Pergunta bíblica sobre os Evangelhos

P: Quem foi o primeiro a escrever um livro respondendo a perguntas sobre os evangelhos?

R: O mais antigo que encontrei foi Eusébio de Cesareia (313-339/340 d.C.), que escreveu duas obras. A primeira chama-se “Perguntas e Respostas sobre os Evangelhos Dirigidas a Estêvão”, também intitulada “Perguntas e Respostas sobre a Genealogia de Nosso Salvador”, e a segunda é “Perguntas e Respostas sobre os Evangelhos Dirigidas a Marino”. As duas obras, juntas, são chamadas de “Perguntas e Respostas sobre os Evangelhos”. Além disso, Eusébio escreveu uma refutação das supostas contradições apresentadas por Hierocles, um filósofo neoplatônico e governador romano da Bitínia e, posteriormente, do Egito, que perseguiu severamente os cristãos sob o reinado de Domiciano. Antes disso, muitos escritores cristãos primitivos também responderam a perguntas específicas.

Posteriormente, Ambrosiáster escreveu “Perguntas sobre o Antigo e o Novo Testamentos” (em latim), por volta de 384 d.C.

Consulte “Pais Nicenos e Pós-Nicenos, Segunda Série”, vol. 1, p. 32, 38-39, para obter mais informações.

P: Os grandes mestres da história geralmente têm discípulos e, em seguida, desenvolvem um curso de ensino ou um livro que contém suas ideias, pensamentos e instruções. Por que não encontramos tal livro relacionado a Jesus Cristo, mas, em vez disso, encontramos vários evangelhos ou livros escritos por dois de Seus discípulos e por outras duas pessoas?

R: Quatro pontos a serem considerados na resposta.

1) Em primeiro lugar, Jesus não é meramente um “grande mestre” como supostamente foram Aristóteles, Confúcio ou Buda. Jesus é Deus.

2) Outros tinham escribas. Jeremias tinha um escriba chamado Baruc. Provavelmente foi um escriba de Moisés que escreveu sobre a morte e o sepultamento de Moisés em Deuteronômio 34:5-6. Todos os muçulmanos concordam que Maomé também não escreveu nada por conta própria.

3) Jesus deu à igreja os apóstolos, que tinham o importante papel de transmitir à igreja o que Jesus ensinou e fez. Lembre-se de que os primeiros cristãos não possuíam o Novo Testamento; em vez disso, contavam com os próprios apóstolos.

4) Jesus parecia estar mais preocupado com Seu ministério — demonstrando, por meio de Seus poderosos milagres, que Ele era o Filho de Deus — do que em dedicar tempo de Seu ministério para atuar como Seu próprio secretário.

Os quatro autores dos evangelhos foram Mateus e João, discípulos de Jesus; Marcos, companheiro e intérprete de Pedro; e Lucas, o historiador e companheiro de viagem de Paulo.

P: Se os Evangelhos fossem suficientes para as necessidades da igreja ou dos crentes, o Espírito Santo não precisaria inspirar Paulo a escrever aquelas epístolas que tratam de questões doutrinárias e também de problemas das igrejas locais. Portanto, não podemos afirmar que o Espírito tenha deixado de inspirar homens piedosos a explicar ou mostrar a opinião ou atitude divina em relação a diferentes questões atuais ao longo dos tempos. É por isso que podemos afirmar que a inspiração divina não cessou nem cessará até a segunda vinda de Jesus e o fim dos tempos. O que o senhor acha disso?

R: Discordo. Lembre-se de que os primeiros cristãos não possuíam nem os evangelhos escritos, nem os escritos de Paulo, nem qualquer outro texto do Novo Testamento. Em vez disso, eles contavam com os próprios apóstolos. Mas, à medida que os apóstolos foram falecendo, eles registraram por escrito seus ensinamentos no Novo Testamento. A igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, conforme Efésios 2:20; 3:5. Embora tenham existido profetas do Novo Testamento, como Ágabo e as filhas de Filipe, hoje não temos profetas do Antigo Testamento que tenham escrito as Escrituras. Da mesma forma, também não temos outros apóstolos do Novo Testamento fisicamente presentes nesta terra.

P: Qual dos evangelhos conhecidos (Mateus, Marcos, Lucas, João) ou outros é o mais antigo? Os outros evangelhos foram baseados nele? E até que ponto o citaram ou se inspiraram nele?

R: Não sabemos ao certo, mas muitos estudiosos acreditam que Marcos seja o mais antigo. Lucas, em Lucas 1:1-3, menciona que se baseou em relatos mais antigos, que podem incluir tanto os escritos quanto os orais. Em geral, acredita-se que João tenha sido escrito por último.

João tinha um discípulo chamado Papias, e eis o que ele disse. “Marcos, que era o intérprete de Pedro, registrou com precisão tudo o que se lembrava, fossem palavras ou atos de Cristo, mas não em ordem. Pois ele não foi nem ouvinte nem companheiro do Senhor; mas, posteriormente, como já disse, acompanhou Pedro, que adaptou suas instruções conforme a necessidade exigia, não como se estivesse fazendo uma compilação dos oráculos do Senhor. Portanto, Marcos não cometeu nenhum erro ao registrar assim algumas coisas conforme se lembrava delas; pois concentrou-se apenas nisso — em não omitir nada do que havia ouvido, nem incluir qualquer afirmação falsa entre elas” (extraído de The New Bible Dictionary, 1962, p. 782) História Eclesiástica de Eusébio, livro 3, cap. 39, p. 170-173. Em particular, em Mateus 10,32, a expressão “reconhecer-me” soa estranha em grego, mas é natural apenas em aramaico, de acordo com *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 256.

P: Alguns estudiosos da Bíblia afirmam que os milagres nos evangelhos são semelhantes aos milagres de cura encontrados nas tradições helenísticas e que esses milagres não foram realizados por Jesus, mas sim criados pela primeira comunidade cristã. É por isso que eles os rejeitam. O que o senhor acha?

R: Nenhum estudioso que acredita na Bíblia afirma isso; é claro que escritores céticos são outra história. No entanto, mesmo entre eles, não creio que a maioria chegue a afirmar que os milagres foram tomados das tradições helenísticas (gregas). Portanto, não creio que a maioria deles não acredite nos milagres por causa de sua origem nas tradições helenísticas. Em vez disso, eles não acreditam que milagres sobrenaturais sejam possíveis.

No entanto, alguns já afirmaram isso, e vamos voltar à história para ver onde isso parece ter começado. O imperador romano Alexandre Severo (205-235 d.C.) perseguiu severamente a igreja cristã. Sua mãe, Júlia, entregou ao orador profissional Flávio Filóstrato uma cópia das “Memórias de Damis” e pediu a Filóstrato que escrevesse uma biografia de Apolônio de Tiana. Nessa biografia, afirma-se que Apolônio de Tiana ressuscitou alguém dos mortos e ascendeu ao céu. Você pode ler mais sobre isso em www.biblequery.org/History/Legends/ApolloniusofTyana.html.

Como observação adicional, os manuscritos mais antigos que mencionam os milagres de Jesus são:

papiros p66 Bodmer II — 817 versículos (92%) do Evangelho de João (125-175 d.C.); p4 + p64 + p67 — 95 versículos (c. 150-175 d.C.); p45 Chester Beatty I – 833 versículos (os quatro evangelhos mais Atos) (200-225 d.C.); p75 (c. 175-225 d.C.); 0162 (João 2:11-22) (ca. 300 d.C.); p28 – João 6:8-12, 17-22 (século III d.C.); Siríaco do Sinai (SyrS) (séculos III/IV)

Alguns dos primeiros escritores cristãos que mencionam os milagres de Jesus são Quadrato de Atenas (126 d.C.); Justino Mártir (c. 150 d.C.); Melito de Sardes (170-177/180 d.C.); Irineu de Lyon (182-188 d.C.); Tertuliano (207/208 d.C.) e outros que se seguiram.

P: Como é que Jesus poderia ser da tribo de Judá, uma vez que a filiação tribal se dá exclusivamente por parte do pai (Números 34:14, Números 1:18-24, Levítico 24:10)? A filiação tribal da mãe era considerada irrelevante para a filiação tribal de seus filhos, e a filiação tribal/genealogia não podia ser herdada por meio de um padrasto; apenas bens podiam ser herdados. Como os cristãos acreditam que Jesus não teve pai humano, ele não teria tido filiação tribal e, portanto, não poderia ser considerado descendente de Judá ou de Davi, sendo assim excluído da linha de sucessão messiânica. O site http://www.jewsforjudaism.org/faq-primary-211/birth-of-jesus-primary-360/59-whos-genealogy-is-given-by-luke apresenta as seguintes alegações a respeito da genealogia de Cristo: “Presumir que Maria fosse descendente de Davi apresenta o problema de que Maria não poderia transmitir o que não possuía: (1) A ligação materna não é levada em consideração para a sucessão ao trono de Davi, que é transmitido apenas por meio de uma linhagem masculina contínua: ‘Não será cortado de Davi um homem para se assentar no trono da casa de Israel’ (Jeremias 33:17); (2) Biblicamente, o direito de privilégio de linhagem, ou seja, a realeza e o sacerdócio, são transmitidos exclusivamente pela linhagem masculina. O episódio relativo à herança das filhas de Zelofeade (Números, capítulos 27 e 36) não se aplica aqui, uma vez que diz respeito à transferência de bens materiais e não a privilégios de linhagem.”

R: Primeiro, a resposta de 5 segundos; depois, uma resposta detalhada. A maioria dos judeus considera que a origem judaica se transmite pela mãe, mas vamos responder a essa pergunta ignorando esse aspecto. Basicamente, embora a afiliação tribal fosse normalmente pelo pai, a afiliação tribal judaica era pela mãe, NÃO pelo pai, no caso da família de Jarha (1 Crônicas 2:34-41) e dos filhos de um sacerdote (Esdras 2:61; Neemias 7:63). Quanto mais a afiliação tribal seria pela mãe no caso do nascimento da virgem!

Quanto a uma resposta detalhada, quem disse que a afiliação tribal ou clânica se dava apenas por meio do pai? — ninguém na Bíblia. Números 34:14 não indica nada. Números 1:18-24 mostra que o filho de pai egípcio e mãe israelita não era chamado de israelita. As pessoas o considerariam egípcio ou meio israelita. Levítico 24:10 (e muitas outras passagens) indicam apenas que, para os israelitas comuns, a afiliação tribal era de fato por meio do pai. Mas isso NÃO É UMA RESTRIÇÃO PARA DEUS. Os casos em que há dois pais biológicos não têm relação com o caso em que há um único pai biológico. No entanto, mesmo no caso de dois pais biológicos, há, de fato, exemplos no Antigo Testamento de linhagem tribal que se dá, na verdade, por meio da mãe.

Três exemplos de afiliação tribal por meio da mãe.

Na tribo de Judá, Sesã não tinha filhos, apenas filhas. Assim, ele deu sua filha em casamento ao seu servo egípcio Jará, e eles tiveram um filho chamado Attai. A genealogia de Attai é apresentada junto com a dos demais israelitas em 1 Crônicas 2:34-41. Não apenas os filhos eram considerados israelitas, mas também estavam listados sob a tribo de Judá.

Um segundo exemplo é Jair, cujo avô era Hezron, da tribo de Judá, e cuja mãe era filha de Maquir, um manassita. Em 1 Crônicas 2:21-23, Jair controlava 23 cidades em Gileade (no território de Manassés). No entanto, embora o avô de Jair fosse de Judá, Jair ainda é chamado de manassita, assim como sua mãe em Números 32:41 e Deuteronômio 3:14.

Um terceiro exemplo é Esdras 2:61 e Neemias 7:63, onde os filhos de um sacerdote que se casou com uma filha de Barzilai eram chamados de filhos de Barzilai.

Outro exemplo que demonstra que a afiliação ancestral não se dava apenas por meio do pai biológico é o casamento levirato. Quando um marido morria antes de ter filhos, o irmão do marido se casava com a viúva, e o primeiro filho nascido era considerado filho do primeiro marido falecido, mesmo que biologicamente isso não fosse o caso.

Independentemente disso, porém, a questão parece ser uma sutileza sem sentido. Qual era a origem étnica do DNA humano de Jesus? 100% judaica. Havia apenas 12 tribos judaicas (na verdade, 11 tribos mais 2 meias-tribos). O DNA humano de Jesus era de alguma tribo em particular? Sim, de Judá. Se o fato de não ter um pai judeu o tornasse alguém que não pertencesse a uma das 12 tribos, qual seria então a origem étnica de Jesus?

Essa questão parece ser uma forma de evitar uma questão maior. Se Jesus tivesse nascido de uma virgem, enviado por Deus para nos ensinar, o senhor O seguiria ou não? Se a escolha fosse entre permanecer na cultura judaica do questionador e seguir o Único Deus Verdadeiro, o que o senhor escolheria? Se a pessoa não dissesse que seguiria o Único Deus Verdadeiro a qualquer custo, então a questão não é o DNA de Jesus, mas o fato de a maioria dos judeus não estar disposta a seguir o Único Deus Verdadeiro.

Uma segunda questão é a sucessão ao trono. O questionador estava errado ao afirmar que Maria não era descendente de Davi; sua genealogia em Lucas, bem como em Lucas 2, Romanos 1:3 e 2 Timóteo 2:8, mostra que Jesus (e ela) eram biologicamente descendentes de Davi. No entanto, o questionador está correto ao indicar que a genealogia de Maria não teria qualquer influência sobre a sucessão ao trono. Para isso, era importante que Jesus também fosse o filho adotivo de José, que, como homem da linhagem de Davi, teria direito ao trono.

P: Nos evangelhos, qual é a fonte que indica que o pai biológico de Jesus era um soldado romano chamado Panthera?

R: Pelo que sabemos, essa falsa acusação foi feita pela primeira vez por um adversário romano do cristianismo chamado Celso, no século III d.C. Essa palavra, que não é conhecida como nome, é semelhante à palavra grega para virgem: parthenos. Posteriormente, o Talmude judaico retomou essa ideia, assim como os nazistas do século XX. Consulte *O Evangelho de Mateus e Seus Leitores*, de Howard Clarke. Indiana University Press, 2003, p. 5.

P: João Crisóstomo afirma que, se os quatro evangelistas concordassem em todos os detalhes, seriam acusados de terem conspirado para tornar suas narrativas idênticas. Portanto, podemos considerar as variações em seus evangelhos como uma evidência de que cada um era independente e trabalhou separadamente dos demais, além de uma prova de que suas narrativas são genuínas e verdadeiras. O que o senhor acha? Pessoalmente, porém, acredito que os evangelistas deveriam ter escrito sobre os mesmos incidentes com palavras, linguagem e estilo diferentes. Além disso, o que o senhor acha?

R: Acho que isso está, em grande parte, correto. Concordo que o fato de haver variações nas frases, nos eventos incluídos e até mesmo na ênfase contribui para a credibilidade deles. É claro que os autores dos evangelhos sinópticos ainda assim poderiam ter conhecimento uns dos outros, e João provavelmente tinha conhecimento deles. Por outro lado, mesmo com quatro relatos diferentes, os céticos ao longo dos tempos têm acusado os evangelistas de todo tipo de coisa de qualquer maneira.

Não há apenas variações nas frases, mas também na ênfase e nas histórias narradas. Por exemplo, Mateus aborda muito mais do que os outros o cumprimento das profecias do Antigo Testamento por Jesus. Marcos aborda menos. (A propósito, Marcos é um nome romano, não hebraico.) O evangelho de Marcos enfatiza mais as ações realizadas por Jesus. Irineu de Lyon (182-188 d.C.) escreveu bastante sobre isso em *Irineu contra as Heresias*, livro 3, cap. 11.8, p. 428.

P: A história do batismo de Jesus pelas mãos de João Batista e Sua tentação por Satanás está escrita nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, mas não consta no Evangelho de João. O mesmo se aplica à transfiguração. Por quê?

R: João não explica por que, dentre todas as coisas que Jesus fez, ele não incluiu isso em vez de outra coisa. Mas podemos especular sobre uma resposta. Observe que havia muitas outras coisas escritas nos três evangelhos sinópticos que também não constavam em João. Considera-se geralmente que João foi escrito por último, e acredita-se que ele quis incluir fatos que não foram mencionados ou que foram mencionados apenas de passagem nos outros evangelhos, a fim de proporcionar um quadro mais completo.

P: Apenas Mt 2,1 menciona os magos (sábios) na história do nascimento de Jesus. Por que os outros evangelhos não falam sobre eles? Será que se trata de uma história alegórica para indicar a pregação da comunidade da Igreja primitiva, que percebeu que os judeus rejeitaram Jesus e, por isso, voltaram-se para as nações em vez de para eles, fazendo com que os Magos fossem os primeiros a adorar Cristo, em contraste com os líderes judeus, Herodes e outros, que tentaram matar o menino Jesus?

R: De todos os eventos da vida de Jesus, os autores dos outros evangelhos optaram por não incluir esses. Também pode ser porque eles não tinham conhecimento da visita dos Magos. Embora possa haver simbolismo aqui, não há nada que indique que se tratasse apenas de uma alegoria.

Ao considerar passagens de forma alegórica em geral, se Deus comunicou algo ao Seu povo por meio de alguma alegoria nas Escrituras, e nenhum cristão em toda a história jamais percebeu isso, então Deus realmente comunicou isso — com sucesso? Ninguém viu esse significado como meramente alegórico, e não literal, pelo menos até o início da era do ceticismo no século XIX.

P: Nos evangelhos, por que há necessidade de uma harmonização dos evangelhos?

R: A harmonização dos evangelhos não seria uma questão se Deus tivesse preservado apenas um evangelho, ou se o próprio Deus tivesse fornecido uma harmonia completa dos evangelhos. Em vez disso, temos quatro relatos, nos quais cada escritor humano registrou o que acreditava ser mais importante dentre o que Deus, por Sua providência, fez com que ele se lembrasse. Consulte a pergunta seguinte para saber por que temos quatro evangelhos.

P: Quem foram os primeiros escritores da história a elaborar uma harmonização dos evangelhos?

R: Tatiano (c. 172 d.C.) elaborou uma harmonização dos evangelhos, chamada Diatessaron, que significa “através dos quatro”. Isso atesta que havia apenas quatro evangelhos aceitos e cita com precisão, palavra por palavra, 79% dos versículos dos evangelhos. No entanto, Tatiano era um gnóstico encratita e omitiu seletivamente todos os versículos que enfatizam a humanidade de Jesus, tais como as genealogias. Mas mesmo esse herege incluiu todos os versículos que mostram que Jesus é Deus.

Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.) escreveu uma harmonização/comentário sobre os evangelhos, segundo Jerônimo, mas ela se perdeu. (ANF, vol. 2, p. 87-88

Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.) (parcialmente) demonstrou que os autores dos evangelhos não “discordavam nem se contradiziam” e apresentou uma boa e bastante completa harmonia dos evangelhos após a ressurreição em sua Carta 5 — ao bispo Basilides, cânon 1, Padres Ante-Nicenos, vol. 6, p. 94-95.

Ammônio de Alexandria elaborou uma harmonização dos evangelhos no início do século III. Ele utilizou Mateus como padrão e mostrou como os outros evangelhos se comparavam a ele. Ver “Pais Nicenos e Pós-Nicenos”, Segunda Série, vol. 1, p. 38-39, e vol. 6, p. 69.

Juvêncio (329 d.C.) compôs um poema épico sobre os evangelhos, harmonizando grande parte deles.

Eusébio de Cesareia (313-339/340 d.C.) elaborou uma harmonização mais fácil de ler, pois dispôs as colunas lado a lado. No entanto, em “Pais Nicenos e Pós-Nicenos, Segunda Série”, vol. 6, p. 69, afirma-se que ela apresentava falhas, pois ele frequentemente criava um paralelismo onde não havia necessidade. Consulte “Pais Nicenos e Pós-Nicenos, Segunda Série”, vol. 1, p. 38-39.

Agostinho de Hipona (354-430 d.C.) também escreveu uma obra intitulada “Harmonia dos Evangelhos”. Ela consta em “Pais Nicenos e Pós-Nicenos, Segunda Série”, vol. 6, p. 77-236.

Durante a Reforma, os seguintes autores apresentaram harmonizações dos evangelhos: Osiander, Jansen, Robert Stephens, João Calvino, Du Moulin e Chemnitz, de acordo com “Pais Nicenos e Pós-Nicenos, Segunda Série”, vol. 6, p. 69.

Nos tempos modernos, uma harmonia dos evangelhos encontra-se no *The New Unger’s Bible Dictionary*, pp. 495-498.

P: Se o Evangelho de Marcos foi escrito primeiro, os cristãos certamente o conheciam. Então, por que não se limitaram a copiá-lo, mas surgiram aqueles que escreveram um segundo, um terceiro e um quarto evangelho?

R: Eles copiaram Marcos, assim como os outros três evangelhos; portanto, creio que a verdadeira questão seja: por que existem outros três evangelhos? Temos a riqueza de não apenas um, mas quatro pontos de vista sobre Jesus. Deus inspirou não apenas um escritor, mas quatro, e Deus lhes concedeu perspectivas e personalidades diferentes.

P: Nos evangelhos, por que existem quatro evangelhos?

R: Os quatro evangelhos têm propósitos diferentes e públicos-alvo um tanto distintos.

Mateus: foi escrito inicialmente nas línguas dos hebreus (aramaico?), segundo Papias. Ele enfatiza o reino de Deus, em contraste com João, que enfatiza como ser salvo. Mateus lista muitas profecias do Antigo Testamento e mostra como a vida de Cristo era paralela à vida de Israel no Antigo Testamento. Muitos consideram o Evangelho de Mateus um “leão”, que enfatiza Cristo como o Rei. Irineu de Lyon (182-188 d.C.), no fragmento 28, afirma que o Evangelho de Mateus foi escrito para os judeus, ressaltando que Cristo era descendente de Davi.

Marcos: Enfatiza as ações de Cristo. Muitos consideram o Evangelho de Marcos como um “boi”, enfatizando Cristo como servo.

Lucas: O evangelho mais extenso, foi escrito por um médico e companheiro de viagem de Paulo. Lucas tem sido considerado o maior historiador do mundo antigo. Muitos consideram o evangelho de Lucas como um “homem”, enfatizando a humanidade de Cristo.

João: Talvez o evangelho mais profundo, enfatiza menos a vida de Cristo e mais suas afirmações e ensinamentos. Muitos consideram o evangelho de João como uma “águia”, enfatizando a divindade de Cristo.

O Comentário Bíblico do Crente, p. 1198, menciona que, no Antigo Testamento, o Messias é chamado de “O Renovo” em quatro contextos: “…para Davi, um Renovo justo, e Ele reinará com sabedoria como Rei…” (Jeremias 23:5,6), “Meu servo, o Renovo” (Zacarias 3:8), “um homem cujo nome é o Renovo” (Zacarias 6:12) e “O Renovo do SENHOR” (Isaías 4:2).

Não havia mais evangelhos que fossem geralmente aceitos pelos cristãos. Irineu, que escreveu por volta de 182-188 d.C., afirmou que havia exatamente quatro evangelhos (Irineu, Contra as Heresias, livro 3, capítulo 11.8, p. 428).

P: Os evangelhos estão em ordem cronológica?

R: Não. Veja a seguir o que dizem quatro fontes conservadoras.

A Bíblia de Estudo NIV, p. 1.437, afirma: “(No entanto, a ordem cronológica não parece ter sido seguida rigidamente em nenhum dos Evangelhos.)”

A Bíblia de Estudo de Genebra, p. 1504, afirma: “No entanto, Mateus e Lucas não seguem Marcos em todos os pontos quanto à ordem dos eventos da vida de Jesus ou à ordem de Seus ensinamentos.” Na p. 1698, afirma-se: “Embora surjam algumas dificuldades na correlação dos detalhes, os elementos principais estão em completa harmonia.”

F.F. Bruce, em *Hard Sayings of the Bible*, pp. 454-455, afirma: …nenhum dos evangelistas alega estar apresentando uma cronologia meticulosa. … Para o historiador antigo, era muito mais importante que compreendêssemos o significado da história do que que acertássemos a cronologia. Assim, Mateus agrupa as palavras de Jesus em cinco “livros” principais, por tema:… Lucas tem outra maneira de agrupar seu material. … Em cada caso, temos agrupamentos temáticos, que nos proporcionam um relato ordenado, na medida em que organizam o material para que possamos compreendê-lo melhor. Em nenhum dos casos obtemos necessariamente o contexto exato em que Jesus proferiu todo o material.”

Na Igreja primitiva, a “História Eclesiástica” de Eusébio (318 d.C.), livro 3, cap. 39, p. 170-173, registra que Papias, um discípulo do apóstolo João, afirmou: “Marcos, que era o intérprete de Pedro, escreveu com precisão tudo o que se lembrava, fossem palavras ou atos de Cristo, mas não em ordem. Pois ele não foi nem ouvinte nem companheiro do Senhor; mas, posteriormente, como já disse, acompanhou Pedro, que adaptou suas instruções conforme a necessidade exigia, não como se estivesse fazendo uma compilação dos oráculos do Senhor. Portanto, Marcos não cometeu nenhum erro ao registrar assim algumas coisas conforme se lembrava delas; pois concentrou-se apenas nisso — em não omitir nada do que havia ouvido, nem incluir qualquer afirmação falsa entre elas” (extraído de The New Bible Dictionary, 1962, p. 782)

Os autores presumiram que as pessoas leriam o livro inteiro várias vezes. Por exemplo, João 11,2 menciona que foi Maria quem ungiu Jesus com óleo perfumado. Mas o relato de Maria ungindo Jesus com óleo perfumado só é apresentado em João 12,1-3. Em Mateus 10,4, é mencionado “Judas Iscariotes, que traiu Jesus”, e Judas ainda não havia traído Jesus.

P: O que são os “Evangelhos Sinópticos”? Quais são as semelhanças e diferenças entre eles? Existe alguma prova de que eles se citaram mutuamente?

R: Os “evangelhos sinópticos” são simplesmente o nome dado a Mateus, Marcos e Lucas (não João). Se Marcos fosse o mais antigo, ele não teria citado os outros. É possível que Mateus e Lucas tenham citado Marcos e um ao outro, mas, por outro lado, pode ter sido o que eles próprios se lembravam ou o que ouviram de outras pessoas. João, que provavelmente foi escrito por último, parece se concentrar no que os outros não mencionaram.

Muitos estudiosos acreditam que Mateus utilizou conscientemente o evangelho de Marcos ao escrever; 93% do texto de Marcos é encontrado em Mateus e Lucas. Há 200 versículos presentes em Mateus e Lucas, mas ausentes em Marcos. Muitos têm conjecturado a existência de um documento hipotético, chamado Q, para esses 200 versículos. No entanto, não há evidências de que Q tenha existido, pelo menos na forma escrita. O que alguns consideram ser Q poderia ser o ensino verbal comum da igreja e as discussões com Mateus e com Lucas, companheiro de Paulo. Há também algumas semelhanças de ênfase entre Mateus e os escritos do importante fariseu judeu Johanan ben Zakkai, que viveu de 30 a.C. a 90 d.C. Johanan enfatizava a misericórdia e a ajuda ao próximo mais do que os sacrifícios e a pureza. Ambos reconheciam que os gentios tinham um lugar no reino de Deus e escreveram sobre o julgamento futuro.

P: Por que os três Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) são tão semelhantes?

R: Existem quatro visões, e as três primeiras podem ser complementares.

1. Semelhança de Propósito: Os três primeiros evangelhos são bastante paralelos e foram escritos para oferecer uma “sinopse” da vida de Cristo. O Evangelho de João, que foi escrito posteriormente, talvez partisse do pressuposto de que os leitores já conheciam os outros evangelhos. Afirma-se que o Evangelho de João foi escrito para que as pessoas cressem em Jesus e tivessem vida em Seu nome, conforme diz João 20:30-31.

2. Ligação verbal: Marcos era companheiro de Pedro, e Lucas viajava com Paulo. Marcos estava em Roma, conforme 1 Pedro 5:13. Lucas e Marcos provavelmente estavam em Roma ao mesmo tempo e, como alguém observou, “eles provavelmente não passavam todo o tempo falando sobre o tempo”. Embora não saibamos todos os lugares por onde Mateus viajou, essa visão afirma que as semelhanças se devem à comunicação verbal entre os escritores. O livro *Hard Sayings of the Bible*, p. 454, também discute uma ligação comum entre Mateus e Lucas, afirmando que essa ligação provavelmente foi verbal.

3. Vínculo escrito de Marcos: A New Geneva Study Bible (p. 1504) afirma: “Os Evangelhos não apresentam simplesmente uma cronologia das atividades de Jesus. Tampouco são biografias modernas e técnicas que seguem métodos desconhecidos em sua época.”

4. “Q”: Uma quarta visão, defendida por muitos estudiosos liberais, é a de que existia um livro hoje perdido, ao qual chamam de “Q”, que continha o material comum a Mateus e Lucas, mas não a Marcos.

P: O que é a fonte “Q”? Onde ela se encontra atualmente? Em que idioma ela existe?

R: “Q” é o nome dado aos versículos que são comuns a Mateus e Lucas, mas não aparecem em Marcos nem em João. Não temos provas de que ela tenha existido. Por outro lado, pode-se considerar que esse “Q” não precisa ser um único escrito, mas sim múltiplas fontes. E essas fontes não foram necessariamente todas registradas por escrito. Em outras palavras, o que alguns chamam de “documento Q” (no singular) poderia, na verdade, ser ensinamentos — inclusive verbais — dos apóstolos e de outros seguidores.

P: Os evangelhos contêm exatamente e de fato o que o Senhor Jesus disse ou fez?

R: Eles resumiram e parafrasearam. Por exemplo, no Sermão da Montanha, em Mateus 5-7, Jesus provavelmente teve um longo período de tempo para pregar. No entanto, é possível ler isso em menos de quinze minutos. É claro que Jesus provavelmente repetiu algumas coisas em sermões subsequentes, mas o autor do evangelho não repetiu isso todas as vezes. Mas, para os cristãos, o que importa é a mensagem e o significado que Jesus ensinou, não as sílabas e palavras em si.

P: O que é esse “conjunto de ditos de Jesus” do qual se diz que os evangelistas se basearam ao escrever seus evangelhos?

R: O Novo Testamento não menciona nenhum “conjunto de ditos”. Talvez o senhor esteja se referindo ao que Lucas escreveu. João também escreveu duas passagens que poderiam ser consideradas marginalmente relevantes.

Lucas 1:1-4 “Muitos já se propuseram a redigir um relato das coisas que se cumpriram entre nós, tal como nos foram transmitidas pelas primeiras testemunhas oculares e pelos servos da Palavra. Por isso, tendo investigado cuidadosamente tudo desde o início, pareceu-me bem também a mim escrever um relato ordenado para o senhor, excelentíssimo Teófilo, a fim de que o senhor conheça a certeza das coisas que lhe foram ensinadas.”

João 20:30-31 “Jesus realizou muitos outros sinais na presença de Seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida em Seu nome.”

1 João 1:1-4 “O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos próprios olhos, o que contemplamos e tocamos com nossas próprias mãos — este é o Verbo da vida. E esta é a vida que foi revelada; nós a vimos e testemunhamos a respeito dela, e proclamamos a vocês a vida eterna que estava com o Pai e nos foi revelada. Proclamamos a vocês o que vimos e ouvimos, para que vocês também tenham comunhão conosco. E essa nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho, Jesus Cristo. Escrevemos essas coisas para que nossa alegria seja completa.”

P: Meu professor está me permitindo fazer uma apresentação de 75 minutos sobre o “Jesus histórico”. Em minha pesquisa, deparei-me com alguns argumentos que não sei muito bem como abordar, e gostaria de saber se o senhor teria alguma sugestão!

1) Não sabemos se os manuscritos originais foram escritos em grego, já que os documentos mais antigos datam [supostamente] de algumas centenas de anos d.C. Eles poderiam ter sido traduzidos de alguma outra língua, o que poderia ter gerado erros.

2) Jesus talvez não falasse grego. Isso significaria que os autores (ou tradutores) do Novo Testamento tiveram que interpretar suas palavras à sua maneira e, em seguida, traduzi-las (não necessariamente de forma correta).

Existe alguma informação sobre a helenização da Palestina na época de Jesus que possa indicar que os autores do Novo Testamento realmente escreveram em grego? É muito provável que Jesus falasse aramaico; então, como o senhor explicaria a infalibilidade do que se diz que ele tenha dito? Se os autores escreveram em aramaico, ou em alguma outra língua, como podemos provar (ou pelo menos demonstrar, além de qualquer dúvida razoável) que o texto foi traduzido e transmitido
com precisão ao longo dos séculos?

Se o senhor conhece alguma fonte que possa me indicar, seria ótimo. Ou, se já tiver refletido sobre esse assunto, adoraria ouvir suas conclusões. Acredito na soberania de Deus e em Sua capacidade de proteger Sua Palavra, mas quaisquer explicações sobre como Ele fez isso certamente ajudariam!

R: Parece que há quatro questões básicas aqui:
1. O que Jesus disse

2. Em que os Evangelhos foram escritos

3. O testemunho da confiabilidade dos Evangelhos

4. O registro infalível dos ensinamentos de Jesus

1. O que Jesus disse

Sabemos que Jesus falava aramaico, pois proferiu algumas frases nessa língua. (Mateus 5:22, etc.) Quando Jesus falou na cruz: “Eloi, Eloi, Lama Sabachthani”, alguns pensaram que Ele estava chamando Elias, pois não conheciam o aramaico, embora todos os romanos soubessem grego e latim. Na região onde Jesus cresceu, muitas pessoas falavam hebraico, aramaico e grego. Por exemplo, logo ao norte e em toda a região a leste do Mar da Galiléia, todos falavam grego. É por isso que Pilatos mandou escrever a placa acima da cabeça de Jesus em três idiomas.

Além disso, vários judeus daquela época tinham nomes judaicos e também gregos ou romanos. Além de Simão Pedro, havia José Barsabás e Judas Barsabás em Atos 15:22; Jesus, chamado Justo, em Colossenses 4:11; José, chamado Barnabé, em Atos 4:36; e João Marcos, em Atos 12:12.

2. Em que língua os Evangelhos foram escritos

Quanto aos evangelhos, temos o testemunho de Papias, um discípulo do apóstolo João. De acordo com o que foi preservado pelo historiador da Igreja Eusébio, Papias afirmou que o Evangelho de Mateus foi originalmente escrito na língua dos hebreus (hebraico ou aramaico). Os primeiros cristãos falavam predominantemente grego, embora os convertidos do judaísmo também falassem hebraico e aramaico.

3. Testemunho da confiabilidade dos Evangelhos

Já ouvi várias pessoas afirmarem que o Novo Testamento completo (ou quase completo) mais antigo de que dispomos data de por volta de 350 d.C. No entanto, isso não é o que importa. Temos a grande maioria de todos os versículos dos evangelhos preservados muito antes disso. Por exemplo, até o ano 200 d.C., temos manuscritos preservados que contêm 71% dos versículos de Lucas (818 de um total de 1.151 versículos). São eles: Lucas 1:58-59; 1:52-2:1; 2:6-7; 3:8-4:2; 4:29-32; 4:34-5:10; 5:30-7:32; 7:35-39, 41-43; 7:46-9:2; 9:4-17:15; 17:19-18:18; 22:4-24:53.

Quanto ao Evangelho de João, o manuscrito mais antigo que possuímos hoje é o p52, que data entre 100 e 150 d.C. Outros manuscritos antigos datam até 200 d.C. (p45, p66, p75, p90). Esses manuscritos, juntamente com o p52, contêm 855 dos 878 versículos de João (97%). Eles incluem os versículos 1:1-14:30; 15:2-26; 16:2-4, 6-7, 10-33; 17:1-20:20; 20:22, 23, 25-31; 21:1-9, 12, 17.

Não se esqueça dos escritos da Igreja primitiva e de outros textos. Os primeiros escritos cristãos não bíblicos de que dispomos são a Primeira Carta de Clemente (aos Coríntios), de 96-98 d.C., que cita extensivamente a Epístola aos Hebreus, além de outros livros, e o Pastor de Hermas, de aproximadamente 115-155 d.C. O Diatessaron é uma harmonização, palavra por palavra, de cerca de 79% dos versículos dos evangelhos, escrita pelo gnóstico encratita Tatiano por volta de 172 d.C.

4. Registro infalível dos ensinamentos de Jesus

Os originais eram apenas paráfrases dos ensinamentos de Jesus. Quando Jesus ensinava a multidão por horas a fio, e podemos ler suas palavras em cinco parágrafos, obviamente não se tratava de uma transcrição palavra por palavra. A doutrina cristã da inerrância possui cinco partes básicas:
1. A Bíblia, nos manuscritos originais, está correta em tudo o que afirma.

2. Precisamos compreender o contexto; poesia é poesia, narrativa é narrativa, podemos entender metáforas e expressões da linguagem, etc.,
3. Deus era livre para “usar suas próprias canetas” ao escrever a Bíblia, e essas canetas eram as pessoas que escreviam as palavras. Assim, livros diferentes, de autores humanos distintos, apresentam estilos diferentes, e isso é aceitável; a verdade de Deus transparece em todos eles.

4. É o significado que foi escrito sem erros, não necessariamente cada palavra.

5. Os manuscritos bíblicos preservados até hoje apresentam algumas variações e erros, mas a palavra de Deus foi preservada sem erros significativos que alterem a doutrina, a fé ou a prática cristãs.
Para mais informações, consulte http://www.biblequery.org/NewTestamentManuscripts.html.

P: Havia muitos judeus na Galiléia?

R: A região da Galiléia tem cerca de 70 por 40 milhas, ou 113 por 64 quilômetros. Na época dos Macabeus, em 164 a.C., a população da Galiléia era tão pequena que toda a população poderia ser transferida para a Judéia em busca de proteção. Na época de Jesus, a população era muito maior; Josefo, em *Vida*, 235, 45, e em *Guerras dos Judeus*, livro 3, seções 41-43, afirma que a Galiléia contava com 204 cidades e vilarejos, com pelo menos 15.000 habitantes cada. No entanto, a população incluía muitos não judeus que os selêucidas reassentaram na Galiléia e não judeus de língua grega que optaram por se mudar para lá.

P: O cético Bart Ehrman escreve: “Temos algumas informações sobre o que significava ser um camponês de classe baixa nas áreas rurais da Palestina no século I. Uma coisa que isso significava era que você era quase certamente analfabeto. O próprio Jesus era uma exceção notável, na medida em que evidentemente sabia ler (Lucas 4:16-20), mas não há nada que indique que ele soubesse escrever… Quantos sabiam ler? O analfabetismo era generalizado em todo o Império Romano. Na melhor das hipóteses, talvez 10% da população fosse mais ou menos alfabetizada. E esses 10% seriam as classes ociosas… Nada nos Evangelhos ou nos Atos indica que os seguidores de Jesus soubessem ler, muito menos escrever. De fato, há um relato em Atos no qual Pedro e João são descritos como “analfabetos” (Atos 4:13) – a palavra antiga para “analfabeto”. (Jesus, Interrupted, p. 105-106). Isso também é semelhante ao que Ehrman apresenta em Lost Christianities, p. 203.

R: A porcentagem de pessoas no Império Romano (Espanha, Grã-Bretanha, Alemanha etc.) que não sabiam ler é irrelevante; o que importa é a porcentagem de pessoas instruídas entre os judeus da Judéia e da Galiléia. Os judeus possuíam um nível de instrução muito mais elevado do que a maioria dos outros povos do Império Romano. Ninguém considerava incomum que Zacarias, pai de João Batista, soubesse escrever. O fato de o Sinédrio ter acusado Pedro e João de serem incultos não significa que fosse verdade, nem que eles não soubessem escrever de forma alguma.

Deuteronômio 6:9 ordena que os israelitas escrevam as leis nos umbrais de suas casas e em seus portões. Será que os céticos acreditam que quase nenhum judeu obedecia à sua própria lei?

Como observação adicional, em Deir ‘Alla, no Vale do Jordão, arqueólogos encontraram um exercício de caligrafia de um aluno mencionando Balaão, filho de Beor, três vezes. Esse achado foi datado por radiocarbono como sendo de 800/760 a.C.

P: O que significa a palavra em inglês “sinóptico”?

R: O Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 723, afirma: “sinóptico deriva do grego syn (junto com) e opsis (uma visão, um ponto de vista)”, assim como a Bíblia de Estudo NIV, p. 1437. Da mesma forma, o Novo Dicionário Internacional da Bíblia, p. 399, afirma que a palavra grega synoptikos significa “ver o todo em conjunto, ter uma visão abrangente”.

Em contraste com isso, o cético Guia de Asimov para a Bíblia, na página 770, afirma que a palavra “sinóptico” deriva da palavra grega que significa “um olho”, pois cada um dos três Evangelhos sinópticos narra a história de Jesus a partir de seu próprio ponto de vista. Talvez ele tenha confundido “syn/sun” com “mono”, que significa “um”.

A Concordância de Strong para “sun” (4862) afirma: “uma preposição primária denotando união; com ou junto (mas muito mais próximo do que 3326 ou 3844), ou seja, por associação, companheirismo, processo, semelhança, posse, instrumentalidade, adição etc.” — ao lado de, com. Em composição, possui aplicações semelhantes, incluindo completude.”

P: Qual dos quatro evangelhos foi escrito primeiro?

R: A opinião mais comum entre os cristãos é que foi Marcos, embora haja estudiosos da Bíblia de renome que acreditam que tenha sido Mateus ou Lucas. O “Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento”, p. 98, afirma: “Alguma dependência literária parece ser a única maneira de explicar adequadamente a estreita relação entre os Evangelhos Sinópticos. A teoria da prioridade de Marcos, embora não isenta de problemas, explica melhor o esboço básico dos eventos e as semelhanças detalhadas entre os Evangelhos Sinópticos. As diferenças provavelmente se devem a uma combinação de tradições orais e escritas que Mateus e Lucas utilizaram independentemente, além de Marcos.”

O cético *Asimov’s Guide to the Bible*, p. 770, afirma que Mateus foi listado em primeiro lugar porque se acreditava que fosse o primeiro, mas hoje em dia as pessoas geralmente pensam que foi Marcos. (p. 770, p. 903) No entanto, Asimov, na p. 771, também menciona que Papias escreveu que Mateus foi originalmente redigido em hebraico [aramaico?]. É possível que Mateus tenha sido escrito primeiro em aramaico, que Marcos tenha utilizado esse texto como fonte primária na composição de seu evangelho e que, posteriormente, o Evangelho de Mateus tenha sido traduzido literalmente.

Como observação adicional, dos 661 versículos de Marcos (final mais curto), 600 são semelhantes a versículos de Mateus, 350 são semelhantes a versículos de Lucas e apenas 31 não se encontram em nenhum outro lugar.

P: O que são os Evangelhos apócrifos? Por que não são aceitos, se sabemos que os Padres da Igreja e as tradições eclesiásticas contavam com eles, citavam-nos, especialmente nas festas e práticas rituais da Igreja?

R: A última parte da própria pergunta está factualmente incorreta. Os Padres da Igreja e as tradições eclesiásticas não se baseavam neles, nem os utilizavam nas festas e práticas rituais da Igreja, a menos que a pergunta se refira às religiões gnósticas, e não ao cristianismo.

As únicas menções positivas são que 2 Clemente e Clemente de Alexandria mencionam o Evangelho dos Egípcios, e Clemente de Alexandria menciona o Evangelho dos Hebreus. Não há outras menções cristãs pré-nicenas a quaisquer outros evangelhos em sentido positivo. No entanto, os Padres da Igreja mencionaram e citaram os seguintes, afirmando que eram falsos. Irineu se pronuncia contra o falso Evangelho da Verdade. Hipólito se pronuncia contra o Evangelho dos Egípcios e o Evangelho de Tomé (e outras obras). Portanto, não seria justo afirmar que os primeiros Padres da Igreja “contavam com eles”, quando muitos deles ainda nem haviam sido escritos e eles se pronunciavam contra outros escritos heréticos.

Por fim, muitos dos evangelhos apócrifos não foram nem endossados nem rejeitados pelos primeiros cristãos, pois esses evangelhos apócrifos só foram escritos séculos mais tarde. Por exemplo, o Evangelho de Nicodemos foi escrito por volta de 405-439 d.C., e o Evangelho da Natividade de Maria foi escrito após 625 d.C.

P: O que são o “Evangelho da Infância”, o “Evangelho da Verdade”, o “Evangelho dos Hebreus”, o “Evangelho dos Ebionitas”, o “Evangelho de Tomé” e o “Evangelho de Pedro”?

R: Trata-se de evangelhos apócrifos escritos por diversas pessoas muito tempo depois de os eventos terem ocorrido.

A seguir, apresentamos alguns desses evangelhos e as datas em que foram escritos.

Evangelho de Maria (século II ou VI)

Evangelho de Pedro (180-190 d.C.)

Evangelho de Tomé. O livro falso dos hereges gnósticos foi provavelmente escrito entre 188 e 235 d.C. Irineu de Lyon (182-188 d.C.), ao descrever exaustivamente todos os livros e heresias conhecidos, nada sabe a respeito, mas seu discípulo, Hipólito, que escreveu entre 222 e 235/236 d.C., faz menção a ele.

Evangelho de Nicodemos (405-439 d.C.)

Evangelho da Natividade de Maria (após 625 d.C.)

No mundo muçulmano, havia mais de 200.000 hadiths sobre Maomé. A grande maioria deles é considerada pelos estudiosos muçulmanos como falsa ou, na melhor das hipóteses, pouco confiável. Bukhari examinou esses hadiths e selecionou apenas 7.275 como confiáveis.

Assim como os drusos, os yazidis, os alauítas e outros têm seus próprios livros, os gnósticos também possuíam suas próprias escrituras. Havia pelo menos trinta grupos de gnósticos, portanto, eles possuíam muitos livros que consideravam escrituras. O Evangelho da Verdade, o Evangelho de Tomé e o Evangelho de Pedro eram alguns deles.

Não existia nenhum livro chamado “O Evangelho dos Ebionitas”. Os ebionitas heréticos, que afirmavam que Jesus era apenas o Filho de Deus a título de honra e respeito, possuíam as Homilias Clementinas, os Reconhecimentos de Clemente e alguns outros livros.

P: Nos Evangelhos, quais são as profecias messiânicas?

R: São profecias que Deus concedeu para que o povo de Deus pudesse reconhecer claramente o Messias. Aqui estão muitas delas.

Quem será o Messias?

Da tribo de Judá (Gênesis 49:10; Mateus 1:2; Lucas 3:23,33; Hebreus 7:14).

Da descendência de Jessé (Isaías 11:1; Mateus 1:6; Lucas 3:23, 32).

Da descendência de Davi (Jeremias 23:5; Lucas 3:31; Mateus 1:1; 9:27; Marcos 10:47-48; João 7:42; Atos 13:22-23; Apocalipse 22:16). Muitos Talmuds judaicos afirmam que o Messias virá da linhagem de Davi.

Um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Salmo 110:4; Hebreus 5:6).

Filho de Deus (Salmo 2:7; Mateus 3:17; 16:16-17; 27:54; Marcos 9:7; Lucas 9:35; João 1:34; Atos 13:33; Hebreus 5:5).

O Senhor disse ao meu Senhor (Salmo 110:1; Mateus 22:43-45; Marcos 12:36-37; Lucas 2:11; 20:42-44). O Midrash Tehilim, Comentário sobre os Salmos (200-500 d.C.), reconhece o Salmo 110 como messiânico

Chamado de “Deus conosco” (Isaías 7:14; Mateus 1:23; Lucas 7:16; João 20:28).

A criança é chamada de Deus Poderoso, Príncipe da Paz, etc. (Isaías 9:6). Trata-se de uma referência messiânica de acordo com o Midrash Iemenita 349-350 e o Pereq Shalom, p. 101

A semente da mulher esmagará a cabeça de Satanás (Gênesis 3:15). Trata-se de uma profecia messiânica, de acordo com o Targum Pseudo-Jonatão

Nascido de uma virgem (cumprimento duplo) (Isaías 7:14; Mateus 1:18, 25; Lucas 1:26-35). Virgem, de acordo com a Septuaginta

Onde estará o Messias?

Nascido em Belém, na Judéia (Miquéias 5:2; Mateus 2:1, 5-8; João 7:42; Lucas 2:4-7). O Targum Isaías afirma que esta é uma passagem messiânica.

Ministrará na Galiléia (Isaías 9:1-2; Mateus 4:12-16; Marcos 1:14; Lucas 4:31; João 4:43).

Entrará no Templo em Jerusalém (Malaquias 3:1; Mateus 21:12; Marcos 11:15)

Quando virá o Messias?

O cetro não se afastará (Gênesis 49:10; Lucas 3:23,33). Trata-se de uma passagem messiânica, de acordo com os Talmuds da Babilônia e de Jerusalém, o Targum de Jonatão, o Targum Pseudo-Jonatão, o Targum de Onkelos, o Comentário dos Manuscritos do Mar Morto e o Targum aramaico. Os judeus perderam o direito de executar pessoas no ano 11 d.C., de acordo com o Talmude Babilônico, capítulo 4 do Sanhedrin.

Israel permanecerá abandonado até a vinda do Messias (Miquéias 5:3).

Antes da destruição do Templo (ano 70 d.C.) (Malaquias 3:1).

Após um precursor (Isaías 40:3; Mateus 3:1-3; 11:10; Lucas 1:17; João 1:23).

Morto em 32/33 d.C. (Daniel 9:20-27 + Neemias 2:1-10 (445/444 a.C.)). Trata-se de uma interpretação messiânica, segundo Maimônides em *Igeret Teiman*, e o rabino Moisés Abraão Levi em *O Messias dos Targums, dos Talmuds e dos Escritores Rabínicos*

O que o Messias fará?

Ministério de milagres (Isaías 35:5,6a; Mateus 9:6-7,22,32-35; 11:4-6; 12:13; João 5:5-9; 9:6-11, etc.)

Levou sobre si nossas enfermidades (Isaías 53:4; Mateus 8:17; Marcos 2:10-12; Lucas 5:13; João 5:5-9).

Ensinou por meio de parábolas (Salmo 78:2; Mateus 13:34).

Entrou como rei montado em um jumento (Zacarias 9:9; Marcos 11:2-10; Lucas 19:35-37; Mateus 21:5-9; João 12:15).

De pedra de tropeço a pedra angular (Salmo 118:22-23; Isaías 8:14-15; 28:16; Mateus 21:42; Marcos 12:10-11; 1 Pedro 2:6-8; Atos 4:11).

Não abandonado à morte (Salmo 16:8-11; 30:3; Atos 2:31; 13:33; Marcos 16:6; Mateus 28:6; Lucas 24:46).

Zelo pela casa de Seu Pai (Salmo 69:9; João 2:17).

O Espírito do Senhor repousará sobre Ele (Isaías 11:2; Mateus 3:16; Marcos 1:10-11; Lucas 4:15-21,32; João 1:32). Isso é messiânico, de acordo com o Targum de Isaías e o Talmude Babilônico

Mateus mostra que a vida de Cristo é paralela à do povo israelita (Jeremias 31:15 e Mateus 2:18; Oséias 11:1 e Mateus 2:15; Isaías 9:1,2 e Mateus 4:15-16; etc.).

Reações do povo

Odiado sem motivo (Salmo 35:19; 69:4; Isaías 49:7; João 15:25).

Alguns conspiraram para destruí-lo (Salmo 38:12; Marcos 11:18).

Traído por um amigo (Salmo 41:9; Mateus 10:4; 26:48-50; Marcos 14:43-44; Lucas 22:47-48; João 18:3,5).

Rejeitado pelo seu próprio povo (Isaías 53:3-4; Salmo 69:8; João 1:11; 7:5; Mateus 21:42-44).

Deram-Lhe fel para beber (Salmo 69:21; Mateus 27:48).

Até mesmo os amigos se mantiveram à distância (Salmo 38:11; Mateus 27:55; Marcos 15:40; Lucas 23:49).

Depois que o pastor foi ferido, as ovelhas se dispersaram (Zacarias 13:7; Marcos 14:27, 50; Mateus 26:31).

Rejeitado pelo governo (Salmo 2:1-2; Atos 4:25-28).

Como o Messias morrerá?

Vendido por 30 moedas de prata (Zacarias 11:12-13; Mateus 26:15).

Jogou, e não colocou, as moedas no templo (Zacarias 11:13b; Mateus 27:5a).

Dinheiro para um oleiro (Zacarias 11:13; Mateus 27:7).

Levado injustamente (Isaías 53:7-8; Mateus 26:60; Marcos 14:55; Lucas 23:4).

Testemunhas falsas (Salmo 35:11; Mateus 26:60).

Silêncio diante de seus acusadores (Salmo 38:13-14; Isaías 53:7; Mateus 27:12).

Perguntou por que Deus o havia abandonado (Salmo 22:1; Mateus 27:46; Marcos 15:34).

Zombado (Salmo 22:7,8; Mateus 27:31,39; Marcos 15:31-32).

Coração como cera (Salmo 22:14b; João 19:34).

Traspassado por nós (Salmo 22:16; Isaías 53:5; Zacarias 12:10; Mateus 27:26; João 19:34).

As pessoas o fitavam (Salmo 22:17; Lucas 23:35).

Lançaram sortes sobre as suas vestes (Salmo 22:18; Marcos 15:24; Lucas 23:34; João 19:23,24).

Nenhum osso foi quebrado (Salmo 22:17; Salmo 34:20; João 19:33).

Foi golpeado e cuspido (Isaías 50:6; Miquéias 5:1; Mateus 26:67; Lucas 22:63).

Foi morto com os transgressores (Isaías 53:12; Mateus 27:38; Marcos 15:27).

Intercedeu pelos transgressores (Isaías 53:12b; Lucas 23:34).

Foi sepultado no túmulo de um homem rico (Isaías 53:9; Mateus 27:57-60).

Carregou nossos pecados como oferta expiatória (Isaías 53:5, 6, 10-12; João 1:29; 1 Coríntios 15:3; 1 João 2:2; 4:10).

Jesus morreu com um salmo nos lábios (Salmo 31:5; Lucas 23:46).

P: Em Mt 2:1,5-8; Lc 2:4-7; Jo 7:42, o que significa o nome “Belém”?

R: Belém significa “casa do pão”, de acordo com o Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 225.

Belém, na Judéia, é uma cidade muito antiga, anterior aos israelitas. Gênesis 35:19 diz: “Assim, Raquel morreu e foi sepultada no caminho para Efrata” (ou seja, Belém, na Judéia). Gênesis 48:7 diz algo semelhante. Portanto, Belém era originalmente chamada de Efrata, e é por isso que, em Miquéias 5:2, a cidade é referida como “Belém-Efrata”.

As cartas de Amarna, escritas pelos cananeus ao Egito pouco depois de 1400 a.C., durante a época de Josué, mencionam que “Bit-Lahmi” havia se aliado ao povo dos ‘Apiru, de acordo com o Dicionário Wycliffe de Arqueologia Bíblica, p. 142, e o Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 225, que faz referência ao ANET, p. 489.

A propósito, há também uma segunda cidade, mais ao norte, chamada Belém, no território de Zebulom, conforme Josué 19:15.

P: Um cético, Bart Ehrman, afirma: “Não há indício algum em Mateus e Lucas de que Jesus tenha existido antes de seu nascimento.” (Jesus, Interrupted, p. 75; também em Jesus, Interrupted, p. 103)

R: Miquéias 5:2, que Mateus cita em 2:6, diz que as origens do Messias “são desde os tempos antigos” no texto massorético, ou “desde o princípio, sim, desde a eternidade” na tradução grega da Septuaginta. Em Mateus, os escribas omitiram algumas partes, incluindo aquela sobre “desde os tempos antigos”, mas praticamente qualquer rabino judeu reconheceria o restante desse versículo.

Em Mateus 23:37 e Lucas 13:34, Jesus diz: “Ó Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados, quantas vezes desejei reunir seus filhos, como a galinha reúne seus pintinhos debaixo das asas, mas vocês não quiseram!” Isso foi dito apenas alguns dias após a entrada triunfal, quando Jerusalém saiu para receber Jesus. Então, em que momento do ministério terreno de Jesus, antes dessa ocasião, foi dada a Jerusalém a oportunidade de ser reunida sob Jesus? É claro que a resposta é: nunca. Mateus e Lucas (e Jesus) deviam estar se referindo ao tempo em que Jesus existia antes de nascer, quando os profetas que Jesus ajudou a enviar a Jerusalém foram mortos.

P: O cético Bart Ehrman afirma: “É impressionante, porém, que, no Evangelho de Marcos, Jesus nunca se refira a si mesmo como um ser divino, como alguém que pré-existia, como alguém que fosse, em qualquer sentido, igual a Deus. Em Marcos, ele não é Deus e não afirma ser.” Jesus, Interrupted, p. 79

R: Marcos 2,5-12 (assim como Mateus 9,2-6 e Lucas 5,20-23) afirma que somente Deus pode perdoar pecados; no entanto, Jesus perdoou os pecados do paralítico. Quando Jesus foi acusado de fazer apenas o que Deus pode fazer, Ele não disse que estava meramente proclamando o perdão de Deus, nem negou a suposição deles. Em vez disso, Ele disse e demonstrou que Ele próprio tinha o poder de perdoar pecados.

P: Sobre Mt 12,30 e Mc 9,40, o cético Bart Ehrman escreve: “Em Mateus, Jesus declara: ‘Quem não está comigo está contra mim’. Em Marcos, ele diz: ‘Quem não está contra nós está a nosso favor’. Ele disse ambas as coisas? Seria possível que ele quisesse dizer ambas as coisas? Como ambas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo? Ou será possível que um dos evangelistas tenha invertido as coisas?” Jesus, Interrupted, p. 41

R: Sinceramente, não consigo entender de forma alguma como Ehrman poderia ver isso como uma contradição. É claro que ambas as afirmações podem ser verdadeiras. É claro que Jesus pode dizer coisas diferentes, mas complementares, em situações diferentes e em dias distintos, sem se contradizer. Em Mateus 12:22-37 (que corresponde a Marcos 3:20-29), isso ocorre quando trazem a Jesus um homem possuído por demônios. Muito mais tarde, em uma ocasião totalmente diferente, em Marcos 9:38-41, Jesus é informado sobre outra pessoa expulsando demônios. Talvez Ehrman, de alguma forma, tenha considerado contraditório que, se alguém fosse contra Jesus, também pudesse ser contra Seus seguidores, ou vice-versa. Mas Jesus previu que Seus seguidores seriam perseguidos e mortos porque os perseguidores não conhecem o Pai nem a Jesus, em João 16:3. Jesus afirmou em João 15:18-21: “Se o mundo os odeia, saibam que ele Me odiou primeiro. Se vocês fossem do mundo, ele os amaria como se fossem dele. Em vez disso, o mundo os odeia, porque vocês não são do mundo, mas Eu os escolhi do mundo. Lembrem-se da palavra que lhes disse: ‘Nenhum servo é maior do que seu senhor’. Se me perseguiram, também a perseguirão; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Mas tratarão vocês assim por causa do meu nome.” (BSB) Jesus identificou-se intimamente com seus seguidores em Mateus 25:34-46, na parábola das ovelhas e dos bodes. Em João 15:1-8, Jesus diz que estamos nele assim como os ramos estão ligados à videira.

P: Em Jo 2,19, por que, segundo João, Jesus disse: “Destruam este templo, e em três dias eu o levantarei novamente”, quando, em Mt 26,61b e Mc 14,58, foi [supostamente] falso que Jesus tenha dito isso, conforme o cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 976?

R: Jesus realmente disse isso em João 2:19, e Mateus 26:61b e Marcos 14:58 NÃO afirmam que fosse falso que Jesus tivesse dito isso. Esses textos relatam que os acusadores de Jesus se lembraram disso e usaram essa afirmação para acusá-lo. Mas Asimov está simplesmente inventando que eles teriam dito que era falso.

P: Em Mt 17,1-9 e Mc 9,2-9, temos a impressão de que Jesus subiu à montanha alta com o propósito de ser transfigurado, enquanto em Lucas descobrimos que Jesus subiu à montanha para orar, e a transfiguração ocorre enquanto ele orava (Lc 9,28-36). Qual é a explicação para isso?

R: Há dois pontos a serem considerados na resposta.

a) Na verdade, não apenas Lucas, mas também nem Mateus nem Marcos afirmaram que Jesus subiu à montanha para ser transfigurado. Todos eles se mantêm em silêncio até mesmo quanto ao fato de Jesus saber ou não de antemão que seria transfigurado.

b) Em segundo lugar, a oração não é um ritual! A oração é a comunicação com Deus no céu. Jesus orou a Deus Pai, e não consigo imaginar que Jesus tenha sido transfigurado sem dizer nada a Deus Pai.

P: Em Mt 17,12 e Mc 9,11-13, como João Batista cumpriu a profecia de Elias? Ele era a reencarnação de Elias?

R: Não. Na primeira vinda de Jesus, João tinha o propósito e a missão de Elias. É claro que o próprio Elias (não João) apareceu brevemente na transfiguração. Muitos acreditam que Elias será uma das duas testemunhas imediatamente antes da sétima trombeta, em Apocalipse 11,3-12.

O primeiro escritor conhecido por ter abordado esse versículo é Justino Mártir (c. 138-165 d.C.), que observou que o conceito de alguém possuir o espírito de outra pessoa não é exclusivo de Elias e João Batista. Deus prometeu que Josué teria o espírito de Moisés. (Diálogo com Trifão, o Judeu, cap. 49, p. 220) Além disso, Eliseu recebeu uma porção dupla do espírito de Elias em 2 Reis 2:9-10.

P: Em Jo 7,1, por que Jesus [supostamente] temeu a morte, se Ele havia dito aos discípulos para não temerem a morte em Lc 12?

R: Jesus disse aos discípulos para não temerem a morte física, mas sim a morte espiritual. João 7:1 NÃO diz que Jesus temia a morte. Mas ainda assim é possível tomar precauções sem temer a morte. Jesus evitou ir à Judéia porque os judeus de lá queriam matá-Lo. Essa foi uma precaução para o Seu ministério, não tomada por medo, pois, mais tarde, Jesus foi a Jerusalém, quando chegou a Sua hora, onde os judeus tentaram matá-Lo e até conseguiram.

P: Em Lucas 13:23, há quem procure entrar e não consiga, e procure e não encontre, como em João 7:34, ou será que aqueles que buscam encontram, conforme mostram Mateus 7:7; 1 Crônicas 28:9; Isaías 55:6; Atos 10:35?

R: Alguns que buscam a Deus NÃO O encontram necessariamente. Deus nada diz sobre aqueles que não O buscam diligentemente, ou que O buscam apenas parcialmente, segundo seus próprios termos, e não segundo os termos Dele.

P: Em Mt 17,12 e Mc 9,11-13, o fato de Jesus estar conversando com Moisés e Elias indica [de alguma forma] que devemos orar aos mortos, como alguns católicos romanos têm afirmado?

R: Não. Ninguém conversou com Moisés e Elias na transfiguração, exceto Jesus. Eles também não falaram com ninguém, exceto com Jesus e entre si. Somente Deus deve ser o objeto de nossa adoração. Os católicos concordariam com isso, mas afirmam que, assim como podemos pedir ajuda e orações aos cristãos que vivem na Terra, podemos igualmente pedir o mesmo aos cristãos que vivem no céu. 2 Coríntios 11:3 diz que não devemos ser devotos a ninguém, exceto a Cristo. Embora orar a alguém não signifique necessariamente que você seja devoto dessa pessoa, muitas orações católicas são orações de devoção a Maria ou a outros santos. Não há nenhum exemplo nas Escrituras de qualquer crente orando a alguém, exceto a Deus.

P: Em Mc 15,25, Jesus foi crucificado na terceira hora, ou Ele ainda estava diante de Pilatos na terceira hora, conforme João 19,14?

R: Primeiro, o que não é a resposta; depois, a resposta.

Um fato que não faz parte da resposta: a forma grega de escrever os números três e seis diferia em apenas um traço; portanto, uma hipótese é que se tratou de um erro do escriba. No entanto, há uma explicação mais simples.

A resposta: Ambas as afirmações são verdadeiras, pois os judeus e os romanos contavam as horas de maneira diferente. João 19:14 diz que Ele saiu da presença de Pilatos na sexta hora, o que corresponderia às 6h da manhã, pois o dia romano começava à meia-noite. Marcos 15:22,25 diz que Ele foi crucificado na terceira hora, o que corresponderia às 9h, pois o dia judaico era contado a partir do nascer do sol (por volta das 6h), e a noite judaica começava ao pôr do sol (por volta das 18h). João também utiliza a forma romana/grega de contar o tempo em João 20:19, onde o início da noite era considerado parte do dia anterior, enquanto os judeus consideravam o período após o pôr do sol como pertencente ao dia seguinte.

Como sabemos que os romanos contavam o dia da meia-noite à meia-noite? Os escritores romanos Plutarco (Moral: Questões Romanas 84), Plínio, o Velho (História Natural ii.77 (188)), Áulo Gelio (iii.2) e Macróbio (Saturnália, i.3) afirmam que o dia romano ia da meia-noite à meia-noite, de acordo com A.T. Robertson em *Harmonia dos Evangelhos*, pp. 285-286, e William Arndt em *Dificuldades Bíblicas e Aparentes Contradições*, pp. 197-199. Plinio, o Velho, também observou que outras culturas tinham costumes diferentes, e que os babilônios consideravam o dia como o período entre o nascer e o pôr do sol.

P: Em Mt 19,16-30, Mc 10,17-31 e Lc 18,18-30, como esses trechos se conciliam?

R: Elas se conciliam muito bem quando se compreende que os evangelistas parafrasearam e não necessariamente apresentaram citações exatas. Por exemplo, Mateus diz: “Mestre… alcançar a vida eterna… Por que me perguntas sobre o que é bom? … Só há Um que é bom”, enquanto Marcos e Lucas dizem: “Bom Mestre… herdar a vida eterna… Por que me chamas de bom? … Ninguém é bom, a não ser somente Deus”, e assim por diante. Consulte a *Enciclopédia das Dificuldades Bíblicas*, pp. 329-332, para uma discussão aprofundada.

P: Em Mt 19,28 e Lc 22,28-30, o cético Bart Ehrman afirma erroneamente que Jesus disse que os doze discípulos teriam doze tronos. E quanto ao discípulo Judas Iscariotes? (Jesus, Interrupted, p. 159)

R: Não, não há trono para Judas. Em primeiro lugar, Lucas 22,28-30 não menciona doze tronos, mas apenas doze tribos. Na verdade, Mateus 19,28 NÃO diz que os doze discípulos se assentarão em doze tronos. Em vez disso, diz: “… vocês que Me seguiram também se assentarão em doze tronos, julgando as doze tribos de Israel.” (BSB) Portanto, diz que haverá doze tronos, mas não diz que os doze discípulos se sentarão neles. Em vez disso, Jesus prometeu isso apenas a “vocês que Me seguiram”. Judas não continuou a seguir Jesus e abandonou seu lugar como discípulo após traí-Lo, conforme diz Atos 1:20.

P: Em Mt 26,14, um cético, Bart Ehrman, escreve que Judas traiu Jesus por dinheiro, enquanto em Lucas 22,3 Judas o fez porque Satanás entrou nele. Em João, Judas é chamado de demônio, portanto, aparentemente, ele tinha uma veia maligna. (Jesus, Interrupted, p. 45-46)

R: Assim como nenhum incêndio se inicia a partir de uma única causa, mas de três (ar, combustível, faísca), muitas ações também têm múltiplas causas simultâneas. Muitas coisas têm três causas: uma causa potencial, como a água acumulada atrás de uma barragem; uma causa imediata, como uma rachadura na barragem; e uma causa preventiva que foi removida, como a interrupção das inspeções de segurança da barragem. Qual delas causou o rompimento da barragem? – todas as três estiveram envolvidas. Da mesma forma, Judas já era um ladrão antes disso, portanto, era diabólico. A Judas foi dado um motivo egoísta adicional: o suborno dos sacerdotes. Por fim, ele viu a oportunidade após a Última Ceia. Então, qual foi a razão pela qual Judas traiu Jesus? – Todas as três razões estiveram envolvidas.

P: Em Mt 26,26-28; Mc 14,22; e Lc 22,19, por que o pão e o vinho não são o corpo físico de Cristo?

R: Podemos perceber que Jesus quis dizer que o pão e o vinho representavam simbolicamente o Seu corpo por duas razões.
Primeiro, não há a menor evidência de que as pessoas se prostrassem diante do pão e do vinho, nem na Bíblia nem na igreja primitiva. Não devemos adorar nada nem ninguém além de Deus. Adoramos a Jesus, mas, se o pão e o vinho não são Jesus, não devemos adorar o pão e o vinho.
Em segundo lugar, se alguém interpretasse essa metáfora como se o pão e o vinho fossem ou se tornassem Jesus, então, para sermos coerentes, teríamos que considerar outras metáforas sobre o corpo de Jesus como sendo Jesus também, como em 1 Coríntios 12:27. Nós (a igreja) somos o corpo de Cristo. O senhor acha que as pessoas deveriam adorar o senhor ou adorar a congregação da qual o senhor faz parte? Se não for nenhuma das duas opções, então por que o senhor não adoraria um cristão, feito à imagem de Deus, mais do que o pão e o vinho, que não são feitos à imagem de Deus?
É claro que nunca devemos adorar outros cristãos. Mas será que adorar outras pessoas, justificando isso pela metáfora de Cristo, seria pior do que adorar o pão e o vinho, justificando isso pela metáfora de Cristo?

P: Em Mt 26,49-50, por que Jesus é traído por Judas com um beijo, sendo então preso, mas em João 18,2-9 Jesus se adanta voluntariamente para se identificar, e Judas não dá nenhum beijo?

R: O fato de não se mencionar o detalhe do beijo em João 18,2-9 não prova que não tenha havido beijo. Judas poderia ter beijado Jesus, conforme Mateus 26,49; em seguida, os soldados recuaram em João 18,2-9 e, finalmente, o prenderam em Mateus 26,50. A única parte que se diz ter ocorrido “imediatamente” foi o beijo de Judas no início.

P: O cético Bart Ehrman afirma que, em Marcos, Jesus passou por um julgamento rápido, no qual quase nada disse, mas que, em João, houve um julgamento longo e demorado, no qual Jesus manteve conversas prolongadas (Jesus, Interrupted, p. 43).

R: Isso é um tanto absurdo, pois nem Marcos nem João mencionam especificamente a duração do diálogo, e Jesus provavelmente disse mais coisas do que qualquer um deles registrou. Não houve um, mas dois julgamentos (o judaico e o romano). Marcos registrou duas frases proferidas por Jesus no julgamento judaico e uma frase no julgamento romano. João registrou cinco frases de Jesus no julgamento judaico e nove frases no julgamento romano. Mas, novamente, nenhum dos evangelistas afirma ter registrado tudo o que Jesus disse.

P: Em Mt 27,11-14, por que Jesus não responde a nenhuma acusação em sua audiência perante Pilatos, o governador, uma vez que Jo 18,33-37 [supostamente] nos diz que Jesus respondeu a todas as acusações em sua audiência perante Pilatos?

R: Mateus 27:11 e Mateus 27:12 referem-se a momentos diferentes; 2:11 ocorre diante de Pilatos. Em Mateus 27:11-14, quando os sumos sacerdotes e os anciãos estavam com ele (no versículo 12), Jesus não lhes respondeu nada. João 18:28 diz que os judeus não entrariam no Pretório; portanto, em João 18:29, Pilatos (presumivelmente acompanhado por Jesus) saiu ao encontro deles. João 18:33 diz que, depois disso, Pilatos entrou no Pretório e chamou Jesus. Em seguida, em João 18:34-37, Jesus respondeu às perguntas de Pilatos.

A propósito, João 18:33-37 NÃO diz que Jesus respondeu a todas as perguntas ou acusações de Pilatos; afirma apenas que Pilatos disse: “Não encontro motivo para acusá-lo”. Pilatos pode ter feito muitas perguntas a Ele, e João 18:33-38 lista apenas quatro, das quais Jesus respondeu a três. Mateus 27:14 diz que Jesus não respondeu uma única palavra no momento em que os sacerdotes e os anciãos O acusaram e no momento em que Pilatos Lhe fez uma pergunta que não consta em João 18:33-37. Portanto, Jesus não respondeu a nada do que os sacerdotes e os anciãos disseram, mesmo quando Pilatos perguntou a Jesus se Ele estava ouvindo essas acusações. Posteriormente, Jesus respondeu a [pelo menos] três perguntas feitas por Pilatos.

P: Em Mt 28,1-8, por que as profecias provariam que Jesus era Deus, se Jesus fosse um extraterrestre? (Na verdade, ouvi isso de um estudante universitário que era fã de Star Trek e da Igreja da Cientologia.)

R: Se Jesus fosse um extraterrestre, ele teria de ser um ser altamente inteligente para conseguir que todas essas profecias se concretizassem. Na verdade, comparado a nós, ele pareceria onisciente. Jesus também teria de ser um extraterrestre extremamente poderoso para realizar todos os milagres que realizou, incluindo ressuscitar dos mortos. Nós o consideraríamos onipotente. Para ensinar aos homens os ensinamentos que Jesus ensinou, ele teria de ser moralmente muito bom, quase perfeito. Portanto, se o senhor acredita que Jesus poderia ser um ser onisciente, onipotente e moralmente perfeito, que não é deste mundo e que veio para nos mostrar a verdade, eu concordo!

P: Em Mt 28,2; Mc 16,4; Lc 24,2, a pedra foi simplesmente “rolada” para longe?

R: Não. A palavra grega é mais bem traduzida como “arremessada” do que “rolada”. Se a pedra pesasse algumas toneladas, seria necessário um anjo para arremessá-la para longe.

P: Nos evangelhos, quem mais, além de Jesus, afirmou ser o Messias ou Deus?

R: As seguintes pessoas fizeram as afirmações a seguir, ou então outras pessoas fizeram essas afirmações a respeito delas.

…Cristo voltou

Grigori Rasputin (pelo menos algumas outras pessoas afirmaram isso)

O reverendo Jim Jones, de Jonestown (falecido em 16/11/1978)

O reverendo Moon, da Igreja da Unificação

Jacob Katzan (1977-)

Guru Maharah Ji, da Missão da Luz Divina

muitos gurus hindus e da Nova Era

…Um Messias judeu que veio pela primeira vez

Sabbatai Sebi/Zvi, em setembro de 1666 d.C., foi forçado a se tornar muçulmano

O rabino Schneerson, de Nova York (já falecido)

provavelmente Teudas, em Atos 5:36. Ele afirmava ser alguém importante

…O Mahdi nas religiões xiitas

Primeiro califa fatímida ‘Obaidallah/‘Ubaydullah (909-933/934 d.C.)

Imã al-Husayn bin al-Kasim al-‘Iyani (1010-1013 d.C.) (seita Husayniyya zaidita)

Mirza Ghulam Ahmad (1879 d.C., Movimento Ahmadiyya)

Bahá’u’lláh (bahá’ís) (1817-1892)

Husayn ‘Ali Nuri Bahá’, meio-irmão de Bahá’u’lláh

Sliman Murshad, da Síria (1900-1949)

O movimento mahdista no Sudão

e muitos outros

…Messias zoroastrianos, ou Saoshyants

…Deus visível

Maomé era venerado como Deus visível pelos muhammidiyya

Ali é considerado divino segundo a ‘Ulyaniyya/’Alaya’iyya

‘Ali bin Abi Talib e Salim al-Farisi. Eles não afirmavam ser Deus, mas, muito tempo após sua morte, algumas seitas alauítas os veneravam como uma espécie de triteísmo muçulmano.

Senhor Hakim (os drusos) (996-1021 d.C.)

Deus existia na forma de todos os profetas, segundo a seita xiita Rizamiyya / Muslimiyya

P: Além de Jesus, há mais alguém que realizou grandes milagres na Palestina?

R: Não. No entanto, alguns afirmam que Onias, o “fazedor de círculos”, do século I a.C., realizou um milagre. Ele é chamado de “fazedor de círculos” porque desenhou um círculo e disse a Deus que não sairia dele até que chovesse; e então choveu. Eis a citação de Taanith 3.8 em *The New Testament Background*, p. 170: “Certa vez, disseram a Onias, o ‘formador de círculos’: ‘Reze para que chova’. Ele respondeu: ‘Saí e tragam os fornos da Páscoa para que não se amoleçam [ou seja, pela chuva]’. Ele rezou, mas a chuva não caiu. O que ele fez? Traçou um círculo, ficou dentro dele e disse diante de Deus: ‘Ó Senhor do mundo, teus filhos voltaram seus rostos para mim, pois sou como um filho da casa diante de ti. Juro pelo teu grande nome que não me moverei daqui até que tenhas piedade de teus filhos”. A chuva começou a cair gota a gota. Ele disse: “Não foi por essa chuva que orei, mas por uma chuva que encha as cisternas, os poços e as cavernas”. Começou a chover com violência. Ele disse: “Não foi por essa chuva que orei, mas por uma chuva de boa vontade, bênção e graça”. Então choveu com moderação [e continuou] até que os israelitas subissem de Jerusalém ao Monte do Templo por causa da chuva.” Por fim, choveu tanto que lhe pediram que orasse para que a chuva parasse. Josefo (c. 90 d.C.) também menciona brevemente que Onias orou para que a chuva parasse em *Antiguidades dos Judeus*, livro 14, cap. 2.1, p. 290.

P: Nos evangelhos, quais são as referências extra-bíblicas a Jesus anteriores ao ano 200 d.C.?

R: Seria de se esperar que a vida de Jesus e o cristianismo não passassem despercebidos, mesmo fora da Bíblia. Um dos objetivos de apresentar essas citações é dissipar as dúvidas de alguns críticos céticos, como Bertrand Russell, quanto à existência de Jesus.

Cornélio Tácito (c. 55 – c. 117 d.C.) foi um historiador romano que escreveu sobre eventos em Roma e na Grã-Bretanha entre os anos 15 e 70 d.C. A julgar por seu tom desdenhoso, ele certamente não era amigo do cristianismo. Em *Anais*, 15:44, ele escreveu: “…Mas todos os esforços humanos, todas as generosas dádivas do imperador e as propiciações aos deuses não conseguiram dissipar a crença sinistra de que a conflagração [o incêndio de Roma] fosse resultado de uma ordem [do imperador]. Consequentemente, para se livrar do boato, Nero atribuiu a culpa e infligiu as mais cruéis torturas a uma classe odiada por suas abominações, chamada de cristãos pelo povo. Cristo, de quem o nome teve origem, sofreu a pena máxima durante o reinado de Tibério, às mãos de um de nossos procuradores, Pôncio Pilatos, e uma superstição extremamente perniciosa, assim contida por um momento, voltou a eclodir não apenas na Judéia, a primeira fonte do mal, mas até mesmo em Roma, onde todas as coisas hediondas e vergonhosas de todas as partes do mundo encontram seu centro e se tornam populares. Assim, foram inicialmente detidos todos aqueles que se declararam culpados; em seguida, com base em suas declarações, uma imensa multidão foi condenada, não tanto pelo crime de incendiar a cidade, mas pelo ódio contra a humanidade. Zombarias de todos os tipos acompanharam suas mortes. Cobertos com peles de animais, foram dilacerados por cães e pereceram, ou foram pregados em cruzes, ou condenados às chamas e queimados, para servir de iluminação noturna, quando a luz do dia se extinguia….”

Tácito, no livro 5 de *Histórias*, também discute em detalhes como várias legiões romanas — a 5ª, a 10ª, a 15ª, a 12ª e alguns homens da 18ª e da 3ª — reprimiram a revolta na Judeia e destruíram Jerusalém.

As citações de Tácito foram extraídas de *Os Anais* e *As Histórias*, de P. Cornélio Tácito, Encyclopedia Britannica, Inc., 1952.

Mara Bar-Serapion era um homem sírio comum que escreveu uma carta a seu filho, Serapion, em algum momento após o ano 73 d.C. Ele o encoraja a seguir o exemplo dos sábios da história que morreram por aquilo em que acreditavam, como Sócrates, Pitágoras e o sábio rei que os judeus executaram. Esse documento encontra-se no Museu Britânico, e F.F. Bruce menciona isso em *Os Documentos do Novo Testamento: São Confiáveis?*

Josefo foi um estudioso judeu, nascido em 37/38 d.C., que escreveu de forma positiva sobre Cristo. Existem duas versões dessa passagem: a árabe, mais curta, do século X, e a latina, mais longa. A versão árabe, mais sucinta, é geralmente considerada a mais correta. Mas, independentemente de qual versão esteja correta, trata-se de um testemunho da existência e da crucificação de Cristo. Consulte a próxima pergunta para mais discussões sobre o assunto.

Luciano de Samosata (também conhecido como Luciano, o Grego), satirista do século II, escreveu sobre Cristo: “…o homem que foi crucificado na Palestina por ter introduzido esse novo culto no mundo… Além disso, seu primeiro legislador os convenceu de que eram todos irmãos uns dos outros, depois de terem transgredido de uma vez por todas ao negarem os deuses gregos e ao adorarem aquele próprio sofista crucificado, vivendo sob suas leis.” (A Morte de Peregrino — também chamado de A Morte de Peregrino, 11-13) (citado de *Evidence That Demands a Verdict*, vol. 1, p. 82.)

Clemente de Roma foi um bispo cristão que escreveu à igreja de Corinto, basicamente perguntando-lhes por que não estavam obedecendo ao que Paulo havia escrito 50 anos antes. A carta de Clemente foi escrita entre 96 e 98 d.C.

Plinio, o Jovem, foi governador da Bitínia e matou muitos cristãos por causa de sua fé. Ele escreveu ao imperador Trajano em 112 d.C. perguntando se deveria continuar a matar homens, mulheres e crianças simplesmente por não adorarem uma estátua do imperador. Plínio diz sobre os cristãos: “eles afirmavam, no entanto, que toda a sua culpa, ou seu erro, consistia no fato de terem o hábito de se reunir em um determinado dia fixo, antes do amanhecer, quando entoavam, em versos alternados, um hino a Cristo como se fosse um deus, e se comprometiam com um juramento solene, não a praticar atos perversos, mas a nunca cometer fraude, roubo ou adultério, a nunca falsificar sua palavra e a nunca negar uma confiança quando fossem chamados a cumpri-la. Epístolas 10.96. (citado de *Evidence that Demands a Verdict*, vol. 1, p. 83.) Além disso, Plínio também nos fornece informações sobre os essênios.

Papias foi outro bispo que foi discípulo do apóstolo João. Ele escreveu muitos volumes, em algum momento entre 95 e 110 d.C. Infelizmente, seus escritos se perderam, exceto por uma breve descrição de Eusébio de Cesareia (318 d.C.). Eusébio nos diz que, entre outras coisas, Papias afirma que o Evangelho de Mateus foi escrito inicialmente em hebraico, que Marcos era o intérprete de Pedro e que Papias ensinava o pré-milenismo. (Eusébio era um amilenista.)

Inácio foi discípulo do apóstolo João. Ele escreveu cartas a muitas igrejas e faleceu em 107 ou 116 d.C., durante o reinado do imperador Trajano.

Policarpo, bispo de Esmirna, foi um mártir cristão e discípulo de Inácio que falava de Cristo. Ele faleceu por volta de 163 d.C.

Irineu, bispo de Lyon (na França), foi discípulo de Policarpo e um mártir que viveu entre 120/140 e 202 d.C. Ele escreveu uma longa obra contra as heresias da época, entre 182 e 188 d.C.

A Didaché (ou Ensinamento dos Doze Apóstolos) foi um manual eclesiástico anônimo, datado de aproximadamente 60 a 120 d.C.

Justino, o Mártir, foi um filósofo grego que nasceu por volta de 110 ou 114 d.C. Ele se converteu por volta de 138 e, segundo ele, sua Primeira Apologia foi escrita 150 anos após o nascimento de Cristo. Em sua Primeira e Segunda Apologias, bem como em seu Diálogo com Trifão, o Judeu, Justino afirma que Jesus é Deus. O *Chronicon Paschale* nos informa que ele foi martirizado por sua fé em 165 d.C.

Suetônio, historiador romano e funcionário da corte que escreveu por volta de 120 d.C., afirma: “Como os judeus estavam causando distúrbios constantes por instigação de Chrestus (outra grafia de Christus, ou seja, Cristo), ele os expulsou de Roma”. Vida de Cláudio 25.4 (Citado de *Evidence that Demands a Verdict*, volume 1, p. 83.) (A troca entre “i” e “e” não era incomum na tradução do grego para o latim, de acordo com *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 10, p. 3

Teófilo, bispo de Antioquia, foi o primeiro escritor de que se tem conhecimento a utilizar um termo grego para designar a Trindade (Tríade) em *To Autolycus*, livro 2, cap. 15, p. 101. Ele escreveu entre 168 e 181/188 d.C.

Clemente de Alexandria, que não deve ser confundido com o anterior Clemente de Roma, viveu de 193 a 217/220 d.C. Ele escreveu extensivamente, incluindo um hino a Cristo e uma obra importante intitulada *As Miscelâneas*.

Hipólito escreveu entre 225 e 235/6 d.C. e é autor de *A Refutação de Todas as Heresias*. Hipólito foi discípulo de Irineu.

Tatiano viveu entre 110 e 172 d.C. e escreveu uma harmonia dos evangelhos, contendo cerca de 79% dos versículos dos evangelhos. Infelizmente, mais tarde ele abandonou a fé e se juntou aos encratitas, uma heresia gnóstica.

Os Talmuds judaicos fazem referência a Jesus em vários trechos. Consulte *Evidence That Demands a Verdict*, volume 1, pp. 85-87, para citações do Talmude Babilônico, *Tol’doth Yeshu*, *Barailu*, *The Amoa ‘Ulla’*, *Yeb. IV 3* e *Baraita*. Consulte também o Tratado *Sanhedrin*.

Flegão foi um escritor grego da Cária e escravo libertado do imperador Adriano. Ele escreveu logo após o ano 137 d.C. que, no quarto ano da 202ª Olimpíada [33 d.C.], ocorreu “o maior eclipse solar” e que “fez-se noite na sexta hora do dia [meio-dia], de modo que até as estrelas apareceram nos céus. Houve um grande terremoto na Bitínia, e muitas coisas foram derrubadas em Nicéia.” (The Case for Christ, p. 111.) A citação completa, de acordo com a The Baker Encyclopedia of Christian Apologetics, p. 384, é: “Jesus, enquanto vivo, não foi capaz de ajudar a si mesmo, mas ressuscitou após a morte e exibiu as marcas de seu castigo, e demonstrou como suas mãos haviam sido perfuradas por pregos” e, posteriormente, “o eclipse na época de Tibério César, durante cujo reinado Jesus parece ter sido crucificado, e o grande terremoto que então ocorreu”, ambos em Orígenes, *Contra Celso*, livro 2, cap. 33, p. 455, em *Ante-Nicene Fathers*, volume 4, e Júlio Africano, *Eventos na Pérsia*, cap. 18, p. 136. Vide também Orígenes, *Contra Celso*, livro 2, cap. 59, p. 455.

Talo foi um historiador samaritano citado por Júlio Africano (que escreveu entre 232 e 245 d.C.). Júlio afirma, a respeito da escuridão na época de Cristo: “Essa escuridão, Talo, no terceiro livro de sua História, denomina — o que, a meu ver, sem motivo — de eclipse solar.” (Os Padres Ante-Nicenos, volume 6, fragmento 18, p. 136.) O contexto é Júlio discutindo como o período entre o decreto de Artaxerxes e a crucificação de Cristo cumpriu Daniel 9.

O historiador samaritano Talo, que não deve ser confundido com o filósofo grego Tales, era bastante conhecido. As referências a seguir mencionam Talo.

Teófilo a Autólico, cap. 29, p. 120, menciona Talus, bem como o historiador caldeu anterior Beroso, na p. 121.

O “Discurso Exortatório aos Gregos”, de Pseudo-Justino Mártir, cap. 9, p. 277, menciona Talus, Filo, Josefo e outros.

O *Octávio*, de Minúcio Félix, cap. 22, p. 186

A “Apologia”, de Tertuliano, cap. 19, p. 33, menciona Talus e Josefo.

Fragmento 18 de Júlio Africano, p. 136.

O Pastor de Hermas foi uma obra cristã anônima escrita por volta de 115-155 d.C.

Atenágoras escreveu ao imperador romano uma defesa do cristianismo por volta de 177 d.C.

Sabe-se também que Aristides de Atenas e Quadrato escreveram apologias em defesa do cristianismo, mas apenas alguns de seus escritos foram preservados.

P: Qual versão sobrevivente de Josefo é a mais próxima do que ele escreveu originalmente?

R: Há duas passagens nas quais ele se refere a Jesus. Na primeira, Josefo descreve a vida e o ministério de Jesus (Antiguidades dos Judeus, livro 18, cap. 3.3), e na segunda, ele o identifica como irmão de Tiago (Antiguidades dos Judeus, livro 20, cap. 9.1). Existem várias versões da primeira passagem, mas discutiremos brevemente as versões em latim e em árabe. A versão em latim, apresentada aqui, e a versão árabe do século X são essencialmente as mesmas, exceto pelo fato de que a versão árabe é mais curta, pois não contém as partes sublinhadas...”. A versão mais curta é provavelmente a mais correta. Primeiramente, apresentaremos as diferenças; em seguida, as evidências que sustentam três pontos de vista; e, por fim, a conclusão de vários estudiosos.

As diferenças:

A versão latina mais longa contém as partes sublinhadas, enquanto a versão árabe do século X não as contém.

“Por volta dessa época, vivia Jesus, um homem sábio — se é lícito chamá-lo de homem, pois realizava obras maravilhosas —, um mestre daqueles que recebem a verdade com prazer. Ele atraiu a si tanto muitos judeus quanto muitos gentios. Ele era [o] Cristo; e quando Pilatos, por sugestão dos principais homens entre nós, o condenou à cruz, aqueles que o amavam desde o início não o abandonaram, pois ele lhes apareceu vivo novamente no terceiro dia, como os profetas divinos haviam predito isso e ainda outras dez mil coisas maravilhosas a respeito dele; e a tribo dos cristãos, assim chamada em sua homenagem, não se extinguiu até os dias de hoje.” (Antiguidades dos Judeus 18.3.3, escrito por volta de 93-94 d.C.) (Extraído de Josefo: Obras Completas. Kregel Publications, 1960. Trata-se de uma combinação da tradução de William Whiston (1867) e da Edição Padrão publicada por Porter e Coates, Filadélfia, Pensilvânia)

Evidências para as partes sublinhadas:

Este texto, com as partes sublinhadas, é citado em: “História Eclesiástica”, de Eusébio, livro 1, cap. 11 (318 d.C.).

Jerônimo (c. 400 d.C.) — As Vidas dos Homens Ilustres

Isidoro de Pelúsio, livro 4, carta 225.

Macário, em *Actis Sanctorum*, tomo 5, p. 149, ap. Fabrício. José, p. 61 (época desconhecida)

Cedreno. *Compendium Historia*, p. 196 (c. 1060 d.C.)

Zonaras, *Annal.*, tomo 1, p. 27 (c. 1120 d.C.)

Gotfridus Viterbiensis, *Chronicale*, p. 366 e Vers. Rufini (c. 1170 d.C.)

Platina, *De Vitis Pontificum* (c. 1480 d.C.)

Os autores a seguir não citaram Josefo, mas afirmaram que ele O chamou abertamente de Cristo.

História Eclesiástica de Sozomeno, livro 1, capítulo 1 (440 d.C.)

Cassiodoro, na “História em Três Partes de Sozomeno” (510 d.C.)

Crônicas de Alexandria, p. 514, 526, 527, 584, 586 (640 d.C.)

Crônicas de Johan Malela, livro 10 (c. 850 d.C.)

Códice de Fócio, livro 48 I, Códice 238, Códice 33 (c. 860 d.C.)

Anais de Glycus, p. 234 (c. 1120 d.C.)

O texto destas fontes pode ser lido em Josefo: Obras Completas, p. 640-643.

Além disso, o estilo das partes sublinhadas parece corresponder ao restante do texto.

Evidências contra as partes sublinhadas:

O árabe do século X não apresenta isso, ao passo que a versão latina sim. A versão latina fala tanto sobre Cristo que seria de se perguntar por que Josefo não era cristão. De fato, o estudioso cristão primitivo Orígenes afirma que Josefo não acreditava que Jesus fosse o Messias em *Orígenes contra Celso*, livro 1, cap. 47, p. 416; livro 2, cap. 13, p. 437. F.F. Bruce, em *Os Documentos do Novo Testamento: São Confiáveis?*, p. 108, especula que Josefo pode de fato ter escrito isso, mas que estava sendo sarcástico. No entanto, nada na versão em latim revela qualquer sarcasmo. Em *Josefo: Obras Completas*, o apêndice na p. 644 afirma que Josefo se refere a Jesus como o Cristo [Messias] meramente porque Ele era uma entre várias pessoas apresentadas como o Messias, sem sugerir que o próprio Josefo acreditasse nisso.

Alguma das duas interpretações estava correta?

Prós: Tertuliano não faz menção a Josefo, e Clemente de Alexandria relata o que Josefo disse sobre alguns anos, mas nada relacionado a Cristo.

Contra: São tantas as fontes que mencionam pelo menos a versão árabe básica que seria improvável que todas elas estivessem totalmente equivocadas. Mesmo fontes como Orígenes, que afirmam que Josefo não acreditava que Jesus fosse o Messias, sugerem que Orígenes leu nas obras de Josefo as passagens em que este mencionava Jesus. A citação de Orígenes (conforme consta no Apêndice da tradução de Whiston) diz, em parte: “pois Josefo testemunha, no décimo oitavo livro de suas Antiguidades Judaicas, que João era o Batista e que prometia purificação àqueles que fossem batizados. O mesmo Josefo, além disso, embora não acreditasse em Jesus como o Cristo, ao investigar a causa da destruição de Jerusalém e da demolição do templo — e devesse ter afirmado que as maquinações contra Jesus foram a causa dessas ‘miserias que se abateram sobre o povo, por terem matado aquele Cristo que fora predito pelos profetas’ —, ele, embora de certa forma contra a sua vontade, mas ainda assim sem se afastar da verdade, afirma que essas desgraças se abateram sobre os judeus como vingança por Tiago, o Justo, que era irmão de Jesus, chamado de Cristo;”

Conclusão — O árabe é mais preciso

O estudioso do Novo Testamento R. T. France afirma o seguinte em http://www.leaderu.com/truth/1truth21.html.

“Praticamente todos os estudiosos concordam que o texto recebido [a tradução latina] é uma reescrita cristã, mas a maioria está disposta a aceitar que, no texto original, houvesse neste ponto um breve relato sobre Jesus, talvez em um tom menos elogioso. A menção passageira de Josefo a ‘Jesus, o chamado Messias’ em Antiguidades, livro 20, capítulo 200, é difícil de explicar sem alguma referência prévia a esse Jesus, especialmente porque Josefo, em outras partes, não faz nenhuma referência ao cristianismo, nem mesmo utiliza o termo Christos para qualquer outra figura. A versão diferente e menos “comprometida” do Testimonium, preservada em uma citação árabe do século X de Josefo, embora seja improvável que represente o texto original, atesta a existência de um relato sobre Jesus na obra de Josefo subjacente ao texto cristianizado. Mas a reconstrução do que Josefo escreveu é necessariamente especulativa.”

A Enciclopédia Baker de Apologética Cristã, p. 382, afirma: “A autenticidade dessa passagem tem sido questionada por estudiosos de todas as correntes de crença, pois parece duvidoso que um judeu que viveu e trabalhou fora do contexto cristão tivesse dito tais coisas sobre Jesus... Apesar dessas preocupações, há razões a favor de se aceitar a maior parte do texto como autêntica. … Mesmo sem as partes que provavelmente são interpolações cristãs, este texto é um testemunho extraordinário da vida, morte e influência de Jesus.

Referências

Para mais informações, consulte a *Baker Encyclopedia of Christian Apologetics*, pp. 253-254, 382, e a Dissertação I no apêndice da tradução de Josefo feita por Whiston.

P: Por que a genealogia de Lucas remonta a Adão, enquanto a de Mateus remonta apenas a Abraão?

R: As Escrituras não dizem, mas temos uma suposição. A ênfase de Lucas estava em Jesus como o Filho do homem, enquanto a ênfase de Mateus estava em Jesus, o Messias judeu prometido. A genealogia de Lucas por meio de Maria prova que Jesus era descendente biológico de Davi (mas não de Salomão). A genealogia de Mateus, na qual José descende de Davi e Salomão, prova que Jesus, como filho legal de José, tinha direito à realeza.

Clemente de Alexandria (193-202 d.C.), em *Stromata*, livro 1, cap. 21, p. 334, pensou erroneamente que o Evangelho de Mateus fosse a genealogia de Maria.

P: Por que a genealogia de Jesus em Mateus (Mt 1,1-17) é diferente daquela em Lucas (Lc 3,23-38)? E por que ambas diferem dos textos do Antigo Testamento? Teria sido apenas uma invenção apologética com o objetivo de atribuir a Jesus uma origem davídica? Por outro lado, essas variações e diferenças não lançam dúvidas sobre a verdade de que Jesus de Nazaré é o Messias prometido?

R: Resumidamente, a resposta é que Jesus era filho biológico de Maria e filho adotivo de José. A genealogia de Mateus é a de José, e isso era importante porque o direito à realeza passava pelo pai. A genealogia de Lucas é a de Maria, portanto Jesus também era biologicamente descendente de Davi.

E há ainda a questão de Jeconias (Jehoichin). Ele foi um rei ímpio, e Deus disse que ele e seu pai nunca teriam um descendente no trono de Davi. A genealogia de Maria, apresentada por Lucas, mostra que Jesus descendia de Davi por essa linhagem, mas não por meio de Salomão e Jeconias. Mas a genealogia de José, em Mateus, mostra que José era descendente de Jeconias. Como nota histórica, a primeira pessoa que sabemos ter escrito e respondido a essa questão das duas genealogias foi Irineu de Lyon, em *Contra as Heresias*, livro 3, cap. 21.9, p. 453-454, escrito entre 182 e 188 d.C.

P: Em Mt 1,1-17, como essa genealogia se concilia com Lc 3,23-38?

R: Os registros reais geralmente mencionavam uma única genealogia, mas Jesus possuía duas. Muitos têm visto um problema nas genealogias de Mateus e Lucas, que apresentam pessoas essencialmente diferentes após Davi. Mas vamos fazer duas perguntas por conta própria. Que direito teria Cristo de reivindicar o trono de Davi se Ele fosse descendente de Davi? – Nenhum, se Ele fosse descendente apenas pelo lado materno. É por isso que era importante que Jesus fosse o filho legal e adotivo de José em Mateus; as pessoas não reivindicam a realeza com base na mãe. Por outro lado, se Maria não descendesse de Davi, o que seria então da profecia de que Jesus descendia de Davi? É por isso que a genealogia biológica em Lucas é importante. Assim, para mostrar que Jesus cumpriu o papel de Messias, ambas as genealogias eram necessárias.

O problema que algumas pessoas têm é que a genealogia em Lucas não diz explicitamente “esta é de Maria”. Mas isso está implícito quando diz: “Ele [Jesus] era considerado filho de José, filho de Heli...”. As genealogias antigas em geral, e as judaicas em particular, não eram traçadas a partir das mulheres.

Heli é mencionado como pai de Jesus porque, como escreveu Justino Mártir (c. 138-165 d.C.), “devido ao Seu [de Jesus] nascimento da Virgem, que era, como eu disse, da família de Davi, de Jacó, de Isaque e de Abraão; ou porque Adão foi o pai tanto Dele próprio quanto daqueles que foram enumerados anteriormente, dos quais Maria deriva sua descendência. Pois sabemos que os pais das mulheres são também os pais [ou seja, os antepassados] dos filhos que suas filhas dão à luz.” Diálogo com Trifão, o Judeu, cap. 100 (ANF, vol. 1, p. 249).

Júlio Africano (232-245 d.C.), em sua Carta a Aristides (Padres Ante-Nicenos, vol. 6, p. 125-127), também diferenciou entre genealogias da lei e da natureza. No entanto, ele afirmou que uma era a genealogia legal de José e a outra, a genealogia natural de José. Vide também a História Eclesiástica de Eusébio, livro 1, capítulo 7, e livro 6, capítulo 31.

Outro escritor da Igreja primitiva que percebeu que uma genealogia era de José e a outra de Maria (embora tenha invertido as duas) foi Clemente de Alexandria, em *Os Estromata* (193-202 d.C.), livro 1, cap. 21 (ANF, vol. 2, p. 334).

P: Em Mt 1,12 e 1 Cr 3,15-17, o pai de Salatiel era Jeconias ou Neri, conforme 1 Co 3,27?

R: Houve várias pessoas chamadas Salatiél e Zorobabel.

Em Mateus 1:12, a linhagem é: Josias (avô) -> Jeconias -> Salatiél -> Zorobabel -> Abiud -> Eliakim

Em Lucas 3:26-27, a sequência é: Melquis -> Neri -> Salatiél -> Zorobabel -> Resá -> Joanas -> Judá -> José.

Em 1 Crônicas 3:15-17, a genealogia é: Josias -> Jeoiaquim -> Jeconias -> Salatiel e Pedaías. Não há menção a filhos de Salatiel, mas o próximo na linha real é Zorobabel, filho de Pedaías.

As genealogias de Maria e José eram idênticas até Davi, e a partir daí divergiram. Não há semelhança alguma, seja em ancestrais, seja em descendentes, a partir desse ponto. Talvez o Salatiel e o Zorobabel em Lucas tenham sido nomeados em homenagem aos governadores mencionados em 1 Crônicas 3:15-17 e Mateus 1:12. Observe também que Lucas 3:26-27 menciona Judá e José, mas essas eram pessoas diferentes de Judá, filho de Jacó, de José, filho de Jacó, e de José, marido de Maria.

P: Em Lc 1,26, o nascimento de Cristo foi anunciado a Maria, ou foi anunciado a José em Mt 1,20?

R: Ambos. A notícia foi anunciada primeiro a Maria, pois ela se perguntaria por que estava grávida. Posteriormente, o anjo comunicou a notícia a José, para que ele não se separasse de Maria por infidelidade.

P: Nos Evangelhos, quais são os pontos em comum entre as narrativas da infância?

R: Marcos e João não fornecem detalhes sobre o nascimento de Jesus. Aqui estão seis pontos em comum entre Mateus e Lucas:

1. Genealogia de Abraão a Davi (Mt 1,2-6; Lc 3,31-34)

2. O rei Herodes estava no poder (Mt 2,1; Lc 1,5)

3. A visita de um anjo do Senhor (José: Mt 1,20; Maria: Lc 1,26-38)

4. Jesus nasceu em Belém da Judéia (Mt 2,1; Lc 2,4-7)

5. Os três voltaram para Nazaré (Mt 2,19-22; Lc 2,39).

6. Jesus cresceu em Nazaré (Mt 2,23; Lc 2,40).

De modo geral, os dois evangelhos se complementam perfeitamente para oferecer um quadro bastante completo da infância de Jesus. Mateus narra a genealogia de José, os magos e a fuga para o Egito. Lucas menciona Gabriel, o nascimento de João Batista, a genealogia de Maria, os pastores, Simeão e Ana. Embora não saibamos qual foi escrito primeiro, Lucas menciona que outros já haviam elaborado relatos sobre Jesus. Portanto, talvez Lucas tenha sido escrito depois de Mateus e, tendo lido Mateus, Lucas tenha optado por incluir detalhes que Mateus ainda não havia relatado. João provavelmente escreveu depois de ambos e, aparentemente, não tinha nada a acrescentar.

P: Nos Evangelhos, Jesus acreditava que as Escrituras eram inerrantes (sem erros nos manuscritos originais)?

R: Esta resposta foi retirada da página da web extinta www.wam.umd.edu/~cbernard/Theology/inerrancy.html.

Jesus trata consistentemente as narrativas históricas do Antigo Testamento como registros diretos dos fatos. Ele menciona:

Abel (Lucas 11:51)

Noé (Mateus 24:37-39; Lucas 17:26,27)

Abraão (João 8:56)

A instituição da circuncisão (João 7:22; cf. Gênesis 17:10-12; Levítico 12:3)

Sodoma e Gomorra (Mateus 10:15; 11:23,24; Lucas 10:12)

Ló (Lucas 17:28-32)

Isaac e Jacó (Mateus 8:11; Lucas 13:28)

o maná no deserto (João 6:31, 49, 58)

A serpente no deserto (João 3:14)

Davi comendo o pão consagrado (Mateus 12:1-8; Marcos 2:23-28; Lucas 6:1-5)

Jesus como Senhor de Davi (Mateus 22:43; Marcos 12:36; Lucas 20:42)

Salomão (Mateus 6:29; 12:42; Lucas 11:31; 12:27)

Eliseu (Lucas 4:27)

Jonas (Mateus 12:39-41; Lucas 11:29, 30, 32)

Zacarias (Lucas 11:51)

A última passagem destaca a visão de Jesus sobre a unidade da história, desde “a criação do mundo” até “esta geração”. Ele se refere repetidamente a Moisés como o dador da Lei (Mateus 8:4; 19:8; Marcos 1:44; 7:10; 10:5; 12:26; Lucas 5:14; 20:37; João 5:46; 7:19). Ele menciona com frequência os sofrimentos dos verdadeiros profetas (Mateus 5:12; 13:57; 21:34-36; 23:29-37; Marcos 6:4 [cf. Lucas 4:24; João 4:44]; 12:2-5; Lucas 6:23; 11:47-51; 13:34; 20:10-12) e comenta sobre a popularidade dos falsos profetas (Lucas 6:26). Ele dá o seu selo de aprovação a passagens tão significativas como Gênesis 1 e 2 (Mateus 19:4,5; Marcos 10:6-8).[6]

Alguns poderiam objetar neste ponto e argumentar que Jesus estava apenas utilizando os mitos e as histórias da cultura para ilustrar seus argumentos. Isso é certamente possível em algumas passagens, mas parece improvável. Em primeiro lugar, a impressão que se tem ao ler os relatos evangélicos é de que Jesus considera as histórias do Antigo Testamento como história real. O espírito com que Ele utiliza as Escrituras indica que acreditava que os relatos do Antigo Testamento são históricos. Em segundo lugar, não parece uma opção viável afirmar que Jesus estava apenas usando os mitos de sua cultura para ilustrar seus ensinamentos em passagens como Mateus 12:41; 24:37; 11:23,24; 5:12; 4:4.

Em terceiro lugar, Jesus pressupõe a inspiração da Bíblia. Ele usa “a Escritura diz...” e “Deus diz...” de forma intercambiável e, ao fazê-lo, identifica o texto do Antigo Testamento com a Palavra de Deus. Citando Gênesis 2:24, Jesus diz: “Vocês não leram que, desde o princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’ e disse: ‘Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe...’”. Observe que Gênesis 2:24 não é uma citação direta de Deus no texto, mas um comentário do autor ou narrador do texto. Jesus considera as palavras dos textos bíblicos como sendo as próprias palavras do Criador. A inspiração das cópias originais (autographa) pressupõe a inerrância. Se Jesus está correto ao reconhecer o Antigo Testamento como as próprias palavras do Criador, então atribuir erro ao Antigo Testamento equivale a atribuir erro ao próprio Deus.

Em quarto lugar, Jesus acreditava claramente na autoridade da Bíblia. Em Suas disputas com os fariseus e saduceus, Jesus recorre às Escrituras como se elas tivessem autoridade para resolver a controvérsia. Ele vê as Escrituras como a palavra definitiva (João 5:39-47; Mateus 22:29,31; Marcos 12:24-26; Lucas 20:37). Quando as Escrituras falam, Deus fala, e a questão está resolvida.

P: Nos evangelhos, o que é uma “harmonia” anterior ao ministério de Jesus?

R: É importante distinguir entre o que se diz estar em ordem e o que pode estar em ordem. Para esses 27 eventos, os números referem-se a eventos que devem seguir os números anteriores. Letras como a, b, c referem-se a eventos que poderiam ocorrer em qualquer ordem. Antes do ministério de Jesus, tudo nos evangelhos foi escrito em ordem cronológica, exceto as partes sublinhadas. Os indicadores de local, tempo e sequência encontrados nos evangelhos estão em negrito.

Antes do ministério de Jesus: Mt 4,1-11; Mc 1,1-13; Lc 1,1-3,18; Lc 3,21-4,13; Jo 1,1-42

B1a. No princípio, Jesus já existia no Céu. Jo 1:1-5; Jo 17:5

B1b. A genealogia de Maria a partir de Adão (com lacunas). Lc 3,23-37

B1c. A genealogia de José a partir de Abraão (com lacunas). Mt 1,1-17

B2. Em Jerusalém, durante o reinado de Herodes (37 a.C. a 4 a.C.), Gabriel visita Zacarias; Isabel estará grávida. Lc 1,1-25

B3. No sexto mês de gravidez de Isabel, Gabriel visita Maria em Nazaré, anunciando-lhe que ela estará grávida. Lc 1,26-38

B4. Maria está grávida, embora ainda seja virgem. Mt 1,18-19

B5. Após Maria ter ficado grávida, Gabriel visita José. Mt 1,20-25

B6. Ao viajar para a Judéia, Maria visita Isabel. Lc 1,39-56

B7. Nasce João Batista. Lc 1,57-80

B8. Enquanto Herodes era rei (37-4 a.C.), Cristo nasce em Belém da Judéia. Mt 2,1; Lc 2,1-7

B9. Nos campos próximos, anjos dizem aos pastores para visitarem Jesus. Lc 2,8-20

B10a1. No oitavo dia, Jesus é circuncidado. Lc 2,21

B10a2. Após a purificação de Maria (33 dias depois, conforme Levítico 12:1-4), no templo de Jerusalém, Jesus é apresentado ao Senhor. Lucas 2:22-38

B10b. Numa casa em Belém, os Magos do Oriente vêm adorar Jesus. Mt 2,2-12

B11. Após a partida dos Magos, a fuga para o Egito. Mt 2,13-15

B12. Em um período de dois anos, Herodes mata os bebês do sexo masculino de Belém. Mt 2,16-18

B13. Após a morte de Herodes, José, Maria e Jesus retornam a Nazaré. Mt 2,19-22; Lc 2,40a

B14a. Em Nazaré da Galiléia, Jesus cresce. Mt 2,23; Lc 2,40b

B14b. Todos os anos, na Páscoa, os pais de Jesus vão a Jerusalém. Lc 2,41

B15. Aos 12 anos, Jesus vai ao Templo em Jerusalém. Lc 2,42-52

B16. No deserto da Judéia, João Batista prega. Mt 3,1-12; Mc 1,1-8; Lc 3,1-18; Jo 1,6-28

B17a. Quando Jesus tinha cerca de 30 anos (provavelmente 33-34), Ele é batizado no rio Jordão. Mt 3,13-17; Mc 1,9-11; Lc 3,21-23

B17b. No dia seguinte [após a declaração de João], Jesus se apresenta a João Batista. João testifica que Jesus é o Cordeiro de Deus. Jo 1,29-34

B18a. No rio Jordão, Jesus chama Pedro, André e outro. Jo 1,35-42

B18b1. Jesus decide retornar à Galiléia no dia seguinte, após as palavras de João Batista. Jo 1,43a

B18b2. Jesus chama Filipe e Natanael. Jo 1,43b-51

B18c. Durante 40 dias no deserto, Satanás tenta Jesus. Mt 4,1-11; Mc 1,12-13; Lc 4,1-13

Nesta lista, 1 evento é idêntico em todos os quatro evangelhos, 2 constam nos evangelhos sinópticos, 3 constam em Mateus e Lucas, 5 constam apenas em Mateus, 5 constam apenas em João, 10 constam apenas em Lucas e 0 constam apenas em Marcos. Marcos apresenta apenas três eventos aqui, e eles são comuns a Mateus e Lucas. Pode-se facilmente concluir que nenhum deles foi testemunha ocular desses eventos iniciais; eles obtiveram seu material principalmente de fontes diferentes, embora Lucas tenha o maior volume de informações anteriores ao ministério de Jesus e Marcos tenha o menor.

A propósito, a Bíblia de Estudo NIV, pp. 1636–1641 (no final de João), apresenta uma extensa harmonia dos evangelhos. Eu não tinha conhecimento disso quando elaborei essas harmonias dos evangelhos e ainda não comparei meus resultados com os deles.

P: É verdade que as informações sobre a vida de Jesus antes de Seu ministério público são “escassas”?

R: Não, não quando comparadas às de outras figuras famosas da Antiguidade. Essa visão não é resultado de estudos acadêmicos objetivos, mas da descrença dos “críticos cristãos”. Cinco pontos a serem considerados na resposta.

1. A título de referência, durante o ministério público de Jesus antes de Sua morte, temos pelo menos 176 fatos sobre a vida e os ensinamentos de Jesus.

2. Antes de Jesus iniciar Seu ministério, conhecemos pelo menos 37 fatos sobre Ele.

3. Temos mais informações sobre Jesus antes de Sua vida pública do que os historiadores nos fornecem sobre os reis mais famosos da Babilônia, do Egito, da Média, da Pérsia, da Grécia, da Macedônia ou da Roma antiga. Em outras palavras, sabemos mais sobre Jesus, antes de Sua primeira aparição pública, do que sabemos sobre a infância do babilônico Nabucodonosor, dos egípcios Akhenaton e Nefertiti, dos medos Kyaxares e Astyges, dos persas Ciro, Dario e Xerxes, dos gregos Agamenon e Péricles, ou dos senadores mais famosos de Roma. A única figura da Antiguidade sobre a qual sabemos tanto antes de sua vida pública é Alexandre da Macedônia.

4. Na verdade, temos menos informações sobre algumas figuras históricas dos séculos XVIII e XIX, antes de suas vidas públicas, do que temos sobre Jesus.

5. Se alguém for afirmar que as informações sobre a vida de Jesus antes de Seu ministério são escassas, pelo menos em comparação com as de outras figuras, essa pessoa deveria apresentar uma série de figuras históricas antigas sobre as quais haja mais informações a respeito de suas vidas antes de se tornarem figuras públicas, ou então parar de divulgar informações incorretas.

Veja também a próxima pergunta para conhecer pelo menos trinta fatos que nos são relatados sobre Jesus antes de Seu ministério.

P: Em Mt 2,13-23, se Maria, José e Jesus fugiram para o Egito, como puderam retornar diretamente a Nazaré, conforme Lc 2,39?

R: Lucas 2,39 não diz que a família de Jesus voltou imediatamente para Nazaré. Diz apenas que eles cumpriram o que a lei exigia [em Jerusalém] antes de retornarem a Nazaré. Pode-se inferir que isso aconteceu logo em seguida, pois nada mais foi mencionado. Talvez Lucas não tenha visto necessidade de mencionar a viagem ao Egito, ou talvez Lucas não tivesse conhecimento dessa viagem.

De qualquer forma, isso não é incompatível com os outros evangelhos. A próxima pergunta apresenta uma harmonização detalhada. Letras como a, b, c referem-se a eventos que poderiam ocorrer em qualquer ordem.

P: Antes do ministério público de Jesus, o que exatamente nos é dito sobre Jesus?

R: São-nos relatadas pelo menos 37 coisas sobre Jesus antes de Seu ministério. As informações que nos são fornecidas podem ser divididas em três categorias:

O próprio Jesus

1. Sua mãe era Maria.

2. Nasceu de uma virgem. (Mesmo que um cético negue isso, ele precisa admitir que foi afirmada a alegação de que Jesus nasceu de uma virgem)

3. Seu pai legal era José.

4. Nasceu durante o reinado de Herodes, o Grande. (37–4 a.C.)

5. Nasceu em Belém.

6. Foi circuncidado no oitavo dia.

7. Apresentado no templo. (como muitos bebês judeus)

8. A família viajou para o Egito (Mateus 2:13-15).

9. Após a morte de Herodes, a família retornou a Nazaré, na Galiléia (Mateus 2:19-23).

10a. Cresceu em Nazaré (Lucas 2:39-51), uma pequena cidade considerada insignificante pelos outros.

10b. Depois que Jesus foi ao Templo, Ele também voltou para Nazaré (Lucas 2:51).

11a. Aos 12 anos, Jesus foi ao Templo.

11b. Todos os anos, os pais de Jesus iam ao Templo na Páscoa (Lucas 2:41).

12. Aos 12 anos, já era curioso e conhecia bem as Escrituras (Lucas 2:41-46).

13. Jesus era perfeito e sem pecado (Hebreus 4:15; 2 Coríntios 5:21). Mesmo que um cético discorde dessa afirmação, esses versículos, assim como Lucas 2:40, nos apresentam o fato de que, no mínimo, “Jesus era uma boa criança”.

14. Jesus falava aramaico. (Mateus 5:22, etc.)

15. As pessoas da Galiléia geralmente falavam grego também. (Os não israelitas que falavam grego viviam a apenas 15-20 milhas, 24-32 quilômetros, de distância.)

16. A religião de Jesus era o judaísmo; especificamente, ele estava mais próximo dos fariseus, acreditando em todos os livros do Antigo Testamento. Os primeiros escritores da Igreja afirmavam que os saduceus aceitavam apenas a Torá.

17. Jesus trabalhava como carpinteiro (Marcos 6:3).

18. Por volta dos 30 anos, foi batizado por João Batista (Mateus 3:13; Marcos 1:9-11).

19. Retirou-se ao deserto antes de iniciar seu ministério público (Mateus 4:1-11; Marcos 1:12-13).

A Família de Jesus

20. José era carpinteiro. (Mt 13,55)

21. Maria estava grávida antes de se casar (Mateus 1:18).

22. José pensou em se divorciar de Maria (Mateus 1:19).

23. Genealogia de José. (contada como apenas 1 item) (Mateus 1:1-16)

24. Genealogia de Maria. (conta como apenas 1 item)

25. Tinha quatro irmãos chamados Tiago, José, Judas e Simão. (Mateus 13:55-56; Marcos 6:3; Gálatas 1:19; Judas 1; História Eclesiástica de Eusébio (318 d.C.) 2:23 e 3:20)

26. Embora fosse de ascendência real, Jesus cresceu em uma família comum de um povo subjugado, e provavelmente eram pobres (Lucas 2:24 + Levítico 12:6-8).

27. A prima de Maria era Isabel, descendente do sacerdote Arão (Lucas 1:5).

28. O marido de Isabel era o sacerdote Zacarias, da turma de Abias (Lucas 1:5).

29. João Batista, primogênito e único filho de Zacarias e Isabel, era parente de Jesus.

30. Maria, Tiago e Judas ainda estavam vivos quando Jesus foi crucificado.

Reações a Jesus e Expectativas em relação a Ele

31. As expectativas de Maria em relação ao seu filho.

32. Considerava-se que Jesus se encaixava nas profecias messiânicas (Mateus 2:6).

33. Adoração por parte dos pastores (Lucas 2:15-20).

34. Presentes dos reis (Mateus 2:10-11).

35. A reação paranóica de Herodes, o Grande.

36. O testemunho de João Batista.

37. Ana e Simeão no Templo. (Pode-se argumentar que se trata de dois itens, mas vou considerá-los como um único.)

Isso não é de forma alguma escasso quando comparado ao que sabemos sobre a vida de outras figuras públicas antes de sua vida pública. Para uma comparação, veja a próxima pergunta.

P: Visto que sabemos pelo menos 37 coisas sobre Jesus antes de Seu ministério público, a título de comparação, o que sabemos sobre outras figuras históricas seculares antes de seu surgimento público?

R: Para fins de comparação, sabemos apenas algumas coisas sobre Pompeu, cerca de 12 coisas sobre Aristóteles e 27 coisas sobre Alexandre da Macedônia, antes de suas vidas públicas. (Grande parte dessas informações foi extraída da Enciclopédia Britânica).

Pompeu

Gnaeus Pompeius foi um famoso general e político romano, nascido em 30 de setembro de 106 a.C.

Ele era filho de um comandante militar.

3. Aos 17 anos, lutou ao lado de seu pai na Guerra Social.

4. Como a maioria dos romanos, ele provavelmente adorava os deuses romanos.

5. Ele falava latim e, talvez, também grego.

Provavelmente há mais itens, mas certamente não mais de 20.

O próprio Aristóteles

1. Nasceu por volta de 384 a.C.

2. Nasceu em Estagira, uma cidade grega na costa noroeste do Mar Egeu.

3. Falava grego.

4. As pessoas geralmente acreditavam nos deuses gregos.

5. Seu pai era Nicômaco, um médico da guilda dos “filhos de Esculápio”.

6. Dos 17 aos 37 anos, estudou com Platão na Academia de Atenas.

7. Em 342 a.C., Aristóteles tornou-se tutor de Alexandre da Macedônia por 7 anos.

8. Em um túmulo próximo a Eretria, na Eubeia, encontram-se um crânio e objetos pessoais que podem ter pertencido a Aristóteles. Ele faleceu por volta de 322 a.C.

A Família de Aristóteles

9. Seu pai era médico da corte de Amintas II, pai de Filipe da Macedônia

10. Genealogia paterna: de origem grega jônica

11. Genealogia materna: jônica, de Calcis, na Eubeia.

Reações a Aristóteles e as expectativas em relação a ele

12. Tinham certas expectativas acadêmicas em relação a ele, tendo-o enviado para estudar com Platão na Academia de Atenas.

Dispomos apenas de cinco manuscritos de seus escritos, sendo que o mais antigo data de 1100 d.C.

Da Índia à Espanha, de longe a pessoa mais famosa antes de Jesus foi Alexandre da Macedônia, frequentemente chamado de Alexandre, o Grande. Vejamos o que sabemos sobre sua juventude.

O próprio Alexandre

1. Seu pai era Filipe II da Macedônia.

2. Sua mãe era Olímpia, uma princesa molossiana do Épiro.

3. Nasceu por volta de outubro de 356 a.C.

4. Nasceu em Pella, a capital da Macedônia.

5. Quando Alexandre tinha 14 anos (342 a.C.), Aristóteles tornou-se seu tutor por 7 anos.

6. Alexandre adorava ler Homero.

7. Alexandre falava algum dialeto do grego.

8. Alexandre acreditava nos deuses gregos.

9. Alexandre era um bom cavaleiro e possuía um cavalo branco chamado Bucéfalo.

10. Aos 16 anos, Alexandre reprimiu uma revolta das tribos das montanhas enquanto seu pai estava ausente.

11. Alexandre liderou a investida que derrotou a Banda Sagrada em Queroneia, em 338 a.C.

12. Depois que Filipe se divorciou de Olímpia, Alexandre passou a morar com sua mãe no Épiro.

A Família de Alexandre

13. Genealogia de Olímpia. Ela era filha do rei Neoptólemo do Épiro e sobrinha de Aríbbas, ambos filhos do rei Alketo, o rei molosso do Épiro.

14. O pai de Alexandre, Filipe II, era o terceiro filho do rei Amintas II da Macedônia. Não temos certeza, porém, da genealogia anterior a essa geração.

15. Seu tio era Alexandre I, rei do Épiro.

16. Assim, Alexandre recebeu a educação de um príncipe.

17. Temos uma estátua e o caixão de Filipe II da Macedônia (The Greek World, p. 174-175).

18. Filipe era regente da Macedônia em 359 a.C., mas assumiu o poder como rei em 356 a.C.

19. Filipe se divorciou de Olímpia para se casar com Cleópatra, uma nobre macedônia.

20. Alexandre I casou-se com sua sobrinha Cleópatra, meia-irmã de Alexandre, em 337 ou 336 a.C.

21. Alexandre tinha um meio-irmão mais novo, filho de Filipe e Cleópatra, a quem Alexandre mandou matar quando se tornou rei.

22. Alexandre tinha um primo chamado Amintas, a quem ele matou quando se tornou rei.

23. Alexandre tinha um irmão chamado Aridaeus Philippus, filho de Filipe e Filina de Larissa. Após a morte de Alexandre, ele governou a Macedônia por 7 anos até ser morto. Isso é o que afirma Eusébio em *Chronicon*, p. 49

24. Em 336 a.C., Filipe II foi assassinado com uma faca celta na manhã do casamento de sua filha Cleópatra.

25. Alexandre enviou espólios à sua mãe em 335 a.C.

Reações a Alexandre e as expectativas em relação a ele

26. Filipe inicialmente o preparou para ser o próximo rei

27. Aparentemente, ele e Filipe se afastaram depois que Filipe se divorciou da mãe de Alexandre.

Os escritos de muitos que escreveram sobre Alexandre se perderam. Os escritos antigos que sobreviveram incluem:

“Edição Didot de Arriano”, de Karl Müller

Livro 17 de Diodoro (c. 20 a.C.)

Quinto Curcio (c. 42 d.C.)

Plutarco (c. 45–125 d.C.) – “Vida de Alexandre”

A “Anábase” e a “Índica” de Arriano (150 d.C.)

Resumo de Justino da História de Trogus (c. 10 a.C.?)

Itinerário de Alexandre (324–361 d.C.)

Epitome Rerum Gestarum Alexandri Magni (século IV ou V)

A biógrafa moderna Mary Renault, na obra *A Natureza de Alexandre*, p. 30, afirma a respeito dos primeiros biógrafos de Alexandre: “A *História* de Arriano começa com a ascensão ao trono [de Alexandre], provavelmente porque a de Ptolomeu também o fazia, o que é uma pena, pois seu conhecimento dos anos anteriores teria sido inestimável.”

Se alguém quiser alegar que o que nos é relatado sobre Jesus antes de seu ministério público é “escasso”, deveria ser honesto e acrescentar que considera que o que nos é relatado sobre a juventude da maioria das figuras históricas até a época romana é ainda mais escasso do que o que se sabe sobre a vida de Jesus.

Também acredito que sabemos mais sobre a juventude de Jesus do que sobre a de outros judeus famosos de sua época, como Josefo, Filo (20 a.C. a 50 d.C.) e Bar Kochba. Acredito, ainda, que sabemos mais sobre a vida de Jesus antes do ano 30 do que sabemos sobre a juventude de Moisés e Buda. Talvez tenhamos mais informações sobre Júlio César e Josefo, mas não conheço nenhum outro caso.

Moisés

Eis o que sabemos sobre Moisés antes de sua vida pública.

1. Moisés nasceu por volta de 1525 a.C. no norte do Egito.

2. Seus pais, ou mais provavelmente seus antepassados, chamavam-se Amram e Joquebede.

3. Ele era hebreu, um povo que havia sido escravizado por 320 anos.

4. Ele tinha uma irmã mais velha chamada Miriam.

5. Ele tinha um irmão chamado Arão.

6. Moisés passou os primeiros três meses de vida na casa de seu pai (Atos 7:20).

7. Quando criança, ao decretar o Faraó que os bebês hebreus do sexo masculino fossem lançados no rio Nilo, sua mãe o colocou em uma cesta.

8. A filha do Faraó o encontrou e cuidou dele como se fosse seu próprio filho.

9. Ele cresceu na corte do Faraó, foi educado em toda a sabedoria dos egípcios, era poderoso na palavra e nas ações (Atos 7:21-22) e possuía o conhecimento e a instrução dos egípcios

10. Sua própria mãe serviu como sua ama.

11. Ele se preocupava com os hebreus, a ponto de matar um egípcio que estava espancando um hebreu.

12. Mesmo aos 40 anos, Moisés era bastante forte, a ponto de matar o egípcio.

13. O Faraó tentou matar Moisés.

14. Moisés fugiu para Midiã, onde viu algumas mulheres tirando água para seus rebanhos.

15. Quando os pastores tentaram afugentá-las, Moisés as resgatou dos pastores.

16. Moisés casou-se com Zípora.

17. O sogro de Moisés chamava-se Reuel, que também era conhecido como Jetro.

18. Moisés e Zípora tiveram um filho chamado Gersom.

19. Moisés tinha cerca de 80 anos quando viu a sarça ardente.

Gautama Buda

Para fins de argumentação, vamos supor que as lendas sobre o jovem Buda sejam verdadeiras.

Filho de um rei dos Sakyas, um povo de casta guerreira ao norte de Kosala

Provavelmente adorava os ídolos hindus quando criança.

3. Ele renunciaria ao mundo se visse um homem doente, um ancião e um cadáver.

4. Ele deixou sua casa aos 29 anos.

5. Passou seis anos em busca da iluminação, que alegou ter alcançado sob uma árvore de Bo.

6. Ele faleceu em 544 a.C. ou em 483 a.C., aos 80 anos de idade.

Maomé

Maomé não fazia parte da história antiga, mas, como foi um importante líder religioso, veremos o que sabemos sobre sua juventude, antes do início de seu ministério, para fins de comparação.

1. Maomé nasceu por volta de 567-569 d.C.

2. Filho de Abdullah e de sua esposa Aminah.

3. Membro da tribo dos Quraish, que controlava Meca.

4. Seu pai faleceu antes de ele nascer.

5. Ele foi criado inicialmente por seu avô ‘Abd al-Mottalib/Muttalib.

6. Posteriormente, foi criado por seu tio, Abu Talib.

7. Sua família era bastante pobre.

8. Em sua juventude, ele provavelmente liderava caravanas.

9. Casou-se com Khadija, uma viúva abastada de 40 anos, quando tinha cerca de 25 anos.

10. Depois disso, provavelmente tornou-se sócio de uma loja em Meca que vendia produtos agrícolas.

11. Provavelmente, ele não sabia escrever, embora, mais tarde na vida, já soubesse ler um pouco.

12. Ele conhecia os ídolos árabes, incluindo as três “filhas de Alá”: Al-Lat, ‘Uzza e Manat.

13. Tem algum conhecimento sobre o judaísmo e o cristianismo.

14. Maomé era uma pessoa de pele branca, que mais tarde tingiu o cabelo de vermelho.

15. Quando Maomé tinha uma visão, os hadiths relatam que aconteciam coisas estranhas. Ele sentia um zumbido nos ouvidos — Hadiths de Bukhari, vol. 1, livro 1, cap. 1, n.º 2, p. 2; vol. 4, livro 54, cap. 6, n.º 438, p. 293. Seu coração batia aceleradamente 1:3, e seu rosto ficava vermelho — Hadiths de Bukhari, vol. 2, n.º 16; vol. 5, n.º 618; vol. 6, n.º 508; respirava com dificuldade (Hadiths de Bukhari, vol. 6, n.º 508); caía no chão com os dois olhos abertos voltados para o céu (Hadiths de Bukhari, vol. 5, n.º 170; vol. 6, n.º 448); suava profusamente (Hadiths de Bukhari, vol. 1, livro 1, cap. 1, n.º 2, p. 9; vol. 2, n.º 544; vol. 3, n.º 829, e via e ouvia coisas que ninguém mais percebia — Hadiths de Bukhari, vol. 1, livro 1, cap. 1, n.º 2, 3, p. 2-3; vol. 4, n.º 458, 461; vol. 6, n.º 447. Esses sintomas podem ter parecido estranhos naquela época, mas, desde então, outras pessoas têm apresentado alguns deles durante crises epilépticas.

16. Maomé disse que o anjo Gabriel lhe apareceu e, em uma ocasião, causou-lhe dor física.

Ele se perguntou se isso seria obra de Satanás, mas sua esposa o convenceu de que era obra de Deus.

P: Em Mt 1,18 e Lc 2,7, o nascimento virginal de Cristo é incompatível com Sua pré-existência, como pensavam Rudolph Bultmann e Wolfgang Pannenberg?

R: Não. Isso apenas parece incompatível para teólogos apóstatas que acreditam em um deus que deve se submeter às restrições que eles impõem. Cristo pré-existia, mas isso não O impediu de:

1. Escolher, temporária e voluntariamente, não usar alguns de Seus atributos e ocultar parte de Sua glória (Hebreus 2:9; João 17:5; Filipenses 2:7).

2. Aparecer como quisesse, inclusive como homem (Filipenses 2:8)

3. De fato, assumir a humanidade e tornar-se um homem. (Hebreus 2:14-17)

4. Vir à Terra inicialmente como adulto, criança, bebê ou embrião, ou da forma que Ele desejasse.

Na verdade, a pré-existência de Cristo como Deus Todo-Poderoso não O impedia de absolutamente nada. As únicas restrições impostas a Deus Todo-Poderoso são aquelas que Ele mesmo se impõe. Deus não pode mentir (Hebreus 6:18; Tito 1:2), não pode negar a Si mesmo (2 Timóteo 2:13) e não pode ser tentado pelo mal (Tiago 1:13).

P: Em Mt 1,18-21, a “Anunciação” ocorreu depois que Maria engravidou ou antes de Maria engravidar, com base em Lc 1,26-31?

R: José e Maria são duas pessoas diferentes. O anjo falou com MARIA em Lucas 1:26-31 antes de ela engravidar. O anjo falou com JOSÉ depois que Maria engravidou e José havia considerado se divorciar dela, em Mateus 1:18-21.

P: Em Mt 1,18 e Lc 2,7, quem eram os hereges ebionitas e em que eles acreditavam?

R: Os ebionitas tinham uma visão “menor” de Cristo, acreditando que Ele provinha de Deus Pai, mas não era Deus Filho. Eles acreditavam que Jesus poderia ser chamado de Deus a título de honra, mas que Ele não era divino. Os ebionitas acreditavam que os costumes judaicos ainda deveriam ser praticados. Negavam o nascimento virginal de Cristo, afirmando que Ele havia nascido de José (Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 21, p. 451), e aceitavam apenas uma versão resumida do Evangelho de Mateus (Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 10.7, p. 428).

P: Em Mt 2,2.7.9, o que era a estrela sobre Belém quando Cristo nasceu?

R: Embora as Escrituras não o digam explicitamente, provavelmente era a glória shekinah de Deus, já que a “estrela” poderia conduzi-los a uma aldeia específica e até mesmo a uma casa em particular.

P: Em Mt 2,2.7, quem mais mencionou essa estrela no Oriente que os Magos viram?

R: Vários escritores antigos mencionam isso.

Inácio (c. 100-117 d.C.) Carta aos Efésios, cap. 19, p. 57

Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) Diálogo com Trifão, o Judeu, cap. 88, p. 237

Irineu de Lyon (182-188 d.C.) Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 9.2, p. 423

Tertuliano (198-220 d.C.) Sobre a Idolatria, cap. 9, p. 65

Hipólito (222-234/5 d.C.) “Refutação de Todas as Heresias”, livro 7, cap. 15, p. 108

Orígenes (225-249 d.C.) considerou-a uma nova estrela, e não um corpo celeste já existente, em Orígenes, *Contra Celso*, livro 1, cap. 48, p. 422.

Tratado sobre o Rebatismo (c. 250-258 d.C.), cap. 8, p. 671

Pedro de Alexandria (306, 285–311 d.C.), na “Epístola Canônica”, cap. 13, p. 277, menciona os magos, mas não a estrela.

Atanásio (318 d.C.) “De quem foi o nascimento que uma estrela nos céus anunciou, para revelar ao mundo aquele que havia nascido? Pois quando Moisés nasceu, foi escondido por seus pais: … Mas, no nascimento de Cristo, a testemunha não foi um homem, mas uma estrela naquele céu de onde Ele descia.” *A Encarnação do Verbo*, cap. 38.5, p. 55.

P: Em Mt 2,11, parece razoável acreditar que os magos que vieram adorar Jesus conheciam a profecia messiânica de Daniel, a haviam estudado e perceberam que a vinda do Messias estava próxima. O senhor tem conhecimento de alguma referência, nos escritos dos zoroastrianos ou de outros persas (habitantes do Oriente Médio), à profecia de Daniel sobre o Messias?

R: Daniel viveu algum tempo na Pérsia e teve contato com os sábios e astrólogos persas. Os Magos eram uma tribo de sacerdotes zoroastrianos/medos, semelhantes aos levitas, que eram os sacerdotes e servos do templo de Israel. Não estou familiarizado com a literatura zoroastriana, mas não tenho certeza se muitas pessoas o estão, já que os muçulmanos provavelmente teriam destruído grande parte dela. Os zoroastrianos tinham menos proteção sob o domínio muçulmano do que o “povo do Livro”, ou seja, cristãos, judeus e sabianos. A literatura muçulmana contém referências frequentes aos zoroastrianos e, pelo que sei, não há nenhuma referência na literatura muçulmana à vinda dos zoroastrianos.

P: Em Mt 2,11, por que os Magos entraram em uma casa, já que Jesus nasceu em uma manjedoura, conforme Lc 2,7?

R: Jesus nasceu em um estábulo porque não havia lugar na pousada. José e Maria não gostariam de permanecer no estábulo por mais tempo do que o necessário. Eles já haviam se mudado para uma casa quando os Magos chegaram.

As canções natalinas ocidentais modernas geralmente retratam os Magos como tendo chegado na mesma noite em que Jesus nasceu. Na verdade, eles chegaram algum tempo depois disso. As igrejas ortodoxas celebram o Natal em 25 de dezembro, mas comemoram a chegada dos Magos em meados de janeiro.

P: Um comentarista afirma: “Jesus veio, não como o conquistador militar de Apocalipse 19, mas como o Servo Sofredor (Is 53) e líder humilde (Zc 9,9). O Reino, portanto, é inaugurado (Mt 3,2; 4,17; 10,7; 11,12; 12,28; Mc 1,15; Lc 9,9, 11; 11,20; 21,31-32), mas não consumado (Mt 6,10; 16,28; 26,64)”. O que isso significa? O reino está no presente ou no futuro? Ou será que ele foi inaugurado com a encarnação em Belém e será consumado com a segunda vinda de Cristo?

R: Não sei a que comentarista(s) o(s) senhor(es) se refere(m), mas concordo com eles. Na primeira vinda de Jesus, Ele veio como um Servo Sofredor, não como um conquistador militar, para grande consternação dos zelotes. O Reino de Deus se manifestou quando Jesus estava na Terra, e está dentro de nós agora. No entanto, o Reino de Deus ainda não veio com poder, e não virá até que Jesus retorne, conforme descrito no Apocalipse.

P: Em Lc 2,22-38, Jesus foi apresentado no Templo (em Jerusalém), ou José levou sua família para o Egito após a visita dos Magos, conforme diz Mt 2,13-18?

R: Ambas as coisas.

1. Jesus foi apresentado no Templo em Jerusalém cerca de quarenta dias após seu nascimento. Em seguida, eles retornaram a Belém a caminho do Egito. Assim que Maria esteve pronta, partiram.

2. Ao contrário do que contam as histórias ocidentais de Natal, os Magos não chegaram na mesma noite em que Maria entrou em trabalho de parto. Eles chegaram algumas semanas depois. Como observação adicional, os cristãos ortodoxos orientais geralmente não dão presentes no Natal. Eles dão presentes em meados de janeiro, quando acreditam que os Magos chegaram.

P: Em Mt 3,17, Deus disse: “Este é o meu Filho amado…”, ou disse: “Tu és o meu Filho amado…”, como afirmam Mc 1,11 e Lc 3,22?

R: Pode ter sido de ambas as formas, por três razões.

1. Os evangelistas frequentemente parafraseavam as citações. Mas, independentemente disso, percebemos o significado de que Deus Pai anunciou às multidões que Ele havia colocado Sua graça sobre Jesus.

2. Deus Pai poderia ter dito isso em hebraico e/ou aramaico, mas os Evangelhos que temos estão em grego.

3. Papias, discípulo do apóstolo João, registra que Mateus foi originalmente escrito na língua dos hebreus (aramaico?), e pode ter sido parafraseado quando foi traduzido para o grego.

P: Em Mt 3,17; Mc 1,11; e Lc 3,22, Jesus estava se referindo a si mesmo?

R: Jesus não estava se dirigindo a si mesmo. Ele estava se dirigindo a Deus Pai, que O chamou de “Meu Filho”.

P: Em Mt 4,1 e Mc 1,12, Jesus foi enviado ao deserto logo após o Seu batismo, ou Ele esperou alguns dias, como dizem Jo 1,29, 35 e 43, e depois foi para Caná, como sugere Jo 2,1?

R: Embora Jesus tenha ido para a Galiléia algum tempo depois do término dessas tentações, Mateus 4:11-12; Marcos 1:13-14; e Lucas 4:13-14 não mencionam onde Jesus se encontrava imediatamente após o término dos 40 dias. Portanto, há duas possibilidades diferentes.

Batismo, depois 40 dias, depois a Galiléia: É provável que João tenha batizado Jesus no dia descrito em João 1:29-34. Em seguida, Jesus permaneceu mais um dia (João 1:35) e, no dia seguinte, decidiu partir para a Galiléia (João 1:43).

O casamento em Caná ocorreu muito mais tarde, seja no terceiro dia da semana, seja no terceiro dia após a chegada à Galiléia. Não poderia ter sido no dia seguinte ao descrito em João 1:43 (que se seguiu a João 1:35), pois isso totalizaria quatro dias, e não três.

Mateus 4:1 diz simplesmente que Jesus foi para o deserto depois de ter sido batizado. Marcos 1:12 diz que Jesus foi para o deserto “imediatamente”, mas isso ainda poderia significar alguns dias depois.

Batismo, depois 40 dias, depois de volta a João: João 1 nunca diz quando Jesus foi batizado. Jesus poderia ter sido batizado por João cerca de 40 dias antes de João 1:19. Após as tentações de Jesus, Ele voltou a João em João 1:29.

P: Em Mt 4,1-11, a ordem das tentações de Jesus foi pão, orgulho e poder, ou foi pão, poder e orgulho em Lc 4,1-12?

R: Há duas respostas, e ambas podem ser verdadeiras.

1. Lucas simplesmente usa a palavra “e”, o que não implica necessariamente que ele esteja apresentando esses elementos em ordem. Consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 454-457, para obter mais informações sobre a visão de que Mateus segue a ordem correta e Lucas não.

2. Além disso, durante os quarenta dias em que Jesus foi posto à prova, essas e outras tentações provavelmente ocorreram várias vezes, em ordens diferentes.

P: Em Mt 4,1-11; Mc 1,13; e Lc 4,1-13, como podemos imaginar que “Deus” seja tentado pelo diabo, como afirma Ahmad Deedat?

R: Satanás pode tentar fazer qualquer coisa, mas, como foi ele quem tentou Jesus, suas ações não diminuem Jesus de forma alguma.

Jesus era 100% Deus, mas também era 100% homem. Se Jesus, como Deus, aparecesse apenas como uma espécie de fantasma, então Ele não poderia ser tentado. Mas, como Jesus era plenamente humano e o sacrifício expiatório pelos seres humanos, Ele teve de passar pelo que todos os seres humanos passam.

P: Em Mt 4,1-11; Mc 1,13; e Lc 4,1-13, de quem partiu a iniciativa de Jesus ir para o deserto para ser tentado e por quê?

​R: As palavras gregas utilizadas aqui para “tentar”, peirazo, e “tentação”, peirasmos, podem significar “atrair para o mal”, mas na literatura grega secular significam “testar”. Jesus não foi sequestrado pelo diabo, como alegou um muçulmano, pois quando Jesus ordenou que Satanás se retirasse, em Mateus 4:10, Satanás teve de se retirar. Em vez disso, a iniciativa partiu de Deus; o Espírito Santo conduziu Jesus ao deserto para enfrentar o diabo. O diabo levou Jesus a uma montanha alta e à beira do templo, mas tanto Satanás quanto Jesus sabiam que Satanás não tinha permissão para fazer nada contra Ele. Assim, antes mesmo de o ministério de Jesus ter começado, ficou demonstrado que Satanás não teria qualquer domínio sobre Jesus nem faria com que Ele caísse. Jesus foi capaz de resistir ao desejo físico para suprir uma necessidade espiritual.

P: Em Mt 4,1-11 e Lc 4,1-13, de que forma as tentações de Satanás a Jesus ecoam as tentações de Satanás a Eva em Gn 3,6?

R: Embora não sejam idênticas, Satanás costuma usar táticas semelhantes repetidamente, e isso provavelmente ocorre porque elas continuam a funcionar bem para ele. Mas, enquanto Adão e Eva, no jardim exuberante, caíram, Jesus, no deserto, saiu vitorioso. Enquanto Israel não se mostrou fiel no deserto por 40 anos, Jesus permaneceu fiel no deserto por 40 dias. Quando somos tentados, essa é uma oportunidade para demonstrarmos que aquele que está em nós é maior do que aquele que está no mundo, como diz 1 João 4:4.

Eva percebeu que o fruto proibido era:

1. Bom para comer [apetite físico],

2. Agradável aos olhos [beleza, concupiscência dos olhos],

3. Desejável para adquirir sabedoria [os olhos se abrirão e, como Deus, conhecerão o bem e o mal] [poder divino após seguir a ordem de Satanás].

Jesus, que estava jejuando, foi tentado com:

1. Pedras que se transformavam em pão [apetite físico],

2. Lançar-se da ala do templo [exibicionismo],

3. Autoridade sobre todos os reinos da terra [poder divino sob o comando de Satanás].

1 João 2:16 menciona três tipos de pecados no mundo: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.

Embora a ordem das tentações tenha sido diferente em Mateus e Lucas, é provável que Satanás não tenha simplesmente tentado Jesus três vezes e depois desistido. Em vez disso, Satanás provavelmente tentou Jesus repetidas vezes.

P: Em Mt 4,1-11; Mc 1,13 e Lc 4,1-13, uma vez que Jesus é Deus, Ele era incapaz de ser tentado e pecar, ou, como homem, era capaz de ser tentado e cair?

R: Trata-se de um paradoxo comumente chamado de impecabilidade de Cristo. As tentações eram reais, não falsas. Mas o desfecho era certo: Ele não pecaria. Como diz o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1212: “Apesar da incapacidade de Jesus de pecar, a tentação era muito real. Era possível que Ele se deparasse com as seduções para pecar, mas era moralmente impossível que Ele cedesse.” Em vez de ser incapaz de pecar, Jesus era capaz de não pecar. Uma analogia aproximada seria perguntar se um pequeno barco de piratas somalis poderia atacar um cruzador de guerra dos EUA. Os piratas pensaram erroneamente que se tratava de um navio mercante que poderia ser sequestrado. As coisas não correram bem para os piratas. Seu barco principal foi rapidamente afundado pelo que a Marinha dos EUA chama de “fogo de armas leves” antes mesmo que eles se aproximassem do cruzador.

P: Bart Ehrman escreve: “Em Mateus, Jesus se recusa a realizar milagres para provar sua identidade; em João, essa é praticamente a única razão pela qual ele realiza milagres.” *Jesus, Interrupted*, p. 103. Em Mateus, na segunda tentação e em outros trechos, Jesus não realiza sinais para provar quem é. *Jesus, Interrupted*, p. 84

R: Ehrman equipara o fato de não obedecer à palavra de Satanás ou dos fariseus céticos à realização de sinais para pessoas que buscam respostas ou precisam de ajuda. Jesus disse que a razão pela qual Ele não se lançou para baixo foi que não se deve pôr Deus à prova, em Mateus 4,7. Jesus não “devia” a ninguém a realização de um único sinal; e Ele nunca realizou sinais para pessoas céticas que achavam que Jesus lhes devia isso. Mas Jesus, graciosamente, realizou sinais para pessoas que tinham fé e fortaleceu a fé delas.

P: Em Mt 4,12 e Mc 1,14, após a tentação de Jesus, João foi preso antes do ministério de Jesus em Nazaré e Cafarnaum, ou depois que Jesus chegou à Galiléia, conforme Jo 1,43?

R: A Bíblia diz o seguinte:

João 1,43 diz que Jesus decidiu retornar à Galiléia (não que tenha retornado naquele dia) no dia seguinte ao em que João Batista afirmou novamente que Jesus era o Cordeiro de Deus. João Batista ainda não havia sido preso.

Mateus 4:12 diz que, no momento em que Jesus soube da prisão de João, Ele voltou para a Galiléia.

Marcos 1:14 diz que, depois que João foi preso, Jesus foi para a Galiléia.

Sequência de eventos:

1. João afirmou novamente que Jesus era o Cordeiro de Deus.

2. Logo no dia seguinte, Jesus decidiu que voltaria (mais cedo ou mais tarde) à Galiléia.

3. Ou antes de Jesus partir para a Galiléia, ou então depois que Ele partiu, mas antes de chegar à Galiléia, João foi preso.

4. Jesus chegou à Galiléia.

P: Em Mc 1,14, Jesus iniciou Seu ministério na Galiléia ou na Judéia e em Jerusalém, como [supostamente] afirma Jo 1,35-42? Há algum significado ou importância definitiva nisso?

R: João 1,35-42 não diz nada sobre Jesus ter iniciado Seu ministério, mas sim sobre ter chamado os discípulos André e Pedro. Esse era o local onde João Batista se encontrava, não Jerusalém. No dia seguinte, em João 1,43, Jesus partiu para a Galiléia e chamou Filipe e outros discípulos. Marcos 1,14 não diz que Jesus iniciou Seu ministério propriamente dito, mas afirma que, após a prisão de João, Jesus proclamou a boa nova de Deus na Galiléia.

P: Em Mc 1,12-13, Jesus foi para o deserto por 40 dias após Seu batismo, ou foi à festa de casamento em Caná no terceiro dia, como diz Jo 2,1?

R: Ambas as coisas. O “terceiro dia” foi o terceiro dia após chegar à Galiléia, e não o terceiro dia após o batismo, como afirmam *Bible Difficulties & Seeming Contradictions*, p. 196, e o *Believer’s Bible Commentary*, p. 1473. Uma resposta diferente é que “o terceiro dia” foi o terceiro dia da semana.

O *Expositor’s Bible Commentary*, volume 9, p. 42, afirma que o terceiro dia poderia ser o terceiro dia a partir da partida de João Batista. Embora se diga que “no dia seguinte”, em João 1:29-35, 43, possa se referir ao mesmo dia, é improvável que esse significado ficasse mais claro se a expressão “no dia seguinte” não fosse usada várias vezes.

P: Em Lucas 3:22, sobre o batismo de Jesus, deveria estar escrito: “Tu és meu filho, hoje eu te gerei”, de acordo com Justino Mártir, [supostamente] Clemente de Alexandria, [supostamente] Agostinho e outros, ou “Tu és meu filho, o amado, em quem me agrado”? (Esta é a primeira parte de uma objeção levantada por um muçulmano.)

R: Primeiro, vamos examinar as implicações do argumento desse muçulmano; em segundo lugar, aplicar o mesmo padrão ao Islã; em terceiro, os detalhes dessa variante do manuscrito; e, por fim, aplicar isso ao cristianismo em geral.

A. Implicações do argumento do muçulmano

Vamos supor, por um instante, que o muçulmano esteja absolutamente certo. O versículo dizia originalmente o que o muçulmano afirma. Ou, alternativamente, suponhamos que só possamos ter certeza do que era comum em ambas as versões: “VOCÊ É MEU FILHO”. Parabéns: se Deus realmente disse isso, a qualquer pessoa, as próprias palavras do muçulmano acabaram de refutar o Islã e provar que o Alcorão está mentindo sobre Alá. O Alcorão afirma que é muito errado dizer que Alá é um Pai, ou que Alá tem filhos (Sura 2:116; 4:171; 5:116,117; 6:100; etc.). Se Deus realmente chamou Jesus de “meu filho”, então o Alcorão está mentindo sobre Deus. (Presumi que o questionador muçulmano fosse um muçulmano ortodoxo, embora eu possa estar errado quanto a isso.)

B. Aplique o mesmo padrão ao Islã

Essa variação não altera nenhuma doutrina cristã, pois ambas as expressões são mencionadas em outros trechos. A inerrância da Bíblia significa que a Bíblia estava isenta de qualquer erro nos manuscritos originais; variações nos manuscritos se infiltraram, mas nenhuma delas altera significativamente a fé ou a prática. Em contraste com isso, a maioria dos muçulmanos acredita que o Alcorão árabe atual é uma cópia exata do original na Terra, que por sua vez era uma cópia exata das tábuas no Céu (Sura 85:20-22). No entanto, o Alcorão também sofreu alterações comprovadas.

a) O Sahih Muslim 2:2286, p. 500, 501, menciona uma sura perdida do Alcorão. Ele traz uma citação extensa dessa sura e, de fato, ela não consta do Alcorão atual.

b) Uma das primeiras versões do Alcorão (‘Ubai), que sobreviveu à padronização de ‘Uthman, não possuía a primeira e a última suras. (Elas não foram simplesmente arrancadas; elas nunca estiveram lá.) Atualmente, ela encontra-se no museu Al-Azhar, no Cairo.

c) Abu Yunus, o escravo libertado de ‘Aisha, transcreveu uma cópia do Alcorão para ‘Aisha. Havia uma pequena diferença na Sura 2:238. “Abu Yunus, o escravo libertado de ‘A’isha, disse: ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) ordenou-me que transcrevesse uma cópia do Alcorão para ela e disse: ‘Quando chegar a este versículo: “Cumpra as orações e a oração do meio” (2:238), avise-me’; assim, quando cheguei a ele, avisei-a e ela me ditou (da seguinte forma): “Cumpra a oração, a oração do meio e a oração da tarde, e levante-se verdadeiramente obediente a Allah.” ‘A’isha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “Foi assim que ouvi do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele).” Sunan Nasa’i, vol. 1, n.º 475, p. 340

d) “Então, Allah nos revelou um versículo que, mais tarde, foi incluído entre os versículos abrogados.” Bukhari, vol. 5, livro 59, cap. 27, n.º 416, p. 288.

“Narrado por Anas bin Malik: ... Foi revelado, a respeito daqueles que foram mortos em Bi’r-Ma’una, um versículo do Alcorão que costumávamos recitar, mas que foi abrogado posteriormente. O versículo dizia: ‘Informem ao nosso povo que nos encontramos com nosso Senhor. Ele está satisfeito conosco e nos deixou satisfeitos.’” Bukhari, vol. 4, livro 52, cap. 19, n.º 69, p. 53. Vide também a História de al-Tabari, vol. 7, p. 156.

Outras referências a versículos revogados são: Bukhari, vol. 4, livro 52, cap. 9, n.º 57, p. 45, Bukhari, vol. 4, livro 52, cap. 184, n.º 299, p. 191; Bukhari, vol. 5, livro 59, cap. 27, n.º 416, p. 288; e Bukhari, vol. 5, livro 59, cap. 27, n.º 421, p. 293 — todos repetem a mesma informação sobre o mesmo versículo.

e) Os hadiths de Bukhari afirmam que partes do Alcorão estavam faltando e/ou foram revogadas no vol. 4, livro 51, cap. 12, n.º 62, p. 48-49; no vol. 4, livro 51, cap. 19, n.º 69, p. 53; vol. 6, livro 61, cap. 3, n.º 510, p. 479-480; vol. 6, livro 61, cap. 4, n.º 511, p. 480.

f) Alguns dos outros trechos com variantes (não apenas nas vogais) são:

Sura 11:46, Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3383, p. 1116

Sura 18:76, Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3384, p. 1116

Sura 18:86, Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3385, p. 1116

Sura 24:35, Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3387, p. 1116

Sura 34:23 devido às vogais, mas, em um caso, a uma consoante. Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3392, p. 1117

Sura 39:59 Esta passagem utiliza um pronome feminino para “alma”, enquanto as leituras mais conhecidas apresentam um pronome masculino. Abu Dawud 3:3979, nota de rodapé 3393, p. 1117

Sura 89:26; Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3399, p. 1118

Sura 89:25-26 Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3408, p. 1119

Sura 12:23 Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3411, p. 1120

Sura 2:58, Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3413, p. 1121

Sura 24:1 (falta ou há um “r” a mais: Faradnaha [e que nós ordenamos] versus a maioria: farradnaha [que nós descrevemos em detalhes]) Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3414, p. 1121

g) Uma racionalização das alterações ocorridas durante a vida de Maomé: Satanás sempre insere algo nas palavras de um profeta, de acordo com a Sura 22:52, mas Deus precisa anular isso. Isso pode ser uma explicação para o fato de quatro fontes históricas muçulmanas diferentes relatarem que a Sura 53:19-20 originalmente dizia que se devia esperar pela intercessão (ajuda) de quatro deusas idólatras.

O questionador muçulmano ficaria satisfeito com a Bíblia se os cristãos simplesmente destruíssem as evidências e queimassem todos os manuscritos, exceto uma versão preferida? Por um lado, seria de se esperar que não, exceto que foi exatamente isso que ‘Uthman fez quando ordenou que as pessoas entregassem suas cópias do Alcorão para serem destruídas, e ele reeditou outras cópias. No entanto, os Alcorões atuais nem mesmo são idênticos ao texto de ‘Uthman. Por exemplo, variante: Sura 6:160a (6:159a em Yusuf ‘Ali): “…seitas, eu não sou de elas em nada;” (na época de ‘Uthman) vs. “…seitas, tu não tens parte alguma nelas:” al-Tabari, vol. 15, p. 181 e nota de rodapé 323.

C. Detalhes desta variante do manuscrito

“Tu és meu Filho, o Amado; em ti tenho grande satisfação.” (p. 4 (século III), Sinaítico, Vaticano, Alexandrino, Lecionário Bizantino, alguns itálicos, copta sahídico, etíope, georgiano, Agostinho). Agostinho apresentava a primeira leitura, de acordo com Aland et al. (4ª edição revisada); portanto, o questionador muçulmano estava incorreto ao colocar Agostinho na segunda categoria.

“Tu és meu Filho, hoje eu te gerei” (Bezae Cantabrigiensis, alguns itálicos, Diálogo de Justino Mártir com Trifão, cap. 88, p. 244 (escrito por volta de 138-165 d.C.); Hilário (355-367/368 d.C.), Metódio (270-311/312 d.C.), Evangelho apócrifo de Nicodemos (versão grega, cap. 2; Narrativa Apócrifa da Infância, 54.)

“Tu és o meu Filho amado; hoje eu te gerei” (Clemente de Alexandria, 193-217/220 d.C.). Isso é semelhante à segunda leitura, exceto pelo aspecto “amado” da primeira leitura. Assim, o questionador muçulmano estava incorreto ao classificar Clemente de Alexandria na segunda categoria.

D. Aplicação ao cristianismo em geral

Justino pode ter citado de memória, e mesmo pessoas de bem podem cometer pequenos erros de memória. Não acreditamos que a mensagem de Deus sejam as consoantes e vogais da Bíblia, mas sim a mensagem da Bíblia, e essa mensagem é constante, mesmo se considerarmos a segunda leitura, já que outros versículos afirmam tanto que a) Jesus era amado, quanto que b) “hoje eu te gerei” (Salmo 2). O que poderia ser um erro honesto, uma falha de memória, não prova falsificação; isto é, a menos que A’isha, esposa de Maomé, ao ter um versículo do Alcorão escrito com um significado diferente, prove que ela também era uma falsificadora.

P: Em Lc 3,22, essa variação no manuscrito prova que um falsificador esteve em ação e que o versículo bíblico foi alterado para retirar a ideia de que Jesus se tornou filho de Deus no batismo, em vez de no nascimento ou antes? (Esta é a segunda parte da objeção do muçulmano)

R: De forma alguma. Embora não conheçamos todos os detalhes, há quatro possibilidades, qualquer uma das quais oferece uma resposta satisfatória.

Várias declarações: Talvez o Pai tenha feito várias declarações. Por que Deus, o Pai, se limitaria a chamar Jesus de Seu Filho apenas uma vez aqui?

Uma única declaração abrangente: talvez o Pai tenha proferido apenas uma frase, algo como: “Tu és o meu Filho amado, em quem me agrado; hoje eu te gerei.” Todos registraram corretamente partes dessa declaração.

Erro de memória de Justino Mártir: Justino Mártir, talvez ao citar isso de memória, cometeu um erro, e escritores posteriores que leram Justino Mártir — assim como escritores anteriores que haviam lido Justino Mártir — copiaram esse erro.

Variante bíblica: Alguém antes de Justino Mártir copiou erroneamente essa frase neste trecho, e Justino citou corretamente o que constava em sua Bíblia.

Para muitos muçulmanos, se qualquer alteração no Alcorão — mesmo que não seja de natureza teológica — for prova de falsificação, então todas as cópias do Alcorão hoje deveriam ser queimadas, pois também são falsificações. Há alterações em relação à versão de ‘Uthman (a Sura 159a (ou 160a) é apenas um exemplo). E o texto padronizado de ‘Uthman difere do texto de ‘Ubai, e ambos omitiram a sura perdida. Na verdade, o Alcorão admite que Satanás (pelo menos temporariamente) insere um pouco de seus ensinamentos nas palavras do profeta também (Sura 22:52). Como exemplo disso, considere a redação original da Sura 53:19-20.

P: Em Lc 3:23, quantos anos Jesus tinha quando iniciou Seu ministério?

R: Lucas 3:23 diz “cerca de trinta”, o que poderia significar entre 25 e 35 anos. Jesus nasceu durante o reinado de Herodes, o Grande, que faleceu em 4 a.C., e iniciou Seu ministério após João Batista ter iniciado o seu. João iniciou seu ministério no 15º ano do reinado de Tibério César, ou seja, em 28 d.C. Assim, se as datas arqueológicas forem consideradas suficientemente precisas, Jesus tinha cerca de 33 a 35 anos. Além disso, Pôncio Pilatos foi prefeito da Judéia apenas de 26 d.C. até 36/37 d.C., portanto, Jesus deve ter sido crucificado antes dessa data. A melhor estimativa que temos é que Jesus iniciou Seu ministério por volta de 30 d.C. e faleceu, muito provavelmente, em 3 de abril de 33 d.C.

P: Em Mt 4,12-13, como Simão e André se tornaram discípulos quando Jesus estava com João Batista, uma vez que Jesus lhes disse para segui-lo na Galiléia, conforme Mt 4,18-20, Mc 1,16-20 e Lc 5,1-11?

R: Primeiramente, eles se tornaram “discípulos” quando Jesus estava com João Batista. Só mais tarde se tornaram discípulos especiais, sendo posteriormente designados apóstolos, na Galiléia. Lembre-se de que Jesus tinha um grande número de discípulos, alguns dos quais O abandonaram em João 6:66. Além desses, Ele tinha discípulos especialmente designados, num total de 72, conforme Lucas 10:1. Por fim, Jesus tinha os doze, que se tornaram apóstolos, conforme Marcos 6:7 e João 6:67.

P: Em João 1:35-37, André e o outro discípulo seguiram Jesus no dia seguinte ao Seu batismo, ou esperaram 40 dias após as tentações de Jesus?

R: – Depois. Jesus foi batizado por João (Mateus 3:13-17; Marcos 1:9-11; Lucas 3:21-23), foi tentado por 40 dias (Mateus 4:1-11; Marcos 1:12-13; Lucas 4:1-12) e voltou para João (João 1:29-32)

P: No ministério de Jesus, é possível conhecer a ordem dos acontecimentos?

R: Só podemos conhecer a ordem de alguns eventos. No entanto, muitas pessoas podem ficar bastante confusas quanto à ordem dos evangelhos devido a três equívocos, que precisam ser esclarecidos.

Nem todos os eventos foram registrados pelos autores dos evangelhos; no entanto, eles também nunca afirmaram ter feito isso. Por exemplo, João, que anteriormente era discípulo de João Batista, compreensivelmente não faz menção ao período entre o batismo de Jesus e o momento em que se juntou a Ele. João 21:25 afirma especificamente que Jesus fez muitas outras coisas que não foram registradas. O Evangelho de João foi escrito depois dos outros evangelhos, e João parece enfatizar as partes que os outros não mencionaram.

Repetição: Imagine Jesus viajando pelas muitas cidades que visitou pela Galiléia, Judéia e Decápolis, sem nunca repetir uma única ordem ou parábola, e contando a cada cidade algo completamente diferente. Não é muito provável! Jesus provavelmente contou essas parábolas muito mais vezes do que as registradas em cada evangelho, e as pessoas falavam sobre Jesus mais do que está registrado. Assim, por exemplo, permanece em aberto se o Sermão da Montanha, em Mateus, e o Sermão no lugar plano, em Lucas, foram dois eventos, nos quais ele repetiu alguns ensinamentos, ou um único evento, no qual Jesus falou em um planalto.

Não em ordem: Os evangelistas não registraram todos os eventos em ordem, mas também nunca afirmaram registrá-los em ordem. De fato, Papias, um discípulo do apóstolo João, afirma especificamente que Marcos não registrou os eventos em ordem.

Dentro de cada período geral do ministério de Cristo, os evangelistas não afirmaram que nada estivesse em ordem, exceto nas seguintes partes, nas quais foram utilizadas as palavras “depois”, “no dia seguinte”, etc. Nas questões sobre a harmonia dos Evangelhos, observe as palavras em negrito que indicam marcadores de tempo, ordem e localização.

P: Nos Evangelhos, o que é uma harmonia para o ministério inicial de Jesus?

R: O ministério inicial vai até o momento em que João Batista é morto. Antes de apresentar a ordem dos eventos, é bom conhecer um pouco da geografia.

Geografia: O Mar da Galiléia, o Lago e o Mar de Tiberíades são todos o mesmo lago de água doce. A Galiléia fica a oeste do Mar da Galiléia, e a Decápolis fica a sudeste do Mar da Galiléia. Betsaida fica às margens do Mar da Galiléia, exatamente ao norte, e a oeste dela está Cafarnaum, também às margens do lago, com Corazim exatamente ao norte de Cafarnaum. Magdala fica na margem a oeste do Mar da Galiléia, e Caná fica a oeste desta. Naim fica a sudoeste do Mar da Galiléia, a cerca de 10 milhas (16 quilômetros) de distância da margem. A terra dos gerasenos, Genesaré ou dos gadarenos são, ou o mesmo lugar, ou locais muito próximos uns dos outros, a leste e sudeste do Mar da Galiléia. O livro “Hard Sayings of the Bible”, p. 373, afirma que Gerasa ficava a 30 milhas (48 quilômetros) a sudeste do Mar da Galiléia e que suas terras não chegavam até o mar. Gadara ficava a cinco milhas (8 quilômetros) a sudeste do Mar da Galiléia e suas terras chegavam até o mar, conforme comprovado pela menção de Josefo a esse fato e por uma moeda de Gadara que exibia um navio.

Ordem: É importante distinguir entre o que se diz estar em ordem e o que pode estar em ordem. Para esses 65 eventos, os números referem-se a eventos que devem seguir os números precedentes em ordem. Letras como a, b, c referem-se a eventos que podem estar em ordem, mas que poderiam ocorrer em qualquer ordem. As palavras em negrito indicam marcadores de tempo, ordem e localização. Os versículos sublinhados mostram passagens que provavelmente não estão em ordem cronológica no evangelho.

Ministério inicial: Mt 4,12–14,12; Mc 1,14–6,29; Lc 3,19–20; 4,14–9,9; Jo 1,43–5,47

E1a1. Em Caná, no terceiro dia (terceiro dia após o retorno à Galiléia, após João ter falado, ou terceiro dia da semana?), Jesus transforma água em vinho. Primeiro milagre na Galiléia, embora Sua hora ainda não tivesse chegado. Jo 2:1-11

E1a2a. Durante a Páscoa (14º dia do 1º mês) em Jerusalém, Jesus expulsa os cambistas. Jo 2,12-25

E1a2b. Jesus ensina Nicodemos sobre o novo nascimento. Jo 3,1-21

E1a3. No interior da Judéia, João testifica a respeito de Jesus. Jo 3,23-35

E1a4a. Em Sicar, na Samaria, a caminho da Galiléia, Jesus conversa com uma mulher samaritana. Jo 4,1-42

E1b1. João repreende Herodes, o tetrarca. Mt 14,3; Lc 3,19-20

E1b2a. Depois de saber que João havia sido preso, Jesus retorna à Galiléia e começa a pregar: “O reino de Deus está próximo”. Mt 4,12-17; Mc 1,14-15; Jo 4,43-45

E1b2b. De Caná, Jesus cura o filho de um nobre em Cafarnaum, realizando Seu segundo milagre. Jo 4:46-54

E1b2c1. Na Galiléia e em Nazaré, Jesus lê um rolo. Lc 4,14-15

E1b2c2. Jesus explica a profecia, e os judeus tentam matá-Lo. Lc 4,16-31

E1b2d1. Às margens do Mar da Galiléia, Jesus chama Simão Pedro e André. Mt 4,18-20; Mc 1,16-18; Lc 5,1-10

E1b2d2. Em Cafarnaum, Jesus expulsa um demônio. Mc 1,21-28; Lc 4,31-37

E1b2e. Chamando Tiago e João. Mt 4,21-22; Mc 1,19-20; Lc 5,6-11

E1b2f. Na Galiléia, Jesus cura os enfermos. Mt 4,23-25; Lc 4,40-44

E2a. Sermão da Montanha, incluindo a Oração do Senhor. Mt 5,1-7,29

E2b. À noite, cura a sogra de Simão e outras pessoas. Mt 8,14-17; Mc 1,29-34; Lc 4,38-39

E2c. Jesus ora sozinho. Mc 1,35-38; Lc 4,42-44

E2d. Viagem pela Galiléia. Mc 1,39

E2e. Cura o leproso que espalhava boatos. Mt 8,1-4; Mc 1,40-45; Lc 5,12-15

E2f. Em lugares isolados, Jesus costumava retirar-se para orar. Lc 5,16

E2g1. Em Cafarnaum, Jesus cura um paralítico. Mc 2,1-12; Lc 5,17-26

E2g2. Chamando Mateus/Leví. Mt 9,9-13; Mc 2,13-17; Lc 5,27-32

E3c1. Na Galiléia, à beira do lago, o custo de seguir a Jesus. Mt 8,18-22

E3c2. Em Nazaré, Jesus cura o paralítico. Mt 9,1-8

E3c3. Os discípulos de João perguntam sobre o jejum. Mt 9,14-17; Mc 2,18-22; Lc 5,33-39

E2h1. Num sábado, Jesus estava no campo; referência a Davi. Mt 12,1-8; Mc 2,23-27; Lc 6,1-11

E2h2. Na sinagoga, Jesus cura a mão atrofiada. Mt 12,9-14; Mc 3,1-6; Lc 6,6-11

E2h3. Multidões seguem Jesus. Mc 3,7-12

E2i1. Na encosta de uma montanha, Jesus ora a Deus durante toda a noite. Lc 6,12

E2i2. Jesus nomeia os 12 discípulos. Mc 3,13-19; Lc 6,13-16

E2j1. Sermão no terreno plano. Lc 6,17-49. Se fosse igual ao de Mateus, deveria ser chamado de Sermão no Planalto.

E2j2. Em Cafarnaum, Jesus cura o servo do centurião. Mt 8,5-13; Lc 7,1-10

E3a. Algum tempo depois, em Jerusalém, durante uma festa [provavelmente no sétimo mês], junto ao estanque, Jesus cura um homem que estava inválido há 38 anos. Jo 5,1-15

E3b. A vida por meio de Jesus. Jo 5,16-47

E3c. Em Naim, Jesus cura o filho da viúva. Lc 7,11-17

E4. A caminho da terra dos gadarenos/gerasenos, Jesus acalma a tempestade de dentro do barco. Mt 8,23-27; Mc 4,35-41; Lc 8,22-26 (Observação: as tempestades são mais frequentes no outono e no inverno)

E5a. Em Genesaré, cura de dois homens possuídos por demônios; demônios nos porcos. Mt 8,28-34

E5b. Cura do endemoninhado de Gerasene [Gennesaret]. Mc 5,1-20; Lc 8,26-39 (Observação: Gadarenos, Gennesaret e Gerasene provavelmente se referem ao mesmo lugar.)

E6. Ressuscitação da filha de Jairo e da mulher com hemorragia. Mt 9,18-26; Mc 5,21-43; Lc 8,40-56

E7. Enquanto seguia em frente, Jesus cura dois cegos que espalhavam boatos. Mt 9,27-31

E8. Ao saírem, Jesus cura um endemoninhado mudo. Os fariseus acusam Jesus de expulsar demônios por meio de Belzebu. Não há menção de que Jesus tenha respondido a essa acusação naquele momento.) Mt 9,32-34

E9a. Jesus vai a muitas cidades e aldeias. Mt 9,35-38; Mc 6,6

E9b. Jesus envia os doze. Mt 10,1-42; Mc 6,7-13; Lc 9,1-9

E9c. Jesus prega na Galiléia. Mt 11,1

E9d. João Batista envia uma mensagem da prisão e Jesus conta a parábola das crianças no mercado. Mt 11,2-19; Lc 7,18-35

E9e. Durante uma refeição na casa de Simão, o fariseu, uma mulher pecadora, com um frasco de alabastro, unge os pés de Jesus com óleo. Jesus fala sobre amar mais e amar menos. Lc 7,36-50

E10. Imediatamente, Jesus retira-se para uma montanha. Mc 6,45-46

E11. Posteriormente, em Genesaré, Jesus cura muitas pessoas. Mc 6,53-56

E12a. Repreendendo as cidades da Galiléia. Mt 11,20-24

E12b. Naquela ocasião, Jesus ensinou sobre o descanso para os cansados. Mt 11,25-30

E13. Jesus retira-se daquele lugar. Mt 12,15-21

E14. Em uma casa onde havia tanta gente que não havia espaço para comer, a família de Jesus achou que Ele estava fora de si. Mc 3,20-21

E15. Jesus cura um homem cego e possuído por demônios. Mt 12,22-23

E16. Jesus fala dos homens fortes que estão na casa e da blasfêmia contra o Espírito Santo. Mt 12,24-37; Mc 3,22-30

E17. A mãe e os irmãos de Jesus. Mt 12,46-50; Mc 3,31-35; Lc 8,19-21

E18. Primeiro pedido de um sinal e a profecia dos três dias e três noites. Mt 12,38-45

E19. Na Galiléia, a partir do barco, a parábola do semeador. Mt 13,1-23; Mc 4,1-20; Lc 8,1-15

E20. Parábola do joio. Mt 13,24-30

E21. Parábola da lâmpada no candeeiro. Mc 4,21-25; Lc 8,16-18

E22. Parábola da semente que cresce. Mc 4,26-29

E23. Parábola do grão de mostarda. Mt 13,31-35; Mc 4,30-34

E24. Na casa, explica a parábola do joio. Mt 13,36-43

E25. Parábolas do tesouro escondido, da pérola e da rede. Mt 13,44-53

E26. Jesus retorna a Nazaré; o profeta sem honra. Mt 13,53-58; Mc 6,1-6 (Agostinho e alguns outros consideram também Lc 4,16-30.)

E27. Como João Batista foi morto. Mt 14,1-12; Mc 6,14-29; Lc 9,7-9

Nesta lista de 65 eventos, 0 eventos eram comuns a todos os quatro, 13 eventos eram comuns aos três sinóticos, 1 evento era comum a Mateus e Lucas, 4 eventos eram comuns a Mateus e Marcos, 4 eventos eram comuns a Mateus e Lucas, 4 eventos eram comuns a Marcos e Lucas, 15 eventos constavam apenas em Mateus, 7 eventos constavam apenas em Marcos, 7 eventos constavam apenas em Lucas e 8 eventos constavam apenas em João.

P: Nos Evangelhos, quais foram as principais suposições feitas a respeito do ministério inicial de Jesus?

R: Tudo envolve pressupostos, e eis os pressupostos que utilizei aqui.

a) Algumas passagens de João foram colocadas no período intermediário, quando também se encaixavam aqui. A harmonia dos evangelhos na Bíblia de Estudo NIV posiciona as passagens de João de maneira diferente.

b) Os Evangelhos foram apresentados em ordem cronológica, exceto onde sublinhado, o que ocorre em mais de 10 lugares.

P: Em Jo 1,43-50, Jesus chamou esses discípulos para segui-Lo naquele momento, ou ele os nomeou como apóstolos posteriormente, conforme mostram Mt 4,18-22; Mc 1,14-20 e Lc 5,1-11?

R: Ambos. Jesus os chamou para segui-Lo naquele momento, mas só mais tarde os designou como os doze. O livro *When Critics Ask*, p. 405, faz uma distinção entre o encontro inicial e o chamado definitivo. Ele destaca que, em João 1:39, eles permaneceram com Jesus apenas naquele único dia.

Hoje, Deus nos chama, em primeiro lugar, para sermos Seus filhos. Muitas pessoas Ele chama posteriormente para um serviço mais importante, e algumas Ele chama mais tarde para um ministério ainda mais significativo.

P: Em Mt 4,17; 10,7; Mc 1,15; Lc 8,10; Jo 3,5, o reino de Deus e o reino dos céus são idênticos, ou há uma ligeira diferença entre os dois?

R: Muitos os consideram idênticos; o senhor não fará parte de um se não fizer parte do outro. Mateus usa ambos os termos, enquanto Marcos, Lucas e João usam apenas “reino de Deus”. Jesus utiliza ambos os termos em versículos adjacentes em Mateus 19:23-24. O “New International Bible Commentary”, p. 1123, afirma que os judeus daquela época não apenas relutavam em pronunciar o nome próprio de Deus (Yahweh), mas também o termo “Elohim”. Assim, utilizavam como sinônimos “ha-shem” (o Nome), “maqom” (lugar) e “shamayim” (céu). Assim, em vez de dizer “o reino de Deus”, alguns judeus poderiam dizer “o reino dos céus”.

Outros veem uma ligeira diferença: o reino dos céus é para onde todos os crentes vão quando morrem, e o reino de Deus é aquilo a que pertencemos agora, quando somos salvos.

Independentemente das palavras específicas, todos podemos concordar que nossa salvação tem tanto um aspecto presente na Terra quanto um aspecto futuro no céu (1 Coríntios 13:12; Filipenses 1:21-24), que só se concretizará quando chegarmos ao céu. Em João 3:5, alguns acham que a água se refere ao líquido amniótico quando um bebê nasce, mas outros acreditam que se refere ao batismo. Isso não pode significar o batismo, a menos que o ladrão na cruz não tenha sido salvo! Mas pode significar que uma pessoa não faz parte visível do reino de Deus na Terra até que seja batizada. Da mesma forma, muitas igrejas não permitem que alguém participe da Ceia do Senhor até que seja batizado.

P: Em Jo 4,26, por que Jesus não hesitou em dizer à mulher samaritana que Ele era o Messias, quando em outras ocasiões, como em Mt 16,13-20, Ele parecia relutante em fazê-lo?

R: Há duas respostas complementares: o momento e o público.

Momento: No início de Seu ministério, Jesus não enfatizou publicamente aos judeus que Ele era Deus e que era o Messias. Muitos líderes judeus tinham dificuldade em aceitar que o Messias não viesse com poder na primeira vez. Jesus parecia querer que Seus milagres e Seus ensinamentos falassem por Ele primeiro e, posteriormente, em Seu ministério, enfatizasse que Ele era o Pão da Vida, o grande “Eu Sou”, o caminho, a verdade e a vida, e o Messias. No entanto, a conversa de Jesus com a mulher samaritana ocorreu bem no início de Seu ministério.

Público: Os samaritanos não teriam as mesmas dificuldades em aceitar Jesus como o Messias. Por isso, Ele falou abertamente à mulher samaritana. Além disso, havia poucas chances de os samaritanos contarem isso a muitos judeus.

P: Em Lc 6,12-49 e Lc 12,3-38, por que isso soa semelhante ao Sermão da Montanha em Mt 5,1-7,29?

R: Há três respostas diferentes.

a. É provável que Jesus tenha proferido um sermão semelhante pelo menos duas vezes. Jesus falava a muitas multidões diferentes e provavelmente teria uma mensagem semelhante em várias ocasiões. Nem todos poderiam ter ouvido o sermão na primeira vez.

b. Talvez tenha sido o mesmo sermão, e cada escritor tenha registrado uma paráfrase do que se lembrava. Uma “planície” no topo de uma montanha é simplesmente o que chamamos de planalto ou mesa. No entanto, não há nada, exceto a semelhança de conteúdo, que sugira que tenha sido o mesmo sermão.

c. O livro *When Critics Ask*, p. 387, observa que o texto apenas menciona que Jesus estava em um local plano, e não que as multidões também estivessem. O fato de Jesus estar em um local plano para pregar a uma multidão sentada na encosta de uma montanha criaria um anfiteatro natural.

Independentemente disso, o ensinamento de Jesus é atemporal e verdadeiro, não importa quantas vezes Ele o tenha proferido.

P: Em Lc 6,12-19; Lc 12,3-38; e Mt 5,1-7,29, por que não vemos isso em Marcos ou João?

R: Os diferentes autores dos evangelhos registraram detalhes distintos. Além disso, é muito provável que o Evangelho de João tenha sido escrito por último, e ele parece incluir uma profundidade adicional que os outros não possuem, além de omitir aspectos que já haviam sido mencionados pelos demais autores dos evangelhos.

P: Em Lc 6,17, Jesus estava em pé em um local plano para ensiná-los, ou estava sentado, como diz Mateus 5,1?

R: Há duas respostas, e ambas provavelmente são verdadeiras.

Os sermões em Mateus e Lucas provavelmente ocorreram em duas ocasiões diferentes. Além disso, mesmo quando Jesus estava de pé, depois de falar por um tempo considerável, ele poderia querer sentar-se. Lembre-se de que um sermão poderia durar várias horas, e o que temos tanto em Mateus quanto em Lucas são apenas versões resumidas.

P: Em Mt 5,3, Jesus mencionou os “pobres de espírito”, ou apenas os pobres, como em Lc 6,20?

R: Jesus poderia ter dito ambas as coisas. Tanto Mateus quanto Lucas parafraseiam o que Jesus ensinou. Esses dois sermões podem ter ocorrido em ocasiões diferentes, e Jesus poderia ter dito ambas as coisas. Por outro lado, esses dois sermões podem ter sido o mesmo. Um foi proferido em uma montanha e o outro, em uma planície. Eles podem ter sido um único sermão proferido em um planalto, que é um local plano no topo de algumas montanhas.

De qualquer forma, entendemos que Jesus se referiu àqueles que estavam necessitados e reconheceram que eram necessitados.

P: Em Mt 8,2, lemos sobre um leproso que se aproximou de Jesus, adorou-O, pediu-Lhe que o curasse, e Jesus o purificou. Mas em Lc 17,12, lemos sobre dez homens leprosos que Jesus encontrou em uma aldeia. Eles ficaram à distância, levantaram a voz e disseram: “Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós”. E quando Jesus os viu, não precisou tocá-los, mas disse-lhes: “Ide mostrar-vos aos sacerdotes”. E aconteceu que, enquanto iam, foram purificados. Eram dez leprosos ou apenas um? Se fosse a mesma história, por que há detalhes diferentes entre os dois evangelhos?

R: Em primeiro lugar, podemos ter certeza de que havia mais de onze leprosos na terra de Israel naquela época. Os dois eventos apresentam detalhes totalmente diferentes porque Jesus curou leprosos em várias ocasiões. Jesus curou um leproso (que mais tarde se tornou fofoqueiro) em Mateus 8:1-4, Marcos 1:40-45 e Lucas 5:12-15. Muito mais tarde, em Lucas 17:11-19, Jesus curou dez leprosos.

P: Alguns afirmam que os escribas costumavam alterar algumas palavras ou frases ao copiar os manuscritos das Escrituras, a fim de esclarecer ou simplificar a ideia para os leitores.

Por exemplo, nos Evangelhos, vemos que Marcos diz em (Mc 2,4) que os quatro homens que carregavam o paralítico e o levaram até Jesus para curá-lo, “descobriram o telhado onde ele estava; e, depois de o terem aberto, baixaram a cama em que o paralítico jazia”. Mas Lucas, em (Lc 5,19), diz que “subiram ao telhado e o baixaram, com a maca, por entre as telhas, bem no meio, diante de Jesus”. O mesmo ocorreu com as Epístolas de Paulo. Por exemplo, a expressão “Palavra de Cristo” em (Colossenses 3:16), verificamos que os escribas a substituíram em outros manuscritos por “Palavra de Deus”, “Palavra do Senhor” e assim por diante. Isso está correto? Isso afeta o significado ou as doutrinas?

R: Não vejo nenhuma diferença substancial entre Marcos 2:4 e Lucas 5:19. Ambos são totalmente verdadeiros. Eles escreveram a mesma coisa de maneiras diferentes porque tinham personalidades, perspectivas e estilos de escrita distintos. Não temos os evangelhos apenas em “voz única”, mas sim em “som quadrifônico”.

Às vezes, os escribas alteravam ligeiramente algumas palavras, aparentemente para tornar o texto mais claro e compreensível. Sabemos disso porque temos muitos manuscritos do Novo Testamento e podemos ver o que foi alterado. A grande maioria deles, porém, não apresenta nenhuma mudança de significado. Por exemplo, em muitos trechos de Filipenses, muitos manuscritos dizem “Cristo Jesus”, enquanto muitos outros dizem “Jesus Cristo”. Na maioria desses trechos, não temos certeza da ordem original, mas isso, na verdade, não importa.

Nenhuma dessas alterações afeta quaisquer doutrinas ou práticas cristãs, e nenhuma doutrina importante se baseia em apenas um único versículo. Se algo é importante nas Escrituras, Deus o repete, geralmente de uma maneira ligeiramente diferente, para que possamos perceber melhor a amplitude do significado.

P: Em Mt 8,5-13; 9,9-13, Jesus curou o servo do centurião antes de chamar Mateus (Leví), ou depois, como sugerem Lc 5,27-32; 7,1-10?

R: Pode ter sido de ambas as formas, já que nenhum dos evangelhos indica a ordem, e não se afirma que os evangelhos estejam em ordem cronológica. No entanto, ambos afirmam que Mateus/Leví foi chamado após a cura do paralítico.

P: Em Mt 8,5-10, o centurião viu Jesus diretamente, ou ele não o viu, mas enviou amigos, conforme Lc 7,6?

R: Há duas respostas possíveis.

1. O centurião abordou Jesus por meio de amigos, e não diretamente. Mateus omite esse detalhe e limita-se a dizer que o centurião se dirigiu a Jesus com seu pedido, sem especificar que isso ocorreu por meio de amigos. Talvez Mateus não quisesse obscurecer o fato de que Jesus estava ajudando um não judeu, de acordo com o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 200. A *NIV Study Bible*, p. 1453, acrescenta que, da mesma forma, quando Pilatos açoitou Jesus em Mateus 27:26, Mateus NÃO está dizendo que Pilatos pessoalmente açoitou Jesus, mas que mandou açoitá-lo.

2. Inicialmente, o centurião recorreu a amigos. Uma razão provável é que, dessa forma, não seria muito constrangedor se Jesus recusasse esse pedido de um não judeu. Depois disso, o centurião veio pessoalmente. A *Encyclopedia of Bible Difficulties*, pp. 321-322, defende essa visão.

P: Em Mt 9,18-25; Mc 5,23-43; Lc 7,11-17; 8,41-56; e Jo 11,1-44, durante Seu ministério terreno, quem Jesus ressuscitou dos mortos e por quê?

R: Todos os três milagres glorificaram a Deus e demonstraram que Jesus era o Filho de Deus.

O filho da viúva em Lucas 7:11-17. Talvez o filho falecido não tenha voltado tanto por sua própria causa, mas pela causa de sua mãe.

A filha de Jairo em Mateus 9:18-25; Marcos 5:23, 35-43; Lucas 8:41-42, 49-56. Nesse caso, a menina estava morrendo, e Jesus se atrasou porque estava ministrando a outra mulher. Deus pode não chegar sempre cedo, mas nunca chega tarde demais para agir.

Lázaro em João 11:1-44. Curiosamente, embora Jesus amasse especialmente Lázaro em João 11:3, Ele demorou mais dois dias, conforme João 11:7, enquanto Lázaro estava doente, até que ele tivesse falecido. Isso inicialmente pode ter abalado profundamente a fé de Maria e Marta, mas, às vezes, Deus testa deliberadamente nossa fé para Sua glória e para nos tornar mais fortes na fé.

P: Em Mt 9,18, a filha de Jairo estava morta ou estava morrendo, como em Mc 5,22 e Lc 8,42?

R: Primeiro, um pouco de grego; duas possibilidades que provavelmente não são a resposta; e, em seguida, a resposta mais provável.

Grego

Em Mateus 9:18, a expressão grega arti eteleutesen significa “acabou de morrer”, de acordo com a tradução literal de Green, ou “acaba de morrer”, mas não “está morrendo agora”, conforme o The Expositor’s Bible Commentary, vol. 8, p. 230.

Em Marcos 5:22, a expressão grega eschatus exei significa “no fim”. A palavra “escatologia” deriva da primeira palavra.

Em Lucas 8:42, a palavra grega apethnesken significa “morrendo”.

Resposta incorreta: o coma é como a morte

A respiração de uma pessoa em coma é muito superficial, e é difícil determinar quando ela faleceu. No entanto, essa provavelmente não é a resposta correta, pois Jairo já havia partido há algum tempo, e alguém em coma ainda estaria um pouco quente. Por fim, o fato de os amigos de Jairo terem lhe dito mais tarde que sua filha finalmente havia falecido contradiria essa hipótese.

Provavelmente não é a resposta: Jairo disse todas as três

O próprio Jairo não tinha certeza se sua filha ainda estava viva quando falou com Jesus, ou se ela já havia falecido enquanto ele se dirigia até Jesus. Portanto, Jairo pode ter dito, em um determinado momento, que ela havia falecido; em outro, que ela estava à beira da morte; e, em outro ainda, que ela estava morrendo. No entanto, nos três evangelhos, Jairo dirigiu as palavras em questão a Jesus e, embora possa ter repetido seu pedido a Jesus três vezes, usando três formulações diferentes, a resposta a seguir é mais provável.

A resposta: os autores dos evangelhos parafrasearam

Em outras passagens dos evangelhos, os diálogos são paráfrases, não citações exatas, e se concentram nos pontos principais, omitindo detalhes. Por exemplo, quando as pessoas vinham o dia inteiro para ouvir os ensinamentos de Jesus, mas podemos ler o relato em apenas cinco minutos, o que elas faziam durante o resto do tempo? Como diz João 21:25: “Há muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem escritas, suponho que nem mesmo o mundo inteiro teria espaço para os livros que seriam escritos.” (BSB)

Considere o seguinte: leva apenas cerca de três segundos para ler o que Jairo disse em qualquer um dos relatos. Quando Jairo chegou, será que ele falou apenas três segundos com Jesus e depois ficou em silêncio? – é claro que não pensamos isso. Mas isso significa que cada evangelista optou por omitir muitos detalhes irrelevantes e simplesmente quis registrar o ponto principal que Jairo queria transmitir. Seja qual for a frase que Jairo tenha usado — e ele pode ter usado mais de uma —, sua amada filha estava chegando ao fim de sua vida.

P: Em Mt 9,24; Mc 5,39 e Lc 8,52, por que Jesus disse que ela estava apenas dormindo?

R: Primeiro, o que provavelmente não é a resposta; depois, a resposta.

Provavelmente não é a resposta – o estado vegetativo é semelhante à morte

Embora o sono seja frequentemente usado para se referir à morte, poderia tratar-se de um coma ou de um estado vegetativo. Jesus disse: “A menina não está morta, mas dormindo” em Marcos 5:39. No entanto, em Marcos 5:35, quando os amigos de Jairo lhe disseram para não incomodar Jesus porque sua filha havia morrido, ela estava completamente morta, pelo que eles podiam perceber.

A resposta:

Jesus queria enfatizar que, para Ele, a morte nada mais é do que o corpo físico adormecido.

P: Em Mt 9,22, 28 e 29, o senhor poderia me explicar a diferença entre a fé que cura e a fé salvadora? Por exemplo, em Mt 9,22, Jesus diz: “Filha, tenha coragem; sua fé a curou”, e em Mt 9,29: “Jesus tocou os olhos deles, dizendo: ‘Será feito a vocês conforme a sua fé’”, e em Mt 15,28 “Então Jesus disse-lhe: ‘Ó mulher, grande é a sua fé; seja feito para você como deseja’”. E a filha dela foi curada imediatamente. A fé é algo natural? A fé demonstrada nas curas realizadas por Jesus foi gerada pelas pessoas que foram curadas, ou foi Deus, por meio do Espírito Santo, quem lhes concedeu a fé necessária para a cura, a fim de que Deus fosse glorificado? Em Ef 2,8: “Pois pela graça vocês foram salvos, por meio da fé, e isso não vem de vocês mesmos; é dom de Deus”, interpreto isso como significando que a fé é dom de Deus.

R: O senhor fez uma pergunta profunda. A resposta resumida é que existe apenas uma fé: a fé em Deus. Mas essa fé pode se manifestar na cura física e na vida santa, e essa fé também pode ser prejudicada ou arrebatada.

Para uma resposta mais abrangente, vamos primeiro examinar a fé em geral e, em seguida, seus diferentes aspectos. Embora a fé inclua o consentimento intelectual, Tiago 2:19 mostra que ela é muito mais do que isso; é confiar. Há uma história famosa de que, no século XIX, um renomado equilibrista chamado Charles Blondin estava atravessando as Cataratas do Niágara em uma corda bamba, empurrando um carrinho de mão. Alguém lhe disse que tinha fé de que ele conseguiria. Ele respondeu que, se realmente tivessem fé, então entrassem no carrinho de mão. Fé não é apenas dizer “eu acredito”, mas estar disposto a entrar no carrinho de mão. Confiamos em Deus a ponto de estarmos dispostos a parecer tolos caso Deus não cumpra o que prometeu? A fé é algo louvável, e Hebreus 11 apresenta muitos exemplos não apenas de crença intelectual, mas de viver pela fé.
A fé precisa ter o objeto correto; acreditar sinceramente em um ídolo não levará a lugar algum, ou pelo menos não a nenhum lugar bom. Se uma pessoa acredita e pratica muitas coisas boas, mas não acredita que Jesus morreu por nossos pecados e ressuscitou dos mortos, sua fé é vã, de acordo com 1 Coríntios 15:1-8. Eles não foram curados por terem fé na cura, fé em si mesmos, fé em algum santo ou mesmo fé na fé; foram curados por terem fé em Jesus. É interessante que, logo antes dessa passagem, em Mateus 9:1-8, Jesus curou um paralítico, e não há menção à fé dele, nem, na verdade, a nada a respeito dele. Podemos facilmente inferir que seus amigos tinham fé suficiente para se darem ao trabalho de levá-lo até Jesus; e, embora ele pudesse ter tido fé, isso não é mencionado. Assim, embora não possamos ter fé salvadora por ninguém além de nós mesmos, nossa fé pode ser uma ferramenta eficaz que Deus usa na vida dos outros. Por outro lado, Jesus optou por não realizar muitos milagres em Nazaré devido à falta de fé deles, conforme Mateus 13:57-58.
Infelizmente, nossa fé pode ser parcial e incompleta em termos de tempo, sinceridade e alcance.

Fé Apenas por Um Tempo: Judas Iscariotes acreditou em Jesus a ponto de abandonar sua vida anterior e segui-Lo — pelo menos por um tempo. No entanto, mesmo antes de trair Jesus, Judas já roubava da bolsa comum, conforme João 12:6. Judas chegava até a sair com os outros onze discípulos e pregar no campo, conforme Mateus 10:4-16; mas, embora a fé de muitas pessoas pudesse ter sido fortalecida ao ver os grandes milagres, ele não tinha (ou talvez seja melhor dizer que não quis ter) a fé de que Deus cuidaria de suas necessidades financeiras e que ele não precisava roubar de Jesus e dos discípulos. Portanto, por ter tido fé por um tempo, embora eu acredite que os verdadeiramente salvos nunca possam ser “deseleitos”, também acredito nas advertências da Bíblia de que alguns que foram iluminados e provaram (mas não diz que engoliram) o dom celestial podem cair na destruição eterna (Hebreus 6:4-6).

Insinceridade e fé: Algumas pessoas, assim como a semente semeada em solo raso, têm fé por um tempo, mas depois se confundem. Elas podem ser honestas e admitir que não têm mais fé, ou desonestas e alegar que têm fé, mas agir de forma hipócrita. Uma pessoa pode ter uma fé sincera misturada com insinceridade, mas ser honesta a respeito disso. Quando Jesus perguntou ao pai de um menino possuído por demônios se ele acreditava, ele respondeu: “Eu creio; ajuda a minha incredulidade!”, em Marcos 9:24. Outros não têm fé sincera, apenas fé insincera, como Simão, o mago, em Atos 8:18-22.

Alcance da fé: Algumas pessoas conseguem acreditar em Deus nas grandes questões, onde não há outra opção, mas não acreditam n’Ele nas pequenas coisas. Algumas, como Gideão, podem ter uma fé tremenda em Deus para salvá-las na batalha com apenas alguns soldados, mas depois não acreditam que o caminho de Deus seja o melhor, preferindo ganhar dinheiro com um ídolo, como Gideão fez vergonhosamente em Juízes 8:24-27. Sansão era semelhante.
Não acredito que existam dois tipos de fé: a fé salvadora e a fé curativa; existe apenas uma fé (Efésios 4:5). Mas essa crença de uma pessoa, ao responder à palavra de Deus, como uma semente em Mateus 13:12-23, pode crescer (seja muito ou apenas um pouco), multiplicar-se em outras pessoas, mas também pode murchar e morrer, e a pessoa pode se afastar (Mateus 13:20-21). Como um aviso para nós, vejamos quatro exemplos de fé que morreram:

Jesus ensinou em Mateus 7:21-23 que haverá pessoas que pregarão o evangelho (presumivelmente o verdadeiro evangelho) e até mesmo realizarão milagres em nome de Jesus, o que, tenho certeza de que concordarão, exigiria grande fé. No entanto, no fim, essas pessoas irão para o inferno porque eram malfeitores. É significativo que Jesus não tenha dito: “Eu me esqueci de vocês”, “Eu os perdi” ou “vocês perderam a salvação”. Em vez disso, Jesus disse a esses malfeitores de grande fé: “Nunca os conheci”.

Uma pessoa destinada ao inferno pode ser ajudada pela fé? Sim, pelo menos por um curto período. 2 Pedro 2:20-22 diz: “Se, de fato, eles escaparam da corrupção do mundo por meio do conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, apenas para serem novamente enredados e vencidos por ela, sua condição final é pior do que era no início. Seria melhor para eles não terem conhecido o caminho da justiça do que, depois de o terem conhecido, se afastarem do santo mandamento que lhes foi transmitido. A eles se aplicam os provérbios: ‘O cão volta ao seu vômito’ e ‘A porca lavada volta a se revolver na lama’”. (BSB) A pessoa nunca foi salva; sempre foi um cão ou uma porca. No entanto, essa pessoa “conheceu”, em certo sentido, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Seu conhecimento foi suficiente para, até mesmo, levá-la de uma vida pecaminosa para uma vida piedosa, mas apenas por um tempo.

Muitas pessoas são ajudadas por Jesus, assim como os nove leprosos em Lucas 17:11-19. Jesus curou dez leprosos, mas apenas um, um samaritano, voltou e agradeceu a Jesus. “‘Não foram todos os dez purificados?’, perguntou Jesus. ‘Onde, então, estão os outros nove? Não se encontrou ninguém, exceto este estrangeiro, para voltar e dar glória a Deus?’ Então Jesus disse-lhe: ‘Levante-se e vá; sua fé o curou!’” (BSB) Os outros nove foram genuinamente ajudados fisicamente, e nada indica que sua cura física tenha sido retirada. Mas a cura física foi tudo o que receberam; somente o samaritano se aproximou de Cristo e louvou a Deus. Se eu tivesse um problema físico e tivesse que escolher entre uma fé que cura e uma fé que salva, eu preferiria a fé que salva e cura espiritualmente, em vez da fé que se limita a curar fisicamente. Deus concede uma fé capaz de fazer ambas as coisas, mas certifique-se de enfatizar o Doador, e não apenas o dom.

Nossa fé deve ser firme, como ensina Tiago 1:12; capaz de perseverar mesmo em condições adversas; no entanto, a fé de alguns dura apenas por um tempo e depois morre. Creio que toda a diferença está em saber se a fé é cuidada pelo Jardineiro (João 15:1b) e se a sua fé está ou não conectada à Videira (João 15:1-8). Ter fé, mesmo uma grande fé, não durará, a menos que seja constantemente cuidada por Deus. Portanto, embora a fé seja importante, é mais importante aproximar-se de Deus. “E agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor; mas a maior delas é o amor.” (1 Coríntios 13:13 BSB)

Mas qual é o papel da fé salvadora?

A salvação é um dom de Deus; não provém de nós e não somos salvos pela nossa fé. Pelo contrário, somos salvos pela graça de Deus, por meio da nossa fé, e não pelas obras, como diz Efésios 2:8-9. Três coisas este par de versículos, curto mas complexo, afirma:

É pela graça. Não podemos “merecer” nossa salvação; caso contrário, não seria graça.

É por meio da fé. A fé tem um papel diferente da graça. A fé é a nossa resposta à iniciativa de Deus.

Não é pelas obras. As obras não têm o mesmo papel que a graça; elas não contribuem em nada para merecermos nossa salvação.

As obras têm um papel diferente da fé; não somos salvos por meio das obras, mas sim por meio da fé.

Assim, pode-se perguntar se as obras têm alguma relação com a salvação. Paulo antecipa essa pergunta e a responde em Efésios 2,10. As obras têm um papel na salvação, mas não o papel que algumas pessoas e muitos católicos ensinam. As obras são um resultado da nossa salvação, não um pré-requisito. Não somos salvos por servir, mas sim salvos para servir. Se as duas coisas não andarem de mãos dadas na vida de um crente, pode-se questionar se essa pessoa é realmente crente, como faz Tiago 2:14-25, mas elas têm funções diferentes.

No entanto, como é incorreto afirmar que as obras têm o mesmo papel que a fé em nossa salvação — como afirmam alguns católicos —, também é incorreto afirmar que a fé tem o mesmo papel que as obras em nossa salvação, conforme ensinam alguns calvinistas. Hebreus 4:2 diz: “Pois também nós recebemos o evangelho, assim como eles; mas a mensagem que ouviram não lhes serviu de nada, pois não compartilhavam da fé daqueles que a compreenderam.” (BSB)

Quanto à questão de saber se essa fé duradoura é um dom de Deus ou nossa responsabilidade, ela é ambas as coisas. Deus nos concede a fé como um dom, e podemos e devemos pedir por ela. No entanto, temos a responsabilidade de crer e a responsabilidade de correr com perseverança (Hebreus 12:1). Temos a responsabilidade de provar/examinar tanto a nós mesmos quanto aos nossos mestres (2 Coríntios 13:5-6). No entanto, podemos confiar que Deus sela todos os que são salvos com Seu Espírito Santo, “que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que são propriedade de Deus…” (Efésios 1:14 BSB). Consulte www.BibleQuery.org no menu à esquerda, em “Doutrina” e, em seguida, em “Predestinação” para obter mais informações.

P: Em Mc 5,35 e Lc 8,49, Jairo recebeu uma nova informação de que sua filha estava morta?

R: Embora ambas as possibilidades sejam válidas, a primeira é a mais provável.

a) Pode ser que Jairo soubesse que sua filha estava prestes a morrer quando partiu para ver Jesus e, ao voltar, lhe tenham dito que ela acabara de falecer.

b) É mais provável que Jairo já soubesse que sua filha estava morta, ou praticamente morta, quando saiu para ver Jesus e, ao retornar, tenha ouvido, em essência: “não incomode mais Jesus, você já sabia que sua filha estava morta”.

De qualquer forma, porém, a mensagem para Jairo foi: “não incomode Jesus, pois nem mesmo Ele pode fazer nada a respeito disso”. Espero que nunca tenhamos essa atitude, assim como Jairo escolheu ter fé e rejeitar essa atitude.

P: Em Mt 10,2-5; Mc 3,16-18; Lc 6,13-16; Jo 1,45-47; 21,2 e At 1,13, a lista dos doze discípulos é diferente, como sugere o *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 998?

R: Não. Embora a ordem seja um pouco diferente, as listas são as mesmas, desde que se tenha o seguinte entendimento.

Simão Barjona é o mesmo que Pedro. Barjona significa “bar” (filho de) Jona. Simão é um nome hebraico, e Pedro é um nome grego.

Mateus, o cobrador de impostos, = Levi, filho de Alfeu, o cobrador de impostos, em Marcos 2:13-17. Levi é um nome hebraico. Mateus também é um nome hebraico, uma forma abreviada de Matias. Talvez, por ser cobrador de impostos, ele quisesse um pseudônimo.

Tiago, filho de Alfeu, é o mesmo que Tiago, o Jovem, em Marcos 15:40. A Concordância de Strong afirma que Tiago é uma forma helenizada do nome hebraico Jacó.

Bartolomeu (em todas as listas) é o mesmo que Natanael em João 1:45-47; 21:2. O nome aramaico Bartolomeu pode não ter sido seu nome próprio, mas seu sobrenome, já que significa “Bar” (filho de) Talmai/Tolmai/Talmar. Natanael também é aramaico, significando “presente de Deus”.

Tadeu é a mesma pessoa que Judas, filho de Tiago, em Lucas 6:16 e Atos 1:13, da mesma forma que Pedro e Simão são a mesma pessoa. Talvez, após a crucificação, Tadeu não quisesse ser chamado de Judas, devido à possível confusão com Judas Iscariotes. Judas é um nome hebraico. Alguns manuscritos gregos mencionam Tadeu, outros mencionam “Lebbaeus” e outros ainda dizem: “Lebbaeus, chamado/conhecido como Tadeu”. “Lebbaeus” é a forma grega de “Levi”.

Judas Iscariotes não aparece em Atos 1:13 por razões óbvias.

Quanto aos demais — André, Tiago, filho de Zebedeu, João, Filipe, Tomé e Simão, o Zelote —, é-nos mencionado apenas um nome.

Seria possível acreditar que Natanael, em João 1:43-45; 21:2, não fosse a mesma pessoa que Bartolomeu. Essa interpretação não significaria um erro na Bíblia, mas apenas que Natanael era um discípulo, embora não fosse um dos doze discípulos.

P: Em Mt 10,9-10, por que os discípulos não deveriam adquirir cajados e, em Lc 9,3, não deveriam levar cajado, uma vez que, em Mc 6,8-9, deveriam levar apenas um cajado?

R: Os cristãos oferecem três respostas diferentes, mas a terceira resposta é a mais provável.

Várias viagens: Eles poderiam ter feito várias viagens. No entanto, a única razão para sugerir várias viagens é conciliar o fato de levarem um cajado com o de não o levarem.

Palavras gregas diferentes: “adquirir” em Mateus é diferente de “possuir” em Marcos. Eles poderiam levar o cajado que já possuíam, mas não levar um extra, nem qualquer outra coisa, aliás. A palavra grega para “levar/adquirir” em Mateus 10:9 pode significar “adquirir” no sentido de “não comprar nem coletar essas coisas”. A palavra grega em Marcos 6:8 significa “possuir”. A dificuldade com essa interpretação é que a palavra grega em Lucas 9:3 é simplesmente uma conjugação diferente da mesma palavra grega de Marcos 6:8.

Erro de transcrição: talvez as cópias que possuímos de Marcos tenham substituído “somente” em vez de “não”. Embora todas as cópias que possuímos digam “não”, em grego a diferença entre “somente” e “não” é a adição da palavra grega de duas letras “ei”. O livro “Hard Sayings of the Bible”, pp. 422-424, menciona um erro de transcrição de natureza diferente, em que Mateus, embora geralmente estivesse muito familiarizado com Marcos, seguiu Lucas neste ponto. Assim, em outras palavras, “apenas/exceto um cajado” em Marcos provavelmente deveria ser “não um cajado”, como em Mateus e Lucas.

P: Em Mt 10,9-10, os discípulos não deveriam adquirir sapatos/sandálias, ou deveriam levar sandálias, como diz Mc 6,8-9?

R: A palavra grega em Mateus pode significar “sapatos”, enquanto a palavra grega em Marcos não pode significar sapatos. A tradução literal de Green traduz a palavra em Marcos 6:9 como “sandálias amarradas por baixo”. Lucas 9:3 não menciona nada sobre sapatos ou sandálias.

Portanto, em conclusão, eles provavelmente podiam levar sandálias, mas não sapatos, que seriam mais adequados para longas viagens. Isso é consistente com o fato de eles também não levarem cajados.

P: Em Mt 10,22; 24,13; e Mc 13,13, o que exatamente significa “perseverar até o fim” de que Jesus falou?

R: Trata-se do fim da grande tribulação.

P: Em Mc 1,15, “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo”, utiliza-se o verbo grego eggizo no pretérito, o que indica que o reino de Deus se aproximou, mas ainda não prevaleceu. Mas, em Mt 11,4-5, Jesus revela que o Reino está presente no tempo e está relacionado à Sua pessoa, pois Mateus não utilizou a expressão “reino de Deus” nem o verbo eggizo. Por que existe essa variação entre os dois evangelhos no que diz respeito ao conceito do Reino?

R: Três pontos a serem considerados na resposta.

1) Em Marcos 1,15, no início de Seu ministério, antes de Jesus anunciar quem Ele era, Ele disse que o tempo se cumpriu (pretérito), pois o Reino de Deus está [agora] próximo. É o tempo que se cumpriu, não o Reino de Deus que se cumpriu.

2) Mateus 11,4-5 não menciona o Reino de Deus de forma alguma, muito menos se está no pretérito ou no presente. Em vez disso, Jesus falou das boas novas pregadas aos pobres.

3) Para nós, o Reino de Deus está próximo, pois está dentro de nós. No entanto, a plena consumação do Reino de Deus só ocorrerá no futuro.

P: Em Mt 11,14 e Jo 1,21, de que forma João é o Elias que há de vir?

R: Quatro pontos a serem considerados na resposta.

1. O próprio Elias apareceu na transfiguração, e provavelmente aparecerá literalmente antes da segunda vinda de Jesus, mas João Batista é uma pessoa diferente de Elias.

2. João cumpriu o papel de Elias em Malaquias 4,5, para a primeira vinda de Cristo, mas o próprio Elias aparecerá para a segunda vinda de Cristo.

3. Conforme observa Arndt em *Bible Difficulties and Seeming Contradictions*, p. 127, Jesus não disse que João era o antigo Elias que havia retornado. Em vez disso, Jesus disse que João era o Elias que havia de vir.

4. Justino Mártir (c. 138–165 d.C.), em seu *Diálogo com Trifão, o Judeu*, capítulo 49, destaca que a expressão de que uma pessoa “tem o espírito de outra” foi usada em outras passagens da Bíblia, quando Deus retirou o espírito que estava sobre Moisés e o colocou sobre Josué, e quando Eliseu recebeu uma porção dupla do espírito de Elias. Ninguém interpretaria esses dois exemplos como reencarnação ou como se tratasse da mesma pessoa, pois, em ambos os casos, o mais velho e o mais jovem estavam vivos ao mesmo tempo.

P: Em Mt 11,14 e Jo 1,21, isso corrobora a reencarnação de Elias?

R: Não. A doutrina errônea da reencarnação ensina que uma pessoa morre, deixa para sempre seu corpo antigo e retorna em um novo corpo. Elias nunca morreu, e foi ele (não João Batista) quem apareceu a Jesus durante a transfiguração. Elias retornará em seu próprio corpo no fim dos tempos. Tertuliano (198-220 d.C.) responde bem a essa questão em *Tratado sobre a Alma*, cap. 35, p. 217-218. Ele acrescenta que o “espírito e o poder” foram concedidos como dons externos pela graça de Deus.

P: Nos Evangelhos, o que se entende por “harmonia” em relação ao ministério de Jesus no período intermediário?

R: O período intermediário, composto por 24 eventos, inclui as duas multiplicações de pães e se estende desde o momento em que João Batista foi morto e Jesus deixou a Galiléia até o momento em Cesareia de Filipe. Os números referem-se a eventos que devem seguir os números anteriores. Letras como a, b, c referem-se a eventos que podem ocorrer em qualquer ordem. As palavras em negrito indicam marcadores de tempo, ordem e localização. Os versículos sublinhados mostram passagens que provavelmente não estão em ordem cronológica.

Ministério Intermediário: Mt 14,13–16,28; Mc 6,30–9,1; Lc 9,11–27; Jo 6,1–7,9

M1. Deixando a Galiléia, Jesus e os discípulos retiram-se para Betsaida. Lc 9,10

M2a. As multidões encontram Jesus. Lc 9,11

M2b. Na margem oposta a Cafarnaum, Jesus prega às multidões e realiza curas. Mt 14,13-14; Jo 6,1-4

M3. Na grama (não em Genesaré), a primeira alimentação realizada por Jesus: 5.000 homens, além de mulheres e crianças, com 5 pães e 2 peixes. Eram judeus que haviam passado um dia com Jesus. Sobraram 12 cestas. Mt 14,15-21; Mc 6,30-44; Lc 9,12-17; Jo 6,1-14

M4. A caminho de Genesaré, durante a quarta vigília da noite, Jesus e Pedro caminham sobre as águas. Mt 14,22-36; Mc 6,45-52

M5a. Em Genesaré, Jesus cura alguns homens. Mt 14,34-36; Mc 6,53-56

M5b. Jesus retira-se para uma montanha. Jo 6,15

M6a1. A caminho de Cafarnaum, após remarem 3 ou 3 1/2 milhas (4,8 ou 5,6 quilômetros), os discípulos veem Jesus caminhando sobre as águas. Jo 6,16-24a

M6a2. Imediatamente, o barco chega. Jo 6,24b

M6a3. Às margens do lago, perto de Cafarnaum, Jesus é o pão da vida. Jo 6,25-71

M6a4. Até a Festa dos Tabernáculos, Jesus permanece na Galiléia. Jo 7,1-9

M6b. Os fariseus criticam os discípulos de Jesus; o puro e o impuro. Mt 15,1-20; Mc 7,1-23

M7. Em Tiro e Sidom, Jesus cura a filha de uma mulher. Mt 15,21-28; Mc 7,24-30

M8. Na Decápolis, Jesus cura o surdo-mudo. Mc 7,31-37

M9. Na Galiléia, Jesus cura e ensina as multidões. Mt 15,29-31; Mc 8,1

M10. Às margens do Mar da Galiléia, Jesus realiza a segunda alimentação de outra grande multidão: 4.000 homens, além de mulheres e crianças, com sete pães e alguns peixinhos. Eram gentios que haviam estado com Jesus por três dias. Sobraram sete cestas. Mt 15,32-38; Mc 8,2-9

M11. Jesus embarca no barco rumo a Magadan/Dalmanuta. Mt 15,39; Mc 8,10

M12a. Os fariseus fazem a segunda exigência por um sinal do céu. Mt 16,1-4; Mc 8,11-13

M12b. Jesus fala sobre o fermento e as duas distribuições de pão. Mt 16,5-12; Mc 8,14-21

M12c. Em Betsaida, Jesus cura um cego. Mc 8,22-26

M12d. Perto de Cesareia de Filipe (onde havia uma grande rocha), Pedro confessa que Jesus é o Cristo. Mt 16,13-20; Mc 8,27-30; Lc 9,18-20

M13. Jesus prediz Sua morte. Mt 16,21-22; Mc 8,31; Lc 9,21-22

M14. Jesus diz a Pedro: “Afasta-te de mim, Satanás”. Mt 16,23; Mc 8,32-33

M15. O custo de seguir a Jesus. Mt 16,24-28; Mc 8,34-9,1; Lc 9,23-27

P: Nos Evangelhos, quais foram as principais suposições feitas para a harmonização do período intermediário do ministério de Jesus?

R: Estas foram as premissas que utilizei para elaborar esta sequência de eventos.

a) Os evangelhos estão em ordem cronológica no que diz respeito ao período intermediário do ministério de Jesus. Embora possam conter alguns detalhes fora de ordem, não há motivo para suspeitar disso.

b) Algumas passagens em Lucas, que coloquei no ministério posterior de Jesus, também se encaixariam nesta seção.

P: Em Mt 12,30, Bart Ehrman pergunta: “Algumas palavras de Jesus são transmitidas de maneiras semelhantes, mas, ainda assim, divergentes. Um dos meus exemplos favoritos desse fenômeno é o par de ditos relatados em Mateus 12,30 e Marcos 9,40. Em Mateus, Jesus declara: ‘Quem não está comigo está contra mim’. Em Marcos, ele diz: ‘Quem não está contra nós está a nosso favor’. Será que ele disse ambas as coisas? Será que ele quis dizer ambas as coisas? Como ambas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo? Ou será possível que um dos evangelistas tenha invertido as coisas?” Jesus, Interrupted, p. 41

R: Sinceramente, não consigo entender de forma alguma como Ehrman poderia ver isso como uma contradição. Em Mateus 12:22-37 (correspondente a Marcos 3:20-29), isso ocorre quando trazem a Jesus um homem possuído por demônios. Muito mais tarde, em uma ocasião totalmente diferente, em Marcos 9:38-41, Jesus é informado sobre outra pessoa que expulsa demônios. Portanto, é claro que Jesus poderia dizer coisas diferentes em dias diferentes. Talvez Ehrman, de alguma forma, tenha considerado contraditório que, se alguém fosse contra Jesus, pudesse também ser contra Seus seguidores, ou vice-versa. Mas Jesus previu que Seus seguidores seriam perseguidos e mortos porque os perseguidores não conhecem o Pai nem a Jesus, em João 16:3. Jesus afirmou em João 15:18-21: “Se o mundo os odeia, saibam que ele Me odiou primeiro. Se vocês fossem do mundo, ele os amaria como se fossem dele. Em vez disso, o mundo os odeia, porque vocês não são do mundo, mas Eu os escolhi do mundo. Lembrem-se da palavra que lhes disse: ‘Nenhum servo é maior do que seu senhor’. Se me perseguiram, também a perseguirão; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Mas tratarão vocês assim por causa do meu nome.” Jesus identificou-se intimamente com seus seguidores em Mateus 25:34-46, na parábola das ovelhas e dos bodes. Em João 15:1-8, Jesus diz que estamos nele assim como os ramos estão ligados à videira.

P: Em Mc 9,40, como se comparam as frases “quem não é contra nós, é a nosso favor” e “Não o impeçam”, em Lc 9,50, com Lc 11,23: “Quem não está comigo está contra mim”?

R: Há duas respostas diferentes.

Erro de copista: O livro *Hard Sayings of the Bible*, pp. 466-467, afirma que praticamente todos os manuscritos gregos anteriores ao século VIII, em Lucas 11:23, dizem “contra vocês… a favor de vocês” em vez de “contra nós… a favor de nós”. O livro *When Critics Ask*, p. 390, também aponta isso, afirmando que a KJV está errada nesse ponto, pois se baseou apenas nos manuscritos posteriores. Independentemente disso, porém, não há motivo para que essas declarações precisem ser idênticas, já que foram proferidas em momentos diferentes.

Tipos diferentes de pessoas: A pessoa em Marcos 9:40 e Lucas 9:50 era alguém que não estava apenas tentando expulsar demônios, mas que, de fato, expulsava demônios em nome de Jesus. Em contrapartida, em outro momento, em Lucas 11:23, Jesus repreende pessoas que afirmavam que Ele expulsava demônios por meio de Belzebu.

Independentemente disso, o homem que expulsava demônios em nome de Jesus estava com Jesus, porque acreditava nele, mesmo estando em um lugar diferente. Hoje em dia, pode ser fácil pensar que alguém é diferente por estar em um lugar diferente, em uma igreja cristã diferente ou em uma cultura diferente e agir de maneira diferente. No entanto, se forem irmãos e irmãs genuínos no Senhor, então estão com Jesus. Além disso, não se esqueça de que pessoas de nossa própria cultura, talvez em nossa própria igreja, que negam os fundamentos do cristianismo estão contra Jesus, independentemente das simpatias culturais que possamos ter por elas.

P: Em Mt 14,15-21; Mc 6,30-44; Lc 9,12-17; Jo 6,1-14, Jesus alimentou 5.000 ou 4.000 pessoas, como dizem Mt 15,32-38 e Mc 8,2-9? Trata-se de uma história alegórica, e é por isso que ele a repetiu? Ou o incidente ocorreu duas vezes na realidade, com detalhes diferentes?

R: Não se trata da mesma história, e ambas são literalmente verdadeiras.

Os 5.000 homens, além de mulheres e crianças (Mateus 14:21; Marcos 6:34-44; Lucas 9:12-17), eram judeus (João 6:14-15) que haviam passado um dia com Jesus (João 6:35) e se sentaram na grama no lado oeste (judeu) do Mar da Galiléia. Foram utilizados cinco pães e dois peixes (Mateus 14:17; Marcos 8:19). As sobras encheram 12 cestas (Mateus 14:20). A alimentação dos 5.000 é o único milagre presente em todos os quatro evangelhos.

Os 4.000 homens, além de mulheres e crianças (Mateus 15:38), eram provavelmente gentios, que haviam estado com Jesus por três dias (Marcos 8:2) e se sentaram em terra firme, no lado leste (não judeu) do Mar da Galiléia. Foram utilizados 7 pães e alguns peixes pequenos (Marcos 8:5,7). As sobras encheram 7 cestas (Marcos 8:8).

Ambos são mencionados em Mateus 16:7-11, bem como em Marcos 6:52. Jesus está disposto e é capaz de cuidar dos judeus, e Jesus está disposto e é capaz de cuidar dos gentios.

Quer nos concentremos em Jesus alimentando 5.000 judeus em João 6:14-35, quer vejamos Jesus alimentando 4.000 prováveis gentios, ou ambos, conforme ensinam Mateus 15:38; 16:7-11 e Marcos 6:52, 8:2-8, temos de decidir se escolhemos ou não confiar que o Jesus dos Evangelhos também nos alimentará eternamente.

P: Em Mt 14,15-21; Mc 6,30-44; Lc 9,12-17 e Jo 6,1-14, havia apenas homens presentes no milagre da alimentação de 5.000 pessoas com peixes e pães, conforme Mc 6,44 e Jo 6,10?

R: Não, não havia apenas homens. A palavra grega andres (andros no singular) é a mesma em Mc 6,44; Lc 9,14 e Mt 14,21 e significa basicamente “homem”. Mas Mateus 14,19-21 diz que havia cerca de 5.000 homens, além das mulheres e crianças.

Portanto, nessa multidão mista, há duas possibilidades:

a) Havia um número aproximadamente igual de homens e mulheres, e eles se sentaram em grupos familiares.

b) Havia muito mais homens do que mulheres e crianças presentes. Portanto, talvez a maioria das mulheres tenha ficado em casa.

P: Os quatro evangelhos relatam a história de Jesus alimentando o povo, com os mesmos detalhes: (5 pães, 2 peixes, 5.000 comensais, sobraram 12 cestos). (Mt 14,15- ); (Mc 6,38-); (Lc 9,12- ); (Jo 6,3-). A questão é: até que ponto esse episódio é importante, a ponto de os quatro evangelhos o relatarem com os mesmos detalhes? Quais são as verdades teológicas nele contidas e qual é o seu significado?

R: Esse incidente realmente aconteceu, embora houvesse também um simbolismo espiritual deliberado. Assim como Jesus pôde realizar um milagre e alimentar fisicamente 5.000 homens judeus, além de mulheres e crianças, o senhor pode confiar que Jesus também o alimentará espiritualmente.

P: Em Lc 9,52-53, os samaritanos rejeitaram Cristo e não O receberam, ou uma grande multidão de samaritanos encontrou Cristo em Jo 4,39-40?

R: Ambas as afirmações são verdadeiras de três maneiras diferentes.

a) Esses dois eventos ocorreram em momentos diferentes do ministério de Jesus. A aceitação aconteceu no início do ministério de Jesus, e a rejeição ocorreu no final de Seu ministério, quando sabiam que Jesus estava a caminho de Jerusalém.

b) Esses eventos ocorreram em locais diferentes; quando um grupo de pessoas, digamos, um grupo de africanos, aceita algo, isso não significa que todos os africanos, em qualquer lugar, devam aceitar a mesma coisa da mesma maneira.

c) No entanto, mesmo entre os judeus, alguns seguiram Jesus por um tempo e depois se afastaram. João 6:66 diz que alguns dos discípulos de Jesus se afastaram e não O seguiram mais. Entre eles, poderiam estar tanto samaritanos quanto judeus.

Consulte *When Critics Ask*, p. 390, para obter uma resposta complementar.

P: Em Lc 9,52-53, o que os samaritanos tinham contra os judeus?

R: Eles e os judeus tinham divergências históricas, teológicas, religiosas, militares e políticas.

Historicamente, os samaritanos constituíam a região da capital do reino do norte. Após o tempo de Salomão, eles abandonaram a verdadeira adoração a Deus e adoraram dois bezerros de ouro. Durante o exílio, formavam uma mistura de pessoas que permaneceram na terra e de colonos não israelitas trazidos pelos assírios.

Neemias recusou-se a permitir que eles participassem da construção da cidade de Jerusalém, e eles se opunham à sua reconstrução. O livro apócrifo de Eclesiástico 50:25-26 menciona os samaritanos, os idumeus [edomitas] e os filisteus como as três nações mais detestadas por Israel.

Teologicamente, os samaritanos na época de Jesus acreditavam que apenas os cinco primeiros livros do Antigo Testamento constituíam as Escrituras, e que a casa de Deus deveria ser construída no Monte Gerizim (em Samaria), e não em Jerusalém.

Religiosamente, a adoração a Deus no templo de Jerusalém deveria ser realizada por sacerdotes descendentes de Aarão, auxiliados por descendentes de Levi. Os samaritanos tinham seus próprios sacerdotes e servos do templo.

Militarmente, quando os selêucidas tentaram obrigar os judeus a oferecer sacrifícios aos deuses gregos, os samaritanos ajudaram os selêucidas a perseguir aqueles que desejavam seguir a Deus e não adorar ídolos. Quando o macabeu João Hircano I chegou ao poder, ele incendiou o templo samaritano no Monte Gerizim e destruiu a cidade de Samaria em 127 a.C.

Politicamente, Herodes, o Grande, reuniu fundos para reconstruir o templo samaritano no Monte Gerizim. No entanto, quando os samaritanos souberam que Herodes também iria reconstruir o templo em Jerusalém, recusaram os fundos.

P: Em Mt 16,4 e Mc 8,12, nenhum sinal seria dado ao povo, ou nenhum sinal seria dado, exceto o sinal de Jonas mencionado em Lc 11,29-30?

R: Três pontos a serem considerados na resposta.

1. Embora Jonas tenha vivenciado um milagre, o povo de Nínive não o viu. Jonas não deu ao povo de Nínive nenhum sinal milagroso para que se arrependessem; eles tinham apenas Jonas e sua mensagem. O único “sinal” que possuíam não era um milagre que pudessem observar, mas um homem. Jonas, que pregava aos ninivitas, era tudo o que eles tinham para ver. Pode-se dizer que a mensagem de Jonas foi autenticada pelo milagre de ele ter sido engolido por um grande peixe e ter sobrevivido. No entanto, os ninivitas só puderam ouvir falar do milagre; eles não o viram com seus próprios olhos.

2. Isso contrasta com o Êxodo, onde todos os israelitas puderam ver a nuvem milagrosa durante o dia e a coluna de fogo à noite.

3. Jesus veio “à maneira de Jonas”, e não à maneira do Êxodo. Jesus não veio em glória celestial e, embora tenha realizado milagres que autenticavam Sua mensagem, a maioria das pessoas não viu os milagres; apenas ouviu falar deles.

Resumo: O surgimento repentino de Jesus em cena foi semelhante à vinda de Jonas a Nínive. Às vezes, as pessoas só querem aceitar algo se a evidência estiver na forma que preferem ver. Tanto para os ouvintes de Jonas quanto para os de Jesus, era necessário ouvir a mensagem e não fechar os olhos, deixando de ver o que não esperavam.

P: Em Mt 16,4; Mc 8,12 e Lc 11,29-30, por que não seriam dados sinais ao povo, já que Jesus realizou muitos milagres?

R: Embora todos tivessem ouvido falar dos milagres que Jesus realizou, a maioria das pessoas não testemunhou nenhum deles. O maior público presente nos milagres — a alimentação dos 5.000 no gramado e a alimentação dos 4.000 em terreno seco — ainda representava uma pequena minoria da população que vivia na Palestina naquela época.

Tanto naquela época quanto posteriormente, os milagres servem para fortalecer a fé, mas, por si sós, raramente conseguem converter uma pessoa da descrença à crença, especialmente se a pessoa não quiser acreditar. Lembre-se de que alguns dos fariseus realmente viram a mão atrofiada do homem ser restaurada diante de seus próprios olhos e, mesmo assim, ainda não quiseram seguir Jesus.

P: Em Mt 16,16; Mc 8,29 e Lc 9,20, quais foram as palavras exatas de Jesus? Mateus 16,16 diz: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Marcos 8,29 diz: “Tu és o Cristo”. Lucas 9,20 diz: “O Cristo de Deus”. Qual foi a verdadeira forma dessa confissão? E por que há essa variação na resposta de Pedro?

R: Isso nos mostra que os evangelistas parafrasearam e não incluíram todos os detalhes. É claro que “Tu és o Cristo de Deus” é simplesmente uma versão mais detalhada de “Tu és o Cristo”. Mateus é o que apresenta mais detalhes. Além disso, não sabemos se isso foi dito em grego ou em aramaico. Papias afirma que Mateus escreveu originalmente na “língua dos hebreus” (aramaico), enquanto os outros três evangelistas escreveram em grego. Portanto, embora saibamos o significado do que Pedro declarou, não conhecemos as palavras exatas.

P: Em Lc 18,7, nossas orações devem ser incessantes (contínuas), ou Jesus se opunha àqueles que pensavam que suas orações seriam ouvidas por causa de suas muitas palavras, conforme Mt 6,7?

R: Ambas as afirmações são verdadeiras. Deus considera a intensidade de nossa oração, não a duração dela. Devemos orar sem cessar (1 Tessalonicenses 5,17), mas não devemos pensar que o que importa são as palavras incessantes, e sim o nosso coração. Da mesma forma, na época de Neemias, eles deveriam construir o muro para sua defesa, mas não deviam confiar no muro para se defender, e sim confiar em Deus.

P: Nos Evangelhos, o que é uma “harmonia” no que diz respeito ao ministério posterior de Jesus?

R: É importante distinguir entre o que se diz estar em ordem e o que pode estar em ordem. Para esses 67 eventos, os números referem-se a eventos que devem seguir os números anteriores. Letras como a, b, c referem-se a eventos que poderiam ocorrer em qualquer ordem. As palavras em negrito indicam marcadores de tempo, ordem e localização. Se alguém acreditasse que os evangelhos estivessem todos em ordem cronológica para esta parte do ministério de Jesus, não veria nenhum problema.

Ministério posterior: Mt 17,1–20,34; Mc 9,2–10,52; Lc 9,28–19,28; Jo 7,10–11,57

L1. Após cerca de oito dias (ou seis dias), Jesus levou Pedro, Tiago e João ao Monte da Transfiguração (provavelmente o Monte Tabor). Mt 17,1-8; Mc 9,2-8; Lc 9,28-35

L2. Não contem a ninguém até a ressurreição. Mt 17,9; Mc 9,9-10; Lc 9,36

L3. Jesus fala sobre Elias. Mt 17,10-13; Mc 9,11-13

L4. No dia seguinte, Jesus cura um menino epiléptico que os discípulos não conseguiram curar. Mt 17,14-21; Mc 9,14-29; Lc 9,37-45

L5. Na Galiléia, Jesus novamente prediz Sua morte. Mt 17,22-23; Mc 9,30-32

L6a. Em Cafarnaum (na margem norte do Lago da Galiléia), Jesus paga o imposto do Templo com moedas encontradas na boca de um peixe. Mt 17,24-27

L6b. Naquela ocasião, os discípulos discutem sobre quem é o maior (isso pode ter ocorrido várias vezes). Mt 18,1-9; Mc 9,33-37; Lc 9,46-48

L6c. João e os discípulos repreendem alguém por expulsar demônios em nome de Jesus. Mc 9,38-41; Lc 9,49-50

L6d1. A caminho de Jerusalém, os samaritanos não receberão Jesus de braços abertos. Lc 9,51-56

L6d2. Enquanto caminhava pela estrada, o compromisso de um discípulo: raposas, mortos, família. Lc 9,57-62

L6d3. Jesus envia os setenta e dois. Lc 10,1-24

L7a1. Em Jerusalém, na Festa dos Tabernáculos (5º dia do 7º mês), Jesus chega. Jo 7,10-52

L7a2. Em Jerusalém, a mulher apanhada em adultério. Jo 8,1-11

L7a3. O testemunho de Jesus é válido. Jo 8,12-59

L7b. Jesus cura um cego, que vai até os fariseus. Jo 9,1-41

L7c1. Jesus ensina sobre o pastor. Jo 10,1-21

L7c2. Na Festa da Dedicação [Inverno], na área do Templo em Jerusalém, Jesus diz: “Eu e o Pai somos um”. Jo 10,22-39

L7c3. Jesus vai até o local onde João Batista vinha batizando. Jo 10,40-42

L7d1. A pergunta do doutor da lei sobre quem é o meu próximo. Lc 10,25-28

L7d2. A parábola do bom samaritano. Lc 10,29-37

L7d3. [Provavelmente em Betânia da Judéia], Maria, a devota, e Marta, a trabalhadora. Lc 10,38-42

L7e. Em Betânia da Judéia, Jesus ressuscita Lázaro dentre os mortos. Jo 11,1-44

L7f. Certa vez, Jesus ensinou aos Seus discípulos como orar, utilizando o Pai Nosso (provavelmente pela segunda vez). Lc 11,1-13

L7g1. Jesus expulsa um demônio que deixava a pessoa muda, acusado de estar aliado a Belzebu. Lc 11,14-26

L7g2. Uma mulher abençoa a mãe de Jesus; Jesus discorda dela. Lc 11,27-28

L7h. À medida que as multidões aumentavam, Jesus diz que elas teriam apenas o sinal de Jonas. Lc 11,29-32

L7i1. A lâmpada do corpo. Lc 11,33-36

L7i2. Na casa do fariseu, profere seis ai. Lc 11,37-53

L7i3a1. Enquanto isso, ensina sobre revelar na luz. Lc 12,1-7

L7i3a2. Reconhecer Jesus diante dos homens e a blasfêmia contra o Espírito Santo. Lc 12,8-12

L7i3b. A parábola do rico insensato. Lc 12,13-21

L7i3c. Parábola sobre a necessidade de estar vigilante para o retorno do senhor. Lc 12,35-48

L7i3d. Profecia sobre a divisão entre as famílias. Lc 12,49-53

L7i3e. Interpretando os tempos. Lc 12,54-59

L7i3f Jesus menciona os galileus que morreram quando a Torre de Siloé desabou. Lc 13,1-9

L7j Num sábado, Jesus cura uma mulher aleijada. Lc 13,10-17

L6k. Parábolas do grão de mostarda e do fermento. Lc 13,18-21

L6l1. Ao percorrer as cidades e aldeias, as parábolas da porta estreita e a tristeza por Jerusalém. Lc 13,22-30

L6l2. Naquela ocasião, a tristeza de Jesus por Jerusalém. Lc 13,31-35

L6m. Num sábado, na casa de um fariseu proeminente, Jesus cura um homem com hidropisia e conta a parábola do grande banquete. Lc 14,1-24

L6n. Quando grandes multidões se reuniram em torno de Jesus, Ele falou, pela segunda vez, sobre o custo de ser discípulo: pais, as parábolas da torre, do rei e do sal. Lc 14,25-35

L6o. Ensinamento sobre as criancinhas. Mt 18,10-11

L6p. Parábola da ovelha perdida. Mt 18,12-14; Lc 15,1-7

L6q1. Parábola da moeda perdida. Lc 15,8-10

L6q2. Jesus continuou com a parábola do filho pródigo. Lc 15,11-32

L6r. Parábola do administrador astuto. Lc 16,1-15

L6s. Ensinamento sobre o perdão e o servo impiedoso. Mt 18,15-35

L6t. Ensinamento sobre João e a Lei. Lc 16,16-17

L6u. Viajou da Galiléia para a Transjordânia. Mt 19,1-2; Mc 10,1

L6v. Ensinamento sobre o divórcio. Mt 19,3-12; Mc 10,2-12; Lc 16,18

L6w. Parábola do homem rico e de Lázaro. Lc 16,19-31

L6x. Aos seus discípulos, Jesus ensina sobre o pecado, a parábola da árvore plantada no mar e a parábola do dever do servo. Lc 17,1-10

L6y. Entre a Galiléia e Samaria, a caminho de Jerusalém, Jesus curou dez leprosos (…onde estão os outros nove?). Lc 17,11-19

L6z. Os fariseus perguntam como virá o reino de Deus. Lc 17,20-37

L7a. Parábola da viúva persistente. Lc 18,1-8

L7b. Parábola do fariseu e do publicano. Lc 18,9-14

L7c. As pessoas levavam bebês a Jesus para que Ele os abençoasse; os discípulos as repreenderam. Mt 19,13-15; Mc 10,13-16; Lc 18,15-17

L7d. O jovem rico faz uma pergunta: … o buraco da agulha. Mt 19,16-30; Mc 10,17-31; Lc 18,18-30

L8. Parábola dos trabalhadores na vinha. Mt 20,1-16

L9. A caminho de Jerusalém, Jesus prediz sua morte e ressurreição. Mt 20,17-19; Mc 10,32-34; Lc 18,31-34

L10a. A mãe de Tiago e João vem com eles para fazer um pedido a Jesus. Mt 20,20-28; Mc 10,35-45

L10b. Ao sair de Jericó (provavelmente a Antiga Jericó), Jesus cura dois cegos que clamam: “Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós!” (BSB) Mt 20,29-34

L10c. Ao entrar em Jericó (provavelmente a Nova Jericó), Jesus cura um cego, Bartimeu, que clama: “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” (BSB) Mc 10,46-52; Lc 18,35-43

L11a. Em Jericó, Jesus encontra Zaqueu. Lc 19,1-10

L11b. Perto de Jerusalém (as duas Jericós ficavam a 15-17 milhas, 24-27 quilômetros, a nordeste de Jerusalém), Jesus conta a parábola dos dez servos e das dez minas. Lc 19,11-28

L12. Caifás e o Sinédrio conspiram para matar Jesus. Jo 11,45-53

L13. Assim, Jesus retira-se para a aldeia de Efraim. Jo 11,54

P: Nos Evangelhos, quais foram as principais suposições feitas para a harmonização do ministério posterior de Jesus?

R: Tudo envolve pressupostos, e se outra pessoa utilizasse os mesmos pressupostos, chegaria a uma lista muito semelhante. Aqui estão os pressupostos para a sequência anterior.

a) Todos os evangelhos estão em ordem cronológica no que diz respeito ao ministério posterior de Jesus. Embora possam estar fora de ordem, não há motivo para suspeitar que estejam.

b) Algumas das passagens de João, colocadas aqui, poderiam ter ocorrido no ministério intermediário de Jesus.

c) Os seguintes eventos ocorreram apenas uma vez: a Transfiguração, a parábola da ovelha perdida, o jovem rico.

d) A ressurreição de Lázaro, irmão de Maria e Marta, ocorreu mais ou menos na mesma época em que Jesus estava na casa delas.

P: Mateus 19,16-17; Marcos 10,18; e Lucas 18,19 provam que Jesus não é Deus? (Os muçulmanos têm mencionado isso)

R: Não, mas é importante reconhecermos aqui que Jesus está relacionando o fato de o homem chamá-Lo de “bom” com a afirmação de que Jesus é Deus. Ou:

a) Jesus era Deus, e Ele estava perguntando ao homem por que este O chamava de “bom”, a menos que estivesse reconhecendo que Jesus era Deus, ou

b) Jesus estava negando que fosse Deus, conforme evidenciado pelo fato de que Jesus não era completamente bom.

Não pode ser das duas maneiras. O senhor concorda?

Então, qual das duas opções é a correta? Jesus era completamente bom (e Deus) ou não?

Então, o senhor concorda que Jesus estava imaculado pelo pecado?

Na Bíblia, 2 Coríntios 5:21, Hebreus 4:15 e 1 Pedro 1:18-19 afirmam que Jesus não tinha pecado.

Jesus chegou a perguntar em João 8:46a: “Quem de vocês pode provar que sou culpado de pecado?”

Jesus teve o cuidado de não usar a palavra “bom” levianamente, mas, ainda assim, chamou-se explicitamente de bom pastor em João 10:11.

Para os muçulmanos, o Alcorão afirma que Jesus era puro na Sura 3:45. Os hadiths muçulmanos afirmam que Jesus não foi tocado pelo pecado em Sahih Muslim, vol. 4, n.º 5837 (p. 1261), em Bukhari, vol. 4, livro 55, cap. 38, n.º 641, p. 426, e em Bukhari, vol. 4, livro 54, cap. 10, n.º 506, p. 324.

P: Em Mt 19,16-30; Mc 10,17-31; Lc 18,18-30, o que exatamente Jesus está dizendo ser impossível para o homem, mas que todas as coisas (incluindo essa) são possíveis com Deus?

R: Entrar no reino dos céus (a salvação) é ao mesmo tempo difícil e impossível sem Deus. Vejamos primeiro o caso específico do jovem rico e, em seguida, os casos em geral, para observarmos duas aplicações.

À primeira vista, o jovem rico parecia estar em boa situação, com seu conhecimento da Lei de Deus. No entanto, ele ficou aquém da justiça necessária para ir para o céu, pois demonstrou que, se tivesse de escolher entre suas riquezas e seguir a Jesus, não seria capaz de abrir mão delas.

A primeira aplicação é que, muitas vezes, é mais difícil para as pessoas ricas do que para outras serem justas o suficiente para chegar ao céu, pois lhes é muito difícil confiar em Deus se isso significar que terão de abrir mão de suas riquezas. Abraão era muito rico e foi para o céu; portanto, não são as riquezas em si que constituem o problema. É o amor ao dinheiro que é a raiz de todo tipo de mal.

No entanto, generalizando ainda mais, as pessoas que não são ricas também têm problemas. As pessoas podem confiar em suas próprias habilidades, ou desejar seus hábitos pecaminosos, amores menores e até mesmo ódios, de tal forma que, se Jesus as chamasse para abandonar tudo isso e segui-Lo, elas não o fariam.

Na verdade, uma segunda aplicação é que 100% de todas as pessoas que já viveram, com exceção de Jesus, ficam aquém da justiça necessária para irem para o céu. Mesmo que Deus perdoasse todos os nossos pecados passados e dissesse: “basta não pecarem a partir deste momento e irão para o céu”, mesmo assim, não conseguiríamos. Nossos corações não são perfeitos; temos uma natureza pecaminosa e precisamos ser purificados.

Portanto, devido ao estado de nossos corações, é impossível que as pessoas cheguem ao céu; e se essa fosse a conclusão da história, o céu estaria vazio de pessoas. No entanto, o que é impossível para as pessoas é possível para Deus. Embora nossos corações não sejam perfeitos, tenhamos pecado no passado e ainda venhamos a pecar no futuro, Deus, para quem tudo é possível, abriu um caminho para que o homem pecador chegue ao céu. Esse caminho é Jesus Cristo. É como o homem que procurou Jesus para que curasse seu filho, e Jesus perguntou se ele acreditava. O homem respondeu: “Eu creio; ajude a minha incredulidade!” Devemos ser sinceros e honestos com Deus, mas parte dessa honestidade consiste em confessar a Ele quando somos insinceros e hipócritas.

O jovem rico poderia ter dito: “Jesus, sinto muito, mas simplesmente não consigo abrir mão das minhas riquezas agora; sou escravo delas. Tenha piedade de mim, liberte-me da minha escravidão ao pecado e assuma o controle da minha vida, tal como ela é, para que eu possa segui-lo”. Mas, em vez disso, o homem rico se afastou. Corrie ten Boom foi uma cristã que sobreviveu ao campo de concentração nazista de Bergen-Belsen. Certa vez, após a guerra, quando ela falava sobre o amor de Deus, um homem se aproximou depois para apertar sua mão. Ela o reconheceu como um dos cruéis guardas do campo de concentração. Após a guerra, ele havia encontrado a Cristo, mas Corrie, apesar das palavras que acabara de dirigir a todos, não conseguiu apertar a mão dele. Ela orou em silêncio: “Jesus, não consigo perdoá-lo. Conceda-me o seu perdão.” Então, de forma incrível, sua mão se estendeu e ela conseguiu apertar a mão dele. (O Refúgio, p. 238)

Em nossa sociedade próspera, às vezes, como cristãos, podemos facilmente esquecer o importante conceito da grande dependência que temos de Deus. Se o senhor acha que pode realizar tudo o que precisa fazer sem Deus, então as metas que o senhor almeja são muito modestas. Uma vantagem das pessoas pobres — definidas como aquelas que não sabem como vão se alimentar daqui a dois dias — é que elas sabem que a verdadeira autossuficiência não passa de uma ilusão para elas. Na verdade, porém, a autossuficiência é uma ilusão para todos.

P: Em Mt 20,20, foi a mãe de Tiago e João que fez esse pedido a Jesus, ou foram Tiago e João que fizeram o pedido, como diz Marcos 10,35?

R: A mãe e os filhos foram todos até Jesus. Em Mateus 20,22, Jesus pergunta imediatamente se vocês (ou seja, dirigindo-se a Tiago e João) são capazes de beber o cálice que Jesus beberá. Eles (os filhos) disseram que eram capazes.

P: Em João 14,2, por que Jesus foi preparar um lugar para eles, uma vez que o céu já estava preparado para eles desde a fundação do mundo, conforme Mateus 25,34?

R: Deus está tanto no tempo quanto além do tempo. Antes mesmo do início dos tempos, Deus sabia quem iria para o céu, o que pressupõe que Deus sabia que prepararia um lugar para eles. A morte de Jesus foi necessária para abrir o céu a todos os que iriam para lá.

Como uma analogia simples: quando um casal adota uma criança, precisa preparar a casa para ela. A casa já está construída, mas o casal pode comprar um berço ou uma cama, além de alimentos e, talvez, enfeites para a celebração.

Além disso, 1 Coríntios 3,11-15 mostra que pessoas diferentes recebem recompensas diferentes no Céu.

P: Em Mt 20,29-34, Jesus curou dois cegos ao sair de Jericó, ou um cego ao sair de Jericó, como diz Mc 10,46-52?

R: Há duas possibilidades.

Dois acontecimentos: Jesus poderia ter curado o cego Bartimeu e também ter curado outros dois cegos, seja antes, seja depois de Bartimeu. Uma vez que Jesus curou pelo menos um cego, seria de fato curioso se os moradores da cidade soubessem disso e nem um único cego adicional tivesse se aproximado de Jesus em busca de cura. É provável que Jesus tenha curado ainda mais pessoas em Jericó do que os evangelistas registraram. O livro *When Critics Ask*, p. 353, afirma que, se Jesus curou um cego ao entrar em Jericó e alguém viu isso e contou aos outros, pode-se ter certeza de que haveria outros cegos esperando por Jesus quando Ele partisse de Jericó.

Um evento: Marcos 10,46-52 menciona apenas um dos cegos (Bartimeu). Talvez Marcos não estivesse ciente de que havia dois cegos. É claro que, se houvesse dois cegos, um dos quais se chamava Bartimeu, então afirmar que havia um cego seria correto, mas impreciso.

Veja também a próxima pergunta para obter mais informações sobre as duas cidades chamadas Jericó.

P: Em Mt 20,29-34 e Mc 10,34-52, Jesus curou os cegos ao sair de Jericó ou ao entrar nela, como diz Lc 18,35?

R: Provavelmente, tratou-se de um único evento que ocorreu enquanto Jesus viajava entre as duas cidades chamadas Jericó.

A antiga Jericó (Tell es-Sultan) fica a noroeste da Jericó moderna (er-Riha). Ela foi destruída por Josué, mas reconstruída, conforme 1 Reis 16:34. Na época de Jesus, moravam ali principalmente judeus.

A Jericó do Novo Testamento (em Tulul Abu el-’Alayiq) era principalmente uma cidade gentia construída em torno do palácio de inverno de Herodes, o Grande, que ali faleceu por volta de 4 a.C. O local fica a cerca de 3/4 a 1 milha (1,2 a 1,6 quilômetros) ao sul ou sudoeste da antiga Jericó. O palácio de inverno possuía duas piscinas, um grande banho romano e seis mikvás particulares, que eram locais de ablução ritual judaica. Um mapa mostrando o palácio e as piscinas da nova Jericó encontra-se no *New International Dictionary of the Bible*, pp. 511-512.

P: Nos Evangelhos, o que é uma “harmonia” para a Semana da Paixão, a última semana antes da Ressurreição?

R: É importante distinguir entre o que se diz estar em ordem e o que pode estar em ordem. Para esses 104 eventos, os números referem-se a eventos que devem seguir os números anteriores. Letras como a, b, c referem-se a eventos que poderiam ocorrer em qualquer ordem. As palavras em negrito indicam marcadores de tempo, ordem e localização. Se alguém acreditasse que os evangelhos estivessem todos em ordem cronológica nesta seção, não veria nenhum problema.

Semana Santa: Mt 21,1–27,66; Mc 11,14–15,47; Lc 19,29–23,56; Jo 12,11–19,42

P1. Em Betânia, seis dias antes da Páscoa, na véspera da entrada triunfal, Jesus participa de um banquete em sua honra na casa de Simão, o leproso, onde Maria servia. Lázaro também está reclinado ali. Jesus é ungido, pela segunda vez, por Maria com meio litro de nardo, no valor de um salário anual, de um vaso de alabastro. (Observe que esta é a cidade onde Lázaro morava, não a casa.) Judas Iscariotes e os discípulos reclamam. Jo 12,1-12a; Mt 26,6-13; Mc 14,3-9

P2. Jesus em Betfagé, no Monte das Oliveiras. Mt 21,1; Mc 11,1-6; Lc 19,29-34

P3. Jesus pede que tragam um jumentinho e a mãe. Mt 21,2-6; Mc 11,2-6; Lc 19,29-34

P4. Os discípulos retornam com a jumenta e o jumentinho. Mt 21,7a; Mc 11,7-10; Lc 19,35; Jo 12,14-15

P5. No Domingo de Ramos, a Entrada Triunfal. Mt 21,7b-11; Mc 11,7-11a; Lc 19,35-44; Jo 12,12b-19

P6a. Jesus prediz Sua morte, e o Pai fala do Céu. Jo 12,20-50

P6b. Jesus passa a noite em Betânia. Mc 11,11b

P6c. [Domingo ou segunda-feira, ou ambos] Jesus expulsa os cambistas do templo pela segunda vez. Mt 21,12-13; Lc 19,45-48

P6d1. No templo, Jesus cura cegos e coxos. Mt 21,14-16

P6d2. Jesus passa a noite em Betânia. Mt 21,17

P7. De manhã cedo no dia seguinte [segunda-feira ou terça-feira], ao retornar a Jerusalém, Jesus amaldiçoa uma figueira. Mc 11,12-14. Observe que esta é a segunda ida de Jesus ao templo.

P8. De manhã cedo [terça ou quarta-feira], Jesus amaldiçoa uma figueira pela segunda vez. Mt 21,18-19a

P9a. Imediatamente, a figueira murcha. Mt 21,19b-22

P9b. A figueira murcha. Mc 11,20-25

P10. Jesus entra no templo, discute sobre autoridade (Mt 21,23-32) e expulsa os cambistas pela terceira vez. Mc 11,15-18 (Observação: seria estranho se Jesus os expulsasse em um dia e os permitisse no dia seguinte.)

P11. À noite, eles deixam a cidade. Mc 11,19

P12. No templo, certo dia [terça ou quarta-feira], Jesus é questionado sobre Sua autoridade. Mc 11,27-33; Lc 20,1-8

P13. Parábola dos lavradores. Mt 21,33-46; Mc 12,1-12; Lc 20,9-19

P14. Jesus conta a parábola do banquete de casamento. Mt 22,1-14

P15a. Os fariseus e os herodianos perguntam sobre o pagamento de impostos a César. Mt 22,15-22; Mc 12,13-17; Lc 20,20-26

P15b. Os saduceus questionam Jesus sobre a ressurreição. Mt 22,23-33; Mc 12,23-27; Lc 20,27-39

P16. Após os saduceus, um fariseu pergunta qual é o maior mandamento. Mt 22,34-40; Mc 12,28-33

P17a. Ninguém mais fez perguntas a Jesus. Mt 22,46; Mc 12,34; Lc 20,40

P17b. Enquanto os fariseus estavam reunidos, Jesus faz uma pergunta sobre o Salmo 110,1. Mt 22,41-45; Mc 12,35-37; Lc 20,41-44

P18a. Jesus repreende os escribas e os fariseus. Mt 23; Mc 12,38-40; Lc 20,45-47

P18b. Jesus observa a oferta da viúva. Mc 12,41-44; Lc 21,1-4

P19. Ao sair do templo, Jesus profetiza sua ruína. Mt 24,1-2; Mc 13,1-2; Lc 21,5-6

P20. No Monte das Oliveiras, Jesus ensina sobre o fim dos tempos. Mt 24,3-44; Mc 13,3-37; Lc 21,7-36

P21. Todos os dias, no Templo, Jesus ensina e passa a noite no Monte das Oliveiras. Lc 21,37-38

P22. Três parábolas sobre o retorno do Mestre. Mt 24,45–25,30

P23a. O ensinamento sobre o julgamento das ovelhas e dos bodes diante do trono de Jesus. Mt 25,31-46

P23b. A dois dias da Páscoa, os sumos sacerdotes e os anciãos conspiram para prender Jesus. Mt 26,1-5; Mc 14,1-2; Lc 22,1-2

P24. Judas conversa secretamente com os sacerdotes para trair Jesus. Mt 26,14-16; Mc 14,10-11; Lc 22,2-6

P25. No primeiro dia da Festa dos Pães Ázimos, preparam a Última Ceia. Mt 26,17-19; Mc 14,12-16; Lc 22,7-13

P26. Jesus lava os pés dos seus discípulos. Jo 13,1-18

P27. Em um grande cenáculo (Mc 14,15), celebram a Ceia do Senhor. Mt 26,20-29; Mc 14,17-25; Lc 22,14-23; 1 Cor 11,23-26

P28. Jesus diz que Judas O trairá. Jo 13,18-28a

P29. O novo mandamento de Jesus: que se amem uns aos outros. Jo 13,31-35

P30. No meio da Última Ceia, Judas se retira. Jo 13,28b-30

P31. Seja durante a Última Ceia, seja logo em seguida, ocorre outra discussão sobre quem é o maior. Lc 22,24-30

P32a1. Após a saída de Judas, a caminho do Monte das Oliveiras, Jesus prediz que Pedro O negará três vezes. Mt 26,30-35; Mc 14,26-31; Lc 22,31-38; Jo 13,36-38

P32a2. No Jardim do Getsêmani, no Monte das Oliveiras. Mt 26,36-46; Mc 14,32-43a; Lc 22,39-46

P32b. Da Última Ceia ao Monte das Oliveiras, Jesus fala. Jo 14,1-16,33

P33. A oração de Jesus antes da prisão. Jo 17,1-26

P34. Depois que Jesus termina de orar, eles atravessam o Vale do Cedron e entram em um olival. Jo 18,1

P35. Prisão de Jesus. Mt 26,47-56; Mc 14,43b-52; Lc 22,47-53; Jo 18,2-11

P36. Eles se dirigem à casa de Anás, sogro de Caifás, o sumo sacerdote. Lc 22,54; Jo 18,12-13.

P37. Jesus foi levado à casa de Caifás. Jo 18,24. Mt 26,56-57 e Mc 14,51-53 omitem o que precede e mencionam apenas isso.

P38a1. No pátio do sumo sacerdote ou nas proximidades, Jesus é julgado pelo Sinédrio. Mt 26,57-68; Mc 14,53-65; Lc 22,66-71; Jo 18,12-14; Jo 18,19-23

P38b1. Como “esse discípulo” [João] era conhecido do sumo sacerdote, ele entrou no pátio. Em seguida, saiu novamente, falou com a moça/empregada/serva de plantão e fez com que Pedro entrasse pela porta. Jo 18,15-16

P38b2. Primeira acusação: No pátio, uma moça/empregada/serva do sumo sacerdote, que estava na porta, aproximou-se dele (Mt), passou por ele (Mc) e olhou para Pedro à luz da fogueira, e disse a Pedro que ele estava com Jesus. Pedro estava se aquecendo no pátio. Mt 26,69; Mc 14,66-67; Lc 22,54-56; Jo 18,17a

P38b3. Primeira negação: Pedro negou Jesus, dizendo: “Mulher, eu não o conheço” (Lc), “Não sei do que você está falando” (Mt) ou “Não sei nem compreendo do que você está falando” (Mc), diante de todos (Mt). Mt 26,70; Mc 14,68; Lc 22,57; Jo 18,17

P38b4. Segunda rodada de acusações: Então Pedro foi até o portão (Mt), e outra moça [allu] disse à multidão: “Este homem estava com Jesus de Nazaré” (Mt). Pedro foi acusado: “Você também é um deles”. (Lc) A criada (Mc), ao ver Pedro novamente, disse à multidão: “Este homem é um deles.” (Mc) Perguntaram a Pedro: “Você também não é um dos discípulos dele?” (Jo) Mt 26,71; Mc 14,69; Lc 22,58a; Jo 18,25a

P38b5. Segunda negação: Pedro, com um juramento, disse: “Não sou” (Jo), “Homem [anthrope], não sou.” (Lc) “Não conheço esse homem!” (Mt), e negou Jesus pela segunda vez. Mt 26,72; Mc 14,70a; Lc 22,58b; Jo 18,25b

P38b6a. Terceira rodada de acusações: Cerca de uma hora depois (Lc), os que estavam por ali [uma pequena multidão?] disseram que Pedro era um deles e mencionaram seu sotaque galileu. Mt 26,73; Mc 14,70b; Lc 22,59

P38b6b Um dos servos do sumo sacerdote, parente do homem cuja orelha Pedro havia cortado, confrontou Pedro, alegando que o havia visto no olival. Jo 18,26

P38b7. Terceira negação: Pedro praguejou, disse: “Homem, não sei do que você está falando” (Lc), “Não conheço esse homem!” (Mt) ou “Não conheço esse homem de quem vocês falam!” (Mc, Jo), e negou Jesus pela terceira vez. Imediatamente, enquanto ainda estavam na casa, o galo cantou. Jesus olhou para Pedro (Mt 26,74-75; Mc 14,71-72; Lc 22,60-62; Jo 18,27).

P38c. Judas se enforca. (A corda se rompeu antes ou depois de ele morrer.) O corpo cai e se parte ao meio. Os sumos sacerdotes compram o campo onde jaz o corpo de Judas. O campo era chamado de Akeldama. Mt 27,1-10; At 1,18-19

P38a2. Os soldados zombam, espancam e vendam os olhos de Jesus. Lc 22,63-65

P39. Ao raiar do dia, o conselho judaico perguntou a Jesus (ou perguntou-Lhe novamente): “Se o senhor é o Cristo, diga-nos.” E tomaram uma decisão. Mt 27,1; Mc 15,1; Lc 22,66-71

P40a. A essa altura, já era de madrugada, e Jesus, acompanhado pelos sacerdotes, saiu da casa de Caifás e foi para o julgamento perante o governador romano Pôncio Pilatos. Mt 27,2; Mc 15,1; Lc 23,1; Jo 18,28-38.

P40b. Na noite anterior ao julgamento perante Pilatos, sua esposa teve um sonho em que não queria ter nada a ver com a condenação de Jesus. Mt 27,19

P41. O julgamento de Jesus perante Pilatos. Mt 27,11-14; Mc 15,1-15; Lc 23,1-6; Jo 18,28-37

P42. Pilatos envia Jesus a Herodes. Lc 23,7-11a

P43a. Herodes devolve Jesus a Pilatos. Lc 23,11b-12

P44. Jesus é devolvido a Pilatos. Lc 23,13-16

P45. Pilatos declara-se inocente do seu sangue, apela à multidão e liberta Barrabás. Mt 27,15-26; Lc 23,17-25; Jo 18,38-40

P46. Os soldados romanos açoitam e zombam de Jesus, vestindo-lhe um manto púrpura e escarlate e colocando-lhe uma coroa de espinhos. Mt 27,27-31a; Mc 15,16-20a; Jo 19,1-3

P47. Pilatos volta a sair para se encontrar com os judeus. Jo 19,4-15

P48. Jesus é conduzido para ser crucificado. Mt 27,31b; Mc 15,20b; Lc 23,26a; Jo 19,16

P49. Jesus [a princípio] carregou sua própria cruz. Jo 19,17a

P50. Simão de Cirene [em seguida] é obrigado a carregar a cruz de Jesus. Mt 27,32; Mc 15,21; Lc 23,26b

P51. Jesus diz: “Filhas de Jerusalém, não chorem por mim, mas chorem por vocês mesmas e por seus filhos…” Lc 23,28-31

P52a. No Gólgota, na terceira hora [9h], Jesus é crucificado. Mt 27,33; Mc 15,22.25; Lc 23,33; Jo 19,16b-22

P52b. Escreveu a placa trilingue acima da cabeça de Jesus. Mt 27,37; Mc 15,26; Lc 23,38

P52c. Dois criminosos são crucificados ao lado de Jesus. Mt 27,38; Mc 15,27; Lc 23,32-33

P53a. Jesus diz: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.” Lc 23,34a

P53b. Alguns oferecem bebida a Jesus, mas Ele recusa. Mt 27,34; Mc 15,23

P53c. Sorteio das vestes. Mt 27,35-36; Mc 15,24; Lc 23,34b; Jo 19,23-24

P54a. Jesus disse: “Mulher, eis o seu filho… Eis a sua mãe”. Jo 19,25-27

P54b. Outros dizem: “Ele salvou outros; que salve a si mesmo…”. Mt 27,40-43; Mc 15,29-30; Lc 23,35a

P54c. Os sacerdotes também zombam de Jesus. Mc 15,31-32; Lc 23,35b

P54d. Os soldados zombam de Jesus na cruz. Lc 23,36-37

P54e.1 O ladrão à esquerda insulta Jesus. Mt 27,44; Lc 23,39

P54.e.2 O ladrão à direita defende Jesus. Lc 23,40-43a

P54.e.3 Jesus diz: “…hoje você estará comigo no Paraíso”. Lc 23,43b

P54.f. Jesus diz: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”. Mt 27,45-47; Mc 34-36

P54.g. Jesus diz: “Tenho sede”. Jo 19,28-29. Pela segunda vez, é-lhe oferecida bebida em uma esponja. Mt 27,48

P54.h Alguns esperam para ver se Elias vem. Mt 27,49

P54.i. Escuridão desde aproximadamente a sexta hora até a nona hora. Mc 15,33; Lc 23,44-45a

P55a. Jesus diz: “Está consumado”. Jo 19,30

P55b. Pouco antes de morrer, Jesus diz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. Lc 23,46a

P56a. Jesus morre. Mt 27,50; Mc 15,37; Lc 23,46b

P56b. Naquele momento, o véu do Templo se rasgou em dois. Mt 27,51a; Mc 15,38-39; Lc 23,45b (também Thallus, 52 d.C.)

P56c. Ocorreu um terremoto, os sepulcros se abriram e os mortos apareceram. Mt 27,51b-53.

P57a. Os soldados quebram as pernas dos ladrões, mas não as de Jesus. Jo 19,31-37

P57b. O centurião afirma que certamente este era um homem justo. Lc 23,47-49

P57c. O centurião diz: “Este era o/um Filho de Deus!” Mt 27,54; Mc 15,39

P57d. Muitas mulheres estavam assistindo. Mt 27,55-56

P58. Ao anoitecer, José de Arimatéia pede a Pilatos o corpo de Jesus. Mt 27,57-58; Jo 19,38

P59a. No túmulo de José de Arimatéia, José e Nicodemos sepultaram o corpo de Cristo, e uma pedra foi rolada sobre o túmulo. Mt 27,59-61; Mc 15,42-47; Lc 23,50-54; Jo 19,39-42

P59b. Antes do sábado, as mulheres compram especiarias. Lc 23,55-56

P59c. Pilatos concorda com a colocação de uma guarda de soldados no túmulo. Mt 27,62-65

P60. Selaram o túmulo e colocaram uma guarda. Mt 27,66

P: Nos Evangelhos, quais foram as principais suposições feitas para a harmonização da Semana da Paixão?

R: Se alguém utilizasse essas premissas, seria capaz de produzir uma harmonização muito semelhante da Semana da Paixão de Jesus.

a) Jesus saiu de Jerusalém por mais de uma noite.

b) Jesus expulsou os cambistas pelo menos duas vezes.

c) Jesus amaldiçoou a figueira no dia anterior ao seu murchamento e também no dia seguinte.

d) Tudo nos Evangelhos está em ordem cronológica no que diz respeito à Semana da Paixão, exceto Mateus 26:6-13; Marcos 14:3-9; Lucas 22:46; Lucas 22:54-62 e Lucas 23:38.

P: Em Mt 21,1-3; Mc 11,4-7; Lc 19,30 e Jo 12,13-15, Jesus montou um jumentinho ou um burro?

R: Não é essa a resposta: alguns se perguntaram se se tratava de um ou de dois animais, uma vez que a palavra grega kai pode significar “e” ou “até mesmo/ou seja”. A palavra hebraica em Zacarias 9:9 também significa “e” ou “ou”. Consulte Arndt em *Bible Difficulties and Seeming Contradictions*, p. 180, para mais informações sobre isso. No entanto, como mostra a próxima parte, havia realmente dois animais.

A resposta: Havia dois animais, pois, na entrada triunfal, Mateus 21:4-7 afirma que tanto a mãe quanto o jumentinho estavam presentes. O jumentinho devia ser bastante jovem, pois nunca havia sido montado antes. Aparentemente, não separaram a mãe do jumentinho, mas trouxeram a mãe junto também. Do ponto de vista natural, as pessoas fariam isso para acalmar o animal jovem. Se ele estivesse com a mãe, e a mãe não estivesse preocupada com o fato de o jumentinho estar sendo montado, então o jumentinho também não ficaria preocupado. Que maneira melhor de guiar um animal jovem e nervoso do que fazê-lo seguir sua mãe?

Fora da Bíblia, Justino Mártir (que escreveu por volta de 138-165 d.C.) também menciona ter levado a jumenta junto com o jumentinho em seu *Diálogo com Trifão, o Judeu*, cap. 53 (ANF, vol. 1, p. 222).

P: Em Mt 21,12-13, Mc 11,11-17 e Lc 19,37-46, Jesus expulsou os cambistas num domingo ou numa segunda-feira?

R: Mateus 21,12-13 e Lucas 19,37-46 não especificam se Jesus expulsou os cambistas no mesmo dia da entrada triunfal (domingo) ou no dia seguinte. No entanto, Marcos 11,11-17 indica que foi no dia seguinte.

P: Em Mt 21,12-13, Mc 11,12-19 e Lc 19,43-48, na purificação do Templo por Jesus, como é que Jesus pôde derrubar as mesas dos cambistas aqui, uma vez que já o havia feito no início de Seu ministério, em Jo 2,13-19?

R: Porque houve duas purificações do templo. Jesus fez isso duas vezes porque Seus sentimentos em relação a esse comércio no templo não mudaram. Imagine, no início do ministério, Jesus derrubando mesas, fazendo um chicote e expulsando os cambistas. Em seguida, imagine Jesus se deparando com a mesma situação no final de Seu ministério e dizendo “tudo bem” ou ignorando em silêncio o que Ele havia combatido ativamente antes. Não, no final de Seu ministério, Jesus teve uma reação semelhante à que teve diante essencialmente da mesma situação no início de Seu ministério.

Na verdade, não havia apenas uma, mas três coisas erradas com os cambistas no templo.

1. Eles não eram servos de Deus, mas estavam ganhando dinheiro dentro do Templo de Deus.

2. Embora as pessoas pudessem ter vindo com uma atitude de adoração, elas eram levadas a pensar em trocas comerciais e em outras preocupações financeiras relacionadas a “pagar para adorar a Deus”.

3. Além disso, eles estavam explorando o povo ao cobrar preços muito altos. Por exemplo, não permitiam que as pessoas usassem moeda comum para comprar esses animais. Elas tinham que trocar seu dinheiro por moedas especiais do templo, utilizadas para a compra dos animais.

P: Em Mt 21,12-19, Jesus amaldiçoou a figueira no dia seguinte à purificação do Templo, ou antes, como parece sugerir Mc 11,12-14,20-24?

R: Jesus amaldiçoou a figueira depois de expulsar os cambistas, como diz Mateus. Marcos não fornece tantos detalhes, mas mesmo ele diz: “No dia seguinte”, para mostrar que foi depois.

P: Em Mt 22,37 e Mc 12,29-30, obedecer ao maior mandamento leva à unidade das religiões do mundo, como afirmam alguns adeptos da Nova Era?

R: Não. Em primeiro lugar, trata-se de dois mandamentos, não de um. Em segundo lugar, o primeiro mandamento, amar a Deus com todo o seu ser, é maior do que o segundo mandamento, amar o próximo como a si mesmo. Ao contrário do que acreditam os adeptos da Nova Era, nem todas as religiões conduzem a Deus. No Juízo Final, Jesus dirá às pessoas que afirmaram segui-Lo, mas não o fizeram: “Nunca vos conheci; afastai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade!” Certamente o senhor não deseja que Jesus lhe diga: “Afaste-se de Mim”.

P: Em Mt 24-25 e Mc 13,5-30, quando essas coisas se cumprirão?

R: Elas se cumprirão ao longo de um período de tempo. Em Mt 24,2, o Templo foi destruído em 70 d.C. Outras partes aguardam a Segunda Vinda de Jesus. Os eventos do fim dos tempos são “iminentes”, o que significa que nada indica que ocorrerão em um futuro próximo, mas podem acontecer a qualquer momento.

P: Em Mt 24,6 e Mc 13,7; Justino, o Mártir, em *Diálogo com Trifão, o Judeu* 35,3, escreve que há uma frase atribuída a Jesus dizendo que “haverá motins e conflitos”, que não existe nos evangelhos, mas está escrita no texto siríaco da *Didaché* (6, 5) e nas Homilias de Clemente (2, 17 e 16, 21), bem como no Evangelho Copta de Tomé (16). E essas fontes são distintas e não têm relação entre si. Como podemos explicar isso?

R: Jesus disse que haveria guerras e rumores de guerras em Mateus 24,6; Marcos 13,7; guerras e revoluções em Lucas 21,9. A Didaché é um texto cristão primitivo que ou parafraseou isso, ou continha uma frase dita por Jesus que não consta nos quatro evangelhos (João 20,30-31; 21,25). As Homilias Clementinas são ebionitas, não cristãs. No entanto, os ebionitas liam os evangelhos e provavelmente também liam a Didaché, de modo que poderiam ter obtido essa informação a partir dela. O Evangelho gnóstico de Tomé não era conhecido antes de Hipólito escrever contra ele entre 222 e 235/236 d.C., e contém todo tipo de afirmações inventadas.

Portanto, em resumo, não atribuo qualquer peso às “falsificações” das Homilias Clementinas ou do Evangelho de Tomé. No entanto, João também nos diz que Jesus fez e disse coisas que não estão registradas nos quatro evangelhos. Talvez a Didaché e o Diálogo com Trifão, o judeu, contenham uma dessas coisas, ou então a Didaché estivesse apenas parafraseando o que também constava nos quatro evangelhos.

P: Em Mt 24,19 e Mc 13,17, por que será tão difícil para as mulheres grávidas e as que amamentam?

R: Poderia haver duas razões. Primeiro, uma fuga apressada em uma jornada difícil é especialmente árdua para mulheres grávidas e aquelas com bebês. Durante o inverno na Palestina, o clima é mais frio, mas não extremamente frio. No entanto, os rios transbordam e são difíceis de atravessar.

Em segundo lugar, pode ser terrível para as mães que forem apanhadas, devido à preocupação com o que aconteceria às crianças pequenas ou aos bebês ainda no útero.

P: Em Mt 24,24 e Mc 13,22, como é que até mesmo os eleitos podem ser enganados?

R: Os eleitos não são crentes. Em vez disso, os eleitos são todos aqueles que se tornarão crentes. É claro que, se um bebê morrer e for para o Céu, mesmo ele ou ela será um crente no Céu.

Esses versículos dizem que os eleitos podem ser enganados, mas não dizem que serão enganados permanentemente. Conheci pessoalmente alguém que eu acreditava ser um cristão genuíno, que depois se filiou à Igreja Mórmon e, logo em seguida, abandonou o mormonismo e retornou ao cristianismo.

P: Em Mt 24,28, Jesus estava se referindo a um “cadáver”, ou tratava-se apenas de um corpo, vivo ou morto, como diz o grego em Lc 17,37?

R: Não há evidência de que qualquer um dos escritores tenha citado exatamente tudo o que Jesus disse; eles frequentemente parafraseavam. Talvez Jesus não tenha usado nenhuma dessas palavras gregas, se, como é provável, ele tiver falado isso em aramaico.

P: Em Mt 24,29, Jesus virá imediatamente após a Grande Tribulação, ou haverá um “tempo dos gentios”, como indicam Lc 21,24.27?

R: Ambas as coisas. A Grande Tribulação encerra o tempo dos gentios.

P: Em Mt 24,30-31 e Mc 13,26-27, os eleitos são reunidos antes de Cristo retornar nas nuvens com grande glória, ou depois?

R: Embora o retorno de Cristo seja mencionado primeiro em ambas as passagens, nenhuma delas especifica a ordem.

P: Em Mt 24,34 e Mc 13,30, o que aconteceria antes que esta geração passasse?

R: Primeiro, o que não é a resposta; depois, a resposta.

O que não é a resposta: Jesus proferiu essas palavras por volta do ano 33 d.C. No pensamento hebraico, uma geração era considerada como tendo 40 anos. A crucificação, a ressurreição e a ascensão de Cristo ocorreriam muito em breve, e a destruição do Templo aconteceria no ano 70 d.C., o que se situava bem dentro do prazo de 40 anos. Os cristãos préteristas parciais defendem essa visão. No entanto, uma dificuldade reside no fato de que Jesus disse “todas essas coisas”, o que implica também nas profecias sobre a sua segunda vinda.

A resposta: Provavelmente tratou-se de um erro de transcrição, uma vez que as palavras gregas para “raça” e “geração” diferem por apenas uma consoante. Jesus estava dizendo que a raça judaica não pereceria até a Segunda Vinda de Cristo.

P: Em Mt 24,42 e Mc 13,35-37, quando os cristãos devem começar a vigiar pelos sinais do retorno de Cristo?

R: Jesus ordenou que vigiassem imediatamente. Assim, a igreja deveria estar vigilante há 2.000 anos. Esse conceito, chamado de “retorno iminente de Cristo” — de que devemos estar sempre vigilantes, pois não sabemos o dia nem a hora —, foi-nos dado por Deus para que sejamos diligentes em relação à palavra do Senhor.

P: Por que Mt 26,6-13; Mc 14,1-11 e Jo 12,1-11 diferem significativamente de Lc 7,36-50 no que diz respeito à unção de Jesus com óleo?

R: Lucas 7:36-50 relata um evento diferente. Especificamente, Lucas relata a unção dos pés de Jesus por uma mulher pecadora na casa de um fariseu, logo após os discípulos de João Batista terem perguntado quando Jesus revelaria que era o Messias. As outras três passagens relatam a unção feita por Maria Madalena na casa de um leproso curado, com Lázaro presente, pouco antes da Páscoa.

Entre os primeiros a responder a essa pergunta estava Agostinho de Hipona (354-430 d.C.) em sua obra *Harmonia dos Evangelhos*, livro 2, cap. 79:154 (NPNF1, vol. 6, p. 173-164).

P: Quem era exatamente aquela mulher que derramou o perfume sobre Jesus? Pois Mateus diz (Mt 26,7-): “Aproximou-se dele uma mulher com um frasco de alabastro contendo um perfume muito precioso e o derramou sobre a cabeça dele, enquanto ele estava à mesa”, enquanto Lucas (Lc 7,37) diz: “E eis que uma mulher da cidade, que era pecadora, ao saber que Jesus estava à mesa na casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume”, e João diz: “(Era aquela Maria que ungiu o Senhor com perfume e enxugou-lhe os pés com os cabelos, cujo irmão Lázaro estava doente.)” (Jo 11,2), “Então Maria tomou uma libra de perfume de nardo puro, muito caro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os cabelos” (Jo 12,3).

R: Todos esses relatos se referem a uma Maria; Maria, irmã de Marta, provavelmente é a mesma que Maria Madalena, embora isso não seja certo.

P: Por que Mateus 26:6-13 diz que a cabeça de Jesus foi ungida, enquanto João 12:1-11 diz que foram os pés?

R: Maria Madalena ungiu primeiro um e depois o outro.

P: Em Mc 14,1, Maria ungiu Jesus dois dias antes da Páscoa, ou seis dias antes, como diz Jo 12,1?

R: Ambos. Esse único evento ocorreu evidentemente no 8º dia de Nisã, que é dois dias antes do início da celebração da Páscoa, com duração de quatro dias, que terminava com a ceia pascal, conforme mostra Êxodo 12,1-11.

P: Ao narrar o episódio da Última Ceia em Lucas, e também em 1 Coríntios 11,24, de Paulo, Jesus diz: “Fazei isto em memória de mim”. Mas essa mesma frase não aparece em Marcos (Mc 14,22) nem em Mateus (Mt 26,26); eles dizem apenas: “Tomai, comei: isto é o meu corpo”. Por quê?

R: Os evangelistas não registraram todos os detalhes; nem eram obrigados a fazê-lo.

P: Por que encontramos quatro relatos diferentes sobre a Ceia do Senhor nos evangelhos? Seria devido à influência das reflexões da igreja e da vida litúrgica?

R: Não. A Última Ceia foi uma parte fundamental da vida de Jesus e de seu ministério aos discípulos. Seria bastante surpreendente se nenhum dos quatro evangelistas a tivesse mencionado. Não tenho certeza do que as reflexões da Igreja teriam a ver com tudo isso. A vida litúrgica da Igreja — também conhecida como liturgias oficiais, ordens monásticas etc. — só surgiu séculos depois dos evangelhos e dos manuscritos que deles nos restam.

Quando surgiram os monges e os eremitas?

Embora Filo, o judeu, afirme que havia eremitas pagãos no Egito em sua época (antes de 50 d.C.), os primeiros eremitas cristãos foram Paulo, o Eremita, e outros que se refugiaram no deserto durante a perseguição de Deciano, em 250-251 d.C. Antônio foi um famoso eremita que viveu de 270 a 356 d.C. Posteriormente, os ensinamentos de Atanásio, Hilário, Ambrósio de Milão, João Cassiano e outros contribuíram para a difusão dos mosteiros (para homens) e das abadias (para mulheres).

Quando foram copiados os mais antigos manuscritos do Evangelho que ainda existem?

O p52 é um fragmento de João 18,31-33 de um lado e de João 18,37f-38 do outro. Foi escrito antes de aproximadamente 138 d.C.

A p. 66 (c. 125-175 d.C.) contém 92% do Evangelho de João

A p. 75 (175-225 d.C.) contém 1.166 versículos de Lucas e João

A p. 45 (200-225 d.C.) contém 833 versículos dos quatro evangelhos, além de Atos.

Além dos manuscritos bíblicos, os próprios escritos cristãos primitivos citavam 87% dos versículos dos evangelhos antes de 325 d.C.

Quais cristãos primitivos escreveram sobre a Ceia do Senhor antes de 250 d.C.?

Antes da perseguição de Décio, os seguintes cristãos primitivos escreveram sobre a Ceia do Senhor.

Inácio de Antioquia (-107/116 d.C.) “Cuidem, pois, de ter apenas uma Eucaristia. Pois há uma única carne de nosso Senhor Jesus Cristo e um único cálice para [manifestar] a unidade do Seu sangue; um único altar; assim como há um único bispo, juntamente com o presbitério e os diáconos, meus companheiros de serviço; para que, seja o que for que façam, o façam de acordo com [a vontade de] Deus.” Carta de Inácio aos Filadelfianos [grego], cap. 4, p. 81

A Didaché (= Ensinamento dos Doze Apóstolos) (c. 60-120 d.C.), vol. 7, caps. 9-10, p. 379-380, discute a celebração da Ceia do Senhor. No entanto, ela é chamada de “Ação de Graças” em dois trechos, mas nunca é referida como Eucaristia.

Justino Mártir (c. 150 d.C.) explica como participavam da Ceia do Senhor na Primeira Apologia de Justino Mártir, cap. 65, p. 185.

Irineu de Lyon (182-188 d.C.), no fragmento 37, p. 574, afirma: “…para que Ele possa apresentar este sacrifício, sendo o pão o corpo de Cristo e o cálice o sangue de Cristo, a fim de que aqueles que recebem esses antítipos [antitopon] obtenham a remissão dos pecados e a vida eterna.”

Clemente de Alexandria (193-202 d.C.) descreve como Jesus celebrou a Última Ceia. *Stromata*, livro 1, cap. 10, p. 310. (e em outros trechos)

Tertuliano (198-220 d.C.): “Ela [a Igreja] sela isso com a água (ou batismo), reveste com o Espírito Santo, alimenta com a Eucaristia, anima com o martírio e, contra tal disciplina assim (mantida), não admite nenhum contestador.” Prescrição contra os hereges, cap. 36, p. 261 (e em outros trechos)

Hipólito de Portus (222-235/236 d.C.) menciona o alimento sacramental em Comentário sobre Gênesis 49:12-15, p. 168.

Orígenes (225-253/254 d.C.) afirma que o pão da Eucaristia é um símbolo de gratidão a Deus. Orígenes, Contra Celso, livro 8, cap. 58, p. 661

P: Em Mt 26,17; Mc 14,12; Lc 22,1 e Jo 13,1-2, a Última Ceia ocorreu na noite de sexta-feira ou na noite de quinta-feira?

R: Foi na noite de quinta-feira.

Havia uma celebração de uma semana inteira dos Pães Ázimos (Números 28:17; Deuteronômio 16:3)

A Páscoa judaica ocorreu na noite de sexta-feira, após o pôr do sol. Foi no décimo quarto dia do primeiro mês, de acordo com Êxodo 12:1, 6-8; Levítico 23:5; Números 9:5; 28:16. Isso significa do pôr do sol da noite de sexta-feira até o pôr do sol da noite de sábado.

Os judeus (e os discípulos também) se prepararam para a Páscoa e sacrificaram o cordeiro pascal no primeiro dia dos Pães Ázimos, que foi uma quinta-feira (Mateus 26:17; Marcos 14:12; Lucas 22:7).

Como Jesus foi crucificado na sexta-feira, durante o dia, essa é a razão pela qual os judeus queriam que Seu corpo fosse retirado da cruz antes do início do sábado.

João 19:14 diz a respeito da crucificação: “Era o dia da preparação (paraskeue) para a Páscoa”. O dia da preparação para a Páscoa vai do pôr do sol da quinta-feira à noite até o pôr do sol da sexta-feira à noite, ou seja, inclui a maior parte da sexta-feira. Como observação adicional, a palavra grega moderna para sexta-feira é paraskeue. Tertuliano (198-220 d.C.), em *De Corona*, cap. 3, p. 94, discutiu como os primeiros cristãos celebravam a Ceia do Senhor.

Consulte *When Critics Ask*, pp. 343-344, 375; *Hard Sayings of the Bible*, pp. 448-449; e *Encyclopedia of Bible Difficulties*, pp. 375-376, para obter mais informações sobre por que Jesus foi crucificado numa sexta-feira.

Quanto à refeição da Páscoa ter ocorrido um dia antes do habitual, na noite de quinta-feira, consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 448-449

P: Os quatro evangelhos concordam que a Última Ceia ocorreu na noite de quinta-feira e que a crucificação de Jesus aconteceu na sexta-feira. No entanto, eles não concordam se a Última Ceia foi uma Ceia da Páscoa. O que o senhor acha? Foi uma Ceia da Páscoa ou uma ceia comum?

R: Dada a natureza da discussão, não se tratava de uma ceia comum. Era a Páscoa, celebrada um dia antes. Primeiro, alguns antecedentes; depois, a razão.

Havia uma celebração de uma semana inteira dos Pães Ázimos (Números 28:17; Deuteronômio 16:3)

A Páscoa judaica ocorria na noite de sexta-feira, após o pôr do sol. Era celebrada no décimo quarto dia do primeiro mês, conforme Êxodo 12:1, 6-8; Levítico 23:5; Números 9:5; 28:16. Isso significa que se estendia do pôr do sol da noite de sexta-feira até o pôr do sol da noite de sábado. Alguns, como os essênios, porém, a celebravam na noite de quinta-feira. Jesus desejava muito celebrar a Páscoa com Seus discípulos antes de Seu sofrimento (Lucas 22:15). Eles não a celebraram no horário habitual porque Jesus estaria ocupado com outras tarefas.

P: Nos Evangelhos, Jesus foi crucificado na quinta-feira, na sexta-feira ou no sábado?

R: As especulações das pessoas variam de quarta a sábado. Em resumo, quarta-feira e sábado não se encaixariam. Sexta-feira se encaixa com o restante da cronologia, mas quinta-feira também se encaixaria. No entanto, os primeiros cristãos afirmam que foi na sexta-feira, com exceção de Orígenes, que disse que foi nessa data ou no dia anterior.

Justino Mártir (151-155 d.C.): Jesus foi crucificado na véspera do sábado [sexta-feira] e ressuscitou no dia seguinte ao sábado [domingo]. Primeira Apologia de Justino Mártir, cap. 67, p. 186

Victorino de Petau (martirizado em 304 d.C.) “No sexto dia [ou seja, sexta-feira], … Nesse dia também, em virtude da paixão do Senhor Jesus Cristo, realizamos uma adoração a Deus ou um jejum. No sétimo dia…” Sobre a Criação do Mundo, p. 341

Pedro de Alexandria (306, 285–311 d.C.) discute o quarto dia e o fato de que Jesus sofreu no sexto dia [sexta-feira] por nós. Em seguida, ele diz: “Mas o dia do Senhor celebramos como um dia de alegria, pois nele Ele ressuscitou; nesse dia, adotamos como costume nem mesmo dobrar os joelhos.” A Epístola Canônica, Cânon 15, p. 278

Orígenes (225-254 d.C.): “Aquele de quem falaram os profetas, mas também às outras nações pagãs, que Aquele que foi crucificado ontem ou anteontem sofreu essa morte voluntariamente em nome da raça humana”, Orígenes, Contra Celso, livro 1, cap. 31, p. 409.

No entanto, dos cerca de 80 escritores posteriores à Bíblia e anteriores ao Concílio de Nicéia, três escritores com uma mesma visão não constituem um número muito significativo. Consulte a pergunta anterior para a discussão.

P: Em Mt 12,40, Jesus permaneceu no túmulo três dias e três noites, ou ressuscitou no terceiro dia, conforme Mc 8,31, ou ao longo de três dias, conforme Mc 14,58, ou em três dias, conforme Jo 2,19, ou o “terceiro dia” se refere a hoje, conforme Lc 24,21?

R: “Após três dias” era uma expressão idiomática hebraica conhecida na Bíblia, significando parte ou a totalidade de três dias.

O dia e a noite são contados mesmo que seja apenas uma parte. O rabino Eleazar ben Azariah (século I d.C. ou c. 100 d.C.) afirma: “Um dia e uma noite constituem uma onah [uma porção de tempo], e a parte de uma onah equivale ao todo” (Mishná, Talmude de Jerusalém: Shabbath, Capítulo IX, parágrafo 3; Talmude da Babilônia: Pesahim 4a)

Parte de um dia conta como um dia inteiro. Além da citação anterior, o rabino Simeão ben Gamaliel também discutiu isso com outros. “E quanto tempo dura uma ‘onah’ completa? — explicou o rabino Simeão ben Gamaliel: Uma noite e meio dia. Mas será que exigimos que uma ‘onah’ tenha essa duração? Não seria [tal exigência] um tanto incongruente com o seguinte: se os lagares de vinho ou de azeite de uma pessoa estivessem impuros e ela desejasse preparar seu vinho e seu azeite, respectivamente, em condições de pureza, como deveria proceder? Ela enxágua as tábuas, os galhos e as calhas;” Talmude Babilônico, Tratado Niddah, fólio 65a

Alguns tentaram argumentar que uma ‘onah se referia apenas aos dias de impureza da mulher, mas a citação anterior mostra que uma ‘onah é um período de tempo geral.

Hoje em dia, às vezes utilizamos o conceito de tempo inclusivo. http://www.apologeticspress.org/apcontent.aspx?category=6&article=756 menciona que, mesmo atualmente, se alguém se hospedar em um hotel à noite e não sair até o horário de check-out, será cobrado por dois dias inteiros.

Um exemplo bíblico é a aplicação de Levítico 12:2-3. Lá está escrito que os meninos judeus deveriam ser circuncidados no oitavo dia. Portanto, se um menino judeu nascesse na segunda-feira, quando ele deveria ser circuncidado? Ele deveria ser circuncidado na segunda-feira da semana seguinte. E se ele tivesse nascido na segunda-feira às 23h59? Ele ainda assim seria circuncidado na segunda-feira da semana seguinte. Isso é a contagem de tempo inclusiva.

Aqui estão outros nove exemplos de contagem de tempo inclusiva da Bíblia.

1. Em Gênesis 42:17, José prendeu seus irmãos por três dias. Mas, no versículo 18, ele libertou dez deles no terceiro dia.

2. Roboão, em 2 Crônicas 10:5, disse ao povo: “Voltem para mim em três dias”. No entanto, em 2 Crônicas 10:12, o povo retornou “Voltem para mim no terceiro dia”.

3. Em 1 Samuel 30:12, um escravo egípcio doente disse a Davi que não havia comido nada nem bebido água por três dias e três noites. No entanto, uma pessoa não conseguiria sobreviver ao ar livre no deserto sem nenhuma água por 72 horas. Sem dúvida, o escravo se referia a parte desses três dias.

4. Em Ester 4:16, Ester pede que jejuem por ela “por três dias, de dia e de noite”, e que ela faria o mesmo. No entanto, Ester 5:1 diz que “no terceiro dia” Ester ofereceu um banquete; portanto, trata-se de um período equivalente.

5. Mateus 27:62b-63a: “dizendo: ‘Senhor, lembramo-nos de que aquele enganador disse, enquanto vivia: “Depois de três dias, ressuscitarei”. Portanto, ordene que o túmulo seja guardado até o terceiro dia’”,

6. Ao se referir à morte e ressurreição de Cristo, o próprio Jesus disse em Mateus 12:40: “três dias e três noites”; Marcos 8:31 diz: “ao terceiro dia ele ressuscitará”; Marcos 14:58 diz: “por três dias”; João 2:19 diz: “em três dias”; e Lucas 24:21 diz: “Este terceiro dia chega hoje”.

7. Portanto, “três dias e três noites” em Mt 12,40 (e, presumivelmente, em Jonas 1,17) equivale a “no terceiro dia” em Mateus 16,21; 17,23; 20,19 e Lc 13,32. É equivalente a “Será que é o terceiro dia?” em Lucas 24,21.

8. Mas não há nada de especial aqui em relação ao número três. As expressões “sete dias” e “no sétimo dia” também são intercambiáveis. 1 Reis 20:29a diz: “Por sete dias os exércitos acamparam um de frente para o outro, e no sétimo dia a batalha teve início.”

9. A expressão “quatro dias” em Atos 10,30 significa “partes de quatro dias” em Atos 10,3, 9, 23 e 24.

P: Em Lc 22,3-4.7, Satanás entrou em Judas quando ele foi até os sumos sacerdotes para trair Jesus, ou foi durante a Última Ceia, quando Jesus lhe deu o pão, conforme Jo 13,27?

R: Ambas as coisas ocorreram. Satanás possuiu Judas quando este decidiu agir para conversar com os sumos sacerdotes sobre a traição a Jesus, e Satanás possuiu Judas novamente quando ele voltou aos sumos sacerdotes para lhes dizer onde Jesus estaria.

P: Em Mt 26,34; Mc 14,30-71 e Lc 22,34, quantas vezes Pedro negou a Cristo e quantas vezes o galo cantou?

R: Mateus 26:34, Lucas 22:34 e João 13:38 dizem que, antes que o galo cantasse (um número indeterminado de vezes), Pedro negaria Jesus três vezes. Marcos 14:30 diz que, antes que o galo cantasse duas vezes, Pedro negaria Jesus três vezes.

1. A primeira negação está em Mateus 26:70, Marcos 14:68 e Lucas 22:57.

2. A segunda negação está em Mateus 26:72, Marcos 14:70 e Lucas 22:58

3. A terceira negação está em Mateus 26:74, Marcos 14:71 e Lucas 22:60.

O galo cantou pela segunda vez em Mateus 26:75, Marcos 14:72 e Lucas 22:60. As Escrituras não especificam se o galo cantou ambas as vezes após a terceira negação de Pedro, ou se cantou uma vez antes e, pela segunda vez, após a terceira negação de Pedro. De qualquer forma, isso não importa realmente.

P: Em Mt 26,40, 42, 44 e Mc 14,27, 40, 41, por que os discípulos estavam dormindo, já que Jesus lhes pediu especificamente que não dormissem, mas que ficassem acordados e orassem por Ele?

R: Eles não deveriam estar dormindo. Os discípulos provavelmente estavam muito cansados após o estresse de estarem em um local onde sabiam que os líderes queriam prender Jesus. Provavelmente pensaram que o Jardim fosse um lugar seguro e, naquele ambiente tranquilo, acabaram se cansando.

Jesus nem sequer recebeu o apoio de suas preocupações e orações, apenas seus roncos.

P: Em Mt 26,69-75; Mc 14,66-72; Lc 22,54-62; Jo 18,15-18,25-27, como conciliar esses quatro relatos, especialmente a segunda negação?

R: Não há problema se o senhor lembrar que as multidões geralmente não ficam em silêncio. Primeiro, vamos examinar a sequência dos eventos; depois, vamos eliminar o que não é a resposta; e, por fim, daremos a resposta.

Sequência de eventos:

1. Como “esse discípulo” [João] era conhecido do sumo sacerdote, ele entrou no pátio. Em seguida, saiu novamente, falou com a moça/empregada/serva de plantão e conduziu Pedro para dentro pela porta. Jo 18,15-16

2. Primeira acusação: No pátio, uma moça/empregada/serva do sumo sacerdote, que estava na porta, aproximou-se dele (Mt), passou por ele (Mc), olhou para Pedro à luz da fogueira e disse a Pedro que ele estava com Jesus. Pedro estava se aquecendo no pátio. Mt 26,69; Mc 14,66-67; Lc 22,54-56; Jo 18,17a

3. Primeira negação: Pedro negou Jesus, dizendo: “Mulher, eu não o conheço” (Lc), “Não sei do que você está falando” (Mt) ou “Não sei nem compreendo do que você está falando” (Mc), diante de todos (Mt). Mt 26,70; Mc 14,68; Lc 22,57; Jo 18,17

4. Segunda rodada de acusações: Então Pedro foi até o portão (Mt), e outra moça [allu] disse à multidão: “Este homem estava com Jesus de Nazaré” (Mt). Pedro foi acusado: “Você também é um deles”. (Lc) A serva (Mc), ao ver Pedro novamente, disse à multidão: “Este homem é um deles.” (Mc) Perguntaram a Pedro: “Você também não é um dos discípulos dele?” (Jo) Mt 26,71; Mc 14,69; Lc 22,58a; Jo 18,25a

5. Segunda negação: Pedro, com um juramento, disse: “Não sou” (Jo), “Homem [anthrope], não sou.” (Lc) “Não conheço esse homem!” (Mt), e negou Jesus pela segunda vez. Mt 26,72; Mc 14,70a; Lc 22,58b; Jo 18,25b

6a. Terceira rodada de acusações: Cerca de uma hora depois (Lc), os que estavam por ali [uma pequena multidão?] disseram que Pedro era um deles e mencionaram seu sotaque galileu. Mt 26,73; Mc 14,70b; Lc 22,59

6b Seja antes ou depois de 6a, um dos servos do sumo sacerdote, parente do homem cuja orelha Pedro havia cortado, confrontou Pedro, alegando que o havia visto no olival. Jo 18,26

7. Terceira negação: Pedro praguejou, disse: “Homem, não sei do que você está falando” (Lc), “Não conheço esse homem!” (Mt) ou “Não conheço esse homem de quem vocês falam!” (Mc, Jo), e negou Jesus pela terceira vez. Imediatamente, enquanto ainda estavam na casa, o galo cantou. Jesus olhou para Pedro (Mt 26,74-75; Mc 14,71-72; Lc 22,60-62; Jo 18,27).

O que não é a resposta:

A ordem diferente não é a resposta, pois os relatos evangélicos utilizam expressões como “mais tarde”, “depois” e “cerca de uma hora depois”.

Mais de três negações são remotamente possíveis, como alguém sugeriu, mas não há razão convincente para que Jesus tenha dito que Pedro negaria três vezes e que, na verdade, foram mais de três vezes.

A resposta: (As multidões não ficam em silêncio)

Após a primeira negação de Pedro, pouco depois, uma segunda moça falou à multidão sobre Pedro. O pátio ficava dentro de uma casa e provavelmente não era tão grande assim. O senhor esperaria que a primeira moça permanecesse em silêncio? – quase certamente não. Ela repetiria o que havia dito a Pedro. O senhor esperaria que a multidão permanecesse em silêncio diante dessa acusação grave? – muito improvável. Um homem não acusou Pedro, mas perguntou-lhe se ele estava com Jesus. É por isso que, embora as mulheres tenham acusado Pedro, ele respondeu ao homem.

Da mesma forma, na terceira negação, o senhor esperaria que alguém se dirigisse à multidão e que ninguém na multidão dissesse nada? Além dessas duas coisas ditas, provavelmente houve outras coisas ditas também.

P: Em Mc 14,1, como a mulher (Maria Madalena) ungiu Jesus dois dias antes da festa da Páscoa, uma vez que isso aconteceu seis dias antes da ceia pascal?

R: As palavras “a festa da” na Tradução King James não constam no grego original, nem em traduções mais modernas.

P: Em Mc 15,25, Jesus foi crucificado na terceira hora, ou seu julgamento ocorreu na sexta hora, como diz Jo 19,14?

R: Primeiro, um fato que não faz parte da resposta; em seguida, a resposta.

Fato que não faz parte da resposta: como Eusébio e outros apontaram, a forma grega de escrever três e seis diferia em apenas um traço, portanto, pode ter sido um erro do escriba. Isso não é a resposta, pois a parte seguinte mostra por que os dois horários devem ser diferentes.

A resposta:

Marcos utilizou o dia judaico, que começava às 6h da manhã; portanto, Jesus foi crucificado por volta das 9h da manhã. João, escrevendo principalmente para leitores gentios, utilizou o dia romano (em João 1:39; 4:6; 19:14), que começava à meia-noite; assim, o julgamento teve início por volta das 6h da manhã.

Como nota histórica, os romanos e os gregos iniciavam o dia à meia-noite. O famoso astrônomo Cláudio Ptolomeu (século II d.C.) iniciava cada meio dia à meia-noite e ao meio-dia, e aparentemente foi assim que surgiram as designações A.M. e P.M., de acordo com o livro *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 2, p. 619.

P: O cético Bart Ehrman afirma que Jesus era apocalíptico (com foco no fim dos tempos) no Evangelho de Marcos, mas não no de João (Jesus, Interrupted, p. 81)

R: Jesus era apocalíptico (falava do fim dos tempos) em três evangelhos: Mateus 24-25, Marcos 13 e Lucas 17:20-37. É geralmente reconhecido que o Evangelho de João foi escrito posteriormente aos outros evangelhos. João tem aproximadamente o mesmo tamanho dos outros evangelhos. Ele fornece muitos detalhes sobre os discursos que não constam nos outros evangelhos, mas aparentemente não viu necessidade de repetir o que os outros evangelhos já haviam explicado com bastante clareza. É claro que o livro com mais material apocalíptico na Bíblia não é um evangelho, mas o livro do Apocalipse, escrito por João.

P: Em Mt 26,14-16; Mc 14,43-45; Lc 22,1-6; e Jo 18,2, Ehrman considera que o fato de Judas ter informado aos judeus onde Jesus se encontrava não foi muito significativo; em vez disso, Judas disse aos judeus que Jesus se considerava rei dos judeus, e que eles poderiam usar isso para fazer com que os romanos o executassem. Ele admite que essa “é uma interpretação mais incomum”. [e quanto à entrada triunfal?] (Jesus, Interrupted, p. 170-171)

R: Ele é a única pessoa de quem já ouvi falar que tem essa interpretação inovadora. Ehrman afirma que os líderes judeus poderiam ter seguido Jesus e o capturado, mas não tinham uma acusação suficientemente forte para que os romanos o condenassem. Portanto, Ehrman está basicamente dizendo que era importante para os líderes judeus: a) provar que Ele afirmava ser um rei, e b) ser capazes de capturar Jesus quando as multidões não pudessem protegê-lo. E como a alegação de Judas de que Jesus havia dito isso por si só seria um testemunho credível?

E quanto aos ramos de palmeira e à entrada triunfal? Isso já lhes daria motivo para uma acusação que pudessem formular. Quanto a seguir Jesus quando ele desaparecia todas as noites entre seus seguidores, eles precisariam de um espião, alguém que se misturasse aos seguidores e lhes relatasse o que acontecia. Os líderes judeus tinham um espião: Judas.

P: Em Mt 26,26-29 e Mc 14,22-23, o próprio Jesus realmente comeu o pão e bebeu do cálice na Última Ceia?

R: Sim, Jesus comeu com eles, conforme Lucas 22:15-16. Seria muito estranho para os discípulos que eles estivessem fazendo uma refeição completa enquanto Jesus não comia nada.

P: Em Mt 26,26-29; Mc 14,17-26; Lc 22,15-38; Jo 13,3-29 e 1 Cor 11,24-25, o que exatamente Jesus disse durante a Última Ceia?

R: Nenhum relato afirma ser uma descrição literal.

Eis o que podemos observar.

Antes da Ceia

Jesus lavou os pés dos seus discípulos e falou sobre o serviço (João 13:3-20).

Primeira declaração

“Desejei ardentemente comer esta Páscoa com vocês antes do meu sofrimento. Pois lhes digo que não a comerei novamente até que se cumpra no reino de Deus.” (Lucas 22:15-16) Isso também pode ter sido dito logo antes ou depois da quinta declaração.

Segunda declaração

“Em verdade vos digo que um de vós Me trairá.” (Mateus 26:21)

“Em verdade vos digo que um de vós, que está comendo comigo, vai me trair.” (Marcos 14:18b)

“Em verdade, em verdade vos digo: um de vós Me trairá.” (João 13:21b)

Terceira declaração

“Aquele que mergulhou a mão no prato comigo vai me trair…” (Mateus 26:23-24)

“É um dos Doze — aquele que está mergulhando a mão no prato comigo. O Filho do Homem irá, assim como está escrito a respeito dele, mas ai daquele homem por quem ele for traído! Seria melhor para ele se não tivesse nascido.” (Marcos 14:20b-21)

Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der este pedaço de pão depois de o ter molhado.” (João 13:26a)

Quarta declaração

“O próprio senhor o disse.” (Mateus 26:25)

Quinta declaração

“O que você está prestes a fazer, faça depressa.” (João 13:27f)

Sexta declaração

“Tomem isto e dividam entre vocês. Pois eu lhes digo que, a partir de agora, não beberei mais do fruto da videira até que venha o reino de Deus.” (Lucas 22:17b-18)

Sétima declaração

“Tomai e comei; isto é o meu corpo.” (Mateus 26:26)

“Tomem; este é o meu corpo” (Marcos 14:22).

“Este é o meu corpo, entregue por vós; fazei isto em memória de mim.” (Lucas 22:19b)

“Este é o meu corpo, que é para vocês; façam isto em memória de mim.” (1 Coríntios 11:24)

Uma oração

Agradeceu pelo cálice (Mateus 26:27)

Oitava declaração

“Bebam todos dele. Este é o meu sangue da aliança, que é derramado por muitos para o perdão dos pecados. Eu lhes digo que, de agora em diante, não beberei mais deste fruto da videira até aquele dia em que o beberei de novo com vocês no reino do meu Pai.” (Mateus 26:27b-29)

“Este é o meu sangue da aliança, que é derramado por muitos. Em verdade vos digo: não beberei mais do fruto da vide até aquele dia em que o beberei de novo no reino de Deus.” (Marcos 14:24b-25)

“Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vocês. Vejam! A mão daquele que me trai está com a minha sobre a mesa. De fato, o Filho do Homem irá como está determinado, mas ai daquele homem que o trair.” (Lucas 22:20b-22)

“Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, sempre que o beberdes, em memória de mim.” (1 Coríntios 11:25b)

Discussão sobre quem era o maior (Lucas 22:25-31)

A profecia de que o galo cantará quando Pedro o negar três vezes (Lucas 22:34)

Discussão sobre a bolsa e as espadas (Lucas 22:35-38)

Canto de um hino (Mateus 26:30; Marcos 14:26)

As citações das Escrituras são da BSB.

P: Em Mt 26,26-28; Mc 14,22-24; Lc 22:19-21; 1 Cor 11:23-26, um cético propôs que a Última Ceia, conforme descrita na Bíblia, foi totalmente inventada, pois os judeus detestavam a ideia de participar do “corpo e do sangue”; assim, não apenas Jesus saberia disso, mas Seus discípulos e outros judeus teriam ficado indignados com essa instituição e rejeitado Seu ensinamento. Há algum fundamento nessa alegação?

R: Não, nunca ouvi a alegação de que a Última Ceia teria sido inventada. No entanto, vamos analisar isso.

Se todos os judeus tivessem ficado repugnados, o que dizer então de Paulo, o ex-fariseu? Em primeiro lugar, ele não ficou repugnado como cristão e continuou a ensinar isso a outras pessoas, inclusive aos judeus.

Na Páscoa, o sangue do cordeiro era colocado nos umbrais das portas; portanto, os judeus estavam bem familiarizados com o sacrifício de sangue e o sacrifício de cordeiros.

João Batista chamou Jesus de Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, em João 1:29.

Isso soa como uma acusação inovadora do século XX, sem contexto histórico. Deveriam primeiro encontrar no Talmude, em escritos judaicos posteriores, em escritos cristãos antigos e posteriores, em escritos romanos ou em algum outro lugar, pelo menos alguma evidência de que os judeus rejeitaram isso, de que os cristãos não praticavam isso, etc. Alguém poderia alegar que Jesus realmente veio da Nova Zelândia, mas, sem apresentar nenhuma evidência concreta, as pessoas acreditariam nisso também?

De qualquer forma, eis evidências, além da Bíblia, de que a Última Ceia era de fato praticada. Milhares de primeiros cristãos morreram por sua fé. Eles foram acusados de serem ateus (porque não acreditavam nos deuses dos romanos) e de serem canibais (uma distorção, pois comiam e bebiam o corpo e o sangue de Cristo durante a Ceia do Senhor). Ora, por que seriam eles falsamente acusados de canibalismo se não participassem da Ceia do Senhor?

Inácio, discípulo do apóstolo João que faleceu antes de 116 d.C., menciona a Ceia do Senhor em sua Carta aos Romanos, capítulo 7, p. 77. “Desejo o pão de Deus, o pão celestial, o pão da vida, que é a carne de Jesus Cristo, o Filho de Deus, que mais tarde se tornou descendente de Davi e de Abraão; e desejo a bebida de Deus, a saber, Seu sangue, que é amor incorruptível e vida eterna.”

“Cuidem, pois, de ter apenas uma Eucaristia. Pois há uma única carne de nosso Senhor Jesus Cristo e um único cálice para [manifestar] a unidade de Seu sangue;” Carta de Inácio aos Filadelfianos, capítulo 4, p. 81.

Justino Mártir, em sua Primeira Apologia (147-151 d.C.), cap. 66, p. 185 “E este alimento é chamado entre nós de Eucharistia [a Eucaristia], da qual ninguém tem permissão para participar, a não ser aquele que acredita que as coisas que ensinamos são verdadeiras, e que foi purificado pelo batismo para a remissão dos pecados e para a regeneração, e que vive conforme Cristo nos ordenou. Pois não as recebemos como pão comum e bebida comum; mas, da mesma forma que Jesus Cristo, nosso Salvador, tendo-se feito carne pela Palavra de Deus, possuía tanto carne quanto sangue para a nossa salvação, assim também nos foi ensinado que o alimento que é abençoado pela oração de Sua palavra, e do qual nosso sangue e nossa carne são nutridos por transmutação, é a carne e o sangue daquele Jesus que se fez carne.”

Irineu de Lyon (182-188 d.C.), em sua obra *Contra as Heresias*, livro 5, capítulo 2, p. 528, escreveu: “Mas se essa [carne] de fato não alcança a salvação, então nem o Senhor nos redimiu com Seu sangue, nem o cálice da Eucaristia é a comunhão de Seu sangue, nem o pão que partimos é a comunhão de Seu corpo.”

Portanto, ou

a) Jesus realmente celebrou a Última Ceia, ou

b) Mateus, Marcos, Lucas, Paulo, Inácio, Justino Mártir, Irineu e todos os demais escritores da Igreja primitiva estavam completamente equivocados.

c) Eles não escreveram isso; ao longo dos séculos, isso foi sistematicamente acrescentado aos seus escritos.

Para abordar a objeção c), precisamos conhecer as datas dos manuscritos mais antigos que contêm os versículos em questão. Aqui estão os versículos específicos que, durante a Última Ceia, mencionam explicitamente o corpo e o sangue de Jesus.

Mateus 26:26-28

p45 Chester Beatty I (todos os quatro evangelhos e Atos) (100-150 d.C.) (anteriormente considerado do final do século II ou início do século III d.C.) (Mt 20:24-32; 21:13-19; 25:41-26:39

p. 37 (=Ann Arbor 1570) Mt 26:19-52 (meados do século III)

O Vaticanus (325-350 d.C.) e o Sinaiticus (340-350 d.C.) contêm todo o Evangelho de Mateus. Uma fotografia de uma página do Evangelho de Mateus do Codex Sinaiticus encontra-se no *New International Dictionary of the Bible*, p. 2004.

O Alexandrinus [A] (c. 450 d.C.) preservou apenas Mateus 25:7 até o final.

Marcos 14:22-24

O Vaticanus [B] (325-350 d.C.), o Sinaiticus [Si] (340-350 d.C.) e o Alexandrinus [A] (c. 450 d.C.) contêm todo o Evangelho de Marcos.

Lucas 22:19-21

p75 Papiros de Bodmer 14/15 (a maior parte de Lucas e João) Contém Lucas 3:18-22; 3:33-4:2; 4:34-5:10; 5:37-6:4; 6:10-7:32; 7:35-39, 41-43; 7:46-9:2; 9:4-17:15; 17:19-18:18; 22:4-24:53. É normalmente datado de 175-200 d.C. ou 175-225 d.C. No entanto, sua caligrafia é muito semelhante à de outro documento, o Papiro Fuad XIX, que se sabe ter sido escrito entre 145 e 146 d.C.

O Vaticanus [B] (325-350 d.C.), o Sinaiticus [Si] (340-350 d.C.) e o Alexandrinus [A] (c. 450 d.C.) contêm todo o Evangelho de Lucas.

1 Coríntios 11:23-26

p46 Chester Beatty II, 100-150 d.C. 1 Cor 1,1-9,2; 9,4-14,14; 14,16-15,15; 15,17-16,22

O Vaticanus [B] (325-350 d.C.), o Sinaiticus [Si] (340-350 d.C.) e o Alexandrinus [A] (c. 450 d.C.) contêm todo o livro de 1 Coríntios.

P: Em Mt 26,27b-29; Mc 14,24b-25; Lc 22,20b-22 e 1 Cor 11,25b, eles tomaram o cálice depois do pão ou antes do pão, como Lc 22,17b-18 mostra claramente?

R: Ambos. Durante a Páscoa judaica, quatro copos eram tomados em diferentes momentos da refeição. Foi no último copo, após a refeição, que Jesus disse: “Este é o sangue da nova aliança…” Mesmo que alguém não conhecesse os costumes judaicos, ainda assim poderia perceber a resposta, uma vez que Lucas 22 menciona tanto o copo antes do pão quanto o copo depois do pão.

Observe que, em Mateus, Jesus ordena que todos bebam do cálice. Isso contraria a prática católica romana anterior, segundo a qual apenas os sacerdotes recebiam o pão.

Além disso, F.L. Godet, em seu comentário sobre 1 Coríntios, p. 63, afirma que a Ceia do Senhor é “o elo entre Suas duas vinda: o monumento de uma, a garantia da outra”.

P: Em Lc 22,31.34, Jesus disse que Pedro O negaria durante a Páscoa, ou depois que partissem, como afirmam Mt 26,34, Mc 14,30 e Jo 13,38?

R: Essa afirmação teria surpreendido tanto Pedro que ele provavelmente teria pensado que não havia ouvido direito, se Jesus não a tivesse repetido após a Páscoa. A propósito, as Escrituras também não dizem que Jesus tenha dito isso apenas duas vezes.

P: Em Mt 26,57-68 e Mc 14,53-65, o julgamento de Jesus ocorreu à noite ou pela manhã, como afirmam Lc 22,54-71 e Mt 27,1,2,11-26?

R: Ambos, pois houve um julgamento perante o Sinédrio judeu e outro perante Pilatos.

O julgamento perante o Sinédrio judeu, em Mateus 26,57-68 e Marcos 14,53-65, teve início no meio da noite e terminou ao amanhecer. A propósito, era contra a Lei judaica realizar um julgamento à noite.

Lucas não relata o julgamento, exceto da perspectiva de Pedro, que permanecia do lado de fora. Jesus entrou na casa do sumo sacerdote e, em seguida, ele e os sacerdotes saíram da casa.

O galo cantou pouco antes do amanhecer em Mateus 26:74-75, Marcos 14:72 e Lucas 22:60-62.

Então amanheceu, conforme relatado em Mateus 27:1; Marcos 15:1; e Lucas 22:66.

Jesus foi então julgado perante o governador romano Pôncio Pilatos em Mateus 27:1-2, 11-26; Marcos 15:1-5; e Lucas 23:1-5. Veja também a próxima pergunta.

P: Em Mt 26,57-68; Mc 14,53-65 e Lc 22,60-62, qual foi a sequência de eventos antes do julgamento perante o Sinédrio?

R: Eis a sequência.

1. Eles foram primeiro à casa de Anás, sogro do sumo sacerdote Caifás, logo após a prisão de Jesus no Getsêmani (Lucas 22:54; João 18:12-13).

2. Seja em João 18:24 ou antes disso, Jesus foi enviado à casa de Caifás. Mateus 26:56-57 e Marcos 14:51-53 omitem os detalhes anteriores e mencionam apenas que foram à casa de Caifás.

3. Pedro negou Jesus uma vez (Mateus 26:70; Marcos 14:68; Lucas 22:57; João 18:17).

4. Pouco depois, Pedro negou Jesus pela segunda vez (Mateus 26:71; Marcos 14:69; Lucas 22:58; João 18:25).

5. Cerca de uma hora depois, Pedro negou Jesus pela terceira vez. Eles ainda estavam na casa quando o galo cantou (Mateus 26:74; Marcos 14:71-72; Lucas 22:59-62; João 18:27).

6. Ao raiar do dia, o conselho judaico perguntou a Jesus (ou perguntou-Lhe novamente): “Se o senhor é o Cristo, diga-nos.” E tomaram uma decisão (Mateus 27:1; Marcos 15:1; Lucas 22:66-71).

7. A essa altura, já era de madrugada, e Jesus, acompanhado pelos sacerdotes, saiu da casa de Caifás e foi para o julgamento de Jesus perante o governador romano Pilatos (Mateus 27:2; Marcos 15:1; Lucas 23:1; João 18:28-38).

8. Pilatos enviou Jesus a Herodes, conforme Lucas 23:7-11a.

9. Herodes enviou Jesus de volta a Pilatos, conforme Lucas 23:11b-12.

10. Na noite anterior, a esposa de Pilatos teve um sonho em que não queria ter nada a ver com a condenação de Jesus. Mateus 27:19

11. Pilatos perguntou-lhes se queriam que Barrabás ou Jesus fossem libertados (Mateus 27:15-27; Lucas 23:18-25; João 18:39-40).

P: Em Mt 27,2, por que Pôncio Pilatos é chamado de governador, quando na verdade era um prefeito?

R: Prefeito (praefectus) era um termo mais específico para designar o governador de uma região pequena e difícil de governar.

P: Em Mt 27,2.11-26, uma vez que Pilatos era conhecido fora da Bíblia como um governante cruel e injusto, por que os Evangelhos mostram Pilatos como fraco e muito preocupado com a aparência de imparcialidade?

R: Há duas explicações complementares.

Piso instável: Talvez o comportamento de Pilatos tenha mudado por volta de 33 d.C., já que, nessa época, ele percebeu que se encontrava em uma posição muito instável perante o imperador. Pilatos ordenou que escudos com imagens do nome do imperador fossem colocados no palácio de Herodes, em Jerusalém. Os judeus recorreram ao imperador romano, e o próprio Tibério ordenou diretamente a Pilatos que removesse os escudos.

Uma segunda fonte de insegurança era o fato de Pilatos ter sido nomeado para o cargo graças à influência de seu mentor, o anti-semita Sejano. Sejano foi executado por Tibério em 18 de outubro de 31 d.C., e Pilatos provavelmente já havia tomado conhecimento da notícia por volta de 33 d.C. Antes disso, Tibério não demonstrava qualquer hesitação em punir seus compatriotas romanos por extorsão e traição. O próprio Pilatos foi destituído do cargo em 36/37 d.C.

Dois lados: Além disso, o “The Expositor’s Bible Commentary”, volume 8, pp. 559-560, também menciona um segundo fator. “Psicologicamente, uma pessoa que, em sua essência, é fraca, insegura e egoísta, quando colocada em uma posição de poder, pode se tornar despótica e insensível. Em outras palavras, o caráter de Pilatos não mudou; ele apenas estava demonstrando outro lado.” O comportamento de Pilatos, embora pudesse parecer um tanto ‘pró-Jesus’, na verdade não o era, como demonstram a tortura e a crucificação de Jesus. Em vez de ser ‘pró-Jesus’, Pilatos estava, na verdade, sendo ‘anti-Sinédrio’”.

Pôncio Pilatos não era um homem seguro de si. Depois que Tibério destituiu Pilatos do cargo em 36/37 d.C., Pilatos cometeu suicídio, segundo Eusébio.

P: Em Mt 27,2-14; Mc 15,2-15; Lc 23,1-24 e Jo 19,1-15, fora da Bíblia, que evidências existem de que Pôncio Pilatos existiu?

R: Existem seis evidências independentes fora da Bíblia.

1. O historiador romano não cristão Tácito (100 d.C.), em *Anais* 15:44, escreve: “Cristo, de quem os [cristãos] receberam o nome, havia sido executado por sentença do procurador Pôncio Pilatos, quando Tibério era imperador”;

2. O livro *A Bíblia como História*, p. 373, apresenta uma imagem do anverso e do reverso de uma moeda cunhada pelo procurador romano Pôncio Pilatos.

3. Uma inscrição que menciona Pôncio Pilatos foi encontrada no teatro romano do porto de Cesareia em 1961. Uma fotografia dela consta no *Wycliffe Bible Dictionary*, p. 1343, no *Wycliffe Dictionary of Biblical Archaeology*, p. 456, e em *The Archaeology of the New Testament* (Finnegan), pp. 138-139. As partes preservadas dizem:

Ao povo de Cesareia

Tiberieum

Pôncio Pilatos

Prefeito da Judéia

O *Dicionário do Contexto do Novo Testamento*, p. 534, e *A Arqueologia do Novo Testamento* (Blaiklock), p. 58, também mencionam isso.

4. Filo, o judeu, também afirma que Pôncio Pilatos trouxera escudos dourados com o nome do imperador Tibério gravado e os havia pendurado no palácio de Herodes. Os judeus consideraram isso ofensivo e recorreram a Tibério, que ordenou que Pilatos removesse os escudos, o que provavelmente fez com que Pilatos perdesse prestígio. (Sobre a Embaixada a Caio 38-39 (299-306), p. 784-785.

5. Josefo, em Antiguidades dos Judeus 18.3.1 (escrito por volta de 93-94 d.C.) e Guerras dos Judeus 2.9.2, também menciona Pôncio Pilatos como governador.

6. Escritores cristãos primitivos.

Inácio (falecido em 107/116 d.C.), na “Carta aos Magnesianos”, capítulos 11-12, p. 64, menciona Pôncio Pilatos

Jesus foi verdadeiramente perseguido sob Pôncio Pilatos, verdadeiramente crucificado, morreu e ressuscitou dentre os mortos. Carta de Inácio aos Tralianos, cap. 9, p. 70

Justino Mártir (c. 150 d.C.) Jesus Cristo crucificado sob Pôncio Pilatos. “…e nós O adoramos com razão, tendo aprendido que Ele é o próprio Filho do Deus verdadeiro, e colocando-O em segundo lugar, e o Espírito profético em terceiro, e iremos provar.” Primeira Apologia de Justino Mártir, cap. 13, p. 166-167

Crucificado sob Pôncio Pilatos. Primeira Apologia de Justino Mártir, cap. 61, p. 183

Melito de Sardes (170-180 d.C.). Em *Padres Ante-Nicenos*, vol. 8, cap. 4, p. 757, afirma-se que Jesus foi condenado por Pilatos.

Irineu, em *Contra as Heresias* (182-188 d.C.), livro 3, cap. 4.2, p. 417, afirma que Jesus, “que uniu o homem a Deus por meio de Si mesmo”, sofreu sob Pôncio Pilatos e ressuscitou. Jesus é o Juiz daqueles que são julgados.

Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.) cita 1 Timóteo 6,13 e menciona Pôncio Pilatos. Fragmento 4, p. 579 (História Eclesiástica de Eusébio, livro 6, cap. 14)

Tertuliano (198-220 d.C.) menciona Pôncio Pilatos. Em “Apologia”, de Tertuliano, cap. 21, p. 35

Hipólito, bispo de Portus (222-235/6 d.C.), menciona Caifás, Herodes e o fato de Jesus ter sido açoitado por Pilatos. Contra a Heresia de Noeto, cap. 18, p. 230

Orígenes (225-254 d.C.) afirma que as multidões teriam influenciado Pilatos a condenar Jesus. Ele também menciona a hostilidade de Pilatos para com Herodes e a aparente amizade entre ambos. Comentário de Orígenes sobre Mateus, livro 12, cap. 1, p. 449-450.

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) “finalmente O [Jesus] prendeu e O entregou a Pôncio Pilatos, que era então o procurador da Síria em nome dos romanos, exigindo com urgência violenta e obstinada Sua crucificação e morte”. Tratados de Cipriano, Tratado 7, cap. 13, p. 468

Pedro de Alexandria (306, 285–311 d.C.) menciona que Jesus foi entregue a Pilatos. A Epístola Canônica, Cânon 9, p. 273

Lactâncio (c. 303 – c. 325 d.C.) menciona que, após Judas ter traído Jesus, os judeus levaram Jesus perante Pôncio Pilatos. *Instituições Divinas*, livro 4, cap. 18, p. 119. Ele menciona Herodes no cap. 18, p. 120.

Atanásio (331 d.C.) menciona que Pilatos, durante o julgamento de Cristo, lavou as mãos. *História dos Arianos*, cap. 68, p. 295

Eusébio, o historiador da Igreja Cristã (318 d.C.), menciona Pôncio Pilatos e afirma que, após ter sido destituído do cargo, ele cometeu suicídio.

Pôncio Pilatos foi governador da Judéia, sucedendo a Gratus, de 26 a 36/37 d.C.

P: Em Mt 27,2-14; Mc 15,2-15; Lc 23,1-24 e Jo 19,1-15, além da Bíblia, o que mais sabemos sobre Pôncio Pilatos?

R: “Pôncio” era um nome de família romano. “Pilatus” significa alguém armado com um pilum, ou dardo. A maior parte do que sabemos sobre Pôncio Pilatos provém de Josefo. O imperador Tibério César tinha um amigo chamado Sejano, que desejava exterminar todos os judeus, e Pôncio Pilatos e seu contemporâneo Flaco eram provavelmente protegidos de Sejano. Quando Pôncio Pilatos se tornou governador (ou procurador) dos judeus em 26 d.C., ele foi o primeiro a levar para Jerusalém os estandartes com a imagem de César. Quando os judeus solicitaram formalmente que fossem removidos, Pilatos os cercou com soldados e ameaçou matá-los. Josefo registra que os judeus se jogaram no chão para demonstrar que preferiam morrer a violar sua lei. Pilatos removeu os estandartes para Cesareia.

Pilatos então retirou o dinheiro do tesouro do templo para construir um aqueduto que levasse água a Jerusalém. Quando os judeus protestaram, Pilatos mandou soldados vestidos como civis se misturarem à multidão, os quais mataram muitos entre a multidão. Lucas 13:1 também registra que Pilatos matou alguns galileus, cujo sangue ele misturou aos sacrifícios deles.

Quando alguns samaritanos se reuniram em uma montanha para contemplar os vasos sagrados que Moisés supostamente havia colocado ali, Pilatos enviou tropas para emboscá-los e matá-los. Os samaritanos recorreram a Vitélio, o legado da Síria, que enviou Marcelo para assumir temporariamente o comando da Judéia e ordenou que Pilatos fosse a Roma em desgraça, em 36/37 d.C., para prestar contas de suas ações a César. Sejano havia sido executado em 18 de outubro de 31 d.C., e Tibério estava tentando reverter as políticas antissemitas. Tibério César faleceu em 16 de março de 37 d.C., enquanto Pilatos estava a caminho de Roma. Pilatos nunca mais voltou à Judéia. As tradições dizem que ele cometeu suicídio por afogamento na atual Áustria ou Suíça.

Filo, o judeu, afirma que Herodes Agripa I descreveu Pilatos como “naturalmente inflexível, uma mistura de obstinação e implacabilidade”.

O livro “Manual para Resolver Dificuldades da Bíblia”, de hoje, na página 60, especula que a posição de Pilatos perante o imperador era especialmente precária. Enquanto o imperador (César) desejava estabilidade, Pilatos quase havia provocado revoltas por três vezes. O imperador Tibério havia recentemente mandado executar vários funcionários por traição. Se Pilatos fosse visto tolerando alguém que afirmava ser rei, ou que não pagava impostos, ou que desejava seu próprio reino, ele seria apenas mais um entre os muitos que Tibério já havia mandado executar. Esse ponto não passou despercebido pelos judeus, que disseram com ousadia a Pilatos: “Se o senhor soltar esse rei, o senhor não é amigo de César”.

P: Em Mt 27,19-26; Mc 15,7-15; Lc 23,23-25; Jo 18,38-40, quantas pessoas havia na multidão diante de Pilatos, Jesus e Barrabás?

R: Arqueólogos escavaram a área em frente ao tribunal de Pilatos e afirmaram que, no máximo, 150 pessoas poderiam estar naquele local, de acordo com o livro *The Olive Tree Connection*, p. 48. Durante a Páscoa, poderia haver algumas centenas de milhares de pessoas em Jerusalém, mas apenas 150 poderiam estar diante de Pilatos. Seria fácil para os sacerdotes selecionarem a dedo as pessoas que desejavam que estivessem diante de Pilatos quando ele se ofereceu para libertar um prisioneiro.

P: Em Mt 27,26; Mc 15,15; Lc 23,20-25; Jo 19,16; At 2,23; Hb 12,2, o que sabemos sobre a crucificação antes de Cristo?

R: A crucificação era uma forma de execução terrível, mas comum, entre muitos povos.

Quem e quando: Era praticada pelos fenícios, cartagineses e egípcios. Heródoto, em sua *História* 3.125, menciona que os persas utilizavam a crucificação de pessoas vivas. Em sua *História* 3.159, Heródoto também afirma que Dario (512-485 a.C.) crucificou 3.000 cidadãos proeminentes da Babilônia. O *Anchor Bible Dictionary*, volume 1, p. 1207, também menciona que outras fontes antigas, não necessariamente confiáveis, indicam que a crucificação era utilizada pelos povos da Índia, pelos assírios, pelos citas, pelos taurianos, pelos trácios, pelos celtas, pelos germânicos e pelos britânicos. Júlio César relatou que os númidas utilizavam a crucificação. Quando Alexandre, o Grande, finalmente conquistou a cidade fenícia de Tiro, em 332 a.C., ele matou de 6.000 a 8.000 pessoas imediatamente e crucificou 2.000 posteriormente.

Os judeus foram crucificados pelo selêucida Antíoco IV (167 a.C.), segundo Josefo em *Antiguidades dos Judeus*, livro 12, cap. 5, p. 257. Em “Antiguidades dos Judeus”, livro 13, capítulo 14.2, p. 285, Josefo também afirma que o governante saduceu Alexandre Janeu (103-76 a.C.) crucificou 800 fariseus em Jerusalém, após matar suas esposas e filhos diante de seus olhos.

Entre os romanos, Plauto (falecido em 184 a.C.) foi o primeiro escritor a fornecer evidências da crucificação romana, e essas evidências referiam-se a pessoas crucificadas antes de sua época. Por exemplo, 25 escravos do sexo masculino envolvidos em uma conspiração em Roma foram crucificados em 217 a.C. Josefo afirmou que havia três formas principais de execução romana: decapitação/lançamento aos animais, queima e crucificação. Ele também afirmou que ser queimado até a morte era considerado uma pena mais branda do que a crucificação.

De onde os romanos aprenderam essa prática: Tanto os gregos quanto os romanos adotaram a crucificação dos fenícios. (Os cartagineses podem ser considerados “fenícios ocidentais”). Inúmeras fontes atestam a crucificação cartaginesa e que os romanos podem ter adotado essa prática deles.

Vestígios arqueológicos: Embora a crucificação fosse amplamente mencionada e praticada, dispomos de apenas um vestígio arqueológico de uma crucificação, conforme indicado em *A Ressurreição de Cristo*, p. 36, nota de rodapé 28. Esse único artefato consiste nos ossos de um homem chamado Yehohanan Ben Hagko. Um dos pregos ainda estava cravado em seu tornozelo, pois, aparentemente, as pessoas que o enterraram não conseguiram removê-lo. Este achado está catalogado na Autoridade de Antiguidades de Israel, sob o número 95-2067/5. Crucificação

Como símbolo cristão: há algumas descobertas arqueológicas muito interessantes sobre o uso da cruz como símbolo. É claro que Paulo (por volta de 52 d.C.) “pregou Jesus crucificado” em 1 Coríntios 2:2, “se gloriou na cruz” em Gálatas 6:14 e foi perseguido por causa da cruz em Gálatas 5:11; 6:12. Mas como sabemos com certeza qual era a aparência da cruz?

Quando Herculano foi destruída pela erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C., uma casa desenterrada revelou uma cruz (uma cruz latina semelhante a um “t” minúsculo).

Em Talpioth, um subúrbio de Jerusalém, foram encontrados ossários (que serviam para guardar ossos) anteriores ao ano 70 d.C., apresentando quatro lados marcados com uma cruz que se assemelhava a um sinal de mais.

Segundo Justino Mártir (c. 138-165 d.C.), ele comparou o crucifixo à letra grega Chi (semelhante a um X) em sua Primeira Apologia, capítulo 60.

A cruz se assemelhava à letra grega Tau, de acordo com os “Cinco Livros em Resposta a Marcião”, de Tertuliano, livro 3, v. 120, p. 153.

Atanásio (323-326 d.C.) afirmou, em “A Encarnação”, 25:3, que é somente na cruz que um homem morre com as mãos estendidas.

Além disso, foram encontrados grafites romanos no Monte Palatino, em Roma, ridicularizando os cristãos. Eles mostram uma cruz com os braços estendidos, conforme o livro *A Arqueologia do Novo Testamento* (Blaiklock), p. 99.

P: Em Mt 27,15-19; Mc 15,6-7; Lc 23,16-18 e Jo 18,39-40, por que Jesus, que ainda não havia sido declarado culpado, foi considerado para o “programa de libertação por misericórdia”?

R: Ninguém afirmou que a justiça romana fosse sempre justa. Como a condenação de Jesus aparentemente já era quase um fato consumado, suponho que fizesse sentido para Pilatos indicar para o perdão um homem que ainda não havia sido declarado culpado. Às vezes, até mesmo atos de misericórdia podem ser utilizados para fins injustos.

P: Em Mt 27,19, por que a esposa de Pilatos estava em Jerusalém?

R: As esposas costumavam acompanhar os governadores romanos. Antes dessa época, Tácito, em *Anais* 3:34-35, menciona que o Senado debateu uma proposta de Severo Cecina para proibir que as esposas acompanhassem os magistrados, mas a proposta foi rejeitada.

P: Em Mt 27,34 e Mc 15,23, outras pessoas ofereceram bebida a Jesus e ele recusou, ou Jesus disse: “Tenho sede” e aceitou a bebida, como sugere Jo 19,28-29?

R: As pessoas crucificadas sentiam uma sede extrema, e Jesus aparentemente não foi exceção nesse caso, tendo dito que estava com sede. Ofereceram-lhe uma esponja embebida em vinagre. A bebida conteria fel, o que amenizaria a dor. Jesus inicialmente aceitou a esponja e provou a bebida, mas depois recusou mais. Jesus não quis usar um analgésico enquanto sofria por nossos pecados.

P: Em Mt 27,35-36; Mc 15,24; Lc 23,34b; Jo 10,23-24, minha esposa deseja ir a um cassino na Louisiana para comemorar nosso 10º aniversário de casamento. (Sinto-me desconfortável com isso, como cristão, mas acabei cedendo aos desejos dela.) Combinamos não gastar mais de US$ 200,00 em jogos de azar. Esta é apenas a segunda vez que vamos a um cassino em 10 anos. (Da última vez que estivemos em um cassino, gastamos no máximo US$ 100,00, e isso foi há 3 anos.) Estamos cometendo pecado, de acordo com a Palavra de Deus?
Pessoalmente, não consigo encontrar nenhum trecho nas Escrituras que aborde diretamente o jogo. E concordo que a indústria do jogo está levando as pessoas ao vício e é uma indústria da qual os Estados Unidos poderiam prescindir. No entanto, duvido que esteja realmente cometendo pecado se apostar uma quantia tão pequena e tiver visitado apenas dois cassinos em 10 anos. Cheguei até a dizer à minha esposa que, seja o que for que ganharmos, devemos doar para instituições de caridade. Estou até levando folhetos evangélicos para distribuir no cassino. Acho que algo de bom pode resultar dessa viagem. (Gênesis 50:20) =) (No entanto, isso não me faz sentir melhor em relação a ir.)

Mas... eis um exemplo paralelo: todos os cristãos deveriam parar de comprar e beber vinho (para ocasiões especiais/casamentos), já que a indústria do álcool está levando milhões de pessoas a se tornarem viciadas nessa bebida?

Mas, então, que tipo de exemplo estou dando aos meus filhos? E se meu filho crescer acreditando que frequentar cassinos é aceitável e depois se tornar viciado em jogos de azar? Por outro lado, meu filho poderia se tornar viciado em vinho; no entanto, seria esse vício culpa minha, já que bebo vinho ou cerveja em raras ocasiões? (E não sou viciado.)

R: Na Bíblia não há nenhum versículo direto que proíba os crentes de jogar, e também não há nada que diga que isso seja aceitável. (Há versículos tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento que afirmam que beber vinho com moderação é aceitável.)

É claro que, como cristãos, não devemos ler os mandamentos da Bíblia e tentar nos afastar o máximo possível deles sem, de fato, infringi-los. Em vez disso, devemos buscar conhecer o cerne da vontade de Deus para nós e permanecer nele. O jogo é uma área em que devemos obedecer a Deus com nossa consciência e compreensão do que Lhe agrada.

Indícios de que certas formas de jogo podem ser aceitáveis

Outras atividades de lazer são aceitáveis: o senhor disse que não é viciado e que não gastará mais de US$ 200. É possível gastar US$ 200 em um parque temático (como a Disneylândia) e isso não é necessariamente um pecado.

Testemunho cristão. Como mencionou levar folhetos da Chick para as pessoas lerem, talvez seja bom verificar se a Chick tem algum folheto especialmente adequado sobre pessoas que perdem todo o seu dinheiro no jogo.

Agradar sua esposa: Se é isso que sua esposa deseja fazer, e não for proibido, vocês devem fazer algo de que ambos gostem juntos.

Aspectos que indicam que o seu jogo pode não ser do agrado de Deus

Exemplo para as crianças: seu filho (e quaisquer futuros filhos) ficarão viciados em jogos de azar, ou chegarão a apostar apenas uma vez, perdendo tolamente grandes somas de dinheiro? Para verificar se isso é um problema ou não, por que você e sua esposa não “praticam” em particular explicar o seu hábito de apostar ao seu filho, já que, de qualquer forma, vocês precisarão fazer isso mais tarde? Veja como isso soará para ele.

Imoralidade inevitável: haverá algum espetáculo obsceno que o senhor verá no local onde estiver jogando? Se for o caso, então o senhor não deve jogar, nem fazer qualquer outra coisa, nesse local.

O que mais você poderia fazer: Se você não jogar, há outros passeios e atrações (e alguns restaurantes excelentes) que você poderia aproveitar em vez disso.

Convicção: O senhor acha que seu mal-estar é o Espírito Santo o convencendo, ou apenas outra coisa?

Talvez você consiga pensar em mais razões “contra”.

Procure seguir a Deus: ore para saber o que Deus deseja para você nessa situação. Não tenho nenhuma ordem ou permissão direta para lhe mostrar, mas oro para que o senhor tome a melhor decisão.

P: Em Mt 27,38; Mc 15,32 e Lc 23,39, os ladrões insultaram Jesus, ou um deles se arrependeu e se voltou para Jesus em Lc 23,40-43?

R: Ambos os ladrões insultaram Jesus inicialmente. No entanto, o ladrão à direita de Jesus mudou de opinião mais tarde e creu em Jesus. Jesus disse-lhe que ainda naquele dia estaria com Ele no Paraíso.

P: Em Mt 27,44 e Mc 15,31-32, exatamente quando os ladrões insultaram Jesus?

R: As Escrituras não dizem exatamente. Mateus e Marcos mencionam, cada um, três grupos de pessoas que insultaram Jesus: os transeuntes, os sacerdotes e os ladrões. No entanto, esses versículos não especificam a ordem, caso tenham dito isso apenas uma vez, nem quantas vezes. Em geral, não é comum que alguém diga apenas uma frase ofensiva e pare por aí.

Hoje, os cristãos podem ser ridicularizados por causa de sua fé por criminosos, completos estranhos e até mesmo por falsos líderes religiosos.

P: Em Lucas 21,7, Jesus ensinou sobre os últimos tempos no Templo ou no Monte das Oliveiras, como mostram Mateus 24,3-44 e Marcos 13,3-37?

R: Jesus ensinou isso no Monte das Oliveiras e, possivelmente, enquanto se dirigiam para lá. Lucas 21 nunca menciona que Jesus estava no Templo quando ensinou isso.

P: Em Mt 27,32; Mc 15,21 e Lc 23,26, foi Simão de Cirene quem carregou a cruz de Jesus, ou foi o próprio Jesus, como mostra Jo 19,17?

R: Ambos. Era costume, em geral, que o condenado carregasse sua própria cruz, como diz João 19:17. No entanto, Jesus estava tão fraco, após os açoites e espancamentos, que não conseguiu carregar a cruz por todo o caminho. Assim, os romanos fizeram com que um transeunte, Simão de Cirene, a carregasse pelo restante do trajeto.

P: Em Mt 27,32; Mc 15,21 e Lc 23,26, temos alguma evidência extra-bíblica sobre Simão de Cirene?

R: É muito provável que sim. Um ossuário (caixa de ossos) anterior ao ano 70 d.C., proveniente do Vale do Cedron, em Jerusalém, foi encontrado com a inscrição “Alexandre (filho) de Simão”, “Alexandre, o Cireneu”. Para mais informações, consulte:

E. L. Sukenik, BASOR 88 (1942): 38. Inscrições não publicadas até 1962: N. Avigad, “A Depository of Inscribed Ossuaries in the Kidron Valley”, IEJ 12 (1962): 1-12 + pls. 1-4.

Não publicado em formato popular até 2002-03. “Treasures in the Storeroom: Family Tomb of Simon of Cyrene”, Biblical Archaeology Review, julho-agosto de 2003.

P. W. van der Horst, Epitáfios judaicos antigos: um estudo introdutório de um milênio de epigrafia funerária judaica (300 a.C.–700 d.C.) (Kampen: Kok Pharos, 1991). pp. 140–141.
Biblical Archaeology Review, julho-agosto de 2003, p. 51. Cf. http://israelpalestineguide.files.wordpress.com/2010/06/alexander-simon-ossuary-a-second-look-from-bar.pdf

P: Em Mt 27,48; Mc 15,23; Lc 23,36; e Jo 19,29, o que exatamente foi dado a Jesus para beber na cruz?

R: Mateus 27:48 diz: “vinho azedo / vinagre de vinho”; Marcos 15:23 diz: “vinho misturado com mirra”; Lucas 23:36 diz: “vinagre de vinho”; e João 19:29 diz: “vinagre de vinho”. No entanto, “fel / vinagre” não é uma substância, mas uma descrição de algo amargo, e a mirra era amarga.

P: Em Mt 27,37; Mc 15,26; Lc 23,38 e Jo 19,19, o que exatamente estava escrito na placa acima da cabeça de Jesus?

R: Primeiro, cinco fatos relacionados à resposta; em seguida, duas respostas.

1. Em primeiro lugar, não havia uma única mensagem, mas três, pois João 19:20 diz que a placa estava escrita em aramaico, latim e grego.

2. Eis o que os evangelistas relatam.

Mateus 27:37 diz: “Este é Jesus, o rei dos judeus”.

Marcos 15:26: “O rei dos judeus”.

Lucas 23:38: “Este é o Rei dos judeus.”

João 19:19: “Jesus de Nazaré, o Rei dos Judeus”

3. Os escritores antigos frequentemente parafraseavam suas palavras. O que temos aqui é exato, mas não preciso. Assim, por exemplo, se um escritor dissesse: “Este é Jesus, o rei dos judeus” e outro dissesse: “o rei dos judeus”, ambos poderiam estar registrando a mesma afirmação. O primeiro escritor simplesmente registrou mais da afirmação do que o segundo.

4. Papias, um discípulo do apóstolo João, registra que o Evangelho de Mateus foi originalmente escrito na língua dos hebreus (aramaico?) e depois traduzido para o grego. Os demais escritores escreveram em grego. Portanto, há uma tradução entre as palavras proferidas e o que os escritores dos Evangelhos registraram.

5. Independentemente das diferenças entre os três relatos, Marcos parece simplesmente registrar o que é comum a todos eles.

Primeira resposta: As três mensagens em três idiomas diferentes estão registradas em Mateus, Lucas e João. Marcos registra o que há de comum entre elas. Pilatos provavelmente não sabia aramaico, então o texto teria sido escrito em latim e traduzido para o grego e o aramaico, para que todos pudessem lê-lo.

Segunda resposta: Como os evangelistas registram palavras traduzidas, e alguns elementos como “Este é” versus “O” costumam ser fundidos em uma tradução, temos certeza da mensagem dos letreiros, mas não das palavras exatas. No entanto, o que importa aqui é a mensagem, e não as palavras exatas.

P: Quais foram exatamente as sete coisas que Cristo disse na cruz, em ordem?

R: Embora a ordem apresentada no evangelho não seja necessariamente a ordem em que foram ditas, é mais simples supor que elas estavam em ordem cronológica, que é:

1. Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem. Lucas 23:34a

2. Mulher, eis o seu filho… Eis a sua mãe. João 19:25-27

3. Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso. Lucas 23:43b

4. Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? Mateus 27:46; Marcos 15:34

5. Tenho sede. Mateus 27:48; João 19:28-29

6. Está consumado. João 19:30

7. Pouco antes de morrer, Jesus disse: “Pai, nas Tuas mãos entrego o meu Espírito.” Lucas 23:46a

É claro que Jesus poderia ter dito outras palavras também.

P: Nos Evangelhos, Jesus realmente morreu na cruz, ou Deus, de forma milagrosa e imperceptível, substituiu-O por outra pessoa, como afirma o Alcorão muçulmano?

R: As diferentes visões dos cristãos e dos muçulmanos constituem uma diferença fundamental entre as duas religiões.

Os cristãos afirmam que foi realmente Jesus, pois todos os relatos, tanto cristãos quanto não cristãos, indicam que foi Jesus. O Alá dos muçulmanos é diferente do Deus da Bíblia, e Alá enganou e iludiu todo o seu povo, levando-o a acreditar que Alá substituiu Jesus por outra pessoa.

Os muçulmanos afirmam que Alá é o mesmo que o Deus da Bíblia. A substituição de Jesus por Alá não seria detectável por ninguém e, portanto, não haveria evidência histórica dessa troca.

Ambos concordam em duas coisas: 1) Pelo menos parecia que Jesus havia morrido na cruz. 2) Em algum momento, o deus do Islã enganou totalmente e deliberadamente o próprio povo de Alá.

P: Em Mt 27,45; Mc 15,33; e Lc 23,44-45, que evidência extra-bíblica existe de que “a escuridão cobriu a terra” durante a crucificação de Jesus?

R: Não é razoável esperar que todas as culturas registrassem uma escuridão. Por exemplo, calcula-se que um eclipse solar tenha escurecido o Egito em 12 de dezembro de 504 a.C., mas não há registros históricos, nem entre os egípcios altamente civilizados nem de qualquer outro povo, a respeito disso. Consulte http://www.informationblast.com/500s_BC.html para mais informações. Isso ocorreu durante a Páscoa (ou seja, na lua cheia), portanto não poderia ter sido um eclipse solar normal; tratava-se de uma escuridão incomum. Além disso, a escuridão durou da sexta à nona hora. Eclipses naturais não duram três horas. A duração máxima que um eclipse poderia ter, teoricamente, é de até sete minutos, de acordo com https://www.wku.edu/eclipse/duration.php.

No entanto, o historiador samaritano não cristão Talus escreveu em 52 d.C., menos de 20 anos após a crucificação. Ele relatou que a escuridão acompanhou a crucificação de Jesus.

O historiador samaritano Talo, que não deve ser confundido com o filósofo grego Tales, era bastante conhecido.

O “Discurso Exortatório aos Gregos” do Pseudo-Justino Mártir (após 165 d.C.), cap. 9, p. 277, menciona Talus, Filo, Josefo e outros.

A obra “Teófilo a Autólico”, cap. 29, p. 120, menciona Talus, bem como o historiador caldeu anterior Beroso, na p. 121.

A obra “Octávio”, de Minúcio Félix, cap. 22, p. 186, menciona o historiador Talo.

A “Apologia”, de Tertuliano, cap. 19, p. 33, menciona Talus e Josefo.

Júlio Africano, fragmento 18, p. 136.

Flegão foi um escritor grego da Cária que escreveu logo após o ano 137 d.C. Ele escreveu que, no quarto ano da 202ª Olimpíada [ano 33 d.C.], ocorreu “o maior eclipse solar” e que “fez-se noite na sexta hora do dia [meio-dia], de modo que até as estrelas apareceram no céu. Houve um grande terremoto na Bitínia, e muitas coisas foram derrubadas em Nicéia.” (The Case for Christ, p. 111.) Orígenes (225-254 d.C.) também menciona que Flegão escreveu sobre a escuridão no 13º ou 14º livro do escritor Flegão. Orígenes, *Contra Celso*, livro 2, cap. 14, p. 437; livro 2, cap. 33, p. 445; livro 2, cap. 59, p. 455.

O *Diatessaron* de Tatiano (c. 172 d.C.), seção 51, p. 123, afirma que houve escuridão quando Jesus foi crucificado, da 6ª à 9ª hora. O *Diatessaron* de Tatiano, seção 52, p. 123, afirma que houve um terremoto quando Jesus morreu.

Melito de Sardes (170-177 d.C.) afirma que a terra tremeu, o sol se escondeu e o dia se alterou, pois não podiam suportar ver seu Senhor pendurado numa árvore. Do “Discurso sobre a Alma e o Corpo”, cap. 2, “Padres Ante-Nicenos”, vol. 8, p. 756

Irineu, em *Contra as Heresias* (182-188 d.C.), livro 4, cap. 34, p. 512, afirma: “E os acontecimentos relacionados à paixão do Senhor, que haviam sido preditos, não se concretizaram em nenhum outro caso. Pois nem na morte de qualquer homem entre os antigos aconteceu que o sol se pusesse ao meio-dia, nem o véu do templo se rasgou, nem a terra tremeu, nem as rochas se fenderam, nem os mortos ressuscitaram, nem qualquer desses homens [da antiguidade] ressuscitou ao terceiro dia, nem foi recebido no céu… Portanto, os profetas não falaram de mais ninguém senão do Senhor, em quem todos esses sinais acima mencionados se concretizaram.”

Tertuliano (c. 200 d.C.), em *Sobre o Jejum*, cap. 10, vol. 4, p. 109, também menciona a escuridão que acompanhou a crucificação de Jesus. Ele também menciona isso em *Resposta aos Judeus*, cap. 12, p. 170.

Hipólito foi bispo de Portus (222-235/6 d.C.). Ele menciona que, por causa de Jesus, “o sol se escureceu, o dia ficou sem luz, as rochas se despedaçaram, o véu se rasgou, os alicerces da terra foram abalados, os túmulos se abriram e os mortos ressuscitaram”. Contra a Heresia de um certo Noeto, cap. 17, p. 230

O texto ebionita Reconhecimentos de Clemente (c. 211-250 d.C.), livro 1, cap. 42, p. 88, afirma que Jesus sofreu por nós, o sol se escureceu e as montanhas se partiram em dois quando ele foi levado à cruz. Ele ressuscitou.

Orígenes (que escreveu entre 225 e 254 d.C.) menciona a escuridão que se abateu sobre a terra e os túmulos que se abriram em *Contra Celso*, livro 2, capítulo 33, p. 445.

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.): “A Palavra de Deus é levada silenciosamente ao matadouro. E quando, na cruz do Senhor, as estrelas se confundem, os elementos se perturbam, a terra treme, a noite obscurece o dia, o sol...” *Tratados de Cipriano*, Tratado 9, cap. 7, p. 486

Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.) menciona o terremoto em Mateus. Carta ao Bispo Basilides, cânon 1, p. 94.

Arnóbio (297-303 d.C.), em Contra os Pagãos, livro 1, cap. 53, p. 428, menciona a escuridão durante a morte de Jesus.

Atanásio (318 d.C.) (implícito) afirma que o sol se escureceu e a terra tremeu quando o Salvador faleceu. *A Encarnação do Verbo*, cap. 49.4, p. 63

Lactâncio (260-325 d.C.) relata que houve um terremoto na mesma hora em que Jesus morreu, e que o sol repentinamente retirou sua luz, havendo escuridão da sexta à nona hora. *As Instituições Divinas*, livro 4, cap. 19, p. 122.

Alexandre de Alexandria (313-326 d.C.) menciona como os túmulos se abriram, a terra tremia, as luzes se apagaram e o sol e a lua desapareceram, enquanto as estrelas retiraram seu brilho quando Jesus sofria na cruz. Epístolas sobre a Heresia Ariana, Epístola 5.6, p. 301

Após Nicéia (325 d.C.)

Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.) (trecho) “A Criação é libertada pela mediação desta Oferta pelo Pecado; as próprias rochas perdem sua solidez e força.” Sobre a Trindade, livro 3, cap. 11, p. 65

Atanásio (c. 371 d.C.) afirma: “o sol retirou seus raios, a terra tremeu e as rochas se partiram...” Carta Pessoal 61 (A Máximo), cap. 2, p. 578

Atanásio (356-360 d.C.) menciona que o véu se rasgou, o sol se ocultou, as rochas se partiram e os mortos nos túmulos ressuscitaram. Quatro Discursos Contra os Arianos, Discurso 3, cap. 29, p. 424

Efraim, o Sírio (350-378 d.C.), afirma que houve escuridão e um terremoto quando Jesus morreu. Hinos da Natividade, hino 3, p. 273.

Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) mencionou que o sol recuou no tempo de Ezequias e que houve um eclipse solar por causa de Cristo. (Primeira Palestra Catequética, 2; Padres Nicenos e Pós-Nicenos, p. 12)

Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) afirma que o sol escureceu durante a crucificação. Primeira Palestra Catequética, 4, cap. 10, “Pais Nicenos e Pós-Nicenos”, p. 21, e que as rochas se fenderam. Palestra 4, cap. 11, p. 22

Gregório de Nanzianzo (330-391), ao discutir a crucificação de Jesus, afirma: “Ele envolveu o mundo visível em trevas” e “… pois as portas misteriosas do Céu se abriram; as rochas se fenderam, os mortos ressuscitaram. Ele morre, mas dá vida, e com Sua morte destrói a morte.” Sobre o Filho – Terceira Oração Teológica, cap. 20, p. 309

Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.) afirma que o sol e a lua realmente se escureceram na época de Cristo. Ele também menciona “o sangue salvador de Cristo, o Senhor”. Comentário sobre Joel, cap. 2, p. 119

Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) menciona a escuridão que ocorreu quando Jesus foi crucificado. *A Cidade de Deus*, livro 3, cap. 15, p. 51.

P: Nos Evangelhos, a menção à escuridão, ao terremoto e ao véu rasgado quando Cristo foi crucificado é apenas figurativa e não ocorreu de fato, uma vez que não foi registrada em nenhum outro lugar, conforme afirma o livro Algumas Perguntas Respondidas, pp. 37-38?

R: Não. Consulte a pergunta anterior para obter as evidências sobre a escuridão e a pergunta sobre Mt 27,51 para obter as evidências sobre o terremoto.

P: Em Lc 23,45-46, o cético Bart Ehrman afirma que o véu do Templo se rasgou enquanto Jesus ainda estava vivo, mas que, em Marcos, ele se rasga após a morte de Jesus. (Jesus, Interrupted, p. 68) Em seguida, ele questiona se o véu rasgado representa a rejeição de Deus ao sistema judaico de adoração ou se simboliza a expiação de Jesus por nós. (também em Jesus, Interrupted, p. 52)

R: Há dois pontos a serem considerados na resposta. 1) É claro que o véu rasgado pode representar mais de uma coisa, especialmente quando as duas coisas estão intimamente relacionadas. Na verdade, porém, isso não simboliza que Deus rejeitou o sistema judaico de adoração; sim que, agora que Jesus expiou os pecados, o sistema judaico de adoração havia chegado ao fim. (De fato, o Templo seria destruído em menos de 40 anos.)

2) Lucas não especifica o momento em que o véu se rasgou em dois. Lucas 23,44-46 diz que houve escuridão da sexta à nona hora, que o véu do templo se rasgou em dois e que Jesus clamou antes de morrer. Não especifica a ordem.

P: Em Lucas, o cético Bart Ehrman afirma, em *Jesus, Interrupted*, pp. 46-47: “A morte de Jesus é importante tanto para Marcos quanto para Lucas. Mas, para Marcos, a morte de Jesus é uma expiação; para Lucas, é a razão pela qual as pessoas perceberam que são pecadoras e precisam se voltar para Deus em busca de perdão. A razão da morte de Jesus, portanto, é bem diferente, dependendo de qual autor você ler.” (também em *Jesus, Interrupted*, p. 94)

R: Ehrman está tentando inventar uma diferença de crença entre Marcos e Lucas quando, na verdade, não há nenhuma. Até mesmo Ehrman reconheceria que Lucas e Atos foram escritos pelo mesmo autor. Provavelmente, uma das declarações mais claras sobre a expiação feitas por Lucas encontra-se em Atos 5:30-31: “O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vocês mataram, pendurando-O numa árvore. Deus o exaltou à Sua direita como Príncipe e Salvador, a fim de conceder arrependimento e perdão de pecados a Israel.” (sublinhado adicionado para indicar onde Ehrman está errado.)

P: Em Mt 27,54 e Mc 15,39, o centurião disse: “Este era o/um Filho de Deus”, ou “Este era um homem justo”, como diz Lc 23,47?

R: Ambas as coisas. O centurião não estava limitado a proferir apenas uma frase. Os evangelhos frequentemente não citavam textualmente e não incluíam todas as palavras; portanto, é provável que o centurião também tenha dito outras coisas.

A maioria das pessoas concordaria que, durante todo o tempo desde a morte de Jesus até o momento em que quiseram se certificar de que ele estava morto, e até a retirada de Seu corpo da cruz, o centurião teve tempo de sobra para dizer mais do que uma frase. Seria bastante estranho se o centurião tivesse permanecido totalmente em silêncio, exceto por uma única frase.

P: O que é uma harmonia dos Evangelhos após a Ressurreição?

R: Em primeiro lugar, devo reconhecer que, neste caso, apenas “reinventou a roda”. Já nos anos 246-265 d.C., Dionísio, bispo de Alexandria, demonstrou que os autores dos evangelhos não “discordavam nem se contradiziam” e apresentou uma boa e bastante completa harmonia dos evangelhos após a ressurreição em sua Carta 5 — ao bispo Basilides, cânon 1, em “Ante-Nicene Fathers”, vol. 6, p. 94-95. De qualquer forma, eis aqui uma harmonização desses 29 eventos, que coincide com a dele.

Os números referem-se a eventos que devem ocorrer em ordem, e letras como a, b, c referem-se a eventos que poderiam ocorrer em qualquer ordem. As palavras em negrito indicam marcadores de tempo, ordem e localização. Os versículos sublinhados mostram onde as passagens não estão em ordem cronológica.

Após a ressurreição de Jesus: Mt 28, Mc 16, Lc 24, Jo 20-21

R1a. Quando o sábado terminou, Maria Madalena, a outra Maria [mãe de Tiago], Salomé e as mulheres partiram para o túmulo. Mt 28,1b; Mc 16,1-3; Lc 24,1; Jo 20,1

R2a. Houve um terremoto quando o anjo removeu a pedra. Os guardas ficaram como mortos. Mt 28,2-4

R2b. O anjo removeu a pedra. Mc 16,4; Lc 24,2

R1b. Não foi encontrado nenhum corpo, e dois “homens” falam com as mulheres. Lc 24,3-8; Jo 20,2

R3. Na manhã em que Jesus ressuscitou, um anjo aparece às mulheres e lhes diz para avisarem aos discípulos que vão para a Galiléia. Mt 28,5-7; Mc 16,5-8

R4a. Enquanto as mulheres voltavam apressadamente, Jesus também apareceu a elas e lhes disse para avisarem aos discípulos que fossem para a Galiléia. Mt 28,8-10

R4b1. Quando as mulheres voltaram do túmulo, os discípulos não acreditaram nelas. Lc 24,9-11

R4b2. Pedro e João correm para o túmulo; João chega lá primeiro. Lc 24,12; Jo 20,3-9

R4b3. Em seguida, os discípulos voltam para suas casas [em Jerusalém]. Jo 20,10

R4c. Os guardas contam aos sacerdotes; os sacerdotes, então, os subornam. Mt 28,11-15

R4d. Enquanto Maria chorava, dois homens e, em seguida, Jesus, aparecem a Maria Madalena. Mc 16,9-11; Jo 20,11-18

R5. No mesmo dia, na estrada para Emaús, Jesus aparece a dois discípulos (que não faziam parte dos onze discípulos). Ele permanece com eles até o anoitecer. Mc 16,12; Lc 24,13-29

R6. Imediatamente, os dois discípulos correram de volta para Jerusalém (a 7 milhas, 11 quilômetros de distância) e contaram aos 11 discípulos. Mc 16,13; Lc 24,33-35

R7. Em Jerusalém, à noite do mesmo dia em que Jesus ressuscitou, enquanto os dois conversavam com os discípulos, Jesus aparece, pela primeira vez, a dez discípulos. Jo 20,19-23

R8. Outros discípulos contam a Tomé que viram Jesus. Jo 20,25

R9. Oito dias depois, Jesus aparece, pela segunda vez, aos onze discípulos, incluindo Tomé. Mc 16,14; Jo 20,19,26-31

R10. Jesus aparece a eles (pela terceira vez), à beira do Mar de Tiberíades [Galiléia]. Eles pescaram 153 peixes. Mt 28,19-20; Jo 21,1-14

R11a. Por três vezes, Jesus pergunta a Pedro se ele O ama. Jo 21,15-23

R11b1. Jesus aparece a mais de 500 seguidores. 1 Coríntios 15:6

R11b2. Jesus aparece a Tiago, seu irmão. 1 Cor 15:7

R12. Na Galiléia, Jesus aparece aos discípulos e lhes confia a Grande Comissão. Mt 28,16-20; Mc 16,15-18

R13. Eles retornam a Jerusalém, permanecendo ali ou em Betânia, um subúrbio.

R14. Enquanto comiam, Jesus ordenou-lhes que permanecessem em Jerusalém até receberem o poder do alto (Lc 24,49; At 1,4). Eles obedeceram a essa ordem. Lc 24,52

R15. Jesus os conduz a Betânia, um subúrbio de Jerusalém situado na encosta do Monte das Oliveiras. Lc 24,50

R16. Quarenta dias após a ressurreição (Atos 1,3), Jesus ascende ao Céu nas nuvens em Betânia, na encosta do Monte das Oliveiras. Mc 16,19; Lc 24,50-51; Atos 1,9-11

R17a1. Ao retornarem a Jerusalém, os apóstolos permanecem no templo. Lc 24,52-53

R17b. Os 11 apóstolos escolhem Matias para substituir Judas. Atos 1,15-26

R18. Em Jerusalém, no Pentecostes (50 dias após a Páscoa), os apóstolos são cheios do Espírito Santo. Atos 2

R19. Depois disso, os apóstolos viajam livremente. Mc 16,20

P: Em Mt 28,1; Mc 16,2; Lc 24,1, Maria estava no túmulo logo após o nascer do sol, ou ela se dirigiu ao túmulo enquanto ainda estava escuro, como diz Jo 20,1?

R: Ambas as afirmações são verdadeiras. João 20:1 diz que elas caminharam até o túmulo enquanto ainda estava escuro, mas Mc 16:2 mostra que chegaram ao túmulo quando o sol já havia nascido. Se elas tivessem permanecido em Betânia, e o túmulo ficasse nos arredores de Jerusalém, teria levado algum tempo para viajar do subúrbio de Jerusalém até a cidade.

P: Em Mt 28,1; Mc 16,1-2; Lc 24,1 e Jo 20,1, por que as mulheres foram ao túmulo, já que havia um selo romano sobre ele, conforme Mt 27,62-66?

R: Há duas respostas possíveis, mas a segunda é mais provável.

As mulheres pensaram que lhes seria permitido: não era um costume normal colocar um selo e uma guarda de soldados romanos sobre um túmulo. Os sumos sacerdotes e os fariseus solicitaram expressamente a Pilatos que “o túmulo fosse protegido até o terceiro dia”, conforme Mateus 27:64. As autoridades não queriam proibir os costumes funerários, apenas garantir que ninguém roubasse o corpo; portanto, era de se esperar que as mulheres fossem autorizadas a fazê-lo.

As mulheres não sabiam do selo e da guarda: vigiar o túmulo de um criminoso e colocar um selo romano e uma guarda de soldados romanos ao redor dele era algo altamente incomum. Lucas 23:55-56 relata que as mulheres seguiram José para ver onde o corpo de Jesus havia sido deposto e, em seguida, partiram para casa a fim de preparar especiarias e perfumes. Em outras palavras, elas não permaneceram no local observando o túmulo. O pedido pelo selo e pela guarda só ocorreu no dia seguinte, de acordo com Mateus 27:62. Portanto, é provável que as mulheres não tivessem conhecimento de nenhum selo nem da guarda.

P: Em Mt 28,1; Mc 16,1-2; Lc 24,1; Jo 20,1, por que as mulheres foram ao túmulo para envolver o corpo, se José de Arimatéia e Nicodemos já haviam envolvido o corpo em Jo 19,39?

R: Jesus faleceu por volta das 15h, e haveria um certo intervalo de tempo entre José de Arimatéia solicitar o corpo, Pilatos verificar se Jesus estava de fato morto e, em seguida, retirarem o corpo da cruz e transportá-lo até o túmulo. Eles não teriam tempo suficiente antes do anoitecer para realizar um sepultamento adequado (semelhante ao das múmias egípcias). Assim, José e Nicodemos, em João 19:38-39, realizaram a primeira parte, incluindo a aplicação de algumas especiarias, para impedir que o corpo se decompusesse por alguns dias; depois, voltariam para envolvê-lo adequadamente, ou seja, enrolar tiras de pano em torno de seus braços, pernas, tronco e cabeça à luz do dia no domingo. Pode parecer uma tarefa um tanto macabra, mas era um costume comum da época.

Além disso, embora não saibamos muito sobre as práticas funerárias judaicas daquela época, nas práticas funerárias egípcias, parte da preparação do corpo só ocorria alguns dias depois, de qualquer forma.

P: Em Mc 16,1-8; Mt 28,1-8; Lc 24,1-11; Jo 20,1-12, qual é o significado de as mulheres terem visto o túmulo vazio?

R: Há quatro pontos a serem considerados na resposta.

a) Embora os judeus não embalsamassem seus mortos, eles usavam especiarias ao enterrá-los. Isso NÃO era, de forma alguma, um testemunho de que as mulheres acreditavam que Jesus ressuscitaria dos mortos. Pelo contrário, tratava-se das mulheres indo cumprir seu dever com uma mistura de amor e decepção. O senhor ainda serviria a Deus fielmente se enfrentasse uma decepção?

b) Nas culturas grega e latina, as mulheres eram consideradas inferiores aos homens. Se alguém quisesse alterar a narrativa para torná-la mais atraente aos leitores, poderia simplesmente ter omitido essa parte ou, então, afirmado que foram os homens que viram o túmulo primeiro, em vez das mulheres. Isso indica que eles simplesmente registraram o que aconteceu.

c) Da mesma forma, na cultura judaica, as mulheres eram consideradas importantes, exceto que seu testemunho era considerado sem valor, de acordo com a Mishná judaica, Rosh Ha-Shaná 1.8.

d) Deus poderia ter concedido a honra de ser o primeiro a ver Jesus ressuscitado a qualquer pessoa, mas escolheu concedê-la às mulheres. Talvez isso seja um sinal para todas as culturas, incluindo a nossa, de que, em geral, devemos honrar, acreditar e confiar nas mulheres tanto quanto nos homens.

P: Em Mc 15,47, Maria Madalena e Maria, mãe de José, viram onde Jesus foi sepultado, ou foram as mulheres que haviam vindo com Jesus da Galiléia, como diz Lc 23,55?

R: Ambas. Por um lado, “mulheres da Galiléia” poderia referir-se às mulheres que viajaram com Jesus vindas da Galiléia, não necessariamente nascidas na Galiléia. Por outro lado, Magdala era uma cidade na Galiléia, na margem ocidental do Mar da Galiléia.

P: Em Mt 28,1, o túmulo estava fechado, ou a pedra havia sido removida, como diz Lc 24,2?

R: Lucas 24,2 diz que a pedra já havia sido removida quando elas chegaram lá. Mateus 28,2 também menciona que a pedra havia sido removida, a título de explicação para Mateus 28,1. Nada indica que as mulheres estivessem presentes quando a pedra foi removida.

P: Em Mc 16,4, o cético Bart Ehrman pergunta se a pedra já havia sido removida ou se foi removida por um anjo [supostamente] quando as mulheres estavam lá (Mt 28,2)?

R: Em ambos os evangelhos, a pedra foi removida antes de o anjo falar com as mulheres. Mateus 28:2 não diz que as mulheres estavam presentes no momento em que a pedra foi removida.

P: Em Mt 28,1-8; Mc 16,1-8; Lc 24,1-10 e Jo 20,1-8, o que aconteceu quando Jesus ressuscitou?

R: Jesus estava vivo novamente em seu corpo físico. Seu corpo físico real, com as cicatrizes, ainda podia ser tocado (João 20:27; Mateus 28:9; Lucas 24:39) e comer (Lucas 24:41-43). Jesus disse que Seu corpo pós-ressurreição tinha carne e ossos em Lucas 24:39, e creio que o senhor concordaria que Jesus saberia melhor do que qualquer outra pessoa! No entanto, o corpo de Jesus era um corpo físico glorificado, capaz de atravessar paredes (João 20:19-20) e desaparecer (Lucas 24:31).

Tertuliano (198-220/240 d.C.) Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou em sua carne. Esse é o próprio fundamento do evangelho, nossa salvação. Cinco Livros Contra Marcião, livro 3, cap. 8, p. 328

Novaciano (250/254-256/7 d.C.) “Ele [Jesus] ressuscitou na mesma substância corporal em que morreu, o que é comprovado pelas feridas desse mesmo corpo; e, assim, Ele nos mostra as leis da nossa ressurreição em Sua carne, na medida em que restaurou, em Sua ressurreição, o mesmo corpo que Ele recebeu de nós.” Tratado sobre a Trindade, cap. 10, p. 620.

Adamantio (c. 300 d.C.) discute o que aconteceria se Jesus tivesse sofrido apenas em aparência. “Se Ele sofreu em aparência, e não na realidade, Herodes julgou-O apenas em aparência; em aparência, Pilatos lavou as mãos em relação a Ele, e em aparência Judas O traiu. Caifás, da mesma forma, entregou-O em aparência; os judeus O prenderam em aparência, e os apóstolos… Até mesmo Seu sangue foi derramado apenas em aparência; os evangelistas pregaram o Evangelho apenas em aparência; Cristo desceu do Céu apenas em aparência e ascendeu apenas em aparência. A salvação da humanidade também foi apenas em aparência, e não na verdade. Por que, então, Cristo diz: ‘Eu sou a verdade’?” Diálogo sobre a Verdadeira Fé, quinta parte, cap. 851a, p. 149

P: Em Jo 20,1, Maria Madalena foi sozinha ao túmulo, ou Maria Madalena e a outra Maria (Mt 28,1), ou Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, conforme Marcos 16,1, ou Madalena, Joana, Maria, mãe de Tiago, e outras mulheres, conforme Lucas 24,10?

R: Maria Madalena, Joana, Maria, mãe de Tiago, e as outras mulheres foram todas. João 20,1 NÃO diz que Maria foi sozinha. Se várias mulheres foram, ainda é correto — embora não tão preciso — mencionar uma, duas ou três delas. Se algumas chegaram antes e outras logo em seguida, ainda é correto que um relato diga que algumas chegaram e que outro relato mencione o grupo inteiro.

P: Em Mt 28,2-5 e Mc 16,5, havia apenas um anjo, ou havia dois anjos, como em Lc 24,4 e Jo 20,12?

R: Se havia dois ou mais anjos, então também é correto afirmar que havia um anjo. Este é um dos muitos exemplos em que os relatos evangélicos são corretos, mas não precisos.

P: Em Mt 28,8, as mulheres contaram aos discípulos, ou não contaram a ninguém, como diz Mc 16,8? (Jesus, Interrupted, p. 48)

R: É óbvio que Marcos não quis dizer que as mulheres não contaram a ninguém pelo resto de suas vidas. Certamente, elas não contaram a ninguém que tivessem visto enquanto fugiam do túmulo. Se o senhor ler todo o trecho de Mateus 28:8-10, verá que as mulheres correram sem ter contado a ninguém ainda, e então Jesus as encontrou. Jesus disse para contarem aos meus irmãos (ou seja, aos discípulos). Se quisermos ser minuciosos, estritamente falando, Mateus 28 não diz, de fato, que as mulheres obedeceram e contaram a alguém. No entanto, as ações dos discípulos sugerem fortemente que as mulheres contaram aos discípulos.

P: Em Mt 28,9, Maria Madalena reconheceu Jesus quando ele apareceu a ela pela primeira vez, ou não o reconheceu, como diz João 20,14?

R: Mateus 28,9 não diz em quanto tempo Maria reconheceu Jesus; simplesmente relata que elas, por um momento, reconheceram Jesus. Em João 20,14, Maria não sabia que era Jesus a princípio. Mas João 20,15-17 também mostra que, em seguida, ela SIM reconheceu Jesus.

P: Em João 20,29, são abençoados aqueles que crêem sem ver, ou são abençoados aqueles que veem, conforme Lucas 10,23?

R: Jesus está dizendo duas coisas diferentes em contextos distintos, e ambos são abençoados, mas de maneiras diferentes.

Em João 20:29, Jesus NÃO disse que aqueles que viram pessoalmente uma aparição após a ressurreição não fossem abençoados. Em vez disso, Jesus disse a Tomé, que duvidava: “Porque você Me viu [agora], você creu; bem-aventurados são aqueles que não viram e, ainda assim, creram.” (BSB) Tomé estava fazendo da aparição de Jesus após a ressurreição o fundamento de sua fé. Jesus estava dizendo que são mais abençoados (altamente elogiados) aqueles que, embora tenham os milagres para sustentar sua fé, não fazem dos milagres o fundamento de sua fé, como Tomé fez.

Em Lucas 10,23, Jesus está dizendo aos discípulos (incluindo Tomé) que eles foram abençoados (mostraram-se altamente favorecidos) por verem em primeira mão as coisas que viram.

Qual é o fundamento da sua fé em Cristo? Se for apenas os milagres, e se Satanás perpetrar um milagre falso? Se for apenas a apologética, e se o senhor se deparar com um não-cristão que seja um debatedor melhor? Se for apenas ter uma resposta para cada objeção bíblica, e se alguém apresentar uma nova objeção bíblica para a qual o senhor não tenha resposta? O fundamento da nossa fé deve ser o nosso relacionamento com Cristo; todas essas outras coisas são úteis para sustentar a nossa fé, mas não devem ser o fundamento da nossa fé.

P: Em Lc 24,44, os judeus dividiam a Bíblia em três seções, ou apenas em duas, como mostra Mt 5,17?

R: Os judeus se referiam a ela das duas maneiras, assim como Jesus.

Lei e Profetas: Os judeus chamavam o Antigo Testamento de Lei e Profetas, conforme Mateus 5,17-18; Lucas 24,27 (Moisés e os Profetas); Zacarias 7,12 (Lei ou os profetas anteriores); 2 Macabeus 15,9; Manual de Disciplina de Qumrã 9.11.

Divisão em três partes (Lei, Profetas, Escritos): Prólogo do Eclesiástico (c. 132 a.C.), Filo de Alexandria (c. 40 d.C.): “…estudando naquele lugar as leis e os oráculos sagrados de Deus enunciados pelos santos profetas, bem como hinos, salmos e todo tipo de outras coisas…” Vida Contemplativa 25, p. 700; Josefo (37-100 d.C.), Contra Apion 1.8; e o Talmude Babilônico (século IV d.C.). O Prólogo de Eclesiástico menciona “a Lei, os Profetas e os outros livros dos pais”. Eclesiástico 39:1 diz: “lei, sabedoria, profecia”. A Carta Haláquica de Qumrã menciona “o livro de Moisés, os Profetas, Davi e a história da geração” (4QMMT).

Jesus aparentemente não se preocupava muito com a divisão exata, desde que os leitores compreendessem o que Ele queria dizer, pois Ele se referiu à Lei, aos Profetas e aos Salmos em Lucas 24:44.

P: Em Lc 24,49, os discípulos deveriam permanecer em Jerusalém, ou foram para a Galiléia, conforme Mt 28,10,16?

R: Primeiramente, foi-lhes dito que fossem para a Galiléia, o que fizeram após um atraso de oito dias. Em seguida, retornaram a Jerusalém, e Jesus lhes disse para permanecerem ali até que recebessem o poder do alto. Aqui está a ordem dos eventos durante os 40 dias em que Jesus esteve nesta terra, após Sua ressurreição e antes de Sua ascensão.

R2. “Ide para a Galiléia” foi o que um anjo lhes disse na manhã em que Jesus ressuscitou (Marcos 16:7). Jesus também apareceu às mulheres e lhes disse para dizerem aos discípulos que fossem para a Galiléia (Mateus 28:9-10).

R7. Em Jerusalém, à noite do mesmo dia em que Jesus ressuscitou, enquanto os dois conversavam com os onze, Jesus apareceu a dez discípulos (João 20:19-23).

R9. Oito dias depois, Jesus apareceu novamente a todos os discípulos, incluindo Tomé (João 20:19, 24-29).

R10. Eles foram para a Galiléia, às margens do Mar de Tiberíades [Galiléia] (Mateus 28:19-20; João 21:1-24).

R14. Eles retornaram a Jerusalém, permanecendo ali ou em Betânia, um subúrbio. (implícito)

R15. Enquanto comiam, Jesus ordenou-lhes que permanecessem em Jerusalém até que recebessem o poder do alto (Lucas 24:49; Atos 1:4). Eles obedeceram a essa ordem (Lucas 24:52).

R16. Jesus os conduziu a Betânia, um subúrbio de Jerusalém situado na encosta do Monte das Oliveiras (Lucas 24:50).

R17. Quarenta dias após a Ressurreição (Atos 1:3), Jesus ascendeu ao Céu nas nuvens (Marcos 16:19; Lucas 24:50-51; Atos 1:9-11).

R19. Eles foram cheios do poder do Espírito Santo no Pentecostes, que ocorreu 50 dias após a Páscoa (Atos 2).

R20. Depois disso, eles circulavam livremente entre Jerusalém e outras cidades.

Consulte a pergunta sobre a harmonia após a Ressurreição para obter a sequência completa dos eventos.

P: O “Testimonium Flavianum” de Josefo, em Antiguidades dos Judeus 18.63-64, é historicamente confiável?

R: Primeiro, o que está escrito em grego; em seguida, uma discussão. Diz o seguinte: “Por volta dessa época viveu Jesus, um homem sábio, se é que se deve chamá-lo de homem. Pois ele era alguém que realizava feitos surpreendentes e era mestre de pessoas que aceitavam a verdade de bom grado. Ele conquistou muitos judeus e muitos gregos. Ele era o Cristo. Quando Pilatos, ao ouvi-lo ser acusado pelos homens de mais alta posição entre nós, o condenou à crucificação, aqueles que desde o início passaram a amá-lo não abandonaram seu afeto por ele. No terceiro dia, ele apareceu a eles ressuscitado, pois os profetas de Deus haviam profetizado essas e inúmeras outras coisas maravilhosas a respeito dele. E a tribo dos cristãos, assim chamada em sua homenagem, ainda hoje não desapareceu.”

Michael J. Wilkins e J.P. Moreland, em *Jesus Under Fire: Modern Scholarship Reinvents the Historical Jesus*, pp. 212-213, afirmam: “A opinião acadêmica sobre essa passagem pode ser dividida em três correntes: (1) aqueles que defendem a autenticidade essencial da passagem; (2) aqueles que rejeitam a passagem inteira; (3) aqueles que acreditam que a passagem possui um núcleo autêntico, mas também inclui inserções cristãs. A maioria dos estudos acadêmicos recentes tem favorecido a última opinião.” A versão árabe, de Agápio, bispo melquita de Hierápolis, na Síria, do século X, diz “boa conduta” em vez de “milagres”; após “três dias”, aparece a palavra “relato”; e “talvez” é inserido antes de “ele era o Messias”. Eusébio de Cesareia (ativo por volta de 325 d.C.) cita essa passagem, mas Orígenes (225-254 d.C.) observa que Josefo falou de Tiago, mas NÃO falou de Cristo em *Contra Celso*, livro 1, cap. 47, p. 416; livro 2, cap. 13, p. 437.

P: Quais escritores antigos se referiram aos evangelhos como “evangelhos”?

R: Aqui está a lista.

A Diogneto (c. 130-200 d.C.), cap. 11, p. 29: “…a fé dos evangelhos está estabelecida, e a tradição dos apóstolos é preservada…”

Justino Mártir (151-155 d.C.) “Pois os apóstolos, nas memórias por eles redigidas, que são chamadas de Evangelhos, nos transmitiram assim o que lhes foi encomendado;” Primeira Apologia de Justino, cap. 66, p. 185

Teófilo a Autólico (168-181/188 d.C.), livro 3, cap. 12, p. 114, afirma: “encontram-se tanto nos profetas quanto nos Evangelhos, pois todos falaram inspirados por um único Espírito de Deus.”

Hegesipo (c. 170 d.C.), em *Cinco Livros de Comentários sobre os Atos da Igreja*, cap. 3, vol. 8, p. 764, menciona as Escrituras dos Evangelhos.

Cláudio Apolinário (160-180 d.C.) menciona Mateus, os Evangelhos e a Lei. *Padres Ante-Nicenos*, vol. 8, cap. 772

Irineu de Lyon (182-188 d.C.): “Não é possível que os Evangelhos sejam em número maior ou menor do que são. … o ‘pilar e fundamento’ da Igreja é o Evangelho e o espírito de vida; convém que ela tenha quatro pilares, exalando imortalidade por todos os lados.” Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 11.8

Irineu menciona “o exame dos evangelhos” em Irineu, Contra as Heresias, livro 2, cap. 22.3, p. 390.

Cânon Muratoriano (c. 190-217 d.C.). O terceiro livro dos evangelhos é Lucas. Cânon Muratoriano 1. (Assim, Mateus e Marcos, cujos nomes não são mencionados, são contados como dois.)

Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.) menciona as profecias, os evangelhos e as palavras apostólicas em “Quem é o Homem Rico que Será Salvo”, cap. 42, p. 604

Tertuliano (198-220 d.C.) afirma que Marcião “se esforça arduamente para destruir a credibilidade dos Evangelhos que são publicados como autênticos e em nome dos apóstolos, a fim de, na verdade, garantir para o seu próprio Evangelho o crédito que ele retira deles”. “Cinco Livros Contra Marcião”, de Tertuliano, livro 4, cap. 3, p. 348. Ver também livro 5, cap. 2, p. 432, e “Sobre a Ressurreição da Carne”, cap. 33, p. 568

Tertuliano (c. 213 d.C.) “Ou talvez, afinal, ele estivesse apenas acusando os Evangelhos de mentira, dizendo, na verdade: ‘Fora com Mateus; fora com Lucas!’ Contra Praxeas, cap. 1, p. 597

Hipólito (225-235/6 d.C.) menciona os Evangelhos em “A Refutação de Todas as Heresias”, livro 6, cap. 24, p. 85.

Orígenes (225-254 d.C.) dedica dois capítulos inteiros à explicação de por que os evangelhos — e nenhum outro livro — são chamados assim em *Comentário sobre João*, livro 1, capítulos 7 e 8, p. 300, 301

Orígenes (225-254 d.C.) falou do Novo Testamento e afirmou que havia apenas quatro evangelhos. *Comentário sobre João* de Orígenes (225-231 d.C.), livro 1, capítulo 1, p. 299.

Novatiano (250-257 d.C.): “Pois tanto as antigas profecias quanto os Evangelhos testificam que Ele é o filho de Abraão e o filho de Davi.” Tratado sobre a Trindade, cap. 9, p. 618

Tratado sobre o Rebatismo, cap. 17, p. 677 (250-258 d.C.) “Pois, quanto a esse batismo adúltero, sim, assassino, se houver algum outro autor, trata-se certamente de um livro elaborado por esses mesmos hereges em defesa desse mesmo erro, intitulado A Pregação de Paulo; nesse livro, contrariamente a todas as Escrituras, o senhor encontrará tanto Cristo confessando Seu próprio pecado — embora Ele, sozinho, não tivesse cometido pecado algum — quanto sendo quase compelido por Sua mãe Maria, contra a sua vontade, a receber o batismo de João. Além disso, que, quando Ele foi batizado, viu-se fogo sobre a água, o que não está escrito em nenhum dos Evangelhos.”

Cipriano de Cartago (246-258 d.C.) menciona os Evangelhos na Carta 72, cap. 17, p. 383

Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.) menciona os quatro “evangelistas” pelo nome. Carta ao Bispo Basilides, cânon 1, p. 94

Adamantio (c. 300 d.C.) menciona quatro que pregaram o evangelho, mas eles pregaram o mesmo, de modo que os quatro evangelhos são um único evangelho. “Diálogo sobre a Verdadeira Fé”, primeira parte, cap. 6, p. 43.

Victorino de Petau (martirizado em 304 d.C.) afirma que o mundo é composto de quatro elementos, assim como há quatro evangelhos, quatro gerações de Adão a Noé, de Abraão a Moisés, quatro rios no paraíso, quatro soldados na crucificação, quatro seres vivos e quatro estações do ano. Sobre a Criação do Mundo, p. 341

Metódio (280-312 d.C.): “Por essa razão, também, foram dados quatro Evangelhos, porque Deus concedeu o Evangelho à raça humana por quatro vezes”, “O Banquete das Dez Virgens”, Discurso 10, cap. 2, p. 348

Atanásio (318 d.C.) cita Lucas 19,10: “como Ele [Jesus] mesmo diz nos Evangelhos: ‘Vim para buscar e salvar o que estava perdido’”. A Encarnação do Verbo, cap. 14, p. 43

Atanásio (318 d.C.) cita Lucas 19,10: “Ele [Jesus] diz Ele mesmo nos Evangelhos: ‘Vim para buscar e salvar os que estavam perdidos’”. *Encarnação do Verbo*, cap. 14, p. 43

Alexandre de Alexandria (313-326 d.C.) menciona Deus, que nos deu a Lei, os profetas e os Evangelhos. Epístolas sobre a Heresia Ariana, Epístola 1, cap. 12, p. 295

Após Nicéia

A *História Eclesiástica* de Eusébio (318 d.C.), livro 3, cap. 24, p. 152, discute os quatro evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. *Padres Nicenos e Pós-Nicenos*, Segunda Série, vol. 1, p. 152

Juvêncio (329 d.C.) (parcial) escreveu um poema épico utilizando os quatro evangelhos, mas não os chamou de evangelhos.

Hegemônio (século IV) menciona os “evangelhos” em *Disputa com Manes*, cap. 5, p. 182

Diodoro (262-278 d.C.) recorre ao “apóstolo Paulo e aos Evangelhos”, em *Disputa com Manes*, cap. 45, p. 221

Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.): “Mais uma vez, os Evangelhos completam o que falta uns nos outros: aprendemos algumas coisas de um, outras de outro, e assim por diante, pois todos são a proclamação do mesmo Espírito.” *A Trindade*, livro 10, cap. 42, p. 193

Atanásio (367 d.C.) “Mais uma vez, não é enfadonho falar dos [livros] do Novo Testamento. Estes são os quatro Evangelhos, segundo Mateus, Marcos, Lucas e João.” (Carta Festiva de Atanásio, n.º 39, cap. 5, p. 552)

*Synopsis Scripturae Sacrae* (350-370 d.C. ou século V)

O Cânon de Cheltenham (= Catálogo de Mommsen) (c. 360-370 d.C.) menciona os evangelhos.

Efraim/Efrem, compositor de hinos sírio (350-378 d.C.)

Basílio da Capadócia (357-378/379 d.C.)

Sínodo de Laodicéia (na Frígia) (343-381 d.C.) – o cânon 60, p. 159, enumera os livros do Antigo Testamento e do Novo Testamento. O cânon 59, p. 158, afirma que apenas os livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento podem ser lidos na igreja.

Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) afirma que havia apenas quatro evangelhos na Palestra 4:36, p. 27

Gregório de Nazianzo (330-391 d.C.)

Paciano de Barcelona (342-379/392 d.C.)

Anfilóquio, em “Iambi ad Seleucum” (antes de 394 d.C.)

Gregório de Nissa (c. 356-397 d.C.) menciona os Evangelhos em *Contra Eunômio*, livro 2, cap. 4, p. 104, e em *Sobre as Mortes Prematuras de Crianças*, p. 378

O Catálogo Sírio de Santa Catarina (c. 400 d.C.) menciona os Evangelhos.

Epifânio de Salamina (360–403 d.C.) menciona os quatro Evangelhos, as 14 cartas de Paulo, Tiago, Pedro, João e Judas, os Atos dos Apóstolos, o Apocalipse de João, a Sabedoria de Salomão e o Eclesiástico.

O Papa Inocêncio I de Roma (c. 405 d.C.) menciona os quatro evangelhos.

O Comentário de Rufino sobre o Credo dos Apóstolos (374-406 d.C.) menciona os quatro evangelhos.

João Crisóstomo (martirizado em 406 d.C.) discute, na Homilia 1.6, p. 3, do Evangelho de Mateus (vol. 10), que existem quatro evangelhos, e não apenas um.

Orosio/Hósio de Braga (414-418 d.C.) menciona os evangelhos. “Defesa contra os pelagianos”, cap. 7, p. 123

Concílio de Cartago (218 bispos) (393-419 d.C.)

Sulpício/Sulpício Severo (363-420 d.C.) menciona os Evangelhos em “Diálogo 1”, cap. 26, p. 37, e “Diálogo 2”, cap. 13, p. 45, de Sulpício Severo

Jerônimo (417-420 d.C.) menciona cada um dos quatro evangelhos pelo nome como a “equipe de quatro” do Senhor na carta 53.9, p. 101.

Sozomeno (370-380/425 d.C.) menciona os Evangelhos na *História Eclesiástica* de Sozomeno, livro 2, cap. 14, p. 267.

Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) menciona as Epístolas de Paulo e, em seguida, os quatro livros do Evangelho. Em *Sobre o proveito da fé*, cap. 7, p. 350

João Cassiano (419-430 d.C.)

Vicente de Lerins (c. 434 d.C.)

A “História Eclesiástica” de Sócrates (c. 400-439 d.C.), livro 3, capítulo 16, página 87, afirma que Apolinário expôs os Evangelhos.

A “História Eclesiástica” de Sócrates (c. 400-439 d.C.), livro 3, cap. 20, p. 89, menciona os judeus, a Lei de Moisés e Cristo nos santos evangelhos.

Evidências de hereges e livros espúrios

O herege encratita Tatiano (c. 172 d.C.) escreveu uma harmonia dos quatro evangelhos chamada Diatessaron, que significa “através dos quatro”.

X Megétio (c. 300 d.C.), que se autodenominava seguidor de Marcião, em seu debate com Adamantio afirma rejeitar os quatro evangelhos. “Diálogo sobre a Verdadeira Fé”, primeira parte, cap. 1, p. 36

O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.) cita Mateus 5:23-24 como tendo sido proferido pelo Senhor nos Evangelhos. Comentário sobre Malaquias, cap. 2, p. 410

O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.) cita Marcos 10:2-9 como “proferido pelo Senhor nos Evangelhos”. Comentário sobre Malaquias, cap. 2, p. 412

O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.) faz alusão a Lucas 11:42 como “nos evangelhos”. Comentário sobre Oséias, cap. 5, p. 63