< Pergunta bíblica sobre Efésios

 

P: Em Ef 1,1, quando foi escrita a Carta aos Efésios?

R: Paulo estava preso na época em que escreveu, de acordo com Efésios 3:1; 4:1; 6:20. Paulo poderia ter escrito enquanto estava preso em Cesareia, entre 57 e 59 d.C., ou enquanto estava preso em Roma, entre 60 e 62 d.C.

 

P: Em Ef 1,1, a Carta aos Efésios foi realmente escrita aos efésios?

R: Certamente foi dirigida às igrejas da região, mas alguns manuscritos antigos não contêm as palavras “em Éfeso”.

Evidências de que “em Éfeso” foi acrescentado posteriormente:

1. O p46 Chester Beatty II, de 100-150 d.C., não apresenta lacunas nem espaço para essas duas palavras. Esse manuscrito também contém Gálatas, Filipenses, Colossenses, 1 Tessalonicenses, 1 e 2 Coríntios, e, em cada caso, o nome da cidade aparece onde deveria. (Embora contenha partes de Romanos, Romanos 1-4 não estavam presentes.)

2. Os manuscritos alexandrinos Vaticanus (325–350 d.C.) e Sinaiticus (340–350 d.C.) não apresentavam essa menção. Em ambos, ela foi acrescentada posteriormente por um corretor.

3. Os primeiros escritores que não mencionam “em Éfeso” são Tertuliano (escreveu em 207 d.C.) e Orígenes (225-253/254 d.C.).

4. O livro atual *Manual para Resolver Dificuldades Bíblicas*, p. 294, menciona que, se Paulo tivesse escrito apenas aos efésios, seria de se esperar que houvesse saudações pessoais às pessoas com quem ele havia convivido por três anos, mas não há nenhuma.

5. Da mesma forma, em Efésios 1,15, parece que Paulo está se referindo a uma região, e não apenas à cidade onde havia vivido por três anos.

6. Orígenes e Jerônimo afirmaram que a expressão “em Éfeso” não constava nos melhores manuscritos de que dispunham, embora Jerônimo, ao enumerar os escritos da Igreja, tenha afirmado que Paulo escreveu uma carta aos efésios (Jerônimo e Gennádio (c. 485-492 d.C.), capítulo 5). Tertuliano também afirmou que os seguidores de Marcião consideravam que esta carta fosse dirigida aos laodicenses.

Entre aqueles que defendiam a teoria circular estavam Teodoro de Beza e o arcebispo James Ussher.

Evidências de que “em Éfeso” era o texto original:

1. O escritor primitivo Inácio, em sua Carta aos Efésios (110–117 d.C.), no capítulo 12, afirma que Paulo faz menção aos efésios em sua carta.

2. Quanto à presença das palavras “em Éfeso”, tanto o Sinaítico quanto o Vaticano apresentam essas palavras acrescentadas no manuscrito por outra mão.

3. O Alexandrinus (c. 450 d.C.), o Claromontanus (séculos V/VI) e o Lecionário Bizantino contêm “em Éfeso”.

4. O teólogo João Crisóstomo (392-407 d.C.) menciona isso em seu comentário. Os comentários de Crisóstomo contêm citações diretas das Escrituras.

5. Uma carta circular pareceria contrariar a missão de Tíquico, que era levar a carta a Éfeso, conforme Efésios 6,21-22. Tíquico também levou outra carta aos colossenses, conforme Colossenses 4,7-9.

6. Não há outras cartas circulares de que tenhamos conhecimento na Igreja primitiva que não mencionem o nome da cidade ou da pessoa.

7. Esta teria sido a única carta circular conhecida que Paulo teria escrito.

Conclusão: ou a expressão “em Éfeso” foi suprimida de alguns manuscritos, como o Chester Beatty II, antes de 100-150 d.C., ou foi acrescentada a alguns manuscritos antes de c. 117 d.C. Este é um exemplo de uma variante muito antiga nas Escrituras, em que não temos certeza de nenhuma das duas possibilidades.

 

P: Em Ef 1,1, qual é o esboço da Epístola aos Efésios?

R: Quase todos concordam que o livro está dividido em duas partes: capítulos 1–3 e 4–6. Além disso, há muita divergência. Aqui está um esboço.

Ef 1-3 Nossa posição em Jesus Cristo

- Ef 1: O mistério da vontade de Deus

- - Ef 1:1-2 Saudações

- - Ef 1:3-14 Nossa posição nos lugares celestiais

- - Ef 1:15-23 É preciso que saibam como tudo mudou para vocês

- Ef 2 O mistério de estar vivo em Cristo

- Ef 3 O mistério da união entre judeus e gentios em Cristo

Ef 4-6 Nossa vida em Jesus Cristo

- Ef 4 Andem de maneira digna do chamado

- Ef 5:1-20 Sejam imitadores de Deus

- Ef 5:21-6:9 Submetam-se uns aos outros

- Ef 6:10-20 Revistam-se da armadura de Deus

Ef 6:21-24 O mensageiro Tíquico e a despedida

 

P: Em Ef 1:3, 17 e 1 Pe 1:3, o Pai é o Deus de Jesus?

R: Dentro da Trindade, sim. Hebreus 1:9 mostra múltiplos sentidos da palavra “Deus” quando diz: “Por isso, Deus, o seu Deus, o ungiu” (BSB). É preciso distinguir entre natureza e função. Todos os três são Deus na Trindade, mas, dentro da Trindade, o Pai tem a função preeminente, como Deus para Jesus. O Filho não é inferior ao Pai, mas Sua função é subordinada à do Pai.

 

P: Visto que Efésios 1:3-14 é considerado por Bart Ehrman como sendo uma única frase em grego, assim como Colossenses 1:3-8, o comprimento das frases indica que elas não foram escritas por Paulo, que geralmente escrevia frases curtas? (Bart Ehrman afirmou isso em *Jesus, Interrupted*, p. 126)

R: Não. Não só Ehrman se opõe ao consenso sobre onde ocorrem as quebras de frase, como essas frases não são muito mais longas do que aquelas que Ehrman reconhece como provavelmente escritas por Paulo. Há quatro pontos para responder a essa alegação.

1) Os manuscritos gregos antigos não possuíam pontuação, de modo que só é possível inferir o que seria um ponto final em comparação com um ponto-e-vírgula ou uma vírgula.

2) Mesmo que Deus nos revelasse uma “pontuação divinamente inspirada”, ainda assim seria uma estatística falaciosa, pois a frase mais longa dependeria não apenas do tamanho do livro, mas também do tema tratado. Por exemplo, será que Paulo escrevia mais teologia profunda na parte inicial de seus livros e mais saudações curtas no final, e será que a proporção entre a teologia inicial, a aplicação no meio e as saudações finais era diferente de um livro para outro?

3) Ef 1,3-6; 1,7-10; 1,11-12 e 1,13-14 não constituem uma, mas quatro frases, de acordo com a obra *The Greek New Testament*, de Aland et al., 4ª edição revisada (1998). O *Novum Testamentum Graece* de Nestle-Aland (1993) afirma o mesmo. Ehrman nunca indicou a fonte que o levou a considerar que se tratava de apenas uma frase. No entanto, 23 anos antes, a 3ª edição de 1975 de *The Greek New Testament*, de Aland et al., apresentava esses trechos como uma única frase; por isso, suspeito que ele estivesse utilizando a versão muito mais antiga. Mais uma vez, porém, o grego original não possuía pontuação; portanto, basear um argumento na forma como as pessoas do final do século XX acreditavam que os pontos deveriam ser colocados — antes de mudarem de opinião — é, na melhor das hipóteses, um argumento duvidoso.

4) Em contraste com o terceiro ponto, Ehrman, Aland et al. (4ª edição revisada), Aland et al. (3ª edição) e Nestle-Aland concordam que Colossenses 1:3-8 constitui uma única frase. Ela tem 156 palavras. Ehrman escreve: “Colossenses 1:3-8 é, na íntegra, uma única frase em grego; é uma frase gigantesca e bem diferente do tipo de frase que Paulo costumava escrever. Efésios 1:3-14 é ainda mais longo, com doze versículos — nada a ver com o estilo de Paulo.” (Jesus, Interrupted, p. 126). Ehrman não apresenta nenhuma base para comparação, mas eu forneço uma a seguir.

 

Frase

Número de palavras das frases mais longas

Total de palavras em grego no livro

Referências

2 Tessalonicenses

158, 57, 54

823

2 Ts 1,3-10; 2 Ts 2,8-10; 2 Ts 2,1-3a

Colossenses

156, 123, 102

1.578

Colossenses 1:11b-20, Colossenses 1:24-29, Colossenses 1:3-8

Romanos

139, 123, 113

7.109

Rm 9:19-26; Rm 4:16-21; Rm 2:2-8

Hebreus

135, 72, 65

4.953

Hb 8:8-12; Hb 1:1-4; Hb 2:2-5

Efésios

124, 124, 104

2.421

Ef 2:1-7, Ef 4:11-16, Ef 3:1-7

2 Coríntios

118, 86

4.476

2 Coríntios 6:2b-10; 1:8-11

2 Timóteo

105, 61, 34

1.238

2 Timóteo 1:8-12; 2 Timóteo 1:3-5; 2 Timóteo 1:6-7

1 Tessalonicenses

104, 81

1.429

1 Tessalonicenses 3:9-13; 1 Tessalonicenses 1:2-5

1 Coríntios

95, 72

6.847

1 Coríntios 1:20-25; 1 Coríntios 12:15-18

Filemom

94, 47

335

Filemom 8-14; Filemom 4-6

Gálatas

93, 76

2.230

Gálatas 2:6-10; Gálatas 2:14-16

Filipenses

88, 82

1.629

Filipenses 1:3-7; Filipenses 1:27-30

Tito

65, 57

659

Tito 1:1-4; Tito 3:4-7

1 Timóteo

56, 56

1.591

1 Timóteo 1:8-11; 1 Timóteo 3:2-6

Lc 1-7

165, 95, 77

5.960

Lc 3,23-28; Lc 1,67-75; Lc 3,15-17

Atos 1-6

108, 89, 87

3.582

Atos 4,5-10; Atos 3,12-15; Atos 1,1-5

Atos 7-12

72, 65, 64

3.971

Atos 7:38-40; Atos 10:36-38; Atos 7:44-46

 

Ehrman concorda que os livros em itálico são, muito provavelmente, de autoria de Paulo. A “frase gigantesca” de 102 palavras em Colossenses 1:3-8 não só é mais curta do que outras frases em Colossenses, como também mais curta do que muitas outras frases em livros que Ehrman reconhece como sendo de autoria de Paulo. A frase mais longa em cada livro e a seleção dos livros que ele reconhece como sendo de autoria de Paulo parecem aleatórias.

 

P: Em Efésios 1:4, como somos escolhidos por Deus?

R: Alguns acreditam que Deus conhecia tudo de antemão antes de fazer qualquer escolha ou predestinar qualquer coisa. Outros acreditam que Deus predestinou tudo antes de fazer uso de Seu conhecimento prévio. Há apenas dois versículos em que o conhecimento prévio de Deus e a predestinação/eleição de nós aparecem no mesmo versículo.

Romanos 8:29 “Pois aqueles que Deus conheceu de antemão, também os predestinou” (BSB)

1 Pedro 1:2 “escolhidos segundo a presciência de Deus Pai” (BSB)

Nesses versículos, a presciência precede a predestinação/eleição.

Com a crucificação de Jesus, a ordem se inverte.

Atos 2:23 “Ele [Jesus] foi entregue segundo o desígnio e a presciência de Deus” (BSB)

No entanto, nenhum versículo da Bíblia afirma que Deus precisasse ter completamente um antes de ter o outro.

Em resumo, Deus pode nos escolher da maneira que Lhe aprouver. Sabemos que Deus revelou que é justo, generoso e não faz nada sem qualquer motivo. No entanto, Deus não parece sentir-se obrigado a nos revelar todas as Suas razões.

 

P: Em Ef 1,4-5, tudo é predestinação?

R: Tudo o que existe é predestinado, até mesmo o fato de Deus nos permitir a liberdade de fazer escolhas sem o Seu controle total. Nada acontece a não ser o que Deus conhece, permite e faz parte do Seu plano. No entanto, Deus permite que as pessoas façam coisas que Ele especificamente não desejava (veja as coisas más mencionadas em Jeremias 5:28; 8:19; 12:8; Ezequiel 8:6).

Como disse Francis Schaeffer em *A Igreja no Fim do Século XX*: “Podemos glorificar a Deus, e tanto o Antigo quanto o Novo Testamento afirmam que podemos até mesmo entristecer a Deus. Isso é algo extraordinário.” (Hinos para o Povo de Deus, n.º 364) Consulte também a próxima pergunta para obter mais informações.

 

P: Em Efésios 1:4-5, os cristãos devem acreditar na predestinação?

R: Certa vez, um cristão bastante maduro me disse que não acreditava na predestinação. Por acaso, eu sabia que ele lia a Bíblia regularmente, embora deva admitir que tive minhas dúvidas depois que ele fez essa afirmação insensata.

Efésios 1:5 e outros versículos mostram que acreditar na predestinação não é uma opção para um cristão, da mesma forma que acreditar que Deus é santo não é uma opção. É verdade que as pessoas podem acreditar em várias verdades e equívocos sobre a predestinação, mas a própria palavra é clara na Bíblia. Deus não apenas sabe tudo sobre cada um de nós antes mesmo de nascermos, mas também escolheu nosso destino antes que alguém nascesse. A predestinação não é uma doutrina “calvinista”. Trata-se, na verdade, de uma doutrina bíblica. Independentemente de um cristão se considerar calvinista, não calvinista ou arminiano, acreditar que um Deus onisciente nos escolheu antes mesmo de nascermos deve fazer parte de sua teologia.

 

P: Em Ef 1,4-5, como a predestinação de Deus se encaixa?

R: Aqui estão alguns pontos que as Escrituras revelaram.

1. Deus pode fazer o que Lhe apraz. Ele é soberano sobre cada detalhe, de modo que nada acontece além do que Deus permite (Jó 1:12; Tiago 4:15).

2. Deus pode fazer o que Lhe apraz. Ele controla direta e expressamente todos os eventos que deseja (Isaías 14:24,27; 43:13; 55:11; João 10:26; Hebreus 6:17).

3. Deus pode fazer o que Lhe apraz. Ele não escolheu controlar direta e expressamente alguns eventos (Jeremias 5:29; 8:19; 12:8; Ezequiel 8:6).

4. Deus pode fazer o que Lhe apraz. Todo evento, mesmo aqueles permitidos e não controlados, está entrelaçado em Seu propósito supremo (Efésios 1:11; Provérbios 16:4, 33; Romanos 11:36; 1 Coríntios 8:6; Apocalipse 4:11).

 

P: Em Ef 1:4-5, quais são alguns equívocos sobre a predestinação?

R: Em Efésios 1:4-5, quando se diz que Deus nos predestinou, então, se acreditamos na autoridade das Escrituras, temos de acreditar que Deus nos predestinou. Também possuímos livre arbítrio, corretamente definido. Talvez você tenha dificuldade em compreender a predestinação, porém, porque há alguns equívocos sendo ensinados a respeito dela. Permitam-me compartilhar quatro pontos que podem ajudar.

Deus conhece tudo sobre o futuro com certeza, mas Seu conhecimento não restringe nosso livre arbítrio nem diminui nosso conhecimento. Não podemos dizer: “Deus sabia que eu iria fazer isso, então eu não tive escolha, tive que fazer”. Em Atos 2:23, Jesus Cristo foi entregue aos judeus pelo propósito estabelecido e pela presciência de Deus; no entanto, aqueles que crucificaram Jesus eram culpados de pecado (João 19:11). Eis um exemplo. Podemos ler um livro sobre George Washington atravessando o rio Delaware há mais de 200 anos. Nosso conhecimento quase certo, obtido por meio do livro, não forçou George Washington a fazer isso. Suponha que pudéssemos voltar no tempo, em uma máquina do tempo, até 400 anos atrás, e levar o livro conosco. Ainda assim, não teríamos feito nada que forçasse George Washington a fazer alguma coisa. Deus existe fora do tempo (Tito 1:2), assim como dentro dele, e Sua presciência não nos obrigou a fazer nada.

A presciência de Deus a nosso respeito precede Sua predestinação/escolha nos dois versículos que mencionam ambos juntos (Romanos 8:29; 1 Pedro 1:2). Os calvinistas tendem a inverter essa ordem. Deus escolhe todos aqueles que Ele escolhe e, em seguida, tem presciência. Os arminianos tendem a afirmar que Deus escolheu antes do início dos tempos com base em Sua presciência. No entanto, se Deus realmente está fora do tempo, então ambos os atos poderiam ser simultâneos.

A soberania do Deus Todo-Poderoso não nega o nosso livre arbítrio, embora os calvinistas frequentemente afirmem o contrário. Algumas coisas aconteceram que “não passaram pela mente de Deus”, como os sacrifícios de crianças em Jeremias 32:35, e pessoas morreram que não deveriam ter morrido em Ezequiel 13:19. Algumas coisas acontecem que entristecem a Deus. No entanto, por outro lado, tudo concorre para o bem, de acordo com o plano de Deus (Efésios 1:11). Como conciliar essas duas ideias? Por meio do conceito de “soberania delegada”. Deus poderia ter controle total sobre tudo, de tal forma que nada pudesse desagradá-Lo e todos nós fôssemos robôs. No entanto, Deus, que pode fazer qualquer coisa, aparentemente escolheu delegar Sua soberania, por um tempo e dentro de limites, de modo que tenhamos a capacidade de escolher entre obedecer ou desobedecer a Deus. Deus aparentemente valorizou tanto o homem, feito à Sua imagem, que criou as pessoas para que pudessem escolher livremente amá-Lo. Deus valoriza isso tanto que permite que as pessoas O rejeitem e sofram as consequências de sua escolha.

O que é o livre arbítrio? Martinho Lutero escreveu um livro inteiro, intitulado *A Escravidão da Vontade*, no qual afirmava que o livre arbítrio era uma doutrina falsa. Lutero errou feio nessa questão, pois levou as coisas a extremos não bíblicos. Nascemos com uma vontade escravizada ao pecado (como Lutero concordaria), mas temos livre arbítrio para, ainda assim, clamar por ajuda. Temos livre arbítrio, e um viciado em drogas também o possui. O viciado em drogas pode não ter força para se libertar de seu vício, mas pode entrar por acaso em um centro de reabilitação, cair no chão e dizer: “ajude-me”. Algumas pessoas fariam a distinção entre um livre arbítrio moralmente neutro e irrestrito (o que não é bíblico) e o que nós possuímos, chamando este último de livre arbítrio. Outras pessoas, especialmente os cristãos da igreja primitiva, usavam o termo “livre arbítrio” para se referir ao conceito bíblico.

Em resumo, Deus nos predestina, e nós também temos livre arbítrio, quando bem compreendido. Antes do início dos tempos, a escolha de Deus de quem iria para o céu não foi cega nem caprichosa, mas cada dia de nossas vidas estava escrito no livro de Deus (Salmo 139:16) quando Ele nos escolheu.

 

P: Em Efésios 1:4-5, uma vez que somos predestinados para a salvação de acordo com o prazer e a vontade de Deus, o que dizer do prazer e da vontade de Deus para aqueles predestinados para o inferno?

R: A situação é semelhante àquela em que o amigo de George Washington foi condenado à forca por traição. Washington amava seu amigo e não queria vê-lo morrer. No entanto, George Washington também queria que a justiça fosse feita. Washington não fez nenhum esforço para intervir na sentença justa daquele homem por suas escolhas.

 

P: Em Efésios 1:4-13, antes do início dos tempos, Deus já sabia de antemão quem seria salvo e quem não seria. Por que, então, Ele precisa nos predestinar para sermos “adotados como seus filhos por meio de Jesus Cristo”, o que parece um tanto redundante? O que quero dizer é que, uma vez que Ele sabe que isso vai acontecer (pois existe fora do tempo), não há necessidade de predestiná-lo. As situações não teriam ocorrido de qualquer maneira, mesmo que Ele não as tivesse predestinado? Por que a presciência não é suficiente? Talvez minha confusão venha da minha compreensão da palavra “predestinação”. Espero que o senhor consiga entender onde estou tendo dificuldade para compreender esse conceito.

R: A predestinação de Deus em relação a nós tem pelo menos três aspectos.

1. Em última instância, a escolha de quem será salvo pertence a Deus, não a nós.

2. Deus faz com que todas as coisas contribuam para o bem dos predestinados (ver Romanos 8:28). Em outras palavras, nossas vidas são um “processo de preparação” para o Céu.

3. Deus também prepara um lugar para nós no Céu. Jesus disse que na casa de Seu Pai há muitas moradas. Não haverá nenhuma morada vazia no Céu, e ninguém no Céu deixará de ter um lugar preparado por Deus para si.

Alguém apresentou esta analogia. Talvez os portões do Céu tenham duas inscrições. Do lado de fora está escrito: “quem quiser”, e do lado de dentro: “Bem-vindos, vós que fostes escolhidos desde a fundação do mundo”.

Portanto, por um lado, não sejam como muitos calvinistas que afirmam que, como Deus faz a escolha, nosso papel é simplesmente passivo, como o de um fantoche. Por outro lado, não sejam como alguns arminianos e pensem que, como nós fazemos a escolha, o papel de Deus é meramente o de um juiz passivo. O Espírito Santo atua ativamente na vida das pessoas, e o Pai atrai as pessoas para Si mesmo; caso contrário, ninguém jamais seria salvo.

Existe um termo teológico para descrever a situação em que a vontade das pessoas escolhe algo, mas Deus decide usar essa escolha. Chama-se “concorrência”. Pode-se discutir se Deus conhece tudo de antemão e apenas predestina com base nesse conhecimento prévio, ou se Deus primeiro predestina tudo e só depois conhece de antemão. Nos dois trechos em que ambas as palavras são usadas em relação às pessoas, o conhecimento prévio vem primeiro. No entanto, não há necessidade de afirmar que Deus esteja restrito a fazer uma coisa antes da outra; ambas poderiam ter ocorrido ao mesmo “tempo”, da perspectiva de um Deus atemporal.

 

P: Em Ef 1,4-5, quais são algumas percepções calvinistas úteis sobre o livre arbítrio?

R: Embora eu não seja calvinista, consigo apreciar alguns dos conceitos levantados por certos calvinistas. Deve-se mencionar, porém, que outros calvinistas podem discordar deles.

Mistério: Loraine Boettner explica: temos livre arbítrio (mas não livre vontade), assim como os peixinhos dourados podem nadar livremente em um aquário. “A predestinação e a livre agência são os pilares gêmeos de um grande templo, e eles se encontram acima das nuvens, onde o olhar humano não consegue penetrar. Ou ainda, podemos dizer que a predestinação e a livre agência são linhas paralelas; e, embora o calvinista talvez não consiga fazê-las se unirem, o arminiano não consegue fazê-las se cruzarem.” (p. 222)

Decretos permissivos: Charles Hodge, do Seminário Teológico de Princeton, afirmou: “Deus nunca decreta fazer, nem fazer com que outros façam, o que Ele proíbe. Ele pode, como vemos que faz, decretar permitir o que Ele proíbe. Ele permite que os homens pequem, embora o pecado seja proibido.” (Dissertação de Curt Daniel, p. 230). Em *Escolhidos por Deus*, p. 97, R.C. Sproul escreve: “[Deus] ordenou a Queda no sentido de que escolheu permiti-la, mas não no sentido de que escolheu forçá-la.”

Concorrência: Louis Berkhof afirma: “A concorrência pode ser definida como a cooperação do poder divino com todos os poderes subordinados, de acordo com as leis de funcionamento pré-estabelecidas, fazendo com que ajam e ajam exatamente como agem.” Curt Daniel (p. 201) acrescenta: “Ele age nas coisas da Natureza, com elas e sob elas.”

Decretos dependentes: Deus não decretou expressamente tudo de forma independente. Conforme mencionam W. D. Smith e Charles Hodge, embora a ação do bem possa produzir reações malignas por parte de homens maus, essas reações malignas não são imputáveis a Deus, embora Ele também as tenha previsto em Seu plano. Como um cineasta cósmico, Deus decretou expressamente uma série de eventos específicos e deixou o filme rolar. Depois de assistir a várias “tomas”, Ele decretou a tomada que mais Lhe agradou. Se somos capazes de apagar e editar fitas de vídeo como bem entendermos, não pode Deus fazer o mesmo?

Interação: Combinando as explicações acima, segue-se uma solução não calvinista para a soberania e a liberdade. Não podemos esperar conhecer tudo sobre a obra de Deus (como o “mistério” de Boettner), mas podemos aprender o que é revelado no equilíbrio das linhas gerais das Escrituras, sem negar os detalhes de nenhum versículo. Deus tinha uma vontade decretada (como os decretos de Pink), uma vontade permissiva (como os decretos de Hodge) e uma vontade ordenada (ou seja, todos devem obedecer a Deus). A vontade de Deus em muitos assuntos interage com a nossa vontade (como a concordância de Berkhof) na medida em que Deus deseja. Talvez o mais maravilhoso dos decretos de Deus seja uma medida de liberdade, com a correspondente responsabilidade. Embora Deus não deseje, decrete ou queira o mal diretamente, Ele permite o mal (como nos decretos dependentes) como um “parasita existencial”, parte de Seu plano para realizar Seus propósitos, que incluem pessoas que escolhem livremente amá-Lo.

Todos os calvinistas devem levar a sério o que o calvinista Francis Schaeffer disse em *A Igreja no Fim do Século XX*: “Podemos glorificar a Deus, e tanto o Antigo quanto o Novo Testamento dizem que podemos até mesmo entristecer a Deus. Isso é extraordinário.” (Hinos para o Povo de Deus, n.º 364.)

Como Jesus disse em Mateus 23:37: “Ó Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados, quantas vezes desejei reunir os teus filhos, como a galinha reúne seus pintinhos debaixo das asas, mas não quiseste!” (BSB) Deus pode ficar triste por causa da nossa vontade.

 

P: Em Efésios 1:7, por que a Bíblia dá tanta ênfase ao sangue?

R: Porque o sangue de Jesus é tão importante. Seu sangue é tão precioso para nós, pois Jesus, ao derramar Seu sangue vermelho na cruz por nossos pecados, abriu o caminho para que as pessoas fossem para o Céu.

 

P: Em Ef 1,11 e Prov 16,4.33, de que maneira todas as coisas estão cooperando em conformidade com o propósito da vontade de Deus?

R: Embora todos possam ver como Deus pode usar coisas boas para Sua glória, Deus não se desculpa por usar coisas más também. Consulte a resposta em Gênesis 45:8 para obter mais informações sobre isso. Aqui estão algumas das maneiras pelas quais Deus pode usar o mal.

1. Para realizar uma tarefa específica e externa (Gênesis 45:8; Atos 2:23)

2. Para realizar uma mudança interna no coração (Juízes 3:7-8, etc.)

3. Como um aviso aos demais (Lucas 13:1-5)

4. Como meio de destruir outro mal (Habacuque 1)

5. Para refinar nossa fé (1 Pedro 1:6-7)

6. Para nos ajudar a morrer para o pecado (1 Pedro 4:1)

7. Para testar nossa fé e desenvolver a perseverança (Tiago 1:2-4)

8. Não por nossa causa, mas pelos outros (Colossenses 1:24)

9. Para servir de sinal aos incrédulos (Filipenses 1:28; João 9:1)

10. É algo inerente à vida cristã (2 Timóteo 3:12; Filipenses 1:29)

11. Para mostrar a Satanás e aos demais a qualidade de nossas vidas (Jó)

12. Às vezes, não conseguimos enxergar outras razões, a não ser que nossa perseverança glorifique a Deus (ver Jó 1:8-12; 2:2-6).

 

P: Em Efésios 1:13, uma vez que fomos incluídos em Cristo quando ouvimos o Evangelho, como fomos incluídos antes do início dos tempos, conforme ensina Efésios 1:4, e no futuro, conforme mostram Efésios 1:14 e Hebreus 9:28?

R: A Bíblia sugere que Deus é atemporal e, ao mesmo tempo, está dentro do tempo. Para um Deus atemporal, a resposta é todas as três: passado, presente e futuro.

Chuck Swindoll escreveu um excelente livreto de estudo bíblico sobre a salvação, discutindo esses aspectos.

Aspectos de presciência e predestinação no passado: Antes do início dos tempos, Deus conhecia o fim desde o princípio e todos os nossos dias (Salmo 139:16; Isaías 44:7; Efésios 1:4; Tito 1:2).

Aspectos relacionados aos eventos do presente: Quando ouvimos a palavra da verdade e invocamos o Senhor (Romanos 10:9-10), nos tornamos uma nova criação (2 Coríntios 5:17). Hebreus 4:2 e Atos 10:44 também mostram os aspectos do presente.

Aspectos presentes e contínuos: À medida que colocamos em prática em nossas vidas a salvação que está em nós, Deus está no processo de transformar nossas vidas (Filipenses 2:12-13; 1 Pedro 2:2; Hebreus 3:14; 4:11; 6:11).

Aspectos da esperança futura: Ansiamos pela consumação de nossa salvação (Hebreus 9:15, 28; Romanos 8:23-25; 1 Pedro 1:4-5, 9, 13; 1 Coríntios 15:50-53; 2 Coríntios 5:5).

 

P: Em Efésios 1:14 e 2 Coríntios 1:22, uma vez que temos a garantia e o selo do Espírito Santo, por que algumas pessoas se afastam?

R: Ser cristão não é fácil. Há várias razões pelas quais as pessoas podem se afastar.

1. Alguns nunca foram verdadeiramente cristãos desde o início (1 João 2:18-19; Atos 8:19-23).

1a. Elas podem enganar os outros (Mateus 7:15; 24:11).

1b. Podem até mesmo enganar a si mesmas com uma conversão falsa (Mateus 7:21-23; Hebreus 3:10-12).

2. Alguns cristãos genuínos se afastam, mas retornam. Os verdadeiros cristãos perseverarão.

3. Os cristãos genuínos divergem quanto à possibilidade de um cristão genuíno se afastar, nunca mais voltar e perecer no inferno para sempre. Os versículos que alguns utilizam para demonstrar que os cristãos podem se afastar incluem Hebreus 6:4-9; 10:26-32; 2 Pedro 2:17-22. Os versículos que alguns crentes utilizam para demonstrar que os cristãos genuínos sempre perseverarão e nunca perderão sua salvação são 1 João 5:13-14; Romanos 8:29-39; João 10:28-29.

 

P: Em Efésios 1:14, a expressão “posse adquirida” refere-se principalmente à nossa posse da salvação ou à posse que Deus tem de nós?

R: Os cristãos podem discordar sobre isso; vamos examinar o contexto para avaliar os argumentos de ambos os lados.

Nossa posse: Efésios 1 fala de nossa posição em Cristo, e Efésios 1:11,14 fala de nossa herança da redenção. 1 Pedro 1:3-4 refere-se à nossa esperança viva e à herança reservada para nós no céu. Embora vejamos o povo/posse de Deus também em 1 Pedro 2:9-10, o restante de Efésios 1 enfatiza o que temos em Cristo; portanto, está enumerando nossas posses.

Sua posse: Na verdade, poder-se-ia dizer que Efésios 1 não enfatiza apenas o que temos em Cristo, mas sim quem somos em Cristo. Embora se possa afirmar que “possuímos” nossa salvação no céu por meio dos méritos do que Cristo fez por nós, é mais reconfortante saber que somos “propriedade” de Deus como Sua posse adquirida, e que Deus cuida do que Lhe pertence. O livro *A Mensagem de Efésios*, de John R.W. Stott, pp. 46-47, defende essa visão.

 

P: Em Ef 1,14, o que é uma “penhor/garantia”?

R: A palavra grega para “penhor/garantia”, arrabon, provavelmente teve origem entre os comerciantes fenícios para designar um contrato, depósito ou adiantamento. O termo também era usado para designar um anel de noivado. Pode-se pensar no Espírito Santo em nós como nosso “anel de noivado”, prometendo nossa salvação definitiva e as bodas do Cordeiro.

 

P: Em Ef 1,15, como seria a vida de um cristão se ele tivesse grande fé, mas pouco amor?

R: Ele poderia estar falando a verdade, mas de uma forma que não ajuda ou que chega a ser destrutiva. Sem amor, seria como falar a verdade sem se importar. Às vezes, a repreensão pode ser confundida com isso, mas, em uma repreensão adequada, você se importa com o arrependimento da pessoa e expressa isso. O amor pode ser gentil e compassivo; o amor também pode ser um amor severo. Mas uma coisa que o amor não é: apático. Jonas falou a verdade sem amor, e Deus mostrou a ele que Jonas amava até mesmo uma planta mais do que se importava com todas aquelas pessoas.

 

P: Em Efésios 1:15, como seria a vida de um cristão se ele tivesse grande amor, mas pouca fé ou conhecesse apenas um pouco da fé?

R: Ele demonstraria empatia e compaixão, mas, em última análise, teria pouco a oferecer em termos de bons conselhos ou orientação.

 

P: Em Ef 1,16-18, Paulo está orando principalmente por algo que seus leitores já possuem ou por uma nova bênção?

R: De certa forma, ambas as coisas, mas não exatamente nenhuma delas. Os leitores de Paulo são crentes; portanto, já possuem algum conhecimento de Deus e compreensão iluminada. Mas Paulo ainda está orando por algo novo. Paulo está orando para que o conhecimento e a compreensão deles sejam aprofundados, muito além do que já possuem.

 

P: Em Ef 1,17, por que os efésios precisavam receber o Espírito de sabedoria e revelação, uma vez que todos os crentes já têm o Espírito dentro de si, conforme Romanos 8,9-11?

R: Todos os cristãos genuínos possuem o Espírito Santo, mas Deus ainda ordena que os cristãos genuínos sejam cheios do Espírito Santo. Parte disso inclui ser cheio de sabedoria e revelação.

 

P: Em Ef 1,18, a herança aqui referida é a nossa herança em Cristo, ou os santos como herança de Deus?

R: Embora ambas as interpretações sejam verdadeiras, a comparação deste versículo com Efésios 1:11,14 mostra que nossa herança é o significado principal aqui. A Bíblia, em muitos trechos, menciona nossas bênçãos como nossa “herança” enquanto filhos de Deus. Mas somos o povo de Deus, escolhidos dentre o mundo. Imagine um filho de uma família muito rica, que talvez ainda precise aprender a economizar seus centavos por enquanto, mas sabe que, quando atingir a maioridade, herdará uma grande fortuna. O(a) senhor(a) é essa criança! Mas a sua herança não consiste apenas em alguns pedaços de papel, pedrinhas de coleção ou pedaços de metal, mas em verdadeiras riquezas no céu.

Uma maneira de um crente encarar isso é pensar que ele ou ela possui o Espírito Santo. Mas outra maneira de encarar isso é pensar que o Espírito Santo os possui.

 

P: Em Ef 1,20, o que o senhor acha da afirmação do teólogo Rudolf Bultmann de que “Cristo ressuscitou no kerygma”, ou seja, apenas na fé e na proclamação de Seus discípulos?

R: Rudolf Bultmann era um herege destinado ao inferno, e nem mesmo muito bom em disfarçar isso. 1 Coríntios 15:1-8 mostra que, se alguém não acredita que Cristo ressuscitou dentre os mortos, de maneira visível, o que essa pessoa acredita é em vão. Portanto, Paulo está dizendo que, para uma pessoa que acredita dessa forma, sua fé é em vão, ou seja, não lhe trará nenhum benefício.

 

P: Em Ef 1,20; Hb 8,1; 10,12; At 2,25; 7,56 e assim por diante, como é que Jesus está à direita de Deus?

R: “À direita” era um termo que designava o lugar reservado ao convidado de maior honra, como mostra o Salmo 110:1.

 

P: Em Ef 1,21-22, uma vez que Cristo está acima de tudo, Ele também está acima de Deus Pai?

R: 1 Coríntios 15:26-28 responde a essa pergunta enfatizando que Cristo está acima de tudo, mas “tudo” claramente não inclui o próprio Deus.

 

P: Em Efésios 1:23, o que significa “plenitude” neste contexto?

R: Essa palavra grega para “plenitude”, pleroma, era um termo comum que podia ser usado para descrever uma tigela cheia de água, um navio carregado com sua carga ou um navio com sua tripulação completa. É como se uma casa não estivesse “cheia” se nem todas as crianças estivessem em casa. Nesse contexto, pode ser ativo — no sentido de que nós preenchemos a posse de Cristo no céu — ou passivo — ou seja, Cristo preenche a Igreja. Como há uma ambiguidade gramatical aqui, poderia ser ambas as coisas.

 

P: Em Ef 1,23, visto que a Igreja é o corpo de Cristo e a plenitude de Cristo, os cristãos deveriam ser venerados de forma semelhante à missa católica, na qual se veneram os elementos da Ceia do Senhor?

R: Não. Simples pessoas não devem ser adoradas, assim como o pão e o vinho não devem ser adorados. Adorem somente a Deus.

 

P: Em Ef 2,1, qual é a diferença aqui entre transgressões e pecados?

R: São sinônimos para a mesma coisa: transgressões contra Deus. Mas as duas palavras gregas aqui enfatizam aspectos diferentes. Uma transgressão (paraptoma) pode ser um tropeço, um passo em falso ao cruzar um limite ou ao se desviar do caminho certo. A palavra grega para “transgressão” também aparece com destaque em Colossenses 2:13. Um pecado (hamartia) significa uma falha em não atingir o alvo ou ficar aquém, como uma flecha que erra o alvo.

 

P: Em Efésios 2:1,5, de que forma estamos “mortos” em transgressões?

R: Esses versículos são uma espécie de laudo do legista. Mas, assim como os diamantes brilhantes ficam mais bonitos sobre um fundo de veludo escuro, a graça de Deus se destaca mais quando contrastada com nosso estado anterior de morte. Todos estavam mortos de pelo menos três maneiras: judicialmente, espiritualmente e, em menor grau, pela decadência física.

Judicialmente: Já estamos mortos da mesma forma que um criminoso condenado, com execução marcada para o dia seguinte, já está praticamente morto. Veja também a pergunta sobre Colossenses 2:13.

Espiritualmente: Embora os incrédulos ainda possam fazer algumas coisas relativamente boas (Mateus 7:10-11; Lucas 6:32-34), nossa morte espiritual é tão completa que ninguém pode sequer chegar a Deus, a menos que o Pai o atraia (João 6:44) e o Espírito Santo atue na vida do incrédulo (João 16:8-11). Eles não têm visão para contemplar a glória de Cristo. Assim como os mortos não podem falar com os vivos, os mortos espiritualmente não têm comunicação com Deus. Além disso, como cristãos, ainda precisamos de Cristo para sustentar nossa salvação (Judas 24; Romanos 8:29-39). Louvado seja Deus por Sua obra contínua!

Decadência física: O livro *As Supostas Discrepâncias da Bíblia*, de Haley, p. 393, menciona uma terceira possibilidade. Todos nós sofremos da “doença” da mortalidade, e cada vez que nosso corpo se recupera após uma doença, isso representa apenas um adiamento da morte.

Isso não significa, porém, que não tenhamos sentimentos ou vontade. Em Efésios 2:2, a palavra grega para “viver/andar” é peripateo, que significa literalmente “andar de um lado para outro”.

Consulte o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 11, p. 34; “When Critics Ask”, p. 475-476; “The Tony Evans Bible Commentary”, p. 1221; “The Message of Ephesians”, de John R. W. Stott, p. 72; “The Bible Knowledge Commentary: New Testament”, p. 622; e “The Expositor’s Greek Testament”, vol. 3, p. 283, para obter mais informações.

 

P: Em Ef 2,2, quem é o príncipe do ar e por que ele está no poder?

R: O príncipe do ar é Satanás. Desde a Queda do homem, Satanás é o príncipe deste mundo (João 16:11). Ele não é o Rei, porém. Satanás é o deus deste século (2 Coríntios 4:4) e o príncipe do ar. O mundo inteiro está sob o domínio do maligno (1 João 5:19). Como afirma a Epístola de Barnabé (100 d.C.): “[Deus] é, de fato, o Senhor para todo o sempre, mas [Satanás] é o príncipe para o tempo da iniquidade” (capítulo 18).

 

P: Em Ef 2,3, por que todos nós éramos alvos da ira?

R: Primeiro, duas razões pelas quais todos nós éramos alvos da ira de Deus; em seguida, duas ressalvas.

As duas razões são o que fizemos e o que somos.

O que fizemos: Romanos 3:23 diz que todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus.

O que somos: Romanos 3:10-20 afirma que todos se desviaram e todos são inúteis. Fora de Deus, ninguém faz o bem.

Há também duas coisas que não acarretam ira adicional sobre os incrédulos.

O pecado dos antepassados: os filhos não são culpados pelo pecado dos pais (ou antepassados), conforme Ezequiel 18 e Deuteronômio 24:16. Os filhos ainda podem sofrer maldições e consequências ruins, mas ninguém que sofra no inferno poderá dizer: “parte disso não é culpa minha: fui incriminado”.

Infelizmente, existe uma corrente teológica chamada traducianismo que afirma que uma pessoa carrega a culpa pelos pecados de seus pais, de seus avós e de todos os seus antepassados. Dois grupos que acreditam no traducianismo são os luteranos e os ortodoxos orientais. Na Alemanha de Hitler, os judeus foram acusados de serem “assassinos de Cristo”. Todos sabem que o povo judeu que vivia naquela época não matou Cristo, mas a implicação era que, como seus antepassados entregaram Jesus aos romanos, eles também eram culpados. (Mas é estranho que acusassem apenas os judeus de serem assassinos de Cristo, e não os italianos também!)

Pecado não intencional: O pecado não é contabilizado onde não há lei (Romanos 4:15; 5:13). A ignorância da lei, porém, nem sempre nos torna inocentes. Pelo contrário, quando descobrimos que infringimos a lei sem intenção e não nos arrependemos de tê-lo feito, provamos que teríamos infringido a lei de Deus deliberadamente se tivéssemos sabido.

Os cristãos não-agostinianos NÃO acreditam que Deus esteja extremamente irado com todos os bebês que já nasceram e queira torturar os bebês réprobos no inferno pela única razão de ter escolhido criá-los com uma natureza pecaminosa como descendentes de Adão.

No entanto, quando alguém percebe que é pecador e não deseja mudar, essa pessoa é culpada por não querer que Deus a transforme. Ela não é responsabilizada por ter nascido com uma natureza pecaminosa, mas pode ser responsabilizada por não querer ser transformada a partir desse estado inicial.

 

P: Em Efésios 2:3, todos eram alvo da ira, ou apenas alguns são alvo da ira, como em Romanos 9:22-23?

R: O versículo seguinte, Efésios 2:4, responde a isso. Todos (incluindo Paulo) eram originalmente objetos [destinatários presentes e futuros] da ira de Deus. Mas muitos foram transformados e, aos olhos de Deus, não são mais objetos de Sua ira. O primeiro sentido refere-se a todas as pessoas no tempo anterior à sua conversão a Cristo. O segundo sentido é, em um sentido predestinado, que os réprobos permanecerão objetos da ira, mas os eleitos são/serão objetos da misericórdia.

 

P: Em Ef 2,4-5, qual é a diferença entre graça e misericórdia?

R: Misericórdia é não receber a punição que você merece. Graça é receber a bênção que não merece. Na condição decaída da humanidade, infelizmente é muito fácil para nós considerarmos as coisas como garantidas. Todo o tom desta passagem muda a partir de apenas duas palavras no grego: “Mas Deus”. A BSB traduz o versículo 4 como “Mas, por causa do Seu grande amor por nós, Deus, que é rico em misericórdia” (BSB). A situação pode parecer desesperadora, para nós por conta própria, … mas Deus!

 

P: O que Ef 2,5 revela sobre a ideia de que uma pessoa pode continuar melhorando, reformando-se, a ponto de se tornar salva? Por que algumas pessoas acreditam nisso?

R: Quando se está morto, somente a ressurreição pode fazer a diferença. Caso contrário, por que não se aplicam os procedimentos realizados em um hospital — como administrar medicamentos aos pacientes, realizar cirurgias etc. — em um necrotério? Existe um processo de tornar-se gradualmente mais piedoso e santo, chamado santificação, mas isso requer o Espírito Santo e ocorre após a salvação.

Outras religiões tentam dizer a você como chegar até Deus. Mas o cristianismo revela o que Deus fez para vir até você.

 

P: Em Efésios 2:5-8, somos salvos somente pela graça, ou pela fé aliada às obras, conforme Tiago 2:14-24?

R: A linguagem de Efésios 2:8-10 é precisa: “Pois é pela graça que vocês foram salvos, por meio da fé, e isso não vem de vocês mesmos; é dom de Deus, não por obras, para que ninguém se glorie. Pois somos obra de Deus, criados em Cristo Jesus para praticar boas obras…” (BSB). Observe os seguintes pontos.

1. É pela graça [de Deus] — não por nós.

2. Pela fé — não por nossos próprios méritos ou por nós mesmos

3. Dom de Deus — não por nossas obras.

4. Fomos criados [e salvos] para praticar boas obras.

Como disse um cristão indiano, não somos salvos por servir, mas salvos para servir.

A maneira mais rápida de explicar isso é: Efésios 2 mostra que somos salvos pela graça, somente pela verdadeira fé, e Tiago 2 mostra que a verdadeira fé nunca está isolada, mas se expressa por meio de nossas obras. Gálatas 5:6 diz que tudo o que importa é “a fé, expressa pelo amor”.

Outra maneira de encarar isso é perguntar: “O senhor já foi conquistado?” Se não, então por quê? A verdadeira fé significa que nossa vida agora está escondida com Cristo em Deus (Colossenses 3:3). Se a sua vida não pertence a Cristo, então o senhor não possui fé salvadora.

 

P: Em Efésios 2:5-8, como a graça, a fé e as obras interagem?

R: É possível perceber alguns dos aspectos-chave da salvação perguntando-se: quem, o quê, como, para quê e por quê. O comentarista Zerwick chama Efésios 2:1-10 de “a epístola mais curta aos Romanos” devido à grande semelhança de conteúdo.

Quem: Deus nos salvou

Especificamente, não nós nem Deus + nós (Efésios 2:8; 2 Timóteo 1:9)

O quê: Salvos pela graça de Deus por meio de nossa fé. (Hebreus 4:2; Efésios 2:8) Especificamente, não por meio de nossas obras nem de nada de que possamos nos vangloriar (Efésios 2:8-9).

Como foi concedida: a graça de Deus foi concedida por meio da morte de Jesus na cruz para expiar por nós (Hebreus 2:17; 1 João 2:2) e para servir de resgate pelos nossos pecados (Mateus 20:28; Marcos 10:45; 1 Timóteo 2:6; Hebreus 9:15)

Como é recebida: A graça de Deus deve ser combinada com a nossa fé (Hebreus 4:2; Romanos 10:10). No entanto, nem mesmo a nossa fé é motivo de orgulho, pois até mesmo ela nos é concedida por Deus por meio do Espírito Santo (Efésios 2:8; João 16:8-11).

Para quê: para praticarmos boas obras (Efésios 2:10), e porque Deus nos ama (João 3:16), e Ele deseja demonstrar Sua bondade para conosco (Efésios 2:7)

Por que: Por muitas razões, entre as quais se destacam: para demonstrar Sua bondade (Efésios 2:7), porque somos obra Sua (Efésios 2:10), porque Ele ama o mundo (João 3:16); por causa de Seu próprio propósito e graça, e não por causa de nada que tenhamos feito (2 Timóteo 1:9)

 

P: Em Efésios 2:5-8, quais são os principais aspectos da salvação?

R: Eis uma maneira de encarar a salvação.

1. Deus nos concede graça imerecida (Efésios 2:8-10; Tito 3:4,7).

2. Devemos crer e nos arrepender (Efésios 1:13; Romanos 10:9-11).

3. O Espírito de Deus habita em nós (Romanos 8:9-11; João 14:15-18; 1 João 3:24; Efésios 2:22; Tito 3:6).

4. A fé sem as obras de uma vida transformada é morta (Tiago 2:14-20; 1 João 2:6-15; 1 João 3:5, 6, 9; Tito 2:11, 14; 1 Coríntios 6:9-11, 19).

5. Deus preserva os Seus eleitos (João 10:28-29; Romanos 8:28-29; Efésios 1:13-14).

 

P: Em Efésios 2:6, essa promessa de sentar-se com Cristo em Seu trono refere-se a reinar com Cristo na Terra por mil anos ou, posteriormente, pela eternidade?

R: Pode se referir a ambas as coisas. No entanto, Efésios 2:6 diz que estaremos sentados com Cristo “nos lugares celestiais”, portanto, seu significado principal provavelmente é eterno. De qualquer forma, louvado seja Deus, pois estaremos com Cristo para sempre.

 

P: Em Efésios 2:8, a que se refere o pronome “isso” na frase “isso é dom de Deus”?

R: Algumas pessoas dizem que se refere à “graça”, e outras dizem que se refere à “fé”. No entanto, ambos os termos são gramaticalmente femininos, e “isso” é gramaticalmente neutro; portanto, é provável que “isso” se refira à frase anterior, que trata de todo o conceito de salvação.

 

P: Em Efésios 2:12-13, nos tempos do Antigo Testamento, todos os que não eram cidadãos de Israel estavam condenados ao inferno, sem chance de serem salvos?

R: Quando chegar ao Céu, poderá fazer essa pergunta a uma pessoa não judaica chamada Abraão — ou Noé, ou Matusalém, ou Enoque, ou Jó, ou Isaque. Eles não eram israelitas e demonstram que Deus pode se revelar da maneira que Lhe aprouver. Mesmo depois que a Lei foi dada a Moisés, Raabe e Rute eram não-israelitas que ainda assim foram salvas, tornando-se convertidas ao judaísmo. No entanto, todos os que são salvos, mesmo nos tempos do Antigo Testamento, são salvos por meio de Jesus Cristo (1 Coríntios 10:4; 1 João 2:2; Hebreus 2:9; 1 Timóteo 2:6). Enquanto uma pessoa rejeitar o verdadeiro Jesus como o Caminho, João 8:24 e Atos 2:37-40 mostram que ela não tem outro caminho para ser salva. Mas Noé, Enoque e outros foram “salvos em Cristo”, embora não conhecessem Seu nome enquanto viviam na Terra.

 

P: Em Efésios 2:12, quais eram as cinco coisas que faltavam aos gentios?

R: Como gentios incrédulos, eles estavam 1) separados de Cristo, 2) alienados da comunidade (politeias) de Israel, 3) estranhos (xenoi) às alianças da promessa, 4) sem esperança e 5) sem Deus (atheoi) no mundo. Eles se encontravam em uma situação bastante desoladora.

 

P: Em Ef 2,14, qual é a diferença entre Jesus “fazer a paz” e Jesus “ser a paz”?

R: Embora ambas as afirmações sejam verdadeiras, há uma diferença. Costuma-se dizer que “óleo e água não se misturam”. Mas, na verdade, eles se misturam muito bem se houver um emulsificante. (O sabão é um tipo simples de emulsificante.) Assim, como um emulsificante, Jesus faz a paz ao misturar completamente dois grupos que estavam totalmente separados um do outro. Mas, ao contrário de um pacificador comum, Jesus não fez isso apelando para as coisas que temos em comum. É o próprio Jesus quem constitui a base para nossa união. “Unidade” não é necessariamente algo bom, se você estiver se unindo a algo ou a alguém com quem não deveria se unir. E não buscamos uniformidade, pois temos personalidades e dons diferentes, e isso é algo positivo para que possamos nos complementar. Pelo contrário, a unidade do Espírito em Cristo não é apenas algo que somos encorajados a buscar, mas algo que nos é ordenado. Pensem em nós não como se fôssemos todos da mesma cor, mas como um prisma de luz ou um vitral refletindo cores diferentes à medida que iluminamos a Cristo.

Como disse João Crisóstomo, não é como se Cristo tivesse fundido dois metais e feito uma escultura a partir deles. É, antes, como se Cristo tivesse fundido prata e chumbo e, a partir deles, feito uma escultura de ouro! Homilias de João Crisóstomo sobre Efésios, homilia 5, em “Pais Nicenos e Pós-Nicenos”, Primeira Série, vol. 13, p. 71.

 

P: Em Ef 2,14, qual é o significado da derrubada do muro divisório?

R: Isso soa como se Cristo tivesse realizado um projeto de reforma arquitetônica. Em vez da separação entre judeus e gentios (não judeus), Deus está unindo todos os crentes como irmãos. Qualquer pretensão de orgulho ou superioridade baseada na origem étnica ou cultural, ou na linhagem na fé, está agora quebrada e deve ser reconhecida como tal. O cristão japonês, americano, árabe, judeu, inglês ou russo não é apenas tão cristão quanto qualquer outra pessoa — sem que haja “cristãos de segunda classe” —, mas somos irmãos e irmãs uns dos outros e devemos desfrutar da comunhão uns com os outros no Senhor. Mas, assim como não temos fundamento para sentir orgulho ou arrogância em relação aos outros, também não temos fundamento para nos sentirmos inferiores em relação a eles. Não existe um “círculo interno” de “membros” versus “excluídos” na igreja.

Havia um muro físico do lado de fora dos pátios do Templo de Jerusalém com uma inscrição que dizia: “Nenhum estrangeiro pode entrar dentro da barreira que circunda o santuário e o recinto. Qualquer um que for pego fazendo isso terá a si mesmo a culpar por sua morte subsequente.” Paulo pode ter tido isso em mente quando disse que, na igreja, o muro foi totalmente removido, conforme afirma o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 11, p. 40. Embora o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, pp. 625-626, e o *The Expositor’s Greek Testament*, vol. 3, p. 294, discordem. Josefo usa a mesma palavra para se referir a esse muro, e esse muro ainda estava de pé. A propósito, a cortina interna que separava o Santo dos Santos era uma cortina e não um muro.

Tiago 2:1-9 é muito enfático ao afirmar que não devemos demonstrar parcialidade na igreja. Mas há diferentes pontos de vista sobre como devemos fazer isso.

A visão do tipo “Quem se importa”: Entendo que há uma divisão entre diferentes tipos de pessoas em sua igreja: aqueles que gostam de aspargos e aqueles que não gostam. Mas quem se importa? Da mesma forma, não devemos levar em conta a origem étnica de alguém, assim como não devemos considerar as pessoas para filiação ou liderança com base, em parte, no fato de gostarem de aspargos.

A visão “Cuidem para que ninguém seja negligenciado”: Infelizmente, não somos perfeitos aqui na Terra. Mesmo em uma grande igreja em crescimento, como a descrita em Atos 6:1, pode ocorrer a situação lamentável de um grupo ser negligenciado. Portanto, os líderes da igreja devem estar atentos para garantir que todos sejam incluídos, em todos os ministérios e níveis. Isso proporcionará maior unidade e um testemunho mais forte para o mundo, quando o mundo perceber que somos um, conforme Jesus orou em João 17:21.

Conclusão: A primeira maneira é a ideal. No entanto, não somos cristãos perfeitos e, se os primeiros cristãos em Atos precisaram adotar a segunda maneira, nós também precisamos. E fico feliz por não ser um cristão de segunda classe só porque não gosto de aspargos!

 

P: Em Efésios 2:15, a que se refere a abolição da hostilidade/inimizade?

R: A inimizade é o que os inimigos sentem uns pelos outros. Em vez dos mandamentos mosaicos que separavam judeus e gentios, tudo isso ficou para trás e temos nossa posição diante de Deus com base na obra consumada de Cristo. Não se trata tanto de uma criação, mas de uma “recriação” que forma um único corpo a partir de dois grupos.

 

P: Em Efésios 2:15, como Jesus fez de dois um só?

R: Em vez de haver judeus e gentios aos olhos de Deus, agora há apenas cristãos em Sua igreja.

 

P: Em Ef 2,16-18, quem são “ambos” aqui?

R: “Ambos” aqui se refere aos judeus e aos não judeus, que têm o mesmo acesso a Deus por meio de Jesus Cristo. Isso poderia causar problemas do ponto de vista jurídico. Todos os romanos eram obrigados a adorar os deuses romanos, com exceção dos judeus. Mas se os cristãos gentios não fossem considerados judeus convertidos, isso seria um problema. Contudo, independentemente disso, eles deveriam ser aceitos em um único corpo.

 

P: Em Ef 2,20-21, uma vez que a igreja é edificada sobre os apóstolos e os profetas, precisamos de apóstolos e profetas hoje em dia?

R: Cristo é a única verdadeira cabeça da igreja. Nosso conhecimento de Deus baseia-se nos ensinamentos dos profetas do Antigo Testamento e dos apóstolos (e seus escribas) do Novo Testamento. Não precisamos deles em si, mas precisamos de suas palavras hoje. É por isso que as Escrituras são tão importantes para os cristãos.

 

P: Em Efésios 2:20-21, visto que Jesus é a pedra angular, precisamos de um homem para representar Jesus Cristo e governar a igreja de Deus hoje?

R: Potencialmente, há muitas razões pelas quais algumas pessoas poderiam afirmar que precisamos de um vigário na Terra. Seria bom evitar as seguintes coisas negativas:

1. Heresia

2. Aliança com religiões espirituais falsas

3. Devoção a outros além de Deus

4. Estagnação intelectual (Copérnico, Galileu)

5. Assassinato e tortura de cristãos genuínos

6. Assassinato e tortura de pessoas em geral

7. Legitimação de governantes ímpios

8. Doutrinas humanas acrescentadas, disfarçadas de divinas

Seria bom também aprimorar o seguinte:

1. Ser um exemplo moral brilhante para o mundo

2. Incentivar um maior estudo das Escrituras

3. A unidade cristã (o que inclui não perseguir os cristãos)

Os cristãos da Europa Ocidental tentaram isso por mil anos; a experiência ficou conhecida como “a Igreja Católica Romana” e foi um fracasso retumbante já na época da Idade Média. Em vez de reduzir essas coisas, ela as aumentou. Um aspecto positivo da experiência da Igreja Católica é este: podemos aprender com os erros do passado e perceber os perigos de abandonar a simplicidade de seguir a Cristo, conforme ensina 2 Coríntios 11:2-4.

Um cético poderia argumentar (em tom de brincadeira) que toda a Igreja Católica Romana foi apenas um estratagema para cumprir deliberadamente 1 Timóteo 4:1-5. Deixarei que um católico responda a essa falsa acusação.

 

P: Em Efésios 2:21, onde pode ser encontrada a verdadeira igreja?

R: A verdadeira Igreja não está necessariamente onde o mundo está procurando. Enquanto alguém estiver procurando pelo “mero homem” que é o cabeça da verdadeira Igreja, não a verá. A verdadeira Igreja é chefiada por Jesus Cristo como a pedra angular (Efésios 2:20). A verdadeira Igreja não é construída nem de pedra nem de tijolo, mas é construída de crentes (1 Pedro 2:5). Assim, a verdadeira igreja é composta por cristãos genuínos de todas as denominações que depositaram sua fé em Jesus Cristo. Ao nos referirmos à verdadeira igreja, podemos falar da “Igreja Triunfante” (ou seja, os crentes que agora estão no céu) e da “Igreja Militante” (ou seja, os crentes que ainda lutam pela fé na terra).

Infelizmente, às vezes os cristãos podem ficar tão focados em sua denominação que perdem isso de vista. Quando suspeito que um cristão possa estar nessa situação, pergunto-lhe a que denominação ele pertence. Quando ele responde “XYZ”, digo-lhe: “O senhor sabia que não há ‘XYZ’s’ no céu? Também não há batistas no céu, e por acaso eu frequento uma igreja batista. Em vez disso, há cristãos que são ‘XYZ’ers’ no céu, e há cristãos que são batistas no céu, mas só estamos no céu por meio de Jesus, e não por meio de nenhuma organização.”

A mentira de que a organização é mais importante do que um relacionamento pessoal com Cristo é uma ferramenta que seitas como os mórmons e as Testemunhas de Jeová utilizam para converter os fiéis ao seu falso evangelho.

Por outro lado, não estou dizendo que nos reunirmos e nos organizarmos não tenha importância. Hebreus 10:25 nos ordena a não negligenciar as reuniões.

No entanto, há algumas implicações no que acabei de dizer. As pessoas podem estar bastante equivocadas teologicamente, mas, desde que estejam corretas nas questões fundamentais (como nos adverte 1 Coríntios 15:1-4) e conheçam Jesus, todos os cristãos devem “aceitar-se uns aos outros, assim como Cristo os aceitou...” (Romanos 15:7, BSB). Cristãos genuínos podem ter visões equivocadas sobre o sábado (Romanos 14:5) ou sobre a alimentação (Romanos 14:2-3). Podem cometer erros ainda mais graves, como tolerar uma pessoa imoral em seu meio (Apocalipse 2:20) ou um homem que vive com a esposa de seu pai (1 Coríntios 5:1). Podem se envolver em problemas muito sérios relacionados ao legalismo (Gálatas 3:1). No entanto, mesmo os cristãos desobedientes que estão sob a disciplina de Deus continuam sendo cristãos.

Quanto a muitas das coisas sobre as quais os cristãos concordam, clique em “Uma Confissão Cristã Comum” www.Biblequery.org/Doctrine/DoctrinalStatements/ACommonChristianConfession.html para acessar uma compilação.

P: Em Efésios 3:1, por que Paulo disse que era prisioneiro de Cristo Jesus em vez de prisioneiro de Roma?

R: Paulo podia olhar para os soldados romanos que o guardavam e perceber que a causa imediata de sua prisão era a maldade de Roma. Mas Paulo, olhando para o quadro geral, percebeu que o objetivo final de suportar sua prisão era para a glória de Jesus Cristo, nosso Salvador. Quando o senhor enfrenta circunstâncias desagradáveis, seja por causa da perseguição ou simplesmente ao suportar o que este mundo caído lhe impõe, o senhor se concentra na causa imediata ou faz da glorificação de Jesus o objetivo final?

 

P: Em Ef 3,3.9, por que Paulo usou a palavra “mistério”, quando existiam religiões pagãs de mistério?

R: Isso não tem nada a ver com religiões de mistério. Um “mistério”, neste contexto, pode ser entendido como algo especial, um segredo que precisa ser vivenciado, e não apenas ouvido publicamente. Paulo “recuperou” esse significado que as religiões idólatras estavam utilizando e, provavelmente, empregou esse termo deliberadamente, como um contraste à insensatez que elas ensinavam.

 

P: Em Efésios 3:3,9, qual é o mistério aqui?

R: Um “mistério”, em grego, era algo que ainda não havia sido revelado. Efésios 3:10-11 responde a isso. Jesus Cristo fundando a igreja era o mistério, que não era conhecido nos tempos do Antigo Testamento, conforme afirma Colossenses 1:26. “Mistério”, aqui, significa um segredo que não havia sido revelado até aquele momento.

 

P: Em Efésios 3:4-6, visto que as pessoas das gerações anteriores não tiveram a oportunidade de ouvir falar de Cristo, alguém nos tempos do Antigo Testamento poderia ser salvo?

R: Sim. No nível mais básico, não é nada do que ouvimos, acreditamos ou fazemos que nos salva; nem mesmo o Evangelho é que nos salva. É Deus quem nos salva. Deus pode salvar quem Ele quiser, mas sabemos que Deus é misericordioso, porém justo e santo.

 

P: Em Ef 3,8, em que sentido Paulo é o menor de todos os apóstolos?

R: Paulo apresentou duas razões pelas quais pensava assim.

1. Nasceu fora do comum (por último) (1 Coríntios 15:8)

2. Mais importante ainda, Paulo costumava perseguir a igreja de Deus (1 Coríntios 15:9; 1 Timóteo 1:13). Ele, porém, foi quem mais se transformou: de assassino a missionário.

 

P: Em Ef 3,8, uma vez que as riquezas de Cristo são insondáveis, por que Paulo deseja que conheçamos a extensão do amor de Cristo em Ef 3,17-19?

R: Efésios 3:18-20 responde a isso. As riquezas de Cristo são imensuráveis, mas temos a tarefa gratificante (e interminável) de experimentar o quão grande é o amor de Deus por nós.

A palavra grega aqui é interessante; significa literalmente “não rastreável por pegadas”. Não podemos rastrear exatamente por que ou quão grande é o amor de Deus por nós, mas podemos desfrutar do fato de que Ele nos ama.

 

P: Em Efésios 3:9, a palavra significa “administração” ou “comunhão” neste contexto?

R: A palavra grega oikonomia, da qual deriva nossa palavra “economia”, possui um amplo leque de significados. Significa administração, com a conotação original de uma esposa ou administrador cuidando de uma família ou de uma casa. Pode se referir à forma como as coisas são administradas, ou seja, uma mordomia. Na igreja, também é possível entendê-la como a gestão de relacionamentos.

 

P: Em Ef 3,15, deveria estar escrito “de quem provém toda família”, “de quem provém toda a Sua família” ou “de quem provém toda a paternidade”?

R: A gramática grega é incomum neste ponto. A palavra “Seu” não consta no grego; portanto, as outras traduções provavelmente estão mais próximas do sentido deste versículo. A palavra grega pater significa pai, e a palavra grega patria significa família, embora também possa significar paternidade. Paulo estava fazendo um jogo de palavras aqui. O significado mais preciso é “pai… família”, embora, para preservar o trocadilho, alguns tradutores tenham optado por “Pai… paternidade”. Consulte o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 631; o *The Expositor’s Greek Testament*, vol. 3, pp. 312–313; e *The Message of Ephesians*, pp. 133–134, para obter mais informações.

 

P: Em Ef 3,16-19, qual é exatamente a oração de Paulo pelos crentes de Éfeso neste trecho?

R: Eles já têm Cristo em si. Portanto, Paulo está orando para que Deus lhes conceda força contra a oposição, para que Cristo esteja no centro de suas vidas, para que estejam enraizados no amor e para que compreendam a imensidão do amor de Deus.

Em Efésios 3:16, a BSB diz “das riquezas da Sua glória” (BSB), mas a preposição grega aqui significa, mais literalmente, “de acordo com”. Paulo não estava simplesmente pedindo a Deus que os fortalecesse a partir de Suas riquezas, como um homem rico poderia doar alguns dólares de sua conta bancária abastada. Em vez disso, Paulo está pedindo a Deus que os fortaleça “de acordo com” Suas riquezas, como um homem rico poderia doar proporcionalmente ao que possui. A salvação deles foi instantânea, mas a santificação é progressiva.

O senhor já terminou de crescer em Cristo? — Espero sinceramente que o senhor perceba que a resposta correta é “não” e que o senhor ainda esteja crescendo.

 

P: Em Ef 3,18, quais são a largura, o comprimento, a profundidade e a altura do amor de Cristo?

R: Quais são os limites do amor de Cristo, se é que existem? Talvez Paulo estivesse pensando no seguinte. A largura são as pessoas em todo o mundo. O comprimento, ou duração, é para sempre, da eternidade à eternidade. A profundidade não se refere apenas aos vivos, mas também àqueles que já faleceram. A altura se estende até o céu.

Deus não é, de forma alguma, mesquinho no que concede, mas, às vezes, nós, como crentes, somos mesquinhos no que desejamos receber.

 

P: Em Efésios 3:19, o que significam aqui as três palavras gregas diferentes relacionadas ao poder?

R: Elas enfatizam diferentes aspectos do poder de Deus.

Poder (dynameos) — de onde derivam as palavras “dinâmico” e “dinamite” — enfatiza a ação enérgica de Deus. Também poderia ser traduzido como “poder dinâmico e vivo”.

Fortalecer (krataiothenai, de kratos) significa ser encorajado, ou o poder que nos é concedido para sermos fortes a fim de superar a resistência.

Compreender (exischysete, de ischys) pode significar ter poder para apreender, reter, perceber ou compreender. Em outras palavras, o poder de conhecer.

 

P: Em Ef 3,19, como podemos ter a “plenitude” de Deus?

R: Não se trata do que nos preenche, mas sim de Quem nos preenche. Isso não significa que possamos compreender o infinito, mas que podemos entender que o próprio Espírito Santo está dentro de nós para capacitar nossas vidas. A palavra grega aqui, “eis”, indica um objetivo, como o de compreender a plenitude de Deus, e não que contemos toda a infinita plenitude de Deus.

 

P: Em Ef 3,20, como o tremendo poder de Deus pode se manifestar por meio de cristãos tão pequenos?

R: Como diz Tony Evans, um hidrante pode jorrar enormes quantidades de água. Isso não se deve aos 3 a 5 galões de água que o hidrante contém, mas sim ao que flui por meio dele. Da mesma forma, não é que tenhamos um poder tão grande por nós mesmos, mas sim que o poder de Deus flui por meio de nós.

Mas a oração de Paulo continua sendo um pedido grandioso: que todo o poder de Deus flua por meio de nós.

 

P: Em Ef 4,1, o que significa “andar de maneira digna” neste contexto?

R: A palavra grega para “digno” aqui, axios, significa “peso igual/equilíbrio” ou “equilibrar o outro lado da balança”, em vez de mérito. O verbo aqui é peripateo, que significa literalmente “andar” ou, na gíria australiana, um “passeio”. Portanto, a sua “caminhada” na vida deve ter o mesmo peso do que o senhor diz sobre si mesmo, quando se autodenomina cristão.

 

P: Em Ef 4,1-2, quais são algumas características úteis para preservar a unidade neste contexto?

R: A resposta tem três partes.

Como o(a) senhor(a) pode “suportar” a união com outro crente? Pode ser desafiador manter a unidade com alguém que tenha características opostas a essas. Uma parte fundamental é a última característica, traduzida como “suportar-se uns aos outros” ou “longanimidade”. A longanimidade também implica que o(a) senhor(a) mantenha seus sentimentos sob controle, em vez de permitir que eles o(a) controlem. Lembre-se de que Deus tem suportado você, seus pecados e o fato de você dizer a Ele que não consegue fazer certas coisas há tantos anos. Visto que Deus o ama e tem suportado você, você deve ser capaz de amar e suportar as falhas de outros crentes.

Quão fácil é para os outros suportarem-no? Mas o senhor deve questionar-se se é fácil para alguém conviver com o senhor. O senhor possui as quatro qualidades essenciais para que as pessoas se deem bem com o senhor: humildade de espírito (tapeinophrosyne), mansidão (ou modéstia) (praotes/prautetos), paciência (makrothymias) e tolerância para com os outros? Às vezes, podemos reconhecer que temos nossas próprias ambições, coisas das quais nos orgulhamos e pequenas irritações que precisamos “submergir” para obedecer a esses versículos e nos tornarmos uma pessoa com quem seja mais fácil conviver. Deus pode colocar uma pessoa na vida de alguém para ensiná-la a ter paciência, mas esperamos que o(a) senhor(a) não seja essa pessoa! Na cultura grega, a humildade era considerada um vício digno apenas de um escravo.

O que o(a) senhor(a) está disposto(a) a abrir mão? Paulo, que nos diz isso, abriu mão de muitas coisas (segurança, liberdade, posição, prestígio, saúde e uma vida mais longa) para exercer seu ministério na igreja. Em determinado momento, Paulo sofreu de depressão grave, conforme 2 Coríntios 1:8-10. Quanto você estaria disposto a abrir mão não apenas para trabalhar com os outros, mas para trabalhar pelos outros, sem nenhum benefício para si mesmo e sem recompensa ou elogios terrenos? Muitas vezes, trabalhar com os outros não é isento de algum custo; envolve abrir mão de nossas próprias ambições e orgulho.

 

P: Em Efésios 4:3, Paulo está se referindo à unidade em uma única organização, como ensinam os católicos romanos, os ortodoxos gregos, os mórmons, a igreja local, as Igrejas Internacionais de Cristo e outros?

R: Em primeiro lugar, vamos simplesmente ignorar o fato de que esses grupos não podem ter unidade entre si. Esse versículo em particular diz “unidade do Espírito”, não unidade de uma organização. Ele menciona sete coisas que são “uma”, incluindo um corpo, mas não uma organização. Ele também diz que devemos preservar a unidade do Espírito, não tentar criar a nossa própria. Portanto, esse versículo específico não prova nada a respeito de organizações. Na verdade, é possível que uma organização também seja um ídolo. Quanto à questão mais ampla, se a unidade organizacional é desejável, consulte a próxima pergunta.

 

P: Em Ef 4,3, a unidade organizacional é algo que os crentes devem desejar?

R: Cristãos genuínos discordam sobre isso.

Não. Alguns protestantes afirmam que ela não é importante ou que se torna perigosa quando passa a ser mais importante do que seguir a Deus na verdade, como a história tem demonstrado de forma triste, mas conclusiva.

Sim. Católicos, ortodoxos, a igreja local e outros protestantes afirmam que a unidade organizacional é desejável.

Independentemente disso, todos os estudiosos sérios da Bíblia devem ser capazes de concordar com o seguinte:

1. A Bíblia menciona a unidade do Espírito e a unidade dos discípulos de Jesus, mas nunca, em momento algum, diz para se ter unidade com aqueles que rejeitam, negam ou, de forma evidente, pervertem a fé.

2. Embora nenhum cristão seja perfeito, seja em santidade, seja em doutrina, devemos estar atentos aos lobos e nos separar dos hereges.

3. De modo geral, às vezes é difícil ter uma unidade significativa com pessoas que estão tentando matá-lo ou queimá-lo na fogueira.

4. Devemos nos esforçar para eliminar tudo o que causa divisão entre os cristãos e aceitar uns aos outros, assim como Cristo nos aceitou (Romanos 15:7).

5. A unidade que não está centrada em Jesus Cristo não é uma unidade desejável, e devemos evitá-la.

 

P: Em Efésios 4:4, visto que há apenas um corpo, por que existem tantas igrejas?

R: Há pelo menos quatro razões principais.

1. Assim como existem pequenas diferenças entre as diversas escolas muçulmanas sunitas, os budistas mahayana, os hindus vedânticos, as duas seitas bahá’ís e outras religiões, também os cristãos discordam em questões secundárias. Por exemplo, Paulo e Barnabé tiveram uma divergência sobre levar João Marcos com eles. Mais tarde, porém, eles se reconciliaram (Atos 15:36-41; Colossenses 4:10; 2 Timóteo 4:11).

2. Acrescentar: Ao longo dos anos, muitos têm se comportado como os fariseus em Marcos 7:6-8, ao desejarem acrescentar suas próprias tradições complexas ao cristianismo. Em geral, muitos afirmam que se deve seguir a Bíblia somada à tradição deles, que é colocada em pé de igualdade com a Palavra de Deus. O cristianismo bíblico consiste simplesmente em seguir o que Deus diz na Bíblia e em reconhecer a tradição humana como algo meramente humano.

3. A subtração do cristianismo é predita em 2 Timóteo 3:5, que afirma que, nos últimos dias, alguns terão a aparência da piedade, mas negarão o seu poder. Várias igrejas “liberais” retiram elementos do ensinamento de Deus, afirmando que Deus não pode realizar milagres físicos e que não existem Céu e Inferno, ao mesmo tempo em que continuam fingindo ser cristãos.

4. Perversão: Conforme profetizado em Atos 20:29-30, existem “lobos” espirituais que, por meio do engano, atraem discípulos para si a fim de fundar sua própria religião criada pelo homem, ao mesmo tempo em que afirmam seguir a Jesus. Muitos deles possuem seu próprio livro, além da Bíblia. Essas coisas malignas foram profetizadas em 1 Timóteo 4:1-5, 2 Pedro 2:1-3 e Judas 8-19.

 

P: Em Efésios 4:5, trata-se do batismo com água ou do batismo no Espírito?

R: Alguns acreditam que haja um duplo sentido. Mas, se Paulo quisesse dizer ambos, não seria realmente um único batismo.

No entanto, é improvável que se refira ao batismo no Espírito, uma vez que há três seções que se referem ao Espírito Santo, ao Filho e ao Pai, e esta se encontra na seção que se refere ao Filho.

 

P: Em Efésios 4:6 e Efésios 1:23, se Deus preenche tudo em todos os sentidos, será que o panteísmo é verdadeiro, que afirma que tudo é uma parte de Deus?

R: Não. Embora o Salmo 139:7-12 mostre que o Espírito de Deus está em toda parte, o panteísmo vai além disso e afirma que tudo é parte de Deus, a quem se adora — como pessoas, pedras e até mesmo fezes de cachorro. Por exemplo, uma pilha de lixo não é Deus, e as páginas de um panfleto ateísta, que nega a existência de Deus, não são Deus. Não devemos adorar as coisas criadas em vez do Criador (Romanos 1:23, 25). Pelo contrário, como mostra Colossenses 1:17, todas as coisas são sustentadas por Cristo.

 

P: Em Efésios 4:8, por que Paulo disse que Deus “concedeu” dons aos homens, visto que Salmos 68:18 diz que Deus “recebeu” dons dos homens?

R: Os cristãos têm duas visões diferentes.

Erro de copista: “Dar” pode ter sido o termo original no Salmo 68:18. Enquanto “receber” consta no texto massorético e na Septuaginta grega, “dar” aparece nos Targums em aramaico e na Peshitta siríaca. Além disso, todo o Salmo, com exceção possivelmente deste único versículo, fala do que Deus dá aos outros.

De um Targum aramaico: Outra interpretação é que Paulo costuma iniciar suas citações bíblicas com “Está escrito”, mas Efésios 4:7-8 difere ao usar “Diz”. Essas passagens correspondem muito de perto à tradição oral presente no Targum aramaico do Saltério e na Peshitta siríaca. Os primeiros rabinos aplicavam esse versículo a Moisés, afirmando que ele recebeu a lei para entregá-la ao povo. Consulte o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 11, p. 57, e o *Evangelical Commentary on the Bible*, p. 1027, para obter mais informações.

Resumo geral: Paulo não estava citando nenhum versículo, mas parafraseando todo o Salmo 68. Consulte The Bible Knowledge Commentary: New Testament, p. 634, para obter mais informações sobre essa interpretação.

De qualquer forma, João Crisóstomo (Homilias sobre Efésios, c. 396 d.C.) observa que, essencialmente, não havia diferença aqui. Deus tanto dá quanto recebe coisas dos homens. Encarar a salvação como Deus recebendo o fardo de nossa culpa ou nos concedendo o perdão é simplesmente observar os dois lados da mesma coisa.

 

P: Em Ef 4,9 e Atos 2,27, após Sua morte, Jesus desceu ao inferno ou não?

R: Embora a frase “Jesus desceu ao inferno” tenha sido inserida no Credo dos Apóstolos (forma de Aquileia, 390 d.C.), a Bíblia não se pronuncia explicitamente a favor de nenhuma das duas opções. Eis o que a Bíblia diz.

Efésios 4:9: “desceu às partes mais baixas da terra”

O Salmo 16:10 menciona “Sheol”, que significa sepultura.

Atos 2:27-28, citando o Salmo 16:10: Jesus não seria abandonado na sepultura (Hades)

1 Pedro 3:19: Jesus pregou aos espíritos na prisão

De acordo com o pensamento religioso judaico, refletido no Livro de 1 Enoque, capítulo 22, e em outros escritos, os mortos iam para dois lugares: os justos para o paraíso e os injustos para a prisão.

1 Pedro 4:6 menciona o Evangelho sendo pregado aos que estão mortos. (A NIV traz “agora mortos”, mas “agora” não consta no grego).

 

P: Será que Efésios 4:9 poderia significar que Jesus desceu à Terra, em vez de descer ao túmulo?

R: Existem três interpretações compatíveis com o contexto da passagem.

Desceu à terra (genitivo de aposição)

Desceu à morte (genitivo de comparação)

Desceu às partes inferiores que pertencem à terra (genitivo de posse)

 

P: Em Ef 4,11, isso significa “pastor-mestre” como uma única função, ou pastores e mestres como duas funções distintas?

R: Nessa lista, a palavra grega kai separa pastores e mestres. Essa palavra grega significa “e/até mesmo”, e, nessa passagem, poderia ser interpretada de ambas as formas, assim como em português. Ora, os pastores ensinam (Tito 1:9; 1 Timóteo 3:2; 5:17), portanto, há uma função combinada. A verdadeira questão, então, é se a Bíblia apoia uma função para mestres que não sejam pastores. A resposta é um claro “sim” por pelo menos cinco razões:

Estêvão testemunhou aos judeus, ensinando-os com um conhecimento detalhado das Escrituras, embora Atos afirme que ele era apenas um diácono.

a) Paulo elogiou o professor Apolo, embora Apolo não fosse pastor.

b) Barnabé, Timóteo e outros ensinavam e pregavam a Palavra, mesmo quando não eram pastores.

c) Esperava-se que um ancião fosse capaz de ensinar (1 Timóteo 3:2), o que implica que eles já ensinavam antes de se tornarem anciãos.

d) De fato, Colossenses 3:16 ordena que os cristãos em geral ensinem e admoestem uns aos outros.

 

P: Em Efésios 4:11, uma vez que hoje existem pastores e mestres, também existem profetas e apóstolos atualmente?

R: Efésios 4:11 refere-se a cargos importantes na igreja sem especificar quais se estendem até o presente e quais não. Não, não há pessoas com o cargo de apóstolo do Novo Testamento e o cargo de profeta do Antigo Testamento em atividade hoje.

 

P: Em Efésios 4:11, qual é a diferença entre um talento natural e um dom espiritual?

R: Em primeiro lugar, há uma sobreposição em algumas áreas. Uma pessoa que tem um coração muito compassivo para com os outros também pode ter o dom espiritual de auxílio. Uma pessoa que possui o dom espiritual de conhecimento pode ser inteligente e bem instruída, embora isso não seja obrigatório. Não subestime os talentos naturais, pois o corpo da igreja se beneficia enormemente deles, seja na oratória, seja em funções importantes nos bastidores, como a contabilidade. Mas os dons espirituais vão além de nossa capacidade natural, e Deus concedeu a cada crente pelo menos um dom espiritual, de acordo com 1 Coríntios 12:7, embora seja possível que seu dom não esteja listado ali. (Não, reclamar e criticar não são considerados dons espirituais!) Com alguns dons espirituais, outros crentes podem coçar a cabeça e perguntar: “como, naturalmente falando, essa pessoa consegue fazer isso!” Deus pode dar uma palavra para alguém dizer, e a própria pessoa nem mesmo sabia disso; ela também está aprendendo com o que sai de sua própria boca. Como uma pessoa pode ter a resistência para continuar amando e cuidando, mesmo diante do tédio, da perseguição humana ou da oposição espiritual? Às vezes, a resposta simples é: falando naturalmente, ela não consegue. É o poder de Deus fluindo por meio dela, como água ilimitada por uma pequena boca de incêndio.

 

P: Em Efésios 4:11-13, como a comunidade da igreja identifica quem possui quais dons e deve ocupar quais funções?

R: Unidade não significa uniformidade. Como cristãos, temos diferenças nos dons, e louvamos a Deus por isso! Mas identificar os dons nas pessoas pode ser um problema comum, mas muitas vezes negligenciado, em muitas igrejas hoje em dia. Uma possível explicação pode ser uma compreensão incompleta do que é o verdadeiro discipulado. O discipulado pode ser entendido como o processo de acolher cristãos jovens ou “feridos” e amadurecê-los no conhecimento e na prática da fé, além de protegê-los de ensinamentos errados, para que se tornem cristãos maduros. Essa visão é verdadeira, mas incompleta. Ela também envolve os crentes mais jovens descobrirem seus dons e o propósito específico de Deus para eles neste momento. É claro que eles devem estar abertos ao fato de que Deus pode desenvolver dons, conceder-lhes mais dons posteriormente e mudar seu ministério. Portanto, um bom discipulado inclui ajudar o crente a encontrar o ministério para o qual Deus o chamou neste momento e ajudá-lo a se integrar para servir. O ministério do crente mais jovem pode não ser de forma alguma semelhante ao ministério do discipulador. Isso é normal; pode haver um momento em que o discipulador precise transferi-lo para outra pessoa.

Você sabia que praticamente qualquer time de futebol americano do ensino médio pode derrotar qualquer time profissional, incluindo o Kansas City Chiefs, campeão do Super Bowl de 2023, com uma única condição? No time profissional, coloque os guards ofensivos como wide receivers, o jogador mais rápido no retorno de kickoff como center, o garoto que leva água como quarterback, a secundária defensiva como lineman, os preparadores físicos como running backs e o mascote do time como kicker e linebacker central. Assim, na igreja, assim como nos esportes, é importante que as pessoas estejam nos lugares para os quais têm dons.

Muitas pessoas se preocupam em conhecer seus dons espirituais e (esperamos) em usá-los na igreja. Mas não deveríamos ter a mesma preocupação em conhecer — e ajudar os outros a conhecer — os dons espirituais alheios e em utilizá-los na igreja? Portanto, a pergunta não deveria ser “você tem um ministério cristão?”. A pergunta deveria ser: “qual é o seu ministério cristão?”.

Como um pastor brincou, ninguém precisa se preocupar em não ter um trabalho, pois a igreja tem inúmeras vagas disponíveis. A maioria delas, porém, não é remunerada. Portanto, todos na igreja — aposentados, jovens, adolescentes — deveriam ter um ministério, e as igrejas deveriam se empenhar mais para que cada membro possa fazer sua parte. Uma igreja não deve ser como alguém descreveu um jogo de futebol americano: 22 pessoas precisando desesperadamente de descanso e 50 mil pessoas precisando desesperadamente de exercício! Talvez uma igreja seja assim quando um pastor tem uma visão deficiente de liderança; ele acha que a maioria dos membros não precisa servir, porque ele e sua pequena equipe farão tudo.

Quando um pastor se sente esgotado, uma das razões pode ser que ele esteja servindo a Deus da maneira errada. Ele está tentando fazer demais sozinho e assumindo o que os membros deveriam estar fazendo. Por exemplo, certo dia, um pastor recebeu uma ligação frenética de um membro da igreja. O membro disse que havia conversado com um vizinho sobre Cristo muitas vezes, e que o vizinho finalmente decidiu que estava disposto a aceitar a Cristo. Então, o pastor poderia ir até lá imediatamente e orar com ele? O pastor disse que iria imediatamente e desligou. Em seguida, o Espírito convenceu o pastor, e ele ligou de volta. O pastor disse ao homem: “Não irei. O senhor deve levá-lo a Cristo.”

 

P: Em Efésios 4:14-15, qual é a diferença, nesses versículos, entre um cristão que é um “bebê” e outro que é maduro?

R: Embora uma criança pequena possa fazer muitas coisas, ela não possui a sabedoria nem a capacidade física para evitar problemas e manter-se longe de tomadas elétricas, fogões quentes, trânsito e outras coisas perigosas. Alguns cristãos, incluindo alguns que já não são tão jovens, não têm a menor ideia de que é importante que se mantenham afastados de ensinamentos heréticos ou falsos, do pecado e de amizades e associações que os afastam de Deus. Mesmo quando um cristão percebe isso, ele precisa ser ensinado a reconhecer esses ensinamentos e situações dos quais deve se afastar. Na Bíblia, somos instruídos a resistir ao diabo (Tiago 4:7; 1 Pedro 5:9), mas também a fugir de várias tentações (1 Coríntios 6:18; 1 Coríntios 10:14; 2 Timóteo 2:22), embora Deus possa nos dar forças para resistir à tentação quando não conseguimos por nós mesmos (1 Coríntios 10:13).

 

P: Em Efésios 4:15, qual é a diferença entre “falar a verdade”, “falar com amor” e “falar a verdade com amor”?

R: Falar a verdade pode ser duro, sem qualquer tentativa de alcançar o ouvinte. Em certo sentido, não é tanto o que você diz que importa, mas o que a pessoa ouve. Falar com amor pode significar dizer o que, sentimentalmente, parece melhor, mas pode também significar omitir verdades incômodas que a pessoa precisa saber. Falar a verdade com amor significa dizer à pessoa tudo o que ela precisa saber, embora talvez no momento adequado. Mas faz-se isso de uma maneira que demonstre que você se importa.

Em geral, falar a verdade com amor pode ser mais difícil: transmitir o que a pessoa precisa ouvir (seja agradável ou desagradável) da maneira correta. É preciso prestar atenção tanto ao seu tom de voz quanto às suas palavras. Também é melhor entender a situação da pessoa antes de corrigi-la ou repreendê-la.

 

P: Em Ef 4,16, de que forma somos todos como articulações e ligamentos que crescem?

R: Há dois pontos na resposta.

Todos nós temos papéis importantes na igreja de Deus, mesmo que eles não tenham um nome específico e possam parecer secundários. No corpo humano, os pulsos podem não parecer importantes, mas sem um pulso, sua mão fica desconectada. De qual articulação do seu corpo o senhor estaria disposto a abrir mão? – provavelmente nenhuma. Também não devemos nos contentar em tolerar a falta de algo na igreja. Se um grupo de pessoas não está fazendo nada por Deus e várias necessidades da igreja não estão sendo atendidas, você tem o que parecem ser dois problemas. Mas talvez esses dois problemas possam resolver-se mutuamente.

Todas as partes recebem ordens da cabeça. Quer o seu ministério faça parte de uma igreja local ou não, precisamos receber ordens de Jesus Cristo, a cabeça do corpo. Se o senhor acha que pode realizar mais tomando atalhos éticos ou, em geral, fazendo coisas que sabe que Deus não quer que o senhor faça, então o senhor não está realmente agindo como parte do corpo; se o senhor não está disposto a ser controlado pela cabeça, Jesus Cristo. Temos um termo para células que estão crescendo saudavelmente, mas se recusam a receber ordens da cabeça — chamamos isso de câncer.

 

P: Em Ef 4,17 e Rm 1,21, como é que algumas pessoas podem andar na futilidade do seu pensamento?

R: A palavra para “futilidade” aqui, mataioteti, é usada no Novo Testamento apenas neste versículo, em Romanos 1:21; 8:20 (sobre a Criação) e em 2 Pedro 2:18 (sobre palavras). Significa inútil, fútil, sem valor, embora às vezes também seja usada para se referir à idolatria, que também abrange essas características.

Imagine pensar, viver, planejar e buscar algo que é totalmente vazio, sem valor e, em última análise, sem propósito. Não é difícil imaginar; uma mariposa faz isso quando voa em círculos em torno de uma chama. Quando uma pessoa deseja e planeja um pecado que pode prejudicá-la, ela não é, na verdade, tão diferente dessa mariposa.

Imagine a pessoa na prisão, por muitos anos, após cometer o que havia planejado ser o crime perfeito. A humanidade caída não possui apenas uma vontade pecaminosa e desejos obscurecidos, mas também um intelecto obscurecido. “Vaidade de suas mentes”, na Versão King James, também é um bom termo, pois enfatiza tanto a inutilidade de seu pensamento quanto seus sentimentos orgulhosos quanto à importância desse pensamento, ao mesmo tempo.

 

P: Em Ef 4,17, de que maneiras o senhor acha que Deus dirá a alguns cristãos, assim como aos não crentes, que se concentraram demais em coisas que não importavam?

R: Se o(a) senhor(a) mantém um diário (ou, melhor ainda, comece a escrever um), some os seguintes períodos de tempo em um mês.

a. Tempo dedicado à oração, à reflexão sobre Deus e Sua Palavra e ao estudo da Palavra de Deus.

b. Tempo gasto navegando na internet e ouvindo e lendo notícias.

c. Tempo dedicado a assistir a esportes.

d. Tempo dedicado a pensar em sua atividade favorita.

e. Tempo dedicado a pensar no trabalho, fora do horário de expediente.

f. Tempo dedicado a refletir sobre finanças e investimentos, incluindo imóveis.

Qual dessas atividades parecerá muito mais importante do que as outras quando o(a) senhor(a) chegar ao Céu?

g. Além disso, já que está nisso, conte o tempo dedicado aos relacionamentos com a família e os amigos. Espero que esse tempo não seja muito menor do que o dedicado aos outros itens. Seria realmente triste se o senhor dissesse, com base no tempo dedicado, que seu relacionamento pessoal mais próximo é, aparentemente, com o YouTube!

Em algumas regiões do país, acredito que, ao contrário do que mostram as estatísticas, as pessoas sejam muito religiosas — a religião delas é o time de esportes!

 

P: Em Ef 4,18, deveria estar escrito “cegueira” ou “endurecimento”?

R: A palavra grega, porosis, pode se referir ao mármore ou a uma articulação calcificada. Em inglês, a palavra “osteoporose” deriva dessa palavra. Pode-se pensar nisso como “petrificado”. No entanto, um comentarista cristão, Armitage Robinson, argumenta que, como isso não significa que a pessoa tenha escolhido deliberadamente endurecer-se, trata-se mais de um embotamento dos sentidos; por isso, ele afirma que “cegueira” é uma tradução mais adequada. Mas “endurecimento” se encaixa melhor no grego, desde que se entenda que não se trata de um ato repentino e deliberado de endurecimento, mas de uma perda gradual da percepção e da capacidade de mudar.

 

P: Em Ef 4,19, o que significa “a prática de todo tipo de impureza” (BSB)?

R: Isso pode significar fazer negócio com, ou lucrar financeiramente com, todo tipo de vício.

 

P: Em Ef 4,25–5,2, o que Paulo está dizendo sobre esses oito males?

R: Cada um deles é contrastado com uma virtude que o neutraliza. Algumas dessas são atitudes do coração, outras são ações e outras ainda são hábitos. Com o poder do Espírito Santo, precisamos purificar essas atitudes do coração, deixar de praticar essas ações malignas e romper com esses maus hábitos. Mas o problema é que as coisas tendem a voltar. Substitua essas atitudes ruins por boas, essas ações malignas por boas e os maus hábitos por bons hábitos.

 

P: Em Ef 4,26, é pecado ficarmos com raiva, já que Jesus e Paulo também ficaram com raiva?

R: Em muitos casos, não é pecado ficar com raiva. No entanto, Efésios 4:26 mostra que é pecado permanecermos com raiva e guardarmos rancor. Se o sol se pôr sobre a sua raiva, é porque você ficou com raiva por tempo demais.

 

P: Em Efésios 4:26, é pecado permanecer com raiva? Deus parece permanecer com raiva das pessoas e dos demônios no Lago de Fogo.

R: Três pontos a serem considerados na resposta.

1. Não devemos permanecer com raiva, sentir inveja, aceitar adoração ou ser chamados de Deus; contudo, Deus não é obrigado a fazer o que Ele ordena que Seus servos façam.

2. Deus é infinito e pode sentir coisas diferentes ao mesmo tempo. Ele pode estar irado com uma pessoa ímpia e, simultaneamente, regozijar-se com um de Seus filhos. Ele pode fazer isso ao mesmo tempo porque é Deus.

3. As Escrituras não dizem se Deus permanecerá irado para sempre ou não. É possível que, eventualmente, Deus simplesmente deixe de se importar com aqueles que optam por viver sem Ele.

 

P: Em Ef 4,26-27, qual é a diferença entre ficar com raiva e pecar, e ficar com raiva sem pecar?

R: A ira se torna pecado quando se guarda rancor, se recusa a perdoar, se deseja vingança, se perde o controle das emoções ou se fica com raiva por algo pelo qual não se deveria ficar com raiva. Jesus, Paulo e Moisés, ocasionalmente, ficaram com raiva por causa das coisas de Deus.

A raiva cristã não é apenas algo que acontece e pelo qual devemos pedir desculpas. Pelo contrário, John R.W. Stott afirma que o problema na igreja não é que haja raiva cristã em excesso, mas sim que haja muito pouca. Quando vidas estão sendo destruídas e tiradas, e não ficamos com raiva disso, o que isso diz sobre o nosso amor pelas outras pessoas?

 

P: Em Ef 4,28, por que os cristãos exercem profissões nas quais não trabalham com as próprias mãos?

R: Essa expressão significa ganhar a vida honestamente. Além das atividades criminosas comuns, muitos naquela época acumulavam fortunas consideráveis por meio de suborno e práticas políticas e comerciais corruptas que, embora muitas vezes legais, não eram corretas. (Talvez aqueles tempos não fossem tão diferentes dos nossos.) No entanto, assim como Jesus amou o cobrador de impostos chamado Mateus, Ele deseja que as pessoas corruptas de hoje se arrependam de seus pecados, se voltem para Jesus e indenizem suas vítimas.

 

P: Em Ef 4,29, o que são “palavras más” neste contexto?

R: A palavra para “mal” aqui não é a palavra típica para “mal”. Em grego, é “sapros”, que é usada para se referir a frutas podres ou a uma planta podre. Podre, corrupto, estragado ou mal são todas boas traduções do conceito aqui.

 

P: Em Efésios 4:29, por que é importante que os cristãos não xinguem?

R: Simplesmente porque a Bíblia diz para não fazê-lo. Tiago 3:10-12 afirma que não deve acontecer que a maldição saia da mesma boca que louva a Deus. Embora seja verdade que Pedro amaldiçoou quando negou a Cristo, ele chorou depois e se arrependeu de seu pecado.

 

P: Em Efésios 4:31-32, o que Paulo está contrastando nesses dois versículos?

R: Amargura, ira e raiva são estados emocionais dos quais brotam palavras malignas. Malícia é um termo geral para tudo isso. Ira (thymos) e raiva (orge) são semelhantes, mas ambas são mencionadas como pecados distintos. A ira é uma explosão de perda de controle, enquanto a raiva pode ser um ódio latente e vingativo. Pode-se pensar na raiva como o magma que se acumula em um vulcão e vai se infiltrando, enquanto a ira se assemelha mais a uma erupção vulcânica.

 

P: Em Efésios 5:1, até que ponto devemos ser meros imitadores?

R: O senhor é um imitador, que apenas tenta fazer o que outro fez? – Espero que sim. Assim como uma criança imita seus pais, devemos imitar a Deus (Efésios 5:1). Uma criança deve procurar preservar a honra de seus pais. Somos também imitadores de Cristo (João 15:12; 1 João 3:16), imitadores do que é bom (3 João 11), imitadores de nossos líderes (Hebreus 13:7) e imitadores de Paulo (1 Coríntios 4:16; 11:1; Filipenses 3:17; 4:9; 1 Tessalonicenses 1:6; 2 Tessalonicenses 3:7,9). Por outro lado, de maneira positiva, podemos agir por nossa própria iniciativa, vontade ou decisão, como mostram 2 Coríntios 8:17 e 9:7.

A título de observação, algumas pessoas afirmam que, como Deus é tão grande e imenso, e os seres humanos são tão pequenos, não podemos saber praticamente nada sobre Deus. Mas, levando isso ao extremo, isso serviria de desculpa para desobedecermos a este versículo, negando que tenhamos a capacidade de fazê-lo. Não podemos saber tudo sobre Deus; mas o Deus Todo-Poderoso e onisciente escolheu, e tem a capacidade de nos revelar tanto sobre Si mesmo que podemos ser imitadores de Deus.

 

P: Em Efésios 5:2, o que significa “andar no amor”, e quais são as alternativas a andar no amor?

R: Muitas pessoas não têm a menor ideia do que seja andar no amor, porque estão muito distantes de praticá-lo. Ao viver sua vida, seja caminhando, dirigindo ou fazendo qualquer outra coisa, qual é a principal coisa em que o senhor pensa? É como ganhar mais dinheiro, como ter mais prazer ou como alcançar algum objetivo? Espero que sua prioridade não seja nenhuma das opções acima. Não há problema em pensar um pouco nessas coisas, mas seu pensamento principal, aquele que vem à mente em primeiro lugar, deve ser como você pode amar e abençoar os outros, bem como seu relacionamento de amor com Deus. Com muita frequência, tentamos viver de acordo com as exigências culturais. Como cristãos, não nos encaixaremos completamente na cultura, nem devemos tentar.

Paulo nos dá uma boa dica sobre como podemos nos concentrar nisso. Assim como Cristo veio, antes de tudo, para ser uma oferta e um sacrifício por nós, devemos considerar nossa vida uma oferta e um sacrifício a Deus. Em vez de perguntar quanto dinheiro você está ganhando ou quanto está se divertindo, pergunte-se o quanto seu sacrifício (ou seja, sua vida) agrada a Deus.

Como cristãos, às vezes ficamos tão envolvidos em outras coisas que, embora sejamos salvos, não estamos caminhando no amor. Em Apocalipse 2:4, Jesus exorta a igreja de Éfeso (e, indiretamente, a nós) a não abandonarmos nosso primeiro amor. O apóstolo João, em 1 João 2:5-6, diz que o amor de Deus precisa ser aperfeiçoado em nós e, por isso, devemos andar como Jesus andou. Aqui, Paulo também está dizendo o quanto é importante para nós, não apenas crer como cristãos, mas andar no amor.

 

P: Em Efésios 5:3, o que significa “nem mesmo um indício de imoralidade sexual” (BSB)?

R: É claro que isso inclui a imoralidade sexual, mas, especificamente, não se coloque em uma situação ou amizade em que possa parecer que você está sendo imoral. Isso também pode se referir a piadas indecentes e ao vestuário. Quando você puder dizer algo engraçado, mas um pouco de mau gosto, Deus deseja que você não seja engraçado. 1 Tessalonicenses 5:22 também diz para evitar a aparência ou a forma do mal.

 

P: Em Efésios 5:7, essa palavra grega deveria ser “associar-se” ou “participar”?

R: A palavra grega em Efésios 5:7, summetochoi, não significa que você nunca possa estar perto deles. Significa que não deve participar, envolver-se ou ter qualquer participação no que eles fazem. E quanto a investir em uma empresa que promove coisas imorais ou pecaminosas? Mesmo que você não pratique essas coisas pessoalmente, o fato de lucrar quando eles prosperam no que fazem é errado.

 

P: Em Ef 5,11, como os cristãos podem, de forma pecaminosa, ter comunhão com as obras infrutíferas das trevas?

R: Se o senhor participar diretamente das obras das trevas, é claro que isso é ruim. No entanto, se o senhor facilitar, apoiar ou lucrar com as obras infrutíferas das trevas, deve parar de fazer isso também. Um grupo que tem atormentado algumas igrejas, especialmente algumas igrejas conservadoras, como um parasita, é a maçonaria. Nos níveis mais baixos, ela parece ser apenas uma organização social que realiza trabalhos de caridade. Mas, nos níveis mais elevados, quando adoram um ser chamado Baphomet e afirmam que muitas das principais religiões adoram o mesmo deus, trata-se de uma organização religiosa que contradiz o cristianismo. Quando eu estava no ensino médio, não sabia nada disso. Fui convidado a ingressar na DeMolay, que é basicamente uma organização maçônica para meninos do ensino médio. Mas, antes de ir, descobri que meninos negros não eram permitidos. Achei isso muito estranho e não quis visitar nem me filiar a uma organização como essa. Mas, independentemente dos maçons, se existe alguma organização que exclui pessoas por causa da cor da pele ou da origem étnica, o senhor, como cristão, não tem o direito de se filiar a ela nem de apoiá-la. Portanto, se a sua igreja deseja ser aberta à comunidade e uma loja maçônica local quiser se reunir lá, a igreja não deve permitir isso.

Alguns tentam combinar o cristianismo com coisas não cristãs. Por exemplo, Camilo Torres Restrepo, um líder da Teologia da Libertação, disse: “Se Jesus estivesse vivo hoje, Ele seria um guerrilheiro.”

De forma negativa, alguns não-cristãos decidiram que não investirão em nenhuma empresa que não apoie sua agenda social. O grupo Blackstone foi fundado em 1985 como uma empresa de investimentos alternativos. No site finance.yahoo.com, em 30 de setembro de 2023, sua capitalização de mercado era de US$ 130 bilhões. A empresa foi classificada como a 175ª maior do mundo. Muitas empresas estão ansiosas por apoiar uma determinada agenda social anticristã, não porque os EUA as estejam forçando a isso, mas porque a Blackstone e outras empresas poderiam retirar seus investimentos nelas caso não o fizessem.

 

P: Em Efésios 5:11, até que ponto somos chamados a expor as obras infrutíferas das trevas, em vez de simplesmente nos calarmos a respeito delas?

R: Em primeiro lugar, é preciso compreender que não seremos bem-vistos quando expusermos as obras das trevas e que podemos sofrer perseguição. No entanto, devemos expor as obras das trevas quando elas possam tentar outras pessoas ou quando as pessoas afirmem que são moralmente aceitáveis. Devemos alertar outros crentes para que não se envolvam com elas. Há momentos em que o mero silêncio é um pecado.

Segundo Marx, a religião, neste mundo de exploração, é uma expressão de angústia e, ao mesmo tempo, também constitui um protesto contra a angústia real. Em outras palavras, a religião continua a sobreviver devido às condições sociais opressivas. Quando essa condição opressiva e exploradora for destruída, a religião se tornará desnecessária. Ao mesmo tempo, Marx via a religião como uma forma de protesto das classes trabalhadoras contra suas precárias condições econômicas e sua alienação. Ver Raines, John. 2002. “Introdução”. Marx on Religion (Marx, Karl). Filadélfia: Temple University Press. p. 5-6.

 

P: Em Ef 5,11, uma vez que os cristãos não devem ter nada a ver com as obras das trevas, os advogados cristãos devem defender clientes que sabem ser culpados?

R: De modo geral, ser advogado de defesa criminal é uma forma difícil de ganhar a vida se você nunca mentir, distorcer a verdade, incentivar seus clientes a nunca mentirem e se recusar a defender clientes que sabe que estão mentindo. É isso que um cristão teria de fazer para ser advogado de defesa criminal.

No entanto, como aponta o livro *Now That’s a Good Question*, pp. 525-527, mesmo as pessoas que se declaram culpadas precisam de um julgamento justo e podem argumentar em favor de uma sentença menos severa. Contudo, todos os cristãos devem concordar que mentir e dar a entender que alguém é inocente quando se tem razoável certeza de que é culpado é algo que nenhum cristão deveria fazer.

 

P: Em Ef 5,12, de que tipo de coisas não devemos sequer falar?

R: É aceitável mencionar que algo está sendo feito, em termos gerais, e que é errado fazê-lo. No entanto, devemos evitar os “GSD” (Detalhes Escandalosos do Pecado), em que mencionamos o pecado de tal forma que isso possa ser tentador para alguém propenso a cometer esse pecado. Além disso, não devemos mencionar nenhum “bom conselho” sobre como escapar impune de um pecado. Por exemplo, ouvi de alguém uma maneira de roubar uma empresa que é totalmente indetectável. Deseja saber qual é? – Desculpe, decidi nunca contar a ninguém.

 

P: Em Efésios 5:14, onde esse versículo já havia sido mencionado anteriormente?

R: Essas palavras exatas não foram ditas no Antigo Testamento, embora algumas partes sejam ecos de Isaías 60:1 e 26:19. Não temos registrado onde isso foi dito anteriormente. Esse versículo poético pode ter origem em uma profecia, em uma frase de Jesus não registrada nos evangelhos ou em um hino cristão primitivo. Paulo presumiu que seus leitores imediatos o reconheceriam.

 

P: Em Ef 5,16, em que sentido os dias são maus?

R: Paulo não está se referindo à luz do dia, mas dizendo que os tempos são maus. Se pensar na sociedade como um oceano, há uma “correnteza” que o arrastaria para o fundo caso não tome cuidado. As oferendas a deuses pagãos, a imoralidade, o suborno e a corrupção, bem como a exploração alheia, não eram apenas praticados, mas considerados socialmente aceitáveis e perfeitamente normais.

O escritor cristão Jerônimo (393 d.C.) relata que o almirante romano Duílio foi informado por outras pessoas de que tinha mau hálito. Ele repreendeu sua esposa, Bília, por nunca ter lhe dito isso. Ela explicou que não lhe havia dito porque achava que todos os homens tinham mau hálito. Ele ficou muito satisfeito, pois ela, sem querer, demonstrou que sempre lhe fora fiel. Os romanos a apresentavam como um exemplo de grande castidade. Imagine viver em uma sociedade em que uma mulher realmente se destacasse das demais por esse motivo. Contra Joviniano, livro 1, cap. 46, p. 382

Hoje, essa tendência subjacente pode ter mudado ligeiramente, mas ainda está presente. Nós, nossos cônjuges e nossos filhos podemos ser facilmente levados por ela se não vivermos intencionalmente de forma contracultural.

 

P: Em Efésios 5:16, que hábitos ou outras atitudes podemos adotar para aproveitar ao máximo nosso tempo?

R: Antes de fazer qualquer coisa, precisamos primeiro perceber o quão precioso é o dom que nos foi concedido, chamado “tempo”. Abra espaço para as coisas nas quais deseja dedicar mais tempo, deixando de lado outras atividades que representam um uso menos proveitoso do seu tempo.

Como diz John R. W. Stott em *A Mensagem de Efésios*, pp. 201–203: “Jonathan Edwards escreveu, antes de completar vinte anos, em *Resoluções*: ‘Resolvi: nunca perder um único momento, mas aproveitá-lo da maneira mais proveitosa que me for possível’”.

 

P: Em Ef 5,17, Paulo está se dirigindo aos crentes; então, como é que alguns crentes genuínos podem ser imprudentes?

R: A palavra grega aqui, *aphrones*, significa “sem juízo”, e a palavra grega para “imprudente” em Efésios 5:15 é *asophoi*, que pode significar “tolo”. Elas são ligeiramente diferentes, embora tenham pontos em comum. “Sem juízo” significa basicamente que a pessoa está desorientada, sem nenhuma noção do que a rodeia ou do que está por vir. “Tolo” pode significar isso, ou então que a pessoa pensa que vê claramente o que está por vir, mas está totalmente equivocada. Existe a tolice de uma criança pequena, existe a tolice adquirida e existe a tolice que surge apenas por meio da prática frequente.

Os crentes, e não apenas as pessoas em geral, precisam permanecer próximos a Deus, em Sua Palavra, para evitar cair na insensatez.

 

P: Efésios 5:18 contém duas ordens, não apenas uma; então, como a segunda ordem se relaciona com a primeira?

R: O primeiro mandamento é negativo: não se embriaguem. O segundo, um mandamento positivo, serve para substituir o tempo que vocês gastariam lidando com a embriaguez.

Por que as pessoas se embriagam? Pode haver diferentes motivos, e a razão pela qual alguém inicia o caminho da embriaguez pode ser diferente daquela que o mantém alcoólatra. As pessoas podem se embriagar para amenizar sua dor, seja física ou proveniente de memórias dolorosas. Podem se embriagar por tédio ou tentar esquecer o vazio em suas vidas e o que consideram a falta de sentido de suas existências. As pessoas podem se embriagar pelo prazer de beber com amigos, ou pelo menos com aqueles que parecem ser amigos. Podem se embriagar pela estimulação ou pelo que consideram ser a emoção. Após o consumo prolongado de álcool, podem se embriagar devido ao desejo que o corpo desenvolveu pelo álcool. Elas não veem nada de errado ou ruim em se embriagar. Também não veem nada de ruim na cirrose hepática, na demência ou no envelhecimento precoce, após o consumo excessivo de bebidas.

Mas estar cheio do Espírito é muito diferente de estar cheio de álcool; para começar, não basta ingerir uma grande quantidade de líquido para alcançar isso automaticamente. É algo intencional, requer disciplina para orar e se aproximar de Deus, e para dizer “com alegria” não às coisas que parecem prazerosas e sedutoras, porque o senhor tem um chamado superior; Deus o quer para Si mesmo. Como John R.W. Stott menciona em *A Mensagem de Efésios*, pp. 204-205, o Dr. Martyn Lloyd-Jones afirma: “Se fosse possível colocar o Espírito Santo em um livro didático de farmacologia, eu O colocaria na seção dos estimulantes, pois é lá que Ele pertence. Ele realmente estimula… Ele estimula todas as nossas faculdades… a mente e o intelecto… o coração… e a vontade…” (Lloyd-Jones, *A Vida no Espírito*, p. 20-21.)

Nenhum cristão genuíno diria “não” à experiência do Espírito Santo; mas o problema surge quando os cristãos querem as duas coisas: tanto o Espírito quanto o pecado. Isso não significa dizer “sim também” ao Espírito, mas dizer “não” a outras coisas e “sim apenas” ao Espírito.

Assim como estar sob a influência do álcool afeta suas decisões, seu julgamento, seu autocontrole e seus desejos, estar sob a influência do Espírito também afeta suas decisões, seu julgamento, seu autocontrole e seus desejos. Os apóstolos estavam sob a influência do Espírito Santo em Atos 2:13, e isso foi confundido com estar sob a influência do álcool.

 

P: Em Efésios 5:18, o que exatamente há de errado em embriagar-se?

R: Há uma razão, e ela por si só já é suficiente: Deus nos ordena que não nos embriaguemos. As pessoas geralmente se embriagam por prazer, para afogar suas mágoas ou, quando são viciadas, devido ao mal-estar que sentem quando não consomem a bebida. Um cristão não deve perder o controle nem ter seu autocontrole enfraquecido. Além dos danos que causa ao corpo, a embriaguez pode prejudicar relacionamentos, afetar sua capacidade de manter um emprego e prejudicar suas finanças. Um dos problemas de uma pessoa embriagada é que ela pensa que consegue controlar o álcool, mas, sem saber, é o álcool que a controla.

Certa vez, levei um amigo não cristão, que se embriagava com frequência, a um estudo bíblico (que não tinha nada a ver com Efésios). Não sei quando foi a última vez que ele abriu uma Bíblia, mas, na primeira vez em que a abriu ali, o único versículo que leu foi este. Infelizmente, ele não voltou ao estudo bíblico, pois disse que era “assustador demais”!

Em tom mais leve, o “The Communicator’s Commentary 1, 2 Reis”, p. 262, relata que um pregador popular disse: “Alguns de vocês acham que podem afogar suas angústias na bebida. Quero que se lembrem: ‘As angústias sabem nadar!’”

 

P: Efésios 5:18 refere-se a um enchimento único ou a um enchimento contínuo com o Espírito?

R: O presente do indicativo grego aqui mostra que não se trata de um enchimento único, mas de um enchimento repetido.

Além disso, está no plural, portanto, trata-se de algo para todos os crentes, não apenas para alguns indivíduos. Está no modo passivo; assim, “Encham-se do Espírito Santo” seria uma tradução incorreta. “Sejam cheios” ou “deixem que o Espírito Santo os encha” refletiriam o modo passivo. Por fim, não se trata de uma aspiração que devemos tentar alcançar; é uma ordem que se espera que cumpramos.

 

P: Em Ef 5,20, que compromisso devemos assumir aqui?

R: Por tudo o que acontecer com você, agradeça a Deus por isso e pela maneira como Ele pode usar isso em sua vida. Isso não significa que tudo o que surgir em seu caminho seja bom; algumas coisas são más. Você não deve agradecer a Deus pelo mal, mas ainda assim pode agradecer a Deus pela maneira como Ele pode usá-lo. Mesmo nas coisas do dia a dia, como comer, ter intimidade com seu cônjuge ou ter saúde suficiente para se exercitar, agradeça a Deus sempre.

 

P: Em Efésios 5:21, como podemos dar um exemplo melhor de submissão mútua por reverência a Cristo?

R: Em primeiro lugar, precisamos deixar de nos preocupar se estamos “em uma posição de liderança” acima dos outros ou não. Não se preocupar em ascender em nosso papel ou posição é algo contracultural na maioria das sociedades atuais. Precisamos nos contentar em ter alguém acima de nós em determinada área. Precisamos superar nosso medo de que essa pessoa possa nos tratar mal, nos manipular ou nos explorar.

Por fim, quando outra pessoa se submete a nós, devemos tratá-la como gostaríamos de ser tratados. Autoridade não é subjugação. Devemos ter o cuidado de não maltratá-la, manipulá-la ou explorá-la. Devemos dar-lhe liberdade para fazer o que desejar dentro dos limites do objetivo e liberdade quanto à forma de fazê-lo, dentro dos limites do trabalho em equipe com os demais.

 

P: Em Ef 5,22–6,4, por que Paulo fala tanto sobre o casamento?

R: Paulo está falando muito sobre responsabilidades e sobre como ser um exemplo de bom casamento e boa família. Considere o seguinte: o casamento não existe para a felicidade de uma pessoa. Esse é um benefício secundário do casamento, mas o propósito principal do casamento, assim como o propósito principal do restante de nossas vidas, é glorificar a Deus. Mostre ao mundo como você pode ser feliz glorificando a Deus. Mas você não pode fingir felicidade para sempre; as pessoas perceberão isso. Deve aprender a estar plenamente satisfeito, feliz e grato em seu casamento.

Curiosamente, os filósofos estoicos afirmavam que os maridos também deveriam amar suas esposas, mas usavam apenas a palavra grega phileo, que denota amor fraternal. Paulo diz que os maridos devem amar suas esposas, utilizando a palavra ágape, ou amor abnegado.

 

P: Em Efésios 5:22, por que as esposas devem obedecer aos seus maridos?

R: Há duas respostas complementares.

1. Se uma esposa deseja ser obediente a Deus, ela obedecerá ao que aqui é ordenado. As esposas devem obedecer aos maridos, mesmo que o marido não seja cristão. No entanto, as esposas devem desobedecer aos maridos quando houver um conflito entre o que o marido deseja e o que Deus deseja. Nesse caso, elas devem seguir a Deus, a autoridade superior.

2. A obediência das esposas aos maridos não é o fim da história em um casamento cristão. Os maridos devem amar suas esposas como Cristo amou a igreja (Efésios 5:25). Todos são ordenados a se submeterem uns aos outros em Cristo, de acordo com Efésios 5:21.

 

P: Em Ef 5,22, é verdade que a Bíblia nunca afirma explicitamente que as esposas devem amar seus maridos?

R: Essa é uma afirmação falsa que já ouvi. A Bíblia diz que as mulheres devem ser ensinadas a amar seus maridos em Tito 2:4.

 

P: Em Efésios 5:22, o que há de mais incomum nessa metáfora?

R: Trata-se de uma metáfora peculiar; Cristo é o próprio casamenteiro de Si mesmo. Cristo fez especificamente cinco coisas por Sua noiva: Ele a amou, entregou-Se por ela para santificá-la, purificou-a e a apresentou a Si mesmo.

 

P: Em Efésios 5:28, como os maridos devem amar suas esposas?

R: Ao contrário do que alguns possam pensar, o grego NÃO diz apenas que os maridos devem amar suas esposas assim como amam a si mesmos. Pelo contrário, a primeira parte é ainda mais enfática. O marido deve considerar a esposa como parte de seu próprio corpo. Efésios 5:29-31 também confirmam isso.

 

P: Em Efésios 5:33, por que as esposas devem respeitar seus maridos?

R: Elas devem fazê-lo, mesmo que seja apenas porque Deus assim ordena. No entanto, podemos identificar várias razões pelas quais é benéfico para nós que Deus tenha dado essa ordem. Como marido, aprecio o respeito dela. Os filhos podem ter mais facilidade em obedecer e respeitar o pai quando a mãe o respeita. É por isso que é importante que maridos e esposas não se critiquem mutuamente na frente dos filhos.

Além disso, as crianças observam e imitam suas atitudes e seu comportamento quando vocês não estão cientes, de maneiras que vocês nem imaginam. Certa vez, ouvi meus filhos brincando de casinha. Um iria fazer o papel de irmã mais velha, outro seria a irmã mais nova, um seria a mamãe e outro seria o papai.

A título de observação, a sociedade greco-romana também reconhecia que as esposas tinham uma obrigação para com os maridos, mas não que os maridos tivessem qualquer obrigação para com as esposas, de acordo com o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 11, p. 76. Portanto, Paulo está dizendo algo “estranho” aqui, em comparação com o que os novos cristãos já sabem.

 

P: Em Ef 6,1, uma vez que os filhos devem obedecer aos pais, o que aconteceria se os pais lhes dissessem para abandonar a fé cristã?

R: Há dois pontos a serem considerados na resposta.

Mesmo pais não crentes: Efésios 6,1 não diz para obedecer aos pais apenas se eles forem cristãos, mas para obedecer aos pais independentemente de sua fé.

Somente no Senhor: Em Efésios 6,1, Paulo qualificou a afirmação dizendo para obedecer aos pais no Senhor. Devemos obedecer a toda autoridade parental e governamental, na medida em que isso não vá contra a palavra de Deus.

Como nota histórica, essa resposta foi basicamente dada por João Crisóstomo em suas Homilias sobre Efésios, por volta de 396 d.C.

 

P: Em Ef 6,1.4, qual é o limite de idade da palavra grega para “filhos”?

R: Não há limite de idade, pois o grego significa literalmente “descendentes”, e não “crianças pequenas”.

 

P: Em Ef 6,2, por que Paulo disse que este era “o primeiro mandamento”, se na verdade era o quinto dos Dez Mandamentos?

R: Na expressão “o primeiro mandamento”, o artigo “o” não consta no grego. “Primeiro” pode significar “primário”, e este era um dos mandamentos primários. A Tradução Expandida de Wuest traduz essa expressão como “que é um mandamento de tal natureza que constitui o primeiro mandamento...”. É claro que esse mandamento também é o primeiro que as crianças pequenas aprendem.

 

P: Em Ef 6,3, o versículo deveria ser traduzido como “na terra” ou “na terra”?

R: Paulo está citando passagens de Êxodo 20:12 e Deuteronômio 5:16. No hebraico e no grego (incluindo a Septuaginta grega) de todos os três versículos, a palavra pode significar tanto “terra” quanto “terra”.

No entanto, tanto Êxodo 20:12 quanto Deuteronômio 5:16 dizem: “…para que os seus dias se prolonguem na terra que o Senhor, seu Deus, lhe dá” (BSB). Assim, o contexto é “terra de Canaã” e não “terra”. Visto que Paulo afirma estar citando o mandamento anterior, ambos os significados são admissíveis, mas o significado principal era “terra”.

 

P: Em Ef 6,3; Êx 20,12 e Dt 5,16, o que exatamente está sendo prometido aqui?

R: Os cristãos podem perceber que essa promessa é verdadeira não apenas de uma, mas de quatro maneiras. Embora nem todos concordem sobre qual é o significado principal, todos os quatro significados são verdadeiros.

Coletivamente: Como mostra a resposta à pergunta anterior, a promessa do Antigo Testamento foi originalmente feita para que o povo pudesse viver por muito tempo na Terra de Canaã sem ser exilado. Isso pode ser generalizado como um princípio “coletivo”. Observando grande parte da história ocidental, para que o cristianismo permaneça forte em uma terra, os filhos devem aprender com seus pais.

Outro exemplo de promessa coletiva é 2 Crônicas 7:14: “Se o meu povo, sobre o qual é invocado o meu nome, se humilhar, orar, buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra” (BSB).

Individualmente: Conforme ensina Paulo, tanto este mandamento quanto a promessa se aplicam a nós hoje. Efésios 6:3 não promete que os cristãos viverão mais do que os outros, mas, com a proteção de Deus, os filhos cristãos viverão mais tempo na terra do que viveriam de outra forma. Mesmo alguém que morreu aos 25 anos viveu mais do que se tivesse morrido aos 20. Podemos não estar vivendo na terra de Israel, mas queremos viver na terra onde, aos olhos de Deus, devemos estar.

Outro exemplo de promessa individual é Mateus 19:29-30, onde todos os que deixaram casas ou família por causa de Jesus herdarão cem vezes mais e receberão a vida eterna.

Qualidade de vida: Todos os três versículos não apenas prometem uma vida longa, mas também que você viverá bem. Até mesmo a palavra grega para “longevo” é interessante: macrochronious, que significa literalmente “de longa duração”. Há uma piada sobre alguém que encontrou um idoso bêbado cambaleando, encurvado, com rugas e manchas de idade. Ela perguntou: “Como é possível, senhor, que o senhor beba tanto e ainda assim tenha uma vida tão longa?” O bêbado respondeu: “Velho! Ora, eu tenho apenas 30 anos!” Deus não apenas nos protege, mas levar um estilo de vida saudável, sem drogas, sem embriaguez e sem relações sexuais ilícitas, muitas vezes aumentará sua expectativa de vida na Terra.

Outro exemplo de uma promessa de qualidade de vida é Êxodo 23:26, onde Deus promete aos israelitas obedientes que as doenças e os abortos espontâneos serão removidos deles e que Deus “completará o número de seus dias” (BSB), o que soa muito semelhante à promessa em Efésios 6:3.

Perspectiva milenar: É claro que, em Apocalipse 20:4, os cristãos ressuscitarão e reinarão com Cristo por 1.000 anos, antes que o restante dos mortos retorne.

Outros exemplos de promessas que podem ser milenares são: a ressurreição de Israel em Ezequiel 37 e o Templo em Ezequiel 40-47, incluindo a água que brota dele em Ezequiel 47.

 

P: Em Ef 6,3 e seguintes, como lidar com uma criança, ou mesmo com um adulto, que, quando criança, não recebeu disciplina nem correção?

R: Devemos procurar ser uma bênção. Somos uma Bíblia viva (2 Coríntios 3:2-3), portanto, devemos mostrar-lhes a verdade. Peça a Deus que o guie sobre como orar por eles. Faça coisas que demonstrem que você os respeita. Estabeleça regras como “podemos concordar em discordar”.

Mas isso pode ser difícil, e pode ser insuportável conviver com essas pessoas. Você pode sentir alguma compaixão pela educação deficiente que receberam de seus pais. Mas, de alguma forma, você precisa tentar fazer com que eles entendam que precisam mudar e estar dispostos a aceitar correção e repreensão.

 

P: Em Efésios 6:4, os pais devem, em algum caso, irritar seus filhos?

R: Às vezes, sim. Mas os pais não devem exasperar seus filhos, e Colossenses 3:21 também diz que os pais não devem amargar seus filhos. Porém, mais importante do que apenas disciplinar seus filhos, certifique-se de também expressar que os ama, os respeita e que se alegra por tê-los por perto. Pais piedosos não têm o direito de agir de forma irracional com seus filhos. Não devem irritá-los sem um bom motivo, como, por exemplo, para discipliná-los. O castigo físico (palmadas) é aceitável e, às vezes, necessário, conforme mostram Provérbios 13:24; 22:15 e 23:13-14.

 

P: Em Efésios 6:4, as mães também devem prestar atenção a isso?

R: De acordo tanto com o *The Expositor’s Bible Commentary*, volume 11, p. 82, quanto com Gene Getz em um sermão de 16/01/2000, a palavra grega para “pais” frequentemente se referia genericamente aos pais. A “New Geneva Study Bible”, p. 1.870, também afirma que isso se refere aos pais. Da mesma forma, o “Bible Knowledge Commentary: New Testament”, p. 642, afirma que os pais são abordados aqui porque “eles representam o chefe governamental da família, sobre quem recai a responsabilidade pela disciplina dos filhos”.

 

P: Em Efésios 6:4, de que maneiras os pais amarguram, irritam ou exasperam seus filhos?

R: A palavra grega parorgizete é usada apenas aqui, em Romanos 10:19 (cf. Colossenses 3:21). Significa literalmente “provocar à ira”. O “Expositor’s Bible Commentary”, volume 11, p. 81, afirma que esse versículo foi verdadeiramente revolucionário, pois foi proferido em uma sociedade onde a autoridade do pai era absoluta e os sentimentos da criança não eram levados em consideração.

Deve discipliná-los para o bem deles, não com base em seus sentimentos. Trate-os como se fossem tão importantes para Deus quanto você mesmo, pois eles são. Não os intimide, menospreze ou desanime. Exceto quando eles reconhecerem que você os está disciplinando, deve demonstrar-lhes o mesmo respeito, cortesia e ausência de intimidação que demonstraria a um amigo seu que seja adulto.

Aqui está uma lista de algumas maneiras pelas quais os pais podem irritar seus filhos, apresentada por Gene Getz em um sermão em 16 de janeiro de 2000.

Abuso físico, incluindo perder a paciência ou discipliná-los enquanto sua raiva está fora de controle

Abuso psicológico, incluindo constrangimento

Negligenciá-los; em outras palavras, irritar seus filhos pelo que não fazem.

Não tentar compreendê-los. Não demonstrar interesse por suas vidas, educação, esportes ou aniversários.

Hipocrisia. Os pais, por vezes, esperam dos filhos um comportamento que eles próprios não demonstram.

Exigir demais deles

Exija que atinjam um padrão de desempenho

Forçá-los a aceitar nossos objetivos e ideais não vai funcionar. Têm de ser os objetivos e ideais deles.

Quando não estamos dispostos a admitir nossos erros.

Outras formas incluem:

Estabelecer regras mesquinhas – proibir a criança de fazer coisas arbitrárias que não são ruins nem perigosas e que as outras crianças podem fazer.

Fazer distinção entre filhos

Manipular psicologicamente as crianças – dizer-lhes que não vão chegar a lugar nenhum.

Fazer exigências que são irracionais ou, pelo menos, irracionais para elas, sem dar explicações.

 

P: Em Efésios 6:5-7, a Bíblia apoia a escravidão?

R: A Bíblia reconhecia que alguns cristãos eram escravos e permitia que cristãos possuíssem escravos. No entanto, ela incentivava a liberdade dos escravos em 1 Coríntios 7:21,23. Ao contrário da escravidão no Novo Mundo e no mundo muçulmano, as pessoas não deviam ser sequestradas e vendidas como escravas (Êxodo 21:16); os escravos não deviam ser maltratados (Êxodo 21:26-27), e os escravos fugitivos não deviam ser devolvidos aos seus senhores (Deuteronômio 23:15-16).

A Bíblia tolerava tanto que um cristão fosse escravo quanto que um cristão possuísse um escravo, uma vez que a escravidão era inseparável da cultura da época. No entanto, não era permitido que senhores cristãos tratassem os escravos da mesma forma que os proprietários de escravos não cristãos os tratavam. No Novo Testamento, os senhores não deviam, em hipótese alguma, ameaçar os escravos (Efésios 6:9) e deviam tratá-los de maneira correta e justa (Colossenses 4:1).

 

P: Em Ef 6,5-8, uma vez que os escravos cristãos deveriam continuar a obedecer aos seus senhores mesmo que estes fossem maus, até que ponto devemos obedecer e respeitar nosso chefe no trabalho, caso ele ou ela seja mau?

R: Sim. É semelhante ao caso de uma criança que precisa obedecer aos pais no Senhor, mesmo que os pais não sejam cristãos. A Bíblia tem mais a dizer aos escravos do que aos reis. Havia relativamente poucos reis e, no máximo, dependendo do período, entre metade e dois terços da população do Império Romano eram escravos.

 

P: Em Efésios 6,7, por que devemos dar o nosso melhor quando ninguém está olhando?

R: Alguém certa vez definiu caráter como “quem você é quando ninguém está olhando”. No entanto, as pessoas veem você mais do que você imagina. Talvez essa frase precise ser corrigida para “caráter é quem você é quando pensa que ninguém está olhando”.

É claro que Deus está sempre nos observando. Alguém disse certa vez que, como cristão, você pode fazer o que quiser. É claro, lembre-se de que Deus está sempre observando, os anjos estão observando, os demônios estão observando e, talvez, os santos que já partiram estejam observando, e você terá que prestar contas perante Cristo de tudo o que fez. Portanto, sabendo que está sendo observado por todas essas pessoas e que terá de prestar contas, então, com certeza, vá em frente e faça o que quiser!

Certa vez, um cliente pediu a um vendedor cristão que lhe desse mais do que ele havia pago, assegurando-lhe que seu empregador não estava olhando. Mas o cristão respondeu: “Meu Mestre está sempre olhando!” (Comentário Bíblico do Crente, p. 1951)

Lembre-se de que servimos a Deus e às pessoas da melhor maneira possível, independentemente de vermos alguém olhando ou não.

 

P: Em Ef 6,9 e 1 Pe 2,18, por que Deus não ordenou aos senhores que libertassem todos os seus escravos?

R: Para onde iriam os escravos? Logo após um período de guerras frequentes, talvez dois terços da população do Império Romano fossem escravos, que teriam grande dificuldade em ganhar a vida honestamente como pessoas livres. Naquela época, seria melhor ter um senhor cristão que compreendesse que Deus era o senhor de ambos do que ser libertado sem nenhuma qualificação ou apoio. Um senhor cristão não abusaria dos escravos, não se aproveitaria deles sexualmente ou de outras formas e os trataria como iguais diante de Deus. Veja também a pergunta anterior.

 

P: Em Ef 6,10-18, o que sabemos sobre a armadura de um soldado romano?

R: Paulo estava sob a guarda de um soldado romano; portanto, provavelmente bastava olhar para o lado e observar o que um soldado romano possuía. Um soldado romano em batalha sempre teria um pilum, um tipo de lança, mas um soldado que guardava um prisioneiro não o teria.

Uma coisa que não é dita aqui, mas está fortemente implícita, é que precisamos ser protegidos dos ataques do diabo. Se até mesmo cristãos maduros precisam de proteção, quanto mais nossas crianças e jovens cristãos também precisam ser protegidos? Se algum cristão alguma vez disser que as crianças devem ser criadas de forma neutra e que devem encontrar seu próprio caminho para Deus, questiono se essa pessoa já leu Efésios 6:10-18.

Outro ponto é que não se trata de um equipamento que o próprio soldado tenha fabricado. Ele é concedido por Deus. Não é que o soldado precise de apenas parte desse equipamento; o soldado precisa do conjunto completo desse equipamento.

Os soldados romanos usavam armaduras pesadas para defender uma posição contra qualquer coisa que se apresentasse em seu caminho. Eles precisavam se defender contra ataques diretos — de espadas, lanças, facas, maças etc. — e contra ataques que não podiam prever, como flechas. O historiador Políbio (6.23.2) apresentou um relato detalhado sobre um soldado de infantaria. Toda a armadura, chamada de panóplia — da qual deriva nossa palavra “panóplia” —, era importante para que não houvesse pontos desprotegidos nos quais um arqueiro pudesse atirar.

Aqui estão as seis peças da armadura, divididas em duas categorias de três cada. As três primeiras demoravam um pouco para serem vestidas, e devíamos usá-las o tempo todo. As últimas três peças, um soldado podia vestir rapidamente logo antes da batalha. O capacete é quente e pesado, por isso também só era colocado antes da batalha.

A couraça, ou tórax, era apelidada de protetora do coração. Era de bronze e cobria tanto a frente quanto as costas, embora alguns oficiais usassem, em vez dela, a cota de malha, mais leve. A fé e o amor são chamados de couraça em 1 Tessalonicenses 5:8.

O cinto, ou zona, mantinha a armadura no lugar, e nele era pendurada a bainha que guardava a espada. Afrouxar o cinto significava sair de serviço, de acordo com o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 11, p. 87.

Os escudos no exército romano eram retangulares e alongados. Os soldados romanos lutavam melhor lado a lado, formando uma parede de escudos que chamavam de testudo, palavra que significa tartaruga. Eles mediam cerca de 4 x 2,5 pés, ou 1,2 por 0,75 metros. Após o cerco de Diráquio, um soldado chamado Sceva encontrou 220 dardos cravados em seu escudo.

O capacete, ou perikephalaia — que significa “cobertura para a cabeça” —, era de bronze com reforços de couro. O capacete da salvação também é mencionado como sendo usado por Deus em Isaías 59:17. O capacete é chamado de “esperança da salvação” em 1 Tessalonicenses 5:8. A ordem é importante aqui. O escudo era preso ao soldado por meio de uma alça, e o escudo precisava ser colocado antes que o capacete pudesse ser usado.

As botas eram importantes para os romanos, a fim de não perderem o equilíbrio. Os soldados usavam botas especiais chamadas caligae. O historiador judeu Josefo (Guerras dos Judeus 6.1.8) afirma que elas possuíam pregos curtos e afiados na sola para garantir o equilíbrio. O “Expositor’s Bible Commentary”, vol. 11, p. 87-88, afirma que a razão pela qual os exércitos de Alexandre, o Grande, e de Roma podiam marchar rapidamente por longas distâncias em terrenos acidentados se devia às suas botas.

Espada: Havia três armas ofensivas do soldado de infantaria romano, mas, curiosamente, Paulo menciona apenas uma delas. Havia a lança, ou pilum, a espada larga trácia, ou rhomphaia, e o gladius, ou espada curta, que é a que Paulo menciona. O gladius era a arma preferida para combates corpo a corpo.

A única desvantagem de toda essa armadura é que demorava um pouco para ser vestida. Se alguém fizesse um ataque surpresa e os soldados não estivessem prontos, levaria algum tempo até que pudessem lutar. Assim, precisamos até mesmo dormir com nossa armadura vestida, por assim dizer.

 

P: Em Efésios 6:10-18, em que sentido a igreja se assemelha a uma base militar?

R: Com toda a ênfase na moda e nos modelos, pode-se pensar em Efésios 6:10-18 como uma espécie de “desfile de moda cristão” ou nosso guarda-roupa espiritual, com ênfase na parte da “guerra”.

Uma igreja pode ser comparada a um hospital para os doentes, a fim de salvar os moribundos; a uma embaixada; a uma sala de palestras e escola para o aprendizado; a um salão de confraternização para irmãos e irmãs no Senhor; ou a um concerto de música ou evento de entretenimento. Todas essas coisas são aspectos de uma igreja local, mas Paulo não menciona nada disso aqui, pois está abordando um aspecto mais importante. Uma igreja é uma base militar em tempo de guerra, em território hostil. Devemos glorificar a Deus, usar a arma ofensiva da oração e resgatar as pessoas que estão perecendo, compartilhando o evangelho. Ah, e a propósito, devemos equipar e ajudar os outros a fazer o mesmo. Mas não adianta muito equipar os outros se nós mesmos não estivermos servindo como soldados de Deus.

Nossa batalha não é física, nem com armas de violência, mas sim uma batalha espiritual contra as forças satânicas. Às vezes, podemos erroneamente supor que a batalha é contra pessoas que podemos ver. Na verdade, a batalha é contra forças espirituais que não podemos ver.

Devemos lutar, como soldados, para ganhar pessoas para o Senhor. Se o senhor não está lutando, ou mesmo se não está se empenhando de forma alguma nisso, então quão bom soldado de Cristo o senhor é?

 

P: Em Ef 6,10, de que maneira um cristão que é forte no Senhor age de forma diferente daquele que não é forte no Senhor?

R: Um cristão que é forte no Senhor tende a se destacar em pelo menos quatro áreas.

Ele se aproxima de Deus com plena confiança e um coração sincero, como diz Hebreus 10:22-23. Ele está ansioso por compartilhar sua vida, e todos podem ver seu brilho ao expressar seu amor por Deus ao viver sua fé.

Dependem de Deus. Confiam em Deus, pensam em Deus e não são tão propensos à tentação, pois seus pensamentos repousam Nele. Estão dispostos a abrir mão de outras coisas, sejam elas boas ou más, por amor a Deus, conforme mostra Filipenses 3:7-10.

Eles são capazes de suportar não apenas a tentação, mas também momentos difíceis e perdas. São como corredores participando de uma corrida, conforme diz Hebreus 12:2-7.

Eles não se preocupam tanto consigo mesmos, mas se preocupam genuína e sinceramente com os outros. Consideram o bem-estar dos outros mais importante do que o próprio, conforme diz Filipenses 2:3.

 

P: Em Efésios 6:12, qual é a diferença entre “os poderes das trevas deste mundo” e “as forças espirituais do mal nos reinos celestiais” (BSB)?

R: Todas são forças do mal e podem ser a mesma coisa, mas essas duas descrições mostram aspectos diferentes. Os poderes das trevas deste mundo referem-se a ideias, forças e pessoas malignas que podem exercer poder e autoridade sobre diversas instituições, tais como o governo, escolas, empresas e a mídia. As forças espirituais do mal nos reinos celestiais não se referem ao poder terreno, mas tanto às forças demoníacas diretas quanto às influências religiosas malignas, tanto fora quanto dentro das igrejas.

A palavra grega para “governantes do mundo” também pode ser traduzida como “governantes cósmicos”. Trata-se de kosmokratores, e a palavra era usada nos hinos órficos gregos a Zeus para designar os poderes celestiais que controlavam o destino das pessoas.

 

P: Em Ef 6,12, contra quem ou contra o que exatamente estamos lutando?

R: É importante compreendermos que nossa luta não é simplesmente contra a ignorância, a fraqueza e o preconceito humanos. Não se trata apenas de pessoas que já são boas precisarem ser informadas, ajudadas e orientadas para o caminho certo. Pelo contrário, o mundo inteiro está sob o controle do maligno (1 João 5:19) e é hostil a Deus (Romanos 8:7).

Nossa luta é incomum, pois Deus nos chama para fazer coisas que seriam totalmente ineficazes se tivéssemos que realizá-las com nossas próprias forças. Em vez disso, Deus espera que façamos coisas que são impossíveis por nós mesmos, mas possíveis com Deus.

 

P: Em Efésios 6:13, por que exatamente é importante ser forte no Senhor e ter a armadura de Deus?

R: Não se trata de algo opcional, do tipo “é bom ter”, mas de um elemento essencial para nossa segurança e eficácia pessoal, por três razões:

Quem está contra nós: o diabo e as forças das trevas podem ser fortes, inteligentes e astutos, encantadores a ponto de nos desarmar, mas ao mesmo tempo sanguinários, cruéis e implacáveis; e precisamos de proteção tanto contra ataques diretos quanto contra investidas sutis.

Nossa missão: devemos resistir às artimanhas do diabo (Efésios 6:11), devemos lutar contra os poderes das trevas deste mundo (Efésios 6:12) e, no dia do mal, permanecer firmes (Efésios 6:13-14).

Quando devemos permanecer firmes: Como cristãos, com a ajuda e a honra de Deus, devemos esperar ser sempre capazes de permanecer firmes, mas especialmente quando as coisas ficarem difíceis no dia do mal (Efésios 6:13).

Assim como um soldado deve relutar em lutar sem sua armadura e suas armas, e assim como um atleta deve relutar em competir sem suas proteções e outros equipamentos esportivos, um cristão deve relutar igualmente em viver e lutar pela fé sem sua armadura espiritual.

 

P: Em Ef 6,14, o cinto da verdade é a verdade de Deus, a nossa veracidade ou a nossa capacidade de discernir a verdade?

R: A palavra grega aqui para “verdade” (aletheia), assim como a palavra “verdade” em português, pode significar ambas as coisas. Porém, com base no contexto, há três interpretações:

A integridade e a fidelidade do crente, e não os fatos do evangelho, de acordo com o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 643. A *NIV Study Bible*, p. 1799, afirma que se trata de nosso caráter. O *Evangelical Commentary on the Bible*, p. 1032, afirma que se trata de nossa veracidade para com as outras pessoas. O *New International Bible Commentary*, p. 1438, afirma que se trata de nossa sinceridade e integridade pessoal.

A veracidade da Palavra de Deus e nossa confiança derivada da certeza dela. A “New Geneva Study Bible”, p. 1871.

Os dois primeiros: O “Comentário Bíblico do Expositor”, vol. 11, p. 87

João Crisóstomo, em seu Comentário sobre Efésios, dedica uma homilia inteira (23) exclusivamente a este versículo. Ele se concentra principalmente no primeiro aspecto: nossa vida verdadeira e santa. Mas, na p. 164, ele também questiona como podemos cingir nossos lombos com a verdade e afirma, metaforicamente: “aquele que busca a doutrina da verdade nunca cairá por terra”.

Todos os três: O “Believer’s Bible Commentary”, p. 1952, afirma: “Certamente devemos ser fiéis em manter a verdade da Palavra de Deus, mas também é necessário que a verdade nos sustente. Devemos aplicá-la à nossa vida cotidiana. Ao provarmos tudo pela verdade, encontramos força e proteção na batalha.”

Em resumo: devemos estar cingidos com todos os aspectos da verdade: não devemos apenas crer na fonte da verdade — Deus —, mas permitir que ela se enraíze em nossas vidas para nos transformar e, assim, sermos capazes de discernir o que é verdadeiro e o que é falso neste mundo.

 

P: Em Ef 6,15, de que forma nossa prontidão provém do evangelho da paz?

R: A prontidão pode advir do estudo da Palavra de Deus, do aprendizado e da comunhão com outros crentes, mas não é isso que é mencionado aqui. Essa prontidão provém de nossa esperança e do entusiasmo com as boas novas para nós e para todos os que crerão.

 

P: Em Ef 6,16, por que precisamos de um escudo além das demais peças da armadura?

R: É bom ter proteção contra ataques em camadas. Se eles ultrapassarem uma camada, ainda há uma segunda. Eles não conseguirão passar pela armadura se o escudo os deter. Um escudo romano era geralmente retangular, medindo 2 pés por 4 pés, e feito de metal revestido de couro. Podia pesar 12 libras, ou talvez até 15 libras. Às vezes, eles golpeavam o inimigo com seus escudos, para fazê-lo perder o equilíbrio. Se o senhor já possui o cinto da verdade e a couraça da justiça, ainda precisa extinguir as flechas inflamadas do maligno com o escudo da fé. Hebreus 11 apresenta muitos bons exemplos de fé. A Bíblia de Estudo NIV, p. 1799, acrescenta que os escudos romanos eram de metal, mas revestidos de couro. O couro podia ser embebido em água para extinguir flechas em chamas, embora isso aumentasse o peso. O historiador grego Heródoto afirma que as flechas eram mergulhadas em piche e incendiadas. Pompeu utilizou flechas em chamas mergulhadas em piche em uma batalha naval contra Marco Antônio. Otávio (Augusto) utilizou flechas em chamas na batalha naval de Ácio. Não há registros de que flechas envenenadas tenham sido utilizadas.

 

P: Em Ef 6,17, por que o senhor acha que a espada é mencionada por último?

R: Antes de sair com a espada, é preciso ter a defesa preparada.

 

P: Em Ef 6,19-20, como Paulo e nós devemos ser destemidos?

R: As palavras gregas para “sem medo”, en parrhesia e parrhesiasomai, podem significar “com ousadia”. Isso não significa “de olhos fechados” ou sem levar em conta os riscos, mas sim que, apesar dos riscos que conhecemos e daqueles que desconhecemos, fazemos a vontade de Deus de qualquer maneira.

 

P: Em Ef 6,19, o que isso diz sobre o conceito católico romano de “reservas de graça”?

R: “Reservas de graça” é uma ideia católica romana de que os santos, e especialmente Maria, a mãe de Jesus, possuem graça extra que podem conceder às pessoas que oram a eles. Mas, em Efésios 6:19, em vez de Paulo conceder graça extra a outros, ele está pedindo que orem a Deus para fortalecê-lo. Também é interessante notar que Paulo está preso (provavelmente em prisão domiciliar) quando escreve a Carta aos Efésios. Sua principal oração não é pela libertação antecipada, nem por sua segurança, mas ele vê sua maior necessidade como a de falar com ousadia.

 

P: Em Ef 6,20, o que há de interessante na palavra “acorrentado”?

R: Trata-se de um duplo sentido. Pessoas ricas, incluindo mulheres e embaixadores, usavam pequenas correntes ornamentais de ouro; nós as chamaríamos de colares e pulseiras. A mesma palavra também pode significar as correntes de um prisioneiro. O que os romanos considerariam correntes de prisioneiro, Paulo talvez estivesse pensando como correntes ornamentais, visíveis no céu.

 

P: Em Ef 6,21-24, por que há um paralelo tão próximo com Cl 4,7-8?

R: Paulo escreveu ambas as cartas quase ao mesmo tempo, e Tíquico provavelmente levou as duas às respectivas igrejas. Paulo provavelmente teve que se apressar para terminá-las antes da partida de Tíquico. Se alguém, posteriormente, estivesse falsificando Efésios e/ou Colossenses em nome de Paulo, teria tomado o cuidado de não torná-las tão semelhantes.

 

P: Quais são as semelhanças entre Efésios e outras cartas de Paulo?

R: Aqui estão algumas semelhanças e diferenças em relação às outras cartas de Paulo. Para fins de validação, também compararemos esses livros com Tiago, 1 e 2 Pedro, 1 a 3 João e Judas, cartas que se sabe não terem sido escritas por Paulo.

Aqui estão algumas das semelhanças com a Epístola aos Efésios

Aqui estão algumas das semelhanças com a Epístola aos Efésios

Paulo, apóstolo pela vontade de Deus

1 Cor 1,1; 2 Cor 1,1; Ef 1,1; Col 1,1; 2 Tim 1,1; ~1 Tim 1,1 (mandamento de Deus)

“Graça e paz a vocês, da parte de Deus, * Pai, e do * Senhor Jesus Cristo”

Rm 1,7; 1 Cor 1,3; 2 Cor 1,2; Gl 1,3; Ef 1,2; Fp 1,2; 2 Ts 1,2; Fm 3; ~1 Tm 1,2 “Graça, misericórdia e paz vindas de Deus, o Pai, e de Cristo Jesus, nosso Senhor” (BSB); 2 Tim 1:2 “Graça, misericórdia e paz vindas de Deus, o Pai, e de Cristo Jesus, nosso Senhor” (BSB); Tt 1:4 “Graça e paz vindas de Deus, o Pai, e de Cristo Jesus, nosso Salvador” (BSB); 2 Jo 3 “A graça, a misericórdia e a paz vindas de Deus, o Pai, e de Jesus Cristo, o Filho do Pai, estarão conosco…” (BSB)

Todas as bênçãos espirituais

1 Coríntios 1:5 “enriquecidos em todos os aspectos”; Efésios 1:3; Filemom 6

Sempre em oração por vocês

Rm 1,8; 1 Cor 1,4; Ef 1,16; 1 Ts 1,2; 2 Tm 1,3; ~Fm 4 “lembrando-me de vocês em minhas orações”

Agradeço a Deus por eles

Rm 1,8; Ef 1,16

Ênfase na unidade do Espírito

1 Coríntios 12:13; Efésios 4:3-5

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo

2 Coríntios 1:3; Efésios 1:3; 1 Pedro 1:3

Aqui estão algumas diferenças em relação a Efésios

Aqui estão algumas diferenças em relação a Efésios

Paulo e “Timóteo, nosso irmão”

2 Coríntios 1:1; Colossenses 1:1; Filemom 1

Sempre agradecendo a Deus por eles

1 Coríntios 1:4; Filipenses 1:3; Colossenses 1:3; 1 Tessalonicenses 1:2; 2 Tessalonicenses 1:3; 2 Timóteo 1:3; Filemom 4

Fé comum

Tito 1:4

(incompleto)

 

P: Em Efésios, foi Paulo quem escreveu a Epístola aos Efésios?

R: Todos concordavam que Paulo escreveu a Carta aos Efésios até que o pai do liberalismo cristão, Friedrich Schleiermacher (1768-1834), negou isso. Alega-se que a carta seja diferente devido às frases longas, às palavras únicas e às semelhanças com a Carta aos Colossenses, que também é negada por eles como sendo paulina. A Carta aos Efésios contém 39 (ou 42) palavras únicas não encontradas nos livros que eles reconhecem como sendo de Paulo. No entanto, a Carta aos Romanos contém 100, a 1ª Carta aos Coríntios 180, a 2ª Carta aos Coríntios 95, a Carta aos Gálatas 33 e a Carta aos Filipenses 41.

 

P: Em Efésios, que evidências temos de que este livro deve constar na Bíblia?

R: Há pelo menos quatro boas razões.

1. Paulo o escreveu, e ele era um apóstolo. Pedro atestou que as palavras de Paulo eram Escritura em 2 Pedro 3:15-16.

2. O próprio Paulo afirmou ser apóstolo em 1 Timóteo 1:1; 2:7, Romanos 1:1; 1 Coríntios 1:1; 9:1, 2 Coríntios 1:1, 11:5; Gálatas 1:1; Efésios 1:1; Colossenses 1:1; 1 Timóteo 1:1; 2 Timóteo 1:1; Tito 1:1.

3. Citações e referências de escritores cristãos primitivos

A Carta de Inácio aos Efésios (110-117 d.C.), cap. 1, cita Efésios 5:2, e ele afirma no cap. 12 que Paulo faz menção aos efésios em sua carta. A Carta de Inácio a Policarpo, cap. 5, cita Efésios 5:25.

A Epístola de Policarpo aos Filipenses (bispo de 100 a 155 d.C.) cita Efésios 2:8-9 e 4:26, juntamente com vários outros versículos, sem indicar a fonte, exceto para afirmar que as citações do Salmo 4:5 e de Efésios 4:26 são “declaradas, então, nessas Escrituras”.

Irineu de Lyon (182-188 d.C.) em vários trechos. Em um deles, ele cita Efésios 5:30 como sendo de Paulo em sua carta aos Efésios, na obra de Irineu *Contra as Heresias*, livro 5, cap. 2.2, p. 528

Do herege Marcião (antes de 170 d.C.), temos, segundo Tertuliano e Epifânio, suas citações de Efésios 1:1,18; 3:9; 4:6; 5:14; 6:1,12,19

A “Paixão dos Mártires de Scillitan” (180-202 d.C.) menciona que os cristãos possuíam os escritos de Paulo, sem especificar quais cartas.

O Cânon Muratoriano (190-217 d.C.) menciona que Paulo escreveu a sete igrejas em suas epístolas: Coríntios (duas cartas), Efésios, Filipenses, Colossenses, Gálatas, Tessalonicenses (duas cartas) e Romanos. Paulo escreveu a Filemom, a Tito e duas cartas a Timóteo.

Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.) menciona que o apóstolo escreveu aos Efésios e citou Efésios 4:13-15. O livro *O Instrutor*, livro 1, cap. 5, p. 213

Tertuliano escreveu em 207 d.C. que a autoria era do apóstolo Paulo, em *Sobre a Ressurreição da Carne*, cap. 40. Tertuliano afirmou que Paulo escreveu Efésios 2:20 em *Cinco Livros Contra Marcião*, livro 4, cap. 38, p. 415.

Teodoto (provavelmente montanista) (c. 240 d.C.) faz alusão à Epístola aos Efésios. “Seleções das Escrituras Proféticas”, cap. 20, p. 45

Os gnósticos naassenos (antes de 235/6 d.C.), segundo Hipólito, referem-se a Efésios 5:14 em *A Refutação de Todas as Heresias*, livro 5, cap. 2, p. 51

Hipólito (222-235/6 d.C.) cita Efésios 5,14 como Escritura em *A Refutação de Todas as Heresias*, livro 5, cap. 2, p. 51.

Orígenes (225-253/254 d.C.) cita Efésios 6:12 como sendo de Paulo aos efésios, em *De Principiis*, livro 3, capítulo 4, p. 332

Novatiano (250/254-257 d.C.) cita Efésios 4:10, afirmando que se trata de uma passagem de Paulo, em *Tratado sobre a Trindade*, cap. 17, p. 627

O “Tratado contra Novaciano” (254-256 d.C.), cap. 17, p. 663, cita Efésios 5:6,7 como sendo do apóstolo

Cipriano, bispo de Cartago (c. 246-258 d.C.), cita “a epístola de Paulo aos Efésios” no “Tratado 12”, terceiro livro, nos versículos 7, 70, 72 e 117.

Firmiliano de Cesareia, em carta a Cipriano (256 d.C.), cita Efésios 4:5-6 nas “Cartas de Cipriano”, carta 74, cap. 24, p. 396.

No Sétimo Concílio de Cartago (258 d.C.), na p. 571, Vítor de Assuri parafraseia Efésios 4,5 como “está escrito”.

Gregório, o Taumaturgo (240-265 d.C.), parafraseia Efésios 5:5-13 dizendo: “A Escritura diz”, na “Epístola Canônica”, cap. 2, p. 18.

Adamantius (= Adamantius Judaeus) (c. 300 d.C.) cita Efésios 2:11-13 como sendo do apóstolo aos efésios. Diálogo sobre a Verdadeira Fé em Deus, segunda parte, p. 99. Ele também se refere a Efésios 1:5 como sendo do apóstolo, assim como a Efésios 1:6-7 e 2:17-18.

Victorinus de Petau, na Áustria (martirizado em 304 d.C.), enumera as cartas de Paulo como Romanos, Coríntios, Gálatas, Efésios, Tessalonicenses, Filipenses, Colossenses e Timóteo.

Pedro de Alexandria (306, 285-311 d.C.) cita Efésios 2:8-9 como sendo do apóstolo no Fragmento 2 sobre a Divindade, p. 280.

Metódio (270-311/312 d.C.) cita Efésios 5,28-30 como sendo de Paulo. “O Banquete das Dez Virgens”, discurso 3, cap. 2, p. 317.

Atanásio de Alexandria (318 d.C., antes de Nicéia) cita Efésios 3:18 como sendo de Paulo. A Encarnação do Verbo, cap. 16, p. 45.

Lactâncio (c. 303–c. 325 d.C.) cita metade de Efésios 4:26 como: “Deus nos ordenou que não deixássemos o sol se pôr sobre a nossa ira.” *Instituições Divinas*, livro 6, cap. 18, p. 185

Eusébio de Cesareia (318–325 d.C.) cita Efésios 6:12m (não 11, 15 nem 3 palavras) como “Sagrada Escritura”. *Preparação para o Evangelho*, cap. 16, p. 22

A “História Eclesiástica” de Eusébio (323-326 d.C.), livro 3, cap. 3, p. 134 (implícito). Ele afirma: “As quatorze epístolas de Paulo são bem conhecidas e incontestáveis.” Em seguida, ele menciona que há quem conteste se Paulo escreveu ou não a Epístola aos Hebreus. Ele também afirma, no livro 3, cap. 25, p. 155, que as cartas de Paulo são Escritura. “Padres Nicenos e Pós-Nicenos”, Segunda Série, vol. 1, p. 155.

Após Nicéia

Eustáquio (323-337 d.C.)

Asterius, o Sofista (após 341 d.C.), refere-se a Efésios 6:12

Afrahat, o Sírio (337-345 d.C.), em *Demonstrações Selecionadas*

Hegemônio (século IV) cita metade de Ef 3,8 como sendo de Paulo em “Disputa com Manes”, cap. 34, p. 207.

Amão (século IV d.C.) faz referência a Efésios 6:12

Resposta de Marius a Cândido, o Ariano (359-362 d.C.)

Victorinus de Roma (após 363 d.C.)

Basílio da Capadócia (= Basílio de Anquira) (357-378/379 d.C.) cita Efésios 4:15,16 como sendo de Paulo em “Sobre o Espírito”, cap. 5.9, p. 61. Basílio também cita Efésios 3:9 como sendo de Paulo. “Sobre o Espírito”, cap. 11, p. 7

Atanásio de Alexandria (367 d.C.) enumera os livros do Novo Testamento na “Carta Festiva” 39, p. 552

Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.)

A *Synopsis Scripturae Sacrae* (350-370 d.C. ou século V) menciona a Carta de Paulo aos Efésios como parte do Novo Testamento. Ela cita todo o versículo Efésios 1:1.

O cismático Lúcifer de Cagliari (370/371 d.C.) refere-se a Efésios 4:9; 5:9; 5:15

Marcelo de Anquira (c. 374 d.C.) refere-se a Efésios 4:6

Tito de Bostra (antes de 378 d.C.)

Efraim, o compositor de hinos sírio (350-378 d.C.)

Basílio da Capadócia (357-378 d.C.) faz referência a Efésios 4:32

Sínodo de Laodicéia (na Frígia) (343-381 d.C.), o cânon 60, p. 159, enumera os livros do Antigo Testamento e do Novo Testamento. O cânon 59, p. 158, afirma que somente os livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento podem ser lidos na igreja.

Ambrosiaster (após 384 d.C.)

Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) cita Efésios 2:10 como sendo do apóstolo na Palestra 2.1, p. 8

Ambrósio de Milão (370-390 d.C.)

Gregório de Nazianzo (330-391 d.C.)

Gregório de Elvira (após 392 d.C.)

Gregório de Nissa (c. 356–397 d.C.) faz alusão a Efésios 3:18 como “Paulo… povo de Éfeso”. Além disso, o Grande Catecismo, cap. 32, p. 150

João Crisóstomo, em 396 d.C., redigiu 23 sermões sobre Efésios, que ainda hoje possuímos. Ele afirmou que a autoria era de Paulo.

Didimo (398 d.C.)

O cismático Lúcifer de Cagliari, na Sardenha (361–c. 399 d.C.), refere-se a Efésios 5:9,15

Epifânio de Salamina (360-403 d.C.)

Rufino (374–406 d.C.)

Severiano (após 408 d.C.)

Orosius/Hosius de Braga (414-418 d.C.) cita metade de Efésios 4:7 como sendo do apóstolo. Defesa contra os pelagianos, cap. 17, p. 137

Jerônimo (373-420 d.C.)

Concílio de Cartago (218 bispos) (393-419 d.C.)

Cromácio de Aquileia (falecido em 407 d.C.) refere-se a Efésios 4:29

Nilo (c. 430 d.C.) refere-se a Efésios 4:32

Macário/Simeão (século IV ou V)

Maximino (séculos IV a V d.C.) refere-se a Efésios 4,6

Agostinho de Hipona (388 – 28/08/430 d.C.) afirma que Paulo (Sobre o Perdão dos Pecados e o Batismo), livro 1, cap. 43, p. 31 (vol. 5), escreveu as epístolas a Romanos, 1 Coríntios e 2 Coríntios (cap. 44, p. 32), Gálatas (cap. 45, p. 32), Efésios (cap. 46, p. 33), Colossenses (cap. 47, p. 33), 1 Timóteo e 2 Timóteo (cap. 48, p. 33), Tito (cap. 49, p. 33), Epístola aos Hebreus (questionada por alguns) (cap. 50, p. 34), João citando Apocalipse 5:9 (cap. 51, p. 34), Atos dos Apóstolos (cap. 52, p. 34)

João Cassiano (410-430 d.C.) cita Ef 4,28 como sendo da Epístola aos Efésios em “Instituições de João Cassiano”, livro 10.17, p. 272

Marco de Eremita (após 430 d.C.)

Cirilo de Alexandria (444 d.C.)

Teodoto de Anquira (século V d.C.)

Hesíquio de Jerusalém (-450 d.C.) refere-se a Efésios 5,19; 6,12

Hesíquio de Jerusalém (após 450 d.C.)

Quodvultdeus (c. 453 d.C.) refere-se a Efésios 5:14

Teodoreto de Cirro (c. 466 d.C.)

Varimadum (445/480 d.C.)

Speculum (século V) refere-se a Efésios 4:19; 5:2

Teodoto de Anquira (século V d.C.)

Proclo (412-485 d.C.) refere-se a Efésios 4:32

Evidências de hereges e livros espúrios

O herege Marcião, segundo Tertuliano e Epifânio de Salamina

Os naassenos referiam-se a Efésios 5:12, segundo Hipólito

A “Exegese sobre a Alma” (gnóstica) cita Efésios como sendo de Paulo.

O herege Prisciliano (executado em 385 d.C.) faz referência a Efésios 6:12

O herege Pelágio (416-418 d.C.)

O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (428 d.C.)

Parte dessas informações está de acordo com a quarta edição revisada de Aland et al., Adamantio: Diálogo sobre a Verdadeira Fé em Deus, e O Livro dos Passos: o Liber Graduum siríaco.

 

P: Em Efésios, como sabemos que a Escritura hoje é uma preservação confiável do que foi escrito originalmente?

R: Pelo menos 74 manuscritos e escritores da Igreja primitiva citaram ou fizeram referência a versículos de Efésios. Temos pelo menos três boas razões.

1. Deus prometeu preservar Sua palavra em Isaías 55:10-11; Isaías 59:21; Isaías 40:6-8; 1 Pedro 1:24-25; Mateus 24:35.

2. Evidências da Igreja primitiva. Os escritores da Igreja primitiva até o Concílio de Nicéia I (325 d.C.) citaram a Epístola aos Efésios cerca de 208 vezes, sem contar as alusões. Eles citaram 66% da Epístola aos Efésios, contando os versículos parciais como frações. Isso representa 102,85 dos 155 versículos totais.

Consulte a pergunta anterior para conhecer alguns dos escritores que se referiram a versículos de Efésios.

3. Os manuscritos mais antigos que possuímos de Efésios mostram que há pequenas incertezas manuscritas, mas nenhum erro teologicamente significativo.

O p46 Chester Beatty II, de 100-150 d.C., contém 150 versículos de Efésios. Especificamente, contém Efésios 1:1-2:7; 2:10-5:6; 5:8-6:6; 6:8-18, 20-24 e outras partes das cartas de Paulo e de Hebreus. Uma fotografia da primeira página de Efésios encontra-se em *A General Introduction to the Bible*, p. 389, no *Wycliffe Bible Dictionary*, p. 532, e no *Eerdmans’ Bible Dictionary*, p. 340. A obra *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento* apresenta uma fotografia de parte do p. 46 na p. 192. Além disso, nas pp. 197-198, afirma-se que a qualidade e as marcas estichiométricas indicam que este manuscrito foi redigido por um escriba profissional.

Primeira metade do século III – 1936 – Frederic G. Kenyon, de acordo com *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento*.

Século II, 200 d.C. — 1935 — Ulrich Wilken, de acordo com *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento*.

200 d.C. – 1968 – *The Text of the New Testament*.

81-96 d.C. – 1988 – Young Kyu Kim, de acordo com *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts*.

Por volta de 200 d.C. – 1975 – Aland et al., terceira edição.

Por volta de 200 d.C. – 1998 – Aland et al., quarta edição revisada.

Início a meados do século II – 1999 – *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts*. Isso se baseia, em parte, na grande semelhança da caligrafia com o Papiro Oxirrinco 8 (final do século I ou início do século II) e o Papiro Oxirrinco 2337 (final do século I).

p. 49 + p. 64 (meados do século III) Efésios 4:16-29; 4:31-5:13 O livro “O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento” apresenta uma fotografia de parte da p. 49 na p. 346. Ele também afirma que a p. 49 e a p. 65 foram escritas pelo mesmo escriba.

Final do século III – 1968 – *O Texto do Novo Testamento*.

p92 Efésios 1:11-13,19-21; 2 Tessalonicenses 1:4-5,11-12 (cerca de 300 d.C.) A obra *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento* apresenta uma fotografia de parte do p92 na p. 614. Afirma-se também que este data do final do século III ou início do século IV, pois a caligrafia é bastante semelhante à do P. Bodmer IX, do P. Cairo Isid. 2 e do P. Rylands III 389.

Vaticanus [B] 325-350 d.C.

Sinaiticus [Si] 340-350 d.C.

I (Washington, D.C.) Século V Ef 3,20; 4,9.29; 5,22; 6,12; 6,19-20; outros?

Copta boairico [Boh] Séculos III/IV

Copta sahídico [Sah] Séculos III/IV

Copta de Fayum [Fay] Séculos III/IV

Alexandrino [A] c. 450 d.C.

Claromontano, séculos V/VI

Armênio [Arm] a partir do século V

Georgiano [Geo] a partir do século V

Etíope [Eth] a partir de c. 500 d.C.

Vulgata Latina [Vg] séculos IV e V

Peshitta siríaca [Syr P], 400-450 d.C.

p13 Londres/Florença, séculos III/IV

Sírio filoxeniano [Syr Ph], 507/508 d.C.

 

Consulte www.BibleQuery.org/Ephesians Manuscripts.html para obter mais informações sobre os primeiros manuscritos de Efésios.