< Pergunta bíblica sobre 2 Samuel

P: Em 2 Samuel, quando esse livro foi separado de 1 Samuel?

R: Nas Bíblias judaicas atuais, eles constituem um único livro. 1 e 2 Reis também formam um único livro. 1 e 2 Samuel foram separados quando a Septuaginta foi traduzida, por volta de 250 a.C. Na Septuaginta, eles são chamados de 1, 2, 3 e 4 Reis, respectivamente.

Não é importante se 1 e 2 Samuel são tratados como um único livro ou como dois. O que importa é o conteúdo presente em 1 e 2 Samuel.

P: Em que 2 Samuel difere de 1 Crônicas 1-21?

R: Ambos abrangem o mesmo período histórico e são semelhantes. No entanto, 1 Crônicas dedica-se mais à genealogia e omite as más ações cometidas por Davi. Além disso, o cântico de louvor em 2 Samuel 22 é muito semelhante ao Salmo 18.

P: Em 2 Samuel, que evidências arqueológicas temos do reinado de Davi?

R: Antes de 1993, não tínhamos nenhuma, mas agora dispomos de três artefatos arqueológicos que podem se referir a Davi.

A Estela de Tel Dan foi esculpida em pedra preciosa por um governante aramaico por volta de 800 a.C. Ela menciona “Jeorão, filho de Acabe, rei de Israel” e “Acazias, filho de Jeorão, rei da Casa de Davi”

A Estela de Mesha (11-18), em Moabe, menciona “a casa [de Da]vid”. É possível ver uma imagem da Estela de Mesha, também chamada de Pedra Moabita, no livro Rose Book of Charts, Maps & Time Lines, p. 77.

O relevo de Shoshenq em Tebas, no Egito, comemora a incursão do faraó Shoshenq/Shishak em Judá, em 925 a.C. Ele menciona as “terras altas/alturas de Davi”.

Consulte (4 de janeiro de 2014) para obter mais informações.

P: Em 2 Samuel 1:4-10, por que as palavras do amalequita contradizem o relato da morte de Saul em 1 Samuel 31:3-5?

R: Os detalhes são diferentes. Em 1 Samuel 31:3-5, os arqueiros atingiram Saul. Após ser mortalmente ferido, Saul cometeu suicídio. Os filisteus levaram a armadura de Saul para adornar seu templo. O amalequita afirmou que foram carruagens e cavaleiros; ele matou o amalequita, e os filisteus deixaram a armadura para que o amalequita a levasse mais tarde.

A resposta mais simples é que o amalequita estava mentindo, pois achava que Davi lhe daria uma recompensa. Aparentemente, o amalequita encontrou Saul antes que os filisteus despojassem o cadáver, pois ele fugiu com a coroa e a braçadeira. Também seria muito curioso se o amalequita estivesse no acampamento israelita como soldado dos israelitas. É mais provável que o amalequita estivesse na região após a batalha e tenha chegado posteriormente para despojá-lo de quaisquer objetos de valor.

Josefo tentou, erroneamente, conciliar as palavras do amalequita com 1 Samuel 31, mas não há necessidade de tal tentativa, se o amalequita estava mentindo.

P: Em 1 Samuel 1:4-16, há situações hoje em dia em que as pessoas mentem ao afirmar ter cometido pecados quando, na verdade, não o fizeram?

R: No caso do amalequita, ele viu um grande benefício potencial e nenhum mal em agir assim. Ele certamente não teria considerado que Davi acharia isso errado. Da mesma forma, as pessoas podem mentir sobre ter cometido pecados hoje em dia, quando a) não acham que isso seja errado, ou b) não veem mal algum em “melhorar sua reputação” ao fazê-lo, ou c) veem benefício nisso.

O que o amalequita não percebeu de forma alguma é que Davi era, acima de tudo, um homem nobre e honrado, ao passo que Saul, como muitos outros, não o era. Muitas pessoas no mundo não compreendem o conceito de um homem ou uma mulher de honra.

P: Em 2 Samuel 1:6-15, por que Davi matou o homem que supostamente havia matado o inimigo de Davi?

R: Davi considerava o respeito pelo cargo de rei mais importante do que a rapidez com que poderia se tornar rei. Davi também pode ter se preocupado menos com a possibilidade de Deus quebrar Sua promessa do que com o fato de as pessoas não respeitarem o governo. Essas duas questões — a confiança de que Deus, em última instância, resolverá as coisas, e a confiança de que o tempo de Deus é o melhor — são aspectos importantes de nossa fé em Deus também hoje.

Por outro lado, se as pessoas tivessem sabido que Davi havia poupado e até mesmo recompensado o homem que matou o rei anterior, Davi não seria visto como um rei legítimo, por recompensar aqueles que mataram seu antecessor.

P: Em 2 Samuel 1:19-27, qual é a estrutura desse poema?

R: Esses versículos contêm um tipo de simetria literária hebraica comumente encontrada no Antigo Testamento, chamada de quiasmo. Aparentemente, tratava-se de um poema famoso, pois o autor de 2 Samuel menciona que ele consta no Livro de Jashar. Aqui está a estrutura do poema.

2 Samuel 1:19 Jônatas (implícito)

— 2 Samuel 1:20 ambos os homens (implícito)

— — 2 Samuel 1:21 Saul (explícito)

— — — 2 Samuel 1:22-23 (Jônatas e Saul (explícito)

— 2 Samuel 1:24 Saul (explícito)

— 2 Samuel 1:25-26 Jônatas (explícito)

2 Samuel 1:27 ambos os homens (implícito)

Como observação interessante, em hebraico, um canto fúnebre como este, assim como o Livro das Lamentações, quando acompanhado de lamentos, é chamado de qyn. Na Irlanda, um canto fúnebre acompanhado de lamentos é chamado de “keen”. Davi ordenou que isso fosse ensinado aos homens de Judá porque Davi ainda não era rei de Israel.

P: Em 2 Samuel 1:23, por que Davi disse que Saul era amável e agradável em sua vida, se Saul tentou repetidamente matá-lo?

R: Davi teria muito do que reclamar se tivesse escolhido fazê-lo. Davi estava sendo educado e relembrando a parte anterior e melhor da vida de Saul.

Seria natural esperar que Davi nutrisse um ódio amargo por Saul em seu coração. Suas observações aqui mostram que ele escolheu não guardar esse rancor. Da mesma forma, temos a escolha de decidir se queremos ou não guardar ódio e rancor em nosso coração. Mateus 18:21-35 e 1 Coríntios 13 mostram que não devemos fazê-lo.

P: Em 2 Samuel 1:23-24, quando devemos ignorar os aspectos negativos e paranóicos de uma pessoa e simplesmente destacar o lado positivo, como Davi fez?

R: Davi pareceu um pouco exagerado em seus elogios a Saul, e as Escrituras registram fielmente o que ele cantou. Não é necessário dizer algo negativo sobre uma pessoa; às vezes, é melhor permanecer em silêncio. Davi tinha três objetivos aqui. Ele desejava sinceramente lamentar a morte de seu amigo Jônatas. Davi queria deixar claro que não contribuiu nem auxiliou na morte do rei anterior. Davi queria obter o apoio das tribos do norte. Um ponto-chave disso é que Davi não demonstra qualquer amargura em relação a Saul.

P: Em 2 Samuel 1:26, uma vez que o amor de Davi por Jônatas superava o que sentia pelas mulheres, isso significa que eles nutriam sentimentos românticos um pelo outro?

R: Não. A palavra hebraica aqui, ‘aheb, significa um amor de amizade. Ela não é usada para se referir à homossexualidade em nenhum outro contexto. As pessoas podem ter fortes sentimentos de amizade sem que haja um relacionamento romântico envolvido.

P: Em 1 Samuel 2:1, quais foram as consequências de Davi ter sido ungido como rei sobre Judá?

R: Davi já havia sido ungido rei em particular por Saul, quinze anos antes. Mas ungir Davi publicamente como rei causaria um grande alvoroço. Em primeiro lugar, seria um sinal claro para os filisteus de que ele não era seu vassalo. Em segundo lugar, Davi esperou quinze anos pela morte de Saul, o ungido do Senhor, antes de se tornar rei. Mas Davi não iria aceitar que Ish-Bosete, que não havia sido escolhido por Deus, se tornasse o próximo rei. Quando Davi fosse coroado rei de Judá, isso representaria uma cisão em relação ao restante de Israel, o que levaria a uma guerra civil.

P: Em 2 Samuel 2:1, por que Deus desejaria que Davi fizesse de Hebrom sua capital?

R: As Escrituras não dizem, mas podemos identificar cinco razões.

1. Hebrom era uma das maiores cidades de Judá.

2. Historicamente, Abraão e os patriarcas foram sepultados ali.

3. Os israelitas do norte ainda não haviam aceitado Davi como rei.

4. Hebrom ficava nas montanhas, mais elevada do que qualquer outra cidade de Judá e mais segura contra ataques. Jerusalém, a 19/20 milhas a norte-nordeste, seria ainda melhor, mas Jerusalém ainda estava sob o controle dos jebuseus.

5. Hebrom era uma das cidades de Judá para as quais Davi já havia enviado o saque, conforme 1 Samuel 30:31.

P: Em 2 Samuel 2:5-7, por que Davi enviou mensageiros especificamente à cidade de Jabes de Gileade?

R: Eles poderiam pensar que suas ações em homenagem a Saul e Jônatas deixariam o novo rei, Davi, irado com eles. Davi enviou mensageiros deliberadamente para assegurar-lhes que não era esse o caso e que ele respeitava a memória de Saul e Jônatas. Essa também foi uma estratégia astuta da parte de Davi para, de forma pacífica, tentar conquistar o povo de Jabes de Gileade a fim de que o aceitassem como rei.

P: Em 2 Samuel 2:8, por que Ish-bosete é chamado de Esh-baal em 1 Crônicas 8:33; 9:39?

R: Baal pode significar senhor, Senhor ou um deus cananeu. “Esh-Baal” significa “fogo de Baal”, e “ish” significa homem. Saul chamou seu filho de Ish (homem) de Baal, provavelmente com a intenção de “mestre” ou “Senhor”. Os escritores ou copistas provavelmente alteraram o nome para bosheth, que significa “vergonha”. Ish-bosheth também pode ser o Isvi mencionado em 1 Samuel 14.

P: Em 2 Samuel 2:8, por que Abner não apoiou Davi?

R: Se Abner o tivesse feito, isso teria evitado sete anos de guerra civil. Embora as Escrituras não o mencionem, lembre-se de que Abner provavelmente era um dos líderes do exército que anteriormente perseguira Davi. Abner era primo de Saul; portanto, como filho de Saul, ele teria direito ao trono. Muitas vezes, as pessoas sofrem de um de dois problemas: ou não são leais quando deveriam ser, ou são leais ao que não deveriam ser.

A título de observação, Davi reinou apenas sobre Judá por sete anos e meio, e Isbosete reinou no norte por dois anos. Isso significa que Abner liderou os exércitos do norte por cinco anos e meio antes de assumir o papel de formador de reis e coroar Isbosete, que tinha 40 anos na época. Observe que não diz que o povo de Israel coroou Isbosete como rei; apenas Abner o fez. Abner pode ter estado muito ocupado expulsando os filisteus de Israel. Abner estava mais interessado em permanecer no comando do que na unidade nacional ou em tornar Isbosete rei. Mas depois que Isbosete repreendeu Abner por ter tomado uma das concubinas de Saul para si, Abner percebeu que seu poder estava sendo restringido e então passou para o lado de Davi, onde esperava ainda ter poder sob o comando de Joabe ou ao lado dele.

Um excelente exemplo foi o brilhante químico alemão Fritz Haber. Ele foi o criador do processo de Haber, que consistia em uma maneira de extrair nitrogênio do ar. Isso permitiu que a Alemanha fabricasse explosivos sem depender de importações do Chile ou de outros países. O livro *O Livro dos Fatos*, de Isaac Asimov, p. 254, destaca que, se não fosse pelo trabalho de Haber, a Alemanha teria sido forçada a sair da Primeira Guerra Mundial já em 1916. Haber também dirigiu o desenvolvimento de gás venenoso pela Alemanha na Primeira Guerra Mundial. O *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 254, também menciona que Haber foi exilado quando Hitler chegou ao poder, pois era judeu.

A que coisas o senhor é leal?

P: Em 2 Samuel 2:8, em que momentos devemos esperar pacientemente que o mal se dissipe, fugindo se necessário, e em que momentos devemos nos levantar e lutar, seja pelo que Deus nos concedeu, seja pelo que Deus concedeu a outros?

R: O fato de Davi ter esperado pacientemente por Saul e de não estar disposto a tolerar Isbosete constitui um estudo interessante sobre quando é melhor ser tolerante e quando não é.

Uma resposta simplista é lutar quando Deus quiser que lutemos e não lutar quando Deus não quiser. Mas como, então, sabemos quando Deus quer que lutemos?

Os cristãos estão sendo perseguidos na China continental, na Coreia do Norte, no Afeganistão, no Irã, em Assam, na Índia, e no norte da Nigéria. É claro que os Estados Unidos não deveriam dividir suas forças armadas em seis partes e atacar a China continental e as outras cinco regiões para defender os oprimidos de uma só vez. Então, como se sabe quando defender os outros e quando não se pode fazê-lo?

P: Em 2 Samuel 2:8-11, por que Abner e, posteriormente, Isbosete estabeleceram a capital de Israel no lado leste do rio Jordão?

R: Lembre-se de que os filisteus haviam ocupado uma área considerável entre Judá e o Mar da Galiléia. Uma capital no lado leste seria de difícil acesso para eles. Mahanaim provavelmente era bem fortificada, já que Davi fugiu para lá quando estava fugindo de Absalão.

P: Em 2 Samuel 2:9, quem eram os ashuritas?

R: Provavelmente eram habitantes de uma aldeia chamada Ashuri. Lá, os membros da tribo de Aser estavam mais distantes. Não se tratava de Assur, a antiga capital da Assíria.

P: Em 2 Samuel 2:10, Is-Bosete reinou por dois anos, ou Davi reinou por sete anos e meio em Hebrom, conforme 2 Samuel 2:11 e 2 Samuel 5:5?

R: Os cristãos têm duas respostas diferentes.

Davi reinou sobre Judá por apenas sete anos e meio: Ish-bosheth, Abner e o exército israelita tiveram que recuar para o leste, atravessando o rio Jordão, após a vitória dos filisteus. Ish-Bosheth foi nomeado rei sobre Gileade, Ashuri e Jezreel inicialmente, de acordo com 2 Samuel 2:8-9. Somente após cinco anos e meio é que eles reconquistaram território suficiente a oeste do Jordão. Portanto, Israel ficou sem rei por 5 anos e meio; depois, Ish-Bosheth reinou por dois anos, e em seguida Davi.

Davi reinou em Hebrom por sete anos e meio: embora possa ter havido um pequeno atraso antes da coroação de Ish-Bosheth, o período de sete anos e meio referia-se a todo o tempo em que Davi reinou em Hebrom antes de conquistar Jerusalém e passar a reinar ali. Entre o momento em que Ish-Bosheth foi assassinado e Davi passou a reinar em Jerusalém, Davi não reinou em nenhum outro lugar além de Hebrom. Portanto, Ish-Bosheth foi rei de Israel por dois anos; em seguida, Davi foi rei tanto de Israel quanto de Judá por cinco anos em Hebrom; e, depois disso, Davi transferiu sua capital para Jerusalém.

No entanto, a primeira interpretação é provavelmente a correta; não há nada que indique que Abner tenha coroado Ish-bosheth imediatamente.

P: Em 2 Samuel 2:19-24, por que Asael perseguiu apenas Abner e por que Abner o atingiu com a ponta da lança?

R: Joabe e Abisai também perseguiram especificamente Abner em 2 Samuel 2:24. Talvez tenham percebido que Abner era tanto a força por trás da rebelião quanto um general competente, e que, se simplesmente o matassem, os israelitas se submeteriam. Asael corria muito rápido; talvez tivesse uma constituição física mais leve do que Abner (que era mais velho) e os demais. Abner não parecia muito preocupado com a possibilidade de Asael matá-lo; mas percebeu que essa guerra terminaria com muito mais dificuldade se ele matasse o irmão de Joabe e Abisai. Talvez, em vez de se virar e usar a ponta afiada da lança, Abner tivesse a intenção apenas de ferir Asael. Mas, independentemente da intenção de Abner, o golpe acabou matando Asael, que não esperava por isso.

P: Em 2 Samuel 2:19-24, Asael estava certo de que sua velocidade era suficiente para derrotar um guerreiro poderoso e bem blindado. O excesso de confiança de Asael foi fatal. Há momentos hoje em dia em que a habilidade de alguém em uma área lhe confere uma falsa confiança em outra área?

R: Isso pode ser comum no mundo dos negócios, quando o sucesso em um setor leva os executivos a acreditar que podem expandir-se para outros setores. Às vezes eles estão certos, outras vezes não. Às vezes, políticos e médicos, que possuem muita experiência ou conhecimento em uma área, presumem que sua especialização se aplica a todas as áreas.

P: Em 2 Samuel 2:26-32, por que Joabe parou de perseguir o exército de Abner?

R: A Escritura não diz. Talvez Joabe soubesse que se tratava de uma guerra sem sentido e tenha ficado satisfeito em parar assim que Abner o fez. Mas se Abner não tivesse sugerido a ideia de misericórdia, talvez Joabe tivesse feito com que o exército continuasse lutando para matar o maior número possível de israelitas.

P: Em 2 Samuel 2:30-31, por que as baixas, 375 contra 20, foram tão desproporcionais?

R: Davi provavelmente aprendeu sobre novas armas e novas técnicas ao lutar contra os filisteus, ao lutar ao lado dos filisteus de Gate (1 Samuel 27) e por ter alguns filisteus em seu exército. (Eles eram chamados de quereteus e peleteus.) 2 Samuel 1:18 também diz que Davi ensinou seus soldados a usar arcos e flechas. Além disso, Davi contava com soldados experientes, e muitos dos soldados experientes do exército de Saul haviam sido mortos pelos filisteus no Monte Gilboa.

P: 2 Samuel 3:1 significa que houve combates constantes durante sete anos e meio?

R: Tratava-se de um estado de hostilidade, não de combates constantes. Lembre-se de que tanto Abner quanto Davi e Joabe estavam ocupadíssimos lutando contra os filisteus. Em meio a essas hostilidades, Davi solicitou a Isbosete que sua esposa Mical lhe fosse devolvida, e Isbosete atendeu ao pedido sem reclamar. Como veremos mais adiante em 2 Samuel 3-4, existem diferentes tipos de lealdade e diferentes tipos de deslealdade. Durante quase todo esse tempo, Abner foi leal a Isbosete, mas a questão mais importante é: “ele foi leal a Deus?”

P: Em 2 Samuel 3:1-5 e 2 Samuel 5:13-16, Davi deveria ter se casado com todas essas mulheres?

R: Não, alguns de seus filhos causariam muita dor a Davi mais tarde. Deuteronômio 17:17 diz que o rei não deve tomar muitas esposas para si, para que seu coração não se desvie de sua lealdade a Deus. Depois que Davi se casou com Mical, Ainoã e Abigail, ele passou a se casar com Maaca, Hagite, Abital e Eglá. As Escrituras não mencionam mais Chileabe/Kileabe/Calebe, portanto, ele provavelmente faleceu antes de se tornar adulto. Três dos filhos de suas esposas — Amnon, filho de Ainoã; Absalão, filho de Maaca; e Adonias, filho de Hagite — causariam muita dor a Davi e teriam suas vidas encerradas tragicamente.

P: Em 2 Samuel 3:3 e 1 Crônicas 2:23, há alguma evidência arqueológica do reino de Gesur?

R: Sim. Um palácio incendiado, com um coador de cerveja em seu interior, foi datado entre 1100 e 1000 a.C., de acordo com Timothy Renner e Ira Spar no artigo “The Land of Geshur Project”, publicado no Boletim Informativo do Consórcio Arqueológico de Nova Jersey, n.º 3 (1988). Essa destruição provavelmente foi causada por Joabe e pelos israelitas logo antes de Davi cometer adultério com Bate-Seba.

P: Em 2 Samuel 3:7, o que sabemos sobre Rizpa?

R: Rizpa era a concubina de Saul, ou seja, sua esposa secundária. Quando Isbosete se tornou rei, era costume que os reis herdassem as concubinas de seus pais. Isso tornaria Rizpa a esposa do pai de Isbosete, o que é um tanto perturbador. Essa prática vai contra Levítico 18:8, bem como 1 Coríntios 5:1 no Novo Testamento. Então Abner teve relações sexuais com ela. Não temos certeza se Rizpa teve alguma voz nessas questões. Rizpa foi quem protegeu os cadáveres expostos de sete dos descendentes de Saul em 2 Samuel 21:8-11. Apesar de seu passado de ter sido “passada de mão em mão”, Rizpa foi leal à dignidade de sua família ampliada.

P: Em 2 Samuel 3:8, a lealdade é recíproca? Ou, em outras palavras, um líder tem alguma responsabilidade de lealdade para com seus seguidores?

R: Abner presumiu que sim e se sentiu traído pela acusação de Isbosete. As pessoas que colocam um líder no cargo esperam que ele cumpra a função para a qual foi designado. Espera-se que os líderes zelem fielmente por seu cargo e por aqueles que estão sob sua responsabilidade.

Observe que Abner não disse “cão”, mas “cabeça de cão”, o que ainda é depreciativo. Comentadores judeus interpretaram isso como significando que Abner perdeu a paciência e perguntou com raiva se Isbosete o desrespeitava, considerando-o apenas a cabeça/líder de uma matilha de cães. Abner está exagerando e tirando conclusões precipitadas sobre o descontentamento de Isbosete com o que Abner considera apenas uma coisa sem importância. No entanto, isso poderia ajudar a preparar o terreno para que Abner mais tarde se apoderasse do trono, e Isbosete não viu isso como uma coisa de pouca importância.

P: Em 3:12, o que Abner quis dizer com “de quem é esta terra?”

R: Esse pode ser um caso de ambiguidade estratégica por parte de Abner. Por um lado, Abner fez de Isbosete rei, de modo que ele próprio se encontrava em uma posição de poder, controlando o reino do norte. Por outro lado, Davi era o rei legítimo designado por Deus, e Abner reconhecia que Davi deveria, na verdade, ser rei sobre todo o Israel. Ambos os significados se encaixam na declaração de Abner a Davi: “Tenho controle efetivo sobre o reino do norte e estou entregando-o a você. Portanto, por favor, cuide bem de mim.”

P: Em 2 Samuel 3:14-16 e 1 Samuel 25:44, por que Davi tirou Mical de seu marido Palti/Faltiel?

R: Quando um homem se casa com uma mulher que ainda é casada, e o marido não se divorciou dela nem a abandonou, trata-se de uma situação complicada. Davi não a deixou voluntariamente, mas foi forçado a fugir pelo pai de Mical, o rei Saul. Não há menção se Mical protestou contra o segundo casamento ou não. Davi estava no seu direito, como primeiro marido, de exigir que ela lhe fosse devolvida. No entanto, também não há menção sobre se Davi agiu da melhor maneira possível, ou se foi motivado principalmente pelo amor a Mical ou pelo orgulho. Como ele “a tirou” de Faltiel, isso indica que ele não prejudicou Faltiel, que se encontrava em uma situação bastante delicada com seu rei. Palti e Mical eram leais um ao outro, mas havia um compromisso anterior entre Davi e Mical.

Além disso, como Davi estava “casado” com a família de Saul, isso poderia fortalecer sua reivindicação ao trono após Saul aos olhos dos israelitas do reino do norte.

Hoje em dia, o novo casamento pode ser uma situação complicada. No mínimo, é importante conversar com todos os envolvidos.

Em 2 Samuel 3:16, Faltiel seguiu Mical até a cidade de Bahurim, provavelmente a cerca de 1,5 milhas a nordeste de Jerusalém. Mais tarde, Simei, da casa de Saul, viria dessa mesma cidade para amaldiçoar Davi em 2 Samuel 16:5-8.

P: Em 2 Samuel 3:14-16, Davi violou Deuteronômio 24:1-4, que diz que um homem que se divorcia de sua esposa e ela se casa com outro não pode recebê-la de volta?

R: Na verdade, não. Davi nunca se divorciou de Mical; foi Saul quem a tirou de Davi.

P: Em 2 Samuel 3:24-25, por que Joabe acusou Abner de engano e de ter vindo apenas para espionar Davi?

R: Não vemos que Joabe tivesse qualquer fundamento para afirmar tal coisa. No entanto, isso poderia ter parecido uma possibilidade. Joabe foi rápido em apontar isso porque não queria um concorrente como general-chefe do exército de Davi. Além disso, toda essa guerra foi iniciada por causa de Abner, e homens leais de Judá foram mortos, incluindo o irmão de Joabe, e Joabe ficaria descontente por Davi estar festejando com o assassino de seu irmão.

É muito provável que Abner tenha sido honesto em suas relações com Davi. Em 2 Samuel 3:1, à medida que as forças de Davi se fortaleciam e as de Abner enfraqueciam, Abner previu o desfecho, já que Isbosete não abriria mão voluntariamente do trono. Assim, Abner percebeu que essa era a única saída.

Joabe parecia saber muito sobre engano. Foi Joabe quem decidiu assassinar Abner sem informar Davi, conforme 2 Samuel 3:26-30. Joabe passou de obedecer, seguir e servir a Davi para fazer o que bem entendesse para seu próprio benefício. Embora Abner tenha matado Asael em batalha — e não acidentalmente — na cidade de Hebrom, uma cidade de refúgio, Abner teria, no mínimo, direito a um julgamento. Mas Joabe também não se preocupou com isso.

Às vezes, uma pessoa que age com honra é acusada de deslealdade, mesmo por aqueles que são traiçoeiros. Joabe acusou Abner de ser traiçoeiro, mas, na verdade, era Joabe quem estava sendo traiçoeiro.

P: Em 2 Samuel 3:26-30, Joabe era leal a Davi?

R: Sim e não. Joabe certamente demonstrava alguma lealdade a Davi, mas considerava seus próprios interesses — incluindo a vingança e a preservação de sua posição — superiores à sua lealdade a Davi. Assim como existe obediência parcial, também existe lealdade parcial. Joabe podia racionalizar sua lealdade alegando que nunca traiu Davi e que não desobedeceu a nada que Davi tivesse ordenado explicitamente. Mas Joabe sabia com certeza o que Davi desejava, e, de forma traiçoeira, frustrou a vontade de Davi e fez com que seu rei parecesse um mentiroso traiçoeiro. Pode-se questionar se a lealdade parcial pode, de fato, ser considerada lealdade.

P: Em 2 Samuel 3:27, 2 Samuel 4:6 e 2 Samuel 20:10, por que Abner, Is-bosete e Amasa foram todos mortos abaixo da quinta [costela]?

R: Provavelmente, essa era uma expressão que significava que eles foram esfaqueados na parte inferior das costelas. Alguns acreditam que isso signifique “esfaqueados no estômago”.

P: Em 2 Samuel 3:28-36, o reino de Davi estava realmente isento de culpa pelo sangue de Abner?

R: Talvez não. Foram Joabe e seu irmão Abisai, agindo por conta própria, que mataram Abner. Eles podem ter pensado na responsabilidade dos parentes de um homem assassinado (Asael) de levar o assassino à justiça. No entanto, Abner não assassinou Asael; ele o matou honrosamente em batalha. Ainda assim, Davi não agiu com justiça ao não prender Joabe e Abisai e executá-los por homicídio. Por outro lado, Davi percebeu que, se prendesse Joabe e Abisai, poderia ser ele próprio quem seria executado; isto é, caso Davi não confiasse em Deus.

P: Em 2 Samuel 3:39, por que Davi se limitou a amaldiçoar Joabe em vez de executá-lo?

R: Joabe considerava Abner apenas um oportunista, e talvez ele fosse, de certa forma. Joabe desejava vingar a morte honrosa de seu irmão em batalha. Joabe demonstrou aqui que estava zelando tanto por seus próprios interesses quanto pelo que considerava melhor para Israel; seguir Davi não era sua principal preocupação. O fato de Davi não disciplinar seus oficiais e filhos quando necessário parece ser uma de suas maiores fraquezas. De certa forma, Davi colocou suas relações de lealdade com Joabe, Abisai e seus filhos como uma prioridade maior do que seu serviço leal ao cumprir a vontade de Deus. Davi justificou que não era poderoso o suficiente para punir Joabe e Abisai.

Davi via Abner como um homem honrado, além de um antigo adversário. Ele lamentou genuinamente a morte de Abner, mas isso também foi um evento midiático para convencer a todos de que Davi não tinha nada a ver com o ocorrido. Em 2 Samuel 3:31-38, deve ter sido extremamente, extremamente desconfortável para Joabe e Abisai estarem presentes entre o povo e os líderes enquanto Davi lamentava publicamente a morte de Abner.

P: Em 2 Samuel 4:1-2, 4-8, por que Recabe e Baana assassinaram Isbosete?

R: Provavelmente não foi por causa de qualquer ódio a Isbosete. Parece que Abner havia imposto a realeza a Isbosete de qualquer maneira. Mas, com a morte de seu competente general Abner e alguns nobres do norte dispostos a se aliar a Davi, houve pânico, e esses homens perceberam que não havia esperança de o reino do norte prevalecer. Eles também achavam que Isbosete jamais concordaria em se render e, por isso, consideraram que a única saída era, de forma traiçoeira, tomar o assunto em suas próprias mãos.

Pode-se argumentar que Recabe e Baana estavam cumprindo a vontade secreta/suprema de Deus; pois Deus usou esse meio para fazer com que todo o reino passasse então para Davi. Mas eles agiram contra a vontade revelada de Deus, segundo a qual não devemos matar. Deus às vezes usa ações malignas e pessoas más para alcançar seus objetivos, mas isso não isenta essas pessoas da responsabilidade por desobedecerem ao que Deus ordenou.

P: Em 2 Samuel 4:4, 9:6-13; 16:1-4; 19:24-30; 21:7, por que ninguém desejaria ungir Mefibosete como rei?

R: Mefibosete tinha cerca de 5 anos quando ficou aleijado e tinha apenas cerca de doze anos em 2 Samuel 4:4. Sem Abner, não havia ninguém para servir como regente, governando em nome do jovem rei. Mais importante ainda, um rei aleijado não seria capaz de liderar o exército e teria dificuldade em viajar para se encontrar com outras pessoas.

P: Em 2 Samuel 4:8, Davi deveria ter comemorado o fato de Recabe e Baana terem assassinado Isbosete, já que eles afirmaram que o Senhor havia providenciado a vingança?

R: Assim como Davi sabia, devemos perceber que não se pode acreditar em tudo o que alguém diz. Mesmo que afirmem que foi por obra de Deus, devemos sempre considerar a possibilidade de que possam estar inventando isso. É claro que Deus pode vingar, mas isso não lhes dá o direito de matar alguém de forma traiçoeira.

P: Em 2 Samuel 4:9-12, por que Recabe e Baana pensariam que Davi ficaria satisfeito com eles por terem assassinado Isbosete de forma desleal?

R: Aparentemente, eles não sabiam ou haviam esquecido do amalequita que alegava ter matado Saul. Achavam óbvio que Davi consideraria a eliminação de um rebelde contra o rei legítimo um fim bom e que valia a pena. Mas o que eles não perceberam foi que Davi não aceitava os meios traiçoeiros e desonrosos que eles empregavam. Eles tinham acesso à casa de Isbosete porque gozavam da confiança dele. Um lema do comunismo e de outras ideologias é “os fins justificam os meios”. Recabe e Baana pensaram, muito equivocadamente, que Davi valorizava o resultado acima de tudo e a lealdade como nada.

Algo um pouco semelhante a isso aconteceu séculos mais tarde. Quando Alexandre da Macedônia estava conquistando o Império Persa sob o reinado do rei Dario, e Dario foi assassinado, em vez de recompensar os assassinos, Alexandre os matou por seu ato traiçoeiro, de acordo com a história de Justino (12:6) e de Curtius (7:5). Como muitas pessoas, Alexandre valorizava a honra. Alexandre provavelmente também percebeu que teria mais legitimidade como rei aos olhos de seus súditos persas se não aprovasse um assassinato traiçoeiro.

P: Em 2 Samuel 4:9-12, de que maneiras as pessoas, inclusive nós mesmos, podem esquecer (ou, na verdade, ignorar) informações cruciais?

R: Recabe e Baana estavam certos de que Davi ficaria satisfeito com eles. No entanto, a resposta de Davi pressupõe que eles tivessem ouvido o que ele fez ao amalequita que alegou ter matado Saul. No caso de muitas pessoas que esquecem ou ignoram informações cruciais, não é porque têm má memória; trata-se, na verdade, de outra coisa.

Temos “modelos” que construímos a partir de outras pessoas para nos ajudar a compreender a realidade e fornecer à nossa mente resumos concisos de como as coisas funcionam. Se dispusermos de alguns fatos, e estes se encaixarem em um modelo pré-concebido que possuímos, então extrapolamos e passamos a acreditar que todo o modelo é verdadeiro. Modelos, assim como estereótipos, são formas rápidas e eficientes de chegar a conclusões precipitadas. O problema é que as conclusões podem estar erradas ou, neste caso, muito, muito erradas. O problema de criar modelos é que a maioria das pessoas simplesmente descarta os fatos que não se encaixam no modelo. É muito mais satisfatório — e transmite mais confiança aos outros — dizer “Eu entendo tudo” do que admitir que algumas coisas não fazem sentido para mim. Se Recabe e Baana fossem como a maioria das pessoas, eles não teriam esquecido o que ouviram sobre Davi e o amalequita; simplesmente descartaram esse fato porque reis comuns não agem dessa maneira.

Para nós, seremos mais sábios se estivermos sempre abertos à possibilidade de admitir humildemente, a nós mesmos e aos outros, que algumas coisas não se encaixam em nosso modelo. Precisamos de modelos; não podemos dedicar uma quantidade enorme de tempo a analisar minuciosamente mil pequenas decisões por dia que possamos tomar. Mas é preciso perceber que nossos modelos são simplificações excessivas. Como um modelador matemático bem colocou: “todos os modelos estão errados, mas alguns modelos são úteis”.

P: Em 2 Samuel 4:11-12, por que Davi chamaria o rebelde Isbosete de homem justo?

R: Isso se assemelha ao que Davi cantou sobre Saul em seu canto fúnebre. Pelo que podemos perceber, Isbosete era honrado; agia de maneira honrada; só que seu objetivo era contrário ao ungido de Deus. Na Guerra Civil Americana, algumas pessoas acusaram Robert E. Lee de ser um traidor, porque ele jurou lealdade para lutar pelo nosso país e depois mudou de lado. Mas isso é falso; Lee não era um traidor. Ele não recorreu ao engano nem à traição, mas mudou de lado de maneira honrada. Infelizmente, ele lutou — e lutou bem — por uma causa que levaria à escravidão permanente dos afro-americanos. Se ele tivesse sido um general medíocre, em vez de tão bom, muito menos soldados, incluindo os do Sul, teriam morrido. Se o senhor sempre agir com honra, ótimo; mas certifique-se também de que está lutando pelo lado certo.

Após o fim da Guerra Civil, Lee não foi acusado nem de traição nem de crimes de guerra, pois todos sabiam que ele era inocente. Mas o Cemitério Nacional de Arlington foi criado próximo à sua propriedade, de onde ele sempre poderia ter uma boa vista.

P: Em 2 Samuel 5:7, qual era o tamanho da cidadela de Jerusalém?

R: A cidadela era um “forte” dentro da cidade e um local de último refúgio. Em 1983, Yigal Shilo identificou o que provavelmente era a cidadela na época anterior a Davi, e ela é grande, com 2.150 pés quadrados. Consulte o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 3, p. 858, e Hershel Shanks, “The City of David After Five Years of Digging”, na *Biblical Archaeology Review* 11, 6 [1985], p. 25-26, para obter mais informações.

P: Em 2 Samuel 5:8, por que Davi odiava os coxos e os cegos?

R: Há três pontos a serem considerados na resposta.

1. Como os coxos e os cegos não tinham mobilidade total, os líderes jebuseus designaram-lhes a tarefa de serem os soldados que guardavam o poço de água.

2. Os coxos e os cegos normalmente não participavam de batalhas. De fato, não há registro de Davi ou de qualquer outra pessoa tendo lutado contra coxos e cegos, exceto neste único caso.

3. Mas, neste caso, como eles abandonaram seu status de não combatentes para lutar contra Davi, Davi e seus homens lutaram contra eles, independentemente de quão desagradável isso fosse.

P: Em 2 Samuel 5:9, 1 Reis 9:15, 2 Reis 12:20 e 2 Crônicas 32:5, o que era o Milo (ou Millo)?

R: Os arqueólogos não têm certeza do que era o Millo, mas o Dicionário Bíblico Wycliffe, pp. 1120-1121, afirma que poderia ter sido uma fortaleza no lado norte das muralhas de Jerusalém.

O Novo Dicionário Internacional da Bíblia, p. 651, afirma que se tratava de um monte elevado, chamado de baluarte, fora da cidade de Davi.

De qualquer forma, tinha importância estratégica, pois Davi o construiu, Salomão o fortaleceu (1 Reis 9:15, 24; 11:27) e Ezequias o fortaleceu contra os assírios em 2 Crônicas 32:5.

P: Em 2 Samuel 5:11 e 1 Reis 5:1, uma vez que Hiram de Tiro era tão famoso, ele teria sido anacronicamente colocado no trono na época de Davi, como alega o cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 304, 325?

R: Não. Asimov afirma que Hiram de Tiro havia acabado de se tornar rei em 969 a.C., quatro anos após Salomão (Asimov, p. 325). No entanto, a “NIV Study Bible”, p. 479, afirma que Hiram reinou aproximadamente de 978 a 944 a.C. e que ele também pode ter reinado como co-regente com seu pai já em 993 a.C. A “Nelson Study Bible”, p. 567, também afirma que Hiram reinou de 978 a 944 a.C. A “New Geneva Study Bible”, p. 480, afirma que Hiram reinou aproximadamente de 980 a 947 a.C.

P: Em 2 Samuel 5 e 6, Davi levou a arca para a casa de Obede-Edom após derrotar os filisteus, ou antes, como sugerem 1 Crônicas 13 e 14? (Um muçulmano levantou essa questão.)

R: 1 Crônicas, capítulos 13 e 14, não afirmam que isso ocorreu antes da derrota dos filisteus. Não há dificuldade alguma quando se percebe que as passagens não precisam estar em ordem cronológica. A menos que uma passagem faça a transição com “então”, “depois” ou algo semelhante, elas podem se referir ao mesmo momento ou estar em qualquer uma das ordens.

2 Samuel 6:1 contém a palavra “novamente”, mas “novamente” não significa necessariamente após a batalha. Também não há nenhuma palavra que indique ordem temporal em 1 Crônicas.

De maneira semelhante, a Sura 16:115-119 afirma que vários alimentos eram proibidos aos judeus. No entanto, a Sura 16:120 fala sobre Abraão. Os judeus tiveram início com Jacó, neto de Abraão; portanto, essas passagens estão fora de ordem. Então, isso constitui um problema no Alcorão? Neste caso específico, não, pois o Alcorão não alegou que esses versículos estivessem em ordem. Não havia nenhuma palavra indicando ordem cronológica na Sura 16:119-120.

P: Em 2 Samuel 5:17-8:18, o que há de incomum na estrutura dessa passagem?

R: Trata-se de um recurso literário comum no hebraico chamado quiasmo, com simetria entre as linhas.

— Davi derrota os filisteus (5:17-25)

— — Davi traz a arca para Jerusalém (6:1-23)

— — — Deus faz uma aliança com Davi (7:1-17)

— — Davi ora ao Senhor (7:18-29)

— Davi derrota seus inimigos (8:1-14)

P: Em 2 Samuel 6:1-5, que ato louvável Davi realizou aqui?

R: Davi acabara de se tornar o único rei de Judá e de Israel e, mesmo assim, colocou Deus em primeiro lugar. Quando o senhor alcança o sucesso ou é ungido rei sobre algo, o senhor organiza uma festa para si mesmo ou realiza uma celebração de adoração a Deus, seu rei?

P: Em 2 Samuel 6:3 e 1 Crônicas 13:7, o que Davi fez de errado?

R: Davi honrou a Deus ao colocar a arca em um carro novo. No entanto, essa não era a maneira correta de lidar com a arca. A arca deveria ser transportada inserindo-se varas nas alças e fazendo com que os levitas, e não animais, a carregassem.

Hoje, às vezes, podemos fazer coisas para honrar Deus de maneira especial. No entanto, Deus deseja que O honremos apenas de maneiras que não contradigam o que a Bíblia ensina.

P: Em 2 Samuel 6:5, qual foi a origem dos címbalos?

R: Embora não saibamos de onde vieram, eles eram um instrumento muito antigo. Em hebraico, a forma plural, mesiltayim, aparentemente derivou da antiga palavra ugarítica msltm, de acordo com o The Expositor’s Bible Commentary, col. 3, p. 879. O povo de Ugarit vivia na costa da Síria e do Líbano desde antes da época de Abraão.

P: Em 2 Samuel 6:6-7 e 1 Crônicas 13:9-14, por que Deus matou Uza?

R: Uza e os demais demonstraram desrespeito a Deus ao transportarem a arca em uma carroça que balançava, conforme 2 Samuel 6:3. Ela deveria ser transportada por varas e apenas pelos levitas. Alguns consideraram injusto que Deus tivesse matado Uza por ele ter tentado estabilizar a arca.

Há, porém, dois pontos a serem considerados.

1. Uza e os demais não estavam tratando a arca com o respeito que Deus lhes ordenara. Mais tarde, Davi percebeu que havia errado ao permitir uma atitude descuidada em relação à arca, conforme 1 Crônicas 15:13.

2. Aparentemente, Deus estava mais preocupado com o respeito que as pessoas demonstravam pela arca do que com o fato de ela ter ou não entrado na lama. De qualquer forma, a lama não danificaria o ouro.

3. No que diz respeito aos objetos de adoração de Deus, Ele tem o direito de estabelecer as regras. Nosso serviço a Deus deve ser feito nos termos de Deus, não nos nossos.

P: Em 2 Samuel 6:6-7, por que Deus não matou os filisteus que manusearam a arca, já que Deus matou Uza por tocá-la em 2 Samuel 6:6-7?

R: A Bíblia não especifica se os filisteus manusearam a arca com as mãos ou com as varas. De qualquer forma, Deus sabia que eles desconheciam as regras divinas a respeito da arca, e Deus leva em consideração o quanto uma pessoa era capaz de saber, conforme mostram Romanos 4:15 e 5:13.

P: Em 2 Samuel 6:7, considerar a arca como algo sagrado significa que devemos venerar relíquias, como fazem as igrejas ortodoxa e católica?

R: Não. Se isso se referisse a “relíquias”, isso serviria mais como argumento para nunca tocá-las do que para venerá-las. Há três pontos a serem considerados na resposta.

1. Uza foi morto por desobedecer à lei sobre tocar na arca (Números 4:15), não por falta de adoração ou veneração.

2. Os israelitas deviam ter respeito por essa arca do Senhor, mas esse é um tipo de respeito diferente do que se tem pelas coisas humanas.

3. Embora o respeito pelo povo de Deus, na Terra e no Céu, seja louvável, isso difere da veneração. A veneração difere do respeito, pois inclui orar à imagem ou estátua, ou orar por meio dela.

P: Em 2 Samuel 6:20, por que Davi (supostamente) dançou em público sem roupas?

R: Davi não estava nu; ele vestia um éfode de linho, de acordo com 2 Samuel 6:14. Davi não estava vestido com vestes reais nem agia da maneira que Mical achava que um rei deveria agir, e Mical o criticava por isso.

Uma coisa é criticar uma pessoa para ajudá-la a melhorar. Outra coisa é criticar uma pessoa de tal forma que se demonstre não ter mais respeito por ela.

P: Em 2 Samuel 6:20, como devemos interpretar a situação em que, ao estarmos agradando ao Senhor, um irmão na fé zomba de nós sarcasticamente?

R: Observe quatro coisas positivas que Davi fez.

Sem retaliação: Não devemos buscar vingança (Lucas 6:27-36 e Mateus 5:43-44) nem retaliar (1 Pedro 2:23).

Defender: Devemos defender nossas ações, explicando que o que estamos fazendo é certo. Da mesma forma, Romanos 14:16 diz para não permitir que o que você considera bom seja considerado mau.

Persistência: Davi enfatiza que continuaria a agir assim.

Mantenha o foco em Deus, não no escarnecedor: Devemos optar por não permitir que algumas palavras desagradáveis estraguem suas experiências de adoração a Deus.

P: Em 2 Samuel 6:23, Mical não teve filhos devido aos seus comentários dirigidos ao rei?

R: Sim, é isso que este versículo mostra. Mical não teve filhos devido aos seus comentários desrespeitosos para com o marido, o rei. No entanto, a Bíblia não se pronuncia sobre se a ausência de filhos se deveu a Deus ou a Davi.

De qualquer forma, uma palavra desleal e ímpia vinda de alguém de quem se esperaria lealdade e piedade pode ter um efeito duradouro. Mateus 12:36 diz: “Eu lhes digo que, no dia do julgamento, as pessoas prestarão contas de cada palavra inútil que proferirem.” (NET). Isso tende a nos levar à mesma conclusão que Tiago nos ensinou em Tiago 1:19.

P: Em 2 Samuel 6:23, por que Mical permaneceu sem filhos pelo resto da vida?

R: As Escrituras não dizem, mas há quatro possibilidades.

1. Ela nunca foi capaz de ter filhos. Observe que ela também não teve filhos com Faltiel.

2. Davi deliberadamente não quis ter filhos com ela, uma vez que ela não o respeitava.

3. Davi não passava muito tempo com ela, e ela não concebeu nenhum filho.

4. Davi passava muito tempo com ela, mas Deus fez com que Mical não tivesse filhos depois que ela demonstrou desrespeito pelo marido.

De qualquer forma, as Escrituras não mencionam se Mical alguma vez mudou de atitude, voltando-se para Davi ou para Deus e pedindo perdão.

As Escrituras não mencionam o mecanismo direto pelo qual ela não teve filhos. Talvez a razão para esse silêncio seja que não precisamos saber. A lição para nós aqui é que Mical não honrou seu marido, o rei de Israel, e, por qualquer que seja o mecanismo, Deus a disciplinou por isso.

P: Em 2 Samuel 7:1-2, todas as boas intenções que temos realmente provêm de Deus?

R: Não. Embora Deus conheça tudo o que pensamos (Salmo 139:2) e tudo o que dizemos antes mesmo de o dizermos (Salmo 139:4), Deus opta por não nos controlar nem nos manipular como marionetes. Algumas coisas boas provêm da própria iniciativa do crente, como mostra 2 Coríntios 8:17. Nesse caso, Davi tinha uma boa intenção, mas não era a vontade de Deus que Davi levasse adiante essa intenção. O importante é obedecer à vontade de Deus, não apenas seguir boas intenções. Boas intenções não substituem a obediência.

P: Em 2 Samuel 7:3-17, Natã foi um falso profeta por ter dito inicialmente a Davi para fazer o que quisesse?

R: Não. Ser um profeta verdadeiro não significa que você nunca dirá nada errado. Significa que, ao falar como profeta, quando um profeta verdadeiro diz: “Assim diz o Senhor”, essa é a verdadeira palavra de Deus.

P: Em 2 Samuel 7:13,16, diz-se que o reino de Salomão aparentemente duraria para sempre, mas isso não aconteceu. Como explicamos isso?

R: 2 Samuel 7:5-17 é uma única profecia dirigida a Davi que tem duplo cumprimento: trata-se da descendência de Davi, tanto imediata quanto a longo prazo. Assim que Davi morresse, sua própria descendência, Salomão, se tornaria rei, e seria Salomão quem construiria o Templo. A longo prazo, 2 Samuel 7:13 promete que o trono do reino de Salomão seria estabelecido para sempre.

A Bíblia também afirma que o Messias seria descendente de Davi: Jeremias 23:4; e, no Novo Testamento, Lucas 3:31; Atos 13:22-23; Apocalipse 22:16.

Muitos Talmuds judaicos afirmam que o Messias virá da linhagem de Davi. De acordo com o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 9, p. 298, certos grupos do judaísmo tardio consideravam isso, como o 4QFlor.

Verifica-se que isso é verdade de duas maneiras diferentes. Biologicamente, Jesus descendia de Maria, que era descendente de Davi, mas não de Salomão, conforme Lucas 3:23-31. Legalmente, mas não biologicamente, Jesus era filho de José, descendente tanto de Davi quanto de Salomão, conforme Mateus 1:6-16. Portanto, biologicamente, Jesus descendia de Davi por meio de Maria, mas a realeza não era transmitida pela mãe. Assim, apenas por parte de Maria, Jesus não teria direito à realeza em Israel. Porém, como Jesus era legalmente filho de José, ele de fato tinha direito ao trono.

No entanto, há duas questões secundárias interessantes aqui.

Se Jesus fosse, de fato, biologicamente descendente de José, uma profecia bíblica teria sido desfeita. José era descendente do rei Jeconias (Jeoiaquim), descendente de Salomão, conforme Mateus 1:11-12. No entanto, Jeremias 22:30 afirma que nenhum descendente de Jeconias voltaria a ocupar o trono.

Uma segunda questão é que, desde o exílio, não houve nenhum descendente de Davi que tenha sido rei, e poucos judeus hoje sabem de qual tribo são originários (embora alguns sacerdotes com o sobrenome Cohen saibam). Assim, de uma perspectiva estritamente judaica, essa profecia parece ter falhado — a menos, é claro, que o trono de Salomão tenha sido estabelecido para sempre por meio de Cristo.

P: Em 2 Samuel 7:18-29, o que há de significativo na atitude de Davi neste trecho?

R: Por um lado, isso pareceria muito decepcionante para Davi. Davi se ofereceu para construir um Templo para Deus, utilizando todos os seus próprios recursos, e Deus explicitamente recusou sua proposta aqui. Davi desejava tanto construir uma casa para Deus. Deus disse “não”, mas Deus mudou de ideia e construiu uma casa viva para Davi, por meio de Salomão e seus descendentes.

Podemos supor que, como Deus sabia o que Davi faria com Bate-Seba e os homens moabitas, Deus não considerou apropriado que Davi fosse quem construísse o templo.

Às vezes, queremos fazer algo para ajudar a Deus porque achamos que Ele precisa de nós. Na verdade, é Deus quem provê para nós, e não o contrário.

Consulte o “Comentário Bíblico de Tony Evans”, p. 328, para obter mais informações.

P: Em 2 Samuel 8:2, Davi agiu corretamente ao matar dois terços dos homens moabitas?

R: Davi agiu com muita severidade nessa ocasião. Seu objetivo, aparentemente, não era matar todos os moabitas, mas reduzir a capacidade deles de se rebelarem. Nada nas Escrituras indica que Deus tenha aprovado essa ação. Pelo contrário, 1 Reis 5:3 afirma que Deus não queria que Davi fosse quem construísse o Templo, pois Davi era um homem de guerra.

P: Em 2 Samuel 8:3, Davi derrotou Hadadezar ou Hadarezer, como diz 1 Crônicas 18:3?

R: Essa diferença de uma letra no hebraico é, muito provavelmente, um erro de copista. O livro “Dificuldades e Aparentes Contradições da Bíblia”, p. 130, afirma que as letras hebraicas “d” e “r” são semelhantes entre si.

P: Em 2 Samuel 8:4, Davi capturou 1.700 cavaleiros ou 7.000 condutores de carruagens/cavaleiros, como diz 1 Crônicas 18:4?

R: Foram mil carruagens e 7.000 condutores de carruagens. Tanto 1 Crônicas 18:4 quanto os Manuscritos do Mar Morto de 2 Samuel 8:4 mencionam 7.000. A tradução grega da Septuaginta também menciona mil carruagens e 7.000 cavaleiros. Portanto, o número de 1.700 no texto massorético de 2 Samuel 8:4 é quase certamente um erro de copista. As obras *When Critics Ask*, pp. 171-172, *Encyclopedia of Bible Difficulties*, p. 184, *The Expositor’s Bible Commentary*, volume 4, p. 398, e a *NIV Study Bible* sobre 2 Samuel 8:4 afirmam o mesmo. O texto massorético também apresenta um erro gramatical que indica que uma palavra foi omitida.

P: Em 2 Samuel 8:17, por que Ahimeleque é apresentado como filho de Abiatar, uma vez que o pai de Abiatar, que foi morto antes de Davi se tornar rei, chamava-se Ahimeleque?

R: Há duas possibilidades.

Erro do copista: É provável que os nomes tenham sido invertidos. Tanto em 2 Samuel 8:17 quanto em 1 Crônicas 18:16, a versão siríaca diz “Abiatar, filho de Ahimeleque”, em vez de “Ahimeleque, filho de Abiatar”, como constam no texto massorético e na Septuaginta. (2 Samuel 8:17 e 1 Crônicas 18:16 não estão preservados nos Manuscritos do Mar Morto.) Consulte a The New Geneva Study Bible, p. 438, e o New International Bible Commentary, p. 380, para mais informações sobre essa interpretação.

Netos batizados em homenagem ao avô: Se um neto recebeu o nome de seu avô mártir, é provável que o jovem Ahimeleque só tenha se tornado sacerdote na última parte do reinado de Davi. O “Expositor’s Bible Commentary”, vol. 3, p. 911, afirma que essa prática, chamada papponímia, era comum. (Veja 1 Crônicas 6:9b e 10:a; 7:20). Consulte o “The Bible Knowledge Commentary: Old Testament”, p. 466, para conhecer essa interpretação.

P: Em 2 Samuel 8:18, como os filhos de Davi eram sacerdotes, visto que Davi era da tribo de Judá, e não de Levi?

R: Eles não eram; não há evidência de que os filhos de Davi tivessem quaisquer funções sacerdotais no templo. Embora a palavra hebraica aqui seja a comum para sacerdotes (kohen), 1 Crônicas 18:17 afirma que eles exerciam funções como oficiais superiores. O livro *When Critics Ask*, p. 172, destaca que a palavra hebraica também significa servo, ministro ou conselheiro.

P: Em 2 Samuel 8:19, quem eram os queretitas e os peletitas?

R: Eram soldados filisteus que serviram lealmente no exército de Davi. Estavam sob o comando de Benaías, comandante de Davi, de acordo com 2 Samuel 8:18.

Em particular, no ugarítico, verifica-se que a palavra “Krty” se refere a pessoas da ilha de Creta. Portanto, os queretitas provavelmente não eram apenas filisteus, mas a tribo dos filisteus originária especificamente da ilha de Creta.

P: Em 2 Samuel 9:1-13, qual é a estrutura desse capítulo?

R: Este capítulo está escrito na forma de um quiasmo, uma característica comum da poesia hebraica.

9:1 Davi deseja demonstrar benevolência para com a família de Saul

- 9:2-5 Davi conversa com Ziba, servo de Saul

- - 9:6-8 Davi demonstra benevolência para com Mefibosete

- 9:9-11a Davi conversa com Ziba, servo de Saul

9:11b-13 Davi demonstra benevolência para com a família de Saul por meio de Mefibosete

Consulte o livro “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 3, p. 916, para obter mais informações.

P: Em 2 Samuel 9:1-13, por que Davi foi bondoso com Mefibosete, o coxo, se, segundo 2 Samuel 5:8, ele detestava que coxos e cegos defendessem Jerusalém?

R: Embora os coxos e cegos não pudessem lutar bem, Davi detestava ter que matá-los para tomar o aqueduto que abastecia Jerusalém. O fato de Mefibosete ser coxo não tornava a bondade de Davi para com ele maior ou menor.

Bons soldados podem ter um sentimento semelhante hoje em dia? Como soldado, o senhor gostaria de atirar em uma criança? E se a criança estivesse segurando um fuzil AK-47 e apontando-o para o senhor? Sim, o senhor o mataria, mas não se sentiria bem ao fazê-lo e detestaria as circunstâncias que o levaram a agir assim.

P: Em 2 Samuel 9:1-13, por que Davi foi bondoso com Mefibosete?

R: Davi não foi bondoso com Mefibosete porque simplesmente o encontrou por acaso. Em vez disso, Davi decidiu procurar Mefibosete porque estava buscando maneiras de demonstrar compaixão pela família de Saul, para mostrar que não nutria ódio por eles. Davi havia feito uma promessa a Jônatas em 1 Samuel 20:42 de cuidar dele e de sua família, e Davi era um homem de honra. Essa é a essência do que é o amor da aliança no Antigo Testamento: um compromisso prometido e confiança. Mesmo que Jônatas estivesse morto e não pudesse mais fazer nada para ajudar ou prejudicar Davi, Davi iria manter seu compromisso de cuidar dos descendentes de Jônatas.

No entanto, Mefibosete provavelmente não sabia dessa promessa e ficou surpreso com a bondade de Davi. Mefibosete era coxo (2 Samuel 4:4) porque sua ama o levou para fugir de Davi. Mefibosete teria cerca de cinco anos na época. Os reis costumavam matar todos os filhos de seus antecessores, e supunha-se que Davi agiria como um rei típico e desejaria fazer o mesmo. No entanto, Davi não era um rei comum.

Mefibosete pode ser visto, alegoricamente, como uma pessoa perdida. Ele é um pobre marginalizado, coxo e sem meios de chegar até Davi. Mas, por graça e por um amor de aliança, Davi mandou trazer Mefibosete para Jerusalém e cuidou dele.

Consulte o *New International Bible Commentary*, p. 380; o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 3, pp. 916-918; o *The Tony Evans Bible Commentary*, pp. 329-330; o *Evangelical Commentary on the Bible*, pp. 218-219; o *Believer’s Bible Commentary*, pp. 332-333; e o *The Bible Knowledge Commentary: Old Testament*, p. 466, para obter mais informações.

P: Em 2 Samuel 9:1, Davi disse isso após executar os filhos de Saul, como afirma o *Asimov’s Guide to the Bible*, p. 309?

R: Asimov afirma que Davi disse isso antes das execuções, pois não teria sido difícil localizar membros da família de Saul antes das execuções.

Há dois pontos a serem considerados na resposta.

Procurando um filho leal a ele: Davi não disse que estava apenas procurando um dos filhos de Saul. Em vez disso, Davi disse que estava procurando um dos filhos de Saul a quem pudesse demonstrar bondade por causa de Jônatas.

Não é cronológico: 2 Samuel 21:1 diz que a execução dos filhos de Saul ocorreu “durante o reinado de Davi”, e isso não é necessariamente cronológico. Em outras palavras, é possível que Asimov esteja correto neste ponto.

P: Em 2 Samuel 9:4, onde ficava Lo-Debar?

R: Lo-Debar ficava a leste do Jordão e ao sul do Mar da Galiléia. Essa cidade seria um local seguro, distante de Jerusalém, do outro lado do rio Jordão e próximo ao deserto, de onde Davi poderia fugir caso fosse necessário. O *New International Dictionary of the Bible*, p. 599, afirma que a cidade ainda não foi localizada. O “Dicionário Bíblico Wycliffe”, p. 1044, e o “Comentário Bíblico do Expositor”, volume 3, p. 917, afirmam que, embora a localização não seja certa, os arqueólogos acreditam que o local possa ser em Umm ed-Dabar, a cerca de 8 a 10 milhas ao sul ou sudeste do Mar da Galiléia. Lo-Debar também significa “nada”.

P: Em 2 Samuel 10:2, 4-8, uma vez que o motivo original de Davi aparentemente era demonstrar bondade para com o filho de Naás, por que Davi entrou em guerra contra ele?

R: Davi não sabia nada, nem de bom nem de ruim, sobre Hanum, filho de Naás, mas desejava honrar a vida de um rei que era seu aliado. Talvez Davi estivesse cumprindo uma formalidade política adequada, mas os nobres de Hanum, talvez com receio de um reino maior vizinho a Amom, sugeriram a Hanum que ele interpretasse a situação de maneira muito diferente. Quando Hanum inesperadamente demonstrou que queria ser inimigo de Davi, Davi atendeu ao seu desejo. Hanum expressou desprezo por Davi e não teve medo de demonstrá-lo. Davi provavelmente concluiu que, se não agisse, outras nações também desprezariam Israel.

P: Em 2 Samuel 10:2, 4-8, como a paranóia, ou a suposição das piores intenções nos outros, pode se tornar uma profecia que se auto-realiza?

R: Quando se espera o mal dos outros, é fácil deixar transparecer que se espera que eles estejam contra você. Quando as pessoas sabem que você não confia nelas e até pensa que elas lhe farão mal, elas podem imediatamente se perguntar: “será que há um motivo para que se sintam assim em relação a mim?”, “será que há algo que eu deva saber para me defender delas?” e “devo agir da maneira que elas esperam que eu aja?”.

P: Em 2 Samuel 10:7-19, como Joabe e Davi conseguiram derrotar um exército conjunto de amonitas e sírios?

R: Três pontos a serem considerados na resposta.

1. Ser um condutor de carruagem lutando contra um exército mal equipado é uma tarefa relativamente segura. Basta disparar flechas à distância. Se o exército se aproximasse demais, bastaria simplesmente afastar os cavalos. A infantaria não seria capaz de deter uma investida de carruagens se contasse apenas com espadas curtas.

2. No entanto, a situação é diferente quando se luta contra uma infantaria bem equipada. Os israelitas tinham experiência em combater as carruagens filisteias. Eles possuíam flechas, e um grupo numeroso de arqueiros de infantaria teria um poder de fogo mais concentrado do que as carruagens. Uma muralha de infantaria com lanças longas deteria uma investida de carruagens.

3. Séculos mais tarde, o rei persa Dario aprendeu isso, para seu desânimo, à medida que, repetidas vezes, as falanges do exército macedônio — composto principalmente por infantaria — derrotaram um número massivo de cavaleiros persas.

P: Em 2 Samuel 10:17-19, quais foram as consequências dessa guerra?

R: Naás, rei dos amonitas, havia sido derrotado por Saul em 1 Samuel 11, depois que os amonitas atacaram Jabes de Gileade. Especula-se que ele tenha ajudado Davi quando este era um fugitivo de Saul. Assim, Davi desejava apresentar suas condolências quando o rei Naás faleceu. Essa guerra, inicialmente, tinha como objetivo apenas punir Hanun, rei dos amonitas, pelo tratamento vergonhoso dispensado aos embaixadores de Davi, semelhante ao que se faria com prisioneiros de guerra. Davi reconheceu a situação pelo que ela realmente era: uma declaração de guerra. Porém, quando Hanun reuniu muitos aliados de vários reinos arameus (sírios), os israelitas perceberam que aquela não seria uma batalha fácil, conforme 2 Samuel 10:11-12. Os dois exércitos de Israel acabaram derrotando todos eles e conquistando reinos que se estendiam até o rio Eufrates. Politicamente e militarmente, parecia uma grande vitória para os israelitas. Mas, às vezes, em meio a um grande sucesso, precisamos ter cuidado para não baixar a guarda e permitir que algo ruim se infiltre, como mostra o próximo capítulo.

Cometer adultério com Bate-Sebá foi um ponto de inflexão em seu reinado. Depois disso, ele perderia o respeito do povo e enfrentaria várias rebeliões. Os combates e o risco iminente de destruição com Absalão foram crises mais graves do que a conquista das terras até o Eufrates.

P: Em 2 Samuel 10:18, havia 700 condutores de carruagens ou 7.000, como diz 1 Crônicas 19:18?

R: Pode ser qualquer um dos dois. Trata-se, aparentemente, de um erro do copista do texto massorético.

2 Samuel 10:18 menciona 700 carruagens e 40.000 cavaleiros no texto massorético e na Septuaginta.

1 Crônicas 19:18 menciona 7.000 homens que lutaram em carruagens e 40.000 soldados de infantaria, tanto no texto massorético quanto na Septuaginta.

Provavelmente foram 700 homens que lutaram em carruagens e 40.000 soldados de infantaria.

A doutrina da inerrância significa que acreditamos que a Bíblia estava isenta de qualquer erro (incluindo contradições reais) nos manuscritos originais, mas reconhecemos que ocorreram alguns erros de copista durante a transmissão.

Objetivamente, não é possível provar nem refutar que se tratou de um erro de copista ou de um erro nos manuscritos originais. No entanto,

1. Considerando as muitas afirmações do Antigo Testamento comprovadas arqueologicamente, e

2. Considerando que a maioria dos outros casos em que há discrepâncias genuínas nas cópias modernas diz respeito a números,

portanto, as evidências não são conclusivas, mas apontam para um erro de copista.

P: Em 2 Samuel 11-12, qual é a estrutura desses dois capítulos?

R: Eles estão organizados como um quiasmo, e este é um dos quiasmos mais longos das Escrituras.

11:1 Davi envia Joabe para sitiar Rabá

- 11:2-5 Davi engravida Bate-Sebá

- - 11:6-17 Davi manda matar Urias

- - - 11:18-27a Joabe envia um mensageiro a Davi

- - - - 11:27b O Senhor fica muito indignado

- - - 12:1-14 O Senhor envia um mensageiro a Davi

- - 12:15-23 O Senhor mata o filho recém-nascido de Davi

- 12:24-25 Davi engravida Bate-Seba novamente

12:26-31 Joabe manda chamar Davi para conquistar Rabá

Consulte o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 3, p. 927, 940, para obter mais informações.

P: Em 2 Samuel 11:1-5, visto que Davi era um homem de Deus, como ele pôde cobiçar a esposa de outro homem, cometer adultério, embriagar alguém e ordenar um assassinato? (essa pergunta foi feita por um ateu)

R: Não há como defender Davi; Davi pecou gravemente ao fazer essas coisas. Ele estava em uma posição confortável; era senhor de tudo — mas, ao que parece, de tudo, exceto de si mesmo. Ele permanecia ocioso em vez de acompanhar o exército, estava, de certa forma, “confortável demais” e tinha o olhar vagando. Davi caminhava com Deus em vitória, e não há indícios de que ele estivesse buscando cair. Pelo contrário, Davi se colocou em uma posição vulnerável e, em vez de desviar o olhar, agiu de acordo com sua tentação. Deuteronômio 27:24 enfatiza o quão maligno é alguém matar seu próximo secretamente.

Três pontos a serem considerados na resposta.

1. A questão aqui não é uma suposta contradição na Bíblia. As Escrituras simplesmente registraram as coisas más que Davi disse e fez. Davi não se limitou a pensar em fazer isso; Davi era um homem de ação e levou o plano adiante. Às vezes, ser uma pessoa de ação é algo ruim.

2. Um problema aqui é a contradição interior de Davi. Davi era um homem segundo o coração de Deus, mas 2 Samuel 12:10 afirma que Davi desprezou a Deus nesse momento. No entanto, muitas pessoas são duvidosas (ver Tiago 1:7) em algum momento de suas vidas. Sempre houve hipócritas, e todos podemos concordar que, nesse caso, Davi foi um hipócrita de primeira ordem.

3. A verdadeira questão é por que Deus ainda amaria e usaria alguém como Davi. Há quatro pontos muito simples sobre essa questão.

3.1 Deus pode fazer o que quiser com quem quiser. Quem somos nós para dizer a Deus como usar Suas criaturas?

3.2 Deus sabia que Davi nutria um amor genuíno por Ele. A lição aqui é que, embora nem todo hipócrita seja necessariamente um crente genuíno, alguns hipócritas ainda podem ser crentes genuínos e nutrir um amor genuíno por Deus por trás de sua hipocrisia.

3.3 Deus amava Davi e o disciplinou severamente por sua hipocrisia. A disciplina severa pode ser uma forma do amor de Deus: embora seja indesejada no momento, ela pode produzir frutos de arrependimento.

3.4 Depois que Davi se arrependeu, Deus o perdoou completamente. Ainda houve consequências e disciplina para Davi; no entanto, Davi foi perdoado. Devemos perdoar também aqueles que se arrependeram. Romanos 15:7 diz que devemos aceitar uns aos outros, assim como Cristo nos aceitou.

Para uma resposta diferente, mas complementar, eis o que o Manual de Hoje para Resolver Dificuldades Bíblicas, pp. 260-261, diz sobre a questão real.

“Tenha em mente o fato de que muito poucos dos instrumentos escolhidos por Deus estavam isentos de falhas, ou mesmo de pecados graves. Moisés foi um assassino. Davi foi um adúltero e um assassino. Jacó foi um vigarista e Abraão foi um mentiroso. Jonas foi um racista que se rebelou contra a ideia de que Deus perdoaria os assírios. E quanto à impulsividade de Pedro e aos espíritos contenciosos demonstrados por Tiago e João? No entanto, Deus usou todos eles.

Deus pode usar quem quer que Ele escolha. Ele usou Balaão, o profeta sírio. Ele usou Ciro, o rei persa. Ele chegou a usar o Faraó e a dureza de seu coração para levar adiante Seu plano. … Considero esse conhecimento encorajador.”

P: Em 2 Samuel 11:1, Davi costumava ficar em casa quando o exército partia para a guerra?

R: Não. Davi acompanhou o exército em 2 Samuel 5:2; 8:1-14; e 10:17. No entanto, quando Davi envelheceu, seus homens pediram que ele permanecesse na cidade, conforme 2 Samuel 18:3; 21:17.

P: Em 2 Samuel 11:3, o que sabemos sobre a origem de Bate-Sebá?

R: O marido de Bate-Seba, Urias, era hitita, e os hititas costumavam trabalhar no templo. O nome de Urias significa “o SENHOR é a minha luz”, portanto, é provável que seus pais fossem crentes. O pai de Bate-Seba era Eliam, um dos valentes de Davi, conforme 2 Samuel 23:24. Eliam era filho de Aitofel, o sábio conselheiro de Davi. Mais tarde, quando Absalão se rebelou contra Davi, Aitofel declarou sua lealdade a Absalão em vez de a Davi. Talvez o fato de Bate-Seba ter perdido seu primeiro marido tenha deixado um gosto amargo na boca dele.

P: Em 2 Samuel 11:1-5, o que isso nos diz sobre o relato em 2 Samuel?

R: Normalmente, os cronistas da corte registravam os anais do rei; e o rei exercia controle direto sobre o que era incluído ou omitido. Essa passagem mostra que esse relato não estava sob o controle do rei. Nem Davi nem Salomão provavelmente desejariam que essa informação fosse divulgada, portanto, isso não estava sob o controle deles.

P: Em 2 Samuel 11:3, por que Eliam, pai de Bate-Sebá, é chamado de Amiel em 1 Crônicas 3:5?

R: Há pelo menos 22 pares de passagens no Antigo Testamento em que as pessoas tinham dois nomes. Consulte a discussão sobre Êxodo 2:18 para obter a resposta.

P: Em 2 Samuel 11:8 e seguintes, por que Davi deu um presente a Urias?

R: Isso daria a impressão de que Davi favorecia Urias e demonstrava gratidão para com ele. Também mostraria aos outros que Davi tinha uma disposição muito favorável em relação a Urias. Na verdade, tratava-se de um truque sujo e mesquinho. Provavelmente não se deveu a um sentimento de culpa, tendo em vista o que Davi faria a Urias depois disso. Davi conspirou para enganar os outros sobre suas intenções, sem qualquer consideração por Urias.

P: Em 2 Samuel 11:8 e seguintes, há situações hoje em dia em que alguém dá um presente sujo e mesquinho a alguém de quem não se importa?

R: Toda a motivação de Davi era encobrir seu pecado, mesmo que isso significasse enterrar Urias também. Um suborno explícito é um pouco parecido com isso; mas também existem subornos implícitos. Sempre que receber um presente, especialmente um presente generoso, de alguém que você não imaginava que tivesse tanto afeto e gratidão por você, é bom se perguntar silenciosamente o motivo. Será que há algo que essa pessoa gostaria de receber de você, e ela está sendo honesta e transparente a respeito disso?

P: Em 2 Samuel 11:11, o que Davi está sentindo nesse momento?

R: Davi provavelmente sente uma mistura de frustração e desespero, a ponto de entrar em pânico. Ele achava que tinha o plano perfeito para encobrir seu pecado, mas Urias era leal demais para participar. Sem querer, Urias “esfregou isso na cara” dele ao chamá-la de “minha esposa” em vez de “Bate-Sebá”. Urias a chamou pelo seu papel. Urias sabia quem ele era e sabia quem era sua esposa, exatamente quando Davi estava esquecendo quem ele era.

P: Em 2 Samuel 11:14-21, o que havia de duplamente injusto nisso?

R: É claro que foi injusto que Urias, o leal campeão de Davi, fosse morto de forma traiçoeira dessa maneira. Mas o que os soldados israelitas que estavam por perto fizeram para merecer serem mortos pela traição de Davi e Joabe? Seu único “crime” foi atrapalhar a luxúria de Davi. A maldade de Davi não se dirigia apenas a Urias, mas ele estava disposto a sacrificar outros inocentes leais a ele para encobrir seu pecado de uma única noite.

P: Em 2 Samuel 11:15-27, como é que crentes piedosos, que começam sendo realmente muito bons, podem se corromper ao alcançar o poder? Como isso pode ser evitado?

R: Nenhum crente, seja quem for, é tão bom a ponto de poder baixar a guarda. O mesmo Davi que se recusou a matar o rei Saul, que o perseguia, mataria Urias e aqueles ao seu redor. O mesmo Davi que lamentou a morte de Saul e do nobre Jônatas, aparentemente não lamentou a morte do leal Urias, cuja morte ele causou. Isso deve servir de advertência para nós. Se não fosse pela graça de Deus e por nos aproximarmos diariamente Dele, poderíamos acabar como ele ou como um Demas no Novo Testamento.

Se alguém pudesse baixar a guarda, seria de se esperar que fosse Paulo. E, no entanto, o próprio Paulo disse: “Não sabem que, numa corrida, todos os corredores correm, mas apenas um recebe o prêmio? Corram de modo a alcançar o prêmio. 1 Coríntios 9:25 Todos os que competem nos jogos treinam com disciplina rigorosa. Fazem isso por uma coroa perecível, mas nós o fazemos por uma coroa imperecível. Portanto, não corro sem objetivo; não luto como se estivesse batendo no ar. Não, eu disciplino meu corpo e o subjugo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser desclassificado.” 1 Coríntios 9:24-27 (Bíblia Bereana). Paulo está se dirigindo aos crentes quando diz que devemos examinar a nós mesmos para ver se estamos “na fé”, em 2 Coríntios 13:5.

Para não baixarmos a guarda, precisamos permanecer próximos a Deus e estar em comunhão com outras pessoas, que possam nos ajudar a prestar contas.

P: Em 2 Samuel 11:16, o que isso revela sobre a lealdade de Joabe?

R: Anteriormente, vimos que Joabe era de fato leal a Davi, mas era ainda mais leal aos seus próprios interesses. Porém, aqui Joabe demonstra mais lealdade ao seu líder do que ao que é certo. A lealdade pode ser algo bom, mas é ruim quando se trata de algo que Deus não deseja. Como Joabe tinha apenas uma lealdade parcial a Davi, ele demonstrava ainda menos lealdade ao que é certo.

Urias é listado como um dos 37 melhores soldados de Davi em 2 Samuel 23:39, mas é possível ver aonde a lealdade de Urias o levou, ao servir a um general parcialmente leal e a um rei traiçoeiro.

P: Em 2 Samuel 12:1-12, por que Natã utilizou essa abordagem para conversar com Davi sobre seu pecado?

R: Duas razões possíveis, ambas as quais podem ser verdadeiras.

1. O rei Davi já sabia que o que havia feito era errado. Davi não precisava, neste caso, nem de instrução nem de correção; ele precisava de repreensão. Natã abordou Davi de tal forma que suas “defesas” não fossem acionadas. Assim que Natã apelou para o forte senso de justiça de Davi e conseguiu despertar a ira deste contra esse “opressor anônimo”, Natã então o repreendeu severamente.

2. Davi era um rei que acabara de ordenar a morte de um servo valioso e leal. Embora Natã já estivesse arriscando a própria vida para repreender Davi, ele preferiu adotar uma abordagem indireta, mas eficaz.

Observe também que Deus não disse a Natã para repreender Davi imediatamente. Passou-se algum tempo para que a paixão se acalmasse, para que Davi sentisse culpa, e a oportunidade de Davi se arrepender por conta própria já havia passado.

P: Em 2 Samuel 12:1-12, o que podemos aprender com a abordagem magistral de Natã?

R: Há cinco pontos interessantes nessa conversa incômoda de Natã.

1) Naquele momento, Davi conseguia enxergar o pecado nos outros mais do que em si mesmo. Ele conseguia ver o cisco no olho do outro, mas não a trave no seu próprio (Mateus 7:3-5). O pecado faz isso com as pessoas: causa-lhes uma cegueira seletiva. Por isso, Natã contou uma história que parecia ser sobre outra pessoa.

2) Natã poderia ter usado uma analogia com um bezerro, um comerciante que sofrera roubo ou qualquer outra coisa, mas ele escolheu um cordeiro — algo com que Davi, o pastor, pudesse se identificar facilmente no plano emocional.

3) Natã alterou as circunstâncias o suficiente para que Davi não reconhecesse que essa parábola se referia a ele. Por isso, ele não usou uma analogia com um servo leal ou com o casamento. Mas o homem rico com muitas ovelhas referia-se a Davi e suas esposas, e o homem pobre referia-se a Urias e sua esposa.

4) Davi possuía um senso de honra e compaixão por um cordeiro fofo e por seu dono. Natã apelou para essas virtudes em Davi.

5) Ao final dessa história, a raiva de Davi contra o homem rico — motivada por seu senso de honra e compaixão pelo pobre dono do cordeiro — foi abalada ao ser exposto o tratamento vergonhoso e impiedoso que Davi dispensara a Urias.

6) Quando Natã disse: “Você é esse homem!”, os olhos de Davi se abriram para a injustiça. Ele compreendeu, como pastor de Israel, a magnitude do dano que havia causado ao rebanho.

P: Em 2 Samuel 12:5-6, o que há de interessante na resposta de Davi ao homem rico na história de Natã?

R: A princípio, Davi diz que o homem opressor deveria morrer por ter feito isso, embora a lei não determine que tal ato mereça a morte (ao contrário do que Davi fez, de acordo com Levítico 20:10 e 24:17). Em seguida, Davi controlou sua ira e disse que o homem rico deveria pagar quatro cordeiros ao homem pobre, conforme determina Êxodo 22:1. É curioso que quatro dos filhos de Davi tenham morrido: o primeiro filho de Bate-Sebá (2 Samuel 12:18), Amnon (2 Samuel 13:28-29), Absalão (2 Samuel 18:4-5) e, mais tarde, na época de Salomão, Adonias (1 Reis 2:25).

Depois que Natã o confrontou, Davi respondeu: “Pecou contra o Senhor”, e não “vamos executar Natã”.

P: Em 2 Samuel 12:8, por que Deus concedeu a Davi várias esposas, se a poligamia era [supostamente] um pecado?

R: A poligamia não era um pecado. Algumas práticas eram comuns nos tempos do Antigo Testamento, mas temos um padrão mais elevado desde que Jesus veio. Nos tempos do Antigo Testamento, Jesus disse que Deus permitia certas coisas (como o divórcio) porque o coração das pessoas era endurecido. Acho que a poligamia é mais uma dessas coisas. No entanto, a Bíblia realmente diz que um rei não deve ter muitas esposas e que Salomão pecou por ter tantas esposas (Neemias 13:26; 1 Reis 11:2-11).

O Antigo Testamento dá o exemplo da monogamia (Adão e Eva, mas não Lisa também) e mostra os problemas que ocorreram com a poligamia em casos como os de Abraão, Jacó, Salomão etc., mas a Bíblia, na verdade, não proíbe a poligamia. No entanto, se um homem for polígamo, ele está desqualificado para ser ancião, conforme 1 Timóteo 3:2.

A propósito, há cerca de 50.000 membros de seitas nos Estados Unidos que são polígamos atualmente; eles são chamados de mórmons fundamentalistas. Eles estão violando Romanos 13:1, que diz que devemos obedecer às autoridades governamentais. Muitos deles vivem no sul de Utah, no noroeste do Arizona e em Nevada.

Quando testemunho aos mórmons, há muitos assuntos que se pode abordar com eles, mas nem todos são igualmente proveitosos. Os pontos mais importantes
destaques dizem respeito a

a) Acreditar no Deus Verdadeiro e Altíssimo

b) Acreditar no verdadeiro Jesus

c) Acreditar na verdade sobre a salvação

d) Acreditar nas escrituras corretas.

Se uma pessoa estiver equivocada sobre essas três coisas, não importa em que outras coisas ela esteja certa. Em vez de discutir a poligamia com os mórmons, prefiro discutir por que eles acreditam em um deus inferior, por que Joseph Smith, ao se casar com sua segunda esposa, manteve isso em segredo de sua primeira esposa. Visto que a doutrina antinegra em suas escrituras foi alterada em 1978 e que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (LDS) alterou sua doutrina para proibir a poligamia, que outras doutrinas existem no mormonismo que deveriam ser
descartadas.

Para qualquer pessoa, faz diferença se alguém lê a Bíblia com o objetivo de responder: “o que é o máximo que posso fazer sem ser punido”, em vez de lê-la para responder: “qual é a vontade perfeita de Deus para mim”. Se alguém, nos tempos do Antigo Testamento, lesse a Bíblia da primeira maneira, veria que o divórcio e outras coisas são aceitáveis.
Por outro lado, alguém nos tempos do Antigo Testamento poderia ler Malaquias 2:16: “Deus odeia o divórcio”. Da mesma forma, a poligamia não é a vontade perfeita de Deus, mas era permitida.

P: Em 2 Samuel 12:9, Davi basicamente entregou Urias aos inimigos de Deus. Há momentos hoje em que um crente possa ver vantagem em dar algo aos seus inimigos ou aos inimigos de Deus?

R: Às vezes, as pessoas dão dinheiro, permissão ou credibilidade a uma pessoa má para alcançar um objetivo próprio. Outras vezes, as pessoas abrem mão de sua integridade, reputação, família e outros relacionamentos para alcançar um objetivo maligno para si mesmas. O efeito do que Davi fez foi desprezar o mandamento de Deus e trazer desonra à verdade de Deus.

Uma gíria para designar um pacto com o diabo é chamada de “Faustian” em inglês e “Faustich” em alemão. Esse termo leva o nome de Fausto, um alquimista e astrólogo alemão real. Essa lenda foi posteriormente transformada em um livro e, depois, em uma ópera francesa. Um pacto faustiano é um acordo ruim em que a pessoa paga um preço alto por algo que parece atraente no curto prazo.

Outra gíria para designar astúcia é “bizantino”. Os bizantinos costumavam fazer coisas como firmar a paz com seus inimigos (como os búlgaros) e, em seguida, pagar secretamente aos inimigos dos búlgaros (os pechenegos) para que estes atacassem os búlgaros.

Deus partiu o coração de Davi com a morte de seus filhos. Davi escreveu sobre seu pecado no Salmo 51.

P: Em 2 Samuel 12:13, o que há de significativo na reação de Davi?

R: Davi estava jejuando para comover o coração de Deus. Deus já havia decidido o que iria fazer e, quando o bebê morreu, Davi sabia que não adiantava pedir a Deus algo que Ele já havia determinado de outra forma.

P: Em 2 Samuel 12:15-23, por que Deus fez com que o primeiro filho de Davi e Bate-Seba morresse?

R: Isso não foi um castigo para a criança, mas sim o castigo pela culpa de Davi e Bate-Seba. Deus fará com que tudo seja justo no final, e temos de esperar até lá para vermos a justiça completa na terra.

Alguns calvinistas afirmam que, como os bebês morrem, isso “prova” que eles são culpados pelo pecado de Adão. Esse é um raciocínio falacioso, pois sofrer consequências não prova culpa. Caso contrário, o fato de os gatinhos morrerem “provaria” que eles também são culpados pelo pecado de Adão. No entanto, a verdade é que toda a Criação foi submetida à Queda, conforme afirma Romanos 8:19-22.

Conclusão:

1. Todos os cristãos concordam que os bebês recém-nascidos não têm pecados pessoais próprios.

2. Todos os cristãos concordam que todos nascem com uma natureza pecaminosa.

3. Infelizmente, nem todos os cristãos concordam ainda que sofrer as consequências não prova a culpa.

P: Em 2 Samuel 12:20, por que Davi adorou a Deus logo após a morte de seu filho?

R: Deve-se adorar a Deus quando se está em paz com Ele. Deve-se também adorá-Lo quando se foi desobediente e agora se deseja restabelecer a paz com Deus. Ao fugir de Saul, ao ouvir a repreensão de Natã e ao ver seu filho morrer, Davi não demonstrou ressentimento nem amargura alguma para com Deus. Davi orou para que Deus o salvasse desse golpe e, quando Deus não o fez, Davi continuou a adorá-Lo.

P: Em 2 Samuel 12:20, Deus aceitaria uma adoração como essa?

R: Sim. Deus aceita toda adoração sincera a Ele. No entanto, a adoração de ídolos não é adoração a Ele, como 1 Coríntios 10,20 e 2 Coríntios 6,15-17 mostram claramente.

P: Em 2 Samuel 12:21, o que isso diz sobre a prática católica de orar pelos mortos?

R: Isso indica que Davi não via sentido algum em orar por seu filho que havia falecido. Os católicos acreditam na oração pelos mortos devido a uma passagem dos apócrifos católicos e ortodoxos (2 Macabeus 12:46), que não consta nas Bíblias protestantes ou judaicas. Mas Davi só orou pela criança enquanto ela ainda estava viva.

P: Em 2 Samuel 12:21-23, o primeiro filho de Davi e Bate-Sebá foi para o céu ou não?

R: Nada sugere que ele não tenha ido, e provavelmente ele foi. No entanto, 2 Samuel 12:21-23 não prova, de fato, que ele tenha ido. Quando Davi disse que iria para onde seu filho estava, ele se referia ao túmulo (Sheol), não necessariamente ao céu. Na Mesopotâmia, o túmulo era chamado de “a terra sem retorno”.

P: Em 2 Samuel 12:23, o que Davi quis dizer quando afirmou que a criança não voltaria para ele, mas que ele iria até a criança?

R: A Bíblia fala frequentemente do Seol, que na Septuaginta grega e no Novo Testamento em grego é chamado de “Hades”. Significa a sepultura, e todos iam para lá. O povo judeu ensinava que havia duas partes no Sheol: o paraíso, para onde iam as pessoas piedosas, e a prisão, para onde iam as pessoas más. Alguns acreditam que Davi está dizendo que a criança está no paraíso agora e que Davi irá para o paraíso com ela. No entanto, esse versículo apenas comprova que a criança foi para o Sheol e que Davi acabaria por estar no Sheol também.

P: Em 2 Samuel 12:25, por que ele foi chamado de Salomão se Deus o nomeou Jedidá, que significa “amado pelo SENHOR”?

R: Davi e Bate-Seba já haviam dado a ele o nome de Salomão, que soa semelhante à palavra para “paz”. Posteriormente, Deus, por meio de Natã, chamou-o de Jedidiah para mostrar que Deus o amava e não o mataria. Jedidah, na verdade, não era seu nome, mas apenas um apelido. No entanto, não era incomum que uma pessoa tivesse dois nomes, portanto, poderia ter sido também seu nome oficial.

P: Em 2 Samuel 12:28, por que Joabe falou dessa maneira com Davi?

R: Joabe e Davi se conheciam há muito tempo. Joabe sabia que não podia dar ordens a Davi, mas queria muito que Davi viesse e desse a impressão de que estava fazendo algo. Assim, Joabe fez uma falsa ameaça, dizendo que queria renomear a cidade em sua homenagem, para motivar Davi a vir. Joabe, acima de tudo, era leal a si mesmo. Mas, como não se sentia ameaçado, Joabe também era leal a Davi e queria que Davi viesse, pois sabia que isso seria o melhor para seu rei, e Joabe estava zelando pelos melhores interesses de Davi.

Joabe estava zelando pelos interesses de Davi, mas sem total respeito neste caso. É quase como se Joabe estivesse dizendo: “Davi, não quero saber o que o senhor estava fazendo lá em Jerusalém, mas o senhor precisa vir para cá agora, como um rei de verdade”. No entanto, essa leve falta de respeito por um velho amigo não é nada comparada à forma como outros viriam a desrespeitar Davi mais tarde.

P: Em 2 Samuel 12:30, qual era o peso dessa coroa?

R: Pesava cerca de 75 libras ou 34 kg. Obviamente, um homem não poderia usar essa coroa sem um suporte. Mas a coroa provavelmente não era para ser usada, e sim para ser exibida.

P: Em 2 Samuel 12:31, Davi matou alguns amonitas colocando-os sob serras, machados e no forno de tijolos?

R: Provavelmente não. Em vez disso, Davi obrigou os cativos a usar serras e machados para cortar madeira e a fabricar tijolos no forno de tijolos. O “New International Bible Commentary”, p. 383, afirma que esta última é a visão predominante.

P: Em 2 Samuel 13:1-22, qual é a estrutura deste capítulo?

R: Ele está organizado em um quiasmo profundo.

13:1-2 Amnon cobiçava Tamar

- 13:3-5 Jonadabe aconselha Amnon a violar Tamar

- - 13:6-9a Tamar vem cozinhar e servir comida a Amnon

- - - 13:9b Amnon ordena que todos os seus servos saiam

- - - - 13:10-14a Amnon ordena que Tamar vá para a cama com ele; ela se recusa

- - - - - 13:14b-15a Amnon viola Tamar e seu desejo se transforma em ódio

- - - - 13:15b-16 Amnon ordena que Tamar se retire, apesar de seus apelos

- - - 13:17 Amnon ordena que seu servo volte e expulse Tamar

- - 13:18-19 Tamar vai embora

- 13:20 Absalão diz a Tamar para não se preocupar; Absalão cuidará disso

13:21-22 Absalão odeia Amnon

No meio disso tudo, 2 Samuel 13:15 é um quiasmo.

Amnon a odiava

- Com um ódio

- - Grande

- - - Extremamente

- - - De fato

- - Grande

- Era o ódio

com que ele a odiava.

P: Em 2 Samuel 13:1-2, uma vez que isso cumpriu a profecia de Natã, foi Deus quem provocou esse pecado?

R: Não, mas Deus, conhecendo o coração perverso e indisciplinado de Amnon, permitiu que Amnon perdesse o controle. Deus não apenas pode prever o que Ele mesmo fará, mas também pode prever o bem e o mal que as pessoas farão e fariam, se lhes fosse dada a oportunidade. Deus não apenas prevê o que as pessoas fariam, como também pode capacitá-las a cumprir suas intenções como parte de Seu plano.

P: Em 2 Samuel 13:5, 7-8, de onde Jonadabe tirou essa ideia?

R: Embora não saibamos ao certo, não era incomum que uma irmã fosse cuidar de uma pessoa doente. Um poema de amor egípcio (c. 1303-1200 a.C.) em *Cântico dos Cânticos e as Canções de Amor do Antigo Egito*, p. 13, diz: “Eu me deitarei lá dentro e fingirei estar doente. Então meus vizinhos entrarão para ver, e então (minha irmã virá com eles. Ela envergonhará os médicos (pois ela) compreenderá minha doença.”

P: Em 2 Samuel 13:5, 7-8, Jonadabe sugeriu que Amnon usasse Davi, sem que este soubesse, para levar adiante seu plano maligno. Existem casos, desde então, em que uma pessoa mal-intencionada tenha usado alguém desavisado para promover sua maldade?

R: Aqui estão alguns exemplos.

O cenário mais comum é a “guerra jurídica”, em que alguém usa a lei ou contratos, assinados de boa-fé por uma das partes, para prejudicar injustamente outra pessoa. Pode não ser que a pessoa mal-intencionada esteja tentando ser injusta; pode ser que ela simplesmente não tenha noção do que é justo.

Um segundo exemplo, envolvendo Davi, Urias e Joabe, é o de enviar uma mensagem para praticar o mal por meio de uma pessoa inocente.

Um terceiro exemplo é o que ficou conhecido como o caso Hindawi. Isso ocorreu em 17 de abril de 1986, quando Nezar Hindawi, um jordaniano, viajava com sua namorada irlandesa de 32 anos, Anne-Marie Murphy, grávida de cinco meses, de Londres para Tel Aviv. Ele terminou o relacionamento com ela ao descobrir que ela estava grávida; depois, voltou a namorá-la e disse que queria se casar com ela. Ele arranjou para ela um emprego como camareira no Hotel Holton, em Belém. Disse-lhe que teria de viajar em um voo posterior, pois seu visto demoraria mais para ser concedido. Hindawi, a quem Mike Royko chamou de “aquele nobre guerreiro muçulmano”, entregou à namorada grávida uma mala contendo uma bomba, para que ela explodisse durante o voo, matando todos. A mala passou pela segurança britânica, mas um agente de segurança da El-Al suspeitou; não havia nenhum Hotel Hilton em Belém, e ele realizou uma revista manual secundária para verificar por que a mala, mesmo vazia, ainda estava pesada, e encontrou a bomba. Hindawi foi condenado a 45 anos de prisão. Consulte para obter mais informações.

Um quarto exemplo é o de uma ocasião em que uma pessoa foi flagrada transportando drogas ilegais em um voo de avião sem ter a menor ideia do que estava acontecendo. Um amigo havia lhe emprestado uma mala, e ela iria buscá-la mais tarde no destino. A viajante não sabia que havia drogas ilegais escondidas no forro da mala.

Um quinto exemplo é o de quando, no Paquistão, alguém estava viajando por um tempo e pediu a um cristão que guardasse seus pertences. O cristão respondeu: “Claro”. Sem o conhecimento do cristão, a pessoa tinha uma arma entre seus pertences. A polícia foi informada sobre o fato e prendeu o cristão por causa da presença da arma nos pertences da pessoa. O cristão teve que pagar uma quantia em dinheiro para ser liberado.

A título de curiosidade, Jonadabe transformou seu nome em uma piada de mau gosto. Seu nome significa “O SENHOR é Nobre”.

P: Em 2 Samuel 13:6, como Amnon fingiu estar doente?

R: Amnon apenas fingiu estar doente. Embora uma pessoa possa ficar doente ao comer ou beber coisas que causem náusea, não há indício de que Amnon tenha feito isso neste caso; ele fingiu estar doente. Quando ele forçou Tamar fisicamente, parecia saudável o suficiente, fisicamente, embora não espiritualmente. Davi estava cego pela luxúria por Bate-Sebá, e agora Davi pôde observar as ações e, posteriormente, as consequências de seu filho estar “doente de luxúria”. Provavelmente, isso fez Davi se sentir mal, no entanto.

P: Em 2 Samuel 13:6-7, o que podemos aprender com Davi sobre a criação dos filhos neste contexto?

R: Alguém que amava a Deus, como Davi, ainda assim pode ser um péssimo pai ou mãe, caso não leve a paternidade a sério o suficiente. O primeiro erro de Davi não foi o fato de ele não ter punido Amnon. Antes disso, a disciplina de Davi era tão frouxa que Amnon achou que poderia se safar daquilo.

Davi amava seus filhos e gostava deles. Mas quando um pai ou uma mãe não ama seus filhos o suficiente para discipliná-los, talvez esteja amando mais o sentimento do relacionamento do que o próprio filho ou a própria filha.

Davi amava seus filhos emocionalmente, especialmente quando os perdeu pela morte. No entanto, não temos evidências de que ele tenha demonstrado seu cuidado parental. Ele não disciplinou Amnon; não consolou Tamar e nem mesmo conversou com Amnon. Davi mantinha distância de Absalão. O fato de Tamar ter dito que Davi a deixaria se casar com seu meio-irmão sugere que ela carecia de formação na Palavra de Deus. Davi amava a Lei de Deus e amava seus filhos. Infelizmente, Davi aparentemente nunca percebeu que tinha a responsabilidade de ensinar a Lei de Deus aos seus filhos, e que isso seria uma demonstração de seu amor.

P: Em 2 Samuel 13:6-7, de que maneiras uma pessoa hoje pode “amar o relacionamento” mais do que ama a pessoa?

R: Quando eu estava no ensino médio, conheci um rapaz que tinha uma namorada e um carro bonito. Mas um dia ele bateu o carro, e a namorada terminou com ele. Alguém pode dizer que ama seu cônjuge, mas se o cônjuge fizer algo errado, como envelhecer ou ficar mais pobre, então o amor parece ter se perdido. Mas talvez o amor não tenha realmente se perdido, porque, na verdade, ele nunca existiu de verdade. Se o senhor diz que ama alguém, mas então algo acontecesse, como essa pessoa sofrer um grave acidente, se queimar em um incêndio ou ter um derrame muito grave, o senhor ainda a amaria? Deus nos chama para amar outras pessoas, e às vezes pensamos que estamos fazendo isso, mas não estamos; na verdade, estamos apenas amando o relacionamento. Examine seus sentimentos em relação à sua família e aos seus amigos. O senhor realmente os ama, ou apenas ama o relacionamento e como eles o fazem se sentir?

Uma maneira de saber é esta: se a outra pessoa estivesse fazendo coisas erradas ou destrutivas para si mesma e para os outros, o senhor estaria disposto a ter uma conversa incômoda e dizer isso a ela, ou simplesmente deixaria passar? O verdadeiro amor se importa, mesmo correndo o risco de a pessoa deixar de gostar de o senhor.

P: Em 2 Samuel 13:11-17, por que o sentimento de Amnon em relação a Tamar passou da luxúria para o ódio tão rapidamente?

R: O “amor” de Amnon evaporou-se tão rapidamente porque, para começar, nunca houve amor algum, apenas luxúria. Ele a tratara como um objeto e não como uma pessoa. Embora amor e ódio sejam opostos, luxúria e ódio não são necessariamente incompatíveis. Assim que Amnon ficou satisfeito, percebeu que provavelmente enfrentaria consequências terríveis pelo que fizera. Como filho mais velho, ele acabara de comprometer sua chance de se tornar o próximo rei. Parecia que Amnon projetava seus sentimentos de culpa sobre Tamar. Agora estava claro para Amnon, para Tamar e, por fim, para todos que o desejo de Amnon pelo corpo de Tamar não significava que ele nutrisse qualquer tipo de amor por ela.

Quando Absalão ordena que seu servo feche as portas e impeça a entrada de Tamar, de certa forma a porta também se fecha para Amnon. Seu destino está selado.

P: Em 2 Samuel 13:11-29 e 2 Samuel 16:22, por que as crianças deveriam considerar figuras bíblicas como Absalão e Amnon como modelos dignos de respeito e admiração? (Essa pergunta foi feita por um ateu)

R: É claro que não; ninguém jamais considerou esses homens como modelos a serem seguidos. A Bíblia não diz que não devemos considerar esses homens como heróis da fé, da mesma forma que não devemos considerar Judas e Caifás dessa maneira. A Bíblia registra objetivamente muitas coisas más que homens perversos cometeram.

Essa “questão irrelevante” parece indicar que alguns ateus interpretam erroneamente, de forma fundamental, o que a Bíblia ensina. A Bíblia não é um documento de propaganda embelezado que retrata a humanidade como perfeita. Não, é um retrato franco e realista das pessoas, piedosas e ímpias como elas são. Oxalá todos pudessem distinguir entre os “mocinhos” e os “vilões” sem que eles precisassem usar chapéus brancos e chapéus pretos, como nos westerns da TV.

P: Em 2 Samuel 13:13, quais são as três possíveis razões pelas quais Tamar disse para pedir ao rei, e ele permitiria que se casassem?

R: Em primeiro lugar, o incesto é proibido em Levítico 18:9,11; 20:17; Deuteronômio 27:22. Tamar pode ter dito isso por uma de duas razões e, possivelmente, por uma terceira razão complementar também

1) Tamar desconhecia o que a Torá dizia sobre o incesto. Essa é a resposta mais provável. Casar-se com irmãs e meias-irmãs era bastante comum entre a realeza egípcia e, posteriormente, entre a realeza persa. Seu antepassado Abraão casou-se com sua meia-irmã Sara, em Gênesis 20:12.

2) Tamar sabia, mas estava mentindo, tentando dizer qualquer coisa a fim de se livrar de Amnon por qualquer meio possível.

3) Uma terceira razão possível é que, embora Tamar fosse uma vítima inocente em toda essa situação, isso pareceria muito ruim para ela; como as pessoas poderiam ter certeza de que ela não estava disposta, se ela tivesse tido um lapso de bom senso ao concordar em ficar a sós com Amnon? Ela estava tentando desesperadamente salvar sua reputação depois que esta seria arrastada pela lama, embora não por culpa própria.

P: Em 2 Samuel 13:16-17, por que Tamar consideraria que Amnon mandá-la embora seria um erro ainda maior?

R: A maneira como Amnon a expulsou e trancou a porta daria a entender que era ela quem estava tentando seduzi-lo. Ali estava uma mulher pura, obediente ao pai, que teve sua reputação e honra repentinamente arrancadas dela em apenas alguns minutos, sem que tivesse culpa alguma. 2 Samuel 13:19-20 mostra que ela estava devastada. Não é que Amnon estivesse cometendo um pecado totalmente distinto nesse momento. Em vez disso, ele estava piorando as coisas ao agravar seu primeiro pecado. Davi havia feito o mesmo depois de tomar Bate-Seba, quando decidiu matar Urias.

Mas, por mais que Amnon agora odiasse Tamar, Absalão odiaria Amnon ainda mais.

P: Em 2 Samuel 13:20, por que Absalão disse a Tamar para não se preocupar tanto com o fato de ter sido estuprada?

R: Há duas visões diferentes.

Consolo insincero: Absalão estava tentando consolar Tamar, aconselhando-a a não se fixar no assunto. No entanto, Absalão não estava sendo sincero, pois ele próprio não se sentia assim. Seja naquele momento, seja algum tempo depois, Absalão já havia tramado o plano de se vingar de Amnon matando-o.

Jonadabe e Absalão conspirando juntos: Uma segunda interpretação é que Absalão há muito planejava tornar-se rei e estava disposto a sacrificar qualquer coisa, ou qualquer pessoa, para alcançar esse objetivo; incluindo sua irmã e seu meio-irmão. Essa interpretação afirma que Jonadabe estava com Absalão para induzir Amnon a estuprar sua irmã, de modo que Absalão não ficou surpreso quando isso aconteceu. Absalão poderia, então, ser visto como tendo motivos para matar o herdeiro do trono. Depois do assassinato, Absalão fugiu para o reino de seu avô e esperou dois anos até que a ira de Davi se acalmasse.

P: Em 2 Samuel 13:21, por que exatamente Davi estava irado nessa ocasião?

R: Provavelmente há três razões. A primeira é que, obviamente, ele ficou irado porque sua própria filha foi desonrada.

Embora Davi estivesse irado com o ato de Amnon, o próprio Davi havia cometido adultério com Bate-Seba e mandado matar o marido dela. Davi pode ter se lembrado do que Deus havia dito por meio de Natã e percebido que Deus não havia esquecido.

A terceira razão é mais complexa. Amnon era o primogênito, o próximo na linha de sucessão ao trono. Levítico 20:17 diz que o incesto deve ser punido com a morte, sem falar no estupro. Davi deveria colocar a obediência à lei de Deus em primeiro lugar ou o amor por seu filho Amnon? Deus e todos os demais veriam a resposta. A resposta foi que Davi colocou seu filho em primeiro lugar. Repreender Amnon teria sido uma conversa tão incômoda que não há registro de que Davi tenha sequer dirigido uma palavra a Amnon. Vale lembrar que, quando Ruben se deitou com a concubina de Jacó, ele perdeu seu direito como primogênito, conforme Gênesis 35:22; 49:4. Não há menção de que Davi tenha feito o mesmo com Amnon. Davi não defendeu a justiça quando se tratava de seu próprio filho.

P: Em 2 Samuel 13:21, como isso pode se aplicar a alguns crentes hoje?

R: Davi amava a Deus sinceramente; mas vemos aqui que ele amava mais o próprio filho. Quando amamos nossos filhos mais do que amamos a Deus, acaba que não estamos fazendo nenhum favor a eles.

P: Em 2 Samuel 13:24-25, por que Absalão pediu a Davi que fosse à “festa mortal”?

R: Absalão não estava tentando matar Davi nem tomar o trono naquele momento, pois ele não matou nenhum dos filhos do rei, exceto Amnon. Como havia muitas facas afiadas para tirar a lã das ovelhas, elas tirariam a vida de Amnon. Amnon ordenou que seus homens matassem Amnon; ele não o matou pessoalmente, assim como Davi não matou Urias pessoalmente.

Absalão provavelmente sabia que Davi não poderia comparecer. Ele convidou Davi a fim de desviar as suspeitas e induzi-lo a acreditar que se tratava de um plano inofensivo.

O boato, baseado apenas em especulações de que todos os filhos do rei haviam sido mortos, pode ter surgido, em parte, porque todos os filhos de Gideão foram mortos por Abimeleque, filho de Gideão, em Juízes 9:5.

P: Em 2 Samuel 13:29, por que Absalão fugiu com o restante dos filhos do rei?

R: Em primeiro lugar, a fuga de Absalão poderia dar a falsa impressão de que ele, assim como os demais filhos, não estava ciente da conspiração para assassinato. Em segundo lugar, Absalão precisava de tempo para fugir para Talmai, no reino de Geshur, de seu avô, a leste do Mar da Galiléia.

P: Em 2 Samuel 13:32-33, como Jonadabe sabia disso com tanta certeza?

R: Jonadabe foi quem, em 2 Samuel 13:3-5, sugeriu que Amnon fingisse estar doente para estuprar sua irmã. Ou Jonadabe estava falando com otimismo, para tentar minimizar o incidente, ou então ele sabia de antemão o que Absalão faria. Jonadabe não era propriamente um amigo de Amnon. Uma pergunta fundamental que nunca fizemos, mas que Davi deveria ter feito, era: “Jonadabe, como o senhor sabe disso?” Talvez Jonadabe pudesse ter dito que estava apenas apontando o motivo de vingança de Absalão, para encobrir o fato de que, na verdade, ele havia sugerido que Amnon fizesse isso.

P: Em 2 Samuel 14:1-20, qual é a estrutura deste capítulo?

R: Trata-se de um quiasmo um tanto profundo, com a seguinte organização.

14:1 Joabe “sabia”

- 14:2-3 Joabe diz à mulher sábia o que ela deve dizer

- - 14:4-5a A mulher faz um pedido ao rei

- - 14:5b-10 O primeiro apelo da mulher

- - - 14:11 Ela consegue salvar a vida de seu filho

- - 14:12-17 A mulher faz seu segundo apelo.

- - 14:18-19a O rei faz uma pergunta à mulher

- Ela admite que Joabe a orientou

14:20 O rei “sabe”

Consulte o *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 3, p. 975, para obter mais informações.

P: Em 2 Samuel 14:1-9 e 13:21, o que Davi deveria ter feito primeiro para punir Absalão pelo estupro e incesto e, posteriormente, pelo assassinato, considerando que o próprio Davi havia cometido adultério e assassinato?

R: Era difícil para Davi fazer qualquer coisa, considerando que ele não se arrependeu publicamente de seu pecado nem se ofereceu para arcar com as consequências. É claro que Deus havia falado por meio de Natã que Davi não precisaria ser executado por seus pecados. Portanto, para disciplinar Amnon sem parecer hipócrita, Davi deveria ter se confessado primeiro. Mas, como não estava disposto a fazer isso, Davi provavelmente pensou que perderia ainda mais respeito se punisse seus filhos por atos semelhantes aos que ele próprio havia cometido. É claro que o fato de Davi não ter tomado nenhuma atitude também fez com que ele perdesse o respeito.

Davi, no mínimo, deveria ter imediatamente desqualificado Amnon da sucessão ao trono. Ruben perdeu o direito de primogênito quando se deitou com a concubina de Jacó, em Gênesis 35:22; 49:3-4. Se Davi tivesse repreendido Absalão publicamente, isso poderia ter diminuído as expectativas do povo de que Absalão fosse o próximo rei.

P: Em 2 Samuel 14:1-9, por que Joabe utilizou essa estratégia para fazer com que Davi chamasse Absalão de volta?

R: O Comentário de Keil-Delitzsch sobre o Antigo Testamento, vol. 2, parte 2, p. 411, considera que Joabe havia feito várias solicitações diretas a Davi, sem sucesso. A corte provavelmente percebia que Davi ansiava por seu filho, mas não havia como fazer com que Davi desse o primeiro passo sem que ele temesse que o povo o criticasse por perdoar Absalão. Assim, Joabe, um gênio tático, teve uma ideia. Era semelhante à estratégia de Natã, e Joabe provavelmente raciocinou que, se funcionou uma vez, poderia funcionar uma segunda vez para ele. No entanto, desta vez não funcionou tão bem.

A mulher apelou para o sentimento de piedade de Davi nessa ocasião. Davi estava de luto por Absalão e a mulher também estava de luto, ou pelo menos assim parecia. Mais tarde, Davi veria o resultado de sua piedade quando Absalão se rebelou e tentou matá-lo. É claro que Davi não demonstrou muita piedade por Urias.

Davi defendia com firmeza a justiça em relação aos outros, mas mostrava-se fraco ao defender a justiça quando seus próprios filhos estavam em falta. Quer isso tenha sido principalmente fruto da sabedoria de Joabe, da mulher ou de ambos, a mulher colocou Davi contra a parede. Como ele nutria compaixão pelo filho (fictício) da mulher, teve de ser coerente e trazer seu próprio filho de volta.

P: Em 2 Samuel 14:15-23, vemos algum arrependimento por parte de Absalão?

R: Absolutamente nenhum. Na verdade, Absalão agora estava tramando para tomar o trono. Em vez de se mostrar arrependido e submisso, Absalão agia de forma manipuladora. Davi teria cerca de 60 anos nessa época, e Absalão, cerca de 30. Absalão já tinha maturidade suficiente para ser rei naquele momento, exceto pelo fato de que alguém estava no seu caminho. Absalão decidiu que se tornaria rei e que faria Davi pagar por não ter punido Amnon de forma alguma e por não ter perdoado Absalão de verdade, quando Absalão...

Por um lado, Absalão afirma que, se for culpado de cometer um crime capital, está pronto para ser condenado à morte. Por outro lado, um homem que estuprou uma mulher foi condenado à morte, e Absalão estava executando essa sentença.

Por parte de Davi, ele não concedeu perdão a Absalão nem o declarou inocente; limitou-se a dizer que ele não seria executado. Ao chamar Absalão de “um jovem”, ele talvez estivesse pensando mais na forma como via Absalão e em sua maturidade, do que no fato de ele ter cerca de 30 anos.

P: Em 2 Samuel 14:15-23, quando devemos perdoar e restaurar alguém que cometeu uma injustiça?

R: Jesus disse que devemos sempre perdoar, mesmo que a pessoa não peça perdão. Mas se alguém roubou dinheiro de você e não demonstra arrependimento, você deveria dar a essa pessoa acesso à sua conta bancária? — claro que não. Se a pessoa não admitir o erro pelo que fez, se não pedir perdão e não demonstrar qualquer arrependimento, você precisa reconhecer com franqueza que é muito provável que ela volte a fazer o mesmo caso tenha a oportunidade. Jesus disse que devemos ser astutos como as serpentes, mas inocentes como as pombas, em Mateus 10:16.

P: Em 2 Samuel 14:24,28, Davi agiu corretamente ao não permitir que Absalão visse seu rosto?

R: Não. O perdão parcial não funciona bem. O perdão parcial não é perdão algum, e a pessoa que está sendo perdoada sabe disso. O perdão relutante não é bem recebido e está fadado ao fracasso. Davi aplicou uma “punição parcial” a Absalão. Não foi realmente uma punição séria, mas afastou Absalão de Davi. Isso amargurou Absalão em relação ao pai. Davi e Absalão não se viram por anos a fio.

Se Absalão era provavelmente o próximo na linha de sucessão ao trono e nem sequer podia estar em Jerusalém ou ver o rosto de seu pai, isso não era um cenário propício para o sucesso. Joabe sabia disso e procurou remediar a situação.

P: Em 2 Samuel 14:26, como o cabelo cortado de Absalão poderia pesar 200 siclos?

R: Mesmo que se tratasse de um siclo mais leve, do tipo usado no templo, isso ainda significaria que os oito cabelos pesariam de quatro a cinco libras (1,8 a 2,3 kg), o que é um valor muito alto. Uma pessoa comum deixa o cabelo crescer meia polegada por ano, embora haja muita variação; algumas pessoas deixam crescer uma polegada por mês. O recorde mundial é de cerca de 2 polegadas por mês. Se Absalão cortasse o cabelo apenas uma vez por ano, isso representaria uma grande quantidade de cabelo, mas, mesmo assim, não chegaria a pesar quatro libras (1,8 kg), a menos que ele tivesse guardado o cabelo dos anos anteriores também. No entanto, em 1 e 2 Samuel, há muitos trechos em que ocorrem variações nos números. Nesse caso, não temos nenhuma outra referência sobre qual seria o número correto. Independentemente disso, o ponto é que Absalão era bastante vaidoso em relação ao seu cabelo. É claro que, mais tarde, o cabelo de Absalão acabaria por ser sua ruína.

O cabelo de Absalão pode ser considerado um exemplo de lição sobre o orgulho. Seu orgulho em relação ao cabelo o deixou enredado e preso em uma situação da qual não podia escapar, o que acabou sendo fatal. Às vezes, quando uma pessoa, especialmente um líder político, segue um caminho que acaba sendo considerado errado ou insensato por todos, ela não consegue fazer o óbvio e mudar de rumo porque está enredada no orgulho. Pergunte a um líder em potencial se ele já cometeu algum erro. Se nunca tiver cometido um erro — que seja capaz de admitir —, então estará diante de um líder que prefere “bater o carro” a virar o volante para evitar um acidente. É possível observar isso em Napoleão, Hitler e Stalin, que não permitiram que suas tropas recuassem, e no marechal francês Philippe Pétain, que estava tão certo de que os alemães não conseguiriam invadir através da intransponível floresta das Ardenas que ignorou os apelos dos militares franceses por ajuda quando os alemães estavam fazendo exatamente isso. Em agosto de 1945, os líderes militares japoneses Anami, Umezu e Toyoda — metade do conselho militar de seis membros, além do primeiro-ministro Tojo — argumentaram que os japoneses deveriam continuar lutando após as bombas atômicas. Quando o imperador Hirohito ordenou que aceitassem a rendição e fez um discurso pelo rádio ao seu povo, o major Hatanaka e outros quatro líderes militares mandaram matar um de seus colegas e organizaram um breve golpe fracassado para impedir que aquela mensagem fosse transmitida. Eles pretendiam colocar o Imperador em prisão domiciliar e enviar uma mensagem falsa em seu lugar. No entanto, os demais generais não concordaram com o plano, de modo que os golpistas cometeram suicídio. Em tempos mais recentes, quando observamos a “teimosia obstinada” de Saddam Hussein, da Guarda Revolucionária Iraniana e a “ação especial” de Putin na Ucrânia, podemos nos surpreender com a insensatez de não terem admitido a derrota diante de uma situação inevitável. Mas por que deveríamos nos surpreender com o fato de que eles são tão tolos quanto outros líderes que viveram antes deles? Um líder que de fato jogou a toalha, provavelmente salvando a própria vida, antes que as coisas piorassem, foi Bashir Assad, ex-líder da Síria, mas ele foi uma exceção.

Consulte e para obter mais informações.

P: Em 2 Samuel 14:27, Absalão tinha três filhos, ou não tinha nenhum filho para dar continuidade ao seu nome, como diz 2 Samuel 18:18?

R: Provavelmente ambas as coisas. Nos tempos antigos, cerca de metade de todas as crianças poderia ter morrido antes de atingir a idade adulta. Keil e Delitzsch mencionam que os nomes dos filhos costumam ser citados, mas não são mencionados em 2 Samuel 14:27. Não haveria motivo para essa omissão, a não ser que eles tivessem morrido jovens.

Absalão construiu um monumento em sua homenagem devido à sua tristeza por não ter filhos que pudessem servir de memorial para ele. Normalmente, uma pessoa que não tem filhos não seria tão sensível à ausência de alguém para dar continuidade ao seu nome quanto alguém que teve filhos que faleceram.

P: Em 2 Samuel 14:29-32, o que isso revela sobre Absalão?

R: Absalão era inteligente e manipulador. Absalão não conseguia conversar com Joabe, pois este não comparecia quando convidado. Assim, Absalão certificou-se de chamar a atenção de Joabe. Às vezes, porém, as coisas acabam se voltando contra você. Absalão mal sabia que isso definiria um rumo que terminaria com Joabe matando-o pessoalmente, apesar de Davi ter pedido que poupasse Absalão.

P: Em 2 Samuel 15:1-12, temos outros exemplos de filhos que queriam tirar o trono de seus pais?

R: O rei da Assíria foi assassinado por seus filhos em 2 Crônicas 32:21. Além disso, embora os detalhes não sejam os mesmos (o filho era o herdeiro legítimo), a situação era semelhante.

Em Ugarit (antes da época de Davi), o príncipe Yassib desafiou seu pai, o rei Keret.

“Ouça-me com atenção!”, ameaça Yassib: Se os inimigos tivessem invadido a terra enquanto o senhor estava doente, eles o teriam expulsado, forçado a refugiar-se nas colinas. Sua doença o tornou negligente: o senhor não ouviu o caso da viúva, não ouviu o caso do pobre, não condenou o opressor, não alimentou o órfão na cidade, … nem a viúva no campo… Renuncie ao trono, permita-me reinar. Abandone o seu poder, deixe-me sentar-me no seu trono.” Isso consta em *Old Testament Parallels: Laws and Stories From the Ancient Near East* [Paralelos do Antigo Testamento: Leis e Histórias do Antigo Oriente Próximo], de Don C. Benjamin [Mahwah: Paulist, 1991], p. 205. Citado de *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 3, pp. 989-990.

P: Em 2 Samuel 15:6, como alguém conquista o coração das pessoas?

R: Assim como muitos políticos de épocas posteriores, Absalão era hábil em prometer às pessoas que poderia liderá-las com competência, sem realmente fazer nada. Para convencer as pessoas disso, Absalão menosprezava a estima que os outros tinham por Davi. Ainda hoje, as pessoas frequentemente tentam se fazer parecer bem menosprezando os outros.

Absalão era bonito e, acima de tudo, cativante. As pessoas costumam ter “imagens” de como um líder deve ser e tendem a apoiar quem se encaixa nessas imagens, independentemente de ser ou não um bom líder. Por exemplo, nas eleições presidenciais americanas, o candidato mais alto vence na grande maioria das vezes. Mais importante ainda, Absalão fingia se importar com elas e levar seus interesses a sério. Absalão era paciente; ele conduziu essa fase de seu plano por quatro anos. Quando Absalão ofereceu o banquete em Hebrom, convidou 200 homens que nada sabiam sobre sua conspiração. Uma vez lá, eles foram encurralados; seria muito difícil para eles dizerem publicamente: “Não, não acho que seja assim. Vou apoiar Davi.”

P: Em 1 Samuel 15:7-12, o que Absalão fez que outros, desde então, também têm feito?

R: Absalão usou sua prática religiosa para enganar os outros. Absalão alegou como desculpa que estava indo a Hebrom para cumprir um voto feito a Deus, a fim de realizar sacrifícios religiosos. Sua suposta adoração a Deus serviu de disfarce para sua traição. Desde então, muitos têm usado a religião (incluindo, mas não se limitando ao cristianismo) para levar as pessoas a concordarem com seus planos malignos.

No Islã, dizia-se aos soldados que, se lutassem por Alá, poderiam ter certeza de que, independentemente de seu passado, chegariam ao Paraíso. No catolicismo romano, a partir do Papa Urbano II, prometia-se a remissão dos pecados àqueles que “tomassem a cruz” na Primeira Cruzada. Da mesma forma, o Papa Eugênio III emitiu a bula papal Quantum praedecessores em 1º de dezembro de 1145, prometendo a remissão dos pecados a todos os que completassem a Segunda Cruzada ou morressem ao longo do caminho.

Consulte e para obter mais informações.

P: Em 2 Samuel 15:7, deveria estar escrito 40 anos ou 4 anos?

R: Deveria dizer quatro anos, o que se coaduna melhor com a duração da vida de Absalão. O texto massorético menciona 40 anos, mas a Septuaginta, o siríaco, o árabe, a Vulgata, Teodoreto e Josefo indicam, todos, quatro anos. Consulte as notas de rodapé da NKJV, NIV e NRSV,

P: Em 2 Samuel 15:7,20, como Absalão fez um voto ao Senhor?

R: Absalão disse isso apenas para ir a Hebrom a fim de ser coroado rei. Ou Absalão estava mentindo e não fez nenhum voto, ou talvez estivesse dizendo a verdade. Há outros casos na história em que pretendentes ao trono fizeram um voto ao seu deus caso se tornassem reis. Portanto, Absalão poderia ter feito um voto a Deus, mas nem todo voto feito a Deus é necessariamente um bom voto.

Absalão provavelmente escolheu Hebrom não apenas porque nasceu lá, mas porque era a capital mais antiga e algumas pessoas talvez não estivessem satisfeitas com a transferência da capital para Jerusalém.

Absalão usou a adoração a Deus como um “pretexto” para o início de sua rebelião. Mais tarde na história, a religião cristã foi usada como um “pretexto” por papas perversos para enriquecerem e se vingarem de seus inimigos. Por exemplo, o Papa Bonifácio VIII (1294-1303) proclamou uma “cruzada” contra a cidade italiana de Palestrina para se vingar da família extensa do papa anterior, Celestino V. Bonifácio carregava a culpa de ter utilizado toda a “maquinaria” da Igreja Católica Romana para fins malignos.

P: Em 1 Samuel 15:10, há outros exemplos em que um filho tentou tirar o trono de seu pai?

R: Sim. Em Ugarit, há um poema sobre o príncipe Yassib, que desafiou seu pai, o rei Keret, pela disputa pelo trono.

P: Em 2 Samuel 15:14, por que Davi fugiu de Jerusalém, já que a cidade era fortemente fortificada?

R: Davi, sendo um rei experiente, percebeu imediatamente que não se tratava de um descontentamento menor, mas de um desafio direto para tirar-lhe a realeza e a vida. Davi nunca havia sofrido derrota em batalha, mas sabia que, desta vez, provavelmente seria diferente. Davi provavelmente agiu com sabedoria ao fugir de Jerusalém nessa ocasião. Naquele momento, ele não sabia em quem, em Jerusalém, poderia confiar, e se houver apenas alguns guardas traidores, mesmo uma cidade bem fortificada é difícil de defender. Não se esqueça de que uma das antepassadas de Davi era Rute.

P: Em 2 Samuel 15:19-20, por que Davi disse a Ittai, o giteu, que ele não precisava acompanhá-lo?

R: Davi não queria que ninguém que o apoiasse apenas sem convicção o acompanhasse. Davi deu a Ittai uma desculpa para ficar e, além disso, avaliaria o seu coração pela resposta que ele desse. Duas situações semelhantes a essa ocorreram com Noemi e suas noras em Rute 1:11-18.

A título de observação, um giteu seria originário da cidade filistéia de Gate. A arqueologia identificou um (ou dois) governadores da cidade filistéia de Asquelom chamados Itiya e Witiya nas cartas de Amarna, alguns séculos antes de Davi. O nome Ittai é muito semelhante a esses.

Hoje, quando lideramos uma equipe que está prestes a realizar uma tarefa, é aceitável dar às pessoas a oportunidade de desistir. Dessa forma, talvez você não tenha tantas pessoas, mas terá pessoas que estão comprometidas com você.

P: Em 2 Samuel 15:31-34, por que Davi enviou seu conselheiro mais sábio, Husai, o arquita, de volta para o inimigo?

R: Davi e Joabe já sabiam o que era melhor fazer; e era melhor que Hushai levasse Absalão a acreditar em um conselho ruim do que dar, no máximo, conselhos ligeiramente melhores a Davi e Joabe. Às vezes, não é preciso fazer coisas inteligentes ou brilhantes para ter sucesso; basta cometer menos erros do que os outros.

P: Em 2 Samuel 15:32-34, Davi agiu corretamente ao fazer com que Hushai mentisse por ele?

R: A Bíblia relata o que Hushai fez em tempos de guerra. Os cristãos têm duas visões sobre essa questão.

Alguns dizem que Husai agiu errado ao mentir, e que Davi agiu errado ao mandar Husai mentir.

Outros afirmam que é aceitável mentir para um inimigo em tempos de guerra, a fim de salvar uma vida. Os trechos em que o engano foi utilizado em 2 Samuel são 2 Samuel 15:25-29, 3-36 (Zadoque, Abiatar e seus filhos), 2 Samuel 15:34 (Hushai, o arquita), 2 Samuel 17:17-18 (ambos) e 2 Samuel 17:18-21 (um homem e uma mulher em Bahurim).

P: Em 2 Samuel 16:5-14, o que há de interessante na estrutura dessa passagem?

R: Ela está organizada em um quiasmo.

16:5a Davi foge em direção a Bahurim

- 16:5b-6 Simei amaldiçoa e atira pedras em Davi e seus homens

- - 16:7-8 Como Simei amaldiçoou Davi

- - - 16:9 Abisai quer matar Simei

- - 16:10-12 Davi aceita as maldições de Simei sem reagir

- 16:13 Davi explica por que não reage às maldições de Simei

16:14 Davi e seu grupo passam por Bahurim

P: Em 2 Samuel 16:5-8, por que Simei amaldiçoava Davi por ter executado os filhos de Saul, se a execução só ocorreu mais adiante no livro, conforme afirma o Guia de Asimov para a Bíblia, pp. 315-316?

R: Não se diz especificamente que Simei amaldiçoou Davi por ter executado os filhos de Saul. Em vez disso, Simei amaldiçoou Davi por sua casa manchada de sangue em geral. Há duas explicações possíveis para as maldições de Simei.

Outras razões: Simei poderia muito bem estar se referindo à longa guerra entre os exércitos de Davi e de Is-bosete. Simei nunca aceitou de fato que a realeza deixasse a família de Saul.

Não é cronológico: Como 2 Samuel 21:1 diz que a execução dos filhos de Saul ocorreu “durante o reinado de Davi”, isso não é necessariamente cronológico. Assim, a maldição de Simei contra Davi pode ter ocorrido cronologicamente após a execução dos filhos de Saul.

P: Em 2 Samuel 16:5-12, qual é o significado da reação de Davi ao não tentar retribuir a Simei?

R: Há quatro pontos a serem considerados na resposta.

1. Naturalmente, uma pessoa na situação de Davi provavelmente sentiria uma curiosa mistura de depressão, raiva contra Simei e aceitação passiva de que merecia o que estava acontecendo com ele. Mas podemos compreender em profundidade como Davi se sentia, pois ele escreveu sobre isso no Salmo 3. O Salmo 3 nos mostra, porém, que Davi tinha fé de que Deus o tiraria dessa situação. Nesse momento, Davi se sentia confiante de que seus inimigos seriam mortos. Mais tarde, Davi lamentaria que um desses inimigos mortos fosse seu próprio filho, Absalão.

2. Davi não tinha ideia de quais de seus antigos amigos leais estavam ao seu lado, quais eram neutros ou quais apoiavam Absalão. Parecia provável que este pudesse ser o fim da linha para Davi. Com a maioria de seus antigos súditos leais se voltando contra ele, seria um fim miserável e, talvez, considerado um castigo adequado pelo adultério de Davi e pelo assassinato de alguém que lhe era leal. Davi sabia que parte do que Simei estava dizendo era verdade. Houve uma guerra civil entre Judá e a casa de Saul por alguns anos. Davi não puniu Joabe por ter matado Abner de forma traiçoeira. Como mostram os versículos 10-11, Davi pensou que talvez Deus tivesse querido que Simei o denunciasse publicamente.

3. Como Davi se sentia culpado por ter matado Urias, ele não estava disposto a mandar matar um homem que estava dizendo a verdade.

4. O versículo 12 mostra que Davi estava deixando isso nas mãos de Deus. Se Davi matasse Simei e Deus considerasse isso errado, Deus poderia punir Davi por isso também. Se Davi poupasse Simei e Deus considerasse isso errado, Deus ainda poderia punir Simei e talvez recompensasse Davi por sua tolerância.

A propósito, Simei parecia ter esquecido que Saul tinha uma casa manchada de sangue, tendo matado Abimeleque e desejado matar qualquer um que apoiasse Davi.

Conclusão: Davi não sabia se era certo ou não que Simei o amaldiçoasse naquele momento. Hoje, quando não sabemos se uma injustiça cometida contra nós é justa, a paciência e a espera em Deus são uma virtude.

P: Em 2 Samuel 16:7-14, o que podemos aprender sobre a atitude de Davi neste contexto?

R: Davi fez uma coisa boa aqui e uma coisa errada mais tarde.

(boa) Algumas coisas (como a vingança) devemos deixar de lado e permitir que Deus cuide delas. Davi não apenas acreditava que Deus estava presente e podia ver tudo, mas também acreditava que Deus agia ativamente. Anteriormente, Saul deveria ter sido destituído e morto, mas Davi sabia que não cabia a ele fazer isso. Talvez Simei também devesse ser morto, mas Davi sabia que ele havia sido culpado e, por isso, considerou que não lhe cabia matar Simei. Assim, Davi deixou isso nas mãos de Deus. Depois que Absalão foi morto, Simei se arrependeu — ou, pelo menos, pareceu se arrepender — e ajudou a trazer a família de Davi de volta, conforme 2 Samuel 19:16-23.

(ruim) Infelizmente, mais uma vez, o perdão de Davi não foi completo. Ele disse a Salomão para levar Simei à sepultura em sangue (ou seja, matá-lo) em 1 Reis 2:8-9, e Salomão assim o fez em 1 Reis 2:36-46.

P: Em 2 Samuel 16:15-17-29, qual é a estrutura dessa passagem?

R: Trata-se de uma estrutura complexa; é quiástica, mas não um quiasmo.

16:15-19 Absalão ganha a amizade de Husai

- 16:20-22 Aitofel aconselha Absalão

- - 16:23 Aitofel é descrito como muito sábio

- 17:1-4 Aitofel dá seu conselho

- - 17:5-13 Husai dá seu conselho

- - - 17:14 O conselho de Husai é considerado melhor do que o de Aitofel

- - 17:15-16 Husai aconselha Zadoque e Abiatar

- 17:17-22 Davi atravessa o rio Jordão

- - 17:23 Aitofel comete suicídio

- 17:24-25 Absalão atravessa o rio Jordão

17:27-30 Davi é acolhido em Maanaim por Shobi, Maquir e Barzilai

P: Em 2 Samuel 16:22, por que Absalão se deitou com as dez concubinas de Davi em plena luz do dia?

R: Essa não foi ideia de Absalão, mas de Aitofel, o antigo sábio de confiança de Davi. Absalão esteve com as concubinas, uma de cada vez, em uma tenda no telhado do palácio. O povo não podia ver tudo, mas percebia o que estava acontecendo, e com uma concubina após a outra. Isso não foi feito para satisfazer a luxúria de Absalão; tratava-se de poder, de insultar seu pai e de reivindicar o trono. Absalão queria mostrar que agora era o rei legítimo e que, ao fazer isso, não haveria mais volta. Ele pretendia demonstrar que não haveria mais volta para a nova lealdade do povo, mas acabou não havendo mais volta para o próprio Absalão. Assim como Davi “tomou” a esposa de Urias, o Senhor “tomaria” as esposas de Davi.

Era comum na cultura do Oriente Médio que um rei herdasse as concubinas de seu pai. No entanto, Deus diz em Levítico 18:8 que não se deve ter relações com a esposa de seu pai — mesmo que ela não seja sua mãe.

Lembre-se também de que Aitofel era avô de Bate-Sebá; portanto, pode ter havido algum pensamento de vingança aqui. Após esse ato ofensivo, todos saberiam que a reconciliação entre Absalão e Davi seria impossível. Absalão agiu errado ao fazer isso, mas eis uma possível racionalização para sua ação. Muitos israelitas eram favoráveis tanto a Davi quanto a Absalão, o aparente futuro rei. Depois que essa disputa se acalmasse, esses israelitas ficariam do lado vencedor. A ação de Absalão não significava apenas que ele era o rei, mas que Davi agora não era mais rei. As pessoas teriam que escolher publicamente entre os dois. Como Absalão estava, naquele momento, em vantagem, o caminho mais seguro para muitos pareceria ser escolher Absalão. Aitofel e Absalão provavelmente não se lembravam de que, quando Rubem fez isso em Gênesis 35:22; 49:3-4, ele perdeu seus direitos de herança.

Resposta incorreta: Embora o fato de Absalão não ter filhos (2 Samuel 18:18) pudesse parecer uma motivação, isso é improvável. Dormir com as concubinas em plena luz do dia, naquele momento, não seria simplesmente com esse propósito

P: Em 2 Samuel 17:1-14, por que o conselho de Aitofel era realmente melhor do que o de Husai, e como podemos saber disso?

R: Aitofel percebeu corretamente que, se Davi estivesse morto, Absalão sairia vitorioso, como também perceberam os homens de Davi em 2 Samuel 18:3. O objetivo não era necessariamente derrotar os soldados de Davi, mas apenas matar Davi. No fim das contas, o fato de Absalão ter seguido o conselho de Husai acabou sendo mais benéfico para Davi, mas como Husai saberia disso? As Escrituras não dizem, mas podemos especular aqui. Aqui estão seis pontos a serem considerados na resposta.

1. Não se pode afirmar que isso se deveu meramente ao fato de Husai ter mais informações por estar com Davi em 2 Samuel 15:32-37, pois até mesmo Aitofel sabia que esse conselho não era bom em 2 Samuel 16:17:1-3, 23.

2. A menos que Davi fosse morto, a verdadeira batalha não se dava no campo de batalha, mas pelos corações e pela lealdade dos israelitas. Seria fácil para as pessoas que eram leais a Davi apenas alguns anos antes quererem voltar a ser leais a ele.

3. Embora matar Davi pusesse fim à luta, e dispersar as tropas de Davi ainda ajudasse Absalão, fazer isso seria um risco, pois sofrer qualquer derrota seria má publicidade. O risco valeria a pena em relação ao ganho potencial?

4. O conselho de Husai partia do pressuposto de que todo o Israel se uniria em torno de Absalão. Se houvesse algum motivo para as pessoas ponderarem antes de perseguir Davi, talvez elas não quisessem se rebelar contra ele.

5. Nesse caso, valia a pena correr o risco. Embora Hushai argumentasse basicamente que Absalão deveria esperar até estar pronto, isso daria tempo a Davi para se preparar, e tanto Davi quanto seu exército não estavam preparados naquele momento. Não seguir o conselho de Aitofel fez com que a iniciativa e o elemento surpresa escapassem das mãos de Absalão.

6. Não havia dúvida de que enfrentariam o exército de Davi; a única questão era quando. Muitas vezes, podemos perder a iniciativa por causa de decisões equivocadas. Nossas emoções podem nos levar a adiar a ação, mesmo que nossa sabedoria nos indique que os atrasos tornarão a situação pior, e não melhor.

P: Em 2 Samuel 17:1-14, você consegue identificar algum exemplo de pessoas sábias e experientes que não eram leais?

R: Aitofel era conhecido por ser muito sábio e havia aconselhado Davi como conselheiro e, presumivelmente, como amigo por muitos anos. Mas, neste caso, Aitofel estava aconselhando Absalão sobre a melhor maneira de matar Davi. — que amigo, hein? Aitofel, sem dúvida, achou que era do seu interesse mudar de lado.

Hoje em dia, as pessoas podem “mudar de lado” quando isso parece trazer ganho pessoal. Ou podem pensar que o futuro é inevitável de qualquer maneira, e que podem estar na frente do trem ou dentro dele. Pode-se pensar na França de Vichy, leal aos nazistas no extermínio dos judeus, durante a Segunda Guerra Mundial. Philippe Pétain era o chefe supremo da França de Vichy. Ele foi um herói de guerra francês, que lutou contra os alemães na Primeira Guerra Mundial. Nos Estados Unidos, houve Benedict Arnold e, mais tarde, Aaron Burr.

P: Em 2 Samuel 17:7-14, Hushai agiu corretamente ao mentir em favor de Davi, dando conselhos errados a Absalão?

R: Os cristãos divergem. Alguns cristãos afirmam que mentir para não-crentes é aceitável em tempos de guerra e para salvar uma vida. Outros cristãos afirmam que, nessas situações, devemos depositar nossa confiança em Deus, e não no engano. Todos concordam, porém, que o silêncio não é mentira; sem mentir, não é necessário revelar voluntariamente informações confidenciais nem responder a todas as perguntas feitas.

P: Em 2 Samuel 17:23, por que Aitofel se enforcou quando seu conselho não foi seguido?

R: É impossível não notar que Ahitofel tinha uma opinião muito elevada de sua própria sabedoria. Embora as Escrituras não o mencionem, podemos perceber aqui tanto uma orientação racional quanto um extremo irracional. Ahitofel desejava servir a alguém que fosse bem-sucedido como rei. Ele provavelmente percebeu que alguém que desse ouvidos ao que fosse mais fácil de seguir, em vez de tomar decisões estratégicas, não duraria muito tempo como rei — nem seus conselheiros durariam muito tempo também.

A principal falha no conselho de Husai e no raciocínio de Absalão é a suposição de que todo o Israel se voltaria imediatamente para seguir Absalão. Em sua arrogância, Absalão só podia esperar por isso, mas quando transformou essa esperança em parte essencial de seu plano, Ahitofel pode ter percebido que Absalão estava condenado enquanto Davi estivesse vivo.

Irracionalmente, às vezes, quando o conselho de uma pessoa que se considera sábia não é seguido, mesmo tendo apresentado argumentos convincentes, ela rapidamente sente que nada mais do que disser será levado em conta. Aitofel poderia ter se arrependido diante de Deus, procurado Davi, o rei ungido por Deus, implorando por misericórdia e confiando que Deus o perdoaria, independentemente de Davi executá-lo ou não. No entanto, essa opção provavelmente nem sequer passou pela cabeça de Aitofel.

Tenha cuidado quando sua identidade estiver ligada ao quanto você é inteligente, sábio ou experiente, em vez de ser a identidade de um filho de Deus que caminha obedientemente com Ele.

P: Em 2 Samuel 17:25, quem era Amasa?

R: Nahash era um nome comum, portanto, era improvável que se tratasse de Nahash, rei dos amonitas. O pai de Amasa era ismaelita, de acordo com 1 Crônicas 2:17. A mãe de Amasa, Abigail, era irmã de Zeruia, mãe de Joabe. Portanto, Amasa era sobrinho de Davi e primo de Absalão. Amasa era até mesmo um parente mais próximo de Joabe. Mas 2 Samuel 17:25 diz que o pai de Amasa, chamado Itra, havia “se deitado” com Abigail, o que sugere que eles nunca se casaram. Após o fim da rebelião, Davi nomeou Amasa comandante do exército de Davi no lugar de Joabe, conforme 2 Samuel 19:13. Davi estava irado porque Joabe matou Absalão, apesar de Davi ter especificamente lhe ordenado que não o fizesse. Ter Amasa como comandante também contribuiria para sanar a divisão entre Judá e as outras tribos que se rebelaram. Joabe, de forma traiçoeira, esfaqueou Amasa mortalmente em 2 Samuel 20:9-10. Da perspectiva de Joabe, ele percebeu que Davi iria perdoar Amasa sem reservas por ter se rebelado contra ele, enquanto Joabe permanecera leal; e que Davi iria até mesmo substituir Joabe por Amasa, pois Joabe havia matado um rebelde que precisava ser morto.

P: Em 2 Samuel 18:6, onde ficavam os bosques de Efraim?

R: Hoje não temos certeza da localização dos bosques de Efraim. Há duas possibilidades.

(provavelmente não) A oeste do rio Jordão: Os bosques ficavam dentro do território de Efraim, e a batalha foi travada ali. No entanto, como Davi e seus homens já haviam fugido para o leste do Jordão, por que teriam atravessado novamente o rio para ir para o oeste?

(provavelmente) A leste do rio Jordão: O que era chamado de bosques de Efraim ficava fora do território original de Efraim, e a batalha foi travada ali.

P: Em 2 Samuel 18:6, por que os soldados de Davi lutariam na floresta?

R: Os soldados profissionais armados de Davi estavam em grande desvantagem numérica em relação ao exército de Absalão. A floresta poderia neutralizar a vantagem dos arqueiros e do maior número de soldados. Isso ajudaria os soldados mais fortes no combate corpo a corpo.

P: Em 2 Samuel 18:17, Absalão foi sepultado na floresta de Efraim (longe de Jerusalém), ou ele construiu um memorial no Vale do Cedron (próximo a Jerusalém), como diz 2 Samuel 18:18?

R: Ambos os eventos ocorreram. Absalão construiu seu próprio memorial no Vale do Cedron, mas nada indica que os homens de Davi o tenham enterrado ali, nem mesmo que ele tivesse a intenção de ser enterrado ali.

P: Em 2 Samuel 18:17, por que ergueram uma grande pilha de pedras sobre Absalão?

R: Uma grande pilha de pedras não era um monumento. Era uma forma de comemorar algo e indicar onde o fato ocorreu, sem qualquer homenagem à pessoa enterrada ali. Outros que tiveram uma grande pilha de pedras colocada sobre seus corpos foram Acã, em Josué 7:26, e o rei de Ai, em Josué 8:29.

P: Em 2 Samuel 18:7, por que 20.000 homens morreram como consequência dos pecados de Davi e Absalão?

R: Sabemos exatamente por que eles morreram: devido à falta de respeito e lealdade que muitos demonstraram após o pecado de Davi com Bate-Sebá, e devido ao pecado de Absalão ao se rebelar contra seu próprio pai. A verdadeira questão aqui é por que até mesmo pessoas piedosas às vezes morrem por causa dos pecados alheios.

Nesta vida, as pessoas frequentemente sofrem por causa dos pecados alheios. Seja uma vítima de homicídio, vítimas civis em guerras ou bebês que nascem com inteligência reduzida porque a mãe era alcoólatra, grande parte do sofrimento neste mundo é infligido àqueles que não foram diretamente responsáveis por ele. Desde a Queda de Adão e Eva, a própria criação não é perfeita (Romanos 8:20-22); o mundo inteiro está sob a influência do maligno (1 João 5:19). A perfeição, a ausência de sofrimento ou a justiça não nos são garantidas nesta vida. Todos nós temos que esperar até a próxima vida, e a justiça será feita no Dia do Juízo Final.

P: Em 2 Samuel 18:7, por que Joabe quis impedir que Ahimaaz contasse a Davi que Absalão estava morto?

R: Joabe conhecia bem Davi e gostava de Ahimaaz. Joabe estava tentando fazer um favor a Ahimaaz. Da última vez que alguém contou a Davi que Saul estava morto — pois ele próprio o havia matado —, Davi mandou executá-lo (2 Samuel 1:9-16). Joabe pode ter ficado com medo por Ahimaaz.

Além disso, Davi demonstrava muito sentimentalismo em relação a Absalão. Isso não era uma virtude, mas sim uma fraqueza. Seu afeto pelo filho era maior do que seu amor a Deus ou do que fazer com que seus filhos obedecessem à lei de Deus.

Isso prova que Joabe já suspeitava de antemão que Davi lamentaria a morte de Absalão e desmoralizaria o exército.

P: Em 2 Samuel 18:16-18, por que Joabe mandou tocar a trombeta para interromper a vitória, já que estavam vencendo?

R: O objetivo não era matar o inimigo — seus próprios compatriotas israelitas —, mas sim pôr fim à rebelião. Uma vez que Absalão fosse morto, não restaria mais nada em torno do qual a revolta pudesse se unir. Assim, enquanto Davi desejava poupar Absalão, Joabe percebeu que matá-lo poria fim aos combates e pouparia a vida de muitos outros israelitas. Por isso, Joabe matou impiedosamente o homem que ele próprio havia ajudado a reconciliar com seu pai.

P: Em 2 Samuel 18:19, como Ahimaaz, filho de Zadoque, conseguiu ultrapassar o outro mensageiro se eles não se cruzaram?

R: Ahimaaz era um corredor veloz. Ele tomou um caminho diferente, a planície, que provavelmente era mais longa em distância, mas mais rápida para correr. Além disso, lembre-se de que Ahimaaz foi quem recebeu a incumbência de levar as notícias de Husai a Davi em 2 Samuel 17:17.

P: Em 2 Samuel 18:30-33, em que sentido Ahimaaz foi, na verdade, um mensageiro não confiável?

R: Por um lado, Ahimaaz era veloz e chegou antes do outro mensageiro, e tudo o que ele disse ao rei Davi era verdadeiro. Mas quando Davi pediu informações específicas, Ahimaaz mentiu e disse que não sabia. Um comentarista acredita que Ahimaaz realmente não sabia, mas, como ele ouviu a trombeta e estava com Joabe, provavelmente sabia.

Às vezes, as pessoas hoje em dia podem ser mensageiros não confiáveis, mesmo que apenas digam meias-verdades corretas. Quando dizem a verdade, mas omitem pontos-chave, ou mentem para ocultar pontos-chave, as pessoas deixarão de confiar nelas assim que descobrirem.

Quando compartilhamos a verdade de Deus com os outros, precisamos ter o cuidado de compartilhar com eles toda a verdade; mesmo aquelas coisas que sabemos que eles não vão querer ouvir. Embora seja importante para um governante ter mensageiros confiáveis, quão mais importante é para nós sermos mensageiros confiáveis de Deus.

P: Em 2 Samuel 19:1-7, de que maneiras os líderes transmitem a mensagem errada, como Davi quase fez?

R: Davi estava prestes a comunicar o que sentia, independentemente de como alguém pudesse interpretar isso. Joabe disse: “Não faça isso.” Se Davi tivesse feito isso, teria transmitido a mensagem de que valorizava menos a vida de seus soldados leais e abnegados do que a vida de um homem rebelde, que havia causado a morte de alguns deles. Quando uma empresa ou um chefe transmite a ideia de que valoriza mais uma pessoa — que não contribuiu significativamente — do que outras que, com lealdade, fizeram muito mais, não deve se surpreender quando a lealdade se perde e as pessoas vão embora.

P: Em 2 Samuel 19:3-7, de que maneiras o fato de estar fortemente focado em apenas uma coisa pode fazer com que alguém fique cego para grandes problemas devido à sua visão de túnel?

R: No caso de Davi, ficaria claro para todos que ele não se importava com eles em comparação com seu filho, que havia causado a morte de muitos. Ele valorizou sua perda pessoal como mais importante do que a emergência nacional.

O Império da Lídia chegou ao fim em 546 a.C. O exército persa havia sitiado Sardes, a capital do Império da Lídia do rei Creso, por 14 dias. Um lado da cidade não precisava ser vigiado, pois era formado apenas por penhascos verticais. No entanto, um soldado persa observou quando um soldado lídio acidentalmente deixou cair seu capacete pelo penhasco. O soldado lídio desceu por um caminho estreito e em ziguezague para recuperar seu capacete e voltou a subir. O soldado persa memorizou o caminho e, naquela noite, o exército persa escalou secretamente a parede vertical, surpreendeu os lídios e conquistou seu império. Talvez aquele soldado lídio não devesse ter se concentrado tanto em recuperar seu capacete!

Na Grã-Bretanha, o rei George III e a maioria do Parlamento ou tratavam as queixas das 13 colônias como questões de pouca importância, ou então as consideravam traições a serem reprimidas. Benjamin Franklin, certa vez, liderou uma delegação à Inglaterra para tentar resolver as questões e permanecer sob o domínio britânico.

Na França, o rei Luís XVI, quando a Bastilha foi tomada em 14 de julho de 1789, escreveu “nada” em seu diário porque não conseguiu caçar nada em sua excursão de caça.

Na Rússia, o último czar, Nicolau II, era um homem muito dedicado à família. Ele se preocupava mais com sua família — e especialmente com seu filho hemofílico — do que com a Rússia.

Na China, o imperador Xuan Zhong e sua corte foram forçados a fugir da capital durante a Rebelião de An Lushan. O exército recusou-se a lutar pelo imperador, pois acreditava que ele se importava mais com sua concubina favorita, Yang Gui Fei, do que com o império. Eles se recusaram a lutar a menos que sua exigência fosse atendida: que o imperador executasse Yang Gui Fei. Assim, o imperador, com muita relutância, atendeu à exigência; os soldados lutaram e a rebelião foi esmagada.

Em nossas vidas, é importante, às vezes, fazermos uma pausa em “estar tão ocupados” para avaliar o que é mais importante em relação ao que é menos importante e garantir que estejamos lidando com as coisas que precisamos resolver. Uma lição muito importante a ser aprendida em 2 Samuel 19:3-7 é a importância de ter amigos que cuidem de você e apontem seus pontos cegos. É claro que amigos que nunca lhe dizem quando percebem um possível ponto cego não são muito úteis nesse sentido. Você aborda com carinho seus amigos quando percebe que eles podem ter um ponto cego?

P: Em 2 Samuel 19:6, de que maneiras você pode, hoje, comunicar (intencionalmente ou não) que eles não significam quase nada para você?

R: Essa é uma pergunta estranha, mas precisamos respondê-la para garantir que não façamos isso. Podemos fazer isso demonstrando que valorizamos algo insignificante mais do que a pessoa. Podemos fazer isso deixando de falar com ela quando é óbvio que deveríamos fazê-lo. Podemos fazer isso interrompendo-a toda vez que ela fala; estamos mostrando que não nos importamos mais com o que ela diz. Podemos fazer isso zombando delas, especialmente na frente de outras pessoas. Quanto mais engraçada for a humilhação, pior ela é.

Quando o senhor compartilhar com alguém sobre Cristo, ou compartilhar algo para ajudá-lo a crescer na fé, certifique-se primeiro de comunicar que o respeita, valoriza e ama. E o senhor deve compartilhar sobre Cristo com todos, sejam cristãos ou não.

P: Em 2 Samuel 19:13, por que Davi mencionaria os laços familiares de Amasa com ele como motivo para que Amasa fosse nomeado general, se Joabe tinha laços familiares ainda mais próximos?

R: Davi usou o fato de Amasa ser seu sobrinho como pretexto e justificativa, pois não queria revelar as três verdadeiras razões. Davi não queria Joabe como comandante-chefe porque Joabe tinha um histórico de desrespeitar publicamente as ordens de Davi. Emocionalmente, Davi estava profundamente triste pela morte de Absalão e simplesmente não queria que o homem que desobedeceu às suas ordens e matou seu filho permanecesse no comando. Por fim, essa seria uma oportunidade de ajudar a sanar a ruptura com os rebeldes e nomear o comandante deles como seu comandante.

P: Em 2 Samuel 19:18-23, por que Davi não puniu Simei de forma alguma?

R: Vamos responder a isso indiretamente, imaginando o que teria acontecido se Davi não o tivesse feito. Simei, na verdade, não havia tentado ferir ninguém. Davi, pelo menos na maioria das vezes, tinha noção de como suas ações seriam vistas aos olhos dos outros, ao contrário de Abisai. Se Davi tivesse executado Simei, como você acha que todos os israelitas que faziam parte do exército que tentou matar Davi se sentiriam? Eles se perguntariam quando Davi viria atrás deles. Provavelmente haveria pouca esperança de reconciliar aqueles que faziam parte do exército de Absalão se ele tivesse feito isso.

Quando Davi se viu nessa situação, em que o óbvio e o mais natural a se fazer era se vingar, ele percebeu que tinha opções. Assim, Davi escolheu o que era, de fato, a melhor opção. No entanto, Davi pode ter agido mais por uma questão de aparência do que por integridade, pois mais tarde ele disse a Salomão para garantir que Simei fosse executado, em 1 Reis 2:8-9.

P: Em 2 Samuel 19:24-30 e 16:3-4, o senhor acha que Mefibosete realmente acreditava ter uma chance de se tornar rei, ou será que Ziba estava mentindo para obter o que Davi havia dado a Mefibosete?

R: Existem três pontos de vista.

Mefibosete achava que poderia se tornar rei. No caos que se seguiria, caso algo acontecesse tanto a Davi quanto a Absalão, Mefibosete queria estar presente, mas sem causar problemas, para o caso de precisarem de um candidato que não tivesse feito inimigos. Mefibosete já estava em Jerusalém e não precisava fugir para lugar algum. Na verdade, acompanhar Davi seria apenas um fardo para ele. Talvez Mefibosete nunca tenha imaginado que Davi precisaria de ajuda com suprimentos e que ele próprio pudesse auxiliá-lo. Barzilai, que tinha 80 anos, poderia descer da cidade de Rogelim para ficar com o rei Davi e providenciar suprimentos para ele, mas Mefibosete, que era consideravelmente mais jovem, embora coxo, não podia deixar Jerusalém.

Ziba estava mentindo sobre Mefibosete. Mefibosete perceberia que, depois de todos esses anos, eles não voltariam para a casa de Saul. Outro filho de Davi se tornaria rei antes de Mefibosete. Mefibosete era coxo, portanto não poderia ter partido, a menos que alguém que também estivesse fugindo o tivesse ajudado. Quanto às pessoas que não fugiram, por que elas o ajudariam? Não se sabe se Mefibosete tinha a intenção de oferecer toda a ajuda que pudesse, ou se ele simplesmente não pensou em estender a mão para ajudar Davi.

Quando Davi retornou, Mefibosete não havia aparado o cabelo, cuidado dos pés (unhas dos pés, etc.) nem lavado suas roupas. Isso poderia significar que Mefibosete estava genuinamente entristecido com a rebelião de Absalão, ou então que ele estava apenas fingindo estar entristecido. No entanto, ele teria que ter começado a fazer essas coisas imediatamente após a partida de Davi, o que indica que sua tristeza era genuína.

Mas o argumento mais forte a favor dessa teoria é a afirmação de Ziba de que ele sabia (com certeza) que Mefibosete permaneceu em Jerusalém para que fosse coroado rei. Como Ziba saberia de algo a respeito disso, de qualquer forma, se Mefibosete não tivesse divulgado suas intenções? É sempre importante questionar como alguém saberia o que afirma saber; a fim de identificar melhor quando as coisas são meramente inventadas. Mas se Ziba estivesse em Jerusalém, então ele poderia ter sido o servo que traiu Mefibosete e o abandonou.

A segurança era o mais importante. Mefibosete estava paralisado pela inércia. Ele poderia ter encontrado algumas pessoas em Jerusalém capazes de levá-lo até Davi. O impasse não estava em encontrar alguém, mas em decidir o que ele queria fazer. O mais seguro para Mefibosete seria permanecer em Jerusalém e manter um perfil discreto. Dessa forma, qualquer que fosse o lado envolvido nessa disputa, ninguém poderia acusar Mefibosete de ajudar o adversário. É claro que, como Mefibosete não tomou uma posição, Davi não tinha como saber se ele havia sido leal ou não.

Davi não era tão sábio quanto Salomão. Salomão provavelmente teria descoberto quem estava dizendo a verdade, especialmente quando, no final, Mefibosete disse que Ziba poderia ficar com tudo. Mas Davi simplesmente dividiu tudo ao meio, em vez de realmente tomar uma decisão, em 2 Samuel 19:29.

A maioria dos estudiosos defende a segunda interpretação.

P: Em 2 Samuel 19:29, Davi agiu corretamente ao fazer com que Mefibosete e Ziba dividissem as terras?

R: Não. Se Ziba estivesse mentindo, Davi recompensou tanto a mentira quanto a ajuda dele. Se Ziba estivesse dizendo a verdade e Mefibosete estivesse esperando para se tornar rei, Davi estaria recompensando um traidor. Davi provavelmente deveria ter investigado isso mais a fundo. Davi estava meio convencido e chegou a uma solução que não satisfaria plenamente ninguém, para que não precisasse investigar mais a fundo.

Parece provável que tenha sido Ziba quem mentiu nessa ocasião. Talvez Davi já suspeitasse disso e se encontrasse no dilema difícil de recompensar ou punir alguém que lhe prestou ajuda substancial em um momento crítico, demonstrou sua lealdade e, ainda assim, mentiu sobre a lealdade de outra pessoa para conseguir isso.

P: Em 2 Samuel 19:32-40, Barzilai agiu corretamente ao recusar a oferta do rei?

R: Os cristãos divergem sobre isso e sobre se o pedido de Davi era principalmente uma recompensa ou uma oferta de emprego. Se fosse uma oferta de emprego como conselheiro, para preencher a vaga deixada por Aitofel, alguns cristãos, como J. Vernon Magee, consideram que Barzilai agiu errado ao recusar essa oportunidade de servir. No entanto, a maioria entende que, nesse caso, foi correto Barzilai recusar um presente generoso, já que isso seria um fardo para ele.

P: Em 2 Samuel 19:41-43, por que ocorreu essa disputa entre os homens de Israel e os homens de Judá?

R: Ambos os lados valorizavam seus próprios interesses mais do que a cooperação mútua. Podemos identificar três razões: o passado, o presente e o futuro.

Passado: Muitos, tanto de Judá quanto do restante de Israel, haviam acabado de se rebelar e travado uma batalha contra Davi. Estavam ansiosos para demonstrar que eram leais novamente, talvez desconfiassem da lealdade dos outros, mas tinham certeza de que eram mais leais e tinham mais direito de estar mais próximos do rei do que o outro grupo. Do lado positivo, eles queriam demonstrar sua lealdade atual, apesar da rebelião passada. Do lado negativo, queriam que todos ignorassem sua inconstância passada — e talvez ainda em curso.

Presente: Nesta situação embaraçosa, eles queriam ter certeza de que Davi percebesse que estavam leais novamente.

Futuro: Ambos os grupos queriam ser os favoritos de Davi daqui para frente, e uma maneira de promover isso seria estar mais próximo de Davi e ter um papel mais proeminente no retorno do exército do que o outro grupo.

P: Em 2 Samuel 19:41-43, como o senhor lida com a situação em que dois lados dão a impressão de estar tentando chegar a um acordo, quando, na verdade, nenhum dos lados realmente deseja esse acordo?

R: Nesse caso, Davi não fez nada, e em 2 Samuel 20:1-2, Sebá, o benjamita, e muitos das tribos do norte iniciaram uma rebelião em grande escala contra Davi.

Em 2 Samuel 19:41-43, as tribos do norte queriam ter um papel mais destacado no retorno de Davi, enquanto os homens de Judá os consideravam rebeldes que não deveriam ter essa honra. Assim, no capítulo 20, muitos do reino do norte se retiraram. Davi estava tentando promover a harmonia e o perdão para todas as partes, mas os homens de Judá não aceitaram isso.

Lembre-se de que, às vezes, o único objetivo de uma das partes na negociação não passa de ganhar tempo. Mais comumente, o objetivo é, propositalmente, causar boa impressão e manter a “honra”. Ao discutir ou negociar com alguém, você deve tentar enxergar as coisas pela perspectiva dessa pessoa. Isso não significa necessariamente concordar com ela, nem achar que ela esteja necessariamente certa, mas compreender como ela vê as coisas. Pode-se, inicialmente, tentar fazer isso de forma otimista, “dando-lhe o benefício da dúvida”. Em seguida, pode-se fazer isso com desconfiança, considerando o pior cenário possível. Às vezes, não fazer nada é exatamente o que uma das partes deseja; como preparação para seu próximo passo.

Mas o que Sheba esqueceu é que, enquanto tentava angariar apoio entre uma população cansada da guerra, Davi já contava com um exército reunido e pronto para a batalha.

P: Em 2 Samuel 20:1, Sheba esteve perto de ter sucesso?

R: Naquele momento, aqueles que lutaram contra Davi teriam percebido que ele estava conciliador, mas ainda teriam dúvidas sobre seu futuro após a revolta. As dez tribos viram que Judá tinha a presunção de ser a primeira, e provavelmente atribuíram a atitude de Judá a Davi. Sebá foi, de certa forma, a “faísca” que inflamou suas dúvidas. Sheba provavelmente teria conseguido, eventualmente, atrair as tribos do norte para longe, não fosse o fato de que disse às tribos do norte para voltarem para casa. De qualquer forma, elas provavelmente estavam indecisas quanto a se rebelarem contra Davi uma segunda vez. Sheba aparentemente se esqueceu de considerar que Davi possuía um exército bem organizado, pronto para partirmos em sua perseguição.

A título de observação, o nome Sebá aparece em um selo hebraico, em um ostracão de Samaria e em uma bulla (selo sobre um jarro) em Jerusalém, de acordo com Avigad, em *Hebrew Bullae*, p. 111. Trata-se de pessoas diferentes chamadas Sebá, mas isso mostra que esse nome não era incomum.

P: Em 2 Samuel 20:9-10, o que o senhor pode dizer sobre a lealdade de Joabe para com Davi?

R: Pode-se argumentar que Joabe não tinha qualquer lealdade para com Davi; Joabe era leal apenas a si mesmo e à preservação de sua posição. Sua posição significava lutar para manter Davi no poder e a si mesmo como comandante do exército de Davi; assim, poderia parecer que ele era leal a Davi, embora, na verdade, não fosse. Quando Davi estava prestes a realizar um luto público por Absalão, Joabe, com sabedoria, aconselhou Davi a sentar-se no portão da cidade, caso ainda desejasse a lealdade de suas tropas. Assim, a lealdade implacável de Joabe a si mesmo serviu bem a Davi nesse caso.

É curioso que Joabe tenha anteriormente se empenhado em reconciliar Absalão e Davi; veja isso como algo positivo. O mesmo homem que reconciliou Absalão agora o matou. Ao fazer isso, ele deliberadamente desobedeceu à ordem clara e direta de Davi.

Joabe era inescrupuloso e usaria qualquer meio para preservar sua posição. Joabe era tão leal que não permitiria que nada se interpusesse em seu caminho; nem Davi, nem a ordem de Davi, nem mesmo Deus. Quando alguém exige sua lealdade a essa pessoa ou à sua causa acima de tudo e de todos os demais, o senhor pode perguntar discretamente: “Até mesmo Deus?”

P: Em 2 Samuel 20:14, que evidências arqueológicas temos sobre Abel-Bet-Maaca?

R: Antes dessa época, o faraó egípcio Tutmés III listou essa cidade cananeia como Abel. Ela também era chamada de Abel-Maim, e os arameus a conquistaram sob o comando de Ben-Hadade I. Os assírios a listaram como uma cidade conquistada por Tiglate-Pileser III, chamando-a de Abilakka. Os arqueólogos acreditam que ela ficava a 25 milhas ao norte do Mar da Galiléia, ao norte das ruínas de Hazor e de quatro a cinco milhas a oeste de Dan. Portanto, Sheba estava fugindo o mais para o norte que podia

P: Em 2 Samuel 20:15-26, Joabe agiu corretamente ao ameaçar destruir a cidade de Abel?

R: Deuteronômio 20:10 diz que, ao atacarem uma cidade, devem primeiro fazer uma oferta de paz, e Joabe não fez isso. Embora Joabe frequentemente recorresse a meios desonestos, nesse caso ele estaria certo se tivesse oferecido termos de paz primeiro. Ele deveria capturar o rebelde Sebá, e a cidade de Abel não deveria estar oferecendo refúgio a Sebá. Se a cidade de Abel entregasse Sebá a ele, Joabe não teria nada contra a cidade. No entanto, se a cidade de Abel oferecesse proteção a um rebelde, então a cidade também seria cúmplice da rebelião.

Uma lição que podemos aprender hoje é que, se ajudarmos e apoiarmos as pessoas em sua rebelião contra Deus, estaremos também participando de seu pecado.

P: Em 2 Samuel 20:15, como você sabe quando está prestes a fazer algo precipitado, como Joabe neste caso?

R: Pergunte a si mesmo se você já discutiu o assunto com alguém. Se você nem mesmo tem vontade de discutir o assunto com ninguém, então provavelmente está prestes a fazer algo imprudente. Você já considerou todos os efeitos e efeitos colaterais? Já considerou as “consequências das consequências”? Algumas coisas podem ter consequências negativas, mas ainda assim valer a pena serem feitas. Mas será que as consequências negativas valem a pena?

P: Em 2 Samuel 20:15, o que leva alguém a agir de forma precipitada?

R: A precipitação é uma conclusão lógica da crença incorreta de que fazer algo rapidamente é mais importante do que fazê-lo bem ou sem injustiça. É quase como se alguém pensasse: “nunca há tempo suficiente para fazer direito, mas sempre há tempo suficiente para refazer”. Às vezes, as pessoas agem precipitadamente porque acham que seu chefe está insistindo devido a algum prazo, seja ele real ou meramente autoimposto. Às vezes, as pessoas pensam que “os fins justificam os meios”.

No entanto, o oposto da precipitação é a “paralisia da análise”. Há uma diferença entre examinar dados suficientes para tomar uma decisão com confiança e fazê-lo com certeza. Às vezes, sem certeza, alguém perde uma oportunidade porque nunca chega a tomar nenhuma decisão. Mas, se você pensar bem, decidir não decidir a menos que haja certeza é, de certa forma, uma decisão também.

P: Em 2 Samuel 20:15-26, o conselho da mulher de Abel de decapitar Sebá estava correto?

R: Três pontos a serem considerados na resposta.

A Lei: Deuteronômio 20:10 diz que um exército deve fazer uma oferta de paz a uma cidade estrangeira antes de destruí-la. Quanto mais deveriam fazer isso com uma cidade israelita!

Pragmatismo: Os moradores da cidade prefeririam que Sheba morresse a que todos fossem mortos.

Justiça: Sebá era um rebelde contra Davi, o rei ungido por Deus. Não era correto que lhe concedessem asilo.

Conclusão: Às vezes, os crentes devem estar dispostos a pagar um alto preço pela justiça. No entanto, em alguns casos como este, a justiça é o caminho mais seguro, bem como a melhor linha de ação.

P: Em 2 Samuel 20:16-21, qual é a melhor maneira de argumentar com alguém que está prestes a fazer algo precipitado?

R: Se for uma questão em que o senhor sabe que Deus deseja que a pessoa faça algo diferente, então ore. Depois disso, tente compreendê-la.

Muitas vezes, embora nem sempre, uma pessoa deseja fazer o que está planejando. Se o senhor criar dúvidas suficientes a ponto de a pessoa achar que há apenas 50% de chance de o senhor estar certo e 50% de chance de estar errado, e que as consequências são praticamente as mesmas em ambos os casos, ela ainda assim seguirá em frente e fará o que planejou. Para fazê-la mudar de ideia, há uma abordagem em três frentes.

Conhecimento: é preciso convencê-la, da melhor maneira possível, de que o que você está dizendo está correto. Se o que você disser não tiver credibilidade aos olhos dela, ela não se importará realmente com o que você está dizendo.

Desejo: mesmo que algo esteja errado, uma pessoa pode não se importar se não tiver nenhum interesse pessoal no que está certo ou errado. Portanto, dê a ela um motivo para mudar de ideia.

a) Esperança de recompensa: talvez ela consiga vislumbrar uma recompensa, como algo muito bom acontecendo a ela ou a seus entes queridos, caso mude de ideia.

b) Medo de punição: Ou talvez vejam uma grande perda que possa ocorrer caso sigam seu caminho original.

c) Ser vista como melhor: Ou talvez saiba que os outros a considerarão uma pessoa melhor se seguir o que você diz. A mulher sábia estava apelando para isso.

Encontre pontos em comum. Concorde com eles sempre que for sinceramente possível. Chegue a uma solução mútua que eles considerem uma vitória do ponto de vista deles.

P: Em 2 Samuel 20:19, o que há de interessante em chamar a cidade de “mãe”?

R: Em uma escritura em siríaco antigo encontrada em Dura, utiliza-se o nome mtrpwls. De mater-polis (ou cidade-mãe) deriva nossa palavra metrópole, de acordo com M. O’Connor, em “The Arabic Loanwords in Nabatean Aramaic” (JNES 45, 3 (1986), p. 228, nota 94).

P: Em 2 Samuel 21:1, as fomes eram comuns naquela época?

R: Em primeiro lugar, as fomes com duração de um ano eram frequentes, frequentes demais para serem mencionadas, e as pessoas costumavam ter alimentos ou dinheiro armazenados suficientes para uma fome de um ou dois anos. Mas essa fome foi mais longa, de modo que a situação estava começando a ficar grave. Outras fomes são mencionadas em Gênesis 12:10; 26:1; 41:54-57; Rute 1:2; 2 Reis 4:38; e Atos 11:28 (durante o reinado de Cláudio). Não sabemos se esta parte de 2 Samuel segue uma ordem cronológica ou não; portanto, pode ter ocorrido no início do reinado de Davi.

P: Em 2 Samuel 21:1-9, por que Deus enviou a fome para que os outros filhos de Saul fossem mortos?

R: Davi optou por não guardar nenhum ódio contra Saul em seu coração. Consequentemente, ele pensou, equivocadamente, que não deveria punir a rebelião dos filhos de Saul e se contentou em deixar as coisas como estavam. Deus enviou uma mensagem, alta e clara, não apenas a Davi, mas ao povo, de que a justiça deveria ser feita nesse caso. Davi não queria justiça para Amom, Absalão, Amasa ou Joabe, mas Deus queria que, pelo menos, fosse feita justiça neste caso. Até então, Saul havia massacrado os gibeonitas, com quem mantinham um tratado de 400 anos (Josué 9:15-20), sem sofrer qualquer consequência. Quando uma pessoa má faz algo sem sofrer qualquer consequência, isso lhe ensina uma lição importante: ela pode fazer isso novamente! Na história, quando os nazistas foram advertidos a não invadir a Tchecoslováquia, e o Irã foi advertido a não realizar ataques diretos com mísseis contra Israel, não houve consequências imediatas quando eles o fizeram.

P: Em 2 Samuel 21:1-7, Davi mandou matar os filhos de Saul para garantir a segurança de seu próprio reinado e, em seguida, atribuiu a culpa a Deus, como afirma o livro *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 308?

R: Não. Se Davi quisesse fazer isso, teria inventado um pretexto muito antes disso e não teria esperado tanto tempo. Outros reis recorriam a assassinatos secretos, e se Davi fosse mau, poderia facilmente ter feito o mesmo. Ele fez isso para fazer justiça aos filhos de Saul, que provavelmente já eram homens adultos e apoiaram seu pai quando ele matou os gibeonitas, aliados de Israel. Deus enviou uma seca para indicar a Davi que ele precisava fazer isso.

P: Em 2 Samuel 21:1-7, Deus mandou executar os filhos de Saul pelo pecado de Saul, contrariando Ezequiel 18:4, 17-20 e Deuteronômio 24:16?

R: Não. Ezequiel 18 só foi revelado séculos depois de 2 Samuel, mas isso não é relevante para a resposta. Há dois pontos a serem considerados na resposta.

1. 2 Samuel 21:1 não diz que o pecado foi apenas de Saul, mas sim de “Saul e sua casa manchada de sangue”. Saul não matou todos aqueles gibeonitas sozinho, e os príncipes provavelmente tiveram um papel na morte dos gibeonitas.

2. Em 2 Samuel 3:1-6, anteriormente houve uma longa guerra entre os filhos de Saul e Davi. Foram esses filhos que lutaram contra Davi por um longo tempo.

P: Em 1 Samuel 21:1-9, por que Deus fez com que Davi permitisse que os gibeonitas executassem sete dos filhos de Saul, uma vez que Davi jurou a Saul que não mataria seus descendentes em 1 Samuel 21:21-22?

R: Primeiro, o que não é a resposta; em seguida, dois pontos que compõem a resposta.

O que não é a resposta: Se prometêssemos algo errado e Deus nos ordenasse diretamente que não fizéssemos o que prometemos, deveríamos obedecer a Deus. No entanto, Davi não prometeu algo errado e também não quebrou sua promessa, como mostra o primeiro ponto da resposta.

A resposta:

1) Davi não procurou que eles fossem mortos, mas permitiu que os gibeonitas determinassem o que era justo, e então os gibeonitas os executaram. A título de exemplo, se o rei prometer não matar a pessoa A por qualquer suposta deslealdade para com o rei, mas a pessoa A matar a família da pessoa B, o rei pode permitir que a pessoa B os persiga, não por algo que tenham feito contra o rei, mas por terem matado a família da pessoa B.

2) No entanto, não era Saul que os gibeonitas estavam executando, mas sim os filhos de Saul. É provável que os filhos já tivessem idade legal e tivessem consentido ou até mesmo participado do massacre perpetrado pelos gibeonitas. Mefibosete, filho de Saul, que era apenas uma criança quando Saul foi morto em batalha, foi poupado.

P: Em 1 Samuel 21:4-6, por que os gibeonitas pediram sete filhos?

R: As Escrituras não dizem. Saul certamente matou muito mais do que sete gibeonitas, mas sete era geralmente considerado um número que simbolizava a completude, e esses seriam os próprios filhos de Saul. A título de observação, você lê sobre rebeliões da tribo de Benjamim, de Absalão, de Sebá, de Jeroboão, de Ismael assassinando Gedalias, etc., mas nunca se lê sobre qualquer rebelião por parte dos gibeonitas.

P: Em 2 Samuel 21:6, por que os gibeonitas mencionaram que Saul era o escolhido do Senhor?

R: Eles poderiam ter comunicado seus desejos sem mencionar isso, se assim o desejassem. Mas eles deliberadamente trouxeram isso à tona, de forma quase sarcástica, para enfatizar que foi alguém que se dizia ser o escolhido de Deus quem violou o tratado que Deus ordenara que fosse honrado.

P: Em 2 Samuel 21:8, foi Merabe ou Mical quem teve filhos aqui, já que Mical não tinha filhos, de acordo com 2 Samuel 6:23?

R: Merabe e Mical eram duas pessoas diferentes e, embora Mical não tivesse tido filhos com Davi, 2 Samuel 21:8 afirma especificamente que ela não teve nenhum filho, de forma alguma, até o dia de sua morte. Há duas respostas:

Merabe, erro de copista: Dois manuscritos hebraicos, parte da Septuaginta e o siríaco mencionam Merabe, enquanto a maioria dos manuscritos hebraicos e outros manuscritos da Septuaginta mencionam Mical. 1 e 2 Samuel apresentam relativamente mais erros de copista do que outros livros da Bíblia. Consulte o *The Bible Knowledge Commentary: Old Testament*, p. 476, e o *Keil-Delitzsch Commentary on the Old Testament*, vol. 2, parte 2, pp. 461-462, para obter mais informações sobre essa interpretação.

Mical, adoção: É possível que se tratasse de Mical. Mical não teve filhos, mas poderia ter adotado os filhos de sua irmã Merab e de seu cunhado Adriel. Lia e Raquel pareciam ter algo semelhante em mente em Gênesis 30:4-24. Consulte “1001 Perguntas Bíblicas Respondidas”, p. 314, para obter mais informações sobre essa interpretação.

P: Em 2 Samuel 21:16-17, por que Davi quase foi morto nessa ocasião?

R: Aparentemente, Davi estava envelhecendo. Ele ainda tinha o desejo de liderar, mas chega um momento em que é preciso deixar que pessoas mais jovens liderem algumas das batalhas.

P: Em 2 Samuel 21:19, por que os filisteus tinham vários gigantes?

R: Se houvesse basquete nos tempos antigos, a Filístia seria o lugar ideal para selecionar seus jogadores no draft. Seria mais provável que os filisteus tivessem vários gigantes do que apenas um. Se tivessem apenas um gigante, que tivesse filhos — já que o tamanho depende, em grande parte, dos genes de uma pessoa —, seria de se esperar que tivessem vários gigantes.

Arqueólogos encontraram algumas armas de metal de tamanho incomum. Elas apresentavam sinais de desgaste, como se tivessem sido utilizadas. Consulte para obter mais informações.

P: Em 2 Samuel 21:19, foi El-Hanã quem matou Golias, ou foi Davi quem matou Golias, o giteu, como diz 1 Samuel 17:50, ou foi El-Hanã quem matou Lahmi, irmão de Golias, como diz 1 Crônicas 20:5?

R: Embora seja possível que tenha havido mais de um gigante chamado Golias, isso é improvável. Nossas versões preservadas de 2 Samuel 21:19 aparentemente contêm um erro de copista, no qual foi omitida a frase “Lahmi, o irmão de”. O cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 288, também menciona isso.

1 Crônicas 20:5 afirma que Elhanan matou Lahmi, irmão de Golias.

Esse erro de copista é fácil de identificar, de acordo com *Hard Sayings of the Bible*, pp. 212-213, que apresenta uma análise completa em hebraico.

P: Em 2 Samuel 21:20, era comum encontrar pessoas com seis dedos?

R: São muito incomuns, assim como hoje. No entanto, escrevendo muito mais tarde, Plínio, o Velho, relata, no livro 9, capítulo 43, de *História Natural*, que o poeta Volcatius e as filhas de Horácio tinham seis dedos em cada mão.

Consulte para obter mais informações.

P: Por que 2 Samuel 22:1-51 é quase idêntico ao Salmo 18?

R: 1 Samuel contém o cântico de ação de graças de Ana no início, e 2 Samuel contém o cântico de ação de graças de Davi no final. É apropriado que o salmo de Davi seja incluído aqui como um resumo que Davi fez de sua vida, terminando com um crescendo de louvor a Deus. Eles são quase idênticos. Ou Davi tinha uma versão anterior e uma versão posterior, ou pelo menos uma delas era uma paráfrase da outra.

A doutrina da inerrância significa que Deus nos comunicou originalmente a verdade sem erros, e que ela foi preservada sem erros significativos. Pode-se analisar isso à luz da inerrância a partir de duas perspectivas.

1. Talvez tanto 2 Samuel 22 quanto o Salmo 18 preservem, de forma inerrante, duas versões diferentes das palavras exatas de Davi.

2. Independentemente de serem ou não as palavras exatas, ambas preservam as mesmas verdades sobre Deus e revelam o coração de Davi para com Deus.

3. Embora possam ter ocorrido erros de transcrição nas diferenças, isso não foi necessariamente o caso. Os originais podem ser diferentes; a verdade parafraseada com precisão continua sendo uma verdade infalível.

P: Em 2 Samuel 22:2-5, qual é o significado de cada metáfora que descreve Deus como rocha, fortaleza, libertador, escudo, chifre da minha salvação, reduto e salvador?

R: Essa lista funciona como um breve resumo do restante do capítulo. Embora haja sobreposições, cada uma delas é uma característica distinta de Deus e de nosso relacionamento com Ele. As quatro primeiras destacam os atributos “imutáveis” de Deus, e as três últimas destacam os atributos “ativos e dinâmicos” de Deus.

Rocha (e Deuteronômio 32:4; 1 Samuel 2:2): Podemos confiar em Deus, podemos nos apoiar nas promessas de Deus em vez de nas areias movediças e podemos edificar sobre a fidelidade de Deus.

Fortaleza; Deus é nossa proteção contra as forças do mal e contra tudo o que a vida nos apresenta. Embora um exército possa ser derrotado por um exército maior, um exército dentro de uma fortaleza pode repelir um exército duas ou três vezes maior. Não que Deus necessariamente nos tire de situações difíceis — embora Ele também possa fazer isso —, mas Deus nos conduzirá por meio dessas situações difíceis. Tanto a fortaleza de Jerusalém quanto a caverna de Adulão eram chamadas de fortalezas.

Libertador: Quando estamos na batalha, ou mesmo perdendo a batalha, Deus é poderoso e pode nos libertar disso.

Escudo: Como parte da armadura de Deus, um escudo nos protege dos golpes e das flechas — os “dardos inflamados” — do inimigo.

Chifre da minha salvação (e 1 Samuel 2:1): Os chifres são duros e, para proteção, os animais os utilizam como arma ofensiva. O cântico de Ana em 1 Samuel 2:1,10 também enfatiza o “chifre”.

Fortaleza: Uma fortaleza é um local defensável ou um esconderijo para onde um grupo pode se refugiar em busca de proteção. Pode ser o topo de uma montanha ou um local oculto, como uma das muitas cavernas nas quais Davi pode ter se escondido.

Salvador: Se já estamos derrotados, já fomos vendidos como escravos, Deus pode nos salvar disso. Seja a escravidão ao vício ou ao pecado em geral, Deus pode salvar Seus filhos disso.

Podemos ser gratos pelo que Deus fez no passado, confiar Nele no presente e depositar nossa confiança e esperança Nele para o futuro. Não sabemos o que o futuro nos reserva, mas sabemos Quem o tem nas mãos.

P: Em 2 Samuel 22:5, por que a metáfora das ondas é apropriada neste contexto?

R: Quando se observa as ondas da praia, elas parecem tentar ultrapassar os limites do mar e nunca param de tentar. Mas nunca conseguem.

P: Em 2 Samuel 22:6, Salmos 91:3 e Salmos 116:3, de que forma a morte se assemelha a um caçador que arma armadilhas?

R: A imagem é a de que a morte está armando armadilhas fatais para que alguém caia nelas. Podem ser armadilhas físicas que causam a morte física, ou armadilhas mais sutis que destroem sua vida espiritual e seu testemunho.

P: Em 2 Samuel 22:7, Deus sempre salvará os crentes da angústia?

R: Resumidamente, não, não e sim.

Não, Davi temia por sua própria vida diante da rebelião de Absalão. Davi sentiu grande dor ao ver seus filhos — Amnon, o primeiro filho de Bate-Sebá, e Absalão — morrerem. Davi estava em angústia como consequência de seu pecado, conforme profetizou Natã em 2 Samuel 12:1-14.

Não, Davi estava em grande angústia ao fugir de Saul, embora isso não se devesse a nenhum pecado da parte de Davi.

Sim, Deus esteve com Davi durante tudo isso, e Deus salvou Davi. Nada acontecerá a um crente, a não ser o que Deus permitir. Mesmo quando os crentes são torturados e martirizados, e seus filhos são levados embora, Deus estará presente, agindo nessas situações difíceis.

P: Em 2 Samuel 22:8-16, por que e como Davi utilizou todas essas metáforas antropomórficas neste trecho?

R: Davi sabia que não se tratava de algo literal, mas essas metáforas de luta e batalha tinham um grande significado para Davi e para o povo de Israel em sua época. É aceitável pensar em Deus de forma antropomórfica, desde que se perceba que Deus é muito mais do que apenas um homem. É emocionante perceber que Deus não está menos ansioso para nos salvar e nos libertar do que essas imagens verbais mostram. Essa forte confiança em Deus para salvar Davi de situações que, de outra forma, seriam desesperadoras, constitui um contraste emocionante com o cristianismo sem compromisso e sem coragem que alguns praticam hoje em dia. Se o senhor não precisa de Deus para concretizar seus planos, e parece que tudo o que o senhor almeja é ter sucesso sem que Deus faça nada, então talvez seus planos sejam pequenos demais. Abandone seus planos e adote os planos de Deus para você. Alguns deles podem ser os mesmos que você tinha antes, e outros podem ser uma surpresa para você.

No entanto, o trovão de Deus aqui não é antropomórfico. Deus realmente enviou um trovão contra os filisteus em 2 Samuel 7:10-11.

P: Em 2 Samuel 22:21,25, Deus age para recompensar as pessoas de acordo com sua justiça?

R: Aparentemente, Deus não considerou Davi um assassino e um adúltero. Deus considerou Davi como um ex-assassino e ex-adúltero arrependido e perdoado.

Se Davi pode ser perdoado e purificado de seus grandes pecados, então há esperança para nós. Davi se arrependeu e perdeu o desejo de pecar nessas áreas, e, por meio de Deus, também há esperança para todos os que se voltam para Ele.

P: Em 2 Samuel 22:21-27, o que está sendo dito sobre as obras de Davi?

R: Embora Deus estivesse com Davi muito antes de ele ter matado Golias, a maioria dessas coisas aconteceu naquela época ou posteriormente. Davi está relatando as bênçãos de Deus para com ele, não como pré-requisitos para a salvação, mas como benefícios da salvação. Uma vez salvo, o senhor está recebendo os benefícios da salvação, agora aqui na terra? Não é certo; depende. Você os receberá se permanecer próximo a Deus e Lhe obedecer fielmente. Mas cabe a você seguir ou não a orientação de Deus para a sua vida. Davi, como crente, ainda precisou invocar a Deus em 2 Samuel 22:7; o mesmo vale para nós.

P: Em 2 Samuel 22:22-23, por que Davi disse que não se afastou de Deus, se ele de fato se afastou?

R: Há dois pontos a serem considerados na resposta.

Davi nunca se afastou, no sentido de que sempre acreditou em Deus e desejou servi-Lo.

Davi realmente se afastou de Deus em seu caso com Bate-Sebá e no assassinato de Urias, mas se arrependeu e voltou. Deus o perdoou e, embora Davi não tenha escapado da disciplina e das consequências, Deus o considerou justo e como se não tivesse pecado. De maneira semelhante, quando um crente se afasta de Deus e mais tarde se arrepende, ele ou ela é completamente perdoado(a). No entanto, ainda pode haver disciplina e consequências.

Devemos aprender a lição dolorosa com o erro de Davi: o quanto de mal um rei e um servo de Deus podem causar quando se afastam de Deus. Davi talvez não fosse arrogante, mas era orgulhoso o suficiente para pensar que as regras de Deus não se aplicavam mais a ele.

Davi era leal a Deus, exceto naquela única ocasião em que se mostrou traidor. Na última parte de sua vida, quando a maioria do povo se rebelou contra ele ao lado de Absalão, após a morte de Absalão e o retorno do povo a reconhecê-lo como rei, Davi também pôde observar muitas das pessoas ao seu redor e seus súditos, e perceber que todos eles também haviam sido traidores contra ele em algum momento.

P: Em 2 Samuel 22:26-27, por que Deus se mostra ao mesmo tempo misericordioso e astuto?

R: Deus é ao mesmo tempo misericordioso e astuto. Deus é misericordioso para com aqueles que se arrependem e se voltam para Ele. Para os demais, Deus apanha os sábios em sua própria astúcia, como mostram Jó 5:13; Lucas 20:23, 1 Coríntios 3:19 e 2 Coríntios 12:16. Devemos ser astutos como as serpentes, mas inocentes como as pombas, conforme diz Mateus 10:16.

P: Em 2 Samuel 22:28, por que Deus deseja derrubar os orgulhosos?

R: Podemos identificar duas razões.

1. O orgulho do homem é um pecado (1 João 2:16), e Deus odeia o pecado. No entanto, por que Deus se concentraria especificamente no orgulho aqui, e não em outros pecados?

2. O orgulho não é tanto uma ação isolada, mas uma atitude crônica que afasta as pessoas de Deus. Deus é misericordioso ao remover o orgulho das pessoas, pois o orgulho pode impedir que elas confiem em Deus, como mostram Provérbios 30:8-9.

P: Em 2 Samuel 22:38-43, essa é uma atitude apropriada para os crentes nos tempos do Novo Testamento?

R: De maneira pessoal, não; mas, de maneira espiritual, sim. Davi utilizou praticamente todas as palavras que podia em hebraico para descrever a destruição de seus inimigos. Devemos ser igualmente ferozes com nossos inimigos; mas nossos inimigos não são pessoas. Nossos inimigos são o pecado, em nós mesmos e nos outros, e as forças do mal. Quanto às pessoas, Jesus nos ordenou que amássemos nossos inimigos e orássemos por (e não contra) aqueles que nos perseguem.

P: Em 2 Samuel 22:45 e Salmos 18:44, qual deveria ser a ordem das frases?

R: Ambos os versículos contêm exatamente as mesmas duas frases, exceto que a ordem está invertida. No entanto, na poesia hebraica, a simetria e os quiasmos são frequentemente utilizados. Embora seja possível que Davi tivesse duas versões diferentes desse salmo de louvor, é mais provável que sejam a mesma, e que a ordem no Salmo 18:44 esteja correta.

P: Em 2 Samuel 22:51, como devemos entoar nosso cântico de vitória (ou não)?

R: Devemos cantar o hino de vitória de nossa vida também, todos os dias. Nossa habilidade de cantar não importa, e mesmo que alguém seja mudo, ainda assim pode cantar seu hino de vitória da mesma forma. Cantamos nossa canção de vitória pela maneira como expressamos nosso amor a Deus, permanecendo próximos a Ele, amando-O e obedecendo-Lhe. Como crentes no Senhor, Deus nos capacitou por meio do Espírito Santo para sermos vencedores, conquistando o pecado, a decepção, o medo e a maldade em nossas vidas. Também lutamos e derrotamos as forças do mal quando compartilhamos o evangelho, levando pessoas ao Senhor, fazendo delas discípulos e guardando o rebanho.

Então, como está indo o seu canto?

P: Em 2 Samuel 23:1-7, o que há de interessante nesses versículos?

R: Esses versículos formam um tipo especial de simetria na poesia hebraica chamado quiasmo.

2 Samuel 23:1b-e Davi fala de si mesmo como “ele”

— 2 Samuel 23:2-3ab Davi se refere a si mesmo como “eu”

— — 2 Samuel 23:3cd-4 O Senhor fala

— 2 Samuel 23:5 Davi se refere a si mesmo como “eu”

2 Samuel 23:6-7 Davi se refere aos homens ímpios como “eles”

A título de observação, Davi também se referiu a si mesmo na terceira pessoa em 2 Samuel 7:20.

P: Em 2 Samuel 23:1-7, quão diferente teria sido a vida de Davi se ele nunca tivesse sido ungido rei ou nunca tivesse matado Golias?

R: Davi se maravilha com a direção que Deus deu à sua vida e com a forma como Deus esteve ao seu lado ao longo dos anos. Davi era um jovem pastor fiel e devoto. Ele seguia a Deus, mas de uma “maneira menos impactante”. Depois de ser elevado ao trono, Davi serviu de maneira muito influente e impactante. As coisas boas que ele fez foram ampliadas, e ele se tornou uma grande testemunha de Deus entre o povo. Mas os erros de Davi também foram ampliados; e muitas pessoas perderam o respeito por Davi depois que ele tomou a esposa de Urias e mandou matar Urias. Deus talvez não queira que alguns de Seus servos ocupem cargos de grande impacto, pois seus pecados e falhas causariam problemas demais. Trabalhe com o Espírito Santo para tentar erradicar de sua vida tudo e qualquer coisa que o torne inadequado para que Deus o utilize mais.

Davi sabia que, ao olhar para trás em sua vida, seria possível ver alguém imperfeito e que cometeu grandes erros. Mas Deus podia olhar para trás e ver alguém que sempre se arrependeu e voltou para Ele.

P: Em 2 Samuel 23:8-39, por que esses eram os “trinta e três” de Davi, se na verdade eram 37?

R: Não se trata de um erro de contagem, pois 2 Samuel 39 afirma especificamente que eram 37. “Trinta” pode ter sido um termo para designar a seleção de soldados mais honrados de Davi, mas, à medida que um caía em batalha, outro era acrescentado, como Asael em 2 Samuel 23:24 e Urias em 2 Samuel 23:39. Da mesma forma, em épocas posteriores, os persas tinham 10.000 “imortais”, soldados de infantaria que pareciam imortais porque, ao entrarem em batalha cobertos por túnicas leves, pareciam à prova de flechas. As túnicas escondiam a armadura por baixo. Quando um “imortal” era morto, outro era escolhido para ocupar seu lugar.

P: Em 2 Samuel 23:8-39, quem está notavelmente ausente dessa lista e por quê?

R: Joabe estava ausente; e isso foi deliberado. Abisai constava da lista em 2 Samuel 23:18, e Asael constava da lista em 2 Samuel 23:24, e ambos foram especificamente chamados de irmãos de Joabe, o que ressalta ainda mais o fato de que Joabe não estava presente. Até mesmo Eliam, filho de Ahitófel, conselheiro de Absalão, consta da lista. Mas o próprio Joabe, embora também tenha realizado muitos feitos notáveis, não foi honrado com a inclusão nessa lista. Joabe desobedeceu diretamente a Davi ao matar Abner, depois Absalão, filho de Davi, e, posteriormente, ao matar Amasa de forma traiçoeira. Joabe valorizou um bom resultado acima de uma maneira honrosa de alcançá-lo; portanto, é adequado que ele não tenha sido honrado aqui.

P: Em 2 Samuel 23:8-39, é correto homenagear os crentes que serviram bem ou não?

R: Pode-se argumentar que é bom encorajá-los e incentivar outros a seguirem seus passos. Por outro lado, pode-se argumentar que isso poderia levá-los à tentação do orgulho; e, de qualquer forma, eles não deveriam estar fazendo isso pela honra. Portanto, deixe que todos permaneçam o mais anônimos possível. No entanto, embora haja alguns argumentos válidos de ambos os lados, Deus responde a essa questão em Filipenses 2:28, onde Paulo diz à igreja de Filipos para honrar pessoas como Epafrodito, que quase morreu de doença ao servir a Deus. O apóstolo João também honrou Demétrio em 3 João 12.

P: Em 2 Samuel 23:8, o tachmonita matou 800 homens, ou o hachmonita matou 300 homens em 1 Crônicas 11:11?

R: Essa diferença de uma letra no nome é provavelmente um erro de copista. Embora o erro possa estar tanto em 2 Samuel quanto em 1 Crônicas, é mais provável que esteja em 2 Samuel, pois esse é o livro do Antigo Testamento com o maior número de erros de copista. O “Bible Knowledge Commentary: Old Testament”, p. 604, afirma que, em hebraico, os números 300 e 800 são semelhantes.

P: Em 2 Samuel 23:11, os israelitas foram libertados em um campo de lentilhas ou em um campo de cevada, como diz 1 Crônicas 11:13?

R: Há duas possibilidades.

1. Pode ter havido dois eventos diferentes.

2. É provável que tenha havido apenas um evento e que haja aqui um erro de transcrição. De acordo com o livro *When Critics Ask*, p. 177, as palavras hebraicas para cevada e lentilha são muito semelhantes.

P: Em 2 Samuel 23:16, por que Davi derramou a água?

R: Davi queria demonstrar que valorizava os sacrifícios de suas tropas mais do que saciar sua própria sede. Essa é uma característica de um líder que inspira respeito e lealdade. Séculos mais tarde, quando Alexandre, da Macedônia, conduziu seu exército pelo que hoje é o Irã, ele fez o mesmo.

P: Em 2 Samuel 23:20, o que são “homens semelhantes a leões”?

R: Os árabes e os persas chamavam os guerreiros corajosos de “Ariel”, ou leões de Deus.

P: Em 2 Samuel 23:25-32, algum desses nomes foi encontrado por arqueólogos?

R: Sim, embora provavelmente se tratasse de outras pessoas com o mesmo nome. Os nomes Helez, em 2 Samuel 23:26, e Eliahba, que significa “Deus oculta [o recém-nascido]”, em 2 Samuel 23:32, foram encontrados em bulas hebraicas, de acordo com Avigad, em *Hebrew Bullae*, p. 57, 53.

P: Em 2 Samuel 23:39, por que Urias, o hitita, é mencionado aqui, uma vez que Urias foi morto em 2 Samuel 11:17,24?

R: Trata-se de uma lista de todos os que já haviam sido oficiais de Davi, e não apenas daqueles que estavam vivos naquele momento.

P: Em 2 Samuel 24:1, quando foi realizado esse censo?

R: 2 Samuel não especifica, e algumas partes de 2 Samuel não seguem ordem cronológica. No entanto, 1 Crônicas 21 indica que o censo foi realizado bem no final do reinado de Davi, pouco antes de Davi dar instruções a Salomão sobre a construção do Templo.

P: Em 2 Samuel 24:1, qual era a extensão máxima do império de Davi?

R: Tinha cerca de 30.000 milhas quadradas, ou aproximadamente o tamanho do estado americano do Maine. Era menor do que os impérios egípcio, hitita, assírio e babilônico em épocas anteriores e posteriores. No entanto, durante o reinado de Davi, todos esses outros países estavam militarmente enfraquecidos ou divididos

P: Em 2 Samuel 24:1, por que Deus ficou irado com Israel por causa do censo que contava os homens aptos para o combate?

R: As Escrituras não explicam por que Deus ficou irado; mas é muito provável que tenha sido devido à tendência ao orgulho e à autoexaltação. Apenas uma geração antes, os israelitas eram uma confederação informal de tribos subjugadas pelos filisteus. Agora, por um breve período, eles eram uma das potências mais fortes do Oriente Médio, a leste do Egito. Como mostra 2 Samuel 22:28, Deus deseja humilhar os orgulhosos. O censo aqui pode ser uma pista de que eles tinham orgulho de si mesmos, de seu número e de seu poder militar.

Observe que, nos tempos antigos, o censo era utilizado para fins de serviço militar e tributação. Além disso, Larry Richards, em *735 Baffling Bible Questions Answered*, p. 117, observa que um líder nacional não pode tomar decisões que não afetem seu povo.

P: Em 2 Samuel 24:1, por que Deus levou Davi a fazer o recenseamento de Israel?

R: 2 Samuel 24:1 diz que Deus estava irado com Davi e com Israel, provavelmente por causa do orgulho que nutriam em relação aos seus sucessos militares. Assim, para o bem de Israel, Deus desejava que eles fossem humilhados. Qual foi o meio que Deus utilizou? - Deus fez com que Satanás tentasse Davi especificamente a fazer o censo de Israel, embora pessoas como Joabe reconhecessem que isso era errado (2 Samuel 24:1; 1 Crônicas 21:3-4), sendo feito por orgulho e não por fé. Depois que Davi cedeu à tentação, Deus deu a ele a opção de escolher entre a punição por fome, por peste ou por ter que fugir de seus inimigos (1 Crônicas 21:12). Podemos perceber que não seria tão proveitoso para Deus puni-los por seu orgulho se eles não tivessem ideia do motivo pelo qual estavam sendo punidos. A ação de Davi, que provavelmente representava a autoconfiança nacional de muitos israelitas, ilustrou a todos o motivo da punição.

Hoje, às vezes, os cristãos que são obedientes a Deus ainda podem pecar ao se orgulharem de si mesmos, em vez de demonstrarem gratidão pela misericórdia e pela graça de Deus. Não possuímos nada de bom, nenhuma habilidade ou talento, exceto o que Deus nos concedeu,

P: Em 2 Samuel 24:1, foi Deus quem levou Davi a fazer um censo de Israel, ou foi Satanás quem o levou, como diz 1 Crônicas 21:1?

R: Ambas as respostas estão corretas. Satanás foi a causa imediata, e Deus permitiu que Satanás tentasse Davi dessa forma para revelar o orgulho que Davi e a nação possuíam. Deus poderia ter dito a Davi para não iniciar isso; mas Deus não o fez; Ele estava testando o que Davi faria. Aparentemente, Davi não orou para pedir orientação a Deus.

Algumas pessoas pensam que, uma vez que se torna cristão, os demônios não podem mais afetá-lo. Isso não é verdade. Os demônios não podem oprimir os crentes, mas ainda assim podem tentá-los e oprimir os crentes. - Basta perguntar a Jó.

A palavra hebraica para “mover” em ambos os versículos é a mesma. Deus e Satanás estavam agindo em conjunto aqui. Para compreender isso, é preciso entender a doutrina da concorrência. Primeiro, discutiremos a doutrina em geral e, em seguida, como ela se aplica neste caso.

Cinco Pontos da Doutrina da Concorrência

1. Deus tece todas as coisas como parte de Seu plano (Efésios 1:11; Provérbios 16:4).

2. Algumas coisas, como as pecaminosas, Deus não deseja (Jeremias 7:31; 19:5; Mateus 23:37).

3. Mesmo o mal que os homens planejam e praticam, Deus muitas vezes não apenas permite, mas até mesmo pretende que seja usado para o bem (Gênesis 50:18-20; Romanos 8:28) e para Sua glória (Romanos 9:17-18).

4. Além disso, Deus desempenha até mesmo um papel ativo ao permitir que os homens pratiquem o mal que desejam praticar. Por exemplo, quando alguém desobedece deliberadamente a Deus e endurece o próprio coração, às vezes Deus endurece ainda mais esse coração, como fez com o Faraó (Êxodo 7:13; 8:19; 9:7, 9:34-35; 10:20,27; 14:8).

5. Deus nunca pratica o mal nem tenta as pessoas (Tiago 1:13), mas usa diversos meios, inclusive o próprio Satanás, para alcançar Seus objetivos (2 Crônicas 18:18-22).

Em 2 Samuel 24:1 e 1 Crônicas 21:1, Deus decidiu fazer com que Davi e os israelitas revelassem seu orgulho para que Ele pudesse lidar com isso. Deus foi, em última instância, o responsável por “levar” Davi a fazer o censo de Israel, ao delegar a Satanás a responsabilidade imediata de influenciar Davi. Visto que Deus opera todas as coisas de acordo com Seu plano, como observou um cristão, em última análise, Satanás é apenas o servo relutante do Deus Altíssimo.

Por fim, se o senhor não gosta do fato de que Deus usa todos os meios, e não apenas os bons, para alcançar Seus fins, o senhor pode discutir isso com Deus. O objetivo desta discussão não é dizer como Deus “deveria se comportar” segundo nossa própria compreensão. Trata-se, antes, de expor brevemente o que Deus escolheu nos mostrar sobre Si mesmo em Sua Palavra.

P: Em 2 Samuel 24:1-10, Davi parecia não ter consciência de que havia pecado e cedido ao seu orgulho antes de concluir o censo mencionado no versículo 10, mesmo apesar de Joabe tê-lo advertido previamente. Por que as pessoas podem agir por orgulho ou arrogância e, ainda assim, não ter a menor noção de que estão agindo dessa forma?

R: Tudo se resume a uma palavra: racionalização. Davi poderia facilmente justificar a necessidade de um censo, tanto para fins tributários quanto para obter uma porcentagem equivalente de homens aptos para o combate em cada região. É claro que aquele era um período de paz, portanto não havia guerras naquele momento. Era uma época de prosperidade, com outras nações prestando tributo; então, por que Davi precisaria cobrar mais impostos do povo?

Mas o fato de que boas razões poderiam ser apresentadas para tal não nega que isso pudesse alimentar seu orgulho. Lembre-se sempre de que, sem Deus, nosso coração é naturalmente mau e, geralmente, orgulhoso. Quando sentirmos aquela agradável “euforia” ao ver nosso orgulho sendo alimentado, reflita se é possível evitar fazê-lo de todo.

Lembre-se: nossa maior aspiração é ser um filho e servo de Deus, adorando-O no céu para sempre. Devemos sempre desejar que toda a glória seja dada a Ele, e não a nós mesmos.

P: Em 2 Samuel 24:9, o resultado do censo foi de 800.000 em Israel e 500.000 em Judá, ou foi de 1.100.000 em Israel e 470.000 em Judá, como diz 1 Crônicas 21:5-6?

R: Há duas respostas diferentes, e qualquer uma delas pode ser verdadeira.

Erro de transcrição: Um dos versículos pode conter um erro de transcrição.

Ambas estão corretas: Alternativamente, ambas estão corretas, pois os totais se referiam a grupos diferentes. Os números em 1 Crônicas 21:5-6 não incluem os levitas e os benjamitas. Os números em 2 Samuel 24:9 também podem incluir os 288.000 do exército permanente mencionados em 1 Crônicas 27:1-15 e os 12.000 em Jerusalém e nas cidades das carruagens (2 Crônicas 1:14). Além disso, 1 Crônicas 6:1 menciona o exército permanente de Judá, composto por 30.000 homens. Uma solução é que 1.100.000 - 288.000 - 12.000 = 800.000, e 500.000 - 30.000 = 460.000.

P: Em 2 Samuel 24:10-12, por que Deus matou os israelitas pelo pecado de Davi, em vez de matar Davi?

R: Aparentemente, Davi se perguntou a mesma coisa em 2 Samuel 24:17. Embora as Escrituras não o digam, há várias razões possíveis, que podem ser combinadas.

Davi ainda precisava aprender as consequências de seu orgulho em relação ao seu poder terreno, mesmo já tendo se arrependido.

O povo nutria um orgulho semelhante e também precisava aprender.

As gerações futuras teriam a oportunidade de aprender com isso a gravidade que Deus atribui ao pecado do orgulho.

Talvez alguns dos soldados de Davi fossem, na verdade, anjos disfarçados, e Satanás quisesse que fossem contados para revelar que não eram pessoas comuns ou para forçar Deus a eliminá-los. Deus os eliminou fazendo com que “morressem” na praga.

A título de observação, uma epidemia em uma região nunca dura apenas três dias, se for apenas uma praga natural.

Uma lição que podemos aprender com isso é que Deus pode punir como Lhe aprouver, e não é necessário que Ele nos explique por que escolheu uma forma de punição em vez de outra.

P: Em 2 Samuel 24:13, houve sete anos de fome, ou foram três anos de fome, conforme 1 Crônicas 21?

R: Há duas respostas possíveis.

Deus se compadeceu: Em primeiro lugar, Deus nunca disse que haveria sete anos de fome. Em vez disso, Deus primeiro perguntou a Davi sobre a opção de sete anos de fome. Posteriormente, Deus apresentou a Davi a opção de reduzir esse período para três anos.

Erro de transcrição: Uma resposta mais provável é que tenha havido um erro de transcrição. Alguns manuscritos mencionam três anos em 2 Samuel 24:13.

P: Em 2 Samuel 24:14, por que Davi escolheria cair nas mãos de Deus, já que Hebreus 10:31 diz que isso é algo muito temível?

R: Davi, um crente, escolheu o castigo de Deus por meio da peste em vez da espada ou da fome. Hebreus 10:31 fala de uma situação diferente, do julgamento final, e isso será muito temível para os incrédulos.

P: Em 2 Samuel 24:16, como Deus se arrependeu?

R: A vontade de Deus para conosco pode se manifestar de maneira diferente quando mudamos e nos arrependemos. Consulte a discussão sobre Gênesis 6:6 e Gênesis 20:3-6 para obter a resposta.

P: Em 2 Samuel 24:16-17, o anjo destruidor era visível?

R: 2 Samuel 24:17 diz especificamente que Davi viu o anjo do Senhor na eira de Araúna. No entanto, em 2 Samuel 24:20, Araúna viu Davi e seus oficiais e perguntou, perplexo, por que eles haviam vindo à sua eira. Portanto, Araúna não deve ter sido capaz de ver o anjo do Senhor. As Escrituras não mencionam quem mais poderia ver o anjo do Senhor ou não.

P: Em 2 Samuel 24:24, Davi pagou a Araúna 50 siclos de prata pelos bois e pela eira, ou pagou a Araúna 600 siclos de ouro por todo o local?

R: Ambas as afirmações estão corretas. Os 600 siclos de ouro referiam-se à propriedade (excluindo os bois e a eira), e os 50 siclos referiam-se aos bois e à eira. A Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia, p. 190, destaca que uma eira geralmente não era grande, e que uma eira e os bois não valeriam muito mais do que 50 siclos de prata. A propósito, um siclo de ouro valia cerca de doze vezes mais do que um siclo de prata.

P: Quais são os versículos dos Manuscritos do Mar Morto correspondentes a 2 Samuel?

R: No total, dos 695 versículos do 2º Livro de Samuel, os Manuscritos do Mar Morto preservam os seguintes 294 versículos (42,3 %).

2 Sm 2:5-16, 25-27, 29-32; 3:1-8, 23-29; 4:1-4, 9-12; 5:1-16 (omitindo 5:4-5); 6:2-9, 12-18; 7:23-29; 8:2-8; 10:4-7, 18-19; 11:2-12, 16-20; 12:4-5, 8-9, 13-20, 30-31; 13:1-6, 13-34, 36-39; 14:1-3, 18-19; 14:7-33; 15:1-15, 27-31; 16:1-2, 11-13, 17-18, 21-23; 18:2-7, 9-11; 19:7-12; 20:2-14,23-26; 21:1-2,4-6,15-18; 22:30-51; 23:1-6,7,9-12; 24:16-20.

P: Quais escritores antigos fizeram referência a 2 Samuel?

R: A seguir, apresentamos os escritores pré-nicenos que citaram ou fizeram alusão a versículos de 2 Samuel. 1 e 2 Samuel eram chamados de 1 e 2 Reis.

Justino Mártir (c. 138-65 d.C.) cita 2 Samuel 7:14 quando Natã está falando com Davi. Diálogo com Trifão, o judeu, cap. 118, p. 258.

Meleto/Melito de Sardes (170-177/180 d.C.) refere-se aos “Quatro livros dos Reinos” [1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis] entre os livros do Antigo Testamento em sua carta a Onésimo. Sobre a Páscoa, p. 72. Preservado na História Eclesiástica de Eusébio, livro 4, cap. 26.

Irineu de Lyon (182-188 d.C.) cita 2 Samuel 11:27 e 2 Samuel 12:1. Irineu, Contra as Heresias, livro 4, cap. 27, p. 498.

Tertuliano (198-220 d.C.) faz alusão a 2 Samuel 11 e 12 a respeito de Urias. Sobre a Modéstia, cap. 6, p. 79

Tertuliano (198-220 d.C.) refere-se a Natã em 2 Samuel 7:22 como “nos primeiros Reis”. Cinco Livros Contra Marcião, livro 3, cap. 20, p. 339

Orígenes (240 d.C.) refere-se a 2 Reis (que seria 2 Samuel). Comentário sobre o Cântico dos Cânticos, prólogo, p. 49

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) discute 2 Samuel 7:4, 5, 12-16 como 2 Reis. “Tratados de Cipriano”, Tratado 12, primeira parte, cap. 15, p. 511.

Lactâncio (c. 303-c. 325 d.C.) menciona “2 Reis” e se refere a 2 Samuel 7:4, 5, 12-14, 16. As Instituições Divinas, livro 4, cap. 13, p. 113.

De Nicéia a Éfeso (325-431 d.C.)

Afraate, o Sírio (337-345 d.C.), faz alusão a 2 Samuel.

A “Vida de Antônio” (356-362 d.C.) faz alusão a 2 Samuel.

Atanásio (367 d.C.) menciona “Os quatro livros dos reis” ao enumerar os livros do Antigo Testamento. Carta Pascal 39, cap. 4, p. 552.

Sinopse da Escritura Sagrada (350-370 d.C.)

Efraim, o Sírio (350-378 d.C.)

Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) (implícito)

Ambrósio de Milão (370-390 d.C.) cita 2 Samuel.

Gregório de Nazianzo (330-391 d.C.) faz alusão a 2 Samuel.

Paciano de Barcelona (342-379/392 d.C.) faz alusão a 2 Samuel 12:15-16. Em *Sobre os Penitentes*, cap. 9.2, p. 80

Gregório de Nissa (c. 356-397 d.C.) faz alusão a 2 Samuel.

Rufino (374-406) - Comentário sobre o Credo dos Apóstolos

Jerônimo (373-420 d.C.) discute os livros do Antigo Testamento. Ele discute especificamente Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, o Pentateuco, Jó, Jesus, filho de Nave [Josué], Juízes, Rute, Samuel e Reis (dois livros), os doze profetas, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Ester, Esdras, Neemias, Carta 53, cap. 7-8, p. 99-101.

Epifânio de Salamina (373-420 d.C.)

João Crisóstomo (-407 d.C.) cita 2 Samuel 12:7-9 como proveniente de Deus em Homilias sobre Mateus, Homilia 75.5, p. 455

Orosius/Hosius de Braga (414-418 d.C.) faz alusão a 2 Samuel 15:16-17. Defesa contra os pelagianos, cap. 2, p. 117

Concílio de Cartago (393-419 d.C.)

Sulpício/Sulpício Severo (363-420 d.C.) refere-se a 2 Samuel como “Reis”, no livro “História”, vol. 1, cap. 46, p. 93

Agostinho de Hipona (338-430 d.C.) cita 2 Samuel 7:14,15 como proveniente do Livro de Samuel em *A Cidade de Deus*, livro 17, cap. 9, p. 349

Agostinho de Hipona (338-430 d.C.) refere-se a 2 Samuel como Escritura em “Comentário sobre os Salmos”, p. 412

João Cassiano (419-430 d.C.) (implícito)

Entre os heréticos e os livros espúrios

Pseudo-Metódio (270-311/312 d.C.) faz alusão a 2 Samuel 7:7. “Oração de Simeão e Ana”, cap. 1, p. 383

Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.)

Após Nicéia, há também outros escritores.

P: Em 2 Samuel, quais são algumas das diferenças de tradução entre o hebraico e a Septuaginta grega?

R: 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis são chamados de 1, 2, 3 e 4 Reis na Septuaginta. Concentrando-nos principalmente no capítulo 23 e em parte do capítulo 24, a primeira alternativa é o texto massorético, e a segunda é a Septuaginta, salvo indicação em contrário.

2 Samuel 1:9 “nos templos de seus ídolos” vs. “entre seus ídolos” (Septuaginta)

2 Samuel 1:12 “O SENHOR” (Masorético) vs. “Judá” (Septuaginta)

2 Sm 1:18 “livro de Jashar” (textos massoréticos) vs. “livro do cântico” (Septuaginta. Isso provavelmente decorre da palavra hebraica para “cântico”, hsyr, em vez de Jashar, hysr).

2 Samuel 2:18 “Ele falou” (Masorético) vs. “Pois o SENHOR falou” (muitos manuscritos hebraicos, Septuaginta, siríaco, Targum)

2 Samuel 3:3 [nome de um filho de Davi] “Kileab” (Masorético) vs. “Dileab” (4QSam(a) e a Septuaginta)

2 Samuel 3:7 “E ele [Ish-bosheth] disse a Abner” (textos massoréticos) vs. “E Ish-bosheth disse a Abner” (alguns manuscritos hebraicos, 4QSam(a), Septuaginta, siríaco)

2 Sm 3,12 “Mensageiros em seu lugar” (textos massoréticos) vs. “mensageiros imediatamente” (Símaco, caldeu).

2 Samuel 3:12 “onde ele estava” vs. “em Hebrom”

2 Samuel 4:29 “a casa de seu pai” (Masorético, Septuaginta), versus “a casa de Joabe” (4QSam(a))

2 Samuel 5:4-5 está ausente no Manuscrito do Mar Morto 4Q51 (=4QSam(a)).

2 Samuel 5:25 “Gebá” (Masorético) vs. “Gibeão” (Septuaginta, 1 Crônicas 14:16) (Gebá não faz sentido geograficamente neste contexto.)

2 Samuel 6:2 “Baale-Judá” versus “para Bala, isto é, Quir[irate-Jerim, que pertence a] Judá” (4Q51)

2 Samuel 6:2 “o Nome, o nome do Senhor Todo-Poderoso” (Masorético) vs. “o nome do SENHOR Todo-Poderoso” (Septuaginta, Targum, Vulgata)

2 Samuel 6:5 “celebrando perante o SENHOR com [todos os tipos de instrumentos feitos de] pinheiro/abeto e liras” (textos massoréticos) vs. “celebrando com cânticos e liras” (Manuscritos do Mar Morto, Septuaginta)

2 Samuel 7:4 “E o trouxe da casa de Abinadabe, que ficava no outeiro” é repetido acidentalmente duas vezes no texto massorético.

2 Samuel 7:15 “Não me afastarei” (textos massoréticos) vs. “Não tirarei” (Septuaginta, siríaco, Vulgata)

2 Sm 7:16a “e será” (Masorético) vs. “e foi” (4QSam(a) e 1 Crônicas 15:29, o que faz mais sentido do ponto de vista gramatical)

2 Samuel 7:16b “diante de você” (a maioria dos textos massoréticos) vs. “diante de mim” (alguns textos massoréticos, Septuaginta. “Diante de mim” faz mais sentido no contexto)

2 Samuel 7:21 “palavra” (Masorético) vs. “servo” (algumas versões da Septuaginta, 2 Crônicas 17:19)

2 Samuel 7:23 “Existe alguma nação” (textos massoréticos) vs. “Existe outra nação” (Septuaginta) (o significado é essencialmente idêntico)

2 Samuel 7:23 “maravilhas para a sua terra e diante do seu povo, a quem o senhor resgatou do Egito, das nações e de seus deuses” (textos massoréticos) vs. “maravilhas ao expulsar as nações e seus deuses da presença do seu povo, a quem o senhor resgatou do Egito” (Septuaginta)

2 Sm 8:4 “capturou 1.700 de seus condutores de carruagens” (Masorético) vs. “capturou 1.000 de suas carruagens, 7.000 condutores de carruagens” (Septuaginta, provavelmente a leitura de 4QSam(a))

2 Samuel 8:8 “Betá” versus “Tebá” (Septuaginta)

2 Samuel 8:8 “Toi” vs. “Tou” (algumas versões da Septuaginta)

2 Sm 8:12 “Aram [Síria]” (textos masoréticos) vs. “Edom” (alguns manuscritos hebraicos) vs. “Idumeia [nome posterior para Edom]” (Septuaginta, siríaco, alguns hebraicos)

2 Samuel 8:13 “Arameus [sírios]” (textos massoréticos) vs. “edomitas” (alguns manuscritos hebraicos) vs. “Idumeia [nome posterior para Edom]” (Septuaginta, siríaco, alguns hebraicos)

2 Samuel 8:18 “Benaías, filho de Jeoada, dos quereteus e dos peleteus” (textos massoréticos) vs. “Benaías, filho de Jeoada, era chefe dos quereteus e dos peleteus” (siríaco, Targum, Vulgata) (Isso obviamente foi omitido do hebraico.)

2 Samuel 9:11 “comia à minha mesa” (Masorético) vs. “comia à mesa de Davi” (Septuaginta; esta versão é provavelmente a correta no contexto)

2 Samuel 10:18 “cavaleiros” (Masorético) vs. “soldados de infantaria” (algumas versões da Septuaginta)

2 Samuel 11:1 “mensageiros” (textos massoréticos) vs. “reis” (vários manuscritos hebraicos, Manuscritos do Mar Morto)

2 Samuel 11:3 [ausente] (Masorético, Septuaginta) vs. “Urias era o escudeiro de Joabe” (Manuscrito do Mar Morto 4Q51 (=4QSam(a)) e Josefo)

2 Samuel 12:6 “quatro vezes” (textos massoréticos, Josefo, *Antiguidades dos Judeus*, livro 7, cap. 150, vii.3, recensão lucianica da Septuaginta, alguns targums) vs. “sete vezes” (Septuaginta)

2 Samuel 12:16 “no chão” (textos massoréticos) vs. “deitado em saco” (LXX, recensão lucianica da LXX, um manuscrito OL e Josefo em *Antiguidades dos Judeus*, livro 7, 154, vii.4]

2 Samuel 12:14 “fez com que os inimigos do SENHOR demonstrassem total desprezo” (textos massoréticos) vs. “com isso, o senhor demonstrou total desprezo pelo SENHOR” (uma antiga tradição dos escribas hebreus)

2 Samuel 12:24 “ele chamou” (Ketubim, Septuaginta, Vulgata) vs. “ela chamou” (Manuscritos do Mar Morto, alguns manuscritos hebraicos, siríaco, Targum)

2 Samuel 13:3 “Jonadabe” (Masorético, Septuaginta) vs. “Jônatas” (4QSam(a), recensão lucaniana da Septuaginta)

2 Samuel 13:3 “Jonadabe” (TM, LXX padrão) vs. “Jônatas” (4Qsam(2) e a LXX lucaniana)

2 Samuel 13:21 [ausente] (textos massoréticos) vs. “mas ele [Davi] não quis punir seu filho Amnon, pois o amava muito, já que era seu primogênito.” (4QSam(a), Septuaginta, Josefo, Antiguidades dos Judeus, livro 7, cap. 173, viii.2)

2 Sm 13:34 [ausente] (Masorético) vs. “O sentinela foi e disse ao rei: ‘Vejo homens na direção de Horonaim, na encosta da colina.’” (Septuaginta)

2 Sm 13:39 “Mas o espírito/coração do rei Davi” (Masorético, Siríaco, Vulgata) vs. “e o espírito/coração do rei” (Manuscritos do Mar Morto, algumas versões da Septuaginta) vs. “a alma do rei Davi” (Targum)

2 Samuel 13:39 “confortou-se a respeito de Amom” (Masorético, Targum) vs. “deixou de perseguir Amom” (Septuaginta, Vulgata)

2 Samuel 14:4 “disse/falou” (a maioria dos textos massoréticos) vs. “foi/veio” (alguns textos massoréticos, algumas versões da Septuaginta, siríaco, Vulgata) vs. “entrou” (algumas versões da Septuaginta)

2 Samuel 14:27 “Tamar” (Masorético) vs. “Tamar, e ela tornou-se esposa de Roboão, filho de Salomão, e lhe deu um filho chamado Abias.” (Septuaginta)

2 Samuel 14:30 “e ele tem” (MT) vs. “Mas não havia” (4QSam). Isso alteraria se o campo de cevada continha cevada ou se era apenas restolho após a colheita.

2 Samuel 15:7 “quarenta” (Masorético, algumas versões da Septuaginta) (O que é improvável neste contexto.) vs. “quatro” (algumas versões da Septuaginta, siríaco, Josefo)

2 Samuel 15:8 “Senhor” (Masorético) vs. “Senhor em Hebrom” (algumas versões da Septuaginta)

2 Samuel 15:12 “conspiração” (textos massoréticos, Septuaginta) vs. “coalizão” (Alexandrino)

2 Samuel 15:20 “amor constante” (Masorético) vs. “e que o SENHOR mostre amor constante e” (Septuaginta) (Essas palavras parecem ter sido omitidas do hebraico)

2 Samuel 15:27 “Você é um vidente? Você me vê? Volte” (Masorético) vs. “Veja, você me vê? Volte” (Septuaginta)

2 Samuel 15:30 “e ele tem” (Masorético) vs. “mas não havia” (4QSam(c))

2 Samuel 15:28 “e grãos torrados” foi acidentalmente escrito duas vezes no texto massorético.

2 Samuel 15:30 [ausente] (Masorético) vs. “Os jovens de Joabe foram até ele com as vestes rasgadas e disseram: ‘Os servos de Absalão incendiaram o campo’.” (4QCam(c) e Septuaginta)

2 Samuel 16:12 “meus olhos” (Manuscritos do Mar Morto) vs. “lágrimas dos meus olhos” (Targum) vs. “minha aflição” (Ketubim, Septuaginta, Siríaco, Vulgata)

2 Samuel 16:12 “minha iniquidade” vs. “minha angústia” (Septuaginta, Vulgata) (O hebraico não faz sentido neste contexto)

2 Samuel 16:14 “estavam cansados” (Masorético) vs. “estavam cansados junto ao Jordão” (Septuaginta)

2 Samuel 16:15 “todo o povo, os homens de Israel” (Masorético) vs. “todos os israelitas” (Septuaginta)

2 Samuel 17:3 “como o retorno do homem que o senhor procura” (Masorético) vs. “O senhor procura a vida de apenas um homem” (Septuaginta)

2 Samuel 17:9 “alguns deles” (Masorético) vs. “algumas de nossas tropas” (Septuaginta)

2 Samuel 17:25 “Ithra” (provavelmente uma variante de Jeter) (Masorético) vs. “Jeter” (Septuaginta)

2 Samuel 17:25 “um israelita” (Masorético, algumas versões da Septuaginta, Targum) vs. “ismaelita” (algumas versões da Septuaginta) vs. “jezreelita” (algumas versões da Septuaginta)

2 Samuel 17:28 “lentilhas e grãos torrados” (Masorético) vs. “feijões e lentilhas” (a maioria da Septuaginta e do siríaco)

2 Samuel 18:2 “enviou o exército” (textos massoréticos) vs. “dividiu o exército em três grupos” (Septuaginta)

2 Samuel 18:4 “preocupem-se; pois agora há dez mil como nós” (a maioria dos manuscritos massoréticos) vs. “preocupem-se conosco. Mesmo que metade de nós morra, eles não se importarão; mas o senhor vale por dez mil de nós.” (dois manuscritos hebraicos, algumas versões da Septuaginta, Vulgata, Símaco)

2 Samuel 18:9 “e ele foi colocado” (Masorético) vs. “e ele foi deixado pendurado” (Septuaginta, siríaco, Targum)

2 Samuel 18:12 pode ser traduzido como “Absalão, quem quer que você seja”, de acordo com a NIV (a maioria dos manuscritos massoréticos) versus “Absalão, por minha causa” (alguns manuscritos hebraicos, a Septuaginta, a Vulgata e o siríaco)

2 Samuel 19:11 “ao rei, à sua casa” (textos massoréticos) vs. “ao rei” (Septuaginta)

2 Samuel 20:24 “Adoram” (textos massoréticos) versus “Adinoram” (algumas versões da Septuaginta)

2 Samuel 20:26 “o jairita” (textos massoréticos) vs. “filho de Iarin” (Septuaginta, que frequentemente substituía o J pelo I) vs. “o itrita” (recensão lucaniana da Septuaginta)

2 Samuel 21:8 “Mical” (a maioria dos manuscritos masoréticos e da Septuaginta) vs. “Merabe” (dois manuscritos hebraicos, algumas versões da Septuaginta, siríaco)

2 Sm 22:8a “terra” vs. “montanhas” (Vulgata, siríaco)

2 Samuel 22:8 “fundamentos dos céus” (textos massoréticos, Targum) vs. “fundamentos do céu” (Septuaginta) vs. “fundamentos das montanhas” (Vulgata, siríaco, Septuaginta)

2 Samuel 22:11 “apareceu” (a maioria dos manuscritos massoréticos, Septuaginta) vs. “elevou-se” (muitos manuscritos massoréticos, siríaco, Vulgata) vs. “falou com poder” (Targum)

2 Sm 22:12 “nuvens de chuva amontoadas” (textos massoréticos) vs. “nuvens de chuva escuras” (Septuaginta e Vulgata)

2 Samuel 22:25 “de acordo com a minha pureza aos Seus olhos” (textos massoréticos) vs. “de acordo com a pureza das minhas mãos aos Seus olhos” (Septuaginta, Vulgata, Salmo 18:24) vs. “de acordo com a minha pureza diante da Sua palavra” (Targum)

2 Sm 22,2 [ausente] vs. “Eu te amo, ó SENHOR, minha força” (siríaco, recensão lucaniana da Septuaginta e Salmo 18,1)

2 Samuel 22:33 “que é o meu forte refúgio” (Masorético) vs. “me reveste de força” (Manuscritos do Mar Morto, algumas versões da Septuaginta, siríaco, Vulgata, Salmo 18:32) vs. “me sustenta com força” (Targum)

2 Samuel 22:33 “meu caminho é perfeito” (Manuscritos do Mar Morto, Septuaginta, siríaco, Targum, Vulgata) vs. “Seu caminho é perfeito” (Ketubim)

2 Samuel 22:36 “sua resposta” (Masorético) vs. “seu socorro” (Manuscritos do Mar Morto)

2 Samuel 22:44 “da contenda com o meu povo” (textos massoréticos) vs. “da contenda com os povos” (Septuaginta)

2 Samuel 22:46 “eles se armam” (Masorético) vs. “vêm tremendo” (algumas versões da Septuaginta, Vulgata, Salmos 18:45)

2 Samuel 23:1a “A palavra de” (Masorética) vs. “Fiel é” (Septuaginta)

2 Samuel 23:1b “que foi elevado às alturas” (Masorético) vs. “a quem Deus exaltou / elevou” (Manuscritos do Mar Morto, Septuaginta)

2 Sm 23:1c “e o doce cantor de Israel” vs. “belos [são] os salmos de Israel.”

2 Sm 23:3 “falou-me” vs. “contou-me uma parábola”

2 Samuel 23:3 “que governa no temor de Deus” vs. “Como você fortalecerá o temor do ungido”

2 Samuel 23:4 “uma manhã sem nuvens” vs. “da luz pela qual o Senhor passou”

2 Samuel 23:5 “Pois não é assim a minha casa?” vs. “Pois a minha casa não é assim”

2 Samuel 23:5 “ordenada em todas as coisas e segura” vs. “protegida em todo momento”

2 Samuel 23:5 “Não a fará Ele crescer?” versus “para que os ímpios não prosperem.”

2 Samuel 23:6 “Quanto aos ímpios” vs. “Todos esses”

2 Samuel 23:6 “pela mão” vs. “com a mão”

2 Samuel 23:7 “Mas o homem que os tocar deverá estar armado [com] ferro e com a haste de uma lança; eles serão totalmente queimados pelo fogo em [seu] lugar.” vs. “e nenhum homem trabalhará entre eles; e com ferro, e com a haste de uma lança, ele os queimará com fogo, e eles serão queimados em sua vergonha.”

2 Samuel 23:8 “Bashebeth” (textos massoréticos) vs. “Ish-Bosheth” (algumas versões da Septuaginta)

2 Samuel 23:8 “tachmonita” vs. “cananeu”

2 Samuel 23:8 “os capitães” (Masorético, Targum) vs. “os Três” (Septuaginta, Vulgata)

2 Samuel 23:8 “três — ele [era chamado] Adino, o eznita, por causa dos oitocentos que [ele] matou de uma só vez.” vs. “terceira parte: Adinon, o asonita, que empunhou sua espada contra oitocentos soldados de uma só vez.”

2 Samuel 23:9 “Eleazar, filho de Dodo, filho de Ahohi.” vs. “Eleanan, filho de seu tio, filho de Dudi”

2 Samuel 23:10 “voltou atrás dele” vs. “ficou atrás dele”.

2 Samuel 23:11 “reuniram-se em um grupo” vs. “reuniram-se em torno de Teria”

2 Samuel 23:13 “trinta comandantes” vs. “trinta”

2 Samuel 23:13 “para a colheita” vs. “para Cason”

2 Samuel 23:15 “portão?” vs. “portão? Ora, o bando dos filisteus [estava] então em Belém”

2 Samuel 23:18 “Três” (a maioria dos textos hebraicos, Septuaginta, Vulgata) vs. “Trinta” (dois textos hebraicos, siríaco) vs. “os homens valentes” (Targum)

2 Samuel 23:20 “filho de Jeoada, de Cabzeel, filho de um homem valente” vs. “filho de Jodae, que se destacava por seus feitos heróicos, de Cabzeel”

2 Samuel 23:20 “Ariel/homens semelhantes a leões” vs. “filhos de Ariel” (a palavra Ariel significa leão)

2 Samuel 23:23 “mais honrado do que os trinta” vs. “honrado entre os três segundos”

2 Samuel 23:23 “E Davi o colocou à frente de sua guarda” vs. “e Davi o nomeou seu informante.”

2 Samuel 23:24 “Asael” vs. “E estes são os nomes dos valentes do rei Davi: Asael”

2 Samuel 23:24 “Dodo” vs. “Dudi, seu tio”

2 Samuel 23:25-26 “Sama, o harodita; Elicaque, o harodita; Helez, o paltita; Ira, filho de Iques, o tecita” vs. “Saema, o rudaeano; Seles, o kelotita; Iras, filho de Isca, o tecita.”

2 Samuel 23:27 “Mebunnai” (textos massoréticos) vs. “Sibbecai” (algumas versões da Septuaginta; 1 Crônicas 11:29)

2 Samuel 23:27 “Anatotita” vs. “Anotita, dos filhos do Anotita”.

2 Samuel 23:27-37: os nomes e lugares em hebraico e em grego não parecem muito semelhantes.

2 Samuel 23:39 “Urias, o hitita” vs. “Urias, o chetita”

2 Samuel 24:1 “E novamente a ira do Senhor se acendeu contra Israel, e incitou Davi contra eles” versus “E o Senhor fez com que sua ira se acendesse novamente em Israel, e incitou Davi contra eles”

2 Samuel 24:2 “Joabe, o comandante do exército” (Masorético) versus “Joabe e os comandantes do exército” (Septuaginta)

2 Samuel 24:5 “acamparam em Aroer, ao sul de” (Masorético) vs. “partiram de Aroer” (Septuaginta)

2 Samuel 24:6 “para a terra de Tahtim-hodshi” vs. “para a terra dos hititas” (Septuaginta)

2 Samuel 24:9 “Em Israel, 800.000… em Judá, 500.000” (tanto no texto massorético quanto na Septuaginta) vs. “Em Israel, 900.000… em Judá, 400.000” (Josefo e a família lucaniana da Septuaginta)

2 Samuel 24:10 “E depois de ter feito o recenseamento do povo, o coração de Davi o atormentou.” vs. “E o coração de Davi o atormentou depois de ter feito o recenseamento do povo”

2 Samuel 24:13 “sete anos” (textos massoréticos) vs. “três anos” (Septuaginta, 1 Crônicas 21:12; isso faz mais sentido neste contexto)

2 Samuel 24:17 “Cometi uma injustiça” (textos massoréticos, a maior parte da Septuaginta) vs. “Eu, o pastor, agi perversamente” (4QSam(a), Alexandrinus) (1 Crônicas 2:17 diz “Agi perversamente”)

Bibliografia para esta questão: a tradução para o hebraico é da obra *Literal Translation*, de Jay P. Green, e a versão da Septuaginta é da tradução de Sir Lancelot C.L. Brenton, intitulada *The Septuagint: Greek and English*. Também foram utilizados o *Expositor's Bible Commentary* e as notas de rodapé das Bíblias NASB, NIV, NKJV, NRSV e JPS.