< Pergunta bíblica sobre Marcos

As perguntas que se referem a mais de um Evangelho são discutidas no primeiro Evangelho em que aparecem ou, caso contrário, encontram-se na seção “Evangelhos”.

P: Em Marcos, quais são alguns dos elementos distintivos desse evangelho?

R: Marcos é um evangelho de ação. Marcos usa frequentemente a palavra “imediatamente”. Ele enfatiza Cristo como servo. Ele curou, alimentou, expulsou demônios e deu a sua vida em resgate por muitos. Há treze milagres registrados em Marcos. Cristo é a esperança para as pessoas simples. Uma passagem-chave é Marcos 10,45.

No que diz respeito à linguagem, alguns percebem semelhanças entre as palavras de Pedro e de Marcos. Na verdade, Marcos era o intérprete de Pedro. Marcos possui o vocabulário mais simples entre os evangelhos.

No que diz respeito às semelhanças, cerca de 90% dos versículos de Marcos têm algum paralelo em Mateus.

Quanto às falsas religiões, Marcos 1:9-11, assim como Mateus 3:16-17, são boas passagens para mostrar aos pentecostais unitaristas que o Pai, o Filho e o Espírito não são idênticos nem meramente três “modos” de uma única pessoa.

P: Em Marcos, o que sabemos sobre Marcos, a pessoa?

R: Marcos era o intérprete de Pedro e, portanto, o Evangelho de Marcos, em certo sentido, poderia ser chamado de “Evangelho de Pedro”. No entanto, o próprio Marcos provavelmente foi uma testemunha ocular, e temos razoável certeza disso com base em um detalhe que ninguém mais teria percebido. Marcos 14:51 fala do jovem no Jardim do Getsêmani que fugiu nu. Os primeiros cristãos também reconheceram que Marcos era o autor deste evangelho.

Marcos contém um número maior de palavras em latim do que os outros evangelhos, tais como “censo”, “denário”, “legião” e “pretório”. Marcos é um nome latino, e João é um nome hebraico. O “Bible Knowledge Commentary: New Testament”, p. 99, afirma que termos latinos foram utilizados em vez de seus equivalentes gregos em Marcos 5:9; 6:27; 12:15, 42; 15:16, 39. Em duas frases, em Marcos 3:6 e 14:65, Marcos utiliza uma construção latina, e não grega, como se o latim fosse sua língua materna e ele tivesse aprendido grego posteriormente. A forma romana de expressar o tempo é utilizada em Marcos 6:48 e 13:35. Expressões aramaicas são traduzidas para o grego em Marcos 3:17; 5:41; 7:11,34; 9:43; 10:46; 14:36; 15:22,34.

P: Em Marcos, por que não havia uma genealogia como a que aparece em Mateus e Lucas?

R: Os objetivos de Marcos ao escrever parecem ser um pouco diferentes dos de Mateus e Lucas.

Mateus foi escrito mais para os judeus, que davam ênfase à genealogia, e Mateus destaca Cristo como rei, sendo a genealogia importante para os reis.

Marcos enfatiza que Cristo era um servo e dá ênfase às Suas ações e ao Seu ministério.

Lucas enfatizou a humanidade de Jesus e, sem dúvida, escreveu para um público mais grego. Lucas registra o maior número de parábolas.

João enfatiza Jesus como Deus e concentra-se nos sete sinais que Jesus realizou.

P: Marcos, com seu uso da palavra “imediatamente”, dá a impressão de que o ministério de Jesus durou apenas alguns meses, desde a colheita de grãos durante a colheita em Marcos 2 até a Páscoa no capítulo 11. Jesus, Interrompido, p. 42

R: Li toda a literatura cristã pré-nicena, com exceção de dois livros, e grande parte da literatura gnóstica e ebionita preservada, e não encontrei um único escritor pré-niceno — cristão ou gnóstico — que considerasse que Marcos indicasse que o ministério de Jesus durou apenas alguns meses. Os estudiosos devem ter o cuidado de não projetar suas próprias teorias inovadoras nos escritos antigos. Tenho certeza de que diferentes pessoas podem encontrar todo tipo de interpretação na Bíblia, se se empenharem o suficiente.

P: Em Mc 1,2, Marcos acrescenta algo a Ml 3,1 neste trecho?

R: Marcos parafraseou Malaquias, logo antes de se referir a Isaías.

No texto massorético, Malaquias 3,1 diz: “Eis que envio o meu mensageiro, e ele preparará o caminho diante de mim...” (Tradução Literal de Green)

Na Septuaginta, Malaquias 3:1 diz: “Eis que envio o meu mensageiro, e ele inspecionará o caminho diante de mim…” (Sir Lancelot C.L. Brenton)

Marcos 1:2 diz: “Eis que envio o meu mensageiro diante da vossa face, que preparará o vosso caminho diante de vós.” (Tradução Literal de Green) Observe a adição de “diante da vossa face” e “vosso/vós” em vez de “meu/mim”.

Dois pontos a serem considerados na resposta.

1. Marcos alterou os pronomes, o que não altera o significado neste contexto.

2. Como “diante de mim” é a última frase, acrescentar “diante de vossa face” para dar ênfase repetitiva também não altera o significado.

P: Mc 1,2 diz “nos profetas” ou “no profeta Isaías”?

R: Há uma variante manuscrita aqui.

“Nos profetas” consta nos seguintes manuscritos: Alexandrino, Siríaco, Copta Bohairico, Armênio, Etíope, Irineu e outros manuscritos. Mais importante ainda, o Lecionário Bizantino diz o mesmo.

“Nos profetas Isaías” ou “No profeta Isaías” aparece na maioria dos outros manuscritos, incluindo o Sinaítico, o Vaticano, o copta sahídico, o gótico, o Bezae Cantabrigiensis, etc., que mencionam Isaías. No Novo Testamento grego (Aland et al., 3ª edição), essa variação recebe um grau de incerteza “A”, o que significa que “é praticamente certo” que Isaías foi mencionado.

Este é um ponto interessante em que o Textus Receptus se afasta da família de textos bizantinos, embora a KJV e a NKJV sigam o Textus Receptus.

P: Em Mc 1,2, Isaías disse tudo isso?

R: Não, trata-se de uma lista de três profecias (Êxodo 23:20 (LXX), Malaquias 3:1 (Masorética) e Isaías 40:3 (LXX)). O *Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 102, afirma que isso reflete uma prática comum de citar várias passagens com um tema unificador. Cada profecia combina a expectativa esperançosa de um precursor com uma advertência em caso de desobediência. Isso é chamado de “cadeia de testemunhos”.

P: Em Mc 1,2, quais são as diferenças entre esses versículos do Antigo Testamento no texto massorético e na tradução da Septuaginta (LXX)?

R: Marcos 1:2 é uma cadeia de testemunhos (também chamada de fusão) de três versículos.

Êxodo 23:20, no texto massorético, diz: “Eis que estou prestes a enviar um anjo à sua frente para guardá-lo no caminho e levá-lo ao lugar que preparei.” A tradução da Septuaginta (LXX) diz: “E eis que envio o meu anjo à sua frente, para que ele o leve à terra que preparei para você.”

Malaquias 3:1, no texto massorético, diz: “abram o caminho”, enquanto a tradução da Septuaginta (LXX) diz: “inspeçam o caminho”

Isaías 40:3, no texto massorético, diz: “aquele que clama… uma estrada reta no deserto”. A tradução da Septuaginta (LXX) diz: “alguém que clama… os caminhos retos”.

A tradução hebraica foi retirada da “Literal Translation”, de Jay P. Green. A versão da Septuaginta é da tradução de Sir Lancelot C.L. Brenton de “The Septuagint: Greek and English”.

P: Em Mc 1:4, o que exatamente é a remissão dos pecados?

R: A remissão dos pecados é o mesmo que o perdão dos pecados. Antes da época de Jesus, os israelitas realizavam repetidas abluções rituais para purificação. Jerusalém possuía muitos “mikvahs”, que eram bacias cerimoniais para ablução. Os judeus também realizavam “batismos” únicos para os gentios convertidos, a fim de purificá-los de sua impureza gentia. O batismo na água é algo que praticamos como sinal de nossa salvação. É também uma garantia de boa consciência perante Deus (1 Pedro 3:21).

Consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 404–406, para uma resposta mais detalhada.

P: Em Mc 1,4.9 e Lc 3,3, uma vez que o batismo era para o perdão/remissão dos pecados, por que Jesus foi batizado, se Ele era sem pecado, de acordo com Hebreus 4,15; 2 Coríntios 5,21; João 8,46 e 1 Pedro 1,19?

R: João Batista aparentemente tinha a mesma dúvida em mente quando perguntou a Jesus por que Ele estava sendo batizado, em Mateus 3:14. Jesus aludiu à resposta em Mateus 3:15-16. Jesus não disse que Ele próprio foi batizado para o perdão, mas afirmou que foi para “cumprir toda a justiça”. Devemos seguir o exemplo de Cristo, e Cristo foi batizado.

P: Em Marcos 1:5, uma vez que toda a região da Judéia saiu para ver João, isso significa todas as pessoas?

R: Não. Não diz que foi cada pessoa individualmente, mas significa que muitas pessoas de todas as partes da Judéia saíram para ver João.

P: Em Mc 1,8, como é que Jesus batiza com o Espírito Santo?

R: Quatro pontos a serem considerados na resposta.

1. Quando uma pessoa se arrepende e crê em Cristo, ela é regenerada em Cristo e batizada com o Espírito Santo.

2. Então, o Espírito Santo passa a habitar nela.

3. Todos os cristãos têm o Espírito Santo. (Romanos 8:10, 11, 15)

4. O recebimento do Espírito Santo ocorre antes do batismo com água, conforme mostra Atos 10:44-48.

P: Em Mc 1:10, uma vez que o Espírito Santo desceu do céu na forma de uma pomba, isso demonstra que o Espírito Santo não é uma pessoa, como as Testemunhas de Jeová poderiam pensar?

R: Não. Ter a capacidade de se manifestar como uma pomba não restringe de forma alguma a inteligência, as emoções ou outras características do Espírito Santo. Da mesma forma, no Antigo Testamento, o fato de Deus se manifestar como uma sarça ardente não diminuiu de forma alguma a sua essência.

P: Em Mc 1,12, por que o Espírito Santo enviou Jesus ao deserto para ser tentado?

R: As Escrituras não dizem. Talvez isso precisasse ser resolvido antes que Jesus pudesse iniciar Seu ministério. Se o senhor é cristão, há tentações sobre as quais o senhor precisa vencer constantemente antes que Deus possa usá-lo de maneira mais significativa?

P: Em Mc 1,14, o “evangelho do reino de Deus” é o mesmo que o “evangelho de Cristo”?

R: Sim, exceto que, naquele momento, Jesus ainda não havia pregado sobre Sua morte, ressurreição e Segunda Vinda. Portanto, o que Jesus estava pregando aqui era uma parte de Sua mensagem definitiva.

P: Em Mc 1,14-15, por que Marcos começou com o ministério na Galiléia, omitindo o primeiro ministério na Judéia descrito em João 1,1-4,54?

R: Jesus iniciou Seu ministério na Galiléia. João 1:43-2:12 se passou na Galiléia. João 2:13-4:3 se passou na Judéia, e João 4:4-42 se passou na Samaria. Marcos não registrou essas partes. Embora Marcos não explique o motivo, pode ser que ele não estivesse com Jesus durante o início do ministério e não tenha registrado o que Pedro disse a respeito.

A título de observação, a Galiléia tinha apenas 30 milhas de largura e 60 milhas de comprimento. Para fins de comparação, a Galiléia é ligeiramente maior do que o estado de Rhode Island (37 milhas de largura por 48 milhas de comprimento) e do que Luxemburgo (35 milhas de largura e 57 milhas de comprimento).

P: Em Mc 1,15, como o reino de Deus poderia estar próximo?

R: O reino de Deus estava próximo, está aqui em nós e virá.

Estava próximo: Jesus é o rei dos reis, e onde Ele está, pode-se dizer que o reino de Deus está próximo.
Está aqui em nós: O reino de Deus está dentro dos crentes hoje. No entanto, ele ainda não se manifestou de forma visível na terra. Uma pessoa que crê em Cristo tornou-se cidadã do reino de Deus.

Vai vir: O reino de Deus não se concretizará visivelmente neste mundo até que o Messias volte e estabeleça Seu reino na terra.

P: Em Mc 1,16-18, de que forma ganhar discípulos se assemelha à pesca?

R: Ambas são uma arte. Ambas exigem paciência, habilidade, discernimento, persistência e tranquilidade. Tranquilidade significa colocar-se em segundo plano e a Cristo em primeiro plano.

P: Em Mc 1,16-45, quais são as cinco afirmações de autoridade que Jesus fez em Marcos 1?

R: Aqui estão cinco maneiras pelas quais Jesus afirmou Sua autoridade neste trecho.

Mc 1,16-20: Jesus reivindica autoridade para chamar pessoas para serem Seus discípulos.

Mc 1,21-22: Jesus reivindica autoridade em Seu ensino.

Mc 1,23-28: Jesus reivindica autoridade sobre os espíritos impuros.

Mc 1,29-34: Jesus reivindica autoridade sobre as doenças, tanto a febre quanto as doenças em geral

Mc 1,39-45: Jesus reivindica autoridade especificamente sobre a lepra.

P: No Evangelho de Marcos, vemos que Jesus mantém em segredo Sua identidade messiânica (Mc 1,24; 1,34; 5,43; 8,30; 9,9), mas nos outros evangelhos vemos que Ele costuma chamar a atenção das pessoas para Si abertamente como Filho de Deus, por meio de Suas palavras ou ações. Por quê?

R: No início de Seu ministério entre os judeus, Jesus apresentou-Se como alguém que realizava as obras de Deus; posteriormente, como o Messias, o Filho de Deus. Esse sigilo inicial não se limita apenas a Marcos; também não se encontra nenhuma menção a ser o Messias ou o Filho de Deus em Mateus 5:1-11:24. Após a morte de João Batista, vemos Jesus revelar-se mais abertamente a partir de Mateus 11:27. Em Lucas 6:5, Jesus afirmou que era o Senhor do sábado, mas não foi além disso até que o Pai realizasse o milagre da transfiguração em Lucas 9. É claro que, quando Jesus perguntou a Simão Pedro quem as pessoas diziam que Ele era, Jesus tornou-se mais direto.

P: Em Mc 1,24, por que os demônios reconheceram Jesus publicamente?

R: As Escrituras não dizem. Talvez eles quisessem revelar muito cedo o segredo de Jesus de ser o Messias, mas essa não é uma razão muito provável. É mais provável que eles esperassem que, caso reconhecessem Jesus, Ele deixasse os demônios em paz para que pudessem permanecer dentro das pessoas. Talvez essa fosse a lógica dos demônios; ou, alternativamente, os demônios nem sempre agem necessariamente de forma racional.

P: Em Mc 1,24-26, havia um único demônio ou vários dentro do homem?

R: Poderia ser de ambas as formas. Quatro pontos a serem considerados na resposta.

1. Quando Marcos 1,24 usa “nós”, isso pode se referir a vários demônios, a um demônio e ao homem, a múltiplas personalidades no homem ou a um único demônio.

2. Em Marcos 1,25-26, Jesus se dirigiu ao demônio como se fosse um único.

3. O demônio poderia ter sido apenas um, mas se apresentou falsamente como muitos.

4. Nada indica que um demônio tenha de ser um indivíduo como um animal. Nada nas Escrituras proíbe que alguns demônios sejam como plantas ou células que se dividem, embora as Escrituras não se pronunciem sobre essa especulação.

P: Em Mc 1,34; 3,11-12; Lc 4,34-35 e Lc 4,41, por que Jesus não permitiu que os demônios falassem?

R: Todas essas ocasiões ocorreram no início do ministério de Jesus. Marcos 1,34 diz que foi porque os demônios sabiam quem era Jesus. Um homem curado no início do ministério de Jesus recebeu a ordem de não contar a ninguém (Marcos 1,44-45). Quando Pedro confessou que Jesus era o Cristo, Jesus ordenou aos discípulos, naquele momento, que não contassem a ninguém (Mateus 16:20; Marcos 8:30). Assim, o motivo provável foi que Jesus ainda não queria que se anunciasse que Ele era o Messias. Ele queria que as pessoas observassem Sua vida, Seus ensinamentos e Seus milagres e tivessem tempo para decidir por si mesmas.

Consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 406-408, para saber mais sobre por que Jesus desejava que isso permanecesse em segredo naquele momento.

P: Em Mc 1,37, uma vez que “todos” procuravam Jesus, será que cada pessoa, sem exceção, estava procurando Jesus?

R: Quase todas as pessoas da região imediata procuravam Jesus por algum motivo. Infelizmente, isso não significa que todos buscavam a salvação em Jesus. Muitos simplesmente podem ter procurado Jesus pela emoção de ver um milagre.

P: Em Mc 1,38, por que Jesus não permaneceu em um lugar por muito tempo?

R: Aparentemente, Jesus não contava com a repetição para atrair as pessoas a Ele. Assim que as pessoas tinham informações suficientes para tomar uma decisão a respeito Dele, Jesus seguia em frente para encontrar outras que ainda não O tinham visto.

P: Em Mc 1,40-41, que tipo de dúvida o leproso tinha?

R: O leproso não duvidava que Jesus tivesse o poder de Deus para curá-lo, mas duvidava se Jesus estaria disposto a curá-lo. Hoje, alguns céticos duvidam do poder de Deus. Outros, porém, duvidam do amor de Deus ou de que Ele queira cuidar de nós.

Jesus demonstrou que se importava pessoalmente com aquele homem. De acordo com a lei, uma pessoa que tocasse um leproso tornava-se impura. Jesus não se limitou a ordenar a cura do leproso; Ele o tocou.

P: Em Mc 1,40-44, o leproso era bom ou não?

R: O leproso mudou. Ele não era totalmente bom nem mau antes ou depois do milagre, mas mudou após o milagre. Antes do milagre, o leproso veio humildemente pedir a Jesus com fé, acreditando no poder de Cristo. No entanto, o leproso parecia ter dúvidas se Jesus desejava curá-lo ou não. Por outro lado, o leproso ofereceu a Jesus uma saída diplomática, caso Jesus não quisesse curá-lo naquele momento. Após esse grande milagre, o leproso sentiu vontade de contar a todos. Normalmente, poderíamos pensar que isso seria algo bom. Mas Jesus pediu ao leproso que obedecesse de uma maneira simples: não contar a todos sobre esse milagre — pelo menos não ainda. O leproso não conseguiu sequer obedecer a essa única e simples instrução.

P: Em Mc 1,44-45, por que o homem desobedeceu a Jesus e contou a todos sobre sua cura?

R: As Escrituras não dizem, mas hoje podemos observar pessoas que desejam as bênçãos e as coisas boas do cristianismo, mas que não têm nenhum conceito de obediência ou responsabilidade. Fora do cristianismo, isso talvez seja mais comum. Alguns veem o apelo da Nova Era e de alguns outros movimentos espirituais como a promessa de espiritualidade sem quaisquer obrigações.

Este não foi um caso de psicologia reversa; Jesus não queria que o homem contasse isso a outras pessoas prematuramente.

P: Em Mc 2,4, como eles conseguiram abrir o telhado e baixar o homem?

R: As casas comuns daquela época eram tipicamente feitas de palha, com barro seco e um pouco de madeira. Bastava remover a palha e cavar através do barro seco.

Isso pode ter sido constrangedor tanto para o paralítico quanto para seus amigos, mas eles provavelmente não estavam pensando nisso, apenas queriam que seu amigo fosse curado. O senhor estaria disposto a passar pelo telhado por um amigo?

P: Em Mc 2,7, por que os escribas concluíram que Jesus estava blasfemando ao dizer que os pecados do homem estavam perdoados?

R: Os judeus estavam cientes de que, para que houvesse perdão e restauração, o transgressor precisa pedir perdão àquele a quem ofendeu, e aquele que foi ofendido precisa concedê-lo. Quando Jesus concedeu o perdão, Ele estava no lugar de Deus. O simples fato de “pecar” não seria uma ofensa contra o próprio Jesus — a menos que Jesus fosse Deus.

Em Marcos 2:8-9, embora seja igualmente fácil dizer uma coisa ou outra, é igualmente impossível para um mero ser humano fazer uma coisa ou outra.

P: Em Mc 2,10, teria sido blasfêmia Jesus dizer que seus pecados estavam perdoados, caso Jesus não fosse Deus?

R: Nesse contexto, sim. No entanto, Jesus proclamou posteriormente o perdão de Deus para aqueles que se arrependem e se voltam para Cristo, e podemos proclamar em nome de Deus o que Ele proclamou. Assim, é aceitável que tanto protestantes quanto padres proclamem que os pecados de uma pessoa estão perdoados, uma vez que não estão afirmando ter esse poder por si mesmos, mas proclamando o que Deus disse. Certamente seria uma palavra difícil de aceitar na mente de alguns dos ouvintes de Jesus. Às vezes, porém, Deus nos apresenta palavras difíceis para que as assimilemos e cheguemos a uma compreensão nova e mais profunda de quem Ele é.

P: Em Mc 2,15, Jesus tinha sua própria casa?

R: Três pontos a serem considerados na resposta.

1. A mãe de Jesus morava em algum lugar, e a “base” de Jesus ficava em Cafarnaum; portanto, talvez Jesus tivesse uma casa lá.

2. A palavra “dele” aqui provavelmente se refere a Levi, e não a Jesus; portanto, trata-se da casa de Levi, e não da de Jesus.

3. É claro que, em um sentido diferente, Jesus, como Deus, é dono de todas as casas do mundo. No entanto, esse não é o significado de “sua” casa neste contexto.

P: Em Mc 2,17, por que Jesus disse que não estava chamando os justos?

R: Jesus não estava excluindo ninguém, como mostra Romanos 3,3-10; 23-24, já que ninguém era justo. O que Jesus quis dizer aqui foi que Ele não estava salvando aqueles que se achavam tão justos a ponto de não precisarem de um salvador.

P: Em Mc 2,18-20, por que os discípulos de Jesus não estavam jejuando?

R: Muitos judeus jejuavam por costume e tradição, não por devoção a Deus, e os discípulos não tinham necessidade de jejuar por esse motivo. Os cristãos ainda jejuam hoje, para se concentrarem em suas orações e como outra forma de expressar seu pesar ou a sinceridade de seu pedido a Deus.

Em tom mais leve, basta observar qualquer cristão que precise perder alguns quilos para ver uma pessoa com um potencial maravilhoso de expressar suas orações por meio do jejum.

Falando sério, os cristãos também jejuam para se aproximarem de Deus. Jesus não era contra o jejum, mas, como os discípulos já estavam com Jesus, não precisavam jejuar com esse propósito naquele momento.

P: Em Mc 2,21-22 e Mt 9,16-17, qual é o significado das duas parábolas sobre os panos e os odres?

R: Os fariseus afirmavam que deveriam seguir a tradição do jejum naquele momento, enquanto Jesus afirmava que o evangelho era algo fundamentalmente novo.

Externamente, às vezes as coisas novas não podem ser remendadas às antigas, porque as antigas não suportam isso.

Internamente, às vezes novos conteúdos não podem ser contidos por formas antigas sem que estas se rompam.

Especificamente no que diz respeito ao Evangelho, não se pode simplesmente sobrepor-no ao que já se sabe sobre o Antigo Testamento; não se trata apenas de uma reformulação do que está no Antigo Testamento, mas de um “mistério” que só havia sido sugerido até a vinda de Cristo.

A propósito, há certa incerteza se o termo “antigo” nessas duas parábolas se referia ao Antigo Testamento ou ao Antigo Testamento somado às tradições dos fariseus que foram acrescentadas a ele. Independentemente das tradições judaicas ou de outras religiões que uma pessoa possa ter, a Boa Nova não é algo que se possa simplesmente acrescentar a qualquer tradição pré-existente. Por fim, mantenham seus corações abertos a Deus; Ele pode querer lhes mostrar coisas novas que vocês não esperam.

P: Em Mc 2,22, como as organizações se tornam como odres velhos e perdem a capacidade de se adaptar a coisas novas?

R: Quando confundem as metas com os objetivos. Embora os objetivos possam, originalmente, ser adequados à meta, eles podem se tornar ultrapassados, ou podem surgir objetivos mais importantes. Então, elas continuam seguindo os objetivos originais por uma questão de tradição ou para seguir o processo. Mesmo com objetivos novos e bons, porém, bons objetivos em um bom processo não podem abranger todos os casos. Quando as organizações e as pessoas perdem a flexibilidade para se adaptar e a capacidade de fazer concessões em questões que não importam, elas podem perder sua utilidade.

P: Em Mc 2,23-24, o que seria considerado errado ao colher grãos?

R: O Antigo Testamento não diz que havia nada de errado nisso. No entanto, os fariseus consideravam qualquer coleta de grãos, por menor que fosse, como colheita. Como colher grãos era um trabalho, eles proibiam isso no sábado.

P: Em Mc 2,26, isso ocorreu nos dias de Abiatar ou de seu pai, Aimeleque?

R: O cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 909, alega que se trata de um “erro factual”, mas ele está equivocado neste ponto. Tanto Abiatar quanto Aimeleque estavam vivos naquela época, embora o pai de Abiatar, Aimeleque, tenha sido morto pouco tempo depois. De acordo com a *Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia*, p. 362, a expressão grega aqui, *epi Abiathar archiereos*, significa simplesmente “na época de Abiatar, o sumo sacerdote”. Abiatar não apenas estava vivo naquela época, como também estava presente quando isso ocorreu. Essa expressão é semelhante a dizer “na época de Davi, o governante de Israel”, mesmo que Davi tenha se tornado governante de Israel posteriormente.

Em resumo, foi durante o tempo de Abiatar, que mais tarde se tornou sumo sacerdote. Conforme conclui o livro *When Critics Ask*, p. 370: “foi durante o tempo de Abiatar, mas não durante seu mandato”.

P: Em Mc 2,27, uma vez que o sábado foi feito para o homem (anthropos em grego), isso significa que toda a humanidade deve guardar o sábado?

R: Não, por três razões.

1) Mesmo que toda a humanidade tivesse recebido a ordem de observá-lo, após a ressurreição de Jesus, o Novo Testamento afirma, em Colossenses 2:16-17, que os sábados (assim como as luas novas e as leis alimentares) não precisam mais ser observados. A Antiga Aliança está agora obsoleta, de acordo com Hebreus 8:13.

2) Mesmo nos tempos do Antigo Testamento, Deus não comunicou a ninguém, exceto aos judeus, que eles deveriam guardar o sábado. Os sábados, as festas e as luas novas eram uma ordenança perpétua para Israel, de acordo com 2 Crônicas 2:3.

3) Em Marcos 2:27, a palavra anthropos é apenas um termo genérico para designar o sexo masculino (ou homem). Contudo, não se deve dar demasiada importância ao fato de anthropos se referir exclusivamente aos homens, pois as mulheres também deviam guardar o sábado. No entanto, o sábado nunca foi ordenado a ninguém além dos judeus, pois era um sinal exclusivo entre Deus e Israel, de acordo com Êxodo 31:12-13. No céu e atualmente, o descanso sabático de Hebreus 3-4 (que é diário, tanto agora quanto no futuro) para todos os crentes mencionados em Hebreus é oferecido a todos.

Em geral, nós e os Adventistas do Sétimo Dia podemos concordar (ou, pelo menos, deveríamos concordar) que:

a) Se fôssemos judeus nos tempos do Antigo Testamento, deveríamos ter guardado o sábado.

b) Mas mesmo se fôssemos judeus nos tempos do Novo Testamento, após a ressurreição de Cristo, deveríamos obedecer a Paulo (assim como aos demais escritores do Novo Testamento e a Jesus).

c) Quando o Novo Testamento altera, revoga ou acrescenta algo ao Antigo Testamento, o Novo Testamento tem prioridade máxima.

d) Devemos nos preocupar mais com o que Deus ensinou e ordenou na Bíblia do que com as coisas sobre as quais Deus não se pronunciou.

P: Em Mc 3,6, o que há de tão hipócrita nos fariseus e herodianos (também conhecidos como saduceus) neste contexto?

R: É possível ser “legalista” e, ainda assim, ser mau (alguns advogados de defesa criminal sabem disso). Os judeus tinham leis contra matar animais no sábado, mas, como não havia nenhuma lei escrita contra conspirar no sábado para matar seu Messias, aparentemente eles achavam que isso era aceitável. Isso ocorre no início do ministério de Jesus e, mesmo que não aceitassem Jesus como seu Messias, eles estavam conspirando para matar um homem que, na perspectiva deles, não havia violado nenhuma lei que merecesse a morte.

Os fariseus tinham corações obstinados, no sentido de que optaram por não se deixar ensinar. Muitas vezes, hoje em dia, as pessoas não se deixam ensinar. Às vezes, isso não é por escolha, mas, outras vezes, é.

Como o rei Herodes havia executado João Batista, eles talvez estivessem esperando poder persuadir Herodes a fazer o mesmo com Jesus.

P: Em Mc 3,11-12, por que Jesus não aceitou o testemunho verdadeiro a respeito Dele, quando este provinha de demônios? Existe hoje algum testemunho que Deus não aceite?

R: Há alguns pontos a serem considerados na resposta.

Demônios se apropriando da mensagem: quando as pessoas ouviam os demônios louvando Jesus, parecia que eles estavam do lado Dele. Depois que Jesus partia, as pessoas ainda poderiam estar dispostas a ouvir esses demônios, pois, afinal, eles estavam louvando Jesus. Paulo expulsou um demônio de uma menina em Atos 16,16-19 por um motivo semelhante. Hoje, líderes de seitas frequentemente honram Jesus verbalmente, mas depois ensinam coisas que demonstram que não acreditam no que Jesus ensinou e ordenou.

Deus conhece o coração: Jesus nunca aceitou o testemunho dos demônios. Quanto às pessoas, 1 Samuel 16:7 diz que os homens olham para a aparência exterior, mas Deus olha para o coração. Deus se preocupa menos com as palavras que proferimos do que com o estado do nosso coração ao proferi-las. Hoje, alguns podem louvar a Deus de forma fingida, mas não com sinceridade.

P: Em Mc 3,14.19, uma vez que Jesus nomeou doze discípulos, como é que um deles, Judas Iscariotes, mais tarde traiu Jesus?

R: Atos 2:23 diz que Jesus foi entregue à morte por meio do propósito determinado e da presciência de Deus. Foi escolha de Judas trair Jesus, mas Judas foi colocado em uma posição que lhe permitiu exercer essa escolha.

Muitas pessoas podem ter se sentido traídas por Jesus em João 13:21. Elas poderiam interpretar seus milagres e afirmações como se ele tivesse o poder de expulsar os romanos, mas optou por não tentar fazê-lo. Se o senhor pensa que Deus está aqui para servir aos seus propósitos, mais cedo ou mais tarde provavelmente também se sentirá traído por Deus, isto é, até perceber que estamos aqui para servir aos propósitos Dele, e não o contrário.

P: Em Mc 3,14-19, por que Jesus quis ter doze discípulos?

R: Não sabemos ao certo, mas podemos identificar pelo menos três razões.

Para que pudessem aprender estando bem próximos a Ele.

Para que Jesus pudesse enviá-los a pregar

Para que tivessem o poder de curar os enfermos e expulsar demônios.

P: Em Mc 3,14-19, por que você acha que Jesus não escolheu nenhum especialista nas Escrituras nem pessoas que já pregavam?

R: Dos doze discípulos, quatro eram pescadores, um era cobrador de impostos e um era zelote. Sobre os outros seis, não temos informações. Mas, aos olhos do mundo, todos pareciam ser homens comuns. O importante não é quem você é quando se aproxima de Cristo; o importante é quem Cristo faz de você.

P: Em Mc 3,17, como é que a palavra “boanerges” significa “filhos do trovão”?

R: Eles receberam esse apelido devido ao seu temperamento explosivo. A palavra “boanerges” é uma transliteração grega do aramaico “benai regesh”, que significa “filhos da ira”. No entanto, a relação entre “regesh” e “nerges” não é muito próxima.

P: Em Mc 3,27, o que ou quem são as “possessões de Satanás” mencionadas aqui?

R: Há pessoas presas na escravidão de Satanás. Ninguém gosta que mexam no que considera seu, e Satanás também não gosta disso. Mas devemos tomar o que Satanás considera seu e levá-lo a Deus.

P: Em Mc 3,31-35, por que Jesus mencionou sua mãe, seus irmãos e suas irmãs neste contexto?

R: Jesus, sem dúvida, amava e valorizava Sua família, mas Sua família não tinha prioridade sobre seguir a Deus e o ministério de Jesus. Sua família viajou cerca de 30 milhas de Nazaré até Cafarnaum para levar Jesus de volta, mas Jesus não iria com eles. Devemos ter a atitude correta também. Devemos obedecer aos nossos pais no Senhor, mas há momentos em que devemos desobedecer a uma ordem direta dos nossos pais ou ir contra seus desejos implícitos, se o que eles querem não for a vontade de Deus.

P: Em Mc 3,31-35, Jesus estava pecando ao não honrar Sua mãe nessa ocasião?

R: Não, porque eles não estavam pedindo a Jesus que interrompesse sua pregação para ir vê-los naquele momento, e Jesus sabia que Deus Pai queria que Ele pregasse naquele momento. A família de Jesus achava que Ele estava fora de si em Marcos 3:20-21. Hipoteticamente falando, se Sua mãe tivesse pedido a Jesus que parasse de pregar definitivamente, Jesus teria que desobedecer a essa ordem (hipotética) para obedecer à ordem de Deus.

P: Em Mc 3,31-35, por que José não estava presente?

R: As Escrituras não dizem. No entanto, a tradição da Igreja afirma que José era muito mais velho que Maria e pode ter falecido naquela época.

P: Em Mc 4,10-20, por que Jesus explicou o significado dessas parábolas apenas aos doze discípulos?

R: As Escrituras não explicam por que a multidão não ouviu todas as explicações, mas Jesus desejava especialmente que seus discípulos não interpretassem mal. É claro que qualquer pessoa da multidão que quisesse poderia tornar-se discípulo de Jesus e ser ensinada por Ele e pelos Doze também.

De certa forma, é assim que as coisas funcionam hoje também. Todos podem ouvir algo sobre o Evangelho, mas, se realmente quiserem compreender plenamente, precisam estudar a Palavra de Deus e aprender com outros cristãos.

Mas, mesmo para os crentes, pode ser um trabalho árduo vasculhar as Escrituras para descobrir o significado de Deus. Aparentemente, Deus às vezes deseja que nos esforcemos para aprender Sua verdade; talvez assim nos lembremos melhor dela. Provérbios 25:2 diz: “É glória de Deus ocultar um assunto, e glória dos reis investigá-lo.”

Consulte “Hard Sayings of the Bible”, pp. 417–419, para uma resposta diferente, mas complementar.

P: Em Mc 4,11-12, por que Jesus obscureceria deliberadamente o evangelho falando em parábolas, de modo que as pessoas não compreendessem, se convertessem e fossem perdoadas? Ele não veio para que todos os homens fossem salvos? (Ahmad Deedat levantou essa questão.)

R: Jesus estava se referindo a Isaías 6:9,10. Jesus falava em parábolas para ser misericordioso! Aqui estão quatro pontos que respondem a essa pergunta.

1) Deus deseja que todos sejam salvos (2 Pedro 3:9; Ezequiel 17:23).

2) Mas alguns optaram por rejeitar a palavra de Deus, e há consequências para isso nesta vida. Esse tipo de pessoa se torna insensível ao ouvir, endurecendo o próprio coração (Êxodo 8:15, 32; 9:17, 34; Provérbios 28:14; Romanos 1:18-20; Hebreus 3:12-15; Zacarias 7:12).

3) Para as pessoas que rejeitam a Deus, é melhor que não conheçam a verdade do que conhecê-la e virar as costas para ela, de acordo com 2 Pedro 2:20-22.

4) Uma parábola é apropriada porque aqueles que desejam seguir a Deus podem ser guiados a compreender seu significado, e uma parábola não será compreendida por aqueles que não desejam seguir a Deus.

Se alguém já rejeitou a verdade que conhece sobre Deus, Deus não é obrigado a lhe conceder mais verdade.

P: Em Mt 13,1-23; Mc 4,14-20 e Lc 8,5-15, na parábola do semeador, de que maneira as pessoas se assemelham aos quatro tipos de solo?

R: Aqui estão alguns exemplos.

1. Alguns nunca se importam com o Evangelho desde o início. Satanás estava agindo para que o Evangelho não pudesse penetrar no solo duro desde o início. Algumas pessoas se opõem veementemente ao cristianismo. Outras não, mas, como já ouvi dizer, “virão ao estudo bíblico se não tiverem nada melhor para fazer”.

2. Algumas querem aceitar o Evangelho a princípio, mas se afastam diante de dificuldades ou perseguições.

3. Algumas pessoas crescem no Evangelho, mas são sufocadas pelas preocupações desta vida ou pelas tentações de sua sociedade. O materialismo, a exposição à imoralidade e à violência, e o alcoolismo são alguns dos maiores “espinhos” a serem observados na sociedade ocidental. Se o diabo não conseguir detê-lo com dificuldades, ele o sufocará com distrações.

4. Alguns respondem e perseveram. Dentre esses, diferentes indivíduos produzem frutos variados. Naquela época, um rendimento de 10 para 1 era considerado muito bom, de acordo com o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 118.

P: Em Mc 4,14-20, na parábola, o semeador não foi descuidado demais com a semente?

R: Descuidado, não; generoso com a semente, sim. Não existe um “quinto tipo” de solo que teria sido fértil, exceto pelo fato de o semeador ter se esquecido de semear ali. A verdade é que nenhum solo poderia dar a desculpa de que “eu teria sido um solo fértil, mas posso culpar o semeador por não ter colocado semente em mim”. Poder-se-ia acusar o semeador de ser “demasiado generoso com a semente”, dando uma chance a cada solo, mesmo que fosse uma causa perdida. No entanto, ninguém pode, com razão, acusar o semeador de ser demasiado mesquinho com a semente.

P: Em Mc 4,21-25; Mt 5,14-16; Lc 8,16-17, como devemos “brilhar” hoje?

R: Uma vez que nos convertemos a Cristo, continuamos na terra como testemunhas do amor de Deus que brilha através de nós, para que as pessoas possam ver Cristo por meio de nossas palavras, ações e vidas. Somos uma carta de Cristo ao mundo, conforme 2 Coríntios 3,3. Na verdade, podemos ser a única carta que algumas pessoas irão ler. 2 Coríntios 3:7-18 compara a glória que brilha em nós hoje como sendo mais gloriosa do que a glória que brilhou por meio de Moisés, a ponto de ele ter que colocar um véu sobre o rosto. Portanto, essa luz precisa resplandecer a partir de nós, como diz 2 Coríntios 4:6. Devemos brilhar como estrelas no céu escuro do mundo, conforme afirma Filipenses 2:15-16.

P: Em Mc 4,21-25, quais são algumas coisas, como a cesta, que roubam, escondem ou apagam a luz?

R: Existem dois tipos de “cestas”.

Na maioria das vezes, a “cesta” que esconde a luz é aquilo que os próprios crentes escolhem colocar sobre sua luz. Eles não querem dizer às pessoas que são cristãos, ou não querem compartilhar sobre sua vida e o que Jesus fez nela. Um pequeno e simples passo para superar isso é compartilhar com outro cristão, e as pessoas podem ouvir isso por acaso.

Às vezes, porém, há uma cesta imposta a nós pela sociedade, e nós simplesmente aceitamos isso passivamente. Quando o mal é elogiado, e as coisas boas e as pessoas boas são menosprezadas, devemos simplesmente ficar em silêncio? Ou, nos momentos e das maneiras apropriadas, devemos nos manifestar, defender os oprimidos e ajudar aqueles que precisam de apoio?

P: Em Mc 4,22, que tipos de coisas serão manifestadas posteriormente?

R: Cada ação, boa ou má, será revelada no dia do juízo final. Por cada palavra ociosa que proferirmos, teremos de prestar contas, de acordo com Mateus 12:36-37. Deus é um juiz do caráter, e alguém disse certa vez que o caráter é quem você é quando pensa que ninguém está olhando.

P: Em Mc 4,22, Lc 6,38 e outros versículos, o que significa que a medida que você usa/dá será a medida que você receberá?

R: Todos esses versículos dizem, em essência, “use ou perca”, mas há três aplicações.

Marcos 4:24 enfatiza que, quanto mais da sabedoria e dos dons de Deus você usar, mais lhe será dado. Se você não usar o pouco que tem, até mesmo isso lhe será tirado.

Lucas 6:38 é semelhante, mas enfatiza o que você dá aos outros, sejam coisas boas, ou perdão e misericórdia, como menciona Lucas 6:37.

Mateus 18:35; 6:12 ensinam que Deus nos perdoará na medida em que perdoarmos aos outros. A medida de misericórdia e perdão que concedemos aos outros mostra o que receberemos.

Em resumo: alguns aspectos do julgamento de Deus no fim dos tempos e da bênção durante esta vida são absolutos e constantes para todos. Outros dependem do conhecimento que a pessoa possui (Romanos 4:15; 5:13; 2 Pedro 2:21-22, etc.). Alguns aspectos do que a pessoa recebe dependem do que ela oferece aos outros.

P: Em Mc 4,26, qual é o sentido dessa parábola?

R: Esta é a única parábola encontrada exclusivamente no livro de Marcos. Nem a pessoa que semeia, nem o solo que recebe a semente percebem o que está acontecendo enquanto a semente cresce. Eles veem apenas o resultado e o benefício.

Certa vez, havia um menino que plantou uma semente de ervilha em um copo com terra. Ele a regou e a expôs ao sol, mas a planta de ervilha nunca brotou. Ele não entendia o motivo. Todos os dias, ele retirava a semente para ver como ela estava. Às vezes, nos concentramos demais nos resultados que podemos ver imediatamente e podemos deixar de perceber as coisas mais importantes.

P: Em Mc 4,31, por que diz que a semente de mostarda é a menor de todas as sementes, se existem sementes menores?

R: As sementes de mostarda são extremamente pequenas; cerca de 725 a 760 delas pesam um grama. No entanto, elas não são a menor semente de planta que existe no mundo. Eram a menor semente que as pessoas semeavam no campo e eram a menor semente que as pessoas daquela época conheciam.

P: Em Mc 4,32, por que a planta de mostarda é a maior de todas as ervas, já que existem ervas maiores?

R: Jesus não estava tentando dar uma aula de botânica aqui. Jesus falava para o benefício de seu público e usava termos que eles pudessem compreender. A planta de mostarda era a maior de todas as plantas que eles reconheciam como ervas.

P: Em Mc 4,33, as aves são boas ou más neste contexto?

R: Embora os pássaros fossem maus em Marcos 4:4, aqui eles são neutros. Eles representam pessoas que se beneficiam dos galhos da árvore, sem terem feito nenhum trabalho para plantá-la.

P: Em Mc 4,34, por que Jesus ensinava tudo por meio de parábolas?

R: Ao utilizar essa forma específica de ensino, Jesus podia ensinar aqueles que desejavam aprender e manter o ensinamento oculto daqueles que não queriam segui-Lo.

P: Em Mc 4,38, como é que Jesus podia estar dormindo no barco durante uma tempestade?

R: Jesus talvez estivesse cansado após toda a Sua pregação. Além disso, talvez o Pai quisesse especialmente que Jesus estivesse em sono profundo naquele momento, a fim de demonstrar aos discípulos a necessidade de orarem.

P: Em Mc 4,39, como o vento pôde cessar tão repentinamente?

R: O vento é resultado de diferenças de pressão entre duas áreas. Embora o vento possa parar repentinamente de forma natural, esta passagem indica que o cessação do vento foi um milagre. O termo traduzido para o inglês como “calem-se” (pephimoso em grego) é traduzido com mais precisão como “sejam amordaçados”, como em Marcos 1,25. Trata-se de um termo técnico para privar um demônio de seu poder, de acordo com o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 122, e o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 656.

P: Em Mc 4,39, as tempestades eram bastante perigosas, e os pescadores sabiam que corriam perigo real, se não fosse pela pessoa com quem estavam sentados. Nas tempestades que enfrentamos na vida, como podemos ter certeza de que estamos “no barco” com Jesus?

R: Há dois aspectos.

Junte-se ao grupo Dele: Em primeiro lugar, certifique-se de que estamos realmente seguindo Jesus para onde Ele nos está conduzindo, e não apenas pedindo a Jesus que nos ajude a chegar onde nós mesmos queremos ir. Quando Deus fecha uma porta, você pode se esforçar para reabri-la e, às vezes, consegue. Mas o resultado final não será o sucesso, e sim o fracasso.

Deixe-O entrar em nosso barco: Em segundo lugar, não basta convidar Jesus para sua vida, mas convide-O para todos os aspectos de sua vida. Há coisas em sua vida que você ainda não entregou a Deus, mas, em vez disso, disse a Ele: “Tudo bem, eu mesmo cuidarei dessa parte.” Há coisas na vida em que Deus deseja que o(a) senhor(a) mesmo(a) estude diferentes alternativas e aprenda a tomar boas decisões. Mas, assim como seus filhos às vezes tomam decisões erradas (esperamos que pequenas) e aprendem com seus erros, seu Pai celestial pode permitir que o(a) senhor(a) tome decisões erradas e aprenda com elas. Contudo, dê a Deus a oportunidade de falar com o(a) senhor(a) e, de bom grado, permita que Ele se sobreponha às suas decisões.

P: Em Mc 5,1, onde fica a região dos gadarenos?

R: Trata-se da região próxima à cidade de Gerasa, que ficava a cerca de 35 milhas a sudeste do Mar da Galiléia, no atual território da Jordânia. A uma milha ao sul da atual vila de Khersa, há uma colina íngreme a 40 jardas da margem. A duas milhas de distância, encontram-se tumbas em cavernas que, aparentemente, também eram utilizadas como moradias.

P: Em Mc 4,39, Jesus lidou de maneiras muito diferentes com os discípulos que O questionavam ali e com os demônios e as pessoas que se opunham a Ele. Como devemos lidar com pessoas que nos questionam ou se opõem a nós de maneiras diferentes?

R: Aqui estão seis passos a serem considerados.

Passo 1: Antes de lidarmos com qualquer outra pessoa, precisamos primeiro lidar conosco mesmos e com qualquer orgulho que possamos ter. Algumas pessoas acham que qualquer crítica às suas ações ou decisões é um ataque pessoal. Elas não compreendem, em tempos de conflito, o conceito de “oposição leal”. Outras acreditam que precisam sempre tomar a decisão correta e, caso não o façam, temem que alguém descubra que cometeram um erro. Certifique-se de que está à vontade para permitir que as pessoas vejam que comete erros antes mesmo de tentar lidar com os outros. Por fim, ouça com atenção. Às vezes, a pessoa com quem você está conversando está errada, e você NÃO deve seguir o conselho dela, mas, no meio da sugestão equivocada, pode haver um grão de verdade que você ainda deve levar em consideração. Seja capaz de identificar isso.

Passo 2: Perceba que nem todas as pessoas com quem você conversa já seguiram o passo 1. Tente discernir se elas interpretarão toda crítica como um ataque pessoal. Ao falar, reconheça-as, enfatize a ação ou decisão errada que tomaram e o que fazer a respeito agora.

Passo 3: Quando as pessoas lhe derem conselhos que você sabe que não devem ser seguidos, explique educadamente por que não vai segui-los, pelo menos enquanto elas permitirem que você fale. Não permita que o que você sabe ser bom seja considerado mau, como diz Romanos 14:16.

Passo 4: Quando as pessoas lhe derem conselhos que você deva seguir, concorde prontamente, agradeça-lhes por lhe ensinarem ou ajudarem e, em seguida, siga-os. Não há necessidade de discutir sobre o que você sabe ser certo, apenas para salvar as aparências. Se a pessoa que está fazendo a boa sugestão for uma criança ou estiver em uma posição inferior à sua, isso não importa. Se for um bom conselho, siga-o de qualquer maneira.

Passo 5: Quando você não achar que o conselho seja particularmente bom ou particularmente ruim, esteja disposto a fazer concessões. Se a outra pessoa tiver uma opinião firme sobre o assunto, considere quanto mal ou dano isso causaria se você simplesmente concordasse com o que, para você, é uma questão sem importância. Isso é especialmente útil no casamento.

Passo 6: Quando a pessoa estiver em uma posição superior à sua, como um chefe, um funcionário público ou seu marido, e a ordem ou o conselho dela não for bom, a situação pode ser difícil. Primeiro, tente explicar a ela os méritos da outra alternativa. Mas se ela ainda assim não quiser ouvi-lo, pode ser porque você está equivocado, ou porque você estaria certo, exceto pelo fato de não saber algo que ela sabe. Por outro lado, ela pode estar tomando uma decisão imprudente. Depois de alertá-la, como (geralmente) é seu dever, às vezes você precisa aceitar a situação.

P: Em Mc 5,3-4, como esse homem possuído por demônios podia ser tão forte a ponto de quebrar correntes e grilhões?

R: Sabe-se que mesmo pessoas que não estão possuídas por demônios já realizaram grandes feitos de força em situações estressantes de vida ou morte. Ouvi falar de um alarme sobre uma explosão iminente em uma fábrica de produtos químicos (que, felizmente, não ocorreu), e um operador químico saltou por cima de uma cerca de arame com 8 pés de altura. Quando voltou à fábrica, ele olhou para aquela cerca com admiração, pois quase não acreditava no que havia feito.

Também ouvi falar de uma mulher que, quando um carro estacionado estava prestes a esmagar seu filho, levantou um canto do carro.

P: Em Mc 5,6, por que um homem possuído por demônios corria em direção a Jesus para adorá-Lo?

R: Embora as Escrituras não o digam, eis uma especulação. Se o demônio pensou que Jesus estava vindo atrás dele e que não poderia escapar, talvez quisesse correr até Jesus primeiro para implorar que Ele o poupasse. O demônio sabia que Jesus estava chegando e, em desespero, prestou homenagem a Jesus, pedindo que Ele deixasse de atormentá-lo, mesmo que fosse o próprio demônio quem estivesse atormentando o homem.

Como observação adicional, enquanto a história anterior demonstrou o poder de Jesus sobre a natureza utilizada pelos demônios, esta ilustra diretamente o poder de Jesus sobre os demônios.

P: Em Mc 5,9 e Lc 8,30, por que o nome do demônio era “Legião”?

R: Uma legião romana contava com cerca de 5.000 a 6.000 soldados. Em outras palavras, esse homem não tinha um único problema com um demônio, mas sim 5.000 ou 6.000 problemas com demônios. Deus não se importa com quantos problemas tenhamos; o Senhor pode resolver todos eles.

Pode-se questionar se cada demônio que existe atualmente já possuía uma existência independente desde o Jardim do Éden ou não. Talvez os demônios pudessem se multiplicar (de certa forma, como germes) tanto fora quanto dentro do solo fértil de uma pessoa. No entanto, isso é apenas especulação.

P: Em Mc 5,10-14 e Lc 8,32, por que Jesus pareceu “fazer um acordo” com os demônios?

R: Embora Jesus tivesse liberdade para fazê-lo, as Escrituras não dizem, de fato, que Ele tenha feito nada além de dar-lhes permissão. Jesus não fez necessariamente nenhum favor aos demônios; os porcos se afogaram.

P: Em Mc 5,10-14, os cristãos deveriam fazer acordos com demônios hoje em dia?

R: Não há evidência de que devamos. Não possuímos o conhecimento que Jesus possuía. Considerando que os demônios enxergam em outra dimensão além da nossa, podem ser mais inteligentes e não há garantias de que sejam honestos ou confiáveis; não parece haver qualquer necessidade imperiosa de sequer falar com qualquer demônio, exceto para ordenar que sejam amarrados ou que se retirem.

P: Em Mc 5,12 e Lc 8,30-33, por que os demônios queriam entrar nos porcos?

R: As Escrituras nos dão apenas um breve vislumbre do pensamento na mente de um demônio. Aparentemente, eles concluíram que entrar nos porcos era preferível a ir para o abismo naquele momento.

As Escrituras não dizem se os demônios fizeram com que os porcos se afogassem deliberadamente, se causaram o afogamento acidentalmente ou se sequer sabiam que os porcos se afogariam. Por fim, as Escrituras não dizem se os demônios e Satanás são completamente sensatos ou se, às vezes, enlouquecem.

P: Em Mc 5,13, o que todos deveriam saber sobre a possessão demoníaca a partir desse evento?

R: Um dos objetivos dos demônios ao possuírem alguém é destruir seus hospedeiros, sejam eles porcos ou pessoas. Pessoas que afirmam se comunicar com demônios costumam ter vidas mais curtas. Se alguém está brincando com o ocultismo, ou levando isso mais a sério, é preciso perguntar-lhe por quê. Será que colocam veneno no próprio sangue regularmente? Se não querem fazer isso, então por que desejariam conversar com demônios, que os matariam da mesma forma que mataram um porco?

P: Em Mc 5,13, por que Jesus supostamente destruiu 2.000 porcos para curar um homem? (Ahmad Deedat levantou essa questão.)

R: Há dois pontos a serem considerados na resposta.

a) Presumo que Deedat concordaria que valemos mais do que muitos porcos. Os seres humanos, seja na Arábia Saudita, na Índia ou no Ocidente, matam muitos animais o tempo todo para se alimentar. Esses porcos, criados por não judeus que viviam na margem leste do Mar da Galiléia, eram criados para servir de alimento, pois, ao contrário das ovelhas ou das vacas leiteiras, não há outro propósito para a criação de porcos.

b) Foram os demônios, e não Jesus, que mataram os porcos. Quando a legião de demônios saiu do homem, eles entraram nos porcos, o que resultou no afogamento dos animais.

c) Surpreende-me que Deedat finja simpatia por esses porcos, quando o Alcorão narra a história de um profeta de Deus, mais sábio do que Moisés, que simplesmente se aproximou de um menino e lhe quebrou o pescoço, matando-o. (Não, o menino não ressuscitou nem nada disso depois disso; o menino simplesmente permaneceu morto.) Isso consta na Sura 18:63-82. Nos hadiths, Bukhari, vol. 1, livro 3, n.º 124, p. 92, aprofunda a história de al-Khidr. Abu Dawud, vol. 3, n.º 4688-4690, p. 1319

justifica isso dizendo que o menino que al-Khidr matou nasceu infiel. Então, ser um menino que não acreditava em Deus é motivo suficiente para que seu pescoço seja quebrado aos olhos de um muçulmano?

P: Em Mc 5,17 e Lc 8,37, por que a multidão pediu a Jesus que partisse?

R: Essas pessoas viram claramente a bondade e o poder de Jesus e, mesmo assim, pediram que Ele as deixasse. Elas criavam porcos, para os quais não haveria mercado entre o povo de Deus que seguia a lei de Deus.

Um equívoco comum é achar que as pessoas precisam mudar a si mesmas antes de se aproximarem de Cristo. Não precisam, pois não conseguem fazê-lo por conta própria. Jesus é quem as transformará. No entanto, e se elas não quiserem ser transformadas? Nesse caso, não desejarão se aproximar do verdadeiro Jesus.

Hoje, uma reação comum de pessoas profundamente perversas ao verem a bondade e o amor puro de Deus é tentar fazer com que isso desapareça. Isso é especialmente verdadeiro para aqueles que, espiritualmente, “vendem porcos” atualmente. Mas essas pessoas eram diferentes; elas não pareciam ter nada contra Jesus pessoalmente (ao contrário dos escribas e fariseus). Em vez disso, Jesus, por mais interessante e poderoso que fosse, era um hóspede muito oneroso para o estilo de vida que levavam naquele momento.

P: Em Mc 5,18-20, por que Jesus não permitiu que o homem O acompanhasse?

R: Jesus, sem dúvida, percebia que o homem, agora livre da possessão, permanecendo entre aqueles que o conheciam, seria um ministério mais significativo do que um gentio — agora normal — indo até judeus que não o conheciam e que já haviam testemunhado os milagres de Jesus.

Hoje, naturalmente, podemos ter a tendência de querer exercer os ministérios mais “espetaculares”, mas Deus pode ter um propósito maior para nós ao nos enviar para outro lugar ou ao nos manter onde estamos. Em vez de perguntar por que Deus não o coloca em um ministério em outro lugar, você deveria perguntar como pode ser mais eficaz onde está.

P: Em Mc 5,27-34, quando a mulher com o fluxo de sangue tocou Jesus, por que Jesus perguntou publicamente quem O havia tocado?

R: Há duas respostas possíveis.

1. Como Jesus assumiu algumas qualidades humanas limitantes, como não ser onisciente, quando veio à Terra, Ele genuinamente não sabia quem havia sido milagrosamente curada ao tocá-Lo.

2. Independentemente de saber quem era, Jesus queria que ela se apresentasse. Havia algo pendente ali: Jesus desejava conversar com ela, declarar que sua fé a havia curado e que ela fosse em paz, livre de seu sofrimento.

P: Em Mc 5,30-33, uma vez que Jesus podia saber o que se passava no interior de uma pessoa, por que razão Ele perguntou a ela?

R: Jesus perguntou por causa dela, não por causa Dele. Ele queria ajudá-la, mas queria que ela pedisse primeiro.

P: Em Mc 5,35 e Lc 8,49, por que disseram para não incomodarem Jesus depois que a filha de Jairo morreu?

R: Embora Jesus pudesse curar os doentes, eles provavelmente pensavam que nem mesmo Jesus poderia ressuscitar os mortos.

P: Em Mc 5,39 e Lc 8,52-53, por que Jesus disse que a filha de Jairo não estava morta, mas dormindo?

R: Há duas respostas possíveis.

Coma: Talvez a filha realmente não estivesse morta, mas apenas em coma, à beira da morte. As Escrituras, na verdade, não dizem que ela estava morta. Em vez disso, Lucas 8:49 diz que os outros afirmaram que ela estava morta; Lucas 8:53 diz que eles “sabiam” que ela estava morta; e Lucas 8:55 diz que o espírito dela “voltou”. No entanto, a resposta a seguir é mais provável.

Morte: Ela estava, de fato, morta. No entanto, a morte é considerada um estado físico definitivo, e Jesus usou a metáfora de que ela estava apenas dormindo, pois sabia que iria ressuscitá-la.

P: Em Mc 5,41 e Lc 8,54, por que Jesus disse: “Menina, levante-se”?

R: Se Jesus tivesse simplesmente dito “levante-se”, talvez todos os mortos tivessem ressuscitado. Não seria adequado que Jesus dissesse “levante-se”, fizesse com que todos os mortos ressuscitassem e, em seguida, acrescentasse: “pensando bem...”

P: Em Mc 5,42 e Lc 8,56, por que Jesus disse aos pais da menina para não contarem a ninguém sobre esse milagre?

R: A questão aqui pode ser o momento oportuno; talvez Jesus não quisesse que aquele milagre fosse divulgado enquanto Ele estivesse na cidade. As pessoas certamente descobririam mais cedo ou mais tarde, mas Jesus não queria que mais ninguém tentasse segui-lo “apenas por causa do espetáculo”.

P: Em Mc 5,41; 7,34, por que Marcos explica expressões aramaicas aos seus leitores?

R: O Evangelho de Marcos foi escrito em grego e, embora muitas pessoas na Palestina falassem ambas as línguas, Marcos previu que muitos de seus leitores gregos não compreenderiam os termos aramaicos. Em contraste com isso, Papias afirma que o Evangelho de Mateus foi inicialmente redigido em hebraico. No entanto, consulte o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 11-12, para obter esclarecimentos sobre a ambiguidade dessa afirmação.

O cético *Asimov’s Guide to the Bible*, p. 911, traz um comentário útil a esse respeito. Asimov afirma que o estilo de Marcos parece mais próximo do aramaico do que o próprio de Mateus. “Na verdade, parte da imperfeição do grego deste evangelho parece residir no fato de conter inúmeras formas de expressão aramaicas, traduzidas literalmente, como se Marcos estivesse escrevendo em grego, mas pensando em aramaico.”

P: Em Mc 5,41, Jesus falou aramaico ou grego?

R: Jesus certamente falava aramaico, como evidenciado por Suas expressões em aramaico. No entanto, muitos na Galiléia e na Decápolis falavam ambas as línguas, mas se sentiam mais à vontade com o grego. Como Jesus era daquela região, é provável que Ele se dirigisse às pessoas em ambas as línguas.

Aqui estão algumas expressões específicas em aramaico registradas

A1. “Filhos do trovão” Marcos 3:17

A2. “Menina, eu lhe digo: levante-se!” Marcos 5:41

A3. “abra-se / abra-se completamente” (ephphatha) Marcos 7:34

A4. “cabeça oca” Mateus 5:22

A5. “Abba, Pai” Marcos 14:36

A6. “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Mateus 27:46; Marcos 15:34

A7. “se ele curaria no sábado, para que pudessem encontrar uma acusação contra ele” (Lucas 6:7) é uma expressão em grego com gramática peculiar (um infinitivo complementar dependente) que poderia sugerir uma nuance aramaica, de acordo com *A Wandering Aramean*, p. 12-13.

Jesus falou hebraico na visão de Paulo em Atos 26:13-15.

Aqui estão quatro indícios de que Jesus também usava o grego.

G1. Mateus 16:15-18 (Petros, Petra)

G2. Os nomes Filipe e André eram gregos. O nome Bartimeu é um híbrido aramaico-grego, de acordo com o *Dictionary of Jesus and the Gospels*, p. 316.

G3. Quando Jesus seguiu para o norte, saindo da Palestina em direção a Tiro, e conversou com a mulher siro-fenícia em Marcos 7:24-29, é extremamente provável que ela falasse apenas grego.

G4. Por fim, seria difícil acreditar que, com pelo menos três Evangelhos originalmente escritos em grego, e Paulo e outros escrevendo cartas em grego, Jesus não conhecesse a língua que até mesmo os pescadores da Galiléia conheciam.

O cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 911, também discute as expressões aramaicas de Jesus.

P: Em Mc 6,1, qual era a “própria terra” de Jesus?

R: Seria a região ao redor de Nazaré, na Galiléia.

P: Em Mc 6,1-6, por que muitos na cidade natal de Jesus não acreditavam nele?

R: Alguns acreditavam. No entanto, muitas pessoas tinham dificuldade em aceitar que alguém que já fora uma criança, que crescera perto de onde elas mesmas cresceram, pudesse ser alguém importante, muito menos o Messias.

P: Em Mc 6,1-6, de que maneiras as pessoas hoje subestimam Jesus, sem rejeitá-Lo abertamente?

R: Tanto os não crentes quanto os crentes podem subestimar Jesus.

Os não crentes podem subestimar Jesus por saberem que Ele sempre esteve presente. Quando se cansam de viver a vida que levam, pensam que sempre poderão recorrer a Ele. Mas não sabemos quando nossa vida chegará ao fim e, na verdade, não temos certeza se teremos um amanhã.

Os crentes, que já entregaram sua vida a Cristo, também podem subestimar Jesus. Seu amor pode esfriar, e eles podem achar que sempre poderão se arrepender e voltar para Ele. Mas, novamente, na verdade não sabemos ao certo se teremos um amanhã. O melhor momento para se reconciliar com Deus é agora mesmo.

P: Em Mc 6,3, como você poderia encorajar as pessoas a não subestimarem Jesus?

R: Ore por elas e tente levá-las a olhar para Jesus com novos olhos. Refletam sobre o que Ele suportou por nossa causa (Hebreus 12:2-3). Considerem por que Jesus quis fazer isso, conforme mencionado no meio de Hebreus 12:2. Por fim, “mantenham os olhos no prêmio” e lembrem-se do objetivo de estar com Jesus no céu para sempre.

P: Em Mc 6,5, o fato de Jesus não poder realizar nenhum milagre prova que Ele não é Deus, como afirmam as Testemunhas de Jeová em “Raciocínio a partir das Escrituras”, p. 150 (1989)?

R: Não. Há dois pontos a serem considerados na resposta.

Na Terra, Jesus voluntariamente se esvaziou, assumindo a forma de um servo, como diz Filipenses 2:6-7. Jesus experimentou obediência, sofrimento e dor física enquanto esteve na Terra.

Optar por não realizar um milagre é diferente de ser fisicamente incapaz de realizá-lo. Independentemente do esvaziamento de Jesus, Deus, o Pai, poderia ter escolhido que um milagre fosse realizado, mas, devido à falta de fé deles, não optou por fazê-lo.

P: Em Mc 6,5, por que Jesus não foi capaz de realizar nenhum milagre grandioso em Sua cidade natal?

R: Como o povo, em geral, se recusava a acreditar em alguém da própria cidade, realizar um milagre não aumentaria a fé deles. Isso também poderia ser um ato de misericórdia da parte de Jesus. 2 Pedro 2:21-22 diz que é melhor alguém não conhecer o caminho da verdade do que conhecê-lo e virar as costas para ele.

P: Em Mc 6,8-9, por que os discípulos não podiam levar bolsa, pão ou moedas de cobre nos cintos?

R: Simplesmente porque nosso Senhor lhes ordenou que não o fizessem. Podemos supor que Ele queria que eles dependessem de Deus e dos outros, e não de seus recursos financeiros.

P: Em Mc 6,10 e Lc 9,4-5, por que eles não deviam visitar várias casas em uma mesma cidade?

R: Jesus não explicou, mas podemos identificar várias razões práticas para não visitarem várias casas.

1. Havia uma chance maior de as pessoas se ofenderem, de haver mal-entendidos ou de surgir contenda entre elas sobre quem ficaria com os hóspedes.

2. Seria uma distração para as pessoas — sem falar dos discípulos — ficarem sempre preocupadas com o local onde se hospedariam.

P: Em Mc 6,11, se o senhor vivesse naquela época e tivesse uma profecia sobre o que Judas Iscariotes faria, deveria receber Judas em sua casa?

R: Sim, se soubesse que era isso que Jesus queria que você fizesse. O fator mais importante a se perguntar em qualquer decisão é: “o que Jesus gostaria que você fizesse?”

P: Em Mc 6,14-29, por que algumas pessoas, como Herodes neste caso, praticam atos malignos que sabem que não querem praticar?

R: Herodes se encontrava em um dilema. Ele gostava de manter João vivo como prisioneiro. Por outro lado, porém, não queria dar a impressão pública de voltar atrás em sua palavra diante de seus convidados. Herodes matou muitas pessoas como rei, e matar mais uma pessoa provavelmente não lhe parecia algo tão grave.

É honroso manter a palavra dada, mas alguns acreditam que é sempre honroso mantê-la acima de tudo. Herodes não queria fazer nada que parecesse desonroso. Jefté pode ter se sentido da mesma forma quando cometeu o ato maligno de matar sua filha para manter a palavra dada.

P: Em Mc 6,14-29, embora Herodes não tenha realmente rejeitado João Batista, em que medida o fato de Herodes subestimar João Batista difere da maneira como outros subestimam Jesus?

R: Herodes tinha uma relação de amor e ódio com João Batista. Ele detestava que João estivesse livre, criticando-o publicamente e possivelmente causando problemas. Por outro lado, ele gostava de conversar com João Batista, e Herodes gostava de poder manter esse potencial causador de problemas preso e sob seu controle. Ele gostava de ter João Batista, ou melhor, gostava de tê-lo exatamente onde pudesse controlá-lo. Hoje em dia, algumas pessoas gostam de Jesus, gostam de aprender sobre Jesus, mas não gostam que Jesus faça exigências em relação à sua vida e queira que elas estejam sob o controle de Cristo.

P: Em Mc 6,17-18, por que não era lícito que Herodes Antipas tivesse a esposa de seu irmão?

R: João conhecia bem o Antigo Testamento. O fato de Herodes ter se casado com a esposa de seu irmão enquanto este ainda estava vivo era contrário a Levítico 18:16; 20:21.

P: Em Mc 6,20, como é que Herodes Antipas temia e respeitava João, uma vez que mais tarde Herodes o matou?

R: Dada a dedicação de João em abrir mão de uma vida confortável para viver no deserto, bem como sua ousadia em pregar a verdade a qualquer custo, Herodes nutria um respeito genuíno por João. Por maior que fosse o respeito de Herodes, seu juramento precipitado à filha adotiva e seu medo de ser visto como alguém que quebrou o juramento foram mais fortes do que seu respeito e seu desejo de fazer o que era certo, conforme mostra Marcos 6:22-28.

Por mais estranho que pareça, o desejo de algumas pessoas de não quebrar a palavra dada e de parecerem justas é maior do que o desejo de serem realmente justas.

P: Em Mc 6:21, Mt 14:6-10 e Gn 40:20-22, visto que Herodes mandou matar João Batista no dia do seu aniversário e o Faraó mandou matar o chefe dos padeiros no dia do seu aniversário, esses versículos sugerem que não devemos comemorar aniversários, como afirmam as Testemunhas de Jeová em “Raciocínio a partir das Escrituras”, p. 68-69 (1989)?

R: Não. Foram Herodes e o Faraó que eram maus, não o aniversário. A ocasião em si não era nem boa nem má. O fato de ambas as coisas terem ocorrido em ambientes fechados também não implica que nunca devamos estar em ambientes fechados.

P: Em Mc 6:30-34, por que eles precisavam descansar, e isso era essencial?

R: Os discípulos estavam tão ocupados que nem sequer tinham tempo para comer. Eles precisavam de tempo não apenas para comer, mas também para relaxar e descontrair.

No entanto, a necessidade deles de relaxar estava subordinada às multidões que os seguiam. Como a grama estava verde, isso significa que o evento ocorreu no final do inverno ou início da primavera. Esse milagre não teria acontecido se os discípulos tivessem seguido o plano e simplesmente descansado, como nos diz o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1336.

P: Em Mc 6,30-32, qual é o lugar do descanso na vida cristã?

R: Às vezes, Deus deseja que reservemos tempo — que, de outra forma, poderia ser dedicado ao ministério — para relaxar e nos aproximarmos Dele.

No entanto, isso não justifica férias luxuosas para líderes cristãos, como nos lembra o Comentário Bíblico do Crente, pp. 1335-1336.

P: Em Mc 6,38 e Mc 8,5, por que, antes de cada uma das duas distribuições de alimentos, Jesus perguntou quanta comida havia disponível?

R: Em retrospecto, a quantidade de comida com que Jesus começou não parecia relevante. Jesus poderia ter alimentado todos com uma única migalha, se assim o desejasse. Em vez disso, Jesus queria que eles percebessem que a comida não era suficiente para alimentar a todos, que havia mais comida no final do que no início, e o uso dos números significativos 12 e 7 simplesmente mostra que as quantidades envolvidas não eram meramente fruto do acaso.

Esses pães eram pequenos; era possível comer vários pães inteiros em uma única refeição, de acordo com o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 763. As aldeias vizinhas de Cafarnaum e Betsaida tinham apenas 2.000 a 3.000 habitantes, segundo o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 675. Assim, teria sido difícil para as aldeias vizinhas alimentar todas aquelas pessoas.

P: Em Mc 6,38, por que Jesus ordenou o impossível?

R: Quando Jesus ordenou aos discípulos que alimentassem a multidão, no grego a ênfase recai sobre a palavra “vocês” (plural). Certamente não seria a última vez que Deus ordenaria a alguém que fizesse algo impossível pelo poder humano, mas tudo é possível com o poder de Deus.

P: Em Mc 6,38-44, que lição espiritual há para nós a respeito dos pães?

R: A fonte desse milagre foi Jesus, que é o Pão da Vida. Os pães originais, antes de serem abençoados por Deus e antes de serem partidos, não eram suficientes para a necessidade do momento. Mas era tudo o que eles tinham, e Deus os aceitou assim mesmo. Mas, com as bênçãos de Deus, eles foram partidos. E, com essa bênção e essa partilha, não apenas supriram a necessidade do momento, como ainda sobraram pedaços. E não apenas sobraram pedaços, como havia até mais do que tinham no início. Deus não alimentou essas pessoas diretamente; em vez disso, Deus deu o alimento ao Seu povo, os discípulos, para que eles as alimentassem. Havia mais do que o suficiente para todos, mas eles não desperdiçaram, pois recolheram as sobras.

P: Em Mc 6,48, por que Jesus estava prestes a passar por eles?

R: Jesus, caminhando sobre as águas, avançava mais rapidamente do que os discípulos remando contra o vento. No entanto, Jesus não caminhava em direção ao barco, mas sim para passar por eles, até que estes O chamaram.

Hoje, Jesus e as bênçãos de Deus podem estar vindo em nossa direção, mas vão passar por nós, a menos que clamemos a Deus para que Ele venha até nós, e não apenas passe por nós. Vivemos nossas vidas de tal forma que não queremos nos afastar muito de Deus, ou vivemos de modo a querer estar o mais próximo possível Dele?

P: Em Mc 6,53-56, o que sabemos sobre a região de Genesaré?

R: Ao contrário dos locais remotos anteriores, Genesaré era uma região muito fértil na margem oeste do Mar da Galiléia e, portanto, bastante populosa, de acordo com o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 676. Havia várias fontes minerais na área, e os enfermos iam até lá em busca de alívio e esperança.

P: Em Mc 6,53-56, as pessoas poderiam interpretar isso como se Jesus fosse apenas nosso meio de subsistência. Por que Jesus ainda assim agiu assim, e o que Ele fez para amenizar essa situação?

R: Muitos vinham não principalmente para seguir Jesus, nem mesmo para aprender com Seus ensinamentos. Eles vinham pelo que Jesus poderia fazer por eles. Jesus queria demonstrar quem Ele era, mas talvez uma das razões pelas quais Ele seguisse adiante com tanta frequência fosse para que, após demonstrar quem Ele era, pudesse deixar para trás aqueles que buscavam apenas comida ou uma cura. No entanto, eles continuavam a segui-Lo por onde quer que Ele fosse.

Hoje, os líderes da igreja precisam ter cuidado com aqueles que vêm à igreja apenas por uma refeição ou pelo que ela pode lhes proporcionar. A motivação deles talvez possa mudar para melhor no futuro. Mas os líderes da igreja precisam encontrar um equilíbrio entre demonstrar amor e simplesmente serem explorados.

P: Em Mc 7,2-5, o que seria considerado errado em comer com as mãos sujas?

R: Os fariseus estenderam o conceito do Antigo Testamento de puro e impuro a muitas áreas. Isso era aceitável, mas quando equiparam suas opiniões à palavra de Deus, foi aí que ocorreu o conflito com Jesus. 1 Coríntios 4,6 e Provérbios 30,5-6 mostram que é errado ir além da palavra de Deus.

Isso era apenas tradição oral na época de Jesus, mas por volta de 200 a 300 d.C. as diversas tradições foram registradas por escrito na Mishná judaica. Não apenas Jesus, mas também os saduceus rejeitaram a tradição dos fariseus, de acordo com o New International Bible Commentary, p. 1165.

P: Em Mc 7,6-8, os fariseus ficariam bastante surpresos com a resposta de Jesus. De que maneira os fariseus — e outras pessoas hoje em dia — praticavam a arte do autoengano?

R: O autoengano é algo muito fácil de se praticar hoje em dia, e de múltiplas maneiras. Pode ser involuntário ou intencional; pode consistir em ver coisas que não estão realmente lá, em não ver coisas que estão lá e em negar o que se vê de fato. Às vezes, quando as pessoas inicialmente enganam os outros — e não a si mesmas —, acabam por começar a acreditar no que, originalmente, sabiam ser uma mentira.

Houve um estudo em que os participantes foram convidados a assistir a um vídeo e tentar contar quantas vezes alguém quicava uma bola de basquete. O vídeo mostrava uma festa com pessoas conversando e uma pessoa à frente driblando uma bola de basquete. Em determinado momento, alguém vestido com uma fantasia de gorila atravessou o meio da festa. Após o vídeo, os participantes foram solicitados a informar o número que haviam contado e se haviam notado algo incomum enquanto assistiam ao vídeo. Todos responderam que não. Seus olhos estavam tão concentrados na bola de basquete que nem sequer viram a pessoa vestida com a fantasia de gorila atravessando a festa!

Às vezes, o autoengano é mais deliberado. Quando uma pessoa decide o que é verdade com base no que deseja que seja verdade, ela ignora totalmente — ou, pelo menos, minimiza — as evidências que indicam o contrário. Certa vez, no verão, participei de uma viagem missionária a Utah para testemunhar aos mórmons. Cerca de metade dos cristãos do grupo eram ex-mórmons, e a outra metade (incluindo eu) não era. Foi fascinante fazer perguntas aos ex-mórmons sobre a época em que eram mórmons. Uma das perguntas foi: “Como o senhor conseguia dormir à noite, com todas essas contradições no mormonismo?” Ele respondeu que, como mórmon, conseguia dormir muito bem. Sim, ele sabia de algumas dessas contradições e sabia que não conseguia respondê-las, mas isso não o incomodava porque achava que havia alguém na Igreja Mórmon que pudesse fazê-lo. Como mórmon, ele acabou descobrindo que ninguém conseguia responder a essas contradições e, mais tarde, abandonou a religião.

Os fariseus sofriam do que se chama de “dissonância cognitiva”. Eles “sabiam” que apenas eles eram os mestres de Israel e que não estavam equivocados. Mas eis que surgiu esse homem, Jesus, que estava abalando sua visão de mundo ao ensinar com autoridade e realizar milagres que somente alguém enviado por Deus poderia realizar. Essa grande tensão só poderia ser eliminada se conseguissem expor Jesus como um impostor, percebendo que sua “certeza” anterior estava errada, ou então eliminando o que causava a tensão e mandando matar Jesus.

P: Em Mc 7,7-8, como saber se uma regra é de Deus ou do homem?

R: Se o senhor não ler as Escrituras de Deus por conta própria, pode ser muito difícil saber.

Um católico chamado Paulo, que era um cristão genuíno, participava de um pequeno grupo de estudo bíblico que eu conduzia há um ano. Achei curioso que ele frequentemente mencionasse coisas muito básicas e me perguntasse se elas estavam na Bíblia. (Na maioria das vezes, estavam.) Mais tarde, ele me explicou por que fazia todas aquelas perguntas. Ele disse que havia aprendido essas coisas enquanto estudava em uma escola católica, e que lá não se fazia distinção entre o que a Igreja Católica ensinava e o que Deus ensinava na Bíblia.

Quando um professor cristão, de qualquer grupo, deixa de diferenciar entre a palavra de Deus e seus ensinamentos que vão além da palavra de Deus, ele eleva a importância de seus ensinamentos às custas de seus discípulos, que ficam se perguntando o que Deus realmente disse. Tanto 1 Coríntios 4:6 quanto Provérbios 30:5-6 alertam todos os cristãos para que não acrescentem nada à palavra de Deus. Talvez essa seja parte da razão para o julgamento mais rigoroso a que os professores estão sujeitos, de acordo com Tiago 3:1-2.

P: Em Mc 7,7-8, não devemos seguir nenhuma regra estabelecida pelos homens?

R: Certamente que não; como mostram Romanos 13:1 e 1 Pedro 2:13-18, devemos obedecer às autoridades humanas. Pelo contrário, Marcos 7:10-14 mostra que Jesus se opunha firmemente à desobediência às leis de Deus com o objetivo de cumprir as leis dos homens.

P: Em Mc 7,11, por que o “corban” era ruim, e como algumas pessoas fazem coisas semelhantes com seus pais hoje em dia?

R: Corban significa que algo era dedicado a Deus, presumivelmente para ser oferecido no Templo. No entanto, isso NÃO significava necessariamente que seria entregue ao Templo. A pessoa ainda poderia usá-lo para si mesma, de acordo com o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 678-679, e o *Believer’s Bible Commentary*, p. 1337.

Se alguém doa muito dinheiro a Deus, mas ainda assim sustenta sua família, incluindo seus pais, isso é aceitável. Mas se alguém deixa de sustentar sua família, quando poderia fazê-lo, Paulo afirma, em 1 Timóteo 5:8, que essa pessoa é pior do que um incrédulo. Até mesmo a maioria dos incrédulos sustenta sua própria família.

P: Em Mc 7,15, quando Jesus disse que nada que entra no homem pode contaminá-lo, Ele estava se referindo a algo válido nos tempos do Antigo Testamento ou a um novo ensinamento?

R: Trata-se de uma repetição de Mateus 15:10-20.

Jesus não invalidou os mandamentos alimentares do Antigo Testamento; Ele os substituiu. Há quatro pontos a serem considerados aqui.

1. Embora Jesus e Seus discípulos às vezes infringissem as tradições criadas pelos homens dos fariseus, eles próprios viviam em obediência à Lei do Antigo Testamento.

2. Mesmo sob o Antigo Testamento, Deus se preocupava com a obediência deles, e a alimentação era apenas uma forma — mas não a única — de demonstrarem essa obediência.

3. Depois que a ressurreição de Jesus deu início a um novo período, os discípulos não optaram por comer todos os tipos de carne. Um anjo de Deus desceu e instruiu Pedro, que se mostrava relutante, a comer, conforme Atos 10:11-16. Quem era Pedro para contestar um anjo do céu?

4. Os muçulmanos não deveriam ter qualquer problema com esta resposta, já que Maomé supostamente fez a mesma coisa. Ele falou de leis revogadas (embora a revogação seja um conceito um pouco diferente da Nova Aliança por meio de Jesus). Além disso, ele mostrou que os muçulmanos podiam comer carne de camelo, e o Antigo Testamento considera a carne de camelo da mesma forma que a carne de porco (Levítico 11:4, 7, 26; Deuteronômio 14:7, 8).

P: Em Mc 7,18, por que Jesus ficou surpreso com a falta de compreensão deles?

R: Não se tratava das multidões, mas dos próprios discípulos de Jesus, que não compreendiam. Jesus pensava que eles já teriam percebido, a essa altura, que, no Novo Reino, o que importava não era a comida externa, mas o que havia dentro da pessoa.

P: Em Mc 7,18, visto que os discípulos não tinham o Espírito Santo até o Pentecostes, seria de se esperar que compreendessem alguma coisa do que Jesus dizia?

R: Às vezes, as pessoas interpretam erroneamente o que o Espírito Santo faz e o que não faz. O Espírito Santo convence o mundo do pecado e nos ilumina para a verdade, mas as pessoas ainda podem perceber alguma verdade mesmo sem o Espírito Santo.

P: Em Mc 7,18-23, como Jesus declarou que todos os alimentos eram puros?

R: Primeiro, o que não é a resposta e, em seguida, a resposta.

O que não é a resposta: Muitos alimentos proibidos no Antigo Testamento eram alimentos de animais necrófagos (como porcos e mariscos) e carnívoros. Esses alimentos, se não fossem bem cozidos, apresentariam mais doenças e parasitas do que os alimentos que eles podiam comer. Mas isso não é o ponto principal. O ponto era que Deus lhes deu leis a serem seguidas e que eles poderiam agradar ou desagradar a Deus ao seguir ou não Seus mandamentos.

A resposta: Jesus, sendo Deus encarnado, decretou que agora todos os alimentos eram declarados puros. Isso foi reiterado a Pedro em Atos 10:11-16. Paulo também falou sobre isso em Colossenses 2:16. Um ponto-chave é que Jesus não declarou “tudo” puro; Ele apenas declarou que todos os alimentos que entram em nosso corpo são puros. As coisas más que podem sair de nosso coração nunca foram puras e ainda não o são.

P: Em Mc 7,26, por que a mulher é chamada de sírio-fenícia?

R: Do ponto de vista administrativo, a Fenícia fazia parte da província romana da Síria. Talvez Marcos tenha usado esse termo para diferenciá-la dos líbio-fenícios, que eram do Norte da África.

P: Em Mc 7, o que é melhor: tentar levar uma vida limpa e pura ou tentar estar próximo de Jesus?

R: Na verdade, queremos ambas as coisas. Mas se um crente estiver levando uma vida limpa, mas quiser permanecer distante de Jesus, ele não se tornará mais semelhante a Cristo. Por outro lado, se um crente estiver em pecado, mas quiser se arrepender e se aproximar de Jesus, então ele se tornará mais puro e semelhante a Cristo.

P: Em Mc 8,10, onde fica Dalmanuta?

R: Fica a sudoeste do Mar da Galiléia. Por muito tempo, os estudiosos não sabiam a localização exata. No entanto, foi encontrada uma caverna ao sul da Planície de Genesaré com o nome “Talmanutha”.

P: Em Mc 8,11-12, por que Jesus não obedeceu aos fariseus ou, pelo menos, não atendeu a seu pedido, fornecendo um sinal do céu conforme solicitado?

R: Isso ocorreu logo após Jesus ter alimentado os 4.000. O que mais um milagre provaria aos fariseus? Eles não haviam querido sair para ouvir Jesus, mas certamente teriam ouvido falar desse milagre. Observe que o pedido deles não partiu da fé, mas sim da incredulidade. Os fariseus pareciam presumir que Jesus tivesse de responder a todas as suas perguntas. Mas Jesus não estava em dívida com eles para provar nada. Jesus está, na verdade, dizendo a eles: “Vocês não verão um sinal por exigência; vocês já viram e ouviram.”

P: Em Mc 8,15, por que certos ensinamentos errados são comparados ao fermento?

R: Basta uma pitada de fermento, o ambiente certo (a massa) e um pouco de tempo para que todo o ambiente seja transformado. O politicamente correto é uma tentativa de impedir que o ambiente seja alterado (ou volte ao que era), definindo certas visões ou temas como “proibidos”. Se você deseja aprender sobre Deus, precisa seguir os fariseus. Isso era um dado adquirido que todos compreendiam. Em épocas posteriores, se você quiser seguir a Deus, terá de seguir tudo o que o sacerdote disser. Embora os cristãos bíblicos tenham sido acusados de ter um “papa de papel” e de simplesmente seguir um Livro, na verdade estamos apenas buscando seguir a Deus e as palavras que Ele nos deu. Qualquer figura religiosa meramente humana, mesmo que seja boa, e qualquer credo ou concílio, mesmo que seja bom, ainda assim não substitui a Deus e Sua palavra.

P: Em Mc 8,17-21, qual poderia ser o significado desses números?

R: Jesus acabara de alertá-los sobre os fariseus e saduceus, e os discípulos estavam ignorando o que Ele dizia; estavam concentrados na falta de pão. Assim, Jesus os encontrou exatamente onde estavam e no que estavam focados. Ele lhes perguntou quais eram os números: cinco pães para doze “cestas de almoço” em Israel; sete pães para sete “cestas” entre os gentios. Há duas respostas complementares.

De modo geral, Jesus estava ressaltando que eles acabaram com mais sobras do que tinham no início. Portanto, não precisam se preocupar com a possibilidade de Jesus não ser capaz de prover pão.

Especificamente, o sete é frequentemente um símbolo de plenitude, ou de plenitude em Deus, na Bíblia. Embora o número doze na Bíblia frequentemente se refira às doze tribos, não é esse o caso aqui. Haveria doze apóstolos, e os apóstolos eram destinados a todas as nações. Os números cinco e doze eram simplesmente diferentes dos números sete e sete, e as cestas de almoço e as cestas de provisões eram recipientes de tamanhos diferentes, indicando que se tratavam de eventos distintos e demonstrando que Jesus era o provedor da salvação tanto para judeus quanto para gentios.

P: Em Mc 8,22-26, quais são os três tipos de cegueira espiritual?

R: O homem era cego e, posteriormente, ficou parcialmente cego fisicamente, mas os discípulos ainda estavam parcialmente cegos espiritualmente.

Involuntária: As pessoas podem ser cegas fisicamente por terem nascido assim, como em João 9,1-2, por terem ficado totalmente cegas posteriormente ou por serem parcialmente cegas. Espiritualmente, muitos não-crentes são cegos, pois desconhecem a luz e a verdade de Cristo.

Cegueira intencional: Os escarnecedores e os incrédulos teimosos rejeitam Cristo porque se recusam a enxergar a verdade que já lhes foi revelada. Os fariseus não eram estúpidos; eram hábeis em encontrar objeções e motivos para optar por não enxergar. Assim como uma pessoa sem deficiência não pode estacionar seu carro em uma vaga para deficientes e, em seguida, colocar uma venda nos olhos, há uma diferença entre a cegueira intencional e a não intencional.

Crentes: Mesmo os crentes, que entregaram suas vidas a Jesus, podem estar parcialmente cegos para a verdade. Aqui, nem mesmo os discípulos conseguiram enxergar.

P: Em Mc 8,23-25, por que Jesus pareceu curar o cego em etapas?

R: As Escrituras não dizem. Talvez o homem tivesse mais de um problema, ou talvez haja uma lição mais profunda para nós. Assim como a cegueira física do homem foi curada em etapas, às vezes a cegueira espiritual de uma pessoa também é curada em etapas.

Assim como o homem permaneceu parcialmente cego até o fim, algumas pessoas também podem estar parcialmente cegas espiritualmente. Elas enxergam algumas coisas corretamente e presumem que enxergam tudo corretamente, sem saber que ainda estão parcialmente cegas. Por exemplo, alguns viam Jesus como um profeta, mas não como o Messias. Hoje, alguns veem Jesus como Salvador, mas não como Senhor. Alguns veem Deus como amor, mas não como justiça e ira também.

P: Em Mc 8,24, por que o cego curado inicialmente via as pessoas como árvores andando?

R: Talvez os nervos ópticos do homem não estivessem captando a luz com clareza. Poderia haver múltiplas razões para a cegueira, envolvendo a pupila, a íris, a córnea e o nervo óptico.

Alternativamente, o homem poderia ter tido uma visão perfeita inicialmente, mas seu cérebro não estava treinado para processar os padrões. Na verdade, o cérebro das pessoas recebe uma imagem invertida do mundo. Nossos cérebros se treinam para inverter a imagem. Em um filme da Moody Science, um homem recebeu um par especial de óculos que invertia a imagem de cabeça para baixo. Depois de usá-los por tempo suficiente, o cérebro do homem se ajustou perfeitamente, e ele não teve nenhum problema para andar ou se orientar — pelo menos até que os óculos fossem removidos, quando o cérebro do homem teve que se retreinar novamente.

Consulte http://www.answersingenesis.org/docs/4146.asp para ver alguns exemplos interessantes da atualidade de pessoas que são capazes de enxergar fisicamente, mas ainda assim não conseguem reconhecer as coisas inicialmente.

P: Em Mc 8,26, por que Jesus disse ao homem para ir direto para casa e não para a vila?

R: As Escrituras não dizem, mas aparentemente o homem e sua família eram de outra cidade ou moravam fora da cidade. Mas Jesus foi muito explícito nesse ponto. Primeiro, Jesus conduziu o cego para fora da cidade, sem ainda curá-lo. Em seguida, Jesus o curou gradualmente e, então, ordenou especificamente ao homem que não voltasse à aldeia.

O “New International Bible Commentary”, p. 1166, especula que era apropriado que o homem contasse primeiro aos seus parentes, em vez de que estes soubessem da notícia por outra pessoa. Alternativamente, Jesus não queria que os fariseus da cidade testemunhassem o milagre, já que havia acabado de lhes dizer, em Marcos 8:11, que eles não veriam nenhum sinal de Jesus. Ou talvez houvesse outras pessoas que Jesus não quisesse que testemunhassem o milagre. Por fim, Jesus talvez não quisesse que algumas pessoas testemunhassem a cura em etapas.

P: Em Mc 8,38, o cético Bart Ehrman argumenta que Jesus não se identifica explicitamente como o Filho do Homem (Jesus, Interrupted, p. 159).

R: Jesus não precisava fazê-lo aqui. Ele se identificou como o Filho do Homem em Marcos 2:5-12. Jesus disse em Marcos 2:8a-12: “Por que vocês estão pensando essas coisas em seus corações? … O que é mais fácil: dizer a um paralítico: ‘Seus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levante-se, pegue sua maca e ande’? Mas, para que saibam que o Filho do Homem tem autoridade na terra para perdoar pecados...’ Ele disse ao paralítico: ‘Eu te digo: levante-se, pegue sua maca e vá para casa.’ E imediatamente o homem levantou-se, pegou sua maca e saiu andando diante de todos. Com isso, todos ficaram pasmos e glorificaram a Deus, dizendo: ‘Nunca vimos nada parecido com isso!’” (BSB) Jesus usou o termo 81 vezes nos Evangelhos. Por que Ehrman consideraria significativo o fato de Jesus não ter explicitado isso novamente neste trecho?

P: Em Mc 8,38, o que significa que Jesus terá vergonha daqueles que se envergonharam de Jesus nesta vida?

R: Os intérpretes têm duas visões a respeito.

1. Os crentes eleitos que se envergonham de Jesus sofrerão reprovação quando chegarem ao Céu. Essa é a visão do “Believer’s Bible Commentary”, p. 1341. Alguns cristãos acreditam de verdade, mas se deixaram influenciar demais pelo mundo para defender Jesus ou compartilhar o Evangelho.

2. Os chamados cristãos que se envergonham de Jesus descobrirão que não irão para o Céu de forma alguma. O “Bible Knowledge Commentary: New Testament”, p. 141-142, e a “NIV Study Bible”, p. 1510, defendem essa visão. 2 Timóteo 2:12 também diz que, se negarmos a Cristo Jesus, Ele nos negará. Algumas pessoas se recusam a aceitar Jesus por diversas razões emocionais. Judas, aparentemente, ficou desapontado porque Jesus não iria tomar nenhuma ação militar naquele momento. Alguns afirmam que as pessoas são tão boas que não precisam de salvação, ou que é “muito primitivo” dizer que precisamos de um sacrifício por nós. Outros não querem que alguém olhe do céu para julgar o que fazem.

É claro que ambas as afirmações provavelmente são verdadeiras, pois Jesus não especificou esse “grau de vergonha” neste versículo. É algo sério acreditar em Jesus, negá-Lo e arrepender-se (como fez Pedro), mas é algo ainda mais sério nunca ter entregado sua vida a Ele desde o início.

P: Em Mc 9,1-2, por que o senhor acha que Deus permitiu que a transfiguração ocorresse?

R: Primeiramente, observe que, até a morte de Jesus, ninguém sabia disso, exceto os discípulos. Portanto, isso não ajudou mais ninguém, pelo menos não até a morte e a ressurreição de Jesus. Embora as Escrituras não digam por que isso aconteceu, podemos identificar pelo menos seis razões.

1) Isso fortaleceria a fé dos discípulos. Os discípulos teriam um vislumbre da glória suprema de Jesus.

2) Seria um incentivo para o próprio Jesus, antes de ir para a cruz. Talvez Elias e Moisés também tenham dito a Jesus algumas coisas que eram necessárias.

3) Para cumprir a profecia: Malaquias 4:5-6 diz que Elias viria antes do grande dia do Senhor. Embora João Batista estivesse no espírito e no poder de Elias, o próprio Elias apareceu fisicamente na transfiguração.

4) Duas testemunhas, Moisés e Elias, vieram para estar com Jesus, pelo menos por um breve momento. Elias nunca morreu (2 Reis 2:11), e, embora Moisés tenha morrido, seu corpo nunca foi encontrado (Deuteronômio 34:6). Haverá duas testemunhas logo antes da segunda vinda de Jesus, conforme Apocalipse 11, e isso pode ser um prenúncio disso.

5) Para nós que vivemos após a ressurreição, isso reforçaria que Deus estava no controle e sabia desde o início o que aconteceria com a crucificação e a ressurreição.

6) Por fim, isso cumpriu a profecia que Jesus fez em Marcos 9:1

P: Em Mt 17,1; Mc 9,2 e Lc 9,28-29, em que montanha ocorreu a transfiguração?

R: As Escrituras não especificam, mas eis o que sabemos. Em primeiro lugar, tratava-se de uma montanha alta, e o Monte Tabor fica a apenas 1.843 pés acima do nível do mar (cerca de 5 campos de futebol), portanto não se qualifica como uma montanha alta. Ficava a dez milhas a sudoeste do Mar da Galiléia e não perto de Cesareia de Filipe. Além disso, naquela época havia uma fortaleza romana no topo do Monte Tabor.

O Monte Hermon, com mais de 9.000 pés de altura, é a montanha mais alta da região e o evento poderia ter ocorrido lá. No entanto, ele fica bastante distante, ao norte das Colinas de Golã, na fronteira entre a Síria e o Líbano. O “Believer’s Bible Commentary”, p. 1.400, defende essa visão.

O Monte Meron / Jebel Jermaq, a oeste do Mar da Galiléia, tem 3.926/3.962 pés de altura, e W. Liefield sugeriu essa localização.

P: Em Mc 9,7 e seguintes, de todas as coisas que Deus poderia ter dito, apenas esta única frase foi registrada. Por que o senhor acha que isso era tão importante para os discípulos saberem?

R: O cristianismo não se trata, em primeiro lugar, de leis, doutrina ou serviço ministerial. Embora essas coisas estejam presentes, elas não são o essencial. O essencial também não é a nossa experiência, comunhão ou oração. O que realmente importa é amar a Jesus. Mas os crentes podem se esquecer disso. Paulo diz em 2 Coríntios 11:2-3: “Tenho ciúmes de vocês com um ciúme piedoso. Pois eu os prometi a um único marido, para apresentá-los como uma virgem pura a Cristo. Temo, porém, que, assim como Eva foi enganada pela astúcia da serpente, suas mentes possam ser desviadas de sua devoção simples e pura a Cristo.”

P: Em Mc 9,14-16, como resistimos à tentação de permanecer no topo da montanha por muito tempo, quando Jesus deseja que desçamos?

R: Lembre-se de que não se trata de nós, do nosso aprendizado, conhecimento e experiência, mas sim de Deus. Deus deseja que sirvamos aos outros. No julgamento do tribunal de Cristo, Jesus não nos perguntará o quanto aprendemos ou o que vivemos, mas sim o que fizemos e como vivemos. Uma experiência de grande intensidade é importante para nos firmar, nos fazer crescer e nos revigorar, a fim de enfrentarmos a batalha espiritual pelos corações e mentes das pessoas neste mundo. Um técnico de time tem pouca utilidade para um jogador talentoso que se recusa a competir.

P: Em Mc 9,18, 28-29, o que isso nos diz sobre o poder de um cristão sem fé?

R: Naquela época, os discípulos sabiam mais sobre Deus do que qualquer outro mortal na Terra. Os discípulos tinham encontros pessoais com Jesus todos os dias. Os discípulos (pelo menos todos, exceto um) acreditavam e praticavam o que acreditavam. Eles tinham fé, mas não possuíam uma fé forte o suficiente para expulsar aquele demônio.

P: Em Mc 9,18.28-29, de que forma subestimamos hoje o poder e a sabedoria de Deus?

R: Os não crentes podem considerar a segurança, a paz, a saúde e a prosperidade como coisas a que têm direito. Até mesmo alguns crentes podem pensar que não passarão por dificuldades por serem cristãos. Considerar os dons de Deus como algo natural é o oposto da gratidão.

P: Em Mc 9,19, por que você acha que Jesus disse: “Ó geração incrédula”, em vez de “Ó discípulos incrédulos”?

R: Jesus percebeu que a incredulidade dos discípulos refletia a sociedade em que foram criados. Até certo ponto, mesmo como crentes, nossas crenças e nossa fé são moldadas por nossa geração, ou seja, por nossa cultura e sociedade. Como crentes, precisamos reconhecer isso com humildade e franqueza, e nos esforçar para transcender e nos libertar disso.

P: Em Mc 9,24, por que o pai proferiu um oxímoro?

R: Um oxímoro é uma figura de linguagem que utiliza afirmações ou imagens contraditórias para expressar uma verdade complexa. O pai tinha sentimentos conflitantes em seu íntimo. Ele disse: “Eu creio”, porque realmente acreditava, mas também disse: “ajuda a minha incredulidade”, pois sabia que também nutria dúvidas genuínas.

Nós também devemos ser honestos quanto aos nossos sentimentos diante de Deus. Deus é grande o suficiente para lidar com nossas dúvidas e, quando trazemos nossos sentimentos à luz, confessando-os a Ele, Deus pode cuidar mais facilmente do que admitimos diante Dele.

P: Em Mc 9,24, o que o senhor acha que Deus faz com uma fé imperfeita, como a que o pai possuía?

R: Deus usou a fé do pai do menino; uma fé imperfeita, mas honesta e genuína. Isso é melhor do que uma aparência hipócrita e desonesta de fé. Seja honesto quanto à sua fé em Deus, para que Ele possa fazê-la crescer, refiná-la e remover as impurezas que não pertencem a ela.

P: Em Mc 9,25, na maioria das vezes Jesus simplesmente ordenava que um espírito maligno saísse, mas, desta vez, por que Jesus disse tanto para sair quanto para não entrar novamente?

R: Em Lucas 11,24-26, Jesus disse que, quando um espírito maligno sai de uma pessoa, ele pode tentar retornar acompanhado de outros sete. Portanto, é importante que, quando uma pessoa possuída por demônios for libertada do jugo, ela se volte para Cristo, para que os demônios não retornem com força redobrada.

P: Em Mc 9,33, por que, nesse momento, logo após a grande transfiguração, o senhor acha que os discípulos discutiram sobre quem era o maior entre eles?

R: À primeira vista, isso parece ridículo. Logo após terem recebido, por graça, o grande privilégio de testemunhar esse evento grandioso, em vez de saírem e proclamarem quão grandioso era Jesus, eles estavam discutindo sobre o quão grandiosos eles próprios eram. Em vez de tudo girar em torno de Jesus e de como poderiam servir para glorificá-Lo, estavam usando Jesus para que tudo girasse em torno deles.

Esse quadro é ridículo. Certamente, se alguém quisesse pintar um quadro idílico e embelezado dos discípulos santos de Jesus, com certeza teria omitido isso! Isso simplesmente parece ruim. Mas, depois de crerem em Jesus, de testemunharem os milagres e de presenciarem a transfiguração, era assim que eles ainda se comportavam. A paciência de Jesus com eles é impressionante.

P: Em Mc 9,33, como devemos lidar com um irmão na fé que está tentando promover sua própria grandeza?

R: Não guardem rancor contra ele, mas orem por ele, anseando que se arrependa disso. Não devemos descartá-lo como um descrente enrustido ou um apóstata caído e irrecuperável, assim como Jesus não descartou os discípulos. Ele deve ser advertido para o seu próprio bem, e sua influência para encorajar outros a fazer o mesmo deve ser minimizada.

P: Em Mc 9,34, os discípulos deveriam ter dito a Jesus por que estavam discutindo, ou deveriam ter permanecido em silêncio, como fizeram?

R: Provavelmente, eles permaneceram em silêncio por constrangimento ou vergonha. Deus sabe o que pensamos e dizemos, quer o confessemos ou não, mas é melhor dizer a Ele o que está em nosso coração, mesmo que seja algo podre ou orgulhoso. Dessa forma, Deus pode purificá-lo muito mais rapidamente, se você estiver disposto a reconhecê-lo.

P: Em Mc 9,35, o que o senhor acha da frase: “a grandeza vem por meio do serviço”?

R: Isso não é totalmente verdade. Primeiro, é preciso servir à pessoa certa. Não servir à sua ambição, nem servir à igreja, mas seu serviço principal deve ser a Deus. Em segundo lugar, é preciso servir com as motivações corretas. Mas, levando em conta essas ressalvas, então isso está bastante correto.

P: Em Mc 9,38-40, por que João e os outros discípulos proibiram alguém de expulsar demônios, e quem era esse homem?

R: Primeiro, vamos examinar a sequência peculiar de eventos aqui. Inicialmente, os discípulos se mostraram incapazes de expulsar um demônio. Em seguida, estavam discutindo sobre quem era o maior. Mas, embora não tivessem conseguido expulsar o demônio, eles estavam proibindo outra pessoa que acreditava em Cristo de expulsar um demônio em nome de Jesus, depois de terem falhado.

Como o homem não fazia parte de sua organização, os discípulos presumiram que Deus não poderia usá-lo. Hoje, às vezes, os crentes cometem o mesmo erro, pensando que outros cristãos genuínos que não fazem parte de sua igreja não são usados por Deus ou são usados apenas de forma menos importante.

P: Em Mc 9,38-40 e em outras passagens, até que ponto o diabo e sua influência são “reais”? Ele coloca pensamentos em sua cabeça?

R: O diabo e seus demônios são seres reais, com pensamentos e sentimentos. Eles podem sugerir pensamentos, mas não podem “possuir” os crentes. Embora possam sugerir pensamentos, temos o poder de dizer não e seguir em frente. Embora sejam poderosos, e seu poder não deva ser menosprezado, nossa proteção sob o sangue de Cristo é ainda mais poderosa. Por exemplo, ouvi falar de um feiticeiro que amaldiçoou um cristão, e a maldição ricocheteou de volta para o próprio feiticeiro. Em um exemplo não relacionado, ouvi falar de outro feiticeiro que declarou que um missionário cristão estaria morto em 30 dias. No 30º dia, o feiticeiro morreu.
Como filhos de Cristo, não temos motivo para negociar com o diabo, provocá-lo ou mesmo tentar nos comunicar com ele ou com os demônios.

P: Em Mc 9,38-40, como lidar com alguém que está fazendo a vontade de Deus, mas não tem a “autorização” das pessoas?

R: Em primeiro lugar, pergunte-se se isso precisa mesmo ser autorizado pelas pessoas. Se for a vontade de Deus, talvez não precise. Se o senhor acha que isso está causando divisão, certifique-se primeiro de que não são o senhor e o seu grupo que estão causando divisão. Por outro lado, se estiver provocando contenda ou causando divisão de fato, o senhor deve conversar com essa pessoa, tentar argumentar com ela e orar para que ambos possam estar de acordo.

P: Em Mc 9,42, o que o senhor acha que há de tão grave em fazer com que as criancinhas pequem?

R: Embora a sociedade daquela época frequentemente menosprezasse as crianças, Marcos 9:42 afirma que seria melhor para alguém nunca ter nascido do que levar uma criança a pecar. Ao olhar para uma criança pequena, que pode agir de maneira tola e que não sabe muito, lembre-se de que Deus se importa tanto com ela quanto com um adulto, e que ela é igualmente importante aos olhos de Deus.

O evangelista D.L. Moody certa vez disse a alguém que duas pessoas e meia haviam sido salvas em uma reunião. A pessoa perguntou-lhe: “O senhor quer dizer dois adultos e uma criança?” “Não”, respondeu Moody, “duas crianças e um adulto”.

P: Em Mc 9,48, por que os vermes não morreriam no inferno?

R: A metáfora de Jesus não se refere a pequenos animais, mas sim à decomposição e à destruição do inferno. O livro *When Critics Ask*, p. 372, oferece uma resposta diferente. Como diz “seu verme” e não “o verme”, trata-se de uma metáfora do corpo físico de alguém que vai para o inferno.

P: Em Mc 9,49, o que significa “salgado com fogo”?

R: Existem três interpretações principais sobre a quem este versículo se refere

Os crentes, que passam por sofrimento e purificação

Os perdidos, que vão para o inferno

Todos aqueles que são provados e julgados. Essa visão pode abranger as outras duas.

Em conclusão, os versículos 43-48 falam do inferno, e o versículo 50 refere-se aos crentes. O versículo 49 é uma transição, e a expressão “todos” refere-se tanto aos perdidos mencionados imediatamente antes quanto aos crentes mencionados imediatamente depois.

P: Em Mc 9,49-50, como “ser salgado com fogo” se relaciona com “perder o sabor”?

R: Os fariseus daquela época ensinavam que Israel era o sal entre as nações para purificá-las. O sal era um importante conservante. A expressão “salgado com fogo” significa conservar alimentos por meio do fogo, como, por exemplo, secar frutas. Se até mesmo o fogo pode ter um efeito conservante, o sal pode perder grande parte de seu efeito conservante se for lixiviado com água ou se for diluído com outras substâncias.

P: Em Mc 10,1-2 e Mt 19,3-9, o que Jesus ensina sobre o divórcio?

R: Antes de responder à pergunta, devemos primeiro compreender o que Jesus ensinou sobre o casamento.

O casamento, em Marcos 10,7 e Gênesis 2,24, é quando os dois se tornam uma só carne. Quando um jovem ou uma jovem está prestes a se casar, precisa perceber que, como resultado disso, será uma pessoa transformada. No mínimo, um estudo realizado nos Estados Unidos mostra que homens casados, em média, vivem um pouco mais do que aqueles que nunca se casaram. Mais importante ainda, seu cônjuge pode — e provavelmente irá — fazer muito para aproximá-lo de Deus ou afastá-lo Dele. O casamento não se resume a estar apaixonado ou a ter sentimentos, mas é um compromisso perante Deus e os outros. É como se, metaforicamente, vocês não fossem mais dois organismos, mas sim apenas um.

Dividir o “organismo” não é natural e não é algo que Deus deseja. Embora seja permitido divorciar-se do cônjuge caso ele cometa imoralidade sexual, conforme Mateus 19:9, isso não é necessariamente obrigatório. Paulo ensina que não é permitido divorciar-se de alguém por ele ter ou ter adquirido uma fé diferente, mas, se ele der início ao divórcio, é permitido aceitá-lo, conforme 1 Coríntios 7:12-15.

E se o cônjuge se tornar viciado em drogas? É difícil imaginar alguém caindo nessa situação e sendo um cristão genuíno. Mas, independentemente disso, nessa situação difícil, se ele não estiver disposto a parar, o senhor pode denunciá-lo à polícia. Se ele for um incrédulo e desejar se divorciar de o senhor depois disso, então tudo bem.

E se o cônjuge ameaçar você ou a família com violência? O mais prudente a se fazer é se separar por segurança e, mais uma vez, é difícil imaginar alguém agindo assim e sendo um cristão genuíno. Essa também é uma situação difícil. Às vezes, talvez seja melhor denunciá-lo à polícia.

P: Em Mc 10,1-2, por que o senhor acha que os fariseus perguntaram a Jesus sobre o divórcio neste contexto?

R: Pode ter sido por uma ou mais das três razões a seguir, e nenhuma delas era que o fariseu fosse seguir uma visão específica por causa do que Jesus dissesse.

1) Verificar se Jesus estava mais próximo da escola de Hillel, que permitia o divórcio, ou da escola de Shammai, que não o permitia, exceto em caso de adultério. Entre os seguidores do famoso rabino judeu Hillel, o divórcio era permitido na Mishná Gittin 1:1-3; 7:2.

2) Verificar se Jesus ensinaria algo diferente do que está no Antigo Testamento, em Deuteronômio 24:1-4 (e Jesus ensinou).

3) Espere que Jesus se pronuncie contra o divórcio, o que faria com que Ele criticasse o governante Herodes Antipas e sua esposa Herodias, que já haviam se divorciado. A esposa não podia iniciar o divórcio segundo a lei judaica, mas podia fazê-lo segundo a lei romana, como fez Herodias. Jesus estava, naquele momento, na Peréia, que era governada por Herodes Antipas.

P: Em Mc 10,5, por que Deus, por meio de Moisés, permitiria certas coisas devido à dureza do coração deles?

R: Embora Deus não precise se adaptar a nós e à dureza de nossos corações, às vezes Ele opta por fazê-lo. Nos tempos do Antigo Testamento, a maioria dos crentes não tinha o Espírito Santo habitando em seu interior. Mas nos tempos do Novo Testamento, com o Espírito Santo habitando em nós e a lei gravada em nossos corações, temos um padrão mais elevado do que os santos do Antigo Testamento nesse aspecto.

P: Em Mc 10,13, por que os discípulos repreendiam as pessoas por levarem seus filhinhos a Jesus?

R: Os discípulos agiram errado ao fazer isso. Talvez tenham raciocinado erroneamente que, como as crianças não podiam compreender intelectualmente os ensinamentos de Jesus da mesma forma que os adultos, não deveriam desperdiçar o tempo de Jesus. Jesus não se limitou a corrigir, mas repreendeu aqueles que haviam repreendido os outros indevidamente.

De acordo com o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1346, George MacDonald afirmou que não acreditava no cristianismo de um homem se nunca se vissem meninos ou meninas brincando em frente à sua porta.

P: Em Mc 10,13-15, por que Jesus queria que as crianças se aproximassem Dele?

R: A única razão que Jesus declarou foi: “a esses pertence o reino de Deus”. Jesus estava usando as crianças como uma lição prática, para mostrar que todos nós precisamos ter a humildade e a disposição para aprender, próprias das crianças, a fim de nos aproximarmos de Deus. Não podemos nos aproximar de Deus com orgulho, mas devemos admitir que não somos suficientes por nós mesmos. Devemos estar dispostos a admitir que Deus sabe mais do que nós, que precisamos Dele e que estamos dispostos a crescer.

Além disso, sem dúvida Jesus gostava de crianças e via que o valor da alma de uma criança era o mesmo que o de um adulto. Jesus seria um ótimo professor de catequese infantil!

P: Em Mc 10,18 e Lc 18,19, Jesus não era “bom”, já que questionou o homem que O chamou de bom?

R: Jesus é bom em todos os sentidos da palavra. Jesus questiona alguém que O chamou de bom, pois aquele homem ainda não havia reconhecido que Jesus era o Messias e parecia usar o termo “bom” com demasiada facilidade.

Da mesma forma, em João 8:7, quando Jesus disse aos acusadores da mulher pecadora: “Quem dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar uma pedra”, Jesus não atirou nenhuma pedra, mas isso não prova que Jesus tivesse pecado. Jesus estava sem pecado, de acordo com Hebreus 4:15.

P: Em Mc 10,18 e Lc 18,19, Jesus pergunta: “Por que me chamais de bom? … Ninguém é bom, senão somente Deus.” Visto que Jesus não estava negando Sua própria bondade nem Sua divindade, o que Ele estava dizendo?

R: Jesus está fazendo uma pergunta breve que, à primeira vista, parece muito simples: por que o chamam de bom? Três pontos simples e, em seguida, algumas considerações.

a) Jesus não afirmou nem negou que fosse bom neste contexto. (Outros trechos, porém, nos dizem que Ele era.)

b) Jesus apenas fez uma pergunta. Ele não afirmou nem negou que fosse Deus neste contexto. (Outros trechos, porém, nos dizem que Ele era.)

c) Jesus parecia profundamente interessado no que esse homem estava disposto a afirmar e no que ele acreditava.

Agora, vamos à discussão, e então veremos o que o senhor afirma e está disposto a acreditar.

Ninguém mais nos evangelhos, fosse crente ou não, jamais foi registrado chamando Jesus de “bom mestre”. O questionador estava apenas sendo cortês e lisonjeiro, ou, como perguntou Jesus, ele estava afirmando mais do que isso?

O que é uma “pessoa boa”, aos olhos de um Deus Santo? Um cobrador de impostos pecador, que enganou muitos durante toda a sua vida, mas clama para que Deus tenha misericórdia dele, é bom? Não, ele está arrependido de sua maldade, mas ainda assim era mau. Por outro lado, somos nós melhores do que esse cobrador de impostos? Não. Pelos padrões de Deus, chamar qualquer mero homem na Terra de “bom” é uma falsa presunção.

Aliás, o que é o bem? Algo é bom quando as pessoas votam a favor, quando a sociedade o aceita ou quando uma pessoa pensa, em sua própria mente, que é bom, embora outras pessoas pensem de forma diferente? Não, não temos nenhum padrão de bondade, exceto Deus e o que Ele declara ser bom. Ninguém é, em última instância, bom, exceto Deus.

Tendo em vista tudo isso, o senhor afirma que Jesus era bom?

P: Em Mc 10,18 e Lc 18,19, Jesus era Deus, uma vez que ninguém era bom, a não ser somente Deus?

R: Jesus não disse ao homem, nesse contexto, se Ele era Deus ou não. Em vez disso, Ele estava dizendo que o homem estava usando a palavra “bom” de maneira um tanto leviana. Deus é a fonte da bondade, a definição da bondade, e todas as coisas menores que chamamos de boas são simplesmente sombras da bondade de Deus.

Sabem, cristãos, judeus, muçulmanos e até mesmo os idólatras romanos que matavam cristãos estavam todos tentando ser bons, pelo menos da maneira como entendiam o que era o bem. Pode ser um choque para muitos ocidentais, mas nem todas as religiões compartilham dessa visão de que se deve tentar fazer o bem. No hinduísmo, muitos buscam a iluminação, a verdadeira compreensão, ao experimentar tanto o bem quanto o mal. É por isso que, se um homem religioso hindu desviar fundos ou roubar, alguns podem ficar chocados com sua suposta hipocrisia, mas isso pode não ser hipocrisia alguma. Para ele, pode ser que não haja conflito entre tentar alcançar a iluminação, a consciência cósmica ou o que quer que seja, e desejar experimentar o mal. Nem todos os hindus concordariam com isso, porém; alguns dariam mais ênfase ao “karma”.

P: Em Mc 10,18 e Lc 18,19, como as pessoas antigas interpretavam esses versículos?

R: Trata-se de um par de versículos “versáteis” que apresentam diversas aplicações válidas.

Exemplo para nós

Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.), em Quem é o homem rico que será salvo?, cap. 4, p. 592, utiliza essa passagem para mostrar que devemos ser bons e dar aos pobres, em vez de confiar nas riquezas.

Tertuliano (198-220 d.C.) afirmou que Deus é bom e tem misericórdia e, da mesma forma, convém que sejamos bons, tenhamos misericórdia dos outros e sejamos pacificadores. (Sobre a Modéstia, cap. 2, p. 75)

Contra o gnosticismo

Irineu de Lyon (182-188 d.C.) afirma que, uma vez que Jesus se referiu ao Pai como bom, Ele é verdadeiramente bom. (Irineu, *Contra as Heresias*, livro 1, cap. 20, p. 345)

Hipólito, aluno de Irineu (225-235/6 d.C.), da mesma forma, em *Refutação de Todas as Heresias*, livro 5, cap. 2, p. 50, e livro 7, cap. 20, p. 113, utiliza esse argumento para provar que Marcião e o gnosticismo estão errados. Se o Pai, que criou todas as coisas, é bom, então todo o gnosticismo e a heresia de Marcião são refutados.

Os ebionitas reconhecem Jesus como o Filho do Pai, mas afirmavam que Jesus era Deus apenas em certo sentido. Como também insistiam em seguir as práticas do Antigo Testamento, pode-se imaginar que se opunham veementemente aos gnósticos, que afirmavam que o Deus do Antigo Testamento era mau ou equivocado. Na Homilia Clementina 3 (data incerta), cap. 57, p. 248-249, eles também utilizaram esse versículo contra aqueles que chamavam o Deus do Antigo Testamento de maligno. Contudo, na literatura clementina e em todos os escritos ebionitas que conservamos, eles nunca utilizaram esse versículo para negar que Jesus era Deus.

Contra a idolatria

Orígenes (225-254 d.C.) afirma que, se Cristo se submeteu a Deus Pai, quanto mais o sol se recusaria a permitir que alguém se curvasse e o adorasse. Orígenes acrescenta, então, que devemos orar à Palavra de Deus e, ainda mais, a Seu Pai. (Contra Celso, livro 5, cap. 15, p. 548)

A Divindade de Cristo

Novatiano (250/254–256/7 d.C.): “Além disso, o próprio Senhor: ‘Por que me perguntas sobre o que é bom? Somente Deus é bom.’ … ‘mas nas mesmas Escrituras também se afirma que Cristo é bom. Não há, portanto, se concluírem corretamente, um único bem, mas sim dois bens. Como, então, de acordo com a fé das Escrituras, se diz que há apenas um bem? Mas, se eles não consideram que isso possa, de forma alguma, interferir na verdade de que há um único Senhor, de que Cristo também é Senhor; nem na verdade de que há um único Mestre, de que Paulo também é nosso mestre; nem na verdade de que há um único bem, de que Cristo também é chamado de bom; com base no mesmo raciocínio, que compreendam que, pelo fato de Deus ser um, não surge qualquer obstáculo à verdade de que Cristo também é declarado Deus.” (Sobre a Trindade, cap. 30, p. 642-643)

Contra o arianismo

Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.) escreveu que, quando os arianos citam Isaías 65,16; Marcos 10,18; 1 Timóteo 6,15, isso não deixaria nenhuma verdade, bondade ou poder para o Filho.

Gregório de Nissa (382-383 d.C.) escreveu: “É fácil, no entanto, demonstrar que nem mesmo a palavra ‘um’ separa o Pai do Filho. … Pois Ele diz: ‘Eu e o Pai somos um’.” [João 10:30] Se, portanto, o bem é um, e se contempla-se um tipo específico de unidade no Pai e no Filho, segue-se que o Verbo, ao atribuir a bondade ao ‘um’, reivindicou, sob o termo ‘um’, o título de ‘bom’ também para Si mesmo, que é um com o Pai e não está separado da unidade de natureza.” Contra Eunômio, livro 11, cap. 2, p. 232-233, em Padres Nicenos e Pós-Nicenos, Segunda Série, vol. 5.

P: Em Mc 10,19, por que Jesus mencionou apenas seis dos Dez Mandamentos?

R: Jesus não estava sendo exaustivo aqui, mas apenas dando exemplos. A falta de verbosidade de Jesus neste contexto não é uma desculpa para negar o que tanto Jesus quanto Seus apóstolos ensinaram em outros trechos.

P: Em Mc 10,21-22 e Lc 18,20-23, por que Jesus disse ao homem para vender todos os seus bens?

R: Aparentemente, o homem amava suas riquezas tanto quanto amava a Deus, e Jesus disse ao homem que ele precisava fazer algo a respeito.

P: Marcos 10,21-22 ensina que todos devem vender todos os seus bens também?

R: Não, porque, pelo que sabemos, Jesus não disse a mais ninguém para vender seus bens. Até mesmo Paulo possuía bens pessoais, como seu manto, em 2 Timóteo 4:13. Em Atos 5:4, quando Ananias foi punido, diz-se especificamente que ele não foi punido por reter parte de seu próprio dinheiro, mas sim por mentir a Deus e alegar que não havia retido nada do dinheiro. O “Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento”, p. 151, diz essencialmente a mesma coisa.

No entanto, esse versículo ainda representa um desafio para nós hoje. Quando a escolha se resumiu a Cristo ou às riquezas, esse homem, que de resto parecia bom, não se dispôs a escolher Cristo em vez das riquezas. Se e quando alguém se comportar dessa maneira hoje, essa pessoa foi amaldiçoada por ter dinheiro em excesso. Leia Provérbios 30:7-9 para obter mais informações.

Ao decidir quanto doar para a obra de Deus, o “Comentário Bíblico do Crente”, p. 1347, ao discutir Marcos 10, forneceu uma lista de aspectos que talvez o senhor queira levar em consideração.

1. Milhares de pessoas morrem diariamente de fome

2. Um grande número de pessoas nunca ouviu as boas novas.

3. Nosso dinheiro pode ser usado para ajudar a suprir essas necessidades.

4. Cristo nos ensina que devemos nos tornar pobres para que outros se tornem ricos (2 Coríntios 8:9).

5. Como nossa vida na Terra é tão curta, quando Jesus vier, já será tarde demais.

P: Em Mc 10,23-24, é impossível que pessoas prósperas se aproximem de Jesus?

R: Há apenas uma resposta, mas ela tem duas partes.

Não. As pessoas que possuem riqueza sempre podem se aproximar de Deus. Abraão era muito rico, tanto pelos padrões antigos quanto pelos modernos. No entanto, as pessoas ricas precisam estar dispostas, a qualquer momento, a abrir mão, por Deus, do que lhes é mais precioso — como Abraão fez com seu filho Isaque.

Sim: Se os seus bens ou a sua riqueza o dominam, e o senhor ama o dinheiro mais do que a Deus, terá de escolher entre um ou outro, e o seu destino eterno depende dessa escolha.

É curioso também que isso venha logo após a parte sobre as criancinhas. O “Comentário Bíblico do Crente”, p. 1347, observa que “os cristãos que acumulam tesouros na terra geralmente pagam por sua desobediência na vida de seus filhos”.

P: Em Mc 10,29, todos aqueles que deixaram tudo para seguir Jesus têm essas bênçãos garantidas, ou não ganham nada se fizerem isso, mas não tiverem amor, como diz 1 Cor 13,2?

R: Jesus faz a promessa aqui, mas há condições implícitas. É preciso simplesmente seguir e continuar seguindo Jesus. É necessário amar a Deus e ao próximo para seguir Jesus, e não é possível amar a Deus se não se amar as outras pessoas.

É curioso que somente aqui, nos evangelhos sinópticos, Jesus se dirija aos discípulos como crianças. Isso ocorre logo após Jesus os ter repreendido por não permitirem que as crianças se aproximassem Dele.

P: Marcos 10,29-30 e Lucas 18,29-31 podem ser interpretados como uma promessa de prosperidade financeira nesta vida?

R: Não. Essa promessa foi feita aos primeiros cristãos tanto quanto a nós. Não podemos esperar mais garantias de prosperidade financeira do que Paulo, os outros apóstolos e os primeiros cristãos, que eram principalmente escravos e pobres. O livro *When Cultists Ask*, pp. 135-136, acrescenta que esse versículo não está falando sobre riquezas, mas sobre família e lar.

P: Em Mc 10,30, como obtemos todas essas coisas nesta vida?

R: Cada um de nós, individualmente, não possui 100 casas e 100 campos como bens pessoais. Cada um de nós não tem 100 irmãos e irmãs biológicos e 100 mães biológicas como parentes. Em vez disso, como irmãos e irmãs em um único corpo — a igreja —, temos coletivamente todas essas coisas para compartilhar uns com os outros, como mostra Marcos 3:33-35.

P: Em Mc 10,30, o que há de curioso em relação a uma dessas recompensas?

R: Elas podem ser agrupadas em cinco categorias: casas, família, terras, perseguição e vida eterna. A maioria das pessoas não deseja uma dessas: a perseguição. Mas precisamos perceber que a perseguição também é uma recompensa. Os primeiros cristãos assim o fizeram, como demonstra Atos 5,41.

P: Em Mc 10,34, Jesus ressuscitaria no terceiro dia ou após três dias?

R: Os manuscritos de Marcos apresentam variações.

Após três dias: Sinaítico, Vaticano, Ephraemi Rescriptus, Bezae Cantabrigiensis, copta sahídico, copta boairico

No terceiro dia: Alexandrino, Lecionário Bizantino, Gótico, Armênio, Etíope, Georgiano, Orígenes.

P: Em Mc 10,35-37, foram Tiago e João que se aproximaram de Jesus pedindo para sentar-se à sua direita e à sua esquerda, ou foi a mãe deles, conforme Mt 20,20?

R: O cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 858, faz essa pergunta. A resposta está no próprio Mateus 20:20, onde se diz que a mãe deles veio “com seus filhos”. Eles estavam juntos quando o pedido foi feito a Jesus.

Josefo, em *Antiguidades dos Judeus*, livro 6, 11.9, mostra que o lugar à esquerda era o segundo mais importante, logo após o lugar à direita, de acordo com *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 152.

P: Em Mc 10,36.51, por que as pessoas querem que Jesus faça algumas coisas por elas, mas não outras?

R: Ainda hoje, alguns crentes querem fazer de Jesus o Senhor de parte de suas vidas, mas mantêm o controle sobre outras partes. Trata-se de uma falta de fé em confiar que, se fizerem de Jesus o Senhor de toda a sua vida, ela será melhor. Não é possível ter apenas um pouquinho de Jesus como Senhor.

P: Em Mc 10,38, de que cálice e batismo Jesus estava falando?

R: O cálice e o batismo não se referiam à Ceia do Senhor e ao batismo com água (Jesus já havia sido batizado por João). Em vez disso, Jesus estava se referindo ao que essas coisas representavam. O sangue de Jesus estava prestes a ser derramado na cruz, o que o cálice simboliza, e Jesus estava prestes a ser sepultado e ressuscitar, o que o batismo simboliza.

P: Em Mc 10,38-40, uma vez que Jesus primeiro lhes disse o preço a pagar para atender ao pedido deles e, em seguida, [supostamente] negou o pedido, por que eles ainda tiveram que pagar o preço?

R: Jesus não negou o pedido deles, mas disse que não cabia a Ele concedê-lo ou negá-lo. Em seguida, Jesus lhes disse o que eles fariam, mas deixou a concessão desse privilégio a cargo do Pai.

Este é um excelente versículo para comprovar um ponto sobre a Trindade. Embora o Pai e o Filho sejam inseparavelmente um, este versículo comprova que há uma distinção entre eles, em contraste com o modalismo, tal como o pentecostalismo da Unidade e a igreja local têm ensinado.

P: Em Mc 10,45, a morte de Jesus na cruz foi um resgate para todas as pessoas, ou apenas para algumas, e não para outras?

R: Eis o que a Bíblia afirma sobre os aspectos universais e limitados.

Aspectos universais:

Ordenou que todos obedecessem ao Evangelho (Atos 17:30; 2 Tessalonicenses 1:8)

Todo aquele que nele crê (João 3:16)

Apareceu a todos (Tito 2:11)

Deus deseja que todos sejam salvos (1 Timóteo 2:4)

Resgate para todos os homens (1 Timóteo 2:6)

Oferecido [de forma honesta e sincera] a todos (Atos 2:38-40, Hebreus 4:2)

Sacrifício expiatório para o mundo inteiro (1 João 2:2)

Jesus atrairá todos os homens a Si mesmo (João 12:32)

Aspectos definitivos:

Ninguém pode vir a Jesus, a menos que o Pai o atraia (João 6:65)

Deus pode escolher conceder misericórdia a alguns, como Jacó, que Ele não concede a outros, como Esaú, embora Ele continue sendo justo para com todos (Romanos 9:14-18).

O Evangelho não tem valor para aqueles que não o combinam com a fé (Hebreus 4:2).

Os fariseus rejeitaram o propósito de Deus para si mesmos (Lucas 7:30).

Alguns negaram o Senhor que os resgatou (2 Pedro 2:1). A palavra para “Senhor” é despotes e é a mesma em Judas 4, onde se refere a Jesus.

Deus não apenas previu que as pessoas aceitariam, mas previu cada indivíduo que aceitaria. Deus escolheu (predestinou) aqueles que aceitariam.

Se pensarmos bem, todos os cristãos — tanto os não calvinistas quanto os calvinistas — deveriam concordar que há aspectos tanto universais quanto definitivos do resgate. Mas isso não ignora uma diferença fundamental entre calvinistas, arminianos e outros não calvinistas.

A diferença fundamental entre o calvinismo e o não-calvinismo (incluindo o arminianismo wesleyano, o chamado “calvinismo de quatro pontos” e todas as posições intermediárias) reside em saber se o Deus todo-poderoso, soberano, amoroso e justo escolheu que aqueles que irão para o inferno fossem:

Não calvinista: Casos perdidos, em que Deus concedeu livremente a todos o que era necessário para irem para o céu, mas a salvação de Jesus não conseguiu salvar alguns. Eles se perderam por culpa própria, em virtude de seu livre arbítrio.

Calvinista: Condenação desejada, pois a salvação de Jesus foi eficaz para 100% daqueles a quem se destinava, e Deus escolheu livremente não proporcionar qualquer caminho de salvação para os demais. Nunca houve uma única coisa que os réprobos pudessem fazer, ou quisessem fazer, para alterar o desejo de Deus de que eles não tivessem oportunidade de escapar, conforme a vontade secreta de Deus.

Não-calvinista: Se a salvação é potencial para todos e ineficaz para alguns, então seria ineficaz porque alguns poderiam rejeitá-la ou porque também seria necessário combiná-la com a fé. Os não-calvinistas afirmam que é exatamente isso que Lucas 7:30 e Hebreus 4:2 estão dizendo. Os calvinistas responderiam que isso faria com que a salvação dependesse, em parte, do homem, e tornaria a fé quase uma obra exigida para a salvação. Os não calvinistas responderiam que o calvinismo confunde a salvação como dom gratuito, que é de Deus, com a aceitação desse dom gratuito da salvação, que é de responsabilidade do homem. A fé não é uma obra, como mostra Efésios 2:8-9, e alguns calvinistas não deveriam seguir os católicos ao tentar equiparar as obras de mérito à “virtude vazia” da fé e ao reconhecimento de nossa impotência perante Deus.

Calvinista: Se a salvação é apenas potencial para alguns e é efetiva para todos aqueles para quem é potencial, então nunca houve qualquer oportunidade para alguns. O incômodo das “causas perdidas” é resolvido, mas à custa da perda do amor e de uma justiça inexplicável. Em 2 Tessalonicenses 1:8, Deus responsabilizaria as pessoas por não obedecerem a um evangelho que Ele nunca lhes deu para que obedecessem. Uma pessoa no inferno poderia dizer: “Eu vim para cá porque acreditava que Deus não me amava o suficiente, que Jesus não morreu pelos meus pecados, que Deus, em última instância, desejou que eu permanecesse um pecador maligno, e estou aqui porque acreditava na verdade”. Uma pessoa réproba poderia muito bem tentar encontrar a salvação por meio da seita da moda, pois a oportunidade de encontrar a salvação e o amor de Deus por meio dessa seita é tão grande para ela quanto encontrá-la por meio do cristianismo.

P: Em Mc 10,51, por que Jesus perguntou ao cego o que ele queria que Jesus fizesse por ele?

R: Jesus deseja que Lhe peçamos, mesmo sabendo o que queremos. É claro que, às vezes, o que queremos e o que é melhor nem sempre são a mesma coisa. O cego teve que pedir especificamente a visão, e Jesus atendeu a esse pedido depois que ele o fez. Às vezes, Deus espera para atender aos nossos pedidos hoje, até que Lhe peçamos especificamente.

A título de observação, a expressão “Filho de Davi” também era considerada messiânica nos Salmos de Salomão, anteriores ao cristianismo.

P: Em Mc 10,51, quando um judeu cego conseguiu ver o que os fariseus com visão não conseguiam, que outros exemplos existem em que o excesso de informação pode cegar alguém para o que é óbvio?

R: É interessante refletir por que judeus que enxergavam perfeitamente podiam estar cegos quanto ao fato de que Jesus era o Messias, mesmo depois de testemunhar todos aqueles milagres, enquanto um judeu cego conseguia perceber que Jesus era o Messias. Há outras ocasiões em que o excesso de informação pode tornar alguém cego para o que é óbvio. Mesmo sendo cego, Bartimeu ainda conseguia enxergar mais coisas importantes do que os fariseus.

P: Em Mc 10,52, por que foi a fé do homem, e não a fé de Jesus, que o curou?

R: Neste último milagre registrado em Marcos, é interessante que Jesus tenha dito especificamente que foi a fé do homem que o curou. Embora Deus não se limite a agir por meio de nossa fé, Ele escolhe, muitas vezes, agir por meio dela, como mostram Efésios 2,8 e Romanos 4,3.16.

P: Em Mc 10,52, por que Jesus disse que ele estava “curado”, em vez de simplesmente dizer que ele podia ver?

R: Não só seus olhos e outras partes do corpo estavam funcionando normalmente, como o homem que antes era cego estava agora espiritualmente completo em Cristo.

P: Em Mc 11,8-10, por que colocaram seus mantos e ramos de palmeira no chão diante do jumento?

R: Esse costume era um sinal de grande respeito e admiração. Talvez fosse semelhante à antiga cavalheirismo europeu, em que um homem colocava seu casaco sobre uma poça de lama para que uma dama da realeza pudesse pisar no casaco e atravessar a poça.

P: Em Mc 11,8-10, como você lida com pessoas que desejam louvar e servir a Deus quando sabe que elas têm preconceitos muito equivocados a respeito Dele?

R: Superficialmente, elas parecem salvas, mas talvez não estejam. Podem ainda estar na fase anterior à obtenção da nova vida em Cristo. Algumas podem rejeitar Jesus assim que perceberem que Ele talvez não corresponda às suas suposições a respeito Dele. Deve-se corrigir gentilmente suas noções errôneas e orar por elas. Não queremos que as pessoas se aproximem de Cristo sob falsos pretextos.

P: Em Mc 11,13, visto que ainda não era época de figos, Jesus nos evangelhos seria ignorante quanto à estação do ano, como afirma Ahmad Deedat?

R: Não, Deedat não compreendeu nada aqui. A figueira representava Israel, e essa era uma profecia de que a nação representada pela figueira ficaria sem frutos e murcharia espiritualmente.

P: Em Mc 11,13, 23 e 30, visto que alguém com fé poderia mover montanhas, por que Jesus não poderia fazer com que uma figueira desse frutos?

R: Jesus poderia ter feito isso, mas optou por não fazê-lo. Não eram os figos nem as figueiras que preocupavam Jesus; Jesus estava ensinando os discípulos nesse momento. A figueira era uma representação da nação de Israel, e Jesus amaldiçoou a figueira para mostrar o que aconteceria a eles se, assim como a figueira, não produzissem frutos de fé quando Jesus viesse até eles.

P: Em Mc 11,14, por que algumas pessoas parecem que seriam muito úteis e frutíferas, mas, no fim das contas, são inúteis?

R: A figueira ocupava espaço onde outras figueiras poderiam ter crescido. Os trabalhadores rurais cuidavam e cultivavam a figueira. Regavam-na e, talvez, fertilizavam-na, com a expectativa de que a figueira retribuísse e lhes proporcionasse figos. Algumas pessoas só querem receber e nunca retribuem.

Talvez algumas não possam retribuir espiritualmente, porque não têm vida espiritual em si. Elas professavam ser frutíferas, mas, na verdade, não eram. Havia a promessa de frutos, sem cumprimento.

Materialmente, porém, há pessoas que precisariam de sua ajuda, mas são incapazes de retribuir ou recompensá-lo por seu trabalho. Mas devemos amá-las e ajudá-las de qualquer maneira.

P: Em Mc 11,15-18 e Lc 19,45-46, por que as autoridades judaicas simplesmente não prenderam Jesus, um estranho com um chicote, imediatamente?

R: Quatro pontos a serem considerados na resposta.

1. As multidões acabavam de louvar Jesus como o Messias na Entrada Triunfal em Mateus 21,1-11, bem como em Mateus 21,15-16; Marcos 11,1-10 e Lucas 19,28-40.

2. Jesus estava curando pessoas milagrosamente, e é difícil prender alguém em meio a uma multidão de pessoas que estão sendo curadas por Ele.

3. Antes disso, a multidão havia ouvido dizer que Jesus havia ressuscitado Lázaro dentre os mortos, conforme João 12:9-11, 17-19.

4. Acima de tudo, devido às razões anteriores, Marcos 11:18 afirma que, embora os sacerdotes e os mestres buscassem uma maneira de matar Jesus, eles O temiam porque toda a multidão estava maravilhada com Ele. Os sacerdotes não queriam um tumulto nem a retaliação romana que isso causaria. Lucas 19:47-48 diz algo semelhante, e em João 12:19, os fariseus lamentavam, pois achavam que o mundo inteiro estava seguindo Jesus.

P: Em Mc 11,16, por que Jesus não permitia que ninguém carregasse vasos (panelas ou recipientes) no templo?

R: Jesus não estava interferindo nos sacrifícios legítimos, mas sim naqueles que carregavam vasos cheios de dinheiro.

P: Em Mc 11,17, de que maneira as pessoas no templo agiam como ladrões?

R: De pelo menos três maneiras:

Exploração de preços: vendiam coisas no templo por preços inflacionados.

Institucionalização: os sacerdotes não aceitavam animais com imperfeições, como um corte que pudesse ter ocorrido durante a viagem; assim, as pessoas eram obrigadas a comprar os animais a preços inflacionados.

Roubar a Deus nas ofertas: Os vendedores e os fiéis estavam focados nas transações financeiras em vez de adorar a Deus.

P: Em Mc 11,23, por que Jesus mencionou uma fé capaz de mover montanhas?

R: Jesus estava ensinando que bastava um pouco de fé genuína no poder de Deus, aplicada à oração, para mover montanhas. A fé é como uma semente; ela pode crescer. Além disso, Jesus disse isso perto de Jerusalém, e nos últimos dias o Monte das Oliveiras, a meia milha a leste de Jerusalém, será dividido em dois, de acordo com Zacarias 14:4.

P: Em Mc 11,23, Jesus prometeu nos conceder absolutamente tudo o que pedirmos com fé?

R: Deus nos concede tudo o que pedirmos, sujeito às seguintes condições:

Uma coisa: Deus não pode conceder uma “coisa” que não seja uma coisa, como uma contradição lógica, por exemplo, água que não seja molhada, um objeto móvel que não possa ser movido, etc.

Com fé: Deus não nos concederá o que for pedido com dúvida, conforme Tiago 1:6-7, nem o que for pedido, não por fé, mas para satisfazer nossas paixões, conforme Tiago 4:3. Devemos pedir de acordo com a vontade de Deus, conforme 1 João 5:14. “Com fé” inclui permanecer em Deus e Deus permanecer em nós, conforme João 15:7.

Se perdoarmos: Marcos 11:25 acrescenta a condição. Bons dons: Antes de Marcos 11:23, Jesus ensinou que Deus é um bom pai, que nos dá coisas boas, e não coisas más, conforme Mateus 7:9-11 e Lucas 11:11-13. Assim, às vezes, quando um crente obediente pede com fé, Deus diz “não” ou “espere”, como no Livro de Jó; Filipenses 2:25; 2 Timóteo 4:20; e 2 Coríntios 12:8-9.

P: Em Mc 11,25-26, se um cristão genuíno não perdoar, ele ou ela irá para o inferno?

R: Em certo sentido, essa é uma questão irrelevante, pois um cristão genuíno perdoará. Nenhum cristão verdadeiro se recusaria a perdoar alguém, pois isso demonstraria que ele nunca havia escolhido receber o perdão de Deus e, portanto, não seria um cristão verdadeiro. Nem é preciso dizer que é muito importante perdoar a todos.

P: Em Mc 11,29-33, por que Jesus não respondeu diretamente à pergunta sobre que autoridade Ele possuía?

R: Provavelmente, eles pretendiam armadilhar-Lhe. Se Jesus dissesse que tinha autoridade de Deus para entrar em Jerusalém montado, expulsar os cambistas e amaldiçoar a figueira, então eles acusariam Jesus de blasfêmia. Se Jesus dissesse que a autoridade vinha dos homens, então não se tratava das autoridades romanas nem do Templo. Mas Jesus não tinha nenhuma obrigação de responder a quaisquer perguntas. Embora, em geral, Jesus respondesse às perguntas da maioria das pessoas, Ele não respondia diretamente às perguntas daqueles que não buscavam Sua resposta, a não ser para tentar armadilhar-Lhe. Jesus poderia simplesmente ter dito: “Não preciso da autoridade de vocês, pois tenho a autoridade do Pai, como comprovado pelas muitas curas que estou realizando”. Na verdade, porém, eles já poderiam ter percebido isso.

P: Em Mc 11,29-33, quando não devemos responder à pergunta de alguém, mesmo quando sabemos a resposta?

R: Em resumo, quando a pessoa não deseja conhecer a verdade. Se ela não conseguia aceitar o que já sabia sobre João, então não precisa ouvir a verdade sobre Jesus, pois a rejeitaria de qualquer maneira.

Se estiverem perguntando apenas para nos colocar em uma armadilha, devemos ter cuidado com o que dizemos. Se não estiverem tentando nos colocar em uma armadilha, mas perguntando por algum outro motivo — e não por realmente não quererem saber —, não precisamos responder. Se alguém lhe fizer alguma pergunta sobre Deus ou a Bíblia, e você suspeitar que possa ser uma “manobra de distração” destinada apenas a evitar que se enfrente a verdade, você pode fazer a seguinte pergunta a essa pessoa. Se eu respondesse a essa pergunta de forma a satisfazê-lo, isso o levaria a estar mais próximo de aceitar Jesus como seu Senhor e Salvador pessoal? Se a resposta for “não”, então parabéns, o senhor acabou de descobrir uma manobra de distração. Nesse caso, o senhor pode então perguntar: “O que o levaria a estar mais próximo de aceitar Jesus como seu Senhor e Salvador?”

P: Em Mc 12,1-9, qual é o significado dessa parábola?

R: Deus concedeu a terra, a Terra Prometida, aos judeus. No entanto, eles não deram a Deus a obediência, a adoração exclusiva, os dízimos e os sacrifícios que Ele ordenou. Ele enviou-lhes profetas, aos quais eles maltrataram e mataram. Por fim, Deus enviou Seu Filho, Jesus, a quem eles acabariam por matar. Há aqui certa semelhança com a alegoria da vinha do Senhor em Isaías 5:1-7.

A razão pela qual os lavradores afirmaram que se tornariam os proprietários deveu-se à lei judaica. Se o proprietário e seus herdeiros fossem mortos, os possuidores da terra seriam os primeiros a herdá-la, de acordo com a Mishná Baba Bathra 3.3 e b Baba Bathra 54a.

P: Em Mc 12,6, por que se esperaria que os lavradores respeitassem o filho do proprietário?

R: Eles ainda respeitariam o filho se

1. Tivessem algum respeito pela autoridade legítima, ou

2. Obedecessem à lei, ou

3. Tivessem a inteligência para perceber que ferir o filho traria retaliação certa, ou

4. Um temor saudável dos soldados do senhor.

Eles matariam o filho apenas se a ganância pela vinha os tivesse cegado totalmente para a razão. É surpreendente, mas verdadeiro, que as pessoas possam ter tanta ganância a ponto de suas decisões darem a impressão de que desejam dinheiro e prazer imediatos ainda mais do que estar vivo no dia seguinte.

Hoje em dia, é curioso observar como algumas pessoas, que em outras circunstâncias tomariam a melhor decisão, acabam tomando uma decisão insensata por causa da ganância. Na maioria das vezes, elas nem mesmo percebem como a ganância distorceu sua capacidade de tomar decisões — até muito mais tarde.

P: Em Mc 12,10 e Lc 20,17, o que é uma pedra angular?

R: Uma pedra angular é a primeira pedra sobre a qual se assenta a fundação.

P: Em Mc 12,10-11 e Lc 20,17-18, por que o povo/os construtores rejeitaram a pedra angular?

R: Eles não tinham respeito pela função ou pela importância da pedra angular. Em última análise, uma pessoa ou deseja fazer parte do mesmo edifício que Cristo está construindo, ou não. Não há meio-termo; não é possível fazer parte do edifício apenas parcialmente.

P: Em Mc 12,13-17 e Lc 20,21-25, Jesus não respondeu diretamente à pergunta sobre o pagamento de impostos?

R: Na verdade, Jesus respondeu. Eles tentaram enganá-lo perguntando se deveriam ou não pagar impostos a César. Se Jesus tivesse dito “não”, poderia ser preso pelos romanos por incentivar as pessoas a não pagarem impostos. Se Jesus tivesse dito “sim”, as multidões que se ressentiam do domínio romano talvez não fossem tão amigáveis com Ele.

Esse imposto era exigido desde o ano 6 d.C. Como o imposto romano ia para o tesouro romano, os zelotes se recusavam a pagá-lo, pois isso reconhecia o direito romano de governar na Palestina. Os fariseus se opunham a pagá-lo, mas mesmo assim o faziam. Os saduceus não tinham objeção em pagá-lo. Assim, aqueles que fizeram a pergunta queriam apenas ver qual grupo Jesus iria alienar.

Jesus respondeu à pergunta, dizendo que devemos dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Jesus não especificou quais coisas pertenciam a César (Tibério, na época), e eles não Lhe perguntaram.

P: Em Mc 12,19; Lc 20,27 e At 23,8, resumidamente, o que sabemos sobre os saduceus, também chamados de herodianos?

R: Josefo afirma que os saduceus, os fariseus e os essênios eram as três facções religiosas de Judá. Os saduceus aparentemente surgiram no reinado de João Hircano I (135-104 a.C.) e desapareceram quando o Templo foi destruído em 70 d.C. Eram chamados de herodianos na época de Jesus porque apoiavam a dinastia de Herodes como reis da Judéia.

Os saduceus negavam a existência de espíritos, anjos e a ressurreição do corpo, conforme Atos 23,8. Negavam toda a Mishná, o Talmude e outras tradições dos fariseus. Segundo Josefo, não viam necessidade de observar nada que não estivesse escrito na Torá e, segundo os primeiros escritores da Igreja, negavam todo o Antigo Testamento, exceto a Lei (Torá). Quanto à própria Lei, os fariseus registraram exemplos de como discordavam em questões secundárias.

P: Em Mc 12,19 e Lc 20,27, quais são todas as evidências bíblicas e extra-bíblicas que temos sobre os saduceus?

R: Aqui está praticamente tudo o que sabemos sobre os saduceus.

1. 1 e 2 Macabeus apresentam uma história detalhada das lutas externas e internas durante o período em que os grupos dos fariseus e dos saduceus foram fundados.

2. Josefo menciona os saduceus em cinco passagens. As citações foram extraídas de Josefo: Obras Completas.

Guerras dos Judeus 2.8.2,14 (2a) (p. 476) “Pois há três seitas filosóficas entre os judeus. Os seguidores da primeira são os fariseus; da segunda, os saduceus; e a terceira seita, que professa uma disciplina mais severa, é chamada de essênios.” [Essênios é a grafia utilizada no livro] (14f) [Essens é a grafia utilizada no livro] “Mas os saduceus são aqueles que compõem a segunda ordem, negam totalmente o destino e supõem que Deus não se importa se fazemos ou deixamos de fazer o mal; e afirmam que agir bem ou mal é uma escolha própria dos homens, e que uma ou outra opção pertence a cada um, para que possam agir como bem entenderem. Eles também negam a crença na imortalidade da alma e nas punições e recompensas no Hades. Além disso, os fariseus são amigáveis uns com os outros e defendem a prática da concórdia e do respeito pelo bem público. Mas o comportamento dos saduceus uns para com os outros é, em certa medida, selvagem; e sua convivência com aqueles que pertencem ao seu próprio partido é tão bárbara como se fossem estranhos uns aos outros….” (Mais adiante, em *Antiguidades dos Judeus* 18.1.6, Josefo menciona uma quarta seita, que é semelhante aos fariseus, exceto pelo fato de lutar pela liberdade. Ele se refere aos zelotes.)

Antiguidades dos Judeus 13.5.9 Em contraste com os saduceus, os fariseus tendiam a não ser severos nas punições.

Antiguidades dos Judeus 13.10.6 Esta é, historicamente, a primeira menção aos saduceus, sob o governo de João Hircano I, que exercia os cargos de rei e sumo sacerdote (135-104 a.C.)

Antiguidades dos Judeus 18.1.4 “Mas a doutrina dos saduceus é a seguinte: que as almas morrem com os corpos; nem consideram a observância de nada além do que a lei [Torá?] lhes impõe; pois consideram um ato de virtude discutir com os mestres de filosofia com quem se reúnem; mas essa doutrina é aceita apenas por poucos, ainda que por aqueles que gozam da maior dignidade; contudo, eles são incapazes de fazer quase nada por conta própria; pois, quando se tornam magistrados — o que, por vezes, são obrigados a ser contra a vontade e à força —, eles se adaptam às noções dos fariseus, porque, de outra forma, a multidão não os toleraria.” (Josefo escreveu Antiguidades dos Judeus entre 93 e 94 d.C.)

“Antiguidades dos Judeus” 20.227 [9.1] menciona apenas um saduceu que foi sumo sacerdote. Seu nome era Hanan ben Hanan, e ele ocupou o cargo por apenas três meses.

3. A Mishná contrasta os ensinamentos dos saduceus com os dos fariseus em pelo menos nove passagens. (As primeiras Mishnás foram escritas por volta de 200 d.C.) No entanto, essas passagens são da perspectiva dos fariseus, e não dispomos de escritos dos próprios saduceus. Assim, as diferenças decorrem da perspectiva do que era importante para os fariseus — detalhes menores sobre a lei — e não necessariamente do que era mais importante para os saduceus.

Baba Batra 115b — Quando um homem falecia sem filhos vivos, os fariseus afirmavam que apenas uma neta, e não uma filha, poderia herdar, enquanto os saduceus afirmavam que tanto as filhas quanto as netas poderiam herdar caso não houvesse filhos.

Baba Kamma 84a — Ao aplicar o princípio de “olho por olho”, os fariseus frequentemente aceitavam, em vez disso, uma compensação monetária, enquanto os saduceus não aceitavam.

Megillah Ta’anit 1 — Enquanto os fariseus desejavam que as ofertas fossem pagas pelo tesouro, os oponentes dos fariseus queriam que o custo fosse coberto por ofertas voluntárias.

Megillah Ta’anit 4 — O mesmo que Baba Kamma 84a.

Makkot 1:5-8 — Os fariseus queriam que todas as testemunhas falsas fossem condenadas à morte, enquanto os saduceus só condenariam uma testemunha falsa à morte se seu testemunho já tivesse causado a execução do falsamente acusado.

Tosefta Parah, capítulo 3, e Parah — Os saduceus não praticavam todas as abluções dos fariseus, mas eram mais rigorosos quanto à pureza da novilha vermelha.

Tosefta Sanhedrin 6:6 — Os fariseus queriam que todas as testemunhas falsas fossem condenadas à morte, enquanto os saduceus só condenariam à morte uma testemunha falsa se o depoimento dela já tivesse causado a execução do falsamente acusado.

Yadaim 4:7 — Os saduceus ensinavam que o proprietário deveria ser responsável pelos danos causados por um escravo, assim como é responsável pelos danos causados por seu animal. Os fariseus ensinavam que o escravo deveria ser igualmente responsável, para que um escravo insatisfeito não colocasse seu senhor em apuros.

Ye rushalmi Yevamot 1:6 — O casamento levirato era destinado apenas a uma noiva, e não a uma mulher já casada.

4. Uma tradição rabínica (Abot Rabi Natã 5) afirma que Zadok, um discípulo de Antígono de Soko, fundou o movimento dos saduceus.

5. O Novo Testamento menciona os saduceus de passagem.

Mateus 3:7 e seguintes — João Batista viu tanto saduceus quanto fariseus.

Não em Mateus 15:1 — Alguns fariseus e escribas se aproximaram de Jesus. Como essas pessoas estavam preocupadas com o fato de os discípulos de Jesus não lavarem as mãos, provavelmente não havia saduceus entre elas.

Mateus 16:1-6 — Tanto os fariseus quanto os saduceus pediram a Jesus um sinal do céu.

Mateus 16:11-12 — Jesus diz para se ter cuidado com os ensinamentos dos saduceus e dos fariseus. Obviamente, eles ensinavam coisas diferentes, pois eram grupos distintos, mas Jesus não entrou em detalhes sobre as crenças de nenhum dos dois grupos neste versículo.

Mateus 22:23-34; Marcos 12:18-27; Lucas 20:27-39 – Os saduceus questionam Jesus sobre a ressurreição. De acordo com o Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 1501, a Mishná em Yerushalmi Yevamot 1:6 mostra que, uma vez que o casamento levirato se aplica apenas aos noivos aos olhos dos saduceus, a mulher só teria se casado com o sétimo marido.

Atos 4:1-2 — Os fariseus, os sacerdotes e os saduceus estavam unidos na oposição aos apóstolos.

Atos 5:17-18 — Este texto registra que o sumo sacerdote naquela época era um saduceu. (Josefo também afirma que o sumo sacerdote Ananias, o Jovem, era um saduceu.)

Atos 23:6-8 — Os saduceus não acreditavam na ressurreição, nem em anjos ou espíritos.

6. Escritos da Igreja Primitiva

Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) “Pois escolho seguir não os homens nem as doutrinas dos homens, mas a Deus e as doutrinas [transmitidas] por Ele. Pois, se o senhor se deparou com alguns que são chamados de cristãos, mas que não admitem essa [verdade] e ousam blasfemar contra o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó; que afirmam que não há ressurreição dos mortos e que suas almas, quando morrem, são levadas para o céu; não imaginem que eles sejam cristãos, assim como ninguém, se o considerasse corretamente, admitiria que os saduceus, ou seitas semelhantes como os genistas, os meristas, galileus, helenistas, fariseus e batistas, sejam judeus (não me ouçam com impaciência quando lhes digo o que penso), mas são [apenas] chamados de judeus e filhos de Abraão, adorando a Deus com os lábios, como o próprio Deus declarou, mas com o coração distante Dele. Mas eu e outros, que somos cristãos de mente reta em todos os aspectos, estamos certos de que haverá uma ressurreição dos mortos e mil anos em Jerusalém, que então será construída, adornada e ampliada, [conforme] declaram os profetas Ezequiel, Isaías e outros.” Diálogo com Trifão, um judeu, cap. 80, p. 239

O *Diatessaron* de Tatiano (c. 172 d.C.), seção 34, p. 96, menciona a ressurreição de todos quando Jesus repreende os saduceus.

Hegesipo (170-180 d.C.) menciona onze grupos de falsos cristãos entre o povo: os de Simão, Cleóbio, Doriteu, Gortéu, Masboteu, Menandro, Marcião, Carpócrates, os valentinianos, os basílideus e os saturnilianos. (vol. 8, p. 764). Ele menciona as seitas judaicas dos essênios, dos galileus, dos hemerobaptistas, dos masbothaei, dos samaritanos, dos saduceus e dos fariseus em *Sobre Sua Viagem a Roma* e em *As Seitas Judaicas*, vol. 8, p. 765.

Irineu de Lyon (182-188 d.C.): “Pois nosso Senhor e Mestre, na resposta que deu aos saduceus, que afirmam que não há ressurreição, e que desonram a Deus e menosprezam a autoridade da lei”, Irineu, *Contra as Heresias*, livro 4, cap. 5.2, p. 466-467

Tertuliano (198-220 d.C.), em *Sobre a Ressurreição da Carne*, capítulo 2, compara os hereges cristãos que negam a ressurreição física aos saduceus contra os quais Jesus teve de lutar.

Tertuliano (198-220 d.C.): “Os saduceus, que afirmavam não haver ressurreição, em uma discussão sobre esse assunto, apresentaram ao Senhor um caso jurídico referente a uma certa mulher que, de acordo com a prescrição legal, havia se casado com sete irmãos que faleceram um após o outro.” Cinco Livros Contra Marcião, livro 4, cap. 38, p. 413. Tertuliano também escreveu em outros lugares sobre os saduceus.

Hipólito (222-235/6 d.C.), em *A Refutação de Todas as Heresias*, livro 9, capítulo 22, p. 136-137, dedica um capítulo inteiro aos saduceus. Conforme afirma Josefo, eles afirmam que Deus não se envolve nas questões terrenas. Eles negam a ressurreição da carne e afirmam que a alma não continua a existir após a morte. Ele também fornece outros detalhes que se encontram em Josefo. Além de Josefo, Hipólito também afirma que eles são especialmente influentes na Samaria. “Eles, no entanto, não dedicam atenção aos profetas, nem a quaisquer outros sábios, exceto à lei de Moisés; a respeito da qual, porém, não formulam interpretações.”

Orígenes (225-254 d.C.) “Os judeus tinham opiniões diferentes, algumas falsas, como as que os saduceus defendiam sobre a ressurreição dos mortos — de que eles não ressuscitam — e, no que diz respeito aos anjos, de que estes não existem, mas que as coisas que foram escritas a respeito deles deveriam ser interpretadas apenas figurativamente, sem terem realidade de fato;” Comentário sobre Mateus, capítulo 20, p. 427. Orígenes também afirma que os samaritanos e os saduceus aceitam apenas os livros de Moisés, em sua obra *Contra Celso*, livro 1. Orígenes escreveu sobre os saduceus em outros textos também.

Metódio (270-311/312 d.C.): “Portanto, observe que essas são exatamente as coisas que o Senhor desejava ensinar aos saduceus, que não acreditavam na ressurreição da carne. Pois essa era a opinião dos saduceus. Daí terem inventado a parábola sobre a mulher e os sete irmãos, a fim de lançar dúvidas sobre a ressurreição da carne”, *Discurso sobre a Ressurreição*, cap. 12, p. 367. Metódio também escreveu em outros lugares sobre os saduceus.

Arnóbio (297-303 d.C.) “E que ninguém aqui invoque contra nós as fábulas judaicas e as da seita dos saduceus, como se também nós atribuíssemos formas à Divindade; pois supõe-se que isso seja ensinado em seus escritos e afirmado como se fosse com certeza e autoridade.” Arnóbio, *Contra os Pagãos*, livro 3, cap. 12, p. 467

Após Nicéia

Atanásio (326-373 d.C.) “E o que é a Lei para os saduceus, se eles não aceitam os profetas?” Aos Bispos do Egito, cap. 4, p. 224

Epifânio de Salamina (390 d.C.), em *Heresias* 1,14, afirma que o termo “saduceus” deriva da palavra hebraica *sadiq*, que significa “justo”. No entanto, o Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 1.500, afirma que há uma dificuldade em explicar como a vogal mudaria de “i” (carot) em “sadiq” para “u” (carot) em “seduqim”.

Jerônimo, ao que parece, também afirmou que os saduceus observavam apenas a Torá, de acordo com *The New International Dictionary of the Bible*, p. 884-885.

Obras espúrias e heréticas

O livro 2, capítulo 54, p. 91 (implícito), das Reconhecimentos de Clemente (c. 211-250 d.C.), de origem ebionita, opõe-se aos saduceus porque estes negavam a ressurreição dos mortos.

Pseudo-Hipólito: “E, portanto, eles [os judeus] não têm mais rei, nem sumo sacerdote, nem profeta, nem mesmo escribas, fariseus e saduceus entre eles. Ele não diz, no entanto, que eles devam ser exterminados”; Sobre o Salmo 59, p. 202

Consulte a próxima pergunta para mais discussões sobre este assunto.

P: Em Mc 12,19 e Lc 20,27, os saduceus rejeitavam totalmente todo o Antigo Testamento, exceto a Torá, aceitavam o restante do Antigo Testamento, mas com menor autoridade, ou aceitavam tudo, assim como faziam os fariseus?

R: Eis as evidências. Os escritores da Igreja primitiva — Hipólito, Tertuliano, Orígenes e Jerônimo — afirmaram que os saduceus acreditavam apenas na Torá. No entanto, o *The New International Dictionary of the Bible*, p. 884-885, afirma que eles estavam equivocados, porque

1) Josefo não menciona isso

2) No Talmude, os saduceus utilizam argumentos de outros livros do Antigo Testamento,

3) Provavelmente não teriam sido admitidos no Sinédrio se não considerassem os outros livros como canônicos.

No entanto, há três pontos que se opõem a essa visão:

1r) Josefo escreveu sobre os saduceus: “…nem consideram a observância de nada além do que a lei impõe…” em *Antiguidades dos Judeus* 18.1.4. (por volta de 93-94 d.C.)

2r) Além disso, mesmo que os saduceus não rejeitassem totalmente o restante do Antigo Testamento, eles poderiam ter aceitado os demais livros do Antigo Testamento apenas como menos autoritários. Isso se assemelha à visão de alguns cristãos de que os apócrifos são escritos sagrados que pertencem às Escrituras, mas possuem menor autoridade do que o restante do Antigo Testamento. Talvez os saduceus tenham deixado em aberto a questão de quão autoritários eram os livros que não faziam parte da Torá.

3r) Segundo Josefo, Ananias (o Jovem) era um saduceu que foi nomeado sumo sacerdote pelos romanos. Excluir o sumo sacerdote prejudicaria a autoridade do Sinédrio. Além disso, Josefo escreve em “Antiguidades dos Judeus” 18.1.4 que, quando os saduceus se tornavam magistrados, aderiam ao que os fariseus diziam, pois, de outra forma, as multidões não os tolerariam. Isso é análogo ao que ocorre hoje, quando muitos pastores “cristãos” liberais, que negam que Jesus tenha morrido para expiar nossos pecados, ainda celebram a Ceia do Senhor todos os meses, repetindo as palavras “Este é o meu sangue derramado para o perdão dos pecados”, embora afirmem que, pessoalmente, não acreditam nisso, pois, caso contrário, os membros da igreja não os aceitariam como pastores.

De onde os escritores da igreja primitiva obtiveram suas informações? Como os saduceus se extinguiram por volta de 70 d.C., eles não as obtiveram dos próprios saduceus. Talvez tenham obtido as informações de muitos escritos antigos que não possuímos hoje. Por exemplo, Papias, discípulo do apóstolo João e o primeiro pré-milenista extra-bíblico, escreveu vários volumes que se perderam.

Portanto, embora não haja nada que prove que os escritores da Igreja primitiva estavam errados, há argumentos de ambos os lados quanto à questão de saber se os saduceus rejeitaram categoricamente o restante do Antigo Testamento ou se apenas consideravam esses livros como tendo menor autoridade.

P: Em Mc 12,24, por que Jesus disse aos saduceus que eles não conheciam as Escrituras nem o poder de Deus?

R: Jesus estava correto tanto em um sentido geral quanto em um sentido específico que Ele pôde demonstrar a eles.

Geral: Os saduceus não acreditavam na vida após a morte nem na ressurreição. De acordo com os escritores da Igreja primitiva, os saduceus não aceitavam o Antigo Testamento como Escritura, exceto os cinco primeiros livros da Lei. Consulte a pergunta anterior para obter mais informações.

Específico: Como Jesus mostrou, mesmo no que eles aceitavam como Escritura (a Torá), eles não acreditavam de fato que Deus continuasse sendo o Deus de Abraão, Isaque e Jacó.

P: Em Mc 12,34, o que significa “não estar longe do reino de Deus”?

R: Isso não significa que alguém possa ser salvo apenas parcialmente, nem garantia que o homem seria salvo. Jesus quis dizer que o homem estava muito próximo de passar a acreditar nele.

P: Em Mc 12,29-31, como esses mandamentos resumem toda a lei?

R: Eles se concentram em dois aspectos: demonstrar amor e honra supremos a Deus e amar o próximo como a si mesmo. Ao contrário de Jesus, alguns se esqueceram do primeiro aspecto. Um gentio disse ao famoso rabino judeu Hillel que se converteria ao judaísmo, mas somente se Hillel lhe ensinasse toda a lei enquanto ele permanecesse em pé sobre um único pé. Hillel respondeu: “Não faça ao seu próximo o que você odeia que lhe façam; esta é toda a lei, o restante é comentário; vá e aprenda”, em Ben Shabbath 31a.

P: Em Mc 12,30, quando Jesus se referiu a Dt 6,4, ao falar sobre amar a Deus, por que Jesus acrescentou um quarto aspecto, o da “mente”?

R: Duas respostas complementares.

1. Embora o termo hebraico “alma” implicasse toda a vida de uma pessoa, incluindo a mente, Jesus, que aqui falava aramaico e/ou grego, mencionou a mente explicitamente para captar o significado completo da alma.

2. Além disso, com a vinda de Jesus, os crentes passaram a ter uma compreensão muito mais completa de Deus do que tinham no Antigo Testamento, conforme mostram Mateus 13,10-16; Marcos 4,11; e Lucas 8,10. Para mais informações sobre o mistério revelado de Cristo, consulte Efésios 3:4-6,9; 6:19; Colossenses 1:26-27; 2:2; 4:3; Romanos 16:25-26; 1 Pedro 1:10-12. Consulte também a discussão sobre Deuteronômio 6:4.

P: Em Mc 12,30, devemos tentar ignorar a razão para sermos espirituais, como alguns professores da corrente “Palavra de Fé” sugerem?

R: De forma alguma. A fé vai além da razão, mas não se opõe a ela. Marcos 12:30 diz que devemos amar a Deus também com toda a nossa mente. A questão aqui é: se a Palavra de Deus diz uma coisa e, com nossas mentes, raciocinamos de outra forma, acreditamos primeiro na Palavra de Deus ou em nossa própria razão? A razão lógica não é nossa senhora, nem deve ser descartada como sem valor, mas é um dom a ser utilizado como ferramenta para servir a Deus com amor. Além disso, Deus não se limita a usar nossa razão natural, mas pode transformá-la por meio da renovação de nossas mentes, conforme 1 Coríntios 2:12. Contudo, essa transformação não é necessariamente automática. Romanos 12:2 nos ordena que “sejamos transformados pela renovação de nossa mente”. Portanto, temos a responsabilidade por algo que não podemos fazer. Conseguimos realizar o que não podemos fazer por nós mesmos pedindo a Deus que atue por meio de nós; ou seja, o senhor precisa orar a Deus para que Ele realize a transformação. O senhor agradecerá a Ele pela obra santificadora que Ele já realizou e pedirá que Ele o torne mais maleável para que Ele transforme sua mente, seu coração, sua alma e suas forças?

P: Em Mc 12,34, o que há de incomum no fato de eles não terem feito mais perguntas a Jesus?

R: Marcos 11,28 começa com os sacerdotes, os escribas e os anciãos perguntando com que autoridade Jesus fazia essas coisas. A princípio, Jesus recusou-se diretamente a responder à pergunta deles. Depois, por meio de Suas respostas a outras perguntas e ao fazer, por fim, Sua própria pergunta — à qual eles não conseguiram responder —, Ele mostrou indiretamente que possuía essa autoridade. A partir daí, eles não perguntaram mais a Jesus “com que autoridade...” nem fizeram qualquer outra pergunta.

P: Em Mc 12,42, o que isso nos diz sobre o público de Marcos?

R: O óbolo (lepton em grego) era uma moeda grega, bem conhecida pelos gregos. Duas dessas moedas equivaliam a 1/64 de um denário, o salário diário. O fato de Marcos sentir a necessidade de explicar o que era isso, e de fazê-lo usando uma moeda romana, o quadrans, indica que Marcos escrevia originalmente para um público romano.

P: Em Mc 12,42-44, visto que os escribas devoravam as casas das viúvas, por que Jesus não impediu a viúva de depositar seus dois centavos?

R: A viúva foi elogiada por sua generosidade e fé ao doar. Os escribas do templo foram repreendidos não apenas por não darem aos pobres, mas também por tirarem à força dos pobres. Os mestres da lei não podiam receber remuneração por seus serviços, mas podiam aceitar presentes, de acordo com Aboth 1.13 e Bekhoroth 4.6.

P: Em Mc 13,1-2, o que havia de tão impressionante no templo?

R: Tanto seu tamanho quanto sua longevidade, tendo sido reconstruído após ter sido destruído e rededicado após ter sido profanado.

O Templo era uma maravilha arquitetônica; ocupava cerca de um sexto da área total de Jerusalém. Foi construído com grandes pedras brancas incrustadas de ouro. Sua construção levou muitos anos; só foi totalmente concluído em 64 d.C. Embora fosse uma grande estrutura, não era tão grande quanto outras maravilhas antigas, como os Jardins Suspensos da Babilônia ou as pirâmides do Egito.

Antíoco Epifânio sacrificou um porco no altar, conforme 1 Macabeus 1:41-64 e o livro 12, capítulo 5.4, de “Antiguidades dos Judeus”, de Josefo. Consulte também o livro 5, capítulos 184-226, de “A Guerra Judaica”, de Josefo, e o livro 15, capítulos 380-425 (xi), de “Antiguidades dos Judeus”, para obter mais informações.

Os zelotes judeus profanaram o templo em 67-68 d.C.

Em 70 d.C., o general romano Tito instruiu suas tropas a preservarem o templo, mas elas o incendiaram mesmo assim.

P: Em Mc 13,1-2, como podemos saber quando uma organização ou instituição de aparência imponente é inútil para Deus?

R: Se ela foi construída com maus propósitos, isso é uma coisa; mas pode ter sido criada originalmente para fins piedosos, que depois foram desviados. Focar na aparência impressionante de algo é concentrar-se na coisa errada. Observe os frutos atuais: as pessoas estão se convertendo a Cristo e crescendo n’Ele por meio dessa obra? Se não, então, independentemente de sua glória passada, ela não é mais impressionante aos olhos de Deus.

P: Em Mc 13,34-37, por que Jesus insistiu tanto para que eles permanecessem vigilantes?

R: Embora algumas pessoas tenham perdido a primeira vinda, o contexto aqui é um discurso dirigido exclusivamente aos discípulos sobre a Segunda Vinda. Eles não deveriam começar a vigiar em um momento específico, pois Jesus acabara de dizer que ninguém saberia a hora. Em vez disso, deveriam estar sempre vigilantes. Vigiar, neste contexto, significa manter suas vidas santas e permanecer próximos a Deus. Significa também permanecer fiéis durante a perseguição. Os cristãos eram rotulados como hereges e açoitados pelos judeus com 39 chicotadas, de acordo com a Mishná Makkoth 3.10-14 (The Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento, p. 168).

P: Em Mc 14,4-8, por que Jesus preferiu que o perfume caro fosse derramado sobre Ele em vez de ser dado aos pobres?

R: Jesus ensinou em Marcos 12:29-31 que amar o Senhor, seu Deus, é o maior mandamento, e amar o próximo como a si mesmo é o segundo maior mandamento, e não o contrário. Os cristãos poderiam ajudar os pobres o tempo todo, mas só podiam ministrar a Jesus dessa maneira enquanto Ele estava na terra.

P: Em Mc 14,4-8, alguns consideraram que esse sacrifício de um ano de salário era apenas um desperdício de dinheiro. O que o senhor diria às pessoas hoje que consideram um desperdício dedicar anos de sua vida e seu dinheiro ao Senhor?

R: O nardo era um perfume caro, proveniente de uma planta rara da Índia. Normalmente, era guardado em um frasco totalmente fechado. O gargalo foi quebrado e todo o conteúdo foi utilizado.

Quando Judas viu esse enorme “desperdício” (na opinião dele), isso pode ter sido o gatilho para que ele fosse até os sacerdotes para trair Jesus. Embora não haja como defender Judas, podemos pelo menos compreender o ponto de vista dele. Pareceria um grande desperdício, se todo o mundo girasse em torno do dinheiro. Esperamos, porém, que o senhor tenha melhor discernimento do que Judas.

P: Em Mc 14,4-8, como é que fazer coisas boas pode, às vezes, impedir que se faça a melhor coisa?

R: Fazemos muitas coisas boas, mas não estamos na Terra apenas para fazer coisas boas. Permanecemos na Terra agora para servir e glorificar a Deus aqui. Não fazemos apenas quaisquer coisas boas, mas as melhores coisas boas que podemos fazer pelo Senhor.

P: Em Mc 14,21, por que teria sido melhor para Judas se ele nunca tivesse nascido?

R: Teria sido melhor para Judas nunca ter existido do que fazer o que fez e receber a justa punição por isso. O livro *Quando os Seguidores de Seitas Perguntam*, pp. 139-140, afirma que alguns seguidores de seitas usam esse versículo para tentar argumentar que, se o inferno é comparado ao período pré-natal, então o inferno seria a inexistência. No entanto, como Jesus disse que a punição de Judas seria pior do que nunca ter nascido, o inferno não é a aniquilação.

P: Em Mc 14,21, não sabemos o motivo principal pelo qual Judas decidiu trair Jesus. Quando uma pessoa vira as costas para outra, qual é a diferença entre fazê-lo por ganância, inveja ou decepção?

R: Algumas pessoas traem por ganância; pela vantagem de pensar que podem obter tudo o que for possível. Elas não tinham nada contra a pessoa que odiam por meio da traição. Para elas, a vítima é apenas um objeto a ser explorado.

Mas, em outros casos, pode ser algo pessoal. Devido à decepção com o que consideram uma situação sem esperança, podem querer trair a pessoa, ou pelo menos obter algum benefício para compensar o tempo perdido por terem acreditado nela.

Como não conhecemos os motivos de Judas, eles poderiam ser ambos os citados acima. Judas era o único membro dos doze que não era galileu. Ele nunca fez parte do círculo íntimo de Pedro, Tiago e João.

P: Em Mc 14,24, o que há de interessante na palavra “aliança” neste contexto?

R: A língua grega possui duas palavras diferentes para “aliança”.

A palavra grega syntheke significa um acordo negociado entre duas partes.

A palavra grega diatheke significa uma proposta feita por apenas uma das partes, que a segunda parte só pode aceitar ou rejeitar. É a segunda palavra que é usada aqui.

P: Mc 14,24 mostra que Cristo morreu por todas as pessoas?

R: Sim. Até mesmo João Calvino afirma que “muitos” significa “toda a raça humana”. Eis o que João Calvino disse nos Comentários de Calvino, vol. 3, p. 138-139: “Marcos 14:24. Este é o meu sangue. Já alertei, quando se diz que o sangue é derramado (como em Mateus) para a remissão dos pecados, como nessas palavras somos direcionados ao sacrifício da morte de Cristo, e negligenciar esse pensamento torna impossível qualquer celebração adequada da Ceia. De nenhuma outra forma as almas fiéis podem ser satisfeitas, se não puderem acreditar que Deus está satisfeito com elas. A palavra “muitos” não significa apenas uma parte do mundo, mas toda a raça humana: ele contrasta “muitos” com “um”, como que para dizer que não seria o Redentor de um único homem, mas que enfrentaria a morte para libertar muitos de sua culpa amaldiçoada.” (Itálico na tradução original em inglês.) Observe que Calvino diz: “muitos não significa apenas uma parte do mundo, mas toda a raça humana:”

P: Em Mc 14,27, de que forma os discípulos ficariam ofendidos com Jesus por Ele não ter se defendido?

R: A fé deles seria abalada quando Jesus, com todo o Seu poder, se submetesse voluntariamente à captura, aos maus-tratos e à morte. Esperava-se que um Messias poderoso se defendesse e derrotasse os romanos, e não que se rendesse a eles.

P: Mc 14,27-31: se um crente cometeu um pecado grave e desonrou Jesus, especialmente diante de outras pessoas, como ele pode se reerguer?

R: Um crente que tenha caído no pecado pode se arrepender e voltar. Deus o perdoará. Como cristãos, devemos perdoá-lo também, mas ele precisa compreender que pode levar tempo para reconstruir a confiança. O crente arrependido deve confessar-se a Deus, mas também deve confessar-se àqueles que já tinham conhecimento de seu pecado. Deve pedir desculpas, reparar o dano, se for o caso, e prometer não repetir o erro. Dependendo da gravidade do pecado, ele pode pedir a alguns amigos cristãos que “caminhem com ele” e o ajudem a prestar contas, para que não recaia no pecado novamente.

P: Em Mc 14,42-52, isso retrata um Jesus que estava à mercê deles, em contraste com os outros Evangelhos que retratam Jesus como quem está no comando, como afirmam alguns liberais?

R: Bem, diz-se que, enquanto Jesus orava, Ele estava em tal angústia que suava gotas de sangue. Ah, espere, isso estava apenas em Lucas 22,44, não em Marcos. É um tanto “miope” que os críticos liberais digam isso sobre Marcos, já que Mateus 26,36-46 e Lucas 22,40-46 também relatam sobre Jesus no Jardim do Getsêmani. João frequentemente relata outras coisas que não constam nos três primeiros evangelhos; parece que João omitiu deliberadamente muitas coisas que os outros três evangelhos já haviam mencionado.

Desde os primórdios, os cristãos reconhecem que Mateus destacou Jesus como o Rei Prometido, que cumpriu as profecias do Antigo Testamento. Marcos enfatizou Jesus como o servo sofredor e as ações de Jesus. Lucas enfatizou Jesus como homem e foi quem mais escreveu sobre a infância de Jesus. João enfatizou Jesus como Deus, e seu evangelho provavelmente foi escrito partindo do pressuposto de que o leitor já tivesse lido os outros evangelhos.

Por outro lado, Marcos mostra que Jesus também está no controle. No Jardim do Getsêmani, Jesus sabia o que estava por vir e teve a oportunidade de fugir do Jardim. Mas Jesus escolheu deliberadamente abraçar a vontade do Pai, não por incerteza quanto às consequências, mas sabendo muito bem quais seriam elas.

P: Em Mc 14,51-52, quem era aquele “homem sem máscara”, que fugiu sem suas roupas?

R: Embora as Escrituras não o mencionem, a tradição afirma que se tratava de João Marcos, o autor do Evangelho de Marcos. O cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 905, também afirma o mesmo, acrescentando a especulação de que “o evangelista não resistiu à tentação de mencionar sua presença em um momento crucial da história de Jesus”.

P: Em Mc 14,53-55, de que forma o Sinédrio violou a lei judaica neste caso?

R: Eles violaram seu próprio sistema jurídico pelo menos cinco vezes.

1) Não deviam realizar julgamentos à noite

2) Cabia ao juiz permanecer ao lado do acusado.

3) Não havia duas testemunhas que corroborassem as acusações contra Jesus.

4) Na lei judaica, ninguém podia ser condenado com base em seu próprio testemunho.

5) Deveriam ter esperado 24 horas antes de declarar alguém culpado.

(trecho de um sermão de Tim Hawks na Hill Country Bible Church, em Cedar Park, Texas, em 24/10/1997)

P: Em Mc 14,62, Jesus realmente afirmou ali que era o Messias?

R: Sim. Imagine como os sacerdotes obstinados se sentiram quando Jesus citou Daniel 7:13-14 a respeito de Si mesmo, vindo nas nuvens do céu. A reação deles, insultando-O e clamando por Sua morte em Marcos 14:63-65, foi a gota d’água na rejeição de Jesus pela hierarquia religiosa judaica. Consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 450-451, para uma resposta mais detalhada.

P: Em Mc 14,62, uma vez que Jesus estaria sentado à direita de Deus Pai, como Ele poderia estar vindo, o que implica movimento?

R: Há três pontos a serem considerados na resposta.

Em todos os casos, “estar sentado à direita” não se refere apenas a uma localização física, mas a uma posição de honra.

Em diferentes momentos, Jesus pode estar sentado, em pé e em movimento.

É claro que é possível tanto estar sentado quanto estar vindo se estiver montado em um cavalo branco, como será o caso de Jesus em Apocalipse 19:11.

P: Em Marcos 14:62, Jesus disse ao sumo sacerdote que ele veria o Filho do Homem vindo com as nuvens do céu. Mas se o sumo sacerdote morresse antes do retorno de Jesus, isso invalidaria a resposta de Jesus. Assim, em Lucas, Jesus diz: “Eu sou, e, a partir de agora, o Filho do Homem estará sentado à direita do poder de Deus” (Lucas 22:69). Jesus, Interrompido, p. 51

R: Primeiro, o que não é a resposta; depois, a resposta.

O que não é a resposta: por alguma razão, Ehrman não quis mencionar Mateus 26:64, onde se diz “vocês” (plural), portanto, não apenas o sumo sacerdote. No entanto, trata-se de uma questão irrelevante, já que todos os membros do Sinédrio morreram antes do retorno de Jesus.

A resposta: Ehrman apresenta duas objeções em uma. A primeira objeção é que o sumo sacerdote (e, na verdade, todo o Sinédrio) morreu antes do retorno de Jesus. A resposta a isso é que todo o Sinédrio, incluindo o sumo sacerdote, verá Jesus vir. Apocalipse 1:7 promete que todos os olhos verão Jesus quando Ele retornar, inclusive, especificamente, aqueles que O traspassaram. Aqueles que morreram rejeitando Jesus não escaparão de encontrá-Lo novamente.

A segunda objeção é que Lucas, escrito depois de Marcos, parece mudar de “você (singular) verá” para simplesmente afirmar que Jesus retornaria. O ponto-chave de seu argumento é enfraquecido por uma variante textual. Clemente de Alexandria (193-202 d.C.) cita Marcos 14:62 com “vocês” (plural) em *Stromata*, livro 6, cap. 52, em *Ante-Nicene Fathers*, vol. 2, p. 574. Sabemos que é Marcos — e não outro Evangelho — que Clemente está citando, pois ele nos diz explicitamente que se trata de Marcos.

P: Em Mc 14,65, por que algumas pessoas pediram a Jesus que profetizasse quem o havia golpeado ali?

R: Os soldados romanos praticavam um jogo cruel com os prisioneiros chamado “três punhos”. Três soldados colocavam, cada um, um dos punhos sob o queixo do prisioneiro. Um dos soldados desferia um soco no prisioneiro e o deixava inconsciente. Quando o prisioneiro recuperava a consciência, perguntavam-lhe qual dos soldados o havia golpeado. Se o prisioneiro errasse a resposta, o soldado que o havia golpeado ganhava (e a pessoa perdia a aposta). Se o prisioneiro acertasse, o soldado que o havia golpeado perdia a aposta. Parece que, em todos os casos, o prisioneiro também saía perdedor.

P: Em Mc 14,66-68, que tipo de amor é capaz de resistir ao “teste do medo”?

R: Pedro era corajoso e nunca deixou de amar Jesus, mas seu amor, nesse momento, não resistiu ao teste do medo. No entanto, no final de sua vida, Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, e o amor de Pedro resistiu ao teste do medo.

Até Pedro começar a falar, seu sotaque galileu não o delatava. A menos que ele tivesse falado primeiro, a serva deve ter estado perto o suficiente de Jesus e de Pedro em algum momento para conseguir reconhecer Pedro. Pedro achava que poderia ficar relativamente perto de Jesus sem ser descoberto. Quando percebeu que eles poderiam descobrir quem ele era, teve então que decidir o que fazer. Às vezes, podemos fazer algo corajoso por Cristo, pensando que provavelmente não sofreremos por causa disso. Mas, quando somos descobertos, o que fazemos então?

Pedro, nesse momento de tensão, valorizou sua segurança mais do que qualquer outra coisa, inclusive a negação de Cristo. O que Pedro deveria ter feito era ir embora rapidamente e, quanto à possibilidade de serem ou não capturados, deixar o resultado nas mãos de Deus.

P: Em Mc 15,1-20, tanto o Sinédrio quanto os romanos rejeitam Jesus como o Messias, mas por razões muito diferentes. Quais são as diferentes razões pelas quais as pessoas hoje rejeitam Jesus como seu Messias?

R: Na época de Jesus, muitos achavam que as afirmações de Jesus eram falsas, porque Ele não atendia às suas expectativas de um Messias político. Hoje, se Deus nos observasse, alguns acreditam que não haveria fome, sofrimento ou morte. Deus não corresponde às expectativas deles.

Para os romanos, a afirmação de Jesus foi interpretada erroneamente como traição àquilo a que já haviam jurado lealdade. Jesus simplesmente não se encaixava no que eles haviam escolhido seguir, e não tinham desejo — nem coragem — de mudar.

Alguns rejeitam Jesus por razões intelectuais, mas são um número pequeno, e ainda menor do que o número de pessoas que afirmam rejeitar Jesus por razões intelectuais. Mais comumente, as pessoas rejeitam por razões emocionais, ou então por razões deliberadas, quando percebem o que teriam de abrir mão ou mudar para seguir Jesus, e não querem fazer isso. Às vezes, quando as pessoas levantam objeções intelectuais a se tornarem cristãs, trata-se realmente de uma razão legítima em suas mentes. Outras vezes, é apenas uma cortina de fumaça para que não se sintam culpadas por não levar em consideração as afirmações de Cristo.

Jesus recusou-se a entrar em um debate onde a justiça não pudesse ser realizada.

P: Em Mc 15,8-11, o que há de irônico no fato de o povo ter escolhido Barrabás em vez de Jesus?

R: Pilatos provavelmente achava óbvio que eles escolheriam Jesus em vez de um ladrão conhecido. Os judeus, perante os romanos, acusaram Jesus de liderar uma rebelião, enquanto muitos judeus ficaram decepcionados com Jesus por NÃO liderar uma rebelião. Enquanto os judeus e os romanos afirmavam que Jesus deveria morrer por traição, Barrabás era quem realmente havia cometido traição. Quando o povo rejeitou seu legítimo rei, Jesus, em favor de um rebelde violento, eles próprios se rebelaram violentamente 40 anos depois, em 70 d.C., e os romanos destruíram Jerusalém.

O documento Papiro Florentino 61.59ff afirma que o governador romano do Egito, G. Septimus Vegetus, disse a um prisioneiro acusado chamado Phibion: “Tu mereceste ser açoitado, mas eu te entregarei ao povo” (citado em Taylor, p. 580).

O nome completo de Barrabás era Jesus bar-Abbas, ou seja, Jesus, filho de Abbas, sendo que Abbas é tanto um nome próprio quanto o termo para “pai”. Ambos se chamavam Jesus. Barrabás, como rebelde, também queria libertar seu povo, mas por meios humanos e violentos. O pseudo-filho de um pai foi libertado, e o verdadeiro Filho do Pai foi crucificado.

P: Em Mc 15,14, por que Marcos aparentemente estava tão ansioso para tentar atribuir a culpa aos judeus, como alegou um liberal?

R: Em primeiro lugar, os arqueólogos encontraram o pátio onde acreditam que a multidão se encontrava, e ele não teria capacidade para mais do que cerca de 400 pessoas. Portanto, a multidão aqui não era composta por todos os residentes e visitantes de Jerusalém, mas sim por um subconjunto muito pequeno selecionado pelos sacerdotes.

Judas, os líderes judeus, o povo judeu, os romanos e até mesmo o fato de Jesus não ter fugido — todos tiveram um papel naquilo que era a vontade predeterminada de Deus (Atos 2,23). Aqui está uma lista do papel de cada um. Como você pode ver, Marcos não é mais severo com o povo judeu do que os outros evangelistas.

Judas: Mateus 26:14-16, 49-50; Marcos 14:17-21, 42, 44-45; Lucas 22:3-6, 47-48; João 13:18, 21, 27; 18:2

Os líderes judeus: Mateus 26:57-58; 27:20; Marcos 14:43, 46, 53-65; 15:1, 3, 10-11, 31; Lucas 22:2, 52; 22:66-23:2; João 18:3, 12-14, 19-24, 30

O povo judeu: Mateus 27:20-23,25; Marcos 15:11-15; Lucas 23:18,21,23

Os romanos: Mateus 27:11-31; Marcos 15:15-20; 15:24; Lucas 23:24; João 18:33-19:3; 19:16

Jesus não fugiu: Mateus 26:39-46,53-54; Marcos 14:35-42; Lucas 22:39-46; João 18:4-11

P: Em Mc 15,17, qual foi o significado de vestir Jesus com púrpura?

R: O tecido púrpura era caro, pois era tingido a partir de conchas de murex. No Império Romano, apenas o imperador e sua família podiam usar púrpura, embora o imperador, como um favor, pudesse dar suas roupas velhas a outras pessoas. A túnica púrpura era uma zombaria ao fato de Jesus afirmar ser um rei.

P: Em Mc 15,31, Jesus foi ridicularizado por afirmar que salvava os outros, enquanto não salvava a si mesmo. De que maneira, às vezes, é necessário abrir mão de salvar a si mesmo para salvar os outros?

R: Embora não precisemos correr riscos desnecessários, às vezes precisamos agir com risco pela segurança dos outros e para levar a mensagem do evangelho a outras pessoas. A segurança é boa, mas se valorizarmos nossa segurança acima de fazer a vontade de Deus, então até mesmo a segurança pode se tornar um ídolo.

P: Em Mc 15,31-32, quão eficaz é a tática de Satanás de fazer com que alguém seja ridicularizado por obedecer a Deus?

R: Dependendo da pessoa, pode ser eficaz. Se alguém valoriza mais o elogio das pessoas do que o elogio de Deus, isso pode paralisá-la completamente. Essa pessoa pode até mesmo racionalizar isso pensando: “Se eu mantiver minha popularidade, as pessoas vão me ouvir mais e, consequentemente, dar mais atenção ao meu testemunho”. Mas se uma pessoa valoriza a Deus mais do que a popularidade, e a obediência a Deus mais do que a obtenção de resultados para Deus, então ela estará glorificando a Deus mais do que se estivesse tentando realizar uma obra para Deus com suas próprias forças.

P: Em Mc 15,32, é-nos dito que Jesus foi colocado numa “cruz” para ser crucificado: “Que Cristo, o Rei de Israel, desça agora da cruz, para que possamos ver e acreditar.” E aqueles que estavam crucificados com ele o injuriavam.

A palavra para “cruz” aqui, em grego, é stauros, que James Strong definiu como:

(4716) derivado da raiz 2476; uma estaca ou poste (colocado na vertical), ou seja, (especificamente) um poste ou cruz (como instrumento de pena capital); figurativamente, exposição à morte, ou seja, abnegação; por implicação, a expiação de Cristo: — cruz. [1]

No entanto, em 1 Pedro 2:24, é-nos dito que Jesus foi crucificado na “árvore”:

O qual, em seu próprio corpo, levou os nossos pecados na árvore, para que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; pelas cujas chagas fostes curados.

A palavra para “árvore” em grego é xulon, e é definida por Strong como:

(3586) derivada de outra forma da raiz de 3582; madeira (como combustível ou material); por implicação, um bastão, um taco, uma árvore ou outro artigo ou substância de madeira: — cajado, toras, árvore, madeira.[2]

O erro aqui é óbvio. A palavra grega stauros significa, sem sombra de dúvida, uma “cruz”. Não há duplo sentido empregado à palavra. Já a palavra xulon pode ser traduzida indistintamente como “madeira”, “bastão”, “árvore”, etc., mas, no caso de 1 Pedro 2:24, é traduzida como “árvore”. Agora precisamos perguntar: por que a palavra xulon teria sido usada, em primeiro lugar, quando existe uma palavra mais definitiva para isso, stauros, se o versículo realmente pretende significar a “cruz”?

É, portanto, óbvio que a palavra xulon é de fato usada para “árvore” em I Pedro 2:24 e, portanto, há uma contradição com Marcos 15:32.

Referências

[1] James Strong, The New Strong’s Exhaustive Concordance of the Bible (Thomas Nelson, 1996)

[2] James Strong, Op. Cit. (Um muçulmano fez essa pergunta)

R: Jesus foi colocado em uma cruz de madeira, que provinha de uma árvore. Romanos, cartagineses e persas utilizavam estacas de madeira com travessas, e não árvores vivas. Utilizar duas palavras como sinônimos para a mesma coisa (como staurus e xulon) não constitui um problema, da mesma forma que utilizar duas palavras para se referir a Deus no Alcorão.

Pedro diz que Jesus foi pendurado em uma árvore (Atos 5:30; 10:39), mas Pedro também diz que Jesus foi pregado na cruz (Atos 2:23).

Paulo afirma que Jesus foi pendurado em uma árvore (Gálatas 3:13; Atos 13:29), mas Paulo também menciona a cruz de Cristo em Gálatas 5:11; 6:12,14; 1 Coríntios 1:17,18.

“Árvore” e “cruz” são usados como sinônimos; o mesmo autor utiliza ambos os termos. Jesus foi pregado em uma árvore; mas não se diz que fosse uma árvore viva.

É claro que o ensino islâmico ortodoxo também ensina que a “aparência de Jesus” foi crucificada também. Ora, há uma questão fundamental a respeito dessa crucificação. Ou:
a) Foi realmente Jesus quem foi crucificado, ou
b) “A grande troca”: Alá não apenas enganou os judeus e os romanos, levando-os a acreditar que Jesus foi crucificado quando, na verdade, não foi, como também enganou até mesmo a própria mãe de Jesus, os discípulos de Jesus e todos os primeiros cristãos, que pregavam Cristo crucificado. Temos escritos de Inácio e Policarpo, discípulos do apóstolo João, e de outros que acreditavam que Jesus foi crucificado e ressuscitou dos mortos. Mesmo como muçulmano, o senhor não pode culpar os cristãos por acreditarem que Jesus foi crucificado, se o senhor acredita que Alá enganou seus próprios seguidores. “Alá é o maior dos enganadores” (Sura 3:54). Se esse Alá enganou os cristãos, e o senhor não vê problema nisso, então esse Alá poderia enganar os muçulmanos também?

P: Em Mc 15,42, Ehrman afirma: “Marcos nos explica o que quer dizer com essa frase: é o Dia da Preparação ‘para o sábado’ (não o Dia da Preparação para a Páscoa).” (itálico no original) Jesus, Interrupted, p. 27

R: Há duas respostas prováveis, mas diferentes.

O sábado e a Páscoa judaica podem ter coincidido naquele ano: Ehrman não parece levar em conta que a Páscoa judaica e o sábado coincidem em alguns anos. Há certa incerteza quanto às datas exatas daquela época, mas muitos acreditam que a Páscoa judaica e um sábado teriam coincidido no ano 30 d.C. ou no ano 33 d.C.

Sábados solenes: todo sábado era um sábado, mas nem todo sábado era um sábado, como prova Levítico 23:39. Por exemplo, tanto o primeiro quanto o oitavo dia do sétimo mês deveriam ser um “descanso sabático”. Havia “dias de descanso” todos os anos, mas na maioria das vezes não eram sábados. A Páscoa era o primeiro dia da Festa dos Pães Ázimos, e tanto o primeiro quanto o sétimo dia da Festa eram “dias de descanso”, de acordo com Êxodo 12:16.

João 19:31 resolveria qual das duas respostas era a correta, exceto que poderia ser usado para apoiar ambas as respostas. Diz: “… pois aquele sábado era um dia solene”. Mas, como era um dia solene, não era necessário que fosse um sábado.

P: Em Mc 15,44, por que Pilatos se surpreendeu ao ver que Jesus já estava morto?

R: Ou Pilatos simplesmente perdeu a noção do tempo, ou muitos homens crucificados resistiam por mais tempo. Jesus havia sido açoitado e espancado antes de ser crucificado. A título de observação, o açoitamento romano era diferente dos 39 açoites do castigo judaico. O açoitamento romano era feito com chicotes curtos com pontas de metal presas a um forte bastão de madeira. Podia incapacitar ou até mesmo matar uma pessoa. Jesus foi açoitado pelos romanos.

P: Em Mc 16, quais são os paralelos com outras partes dos Evangelhos e dos Atos?

R: Aqui estão os paralelos entre Marcos 16 e outros livros da Bíblia

Jesus ressuscitou de madrugada. Mc 16,2.9; Mt 28,1; Lc 24,1; Jo 20,1

Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana. Mc 16,2.9; Mt 28,1; Lc 24,1; Jo 20,1

Sete demônios foram expulsos de Maria Madalena. Mc 16,9; Lc 8,2

Maria Madalena e as mulheres foram ao túmulo. Mt 28,1-8; Mc 16,9-10; Jo 20,1; Lc 24,1-10

Outros não acreditaram a princípio. Mt 28,17; Mc 16,11; Lc 24,11

Apareceu a dois discípulos. Mc 16,12; Lc 24,13-35

Ainda assim, não acreditaram. Mc 16,13; Lc 24,36

Repreendeu os 11 por sua incredulidade. Mc 16,14; Lc 24,38-41

Ordenou que pregassem a todos. Mt 28,19-20; Mc 16,15; Lc 24,47-48

Quem crer e for batizado será salvo; quem não crer será condenado. Mc 16,16; At 2,38-39

Sinais. Mc 16,17.20; ao longo de Atos

Expulsão de demônios. Mc 16,17 e em Atos

Falar em novas línguas. Mc 16,17; ~Atos 2,2-13

Ser mordido por serpentes sem sofrer danos. Mc 16,17; Lc 10,19; ~Atos 28,3-6

Beber veneno sem sofrer danos. Mc 16,18 – nenhum outro

Jesus ascendeu ao Céu em Betânia, na encosta do Monte das Oliveiras. Mc 16,19; Lc 24,51; Atos 1,9-11

Jesus sentou-se à direita de Deus. Mc 16,19; At 7,56

Eles pregaram por toda parte. Mc 16,20; Atos 1,8

Em conclusão, beber veneno sem sofrer danos é o único ensinamento do final de Marcos que não é ensinado em nenhum outro lugar da Bíblia.

P: Em Mc 16,1, por que as mulheres levaram especiarias para ungir o corpo de Jesus?

R: Jesus foi colocado apressadamente no túmulo antes do início do sábado, ao pôr do sol. As mulheres trouxeram especiarias para preservar o corpo por meio do embalsamamento.

P: Em Mc 16,8, visto que as mulheres não disseram nada a ninguém, será que contaram aos discípulos?

R: Embora não tenham contado a ninguém no caminho de volta do túmulo, acabaram contando a todos, e os discípulos foram os primeiros a quem contaram. Embora “não terem contado a ninguém” possa significar que não contaram nem mesmo aos discípulos até algum tempo depois, é mais provável que isso signifique que contaram apenas aos discípulos e a ninguém fora de seu pequeno grupo. Consulte *When Critics Ask*, p. 377, para uma resposta complementar.

P: Em Mc 16,12, como Jesus apareceu sob outra forma?

R: Isso significa simplesmente que os dois homens não reconheceram Jesus enquanto caminhavam com Ele. Jesus poderia estar vestindo roupas diferentes, e certamente teria uma aparência diferente daquela que tinha quando estava morto. Jesus ressuscitou fisicamente dos mortos, em um corpo físico glorificado. Não se pode usar legitimamente esse versículo para afirmar que Jesus tinha corpos diferentes, pois o fato de eles não terem reconhecido Jesus não prova a existência de um corpo físico diferente.

P: Em Mc 16,16, Jesus diz: “Quem crer e for batizado será salvo”. Em Rm 6,3, Paulo diz: “Todos nós que fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte”. Em 1 Pe 3,21, Pedro diz: “A figura correspondente, pela qual também agora o batismo nos salva (não como remoção das impurezas da carne, mas como resposta de uma boa consciência para com Deus), pela ressurreição de Jesus Cristo”. Esses versículos significam que o batismo é tão necessário quanto a fé para a salvação? E isso significa que não se trata de uma “ordança voluntária”, como dizem os evangélicos, mas de um procedimento obrigatório?

R: A obediência a Jesus não é opcional, mas obrigatória, e Jesus nos ordenou que fôssemos batizados. Portanto, todos os crentes devem ser batizados com água. No entanto, não é o batismo com água que nos salva, nem mesmo a nossa obediência (por mais imperfeita que seja) que nos salva. É Jesus quem nos salva. Portanto, o poder está no sangue de Jesus, não na água. A crença na salvação é mencionada no Novo Testamento 150 vezes sem referência ao batismo. Mas todos nós devemos ser batizados.

Mas e quanto ao ladrão na cruz? Os romanos certamente não o deixariam descer para ser batizado e, em seguida, colocá-lo de volta na cruz. No entanto, Jesus disse-lhe: “Hoje você estará comigo no paraíso”. Além disso, Eusébio registra a história de um soldado romano chamado Basilides que se converteu a Cristo, sendo posteriormente preso e executado. Será que ele iria para o inferno por ter acreditado em Cristo, mas os romanos não o deixaram ser batizado e, assim, impediram que Deus o salvasse? – É claro que não. Portanto, Deus é capaz e poderoso o suficiente para salvar as pessoas independentemente do batismo com água. O batismo com água não é essencial para que Deus salve alguém. No entanto, devemos obedecer a Deus e ser batizados.

P: Em Mc 16,16, o que acontece com as pessoas que acreditam, mas nunca são batizadas?

R: Embora Marcos 16,16 não especifique, João 3,36 e uma série de outros versículos afirmam que todo aquele que crê é salvo. O ladrão à direita de Jesus creu e foi para o Paraíso sem ser batizado; e, antes do ladrão na cruz, tanto os discípulos de Jesus batizavam (Jo 3,26; 4,2) quanto João Batista batizava para a remissão dos pecados (Mc 1,4; Lc 1,77; Lc 3,3b). Esse versículo não diz explicitamente, mas há quatro casos.

Acreditam e são batizados: salvos

Acreditam e ainda não foram batizados: salvos. Este versículo não o afirma, mas Atos 10,45-47 mostra pessoas que acreditaram e foram salvas, conforme evidenciado pelo fato de falarem genuinamente em línguas, antes de serem batizadas com água.

Não crêem e são batizados: não são salvos

Não crêem e não são batizados: não são salvos, exceto que Deus pode conceder graça especial a bebês que morrem, a pessoas com grave deficiência mental, etc.

Talvez a razão pela qual não se mencione o segundo caso seja que é vontade de Deus que todos os crentes sejam obedientes a Deus e sejam batizados com água.

Além disso, o contexto deste versículo aparentemente se refere a pessoas capazes de crer. Bebês, pessoas com deficiência mental grave e, talvez, outras que nunca rejeitaram a Cristo, mas também nunca creram, não são o objeto deste versículo.

Eis um exemplo. Se minha filha, na cozinha, me pedir troco de um dólar, e eu lhe disser: “Dê-me um dólar e uma garrafa de água, e eu lhe darei o troco”. Se minha filha me der ambos, eu lhe darei o troco. Se minha filha não me der um dólar, então não haverá troco. Mas e se minha filha me der um dólar, mas não uma garrafa de água? Nesse caso, depende. Se ela disser: “Procurei, mas não consegui encontrar uma garrafa de água”, então ainda assim lhe darei o troco. Mas se ela disser algo desrespeitoso e se recusar a me dar uma garrafa de água que ela pode conseguir, então não haverá troco.

Um membro da Igreja de Cristo deu o exemplo: “Se você comer e digerir sua comida, viverá; se não comer, morrerá”. A digestão da comida está implícita. No entanto, aplicar a Marcos 16:16 esse exemplo de uma ação corporal involuntária a um mandamento de Deus ao qual devemos obedecer voluntariamente contradiz a Palavra de Deus, que promete salvação a todos os que verdadeiramente crêem nos seguintes passos: João 3:16, 18, 36; João 5:24; 6:47; 11:25-26; Atos 10:43-48; Romanos 9:33; Joel 2:32a + Atos 2:21 + Romanos 10:9-10; 10:13; 1 João 5:1, 10-13

Resumo: Se o senhor crê, seja batizado. No entanto, o batismo não tem qualquer efeito se o senhor não crer.

P: Em Mc 16,16, Jesus diz: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”. Portanto, o homem não tem escolha. O homem deve crer; caso contrário, será condenado e punido. Onde está a liberdade religiosa ou a liberdade de fé do homem? Como é que Jesus obriga as pessoas a crer, sob pena de serem condenadas?

R: Ninguém é forçado a acreditar. Mas Deus não concedeu liberdade sem consequências, e sim liberdade com consequências. Se uma pessoa não quiser acreditar, após a morte Deus a colocará em outro universo, onde ela terá a liberdade de existir para sempre separada de Deus. Esse lugar é chamado de Lago de Fogo.

Mas concordo que não pareceria uma escolha muito livre se fosse inegavelmente certo para todos que ou obedeceriam a Deus ou iriam para o Lago de Fogo. É aí que a fé entra em cena. Deus nos deu evidências de que Sua Palavra é verdadeira, mas não nos deu certeza absoluta. Se alguém não quiser acreditar em Deus, há “margem de manobra” suficiente para que encontre motivos para duvidar de Deus e não acreditar. É interessante que possamos, inicialmente, rejeitar a crença em Deus e, depois, nos arrepender e crer Nele, sendo assim salvos. Anjos e demônios, por outro lado, não possuem livre arbítrio exatamente da mesma forma que nós. Eles não podem negá-lo. E quando um demônio cai, não há arrependimento concedido. Cristo veio para redimir apenas as pessoas, não anjos ou demônios, como diz Hebreus 2:16.

P: Marcos 16:17-18 diz: “E estes sinais acompanharão aqueles que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão em novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, isso não lhes fará mal; imporão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados”. E Paulo apresentou uma lista com essas mesmas habilidades como dons do Espírito Santo (1 Coríntios 12:10; 12:8). Isso significa que esses são os sinais da verdadeira fé? Todos os crentes deveriam ter esses dons ao longo dos dias? Por que não vemos mais esses sinais nos cristãos?

R: O Espírito Santo concedeu a cada cristão um dom espiritual, e diferentes cristãos possuem dons diferentes, embora muitos deles não pareçam espetaculares. Assim como os diferentes membros do nosso corpo têm funções distintas, temos funções diferentes dentro da igreja (1 Coríntios 12:14-27). Nem todos devem falar em línguas (1 Coríntios 12:30), assim como nem todos são apóstolos e profetas (1 Coríntios 12:29).

P: Em Mc 16,18, essa menção a pegar serpentes justifica as pessoas na região dos Apalaches que acreditam que alguns devem manusear cobras durante o culto?

R: Não. Mesmo sem esse versículo, a Bíblia mostra que Deus concede aos cristãos a proteção de que precisam e que Ele realizará milagres — não se limitando apenas à imunidade contra picadas de cobra — quando houver necessidade. No entanto, mesmo com esse versículo, a Bíblia afirma que não devemos testar a Deus colocando-nos em uma situação apenas para nos exibirmos.

Êxodo 17:2-7; Números 14:22; Deuteronômio 6:16; Salmos 78:17-18, 40-41, 56-57; 95:8-9. Acaz é a exceção que confirma a regra. Embora Acaz estivesse familiarizado com o conceito de testar a Deus e não fosse testá-Lo em Isaías 7:12, não se trata de testar a Deus ao responder quando um de Seus profetas lhe faz uma pergunta.

P: Marcos 16:9-20 foi escrito por Marcos?

R: Os cristãos genuínos divergem quanto à presença original de Marcos 16:9-20.

Evidências externas que indicam que sim

c. 150 d.C. Justino Mártir

A Primeira Apologia de Justino Mártir, cap. 45, p. 178, cita parte de Marcos 16:20 (não 1, 3 nem 11 palavras), acrescentando “de Jerusalém” antes da citação, em grego.

c. 172 d.C.

Diatessaron de Tatiano, seções 53:6a, 8; 53:35b, 37, 39a, 61b; 55:3, 5b, 8-10; 12a, 13b, 16

Marcos 16:9 (citação completa); 16:10b; 16:11 (citação completa), 12a, 13b, 14f (20/21 palavras citadas), 15f (11/14 palavras citadas), 16-18 (citação completa), 19a (10/19 palavras citadas), 19f (9/19 palavras citadas), 20 (citação completa)

182-188 d.C.

Irineu, *Contra as Heresias*, livro 3, cap. 10.5, p. 426. (Irineu foi discípulo de Policarpo, discípulo de João)

“Além disso, perto do final de seu Evangelho, Marcos diz: ‘Assim, depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi levado para o céu e está sentado à direita de Deus;’” (cita todo o trecho de Marcos 16:19)

200 d.C.

Tertuliano, Tratado sobre a Alma, cap. 25

“não de um único, como no caso do próprio demônio de Sócrates; mas de sete espíritos, como no caso de Maria Madalena” (No entanto, esse ensinamento específico, de que sete demônios foram expulsos de Maria Madalena, também se encontra em Lucas 8:2.)

198-220 d.C. Tertuliano, Sobre a Ressurreição da Carne, cap. 51, p. 584, e também Contra Praxeas, cap. 2, p. 598; cap. 30, p. 627

A menção a Jesus sentado à direita do Pai provém de Marcos 16:19, mas também aparece em outros versículos (Mt 26:64; Mc 14:62; Lc 22:69; At 2:34; Cl 3:1; Hb 1:3,13; 8:1), portanto, essa não é uma referência única. Tertuliano não cita as Escrituras com frequência, mas faz alusões a elas com muita frequência. Portanto, Tertuliano não pode ser utilizado como prova de que Marcos 16:19 constava do Evangelho de Marcos, mas também não constitui evidência contra isso.

198-220 d.C. Tertuliano, *Scorpiace*, cap. 15, p. 648

“Está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e a Ele somente servirás’. Mas, mesmo agora, será justo que ele ouça isso, visto que, muito tempo depois, ele derramou esses venenos, que nem mesmo assim prejudicam facilmente nenhum dos fracos, se alguém, com fé, beber, antes de ser ferido, ou mesmo imediatamente depois, este nosso trago.” (alusão um tanto alegórica a beber veneno sem sofrer danos)

Séculos III/IV. Tradução siríaca curetoniana

Afrahat (337 d.C.) “Demonstrações Selecionadas”, Demonstração 1, cap. 17, p. 351

Cita todo o versículo 16 de Marcos 16 e, em seguida, todo o versículo 17-18 de Marcos 16

Constituições Apostólicas, livro 6, seção 3, cap. 15 (partes mais recentes, c. 380 d.C.)

“Pois o Senhor diz: … ‘Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.’” (cita Marcos 16:16)

Constituições Apostólicas (375-380 d.C.), livro 7, seção 1, cap. 1 (cf. livro 5 e livro 8)

Cita textualmente Marcos 16:17-18, conforme proferido por Jesus Cristo

Vítor de Antioquia, c. 425-450 d.C.

Nestório (444 d.C.)

Cirilo de Alexandria (444 d.C.) aceita como Escritura a citação de Nestório

c. 450 d.C.

Manuscrito Alexandrino

Hesíquio de Jerusalém (após 450 d.C.)

Alguns textos coptas boairicos dos séculos III-IV

Coptico sahídico dos séculos III-IV

Século V

Evangelhos de Freer

400-500 d.C.

Manuscrito do Rescriptus de Efraem

Synopsis Scripturae Sacrae (360-370 d.C. ou séculos V ou VI)

apresenta uma paráfrase de Marcos 16:9-20

400-600 d.C.

Manuscrito do Codex Bezae

~700 d.C., uma

extensa família de textos bizantinos

Textos bíblicos posteriores (pelo menos 38 textos no total)

siríaco filoxeniano, siríaco harcleano, siríaco palestino, etíope, alguns georgianos (do século V), eslavo, itálico, Vulgata, copta de Fayum

A título de informação, os Evangelhos apócrifos de Nicodemos I e II mencionam o falar em novas línguas, serpentes e venenos, mas provavelmente foram escritos posteriormente. Observe que uma fonte afirma que a Primeira Apologia de Justino Mártir, cap. 45 (p. 178), faz referência a Marcos 16, mas isso está incorreto; a Primeira Apologia de Justino não faz referência a Marcos 16.

Evidências internas que indicam que sim: nenhuma.

Evidências externas que indicam que não

c. 360 d.C. Perguntas de Eusébio a Mariano I

325-350 d.C. Vaticano: há um espaço em branco nesse ponto. O Vaticano apresenta espaços em branco apenas entre alguns livros, como Malaquias e Mateus.

340-350 d.C. O Sinaítico também apresenta um espaço em branco nesse ponto, mas possui um espaço em branco entre quase todos os livros.

Observe que, no Sinaítico e no Vaticano, o Evangelho de Marcos termina com a palavra “pois” (gar, em grego). Nunca foi encontrado nenhum outro livro na literatura grega que termine com a palavra “pois”. Por outro lado, há muitos exemplos de frases e parágrafos em grego que terminam com essa palavra.

193-217/220 d.C. Clemente de Alexandria

225-254 d.C. Orígenes

406/407 d.C. Jerônimo, Epístola 120 (A Hedibia)

Pelo menos 6 outros manuscritos antigos

Sírio do Sinai

900-1000 d.C. O manuscrito armênio indica que foi acrescentado por Aristion, mencionado por Papias

Alguns georgianos (do século V)

Evidências internas que indicam o contrário

Mudança abrupta nos pronomes do versículo 8 para o versículo 9. O sujeito do versículo 8 são as mulheres, enquanto o pronome no versículo 9, anastas, é masculino. No entanto, outros trechos também apresentam mudanças abruptas nos pronomes, como “Ele” = José de Arimatéia em Mc 15,46; “ele” = Jesus em Mc 15,47 e “elas” = Maria, Maria e Salomé em Mc 16,1.

Vocabulário: 1/3 das palavras gregas significativas não são utilizadas ou são utilizadas de maneira diferente no restante do Evangelho de Marcos. Há 166 palavras no total e 101 palavras distintas. Ignorando nomes próprios, “o”, etc., há 75 palavras importantes distintas. Quinze delas (incluindo apistia [sem fé] e sklerokardia [recusa obstinada em acreditar]) são utilizadas em outras partes de Marcos. Outras 11 são utilizadas com um sentido diferente.

Fatos secos: parece carecer dos detalhes realistas encontrados no restante do Evangelho de Marcos.

Semelhanças entre os Evangelhos: Mateus e Lucas seguem o paralelo de Marcos até o final do versículo 8.

Evidências externas que indicam que a situação é ambígua: Mais de 8 manuscritos antigos não contêm todo o capítulo 16 de Marcos. Entre eles está o p45 (Marcos 12:29 e seguintes foram perdidos)

2386 — falta a página inteira

1420 — falta a página inteira

16 — danificado e sem todo o texto a partir de Marcos 16:6

304 — inclui o texto e um comentário

Um final mais curto para Marcos

Copta bohairico [Boh] do século III/IV

Etíope [Eth] de c. 500 d.C.

Catálogo de manuscritos de Marcos

P45 Papiro 45 (225) ~ danificado

B Vaticanus (325-350) ~ omissão

Sinaítico (340-350) ~ omissão

A Alexandrino (c. 450) ~ inclusão

C Efraemiano (450) ~ inclusão

D Bezae (500?) ~ inclusão

L Regius (750) ~ dupla inclusão

M Campianus (850) ~ inclusão

N Purpureus Petropolitanus (550) ~ danificado

U Nanianus (900) ~ inclusão

W Washington (400) ~ inclusão no Freer Logion

Sangellensis (900) ~ inclusão

Koridethi (800?) ~ inclusão

Petropolitanus (850) ~ danificado/inclusão (faltam 16:18-20)

Rossanensis (550) ~ danificado/inclusão (faltam 16:14-20)

Beratinus (550) ~ danificado

Laurensis (850) ~ dupla inclusão (o exemplar sugere o Final Curto)

Os minúsculos f1 (1, 118, 131, 209, 1582) ~ inclusão com nota ou sigla

As minúsculas f13 (13, 346, 543, 826, 828, 69, 124, 788, 983, 1689) ~ inclusão

28 (século XI?) ~ inclusão

33 (ano 1000) ~ inclusão

157 (1100) ~ inclusão

565 (800) ~ inclusão

579 (1200) dupla inclusão

700 (século XI?) ~ inclusão

892 (950?) ~ inclusão

1071 (década de 1100) ~ inclusão

1342 (século X) ~ inclusão

1424 (século VIII) ~ inclusão

Extraído de Marcos 16:9-20, um Estudo das Evidências Externas, de Jim Snapp II (2003)

Ensinamentos exclusivos de Marcos 16:9-20

Todas as doutrinas ou conceitos presentes no final mais extenso de Marcos são encontrados em outras partes da Bíblia, com exceção de quatro pontos:

1. Jesus havia expulsado anteriormente sete demônios de Maria Madalena.

2. Sinais que acompanham aqueles que crêem:

[quando forçados], poderão pegar cobras com as mãos sem correr risco. (Lucas 10:19 diz que eles poderiam pisar em cobras e escorpiões, o que é semelhante a Marcos 16). Além disso, é dado um exemplo em Atos 28:3-6 de Paulo sendo mordido por uma víbora sem sofrer nenhum dano.

3. [quando forçados], podem beber veneno mortal com segurança.

4. Esta é a repreensão mais severa registrada que Jesus dirigiu aos discípulos.

Conteúdo ausente: Marcos 14:28 e 16:7 não mencionam uma aparição de Jesus na Galiléia.

Conclusão: Se Marcos 16:9-20 foi erroneamente acrescentado a alguns manuscritos, isso ocorreu antes de 150 d.C. Se foi erroneamente retirado, então isso ocorreu antes de 217 d.C.

P: Marcos 16:9-20 deve ser considerado Escritura, assim como o restante do Evangelho de Marcos?

R: É claro que sim, se Marcos o tiver escrito. No entanto, alguns cristãos afirmam que, devido à sua inclusão precoce e ampla aceitação, ele ainda é parte das Escrituras, mesmo que tenha sido escrito por um secretário ou por outra pessoa em vez de Marcos. Bruce Metzger aparentemente defendia essa visão.

P: Em Mc, que evidências existem de que Marcos escreveu este livro?

R: A Igreja primitiva reconheceu universalmente que este livro era de Marcos. Papias, um discípulo do apóstolo João, afirmou que foi escrito por Marcos, que seguiu Pedro. O cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 905, também menciona o que Papias disse.

P: Em Mc, uma vez que Marcos não era apóstolo, por que o Evangelho de Marcos deveria constar na Bíblia?

R: Marcos era geralmente reconhecido como o intérprete de Pedro. Aqui estão as evidências.

Papias (95-110 d.C.): “Entre essas, ele [Papias] afirma que haverá um milênio após a ressurreição dos mortos, quando o reinado pessoal de Cristo será estabelecido nesta terra. Além disso, ele transmite, em seu próprio escrito, outras narrativas fornecidas pelo já mencionado Aristion sobre as palavras do Senhor, bem como as tradições do presbítero João. Para obter informações sobre esses pontos, basta remeter nossos leitores aos próprios livros; mas agora, aos trechos já citados, acrescentaremos, por se tratar de uma questão de importância primordial, uma tradição a respeito de Marcos, que escreveu o Evangelho, a qual ele [Papias] transmitiu com as seguintes palavras: E o presbítero disse o seguinte. Marcos, tendo-se tornado o intérprete de Pedro, registrou com precisão tudo o que se lembrava. No entanto, não foi em ordem exata que ele relatou as palavras ou os atos de Cristo. História Eclesiástica de Eusébio 3:39 (vol. 1, p. 154)

Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.): “…Marcos, a quem é atribuído o evangelho, sendo ele companheiro de Pedro…” Fragmento de Clemente de Alexandria na História Eclesiástica de Eusébio, livro 2, cap. 15.

Tertuliano (198-220 d.C.): “A mesma autoridade das igrejas apostólicas fornecerá evidência também para os outros Evangelhos, que possuímos igualmente por meio delas e de acordo com seus costumes — refiro-me aos Evangelhos de João e Mateus —, enquanto aquele que Marcos publicou pode ser afirmado como sendo de Pedro, de quem Marcos era intérprete. Pois até mesmo a versão do Evangelho de Lucas os homens costumam atribuir a Paulo. E pode muito bem parecer que as obras que os discípulos publicam pertencem aos seus mestres.” Tertuliano, Contra Marcião, livro 4, capítulo 5, p. 350.

P: Quando foi escrito o Evangelho de Marcos?

R: O prólogo antimarcionita de Marcos também afirma: “Após a morte do próprio Pedro, ele [Marcos] redigiu este mesmo Evangelho….” (extraído de The Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento, p. 99). Irineu, em *Contra as Heresias*, livro 3, cap. 1.1, p. 414 (182-188 d.C.), afirma que Marcos escreveu após “a partida” de Pedro e Paulo, o que teria ocorrido logo após c. 64-65 d.C. No entanto, o *The Expositor’s Bible Commentary*, volume 8, p. 608, afirma que Irineu também escreveu que o Evangelho de Mateus foi redigido enquanto Pedro e Paulo ainda estavam vivos, e temos quase certeza de que isso está incorreto.

No entanto, de acordo com a *História Eclesiástica* de Eusébio, 6:14.5-7, Clemente de Alexandria afirmou que o evangelho foi escrito enquanto Pedro estava em Roma, por volta de 45-64 d.C. Orígenes também acreditava que Pedro ainda estava vivo quando o evangelho de Marcos foi escrito.

Harnack considerava que o Evangelho de Marcos foi escrito antes de 62 d.C.

O *Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento*, p. 98, afirma que datar o Evangelho de Marcos é problemático e que as duas melhores opções são 67-69 d.C. ou 64-68 d.C.

No *New International Bible Commentary*, p. 1157, Stephen S. Short afirma que foi por volta de 65 d.C. Na p. 1183, Laurence E. Porter afirma que está claro que o Evangelho de Marcos foi escrito antes do de Lucas, e que Lucas pode ter escrito na primeira metade da década de 60.

O “Expositor’s Bible Commentary”, volume 8, p. 608, afirma que a melhor estimativa é 65-70 d.C., entre o Grande Incêndio de Roma e a destruição do Templo. José O’Callaghan encontrou um papiro na caverna 7 de Qumran que poderia ser fragmentos do Evangelho de Marcos, datado por volta de 50 d.C. No entanto, o *Expositor’s Bible Commentary*, volume 8, p. 608, afirma que isso “foi amplamente rejeitado pelos estudiosos do Novo Testamento (cf. EBC 1:420-421, n. 1). As evidências apresentadas por O’Callaghan são fragmentárias demais para serem confiáveis.”

A “New Geneva Study Bible”, p. 1558, afirma que o Evangelho de Marcos deve ter sido escrito antes de 70 d.C. No entanto, acrescenta que, se Lucas e Atos foram concluídos por volta de 62 d.C., então o Evangelho de Marcos seria ainda anterior a 62 d.C.

A Bíblia de Estudo NIV, p. 1490, afirma que pode ter sido na década de 50 ou 60, ou pouco antes da destruição de Jerusalém em 70 d.C.

O Novo Dicionário Internacional da Bíblia, na página 622, afirma que foi entre 65 e 70 d.C., embora alguns conservadores defendam uma data na década de 50.

O Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 1078, afirma que, embora a maioria dos intérpretes date o Evangelho de Marcos entre 65 e 70 d.C., a data mais provável é entre 67 e 70 d.C.

O “Comentário Bíblico do Crente”, p. 1318, afirma que, embora alguns apontem uma data tão precoce quanto a década de 50, uma data entre 57 e 60 d.C. parece bastante provável.

O *Dicionário de Jesus e dos Evangelhos*, p. 528, afirma que o evangelho foi escrito no final da década de 60, digamos, entre 68 e 70 d.C.

O cético “Asimov’s Guide to the Bible”, p. 903, afirma que o Evangelho de Marcos pode ter sido escrito logo após 64 d.C. Talvez não tenha sido escrito antes de 66 d.C., mas não poderia ter sido muito depois de 70 d.C., com base no argumento de que Mateus e Lucas utilizaram material do Evangelho de Marcos.

P: No Evangelho de Marcos, como sabemos que a Escritura atual é uma preservação confiável do que foi escrito originalmente?

R: Há pelo menos três boas razões.

1. Deus prometeu preservar Sua palavra em Isaías 55:10-11; Isaías 59:21; Isaías 40:6-8; 1 Pedro 1:24-25; e Mateus 24:35.

2. Evidências da Igreja primitiva. Muitos escritores se referiram a Marcos.

1 Clemente, cap. 15, p. 9, cita Mc 7,6, embora essa também seja uma citação de Mt 15,8 e Is 29,13.

Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.), cap. 5, p. 139: Marcos 2:17b, que também corresponde a Mateus 9:13b; e Lucas 5:32. (meia citação)

Papias (95-110 d.C.) refere-se nominalmente aos livros de Marcos, Mateus, Primeira Epístola de João e à Epístola de Pedro. Fragmento 6 da *História Eclesiástica* de Eusébio, livro 3, cap. 39. Eusébio, ao escrever, questionou a Segunda Epístola de Pedro; portanto, a “Epístola de Pedro” referir-se-ia à Primeira Epístola de Pedro.

Policarpo (c. 150 d.C.) cita metade de um versículo: Marcos 14:38b. Carta de Policarpo aos Filipenses, cap. 7, p. 34-35

Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) cita dois versículos de Marcos: 2:17 e 12:25. Em ambos, ele os menciona como sendo do Salvador.

O herege Tatiano (c. 172 d.C.) escreveu uma harmonia dos quatro evangelhos chamada Diatessaron. Nela, ele se refere a 437,5 versículos em Marcos. Isso representa 64,6% de todo o evangelho.

Melito de Sardes (170-180 d.C.) menciona Lucas e Marcos como o “evangelho”. Menciona 1 Coríntios como sendo do apóstolo. Citação de Hebreus. Oração sobre a Paixão do Senhor, cap. 9, p. 760-761

O herege gnóstico Ptolomeu (antes de 188 d.C.) refere-se a Marcos 15,34, segundo Irineu

Irineu de Lyon (182-188 d.C.) cita a totalidade ou parte de 18 versículos de Marcos. Em *Contra as Heresias*, livro 3, capítulo 10.5, p. 425, Irineu menciona Marcos, o intérprete e seguidor de Pedro, em sua narrativa evangélica, e cita Marcos 1:2a. Nos primeiros doze capítulos de Marcos, as citações ou paráfrases de Irineu são: Marcos 1:1, 2, 24; 3:27; 4:28; 5:31; 9:23; 10:38; 13:32; 14:21b; 16:19.

Irineu faz alusão a Marcos 6:41,44; 9:2; 10:17; 13:33.

Irineu de Lyon (182-188 d.C.) afirma: “perto do final de seu Evangelho, Marcos diz” e, em seguida, cita Marcos 16:19 na íntegra. Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 10.5, p. 426

Irineu menciona Jesus conferindo o poder de pisar em serpentes e escorpiões, o que é uma referência a Lucas 10:19, mas também poderia se referir a Marcos 16:17,18.

O Cânon Muratoriano (c. 170 d.C.) menciona Marcos juntamente com os outros três evangelhos.

Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.) parafraseia Marcos 10:17-31 dizendo: “Essas coisas estão escritas no Evangelho segundo Marcos”. Quem é o homem rico que será salvo? cap. 5, p. 592

Tertuliano (198-220 d.C.) destaca a autoria de Mateus, Marcos, Lucas, João, Apocalipse e muitas das Cartas de Paulo em *Cinco Livros Contra Marcião*, livro 4, cap. 5, p. 350.

Hipólito (225-235/6 d.C.) escreve: “nem o apóstolo Paulo nem Marcos, aquele do dedo mutilado, anunciaram tais (doutrinas). Pois nenhuma dessas (doutrinas) foi escrita no Evangelho segundo Marcos.” Em *Refutação de Todas as Heresias*, livro 7, capítulo 18, p. 112. Hipólito também cita metade de Marcos 10,38 em *Refutação de Todas as Heresias*, livro 5, capítulo 3, p. 53

Hipólito faz referência a Mateus 19:17; Marcos 10:18 e Lucas 18:19, afirmando que se trata de algo “do Salvador” em *Refutação de Todas as Heresias*, livro 5, cap. 2, p. 50.

Commodiano (c. 240 d.C.) faz alusão tanto a Marcos 12:42 quanto a Lucas 21:2. “Instruções de Commodiano”, cap. 72, p. 217

Orígenes (225-253/254 d.C.) cita extensivamente o Evangelho de Marcos. Suas citações incluem Marcos 1:1-2. Ele também escreveu um comentário completo sobre o Evangelho de Marcos.

Orígenes menciona Mateus, Marcos, Lucas e João. Orígenes, Contra Celso, livro 5, cap. 56, p. 568. Também cita Mateus 18:1 no Comentário de Orígenes sobre Mateus, livro 13, cap. 14, p. 482.

Tratado sobre o Rebatismo (c. 250-258 d.C.), cap. 17, p. 677: “Também, segundo Marcos, Ele disse, com o mesmo propósito, aos filhos de Zebedeu”. O texto também se refere a Marcos 16:8.

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) “Também segundo Marcos: ‘Todos os pecados e blasfêmias serão perdoados aos filhos dos homens; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, mas será culpado de pecado eterno’”. (Marcos 3:28-29) Tratados de Cipriano, Tratado 3, cap. 28, p. 542

Firmiliano de Cesareia, em carta a Cipriano (256 d.C.), cita Marcos 13:6 como sendo do “próprio Senhor”. (Carta 74, cap. 9, p. 392)

Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.): “Foi ‘no fim do sábado’, como disse Mateus; foi ‘de madrugada, quando ainda estava escuro’, como escreve João; foi ‘muito cedo pela manhã’, como diz Lucas; e foi ‘muito cedo pela manhã, ao nascer do sol’, como nos conta Marcos. Assim, ninguém nos mostrou claramente a hora exata em que Ele ressuscitou.” Carta 5 ao bispo Basilides, p. 94

Teonas de Alexandria (c. 300 d.C.) faz alusão a Marcos 11:25: “e assim como desejais que Ele perdoe vossas transgressões, perdoai também as dos outros”; Carta a Luciano, o Camareiro-Mor, cap. 9 (vol. 6), p. 160

Adamantio (c. 300 d.C.) “Concordará se eu demonstrar, a partir dos Evangelhos, que eles não são invenções?” … “Foram os discípulos de Cristo que os escreveram: João e Mateus; Marcos e Lucas.” Diálogo sobre a Verdadeira Fé, Primeira Parte, “b 5”, p. 41

Victorinus de Petau (martirizado em 304 d.C.) menciona Mateus, Marcos e Lucas no Comentário sobre o Apocalipse do Beato João, a partir do capítulo 4, versículos 7-10, p. 348

Metódio (270-311/312 d.C.) (citação parcial) cita Marcos 11,9b, que também corresponde ao Salmo 118,26a; Mateus 21,9b; Lucas 19,38a; e João 12,13b. “Em vez de nossas vestes, espalhemos nossos corações diante Dele. Em salmos e hinos, elevemos a Ele nossos gritos de ação de graças; e, sem cessar, exclamemos: ‘Bendito aquele que vem em nome do Senhor’;” Oração sobre os Salmos, cap. 1, p. 394

Atanásio de Alexandria (c. 318 d.C.) cita parte de Marcos 12:29 como “nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo diz” em Contra os Pagãos, cap. 6, p. 7. Ele também cita Marcos 5:7, que é o mesmo que Lucas 4:34, em A Encarnação do Verbo, cap. 32.5, p. 53. Atanásio cita Marcos 13,35, que é o mesmo que Mateus 24,42, em *A Encarnação do Verbo*, cap. 56.5, p. 66. Embora Atanásio não faça referência a nenhum outro versículo de Marcos anterior a 325 d.C., ele se refere a muitos outros versículos de Marcos posteriores a 325 d.C.

Lactâncio (c. 303 – c. 325 d.C.) faz alusão a Mateus 14; Marcos 6, Lucas 9 e João 6 ao relatar o episódio dos cinco pães e dois peixes. *Instituições Divinas*, livro 4, cap. 15, p. 115

Lactâncio (c. 303 – c. 325 d.C.) faz alusão a Mateus 8, Marcos 4 e Lucas 8 ao falar das “escrituras sagradas” que ensinam que Jesus “compeliu os ventos a obedecerem, os mares a servi-Lo, as doenças a se retirarem e os mortos a se submeterem”. Instituições Divinas, livro 4, cap. 15, p. 116

Consulte a próxima pergunta para saber quais versículos e trechos de versículos foram citados e quais não foram.

Após Nicéia

A “História Eclesiástica” de Eusébio (318 d.C.), livro 3, cap. 24, p. 152, discute os quatro evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. “Padres Nicenos e Pós-Nicenos”, Segunda Série, vol. 1, p. 152

Juvêncio (329 d.C.) escreveu um poema épico combinando os quatro evangelhos.

Hegemônio (c. 350 d.C.), ao escrever sobre Arquelau (262-278 d.C.), cita Marcos 2:9 como tendo sido proferido por Jesus em um de seus discursos em “Disputa com Manes”, cap. 42, p. 217

Atanásio de Alexandria (367 d.C.) enumera os livros do Novo Testamento na “Carta Festiva” 39, p. 552

Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.) refere-se com autoridade a João, Lucas, Mateus e Marcos. Em *Sobre a Trindade*, livro 10, cap. 43, p. 193

A *Synopsis Scripturae Sacrae* (350-370 d.C. ou século V) menciona Marcos como parte do Novo Testamento. Ela cita todo o trecho de Marcos 1:1-2.

Basílio da Capadócia (357-378/379 d.C.) refere-se a Marcos 13:32 como sendo de Jesus na Carta 8, cap. 7, p. 119

Ambrosiaster (após 384 d.C.)

Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) refere-se a Marcos 1:1,4 como o evangelho na Palestra 3.6, p. 15

Cânone de Cheltenham (= Catálogo de Mommsen) (c. 360-370/390 d.C.) faz referência a cada um dos quatro evangelhos.

Ambrósio de Milão (370-390 d.C.)

Anfilóquio (-397 d.C.) cita Marcos em *Iambi ad Seleucum*

Didimo, o Cego (398 d.C.)

Asterius de Emesa (c. 400 d.C.)

Catálogo Sírio de Santa Catarina (c. 400 d.C.)

Severiano (floresceu entre 400 e 408 d.C.)

Epifânio de Salamina (360–403 d.C.) faz referência ao Evangelho de Marcos. O *Panarion*, seção 3, cap. 44, p. 345

Jerônimo (347-420 d.C.) menciona cada um dos quatro evangelhos pelo nome na carta 53.9, p. 101.

João Crisóstomo (martirizado em 406 d.C.) menciona Marcos na Homilia 4, p. 20 (vol. 10)

Cromácio (falecido em 407 d.C.)

Orosio/Hósio de Braga (414-418 d.C.) faz alusão a Mateus 26:47-50; Marcos 14:43-46; Lucas 22:47-48; João 18:3-9. Defesa contra os pelagianos, cap. 8, p. 124

João Cassiano (semipelagiano) (419-430 d.C.) Diz-se que Marcos 9:23 é extraído do evangelho na obra “Conferências do Abade Paphnutius”, cap. 16, p. 327

Agostinho de Hipona (354-430 d.C.)

Marco de Eremita (após 430 d.C.) faz referência a Marcos

Polikrônio de Apameia (floresceu entre 428 e 431) refere-se a Marcos 13:2

Teodoreto de Ciro (bispo e historiador) (423-458 d.C.)

Hesíquio de Jerusalém (-450 d.C.) faz referência a todos os quatro evangelhos

Speculum (século V)

Proclo (412-485 d.C.) faz referência a Marcos 14:5

Evidências de hereges e livros espúrios

Constituições Apostólicas (375-380 d.C.)

O herege ariano Eunômio de Cízico (c. 360 – c. 394 d.C.) faz alusão a Marcos 10:18 (Somente Deus é bom) Carta Apologética, cap. 21, p. 61

O “Bazar de Heracleides”, de Nestório (451/452 d.C.)

3. Os manuscritos mais antigos que possuímos de Marcos mostram que há pequenas variações entre os manuscritos e uma grande variação, mas nenhum erro teologicamente significativo. O final de Marcos é a variação manuscrita mais notável em todo o Novo Testamento.

p. 45 Chester Beatty I (todos os quatro evangelhos e Atos) (100-150 d.C.) (anteriormente considerado do final do século II ou início do século III d.C.) (Mc 4,36-5,2; 5,16-26; 5:38–6:3; 2 letras de 6:15; 6:16–25, 36–50; 7:3–15; 7:25–8:1; 8:10–26; 8:34–9:8; 4 letras de 9:9; 9:18–31; 11:27-12:1; 12:5-8, 13-19, 24-28 [147 versículos]) A obra *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento* apresenta uma fotografia que mostra parte do p45 na p. 146. Nas pp. 150-151, afirma-se que a cópia era uma paráfrase livre, na qual o autor procura destacar o sentido de cada frase. A obra “Uma Introdução Geral à Bíblia”, na p. 389, afirma que acredita-se que o pergaminho original tenha cerca de 220 folhas, das quais possuímos 30. Seis dessas folhas pertencem ao Evangelho de Marcos.

Século III – 1968 – O Texto do Novo Testamento

Século III – 1975 – Aland et al. Terceira Edição

Século III – 1998 – Aland et al. Quarta Edição Revisada

Final do século II ou início do século III – 1999 – O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento.

p. 84 Mc 2,2-5,8-9; 6,30-31,33-34; 36-37, 39-41; além de Jo 5,5; 17,3,7-8 (século VI)

p. 88 Mc 2,1-26 (século IV)

O Vaticanus [B] (325-350 d.C.), o Sinaiticus [Si] (340-350 d.C.) e o Alexandrinus [A] (c. 450 d.C.) contêm todo o Evangelho de Marcos.

O Códice de Washington (séculos IV/V) preservou todo o Evangelho de Marcos, exceto Marcos 15:13-38.

Na caverna 7 de Qumran, Jose O’Callaghan encontrou um papiro, datado de 50 d.C., que poderia ser fragmentos do Evangelho de Marcos. No entanto, o volume 8 do The Expositor’s Bible Commentary, p. 608, afirma que isso “foi amplamente rejeitado pelos estudiosos do Novo Testamento (cf. EBC 1:420-421, n. 1). As evidências apresentadas por O’Callaghan são fragmentárias demais para serem confiáveis.”

Carsten Thiede afirma que Marcos 6,52-53 está preservado na caverna 7 de Qumran como o pergaminho 7Q5. No entanto, isso é controverso, já que a maioria dos estudiosos conservadores da Bíblia não aceita essa interpretação. Embora até mesmo seus críticos admitam que o 7Q5 possa de fato ser Marcos 6,52-53, o fragmento é tão difícil de ler que a maioria dos estudiosos afirma que não é possível chegar a uma conclusão definitiva em nenhum dos sentidos.

Copta boairico [Boh] Séculos III/IV

Copta sahídico [Sah] Séculos III/IV

Armênio [Arm] a partir do século V

Georgiano [Geo] a partir do século V

Etíope [Eth] a partir de c. 500 d.C.

Sírio harcleano [Syr H]

Consulte www.BibleQuery.org/Mark Manuscripts.html para obter mais informações sobre os primeiros manuscritos de Marcos.

P: Em Mc, quais versículos e trechos de versículos foram citados pelos escritores pré-nicenos (antes de 325 d.C.)?

R: Antes do ano 325 d.C., os escritores da Igreja citaram cerca de 77,3% dos versículos do Evangelho de Marcos. Isso equivale a 524,38 versículos. Em outras palavras, todos os 678 versículos do Evangelho de Marcos foram citados, com exceção de 153,62 versículos. Os versículos e frações de versículos não citados são: Marcos: 1:4a (8/15 palavras); 1:20f (12/19 palavras); 1:22f (12/18 palavras); 1:27f (21/24 palavras); 1:29a (6/17 palavras); 1:30-32; 1:34; 1:39a (11/15 palavras); 1:40; 2:2f (5/16 palavras); 2:13; 2:15; 2:16m (5, e não 7, de 12 palavras); 2:17a (8/23 palavras); 2:18a (9/31 palavras); 2:23 e seguintes (10/20 palavras); 3:1a (9/14 palavras); 3:6m (não 5, 5, não 5 palavras); 3:13; 3:17-18; 3:19 e seguintes (4/7 palavras); 3:22-23; 3:26a (9/15 palavras); 3:27a (6/26 palavras); 3:32-35 palavras); 4:1m (7 não 6 9 não 11 palavras); 4:2; 4:3a (2/5 palavras); 4:4a (2/3 da citação); 4:5a (2/3 da citação); 4:12m (1, e não 5, de 11 palavras); 5:15a (8/26 palavras); 5:16a (11/18 palavras); 4:21; 4:24a (3/15 palavras); 4:30a (2/14 palavras); 4:34; 5:5f (13/19 palavras); 5:8; 5:10f (1/11 palavras); 5:12; 5:13m (não 3, 10, não 17 palavras); 5:17m (2, e não 4, 3 palavras); 5:18-19; 5:21f (5/21 palavras); 5:22; 5:24a (4/12 palavras); 5:31a (13/16 palavras); 5:32; 5:33f (3/20 palavras); 5:34a (5/20 palavras); 5:35-36; 5:40m (não 13, 7, não 6 palavras); 5:41m (não 8, 7, não 3 palavras); 6:1a (3/15 palavras); 6:3m (não 5, 6, não 16, 4 palavras); 6:4a (5/25 palavras); 6:7; 6:8a (3/21 palavras); 6:10; 6:11a (3/23 palavras); 6:14a (5/28 palavras); 6:15a (9/15 palavras); 6:17f (2/24 palavras); 6:32; 6:34m (6, e não 11 5 palavras); 6:37-38; 6:41m (8, e não 12 10 palavras); 6:43f (4/10 palavras); 6:44; 6:46-50; 6:51a (11/18 palavras); 6:53; 7:6a (14/29 palavras); 7:10a (2/19 palavras); 7:17f (10/15 palavras); 7:25f (6/19 palavras); 7:26m (8, e não 4, 9 palavras); 7:27a (17/21 palavras); 7:28a (5/18 palavras); 7:29a (8/15 palavras); 7:34m (não 9, 3, não 1 palavras); 8:1; 8:5a (3/10 palavras); 8:7-10; 8:11a (8/17 palavras); 8:31a (5/30 palavras); 8:32m (não 4, 5, não 4 palavras); 9:2a (7/28 palavras); 9:5m (7, não 6, 15 palavras); 9:7a (8/20 palavras); 9:9; 9:14a (5/15 palavras); 9:15a (3/12 palavras); 9:16-17; 9:18f (11/26 palavras); 9:19; 9:22a (17/22 palavras); 9:27f (2/11 palavras); 9:29a (3/14 palavras); 9:31f (17/26 palavras); 9:32; 9:34f (9/12 palavras); 9:35a (8/19 palavras); 9:38; 9:40-43; 9:45-46; 10:3a (2/8 palavras); 10:5 e seguintes (9/14 palavras); 10:14a (4/22 palavras); 10:29 e seguintes (6/29 palavras); 10:33a (10/25 palavras); 10:45m (5 (não 5) e 1 (não 7) palavras); 10:46a (4/26 palavras); 10:52; 11:7 e seguintes (4/18 palavras); 11:8a (9/16 palavras); 11:17-18; 11:23 e seguintes (15/31 palavras); 12:1a (6/24 palavras); 12:12f (4/20 palavras); 12:13f (4/14 palavras); 12:14a (5/39 palavras); 12:18m (não 3, 7 não 4 palavras); 12:23m (não 3, 2 não 4, 7 palavras); 12:25a (5/16 palavras); 12:26a (6/33 palavras); 12:35a (12/16 palavras); 12:36a (8/27 palavras); 13:1f (13/19 palavras); 13:4f (9/14 palavras); 13:9a (12/23 palavras); 13:10f (2/5 palavras); 13:11as (1/6 citação); 13:12; 13:13f (7/16 palavras); 13:18; 13:27m (não 15 2 nem 3 palavras); 14:5 e seguintes (3/16 palavras); 14:8a (9/16 palavras); 14:10; 14:11m (não 5, 1, não 3, 6 palavras); 14:12 e seguintes (27/36 palavras); 14:13a (9/22 palavras); 14:14a (1/24 palavras); 14:17; 14:18a (8/21 palavras); 14:25-26; 14:27m (5 — e não 5 — 7 palavras); 14:28-29; 14:30a (13/21 palavras); 14:32-34; 14:39f (5/9 palavras); 14:44a (8/18 palavras); 14:45-50; 14:53f (16/20 palavras); 14:54-57; 14:61f (16/23 palavras); 14:63 (7/12 palavras); 14:65m (5, e não 12; 3, e não 3 palavras); 14:66-67; 14:68f (9/20 palavras); 14:69f (5/15 palavras); 14:70a (13/21 palavras); 14:72a (8/18 palavras); 15:1a (12/23 palavras); 15:2f (7/18 palavras); 15:4m (não 6, 4 não 4 palavras); 15:6-7; 15:9a (6/13 palavras); 15:10-12; 15:14 e seguintes (6/15 palavras); 15:15a (6/20 palavras); 15:18a (4/8 palavras); 15:19; 15:20a (14/20 palavras); 15:21m (9, e não 5, 5 palavras); 15:22; 15:24-27; 15:29a (4/21 palavras); 15:33; 15:34m (não 11, 2, e não 13 palavras); 15:36f (8/19 palavras); 15:37-39; 15:40a (7/24 palavras); 15:41a (11/19 palavras); 15:43a (16/27 palavras); 15:45m (não 2, 3, não 5 palavras); 15:46f (18/26 palavras); 15:47f (3/12 palavras); 16:1a (16/20 palavras); 16:5a (3/16 palavras); 16:6a (4/22 palavras); 16:10a (3/10 palavras); 16:12m (não 6, 1, não 5, 2 palavras); 16:13a (5/8 palavras); 16:14a (1/21 palavras); 16:15a (13/24 palavras)

Todos os versículos ou partes de versículos não listados aqui foram citados. Consulte www.bibleQuery.org/Bible/BibleCanon/EarlyChristianNTQuotes.xls para obter mais informações.