de sua mãe, devem ser purificados antes de poderem ser admitidos no reino de Deus… Mas, para silenciar essa classe de objetores [críticos], Deus deu, no caso de João Batista, … uma prova do que Ele poderia fazer em outros.”

P: Em Mt 19,16-17, Jesus estava negando que Ele era bom ou que Ele era Deus?

R: Não, Jesus não está abordando isso aqui. Consulte a discussão nos evangelhos sobre Mt 19,16-17 para obter a resposta.

P: Em Mt 19,17, o que é o bem?

R: Em Gênesis 1 e 2, Deus declarou que toda a criação era boa antes da Queda da humanidade. Jesus disse em Marcos 10,18 e Lucas 18,19 que ninguém é bom, a não ser somente Deus. Deus é a fonte da bondade, mas, como Tomás de Aquino apontou, definir Deus como bom apenas porque Ele é a fonte do bem não é mais válido do que definir Deus como um corpo físico porque Ele é a fonte de todos os corpos físicos.

Para nós, a bondade é aquilo que corresponde ao caráter e à vontade desejada de Deus. Recebemos a ordem de praticar o bem em 1 Timóteo 6:18; portanto, podemos ser bons em um sentido limitado. Deus é bom de uma forma superior, porque 1) Ele é a fonte de toda a bondade, que Ele nos proporciona; 2) Ele é o padrão pelo qual a bondade é avaliada; 3) e nada é totalmente bom, exceto Ele (Marcos 10,18; Lucas 18,19).

P: Em Mateus 19,23, é verdade que as pessoas ricas não podem ir para o céu?

R: Não, caso contrário, Abraão estaria em apuros, e Paulo, Tiago e o autor da Carta aos Hebreus, sem falar em Jesus, estariam errados ao apresentar Abraão como um herói da fé. Jó, depois que Deus o abençoou com riquezas, também estaria em apuros. Na verdade, é o amor às riquezas e a confiança nelas que tornam difícil para uma pessoa ir para o Céu. Uma pessoa poderia ter grande riqueza, como Abraão, e não amar nem confiar nessa riqueza. A palavra grega usada aqui para “triste”, lypoumenos, significa angustiado ou muito triste.

P: Em Mt 19,24; Mc 10,25 e Lc 18,25, o que Jesus quis dizer com um camelo passando pelo buraco de uma agulha?

R: Alguns acreditam que “o buraco da agulha” era um apelido para um portão estreito em Jerusalém. No entanto, embora Jerusalém e outras cidades tivessem alguns portões muito estreitos, não temos conhecimento de nenhum portão chamado “o buraco da agulha”. A palavra grega aqui, rhaphidos, só pode significar uma agulha para costura ou cirurgia, e não algum tipo de portão dentro de outro portão.

É mais provável que Jesus esteja usando uma hipérbole aqui. É totalmente impossível que um camelo, especialmente um camelo carregado, passe pelo buraco de uma agulha. Jesus usou essa analogia cômica para expressar isso. Escritores judeus no Talmude Babilônico (Berakoth babilônico 55b) usam uma hipérbole semelhante: “um elefante passando pelo buraco de uma agulha”. (Os elefantes eram mais comuns na Babilônia, e seu uso na Babilônia mostra que não se tratava de um portão em Jerusalém.)

a) é naturalmente impossível que um homem que se considera rico chegue ao Céu, e

b) todas as coisas, até mesmo um homem rico ir para o céu, são possíveis com Deus (Mateus 19,26; Mc 10,27; Lucas 18,27).

P: Em Mt 19,27.30, qual é a questão-chave neste versículo e neste capítulo?

R: Primeiro, o que não é. Não se trata de saber se a mente deles acredita na palavra de Jesus; todos acreditavam, até mesmo o jovem rico. Também não se trata de saber se eles decidiram que queriam seguir a Jesus. Eles já fazem isso, e Jesus chegou a rejeitar alguns que diziam querer segui-Lo. Trata-se, antes, do seu coração. Você está disposto a deixar tudo o mais para seguir a Jesus? Talvez seja a escolha de permanecer em uma situação conjugal (seja você celibatário ou casado), quando uma opção que Deus não deixou aberta para você parece mais atraente no momento. Talvez seja a escolha de uma situação financeira menos lucrativa, quando você tem quase certeza de que poderia ir contra Deus e ganhar significativamente (ou mesmo apenas um pouco) mais dinheiro. Se Deus tem sua mente e sua vontade, isso é ótimo. Mas será que Deus também tem o seu coração?

P: Em Mt 19,27.30, de que maneiras o senhor pode perceber se algo tem mais da devoção do seu coração do que Deus?

R: Muitas vezes, é possível descobrir a quem ou ao que se dedica a sua devoção observando o seu tempo, o seu dinheiro e o seu coração.

Tempo: Se o tempo que você dedica a algo é maior do que o tempo que você passa adorando, orando e servindo a Deus, então algo está desequilibrado. Certa vez, conheci um homem que tirou toda a primavera e o verão de folga para assistir a todos os jogos de beisebol — em casa e fora de casa — de seu time favorito. À primeira vista, você poderia pensar que a devoção dele era louvável. Mas, pensando melhor, não é nada louvável. Será que ele achava que não tinha nada melhor para fazer na vida do que assistir beisebol o tempo todo? Não havia nada melhor que ele pudesse fazer?

Dinheiro: Analise seu extrato bancário todos os meses. Há despesas essenciais que você precisa arcar, como aluguel ou prestação da casa, alimentação básica e outras despesas. Mas e quanto ao restante do dinheiro? Em qual categoria você gasta mais do que doa a Deus? Existem coisas, como férias frequentes, refeições requintadas ou roupas de luxo, que consomem uma parcela excessiva do seu orçamento?

Coração: O título de um filme diz tudo: “O Céu pode esperar”. Se o senhor ainda não deseja ir para o Céu, porque algo aqui na Terra lhe parece mais atraente, é provável que a devoção a essa coisa seja maior do que a sua devoção a Deus. Se há algo claramente dito nas Escrituras que o senhor afirma não poder seguir, isso pode ter um domínio mais forte sobre o seu coração do que Deus. Mesmo que o senhor racionalize dizendo que “Deus compreende” ou que “afinal, todos somos pecadores, então isso não importa”, o senhor está apenas se enganando.

P: Em Mt 19,28 e Lc 22,28-30, uma vez que os discípulos se assentarão em doze tronos, Judas Iscariotes também se assentará?

R: Não. Em primeiro lugar, Lucas 22,28-30 não menciona doze tronos, mas apenas doze tribos. Na verdade, Mateus 19,28 NÃO diz que os doze discípulos se assentarão em doze tronos. Em vez disso, diz: “… vocês que Me seguiram também se assentarão em doze tronos, julgando as doze tribos de Israel.” Portanto, diz que haverá doze tronos, mas não diz que os doze discípulos se sentarão neles. Em vez disso, Jesus prometeu isso apenas a “vocês que Me seguiram”. Judas não continuou a seguir Jesus e abandonou seu lugar como discípulo após traí-Lo, conforme diz Atos 1:20. Em Mateus 19:28, Jesus prometeu isso apenas a “vocês que Me seguiram”.

P: Em Mt 19,29, como as pessoas terão 100 vezes mais pais, mães etc. nesta vida?

R: Este versículo se aplica tanto a esta vida quanto à vida futura. Imagine ter lares espalhados por todo o mundo, abertos para recebê-lo, e pessoas de todas as raças do mundo que são seus queridos irmãos e irmãs. É isso que temos, ou deveríamos ter, na comunidade cristã que chamamos de igreja. Além disso, no Céu teremos, de forma aperfeiçoada, o que temos de forma imperfeita na Terra.

P: Em Mt 19,30; Mc 10,31 e Lc 13,30, de que maneiras aqueles que são os primeiros serão os últimos e vice-versa?

R: No final, é bem possível que fiquemos surpresos ao ver quem é o primeiro e quem é o último. As coisas serão diferentes em pelo menos quatro aspectos:

Orgulho: Aqueles que foram orgulhosos nesta vida serão humilhados, e os humildes serão exaltados (Tiago 4,6; Lucas 1,51-52).

Riqueza: De modo geral, muitas pessoas com muito dinheiro não veem grande necessidade de se aproximar de Deus, como sugere Provérbios 30:8-9, e Lucas 16:19-21 apresenta um exemplo. Paulo afirma em 1 Coríntios 1:26-31 que poucos membros da igreja de Corinto eram sábios segundo os padrões mundanos, ou influentes. Tiago 2:5 mostra que isso era verdade na maioria das igrejas primitivas. Veja também Lucas 1:53 e Tiago 5:1-6.

Recompensas: Deus julgará os crentes com base no que lhes foi dado. Àqueles a quem muito foi dado, muito será exigido.

Serviço: Os maiores crentes, aos olhos de Deus, são os servos dos outros, como mostram Marcos 9:35-37, Lucas 9:46-48 e Mateus 18:1-4.

Tenha cuidado ao tentar negociar sua entrada no céu ou barganhar por recompensas. Pois, como Deus conhece as motivações, aqueles que aparentemente parecem ser os primeiros podem vir a ser os últimos.

P: Em Mt 20,1-16, o Mestre é justo nesta parábola?

R: O Senhor representa Deus, e Deus é justo segundo Seus padrões. Não posso responder se Ele é injusto segundo os seus padrões, pois algumas pessoas têm noções muito estranhas de justiça. Deus está nos ensinando que Seu padrão de justiça ainda permite uma generosidade especial.

Deus é justo e pagou corretamente a cada trabalhador o que havia prometido.

O primeiro grupo negociou seu salário. Os outros grupos simplesmente deixaram que o proprietário pagasse o que bem entendesse. Preferimos ter a graça de Deus a tentar negociar com Ele. Quando se tem a escolha entre justiça e graça, deve-se optar pela graça.

P: Em Mt 20,1-16, todos recebem as mesmas recompensas no Céu?

R: Não. Embora Mateus 20:1-16 possa parecer indicar que sim, 1 Coríntios 3:12-15 ensina explicitamente que não devemos pensar que todos recebem as mesmas recompensas no Céu.

P: Em Mt 20,1-16, por que essa é uma excelente parábola para se estudar com os mórmons (SUD)?

R: Essa religião falsa enfatiza as obras, e a salvação se baseia no que a pessoa merece. O mormonismo ensina que existem três céus: o mais elevado, para os bons mórmons; o intermediário, ligeiramente melhor do que a Terra, para os mórmons maus e os bons cristãos; e o céu mais baixo, ligeiramente pior do que a Terra, para a maior parte do restante da humanidade. Embora o Livro de Mórmon diga: “sabemos que é pela graça que somos salvos, depois de tudo o que pudermos fazer” (2 Néfi 25:23), isso serve apenas como um disfarce para “tudo o que puderem fazer”. Deixando de lado as questões sobre se a pessoa realmente fez tudo o que podia ou o que significa “depois”, no mínimo, essa afirmação combina obras e graça na salvação. Essa parábola faz pouco sentido dentro do mormonismo ou, na verdade, na maioria das religiões baseadas em obras.

P: Em Mt 20:17-19, como o Deus Todo-Poderoso pode permitir que Seu profeta Jesus seja entregue aos gentios para ser ridicularizado e morto?

R: Às vezes, é preciso estar disposto a parecer inicialmente derrotado para alcançar a vitória definitiva.

P: Em Mt 20,20-28, uma vez que os grandes cristãos são servos, e não governantes sobre os outros, por que alguns líderes cristãos parecem esquecer isso?

R: O poder pode corromper, e muitos homens ímpios se autodenominavam crentes. O senhor pode ler sobre alguns dos tristes exemplos que Deus nos ensinou nos livros de Reis e Crônicas.

P: Em Mt 20,22, o que Jesus está apontando como ignorância em relação ao pedido deles?

R: Eles perguntaram apenas sobre a recompensa. Assim como algumas pessoas hoje em dia, conforme afirma o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1280 : “Eles queriam uma coroa sem cruz, um trono sem o altar do sacrifício, a glória sem o sofrimento que a precede.” Jesus não repreendeu o desejo deles. É lícito desejar grandes recompensas no céu, mas não se a pessoa não estiver disposta e não for capaz de fazer o que leva a essas recompensas. Todos os apóstolos morreram como mártires, exceto João, que teve uma morte natural. Como disse Robert Little: “Tiago teve uma morte de mártir; João viveu uma vida de mártir.”

Jesus não se limitou a exigir sacrifício; Ele também o demonstrou. Mas alguns pensam que, embora Jesus tenha escolhido o serviço sacrificial, de alguma forma sentem que deveriam estar isentos disso.

Os outros dez discípulos ficaram indignados com esses dois. Não foi tanto por orgulho de que eles fossem fazer o mesmo pedido, mas sim por inveja de que eles pudessem ficar à frente deles com um simples pedido.

P: Em Mt 20,28, o que podemos aprender com o exemplo de Jesus aqui?

R: Jesus, que existe eternamente como o Filho de Deus na glória, veio à Terra não para ser servido, mas para servir. Como seguidores de Jesus, precisamos nos perguntar quão sérios estamos. Sentimos que estamos aqui para “receber” e ser servidos, ou estamos nesta Terra principalmente para “dar” e servir a Deus e aos outros?

P: Em Mt 20,30, tratava-se de dois cegos ou de um único cego chamado Bartimeu, como diz Marcos 10,46-52?

R: Podem ter sido dois eventos, já que todos os cegos em Jericó desejariam ver Jesus. No entanto, como em ambos os evangelhos foram gritadas as palavras “Filho de Davi, tem misericórdia de mim/de nós”, é mais provável que tenha sido um único evento. Bartimeu, então, seria o nome de um dos dois cegos. Marcos, que provavelmente ouviu isso de Pedro, tinha conhecimento apenas de um cego, mas sabia seu nome. Mateus, que estava presente, viu os dois cegos.

P: Em Mt 20,32, por que Jesus perguntou ao homem, que era obviamente cego, o que ele queria que Jesus fizesse?

R: Poderia haver duas razões distintas.

Primeiro, Jesus queria que o homem pedisse verbalmente antes de lhe ser concedido o dom da visão, e Jesus estava dando ao homem a oportunidade de fazê-lo.

Segundo, nem toda pessoa com deficiência deseja ser curada. Já houve casos de pessoas em colônias de leprosos que infectavam deliberadamente seus filhos para que estes pudessem receber sustento pelo resto da vida.

Quando o senhor tiver uma necessidade, precisar de um milagre ou chorar de tristeza diante da maldade que vê em seu próprio coração, não deixe que ninguém nem nada o distraia de clamar a Jesus.

P: Em Mt 21,1-3; Mc 11,2-3; Lc 19,30-31, por que Jesus disse aos seus discípulos para levarem um jumento?

R: Quando um rei entrava em uma cidade, ele o fazia montado em um cavalo, um animal de batalha, para simbolizar que era um conquistador. Quando um rei ou juiz entrava montado em um jumento, isso simbolizava que ele vinha em paz, sem seu exército. Isso também cumpriu Zacarias 9:9-10.

Um ponto-chave sobre essa passagem é que Jesus proclamou, de maneira muito evidente, que Ele era o Messias. Se as autoridades judaicas decidissem matá-Lo, não seria por ignorarem que Jesus afirmava ser o Messias.

Além disso, a aceitação do proprietário e a ausência de surpresa diante dos discípulos que levaram o jumento indicam que o proprietário já estava de acordo com o fato de Jesus usá-lo. Quando Jesus parou brevemente em Betânia, nos arredores de Jerusalém, isso teria dado tempo para que a notícia se espalhasse e multidões se formassem.

P: Em Mt 21,1-46, como reagem hoje as diversas pessoas quando Jesus e Seus ensinamentos cruzam o caminho de suas vidas?

R: Alguns acolhem a oportunidade de conhecê-Lo mais de perto e caminham com Jesus. Outros tentam ignorá-Lo. Outros ainda demonstram hostilidade, perguntando: “Quem Ele pensa que é, vindo nos dizer o que fazer?” Tenha cuidado com as pessoas com quem você se relaciona. Se você convive ou se associa muito com o último grupo, tome cuidado para não se tornar cada vez mais parecido com eles.

P: Em Mt 21,12-13; Mc 11,12-19 e Lc 19,43-48, por que Jesus ficou irado com os cambistas?

R: Essas pessoas estavam na Casa de Deus sem nenhuma intenção de adorar a Deus. Elas eram tanto uma distração quanto um desânimo para aqueles que vinham adorar a Deus. Deus leva nossa adoração muito a sério.

As Mishnás judaicas registram incidentes de exploração de preços na venda de animais. (As primeiras Mishnás foram escritas por volta de 200 d.C.) Se uma pessoa precisasse levar um animal para sacrifício no Templo e os preços fossem injustamente altos para a compra de um animal, os pobres seriam impedidos de adorar a Deus adequadamente.

É bastante curioso que alguns, que pareciam tão insistentes quanto à religião correta, criticassem Jesus por permitir que as crianças dissessem “Hosana”, mas não tivessem nenhum problema com os cambistas obtendo lucros exorbitantes às custas dos fiéis.

É interessante que, para as ofertas, eles insistissem em trocar o dinheiro romano por moedas de Tiro. Alguns pensavam que isso se devia ao fato de as moedas romanas exibirem imagens de deuses e imperadores que se proclamavam deuses. No entanto, as moedas de Tiro também exibiam imagens de deuses.

P: Em Mt 21,14-15, o que há de significativo no fato de os cegos e os coxos terem se aproximado de Jesus para que Ele os curasse?

R: Era muito difícil ser cego, coxo ou, de alguma outra forma, incapaz de trabalhar na sociedade antiga. Não havia expectativa de que qualquer governo pudesse ajudá-lo. Embora as congregações judaicas e a família ajudassem os pobres, ainda assim era irregular conseguir a ajuda financeira necessária. Embora isso não seja ordenado no Antigo Testamento, a maioria das autoridades judaicas proibia que pessoas cegas ou coxas oferecessem sacrifícios, embora ainda fossem permitidas no Templo. Jesus os ajudou curando-os.

Em contraste com a prática judaica comum de oferecer alguma ajuda e permitir que elas mendigassem no Templo para obter o restante de seu sustento, a comunidade de Qumran (1QSa 2:5-22; 1 QM 7:4-5) acreditava que todas as pessoas com deficiência estavam excluídas da congregação judaica ou do banquete messiânico do fim dos tempos.

P: Em Mt 21,16-17, uma vez que devemos adorar apenas a Deus, por que Jesus aceitou louvores?

R: Quatro pontos a serem considerados na resposta.

1. Jesus não apenas aceitou elogios e louvores, mas também aceitou adoração em João 9:38. (A palavra grega proskuneo, neste contexto, implica muito mais do que apenas agradecimento ou respeito.)

2. É bom prestar honra e louvor a líderes piedosos (mas não adoração), como mostra Filipenses 2:29. No entanto, adore apenas a Deus (Mateus 4:9-10; Lucas 4:7-8; Apocalipse 19:10; 22:8-9)

3. Não apenas os homens (Mateus 2:2), mas também os anjos adoram Jesus como Deus em Hebreus 1:6.

4. Jesus é Deus (João 1:1; Hebreus 1:8,9), e Jesus é nosso Senhor e nosso Deus (João 20:28-29).

P: Em Mt 21:18-19, Mc 11:14,20-21, por que Jesus pareceu ser tão severo a ponto de fazer com que uma figueira, que não tem capacidade de raciocínio, murchasse?

R: Isso é quase como perguntar quantas plantas de trigo foram cruelmente mortas para que o senhor pudesse comer sua fatia de pão. A resposta é nenhuma, pois plantas sem capacidade de raciocínio não podem ser cruelmente mortas. Além disso, se uma árvore não apresenta brotos e frutos na época esperada do ponto de vista botânico, isso é um indício de que está doente, o que é uma descrição adequada da instituição religiosa judaica.

Jesus não estava preocupado com os sentimentos inexistentes da planta. Em vez disso, em Marcos 13:28-29, Jesus nos diz para observarmos a parábola da figueira. Quando os galhos e as folhas brotam, o verão está próximo. Da mesma forma, quando o Messias vier a Jerusalém, a redenção do homem estará próxima. No entanto, esses líderes davam a impressão de serem espiritualmente frutíferos, mas, na verdade, eram estéreis.

As figueiras brotam suas folhas logo antes de darem figos verdes. As folhas de figueira sem os figos são uma espécie de “propaganda enganosa”. Mas, se não houver figos precoces agora, não haverá figos maduros mais tarde. Nas margens do Mar da Galiléia, os figos estavam disponíveis dez meses por ano, embora esse período fosse mais curto nos arredores de Jerusalém.

Depois que Jesus fez isso, Ele utilizou a ilustração de uma figueira em Mateus 24:32.

O livro “Hard Sayings of the Bible” (p. 441-442), com base em informações de um artigo intitulado “The Barren Fig Tree” (A Figueira Estéril), de W.M. Christie, fornece mais detalhes. Ele afirma que, no final do mês de março, as folhas começam a aparecer nas figueiras, e surgem pequenos botões chamados taqsh no árabe palestino, do tamanho de amêndoas verdes. Esses caem, pois não são figos de verdade, mas os camponeses os comem quando estão com fome, embora não tenham um sabor muito bom. No entanto, se as folhas de figueira surgirem sem os “taqsh”, então não haverá figos.

P: Em Mt 21,21-22 e Mc 11,24, já que podemos pedir qualquer coisa em oração, por que os cristãos não pedem — e conseguem — que todos se tornem cristãos? Além disso, tenho uma longa lista de desejos...

R: Deus pode fazer qualquer coisa (exceto mentir, ser tentado pelo mal, negar a Si mesmo ou jurar por alguém maior do que Ele), mas uma impossibilidade lógica não existe. Deus não pode criar pessoas que escolham livremente amá-Lo e obedecê-Lo sem que elas sejam capazes de escolher livremente amá-Lo e obedecê-Lo.

Até mesmo o próprio Jesus chorou diante da rejeição de Jerusalém a Ele, em Mateus 23:37-39. Até mesmo aos fariseus foi permitido “rejeitar o propósito de Deus para si mesmos”, em Lucas 7:30.

Quanto às longas listas de desejos, veja a discussão sobre Mateus 7:7-11 para entender como Deus, como um Pai sábio, nos concede apenas as coisas boas que pedimos da maneira correta. Louvado seja Deus por Ele nem sempre nos dizer “sim”!

P: Em Mt 21,21-22 e Mc 11,24, quando você ora e acredita, tem a garantia de sempre receber o que pede?

R: Não, esse versículo diz que é preciso acreditar de verdade no que se pede. Se você abrigar o pecado em seu coração (Salmo 66:18), fizer ouvidos moucos aos pobres (Provérbios 21:13), for ímpio (Provérbios 15:29; Isaías 59:1-3), se recusar a ouvir a Deus (Zacarias 7:11-14 e implícito em Provérbios 28:9) ou orar para satisfazer seus desejos egoístas (Tiago 4:3), Deus, como um Pai sábio, não lhe concederá o que pedir.

P: Em Mt 21,23, qual era o tamanho do pátio do templo?

R: Antes do ministério de Jesus, Herodes, o Grande, havia ampliado o pátio do templo para cerca de 330 jardas por 500 jardas (300 metros por 460 metros). Era nesse local que Jesus se encontrava quando expulsou os cambistas e pregou.

P: Em Mt 21,23-24, por que Jesus simplesmente não respondeu à pergunta deles sobre se Ele era o Messias?

R: A resposta era óbvia para aqueles que queriam saber. No entanto, mesmo depois de todos os milagres, não era possível dar uma resposta que eles aceitassem, uma vez que se recusavam obstinadamente a acreditar. Assim, Jesus falou de tal forma que, se eles respondessem honestamente à Sua pergunta, também estariam respondendo à própria pergunta deles. Infelizmente, quando os questionadores foram questionados, buscaram a resposta mais conveniente, e não a verdadeira.

P: Em Mt 21,24-27, Mc 11,33 e Lc 20,7-8, por que Jesus se recusou a dizer-lhes com que autoridade fazia essas coisas?

R: Há dois pontos a serem considerados na resposta.

1. Jesus não tinha nenhuma obrigação de responder à pergunta de alguém, especialmente a perguntas feitas não para descobrir a verdade, mas para armadilhar-O.

2. Eles já sabiam a resposta. Jesus já havia afirmado ser enviado por Deus ao realizar essas coisas. Eles apenas queriam uma declaração clara naquele momento, em Suas próprias palavras.

Como compartilhamos a verdade, não devemos mentir, mas às vezes é aceitável recusar-se a responder, especialmente se os questionadores não querem saber a verdade, mas apenas tentam armadilhar você.

P: Em Mt 21,33-41, uma vez que Deus é simbolizado pelo proprietário, será que Ele, às vezes, não sabe o que está acontecendo?

R: O proprietário simboliza Deus, mas Ele sabe o que está acontecendo, como comprovado pelo fato de Jesus ter contado essa parábola. Deus é muuuito paciente e longânimo; esta parábola nos mostra que Ele está disposto até mesmo a permitir a desobediência e a injustiça contínuas, e até mesmo a morte de Seu Filho, pelo bem dos perdidos. Isso para que eles possam vir a Ele. A tolerância de Deus, porém, tem um fim: no Dia do Juízo Final, quando tudo será colocado em ordem.

Nesta parábola, o senhorio é tão gentil e, ao mesmo tempo, severo. Ele é tão gentil que chega quase ao ponto da tolice. Mas, no fim, os arrendatários recebem a ira severa que merecem.

Deus é o proprietário, os mensageiros eram os profetas do Antigo Testamento e o Filho é Jesus.

P: Em Mt 21,43, de que forma alguns interpretaram erroneamente este trecho no que diz respeito aos britânicos?

R: Quando se diz que o Reino de Deus será tirado de vocês (plural) [ou seja, dos judeus] e dado a outra nação (singular, ethnei em grego), alguns criaram um erro estranho chamado british-israelismo. Na principal variante dessa visão, afirma-se que as dez tribos perdidas, em vez de serem assimiladas pelos outros povos do Oriente Médio, migraram todas juntas para as Ilhas Britânicas; assim, o povo britânico seria descendente dos judeus bíblicos (apesar das evidências genéticas que indicam o contrário). Aparentemente, os anglos, saxões, jutos, dinamarqueses e, posteriormente, os normandos — que se estabeleceram na Grã-Bretanha — não devem ter tido descendentes! Mas você sabia que existem marcadores genéticos que indicam que alguém tem ascendência anglo-saxônica? Cerca de 25% a 40% dos genes dos britânicos são anglo-saxões. Consulte https://www.nature.com/articles/ncomms10408 (10 de dezembro de 2022) para obter mais informações científicas.

De qualquer forma, essa visão foi popularizada em um livro intitulado *A View of the Hebrews*, escrito pouco antes de Joseph Smith Jr., o fundador do mormonismo. O britânico-israelismo é defendido pelos mórmons e pela Igreja de Deus Mundial, de Herbert W. Armstrong.

A nação/povo aqui referida é a igreja, e os cristãos de todas as origens étnicas e países fazem parte dela em igual medida.

P: Em Mt 21,46, Jesus era realmente um profeta ou as pessoas apenas O consideravam um profeta?

R: O fato de “eles O considerarem um profeta” não indica se Ele realmente era um ou não. Ele vinha de Deus, proferia as Palavras de Deus e previa o futuro; portanto, era um profeta, e muitos O consideravam como tal.

P: Em Mt 22,13-14, como Deus pode ser todo-amoroso se expulsa alguém e o lança nas trevas?

R: Quem disse que Deus é todo-amoroso? A Bíblia não diz isso. Como diz Romanos 11:22, considere tanto a bondade quanto a severidade de Deus. Deus é o ser mais amoroso do universo. Mas Ele não é amoroso da maneira como alguns definem o amor, se essa definição contradiz Seus outros atributos de santidade, justiça e ira.

P: Em Mt 22,14, a frase “muitos são chamados, poucos são escolhidos” refere-se a variações e graus de fé e certeza, como ensinam os bahá’ís em *Algumas Perguntas Respondidas*, p. 129-131?

R: Não. Se o senhor ler toda a parábola em Mateus 22:1-14, verá que ela divide as pessoas em duas categorias: aqueles que entram no banquete nupcial real e aqueles que não entram. “Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos” refere-se àqueles convidados a entrar, mas que recusaram, e a um homem que queria entrar com roupas inadequadas. Pode ser que, depois de ter sido convidado, ele tenha seguido com suas atividades sem se preparar para o casamento e, quando a hora se aproximou, não tivesse tempo de voltar para casa e trocar de roupa. Isso se assemelha, de certa forma, a algumas pessoas que desejam seguir a Cristo, mas não fazem nenhuma mudança em sua própria rotina para isso. Precisamos “trocar de roupa” por Cristo.

A propósito, esta é uma parábola diferente daquela de Lucas 14:16-24, sobre um banquete privado, com um ensinamento distinto.

Há uma lição para todos aqui. Não se pode simplesmente ler um único versículo da Bíblia, ignorando o que está escrito antes ou depois, e esperar interpretar corretamente o significado.

P: Em Mt 22,21, o que Jesus está dizendo sobre impostos e o governo?

R: Primeiro, um pouco de contexto; depois, a resposta.

Muitos judeus se ressentiam por terem que pagar impostos aos romanos gentios, idólatras e opressores. Na verdade, alguns zelotes afirmavam que um judeu desonrava a Deus ao pagar o imposto aos romanos. Uma moeda romana trazia a inscrição “Tibério César Augusto, filho do Divino Augusto”. Os fariseus pagavam o imposto porque eram obrigados, mas não ficavam satisfeitos com isso. Portanto, se você defendesse o pagamento de impostos, perderia o apoio deles. É claro que, se defendesse a não cobrança de impostos, aqueles que questionavam Jesus poderiam correr diretamente aos romanos e denunciá-lo. Assim, tentaram colocar Jesus entre a espada e a parede.

Jesus não se pronunciou sobre a disputa política de se o poder romano era legítimo ou não. Mas Jesus disse para dar às autoridades civis governantes, justas ou não, o que lhes era devido, e dar a Deus o que Lhe é devido. Romanos 13:1-6 também diz que devemos pagar impostos e nos submeter às autoridades governantes.

Jesus também transmitiu uma segunda mensagem aqui. Jesus indicou, por meio de Sua resposta, que a liberdade, a independência nacional e o patriotismo não eram o objetivo principal para um cristão; segui-Lo a Deus é que o é. Uma terceira mensagem que Jesus sugeriu aqui é que podemos ser cidadãos do Reino de Deus e, ao mesmo tempo, submeter-nos aos governos civis seculares. Os romanos, especialmente mais tarde, sob o reinado de Nero, eram governantes horríveis que tornaram a corrupção algo normal. E, no entanto, não há registro de Paulo ou de qualquer outro apóstolo tentando iniciar uma rebelião ou um movimento de independência.

P: Em Mt 22,29, por que Jesus disse aos saduceus, que obviamente haviam estudado as Escrituras, que estavam em erro por não conhecerem nem as Escrituras nem o poder de Deus?

R: Os saduceus acreditavam que apenas os cinco primeiros livros do Antigo Testamento (de Gênesis a Deuteronômio) constituíam as Escrituras, e não o restante da Bíblia, de acordo com os primeiros escritores cristãos. Josefo também afirmou que eles observavam apenas o que estava na Torá. Atos 23,8 diz que os saduceus negavam a ressurreição, os anjos e os espíritos. Ainda hoje, as pessoas podem ler e estudar a Bíblia, mas continuam optando por ignorar o poder de Deus e o que significa acreditar nas Escrituras.

P: Mateus 22:30 significa que não teremos corpos físicos no céu, já que seremos como os anjos e os anjos são espíritos (Hebreus 1:14)?

R: Não. A comparação é com o casamento. Não está dizendo que seremos como os anjos em todos os aspectos, mas apenas nesse aspecto.

P: Em Mt 22,30; Mc 12,25 e Lc 20,34-35, isso significa que não há casamentos no céu, ou apenas que não há novas cerimônias de casamento, mas que alguns casamentos terrenos permanecem no céu?

R: Sabemos que não há casamentos no céu ao lermos Romanos 7:2. Uma mulher não poderia ser casada com mais de um homem. No entanto, se o homem morrer, ela fica livre do casamento e pode se casar novamente. Portanto, ela não continua casada no céu.

Como observação adicional, a falsa religião do mormonismo acredita que alguns “casamentos no templo” são eternos. No entanto, se o marido morrer, a esposa pode se casar novamente. Apenas não pode ter dois casamentos no templo para este tempo e para toda a eternidade. Da perspectiva mórmon, o que o homem no céu mórmon estaria pensando enquanto sua esposa estivesse “se envolvendo” em um casamento comum após a morte dele?

P: Em Mt 22,30, isso de alguma forma apoia o sexo fora do casamento, como sustenta a seita chamada Família do Amor (anteriormente, os Filhos de Deus)?

R: De forma alguma. Afirmar que não teremos uma relação conjugal no céu significa simplesmente o que Jesus disse que significa: que não haverá necessidade de casamento no céu. Isso não significa que, na Terra, devamos ser sexualmente promíscuos ou totalmente celibatários sem casamento. É interessante observar esse tipo de afirmação para perceber até onde alguns podem chegar na tentativa de interpretar a Bíblia de acordo com suas próprias visões, que não estão presentes na Bíblia.

P: Em Mt 22,30; Mc 12,25 e Lc 20,34-35, Olá. Meu pai faleceu recentemente. Minha mãe está sofrendo muito com isso e quer saber se ainda estará casada com ele no céu. Não sei como responder à pergunta dela. Sei que Mateus 16,19 diz que o que for atado na Terra será atado no Céu e o que for desatado na Terra será desatado no Céu. No entanto, já ouvi dizer que “não há casamento no Céu”. Não tenho um versículo para comprovar isso, mas já ouvi essa afirmação. Você poderia me ajudar a entender?

R: Minhas condolências a você e à sua família pelo falecimento de seu pai. Não creio que Mateus 16:19 tenha a intenção de se referir ao casamento, mas sim à liberdade de ir para o céu. Mateus 22:23-32, porém, se refere a isso. Os saduceus, que negavam a ressurreição, tentaram desacreditar tanto Jesus quanto os fariseus, argumentando que, se os casamentos no céu fossem como na Terra, o que aconteceria com uma mulher que ficasse viúva várias vezes?

Em Mateus 22:30, Jesus respondeu que as pessoas não se casam nem são dadas em casamento no céu, mas são como os anjos de Deus — e os anjos, presumivelmente, são sempre solteiros. Alguns tentaram interpretar isso como se não houvesse casamentos no céu, mas as pessoas que eram casadas permanecem casadas. No entanto, essa não é uma interpretação válida desse versículo, pois, se fosse apenas isso que Jesus quisesse dizer, o argumento dos saduceus não teria sido refutado. Em termos modernos, se uma viúva viesse a se casar novamente, então:

1) Seu primeiro marido no céu acabaria de perder uma esposa, ou

2) Ela teria dois maridos no céu, ou

3) Se ela não tivesse certeza quanto à salvação do marido, não saberia se ainda estaria casada ou solteira até morrer, já que, presumivelmente, alguém no céu não estaria casado com alguém no inferno.

Não, como costumam dizer os votos matrimoniais: “até que a morte nos separe”. Se sua mãe mais tarde decidisse se casar novamente, não haveria nada de errado nisso, conforme Paulo ensina em Romanos 7:1-3. Pode até parecer estranho para você no início, vê-la com outro homem, mas você precisaria se acostumar com isso; o que Deus especificamente declarou ser aceitável, não devemos dizer que é errado.

Dito isso, não significa que ela não possa passar milhares e milhares de anos com seu ex-marido, como amigos queridos no céu. Eu esperaria que, no céu, quando formos perfeitos, o marido dela a ame ainda mais do que a amava na Terra, e ela a ele também. É claro que ambos amarão a Deus ainda mais.

P: Em Mt 22,31-32 e Mc 12,26, Jesus está justificado em defender esse argumento com base no tempo verbal do verbo “ser”?

R: Aparentemente sim, pois os saduceus não discutiram com Jesus sobre o tempo verbal da palavra hebraica.

Além disso, não faria sentido mencionar Abraão, Isaque e Jacó se eles não existissem e se Deus fosse abandonar as pessoas quando elas morressem. Os saduceus só poderiam dizer: “Deus não é mais o Deus deles, porque estão mortos”. Mas Jesus, assim como os fariseus, afirmou que Deus ainda é o Deus deles.

P: Em Mt 22,35-36 e Mc 12,28-29, por que Jesus não repreendeu essa pergunta como fez com a pergunta anterior sobre o casamento?

R: A pergunta anterior sobre a mulher que teve sete maridos não tinha como objetivo descobrir a verdade, mas sim armar uma armadilha para Jesus. Esta pergunta, por outro lado, surgiu porque o questionador desejava genuinamente ouvir o que Jesus tinha a dizer. É aceitável fazer qualquer pergunta a Deus com respeito, desde que a façamos com o intuito de conhecer a verdade e segui-la.

Jesus não foi o único a quem essa pergunta foi feita; os rabinos debatiam isso entre si. A “regra de ouro negativa” de Hillel foi formulada quando gentios lhe pediram para explicar toda a lei enquanto ele permanecesse em pé sobre uma perna só. Ele disse que o resumo era: não faça aos outros o que você não quer que façam a você, e o restante da lei é comentário. Por outro lado, a Mekilta Êxodo 6 e o Sifre Deuteronômio 12:8; 19:11 afirmam que todos os mandamentos da lei são igualmente importantes.

P: Em Mt 22,37-40 e Mc 12,30, Jesus realmente acrescentou algo a Deuteronômio 6,4, ou Ele apenas parafraseou o texto sem acrescentar nada?

R: Os evangelhos frequentemente parafraseiam o que Jesus disse e não reproduzem necessariamente as palavras exatas. Mateus 22:37-40 menciona coração, alma e mente. Marcos 12:30 menciona coração, alma, mente e força. O texto massorético do Antigo Testamento menciona coração, alma e força, mas, de acordo com a Bíblia de Estudo NIV, p. 1475, alguns manuscritos da Septuaginta acrescentam a palavra “mente”; portanto, Jesus não foi o primeiro a acrescentar “mente”. (Os escritos de Filo, o judeu, que conservamos não fazem referência a Deuteronômio 6:4. O Manuscrito do Mar Morto 4Q43 (=4QDt(p)) contém Dt 6:4-11, mas ainda não vi sua tradução.)

Além disso, no pensamento judaico, coração, alma e mente não são categorias separadas, mas sim sobrepostas.

P: Em Mt 22,37, no que diz respeito ao maior mandamento, trata-se apenas de “coração, alma e mente”, ou inclui também a força, como diz Mc 12,29-30?

R: Há duas respostas possíveis.

1. Jesus poderia ter dito isso de maneiras diferentes, portanto, poderia ser ambas as coisas.

2. Os relatos evangélicos registram o que Deus fez com que os evangelistas se lembrassem. Não há problema em adotar uma interpretação conservadora das Escrituras e afirmar que a memória de Mateus foi imprecisa neste ponto, pois ele esqueceu de mencionar “força”.

Qual das duas respostas é verdadeira? Na verdade, isso não importa, como mostra a resposta à próxima pergunta.

P: Em Mt 22,37, por que um Deus soberano permitiu que o “maior mandamento” fosse preservado de forma imprecisa, de duas maneiras diferentes: como “coração, alma e mente” em Mt 22,37 e como “coração, alma, mente e força” em Mc 12,29-30?

R: A razão pela qual Deus permitiu isso deliberadamente pode estar em 2 Timóteo 2:14. É muito fácil para as pessoas se prenderem às palavras exatas e negligenciarem a crença e a prática do ponto principal.

A Bíblia é totalmente precisa e verdadeira, mas não foi escrita e preservada da forma mais precisa possível. Considerando que a Bíblia foi escrita e transmitida com toda a precisão exigida por Deus (e é extremamente precisa em algumas partes), as imprecisões que observamos na Bíblia têm maior importância aos olhos de algumas pessoas do que têm para Deus.

Deus poderia ter preservado este mandamento e outras partes da Bíblia com maior precisão, mas é provável que as imprecisões tenham sido deliberadas por parte de Deus. Deus enfatizou a seriedade com que devemos obedecer às Escrituras, mas quando começamos a discutir sobre as imprecisões, estamos deixando de obedecer às Escrituras, conforme 1 Timóteo 6:4 e 2 Timóteo 2:14.

P: Em Mt 22,40, de que forma toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos?

R: Toda a Lei dizia respeito à forma como agradamos a Deus e nos relacionamos com Ele, e à forma como amamos e nos relacionamos com outras pessoas. É claro que a Lei trazia outros efeitos benéficos, como a redução de doenças, um acampamento mais higiênico, famílias mais fortes etc., mas os israelitas não necessariamente conheciam todos esses efeitos benéficos.

P: Em Mt 22,41-45, Mateus estaria refutando que Jesus fosse filho de Davi ao se referir ao Salmo 110?

R: De forma alguma, uma vez que Mateus se referiu especificamente a Jesus como o Filho de Deus em Mateus 4:3,6; 8:29; 14:33; 16:16; 26:63; 27:40,43,54. Além disso, Jesus é implicitamente referido como o Filho de Deus em Mateus 2:15; 3:17; 17:5; 22:45. Jesus foi chamado de filho de Davi em Mateus 1:1; 9:27; 15:22; 20:30,31; 21:9,15; 22:42. Jesus estava apresentando aos fariseus um enigma, para o qual eles não teriam resposta até que O aceitassem. O fato de Jesus concordar com o Salmo 110 e citá-lo para mostrar que essa pessoa é o Senhor de Davi não nega o fato de que Jesus também concordou com o Salmo 110 e o citou para afirmar que essa pessoa era um filho de Davi.

A propósito, quando Jesus, que não havia frequentado nenhuma escola rabínica, fez uma pergunta que todos aqueles que haviam frequentado escolas rabínicas não conseguiram responder, isso soou um tanto mal para eles e para suas escolas.

Adamantius (c. 300 d.C.) respondeu a essa objeção de Bardesano apresentando outros exemplos em que foram levantadas questões. “O ‘como’ não é uma negação, mas uma indagação. De fato, essa palavra ocorre nas Escrituras, não uma vez, mas com frequência, para expressar não uma negação, mas uma indagação. Por exemplo: ‘Como pode um perseguir mil?’ [Dt 32,30 LXX]. Mais uma vez: ‘Como é que a cidade fiel, Sião, se tornou uma prostituta?’ [Isaías 1,21 LXX]. E: ‘Como é que Lúcifer, que costumava nascer pela manhã, caiu do céu?’ [Isaías 14,12]. Cristo não disse ‘como’ para negar, mas para fazer uma indagação.” Diálogo sobre a Verdadeira Fé, Quinta Parte, F13, p. 164.

P: Mateus 22,42 prova a reencarnação ao mostrar que Jesus, filho de Davi, era a reencarnação de Davi, como afirma a (falsamente denominada) Escola da Unidade do Cristianismo?

R: Não. O termo “filho de” pode significar tanto filho direto quanto descendente de. Jesus era um descendente de Davi. Não há evidência de reencarnação nas Escrituras, mas há ensinamentos contra a reencarnação. Hebreus 9:27 diz que está determinado que o homem morra uma vez e, em seguida, enfrente o julgamento. Além disso, a ideia de que tentamos repetidamente, talvez até acertarmos, vai totalmente contra a doutrina de que as pessoas morrem e, em seguida, vão para o Céu ou para o Inferno.

O escritor cristão primitivo Minucius Felix (210 d.C.) resume bem isso. Ele afirma que a ideia de as almas dos homens retornarem na forma de animais é a “obscenidade de palhaços”. *O Octávio*, de Minucius Felix, cap. 34, p. 194

P: Em Mt 23, Jesus agiu corretamente ao ser tão argumentativo?

R: Embora debater seja aceitável (como Paulo fazia), Jesus não está debatendo neste capítulo. Ele está simplesmente dizendo as coisas como elas são e repreendendo veementemente os fariseus. Se a ideia de Jesus repreender veementemente alguém é estranha à sua teologia, talvez sua teologia precise mudar para se adequar ao que Jesus faria. Conforme afirma o “Comentário Bíblico do Crente”, p. 1288, Jesus estava “alertando contra a hipocrisia: falar grandiosamente, mas agir de forma mesquinha”.

P: Em Mt 23,5-7, de que maneira algumas pessoas hoje se assemelham aos fariseus, expressando seu orgulho e, ao mesmo tempo, mascarando-o?

R: Os fariseus se preocupavam apenas com “aparências”; eles se destacavam por deixar que os outros soubessem o quanto eram religiosos. Mas seus grandes filactérios, para cumprir literalmente Deuteronômio 6:8, eram apenas uma maneira de mostrar a todos o quanto eram religiosos, algo como usar uma cruz extremamente grande. Hoje, as pessoas podem fazer coisas para mostrar aos outros quanto dinheiro possuem, qual o nível de escolaridade que alcançaram ou o quanto são populares. Tenha cuidado com a tentação de definir sua autoestima por meio dessas coisas.

Imagine ir fazer trabalho voluntário para ajudar pessoas famintas e usar uma grande cruz de ouro de 14 quilates incrustada de diamantes enquanto as ajuda. Há algo de errado nessa imagem? Imagine doar muito dinheiro a uma instituição, e ela não pedir para batizar um prédio em sua homenagem, mas você insistir para que o prédio receba esse nome em sua homenagem.

P: Em Mt 23,9, resumidamente, já que não devemos chamar ninguém de pai, podemos chamar nosso pai terreno assim?

R: Sim. Jesus não se opunha a se referir à relação física direta e ancestral com um pai, pois o próprio Jesus usou essa palavra nesse contexto em Lucas 11,47; João 6,58. Jesus se opunha ao uso dos títulos religiosos de pai, mestre, professor, rabino, como faziam os judeus.

Esses pontos podem ser interpretados de três maneiras diferentes, e todas as três estão corretas. Não chame ninguém de “Pai” como se essa pessoa pudesse sustentar sua vida espiritual. Não chame ninguém de mestre infalível. E ninguém deve ser seu “diretor espiritual”; sua relação com Deus é tão próxima quanto a de qualquer outra pessoa.

Havia rabinos pelo menos desde a época de Hillel, uma geração antes de Jesus. Após a compilação da Mishná, por volta de 217 d.C., uma pessoa tinha de obedecer ao seu rabino sem questionar, não podia caminhar ao lado ou à frente dele e não podia saudá-lo até que o rabino a saudasse primeiro.

P: Em Mt 23,9, o que Jesus quer dizer quando afirma: “Não chamem ninguém de pai”? Obviamente, podemos chamar nossos pais biológicos de “pai”. Além disso, podemos chamar nossos líderes espirituais — pastores — de “pai”. O próprio Paulo se referiu aos líderes espirituais como “pai”. 1 Coríntios 4:15 Mesmo que vocês tenham dez mil tutores em Cristo, não têm muitos pais; pois, em Cristo Jesus, tornei-me seu PAI por meio do evangelho. Atos 7:2 E Estêvão disse: “Irmãos e PAIS, ouçam-me! O Deus da glória apareceu ao nosso pai Abraão enquanto ele ainda estava na Mesopotâmia, antes de morar em Harã”. À luz dessas passagens bíblicas, os católicos romanos estão certos em chamar seus padres de “pai”?

R: Não, os católicos entram em conflito com este versículo ao chamarem os padres de “pais”. No entanto, se a Igreja Católica simplesmente renomeasse “pai” para “pena”, isso por si só não resolveria nada. Creio que haja algumas maneiras mais fundamentais pelas quais eles não seguem este versículo.

Essa é uma boa pergunta que aborda um assunto muito importante no cristianismo: exatamente como Deus é nosso Pai, de uma forma que nenhum ser humano jamais poderia ser? Primeiro, vamos ver o que não é a resposta e, depois, a resposta.

Mateus 23:9 NÃO significa três coisas

A relação biológica ou de adoção não deve ser negada. A Bíblia afirma que fulano era o pai de fulano, utilizando o termo “pai” tanto para o pai direto quanto para o antepassado, como em Isaías 38:5. Jesus se referiu à relação biológica quando falou especificamente do pai e da mãe terrenos das pessoas em Mateus 10:37.

As responsabilidades familiares não podem ser eludidas. 1 Timóteo 5:8 diz que, se alguém não sustenta seus parentes, especialmente sua família imediata, negou a fé e é pior do que um incrédulo. Em Marcos 7:11, Jesus confirmou isso ao falar do pecado de chamar de “corban” — ou seja, algo dedicado a Deus — a ajuda que, de outra forma, seria prestada à família.

Alguém que o trouxe a Cristo. Paulo provavelmente não adotou Timóteo; ao contrário, é muito mais provável que Paulo tenha chamado Timóteo de seu filho por tê-lo trazido a Cristo (1 Timóteo 1:2, 18; 2 Timóteo 1:2; 2:2; Filipenses 2:22). Esse também é o sentido de 1 Coríntios 4:15-17. Há aqui um ponto que alguns cristãos podem ter esquecido. Assim como o senhor não abandonaria um bebê de verdade, também não “abandonem” espiritualmente os novos bebês em Cristo. Na medida do possível, certifiquem-se de que eles se integrem a uma igreja que acredita na Bíblia. Ajudem-nos teologicamente e, se necessário, materialmente, e certifiquem-se de que sejam bem alimentados com o leite da Palavra de Deus.

Mateus 23:9 se aplica a quatro aspectos:

Em termos de autoridade e função, não atribuam a nenhum homem na terra o papel de Deus Pai. Ele é, em última instância, nossa fonte de salvação, nossa fonte de verdade e nossa fonte suprema de autoridade. Embora alguns judeus pensassem que fora Moisés quem lhes proporcionara o maná, o pão do céu, Jesus teve de lhes lembrar que NÃO fora Moisés, mas Deus, quem lhes dera o alimento celestial, em João 6:32. O livro *When Critics Ask*, p. 356, acrescenta que não devemos considerar nenhum mero ser humano como nosso mestre espiritual infalível, mas que é aceitável ter mentores humanos que reconhecemos como falíveis.

Nesse contexto, Deus é a fonte da salvação, e não qualquer homem mortal. O fato de nos tornarmos filhos de Deus não se deve à descendência natural ou a meios humanos, mas nascemos de Deus, conforme João 1:13. Um cristão afirmou: “Deus não tem netos. Ou você é um filho direto de Deus ou não é (1 João 3:1-2), mas não pode ser meramente um neto de Deus”. Se você pudesse ter alguns santos poderosos intercedendo por você diante de Deus, isso o salvaria? Jeremias 15:1 diz que, mesmo que os profetas Moisés e Samuel intercedessem diante de Deus pelo povo judeu, isso não os salvaria. Ninguém pode levar uma pessoa ao Céu, exceto Deus, e não há como ir para o Céu a não ser conhecendo a Deus.

Em contrapartida, observe a altíssima consideração que os discípulos judeus tinham por seus rabinos, e não valorize seus mestres religiosos humanos a esse ponto. Os judeus depositavam suas esperanças em Moisés (João 5:45-46). Ora, Moisés era um homem grandioso e piedoso, mas, mesmo assim, nossa esperança deve estar apenas em Deus.

Em nome, o fato de podermos chamar Deus de Pai é um privilégio precioso, conforme Efésios 3:14. Alguns versículos a serem considerados, dentre os muitos que chamam Deus de nosso Pai, são Malaquias 1:6; 2:10 e Isaías 63:16. Os judeus se autodenominavam filhos de Abraão em João 8:39a. Jesus não negou os fatos genealógicos em João 8:39b-40, mas, na verdade, negou que as relações ancestrais garantissem relações espirituais. João Batista disse aos fariseus e saduceus: “E não ousem dizer a si mesmos: ‘Temos Abraão como nosso pai’. Pois eu lhes digo que, destas pedras, Deus pode suscitar filhos para Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo.” (Mt 3:9-10 BSB)

O livro *When Critics Ask*, p. 356, resume bem a questão ao afirmar que, além de Deus e de Sua Palavra, não temos mestres espirituais mortais infalíveis, mas reconhecemos mentores espirituais falíveis.

Mas e quanto a…

Jó 29:16 diz: “Eu era um pai para os necessitados.” Isso não implica apenas que Jó necessariamente os ajudasse espiritualmente, mas sim que ele interveio para cumprir as obrigações financeiras da família, mesmo para aqueles com quem não tinha laços de parentesco. Da mesma forma, o Salmo 68:5 mostra que devemos ser um pai para os órfãos.

Isaías 51:2 diz para olhar para Abraão, seu pai, e para Sara, que lhe deu à luz. Abraão e Sara, juntos, mostram que isso se refere a um laço ancestral. Deus está dizendo para olhar para esses antepassados, a quem vocês admiram, e imitar a fé deles, vendo como foram abençoados. No entanto, nada em Isaías 51 sugere que Abraão (ou Sara) pudesse fazer algo por vocês agora; é Deus quem nos salva.

2 Reis 2:12 Eliseu chamou por Elias, dizendo: “Meu pai, meu pai”. Isso provavelmente não indica apenas uma relação próxima de discipulado. Embora muitos (incluindo o *Bible Knowledge Commentary: Old Testament*, p. 540) considerem que Eliseu via Elias como seu pai espiritual, Jesus, em Mateus 23:9, diz que não devemos ver as pessoas dessa maneira hoje.

1 Coríntios 4:15-17 “Mesmo que vocês tenham dez mil tutores em Cristo, não têm muitos pais; pois, em Cristo Jesus, tornei-me seu pai por meio do evangelho.” (16) Por isso, exorto-os a imitarem-me. (17) É por isso que lhes enviei Timóteo, meu filho amado e fiel no Senhor.” Isso se refere a Paulo tê-los levado a Cristo, não a um cargo. Paulo era um apóstolo na igreja; não havia o cargo de “pai” na igreja. Para saber mais sobre os cargos na igreja, consulte 1 Coríntios 12:28-29; Atos 6:1-4; 1 Timóteo 3:1-13; Tito 1:5-9.

Em Atos 7:2, quando Estêvão se dirigiu a eles como irmãos e pais, há duas possibilidades. Uma é que Estêvão estivesse simplesmente respeitando seus mais velhos naquela sociedade, sem endossar suas crenças. Uma segunda interpretação é que Estêvão agiu incorretamente ao se dirigir a eles dessa forma nessa ocasião.

Em 1 João 2:12, 13, 18, João se dirige aos seus leitores como “filhos” e “meus queridos filhos” em 1 João 2:1. João era um homem idoso para se dirigir a eles como filhos. Hebreus 13:17 afirma que os líderes na igreja têm autoridade e que terão de prestar contas a Deus por sua supervisão. Portanto, embora nada em 1 João indique que alguém chamasse João de “pai”, João considerava as pessoas a quem ministrava como seus filhos.

1 João 2:13,14 se refere a “pais” em conjunto com jovens e crianças. Embora essa passagem poética também possa se referir a relacionamentos no sentido de levar pessoas a Cristo, ela não sustenta a existência de um papel de “pai” na igreja, a menos que também exista um papel de “jovem” e de “criança” na igreja.

Em conclusão, os católicos estão errados ao chamar os padres de “pai”, mas não vamos nos prender a palavras. A verdadeira questão é confiar em padres falíveis em vez da Palavra infalível de Deus e dar mais autoridade a papas e concílios eclesiásticos — por vezes muito perversos — do que ao próprio Deus em Sua Palavra.

Advertência: Por fim, não pensem que perceber uma verdade da Bíblia significa que podem deixar de buscar outras verdades nela. Toda a passagem de Mateus 23,5-13 mostra como os líderes da Igreja devem praticar a liderança servil, em contraste com os fariseus e outros que se impunham sobre os demais.

P: Em Mt 23,13-39, por que Jesus proferiu essas maldições?

R: Não se trata de maldições, mas de expressões de grande tristeza. São advertências de repreensão, algo como o oposto das bem-aventuranças em Mateus 5:3-11. Tentemos compreender os sentimentos de Jesus aqui, que culminam em Mateus 23:37-39. Jesus estava de coração partido ao ver que as pessoas que desejavam seguir a Deus se deparariam com essas pessoas, que, superficialmente, pareciam exatamente o tipo de pessoa que deveriam buscar. No entanto, essas pessoas as levariam a um conjunto de regras e as afastariam ainda mais do amor de Deus. Não se trata apenas de que esses mestres estavam errando o alvo, mas de que eram as piores pessoas a quem se poderia recorrer, impedindo os outros de alcançarem a salvação.

P: Em Mt 23,13-39, qual é o padrão dessas maldições e há 7 ou 8 maldições?

R: Os manuscritos antigos contêm apenas sete, pois não incluem Mateus 23:14. (Trata-se do Sinaítico, do Vaticano, do Bezae Cantabrigiensis, de alguns itálicos, da Vulgata, do siríaco sinaítico, do copta sahídico, do armênio e do georgiano). Outros manuscritos colocam Mateus 23:14 antes do versículo 13 (Evangelhos de Freer) ou depois do versículo 13 (família f13, alguns itálicos, Vulgata Clementina e, aparentemente, o copta boairico). Se houver apenas sete “ai”, eles formam um bom quiasmo.

23:13 Primeiro “ai” – fecham o reino dos céus (ao não reconhecerem o Messias

- 23:15 Segundo ai – aparentar-se justo, mas causar mais mal do que bem

- - 23:16-22 Terceiro ai – uso incorreto das Escrituras

- - - 23:23-24 Quarto ai – perder completamente o sentido das Escrituras

- - 23:25-26 Quinto ai – uso incorreto das Escrituras

- 23:27-28 Sexto ai – aparentar-se justo, mas causar mais mal do que bem

23:29-32 Sétimo ai – herdeiros daqueles que não reconheceram os profetas, mas os mataram.

P: Em Mt 23:13-33; 21:45; 16:4, por que Jesus dirigiu repreensões aos anciãos de Seu povo? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou essa questão)

R: Antes de responder a essa pergunta, vamos torná-la mais complexa. Jesus não apenas repreendeu os fariseus, os especialistas na lei e outros líderes religiosos que O rejeitaram, como também os advertiu de que iriam para o inferno. Jesus, porém, não se limitou apenas a palavras. Ele chegou a usar um chicote e a derrubar duas vezes as mesas dos cambistas no templo. É óbvio que Ele rejeitou publicamente a autoridade daqueles que, para começar, permitiram a presença das mesas dos cambistas no recinto do templo.

A resposta tem três partes.

1) Jesus possuía uma autoridade superior à deles. Mesmo que estivessem obedientemente seguindo a Deus (o que não era o caso), Jesus, como o Messias e Deus, o Filho, podia dizer-lhes o que desejava que fosse feito. Deus tem o direito de alterar e atrapalhar nossos planos quando e como quiser. Por que Deus, às vezes, repreendia os líderes religiosos? — Deus tem o direito de fazê-lo. Jesus afirmou que também tinha o direito de fazê-lo, e Ele o fez — se Ele fosse Deus.

2) Jesus rejeitou especificamente a autoridade daqueles que não apenas iriam para o inferno, mas também levavam outros para o inferno, em Mateus 23:15. Em contraste com isso, embora Jesus fosse maior do que Abraão, Moisés e o Antigo Testamento, Ele defendeu especificamente a autoridade e o respeito por eles.

3) Hoje, somos ordenados a não dar atenção àqueles em posição de autoridade que rejeitam a verdade (Tito 1:14). Devemos rejeitar aqueles que causam divisão, conforme Tito 3:9-10. De fato, um problema ao longo da história tem sido que muitos se mostram dispostos demais a seguir alguém que é ímpio, apenas por se tratar de um líder religioso. Mas, em contraste com isso, a Bíblia também nos diz para obedecermos e nos submetermos à autoridade de líderes piedosos (1 Tessalonicenses 5:12-23; 1 Pedro 5:2-5; Hebreus 13:17)

P: Em Mt 23,14 e Mc 12,40, de que maneira os escribas devoravam as casas das viúvas?

R: Talvez de maneira semelhante à que os falsos mestres agem hoje. Quando dizem às pessoas para doarem ao seu ministério, por motivos egoístas de receber algo em troca nesta vida, podem estar orientando as pessoas a doarem para um ministério ao qual Deus talvez não queira que elas contribuam.

P: Em Mt 23,16-22, em que situação hoje — se é que existe alguma — você deveria dizer algo que dê a impressão de que está celebrando um acordo vinculativo, quando, na verdade, não é o caso?

R: Quando o senhor insinua intencionalmente que se trata de um acordo vinculativo, embora sua intenção seja que não seja, o senhor está usando o engano para iludir a pessoa que percebe o que o senhor está insinuando. O senhor deve abandonar os “juramentos evasivos” e ser “claro e direto”, e que o seu sim seja sim, e o seu não, seja não, como Jesus disse em Mateus 5:37.

P: Em Mt 23,17, por que Jesus chamou as pessoas de tolas, já que Ele nos disse para não fazermos isso em Mt 5,22?

R: Há dois pontos a serem considerados na resposta, embora o segundo seja mais importante.

A palavra para “tolo” em Mateus 5:22, raca, é uma gíria pejorativa que significa literalmente “cabeça oca”. A expressão em inglês “airhead” é muito semelhante. Jesus não ridicularizou as pessoas de forma depreciativa ao usar essa palavra em Mateus 23:17, e não devemos chamar as pessoas assim. Jesus utilizou uma palavra para “tolo” que era descritiva, mas não uma gíria: “meroi”. Além disso, devemos considerar as pessoas como seres de grande valor, criadas à imagem de Deus, e não como seres sem valor.

P: Em Mt 23,23-28, em que esses “ai de vós” diferem dos demais?

R: Os outros “ai” criticavam o que os fariseus ensinavam e diziam. Esses “ai” criticam quem eles são por dentro e o exemplo que dão. O exemplo deles não é bom, mas também não é 100% perverso. É bonito por fora, mas cheio de perversidade por dentro; e as pessoas conseguem perceber isso. Jesus apresenta uma sequência recomendada de progressão em Mateus 23:26. Ele diz para se preocupar primeiro com o interior, e então o exterior também ficará limpo. Não faz muito sentido limpar o exterior se a imundície interior continua transbordando para fora. O ritual sem realidade é pior do que nenhum ritual e nenhuma realidade.

P: Em Mt 23,24, de que maneira as pessoas coam um mosquito e engoliram um camelo nos dias de hoje?

R: Em primeiro lugar, as pessoas geralmente fazem isso sem querer. Na verdade, em aramaico, trata-se de uma espécie de trocadilho, já que a palavra para “mosquito”, qamla’, é muito semelhante à palavra para “camelo”, gamla’. A expressão mais próxima que poderíamos usar em inglês seria “coar um mosquito e engolir um morcego”.

As pessoas agem assim porque não têm noção do que é importante e do que não é, ou então optam deliberadamente por se concentrar em coisas pequenas e sem importância, cujo resultado não faz muita diferença, em vez de se concentrarem em coisas importantes nas quais preferem não se debruçar. Algumas pessoas querem simplesmente ignorar os problemas em que não estão indo bem e se concentrar no que estão fazendo bem. Outras vezes, querem criticar minuciosamente até mesmo os menores problemas nos outros e ignorar o que os outros fazem bem.

Uma pergunta simples a se fazer é: se houver duas questões, que critérios o senhor teria para afirmar que uma é mais importante do que a outra, além do seu sentimento emocional naquele momento?

P: Em Mt 23,25, qual é o significado do cálice limpo?

R: Em consonância com o versículo anterior sobre coar um mosquito, os fariseus estavam em desacordo justamente sobre essa questão. Os adeptos da escola de Hillel (mais dominante após 70 d.C.) consideravam que um copo estava limpo se apenas se limpasse o interior. Os adeptos da escola de Shammai (mais dominante antes de 70 d.C.) consideravam que o copo não estava limpo até que se limpasse tanto o interior quanto o exterior. Jesus disse que, na prática, eles estavam limpando o exterior, mas não o interior.

Ver Jacob Neusner, “First Cleanse the Inside”, em NTS 22 [1976], p. 486-496, Mishná Kelim 2:1; 25:1, 7-9, e Berakot 8:2.

P: Em Mt 23,27-29, qual é a mensagem de Jesus sobre os túmulos caiados?

R: A cal é uma tinta branca que parece bonita, mas começa a descascar com a próxima chuva. Durante o mês de Adar, em março, quando a estação seca começava, os judeus aplicavam cal nos túmulos para melhorá-los visualmente. O que serve para um túmulo repleto de morte não é apropriado para um crente que deveria estar cheio de vida.

Na época de Jesus, Herodes dedicava-se intensamente à construção e à reforma de túmulos, embora também tivesse mandado saquear alguns deles; e o público de Jesus poderia perceber que essa referência também se aplicava a Herodes.

P: Em Mt 23,35 e Lc 11,51, quem era, resumidamente, Zacarias (ou Zechariah)?

R: Não se tratava do profeta Zacarias. Trata-se, na verdade, do sacerdote Zacarias, que Joás matou em 2 Crônicas 24:20-21. 2 Crônicas era o último livro do Antigo Testamento na ordem das Bíblias hebraicas; portanto, quando Jesus se referiu aos mártires, de Abel a Zacarias, Ele estava mencionando o primeiro mártir até o último no Antigo Testamento.

P: Em Mt 23,35, o Zacarias que morreu era o filho de Berequias ou o filho de Jeoada, que foi morto entre o templo e o altar em 2 Crônicas 24,20-21?

R: Primeiro, apresentamos quatro visões que os cristãos têm; em seguida, os fatos que sustentam cada uma delas.

1. Zacarias, filho de Jeoada

Essa interpretação é consistente com tudo, entendendo-se que a expressão “filho de Berequias” é uma adição do escriba

2. Zacarias, filho de Berequias

Essa visão é consistente com tudo, entendendo-se que Cristo está nos fornecendo novas informações sobre como o profeta Zacarias faleceu.

3. Jeoada tinha dois nomes: Berequias poderia ser um apelido que significa “abençoado por Deus”. Essa interpretação remonta a Jerônimo (373-420 d.C.).

4. Antepassado: Talvez o Zacarias, filho de Jeoada, fosse o avô/antepassado de Zacarias e ambos fossem a mesma pessoa.

Fatos que sustentam as diversas visões:

Zacarias, filho de Berequias, exerceu seu ministério entre 520 e 480 a.C. Ele foi um dos últimos escritores do Antigo Testamento, em termos cronológicos, e o Antigo Testamento não registra como ele morreu.

Zacarias, filho de Jeoada, o sacerdote, foi morto por volta de 800 a.C., antes do exílio. Seu pai, Jeoada, viveu 130 anos e foi sepultado com os reis em Jerusalém, conforme 2 Crônicas 24:15-16. Devido às datas, não há possibilidade de que esses dois Zacarias sejam a mesma pessoa.

A Septuaginta chama o filho de Jeoada de “Azarias, filho de Jodae, o sacerdote”, e o autor do livro de “Zacarias, filho de Baráquias, filho de Addo, o profeta”. Assim, a Septuaginta não apresenta nenhuma diferença aqui, exceto na pronúncia dos nomes.

O Targum de Lamentações 2:20 e [aparentemente] João Crisóstomo afirmam que o profeta Zacarias, filho de Berequias, foi morto entre o templo e o altar. (No entanto, não consegui confirmar de forma independente o que João Crisóstomo disse a respeito disso.)

O túmulo de Zacarias era um marco proeminente em Jerusalém na época de Cristo.

Zacarias era um nome comum. Na verdade, há 32 pessoas diferentes na Bíblia chamadas Zacarias.

Fora da Bíblia, um Zacarias, filho de Baruch/Baris/Bariscaeus, foi morto por dois zelotes, segundo Josefo em *A Guerra Judaica* 4:334-344. Ele foi morto na área do templo, mas provavelmente não entre o templo e o altar; portanto, essa é uma pista falsa, especialmente porque *A Guerra Judaica* se passa após a época de Cristo.

2 Crônicas era o último livro na ordem do Antigo Testamento judaico. Embora o filho de Jeoada não tenha sido o último mártir cronologicamente, mencionar Abel até Zacarias, filho de Jeoada, era algo semelhante a um cristão dizer “do Gênesis ao Apocalipse”.

Lucas 11:51 não contém a expressão “filho de Berequias”.

Irineu (182-188 d.C.), em *Contra as Heresias*, livro 5, cap. 14.1, p. 541, cita Mateus 23:35 dizendo “Zacarias, filho de Barachias”. Assim, se isso fosse uma adição de um escriba, já estava presente antes da obra de Irineu. O *Diatessaron* de Tatiano (c. 172 d.C.) também menciona Zacarias, filho de Berequias (seção 41). Aparentemente, há um manuscrito grego anterior ao Sinaítico e ao Vaticano que contém Mateus 23:35. Trata-se do p77 (meados a finais do século II) e ele também menciona “filho de Barachias”. Assim, se “filho de Berechias” fosse uma adição, ela teria de ter sido feita muito cedo, antes de aproximadamente 170 d.C.

Orígenes (225-254 d.C.) também se refere a este versículo e menciona Zacarias, filho de Barachias, em “Orígenes a Africano”, cap. 9, p. 389.

P: Em Mt 23,35, é correto afirmar que os fariseus serão punidos pelos pecados de seus pais, uma vez que Ez 18 e Dt 24,16 dizem que as pessoas não serão culpadas pelos pecados de seus pais?

R: As pessoas não são consideradas culpadas pelo que seus pais fizeram. No entanto, se elas a) não reprovarem os pecados de seus pais e b) cometerem os mesmos pecados, então serão punidas por causa de sua própria culpa por terem cometido os mesmos pecados que seus pais.

P: Em Mateus 23,37-40, uma vez que Jesus desejava reunir Jerusalém, por que isso não aconteceu, se Deus é Todo-Poderoso, Onisciente e [supostamente] Todo-Amor?

R: Nas últimas palavras públicas de Jesus registradas dirigidas ao povo judeu, percebe-se tanto a dor quanto o julgamento. Deus não é todo-amoroso. O fato de Deus ser amoroso não significa que Deus seja nada além de amor, ou que Deus seja todo-amoroso, da mesma forma que o fato de Deus ser irado não significa que Deus seja nada além de ira, ou que Deus seja todo-irado. O mesmo vale para ser gentil ou ciumento. Deus é o ser mais amoroso do universo, mas o amor de Deus não exclui Seus outros atributos.

Deus escolheu nos criar com livre arbítrio e, quando eles rejeitaram Cristo, com suas consequências eternas, Deus escolheu não coagi-los a aceitar Cristo, mas respeitar a decisão deles, embora isso tenha sido acompanhado pelas lágrimas de Jesus.

P: Mateus 24:3-44 mostra que Jesus retornou invisivelmente em 1914, como ensinam as Testemunhas de Jeová?

R: Não. A palavra grega aqui, parousia, pode significar “vinda” ou “presença”, e a “Tradução do Novo Mundo”, das Testemunhas de Jeová, a interpreta como “presença”. Se Cristo tivesse retornado em 1914, ninguém O teria visto, isso não teria afetado nada e contradiria tanto Apocalipse 1:7 — onde se diz que todos os olhos O verão — quanto Atos 1:11. Antes que Jesus realmente venha, haverá muitas falsas alegações de que Cristo virá primeiro, de acordo com Mateus 24:5. Embora as Testemunhas de Jeová não tenham realmente afirmado “que eram Cristo”, alegações de pessoas que diziam ser Cristo, como o Rev. Moon, Guru Maharaj Ji, Jim Jones etc., ocorreram todas após esse período.

P: Em Mt 24,19-20, por que isso será especialmente terrível para mulheres grávidas e lactantes?

R: Uma razão pode ser vista no filme cristão *A Distant Thunder*. Aqueles que não receberam a marca da besta passarão por grandes dificuldades.

No fim dos tempos, haverá pessoas que não são crentes e, antes de receberem a marca da besta, terão uma escolha a fazer.

P: Em Mt 24,20, que diferença faz se essa fuga ocorrer no sábado?

R: Observe quando isso acontecerá. Nos últimos tempos, muitos judeus se converterão a Cristo, conforme dizem Zacarias 12:10-12 e Romanos 11. Os judeus continuarão a obedecer às leis do Antigo Testamento e a observar o sábado.

P: Em Mt 24,20, devemos, portanto, guardar o sábado (do pôr do sol de sexta-feira ao pôr do sol de sábado) hoje?

R: Os cristãos têm duas respostas.

1. Há um pequeno número de cristãos genuínos, como os batistas do sétimo dia, por exemplo, que dizem que sim.

2. Uma segunda resposta é “não”, pois esse versículo se refere aos judeus que estão buscando a Deus. O arrebatamento talvez já tenha ocorrido nessa altura.

P: Em Mt 24,22, como Deus pode “abreviar” os dias futuros?

R: Isso não significa que os dias terão menos de 24 horas, mas sim períodos de tempo mais curtos, ou menos dias, para esse tempo de perseguição severa.

P: Em Mt 24,23-27, por que Deus permitiria que pessoas que buscam a Cristo fossem enganadas por um falso Cristo?

R: Às vezes, as pessoas afirmam estar buscando uma resposta, mas só aceitarão uma das respostas pré-determinadas que já haviam decidido.

Essa pergunta seria difícil de responder se Deus nunca tivesse fornecido qualquer maneira possível de distinguir o verdadeiro Cristo dos falsos Cristos. Deus forneceu pelo menos sete maneiras de discernir se um grupo religioso é uma falsificação espiritual ou não.

1. Eles aceitam e ensinam o que Deus diz na Bíblia, ou vão contra isso? Ora, se um grupo não estiver correto em todos os pontos secundários, isso não significa que seja uma falsificação espiritual, como comprovam Romanos 14 e 1 Coríntios 8:9-11. Mas, se estiverem errados no que Paulo chamou de “coisas principais”, em 1 Coríntios 15:1-5, ou se negarem que Jesus, o Messias, tenha vindo em carne (1 João 4:1-3), ou se pregarem um Jesus diferente (2 Coríntios 11:1-15), ou pregar um Evangelho diferente (Gálatas 1:6-10), então mantenha-se, a si e à sua família, longe deles.

2. A esse respeito, será que eles não negam tanto a Bíblia, mas se recusam a afirmar as coisas importantes que ela ensina? 2 Timóteo 3:5-7 diz que não devemos ter nada a ver com aqueles que têm a aparência da piedade, mas negam o seu poder.

3. A experiência religiosa deles é inexistente ou estranha? Eles dedicam tempo à oração e à leitura da Palavra de Deus? Eles têm práticas religiosas estranhas que não se encontram na Bíblia?

4. Eles vivem suas vidas de acordo com o que a Bíblia ensina? Se alguém afirma ser cristão, mas vive de maneira contrária a Deus em algumas áreas fundamentais, 1 Coríntios 5:9-13 e 2 Tessalonicenses 3:10,14 dizem que não devemos nos associar a eles.

5. Unir-se a eles religiosamente seria um caso claro de “adorar com demônios” ou de se unir a incrédulos? 1 Coríntios 10:20 e 2 Coríntios 6:14-17 nos alertam contra isso e nos dizem para nos afastarmos dessa situação.

6. Se alguém afirma ser a volta de Cristo, será que essa pessoa realmente desceu do céu nas nuvens, arrebatou os cristãos e cumpriu as profecias dos Evangelhos e do Apocalipse?

7. Os crentes também podem orar ao Deus verdadeiro, e Ele nos ajudará a discernir o que é certo. Um amigo cristão meu me contou que, logo após ter se convertido, alguns missionários mórmons vieram conversar com ele. Ele reconheceu que, devido ao seu conhecimento bíblico limitado naquela época, não tinha ideia se os mórmons estavam certos ou errados. Assim, orou a Deus pedindo ajuda e, em seguida, abriu a Bíblia para ler. Na primeira página que abriu, leu Mateus 7:15! Diz assim: “Cuidado com os falsos profetas, que vêm até vocês vestidos como ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.”

P: Em Mt 24,23-27, se alguém seguisse um falso Cristo ou outra falsificação espiritual e, por inocente ignorância, não soubesse distinguir se era falso, por que Deus permitiria isso?

R: Há duas respostas complementares.

Deus é ativo: Ele pode ordenar que os acontecimentos se desenrolem de modo que um cristão possa entrar em contato com essa pessoa para lhe mostrar a verdade. Então, a pessoa precisa decidir se ama mais a sua organização ou se ama mais a verdade. Qualquer deus que não seja o Deus da verdade não merece ser servido. Já ouvi falar de missionários na África e na Ásia que foram abordados por pessoas dizendo que Deus lhes falou e lhes disse que o missionário era enviado por Deus. Não precisamos nos preocupar com a possibilidade de Deus não se importar ou de Deus não estar ativo. Precisamos, porém, incentivar os cristãos a serem atenciosos e ativos.

Deus é justo: Deus julga as pessoas com base no que elas sabem (Romanos 4:15; 5:13), e o pecado não é imputado onde não há lei. Qualquer pessoa hoje que genuinamente não tenha tido oportunidade de ouvir o Evangelho pode estar em uma situação semelhante à de um gentio antes de Cristo que nunca ouviu o Evangelho, ou à de um bebê que faleceu.

P: Mateus 24:23-24 ensina que cada um de nós tem um “Cristo cósmico” dentro de si, como afirmam alguns adeptos da Nova Era?

R: De forma alguma. Esse versículo ensina que haverá muitos que alegarão falsamente ser o Cristo. Jesus é o Cristo, e embora devamos nos esforçar para viver mais à semelhança de Cristo, nada nesse versículo, nem em qualquer outra parte da Bíblia, diz que devemos tentar tomar a glória e a honra que pertencem a Cristo e reivindicá-las para nós mesmos. Os cristãos habitarão com Deus para sempre na glória, mas não nos tornaremos Deus, nem mesmo pequenos deuses.

P: Em Mt 24,24, como os eleitos (as pessoas destinadas ao Céu) poderiam ser enganados?

R: Com bastante facilidade. “Eleitos” significa tanto aqueles que já estão salvos quanto aqueles que ainda não estão salvos, mas que serão salvos. Vários cristãos são ex-mórmons, ex-Testemunhas de Jeová e ex-membros de outras seitas espíritas.

P: Em Mt 24,27, o relâmpago que brilha de leste a oeste tem a ver com o Messias bahá’í, chamado Bahá’u’lláh, e com o surgimento do telégrafo no mesmo ano (1863)?

R: Não. Embora os bahá’ís tenham me dito que o telégrafo cumpre essa profecia em Mateus, isso está errado por pelo menos cinco razões.

1. Um telégrafo nem sequer seria um cumprimento tão próximo quanto um trovão, a eletricidade, uma explosão nuclear ou algo visível. Observe que Mateus 24:27 diz: “Pois, assim como o relâmpago vem do leste e brilha até o oeste…”

2. O verdadeiro Cristo retornará visivelmente nas nuvens (Atos 1:11; Apocalipse 1:7), e Bahá’u’lláh não se ergueu nem veio sobre nenhuma nuvem, a menos que se considere o pensamento nebuloso. ;-)

3. Além disso, Bahá’u’lláh não é o Cristo que retornou, pois seus ensinamentos classificam os ensinamentos de Cristo como uma mentira. O verdadeiro Cristo afirmou que não havia outro caminho para o Pai a não ser por meio Dele.

4. Além disso, as profecias sobre o retorno de Cristo, incluindo o Arrebatamento dos cristãos, um quarto da população mundial sendo morta pela espada, pela fome e pela peste, e os demais eventos do Livro do Apocalipse ainda não se cumpriram.

5. Mateus 24 também diz que, antes que o verdadeiro Cristo volte, haverá primeiro muitos falsos Cristos.

P: Em Mt 24,28 e Lc 17,37, o que significa a afirmação de que, onde houver um cadáver, os abutres se reunirão?

R: Para ser mais claro, assim como os abutres conseguem encontrar carcaças, não importa onde estejam, a vingança de Deus alcançará aqueles que rejeitam a Deus e estão espiritualmente mortos. É interessante que Jesus utilize aqui a analogia das aves; as aves também são mencionadas em Apocalipse 19:17-21.

P: Em Mt 24,29, como é que o sol pode escurecer e as estrelas cair do céu?

R: Embora Deus tenha o poder de alterar a luz emitida pelo sol e de fazer com que as estrelas se movam ou sejam destruídas, isso poderia, em vez disso, referir-se ao sol ficar escurecido e às estrelas tornarem-se invisíveis aos observadores na Terra. Muitas coisas podem causar isso, tais como poluição, vulcões, poços de petróleo em chamas e explosões nucleares.

P: Em Mt 24,30, as nuvens são coisas contrárias aos caminhos e desejos dos homens, como ensinam os bahá’ís em *Bahá’u’lláh e a Nova Era*, p. 280-281?

R: Não. Não só todos verão Jesus, quando ele retornar nas nuvens, e os povos da Terra chorarão por causa dele (Apocalipse 1:7), mas o mesmo Jesus retornará nas nuvens exatamente da mesma maneira que partiu, de acordo com Atos 1:9-11.

P: Em Mt 24,31, qual é a sua opinião pessoal sobre o Arrebatamento? (um cristão me perguntou isso)

R: Sou a favor. ;-) Falando sério, deixe-me apresentar as posições comuns que os cristãos têm sobre o momento do Arrebatamento e, no final, a minha posição.

Pré-ira: O arrebatamento ocorre durante a tribulação, mas imediatamente antes de a ira de Deus ser derramada. O principal argumento a favor dessa visão é uma inferência: os crentes obedientes muitas vezes têm de sofrer a ira dos homens, mas nunca têm de sofrer a ira de Deus. Marvin Rosenthal escreveu um livro defendendo essa visão. Ele era um ex-partidário da visão pré-tribulação.

Pré-tribulação: O Arrebatamento ocorre imediatamente antes do início da tribulação. Além do argumento a favor da visão anterior, a igreja não é mencionada no livro do Apocalipse após as cartas às sete igrejas. Os defensores da visão pré-tribulacional acreditam que o Arrebatamento ocorre em Apocalipse 4:1, quando Deus diz a João: “Suba aqui”. O “Bible Knowledge Commentary: New Testament” (Comentário Dispensacionalista do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento), p. 79, embora seja pré-tribulacional, não acredita que Mateus 24 se refira ao arrebatamento. O “Tony Evans Bible Commentary” (Comentário Bíblico de Tony Evans), p. 910, também dispensacionalista, afirma que isso se refere ao período da tribulação após o arrebatamento e, portanto, não envolve a igreja arrebatada.

Visto que ninguém saberá a hora em Mateus 24, e se as pessoas soubessem quando a tribulação começaria, os crentes poderiam deduzir quando o Arrebatamento ocorreria, caso a posição pós-tribulacional fosse verdadeira.

Uma frase favorita dos defensores da pré-tribulação é: “O próximo evento no calendário profético é o Arrebatamento da igreja.” Seu principal argumento é que 1 Tessalonicenses 5:2 afirma que o Senhor virá como um “ladrão na noite”. No entanto, contrariando essa visão, 2 Tessalonicenses 2:1-3 afirma que a “reunião” não ocorrerá até que haja a rebelião e o homem da iniquidade seja revelado. Assim, os próximos dois eventos no calendário profético são a rebelião e a revelação do homem da iniquidade, NÃO o Arrebatamento. (É claro que os defensores da pré-tribulação podem argumentar que o Arrebatamento poderia ocorrer imediatamente após essas coisas acontecerem, e que a tribulação não começará até então.)

A corrente “meio da tribulação” acredita que o Arrebatamento ocorre talvez um pouco antes da “pré-ira”, com fundamentos semelhantes.

Os adeptos da teoria pós-tribulação acreditam que o Arrebatamento ocorre no final da tribulação. Seu principal argumento é 1 Coríntios 15:52, onde se mostra que seremos transformados “na última trombeta”. No entanto, outras visões afirmam que essa é a última trombeta que os crentes ouvirão, e não a última trombeta que será tocada.

Sem tribulação: Muitos preteristas acreditam que não haverá tribulação alguma. Eles precisam interpretar Mateus 24:31 e a maior parte do Apocalipse de forma muito simbólica. Mas tenha muito cuidado com qualquer tipo de interpretação que torne as passagens da Bíblia sem sentido ou que afirme que uma pessoa comum que lê uma passagem bíblica geralmente será desviada pelo que lê.

Pan-trib: Deus pode fazer com que o Arrebatamento ocorra quando Ele desejar, e Ele não diz claramente nas Escrituras quando isso acontecerá. Uma pessoa pode dizer que é “pan-trib” se, no final, tudo der certo.

Eu me inclino para a teoria da pré-ira, mas ainda sou pan-tribulacionalista. Para conhecer diferentes perspectivas, o senhor pode ler “O Arrebatamento: Pré-, Mid- ou Pós-Tribulacional” e “O Arrebatamento da Igreja Antes da Ira”.

P: Em Mt 24,31; 1 Ts 4,16 e 1 Co 15,52, qual toque de trombeta é a última trombeta?

R: 1 Tessalonicenses 4:16 menciona uma trombeta sonora, mas 1 Coríntios 15:52 equipara isso à “última trombeta” de Deus. Sete trombetas soam em Apocalipse 8:6-9:21; 11:15, mas, conforme afirma o livro “1001 Perguntas Bíblicas Respondidas”, pp. 270-271, não há necessidade de exigir que a “última trombeta” seja uma das sete trombetas; ela poderia ser outra.

P: Em Mateus 24:32, o que representa a figueira?

R: Isso poderia ser uma analogia do julgamento, em que a figueira que não dá frutos representa Israel, que murcharia.

É claro que não se pode examinar cada detalhe de uma parábola e atribuir-lhe um significado distinto e isolado. O significado da parábola da figueira é vigiar e estar alerta para o futuro, e Jesus “usa a propensão da figueira para florescer e dar frutos como uma indicação positiva para olhar para o futuro”.

P: Em Mt 24,34 e Mc 13,30, uma vez que “esta geração” não passará até que Jesus venha, como isso pode ser possível? (O humanitário liberal Albert Schweitzer levantou essa objeção)

R: Os cristãos têm três respostas diferentes.

a) A própria palavra grega para geração, genea, pode implicar raça. De acordo com o Léxico Grego do Novo Testamento de Thayer (p. 112), genea significava:

a1) homens da mesma linhagem, ou uma família: Josefo, Antiguidades Judaicas 4.8.7 (escrito por volta de 93-94 d.C.), Septuaginta, Gênesis 31:3, etc.

a2) descendentes sucessivos: Filo

a3) uma era: Heródoto 2,132, Heráclito em Plutarco, Atos 14:16. Em 1 Qp (Pesher), Habacuque 2:7; 7:3, o termo “última geração” pode significar várias vidas.

b) Há apenas uma diferença de uma letra entre esta palavra e uma palavra grega semelhante que só pode significar “raça”, gonea; portanto, isso pode ser um erro tipográfico. No entanto, todos os manuscritos do Novo Testamento de que dispomos atualmente dizem genea.

c) A palavra grega para todas essas coisas, panta tauta, significa que essa geração foi a que testemunhou os sinais anteriores. (Dificuldades na Bíblia, p. 173-174; Agora, Essa Sim É uma Boa Pergunta, p. 495-496)

P: Mateus 24:34 e Marcos 13:30 significam que todas essas coisas acontecerão dentro de uma geração a partir de 1914, conforme ensinava a revista “A Sentinela” das Testemunhas de Jeová, vol. 15, fevereiro de 1986, p. 5?

R: Não. As Testemunhas de Jeová têm ensinado que Jesus Cristo retornou de forma invisível em 1914 e que os eventos descritos em Mateus 24 ocorreriam no espaço de uma geração a partir dessa data. No entanto, se a premissa básica — de que Jesus retornou em 1914 — estiver equivocada, então o argumento delas também estará equivocado. Esse é um exemplo do que se chama de “eisegese”, ou seja, atribuir às Escrituras o significado que se deseja, em vez da “exegese”, que consiste em extrair das Escrituras o que nelas está escrito.

P: Em Mt 24,36 e Mc 13,32, visto que Deus é onisciente, por que Jesus não tinha conhecimento do além, como afirma Ahmad Deedat?

R: Deedat não está sendo sincero aqui. Enquanto Jesus estava na Terra, esse versículo diz que Ele não sabia o dia de Seu retorno. É uma mentira afirmar que esse versículo diz que Jesus não tinha conhecimento do além. Será que Deedat realmente acreditava que Jesus, nos evangelhos, não tinha conhecimento do céu, do inferno e absolutamente “nenhum conhecimento do além”? Duvido que o próprio Deedat realmente acreditasse em suas próprias palavras aqui.

P: Em Mt 24,36 e Mc 13,32, visto que Deus é onisciente e Jesus é Deus, como é que Jesus não sabia o dia de Seu retorno?

R: Jesus esvaziou-Se de muitos dos atributos de Deus enquanto esteve na Terra, conforme mostram Filipenses 2:6-8 e João 17:5. Assim, mesmo que essa frase não estivesse em Mateus, seria razoável que Jesus não soubesse tudo enquanto estivesse na Terra. No entanto, no Céu, como parte da Trindade, Jesus é onisciente.

Atanásio (331 d.C.) afirma que Jesus, como Deus, conhecia todas as coisas, mas, em Sua humanidade, Jesus suportou a ignorância e não sabia segundo a carne. À medida que Jesus crescia em conhecimento segundo a carne, Ele, em Sua humanidade, ainda não sabia disso. Quatro Discursos Contra os Arianos, Discurso 3, cap. 28.42-58, p. 416-425.

Atanásio também escreve: “E Ele [Jesus] sabia onde Lázaro jazia, e, ainda assim, perguntou; pois o Verbo Santíssimo de Deus, que suportou todas as coisas por nossa causa, fez isso para que, ao carregar nossa ignorância, pudesse conceder-nos o conhecimento de Seu único e verdadeiro Pai, e de Si mesmo…” Quatro Discursos contra os Arianos, Discurso 3, cap. 27.38, p. 414.

Eis o que escreveu o bispo cristão Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.): “As obras de Deus, portanto, estão além da compreensão de nossa natureza humana e não se encaixam em nosso processo racional de pensamento, pois a ação de uma eternidade ilimitada exige uma compreensão infinita para avaliar as coisas. Assim, não se trata de uma conclusão da razão, mas de uma limitação de poder quando Deus se fez homem, quando o Imortal morre, quando o Eterno é sepultado. Por outro lado, não depende de nossa maneira de pensar, mas da onipotência, que Ele se manifeste como Deus a partir de um homem, como imortal a partir de alguém que está morto e como eterno a partir de alguém que está sepultado. Por isso, somos revividos por Deus em Cristo por meio de sua morte.” Sobre a Trindade, livro 1, cap. 13, p. 44

P: Em Mt 24,36, muito resumidamente, o Espírito Santo sabia quando Jesus voltaria?

R: Embora os cristãos concordem que Jesus, enquanto esteve na terra, não tinha conhecimento disso, há duas visões sobre o conhecimento do Espírito Santo a esse respeito. Considero que a segunda visão é a correta.

1) O Espírito Santo não sabia/não sabe

Deus na Trindade sabe tudo, e o próprio Espírito Santo sabe tudo, exceto por esse único fato. A data predestinada do retorno é conhecida apenas pelo Pai neste momento.

2) O Espírito Santo não está em questão aqui.

Palavras como “todos” (em Romanos 3, etc.) e “ninguém” na Bíblia referem-se às pessoas, a menos que o contexto indique o contrário. Assim, se os anjos não fossem mencionados, não se saberia se eles sabiam ou não. Jesus ainda não havia ensinado sobre o Espírito Santo e, portanto, o Espírito Santo não é mencionado aqui. Assim, este versículo não menciona o Espírito Santo como sabendo ou não sabendo. Para uma situação semelhante, veja Mateus 11:27. Lá está escrito que ninguém conhece o Filho, a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho. O Espírito Santo conhece o Pai e o Filho, mas o Espírito Santo não está em questão aqui.

P: Em Mt 24,36, o Espírito Santo, naquele momento, sabia ou não a hora do retorno de Jesus? (Um cristão fez essa pergunta.)

R: Primeiro, vamos entender a pergunta. Há uma variação manuscrita nessa frase, mas as evidências indicam que a leitura padrão, que contém “nem o Filho”, é a correta. Jesus, que se esvaziou a si mesmo (Filipenses 2,7) e renunciou à Sua glória (João 17,5), não sabia enquanto estava na terra. Este versículo não aborda se Jesus e o Espírito Santo sabem agora. Mas a pergunta é especificamente: o Espírito Santo sabia naquele momento em que Jesus fez a declaração?

Vamos examinar todas as três possibilidades.

Sim, o Espírito Santo sabia:

Y1: Portanto: “ninguém… nem o Filho” refere-se a todas as criaturas e a Jesus, mas não ao Espírito Santo, sobre o qual Jesus ainda não havia ensinado, e que eles não compreendiam como distinto do Pai.

Y2: O Espírito Santo sonda todas as coisas, até mesmo as profundezas de Deus, como diz 1 Coríntios 2:10.

Y3: O fato de Deus saber tudo significa que cada membro da Trindade, no Céu, sabe tudo.

Não, o Espírito Santo não sabia:

N1: “Ninguém, a não ser o Pai” inclui o Espírito Santo também.

N2: Portanto, o fato de Deus saber tudo significa apenas que pelo menos um membro da Trindade sabe tudo. Essa visão teria de reconhecer que é possível que o Pai saiba algo e que os outros só venham a saber disso mais tarde.

N3: O Espírito Santo sonda todas as coisas, mas Ele sonda, em vez de saber tudo de uma só vez. Ele não havia concluído a sondagem desse fato naquele momento.

Não diz:

D1: Jesus estava se referindo às criaturas, ao Pai e a Si mesmo; o Espírito Santo não estava em questão aqui.

D2: De qualquer forma, isso poderia ser apenas uma variação incorreta do manuscrito.

D3: Portanto, poderia ser sim ou não.

Conclusão: Ninguém que vivia na Terra sabia quando Jesus voltaria. Não se deve basear uma doutrina sobre o Espírito Santo na simples ausência de uma menção em um único versículo. Essa é uma daquelas coisas que poderemos descobrir quando chegarmos ao céu.

P: Em Mt 24,42, por que Jesus disse: “em que dia o seu Senhor virá”, em vez de “em que dia eu virei”?

R: Não conhecemos as palavras exatas de Jesus, pois os evangelistas parafrasearam o que Ele disse. Marcos 13,34-36 apresenta essas palavras no contexto de uma breve parábola e, portanto, é natural que estejam na terceira pessoa. Em Lucas 21,36, Jesus utilizou o termo “Filho do Homem”, que Ele costumava empregar para se referir a Si mesmo, novamente na terceira pessoa.

A palavra aqui para “vigiar” também pode ser traduzida como “estejam alertas” e é a mesma palavra usada em 1 Tessalonicenses 5:6.

P: Em Mateus 24:42, uma vez que não sabemos quando Jesus voltará, por que procuramos os sinais de Sua vinda?

R: Por duas razões.

1. Infelizmente, muitas pessoas pensam erroneamente que podem determinar com precisão quando Jesus retornará.

2. A Bíblia indica que podemos observar sinais para conhecer a “época” do retorno de Jesus. Perceber como as coisas não se encaixam é uma maneira de reconhecer os falsos cristos. Muitos consideram que, a partir desta parte, Mateus 24 se refere ao Arrebatamento, que, segundo eles, precede a Tribulação. Veja também a discussão sobre Apocalipse 22:6, 7, 10, 12, 20.

P: Em Mt 24,45-47, o servo fiel e discreto refere-se à Organização Torre de Vigia das Testemunhas de Jeová, como afirma o livro delas *Raciocínio a partir das Escrituras*, p. 205 (1989)?

R: Não. O servo fiel e discreto refere-se a todos os cristãos genuínos, que seguem Cristo com obediência e aguardam Seu retorno. Certamente não se referiria a uma organização que fez muitas profecias falsas.

P: Em Mt 24:51, um Deus amoroso realmente “corta as pessoas em pedaços”?

R: Deus é ainda mais severo do que essa metáfora; Ele lança as pessoas no inferno. Para mais informações, consulte a página “A Ira Justa de Deus” www.BibleQuery.org/Doctrine/WrathOfGod/TheJustWrathOfGod.html.

P: Em Mt 25,1, uma vez que se espera que os cristãos compartilhem, as cinco virgens prudentes agiram corretamente ao não compartilhar com as cinco insensatas?

R: Os cristãos devem compartilhar, mas não nas seguintes situações:

1. Coisas que não somos capazes de compartilhar, como a justiça e a santidade.

2. Bens materiais com aqueles que se recusam a trabalhar (2 Tessalonicenses 3:10).

3. Receber ou acolher em nossa casa um falso mestre que não tem Deus.

4. Ensinar com pessoas que pisariam na verdade como porcos (Mateus 7:6).

Se as virgens prudentes tivessem compartilhado com as insensatas, talvez ninguém tivesse óleo suficiente. É claro que as virgens insensatas poderiam ter apagado suas tochas e reacendido-as mais tarde, caso tivessem pensado com antecedência. Mas não se pode atribuir um significado específico a cada detalhe de uma parábola; neste caso, porém, as virgens tolas pediram o que as sábias não podiam dar, alegoricamente falando. O anfitrião não deixou as tolas entrarem, pois não queria intrusos na festa.

P: Em Mt 25,1-13, as cinco virgens insensatas são cristãs que não foram obedientes e, por isso, perderam o Arrebatamento?

R: Não. Todos os crentes participarão do Arrebatamento. No entanto, essas cinco podem ser pessoas que se consideravam cristãs.

P: Em Mt 25,24-26, como é que Deus é um “homem severo” que colhe onde não semeou?

R: O senhor da parábola não está concordando com o servo de que ele é um homem severo. Em vez disso, Ele está dizendo que, se você pensava que Eu era um homem severo, por que não fez pelo menos algo fácil e simples? Deus está sendo comparado ao senhor dessa parábola. Algumas pessoas podem pensar que Deus é uma pessoa severa porque:

1. Deus concede às pessoas quantidades diferentes de “talentos”

2. Deus espera que trabalhemos com o que Ele nos deu, e Seu reino colherá os frutos de nosso trabalho árduo. (É claro que qualquer coisa boa que possamos fazer, a fazemos porque Deus nos capacitou. No entanto, isso seria ignorado por alguém que perguntasse por que Deus se beneficia de nosso trabalho.)

3. Deus não tem escrúpulos em retirar dos crentes, ou de outros, aquilo que eles não utilizam, utilizam indevidamente ou utilizam de forma egoísta.

Se alguém quiser definir um ser que faz essas coisas como “um homem severo” na parábola, então Deus é como um homem severo.

P: Em Mt 25,24-30, o senhor já observou, nos dias de hoje, como, por temer que algo ruim pudesse acontecer, alguém tomou decisões insensatas que garantiram que isso realmente ocorresse?

R: Certa vez, quando uma empresa estava realizando muitas demissões, um jovem funcionário ficou tão estressado que simplesmente pediu demissão sem ter outro emprego garantido. Ele chamou isso de “ataque preventivo”.

Como diz o Comentário Evangélico da Bíblia, p. 754: “A trágica ironia é que ele [o servo infiel] experimentou exatamente o que temia — a ira do senhor. Mesmo uma obediência parcial teria sido melhor do que a desobediência total (v. 27). Tendo negligenciado a oportunidade, ele agora está privado dela.”

P: Em Mt 25,26-27 e Lc 19,23, por que foi dito ao homem com um talento para depositá-lo no banco e receber juros, uma vez que os israelitas receberam a ordem de não cobrar juros uns dos outros (Êx 22,25; Lv 25,35-37; Dt 23,19; Sl 15,5)?

R: Três pontos na resposta.

a) Tratava-se apenas de uma parábola, e Jesus não estava nos ordenando que fôssemos nem como o servo preguiçoso nem como o senhor.

b) A parábola nunca afirmou que o senhor ou o servo fossem judeus. Na Palestina, havia muitos gentios na época de Jesus.

c) Os israelitas não deviam cobrar juros de seu próprio povo, mas podiam emprestar com juros a outros, conforme diz Deuteronômio 23:20.

P: Em Mt 25,26-27, se houver muitas oportunidades perdidas, as oportunidades, os talentos e os dons podem desaparecer. Como o senhor acha que a “atrofia espiritual” pode se manifestar hoje?

R: Uma coisa que o servo preguiçoso possuía era “uma cautela excessiva”. Mas a verdade é que ele simplesmente não queria usar o que lhe fora dado. Um atleta forte, que deixa de treinar e se exercitar, deixa de ser um atleta forte. Da mesma forma, uma pessoa que é forte em um talento ou dom espiritual, se deixar de exercitá-lo, pode deixar de ser tão forte nisso, ou pode perdê-lo completamente.

Há uma segunda maneira de encarar isso: o dom das oportunidades que nos são concedidas. Se tivermos a oportunidade de compartilhar o evangelho com alguém, ou de edificar a vida de alguém, essa oportunidade pode desaparecer mais cedo do que poderíamos esperar.

P: Em Mt 25,28-29, é justo que Deus tire o talento do servo que possuía um talento e o dê àquele que possui o maior número?

R: Essa é uma pergunta capciosa! Os servos nunca foram donos de nenhum dos talentos; eles eram apenas administradores do senhor.

Certamente, Deus age com justiça aqui — a menos que tenhamos esquecido que os talentos nunca foram realmente nossos, para começar! Um administrador é alguém que protege e aumenta fielmente os bens alheios em nome deles, mesmo quando ninguém está observando o administrador. Deus emprestou os talentos a todos eles, para começar. Ainda hoje, um gestor de investimentos retiraria dinheiro de investimentos com baixo rendimento e o aplicaria em outros com melhor desempenho. Às vezes, esquecemos que Deus nos “emprestou talentos”. Eles não são nossa posse permanente, e não temos o direito de usá-los como bem entendermos.

Quando Deus nos concede talentos naturais, dons espirituais e oportunidades, é muito fácil considerá-los como nossos. Eles não são. Pertencem a Deus, e Ele apenas os nos concedeu “em empréstimo”.

P: Em Mt 25,31-46, parece que a única distinção entre as ovelhas e os bodes é o que elas fizeram e o que não fizeram. Isso é verdade?

R: Não. Não ignore o fato de que as ovelhas eram ovelhas e os bodes eram bodes. Jesus destacou as ações “próprias de ovelhas” que as ovelhas realizaram e que os bodes deixaram de realizar, demonstrando que as ovelhas eram ovelhas. No julgamento, elas não foram transformadas em ovelhas e bodes, mas reconhecidas como ovelhas e bodes.

A título de observação, as ovelhas normalmente têm mais lã do que as cabras e, portanto, precisam de menos abrigo. Assim, separá-las à noite e deixar as cabras ficarem em uma caverna, celeiro ou local protegido seria comum em certas épocas do ano.

P: Em Mt 25,31-46, uma vez que o ponto-chave [supostamente] era ajudar os outros, todos aqueles que ajudam os outros não irão para o Céu?

R: Não. Foram atos de compaixão realizados por Jesus ao ajudar os outros. Se não foi feito por Jesus, então não é por Jesus. Por exemplo, “até os pecadores amam aqueles que os amam”, em Lucas 6:32-34. 1 Coríntios 13:3 diz que, mesmo que distribuíssemos tudo o que temos aos pobres, mas não tivéssemos amor, isso não nos traria nenhum benefício.

P: Mateus 25:46 mostra que não há castigo consciente para os ímpios, como ensinam as Testemunhas de Jeová?

R: De forma alguma. As Testemunhas de Jeová ensinaram isso na seção 111 do livro *O Maior Homem que Já Viveu* (1991). Elas acreditam que a expressão “castigo eterno” seja melhor traduzida como “exclusão”. Há dois pontos na resposta.

A palavra grega significa “castigo”. Nossos corpos mortais são apenas uma concha, e o fato de algo acontecer ao nosso corpo após a morte não constitui um castigo. As Testemunhas de Jeová acreditam que as pessoas más são aniquiladas, e não há mais castigo para algo que não existe.

A interpretação das Testemunhas de Jeová vai totalmente contra o ensinamento de Jesus sobre a existência consciente tanto dos justos quanto dos ímpios em Lucas 16:22-28. As pessoas estariam chorando e rangendo os dentes em Mateus 8:12; 22:13; 24:51; e 25:30; então, por que se preocupariam com o momento em que já não existissem mais?

Visto que a Besta e o Falso Profeta são lançados “vivos” no Lago de Fogo no início dos mil anos, em Apocalipse 19:20, e visto que eles ainda existiam e ainda estavam lá após o término dos mil anos (Apocalipse 20:10), então pelo menos alguns seres ainda existem enquanto estão no Lago de Fogo. O senhor concorda? E se for comprovado que alguns seres existem no Lago de Fogo, e não há nenhuma passagem bíblica que afirme que os seres no Lago de Fogo deixam de existir, então não há necessidade de que as pessoas no Lago de Fogo deixem de existir.

Além disso, qual seria o sentido de haver fogo eterno e inextinguível em Marcos 9:43-48 e em outros trechos, onde os corpos dos ímpios não morrerão (Lucas 12:4-5), se não houvesse almas ali?

P: Em Mt 25,46, o que as três partes de Mt 25 têm em comum?

R: Não se trata meramente de advertências; todas as três apresentam uma crise de separação causada por um servo insensato, seja devido à vinda inesperada do senhor, seja por ter ignorado o que o Senhor desejava. No final de Seu ministério terreno, Jesus está enfatizando aqui não uma nova doutrina, mas a urgência de estar preparado e tomar as decisões corretas antes que seja tarde demais para você. Quando compartilhamos o evangelho com outras pessoas, não apenas compartilhamos a verdade (ou seja, fatos reais), mas também precisamos transmitir a urgência de que elas decidam seguir a verdade.

P: Em Mt 26,3-4, quais são outros exemplos de líderes que agiram de maneira contrária ao que lhes havia sido designado, e por quê?

R: Um segundo exemplo surge logo em seguida, justamente com os discípulos, em Mateus 26:6-7. Nosso objetivo principal na vida é amar, adorar, obedecer e glorificar a Deus e, em seguida, amar os outros. Ungir Jesus está de acordo com nosso objetivo. Nosso objetivo principal não é obter e acumular dinheiro (a menos, é claro, que você seja Judas).

Pareceria natural que os líderes religiosos judeus, em uma posição originalmente estabelecida pelo próprio Deus, fossem os primeiros a reconhecer Jesus. Em vez disso, foram os primeiros a querer matá-Lo. Mas por que as pessoas fariam isso?

Eles se esqueceram de seu propósito, da razão pela qual estavam ali. Não estavam ali para aumentar seu poder, nem para manter sua posição, nem para preservar seus bens. Estavam ali para guiar o povo a seguir e adorar a Deus. Achavam que seu propósito girava em torno deles mesmos, e não do povo ou de Deus.

Hoje em dia, também é muito fácil para os líderes esquecerem por que estão ali. Alguns podem não levar sua posição a sério o suficiente. Outros podem pensar que sua posição diz respeito a eles mesmos, e não ao povo, nem ao que Deus gostaria que fizessem nessa posição.

Como disse o xá do Irã: “Nasci para governar”. Mas será que todo o povo iraniano achava que havia nascido para ser governado por ele? Uma pessoa afirmou que Hillary Clinton deveria ser nossa presidente, porque “ela merece”. Independentemente de seus méritos, será que o cargo de presidente se resume, aos olhos de algumas pessoas, a apenas um cargo cobiçado, a mera recompensa, e não ao que é melhor para o povo americano?

Como contra-exemplo, se alguém pudesse nascer com “uma colher de prata na boca”, esse alguém seria o milionário William Borden (1887-1913), da família extremamente rica responsável pelo leite Borden. Mas seus pais lhe deram uma sólida educação cristã, e ele aceitou a Cristo aos sete anos de idade. Ele cursou a graduação em Yale, onde não havia muita influência espiritual na época. Mas, em seu último ano lá, havia mil pessoas nos grupos de oração e nos estudos bíblicos que ele organizava. Ele também estendeu a mão a alcoólatras das áreas mais carentes da cidade e a outras pessoas; quando surgiu a necessidade de um novo centro missionário, ele simplesmente pagou em dinheiro e o comprou. Ele ingressou na Missão Interior da China, especificamente para ser missionário entre os milhões de muçulmanos na China. Ele foi para o Egito estudar árabe e, enquanto estava lá, logo contraiu meningite cerebral e faleceu, aos 25 anos. Ele escreveu em sua Bíblia: “Sem reservas, sem recuos, sem arrependimentos”. No entanto, em 1969, os líderes da Igreja Presbiteriana dos EUA redigiram uma declaração oficial em sua denominação negando a inerrância da Bíblia. Essa denominação, como membro do Conselho Mundial de Igrejas, doou dinheiro a Robert Mugabe, ditador do Zimbábue, que matou missionários cristãos.

P: Em Mt 26,7; Mc 14,3 e Lc 7,37, o que sabemos sobre o alabastro?

R: Na antiguidade, dois minerais diferentes eram chamados de alabastro.

O alabastro em si é macio (dureza = 2) e pode ser riscado com a unha do polegar. É adequado para entalhar e é uma forma de gesso. É de cor clara, mas pode apresentar manchas de várias cores. Geralmente se forma em cavernas. O alabastro era um material comum para armazenar unguentos, conforme consta no livro 13, capítulo 3, da obra “História Natural”, de Plínio, o Velho.

O mármore também era chamado de alabastro. É um pouco mais difícil de esculpir (dureza = 3) e, na verdade, é calcita ou aragonita. Trata-se de calcário recristalizado.

P: Em Mt 26,7-11, quando a mulher derramou o perfume caro sobre a cabeça de Jesus, Jesus foi excessivamente egocêntrico? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou essa questão)

R: Antes de responder à pergunta de Deedat, vamos tornar a questão ainda mais complexa. Jesus não apenas elogiou as ações dela nesse momento, mas também aceitou adoração como Deus por parte dos anjos e das pessoas no céu (Hebreus 1:6; Apocalipse 5:12). Jesus também aceitou adoração como Deus por parte das pessoas (Mateus 21:15-16; 28:9; João 9:38).

Talvez o senhor se surpreenda ao saber que, neste ponto, concordamos parcialmente com Deedat. Podemos perceber que a visão de Deedat sobre a importância de Jesus e a visão de Jesus sobre Sua própria importância são muito diferentes. Aceitar que derramassem o caro frasco de perfume sobre Sua cabeça — um ato de adoração —, bem como aceitar a adoração, quando todos os judeus sabiam que somente Deus deveria ser adorado, seria ir longe demais — A MENOS QUE JESUS FOSSE DEUS.

P: Em Mt 26,11, Jesus não estaria sempre com eles, ou Jesus estará com eles para sempre, até o fim dos tempos, como diz Mt 28,20?

R: Ambas as coisas. Eles não teriam a presença física de Jesus entre eles; por isso, era apropriado que a mulher ungisse Jesus enquanto Ele ainda estivesse fisicamente com eles. Mas Jesus estaria com eles espiritualmente, mesmo depois de ter ascendido ao Céu. Consulte “When Critics Ask”, p. 359, para obter mais informações.

P: Em Mt 26,21-22, o que o senhor acha que Judas sentiu quando Jesus disse que sabia que um deles O trairia?

R: Provavelmente, o coração de Judas pareceu ter parado. Talvez ele tenha se repreendido silenciosamente, pensando que não havia ocultado bem seus rastros. Ou talvez tivesse um lampejo de esperança, pensando que, como Jesus não havia mencionado publicamente um nome, talvez Ele não tivesse certeza de que seria ele. Mas mesmo que Judas tivesse tido esse último pensamento, não o teria por muito tempo, pois Jesus, ao molhar o pão no prato, indicou quem era. Assim, Judas percebeu, com certeza, que as intenções de seu coração secretamente sombrio eram claras como o dia para Jesus.

E, no entanto, ao tomar conhecimento disso, em João 13:30, Judas foi até os sumos sacerdotes e traiu Jesus de qualquer maneira. Às vezes, as pessoas estão tão envolvidas em um caminho pecaminoso que pensam: “agora não há mais volta”. Mas se o senhor estiver caminhando em direção a um vulcão em erupção, sempre poderá voltar, enquanto ainda for capaz de andar. Se o senhor estiver seguindo um caminho pecaminoso, “agora mesmo” é sempre o melhor momento para dar meia-volta. Deixe que Deus cuide das consequências; o senhor só precisa se preocupar em obedecê-Lo.

O senhor já viu alguém que estava tão certo e confiante do que queria fazer, a ponto de nada, absolutamente nada, conseguir fazê-lo mudar de ideia? É quase como se essa pessoa dissesse: “Não me confunda com os fatos”.

P: Em Mt 26,27; Mc 14,23; Lc 22,17.20; e 1 Cor 11,25, todos devem usar o mesmo cálice da comunhão?

R: Todos estavam reclinados (não sentados) à mesma mesa, em um grupo de doze mais Jesus, com um traidor no meio deles. Assim como não precisamos fazer essas coisas hoje, também não precisamos usar o mesmo cálice.

Conheço um pastor, que acredito ser um cristão genuíno, que pensa que todos devem usar o mesmo cálice na comunhão. No entanto, é preciso distinguir entre a cerimônia que devemos seguir e os aspectos secundários praticados naquela ocasião, como o fato de todos estarem reclinados à mesma mesa.

P: Em Mt 26,28 e Mc 14,24, a palavra “aliança/testamento” deveria ter “nova” antes dela?

R: Provavelmente não.

Em Mateus 26:28

“Nova” está presente no Alexandrinus (c. 450 d.C.), no Rescrito de Efraem (século V), no Bezae Cantabrigiensis, nos Evangelhos de Freer, no copta sahídico (séculos III/IV), no copta boairico (séculos III/IV), no Lecionário Bizantino, na família f1, na família f13, no armênio, no etíope, etc.

A palavra “novo” está ausente no p37 (meados do século III), no Sinaítico (340-350 d.C.), no Vaticano (325-350 d.C.), etc.

Em Marcos 14:24

A palavra “novo” está presente no Alexandrinus, no copta sahídico, no Diatessaron, no Lecionário Bizantino, na família f1, na família f13, no armênio, no etíope, etc.

A palavra “novo” está ausente no Sinaítico, no Vaticano, no Ephraemi Rescriptus, no Bezae Cantabrigiensis, nos Evangelhos de Freer, no copta boairico, etc.

De modo geral, essas duas variantes são interessantes para ilustrar duas tendências na correlação entre variantes.

1. Os manuscritos alexandrinos, incluindo o Sinaítico, o Vaticano, o copta, etc., em geral são mais curtos do que as variantes bizantinas.

2. Não há muita correlação que indique tendências teológicas. Por exemplo, o Bezae Cantabrigiensis, os Evangelhos de Freer, o Ephraemi Rescriptus e o copta boairico não se correlacionam com essas variantes, enquanto os demais o fazem.

P: Em Mt 26,30, que hino eles poderiam ter cantado?

R: A Escritura não especifica, portanto, poderia ter sido qualquer hino, inclusive um recém-composto. No entanto, era costume, após a ceia da Páscoa, cantar as palavras dos Salmos 113–118, 114–118 ou 115–118.

P: Em Mt 26,31-35, 69-72, como o senhor aconselharia um cristão que assumiu grandes compromissos para servir a Deus e, em seguida, fracassou completamente?

R: Pedro não disse isso porque não fosse sincero ou não conhecesse Jesus; Pedro disse isso porque não conhecia o próprio coração.

Jesus advertiu Pedro com antecedência, embora não haja indícios de que Pedro tenha aceitado as palavras de Jesus naquele momento. Porém, mais tarde, quando Pedro tropeçou, ele conseguiu se lembrar do que Jesus havia dito anteriormente. Posteriormente, após a ressurreição de Jesus, Ele dirigiu-se especialmente a Pedro, na presença dos demais, para restaurá-lo pessoalmente, conforme João 21:15-18. Jesus proferiu palavras gentis de restauração e propósito, não palavras de condenação dizendo: “você está perdido”. Pedro nunca poderia desfazer suas três negações, mas poderia se reerguer e seguir em frente a partir dali.

P: Em Mt 26,39.42, visto que Jesus é Deus e tem a mente de Deus, como Ele pôde orar: “Meu Pai, se for possível, passe de mim este cálice”?

R: Filipenses 2:6-7 mostra que Jesus voluntariamente se esvaziou de muitos de Seus poderes e atributos divinos quando veio à Terra. Por exemplo, Jesus se cansou (João 4:6) e aprendeu a obediência (Hebreus 5:8), algo que, presumivelmente, Ele não tinha motivo para conhecer no Céu. Além disso, na Terra, Jesus não sabia tudo, pois não conhecia o dia nem a hora de Seu retorno, conforme Mateus 24:36 e Marcos 13:32.

Nesse caso, Jesus não está dizendo que conhece outro caminho. Em vez disso, Jesus está percebendo que o caminho à frente será extremamente doloroso e está perguntando a Deus Pai se o Pai vê algum outro caminho.

Essa pergunta foi respondida por volta de 246-265 d.C., quando Dionísio, bispo de Alexandria, deu essencialmente a mesma resposta no Fragmento Exegético 3, em *Os Padres Ante-Nicenos*, vol. 6, p. 108

P: Em Mt 26,52, Jesus é contra toda guerra e contra a pena capital (execução)?

R: Primeiro, o que não é a resposta; depois, a resposta.

O que não é a resposta: Jesus ensinou que, quando retornar, matará aqueles que se opuseram a Ele em Mateus 24,5-7,31; Marcos 13,7-8; e Apocalipse 19,15,17-21. No entanto, isso não responde à pergunta, pois o que Deus faz e o que nos é ordenado obedecer não precisam ser a mesma coisa.

A resposta: Não, por quatro razões.

1) Jesus não poderia estar sugerindo que os crentes nunca deveriam portar uma espada; caso contrário, por que, apenas algumas horas antes disso, Jesus disse que aqueles que não tivessem espada deveriam comprar uma, em Lucas 22:36-38? Além disso, depois que os apóstolos disseram que tinham duas espadas, Jesus não lhes disse para se livrarem delas, mas disse: “isso basta”.

2) Jesus estava falando com Pedro nessa situação, logo após ele ter ferido o servo do sumo sacerdote, para que não ferisse mais ninguém com sua espada.

3) Jesus falou daqueles que “vivem pela espada”, não de todos os que possuem espadas. Isso pode se referir tanto àqueles que ganham a vida matando pessoas quanto àqueles que veem a morte de pessoas como a solução para seus problemas.

4) A segunda parte do versículo é uma observação, não uma ordem.

Outros versículos que mostram que as espadas são aceitáveis são Romanos 13:1-4; Lucas 14:31; 19:27; 20:14-16; Atos 25:11; 1 Coríntios 9:7. Quando os soldados perguntaram a João Batista o que deveriam fazer, em Lucas 3:14, João teve a oportunidade perfeita para lhes dizer que deixassem o exército, mas não o fez. Da mesma forma, em Atos 10, o centurião Cornélio era um homem devoto. Executar assassinos não só era permitido, como também ordenado nos tempos do Antigo Testamento, em Números 35:31,33, e antes da Lei Mosaica, em Gênesis 9:6.

Outros versículos que afirmam ou sugerem que não devemos viver pela espada são: 2 Coríntios 10:4-5; Mateus 5:25; João 18:36; e Romanos 12:17.

Embora Jesus, em Lucas 22:36, e o Novo Testamento em geral ensinem o uso defensivo da espada, bem como o uso da espada pelo Estado em Romanos 13:1-4, nunca se defende o uso agressivo da espada, nem o uso da espada pelo Estado contra hereges. Nenhum cristão primitivo defendia o uso da espada pelo Estado contra os incrédulos. Historicamente, essa doutrina não bíblica foi ensinada pela primeira vez por Firmicus Maternus em 346/348 d.C. e, posteriormente, por volta de 386 d.C., por Agostinho de Hipona.

P: Em Mt 26,52, quando (se é que alguma vez) devemos recorrer a meios físicos a serviço do reino de Cristo?

R: Ao longo da história, vimos que isso foi tentado várias vezes, e os resultados foram desastrosos. Não é que todas tenham sido malsucedidas militarmente; lembre-se de que as Cruzadas foram um sucesso no Oriente Médio por alguns séculos e foram bem-sucedidas no saque de Constantinopla. Em vez disso, todas foram catástrofes espirituais, no sentido de que foram muito úteis a Satanás para seus propósitos. Poder-se-ia argumentar, porém, que combates defensivos, como a Batalha de Tours e a derrota do ataque turco a Viena, foram bem-sucedidos.

Portanto, do ponto de vista defensivo, talvez seja aceitável ter um segurança em uma igreja ou recorrer à proteção policial. Mas ações violentas de caráter ofensivo abafam a mensagem do evangelho. Se o senhor não tem mais nenhuma mensagem a transmitir, então por que partir para a ofensiva, para começar?

P: Em Mt 26,53, quantos são doze legiões de anjos?

R: Uma legião romana, em força total, contava com 6.000 homens; portanto, seriam 72.000 anjos. Visto que 185.000 soldados assírios foram mortos em uma única noite por um único anjo em 2 Reis 19:35, 72.000 anjos seriam suficientes — para os sistemas solares vizinhos!

P: Em Mt 26,64, como Jesus pôde falar perante o Sinédrio, visto que Isaías 53,7 diz que o Messias não abriria a boca?

R: Isso não significa que Jesus nasceria incapaz de falar durante toda a sua vida. Em vez disso, Isaías 53 esclarece isso ao dizer “como uma ovelha que permanece em silêncio diante de seus tosquiadores”. Jesus de fato falou naquele dia, mas quando seus acusadores falaram contra ele perante Pôncio Pilatos, Pilatos ficou admirado e surpreso por Jesus não ter falado naquele momento nem respondido a uma única acusação, conforme relatam Mateus 27:14 e Marcos 15:4-5.

P: Em Mt 26,64, como Caifás veria o Filho do Homem sentado à direita do poder e vindo sobre as nuvens do céu?

R: Apocalipse 1:7 diz que todos os olhos verão Cristo retornar nas nuvens, inclusive aqueles que O traspassaram. Portanto, mesmo aqueles que já tivessem falecido poderão testemunhar esse evento. Além disso, Jesus disse isso a Caifás oficialmente, em sua função de sumo sacerdote representando a nação de Israel, e não apenas a título individual. Assim, todo o Israel também verá isso.

P: Em Mt 26,65, por que o sumo sacerdote rasgou suas vestes nesse momento?

R: Rasgar as vestes era um ato grave; elas não podiam mais ser usadas, e as roupas eram relativamente caras naquela época. Isso só era feito quando alguém ouvia blasfêmia contra Deus (Mishná Sanhedrin 7:5), ou então em caso de grande indignação ou pesar (2 Reis 18:37; Judite 14:19; 1 Macabeus 11:71; Atos 14:14). Isso era um testemunho de que não tinham participação na blasfêmia contra Deus e que a reprovavam. Assim, o sumo sacerdote queria demonstrar que, como bom judeu, não podia tolerar o que declarava ser blasfêmia. No entanto, um momento de reflexão aqui. Levítico 21:10 e seguintes dizem que era proibido ao sumo sacerdote rasgar suas vestes. Portanto, o sumo sacerdote, em seu zelo por tentar mostrar o quanto estava certo e o quanto Jesus estava errado, ele próprio infringiu a Lei do Antigo Testamento nesse momento.

P: Em Mt 26,69-75, como é que Pedro, apóstolo de Jesus, pôde mentir por medo?

R: Pedro pecou aqui, como ele próprio percebeu com amargura em Mateus 26:75; Marcos 14:72; e Lucas 22:62. Pedro depositava sua esperança em Jesus e, embora Jesus os tivesse avisado com antecedência, os apóstolos fugiram com medo quando Jesus foi preso. Jesus perdoou especificamente Pedro por negá-lo três vezes em João 21:15-19.

P: Em Mt 26,73 e Mc 14,70, quais eram as características do sotaque galileu?

R: Embora não tenhamos certeza, muitos gregos e judeus de língua grega viviam na Galiléia e na vizinha Decápolis, e talvez fossem características herdadas da língua grega. Além da pronúncia das palavras, isso também poderia incluir expressões idiomáticas e a escolha de palavras.

P: Em Mt 26,74 e Mc 14,71, por que Pedro praguejou nessas ocasiões?

R: Embora as Escrituras não o mencionem, pode ter sido por duas razões.

Medo: Pode ter sido porque Pedro estava com medo.

Por efeito dramático: pode ter sido para tentar “provar” aos judeus que ele não era discípulo de Jesus.

De qualquer forma, a maldição de Pedro, assim como sua negação, não é um exemplo a ser seguido por nós hoje. Não devemos usar linguagem obscena, conforme Efésios 5:4, e seremos julgados por cada palavra ociosa, conforme Mateus 12:36.

P: Em Mt 27,1, por que eles se reuniram novamente durante o dia?

R: Talvez não tenha sido exatamente uma reunião separada, mas eles precisavam que parecesse uma reunião separada. De qualquer forma, as reuniões do Sinédrio deveriam ocorrer durante o dia. Nenhum veredicto de culpabilidade poderia ser proferido após apenas uma reunião. De acordo com a lei judaica, eles só podiam proferir uma sentença de pena capital durante o dia e precisavam se reunir duas vezes para ter certeza. Além disso, a reunião noturna pode ter sido apenas um subgrupo do Sinédrio, enquanto a reunião diurna pode ter contado com a presença de todo o conselho.

No entanto, o Sinédrio judeu não podia executar ninguém sob o domínio romano (exceto por profanar o recinto do Templo); por isso, é interessante que eles tenham recorrido aos romanos — a quem odiavam — para executar alguém que odiavam ainda mais. É claro que também pareceria melhor, para o Sinédrio, que fossem os romanos a condenar Jesus, e não apenas os judeus.

P: Em Mt 27,2, o que sabemos sobre Pôncio Pilatos?

R: Pôncio Pilatos era um governador romano; mais especificamente, era um “prefeito”. Os prefeitos governavam regiões pequenas e problemáticas. Não detinham grande poder, sendo inferiores aos legados imperiais e aos procônsules; contudo, possuíam o mesmo poder que estes nas decisões judiciais em sua jurisdição. Detinham o poder de aplicar a pena capital, cuja sentença só poderia ser contestada por meio de recurso ao César, caso o prisioneiro fosse cidadão romano.

Antes de outubro de 31 d.C., Pilatos carecia de justiça ou do temor de Deus, era injusto, não gostava dos judeus e não os compreendia de verdade, segundo Josefo (Antiguidades dos Judeus, livro 18, cap. 3-4, p. 379-381, e Guerras dos Judeus, livro 2, p. 169-177, fig. 2-4). Isso também está de acordo com Filo de Alexandria, em *Sobre a Embaixada a Caio*, capítulos 38-40, pp. 784-786. Pilatos levou deliberadamente os estandartes romanos, com imagens do imperador, para Jerusalém. Ele saqueou o tesouro do Templo para construir um aqueduto. Lucas 13:1 diz que Pilatos matou galileus e misturou o sangue deles com seus sacrifícios. Então, o povo de Jerusalém se revoltou, e ele mandou seus soldados matarem muitos deles. Pilatos colocou escudos de bronze, com a imagem do imperador, no Templo de Jerusalém apenas para irritar os judeus. O povo causou tal alvoroço que o próprio imperador romano anulou a decisão de Pilatos, ordenando que os escudos fossem removidos. Pilatos conseguiu esse cargo por meio de seu mentor em Roma, Sejano, um amigo íntimo e confidente do imperador Tibério. Segundo Filo, o objetivo de Sejano era exterminar os judeus. No entanto, em outubro de 31 d.C., Sejano foi executado por suspeita de traição contra Tibério e, depois disso, Tibério promulgou leis contra o antissemitismo.

Após outubro de 31 d.C., Pilatos provavelmente sentiu que se encontrava em “terreno instável” com o imperador Tibério. As relações com ele e com os judeus pioraram ainda mais a partir de cerca de 33 d.C., e Pilatos foi destituído em 36 d.C. após ter matado um grupo de samaritanos que se reunira para ver alguns vasos sagrados. Os samaritanos recorreram a Vitélio, o legado da Síria, que ordenou que Pilatos prestasse contas de suas ações ao imperador.

Durante o julgamento de Jesus, Pilatos parece um pouco mais favorável a Jesus do que os líderes judeus. Provavelmente, Pilatos não poderia se importar menos com o próprio Jesus; ao contrário, ele estava apenas se opondo ao Sinédrio. Mas quando os sacerdotes judeus jogaram seu “trunfo” — ameaçando ir contar ao imperador que ele tolerava alguém que se autodenominava Rei dos Judeus —, Pilatos, um homem pragmático, cedeu ao que o Sinédrio desejava. De certa forma, as costas de Jesus foram laceradas pelo chicote porque Pilatos foi covarde.

P: Em Mt 27,3-5, o que podemos aprender sobre as pessoas a partir de Judas?

R: Assim como Judas mais tarde se arrependeu profundamente do que fez, algumas pessoas más se arrependem profundamente — às vezes a ponto de ficarem desanimadas — do que fizeram. Judas poderia ter pensado em como se sentiria em relação às suas ações antes de cometê-las, mas não o fez. Da mesma forma, algumas pessoas más, que atualmente se arrependem profundamente de suas ações, poderiam ter pensado nisso antes de cometê-las, mas não o fizeram.

Judas estava escravizado ao dinheiro, e o próprio Judas sentiu horror pelo que essa escravidão o levou a fazer.

P: Em Mt 27,5, Judas se enforcou ou seu corpo se abriu ao meio, como diz Atos 1,18-19?

R: Atos 1,18-19 diz que Judas caiu de cabeça em um campo, o que implicaria uma queda de pelo menos alguma altura. Ao analisar esses versículos em conjunto, surgem duas possibilidades. Em ambos os cenários, Judas se enforcou, muito provavelmente em uma árvore, possivelmente à beira de um penhasco.

O enforcamento falhou: enquanto Judas ainda estava vivo, a corda se rompeu, e ele caiu de cabeça em um campo, e seu corpo se abriu.

O enforcamento foi bem-sucedido, e Judas morreu por ter sido enforcado. No entanto, se ninguém subisse para retirá-lo, mais cedo ou mais tarde o corpo cairia, de uma forma ou de outra.

De qualquer forma, houve um enforcamento, uma corda que se rompeu e um corpo que se abriu ao meio.

P: Em Mt 27,7 e Atos 1,18, foram os sacerdotes ou Judas Iscariotes que compraram o campo?

R: Os sacerdotes eram “espiritual demais” para desagradar a Deus usando dinheiro de sangue. Além disso, como Judas arremessou o dinheiro para uma parte do templo onde somente os sacerdotes podiam entrar, o dinheiro, por mais estranho que pareça, poderia ser considerado por eles como “sagrado”, uma vez que tocou um lugar sagrado. Judas já estava morto, então os sacerdotes realizaram essa transação como representantes de Judas, utilizando “suas” 30 moedas. De uma forma macabra, Judas tomou posse pessoalmente do campo. Em Mateus 27,6, os sacerdotes não queriam que as 30 moedas de dinheiro manchado de sangue voltassem para o tesouro do templo.

P: Em Mt 27,9-10, como isso constitui um cumprimento de Jeremias, uma vez que Jeremias mencionou apenas parte disso, e Zacarias mencionou outra parte?

R: Os cristãos têm seis respostas.

Erro do copista, nenhum profeta especificado – Agostinho de Hipona afirmou que muitos manuscritos não contêm o nome de um profeta, embora ele considerasse que os melhores manuscritos apresentassem “Jeremias”. (Harmonia dos Evangelhos, de Agostinho, livro 3, cap. 7.30-31, p. 191-192

Erro do copista em relação a Zacarias – Alguns manuscritos gregos mencionam Zacarias em vez de Jeremias.

Erro de tradução: Papias, um discípulo do apóstolo João, registra que Mateus escreveu originalmente seu evangelho em hebraico. Se isso for verdade e ele tiver sido traduzido para o grego, esse detalhe pode ter sido alterado nessa ocasião.

Uma profecia não registrada de Jeremias. O próprio Zacarias 1:4 cita Jeremias 18:11. Zacarias 7:7 menciona que ele está repetindo palavras de profetas anteriores.

Uma cadeia de testemunhos (também chamada de catena): uma prática midráshica consistia em citar diferentes profecias e relacioná-las entre si no que chamamos de “cadeia de testemunhos”. Marcos 1:2-3 provavelmente também é uma cadeia de testemunhos. Assim, alguns diriam que, se uma obra tem dois autores e há apenas uma breve alusão ao segundo autor, é comum mencionar apenas o primeiro autor. As cadeias de testemunhos (também chamadas de catenas) eram comuns, não apenas na Bíblia, mas também nos primeiros escritos cristãos. É comum mencionar apenas o autor mais famoso, e devemos analisar a literatura antiga de acordo com as práticas da época, e não com as nossas.

Apenas o profeta mais proeminente em uma cadeia de testemunhos, como também ocorre em Marcos 1:2-3. Jeremias foi colocado à frente desta seção do Antigo Testamento, de acordo com o Talmude Babilônico (Baba Bathra 14b).

P: Em Mt 27,15 e Mc 15,6, por que Pilatos libertou um prisioneiro durante a festa?

R: Aparentemente, esse era seu costume. Ao que parece, ele achava que os judeus o considerariam mais justo ou humano se ele fizesse isso. A obra judaica posterior, Mishná Pesahim 8:6, também sugere a anistia de um prisioneiro durante a Páscoa. Obviamente, suas noções de justiça e misericórdia diferem das nossas hoje, e a Bíblia não aprova suas ideias.

P: Em Mt 27,19, o que mais sabemos sobre a esposa de Pôncio Pilatos?

R: A Bíblia não diz mais nada. Segundo a tradição da Igreja, seu nome era Cláudia Prócula; mais tarde, ela se tornou cristã em segredo, e a Igreja Ortodoxa Grega a considera uma santa.

P: Em Mt 27,22; Mc 15,14; Lc 23,23; e Jo 19,14, Jesus teve que sofrer uma morte lenta e dolorosa na cruz, ou poderia ter morrido de forma menos dolorosa pela espada ou por doença? (Minha esposa questionou-se sobre isso)

R: As Escrituras apenas relatam o que aconteceu, e não toda a gama de possibilidades do que poderia ter ocorrido. Quando Satanás levou o povo a matar Jesus, aparentemente ele infligiu a Jesus a morte mais dolorosa que os homens sabiam infligir naquela época. Jesus suportou a pior das punições para nos trazer o melhor dos presentes.

P: Em Mt 27,24, de que maneira as pessoas hoje em dia às vezes tentam “lavar as mãos” para convencer os outros de que não tiveram participação em algo, quando, na verdade, tiveram?

R: Os políticos podem parecer ansiosos e hábeis em se distanciar de resultados fracassados ou de políticas ruins ou agora impopulares pelas quais votaram. Quando você ouve um político dizer que “herdou” um problema, isso pode ser verdade, mas ainda assim é possível perguntar o que ele fez para resolver o problema durante seu mandato.

Pilatos foi quase ridículo ao tentar seguir um “caminho do meio”, mantendo-se neutro em relação a Jesus. Hoje, muitos também tentam seguir um caminho do meio, mas não conseguem realmente fazê-lo. Ou Jesus era um impostor mentiroso, um louco iludido ou o Senhor. Não há meio-termo aqui.

Já haviam sido preparadas três cruzes, de modo que Pilatos já havia decidido, antes disso, executar três prisioneiros. Mas Jesus ocupou o lugar de Barrabás na cruz do meio.

P: Em Mt 27,25, por que eles queriam que o sangue de Jesus recai-se sobre eles e seus filhos?

R: Há quatro pontos a serem considerados na resposta.

1. Pilatos, pelo menos aparentemente, mostrou-se muito relutante em assumir a responsabilidade, e a multidão pode ter pensado que ele talvez não proferisse a sentença de morte contra Jesus se não tivessem se mostrado dispostos a assumir a responsabilidade.

2. Além disso, embora a esposa de Pilatos o tivesse advertido para não se envolver na morte desse homem, Pilatos já havia demonstrado disposição para derramar sangue em outras ocasiões fora da Bíblia. De qualquer forma, Pilatos desejaria que a multidão se dispusesse a assumir a responsabilidade, aliviando-o, de certa forma, da responsabilidade exclusiva pela morte de Jesus. Pilatos pode simplesmente ter estado provocando a multidão para se proteger, de modo que as palavras da multidão justificassem sua decisão caso judeus ou romanos a questionassem posteriormente.

3. Os pais não podem escolher se vão ou não transferir sua culpa pessoal para seus filhos ou descendentes. Infelizmente, Hitler e outros nazistas chamavam os judeus de sua época de “assassinos de Cristo” e usavam essa expressão para tentar justificar seus crimes horríveis. O próprio Hitler ordenou o desaparecimento de muitos padres católicos e outros cristãos. É claro que os romanos eram italianos, e Hitler aliou-se à Itália. Sim, os pecados dos romanos e dos judeus colocaram Jesus na cruz, mas foram os pecados de todos nós que realmente colocaram Jesus na cruz.

4. Em última análise, aqueles que estão cobertos pelo sangue de Jesus têm seus pecados lavados, mas, é claro, não era isso que a multidão queria dizer aqui.

P: Em Mt 27,28-29, a túnica de Jesus era escarlate ou era púrpura, como em Jo 19,2-3?

R: Há duas respostas diferentes, e ambas podem ser verdadeiras.

Púrpura-avermelhada: Em inglês, “púrpura-avermelhada” pode ser considerada um tipo de púrpura ou escarlate. No grego antigo, há maior incerteza quanto à faixa exata do espectro de luz de cada cor. Quando o hebraico/aramaico é traduzido para o grego — como Papias indica que foi o caso de Mateus —, há ainda mais incerteza.

Multicolorido: Seria de fato estranho se um manto real tão caro fosse de apenas uma cor. Desenhos antigos coloridos de pessoas no Egito mostram várias cores. Mantos de muitas cores já estavam disponíveis para as pessoas comuns pelo menos desde a época de José, 1.900 anos antes de Jesus.

P: Em Mt 27,29, por que colocaram uma coroa de espinhos na cabeça de Jesus e lhe deram um junco?

R: Fizeram isso como uma coroa falsa para zombar Dele, e a cana serviria como um cetro de zombaria. Os espinhos poderiam ter sido voltados para dentro, a fim de ferir Jesus, ou para fora, para se assemelhar a uma coroa, com alguns espinhos em cada sentido. Algumas pessoas sentem grande prazer em zombar dos outros. Mas Jesus usou uma coroa de espinhos para que pudéssemos usar uma coroa de glória. Exemplos de soldados romanos se divertindo ao zombar de prisioneiros encontram-se na História de Dio Cassius 15.20-21 e em Filo, em In Flaccum 6.36-39.

Além disso, o objetivo talvez não fosse apenas zombar de Jesus, mas, por meio de Jesus, zombar também da nação judaica

P: Em Mt 27,32 e Mc 15,21, por que Simão de Cirene teve que carregar a cruz de Jesus?

R: Jesus estava fraco demais para carregar a trave transversal e, é claro, os romanos não tinham disposição para carregá-la eles mesmos. Os romanos não fingiam ser justos nessa situação. A título de observação, rabinos posteriores proibiram a crucificação por considerá-la horrível demais, e os romanos só a permitiam mediante ordem direta do imperador.

Arqueólogos encontraram um ossuário, ou depósito de ossos, pertencente a judeus de Cirene. Um ossuário é dedicado a “Alexandre, filho de Simão”, mas Alexandre e Simão eram nomes comuns, portanto provavelmente não se tratava do mesmo Simão. Isso consta em N. Avigad, “A Depository of Inscribed Ossuaries in the Kidron Valley”, em IEJ 12 [1962], pp. 1-12.

P: Em Mt 27,32, o Simão de Cirene que carregou a cruz era o mesmo Simão, o leproso, mencionado em Mt 26,6?

R: Isso é possível, mas altamente improvável. Simão era um nome muito comum.

P: Em Mt 27,34.48 e Mc 15,36, por que alguém colocou vinagre misturado com fel/mirra em uma esponja para dar a Jesus?

R: Jesus disse que estava com sede, e os soldados romanos costumavam tomar uma bebida chamada posca, feita de vinagre diluído. Havia uma tradição segundo a qual as mulheres de Jerusalém colocavam fel, um narcótico analgésico, no vinagre diluído. Mas Jesus recusou o fel, pois sabia que precisava suportar plenamente a dor por nós. Dois ladrões foram colocados ao lado de Jesus, cumprindo, sem saber, a profecia de Isaías 53:12, de que Jesus seria contado entre os transgressores.

P: Em Mt 27,40-42, por que eles estavam incentivando Jesus a descer da cruz?

R: Jesus não podia descer por conta própria, já que estava pregado ali. Eles não acreditavam em Jesus e estavam zombando Dele novamente. Afirmavam que acreditariam em Jesus se Ele descesse da cruz.

Em primeiro lugar, eles não eram sinceros, pois não acreditaram nem mesmo quando Jesus ressuscitou Lázaro dentre os mortos, e não acreditaram nem mesmo quando o próprio Jesus ressuscitou dentre os mortos mais tarde. Não é esse um milagre maior do que descer da cruz?

Em segundo lugar, uma pessoa que morresse em uma árvore era amaldiçoada, de acordo com Deuteronômio 21:23, e seria ofensivo acreditar em alguém a quem Deus permitiu que fosse amaldiçoado por morrer na cruz. Os líderes judeus não queriam desqualificar Jesus de ser o Messias, já que consideravam que Ele não era o Messias. Em vez disso, os líderes judeus queriam deixar bem claro para o mundo que Jesus estava desqualificado para ser o Messias.

Satanás estava usando isso como uma tentação. Jesus poderia ter impedido isso a qualquer momento, invocando Suas doze legiões de anjos. Mas, se Ele tivesse feito isso, Sua expiação por nós não teria ocorrido.

Muitos muçulmanos acreditam que Jesus não poderia ter morrido na cruz porque Alá não teria permitido que isso acontecesse a um profeta. Mas eles estão olhando apenas para este mundo e não sabem que Jesus é muito mais do que um profeta.

Como disse William Booth: “Eles alegaram que teriam acreditado se Ele tivesse descido; nós acreditamos porque Ele permaneceu lá em cima.”

P: Em Mt 27,46-47 e Mc 15,36, por que alguém disse que Jesus estava chamando Elias?

R: As pessoas na multidão falavam latim, grego, aramaico/hebraico e, provavelmente, algumas outras línguas. Quando Jesus dizia “Eli, Eli”, alguns pensaram que Ele talvez estivesse dizendo “Elias”. Lembre-se de que tanto o hebraico quanto o latim romano não possuíam o som do “j”. Além disso, à medida que o líquido era retirado de Seu corpo para encher o pericárdio ao redor do coração, Jesus ficava com muita sede, e talvez fosse mais difícil falar com clareza.

Por outro lado, alguns podem ter ouvido corretamente o que Jesus estava dizendo, mas estavam distorcendo deliberadamente as palavras de Jesus para zombar Dele.

P: Em Mt 27,46 e Mc 15,34, o que Jesus quis dizer ao afirmar: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste”?

R: A dor física era apenas uma parte da expiação de Jesus. A maior parte da dor consistiu no próprio Deus Pai abandonando Jesus, quando os pecados do mundo foram colocados sobre Ele. Não se tratava de uma questão teológica serena; tratava-se, antes, de um grito de agonia. Era um grito de dor emocional, não apenas física. De uma forma que talvez não possamos compreender plenamente, o Pai voltou as costas para Jesus, que carregava o peso de todos os nossos pecados sobre os ombros.

P: Em Mt 27,46 e Mc 15,34, isso demonstra que Jesus não é Deus, como ensina o falso líder religioso, o Rev. Moon?

R: Não. Primeiro, eis o que o falso Messias, o Rev. Moon, afirmou; em seguida, a refutação.

Princípio Divino (5ª edição, 1977), p. 210-212: “... Jesus, como homem que cumpriu o propósito da criação, é um só corpo com Deus. ... No entanto, ele não pode, de forma alguma, ser o próprio Deus. ... Jesus, sendo um só corpo com Deus, pode ser chamado de segundo Deus (imagem de Deus), mas não pode, de forma alguma, ser o próprio Deus. ... Jesus foi um homem que aperfeiçoou o propósito da criação, o que não significa que ele fosse o próprio Criador. ... Além disso, quando constatamos que Jesus disse na cruz: ‘Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?’, fica claro que Jesus não é o próprio Deus.”

No entanto, Jesus é Deus, de acordo com Hebreus 1:8, 10 e Tito 2:13; Ele possui a plenitude da divindade, conforme Colossenses 1:19. Outros versículos que mostram que Jesus é Deus são Romanos 9:5, João 5:23 e 1 João 5:20. O discípulo Tomé se dirigiu a Jesus como “meu Deus” em João 20:28. João 1:3, 10, 11, 14 e Colossenses 1:16 mostram que Jesus não era apenas um homem aperfeiçoado, pois todas as coisas nos céus e na terra foram criadas por meio de Jesus e para Jesus.

A confusão pode surgir pelo fato de que o termo “Deus” é usado em mais de um sentido na Bíblia. Certamente, pelo menos na Terra, o Pai desempenhou o papel de Deus de Jesus, já que Jesus, enquanto esteve na Terra, aprendeu a obediência (Hebreus 5:8).

P: Em Mt 27:51 e Mc 15:38, qual foi o significado do véu do Templo se rasgar em dois?

R: O véu separava o Santo dos Santos de Deus do restante do Templo. O rasgo significava a obsolescência do ritual do templo e da lei que o regia. O rasgo mostrou que, por causa do sacrifício expiatório de Jesus, a barreira foi quebrada e pudemos ter um relacionamento íntimo com Deus. Se o véu do Templo tivesse sido corroído por insetos e se tornasse gradualmente mais frágil até não conseguir mais suportar seu próprio peso, ele teria se rasgado de lado a lado. Mas, em vez disso, o véu se rasgou de cima para baixo, o que não teria nenhuma explicação natural.

O véu do Templo simbolizava o corpo de Jesus, e o fato de ele ter se rasgado representa a nossa capacidade de entrar nós mesmos no Santo dos Santos, de acordo com Hebreus 10:19-20

Além disso, como as autoridades judaicas e os líderes religiosos rejeitaram Jesus, aquele templo não seria mais visitado por Deus.

P: Em Mt 27,51, há alguma evidência extra-bíblica de que o véu do Templo se rasgou?

R: Há algo semelhante em b Yoma 39b (p. 580). Lá se diz que as portas do templo se abriram por si mesmas, 40 anos antes de o templo ter sido destruído em 70 d.C.

P: Em Mt 27,51, é verdade que não há evidência desse terremoto fora do Evangelho de Mateus?

R: Não, isso é falso. Ou os céticos estão certos e Mateus inventou uma história com um propósito inspirador, na qual a igreja primitiva foi levada a acreditar que fosse factual, ou então realmente houve um terremoto, os túmulos se abriram, alguns mortos ressuscitaram e, presumivelmente, subiram ao Céu após a ressurreição de Jesus. Além disso, o Monte do Templo fica sobre uma falha geológica, portanto, seria de se esperar que ocorressem alguns terremotos.

A afirmação de que ninguém jamais mencionou isso fora do Evangelho de Mateus está incorreta. Temos estudos geológicos modernos, duas fontes extra-bíblicas não cristãs e cinco fontes extra-bíblicas cristãs que mencionam esses eventos.

Geologia moderna: Foram estudadas amostras de sedimentos com 20 pés de profundidade, coletadas em três locais ao redor do Mar Morto. Camadas de terremotos foram identificadas e correlacionadas com terremotos históricos. Há registro de um terremoto desconhecido do século I. Pesquisadores contaram as camadas anuais a partir do terremoto documentado de 31 a.C. e chegaram a uma data para o terremoto do século I de 31 d.C., com uma margem de erro de +/- 5%. O terremoto está listado como “33 d.C.” em vários artigos de pesquisa técnica. Para mais informações, consulte: “Registro geológico de alta resolução de terremotos históricos na bacia do Mar Morto” (Instituto de Ciências da Terra, Universidade Hebraica de Jerusalém; Departamento de Geofísica, Universidade de Tel Aviv): Journal of Geophysical Research, vol. 106, n.º B2, pp. 2221-2234, 2001. “Tabela 3… 33 d.C. Os relatos eram da região da Judéia. O Templo de Jerusalém foi danificado.”

“Um terremoto no início do século I no Mar Morto”, International Geology Review, DOI:10.1080/00206814.2011.639996.

Visível não apenas em amostras de testemunho, mas também nas ravinas próximas ao Mar Morto. Para ver uma imagem da camada deixada pelo terremoto de 33 d.C., consulte http://logosresearchassociates.org/Documents/Austin_33%20AD%20Seismite%20Ze'elim.pdf, figura 13. (14 de junho de 2013)

Flegão foi um escritor grego da Cária (na Ásia Menor), que escreveu logo após o ano 137 d.C. que, no quarto ano da 202ª Olimpíada [ano 33 d.C.], ocorreu “o maior eclipse solar” e que “fez-se noite na sexta hora do dia [meio-dia], de modo que nenhuma estrela sequer apareceu nos céus”. Houve um grande terremoto na Bitínia, e muitas coisas foram derrubadas em Nicéia.” (The Case for Christ, p. 111.) Orígenes, Contra Celso, livro 2, cap. 14, p. 437; livro 2, cap. 33, p. 445; livro 2, cap. 59, p. 455.

Tales (ou Thallus) foi um historiador palestino citado por Júlio Africano (que escreveu entre 232 e 245 d.C.). Júlio afirma: “Essa escuridão, Thallus, no terceiro livro de sua História, denomina, como me parece sem razão, um eclipse solar.” (Os Padres Ante-Nicenos, volume 6, p. 136.) O contexto é Júlio discutindo como o período entre o decreto de Artaxerxes e a crucificação de Cristo cumpriu Daniel 9. (Não temos, porém, nenhuma evidência de que Tales tenha mencionado um terremoto.)

Irineu (182-188 d.C.), em “Fragmentos dos Escritos Perdidos”, cap. 28, p. 573 (em *Os Padres Ante-Nicenos*), menciona que “quando Jesus desceu, muitas almas ascenderam e foram vistas em seus corpos”. Ele também escreve, em *Contra as Heresias*, livro 4, cap. 34, p. 512: “E os acontecimentos relacionados à paixão do Senhor, que foram preditos, não se concretizaram em nenhum outro caso. Pois nem na morte de qualquer homem entre os antigos aconteceu que o sol se pusesse ao meio-dia, nem o véu do templo se rasgou, nem a terra tremeu, nem as rochas se fenderam, nem os mortos ressuscitaram, nem qualquer um desses homens [da antiguidade] ressuscitou ao terceiro dia, nem foi recebido no céu… Portanto, os profetas não falaram de mais ninguém senão do Senhor, em quem todos esses sinais acima mencionados se concretizaram.”

Inácio (antes de 116 d.C.), discípulo do apóstolo João, em sua Carta aos Magnésios, capítulo 9, menciona aqueles que Jesus ressuscitou.

Clemente de Alexandria, em *Os Estromata* (193-202 d.C.), livro 6, cap. 6, p. 491, afirma: “‘Mas aqueles que haviam adormecido desceram mortos, mas ascenderam vivos.’ O Evangelho diz: ‘que muitos corpos daqueles que adormeceram ressuscitaram’ — claramente como tendo sido transportados para um estado melhor. Ocorreu, então, um movimento e uma translação universais por meio da economia do Salvador.”

Esses primeiros escritores foram “enganados e iludidos” a acreditar que isso ocorreu, segundo o raciocínio de alguns céticos. Da mesma forma, no que diz respeito a outros milagres, incluindo a ressurreição, ou os primeiros cristãos foram enganados e iludidos a acreditar que isso realmente aconteceu, ou não foram. Não dispomos de testemunhas oculares adicionais; portanto, ou confiamos no que os autores dos evangelhos afirmaram, ou não. Isso vale também para Paulo, que afirmou em 1 Coríntios 15:13-19 que, se a ressurreição não tivesse ocorrido, então sua pregação seria inútil, ele seria uma falsa testemunha, nossa fé seria vã e os cristãos deveriam ser mais dignos de piedade do que todos os homens. Assim como o apóstolo Paulo, não vejo meio-termo algum.

Orígenes (225-254 d.C.) menciona a escuridão que se abateu sobre a terra e os túmulos que se abriram em *Contra Celso*, livro 2, capítulo 33, p. 445.

Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.) menciona o terremoto descrito em Mateus. Carta ao Bispo Basilides, cânon 1, p. 94.

Resumindo, temos motivos para aceitar o relato de que certas pessoas foram ressuscitadas porque:

1. Nossa confiança nos autores dos Evangelhos e em seus relatos sobre outros assuntos.

2. Os escritores da Igreja primitiva mencionaram isso

3. Isso seria impossível de ser verificado por alguém que não conhecesse a pessoa falecida; portanto, escritores judeus e romanos não teriam conhecimento disso.

4. Os escritores judeus não teriam motivo para mencionar isso,

5. O evento da ressurreição de pessoas seria ofuscado pela ressurreição de Jesus.

Concordo parcialmente com o que o senhor disse sobre os terremotos. Mas, em vez de afirmar que os autores dos Evangelhos utilizam esses eventos cataclísmicos para simbolizar a enorme importância e as consequências da intervenção de Deus, acredito que foi Deus quem utilizou esses eventos cataclísmicos. Além dos Evangelhos, não se esqueça dos terremotos no Apocalipse, nem da morte de Uzias em Isaías 6. Além disso, na história da Igreja, quando João Crisóstomo foi exilado de Constantinopla em 403 d.C., ocorreu um terremoto naquela ocasião. Não seria de se esperar que os primeiros escritores registrassem terremotos de menor magnitude. Quanto aos terremotos de menor magnitude ocorridos nesta região, disponho de detalhes apenas para a Grécia e a Turquia. A Enciclopédia Britânica relata, para a Grécia e a Turquia, que:

Entre 1902 e 1946, ocorreram 58 terremotos

Entre 1947 e 1966, ocorreram 82 terremotos

Entre 1967 e 1976, ocorreram 45 terremotos

Entre 1977 e 1981, ocorreram 9 terremotos

Outra observação é que as escavações arqueológicas em Qumran revelam que ocorreu um terremoto devastador em 31 a.C. (antes de Cristo); no entanto, nenhum escritor antigo, exceto Josefo, registrou esse evento.

Conclusão: Parece haver duas opções (e nenhum meio-termo)

1. Não houve terremoto: os autores dos Evangelhos podem estar certos em seus excelentes ensinamentos morais, mas relataram terremotos que não ocorreram. Não podemos confiar no que dizem, pelo menos no que se refere a eventos do mundo real.

2. Terremoto: Os autores dos Evangelhos são confiáveis no que dizem e relataram terremotos que realmente ocorreram.

P: Em Mt 27,52-53, como os mortos puderam sair de seus túmulos?

R: Deus Todo-Poderoso tem o poder de fazer tudo o que Lhe aprouver, inclusive ressuscitar os mortos. Alguns céticos afirmam que isso violaria as leis da natureza; ora, foi Deus quem criou as leis da natureza.

Os anjos no Céu devem encarar as palavras dos céticos de maneira um tanto semelhante à forma como nós encaramos as palavras de muitos céticos na época dos irmãos Wright, que afirmavam que “o homem nunca poderá voar”. A sustentação aerodinâmica pode superar a lei da gravidade; quanto mais, então, o Criador é capaz de superar as leis de Sua criação!

P: Em Mt 27,52-53, quando as pessoas saíram de seus túmulos na ressurreição de Jesus, isso demonstra a probabilidade de Maria ter sido elevada corporalmente ao Céu, como ensina um escritor católico?

R: Não. Ludwig Ott apresentou isso, não como uma prova, mas como um argumento de apoio em *Fundamentos do Dogma Católico* (1960), p. 209. Isso nem mesmo corrobora a ideia de que Maria tenha sido elevada corporalmente ao céu por duas razões:

a) Não está claro se as pessoas que saíram de seus túmulos foram ressuscitadas em corpos mortais (como aconteceu com Lázaro) ou se ressuscitaram.

b) Maria ainda estava viva (João 19,27; Atos 1,14) quando Jesus morreu e ressuscitou dos mortos; portanto, ela não estaria incluída nesse grupo.

P: Em Mt 27,54, o centurião romano disse “um Filho de Deus” ou “o Filho de Deus”?

R: Soldados estariam presentes para o caso de alguém tentar entrar e resgatar os condenados. O grego possui o artigo definido (o, em português), e este não foi utilizado aqui. No entanto, a ordem das palavras indica que se trata do artigo definido, ou seja, “o Filho de Deus”, de acordo com o Comentário Bíblico do Crente, p. 1310. Por outro lado, o Comentário Evangélico sobre a Bíblia, p. 758, indica que poderia ser de ambas as formas.

P: Em Mt 27,57-59, José de Arimatéia foi corajoso ao pedir o corpo de Jesus?

R: Tecnicamente, o corpo de um criminoso executado seria propriedade de Roma. Frequentemente, os romanos deixavam os corpos na cruz para apodrecerem e servirem de alimento para os pássaros. No entanto, segundo a lei judaica, não era permitido que o corpo permanecesse na cruz durante a noite na Páscoa judaica. Portanto, se um oficial romano estivesse de acordo, seria razoável solicitar permissão romana para levar o corpo a fim de sepultá-lo. Às vezes, o oficial romano concedia essa permissão em troca de dinheiro, embora não haja indícios de que Pilatos tenha feito isso neste caso. Normalmente, não era considerado incomum que alguém, talvez um parente, pedisse o corpo para sepultá-lo. No entanto, quando José, que não era parente, pediu especificamente o corpo — após não ter consentido com a sentença de morte de Jesus —, ele se destacou como alguém que não era mais apenas um seguidor secreto de Jesus. Conforme afirma o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1310: “Em um sentido real, José enterrou a si mesmo economicamente, socialmente e religiosamente ao enterrar o corpo de Jesus. Esse ato o separou para sempre do establishment que matou o Senhor Jesus”. Normalmente, o corpo de um criminoso condenado seria jogado no Vale de Hinom, uma espécie de lixão da cidade, onde seria consumido pelo fogo ou por animais selvagens. Mas José desejava um enterro digno. José provavelmente não sabia que estava cumprindo Isaías 53:9, segundo o qual Jesus estaria com os ricos em Sua morte.

P: Em Mt 27,65, como sabemos que “colocar uma guarda” significa de 4 a 16 soldados romanos, em vez de soldados do Templo?

R: O grego poderia ser interpretado de ambas as formas.

Indicativo: vocês já têm uma guarda

Imperativo: tomem esta guarda romana que eu lhes concedo Aqui estão as três interpretações possíveis, bem como os prós e contras de cada uma.

Vocês já têm sua própria guarda do templo: a favor dessa interpretação está o fato de que foram os guardas do templo que prenderam Jesus. Como o corpo do criminoso crucificado era agora propriedade romana, eles tiveram que pedir permissão a Pilatos para guardar o corpo. Contra essa visão está o fato de que o selo dos sacerdotes judeus teria pouco significado, enquanto o selo do Império Romano, feito de cordão e cera, seria difícil de violar. Isso significaria a morte para quem quer que o quebrasse.

Vocês já têm um guarda romano designado a vocês: talvez um guarda romano já tivesse sido designado aos sacerdotes.

Tomem um guarda romano: contra essa interpretação, não há nenhum exemplo claro do uso de echein no sentido de “tomar” nem no grego clássico nem no helenístico.

Por outro lado, esses poderiam ser guardas judeus, como demonstrado pelo fato de terem se reportado posteriormente aos sumos sacerdotes, e não a Pilatos. Mas mesmo guardas romanos relutariam em voltar a Pilatos sem aliados judeus, pois isso poderia significar sua própria sentença de morte.

P: Em Mt 28,9, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena ou primeiro a Pedro (Cefas), como Paulo sugere em 1 Cor 15,5?

R: Maria Madalena foi a primeira pessoa a ver Jesus, mas Pedro foi o primeiro apóstolo a vê-lo. Na verdade, Paulo não afirmou que Pedro foi a primeira pessoa a quem Jesus apareceu. Entre as pessoas que Paulo listou, Pedro foi o primeiro da lista a ver Jesus ressuscitado, seguido pelos outros discípulos e, em seguida, por mais de 500 pessoas. Por um lado, talvez Paulo tenha deliberadamente deixado de mencionar as mulheres porque, nos tribunais da época, o testemunho de uma mulher não era levado em conta, conforme afirma o livro *When Critics Ask*, pp. 365-367. Por outro lado, talvez Paulo simplesmente tenha se esquecido de que as mulheres estiveram presentes antes de Pedro. De qualquer forma, não há contradição, pois Paulo nunca afirmou que ninguém tivesse visto Jesus antes de Pedro.

P: Em Mt 28,11-15, os sumos sacerdotes precisaram subornar os guardas e de onde veio o dinheiro?

R: Os sumos sacerdotes provavelmente não precisaram subornar os guardas, pois estes temiam que o fato viesse a público. Mas os sumos sacerdotes provavelmente estavam em pânico e concluíram que subornar os guardas e oferecer-se para “apaziguar” Pilatos, conforme Mateus 28:14, seria a linha de ação mais segura. Aparentemente, eles se consideravam muito experientes em subornar pessoas. O dinheiro para os subornos provinha das ofertas que os judeus pagavam ao Templo por meio do Imposto do Templo.

P: Em Mt 28,12-15, quais são outros exemplos de pessoas que receberam muito dinheiro para espalhar uma mentira, e por que as pessoas fazem isso?

R: As pessoas espalham uma mentira por dinheiro por diversos motivos. Nesse caso, os soldados fizeram isso por temerem por suas vidas. Outras pessoas fazem isso porque valorizam o dinheiro mais do que sua integridade. Um terceiro motivo é o desejo de substituir um evento sobrenatural por uma explicação naturalista. Mas “preparem-se”, pois aqui estão exemplos de algumas mentiras muito influentes contadas ao longo da história.

As Falsas Decretais consistem em cerca de 100 cartas que “provavam” que Pedro afirmou ter recebido autoridade para liderar a Igreja de Cristo e que poderia transmitir essa autoridade ao próximo papa, etc. Elas também provavam que os bispos não estavam subordinados ao governo local nem a outros líderes da Igreja, mas apenas ao papa. Alegavam ter sido escritas por autores entre 78 e 731 d.C., mas, na verdade, foram redigidas por volta de 847-859 d.C., a maioria por Isidoro Mercator, na França. Embora nunca tenham sido aceitas na Igreja Ortodoxa Oriental, na Igreja Católica Romana elas foram utilizadas para estabelecer o direito eclesiástico nos Sínodos de Worms (868), Colônia (887), Metz (893) e Tribur (895). Quase todos concordavam que se tratava de fraudes já entre 900 e 1100 d.C. Por exemplo, por que os papas citariam pessoas nascidas após a morte deles? Mas, quando se confirmou que eram fraudes, elas já haviam cumprido seu papel de consolidar o poder e a riqueza da Igreja Católica Romana.

Os Protocolos dos Anciãos de Sião: trata-se de um texto falso, supostamente escrito por anciãos judeus, sobre como levar à falência empresários não judeus e, por fim, tomar o poder. Na verdade, foi escrito por um russo não judeu e antissemita, provavelmente Sergei Nilus, entre 1901 e 1903. Mesmo depois que um jornal britânico o expôs como falso, ele foi usado para tentar provar uma conspiração judaica mundial, e pogroms russos para matar judeus e confiscar suas propriedades foram iniciados após sua publicação. Era leitura obrigatória para crianças em idade escolar na Alemanha após a chegada dos nazistas ao poder em 1933.

Tabagismo: No início da década de 1950, estudos médicos demonstraram uma relação causal entre o tabagismo e o câncer de pulmão. No entanto, as empresas de tabaco contestaram vigorosamente essas alegações. Ainda em 2005, no caso McTear contra a Imperial Tobacco, na Escócia, argumentou-se que não era possível provar que o tabagismo de uma pessoa causasse câncer de pulmão. A título de observação, os Estados Unidos arrecadam cerca de US$ 32 bilhões por ano com impostos sobre o tabaco.

Vacinas MMR: Em 1998, Andrew Wakefield publicou um artigo na revista médica britânica *Lancet* associando a vacinação ao autismo. As taxas de vacinação contra o MMR caíram drasticamente na Grã-Bretanha a partir de então. Outros estudos tentaram reproduzir as descobertas de Wakefield, mas não conseguiram encontrar uma correlação. Wakefield omitiu que havia recebido financiamento de advogados que moviam ações judiciais contra fabricantes de vacinas, os quais poderiam utilizar seu estudo para fundamentar seus argumentos. Wakefield alega que não havia motivação financeira, mas ele também iria ganhar US$ 43 milhões com a venda de kits de teste. Depois que isso veio à tona, o artigo de Wakefield foi formalmente retirado pela *Lancet* e ele foi impedido de exercer a medicina novamente na Grã-Bretanha. Assim, ele veio para os Estados Unidos para exercer a medicina e, em 2016, realizou o filme: *Vaxxed: From Cover-Up to Catastrophe*.

Contra os católicos em Odisha: Um líder hindu popular, Lakshmanananda Saraswati, foi assassinado por maoístas, fato que estes admitiram posteriormente. Cinco católicos, um funcionário da World Vision e dois maoístas acabaram sendo presos. Ocorreram tumultos contra os católicos, e cinco hindus foram presos por atearem fogo em uma casa católica. No entanto, todos foram absolvidos pelo tribunal. Consulte https://en.wikipedia.org/wiki/Murder_of_Lakshmanananda_Saraswati para obter mais informações.

Contra os cristãos na Índia: A propósito, por volta de 10 de fevereiro de 2022, em Frisco, no Texas, o senhor sabia que a Global Hindu Heritage Foundation (GHHF) organizou uma campanha de arrecadação de fundos que, entre outras coisas, destinaria recursos à demolição de igrejas na Índia que, segundo a organização, teriam sido “construídas ilegalmente”?

A divulgação de mentiras em troca de dinheiro não cessou.

Consulte o seguinte para obter mais informações. (18 de março de 2023)

https://en.wikipedia.org/wiki/The_Protocols_of_the_Elders_of_Zion, https://en.wikipedia.org/wiki/Vaccine_hesitancy

https://en.wikipedia.org/wiki/Andrew_Wakefield

https://en.wikipedia.org/wiki/Tobacco_politics

https://www.thequint.com/us-nri-news/hindutva-fundraiser-frisco-texas-global-hindu-heritage-foundation-demolition-of-illegal-churches-tirupati-ghar-wapsi.

P: Em Mt 28,19, como fazemos para tornar todas as nações “discípulos”, em vez de meros ouvintes ou convertidos?

R: Primeiro, ore e pregue o evangelho, mas isso é apenas o primeiro passo. Quando alguém deposita sua fé em Cristo, seu trabalho não termina; pelo contrário, o discipulado está apenas começando. É preciso dedicar tempo, talvez semanalmente, a essa pessoa — seja individualmente ou em grupo —, ensinando-lhe os fundamentos da fé e como ela deve viver para Cristo em seu ambiente. Apenas pregar, ou apenas pregar e ver as pessoas serem salvas, é mais fácil do que o que Jesus está nos pedindo para fazer aqui. Em profissões como encanador, eletricista etc., há normalmente três níveis: aprendiz, oficial e mestre. Um mestre — ou, mais provavelmente, um oficial — treinaria um aprendiz, e um mestre poderia treinar um oficial. Na igreja, precisamos de um treinamento básico para os cristãos mais novos e de um treinamento mais maduro para os cristãos “oficiais”. Mas, em ambos os casos, quando foi a última vez que o(a) senhor(a) discipulou alguém?

P: Em Mt 28,19, uma vez que existe apenas um Deus, como Jesus pode ser Deus e como a Trindade pode ser verdadeira?

R: Pode haver uma “pluralidade” no Único Deus sem que haja deuses separados. Mesmo no Alcorão, quando Alá fala, as palavras “nós” (Nahnu) e “eu” são utilizadas.

Deus não está sujeito às limitações do homem e pode se revelar a nós da maneira que Lhe aprouver.

Há uma trindade nas Escrituras: Mateus 28:19; 1 Pedro 1:2; Efésios 2:18; Apocalipse 4:8; 2 Coríntios 13:14; João 15:26.

Existe apenas um Deus inseparável. Deuteronômio 4:35-39; 6:4; Isaías 43:10-12; 44:6,8; 45:5-6,14,21; 46:9; 1 Timóteo 1:17; 6:15-16.

Três pessoas distintas: Mateus 3:16-17; Lucas 3:21-22; João 1:1; 6:38; 14:31; 15:26; 16:28; 17:5; Atos 5:31-32; Marcos 10:38-40

Jesus é Deus. João 1:3; Colossenses 1:16-17; Hebreus 1:6-9; João 9:38; 2 Coríntios 11:3; João 20:28-29; Apocalipse 5:8-9; 22:20

O Espírito é Deus. Romanos 8:9-16; Lucas 1:35; 1 João 4:12-16; 1 Coríntios 3:16 vs. 1 Coríntios 6:19; Atos 5:4

Eles são iguais em natureza, glória e honra. João 5:18; 5:23; Colossenses 2:9-10; (Isaías 44:6; Apocalipse 1:8 vs. Apocalipse 1:17-18; 22:13)

Eles diferem em função e posição. 1 Coríntios 11:3; 1 Coríntios 15:25-28; Mateus 12:18; Efésios 1:3, 17; João 1:33; 14:16, 26, 28; Romanos 8:26-27.

A propósito, o fato de Jesus fazer parte da Trindade não significa que Ele seja um terço de Deus, da mesma forma que a altura de uma mesa não é um terço da mesa. Não é possível explicar Deus por meio da matemática, mas, se tentasse, a Trindade não seria 1 + 1 + 1 = 1, e sim 1 vezes 1 vezes 1 = 1.

P: Em Mt 28,19; Mt 24,36 e Mt 3,16-17, o que é o modalismo e por que ele está errado?

R: A Trindade ensina que há um único Deus inseparável em três pessoas distintas. O modalismo ensina que há um único Deus que é ao mesmo tempo inseparável e uma única pessoa. Na verdade, existem dois tipos de modalismo. O patripassianismo afirma que o Pai é o Filho, que é o Espírito. O modalismo dinâmico afirma que o Pai se tornou o Filho, que se tornou o Espírito. Ambos os tipos de modalismo estão errados pelas seguintes razões.

1. Jesus disse: “O Pai é maior do que eu”, em João 14:28. Embora Jesus tivesse se esvaziado de Sua glória na terra quando disse isso, permanece o fato de que, se o Pai era maior do que Ele, então há uma distinção entre o Pai e o Filho.

2. Se o modalismo fosse verdadeiro, Jesus teria sido um ventríloquo, um mágico e, em última instância, um mentiroso no seu batismo (Mateus 3:16-17; Marcos 1:10-12; Lucas 3:21-22). Enquanto esteve na Terra, Jesus estava sujeito ao Pai (Hebreus 5:7-8). Isso não teria sentido se não houvesse mais ninguém a quem Jesus estivesse sujeito.

3. Da mesma forma, Jesus fez o que o Pai ordenou (João 14:31). Jesus aprendeu a obediência ao Pai, conforme Hebreus 5:8.

4. Mateus 24:36 afirma que ninguém sabe o dia nem a hora em que Cristo retornaria, nem mesmo o Filho, mas apenas o Pai. Assim, pelo menos enquanto Jesus esteve na Terra, havia uma diferença entre o que o Pai sabia e o que Jesus sabia. Embora alguns manuscritos gregos não contenham a expressão “nem o Filho”, os melhores manuscritos gregos, bem como a maioria deles, incluem essa expressão.

5. Jesus foi enviado por outra pessoa, se João 5:36-37; 6:29,38 tiverem algum significado. O céu não estava vazio quando Jesus veio.

6. Visto que o Pai concedeu algo ao Filho e deu autoridade ao Filho em João 5:22, 26, 27, isso demonstra que o Pai e o Filho são distintos.

7. Por que Jesus oraria ao Pai, ou pediria algo ao Pai, em João 17:5, João 14:16, 26, 28 e em outros trechos, se Jesus estivesse apenas falando consigo mesmo? Além disso, uma vez que as orações de Jesus foram retratadas como uma conversa com outra pessoa, a Bíblia seria enganosa se não houvesse mais ninguém com quem Jesus estivesse falando.

8. Quem é Aquele por quem o Espírito intercede por nós em Romanos 8:26-27?

9. Se Jesus fosse um servo, de quem Jesus era servo em Mateus 12:18?

10. Quem foi que abandonou Jesus no Calvário, conforme Marcos 15:34 e Mateus 27:46?

11. Outros versículos que mostram essa distinção são João 1:33; 1 Coríntios 11:3; 15:25-28; Efésios 1:3, 17; Hebreus 1:9

Aqui estão algumas citações de Witness Lee, fundador da igreja local. A igreja local possui grupos de estudantes chamados “Cristãos no Campus”. Normalmente, suas igrejas são denominadas “A Igreja em [nome da cidade]”.

“Assim, as três Pessoas da Trindade tornam-se os três passos sucessivos no processo da economia de Deus.” W. Lee. A Economia de Deus, Living Stream, 1968, p. 10.

“Da mesma forma, o Pai, o Filho e o Espírito não são três Deuses, mas três estágios de um único Deus para que possamos possuí-Lo e desfrutá-Lo.” W. Lee. A Respeito ao Deus Trino, Living Stream, sem data, p. 31

“Nos céus, onde o homem não pode ver, Deus é o Pai; quando Ele se manifesta entre os homens, Ele é o Filho; e quando Ele entra nos homens, Ele é o Espírito. O Pai se manifestou entre os homens no Filho, e o Filho tornou-se o Espírito para entrar nos homens. O Pai está no Filho, e o Filho tornou-se o Espírito — os três são apenas um único Deus.” W. Lee. Sobre o Deus Trino: Corrente Viva, sem data, p. 8-9

Após a morte e a ressurreição, Ele [o Filho] tornou-se o Espírito soprado nos discípulos. W. Lee. Sobre o Deus Trino, Living Stream, sem data, p. 8

“...o Filho tornou-se o Espírito para que o bebêssemos como a água da vida...” W. Lee. Sobre o Deus Trino, Living Stream, sem data, p. 8

“...Sabemos que o Senhor é o Filho e que Ele também é chamado de Pai... Agora lemos que Ele é o Espírito. Portanto, devemos ter clareza de que Cristo, o Senhor, também é o Espírito.” W. Lee. O Espírito Onicompreensivo de Cristo, Living Stream, 1969, p. 4, 6, 8

Observe que isso é refutado pelos versículos apresentados no início desta resposta.

P: Em Mt 28,19, o que exatamente significa “em nome de”?

R: O Novo Testamento foi escrito em grego, com a exceção de que Papias afirmou que Mateus foi escrito na língua dos hebreus. Portanto, precisamos perguntar o que esse termo significava nessas línguas.

Na literatura grega, “em nome de” refere-se a uma instituição financeira ou contábil, como em “este dinheiro está depositado em nome do titular da conta”.

Na literatura hebraica, a expressão possui um leque de significados muito mais amplo do que no grego, embora também inclua o significado grego. Em hebraico, ela estabelece uma relação com algo ou alguém. Por exemplo, quando um judeu comprava um escravo, este era, por vezes, batizado “em nome da escravidão”. Se um judeu libertasse um escravo, este era batizado “em nome da liberdade”. Para os judeus, qual seria a diferença entre simplesmente abater um animal e sacrificar um animal a Deus? Eles matavam o animal “em nome do holocausto” (ou da oferta pelo pecado, ou de outro tipo de oferta), “em nome das chamas do altar”, “em nome do aroma agradável”, “em nome de Deus” ou “em nome do bom agrado de Deus”.

Portanto, quando um crente era batizado, estas formulações eram equivalentes:

“em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mateus 28:19)

“em nome de Jesus Cristo” (Atos 2:38; 10:48),

“em nome do Senhor Jesus” (Atos 19:5)

“em Cristo” (Gálatas 3:27)

“em Cristo Jesus” (Romanos 6:3-4)

P: Em Mt 28,19, uma vez que o modalismo está errado, mas o Pai e o Filho são muito próximos, quão próximos eles são, exatamente?

R: Embora as Escrituras não forneçam muitos detalhes, eis seis coisas que podemos afirmar.

1. Assim como Jesus está no Pai, nós estamos em Jesus, e Jesus está em nós

Há uma conexão entre essas relações: Pai-Jesus, Jesus-nós, nós-Jesus. João 14:20; 17:23; 6:57

No entanto, a Trindade envolve mais do que apenas essa relação análoga. Mateus 28:19; João 1:1,18; Filipenses 2:6-7; Colossenses 1:15

O Pai, Jesus e todos nós compartilhamos algumas coisas, como a vida eterna. João 16:13-15

O Pai e Jesus “possuem” tudo em comum. João 16:15; 17:10. O Espírito Santo nos revela isso. João 16:14-15

No entanto, o Pai não possui certas coisas que compartilhamos com Jesus após Seu nascimento humano. Hebreus 1:6-10; 2:14; 7:3

2. Assim como o Pai e Jesus são um, devemos ser um

Devemos ser um uns com os outros de maneiras semelhantes às do Pai e de Jesus. João 17:11, 21-22

No entanto, Eles são um em alguns aspectos em que nós não podemos ser um. João 5:23

3. O Pai habita em Jesus

Na Terra, o Pai habitava em Jesus. João 10:38; 14:10-11. Jesus estava cheio do Espírito. Lucas 4:1, 18

Se o senhor realmente conhece Jesus, então conhece o Pai e já viu o Pai. João 14:7-9

No entanto, o Pai não se tornou, não evoluiu nem se transformou em Jesus. Hebreus 13:8; 1:9; João 14:10, 24, 26; 15:1; 16:27-28, 32; 17:5

4. Jesus vive no Pai

Na Terra, Jesus estava no Pai. João 10:38; 14:11

No entanto, eles são distintos; Jesus não era um ventríloquo. Mateus 3:16; João 8:18. Jesus foi abandonado no Calvário. Marcos 15:34; Mateus 27:46

Ninguém chega ao Pai senão por meio de Jesus. João 14:6; 6:45; Atos 4:12

No entanto, por mais próximos que fossem na Terra, Jesus ainda assim iria para o Pai. João 14:12; Marcos 16:19; João 20:17

Jesus é chamado de Pai Eterno, o que pode se referir ao fato de ser a fonte da vida eterna. Isaías 9:6

No entanto, Jesus não se tornou, não evoluiu nem se transformou no Pai. Hebreus 13:8; João 20:17; 14:10, 24, 26; 15:1

5. Deus/Pai/Cristo/o Espírito está em nós

As pessoas veem Deus por meio de nós e em nós.

No entanto, Deus não vive exclusivamente em nós, assim como as estrelas não existem exclusivamente nos telescópios. 1 Timóteo 6:16; Jeremias 23:24; Apocalipse 19:11

O Pai/Jesus/o Espírito também, de fato, habita/tem sua morada em cada crente. João 14:17,23; 17:26; Romanos 8:9-11; Gálatas 4:6; 1 Coríntios 6:19; 1 João 4:15-16; 2 Timóteo 1:14

No entanto, Deus/o Pai/Cristo/o Espírito não se tornou nós, nem se transformou em homem pecador. Tiago 1:13; Hebreus 4:15; 1 Pedro 2:22; 1 João 3:5

Deus opera e age em nós e por meio de nós. Filipenses 2:13; exemplos: 1 Coríntios 15:10; Romanos 15:18-19

O povo de Deus, a igreja, constitui, em conjunto, o corpo de Cristo. 1 Coríntios 6:15; 10:17; 12:27; Efésios 4:12; Colossenses 1:24.

No entanto, não somos o corpo físico de Cristo. Colossenses 1:22. Deus não se limita a agir por meio de nós. Gênesis 1; Atos 9:1-6; Apocalipse.

Ajudar-nos ou não ajudar-nos é o mesmo que fazer a Jesus Cristo. Mateus 25:35-45; João 13:20; Atos 9:4-5; 22:7-8; 26:14-15.

No entanto, as pessoas podem louvar ou injuriar a Deus diretamente, sem agir contra os crentes. Romanos 1:18-32; Apocalipse 9:20-21

6. Vivemos em Deus/Pai/Cristo/o Espírito

Estamos em Jesus e no Pai. João 17:21; Colossenses 2:6,12; 3:3-4; 1 João 4:12,15-16; 5:20.

Devemos permanecer em Jesus Cristo e no Seu amor. João 15:1-9; 1 João 2:27

No entanto, ainda não estamos plenamente com Deus neste momento; ainda precisamos partir para estar com Deus. 2 Coríntios 5:8; 1 Coríntios 13:12; Filipenses 1:23

Porque Jesus vive, nós viveremos. João 14:19; Colossenses 3:4; 1 Coríntios 15:12-22

No entanto, não nos tornamos, não progredimos, não evoluímos nem nos transformamos em Deus ou em Cristo; ao contrário, tornamo-nos piedosos e semelhantes a Cristo. Isaías 42:8; 43:10; Romanos 8:29; 1 João 3:2; Filipenses 3:21

Somos novas criaturas em Cristo. 2 Coríntios 5:17. Temos a mente de Cristo. 1 Coríntios 2:16.

No entanto, não nos tornamos zumbis; ainda devemos ter nossas próprias mentes e personalidades (renovadas). 1 Coríntios 6:2-6; 11:13; 13:11+14:20; Romanos 14:5-6

P: Em Mt 28,19, esse versículo teria sido adulterado na época do Concílio de Nicéia, uma vez que Eusébio o cita 18 vezes antes de Nicéia sem mencionar a Trindade, e só o cita com a fórmula trinitária após Nicéia? Victor Paul Wierwille, fundador do movimento “The Way”, afirmou isso em seu livro *Jesus Cristo não é Deus* (1981), pp. 19-20.

R: Esse argumento baseado no silêncio é falacioso por duas razões. Embora Eusébio de Cesareia fosse principalmente um historiador, e não tanto um teólogo, até mesmo Wierwille admite que Eusébio cita esse versículo após Nicéia.

Em segundo lugar, e mais importante, muitos escritores cristãos, séculos antes de Eusébio, citaram esse versículo na íntegra.

A Didaché (c. 60–120 d.C.), cap. 7, p. 379, cita-o da seguinte forma: “Tendo dito primeiro todas essas coisas, batize em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, em água viva [ou seja, água corrente]. Mas, se não tiver água viva, batize em outra água; e, se não puder em água fria, em água morna. Mas, se não tiver nenhuma das duas, derrame água três vezes sobre a cabeça em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

Irineu (182-188 d.C.) citou-o da seguinte forma: “Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” (Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 17.1, p. 444)

Tertuliano (198-220 d.C.) parafraseia ligeiramente este versículo da seguinte forma: “Ele [Jesus] ordenou aos outros onze, ao partir para o Pai, que ‘fossem e ensinassem todas as nações, as quais deveriam ser batizadas no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’”. Em Prescrição contra os hereges, cap. 20, p. 252.

Tertuliano expressa isso de maneira ligeiramente diferente em *Sobre o Batismo*, cap. 13, p. 676: “Deus, diz Ele [Jesus], ‘ensinai as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’”.

Hipólito (222-235/6 d.C.) cita assim: “Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” Contra a Heresia de Noeto, cap. 14, p. 228

Tratado contra Novaciano (254-256 d.C.), cap. 3, p. 658: “Ide e pregai o Evangelho às nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ou seja, aquela mesma Trindade que atuou figurativamente nos dias de Noé por meio da pomba, agora atua na Igreja espiritualmente por meio dos discípulos.”

Tratado sobre o Rebatismo (c. 250-258 d.C.), cap. 7, p. 671: “Ide, ensinai as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

Sétimo Concílio de Cartago (258 d.C.), p. 567. Munnulus de Girba disse: “… especialmente na Trindade do batismo, como diz nosso Senhor: ‘Ide e batizai as nações, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’”.

Sétimo Concílio de Cartago (258 d.C.), p. 569. Vicente de Thibaris disse: “Ide e ensinai as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

Victorinus de Petau (-307 d.C.) cita: “Ele [Jesus] enviou os apóstolos, dizendo: ‘Ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’”. Comentário sobre o Apocalipse, a partir do primeiro capítulo, n.º 15, p. 345

Então, por que razão Wierwille tenta obscurecer a questão discutindo minuciosamente as datas em que Eusébio citou quais partes, quando temos todos esses outros escritores anteriores que foram muito claros?

Por fim, consulte a próxima pergunta para conhecer outras afirmações dos primeiros cristãos sobre a Trindade.

P: Em Mt 28,19, quais eram alguns dos ensinamentos da Igreja primitiva sobre a Trindade?

R: Aqui estão alguns deles.

Mathetes a Diogneto (c. 130-200 d.C.)

“Assim como um rei envia seu filho, que também é rei, assim Ele O enviou; como Deus(1), Ele O enviou; como aos homens, Ele O enviou; como Salvador, Ele O enviou,...” cap. 7. A nota de rodapé (1) indica que “Deus”, neste contexto, refere-se à pessoa enviada.

Justino Mártir (c. 138–165 d.C.)

“pois, quando proferimos alguma palavra, geramos a palavra; contudo, não por cisão, de modo a diminuir a palavra [que permanece] em nós, quando a proferimos; e assim como vemos também acontecer no caso de um fogo, que não diminui quando acende [outro], mas permanece o mesmo;... A Palavra da Sabedoria, que é o próprio Deus gerado pelo Pai de todas as coisas, e Palavra, e Sabedoria, e Poder, e a Glória do Gerador, dará testemunho a meu favor...” Diálogo com Trifão, cap. 61. Na verdade, todos os capítulos 57 a 63 tratam da divindade de Jesus.

Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.)

“Da mesma forma, os três dias que antecederam os astros [sol, lua e estrelas] são símbolos da Trindade (tríade grega), de Deus, de Sua Palavra e de Sua sabedoria.” A Autólico, livro 2, cap. 15, p. 101.

Teófilo, bispo de Antioquia (168-181/188 d.C.)

“Pois a própria Escritura nos ensina que Adão disse ter ouvido a voz. Mas o que mais seria essa voz senão a Palavra de Deus, que também é Seu Filho?” Teófilo a Autólico, livro 2, cap. 22, p. 103

Irineu (182-188 d.C.)

“Mas que Ele [Jesus] é, por si mesmo e por direito próprio, acima de todos os homens que já viveram, Deus, Senhor e Rei Eterno, e o Verbo Encarnado, proclamado por todos os profetas, pelos apóstolos e pelo próprio Espírito, pode ser percebido por todos aqueles que alcançaram, ainda que seja apenas uma pequena porção, da verdade.” (Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 19.2, p. 449).

“Saiba que todo homem está vazio ou cheio. Pois, se ele não possui o Espírito Santo, não tem conhecimento do Criador; não recebeu Jesus Cristo, que é a vida; não conhece o Pai que está nos céus;...” (Irineu, Contra as Heresias 3:16)

“Ela [a Igreja] também acredita nesses pontos [da doutrina] como se tivesse uma única alma... Pois as igrejas que foram fundadas na Alemanha não acreditam nem transmitem nada diferente, nem as da Espanha, nem as da Gália, nem as do Oriente, nem as do Egito, nem as da Líbia, nem...”

Clemente de Alexandria falou da “Santíssima Trindade” em *Os Estromata* (193-202 d.C.), livro 5, cap. 14, p. 468.

Tertuliano (c. 213 d.C.)

“O Verbo, portanto, está sempre no Pai, como Ele diz: ‘Eu estou no Pai’; e está sempre com Deus, conforme está escrito: ‘E o Verbo estava com Deus’; e nunca se separa do Pai, nem é diferente do Pai, pois ‘Eu e o Pai somos um’.” Contra Praxeas, capítulo 8.

Hipólito (170-235/6 d.C.), após citar parte de João 1,1

“Se, então, o Verbo estava com Deus e também era Deus, o que se segue? Dir-se-ia que ele fala de dois Deuses? Na verdade, não falarei de dois Deuses, mas de um só; de duas Pessoas, porém, e de uma terceira economia (disposição), a saber, a graça do Espírito Santo. Pois o Pai é, de fato, Um, mas há duas Pessoas, porque há também o Filho; e, além disso, há o terceiro, o Espírito Santo. O Pai decreta, o Verbo executa e o Filho se manifesta, por meio do qual se crê no Pai. A economia da harmonia remete a um único Deus; pois Deus é Um. É o Pai quem ordena, o Filho quem obedece e o Espírito Santo quem concede compreensão; o Pai está acima de tudo, o Filho está em tudo e o Espírito Santo está em todos. E não podemos conceber de outra forma um único Deus, a não ser acreditando verdadeiramente no Pai, no Filho e no Espírito Santo.” Contra a Heresia de Noeto, capítulo 14.

Atanásio (296-373 d.C.)

“Unidos sem confusão, distintos sem separação. Indivisíveis e sem graus.” Sermão sobre Lucas 10,22 “Pois é somente na cruz que um homem morre com as mãos estendidas. Por isso, convinha que o Senhor também suportasse isso e estendesse Suas mãos, para que, com uma delas, pudesse atrair o povo antigo, e com a outra, aqueles das nações, e unisse ambos em Si mesmo.” Encarnação 25:3

Basílio da Capadócia (329-379 d.C.)

“quando, ao mesmo tempo, deveriam confessar que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus, conforme lhes foi ensinado pelas palavras divinas,...” Carta 8 aos Cesareanos (p. 116)

Hilário (355-367/368 d.C.)

“As obras de Deus, portanto, estão além da compreensão de nossa natureza humana e não se encaixam em nosso processo racional de pensamento, pois a ação de uma eternidade ilimitada exige uma compreensão infinita para avaliar as coisas. Assim, não se trata de uma conclusão da razão, mas de uma limitação de poder quando Deus se fez homem, quando o Imortal morre, quando o Eterno é sepultado. Por outro lado, não depende de nossa maneira de pensar, mas da onipotência, que Ele se manifeste como Deus a partir de um homem, como imortal a partir de alguém que está morto e como eterno a partir de alguém que está sepultado. Por isso, somos revividos por Deus em Cristo por meio de sua morte.” Sobre a Trindade, livro 1, cap. 13, p. 44

“Pois, a menos que as coisas sejam da mesma natureza, nunca lhes é concedida igual honra, e a igualdade de honra não implica separação entre aqueles que estão sendo honrados. Mas o mistério do nascimento exige igualdade de honra.” (sobre João 5,23)

Gregório de Nissa (335-394 d.C.)

“Quando dizemos que a Divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é uma só, e, no entanto, proibimos que se diga ‘há três Deuses’?” Sobre “Não há três Deuses”

Ambrósio de Milão (340-397 d.C.)

“Essas palavras, portanto, são escritas a respeito de Deus, cujo Nome tem dignidade e verdade comuns [tanto ao Pai quanto] ao Filho.” Da Fé Cristã 3:3:17.

Resumo

A igreja não contava com não-trinitários. Gnósticos, arianos e outros hereges foram excluídos da igreja. As doutrinas das Testemunhas de Jeová, dos mórmons e de outros são invenções modernas.

P: Em Mt 28,19, o que a Igreja primitiva acreditava a respeito da Trindade?

R: Os seguintes líderes da Igreja primitiva e da Igreja pós-nicena ensinaram as doutrinas da Trindade. É interessante observar que a publicação da Torre de Vigia das Testemunhas de Jeová, intitulada “Você deve acreditar na Trindade?”, cita a maioria desses escritores da Igreja primitiva para tentar demonstrar que eles não acreditavam na Trindade.

Líder

Referências

Declarações e crenças

Inácio: discípulo do apóstolo João, falecido em 107 ou 116 d.C.

17 passagens: Carta a Policarpo, capítulo 3; Efésios 7

“Jesus é Deus”

“Deus Encarnado”

Anônimo, c. 130 d.C.

A Diogneto, cap. 7

Cristo enviado como Rei, Deus, homem e salvador.

Justino Mártir, c. 138-165 d.C.

Diálogo com Trifão, capítulos 55-56, 59, 61-64, 66, 74-78

“Merecedor de ser adorado como Deus e Cristo.” Cometeu o erro de pensar que existiu um tempo anterior a Cristo.

Teófilo de Antioquia, 168–181/188 d.C.

A Autólico, livro 2, cap. 22

O que mais seria essa voz [no Jardim do Éden] senão a Palavra de Deus, que também é Seu Filho? (Ele foi o primeiro, de que temos conhecimento, a utilizar o termo Trindade)

Irineu: discípulo do apóstolo João. 182-188 d.C.

Contra as Heresias, livro 3, cap. 19.2, p. 449

“Jesus é, por si mesmo e por direito próprio, [...] Deus e Senhor, [...]”

Clemente de Alexandria escreveu entre 193 e 217/220 d.C.

*Stromata* (193-202 d.C.), livro 5, cap. 14, *O Instrutor*

“a Santíssima Trindade”

Hino em louvor a Jesus: “Senhor de todo o tempo e espaço; Jesus, Salvador da nossa raça;”

Tertuliano, c. 213 d.C.

Livro completo Contra Praxeas

Segundo escritor conhecido por ter utilizado o termo Trindade.

Hipólito, discípulo de Irineu, 225-235/6 d.C.

Contra a heresia de um certo Noeto

“Filho de Deus que, sendo Deus, tornou-se homem”. Após citar João 1,1-3, afirma: “Assim, vemos o Verbo encarnado, e conhecemos o Pai por meio Dele, e cremos no Filho, (e) adoramos o Espírito Santo”.

Orígenes de Alexandria escreveu entre 225 e 254 d.C.

De Principiis, livro 1, cap. 3.8

Orígenes foi muito controverso em sua época, mas suas visões sobre a Trindade não foram questionadas.

“O poder da Trindade é um e o mesmo.” Orígenes cometeu um erro quanto à pré-existência das almas e ao universalismo humano eventual

Novatiano, 210-280 d.C.

Tratado sobre a Trindade

Livro de 32 capítulos sobre a Trindade

Atanásio, 296-373

Sermão sobre Lucas 10,22

Unidos sem confusão, distintos sem separação, indivisíveis sem graus

Basílio da Capadócia, 357-379 d.C.

Carta 8 aos Cesareanos, Sobre o Espírito

O Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito é Deus. Aborda a controvérsia ariana

Gregório de Nissa, 335-394 d.C.

Sobre o fato de não haver três deuses, contra Eunômio

a natureza do Pai e do Filho é a mesma

Hilário, 355-367/368 d.C.

Escreveu um livro sobre A Trindade

Não há mais o que dizer.

Ambrósio de Milão, 340-397 d.C.

Sobre a Fé Cristã

“Santo, Santo, Santo”, em Apocalipse 4:8, referia-se à Trindade.

João Crisóstomo, 392-407 d.C.

Homilia 3 sobre João 1,1

A eternidade do Verbo como pessoa; incriado

Agostinho de Hipona, 354-430 d.C.

Livro: Sobre a Trindade

Não aceitou qualquer diferença de hierarquia

Nestório: Concílio de Éfeso, 431 d.C.

Fundou o cristianismo nestoriano

Sua crença de que Jesus era Deus nunca foi criticada

Cirilo de Alexandria, 431-444 d.C.

Principal oponente de Nestório no Concílio de Éfeso

Iniciou a ênfase em Maria, a mãe de Deus. (infelizmente)

Patrick da Irlanda, c. 389–461 d.C.

Não escreveu muito. Escreveu a “Carta a Corótico”.

Famosa analogia da Trindade com a folha de trevo

P: Em Mt 28,19, uma vez que a palavra “Trindade” não consta na Bíblia, como a Trindade pode ser bíblica e, portanto, verdadeira?

R: As palavras “Antigo” e “Novo Testamento”, “arrebatamento”, “missões”, “discipulado” ou “evangelismo” também não são encontradas na Bíblia. O termo “Unidade”, tawhid em árabe, também não é encontrado no Alcorão. O simples fato de atribuir nomes a conceitos bíblicos não os torna nem mais nem menos verdadeiros. Como o senhor chama os Três que compartilham o Nome comum no qual devemos ser batizados?

Para os muçulmanos, embora a palavra “Trindade” não conste na Bíblia, a palavra que significa unidade, tawhid, também não consta no Alcorão. Para os santos dos últimos dias (mórmons), as palavras “progressão eterna” também não constam no Livro de Mórmon.

P: Em Mt 28,19, por que não consigo imaginar a Trindade em minha mente?

R: Não se espera que o senhor visualize isso. O senhor também não consegue imaginar Deus como Todo-Poderoso, onipresente ou eterno, mas as limitações da humanidade não restringem Deus. O senhor esperaria compreender completamente tudo sobre o Deus Infinito? E, afinal, como é que a sua mente determina e limita o que Deus é? Podemos, no entanto, compreender o que Deus revelou sobre Si mesmo.

É verdade que a Trindade pode ser confusa por três razões.

1. A verdade de Deus costuma ser confusa para os não salvos.

2. Os falsos mestres contribuíram para a confusão. Por exemplo, as Testemunhas de Jeová não aceitam a Trindade, mas muitas vezes deturpam a Trindade que rejeitam ou nem mesmo sabem o que é a Trindade que rejeitam. Embora alguns mórmons afirmem rejeitar a Trindade, já conheci muitos mórmons que dizem aceitá-la. No entanto, aqueles com quem conversei não sabiam o que ela é. A Trindade é muito mais do que simplesmente os três serem um em amor, espírito e propósito.

3. Não podemos simplesmente culpar as seitas. Muitos cristãos genuínos também não estão preparados para explicar claramente a Trindade.

P: Em Mt 28,19, a Trindade simplesmente não se encaixa na minha imagem de Deus.

R: O senhor deve escolher seguir a Deus, independentemente de seus próprios preconceitos, ou não seguir nada além de sua própria imagem, ídolo ou deus.

P: Em Mt 28,19, se a Trindade é verdadeira, Jesus é 1/3 de Deus?

R: Não, essa interpretação equivocada da Trindade é fruto do raciocínio humano — e nem mesmo um raciocínio humano muito bom. A altura de uma mesa não é 1/3 da mesa.

Jesus possui a plenitude de Deus, de acordo com Colossenses 2:9. Assim como é ridículo dizer que, por o sol dar luz, ele não pode dar calor, o fato de Jesus possuir a plenitude de Deus não significa que o Pai e o Espírito também não possam possuir a plenitude de Deus.

P: Em Mt 28,19, o conceito da Trindade teria origem nas religiões babilônicas e assírias, que possuíam tríades de deuses?

R: Não. Quando Jesus disse para batizar em ____ do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Ele disse “Nome”, não “nomes”. Uma tríade é politeísmo, com três seres distintos e três deuses distintos. A Trindade é um único Deus inseparável e três pessoas distintas.

Por outro lado, se fossem apenas três partes de um único ser, o grego poderia ter dito “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, mas, na verdade, não é o que ocorre. O texto usa “nome” no singular, enfatizando sua unidade, mas também apresenta o artigo “o” antes de Pai, Filho e Espírito, enfatizando sua distinção.

P: Em Mt 28,19, por que não deveríamos recusar-nos a adorar qualquer pai que enviou seu próprio filho para ser torturado e morrer em seu lugar, como afirmou um pregador pentecostal unitarista?

R: É uma pena se o senhor se recusar a adorar a Deus, a não ser nos seus próprios termos. O Pai não apenas enviou Jesus para morrer voluntariamente por nós, como também perguntou a Abraão se ele estaria disposto a sacrificar Isaque.

P: Em Mt 28,19, o Credo Niceno foi formulado pela primeira vez em Nicéia, no ano 325 d.C.?

R: Na verdade, foi antes disso. Muitas pessoas não sabem disso, mas, de acordo com o livro “Ante-Nicene Fathers”, volume 7, p. 524, o Credo Niceno em Nicéia foi uma ligeira emenda do antigo Credo de Jerusalém. Ele também é muito semelhante ao Credo de Neocésarea, de 315 d.C.

P: Em Mt 28,19, houve alguma adição ao Credo Niceno?

R: Sim. Aqui está o Credo Niceno original de 325 d.C. (Tradução extraída da obra *Ante-Nicene Fathers*, volume 7, p. 524.

O original, assinado em Nicéia por 318 bispos em 325 d.C.

Cremos em um só Deus, o Pai Todo-Poderoso, Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis:

E em um único Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado pelo Pai, unigênito, isto é, da mesma essência do Pai,

por meio de quem todas as coisas foram feitas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra:

Que, por nós, os homens, e para a nossa salvação, desceu, encarnou-se e tornou-se homem:

Ele sofreu e ressuscitou ao terceiro dia:

E subiu ao céu:

E voltará para julgar os vivos e os mortos.

E no Espírito Santo.

[o anátema]

E aqueles que dizem que houve um tempo em que Ele não existia, ou que, antes de ser gerado, Ele não existia, ou que Ele foi criado do nada; ou que dizem que o Filho de Deus é de qualquer outra substância, ou que Ele é mutável ou instável — a Igreja Católica e Apostólica anatemiza esses.

Adendas autorizadas no Concílio de Constantinopla, em 381 d.C., e ratificadas no Concílio de Éfeso (431 d.C.)

Do céu e da terra.

Gerado pelo Pai antes de todos os mundos.

Pelo Espírito Santo, da Virgem Maria.

Foi crucificado também por nós, sob Pôncio Pilatos,

E foi sepultado.

Está sentado à direita do Pai,

cujo reino não terá fim.

O Senhor, o Doador da vida,

Que procede do Pai;

Que, juntamente com o Pai e o Filho, é adorado e glorificado;

Que falou por meio dos profetas:

Na única Igreja Santa, Católica e Apostólica.

Reconhecemos um único batismo para a remissão dos pecados.

Esperamos a ressurreição dos mortos,

e a vida do mundo vindouro. Amém.

[O anátema estava ausente]

De acordo com o livro *Creeds of Christendom*, volume 1, pp. 24-29, algumas das frases foram encontradas nos dois credos de Epifânio e no credo de Cirilo de Jerusalém, em 350 d.C.

Uma segunda alteração no Credo foi a inserção de “e o Filho”, afirmando que o Espírito Santo foi enviado pelo Pai e pelo Filho. Isso foi observado pela primeira vez no Terceiro Concílio de Toledo, em 589 d.C. Foi formalmente acrescentado ao Credo pela Igreja Católica e constituiu o motivo de uma cisão formal com a Igreja Ortodoxa, sob o patriarcado ortodoxo de Fócio, por volta de 879 d.C.

P: Em Mt 28,19, uma vez que “elas” em “fazei discípulos de todas as nações, ensinando-as e batizando-as” se refere às nações, e as nações não podem ser imersas na água, isso significa que essa passagem não pode ser entendida como uma referência ao batismo com água?

R: Não. Uma “nação” também não pode ser discipulada/ensinada, mas “nações” refere-se aos povos das nações. Isso era evidente para os primeiros cristãos, pois eles entendiam que Mateus 28,19 se referia ao batismo com água. Aqui está a evidência.

Didaché (c. 125 d.C.), cap. 7, p. 379: “batize em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, em água viva. Mas, se não tiver água viva, batize em outra água; e, se não puder em água fria, em água morna. Mas, se não tiver nenhuma das duas, derrame água três vezes sobre a cabeça em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

Tertuliano (198-220 d.C.) possui uma obra inteira intitulada “Sobre o Batismo”. Em certo trecho, Tertuliano afirma: “Mas agora que a fé se ampliou e se tornou uma fé que crê em Sua natividade, paixão e ressurreição, houve uma ampliação acrescentada ao sacramento, a saber, o ato de selamento do batismo; o revestimento, em certo sentido, da fé que antes estava nua e que agora não pode existir sem sua lei própria. Pois a lei do batismo foi imposta, e a fórmula prescrita: ‘Ide’, diz Ele, ‘ensinai as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’”. Sobre o Batismo, cap. 13, p. 676

Hipólito, bispo de Portus (222-235/6 d.C.), afirma que se deve batizar em nome do “Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Ele menciona brevemente Cornélio. Contra a Heresia de Noeto, cap. 14, p. 228

No “Tratado contra Novaciano” (254-257 d.C.), cap. 3, p. 658, afirma-se que se deve batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Tratado sobre o Rebatismo (254-257 d.C.), cap. 7, p. 671: “batizem-nos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.): “Pois o Senhor, após Sua ressurreição, ao enviar Seus discípulos, os instruiu e ensinou de que maneira deveriam batizar, dizendo: ‘Todo o poder me foi dado no céu e na terra. Ide, portanto, e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo’.” Ele sugere a Trindade, em cujo sacramento as nações deveriam ser batizadas. Será que Marcião, então, defende a Trindade? Será que ele afirma o mesmo Pai, o Criador, como nós? Será que ele conhece o mesmo Filho, Cristo nascido da Virgem Maria, que, como o Verbo, se fez carne, que levou nossos pecados, que venceu a morte ao morrer, que, por Si mesmo, foi o primeiro a dar origem à ressurreição da carne e mostrou aos Seus discípulos que havia ressuscitado na mesma carne? Muito diferente é a fé de Marcião e, além disso, a dos outros hereges; na verdade, entre eles não há nada além de perfídia, blasfêmia e contenda, que são hostis à santidade e à verdade. Como, então, pode alguém que é batizado entre eles parecer ter obtido a remissão dos pecados e a graça da misericórdia divina, por meio de sua fé, se não possui a verdade da própria fé?” Cartas de Cipriano, Carta 72, cap. 3, p. 380-381

P: Em Mt 28,19, dizia-se originalmente: “batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”?

R: Um site afirma que não. Ele apresenta como fundamento um manuscrito copta não identificado e o Evangelho de Mateus em hebraico (ebionita), do início do século VII. A versão ebionita é uma obra diferente, que constitui uma versão resumida do Evangelho de Mateus.

Em contrapartida, eis as evidências de que essa formulação constava no original.

A Didaché (c. 60-120 d.C.), vol. 7, cap. 7, p. 379, cita o seguinte: “Tendo dito primeiro todas essas coisas, batize em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, em água viva [ou seja, água corrente]. Mas, se não tiver água viva, batize em outra água; e, se não puder em água fria, em água morna. Mas, se não tiver nenhuma das duas, derrame água três vezes sobre a cabeça em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” Não havia uma “fórmula” precisa, pois na Didaché, tanto o batismo “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (cap. 7, p. 379) quanto “em nome do Senhor” (cap. 9, p. 380) estão presentes.

Irineu (182-188 d.C.) “E, mais uma vez, concedendo aos discípulos o poder da regeneração para Deus, Ele [Jesus] lhes disse: ‘Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’”. Irineu, *Contra as Heresias*, livro 3, cap. 17.1, p. 444.

Tertuliano (198-220 d.C.) parafraseia ligeiramente este versículo da seguinte forma: “Ele [Jesus] ordenou aos outros onze, ao partir para o Pai, que ‘fossem e ensinassem todas as nações, as quais deveriam ser batizadas no Pai, no Filho e no Espírito Santo’”. Sobre a Prescrição Contra os Hereges, cap. 20, p. 252.

Tertuliano expressa isso de maneira ligeiramente diferente em *Sobre o Batismo*, cap. 13, p. 676: “Deus, diz Ele [Jesus], ‘ensinai as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’”.

Hipólito (222-235/6 d.C.) cita assim: “Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” Contra a Heresia de Noeto, cap. 14, p. 228

“Tratado contra Novaciano” (254-256 d.C.), cap. 3, p. 658: “Ide e pregai o Evangelho às nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ou seja, aquela mesma Trindade que atuou figurativamente nos dias de Noé por meio da pomba, agora atua na Igreja espiritualmente por meio dos discípulos.”

Tratado sobre o rebatismo (c. 250-258 d.C.), cap. 7, p. 671: “Ide, ensinai as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

Sétimo Concílio de Cartago (258 d.C.), p. 567. Munnulus de Girba disse: “… especialmente na Trindade do batismo, como diz nosso Senhor: ‘Ide e batizai as nações, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’”.

Sétimo Concílio de Cartago (258 d.C.), p. 569. Vicente de Thibaris disse: “Ide e ensinai as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

Victorinus de Petau (-307 d.C.) cita: “Ele [Jesus] enviou os apóstolos, dizendo: ‘Ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’”. Comentário sobre o Apocalipse, a partir do primeiro capítulo, n.º 15, p. 345

P: Que evidências existem de que Mateus escreveu o Evangelho de Mateus?

R: A Igreja primitiva aceitava universalmente que o apóstolo Mateus escreveu o Evangelho de Mateus. Na verdade, há muitas evidências.

Papias (95-110 d.C.) refere-se nominalmente aos livros de Mateus e Marcos. Fragmento 6 da “História Eclesiástica” de Eusébio, livro 3, cap. 39.

Cláudio Apolinário (160-180 d.C.) menciona Mateus, os Evangelhos e a Lei. “Padres Ante-Nicenos”, vol. 8, cap. 772

Irineu (182-188 d.C.) cita Mt 1,1 como sendo de Mateus. Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 16.2, p. 440

Clemente de Alexandria (193-202 d.C.): “E no Evangelho segundo Mateus, a genealogia que começa com Abraão se estende até Maria, a mãe do Senhor.” *Stromata*, livro 1, cap. 21, p. 334

Tertuliano (198-220 d.C.) afirma: “Refiro-me aos Evangelhos de João e de Mateus — enquanto aquele que Marcos publicou pode ser considerado como sendo de Pedro, de quem Marcos era intérprete. Pois até mesmo a versão do Evangelho de Lucas os homens costumam atribuir a Paulo. E pode muito bem parecer que as obras que os discípulos publicam pertencem aos seus mestres.” Tertuliano, Cinco Livros Contra Marcião, livro 4, cap. 5, p. 350

Tertuliano escreveu: “… que o Testamento Evangélico tem apóstolos como seus autores, … homens apostólicos também … Dos apóstolos, portanto, João e Mateus são os primeiros a incutir fé em nós; enquanto que, entre os homens apostólicos, Lucas e Marcos a renovam posteriormente.” Cinco Livros Contra Marcião, livro 4, cap. 2, p. 347

Júlio Africano (232-245 d.C.) menciona “o evangelista Mateus” e “Lucas” ao comparar as duas genealogias de Jesus em sua Carta a Aristides, cap. 3, p. 126

Orígenes (225-254 d.C.) menciona Mateus, Marcos, Lucas e João. Orígenes, Contra Celso, livro 5, cap. 56, p. 568.

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) menciona “O Evangelho segundo Mateus”, citando Mateus 5:23,24 em “Tratados de Cipriano – Testemunhos”, cap. 3, p. 533. Veja também “Os Tratados de Cipriano”, Tratado 12, terceiro livro, 1.40.

Dionísio de Alexandria (246–265 d.C.): “Foi ‘no fim do sábado’, como disse Mateus; foi ‘de madrugada, quando ainda estava escuro’, como escreve João; foi ‘muito cedo pela manhã’, como diz Lucas; e foi ‘muito cedo pela manhã, ao nascer do sol’, como nos conta Marcos. Assim, ninguém nos mostrou claramente a hora exata em que Ele ressuscitou.” Carta 5 ao bispo Basilides, p. 94

Adamantio (c. 300 d.C.) “Concordará comigo se eu demonstrar, a partir dos Evangelhos, que eles não são invenções?” … “Foram os discípulos de Cristo que os escreveram: João e Mateus; Marcos e Lucas.” Diálogo sobre a Verdadeira Fé, Primeira Parte, “b 5”, p. 41

Victorinus de Petau (martirizado em 304 d.C.) menciona o Salmo, Mateus, Isaías e Daniel. Comentário sobre a Criação do Mundo, p. 342

Após 325 d.C.

Hegemônio (século IV) “O Espírito, no evangelista Mateus, também se preocupa em registrar estas palavras de nosso Senhor Jesus Cristo: ‘Cuidem para que ninguém os engane; pois muitos virão em meu nome, dizendo: “Eu sou o Cristo”, e enganarão a muitos. Mas, se alguém lhes disser: “Eis que o Cristo está aqui” ou “está ali”, não acreditem. Pois surgirão falsos Cristos, falsos apóstolos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; a tal ponto que, se fosse possível, enganariam até mesmo os escolhidos. Eis que eu já lhes disse antes. Se lhes disserem: ‘Eis que ele está no deserto’, não saiam; se lhes disserem: ‘Eis que ele está nas câmaras secretas’, não acreditem.” Disputa com Manes, cap. 35, p. 209

P: Quando foi escrito o Evangelho de Mateus?

R: Tudo o que podemos afirmar é que o Evangelho de Mateus foi escrito após o ano 33 d.C. e, com altíssima probabilidade, antes do ano 70 d.C. Alguns estudiosos liberais acreditam que, uma vez que consideram que Jesus não poderia prever eventos futuros, a data de redação deve ter ocorrido entre os anos 70 e 100 d.C.

P: Em Mateus, como sabemos que o que temos hoje é uma preservação confiável do que foi escrito originalmente?

R: Há pelo menos três boas razões.

1. Deus prometeu preservar Sua palavra em Isaías 55:10-11; Isaías 59:21; Isaías 40:6-8; 1 Pedro 1:24-25; e Mateus 24:35.

2. Evidências da igreja primitiva. Muitos escritores citaram ou fizeram referência ao Evangelho de Mateus. Alguns dos mais antigos são os seguintes.

Clemente de Roma (96-98 d.C.) cita Mateus 6:12-15; 7:2; 15:8. Embora Mateus 15:8 (cap. 5, p. 9) seja idêntico a Marcos 7:6 e Isaías 29:13.

Inácio, em sua Carta aos Esmirnenses 1:1 (90-116 d.C.) e na Carta a Policarpo, cap. 2, p. 94, cita Mateus 10:16b.

A Didaché (= O Ensinamento dos Doze Apóstolos) (120-150 d.C.), cap. 8, p. 379, cita a Oração do Senhor de Mateus 6:5, 9-13. Trata-se definitivamente de Mateus e não de Lucas, de acordo com a nota de rodapé 24.

2 Clemente (120-140 d.C.), cap. 3, p. 252, cita Mateus 10:32 como sendo de Jesus e também faz alusão a Mateus 22:37.

2 Clemente (120-140 d.C.), cap. 4, p. 252, parafraseia Mateus 7:21.

2 Clemente (120-140 d.C.), cap. 5, p. 252, cita Mateus 5:28 como sendo de Jesus.

2 Clemente (120-140 d.C.), cap. 9, p. 253, parafraseia Mateus 12:50 como se fosse de Jesus

A Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.), capítulo 5, cita Mateus 20:16 (e também 22:14). A nota de rodapé da obra *Os Padres Ante-Nicenos*, na p. 139, afirma que esta é a primeira citação precedida pela fórmula autoritária “está escrito”.

A Carta de Policarpo aos Filipenses, cap. 2, p. 33 (110-155 d.C.), cita Mateus 7:1 na íntegra: “mas lembrem-se do que o Senhor disse em Seu ensinamento: ‘Não julguem, para que não sejam julgados’;”

Policarpo cita Mateus 6:13a na Carta de Policarpo aos Filipenses, cap. 7, p. 34-35

Policarpo cita Mateus 26:41b na Carta de Policarpo aos Filipenses, cap. 7, p. 34-35

O *Mathetes a Diogneto*, cap. 9, p. 28 (c. 130 d.C.), faz alusão a Mateus 6:25, afirmando que o Salvador nos ensinou a confiar em… para que não nos preocupemos com roupas e alimento.

O “Mathetes a Diogneto”, cap. 8, p. 28 (c. 130 d.C.), faz alusão a Mateus 19:17

Papias (95-110 d.C.) foi um dos primeiros escritores que conversou pessoalmente com Pedro, Tiago, João, Mateus e outros (de acordo com o fragmento 1). No fragmento 6, ele afirmou que Mateus reuniu os oráculos [de Jesus] na língua hebraica.

Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) baseia-se em referências a Mateus (quase 38 vezes), o que é mais do que ele se baseia nos outros evangelhos. Consulte o volume 1 dos Padres Ante-Nicenos, p. 591, para comparar isso com as referências de Justino a outros evangelhos. Tenha em mente que várias das referências em Lucas são comuns entre Lucas e Mateus. Ele cita ou parafraseia Mateus 1:21; 3:11-12, 17; 4:9, 10; 5:20, 28, 29, 32; 5:34, 37, 44, 45, 46; 6:1, 16, 19, 20, 21, 22, 25, 26, 33, 41; 7:15, 16, 19, 21, 22; 8:11; 9:13; 10:28; 11:12-15, 27; 12:38 e seguintes; 13:3, 42; 15:22-28; 16:21, 26; 17:12; 19:6, 12, 17, 26, 28; 21:13; 22:17, 19-21, 37; 23:15, 23, 24, 27; 24:11; 25:41; 26:39

O Cânon Muratoriano menciona o Evangelho de Mateus (c. 170 d.C.) juntamente com os outros três evangelhos.

O Pastor de Hermas (c. 160 d.C.), livro 1, Quarta Visão, cap. 2, p. 18, cita um quarto de Mateus 26:24: “melhor teria sido para eles não terem nascido”.

O Pastor de Hermas (c. 160 d.C.), livro 2, capítulo 6, p. 30, alude a parte de Mateus 10:28: “Temei Àquele que tem todo o poder, tanto para salvar quanto para destruir”.

O herege Tatiano (c. 172 d.C.) escreveu uma harmonia dos quatro evangelhos chamada Diatessaron. Nela, ele se refere a 839,12 versículos em Mateus, contando por frações de versículos. Isso representa 78,4% de todo o evangelho.

Cláudio Apolinário (160-180 d.C.) menciona Mateus, os Evangelhos e a Lei. Padres Ante-Nicenos, vol. 8, cap. 772

Apolônio de Éfeso (c. 210 d.C.) cita Mateus 10,9 como proveniente do Senhor em *Sobre o Montanismo*, cap. 4, p. 776. Ele também cita Mateus 12,33 em *Sobre o Montanismo*, cap. 4, p. 776

Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.) cita Mateus 5:28 como “a voz do Evangelho” em “Teófilo a Autólico”, livro 3, cap. 3, p. 115

Irineu (182-188 d.C.) faz muitas referências aos quatro evangelhos, mas também recorre mais frequentemente a Mateus. Ele cita, na íntegra ou parcialmente, 223 versículos de Mateus. Irineu afirma que este evangelho foi escrito por Mateus em *Contra as Heresias*, livro 3, cap. 16, p. 441. Segue-se uma lista dos versículos que ele cita ou parafraseia nos primeiros nove capítulos de Mateus: 1:1, 12–16, 18, 20, 23; 2:15, 16; 3:3, 7, 9-12, 16; 4:3, 7, 9, 10; 5:5, 8, 13a, 14a, 16, 18, 20-28, 33-35, 41, 44, 45; o último terço de 5:12 e o terço do meio de 7:7; 6:12a, 19, 24, 27; 7:1-2, 5; 8:9, 11-13; 9:2a, 6, 8, 29

Irineu também faz alusão a Mateus 2:16; 5:39; 7:15, 19, 25; 9:17; 11:9; 12:18, 31; 13:25, 38, 44; 17:3, 7, 27

Ainda não verifiquei todas as referências de Irineu aos capítulos 10 e seguintes de Mateus.

Clemente de Alexandria, em *Stromata*, livro 1, cap. 21, p. 334 (193-202 d.C.): “E no Evangelho segundo Mateus, a genealogia que começa com Abraão se estende até Maria, a mãe do Senhor.” Ele também cita muitos outros trechos de Mateus.

Tertuliano (198-220 d.C.) enfatiza a autoria de Mateus, Marcos, Lucas, João, Apocalipse e muitas das Cartas de Paulo em *Cinco Livros Contra Marcião*, livro 4, cap. 5, p. 350. Ele cita muitos versículos de Mateus.

Hipólito (225-235/6 d.C.) cita Mateus 7,21 e Mateus 21,31 como palavras do Salvador. Em *Refutação de Todas as Heresias*, livro 5, cap. 3, p. 54. Ele também cita muitos outros versículos de Mateus.

Teodoto, provavelmente montanista (c. 240 d.C.), cita Mateus 12,50 como sendo do Senhor. Trechos de Teodoto, cap. 20, p. 25

Júlio Africano (232-245 d.C.) menciona “o evangelista Mateus” e “Lucas” ao comparar as duas genealogias de Jesus em sua “Carta a Aristides”, cap. 3, p. 126

Orígenes (225-254 d.C.) cita extensivamente Mateus, pois possui um comentário completo sobre o livro de Mateus. As citações de Orígenes incluem Mateus 24:23-27.

Novaciano (257 d.C.), em *Sobre a Trindade*, cap. 8, p. 617, cita Mateus 10:29-30, afirmando que se trata de uma passagem de Jesus. No capítulo 12, ele também cita Mateus 27:20, afirmando que se trata de uma passagem de Jesus. Novaciano cita Mateus 1:23 (p. 635); 5:8 (p. 639-640); 10:28a (p. 636); 10:29, 30 (p. 617); 12:32b (p. 641); 16:16 (p. 637); 16:16 (p. 637); 28:20b (p. 621)

O Tratado contra Novaciano cita quatro versículos de Mateus: 7:2a (p. 661); 7:22,23 (p. 659), 10:33 (p. 659), 23:12a (p. 661); possivelmente outros

O Tratado sobre o Rebatismo (c. 250-259 d.C.) cita Mateus 3:11b (cap. 2, p. 668) e 9:2b (cap. 18, p. 677); 10,32 (cap. 11, p. 673), 12,37 como “no Evangelho” (cap. 13, p. 675), 16,22,23 (cap. 9, p. 672); 24:4, 23, 24 (cap. 12, p. 674), 26:70 (p. 672), 28:19 (cap. 7, p. 671)

Cipriano, bispo de Cartago (c. 246-258 d.C.) “No Evangelho segundo Mateus: ‘A quem disser uma palavra contra o Filho do homem, isso lhe será perdoado; mas a quem falar contra o Espírito Santo, isso não lhe será perdoado, nem neste mundo nem no mundo vindouro.’” Tratados de Cipriano, Tratado 3, cap. 28, p. 542

Cipriano, bispo de Cartago (c. 246-258 d.C.), cita Mateus 5,43-45, mencionando o que Jesus diz “em Seu Evangelho” em Tratados de Cipriano, Tratado 10, cap. 15, p. 495.

Cipriano de Cartago (c. 246–258 d.C.) cita Mateus 15:13 como tendo sido dito pelo “Senhor em Seu Evangelho”, Carta 48:4, p. 326

Moisés et al., em carta a Cipriano (Carta 25), cap. 4, p. 303 (250-251 d.C.), citam Mateus 10,37-38 como sendo de “nosso Senhor, tal como pela trombeta do Seu Evangelho”

Cornélio a Cipriano (c. 246-256 d.C.) cita Mateus 5:8 como “a palavra evangélica”. Carta 45, cap. 2, p. 323

Firmiliano de Cesareia, em carta a Cipriano (256 d.C.), cita Mateus 16:9 como sendo de Jesus. (Carta 74, cap. 16, p. 394)

No Sétimo Concílio de Cartago (258 d.C.), Lúcio de Castra Galbae afirmou: “Visto que o Senhor, em Seu Evangelho, disse: ‘Vós sois o sal da terra; mas, se o sal perder o seu sabor, com que será salgado?’”, p. 566

Gregório, o Taumaturgo (240-265 d.C.), cita parte de Mateus 15,11 como tendo sido proferida pelo Salvador. Epístola Canônica, cânon 1, p. 18

Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.): “Foi ‘no fim do sábado’, como disse Mateus; foi ‘de madrugada, quando ainda estava escuro’, como escreve João; foi ‘muito cedo pela manhã’, como afirma Lucas; e foi ‘muito cedo pela manhã, ao nascer do sol’, como nos diz Marcos. Assim, ninguém nos mostrou claramente a hora exata em que Ele ressuscitou.” Carta 5 ao bispo Basilides, p. 94

Anatólio de Alexandria (270-280 d.C.) refere-se a Mateus 26,17; em seu Cânon Pascal, cap. 8, p. 148, e a Mateus 26,38 como sendo do “próprio Senhor” no cap. 10, p. 149

Adamantio (c. 300 d.C.) “O senhor concordará se eu demonstrar, a partir dos Evangelhos, que eles não são invenções?” … “Os discípulos de Cristo os escreveram: João e Mateus; Marcos e Lucas.” Diálogo sobre a Verdadeira Fé, Primeira Parte, “b 5”, p. 41

Victorinus de Petau (martirizado em 304 d.C.) menciona o Salmo, Mateus, Isaías e Daniel em “Comentário sobre a Criação do Mundo”, p. 342

Pedro de Alexandria (306, 285–311 d.C.) cita Mateus 21,6 e 6,24 como palavras do Senhor na “Epístola Canônica”, cânon 12, p. 276–277. Ele também faz alusão a Mateus 2:13-16 no Cânon 13, p. 277, e cita Mateus 2:22-23 no Cânon 13, p. 277

Metódio (270-311/312 d.C.): “Ora, toda a mediação espiritual das Escrituras nos é dada como sal que arde para beneficiar e que desinfeta; sem ele, é impossível que uma alma, por meio da razão, seja conduzida ao Todo-Poderoso; pois ‘vós sois o sal da terra’, disse o Senhor aos apóstolos.” [Mateus 5,13] O Banquete das Dez Virgens, livro 1, discurso 1, cap. 1, p. 311

A obra *O Martírio de Habib, o Diácono*, de Teófilo, cita Mateus 10:39 e Mateus 7:6, ambos como “Escritura”, na p. 694.

Atanásio de Alexandria (c. 318 d.C.) não fez referência a Mateus em *Contra os Pagãos*. No entanto, em *A Encarnação do Verbo*, ele citou Mateus 19:4 (cap. 2.6, p. 37), Mateus 1:23 (também Isaías 7:14) (cap. 33.3, p. 54), Mateus 11:13 (cap. 40.4, p. 57-58) e Mateus 26:64 (cap. 56.4, p. 66). Embora Atanásio não tenha se referido a nenhum outro versículo de Mateus antes de 325 d.C., ele citou muitos outros versículos de Mateus após essa data.

Alexandre de Alexandria (321 d.C.) cita Mateus 11:27b como sendo do Salvador. Epístolas sobre a Heresia Ariana, cap. 5, p. 293

Alexandre de Alexandria (321 d.C.) cita Mateus 3:17 como “no Evangelho”. Epístolas sobre a Heresia Ariana, cap. 8, p. 294.

Alexandre de Alexandria (321 d.C.) cita Mateus 11:12 como “proferido por Cristo”. Epístolas sobre a Heresia Ariana, cap. 12, p. 295

Lactâncio (c. 303–c. 325 d.C.) faz alusão a Mateus 14:22–26 ao discutir Jesus caminhando sobre as águas. “Instituições Divinas”, livro 4, cap. 15, p. 116. Lactâncio também faz alusão a Mateus 5:44; 7:15; 18:7; e aos capítulos 14, 19 e 21. Ele cita Isaías 7:14 como sendo de Isaías, o que também corresponde a Mateus 1:23.

Eusébio de Cesareia (318-325 d.C.) cita todo o trecho de Mt 5,38-40 em “Demonstração do Evangelho”, livro 1, cap. 6, p. 11

A “História Eclesiástica” de Eusébio (318 d.C.), livro 3, cap. 24, p. 152, discute os quatro evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. “Padres Nicenos e Pós-Nicenos”, Segunda Série, vol. 1, p. 152

Consulte a próxima pergunta para saber quais versículos e trechos de versículos foram citados e quais não foram.

Evidências de heresias e livros espúrios

O herege encratita Tatiano (c. 172 d.C.) escreveu uma harmonização dos quatro evangelhos chamada Diatessaron, que significa “através dos quatro”. Nela, ele se refere a 839,12 versículos em Mateus. Isso representa 78,4% de todo o Evangelho de Mateus.

O herege maniqueísta Fausto-Milevis (383-400 d.C.) cita Mateus 1:1 como sendo de autoria de Mateus. Resposta de Agostinho a Fausto, o Maniqueísta, livro 23, cap. 1, Padres Nicenos e Pós-Nicenos, Primeira Série, vol. 4, p. 313

3. Os manuscritos mais antigos que possuímos de Mateus apresentam pequenas variações manuscritas, mas nenhum erro teologicamente significativo. Os manuscritos do Novo Testamento ainda existentes, copiados antes de 325 d.C., contêm 91,7% de Mateus, ou seja, 982,07 dos 1.071 versículos. Consulte https://biblequery.org/Bible/BibleReliability/EarlyChristianNTQuotes.xlsx para obter mais detalhes sobre o assunto.

p1 (=Papiro de Oxirrinco 2) Mt 1,1-9,12,14-20; (não 2,14) (c. 200 d.C.) Texto alexandrino

A seguir, apresentam-se as datas publicadas para este manuscrito.

Século III – 1968 – O Texto do Novo Testamento

Século III – 1975 – Aland, 3ª edição

Século III – 1990 – Comfort, Manuscritos Antigos e Traduções Modernas do Novo Testamento

Século III – 1998 – Aland, 4ª edição revisada

Meados do século III, semelhante ao p. 69 – 1999 – Comfort, O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento

Há uma capa com uma inscrição. Embora O’Callaghan considere que possa ser Mateus 2:14, Philip Comfort, em *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento*, p. 29, afirma que não se trata disso, pois a caligrafia é diferente e há uma margem maior acima das três linhas quebradas do que no restante de Mateus. Esse texto pode ter sido um subtítulo descritivo ou um título.

p. 19 (= Papiro de Oxirrinco 9) Mt 10,32–11,5

Texto predominantemente ocidental

Século IV ou V — 1968, *O Texto do Novo Testamento*

p. 21 (=Papiro de Oxirrinco 10) Mt 12,24-26; 31-33 (Concorda com o Bezae Cantabrigiensis e com o Sinaiticus corrigido)

p. 25 (=Papiro 16388, atualmente perdido. Encontrava-se em Berlim antes da Segunda Guerra Mundial) Mt 18,32-34; 19,1-3, 5-7, 9-10

Final do século IV – 1968 – O Texto do Novo Testamento. Texto Ocidental

p. 35 Mt 25:12-15,20-23 (século III)

Possivelmente século IV – 1968 – O Texto do Novo Testamento. Entre o texto alexandrino e o ocidental

p. 37 (=Ann Arbor 1570) Mt 26,19-52 (meados do século III) A caligrafia é semelhante às cartas de Heroninos (256 e 260 d.C.)

Século III/IV – 1969 –

p. 45 Chester Beatty I (todos os quatro evangelhos e Atos) (100-150 d.C.) (anteriormente considerado do final do século II ou início do século III d.C.) (Mt 20,24-32; 21:13-19; 25:41-26:39, partes de Marcos, Lucas e João) O pergaminho original tinha cerca de 220 folhas, das quais possuímos 30. Duas dessas 30 folhas pertencem a Mateus.

p53 (= Papiro Michigan Inv. 6652) Mt 26,29-40 e Atos 9,33-38; 3 letras das 124 letras em 9,39; 9,40-10,1. (c. 260 d.C.) A data baseia-se em semelhanças com as letras de Heronino, datadas de c. 260 d.C. Trata-se de um texto misto.

p64 (Papiro de Magdalen), p67, c. 200 d.C. O papiro p64 preservou Mateus 26:7, com menos da metade das letras do versículo 8; 26:10, 14-15, 22-23, 31-33 (em três fragmentos). O P64 foi adquirido no Egito em 1901, mas só foi disponibilizado aos estudiosos em 1953. O P67 preservou Mateus 3:9,15; 5:20-22,25-28.

p70 (=Papiro de Oxirrinco 24) Mt 2:13-16; 2:22-3:1; 11:26-27; 12:4-5; 24:3-6,12-15. (século III) O p70 apresenta um épsilon claramente diferente, e a caligrafia parece semelhante à do P. Medici 13 (de Eclesiastes), do século III.

Século III – 1968 O Texto do Novo Testamento.

O p. 71 (= Papiro de Oxirrinco 2385) contém Mt 19,10-11,17-18 (século IV)

Século IV – 1968 – O Texto do Novo Testamento. Coincide com o Vaticanus

p. 77/p. 103 contém Mt 23,30-39 (p. 77); 13,55-57; 14,3-5 (meados a finais do século II)

p. 83 contém Mt 20,23-25,30-31; 23,39; 24,1,6 (século VI)

p. 86: Mt 5,13-16; 22-25 (c. 300 d.C.)

p. 101 (= Papiro de Oxirrinco 4401), do século III, contém Mt 3,10-12; 3,16-4,3

p. 102 (= Papiro de Oxirrinco 4402), c. 300 d.C., Mt 4,11-12; 22-23

p. 103 (=Papiro de Oxirrinco 4403) contém Mt 13,55-57; 14,3-5 (séculos II a III)

p. 104 (=Papiro de Oxirrinco 4404) (início a meados do século II) contém Mt 21,34-37, 43, 45?

p. 110 (=Papiro de Oxirrinco 4494) contém Mt 10,13-14,25-27 (século IV)

pAntinoópolis 2.54, do século III, contém o Pai Nosso. Mt 6,10-12. Parece que este manuscrito originalmente continha apenas o Pai Nosso.

0171 (c. 300 d.C.) contém Mt 10,17-23, 25-32

O Vaticanus [B] (325-350 d.C.) e o Sinaiticus [Si] (340-350 d.C.) contêm todo o Evangelho de Mateus.

O Alexandrinus [A], de c. 450 d.C., preservou apenas Mateus 25:7 até o final.

Copta bohairico [Boh] Séculos III/IV

Copta sahídico [Sah] Séculos III/IV

Siríaco Peshitta [Syr P] 400-450 d.C.

Efraemita Rescrito [C] Século V

Armênio [Arm] a partir do século V

Georgiano [Geo] a partir do século V

Etíope [Eth] a partir de c. 500 d.C.

Gótico, 493-555 d.C.

Consulte www.BibleQuery.org/Matthew Manuscripts.html para obter mais informações sobre os primeiros manuscritos de Mateus.

P: Em Mateus, quais versículos e partes de versículos foram citados pelos escritores pré-nicenos (antes de 325 d.C.)?

R: Antes de 325 d.C., os escritores da Igreja citaram cerca de 87,5% dos versículos do Evangelho de Mateus. Isso equivale a 937,31 versículos. Em outras palavras, todos os 1.071 versículos do Evangelho de Mateus foram citados, com exceção de 133,69 versículos. Consulte https://biblequery.org/Bible/BibleReliability/EarlyChristianNTQuotes.xlsx para obter todos os detalhes. O Diatessaron de Taciano faz referência a 839,12 dos 1.071 versículos de Mateus.

P: Existem datas anteriores para manuscritos de Mateus que ainda se conservam hoje?

R: A datação do Manuscrito de Madalena (p. 64 + p. 67) é contestada.

A maioria concorda que ele foi escrito antes do século III d.C., devido ao seu estilo de escrita em papiro, que não era mais utilizado após o início do século III.

Data anterior (c. 50-64/65 d.C.) Essa é a opinião de Carsten Thiede, um papirólogo alemão. Há três pontos que sustentam essa visão.

1) Uncial: O papiro de Magdalen era um papiro “uncial” (todo em maiúsculas), que foi utilizado até meados do século I d.C.

2) Comparação da caligrafia com textos de meados do século I d.C. encontrados em Pompéia e Herculano

3) Especulativamente, talvez os cristãos que desejavam preservar suas escrituras tenham começado a utilizar códices mais cedo.

Isso foi publicado na revista *Time* (23 de janeiro de 1995). Consulte *The Real Jesus*, p. 78, para uma discussão sobre o assunto, mas não necessariamente um endosso a essa tese.

Manuscrito do Novo Testamento de data posterior (século II d.C.). O *Expositor’s Bible Commentary*, volume 8, p. 20, afirma que atualmente prevalece a opinião de que o Evangelho de Mateus foi escrito entre os anos 80 e 100 d.C.

Códice: Parece ter origem em um códice (livro), e os escribas passaram a utilizar livros em vez de pergaminhos durante o século II.

Especulativamente, talvez alguns unciais como este tenham sido produzidos posteriormente. O livro cético de Burton Mack, *Who Wrote the New Testament?* p. 9-10, embora seja muito crítico em relação à datação de Thiede, afirma que escritos em uncial podem ter sido produzidos até 85 d.C. Essa afirmação é difícil de compreender, já que a obra de Aland et al., *The Greek New Testament*, 4ª edição revisada, mostra que manuscritos em uncial foram utilizados até mesmo no século IX — muito mais tarde. Talvez Mack se referisse ao estilo específico de uncial em papiro.

Conclusão: Embora não saibamos quando os primeiros códices foram produzidos, até mesmo os estudiosos mais conservadores defendem uma data em meados do primeiro século.

Footnotes

  1. Ver Milligan, *Selections from the Greek Papyri*, 1910, p. 35. 238.

    ↩