< Pergunta bíblica de John
As perguntas que aparecem em mais de um Evangelho são discutidas na seção “Evangelhos” ou, caso contrário, no primeiro Evangelho em que aparecem.
P: Em João, quais são alguns dos elementos distintivos desse evangelho?
R: João enfatiza que Jesus é Deus. Jesus Cristo, Deus e o Filho de Deus, veio e morreu para que suas ovelhas creiam e, ao crerem, tenham a luz e a vida por meio do Filho. Ele usa a palavra “crer/fé” 89 vezes, o que é mais do que Mateus, Marcos e Lucas juntos. Cristo é a única esperança. Para aqueles que depositam sua esperança em Cristo, Ele restaura a mulher samaritana, a mulher adúltera, Pedro e outros culpados de pecados ainda maiores do que esses.
É consenso geral que João seja o último evangelho a ter sido escrito, provavelmente até mesmo depois que Clemente de Roma escreveu, entre 96 e 98 d.C. Em João 20:30, João indica que não registrou muitas coisas que Jesus fez. João provavelmente tinha conhecimento dos outros evangelhos, e seu evangelho dá menos ênfase aos atos de Jesus, preenchendo as lacunas nos ensinamentos que não constam nos outros evangelhos. Um versículo-chave é João 20:31, onde está escrito que estas coisas foram registradas para que possamos crer.
Quanto às seitas, João 5:23 e João 20:28 se destacam como bons versículos para se usar com as Testemunhas de Jeová.
P: Em João, qual é o esboço deste livro?
R: Aqui está um esboço do Evangelho de João. Os sete sinais foram realizados antes da Semana Santa.
Jo 1:1-18 Prólogo: O Verbo feito carne
Jo 1:19-51 O início do ministério: João Batista e os primeiros discípulos
Jo 2-11 O ministério público em sete sinais
- Jo 2,1-11 Sinal 1: Primeiro milagre: a transformação da água em vinho em Caná
- Jo 2,12-25 Primeira purificação do Templo
- Jo 3,1-21 Nicodemos pergunta a Jesus
- Jo 3,22–4,3 Paralelo com João Batista
- Jo 4,4-42 A mulher junto ao poço
- Jo 4,43-54 Sinal 2: Em Caná, a cura do filho do oficial em Cafarnaum
- Jo 5 Festa em Jerusalém
- - Jo 5,16-47 Sinal 3: A cura do inválido na piscina de Betesda, em Jerusalém 5,1-15
- - Jesus e o Pai
- Jo 6,1-14 Sinal 4: A alimentação dos 5.000 perto do Mar da Galiléia
- Jo 6,15-21 Sinal 5: Caminhando sobre as águas
- Jo 6,25-71 Declaração 1: “Eu sou o pão da vida”
- Jo 7-8 Oposição: A Festa dos Tabernáculos em Jerusalém
- - Jo 7,1-52 A incredulidade dos judeus
- - Jo 7:53-8:11 Perdão: a mulher apanhada em adultério
- - Jo 8:12-59 Declaração 2: Eu sou a luz do mundo
- Jo 9 Sinal 6: A cura do cego de nascimento em Jerusalém
- Jo 10,1-21 Declarações 3 e 4: “Eu sou a porta das ovelhas e o Bom Pastor”
- Jo 10:22-39 Debate na Festa da Dedicação
- Jo 10,40-42 Ministério na Peréia
- Jo 11 Sinal 7: A ressurreição de Lázaro em Betânia. Declaração 5: Eu sou a ressurreição e a vida
Jo 12-19 Semana Santa
- Jo 12,1-11 A unção dos pés de Jesus
- Jo 12:12-19 A entrada triunfal
- Jo 12:20-36 A vinda dos gregos
- Jo 12,37-50 A contínua incredulidade dos judeus
- Jo 13-17 Ministério privado
- - Jo 13-14 A Última Ceia
- - - Jo 13 A Última Ceia
- - - Jo 14 Declaração 6: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida
- - Jo 15-16 Declaração 7: Eu sou a videira verdadeira
- - Jo 17 A oração sacerdotal de Jesus
- Jo 18-19 A Paixão
- - Jo 18,1-12: Jesus traído e preso
- - Jo 18,13–19,15: Os julgamentos de Jesus
- - Jo 19,16-42: Crucificação, morte e sepultamento
Jo 20 O triunfo da ressurreição
Jo 21 Epílogo: A pesca e a refeição
- Pesca milagrosa de 153 peixes 21:1-14
- Pedro restaurado em seu ministério 21:15-25
O Evangelho de João é muito semelhante em estilo às cartas de 1, 2 e 3 João. João não tenta responder timidamente à pergunta: “Quem é Jesus?”. Em vez disso, João é ousado ao proclamar com veemência: “Este é Jesus!” Nós também devemos ser ousados em nossa proclamação do evangelho.
P: Em João, os detalhes da vida de Jesus são bastante diferentes do que os três primeiros evangelhos sinópticos têm em comum, como afirma o cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 952?
R: João apresenta detalhes diferentes, mas eles são compatíveis. É muito provável que o Evangelho de João tenha sido escrito após os três primeiros evangelhos. Ele se concentrou menos nos detalhes históricos — que já haviam sido amplamente abordados nos três primeiros evangelhos — e mais no significado do que Cristo ensinou.
Consulte a seção sobre os evangelhos para uma comparação completa, com 317 pontos, dos quatro evangelhos.
P: Em Jo 1,1, isso deveria ser traduzido como “era divino”, “era Deus” ou “era um Deus”, como afirmam as Testemunhas de Jeová?
R: Deveria ser “era Deus”. Aqui está um resumo das evidências linguísticas e de outras naturezas.
Não apenas “um” deus: a mesma forma gramatical, theos sem o ho em grego, refere-se a Jeová-Deus em Lucas 20:38. Mesmo as Testemunhas de Jeová não traduzem as mesmas palavras gregas como “um Deus” em João 1:6, 12, 13, 18.
Embora as Testemunhas de Jeová, de 1962 a 1983, costumassem citar a tradução de Johannes Greber para apoiar sua tradução, elas já sabiam, ainda em 1956, que a esposa de Greber atuava como médium para produzir a tradução!
Não apenas divino: se João tivesse pretendido apenas dizer que Jesus era divino, ele poderia ter usado o adjetivo theios. No entanto, João enfatizou que Jesus é, de fato, Deus.
A Palavra era Deus:
Observe que há evidências ainda mais sólidas do que os estudos linguísticos modernos disponíveis para demonstrar que João 1:1 significava que o Verbo era Deus. Há outra abordagem. E se pudéssemos perguntar aos cristãos que eram falantes nativos do grego do Novo Testamento o que João 1:1 significava? Podemos fazer isso. Veja a pergunta a seguir para obter as respostas, embora você provavelmente não goste da forma como os primeiros cristãos compreendiam sua própria língua, caso seja Testemunha de Jeová.
P: Em Jo 1:1, quais são alguns outros exemplos de como as Testemunhas de Jeová deturpam suas escrituras?
R: Aqui estão alguns exemplos.
João 1:1: Acrescentaram “um” em “O Verbo era um deus”.
Lucas 23:43 “Em verdade lhe digo hoje: você estará comigo no Paraíso.” (Isso deu a entender que Jesus estava falando “hoje”, em vez do significado grego de que o ladrão arrependido estaria no Paraíso “hoje”.)
Atos 10:36: acrescentou-se a palavra “outros”, colocando-a entre colchetes.
Romanos 8:32: Acrescentaram “outro” sem itálico nem colchetes.
Colossenses 1:16-20: acrescentou-se a palavra “outro” quatro vezes.
Filipenses 2:9 acrescentou a palavra “outro” sem itálico nem colchetes.
P: Em João 1:1, o que a igreja primitiva ensinava sobre esse versículo e sobre o Verbo ser Deus?
R: Às vezes, é interessante ouvir o que os estudiosos modernos, 2.000 anos depois, dizem que o grego significava. No entanto, o que é mais interessante é como os líderes da igreja que viveram há 1.700-1.800 anos, muitos dos quais falavam o grego do Novo Testamento desde bebês, compreendiam o que João 1:1 significava em sua própria língua.
Justino Mártir (c. 138–165 d.C.)
“pois, quando transmitimos alguma palavra, geramos a palavra; contudo, não por cisão, de modo a diminuir a palavra [que permanece] em nós ao transmiti-la; e assim como vemos também acontecer no caso de um fogo, que não diminui quando acende [outro], mas permanece o mesmo;... A Palavra da Sabedoria, que é o próprio “ ” — este Deus gerado pelo Pai de todas as coisas, e Palavra, e Sabedoria, e Poder, e a Glória do Gerador —, prestará testemunho a meu favor...” Diálogo com Trifão, cap. 61. Vide também os capítulos 55, 56, 59, 62-64, 66, 74-78.
Teófilo, bispo de Antioquia (168-181/188 d.C.) “Pois a própria Escritura nos ensina que Adão disse ter ouvido a voz. Mas o que mais seria essa voz senão o Verbo de Deus, que é também Seu Filho?” Carta a Autólico, livro 2, cap. 22, p. 103
Irineu de Lyon (182-188 d.C.)
“Mas que Ele [Jesus] é, por si mesmo e por direito próprio, acima de todos os homens que já viveram, Deus, Senhor e Rei Eterno, e o Verbo Encarnado, proclamado por todos os profetas, pelos apóstolos e pelo próprio Espírito, pode ser percebido por todos aqueles que alcançaram, ainda que seja apenas uma pequena porção, da verdade.” (Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 19.2, p. 449).
“Saiba que todo homem está vazio ou cheio. Pois, se ele não tem o Espírito Santo, não tem conhecimento do Criador; não recebeu Jesus Cristo, a vida; não conhece o Pai que está nos céus;...” (Irineu, fragmento 26, p. 572)
“Ela [a Igreja] também acredita nesses pontos [da doutrina] como se tivesse uma única alma... Pois as igrejas que foram fundadas na Alemanha não acreditam nem transmitem nada diferente, nem as da Espanha, nem as da Gália, nem as do Oriente, nem as do Egito, nem as da Líbia, nem...” Irineu, Contra as Heresias, livro 1, cap. 10.2, p. 331
Tertuliano (c. 213 d.C.) (latim) “O Verbo, portanto, está sempre no Pai, como Ele diz: ‘Eu estou no Pai’; e está sempre com Deus, conforme está escrito: ‘E o Verbo estava com Deus’; e nunca se separa do Pai, nem é diferente do Pai, pois ‘Eu e o Pai somos um’.” Contra Praxeas, capítulo 8, p. 603.
Hipólito (225-235/6 d.C.), após citar parte de João 1,1: “Se, então, o Verbo estava com Deus e também era Deus, o que se segue? Dir-se-ia que ele fala de dois Deuses? Na verdade, não falarei de dois Deuses, mas de um só; de duas Pessoas, porém, e de uma terceira economia (disposição), a saber, a graça do Espírito Santo. Pois o Pai é, de fato, Um, mas há duas Pessoas, porque há também o Filho; e, além disso, há o terceiro, o Espírito Santo. O Pai decreta, o Verbo executa e o Filho se manifesta, por meio do qual se crê no Pai. A economia da harmonia remete a um único Deus; pois Deus é Um. É o Pai quem ordena, o Filho quem obedece e o Espírito Santo quem concede compreensão; o Pai está acima de tudo, o Filho está em tudo e o Espírito Santo está em todos. E não podemos conceber um único Deus de outra forma, a não ser acreditando verdadeiramente no Pai, no Filho e no Espírito Santo.” Contra a Heresia de Noeto, capítulo 14, p. 228
P: Em Jo 1,1, é verdade que a doutrina de que Jesus era Deus em forma humana só foi finalizada após o ano 300 d.C.?
R: Não. Karen Armstrong afirmou isso categoricamente em *Uma História de Deus*, p. 81, e é surpreendente o que alguns livros impressos conseguem afirmar impunemente. Não há cristãos ortodoxos nem arianos que tenham afirmado que Jesus não era Deus, embora os arianos afirmassem que Jesus era uma substância diferente e que Deus existia de uma maneira diferente e inferior. Antes de 300 d.C., os cinco escritores da Igreja primitiva citados na pergunta anterior certamente não consideravam que a doutrina de Jesus ser Deus em forma humana precisasse de qualquer finalização. Inácio, que era discípulo do apóstolo João, gostava de dizer que “Jesus é Deus”. O apóstolo Tomé não precisou de nenhum concílio quando disse a Jesus em João 20:28: “Meu Senhor e meu Deus!”
Embora seja verdade que os gnósticos fossem hereges com visões muito estranhas sobre Deus, eles nunca foram aceitos como cristãos pelos cristãos ortodoxos. Independentemente disso, até mesmo eles aceitavam que Jesus era Deus, embora em um sentido muito diferente e estranho.
Os arianos foram outro grupo herético condenado no Concílio de Nicéia, em 325 d.C. Eles tinham uma opinião “menor” de Jesus, acreditando que houve um tempo em que Ele não existia e que Jesus era de uma substância diferente da do Pai. No entanto, até mesmo eles concordavam que Jesus era Deus; o problema era que acreditavam erroneamente que Jesus não era da mesma natureza que o Pai.
Suponho que uma limitação dos credos seja que alguns possam interpretar erroneamente sua finalidade. A controvérsia nicena sobre o arianismo não era se Jesus era ou não Deus, mas sobre como Jesus era Deus.
P: Em Jo 1,1, como o Verbo poderia ser Deus e, ao mesmo tempo, estar com Deus?
R: Da mesma forma que o Filho podia ser Deus e, ao mesmo tempo, ter um Deus em Hebreus 1:8,9. Além de se referir a falsos deuses, a palavra “Deus” tem pelo menos quatro significados no que diz respeito ao verdadeiro Deus. “Deus” pode significar apenas o Pai, apenas o Filho, apenas o Espírito, ou os três na Trindade.
Eis o que disse o escritor da Igreja primitiva Hipólito (225-235/6 d.C.) em *Contra a Heresia de Noeto*, cap. 14, p. 228: “Se, então, o Verbo estava com Deus e também era Deus, o que se segue? Não falarei, de fato, de dois Deuses, mas de um só; de duas Pessoas, porém, e de uma terceira economia (disposição), a saber, a graça do Espírito Santo. Pois o Pai é, de fato, Um, mas há duas Pessoas, porque há também o Filho; e, então, há a terceira, o Espírito Santo.”
P: Em Jo 1,1, como Deus poderia encarnar-se como homem?
R: Por um lado, a resposta é simples: Deus Todo-Poderoso pode manifestar-se como bem entender. Por outro lado, trata-se de um milagre profundo. Melito de Sardes (170-180 d.C.) refletiu sobre o mistério da encarnação em seu Discurso sobre a Cruz (vol. 8), p. 756 “Por essas razões, Ele veio até nós; por essas razões, embora fosse incorpóreo, Ele formou para Si mesmo um corpo à nossa semelhança, aparecendo como uma ovelha, mas continuando a ser o Pastor; sendo considerado um servo, mas sem renunciar à Filiação; sendo gerado [no ventre] de Maria, mas revestido da [natureza de] Seu Pai; pisando na terra, mas preenchendo o céu; aparecendo como um bebê, mas sem descartar a eternidade de Sua natureza; revestido de um corpo, mas sem limitar a simplicidade imaculada de Sua Divindade; considerado pobre, mas sem ser despojado de Suas riquezas; necessitando de sustento na medida em que era homem, mas sem deixar de alimentar o mundo inteiro na medida em que é Deus; assumindo a semelhança de um servo, mas sem prejudicar a semelhança de Seu Pai.”
Justino Mártir, em seu *Diálogo com Trifão, o Judeu*, capítulo 61, p. 227, apresentou a analogia de como o fogo é aceso a partir do fogo. O fogo original não é diminuído de forma alguma.
(Observe que as citações da Igreja primitiva neste site são todas extraídas dos Padres Ante-Nicenos e dos Padres Pós-Nicenos I e II.)
P: Em Jo 1,1, tenho tido dificuldade em compreender a natureza teantrópica de Cristo. Jesus era mentalmente plenamente maduro, conhecendo todas as coisas mesmo quando era bebê? Embora tenha se tornado homem, Ele ainda possuía a mente infinita de Deus? Lucas 2,52 diz: “E Jesus crescia em sabedoria e estatura, e em graça diante de Deus e dos homens.” Se Jesus não mudou quem Ele era ao se encarnar, por que então cresceu em conhecimento, sabedoria e graça diante de Deus, se já era o Deus infinito?
R: Muitas coisas sobre Deus podem ser compreendidas mais facilmente por meio de uma comparação com uma analogia da natureza. No entanto, o mistério da encarnação não tem analogia com nada na natureza.
Embora não possamos saber tudo sobre a encarnação, podemos aprender o que as Escrituras revelaram a respeito dela. Portanto, para resumir, há cinco pontos-chave a serem conhecidos.
1. Jesus é 100% Deus. Ele era 100% Deus antes de nascer, na Terra e agora no céu. (João 1:1; 20:28; Colossenses 1:5-20; Hebreus 1:6, 8, 9)
(É claro que o céu não estava vazio quando Jesus veio à Terra. No entanto, não incluo isso como um ponto, pois essa inseparabilidade de Deus, juntamente com a distinção entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, são aspectos da Trindade, e não da Encarnação.)
2. Jesus era 100% homem desde o momento em que estava no ventre materno. Ele era como nós em todos os aspectos, exceto pelo fato de não ter pecado. (Hebreus 2:14-18; 4:15; 5:1-2)
3. Jesus era apenas uma pessoa. (Não havia dois seres distintos, um Deus-Jesus e um homem-Jesus, como defende o nestorianismo extremo.)
4. Jesus possuía duas naturezas distintas. (A humanidade de Jesus não foi subsumida pela divindade de Jesus. Quando se diz que Jesus sofreu, Ele realmente sofreu. Quando se diz que Jesus foi tentado, Ele foi realmente tentado. Essas coisas são negadas pelas vertentes mais extremas do erro do monofisismo.)
Mas, mesmo que compreenda essas quatro coisas, ainda falta um elemento, que o senhor precisa perceber para que tudo se encaixe.
5. A maior parte da glória de Jesus estava velada. Jesus voluntariamente se esvaziou de muitos de Seus atributos divinos, conforme Filipenses 2:6-7. É por isso que Jesus orou especificamente ao Pai para que Lhe restaurasse a glória que Ele possuía antes do início do mundo, em João 17:5. Portanto, para responder à primeira parte de sua pergunta: na Terra, Jesus cresceu em sabedoria, estatura e graça, não apenas como o bebê perfeito, mas também como o menino perfeito, o menino mais velho perfeito e, por fim, o homem perfeito. Jesus aprendeu a obediência, sofreu e morreu — o que Ele só poderia ter feito se parte de Seu poder tivesse sido voluntária e temporariamente renunciada.
P: Em Jo 1,1, de que outra forma sabemos que Jesus é Deus?
R: O livro “1001 Perguntas Bíblicas Respondidas”, p. 27, afirma que isso é comprovado por sete pontos.
1. Todos os nomes de Deus no Antigo Testamento estão reunidos em Jesus Cristo.
2. Jesus recebeu adoração humana. Ou Ele agiu errado ao fazer isso, ou então agiu corretamente.
3. Jesus perdoou pecados contra Deus.
4. Jesus demonstrou o poder de Deus.
5. Jesus demonstrou onisciência (embora talvez não a possuísse na Terra antes de sua ressurreição).
6. Jesus afirmou a onipresença.
7. O Novo Testamento afirma que Jesus é Deus e deve ser honrado como o Pai.
Consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 490-492, para mais informações sobre João 1:1 e a Trindade.
P: Em João 1:1, esse conceito de uma palavra eterna foi emprestado da filosofia grega?
R: Não, não há evidências disso. O filósofo grego Platão escreveu sobre uma palavra eterna, o logos, antes do Evangelho de João, e Heráclito de Éfeso (c. 500 a.C.) usou o termo logos para representar o princípio racional. Filo, o judeu, também utilizou o termo logos. No entanto, não há evidências de que João tenha se inspirado nisso.
Em vez de João ter se inspirado na filosofia grega, até mesmo uma pessoa leiga poderia argumentar que o conceito de uma Palavra poderosa e viva foi extraído do pensamento do Antigo Testamento, como em Gênesis 1:1 em hebraico.
O Antigo Testamento não foi emprestado do pensamento grego, pois Moisés e os israelitas precederam toda a literatura grega escrita de que temos conhecimento. Teófilo de Antioquia, de , que escreveu entre 168 e 181/188 d.C., foi o primeiro a apontar isso em sua “Carta a Autólico”, livro 3, cap. 30, p. 121
O Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 441, afirma que os Manuscritos do Mar Morto indicam que o Evangelho de João, em vez de ser um documento helenístico do século II, “revela-se, mais claramente do que nunca, como um produto da Palestina do século I, em virtude de suas numerosas semelhanças com os textos de Qumrã”.
P: Em Jo 1,1, houve um tempo antes de Jesus existir?
R: Não. Os hereges arianos pensavam assim, mas os cristãos ortodoxos afirmavam, de forma praticamente unânime, que Jesus foi gerado pelo Pai antes do início dos tempos. Uma exceção a isso foi o escritor da Igreja primitiva Justino Mártir (c. 138–165 d.C.). No entanto, embora as Testemunhas de Jeová recorram a Justino Mártir para tentar sustentar suas crenças, tal recurso é enganoso. Em seu *Diálogo com Trifão*, Justino dedica treze capítulos (55-56, 59, 61-64, 66, 74-78) para provar que Jesus é Deus.
A Bíblia não responde de forma conclusiva a muitas perguntas sobre como eram as coisas antes do início dos tempos. Mesmo que o fizesse, será que compreenderíamos as respostas? Tito 1:2 diz que Deus prometeu a vida eterna “antes do início dos tempos”. Todas as coisas foram criadas por meio de Cristo (Colossenses 1:16; João 1:3). Se “todas as coisas” incluem o tempo (uma suposição aqui), então Jesus existia antes de haver tempo.
Consulte “1001 Perguntas Bíblicas Respondidas”, pp. 27-28, para obter mais informações sobre o fato de não ter havido um tempo anterior à existência de Jesus.
P: Em João 1:1, Jesus simplesmente pré-existia apenas na presciência de Deus, como ensina a Way International?
R: Não. Todos nós fomos pré-conhecidos por Deus, mas Jesus era diferente de nós, pois Ele pré-existia no Céu desde antes do início dos tempos.
P: Em Jo 1,1, uma vez que o Verbo (Logos) é Deus, isso significa que Deus é impessoal, como ensinou Mary Baker Eddy, fundadora da seita da Ciência Cristã, em *Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras*, p. 117?
R: Não. O fato de Deus possuir algumas características que nós não temos (infinito, invisível, trino em unidade, etc.) não exclui a possibilidade de Deus também possuir algumas características que nós também temos, embora muitas vezes em menor grau (capacidade de amar, inteligência, vontade, emoções, etc.). Portanto, só porque o Verbo é Deus, isso não significa que tenhamos de negar os muitos versículos bíblicos que mostram que Deus possui personalidade.
Então, quais versículos bíblicos mostram que Deus possui personalidade? A personalidade inclui mente, vontade e emoções. Embora um computador possa armazenar conhecimento sem possuir personalidade, ele não possui amor, ira e outras emoções, nem possui vontade.
Quando clamamos “Abba” ou “Papai” em Gálatas 4:6; Marcos 14:36; e Romanos 8:15, louvado seja Deus, estamos clamando a um ser pessoal.
P: Em João 1:2, se todas as coisas foram criadas pela Palavra, isso inclui o tempo, o espaço, a ciência, as leis naturais e a matemática?
R: Provavelmente sim, embora esse versículo não tenha sido escrito para provar isso. No entanto, uma verdade lógica, como a = a, e uma contradição lógica, como a não é igual a a, não são coisas, e esse versículo não está falando sobre elas.
P: Em Jo 1,4, de que maneira Jesus é a vida dos homens?
R: Jesus é a vida dos homens de pelo menos três maneiras.
Fisicamente, todas as coisas são sustentadas por Jesus, de acordo com Colossenses 1:17.
Eternamente, é somente por meio de Jesus que somos salvos, como mostra Atos 4,12.
A vida em Cristo hoje: Jesus dá sentido, alegria e plenitude à vida dos cristãos na Terra hoje.
P: Em Jo 1,4, Jesus completou Sua missão antes mesmo de ser crucificado, como afirma Jamal Badawi na tabela 3 da Série de Fitas 9?
R: Não. João 1:4 foi de fato escrito antes do relato da crucificação de Jesus. No entanto, qualquer pessoa deve perceber que Badawi está tentando suscitar objeções aqui: João 1:4 foi escrito ainda antes do relato do nascimento de Jesus.
P: Em Jo 1,6.19, o João mencionado aqui é o autor deste livro?
R: Não. O João mencionado aqui é João Batista, enquanto o autor é João, o apóstolo, irmão de Tiago.
P: Em Jo 1,8, houve pessoas, após a crucificação, que acreditavam que João Batista era o Messias, conforme afirma o *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 965?
R: Não há evidência direta disso. No entanto, havia um grupo, conhecido em épocas posteriores, chamado de mandæus, que acreditava nisso. Os mandæus viviam nos pântanos do sul do Iraque, mas não se sabe quando nem onde surgiram.
P: Em Jo 1,9, de que maneira Jesus é a verdadeira luz que ilumina todo homem?
R: De pelo menos duas maneiras.
Para todos: A verdade e a oferta do Evangelho de Jesus Cristo são proclamadas a todos. Jesus é a única luz verdadeira. Alguns optam por viver como filhos da luz, desejando saber o que agrada ao Senhor (Efésios 5:8-10), enquanto outros não.
Para os crentes: Jesus é a luz de nossa vida. Ele nos dá alegria, satisfação, sentido e propósito, o que faz com que tudo valha a pena.
P: Em João 1:13, não é a nossa vontade que nos faz nascer de novo?
R: É a graça de Deus. Deus é muito misericordioso, clemente e justo. No entanto, esses fatos não devem nos fazer esquecer que a prerrogativa de nascermos de novo pertence a Deus, e não a nós.
P: Em Jo 1,14, como o Deus Todo-Poderoso, com Vida Eterna, pôde tornar-se um homem mortal que morreu?
R: Visto que o Deus Trino é Todo-Poderoso, Deus pode fazer com que uma pessoa distinta de Si mesmo se torne um homem mortal. Quando Jesus estava na Terra, isso não significa que o Céu estivesse vazio. Quando Jesus morreu na cruz, isso não significa que o Pai ou o Espírito Santo tenham morrido.
P: Em Jo 1,14, como eles viram a glória de Jesus, uma vez que Jesus se esvaziou em Fp 2,6-7?
R: A glória de Jesus não é um estado binário. Além disso, Filipenses 2,6-7 diz que Jesus esvaziou-se a si mesmo, mas não menciona a glória propriamente dita. Filipenses 2,9 diz que Deus exaltou Jesus ao lugar mais alto, o que implica uma posição exaltada, “glorificada”, de Jesus, mas não qualquer mudança interna.
P: Em João 1:14, como a natureza de Deus poderia estar misturada/sintetizada/colocada ao lado da natureza humana de Jesus?
R: Muitas heresias responderam a essa questão de forma incorreta. Cristo não era um Deus que apenas parecia ser um homem (docetistas), um homem e Deus apenas no nome, em vez de Deus Todo-Poderoso (ebionitas), um fantasma (gnósticos), um homem no qual Cristo se estabeleceu (Paulo de Samosata), separado/dividido (nestorianos) ou confundido (monofisitas). Provavelmente não há nenhuma analogia da vida na Terra que seja realmente suficiente como exemplo da natureza divina e da natureza humana de Jesus Cristo. Aqui estão dois erros.
Nestorianismo (duas vontades): Nestório ensinava que Jesus possuía duas vontades distintas: uma divina e outra humana. Embora Nestório estivesse simplesmente em erro, alguns de seus seguidores posteriores foram ainda mais ao extremo. É quase como se, no Jardim do Getsêmani, a vontade humana e a vontade divina de Jesus tivessem lutado uma contra a outra, e a vontade divina tivesse vencido. Os cerca de 200 bispos presentes no Concílio de Éfeso condenaram o nestorianismo em 431 d.C.
Monofisismo (uma única natureza): O oposto do nestorianismo, o monofisismo afirmava que as duas naturezas estavam fundidas, como se uma gota de mel da vontade humana caísse no oceano da vontade divina. O monofisismo pode levar a alguns cenários desagradáveis. Em sua forma mais extrema, Jesus teria levado uma vida tranquila, e todas as suas lutas — contra a tentação durante os 40 dias, no Jardim do Getsêmani e na cruz — teriam sido quase uma mera encenação. O monofisismo foi condenado por 250 a 350 bispos no Concílio de Calcedônia, em 451 d.C. Nos tempos modernos, a Igreja Católica e a Igreja Copta (monofisita) restabeleceram suas relações.
A posição cristã ortodoxa (comum): Após esses dois concílios traumáticos, a posição final foi: “Jesus Cristo, o Logos de Deus feito homem, é uma única pessoa em duas naturezas, que existe nesta única Pessoa sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação”.
A Bíblia fornece as seguintes pistas sobre as naturezas humana e divina de Jesus.
a. Enfatizou que Jesus era o Filho do Homem: Lucas 5:24; 6:5; 6:22; 8:31; 22:22,69; João 12:34; Apocalipse 1:13
b. Ascendência: Lucas 1:32; Romanos 1:3; 9:5; 2 Timóteo 2:8; Hebreus 7:14; Mateus 1:1.
c. Corpo físico: Lucas 24:39; João 4:2; Hebreus 10:5,10; 1 João 1:1; 1 Timóteo 3:16; 2 João 7.
d. Um homem (com humanidade) enquanto esteve na Terra: Atos 2:22,23; Filipenses 2:7,8; Hebreus 2:14.
e. Ainda homem no céu: 1 Timóteo 2:5; implícito em Hebreus 13:8.
f. Nosso irmão: Marcos 3:35; Lucas 8:21; Hebreus 2:11, 12, 17
g. Sofreu como os homens: Hebreus 2:9,18; 5:8; Romanos 8:17; 1 Pedro 1:11; 4:13; 5:1.
h. Tentado como nós: Hebreus 2:18; 4:15; Mateus 4:1-10; Marcos 1:13; Lucas 4:1-12.
i. Jesus era um homem em todos os aspectos, exceto que estava isento de pecado: Hebreus 2:17.
P: Em João 1:14, quando Jesus veio à Terra, Ele perdeu Sua divindade, como afirmou Herbert W. Armstrong?
R: Não. Jesus esvaziou-Se a Si mesmo (Filipenses 2:7) e renunciou temporariamente a grande parte de Sua glória (João 17:5), mas Jesus ainda era adorado na Terra antes de Sua crucificação como Deus pelos magos (Mateus 2:11-12), pelos discípulos (Mateus 14:33) e pelo cego (João 9:38). Jesus se referiu a si mesmo pelo Nome santíssimo de Deus em João 8:58.
P: Em João 1:15, como era Jesus diante de seu parente mais velho, João Batista?
R: Embora João Batista tenha nascido alguns meses antes de Jesus, Jesus existia no Céu desde o princípio. Jesus também era anterior a João Batista em honra, uma vez que Jesus é Deus, o Filho.
P: Em João 1:17, foi Moisés quem deu a Lei, ou foi Deus quem a deu?
R: Ambos. Deus deu a Lei a Moisés para que ele a transmitisse ao povo, e foi isso que Moisés fez. Deus é o autor, e Moisés foi o “carteiro” que entregou a carta.
P: Em Jo 1,18, visto que nenhum homem viu a Deus, como Jesus poderia ser Deus, se as pessoas viram Jesus?
R: Quando Jesus veio à Terra, como diz Filipenses 2,7, Ele esvaziou-Se de grande parte de Sua glória. Jesus orou para que o Pai Lhe devolvesse a glória em João 17,5.
Quando Moisés estava com Deus, ele colocou um véu sobre o rosto, conforme Êxodo 34:33-35; 2 Coríntios 3:13-16. As pessoas ainda viam Moisés, mas não a glória que se manifestava em seu rosto depois que ele esteve com Deus. Isso é um tipo da vinda de Jesus à Terra como Deus, de forma velada.
Consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 492-493, e *When Critics Ask*, pp. 403-404, para obter uma resposta complementar.
P: Em João 1:18, visto que nenhum homem viu a Deus, como Jesus poderia ter visto a Deus?
R: Jesus não era um ser humano antes de ter sido concebido por Maria; Jesus existia desde a eternidade passada. Assim, curiosamente, João Batista era alguns meses mais velho do que a humanidade de Jesus, mas o próprio Jesus era muito mais velho do que João Batista.
P: Em Jo 1,18, Jesus é o único Filho de Deus, ou nós também podemos ser filhos de Deus, como diz Jo 1,12?
R: Podemos ser filhos de Deus, mas Jesus é o Filho unigênito de Deus. A Bíblia apresenta duas metáforas a nosso respeito: somos adotados na família de Deus e nascemos de novo na família de Deus. Jesus não foi nem adotado nem nasceu de novo. Jesus era Deus, o Filho, desde a eternidade passada, e encarnou-se como homem sem pai biológico.
P: Em Jo 1,21, por que João Batista disse que não era Elias, já que Jesus afirmou que ele era, em Mt 11,14?
R: Quatro pontos a serem considerados na resposta.
1. Malaquias 4:5 afirma que Elias viria antes do grande e terrível dia do Senhor. O próprio Elias (e não João Batista) apareceu na transfiguração e é, quase certamente, uma das duas testemunhas mencionadas em Apocalipse 11:1-12.
2. Se João tivesse simplesmente dito que era Elias, eles teriam interpretado que ele era literalmente a mesma pessoa que Elias, e João teria se expressado incorretamente.
3. João poderia ter explicado que não era o Elias literal, mas que vinha com o papel e o propósito de Elias, conforme era o que Jesus queria dizer em Mateus 11:14.
4. No entanto, embora João soubesse que era o precursor do Messias, talvez o próprio João não soubesse que era o cumprimento do Elias que havia de vir. Assim, João pode ter falado apenas com base no que sabia.
P: Em Jo 1,21, João Batista estava errado ao dizer que não era Elias, como ensina o herege Rev. Moon no Princípio Divino (5ª edição, 1977)?
R: Primeiro, eis o que diz o Rev. Moon, que supostamente é o Cristo que voltou, e, em seguida, a resposta.
“Princípio Divino” do Rev. Moon, p. 161: “...João Batista, que havia ofendido Jesus. Como João Batista o ofendeu? João falhou em cumprir sua missão de servir e ministrar a Jesus.”
Refutação: 1. Se João falhou em seu ensinamento, então por que, em Mateus 21:32, Jesus disse que o povo deveria acreditar em João Batista?
2. João 10:41-42 mostra que o testemunho de João levou muitos a crer em Jesus. Devemos ser cautelosos ao condenar um mártir que morreu por Deus como tendo falhado e ofendido a Deus. A afirmação de Jesus de que “o menor no reino dos céus é maior do que [João Batista]” refere-se ao fato de que Jesus ainda não havia aberto o caminho para o céu, e João Batista era, na verdade, o último profeta sob a antiga aliança.
3. Se João Batista fosse realmente a reencarnação de Elias, então, mais do que ninguém, João saberia disso. No entanto, João Batista estava correto ao afirmar que não era Elias ressuscitado dos mortos.
4. João pregou no espírito e no poder de Elias, mas Jesus nunca disse que João e Elias fossem a mesma pessoa.
João Batista era grande aos olhos do Senhor, conforme Lucas 1:15, e o Senhor conhece o futuro.
P: Em Jo 1,29, por que Deus exigiu um sacrifício para perdoar nossos pecados, uma vez que devemos perdoar os outros sem exigir mais do que o arrependimento?
R: Perdoamos nossos irmãos sem exigir mais do que o arrependimento, porque um pecado contra nós é de natureza diferente de um pecado contra Deus.
P: Em João 1:31,33, como é que João não conhecia Jesus, uma vez que suas mães eram primas?
R: A palavra grega aqui, oida, significa plenitude de conhecimento. João estava dizendo que, naturalmente, ele não O conheceria. João acrescentou imediatamente que O conhecia porque Deus lho revelou.
O livro *Quando os Críticos Perguntam*, pp. 404-405, destaca que João conhecia Jesus de ouvido e, talvez, por contato pessoal, mas foi somente por meio do Espírito Santo que ele reconheceu Jesus por manifestação divina.
P: Em Jo 1,32-33, como o Espírito Santo poderia ter uma presença localizada e repousar sobre Jesus na forma de uma pomba?
R: O fato de o Espírito Santo ter, por um tempo, uma presença localizada especial não O impede, de modo geral, de estar em qualquer outro lugar que Ele desejar. Como uma analogia bastante simplificada, havia uma série de ficção científica chamada “Doctor Who”. Quando um personagem sofreu um acidente com uma máquina de viagem no tempo, ele passou a ter presença localizada em três épocas diferentes ao mesmo tempo. Visto que podemos conceber isso, por que Deus não poderia ter múltiplas presenças localizadas, ou mesmo um número infinito delas?
Veja também a discussão sobre Habacuque 3:3.
P: Em João 1:38-39, por que Jesus não se queixou quando o chamaram de Rabi (Mestre), já que Ele disse em Mateus 23:7,8 para que ninguém o chamasse de mestre?
R: Jesus, sendo Deus, o Filho, possui uma autoridade e uma honra que nós não temos. Também não devemos chamar ninguém de nosso Deus, Salvador ou Senhor, e é correto chamar Jesus de todas essas coisas.
P: Em João 1:39, quando era a décima hora?
R: Na cultura deles, o dia começava ao nascer do sol, por volta das 6h da manhã. A décima hora era após as 16h.
P: Em Jo 1,40, os discípulos buscaram um “Jesus mais digno” em João, ao passo que, nos outros três evangelhos, foi Jesus quem buscou e escolheu os discípulos, como sugere o cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, pp. 968-969?
R: Não. Dos doze discípulos, João 1:35-42 menciona apenas dois que deixaram João e seguiram Jesus. Mas, em seguida, menciona que Jesus procurou Filipe, e que Filipe trouxe Natanael.
P: Em Jo 1,42, Jesus chamou Simão de “Cefas/Pedro” pela primeira vez aqui, ou mais tarde, durante seu ministério em Cafarnaum, como em Mt 16,18?
R: Uma explicação simples é que Jesus o chamou de Pedro aqui, mas foi em Mateus 16:18 que Jesus lhe revelou o significado desse nome.
P: Em Jo 1,51, quando Natanael verá os anjos subindo e descendo sobre Jesus?
R: Embora seja possível que Natanael tenha tido um sonho, é mais provável que ele veja isso no Céu. A imagem usada por Jesus aqui lembra a escada de Jacó em Gênesis 28:11-13.
No entanto, por que Natanael estaria sentado imóvel sob uma figueira? O “Comentário Bíblico do Crente”, p. 1472, afirma que é provável que Natanael estivesse estudando a Palavra de Deus ou meditando sobre a visão de Jacó da escada (ou escadaria).
P: Em Jo 1,51, por que Jesus frequentemente se autodenomina Filho do Homem?
R: Provavelmente pelas seguintes razões
1. Para enfatizar sua humanidade comum
2. As pessoas poderiam concordar com isso, independentemente de o reconhecerem ou não como o Filho de Deus.
3. Jesus ainda não havia se revelado como o Filho unigênito de Deus.
P: Em Jo 2,1, como eram as jarras?
R: Embora haja alguma divergência sobre a localização da antiga Caná, fragmentos de cerâmica do século I d.C. foram encontrados em dois locais: a atual Caná, entre Nazaré e Cafarnaum, e um segundo sítio várias milhas ao norte. Os fragmentos de cerâmica indicam que os vasos tinham cerca de 12 a 16 polegadas de diâmetro. Consulte o artigo da Associated Press “Especialistas afirmam ter encontrado a Caná bíblica”, publicado no The St. Louis Post Dispatch em 22 de dezembro de 2004.
P: Em Jo 2,3-10, percebo sempre que Jesus nunca faz as coisas sem propósito ou ao acaso. Por que o primeiro milagre registrado é a transformação da água em vinho em um casamento? Será que isso tem a ver com o vinho = Seu sangue, purificação cerimonial ou uma nova aliança matrimonial com todos os que acreditam Nele? Essas são questões sobre as quais tenho refletido e me pergunto até que ponto estou equivocado; não quero ir além das Escrituras, como é tão comum nos dias de hoje.
R: A senhora faz uma pergunta interessante. Se a transformação da água em vinho por Jesus fosse um milagre para simbolizar Seu sangue, Sua morte na cruz ou a purificação cerimonial, ninguém naquela época, após Sua morte, nem mesmo nos escritos da Igreja primitiva, teria captado essa mensagem. Em vez disso, creio que esse milagre foi realizado devido às circunstâncias, mas nisso podemos ver uma compreensão mais profunda do caráter de Deus e uma aplicação para nós.
Havia uma necessidade humana simples: o vinho da festa havia acabado. Quando Maria pediu a Jesus que resolvesse isso sobrenaturalmente, a resposta inicial de Jesus foi: “Ainda não chegou a minha hora.” Em outras palavras, não era um momento de Seu ministério em que Ele precisasse fazer isso para demonstrar algo. No entanto, havia uma necessidade, e pediram-Lhe que o fizesse; assim, Ele se desviou do que havia planejado originalmente e realizou o milagre. Da mesma forma, quando a mulher com o fluxo de sangue tocou a túnica de Jesus, isso não constava na “lista de tarefas” Dele para aquele dia.
Muitas vezes, Deus nos encontra exatamente onde estamos. Como exemplo triste, Deus fez com que Isaías dissesse ao rei Ezequias para colocar tudo em ordem, pois Ezequias iria morrer. O fiel rei Ezequias ficou tão amargurado com isso que Deus cedeu e lhe concedeu mais 15 anos de vida. No entanto, durante esses quinze anos, nasceu o rei Manassés, talvez um dos reis mais perversos de Judá. Não é que Deus não soubesse, ou que Deus seja inconstante ou tenha mudado de ideia. Pelo contrário, muitas vezes a vontade de Deus, tal como a percebemos, muda quando nossa atitude muda (para melhor ou para pior). Quando o Faraó esteve com Sara, esposa de Abraão, Deus disse ao Faraó em um sonho que ele iria morrer, sem qualquer tipo de condicional. Mas quando o Faraó disse que agiu por ignorância, Deus afirmou que sabia disso, e foi por isso que O advertiu. O Faraó devolveu a esposa de Abraão a ele, e o Faraó não morreu. Da mesma forma, Jonas profetizou que Nínive seria destruída em 40 dias. No entanto, eles se arrependeram e Nínive não foi destruída.
Quando estamos ocupados com nosso ministério, nossos planos e nossa vida, muitas vezes as pessoas nos procuram com necessidades que são importantes — ou, às vezes, sem importância, mas que elas consideram importantes. Podemos encarar isso como distrações e interrupções, mas também devemos encontrar as pessoas exatamente onde elas estão. Jogar bola, ir ao cinema ou passar um tempinho “brincando” com alguém pode não parecer muito importante para nós no que consideramos ser o plano de Deus, e de fato talvez não seja. Mas, mesmo assim, pode ser a única coisa que Deus deseja que façamos neste momento, se quisermos estar no centro de sua vontade.
P: Em Jo 2,3-10, esse vinho era alcoólico?
R: Não era como uma bebida destilada, mas o vinho daquela época continha álcool. Se o senhor deixar suco de uva repousar em um jarro sem refrigeração por um ano, ele conterá álcool. Até mesmo o “vinho novo” era alcoólico em Atos 2,13. No entanto, como aponta o livro *Difficulties in the Bible*, pp. 147-149, não se diz que o vinho milagroso fosse inebriante.
O livro infantil *O Primeiro Milagre de Jesus*, de Vivian Dede (Concordia, 1990), apresenta um excelente resumo da lição que se extrai desse milagre: “Quando algo é necessário, seja uma nova vida ou vinho, Jesus resolve todos os problemas no tempo certo”.
P: Em João 2:1-11, tratava-se do próprio casamento de Jesus? E, com base em Lucas 8:3-4, Jesus se casou com uma ou mais das mulheres que acompanhavam os discípulos, como acreditam os mórmons polígamos e algumas outras seitas?
R: Não. Em primeiro lugar, eis as mulheres que sabemos terem acompanhado Jesus e os discípulos. De acordo com Lucas 8:3-4, as mulheres que viajavam com Jesus eram Maria Madalena, Joana, esposa de Cuza, Susana e outras. Outras passagens mencionam Salomé (Marcos 15:40), Maria, mãe de Tiago (Marcos 15:40, Lucas 24:10), e Marta, irmã de Maria Madalena.
João 2:2 diz que Jesus foi convidado para o casamento. Um noivo nunca é convidado para o próprio casamento.
Não há fundamento para afirmar que Jesus tenha se casado, ou que tenha tido filhos, ou que algum filho tenha nascido sem a natureza pecaminosa. Embora nenhum versículo diga explicitamente que Jesus nunca se casou, também nenhum versículo afirma que Jesus não tenha voado para Marte. Um argumento baseado no silêncio não prova uma coisa mais do que a outra.
Aqui estão todas as outras passagens anteriores à ressurreição que mencionam as mulheres:
Joana e Salomé não são mencionadas em nenhum outro lugar.
Marta (junto com Maria) foi mencionada apenas em três passagens anteriores à ressurreição: um jantar (Lucas 10:38-41), a cura de seu irmão Lázaro (João 11:1-45) e um segundo jantar com Lázaro (João 12:1-8).
Como não há nenhuma outra menção, não se poderia ter argumento mais forte para afirmar que Jesus se casou com Maria do que para afirmar que se casou com sua irmã Marta. No entanto, Jesus obedeceu à Lei Mosaica, e o casamento de um homem com duas irmãs, enquanto ambas estivessem vivas, era proibido em Levítico 18:18. Os mórmons que ensinam isso provavelmente não estão cientes de que estão ensinando que Jesus supostamente violou as leis matrimoniais do Antigo Testamento neste caso.
P: Em João 2:4, por que Jesus disse que Sua hora ainda não havia chegado?
R: Jesus estava dizendo à Sua mãe que ainda não havia chegado o momento de Ele iniciar Seu ministério de milagres. Mas, embora ainda não estivesse pronto para realizar muitos milagres, Ele realizou esse milagre a pedido de Sua mãe.
P: Em João 2:4, por que Jesus chamou Sua mãe de “mulher”, usando a mesma palavra com que chamou uma prostituta de “mulher” em João 8:10? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou essa questão.)
R: Deedat parece sugerir que Jesus demonstrava o mesmo desrespeito por Sua mãe que demonstrava pela prostituta. No entanto, isso é exatamente o oposto da verdade. Jesus respeitava Sua mãe e também respeitava a prostituta. Por mais difícil que possa ser para alguns acreditarem, Jesus tinha respeito pelos pobres, pelos perdidos e pelos pecadores culpados que precisavam de um salvador.
P: Em Jo 2,15, de que forma uma igreja poderia precisar de uma purificação como essa hoje em dia?
R: É correto e adequado que os ministros do evangelho ganhem a vida com o evangelho, como diz 1 Coríntios 9:13-14. No entanto, seu motivo não deve ser enriquecer. Aqueles que encaram a igreja principalmente como um meio de enriquecer-se não devem ser líderes da igreja, nem devem ser seguidos como líderes da igreja. Por um lado, a culpa recai sobre os líderes eclesiásticos ímpios. Por outro lado, a culpa recai sobre aqueles na igreja que continuam a seguir esses líderes mesmo depois de tomarem conhecimento do que está acontecendo.
P: Em João 2:17, de que maneiras os cristãos perdem o temor de Deus e como podem recuperá-lo?
R: Uma característica negativa frequente da natureza humana é que “a familiaridade gera desprezo”. Em outras palavras, as pessoas tendem a ser ingratas e a considerar as coisas boas como algo natural quando as vivenciam o tempo todo. Na verdade, recebemos o privilégio de fazer pedidos ao Todo-Poderoso Senhor do Universo. Embora Deus seja perfeito, Ele se dignou a vir à Terra e morrer por nossos pecados. Para manter o temor reverente a Deus, dedique tempo à oração com Ele, leia Sua Palavra e reúna-se em comunhão com outros crentes que também tenham esse temor reverente a Deus.
P: Em Jo 2,20, por que disseram que o templo levou 46 anos para ser construído, se isso não aconteceu?
R: Primeiro, duas coisas que não são a resposta; depois, a resposta.
Não é a resposta: O segundo templo, cuja construção teve início quando os judeus retornaram à sua terra em 538 a.C., não levou 46 anos para ser construído, embora a construção não tenha sido contínua. Ele foi concluído em 12 de março de 516 a.C., de acordo com Esdras 6:15. Veja também Ageu 1:14-2:3. Isso totalizaria 23 anos, e não 46.
Não é a resposta: A Bíblia não diz que o templo levou 46 anos para ser construído, apenas que os judeus afirmaram que levou 46 anos para ser construído. Os judeus poderiam estar equivocados e a Bíblia poderia estar simplesmente registrando o que eles disseram. Embora isso possa, potencialmente, ser verdade, há uma explicação muito mais simples: os judeus estavam corretos.
A resposta: O rei Herodes, o Grande, iniciou a restauração do templo em 19 a.C., e ela só foi concluída em 63 d.C. 19 a.C. mais 46 anos — lembrando que o período de 1 a.C. a 1 d.C. corresponde a 1 ano — resultaria em cerca de 27 d.C., conforme afirma o Guia de Asimov para a Bíblia, p. 449.977.
P: Em Jo 2,20, por que o senhor acha que Jesus chegou a mencionar o templo neste contexto?
R: Os judeus pediram a Jesus um sinal milagroso. Jesus poderia ter dito que não lhes daria um sinal, ou poderia ter mencionado o milagre da transformação da água em vinho que acabara de realizar. Jesus também poderia ter se referido a um sinal futuro.
Jesus poderia ter mencionado diretamente o maior sinal de todos: que Ele ressuscitaria dentre os mortos. Mas, em vez disso, Jesus mencionou indiretamente Sua ressurreição ao dizer “destruam este templo…”. Por fim, Jesus poderia ter se referido à Sua ressurreição indiretamente, como fez, mas usando outra metáfora em vez do templo.
Muitos dos judeus estavam totalmente focados no Templo, e não em Deus. Além disso, eles próprios provavelmente não percebiam isso. Jesus era muito mais importante do que o templo em Jerusalém; por isso, a resposta de Jesus provavelmente foi vista de forma mais negativa por eles do que se Ele tivesse simplesmente usado outra metáfora.
Jesus abordou o assunto que eles consideravam mais importante. Ele estava dizendo que aquilo não era normal; que isso precisava mudar. Às vezes, podemos estar tão focados em algo que é importante que perdemos completamente de vista o que é realmente mais importante. Como disse um pastor: “Não deixe que fazer coisas boas o impeça de fazer as melhores coisas”.
P: Em João 2, Jesus purificou o templo no início de Seu ministério, ou na última semana, conforme Marcos 11?
R: Houve duas purificações; certamente Jesus não teria purificado o templo uma vez e, ao voltar três anos depois, passado em silêncio. A primeira vez foi acompanhada de sinais e maravilhas, de modo que teria sido difícil prender Jesus sem despertar a indignação do povo. Mesmo na segunda vez, as autoridades não prenderiam Jesus — a menos que pudessem encontrá-Lo afastado da multidão, como à noite.
Consulte John Warwick Montgomery para obter essencialmente a mesma resposta em “Contradições cronológicas nos Evangelhos?”, em www.Christian NewsMo.com, p. 20-21.
P: Em João 3:1-21, o que aconteceu com Nicodemos?
R: Posteriormente, João 7,50-51 relata que Nicodemos repreendeu o Sinédrio por condenar Jesus sem antes ouvi-lo. Isso demonstra tanto que Nicodemos fazia parte desse corpo de elite composto por 70 homens, quanto que ele ainda apoiava Jesus. João 19,39 afirma que, após a morte de Jesus, Nicodemos ajudou José de Arimatéia a colocar o corpo de Jesus no túmulo. Na história da Igreja pré-nicena, o *Diatessaron* de Tatiano, Tertuliano e Orígenes mencionam Nicodemos, mas não acrescentam nada além do que consta nos evangelhos. Após Nicéia, Atanásio e João Crisóstomo discutem Nicodemos, mas não acrescentam nada além do que os evangelhos já apresentam. Nicodemos talvez já fosse um homem mais velho quando conheceu Jesus.
P: Em Jo 3, como Jo 2,1-12 contrasta com Jo 2,13-3,21?
R: Na Galiléia, Jesus encontrou pessoas que queriam acreditar e que acreditavam. Em Jerusalém, Jesus encontrou os cambistas que não queriam acreditar. Em seguida, Jesus encontrou Nicodemos, alguém que queria acreditar, mas ainda não conseguia compreender. Na Galiléia, onde acreditavam, Jesus preservou a cerimônia de casamento e transformou o trabalho deles. Em Jerusalém, Jesus causou perturbação, tanto nas finanças do templo quanto no ensino rabínico.
P: Em Jo 3,1-18, Nicodemos procurou Jesus à noite; seja porque temia ser visto durante o dia, seja porque não tinha outro horário disponível. De que maneiras estamos ocupados demais ou com medo demais para nos aproximarmos de Jesus quando deveríamos?
R: A maioria dos cristãos interpreta a visita noturna de Nicodemos como resultado de que, sendo um rabino respeitado em sua posição, ele não queria ser visto indo até Jesus. Alguns afirmam que talvez houvesse um motivo diferente: Nicodemos estava muito ocupado durante o dia. Lembre-se de que ser rabino, embora fosse uma posição honrosa, não era remunerado; portanto, os rabinos também tinham empregos regulares. Mas, de qualquer forma, Nicodemos não veio em um horário normal . Às vezes, também não queremos nos aproximar de Jesus ou fazer a Sua vontade no horário normal, por estarmos muito ocupados ou com muito medo. Mas, pelo menos, Nicodemos ainda assim veio. E se uma pessoa vem para seguir a Cristo tarde, ou com medo, pelo menos ainda assim vem.
Em Mateus 21:28-32, Jesus contou uma parábola sobre um pai que pediu a seus dois filhos que trabalhassem no campo. O primeiro disse que não, mas acabou fazendo. O segundo disse que sim, mas não foi. Jesus disse que o primeiro cumpriu a vontade do pai. A obediência é melhor quando é imediata, alegre e completa, mas mesmo uma obediência tardia ainda é melhor do que nenhuma obediência.
Da mesma forma, talvez tenhamos dito a Deus “Estou muito ocupado”, “Estou com muito medo” ou simplesmente “não” em nossa vida. Isso é triste, e talvez você nunca venha a saber o que perdeu. Mas ainda não é tarde demais. Assim como o primeiro filho em Mateus 21:28-32, você ainda pode dizer “sim” agora e ir. Deus ainda aceitará a sua obediência, apesar de sua hesitação ou desobediência no passado.
P: Em João 3:3, o grego diz “nascer de novo” ou “nascer do alto”?
R: A palavra grega anothen pode significar ambas as coisas, de acordo com *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 281, e *Hard Sayings of the Bible*, p. 495.
P: Em Jo 3,1-21, Bart Ehrman menciona que, na conversa com Nicodemos, Jesus usa um duplo sentido grego (jogo de palavras): “do alto” e “pela segunda vez” seriam diferentes em aramaico. Ehrman não acredita que Jesus pudesse falar grego.
R: Ehrman é americano, e os americanos tendem a ter menos falantes bilíngues do que as culturas europeias e outras. Nazaré, onde Jesus foi criado, ficava a apenas 15 a 20 milhas de povos não judeus que falavam grego, a oeste, norte ou leste. As moedas da Galiléia costumavam ter inscrições em grego. A leste da Galiléia havia uma região chamada “Decápolis”, que em grego significa “dez cidades”.
Em Atos 9:36, Tabita (em hebraico) também era chamada de Dorcas (em grego), ambos os nomes significando “gazela”.
Nicodemos deriva de “nike” e “demos”. Isso NÃO significa um eleitor não republicano que usa tênis esportivos! Trata-se, na verdade, de um nome grego que significa “vencedor do povo”. Suponha agora, a título de argumento, que alguém com um nome grego tradicional, conversando com alguém de uma pequena região cercada por três lados por pessoas que falavam grego, decidisse conversar em aramaico, ou hebraico, ou mesmo em alguma outra língua além do grego. Suponha agora que, embora ambos tivessem conhecimento do grego, o senhor realmente acredita que não haveria a menor possibilidade de eles proferirem uma única frase ou expressão nessa língua?
Por outro lado, mesmo que o significado original fosse “nascer de novo” em aramaico e não um duplo sentido com “nascer do alto”, a passagem ainda faria todo o sentido se não houvesse esse duplo sentido.
P: Em Jo 3,3, Jesus estava ensinando a reencarnação quando mencionou o nascimento de novo?
R: Não. Ele estava ensinando um “segundo” nascimento, não centenas ou milhares de nascimentos múltiplos. Jesus estava ensinando um nascimento pelo Espírito, não um nascimento físico. A reencarnação contradiria o fato de que o homem morre apenas uma vez, conforme Hebreus 9:25-28, e não faria sentido para pessoas que são enviadas para o céu ou para o inferno após sua única morte. Consulte a discussão aprofundada sobre Hebreus 9:25-28 para obter mais informações.
P: Em João 3:5, apenas uma pequena “classe ungida” de 144.000 é nascida de novo e vive para sempre no céu, como ensinam as Testemunhas de Jeová (Revista A Sentinela, 15 de fevereiro de 1986, p. 14)?
R: Não. Primeiro, o que as Testemunhas de Jeová ensinam; em seguida, por que parte de seu ensinamento é tão perigosa.
As Testemunhas de Jeová ensinam que aquelas Testemunhas de Jeová que não fazem parte dos 144.000 viverão para sempre, mas será no paraíso na Terra, não no céu.
No entanto, Romanos 8:9 diz: “Vocês, porém, não são controlados pela carne, mas pelo Espírito, se o Espírito de Deus habita em vocês. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse não pertence a Cristo. Mas, se Cristo está em vocês, o seu corpo está morto por causa do pecado, mas o seu espírito está vivo por causa da justiça”. Portanto, se Cristo não está em vocês, vocês não pertencem a Cristo. 1 João 5:12 e 1 Pedro 1:23 apresentam ensinamentos semelhantes.
P: Em João 3:3-21, o senhor poderia explicar a diferença entre criar e recriar, nascer e renascer, ser feito e ser renovado?
R: O prefixo “re-” significa simplesmente “novamente”. Há três aspectos em sua pergunta.
Passado: Todos nós, tanto crentes quanto incrédulos, fomos criados por Deus, à imagem de Deus. Tudo o que existe foi criado por Deus Pai por meio de Jesus Cristo. Não há nada nem ninguém que não tenha sido criado, exceto que o Pai, o Filho e o Espírito Santo nunca foram criados, mas sempre existiram como Deus na Trindade.
Presente: Mas fomos criados em estado de queda, com uma natureza pecaminosa e fora da redenção de Deus. Precisamos ser “recriados” ou “nascidos de novo”, não do ventre de nossa mãe, mas por meio do renascimento espiritual pelo Espírito Santo (João 3:3-21). Isso ocorre quando depositamos nossa fé em Jesus.
Futuro: Quando a humanidade caiu e perdeu o domínio sobre a terra, a própria criação foi submetida à corrupção (Romanos 8:20-21). Deus purificará tudo com fogo (2 Pedro 3:10) e criará novos céus e nova terra (Apocalipse 21).
P: Em João 3:3-8, o que significa nascer de novo?
R: Billy Graham escreveu um livro inteiro sobre esse assunto, intitulado “Como Nascer de Novo”. Em uma frase, porém, “nascer de novo” é o que Deus faz por você por meio do Espírito Santo quando você deposita sua fé Nele. Isso significa
1. Acreditar no Único e Verdadeiro Deus, que Ele é o Criador de tudo, e reconhecer Sua autoridade sobre você. Acreditar que Ele revelou Sua verdade a nós em Sua Palavra, a Bíblia.
2. Confessar que você está separado de Deus por causa do pecado e que é incapaz de se reconciliar com Ele. O problema não é apenas as ações externas que praticamos ou deixamos de praticar, mas também quem somos por dentro.
3. Confie no verdadeiro Cristo. Quando era impossível para pecadores como nós nos aproximarmos de Deus, Deus tornou isso possível ao enviar Jesus Cristo à Terra em carne, nascido da Virgem Maria, para viver uma vida sem pecado. Ele morreu na cruz, com Seu corpo e Seu sangue servindo como sacrifício expiatório por nossos pecados. Ele ressuscitou corporalmente no terceiro dia e ascendeu ao Céu.
4. Clame a Deus. Todos os que invocarem o Senhor serão salvos, e se o senhor se arrepender de seus pecados e pedir a Jesus para ser o Senhor e Salvador de sua vida, o senhor será salvo. Ele lhe dará uma nova vida e iniciará o processo de torná-lo mais semelhante a Cristo. Após sua morte, o senhor irá para o Céu e estará com Deus para sempre.
P: Em Jo 3,5, é impossível ir para o Céu a menos que se tenha o Espírito Santo?
R: Não, Jesus, na verdade, não disse isso. Jesus disse que, a menos que alguém nasça da água e do Espírito, não poderá entrar no reino de Deus.
O Reino de Deus e o Céu não são a mesma coisa. O Céu é para onde os crentes vão quando morrem. O Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 991, afirma que muitos ensinam que o reino de Deus se refere ao governo espiritual de Cristo no coração daqueles que são salvos. O Dicionário Internacional da Bíblia, p. 568, afirma que, em geral, a palavra “reino” pode ser: a) o território sobre o qual o rei reina; b) o povo sobre o qual o rei reina; ou c) o próprio reinado em si. O Novo Dicionário Internacional da Bíblia (1962, IVP) afirma que o reino de Deus possui aspectos tanto presentes quanto futuros. Portanto, claramente, o reino de Deus é mais abrangente do que o Céu, pois inclui aspectos terrenos presentes. O Céu pode ser mais abrangente do que o reino de Deus, pois é possível que bebês e outras pessoas não ingressem no reino de Deus até que cheguem ao Céu.
As crianças não possuem o Espírito Santo; no entanto, é consenso geral que nada na Bíblia afirma que elas não possam ir para o Céu.
A maioria dos crentes do Antigo Testamento não possuía o Espírito Santo, mas não lhes foi permanentemente negado o acesso ao Céu.
Não se poderia dizer que nenhum desses grupos vivesse na Terra como parte do reino de Deus (com Cristo reinando), mas eles ainda assim podem estar no Céu.
Em resumo, o Espírito é necessário para que alguém na Terra faça parte do reino de Deus. No entanto, “as mãos de Deus não estão atadas” no que diz respeito aos santos do Antigo Testamento, aos bebês, às pessoas com deficiência mental grave e àqueles que não tiveram a oportunidade de ouvir o Evangelho.
P: Em Jo 3,5, muito resumidamente, o que significa a água neste contexto?
R: Cinco pontos a serem considerados na resposta.
1. O grego pode significar “água e Espírito” ou “água, até mesmo o Espírito”. Assim, isso poderia significar “água, simbolizando o Espírito”; o Novo Testamento Grego de Aland et al. (3ª edição, 1975) afirma que kai significa “e, também, mas, até mesmo; isto é, a saber”; a tradução expandida de Kenneth S. Wuest também utiliza a palavra “até mesmo”.
2. A água que acompanha o nascimento físico é o que alguns, a começar por Agostinho, têm pensado. No entanto, Jesus parece estar se referindo a apenas um nascimento, não a dois; essa metáfora está ausente no restante da Bíblia e na cultura judaica até essa época. Não temos conhecimento de nenhum dos primeiros cristãos de língua grega que tenha interpretado o versículo dessa maneira.
3. Outros afirmam que “água” significa a palavra de Deus (com base principalmente em Efésios 5:26). O único mérito dessa visão é que ela evita quaisquer problemas ao afirmar que o batismo com água é essencial. Isso significa que Nicodemos e os fariseus estavam parcialmente nascidos de novo, por conhecerem a palavra de Deus no Antigo Testamento? — É claro que não. Essa interpretação também abre as portas para o erro chamado ultradispensacionalismo, segundo o qual o batismo com água não deve ser praticado hoje. Além disso, não se conhece nenhum cristão de língua grega que tenha entendido João 3:5 dessa maneira, e isso implicaria que Jesus repreendesse Nicodemos por não compreender um Novo Testamento que ainda não havia sido escrito.
4. A aplicação ao batismo é o que os escritores da Igreja primitiva ensinaram unanimemente, embora significados complementares não fossem excluídos. As numerosas bacias de ablução no Templo existiam para que as pessoas pudessem obedecer às regras do Antigo Testamento relativas às abluções. O poderoso ministério de João Batista não tinha sentido? - Somente nas mentes fechadas de alguns fariseus. Era de se esperar que Jesus repreendesse Nicodemos, o mestre, por não compreender o arrependimento, a necessidade de purificação e a purificação interior exigida representada pelo batismo, antes que uma pessoa pudesse ser aceita como parte do reino de Deus.
5. O reino de Deus não é o Céu, pois inclui aquilo de que os crentes podem fazer parte enquanto vivem na Terra. O batismo com água é uma parte importante da adesão à Igreja de Deus na Terra hoje. No entanto, bebês, santos do Antigo Testamento, pessoas com grave deficiência mental e, possivelmente, outros devem se alegrar pelo fato de ser Deus quem envia as pessoas ao Céu, e não a água do batismo.
P: Em Jo 3,5, o que é a água mencionada aqui?
R: Todos concordam que o espírito é o Espírito Santo, que está envolvido no novo nascimento, mas os cristãos genuínos têm diversas visões sobre a água. A seguir, estão listados alguns fatos relevantes para determinar a interpretação correta, bem como as diversas visões sobre a água, os prós e os contras, e quem defende essas visões.
Fatos relevantes:
O grego indica apenas um nascimento, da água e do Espírito, e não dois. A palavra grega para “e”, kai, pode significar “e” ou “até mesmo/ou seja”. A obra de Wuest, *O Novo Testamento: Uma Tradução Expandida*, afirma: “quem não nascer da água como fonte, nem do Espírito como fonte, não pode entrar no reino de Deus”.
Nenhuma imagem da água relacionada ao nascimento físico era utilizada pelos judeus até séculos depois de Jesus.
Em Jerusalém, onde eles falavam, o Templo possuía muitos locais para a purificação ritual, chamados mikvás.
João Batista estava causando bastante agitação nessa época, com sua pregação do batismo para o arrependimento.
O batismo era anterior a João Batista, pois os convertidos ao judaísmo eram batizados. Assim, o batismo simbolizava arrependimento, purificação e conversão. De acordo com o *Wycliffe Bible Dictionary*, p. 441, a seita judaica de Qumran também praticava o batismo por imersão.
Nicodemos já conhecia toda a Palavra de Deus naquela época, uma vez que o Novo Testamento ainda não havia sido escrito.
Todos os fariseus, ao verem as mikvot, deveriam ser lembrados dos muitos mandamentos relativos à lavagem ritual no Antigo Testamento e da água para purificação em Ezequiel 36:25-27.
Todos os escritos da Igreja primitiva de que dispomos e que mencionam João 3:5, até cerca de 400 d.C., interpretam unanimemente João 3:5 como uma referência à purificação por meio do batismo.
Tito 3:5 apresenta uma formulação muito semelhante à de João 3:5, dizendo “banho de renascimento e renovação do/pelo Espírito Santo”
O reino de Deus é o que Jesus está se referindo aqui, não o Céu nem a salvação. Consulte a pergunta anterior para uma discussão sobre esse assunto.
RESPOSTAS DIVERSAS:
1. Nascimento físico.
Assim como o líquido amniótico do ventre materno está presente no nascimento, o Espírito Santo está presente no segundo nascimento. Nicodemos perguntou sobre nascer uma segunda vez no ventre de sua mãe, e Jesus utilizou essa tautologia para conduzir os pensamentos e es de Nicodemos da água materna do primeiro nascimento para a água espiritual/batismal do segundo nascimento.
No entanto, os judeus nunca utilizaram a água como imagem para o nascimento até, pelo menos, séculos depois de Jesus. Além disso, isso seria uma tautologia; e instruir uma pessoa de que ela precisa nascer como pessoa não é particularmente útil.
Além disso, a gramática grega indica que a água e o espírito não são duas coisas distintas, mas uma só, de acordo com a Nova Bíblia de Estudo de Genebra, p. 1665, e com o livro “Hard Sayings of the Bible”, p. 495.
No entanto, não se deve dar demasiada importância à gramática grega, pois Jesus provavelmente falou com Nicodemos em aramaico ou hebraico, e não em grego.
Essa interpretação, combinada com a visão sobre o batismo, foi defendida pela primeira vez por Agostinho de Hipona em seu sermão sobre João 2:23-3:5 (c. 400 d.C.). (Agostinho falava latim e afirmou em suas “Confissões” que não gostava do grego, o que o impediu de aprofundar-se excessivamente nesse idioma.) A interpretação de que se trata de um nascimento físico é também a visão de Ron Rhodes, em *The Complete Book of Bible Answers* (p. 211), e de Warren Wiersbe, em *Nelson’s Quick Reference* (p. 390).
2. A água simboliza a palavra de Deus.
O Salmo 119:9 menciona que um jovem pode manter puro o seu caminho vivendo de acordo com a palavra de Deus (embora não haja menção à água neste versículo)
Efésios 5:26 diz que Cristo purificou a igreja com o banho de água por meio da palavra.
Em João 15:3, Jesus diz que eles estão puros por meio da palavra que Jesus lhes falou. (embora não haja menção à água)
Tiago 1:18 diz que nascemos pela palavra. (sem menção à água)
1 Pedro 1:23 diz que nascemos de novo, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus. (sem menção à água)
No entanto, exatamente como Jesus explicou a Nicodemos que ele deveria “nascer da palavra”? Lembre-se de que Efésios, João 15:3 e 1 Pedro 1:23 não eram relevantes para Nicodemos, pois o Novo Testamento ainda não havia sido escrito. Nicodemos já conhecia todas as Escrituras de Deus que existiam. Isso significa que Jesus estava dizendo a Nicodemos que ele já estava na metade do caminho porque conhecia o Antigo Testamento? A ideia de que Jesus estivesse elogiando Nicodemos por seu entendimento está longe de ser o significado deste versículo.
Em contrapartida, Jesus expressou surpresa pelo fato de Nicodemos, um mestre de Israel, não compreender. Ao contrário dos saduceus, Nicodemos e os fariseus nunca foram acusados de desconhecer a palavra de Deus. Quando Jesus se referiu à água, Ele estava falando sobre algo que Nicodemos, como mestre judeu da Lei, já deveria saber. Sobre o que Jesus estava repreendendo Nicodemos? Cerca de 200 anos antes de Cristo, os judeus, sob a influência dos fariseus, haviam se desviado da compreensão da santidade, do amor e do relacionamento espiritual com Deus para um legalismo religioso. Um e a que tivesse estudado o Antigo Testamento deveria saber mais sobre o arrependimento e a purificação associados à lavagem ritual, bem como sobre o importante papel que o Espírito Santo teria, conforme afirmaram Joel e outros profetas.
Se é possível interpretar a palavra “água” de forma contrária ao seu significado literal, então por que os ultradispensacionalistas não podem interpretar as palavras “água” e “batismo” em outras passagens do Novo Testamento de forma contrária aos seus significados literais também? Consulte também a próxima pergunta para uma discussão mais aprofundada sobre este parágrafo.
Essa visão é defendida por *1001 Bible Questions Answered*, pp. 225–226, de James Boice, e pelo *Believer’s Bible Commentary*, p. 1478 (e p. 1948 para Efésios 5:26).
3. Purificação exterior por meio do batismo com água, indicando arrependimento e purificação interiores
Nicodemos estaria familiarizado com a metáfora do batismo com água para purificação, com base em Ezequiel 36:25-27, na Torá e em outras passagens. Consulte também as visões 3a. e 3b.
No entanto, dificilmente se poderia esperar que Nicodemos compreendesse plenamente o batismo cristão, uma vez que apenas as abluções do Antigo Testamento e o batismo de João haviam sido revelados. Jesus esperava que Nicodemos já fosse capaz de compreender isso. Portanto, afirmar que isso se refere apenas ao batismo cristão não pode estar correto.
No entanto, ao falar antecipando sua morte e a comunhão em João 6:51-56, Jesus não estava apenas antecipando o batismo cristão; eles já estavam muito familiarizados com o batismo para o arrependimento, graças a João.
Essa visão é defendida por:
João Crisóstomo (392-407 d.C.) Homilias sobre São João, Homilia 25, p. 87-90
Gregório Nazianzeno (330-391 d.C.) “Oração sobre o Santo Batismo”, cap. 8, p. 362
F.F. Bruce, em *Hard Sayings of the Bible*, pp. 495-496
Jamieson, Fausset, Brown
Comentário Bíblico de Harper.
3a. A água simboliza a regeneração batismal.
Os escritores da Igreja primitiva defendiam essa visão.
No entanto, o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 281, menciona que essa interpretação contradiz a salvação pela fé somente, conforme demonstram Efésios 2:8-9 e João 3:16.
Essa visão é defendida por
Justino Mártir (c. 150 d.C.), na Primeira Apologia, capítulo 61, p. 183
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) no fragmento 34, p. 574
Tertuliano (198-220 d.C.) em “Sobre o Batismo”, cap. 12
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) na Epístola 71, cap. 1, p. 378
Gregório Nazianzeno (330-391 d.C.), em “Discurso sobre o Santo Batismo”, capítulo 8, p. 362
Basílio da Capadócia (357-379 d.C.), em “Sobre o Espírito”, 15:35, p. 22
Ambrósio de Milão (378-381 d.C.) Sobre o Espírito Santo, livro 3, cap. 10, 63-64, p. 144
Constituições Apostólicas (375-380 d.C.), livro 6, seção 3, cap. 15, p. 456 (Trata-se de uma obra espúria, que possui uma data antiga. Entre outras coisas, ela também defende o batismo infantil.)
3b. O batismo com água é um sinal externo da purificação interior pelo Espírito.
A maioria dos intérpretes que nega o ponto 3 o faz exclusivamente com base no argumento de que o ponto 3a não está correto, sem examinar a alternativa do ponto 3b. João 3:5 não faz nada para mostrar o “mecanismo” de como o batismo com água se relaciona com o reino de Deus, apenas que ele se relaciona. Nosso batismo com água não nos salva mais do que nosso arrependimento, nosso amor, nossa fé ou nossa obediência a Deus nos salvam. No entanto, seria errado negar que todos os quatro estejam relacionados ao reino de Deus.
A conjunção grega “kai” é a palavra comum para “e”, mas também pode significar “até mesmo/ou seja”. Assim, embora provavelmente signifique “água e espírito”, poderia significar “água, ou seja, o espírito”.
Quando João Batista exortou o povo ao arrependimento, ninguém perguntou: “O que é essa coisa nova chamada batismo que o senhor está praticando?”. A razão é que o Templo em Jerusalém estava repleto de mikvot, que eram semelhantes às pias batismais para a purificação dos fiéis. O ouvinte imediato aqui era Nicodemos, e Lucas repreende os fariseus em Lucas 7:29-30 por rejeitarem os desígnios de Deus para si mesmos ao não se deixarem batizar por João.
No entanto, interpretar João 3:5 dessa maneira parece quase transformar o batismo (seja o batismo de João ou o batismo cristão) em um requisito para a salvação.
No entanto, o batismo de João visava a salvação, não era algo que trouxesse a salvação. Em Atos 2:38, Pedro disse que as pessoas precisavam se arrepender e ser batizadas, e assim receberiam o Espírito Santo. Hebreus 4:2 afirma que alguns não foram salvos porque não compartilhavam da fé (ou não a combinavam com a fé). Coisas como arrependimento, fé e obediência, incluindo a obediência no batismo nas águas, são evidências de que recebemos a salvação, e não aquilo que nos salva.
Essa visão é defendida por:
O Comentário Aplicado do Novo Testamento, p. 368
O Comentário de Matthew Henry afirma que “é provável que Cristo tivesse em mente a ordenança do batismo”.
4. A água simboliza a conversão.
Os convertidos ao judaísmo passavam por uma cerimônia de batismo. Jesus estava sugerindo que era necessário converter-se para experimentar o novo nascimento. Assim, Jesus estava dizendo “pela conversão e pelo Espírito”. Essa visão não impede que se acredite também em outras visões.
No entanto, embora os convertidos judeus fossem lavados, uma cena mais comum era a dos judeus se lavando para a purificação ritual. Esse ponto de vista talvez não seja tanto falso, mas sim uma visão muito restrita do ponto 3.
Essa visão é defendida por:
O Comentário Bíblico da IVP: Novo Testamento (1993), p. 270.
5. A água representa o ministério batismal de João Batista, e o Espírito, o ministério de Jesus.
Ninguém naquela época poderia pensar em “batismo” e “coisas novas” na mesma frase sem pensar no ministério de João Batista.
Essa visão é defendida por F.B. Meyer em O Evangelho de João, p. 64. O Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento, p. 281, apresenta cinco visões, mas recomenda apenas esta como tendo “o mérito da adequação histórica, bem como da aceitabilidade teológica”. A Bíblia de Aplicação Prática apresenta várias visões, uma das quais é o arrependimento que o ministério de João Batista simbolizava.
6. A água é uma imagem do derramamento do Espírito nos tempos do Antigo Testamento.
Jesus disse em João 7:38: “Quem crer em mim, como diz a Escritura: ‘Rios de água viva fluirão de dentro dele’. Ele falava do Espírito, que aqueles que cressem nele receberiam mais tarde. Pois o Espírito ainda não havia sido dado, porque Jesus ainda não havia sido glorificado.” A Nova Bíblia de Estudo de Genebra, p. 1676, afirma que, embora essa não seja uma citação exata de nenhuma passagem do Antigo Testamento, pode ser uma referência geral tanto a Isaías 44:3 quanto a Ezequiel 36:25-27. Tito 3:5 apresenta uma formulação muito semelhante à de João 3:5, dizendo “banho de renascimento e renovação do/pelo Espírito Santo”. Embora Atos tenha mostrado alguns casos especiais, a norma era que os cristãos fossem batizados com água literal e com o Espírito Santo.
No entanto, na Torá, a água é usada para abluções rituais, e não para o derramamento do Espírito. Além disso, o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1478, ressalta que, se a água representasse nada mais do que o ministério do Espírito, então o versículo pareceria dizer “a menos que alguém nasça do Espírito e do Espírito”, o que seria redundante.
1 João 5:8 fala da água, do Espírito e do sangue. Visto que o Espírito e o sangue são diferentes, a água também é diferente.
Essa visão é defendida pela “New Geneva Study Bible”, p. 1665.
A Companion Bible afirma que se trata de “água espiritual”, e não de água literal. O IVP Bible Commentary: New Testament afirma que o grego pode ser traduzido tanto como “água e o Espírito” quanto como “água, isto é, o Espírito”.
MINHA CONCLUSÃO:
1. não é particularmente convincente. Só faz sentido se o senhor minimizar a precisão do grego e considerar que Jesus estava dizendo a Nicodemos que era necessário nascer fisicamente.
2. baseia-se no fato de Jesus repreender Nicodemos por compreender uma passagem das Escrituras que ainda não havia sido escrita. Para alguns, essa visão é necessária devido à opinião de que, se “batismo” tiver de significar o erro da regeneração batismal, não pode ser considerado batismo.
3a. não é bíblica, pois Atos 10 mostra que as pessoas podiam ser salvas e receber o Espírito Santo antes do batismo com água.
3b, 4 e 5. podem ser interligados. Essa visão tem o mérito do significado literal, bem como da compreensão universal da igreja primitiva de língua grega.
6. não tem mérito, exceto como uma implicação secundária de 3b, 4 e 5.
Talvez devêssemos nos concentrar menos no “que isso significaria para mim” e observar “o que isso significaria para Nicodemos e os primeiros cristãos”. A resposta mais provável é uma combinação de 3b, 4 e 5. Embora as visões 2 e 6 envolvam simbolismo implícito, elas não seriam reconhecidas por Nicodemos como seu significado principal, nem foram reconhecidas por nenhum cristão de língua grega conhecido.
O livro *When Critics Ask*, p. 406, também discute algumas dessas visões, sem se comprometer com nenhuma em particular.
P: Em Jo 3,5, a “regeneração batismal” é verdadeira, ou seja, a crença de que o batismo com água é necessário para a salvação?
R: Não. Os gentios que foram cheios do Espírito Santo e falaram em línguas em Atos 10:44-48, antes de serem batizados com água, provavelmente não pensavam assim. Jesus, aparentemente, também não pensava assim quando falou ao ladrão à sua direita. Poder-se-ia argumentar que o ladrão na cruz ocorreu antes da ressurreição de Jesus, mas, então, as palavras de Jesus a Nicodemos também foram proferidas — e eram verdadeiras — antes da ressurreição de Jesus. É claro que tudo isso ocorreu antes do Espírito Santo no Pentecostes e da existência do batismo cristão; o batismo de João e as abluções do Antigo Testamento eram tudo o que eles conheciam.
No entanto, se uma interpretação de um versículo torna parte do versículo sem qualquer significado, então essa interpretação é, sem dúvida, incorreta. Portanto, qual é o significado das palavras de Jesus aqui?
A resposta está implícita em Lucas 7:29-30, onde se diz que os fariseus e os especialistas na Lei haviam rejeitado o propósito de Deus para si mesmos. A razão apresentada é que eles não haviam sido batizados por João. O batismo com água não é um ritual sem sentido nem algo meramente opcional, como o ensaio do coro, para demonstrar um amor especial a Deus. Se uma pessoa, com pleno conhecimento, rejeita o batismo com água e a verdade que ele representa, ela rejeitou a Deus. A menos que se arrependa, ela não irá para o Céu.
P: Em Jo 3,5, se alguém acreditasse no erro da regeneração batismal, isso seria uma heresia que leva à perdição da alma?
R: Não. Essa questão é importante, não para nos ensinar a verdade, mas para nos dar uma perspectiva sobre os tipos de erros pelos quais devemos ou não nos separar. Visto que devemos levar a sério o mandamento em Romanos 15:7, de que devemos aceitar-n , assim como Cristo nos aceitou, precisamos saber que tipos de erros as pessoas podem ter e ainda assim serem cristãos genuínos.
Os primeiros grupos campbellitas ensinavam a regeneração batismal, e a maioria dos grupos da Igreja de Cristo acredita na remissão batismal. Outras denominações protestantes não acreditam nisso. As igrejas católica, ortodoxa e anglicana têm ensinado uma espécie de regeneração batismal, embora muito diferente daquela da denominação da Igreja de Cristo. No entanto, se o senhor pensava que apenas hereges não salvos poderiam acreditar na regeneração batismal, então não deveria mais se referir a Justino Mártir, Irineu, Tertuliano, Basílio, Gregório Nazianzeno, Ambrósio de Milão, Agostinho, Próspero da Aquitânia, Cipriano e, provavelmente, Atanásio como cristãos. Eis o que eles disseram sobre João 3:5 e o batismo.
Justino Mártir, que escreveu por volta de 138-165 d.C. em sua Primeira Apologia, cap. 61, p. 183: “Então, nós os levamos até onde há água, e eles são regenerados da mesma maneira que nós mesmos fomos regenerados. Pois, em nome de Deus, Pai e Senhor do universo, e de nosso Salvador Jesus Cristo, e do Espírito Santo, eles recebem então a ablução com água. Pois também Cristo disse: ‘A menos que nasçam de novo, não entrarão no reino dos céus… E para este [rito] aprendemos dos apóstolos esta razão’.”
Irineu, no fragmento 34, p. 574, disse: “Não foi à toa que Naamã, na antiguidade, quando sofria de lepra, foi purificado ao ser batizado, mas [isso serviu] como um sinal para nós. Pois, assim como somos leprosos no pecado, somos purificados, por meio da água sagrada e da invocação do Senhor, de nossas antigas transgressões; sendo espiritualmente regenerados como bebês recém-nascidos, assim como o Senhor declarou: ‘A menos que um homem nasça de novo pela água e pelo Espírito, não entrará no reino dos céus.’”
Tertuliano, em *Sobre o Batismo*, cap. 12, p. 674-675, “Quando, porém, é estabelecida a prescrição [verdadeira na visão de Tertuliano] de que ‘sem o batismo, ninguém alcança a salvação’ (principalmente com base naquela declaração do Senhor, que diz: ‘A menos que alguém nasça da água, não tem vida’), surgem imediatamente dúvidas escrupulosas, ou melhor, audaciosas, por parte de alguns, ‘como, de acordo com essa prescrição, a salvação é alcançável pelos apóstolos, os quais — com exceção de Paulo — não encontramos batizados no Senhor? … E agora, na medida do possível, responderei àqueles que afirmam “que os apóstolos não foram batizados”’.”
Cipriano, na Epístola 71, cap. 1, p. 378: “… a menos que recebam também o batismo da Igreja. Pois só então poderão, finalmente, ser plenamente santificados e tornar-se filhos de Deus, se nascerem de cada sacramento; visto que está escrito: ‘A menos que um homem nasça de novo da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus’”. (Ver também a Epístola 72, cap. 22, p. 385)
Gregório de Nanzianzo (330-391 d.C.) na Oração sobre o Santo Batismo, cap. 8, p. 362, “E, visto que somos compostos de duas partes — ou seja, de corpo e alma —, sendo uma parte visível, a outra invisível, também a purificação é dupla: pela água e pelo Espírito; uma recebida visivelmente no corpo, a outra atuando em conjunto com ele de forma invisível e à parte do corpo;… Pois, para resumir em uma única palavra, a virtude do Batismo deve ser entendida como uma aliança com Deus para uma segunda vida e uma conduta mais pura.”
Basílio da Capadócia (357-379 d.C.) Sobre o Espírito, capítulo 15:35, p. 22 “Daí decorre que a resposta à nossa pergunta sobre por que a água foi associada ao Espírito é clara: a razão é que, no batismo, dois objetivos foram propostos; por um lado, a destruição do corpo do pecado, para que ele nunca mais dê fruto para a morte; por outro lado, nossa vida segundo o Espírito e o fato de darmos fruto em santidade…”
Atanásio, um dos artífices do Credo Niceno, tinha uma visão elevada do batismo, embora não tenha comentado João 3,5 propriamente dito. Ainda não consegui apurar se ele acreditava ou não na regeneração batismal.
João Crisóstomo (392-407 d.C.) não mencionou a regeneração batismal, mas, a título de referência, eis o que ele disse em seu sermão sobre João 3,5. Homilias de João Crisóstomo sobre São João, Homilia 25, cap. 2, vol. 14, p. 89. “Qual é, então, a utilidade da água? Isso também lhes direi mais adiante, quando lhes revelar o mistério oculto. ... No batismo se cumprem as promessas de nossa aliança com Deus: sepultamento e morte, ressurreição e vida; e tudo isso ocorre de uma só vez.”
Ambrósio de Milão (378-381 d.C.), em *Sobre o Espírito Santo*, livro 3, cap. 10.64, p. 144, comentou sobre João 3:5: “Quem é aquele que nasce do Espírito e se torna Espírito, senão aquele que é renovado no Espírito de sua mente? Este é certamente aquele que é regenerado pela água e pelo Espírito Santo, uma vez que recebemos a esperança da vida eterna por meio do lavatório da regeneração… Pois quem é aquele que é batizado com o Espírito Santo senão aquele que nasce de novo pela água e pelo Espírito Santo?”
Ambrósio também acreditava que o batismo possuía poder, na medida em que, para as crianças, o batismo lhes abre as portas do reino dos céus (Sobre Abraão 2:79)
Agostinho de Hipona também acreditava na eficácia do batismo. Ele acreditava no erro de que bebês batizados iam para o céu, e bebês não batizados iam para o inferno.
Próspero da Aquitânia também acreditava no mesmo erro, de que o batismo com água remove o pecado original e os pecados pessoais anteriores, tanto dos eleitos quanto dos réprobos. (Resposta aos Gálicos, Artigos 2 e 3).
Como observação final, o erro oposto — de que os cristãos não deveriam praticar o batismo com água — faz parte do erro denominado “ultra-dispensacionalismo”. Para uma discussão mais aprofundada sobre o assunto, consulte as três perguntas relacionadas a 1 Coríntios 1:17.
P: Visto que João 3:13 parece afirmar que ninguém jamais ascendeu ao céu, o que dizer de Elias e Enoque, etc.? Ou o que dizer de todos os santos do Antigo Testamento? Onde estavam eles, se não no céu? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou essa questão.)
R: Embora Elias tenha sido levado para o céu, ninguém por conta própria ascendeu da Terra ao céu propriamente dito, até que Jesus o fez. Primeiro, observemos o que a Bíblia revela sobre Elias e Enoque e, em seguida, sobre os crentes do Antigo Testamento em geral.
Elias e Enoque: Gênesis 5:24 diz que Enoque andava com Deus e, então, Deus o levou. Não diz exatamente para onde Deus levou Enoque, embora eu tenha certeza de que Enoque ficou muito feliz por estar lá. 2 Reis 2:1,11 diz que Elias foi levado ao céu. A palavra hebraica para “céu” aqui, shameh (Strong 8064), significa tanto “céu” quanto “firmamento”. Por exemplo, ela é usada para significar “céu” em Gênesis 15:5; Gênesis 26:4 (onde estão as estrelas); Gênesis 16:4; 1 Reis 18:45 (de onde vem a chuva). Mas sabemos que Elias deixou este mundo para estar com Deus.
O Comentário Bíblico do Crente, p. 1479, menciona que a Bíblia não diz que Elias e Enoque ascenderam [por seu próprio poder] ao céu; ao contrário, eles foram levados para o céu.
Os crentes antes de Cristo: Todas as pessoas iam para o Seol, que é traduzido como “a sepultura”. No entanto, os judeus distinguiam entre duas partes: a prisão e o paraíso. Quando Jesus estava morrendo na cruz, Ele não disse ao ladrão à direita: “hoje você estará comigo no céu”. Em vez disso, Ele disse: “hoje você estará comigo no Paraíso”. Esse é o mesmo lugar mencionado em Lucas 16:22-26, ao lado de Abraão. Quando Jesus ressuscitou dos mortos, o Paraíso ficou vazio, e Jesus levou todos eles para o Céu com Ele.
Conclusão: Embora Moisés e os crentes do Antigo Testamento estivessem no Paraíso antes da vinda de Jesus, e Elias tenha sido até mesmo levado para o céu em uma carruagem de fogo, ninguém por conta própria ascendeu da Terra, e ninguém havia ascendido ao céu propriamente dito até que Jesus o fizesse.
P: Compare Jo 3,13 (“E ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu, o Filho do homem...”) com 2 Reis 2,11 (“... e Elias subiu ao céu num redemoinho”). Jesus cometeu um erro, uma vez que 2 Reis 2,11 mostra que Elias subiu antes?
R: A ascensão de Jesus ao céu foi fundamentalmente diferente do turbilhão e das carruagens de Elias de duas maneiras.
1) Um ponto secundário é que a palavra grega em João 3:13 (anabebeken, uma forma de anabaino) significa levantar-se, subir, erguer-se, etc. Jesus ascendeu por Si mesmo, enquanto Elias foi levado por um redemoinho.
2) Mais importante ainda, os crentes antes da ressurreição de Cristo não foram para o mesmo lugar de que Jesus estava falando. Quando Jesus estava na cruz, Ele não disse que o ladrão à sua direita veria Jesus hoje no céu; ao contrário, o ladrão estaria hoje com Jesus no paraíso. Em Lucas 16, Jesus falou do “seio de Abraão”, um lugar de descanso. Em Efésios 4:8, quando Jesus ressuscitou dentre os mortos, Ele abriu as portas do Céu, para que os santos do Antigo Testamento, vindos do Paraíso, fossem com Ele. Ninguém entrou no Céu sem Jesus ou antes de Jesus.
P: Em João 3:13 e João 6:38, 42, a descida de Cristo do céu é apenas um fato espiritual simbólico, e não um fato material, como ensinam os bahá’ís em *Algumas Perguntas Respondidas*, pp. 103-105?
R: Não. ‘Abdu’l-Bahá afirma isso porque João 3:13 e seguintes dizem: “… mas Aquele que desceu do céu, o próprio Filho do homem que está no céu”, na época em que Jesus estava na Terra. (p. 103).
Em primeiro lugar, essa última frase é uma variação manuscrita que não está presente nos manuscritos mais antigos, embora conste no Lecionário Bizantino posterior. É estranho basear uma doutrina em apenas uma variante.
Em segundo lugar, a natureza divina de Jesus ainda pode ser considerada tanto no céu quanto na Terra.
Por fim, e mais importante ainda, mesmo que o senhor aceite a variação do manuscrito, no mesmo versículo diz-se que Jesus desceu do céu. É trivial demonstrar, com base na Bíblia, que Jesus existia no céu antes da encarnação, e que esse mesmo Jesus “desceu” é um fato concreto.
P: Em Jo 3,14, como a serpente de bronze no deserto se relacionava com Jesus?
R: Em Números 21:4-9, Deus castigou os israelitas por seus pecados, fazendo com que fossem mordidos por cobras venenosas. No entanto, Deus providenciou um meio para a cura deles. Deus instruiu-os a fazer uma imagem de bronze semelhante às cobras que os haviam mordido. Quando olhassem para a serpente de bronze, viveriam.
O fato de Deus ter estabelecido essa analogia parece especialmente pertinente neste contexto. Nós sofremos a culpa e as consequências de nossos pecados. Jesus, que era sem pecado, tomou sobre Si o castigo por nossos pecados. Quando olhamos para Jesus, viveremos.
P: Em Jo 3,15; 10,28; 17,3, a palavra grega para “eterno”, aionion, significa apenas “até o fim dos tempos”?
R: Embora essa palavra, em seu sentido literal, signifique “até o fim dos tempos”, ela também significa eterno, pois se refere à glória e ao ser de Deus. Essa é a única palavra que os gregos tinham à disposição para expressar o conceito de eterno.
P: Em Jo 3,16, Deus ama as pessoas que não são salvas, ou Ele as odeia?
R: Deus as ama. No entanto, para fazer uma analogia um tanto grosseira: quando um bebê está com febre, é contagioso e está prestes a vomitar em você, o senhor terá prazer em segurar seu bebê fofo e adorável no futuro, mas talvez não neste exato momento.
Deus pode odiar o pecado e, ao mesmo tempo, ser compassivo para com todos. No entanto, Deus sabe que os eleitos podem esperar ansiosamente pela eternidade com Ele, enquanto os não eleitos não podem.
P: Em Jo 3,16, é contraditório que a morte de Cristo seja ao mesmo tempo um sacrifício e um evento cósmico? (Rudolph Bultmann ensinava isso)
R: Não. Imagine, por um momento, que uma formiga minúscula recebesse de repente o corpo, parte da inteligência, mas apenas um pouco do conhecimento de um ser humano. Ou a formiga perceberia que existem situações e coisas além de sua compreensão anterior, ou então veria contradições por toda parte. Por exemplo, como um besouro poderia comer uma pessoa sem prejudicá-la? E que diferença faz que o “besouro” tenha sido fabricado pela Volkswagen? Como insetos poderiam viver dentro de um software de computador? — e assim por diante. Se o senhor afirma que algo é uma contradição, é claro que precisa ter uma base para justificar por que se trata de uma contradição. O que é difícil para Bultmann (ou qualquer outro não crente) demonstrar é que as suposições e os requisitos que aplicamos em nossa época à vida cotidiana na Terra se aplicam a um Deus atemporal e infinito que preenche os Céus.
Muitas pessoas têm ídolos que são simplesmente estátuas rudimentares. Alguns “teólogos” modernos têm um ídolo mais sofisticado, que vive inteiramente dentro de sua própria mente. Quando as pessoas inventam restrições a Deus, em vez de acreditar no que Deus revelou sobre Si mesmo na Bíblia, a idolatria é uma descrição adequada do deus que estão descrevendo.
P: Em Jo 3,16, Deus ama todas as pessoas do mundo ou apenas aquelas que irão para o Céu?
R: Os cristãos genuínos divergem quanto a isso. Na minha opinião, há três partes nessa resposta.
A todos: Deus tem amor e alguma misericórdia para com todos, como mostra o Salmo 145:9,13. Por mais maligna e vil que uma pessoa possa ser, Deus ainda assim a convida a crer em Seu Filho, a pedir perdão e purificação por seus pecados e a viver em santidade com Deus no Céu. Como servos de Deus, somos mensageiros enviados para transmitir essa mensagem a todos.
Os Eleitos: Deus demonstra amor especial por alguns, o que não demonstra por outros. Isso ocorre antes de eles serem salvos. Alguns exemplos são Jacó e Esaú em Romanos 9:10-12, os eleitos e os rejeitados em geral em Romanos 9:22-25, e os dois filhos de Davi e Bate-Sebá em 2 Samuel 12:15-25.
Crentes?: Deus ama mais um cristão depois que ele ou ela é salvo do que antes de ser salvo? Nenhuma passagem bíblica indica isso, nem como isso se relacionaria com um Deus atemporal.
P: Em João 3:16, visto que Jesus não é um ser criado, como Ele pode ser gerado por Deus? Os muçulmanos negam que Jesus seja gerado por Deus.
R: “Gerado” não significa “criado”, pois podemos criar muitas coisas, mas geramos filhos. Muitos muçulmanos têm uma leve semelhança em sua crença de que o Alcorão provém de Alá sem ter sido criado por Ele. Antes do início dos tempos, Jesus, que também é chamado de Verbo de Deus, provém de Deus Pai. Assim, de maneiras diferentes, tanto os cristãos quanto muitos muçulmanos [não mu’tazilitas] afirmam que o Verbo de Deus provém de Deus, mas não foi criado.
P: Em João 3:16, por que as pessoas podem rejeitar Jesus e ir para o inferno?
R: Jesus disse que todos os que O rejeitam irão para o inferno, em João 3:36. Por que Deus nos deu essa responsabilidade, ao mesmo tempo impressionante e terrível, de escolher aceitar ou rejeitar Jesus, e ter nosso destino eterno determinado de acordo com essa escolha? A resposta pode estar relacionada ao valor que Deus nos atribui. Deus nos criou à Sua imagem, não como robôs. Ele valoriza tanto o nosso livre arbítrio que nos permite escolher nosso destino e viver com nossa escolha. Ele permitiu que Adão e Eva fizessem o mesmo, com as terríveis consequências para eles e seus descendentes. Talvez Deus pudesse ter voltado no tempo e “descriado” Adão e Eva, mas, por quaisquer que fossem as razões, Deus optou por não fazê-lo e deixou que as escolhas do homem prevalecessem.
P: Em Jo 3,18, todas as pessoas realmente nascem em um estado de condenação ou de afastamento?
R: Em um estado de afastamento, sim. Em um estado de condenação, não necessariamente. Embora Agostinho de Hipona e Próspero da Aquitânia ensinassem que todos os bebês que morrem antes do batismo vão automaticamente para o inferno, a Bíblia não diz isso, e poucos cristãos hoje acreditam nisso. As pessoas nascem sem o Espírito Santo dentro de si e, sim, todas nascem separadas de Deus. No entanto, nos tempos do Antigo Testamento, Deus podia escolher salvar pessoas que não possuíam o Espírito Santo, e nada impede Deus de salvar bebês hoje.
P: Em Jo 3,17; 8,15; 12,47, Jesus não veio para julgar o mundo, ou Ele julgará o mundo de acordo com Jo 5,22,27; 9,39?
R: Ambas as afirmações são verdadeiras.
Na primeira vez, Jesus não veio para julgar o mundo, mas sim como um cordeiro para salvá-lo, morrendo por nossos pecados. No entanto, um efeito da vinda de Jesus é que aqueles que O rejeitaram estarão sujeitos ao julgamento futuro.
Na Segunda Vinda, Jesus virá como um leão para julgar aqueles que O rejeitam. Os crentes estão protegidos pelo sangue de Cristo e não têm nada a temer do Julgamento do Grande Trono Branco. No entanto, os incrédulos devem temer muito o julgamento de Cristo sobre suas obras quando Ele voltar.
P: Em Jo 3,18, isso é justiça, o fato de nascermos em um estado de afastamento?
R: Deus é justo, mas isso não implica que tenhamos nascido em uma determinada condição. Consulte a discussão sobre Romanos 9:19-22 e Romanos 11:8,10 para obter a resposta.
P: Em João 3:25-26, por que o senhor acha que o homem que discutia perguntou a João sobre Jesus?
R: Não vemos nenhuma evidência de que o judeu tivesse seguido João, Jesus ou tivesse qualquer intenção de seguir qualquer um dos dois. Talvez ele considerasse o ensinamento de João errado e estivesse tentando apontar o que via como uma contradição entre o ensinamento de João e o de Jesus.
Mas, além disso, talvez o judeu quisesse semear discórdia entre João e Jesus. Se ele conseguisse usar o discípulo de João para fazer com que João e Jesus discordassem, ambos seriam desacreditados, já que João afirmava Jesus e Jesus afirmava João. Hoje, se alguém conseguir fazer com que cristãos se oponham publicamente uns aos outros, isso pode tender a desacreditar ambos aos olhos do mundo. Portanto, nunca menospreze outros cristãos, seja publicamente ou em particular. Tenha muito cuidado ao criticar outros cristãos, a menos que sejam cristãos envolvidos em erros ou pecados graves, ou que não sejam realmente cristãos.
P: Em Jo 3,27-30, por que João respondeu daquela maneira?
R: Quando o senhor é amigo da noiva ou do noivo em um casamento, o senhor deseja que o casal seja honrado; não que a honra recaia sobre o senhor. A missão de João era dar glória a Deus. Às vezes, isso significava falar com ousadia, o que aumentaria sua fama. Às vezes, significava se afastar para que Jesus pudesse ser seguido. João se sentia à vontade com ambas as situações.
P: Em Jo 3,27, como podemos aplicar hoje a ideia de que “um homem só pode receber o que lhe é dado do céu”?
R: Fique feliz com as bênçãos, os dons e as habilidades que Deus escolheu conceder a você. Não fique insatisfeito com todas as coisas que Deus não lhe concedeu. Mesmo quando os não crentes têm mais capacidade de ganhar dinheiro, melhor saúde, podem ser mais famosos etc., sinta-se contente por Deus ter lhe dado tudo o que você precisa.
P: Em Jo 3,32, uma vez que ninguém recebeu o testemunho de Cristo, como é que João Batista e outros aceitaram Cristo?
R: O versículo 32 é matizado pelo versículo 33. Nos textos modernos, costuma-se escrever: “Ninguém… Exceto…”. Os textos antigos são semelhantes, exceto que o “exceto” às vezes está implícito.
A afirmação de João aqui se relaciona com a declaração de Jesus em João 6:44, de que ninguém pode vir a Deus, a menos que o Pai o atraia. Sem a ajuda de Deus, as pessoas, deixadas à própria sorte, não desejam buscar a Deus, como diz Romanos 3:11.
P: Em Jo 3,34, visto que Deus é Espírito, como Jesus pode ser o Filho de Deus?
R: Os cristãos NÃO acreditam que Jesus fosse o Filho de Deus em um sentido físico ou sexual grosseiro. Em vez disso, esse termo é uma expressão de profundo significado sobre como Jesus é diferente de todo ser criado.
P: Em João 3:36, todos aqueles que não rejeitam Cristo irão para o Céu, ou é necessário realmente crer em Cristo?
R: Há dois pontos a serem considerados na resposta.
Todos os que rejeitam Jesus “morrerão em [seus] pecados”, segundo Jesus em João 8:24. João 3:36 também é muito claro: aqueles que rejeitam Jesus irão para o inferno. Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) foi um dos primeiros cristãos que também ensinou de forma semelhante, afirmando que todos os judeus que rejeitam Cristo vão para o inferno, conforme consta no capítulo 26 de *Diálogo com Trifão, o Judeu*.
Nunca se diz que todos os bebês que morrem vão para o inferno. É claro que os bebês não têm compreensão para aceitar Jesus; portanto, a menos que todos os bebês vão para o inferno, isso demonstra que Deus não está restrito a agir dentro dessa limitação. Veja também a próxima pergunta.
P: Em Jo 3,36, e quanto àqueles que nunca ouviram falar de Cristo? Um Deus justo os condena ao inferno sem qualquer chance de salvação?
R: Não. Deus é justo e imparcial, além de misericordioso. Deus afirma que não imputa pecado onde não há lei (Romanos 4,15; 5,12). Sabemos que Deus providenciará uma maneira de julgá-los com justiça. Excluindo o Purgatório, o Limbo e algumas posições calvinistas extremas, eis várias especulações sobre as formas pelas quais Deus poderia optar por fazê-lo.
Deus garante que todos os que pudessem aceitar o ouçam: as pessoas que rejeitam a Deus sofrem maior condenação, com base em maior conhecimento (ver 2 Pedro 2:21). A única esperança de uma pessoa é ouvir o Evangelho e aceitá-lo antes da morte, mas Deus garante que todos os que precisam ouvi-lo o façam.
Alguns ouvem o Evangelho e o aceitam após a morte:
Essa visão baseia-se na interpretação de três passagens bíblicas: 1 Pedro 3:19-20; 1 Pedro 4:5-6 e Efésios 4:8-10. 1 Pedro 3:19-20 afirma que, após a morte de Cristo, Ele pregou aos espíritos na prisão. “Prisão” não é um termo que descreva para onde os justos falecidos (como Abraão) foram antes de Cristo. Em vez disso, descreve ou o local para onde as almas humanas perdidas foram antes de Cristo, ou então onde outras almas (alguns demônios e/ou nefilim) se encontravam antes de Cristo. Em vez de simplesmente informá-los sobre o que aconteceu na Terra, essa visão afirma que Jesus pregou para que eles pudessem fazer a mesma escolha que teriam feito na Terra. Isso não significa que haja uma segunda chance após a morte; em vez disso, há uma primeira chance para aqueles que nunca tiveram uma oportunidade.
Alguns ouvem o Evangelho e o aceitam no milênio:
Essa resposta é muito semelhante à Visão da Salvação Pós-Morte. Se você colocar a pergunta “o que acontece com aqueles que nunca ouviram” ao lado de “por que Deus ressuscitará pessoas que não tomaram uma decisão a favor dele”, as duas perguntas parecem responder uma à outra.
Aqueles que buscam podem ser salvos por meio de Cristo:
Será que alguém hoje poderia ser salvo como Abraão e Jó? Eles buscaram o Criador em vez de uma criatura, perceberam sua necessidade de perdão, buscaram a misericórdia e a salvação de Deus e obedeceram ao que sabiam. Essa visão não afirma que todos vão para o Céu nem que há muitos caminhos para Deus. Ela afirma que, mesmo que você esteja em um caminho errado que não leva a Deus, Deus ainda pode honrar sua sinceridade se você estiver verdadeiramente buscando o Deus Verdadeiro e não tiver rejeitado a verdade disponível. Isso não se aplica àqueles que poderiam ter investigado a respeito de Cristo, mas nunca optaram por fazê-lo nem consideraram isso importante o suficiente.
Consulte também a discussão sobre João 6:45 para obter mais informações.
P: Em João 4:1-2, por que Jesus não batizou ninguém?
R: As Escrituras não dizem, mas podemos especular. No contexto de Efésios 2:20, o alicerce não é Jesus, mas os apóstolos e profetas, e Jesus é a pedra angular sobre a qual o alicerce se assenta. Se Jesus tivesse batizado muitas pessoas, algumas poderiam pensar que poderiam ignorar o alicerce. Espiritualmente, todos os cristãos genuínos são batizados com Cristo. No entanto, nossa fé repousa sobre o alicerce dos apóstolos e profetas. (É claro que se trata dos apóstolos do Novo Testamento, e não de imitadores modernos sem fundamento.)
P: Em João 4:1-2, Jesus chegou a batizar alguém?
R: A Escritura, na verdade, não diz. Temos apenas dois trechos no Novo Testamento em que se menciona se Jesus batizou ou não. João 3:22 diz que Jesus e Seus discípulos estavam no campo e batizavam, sem especificar quem estava realizando o batismo. João 4:1-2 esclarece que, embora os fariseus tivessem ouvido dizer que Jesus estava batizando, na verdade eram os discípulos que o seguiam que estavam realizando o batismo.
Talvez Jesus não tenha batizado pessoalmente ninguém porque não queria que alguém fosse tentado a pensar que era “melhor” na fé por ter sido batizado diretamente por Ele, em vez de por outra pessoa. Essa pode ser também a mesma razão pela qual Paulo deixava que outros batizassem em vez de ele próprio (exceto que ele batizou Crispo, Gaio e a família de Estéfanas). Outros podiam cuidar do batismo, mas Paulo deveria se encarregar da pregação (1 Coríntios 1:17).
P: Em Jo 4,4, Jesus realmente precisava passar por Samaria?
R: Samaria ficava na rota mais direta da Judéia à Galiléia, mas a maioria dos fariseus que se prezavam fazia questão de dar uma volta para contornar aquela região. Jesus não precisava seguir a rota mais direta, mas escolheu fazê-lo. É claro que, uma vez que Ele partiu pela rota mais direta, teve de passar por Samaria.
P: Em Jo 4,4, por que a mulher samaritana ficou surpresa ao ver que Cristo falava com ela?
R: Os judeus não se relacionavam com os samaritanos, porque os samaritanos
1. Acreditavam que o centro de adoração deveria ser o Monte Gerizim, em Samaria, e não Jerusalém.
2. Eram apenas mestiços e não tinham ascendência israelita pura. Como não eram judeus de verdade, os judeus não comiam com eles.
3. Não aceitavam nenhuma parte do Antigo Testamento, exceto os cinco primeiros livros.
4. Nutriam ressentimento contra os judeus.
Os samaritanos nutriam ressentimento pelos judeus porque
1. Neemias, Esdras e outros os excluíram da participação na construção do muro de Jerusalém e do culto em Jerusalém.
2. Os judeus nutriam ressentimento pelos samaritanos.
P: Em João 4:6, visto que Jesus se cansou e Deus não se cansa, conforme Salmos 121:4, isso significa que Jesus não era Deus?
R: Não, isso significa que Jesus voluntariamente renunciou a parte de Seu poder quando veio à Terra, conforme mostram Filipenses 2:6-7 e João 17:5. Jesus precisava ser humano como nós em todos os aspectos, de acordo com Hebreus 2:14-17. Salmos 121:4 foi escrito quando Jesus estava no céu. Na Terra, Jesus experimentou cansaço, sofreu, aprendeu a obediência e não sabia tudo, como, por exemplo, a data de Sua segunda vinda.
Eis o que afirmou o escritor cristão Hilário (355-367/368 d.C.): “As obras de Deus, portanto, estão além da compreensão de nossa natureza humana e não se encaixam em nosso processo racional de pensamento, pois a ação de uma eternidade ilimitada exige uma compreensão infinita para avaliar as coisas. Assim, não se trata de uma conclusão da razão, mas de uma limitação de poder quando Deus se fez homem, quando o Imortal morre, quando o Eterno é sepultado. Por outro lado, não depende de nossa maneira de pensar, mas da onipotência, que Ele se manifeste como Deus a partir de um homem, como imortal a partir de alguém que está morto e como eterno a partir de alguém que está sepultado. Por isso, somos revividos por Deus em Cristo por meio de sua morte.” (Sobre a Trindade, livro 1, cap. 13, p. 44)
P: Em Jo 4,9, como a mulher junto ao poço sabia que Jesus era judeu?
R: A Escritura não diz, mas há três razões possíveis:
1. Um viajante de passagem por Samaria provavelmente seria judeu.
2. Aparentemente, as pessoas da Galiléia tinham um sotaque característico (Mateus 26,73), que Jesus provavelmente possuía.
3. Talvez por suas vestes, embora a passagem bíblica não forneça nenhuma evidência disso.
P: Em Jo 4,14, visto que quem beber da água da vida eterna de Jesus nunca mais terá sede, por que alguns cristãos não vivem com satisfação, como deveriam?
R: Três pontos a serem considerados na resposta.
1. Os cristãos podem sempre estar satisfeitos e nunca “ter sede” nesta vida. No entanto, os cristãos que não permanecem em Cristo podem sentir-se insatisfeitos. Como diz um famoso hino cristão: “Oh, que paz muitas vezes perdemos, oh, que dor desnecessária suportamos, tudo porque não levamos tudo a Deus em oração.”
2. Pode-se debater se esse versículo inclui uma condição implícita de que o cristão opte por permanecer em Cristo ou não.
3. O ponto 2 é irrelevante para a veracidade deste versículo. Independentemente de como um cristão permanece em Cristo na Terra, este versículo é incondicionalmente verdadeiro para os crentes no Céu.
P: Em Jo 4,23, o que significa adorar a Deus “em espírito e em verdade”?
R: Jesus, neste contexto, estava contrastando isso tanto com a adoração samaritana quanto com a adoração do Antigo Testamento.
Adoração samaritana: Os samaritanos descendiam de uma mistura de israelitas e outros povos que viveram na terra após o exílio. A adoração samaritana baseava-se na tradição, incluindo o Monte Samaria como a montanha mais sagrada. Eles cometiam muitos erros, entre os quais o de não aceitar nada do Antigo Testamento, exceto a Torá. A obra anônima Contra Todas as Heresias, cap. 1, p. 649, afirma que Dositeu foi o primeiro a repudiar os profetas.
Culto judaico: Os judeus seguiam os rituais que Deus instituiu no Antigo Testamento, mas também não possuíam o Espírito Santo, que ainda não havia sido derramado. Embora os judeus possuíssem a verdade do Antigo Testamento, nem mesmo eles possuíam a verdade completa que Cristo veio revelar.
P: Em Jo 4,23, uma vez que devemos adorar a Deus Pai, isso significa que não devemos adorar Jesus, como afirmam as Testemunhas de Jeová (revista “A Sentinela”, 15 de fevereiro de 1983, p. 18)?
R: Não. O que Jesus diria? Jesus aceitou que Tomé O chamasse de Senhor e Deus em João 20:28. Jesus foi adorado pelos Magos em Mateus 2:11; no entanto, Jesus era um bebê e não tinha escolha quanto a isso. No entanto, já como adulto, Jesus foi adorado pelos discípulos (Mateus 14:33), pelo homem que antes era cego e que se tornou “ ” (João 9:38), pelas mulheres junto ao túmulo (Mateus 28:9), pelos anjos (Hebreus 1:6) e pelas hostes celestiais (Apocalipse 5:12)
P: Em Jo 4,24, visto que Deus é Espírito e Jesus é Deus, como é que Jesus poderia realmente ter um corpo físico? Será que Jesus apenas parecia ser um homem, como ensinava a heresia primitiva do docetismo?
R: Não. Jesus derramou lágrimas humanas reais no Jardim do Getsêmani. O sofrimento de Jesus na cruz foi real. O fato de Deus ser Espírito não impede que Cristo se encarne como homem, da mesma forma que o fato de sermos de carne e osso não nos impede de usar roupas. Embora não haja nenhuma analogia terrena que se encaixe perfeitamente na encarnação, talvez a analogia de um órgão artificial seja tão próxima (e tão distante) de uma analogia precisa quanto o ato de usar roupas.
P: Em Jo 4,26, seria impossível que Jesus pudesse proclamar que era o Messias por quase três anos sem ser preso (o cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 968, afirma isso)?
R: Mesmo sem recorrer à proteção de Deus, isso não é de forma alguma impossível. Jesus estava frequentemente cercado por multidões solidárias. Os romanos não se importavam com um Messias, desde que Ele não desafiasse a estrutura política. Ele realizava milagres, e os líderes cautelosos, embora há muito tempo desejassem que Ele desaparecesse, não queriam correr o risco de alienar o povo. Por fim, era difícil para os líderes judeus em Jerusalém estenderem sua influência até a cosmopolita Galiléia.
P: Em Jo 4,34, Jesus está dizendo que foi alimentado sobrenaturalmente neste local?
R: Provavelmente não. Em vez disso, sua missão e seu propósito estavam voltados para fazer a vontade de Deus. Nesse caso, conversar com a mulher samaritana pecadora era uma prioridade maior do que sua fome por sua refeição habitual. O senhor estaria disposto a deixar de fazer uma refeição para cumprir a vontade de Deus?
P: Em Jo 4,44, visto que um profeta não tem honra em sua própria terra, o que dizer de Moisés, Ezequiel e Daniel?
R: Nenhum desses três profetas viveu em sua própria terra enquanto exerceu o ministério profético, mas essa não é, na verdade, a questão. Esse versículo afirma que os profetas não são universalmente respeitados no lugar de onde vieram, e Jesus não foi diferente nesse aspecto.
No caso de Jesus, Ele não está dizendo que nenhuma pessoa na região da Galiléia O respeitava. (Afinal, os discípulos O respeitavam.) Em vez disso, a maioria das pessoas tinha dificuldade em acreditar que um homem de aparência comum, proveniente de sua própria região, pudesse ser um grande profeta de Deus, muito menos o Messias.
Mesmo hoje, não devemos esquecer que Deus frequentemente usa cristãos comuns para realizar grandes coisas.
P: Em Jo 4,54, como a cura do filho do oficial é o segundo sinal milagroso, uma vez que Jo 2,11 foi o primeiro sinal milagroso — a transformação da água em vinho — e, em Jo 2,23, em Jerusalém, durante a Páscoa, muitas pessoas viram os sinais milagrosos (no plural)?
R: Primeiro, o que não é a resposta; depois, a justificativa para a resposta.
O que não é a resposta: João não indicou explicitamente que João 2,23 fosse cronologicamente anterior ou posterior ao que veio antes e depois dele. Portanto, João 2,23 poderia ser posterior a João 4,54. No entanto, é muito provável que sejam cronologicamente sequenciais.
A resposta: João 4:54 não diz apenas que este foi o segundo sinal; ao contrário, foi “o segundo sinal que Jesus realizou depois de ter vindo da Judéia para a Galiléia”. João não poderia ter pretendido que este fosse o segundo sinal no geral, devido a João 4:45: “No entanto, quando Ele chegou, os galileus O receberam bem. Eles haviam visto todas as grandes coisas que Ele havia feito em Jerusalém durante a festa, pois também haviam ido até lá.” (BSB)
O fato de João numerar os dois primeiros milagres na Galiléia mostra que isso é ainda mais irritante, pois muitos galileus rejeitaram Jesus. Em contraste, até mesmo os samaritanos acreditaram em Jesus sem que nenhum milagre tivesse ocorrido. Uma fé baseada apenas em milagres não é uma fé completa, mas muitos galileus nem mesmo possuíam isso. No entanto, os galileus mais tarde tentaram apedrejar Jesus, mesmo depois que esses milagres foram realizados ali. O *Expositor’s Greek Testament*, vol. 1, p. 735, e o *Believer’s Bible Commentary*, pp. 1488, 1489, também afirmam que este é o segundo sinal na Galiléia.
João 21:25 afirma que Jesus realizou muitos outros sinais também. Mas, de todos os sinais milagrosos de Jesus, João escolheu mencionar explicitamente apenas sete antes da ressurreição de Jesus:
Jo 2,1-11 – a transformação da água em vinho, demonstrando que Jesus sacia nossa sede e tem poder sobre os processos naturais
Jo 4,46-54 – a ressurreição do filho do oficial, demonstrando que Jesus é nosso curador, com poder sobre a doença
João 5:1-9 – Jesus cura o paralítico de 38 anos no sábado, demonstrando que Jesus é o Senhor do sábado
João 6:5-13 – A alimentação dos 5.000, demonstrando que Jesus é o pão da vida
João 6:19-21 – Jesus caminha sobre as águas, demonstrando que Ele é maior do que todos os nossos medos
João 9:1-7 – Jesus cura o homem cego de nascença, para afirmar que Ele veio para que os cegos vejam e os que veem se tornem cegos (João 9:39)
João 11:1-44 – Jesus ressuscitou Lázaro, mostrando que Jesus é a ressurreição e a vida
Após a ressurreição, ocorreu a pesca milagrosa em João 21:1-11, demonstrando que Jesus continuava o mesmo e que eles deveriam segui-Lo da mesma forma.
P: Em Jo 5,1, de que festa se tratava?
R: Êxodo 23:14-17 diz que, três vezes por ano, todos os homens judeus deveriam ir a uma festa em Jerusalém: as festas da Páscoa, de Pentecostes e dos Tabernáculos. João não especificou de qual festa se tratava, talvez porque o próprio João não se lembrasse. Embora possamos especular sobre qual festa era, não faz muito sentido fazê-lo. A Bíblia é a palavra de Deus registrada por homens. Deus não tinha nenhuma obrigação de fazer com que eles se lembrassem de todos os detalhes, apenas dos detalhes que Ele queria que eles se lembrassem e transmitissem. Muitas das obras de Jesus e dos principais eventos de sua vida coincidiram com as festas judaicas, como aponta o Comentário Evangélico sobre a Bíblia, p. 853.
P: Em Jo 5,2, há alguma evidência arqueológica da piscina de Betesda em Jerusalém?
R: Sim. Na verdade, tratava-se de duas piscinas gêmeas na parte nordeste da Cidade Velha. Essa área era chamada de “Bezetha”, ou “cidade nova”, na época de Cristo. Os Manuscritos do Mar Morto mencionam as piscinas, um peregrino cristão as descreveu em 333 d.C., e arqueólogos modernos as descobriram em 1888.
P: Em Jo 5,4; At 14,12; 2 Ts 2,10; Ap 16,9.11, uma vez que Deus é Todo-Poderoso e Seus decretos são irresistíveis, como as pessoas podem recusar-se a vir a Ele? Ou a oferta não foi sincera (não foi concedida graça suficiente para todos) ou então Deus foi incapaz ou não quis garantir que as pessoas aceitassem essa oferta.
R: Deus permite: há um significado imenso nessas duas palavras. Sim, Deus Todo-Poderoso certamente pode fazer com que todos os Seus fantoches executem seu roteiro perfeitamente e na hora certa. Mas Ele não nos criou como fantoches. Deus pode fazer tudo o que quiser, conforme Lhe parecer adequado. Deus pode controlar tudo, até mesmo a Si mesmo. Se Deus pode fazer qualquer coisa, então Deus pode permitir. Mas mesmo quando Deus permite, nada acontece além do que Deus permite dentro dos limites que Ele estabeleceu.
P: Em Jo 5,6, por que Jesus fez ao homem aquela pergunta tão óbvia?
R: Primeiro, o que não é a resposta; depois, a resposta.
O que não é a resposta: algumas pessoas com deficiência não querem se curar. Já houve casos em colônias de leprosos em que pais transmitiram deliberadamente a lepra aos filhos, para que pudessem viver com alimentação e cuidados gratuitos pelo resto da vida. No entanto, o homem realmente queria ser curado, e Jesus já sabia disso.
A resposta: Embora Jesus já soubesse, Ele queria que o homem expressasse isso verbalmente e pedisse. Às vezes, Jesus não nos concede certas coisas se não as pedirmos. Quando o homem pediu publicamente a Jesus que o curasse, Jesus estava atendendo ao seu pedido. Não vemos Jesus curando ninguém que não quisesse ser curado.
Às vezes, precisamos perguntar aos não crentes coisas básicas como: “você quer ir para o céu?”, ou perguntar aos cristãos que se afastaram: “você quer amar e obedecer a Deus?”. Precisamos obter deles um compromisso de que é isso que eles desejam.
P: Em Jo 5,10, o homem curado estava violando o sábado, já que estava obedecendo a Jesus ao carregar sua maca?
R: Não. O homem estava apenas desobedecendo às restrições adicionais impostas pelos fariseus ao sábado. Essa restrição consta na Mishná Shabbath 7:2, de acordo com o Comentário Evangélico sobre a Bíblia, p. 854. Na verdade, isso é bastante engraçado. Ela proíbe especificamente mover camas ou móveis no sábado. No entanto, diz que mover um paciente deitado em uma cama é permitido. No entanto, ela não aborda o caso em que um paciente se move por conta própria porque foi milagrosamente curado. É como se uma empresa de ambulâncias tivesse uma regra proibindo que pacientes paralisados transportados por ambulância carregassem sua própria maca. Além disso, o homem estava carregando sua esteira, não uma cama. Portanto, basicamente, Deus lhe disse para pegar sua esteira, e os fariseus afirmam que Deus [Jesus] está errado ao violar suas regras.
O Antigo Testamento diz que as pessoas não deviam trabalhar no sábado. Nunca disse que alguém não pudesse carregar sua esteira, e foram os fariseus que interpretaram isso como trabalho. Um segundo milagre é que, se alguém estivesse acamado há 38 anos, mesmo que fosse curado, estaria fisicamente fraco demais para andar, muito menos carregar uma esteira. Ele também precisava fortalecer seus músculos. Em certo sentido, Jesus realizou não apenas um, mas dois milagres aqui.
“Mas, Jesus, o senhor não poderia ter esperado até domingo para fazer isso?” Quase não teria havido oposição se o senhor tivesse simplesmente cedido aos fariseus e às suas tradições. Mas o momento da cura foi importante para dar aos fariseus e ao povo uma escolha clara: seguir o Messias ou seguir a tradição deles. Os fariseus perceberam claramente essa escolha: é por isso que, em João 5:18, eles primeiro conspiraram para matar Jesus.
Conheci um cristão não judeu que era pago por judeus ortodoxos rigorosos para morar com eles. Aos sábados, eles acreditavam que não podiam fazer nada que criasse algo. Acionar um interruptor de luz completa um circuito e gera um fluxo de corrente. Assim, entre suas outras tarefas, ele precisava acionar os interruptores de luz para eles aos sábados.
P: Em João 5:14-15, por que Jesus disse a ele para deixar de pecar?
R: Embora as Escrituras não especifiquem quais pecados, há muitos pecados que um inválido não pode cometer, pelo menos até que se recupere. No entanto, o fato de ele ser inválido não se devia a algum pecado específico. Contudo, João 5:14-15 não nos dá qualquer indício de gratidão por parte do homem para com Jesus. Quando Deus faz algo por algumas pessoas hoje em dia, elas não demonstram gratidão. Se o senhor espera ser agradecido toda vez que se sacrifica por outra pessoa, ficará desapontado nesta vida.
P: Em João 5:14-15, qual é a diferença entre ter uma fé falsa, uma fé que verdadeiramente acredita em Deus e uma fé salvadora?
R: O homem acreditava verdadeiramente que Deus o havia curado; afinal, ele estava andando por aí. Mas saber que isso é verdade não significa que você tenha abandonado sua vida de pecado e queira confiar sua vida a Deus. Se um agnóstico — que é alcoólatra, usa drogas, leva uma vida imoral e assalta bancos — passar a acreditar verdadeiramente que Jesus é real e morreu na cruz por nossos pecados, mas continuar sendo alcoólatra, usando drogas, levando uma vida imoral e assaltando bancos, será que a fé dessa pessoa lhe trará algum benefício ou a levará ao céu? Tiago 2:17-20 diz que não.
P: Em João 5:18, quando Jesus chamou a Deus de Seu Pai, de que forma isso significava que Ele Se colocava em pé de igualdade com Deus?
R: Dentro de uma família, pai e filho têm papéis diferentes, e o filho obedece ao pai, mas os dois são iguais em essência. Um bom pai não considera sua vida mais valiosa do que a de seus filhos, e vice-versa. Na Trindade, o mesmo se aplica. Deus, o Filho, é subordinado em função, mas não inferior em essência, títulos ou honra.
Embora Jesus tenha afirmado Sua igualdade com o Pai, Ele também afirmou que dependia do Pai em João 5:18-19.
P: Em Jo 5,18, é correto chamarmos a Deus de nosso Pai, uma vez que não somos iguais a Deus?
R: Não, a menos que Deus nos tenha dado permissão. Deus nos dá permissão para chamá-Lo de nosso Pai, com reverência. Foi um grande privilégio que Jesus nos concedeu ao iniciar as duas primeiras palavras de Sua oração com “Pai Nosso”.
P: Em João 5:19-20, visto que Jesus possuía livre arbítrio, por que Ele era incapaz de fazer qualquer coisa, exceto o que via o Pai fazer?
R: Jesus escolheu obedecer a tudo o que o Pai Lhe mandava fazer. Na Terra, Jesus aprendeu a obediência, conforme Hebreus 5:8. Jesus disse que não veio para agradar a Si mesmo, mas ao Seu Pai, em João 5:30. A propósito, a palavra para “amor” em João 5:20 indica que o Pai nutre um amor fraternal/amor de amigo (phileo) pelo Filho.
O fato de Jesus ter dito que foi enviado pelo Pai é um ponto fundamental: Jesus mencionou isso 25 vezes no livro de João. Jesus não veio por conta própria, e não fez nada na Terra por conta própria.
P: Em João 5:19-22, como exatamente o Pai fez primeiro tudo o que Jesus fez?
R: Embora Jesus tenha dito que o Pai habitava n’Ele, esse não é o ponto principal que Jesus estava abordando aqui.
Obviamente, todos compreendiam que o Pai não nasceu na Terra e que o Pai não foi batizado por João Batista. Em vez disso, Jesus está dizendo que Ele só realizaria os tipos de obras que Seu Pai planejasse para Ele realizar.
P: Em Jo 5,22, quem nos julga: Jesus ou o Pai?
R: Jesus disse que o Pai Lhe confiou todo o julgamento. Isso se encaixa bem com Atos 4,12, onde se afirma que não há outro nome sob o céu pelo qual os homens possam ser salvos.
P: Em João 5:23, como devemos honrar o Filho da mesma forma que honramos o Pai que O enviou?
R: Os seguidores de Jesus o honram das seguintes maneiras.
1. Adoramos a Jesus, assim como os anjos fazem em Apocalipse e em Hebreus 1:6.
2. Oramos a Jesus, como Estêvão fez em Atos 7:59.
3. Chamamos Jesus de Deus, conforme está escrito em Hebreus 1:8,9.
4. Chamamos Jesus de “meu Deus”, como fez Tomé em João 20:28.
5. Acreditamos e obedecemos ao que Ele ensinou, bem como ao que Seus apóstolos ensinaram sobre Deus e sobre Ele mesmo.
Seguir esses versículos da Bíblia é um dos principais aspectos que distingue as seitas das Testemunhas de Jeová, do Caminho e outras seitas, de um lado, dos cristãos modernos e primitivos, do outro. Eis o que diziam os primeiros cristãos.
Hilário (355-367/368 d.C.) comentou sobre João 5:23: “Pois, a menos que as coisas sejam da mesma natureza, nunca lhes é concedida igual honra, e a igualdade de honra não provoca uma separação entre aqueles que estão sendo honrados. Mas o mistério do nascimento exige igualdade de honra.” No livro *A Trindade*, livro 9, cap. 23, p. 162
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) afirmou: “Portanto, essas palavras testificam explicitamente que Ele [Jesus] é atestado por Aquele [o Pai] que estabeleceu essas coisas, como merecedor de ser adorado como Deus e como Cristo.” *Diálogo com Trifão*, cap. 63, p. 229
Inácio, Irineu, Tertuliano, Novaciano, Hipólito e outros também se pronunciaram sobre a honra de Jesus como Deus.
P: Em Jo 5,26, o que significa “ter vida em si mesmo”?
R: Embora tenhamos vida eterna no Céu, trata-se de uma vida eterna derivada, que foi tanto possibilitada quanto sustentada por Deus. No entanto, Jesus não possui uma vida eterna derivada, mas sim uma vida eterna intrínseca.
P: Em Jo 5,27, de que forma o fato de ser o “Filho do Homem” constitui uma razão para que o Pai conceda a Jesus a autoridade para nos julgar?
R: As Escrituras não dizem isso explicitamente, mas sugerem uma resposta. Hebreus 2,14-17 afirma que, uma vez que somos de carne e osso, Jesus precisou compartilhar de nossa humanidade para que sua morte servisse de expiação por nós. Jesus precisou ser um de nós para se tornar nosso Sumo Sacerdote.
P: Em Jo 5,28-29, uma vez que aqueles que praticaram o bem ressuscitarão para viver, isso significa que a salvação pelas obras é verdadeira?
R: Não. Não diz que as boas obras fizeram com que eles vivessem. As boas obras dos crentes, por mais limitadas que sejam, são evidência de que são filhos de Deus, que viverão para sempre Nele.
P: Em Jo 5,30, como Jesus pode ser Deus se, por si mesmo, nada poderia fazer? Até mesmo a expulsão dos demônios foi pelo dedo de Deus, conforme Lc 11,20. (O muçulmano Ahmad Deedat levantou essa questão.)
R: Três pontos a serem considerados na resposta.
a) O contexto do versículo é importante. Jesus não disse que nunca poderia fazer nada. Em vez disso, Jesus não realizaria nenhum milagre naquela cidade, não por falta de poder de Deus, mas por causa da falta de fé deles.
b) Quanto à expulsão de demônios pelo dedo de Deus, Jesus é Deus e NÃO age de forma independente nem contra Deus Pai ou o Espírito Santo.
c) Quando Jesus se encarnou na Terra, Ele voluntária e temporariamente renunciou a grande parte de Seu poder e glória e, em Seu estado terreno, confiou especialmente no Pai e no Espírito Santo.
P: Em Jo 5,30, qual é a principal diferença em nossa própria vida entre servir a Deus por causa de algo que nos agrada e quando isso nos agrada, e servir a Deus quando isso não nos agrada?
R: A obediência pode ser inconstante, aleatória e incompleta quando é praticada dependendo de como nos sentimos a respeito dela. Alguns enfatizam que Deus sempre fará o que é melhor para eles; outros, como na oração de Jabez em 1 Crônicas 4:9-10, desejam servir a Deus sem sofrimento. Deus pode atender a esse pedido, mas onde estaria a igreja do Novo Testamento se Paulo quisesse servir apenas sem sofrimento? Vocês acham que Paulo suportou aqueles espancamentos e a prisão para agradar a si mesmo? Portanto, é muito melhor quando obedecemos não para agradar a nós mesmos.
Por outro lado, sentimos prazer e alegria provenientes de Deus quando obedecemos. Não foi nada agradável para Paulo e Silas serem espancados e colocados na prisão de Filipos, mas, por outro lado, Paulo via seus amados filipenses como sua alegria e coroa em Filipenses 4:1. Portanto, Paulo não sofreu para pregar o evangelho pelo prazer em si, mas, paradoxalmente, ele encontrou alegria nisso no final.
P: Em João 5:31, se Jesus testemunhasse a si mesmo, isso tornaria Seu testemunho falso?
R: Não, não é isso que Jesus está dizendo aqui. Jesus está respondendo à acusação dos fariseus de que, se Ele fosse o único a dar testemunho de si mesmo, isso não seria suficiente para estabelecer Sua autenticidade em um tribunal. O fato de uma única testemunha não ser suficiente está mencionado em Deuteronômio 17:6 e na Mishná Kethuboth 2:9 dos rabinos, de acordo com o Comentário Evangélico sobre a Bíblia, p. 854.
Jesus apresentou quatro testemunhas: João Batista, Seus milagres, as Escrituras e Deus Pai. O livro *Quando os Críticos Perguntam*, p. 410, destaca que o testemunho de Jesus era, de fato, verdadeiro em si mesmo. No entanto, o testemunho de Jesus não era oficial e legalmente suficiente para os judeus.
P: Em Jo 5,33-34, o que há de tão importante no testemunho?
R: De forma negativa, os judeus, aplicando um duplo padrão, alegaram rejeitar Jesus por falta de testemunho, apesar de João Batista, dos milagres e das profecias messiânicas das Escrituras. De forma positiva, um dos principais propósitos de Jesus e de nós é sermos um testemunho. De acordo com o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, pp. 291-293, “testemunho” ou “testemunhar” ocorre como substantivo em 60 passagens do Novo Testamento e como verbo em 76 passagens do Novo Testamento. Trinta vezes como substantivo e 47 vezes como verbo aparecem no Evangelho de João, em 1, 2 e 3 João e no Apocalipse.
Devemos ensinar e dar razões para a esperança que temos (1 Pedro 3:15b), e devemos orar e ajudar os outros. Mas não nos esqueçamos de que outra razão fundamental pela qual ainda estamos nesta terra é dar testemunho. Fazemos isso com nossas palavras e com nossas vidas. Um provérbio árabe diz: “O maior crime no deserto é encontrar água e ficar em silêncio”. (A citação foi retirada de uma palestra de KayLyn Hopper, em 29/04/2018)
P: Em Jo 5,34, Jesus está usando um argumento ad hominem, que Ele próprio não aceitou?
R: Não. Primeiro, discutiremos o que é um argumento ad hominem e, em seguida, o que Jesus disse.
“Ad hominem”, em latim, significa “ao homem”. Trata-se de um argumento no qual o próprio orador não acredita, mas que ele menciona para persuadir os ouvintes. Por exemplo, se um político volta atrás em uma promessa, alguém que não se importa com promessas quebradas pode mencionar isso para persuadir as pessoas que se importam com o cumprimento de promessas, a fim de fazê-las votar nele. (Presumivelmente, esse outro candidato cumpriria melhor suas promessas, mas isso é apenas uma suposição não expressa)
É interessante que Jesus, que curou no sábado, provocando oposição quando poderia ter esperado até domingo, se esforce tanto aqui para explicar sua justificativa de maneiras com as quais eles possam se identificar.
Jesus aceitou plenamente o que João Batista disse. No entanto, Jesus basicamente afirmou que estava usando um argumento ad hominem, no sentido de que, enquanto os fariseus exigiam múltiplas testemunhas antes de acreditar que algo era verdade, Jesus não concordava com essa abordagem. Mas, se eles fossem usar essa abordagem, o testemunho de João Batista de fato corroborava o testemunho de Jesus a respeito de Si mesmo. As palavras de João não “tornavam” o testemunho de Jesus verdadeiro; suas palavras apenas demonstravam que ele era verdadeiro.
Hoje em dia, muitas vezes as pessoas podem perder essa distinção em um tribunal. Um juiz ou júri pode declarar o réu “inocente”. Na verdade, o veredicto não torna o réu culpado ou inocente. Ele é culpado se cometeu o crime, independentemente da correção do veredicto. Nos Estados Unidos, em um julgamento criminal, se o júri considerar que o réu provavelmente cometeu o crime, mas houver dúvida razoável, ele é instruído a considerar o réu “inocente”. Isso torna o réu inocente? — Não.
P: Em Jo 5,37, por que Jesus disse aos judeus que eles nunca haviam ouvido a voz de Deus nem visto Sua forma?
R: É claro que as multidões a quem Jesus se dirigia não haviam ouvido a voz de Deus nem visto Sua forma. Mas, ao contrário dos profetas do Antigo Testamento, os judeus comuns do Antigo Testamento também não haviam ouvido a voz de Deus nem visto Sua forma. No entanto, Jesus não está apenas fazendo afirmações factualmente verdadeiras aqui. Isso é apresentado como uma repreensão a eles. Embora eles nem mesmo tivessem vivenciado o que os profetas vivenciaram no Antigo Testamento, agora o próprio Deus estava diante Dele, e eles ainda assim não reconheciam a voz de Deus nem viam Sua forma.
P: Em Jo 5,39, temos a vida eterna por crer na Bíblia ou não?
R: Na verdade, não. A vida eterna é concedida por Deus. No entanto, os judeus estavam parcialmente corretos, na medida em que as Escrituras nos mostram o caminho para Deus, para termos a vida eterna. É possível que uma pessoa se preocupe mais com as Escrituras do que com Deus, como acontecia com os fariseus na época de Jesus.
P: Em Jo 5,42-43, qual era o principal problema dos fariseus?
R: O principal problema era que os fariseus não tinham o amor de Deus em seus corações. Um indício de que o problema estava em seus corações, e não em sua lógica, é que eles aplicavam dois pesos e duas medidas ao decidir se aceitariam ou não Jesus, em comparação com a aceitação de outras pessoas, conforme visto em João 5:43.
Da mesma forma, a igreja de Éfeso foi advertida de que havia abandonado seu primeiro amor em Apocalipse 2:4. Se uma pessoa não tem amor por Deus, ela ainda pode continuar agindo de maneira religiosa e fazer muitas coisas que parecem boas, pelo menos aos olhos do mundo, mas perdeu o que é essencial.
Em João 5:38, Jesus também disse aos fariseus que a Palavra não habitava neles. Isso deve ter soado bastante chocante, já que esses fariseus dedicavam tanto tempo ao estudo das Escrituras. Mas estudar as Escrituras, acreditar nelas e aplicá-las podem ser duas coisas diferentes.
P: Em João 5:43, visto que Jesus veio em nome de Seu Pai, isso significa que Jesus tem o mesmo nome que o Pai e, portanto, que Jesus é o Pai?
R: Eles compartilham, de fato, vários títulos. No entanto, por acaso tenho o mesmo sobrenome que meus pais, mas isso não prova que sejamos todos um único ser humano. O livro *When Cultists Ask*, pp. 168-169, afirma que alguns pentecostais unitaristas, como Campbell (1975), de fato afirmam isso. Se fossem coerentes com essa posição, os pentecostais unitaristas nunca pregariam em nome de Jesus, pois considerariam que fazer qualquer coisa “em nome de Jesus” os tornaria Jesus também.
P: Em Jo 5,44, como o fato de receber honra dos outros se relaciona com o não crer?
R: Jesus não está dizendo que eles não estão agradando a Deus; Jesus está dizendo algo ainda pior. Eles nem mesmo estão tentando agradar a Deus. E, por mais grave que isso seja, parece ainda pior, considerando o esforço que dedicam para tentar agradar aos homens.
P: Em Jo 5,45-46, de que maneira todos os que acreditam em Moisés acreditam em Jesus? Muitos judeus hoje discordariam disso.
R: Jesus pode ter se referido aos ouvintes em Deuteronômio 17:18-19. Se alguém não ouvir a palavra do profeta que virá (Jesus), o próprio Deus cobrará contas dessa pessoa. João 5:46 diz algo semelhante.
Moisés foi um profeta piedoso. Mas o conhecimento que tinham da lei e dos ensinamentos de Moisés, aliado ao fato de não seguirem Aquele a quem ela apontava, seria ainda mais grave para eles no julgamento. Leia 2 Pedro 2:20-22 para saber mais sobre o julgamento mais severo que acompanha o maior conhecimento.
O “Expositor’s Bible Commentary”, vol. 9, p. 60, apresenta um ponto interessante a esse respeito. Obedecer a Moisés era bom, mas a obediência deles a Moisés era motivo de orgulho para eles. Ler a Bíblia, frequentar a igreja, compartilhar o evangelho, afastar-se de um e mal e, em geral, obedecer a Deus são todas coisas boas que devemos fazer. Mas tenha cuidado para que isso não se torne motivo de orgulho para você.
P: Em Jo 6,5-6, por que Jesus fez uma pergunta, se já sabia a resposta?
R: João 6:6 diz que Jesus fez a pergunta para testar Filipe. Utilizar o que hoje é chamado de método socrático — fazer a um discípulo uma pergunta cuja resposta o mestre já conhece — é perfeitamente aceitável. Aparentemente, os discípulos já estavam familiarizados com isso, como quando Pedro respondeu à pergunta de Jesus em João 21:17, dizendo: “Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que eu te amo.” (BSB)
Especificamente, Filipe poderia ter respondido mencionando a tentativa de alimentar o povo, sua resposta (a sensação de impotência em suprir naturalmente essa necessidade) ou a fé de que Cristo poderia prover o necessário.
P: Em João 6:5-6, por que Jesus perguntou a Filipe em vez de a um dos outros?
R: Embora as Escrituras não digam com certeza, elas podem dar uma pista. João 1:44 diz que Filipe, assim como André e Pedro, eram de Betsaida, que ficava nessa região.
P: Em Jo 6,13, já que Jesus podia multiplicar a comida com tanta facilidade, por que recolher as sobras?
R: A generosidade de Deus que Ele nos concedeu não deve ser desperdiçada. Jesus não estaria sempre com eles, e o pão seria útil para outras pessoas.
Além disso, havia um significado nas doze cestas de peixes e nos cinco pães de cevada. Deus está sinalizando a união entre gentios e judeus em Cristo. O número doze representa as tribos de Israel, bem como os doze discípulos, e o número cinco representa a graça de Deus para com todas as pessoas, como os 5.000 homens, além das mulheres e crianças.
P: Em Jo 6,19, como é que Jesus conseguiu andar sobre as águas?
R: Três pontos a serem considerados na resposta.
O Mar da Galiléia era muito profundo, portanto Jesus não estava fazendo algum tipo de truque, caminhando sobre pedras.
Jesus era uma pessoa real, de carne e osso; portanto, não se tratava de algum tipo de fantasma sem peso.
Deus, que criou as leis da natureza, pode se sobrepor a elas sempre que Lhe aprouver. Chamamos isso de milagre, mas talvez, para Deus, seja meramente um método alternativo de agir.
Uma observação científica
Para compreender esse milagre sobrenatural cientificamente, é preciso primeiro entender por que a água é capaz de suportar qualquer peso, como, por exemplo, um barco flutuando. Na mecânica estatística, um conjunto é uma distribuição de probabilidade dos estados de um sistema. Na superfície de um líquido, as moléculas de água que se deslocam para cima em velocidades mais elevadas estão continuamente “saltando” para fora do líquido e escapando para a atmosfera. Chamamos isso de evaporação. Outras moléculas não fazem isso por três razões:
1) A tensão superficial torna as moléculas de água “aderentes” e as impede de se soltarem,
2) Apenas uma determinada porcentagem das moléculas de água que possuem velocidade suficientemente alta
3) Apenas uma determinada porcentagem das moléculas de água em alta velocidade se desloca na direção ascendente.
Podemos alterar o ponto 1) revestindo a superfície com algum material.
Podemos alterar o ponto 2) aumentando a velocidade das moléculas de água: chamamos isso de aquecimento da água.
Não temos o poder de alterar o ponto 3) (a menos que tenhamos um líquido magnético e apliquemos ímãs), e isso por si só já seria capaz de sustentar qualquer coisa.
Se um super-herói de quadrinhos não tivesse nenhum superpoder, exceto o poder de alterar a probabilidade estatística, ele poderia fazer quase tudo, incluindo flutuar no ar, atravessar paredes e fazer com que células mortas e desorganizadas voltassem à vida.
P: Em Jo 6,23, o que sabemos sobre a cidade de Tiberíades?
R: Era uma cidade nova na época de Jesus, já que Herodes Antipas a construiu entre os anos 16 e 22 d.C. como sua capital administrativa. Era uma cidade gentia; o livro “Guia de Asimov para a Bíblia”, pp. 822-823, afirma que os judeus a evitavam porque havia sido construída sobre um cemitério.
No entanto, a Enciclopédia Britânica e o Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 1704, afirmam que, no século II, o editor da Mishná (c. 198-220 d.C.), Judá hak-Kadhosh, era originário daquela região. Além disso, o Talmude foi editado ali por volta de 400 d.C. Entre os rabinos famosos enterrados ali estão Maimônides, ‘Akiba (Akiva), Yohanan Ben Zakkai e Eliezer, o Grande.
P: Em Jo 6,27, Jesus disse para não trabalharmos em prol do alimento que se corrompe. Como trabalhamos hoje em prol do alimento que se corrompe?
R: Em primeiro lugar, temos que fazer algumas coisas por necessidade, como conseguir comida para comer. Mas Jesus está dizendo que isso não deve ser o propósito e o foco de nossa vida. Devemos dedicar nossa energia vital às coisas eternas; e o que é eterno, e está ao nosso redor, são as almas das pessoas.
Talvez uma analogia possa ajudar. Se o senhor se desloca para o trabalho pela manhã, o seu chefe lhe paga pelo tempo de deslocamento? Se o senhor não está se deslocando por prazer e o seu chefe não lhe paga, então por que o senhor não para de se deslocar para o trabalho? A resposta é normalmente “porque tenho que fazer isso, se quiser receber meu salário”. A ideia de fazer algo que não é produtivo, mas necessário para realizar o que é produtivo, é chamada de “atividade acessória”. Há muitas coisas que precisamos fazer nesta vida que são “excise”; na verdade, tantas que podemos, inadvertidamente, cair na mentalidade de que a vida se resume apenas a “excise” e entretenimento. Mas essas coisas são necessárias apenas para nos permitir fazer o que é realmente importante: glorificar a Deus, amar o próximo, levar as pessoas a Cristo e ajudá-las a crescer em Cristo.
P: Em Jo 6,27b, o que Jesus quis dizer com “o Pai colocou o Seu selo de aprovação”?
R: Jesus era agradável ao Pai, Jesus foi enviado pelo Pai à Terra e Jesus estava, naquele momento, cumprindo a vontade do Pai. O selo de aprovação do Pai era evidente, demonstrado pelos milagres de Jesus. Se alguém quisesse adorar o Pai, não rejeitaria aquele sobre quem o Pai colocou Seu selo de aprovação. Jesus mencionou repetidamente que desceu do céu em João 6:33, 38, 41, 50 e 58.
Mesmo que o senhor já seja um crente, precisa se perguntar: a sua vida tem o selo de aprovação de Deus? O senhor agrada a Deus na maneira como vive?
P: Em João 6:31-36, 48-51, de que maneira Jesus é o pão (ou maná) da vida?
R: A palavra para “verdadeiro”, como em “pão verdadeiro”, é alethinos, que significa genuíno ou original. Jesus é o pão da vida de pelo menos duas maneiras.
Para todos: Jesus sustenta tudo no universo, de acordo com Colossenses 1,17
Para os crentes: É maravilhoso ter vida em Jesus, que nos nutre, protege e preserva, e nos prepara para habitar eternamente com Ele.
Assim como Jesus dá água viva em João 4:15, Jesus é o pão da vida neste contexto.
P: Em João 6:37, visto que todos aqueles que o Pai dá a Jesus vêm a Jesus, e visto que alguns não vêm a Jesus, isso significa, então, que o Pai não os deu a Jesus?
R: Sim. O Evangelho da salvação é oferecido sinceramente a todos. No entanto, Hebreus 4:2 afirma que o Evangelho não tem utilidade para aqueles que não o combinam com a fé. Lucas 7:30 é um segundo exemplo; consulte a discussão sobre Lucas 7:30 para obter mais informações.
P: Em João 6:39, Jesus tinha uma vontade distinta da de Deus Pai ou não?
R: Para reformular a pergunta como um aluno da quarta série perguntou: quantos cérebros a Trindade possui? Exceto pelo fato de que Deus não se limita a células, poder-se-ia dizer que cada um deles possui seu próprio cérebro. Jesus possuía uma vontade distinta, conforme demonstrado por Sua oração no Jardim do Getsêmani. No entanto, Jesus sempre escolheu que Sua vontade estivesse em conformidade com a vontade do Pai, conforme também indicado por Sua oração no Jardim do Getsêmani.
P: Em Jo 6,42, o nascimento virginal é verdadeiro, uma vez que os judeus afirmaram conhecer José, o pai de Jesus?
R: Isso não nega o nascimento virginal.
Primeiro, como José era o marido de Maria, ele era o pai legal de Jesus aos olhos da lei.
Em segundo lugar, muitos judeus presumiam que José também era o pai biológico de Jesus. Nem toda suposição que as pessoas fazem é necessariamente verdadeira.
P: Em Jo 6,43-70, por que as pessoas murmuram contra Deus, e o que você pode dizer para ajudá-las?
R: Geralmente, tudo se resume a uma causa fundamental: Deus não atendeu às expectativas delas. Jó reclamou de Deus porque não via o que estava acontecendo nos bastidores, nem o desfecho final. Da mesma forma, as pessoas reclamam porque não sabem o que está acontecendo nos bastidores nem enxergam o desfecho final.
P: Em Jo 6,43-70, se alguém achar que algo a respeito de Deus é inaceitável, como o senhor responderia a essa pessoa?
R: Na verdade, Deus não pediu a sua aprovação. Ele é Deus e, portanto, pode fazer o que bem entender. Deus está oferecendo a você um caminho para desfrutar da vida eterna, e se você não quiser isso, então resta apenas a alternativa. Algumas pessoas precisam se livrar de suas noções preconcebidas sobre Deus. Talvez seja por isso que Jesus disse que devemos nos aproximar de Deus como uma criancinha, em Lucas 18:16-17 e Mateus 19:14.
P: Em João 6:44, 65 e João 6:37, 39, o que significa que ninguém pode vir a Jesus a menos que o Pai o atraia?
R: O grego pode significar “compelir”, “atrair” (como em “tirar água”) ou “cortejar/persuadir”. Consulte *Now That’s a Good Question*, pp. 27-29, para mais informações sobre o grego. Como a palavra grega tem vários significados, diversos cristãos incorporam esse versículo à sua teologia de maneiras diferentes.
Os não calvinistas moderados afirmam que Jesus atrai a todos externamente, e que a oferta de salvação está disponível para todos os indivíduos. Internamente, o Espírito Santo (também chamado de Espírito de Cristo) convence o mundo (tanto os eleitos quanto os réprobos) do pecado. No entanto, todos aqueles que o Pai predestinou são atraídos para o Céu, e aqueles que não são os eleitos não vêm a Deus. Alguns não calvinistas afirmariam que a predestinação e a presciência atuam em conjunto, enquanto outros não calvinistas sustentariam que a presciência precede a predestinação, uma vez que, nas duas ocasiões em que são mencionadas juntas nas Escrituras, a presciência é sempre mencionada primeiro.
Os calvinistas não negam que o Evangelho deva ser oferecido a todos, mas o Pai atrai apenas os eleitos, e nem o Pai nem o Espírito Santo atuam de forma salvífica em relação aos réprobos, uma vez que Jesus não morreu por eles.
Os hipercalvinistas acreditam o mesmo que os calvinistas nesse ponto, exceto que ensinam que o Evangelho pode ser proclamado a todos, mas que é errado oferecê-lo a todos.
Consulte também a próxima pergunta para obter mais informações.
P: Em Jo 6,44.65 e Jo 6,37.39, o Pai atrai algumas pessoas, ou Jesus atrai a todos para Si mesmo, como diz Jo 12,32?
R: No grego, diz-se simplesmente que Jesus atrai “todos”. Na verdade, não diz que Jesus atrai “todos os homens” ou “todas as pessoas”. Existem três visões.
O Pai atrai cada indivíduo: somos tão pecadores que ninguém pode vir ao Pai, a menos que o Pai o atraia (lhe dê capacidade para isso). No entanto, o Pai atrai a todos. Quando João 6:37,39 afirma que todos aqueles que o Pai dá a Jesus virão a Ele, o Pai atrai a todos, mas apenas entrega a Jesus aqueles que Ele pré-conheceu (e, portanto, predestinou) para que viessem a Jesus. No entanto, essa interpretação viola o sentido claro de João 6:64-65, que indica que a necessidade de o Pai atrair as pessoas foi uma das razões pelas quais alguns não creram.
Jesus atrai externamente e o Pai escolhe internamente: Jesus atrai tanto os eleitos quanto os réprobos para Si. Tanto os eleitos quanto os réprobos tomam a decisão de confiar em Jesus ou não. No entanto, o Pai predestinou os eleitos e, portanto, somente os eleitos são atraídos pelo Pai.
Entre todos os tipos de pessoas, tanto o Pai quanto Jesus atraem apenas os eleitos. Não atrair todos os indivíduos é a visão calvinista, defendida na New Geneva Study Bible, p. 1688.
Consulte também a pergunta anterior para obter mais informações.
P: Em Jo 6,45, uma vez que todo aquele que é ensinado por Deus vem a Jesus, isso significa que todos aqueles que nunca ouviram falar de Jesus não tiveram oportunidade de escapar do inferno?
R: A Bíblia nunca diz isso. Pelo contrário, Hebreus 11 mostra que Abel, Enoque, Noé e muitos outros aparentemente nunca ouviram falar de Jesus (enquanto estavam na Terra), mas, presumivelmente, foram para o céu. Há dois outros pontos a serem considerados na resposta:
2. Os bebês que morrem nunca ouvem falar de Jesus. A Bíblia nunca diz que aqueles que ainda não atingiram a idade da responsabilidade vão para o inferno.
3. Jesus afirmou, em João 8:24, que todos os que O rejeitam morrerão, de fato, em seus pecados.
Veja também a discussão sobre João 3:36 para mais informações.
P: Em João 6:50-51, uma vez que quem come o pão do céu (Jesus) viverá para sempre e não morrerá, por que os cristãos ainda morrem?
R: Há duas maneiras de se entender isso.
1. Os cristãos viverão para sempre no Céu e, assim, alcançaremos um estado em que nossos corpos glorificados nunca morrerão. Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1505, para mais informações sobre esse ponto.
2. Além disso, embora nossos corpos morram uma vez, a partir do momento em que passamos a crer, nossos espíritos nunca morrem. O Apocalipse se refere ao Lago de Fogo como a segunda morte.
A morte física é “apenas um pequeno detalhe” em comparação com a vida eterna ou com a segunda morte. Esse versículo é importante por nos dizer que, uma vez que o crente vai para o Céu, não há temor de que ele ou ela peque e caia.
P: Em Jo 6,51-56, o que Jesus realmente quis dizer aqui?
R: Existem pelo menos três interpretações.
1. Jesus dá aos crentes alimento espiritual
O Comentário Bíblico do Crente: Novo Testamento, p. 297, destaca que, como a Ceia do Senhor só ocorreu um ano depois, isso se refere ao alimento e à bebida espirituais que Jesus daria aos crentes.
2. Uma ilustração da união espiritual
Jesus estava falando às multidões, que naquela época nada sabiam sobre a Ceia do Senhor, como aponta a “Nova Bíblia de Estudo de Genebra”, p. 1.673. O livro “Ditos Difíceis da Bíblia”, pp. 498-500, afirma claramente que se trata dessa interpretação, ao mesmo tempo em que sugere uma combinação com a terceira interpretação.
3. Além das duas interpretações anteriores, um prenúncio da Ceia do Senhor
Quando Jesus disse: “…este pão, que darei pela vida do mundo, é a Minha carne”, Ele estava predizendo Sua morte na cruz. Da mesma forma, Jesus estava predizendo que eles se lembrariam disso na Ceia do Senhor.
Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1.505, para mais informações sobre essa interpretação. O livro “Hard Sayings of the Bible”, pp. 498-500, sugere essa interpretação somada à anterior, pois João não registra a Última Ceia, e isso seria seu ensinamento equivalente sobre a importância da comunhão.
As questões aqui são, de certa forma, semelhantes às questões de interpretação sobre “água e Espírito” em João 3:5.
P: Em Jo 6,52-56, por que Jesus não esclareceu a confusão da multidão?
R: Aparentemente, Jesus quis dizer essas palavras dessa maneira e não demonstrou surpresa pelo fato de alguns terem se afastado nesse momento. Falar a um judeu sobre beber sangue soaria ofensivo para eles. Cada pessoa tinha uma escolha a fazer. Podiam confiar em Deus, mas apenas até os limites do que compreendiam plenamente; ou então, podiam confiar em Deus totalmente, sabendo que Deus seria e faria coisas além de sua compreensão. Como disse um cristão, não devemos nos ofender com o inexplicável. Como os fariseus estavam ouvindo Suas palavras apenas para se opor a elas, Jesus lhes deu algo a que se agarrar.
As Escrituras não apresentam todas as razões pelas quais Jesus falou dessa maneira, mas eis uma especulação. As pessoas que testemunharam os milagres poderiam acreditar em Jesus, quer quisessem seguir a Deus ou não, pois tinham uma prova viva bem diante de si. Jesus também frustrou as esperanças daqueles que viam nele um messias político. Jesus falou dessa maneira para que aqueles que desejavam segui-lo, nos termos dele, pudessem compreender mais tarde, e para que aqueles que não desejavam segui-lo tivessem uma desculpa para se afastar.
P: Em Jo 6,53a, Jesus estava ensinando que o pão realmente se tornou Seu corpo, como ensina a Igreja Católica Romana, chamando isso de transubstanciação?
R: Não, porque Jesus (assim como Paulo) costumava usar metáforas. Por exemplo, somos o corpo de Cristo, mas não nos transformamos fisicamente no corpo de Cristo. Certa vez, Jesus chamou Pedro de Satanás, mas isso não significa que Pedro se transformou em Satanás; ao contrário, Satanás estava usando as palavras de Pedro para tentar Jesus. Quando Jesus disse que era a videira em João 15:1, será que Ele se transformou fisicamente em uma videira? Estaria Jesus segurando Seu “segundo corpo” nas mãos? – apenas no sentido metafórico. Trata-se de algo mais do que uma questão trivial, pois a aplicação desse princípio determina se alguém acredita que deve adorar o pão e o vinho ou não.
Consulte *Quando os Sectários Perguntam*, pp. 168–173, e *Quando os Críticos Perguntam*, pp. 412–413, para respostas mais detalhadas.
P: Em Jo 6,60-66, por que Jesus parece quase fatalista aqui? — Se vierem, virão. Se não vierem, não virão.
R: Jesus não era fatalista, mas conhecia bem as limitações da palavra. Se alguém nunca quiser confiar sua vida a Cristo, nunca aceitará as coisas que não possa provar serem verdadeiras ou falsas. Se as pessoas não quiserem seguir a verdade, quase sempre conseguirão encontrar alguma desculpa para não fazê-lo.
P: Em Jo 6,67, por que Jesus pôs à prova os doze discípulos, perguntando se eles também iriam embora?
R: Jesus sabia que eles não iriam embora, mas fez a pergunta por pelo menos duas razões. Ele queria que eles tivessem a oportunidade de partir; assim ficaria claro para eles que permanecer era uma escolha própria. Em segundo lugar, ele queria que eles parassem para refletir e tomassem — ou melhor, retomassem — essa decisão novamente. Eles precisavam “traçar uma linha na areia” e decidir se iriam ou não se dedicar totalmente a Jesus, nos momentos bons e ruins. De maneira semelhante, Noemi fez com que Rute tomasse uma decisão em Rute 1:15-18. É claro que, como indica João 6:70, Jesus já conhecia a decisão deles; mas eles ainda precisavam tomá-la.
Quando alguém como Pedro tomou uma decisão errada, ao negar a Cristo, Cristo pôde restabelecer Pedro em João 21:15-19. Se o senhor teve uma decisão que precisava tomar e errou, não se afaste de Deus por culpa, mas volte para Deus em busca de perdão.
P: Em João 6:70, visto que Jesus escolheu os doze discípulos, e Judas era um deles, Judas era um dos eleitos escolhidos por Jesus?
R: Não. Assim como outros homens, Jesus tinha a liberdade de fazer muitas escolhas. A escolha de Jesus de comer um determinado figo não torna esse figo um dos eleitos. Da mesma forma, a escolha dos doze discípulos por Jesus foi diferente da escolha dos eleitos que irão para o Céu.
P: Em Jo 7,5, quem são os “irmãos” de Jesus que não acreditaram nele?
R: Maria era virgem, e José não se uniu a Maria quando Jesus nasceu; José não teve relação conjugal com Maria “até que ela desse à luz um filho”, segundo Mateus 1:25. Mateus 12:46; 13:55-56; Marcos 6:3-4; João 2:12; Atos 1:14; 1 Coríntios 9:5 também menciona os irmãos de Jesus, e Paulo menciona “Tiago, irmão do Senhor”, em Gálatas 1:18,19. O livro “1001 Perguntas Bíblicas Respondidas”, pp. 39-40, também destaca o Salmo messiânico 69:7-9, onde se diz: “irmãos… filhos de minha mãe”.
Se eles tivessem fé em Jesus, pareceria lógico para eles que Jesus revelasse algo naquele momento. No entanto, esse versículo diz que, naquele momento, eles NÃO acreditavam em Jesus; portanto, o comentário deles é inequívoco: “Se você realmente se considera o Messias, mostraria isso a todos agora.”
P: Em Jo 7,7, o mundo não odiava os discípulos, ou o mundo os odiava em Jo 15,20-21?
R: Há dois pontos a serem considerados na resposta.
Em João 7,7, os discípulos ainda estavam aprendendo, e o mundo ainda não os odiava, pois eles ainda não pregavam de forma consistente a conversão a Jesus. Os judeus e os romanos ainda não haviam chegado ao ponto de querer perseguir os cristãos.
Em João 15:20-21, Jesus profetizou que logo chegaria o tempo em que o mundo os odiaria por pertencerem a Cristo.
P: Em João 7:8, por que Jesus disse que não iria — ou que ainda não iria — à festa?
R: Cinco pontos a serem considerados na resposta.
1. Alguns manuscritos dizem “não irei”. Esses manuscritos incluem o Sinaítico, o Cantabrigiense, o copta boairico, o armênio e o Diatessaron.
2. Outros manuscritos, como o Bodmer II (125-175 d.C.), o Bodmer 14,15 (século III) e o Vaticanus, dizem “ainda não”.
3. Mesmo que se conhecesse o grego exato, não se pode dar muita importância às palavras precisas, pois não se sabe se Jesus estava falando aqui em grego ou em aramaico.
4. De qualquer forma, Jesus não estava fazendo uma promessa, mas declarando suas intenções; portanto, qualquer uma das versões dos manuscritos é válida.
5. Talvez as variações entre os manuscritos sirvam aos desígnios de Deus. Elas podem nos mostrar que não devemos interpretar as palavras das Escrituras com um nível excessivo de precisão.
P: Em Jo 7,8, por que Jesus disse aqui que a sua hora ainda não havia chegado?
R: Ainda não era o momento de Jesus iniciar Seu ministério público, que culminaria com Sua morte na cruz por nossos pecados.
P: Em Jo 7,10, por que Jesus aparentemente mudou de ideia e foi para Jerusalém, depois de ter dito a seus irmãos que não iria?
R: Jesus não quebrou uma promessa; ao contrário, Ele mudou de ideia quanto ao que pretendia fazer. No entanto, por trás dessa resposta simples, há um ponto importante a ser aprendido. Há uma diferença entre uma expressão de intenção e uma promessa.
O livro *Quando os Críticos Perguntam*, p. 414, apresenta uma resposta diferente. Os irmãos de Jesus queriam que Ele fosse a Jerusalém e “se revelasse abertamente como o Messias”. Jesus acabou indo mais tarde, mas não da maneira que Seus irmãos sugeriram.
P: Em Jo 7,13, por que o povo temia os judeus? Eles eram todos judeus!
R: O povo aqui temia as autoridades judaicas. Muitas vezes faz sentido distinguir as crenças e práticas do povo comum dos ensinamentos religiosos oficiais. Além disso, Mateus e Marcos, escritos para um público mais judaico, distinguem entre judeus que são fariseus e saduceus. João, aparentemente escrevendo para um público predominantemente gentio [não judeu], normalmente não faz essa distinção, mas simplesmente os chama de judeus. João menciona os fariseus apenas em João 3:1.
P: Em Jo 7,17, todos aqueles que optam por fazer a vontade de Deus irão para o Céu? — inclusive hindus, muçulmanos, budistas etc.
R: Como aprendeu Caim, filho de Adão, Deus não aceita todos os sacrifícios que Lhe são oferecidos. Conforme mostra 1 Coríntios 10:20, é preciso, no mínimo, oferecer seus sacrifícios ao Deus Verdadeiro. Muitas pessoas se concentram em como outras religiões ensinam doutrinas erradas e “confundem a mente das pessoas”. Igualmente importante é o fato de que elas entorpecem as pessoas, impedindo-as de desejar o que há de melhor, e “confundem seus corações”.
1. Em algumas religiões, incluindo certas formas de hinduísmo, praticar o bem não é um objetivo. Em vez disso, o objetivo é experimentar tanto o bem quanto o mal. Veja a próxima pergunta para comprovar isso.
2. Em algumas religiões, incluindo o budismo e o hinduísmo, não se deseja viver para sempre no Céu. O objetivo é escapar do ciclo indesejável de renascimento e alcançar o Nirvana no budismo, ou unir-se à chama eterna no hinduísmo vedântico.
3. Em algumas religiões, a verdade não importa. O hinduísmo é conhecido como uma religião em que a “lei da não contradição” não é uma grande preocupação.
P: Em Jo 7,17, o que uma religião falsa, o hinduísmo, ensina sobre praticar o bem?
R: Ela ensina pelo menos duas coisas muito diferentes.
É abençoado praticar o bem. “O bem é uma coisa; o prazeroso é outra. Essas duas coisas, diferentes em seus fins, ambas levam à ação. Abençoados são aqueles que escolhem o bem; aqueles que escolhem o prazeroso perdem o objetivo.” Katha Upanishad, p. 16
Por outro lado…
1. “Saiba que todos os estados do ser — sejam eles de bondade, paixão ou ignorância — se manifestam por meio da Minha energia. Eu sou, em certo sentido, tudo, mas sou independente. Não estou sujeito aos modos da natureza material, pois estes, ao contrário, estão dentro de Mim. Iludido pelos três modos [bondade, paixão e ignorância], o mundo inteiro não Me conhece, que estou acima dos modos e sou inesgotável.” Bhagavad Gita 7.12-13, p. 379-380.
2. “Mesmo que alguém cometa a ação mais abominável, se estiver engajado no serviço devocional, deve ser considerado santo, pois está devidamente situado em sua determinação.” Bhagavad Gita 9.30, p. 494
3. “Está escrito: ‘Aquele que conhece a alegria de Brahman, que as palavras não podem expressar e a mente não pode alcançar, está livre do medo. Ele não se angustia com o pensamento: “Por que não fiz o que era certo? Por que fiz o que era errado?” Aquele que conhece a alegria de Brahman, conhecendo tanto o bem quanto o mal, transcende ambos.’ Taittiriya Upanishad, p. 58.
4. “Meus filhos matam seus inimigos e minha filha é imperatriz, e eu sou completamente vitoriosa. Minha voz é suprema aos ouvidos de meu marido. A oferenda que Indra fez e, assim, tornou-se glorioso e supremo, é isso que eu fiz para vós, ó deuses. Tornei-me verdadeiramente sem esposas rivais. Sem esposas rivais, matadora de esposas rivais, vitoriosa e preeminente, conquistei para mim a atração das outras mulheres como se fosse a riqueza de mulheres volúveis.” Essa combinação de adoração e dos primeiros “valores familiares” hindus é extraída do Rig Veda 10.159.3-5.
P: Em Jo 7,18, Jesus está dizendo que não há injustiça em todas as pessoas que buscam a glória do Pai?
R: Não; ao contrário, Jesus está se referindo indiretamente a Si mesmo, dizendo que não há injustiça Nele.
P: Em Jo 7,28, por que Jesus pregou no Templo, já que Ele foi a Jerusalém secretamente em Jo 6,10 para não ser notado?
R: Se Jesus fosse abertamente como indivíduo, as autoridades poderiam prendê-lo facilmente. No entanto, uma vez lá, enquanto Jesus estivesse no meio de uma multidão numerosa e solidária, elas não seriam capazes de prendê-lo. Elas prefeririam esperar até que houvesse o menor número possível de outras pessoas. Jesus e os discípulos passaram a noite fora de Jerusalém, em um local onde nunca seriam encontrados — isto é, a menos que fossem traídos.
P: Em Jo 7,38-39, “em que parte das Escrituras está escrito ‘Rios de água viva jorrarão do seu interior’?”
R: A literatura antiga não fazia distinção entre uma citação exata, uma paráfrase de uma frase e uma paráfrase do conceito comum de várias frases. A Nova Bíblia de Estudo de Genebra, p. 1.676, afirma que, embora essa não seja uma citação exata de nenhuma passagem do Antigo Testamento, pode ser uma referência geral tanto a Isaías 44:3 quanto a Ezequiel 36:25-27.
De acordo com o “Comentário Evangélico sobre a Bíblia”, p. 857, e o “Comentário Bíblico do Crente”, p. 1512, os judeus tinham o costume de trazer água da fonte de Gihon/piscina de Siloé e derramá-la em uma bacia de prata junto ao altar dos holocaustos, enquanto eram entoados os Salmos 113 a 118. No oitavo dia, eles não faziam isso.
P: Em João 7:38-39, como é que rios de água viva jorram de Jesus?
R: Assim como a água dá vida, promove o crescimento, purifica e sacia a sede, Jesus nos concede isso espiritualmente. Trata-se do Espírito Santo, conforme João 7:39.
P: Em João 7:39, o Espírito Santo já estava no mundo antes de Jesus vir à Terra?
R: Sim, mas de forma mais limitada. Nos tempos do Antigo Testamento, o Espírito Santo estava com os profetas, mas o crente comum daquela época não possuía o Espírito Santo.
P: Em João 7:46, o que exatamente o grego significa aqui?
R: Em João 7:46, o grego aqui é muito enfático. Embora “Ninguém jamais falou dessa maneira…” (NVI) seja uma tradução correta, uma tradução mais precisa seria “nunca um homem falou dessa maneira…” (Wuest), “Nunca falou assim um homem” (The Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento, p. 302), ou “Nunca nenhum homem falou dessa maneira” (The Expositor’s Bible Commentary, vol. 9, p. 88).
P: Em Jo 7:51-52, não tenho certeza: se eu tivesse vivido na época de Cristo, teria sido capaz de compreender tudo o que deveria fazer? Isso é necessário?
R: Embora o senhor talvez não tivesse compreendido tudo por conta própria naquela época, quem diz que hoje somos capazes de compreender tudo sozinhos? É por isso que precisamos pedir a ajuda de Deus e precisamos da ajuda uns dos outros. Qualquer pessoa, deixada por conta própria, pode chegar a conclusões tolas e insensatas. Precisamos da ajuda de Deus e uns dos outros para oferecer ajuda e correção.
P: Em Jo 7,52, Jesus era de Belém, na Judéia, ou de Nazaré, na Galiléia?
R: Ambos; Jesus nasceu em Belém, na Judéia, e foi criado em Nazaré, na Galiléia.
P: Em Jo 7,52, por que disseram que nunca surgiu um profeta da Galiléia, se Jonas era daquela região, de Gate-Hefer, a cerca de três milhas de Nazaré? (O cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 971, levanta essa questão.)
R: Observe que os interlocutores são judeus incrédulos. Embora Jonas provavelmente fosse de Gate-Hefer, em Nazaré, isso não é certo. A Bíblia não diz que “nenhum profeta jamais veio daquela Galiléia”. Em vez disso, eles disseram: “nenhum profeta jamais veio da Galiléia”. Os interlocutores que rejeitaram Jesus provavelmente estavam equivocados nesse ponto.
Por que Jesus falou daquela maneira? Ele não estava apenas tentando causar confusão pelo simples prazer de causar confusão, e certamente não estava fazendo isso apenas para aumentar sua popularidade. Alguns podem pensar que Jesus deveria ter respondido de maneira mais cordial. Mas, aparentemente, Jesus estava pressionando as pessoas a tomarem uma decisão, fosse ela qual fosse. Elas alegavam rejeitá-Lo com base nas razões mais frágeis. Se Jesus tivesse feito apenas mais um milagre para que elas vissem, depois de todos os outros milagres, isso teria feito grande diferença? Não. A questão não era falta de informação ou falta de credenciais; a questão era levá-las a tomar uma decisão.
P: Em Jo 8,3-4, por que os fariseus trouxeram a mulher apanhada em flagrante de adultério a Jesus e não o homem?
R: Essa é uma boa pergunta, especialmente porque Deuteronômio 22:22-24 diz que ambos deveriam ser levados. Parece que eles estavam menos interessados em que o homem fosse julgado do que a mulher. Ou, talvez, não estivessem interessados em justiça alguma, mas apenas em armar uma armadilha para Jesus. A Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia, p. 372, Quando os Críticos Perguntam, p. 415, e Josh McDowell (em uma palestra) também observaram essa ilegalidade.
P: João 8:3-4 mostra que Jesus não aceitava a pena de morte?
R: Não, mas o processo não foi conduzido de forma adequada, já que o homem também não foi levado. Consulte a pergunta anterior para obter mais informações.
P: Em Jo 8,3-4, em que parte do Antigo Testamento se ordena que a mulher seja apedrejada até a morte por adultério (um muçulmano levantou essa questão)?
R: A execução por adultério era prescrita em Levítico 20:10 e Deuteronômio 22:22-24. A forma de execução, o apedrejamento, é mencionada em Deuteronômio 22:24 no exemplo de um homem que se deita com uma virgem prometida em casamento a um marido na cidade.
P: Em João 8:6, na história da mulher adúltera, o que Jesus escreveu na areia?
R: Seis pontos a serem considerados na resposta.
1. A maioria dos manuscritos bíblicos diz “escreveu no chão”. Entre eles estão o Cantabrigiensis, o Lecionário Bizantino, o copta boairico e outros.
2. No entanto, os manuscritos armênios (dos séculos V e IX) dizem: “escreveu no chão os pecados de cada um deles”.
3. Contudo, outros manuscritos e autores não contêm essa parte do Evangelho de João. Entre eles estão: Bodmer 2, Bodmer 14, 15, o Sinaítico, o Vaticano, o Alexandrino, o copta sahídico, o gótico e o Diatessaron.
4. Supondo que a maioria dos manuscritos esteja correta, as Escrituras não mencionam o que Jesus fez com a vara no chão. A Enciclopédia das Dificuldades Bíblicas, pp. 371-373, afirma que, fosse o que fosse, isso os convenceu de seus próprios pecados. Alguns especulam que Jesus estava escrevendo seus pecados ou os nomes das namoradas de alguns deles.
5. Trouxeram apenas a mulher apanhada em flagrante; nunca trouxeram o homem. Talvez alguns dos homens com quem a mulher havia cometido adultério estivessem na multidão.
6. Por outro lado, o livro “Now That’s a Good Question”, pp. 586-587, afirma que não só não sabemos, como também não temos certeza de que Jesus tenha escrito alguma coisa. Ele poderia simplesmente estar rabiscando enquanto pensava. No entanto, houve algo que fez com que todos os homens se retirassem abruptamente.
P: Em Jo 8,11, uma vez que Jesus seguia a Lei mosaica, por que Jesus não condenou a mulher?
R: Há dois pontos a serem considerados na resposta.
Jesus não era obrigado a punir a mulher que sabia ser culpada, porque 1) Jesus não era uma autoridade governamental naquele contexto, 2) Jesus era quem havia dado a lei e 3) o procedimento não estava correto, já que o homem também não havia sido trazido.
No entanto, Jesus de fato seguiu a Lei Mosaica. Era necessário haver um acusador, e não havia acusadores. Além disso, toda a situação era estranha, pois ela havia sido flagrada em flagrante, e, ainda assim, nenhum homem havia sido apresentado.
P: Em Jo 8,12, de que forma Jesus é a luz do mundo?
R: A luz é indispensável para a nossa vida. Ela não apenas atrai as pessoas, como também as impede de tropeçar na escuridão, permite que nos examinemos, que nos reconheçamos uns aos outros e que apreciemos a beleza. Mesmo naquela época, as pessoas já sabiam que, sem luz, as plantas de interior não crescem. Jesus é mais importante para nós do que a própria luz física.
P: Em Jo 8,13-14, por que os fariseus alegaram que o fato de Jesus dar testemunho de si mesmo significava que seu testemunho não era válido?
R: Se alguém fizesse uma afirmação sem provas, tal afirmação seria suspeita. Jesus considerou que seria estranho tentar aplicar isso a Ele. Afinal, o Pai, de certa forma, testificou a todos sobre Jesus, por meio das profecias escritas centenas ou até mil anos antes e ao fazer com que Jesus realizasse muitos milagres naquela época.
P: Em Jo 8,14-18, por que Jesus respondeu aos fariseus daquela maneira?
R: Provavelmente há uma série de razões.
1. Por fazer parte daquela cultura, Jesus compreendia os preconceitos dos fariseus em geral.
2. Jesus compreendia esses fariseus individualmente.
3. Jesus frequentemente falava de forma figurada por opção (João 16:25, 29).
4. Poderia ser uma atitude misericordiosa não dizer muito àqueles que O rejeitaram, como mostram 2 Pedro 2:21-22 e João 15:22-25.
Além disso, em João 8:17, Jesus disse “a lei de vocês”, pois a relação de Jesus com a lei era diferente da deles, assim como Jesus diria “meu Pai” e “o Pai de vocês”, mas não “Nosso Pai”, exceto quando lhes ensinava a Oração do Senhor.
P: Em João 8:17 e João 10:34, Jesus disse “a vossa” lei?
R: Três pontos a serem considerados na resposta.
Em João 8:17, o Novo Testamento Grego de Aland (1975) não menciona nenhum manuscrito grego que diga “a lei de vocês”. Eles dizem “a lei”.
Quanto a João 10,34, a maioria dos manuscritos em João 10,34 diz “a lei”. Entre eles estão: Bodmer II (125-175 d.C.), Bodmer 14 e 15 (início do século III), o Sinaítico, o Vaticano, o Alexandrino, o Lecionário Bizantino, o copta sahídico, o copta boairico, o gótico, o armênio e o de Atanásio
No entanto, alguns manuscritos de João 10:34 dizem: “a lei de vocês”. Entre eles estão o Papiro Chester Beatty I (100-150 d.C.), o Sinaítico (corrigido), o Cantabrigiense e os escritores Tertuliano (198-220 d.C.) e Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.).
P: Em Jo 8,18-19, Jesus estava falando sobre Seu Pai; então, o que há de errado em perguntar a Jesus onde estava Seu Pai?
R: Embora Jesus estivesse falando sobre Deus Pai no Céu, quem fez a pergunta não estava. O questionador estava acusando Jesus de ter nascido de forma ilegítima. Ele não estava buscando uma resposta de Jesus; apenas queria lembrar à multidão das “incertezas” sobre o nascimento de Jesus para desacreditá-lo aos olhos da multidão. Mas ele formulou isso como uma pergunta para que não ficasse tão óbvio o que estava tentando fazer.
P: Em Jo 8,24.58; Jo 13,19; e Jo 18,5.6, além de “Eu sou”, que outros títulos o Pai e Jesus compartilham?
R: Aqui está uma lista parcial dos títulos de Deus no Antigo Testamento e dos títulos de Jesus no Novo Testamento.
Referência no Antigo Testamento | Título | Referência no Novo Testamento |
Jó 33:4; Isaías 40:28 | Criador | João 1:3; Colossenses 1:16-17 |
Salmo 106:21; Isaías 45:21-23 | Salvador | João 4:42; Efésios 5:23; Atos 4:12 |
Isaías 7:14; 9:6; 10:21 | Deus | Mateus 1:23; João 1:1; Romanos 9:5; Colossenses 2:9 |
Êxodo 3:14; Dt 32:39 | EU SOU | João 8:24,58; 13:19; 18:5,6 |
Isaías 41:4; 44:6; 48:12 | O Primeiro e o Último | Apocalipse 1:17; 2:8; 22:13 |
Deuteronômio 32:4; Salmo 28:1 | Rocha | 1 Coríntios 10:4; Mateus 16:18 |
Salmo 27:1; Miquéias 7:8 | Luz | Lucas 2:32; João 1:9; 8:12 |
Gênesis 18:25; Salmos 58:11; Joel 3:12 | Juiz | Apocalipse 14:10; 2 Coríntios 5:10; 2 Timóteo 4:1 |
P: Em João 8:29, como é que o Pai [supostamente] nunca abandonaria Jesus, uma vez que Jesus disse: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”, em Mateus 27:26 e Marcos 15:34?
R: João 8:29 NÃO diz que o Pai nunca abandonaria Jesus. Diz: “não me deixou sozinho” (ou “não me abandonou”). O Pai de fato abandonou Jesus na cruz, mas, por outro lado, ao morrer, Jesus disse: “Nas tuas mãos entrego o meu espírito”, em Lucas 23:47.
P: Em João 8:31, permanecer na palavra de Jesus é uma condição para ser discípulo de Jesus?
R: É uma evidência, não uma pré-condição. Uma analogia pode ajudar a responder a essa pergunta. Respirar é uma condição para se estar vivo? Respirar é uma evidência de que se está vivo. No entanto, embora seja possível realizar respiração artificial indefinidamente em um cadáver, isso não fará com que o cadáver volte à vida. Além disso, uma pessoa viva pode prender a respiração por alguns minutos, mas, em seguida, sentirá uma forte necessidade de respirar novamente e o fará.
De maneira semelhante, permanecer em obediência à palavra de Jesus é evidência de uma nova vida em Cristo. Um não cristão pode seguir os mesmos mandamentos, por algum tempo, mas isso não significa que tenha pedido a Jesus para ser o Senhor e Salvador de sua vida. Um cristão poderia optar por não obedecer a Jesus por algum tempo, mas, se for genuinamente salvo, sentirá um forte desejo de retornar a Cristo e assim o fará.
P: Em Jo 8,32, o que Jesus quis dizer com “vos libertará”?
R: Jesus nos liberta de pelo menos quatro maneiras maravilhosas.
Judicialmente: Deus declara que todos os nossos pecados estão “totalmente pagas” por meio do dom da morte de Jesus na cruz
Nesta vida, somos libertos da escravidão do pecado e da compulsão de pecar.
Eternamente, somos libertos da Segunda Morte e viveremos para sempre com Deus, sem medo de cair.
No dia a dia, podemos viver uma vida de esperança, amor e alegria na liberdade de Cristo.
P: Em Jo 8,37, como é possível que não houvesse espaço em seus corações para a palavra de Jesus?
R: Jesus deu uma descrição muito apropriada. Em sua lógica peculiar, não havia espaço para que o Messias viesse para o meio deles. Não havia desejo em seus corações de ver o Messias. Não tinham intenção de esperar pelo Messias, nem de segui-Lo caso Ele viesse e não se ajustasse aos seus desejos. Eram incapazes de aprender, não porque não pudessem compreender, mas porque não queriam compreender; não eram incapazes, mas relutantes.
Jesus não estava apenas criticando suas conclusões. Em vez disso, Ele estava criticando a apatia deles em descobrir o que era verdade.
Hoje, os cristãos, que buscam a verdade, podem ingenuamente pensar que todos os demais, seja de maneira correta ou errada, também estão buscando a verdade. Muitos precisam primeiro desejar encontrar a verdade, antes que encontrá-la lhes traga algum benefício.
P: Em Jo 8,44, por que Jesus disse às pessoas que valorizavam sua ascendência que seu pai era o diabo?
R: Suponho que tenha sido porque Jesus nunca fez um curso sobre “Como Conquistar Amigos e Influenciar Pessoas”. O politicamente correto de Jesus é altamente questionável aqui, assim como em outros contextos.
Falando sério, Jesus estava mais preocupado com elas e com seu destino eterno do que com o fato de elas gostarem ou não de Suas palavras.
Hoje, uma das razões pelas quais alguns cristãos (incluindo eu mesmo) têm se tornado culpados por não compartilhar o Evangelho tanto quanto deveriam é que valorizam mais a amizade do que se importam com o amigo.
P: Em Jo 8,47, como aqueles que são de Deus ouvem a palavra de Deus?
R: Aqueles que são de Deus ouvem a palavra de Deus em dois sentidos diferentes.
Os crentes já ouviram a palavra de Deus, a receberam com alegria e entregaram suas vidas a Deus.
Os eleitos podem ainda não ter sido salvos. No entanto, o termo “eleitos” significa que eles serão salvos, mais cedo ou mais tarde.
P: Em Jo 8,48, por que tentaram “insultar” Jesus, acusando-O de ser samaritano?
R: Eles considerariam isso um grande insulto, e Jesus compreenderia claramente o que eles estavam expressando quanto ao grau de desprezo que nutriam por Ele. No entanto, Jesus não considerou essas palavras um insulto e, aparentemente, nem se deu ao trabalho de responder a isso.
P: Em Jo 8,50, como é que o Pai é o juiz, uma vez que Jo 5,22 diz que “o Pai a ninguém julga, mas confiou todo o julgamento ao Filho”?
R: Primeiro, o que não é a resposta, e depois a resposta. Existem dois julgamentos: o julgamento do Grande Trono Branco e o julgamento no bema de Cristo para a distribuição das recompensas aos crentes. Existem palavras gregas diferentes para “julgamento”, significando discernir e condenar. No entanto, considerando as diferenças de tempo verbal, a palavra grega em ambos os versículos é a mesma: krinei.
A resposta é que, no que diz respeito ao julgamento de todas as pessoas, o Pai é o juiz e a autoridade suprema, mas o Pai não julga nada, a não ser por meio de Jesus. A Bíblia fala apenas do Pai como aquele que nos predestina, mas somos predestinados e salvos por meio de Cristo. João 5:22 não diz meramente que o Pai permite que Jesus julgue algumas pessoas; ao contrário, o Pai não julga nada além do que confiou a Cristo.
Veja como isso se desenrola em Apocalipse 20:11-15. Aquele que está sentado no grande trono branco é, muito provavelmente, o Pai. Há dois livros: o livro das obras e o Livro da Vida. O Livro da Vida é o “Livro da Vida do Cordeiro” , de acordo com Apocalipse 21:27. O Pai envia todos para o Lago de Fogo que não estão inscritos no Livro da Vida do Cordeiro.
P: Em João 8:51, como é que aqueles que guardam as palavras de Jesus nunca verão a morte?
R: Consulte a discussão sobre João 6:50-51 para obter a resposta.
P: Em João 8:57, isso poderia significar que Jesus tinha realmente cerca de 50 anos, como ensinou Irineu de Lyon (182-188 d.C.)?
R: Não. Irineu foi um grande mestre cristão dos primórdios, mas mesmo bons mestres cristãos podem cometer erros, e Irineu estava completamente equivocado neste ponto (Irineu, Contra as Heresias, livro 2, cap. 22.6, p. 392). Foram os fariseus que afirmaram que Jesus tinha menos de 50 anos. Talvez quisessem exagerar a sua juventude. Ao analisar um versículo da Bíblia, é de importância crucial que se identifique quem está falando.
P: Em Jo 8,58, por que Jesus estava usando o Nome Divino neste contexto?
R: Jesus estava dizendo claramente aos judeus que Ele não era apenas um profeta, nem apenas o Messias, mas que Jesus era o próprio Deus. Abraão conhecia esse nome, mas foi a Moisés, na sarça ardente (Êxodo 3), que o próprio Deus revelou pela primeira vez o pleno significado de Seu nome
P: João 8:58 significa que Jesus pré-existia, mas que Ele não era eternamente pré-existente, como ensinam as Testemunhas de Jeová (Raciocínio a partir das Escrituras, 1989, p. 418)?
R: Não. João 8:58 diz que Jesus existia antes de Abraão nascer, mas não especifica há quanto tempo Jesus existia antes do nascimento de Abraão. João 1:1 nos diz, porém: “No princípio era o Verbo…”, e nada foi feito, a não ser por meio de Cristo. Quando os adeptos de seitas perguntam, pp. 173-174, que esse é o mesmo termo usado para se referir a Deus Pai, e que tal uso não significa de forma alguma que Deus Pai tenha tido um momento em que passou a existir pela primeira vez.
P: João 8:58 significa que todos os seres humanos têm a presença de Deus, o “Eu Sou”, dentro de si, como ensinam os adeptos da Nova Era Mark e Elizabeth Claire Prophet (Ensinamentos Perdidos de Jesus, p. 87) e Mary Baker Eddy, fundadora da Ciência Cristã (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 333-334)?
R: Não. Observe o tema do discurso de Jesus e a reação dos judeus. Jesus estava falando de Si mesmo, não de nós. Os judeus reagiram negativamente porque perceberam que Jesus afirmava que Ele próprio era Deus. Ninguém nos Evangelhos, nem nenhum escritor da Igreja primitiva, jamais inventou a ideia de que Jesus estivesse dizendo que o “Eu Sou” se referia a todos os seres humanos.
P: Em Jo 8,59, por que Jesus, que é Deus, se escondeu ali?
R: Jesus se escondeu porque estavam tentando apedrejá-Lo. Jesus era Deus, mesmo na Terra, mas, como mostra Filipenses 2,7, Jesus voluntariamente se esvaziou e se tornou nada quando veio à Terra. Uma pessoa pode estar cumprindo a vontade de Deus e, ao mesmo tempo, se escondendo dos malfeitores.
P: Em Jo 9,1, esse homem nasceu cego por causa dos pecados que cometeu antes de reencarnar, como ensina a Escola da Unidade do Cristianismo?
R: Se Jesus tivesse dito: “esse homem nasceu cego por causa dos pecados que cometeu antes de nascer nesta vida”, então a Escola da Unidade do chamado cristianismo teria razão.
No entanto, Jesus não só não disse isso, como também afirmou o contrário. Na verdade, esse versículo pode ser usado para demonstrar que a reencarnação NÃO foi um fator determinante na cegueira desse homem. Especificamente, quando perguntaram a Jesus se esse homem ou seus pais haviam pecado, Jesus respondeu: nenhum dos dois.
P: Em Jo 9,1-3, por que exatamente esse homem nasceu cego?
R: Jesus disse que não foi por causa do pecado dele nem do pecado de seus pais. As pessoas em geral sofrem nesta vida, inclusive com defeitos congênitos, porque nascemos como criaturas caídas, vivendo em um mundo caído. No entanto, no caso específico desse homem, sua cegueira serviria para glorificar a Deus, pois Jesus o curou e seus olhos seriam um testemunho para que outros pudessem ver a verdade de Jesus.
Em contraste com isso, os rabinos judeus posteriores tinham uma explicação completa para o motivo pelo qual as pessoas adoeciam. A hidropisia significava que a pessoa havia cometido pecado sexual; a icterícia era ódio insaciável; a pobreza e a humilhação significavam que a pessoa tinha o pecado do orgulho; e uma doença no fígado (?) significava calúnia. Em Shabbath 55a, há a afirmação: “Não há morte sem pecado, nem castigo sem má conduta.”
P: Em Jo 9,4, o que Jesus quis dizer com “está chegando a noite em que ninguém poderá trabalhar”?
R: Há dois aspectos na resposta.
Em breve, essa fase da obra de Deus, quando Jesus caminhava sobre a terra, chegaria ao fim.
Por um curto período, entre a crucificação e a Ressurreição, todos seriam dispersos. Eles não voltariam a atuar no ministério, de forma significativa, até o Pentecostes, 50 dias após a Páscoa judaica.
Mais importante ainda, os judeus demonstravam abertura para ouvir o novo ensinamento de Jesus, e essa abertura logo desapareceria após os primeiros dias da igreja primitiva.
Hoje, ainda é necessário ter senso de oportunidade no trabalho ministerial. Os países se abrem ou se fecham ao Evangelho de acordo com o regime político no poder. Culturas inteiras tornam-se mais abertas ou fechadas com base em sua prosperidade, em sua mídia e em outras influências terrenas (e não apenas terrenas).
P: Em Jo 9,6, por que Jesus fez barro com sua saliva, já que Ele poderia simplesmente ter proferido as palavras?
R: Havia inúmeras maneiras pelas quais Jesus poderia ter curado o homem. Talvez Jesus quisesse usar essa forma para enfatizar que, como Palavra de Deus, Ele era Aquele que havia criado o homem, incluindo seus olhos, a partir do pó da terra. Tecnicamente, Jesus não restaurou a visão dele, pois ele nunca teve visão para começar. Uma teoria é que o homem não possuía globos oculares, de modo que Jesus, como Criador, estava formando os globos oculares. Além disso, as tradições rabínicas proibiam amassar barro no sábado, e Jesus estava infringindo a tradição rabínica.
P: Em Jo 9,7, por que Jesus o enviou à piscina de Siloé?
R: Jesus poderia tê-lo curado naquele mesmo momento, sem precisar ir até a piscina, e Siloé ficava no extremo sudeste da cidade, a uma certa distância. O cego, que provavelmente dependia de outras pessoas para tudo na vida, teria que tomar a iniciativa e pedir que alguém o conduzisse até a piscina. Muitas pessoas em Jerusalém veriam esse cego, com lama nos olhos, caminhando pela cidade para ir até a piscina a fim de ser curado. Seria uma cena incomum.
P: Em Jo 9,7, por que é significativo que a palavra para a piscina, Siloé, signifique “enviado”?
R: João considerou isso significativo, pois ele nos destaca isso especialmente. Em um nível, o homem foi até lá para se lavar porque foi enviado por Jesus. O próprio Jesus era um “enviado”, enviado pelo Pai. Como crentes, somos “enviados” por Deus a vários locais e conjuntos de circunstâncias. Nem sempre Deus nos envia aos lugares mais agradáveis, mas aos lugares para onde Ele deseja que vamos.
Em outro nível, a única piscina grande nas proximidades chamava-se Siloé, e “certamente parece uma coincidência incomum” que houvesse esse trocadilho: o homem enviado à piscina do “enviado”? – exceto que não há coincidências com Deus. Deus pode perscrutar e alterar a história para criar um trocadilho, exceto que esse trocadilho não tinha o objetivo de ser engraçado, mas de fornecer mais uma pista de que Jesus era quem Ele afirmava ser. Embora Jesus estivesse na história, Ele não foi realmente feito para a história; a história foi feita para Jesus.
P: Em Jo 9,14-16, por que os fariseus afirmaram que Jesus não guardava o sábado?
R: Há três pontos a serem considerados na resposta.
Nenhuma lei do Antigo Testamento proibia curar, salvar a vida de um animal ou salvar a vida de uma pessoa no sábado. Nenhuma lei dizia que não se pudesse demonstrar amor pelos outros e cuidar deles nesse dia. A proibição se limitava apenas ao trabalho.
Os fariseus acrescentaram à obra de Deus ao afirmar que não se podia fazer muitas coisas (como, por exemplo, caminhar uma milha, mas não duas) e que não se podia criar coisas. Aparentemente, eles consideravam a cura como “criação” e, portanto, proibida de acordo com sua interpretação.
Hoje, assim como naquela época, é muito importante diferenciar entre o que Deus disse e a sua interpretação do que Deus disse, conforme mostram 1 Coríntios 4:6 e Provérbios 30:5-6.
P: Em João 9:24, por que os fariseus disseram: “dêem glória a Deus”?
R: Essa foi uma exortação solene para que se dissesse a verdade. Josué 7:19 usa uma frase semelhante.
P: Em João 9:26-27, por que os fariseus estavam perguntando novamente? Como se sabe quando as perguntas de alguém são sinceras?
R: À primeira vista, parecia que eles realmente queriam saber, ou que não tinham ouvido da primeira vez. No entanto, nem mesmo o homem que nasceu cego se deixou enganar; ele sabia que aquilo era apenas uma manobra de distração. Eles não estavam perguntando porque queriam conhecer a verdade; estavam perguntando para encontrar alguma falha ou contradição, seja no testemunho do homem, seja nas ações de Jesus.
Nem toda pergunta é sincera; mesmo algumas que são formuladas de maneira sincera não o são, mas escondem uma intenção oculta por trás delas.
Certa vez, eu estava conversando com um rapaz que se dizia ateu e perguntou sobre predestinação e livre arbítrio. Depois de conversarmos por uma hora, finalmente perguntei a ele: “Se eu pudesse lhe mostrar que Jesus era quem Ele afirmava ser, o senhor O seguiria?”. Sem a menor hesitação, ele respondeu: “De jeito nenhum! Quero viver minha vida do jeito que eu quiser.” Um pensamento passou rapidamente pela minha mente; talvez fosse o Espírito Santo ou talvez fosse apenas eu. Mas o pensamento foi: “uma hora, simplesmente desperdiçada.” E se eu tivesse feito essa pergunta logo no início da conversa e, caso essa conversa não tivesse efeito algum para que ele se aproximasse de Cristo, poderíamos ter conversado sobre algo que tivesse?
Ao discutir um assunto com um não crente, deve-se perguntar, logo no início, se ver essa questão resolvida o levaria mais perto de depositar sua fé em Cristo ou não. Se ele responder que sim, então continue. E, ao final da conversa, se ele perceber que a questão está resolvida, pergunte-lhe o que o impediria de dar o próximo passo e assumir um compromisso com Cristo.
Eles agiam como se quisessem saber a verdade, mas nem mesmo afirmavam que alguém que realizava milagres que só poderiam ser feitos por meio de Deus pudesse ser de Deus. A resposta do ex-cego resume-se a: “Que vergonha para vocês!” Às vezes, quando alguém tem o coração endurecido, é isso que devemos dizer também.
P: Em Jo 9,34, se uma criança ou alguém a quem não admiramos nos dissesse para fazer algo, e soubéssemos que era a coisa certa a se fazer, deveríamos fazê-lo?
R: Sim, embora os fariseus em João 9:34 não pensassem assim. Mas, se quisermos seguir a Deus e fazer o que é santo, devemos fazer o que é certo, independentemente de quem nos esteja dizendo. Tiago 4,17 diz: “Quem, então, sabe o que é certo fazer, mas não o faz, é culpado de pecado.” Não há menção de que isso possa ser desconsiderado se a pessoa que lhe diz isso for uma criança ou qualquer outra pessoa.
P: Em João 9:34, por que os fariseus disseram que o cego havia nascido em pecado?
R: Provavelmente, eles não estavam comentando sobre sua visão da natureza humana em geral. Em vez disso, achavam que o fato de o homem ter nascido cego provava que, ao contrário de outras pessoas, ele havia nascido em pecado. Jesus contradisse esse falso ensinamento em João 9:1-3.
O Midrash judaico sobre Deuteronômio 31:14 afirma que uma mulher grávida que peca faz com que seu filho ainda não nascido peque, de acordo com o New International Bible Commentary, p. 1248, extraído de (cf. N.P. Williams, Ideas of the Fall and Original Sin, 1927, p. 98).
O homem não podia mais adorar na sinagoga, pois havia sido expulso pelos fariseus. Mas a falta desse local não importava, pois ele passou a adorar a Jesus em seu lugar.
P: Em Jo 9,27-32, os fariseus estavam, na prática, impedindo Deus de fazer isso. De que maneiras as pessoas tentam impedir Deus de agir hoje em dia?
R: Elas fazem isso de muitas maneiras, embora nem sempre tenham consciência de que é isso que estão fazendo.
Os muçulmanos acreditam que Deus não tem um Filho, mas muitos muçulmanos acreditam que o Deus Todo-Poderoso não poderia ter um Filho.
Os Santos dos Últimos Dias (mórmons) acreditam que seu deus, o deus deste mundo, tornou-se deus ao seguir as leis e ordenanças. As leis e ordenanças são, em certo sentido, superiores aos seus deuses.
Muitos adventistas do sétimo dia acreditam que Deus não poderia alterar o sábado como dia de descanso.
Alguns calvinistas acreditam que, se Deus concedesse livre arbítrio a qualquer ser, então Deus não seria Deus. Podem ler o ensinamento de R.C. Sproul sobre “uma molécula rebelde” para saber mais sobre isso. Eles não veem — ou não querem ver — como possível que o Deus onisciente pudesse conceder um grau de liberdade, sabendo com certeza o que seria escolhido, e mesmo que essa liberdade estivesse sob Sua soberania. O Deus todo-poderoso tem o poder de “permitir”. Felizmente, muitos calvinistas, como Francis Schaeffer, reconhecem isso.
Alguns arminianos acreditam que Deus não poderia predestinar, pois isso não seria “justo”. Eles precisam considerar que, embora a Bíblia afirme que Deus é justo, ela nunca diz que Deus é “justo” ou “equitativo” segundo algum padrão humano.
Há outros exemplos também.
P: Em Jo 9,40, por que os fariseus perguntaram se Jesus achava que eles eram cegos?
R: A capacidade física deles de enxergar não tinha nada a ver com a pergunta, nem com a resposta de Jesus. Eles estavam acostumados com metáforas e estavam perguntando a Jesus qual era a opinião Dele a respeito deles. Jesus achava que os principais líderes espirituais do povo eram, de fato, espiritualmente cegos?
Jesus, na verdade, não disse “vocês podem ver ou não podem ver”. Ele disse que, se fossem genuinamente insensíveis às coisas espirituais (cegos), não seriam culpados de pecado. Mas, como afirmavam que podiam ver as coisas espirituais — independentemente de realmente poderem ou não —, não eram apenas cegos, mas culpados perante Deus. Os fariseus não eram apenas cegos, mas culpados de cegueira voluntária.
P: Em Jo 10,1-2, o que Jesus está dizendo figurativamente sobre ladrões e salteadores?
R: Qualquer pessoa, naquela época ou hoje, que diga às pessoas que é o caminho, ou que pode mostrar-lhes o caminho, e que não venha do Deus verdadeiro, é um ladrão e um assaltante. Os ladrões de ovelhas geralmente não vinham e levavam à força cada ovelha, uma a uma. Eles abriam o portão e tentavam conduzir todo o rebanho. Os ladrões tentam levar secretamente, e os assaltantes levam pela violência. Independentemente disso, porém, qualquer pessoa que entrasse no curral das ovelhas escalando o muro tinha más intenções. A maneira como se entra é tão importante quanto o fato de entrar ou não.
Costumavam misturar ovelhas de vários rebanhos no mesmo curral, e não marcavam as ovelhas para identificar a quem pertencia cada uma. Em vez disso, o pastor chamava as ovelhas, e somente aquelas sob os cuidados daquele pastor o acompanhavam.
Não se pode esperar que as ovelhas façam muito, pois não são muito inteligentes, mas ainda assim sabem seguir seu pastor e mais ninguém. O que é surpreendente, porém, é o número de seres humanos que pensam que podem seguir a Cristo e, ao mesmo tempo, se envolvem em seguir ladrões e assaltantes.
P: Em Jo 10,2.7, nessa parábola, Jesus é o pastor ou a porta?
R: Ambos. Embora os escritores antigos não se opusessem a misturar metáforas, ambas fazem parte da mesma metáfora neste caso. Um curral de ovelhas, construído com paredes de barro ou pedra, muitas vezes não possuía um portão de madeira. O próprio pastor deitava-se na frente da abertura, servindo como portão.
P: Em Jo 10,8, quem eram os ladrões e salteadores que vieram antes de Jesus?
R: Eram falsos messias e falsos profetas. Os falsos messias, em geral, persuadem as pessoas a depositarem sua confiança neles, em vez de no verdadeiro messias. Os falsos profetas diziam para confiar em um falso messias ou em um falso deus.
Além disso, essas palavras foram proferidas durante o período do Hanukkah, que comemora a reconsagração do templo sob o comando de Judas Macabeu. Havia líderes corruptos de Israel, que se aliaram aos selêucidas naquela época, e havia líderes corruptos, os saduceus, que se aliaram aos romanos nesta época.
P: Em Jo 10,11, Jesus é o Pastor, ou é o Cordeiro em 1 Cor 5,7 e Jo 1,29-34?
R: Trata-se de figuras de linguagem chamadas metáforas, e ambas são apropriadas e verdadeiras para Jesus. Ele é nosso Pastor, na medida em que nos guia e devemos segui-Lo e obedecer-Lhe. Mas Jesus veio para morrer como o Cordeiro da Páscoa por nossos pecados.
P: Em Jo 10,11, Jesus deu a Sua vida pelas Suas ovelhas ou também pelos Seus inimigos, como indicam Rm 5,6.10 e 2 Pe 2,1?
R: Jesus deu a vida não apenas por aqueles que eram Seus amigos antes de Sua crucificação, mas também por Seus inimigos, como Saulo de Tarso, que odiava o nome “cristão”. Mas Saulo mais tarde se arrependeu e mudou seu nome para Paulo. Romanos 5:10 nos diz que Cristo não morreu pelas pessoas que desejavam a salvação; Ele morreu até mesmo por aqueles que, inicialmente, não queriam ter nada a ver com a salvação de Cristo, mas que mais tarde se converteram e se arrependeram.
Cristo morreu até mesmo por aqueles que nunca se arrependeriam? Sim, a oferta de salvação de Cristo é para todos, conforme 1 João 2:2. No entanto, a salvação de Cristo “não tem valor para eles, uma vez que não compartilhavam da fé daqueles que a compreenderam”. (Hb 4,2). Não adianta nada para aqueles que “negam o Senhor que os resgatou” (2 Pedro 2,1), que “rejeitaram o propósito de Deus para si mesmos” (Lc 7,30) e que “se apegam a ídolos sem valor [e] abandonam Sua devoção amorosa” (Jonas 2,8) (BSB)
Consulte *When Critics Ask*, p. 416, para uma resposta diferente, mas complementar.
P: Em Jo 10,14-33, em que momento as palavras de Jesus teriam sido blasfêmia se tivessem sido proferidas por um homem comum?
R: Embora as Escrituras não o digam, qualquer outra pessoa que proferisse as palavras de João 10:1 em diante seria um falso profeta, caso dissesse essas palavras a respeito de si mesma. Quando Jesus fala sobre “Suas ovelhas” e “Sua autoridade”, Ele está afirmando Sua reivindicação de ser Deus, mesmo antes de João 10:33-42.
P: Em João 10:16, quem são as outras ovelhas às quais Jesus se refere?
R: Jesus está se referindo aos gentios (não judeus). Não se refere apenas às pessoas do Novo Mundo, como ensinam os mórmons. Também não se refere a todos os que crêem e não fazem parte dos 144 mil das Testemunhas de Jeová, como ensinam as Testemunhas de Jeová. Consulte *O Livro Completo de Respostas Bíblicas*, p. 57-58; *Quando os Seguidores de Seitas Perguntam*, p. 175-176; e *Testemunhas de Jeová Respondidas Versículo por Versículo*, p. 78-79, para obter respostas mais detalhadas.
P: Em Jo 10,18, como foi que Jesus recebeu o poder de entregar a Sua vida e retomá-la?
R: Jesus esvaziou-se de si mesmo quando veio à Terra, de modo que não possuía nenhum poder, exceto aquele que o Pai e o Espírito lhe concederam. Na Terra, eles lhe concederam o poder de entregar a sua vida (morrer fisicamente) e ressuscitar.
P: Em Jo 10,23, o que era a Festa da Dedicação, que ocorria no inverno?
R: Trata-se da mesma festa que a Festa das Luzes, ou Hanukkah, de acordo com o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 310, e o *Believer’s Bible Commentary*, p. 1527. O Hanukkah comemorava a rededicação do Templo após sua profanação durante o período em que os macabeus libertaram Israel. É importante observar que o Hanukkah não é mencionado como uma festa no Antigo Testamento, mas Jesus o celebrou com outros judeus. É permitido celebrar uma festa que não conste na Bíblia.
P: Em Jo 10,26, alguns dos judeus não eram ovelhas de Jesus porque não acreditavam, ou não acreditavam porque não eram ovelhas de Jesus?
R: Primeiro, um breve estudo de palavras; em seguida, três pontos de vista.
Estudos lexicais: A palavra grega traduzida como “pois” aqui é gar. A Concordância de Strong apresenta o significado primário como “razão”. A Concordância de Strong também indica que ela pode significar “e, como, porque (isso), mas, até mesmo, pois, de fato, sem dúvida, visto que, então, portanto, em verdade, o que, por que, contudo”. O Novo Testamento Grego de Aland afirma que significa: pois, uma vez que, então; de fato, certamente; O quê! Por quê!. Assim, a palavra grega gar possui uma variedade de significados. Além disso, Jesus pode ter dito isso em aramaico, e não em grego, de modo que não é possível definir com precisão um único significado. De qualquer forma, eis três possibilidades, sendo a terceira a mais provável.
Portanto: Eles não eram as ovelhas de Jesus porque não acreditavam. No entanto, o grego possui palavras muito mais fortes para “portanto”, como oukoun, que eram frequentemente utilizadas no Novo Testamento, e essas palavras não foram empregadas neste contexto.
Por causa de: Elas acreditavam porque não eram ovelhas de Jesus. Embora a palavra grega seja semelhante ao português “porque” no sentido de que poderia ser interpretada dessa forma ou da forma anterior, a estrutura da frase favorece essa interpretação em detrimento da anterior. As pessoas naturalmente enfatizam o aspecto de que elas não eram ovelhas de Jesus porque não acreditavam. No entanto, esta passagem bíblica afirma o contrário. A New Geneva Study Bible, p. 1683, menciona essa interpretação, embora não exclua necessariamente a outra.
Ambas: Dizer “ou uma coisa ou outra” é uma simplificação artificial. É semelhante a perguntar se as pessoas estão vivas porque respiram, ou se respiram porque estão vivas? O “Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento”, p. 311, menciona que isso “é uma simples afirmação de sua conduta. Também nos lembra do mistério supremo da eleição de Deus”.
P: Em Jo 10,28-29, o que isso diz sobre a possibilidade de uma das ovelhas de Jesus perder sua salvação e ir para o inferno?
R: Este versículo ensina claramente que Deus garantirá que ninguém, sejam demônios ou seres humanos, possa tirar-nos à força a nossa salvação. Romanos 8:35-36 também afirma que nada pode nos separar do amor de Deus. O “Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento”, p. 311, afirma que o grego significa “eles, de fato, nunca perecerão”. Ele também indica que a palavra para “arrancar”, harpasei, está relacionada à palavra para “lobo voraz”: harpax. Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1527, para obter mais informações sobre a vida eterna não ser condicional ao comportamento de uma pessoa.
No entanto, uma pessoa não eleita pode convencer o mundo, e até mesmo a si mesma, de que é cristã e, posteriormente, optar por se afastar da profissão de fé em Cristo.
No entanto, alguns cristãos afirmam que, embora ninguém possa tirar nossa salvação, os cristãos genuínos podem optar por se afastar da mão de Deus por conta própria e ir para o inferno. Este versículo não confirma nem nega essa visão.
David O’Brien, em *Today’s Handbook for Solving Bible Difficulties*, pp. 307-310, afirma que um crente nunca pode “perder” sua salvação, o que significa que nenhum crente pode pecar de forma tão grave a ponto de, sem saber, perder sua salvação. A manutenção da nossa salvação não depende de obras, assim como a nossa salvação inicial também não depende de obras. No entanto, um crente genuíno poderia, conscientemente, optar por “devolver” sua salvação a Deus. Nesse caso, ele seria semelhante àqueles que conheciam a verdade e crucificaram Jesus.
Por outro lado, consulte o livro de Ron Rhodes, *The Complete Book of Bible Answers*, páginas 190-193, para conhecer a visão de que, uma vez que uma pessoa é salva, nada nem ninguém (nem mesmo ela mesma) pode separá-la do que Deus prometeu.
P: Em Jo 10,28-29, qual é a sua opinião sobre a segurança eterna (uma vez salvo, sempre salvo)?
R: Acredito no princípio “uma vez salvo, sempre salvo” por duas razões:
a) De uma perspectiva atemporal, é uma contradição intrínseca que Deus “saiba” que uma pessoa está salva e, em seguida, descubra que estava errado e que a pessoa é não está salva. Na verdade, isso poderia ser resumido como “uma vez eleito, sempre eleito”. (A propósito, não sou calvinista).
b) De uma perspectiva temporal, Deus promete colocar Seu selo do Espírito Santo sobre nós, garantindo nossa herança. Ninguém pode nos arrebatar da mão de Deus (João 10:28). Todos os que foram “... justificados serão glorificados” (Romanos 8).
Aqui estão alguns versículos sobre isso.
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A salvação é um dom da graça, não conquistada por obras. Nenhum mérito de nossa parte pode nos salvar. Ef 2,8-9; 2 Tm 1,9; Tt 3,5; At 26,20; Rm 3,23-24; 4,5; 6,14-15; 9,32; 11,5-6; Gl 3,2,3,10-14
A fé verdadeira produz frutos, pois a fé sem obras está morta. Tg 2:14-26; ~1 Jo 3:17-19
Todos os verdadeiros crentes se empenham em obedecer a Deus e em manifestar amor a Deus e ao próximo. 1 João 3:14-15
Os crentes podem ter certeza de sua vida eterna. 1 Jo 4:17; 5:11-19; 3:24; 4:13; Ef 3:12
Deus não apenas nos salva, como também nos sela e nos preserva. Ef 1:13-14; Judas 24; 1 Tim 1:14
Por outro lado, já vi a doutrina de que “uma vez salvo, sempre salvo” ser utilizada de maneira falsa e desequilibrada. Certa vez, uma senhora me contou sobre seu filho universitário, que saiu de casa e foi morar na Califórnia com a namorada. Ela sabia, porém, que ele iria para o céu de qualquer maneira, pois havia caminhado até o altar em uma igreja.
A doutrina de que “uma vez salvo, sempre salvo” é verdadeira, mas é preciso também conhecer a “doutrina de equilíbrio” da conversão falsa. Algumas pessoas que não são salvas serão capazes de enganar os outros, e até mesmo a si mesmas, fazendo-as acreditar que estão salvas. Aqui estão alguns versículos sobre isso.
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Devemos examinar a nós mesmos, pois os cristãos falsos podem ser enganados. 2 Coríntios 13:5
Os crentes devem ser diligentes até o fim, a fim de tornar segura a sua esperança. Hb 6,11
Algumas pessoas podem ter uma falsa certeza da salvação (Jeremias 17:10), mesmo que:
• Tenham a aparência da piedade; conheçam as Escrituras. 2 Timóteo 3:5; João 5:39-47
• Acreditem (em um sentido intelectual, não salvador), sejam batizados. Atos 8:13,20; Tiago 2:19
• Pelo menos acreditavam que profetizavam em nome de Jesus, expulsavam demônios e realizavam muitos milagres poderosos. Mt 7,21-23; 2 Ts 2,9-10
• Já escaparam da corrupção do mundo por conhecerem nosso Senhor e Salvador. 2 Pedro 2:17-22
Podemos ter confiança em nossa salvação; podemos SABER que temos a vida eterna (1 João 5). No entanto, também temos a responsabilidade de examinar a nós mesmos e permanecer em guarda.
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Temos a responsabilidade de vigiar de perto nossa vida e nossa doutrina. 2 Tim 1:14; Col 1:23; Prov 22:5
Não seguir a sabedoria deste mundo. Colossenses 2:8-9; Tiago 3:15; 1 Coríntios 1:17-27; 2:6, 8, 14; 2 Coríntios 1:12
Perseverar. Hb 10,23.36; 12,1.12-13; 1 Jo 2,24; 1 Cor 13,7; Rm 5,3-4; Tg 1,3-4.12; 5,11; 2 Pe 1
Embora eu não seja calvinista (afirmo os aspectos universais da expiação), defendo a perseverança dos santos, que considero uma síntese dessas duas doutrinas.
a) “Uma vez salvo, sempre salvo”: Deus não permitirá que ninguém deixe de ser salvo
b) Conversão falsa: Todos os verdadeiramente salvos, mesmo que se desviem, voltarão para Deus. Caso contrário, eles não estavam verdadeiramente salvos.
P: Em Jo 10,30, isso prova que o modalismo é verdadeiro, uma vez que Jesus e o Pai são Um?
R: Não. De acordo tanto com o Tratado sobre a Trindade, de Novaciano, cap. 27, p. 637, quanto com a gramática grega, a palavra grega significa “Um” (neutro), e não “Um” (masculino); portanto, eles são um em caráter e essência, mas não um em pessoa.
P: João 10,30 demonstra que Jesus é Deus?
R: Mostra que Jesus é Deus de uma forma superior àqueles seres humanos que eram chamados de deuses.
P: Em Jo 10,30, de que maneira o Pai e Jesus são um?
R: As Escrituras revelam muitas maneiras pelas quais eles são um.
Primeiro: Aqui estão algumas dessas maneiras.
1. Eles compartilham títulos comuns
Referência no Antigo Testamento | Título | Referência no Novo Testamento |
Jó 33:4; Isaías 40:28 | Criador | João 1:3; Colossenses 1:16-17 |
Salmo 106:21; Isaías 45:21-23 | Salvador | João 4:42; Efésios 5:23; Atos 4:12 |
Isaías 7:14; 9:6; 10:21 | Deus | Mateus 1:23; João 1:1; Romanos 9:5; Colossenses 2:9 |
Êxodo 3:14; Dt 32:39 | EU SOU | João 8:24,58; 13:19; 18:5,6 |
Isaías 41:4; 44:6; 48:12 | O Primeiro e o Último | Apocalipse 1:17; 2:8; 22:13 |
Deuteronômio 32:4; Salmo 28:1 | Rocha | 1 Coríntios 10:4; Mateus 16:18 |
Salmo 27:1; Miquéias 7:8 | Luz | Lucas 2:32; João 1:9; 8:12 |
Gênesis 18:25; Salmos 58:11; Joel 3:12 | Juiz | Apocalipse 14:10; 2 Coríntios 5:10; 2 Timóteo 4:1 |
Jesus é chamado de Pai Eterno, o que pode se referir ao fato de ser a fonte da vida eterna (Isaías 9:6).
Ambrósio de Milão (378-381 d.C.), em sua obra *Sobre o Espírito Santo*, livro 1, cap. 13, parágrafos 132-139, escreveu mais sobre o compartilhamento dos nomes divinos. Consulte *Os Padres Nicenos e Pós-Nicenos*, 2ª Série, vol. 10, pp. 110-111, para obter mais informações sobre o que Ambrósio escreveu.
2. Possuem a mesma natureza. Filipenses 2:5
3. Possuem a mesma honra. João 5:23
4. O Pai e Jesus “possuem” tudo em comum. João 16:15; 17:10.
5. Na Terra, o Pai habitava em Jesus. João 10:38; 14:10-11.
6. Na Terra, Jesus estava no Pai. João 10:38; 14:11
7. Se o senhor realmente conhece Jesus, então conhece o Pai e já viu o Pai. João 14:7-9
8. Ninguém chega ao Pai a não ser por meio de Jesus. João 14:6; 6:45; ~8:24; Atos 3:12
9. Ambos são devidamente adorados. Hebreus 1:6
10. Ambos são legitimamente chamados de Deus. João 1:1; 20:28, Hebreus 1:8,9
11. A ambos se dirige oração. Atos 7:59-60
12. Tudo no mundo foi criado por meio de ambos. João 1:3, 10; Colossenses 1:16
13. A plenitude da divindade está em Jesus. Colossenses 1:19
14. Eles são um em espírito, amor e propósito. Obedecer verdadeiramente a um é obedecer ao outro. ~João 14:23-24
No entanto, eles não são iguais em todos os aspectos.
1. Eles são distintos. Jesus não era um ventríloquo. Mateus 3:16; João 8:18.
2. O Pai, Jesus e todos nós compartilhamos algumas coisas, como a vida eterna. João 16:13-15
O Pai não possui certas coisas que compartilhamos com Jesus após Seu nascimento humano. Hebreus 1:6-10; 2:14; 7:3
3. O Pai não se tornou, não evoluiu nem se transformou em Jesus. Hebreus 13:8; 1:9; João 14:10, 24, 26; 15:1; 16:27-28, 32; 17:5
4. Jesus não se tornou, não evoluiu nem se transformou no Pai. Hebreus 13:8; ~Apocalipse 5:13; João 20:17; 14:10, 24, 26; 15:1
5. Jesus foi abandonado no Calvário. Marcos 15:34; Mateus 27:46
6. Por mais próximos que fossem na Terra, Jesus ainda assim iria para o Pai. João 14:12; Marcos 16:19; João 20:11
Isso foi resumido da seguinte forma: “Unidos sem confusão, … distintos sem separação, indivisíveis e sem graus.” Partes desse texto são extraídas do Sermão de Atanásio sobre Lucas 10:22, cap. 2, p. 90
O Comentário Bíblico do Crente, p. 1528, apresenta uma resposta ligeiramente diferente. Embora afirme que eles são um em todos os seus atributos, o texto indica que, nesta passagem, Jesus está se referindo ao Pai e a Si mesmo como sendo um em poder.
P: Em Jo 10,31, como eles puderam pegar pedras para apedrejar Jesus, no pórtico de Salomão?
R: O pórtico de Salomão provavelmente não tinha pedras soltas; no entanto, ele ficava ao lado do lado leste do templo, que estava sendo reconstruído por Herodes naquele momento, de modo que haveria pedras em abundância para a construção. Mas isso significa que essas pedras não eram seixos, e sim pelo menos do tamanho da mão de uma pessoa. O grego aqui significa “carregar”, e não apenas “pegar”, de acordo com o The Expositor’s Bible Commentary, vol. 9, p. 112-113.
P: Em Jo 10,34, os seres humanos também são deuses?
R: Não. Há cinco pontos a serem considerados na resposta.
Inúmeras pessoas já afirmaram falsamente ser deuses.
Nenhum ser humano é o verdadeiro Deus, exceto Jesus.
Alguns homens foram designados como elohim na Bíblia. Moisés era como Deus (elohim) para o Faraó (Êxodo 7:1), na medida em que se esperava que o Faraó obedecesse à mensagem de Deus transmitida por meio de Moisés.
No Salmo 82:6, “elohim” refere-se a meras pessoas. Os cristãos divergem quanto ao fato de o Salmo 82:6 estar falando de forma irônica, chamando homens ímpios de [os chamados] “deuses”, ou se está afirmando que os juízes designados (elohim) eram corruptos.
Independentemente disso, os “elohim” do Salmo 82:6 julgam injustamente, andam nas trevas e morrem como homens.
P: Em Jo 10,34-36, por que Jesus se referiu ao Salmo 82,6 neste contexto?
R: Há outras maneiras pelas quais Jesus poderia ter construído seu argumento, mas o Comentário Evangélico sobre a Bíblia, p. 862, afirma que Jesus, neste contexto, estava apresentando seu argumento da mesma forma que um rabino faria. Trata-se de um argumento “a fortiori”, ou seja, que parte do menor para o maior. Jesus estava utilizando três conceitos das Escrituras como uma “alavanca” para tentar abrir as mentes dos judeus.
Como ponto de apoio (pivô) da alavanca, Jesus baseou-se na compreensão correta deles de que havia apenas um Deus.
No lado superior da alavanca, Jesus utilizou o conceito de que, nas Escrituras, até mesmo homens ímpios eram chamados de elohim no Salmo 82. Ora, alguns interpretam o Salmo 82 como escrito em tom irônico (sarcástico) a respeito desses homens que se apresentavam como “deuses”, mas que ainda assim morrerão no pó. No entanto, outros entendem que os homens que atuavam como juízes recebiam o título de elohim, pois ocupavam o lugar de Deus, dispensando a justiça divina. O Salmo 82 referia-se a juízes corruptos. Quanto ao significado exato de se chamar as pessoas de “Elohim” no Antigo Testamento, consulte a pergunta anterior. Independentemente disso, porém, os homens mortais no Salmo 82 eram chamados de “elohim”, em algum sentido da palavra.
Por outro lado, visto que era aceitável que as pessoas lessem em voz alta esse Salmo e chamassem esses homens de elohim, por mais que não fossem dignos disso, quão mais adequado é chamar Jesus de Elohim, já que Jesus é o Filho unigênito de Deus. Jesus não estava explicando aqui todos os detalhes da relação entre Ele e o Pai, nem entrou em detalhes sobre como a Trindade é um único Deus (o fulcro), mas três Pessoas. Em vez disso, Jesus está simplesmente dizendo aqui que, se esses homens ímpios eram chamados de elohim, reflitam sobre o fato de que Jesus poderia ser elohim em um sentido mais amplo.
Um argumento do tipo “quanto mais” é chamado de argumento “a fortiori”.
P: Em Jo 10,37-38, por que Jesus está dizendo para que, pelo menos, acreditem em Suas obras, se eles não vão acreditar Nele?
R: Jesus nunca disse que acreditar em Suas obras fosse suficiente para a salvação. Em Atos 8:13, 18-19, Simão, o Mago, acreditou na veracidade dos milagres, mas não foi salvo.
Em vez disso, Jesus ficou surpreso por, ao verem o que Ele fez, eles nem mesmo terem dado o primeiro passo de acreditar na realidade dos milagres. Isso não seria suficiente, mas serviria como uma ponte para que, talvez mais tarde, eles acreditassem naquele que realizou os milagres.
P: João 10,37-38 indica que acreditar nas obras de Jesus, e não em Jesus, é suficiente para a salvação?
R: Não. Significa que, se eles puderem pelo menos acreditar nas obras de Jesus e acreditar que elas provêm de Deus, isso é um primeiro passo para acreditar em Jesus. Às vezes, é preciso avançar passo a passo.
P: Em Jo 10,40, por que Jesus foi ao local onde João costumava batizar?
R: Jesus retirou-se devido à forte oposição dos fariseus e de outros judeus. Ele foi para lá porque foi ali que Seu ministério teve início. É claro que as coisas estavam diferentes agora; João Batista havia sido decapitado, e as pessoas queriam matá-lo também. No entanto, os seguidores que se aproximavam dele podiam lembrar-se de seu compromisso anterior com o batismo de João Batista. Às vezes, é bom sentir nostalgia e voltar a um lugar bem lembrado para relembrar aos outros (e a nós mesmos) nosso compromisso e amor anteriores.
P: Em Jo 11,1-33, por que Lázaro não foi mencionado nos outros evangelhos, já que se trata de um momento tão culminante no Evangelho de João, como questiona o cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 984?
R: Antes de responder a essa objeção, vamos torná-la ainda mais “difícil”. Por que a ressurreição da filha de Jairo consta nos três evangelhos (Mt 9,18-26; Mc 5,21-43; Lc 8,40-56), mas ausente no de João? Por que os discípulos e as mulheres adoraram Jesus em Mateus 14,33 e Mateus 28,9, mas não nos outros evangelhos? Por que os pastores adoraram em Lucas 2,15-20, mas não nos outros evangelhos? Por que o cego adorou Jesus em João 9:38, mas não nos outros evangelhos? Aliás, por que ocorreu algum evento em qualquer um dos evangelhos que não tenha sido registrado também em cada um dos outros três?
João nos mostra a resposta em João 21:25: “Há muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem escritas, suponho que o mundo inteiro não teria espaço para os livros que seriam escritos.” Há quatro pontos:
1) João e os autores dos evangelhos foram seletivos ao nos mostrar o que consideravam os aspectos-chave para nos demonstrar quem era Jesus.
2) Um autor pode ter tido acesso a informações que os outros não possuíam. Por exemplo, Lucas parece ter muito mais informações sobre a infância de Jesus. Talvez ele tenha conversado longamente com Maria.
3) Os autores escreveram para públicos diferentes. Por exemplo, se Jesus morreu às 15h, o que teria sido a nona hora (Mateus 27:45), já que os judeus começavam o dia por volta das 6h da manhã. Mas teria sido a sexta hora (Lucas 23:44) para os leitores gregos e romanos, para quem o dia começava às 9h da manhã. Em João 20:19, a noite é referida como o dia anterior, conforme o costume dos romanos e gregos, enquanto os judeus considerariam a noite como o dia seguinte após o pôr do sol.
4) Por fim, acredita-se que João tenha escrito mais tarde do que os outros evangelhos e que, talvez, ele quisesse incluir especialmente informações ainda não apresentadas nos outros três.
Consulte também *When Critics Ask*, pp. 411-412, para obter essencialmente a mesma resposta a uma questão relacionada, sobre João 6:35.
P: João 11,1-33 indica que Jesus teve relações sexuais com Maria e Marta, como ensina a seita “Filhos de Deus” (= Família do Amor)?
R: De forma alguma! Nada indica que Jesus fosse menos do que puro. O líder da Família do Amor, Moses David Berg, em *Ffer’s Handbook!*, p. 4, chegou a ensinar que, como Jesus teve de sofrer todas as coisas por nós, Ele contraiu voluntariamente uma doenças venérel e de Maria Madalena. Jesus amava Lázaro, assim como Maria e Marta, e Seu amor era de amizade, não de sexo.
P: Em Jo 11,3, qual foi o fundamento do apelo feito a Jesus nesse trecho?
R: Maria e Marta não disseram para Ele vir porque Lázaro O ama, nem porque elas O amam. Em vez disso, disseram para Ele vir porque aquele a quem Ele ama está doente. 1 João 4:19 diz que amamos a Deus porque Ele nos amou primeiro, e não o contrário. Quando oramos a Deus, não peçamos que Ele atenda ao nosso pedido por causa de nossa justiça, amor ou obras. Em vez disso, peçamos a Ele por causa de Suas promessas e de Seu amor por nós. É claro que Deus ainda pode dizer “não” ao que não for o melhor para nós ou não estiver de acordo com a Sua vontade.
P: Em João 11:4, por que Jesus disse que Lázaro não estava doente a ponto de morrer, já que Lázaro acabou falecendo em João 11:11-14,17?
R: Jesus, neste caso, obviamente tinha uma perspectiva diferente da dos discípulos. Deus, em geral, tem uma perspectiva diferente, tanto sobre a morte quanto sobre o que é possível. Nesse caso, Jesus sabia que Lázaro voltaria à vida, e falou daquela maneira para enfatizar esse fato. Consulte *When Critics Ask*, pp. 417-418, para obter uma resposta complementar.
P: Em João 11,6, por que Jesus demorou antes de visitar seu amigo doente, Lázaro?
R: A resposta definitiva está em João 11:15. Devido à demora de Jesus, Lázaro morreu, e ressuscitar Lázaro dos mortos seria uma demonstração ainda maior de seu poder.
Será que Jesus, sabendo de tudo isso, escolheu deliberadamente adiar a visita por esse motivo? Ou será que Jesus não escolheu deliberadamente isso, mas adiou a visita até que o Pai O guiasse a ir, e esse foi o resultado? As Escrituras não dizem, e pode ter sido de ambas as formas.
P: Em João 11:9, como é que há doze horas de luz do dia, uma vez que o dia é mais curto no inverno e mais longo no verão?
R: Embora Jesus estivesse ensinando principalmente sobre o ministério, e não sobre astronomia, Ele foi muito preciso nesse ponto. Independentemente da latitude, há exatamente 12 horas de luz do dia por dia ao longo de um ano inteiro. Às vezes, hoje em dia, ficamos tão presos à programação hora a hora, ou à estação do ano atual, que deixamos de perceber como as coisas se equilibram ao longo do tempo.
P: João 11:11-14 mostra que ficamos inconscientes após a morte, já que Lázaro “adormeceu”, conforme ensinam as Testemunhas de Jeová em *A Busca da Humanidade por Deus*, p. 128?
R: Não, esse eufemismo comum para a morte, que também é usado no Antigo Testamento, não deve ser interpretado como se Jesus estivesse contradizendo Suas próprias palavras sobre a consciência após a morte em Marcos 9:43-48; Lucas 16:22-23; e Apocalipse 19:20, bem como as palavras de Paulo em 2 Coríntios 5:8 e Filipenses 1:23.
P: Em João 11:16, por que Tomé disse: “Vamos, para que possamos morrer com ele”?
R: Tomé era dedicado, mas estava confuso. Além da coragem de Tomé, as Escrituras não mencionam quais outras razões o levaram a fazer essa observação estranha. Aqui estão duas especulações.
Desespero: Talvez Tomé tenha pensado que as autoridades provavelmente encontrariam Jesus e prenderiam os discípulos. Hoje, mesmo em meio ao desespero, ainda devemos seguir Jesus, até a morte. Paulo também sentiu desespero em 2 Coríntios 1:8-10.
Falta de fé: Talvez Tomé pensasse que, embora Jesus pudesse realizar milagres, nem mesmo Ele fosse capaz de ressuscitar os mortos. Quando Tomé disse: “Vamos também, para que possamos morrer com Ele”, ele obviamente não tinha nenhuma expectativa de que Jesus ressuscitasse Lázaro dentre os mortos. Hoje, mesmo quando temos dúvidas, devemos ser como o pai do menino com convulsões, que disse a Jesus: “Eu creio; ajuda a minha incredulidade!”, em Marcos 9:24.
P: Em João 11:23-25, o que Jesus está dizendo aqui sobre a ressurreição?
R: Dizer que a ressurreição é apenas um evento é falar com precisão de seu significado secundário, mas negligenciar a razão principal por trás desse significado. “Jesus é a ressurreição” significa que, assim como Jesus tinha o poder de ressuscitar a si mesmo dentre os mortos, em Jesus está também o poder para a nossa ressurreição da morte.
P: Em Jo 11,26, por que Jesus disse que aqueles que acreditam nele nunca morrerão?
R: Eles terão a vida eterna, primeiro na Terra e depois no Céu. Jesus não disse que eles nunca morreriam, mas que “viverão, mesmo que morram”.
P: Em Jo 11,33.38, por que Jesus ficou perturbado?
R: Quatro pontos a serem considerados na resposta.
1. Jesus estava visivelmente perturbado, pois João 11,36 mostra que a multidão percebeu isso.
2. João 11:36 também sugere que a multidão presumiu que Jesus estava perturbado por causa de Seu amor por Lázaro e de Sua tristeza pela morte “definitiva” de Lázaro.
3. Embora Jesus amasse profundamente Lázaro, as Escrituras não indicam, de fato, a verdadeira razão pela qual Jesus estava visivelmente perturbado.
4. Jesus pode ter ficado perturbado, não por causa da condição física de Lázaro, mas por causa da frágil condição espiritual de suas irmãs e de outras pessoas.
P: Em Jo 11,35, como poderíamos ter um Deus tão impotente a ponto de chorar, assim como sentir sede em Jo 19,28? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou essa questão.)
R: Vamos falar primeiro sobre o choro e, depois, sobre a sede. Jesus chorou: Deedat realmente apresenta um contraste interessante. Quando alguém abandona o Islã ou desobedece a Alá, nunca se diz que Alá chora ou demonstra qualquer preocupação a esse respeito, exceto raiva. Mas Jesus chorou por Jerusalém; Ele chorou por Lázaro. O Salmo 116:15 diz: “Preciosa é, aos olhos do Senhor, a morte dos seus santos”. Deedat não mencionou em nenhum momento que isso seria verdade para Alá.
Jesus teve sede: Deus no céu nunca sentiria falta de nada, fome ou sede; então, como Deus poderia alguma vez ter empatia por nós ou compreender nossa situação humana? Mas e se o Deus Todo-Poderoso, que pode fazer qualquer coisa, decidisse tornar-se homem? Jesus não apenas nos diz para sermos fiéis e perseverarmos, mas Ele sabe como isso às vezes é difícil e compreende nosso sofrimento. Agora, os muçulmanos diriam que Alá estaria ciente da dor de todos, mas é Jesus, e não Alá, quem compreenderia em primeira mão o que é o nosso sofrimento, pois Ele também sofreu e experimentou a dor por nós.
P: Em Jo 11,42, por que Jesus dizia coisas a Deus em Suas orações que eram em favor do povo?
R: Em vez de ser insincero, Jesus estava sendo muito franco e honesto. Jesus não estava dizendo: “por favor, ouça-me melhor do que costuma fazer”, nem mesmo “por favor, ouça-me”, mas sim agradecendo ao Pai, que já havia prometido ouvi-lo. Se Jesus não tivesse dito “Eu sei que você me ouve”, as pessoas poderiam ter interpretado mal e pensado que Ele estava pedindo a Deus que O ouvisse.
Hoje, há uma diferença entre orar e orar com fé. Como alguém disse certa vez, se alguma vez o senhor sentir que uma pequena oração não causará muito dano, provavelmente também não trará muito benefício. Não é desrespeitoso “apoiar-se nas promessas de Deus” e orar com a certeza de que Deus cumpre Suas promessas.
P: Em Jo 11,43, por que Jesus disse: “Lázaro, venha para fora”?
R: Deus criou tudo por meio de Sua palavra. Se Jesus tivesse simplesmente dito “venha para fora”, isso poderia causar um problema sério, pois todos os que haviam morrido voltariam à vida naquele momento. Jesus só diria isso mais tarde. Suponho que Jesus, sendo quem Ele era, precisasse ser muito cuidadoso com Suas palavras.
P: Em Jo 11,44, como Lázaro pôde sair andando, já que estava amarrado de pés e mãos?
R: Conforme mencionado na obra *When Critics Ask*, p. 418, os cadáveres eram envoltos em linho; não eram amarrados com firmeza como os corpos egípcios. Nada ali impedia Lázaro de andar.
P: Em Jo 11,46, por que alguns foram contar aos fariseus o que Jesus havia feito?
R: Provavelmente não foi por amor a Jesus. Eles podem ter agido como os “olhos e ouvidos” dos fariseus.
P: Em Jo 11,46-51, por que os fariseus agiram daquela maneira?
R: Os fariseus estavam claramente sem saber o que fazer. Seu objetivo era manter sua posição, não seguir a Deus. Eles queriam que o apoio público a Jesus fosse retirado, mas não podiam fazer isso enquanto Jesus realizava esses milagres.
P: Em Jo 11,49-52, por que Caifás fez uma profecia verdadeira, se ele rejeitava Jesus?
R: Quatro pontos a serem considerados na resposta.
1. Caifás era alguém que rejeitava Jesus e desejava a morte de Jesus; Caifás era desagradável a Deus.
2. As palavras proferidas por Caifás constituíram uma profecia verdadeira, embora o significado (a expiação de Cristo pelo mundo) não fosse o que Caifás pretendia transmitir.
3. Deus pode usar quem Ele desejar para revelar profecias e verdades; até mesmo homens maus que Lhe desagradam.
4. Assim, se alguém profetiza, isso não prova automaticamente que seja uma pessoa piedosa. Duas outras passagens que sustentam essa conclusão são Números 22:32-33 (Balaão) e 1 Samuel 19:18-24 (Saul e seus homens).
P: João 11:49-52 corrobora a alegação da Igreja Católica Romana sobre a infalibilidade papal, conforme afirmam alguns estudiosos católicos, conforme consta nas páginas 179-180 do livro *When Cultists Ask*?
R: Não, isso é um grande exagero: como uma única declaração inadvertidamente correta de um líder judeu poderia sustentar que todas as cerca de sete a quatorze declarações ex cathedra feitas pelos papas os tornariam, de alguma forma, infalíveis? Caifás também disse coisas erradas; isso prova, então, que os papas dizem coisas erradas?
Mas, para ser justo, deve-se observar que muitos católicos NÃO tentam forçar a interpretação desse versículo para provar a infalibilidade papal.
P: Jo 12,1-11 fala dos preparativos para a Paixão de Jesus. O que podemos fazer, em nossas vidas, para nos prepararmos a ter mais paixão por Jesus hoje?
R: Do lado positivo, podemos dedicar mais tempo a Deus, meditando em Suas Escrituras, orando a Ele e dedicando cada dia a Ele. Podemos compreender a importância de compartilhar o evangelho com os outros e colocá-la em prática.
Do lado negativo, podemos erradicar de nossas vidas tudo o que tende a entorpecer nossa paixão por Deus. Quaisquer pecados recorrentes ou grandes desperdícios de tempo que nos deixem “ocupados demais” com coisas triviais para realizarmos as coisas mais importantes que Deus deseja que façamos.
P: Em Jo 12,3, por que Jesus permitiu que o perfume caro fosse usado sobre Ele?
R: Como Jesus é Deus, Ele é digno de adoração e veneração. Jesus aceitou o amor e a reverência que ela demonstrou por Ele e permitiu que outros vissem e aprendessem com o exemplo dela. Esse perfume de nardo era caro; era importado do norte da Índia, de acordo com o *Comentário Evangélico sobre a Bíblia*, p. 864, e o *Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento*, p. 316. Judas disse que ele poderia ser vendido por trezentos denários, e um trabalhador ganhava um denário por dia.
O “Comentário Evangélico sobre a Bíblia”, p. 865, afirma que não era incomum que um anfitrião mandasse um servo lavar os pés dos convidados, mas o próprio anfitrião não o faria.
Normalmente, a unção seria uma ocasião alegre, mas, neste caso, foi um momento comovente e triste, de acordo com o “Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento”, p. 316.
P: Em Jo 12,6, por que Jesus permitiu que Judas fosse seu discípulo, já que Judas era um ladrão e um futuro traidor?
R: Depois de se tornar discípulo, Judas era um ladrão, conforme João 12:4-6. Deus pode usar quaisquer meios que Ele escolher para realizar Seu plano. A traição de Jesus fazia parte do plano de Deus, conforme mostram Salmos 41:9, Atos 2:23, Mateus 26:24, 54, Marcos 14:21, Lucas 22:22 e João 13:18.
A traição de Jesus por Judas foi um ato maligno, mas Deus utilizou esse evento negativo como parte de Seu plano para realizar o bem; neste caso, a morte de Jesus na cruz por nossos pecados. Esse é um exemplo do que se denomina “concorrência”.
P: Em João 12:7, de que forma Maria e Judas eram opostos nessa passagem?
R: Trata-se de um contraste bastante marcante. Maria ofereceu esse presente valioso em adoração, enquanto Judas queria se apropriar desse presente valioso para roubá-lo. Maria ofereceu por amor abnegado; Judas agiu de forma pragmática e “utilitária”.
Hoje, algumas pessoas se envolvem na igreja apenas pelo que podem receber, seja materialmente ou espiritualmente. Outras também se envolvem pelo que podem oferecer. Ora, todos nós recebemos da igreja bons ensinamentos, comunhão, amigos etc., e desejar receber essas coisas é bom. Mas o que o(a) senhor(a) está oferecendo? Não precisa ser necessariamente um cargo na igreja, mas sim: o que o(a) senhor(a) está oferecendo a Deus? Um copo cheio não pode receber mais líquido. Mas, à medida que o(a) senhor(a) derrama o que recebeu para os outros, Deus pode reabastecer o seu copo com coisas boas e renovadas.
P: Em Jo 12,9-11, o que Lázaro fez de errado (aos olhos dos sacerdotes) para que eles quisessem matá-lo?
R: Voltar à vida era algo sobre o qual Lázaro não tinha controle; até mesmo os sumos sacerdotes admitiriam que Lázaro não fez nada de errado quando Jesus o ressuscitou. Mas os sumos sacerdotes estavam totalmente indiferentes à equidade e à justiça para com Lázaro; estavam na defensiva, em modo de “preparem-se para a batalha”, e fariam o que fosse necessário para alcançar seu objetivo. Eles ficaram alarmados com o fato de que “o mundo inteiro o seguiu”, conforme João 12:19 e seguintes. Às vezes, quando as pessoas sentem que estão em uma situação precária hoje em dia, elas fazem o mesmo. Na verdade, muitos na multidão se afastariam de Jesus mais tarde, mas os sumos sacerdotes não sabiam disso.
Havia um cartaz no trabalho que vi na mesa de um gerente. Dizia: “Não estou dizendo que a culpa é sua; estou dizendo que estou culpando você”. O cartaz era engraçado, mas a mensagem por trás dele não era: às vezes, uma pessoa só sobrevive em um cargo desviando a culpa. Mas, para fazer isso de forma eficaz, ela precisa ser insensível e não se importar com o fato de que pessoas inocentes sejam prejudicadas enquanto ela se protege.
P: Em Jo 12,21-22, dentre os muitos detalhes que João não mencionou, por que o Espírito Santo teria levado João a mencionar justamente esse pequeno detalhe?
R: Em primeiro lugar, esse detalhe sobre os gregos não contribui em nada para o andamento da narrativa nem para explicar acontecimentos posteriores no evangelho. Mas esse minúsculo detalhe ilustra um enorme contraste. Enquanto os sumos sacerdotes, que conheciam a lei, mantinham-se afastados de Jesus e tramavam como matá-Lo, esses gregos (seja não-judeus, seja, mais provavelmente, judeus de língua grega e judeus convertidos) fizeram um esforço para apresentar um pedido especial para ver Jesus. A liderança judaica rejeitou Jesus, mas os gregos O aceitaram, como afirma o “Comentário Evangélico sobre a Bíblia”, p. 865.
Por fim, a mensagem de Jesus na presença deles enfatizou a necessidade de Sua morte. Talvez eles tivessem sugerido que Jesus pudesse escapar indo para o exterior com eles. O “Comentário Bíblico do Crente”, p. 1538, supõe que esse possa ter sido o caso.
P: Em Jo 12,23-24, o que o senhor pensa sobre a afirmação de que, para Ele, “a morte é necessária para a colheita”?
R: A morte física de Jesus era necessária para que houvesse uma ressurreição que vencesse a morte. Mas, para nós, às vezes nossas aspirações, esperanças e sonhos precisam morrer antes que haja uma colheita frutífera. Às vezes, eles morrem e são levados embora, porque Deus quer que nos concentremos em outras coisas. Às vezes, eles podem morrer, mas depois Deus os ressuscita, talvez de uma forma diferente e melhor. Embora possamos não querer ver algo que nos é querido morrer, devemos lembrar que Jesus nos disse em João 15:2 e seguintes que Deus poda as coisas em nossa vida. Não devemos agir como se estivéssemos surpresos. Devemos louvar a Deus por nos podar, preparando-nos para coisas maiores. Devemos louvar o Senhor por Sua poda — mesmo quando não temos vontade de fazê-lo.
O senhor pratica exercícios regularmente para cuidar da saúde? Se sim, o senhor sabe que os exercícios, na verdade, desgastam os músculos? Ao terminar de se exercitar, o senhor fica menos forte do que antes. Mas isso é algo bom, que não deve ser motivo de luto, pois os músculos voltam tão fortes quanto antes ou ainda mais fortes. Não lamentamos a perda muscular causada pelos exercícios, e também não devemos lamentar a poda de Deus.
Por fim, você sabe que Deus não é o único que nos poda? Devemos podar a nós mesmos! Devemos morrer para a nossa natureza pecaminosa, conforme Colossenses 3:3-10, Romanos 6:12-14 e Gálatas 6:14.
P: Em João 12:28-29, por que o Pai falou, mas as pessoas não compreenderam?
R: O Pai queria que apenas Jesus compreendesse. Deus Todo-Poderoso é também um comunicador onipotente. Ele pode tornar Sua mensagem clara para quem quer que deseje ouvi-la, e inaudível ou sem sentido — como um código secreto indecifrável — para aqueles que não devem compreendê-la. Conforme diz Apocalipse 2:7, 11, 17, 29; 3:6, 13, 22: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz...”
Algumas pessoas estão ansiosas por explicar todas as obras de Deus como meros fenômenos naturais, conforme afirma o Comentário Bíblico do Crente, p. 1538.
P: Em João 12:31 e João 16:11, quem é o príncipe deste mundo?
R: Trata-se de Satanás, a quem Jesus expulsou. Outros versículos que se referem a Satanás como tendo influência sobre este mundo são 1 João 5:19, Efésios 2:2 e 2 Coríntios 4:4.
P: Em Jo 12,32, como é que todos são atraídos para Jesus?
R: O grego diz simplesmente “todos”. Não especifica se são “todas as pessoas” ou “todos os eleitos”, e talvez ambos estivessem em mente.
Todas as pessoas: Após a crucificação e ressurreição de Jesus, o Espírito Santo veio ao mundo para testemunhar a respeito de Cristo (João 15:26) e para convencer o mundo quanto ao pecado, à justiça e ao juízo (João 15:8-11). A oferta do Evangelho é feita de forma sincera e gratuita a todos, pois todos têm a responsabilidade de obedecê-lo (2 Tessalonicenses 1:8).
Todos os que irão para o céu (os eleitos): Todos aqueles que irão para o céu, mesmo antes de Cristo ter vivido, vão para o céu por meio de Jesus (João 14:6). Não há outro nome (Atos 14:12) pelo qual possamos ser salvos.
Consulte “1001 Perguntas Bíblicas Respondidas”, pp. 36-37, para uma resposta mais detalhada.
P: Em Jo 12,34, por que o povo dizia que a Lei afirmava que o Messias permaneceria para sempre?
R: Quatro pontos a serem considerados na resposta.
1. Conforme afirma o livro “The Bible Knowledge Commentary: New Testament”, p. 318, Daniel 7:13-14 ensina que o Filho do Homem reinará para sempre. No entanto, o livro de Daniel não faz parte da Lei (Torá).
2. João 12:34 não afirma que isso fazia parte da Lei. Diz apenas que a multidão afirmou que isso fazia parte da Lei. Em João 7:49, os fariseus acusaram a multidão de não saber nada sobre a Lei.
3. No entanto, se a multidão se referisse ao Antigo Testamento ao usar a palavra “Lei”, isso seria correto, embora impreciso.
4. Independentemente da exatidão do que a multidão disse, João está simplesmente registrando o que eles disseram.
P: Em Jo 12,35 e seguintes, o que significa “andar nas trevas” e como as pessoas fazem isso?
R: Embora estar em pecado signifique estar nas trevas, “andar” (peripateite) nas trevas é, na verdade, algo mais específico do que isso. A pessoa não consegue enxergar o que deve fazer, não consegue evitar, não consegue distinguir o que é bom do que é perigoso, nem o que é certo do que é errado, e acaba tropeçando por toda parte. O senhor não gostaria de caminhar em uma floresta densa à noite, sem luz. O senhor não gostaria de dirigir por uma estrada rural com os faróis desligados. Da mesma forma, pelo menos se o senhor estiver na escuridão, poderia ficar parado, em vez de andar e provavelmente piorar a situação. Mas, melhor ainda, perceba a urgência e chegue aonde precisa ir enquanto ainda há luz do dia. Louvado seja Deus pela Luz!
P: Em Jo 12,37-40, por que alguns não acreditaram mesmo depois de todos esses milagres?
R: Às vezes, as coisas têm uma causa direta, e também uma causa que dá origem à causa direta e, finalmente, uma causa última. Esse é o caso aqui.
Causa direta: eles não se voltaram para Cristo porque escolheram não segui-Lo.
Lucas 7:30, Hebreus 4:2, Jeremias 17:4 e outros versículos mostram isso claramente. No entanto, esse não é o ponto central de João 12:37-40.
Causa indireta: Eles não conseguiam acreditar, pois Deus cegou seus olhos e endureceu seus corações. Se tivessem se voltado para Cristo, Deus os teria curado, mas Deus os cegou para que, em sua cegueira, não chegassem à verdade. Esse é o ponto principal de João 12:37-40 e Isaías 6:10.
Causa última (visão supralapsariana): Por que Deus escolheria fazer isso? Uma minoria muito pequena de cristãos, chamada de calvinistas supralapsarianos, afirma que Deus quis decretar que essas pessoas (chamadas de réprobos) iriam para o inferno antes mesmo de Deus ter decidido proporcionar um caminho (por meio de Cristo) para que qualquer pessoa pudesse ir para o céu. Em outras palavras, por meio da vontade secreta de Deus — que, segundo os calvinistas supralapsarianos, ninguém pode compreender —, Deus desejou isso. De acordo com uma dissertação de um calvinista (Curt Daniel, p. 69), estima-se que não mais do que 5% dos calvinistas tenham sido supralapsarianos. Segundo Daniel, entre os supralapsarianos está Teodoro Beza. Ele afirma que os hipercalvinistas são aqueles que rejeitam a oferta gratuita do Evangelho a todos. Entre eles estão A.W. Pink (p. 88) e John Gill (p. 86, 126). Loraine Boettner, um calvinista renomado, em seu livro *The Reformed Doctrine of Predestination* (A Doutrina Reformada da Predestinação), p. 129, estima que apenas 1% dos calvinistas sejam supralapsarianos. Na p. 127, Boettner faz comentários contundentes sobre essa forma de calvinismo: “O supralapsarianismo chega a um extremo tão grande de um lado quanto o universalismo do outro.”
Causa última (a visão da maioria dos demais calvinistas): Deus só decidiu quem seriam os réprobos depois de ter escolhido Cristo como o caminho da salvação. Além disso, eles parecem evitar responder a essa questão, limitando-se a afirmar que isso faz parte da vontade secreta e não revelada de Deus.
Causa última (uma visão predominante): A presciência precedeu a eleição de Deus nos dois passos da Bíblia em que ambas são mencionadas juntas. Embora as duas possam andar de mãos dadas, nada impede que Deus eleja quem irá para o Céu e quem irá para o Inferno com base em Sua presciência sobre como essas pessoas seriam, quais escolhas fariam e como Deus escolheria agir em suas vidas.
P: Em Jo 12,38-41, por que Deus parecia não querer que muitos acreditassem em Jesus?
R: Na maioria das épocas e culturas, crer em Cristo tem sido uma luta “árdua”.
João 12,40 diz que Deus não queria que alguns se convertessem e fossem curados.
João 12:41 dá um exemplo: embora muitos fariseus acreditassem em Jesus, eles amavam mais o louvor dos homens do que o louvor de Deus.
João 12:47-48 diz que Deus aprova aqueles que ouvem as palavras de Cristo (e até mesmo acreditam nelas), caso não as guardem.
Aparentemente, Deus não atribui grande valor à fé daqueles que preferem a aprovação dos homens à aprovação de Deus.
No entanto, João 12:40 e 12:46 também mostram que Deus garantirá que absolutamente ninguém que verdadeiramente acredite em Cristo permaneça nas trevas. Isso não se refere apenas às trevas eternas, mas também às trevas nesta vida, como mostram 1 João 3:6,9 e 1 João 4:20.
P: Em João 12:42-43, uma vez que muitos entre os governantes acreditavam em Jesus, por que não O seguiram?
R: Há uma diferença entre simplesmente acreditar, intelectualmente, que Ele poderia realizar os milagres e confiar sua vida para segui-Lo.
P: Em João 13:1-17, o lavamento dos pés deveria ser uma cerimônia que praticamos hoje?
R: É bom lavar os pés uns dos outros. Pode ser uma forma de demonstrar humildemente que se estima os outros mais do que a si mesmo. No entanto, nada nas Escrituras diz que isso deva ser uma cerimônia ou uma instituição, como praticam os menonitas da “ ”. Tertuliano (198-220 d.C.), em *De Corona*, cap. 8, p. 98, menciona a ocasião em que Cristo lavou os pés de seus discípulos, mas não menciona nenhuma cerimônia padronizada.
P: Em Jo 13,3, como Jesus se preparou para ir a Deus, uma vez que Jesus era Deus?
R: A palavra “Deus”, referindo-se ao Deus verdadeiro, tem pelo menos quatro significados: Pai, Filho, Espírito Santo e Deus na Trindade. O papel do Pai como Deus de Jesus é, na verdade, um conceito bastante comum nas Escrituras. Dez exemplos são
João 20:17 “Eu [Jesus] estou subindo para o meu Pai e o Pai de vocês, para o meu Deus e o Deus de vocês.”
Hebreus 1:9 “…por isso, Deus, o seu Deus,…”
Provavelmente 1 Pedro 1:3 “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo!…”
Provavelmente Efésios 1:3 “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,…”
Efésios 1:17 “O Deus de nosso Senhor Jesus Cristo”
Romanos 15:6 “…para que glorifiquem o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.”
Mateus 27:46, Marcos 15:34 “…Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”
Provavelmente 2 Coríntios 1:3 “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”
Apocalipse 1:6 “…fez de nós um reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai…”
Provavelmente 1 Coríntios 11:3 “e a cabeça de Cristo é Deus” (No entanto, Ambrósio considerava que Deus, neste contexto, se referia à Trindade, e não ao Pai).
(as citações são da BSB)
Alguns consideram que o Pai ainda desempenha o papel de Deus de Cristo, mesmo após a ascensão de Cristo. Outros, como o livro *The Complete Book of Bible Answers*, pp. 110-111, acreditam que o Pai foi o Deus de Jesus apenas enquanto Jesus esteve na terra. No entanto, Efésios 1:7 parece refutar essa ideia.
P: Em João 13,4-17, por que exatamente Jesus lavou os pés de Seus discípulos?
R: É interessante que Jesus tenha realizado esse ato antes de explicar seu significado em João 13:12-17.
Jesus disse que fez isso como um exemplo para nós. Embora a maioria dos cristãos não veja a necessidade de lavar literalmente os pés uns dos outros, todos devemos concordar que devemos servir uns aos outros com a sinceridade, a humildade e o sacrifício que Jesus nos mostrou em Seu exemplo.
P: Em João 13:19, Jesus estaria se referindo a si mesmo pelo nome divino?
R: Sim. O grego aqui é ego eimi, e Aland e Green não indicam nenhuma variação manuscrita neste trecho.
P: Em Jo 13,21, por que Jesus estava perturbado, já que Ele já sabia que Judas O trairia?
R: Jesus sabia intelectualmente o que iria acontecer e como tudo terminaria. No entanto, à medida que o momento se aproximava, Ele ficou emocionalmente abalado com o que sabia que iria acontecer e com o que teria de suportar.
P: Em Jo 13,34 e 1 Jo 2,7-8, de que forma amar uns aos outros é um novo mandamento?
R: Não devemos apenas gostar uns dos outros. Jesus nos ordena que amemos uns aos outros como Ele nos amou. Por meio de Sua crucificação iminente, Jesus estava finalmente demonstrando o quanto Ele os amava. Em 1 Jo 2,7-8, João reconhece que amar uns aos outros é um mandamento antigo, mas também deseja que reconheçamos que amar uns aos outros, como Cristo nos amou, é um mandamento novo. João também enfatiza que o amor é um mandamento antigo e novo em 2 Jo 5.
P: Em João 13,35, como o mundo saberá que somos discípulos de Cristo pelo fato de nos amarmos uns aos outros?
R: Se alguém está procurando um motivo para NÃO amar outra pessoa, geralmente não precisa ir muito longe. Como desculpa, pode alegar que não tem muito em comum com a pessoa, ou que ela tem uma origem cultural diferente, raça, idade, gênero, religião, orientação política, teologia ou denominação diferentes. Essa pessoa cometeu erros devido a um lapso de julgamento ou a outras decisões equivocadas. Essa pessoa não é perfeita e já pecou. Ela já o decepcionou em algum momento. Já o deixou irritado em alguma ocasião. É claro que todas essas racionalizações que você pode inventar para não amar outra pessoa poderiam ser usadas por outros como motivos para não amá-lo.
Mas, deixando todo esse “lixo” para trás, Jesus, que, embora fosse perfeito, nos amou de qualquer maneira, a ponto de derramar Seu sangue por nossos pecados, nos ordena que amemos os outros. Ele não apenas nos pede que amemos os outros, Ele nos ordena. Com amargura, um espírito que não perdoa ou simplesmente desconfiança, isso pode ser difícil para algumas pessoas. Mas, como cristãos, o mundo verá o contraste quando, como crentes, nos amarmos uns aos outros. Não devemos ser seletivos quanto a isso e amar apenas os outros crentes que são mais fáceis de amar. Devemos ser completos em nossa obediência e amar até mesmo os outros crentes que são mais difíceis de amar. Eles podem ser mais difíceis de amar por causa de nossos próprios preconceitos, ou podem ser mais difíceis de amar porque se tornam mais difíceis de amar. De qualquer forma, porém, devemos demonstrar nosso amor às pessoas, especialmente a todos os crentes. O mundo olhará para trás e dirá: “Uau, como eles puderam ser assim?” E alguns deles talvez até digam: “Como posso ser assim!”
P: Em Jo 13,40, foi Deus quem cegou os incrédulos, ou foi o deus deste século (Satanás), como diz 2 Cor 4,4?
R: Embora Deus e Satanás possam estar fazendo coisas iguais ou semelhantes separadamente, esse provavelmente não é o significado correto neste contexto. Deus frequentemente usa Satanás como Seu instrumento. Quando uma pessoa se recusa a seguir a verdade que conhece, Deus pode “endurecer judicialmente” essa pessoa, pois ela perdeu oportunidades de enxergar mais da verdade. Deus pode usar Satanás como Sua ferramenta para fazer isso.
P: Em João 14,1, por que seu coração às vezes fica perturbado e o que você pode fazer a respeito?
R: A palavra para “vocês” em João 14:1 está no plural, portanto Jesus estava se dirigindo a todos eles, e cada um poderia estar perturbado por motivos diferentes. Podemos ficar perturbados porque nos foi dito que não somos confiáveis para sermos fiéis, como Pedro (João 13:38); porque realmente sentimos que não sabemos o que está acontecendo, como Tomé (João 14:5); não vemos Deus [o Pai] no que estamos fazendo, como Filipe (João 14:8), ou porque os caminhos de Deus não parecem ser os melhores para divulgar a Sua mensagem, como Judas (não o Iscariotes) (João 14:22).
Durante este tempo de provação, quando as circunstâncias podem tender a nos afastar de Deus, podemos, ao contrário, optar por nos aproximar Dele de qualquer maneira, mesmo que tenhamos falhas, confusão ou falta de visão. Como disse o pai da criança possuída por demônios em Marcos 9:24: “Eu creio; ajuda a minha incredulidade!”
P: Em João 14:2, como é que há muitas moradas no Céu?
R: Provavelmente há muitos tipos de moradas no Céu, assim como há muitas moradas no Céu.
1. Existem diferentes níveis de recompensas no Céu; pode-se pensar nisso como diferentes tipos de moradas. Basílio (357-379 d.C.) ensinou essa visão, afirmando que havia “diferenças de dignidades”. Sobre o Espírito 16.40, p. 25
2. Além disso, há um lugar no Céu para cada pessoa que será salva, sem qualquer superlotação. Embora a oferta de salvação seja feita a todas as pessoas, sem exceção, não haverá moradias vazias no Céu.
P: Em Jo 14,6, é apenas Jesus, e não Suas palavras, que é o caminho, a verdade e a vida, como ensinou o Rev. Moon?
R: Não. Primeiro, eis o que o suposto Messias, o Rev. Moon, disse; em seguida, o que a Bíblia afirma em contraposição.
“Princípio Divino”, do Rev. Moon, p. 131: “Jesus não disse que Sua palavra era a verdade, mas que Ele próprio era a verdade, o caminho e a vida (João 14:6). Isso porque Suas palavras eram apenas um meio de expressar-Se como a verdade... Podemos compreender que o Novo Testamento foi dado como um livro didático para o ensino e e da verdade ao povo de 2.000 anos atrás... Consequentemente, hoje a verdade deve se manifestar com um padrão mais elevado e com um método científico de expressão, a fim de permitir que os homens modernos e inteligentes a compreendam.”
Refutação: Jesus disse: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras nunca passarão.” Lucas 21:22
“Jesus respondeu: ‘Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra. ... Quem não Me ama não guarda as Minhas palavras.’” João 14:23-24
Não é possível afirmar que se segue e obedece a Jesus e, ao mesmo tempo, rejeitar Suas palavras.
P: Em João 14:6, de que maneira Jesus é o caminho, a verdade e a vida?
R: A escolha de palavras de Jesus aqui é fascinante.
Um caminho é a trajetória a ser seguida até um destino. Não se trata de um “ponto”, mas sim de uma série de pontos. Devemos estar em um desses pontos, avançando na direção correta.
A verdade inclui fatos corretos e lógica, mas também significa muito mais do que isso. A verdade é o que vive dentro de nós, o que deve caracterizar nossa vida, o que devemos amar e o que devemos praticar. Uma vida construída sobre uma mentira não é verdade alguma. As concepções ocidentais de “correção” e “realidade” estão ambas combinadas no conceito bíblico de verdade.
A vida é tanto a nossa experiência de viver, a realidade de nossa existência, quanto aquilo que sustenta nossa vida. Em outras passagens, a Bíblia utiliza metáforas como a água da vida, e diz que a vida de uma criatura está em seu sangue.
P: Em Jo 14,6, alguém pode ir para o Céu sem Jesus?
R: Não. Muitos no Antigo Testamento foram para o Paraíso sem ter ouvido o nome de Jesus. Hoje, nada impede que Deus permita que crianças que morrem, e que nunca tiveram o Espírito Santo dentro de si, vão para o Céu.
No entanto, ninguém pode chegar ao Pai a não ser por meio de Jesus, conforme afirma o próprio Jesus em João 14:6. Obviamente, seria de se esperar que Jesus estivesse em boa posição para saber disso.
Além disso, Atos 4:12 afirma que não há outro nome sob o céu dado aos homens pelo qual possamos ser salvos. Filipenses 2:10-11 diz que, no fim, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é o Senhor, para a glória de Deus Pai.
P: Em João 14:6, alguém que nunca ouviu falar do nome de Jesus pode ir para o céu?
R: Bebês que morrem, pessoas com retardo mental grave e os crentes do Antigo Testamento nunca ouviram falar de Jesus. No entanto, nada impede que Deus os leve ao céu por meio de Jesus.
P: João 14:6-11 prova que Jesus é Deus Pai, como afirmam os pentecostais unitaristas, tais como David K. Barnard (A Unidade de Deus: Série em Teologia Pentecostal, vol. 1, p. 68)?
R: Não. A afirmação “Ninguém vem ao Pai, a não ser por meio de Jesus” não faria sentido se dissesse que ninguém vem ao Pai, a não ser que venha ao Pai, ou por meio do Pai. Jesus disse que Ele e o Pai são um, mas essa afirmação não especifica como eles são um; é preciso examinar o restante das Escrituras para compreender isso. Eles são inseparáveis, um em natureza, glória e honra. No entanto, o batismo de Jesus, o fato de Jesus ter aprendido a obediência, conforme mencionado em Hebreus, etc., mostram que eles são distintos e diferem em função e posição.
P: João 14,8-9 apoia o panteísmo, uma vez que Jesus disse que Ele está no Pai e o Pai está Nele, como afirmam algumas pessoas nas religiões da Nova Era?
R: Não, porque a Trindade não é panteísmo. O fato de o Pai estar em Jesus não significa que o Pai esteja em tudo, nem mesmo em uma pilha de lixo. Em segundo lugar, Deus Pai é um ser, dotado de mente, vontade e emoções, e não o universo impessoal. Consulte “When Cultists Ask”, pp. 181-182, para obter uma resposta mais detalhada.
P: Em Jo 14,9, uma vez que Jesus disse que quem O viu, viu o Pai, isso demonstra que o Pai também possui um corpo físico?
R: Não. Pelo contrário, esse versículo serve melhor para demonstrar que o Pai não possui um corpo físico. Visto que quem já viu Jesus viu o Pai (que habita em Jesus), esse versículo sugere (embora não prove) que o Pai não teria um corpo físico.
P: Em Jo 14,10-11, como o Pai habitava em Jesus?
R: Talvez de uma forma um tanto semelhante àquela em que Jesus habita em nós. O Pai, o Filho e o Espírito Santo continuam distintos, mas nada nas Escrituras indica que haja uma separação entre eles. Como aponta Patrício da Irlanda (c. 389–461 d.C.), se os lóbulos de um trevo de três folhas podem ser distintos, mas não separados, então a Trindade pode ter três pessoas distintas, mas não separadas.
P: Em Jo 14,12, como os cristãos realizam obras maiores do que as que Jesus realizou?
R: As obras maiores que devemos realizar não devem ser entendidas como uma forma de “nos exibirmos”, mas sim como obras maiores e mais numerosas em prol do reino. Os cristãos realizaram obras maiores do que as que Jesus havia realizado até aquele momento, de pelo menos quatro maneiras complementares.
Significado: Enquanto Jesus alimentou 4.000 e 5.000 pessoas, Atos 2:41 registra que, com a pregação dos apóstolos, mais de 3.000 foram salvos. Certamente, levar as pessoas à salvação é mais importante do que simplesmente alimentá-las por um dia. É certo que, desde então, os cristãos têm alimentado muito mais do que 5.000 pessoas.
Números: O “Expositor’s Bible Commentary”, vol. 9, p. 145, menciona que há mais pessoas citadas como salvas em Atos 2:41 do que em todo o ministério de Jesus na Terra.
Método: O Espírito Santo não foi derramado sobre todos os povos até o Pentecostes. A promessa de que eles fariam coisas maiores está contida na promessa de Jesus de que o Consolador viria a eles, em João 14:15-18, 25
Área: Embora Jesus nunca tenha saído de uma área geográfica relativamente pequena enquanto esteve na Terra, Ele enviou Seus seguidores não apenas à Judéia e à Samaria, mas até os confins da terra, conforme Atos 1:8.
P: Em Jo 14,13-14, por que essa afirmação sobre pedir em nome de Jesus [supostamente] não é qualificada?
R: Ela é qualificada de duas maneiras.
Explicitamente: Jesus usou a palavra “vocês” aqui, e Ele estava falando diretamente aos discípulos, não a todos que afirmavam seguir a Deus.
Implicitamente: Estamos orando ao nosso Pai Celestial, e nosso Pai Celestial sabe o que é melhor para nós ainda mais do que nossos pais terrenos.
P: Em Jo 14,16, o que significa o termo “Consolador”?
R: Entre outras coisas, a palavra grega “consolador” aqui significava um advogado de defesa, de acordo com a New Geneva Study Bible, p. 1692, e o New International Bible Commentary, p. 1255. Além disso, o grego pode distinguir entre “outro da mesma espécie” e “outro de uma espécie diferente”. O termo grego aqui, allon, significa “outro da mesma espécie que Jesus”, de acordo com o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 9, p. 9 e p. 146. Ele também afirma que, em grego, parakletos significava uma pessoa que ajudava ao lado de alguém como conselheiro, advogado, intercessor ou mediador.
De acordo com o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1547, a palavra para “orar” aqui não significa uma pessoa inferior pedindo um favor a uma pessoa superior. É uma palavra que se refere a alguém fazendo um pedido a alguém de seu mesmo nível.
P: Em Jo 14,16, por que exatamente o mundo não pode aceitar o Espírito Santo, o Espírito da Verdade?
R: Jesus citou várias razões relacionadas a isso.
O mundo é ignorante, como Jesus disse em João 16:3. Mas, como mostra Romanos 1:18-19, a ignorância nem sempre é inocente, quando se suprime a verdade.
Alguns no mundo literalmente “odeiam” Jesus, como Ele mesmo previu em João 15:18,24.
Alguns são mentirosos, como Jesus disse em João 8:55. Alguns podem mentir aos outros, mas também podem mentir a si mesmos.
Alguns têm “outras coisas em mente”, pois estão adorando outros ídolos, sejam outras religiões, dinheiro, álcool etc. “Aqueles que se apegam a ídolos sem valor abandonam a Sua devoção amorosa” Jonas 2:8 (BSB)
Algumas pessoas não são ovelhas de Deus, como Jesus disse em João 10:26.
Não há espaço para a minha palavra, como disse Jesus em João 8:37
Relacionado ao anterior, se alguém não acredita que Jesus é quem Ele afirma ser, morrerá em seus pecados, como disse Jesus em João 8:24.
O mundo é hostil ao julgamento de seu materialismo e pecado. Ele não quer o Espírito Santo, que o convencerá de pecado e da falta de justiça, como disse Jesus em João 12:8-10.
Por fim, ninguém pode vir a Jesus a menos que o Pai o atraia, como Jesus disse em João 6:44.
P: Em João 14:16-17, um cristão da Ásia Menor por volta de 160 d.C. chamado Montano alegou ser a encarnação do Consolador, como afirma o cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 988?
R: Asimov deveria ter se limitado a escrever ficção científica, pois, neste caso, ele se equivocou quanto aos fatos. Montano realmente alegou ser um profeta, por meio do qual o Consolador (parakletos) falava, mas ninguém (exceto Asimov) afirmou que Montano fosse a encarnação de qualquer coisa ou de alguém. Tertuliano foi o membro mais proeminente da “denominação” montanista, e seus extensos escritos eram considerados ortodoxos e amplamente utilizados pelos cristãos ortodoxos que vieram depois dele. De fato, Cipriano de Cartago (c. 246–258 d.C.) costumava dizer: “tragam-me meu mestre” quando desejava que alguém lhe trouxesse os livros de Tertuliano para estudo.
P: Em Jo 14,16, o Consolador aqui é a “Ciência Divina”, como afirmou Mary Baker Eddy, fundadora da Ciência Cristã, em *Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras*, p. 55.271?
R: Não, o Consolador é o Espírito Santo no versículo 26 e é referido como “Ele”, não como “isso”, como seria o caso da Ciência Divina.
P: Em Jo 14,16-26; 15,26; 16,5-15, Maomé foi profetizado no Novo Testamento como o Paráclito, ou Espírito Santo, como afirmam alguns muçulmanos?
R: Não. Se isso fosse verdade, os muçulmanos acreditariam nessas cinco coisas (o que, em geral, não acontece).
1. Maomé glorificou Jesus. (João 16:14)
2. Alá enviou Maomé em nome de Jesus. (João 14:26)
3. Maomé também foi enviado por Jesus. (João 16:7)
4. Maomé recebeu a sabedoria de Jesus e a revelou a nós. (João 16:15)
5. Maomé estava “nos” apóstolos. (João 16:17)
Portanto, nenhum muçulmano bem informado acreditaria que esses versículos se referem a Maomé. Esses versículos devem se referir a outra pessoa, que foi enviada por Deus.
Por outro lado, talvez os muçulmanos devessem glorificar Jesus, se acreditam que Maomé o fez, com base nesses versículos. No entanto, um imã me disse que os muçulmanos devem louvar e glorificar Jesus, embora não devam adorá-Lo.
A propósito, a palavra parakletos/on aparece em João 14:6 no p. 75 (Bodmer 14/15), datado do final do século II ou possivelmente do século III, no p. 66, datado de meados do século II, e no Sinaiticus.
Além disso, Tertuliano ensinou que o Paráclito, o Consolador, estava atuando nos corações das pessoas em sua época (193 d.C.) em “Sobre a Monogamia”, cap. 3, p. 61
Em Hegemônio (século IV), Arquelau, o cristão, também discutiu como o Paráclito em João 14-16 é o Deus Espírito Santo, na obra “Disputa com Manes”, capítulos 34-35, páginas 208-209
P: João 14,18 demonstra que Cristo é Deus Pai, como afirmam os pentecostais unitaristas?
R: Os pentecostais unitaristas confundem as ações de Jesus com a identidade de Jesus. O fato de Jesus não nos deixar órfãos não significa que Ele seja o mesmo ser que o Pai. Quando Jesus foi batizado, Ele não estava enganando nem confundindo as pessoas, nem fazendo um número de ventríloquo quando o Pai falou do céu. O Pai não disse: “Este sou Eu mesmo, em quem tenho grande prazer.” Pelo contrário, o Pai disse: “Este é o meu Filho amado, em quem tenho grande prazer!”
P: Em Jo 14,22-24, de que maneira Jesus se revela aos cristãos e não ao mundo?
R: É verdade que todos podem saber algo sobre Jesus. No entanto, somente os cristãos conhecem Jesus pessoalmente, pois Jesus vive em nossos corações.
P: Em Jo 14,27, em que a paz de Jesus, o príncipe da paz, difere da paz do mundo?
R: A paz do mundo é externa e temporária, pois depende de circunstâncias externas. A paz de Jesus é tanto interna quanto externa, e é duradoura, pois é independente das circunstâncias externas.
De certa forma, assim como alguém prestes a morrer deixa seu testamento para prover e abençoar seus filhos, Jesus está concedendo Sua bênção e Sua promessa de provisão aos Seus filhos.
P: Em Jo 14,27-28, em que sentido o Pai é maior do que Jesus?
R: Na Terra, Jesus se esvaziou de si mesmo e, naturalmente, o Pai era maior do que Jesus naquele momento. No céu, Jesus tem um papel subordinado ao Pai. O Deus de Jesus é o Pai. Veja 1 Coríntios 11:3; 15:25-28; Mateus 12:18; Efésios 1:3, 17; João 1:33; 14:16, 26, 28; Romanos 8:26-27.
O Pai não é maior do que Jesus em dois aspectos:
Natureza (Filipenses 2:6). (Para mais informações, consulte a obra de Hilário, *Sobre a Trindade*, 9:2 e 7:27.)
Honra. Consulte João 5:18; 5:23; Colossenses 2:9-10; (Isaías 44:6; Apocalipse 1:8 em comparação com Apocalipse 1:17-18; 22:13)
Conforme mostra João 5:18, um pai é igual em natureza ao filho que ele gera. Caso contrário, seu pai deveria ser maior do que você, seu avô maior do que ele, e seu centésimo antepassado teria sido um super-homem. As pessoas criam coisas, mas “geram” apenas pessoas. Deus criou as coisas, mas “gera” apenas a Deus, seu Filho unigênito. Ambos recebem honra e louvor em Apocalipse 5:9, 12-14.
O livro *Now That’s a Good Question*, pp. 43-44, distingue entre a falsidade da “inferioridade” do Filho e o verdadeiro conceito da “subordinação” do Filho. R.C. Sproul acrescenta: “Essa é uma das razões pelas quais a igreja sempre confessou uma doutrina chamada de subordinação de Cristo.”
P: Em Jo 15,1, em que sentido uma “videira verdadeira” se diferenciaria de uma simples videira?
R: A palavra grega para “verdadeira” aqui não se refere tanto a “verdadeira” versus “falsa”, mas sim a “verdadeira” ou “original” versus uma “imitação” ou “cópia”.
P: Em Jo 15,1, que outra metáfora sobre a videira havia antes dessa?
R: Jesus pode ter proferido essas palavras enquanto estava no cenáculo, caminhando do cenáculo até o Monte das Oliveiras, ou então no Monte das Oliveiras, a oeste de Jerusalém. Se eles passaram pelo templo, a fachada deste exibia uma grande videira dourada com seus ramos, simbolizando o povo de Israel. Salmo 80:8-16, Ezequiel 17:1-6, Jeremias 12:10-11 e Isaías 5:1-7 comparam o povo de Deus a uma videira. Deus disse: “Pois a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta de seu deleite. Ele esperava justiça, mas viu derramamento de sangue; esperava retidão, mas ouviu um clamor de angústia.” (Isaías 5:7)
P: Em João 15:1, qual é a diferença entre ver Jesus como a videira que mantém os ramos unidos e ver os homens como aqueles que mantêm os ramos unidos?
R: Israel era a videira em Jeremias 2:21. Mas Jesus usa uma metáfora diferente aqui: Ele, e não Israel, é a videira em João 15:1. Se a organização da sua igreja dá mais ênfase aos homens que a mantêm unida do que a Jesus, que a mantém unida, o senhor deve se perguntar se está na organização certa.
O que o senhor acha desta citação? “Deus está na voz mansa e suave. Em todas essas declarações juramentadas, acusações, tudo isso é obra do diabo — toda a corrupção. Vamos lá! Vós, promotores! Vós, falsos juramentados! Que todo o inferno entre em ebulição! Vós, montanhas em chamas, derramai vossa lava! Pois eu finalmente sairei vitorioso. Tenho mais motivos para me orgulhar do que qualquer homem jamais teve. Sou o único homem que já foi capaz de manter uma igreja inteira unida desde os dias de Adão. A grande maioria de todos tem permanecido ao meu lado. Nem Paulo, nem João, nem Pedro, nem mesmo Jesus jamais conseguiram isso. Orgulho-me de que nenhum homem jamais tenha realizado uma obra como a minha. Os seguidores de Jesus fugiram Dele; mas os Santos dos Últimos Dias ainda nunca fugiram de mim. Vocês conhecem minha conduta e meu modo de falar no dia a dia. Estou no seio de um povo virtuoso e bom. Como eu adoro ouvir os lobos uivarem! Quando conseguirem se livrar de mim, o diabo também se irá. Nos últimos três anos, tenho um registro de todos os meus atos e procedimentos, pois mantive vários escriturários bons, fiéis e eficientes em serviço constante: eles me acompanharam a todos os lugares e mantiveram cuidadosamente minha história, além de terem registrado o que fiz, onde estive e o que disse; portanto, meus inimigos não podem acusar-me de nada em relação a qualquer dia, hora ou local, pois tenho testemunho escrito para comprovar minhas ações; e meus inimigos não podem provar nada contra mim.” Joseph Smith, fundador do mormonismo. História da Igreja, vol. 6, p. 408-409
Ou que tal esta citação, que é mais moderada? Em Dictatus Papae (provavelmente em 1075 d.C.), o Papa Gregório VII afirmou: “A Igreja Romana foi fundada somente por Deus; somente o papa romano pode, com razão, ser chamado de universal; somente ele pode usar as insígnias imperiais; somente seus pés serão beijados por todos os príncipes; somente ele pode destituir os imperadores; ele próprio não pode ser julgado por ninguém; a Igreja Romana nunca errou, nem errará por toda a eternidade.” História Temática do Cristianismo, de Austin, p. 165.
P: Em Jo 15,3, como Jesus pôde dizer que todos estavam puros, visto que Judas o traiu?
R: Lembre-se de que, nessa altura, Judas já havia partido e não estava presente quando Jesus falava.
P: Em Jo 15,4, o que significa a palavra “permanecer”?
R: A palavra “permanecer” (meno, em grego) é muito significativa em todos os escritos de João. Ela aparece 11 vezes em João 15, 40 vezes no Evangelho de João e 27 vezes nas epístolas de João.
Assim como um ramo na videira, ela significa apenas uma coisa: viver ligado à videira. Um ramo pode ser totalmente separado ao ser cortado. Ou a vida de um ramo pode não est e ligada à videira, e o ramo morre. É interessante observar como as árvores perdem suas folhas no outono. A árvore produz cortiça, que interrompe o fluxo de água e nutrientes para a folha ou o ramo. Sem nutrientes, eles morrem, perdem sua fixação e caem. As árvores às vezes também perdem galhos no verão. Quando o galho não recebe luz solar, ele não produz açúcares nem frutos, e a árvore o corta.
P: Em Jo 15,4, como os cristãos permanecem em Jesus?
R: De várias maneiras.
Confiar Nele para nos guiar passo a passo.
Obedecendo a Jesus, não apenas por dever, mas com obediência pronta, completa e alegre, pois sabemos que o caminho de Deus é o melhor caminho.
A oração deve ser uma característica distintiva fundamental de nossas vidas.
Anseio por Jesus, por estar com Ele, e rezo por Seu retorno.
P: Em Jo 15,6, o fato de um ramo ser cortado significa que um crente genuíno pode perder a salvação?
R: Este versículo diz que quem não permanece em Jesus pode ser lançado fora e queimado. Além disso, há duas maneiras de interpretar este versículo.
1. Todos devem concordar que, como Deus sabe tudo e sabia quem iria para o Céu (os eleitos) antes mesmo de qualquer pessoa nascer, alguns irão para o Inferno, mesmo tendo frequentado a igreja e dado a impressão de serem cristãos. No entanto, nenhum dos eleitos se perderá, e todos os réprobos se perderão, pois o Deus Onisciente já sabia disso de antemão.
2. Os cristãos genuínos discordam sobre se uma pessoa pode nascer de novo verdadeiramente e, posteriormente, perder sua salvação ou optar por se afastar dela e ir para o inferno. Consulte a discussão sobre Hebreus 6:4-14 e Efésios 1:14 para mais informações sobre essa questão.
P: Em João 15:8, como os crentes dão frutos em Cristo?
R: Observe que o ponto importante aqui não é aprender coisas, nem ensinar os outros, nem exercer o ministério; é dar frutos. Os crentes dão frutos em Cristo de pelo menos três maneiras:
Semelhança com Cristo: Internamente, devemos dar o fruto do Espírito, e isso deve demonstrar que estamos no processo de nos tornarmos mais piedosos.
Caridade e contribuições: Devemos ajudar tanto os crentes quanto os não crentes com nosso tempo, dinheiro e auxílio aos oprimidos.
Convertidos e discípulos: Podemos ajudar preparando o solo, semeando a semente do Evangelho e colhendo para levar as pessoas à fé em Jesus Cristo. Também podemos discipular outros cristãos e ajudar a trazer de volta aqueles que se afastaram.
Os resultados não são o que o senhor faz, mas sim o que brota na vida de outras pessoas.
P: Em Jo 15,8, as pessoas são infrutíferas a menos que levem outras pessoas a Cristo, como um determinado grupo tem ensinado?
R: Não. Não sabemos se Jeremias levou quase ninguém a Deus durante sua vida, mas ele ainda assim serviu a Deus como um profeta e pregador eficaz. Isso é um tipo de evidência de dar frutos, mas nem sequer está listado como um dos frutos do Espírito em Gálatas 5:22-23. Consulte “Quando os membros de seitas perguntam” para obter uma resposta complementar.
P: Em João 15:14-15, ainda devemos nos considerar servos de Cristo?
R: Sim. Pedro, que ouviu essas palavras em primeira mão, estaria na melhor posição para compreender o que Jesus quis dizer. Em 2 Pedro 1:1, Pedro se autodenominou servo (na verdade, escravo) de Jesus. Em Romanos 1:1, Filipenses 1:1; Tito 1:1 e Tiago 1:1, Paulo e Tiago também se referem a si mesmos como escravos de Cristo Jesus.
Independentemente de se interpretar isso como se Jesus não chamasse os discípulos de “apenas servos” ou de “servos”, Jesus está dizendo que Ele não os chama apenas de servos. Jesus não está abordando como os filhos de Deus devem se autodenominar.
P: Em João 15:15, de que maneiras devemos agir como servos de Cristo e de que maneiras devemos agir como amigos de Cristo?
R: Ser servo de Cristo é bom, e não querer ser servo de Cristo é errado. Mas aqui Jesus está dizendo que há muito mais do que simplesmente ser servo de Cristo. Vamos analisar as coisas da nossa perspectiva e, em seguida, da perspectiva de Deus.
Da nossa perspectiva
Se fôssemos apenas servos, um servo faz o que lhe é mandado; pelo menos quando está sendo observado. Um servo muitas vezes não se importa com o resultado ou com o sucesso. Um servo pode ser apenas servo por um período de tempo e se preocupar apenas com o que acontece no curto prazo, antes de seguir em frente. Pensar fora da caixa, buscar uma maneira melhor de fazer as coisas, demonstrar iniciativa ou inovar não são, normalmente, o que os servos fariam.
Ao contrário de um servo, um amigo é como um parceiro ou membro da família. Ele faz de boa vontade o que é necessário, mesmo quando não lhe é pedido. Preocupa-se profundamente com o resultado e o sucesso do plano de seu senhor. Não nos preocupamos apenas com o brotar das flores, mas com os frutos que permanecem em comparação com aqueles que não permanecem.
No entanto, assim como um servo, ainda temos um senhor. Até mesmo um filho deve obedecer à sua mãe e ao seu pai. Podemos inovar e propor maneiras melhores de fazer as coisas, mas apenas dentro dos limites do que nosso senhor ordenou. Existem todos os tipos de meios disponíveis para realizar um plano — violência, intimidação, coerção, engano, trapaça, roubo — e nunca devemos utilizá-los, independentemente de nossas opiniões sobre quão eficazes acreditamos que seriam em determinada situação.
Da perspectiva de Deus
Um servo não precisaria saber o que está acontecendo, apenas o que lhe é pedido para fazer no momento. Quanto à maneira como deve fazer algo, como deve trabalhar com os outros, tudo isso já está previsto em sua tarefa.
Ao contrário de um servo, Deus muitas vezes deseja que descubramos como realizar algo, e não apenas sigamos os passos mecanicamente, como um servo. Devemos demonstrar iniciativa. Deus pode nos dar tarefas que não podemos realizar sozinhos, e mesmo assim espera que as cumpramos. Mas, em vez de nos empenharmos em uma tarefa infrutífera, falharmos e dizermos a Deus: “Fiz o melhor que pude”, Deus deseja que trabalhemos com outros crentes e, juntos, realizemos a tarefa. O que o senhor pode ou não fazer sozinho, sem utilizar as ferramentas e os colegas de trabalho que Deus lhe concedeu, não é realmente relevante; o que importa é o que o senhor pode ou não fazer com as ferramentas e os colegas de trabalho que Deus lhe concedeu, no poder do Espírito Santo. Frequentemente revelamos nossos planos confidenciais para o futuro aos amigos. Deus também o faz. Queremos conhecer a vontade de Deus para nós, mas também devemos desejar conhecer o Seu coração.
No entanto, assim como um servo, ainda há muitas coisas que surgirão em nosso caminho na vida que Deus opta por não nos revelar, ou então por não nos revelar ainda. Pode haver outras coisas, que já nos aconteceram, das quais ainda não temos ideia do motivo pelo qual Deus permitiu que acontecessem. Como disse um autor cristão: “não devemos nos ofender com o inexplicável”. Deus não é apenas nosso amigo, mas nosso melhor amigo; contudo, Ele continua sendo nosso Mestre.
P: Em Jo 15,16, em que sentido não foram eles que escolheram a Cristo, mas Cristo que os escolheu?
R: Há duas maneiras de interpretar essa passagem.
O contexto imediato é a ordenação como apóstolos. Cristo poderia ter escolhido qualquer pessoa para ser Seus apóstolos, e Ele os escolheu. Ele os abençoou ao escolhê-los; eles não estavam fazendo nenhum favor a Jesus.
Alguns veem nisso um contexto geral da eleição de Deus para a salvação.
Independentemente de você acreditar que essa passagem específica tenha esse significado pretendido, a Bíblia ensina que Deus nos escolheu antes do início dos tempos. Assim, é óbvio que Deus nos escolheu antes de nós O escolhermos. Além disso, Romanos 3:11-12 e outras passagens mostram que nem mesmo seríamos capazes de escolher a Deus se não fosse pela ação de Deus em nossas vidas.
P: Em João 15:16, o que é o fruto que permanece em comparação com o fruto que não permanece?
R: 1 Coríntios 4:12 nos esclarece a esse respeito. As obras supostamente realizadas para Deus, mas feitas por orgulho, inveja ou outros motivos malignos, Deus não as honrará nem recompensará. Da mesma forma, as ações realizadas, não por motivos ímpios, mas por motivos que não são piedosos — como a riqueza financeira —, também serão julgadas adequadamente.
Existem pelo menos três tipos de fruto.
Internal: O caráter tem sido definido como quem o senhor é quando pensa que ninguém está olhando.
Externo: Nossas ações produzem frutos, sejam eles bons ou maus.
Financeiros: Nossas contribuições para a obra de Deus e para os pobres e necessitados são registradas, assim como as de Simão em Atos 10.
Evangelismo e discipulado: Em Filipenses, Paulo disse que os próprios filipenses eram a alegria e a coroa de Paulo.
Nossos filhos e aqueles de quem cuidamos na igreja: Inclui-se no ponto anterior a maneira como criamos nossos filhos e como os anciãos cuidam daqueles sob sua responsabilidade. Eles são responsáveis por suas próprias decisões, mas temos uma responsabilidade ao cuidarmos deles.
P: Em João 15:17, qual é a diferença entre ter um amor especial por outros crentes e formar um grupinho?
R: É normal ter alguns amigos com quem se tem uma relação mais próxima do que com outros. E, é claro, não devemos ter apenas sentimentos românticos, mas também uma amizade com nosso cônjuge que seja mais íntima do que outras amizades. Porém, quando sua amizade com um pequeno grupo de amigos se torna exclusiva e não aceita a presença de pessoas de fora, então isso pode ser uma “amizade que deu errado”. Portanto, pergunte a si mesmo: “Sua amizade é inclusiva ou exclusiva?” Ora, há alguns não crentes (e até mesmo cristãos carnais) dos quais o senhor deve se afastar, caso continuem tentando levá-lo ao pecado.
P: Em Jo 15,18, de que maneira o mundo odiou Jesus?
R: De duas maneiras:
Pelo nome: as pessoas geralmente não usam os nomes de Buda, Confúcio ou Maomé em vão. Elas parecem usar apenas “Deus” e “Jesus” em vão.
Pelo caráter: Alguns rejeitam tudo o que tenha a ver com Cristo. Enquanto alguns sabem muito sobre Cristo e, mesmo assim, O rejeitam; outros deliberadamente não querem saber nada sobre Cristo.
P: Em João 15:22,24, de que maneira a vinda de Jesus tornou algumas pessoas mais responsáveis por seus pecados?
R: A boa notícia é que Deus não responsabiliza as pessoas pelo que elas não sabem (Romanos 4:15; 5:12). Por outro lado, 2 Pedro 2:22 e outros versículos mostram que as pessoas recebem um julgamento mais ou menos severo quando rejeitam a verdade, com base na verdade que conheciam.
P: Em João 15:23, por que ninguém pode odiar Jesus sem também odiar o Pai?
R: Como parte da Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são iguais em natureza, propósito e honra, e nossa obediência, serviço e amor a um deles são os mesmos que dedicamos aos outros.
P: Em João 16:2, o senhor acha que “expulsá-los da sinagoga” inclui expulsar cristãos da igreja?
R: Sim, isso inclui ser expulso da assembleia religiosa. Martinho Lutero, os anabatistas e John Wesley foram todos expulsos de suas igrejas. Muitos cristãos genuínos não são bem-vindos em algumas igrejas liberais.
P: Em Jo 16,2-3, como alguém poderia pensar que estava prestando um serviço a Deus ao matar os discípulos de Jesus?
R: Muitas pessoas têm tido visões muito distorcidas de Deus. A seguir, apresentamos uma lista parcial das perseguições a cristãos por parte de pessoas religiosas e dos milhares de mortos, quando conhecidos.
Data | Perseguição | Mortos |
50-323 d.C. | 10 perseguições aos primeiros cristãos: Nero, Trajano, Trajano novamente, Adriano, Marco Aurélio/Septímio Severo, Maximino Trácio, Décio/Galo, Valeriano, Aureliano, Diocleciano | 50 mil |
50 e 95/96 | Nerão e Domiciano rotularam os cristãos como “ateus” e os mataram por se recusarem a adorar o imperador e os ídolos. População cristã estimada: 500 mil | |
107-117 | O imperador Trajano persegue os cristãos. Respondeu à carta de Plínio, o Jovem. Os cristãos não eram perseguidos, mas mortos caso fossem encontrados. | |
118 e 134 | O imperador Adriano persegue cristãos e judeus. Adriano apreciava a cultura grega e perseguiu tanto judeus quanto cristãos. | |
135 d.C. | Os cristãos em Israel foram perseguidos pelos judeus (não pelos romanos) durante a Revolta de Bar Kochba | |
162/166–180 | O imperador Marco Aurélio, filósofo estoico, perseguiu principalmente na Gália (França). A perseguição terminou com a morte dele. | |
202 | Imperador Septímio Severo. Um cristão o ajudou quando ele estava doente, mas ele não revogou as leis existentes. População cristã estimada em 2 milhões | |
209 d.C. | Primeiros mártires conhecidos na Inglaterra: Albano, Júlio e Aarão | |
235-238 d.C. | O imperador Maximino Trácio persegue os cristãos. Primeira perseguição em todo o império, mas restrita apenas ao clero. Ela cessou quando ele foi assassinado. | |
250-251–253 | Os imperadores Décio e Galo promulgaram uma severa perseguição | |
257-260 | O imperador Valeriano persegue os cristãos. A segunda perseguição mais severa. Inicialmente tolerante, mas depois Macriano o influenciou. | |
270 | O imperador Aureliano mostrou-se tolerante no início. Aureliano faleceu logo após decidir perseguir os cristãos. | |
>287-300 | O rei Tiridates III da Armênia, a princípio, perseguiu os cristãos, mas depois se converteu por influência de Gregório, o Iluminador | |
284, 303-305 | O imperador Diocleciano promoveu a perseguição mais severa contra aqueles que se recusavam a realizar sacrifícios. Ele destruiu igrejas e escrituras. A população cristã era estimada em 5 milhões. | |
315-323 d.C. | Licínio opressa os cristãos no Oriente (mas não na Palestina nem no Egito). A perseguição deve-se ao apoio dos cristãos a seu adversário, Constantino. | |
>287-300 d.C. | O rei Tiridates III da Armênia persegue os cristãos. Ele acaba se tornando cristão. | |
315, 325–381 | O rei persa Shapur II persegue os cristãos — os cristãos persas passaram a ser tributados duas vezes após Constantino se tornar cristão. | 1,15 mil apenas na Mesopotâmia |
325 | O persa Shapur II extermina toda a população da cidade árabe cristã de Lakhmid, al-Hera, em retaliação a incursões anteriores na Pérsia. | |
361-363 | Juliano, o Apóstata, restabelece o paganismo como religião oficial do Império Romano até sua morte em batalha contra os persas. Ele demonstra certa tolerância, mas permite a perseguição | |
325-381 d.C. | Na Pérsia, Shapur II persegue os cristãos | |
361-362 d.C. | Cristãos mortos em Alexandria e Gaza | |
370 d.C. | O imperador romano ariano Valens mata cristãos no Oriente. Valens acaba sendo morto em batalha pelos godos, que também eram arianos | |
369-376 d.C. | O visigodo ariano Atanarico persegue os visigodos cristãos ortodoxos | |
380-402 | Sapor II persegue os cristãos na Pérsia | 8 mil a 9 mil |
421-422 d.C. | Guerra Perso-Bizantina após Narseh ter perseguido severamente os cristãos. Os mazdeístas perseguem os cristãos. al-Tabari, vol. 5, p. 102. | |
448-449 d.C. | Armênios e georgianos se revoltam contra a perseguição zoroastriana persa. Yazdgird II impôs o zoroastrismo, perseguiu os judeus, proibiu o sábado e fechou todas as escolas judaicas. al-Tabari, vol. 5, p. 107, 109 | Todos os cristãos em Kirkuk |
420-460 d.C. | Muitos cristãos foram mortos na Pérsia e na Armênia, após o bispo Abydos ter incendiado um templo zoroastriano | |
c. 472 d.C. | Sharahb’il Yakuf persegue cristãos na Etiópia; al-Tabari, vol. 5, p. 194, nota de rodapé 487 | |
484 d.C. | O visigodo ariano Hunnerico persegue cristãos em Tipasa, na Argélia | |
499-523 d.C. | Os arianos perseguem os cristãos no Norte da África | |
523-525 d.C. | O judeu Ma'di Karib Ya'fur persegue cristãos no sudoeste da Arábia até ser derrotado pelos abissínios (etíopes). al-Tabari, vol. 5, p. 195, nota de rodapé 488 | |
525 d.C. | Os cristãos fogem da perseguição dos judeus etíopes | |
540-545 d.C. | O persa Khosro I persegue os nestorianos e saqueia Antioquia | |
527-568 d.C. | Justiniano persegue os monofisitas (coptas) no Egito | |
572 d.C. | Os bizantinos perseguem os monofisitas — al-Tabari, vol. 5, p. 251 | |
589-591 | O califa Hakim persegue cristãos e judeus. Os Magos martirizam Golinduch e outros cristãos persas | |
614/615 | Os persas matam milhares de cristãos em Jerusalém após a terem conquistado. Os judeus, que não tinham permissão para entrar em Jerusalém, também mataram muitos cristãos. | |
700 d.C. | Os muçulmanos perseguem os cristãos | |
634– | Conquistas muçulmanas contra não muçulmanos, da Síria à França e da Pérsia à Índia | |
698–705 | A imperatriz budista Wu Zetian incendiou igrejas e mosteiros nestorianos na China | |
807 d.C. | O califa muçulmano Harun al-Rashid demoliu igrejas | |
840-846 d.C. | O imperador taoísta chinês Wu perseguiu de forma não violenta, mas severa, budistas e nestorianos. Grande parte das terras estava nas mãos de mosteiros budistas. Os nestorianos nunca mais voltaram a ter a mesma proeminência na China. | |
849/850 d.C. | O califa muçulmano al-Mutawakkil persegue os cristãos. | |
978-1000 d.C. | A rainha judia Judite de Axum persegue os cristãos | |
1000– | Perseguição católica aos valdenses | |
Séculos X a XII | Queima e extermínio de hereges na Europa | |
1004–1012 d.C. | O califa fatímida egípcio Hakim persegue cristãos e judeus. Ele aterroriza peregrinos e profana Jerusalém em 1009 | |
1100-1300 | Os mongóis matam a maioria dos cristãos nestorianos | |
1211 d.C. | Em Estrasburgo, os valdenses são queimados | 80 |
1229 d.C. | Concílio de Toulouse, França. Perseguição aos hereges. Proibição do Antigo e do Novo Testamento, exceto o saltério ou o breviário | |
Fevereiro de 1231 | A bula “Excommunicamus”, do Papa Gregório IX, condenava à prisão perpétua tanto os hereges quanto aqueles que tivessem conhecimento de sua existência, mas não os denunciassem. | |
11 de outubro de 1231 | Bula papal *Ille Humani Generis* contra os hereges | |
1252 d.C. | A bula papal “ad Extirpanda”, do Papa Inocêncio IV, aprova a tortura contra hereges no norte da Itália e, em 1256, em toda a Itália. Posteriormente, tal medida foi confirmada pelos Papas Alexandre IV e Clemente IV. | |
28 de maio de 1252 | A bula papal *Cum Adversus Haereticam* autorizou a tortura e a morte na fogueira para obter confissões de heresia. | |
30 de março de 1252 | Bula papal “Super Extirpatione”, do Papa Inocêncio IV | |
1261 | O Papa Urbano IV permitiu que os inquisidores se absolvessem mutuamente dos pecados quando as vítimas morressem sob seus “interrogatórios” | |
1309 d.C. | Veneza foi acusada de heresia por se opor a Clemente V | |
1339 d.C. | Muçulmanos massacram cristãos em Almaliq | |
1401 d.C. | O muçulmano Tamerlão saqueia Bagdá. Tamerlão massacra milhares de muçulmanos e cristãos | |
1360-1405 d.C. | O muçulmano Tamerlão matou 17 milhões de pessoas, 5% da população mundial. Ele massacrou hindus, outros muçulmanos e quase exterminou os nestorianos | |
1408 d.C. | Na Inglaterra, é ilegal traduzir ou ler a Bíblia em inglês sem o consentimento do bispo | |
1413 d.C. | Sir John Oldcastle e muitos lollardos se rebelam contra a perseguição inglesa | |
1415-1416 | Na República Tcheca, os hussitas se revoltam | |
1414-1418 | O Concílio de Constança põe fim ao Grande Cisma. Jan Hus é queimado até a morte. | |
17 de março de 1420 | O Papa Martinho V emite uma bula papal convocando uma cruzada para exterminar os seguidores de Wycliffe, Huss e outros hereges | |
1419-1434 | Guerras Hussitas: os católicos executaram Jan Hus e invadiram a Boêmia | |
1419-1434 | Cruzada católica romana contra os hussitas na Hungria | |
1431 d.C. | Os hussitas repelem um grande exército do Sacro Império Romano | |
1480 d.C. | Inquisição espanhola sob o reinado de Fernando e Isabel | |
1487-1488 | Cruzada católica romana contra os valdenses | |
1498 d.C. | Os portugueses obrigam os nestorianos a se converterem ao catolicismo na Índia | |
c. 1500 d.C. | Perseguição otomana aos cristãos ortodoxos dos Balcãs | |
1527 d.C. | Felix Manz e outros anabatistas são mortos em Zurique | |
21 de julho de 1542 | A bula papal Licet ab init, do Papa Paulo II, restabeleceu a Inquisição Romana | |
1487-1545- | O Papa Inocêncio VIII ordena uma cruzada para exterminar os valdenses | |
1545 | Católicos romanos e valdenses na Itália | |
1555-60 | Os católicos romanos perseguem os valdenses na Itália | |
1562 | Em Toulouse, os franceses matam os huguenotes protestantes | 4K |
23 de agosto de 1572 | Massacre do Dia de São Bartolomeu. Católicos franceses matam traiçoeiramente entre 5 mil e 30 mil huguenotes franceses, por insistência da Espanha | |
1576-93 | Na França, católicos romanos e huguenotes protestantes travam conflitos | |
1618-48 | A Guerra dos Trinta Anos mata um terço dos alemães | 7 milhões |
Século XVII | A Inquisição Espanhola contra judeus, muçulmanos e protestantes | 50 mil |
1629-1669 | Perseguição conhecida como “pisoteio do crucifixo” no Japão | |
1637 | Revolta católica contra a perseguição, reprimida pelo Japão com o auxílio da artilharia holandesa | |
1383-1638 | Os otomanos criam o sistema Devsirme, que exige que cada família cristã entregue um filho para se tornar um soldado janízaro muçulmano | |
1655 | Católicos matam muitos valdenses na Itália e na França | |
1742 | Os cristãos são perseguidos na China; os jesuítas são obrigados a partir | |
1808 | Napoleão põe fim à Inquisição Espanhola | |
1820-41 | Perseguição aos católicos romanos no Vietnã | |
1801-1846 | O catolicismo se espalha na Coreia, sendo posteriormente perseguido | 2 mil |
1843 e 1846 | Badr Khan, o curdo, massacra 10 mil nestorianos. Os otomanos respondem derrotando os curdos e exilando Badr Khan | 10 mil nestorianos |
1629–1856 | Os xoguns Tokugawa perseguem os cristãos no Japão. Aqueles que se recusaram a pisotear imagens de Jesus ou de Maria foram torturados e mortos. | Muitos milhares |
1828-1861 | A rainha Ranavalona I de Madagascar matou metade da população de Madagascar (2,5 milhões), especialmente cristãos | |
1866 | Perseguição aos católicos na Coreia | 8 mil |
1885-1887 | O rei homossexual Mwanga II, de Buganda, mata 45 cristãos católicos e anglicanos, além de muçulmanos, que se opunham à homossexualidade. Os muçulmanos o derrubam em 1888. | |
1870-90 | A Guatemala persegue padres católicos; restam apenas 100 | |
1917– | Os comunistas perseguem cristãos na URSS, na Europa Oriental e na China | |
1956 | Protestantes perseguidos na Colômbia | |
1976 | Católicos assassinados na Guatemala | Milhares |
1990– | Muçulmanos perseguem severamente cristãos e muçulmanos de Darfur no Sudão | |
2008– | Cristãos perseguidos na província de Odisha/Orissa, no nordeste da Índia |
P: Em João 16,5, por que Jesus disse que ninguém perguntou para onde Ele estava indo, já que Tomé [supostamente] perguntou isso em João 14,5?
R: Na verdade, Tomé NÃO perguntou para onde Jesus estava indo. Em João 14:5, Tomé apenas pergunta como eles podem conhecer o caminho, já que ele afirma (e não pergunta) que eles não o conhecem. Jesus acabara de dizer que eles conheciam o caminho, e Tomé afirma que eles ainda não o conheciam.
Tem-se a impressão de que Jesus estava apenas esperando que alguém perguntasse como conhecer o caminho, para que Ele pudesse revelar essa verdade sobre Si mesmo em João 14:6-7. Nenhum outro mestre judeu afirmou que ele próprio era o caminho. Jesus não era apenas um mestre da verdade que mostrava o caminho; Ele próprio era o caminho.
Mas depois que Jesus revelou isso, e assim as pessoas conheceram o caminho porque conheciam Jesus, nem Tomé nem ninguém mais pareceu particularmente interessado em perguntar a Jesus para onde Ele iria ou pelo que Ele teria de passar.
P: Em Jo 16,5, por que Jesus disse que ninguém perguntava para onde Ele iria, já que Pedro, na verdade, perguntou isso em Jo 13,36?
R: Primeiro, duas observações que não fazem parte da resposta; em seguida, a resposta.
X Dirigiu-se a todos, exceto a Pedro: Jesus poderia ter feito um gesto para os outros dez discípulos, excluindo Pedro, e dito: “Por que nenhum de vocês pergunta para onde estou indo?” Embora isso seja tecnicamente possível, João era uma testemunha ocular, e as passagens não dão nenhuma indicação de que Jesus estivesse fazendo distinção entre a pergunta de Pedro e o fato de os outros não terem perguntado.
X Jesus esqueceu que Pedro havia perguntado: Embora, enquanto esteve na Terra, Jesus fosse sem pecado, como homem mortal as Escrituras não afirmam que Ele fosse sempre capaz de se lembrar de todos os detalhes, especialmente sob grande pressão. Embora essa explicação tenha a vantagem da simplicidade, acredito que haja uma explicação melhor.
O tempo verbal grego e a sequência do ensinamento de Jesus: Quando Pedro e Tomé fizeram suas perguntas pela primeira vez, Jesus não pôde dar-lhes uma resposta completa sem que eles primeiro compreendessem o papel de Jesus como o caminho, a verdade e a vida e sem apresentar o Espírito Santo. Depois disso, então Jesus pergunta: “No entanto, nenhum de vocês me pergunta (presente) para onde você está indo?” A Tradução Expandida de Wuest diz: “está me perguntando”.
O *Expositor’s Greek Testament*, vol. 1, p. 835, afirma que os discípulos estavam tão absortos em sua própria tristeza pela partida de Jesus que não pensaram em perguntar para onde Ele iria. O *New International Bible Commentary*, p. 1257, afirma que essa pergunta foi feita devido ao desânimo deles, e não por um desejo real de saber para onde Jesus estava indo.
P: Em Jo 16,8-11, de que maneira o Consolador convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo?
R: De pelo menos duas maneiras.
Diretamente e internamente, o Espírito Santo convence as pessoas de que devem se arrepender de seus pecados e se aproximar de Deus.
Indiretamente e externamente, o Espírito Santo atua por meio das pessoas para levar outras a Cristo.
P: Em Jo 16,12, por que Jesus não lhes disse tudo o que precisavam saber?
R: A resposta encontra-se em João 16:13. Deus acabou por lhes revelar tudo o que precisavam saber, mas eles simplesmente não aprenderam naquele momento. É por isso que eles — e nós — precisamos do Espírito Santo para nos guiar, dando-nos a orientação de que precisamos para aquele dia.
Uma bela história ilustra isso. Certa vez, havia um rei rico que tinha um filho a quem amava muito. Uma vez por ano, o filho ia até o pai e pedia sua mesada para o ano. O rei a entregava, e não voltava a ver o filho por um ano inteiro. Além de amar o filho, o rei também era sábio. No ano seguinte, quando o filho voltou, o pai lhe deu a mesada para um dia. Se o filho quisesse a mesada para o dia seguinte, teria que vir conversar com o pai. Da mesma forma, se o senhor é um crente e realmente não está recebendo de Deus o que precisa, talvez precise dedicar mais tempo a se aproximar Dele diariamente em oração.
P: Em João 16:12-13, o Espírito da Verdade aqui é Bahá’u’lláh?
R: Não, o Espírito da Verdade aqui é um espírito, não uma pessoa. É o mesmo Espírito Santo de que Jesus acabara de falar em João 14-16. Não se pode afirmar que, em João 16:12-13, “espírito” se refira a uma pessoa, e que “espírito” se refira ao Espírito Santo ou a outra coisa em João 14:16-18, 25-26; 15:26; 16:5-11; 16:14-15. O Espírito Santo desceu no Pentecostes, não no século XIX, quando a religião bahá’í foi fundada.
P: Em João 16:13, como o Espírito Santo guia para toda a verdade?
R: Os ocidentais costumam pensar na verdade principalmente em termos de afirmações verdadeiras ou falsas. No entanto, uma pessoa pode estar correta em muitos pontos insignificantes e, ainda assim, estar muito equivocada nos pontos importantes. Uma pessoa pode ser honesta ao comprar e vender e, mesmo assim, estar servindo a uma religião que é uma mentira.
A verdade é Jesus, não apenas afirmações doutrinárias verdadeiras. É permanecer no verdadeiro Jesus que nos guiará às verdadeiras afirmações doutrinárias, em vez de a doutrina substituir o Espírito que nos conduz a Cristo. É claro que, no Céu, conheceremos também todas as verdadeiras afirmações doutrinárias.
Todos os cristãos genuínos concordam com o seguinte:
1. Deus é santo, amoroso, bom, justo, onipotente, onisciente e onipresente.
2. Pecamos e todos precisamos de um Salvador
3. Jesus, por meio de Sua morte e ressurreição física, é o único meio de salvação.
4. Devemos nos arrepender e crer em Jesus.
5. Todos nós devemos levar uma vida santa.
Muitos outros assuntos importantes.
Os cristãos genuínos divergem quanto ao seguinte:
O significado exato do batismo e se ele deve ser aplicado apenas aos crentes ou também às crianças.
Se é melhor adorar no sábado ou no domingo.
Se é permitido trabalhar no sábado ou no domingo.
O significado exato da Ceia do Senhor.
Se os cristãos devem, em algum caso, lutar em uma guerra ou mentir para salvar uma vida das mãos de pessoas más.
O equilíbrio entre a predestinação de Deus e o livre arbítrio humano.
O milênio e o momento do Arrebatamento.
O número correto de livros no Antigo Testamento.
Se os cristãos genuínos podem ou não perder a salvação.
Outras questões secundárias e assuntos triviais.
P: Em Jo 16,13, visto que o Espírito Santo guia para toda a verdade, como é que tem havido tantas divergências entre cristãos genuínos?
R: Consulte a discussão sobre Efésios 4:4 para obter a resposta.
P: Em Jo 16,20-22, como a tristeza dos discípulos se transformaria em alegria?
R: Isso aconteceu de forma dramática após a ressurreição, quando eles viram novamente o amado Jesus. Isso acontecerá a todos os discípulos de Cristo quando morrermos e formos para estar com Jesus no Céu.
P: Em João 16:23, devemos orar a Jesus por coisas, ou apenas pedir ao Pai?
R: O Pai Nosso é dirigido ao Pai, e parece que mais orações foram feitas ao Pai do que a Jesus. No entanto, não há problema em fazer pedidos a Jesus, assim como Estêvão, cheio do Espírito Santo, fez dois pedidos a Jesus em Atos 7:59-60.
P: João 16,24 significa que podemos obter tudo o que quisermos em oração, como sugerem alguns professores do movimento “Palavra de Fé”?
R: Paulo certamente não pensava assim, pois pediu que o espinho em sua carne lhe fosse removido, e isso não aconteceu. Paulo também se dirigiu inicialmente aos Gálatas por causa de uma doença, e provavelmente não desejava estar doente, embora Deus tenha usado a doença de Paulo para o bem. João 16:24 nos encoraja a pedir, mas isso se dá no contexto de permanecermos n’Ele. Portanto, peça tudo o que você acredita que Deus deseja que você peça, mas compreenda pacientemente que Deus, como um pai sábio, dirá “não” tanto às coisas que você sabe que Deus não quer que você tenha agora, quanto às coisas que você acha que Deus quer que você tenha, mas Deus sabe o que é melhor. Consulte “Quando os Seguidores de Seitas Pedem”, pp. 186-187, para obter uma resposta complementar.
P: Em Jo 16,25, por que Jesus falava em parábolas até mesmo aos Seus próprios discípulos?
R: Talvez esta analogia simples ajude a explicar. Imagine um professor que ministrasse uma aula de matemática apenas com exposição teórica: sem lição de casa e sem provas. Sem a necessidade de dar feedback, os alunos logo se tornariam complacentes em seu aprendizado. Além disso, para disciplinas como cálculo, equações diferenciais parciais e análise de elementos finitos, o desafio não está nas equações a serem memorizadas, mas nos conceitos a serem compreendidos e aplicados. Embora Jesus nunca tenha aplicado provas escritas, Ele apresentava perguntas, enigmas e parábolas. Era preciso conhecer a Palavra de Deus para sequer ter esperança de compreender parte dela. Além disso, aprender meras palavras também não é suficiente. Precisamos refletir sobre as verdades para compreender os conceitos que Deus nos comunicou na Bíblia.
Não devemos nos sentir desanimados quando algumas partes da Bíblia são difíceis de compreender. Goste-se ou não, Jesus admitiu que, às vezes, chegava a falar em termos pouco claros propositalmente. Parece que o processo de aprender as verdades profundas da Bíblia, com a reflexão e o raciocínio associados, é quase tão importante quanto chegar ao objetivo de aprender as próprias verdades profundas.
P: Em Jo 17, por que o conteúdo dessa oração é totalmente diferente da oração sobre o cálice passar no Jardim do Getsêmani, em Mt 26,36-46; Mc 14,32-43; e Lc 22,39-47?
R: Porque eram orações diferentes. João 17 provavelmente ocorreu no Jardim do Getsêmani, embora possa ter sido um pouco antes. De qualquer forma, a oração nos evangelhos sinópticos ocorreu definitivamente após a oração sacerdotal em João 17, pois os guardas o prenderam enquanto Ele orava.
P: Em Jo 17,1, o que significa exatamente a frase “chegou a hora”?
R: Significa três coisas diferentes, mas relacionadas.
1) Chegou a hora de Ele encerrar Seu ministério terreno e realizar algo mais importante: derramar Seu sangue na cruz por nossos pecados. Veja João 12:23, 27. Essa era a “hora” em que Jesus iria deixar este mundo, conforme João 13:1.
2) Para que isso acontecesse, a proteção física de Deus seria retirada Dele. Ninguém podia tocar ou ferir Jesus antes disso. Por quê? “Porque Sua hora ainda não havia chegado” (João 7:30; 8:20). Era impossível, porque o Pai não permitiria.
3) Por fim, essa seria a “hora” em que as trevas reinam, conforme Lucas 22:53. Jesus não temia essa hora sombria; Ele sabia que isso era necessário antes de Seu maior triunfo. É como os soldados de infantaria que recuam lenta e deliberadamente diante do inimigo, antes que a cavalaria acione a armadilha e cerque o inimigo para aniquilá-lo (como aconteceu com o exército romano em Canas).
P: Em João 17:2, Jesus concede a vida eterna apenas àqueles que o Pai Lhe deu?
R: Sim. Os cristãos concordam que Jesus concede a vida eterna a todos aqueles que o Pai Lhe entregou e somente àqueles que o Pai Lhe entregou. Calvinistas e não calvinistas discordam sobre se nossas decisões e a fé que Deus cultivou em nós têm algum papel na escolha do Pai de quem entregar a Jesus, ou não.
P: Em Jo 17,3, visto que Jesus disse: “E esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”, como podemos chamar Jesus de Deus?
R: O termo “Deus” tem diferentes usos na Bíblia. “Deus” refere-se ao Pai aqui em João 1:1 (primeira ocorrência) e em Hebreus 1:9 (segunda ocorrência). No entanto, isso não pode ser usado para provar que Jesus não pode ser chamado de Deus, pois o termo “Deus” refere-se a Jesus em João 1:1 (segunda ocorrência) e em Hebreus 1:9 (primeira ocorrência).
Parece-me que há não um, mas dois problemas com a tentativa das Testemunhas de Jeová de afirmar que João 17:3 diz que não devemos chamar Jesus de Deus.
1) As Testemunhas de Jeová não parecem ser coerentes consigo mesmas. Se usar a palavra “Deus” para o Pai aqui significasse que Jesus não é Deus, então usar “Deus” e “Senhor” — sendo Jesus o Senhor — significaria que o Pai não é Senhor.
1 Tessalonicenses 4:16a menciona: “O próprio Senhor descerá do céu com um comando retumbante, com a voz de um arcanjo e com a trombeta de Deus”. Visto que Jesus é o Senhor neste contexto, isso não significa que o Pai não seja o Senhor?
Da mesma forma, o livro de David Reed, *Jehovah’s Witnesses Answered Verse by Verse* (p. 82), menciona que, se chamar o Pai de Deus de alguma forma excluisse Jesus de ser Deus, então chamar Jesus de nosso “único Senhor” em Judas 4 excluiria o Pai de ser Senhor. Pior ainda para o argumento deles, o Espírito Santo também é chamado de Senhor em 2 Coríntios 3:17.
“Deus [Pai] e o Senhor Jesus” também é mencionado em Tiago 1:1; 1 Tessalonicenses 1:3; 3:11,13 e em outros trechos.
2) As Testemunhas de Jeová não parecem ser honestas consigo mesmas neste ponto. Se afirmam que “Deus e Jesus” significa que não é correto referir-se a Jesus como Deus, elas elas mesmas se referem a Jesus como Deus em sua tradução de João 1:1 e Hebreus 1:9. O que as Testemunhas de Jeová deveriam dizer é que Jesus não é Deus neste contexto, devido ao uso da palavra “Deus” neste versículo; e podemos concordar com essa afirmação.
As Testemunhas de Jeová precisam concordar com os cristãos de que existem diferentes definições/usos da palavra “Deus” nas Escrituras. Além de se referir a falsos deuses (1 Coríntios 8:5-6; Gênesis 31:30, 33), há três usos da palavra “Deus” que são verdadeiros.
O Pai. Gálatas 1:1, Efésios 1:2-3, 17, Hebreus 1:9 (2ª ocorrência), João 17:3, etc.
Jesus. Hebreus 1:9 (1ª ocorrência); João 1:1, 19; Oséias 1:7; Isaías 7:14; 1 João 5:11, 12 vs. 21; Colossenses 2:9 e Mateus 1:23
O Espírito Santo. Romanos 8:9-16; Lucas 1:35; 1 João 4:12, 13, 15-16; 1 Coríntios 3:16 em comparação com 1 Coríntios 6:19; Atos 5:4.
P: Em João 17:4, por que Jesus disse que havia concluído Sua obra, antes da crucificação?
R: Na véspera de Sua prisão, Jesus percebeu que basicamente não havia mais nada a fazer nesta vida. A partir daquele momento, tudo seria feito a Ele. Talvez Jesus estivesse pensando a mesma coisa quando disse a Pedro que este se encontraria em uma situação semelhante, em João 21:18-19.
Consulte “1001 Perguntas Bíblicas Respondidas”, p. 39, e “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 9, pp. 162-163, para obter uma resposta diferente, mas complementar.
P: Em João 17,5, visto que o próprio Jesus precisou pedir coisas ao Pai, isso significa que Ele era inferior ao Pai?
R: Não. Há três pontos a serem considerados na resposta.
Na Terra, Jesus voluntariamente se esvaziou, como mostra Filipenses 2:7. Ele se cansou (João 4:6). Jesus se submeteu ao Pai e aprendeu a obediência, como mostra Hebreus 5:7-8.
Em natureza e honra, os dois são iguais, como mostra Filipenses 2:7. Assim como um filho terreno tem a mesma natureza e é igual aos seus pais, Jesus tem a mesma natureza e é igual ao Pai. Jesus possui a plenitude da divindade, de acordo com Colossenses 2:9. Todos devem honrar o Filho assim como honram o Pai, conforme afirma Jesus em João 5:23.
Em função e posição, o Pai é preeminente dentro da Trindade. Mesmo após a ressurreição, o Pai tem a função de Deus em relação a Deus, o Filho, conforme Hebreus 1:8-9 e 1 Coríntios 15:24, 27, 28.
P: Em João 17:9, por que Jesus se recusou explicitamente a orar pelo mundo inteiro?
R: Jesus não orou para que acontecesse algo que o Pai tivesse explicitamente afirmado que não iria acontecer. Nós também não devemos fazê-lo. Aqui, Jesus não orou pelo universalismo, ou seja, para que todas as pessoas fossem para o Céu e o Inferno ficasse vazio. Jeremias também recebeu a orientação de não orar pelo povo em Jeremias 7:16, Jeremias 11:14 e Jeremias 14:11.
Conforme Jesus deu a entender em João 17:16, o mundo é um sistema à parte, e o Reino de Deus é outro. As pessoas do mundo muitas vezes não desejam fazer parte do Reino de Deus e viver para sempre adorando a Deus.
P: Em João 17:11, 21-22, de que maneira os cristãos são um, assim como o Pai e o Filho são um?
R: Há várias maneiras pelas quais devemos ser um uns com os outros, assim como Jesus e o Pai são um.
Harmonia: Não há discussões nem disputas dentro da Trindade. Embora os cristãos genuínos discordem em muitos assuntos, estamos de acordo quanto aos fundamentos da fé e não devemos discutir nem causar divisão entre outros cristãos genuínos.
Unidade de propósito: O Pai e o Filho nunca agem em contradição um com o outro. Se estamos cumprindo o propósito que Aquele tem para nós, esse é o mesmo propósito que o Pai, o Filho e o Espírito têm para nós.
Amor mútuo: O Pai, o Filho e o Espírito têm um amor completo e perfeito uns pelos outros. Esse é o alvo do amor que devemos ter uns pelos outros.
Não menosprezar uns aos outros: Não devemos afirmar nem pensar que somos melhores ou mais valiosos do que os outros, como mostram Filipenses 2:3 e 1 Coríntios 10:12.
No entanto, o Pai, o Filho e o Espírito são Um em alguns aspectos em que nós não somos um. Consulte a discussão sobre João 10:30 para saber mais sobre como o Pai e o Filho são um único Deus e também sobre como são seres distintos.
P: Em Jo 17,11, 14 e 21, como os cristãos devem estar no mundo, mas não ser do mundo?
R: Aqui está uma lista de como devemos estar no mundo, seguida por uma lista parcial de como não devemos ser do mundo.
Voluntariamente no mundo:
Relacionar-se com as pessoas do mundo: Ser tudo para todos, por causa do Evangelho, como disse Paulo em 1 Coríntios 9:19-23.
Submeter-se às autoridades mundanas: Devemos obedecer aos reis e às leis (1 Pedro 2:13-15, 17; Romanos 13:1-5), desde que elas não contradigam a Deus, a autoridade suprema. Devemos pagar nossos impostos (Romanos 13:6-7; Mateus 17:24-27).
Amar as pessoas do mundo, pois Deus as ama (João 3:16).
Tenha esperança pelas pessoas do mundo e deseje que muitas sejam salvas.
Ore pelas pessoas do mundo, pela salvação delas.
Cuide das pessoas do mundo, para suprir suas necessidades físicas e espirituais.
Involuntariamente no mundo: não temos escolha quanto ao seguinte.
Origem: Fomos criados por Deus e nascemos de carne neste mundo.
Fisicamente, somos deste mundo. Isso inclui sofrer dor, fome, morte e injustiça nesta vida.
Consequências dos pecados alheios: assim como os bebês às vezes sofrem as consequências do uso de drogas e álcool por parte de suas mães, todos nós estamos sujeitos a sofrer pelas ações pecaminosas dos outros. De fato, como nascemos em um mundo pecaminoso, todos sofremos as consequências do pecado de Adão, conforme mostra Romanos 5:12-17.
A tentação é comum a todos neste mundo, como diz 1 Coríntios 10:12.
Voluntariamente fora do mundo:
Assumimos um compromisso com Deus: Deus reúne aqueles que fizeram uma aliança com Ele (Salmo 50:5), o batismo nas águas (1 Pedro 3:20; Hebreus 10:22), a profissão de fé (Hebreus 10:23) e uma consciência limpa perante Deus (1 Pedro 3:21).
Não amar o mundo: Nem a concupiscência da carne, nem a concupiscência dos olhos, nem a soberba da vida, como diz 1 João 2:15-17.
Não amar como o mundo ama: Não amamos apenas aqueles que nos amam, mas amamos até mesmo nossos inimigos, conforme Jesus ordena (e não apenas sugere) em Lucas 7:27-36.
Não ter a mesma motivação: Não temos os mesmos padrões, aspirações, motivação e fonte de força do mundo. Não vivemos simplesmente à mercê das circunstâncias. Como Gene Getz observou em seu livro sobre Filipenses, a maioria das coisas é feita por uma de três razões: esperança de recompensa, medo de punição e para ser considerado uma pessoa melhor aos olhos de si mesmo e dos outros. Embora a Bíblia nunca critique esses motivos (e nós também não devemos fazê-lo), temos uma motivação superior — que o mundo não consegue compreender —: o amor ágape.
Valores diferentes: Temos uma medida diferente de significado, valor e razão para viver. Fomos criados para a glória de Deus (Isaías 43:7; Efésios 1:6).
Não nos unimos a incrédulos no casamento, no namoro, nos negócios e em outras formas, conforme mostra 2 Coríntios 6:14-18. (Se o(a) senhor(a) for casado(a) com um(a) incrédulo(a), não busque o divórcio, porém, conforme ordena 1 Coríntios 7:12-15).
Involuntariamente, não somos do mundo: (Involuntário não significa indesejado, mas sim que não é uma escolha ou opção para os crentes)
Destino: Os eleitos estão destinados ao Céu. Devemos nos certificar de não nos tornarmos “muito confortáveis” aqui, pois este é apenas um lugar temporário para nós. Somos estrangeiros e peregrinos nesta terra (1 Pedro 2:9,11).
O Espírito Santo que habita em nós: Todos os crentes genuínos têm o Espírito Santo habitando dentro deles (Romanos 8:9-16).
Filhos de Deus: Embora Deus tenha criado a todos, nós somos filhos de Deus. As Escrituras consideram que os não crentes não são filhos de Deus (João 1:12-13; Romanos 8:14-16; Efésios 2:3-5; 1 João 3:1-2).
Consulte “Now That’s a Good Question”, pp. 249-250, para uma resposta diferente, mas complementar.
P: Em João 17:19, como Jesus poderia santificar a Si mesmo, visto que Ele já era sem pecado?
R: Santificar NÃO significa apenas deixar de pecar. Na verdade, significa ser separado para Deus ou ser dedicado a um propósito específico. As muitas (boas) coisas que Jesus fez — ao conversar com as pessoas, curar os enfermos, ensinar etc. — ficariam agora em segundo plano, pois Ele estava dedicado a uma única coisa: preparar-se para morrer na cruz. Da mesma forma que um sumo sacerdote do Antigo Testamento passava por uma cerimônia para ser separado como tal, Jesus estava prestes a passar por uma cerimônia (embora dolorosa) para se tornar nosso sumo sacerdote.
Os cristãos são chamados não apenas a não pecar, mas a serem santificados para Cristo. Devemos viver nossas vidas “santificados” e dedicados a Deus. É claro que isso inclui afastar-nos das coisas pecaminosas, mas, de forma positiva, significa que devemos ser dedicados, como um soldado, um atleta ou um agricultor. Paulo fala mais sobre isso, embora sem realmente usar a palavra “santificado”, em 2 Timóteo 2:3-6. Somos santificados, separados por Deus para viver e realizar boas obras para Ele. Mas temos a responsabilidade de seguir o Espírito Santo e viver nossa santificação. Pedro enfatiza ainda mais a importância de sermos santificados (santos) individualmente em 1 Pedro 1:13-22. Em 1 Pedro 1:18, Pedro contrasta isso com a “conduta sem rumo”. Ele prossegue falando sobre a igreja ser santificada como um povo em 1 Pedro 2:9-12.
Às vezes, o senhor se pergunta quão relevante é a sua vida para os propósitos de Deus? É claro que o senhor não pode avaliar suas orações, conversas e palavras de encorajamento aos outros segundo padrões mundanos. Mas o senhor ainda se pergunta? Talvez Deus esteja esperando que o senhor se pergunte sobre isso. Ele está esperando pacientemente que o senhor deseje viver uma vida santificada para expressar melhor seu amor por Ele e cumprir Seus propósitos.
P: Em João 17:20-21, quando Jesus orou para que todos fossem um, isso se refere a uma única organização, como a Igreja Católica Romana, a Igreja Ortodoxa, a Igreja Copta, a igreja local e muitas Igrejas de Cristo têm ensinado?
R: Jesus estava se referindo aos crentes serem um em espírito e um em comunhão. Não devemos ser simplesmente “Um”, mas sim “um em Cristo” Há cristãos em diferentes organizações desde a época de Tertuliano, no ano 200 d.C. Quando algo que se autodenomina a Única e Verdadeira Igreja de Cristo queima crentes na fogueira, como Jan Huss, excomunga crentes como Martinho Lutero, lança cruzadas contra crentes como os valdenses ou massacra uma cidade italiana inteira, os verdadeiros cristãos daquela época deveriam fugir, e não permanecer unidos a essa organização. Consulte “When Cultists Ask”, pp. 187-188, para obter uma resposta diferente, mas complementar.
P: Em Jo 18,1, como se pronuncia Cedron?
R: Também se escreve “Kidron”. A Concordância de Cruden indica que o primeiro som é um “s” e que a ênfase recai sobre a primeira sílaba.
P: Em Jo 18,2, como é que Jesus costumava ir até lá com frequência, já que Ele só esteve em Jerusalém naquela semana?
R: Essa não foi a única vez em que Jesus e os discípulos estiveram em Jerusalém. Além disso, eles passavam pelo Getsêmani duas vezes por dia, indo e voltando do Templo. Não havia pousadas e casas suficientes para hospedar todas as pessoas que vinham a Jerusalém durante a semana da Páscoa. O tempo estava bom, porém, então a maioria das pessoas simplesmente dormia ao ar livre.
P: Em Jo 18,3, por que os soldados trouxeram lanternas?
R: Provavelmente trouxeram lanternas tanto para enxergar no escuro em geral quanto porque achavam que talvez tivessem que vasculhar o jardim a noite toda à procura de Jesus. Trouxeram espadas para prender o príncipe da paz. Observe que Jesus os encontrou no portão.
P: Em Jo 18,9, como é que Jesus não perdeu nenhum de Seus discípulos, se Ele havia perdido um (Judas) em Jo 17,12? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou essa questão.)
R: Depois que Judas partiu para trair Jesus, Jesus, em João 17:12, disse: “Enquanto eu estava com eles, eu os protegi e os preservei pelo Teu nome, o nome que Tu me deste. Nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse.” (BSB).
Externamente, uma maneira de interpretar isso é que nenhum dos doze discípulos (incluindo Judas) foi fisicamente capturado, preso, ferido ou de alguma forma perdido no Jardim do Getsêmani.
No entanto, uma maneira melhor de compreender isso é espiritualmente. Quando os discípulos escaparam, João 18:9 diz: “Isso [a fuga] foi para que se cumprisse a palavra que Ele havia dito: ‘Não perdi nenhum daqueles que Tu Me deste.’” (BSB) Espiritualmente, Judas estava de fato perdido, mas João 18:9 é qualificado com “daqueles que me deste”. Judas não “se tornou mau” no final; ao contrário, Judas vinha roubando dinheiro da bolsa durante todo o ministério de Jesus, de acordo com João 12:6.
P: Em João 18:12, quem era o sumo sacerdote?
R: Anás já havia sido sumo sacerdote, de 6 a 15 d.C. Ele poderia ser chamado de sumo sacerdote, da mesma forma que um ex-presidente dos Estados Unidos ainda é chamado de presidente. No Antigo Testamento, o cargo de sumo sacerdote era vitalício. No entanto, Anás foi destituído pelo procurador romano da Judéia, Valério Gratus, em 15 d.C. O sumo sacerdote em exercício era Caifás, um de seus quatro genros.
P: Em Jo 18,12–19,16, o cético Bart Ehrman pergunta por que Jesus foi açoitado no meio do julgamento, e não após o seu término. (Jesus, Interrupted, p. 44)
R: Em primeiro lugar, não houve um, mas dois julgamentos: o judaico e o romano. Em segundo lugar, a flagelação ocorreu no momento que Pilatos considerava ser o fim do julgamento romano. Depois que Pilatos tomou sua decisão, João 19,6 explica o que Pilatos fez, e João 19,12 explica o motivo. Pilatos sabia que os judeus queriam a morte de Jesus, mas tentava libertá-lo. Ele ordenou que Jesus fosse açoitado e, em seguida, exibiu Jesus, ensanguentado, à multidão, na esperança de que se satisfizessem com isso. Mas a multidão insistiu na morte e apresentou um argumento que Pilatos não havia previsto: Jesus se autodenominava rei, e se Pilatos soltasse um rei autoproclamado, isso seria muito, muito ruim para ele. Assim, Pilatos não teve escolha; declarar que Jesus não merecia a morte refletiria negativamente sobre ele, caso chegasse ao conhecimento do imperador Tibério — que era desconfiado — que Pilatos era brando com traidores de Roma.
Mas Ehrman parte da suposição errônea de que os julgamentos antigos precisavam ser justos ou seguir padrões modernos. A título de exemplo, em 738/739 a.C., em um julgamento no Iraque, um grupo de homens foi acusado de não devolver dinheiro pertencente a outra pessoa. Eles foram obrigados a prestar juramento de que não haviam feito isso; em seguida, foram açoitados, e então o califa foi informado de sua situação. A decisão foi que eles deveriam prestar juramento e, em seguida, ser libertados [como inocentes]. Consulte a História de al-Tabari, vol. 26, p. 7, para obter mais informações.
Um segundo exemplo ocorreu em 743/744 d.C., quando o califa al-Walid ordenou que sua guarda espancasse Khalid, dizendo: “Quero ouvir a voz dele” (ou seja, em agonia). Em seguida, Khalid foi preso até que Yusuf bin ‘Umar trouxe dinheiro do Iraque para comprá-lo. Khalid não queria ser vendido, mas não possuía o dinheiro que Yusuf tinha; assim, al-Walid ficou com o dinheiro e vendeu Khalid. Yusuf primeiro torturou Khalid, depois o açoitou e, por fim, o matou com um instrumento de tortura com pontas afiadas no peito. Isso ocorreu sem que o califa, ou qualquer outra pessoa, tivesse declarado Khalid culpado de qualquer coisa. Esse relato consta em *A História de al-Tabari*, vol. 26, p. 176-177.
Um terceiro exemplo: no mesmo ano, Sulayman puxou com tanta força a longa barba de Yusuf que arrancou alguns fios. Depois disso, Yusuf foi preso no palácio verde. O califa Yazid afirmou que prendeu Yusuf apenas para que ele pudesse ser enviado ao Iraque e apresentado às pessoas contra as quais havia cometido injustiças. Isso consta em “A História de al-Tabari”, vol. 26, p. 203-204.
P: Em Jo 18,13-27, há alguma dúvida quanto à ordem desses versículos?
R: Na verdade, não. Os versículos estão na ordem atual em 55 textos e famílias de textos. Apenas três fontes apresentam uma ordem diferente.
A ordem é 13, 24, 14-15, 19-23, 16-18, 25b-27 no Siríaco do Sinai (séculos IV a VII). A ordem é 13, 24, 14-23, 24, 25-27 nos escritos de Cirilo (444 d.C.). É 13a, 24, 13b-23, 24-27 no manuscrito 225 (escrito em 1192 d.C.)
P: Em Jo 18,28, por que os sacerdotes achavam que ficariam impuros se entrassem na sala de julgamento de Pilatos?
R: A tradição dos fariseus era de que ficariam impuros não apenas se comessem com um gentio, mas também se entrassem na casa de um gentio, uma vez que os gentios comiam alimentos impuros e os fariseus consideravam os gentios impuros. Os fariseus acreditavam que fazer isso os tornaria impuros por sete dias.
Essa visão não se limitava aos fariseus. Até mesmo Pedro tendia a acreditar nisso, conforme se vê em Atos 10 e Gálatas 2:12-15.
No entanto, o Antigo Testamento não continha nenhuma lei contra comer com gentios. A rainha Ester comia com gentios. Observe como os fariseus estavam muito preocupados com a impureza ritual, como comer com gentios, enquanto tramavam um assassinato.
P: Em João 18:31, visto que os judeus não tinham permissão para executar Jesus, por que disseram: “segundo essa lei, Ele deve morrer”?
R: Ambas as afirmações estão corretas. Os judeus argumentavam que, de acordo com a Lei judaica do Antigo Testamento, Jesus deveria ser condenado à morte. Mas os romanos lhes haviam retirado o direito de execução. Assim, eles encontraram uma maneira de fazer com que os romanos executassem Jesus por eles.
P: Em Jo 18,31, por que o conselho judaico não podia executar Jesus?
R: O poder de execução lhes foi retirado pelos romanos. Segue-se a documentação histórica.
1. Josefo, em seu livro “A Guerra dos Judeus”, livro 2, capítulo 8, afirma: “E agora a parte da Judéia sob o domínio de Arquelau foi reduzida a uma província, e Capônio/Copônio, membro da ordem dos Equestres romanos, foi enviado como procurador, tendo o poder de vida e morte colocado em suas mãos por César.” Josefo também menciona que o Sinédrio perdeu o poder sobre casos de pena capital em “Antiguidades dos Judeus”, 20.9. (Escrito por volta de 93-94 d.C.)
2. No Talmude Babilônico, Sanhedrin, Cap. 4, após o versículo 37, recto. O rabino Rachman disse: “Quando os membros do Sinédrio se viram privados do direito sobre a vida e a morte, uma consternação geral tomou conta deles; cobriram a cabeça com cinzas e o corpo com sacos, exclamando: ‘Ai de nós, pois o cetro se afastou de Judá, e o Messias ainda não veio!’” Isso ocorreu por volta do ano 7 d.C. (Extraído de *Evidence That Demands a Verdict*, vol. 1, p. 169, de Josh McDowell, e de *Jesus Before the Sanhedrin*, de Augustin Lemann, 1886, traduzido por Julius Magath, NL#0239683, Biblioteca do Congresso n.º 15-24973. Vide também *Pugio Fidei*, de Martini, Raymundus, publicado por De Vosin em 1651. (p. 148)
3. Talmude: “Pouco mais de quarenta anos antes da destruição do Templo, o poder de proferir sentenças capitais foi retirado dos judeus.” Talmude de Jerusalém, Sanhedrin, fólio 24. (p. 147)
P: Em Jo 18,36, o Reino de Jesus não era deste mundo porque os judeus rejeitaram Jesus?
R: Pilatos era o governador romano da Judéia (26-36 d.C.), mas nem mesmo ele tinha permissão para se autodenominar rei. Ninguém na Judéia deveria ser chamado de rei, exceto o rei Herodes. Atos 2:23 lembrou às pessoas que Deus previa que Jesus seria entregue para morrer. No entanto, Jesus veio oferecendo a toda a nação a oportunidade de fazer parte de Seu reino. A oferta foi sincera, e foi culpa deles, e não de Cristo, que a tenham rejeitado.
Talvez uma analogia ajude. Se 100% de todas as pessoas aceitassem o Deus Verdadeiro, então 100% de todas as pessoas iriam para o Céu; o Inferno estaria vazio. No entanto, Deus sabe que isso não acontecerá. É culpa da própria pessoa, e não de Deus, que ela perca a oferta sincera de Deus.
P: Em Jo 18,37, é possível que alguém seja da verdade e não ouça a voz de Jesus?
R: Em última análise, não. O senhor consegue imaginar alguém vivendo no Céu para sempre e nunca ouvindo a voz de Jesus? -Claro que não. Da mesma forma, ao contrário do que diz a lenda católica, não é Pedro quem é o guardião do Céu. Em vez disso, é Jesus quem é a porta, como mostra João 10,7.9. Conforme Jesus enfatizou em João 10,1.3.8-9, todos os que vão para o Céu passam pela Única Porta. Mesmo aqueles que vão para o Céu ao morrerem ainda crianças passam por Jesus.
P: Em João 18,38, o que Pilatos quis dizer ao perguntar: “O que é a verdade”?
R: Primeiro, uma piada com um ensinamento, e depois a resposta. Certa vez, pediram a um cientista, a um engenheiro e a um advogado desonesto que dissessem o resultado de 1 + 1. O cientista disse 2,0; o engenheiro disse cerca de 2; e o advogado respondeu: “O que o senhor quer que seja?”. Algumas pessoas pensam que a verdade é negociável ou decidida por votação democrática, por um líder ou por um juiz.
A resposta: Embora Pilatos pudesse ter feito essa pergunta ingenuamente por nunca ter refletido sobre o assunto, isso é altamente improvável. Ou ele estava se perguntando qual era a visão de Jesus sobre a verdade, ou então Pilatos estava fazendo uma observação cínica, um pouco como o advogado desonesto da piada anterior.
Muitas pessoas hoje têm pouco ou nenhum interesse pela verdade. Muitas acham que ela não é relevante para elas. Algumas estão tão imersas no pensamento relativo que acreditam que a verdade objetiva não existe. Não é surpresa, então, que Pilatos não tenha reconhecido a verdade, quando ela estava bem diante dele.
P: Em Jo 18,38; 19,4,6, Bart Ehrman considera significativo o fato de que é no Evangelho de João que Pilatos declara Jesus inocente em três ocasiões. Ele afirma que, se os romanos declararam Jesus inocente, isso implica que foram os judeus que mataram Cristo. (Jesus, Interrupted, p. 45)
R: O cético Ehrman menciona apenas João, o que dá a impressão de que ele está tentando colocar os autores dos evangelhos uns contra os outros, mostrando que João foi quem enfatizou que não foi Pilatos quem declarou Jesus culpado. No entanto, em Lucas, Pilatos também declarou Jesus inocente em três ocasiões, em Lucas 23:4, 14, 22. Mateus também o fez em Mateus 27:24, e Marcos não registrou essas declarações, apenas implicações. Portanto, se Ehrman estivesse tentando apresentar um quadro equilibrado e preciso, não sei por que ele não mencionaria Lucas tanto quanto mencionou João.
Independentemente disso, porém, seria falso afirmar que João “isentou os romanos de culpa” pela morte de Jesus. João 19:1 diz que Pilatos e os soldados romanos açoitaram Jesus e colocaram a coroa de espinhos nele. João 19:23 diz que foram os soldados (ou seja, os soldados romanos) que crucificaram Jesus. Foram os soldados de Pilatos que estavam prestes a quebrar as pernas de Jesus, mas então perfuraram seu lado com uma lança, conforme João 19:33-34.
Por fim, embora tanto os líderes judeus quanto os romanos tenham estado envolvidos na morte de Jesus, não se esqueça do que é ainda mais significativo. Embora Jesus pudesse ter fugido antes de sua prisão no Jardim do Getsêmani, Ele escolheu voluntariamente permanecer para morrer na cruz por nossos pecados. Portanto, em um sentido mais amplo, foram nossos pecados — e o fato de Jesus nos amar o suficiente para morrer por eles — que colocaram Jesus naquela cruz.
P: Em Jo 19,1-20,31, Ehrman escreve: “O Evangelho de João culpa ‘os judeus’ em termos bastante explícitos por rejeitarem e matarem Jesus (capítulos 19-20); e, em uma passagem assustadora, ele chega a indicar que os judeus não são filhos de Deus, mas filhos do Diabo (João 8,42-44). É difícil ser salvo se Satanás for seu pai.” (Jesus, Interrupted, p. 243)
R: Primeiramente, consulte a pergunta anterior para ver um caso em que Ehrman culpa João injustamente. Ao citar erroneamente as Escrituras para tentar usar o argumento racial, as polêmicas de Ehrman perdem toda a pretensão de imparcialidade. Três pontos na resposta.
1) João 8:42-44 não diz nada sobre a capacidade deles de se arrependerem e serem salvos.
2) João 8:42-44a fala de sua condição espiritual, não de ascendência biológica. Na verdade, provavelmente quase 100% dos seguidores de Jesus naquele momento eram judeus. A ascendência humana de Jesus era a mesma que a deles. Não acredito que Ehrman pensaria seriamente que Jesus estivesse dizendo que a herança genética de Sua mãe era de Satanás.
3) Jesus não estava falando a todos os judeus; Ele estava respondendo aos judeus que questionavam Sua ascendência. Hoje, se alguém o chamasse (eufemisticamente) de descendente ilegítimo e o senhor respondesse, seria justo dizer que o senhor estava se referindo a todos da raça do acusador? Ehrman não é mais justo do que isso.
Por fim, é interessante contrastar a afirmação de Ehrman aqui, em *Jesus, Interrupted*, p. 243, com a que ele faz na mesma obra, p. 72, onde afirma que, ao contrário dos outros evangelhos, Jesus “não passa por nenhum tipo de julgamento oficial perante o conselho judaico”. Embora eu ache que João 18,12-26 indique (embora não prove) um julgamento oficial, a questão é que Ehrman não explica por que, por um lado, ele considera João antissemita e, por outro, por que acredita que apenas os romanos — e não os judeus — julgaram Jesus em João.
P: Em Jo 19,1, como era uma flagelação romana?
R: Não era algo que se desejasse vivenciar em primeira mão. O chicote utilizado não se assemelhava a um chicote de vaqueiro ocidental. Em vez disso, era chamado de “gato de nove caudas”, pois possuía nove pontas. Amarrado a cada ponta havia um pedaço de metal ou pedra. A pessoa treinada que aplicava os açoites não buscava causar dor, mas sim arrancar o máximo possível de pele. Muitas vezes, o prisioneiro que deveria ser crucificado não o era, pois não sobrevivia à flagelação. Normalmente, eram prescritos 40 açoites, mas aplicava-se um a menos, ou seja, 39, para demonstrar que eram pessoas bondosas.
P: Em Jo 19,2, como eram os espinhos?
R: Os espinhos eram de plantas do deserto e costumavam ter mais de uma polegada de comprimento.
P: Em Jo 19,2, por que colocaram uma túnica púrpura em Jesus?
R: O corante púrpura era caro, proveniente do molusco murex que vivia ao longo da costa fenícia. O púrpura era a cor da realeza, e isso seria uma expressão sarcástica das afirmações de Jesus de ser rei.
P: Em Jo 19,8.12, por que Pôncio Pilatos estava com medo nessa ocasião?
R: Em primeiro lugar, Pilatos era pagão, e os gregos e romanos tinham lendas sobre deuses que se misturavam ao povo e os julgavam com base na forma como eram tratados. No entanto, não sabemos se Pilatos considerava as afirmações de Jesus credíveis ou não.
Pôncio Pilatos tinha objetivos conflitantes. Ele não considerava Jesus culpado e poderia tê-lo libertado. No entanto, se os judeus o acusassem de não ser amigo de César por deixar um rei rebelde em liberdade, Pilatos não poderia permitir isso. O imperador romano Tibério costumava ser desconfiado, violento e, naquele momento, estava doente. Se chegasse ao seu conhecimento que Pilatos havia libertado um rei rival, isso poderia parecer muito ruim para ele. No entanto, Mateus 27:19 diz que a esposa de Pilatos enviou-lhe uma mensagem dizendo que ela havia sofrido em um sonho por causa de Jesus. Assim, Pilatos tinha motivos de sobra para agir com cautela. Quem era esse homem, preso apenas na noite anterior, que conseguia entrar no sonho de sua esposa?
Em Jo 19,8-11, Pilatos afirmou ter autoridade, mas, na verdade, era um peão nas mãos dos judeus e de Satanás. Os judeus queriam a morte de Jesus e desejavam que Pilatos, e não eles próprios, fosse responsabilizado por isso. Pilatos percebeu isso.
P: Em João 19,10, em que outras ocasiões as pessoas perceberam que não havia nada de errado, mas não tiveram coragem moral para defender o que era certo?
R: Infelizmente, Pedro agiu assim e desviou Barnabé, em Gálatas 2:11-13. Recebemos a ordem de não fazer isso em Romanos 14:6. Infelizmente, os cristãos do sul dos Estados Unidos agiram assim durante o período da escravidão na América; a maioria dos sulistas não possuía escravos. Mas mesmo aqueles que não possuíam não se levantaram para dizer: “explorar essas pessoas como escravos é errado”.
O mundo agiu assim em relação ao genocídio armênio, que vitimou até 1,5 milhão de pessoas na Turquia em 1915. O presidente dos EUA, Woodrow Wilson, tentou incentivar o mundo a agir, mas tanto o Congresso dos EUA quanto o resto do mundo se recusaram a fazer qualquer coisa. Mais tarde, Hitler afirmou que ninguém notaria o Holocausto judeu, pois ninguém havia notado o genocídio armênio. Mesmo quando o Holocausto judeu estava ocorrendo, antes de Pearl Harbor, muitos nos EUA não se importavam com o Holocausto judeu; eles só queriam evitar entrar em guerra (embora enviassem suprimentos aos Aliados). Foi somente depois que os próprios EUA foram atacados em Pearl Harbor que surgiu uma expressão sobre os americanos: “Os ianques são ótimos, quando finalmente aparecem”.
A propósito, o senhor sabia que pode haver até um milhão de escravos no mundo hoje? Eles estão na Líbia e no Sudão. Alguém está se levantando em defesa deles?
Infelizmente, é muito fácil não defender o que é certo.
P: Em Jo 19,11, alguns pecados são maiores do que outros?
R: Alguns cristãos são ensinados que todos os pecados são iguais, mas não é isso que as Escrituras ensinam.
Em João 19,11, Jesus disse a Pilatos que aqueles que O entregaram a Pilatos eram “culpados de um pecado maior”.
A blasfêmia contra o Espírito Santo difere dos demais pecados, pois é imperdoável (Mateus 12:31,32; Marcos 3:28-30; Lucas 12:10-11).
1 João 5:16-17 fala de um pecado que leva à morte (a blasfêmia contra o Espírito Santo) e de outros pecados que não levam.
Romanos 1:24-28 fala de pessoas ímpias que são entregues a uma depravação cada vez maior.
Ezequiel 8:6,13 mostra que alguns pecados são mais detestáveis a Deus do que outros.
Em Mateus 23:14, Jesus diz que os fariseus sofrerão maior condenação.
Mateus 23:15 afirma que alguns dos discípulos dos fariseus seriam duas vezes mais filhos do inferno do que eles próprios.
Em Lucas 10:12, Jesus disse que, no julgamento, será mais tolerável para Sodoma e Gomorra do que para aqueles que rejeitaram Jesus.
Mesmo na crucificação, depois que Jesus foi crucificado por instigação dos judeus, eles não quiseram pecar deixando um corpo na cruz durante o sábado. Que hipocrisia!
No entanto, dito isso, todo pecado é igual em um sentido: basta um único pecado para impedir que você seja perfeito e vá para o Céu, e basta violar uma única lei para que você seja considerado um transgressor (Tiago 2:8-11)
P: Em João 19:14-15, Pilatos demonstrou desprezo pelos judeus. Por que as pessoas às vezes demonstram desprezo pelos outros? Há momentos em que devemos ou não demonstrar desprezo?
R: Aparentemente, Pilatos queria lembrar aos judeus que ele estava acima deles e não queria que pensassem que eram respeitados. Por outro lado, Jesus, em João 18:19-23, embora não demonstrasse desprezo, não se submeteu ao interrogatório do sumo sacerdote. Jesus não se deu ao trabalho de responder às acusações em Marcos 14:60-61. Isso não teria feito qualquer diferença.
Embora não devamos demonstrar desprezo pelas pessoas, somos ordenados a não permitir que o que é bom seja considerado mau, conforme Romanos 14:16. Jesus poderia ter evitado o confronto ao optar por curar bem na frente dos fariseus em Marcos 3:1-3, em vez de dizer a ele: “Levante-se diante de todos”. Há momentos em que devemos manter nossa posição.
P: Em João 19:15, o que sabemos sobre a crucificação?
R: Foram encontrados os restos mortais de um homem em uma cruz feita de madeira de oliveira em uma caverna a nordeste de Jerusalém, chamada Giv’at ha-Mivtar. Isso mostra que o homem foi crucificado voltado para a frente, e um prego foi cravado através do calcanhar direito, o que significa que suas pernas estavam viradas para o lado. Havia uma estaca adicional na cruz, dando algum apoio ao quadril esquerdo. Havia dois pregos em seus pulsos (não nas mãos), onde seriam fixados. A palavra grega para “mão” inclui o pulso. As pernas foram fraturadas com um único golpe, que fraturou a perna direita e rachou a esquerda.
O vinagre era provavelmente um vinho azedo, proveniente do que os soldados romanos possuíam. O vinho azedo seria um adstringente que tenderia a contrair os músculos da garganta, impedindo-o de gritar de dor tão alto.
P: Em Jo 19,15, o que costuma acontecer quando alguém muda de lealdade?
R: Eles renunciaram em voz alta à subordinação ao rei de Deus para dedicar sua lealdade a Roma. No entanto, em menos de 40 anos, eles se rebelariam contra Roma, e os judeus sofreriam uma grande perda de vidas.
Uma videira que cresce de duas maneiras diferentes é fraca, como mostra a alegoria em Ezequiel 17.
Historicamente, o senhor sabia que, em certa época, a França tinha muitos protestantes? Havia muitos protestantes na França, chamados de huguenotes. O rei Carlos IX, um monarca católico, era tolerante com os protestantes. A fim de tentar manter a paz entre católicos e protestantes, ele arranjou o casamento de sua irmã Margarida com um nobre protestante, Henrique III de Navarra. Quase todos os líderes huguenotes foram a Paris (anti-protestante) para celebrar o casamento. Porém, poucos dias depois, entre 23 e 24 de agosto de 1572, católicos assassinaram 30 mil huguenotes com a aquiescência do rei, por instigação de sua mãe, Catarina de Médici. Isso ocorreu inicialmente em Paris e, em seguida, se espalhou por todo o país. O fato de o rei da Espanha estar se preparando para enviar um grande exército à França também pode ter sido um fator determinante. De qualquer forma, Carlos IX faleceu em 1574, vítima de tuberculose.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os aliados prometeram aos líderes das Filipinas e do Vietnã que seus países obteriam a independência caso resistissem aos japoneses. Após a guerra, os EUA decidiram manter as Filipinas sob seu domínio. Seguiu-se uma guerra de guerrilha, e então os EUA decidiram conceder a independência ao país. A França, que havia sido totalmente conquistada pela Alemanha, foi autorizada a manter o Vietnã. Vo Nguyen Giap e Ho Chi Minh, que em certa época eram simpatizantes dos EUA e do Ocidente, recorreram à Rússia em busca de ajuda para expulsar os franceses entre 1546 e 1954. Se os Aliados tivessem mantido seu domínio mundial, a Guerra do Vietnã talvez nunca tivesse ocorrido.
P: Em Jo 19,17-18, qual é o significado simbólico de Jesus carregar sua própria cruz para fora da cidade?
R: Jesus provavelmente carregou a pesada trave transversal, e não a cruz inteira. Da mesma forma, Isaque carregou a lenha para seu próprio sacrifício em Gênesis 22:1-6. Além disso, segundo a Lei mosaica, a oferta pelo pecado deveria ser levada para fora do acampamento, conforme Êxodo 29:14 e Hebreus 13:11 e seguintes. Nesse caso, o que nos era mais precioso — o sacrifício de Jesus — era o que mais desprezavam os romanos e os judeus.
P: Em João 19:22, por que Pilatos não atendeu ao pedido dos sacerdotes de não escrever “Rei dos Judeus”?
R: Pilatos aparentemente não viu necessidade de atender ao Sinédrio. Talvez Pilatos quisesse que a placa servisse não apenas para desanimar os rebeldes, mas também como parte de um “jogo” para insultar as autoridades judaicas.
Pilatos e os sacerdotes não se davam bem. É interessante que a única vez em que trabalharam em harmonia foi apenas por um momento, quando Satanás os utilizou em conjunto para crucificar Cristo.
P: Em Jo 19,23, essa túnica era rara por ser sem costura?
R: Não, não era raro, mas era mais valioso. O manto interior era normalmente feito de dois pedaços de tecido costurados nas laterais. Na p. 480, menciona-se que, como a vestimenta de Jesus não tinha costura, provavelmente era mais valiosa do que a vestimenta simples costurada. Especula-se que ela possa ter sido dada a Jesus por uma das mulheres que apoiavam financeiramente Jesus e Seus discípulos.
P: João 19:26 sugere que também podemos considerar Maria nossa mãe?
R: Não. Tudo o que a Bíblia ordena a uma pessoa em particular não significa necessariamente que todos devam fazer o mesmo. A título de exemplo absurdo, quando Deus ordenou a Jeremias que não se casasse, isso não significa que todos os cristãos não devam se casar.
Jesus confiou a João a tarefa de cuidar de Maria, assim como um bom filho cuida de sua mãe. Não precisamos cuidar de Maria.
P: João 19:26 atribui a Maria o papel de “Mediadora” (co-mediadora) e “Redentora” (co-redentora), conforme a Igreja Católica Romana a considera?
R: De forma alguma. O simples fato de Jesus ter mencionado Sua mãe, e até mesmo ter pedido a João que cuidasse dela, não lhe confere mais do que o que Jesus disse. A Bíblia não diz absolutamente nada sobre Maria ser co-redentora ou co-mediadora. Na verdade, a tradição da Igreja até o ano 325 d.C. não sabe absolutamente nada sobre esses erros doutrinários inventados recentemente.
Aqui estão as primeiras referências a Maria como Mediadora.
São Bernardo (1090 – 1153): “[Maria é chamada] de porta do céu, pois ninguém pode entrar naquele reino abençoado sem passar por ela.”
São Boaventura (1221 – 1274): “Assim como a lua, que se interpõe entre o sol e a terra, transmite a esta última tudo o que recebe do primeiro, assim também Maria derrama sobre nós, que estamos neste mundo, as graças celestiais que recebe do sol divino da justiça.”
Alberto, o Grande (falecido em 1280): “Ela é a Distribuidora Universal de todos os dons celestiais.”
São Antonino (falecido em 1459): “Todas as graças que alguma vez foram concedidas aos homens vieram por intermédio de Maria.” O Santo Antônio (c. 250–350 d.C.) foi outra pessoa, e não há nenhum texto que indique que ele tenha dito algo semelhante a isso.
Afonso Maria de Ligório, canonizado como Santo Afonso em 1839 (1750 d.C.), escreveu um livro intitulado “As Glórias de Maria”. Ele continua sendo publicado até hoje, sob diversos imprimaturs da Igreja. Vários capítulos do livro têm os seguintes títulos: “Maria, nosso auxílio”, “Maria, nossa mediadora”, “Maria, nossa advogada”, etc.
1935: O Papa Pio XI concedeu a Maria o título de Corredentora durante uma transmissão de rádio. 1
21 de novembro de 1964: O Capítulo 8 da Constituição Dogmática da Igreja, aprovado pelo Concílio Vaticano II e “solenemente promulgado por Sua Santidade o Papa Paulo VI”, afirma, em parte:
“Com razão, portanto, os Padres veem Maria não apenas como passivamente envolvida por Deus, mas como cooperando livremente na obra da salvação do homem por meio da fé e da obediência. Pois, como diz Santo Irineu de Lyon, ela, por ser obediente, tornou-se a causa da salvação para si mesma e para toda a raça humana. Por isso, não são poucos os Padres da Igreja primitiva que, com ele, afirmam de bom grado em sua pregação... ‘a morte por Eva, a vida por Maria’. Essa união da mãe com o filho na obra da salvação se manifesta desde o momento da concepção virginal de Cristo até a sua morte”
“Levada ao céu, ela não abandonou essa função salvadora, mas, por meio de sua múltipla intercessão, continua a nos trazer os dons da salvação eterna. Por sua caridade maternal, ela cuida dos irmãos de seu Filho, que ainda percorrem a terra cercados de perigos e dificuldades, até que sejam conduzidos à sua morada bem-aventurada. Por isso, a Santíssima Virgem é invocada na Igreja sob os títulos de Advogada, Auxiliadora, Benfeitora e Mediadora.”
Consulte *When Critics Ask*, pp. 188-189, para uma resposta complementar.
P: Em Jo 19,28, como poderia haver um Deus com sede? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou essa questão.)
R: Adoramos um Deus que compreende pessoalmente nossa sede e nossas necessidades. Se Jesus nunca tivesse vindo à Terra, Deus nunca experimentaria essas coisas. Então, como Deus poderia alguma vez ter empatia por nós ou compreender nossa situação humana? Mas e se o Deus Todo-Poderoso, que pode fazer qualquer coisa, decidisse tornar-se homem? Jesus não apenas nos diz para sermos fiéis e perseverarmos, mas Ele sabe como isso às vezes é difícil e compreende nosso sofrimento. Agora, os muçulmanos diriam que Alá estaria ciente da dor de todos, mas é Jesus, e não Alá, quem compreenderia em primeira mão o que é o nosso sofrimento, pois Ele também sofreu e experimentou a dor por nós.
P: Em Jo 19,29, por que haveria hissopo por perto?
R: O hissopo era uma planta coberta de musgo que todos deveriam usar para aspergir o sangue do cordeiro pascal em suas portas, conforme Êxodo 12:22. Os sacerdotes também usavam o hissopo para declarar os leprosos puros, conforme Levítico 14.
P: Em Jo 19,29, como eram as esponjas naquela época?
R: Hoje em dia, as esponjas costumam ser sintéticas. Naquela época, as esponjas eram extraídas de animais primitivos que crescem no fundo do oceano.
P: Em João 19:30, por que Jesus disse “Está consumado” neste contexto?
R: A palavra grega aqui, tetelestai, era um termo contábil que significava “pago integralmente”. Foram encontrados recibos em papiro com a palavra tetelestai escrita neles, de acordo com o livro The Bible Knowledge Commentary: New Testament, p. 340. A prova havia sido concluída e, pela morte de Jesus e sua posterior ressurreição, nosso resgate diante das exigências da justiça foi garantido. O clamor de Jesus foi de triunfo, não de fracasso.
Além disso, a refeição da Páscoa contava com quatro taças. De acordo com o texto, a segunda taça representava a redenção do anjo da morte. Após bebê-la, o chefe da família dizia “consumado”.
P: Em Jo 19,33, era comum quebrar as pernas dos criminosos executados?
R: É claro que os ossos eram quebrados quando alguém era executado por apedrejamento. Durante a crucificação, da forma como isso é descrito, aparentemente não havia nada de inesperado ou incomum nisso. Arqueólogos encontraram, em 1968, o esqueleto de um homem que morreu crucificado, e suas pernas estavam quebradas por um único golpe. Os romanos chamavam esse golpe de crurifragium.
P: Em Jo 19,38, devemos aceitar a existência de “crentes secretos”, como era José de Arimatéia?
R: Há uma grande diferença entre uma pessoa que simplesmente sabe que o Evangelho é verdadeiro e uma pessoa que confia sua vida a Cristo. Aparentemente, havia duas categorias de crentes secretos.
Aqueles que simplesmente acreditavam: Os fariseus em João 12:42-43 sabiam que os ensinamentos de Jesus eram verdadeiros, mas não seguiram Jesus porque “amavam mais o louvor dos homens do que o louvor de Deus”. Outros que simplesmente acreditavam, embora não em segredo, incluem Simão, o Mago, em Atos 8:13, 18-20, e os praticantes da iniquidade em Mateus 7:21-23.
Aqueles que seguiram: José de Arimatéia não se limitou a acreditar, mas seguiu Jesus, conforme João 19:38. Ele não se opôs a Jesus, e José agiu de acordo com sua crença. Uma reflexão a se ponderar é: quando Deus deseja que um crente seja aberto e em que circunstâncias Ele deseja que um crente acredite secretamente? É claro que a mesma pessoa pode ser discreta em uma situação e aberta em outra.
P: Em João 20:10-15, os anjos não costumam aparecer com asas e auréolas?
R: Apenas na arte, mas não na Bíblia, exceto no caso dos serafins e querubins.
P: Em Jo 20,14-16, por que Maria Madalena não reconheceu Jesus?
R: Há três razões possíveis, e todas elas podem ser verdadeiras.
1. Maria não esperava ver Jesus novamente nesta vida. Ela não estava procurando reconhecê-lo.
2. Maria “sabia” como Jesus estava agora. Ela vira seu corpo ferido, pálido pela morte. Quando viu Jesus vivo, aquilo não correspondia de forma alguma às suas expectativas. Por exemplo, às vezes, quando estou esperando uma ligação a qualquer momento de um amigo específico e outro amigo liga, levo um ou dois segundos para reconhecer a voz dele.
3. Em Lucas 24:16, Cleopas e outro discípulo foram impedidos de reconhecer Jesus. Talvez Maria também tenha sido temporariamente impedida de reconhecer Jesus neste momento.
Hoje, alguns não reconhecem que Jesus é de Deus porque não querem procurar nem encontrar ninguém que venha de Deus. Outros não reconhecem Jesus porque Ele não se encaixa em suas expectativas preconcebidas. Por fim, outros gostariam de ver e seguir o verdadeiro Jesus, mas são impedidos de fazê-lo por fatores como o engano de Satanás por meio da falsa religião, as preocupações deste mundo, o pecado e a perseguição.
P: Em João 20,17, por que Jesus disse a Maria para não se apegar a Ele?
R: A razão imediata que Jesus apresentou foi que Ele ainda não havia ascendido ao Seu Pai. Mais tarde, em João 20:27, Jesus pediu a Tomé que tocasse em Seu lado e em Suas mãos. Talvez fosse simplesmente apropriado que o próximo a “abraçar” Jesus fosse o Pai no Céu.
O livro “1001 Perguntas Bíblicas Respondidas”, p. 44, indica que, para que Jesus fosse o cumprimento dos sacrifícios do Antigo Testamento, era apropriado que, como as
“primícias” de 1 Coríntios 15:20-24, Jesus fosse apresentado a Deus Pai antes de qualquer outra pessoa. Você pode ler mais sobre as primícias em Levítico 23:9-14.
P: Em João 20:17, visto que Jesus chamou o Pai de “meu Deus”, isso prova que Jesus não é Deus?
R: Não. Hebreus 1:9 diz: “…Por isso, Deus, o seu Deus, o ungiu…”, onde Jesus é Deus, e “o seu Deus” refere-se ao Pai.
A palavra “Deus”, quando não se refere a um deus falso, tem pelo menos quatro significados na Bíblia: Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo e Deus na Trindade. Além de os três seres serem todos um único Deus, o Pai também desempenhava o papel de Deus para Jesus.
Consulte a discussão sobre Mateus 28:19, Efésios 1:3, 17 e, especialmente, João 13:3 para obter mais informações.
P: Em João 20:19, uma vez que Jesus possuía um corpo físico após a ressurreição, como Ele conseguia entrar em salas fechadas?
R: Mesmo antes de Sua morte, Jesus podia passar milagrosamente por entre a multidão (Lucas 4:28-30). Até mesmo Filipe foi transportado milagrosamente em Atos 8:29-30. Mas agora, Jesus possuía um corpo físico glorificado. Por um lado, Jesus tinha o poder de atravessar portas trancadas. Por outro lado, Ele podia sentar-se e comer peixe. Seu corpo glorificado não era, de forma alguma, “inferior” ao nosso corpo físico, mas era “superior” a ele, pois Seu corpo físico glorificado não sofria dor, decadência nem morte.
P: Em João 20:22, quando Jesus disse “a paz esteja com vocês” e os enviou, eles receberam o Espírito Santo antes do Pentecostes?
R: Não. Independentemente de o Espírito Santo estar com eles de alguma forma nesse momento, eles não foram cheios do Espírito Santo até o Dia de Pentecostes, em Atos 2.
P: Em Jo 20,22-23, isso demonstra que os sacerdotes têm o poder de perdoar pecados?
R: Não, a menos que o sacerdote afirme ser um dos doze apóstolos. Antes da redação do Novo Testamento, antes da formação da Igreja e antes de a Igreja amadurecer em sabedoria para discernir as diversas seitas, Jesus concedeu a esses homens o poder de perdoar ou não perdoar pecados.
1. Não diz que esse privilégio tenha sido transmitido aos papas ou a quaisquer outros sucessores, e
2. Também não diz que os sacerdotes tenham recebido esse privilégio.
3. No entanto, todos os cristãos, sejam eles clérigos ou não, podem transmitir que Deus perdoa nossos pecados.
P: Em Jo 20,23, de que forma os discípulos tinham o poder de perdoar ou não perdoar pecados?
R: Três pontos a serem considerados na resposta.
Todos os cristãos concordam que Efésios 2,20 afirma que a Igreja é edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas. Assim, aos apóstolos foi concedido o direito de declarar um pecado perdoado ou não perdoado. Além disso, alguns cristãos defendem uma de duas visões adicionais.
Todos os cristãos podem afirmar: os apóstolos tinham o poder de declarar os pecados perdoados. Não apenas os apóstolos, mas a igreja tem o privilégio de anunciar as condições do céu sobre como uma pessoa pode receber o perdão. Se alguém crê em Jesus, então um cristão tem o direito de anunciar seu perdão. Se uma pessoa rejeita o sacrifício de Jesus, então um cristão pode anunciar que essa pessoa não está perdoada.
Somente aos discípulos foi concedida autoridade especial para declarar os pecados perdoados. Eles exerceram essa autoridade em Atos 5,1-11 (Ananias e Safira), 1 Coríntios 5,3-5, 12-13 e 2 Coríntios 2,4-8 (o homem imoral).
P: Em João 20,23, os papas ao longo da história tiveram o poder de perdoar pecados?
R: Não, por pelo menos três razões.
1. Como concordam alguns teólogos católicos (tais como o padre Fastiggi), muitos papas corruptos eram ímpios e acabarão no inferno. Sendo assim, uma pessoa que está distante de Deus e não é seguidora de Deus não tem o poder de perdoar ou não perdoar pecados.
2. Não há evidência de sucessão papal.
3. Mesmo que houvesse sucessão papal, ou sucessão apostólica, como alguns na Igreja primitiva acreditavam, a cadeia de sucessão foi quebrada. Quando um papa é cúmplice do assassinato do papa anterior, isso quebra a cadeia. Quando um papa é deposto contra sua vontade e, como último ato, excomunga o papa sucessor, como poderia uma pessoa excomungada ter o poder de perdoar ou não perdoar pecados e, em seguida, transmiti-lo aos seus sucessores?
P: Em Jo 20,24, o fato de João chamar o discípulo de “Tomé Dídimo” — sendo que Dídimo significa gêmeo — poderia significar que ele estava dizendo que Tomé tinha duas mentes, ou seja, que era o “Tomé, o incrédulo”, como sugere o Guia de Asimov para a Bíblia na p. 994?
R: Não. Todos reconhecem que “Didimo” significa gêmeo, e nenhum escritor cristão primitivo jamais imaginou que “Didimo” pudesse significar “duvidoso”.
P: Em Jo 20,24-25, tratava-se realmente do mesmo corpo que Jesus tinha na Terra?
R: Sim. Para dar um exemplo simples: uma pessoa pode passar por uma cirurgia e voltar para casa com o mesmo corpo, mas melhorado. Da mesma forma, Jesus tinha o mesmo corpo, com as marcas dos pregos e tudo, mas era um corpo glorificado. Jesus não estava usando engano ao aparecer para Tomé, mas era sincero e falava a verdade quando pediu a Tomé que verificasse por si mesmo, tocando nas feridas.
Hipólito (225-235/6 d.C.), em uma Carta a uma certa rainha (ou princesa), p. 240, afirma: “Pois Ele [Jesus], tendo ressuscitado e desejando mostrar que o mesmo (corpo) que havia morrido havia ressuscitado — quando Seus discípulos estavam em dúvida —, chamou Tomé até Si e disse: ‘Estenda a mão: toque-Me e veja; pois um espírito não tem ossos nem carne, como vocês veem que Eu tenho’.”
P: Em Jo 20,25, o que isso diz sobre Jesus ter sido pregado numa cruz?
R: As Testemunhas de Jeová afirmam que Jesus foi pregado em uma “estaca de tortura”, que, segundo elas, era um poste de madeira sem travessa. Elas mostram imagens com apenas um grande prego prendendo as mãos de Jesus. O grego, e até mesmo a própria Tradução do Novo Mundo das Testemunhas de Jeová, menciona a palavra “pregos” (no plural), portanto, tratava-se de mais de um prego . Consulte também “Testemunhas de Jeová Respondidas Versículo por Versículo”, pp. 82-83, para obter mais informações.
Tenho certeza de que os primeiros cristãos sabiam como Jesus morreu, e eis o que eles disseram.
A Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.), cap. 12, p. 144, afirma que Moisés formou a figura da cruz ao estender os braços.
Epístola de Barnabé (c. 70–130 d.C.), cap. 9, p. 143: “Pois [a Escritura] diz: ‘E Abraão circuncidou dez, oito e trezentos homens de sua casa.’ Que conhecimento, então, lhe foi dado com isso? Aprenda primeiro os dezoito e, depois, os trezentos. Os dez e os oito são assim representados: dez pelo I e oito pelo H. Você tem [as iniciais do nome de] Jesus. E como a cruz deveria expressar a graça [da nossa redenção] pela letra T, ele diz também: ‘Trezentos’. Ele simboliza, portanto, Jesus por duas letras e a cruz por uma.”
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) “E não deveríamos, antes, atribuir o estandarte à semelhança de Jesus crucificado, uma vez que também Moisés, com suas mãos estendidas, juntamente com aquele que se chamava Jesus (Josué), conquistou uma vitória para o seu povo?” Diálogo com Trifão, cap. 112, p. 255. Ver também cap. 111, p. 254
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) “…e aquele cordeiro que, segundo a ordem, deveria ser assado inteiro, era um símbolo do sofrimento da cruz que Cristo viria a suportar. Pois o cordeiro, ao ser assado, é assado e disposto na forma de uma cruz. Pois um espeto o atravessa de ponta a ponta, desde as partes inferiores até a cabeça [verticalmente], e outro atravessa as costas, ao qual são presas as pernas do cordeiro [horizontalmente].“ Diálogo com Trifão, o judeu, cap. 40, p. 214
Minúcio Félix (210 d.C.) Um homem adorando a Deus com os braços estendidos é um sinal da cruz. O “Octávio” de Minúcio Félix, cap. 29, p. 191
Tertuliano (198-220 d.C.) afirmou que, na época de Moisés, o povo teve de escrever um “Tau” (letra grega t) durante a primeira Páscoa para que o anjo da morte os poupasse. Eles não sabiam, mas esse era o sinal da cruz de Cristo. “Resposta aos Judeus”, cap. 11, p. 167-168
Tertuliano (198-220 d.C.): “A cada passo e movimento para a frente, a cada entrada e saída, quando vestimos nossas roupas e sapatos, quando tomamos banho, quando nos sentamos à mesa, quando acendemos as lâmpadas, no sofá, na cadeira, em todas as ações comuns da vida cotidiana, traçamos na testa o sinal.” (A Coroa/De Corona 3.4).
Orígenes (225-254 d.C.) (trecho) “Moisés, de fato, levanta as mãos; ele não as estende. Jesus, porém, quando foi exaltado na cruz e estava prestes a abraçar toda a terra com seus braços, diz: ‘Estendi minhas mãos para um povo que não acredita e que fala contra mim’.” Homilias sobre o Êxodo. Homilia 11, p. 358
Adamantio (c. 300 d.C.) menciona que Moisés estendeu os braços, e Cristo fez o mesmo. Sua mão estendida salvou a todos. Diálogo sobre a Verdadeira Fé, Primeira parte, cap. 11, p. 53
Metódio (270-311/312 d.C.): “pois as aves que voam nas alturas formam a figura da cruz ao abrir suas asas; e o próprio homem, também, com as mãos estendidas, representa o mesmo.” Três Fragmentos sobre a Paixão de Cristo, fragmento 1, p. 399-400
Victorino de Petau (martirizado em 304 d.C.): “Moisés, prevendo a dureza daquele povo, levantou as mãos no sábado e, assim, figurativamente, fixou-se a uma cruz.” Sobre a Criação do Mundo, p. 342
Atanásio, *Encarnação*, 25:3: “Pois é somente na cruz que um homem morre com as mãos estendidas. Por isso, convinha que o Senhor também suportasse isso e estendesse Suas mãos, para que, com uma delas, pudesse atrair o povo antigo e, com a outra, aqueles das nações, unindo ambos em Si mesmo.”
Lactâncio (c. 303 – c. 325 d.C.) “Assim, a cruz O exaltou tanto de fato quanto simbolicamente, de modo que Sua majestade e Seu poder se tornaram conhecidos por todos, juntamente com Sua paixão. Pois, ao estender as mãos na cruz, Ele claramente estendeu Seus ventos para o leste e para o oeste…” Epítome das Instituições Divinas, cap. 51, p. 243.
Após 325 d.C.
Hegemônio (século IV) “Ali, Moisés, quando foi atacado, estendeu as mãos e lutou contra Amaleque; e aqui, o Senhor Jesus, … estendeu Suas mãos na cruz e nos concedeu a salvação.” Disputa com Manes, cap. 44, p. 220
Existe um grafite pagão do século II retratando um homem adorando um burro crucificado com os braços estendidos sobre uma cruz. A inscrição diz: “Alexamenos respeita a Deus”, presumivelmente para zombar de um soldado cristão. (Fonte: http://www.jesuswalk.com/christian-symbols/cross)
P: Em Jo 20,28, Tomé chamou Jesus de Deus?
R: Ao contrário do que as Testemunhas de Jeová possam afirmar, Tomé certamente o fez. Observe que o versículo não diz “Tomé disse: ‘Meu Senhor e meu Deus!’”, mas “Tomé disse a ele: ‘Meu Senhor e meu Deus!’”. Observe que o versículo não diz “Ó Senhor”, como se Tomé estivesse olhando para o céu e dizendo isso. Em vez disso, “Tomé disse a ele: ‘Meu Senhor e meu Deus!’”. Além disso, Jesus não repreendeu nem corrigiu Tomé por ter dito isso.
O livro “Testemunhas de Jeová Respondidas Versículo por Versículo”, p. 84, também destaca que, em sua própria Bíblia Interlinear do Reino (1985), no texto grego está corretamente escrito: “O Senhor de mim e o Deus de mim”
P: João 21:1-25 foi acrescentado posteriormente, como sugeriu um muçulmano com base em céticos liberais?
R: Primeiro, o que foi alegado; depois, a resposta. A Wikipédia afirma: “Os estudiosos do Novo Testamento concordam amplamente que essa passagem não fazia parte do texto original do Evangelho de João” (16/12/2018), citando Ehrman, Bart (13 de fevereiro de 2012). “Debate: ‘O Novo Testamento original está perdido?’ (por volta dos 23:40)”. The Ehrman Project. Acessado em 15 de janeiro de 2013
A resposta: Não, não há nenhuma evidência disso. O “Expositor’s Bible Commentary”, vol. 9, p. 197, afirma: “Não há evidência textual para considerar João 21 como uma adição tardia ao corpo principal do Evangelho. Todos os manuscritos completos de João o contêm.”
Uma evidência sólida, sem nenhuma evidência contrária, já deveria ser suficiente para determinar se ele existia nos tempos antigos ou não. Mas, como temos nove evidências mostrando que ele estava lá, e nenhuma evidência contrária, isso deveria ser suficiente para qualquer um que questionasse isso. (Considero múltiplas menções feitas por um único autor como uma única evidência.)
A p. 66 (os papiros Bodmer II) contém a maior parte do Evangelho de João, incluindo João 21:12,17. Considerava-se que datava de c. 175 d.C., mas agora acredita-se que seja de c. 125-150 d.C.
p. 109 (= Papiro de Oxirrinco 4448) João 21:18-20; 21:23-35 (século III)
O Vaticanus [B] (325-350 d.C.) e o Sinaiticus [Si] (340-350 d.C.) contêm João 21, bem como os demais capítulos. O Sinaiticus originalmente não possuía João 21:25, mas este versículo foi acrescentado posteriormente, de acordo com o New International Bible Commentary, p. 1263.
A seguir, encontram-se manuscritos posteriores: p. 122, o Codex Bezae, o Codex Alexandrinus e p. 59.
O escritor Tatiano (falecido em 172 d.C.), em seu *Diatessaron* — uma harmonização dos evangelhos —, cita todos os versículos de João 21.
Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.) cita trechos de João 21,4-5, dizendo que “as Escrituras nos celebram” e “no Evangelho”, em *O Instrutor*, livro 1, cap. 5, p. 212.
Tertuliano (198-220 d.C.) cita João 21:20 (não 13, nem 4, nem 12 palavras) em *Prescrição contra os hereges*, cap. 22, p. 253.
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) cita João 21:17 como se o Senhor estivesse falando a Pedro. Tratados de Cipriano, Tratado 1, cap. 4, p. 422. Ele também parafraseia João 21:17, onde Jesus perguntou a Pedro se ele O amava, nas Epístolas de Cipriano, epístola 2, cap. 1, p. 280.
Orígenes (246-248 d.C.) cita as últimas 14/23 palavras de João 21:25 no Comentário de Orígenes sobre Mateus, livro 14, cap. 11, p. 502.
Orígenes (225-253/254 d.C.) cita as 7 palavras do meio de João 21:18 (não 13, nem 7, nem 9 palavras citadas) como “ouçam as palavras de Jesus”. Orígenes, Contra Celso, livro 2, cap. 45, p. 448
P: Em João 21:5-6, como Jesus assumiu o controle da pesca deles, e como vemos Jesus assumindo o controle da nossa?
R: Eles precisavam pescar: Pedro tinha uma esposa, e todos provavelmente precisavam sustentar suas famílias. Seus próprios esforços, como pescadores experientes, não estavam rendendo nada naquele dia. Mas, quando ouviram Jesus, o resultado superou suas expectativas.
Às vezes, quando pescamos para o evangelho, confiamos mais em nossas habilidades do que em Jesus. Precisamos parar e ouvir Jesus.
P: Em Jo 21,7, em quais três coisas João se destacava, e como devemos fazer o mesmo?
R: Primeiro, João foi o primeiro a reconhecer Jesus ali. João conhecia Jesus bem e conseguia reconhecer facilmente Sua voz. A palavra de Jesus aqui, paidia, pode ser traduzida tanto como “rapazes” ou “crianças” quanto como “amigos”, de acordo com o The Bible Knowledge Commentary: New Testament, p. 344.
Segundo, João estava ansioso para se aproximar de Jesus. Uma pessoa pode estudar e saber tudo o que quiser sobre Jesus, mas será que está ansiosa para ir até Ele e permanecer perto Dele?
Em terceiro lugar, João foi o primeiro a pular: embora tenha sido bom que os outros discípulos tenham ficado e trazido o barco para a praia, o impulso de João foi ir imediatamente até Jesus.
P: Em Jo 21,11, qual é o significado dos 153 peixes?
R: Em primeiro lugar, isso poderia pesar mais de 300 libras; portanto, Pedro era uma pessoa forte, de acordo com o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 9, p. 200. Há dois pontos a serem considerados.
De modo geral, eles pescaram uma grande quantidade de peixes e os contaram para verificar exatamente quantos haviam capturado. Alguns interpretam esse número específico e preciso como uma demonstração de que Deus conta cada pessoa que se aproxima Dele
Especificamente, as pessoas que buscam padrões numéricos na Bíblia apontam João 21:11 como uma evidência fundamental. Nessa passagem, há muitos padrões que resultam no número 153. Consulte as duas próximas perguntas para obter mais informações. 1 + 2 + 3 + … 17 = 153.
P: Em Jo 21,11, qual é o “código” para a numerologia no Novo Testamento?
R: Uma forma de numerologia é a teomática, e Del Washburn escreveu um livro intitulado *Theomatics II*. Assim como os romanos, os gregos usavam letras para representar números. Aqui está o código utilizado por Washburn. É claro que, se seu “código” estivesse errado, todas as suas conclusões não se sustentariam.
O “código”: *Theomatics II*, p. 23, atribui os números de 1 a 5 às letras gregas consecutivas de alfa a eta. Ao número 6 é atribuída a letra “vau”, que constava nos alfabetos gregos antigos, mas não nos posteriores. Aos números 7 a 10 são atribuídas as letras zeta a iota. Os números de 10 a 80, contados de dez em dez, são atribuídos às letras gregas consecutivas , de kappa a pi. O número 90 é atribuído à letra grega koppa (escrita como um O com uma linha vertical tocando a parte inferior do O). A letra koppa estava presente nos alfabetos gregos antigos, mas não nos posteriores. O número 100 é atribuído à letra “rho”. O número 200 é atribuído a ambas as formas da letra sigma. Os números de 300 a 800, contados de 100 em 100, são atribuídos consecutivamente às letras tau até ômega. Há, é claro, uma atribuição diferente para o hebraico, uma vez que o hebraico possui um alfabeto distinto.
(Observe que, de acordo com a Enciclopédia Britânica de 1956 e 1972 (sob a letra “U”), o alfabeto semítico utilizava o “vaw” como sexta letra. Os gregos o utilizavam como vogal, e era a última letra do alfabeto deles, logo após o Tau. Esses gregos fizeram do digamma (F) sua sexta letra. A digamma representava o som “w”. Os seguintes alfabetos gregos possuíam o “vaw”: o de Therea (700-600 a.C.), o ático (600 a.C.), o coríntio (600 a.C.), o calcidiano (600 a.C.) e o jônico (403 a.C.). No grego ático, o “vaw” era pronunciado como o “u” com trema do alemão. A letra “vaw” aparece no Novo Testamento como o número 6 em Apocalipse13:18 (“666”).
Independentemente da Teomática, o livro *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts*, p. 25 (Philip W. Comfort e David P. Barrett), afirma que não se tratava de nenhum código secreto, mas de uma forma padrão pela qual os escribas utilizavam letras para representar números, incluindo números de página e números na Bíblia, como os 12 discípulos, os 7 anjos, etc. O livro apresenta a mesma correspondência que Washburn, exceto pelo caso trivial de chamar a sexta letra de “stigma” em vez de “vaw” e de atribuir “sampi” como 900 e “,alpha” como 1.000. Essas duas últimas adições são irrelevantes, pois nenhuma palavra na Bíblia utiliza “sampi” ou “,alpha”.
O Anchor Bible Dictionary, vol. 4, p. 1141, também descreve a maneira como os gregos usavam letras para representar números. Afirma-se que não se sabe quando esse sistema foi utilizado pela primeira vez, mas o uso de letras para representar números foi registrado em um contrato de casamento em Elefantina, no Egito, em 310 a.C., em moedas do Egito ptolomaico (286-246 a.C.) e em um papiro com tabelas de multiplicação do século III a.C. O código efetivo de letras gregas na p. 1141 é o mesmo apresentado tanto em *Theomatics II* quanto em *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts*, com as seguintes exceções. A letra obsoleta usada para o 6 é denominada “digamma” e a do 900, “san”. Os milhares até os dez mil são representados pelas letras alfa a teta, com marcas especiais.
O livro *The Manuscripts of the Greek Bible* (Bruce M. Metzger), pp. 6–10, contém uma seção extensa sobre as letras gregas utilizadas como números. Apresenta o mesmo “código” que Washburn, com as seguintes exceções insignificantes. Afirma que o número 6 era uma letra grega obsoleta chamada “waw” ou “digamma”, que “sampi” correspondia a 900 e que “,a” etc. representavam 1.000 etc.
Os Papiros Chester Beatty (manuscrito p47) no Apocalipse utilizam, por vezes, letras gregas para representar os números, em vez de escrevê-los por extenso. (No entanto, o número 72 foi escrito por extenso em João 10:1.) É possível observar uma transcrição muito legível em *The Complete Text of the Early New Testament Manuscripts*, p. 336. Ela coincide totalmente com o que Washburn afirma e mostra em sua fotografia. Esse padrão de letras gregas para números de página foi utilizado nos seguintes manuscritos: p. 1, p. 13, p. 23, p. 30, p. 38, p. 39, p. 45, p. 46, p. 66, p. 72, uncial 0189, uncial 0232.
Não temos evidências de que os primeiros cristãos tenham tentado ou visto qualquer benefício no uso da numerologia para analisar cada palavra de uma passagem. É claro que, em tom de brincadeira, também não temos evidências de que eles dispusessem dos computadores e calculadoras necessários para fazê-lo. No entanto, não só Washburn nunca afirmou que eles faziam isso nos tempos antigos, como esse é, na verdade, um dos pontos de sua teoria. Se os primeiros cristãos tivessem reconhecido que os totais numéricos das frases poderiam se encaixar em um padrão, poderiam ser acusados de alterar as letras para criar padrões. Contudo, como não temos evidências de que alguém tenha reconhecido quaisquer padrões, esses padrões, caso sejam de fato mais do que coincidência, seriam evidência de origem e preservação divinas.
No entanto, Bruce Metzger, em *The Manuscripts of the Greek Bible*, p. 9, afirma que alguns dos primeiros cristãos utilizavam um tipo de numerologia, chamada gematria, para encontrar significados especiais nos números. Na Carta/Epístola de Barnabé (100 d.C.), eles utilizaram o número dos homens de Abraão (318) para mostrar que Cristo estava no Gênesis. 300 = t, o que lembrava ao autor a cruz, e 18 são as duas primeiras letras do nome grego de Jesus. Agostinho de Hipona estava até mesmo ciente desse uso da gematria. Metzger observa que eles se esqueceram de levar em conta que o grego nem sequer havia sido inventado na época de Abraão.
Conclusão: Se alguém utilizasse letras gregas para representar números, isso provaria que Washburn está empregando a mesma abreviação numérica que os escribas gregos costumavam usar para escrever números de página e, por vezes, outros números.
P: Em Jo 21,11, o que é “teomática”?
R: A “teomática”, defendida por Del Washburn, é uma forma de numerologia bíblica. Enquanto a “gematria” é uma forma de numerologia que busca encontrar significado nos números, a teomática é diferente. Ela utiliza computadores para transformar palavras em números e, em seguida, tenta encontrar significado a partir desses números. Como observação pessoal, não investiguei a teomática o suficiente para acreditar nela. Meu objetivo aqui não é convencê-lo de nada, mas apenas tentar apresentar-lhe objetivamente uma amostra, utilizando uma passagem que ilustra um de seus argumentos mais sólidos. Antes de analisar as somas dos números, é preciso atribuir números a cada uma das letras gregas. Para conhecer o código utilizado pela teomática, consulte a pergunta anterior.
As alegações da Teomática de Washburn
1. A teomática, por ser um estudo dos números na Bíblia, não é capaz de descobrir quaisquer novas doutrinas.
2. É útil, pois a complexidade numérica demonstra que isso não poderia ser obra de homens, já que esses padrões não poderiam ser facilmente encontrados sem computadores modernos.
3. É útil para mostrar o grau de preservação da Palavra de Deus e, em muitos casos, para determinar quais variações dos manuscritos estão corretas.
Assim sendo, é possível ser um cristão conservador e aceitar a teomática ou rejeitá-la.
P: Em Jo 21,15-17, por que Jesus utilizou essa maneira de se reconciliar com Pedro?
R: Restabelecer o relacionamento entre eles foi um momento delicado para Pedro. Jesus poderia ter dito: “Eu sei que você Me ama, então está tudo bem” e, em seguida, ter partido imediatamente. Mas, dessa forma, Jesus levou Pedro a refletir e a firmar seu compromisso de amar a Jesus acima de tudo.
P: Em Jo 21,15-17, por que Jesus perguntou a Pedro três vezes se ele O amava?
R: Nas duas primeiras vezes, Jesus perguntou a Pedro se ele O amava, usando a palavra ágape para se referir ao amor. Em ambas as ocasiões, Pedro respondeu que amava Jesus com o amor phileo. Aparentemente, depois de negar Jesus, Pedro não se sentia capaz de afirmar que O amava com o amor ágape.
Na terceira vez, Jesus perguntou a Pedro se ele O amava usando a palavra “phileo”. Pedro ficou magoado, perguntando-se se Jesus acreditava que ele O amava de fato.
Em vez de tentar se justificar, Pedro deixou de tentar quantificar a sinceridade de seu amor e equilibrá-la com suas ações insinceras do passado, como a negação. Em vez disso, Pedro simplesmente reconheceu: “Senhor, o Senhor sabe todas as coisas; o Senhor sabe que eu o amo”.
Jesus sabia todas as coisas, pelo menos após Sua ressurreição, e Ele estava perguntando porque queria que Pedro respondesse, não porque não soubesse. Deus vem fazendo perguntas às pessoas, cujas respostas Ele já conhece, desde o Jardim do Éden.
Deus sabe o quanto O amamos, ainda melhor do que nós mesmos sabemos. Em vez de tentarmos dizer a Deus o grau exato da profundidade do nosso amor, reconheçamos simplesmente que Deus sabe e desejemos nos aproximar mais Dele e amá-Lo ainda mais.
P: João 21,15-19 mostra que Pedro foi o primeiro papa, como afirmam alguns católicos romanos?
R: Não, pelo contrário, mostra que Pedro havia errado ao negar Jesus três vezes, que Jesus estava restabelecendo Pedro e que Pedro tinha responsabilidades como apóstolo. Pedro negou Jesus três vezes, por isso Jesus perguntou a Pedro se ele O amava três vezes.
P: Como João 21,18 profetizou a morte de Pedro?
R: Jesus disse que Pedro iria morrer, e a ênfase estava tanto na situação anterior à sua morte quanto na atitude de Pedro. De acordo com a tradição da Igreja, Pedro foi crucificado em Roma. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, a seu pedido, pois não se sentia digno de morrer da mesma forma que Jesus morreu.
A obra Sobre os Doze Apóstolos (ANF, vol. 5, p. 254-255) afirma: “Pedro pregou o Evangelho no Ponto, na Galácia e na Capadócia [todas na Ásia Menor], na Betânia e na Itália, e na Ásia, e foi posteriormente crucificado por Nero em Roma com a cabeça voltada para baixo, pois ele próprio havia desejado sofrer dessa maneira.”
P: Em Jo 21,18, como morreram todos os apóstolos?
R: A obra “Sobre os Doze Apóstolos” (ANF, vol. 5, p. 254-255) afirma: “Pedro pregou o Evangelho no Ponto, na Galácia e na Capadócia [todas na Ásia Menor], na Betânia, na Itália e na Ásia, e foi posteriormente crucificado por Nero em Roma com a cabeça voltada para baixo, conforme ele próprio havia desejado sofrer dessa maneira.
Andrés pregou aos citas [na Rússia] e aos trácios, e foi crucificado, suspenso a uma oliveira em Patras, uma cidade da Acaia [na Grécia]; e ali mesmo foi sepultado.
João, novamente na Ásia, foi banido pelo rei Domiciano para a ilha de Patmos, onde também escreveu seu Evangelho e teve a visão apocalíptica; e, no tempo de Trajano, adormeceu em Éfeso, onde seus restos mortais foram procurados, mas não puderam ser encontrados.
Tiago, seu irmão, ao pregar na Judéia, foi morto à espada por Herodes, o tetrarca, e foi sepultado ali. Eusébio 2:9 afirma que foi decapitado.
Filipe pregou na Frígia [na Ásia Menor] e foi crucificado em Hierápolis, com a cabeça voltada para baixo, no tempo de Domiciano, e foi sepultado ali.
Bartolomeu pregou novamente aos índios, aos quais também entregou o Evangelho segundo Mateus; foi crucificado com a cabeça voltada para baixo e foi sepultado em Albanum, uma cidade da Grande Armênia.
E Mateus escreveu o Evangelho na língua hebraica e o publicou em Jerusalém, tendo adormecido em Hierees, uma cidade da Pártia [Irã]. Papias (95-110 d.C.) também registra que o Evangelho de Mateus foi escrito em hebraico.
E Tomé pregou aos partos, medos, persas, hircanianos, bactrianos e margianos (magos?) [todos no Irã e no Afeganistão, e nas antigas repúblicas soviéticas], e foi perfurado nos quatro membros do corpo com uma lança de pinho em Calamene, cidade da Índia, e foi sepultado ali.
E Tiago, filho de Alfeu, ao pregar em Jerusalém, foi apedrejado até a morte pelos judeus e foi sepultado ali, ao lado do templo. Josh McDowell afirma que ele foi crucificado.
Judas, também chamado Lebbaeus, pregou ao povo de Edessa e a toda a Mesopotâmia, adormeceu em Berito e foi sepultado ali. Josh McDowell afirma que ele foi morto por flechas.
Simão, o Zelote, filho de Cleopas, também chamado de Judas, tornou-se bispo de Jerusalém após Tiago, o Justo (irmão do Senhor), adormeceu e foi sepultado ali aos 120 anos de idade. Josh McDowell afirma que foi crucificado.
E Matias, que era um dos setenta, foi incluído entre os onze apóstolos, pregou em Jerusalém, faleceu e foi sepultado ali.
E Paulo ingressou no apostolado um ano após a Ascensão de Cristo; e, começando por Jerusalém, avançou até a Ilíria, a Itália e a Espanha, pregando o Evangelho por trinta e cinco anos. E, no tempo de Nero, foi decapitado em Roma e ali foi sepultado.”
Além disso, segundo a lenda, o apóstolo Tomé visitou o norte da Índia sob o reinado de Gondofares e pregou por lá. Gondofares reinou de aproximadamente 19 d.C. a 45 d.C.
p. 25”
P: Em Jo 21,20-23, de que maneira algumas pessoas hoje se distraem com perguntas desnecessárias?
R: É válido fazer perguntas, mas, se não for possível fazer todas as suas perguntas, certifique-se de obter primeiro as informações mais importantes. Quando um não crente questiona algo sobre a Bíblia, você pode, em primeiro lugar, perguntar-lhe em troca: “Se eu respondesse a essa pergunta, isso o aproximaria de tomar a decisão de aceitar a Cristo?” Se a resposta for “não”, pergunte-lhe então: “O que o aproximaria de aceitar Jesus como seu Senhor e Salvador?”
p. 25”
P: Em Jo 21,22-23, o que Jesus está dizendo aqui sobre João?
R: Na verdade, Jesus está falando mais sobre Pedro aqui do que sobre João. Jesus está dizendo que Pedro está sendo intrometido demais, preocupando-se com a forma como João irá morrer. (Pedro provavelmente imaginou que, como Jesus havia falado sobre a morte de Pedro, ele queria saber sobre a morte de João.) Jesus está dizendo que, mesmo que João permanecesse vivo até a volta de Jesus, isso não é da conta de Pedro.
Tertuliano, que escreveu entre 198 e 220 d.C. em *Tratado sobre a Alma*, cap. 50, p. 227-228, afirma que havia uma falsa expectativa de que João permaneceria vivo até a vinda do Senhor.
Na história real, João teve uma morte natural. Ele viveu mais do que qualquer um dos outros apóstolos e, de fato, voltou a ver Jesus antes de morrer: em uma visão no Apocalipse.
Devemos nos sentir à vontade com o fato de que há algumas coisas que Deus não deseja que saibamos neste momento. Por exemplo, em todo o Novo Testamento, , há a ideia de que Cristo poderia retornar a qualquer momento; por isso, devemos estar atentos a Ele e cuidadosos com a maneira como vivemos. Essa doutrina, chamada de “retorno iminente de Cristo”, é apresentada em 1 Tessalonicenses 4:15, onde o próprio Paulo não sabia se Cristo retornaria antes de sua morte ou não.
P: Em Jo 21,24, o que há de interessante no grego neste trecho?
R: Os manuscritos eram frequentemente escritos em letras maiúsculas, e em muitos deles não havia espaços entre as palavras. No entanto, isso raramente gera ambiguidade no significado. Aqui temos uma exceção conhecida. As letras gregas poderiam significar tanto “Nós sabemos” quanto “Eu certamente sei”. Contudo, os manuscritos gregos que possuem espaços entre as palavras apresentam-no sempre como “Nós sabemos”. Não há, porém, qualquer diferença significativa entre “Nós sabemos” e “Eu certamente sei”.
P: Em Jo 21,25, por que não temos um registro de todas as outras coisas que Jesus fez?
R: Muitos parecem ter bastante dificuldade em ler o que está registrado sobre Jesus. Mesmo na vida de Jesus, havia muitos fatos que não eram importantes, como a posição em que dormia, sua altura, peso, como se alimentava, etc. Pela fé, confiamos que Deus preservou para nós tudo o que precisamos saber, e devemos ser diligentes em ler tudo isso.
P: Em João, que evidência há de que João escreveu o Evangelho de João?
R: A Igreja primitiva aceitou universalmente o Evangelho de João como tendo sido escrito pelo apóstolo João.
A p. 66 (Papyri de Bodmer II) (datada de c. 175 ou c. 125-150 d.C.) contém a maior parte do Evangelho de João. O título dado na p. 66 de Bodmer é “O Evangelho Segundo João”. É possível ver uma fotografia dela em *The Text of the Earliest New Testament Greek Manuscripts*, p. 378.
Quase menções: Embora Inácio, a Epístola de Barnabé e “A Carta a Diogneto” façam alusão a João, e Justino Mártir cite João afirmando que as palavras eram de Jesus, eles não mencionaram João pelo nome.
Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.) foi o primeiro a mencionar que o evangelho era de João, tanto de acordo com meu próprio estudo quanto com o *Believer’s Bible Commentary*, p. 1463. Ele escreve “João diz” e, em seguida, cita João 1:1a em *Teófilo a Autólico*, livro 2, cap. 22, p. 103.
Irineu de Lyon (182-188 d.C.), em *Contra as Heresias*, livro 3, cap. 16.2, p. 440, menciona o apóstolo João juntamente com os outros autores dos evangelhos. No livro 3, cap. 11.1-2, p. 426, ele cita João 1:1, 10, 11, 14 como sendo de autoria de João.
Clemente de Alexandria (193-202 d.C.), em *Stromata*, livro 2, capítulo 15, p. 361, menciona que o Evangelho de João é de autoria do apóstolo João.
Hipólito (225-235/6 d.C.) menciona “João em seu Evangelho” e, em seguida, cita João 1:1. Contra a Heresia de Noeto, capítulo 14, p. 228
Cipriano, bispo de Cartago (c. 246-258 d.C.), cita o Evangelho de João como sendo de autoria de João no Tratado 12, terceiro livro, 24,25, p. 542.
Novaciano, em *Sobre a Trindade*, cap. 13, p. 622 (257 d.C.), cita João 1:14, afirmando que se trata de uma obra de João. Ele também apresenta inúmeras outras citações de João.
O “Comentário Bíblico do Crente”, p. 1463, afirma que, até o século XIX, ninguém rejeitou João como autor do Evangelho de João, exceto por uma seita obscura chamada dos Alogi.
Quanto à confiabilidade do Evangelho de João em geral, consulte as três perguntas seguintes.
P: Quando foi escrito o Evangelho de João?
R: Temos um fragmento do Evangelho de João, chamado de manuscrito John Rylands, datado por radiocarbono entre 117 e 138 d.C., portanto, ele deve ter sido escrito antes dessa data. O Evangelho de João provavelmente foi escrito entre 70 d.C. e 125 d.C.
Opiniões de vários autores
A “New Geneva Study Bible”, p. 1656, afirma que a tradição da Igreja sugere que tenha sido por volta de 90 d.C.
O “Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento”, p. 267, afirma que provavelmente foi entre 85 e 95 d.C. Alguns críticos tentaram atribuir uma data tão tardia quanto 150 d.C., com base em semelhanças com escritos gnósticos. Outros datam-no de um período tão precoce quanto 45-66 d.C.
O “Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento”, p. 268, afirma que achados arqueológicos corroboram João 4:11; 5:2-3; estudos lexicais, como o termo “synchrontai” em João 4:9; e os Manuscritos do Mar Morto oferecem suporte a uma data precoce para o Evangelho de João.
O “New International Dictionary of the Bible”, p. 534, afirma que o Evangelho de João foi escrito “em algum momento próximo ao final do primeiro século d.C.”
O cético “Guia de Asimov para a Bíblia”, p. 954, afirma que o quarto evangelho é posterior aos demais, mas que, por volta de 150 d.C., ele já parecia ser conhecido e citado por escritores. Talvez 100 d.C. seja uma data provável, embora possa ser um pouco mais tardia ainda.
Evidências:
De acordo com o *Wycliffe Bible Dictionary*, p. 937, João estava familiarizado com detalhes de Jerusalém anteriores à sua destruição, tais como a piscina de Betesda (João 5:2) e o pavimento (João 19:13). Utilizou-se de terminologia também empregada em Qumrã Uma harmonização dos Evangelhos, denominada Papiro Egerton 2, contém João 5 e é datada de, no máximo, 150 d.C. (Consulte o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1464, para mais informações a esse respeito.)
Valentino citou o Evangelho de João em seu Evangelho da Verdade, escrito por volta de 140 d.C.
As catacumbas romanas possuem pinturas de Cristo como o Bom Pastor e da ressurreição de Lázaro, datadas de cerca de 150 d.C.
P: No Evangelho de João, como sabemos que o que temos hoje é uma preservação confiável do que foi escrito originalmente?
R: Há pelo menos três boas razões.
1. Deus prometeu preservar Sua palavra em Isaías 55:10-11; Isaías 59:21; Isaías 40:6-8; 1 Pedro 1:24-25; e Mateus 24:35. Reconhece-se abertamente que, em última análise, isso envolve um certo grau de confiança em Deus. Se Deus realmente quisesse comunicar algo, Ele desejaria que isso fosse preservado.
2. Evidências da igreja primitiva. Aqui estão alguns dos escritores cristãos e não cristãos que se referiram a versículos do Evangelho de João.
Curiosamente, 1 Clemente não contém nenhum trecho que possa ser considerado uma referência ao Evangelho de João. O Evangelho de João foi o último evangelho escrito, e 1 Clemente foi redigido muito cedo (96-98 d.C.), de modo que o Evangelho de João talvez ainda não tivesse chegado a Clemente em Roma.
Inácio (110-117 d.C.) faz alusão a João 3:8. “Pois sabe de onde vem e para onde vai” — Carta de Inácio aos Filadelfianos, cap. 7, p. 83. O Comentário Bíblico do Crente, p. 1463, também afirma que Inácio faz alusão a João.
Os Anciãos (95-117 d.C.) [Papias?] citam metade de João 14:2 como “O Senhor disse”: “por isso o Senhor disse: ‘Na casa de meu Pai há muitas moradas:’” fragmento 5, p. 154
Inácio de Antioquia (c. 100-117 d.C.) faz alusão a João 3:8. “Pois sabe de onde vem e para onde vai.” Carta de Inácio aos Filadelfianos, cap. 7, p. 83
“Mathetes a Diogneto” (c. 130–200 d.C.), cap. 6, p. 27, faz alusão a João 17:11, 14, 16. “Os cristãos habitam no mundo, mas não são do mundo.”
A Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.), cap. 6, p. 141, faz alusão a João 1:14: “Ele deveria se manifestar na carne e habitar entre nós.”
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) cita João 3:5 como sendo de Jesus e parafraseia João 3:14.
O Diatessaron de Taciano (c. 172 d.C.) cita 828,0 dos 879 versículos do Evangelho de João, ou seja, 94,2%. Isso representa a totalidade, com exceção de 51,0 versículos. O Diatessaron contém João 1:1-5, 1:7-28; 1:29 e seguintes (19/21 palavras); 1:30-40; 1:41a (14/18 palavras); 1:42a (19/22 palavras); 1:43-51; 2:1-11,14; 2:16-22,23 e seguintes (11/24 palavras); 2:24-25; 3:1-36; 4:1-2,3a (3/8 palavras); 4:4-44; 4:45a (10/26 palavras); 4:46-54; 5:1; 5:2m (5, e não 7, 7 palavras); 5:3-47; 6:1m (4, e não 6, 2 palavras); 6:2f (6/14 palavras); 6:3-4; 6:5a (17/23 palavras); 6:6-9; 6:10m (não 7, 7, não 8 palavras); 6:12-18; 6:19m (6, não 14, 2 palavras); 6:21a (7/18 palavras); 6:22a (4/37 palavras); 6:23-71; 7:1-52; 8:12-18; 8:19f (25/26 palavras); 8:20-24; 8:25a (10/17 palavras); 8:26-59; 9:1-41; 10:1-42; 11:1-57; 12:1-11; 12:12 e seguintes (15/17 palavras); 12:13; 12:16-50; 13:1-30; 13:31 e seguintes (12/17 palavras); 13:32-36; 13:37 e seguintes (6/18 palavras); 13:38a (8/21 palavras); 14:1-31; 15:1-27; 16:1-33; 17:1-26; 18:1-2; 18:4-10; 18:11m (4, e não 8, das 11 palavras); 18:12-24; 18:25a (7/24 palavras); 18:26; 18:28f (13/26 palavras); 18:29-37; 18:38a (13/24 palavras); 18:39-40; 19:2a (11/16 palavras); 19:4-17; 19:19-37; 19:38m (não 2, 6, não 4 palavras); 20:2-19; 20:20m (não 10, 4, não 3 palavras); 20:21-31; 21:1-25. As frações indicam o número de palavras gregas citadas em relação ao total de palavras gregas.
Os cristãos de Viena e Lugdunum (177 d.C.) citam João 16:2. ANF, vol. 8, p. 779
Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.) escreve: “João diz” e, em seguida, cita João 1:1a. Teófilo a Autólico, livro 2, cap. 22, p. 103
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) cita João 1:14 como sendo de João. Irineu, Contra as Heresias, livro 1, cap. 8.5, p. 328-329. Irineu cita João 1:6 em Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 11.4, p. 427.
Cânon Muratoriano 1. (c. 190-217 d.C.) “O quarto Evangelho é o de João.”
Clemente de Alexandria (193-202 d.C.): “João escreveu seu Evangelho.” *Stromata*, livro 5, cap. 12, p. 463
Tertuliano (c. 213 d.C.) cita João 1:14 e afirma que foi escrito por João e que se encontra “no Evangelho de João”, em *Contra Praxeas*, cap. 226, p. 622.
Tertuliano (207/208 d.C.) enfatiza a autoria de Mateus, Marcos, Lucas, João, Apocalipse e muitas das Cartas de Paulo em *Cinco Livros Contra Marcião*, livro 4, cap. 5, p. 350.
Hipólito (225-235/6 d.C.), ao discutir João 1,1-3, afirma que este evangelho foi escrito pelo abençoado João, em *Contra a Heresia de um certo Noeto*, 14, p. 228.
Hipólito menciona “João em seu Evangelho” e, em seguida, cita João 1,1, na obra *Contra a Heresia de um certo Noeto*, capítulo 14, p. 228.
Orígenes (c. 225-253/254 d.C.) escreveu um comentário completo sobre o Evangelho de João.
Orígenes (225-254 d.C.) menciona Mateus, Marcos, Lucas e João. Orígenes, *Contra Celso*, livro 5, cap. 56, p. 568. Cita-se também Mateus 18:1 no *Comentário de Orígenes sobre Mateus*, livro 13, cap. 14, p. 482.
Orígenes cita João 9:39 em *Contra Celso*, livro 7, cap. 39, p. 626
Novatiano (250-257 d.C.) afirma que João 1:14 é de autoria de João no “Tratado sobre a Trindade”, cap. 13, p. 622
O “Tratado Contra Novaciano”, capítulo 2, p. 657 (254-256 d.C.), afirma que João 10:1 é de João, o evangelho.
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) menciona o “Evangelho segundo João” e, em seguida, cita João 3:18,19 em “Tratados de Cipriano – Testemunhos”, cap. 31, p. 543. Veja também o “Tratado 2”, segundo livro, cap. 1, p. 516. Veja também sua citação de João 15:18-20 como sendo de João em “Tratados de Cipriano”, Tratado 3, cap. 29, p. 542
A “Carta dos Anciãos de Roma a Cipriano” (250-251 d.C.) cita João 10:11,12. Ela também cita João 16:17. Ambas foram atribuídas como “pelo próprio Senhor”, em “Cartas de Cipriano”, Carta 2, p. 280.
Firmiliano de Cesareia, em carta a Cipriano (256 d.C.), cita João 20:22,23 como “no Evangelho”. Carta 74, cap. 16, p. 384
Firmiliano de Cesareia, em carta a Cipriano (256 d.C.), cita João 17:21. Carta 74, cap. 3, p. 391
Nemesiano de Thubunae, no Sétimo Concílio de Cartago, p. 566 (c. 256 d.C.), cita João 3:5 e, posteriormente, João 3:6.
Libósio de Vaga, no Sétimo Concílio de Cartago, p. 569 (c. 256 d.C.), cita um quarto de João 14,6: “O Senhor diz: ‘Eu sou a verdade’”.
Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.): “Foi ‘no fim do sábado’, como disse Mateus; foi ‘de madrugada, quando ainda estava escuro’, como escreve João; foi ‘muito cedo pela manhã’, como afirma Lucas; e foi ‘muito cedo pela manhã, ao nascer do sol’, como nos conta Marcos. Assim, ninguém nos mostrou claramente a hora exata em que Ele ressuscitou.” Carta 5 ao bispo Basilides, p. 94. Dionísio de Alexandria aceitava que o Evangelho de João fosse de autoria de “João”, mas questionava se teria sido escrito pelo apóstolo ou por outro João.
Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.) cita todo o versículo 1 de João 20 na “Epístola ao Bispo Basilides”, cânon 1, p. 95
A Carta de Himeneu (268 d.C.) refere-se a João 1:3-4,18
Adamantio (c. 300 d.C.): “O senhor concordará se eu demonstrar, a partir dos Evangelhos, que eles não são invenções?” … “Os discípulos de Cristo os escreveram: João e Mateus; Marcos e Lucas.” *Diálogo sobre a Verdadeira Fé*, Primeira Parte, “b 5”, p. 41
Adamantio (c. 300 d.C.) cita todo o trecho de João 1:17 como sendo de João, o Evangelista. Diálogo sobre a Verdadeira Fé, quinta parte, cap. 11, p. 160.
Arnóbio (297-303 d.C.) faz alusão a João 8:46: “O que, então, os compele, o que os leva a injuriar, a difamar, a odiar implacavelmente Aquele a quem nenhum homem pode acusar de qualquer crime?” (Arnóbio, Contra os Pagãos, livro 1, cap. 64, p. 432)
Victorinus de Petau (martirizado em 304 d.C.) menciona Jesus como o Verbo de Deus e cita João 1:1, conforme o Evangelista João, em “Comentário sobre a Criação do Mundo”. Victorinus de Petau (martirizado em 304 d.C.) menciona Mateus, Marcos e Lucas em “Comentário sobre o Apocalipse do Beato João”, a partir do capítulo 4, versículos 7-10, p. 348
Pedro de Alexandria (306, 285–311 d.C.) refere-se ao evangelho de João. Do Fragmento 5.7, p. 282
Metódio (270-311/312 d.C.) cita João 1,1-2 em “Trecho da Obra sobre as Coisas Criadas”, cap. 6, p. 381
Atanásio (318 d.C.) cita João 3,3.5. “Ele [Jesus] diz o próprio nos Evangelhos: ‘Vim para buscar e salvar o que estava perdido’”. *A Encarnação do Verbo*, cap. 14, p. 43. Antes do Concílio de Nicéia, Atanásio refere-se a João 1,1 (citação em *Contra os Pagãos*, cap. 42, p. 26) 1,3 (citado como “as palavras de João” em *A Encarnação do Verbo*, cap. 2.6, p. 37); 3,3,5; 9,32,33 (citado em *A Encarnação do Verbo*, cap. 39.6, p. 57); 10:17,18 (alusão em *A Encarnação do Verbo*, cap. 22.3, p. 48); 10:37 (citado em *A Encarnação do Verbo*, cap. 18.2, p. 46); 12:32 (citado em *A Encarnação do Verbo*, cap. 25.4, p. 50); citação do terço central de 14:9 (Contra os Pagãos, cap. 45, p. 28); citação de um quarto de 14:10 (Contra os Pagãos, cap. 47:2, p. 29). Atanásio não faz referência a nenhum outro versículo do Evangelho de João antes de Nicéia, mas faz referência a muitos outros versículos do Evangelho de João após Nicéia.
Lactâncio (c. 303-320/325 d.C.) cita João 1:1-3 como “João também ensinou assim”. *Instituições Divinas*, livro 4, cap. 9, p. 107
Alexandre de Alexandria (313-326 d.C.) cita João 1:1-3 e João 1:18 como sendo de João. “Epístolas sobre a Heresia Ariana”, cap. 4, p. 292
Alexandre de Alexandria (313-326 d.C.) cita João 5:1 como “o próprio Senhor testificou”. “Epístolas sobre a Heresia Ariana”, cap. 11, p. 295
Consulte a próxima pergunta para saber quais versículos e trechos de versículos foram citados e quais não foram.
Após Nicéia
A “História Eclesiástica” de Eusébio (318 d.C.), livro 3, cap. 24, p. 152, discute os quatro evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. “Padres Nicenos e Pós-Nicenos”, Segunda Série, vol. 1, p. 152
Juvêncio (329 d.C.) escreveu um poema épico que combinava os quatro evangelhos.
Eustáquio (antes de 337 d.C.)
Afraate, o Sírio (337-345 d.C.), menciona Lázaro saindo do túmulo e o Senhor dizendo: “Vem para fora”. Ele cita parte de João 11:43, afirmando que foram palavras de Jesus. “Demonstrações Selecionadas”, Demonstração 8, cap. 14, p. 379
Afrahat, o Sírio (337-345 d.C.), cita parte de João 15:15, afirmando que foram palavras de Jesus. Demonstrações Selecionadas, Demonstração 1, cap. 8, p. 348
Serapião (após 362 d.C.)
Faustino (século IV)
Josefo (século IV)
Zenão (século IV) refere-se a João 3:13
Hegemônio (meados do século IV d.C.), ao traduzir Arquelao (262-278 d.C.), cita João 8:44, afirmando que essas palavras foram proferidas por Jesus. (Arquelao está falando) “Disputa com Manes”, cap. 31, p. 205
Teodoro de Heracleia (355 d.C.)
Victorino de Roma (após 363 d.C.) refere-se a João 1:3-4
Atanásio (367 d.C.) enumera os livros do Novo Testamento na Carta Festiva 39, p. 552
Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.) refere-se com autoridade a João, Lucas, Mateus e Marcos. Sobre a Trindade, livro 10, cap. 43, p. 193
A *Synopsis Scripturae Sacrae* (350-370 d.C. ou século V) menciona João como parte do Novo Testamento. Ela cita todo o trecho de João 1:1-3.
O cismático Lúcifer de Cagliari (370/371 d.C.) refere-se a João 3:13; 10:8; 14:15, 17, 22
Efraim/Efrém, o Sírio (350-378 d.C.), cita João 11:6 em Três Homilias, Homilia 1, cap. 11, p. 309
Basílio da Capadócia (357-379 d.C.) cita João 1:1a como sendo de João em *Sobre o Espírito*, cap. 6.14, p. 8
O Sínodo de Laodicéia (na Frígia) (343-381 d.C.), no cânon 60, p. 159, enumera os livros do Antigo Testamento e do Novo Testamento. O cânon 59, p. 158, afirma que somente os livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento podem ser lidos na igreja.
Ambrosiaster (após 384 d.C.)
Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) cita João 1,1 como sendo de João, o Divino, na Palestra 12.1, p. 72
O Cânon de Cheltenham (= Catálogo de Mommsen) (c. 360–370/390 d.C.) faz referência a cada um dos quatro evangelhos.
Ambrósio de Milão (340-390 d.C.)
Apolinário de Laodicéia (c. 390 d.C.)
Fobádio (após 392 d.C.)
Gregório de Nanzianzo (330-391 d.C.)
Paciano de Barcelona (342-379/392 d.C.) menciona dois evangelistas: Mateus e João. Carta 3, cap. 11.1, p. 51
Gregório de Elvira (após 392 d.C.)
Anfilóquio (-397 d.C.) cita João em *Iambi ad Seleucum*
Gregório de Nissa (335-397 d.C.) afirma que João 1,3 é de autoria de João em Contra Eunômio, livro 2, cap. 7, p. 112
Dídimo, o Cego (398 d.C.) refere-se a João 3:13 e a outras passagens.
Livro Siríaco dos Degraus (=Liber Graduum) (350-400 d.C.)
Asterius de Emesa (c. 400 d.C.)
Catálogo sírio de Santa Catarina (c. 400 d.C.)
Epifânio de Salamina (360-403 d.C.) menciona o Evangelho de João no *Panarion*, seção 3, cap. 44, p. 342. Ele também se refere a João 1:42; 2:12; 3:13; 5:1; 8:39, 57; 10:11; 12:32; 13:18; 16:13
Rufino (374-406 d.C.)
Gaudêncio (após 406 d.C.)
João Crisóstomo (392-407 d.C.) redigiu 88 sermões sobre o Evangelho de João. Ele afirmou que este foi escrito pelo filho de Zebedeu, o “filho do trovão”, que detém as chaves do céu.
Cromácio (407 d.C.)
Severiano (após 408 d.C.)
Niceta de Remesiano (366-c. 415 d.C.) refere-se a João 6:64; 10:38; 11:25; 16:27; 20:23
Orosius/Hosius de Braga (414-418 d.C.) faz alusão a Mateus 26:47-50; Marcos 14:43-46; Lucas 22:47-48; e João 18:3-9. Defesa contra os pelagianos, cap. 8, p. 124
Sulpício/Sulpício Severo (aluno de Martinho) (363-420 d.C.)
Concílio de Cartago (218 bispos) (393-419 d.C.)
Jerônimo (317-420 d.C.) menciona cada um dos quatro evangelhos pelo nome na carta 53.9, p. 101.
Sozomono (370/380-425 d.C.) – História Eclesiástica de Sozomono
Agostinho de Hipona (354-430 d.C.) referiu-se a todos os quatro evangelhos em sua obra intitulada “Harmonia dos Evangelhos”.
João Cassiano (419-430 d.C.) afirma que João 1,11 é de autoria do evangelista João, conforme os Sete Livros de João Cassiano, livro 3.7, p. 577
Marco Eremita (após 430 d.C.)
Nonnus (431 d.C.)
Paulino de Nola (431 d.C.)
Paulo de Emesa (após 432 d.C.)
Cirilo de Alexandria (444 d.C.)
O *Speculum* (século V) faz referência a João 13,10 e a outras passagens.
Sócrates de Constantinopla (c. 400–439 d.C.)
Hesíquio de Jerusalém (-450 d.C.) (pronuncia-se HESS-us) faz referência a todos os quatro evangelhos, incluindo João 1:3-4,13; 3:13; 6:47; 10:8; 11:25; 12:32; 16:23; 17:11,24
Teodoreto de Ciro (bispo e historiador) (423-458 d.C.)
Quodvultdeus (c. 453 d.C.)
Próspero de Tyro, da Aquitânia (426-465 d.C.)
Varimadum (445/480 d.C.) faz referência a João 8:16 e a outras passagens.
Evidências de hereges e livros espúrios
O herege encratita Tatiano (c. 172 d.C.) escreveu uma harmonia dos quatro evangelhos chamada Diatessaron, que significa “através dos quatro”. Nela, ele se refere a 828,05 versículos em João. Isso representa 94,2% de todo o Evangelho de João.
Constituições Apostólicas (375-380 d.C.)
Os hereges gnósticos Basilides e Valentino, segundo Hipólito
O herege gnóstico Heracleão refere-se a João 1,26; 4,51, segundo Orígenes.
Prisciliano (c. 385 d.C.) refere-se a João 8:25 e a outros versículos.
O herege ariano Eunômio de Cízico (c. 360 – c. 394 d.C.) cita partes de João 1:3 como sendo de “o abençoado João”, em sua Carta Apologética, cap. 26, p. 71
O herege Pelágio refere-se a João 7:37 e outras passagens.
O herege maniqueísta Fausto-Milevis (383-400 d.C.) cita João 3:3 como se estivesse no Evangelho — “Resposta de Agostinho a Fausto, o Maniqueísta”, livro 24, cap. 1, “Pais Nicenos e Pós-Nicenos”, Primeira Série, vol. 4, p. 317
O herege donatista Ticônio (após 390 d.C.) refere-se a João 7,39 e outras passagens.
O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (428 d.C.)
Ainda dispomos de todos esses textos hoje.
3. Os manuscritos mais antigos que possuímos de João mostram que há pequenas variações entre os manuscritos, mas nenhum erro teologicamente significativo.
p. 2 João 12:12-15 (século VI)
Século VI – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 5 (= Papiro de Oxirrinco 208, 1781) João 1:23-31, 33-40; 16:14-30; 20:11-17, 19-20, 22-25 (47 versículos), início do século III. A obra *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento* apresenta uma fotografia do mesmo na p. 62. Afirma-se que o manuscrito é de qualidade normal, exceto pelo fato de que o copista tendia a omitir pronomes e conjunções desnecessários. Trata-se de um texto ocidental.
Século III – 1968 – O livro *O Texto do Novo Testamento* também inclui João 1:41.
Início do século III – 1999 – O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento. Ele mostra que João 1:41 está presente, mas nenhuma das letras está muito nítida.
p. 6 João 10:1-2,4-7,9-10; 11:1-8,45-52 (século IV) Concorda com o Vaticanus.
Século IV – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 22 (= Papiro de Oxirrinco 1228) (c. 250 d.C.) João 15:25-27; 16:1-2, 21-32
Século III – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 28 (= Papiro de Oxirrinco 1596) (século III) João 6:6-12, 17-22
Século III – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 36 João 3:14-18, 31-32, 34-35 (texto misto do século VI).
Século VI – 1968 – O Texto do Novo Testamento não contém 3:34-35.
p. 39 (= Papiro de Oxirrinco 1780) João 8:14-22, primeira metade do século III. O livro *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento* apresenta uma fotografia dele na p. 138. Afirma-se também que a p. 39 é, palavra por palavra, idêntica ao *Vaticano*, o que a torna alexandrina.
Século III – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
Primeira metade do século III — Philip Comfort, C.H. Roberts e T.C. Skeat.
Século III — Aland (3ª edição) e Aland (4ª edição revisada).
p44a João 10:8-14 (séculos VI a VII)
Séculos VI a VII – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p44b João 9:3-4; 12:16-18, bem como Mt 17:1-3,6-7; 18:15-17,19; 25:8-10 (séculos VI a VII)
Séculos VI a VII – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 45 Chester Beatty I. Grande parte dos quatro evangelhos e de Atos. Inclui João 4:51,54; 5:21,24; 10:7-25; 2 letras completas das 16 que compõem 10:30; 10:31-11:10; 11:18-36,42-57. Foi copiado entre 100 e 150 d.C. (anteriormente considerado do final do século II ou início do do século III.) A obra *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento* apresenta uma fotografia de uma de suas páginas na p. 146. A obra *Uma Introdução Geral à Bíblia*, na p. 389, afirma que o rolo original tinha cerca de 220 folhas, das quais possuímos 30: 2 folhas de Mateus, 2 de João, 6 de Marcos, 7 de Lucas e 13 de Atos.
Século III – 1968 – O Texto do Novo Testamento
Século III – 1975 – Aland et al., 3ª edição
Século III – 1998 – Aland et al. Quarta Edição Revisada
Final do século II ou início do século III – 1999 – O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento.
Papiro p52 de John Rylands (fragmento de 2 1/2 por 3 1/2 contendo partes de João 18:31-33) 117-138 d.C. Acredita-se geralmente que outro fragmento, João 18:37-38, seja do mesmo rolo e também é conhecido como Papiro de John Rylands. (Esta é a parte do julgamento perante Pilatos, em que Jesus admite ser um rei.) É possível ver uma fotografia do papiro John Rylands no Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 937, no Novo Dicionário Internacional da Bíblia, p. 534, em Manuscritos Gregos da Bíblia, pp. 62-63, e em Uma Introdução Geral à Bíblia, p. 388.
Início do século II – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 55 João 1:31-33, 35-38 (séculos VI a VII)
Séculos VI a VII – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 59 João 1:26, 28, 48, 51; 2:15-16; 11:40-52; 12:25, 29, 31, 35; 17:24-26; 18:1-2, 16-17, 22; 21:7, 12-13, 15, 17-20, 23 (século VII)
Século VII – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 60 João 16:29-30,32-17:6; 17:8-9,11-15,18-25; 18:1-2,4-5,7-16,18-20,23-29,31-37,39-40; 19;-3,5-8,10-18,20,23-26 (século VII) Texto alexandrino.
Século VII – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 63 João 3:14-18; 4:9-10 (c. 500 d.C.)
Século VII – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
c. 500 d.C. – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 66 Papiros de Bodmer II (808,5 versículos: João 1:1-6:11, 6:35b-14:26,29-30; 15:2-26; 16:2-4; 16:6-7; 16:10-20:20; 20:22-23; 20:25-21:9; 21:12,17 (fragmentos de João 19:16) (João 7:53-8:11 nunca estiveram presentes.) (datado de c. 175 ou c. 125-150 d.C.) Dispomos de 104 folhas e fragmentos de outras 40 folhas. Uma fotografia de João 6:58-64 do Papiro Bodmer II encontra-se no *New International Dictionary of the Bible*, p. 1003. A obra *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts* apresenta fotografias da p. 66 nas pp. 368-370. Observa-se que o manuscrito foi escrito por um escriba profissional, com dois corretores fazendo as correções. O livro “A Arqueologia do Novo Testamento” (Finnegan), p. 381, mostra que a página 137 está muito fragmentada e contém parte de João 19:16. A propósito, o título dado no “ ” ao Bodmer p. 66 é “O Evangelho segundo João”. É possível ver uma fotografia dele em “O Texto dos Manuscritos Gregos Mais Antigos do Novo Testamento”, p. 378.
100-150 d.C. – 1960 – “Fome”, de acordo com *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento*.
c. 200 d.C. – 1968 – O Texto do Novo Testamento
200-250 d.C. – 1987 – Hunter, de acordo com *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento*.
Meados do século II – 1999 – O “Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento” menciona que este é o texto mais antigo que omite João 7:53-8:11 (o perícopo da adúltera). Essa data baseia-se, em parte, no fato de que a caligrafia do Papiro Oxirrinco 1074 de Êxodo, do século II, apresenta uma correspondência extremamente próxima.
Papiros p75 Bodmer 14/15 (a maior parte de Lucas e João. João 1:1-11:45; 11:48-57; 12:3-13:1; 13:8-9; 14:8-15; parte de 14:16; 14:17-29; 15:7-8) 175-200 d.C., ou 175-225 d.C. (João 7:53-8:11 nunca estiveram presentes.) Originalmente com 144 folhas, conservamos 102 folhas) Muito semelhante ao Vaticanus (A General Introduction to the Bible, p. 390) A obra *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento* apresenta uma imagem de parte dele na p. 496. Afirma-se que este manuscrito foi escrito por um escriba profissional. Uma fotografia de parte do rolo dos papiros Bodmer 14/15 encontra-se no *Novo Dicionário Internacional da Bíblia*, p. 706.
Início do século III – 1968 – O texto do Novo Testamento indica que os versículos são João 1:1-13:1-; 14:8-15:8, com lacunas.
Final do século II (c. 175 d.C.) – 1999 – O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento.
p. 76 João 4:9,12 (século VI)
Século VI – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 80 João 3:34, seguido de interpretação. Meados do século III.
Meados do século III – 1999 – O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento.
p. 90 João 18:36-19:7 (c. 175 d.C.) A obra *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento* apresenta uma fotografia mostrando parte da p. 90 na p. 610.
Meados a final do século II – 1999 – O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento.
p. 93 João 13:15-17 (século V)
p. 95 João 5:26-29, 36-38. Século III. O livro “O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento” apresenta uma fotografia do mesmo na p. 620.
Século III – 1999 – O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento.
p. 106 (= Papiro de Oxirrinco 4445) João 1:29-35; 40-46 (século III)
p. 107 (= Papiro de Oxirrinco 4446) João 17:1-2; 11 (século III)
p. 108 (= Papiro de Oxirrinco 4447) João 17:23-24; 18:1-5 (século III)
p. 109 (=Papiro de Oxirrinco 4448) João 21:18-20; 21:23-35 (século III)
0162 (=Papiro de Oxirrinco 847) João 2:11-22. Final do século III ou século IV. A obra *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts* apresenta uma fotografia do mesmo na p. 632.
Final do século III ou início do século IV (ca. 300 d.C.) – 1999 – O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento.
0217 – Partes de João 12:1 e, possivelmente, outros versículos
Copta boairico [Boh] Séculos III/IV
Copta sahídico [Sah] Séculos III/IV
O Vaticanus [B] (325-350 d.C.) e o Sinaiticus [Si] (340-350 d.C.) contêm todo o Evangelho de João, exceto João 7:53-8:11.
O Alexandrinus [A], de cerca de 450 d.C., contém todo o Evangelho de João, exceto João 6:50-8:52.
O Códice de Washington (séculos IV/V) preservou todo o Evangelho de João, exceto João 14:25–16:7.
Sinaítico-siríaco, séculos IV a VII
T (século V) João 3:13,15; 5:1,3; 6:36,47,52,58 e, provavelmente, outros versículos.
Chester Beatty McAc1390 (provavelmente do século IV), em Dishna (próximo a Nag Hamadi), contém João 10:8-18:38 em copta sahídico.
Cambridge, séculos V/VI
Armênio [Arm] do século V
Georgiano [Geo] do século V
Ephraemi Rescriptus [C], do século V
Gótico, 493-555 d.C.
Etíope [Eth] a partir de c. 500 d.C.
Observe que os manuscritos até o ano 200 d.C. (p. 45, p. 52, p. 66, p. 75, p. 90) contêm 855 dos 878 versículos do Evangelho de João (97%). Eles incluem os versículos 1:1–7:52; 8:12–14:30; 15:2–26; 16:2–4, 6–7, 10–33; 17:1–20:20; 20:22, 23, 25–31; 21:1–9, 12, 17. (exceto 7:53–8:11, porém).
Ao adicionar os versículos do Evangelho de João presentes no Diatessaron (c. 172 d.C.) que não constam nos manuscritos até o ano 200 d.C., seriam acrescentados mais 16 versículos: João 14:31; 15:1; 15:27; 16:1,5; 16:8-9; 20:21,24; 21:10-11; 21:13-16. Isso abrange todos os versículos do Evangelho de João, com exceção de 12.
Consulte www.BibleQuery.org/John Manuscripts.html para obter mais informações sobre os manuscritos antigos de João.
P: Em João, quais versículos e trechos de versículos foram citados pelos escritores pré-nicenos (antes de 325 d.C.)?
R: Antes de 325 d.C., os escritores da Igreja citaram cerca de 96,7% dos versículos do Evangelho de João. Isso equivale a 850,22 versículos. Em outras palavras, todos os 879 versículos do Evangelho de João foram citados, com exceção de 28,78 versículos. Os versículos e frações de versículos não citados são: João 1:42 e seguintes (2/22 palavras); 4:3 e seguintes (5/8 palavras); 4:45a (16/26 palavras); 5:2m (não 5, 4 nem 7 palavras); 6:1m (4, não 6, 2 palavras); 6:5 e seguintes (6/23 palavras); 6:10m (7, não 7, 8 palavras); 6:11; 6:19m (não 6, 14, não 2 palavras); 6:20; 6:21a (7/18 palavras); 6:22f (33/37 palavras); 7:53; 8:1-11; 8:19a (1/26 palavras); 8:25f (7/17 palavras); 13:31a (5/17 palavras); 13:38f (13/21 palavras); 18:3; 18:11m (não 4, 5, não 11 palavras); 18:25f (17/24 palavras); 18:27; 18:38f (9/24 palavras); 19:1; 19:3; 19:18f (12/15 palavras); 19:38m (2, e não 6, 4 palavras); 20:20m (10, e não 4, 3 palavras).
Todos os versículos ou trechos de versículos não listados aqui foram citados. Consulte www.bibleQuery.org/Bible/BibleCanon/EarlyChristianNTQuotes.xls para obter mais informações.