Pergunta bíblica sobre Jó


P: Quando este livro foi escrito?

Os estudiosos não têm certeza, portanto, vamos reunir algumas pistas.

Fora do período: No livro de Jó, a riqueza era medida em gado, não em dinheiro ou ouro. As pessoas não possuíam moedas no Oriente Médio até cerca de 500 a.C., principalmente devido aos persas, que aprenderam essa prática com os lídios. Ezequiel 14:14 menciona Jó, e Isaías 19:5 é quase idêntico a Jó 14:11; se Isaías aprendeu esse pensamento com Jó, então, obviamente, o livro de Jó deve ter sido escrito antes (ou muito antes) de Isaías e Ezequiel.

Antes disso: como Jó era um homem de Deus, caberia questionar por que não há sequer uma menção, por menor que seja, à Lei de Moisés em nenhum lugar — a menos que isso tenha sido escrito antes de os israelitas entrarem na Terra Prometida e de os não judeus pudessem ter conhecimento da Lei de Moisés.

A seguir: No livro de Jó, Bildad era um suita e Elifaz, um temanita. Suá era filho de Abraão e Quetura, conforme Gênesis 25:2. Teman era neto de Esaú. (Gênesis 36:11, 15, 42; 1 Crônicas 1:36, 45, 53). Portanto, foi escrito bem depois da época de Jacó e Esaú. O estilo de Jó é o “hebraico clássico”, o que indicaria uma data posterior a 1500 a.C. No entanto, Jó 1-2; 12:9; 38; 40 e 42 se referem a Deus como Yahweh, de modo que é provável que tenha sido escrito após Deus ter revelado esse nome a Moisés, ou seja, depois de 1447 a.C.

Conclusão: Não sabemos ao certo, mas é muito provável que Jó tenha vivido em algum momento entre 1800 e 1447 a.C., ou seja, quando os israelitas estavam no Egito ou vagavam pelo deserto.


P: Em Jó, qual é o esboço deste livro?

R: Aqui está um esboço simples que mostra a estrutura. Os capítulos estão indicados entre parênteses.

Introdução (1-2)

Jó (3)

Três ciclos:

Elifaz (4-5) Elifaz (15) Elifaz (22)

Jó (6-7) Jó (16-17) Jó (23-24)

Bildade (8) Bildad (18) Bildad (25)

Jó (9-10) Jó (19) Jó (26-27:12)

Zofar (11) Zofar (20) ? (27:13-23)

Jó (12-14) Jó (21) Jó (28-31)

Eliú (32-37)

O Senhor (38-41)

Jó (42)

Alguns acreditam que Zofar é quem fala em Jó 27:13-23, enquanto outros acreditam que foi Jó.


P: O livro de Jó foi inspirado em antigas lendas sumérias e babilônicas?

R: Não há evidências disso, pois semelhanças não significam necessariamente que uma obra tenha sido inspirada na outra. Pelo contrário, seria surpreendente se não houvesse outra literatura que abordasse essa questão. Existem duas obras mesopotâmicas que tratam do problema do sofrimento.

“Louvarei o Senhor da Sabedoria”, uma obra acádia, é por vezes chamada de “Jó babilônico”.

O “Diálogo sobre a Miséria Humana” (também chamado de “Teodiceia Babilônica”) questiona por que existe o sofrimento em geral, enquanto Jó questiona por que ele está sofrendo. O “Diálogo sobre a Miséria Humana” responde afirmando que os deuses tornaram os homens maus. O livro de Jó responde a isso dizendo que não se deve ao pecado de Jó. Pelo contrário, Deus é tão superior a nós que, às vezes, Ele tem razões que não podemos compreender para permitir que Seus servos obedientes sofram. No caso específico de Jó, a fidelidade demonstrada por ele trouxe glória a Deus.

Nos tempos modernos, o livro O Problema da Dor, de C. S. Lewis, é muito esclarecedor.


P: Jó foi uma pessoa real e histórica?

R: Certamente. Jó indica isso; Ezequiel 14:14,20 também menciona Jó como uma pessoa justa, juntamente com Daniel e Noé. Tiago 5:11 também menciona Jó como uma pessoa. Não há evidências que indiquem o contrário. Jó 1 apresenta Jó de forma tão natural quanto 1 Samuel apresenta Elcana e Lucas apresenta Zacarias.


P: Jó era judeu, israelita ou gentio?

R: Jó provavelmente nunca poderia ter sido judeu, pois o povo “judeu” era composto pelos remanescentes dos israelitas, que retornaram à terra após o exílio, e o livro de Jó muito provavelmente foi escrito antes disso.

Alguns acreditam que Jó era israelita, pois o livro de Jó utiliza o nome divino um total de 23 vezes. No entanto, em todas as ocasiões, com exceção de duas, o nome divino é utilizado pelo narrador do livro e não por Jó ou por qualquer um de seus amigos.

Alguns acreditam que o livro de Jó possa estar entre os primeiros livros da Bíblia. Não sabemos quando o livro de Jó foi escrito, mas, como Jó 1,17 menciona os caldeus, e os sumérios só foram assimilados à Caldeia por volta de 1.500 a.C., deve ter sido depois dessa data. (Os israelitas deixaram o Egito por volta de 1.447 a.C.)

Jó poderia muito bem ter sido um israelita, mas não há motivo para favorecer essa interpretação, e foram encontrados vários não israelitas chamados Jó. O livro de Jó certamente poderia ter mencionado isso, mas nada diz sobre a origem étnica de Jó. Talvez a razão seja que a origem étnica de Jó não fosse importante.


P: No livro de Jó, quem mais se chamava Jó e Bildade?

R: W.F. Albright constatou que o nome “Iyyob” já era utilizado antes mesmo da época de Moisés. Os textos de execração de Berlim mencionam um “Iyyob” como príncipe sírio nas proximidades de Damasco. “Ayyabum” é encontrado nos textos de Mari. As cartas de Tell el-Amarna, datadas de 1400 a 1370 a.C., mencionam Ayab como um príncipe de Pella. W.F. Albright identificou o nome Bildad como uma forma abreviada de “Yabil-Dadum” no segundo milênio.


P: No livro de Jó, uma vez que as opiniões dos interlocutores divergiam, como é que todos eles poderiam ter sido inspirados?

R: Deus escolheu nos mostrar com veracidade o que eles disseram, sem endossar suas opiniões como verdade. De fato, no final do livro de Jó, Deus declarou que as opiniões dos três amigos estavam erradas.


P: No livro de Jó, uma vez que Deus nos ama, por que Ele permite tanto sofrimento no mundo?

R: Cinco pontos a serem considerados na resposta.

1. Desde a Queda, o mundo está sob o domínio do maligno (1 João 5:19). Estamos em território ocupado pelo inimigo.

2. Este não é o melhor mundo possível; não devemos nos sentir muito à vontade aqui. O melhor mundo possível é aquele em que as pessoas têm liberdade para amar a Deus, e todos ali amarão a Deus. O melhor mundo possível é o Céu, e este é o caminho para o melhor de todos os mundos possíveis.

3. Este não é um mundo justo, onde bebês sofrem e algumas pessoas más levam vidas longas e prósperas. A justiça virá, e o Dia do Juízo Final será quando Deus colocará tudo em ordem.

4. A perspectiva eterna de Deus às vezes difere da nossa. Vemos a morte como o fim e o sofrimento como algo extremamente longo. Deus vê mil dos nossos anos como apenas uma vigília na noite (Salmo 90:4). Talvez devêssemos ter uma visão de longo prazo, assim como Deus.

5. Podemos não compreender por que passamos pelo sofrimento que enfrentamos, mas Romanos 8:28 diz que Deus pode usar todas as coisas — não apenas as boas — para que contribuam para o bem daqueles que O amam. Podemos não compreender nosso sofrimento, mas Deus compreende, pois o próprio Jesus veio, sofreu e foi morto injustamente, e Ele compreende nossa dor.


P: No livro de Jó, por que coisas ruins acontecem a pessoas piedosas?

R: Às vezes, podemos identificar as razões pelas quais as calamidades se abatem sobre os cristãos. Paulo pregou pela primeira vez aos gálatas devido a uma doença, conforme Gálatas 4:13. A Paulo foi dado algum tipo de espinho, conforme 2 Coríntios 12:7-10, para impedir que se tornasse presunçoso. Os cristãos que trataram o cálice do Senhor com leveza foram disciplinados com doença e morte, conforme 1 Coríntios 11:29-32. Cristãos como Paulo (2 Timóteo 3:10-12) e João (Apocalipse 1:9) sofreram perseguição por causa do Evangelho. Parte do provação de Jó consistia em não saber o que estava acontecendo.

No entanto, na maioria das vezes, não conseguimos enxergar as razões por trás das provações dos justos. Devemos nos contentar em esperar até o Céu para conhecer as razões de muitas coisas. Podemos afirmar, de maneira geral, porém, que as provações desenvolvem a perseverança (Tiago 1:2-4). Todas as coisas, mesmo as más, contribuem para o bem daqueles que O amam (Romanos 8:28).

O livro de Jó explora essa questão. Ignorando as muitas verdades sutis contidas em Jó, podemos afirmar:

1. Embora Satanás tenha instigado o sofrimento, Deus permitiu-o e o utilizou para Sua glória.

2. Após o término dessa provação, um resultado secundário foi que Jó conheceu a Deus de uma maneira muito mais pessoal e íntima.

3. Durante toda a provação, Jó não fazia ideia do motivo pelo qual isso estava acontecendo. De certa forma, isso também fazia parte da provação.

4. Os três amigos de Jó tinham todas as respostas para ele; infelizmente, eram as respostas erradas.

5. A resposta dada a Jó não foi “Satanás recebeu permissão para atormentar Jó a fim de testá-lo”. Em vez disso, a resposta foi: “na Terra, muitas vezes Deus não nos revela as razões do sofrimento”.

Em resumo, Deus pode permitir o que Lhe aprouver. Hoje há muitas coisas que não estão certas, e está chegando um tempo, o Dia do Juízo Final, em que tudo será corrigido. Consulte a discussão sobre Gálatas 4:13 para obter mais informações sobre o sofrimento causado pela doença.


P: Bart Ehrman escreve: “E, quando se inclui o Antigo Testamento nessa mistura, as coisas ficam completamente confusas. … O livro de Amós insiste que o povo de Deus sofre porque Deus o está punindo por seus pecados; o livro de Jó insiste que os inocentes podem sofrer; e o livro de Daniel indica que os inocentes, de fato, sofrerão. Todos esses livros são diferentes,…” (Jesus, Interrupted, p. 12. Veja também *Lost Christianities*, p. 117-118)

R: Ehrman aparentemente tem um verdadeiro problema com afirmações complementares. Se alguém como Daniel, em determinada ocasião, é perseguido por ter obedecido a Deus, Ehrman tem dificuldade em aceitar que, em outras ocasiões, as pessoas sofram porque Deus as está punindo. Amós nunca disse que as pessoas sofrem apenas por causa de seus pecados; Amós estava se referindo a uma situação específica de sua época. Jó mostra que as pessoas às vezes sofrem por motivos não relacionados aos seus próprios pecados ou aos das pessoas ao seu redor, e Daniel mostra que o povo de Deus às vezes sofre nas mãos dos incrédulos precisamente por estar seguindo a Deus. Eles dizem coisas diferentes, mas não são incompatíveis. Os diferentes lados de uma escultura parecem diferentes, mas trata-se da mesma escultura. Da mesma forma, a verdade tem diferentes perspectivas dependendo do seu foco, mas essas perspectivas são complementares, não incompatíveis.


P: Em Jó, por que Deus permitiu que Jó sofresse?

R: Cinco pontos a serem considerados na resposta.

Como todas as pessoas têm uma natureza pecaminosa (Romanos 3:23), vivemos em um mundo caído (Romanos 8:20-22), sob o controle do maligno (1 João 5:19); portanto, todas as pessoas estão sujeitas ao sofrimento.

Jó não estava sofrendo por causa de algum pecado específico que tivesse cometido, e o sofrimento de uma pessoa não se deve necessariamente ao fato de ela ser mais pecadora do que as outras. Jesus ensinou o mesmo em Lucas 13:4. De fato, Jó examinou a si mesmo e não conseguiu encontrar nenhum pecado que justificasse que ele recebesse esse tratamento e outros não, conforme se vê em Jó 6:24, 29, 30. Às vezes, o sofrimento é uma disciplina de Deus para nos persuadir a nos arrependermos de nossos pecados, mas não foi esse o caso aqui.

Em geral, embora possamos ler as causas e o desfecho no livro de Jó, o próprio Jó não podia. Podemos aprender com isso que, às vezes, crentes obedientes passam por sofrimento sem saber o motivo.

Especificamente no caso de Jó, seu sofrimento glorificou a Deus ao demonstrar Sua fidelidade, mesmo depois que ele havia perdido a esperança. Mesmo um crente fraco e mortal como Jó foi capaz de resistir ao pior que Satanás poderia lançar contra ele. Deus sempre tem Suas razões, e todas elas, em última instância, se resumem à disciplina ou à glorificação Dele. Muitas vezes não sabemos as razões naquele momento, mas as conheceremos após a morte.

No fim, Deus terá um mundo onde não haverá sofrimento nem tentação, mas todos nesse lugar escolherão livremente amá-Lo. Esses são os novos céus e a nova terra. Aguardamos ansiosamente esse momento, quando “Ele enxugará toda lágrima dos olhos deles, e não haverá mais morte, nem luto, nem choro, nem dor, pois as coisas anteriores já passaram.” (Apocalipse 21:4) Vem, Senhor Jesus!


P: Em Jó 1:1, Jó 1:8 e Jó 2:3, de que forma Jó era justo, visto que Romanos 3:10 afirma que ninguém é justo?

R: Jó era um homem piedoso. Esses versículos não afirmam que Jó fosse perfeito e sem pecado, mas que ele obedecia diligentemente a Deus e dizia que se arrependeria de qualquer erro que cometesse.


P: Em Jó 1:1, resumidamente, onde ficava Uz?

R: Uz era filho de Aram, de acordo com Gênesis 10:23 e 1 Crônicas 1:17. Os arameus concentravam-se na Síria, em um distrito que chamavam de Ussai. Para complicar ainda mais as coisas, o nome árabe para Esaú é “is”, e havia outro Uz, descendente de Edom, conforme 1 Crônicas 1:42. Jeremias 25:20 menciona Uz, e Edom habitava em Uz, conforme Lamentações 4:21.

Da mesma forma, questiona-se se as pessoas em outras partes do mundo ficam confusas com a existência de um estado de Washington e de Washington, D.C. Para os americanos, isso não é confuso, e a existência de duas terras de Uz provavelmente também não era confusa para os escritores da Bíblia.


P: Em Jó 1:2, qual é o significado de sete filhos e três filhas?

R: Há três possibilidades:

1. Podem ser simplesmente os números reais que por acaso existiam.

2. Esses números representam perfeição e completude em outras passagens, e poderiam apenas refletir isso aqui.

3. Poderia ser ambas as coisas. Deus fez com que esses números fossem incluídos para representar perfeição e completude, e Deus agiu na história de modo que esses também fossem os números reais.


P: Em Jó 1:5, os judeus deveriam ter feito sacrifícios por outras pessoas, como Jó fez?

R: Não, porque o Antigo Testamento nunca ordenou isso. Além disso, a Bíblia mostra que uma pessoa (caída) não pode fazer expiação por outra pessoa. Como observação adicional, nada na Bíblia diz que Jó era israelita.


P: Em Jó 1,5, o fato de Jó oferecer sacrifícios por seus filhos corrobora o ensinamento católico romano sobre as indulgências, como afirmou um escritor católico (Ludwig Ott)?

R: Não. A doutrina católica das indulgências sustenta que uma pessoa pode realizar uma ação, como pagar dinheiro à Igreja, para eliminar a pena no purgatório, seja por seus próprios pecados, seja pelos pecados de outro católico que já tenha falecido.

Não há menção a um “tesouro de méritos” no qual um santo falecido possa ajudar alguém na Terra.

Ainda vivos: os filhos de Jó ainda estavam vivos.

Não ordenado na Bíblia: Embora as intenções de Jó fossem boas, não há nada na Bíblia que diga que isso é o que Deus queria que fizéssemos, seja nos tempos do Antigo Testamento, seja nos do Novo. Nada indica que Deus tenha aceitado o sacrifício de Jó por ninguém além do próprio Jó.

Não há menção ao purgatório no livro de Jó, nem em qualquer outra parte da Bíblia, aliás.

A intenção desta passagem é mostrar o quão justo Jó era, não introduzir uma nova doutrina (que não foi seguida por mais ninguém na Bíblia).


P: Em Jó 1:6, quem eram os filhos de Deus mencionados aqui?

R: Eram anjos, tanto anjos bons quanto demônios caídos.


P: Em Jó 1:6, por que Satanás recebeu permissão para se apresentar diante de Deus, enquanto nós não podemos nos apresentar diretamente diante Dele?

R: Embora a Bíblia não o diga, há algumas observações que podemos fazer aqui.

a) Deus está presente em todos os lugares (Salmo 139:7-12; Jeremias 23:24).

b) Deus também tem uma presença especial e localizada na sala do trono do Céu, como mostra Apocalipse 4.

c) Satanás também se apresentou diante de Deus em Zacarias 3:1, a fim de tentar acusar o sumo sacerdote. A Enciclopédia das Dificuldades Bíblicas, pp. 238-239, afirma que isso sugere que Satanás tem acesso ocasional a pelo menos uma parte do céu para apresentar acusações.

d) Jó 1:6 não especifica em que sentido Satanás se apresentou diante de Deus, mas Jó 1:6 indica que Satanás estava em um grupo ao qual não pertencia.


P: Em Jó 1:6, Jó foi usado como um “peão” no “jogo de xadrez” de Deus com o diabo?

R: Jó não era um peão, nem era um caso único. Jó glorificou a Deus por meio de sua vida; agora, ele iria glorificá-Lo por meio de sua vida diante de forte oposição. Nós também existimos para servir a Deus e glorificá-Lo, mesmo diante da oposição que enfrentamos. Podemos sofrer nesta vida, mas os sofrimentos que suportamos são tão pequenos em comparação com as riquezas do Céu (1 Pedro 1:6-7; 1 Coríntios 2:9-10), das quais desfrutaremos com Deus para sempre.


P: Em Jó 1:9-12, qual foi, especificamente, a acusação de Satanás contra Jó?

R: Satanás não podia negar que Jó era um homem justo e não mencionou isso. Em vez disso, Satanás questionou as motivações de Jó, alegando que ele servia a Deus apenas para seu próprio benefício.


P: Em Jó 1:11, a palavra hebraica aqui deveria ser traduzida como “abençoar” ou “amaldiçoar”?

R: A palavra aqui pode significar “abençoar”, como em uma bênção de despedida. Em inglês, dizemos “good-bye”, que é uma contração de “God be with you” (Deus esteja com você). Tanto aqui quanto no Salmo 10:3, a palavra tem um sentido irônico. Assim, Jó 1:11 pode ser traduzido como: “… e ele dirá ‘adeus’ na sua cara”. Da mesma forma, o Salmo 10:3 pode ser traduzido como: “… diga ‘adeus’ e renuncie ao Senhor”.


P: Em Jó 1:13-19; 2:7, por que Satanás odiava tanto Jó?

R: Satanás odiava o fato de Jó glorificar a Deus. Fora isso, Satanás não se importava nem um pouco com Jó, a não ser para desacreditar a Deus e o testemunho de um dos servos de Deus.


P: Em Jó 1:14-20, como um cristão se sentiria ao estar servindo a Deus com abnegação (Jó 1:5) e, mesmo assim, a calamidade o atingisse?

R: Alguns cristãos reagiriam como Jó em Jó 1:20-22: ficariam tristes, mas usariam essa tristeza para adorar a Deus. Outros, que talvez estivessem servindo a Deus apenas pelas bênçãos presentes nesta vida, poderiam se afastar de Deus. Esse é exatamente o desafio de Satanás. Satanás estava acusando Jó perante Deus de seguir o segundo caminho, e esse teste demonstraria que tipo de crente Jó era. Em tudo isso, Jó não pecou em seus pensamentos nem em sua atitude — pelo menos não ainda.

Se uma calamidade se abateu sobre a sua vida enquanto o senhor servia fielmente a Deus, talvez o senhor esteja passando por um teste semelhante, embora talvez não tão severo. O senhor vai usar a injustiça e a tristeza para adorar a Deus de qualquer maneira, de uma forma ainda mais intensa do que antes, ou vai se desesperar?


P: Em Jó 1:15, quem eram os sabeus?

R: Podem ter sido o mesmo povo mencionado em Joel 3:8, que vivia no atual Iêmen, no sudoeste da Península Arábica. No entanto, é mais provável que se tratasse de um grupo de pessoas que os assírios chamavam de “Saba”, que viviam no norte da Arábia. É claro que os sabeus do norte da Arábia também poderiam estar relacionados aos sabeus do sudoeste da Arábia.


P: Em Jó 1:16, o que era o fogo de Deus?

R: Um raio. Provavelmente, tratava-se de um termo coloquial para se referir a um fogo que não era originário desta terra. Em outras palavras, o raio que caiu do céu.


P: Jó 1:20-21 ensina a reencarnação?

R: Não. Às vezes, os adeptos da Nova Era pegam versículos bíblicos que ensinam sobre a vida após a morte ou a ressurreição e, como o versículo fala da vida após a morte, concluem que se trata de reencarnação. No entanto, esse versículo nem mesmo ensina sobre a vida após a morte. Em vez disso, Jó simplesmente observa que veio a este mundo sem nada (nu) e que também partirá deste mundo sem nada. Na verdade, Jó se refere à morte como algo de onde “nunca mais se volta” em Jó 10:21.


P: Em Jó 1:22, o que significa exatamente a palavra hebraica tiplah, traduzida como “injustiça”?

R: A palavra está relacionada a “insípido”. Uma palavra semelhante é traduzida como “sem valor” em Lamentações 2:14. Jó, nesse momento, acreditava que Deus tinha um propósito maior para o que estava acontecendo; portanto, ele não acusou Deus de fazer algo sem valor ou sem propósito.


P: Em Jó 1:22, de que maneira algumas pessoas acusam Deus de injustiça?

R: Alguns afirmam explicitamente que “Deus é injusto” por diversas razões. Algumas pessoas religiosas dizem que Deus é justo, mas que Sua justiça é insondável. Há alguma verdade nisso, pois a justiça e o amor de Deus estão além de nossa compreensão completa. No entanto, afirmar que, como Deus é infinito, não podemos compreender o que é a justiça de Deus e não adianta tentar, é como dizer que, como o amor de Deus é infinito, não podemos compreender o que é o amor de Deus e não adianta tentar.

Algumas pessoas acham que Deus é injusto porque percebem que a punição para os ímpios não é imediata. Outras acham que Deus é injusto pela razão oposta: os piedosos nem sempre recebem coisas boas. Outras ainda veem Deus como injusto porque os justos nem sempre recebem coisas melhores do que os ímpios, pelo menos nesta vida. Podemos compreender o que Deus revelou sobre a justiça, mas precisamos confiar em Deus pela fé de que a justiça virá.


P: Em Jó 2:3, como Deus agiu contra Jó?

R: Deus agiu de maneira significativa ao retirar parcialmente Sua proteção de Jó.


P: Em Jó 2:3 e Jó 1:8, como uma pessoa na Terra pode ser “irrepreensível e íntegra”, mesmo tendo pecado?

R: Deus não estava se referindo aqui à perfeição sem pecado. Mas Jó seguia fielmente a Deus e, embora ninguém esteja isento de pecado, a irrepreensibilidade de Jó era altamente agradável a Deus. Embora os seres humanos tenham uma natureza pecaminosa (com exceção de Jesus), um ser humano, nesta vida, pode estar livre de pecado crônico e persistente e se arrepender do pecado deliberado que comete. Não se trata de uma pessoa alcançar um estado nesta terra em que não pecará mais (seja intencionalmente ou não), mas, quando estiver ciente disso, se arrependerá rapidamente.


P: Em Jó 2:4, por que Satanás disse: “pele por pele”?

R: Satanás afirmava que toda pessoa faria qualquer coisa para preservar a própria pele. Satanás insinuava que Jó poderia aceitar a morte de seus servos e filhos, mas não aceitaria que sua própria saúde fosse afetada. Contudo, Jó provou que Satanás estava errado. Como observação adicional, um dermatologista (médico especialista em pele) certa vez citou isso em sua literatura para afirmar que a Bíblia ensina a importância da pele. O problema é que, ao citar esse versículo (na versão KJV), ele não citou as três primeiras palavras; e, quando não se cita o início de um versículo ou de uma frase, deve-se colocar reticências (…), o que ele não fez. As palavras que faltavam eram “E Satanás respondeu”.


P: Em Jó 2:7, exatamente que tipo de doença Jó tinha?

R: As Escrituras não especificam, mas poderia ter sido uma série de coisas. Possivelmente poderia ter sido lepra; no entanto, eles conheciam a lepra e a chamavam assim (2 Crônicas 26:16-20), e aqui ela não foi chamada de lepra. A palavra hebraica para “furúnculos” aqui também foi usada para designar uma das pragas do Egito em Êxodo 9:8-11 e Deuteronômio 28:27, bem como para a doença de Ezequias em 2 Reis 20:7. Poderia ter sido elefantíase, em que grandes tumores benignos podem cobrir todo o corpo. Isso faz com que a pessoa tenha uma aparência repugnante, levando os outros a quererem evitá-la, e não há cura.

Também poderia ter sido outra doença de pele, como o pênfigo foliáceo. Esta apresenta feridas (Jó 2:7), coceira (Jó 2:8), alterações na pele do rosto (Jó 2:7, 12); perda de apetite (Jó 3:24), perda de forças (Jó 6:11); vermes nos furúnculos (Jó 7:5), feridas que escorrem (Jó 7:5), dificuldade para respirar (Jó 9:18), olheiras (Jó 16:16); mau hálito (Jó 19:17), perda de peso (Jó 19:20; 33:21), pele enegrecida e descamando (Jó 30:30) e febre (Jó 30:30).

Também era fácil contrair uma infecção por estafilococos, que é difícil de tratar sem antibióticos e acaba sendo fatal.

Apesar disso, Jó poderia se arranhar com cacos de cerâmica para aliviar a coceira e tentar remover o pus. Alguém poderia querer sentar-se sobre cinzas, não apenas para fins de luto, mas também porque as cinzas recém-queimadas seriam estéreis e reduziriam a chance de infecção. Embora seus companheiros, mais adiante no livro, possam ter sido equivocados, ainda assim é preciso reconhecer o mérito deles por estarem dispostos a ficar ao lado de seu amigo de aparência tão terrível. Eles começaram a chorar quando viram o quão mal Jó estava, mas mesmo assim vieram e sentaram-se com ele.


P: Em Jó 2:8, por que alguém com feridas por toda a pele se sentaria nas cinzas?

R: Essa prática, na verdade, faz todo o sentido. Cinzas recentes (mas frias) seriam praticamente o lugar mais estéril onde uma pessoa poderia sentar-se.


P: Em Jó 2:9-10, por que Satanás não matou a esposa de Jó, assim como seus filhos?

R: Talvez Satanás tenha observado a atitude dela e percebido que ela poderia ser uma ferramenta útil, por ser alguém próxima a Jó capaz de tentá-lo. Satanás a utilizou como uma sexta tentação, a do desespero. João Crisóstomo mencionou isso.


P: Em Jó 2:9, por que a esposa de Jó diria: “amaldiçoe a Deus e morra”?

R: Tanto Jó quanto sua esposa estavam perplexos com o que estava acontecendo com ele, com seus bens e com seus filhos. Como Jó percebeu, essa foi uma declaração perversa proferida por uma mulher em desespero. Ela pode ser interpretada como uma sugestão para cometer suicídio. O hebraico possui várias palavras para designar tolos, e esta é a palavra para um tolo obstinado, como no Salmo 14:1. Ela estava pedindo a Jó que fizesse exatamente o que Satanás havia dito a Deus que Jó faria. Talvez ela amasse Jó e preferisse vê-lo morrer a passar por tudo isso. Lembre-se de que, embora Deus estivesse testando Jó, a esposa de Jó também tinha dez filhos enterrados. Em certo sentido, isso também foi um teste para a esposa de Jó, e ela falhou completamente. A morte de seus filhos não significava que a esposa de Jó fosse pior do que outras esposas, mas que consequências desiguais podem acontecer às pessoas nesta vida.


P: Em Jó 2:10, o que significa a palavra “mal” neste contexto?

R: Isso não significa mal moral, mas calamidade física. Pode-se traduzir isso como “aflição” ou “adversidade”.


P: Em Jó 2:11, quem eram os temanitas, os suítas e os maamatitas/naamatitas?

R: Os dois primeiros povos eram conhecidos pelos hebreus, embora haja alguma ambiguidade ou incerteza quanto à sua localização atual.

Teman era um oásis bem conhecido no norte da Arábia. Esse era um dos oásis mais bem irrigados da Península Arábica. Teman era também o nome de uma cidade de Edom, conhecida por seus sábios, conforme Jeremias 49:7,20. 1 Crônicas 1:36 afirma que Teman era descendente de Elifaz de Edom; portanto, o Elifaz mencionado em Jó pode ter recebido esse nome em homenagem ao seu antepassado.

Shuah era irmão de Midiã e vivia no leste, de acordo com Gênesis 25:2,6 e 1 Crônicas 1:32. Além disso, registros assírios mencionam um povo chamado “Suhu”.

Os maamatitas/naamaitas são desconhecidos, exceto em Jó 2:11 e Jó 20:1; 42:9.

Jó era um nome bastante comum, com base nas Cartas de Tell el-Amarna (1400-1370 a.C.) e nos textos egípcios de execração, bem como em registros de Mari e Alalakh.


P: Em Jó 2:13, em que momento é melhor não dizer nada ao consolar alguém?

R: Pode ter levado algum tempo até que os amigos de Jó tomassem conhecimento disso e conseguissem se reunir todos para vir em grupo. Mas, quando chegaram, ficaram tão impressionados com o sofrimento de Jó que, a princípio, não sabiam o que dizer. No entanto, em geral, não deve haver a sensação de que é preciso dizer algo de forma precipitada. Às vezes, o melhor consolo pode ser uma presença silenciosa. Suas palavras devem ser úteis e bem escolhidas. Não há pressa em dizer qualquer coisa, inclusive coisas inúteis que você não possa retirar.


P: Em Jó 3:1-7, Jó pecou ao amaldiçoar o dia em que nasceu?

R: Jó não transgrediu o que Deus revelou na lei. Jó não amaldiçoou a Deus, a si mesmo nem a ninguém mais, apenas o dia em que nasceu. Jeremias também amaldiçoou o dia em que nasceu, em Jeremias 20:14-18. No entanto, essa atitude não foi boa para eles, nem para nós, pois Deus diz que fomos formados de maneira admirável e maravilhosa, no Salmo 139:14. Muitos veem isso como o ponto inicial em que Jó começou a pecar. Jó está dando um conselho realmente ruim, dizendo que o melhor para um crente seria nunca ter nascido, e a segunda melhor opção seria morrer imediatamente. Nesse momento, Jó esqueceu que estaremos com Deus após a morte, embora ele se lembre disso mais tarde.

Os crentes de hoje, assim como Jó, podem passar por períodos de dúvida e questionar a bondade de Deus. Mas devemos continuar fiéis, assim como Jó foi.


P: Em Jó 3, quais são algumas características básicas do discurso de Jó?

R: Trata-se de um monólogo, de certa forma dirigido a Deus, e ele quase parece não perceber que seus amigos estão ali. Muitas vezes, os discursos têm introduções gentis e corteses, e este discurso não possui nada disso.

Às vezes, as pessoas que sofrem de depressão podem sentir que seu mundo desabou ao seu redor, tornando-se muito pequeno, e não percebem facilmente as outras pessoas ao seu redor que desejam ajudá-las.


P: Em Jó 3:16-22, o que Jó pensava sobre a vida após a morte?

R: Essa passagem mostra que Jó tinha uma perspectiva eterna e acreditava na vida após a morte. Os mortos encontram descanso (Jó 3:13; 17-19), pois seus corpos não mais se afanam. Por mais repouso que Jó e os justos tenham, os ímpios ainda sofrem após a morte.

O versículo que mostra mais claramente a visão de Jó é Jó 19:26-27. É claro que conceitos como o Milênio, a segunda vinda do Messias, a era da igreja etc. não haviam sido revelados aos crentes na época de Jó.

Os primeiros cristãos interpretaram Jó como se referindo à ressurreição. Clemente de Roma escreve: “E, novamente, Jó diz: ‘Tu ressuscitarás esta minha carne, que sofreu todas essas coisas’”. 1 Clemente, cap. 26, p. 12


P: Em Jó 3:16-22, o que isso nos ensina sobre a vida após a morte?

R: Em primeiro lugar, essa passagem limita-se a relatar o que Jó pensava, sem endossar tudo o que ele disse como verdade. Tudo o que Jó disse aqui era verdade, exceto que:

a) o versículo 22 refere-se apenas aos piedosos, enquanto os versículos 17-19 são verdadeiros para todos (na morte, ele é libertado de seu senhor, etc.), e

b) Ao contrário do que Jó reclamava, há castigo para aqueles que rejeitam a Deus.


P: Em Jó 3:1-26, quando uma pessoa passa da fé e da paciência para o desespero e a depressão, ela pode se recuperar?

R: Sim, como Jó fez no final do livro. Embora, nesse momento, Satanás pareça estar prestes a vencer seu desafio com Deus, Jó ainda se mantém firme, embora não sem pecar.


P: Em Jó 4:1-5:27, qual é a mentalidade básica de Elifaz?

R: Elifaz reconheceu que Jó havia sido um homem justo que ajudou a muitos. Surgiria, porém, a questão de saber se Jó praticava o que pregava em Jó 4:4. O argumento de Elifaz tem origem em Jó 4:8: a pessoa colhe o que semeia. Elifaz está tentando ajudar Jó e fortalecer seu querido amigo. Parece muito importante para Elifaz, e para os demais, ajudar Jó a descobrir a razão justa para seu sofrimento especial, pois, para Elifaz, o sofrimento de Jó provava que ele devia ter feito algo errado. Elifaz tinha a visão equivocada de que a justiça de Deus é sempre imediata. Se nada acontecesse, seja de bom ou de mal, a ninguém, isso seria simplesmente justiça adiada, mas há mais do que isso. Não só as pessoas ímpias muitas vezes não enfrentam imediatamente as consequências de sua maldade, mas também: por que coisas ruins acontecem aos piedosos, quando os ímpios são mais merecedores? Assim, não só a justiça de Deus muitas vezes não é imediata, mas muitas vezes as injustiças são imediatas.

Deus não apenas fará valer Sua justiça no fim, mas também reverterá todas as injustiças às quais estamos sujeitos. No caso específico de Jó, ele sofreu injustamente nas mãos de Satanás. Não foi apenas o seu sofrimento, mas o seu sofrimento injusto, que glorificou a Deus.


P: Em Jó 4:1-5:27, Salmos 34:12-16, Marcos 4:24 e Gálatas 6:7, a pessoa não colhe sempre o que semeia?

R: Sim, esses versículos afirmam que colhe-se o que se semeia, mas isso nem sempre ocorre imediatamente. Além disso, esses versículos não afirmam que tudo o que se colhe se deve exclusivamente ao que se semeia. O Salmo 73 apresenta um exemplo de pessoas más que se tornam ricas e prosperam.


P: Em Jó 4-5, como alguém hoje pode ser como Elifaz, tendo uma teologia basicamente correta, mas sem compaixão?

R: Elifaz falou apenas a verdade, mas apenas parte da verdade. Embora pudesse ter parecido desprovido de compaixão para Jó, Elifaz estava tentando dar esperança a Jó. Mesmo que as coisas estejam ruins agora, em Jó 5:17-27, Elifaz diz que Deus pode curar e restaurar no final.

P: Em Jó 4:7, uma vez que parte do argumento de Elifaz poderia ser chamado de “causa e efeito”, é verdade ou não que viver de maneira piedosa produz bons resultados e viver de maneira ímpia produz maus resultados?

R: Nesta vida, isso é verdade em geral. Mas há muitas exceções, em ambos os sentidos, e não é algo em que se deva confiar. Em vez disso, Deus colocará tudo em ordem no final, após a nossa morte. Jesus disse em Lucas 13:1-5 que aqueles sobre os quais caiu a torre de Siloé não eram necessariamente pecadores piores.


P: Em Jó 4:5-5:27, qual é a estrutura do argumento de Elifaz?

R: Trata-se de um quiasmo, forma de estrutura comum na poesia hebraica.

— Introdução (4:2)

— — Exortação (4:3-6)

— — — O modo como Deus trata os homens (4:7-11)

— — — — A revelação da verdade (4:12-21)

— — — A ação de Deus para com os homens (5:1-16)

— — Exortação (5:17-26)

— Consideração final (5:27)


P: Em Jó 4-5, há momentos em que o senhor pode estar tentando ajudar uma pessoa deprimida e, assim como os três amigos de Jó, acaba interpretando tudo de forma errada?

R: Eles vieram em busca de respostas para oferecê-las a Jó; talvez Jó não estivesse buscando respostas naquele momento. Esperamos que, ao tentar ajudar alguém, haja pelo menos alguma correspondência entre o que a pessoa deseja e o que ela percebe que você está oferecendo. Às vezes, tudo o que ela deseja inicialmente é uma presença amorosa ao seu lado.

Ao tentar ajudar uma pessoa deprimida, não faça as coisas apenas com base na maneira como você acha que ela deveria recebê-las. Seja receptivo e observe como ela realmente as recebe. Talvez limpar a casa para ela possa ser estressante; agora ela terá que se preocupar com o que você jogou fora. Comprar roupas ou outras coisas para ela significa que você não aprova o que ela estava vestindo? Talvez essas ações sejam adequadas, mas certifique-se duplamente de que suas demonstrações de amor sejam recebidas da maneira que você pretendia.


P: Em Jó 4:5-5:27, qual é o argumento de Elifaz aqui?

R: Há duas partes.

Confie na sua própria justiça, Jó, já que você deu bons ensinamentos a muitos. Elifaz viu os ímpios serem punidos e os justos serem recompensados.

No entanto, ninguém é justo em comparação com Deus; portanto, ninguém pode questionar a injustiça ou culpar Deus com ressentimento. Eu apelaria a Deus, pois Ele sempre resgata os justos. Mesmo que você tenha pecado, Deus o disciplinará, mas ainda assim o resgatará.

Essas duas partes parecem incongruentes. Uma interpretação é que Elifaz estava apresentando argumentos sem perceber que eles se contradiziam. Mas talvez Elifaz estivesse sendo deliberadamente incongruente. Ele falava com ironia ao dizer a Jó para confiar em sua própria justiça, dada a situação em que Jó se encontrava. Se o senhor, Jó, não tem realmente praticado o que vem pregando, então assuma a responsabilidade pelo que está colhendo, fortaleça-se diante dessa disciplina e mude daqui para frente. Elifaz está dizendo que Deus é bom, que Ele disciplina com justiça e que o senhor ainda pode ter felicidade depois de ter sido disciplinado (Hebreus 12:5-11).

De qualquer forma, Elifaz estava incorreto em quatro pontos:

a) A justiça de Deus muitas vezes não é imediata

b) A justiça pode ser imediata para alguns e não para outros

c) O fato de Deus ser tão santo não justifica de forma alguma o sofrimento de Jó e o fato de outros não sofrerem.

d) E o mais importante: o fato de Jó ter sofrido mais do que outras pessoas não se deveu ao pecado.

O discurso de Elifaz é mais ou menos verdadeiro, exceto que a causa e o efeito da verdade estão totalmente invertidos.


P: Em Jó 4:6, o que Jó aprendeu sobre a esperança?

R: A aflição de Jó não foi um castigo pelo pecado, uma disciplina para que ele reconhecesse o erro de seus caminhos, nem um meio de purificar o caráter de Jó. Mas ela deixou Jó com um relacionamento mais próximo de Deus. Provérbios 3:26 diz que o Senhor será a nossa confiança.

Jó não está apenas dizendo que sua vida está péssima agora. Em vez disso, ele está dizendo que a soma de todas as coisas boas que já recebeu na vida não se compara a toda a angústia e sofrimento que tem suportado, mesmo que isso tenha começado recentemente.

Às vezes, nos desesperamos porque não temos esperança suficiente. Mas, com mais frequência, temos esperança em excesso, porém nas coisas erradas. Temos esperança em nossa salvação porque Cristo morreu por nós, E temos esperança por causa de nossa conta bancária, E temos esperança por causa de nossas economias para a aposentadoria, E temos esperança por causa de nossa família, E de nossa saúde, E… Mas e se essas outras coisas nos fossem tiradas, como aconteceu com Jó? Ainda teríamos esperança suficiente?


P: Em Jó 4:12-21, o que o senhor acha da visão de que todos nós temos pecado, de modo que todo sofrimento dos crentes pode ser explicado pelo fato de que todos os crentes precisam de alguma disciplina por seus pecados?

R: Essa é uma parte do argumento de Elifaz, e parece lógico à primeira vista. No entanto, os capítulos 1 e 2 do livro de Jó mostram que essa não foi, de forma alguma, a razão do sofrimento de Jó naquela época e, por extensão, de parte do sofrimento dos crentes hoje também.


P: Em Jó 4:12-21, será que Elifaz poderia estar correto ao afirmar que suas palavras provinham de uma revelação divina?

R: Muitos têm questionado isso, pois sua revelação mostra um Deus indiferente às pessoas. Suas palavras continham um erro teológico: ele não percebeu que nem todo sofrimento provém diretamente do pecado daquele que sofre, como Jesus ensina em Lucas 13:1-5.

Ainda hoje, alguns crentes pensam ter recebido uma revelação divina e estão equivocados.


P: Em Jó 4:20-21, qual é o argumento válido que Elifaz está apresentando aqui?

R: Elifaz está dizendo como nossas vidas são frágeis e que algumas pessoas vivem a vida inteira sem jamais encontrar sabedoria. Embora nossas vidas também sejam curtas e fugazes, esse não é o argumento que Elifaz está apresentando aqui.


P: Jó 5:7 deveria ser traduzido como “o homem nasce para a aflição” ou “o homem gera aflição”?

R: Com as consoantes, poderia ser de ambas as formas. Com as vogais adicionadas, o hebraico significa “o homem nasce para a aflição”. No entanto, uma mudança na vogal transforma a frase de passiva para ativa, e então significaria “o homem gera/causa aflição”.


P: Em Jó 5:13, por que Paulo citou Elifaz em 1 Coríntios 3:19, uma vez que Deus posteriormente repreendeu Elifaz?

R: Em Jó 42:7, Deus não disse que tudo o que Elifaz falou estava errado, apenas algumas coisas. Elifaz estava correto ao afirmar que Deus apanharia os sábios em sua astúcia, mas estava errado em todas as palavras em que pensava que Deus não permitiria que nenhuma aflição sobreviesse aos que não a mereciam nesta vida.


P: Em Jó 5:25-27, de que forma Elifaz demonstrou grande insensibilidade?

R: Elifaz está assegurando a Jó que, se ele for piedoso, sua tenda estará segura; a casa de Jó acabara de ser destruída. Elifaz diz a Jó que, para um homem justo, seus filhos serão muitos. Jó, de fato, tinha muitos filhos, e todos eles foram mortos. Essas observações podem ter magoado profundamente Jó.


P: Em Jó 6:1-7:21, o que há de tão errado na resposta de Jó?

R: Embora possamos encontrar pequenas frases em que Jó não se expressou de maneira muito construtiva, isso deixa de lado uma questão muito mais ampla. Tudo o que Jó diz gira em torno dele mesmo ou de seu sofrimento. Jó parece estar zangado tanto com Deus quanto com seus conselheiros desprovidos de compaixão, e está empenhado em justificar o que sente. Elifaz deu alguns bons conselhos em Jó 5:8-17, basicamente para que Jó voltasse seu olhar para Deus e Sua glória. Mas Jó ignora completamente essa parte da resposta de Elifaz, concentrando-se apenas em si mesmo. Jó “era íntegro e reto” diante de Deus em Jó 1:1, mas por quê? Seria que Jó era íntegro e reto para seu próprio benefício, para sua prosperidade e para sua família, ou a motivação principal de Jó era glorificar a Deus? A resposta de Jó mostrou que, quando sua prosperidade, sua família e sua saúde lhe foram tiradas, ele ainda permaneceu fiel a Deus. Mas será que Jó realmente buscava glorificar a Deus como seu objetivo principal? Parece que Jó não estava pensando em glorificar a Deus em Jó 6; mas parece que ele estava, no final do livro.


P: Em Jó 6:1–7:21, o que é compreensível na resposta de Jó?

R: Pessoas que passam por catástrofes costumam passar por etapas. A primeira pode ser “negação e isolamento”, seguida de “raiva”, depois “negociação”, em seguida “depressão” e, finalmente, “aceitação”. Essas fases foram observadas em pacientes terminais por Elisabeth Kübler-Ross. Colin Murray Parkes também estudou esse tema e elaborou uma lista diferente em seu livro *Bereavement*. Sua lista é: “entorpecimento e choque, depois questionamento, depressão, raiva e, finalmente, resolução”.

Parte do aconselhamento em luto envolve acompanhar a pessoa à medida que ela passa por suas próprias fases.


P: Em Jó 6,1–7,21, ao aconselhar alguém, qual é a importância de validar o que essa pessoa está sentindo?

R: Deve-se demonstrar que está ouvindo a pessoa e que compreende, pelo menos em parte, o que ela sente — isto é, se desejar que ela o ouça. Às vezes, como no caso de Jó, você pode reconhecer que os sentimentos da pessoa são naturais e que não tem uma resposta para explicar por que essas coisas aconteceram justamente com ela. Mas, a menos que você tenha passado exatamente pela mesma situação, não tente dizer: “Eu sei exatamente como você se sente”, porque você não sabe.

Outras vezes, porém, pode ser que uma pessoa tenha feito algo perverso conscientemente e esteja furiosa com Deus por ter sido descoberta. Ainda assim, pode demonstrar que compreende um pouco do que ela sente e repetir o que ela está dizendo, mas faça-o de tal forma que ela perceba que as consequências podem ser de sua própria responsabilidade. De certa forma, os amigos de Jó estavam tentando fazer isso com ele, exceto que tentavam atribuir as calamidades de Jó a um pecado específico dele, e estavam errados.


P: Em Jó 6:6, o que está sendo descrito aqui?

R: Há alguma incerteza, mas provavelmente trata-se da clara de um ovo. Alternativamente, poderia ser o interior de um vegetal desconhecido.

Mas, independentemente da palavra, o significado aqui é que as alegrias da vida agora se tornaram insípidas para Jó.


P: Em Jó 6-7, qual é o resumo da resposta de Jó?

R: Jó afirma que suas palavras precipitadas se devem à grande angústia que Deus lhe causou. Ele deseja que Deus o mate agora, para que, pelo menos, possa morrer sem jamais ter negado as palavras de Deus.

Jó não tem esperança, nem amigos em quem confiar, e os argumentos deles não provam nada até o momento; por isso, ele os desafia a ensiná-lo e a mostrar-lhe onde ele errou.

O capítulo 7 é um discurso sobre as pessoas em geral. O homem enfrenta uma luta durante seu curto tempo na Terra. Todas as noites, Jó se pergunta quando irá acordar, e cada dia passa rapidamente, sem esperança e sem sentido. Pelo menos sua vida é breve, pois ele não gostaria de viver muito tempo assim.

Deus, por que o senhor se importa tanto com o homem, a ponto de examiná-lo e testá-lo a cada momento? Diga-me o que eu fiz de errado e por que o senhor não pode me perdoar por alguma coisa desconhecida que eu possa ter feito?

Assim como seus amigos, Jó também supõe que seu grande sofrimento se deve a algum pecado seu, mas não consegue descobrir qual é esse pecado.


P: Em Jó 7,20, deveria estar escrito: “Tornei-me um fardo para ti” (LXX), ou “Tornei-me um fardo para mim mesmo” (MT)?

R: É mais provável que seja a primeira, a versão da Septuaginta. Em alguns trechos de Jó, parece que os escribas hebreus suavizaram o significado para que a raiva de Jó não parecesse blasfema.


P: Em Jó 7:6, a palavra hebraica significa “sem esperança” ou “sem fio”?

R: Ambas as coisas, pois trata-se de um jogo de palavras. Jó está comparando seus dias, que passam rapidamente, à lançadeira de um tecelão; a tecelagem chega ao fim quando o fio se esgota. Ibn Ezra foi um dos primeiros escritores judeus a perceber esse jogo de palavras.


P: Jó 7:9 e Jó 14:12 negam a ressurreição física?

R: Não. Em Jó 7:9, Jó está simplesmente dizendo que todos os que morrem não voltam mais. Em Jó 14:12, ele diz a mesma coisa, exceto que, aqui, ele matiza afirmando que os homens não retornam até que os céus deixem de existir.

A propósito, embora a Bíblia nos relate com veracidade tudo o que Jó disse, nem tudo o que Jó disse é necessariamente verdade. Por exemplo, em Jó 7:7, Jó diz que seus olhos nunca mais verão a felicidade.


P: Em Jó 6:14-27, Jó sente que seus amigos o decepcionaram ao virem consolá-lo. Jó estava certo?

R: Os amigos de Jó tinham boas intenções, mas, de certa forma, sim, eles o decepcionaram. Embora seus amigos tenham dedicado tempo para vir e se sentarem com ele por se importarem com ele, não os vemos reconhecendo como Jó se sentia, nem consolando-o. Elifaz, para seu crédito, sugeriu que Jó buscasse a Deus em Jó 5:8-16. Mas Jó não ouviu de fato a mensagem quando Elifaz sugeriu que as aflições de Jó eram resultado de uma correção por seu pecado, em Jó 5:27.

Jó 6:14-15 compara seus amigos a um wadi, ou riacho sazonal, que está cheio de água que corre rapidamente durante a estação chuvosa e, em seguida, fica sem água na estação seca, quando você realmente precisa dela. A reação de Jó pode parecer excessiva diante das palavras comedidas de Elifaz, mas parte dela se deveu ao conforto que eles NÃO lhe deram. Além disso, grande parte da reação violenta de Jó pode ter sido resultado de sua raiva em geral.


P: Em Jó 7:19, o que está escrito literalmente?

R: Enquanto algumas traduções apresentam “nem mesmo por um instante”, o hebraico diz literalmente “o tempo suficiente para engolir minha saliva”, o que a BSB traduz como “engolir minha saliva”. Essa expressão coloquial ainda é usada hoje em dia no árabe.


P: Em Jó 7:20, de que forma Deus é um observador dos homens?

R: Isso é algo sobre Deus que incomoda algumas pessoas. Não importa o quanto você tente ficar sozinho, Deus está cuidando de você. Um amigo meu da China continental, ao decidir se tornar cristão, disse que uma coisa sobre a qual ele refletiu muito foi: “se Deus não existisse, por que alguém deveria ser bom se ninguém estivesse observando?”


P: Em Jó 8:1-10, por que Bildad não é um bom consolador neste contexto?

R: Após as palavras de Jó, Bildad aceita o desafio de rebater as palavras de Jó. Bildad, neste momento, esqueceu-se completamente de tentar consolar Jó e decidiu que seu propósito ali era repreendê-lo. Infelizmente, Bildad inicia seu “consolo” concordando com Jó em Jó 6:26, ao considerar as palavras de Jó como as de um tagarela. Em Jó 8:4, Bildad afirma como um fato que a razão pela qual os filhos de Jó morreram é certamente por causa de seus pecados; mas, se Jó for inocente, ele não morrerá. Imagine como alguém que fez o melhor por seus filhos e parecia ter uma doença incurável e fatal aceitaria isso.

A título de observação, o senhor deve ter certeza de que, com a orientação do Espírito, pode exercer um ministério que ofereça consolo aos feridos e aos moribundos. O senhor certamente poderia fazer melhor do que esses homens! Talvez Bildad aprenda e seus próximos discursos melhorem, ou talvez não — veremos.


P: Em Jó 8, qual é a essência do argumento de Bildad aqui?

R: A vida nunca é arbitrária; será que os juncos podem crescer sem água? É simples: ao examinar as Escrituras e a relação de causa e efeito, o senhor pode compreender tudo. O senhor pode observar os efeitos e identificar a causa; assim como pode ver o papiro e saber que há um pântano ali. Bildad está ofendido porque Jó não consegue enxergar isso e, em vez disso, culpa a Deus.

Por exemplo, Bildad presumiu que os filhos de Jó pecaram e, por isso, Deus os matou.

Deus não perverte a justiça.

Deus castiga os pecadores, mas ajuda os justos.

Se Jó fosse realmente justo, Deus o ajudaria.

Deus não está ajudando-o agora; portanto, Jó não é justo.

Portanto, Jó, o senhor precisa se converter e se arrepender de qualquer erro que tenha cometido.

Bildad ouviu com os ouvidos, mas não ouviu com o coração, como demonstra a insensibilidade de sua resposta.


P: Em Jó 8, como o senhor responderia resumidamente ao argumento de Bildad?

R: A vida sob o sol nem sempre é justa, e não o será até depois da morte. Como diz o Comentário de Keil-Delitzsch sobre o Antigo Testamento, p. 141: “É verdade que nada do que Deus envia ao homem provém da injustiça, mas não é verdade que tudo o que Ele lhe envia venha de Sua justiça.”


P: Em Jó 8-10, qual é o ponto principal?

R: Não adianta tentar se defender, “recorrer à justiça” e perguntar a Deus por que Ele permitiu algo. Não sabemos nada sobre o passado das outras pessoas. Não temos uma visão clara de todas as coisas no presente. E certamente não sabemos muito sobre o futuro, nem sobre o que poderia ter acontecido. A princípio, Jó estava ansioso para discutir com Deus e apresentar a Ele seu argumento sobre a inconsistência divina. Mas, por fim, até mesmo Jó percebe aqui que não adianta discutir com Deus; talvez não venhamos a saber a resposta enquanto estivermos vivendo nesta terra. Chegar a essa conclusão é um passo importante para Jó.


P: Em Jó 9-10, qual é o resumo da resposta de Jó neste trecho?

R: Aqui está um resumo em cinco pontos.

1. Os caminhos de Deus são tão vastos e Sua sabedoria tão grande que não faz sentido Jó questionar nada do que Ele faz. Deus poderia esmagar Jó por se manifestar, por isso ele não vai falar.

2. Mesmo que Deus punisse injustamente um homem totalmente inocente, não adiantaria discutir isso diante de Deus (ou dos amigos de Jó, aliás).

3. (E aqui a atitude de Jó se tornou desagradável) Jó gostaria que houvesse um terceiro para arbitrar entre ele e Deus, pois Deus declara as pessoas culpadas sem qualquer recurso, prestação de contas ou mesmo que a pessoa culpada saiba o que fez de errado.

4. O pior de tudo é que Deus pode declarar culpada uma pessoa totalmente inocente, e ninguém pode dizer que Deus é injusto. Jó está dizendo: “Sou irrepreensível e não sou culpado!” (Jó 9:21; 10:6, 7, 14)

5. Jó detesta sua vida sob o domínio de um Deus injusto. Uma pergunta, porém, ainda assombra Jó: por que Deus teve tanto cuidado ao criá-lo e lhe demonstrou tanta bondade, se, no fundo, sempre teve a intenção de perseguir seu servo irrepreensível?

Em resumo, a justiça que está além da compreensão de Jó é, segundo ele, injustiça. No entanto, devemos ter o cuidado de diferenciar entre dizer “não compreendemos agora, portanto nunca compreenderemos, porque não podemos compreender, pois não há justiça a ser compreendida” e “não compreendemos agora, porque ainda não vemos um esboço do quadro completo, que talvez não vejamos nesta vida”. Na verdade, Jó vislumbrou o quadro completo no final do livro de Jó.


P: Em Jó 9:5-10, o que há de característico nessa passagem?

R: Essas podem ter sido palavras que Jó usou pela primeira vez aqui, ou pode ter sido um hino já existente que ambos conheciam.


P: Em Jó 9:17; 10:2-3, como o senhor se sentiria se alguém parecesse estar zangado com o senhor sem motivo?

R: O senhor poderia passar por diferentes fases, e isso pode ser um tanto semelhante ao luto. Primeiro, o senhor poderia pensar que a pessoa talvez tenha um bom motivo, mas que o senhor simplesmente ainda não o percebeu. Porém, ao concluir que isso não é verdade, o senhor poderia então considerar se há algum outro fator externo. Em terceiro lugar, o senhor poderia questionar a “imparcialidade” daquele que está zangado com o senhor. Por fim, você pode chegar ao ponto de não se importar mais, pois percebe que é impossível saber por que a pessoa está zangada e o que você pode fazer a respeito.


P: Em Jó 9:18, por que algumas pessoas sentem amargura em relação aos outros, à vida ou a Deus?

R: A amargura é um ressentimento crônico. Ela pode incluir um ou mais dos seguintes sentimentos: tristeza, raiva, repulsa e decepção. Pessoas amargas tendem a ter mais desentendimentos e relações mais ruins com os outros. Uma pessoa amargurada sente que está sofrendo injustamente, talvez por algo que não fez, que acredita não ter feito, ou então por algo que sabe ter feito, mas não acha que a punição deva ser tão severa. Ela se apega a duas coisas: está sendo tratada injustamente, e a vida e as outras pessoas deveriam ser justas. É verdade que as outras pessoas deveriam ser justas, e muitas vezes não o são. Da mesma forma, devemos fazer o nosso melhor para tratar os outros com justiça. Mas a vida e os outros não nos tratam com justiça, e se nosso pensamento “estiver preso a esta vida”, então, mesmo como crentes, podemos nos tornar amargos. Contudo, nosso pensamento não deve estar voltado para esta vida, mas para as coisas celestiais (Filipenses 3:19-20), e somos ordenados a nos livrar de toda amargura em Efésios 4:31 e Hebreus 12:15. Isso significa, no mínimo, duas coisas. Primeiro, encontre qualquer lugar em seu coração onde a amargura possa estar escondida. Segundo, ore para se livrar dela e perdoe as pessoas, incluindo a si mesmo. Perdoe os outros mesmo que eles não estejam arrependidos e não tenham pedido seu perdão. A amargura é como beber veneno e esperar que isso prejudique a outra pessoa. Perdoar é algo que você também faz por seu próprio bem, não apenas pelo bem da outra pessoa.


P: Em Jó 9:30, o que Jó está dizendo sobre ser lavado?

R: Algumas traduções dizem “lavado com água de neve”. No entanto, M.H. Pope, em Jó (Anchor Bible, vol. 15), p. 75, mostra que seleg significa “sabão”, e não “neve”.


P: Em Jó 9:21-24, por que Jó é tão radical aqui?

R: Essas não são palavras adequadas. Mas, às vezes, quando uma pessoa está deprimida e desesperada, pode dizer coisas precipitadas.


P: Em Jó 9:25-31, como um corredor, barcos velozes e águias descrevem nossa vida na Terra?

R: Jó está dizendo que, de qualquer forma, nenhum de nós tem realmente muito tempo na Terra. Ao usar as três analogias — de um corredor, de navios e de uma águia —, ele está comparando três das coisas mais velozes na terra, no mar e no ar. A palavra para “águia” aqui pode significar águia, abutre, falcão ou gavião. Os falcões-peregrinos podem atingir velocidades de 186 milhas por hora (300 km por hora). Portanto, o único pequeno consolo que Jó vê aqui é que sua vida não iria durar muito tempo de qualquer maneira.


P: Em Jó 9:29, qual é o sentimento de desesperança expresso aqui?

R: Jó está perguntando, ironicamente, de que adianta tentar fazer o bem, se Deus não se importa e já o condenou? Hoje, algumas pessoas se sentem da mesma forma. Como já cometeram o mal, sentem que é tarde demais para elas e que Deus nunca desejará perdoá-las.


P: Em Jó 10:1-7, o que Jó está admitindo aqui?

R: Em Jó 9:2, Jó diz que pelo menos parte do que Bildade afirma é verdade. Jó parece começar a ser convencido por Elifaz e Bildade. Ele está começando a duvidar de sua vida e a pensar que suas calamidades demonstram que ele é ímpio diante de Deus. No entanto, Jó não consegue entender como.


P: Em Jó 10:18-22, o que você diria a alguém que se sente preso e sem esperança?

R: Essa pessoa precisa enxergar pelo menos um vislumbre de esperança. Bildad, apesar de todas as suas falhas, ainda assim acertou em cheio ao prever, em Jó 8:21, que Deus “ainda encherá a sua boca de risos”.


P: Em Jó 11:1-20, que tipo de pessoa o senhor acha que Zofar era?

R: Zofar falou por último; portanto, é provável que tenha sido o último a se manifestar por ser o mais jovem dos três e também o mais severo. Assim como Bildad, Zofar também não é muito educado com Jó. Mas, enquanto Bildade acha que tudo é fácil de entender, Zofar é diferente; ele diz que há muito que não sabemos sobre Deus. Zofar é dogmático em relação às suas opiniões e não demonstra a menor simpatia por Jó. Zofar nunca questiona se Jó é ou não culpado de um grande pecado; isso é um fato que Zofar simplesmente pressupõe. Como ousa Jó afirmar o contrário!

Elifaz fundamentou o que disse com suas observações. Bildad fundamentou o que disse com a história. Zofar, por sua vez, não fundamentou de forma alguma o que disse.


P: Em Jó 11:1-20, um cristão de hoje, ou até mesmo nós mesmos, poderíamos ser um adversário involuntário de Deus?

R: Zofar é a forma masculina do nome feminino Zípora. Tanto Zofar quanto Zípora, esposa de Moisés, eram crentes que se tornaram adversários involuntários de Deus. Pedro estava, sem querer, se opondo a Deus e sendo usado por Satanás para tentar Jesus em Mateus 16:22-23. Se Pedro pôde ser, nós também podemos. Quando pensamos que precisamos dizer a Deus que Ele precisa fazer algo, estamos em terreno muito instável. Pode-se argumentar que Pedro não tinha o Espírito Santo naquele momento, mas hoje os cristãos podem optar por agir sem orar ou sem ouvir a Deus. Se alguma vez o senhor estiver tão certo de suas palavras e ações a ponto de achar que não precisa compará-las com as Escrituras, o senhor pode estar se tornando um adversário involuntário de Deus. Mas a boa notícia é que, tanto para Pedro quanto para os amigos de Jó e para os cristãos, se seguirmos a Deus, lermos a Bíblia e orarmos, Deus pode nos corrigir.


P: Em Jó 11:1-20, qual é o argumento de Zofar aqui?

R: Zofar não abordou os argumentos de Jó. Em vez disso, ele apresentou uma mensagem mais severa: “não podemos conhecer os mistérios de Deus; portanto, simplesmente aproxime-se de Deus, arrependa-se e não pense mais nisso”. Especificamente, Zofar disse com severidade:

1. Jó, o senhor deveria ser repreendido por dizer isso a respeito de Deus.

2. Você diz a Deus que é irrepreensível, mas quem pode realmente conhecer Deus ou Sua justiça?

3. Portanto, examine a sua alma, dedique-se a Deus e abandone o seu pecado [não especificado].

4. Então Deus o resgatará, em vez de deixá-lo cair como os ímpios.

Zofar e Jó concordam que não podemos conhecer Deus e que Deus castiga os ímpios e recompensa os justos. Mas Zofar está exigindo que Jó reconheça sua maldade.


P: Em Jó 11, como você conversa com alguém que discorda de você por causa de uma suposição errada que essa pessoa se recusa a questionar?

R: Pode ser difícil, mas talvez você consiga, pelo menos, fazer com que a pessoa perceba que há um ponto que ela não está questionando, enquanto outros o fazem. Há pelo menos quatro abordagens que você pode utilizar. As três últimas são como “bumerangues”: a pessoa é questionada sobre outra pessoa, e então a questão volta para ela.

a) Hipoteticamente falando: Certa vez, eu estava conversando com um líder de casa na Igreja da Unificação do Rev. Moon e, após discutirmos vários assuntos, perguntei-lhe: “Hipoteticamente falando, se o senhor soubesse que o Rev. Moon não era realmente enviado por Deus, o que o senhor faria? O senhor iria embora ou ficaria?” Depois que eu gentilmente lhe relembrei a pergunta algumas vezes, ele finalmente disse: “É desonroso e desrespeitoso sequer questionar o Rev. Moon.” Em seguida, pediu-me que saísse e disse que eu não era mais bem-vindo. Uma coisa que essa pergunta revelou foi que a barreira não era intelectual, mas sim de vontade. Já fiz perguntas semelhantes a outras pessoas e, às vezes, elas me fazem a mesma pergunta de volta. Respondo que sei que Jesus realmente vem de Deus, mas, hipoteticamente falando, se eu descobrisse que isso não fosse verdade, seguiria a verdade, custe o que custar.
b) Uma situação hipotética, como Natã fez com Davi em 2 Samuel 12:1-13, quando apresentou um caso jurídico hipotético.

c) Outra abordagem consiste em utilizar um “observador hipotético”. Quando a pessoa se recusa até mesmo a admitir a possibilidade de estar equivocada, pergunte-lhe como um observador imparcial avaliaria sua resposta.

d) Pergunte a eles como fazer com que alguém perceba que pode estar errado. Isso é um pouco difícil de explicar, então aqui está um exemplo, usando um budista e um muçulmano, mas isso poderia ser feito com quaisquer duas religiões. Digamos que um budista não esteja realmente aberto a considerar que o budismo esteja errado. Você poderia perguntar a ele: se ele encontrasse um muçulmano que achasse que a jihad fosse algo bom, que sempre tivesse sido ensinado que as mulheres são menos inteligentes que os homens e que o depoimento delas em um tribunal deveria valer metade do de um homem, e que fosse aceitável estuprar mulheres capturadas em batalha, pergunte ao budista o que ele poderia dizer ao muçulmano para mostrar que essas crenças estão erradas. Interaja com a resposta dele e mencione que o muçulmano aprendeu essas coisas durante toda a vida, e que ninguém que ele respeitasse jamais as questionou. Depois de um tempo, ressalte que não é apenas um muçulmano que pode acreditar em coisas erradas sem jamais questioná-las; um budista ou até mesmo um cristão também poderia, potencialmente. Como você saberia que não está acreditando em algumas coisas muito erradas apenas porque nunca ouviu o contrário? Mas esteja preparado para que eles lhe façam a mesma pergunta (o que é justo). Você pode responder com base na apologética e em seu testemunho pessoal. Em seguida, certifique-se de perguntar a eles novamente.

Nesse caso específico, Jó poderia ter perguntado a Zofar: “Você acha que é possível que algo ruim aconteça a uma pessoa e que isso não seja uma consequência direta do pecado dela? É isso que você diria aos pais que perderam um filho, a cada idoso que tem um problema de saúde ou a alguém cujos parentes morreram de fome, especialmente se você pudesse ter ajudado essas pessoas em vez de ajudar outras?” Portanto, se alguma coisa ruim acontecer com você ou com sua família, posso ter certeza de que é por causa do seu próprio pecado ou do pecado deles, correto? Talvez não seja assim que Deus age. Talvez Deus permita que coisas ruins aconteçam ao Seu povo obediente, injustamente, e Deus nos dará muito mais do que jamais perdemos no céu.


P: Em Jó 11:6, será que Deus realmente esqueceu alguns dos nossos pecados, como disse Zofar?

R: Não. Nem tudo o que os amigos de Jó disseram está necessariamente correto. Zofar estava simplificando demais em sua resposta, assim como simplificou demais e tirou conclusões precipitadas em sua análise. Zofar estava dizendo, de forma poética, que Deus não estava punindo Jó tanto quanto ele merecia. Na verdade, no final do livro de Jó, foi dito a Jó que fizesse um sacrifício em nome de seus amigos pelas palavras erradas que eles proferiram. Zofar está correto de uma forma excessivamente simplificada. Deus sabe de tudo, portanto, Ele não esquece os fatos. Deus punirá todos os pecados, mas Ele já puniu todos os pecados perdoados ao fazer com que Jesus sofresse a punição na cruz. No entanto, Zofar está correto ao afirmar que, para aqueles cujos pecados são perdoados, “Tão longe quanto o Oriente está do Ocidente, assim Ele afastou de nós as nossas transgressões.” (Salmo 103:12).


P: Em Jó 11:7-8, os seres humanos podem conhecer a Deus?

R: Sim e não, se bem compreendido. Embora Zofar não estivesse correto em tudo o que disse, sua visão sobre conhecer a Deus estava essencialmente correta. O próprio Zofar afirma implicitamente conhecer muitas coisas sobre Deus, por meio de tudo o que afirmou a respeito Dele. No entanto, Zofar reconheceu que não sabia nem poderia saber tudo sobre Deus. Ele está dizendo que não devemos fingir que poderíamos saber tudo sobre Deus, tais como Seus mistérios e as profundezas do conhecimento divino.

Qualquer teologia que afirme que Deus é um mistério absoluto, ou completamente incognoscível, está equivocada. Da mesma forma, qualquer teologia que afirme que Deus não possui mistério algum e que pode ser totalmente compreendido por nossas mentes pequenas e mortais apresenta um Deus que é pequeno demais.


P: Em Jó 12-14, qual é o argumento de Jó aqui?

R: Este é o segundo discurso mais longo de Jó. Jó está basicamente dizendo: não me menosprezem tentando me ensinar o que eu já reconheço. A sabedoria e o poder pertencem a Deus, que está acima da natureza, das pessoas e das nações. Por que eu? Eu, Jó, uma pessoa piedosa, sou motivo de escárnio, e Deus fez isso, enquanto deixa os saqueadores em paz. Deus tem sabedoria e poder sobre os animais, os indivíduos, a natureza e as nações.

Gostaria de poder defender minha causa perante Deus, pois vocês não valem nada. Sei que poderia defender meus atos. Pediria a Deus que parasse de me amedrontar e me mostrasse o que, se é que há algo, eu fiz de errado. Nossa vida é tão curta e, ao contrário de uma planta, vivemos e morremos apenas uma vez. Dada a situação, gostaria que Deus se apressasse e me matasse.


P: Em Jó 12:4, como Deus respondeu a Jó?

R: Deus não estava respondendo a Jó naquele momento, mas já havia respondido a ele antes de todas essas calamidades ocorrerem. Ele havia ensinado a Jó que, aconteça o que acontecer nesta vida, confie em Deus, que concede a vida eterna.


P: Em Jó 12:6, de que maneira algumas pessoas carregam seu deus nas mãos?

R: Essa expressão descreve com precisão as pessoas que adoram um ídolo que suas próprias mãos podem carregar. Hoje, os ocidentais também adoram deuses que podem carregar quando veneram o dinheiro, os bens materiais e a si mesmos.


P: Em Jó 12:13-25, qual é o argumento de Jó?

R: Embora os amigos de Jó afirmem ser tão sábios, e Jó diga que é tão sábio quanto eles (Jó 12:3), em última análise, ninguém é sábio em comparação com Deus. Jó 12:13-25 também enfatiza que ninguém é poderoso em comparação com Deus.


P: Em Jó 13:4-5, os amigos de Jó não tinham nenhum grande pecado para imputar a ele, mas, mesmo assim, todos agiram como se tivessem, a fim de validar sua visão de mundo. De que maneira as pessoas hoje podem inventar coisas sem fundamento, a fim de sustentar sua visão de mundo?

R: É possível perceber quando isso está acontecendo simplesmente perguntando: “Mostre-me suas evidências”. É muito, muito fácil para as pessoas caídas passarem de “gostaria que isso fosse verdade” para “provavelmente é verdade” e, por fim, para “sei que isso é verdade”. Isso pode ocorrer em qualquer contexto, incluindo política e religião. Uma das causas disso é quando “apoiar a narrativa” das conclusões que você deseja que alguém tenha se torna mais importante para você do que “qual é a verdade real?”.


P: Em Jó 13:15, o hebraico deveria ser traduzido como “Terei esperança n’Ele” ou “Não tenho esperança”?

R: As palavras hebraicas podem ser traduzidas de ambas as formas. A resposta depende de se concluir que Jó está sendo otimista ou pessimista neste trecho. A ambiguidade reside na palavra hebraica que pode ser traduzida como “esperar”, “hesitar” ou “tremer”. Como a palavra pode ter ambos os sentidos, é preciso considerar o contexto, e o contexto aqui é o final do segundo discurso mais longo de Jó. Como Jó está dizendo que sabe que, no fim, será justificado como um seguidor justo de Deus, a tradução correta é “Eu esperarei n’Ele”, pois isso expressa a fé de Jó, e não sua dúvida.


P: Em Jó 13:23, quando devemos pedir a Deus que nos mostre nossos pecados?

R: É louvável que Jó, pelo menos, finalmente tenha se decidido a pedir a Deus que lhe mostre seus pecados, que podem ser a causa de ele estar sendo severamente castigado. Não precisamos esperar que algo assim aconteça conosco; podemos e devemos pedir a Deus que nos mostre nossas falhas e pecados ocultos. Eles não estão ocultos para Deus, e podem nem mesmo estar ocultos para os outros, mas podem estar ocultos para nós.


P: Em Jó 14,13-22, Jó nega a existência de uma vida após a morte?

R: Jó levanta a questão da vida após a morte em Jó 14, mas em seguida a responde. Jó afirma a existência de uma vida após a morte por pelo menos quatro razões.

1. Jó não estaria preocupado com Deus encobrindo seu pecado em Jó 14:16-17, se, assim que morresse, seus pecados simplesmente desaparecessem, já que ele não estaria mais presente.

2. Jó 14:13 diz que Jó deseja permanecer oculto no túmulo até que a ira de Deus tenha passado.

3. Em Jó 13:15, Jó tem confiança de que se apresentará diante de Deus como justificado, mesmo que seja após sua morte. Consulte a discussão sobre Jó 13:15 para obter mais informações.

4. Em todo o livro de Jó, Jó é retratado como um homem que pensa no longo prazo, não como alguém que pensa apenas nesta vida física na Terra.

Por exemplo, Jó 19:26-27 diz que, mesmo depois que sua pele for destruída, ele sabe que verá Deus.


P: Em Jó 15, o que podemos dizer sobre esse segundo ciclo de três discursos e três respostas de Jó?

R: Embora as opiniões dos três chamados consoladores não tenham mudado, nem as de Jó, há um endurecimento em seus pontos de vista e também no de Jó. Elifaz está muito menos educado do que no primeiro discurso, mas ainda assim é mais educado do que os outros dois.


P: Em Jó 15, qual é uma breve sinopse do discurso de Elifaz aqui?

R: Elifaz começa com um argumento válido aqui. Ele está dizendo a Jó que suas respostas amargas são impróprias para um sábio homem de Deus. É válido responder e expressar o que sente, mas fale com palavras proveitosas, não com palavras vazias que não trazem benefício algum. Há três partes principais.

(15:1-13) Ouça, Jó, o senhor é sábio; portanto, julgue suas próprias palavras. Suas palavras pecaminosas não são apenas inúteis, mas também minam a piedade quando o senhor afirma saber mais do que Deus e se enfurece contra Ele, em vez de encontrar consolo Nele. O senhor afirma ser mais justo do que Deus.

(15:14-16) Visto que nada no universo é santo em comparação com Deus, não cabe a você tentar justificar-se. Como as pessoas são más, simplesmente fique em silêncio, pare de questionar e aceite sua condição como um resultado inevitável da misteriosa justiça de Deus.

(15:17-35) Os ímpios certamente serão punidos. Embora possam ser ricos e bem alimentados agora, sua destruição chegará.


P: Em Jó 15:7-8, de que maneiras os não-cristãos às vezes pensam que são mais sábios do que Deus?

R: Alguns muçulmanos consideram ridículo que os cristãos devam oferecer a outra face. Os objetivistas afirmam que é tolice ajudar altruisticamente estranhos. Os gananciosos acham pitoresco tentar não amar o dinheiro. Um mórmon me disse certa vez que achava que, quando Deus criou tudo, Ele cometeu muitos erros; e que, quando ele se tornar um deus, fará melhor.


P: Em Jó 15:7-8, de que maneiras os cristãos podem, às vezes, achar que são mais sábios do que Deus, sem realmente dizer isso explicitamente?

R: Quando Deus ordena algo e nós dizemos a Deus e aos outros que temos uma maneira melhor. Se não enxergamos uma razão para a ordem de Deus e afirmamos, em essência, que só obedeceremos ao que Deus diz quando percebermos a razão por trás disso. Por exemplo, 1 Timóteo 2:11-12 afirma que a mulher não deve ensinar nem exercer autoridade sobre o homem. Não se trata de que uma mulher não possa ser uma líder piedosa e sábia, como foi a juíza Débora; trata-se, em última instância, de que é isso que Deus deseja. Podemos discutir em vão as razões pelas quais Deus quis isso, ou tentar enxergar tudo no futuro como o Deus Onisciente pode, mas a verdadeira questão que deveríamos estar discutindo é esta: se o Senhor diz para fazer algo, em consonância com o que Ele já disse, e não compreendemos a razão, obedeceremos mesmo assim ou não?


P: Em Jó 15:16, de que maneiras as pessoas bebem a injustiça como água, ou bebem o escárnio como água, conforme Jó 34:7?

R: Assim como sentimos que precisamos de água para viver, uma pessoa má sente uma sede que a leva a precisar de sua maldade para viver, pois é viciada nela. Assim como gostamos de beber, algumas maldades são cometidas não por uma necessidade percebida, mas porque a pessoa gosta disso. Pessoas más “bebem águas em abundância” porque pensam que Deus não as está observando ou não sabe o que estão fazendo, como diz o Salmo 73:10-11.


P: Em Jó 15:1-35, quais são algumas maneiras melhores de aconselhar alguém?

R: Aqui está uma citação de Martyn Lloyd-Jones. “Lembro-me do caso de uma senhora que vinha passando por um desses períodos de aridez e que se encontrava em grande angústia. Era, em parte, um problema físico, e muitos de seus amigos a procuraram — alguns deles eram ministros da Palavra — e todos falaram da mesma maneira. Todos tentavam fazê-la reanimar-se, falando com ela de maneira teórica e dizendo que os sentimentos não importam, que, na verdade, nada importa, exceto a verdade da justificação pela fé. Ela sabia disso tão bem quanto eles, na verdade melhor do que muitos deles, mas isso não a ajudava, porque seu problema era que ela não reconhecia mais a bem-aventurança que outrora havia conhecido. “Onde está a bem-aventurança que conheci quando vi o Senhor pela primeira vez?” Essa era a sua condição, a condição descrita pelo poeta William Cowper.

Os conselhos de seus amigos não a ajudaram, porque nunca adianta dizer a pessoas assim para se recomporem e se animarem. Isso é exatamente o que elas não conseguem fazer… A maneira de ajudar uma pessoa assim, a maneira pela qual a pessoa específica a quem me refiro foi ajudada, é dizer: “Ah, sim, sabe, há períodos assim na vida dos santos. Às vezes, Deus, por razões insondáveis, esconde de nós o seu rosto.” Ela olhou para mim com espanto, perguntando: “Isso é verdade?” “Claro que é verdade”, respondi, e passei a dar-lhe muitos exemplos e ilustrações disso. Imediatamente seu problema foi resolvido, pois ela agora tinha uma explicação…” M. Lloyd-Jones, Romanos: Uma Exposição dos capítulos 8:17-39: A Perseverança Final dos Santos (Banner of Truth, 1975, p. 176), citado de A Mensagem de Jó, de David Atkinson, pp. 47-48.


P: Em Jó 15:21, 34, o que Elifaz está dizendo aqui?

R: Elifaz falara em termos gerais anteriormente, mas não parecia que Jó tivesse compreendido a mensagem. Portanto, Elifaz é mais específico agora. Ele afirma em Jó 15:21 (compare com Jó 1:17) que o destruidor se abate repentinamente sobre o ímpio e lhe tira seus bens no meio de sua prosperidade. Os sabéus e os caldeus se abateram repentinamente sobre seus rebanhos e manadas. As casas desmoronam ou caem em Jó 15:28 (compare com Jó 1:19). Portanto, Jó deve ser um homem ímpio. Jó 15:30,34 diz que o fogo consome os ímpios, como em Jó 1:16. Jó 15:34 diz que o homem ímpio ficará estéril; por isso, Jó perdeu seus filhos.


P: Em Jó 15:27-31, como é que algumas pessoas, como Elifaz, presumem que, se uma pessoa tem dinheiro, ela é má por confiar em sua riqueza?

R: Embora seja errado confiar no dinheiro, nem todas as pessoas ricas confiam em sua riqueza. O fato de terem sofrido uma calamidade não é prova de que estejam sob a disciplina ou o julgamento de Deus por confiarem no dinheiro. É muito fácil para as pessoas fingirem que sabem exatamente o que Deus está pensando, como Deus age e, portanto, como julgar os outros. Um ponto importante que se pode aprender em Jó, mesmo que não se aprenda mais nada, é que não se pode presumir conhecer os julgamentos de Deus e como Ele está lidando com os outros.

Embora os outros amigos também tenham a mesma visão, Elifaz é o mais explícito nesses três versículos. Ele é um exemplo de crente que acredita na verdade em questões essenciais, mas combina isso com suposições teologicamente falsas. É possível que um cristão hoje seja salvo, acreditando nas verdades fundamentais das Escrituras e, ao mesmo tempo, combinando-as com crenças falsas sobre outras questões. Por exemplo, racismo, sexismo, chauvinismo em relação ao próprio país ou a crença na violência contra os outros por causa de suas crenças. Agostinho de Hipona, líderes católicos romanos, Martinho Lutero e João Calvino todos falharam nessa última categoria. E se eles podem combinar as verdades das Escrituras com mentiras graves, não devemos pensar que não precisamos nos proteger disso também.


P: Em Jó 16-17, qual é o resumo do discurso de Jó neste trecho?

R: O que há de errado com vocês, que continuam discutindo, em vez de encorajar e consolar? Deus usou a família, a saúde, os escarnecedores e os ímpios contra mim. Que meu clamor nunca seja silenciado. Eu [Jó] irei para a sepultura em breve. É bom que eu tenha esperança na sepultura, ou então não teria esperança alguma!


P: Em Jó 16:2, como você se sente quando amigos em quem você acha que pode confiar parecem não ter nenhuma compaixão por você?

R: É natural sentir-se decepcionado, até mesmo com raiva, e talvez desiludido. Se você confiou em seus amigos e eles o decepcionaram, em quem você pode confiar? Em Deus. Se sua confiança estiver em Deus, você ainda pode ficar decepcionado e com raiva dos seus amigos, mas também pode enxergar além disso, percebendo que, na verdade, nossa única esperança e rocha é Deus.


P: Em Jó 16:18-19, por que Jó pede poeticamente à terra que não cubra seu sangue?

R: Trata-se de um pensamento típico do Oriente Médio. Jó não quer que suas provações sejam esquecidas, da mesma forma que Deus diz que o sangue de Abel, metaforicamente, “clama a Mim da terra” em Gênesis 4:10. Nesse momento de grande desânimo, Jó deseja que o mundo saiba como ele tem sido tratado injustamente. Jó sente que está sendo ridicularizado por algum mal não especificado e deseja ser justificado, não apenas abandonado e depois esquecido. Nesse momento, seu desejo de limpar seu nome e mostrar que é piedoso é maior do que seu desejo de glorificar a Deus. Uma expressão semelhante encontra-se em Isaías 26:21, onde é profetizado que a terra revelará o sangue e as pessoas mortas que nela se encontram.


P: O que significa Jó 17:3?

R: Jó está pedindo a Deus que lhe diga o que ele deve pagar (ou fazer), pois não acredita possuir aquilo que Deus deseja.


P: Em Jó 17:11-16, Jó aceita o fato de que parece que ele morrerá em breve. Como as pessoas hoje agem quando percebem que sua morte é iminente, e como os cristãos devem se sentir?

R: As pessoas hoje podem reagir com depressão, desespero e, ou, falta de vontade de fazer qualquer coisa, ou disposição para praticar atos insensatos e arriscados. Mas um cristão deve regozijar-se por estar prestes a voltar para casa e desejar concluir sua vida na Terra com firmeza.


P: Em Jó 18:1-21, qual é o argumento de Bildade aqui?

R: Bildad diz a Jó para não ser tão prolixo e para não menosprezá-los. Em seguida, Bildad faz um discurso sobre as muitas maneiras pelas quais Deus castiga os ímpios impenitentes, de forma severa e permanente. Conforme afirma David Atkinson em *The Message of Job*, pp. 53-54, Bildad faz um discurso que soa bem, mas não aborda a situação de Jó.

A frase de Bildad significa literalmente “Até quando você ficará procurando palavras?”. Bildad está acusando Jó de tentar encontrar palavras para preencher a lacuna quando, na verdade, ele não tinha nada a dizer. Há alguma verdade na acusação de Bildad. Em nosso discurso, devemos dizer o que precisamos dizer e, então, parar. Palavras em excesso não significam que estamos ajudando nossa causa. Quando Jó disse que os animais mudos tinham mais juízo do que seus amigos, em Jó 12:7-9, ele provavelmente poderia esperar respostas semelhantes a esta.

Existem pelo menos seis palavras hebraicas diferentes para armadilhas (rede, malha, armadilha no solo, laço, etc.), e Bildad usa todas as seis aqui. As armadilhas podiam ser feitas de diferentes materiais e ter aparências distintas, mas todas têm em comum o fato de selar o destino daqueles que ficam presos nelas.


P: Em Jó 18:1-21, o senhor já foi acusado de ser arrogante quando não o era, e como deveria reagir?

R: Em primeiro lugar, precisamos entender o que é arrogância. Algumas pessoas definem arrogância como achar que você é realmente bom em algo, ou melhor do que outra pessoa em algo. Mas e se eu encontrar o campeão mundial de levantamento de peso, e ele achar que é melhor levantador de peso do que eu? Ele está apenas sendo arrogante? Ou ele simplesmente tem uma visão precisa dos fatos? Essa é uma péssima definição de arrogância.

Outros consideram a arrogância como um sentimento de ser, de alguma forma, mais importante do que os demais. Em todas as empresas nas quais trabalhei como desenvolvedor de software, tenho certeza de que o CEO da empresa sentia que poderia influenciar a lucratividade da empresa muito mais do que eu. Então, todo CEO é arrogante? Ou todos esses CEOs estariam totalmente corretos nesse aspecto?

É muito comum que uma pessoa ache que é mais importante para o sucesso de algo do que realmente é. Às vezes, as pessoas que mais se irritam quando alguém parece arrogante (seja na percepção alheia ou de fato) são justamente aquelas que são arrogantes.

Em uma empresa na qual trabalhei, estavam entrevistando alguém para um cargo de desenvolvedor front-end sênior. Eu não fazia parte do processo de entrevista, mas estava sentado bem perto das pessoas que participavam e conseguia ouvir a discussão delas. Elas concordaram que o candidato era muito bom, mas questionaram se deveriam contratá-lo porque achavam que ele era arrogante. (Eu não tinha conhecido o candidato, portanto não tinha uma opinião.) Acabaram contratando-o mesmo assim, e acabei sentando-me relativamente perto dele, tendo trabalhado um pouco com ele. Ele definitivamente dominava bem sua especialidade técnica, mas não era de forma alguma arrogante. Outros procuravam-no regularmente em busca de orientação. Havia um segundo colega que também era bom na mesma especialidade, e os dois trabalhavam bem juntos. Mais tarde, foi contratada uma jovem que também dominava a mesma especialidade. Depois de trabalhar um pouco com ela, ele dizia abertamente aos outros que ela sabia mais do que ele e que era melhor do que ele. Portanto, ele era exatamente o oposto de arrogante. Mas a apreensão inicial, de que ele fosse arrogante, era simplesmente uma confusão entre arrogância e o fato de alguém ser bom no que faz e saber disso.

O que é preciso fazer para parecer arrogante? Às vezes, absolutamente nada! Um product owner e eu éramos as únicas duas pessoas trabalhando em um projeto que, segundo o departamento de operações, economizava cerca de um milhão de dólares por trimestre. Ele recebeu o prêmio de “Funcionário Não Técnico do Trimestre”, e eu recebi o prêmio de “Funcionário de Tecnologia do Trimestre”. Quando o CEO se dirigia aos funcionários, costumava enfatizar com frequência como era excelente termos aquele produto. Além do bônus regular, recebi também um bônus de US$ 5 mil diretamente do CEO. Mais tarde, quando a COVID chegou, tive que fazer uma grande reformulação do produto para nos adaptarmos às novas formas de trabalho. Consegui fazer isso em cerca de uma semana. Posteriormente, o CEO comentou com todos o quanto era importante sermos ágeis e capazes de realizar isso. Não me gabava nem me vangloriava do que fiz; simplesmente “deixei minhas mãos falarem por si”, programando o que era necessário. Embora eu nunca tenha recebido uma promoção por essa conquista — e meu gerente tenha recebido uma promoção pela mesma conquista —, recebi o ressentimento implacável do meu gerente, que disse que “eu o fiz ficar mal”. (Não me lembro se isso foi antes ou depois da promoção dele.) Essa foi a primeira e única vez que vi um gerente, faltando dois meses para o fim do ano, retirar metas de desempenho que eu já havia cumprido (incluindo a reformulação do software para a COVID) e acrescentar algumas novas metas, quando eu também tinha férias programadas para esses dois meses. Ele me disse que eu nunca poderia ser líder de equipe, porque os outros líderes de equipe não me aceitariam. (Talvez isso fosse verdade, considerando o que ele poderia ter dito aos outros líderes de equipe sobre a minha arrogância.) Com a consciência tranquila, posso afirmar que não fiz nada que fosse arrogante, a não ser tentar fazer bem o meu trabalho. Acabei conseguindo outro emprego e me demiti, e soube que, alguns meses depois, ele foi demitido.

Portanto, o importante é perceber que, às vezes, você pode ser considerado arrogante. Pode ser uma acusação falsa, mas mesmo assim examine seu coração para ter certeza de que não o é. Por outro lado, não pense que outra pessoa é arrogante apenas porque é genuinamente boa em algo ou porque está correta ao considerar que desempenha um papel mais importante.

Mas, até agora, ainda não definimos realmente o que é arrogância. Arrogância é pensar que é uma pessoa mais importante do que outra, esquecer que todos nós fomos criados à imagem de Deus e deixar de lembrar que devemos tratar a todos com respeito. O senhor pode valorizar as contribuições dos outros não apenas silenciosamente, mas também verbalmente e publicamente, sem se sentir ameaçado, pois sua autoestima não depende delas. Sua autoestima já lhe foi concedida por Deus.

Os antídotos contra a arrogância incluem ser um servo (ver Romanos 15:16; Gálatas 5:13), lembrar-se de que os últimos serão os primeiros (Mateus 19:30; 20:16; Marcos 10:31; Lucas 13:30) e considerar os outros mais importantes do que a si mesmo (Filipenses 2:3ss).


P: Em Jó 18:16, o que significa não ter raiz nem ramo?

R: Uma raiz é uma metáfora para aqueles que vieram antes de vocês e os apoiam. Um ramo é uma metáfora para aqueles que virão depois de vocês e darão descendência para perpetuar o seu nome. Se vocês não tiverem nem uma coisa nem outra, então a sua memória será totalmente esquecida.

Essa é uma expressão do Oriente Médio; no sarcófago de Eshmunazar está escrito: “que ele não tenha raiz abaixo nem ramo acima”, de acordo com o Comentário de Keil-Delitzsch sobre o Antigo Testamento, vol. 4, p. 328-329.


P: Em Jó 19:1-29, qual é o argumento de Jó aqui?

R: Este capítulo representa provavelmente o ponto mais baixo de Jó. Mas, paradoxalmente, é justamente no meio desse desespero da vida na terra que surge também o ponto mais alto de Jó. A resposta de Jó tem cinco partes.

(19:1-6) Vocês deveriam ter vergonha de suas palavras. Embora vocês, meus três amigos, me atormentem com palavras, não precisam se exaltar acima de mim. Deus me fez injustiça.

(19:7-12) Embora eu clame “violência”, Deus permanece em silêncio. Pior ainda, é Ele quem está me privando de honra e me atacando.

(19:13-20) Deus afastou minha família de mim, crianças pequenas zombam de mim, e eu escapei por um triz.

(19:21-22) Portanto, tenham piedade de mim. Não me persigam como Deus faz.

(19:23-29) Eu, Jó, sei que, no fim, ainda verei Deus, e ainda anseio por vê-Lo. Portanto, deixem de me incomodar; caso contrário, pensem no julgamento de Deus para vocês mesmos.

Jó queria alguns amigos ali, mas tudo o que tinha eram três acusadores. Deus estava à espera nos bastidores para consolar Jó, mas Jó estava acusando Deus de injustiça e de ser o responsável por tudo isso. Jó não via diferença entre Deus fazer isso e Deus permitir que isso acontecesse. Jó concluiu que seu sofrimento não tinha sentido, pois não enxergava o significado. O sofrimento de Jó provinha de Satanás, mas Deus o utilizou para Sua glória. Apesar de tudo isso, apesar de Jó pensar erroneamente que Deus estava contra ele, Jó ainda ansiava por ir para o Céu e estar com Deus. Mesmo nas piores circunstâncias possíveis, Jó permaneceu inabalável em sua certeza da salvação e de onde desejava estar.


P: Em Jó 19:3, o que o senhor pensaria se sentisse que Deus, por assim dizer, tivesse “injustiçado” o senhor?

R: Em primeiro lugar, a reação de Jó não é um exemplo a ser seguido. Lamentar-se é aceitável. No entanto, Jó reclamou, acusou Deus, reclamou ainda mais, teve dificuldade em enxergar além de sua situação imediata e reclamou ainda mais. O Livro de Jó não menciona o quanto Jó considerou que suas reclamações tenham sido úteis, pelo menos até que Deus o repreendeu no final.

Ao absorver os aspectos positivos dos conselhos de seus amigos, precisamos perceber que não sabemos o que está acontecendo nos reinos espirituais e no Conselho de Deus. Não sabemos o que teria acontecido se um desastre não tivesse ocorrido. Precisamos parar de dizer a Deus o que fazer e pedir Sua ajuda e sabedoria sobre o que Ele deseja que façamos nessa situação. Precisamos perceber que a vida cristã tem a ver com glorificar a Deus, e não com o nosso conforto.


P: Em Jó 19:13-27, assim como Jó, como podemos manter a esperança em uma situação desesperadora?

R: Olhem para cima, não olhem para as circunstâncias. Lembrem-se de 1 Pedro 1:3-9 e 1 Coríntios 2:9. Mesmo em sua condição, Jó foi capaz de olhar para cima. Mesmo assim, Jó lembrou-se de sua esperança: de que, no fim das contas, Deus o salvará e o justificará. Jó está preocupado não apenas com uma, mas com duas coisas aqui. Ele deseja alívio e cura para suas aflições, mas também quer que seu bom nome seja justificado.


P: Em Jó 19:17, como o hálito de Jó poderia ser repulsivo para seus próprios filhos, uma vez que todos eles foram mortos em Jó 1:2, 18-19?

R: A expressão pode se referir aos seus irmãos, que não foram mortos; a BSB traduz como “minha própria família”. O versículo 18 diz “meninos pequenos”, não “seus filhos”. O livro *When Critics Ask*, pp. 228-229, acrescenta ainda que “filhos”, neste contexto, significa descendentes, incluindo netos.


P: Em Jó 19:18, como é que as crianças pequenas desprezavam Jó?

R: A doença de Jó lhe causava um hálito muito ruim, de acordo com Jó 19:17. Isso poderia significar que até mesmo as crianças zombavam de Jó. Embora G.R. Driver afirme que, no babilônico antigo e nas glosas de Amarna, isso signifique “fugir”, essa expressão idiomática também aparece no Salmo 78:19 e significa “falar contra”.


P: Em Jó 19:20, isso significa que Jó perdeu os dentes?

R: A expressão “pela pele dos dentes” talvez se refira às gengivas de Jó. Isso poderia significar que seus dentes haviam caído, exceto que o hebraico não contém a palavra “apenas”, que algumas traduções acrescentam. De qualquer forma, isso pareceu a Jó como uma fuga por um triz.


P: Em Jó 19:25, o que exatamente é um “Redentor” neste contexto?

R: A palavra hebraica, go’el, é a mesma usada para “parente redentor” em Rute. Havia dois propósitos para um go’el.

Vingador de sangue: Se alguém da família fosse assassinado, mesmo que talvez sem intenção, a função do go’el era a justiça: localizar o assassino e levá-lo à justiça para que fosse executado. A única exceção ocorria se o criminoso cometesse homicídio culposo e fugisse para uma cidade de refúgio. Se ele permanecesse na cidade de refúgio até a morte do sumo sacerdote em exercício, o go’el não poderia levá-lo à justiça. Após a morte do sumo sacerdote, o go’el não poderia mais perseguir alguém por homicídio culposo.

Defensor dos oprimidos: O segundo propósito do go’el — o que está em foco aqui — é que, caso alguém da família fosse vendido como escravo, o go’el pudesse pagar para que o escravo fosse libertado. Além disso, se a esposa de um membro da família ficasse viúva, o go’el se casaria com ela e os filhos continuariam a usar o nome do marido falecido.

Esses parecem ser propósitos muito diferentes, mas o fio condutor que os une era o fato de que o go’el era o defensor dos vivos e o defensor dos assassinados.


P: Em Jó 19:25, o que Jó está dizendo aqui?

R: Há três pontos: do geral ao específico. Primeiro, Jó sabe que Deus vive. Segundo, Deus vive para sempre como Redentor. Deus nunca renunciará ao Seu papel de Redentor. Terceiro, Jó ainda tem confiança de que o Redentor eterno o redimirá. Jó pode não saber exatamente como, em carne e osso, ele verá Deus (lembre-se de que o restante das Escrituras ainda não havia sido escrito), mas Jó sabe que, de alguma forma, o Deus Todo-Poderoso certamente fará com que isso aconteça.

Podemos sofrer com a tentação de querer viver para sempre na terra quando as coisas estão indo bem e sem complicações. Jó, nesse momento, não tinha qualquer tentação nesse sentido. Embora tenha sido fácil para Jó e difícil para nós, precisamos lembrar que este mundo não é o nosso lar; temos algo muito, muito melhor nos esperando. Mas a melhor parte do céu não é ver os outros santos, nem nossas recompensas e coroas, mas ver Deus face a face no céu.


P: Em Jó 19:26, quais são as outras interpretações desse versículo?

R: Uma interpretação é “ver Deus ao meu lado”, em vez de “ver Deus com meus próprios olhos”, de acordo com o New International Bible Commentary, p. 533. No entanto, nenhum comentarista antigo interpretou o hebraico ou a Septuaginta grega dessa maneira. Independentemente disso, Jó acreditava que, de alguma forma, ele “veria Deus”, seja em seu próprio corpo físico ressuscitado, seja de outra forma.


P: Jó 19:26 indica que os corpos ressuscitados ainda serão de carne?

R: Há duas respostas. Poderia ser “fora da minha carne” ou “na minha carne”. Não está claro qual das duas opções Jó teve em mente, e ele pode ter sido ambíguo caso não soubesse qual das duas formas se aplicava. No entanto, como mostram 1 Coríntios 15:35-55 e 1 Tessalonicenses 4:16-17, a carne que temos atualmente não verá Deus, mas O veremos em nova carne, ou seja, em novos corpos físicos.


P: Em Jó 20:1-14, como Zofar mudou seu argumento neste trecho?

R: Presumivelmente, cada um dos amigos de Jó ouviu os outros. Zofar percebe que, dos cinco discursos ouvidos até então, nenhum levou Jó a confessar algum grande pecado oculto e a se arrepender. Assim, Zofar tenta uma abordagem diferente e, em teoria, trata-se de uma boa abordagem.

Zofar, em Jó 20:1-14, 20-21, não pode mais esperar para enfatizar o tempo, especificamente a brevidade do período do pecado. A justiça de Deus pode se atrasar, mas as consequências inevitáveis, na verdade, não demoram tanto assim a se manifestar.

Embora esse seja um bom argumento a se apresentar a um pecador obstinado, Zofar, assim como os demais amigos de Jó, interpreta totalmente mal a situação de Jó.

O discurso de Zofar é poético e inteiramente correto no que ele disse. No entanto, Zofar deixou de perceber o ponto mais importante, pois se concentrou apenas nesta vida na Terra. Zofar não percebeu que, embora a justiça de Deus para com os ímpios nem sempre seja imediata, a justiça de Deus para com os justos às vezes também se atrasa.


P: Em Jó 20:1-14, que boas reflexões Zofar apresentou sobre o pecado?

R: Zofar apresenta aqui uma maneira diferente e complementar de encarar o pecado. Sempre que desejar fazer algo que lhe traga prazer agora, pare e reflita sobre como se sentirá a respeito disso no futuro, ou mesmo amanhã; que prazer terá então? Quando se analisa muitos pecados da perspectiva do futuro, cometê-los agora parece, na melhor das hipóteses, sem sentido. Não há prazer algum que você tenha agora do qual não venha a se arrepender ou a esquecer rapidamente no futuro.


P: Em Jó 20:1-14, quais foram os dois grandes erros que Zofar cometeu aqui?

R: Embora Zofar tenha levantado o argumento válido de que o julgamento das pessoas más costuma ser adiado, ele não dá o passo seguinte e não percebe que a justiça muitas vezes só chega aos ímpios após a morte. Isso é demonstrado em Salmos 9:17; Isaías 5:14-15; 30:33; Ezequiel 32:22-25; Mateus 7:13; 2 Tessalonicenses 1:8-9, embora, é claro, esses livros ainda não tivessem sido escritos.

Em segundo lugar, seria possível que uma pessoa sofresse aflição sem que isso fosse resultado de seus pecados? Aparentemente, tal pensamento nunca ocorreu a Zofar. Zofar não considerou o fato de que a recompensa para os justos também poderia vir somente após a morte.


P: Em Jó 20:1-29, Zofar pecou?

R: Pelos padrões posteriores, sim. Zofar e os outros oradores se atreveram a racionalizar os caminhos misteriosos de Deus e o motivo pelo qual Deus agiu assim, quando Deus não havia revelado isso a Zofar, e Zofar interpretou mal. Jó os havia advertido para que não interpretassem erroneamente Deus e se tornassem passíveis de julgamento. Zofar ignora alegremente as palavras de Jó neste trecho. Jó havia dito que suas mentes estavam fechadas à compreensão, mas Zofar afirmou que seu entendimento o obrigava a responder. Zofar está agitado e impaciente com Jó, como mostra Jó 20:23. Jó diz que os três oradores deveriam sentir vergonha de si mesmos em Jó 19:3, e Zofar está respondendo de forma agressiva em vez de dizer coisas que pudessem realmente ajudar.

Jó criticou seus três amigos em Jó 16:1-5, e Zofar parece magoado com isso. Zofar compreende corretamente que a justiça nem sempre é imediata para os ímpios. Às vezes, eles prosperam por um tempo antes de receberem o castigo.


P: Em Jó 20:19, Zofar acusou falsamente Jó de oprimir os pobres e de se apropriar de casas à força. Como o senhor lida com situações em que as pessoas simplesmente inventam coisas do nada?

R: Essas são acusações muito graves — se forem verdadeiras. Mas, na verdade, são acusações graves, sejam verdadeiras ou não, pois destroem a reputação de uma pessoa, e Zofar pecou se tivesse essa intenção ao falar essas coisas sobre Jó. E, se não, então por que ele as mencionou?

Então, como você deve reagir se as pessoas o acusarem, direta ou indiretamente, de algo? Se você não disser nada, alguns ouvintes interpretarão que quem falou está certo, já que você não deu resposta. Mesmo que você diga que não fez isso e eles não acreditem em você, continue afirmando sua inocência, pois alguns podem pensar que o silêncio significa admissão de culpa. Além de negar que tenha feito isso, peça provas ou testemunhas. Lembre-os de que fazer acusações para as quais você mesmo sabe não ter provas é calúnia e mentira.

Há alguns anos, foi veiculado nas notícias como um fato que Donald Trump era antissemita; na verdade, seu genro é judeu, e ele ajudou a estabelecer a paz entre Israel e os Emirados Árabes Unidos. Opa! Não se trata apenas de que estavam errados; trata-se de que estavam inventando coisas do nada. As pessoas e os artigos não devem dar carta branca aos autores de calúnias. Devemos garantir que os outros se lembrem de que eles não têm credibilidade daqui em diante, não por apresentarem alegações infundadas, mas por apresentarem alegações que sabiam ser infundadas.


P: Em Jó 21:1-30, qual é o resumo do argumento de Jó neste trecho?

R: Jó está reiterando o que disse anteriormente. É possível resumir esse discurso com o versículo 2: “Ouçam atentamente as minhas palavras”. Jó chega a dizer que terá algum consolo agora, se conseguir finalmente que o ouçam. Às vezes, parece que a única coisa que se pode fazer é repetir as coisas e esperar que os ouvintes acabem por compreender.

Há muitos anos, eu fazia parte de uma agência missionária cristã que evangelizava mórmons, e cerca de metade das pessoas do grupo eram ex-mórmons. À noite, às vezes eu perguntava o que os levou a abandonar o mormonismo, na esperança de descobrir um ponto em comum. Não ouvi falar de uma questão comum, mas o que percebi em comum foi que qualquer fato ou “vergonha histórica” que os tenha levado a abandonar o mormonismo não surtiu efeito neles na primeira vez que ouviram. Eles precisaram ouvir isso nove ou dez vezes antes que, finalmente, isso os tocasse profundamente. Então, muitas vezes, decidiram fazer algumas pesquisas, apenas para provar que aqueles cristãos estavam errados. Mas, quando fizeram a pesquisa, encontraram coisas que não esperavam encontrar e, por fim, Deus os conduziu para fora da falsificação espiritual que é o mormonismo.


P: Em Jó 21:7-15, como o senhor se sente quando pessoas que agiram de forma desonesta e são fraudulentas acabam prosperando mais do que o senhor?

R: Será que elas realmente “acabaram” prosperando mais do que você? Depende se você tem uma visão limitada a esta vida ou se está olhando para a eternidade. Se você está olhando de forma míope apenas para esta vida, parece uma pena que você se saia pior financeiramente. O salmista Asafe diz que quase caiu nesse pecado da inveja em Salmos 73:2-17. Provérbios 24:1 também menciona isso. Mas, se o senhor olhar a longo prazo, com uma perspectiva eterna, perceberá que: a) tudo se resolverá no final das contas; e b) esta vida na Terra é, de qualquer forma, muito curta e passageira, como ensina 1 Pedro 1:5-6. Portanto, deixe que eles desfrutem de seus ganhos ilícitos, pois será apenas um período muito, muito curto, comparado à eternidade, quando eles se arrependerão de tudo.


P: Em Jó 21:14-15, como você compartilha o evangelho com alguém que diz: “minha vida está boa agora, então por que eu precisaria de Deus”?

R: Embora Zofar estivesse usando as palavras certas em uma situação totalmente errada, esta é uma boa ocasião para a abordagem de Zofar. Pergunte a essa pessoa: “O senhor tem paz em sua vida?” Poucos não-crentes acreditam que sim. Além disso, pergunte: “O que o senhor fará no final, quando estiver diante de Deus e tiver que prestar contas de sua vida?” O senhor acha que Stalin, Idi Amin e outros assassinos em massa enfrentarão alguma consequência após a morte? Se sim, então por que não todos aqueles que querem se apoiar em sua própria bondade?


P: Em Jó 22:1-30, qual é o argumento de Elifaz aqui?

R: Elifaz lembra a Jó que Deus não precisa de nós. Assim como antes, Elifaz diz a Jó para se arrepender e, então, Deus o livrará por meio da justiça de Jó, só que, neste caso, Elifaz vai ainda mais longe. A justiça e o pecado do homem não trazem benefício algum a Deus. Elifaz peca ao afirmar que Deus não se importa. Pode não ser por causa de sua maldade que Deus o faz sofrer.

Em seguida, Elifaz vai além e relata a Jó todas as coisas erradas que ele imagina que Jó deve ter feito. Zofar havia dito inicialmente que Jó era um pecador oculto em Jó 11:5 e seguintes, mas Elifaz retomou essa ideia. Aparentemente, Elifaz está ficando exasperado com Jó neste momento, e está cruzando a tênue linha que separa afirmações infundadas de mentiras descaradas. Mesmo que Jó não tenha feito essas coisas diretamente, Elifaz está atribuindo a ele todas as consequências ruins que outros sofreram devido à inação de Jó em não praticar mais atos de bondade. Certamente Elifaz conseguirá fazer com que Jó admita, de uma forma ou de outra, que é um grande pecador. Depois de tudo isso, Jó deveria desmoronar e confessar todas as coisas ruins que fez. Como Jó não o faz, Elifaz está tentando ajudá-lo. Observe a insensibilidade de Elifaz; ele nem se deu ao trabalho de tentar responder às questões que Jó havia levantado anteriormente.

Teologicamente, Elifaz chega a essa conclusão porque não há espaço em sua teologia para Satanás ou demônios. Devemos lembrar que Elifaz está tentando fazer algo de bom aqui: conduzir um pecador de volta a Deus. No entanto, Elifaz está, na verdade, agindo contra isso, contando mentiras sobre Jó e também sobre Deus.

Talvez Elifaz esteja realmente irritado aqui, pois este é o último discurso que ele dirige a Jó. E talvez isso seja o melhor. Se uma pessoa em aconselhamento sabe que o conselheiro está mentindo para ela, é improvável que a ouça ou confie nele de qualquer maneira.


P: Em Jó 22:1-30, o que o senhor diria a um cristão ou a qualquer outra pessoa que acredite que a prosperidade ou o infortúnio de alguém são consequências do grau de retidão que essa pessoa possui no momento?

R: As Escrituras, a experiência e a lógica mostram que essa pessoa está errada.

Escritura: Além das provações de Jó, Jeremias foi perseguido, jogado em um poço vazio e deixado para morrer, e Jeremias não merecia isso. Observe os profetas que Jezabel matou na época de Elias.

Experiência: Alguns reis e papas perversos viveram por muito tempo. Algumas das pessoas comuns que sofreram sob o domínio deles foram assassinadas. O senhor está tentando dizer que Pol Pot, Idi Amin e Stalin eram mais justos, porque viveram mais tempo do que as pessoas que eles assassinaram?

Lógica: Hugh Hefner, o fundador da Playboy, faleceu aos 91 anos. Portanto, se um pastor ou missionário cristão falecer antes dos 91 anos, isso significa que ele é mais perverso?


P: Em Jó 22:1-30, quando — se é que alguma vez — um conselheiro deve mentir para a pessoa a quem está aconselhando?

R: É claro que nenhum conselheiro mentiria se achasse que isso provavelmente causaria dano, abalaria a confiança e não traria nenhum benefício. Mas e quando o conselheiro acredita que isso possa trazer algum benefício?

Para responder a essa pergunta, um conselheiro cristão deve ter clareza sobre sua razão principal para estar ali. É a) aconselhar a pessoa da melhor maneira que souber, fazendo o que considera certo em sua própria mente, ou b) glorificar a Deus e ser um verdadeiro testemunho para Deus, sendo que aconselhar a pessoa é secundário? Se o senhor se esqueceu de que glorificar a Deus é o seu propósito maior, então talvez deva parar de aconselhar — ou de exercer qualquer outro ministério — até recuperar sua integridade, lembrando-se do motivo pelo qual estamos aqui. Um problema em recorrer a mentiras, além de desobedecer e desagradar a Deus, é que as pessoas parecem sempre calcular mal. Justamente quando o senhor pensa que não haverá repercussões (consequências ruins) porque ninguém saberá que o senhor está usando métodos pecaminosos para tentar cumprir a vontade de Deus, alguém descobre inesperadamente. Como diz Provérbios 16:25: “Há um caminho que parece certo ao homem, mas o seu fim é o caminho da morte.”

Portanto, devemos glorificar a Deus com lábios sinceros em primeiro lugar, como diz Provérbios 16:13.


P: Em Jó 22:1-30, o senhor consegue pensar em outros exemplos, como o de Elifaz, em que as pessoas consideravam mais importante provar seu ponto de vista do que ministrar a uma pessoa ou ser sincero?

R: O orgulho em relação aos outros, disfarçado de preocupação com a sua reputação, muitas vezes pode surgir inesperadamente de forma desagradável. Às vezes, pode parecer ridículo aos olhos dos outros o quanto uma pessoa inventa coisas para evitar ter que admitir que sua opinião estava errada. No entanto, a pessoa que age assim muitas vezes não percebe que isso é óbvio para os demais.

Todos se enganam em alguma coisa, assim como todos têm a necessidade de crescer. Como costumava dizer uma pessoa: “Reservo-me o direito de ficar mais inteligente”.


P: Em Jó 22:30, deveria estar escrito “ilha dos inocentes”?

R: Estudos linguísticos em hebraico e fenício mostram que deveria ser “aquele que não é inocente” ou “aquele que é culpado”. A tradução grega da Septuaginta é diferente, dizendo: “os inocentes”.


P: Em Jó 23, qual é o argumento de Jó aqui?

R: Jó deixou de criticar seus três amigos neste ponto. Agora, Jó está acusando Deus. Na verdade, Jó não está acusando Deus de prejudicá-lo injustamente aqui. Jó está acusando Deus de ser um juiz ausente.


P: Em Jó 24, qual é a nova constatação de Jó neste trecho?

R: Jó percebe que não se trata apenas dele; algumas outras pessoas, que não são mais ímpias do que as demais, também sofrem mais do que as demais. Jó percebe duas coisas: o problema que ele tem, e que seus amigos também têm, é que eles não compreendem o tempo em que Deus executa o julgamento na terra; e Deus não lhes está revelando isso. Jó está consternado com a aparente inatividade de Deus no momento. A segunda observação é que Jó e seus amigos esquecem com demasiada facilidade que Deus julgará as coisas após a morte das pessoas.

Em Jó 24:18-25, Jó retoma de seus amigos a verdade de que os ímpios serão, em última instância, destruídos como se fossem nada mais do que espuma do mar ou neve derretida. Pelo menos Jó e seus três amigos concordam quanto a isso no que diz respeito aos ímpios em geral.


P: Em Jó 24:18-25, trata-se de uma parte do discurso de Jó ou do discurso seguinte de Bildade?

R: A disposição do livro de Jó nas Bíblias judaicas e cristãs atuais é a mesma encontrada em Qumrã, nos Manuscritos do Mar Morto. No entanto, há quem acredite que alguns versículos de Jó tenham ficado fora de ordem, e que esta passagem possa fazer parte do discurso seguinte de Bildad. Contudo, de qualquer forma, todos concordam com isso.


P: Em Jó 25:1-6, qual é o argumento de Bildad aqui?

R: Bildad profere aqui o discurso mais curto de todo o livro. Esta é a última vez que Bildad ou os outros dois amigos se manifestam. Talvez seja porque percebem que não têm mais nada a dizer. Em resumo: Deus é tão elevado, e nós somos tão insignificantes, e o abismo é tão vasto, que quem poderia compreender os caminhos de Deus? Bildad está negando aqui a imanência de Deus. Bildad reitera brevemente:

1) Deus é Todo-Poderoso

2) Portanto, o homem não é puro diante de Deus

3) Se nem mesmo a lua e as estrelas são puras diante de Deus, então, é claro, o homem também não pode sê-lo.

Bildad está correto aqui, exceto que a parte sobre as estrelas não serem puras não é bíblica, e o homem não é totalmente ímpio. No entanto, a maneira como Bildad justapôs essas afirmações revela um equívoco. O fato de Deus ser Todo-Poderoso não prova, de forma alguma, que o sofrimento de Jó seja justificado. O fato de Deus ser santo e justo, por si só, não provaria a justiça de um dano caprichoso e injusto.

Bildad compreende que existe justiça e que pode haver misericórdia. Em todos os seus discursos, Bildad, ao contrário de Elifaz, nunca dá a entender que reconheça que a justiça para com os ímpios nem sempre é imediata. Os três amigos, juntos, nunca compreendem que os justos também podem sofrer injustamente por algum tempo.


P: Em Jó 25:4-6, o homem é apenas um verme (larva de mosca)?

R: Bildad está lembrando Jó da morte. Tanto a larva quanto o verme têm vida curta e também são encontrados em sepulturas. Isso é o que Bildad disse, não o que Deus disse. A metáfora está parcialmente correta, mas não é um quadro completo.

Nossa duração de vida é semelhante à da erva aos olhos de Deus (Tiago 1:10-11; Isaías 40:6-8; Salmo 90:3-6). Ainda sobre o tema da terra, nossas vidas são como pó em comparação com Deus (Isaías 40:15). Deus está acima das pessoas como se fossem gafanhotos (Isaías 40:22). No entanto, isso é apenas metade da história.

Apesar de tudo isso, fomos criados de maneira admirável e maravilhosa (Salmo 139:14) e à imagem de Deus (Gênesis 1:27). Ele se deleita em Seus filhos (Sofonias 3:17).

Podemos viver na terra apenas por um instante, mas Deus nos ama e nos valoriza (Salmo 8:4-8).


P: Em Jó 26:1-4, quando — se é que alguma vez — você deve tentar discutir ou debater com alguém que está passando por um luto profundo?

R: Quando a pessoa não estiver interessada em debater, nem mesmo em ouvir um argumento razoável, esse é o melhor momento para adiar o que quer que você fosse dizer. Há um momento para demonstrar que se importa e que se solidariza com ela. Talvez mais tarde, quando ela já não estiver tão emocional, seja o momento mais adequado para argumentar com ela.


P: Em Jó 26:1-4, os discursos dos três amigos de Jó continham muitas coisas boas em termos abstratos, mas não conseguiram atender às necessidades de Jó naquele momento. O que precisamos fazer, ao aconselhar alguém, para garantir que estamos atendendo às necessidades dessa pessoa naquele momento?

R: O primeiro passo é ouvi-la. É possível ouvir outra pessoa em pelo menos quatro níveis.

Primeiro, utilize o seu silêncio. Pare de falar tanto se a pessoa tiver dificuldade em inserir uma palavra sem interromper você.

Em segundo lugar, faça perguntas, não apenas para mostrar que está ouvindo, mas para esclarecer pontos que possam ser ambíguos e que não estejam claros para você.

Em terceiro lugar, certifique-se de ter ouvido e de lembrar-se das palavras dela. No final, você poderia perguntar se poderia resumir o que ela disse para ela mesma, a fim de garantir que tenha entendido corretamente.

Em quarto lugar, tente demonstrar empatia e compreender quais atitudes, pressupostos, verdades, falsidades, necessidades, sentimentos — pecaminosos ou não — a pessoa possa ter tido para dizer o que disse, da maneira como o disse.


P: Em Jó 26:1-30:31, qual é o resumo da resposta de Jó neste trecho?

R: Este é o discurso mais longo de Jó. Alguns comentaristas acreditam que Jó proferiu Jó 26:1-6, Bildade (ou talvez Zofar) o interrompeu e falou Jó 26:7-14, e então Jó proferiu o restante. No entanto, Jó costuma falar mais do que seus amigos sobre a transcendência de Deus, portanto, é provável que isso tenha sido dito por Jó. Jó está farto de seus amigos, e:

(26:1-4) Jó está dizendo sarcasticamente: “Vocês têm sido de grande ajuda!” Na verdade, Jó os acusa de não serem de nenhuma ajuda, tentando dizer a alguém para ouvir a sabedoria que eles conhecem e, ainda assim, afirmando que Jó não tem sabedoria alguma.

(26:5-14) Sei que a soberania e o poder de Deus sobre a morte, o céu e as águas são apenas o começo do poder de Deus.

(27) Embora Deus seja injusto comigo, enquanto eu, Jó, viver, não falarei mal nem negarei que tenho sido justo. O rico pode prosperar, mas Deus o afligirá, bem como a sua descendência e à sua família.

(28) Os homens vasculham todos os recônditos profundos e escuros da terra em busca de minério metálico, mas onde podemos buscar a verdadeira sabedoria? Somente Deus a possui, e só podemos aprendê-la temendo ao Senhor e afastando-nos do mal.

(29) Eu era abençoado. Ah, como sinto saudades dos dias em que o conselho benevolente de Deus brilhava sobre mim e meus filhos ainda estavam vivos. Eu era honrado e as pessoas me respeitavam. Eu era bondoso para com os outros. Ajudava os necessitados e os oprimidos, e revestia-me de justiça. Eu me sentia seguro até o dia da minha morte, pensava eu, e as pessoas prestavam atenção aos meus conselhos.

(30) Mas agora não tenho honra. Os jovens zombam de mim, me provocam. Não tenho bênção. Até mesmo meu próprio corpo me atormenta, pois Deus me aflige. Ninguém é bondoso comigo. Deus permanece em silêncio, embora eu tivesse ouvido o clamor dos pobres.

(31) Fiz uma aliança e 14 juramentos. Meus olhos, pés, coração e mãos estão puros. Se eu tiver andado na falsidade, me desviado do caminho, sido seduzido por uma mulher, negado justiça aos servos, negado auxílio aos pobres, acumulado pão, não ajudado os nus, explorado os órfãos, confiado no ouro, me regozijado com a riqueza, adorado os céus, me regozijado com a vingança, não sido generoso ou ocultado meu pecado, então que venha a calamidade. Se Deus puder me processar por essas coisas, tudo bem, mas se não…


P: Em Jó 26:7, deveria ser traduzido como “Zafon” ou “norte”?

R: Zaphon, ou “Sapon”, era uma montanha alta na Síria. Embora a palavra hebraica signifique “norte”, o verbo associado noteh, “estende-se”, é usado apenas em relação aos céus. Alguns acreditam que isso poderia se referir às constelações que aparentemente giram em torno do polo norte.


P: Em Jó 26:7, o que significa que a terra está suspensa no vazio?

R: A palavra hebraica aqui para “espaço vazio” é a mesma usada em Gênesis 1:2 para designar o que não tem forma.

Muitas culturas antigas tinham a ideia de que a Terra era sustentada pelas costas de um animal, por um titã gigante ou pelo corpo de uma deusa. Em contraste, de alguma forma, Deus havia ensinado a Jó que a Terra paira no espaço, no vazio.


P: Em Jó 26:11, o que são os pilares do céu?

R: Há três possibilidades para os pilares/fundamentos do céu.

O próprio céu poderia simplesmente estar tremendo quando Deus repreende. No entanto, as duas alternativas a seguir são mais prováveis.

As montanhas são chamadas de pilares dos céus, assim como de pilares da terra. O tremor dos pilares poderia se referir a vulcões e terremotos.

O horizonte era chamado de “fundamento do céu” na língua acádia, aparentada com a dos babilônios.


P: Em Jó 27:4-6, qual é o argumento de Jó aqui?

R: Por pior que fosse a situação de Jó — do ponto de vista médico, financeiro e emocional —, ele ainda se mantém firme como uma rocha, afirmando que não proferirá maldade nem abandonará sua integridade. Jó não está se agarrando à sua integridade para preservar sua reputação; ele afirma que sua reputação já foi destruída aos olhos de muitos, conforme se vê em Jó 30:1, 9-10.


P: Em Jó 27:4-6, de que maneira um cristão que valoriza mais a sua integridade do que a prosperidade agiria de forma diferente de um cristão que valoriza mais a sua prosperidade?

R: As pessoas nunca podem realmente confiar em alguém, cristão ou não, que valorize a prosperidade ou o dinheiro mais do que sua integridade. Sempre que fizerem uma promessa ou um acordo com o senhor, como o senhor saberá que não irão voltar atrás quando surgir uma oferta melhor, especialmente se o senhor não estiver observando-os? Se algumas pessoas só agem corretamente quando o senhor está observando-as, e é preciso muito esforço para observá-las, pode chegar a um ponto em que o senhor gaste tanto tempo e esforço observando-as que não haja mais benefício algum em deixá-las fazer o trabalho. Mas mesmo um não cristão deveria querer empregar um cristão, pois sabe que ele manterá sua palavra e dará o melhor de si, mesmo quando ninguém estiver observando, como mostram Efésios 6:6-7 e Colossenses 3:22.


P: Em Jó 27:21, o que há de tão ruim no vento do leste?

R: O vento normalmente vinha do oeste e, quando soprava do oeste ou do sul, era suave. Porém, nas ocasiões relativamente mais raras em que o vento soprava do leste, era muito forte e seco — pense em uma tempestade de areia. Ele pode murchar as plantações no campo. Se você tentasse separar o trigo do joio e houvesse um vento do leste, tanto o trigo quanto o joio seriam levados pelo vento. Embora tempestades não sejam comuns com o vento do leste, ocorrem redemoinhos quando o vento muda do oeste para o leste. Uma gíria árabe se refere a ele como um “vento venenoso”. Não era tanto o receio de que o vento do leste matasse pessoas, mas sim de que prejudicasse as colheitas dos agricultores.


P: Em Jó 27:23, Jó 34:37, Naum 3:19, Ezequiel 25:6 e 2 Reis 11:12, é melhor dizer “amém” ou “louvado seja o Senhor” na igreja, em vez de bater palmas?

R: Não, isso está incorreto. Henry M. Morris, do Instituto de Pesquisa da Criação, sugeriu isso na devocional “Days of Praise” de 12 de junho de 2004. Existem quatro palavras hebraicas diferentes para “bater palmas” e ele afirma que nenhuma delas tem conotação positiva. Por exemplo, Naum 3:19 diz que os outros baterão palmas ao ouvirem da destruição de Nínive. Em 2 Reis 11:12, os israelitas piedosos bateram palmas quando Joás foi coroado, mas Morris afirma que “isso era uma expressão de sua intenção de ferir e destruir a perversa rainha Atalia”.

Aqui estão versículos do Antigo Testamento sobre bater palmas:

caphaq (Strong 5606) [pronuncia-se saw-FAK] Jó 27:23; Jó 34:37; Lamentações 2:15

teqa (Strong 8628) [pronuncia-se taw-KAH] Salmos 47:1; Naum 3:19

mecha’ (Strong 4222) [pronuncia-se maw-KHAW] Salmos 98:8; Isaías 55:12; Ezequiel 25:6

nakah (Strong 5221) [pronuncia-se naw-KAH] 2 Reis 11:12

Morris está correto quanto aos cinco versículos não sublinhados, mas está incorreto no que diz respeito aos aplausos em geral.

Versículos principais para refutar o argumento:

Isaías 55:12 fala de bater palmas sem qualquer contexto de triunfo, exceto pelo homem ímpio que abandona seus pensamentos.

O Salmo 47:1 diz: “Batem palmas, todos os povos; clamem a Deus com voz de triunfo.” O Salmo 47:3 menciona, de fato, a subjugação das nações, mas o versículo 47:1 não se limita a isso.

Versículos secundários de apoio:

O Salmo 98:8 menciona Deus vindo para julgar e Deus obtendo a vitória. Não se trata de “expressar forte desaprovação aos homens ímpios”, pois o bater de palmas é “para Deus”, não “contra os homens”.

2 Reis 11:12 relata que o povo batia palmas e dizia: “Viva o rei!” Morris afirma que as palmas “expressavam a intenção de ferir e destruir a ímpia rainha Atalia”, conforme discutido em 2 Reis 11:13-16. No entanto, as palmas eram em comemoração à coroação do jovem rei Joás, e não uma expressão de hostilidade para com Atalia.

Em conclusão, bater palmas não serve apenas para demonstrar desaprovação, pois Isaías 55:12, Salmo 47:1 e, possivelmente, Salmo 98:8 e 2 Reis 11:12 mostram que bater palmas também é um sinal de aprovação. Mesmo para aqueles que acreditam que bater palmas serve apenas para demonstrar triunfo, devemos bater palmas na igreja pelo triunfo que Jesus obteve na cruz e pela Sua vitória em nossas vidas.


P: Em Jó 28:1-28, qual é o ponto principal deste capítulo?

R: Este capítulo é dividido em três partes distintas por duas perguntas: “Onde se encontra a sabedoria?” em Jó 28:12, e “De onde, então, vem a sabedoria?” em Jó 28:20.

A descoberta do tesouro: as pessoas são muito hábeis em explorar a terra

A sabedoria como tesouro: No entanto, elas não percebem o valor óbvio da sabedoria.

A fonte da sabedoria: a sabedoria provém exclusivamente do Senhor. O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, conforme Salmos 111:10 e Provérbios 1:7


P: Em Jó 28:1-28, o que sabemos sobre a mineração naquela época?

R: Não dispomos de muitas informações, mas sabemos que na Arava (sul de Israel e parte da Arábia Saudita), as pessoas já extraíam cobre muito antes de Abraão, embora os poços de mineração tenham surgido posteriormente, na época dos romanos. Elas já sabiam como abrir poços até a superfície para permitir a entrada da luz do sol antes da época de Ezequias. No século I a.C., na Núbia, utilizavam-se lâmpadas de mineração.


P: Em Jó 28:1-28, como obtemos sabedoria, e em que isso se assemelha à mineração?

R: Embora existam diferentes tipos de mineração, vamos colocar nossos chapéus de mineiro, acender nossas lanternas de mineração e examinar a metáfora da mineração em geral. Há a exploração, a prospecção, a construção da mina, a extração do minério, a purificação do minério e a manutenção da mina.

Exploração: A primeira regra da mineração de ouro, prata ou qualquer outro metal é “certifique-se de ir à montanha certa”. O melhor mineiro do mundo não conseguirá extrair ouro de uma montanha se, para começar, não houver ouro ali! Para a exploração de petróleo, encontre uma formação geológica que possa ser uma boa candidata a reter petróleo. No caso dos metais, encontre uma montanha onde alguém já tenha encontrado no solo próximo ou em um riacho parte do metal que o senhor está procurando. Da mesma forma, não vá buscar sabedoria no lugar errado. Busque-a na Palavra de Deus e nos escritos e conselhos de pessoas piedosas e sábias. Embora seja possível encontrar fragmentos de sabedoria em outros escritos e outras religiões, não vale a pena tentar extraí-la sem também receber os subprodutos tóxicos.

Prospecção: Garimpar ouro no rio ou perfurar um poço de petróleo de teste pode trazer benefício econômico, mas pode ser ainda mais valioso para indicar onde procurar e onde parar de procurar. Algumas coisas têm a aparência de sabedoria, mas serão apenas “fatos falsos”, ou serão joias que você poderá aplicar à sua vida e que o aproximarão de Deus?

Construindo a mina: Assim que achar que sabe onde está a “veia principal” ou a extensão do campo de petróleo, construa a mina para ir da superfície até o minério da maneira mais eficiente e segura possível. Construa bem a mina, para que ela não desabe nem seja muito incômoda para entrar e trabalhar o dia inteiro. É preciso investir dinheiro na compra de vigas resistentes e boas ferramentas, sabendo que seu investimento em tempo e dinheiro será insignificante diante dos retornos que espera obter. Da mesma forma, aprender sabedoria pode ser um trabalho que leva tempo, quando você poderia estar assistindo TV ou fazendo outras coisas. Mas os sacrifícios de tempo que você faz para adquirir sabedoria valerão a pena pelo que receberá em troca. Às vezes, é preciso descer profundamente em uma mina escura para obter as joias mais brilhantes.

Extrair o minério: Tenha um método consistente para aprender e reter a sabedoria. Algumas pessoas usam um caderno para anotar o que aprenderam. Outras usam um computador ou fazem anotações nas margens de suas Bíblias. Além disso, compartilhar com outras pessoas o que você aprendeu não apenas as ajuda, mas também reforça o aprendizado em sua própria mente. É claro que você também pode adquirir ainda mais sabedoria quando outras pessoas compartilham com você o que aprenderam.

Purificando o minério: Nem todo detalhe que o senhor lê tem a mesma importância. Periodicamente, resuma a aplicação do que leu e, em seguida, passe à ação e coloque em prática o que aprendeu. O senhor pode esquecer facilmente se não o fizer. Além disso, se o senhor sabe o que deve fazer e não o faz, isso é pecado, como diz Tiago 4:17.

Manutenção da mina: À medida que avança na escavação da mina, os túneis podem desabar, a menos que você adicione mais reforços. De certa forma, a etapa de “construção da mina” precisa continuar mesmo depois que você começar a encontrar o filão. Você pode ter um bom esforço inicial, mas também precisa de perseverança para não perder o ímpeto. Dedicar 10 minutos por dia à Bíblia pelo resto da vida é melhor do que 3 horas por dia durante o primeiro mês e depois parar. Por fim, nossa memória não é perfeita; esquecemos coisas. É preciso voltar ao que já aprendeu e reler para não esquecer.

Jó observa em Jó 28:13 que as pessoas são tão engenhosas na extração de metais e joias, mas por que não são tão boas na busca pela sabedoria?

Por fim, uma maneira simples e excelente de obter sabedoria é pedir a Deus, como Tiago nos orienta em Tiago 1:5. De fato, não podemos obter sabedoria duradoura sem que Deus nos conceda. Muitas vezes, havia perguntas que eu não conseguia responder; eu orava sobre aquela questão intrigante, perguntando a Deus e esperando pacientemente. Às vezes, a resposta demorava um mês, mas eu sempre recebia uma resposta ao que havia perguntado. Porém, nessa altura, eu geralmente já tinha outra pergunta. Não encare suas perguntas sobre a Bíblia, o cristianismo e a vida como “dificuldades”, mas sim como coisas que despertam seu interesse e que Deus pode usar para ensiná-lo.


P: Em Jó 28:28, de que forma o temor do Senhor é o princípio da sabedoria?

R: Primeiro, vamos discutir o que é sabedoria e, em seguida, responder à pergunta.

Sabedoria pode ser definida como conhecimento aplicado à vida. Pode ser um senso comum não tão comum, como no Livro dos Provérbios, a astúcia humana para alcançar objetivos, a exploração dos enigmas da vida ou também a capacidade de lidar com as situações. A palavra “hokmah” é usada 45 vezes no livro de Provérbios. Ela pode ser traduzida como “sabedoria” ou também como “habilidade”, como na habilidade do tecelão do tabernáculo em Êxodo 35:26, de um marceneiro ou ferreiro em Êxodo 31:6, a habilidade dos marinheiros no Salmo 107:27, de um general em batalha em Isaías 10:13, a habilidade de um administrador em Deuteronômio 34:9 e 1 Reis 3:28; e o conselho de um sábio conselheiro em 2 Samuel 20:22. O Livro dos Provérbios pode ser considerado um livro de habilidades para se viver com sabedoria. Desejamos que mais pessoas queiram aprender essas habilidades.

Deus é a fonte da sabedoria, e qualquer sabedoria humana que negue a sabedoria de Deus não é tão sábia assim. Buscar como Deus vê as coisas e como devemos viver de acordo com isso para agradá-Lo é ter nossas prioridades em ordem. Qualquer outra coisa é “dar prioridade ao secundário e negligenciar o essencial”. Assim, por exemplo, quando Deus diz para não tomar um atalho ético, as pessoas podem tentar racionalizar como isso se aplica a outras pessoas, mas não a elas mesmas, ou por que isso não se aplica nessa situação, já que desejamos algo com tanta intensidade. Ou podemos simplesmente dizer a Deus: “Tudo bem. Comparado a agradar a Ti, aquela outra coisa eu não precisava nem queria tanto assim, de qualquer forma”. Essa atitude simples pode salvá-lo de muitos golpes, decepções, perda de amizades e de dinheiro.

É curioso que as nações não sejam consideradas sábias, apenas os indivíduos. O respeito a Deus e a obediência a Ele são o ponto de partida da verdadeira sabedoria. Provérbios 8:13 diz que temer ao Senhor é odiar o mal, e que Deus odeia o orgulho, a arrogância, o comportamento maligno e a linguagem perversa.


P: Em Jó 29:1-25, o que há de interessante na estrutura da poesia de Jó sobre os nostálgicos “bons velhos tempos” que ele esperava que voltassem?

R: Jó 29-30 constituem o resumo final de Jó. Jó 29 muda abruptamente de tom para assumir um “modo optativo”, ou seja, para expressar um desejo ou anseio. Jó estava relembrando os tempos passados, quando seus filhos estavam ao seu redor, ele era próspero e respeitado, o futuro parecia promissor e ele não tinha ideia de como seria provado. Esses versículos formam uma relação simétrica.

Bênção (29:2-6)

— Honra (29:7-11)

— — A bondade de Jó (29:12-17)

Bênção (29:18-20)

— Honra (29:21-25)


P: Em Jó 29:3-5, Jó obedeceu a Deus, trabalhou para cumprir a vontade de Deus e se afastou do que desagrada a Deus, mas Jó também se deleitava em Deus. Como seria um cristão hoje se ele deixasse de se deleitar em Deus?

R: O cristão poderia parecer piedoso, diligente, obediente e trabalhador, mas, ao agir com base em suas próprias forças, poderíamos nos perguntar se isso realmente duraria por toda a vida. Às vezes, um cristão pode simplesmente ter muitas coisas para fazer (ou, pelo menos, pensar erroneamente que tem) a ponto de não ter tempo para passar com Deus.

Imagine ter um cônjuge que fosse fiel, que contribuísse arduamente para a família, que fosse bom em lembrar-se de todas as coisas que precisavam ser feitas e que comunicasse as novidades e tarefas que o senhor precisava saber, mas que simplesmente estivesse ocupado demais para passar algum tempo com o senhor. Ou talvez ele não estivesse tão ocupado; simplesmente não quisesse realmente estar ao seu lado. Mesmo que não fosse esse o caso, não era uma prioridade para ele ter algum “momento a dois” com você. Você diria que esse seria um bom casamento?

Fazemos parte da noiva de Cristo. Mas é possível que alguns cristãos tratem a Deus da mesma maneira.


P: Em Jó 29:7-17, por que Jó era tão respeitado antigamente, e por quanto tempo esse respeito durou?

R: Jó não era respeitado por ser rico e poderoso. Na verdade, esse homem rico e poderoso gozava de grande respeito porque usava sua riqueza e seu poder para o bem. Jó ajudava os necessitados, as viúvas, os indigentes e os órfãos. O próprio Jó talvez tenha se surpreendido com a rapidez com que o respeito que alguns tinham por ele se esvaiu, assim que ele não teve mais meios para ajudar os outros e parecia estar sendo castigado por Deus. No final do livro de Jó, quando ele recuperou sua riqueza e teve mais filhos, pergunto-me o quanto Jó se importava com o respeito recém-conquistado daqueles que antes zombavam dele.


P: Em Jó 29:1-25, o que o senhor diria a um cristão que vive no passado, que sente saudades dos “bons velhos tempos”?

R: Ignoremos o fato de que, às vezes, a memória é seletiva e de que existem desafios diferentes em diferentes fases da vida. O que você pode dizer a essa pessoa é: “Não fique remoendo isso; seus melhores dias ainda estão por vir!” 1 Pedro 1:3-4 diz: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Por Sua grande misericórdia, Ele nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, 4 e para uma herança que é imperecível, imaculada e imarcescível, reservada nos céus para vocês” (BSB)


P: Em Jó 30:1, assim como esses zombadores que antes demonstravam respeito a Jó, por que algumas pessoas “chutam os outros quando estão por baixo”?

R: Algumas pessoas se sentem melhor consigo mesmas quando conseguem menosprezar alguém, especialmente quando não percebem consequências negativas por fazê-lo. Outras acreditam que sua posição social aumentará, entre pessoas que consideram importantes para si, ao falar mal de quem todos os demais também estão criticando. Hoje, é possível observar a “cultura do cancelamento”, que busca silenciar aqueles que discordam dela. Parte do motivo de seu sucesso reside no ego frágil que algumas pessoas demonstram quando são menosprezadas pelos outros.


P: Em Jó 30:1, o senhor acha que o próprio Jó demonstrou um certo traço de arrogância nessa passagem?

R: Sim. Todas as pessoas foram criadas à imagem de Deus, mas Jó havia julgado algumas pessoas como inferiores até mesmo aos seus cães de guarda. Por um lado, os cães seriam leais e se poderia contar com eles para fazer o que lhes cabia, o que talvez fosse mais do que se pudesse dizer de algumas pessoas. Por outro lado, porém, Jó não gostava de ser desprezado, mas havia desprezado certas outras pessoas.

P: Em Jó 30, qual é o argumento de Jó aqui?

R: Todos os bons momentos do passado, descritos em Jó 29, formavam um contraste nítido com o estado lamentável que ele agora descreve em Jó 30. Em Jó 30:1-8, Jó menospreza outras pessoas, chamando-as de tolos sem valor, e, em seguida, em Jó 30:9-31, reclama que até mesmo essas pessoas se acham melhores do que ele. Isso fere o orgulho de Jó. Como cristãos, devemos nos preocupar em agradar a Deus e, ao contrário de Jó, não julgar o valor dos outros nem dar tanta atenção ao que os outros pensam.


P: Em Jó 31:1-40, como você lida com a situação quando alguém insiste que você precisa se defender por algo que fez, embora você não veja necessidade disso?

R: Jó percebe que precisa se defender diante de seus três amigos, que supostamente vieram para consolá-lo, mas que, na verdade, acabaram apenas acusando-o. Em geral, é necessário dizer algo, como negar a acusação falsa e, pelo menos, apresentar um breve resumo do motivo. Dependendo da situação, você pode perguntar a eles que tipo de evidência seria necessária para convencê-los do que você está dizendo. Mas, às vezes, talvez seja melhor avaliar quanto tempo deseja dedicar a conversar com alguém que, de qualquer forma, não está ouvindo o que o senhor diz. Antes de se afastar, porém, talvez seja bom dizer que o senhor sente que eles “não querem se confundir com os fatos” e que precisariam demonstrar que estão dispostos a considerar suas palavras antes que o senhor desperdice mais tempo falando com eles.


P: Em Jó 31:1-40, o que há de bastante curioso nas comparações feitas por Jó neste trecho?

R: Jó está nos dando um vislumbre íntimo de seu coração, de como ele encara as coisas. A maneira como ele associa diferentes pecados às características de Deus ou do Céu é bastante singular e muito interessante. Ele apresenta uma promessa e 14 juramentos que fez, além das razões pelas quais é justo. Seria bom lembrarmos disso como algumas das razões pelas quais devemos manter a retidão em nossas próprias vidas.

Fez um pacto com seus olhos para não olhar com luxúria para uma mulher — os olhos de Deus estão observando (Jó 31:1-3)

Falsidade e engano — eu não gostaria de fazer isso e ser julgado na balança de Deus — se alguma coisa alheia ficou em minhas mãos, que eu não obtenha nenhum ganho do que minhas mãos plantarem (Jó 31:5-7).

Cobiçou ou tomou as coisas alheias — não quero que Deus permita que outros tomem as minhas coisas (Jó 31:8-9).

Deixado seduzir por uma mulher — Não quero que outros homens se deitem com minha esposa ou me levem à ruína financeira (Jó 31:9-12)

Neguei justiça aos meus servos e trabalhadores — o que eu faria quando Deus me confrontasse? Deus criou a todos nós. (Jó 31:13-15)

Se, por minha própria mão, eu me recusei a ajudar os pobres e as viúvas (Jó 31:16),

não tiver dado alimento aos órfãos (Jó 31:17-18),

não vestisse os pobres (Jó 31:19-20),

oprimisse os órfãos no tribunal

Que meu braço se desloque: — Não quero que Deus me cause dano físico. — Eu não faria essas coisas por causa do temor da majestade de Deus (Jó 31:21-23).

Colocasse minha confiança e segurança no ouro (Jó 31:24).

Me regozijei com minha grande riqueza (Jó 31:25).

Prestado reverência ao sol ou à lua

Deus me julgaria por esses pecados ou pela infidelidade a Deus, o Altíssimo (Jó 31:26-28).

Me regozijaria com a ruína do meu inimigo, amaldiçoando-o (Jó 31:29-30).

Não fui generoso com os membros da minha família (Jó 31:31).

Não ofereci hospitalidade a um estrangeiro (Jó 31:32).

Ocultei meu pecado, como as pessoas costumam fazer, por temer a opinião pública (Jó 31:33-34).

Fiquei em silêncio

[por falar nisso, gostaria que “Alguém” estivesse me ouvindo neste exato momento!] (Jó 31:35-37).

Oprimi seus arrendatários — eu não gostaria que Deus fizesse brotar espinhos em vez de grãos (Jó 31:38-40).


P: Em Jó 31:1, não olhar para uma mulher com luxúria faz parte da moralidade do Novo Testamento ou da moralidade do Antigo Testamento?

R: Em todas as épocas, ter olhos puros agrada a Deus. Embora Deus não tenha ordenado isso especificamente na lei do Antigo Testamento, os servos obedientes de Deus, como Jó, não procuravam ver tudo o que poderiam fazer sem serem punidos, mas sim procuravam agradar a Deus em todos os seus caminhos. Jó não precisava da Lei do Antigo Testamento para saber disso, pois muito provavelmente viveu antes da Lei Mosaica.

A título de observação, algumas pessoas acreditam que isso se refira à deusa da fertilidade do Oriente Médio. Embora Jó também não considerasse venerar nenhum deus ou deusa idólatra, é mais provável que isso se refira às mulheres em geral, e não apenas a uma imagem específica de uma deusa.


P: Em Jó 31:7, o que Jó está dizendo sobre a pureza de suas mãos?

R: O Kethiv oriental mostra que isso significa “aderir a”. Portanto, isso significa: “Se alguma coisa se agarrou às minhas mãos”. Em outras palavras: “Se Jó tem dedos pegajosos e roubou alguma coisa”.


P: Em Jó 31:13, o que isso diz sobre tratar as pessoas sob sua responsabilidade?

R: Eis um exemplo. Imagine que você tenha de decidir sobre uma questão entre duas pessoas. A primeira é muito importante, e você deseja manter a boa vontade dela, para permanecer em boa posição com ela. A segunda pessoa parece insignificante para você; não importa nem um pouco o que ela pense de você. Mas, nessa questão, a primeira pessoa está errada. Você decide a favor da primeira pessoa, devido à importância do relacionamento dela com você, ou decide com justiça? Jó fez o último.

O Comentário de Keil-Delitzsch sobre o Antigo Testamento, vol. 4, parte 2, p. 183, apresenta um exemplo em que os rabinos também reconheceram isso. “No Midrash, em ‘Parabola, Legenden und Ged’ de Giuseppe Levi, extraído do Talmude e do Midrash, p. 141 (tradução alemã de 1863): A esposa do R. [Rabino] José começou uma discussão com sua serva. Seu marido se aproximou e perguntou o motivo; e, ao perceber que sua esposa estava errada, disse-lhe isso na presença da serva. A esposa disse, furiosa: ‘Você diz que estou errada na presença da minha serva?’ O rabino respondeu: ‘Faço o que Jó fez.’”


P: O que diz Jó 31:13 sobre a escravidão?

R: A escravidão era comum em todo o mundo antigo. A Lei transmitida por meio de Moisés permitia a existência de escravos israelitas, em casos como o não pagamento de dívidas, mas os escravos israelitas deviam ser libertados a cada sete anos. A única exceção era se o escravo amasse seu senhor e desejasse permanecer escravo para o resto da vida.

Jó 31:13 teria sido um choque para os proprietários de escravos no mundo grego e romano. Os escravos e servos de Jó tinham permissão não apenas para ter queixas contra seus senhores, mas também para expressá-las abertamente e esperar que suas queixas fossem tratadas com justiça.


P: Em Jó 31:25, qual é o significado da última frase?

R: Muitas vezes, quando as pessoas ficam ricas, há uma tendência a pensar que tudo se deveu à sua inteligência, ao trabalho árduo ou a outras habilidades. As pessoas frequentemente minimizam o fato de que podem simplesmente ter estado no lugar certo na hora certa. Quando as pessoas enfatizam a minha riqueza que minhas mãos conquistaram, elas não estão sendo gratas a Deus pelo que Ele lhes permitiu ter.


P: Em Jó 31:27, o que significa beijar a mão com a boca?

R: É muito semelhante à prática moderna de mandar um beijo. Se alguém que está distante de você lhe é querido, você pode beijar a mão e, em seguida, estendê-la na direção dessa pessoa.


P: Em Jó 31:26-28, qual é o significado dessa infidelidade?

R: Jó está dizendo que, se ele respeitasse, se curvasse, venerasse, adorasse (etc.) o sol ou a lua, seria culpado de pecado contra Deus. Jó O chama de “Deus nas alturas” para destacar a futilidade de adorar seres e coisas que você sabe que não são o Deus Altíssimo.

Ao conversar com hindus ou budistas mahayana, que adoram muitos ídolos, pergunte-lhes por que não adoram o Deus Altíssimo em vez de seus “pequeninos”. Ao conversar com mórmons, que acreditam que o “deus deste mundo” tinha um deus e pai maior do que ele, que por sua vez tinha um deus e pai maior do que ele, pergunte aos mórmons por que não adoram o Altíssimo.


P: Jó 31:33 sugere que Adão ocultou sua transgressão [de uma relação conjugal prematura com Eva] cobrindo a parte sexual de seu corpo, como ensina o herege Rev. Moon no “Princípio Divino”, 5ª edição (1977), p. 72?

R: De forma alguma. Adão e Eva fizeram quatro coisas depois de terem pecado:

1. Costuraram folhas de figueira para fazer roupas (Gênesis 3:7)

2. Esconderam-se de Deus (Gênesis 3:8)

3. Adão ficou com medo (Gênesis 3:10)

4. Adão culpou Eva e Eva culpou a serpente (Gênesis 3:12-13)

Jó 31:33 refere-se a Adão ocultando seu pecado. Isso poderia se referir a Adão se escondendo ou culpando Eva, bem como — ou além de — confeccionar roupas. Mesmo que se referisse a Adão e Eva se vestindo, isso ainda não prova, de forma alguma, a existência de pecado sexual.


P: Em Jó 31:36-37, o que Jó usaria como uma coroa?

R: Jó está dizendo que, se todas as acusações contra ele fossem escritas, ele estaria tão confiante em sua retidão que usaria o livro como uma coroa! Jó está dizendo que gostaria de poder se aproximar de Deus, assim como um príncipe se aproxima de um rei, para explicar tudo isso e esclarecer a situação.

Existem atributos piedosos em seu caráter nos quais permitiu que o orgulho se infiltrasse e os contaminasse? Há coisas das quais se orgulharia ao se apresentar diante de Deus? Se for o caso, reflita novamente antes do momento em que realmente se aproximar do Santo. Deus não nos ama por causa de nada que tenhamos feito independentemente Dele. Deus nos criou para Si mesmo, e devemos nos alegrar, e não nos orgulhar, com o que Ele está realizando por meio de nós.


P: Por que Jó 31:40 diz: “Assim terminam as palavras de Jó”?

R: Provavelmente para que não esperemos mais discursos de Jó. Na verdade, Jó fala (talvez “murmura” seja uma palavra mais apropriada) posteriormente, em Jó 40:3-5 e Jó 42:1-6.

Não devemos nos ofender com o que não é explicado. É natural querer compreender, mas não devemos exigir compreensão.


P: Em Jó 32:1-37:24, por que Eliú estava certo e os outros quatro homens estavam errados?

R: Jó afirmou que seu sofrimento se devia ao fato de Deus ser injusto. Os amigos de Jó afirmavam que o sofrimento de Jó se devia ao pecado dele. Eles estavam em um impasse. Eliú disse que ambos estavam errados e ficou indignado com as palavras desses homens, que, de resto, eram sábios. Deus não explicou por que Jó estava sofrendo, e era presunçoso afirmar o motivo. No entanto, podemos ver que Deus pratica a justiça, mas muitas vezes temos de esperar por Sua justiça, pois ela nem sempre se manifesta nesta vida terrena.

Os argumentos de Eliú estavam corretos. Eliú se apresentou aos quatro, além de quaisquer espectadores, e estabeleceu seu direito de falar em Jó 32. Mas, em suas longas explicações sobre o valor de suas palavras, algumas pessoas acham que ele pode ter ultrapassado os limites e se tornado arrogante. É claro que Jó 32:2-3 diz que Eliú estava indignado com as palavras desses crentes quando se manifestou.


P: Em Jó 32:1-37:24, qual é o argumento de Eliú aqui?

R: (32) Eliú considera que todos os quatro estão errados.

(33) Jó, o senhor disse que era íntegro e que Deus é injusto com o senhor. O senhor não está certo ao contestar Deus, que não nos deve nenhuma explicação. Deus realmente fala conosco e intercede por nós, e Deus pode nos salvar da destruição.

(34) Vocês três, sábios, estão errados por não corrigirem Jó. Vocês três e Jó têm, essencialmente, o mesmo problema; vocês acham que podem descobrir a razão do sofrimento de Jó e que Deus é obrigado a lhes dizer. Vocês acham que isso se deve a algum pecado secreto; caso contrário, Deus seria injusto. A única resposta correta para o motivo pelo qual Jó está sofrendo é esta: “DEUS AINDA NÃO NOS DISSE”.

(35) Jó, o senhor está errado ao dizer que a minha retidão é maior do que a de Deus. Elifaz está errado (em Jó 22:2) ao afirmar que não adianta nada sermos justos ou ímpios. Deus se agrada da piedade. Deus não é injusto. Se o senhor não estiver disposto a esperar pela justiça Dele, o senhor apenas multiplica palavras sem conhecimento…

(36-37) Podemos, porém, afirmar o seguinte sobre a justiça de Deus. Deus não despreza ninguém. Ele se opõe aos ímpios e faz justiça aos oprimidos. Não podemos conhecer toda a grandeza de Deus, mas eu me apressarei a ouvir a voz de Deus. Jó, as obras de Deus são tão maravilhosas e Ele é perfeito em conhecimento. Se o senhor deseja contender com Deus, então ensine-nos o que nós, meros mortais, podemos dizer a Ele?


P: Em Jó 32:2, onde estava “Buz”?

R: Buz era filho de Naor e Milca e, portanto, sobrinho de Abraão, conforme Gênesis 22:20-21. Havia também um Uz, filho de Aram, em Gênesis 10:23. De qualquer forma, eles viviam na atual Síria. Jeremias 25:23 também menciona Buz.


P: Em Jó 32:6-7, quando devemos dar a palavra aos outros e nos abster de falar?

R: Às vezes, pode-se abster-se por respeito e cortesia. Outras vezes, pode-se adiar a intervenção até o momento em que os outros estejam mais dispostos a ouvi-lo. Isso demonstra que Jó e seus três amigos não eram os únicos presentes. Talvez houvesse uma multidão de pessoas além de Eliú.


P: Em Jó 33:6; 36:2, Eliú disse que estava agindo como porta-voz de Deus. Isso estava correto?

R: Sim, pois Deus não repreendeu Eliú, ao contrário do que fez com Jó e seus três amigos. Fazemos isso o tempo todo quando compartilhamos o evangelho ou discipulamos alguém. No entanto, é muito importante estar correto no que se diz. Além disso, Eliú afirmou que se tratava de sua opinião em Jó 32:10, 17, e não pediu a Jó e aos seus três amigos que aceitassem suas palavras acriticamente, mas que as provassem, assim como se prova um alimento, conforme Jó 34:3-4. Os três amigos de Jó também atuaram como porta-vozes de Deus, mas não disseram as coisas corretas.


P: Em Jó 33:9-36:23, o que havia de bom no discurso de Eliú aqui?

R: Houve vários aspectos positivos.

Repetindo o que Jó disse: em primeiro lugar, Eliú demonstrou que respeitava Jó ao ouvi-lo de verdade. Eliú repetiu as palavras de Jó em 16 passagens: Jó 33:9a, 33:9b, 33:9c, 33:10a, 33:10b, 33:11a, 33:11b, 34:5a, 34:5b, 34:6a, 34:6b, 34:6d, 34:9, 35:2, 35:3 e 36:23. Os três amigos nunca repetiram o que Jó havia dito, enquanto Eliú demonstrou que o ouvia.

Respondendo a pontos específicos: Eliú respondeu a pontos específicos levantados por Jó.

Em resposta à atitude geral e fundamental: Eliú analisou as queixas fundamentais, conforme expressas pelo tom de Jó.


P: Em Jó 33:9-33, qual seria um resumo do que Jó deveria ter dito?

R: Embora seja difícil resumir tudo o que Jó realmente disse, eis um resumo do que Jó deveria ter dito, segundo Eliú.

1) Reconheço que não sou perfeito nem mais justo do que Deus (Jó 33:9; 34:5; 35:2).

2) Portanto, por favor, ensine-me onde errei, para que eu possa me arrepender (Jó 34:32).

3) Não contestarei Deus, mas atribuirei justiça a Ele (Jó 33:13; 34:17; 36:3).

4) Sei que Deus de fato fala (Jó 33:14-22; 35:10-11; 37:22), escuta (Jó 34:28) e livra e castiga (Jó 36:8-16).

5) Louvarei e exaltarei a majestade de Deus (Jó 36:24-26; 37:5, 14).

6) Pois sei que as pessoas não compreendem os caminhos de Deus (Jó 36:22-23, 29; 37:14-18).


P: Em Jó 33:9-33, o que devemos fazer quando enfrentamos uma tragédia?

R: Quando enfrentamos uma tragédia, devemos agir da mesma forma que Eliú disse que Jó deveria ter agido:

1) Perceber que todos já cometeram erros e poderiam ter tomado decisões diferentes.

2) Perguntar se há algum pecado que tenhamos ignorado ou do qual não tenhamos conhecimento, pelo qual devamos pedir perdão, nos arrepender e não cometê-lo novamente.

3) Não culpe nem aponte o dedo para Deus.

4) Mesmo em momentos de tristeza, aproximem-se de Deus em oração.

5) Louvar a Deus por meio dessa situação.

6) Perceba que não enxergamos o quadro completo, como Deus o faz.


P: Em Jó 34:5-37, o que Eliú disse contra os três amigos de Jó?

R: Sim, Jó estava errado ao dizer que era justo e que Deus havia tirado a justiça (Jó 34:5-7).

Mas o senhor está errado se pensar que Deus seria injusto ao fazer com que os justos também passem por momentos difíceis (Jó 34:16-19).

Os amigos de Jó achavam que a aflição só vinha para que Deus punisse. Eliú sugere que a aflição também pode vir para ensinar. Como diz Simone Weil em Gravidade e Graça: “A extrema grandeza do cristianismo reside no fato de que ele não busca um remédio sobrenatural para o sofrimento, mas um uso sobrenatural para ele.”


P: Em Jó 34:8, quando se deve afastar-se de alguém por ser uma má influência para você?

R: Em geral, é bom conviver com não-cristãos e ter amigos não-cristãos. Eles podem testemunhar sua vida e talvez venham para o Senhor. No entanto, algumas pessoas já manifestaram que não têm intenção alguma de se aproximar de Deus. Se você não está fazendo com que elas se tornem mais “receptivas” a Deus e elas estão influenciando você a se tornar mais distante, então você precisa encontrar outros amigos.


P: Em Jó 35:1-16, qual é o ponto principal de Eliú aqui?

R: Em Jó 35:1, Eliú não está necessariamente repreendendo nenhuma frase específica que Jó tenha dito, mas sim toda a sua postura de afirmar ser mais justo do que Deus e de que ser justo não vale a pena. Como cristãos, precisamos manter nossos olhos voltados para o alto!


P: Em Jó 35:3, como o senhor responderia se alguém questionasse por que deveria ser justo, já que Deus parece não estar fazendo nada no momento?

R: Há benefícios imediatos em desenvolver seu caráter e seus relacionamentos com os outros. Às vezes, há consequências imediatas, como ir para a prisão. Mas, na maioria das vezes, você não percebe essas coisas de curto prazo. Há consequências graves e de longo prazo para os perdidos, e coroas e outras recompensas para os santos que realizam obras justas para Deus.


P: Em Jó 35:5,10 e seguintes; 36:24-37:24, qual é o grande contraste aqui entre Eliú e Jó, e também com os três amigos de Jó?

R: Eliú é um homem de louvor, e eles não o são — ou, pelo menos, Jó não parecia ser assim nesse momento específico. Eliú não está negando que as coisas sejam difíceis; mas está exortando Jó a olhar ao seu redor para as maravilhas de Deus e a louvá-Lo de qualquer maneira.


P: Em Jó 35:6-8, o nosso pecado “magoa” Deus de alguma forma?

R: A resposta tem duas partes.

Não, Jó 35:6-7 mostra que o Deus Todo-Poderoso, que preenche os céus e a terra, não é nem prejudicado nem beneficiado pelas ações dos seres humanos, nem dos anjos ou demônios, aliás.

Mas podemos glorificar a Deus (ou não). No entanto, nossos atos justos, realizados com o coração correto, de fato glorificam a Deus. No caso de Jó, Jó 1:8-12 mostra que a justiça de Jó era de tal importância para Deus e Lhe dava prazer, a ponto de Deus ter falado a Satanás sobre isso. A integridade constante de Jó tanto glorificou a Deus quanto mostrou a Satanás quão pouca influência ele tinha sobre a justiça de Jó.

O senhor já parou para pensar como é maravilhosamente estranho que a nós, seres humanos tão insignificantes, tenha sido concedida a capacidade de escolher glorificar a Deus?


P: Em Jó 35:10; Salmos 77:6; 119:54-55; Isaías 30:29; de que maneira Deus nos dá canções durante a noite?

R: Deus nos dá canções de alegria mesmo quando estamos passando por momentos de dificuldade. E, é claro, podemos cantar quando Deus nos livra de nossas dificuldades.

Alguém disse certa vez: “nada de bom acontece depois da meia-noite”. Bem, tecnicamente, isso não é verdade. O senhor poderia estar acordado e louvando a Deus! Esperamos que, se o senhor estiver na cama com sua esposa, esteja louvando a Deus em silêncio.


P: Em Jó 36:4 e seguintes, quem é o sujeito — Deus ou Eliú — quando Eliú diz: “Há alguém perfeito em conhecimento entre vós”?

R: Somente neste versículo, a interpretação é ambígua. Se Eliú estiver se referindo a Deus, ele está dizendo para se voltar para o conhecimento de Deus e não se considerar sábio aos seus próprios olhos. Mas se Eliú estiver se referindo a si mesmo, isso o tornaria arrogante também. É um paradoxo que alguém um pouco arrogante possa ser o mais sensível para detectar a arrogância nos outros. Portanto, somente neste versículo, poderia ser de ambas as formas.

No entanto, Eliú nos diz a quem ele se refere em Jó 37:16: é Deus quem é perfeito em conhecimento.


P: Em Jó 36:27-28, como Eliú poderia saber sobre a evaporação, uma vez que os gregos de uma época posterior foram os primeiros, que se saiba, a escrever sobre o assunto?

R: Embora não esteja claro o quanto Eliú sabia sobre a evaporação, parece que, neste contexto, ele possuía a noção básica. Os gregos, pelo menos na época de Hesíodo, no século VIII a.C., conheciam a névoa, chamando-a de “anathyamiasis” (Teogonia 1928, 1958, p. 547-553). Tales de Mileto, em 585 a.C., considerava que a água era o elemento central de tudo e ensinava sobre a evaporação. Posteriormente, Anaximandro de Mileto, Aécio, Xenófanes de Colofão (c. 530), Diógenes Laércio, Aristóteles (c. 350 a.C.) e outros escreveram sobre a evaporação.

No entanto, acreditamos que o livro de Jó tenha sido escrito após a época de José e seus irmãos e antes da época de Moisés, o que seria antes de 1447 a.C., muito antes de qualquer escritor grego conhecido.

Mas, embora os gregos tenham sido os primeiros de que temos conhecimento a escrever sobre o assunto, eles não foram os primeiros a retratá-lo. Um mural egípcio mostra um menino escravo retirando água do Nilo e abanando-a para refrescá-la para sua senhora. Isso ocorreu em 2.500 a.C., cerca de 500 anos antes de Abraão. Outro truque que os astutos egípcios usavam era molhar um cobertor na água e, em seguida, deitar-se sobre ele ao irem para a cama. Portanto, eles definitivamente tinham a noção de que a água pode evaporar com o calor e também refrescar as coisas. Consulte https://quilohome.com/evaporative-cooling-ancient-world/ e https://sleepbetter.org/sleep-like-an-egyptian/ para obter mais informações.


P: Em Jó 36:13-32, que novidade Eliú está dizendo aqui?

R: Eliú não está falando sobre se Jó merecia ou não tudo isso. Mas o que Eliú está dizendo é que, se Jó estivesse seguindo a Deus, se ainda estivesse submisso, Deus já o teria livrado dessa situação.

Às vezes, quando somos colocados em uma situação da qual podemos aprender, Deus nos mantém nessa situação pelo que parece ser um tempo extremamente longo. Talvez Deus nos mantenha nessa situação até que aprendamos o que devemos aprender. Portanto, peça a Deus que lhe ensine o que Ele deseja que você compreenda.


P: Em Jó 36:15, como Deus fala às pessoas em meio à sua aflição?

R: As pessoas podem ser surdas quando tudo está indo bem, mas ficam mais dispostas a ouvir e a considerar algo novo quando estão em angústia. Mas, além disso, Deus pode nos ensinar coisas por meio do sofrimento — mesmo do sofrimento injusto — que talvez não fôssemos capazes de aprender de nenhuma outra maneira. Deus também pode usar o sofrimento em uma área para resolver um problema ou um pecado em outra área.


P: Em Jó 37:14-23, o que Eliú está dizendo de diferente aqui?

R: Eliú está dizendo para pararem de falar tanto. Ouçam e reflitam sobre as maravilhas de Deus.


P: Em Jó 37:18, como existe uma cúpula sólida acima da terra?

R: Trata-se de uma comparação, que equipara o céu a um espelho transparente. Naquela época, os espelhos eram feitos de metal altamente polido, já que ainda não existiam espelhos de vidro.


P: Em Jó 38:1, por que Deus não respondeu a Jó antes?

R: Embora as Escrituras não o digam, poderia haver pelo menos quatro razões.

Primeiro, o fato de Eliú ter falado diante de Deus indicaria que Deus não se sentia obrigado a responder diretamente às acusações de Jó.

Segundo, Jó não estava orando a Deus, mas sim fazendo acusações contra Ele.

Em terceiro lugar, ninguém no livro parecia ter uma voz de louvor e de espera paciente por Deus até que Eliú se manifestasse.

Em quarto lugar, Deus estava testando Jó (como em Daniel 3:16-18), ao mesmo tempo em que demonstrava Seu poder total e absoluto sobre Satanás (João 12:31; Tiago 4:7).

Ao contrário dos três amigos de Jó, devemos convidar Deus a nos conceder iluminação em nossos pensamentos e conversas. Precisamos orar por sabedoria e iluminação, conforme Efésios 1:15-23.


P: Em Jó 38:1, por que é apropriado que Deus fale em meio a uma tempestade?

R: O Livro de Jó começou com uma tempestade, que Satanás usou para matar os filhos de Jó. Portanto, agora ele termina com o poder de uma tempestade, na qual Deus vem e fala diretamente. O caminho do SENHOR está no redemoinho e na tempestade, conforme Naum 1:3.


P: Em Jó 38:2, por que Deus pergunta primeiro quem obscurece o seu conselho sem conhecimento?

R: Quando Jó disse que Deus havia se tornado seu inimigo, ele apenas confundia as outras pessoas. Jó havia pedido a Deus que lhe concedesse o direito de se defender. Agora que conseguiu isso, Jó está aterrorizado. Só agora Jó está começando a perceber que foi arrogante para com Deus, e sabe que essa não é uma boa situação em que se encontrar.

A Bíblia nos adverte contra o orgulho em Salmos 75:4-5; Provérbios 13:10; 29:23; e 30:13. Não devemos nos considerar sábios aos nossos próprios olhos, conforme Provérbios 3:7; 26:12; 28:11; Romanos 12:16.

Mas Jó acabaria ficando feliz por Deus ter falado com ele. Agora, Jó sabe que não está sozinho; Deus está ao seu lado. Isaías 41:10; Salmo 73:23; e João 14:18; 16:32-33 também afirmam que Deus está conosco.


P: Em Jó 38:3-39:30, por que Deus não esperou que Jó respondesse a cada pergunta, e por que Deus simplesmente não disse a Jó o que ele havia dito de errado?

R: Deus respondeu às acusações de Jó. Mas, em vez de fornecer explicações, Deus respondeu a Jó fazendo Ele mesmo oitenta perguntas retóricas, que iam desde a identidade de Jó até suas habilidades. Imagine por um momento que o senhor estivesse fazendo uma prova final de uma disciplina da faculdade, em que toda a prova consistisse apenas nessas 80 perguntas, e o senhor não soubesse a resposta de nenhuma delas! Como o senhor se sentiria? Provavelmente um pouco como Jó nessa situação. Jó estava obscurecendo o conselho de Deus por ignorância, e Deus mostrou a Jó como sua compreensão limitada estava obscurecendo o conselho de Deus antes de esclarecê-lo.

A questão não era Jó responder às perguntas, nem Deus responder às perguntas de Jó, pois ambas se baseavam na ignorância. A questão era que Jó percebesse que não era capaz de responder a nenhuma das perguntas de Deus. Se Jó quisesse bancar o cético, então Deus poderia bancar o cético em relação ao que Jó sabia, demonstrando que Jó, embora justo, sabia pouco ou nada com base em seu próprio entendimento. Deus ainda não explicou Seus caminhos a Jó; em vez disso, Deus revelou Seus caminhos sem uma explicação que Ele não era obrigado a fornecer. Pelo que podemos perceber, Deus nunca revelou a Jó a situação com Satanás no capítulo 1 de Jó.


P: Em Jó 38:2, de que forma Jó obscureceu o conselho de Deus?

R: Isso NÃO significa que Jó tenha obscurecido ou impedido qualquer aspecto do próprio conselho de Deus no Céu. Em vez disso, Jó estava “turvando as águas” em relação à sabedoria que Deus havia revelado a outros. Em geral, quando alguém que se acredita ser cristão diz coisas sobre Deus que Deus nunca ensinou — porque não são verdadeiras —, essa pessoa também está obscurecendo o conselho de Deus sem saber, turvando as águas para si mesma e para os outros.

Jó havia ensinado coisas falsas sobre Deus. Jó havia dito que, embora ele fosse justo, Deus era injusto; embora ele fosse piedoso, Deus era seu inimigo. Jó havia tirado conclusões precipitadas, falando com presunção quando não possuía todos os fatos sobre o que estava ocorrendo por trás de seu sofrimento.

De maneira mais geral, algumas pessoas obscurecem o conselho de Deus quando se esquecem de que fomos criados à imagem de Deus e tentam moldar Deus à sua própria imagem. No entanto, Jó obscureceu o conselho de Deus de uma segunda maneira: ele dizia coisas sobre Deus para justificar o próprio sofrimento e a si mesmo, chamando Deus de injusto.

Deus não estava falando apenas sobre Jó, mas também sobre seus três amigos. E, de certa forma, Deus está falando aqui às pessoas de hoje, pois isso ocorre o tempo todo. Quando as pessoas dizem que são boas coisas que Deus diz serem más, ou que são más coisas que Deus diz serem boas, elas estão obscurecendo o conselho de Deus. Quando questionam a natureza ou a bondade de Deus e buscam estabelecer seu próprio padrão em vez disso, estão deliberadamente tentando obscurecer o conselho de Deus. Somos advertidos a ter muito cuidado com a língua em Tiago 3:7-10.

Portanto, não sejam muito severos com Jó e seus amigos aqui, pois eles não são os únicos. A pessoa comum hoje provavelmente sabe muito menos sobre o conselho de Deus do que os amigos de Jó sabiam. Esse estado de ignorância acarreta suas próprias consequências, conforme escreve Paulo em Romanos 1:18-23.


P: Em Jó 38:2-39:30, qual é o fluxo ou o esboço desses capítulos?

R: Esses versículos estão dispostos de acordo com a forma como Deus é o Senhor da natureza.

Jó 38:4-15 Deus é o Criador

- - - da terra (4-7),

- - - do mar (8-11) e

- - - do dia e da noite (12-15)

Jó 38:16-38 Deus governa sobre os seres inanimados.

- - - as profundezas do mar e as extensões do céu (16-18),

- - - a luz e as trevas (19-21)

- - - O clima, a neve, o granizo, o vento, a chuva, o trovão e a geada (22-30)

- - - As estrelas em suas constelações (31-33) e

- - - Chuvas torrenciais e inundações (34-38).

Jó 38:39-39:30 Deus governa a vida

- - - O sustento dos animais, como o leão e o corvo (38:39-41),

- - - A reprodução, como a das cabras-montanhesas selvagens e dos veados (39:1-4),

- - - A liberdade selvagem, como o burro selvagem em comparação com o burro domesticado (5-8),

- - - Grande força, como o boi selvagem em comparação com o boi domesticado (9-12),

- - - Animais velozes, como a avestruz e o cavalo de guerra (13-25), e

- - - Predadores voadores velozes, como os gaviões e as águias (ou abutres-fofos) (26-30)

Elifaz também fez alusão à primeira parte, em Jó 15:7-9, quando pergunta a Jó se ele foi o primeiro homem a nascer, se é mais antigo que as montanhas ou se conhece o conselho de Deus.


P: Em Jó 38:2-41:34, qual era o objetivo de Deus aqui?

R: Aqui está um breve resumo por trás das 80 perguntas que Deus faz a Jó.

(38-39) Jó, por que o senhor está obscurecendo o meu conselho com palavras sem conhecimento? Onde o senhor estava quando eu criei a terra, o mar, o amanhecer, a morte, a luz, a neve, os raios, as estrelas, as nuvens e os animais? O senhor pretende contestar a Deus e corrigi-Lo?

(40:1-5) Jó diz que não tem resposta para Deus.

(40:6-41:34) Então responda-me a isto. Se o senhor anular o julgamento de Deus para se justificar, gostaria de assumir a função de juiz (e fazer cumprir seus julgamentos)? O senhor é capaz de criar o behemote (hipopótamo) ou de fazer surgir o leviatã (o crocodilo)? O senhor consegue brincar com ele, como se fosse um pássaro, ou colocá-lo na coleira?


P: Em Jó 38:31-32, isso corrobora a astrologia?

R: Não. A astrologia é um pecado que consiste na tentativa tola de usar as estrelas, a milhões de milhas de distância, para prever as características gerais das pessoas e seu “futuro”.

Não leia horóscopos no jornal, na internet ou em qualquer outro lugar.

Mas a astronomia, observar as estrelas para refletir sobre seu Criador e usar as estrelas para marcar as estações do ano não é contrário à Bíblia, ao contrário da astrologia. Na verdade, no Egito, era bastante importante usar as estrelas para determinar quando o Nilo transbordaria e decidir quando plantar. Determinar quando uma estação começa não é tentar prever a vida das pessoas. Pelo contrário, as estrelas que indicam as estações são uma forma pela qual Deus provê para nós por meio de Seus atributos e do nosso devido reconhecimento e uso de Sua criação.


P: Em Jó 38:31, qual é o significado das Plêiades?

R: As Plêiades são um aglomerado denso de estrelas. É surpreendente que possam existir tantas estrelas no que, visto da Terra, parece ser um espaço tão pequeno. Por que elas não se expandem para se parecerem com outras estrelas? Como elas evitam entrar em colapso? Além disso, o nascer heliacal das Plêiades marcava o início da primavera naquela época.

No entanto, Filo, o judeu (15/20 a.C. – 50 d.C.), menciona o pôr das sete estrelas das Plêiades como a época da semeadura e o nascer das Plêiades como a época da colheita. Em “A Criação”, 38:115, p. 17.

Como observação adicional, a montadora japonesa Subaru recebeu esse nome em referência às Plêiades na língua japonesa.


P: Em Jó 38:32 e 2 Reis 23:5, o que é “Mazzaroth/Mazzaloth”?

R: Acredita-se que seja o mesmo que “Mazzaloth” (com “l” em vez de “r”) em 2 Reis 23:5. Embora algumas pessoas acreditem que isso possa se referir aos planetas, é mais provável que se refira às constelações rotativas, que Deus faz surgir em sua estação. As estrelas são obra de Deus, conforme mostram Salmos 147:4, Neemias 9:6, Isaías 40:26 e 45:12.


P: Em Jó 39:14, a avestruz abandona seus ovos ou os põe?

R: Algumas traduções de Jó 39:14 dizem que a avestruz “põe seus ovos”. No entanto, um homônimo da palavra hebraica para “pôr” é “abandonar”. Uma boa tradução que capta ambos os sentidos é “deixa seus ovos”, que é como a BSB traduz.


P: Em Jó 39:13-15, o que há de peculiar na avestruz?

R: As avestruzes são aves de aparência estranha. São aves de grande porte, com sete ou oito pés de altura, dotadas de asas grandes, que, no entanto, não as ajudam a voar. Várias avestruzes podem pôr seus ovos no mesmo ninho. Se não houver espaço, elas põem seus ovos na areia fora do ninho. Muitas vezes, as avestruzes-mães, que pesam até 300 libras, pisam em seus próprios ovos. Às vezes, uma avestruz-mãe choca outros ovos, esquecendo-se de quais são os seus. A avestruz-mãe “trata seus filhotes com severidade”, afastando seus filhotes de um ano quando chega a época de acasalamento. No entanto, as avestruzes sobrevivem. Elas podem correr a 40 milhas por hora, o que é mais rápido do que um cavalo. Como Jó pensaria em criar um animal assim?

A avestruz é um paradoxo, pois demonstra o gênio criativo de Deus, mas não possui sabedoria por si mesma.


P: Em Jó 39:1-30, Deus poderia ter dito algo como: “Jó, deixe-me explicar tudo para você. Satanás desafiou sua integridade, e seu sofrimento Me glorificou ao desmascarar Satanás”. Mas Deus não fez isso. Por quê?

R: Aparentemente, Deus estava menos preocupado em que Jó soubesse as razões de seu sofrimento do que em corrigir duas atitudes erradas de Jó. Primeiro, o fato de Jó presumir que poderia descobrir a resposta para tudo com base em seu próprio entendimento limitado ou falho. Segundo, a ideia de que Jó merecia receber uma resposta. Em vez disso, ver e conhecer a majestade e a glória de Deus é o suficiente, mesmo quando não temos uma resposta.

Jó era um homem piedoso, mas mesmo uma pessoa piedosa pode precisar de correção.

Se Deus alguma vez contou a Jó ou a seus amigos, antes de morrerem, sobre a conversa de Deus com Satanás, o Livro de Jó nada menciona a respeito. Muito provavelmente, eles morreram sem ter a menor ideia. O senhor acha que Deus e Satanás, ou algum outro demônio, já tiveram uma conversa sobre o senhor?


P: Em Jó 38:1-39:30, quais são algumas semelhanças com Gênesis 3:8-13,21?

R: Em ambos os casos, conselhos errados foram dados por aqueles que conheciam os caminhos de Deus. Jó e seus três amigos no livro de Jó, e Satanás em Gênesis 3, bem como os resultados da “aposta” de Satanás com Deus em Jó 1:6-12. Aqui estão outras semelhanças:

a) Ambas as histórias começam, para os personagens humanos, em uma espécie de jardim do paraíso proporcionado por Deus.

b) O mal, na forma de Satanás, é o antagonista em ambas as histórias.

c) Eva e, provavelmente, Adão não estão tentando afastar Deus de suas vidas, mas sim ocupar o lugar de Deus, de maneira limitada, no conhecimento do bem e do mal. Jó e seus três amigos pensavam que poderiam enxergar a partir de um ponto de vista semelhante ao de Deus e compreender tudo, além de se arrogarem o direito de julgar e atribuir culpa pela condição de Jó — o que, em alguns aspectos, se assemelha à transferência de culpa por parte de Adão e Eva.

d) Em ambos os casos, os principais personagens humanos consideram e valorizam sua autoproclamada aquisição do conhecimento de Deus ou a falta dele (nos casos de Jó e Eva), em vez de confiar em Deus e em Sua sabedoria.

e) Em ambos os casos, isso é pecaminoso e baseia-se, em grande medida, no orgulho humano.

f) Em ambos, a morte desempenha um papel importante como consequência em Gênesis 3 e como evento precedente e desejo no livro de Jó.

g) Em ambos os casos, Deus começa com uma pergunta: “Quem é este que obscurece o Meu conselho com palavras sem conhecimento?”, em Jó, e a Adão: “Onde você está?”, em Gênesis 3:9. É claro que, ao fazer essas perguntas, Deus já conhecia de antemão as respostas. O “interrogatório” de Deus a cada testemunha exigiu autoexame e arrependimento por parte de Adão, Eva e Jó, cada um dos quais enfrentou consequências por ter obscurecido, à sua maneira, o conselho de Deus, devido ao seu sentimento de autossuficiência, de direito adquirido e à pecaminosidade resultante.

h) Deus ordenou que Jó oferecesse um sacrifício por si mesmo e por seus três amigos (não por Eliú), por causa de suas palavras pecaminosas. Em Gênesis 3:21, Deus fez túnicas de pele para Adão e Eva. De onde viriam as peles dos animais? Os animais tiveram que morrer. Nós oferecemos sacrifícios a Deus porque Ele primeiro nos criou à Sua imagem, o que, em parte, significa Seu compromisso de se sacrificar por nós por meio de Seu Filho.

De maneira semelhante, Deus pode estar nos fazendo a mesma pergunta todos os dias: onde vocês estão? Devemos examinar-nos diariamente (2 Coríntios 13:5) para saber em que ponto estamos em nossa caminhada com o Senhor. Estamos ficando para trás, devido à apatia, à distração por outros interesses ou ao cativeiro do pecado? Estamos “correndo à frente” (2 João 9), seja tentando adivinhar o que Deus não revelou, seja nos esforçando para conhecer e realizar a obra de Deus sem a força do Senhor? Estamos fiéis às palavras e ao espírito de Provérbios 3:5-6? Mas, em vez de fazer “nossa obra para Ele”, da maneira específica que desejamos, deveríamos estar realizando “Sua obra” da maneira que Ele deseja que a realizemos.


P: Em Jó 40:1-41:34, qual é a mensagem de Deus nesses versículos?

R: Deus está perguntando a Jó como ele lidaria com o mal. O que Jó faria com misericórdia e julgamento não é a questão principal; mas sim: o que Jó pode fazer? O senhor já permitiu que o mal continuasse, sem contestá-lo, porque sabia que contestá-lo poderia significar perigo ou perda para si mesmo ou para sua família? Mas, em vez de Jó tentar se opor a Deus, por que não fazer com que Jó se oponha a algo relativamente insignificante em comparação, como, por exemplo, o behemote ou o leviatã?


P: Em Jó 40:2, quem é “o censurador”?

R: Trata-se obviamente de Jó no contexto imediato, especialmente depois que Jó acusou Deus de contender com ele em Jó 10:2; 23:6. Mas, em segundo lugar, isso pode ser generalizado a qualquer um que deseje questionar e contender com Deus.


P: Em Jó 40:3-5, por que Jó não falou mais, como havia feito anteriormente no livro?

R: Jó afirmou conscientemente que não queria mais falar em Jó 40:5. Talvez Jó tenha percebido que, quanto mais falava, mais fundo cavava o buraco para si mesmo. Suas palavras anteriores concentravam-se em justificar-se e acusar Deus de injustiça. Ele percebeu agora que esse discurso não o levaria a lugar algum. Jó percebe agora que, ao insistir em que precisava dar sentido a tudo o que acontecia, estava tentando assumir uma tarefa que não lhe cabia, mas que pertencia a Deus.

Pode haver momentos em que sejamos insensatos ou interpretemos totalmente mal o contexto, e talvez seja melhor para nós simplesmente pararmos de falar.


P: Em Jó 40:3-5, como o senhor saberia se teve “exagerado” em seu protesto?

R: Em primeiro lugar, olhe ao seu redor para as outras pessoas. Não seja como aquele que reclama com Deus por não ter uma sobremesa doce, enquanto outra pessoa não tem o que comer.


P: Em Jó 40:4-5, uma pessoa poderia ser piedosa e, ao mesmo tempo, ser arrogante?

R: Sim, mas isso não é nada agradável; pode ser um verdadeiro desestimulante tanto para os não crentes quanto para os crentes. Jó era um homem piedoso, que ensinava aos outros a verdade sobre Deus. Mas, ao relembrar o livro, percebe-se que Jó não era arrogante de uma única maneira, mas de várias maneiras. Jó era arrogante ao pensar que possuía tudo o que precisava para compreender completamente o que estava acontecendo com ele. Quando as coisas não faziam sentido, com base nas informações de que dispunha, Jó então acusava Deus. Aparentemente, nunca ocorreu a Jó — nem, aliás, a seus três amigos — que pudesse haver informações importantes das quais eles não tivessem conhecimento. Como se pode observar no livro de Jó, quando uma pessoa arrogante conversa com outra, podem surgir atritos.

Outra observação: há uma diferença entre ser arrogante em todos os aspectos e não ser uma pessoa arrogante em geral, mas ainda assim demonstrar arrogância em algumas áreas. Uma pessoa que é arrogante em geral pode tentar basear sua autoestima exclusivamente no fato de ser melhor do que os outros. Porém, uma pessoa pode ser humilde, reconhecendo que é Deus quem é o mais importante e considerando os outros mais importantes do que a si mesma (Filipenses 2:3). Não há problema em falar sobre o que você conquistou. Mas da próxima vez que você sentir um desejo muito, muito forte de contar a alguém como você é (ou foi) bom em alguma coisa, pare por um segundo e pergunte-se o que está alimentando esse desejo tão intenso. Seria arrogância em uma área específica? Se for, então por que não parar de falar de si mesmo e perguntar sobre a outra pessoa?

Não seja como o rapaz solteiro daquela piada que saiu para um encontro com uma moça e passou a primeira metade da conversa falando apenas de si mesmo. Então ele disse: “Bem, já chega de eu falar de mim. Agora, por que você não fala sobre mim?”

Quando você vir uma pessoa piedosa que seja arrogante, não tente negar que ela seja piedosa, como fizeram os amigos de Jó. Mas você ainda precisa abordar a arrogância dela, como fizeram Eliú e, mais tarde, o Senhor.


P: Em Jó 40:4-5, o que Jó quis dizer ao afirmar que havia falado uma vez, ou até duas vezes, e que não falaria mais?

R: Trata-se de figuras de linguagem comuns nas línguas semíticas. Isso não significa que Jó estivesse dizendo que nunca mais falaria. Mas Jó percebeu o que alguém afirmou no início do século XX: seus braços são curtos demais para lutar com Deus.


P: Em Jó 40:8, de que maneira algumas pessoas hoje condenam Deus para se justificarem?

R: Isso pode ocorrer de duas maneiras. Primeiro, em determinado momento, o relato de uma pessoa sobre sua situação pode se tornar pecaminoso, pois ela está afirmando que Deus é injusto. É lícito defender a própria integridade, mas não desacreditar a justiça de Deus.

Segundo, e ainda pior, alguns condenam Deus como perverso para justificar seu próprio comportamento perverso.


P: Em Jó 40:15, 21-22, o que é o behemote?

R: A palavra significa “fera”, e a terminação indica uma fera poderosa. Jó mostra que se trata de um enorme animal terrestre herbívoro que vive entre os juncos. O hipopótamo é o segundo maior animal terrestre vivo atualmente, e os hipopótamos vivem no Egito; portanto, poderia tratar-se de um hipopótamo. Alguns podem pensar que o animal é um elefante, interpretando a “cauda” como uma tromba. No entanto, o animal é um hipopótamo porque fica escondido entre os juncos de um pântano, e os elefantes não permanecem submersos como os hipopótamos. Outra interpretação é que poderia tratar-se de um dinossauro, e as pessoas daquela época, assim como hoje, já haviam visto ossos de dinossauros. Dinossauros de grande porte, como o braquiossauro, viviam nos pântanos porque precisavam de água para suportar seu grande peso, e os povos antigos podiam encontrar ossos de dinossauros.


P: Em Jó 41:1, o que é o Leviatã?

R: Leviatã é um grande animal marinho, provavelmente um crocodilo. Figurativamente, o Leviatã era considerado um grande monstro marinho. Em Isaías 27:1, o Leviatã era um símbolo cananeu de nações ímpias, como o Egito. A Bíblia e as fontes pagãs divergiam no sentido de que estas últimas acreditavam na existência real de criaturas mitológicas, enquanto os autores bíblicos utilizavam os termos em um sentido puramente figurativo e metafórico. A literatura inglesa do século XVII e anterior frequentemente utilizava alusões mitológicas de maneira muito semelhante.


P: Em Jó 41:18, o que os lampejos de luz poderiam significar neste contexto?

R: Quando um crocodilo, que pode permanecer debaixo d’água por cerca de cinco minutos, vem à superfície e expele a água pelo nariz, à luz do sol isso pode parecer flashes de luz. Os olhos do crocodilo brilham, assim como os dos gatos e de muitos répteis. O brilho dos olhos por trás da “fumaça” que sai de suas narinas pode causar essa impressão. A título de curiosidade, no Egito, quando um novo Faraó era coroado, ele arpoava um hipopótamo e, às vezes, um crocodilo (com a ajuda de outras pessoas). Isso simbolizava o suposto controle do Faraó sobre o caos.


P: Em Jó 42:1-17, as aflições de Jó, tanto no âmbito familiar quanto no da saúde, foram uma tentação ou uma provação para o fortalecimento do caráter?

R: Primeiro, vamos examinar as tentações antes de responder à pergunta. Existem muitos tipos diferentes de tentações; algumas são de curta duração, outras longas, algumas são leves e outras são severas. Em toda provação há uma tentação de desistir, como a esposa de Jó o encorajou a simplesmente “amaldiçoar a Deus e morrer”.

Uma provação pode servir para fortalecer o caráter, mas não necessariamente. A mesma provação pode fortalecer ou destruir o caráter de diferentes pessoas, dependendo de como elas reagem. Mas, em vez de dar ouvidos à esposa, Jó continuou confiando em Deus, embora não de maneira perfeita, e a provação de Jó serviu para fortalecer seu caráter.

Com o que o(a) senhor(a) está lutando hoje? Isso pode fortalecer ou destruir o caráter; “tudo depende da sua dependência”. O(a) senhor(a) está dependendo de Deus durante essa provação, ou está tentando seguir sozinho(a), sem Deus?


P: Em Jó 42:1-6, por que a resposta de Jó foi adequada?

R: Jó aprendeu a não se aproximar mais de Deus como um “príncipe majestoso”, como havia feito em Jó 31:37. Em Jó 42:1-6, Jó admitiu que foi presunçoso ao acusar Deus e se arrependeu sinceramente do que havia dito. Deus não está dizendo que todas as palavras de Jó no livro de Jó foram adequadas (na verdade, não foram), mas que a resposta final de Jó foi adequada.


P: Em Jó 42:5, como Jó pôde ver a Deus e permanecer vivo, uma vez que Êxodo 33:20 afirma que ninguém pode ver a Deus e permanecer vivo?

R: Jó não está dizendo que viu Deus fisicamente em uma forma específica. Em vez disso, Jó experimentou Deus de uma maneira mais íntima do que antes. A experiência que Jó teve aqui foi totalmente diferente das reflexões filosóficas de Jó e de seus três amigos anteriormente. O cristão Blaise Pascal falou da diferença entre “o Deus dos filósofos e a fé no Deus vivo que se revela”.


P: Em Jó 42,6, o que exatamente Jó desprezou?

R: A palavra “a mim mesmo” não consta no hebraico. Jó poderia estar dizendo que despreza suas palavras anteriores, ou então que despreza a si mesmo por ter proferido essas palavras. Também poderia significar “rejeito o que disse”.


P: Em Jó 42:7-8, a ira de Deus se acendeu contra os três amigos de Jó pelo que disseram ao tentar defender Deus. De que maneiras as pessoas hoje em dia podem falar para tentar defender Deus, acabando por causar mais mal do que bem?

R: Com este versículo, o livro passa da poesia para a prosa. Os três amigos de Jó haviam acusado Jó de ser ímpio diante de Deus. Eles pensavam que estavam servindo a Deus e ajudando um homem injusto. No entanto, em uma reviravolta, Deus diz a Jó para oferecer sacrifícios pelos pecados deles. Deus chama Jó de “Meu servo Jó” quatro vezes, para dar ênfase, em Jó 42:7-8.


P: Em Jó 42:8-10, quando devemos orar para que Deus perdoe os outros?

R: Curiosamente, embora os amigos de Jó não parassem de falar, não há registro de que eles tenham orado por ele. Mas Deus, aqui, pediu a Jó que orasse por seus amigos. Cinco pontos a serem considerados na resposta.

1. Deus tem o direito de perdoar ou não perdoar, de mostrar misericórdia ou recusar-se a fazê-lo (Romanos 9:11-18).

2. A única restrição é o limite que Ele mesmo estabeleceu para a Sua justiça.

3. Deus escolhe perdoar todos os que se aproximam Dele em arrependimento.

4. No entanto, uma pessoa precisa da graça de Deus até mesmo para se aproximar Dele. Deus escolhe intervir para levar alguns ao arrependimento, e, em relação a outros, Ele não intervém.

5. Em Atos 7, Estêvão orou para que Deus perdoasse aqueles que o mataram, e devemos orar para que Deus intervenha com Sua misericórdia também em relação aos outros.


P: Em Jó 42:10, como as bênçãos de Jó foram duplicadas, uma vez que ele tinha apenas dez filhos para substituir os dez que havia perdido?

R: Se não houvesse vida após a morte, isso seria um problema legítimo. Mas isso revela um ponto interessante. Se os primeiros dez filhos de Jó, mencionados em Jó 1:2, fossem crentes, Jó teria vinte filhos no céu, e suas bênçãos seriam duplicadas.


P: Em Jó 42:11, eles estavam consolando Jó pela aflição que Satanás havia trazido sobre ele, ou pela que Deus havia trazido sobre ele? É correto dizer que Deus trouxe a aflição?

R: Embora Satanás tenha sido a causa mais direta da aflição de Jó, Deus, de maneira indireta, “a trouxe” ao permitir que ela ocorresse. O ponto importante não era a aflição, mas a resposta de Jó a ela. Não é que Jó tenha simplesmente dito: “Quero minhas coisas de volta”. Em vez disso, Jó queria falar com Deus e passou a ter uma nova visão de Deus. E então Deus lhe devolveu suas coisas, mas em dobro.

A título de observação, aparentemente os parentes de Jó o haviam abandonado, considerando-o um caso perdido. Não os vimos em nenhuma parte do livro até agora.


P: Em Jó 42:11, de que maneira Deus trouxe o mal sobre Jó?

R: Deus trouxe o mal sobre Jó de duas maneiras.

Jó sofreu uma calamidade física, e a palavra “mal” em hebraico significa tanto calamidade física quanto mal moral.

Deus permitiu que um ser moralmente maligno, Satanás, oprimisse Jó. Satanás estava praticando o mal, mas precisou pedir permissão a Deus, e Deus concedeu-lhe essa permissão. Deus não praticou nenhum mal moral por Si mesmo, mas permitiu que Satanás pusesse Jó à prova.


P: Em Jó 42:11-17, qual é o resumo do que aconteceu a Jó?

R: Os amigos de Jó achavam que o sofrimento servia sempre como castigo, e Jó achava que era para destruição. Eliú disse que poderia servir como orientação. Mas Deus estava usando-o para coisas totalmente diferentes: uma demonstração contra Satanás e o aprofundamento do relacionamento de Jó com Ele.

Observe a situação de Jó. Ele fica sem palavras ao contemplar a majestade de Deus e se arrepende das palavras precipitadas que proferira anteriormente. Jó ainda enfrenta a aflição física, ainda perdeu toda a sua riqueza, mas agora está satisfeito por Deus falar com ele. Assim que orou pedindo perdão para seus três amigos e para si mesmo, Deus realmente começa a agir, duplicando sua riqueza, concedendo-lhe o mesmo número de filhos e muitos mais anos de vida, já que ele viveu 140 anos depois disso, talvez duplicando também seus anos de vida. Depois que Jó contemplou mais de Deus, ninguém poderia negar que ele havia sido grandemente abençoado.

Em resumo, por meio das provações, Deus concedeu a Jó uma nova visão de Si mesmo. Nós também devemos desejar uma nova visão de Deus. Como diz Jó 13:15a: “Ainda que Ele me mate, continuarei a esperar n’Ele.” (BSB)


P: Em Jó 42:15, qual é o significado de suas filhas serem tão belas?

R: Deus não apenas abençoou Jó por causa de sua fidelidade, mas também abençoou sua família por causa da mesma fidelidade. Além disso, esse versículo mostra que a beleza física é algo positivo.


P: No livro de Jó, quais são alguns dos manuscritos mais antigos que ainda existem hoje?

Manuscritos do Mar Morto: (c. 1 a.C.) Quatro cópias distintas, de acordo com o livro *Dead Sea Scrolls Today*, p. 30, e o *Wycliffe Bible Dictionary*, pp. 436–438. São elas: 2Q15, 4Q99, 4Q100 e 4Q101.

No total, estão preservados nos Manuscritos do Mar Morto os seguintes 292 versículos, de um total de 1.071 versículos do livro de Jó (27,3 %)

Jó 3:5-6; 4:16-21; 5:1-4; 8:15-17; 9:27; 13:4, 19-20, 24-27; 14:4-6, 13-17; 17:14-16; 18:1-4; 19:11-19,20; 20:1-6; 21:2-10,20-27; 22:3-9,16-22; 23:1-8; 24:12-17,24-25; 25:1-6; 26:1-2, 10-14; 27:1-4, 11-20; 28:4-13, 20-28; 29:7-16, 24-25; 30:1-4, 13-20, x, 27-31; 31:1, 8-16, 26-32, 4-; 31:14-19; 31:20-21; 32:1-3, 10-17; 32:3-4; 33:6-16, 24-32; 33:10-11, 24-26, 28-30; 33:28-30; 34:6-17,24-34; 34:28-31; 35:5-15,16; 36:7-16,23-33; 37:1-5,10-19; 38:3-13,23-33; 39:1-11,20-29; 40:4-14,23-31; 41:15-26; 42:1-2,4-6,9-12. Consulte *O Significado dos Manuscritos do Mar Morto* para obter mais detalhes.

Foram encontradas traduções em aramaico, chamadas targums, do livro de Jó entre os Manuscritos do Mar Morto na caverna 4. “Os Manuscritos do Mar Morto Hoje”, p. 32-33, e “Os Manuscritos do Mar Morto Traduzidos: Os Textos de Qumrã em Inglês”, 2ª ed. O Targum de Jó contém pequenos fragmentos de Jó 17:14-42:11, embora apenas 37:10-42:11 estejam intactos, de acordo com “O Arameu Errante”, p. 164. Além disso, outro targum de Jó preservou Jó 3:4 e Jó 4:16-5:4, de acordo com *The Wandering Aramean*, p. 165. O pergaminho 11QtgJob contém os versículos 16:3, 18:23, 30:4, bem como outros versículos.

Teodoto realizou uma tradução grega do Antigo Testamento, que inclui Jó.

Símaco e Áquila foram outros judeus que também realizaram traduções gregas do Antigo Testamento, e incluíram Jó.

Os manuscritos cristãos da Bíblia Vaticanus (325-350 d.C.), Sinaiticus (340-350 d.C.) e Alexandrinus (c. 450 d.C.) preservaram, cada um, o livro de Jó na íntegra.


P: Quais escritores antigos se referiram a Jó?

Os escritores pré-nicenos que fizeram referência ou alusão a versículos do livro de Jó são:

Filo, o judeu de Alexandria (15/20 a.C.–50 d.C.), cita Jó 14,4 em *Sobre a Mudança dos Nomes*, cap. 6 (47), p. 345.

Clemente de Roma (96-98 d.C.) cita Jó 1:1 como “Escrito por Jó” em 1 Clemente, cap. 17, p. 9.

Justino Mártir (c. 138–165 d.C.) menciona Jó e Zacarias em “Diálogo com Trifão, o Judeu”, cap. 103, p. 251

Melito/Meleto de Sardes (170-177/180 d.C.): “Como em Jó, ao falar do diabo: ‘Ele é o princípio dos caminhos do Senhor.’” (Jó 40:19) Da “Oração sobre a Paixão de Nosso Senhor”, fragmento 8, p. 761

Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.) cita Jó 9,9 em “Teófilo a Autólico”, livro 1, cap. 6, p. 91. Ele não faz referência a Jó em nenhum outro lugar.

Clemente de Alexandria (193-202 d.C.) cita Jó 1:21 como sendo de Jó. *Stromata*, livro 4, cap. 25, p. 439

Tertuliano (197-220 d.C.) discute as provações de Jó, mencionando-o pelo nome. Em *Sobre a Paciência*, cap. 14, p. 716

Tertuliano (207/208 d.C.) faz alusão a Jó 1:12. Cinco Livros Contra Marcião, livro 5, cap. 13, p. 456

Hipólito (222-235/6 d.C.) cita Jó 31:1 como sendo de Jó em seu “Comentário sobre Provérbios”, p. 173

Orígenes (225-254 d.C.): “Também no último (capítulo) de Jó, no qual o Senhor se dirige a Jó em meio à tempestade e às nuvens, dizendo o que está registrado no livro que leva o seu nome”, Orígenes, Contra Celso, livro 6, cap. 43, p. 593.

Cipriano, bispo de Cartago (c. 246-258 d.C.), cita Jó como sendo de Jó em *Tratados de Cipriano*, Tratado 12, terceiro livro, 1,14.

Cipriano de Cartago (c. 246–258 d.C.) discute detalhadamente Jó 2,10 e 1,8 em *Tratados de Cipriano*, Tratado 7, cap. 10, p. 471

Firmiliano de Cesareia a Cipriano (256 d.C.) “Pois a graça de Deus é poderosa para unir e associar, no vínculo da caridade e da unidade, até mesmo aquilo que parece estar separado por uma distância considerável na terra, da mesma forma que, desde os tempos antigos, o poder divino uniu, no vínculo da unanimidade, Ezequiel e Daniel — embora mais jovens e separados por um longo período de tempo — a Jó e Noé, que estavam entre os primeiros; de modo que, embora estivessem separados por longos períodos, por inspiração divina sentiam as mesmas verdades.” Cartas de Cipriano, Carta 74.3, p. 390

Pôncio (após 258 d.C.) “Se Jó, glorioso pelo testemunho de Deus, foi chamado de verdadeiro adorador de Deus e alguém a quem não havia ninguém na terra que se comparasse, ele ensinou que devemos fazer tudo o que Jó havia feito anteriormente… Ele, desprezando a perda de seus bens, obteve tal vantagem por meio de sua virtude assim posta à prova, que não percebeu as perdas temporais, nem mesmo as de seu afeto. Nem a pobreza nem a dor o abateram; a persuasão de sua esposa não o influenciou; o terrível sofrimento de seu próprio corpo não abalou sua firmeza.” A Vida e a Paixão de Cipriano, cap. 3, p. 268

Gregório, o Taumaturgo (240-265 d.C.), faz alusão a Jó 20,20 e 1,21 em *Uma Metáfora do Livro de Eclesiastes*, cap. 5, p. 12-13

Dionísio de Alexandria (246-256 d.C.) cita parte de Jó 14:1 como Escritura. De *Livros sobre a Natureza*, fragmento 3, p. 86.

Metódio de Olimpo e Patara (270-311/312 d.C.) cita Jó 38:14 (Septuaginta) e Jó 10:8 como sendo de Jó em *O Banquete das Dez Virgens*, Discurso 2, cap. 2, p. 314

Após Nicéia

Afraate, o Sírio (337-345 d.C.), cita Jó 16:19 “como disse Jó”. “Demonstrações Selecionadas”, cap. 22.10, p. 405

Atanásio (367, 325-373 d.C.): “Existem, portanto, no Antigo Testamento, vinte e dois livros; pois, segundo ouvi dizer, é transmitido que esse é o número das letras entre os hebreus; sendo sua ordem e nomes respectivos os seguintes. O primeiro é Gênesis, depois Êxodo, em seguida Levítico, depois Números e, por fim, Deuteronômio. A seguir a estes, vem Josué, filho de Num, depois Juízes e, em seguida, Rute. E, ainda, após esses quatro livros de Reis, sendo o primeiro e o segundo considerados como um único livro, e da mesma forma o terceiro e o quarto como um único livro. E, ainda, o primeiro e o segundo de Crônicas são considerados como um único livro. Da mesma forma, Esdras: o primeiro e o segundo constituem, igualmente, um único livro. Após estes, vem o livro dos Salmos, depois os Provérbios, em seguida Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos. Segue-se Jó, depois os Profetas, sendo os doze considerados como um único livro. Em seguida, Isaías, um livro; depois, Jeremias com Baruc, Lamentações e a epístola, um livro; posteriormente, Ezequiel e Daniel, cada um constituindo um livro. Até aqui se estende o Antigo Testamento.” Atanásio, Carta Pascal 39, cap. 4, p. 552.

Paciano de Barcelona (342-379/392 d.C.) faz alusão a Jó 42,10. Carta 3, cap. 24.1, p. 66

Efraim (350-378 d.C.)

Basílio da Capadócia (357-378/379 d.C.)

Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.)

Ambrósio de Milão (370-390 d.C.)

Gregório de Nazianzo (330-391 d.C.) menciona Jó em seu poema sobre as Escrituras. O poema de Gregório encontra-se (em grego) no volume 37 da Patrologia Graeca de Migne, colunas 471-474 (Carmina Dogmatica, Livro 1, seção 1, Carmen XII). Consulte http://www.bible-researcher.com/gregory.html para obter mais informações.

O herege donatista Ticônio (após 390 d.C.)

Gregório Nazianzeno (330-391 d.C.)

Paciano (342-379/82 d.C.)

Gregório de Nissa (c. 356-397 d.C.)

Dídimo, o Cego (398 d.C.), parafraseia Jó 1:7-12; 2:2-6 como “o livro de Jó” — Comentário sobre Zacarias 3, p. 68-69

Livro Siríaco dos Passos (350-400 d.C.)

Rufino (374-406 d.C.)

Jerônimo (373-420 d.C.) discute os livros do Antigo Testamento. Ele aborda especificamente Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, o Pentateuco, Jó, Jesus, filho de Nave [Josué], Juízes, Rute, Samuel, Reis (2 livros), os doze profetas, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Ester, Esdras, Neemias, Carta 53, cap. 7-8, p. 99-101.

Concílio de Cartago (218 bispos) (393-419 d.C.)

Epifânio de Salamina (360-403 d.C.) era obcecado pelo número 22. Ele apresenta os 22 (!) livros do Antigo Testamento na seguinte ordem: Pentateuco (5), Josué, Jó, Juízes, Rute, Salmos, Crônicas (2), Reis (4), Provérbios, Eclesiastes, Cântico [Cântico de Salomão], Doze Profetas, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Esdras (2), Ester. O Livro das Lamentações não se encaixava em seu sistema artificial, por isso ele colocou as Lamentações no final. Esses são os 39 livros que temos hoje.

João Crisóstomo (-407 d.C.) refere-se a Jó 2:9 em Jó, vol. 9, “Sobre as Estátuas”, Homilia 4.5, p. 366, e 4.10, p. 369

Orosio/Hósio de Braga (414-418 d.C.) refere-se a Jó 1:7 como sendo de Jó. Defesa contra os pelagianos, cap. 20, p. 143

O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.)

Agostinho de Hipona (338-430 d.C.) refere-se a Jó 34:30 como “escrito no livro de Jó”. A Natureza do Bem, Contra os Maniqueístas, cap. 32, vol. 4, p. 358

João Cassiano (419-430 d.C.)


P: Em Jó, qual é o grau de diferença entre o texto massorético e os targums aramaicos encontrados nos Manuscritos do Mar Morto?

Eles são muito semelhantes. Aqui está um targum (parafrase) de Jó 42:9-12, da coluna 38 do 11Q10. A tradução é da Edição de Estudo dos Manuscritos do Mar Morto, volume 2, p. 1201. “[o suhita e Zofar, o naamita] e eles fizeram [conforme lhes foi ordenado por] Deus; e D[e]us ouviu a voz de Jó e perdoou-lhes os pecados por causa dele. E Deus voltou-se /para Jó/ com misericórdia e concedeu-lhe o dobro de tudo o que ele possuíra. Então vieram a Jó todos os seus amigos, todos os seus irmãos e todos os seus conhecidos, e comeram pão com ele em sua casa, e o consolaram por todo o mal que Deus havia trazido sobre ele. E cada um lhe deu uma ovelha (fêmea) e cada um um anel de ouro. Em branco. E Deus abençoou Jó no final [...]”

Observe que o texto massorético menciona uma moeda de prata em vez de uma ovelha.


P: No livro de Jó, quais são algumas das diferenças de tradução entre o hebraico e a Septuaginta grega?

De modo geral, o grego parece próximo do hebraico. A principal exceção é que a cópia mais antiga do livro de Jó da Septuaginta é um sexto mais curta. Aqui estão algumas das diferenças de tradução do capítulo 1. A primeira frase é a tradução hebraica; a segunda, a versão da Septuaginta.

Jó 1:3 “maior do que todos os filhos do Oriente” vs. “nobre do Oriente”

Jó 1:6 “filhos de Deus” vs. “anjos”

Jó 1:6, 7, 12 “Satanás” vs. “o diabo” quatro vezes

Jó 1:10 “e seus bens aumentaram na terra” vs. “multiplicou seu gado na terra”

Jó 1:11 “não amaldiçoar” vs. “abençoar”

Jó 1:13 “comer e beber” versus “beber”

Jó 1:15 “sabeus” versus “saqueadores”

Jó 1:16 “O fogo de Deus caiu” versus “O fogo caiu do céu” (em ambos os casos, trata-se de um raio)

Jó 1:16 “jovens” vs. “pastores”

Jó 1:17 “caldeus” vs. “cavaleiros”

Jó 1:18 “bebendo vinho” vs. “bebendo”

Jó 1:19 “do outro lado do deserto” vs. “do deserto”

Jó 1:19 “jovens” vs. “seus filhos”

Jó 1:22 “atribuir culpa” vs. “imputar loucura”

Jó 2:11 “Elifaz, rei dos temitas; Baldad, soberano dos saucitas; Zofar, rei dos mineitas”

Jó 3:4 “dia” (hebraico e Alexandrino) versus “noite” (Septuaginta)

Jó 3:6 “regozijar-se” vs. “unir-se” (Septuaginta, siríaco, targumim, Vulgata)

Jó 5:5 “Tirando-a até mesmo dos espinhos, e uma armadilha arrebata seus bens.” (Masorético) vs. “Eles não serão tirados dos homens ímpios. O poderoso os afastará” (Septuaginta) vs. “E o homem armado o tomará à força. E os sedentos beberão suas riquezas” (Áquila, Símaco, Siríaco, Vulgata)

Jó 7:20 “Sou um fardo para mim mesmo.” (Masorético, Targum, Vulgata) vs. “Sou eu um fardo para você?” (Nesse caso, a Septuaginta provavelmente preserva a leitura mais antiga, e o texto masorético foi alterado para remover o que se considerava blasfêmia. Sabemos disso por meio de uma nota do escriba, ou Tiqqune sopherim, que foi preservada.)

Jó 8:14a “Aquilo em que ele confia é frágil” (TM) vs. “Pois sua casa ficará desabitada” (Septuaginta) vs. “Cuja confiança será cortada.” (Siríaco)

Jó 9:19 “a mim” vs. “a ele” (Septuaginta, siríaco, Vulgata)

Jó 10:8 “por todos os lados; contudo, o Senhor me destrói” vs. “depois o Senhor mudou e me feriu.” (Septuaginta, siríaco)

Jó 10:20 “Não são poucos os meus dias? Então, cessa e” vs. “Não são poucos os dias da minha vida?” (Septuaginta, Siríaco)

Jó 13:14 (pergunta) vs. (afirmação)

Jó 14:3 “Vós o trareis.” vs. “Vós o trareis?” (Septuaginta, Vulgata, Siríaco)

Jó 14:10 “onde está ele?” vs. “ele já não existe”

Jó 14:16 “contar” vs. “contado” (Septuaginta) vs. “não contar” (siríaco)

Jó 15:23a “alimento para os abutres” (‘ayyay) (MT) vs. “onde (‘ayyeh) está?” (Septuaginta) vs. “Ele foge por causa da ameaça do julgamento” (siríaco)

Jó 16:3 “Será que as palavras vazias terão fim? Ou o que o incita a responder?” vs. “O quê! Há algum sentido nas palavras vãs? Ou o que o impedirá de responder?”

Jó 17:10 “todos eles” (muitos textos massoréticos, Targumim) vs. “todos vocês” (alguns textos massoréticos, Septuaginta, siríaco, Vulgata)

Jó 18:3 “Até quando vocês usarão a perversão em vez de palavras?” vs. “Por quanto tempo vocês continuarão?”

Jó 19:20 “em mim” (a maioria dos textos massoréticos) vs. “nele” (muitos textos massoréticos, Septuaginta e Vulgata)

Jó 19:28 “em mim” (muitos textos massoréticos) vs. “nele” (alguns textos massoréticos, Septuaginta, Teodócio, Vulgata)

Jó 21:24 “balde” vs. “entranhas” (Septuaginta, Vulgata) vs. “flancos” (siríaco) vs. “seios” (Targums) (Aparentemente, os estudiosos modernos não são os únicos que tiveram dificuldade com essa palavra!)

Jó 21:28 “a tenda, a morada” (Masorético) vs. “a cobertura dos tabernáculos” (Septuaginta) vs. “a morada” (Vulgata)

Jó 22:8 (ausente) vs. “E você diz” (Targum de Jó dos Manuscritos do Mar Morto)

Jó 22:8 “tão escuro” vs. “claro”

Jó 22:9 “foram esmagados” vs. “você esmagou” (Septuaginta, siríaco, targums, Vulgata)

Jó 22:17 “a eles” vs. “a nós” (Septuaginta, siríaco, Targum dos Manuscritos do Mar Morto)

Jó 22:30 “aquele que não é inocente” vs. “o inocente”

Jó 23:2 “rebelde” (Masorético) vs. “fora do meu alcance” (Septuaginta) vs. “amargo” (siríaco, Targums, Vulgata)

Jó 23:2 “a mão sobre mim” (textos massoréticos, Targums, Vulgata) vs. “sua mão” (Septuaginta e siríaco)

Jó 23:9 “ele se volta” vs. “eu me volto” (Septuaginta, siríaco)

Jó 23:12 “guardado de” vs. “guardado em” (Septuaginta, Vulgata)

Jó 24:2 “eles [os ímpios]” vs. “os ímpios”

Jó 24:21 “Ele maltrata” vs. “ele não tratou… bem”

Jó 24:24 “como todos os outros” vs. “como a malva”

Jó 25:3 “sua luz” vs. “sua armadilha/emboscada” (Talvez os tradutores da Septuaginta tenham interpretado a palavra hebraica ‘orebo em vez da palavra ‘orehu.)

Jó 26:5 “espíritos que partiram” vs. “gigantes”

Jó 27:19 “ele já não existe” (Masorética, Targumim) vs. “Mas não acrescentará” (Septuaginta, Siríaco) vs. “Mas nada tirará” (Vulgata)

Jó 28:11 “contenha/prenda” vs. “investigue/sondem” (Septuaginta, Áquila e Vulgata)

Jó 28:13 “seu preço” vs. “o caminho para ele”

Jó 29:6 “ira” vs. “a rocha” (alguns textos massoréticos)

Jó 30:11 “minha corda de arco” (textos massoréticos, siríaco, Targum) vs. “Sua corda de arco” (Septuaginta, Vulgata)

Jó 30:18 “minha vestimenta está desfigurada” (texto massorético, tradução literal de Green) vs. “torna-se como vestimenta para mim” (texto massorético), vs. “agarrou minha vestimenta / agarra minha roupa” (Septuaginta)

Jó 31:32 “para a estrada” (textos masoréticos) vs. “para o viajante” (Septuaginta, siríaco, Targum, Vulgata)

Jó 32:1 “aos seus próprios olhos” vs. “aos olhos deles” (Septuaginta, Símaco e siríaco)

Jó 32:3 “o condenou” vs. “condenou Jó e, assim, condenou a Deus” (uma antiga tradição dos escribas hebreus)

Jó 32:9 “muitos” versus “antigos” (Septuaginta, siríaco, Vulgata)

Jó 33:30 “para ser iluminado com a luz da vida/dos vivos” vs. “para que minha vida o louve na luz” (Septuaginta traduzida por Lancelot) vs. “para que vejam a luz da vida” (Septuaginta)

Jó 34:6 “Sou considerado mentiroso” vs. “ele [Deus] mente”

Jó 39:13 “avestruz” vs. “dos que se deleitam (=pavão)” (A Septuaginta usa “avestruz” em todas as outras passagens do livro de Jó.)

Jó 39:19 “com uma crina” vs. “com terror”

Jó 39:21 “eles cavam” vs. “ele escava” (Septuaginta, siríaco, Vulgata)

Jó 41:6 “mercadores” vs. “fenícios”

Jó 41:7 “Você pode encher a pele dele com ferros farpados [arpões], ou a cabeça dele com lanças de pesca?” vs. “E nem mesmo todos os navios reunidos seriam capazes de suportar a mera pele da cauda dele; nem transportarão a cabeça dele em embarcações de pesca”

Jó 41:9 “alguém é abatido / oprimido” vs. “os deuses oprimiram” (Símaco, siríaco)

Jó 41:9 “Qualquer esperança de subjugá-lo” vs. “sua esperança” (um texto massorético)

Jó 41:11 “que eu retribuirei” vs. “e estarei a salvo”

Jó 41:22 “desfalecimento ou desânimo” (os estudiosos não têm certeza quanto à palavra hebraica) vs. “destruição”

Jó 42:11 “uma moeda de prata” (textos massoréticos e Símaco) vs. “um cordeiro” (Septuaginta) (A tradução da Septuaginta de Lancelot traz uma nota de rodapé indicando que poderia tratar-se de uma moeda cunhada com a imagem de um cordeiro.) (O rabino Akiba e Qimchi afirmam que isso se refere a dinheiro.)

Jó 42:16 “140 anos” (textos massoréticos) vs. “240 anos” (Septuaginta) vs. “248 anos” (Alexandrino)

Jó 42:17 “cheio de dias” (textos massoréticos e versão de Áquila (126 d.C.)) vs. “cheio de dias: e está escrito que ele ressuscitará com aqueles que o Senhor ressuscitará.” (Septuaginta e Teodoto)

Jó 42:17+ (ausente) vs. “Este homem é descrito no livro siríaco como vivendo na terra de Ausis, nas fronteiras da Idumeia e da Arábia; e seu nome anterior era Jobab; e, tendo tomado uma esposa árabe, gerou um filho cujo nome era Ennon. E ele próprio era filho de seu pai Zare, um dos filhos de Esaú, e de sua mãe Bosorrha, de modo que era o quinto descendente de Abraão. E estes foram os reis que reinaram em Edom, país sobre o qual ele também governou: primeiro, Balac, filho de Beor (Semphor no Alexandrino), e o nome de sua cidade era Dennaba; mas, depois de Balac, Jobab, chamado também de Job; e, depois dele, Asom, que era governador da região de Taeman; e, depois dele, Adad, filho de Barad, que destruiu Madiam na planície de Moabe; e o nome de sua cidade era Gethaim. E seus amigos que vieram até ele foram Elifaz, dos filhos de Esaú, rei dos temânitas; Baldad, soberano dos saucaianos; e Sofar, rei dos mineanos.”

Bibliografia para esta questão: a tradução hebraica é da obra *Literal Translation*, de Jay P. Green, e a versão da Septuaginta é da tradução de Sir Lancelot C.L. Brenton de *The Septuagint: Greek and English*. Também foram utilizados o *Expositor’s Bible Commentary* e as notas de rodapé das Bíblias NASB 1995, NIV 1985, NKJV e NRSV.